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A METAFÍSICA DE NIETZSCHE POR MARTIN HEIDEGGER: O PAPEL DO

NIILISMO 1

Rafael Gonçalves da Silveira2

Resumo: O presente artigo tem como objetivo apresentar as considerações do filósofo Martin
Heidegger sobre o papel do niilismo dentro da suposta metafisica nietzschiana. Heidegger interpreta
Nietzsche como o último metafísico do ocidente e apresenta sua metafísica a partir dos seguintes
conceitos: niilismo, a vontade de potência, o eterno retorno, a transvaloração de todos os valores e o
além-homem. Analisando esta interpretação, consideramos que o niilismo tem um papel estratégico,
pois o mesmo desencadeia uma nova transvaloração dos valores através de um novo princípio
instaurador que é a vontade de potência. Nesse contexto Heidegger interpreta o niilismo como o
abandono do ser pela metafísica ocidental.

Palavras-chaves: Metafísica; niilismo; esquecimento do ser; Nietzsche; Heidegger.

INTRODUÇÃO
O filósofo Martin Heidegger deu inicio às suas preleções sobre Friedrich
Nietzsche na década de 1930. Nessas considerações ele abordou os conceitos
nietzschianos detendo-se principalmente na falsa obra “A vontade de poder”.

Em Nietzsche I, Heidegger se propõe a realizar um confronto com Nietzsche,


algo que ele está disposto a levar a diante a partir da análise da vontade de potência
e que está presente em outros escritos. O primeiro Capítulo é “Vontade de Poder
como Arte” e Heidegger apresenta a obra de Nietzsche que será à base de sua
preleção, bem como aponta o modo que pretende trabalhar com Nietzsche,
deixando-nos entrever o que ele pode considerar como o papel do filósofo, como
alguém raro, nem por isso desejável. Não é em vão que ele usa essa ideia a partir
do pensamento de Nietzsche, pois embora realize um confronto, o autor de Ser e
Tempo também considera haver semelhanças de seu pensamento com o pensar
nietzschiano. Ele abre as preleções com uma citação da falsa obra “A vontade de
poder”, fazendo referências à filosofia de Nietzsche. Cito Heidegger:

Em A vontade de poder, a obra da qual trataremos nessa preleção,


Nietzsche diz o seguinte sobre a filosofia: “Não quero persuadir
ninguém a fazer filosofia: é necessário, talvez mesmo desejável, que
o filósofo permaneça uma planta rara. Nada me é mais repulsivo do
que o elogio pedagógico da filosofia, tal como o encontramos em

1 Artigo apresentado como avaliação final da disciplina “Genealogia e Crítica da Moral II”, sob
orientação do professor Clademir Araldi.
2 Mestrando em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas – PPG-FIL/UFPel. Bolsista

CNPQ/CAPES. E-mail: tkl21rafael@gmail.com


Sêneca ou, pior, em Cícero. Filosofia tem pouco a ver com virtude.
Seja-me permitido dizer que mesmo o homem de ciência é algo
fundamentalmente diverso do filósofo. – O que desejo é: que o
autêntico conceito de filosofia não pereça totalmente na Alemanha.”
(A vontade de poder, n.420)”. (Heidegger, 2007(I), p.5).

Nota-se a importância que Heidegger atribui à falsa obra “A vontade de


poder”, mesmo reconheçendo não ser esta obra uma publicação de Nietzsche,
tendo o filósofo de Sils-Maria abandonado este projeto ainda em vida.

Heidegger também aborda a importância da expressão “vontade de poder” na


filosofia nietzschiana. Considera que esta expressão possui um papel duplo no
pensamento do autor, pois primeiramente a expressão é o título de uma “obra
filosófica capital que foi planejada e preparada por Nietzsche durante muitos anos,
mas que nunca foi levada a termo”. (Heidegger, 2007(I), p.6). Em segundo lugar,
para Heidegger a expressão designa o caráter fundamental do ente, pois o ente é
“vontade de poder”. Heidegger identifica uma conexão entre os dois usos da
expressão por Nietzsche, pois para ele somente por ser a vontade de potência uma
representação do caráter fundamental do ente é que ela poder ser considerada
como título de uma obra central no pensamento nietzschiano, mesmo que ela não
tenha sido publicada em vida. No entender heideggeriano, a “expressão é uma
resposta à pergunta sobre o que é afinal o ente”. (Heidegger, 2007(I), p.6). Para o
autor, a pergunta pelo que é afinal o ente “é a pergunta da filosofia”, a questão
diretriz de toda filosofia. Para Heidegger, Nietzsche é o pensador que afirma ser
todo ente vontade de potência.

