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1 DIREITO CONSTITUCIONAL I
(2º período)

Prof. Me.
Wilson Francisco Domingues

1ª parte
Direito Constitucional
Constitucionalismo e Neoconstitucionalismo
Estado de Direito e Estado Democrático de Direito
Poder Constituinte e Constituição
Preâmbulo da Constituição Federal de 1988
Princípios e Regras
Princípios Fundamentais do Estado Brasileiro
Teoria Geral dos Direitos Fundamentais
Direitos e Garantias Fundamentais em Espécie
Remédios Constitucionais

2 Direito
Ordenamento Jurídico Positivo

→ complexo de normas de diversos ramos que se complementam entre si.

Direito Positivo Nacional

→ 1.º divide-se em duas grandes Classes:

1) Direito Público; e
2) Direito Privado.

3 Direito
Direito Público

→ conjunto de normas jurídicas, interligadas entre si, que regulam as atividades


ligadas ao Poder Público.

Poder Público → atividades ligadas ao Estado (União, Estados Membros, Distrito


Federal, Municípios, Autarquias e etc.).

Direito Privado

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→ conjunto de normas jurídicas, interligadas entre si, que regulam as atividades


ligadas aos particulares.
4 Direito
PERGUNTA-SE: E como saber se uma determinada Lei pertence ao Direito Público ou
ao Direito Privado?

Vários critérios distintivos:


1) Um deles é ver quem é o sujeito da relação jurídica:

→ Polos (Ativo ou Passivo) = Poder Público → a norma jurídica será de Direito


Público.

→ Polos (Ativo ou Passivo) ≠ Poder Público → a norma será de Direito Privado.

5 Direito
Exemplos de Normas de Direito Público:

a) Lei do IR (n.º 7.713/1988);


b) Lei de Execução Fiscal (n.º 6.830/1980);
c) Lei de Licitações (n.º 8.666/1993);
d) Lei de Concessões (n.º 8.987/1995);
e) Lei de Desapropriação (DL n.º 3.365/1941); etc.

→ num dos polos da relação jurídica, estabelecida nestas hipóteses, está o Poder
Público.

6 Direito
Exemplos de Normas de Direito Privado:

a) Lei de Locação (n.º 8.245/1991);


b) Lei de Alimentos (n.º 5.478/1968);
c) Lei das Empregadas Domésticas (LC n.º 150/2015);
d) Lei da Alienação Parental (n.º 12.318/2010);
e) Lei do Divórcio (n.º 6515/1977); etc.

→ as relações jurídicas, nestas hipóteses, se estabelecem apenas entre particulares.

7 Direito
OBS: Esse critério não absoluto

→ “Esse fator subjetivo é insatisfatório para fundamentar essa distinção”, pois muitas

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→ “Esse fator subjetivo é insatisfatório para fundamentar essa distinção”, pois muitas
vezes o Estado se coloca no mesmo patamar dos particulares, submetendo-se as
normas de Direito Privado. (Miguel Reale, Lições Preliminares de Direito)

P.ex.: Estado tem um veículo envolvido em um acidente de trânsito e ingressa com


ação de reparação de danos.

→ Estado estará adstrito as normas sobre Responsabilidade Civil (de Direito Civil), se
equiparando nessa relação jurídica aos particulares.

2) Outro critério coloca que o Direito Público = são normas destinadas a disciplinar
interesses gerais da Coletividade.

8 Direito Público
Divisão Direito Público e Privado → portanto é mais para fins didáticos.

SUBDIVISÃO:
Direito Público Externo
Direito Público
Direito Público Interno

Direito Público Externo


→ são as normas que regem as relações entre países soberanos no plano
internacional (externo);
→ conjunto de Tratados ou Convenções Internacionais que formam as normas
jurídicas de Direito Internacional Público.

9 Direito Público Interno


Direito Público Interno
→ normas jurídicas que vigoram dentro do nosso país.

