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Por que ser médico se transformou em

uma das profissões mais miseráveis?

Fernando Carbonieri Seguir


28 Mar 10 min de leitura
Certo dia eu estava traduzindo o texto a seguir, por considerá-lo uma leitura perfeita
da profissão de médico no Brasil. A reportagem de Daniela Drake para o jornal norte
americano The Daily Best demonstra o porque 9 em cada 10 médicos não
recomendam que outras pessoas façam medicina.

Nestes quatro anos de profissão já vi alguns colegas perderem a vida em estradas, por
estarem voltando cansados de plantões ou simplesmente por estarem no lugar errado
na hora errada. Mais do que nunca é oportuno mostrar as nossas dificuldades
como profissionais médicos. As condições que estamos expostos, a falta de
tempo, a quantidade absurda de pacientes que atendemos em lugares
insalubres onde o interesse vigente é o lucro das prestadoras de serviços
médicos ou a politicagem local.

Na reportagem a seguir você verá que isso não é uma exclusividade brasileira, e que
para melhorar a medicina devemos procurar a empatia... Não apenas por nossos
pacientes, mas a empatia deles para conosco.

O texto a seguir é uma tradução livre, para ler o original, em inglês no The Daily Best,
clique AQUI
Academia Médica | Health.School apresenta:

Por que ser médico se transformou em uma das


profissões mais miseráveis.
Nove em cada 10 médicos desencorajam outras pessoas para seguirem a profissão, e
300 médicos cometem suicídio todos os anos.

Quando que ser médico ficou tão ruim? Até o fim do ano é esperado que 300 médicos
cometam suicídio [nos EUA]. Enquanto sabemos que a depressão entre médicos não é
algo novo (há alguns anos, foi eleita a segunda ocupação com mais suicidas), o nível da
pura infelicidade entre os médicos está em ascensão.

Simplificando, ser médico se tornou uma tarefa miserável e humilhante. De fato,


muitos médicos acreditam que os Estados Unidos declararam guerra aos médicos - e
ambos, médicos e pacientes, são os perdedores.

Não surpreende o fato de muitos médicos mudarem de atividade. Estudantes optam


por especialidades de alta remuneração somente para aposentarem-se mais cedo.
Programas de MBA, que prometem um caminho para trabalhar na gestão [hospitalar e
de empresas], tem suas salas de aula lotadas de médicos. O site conhecido como
"Drop-Out-Club", que conecta médicos a empreendedores e fundos de investimento,
tem um grande número de seguidores (acabei de me cadastrar). De fato, médicos
estão tão chateados, que 9 em cada 10 médicos desencorajam outras pessoas a
entrar na profissão.

É muito difícil alguém de fora da profissão entender como a medicina ficou tão
apodrecida, e o quanto isto é uma má notícia para o sistema de saúde norte americano.
Talvez seja por isso que o autor Malcolm Gladwell assinalou que, para consertar o
sistema de saúde, o público (os pacientes) deve entender como é ser um médicos. Para
que as coisas sejam melhores para os pacientes, eles tem que empatizar com os
médicos - esta é uma demanda gigante nos nossos nocivos e não-empáticos tempos.

Apesar de tudo, o público vê oftalmologistas e radiologistas procrastinando feito


bandidos e se perguntam por que devem sentir algo além de escárnio por esses
especialistas, especialmente enquanto americanos não tiveram aumento salarial em
décadas. Lembrem-se que ser um médico da atenção primária não tem nada a ver com
ser um cirurgião plástico - um profissional que garante tanto respeito como uma boa
aposentadoria. Já que o médico da atenção básica faz um trabalho que ninguém mais
quer fazer, ser um médico de família é como ser um zelador, mas sem o status social
ou a proteção de um sindicato.
Infelizmente as coisas estão apenas ficando piores para a maioria dos médicos,
especialmente para aqueles que aceitam planos de saúde. Apenas registrando que
para cada consulta o plano paga em torno de $58 dólares, de acordo com o Dr. Stephrn
Schimpff, clínico geral e CEO do University of Maryland Medical Center, que está
escrevendo um livro sobre a crise no atendimento primário. Para pagar as contas, os
médicos estão atendendo um paciente a cada 12 minutos.