Nietzsche no entender heideggeriano também sabe o que é a filosofia, no


sentido que “esse saber é algo raro. Somente os grandes pensadores o possuem”.
(Heidegger, 2007(I), p. 7). Porém, apesar de Nietzsche ao dar uma reposta à
questão sobre o que é o ente denota que ele respondeu a pergunta diretriz de toda
filosofia, mas não a pergunta fundadora. Essa questão fundamental não foi
respondida pela filosofia em sua história e Nietzsche se mantém em conformidade
com a tradição. Para Heidegger “a pergunta fundamental permanece tão estranha a
Nietzsche quanto à história do pensamento antes dele”. (HEIDEGGER, 2007(I),
p.62). Para Heidegger, a pergunta diretriz da filosofia, a qual Nietzsche procura
responder através da sua colocação da vontade de potência como caráter do ente,
respondendo a questão sobre o que é o ente, é a pergunta “penúltima” na história da
filosofia ocidental. Para Heidegger “a derradeira, e isso significa a primeira, é: o que
é o ser mesmo?”. (HEIDEGGER, 2007(I), p.62). Para o autor está questão primeira
da filosofia não foi respondida por Nietzsche nem por toda filosofia ocidental antes
dele.

Para o filósofo de Ser e Tempo, se perguntarmos pelo que é o ente (questão


diretriz) e pelo que é o ser (questão primeira) nossa pergunta se transformará na
pergunta “o que é?”, e assim serão trazidas para o pensamento as aberturas do
ente e do ser mesmo. Ao colocar Nietzsche como o filósofo que responde a
pergunta diretriz da filosofia, Heidegger o considera metafísico, talvez o último
metafísico do ocidente. Antônio Casanova, tradutor das preleções de Heidegger e
comentador do filósofo considera que ele não está necessariamente interpretando
metafisicamente a vontade de potência no sentido de uma totalidade. Cito
Casanova:

A afirmação heideggeriana de que Nietzsche continua se


movimentando no interior da questão diretriz da filosofia ocidental não
implica de maneira alguma afirmar a vontade de poder como uma
espécie de princípio transcendente à realidade ao qual poderíamos
reduzir todas as configurações possíveis de realidade. De acordo com
o que veremos mais à frente, Heidegger descreve a vontade de poder
como princípio de estruturação do plano ôntico, e não desconsidera o
caráter plural dos embates entre vontades de poder. (N.T.)
(CASANOVA, 2007, p.7).

Contudo, discordamos dessa posição, pois conforme analisa Müller-Lauter,


existe uma interpretação heideggeriana da vontade de potência como princípio
metafísico em Nietzsche e que tal interpretação seria equivocada. Müller-Lauter
entende que Heidegger concebe uma unidade na vontade de potência e tal unidade
se manteria através da constante superação de si, exigindo que a totalidade do ente
se manifestasse como eterno retorno do mesmo. De acordo com Heidegger,
Nietzsche acaba manifestando essa totalidade do ente, concebendo sua “essência”
como vontade de potência e sua “existência como eterno retorno do mesmo”.
Contudo, Müller-Lauter entende que o todo em Nietzsche só se dá como um tipo de
caos, com uma pluralidade de vontades de potência. O ente enquanto tal “não é
mais fixável” e “não teria, portanto, sentido falar de qualquer fundamento do ente em
Nietzsche”. (MÜLLER-LAUTER, 1997, p. 70).

De início, Heidegger indica que sua intenção na preleção Nietzsche I é


mostrar a posição da qual Nietzsche vai responder a questão pelo que é o ente.
Considerando que em Nietzsche ocorre a consumação da metafísica, no sentido que
esse pensador abarca toda a tradição da filosofia, para Heidegger realizar uma
“confrontação” com Nietzsche seria realizar “uma confrontação com o pensamento
ocidental até aqui”. (Heidegger, 2007(I), p. 7).

Temos de considerar aqui que o que também está em jogo nas colocações de
Heidegger é o seu próprio pensamento na medida que o autor procura distinguir a
questão diretriz e a questão primeira da filosofia. Distinguir a pergunta pelo que é o
ente da questão pelo ser mesmo torna-se necessária na perspectiva de um
esquecimento do “ser” por toda a história da filosofia.

Em sua obra máxima Heidegger pergunta: “Temos hoje uma resposta à


questão do que significa a palavra ente? De modo nenhum. É pois justificável que se
coloque de novo a questão do sentido do ser”. (SZ, p.4). No entender de Heidegger
quem questiona pelo significado da palavra ente somos nós na condição de Dasein.
Somente o Dasein enquanto ente que somos, tem a condição de formular esta
questão. Conforme Casanova: “Dito de maneira mais explícita: é a própria metafísica
que se mostra para Heidegger como niilismo e que encerra em si mesma desde o
seu despontar mais primordial a essência desse fenômeno”. (CASANOVA, 2012,
p.187). A história da metafísica então é para Heidegger um processo de niilismo. O
niilismo de Nietzsche será reinterpretado por Heidegger como o esquecimento do
ser na história do ocidente. Deve-se salientar que o esquecimento do ser é a
prevalência do ente na totalidade, como se só o ente fosse real. Nesse sentido
Casanova também afirma:

