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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA

CELSO SUCKOW DA FONSECA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

(DEPEL)

ELEMENTOS DE ELETRÔNICA ANALÓGICA

RIO DE JANEIRO

2017
CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA
CELSO SUCKOW DA FONSECA

​ Grupo:

SUMARIO
INTRODUÇÃO

Certamente, quando Faraday, Coulomb, Ampére, Volta, Ohm, Edson e tantos


outros iniciaram as primeiras experiências em eletricidade e construíram os
primeiros aparelhos elétricos, sequer imaginavam as proporções que eles
alcançariam em tão pouco tempo e as mudanças que causariam na vida humana.
Todo o desenvolvimento alcançado pelo homem no que se refere ao ramo da
tecnologia tem uma íntima relação com o aprimoramento dos dispositivos
eletrônicos. Cada vez mais as máquinas podem ser controladas ou programadas
para substituir o homem no seu trabalho.

Um exemplo destes dispositivos foi a criação, de forma bem primitiva, da


válvula diodo polarizada desenvolvida por um cientista chamado John Ambrose
Fleming, do University College de Londres, no ano de 1904. A partir daí evolução e
vem acontecendo de forma avassaladora.

Este trabalho vem apresentar os mais diversos elementos que compõem a


eletrônica analógica (Bateria, Capacitores, Diodos, Indutores, Transistores), seus
princípios físicos de funcionamento e algumas aplicações mais usuais.

1. G
​ ERADORES

Quando analisamos um circuito elétrico básico, dizemos que a pilha


transforma energia química em energia elétrica. A pilha é um gerador, assim como a
bateria, os acumuladores, os dínamos, as células fotoelétricas entre outros.
Um gerador é um dispositivo que transforma energia de qualquer natureza
em energia elétrica.

Basicamente, a função do gerador é a de aumentar a energia potencial


elétrica das cargas que por ele passam, fornecendo energia elétrica ao circuito
externo.

Um gerador elétrico possui dois terminais:

1- ​Pólo negativo, correspondendo ao terminal de potencial elétrico


menor.
2-​ ​Pólo positivo, correspondendo ao terminal de potencial elétrico maior.

Força eletromotriz

Chama-se força eletromotriz de um gerador a ddp medida em seus terminais,


quando ele não é percorrido por corrente elétrica.

Quando o gerador é percorrido por corrente elétrica, consome uma potência


total não elétrica, dissipa internamente, por efeito Joule, uma parte e a restante é
eletricamente lançada ao circuito externo.

Então, a força eletromotriz é definida como sendo o quociente entre a


potência não elétrica consumida pelo gerador e a intensidade da corrente que o
atravessa.

Quando se diz por exemplo, que uma pilha tem 1,5V ou que a bateria de um
automóvel é de 12V, esses valores correspondem às forças eletromotrizes dos
respectivos geradores.

Pilhas
A pilha nada mais é do que uma reação química que gera eletricidade. Essa
reação é espontânea e ocorre numa célula galvânica, que é a menor estrutura
responsável pelo processo de uma pilha.
Seu ​funcionamento​ se baseia em transferência de elétrons de um metal que
tem a tendência de ceder elétrons para um que tem a tendência de ganhar elétrons
ligados por um fio. Essa transferência de elétrons gera uma corrente elétrica.
De acordo com o esquema acima:
Na semi-célula do Zn, ocorre a oxidação. Já na semi-célula do Cu, ocorre a
redução.
O ânodo (placa de zinco) e cátodo (placa de cobre) são os eletrodos dessa
célula.
Os elétrons transferidos do ânodo para o cátodo constituem uma corrente
elétrica.
Independentemente de quem sejam efetivamente as cargas livres em uma
bateria ou pilha, lhes são aplicadas forças não eletrostáticas em oposição às forças
eletrostáticas que lá existem também. Estas forças não eletrostáticas, quando há
corrente, podem realizar um trabalho positivo (motor) sobre as cargas livres, contra
o trabalho das forças eletrostáticas, explicando o aumento da energia potencial
eletrostática. Na parte externa à pilha, caso haja apenas condutores (metálicos ou
não), a força eletrostática realiza trabalho positivo sobre as cargas livres e elas
então perdem a energia eletrostática ganha devido à bateria.
Portanto, enquanto uma bateria ou pilha alimenta um circuito externo a ela, a
energia eletroquímica estocada nos componentes da fonte diminui,
"descarregando" a pilha ou bateria.

