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LUTO

DEFINIÇÃO

O LUTO é universal e sentida por todos no decorrer da vida. O luto, mesmo sendo
algo tão comum, não é compreendido. A morte a e o luto são questões difíceis de enfrentar.
O sofrimento é uma resposta importante e normal pela perda de um objeto ou ente
significativo. É uma experiência de privação e ansiedade que pode evidenciar-se física,
emocional, cognitiva, social e espiritualmente. Qualquer perda pode provocar sofrimento:
divórcio, aposentadoria, amputações, morte de um animal ou planta de estimação, partida de
um filho para uma escola longe de casa ou de um pastor para outra igreja, mudança de
moradia, perda de um jogo de competição, falta de saúde, perda de confiança e entusiasmo .....
As dúvidas, perda de fé, declínio da vitalidade espiritual ou a incapacidade de encontrar um
propósito na vida,.. podem produzir tristeza e sensação de vazio indicativas de sofrimento.
Toda vez que uma parte da nossa vida é removida, surge o sofrimento.
A maior parte das discussões sobre o sofrimento se refere a perdas provocadas pela
morte de um ente querido ou pessoa importante para o indivíduo. Como a morte vem a todos;
todos os que ficam de uma ou outra vez, passam por tal sofrimento. E tal amargura não é fácil.
Tentamos suavizar o trauma vestindo o cadáver, cercando-o com flores, luzes,.. usando
palavras “foi embora” em lugar de “morreu”; como cristãos nos consolamos com a certeza da
ressurreição. Mas, isto não diminui o vazio e a dor de separar-se de alguém querido. Os que
ficam são obrigados a enfrentarem a situação absoluta, inalterável, irreversível,... Segundo a
Bíblia, a morte é um inimigo pungente e o sofrimento é devastador.

1. A BÍBLIA E O LUTO

A Bíblia descreve a morte e o sofrimento de muitas pessoas. No AT vemos a presença


e o consolo de Deus quando “andamos pelo vale da sombra da morte”; vemos pessoas
sofrendo em momentos de perda e perturbações; aprendemos que a Palavra de Deus fortalece
aos que sofrem,.... No NT, várias passagens tratam da morte e do sofrimento. Elas podem ser
agrupadas em duas categorias, cada uma relacionada à influência de Cristo.( ver: Sl 6.5-7;
137.1,5,6; 2 Sm 12; Sl 119.28; Is 53. 3,4)

1.1- Cristo mudou o significado do luto - Os incrédulos sofrem sem qualquer


esperança para o futuro. Para eles, a morte é o final de uma relação.
Para o cristão, a morte não é o fim da existência, mas a entrada na vida eterna. Aquele
que crê em Cristo sabe que os cristãos estarão “para sempre com o Senhor” . A morte física
continua presente, porque o diabo tem “o poder da morte”, mas devido à crucifucação e
ressurreição, Cristo derrotou a morte e prometeu que aquele que vive e crê em Cristo “jamais

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morrerá”. Este conhecimento é consolador, mas não elimina a dor intensa do luto e a
necessidade do conforto. Os crentes precisam ser e são consolados a se manterem firmes e
inabaláveis na fé em Cristo.

1.2- Cristo demonstrou a Importância do Luto - No Sermão do Monte Jesus pregou


o consolo. “Bem- aventurados os que choram, porque serão consolados”. O choro foi visto
como certo e positivo, quando era uma qualidade de mansidão, humildade, misericórdia,
pureza de coração e pacificação. O Choro pode ser algo necessário para que o consolo possa
ser transmitido. Jesus ficou perturbado e comovido com a morte de Lázaro; ficou amargurado
com a morte de João Batista; ficou profunamente triste no jardim de Getsêmani,.. Para o
cristão, a tristeza pode ser algo sadio e normal; mas, também pode ser patológico e doentio.
Esta diferença é super importante para o conselheiro cristão.

2. CAUSAS DO SOFRIMENTO

Segundo Lindemann, à morte segue-se uma tarefa que envolve três elementos:
desligar-se dos laços que nos ligavam ao falecido, reajusta-se ao ambiente onde a pessoa
morta não faz mais parte e formar novos relacionamentos. Tudo isto dá trabalho. Segundo
Freud, “trabalho no sofrimento” é prantear; é reviver, repensar e lamentar várias vezes o
passado, experiências com o falecido,.... até que finalmente tudo esteja pronto para ser
enterrado. E disso, surgirá novos valores, objetivos, atitudes, conceitos, ... Se há melhora,
houve mudança e o sofrimento valeu a pena, a tristeza foi positiva.