Tal como vimos anteriormente, o conceito heideggeriano de niilismo


aponta para a expressão “abandono do ser”: não é senão como
abandono do ser que Heidegger compreende a essência do niilismo
contemporâneo. No que diz respeito a essa expressão, não é difícil
reconstruir em seus traços fundamentais o que Heidegger tem em
vista com ela. De maneira bastante sintética, podemos dizer:
abandono do ser é uma expressão que designa o surgimento de uma
determinada abertura do ente na totalidade (um mundo), na qual o ser
abandona tão radicalmente o ente que esse parece vigorar como a
única instância do real. (CASANOVA, 2012 , p.191).

Então, é na filosofia heideggeriana, sobretudo em Ser e Tempo e nas obras


posteriores com todas as questões suscitadas por sua analítica existencial, que
encontramos as pistas da compreensão do filósofo da floresta negra do niilismo
nietzschiano.3

Feita essa apresentação, passamos analisar o modo como Heidegger


interpreta a filosofia de Nietzsche em suas preleções. Temos em vista aqui o modo
como ele interpreta Nietzsche metafisicamente, fazendo parte de sua metafísica os
conceitos de niilismo, vontade de potência, eterno retorno, transvaloração de todos
os valores e Além-do-homem. Ao final ressaltamos que o conceito de niilismo terá
papel importante nessa metafísica, pois será através da desvalorização dos valores
até então vigentes que será necessário colocar um novo princípio de instauração de
valores, que no entender de Heidegger será a vontade de potência.

A METAFÍSICA DE NIETZSCHE E O PAPEL DO NIILISMO

Heidegger trabalhou com suas preleções sobre Nietzsche na década de 1930


até final da década de 1940. Segundo Monica Cragnolini:

Em uma primeira etapa interpretativa (os trabalhos de 1936 a 1937, coligidos


em Nietzsche I), o filósofo é interpretado fundamentalmente como “inversor”
do platonismo, o qual, contudo, não repete o esquema platônico mas
apresenta “outro” pensamento. Em uma segunda etapa (Nietzsche II e os
escritos de Holzwege “Gott ist tot” e “Die Zeit das Weltbildes”), Nietzsche não
é somente o inversor mas o aprofundador da história da metafísica (escritos
dos anos de 1940-1946). (Cragnolini, M.B., cadernos Nietzsche 10, p. 11-25,
2001).

Martin Heidegger interpretou Nietzsche como o último metafísico do ocidente,


seguindo a tradição desde Platão. A vontade de potência seria a manifestação do
ente enquanto tal na totalidade, recebendo primazia sobre o ser – o que se busca é
o ser do ente, mas o ser mesmo permanece não revelado, esquecido desde o início
do pensamento grego. Esse esquecimento do ser é para o filósofo uma
característica da metafísica. Nota-se que é de maneira diferente de Nietzsche que
Heidegger se posiciona, pois não considera a duplicação de mundos como
característica essencial da metafísica ocidental.

3 Heidegger buscou tratar da diferença ontológica primando por uma filosofia de preparação e não de
fundamento. Conforme aponta Ernildo Stein: “O que Heidegger fez, falando em superação da
metafísica, foi nos libertar das ilusões de fundar a metafísica no ente e no positivo e nos levar ao
adentramento da metafísica, para nela vermos à moldura que dá unidade e funda nosso
conhecimento positivo. Aqui Heidegger nos fala de necessidade de descontrução da metafísica como
presença”. (STEIN, 2000, p.85).
O filósofo de Ser e Tempo compreende a expressão “vontade de poder”
numa relação entre as palavras vontade e poder. Nessa perspectiva, vontade é
vontade de poder. Porém, a vontade de potência não é um tipo de vontade que
possui o poder como meta, pois para o autor isso alteraria a determinação essencial
da própria vontade. Tomando o conceito de vontade em Nietzsche, para o filósofo da
floresta negra, pressupor o poder como uma meta para a vontade – ao invés da
felicidade, o prazer ou mesmo a suspensão da vontade como meta – seria
pressupor o poder como sendo algo fora da vontade. Para Heidegger, o termo
“poder” não visa ser um complemento da vontade, mas trata-se da essência da
própria vontade. Conforme o autor:

Portanto, o termo “poder” nunca visa a um complemento da vontade,


mas significa uma elucidação da essência da própria vontade.
Somente quando se tiver esclarecido o conceito nietzschiano de
vontade segundo esses aspectos, será possível compreender
aquelas caracterizações com as quais Nietzsche procura
frequentemente indicar o “caráter complicado” que está presente na
simples palavra vontade. Ele denomina vontade – com isso, a
vontade de poder – um “afeto”; (Heidegger, 2007 (I), p. 40).