Bateria
As baterias nada mais são que um conjunto de pilhas agrupadas em série
ou paralelo, dependendo da exigência por maior
potencial ou corrente. Porém, as baterias
(acumuladores) de automóveis, por exemplo, ao
contrário das pilhas secas, podem funcionar tanto
como geradores como receptores, dependendo do
sentido da corrente. Funcionando como gerador,
transforma energia química em elétrica e como
receptor, a transformação é inversa (e é feita pelo
dínamo).

Aplicações:​
Controle remoto
Calculadora
Celulares
Brinquedos
Carro
Relógio

2. RECEPTORES

Um receptor elétrico é todo aparelho que transforma energia elétrica em


outras modalidades de energia que não sejam exclusivamente térmicas. Esses
aparelhos funcionam quando ligados a um circuito onde existe um ou mais
geradores

Motores elétricos como o liquidificador, a batedeira e a furadeira transformam


energia elétrica em energia mecânica. Acumuladores formados por placas de
chumbo, dentro de um eletrólito (ácido sulfúrico), transformam energia elétrica em
química.

Assim, a função do receptor (motor) é a de receber energia elétrica de um


gerador, converter parte dela em energia mecânica útil e a restante dissipar
internamente por aquecimento. Deste modo, o receptor diminui a energia potencial
das cargas que por ele passam, fornecendo energia mecânica.

Força Contra - Eletromotriz

​Quando um receptor é percorrido por corrente elétrica, recebe uma potência


elétrica de onde parte é utilizada para realizar trabalho e o restante é dissipada
internamente por efeito Joule.

Então a força contra - eletromotriz é definida como sendo o quociente entre a


potência útil fornecida pelo receptor e a intensidade da corrente que o atravessa.

Aplicações:
Geladeira
Furadeira
Ventiladores
Rádio
Televisores

3. RESISTORES

Resistor tem como principal função converter energia elétrica em energia


térmica. Alguns exemplos de uso no cotidiano é no filamento da lâmpada
incandescente e a resistência de um chuveiro elétrico. A partir dessa conversão ele
limita a corrente do circuito, sendo assim ele pode ser usado como um limitador de
corrente. Em circuitos teóricos, sua representação é na seguinte forma:

Para se obter valores diferentes de resistência, tais resistores podem ser


associados em série ou paralelo. Quando se deseja aumentar a resistência sua
associação é feita em série, e quando deseja diminuir o efeito resistivo utiliza se a
associação em paralelo. Tendo assim os seguintes valores em cada associação:
Série:
Pode se notar que:

Tensão (ddp) ​(U) se divide

Intensidade da se conserva
corrente ​(i)

Resistência total ​(R) soma algébrica das resistência em cada


resistor.

Já em paralelo:

Tensão (ddp) ​(U) se conserva

Intensidade da se divide
corrente ​(i)

Resistência total ​(R) Produto pela soma.

Pode-se observar como funciona a lei de ohm de acordo com a resistividade


pela seguinte ilustração abaixo:
O personagem Ohm leva o nome da unidade de medida da resistência.

3.1. Código de cores:

Para determinar o valor de um resistor existem duas maneiras: utilizar um


equipamento de medição como um multímetro, ou analisando as cores que vêm
marcadas no resistor. Visando uma fácil interpretação, a análise de cores é feita por
faixas, tendo cada faixa uma função. O número de faixas varia entre 3 até 6 faixas.
Para resistores de 3 faixas(mais convencional), utiliza-se a seguinte regra:
A primeira faixa: mostra o primeiro algarismo do valor da resistência.
A segunda faixa: mostra o segundo algarismo da resistência.
A terceira faixa: mostra quantos zeros devem ser adicionados a resistência.
Observação: Para os resistores que possuem 3 faixas a margem de
tolerância é de mais ou menos 20%.