A tristeza normal envolve sofrimento intenso, dor, solidão, ira, depressão, sintomas,
físicos,, .. e pode durar três anos ou mais. Mas nem sempre a tristeza é boa. Geralmente existe
negação, fantasia, inquietação,, desorganização, ineficiência, irritabilidade, desejo de falar
consideravelmente sobre o morto, pensando que a vida não tem mais significado. Existem
diferenças individuais. A maneira como a pessoa sofre depende da sua personalidade,
ambiente, crença religiosa, relacionamento com o morto e ambiente cultural. Nem sempre é
fácil separar a tristeza normal da patológica.
Não existem sintomas peculiares à tristeza patológica; mas algum comportamento
pode ser observado, como: demora em entristecer-se, hiperatividade, desânimo, desesperança,
culpa intensa, forte auto-condenação, anti-social, excesso de bebidas, ameaças sutis de auto-
destruição,... estes sinais podem ser de tristeza normal; mas quando são patológicos, eles são
mais intensos.

2.1 Algumas influências possíveis para a tristeza ser ou tornar-se patológica:


a)Crenças - A religião oferece apoio, significado, consolo, e esperança para o futuro.
Os cristãos acreditam que o Espírito Santo dá consolo, conforto e paz nas horas de dor e luto.
Que não tem religião, sofre sem esperança; assim a dor é maior, o sofrimento mais difícil,,...

b) Ambiente e Personalidade - O luto é geralmente aceito, conforme o enlutado reagiu


diante da perda, da morte e separação. Se era difícil e causou problema na separação, a
tristeza poderá ser igualmente maior e mais difícil. Pessoas inseguras, dependentes, incapazes
de controlar seus sentimentos, depressivas, podem ter maior dificuldade em suportar a sua
dor.

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c) Ambiente social - Cada sociedade tem seus costumes, valores,... Mesmo que sempre
se oferece um apoio e consolo aos enlutados, a forma (maneira ) de fazer pode ser diferente. A
maneira de encarar a morte e o luto pode ser muito variável.

d)As Circunstâncias que acompanham a Morte- Depende muito da influência que a


pessoa teve na sociedade, a sua idade, a maneira como morreu (trágico,...); etc...

3. OS EFEITOS DA TRISTEZA

A tristeza é uma experiência de privação em que o enlutado precisa ajustar-se a uma


perda significativa. O luto é uma experiência de sondagem em que o sobrevivente busca
novos relacionamentos e novos estilos de vida. O luto é uma experiência individual em que
cada pessoa tem uma atitude peculiar.
Também são descritas algumas semelhanças entre os enlutados:
C. M. Parkes, descreve 4 fases: Na fase de entorpecimento há choque e um período
em que a realidade da perda é parcialmente desconsiderada. Na fase de ansiedade surge a
urgência de recuperar o objeto perdido e a permanência. Na fase de desorganização e
desespero, tanto o fato como a permanência da perda são aceitos e as tentativas de recuperar o
objeto perdido postas de lado. Finalmente, a fase de reorganização do comportamento.
Granger westberg descreve vários estágios: choque, descarga emocional, depressão-
solidão, angústia física, pânico, culpa, hostilidade/ressentimento, incapacidade de voltar às
atividades comuns, esperança gradual, e esforços para afirmar a realidade.
J. R. Hodge cita: choque e surpresa, descarga emocional, solidão, ansiedade e
angústia física, pânico, culpa, hostilidade e projeção, sofrimento silente, superação gradual e
reajuste.

3.1. Efeitos comuns de Luto. As três mais comuns são: Choro (expressa sentimentos
profundos e alivia a tensão); inquietude ( ...perturbações de sono...); e a depressão. Também
são comuns os sintomas físicos: exaustão, fraqueza, enxaquecas, falta de ar, indigestão, perda
de apetite, ou aumento de apetite, ansiedade, sntimentos de vazio interior, culpa ira,
irritabilidade, retraimento, esquecimentos, declínio de interesse pelo sexo, sonhos com o
morto, pesadelos.... o que antes era feito com facilidade, agora podem exigir grande esforço e
energia. Estes vem numa irregularidade, nunca juntos, e com o tempo passam. Os enlutados
também sofrem em datas especiais, como o primeiro Natal, Páscoa, aniversário de nascimento
ou casamento depois da perda. Ou o aniversário da morte. se isto se repetir por anos demais
longos pode ser patológico. A maioria dos escritores acredita que a parte mais intensa do luto
se completa em um ou dois anos. O que passar disso é patológico.

3.2. Efeitos Patológicos de Luto. Choque, entorpecimento, negativa, choro intenso,,...


Depois vem um período de tristeza, inquietude, apatia, memórias, solidão, e perturbações do
sono. e depois o sofrimento se esvai e são retomadas as atividades normais da vida.
As reações patológicas acontecem quando este processo normal de sofrimento é
negado, adiado, ou distorcido; ou numa morte repentina ou inesperada, o enlutado dependia
excessivamente do falecido,....