Nem os pacientes, nem os médicos estão felizes com isso. O que preocupa muitos
médicos entretanto, é que o "Affordable Care Act" [a lei do Obama para o sistema de
saúde americano] está transformando este sistema falido em lei. Ao forçar todos a
comprar um plano de saúde, o ACA pode ter encomendado uma linha uniforme e
simplificada que leva a um longo caminha para a melhoria do acesso à saúde. Como
Gladwell notou: " Você não pode treinar alguém por todos esses anos na medicina
para que eles executem apenas operações para as empresas de planos de
saúde".

De fato, as dificuldades em lidar com os planos de saúde levaram os médicos a


fecharem seus consultórios para trabalhar para os planos de saúde. Para os pacientes,
consultarem-se com um médico empregado não significou maior tempo de consulta,
pois estes profissionais possuem agenda completa. "Uma agenda de aproximadamente
2000 a 2500 pacientes é demais", diz o Dr. Schimpf. Esse é o número de pacientes que
médicos da atenção básica são obrigados a manejar. Isso significa ver 24 ou mais
pacientes por dia, e frequentemente, eles tem 10 ou mais problemas de
saúde. Qualquer médico sabe que isso dá pra ser feito, porém é certamente longe do
ótimo.

A maioria dos pacientes já deve ter experimentado "consultas a jato", e é aí que está
o colapso no bom atendimento médico. "Médicos que estão com pressa não tem
tempo para ouvir", diz o Dr. Schimpff. "Com frequência os pacientes serão
referenciados a especialistas quando o problema pode ser resolvido naquela visita". É
verdade que a referência a um especialista está em ascensão, mas a falta de tempo
também faz com que os médicos trabalhem com diretrizes em vez de dar uma atenção
individualizada. Infelizmente, guidelines estáticos podem resultar em más condutas.
Academia Médica | Health.School apresenta:

Ainda, médicos devem seguir, constantemente tentando melhorar sua "produtividade"


e índices de satisfação dos pacientes - ou diminuir suas chances de serem demitidos.
Os líderes dessa indústria fixam-se nos índices de satisfação dos pacientes, sem
lembrar que esses "bons" índices correlacionam-se com piores serviços e custos mais
altos. Realmente, tentar agradar a todos os pacientes que chegam destrói a integridade
do nosso trabalho. É fato que os médicos aceitam algumas das demandas dos pacientes
- para remédios, raios X e receitas - sem levar em conta os indicadores. E agora os
pagamentos do Medicare serão atrelados à satisfação dos pacientes - este problema
será ainda pior. Médicos precisam ter a habilidade de dizer não. Se não, ao invés
dos pacientes irem a uma consulta, eles não terão um médico, terão sim um refém.

O médico da atenção básica não tem o poder político de dizer não a nada - então a lista
de afazeres continua a alongar. Um número impressionante e incontrolável de
formulários, muitas vezes ilegíveis, aparecem diariamente na mesa do médico, com a
necessidade de serem assinados. Resmas de resultados de laboratório, e-mails e
chamadas de retorno aparecem continuamente na tela do computador. Telefonemas
para explicar condutas as companhias de seguros são frequentes ao longo do dia. Cada
decisão traz consigo uma ameaça implícita de litígio em imperícia. Deixar de
comparecer a estas coisas traz medidas disciplinares prontas ou queixas dos
pacientes. E sem piedade, todas essas tarefas tem de ser feitas no tempo "livre" do
médico exausto.

Quase que comicamente, a resposta das lideranças médicas é chamar para mais testes.
Na verdade, o Conselho Americano de Medicina Interna (ABIM), em seu próprio ato de
tomada de reféns, decidiu que, além de serem testados a cada dez anos, os médicos
devem estar de acordo com as novas, caras, "two year milestones [comprovação da
educação médica continuada]." Para muitos médicos, se eles não fazerem tais testes
até o fim deste mês, a ABIM vai anunciar "a falta de cumprimento" do médico em seu
site.