A tabela utilizada é a seguinte:


No resistor acima nota-se:
Primeira faixa marrom = 1.
Segunda faixa preto = 0.
Terceira faixa vermelho = 2 zeros.
Sendo assim o valor é igual a 1000​Ω ou 1KΩ. Com uma tolerância de 200Ω
para mais ou para menos.

Aplicações:
Filamento de lâmpadas incandescentes
Chuveiros elétricos
Circuitos eletrônicos(controle de corrente)

4. CAPACITORES

Capacitor é um componente eletrônico que armazena carga elétrica em um


campo elétrico ao ser ligado a uma fonte de alimentação. O capacitor possui dois
terminais, podendo ser polarizado ou não polarizado, e dentro do capacitor esses
terminais são conectados a duas placas metálicas, normalmente de alumínio, que
estão separadas por uma substância não condutiva ou um dielétrico.

A capacidade de armazenar energia elétrica na forma de campo elétrico de


um capacitor é chamada de capacitância(C), e é dada pela tensão aplicada em seus
terminais(V) e a quantidade de carga(Q).

A capacitância tem como unidade de medida Farad(F) no entanto essa


unidade é relativamente muito grande, por isso os valores são dados em
microfarads(​μF​), nanofarads(​nF​) ou até mesmo picofarads(​pF​).

Tipos de capacitores:

1. Eletrolítico

Este capacitor se diferencia dos demais por conter um material


dielétrico de espessura extremamente pequena em relação aos outros. Este
capacitor é polarizado de fábrica, ou seja, caso seja aplicada uma tensão que
não siga a polarização de seus terminais, esse capacitor entra em
curto-circuito.

Aplicações: Fontes de tensão, pois estabiliza a onda de saída.

2. Poliéster

Formado por várias camadas de alumínio e poliéster, este capacitor


tem a capacidade de se regenerar caso sofra um pico de tensão um
pouco maior do que o especificado. A quantidade de folhas e a
espessura das mesmas é que determinam sua capacitância.

3. Tântalo
Quando se quer minimizar o circuito os capacitores de tântalo sao
ótimos substitutos dos eletrolíticos. Seu dielétrico é o óxido de tântalo,
que possui uma vida útil superior do que os eletrolíticos. Assim como
nos eletrolíticos, esse capacitor possui uma polarização, e caso seja
polarizado de forma errada ocorre uma explosão imediata. Seu valor
de mercado é maior, e é pouco encontrado para compra.

4. Mica

Tem como material dielétrico a mica,e placas de prata que envolvem a


folha de mica. Altamente estável quanto a temperatura, esses
capacitores são mais utilizados em circuitos ressonantes.

5. Cerâmico

Esse modelo é um dos mais comuns no mercado e mais usados.


Formado por um disco de cerâmica(dielétrico), com uma fita metálica
em cada uma de suas faces. São utilizados em circuitos de corrente
contínua e de alta frequência. Muito encontrado tem televisões, rádios,
etc.

6. Variável

Utilizado em circuitos que precisam ser sintonizados, como rádios e


aparelhos de televisão. Ele possui uma chave seletora ao qual se pode
ajustar sua capacitância.

7. Óleo e papel

Um dos primeiros tipos de capacitor, que atualmente não é mais


fabricado. Consiste em fitas de alumínio enroladas e papel embebido
por óleo. Sua utilização hoje em dia é no isolamento de cabos que
conduzem alta potência em baixo da terra.

Assim como outros dispositivos, o capacitor possui sua forma SMD ao qual
não possui terminais e é soldado direto na placa.

Aplicações:

Circuitos eletrônicos diversos

Rádios

Fontes
5. INDUTORES

O indutor, também conhecido por bobina, é um elemento usado em circuitos


elétricos, eletrônicos e digitais com a função de acumular energia através de um
campo magnético, também serve para impedir variações na corrente elétrica.

O indutor é um dispositivo formado por um fio esmaltado enrolado em torno


de um núcleo.