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4. O ACONSELHAMENTO E O LUTO

Segundo Havner, os enlutados não estão buscando respostas prontas por parte de
pessoas que os procuram para falar em lugar de ouvir. em vez disso, eles precisam de
compreensão, conforto e contato com pessoas que se importem.

4.1. O Aconselhamento e o Luto Normal - O sofrimento por perda normal é um


processo de cura, difícil e a longo prazo. Não precisa de ajuda especial. Ele cuida de si
mesmo; e além disso; bastam os familiares, amigos, ministros e médicos. Estes podem agir da
seguinte maneira:
a) Encorajar discussões sobre a morte antes de ela ocorrer; pois assim, existirá um
sofrimento antecipado que tende a tornar o luto mais normal depois da perda.
b) Estar presente e disponível; manter contato com o enlutado, principalmente em dias
especiais, feriados,.... estar ao redor da pessoa enlutada, mostrar-se interessado,...
c) Outros...

4.2. O Aconselhamento e o Luto Patológico - Estes indivíduos com freqüência


resistem à ajuda; mas a tarefa do conselheiro é transformar a reação anormal de tristeza em
normal. É um processo de “repetição do luto” ou “re-sofrer”; fazer com que o aconselhado
passe novamente pelo luto, para libertá-lo de sua escravidão ou dependência do morto. talvez,
para isto é necessário discutir em detalhe o relacionamento do aconselhado com o falecido.
Talvez conhecer o passado; mas também encorajá-lo a olhar para o futuro.
Ruth Carter Stapleton reconhece que os conselheiros podem promover a cura
“investigando o passado e transmitindo informação sobre nossos pontos fracos e vulneráveis e
nossas reações zangadas e cheias de medo”. E, somente o Espírito Santo pode remover as
cicatrizes. mediante oração e discussão de memórias e atitudes do passado, conselheiro e
aconselhado estão realmente “pedindo a Jesus que ande pelos lugares escuros de nossa vida e
apague as memórias perturbadoras e penosas do passado”.

4.3. O Aconselhamento pela Morte de Uma Criança - A morte sempre é difícil para
quem sobrevive; mas especialmente quando morre uma criança. Sendo a criança forte e
saudável; ou fraca e deformada; sempre é difícil para os pais aceitarem a realidade da morte
após um período tão curto na terra. culpa, auto-condenação, desânimo e perguntas sem
resposta quase sempre se apresentam.

5. PREVENÇÃO DE TRISTEZA

Como natural, a tristeza não pode e não deve ser evitada. quando os sobreviventes não
se entristecem pode ser que não houve um relacionamento mais íntimo entre eles. Mas
também pode ser que eles negam ou evitam o sofrimento. O que pode levar ao sofrimento
patológico.

5. 1. Para que estes sofrimentos patológicos sejam evitados, é bom já começar


uma prevenção antes da morte; como:
a) Desenvolver atitudes saudáveis no lar. Discutir assuntos sobre a morte, etc...
b) Esclarecimentos de Relações Familiares. Discutir sentimentos e frustrações.
Praticar a confissão das mágoas e perdoar-se mutuamente, expressar amor, aceitação, respeito,
etc... Criar uma interdependência sadia, ....

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c) Construir Amizades. sem amigos , o luto é maior e mais sofrível ainda. Aqui é onde
a igreja deve se destacar para socorrer.
d) Compreensão Teológica. Sobre a vida eterna e o céu, não adianta falar depois da
morte; mas sim antes dela; para que a pessoa esteja preparada.
e) Outros como: Desenvolvimento de atividades (recreacionais e outras...);
estimulandoa saúde mental; luto antecipado;...

5. 2. Por Ocasião da Morte - As horas e dias que se seguem à morte podem ter
grande influência sobre o modo como o luto é encarado.

a) A Comunicação da notícia - O melhor é comunicara notícia com gentileza, de


maneira gradual, e se possível, num lugar privado que permite a livre expressão de emoção. O
sobrevivente deve receber tempo para reagir, fazer perguntas, e estar rodeado de dois ou três
amigos para dar apoio inicial.
b) Dar apoio - muitas vezes, o sobrevivente está sozinho, ou só recebe apoio do
clérigo; mas é bom que a comunidade (membros) oferece o seu apoio.
c) Planejamento funeral - Os funerais devem desenvolver um equilíbrio entre o
reconhecimento realista da tristeza e um júbilo sincero pelo fato de que os crentes que se
ausentam do corpo estão presentes com o Senhor.
d) Uso de Drogas - Mesmo que talvez não seja nada de errado, quando se dádrogas
aos enlutados; mas, pode correr o risco de que os medicamentos possam embotar a dor e inibir
o processo de sofrimento.
e) Depois da Morte - Como já foi falado, é bom que os enlutados recebam apoio e
sejam acompanhados de familiares, amigos, clérigos, etc..