SUBDIVISÃO:
Direito Constitucional
Direito Administrativo
Direito Público Interno Direito Tributário
Direito Financeiro
Direito Processual (Civil e Penal)
Direito Judiciário
Direito Penal
Direito Previdenciário
Direito Eleitoral
Direito Ambiental

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10 Direito Constitucional e demais Ramos do Direito Público


DOUTRINA: “O Direito Constitucional, que se definiu acima, pertence, na clássica
divisão do Direito, ao ramo público. Na verdade é ele o próprio cerne do Direito Público
interno, já que seu objeto é a própria organização básica do Estado, e, mais que isso, o
alicerce sobre o qual se ergue o próprio Direito Privado. [...] Os demais ramos do Direito
Público também encontram na Constituição suas normas basilares. O Direito Penal é
estritamente condicionado por inúmeros preceitos registrados nas declarações de
direitos e garantias, como os que vedam certas penas. O Tributário, a seu turno, está
preso às regras constitucionais sobre o poder de tributar e às que discriminam os
tributos, distribuindo-os à União, aos Estados, aos Municípios e ao Distrito Federal.”
(Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Curso de Direito Constitucional)

11 Direito Constitucional
Ramo do Direito que:
→ estabelece as bases, a organização e o exercício do Poder Político de um Estado;
→ e que garante os Direitos Fundamentais ao povo.

Direito Constitucional → são as normas jurídicas previstas na Constituição de um país.

Normas Constitucionais → são normas jurídicas consideradas superiores dentro do


Ordenamento Jurídico Nacional.

12 Direito Constitucional
Teoria da Validade do Ordenamento Jurídico de Hans Kelsen
→ as normas se subordinam umas as outras, hierarquicamente, obedecendo-se uma
estrutura de pirâmide, onde as normas constitucionais encontram-se no mais alto
nível dentro do Ordenamento Jurídico Nacional:

13 Direito Constitucional
Definições doutrinárias:

DOUTRINA → “...conjunto de princípios jurídicos que define as estruturas do Estado,


seus poderes, suas competências, suas metas, o funcionamento de seus órgãos
integrantes, a relação deste com os indivíduos que compõem o povo, os direitos
fundamentais das pessoas, dentre outros aspectos considerados verdadeiros alicerces do
nosso Estado Democrático de Direito”. (José Afonso da Silva, Curso de Direito
Constitucional Positivo)

14 Direito Constitucional
Definições doutrinárias:

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DOUTRINA → “...é a parcela da ciência jurídica destinada ao estudo da Constituição,


em suas diversas acepções ou classificações, debruçando-se, portanto, sobre aspectos
como os elementos constitutivos do Estado, as relações orgânicas e espaciais de poder,
a ordem econômica e os limites ao Poder do Estado, em especial os Direitos
Fundamentais”. (Luiz Alberto David de Araújo e Vidal Serrano Nunes Júnior, Curso de
Direito Constitucional)

15 Constitucionalismo
ABSOLUTISMO vs. LIBERALISMO

Vida em Sociedade → faz surgir a necessidade de se limitar os poderes absolutistas


(tirania) dos Monarcas na época.

Povo → começava a lutar por seus anseios (liberdades e direitos).

CONSTITUCIONALISMO
→ movimento que surge a partir das lutas do Povo contra o Absolutismo do Estado.

16 Constitucionalismo
Movimento Constitucionalista
→ surge com o fim de impor um governo moderado, sem abusos e defensor das
liberdades individuais.

DOUTRINA: “Esse visa a estabelecer em toda parte regimes constitucionais, quer dizer,
governos moderados, limitados em seus poderes, submetidos a Constituições escritas.”
(Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Curso de Direito Constitucional)

17 Constitucionalismo
Constituição = Documento fundamental do Estado

→ Estado se constitui e se organiza por meio de um documento fundamental


denominado “Constituição”, cujos propósitos principais são:

a) organizar o Poder Político do Estado;

b) garantir direitos fundamentais ao Povo;

c) garantir um caráter democrático para as decisões políticas.

18 Constitucionalismo
Definições doutrinárias:

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Definições doutrinárias:

DOUTRINA: “... constitucionalismo é congênito a separação de poderes e as declarações


de direitos dos humanos [...] os principais objetivos incorporados pelo
constitucionalismo são: supremacia da lei (Constituição), havida esta como a expressão
da vontade geral; limitação do poder; proteção e asseguração dos direitos
fundamentais do ser humano, em especial os correlacionados à liberdade.” (Luiz
Alberto David de Araújo, Curso de Direito Constitucional)