Heidegger aponta que Nietzsche vai denominar a vontade de potência como a


forma primitiva do afeto – todos os demais afetos não passam de configurações
desta forma primitiva. Além de denominar a vontade como um afeto, Nietzsche
também vai denominar a vontade como “paixão” ou “sentimento”. Heidegger chama
a atenção para se compreender tais descrições, evitando se cair numa “psicologia
habitual”, o que levaria a afirmar que “Nietzsche transpõe a essência da vontade
para o interior do “elemento emocional”, arrancando-a das más interpretações
racionais que foram levadas a termo por meio do idealismo” (Heidegger, 2007(I), p.
40).

Nesse ponto Heidegger questiona sobre o que Nietzsche tem em vista ao


acentuar o caráter de afeto, de paixão e sentimento da vontade e sobre o que se
compreende por idealismo ao diferenciarmos o conceito idealista de vontade do
conceito nietzschiano de vontade. Ele pergunta em que medida a vontade de
potência é a forma originária de afeto, ou aquilo que constitui o ser do afeto, pois
para Heidegger a pergunta sobre a vontade de potência é a pergunta pelo ser do
ente. O que seria um afeto? Estabelecer o que é um afeto e de que modo a vontade
de potência é uma forma originária de afeto se torna uma tarefa na qual Heidegger
vai proceder de forma mais detalhada, buscando tornar mais “clara” e “rica” a
delimitação do conceito de vontade. Para ele, a pergunta sobre o que é um afeto,
paixão e sentimento permanecem sem solução, chegando o próprio Nietzsche a
equiparar estas três questões.

Ao pensar estas questões, Heidegger afirma não tratar-se de uma psicologia


em termos gerais, nem mesmo de um psicologia em termos biológicos e fisiológicos,
mas trata-se sim dos “modos fundamentais sobre os quais repousa o ser-aí humano,
modos fundamentais como o homem confronta o “aí”, a abertura e o velamento do
ente no interior do qual ele se encontra.”. (Heidegger, 2007(I), p. 42).

Conforme colocamos na introdução, no pensar heideggeriano a pergunta pelo


“o que é o ente?”, que é legada da filosofia ocidental, é a pergunta diretriz da
filosofia. Porém a primeira pergunta, a pergunta mais fundamental é “o que é o ser
mesmo?”. O autor considera que essa pergunta permaneceu estranha a toda
tradição filosófica até Nietzsche, que ainda não pergunta pelo ser mesmo. Segundo
o autor:

A pergunta diretriz e a pergunta fundamental da filosofia perguntam


pelo que é o ente e pelo que é o ser em verdade. Na pergunta sobre
a essência do ser, pergunta-se de um tal modo que nada mais
permanece fora dessa pergunta , nem mesmo o nada. É por isso que
a pergunta sobre o que é o ser precisa, ao mesmo tempo, perguntar o
que é a verdade mesma, a verdade na qual o ser deve ser iluminado.
(Heidegger, 2017, p. 62).

Vemos que para Heidegger nada fica ou permanece fora dessa pergunta,
nem mesmo o nada – e aqui o autor faz importantes considerações sobre o niilismo
e o nada em Nietzsche.

Para ele também deve-se perguntar também pela verdade, que ilumina o ser.
A pergunta pelo ente como pergunta diretriz da filosofia e a pergunta pelo que é o
ser, como pergunta fundamental, resulta na pergunta pelo “o que é?”. Trata-se para
o autor de buscar para o pensar a abertura do ente na totalidade e a abertura do ser
(trata-se da duplicidade do ser em Heidegger). Diz Heidegger: “O ente deve ser
trazido para o interior do aberto do ser mesmo, e o ser deve ser trazido para o
aberto de sua essência.” (Heidegger, 2017, p. 62). A verdade então, ou aletéia
(colocar palavra grega), é para Heidegger, essa abertura do ente na totalidade, que
ele chama de “desvelamento”.4

Para tratar do tema da verdade em Nietzsche, principalmente sobre a relação


da verdade como um erro para o pensar nietzschiano, Heidegger vai caracterizar a
vontade de potência como um princípio de uma nova instauração de valores. Ele se
detém na parte III do livro Vontade de Potência, intitulado “Princípio de uma nova
instauração de valores”. Heidegger entende que Nietzsche queria expressar e
configurar nessa parte do texto a “nova” filosofia, a sua filosofia mesma. Ele diz:

Se a vontade de poder é o pensamento essencial e único de


Nietzsche, então o livro III nos dá imediatamente um esclarecimento
importante sobre o que é a vontade de poder, sem que já
concebamos, com isso, a sua essência propriamente dita. A vontade
de poder é, por um lado, o “Princípio de uma nova instauração de
valores”, e por outro, o princípio de uma nova avaliação, o princípio
que precisa ser fundado, é a vontade de poder. (Heidegger, 2007(I),
p. 380).