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PROBLEMAS ESPIRITUAIS e CRESCIMENTO ESPIRITUAL

DEFINIÇÃO

Vivemos numa época em que o amor tem muitos sentidos. Na maioria das vezes
distorcido. A Bíblia nos diz que Deus é amor. Que só podemos amar, porque ele nos amou
primeiro. Que Jesus veio para morrer por nós devido ao amor de Deus.
O amor é o sinal do cristão. Aquele que não ama “não conhece a Deus”, mas todo
aquele que ama “é nascido de Deus”. O amor é a base do cristianismo. Não o amor transitório,
sentimentalista, egoísta,... Mas o amor dadivoso, paciente, altruísta, que honra a Cristo, que
vem de Deus.

Muitos cristãos não sentem muito amor. As suas atitudes e suas palavras também não
expressam nenhum amor. Muitos sentem-se vencidos pelo pecado, pelos conflitos internos, e
pressões da vida. Alguns se preocupam porque crescem lento demais. Outros, porque suas
vidas parecem tão sem alegria,... Talvez oram e cantam por costume ou obrigação. Parecem
que suas orações não são ouvidas nem respondidas. Lêem a Bíblia, mas as Palavras não lhe
dizem nada e nem trazem consolo. Querem fazer o bem e amar, mas seus atos não manifestam
amor e suas consciências parecem sensíveis e entorpecidas.
Mesmo esta não sendo a vontade de Deus, parece que este é um sentimento bastante
comum entre as pessoas.

Os períodos de esterilidade espiritual causam grande sofrimento na vida do cristão....


Em seu íntimo tudo está morto... e o pior é para os próprios conselheiros. Pois, o mundo ao
seu redor precisa do seu amor e espera por ele. Os doentes e os agonizantes querem ser
confortados. Pessoas magoadas e solitárias querem ser compreendidas. Sua família, alunos,
irmãos em Cristo, congregação querem ser servidos e fortalecidos.

Numa era em que há tanta competição; em que as pessoas gostam de progredir, ter
êxito e fazer as coisas com rapidez e eficiência; é difícil reconhecermos que Deus jamais tem
pressa. Deus quer que todos sejamos semelhantes a Cristo, mas ele sabe que isto não nos é
possível. Deus quer que nós sejamos justos e santos, mas ele sabe que nem isso conseguimos
ser completamente. Deus exige toda a nossa perfeição; mas ele sabe que não somos perfeitos;
por isto, ele nos enviou um Salvador.
Deus tem padrões altos, mas exigir menos que a perfeição de suas criaturas seria
baixar seus padrões e torná-lo menos Deus. No mesmo plano da sua santidade, perfeição e
grandeza, ele tem igualmente atributos divinos de amor, misericórdia, e compaixão. Deus é
realista. Ele sabe que somos fracos, mas não nos deixou para lutarmos sozinhos. Em seu
espírito de amor nos enviou o Seu Filho Jesus para nos salvar e perdoar; e o Espírito Santo
paa nos guiar, fortalecer, ensinar,..

O objetivo da vida cristã é “adorar a Deus”! E, isto de forma verbal como também
com a nossa vida no dia-a-dia. É apresentar os nossos corpos “por sacrifício vivo, santo, e

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agradável a Deus”. Isto envolve uma transformação constante em nossa vida. É andar nos
passos de Cristo, e deixar o Espírito Santo criar em nós o amor, alegria, paz, paciência,
longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.
O cristão não pode estar centralizado apenas em si mesmo e em Deus. Ele precisa
servir aos outros. Agradar a Deus é “fazer o bem e compartilhar”. O objetivo cristão contradiz
o mundo em que vivemos. O sucesso do mundo é querer ser servido; enquanto o sucesso
cristão é servir aos outros. Os alvos da vida cristã são: Adoração como a de Cristo; caráter
como o de Cristo; e serviço como o de Cristo. Num lado nos esforçamos para ser um bom
atleta; mas no outro lado, não é pelo nosso esforço; mas pela nossa entrega ao controle e
orientação do Senhor. Segundo Richard Halverson, “não podemos ser um tipo de pessoa que
julgamos que Deus quer que sejamos, pelo nosso esforço; mas pela nossa rendição e entrega a
Deus, com as nossas faculdades, corpos,,... para que Ele possa nos moldar à imagem do seu
Filho; a fim de que, através de nós, a sua vida, o amor, e graça possam fluir.