19 Constitucionalismo
Definições doutrinárias:

DOUTRINA: “Fica absolutamente nítida, pois, a apresentação do constitucionalismo


como movimento que, embora de grande alcance jurídico, apresenta feições
sociológicas inegáveis. O aspecto jurídico revela-se pela pregação de um sistema
dotado de corpo normativo máximo, que se encontra acima dos próprios governantes –
a Constituição. O aspecto sociológico está na movimentação social que confere a base
de sustentação dessa limitação do poder, impedindo que os governantes passem a
fazer valer seus próprios interesses e regras na condução do Estado.” (André Ramos
Tavares, Curso de Direito Constitucional)

20 Retrospecto Histórico do Constitucionalismo


1.º) Constitucionalismo Antigo
2.º) Constitucionalismo e Idade Média
3.º) Constitucionalismo Moderno
4.º) Constitucionalismo Contemporâneo

DOUTRINA: “É errôneo supor que o constitucionalismo surgiu apenas com o advento


das revoluções modernas, que instauraram a democracia e afastaram os regimes
absolutistas até então existentes.” (André Ramos Tavares, Curso de Direito
Constitucional)

21 Retrospecto Histórico do Constitucionalismo


Constitucionalismo Antigo

Hebreus → com seu Estado Teocrático (autoridades ligadas ao Clero) já criaram


limites ao Poder Político por meio da chamada “Lei do Senhor”.

Gregos → a Cidade Estado grega representou a racionalização do Poder Político do


Estado.

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Estado.
→ o regime constitucional grego traçava diferentes funções estatais, distribuídas a
diferentes detentores, que eram escolhidos por sorteio para determinado tempo,
sendo permitido o acesso a esses cargos públicos por qualquer cidadão.

22 Retrospecto Histórico do Constitucionalismo


Constitucionalismo na Idade Média

Luta contra o Absolutismo → depois de vários séculos, o constitucionalismo aparece


como o movimento de conquista das liberdades individuais.

Inglaterra:
Carta Magna Libertatum (ano de 1.215) → não se limitava apenas a impor balizas à
atuação soberana, mas também garantir direitos individuais em oposição à enorme
opressão estatal da época.

Petition of Rights (ano de 1628*) → documento engajado em liberdades públicas e


proteção de direitos pessoais e patrimoniais.

(OBS: Idade Média – anos de 476 d.C. até 1453)

23 Retrospecto Histórico do Constitucionalismo


Constitucionalismo Moderno

→ a partir então começa a haver a valorização de um documento constitucional


escrito.

DOUTRINA: “Sinteticamente tem-se que constitucionalismo moderno revela-se na ideia


básica de registrar por escrito o documento fundamental do povo.” (André Ramos
Tavares, Curso de Direito Constitucional)

24 Retrospecto Histórico do Constitucionalismo


Constitucionalismo Moderno

Nesse período são então editadas :

→ a Constituição Norte-americana em 1787;


→ a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão em 1789 (na França); (Art. 16.º
A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida
a separação dos poderes não tem Constituição)
→ a Constituição Francesa em 1791.

→ foi a partir dessas Constituições escritas (Norte-americana e Francesa) que os


ideais constitucionais da época foram se espalhando por toda a Europa e América.

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25 Retrospecto Histórico do Constitucionalismo


Constitucionalismo Moderno

DOUTRINA: “O constitucionalismo moderno, portanto, trouxe às normas


constitucionais maior normatividade e plena efetividade, de forma a torná-las
obrigatórias ...” (Alexandre de Moraes, Constituição do Brasil Interpretada e Legislação
Constitucional)

26 Retrospecto Histórico do Constitucionalismo


Constitucionalismo Contemporâneo

→ também chamado de “Constitucionalismo Globalizado”.


→ exigência de que os Estados garantam e respeitem os Direitos Humanos já
consagrados no plano internacional.

DOUTRINA: “...o futuro do constitucionalismo deve estar influenciado até identificar-se


com a verdade, a solidariedade, o consenso, a continuidade, a participação, a
integração e a universalização. [...] Ora, em síntese, tem-se uma fase final do
constitucionalismo que é justamente a de propagar-se e alcançar todas as nações,
unificando os ideais humanos a serem consagrados juridicamente.” (André Ramos
Tavares, Curso de Direito Constitucional)

27 Retrospecto Histórico do Constitucionalismo


Constitucionalismo e Direitos Fundamentais

→ as Gerações de Direitos Fundamentais, na clássica classificação de Karel Vasak (1ª -


dimensão individual-liberal; 2ª - dimensão social; 3ª - dimensão da solidariedade);

→ coincidem exatamente com esses citados momentos históricos da evolução do


Constitucionalismo (da Idade Média ao Contemporâneo);

→ pois o reconhecimento dos direitos fundamentais, pelo Estado, sempre fizeram


parte da luta contra o Absolutismo.