Precisamos entender o que Heidegger entende aqui pelo termo valor. Antes
disso precisamos explicar de que modo no pensamento meditativo de Heidegger
sobre Nietzsche a vontade de potência se configura como o princípio de uma nova
instauração de valores. A instauração de valores deve ocorrer em Nietzsche devido
a desvalorização dos valores que foram até então considerados como supremos. Tal
instauração de novos valores que se dá através da vontade de potência como um
princípio instaurador desses valores, será visto em Nietzsche através do
pensamento da transvaloração de todos os valores. Para Heidegger tal
transvaloração de Nietzsche é na verdade a própria essência do niilismo. Cito
Heidegger:

4 Vale ressaltar aqui a relação de Heidegger em sua filosofia com a tradição pré-socrática,
principalmente com Parmênides e Heráclito. A alétheia é a verdade e a realidade simultaneamente.
No poema de Parmênides intitulado Da natureza, uma deusa apresenta a “via da alétheia” ou a “via
do conhecimento” para um viajante em sua carruagem. No entanto, para que o viajante pudesse
conhecer a via do conhecimento, a deusa faz a distinção entre o que seja a alétheia e a dóxa e
mostra dois pontos fundamentais: que “o ser é” e “o não-ser não é”. Com esta proposição do “ser”
como “imutável”, Parmênides se opõe de certa forma a concepção do devir de Heráclito. Heidegger
vai pensar a alétheia como “clareira” do ser, ou seja, como a questão essencial da metafísica que
consiste em “pensar o impensado”. No texto O fim da filosofia e a tarefa do pensamento, Heidegger
afirma: “a Alétheia, enquanto clareira de presença e a presentificação no pensar e dizer, logo
desemboca na perspectiva da adequação, no sentido da concordância entre o representar e o que se
presenta (HEIDEGGER, 1999, p.278).
Essa transvaloração constitui a essência consumada do niilismo. O
nome niilismo , porém, já não diz que, segundo essa doutrina, tudo é
nulo e tudo seria nada, e que toda vontade e toda obra seriam em
vão? Segundo o conceito nietzschiano, contudo, niilismo não é nem
uma doutrina e uma opinião, nem significa efetivamente aquilo que o
nome inicialmente compreendido gostaria de nos fazer pensar: a
dissolução de tudo no mero nada. (Heidegger, 2007(II), p. 208).

De que maneira então Heidegger compreende o niilismo ao afirmar que em


Nietzsche tal pensamento não se resume a designar o mero nada resultante da
dissolução dos valores? E de que maneira Heidegger relaciona a transvaloração dos
valores operada por Nietzsche com o niilismo? Heidegger considera a
transvaloração dos valores como a essência do niilismo.

Para explicar de que modo ele entende o niilismo no pensamento de


Nietzsche, Heidegger procede em seu modo de interpretar através do confronto ou
contenda com o pensar nietzschiano. O autor nos remete a uma passagem da falsa
obra “A Vontade de Potência” que diz o seguinte: “Uma anotação diz (A vontade de
poder, n.2): ‘O que significa niilismo? – o fato de os valores supremos se
desvalorizarem. Falta meta; falta a resposta ao por quê?’ Niilismo é o processo de
desvalorização dos valores supremos até aqui.” (Heidegger, 2007(II), p. 208-209).
Então percebemos que a conclusão de Heidegger, mediante a sentença
nietzschiana, de que o niilismo é a desvalorização dos valores que eram até então
considerados supremos, está diretamente conectada com a necessidade de uma
nova instauração de valores. Essa instauração de valores nova precisará de um
novo princípio, que para Nietzsche, no entender heideggeriano, será a vontade de
potência.

Aqui a vontade de potência enquanto princípio de uma nova instauração de


valores precisará estar articulada também com o conceito de eterno retorno para
poder superar o niilismo através da transvaloração de todos os valores. Para operar
essa transvaloração dos valores Nietzsche precisará dispor de um tipo especial de
homem, o Além-homem, fechando assim o que Heidegger chama de a “metafísica
de Nietzsche”, englobando seus cinco conceitos principais: “Com o niilismo, isto é,
com a transvaloração de todos os valores até aqui em meio ao ente enquanto
vontade de poder e em face do eterno retorno do mesmo, torna-se necessário um
novo estabelecimento da essência do homem”. (Heidegger, 2007(II), p. 27).
Analisando o niilismo europeu no pensamento de Nietzsche, Heidegger nos
mostra que o conceito de niilismo está articulado com demais conceitos do filósofo
alemão e faz parte dos cinco títulos centrais pensados para sua obra. Por vezes a
palavra niilismo seria associado ao nada, e segundo o filósofo da floresta negra sua
primeira apreciação em termos filosóficos pertenceria a Fr. H. Jacobi em uma carta
aberta a Fitche. Em seguida também teria sido associado ao que é acessível a
nossa percepção sensível de acordo com aq interpretação de Turgniev, ou seja, com
tal interpretação “somente o ente que experimentamos por nós mesmos é real e
essente, e, para além dele, não há nada” (Heidegger, 2007(II), p. 21). Com tal
interpretação se estaria negando a tradição ou o que é fundado sobre valores pré-
definidos.