1. AS CAUSAS DOS PROBLEMAS ESPIRITUAIS

“A intensidade do sofrimento está geralmente em relação direta à intensidade de sua


vida com deus, da mesma forma que os vales profundos só se encontram junto às altas
montanhas”. Esta compreensão pode trazer consolo, mas não ajuda muito a resolver nossos
problemas espirituais a não ser que possamos identificar algumas das causas.
1.1.“Onde nos encontramos”- em termos de nosso relacionamento com Cristo, tem
grande influência sobre os problemas espirituais. Pois alguém pode freqüentar a igreja, sendo
uma boa pessoa; e mesmo não sendo cristão. Outros já podem ter fé, mas continuando como
“crianças em Cristo”, não diferenciando muito dos incrédulos.

1. 2.“O que fazemos”- O que Jesus mais condenou na sua vida terrena era o pecado e
o legalismo piedoso.
a) Pecado- Todo e qualquer pecado, seja em palavras, pensamentos, ou ações,.. nos
afasta de Deus. O pecado escraviza o ser humano; e é a principal causa de estagnação e perda
de vitalidade espiritual.
b) Legalismo - É a observação de uma certa lista de regras, para ser um bom cristão,
ou para ser justo e santo diante de Deus. Mas o perigo que tais pessoas correm, é cair no
orgulho pecaminoso, confiança na sua própria justiça, no desespero por não conseguir
cumprir certas regras, ... e além disso, contradiz a própria Bíblia. Pois a redenção é somente
pela fé em Jesus. E as boas obras são realizadas somente pelo Espírito Santo. A verdadeira
espiritualidade nos é concedida quando andamos humildemente diante de Deus, com atitude
de gratidão e louvor, acompanhada da percepção de nossa fraqueza, nossa tendência para
pecar e nossa necessidade de sua graça e misericórdia contínuas.
O poder e o desejo de uma vida santa devem vir de Deus. Mas o cristão não pode ser
passivo, inerte. Ele deve estar alerta para as tramas do diabo; a oração, a reflexão sobre a
Bíblia, o companheirismo com os outros crentes, e tentar abster-se do pecado.

1. 3.“O que pensamos”- Parece que a maior parte dos problemas do ser humano
começa na mente. São os nossos pensamentos, que nos levam à auto-suficiência, ao orgulho, à
amargura e a desconsiderar os valores cristãos.
a) Auto-suficiência - é a antítese absoluta da maturidade espiritual. Este é um grande
mal , muito provocado, numa sociedade que aplaude os que “se fazem sozinhos”; esquecendo-
se do poder de Deus e dos amigos e irmãos. É um cristianismo morno.

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b) Orgulho - É o mal que andam de mãos dadas com a auto-suficiência. É a confiança
em nossos poderes ou recursos, capacidades, realizações,... O orgulho é egocêntrico, auto-
satisfeito, e até auto-destrutivo. É mais facilmente observado do que definido. Mais
rapidamente detectado nos outros do que em nós mesmos.
c) Valores distorcidos - O que realmente é importante na vida? É a correta
administração do dinheiro, tempo, energias mentais, liberdade (não libertinagem);... A má
administração desvia dos caminhos de Deus. E pode trazer culpa de consciência, ou
consciência sem juízo.

1. 4. “O que nos falta” - Tanto problemas físicos como degeneração podem vir
quando há falta de alimento, ar, descanso,... Assim os problemas espirituais são provocados
quando faltam os ingredientes básicos que proporcionam saúde e crescimento.
a) Falta de Compreensão - Onde não há uma compreensão certa de que somos
salvos pela fé; que o Espírito Santo é o que faz as boas obras em nós; de que Deus nos ama,...
pode surgir muita inquietude, incerteza, dúvida espiritual e apatia.
b) Falta de Nutrição - A falta de oração, leitura Bíblia, comunhão com os irmãos na
fé,... pode prejudicar o crescimento espiritual.
c) Falta de Dar - Os cristãos não devem parecer uma esponja, absorvendo e retendo
tudo; para não engordar em excesso ou levar ao inchaço espiritual. Devem compartilhar com
os outros aquilo que sabem da Palavra de Deus.
d) Falta de Equilíbrio - É necessário equilibrar a vida; planejar, disciplinar,... e
compreender de que ninguém é tão importante no reino do Senhor que ele se torna
indispensável. É necessário descansar, ter lazer, ter tempo para orar, ler, encontrar-se com os
amigos, relaxar....
e) Dedicação - O discípulo de Jesus precisa tomar a sua cruz e seguir a Jesus. Precisa
deixar Cristo agir nele. Qualquer reserva interfere no amadurecimento espiritual e contribui
para um cristianismo sem brilho.
f) Falta do Poder do Espírito Santo - O Espírito Santo vive em todo crente. Quando
ele é apagado ou posto de lado, a fé, a confiança, o amor, a esperança morre. Quando ele
controla o indivíduo, este cresce na fé, no amor, alegria e vida cristã,...
g) Falta de Vida no Corpo - O cristão precisa permanecer e viver no corpo e com o
corpo (corpo de Cristo). Ninguém deve tentar crescer e viver sozinho. Pois esta não é a
vontade de Deus. Precisa viver com os irmãos e as irmãs.