O símbolo de indutor depende do material usado como núcleo:

Imagem adaptada: https://goo.gl/mFe4XQ

Ao passar uma corrente elétrica pelas espiras, cada uma delas cria ao seu
redor um campo magnético, cujo sentido é dado pela regra da mão direita.

No interior do indutor, as linhas de campo se somam, criando uma


concentração do fluxo magnético.

Os núcleos de ferro e ferrite têm como objetivo reduzir a dispersão das linhas
de campo, pois esses materiais apresentam baixa resistência à passagem do fluxo
magnético.

Pelo sentido das linhas de campo, o indutor fica polarizado magneticamente,


isto é, cria um pólo norte por onde sai o fluxo magnético e um pólo sul por onde
entra o fluxo magnético, comportando-se como um eletroímã.

Polaridade magnética do indutor

É necessário conhecer a polaridade magnética de um indutor quando ele se


encontra próximo a outro indutor.
Dois indutores têm a mesma polaridade quando seus fluxos magnéticos têm
sentidos iguais e polaridades contrárias quando os seus fluxos magnéticos têm
sentidos diferentes. Num circuito, essa polaridade é representada por um ponto
sobre uma de suas extremidades:

Circuitos elétricos: corrente contínua e corrente alternada, Otávio Markus

Comercialmente, existem diversos tipos de indutores fixos e variáveis, que


abrangem uma ampla faixa de indutância.

Os fabricantes de indutores, além de seus valores nominais, fornecem várias


outras especificações em seus catálogos e manuais, das quais podem ser
destacadas:

Indutância Nominal: é o valor especificado de indutância em Henrys ou suas


subunidades.

Os valores comerciais encontrados são múltiplos de valores padronizados:

Valores múltiplos padronizados

1,0 1,2 1,5 1,8 2,2 2,7 3,3 3,9 4,7 5,6 6,8 8,2

Tolerância: é o desvio admissível para o valor nominal, e depende da


tecnologia de fabricação e dos materiais empregados nos núcleos. A tolerância dos
indutores em geral varia entre ±1% e ±20%. Por exemplo, um indutor de 100μH com
tolerância de 10% pode apresentar valor medido real aceitável entre 90μH e 110μH.

Resistência Ôhmica: é a resistência imposta pelo condutor do enrolamento


do indutor. É especificada para alimentação em corrente contínua e da ordem de
alguns poucos ohms até centenas de ohms.
Capacidade de Corrente: a capacidade de corrente máxima que pode
atravessar o indutor é função da bitola e das características do condutor utilizado.
Quanto maior a bitola (seção transversal dada em mm²) maior a capacidade de
corrente da bobina indutora.

Principais tipos de indutores

Bobinas com núcleo de ar: ​São indutores que não utilizam núcleo de material
ferromagnético. Possuem baixa indutância e são utilizadas em altas frequências,
pois não apresentam as perdas de energia causadas pelo núcleo, as quais
aumentam consideravelmente com a frequência.

Núcleo laminado: Usados em indutores de baixa frequência e


transformadores. O núcleo é feito por lâminas de material aço-silício, envolvidas por
verniz isolante. Estes compostos não são escolhidos à toa. O verniz previne perdas
por corrente parasita, e o silício adicionado ao aço faz com que a histerese no
material seja reduzida​.

Núcleo ferromagnético: Nestes modelos, o núcleo é feito de um material


ferromagnético, o que resulta em uma indutância muito maior, porém, também
ocasiona em perdas. A indutância maior é graças ao material, pois ele é capaz de
concentrar melhor o campo magnético.

Núcleo de ferrite: Estes indutores são feitos de um tipo de cerâmica


ferromagnética, que tem um melhor desempenho em altas frequências, onde são
mais empregadas. Não apresentam correntes parasitas além de baixa histerese.

Bobinas toroidais: O núcleo toroidal geralmente é feito de ferrite, e tem um


formato de rosca. Graças a este formato, é criado um caminho pelo qual o campo
magnético circula. Este tipo de núcleo é usado em bobinas que tem formato de
bastão. Neste caso o campo magnético sofre perdas à circular de uma extremidade
a outra, pelo contato com o ar. Por isso este núcleo foi projetado para fazer um
caminho para este campo, evitando o número de perdas.