Numa época em que os profissionais de enfermagem e assistentes de médicos [essa


profissão não é regulamentada no Brasil - Physician Assistent] têm mostrado que eles
podem fornecer um excelente atendimento primário, é sem sentido levantar as
barreiras para os médicos. Numa época em que você pode procurar orientações em
seu smartphone, exigir mais testes aos médicos é uma resposta absurda e des-serviço

É absurdo. É punitivo. É errado. E, praticamente, os médicos não podem fazer


nada sobre isso. Não admira que médicos sejam suicidas. Não admira que jovens
médicos não querem nada com a atenção primária.

Certamente, a cobertura da imprensa é implacavelmente negativa contra os médicos, e


ela dá o tom. "Há uma narrativa da mídia que culpa os médicos, por coisas que o
médico não tem controle", diz Kevin Pho, MD, um clínico geral com um blog popular,
onde os médicos muitas vezes desabafam suas frustrações. De fato, na imprensa
popular recentemente responsabiliza por tudo, desde a quantidade de cadeira de
rodas até pelas taxas de laboratório para os testes de Papanicolaou.

A ideia de que os médicos estão fugindo de algo e de que precisam de treinamento


constante, observados e regulamentados, tem sido amplamente espalhada. Com isto
em mente, é quase um reflexo para os políticos se debruçarem sobre os
regulamentos. Regular o médico é uma venda fácil, porque é uma fantasia, uma
febre freudiana, um sonho. É o desejo de abrandar, punir e controlar um familiar
decepcionado, dar-lhe cartão de relatório, e dizer-lhe para lavar as mãos.

Há a certeza de que muitas pessoas com boas intenções estão trabalhando para
resolver a crise de saúde. Mas as respostas que eles apresentam estão elevando os
custos e descaracterizando os médicos. Talvez seja pedir demais por empatia, e
talvez a vida dos médicos não importa para a maioria das pessoas.

Mas para a saúde dos Estados Unidos ser salvaguardada, o bem-estar dos cuidadores
dos Estados Unidos vai ter que começar a importar a alguém.

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Fernando Carbonieri Seguir
Inovação é sua forma de exercer a medicina. Em 2012 criou a Academia Médica,
comunidade dedicada a "FALAR O QUE A FACULDADE ESQUECEU CONTAR".
Membro Comissão do Médico Jovem do CFM, especialista em Bioética

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33 COMENTÁRIOS

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Rogerio Cukierman27/07/19 10:32

Excelente abordagem. Me sinto exatamente assim. Nenhum de meus 2 filhos fez


medicina e diferentemente de meu paiz não me decepcionei com isso. Me lembro
bem do entusiasmo de meu pai ao chegar em casa e falar de seu dia no consultório,
que me influenciou a fazer Medicina. Mas não foi o mesmo comigo e meus filhos. A
diferença: ele não atende convênios e trabalhou em hospitais públicos quando estes
ainda funcionavam.

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Rubens Cascapera25/07/19 19:00

Sou clinico há 35 anos e com 9 anos de formado já percebi que precisava sair da
caixa, enquanto estivermos sob a lavagem cerebral do sistema, estaremos escravos
do próprio, alopatia, medicina de sintomas, "fecha" o raciocínio do medico, e
quando desejamos abrir para novas perspectivas somos criticados e julgados como
charlatães, não vejo outra alternativa, ou vemos nossos pacientes como seres
humanos "inteiros" ou seremos vistos como máquinas, sair da visão linear ,
aprender visao sistemica , com humildade , e saber que esse vazio que
abandonamos esta sendo muitas vezes muito bem atendidos por terapeutas que são
mais reconhecidos !!

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Marcia Staff Zanquetta24/07/19 10:31