1. 5. “Contra o que Lutamos” - A vida cristã é uma luta constante. Ou lutamos contra
o diabo ou estamos alinhados a ele. Como Jesus foi tentado e precisava lutar, nós também
precisamos. Às vezes cada um perde uma ou outra batalha; mas nunca se poderá parar de
lutar por medo de perder a batalha. Pois perder uma batalha, não significa perder a guerra. E
Sempre é necessário lembrar de que não estamos sozinhos na batalha; pois Deus está ao nosso
lado. Algumas pessoas desmoronam espiritualmente por se acharem despreparadas para
viajarem.
1. 6. “O que recebemos” - Nem sempre compreendemos o porquê disso ou daquilo;
o porquê que Deus permitiu isto ou aquilo. É necessário aceitar ,assim como Jó aceitou; sem
saber o porquê.

2. OS EFEITOS DOS PROBLEMAS ESPIRITUAIS

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Os problemas espirituais criam efeitos em espiral. quando não são tratados os
problemas espirituais, eles tendem a crescer. Uma atitude orgulhosa leva a mais orgulho. O
pecado estimula o pecado. O legalismo gera maior legalismo. A auto-suficiência, valores
distorcidos, mal-entendidos, egoísmo, erro teológico,...; não sendo tratados, crescem e
sufocam sempre mais os vestígios da vida espiritual.
Além destes, existem outros resultados dos problemas espirituais:

2. 1. Efeitos Espirituais. Os problemas espirituais não tratados podem levar a um


comportamento comprometedor; como: desprezar os cultos e meditações individuais,
ingenuidade espiritual, redução à sensibilidade e controle do Espírito santo, hipocrisia, tédio
em relação às atividades religiosas e maior inclinação à auto-suficiência. E os frutos do
Espírito (amor, alegria, paz,...) tendem a diminuir. Esses efeitos podem não se manifestar
imediatamente. E muitas pessoas espiritualmente estéreis e agonizantes podem muito bem
conhecer e saber representar uma vida espiritual (vida espiritual fingida, hipócrita).

2. 2. Efeitos Físicos. Nem sempre a doença é resultado diretamente do pecado atual.


Mas, às vezes, o pecado pode provocar a morte física. Pois, a tensão e os conflitos
psicológicos podem nos influenciar fisicamente.

2. 3. Efeitos Psicológicos. Os sentimentos de culpa, a auto-condenação, o desânimo, a


ira, auto-defesa, inseguranças, valores distorcidos - podem ter outras causas; mas podem ser
causas da morte espiritual ou vitalidade decadente.

2. 4. Efeitos Sociais. A comunhão cristã é experiência belíssima; mas, as brigas entre


cristãos são quase sempre perniciosas. O apóstolo Paulo criticou muito o “conflito e a
inveja”. Nos problemas espirituais, o que primeiro aparece são as críticas maldosas, o
cinismo, e a tensão interpessoal.

2. 5. Efeitos Evangelísticos. Muitos, tanto na época de Paulo quanto atualmente,


pregam o nome de Cristo não para a glória de Deus, mas para a sua própria honra e glória;
para conseguir o maior número de fiéis e seguidores, e Cristo é esquecido. Onde isto
acontece, a morte espiritual é certa; tanto do líder quanto dos seus seguidores.

3. O ACONSELHAMENTO E OS PROBLEMAS ESPIRITUAIS

À medida que o aconselhado revela o seu problema e recebe o aconselhamento, alguns


pontos devem ser observados:

3. 1. Oração. O aconselhamento pode nos envolver num conflito com as forças


satânicas. Por isso, o conselheiro precisa de força, sabedoria e orientação especiais. E isto, o
conselheiro deve buscar por meio da oração, antes, durante e depois do aconselhamento. O
conselheiro pode orar com o aconselhado, mas também deve orar quando está só; por si e pelo
aconselhado.

3. 2. Modelo. Nunca devemos esquecer de que, assim como Cristo é o nosso modelo, o
conselheiro deve ser o modelo do aconselhado. Pois, querendo ou não, o aconselhado busca
no conselheiro um modelo de vida. Principalmente, os conselheiros cristãos são exemplos de
vida cristã.