Associação de indutores

Há dois possíveis tipos de associações de indutores disponíveis para formar


a indutância desejada:
Associação em série:

Podemos substituir esses indutores em série por apenas um indutor de


indutância equivalente:

Leq = L1 + L2 + L3 + Ln

Associação em paralelo:

Podemos substituir esses indutores em série por apenas um indutor de


indutância equivalente:

1 1 1 1 1
Leq = L1 + L2 + L3 + Ln

Aplicações:

Recepção e transmissão de rádio


Circuitos analógicos
Processamento de sinais
Filtro eletrônico

6. POTENCIÔMETRO

Potenciômetro é um componente eletrônico que cria uma limitação para o


fluxo de corrente elétrica que passa por ele, e essa limitação pode ser ajustada
manualmente, podendo ser aumentada ou diminuída.

Os potenciômetros e os resistores têm a finalidade de limitar o fluxo de


corrente elétrica em um circuito, a diferença é que o potenciômetro pode ter sua
resistência ajustada e o resistor comum não pode pois ele possui um valor de
resistência fixo.

Ele é composto por uma faixa de material resistivo


(geralmente grafite) ligada entre seus dois terminais
externos. Nesse material, desliza um cursor, ligado
diretamente ao terminal central do potenciômetro.
Esse cursor pode ser movimentado através de um
eixo rotativo ou um pino de plástico ou metal.
Quando alteramos a posição do cursor, alteramos a
resistência entre o terminal central e os dois
terminais externos do potenciômetro.

Tipos de potenciômetro

Linear: Neste tipo de potenciômetro o movimento de regulagem da resistência é


diretamente proporcional a resistência resultante.
Logaritmo: Neste tipo de potenciômetro o movimento de regulagem da resistência é
uma função logarítmica que por sua vez define a resistência resultante.

Aplicações

Controle de volume de som


Controle de brilho e contraste em telas LCD
Mixers de DJ
7. DIODOS
O Diodo é um componente eletrônico, feito de germânio ou silício, que
conduz corrente elétrica apenas em uma polarização (ânodo positivo e cátodo
negativo), essa polarização é chamada de retificação, sendo usado, basicamente
para converter corrente ​alternada​ (CA) em corrente contínua (CC).

Porém para se entender a funcionamento do diodo e também de outros


dispositivos que utilizam o mesmo princípio de funcionamento se faz necessário
conhecer e entender um pouco da teoria dos materiais semicondutores.

Teoria dos Semicondutores

Segundo o modelo de Rutherford-Bohr um átomo é formado por elétrons que


giram ao redor de um núcleo composto por prótons e nêutrons. Diferentes
elementos químicos apresentam diferentes características eletrônicas.

A última órbita de um átomo define a sua valência, ou seja, a quantidade de


elétrons desta órbita que pode se libertar do átomo através do bombardeio de
energia externa (calor, luz ou outro tipo de radiação) ou se ligar a outro átomo
através de ligações covalentes (compartilhamento de elétrons).

Esta órbita mais externa recebe, por isso, o nome de órbita de valência ou
banda de valência.

Os elétrons da banda de valência são os que têm mais facilidade de se


desprenderem do átomo, tal fato decorre deles possuírem um nível maior de energia
e também, por estarem a uma distância maior em relação ao núcleo do átomo,
sendo a força de atração eletrostática menor.

Com isso uma pequena quantidade adicional de energia já é suficiente para


que eles se tornem elétrons livres. E sob a ação de um campo elétrico se
comportem de forma ordenada, ou seja, constituem uma corrente elétrica.

O fato dessas órbitas estarem a distâncias bem definidas em relação ao


núcleo do átomo, faz com que entre uma órbita e outra exista uma região onde não
é possível existir elétrons, denominada banda proibida.

O tamanho dessa banda proibida na última camada de elétrons define o


comportamento elétrico do material, como na figura abaixo, onde três situações
diferentes estão representadas.