Bom dia! Um pouco assustador, mas gostei da explanação. É o que realmente temos
vivenciado no dia a dia. Sou pediatra, formada há 19 anos, optei por trabalhar no
interior de SP, faz 15 anos que mudei para o interior para trabalhar, mas ter
qualidade de vida também. Antes víamos tudo que foi comentado mais nas grandes
cidades, capitais, agora o descaso já chegou também ao interior! Agora temos que
passar pela humilhação do pregão, quem der o menor lance consegue o cargo
oferecido pela prefeitura. Um absurdo!!! Eu sou uma das que falam sobre o curso
de medicina, digo: se puderem fazer um estágio com um médico conhecido de pelo
menos um mês, façam, antes de fazer o vestibular para o curso. Na minha opinião,
quem faz enfermagem deveria ter como pré requisito o curso técnico de
enfermagem, a mesma coisa para quem quer fazer medicina, deveria ter que fazer
um estágio antes, pelo menos 6 meses, para ver se é isso mesmo que quer para o
resto da vida. Muitas vezes os egressos em medicina são muito jovens, cumprem a
vontade dos pais, quando se dão conta do que realmente é a medicina já é tarde!
Nada de estatus, de ficar rico trabalhando pouco, de ter boa vida. Quem pensa em
medicina nesse sentido, está fadado ao fracasso e mais um na estatística do
suicídio! Muitas escolas médicas, grades curriculares que se destinam muitas vezes
a cumprir um sistema educacional que desconhece o que é ser médico, muitos
exames complementares e menos a "mão no paciente", acabou a humanização! Há
necessidade de mudanças urgente!!!

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Anibal Ferreira20/07/19 14:31

A Crise crônica, histórica, da Humanidade enquanto atitude de Estado, pensando-


se aqui, na Crise que assola os Direitos Humanos, em todas as instâncias públicas
num âmbito global, é um quociente de uma hecatombe política-sócio-econômica
determinada pela descaracterização da Razão de Ser da Humanidade, filosófica e
cientificamente falando. A matriz, de que a Medicina, enquanto recurso a Serviço
Público, é refem, assim gera um comportamento que assalta a Prevenção e produz o
que alimenta a ganância antropofagica, fazendo das necessidades básicas
vulnerabilidades infernais, on de se é punido e relegado às agruras da condição em
ser humano, pelo simples fato de não se pertencer às oligarquias do Domínio
Antropofágico do Poder, na Pirâmide de Privilégios que usurpam da Coletividade a
Dádiva para se Ser Feliz.

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Joao Carlos Fernandes Barros01/05/19 07:32

Dr.Carbonieri ,sou psicologo casado com um medico pediatra, á 27 anos somos pais
de 4 filhos .Ótima abordagem da reportagem , vivo este dilema , de um lado
conviver com plantões de sobre avisos de 31 dias no mês, três maternidades um
posto de saúde, duas gestões de prefeituras , e muitas reclamações pelas angustias e
maus tratos pelos pacientes e gestores . Por outro lado um filho de 18 que passa
mais de 12 horas por dia estudando pra entrar em uma concorrida faculdade de
Medicina .Sempre vivemos estes dilemas .Mas o que me chamou a atenção foi sobre
a empatia dos pacientes em relação ao profissional medico seja do UBS , seja dos
consultórios em atendimentos aos planos de saúde, isto ainda que o profissional
medico , ganha muito mais que uma consulta de um psicologo no plano . A fantasia
freudiana em relação ao profissional medico, tratar o outro cono trato a zeladora os
serviçais, vamos aos "Médico do posto , por que não tenho dinheiro pra pagar um
consulta particular "Já entro no menos valia .Bem toda esta dinâmica já é
conhecida por todos .Dilema deixar meu filho ao sacerdócio, rumo aos plantões
intermináveis , sem ferias , sem fim de semana , sem natais ou anos novos.Uma
cronica de uma morte anunciada como Gabriel Marquez ....

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Fernando Carbonieri15/05/19 18:21

Muito obrigado pelo excelente comentário. A vida do profissionais assistentes pode


ser realmente cruel, seja na medicina, na psicologia ou em qualquer outra profissão
de assistência a saúde. Continuo acreditando na felicidade profissional dentro da
medicina, entretanto, o médico precisa dar atenção a diversos temas que não são
explorados na faculdade para ser mais íntegro, ético e feliz profissionalmente. Saber
que algumas coisas levam tempo, saber dos seus direitos e ter mecanismos de
proteção, são alguns dos caminhos para a conquista da felicidade.

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Solon Zorowich07/04/19 07:11

No Japão existe o hábito de *retirar os sapatos usados nas ruas* antes de entrar em
casa. Exemplo: Existe no banheiro aquele tapete para secar os pés após sairmos do
chuveiro...