Porém, indo adiante em sua exposição da história do niilismo, Heidegger


afirma que em Nietzsche o conceito vai significar muito mais do que todas as
interpretações até então dadas ao termo. Heidegger relaciona o niilismo com a
metafísica da vontade de potência em Nietzsche e o compreende com um
movimento histórico com base na sentença “Deus está morto”. Mas para Heidegger
o que significa dizer que “Deus está morto”? O autor nos responde que significa
dizer que “o ‘Deus cristão’ perdeu o seu poder sobre o ente e sobre a definição do
homem”. (Heidegger, 2007(II), p. 22). Heidegger também interpreta o peso desta
sentença no pensamento de Nietzsche nos trazendo uma caracterização do que é o
“Deus cristão”. Ele diz:

O “Deus cristão” é ao mesmo tempo a representação diretriz para o


“supra-sensível” em geral e para as suas diversas interpretações,
para os ideais e para as normas, para os “princípios” e as “regras”,
para as “finalidades” e os “valores” que são erigidos “sobre” o ente a
fim de “dar” ao ente na totalidade uma meta, uma ordem e – como se
diz de maneira sucinta – um “sentido”. (Heidegger, 2007(II), p. 22).

Assim, pensando a morte do “Deus cristão” como a perda de sentido e a


desvalorização dos valores supremos, Heidegger compreende o niilismo com um
processo histórico. Para ele o niilismo “é a história do próprio ente: uma história por
meio da qual a morte do Deus cristão vem à tona de maneira lenta, mas
irremediável”. (Heidegger, 2007(II), p. 22). O autor de Ser e Tempo até considera a
possibilidade de ainda se acreditar em tal deus, no seu caráter normativo e eficiente,
mas isso se dá como o processo do brilho de uma estrela que se apaga e ainda
prossegue reluzindo, ou seja, como uma aparência. Aqui ele trata o niilismo em
Nietzsche como “acontecimento apropriativo”, em que a verdade sobre ente
enquanto metafísica será impelida para o seu fim. Cada período e cada tempo na
história é sustentado por um tipo específico de metafísica, com seus ideais, sejam
eles da ordem do “supra-sensível” ou não, como acontecerá com Nietzsche em sua
inversão do Platonismo. Acabar com a metafísica teria por finalidade, segundo
Heidegger, no sentido nietzschiano, acabar com o domínio do supra-sensível ou dos
valores emergentes e supremos até então. Conforme o autor: “Todavia, o fim da
metafísica não significa de maneira alguma uma cessação da história. Ele é o início
de um levar a sério este ‘acontecimento apropriativo’: ‘Deus está morto’. Este início
já está em curso”. (Heidegger, 2007 (II), p. 23).

Para Heidegger este início do “levar a sério” o pensamento por trás da


sentença “Deus está morto” já está em curso através do pensamento de Nietzsche.
Para ele o filósofo de Assim Falava Zaratustra entendeu sua filosofia como esse
início, ou seja, o começo de um novo tempo, o momento de começar uma nova
instauração dos valores a partir da experiência histórica do niilismo. Para Heidegger:

Os bastidores do teatro do mundo ainda podem permanecer por


algum tempo os antigos: o jogo que se transcorre já é um outro. O
fato de desaparecerem, nesse caso, as metas até aqui e de os
valores até aqui se desvalorizarem não é mais experimentado como
uma mera aniquilação e deplorado como uma falha e uma perda. Ao
contrário, ele é saudado como uma libertação, fomentado como um
ganho definitivo e reconhecido como consumação”. (Heidegger, 2007
(II), p. 23).

Mas o que significa essa mudança no transcorrer do mundo para Heidegger?


O que esse autor quer dizer ao afirmar que com o niilismo ocorre uma libertação?
Vemos que então Heidegger concebe o niilismo um caráter positivo. Será através do
niilismo que os valores perdem o seu sentido, os valores supremos deixam de ser
supremos e será necessária uma nova instauração de valores. Ele entende o
niilismo enquanto uma verdade do ente, uma “verdade quanto ao fato de todas
metas para o ente até aqui terem se tornado caducas” (Heidegger, 2007 (II), p. 23).
O aspecto positivo do niilismo reside no fato de a partir de sua verdade mostrar que
os valores supremos se desvalorizam e que será necessária a instauração dos
valores, ou uma transvaloração conforme quer Nietzsche. Será através do processo
do niilismo que a transvaloração dos valores será possível. Assim, para Heidegger, o
aspecto niilista no sentido de aniquilação dos valores e de tornar o ente nulo, será
superado com Nietzsche. O niilismo articulado com a vontade de potência será
então ressignificado e por isso não pode mais ser associado ao mero nada. Será a
vontade de potência o princípio para uma nova instauração de valores, para uma
trasnvaloração dos valores desejada por Nietzsche.