→ por isso os direitos fundamentais representam uma parte extremamente


importante dentro de uma Constituição.

28 Retrospecto Histórico do Constitucionalismo


→ considerando a classificação piramidal das normas do ordenamento jurídico, de
Hans Kelsen;

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→ podemos afirmar que os direitos fundamentais se encontram na parte mais alta de


todo o ordenamento jurídico;

→ inclusive o constitucional, sendo, portanto, considerados “valores supremos”


dentro de um Estado. (George Marmelstein, Curso de Direitos Fundamentais)

→ a Doutrina comenta a existência de um verdadeiro “princípio da supremacia dos


direitos fundamentais”.

29 Neoconstitucionalismo
Como as Constituições
→ mais contemporaneamente foram alçadas a um novo patamar dentro do
Ordenamento Jurídico;
→ de documentos vinculantes dos Poderes Públicos;
→ dotadas de efetividade e de aplicabilidade (imperatividade das normas
constitucionais);
→ essa imperatividade passou a não ser só dos Poderes Públicos, mas também sobre
as relações privadas.

Daí surge o chamado “Neoconstitucionalismo”, que é a evolução mais recente do


movimento constituicionalista.

30 Neoconstitucionalismo
Neoconstitucionalismo → surge mais recentemente, a partir da interpretação
jurisprudencial da Constituição pelas Cortes Constitucionais.

→ passou se a entender que a interpretação de todos os textos normativos, dentro


do Ordenamento Jurídico, deve levar em consideração os princípios e os valores
contidos na Constituição do Estado.

DOUTRINA: “O neoconstitucionalismo é un fenômeno relativamente reciente dentro del


Estado, constitucional comtepornáneo, parece contar cada dia com más seguidores,
sobre todo em el âmbito de la cultura jurídica italiana y española, así como em diversos
países de América Latina (particularmente em los grandes focos culturales de
Argentina, Brasil, Colombia y México).” (Miguel Carbonell, Neoconstitucionalismo(s))

31 Neoconstitucionalismo
Constituição

→ nessa nova óptica é havida como um verdadeiro sistema, de princípios e de regras,


aberto aos influxos da realidade social;

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→ que serve para orientar o Estado e as relações privadas;

E se necessário → a Justiça Constitucional (Poder Judiciário) estaria autorizada a atuar


assegurando a aplicação da Constituição, especialmente os direitos fundamentais.

32 Neoconstitucionalismo
DOUTRINA: “O neoconstitucionalismo nasce, assim, marcado por uma primazia da
aplicação direta da Constituição, orientada especialmente por princípios, e fundado em
uma forte atividade judicial, que faz da efetividade dos direitos fundamentais sua
principal razão de ser. [...] O neoconstitucionalismo adota, portanto, o caráter de
mecanismo ou técnica de efetividade do texto constitucional, especialmente dos direitos
fundamentais [...].” (Luiz Alberto David de Araújo, Curso de Direito Constitucional)

33 Neoconstitucionalismo
DOUTRINA:
“Constitucionalización del ordenamiento jurídico podemos entender um proceso de
transformación de um ordenamiento, al término del cual, el ordenamiento em cuestión
resulta totalmente impregnado por lãs normas constitucionales. Un ordenamiento
jurídico constitucionalizado se caracteriza por uma Constitución extremadamente
invasora, entrometida (pervasiva, invadente) capaz de condicionar tanto la legislación
como la jurisprudencia y el estilo doctrinal, la acción de los actores políticos, así como
las relaciones sociales.” (Ricardo Guastini, Neoconstitucionalismo(s)) (GN)

34 Estado Constitucional
Estado 1) Estado de Direito
Constitucional
2) Estado Democrático de Direito

Estado Constitucional → DOUTRINA: “...Estado enquadrado num sistema normativo


fundamental. [...] padrão jurídico fundamental, que se impõe ao Estado, aos
governantes e aos governados, as normas constitucionais condicionam todo o sistema
jurídico.” (Dalmo de Abreu Dallari, Elementos da Teoria Geral do Estado)

35 Estado de Direito
Componentes:

1.º) o Estado → enquanto forma de organização política;

2.º) o Direito → enquanto conjunto de normas jurídicas que regem uma sociedade.