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Fabio Luis Salata31/03/19 07:41

E temos 1 fator ilusório: na nossa profissão, sem impedimentos podemos trabalhar


24 horas por dia 7 dias por semana sem que te impessam, sem direitos ou horas
extras, no fim do mês da um bom dinheiro, mas a qual custo? E ainda, quando
comparados a juízes, promotores e políticos, além dos vencimentos ridiculamente
mais baixos, respondemos pessoalmente, civil e criminalmente pelos nossos atos,
eles não!

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Fernando Carbonieri15/05/19 18:22

A medicina está sendo tratada como um serviço obrigatório, sem contar as


necessidades do profissional que exerce esta profissão. Temos necessidades
biopsicossociais e monetárias. O dinheiro não pode ser mais visto como um tabú na
profissão.

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Affonso Americo de Freitas Neto28/03/19 19:48

Li com atenção o post da Dra. Thais Gonçalves e ela está certa. Essa não é a
realidade brasileira. Aqui é muito pior. Quanto aos altos salários, sou obrigado a
discordar. Acho que o status ainda é o que atrai o médico para a carreira. Por
exemplo, sou carioca e há dez anos resolvi vir para o interior. Hoje moro em Campo
Grande, MS, onde a realidade é a que descrevo a seguir. Na unidade básica, o
salário básico é de 7800 reais. A Dra tem toda a razão. Está muito acima da
realidade brasileira. Em cima disso, tem-se a produtividade, que é paga caso se
atinjam metas estipuladas o que eleva o salário a 10.300 reais. A prefeitura reclama
que os médicos não querem trabalhar. Foram abertas 1000 vagas no ano de 2018.
Apenas um pouco mais de 300 assumiram e, destes, apenas pouco mais de cem
continuam a trabalhar. O prefeito afirma que caso o médico queira ganhar mais,
pode fazer mais 14 plantões mensais de 12 horas, na emergência. Isso eleva para 83
horas semanais a carga de trabalho do médico. Com isso ele pode chegar a 16000
mensais. Bem aquém do salário de políticos, juízes e promotores com cargas
horárias muito menores e nível de responsabilidade idem. Importante ressaltar que
já não há mais concursos. São contratos válidos por seis meses, renováveis, com as
férias e décimo terceiro incluídos nestes valores acima e pagos mensalmente. Ou
seja, sem direito a descanso. Acho importante ressaltar, a título de ajuda à Dra, que
a medicina nunca enriqueceu seus praticantes pelos seus honorários. A maioria dos
médicos ricos o foram ou são porque tornaram-se, ou já eram fazendeiros por
herança ou tornaram-se políticos. Outros que tornaram-se mais afortunados, o
fizeram graças à corrupção que graça na medicina. É público que laboratórios de
análises, clínicas radiológicas, farmácias de manipulação sempre pagaram aos
médicos pelas suas receitas um valor que varia de 20 a 30%. O famoso "o senhor faz
o exame em tal laboratório porque eu confio". Antigamente, laboratórios
farmacêuticos contribuíam com grandes valores para os médicos que respeitavam
grandes quantidades de seus fármacos "em benefício do paciente". Conheci
profissionais, filhos de imigrantes, que durante anos e anos viajavam com toda a
família para a sua terrinha patrocinados por laboratório farmacêutico. Por esta
razão, discordo que se devam eleger médicos em nome de um sistema de saúde
melhor. Precisamos de gestores e não de profissionais da saúde em cargos de
gerência e legislativos. Uma simples avaliação das profissões dos nossos
congressistas, apenas para ficar em nível federal, vais lhes mostrar que a grande
maioria dos nababos é de médicos, professores e advogados. Nem por isso a Saúde,
a Justiça e a Educação brasileiras vão bem das pernas. Desculpem alongado do
texto.

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Solon Zorowich07/04/19 07:15

O salário inicial de um promotor substituto , está na faixa de vinte e um mil Reais (


R$ 21.000,00 )

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Fernando Carbonieri30/03/19 10:07

Para postar Afonso, clique no botão "escrever" no canto superior direito. Quando vc
clicar em publicar vai cair para a equipe de jornalismo da academia para revisar a
gramática e produzir as peças gráficas. Seria muito legal assim.

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Affonso Americo de Freitas Neto30/03/19 09:35

Pode utiliza-lo. Há apenas uma correção a ser feita, substituir "médicos que
respeitavam, por médicos que receitavam". Pode dispor. Obrigado.