A vontade de potência em Heidegger será pensada então através da


articulação do processo do niilismo enquanto movimento histórico e a transvaloração
nietzschiana enquanto uma nova instauração dos valores. Através desta
transvaloração dos valores pensada por Nietzsche que vai se ter começo o
pensamento valorativo, pois para Heidegger a “transvaloração pensa pela primeira
vez o ser como valor”. (Heidegger, 2007(II), p. 24). Cabe destacar então que
Heidegger considera que o termo “valor” entrou em circulação por intermédio de
Nietzsche, sendo este termo para o filósofo de Zaratustra um termo essencial.
Heidegger aponta o subtítulo da dita obra capital de Nietzsche, “tentativa de uma
transvaloração de todos os valores” como indício e justificativa para a importância do
termo “valor” no pensamento de Nietzsche. Valor para o filósofo de Assim falava
Zaratustra seria o mesmo que “condição de vida”, condição do fato de o ser vivo ser
“vida”. Ressalta, porém, que no pensar nietzschiano a palavra “vida” designa todo
ente e o ente na totalidade, e outras vezes ela designa a vida do homem, ou o ser
do homem.

Uma transvaloração dos valores deve ser fundada, conforme a interpretação


heideggeriana, necessitando-se assim de um novo princípio, que será a vontade de
potência, ou seja, ser este princípio de uma nova instauração dos valores significa
ser o “estabelecimento daquilo a partir do que o ente na totalidade pode ser
normativamente determinado de maneira nova” (Heidegger, 2007(II), p. 24). Então, a
vontade de potência enquanto um princípio instaurador de valores será fonte de
determinação do modo de ser do ente na totalidade, enquanto valor. A vontade de
potência estabelece normas. Porém Heidegger vai destacar que essa nova
interpretação do ente na totalidade não vai mais se dar através do supra-sensível, tal
como ocorreu com demais autores da tradição filosófica. Nietzsche inverte esta
lógica para pensar a valoração através do sensível. Os novos valores serão
estabelecidos através do ente mesmo, ou seja, através do seu caráter fundamental
que é para o autor a vontade de potência. A vontade de potência opera a
transvaloração dos valores que “enquanto fundação do princípio de uma nova
instauração de valores é em si mesma metafísica” (Heidegger, 2007(II), p. 25).
Nesse ponto o autor passa a explorar a vontade de potência em Nietzsche enquanto
a essência do poder. Citamos Heidegger:

“Vontade de poder” é, em suma, o nome para o caráter fundamental


do ente e para a essência do poder. Ao invés de “vontade de poder”,
Nietzsche também diz com frequência, de uma maneira que induz
facilmente a incompreensões, “força”. O fato de Nietzsche conceber o
caráter fundamental do ente como vontade de poder não é nem
invenção nem uma posição arbitrária de um fantasista que se
extraviou do caminho para ir a caça de quimeras. Trata-se da
experiência fundamental de um pensador, isto é, de um daqueles
indivíduos que não têm nenhuma escolha e que precisam muito mais
trazer à palavra aquilo que o ente é e porquanto é tal como é a cada
vez na história do seu ser. Todo ente é, porquanto ele é e porquanto
é tal como é: “vontade de poder”.

Partindo do advento do niilismo, para atingir uma transvaloração de todos os


valores, Nietzsche apresenta a vontade de potência como princípio instaurador de
valores, e o eterno retorno como existência, e para levar a cabo a nova instauração
de valores também será necessário um tipo de homem novo, o que se encontra no
conceito de além-do-homem nietzschiano. Será o além-do-homem que vai dominar
a terra por uma “maquinização” das coisas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluímos que o niilismo de Nietzsche tem uma importância fundamental na


interpretação metafísica proposta por Heidegger. Em um primeiro momento
analisamos que Heidegger ao interpretar o pensamento nietzschiano pôs em prática
seu próprio modo de compreender a filosofia, articulando os conceitos de sua
analítica existencial. O “esquecimento do ser” entendido por Heidegger enquanto
principal aspecto da filosofia ocidental se articula com o fenômeno do niilismo. Para
Heidegger o abandono do ser em relação ao ente, a falta da distinção ontológica
entre ser e ente, é o fundamento daquilo que Nietzsche chamaria em sua filosofia de
niilismo. De acordo com a concepção heideggeriana de que o movimento de
duplicidade do ser exclui a presença do ente e a abertura do ente faz desaparecer o
ser, não é possível atingir o ser através apenas da manifestação do ente, pois o que
se encontra aí é o ser do ente mas não o ser mesmo. Logo, o niilismo acarreta o
esquecimento do ser como a desvalorização de todos os valores até então
existentes.