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3. 3. Exortação. Exortar não é pregar a alguém com palavras ásperas ou exigir
obediência. Exortar é um dom dado por Deus, para ajudar, fortalecer, reanimar, apoiar,
encorajar,... Às vezes, é necessário mostrar o pecado, desafiar com gentileza, apoiar e
encorajá-lo para mudar, guiar as novas decisões de comportamento, ...

3. 4. Ensino. Os conselheiros ensinam pelo exemplo. Mas também com a instrução,


educação cristã. Isto pode ser: Fornecer informações, resposta a perguntas, sugestões,
estímulo à reflexão,, mostrar erros e dar conselhos,... O ensino pode envolver vários assuntos
diferentes:

(a) Os Atributos de Deus. Muitos problemas espirituais e psicológicos estão


diretamente ligados à um conhecimento insuficiente ou distorcido sobre Deus. Ex.: Um Deus
irado cria medo. Um Deus só de amor e não de justiça cria irresponsabilidade na vida
cristã,.... Deus precisa ser conhecido assim como Ele é em sua totalidade: Santo, Justo,
Misericordioso, Amoroso, Zeloso, Poderoso, Único, .... E o conselheiro precisa refletir em sua
vida de que ele tem muito mais do que apenas um conhecimento intelectual sobre Deus.

(b) O Amor Cristão. Os aconselhados precisam ouvir do Amor incondicional de Deus.


Mas, também precisam ser amados pelos conselheiros, precisam sentir o amor o Amor de
Deus refletido nos cristãos, quando não se sentem amados, não-aceitos, culpados, confusos, e
espiritualmente necessitados.

( c ) O Pecado e o Perdão. Deus castiga o pecado. Mas perdoa ao que se arrepende.


Isto deve ser deixado bem claro ao aconselhado. Perdoar-se é uma atitude cristã. Mas, não é
para obter o perdão divino. Pois Deus perdoa todo aquele (e somente aquele) que se arrepende
e se confessa a Ele. Mas, a confissão e o perdão mútuo pode ter uma finalidade terapêutica.
Esta ênfase Bíblica deve estar bem claro para o aconselhado; e esse também deve sempre
prontamente receber o perdão cada vez que ele é confrontado por um pecado, mas se
arrepende.

(d )O Controle do Espírito Santo. Os aconselhados precisam conhecer a verdade


Bíblica que diz que o mais importante na vida cristã é estar cheio do Espírito Santo. E isto
envolve: auto-exame (At 20.28, 1 Co 11.28); confissão dos pecados (1 Jo 1.9); submissão
completa à vontade de Deus(Rm 6.11-13); pedir em oração que o espírito santo nos encha
( Lc 11.13); crer que estamos cheios do Espírito Santo e agradecer a Deus por isto (1 Ts
5.180).

( e) Discipulado. Jesus instruiu os crentes para fazerem discípulos, quando lhes deu a
grande Comissão de evangelização e educação cristã. Às vezes, o conselheiro precisa
evangelizar, transmitindo as Boas Novas do Evangelho. Outras vezes, serão discutidos pelo
conselheiro e aconselhado, os estudos Bíblicos, oração, confiança em Deus, meditação,
disciplina em nossa vida devocional,...

Os conselheiros devem ter como objetivo apresentar a todos os crentes, perfeitos em


Cristo. Mas, também é necessário ter o devido cuidado para não ser precipitado demais, fazer
muito repentinamente, rápido demais ou com excessivo entusiasmo. deve-se ter sempre em
mente, que é o Espírito Santo que leva a pessoa à fé, e cria uma nova vida nela.

(f ) Equilíbrio. Os aconselhados com problemas espirituais precisam ser alertados


para a importância do equilíbrio na alimentação espiritual (evitar legalismo, auto-suficiência,

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orgulho, amargura,.. reexaminar valores, alvos, e prioridades,..); como também na
alimentação do corpo físico (alimentação apropriada, descanso, recreação e exercício).

( g ) O Corpo. A vida cristã é vida dentro de um corpo; que é o corpo de Cristo, a


Igreja. Deus nos fez criaturas sociais para vivermos e comunidade. Ele nos deu dons para o
bem e a edificação da Igreja, o bem do próximo, e a glória de Deus. É necessário que vivemos
uns com os outros e suportamos uns aos outros. Fora do corpo de Cristo, não é possível
crescer na vida cristã.
( h ) O Diabo. O poder, a influência, a sagazidade, os limites,... do diabo precisam ser
bem esclarecidos para os aconselhados. Para que estes não ficam com um medo paranóico do
diabo; ou então, sejam enganados por não conhecerem a sua sagazidade, etc...