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Fernando Carbonieri30/03/19 07:36

Seria muito interessante transformar esse seu comentário em texto aqui para a
academia médica, Devido a tamanha lucidez e realidade

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Affonso Americo de Freitas Neto28/03/19 19:03

Das minhas 4 filhas, nenhuma fez medicina. Estou aposentado pelo INSS há 5 anos
e não consigo parar de trabalhar. Trabalho na atenção básica e sou impedido de
exercer e implantar a saúde da família. A ubsf virou um PA. Como preceptor
perguntava aos meus alunos: " o que os leva a pagar 13 mil mensais para exercer
um trabalho que vai render 7 mil por mês?" É deprimente. Não sou vocacionado, fui
obrigado pela família a cursar essa bendita e escravizante medicina. Pena que só
vivamos uma vez.

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Affonso Americo de Freitas Neto31/03/19 14:24

O Dr Márcio Bettega tem toda razão, o sacerdócio não paga as contas. Mas, mesmo
não vocacionado, já que eu era ator e músico, sempre prescrevi no melhor benefício
do meu paciente. A medicina, independentemente do amor com que a encaremos
ou de todo sofrimento que ela nos imponha, não se presta ao mercantilismo. Daí
tantos processos etico-profissionais.

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MARCO BETTEGA30/03/19 11:47

Sem querer ser desrespeitoso e acredito que você vai entender... sacerdócio não
paga as contas do mês.

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Fernando Carbonieri30/03/19 07:38

Obrigado pelo comentário amigo. Fique a vontade para falar sobre a sua
experiência de vida aqui na academia médica. Acredito que seja muito importante
pois acredita-se que a medicina só se faz por vocação ou sacerdócio.

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NADIAMARIA KULPEL28/03/19 14:04

MUITO INTERESSANTE ESSA QUESTÃO DO SER MÉDICO

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Thais Gonçalves07/05/18 16:21

Essa realidade não é a do nosso país. O grande problema aqui,é que a maioria dos
discentes de medicina, entram no curso em busca de status e um bom salário ou
então é obrigado pela família, causando assim profissionais frustrados, deprimidos,
que não se atualizam, já que pela grande falta de médicos no país, o emprego e bom
salário nessa profissão e garantido, o que representa um grande perigo para a
sociedade. Observem no Brasil, não existe médico ruim, muito menos um médico
desempregado, não importa a faculdade que o formou, e não há exigências para que
ele se atualize, pois o simples diploma de medicina já lhe confere um status de
superioridade. Estou desenvolvendo uma pesquisa na área principalmente com os
estudantes de medicina e os resultados até o momento são assustadores, espero
conseguir pública-la.

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Paulo Ricardo Menegaz30/03/19 17:46

Emprego garantido com bom salário ? Não há exigências de atualizações? Grande


falta de médicos neste país ? Deve viver em outro Alice, talvez no país das
maravilhas. Com esta sua visão macro da medicina sua pesquisa com todo o
respeito não merecerá nem ser lida pq vc tem uma visão míope da realidade.

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MARCO BETTEGA30/03/19 11:59

...o médico NÃO fica desempregado...

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MARCO BETTEGA30/03/19 11:56

Quando resolvi fazer medicina, no início dos anos 1980, meu tio neurocirurgião já
me desencorajava. Os tempos de faculdade foram inesquecíveis. Mas nesses 30
anos de profissão a minha consciência social foi zerada. Minha saúde também. A
profissão me deixou com gosto amargo na boca. Eu rodei consideravelmente pelo
país. Amo a profissão mas ela me parece cada vez mais incompatível. E considero
que a única vantagem é que o médico, por enquanto, fica desempregado. Em se
tratando de um país com mais de 12 milhões de desempregados, em que ignorância
grassa, um profissional solteiro(a), que a soma digamos dois plantões de 24 horas
por semana, pode levar uma vida muito confortável. Se souber dançar conforme a
música e se submeter. Eu acho que foi só isso que sobrou e a tendência é ficar pior.

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Thayla Trindade28/03/19 18:22

Sobre q?