Deduzimos do que foi exposto dois movimentos. Primeiro Heidegger parece


dar centralidade ao conceito de niilismo ao analisar a metafísica da vontade de
potência em Nietzsche. O filósofo de Ser e Tempo pensa a metafísica de Nietzsche
a partir da articulação dos cinco conceitos nietzschianos centrais: o niilismo, a
vontade de potência, o eterno retorno, a transvaloração de todos os valores e o
além-do-homem. Nessa articulação, é através do conceito de niilismo que
compreende-se a desvalorização de todos os valores, pois conforme as palavras de
Heidegger, os valores tradicionais “caducam”, perdem o sentido. Torna-se
necessário novos valores e isso ocorre através de uma instauração ou
transvaloração de todos os valores. Para instaurar novos valores será preciso
também um novo princípio instaurador, que será a vontade de potência articulada ao
eterno retorno através de um tipo especial de homem, o além-do-homem. Nesse
primeiro movimento que apontamos o conceito de niilismo parece ter um aspecto
positivo dentro da filosofia de Nietzsche, no entender de Heidegger. O niilismo é o
movimento de perda de sentido desses valores através da “morte de Deus” , o qual
acarretará a necessidade de uma instauração de novos valores.

Ao trazer o conceito de niilismo para o interior do seu próprio modo de pensar,


Heidegger parece mudar o sentido do mesmo. Se dentro da filosofia de Nietzsche o
niilismo desempenha um papel positivo e central, permitindo a transvaloração, no
interior do filosofar heideggeriano, por sua vez, o niilismo passa a ser algo negativo,
enquanto um abandono do ser. Niilismo e abandono do ser se completam na
filosofia de Heidegger.

Outro ponto a ser destacado é que, para Heidegger, Nietzsche apenas inverte
a metafísica de Platão. Trata-se para o autor de um platonismo invertido. Se antes
era o supra-sensível considerado como o mundo real, por sua vez em Nietzsche é o
mundo sensível que assume esse papel. Porém a estrutura metafísica permanece.
Em Nietzsche a metafísica dá seus últimos sinais, pois ao se caracterizar como um
princípio instaurador de valores e também calculador de valores, a vontade de
potência vai acarretar a impossibilidade de se conhecer a própria essência, bem
como a essência do niilismo. Conforme aponta Cragnolini:

Interpretar Wille zur Macht como vontade calculadora de valores


permite a Heidegger fazer de Nietzsche o grande hospedeiro de
desertos e a perfeição e o cumprimento do niilismo, niilismo que se
priva, ao mesmo tempo, da possibilidade de conhecer sua própria
essência. (CRAGNOLINI, 2000, p.15)

A metafísica parte do ente e segue em direção ao ente, e não do ser. Desse


modo o ser permanece não questionado em sua “verdade”. É o esquecimento do ser
pela metafísica ocidental que estabelece o ser como a presença constante, não
distinguindo o ser do ente. Nietzsche, no entender de Heidegger, vai radicalizar esse
processo. A vontade de potência encerra o ser mesmo como “presença”, como o
“valor necessário”, porém esse ser permanece secundário em relação ao devir.
Através do eterno retorno o ser se converte em ente, na interpretação
heideggeriana. O resultado é que o ser mesmo permanece impensado em toda
história da metafísica, sendo então essa metafísica o próprio niilismo. O niilismo
mostra-se em Heidegger como resultado do domínio do ente em relação ao ser. 5

5 Sobre esse ponto, Casanova afirma “o niilismo mostra-se neste caso como o resultado de uma
figura de pensamento que abre o domínio absoluto do ente sobre o ser”. (CASANOVA, 2012, p.202)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CASANOVA, Marco Antônio. O homem entediado: niilismo e técnica no
pensamento de Martin Heidegger. Rio de Janeiro: Ekstasis - Revista de
Hermenêutica e Fenomenologia, 2012. Vol. 1, n.1.
CRAGNOLINI, Mónica.B. “Nietzsche por Heidegger: contrafiguras de uma perda.” In:
Cadernos Nietzsche 10, p. 11-25, 2001.
HEIDEGGER, Martin. O fim da filosofia e a tarefa do pensamento. Trad. Ernildo
Estein. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
HEIDEGGER, Martin. Nietzsche I. Tradução de Marco Antônio Casanova. Rio de
Janeiro: Forense Universitária, 2007.
HEIDEGGER, Martin. Nietzsche II. Tradução de Marco Antônio Casanova. Rio de
Janeiro: Forense Universitária, 2007.
STEIN, Ernildo. Introdução ao pensamento de Martin Heidegger. Porto Alegre:
EDIPUCRS, 2011.