No primeiro caso, um elétron, para se livrar do átomo, tem que dar um salto
de energia muito grande. Desta forma, pouquíssimos elétrons têm energia suficiente
para sair da banda de valência e atingir a banda de condução, fazendo com que a
corrente elétrica neste material seja sempre muito pequena, esses materiais são
chamados de isolantes.

No segundo caso, um elétron pode passar facilmente da banda de valência


para a banda de condução sem precisar de muita energia. Isso acontece
principalmente nos materiais metálicos, onde a própria temperatura ambiente é
suficiente para o surgimento de uma grande quantidade de elétrons livres. Esses
materiais são chamados de condutores.
O terceiro caso é um intermediário entre os dois outros. Um elétron precisa
dar um salto pequeno e, por isso, esses materiais possuem características
intermediárias em relação aos dois anteriores sendo, portanto, chamados de
semicondutores.

Diodo semicondutor

O diodo semicondutor é um componente que pode comportar-se como


condutor ou isolante elétrico, dependendo da forma como a tensão é aplicada aos
seus terminais. Essa característica permite que o diodo semicondutor possa ser
utilizado em diversas aplicações, como, por
exemplo, na transformação de corrente
alternada em corrente contínua

A corrente fornecida pelas empresas


energéticas é alternada, ou seja, muda sua
polaridade entre positivo e negativo com uma frequência de 60Hz. Porém, a maioria
dos aparelhos eletrônicos que utilizamos funciona somente com corrente contínua,
ou seja, uma só polaridade. Dizemos que o diodo funciona como uma chave
fechada (resistência zero) para uma polaridade da tensão de entrada e como uma
chave aberta (resistência infinita) para a polaridade oposta.

Sendo assim, a função do diodo em um circuito é deixar passar a corrente


elétrica apenas em um “sentido”.

Um diodo semicondutor consiste numa junção de uma camada de


semicondutor tipo N com outra de semicondutor tipo P. No semicondutor tipo N, os
portadores de carga, ou seja, as partículas que participam da condução elétrica “
buracos” livres de carga positiva. Logo após a formação da junção PN, alguns
elétrons livres migram do semicondutor tipo N para o semicondutor tipo P. O mesmo
processo ocorre com algumas lacunas existentes no semicondutor tipo P que
migram para o semicondutor tipo N.

A condução de corrente elétrica dependerá da forma como o diodo está


polarizado, podendo ser de duas formas:
Curva Característica do diodo:

Aplicações:

Televisores

CD Player

Câmera fotográfica

Iluminação
10. TRANSISTOR

O transístor é um componente eletrônico semicondutor com várias funções


entre elas: amplificar sinais, comutar circuitos e amplificar e regular corrente.

Ele consiste de uma partícula de material semicondutor como o silício (ou


seja, cuja capacidade de conduzir corrente elétrica se situa entre as dos materiais
condutores e isolantes) à qual foi agregada uma pequena porção de um tipo
determinado de impureza, como o germânio. Esta impureza faz com que o material
passe ou a conduzir corrente de forma semelhante a um condutor verdadeiro, com
baixíssima resistência elétrica, ou a impedir completamente sua passagem, como
um isolante, dependendo das circunstâncias. A este pequeno dispositivo são ligados
três terminais que recebem o nome de “emissor”, “coletor” e “base”.

Nos circuitos digitais seu funcionamento é muito simples. Emissor e coletor


são conectados em série a um circuito elétrico que pode ou não ser alimentado por
uma corrente. A base é ligada a outro ponto do circuito cuja finalidade é controlar o
estado do transistor (tensão mínima de 0,7 para o silício e 0,3 para germanio).
Quando uma tensão elétrica é aplicada à base, o transistor “abre”, ou seja, funciona
como condutor, permitindo que uma corrente elétrica flua entre emissor e coletor e
alimente o circuito ao qual está ligado. Quando a tensão aplicada à base é nula, o
transistor “fecha” e se comporta como um isolante, impedindo o fluxo da corrente e
cortando a alimentação do circuito.