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Fernando Carbonieri07/05/18 16:50

Se é uma pesquisa com metodologia científica, seus dados devem ser publicados em
revista científica. Dados preliminares assim como suas impressões também deve
estar adequados à ciência. Por favor, quando publicá-los, deixe-nos saber dos
resultados.

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Bia Vasconcelos03/03/18 14:25

Texto perfeito!! O que queremos gritar para todos!!

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Fernando Carbonieri05/03/18 13:29

Obrigado. Por favor compartilhe para que mais colegas médicos (ou não médicos)
também possam entrar em contato com estas palavras.

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Fernando Vianna29/12/17 14:45

Por favor não exijam cadastro para o acesso aos posts! Textos com esse têm que
estar disponíveis para o grande público! Se colocar um obstáculo como preencher
um cadastro duvido que alguêm leia!

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Fabiana S. Gasparetto10/10/18 12:06

Tb acho chato ter q registrar, mas penso que se a pessoa já está sem vontade de
fazer um cadastrinho, talvez tb não esteja com tanta vontade de ler o texto todo
rsrs. É meio que jogar pérolas aos porcos e o site ainda perde a oportunidade de
manter um vínculo com as pessoas realmente interessadas no assunto. Uma
sugestão é postar um resumo do texto no compartilhamento. Faço isso quando
sinto vontade de espalhar algum conteúdo pra que todo o mundo leia rs. É
frustante, mas a maioria das pessoas não se importa e morrem de preguiça de ler e,
mais ainda, de pensar. É quase tão frustante como sonhar desde criança em ser
médico e depois de formado se deparar com a realidade (brasileira tb!!) do texto
traduzido pelo colega.

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Fabiana S. Gasparetto10/10/18 12:05

Tb acho chato ter q registrar, mas penso que se a pessoa já está sem vontade de
fazer um cadastrinho, talvez tb não esteja com tanta vontade de ler o texto todo
rsrs. É meio que jogar pérolas aos porcos e o site ainda perde a oportunidade de
manter um vínculo com as pessoas realmente interessadas no assunto. Uma
sugestão é postar um resumo do texto no compartilhamento. Faço isso quando
sinto vontade de espalhar algum conteúdo pra que todo o mundo leia rs. É
frustante, mas a maioria das pessoas não se importa e morrem de preguiça de ler e,
mais ainda, de pensar. É quase tão frustante como sonhar desde criança em ser
médico e depois de formado se deparar com a realidade (brasileira tb!!) do texto
traduzido pelo colega.

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Fernando Carbonieri29/12/17 14:57

Não diminuíram os acessos desde que colocamos a obrigatoriedade. Por se tratar de


um texto antigo ele continua muito bem acessado, com mais de 150 mil leituras.
Obrigado pela preocupação e continue acessando o academiamedica.com.br

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Honomar Souza19/12/17 21:39

É com grande tristeza que vejo este quadro lastimáveis para uma função tão nobre.
Temos que encontrar uma saída pois a vida vale muito mais do que os governantes
atribuem.

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MARCO BETTEGA30/03/19 12:11

O médico virou o bode expiatório de um sistema propositalmente complexo e


apodrecido. Nossa postura nos PS's da vida é defensiva. Esperamos sempre atender
aqueles 20% que realmente precisam mas perdemos tempo e nos cansamos e até
tememos aquela massa agressiva dos 80% que sobrecarregam qualquer serviço de
urgência. Quem é que nunca foi agredido com atos e palavras, ambos na maioria
das vezes? Quem é que já foi manipulado por interesse político principalmente
Nessas cidades pequenas interior? Colegas já perderam a vida, não pelo cansaço
nem por estarem na hora errada no lugar errado, mas sim por estarem exercendo a
sua profissão, estarem no lugar certo e serem massacrados por um imbecil
ignorante. Eu mesmo já fui agredido numa sala de emergência. Eu não sei qual é a
solução mas nessa altura do campeonato não me importo mais.

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Fernando Carbonieri05/03/18 13:31

Esse é um problema crônico no mundo inteiro. As relações humanas mudaram


enquanto o molde em que os médicos são forjados, não. O que podemos fazer para
mudar isso? Aumentar a criatividade e autonomia dos profissionais frente a sua
própria profissão. Talvez devêssemos começar a repensar a forma que o médico
atua e carrega o mundo em suas costas.