4. A PREVENÇÃO DE PROBLEMAS ESPIRITUAIS

O objetivo supremo, o mais importante, aquele que Deus deseja acima de tudo, é
produzir neste mundo presente homens e mulheres que se assemelham à humanidade de Jesus
Cristo. Ele não quer santos vestidos de branco, ou crentes talentosos, ou peritos religiosos. O
que ele quer é que você e eu possamos crescer como seres humanos, responsáveis, bem-
ajustados, sinceros, semelhantes a Jesus Cristo.
Quando a Igreja cumprir a sua missão neste mundo com responsabilidade, muitos
problemas serão evitados. Mas, o crente deve compreender que não lhe será possível fugir de
algumas provações, tribulações e tentações. Jesus nunca prometeu que neste mundo não
teríamos problemas; antes, ele nos alertou dos perigos. Mas, estes nos capacitarão a crescer.
O aconselhado deve aprender algumas dicas, no aconselhamento, que evitarão alguns
problemas espirituais da vida; como:
- Entregara nossa vida a Cristo e aceitá-lo como Senhor e Salvador.
- Desenvolver a prática da oração regular e consistente, assim como de estudo Bíblico.
- Praticar a confissão regular de pecados e encher-se do Espírito Santo.
- Envolver-se ativamente num corpo local de crentes.
- Estender-se a outros através da evangelização e confraternização.
- Ficar alerta para as artimanhas do diabo e resistir às suas influências.

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SEMINÁRIO CONCÓRDIA

TEOLOGIA

TRABALHO DE ACONSELHAMENTO

LUTO E PROBLEMAS ESPIRITUAIS

Aconselhamento Pastoral

Orlando Ott

Nerlinho Pedro Balz

São Leopoldo, 17 de junho de 1999.

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INTRODUÇÃO

Em todas as épocas, como também atualmente, o ser humano sofre em muitos e


diferentes sentidos. Um dos maiores sofrimentos que o ser humano enfrenta, é com problemas
espirituais. Outro ponto de grande sofrimento do ser humano é o LUTO. Todos sabemos, num
ou noutro dia, todos iremos passar por este sofrimento. A forma e a maneira de enfrentar varia
de pessoa para pessoa. Porém, ninguém é totalmente livre dele.
Este trabalho visa fazer uma pesquisa destes dois assuntos interessantes e
complicados. Espero que seja útil para mim; como também aos alunos colegas, a quem será
apresentado na sala de aula, na disciplina de "Aconselhamento Pastoral". Pois, como futuros
pastores da igreja e servos de Cristo, é necessário termos um conhecimento amplo deste
assunto; para melhor tratar os problemas e ajudar aos que nos procuram e estão sofrendo.

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CONCLUSÃO

O trabalho foi muito proveitoso. Aprofundei-me bastante neste assunto. Acredito que,
realmente, estes dois sofrimentos: "O Luto e os Problemas Espirituais" são os que mais
castigam o ser humano. E também são os que mais atingem o ser humano no geral; quer dizer,
praticamente, todo mundo passa estes sofrimentos de uma ou outra vez na vida. E eles
precisam ser vividos; pois ninguém pode fugir deles. Aliás, se alguém tenta fugir deles; aí só
tende a piorar. O melhor é encará-los com coragem, confiança, e com a certeza de que a gente
não está sozinho na luta. Tem muitos outros que também estão na mesma luta. E Além disso,
Deus sempre está ao lado de quem o busca, para lhe ajudar. A força que Deus dá é sempre
maior do que o sofrimento.
Neste trabalho não mencionarei a "bibliografia" usada; pois, só trabalhei com o livro
de: Aconselhamento Cristão"; da autoria de Gary R. Collins. Ed. Vida Nova; 1995. Pg. 342-
370.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.......................................................................................3

LUTO......................................................................................................4
1. A BÍBLIA E O LUTO....................................................................................4
2. CAUSAS DO SOFRIMENTO........................................................................5
3. OS EFEITOS DA TRISTEZA.........................................................................6
4. O ACONSELHAMENTO E O LUTO............................................................7
5. PREVENÇÃO DE TRISTEZA.......................................................................7

PROBLEMAS ESPIRITUAIS E CRESCIMENTO ESPIRITUAL...........9


1. AS CAUSAS DOS PROBLEMAS ESPIRITUAIS..........................................9
2. OS EFEITOS DOS PROBLEMAS ESPIRITUAIS.......................................11
3. O ACONSELHAMENTO E OS PROBLEMAS ESPIRITUAIS....................12
4. A PREVENÇÃO DE PROBLEMAS ESPIRITUAIS.....................................13

CONCLUSÃO........................................................................................14

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