Em sua fabricação quando adicionada uma impureza com 3 elétrons em sua


última camada, falta um elétrons para sua ligação covalente, caracterizando assim a
pastilha P. Já quando colocada uma impureza com 5 elétrons livres em sua última
camada, sobra um elétron para sua ligacao covalente, caracterizando assim a
partilha N. Dependendo de sua fabricação o transistor pode ter dois tipos de
formação, PNP e NPN.
Na representação em circuito, como mostra a figura acima, o transistor NPN
é representado com uma seta apontando para fora do emissor, enquanto o PNP é
representado por uma seta apontando para dentro do emissor.

A partir de uma pequena tensão aplicada em sua base gera uma corrente no
mesmo terminal que é o suficiente para gerar a corrente entre o coletor e emissor. A
partir desse princípio é que se pode obter um ganho de corrente no circuito, desde
que seja fornecida uma corrente em sua base que seja suficiente para gerar um
ganho na corrente entre o coletor e emissor. O fator de multiplicação (hFE) é dado
pela seguinte fórmula: iC = iB x β. Onde iC é a corrente do coletor, iB corrente de base e o β
é o ganho de corrente. Alguns multímetros possuem a função de medição do hFE.

Aplicações:

Aparelhos auditivos

M​icroprocessador​ ​Cell

Chave eletrônica de controle

Amplificadores de sinal

Câmeras fotográficas

Relógios digitais

8. LED

LED, sigla para light emitting diode (Diodo emissor de luz) é um componente
eletrônico cuja principal característica é a emissão de luz. O led
é um tipo de diodo de junção PN que se diferencia dos demais diodos
principalmente pelo fato de emitir luz. Os leds são polarizados e na maioria dos
casos um led possui dois terminais, um positivo ou ânodo (terminal maior) e um
negativo ou cátodo (terminal menor) os quais determinam ou não a polarização do
LED, ou seja, a forma a qual está polarizado determina a passagem ou não de
corrente elétrica, está ocasionando a ocorrência de luz. A polarização que permite a
emissão de luz pelo LED é o terminal anodo no positivo e o catodo no negativo.

Tipos de LED

LEDs difusos comuns: a luz destes LEDs é espalhada por sua cápsula de
plástico. O objetivo é que a luz seja uniforme no decorrer da superfície do LED, mas
ainda assim existem alguns pontos com maior luminosidade e outros com menor
luminosidade;

LEDs de alto brilho: a potência luminosa destes LEDs é bem maior do que a
dos LEDs difusos, por exemplo. A cápsula de plástico é transparente, o que
aumenta a luminosidade do LED, sua luz é concentrada;

Fitas de LED: como o nome sugere, é uma fita que possui, em sua extensão,
vários LEDs minúsculos, brilhando em conjunto ou alternados, dependendo do
modelo da fita;

LEDs bicolores: podem ser difusos ou transparentes, possuem duas cores,


ou a combinação de duas cores para formar uma terceira cor. Ele pode apesentar
dois ou três terminais;

LEDs RGB ou tricolor: é um led que possui três cores, são elas: vermelho
(R), verde (G) e azul (B). Você pode acender essas cores individualmente ou em
conjunto para que formem outras cores. Eles podem ser difusos ou transparentes.

LEDs SMD: são os LEDs usados nas fitas de LEDs, podem ser difusos,
transparentes ou tricolores;

Matriz de LEDs​: é um conjunto de leds dispostos em linhas e colunas, que


podem acender, pisca e mudar de cor (dependendo do modelo) individualmente ou
em conjunto. Podem ser usados para exibir letras e números e até gráficos com
pouca resolução.

LED ou display de 7 ou 16 segmentos alfanuméricos: possui sete ou 16


LEDs dispostos de tal forma que são capazes de exibir letras e números. Existem
variações desse tipo de display com duas, três, quatro ou mais unidades de sete
segmentos.

LEDs orgânicos (OLEDs): são leds muito pequenos, quase microscópicos


que são usados na construção de TVs, telas de smartphones e tablets, monitores,
telas flexíveis e etc.

Aplicações

Sinalização em eletrônicos (ligado, desligado, em carregamento)

Televisores LED

Lâmpadas de LED

Placas Outdoor

Semáforo
9. LASER

Laser, sigla em inglês para Light Amplification by Stimulated Emission of


Radiation ( amplificador de luz por emissão estimulada de radiação) é um dispositivo
que emite radiação eletromagnética e, por meio disso, gera uma ação em cascata
nas partículas de luz, os chamados fótons.

O raio laser é formado por partículas de luz (fótons) concentradas e emitidas


em forma de um feixe contínuo. Para fazer isso, é preciso estimular os átomos de
algum material a emitir fótons. Essa luz é canalizada com a ajuda de espelhos para
formar um feixe.

A luz do laser além de ser monocromática, ou seja, constituída por radiações


de uma única freqüência, é muito potente em razão da grande concentração de
energia em pequenas áreas (pequenos feixes). O feixe de laser é muito potente,
podendo ter brilho superior ao da luz emitida por uma lâmpada.

Um laser tem três partes fundamentais. A primeira é chamada ​meio ativo.​


Essa é a parte que possui os átomos que serão responsáveis pela emissão
estimulada, criando fótons que participarão do feixe de luz do laser. Como vimos, a
emissão estimulada só pode ocorrer quando os elétrons estão excitados e deixá-los
assim é a função da segunda parte do laser, que é uma fonte de energia para o
meio ativo.

A fonte pode energizar os átomos com eletricidade ou com luz, mas o


essencial é que crie elétrons excitados para haver luz durante o processo de
emissão estimulada. O objetivo da fonte de energia é criar um fenômeno conhecido
como ​inversão da população,​ ou seja, no meio ativo existem mais elétrons excitados
dos elétrons em estados fundamentais de energia.

A terceira parte é conhecida como ​ressonador ou ​cavidade ótica​. Seu


objetivo é fazer com que os fótons criados pela emissão estimulada voltem
novamente para o meio ativo, criando mais emissão estimulada, que aumenta a
quantidade de luz criada. Isso pode ser feito com espelhos colocados nas
extremidades do meio ativo. Quando uma das extremidades é aberta, o feixe de luz
é liberado do sistema.

Aplicações

Cirurgias médicas

Leitores de DVD

Fotopolimerizador (clínica odontológica)

Laser x LED

Dentre as diferenças funcionais entre o laser o e LED podemos destacar:

Comparativos Laser LED

Potência óptica alta baixa

Custo alto baixo

Utilização complexa simples

Largura do espectro estreita larga

Tempo de vida menor maior

Velocidade rápido lento

Divergência na emissão menor maior

Sensibilidade à maior menor


temperatura

Bibliografia

Apostila física geral, Prof. Rui Alves Gomes de Sá (Ano 2013)


Circuitos elétricos: corrente contínua e corrente alternada, Otávio Markus
Fundamentos de eletromagnetismo, Prof. Fernando Luiz Rosa Mussoi (Ano 2007)
https://www.mundodaeletrica.com.br/o-que-e-um-indutor/
http://www.eletronicadidatica.com.br/componentes/indutor/indutor.htm
http://www.comofazerascoisas.com.br/potenciometro-o-que-e-para-que-serve-e-como-funciona.html
http://www.if.ufrgs.br/mpef/mef004/20061/Cesar/SENSORES-Potenciometro.html
http://www.comofazerascoisas.com.br/como-calcular-o-resistor-adequado-para-um-led.html
https://goo.gl/ijGPdk
http://panamahitek.com/que-es-y-como-funciona-un-potenciometro/
https://www.mundodaeletrica.com.br/o-que-e-um-led/
http://www.eletronicadidatica.com.br/componentes/diodo/diodo.htm
S.M. Sze, Physics of Semiconductor Devices
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/diodo-semicondutor.htm
Série Eletrônica, desenvolvido pelo Sistema SENAI.
​http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/o-raio-laser.htm
http://www.nupen.com.br/Revista_port/fund_fisicos1.php
http://www.mspc.eng.br/eletrn/laser110.shtml
A física do laser, Daniel Silva (UFU 2007)
Esse site tem tudo explicadinho de cada componente:
http://www.comofazerascoisas.com.br/categorias-especiais/componentes-eletronicos