Estado de Direito significa:

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→ o poder do Estado sobre a sociedade limitado pelo Direito;

→ e o respeito pelo Estado aos direitos fundamentais da sociedade.

36 Estado de Direito
Supremacia da legalidade

→ submissão do Estado (seus Representantes) e das pessoas (alçadas à categoria de


cidadãos) às normas jurídicas integrantes do Ordenamento Jurídico (Direito).
→ nenhum indivíduo, autoridade ou cidadão, está acima da Lei.

Proclamação de direitos fundamentais

→ surge em face do autoritarismo do Estado.


→ onde o Estado reconhece direitos fundamentais das pessoas humanas.

37 Estado de Direito
DOUTRINA: “O Estado de Direito caracteriza-se por apresentar as seguintes premissas:
(1) primazia da lei; (2) sistema hierárquico de normas [...]; (3) observância obrigatória
da legalidade pela administração pública; (4) separação de poderes como garantia da
liberdade ou controle de possíveis abusos; (5) reconhecimento da personalidade jurídica
do Estado, que mantém relações jurídicas com os cidadãos; (6) reconhecimento e
garantia dos direitos fundamentais incorporados à ordem constitucional; (7) em alguns
casos, existência de controle de constitucionalidade das leis [...].” (Alexandre de Moraes,
Constituição do Brasil Interpretada e Legislação Constitucional)

38 Estado Democrático de Direito


Estado Democrático de Direito
→ também é o reconhecimento de direitos fundamentais e o controle do poder do
Estado (assim como no Estado de Direito);

→ mas o Poder Político do Estado (soberania) emana do povo;

→ o povo é o detentor do Poder do Estado (soberania popular) e elege


representantes para ocupar os cargos de autoridades.

→ não há mais a ideia de que a soberania do Estado era da autoridade e advinha de


Deus.

39 Estado Democrático de Direito


No Regime Democrático desse Estado de Direito:

→ os governantes passaram a ser escolhidos pelos governados;

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→ os governantes passaram a ser escolhidos pelos governados;

→ por meio de eleições livres e honestas;

→ reconhecendo-se a soberania popular;

→ e estabelecendo o governo da maioria.

40 Estado Democrático de Direito


DOUTRINA: “O Estado Democrático de Direito, caracterizador do Estado Constitucional,
significa que o Estado se rege por normas democráticas, com eleições livres, periódicas
e pelo povo, bem como o respeito das autoridades públicas aos direitos e garantias
fundamentais [...]. O princípio democrático exprime fundamentalmente a exigência da
integral participação de todos e de cada uma das pessoas na vida política do país, a
fim de garantir o respeito à soberania popular.” ” (Alexandre de Moraes, Constituição
do Brasil Interpretada e Legislação Constitucional)

41 Estado Democrático de Direito


DOUTRINA: “A ideia moderna de um Estado Democrático tem suas raízes no século
XVIII, implicando a afirmação de certos valores fundamentais da pessoa humana, bem
como a exigência de organização e funcionamento do Estado tendo em vista a
proteção daqueles valores. [...] A base do conceito de Estado Democrático é, sem dúvida,
a noção de governo do povo, revelada pela própria etimologia do termo democracia
[...]”. (Dalmo de Abreu Dallari, Elementos da Teoria Geral do Estado)

42 Estado Democrático de Direito


Constituição Federal de 1988

→ o Princípio Democrático vem em várias passagens do texto:

Preâmbulo “Nós representantes do povo brasileiro [...]”.

Art. 1.º, p. ú. → “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”

Art. 14 → “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto
e secreto, com valor igual para todos [...]”.

→ o povo ainda pode ser consultado por meio de plebiscito e “referendum” (incisos I
e II), bem como propor projetos de Lei de iniciativa popular (inciso III).

43 Constituição
Definições:

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Definições:

Dicionário → “ato de constituir, de estabelecer, de firmar; de organização; de formação”.

Magna Charta Libertatum (1215) → trata-se do “documento máximo de um país”...

→ ou melhor, da lei fundamental e suprema de um Estado.

Primeiras Constituições da História:


→ Norte-americana - 1787.
→ Francesa – 1791.

No Brasil:
→ a primeira Constituição foi a do Império – 1824.

44 Constituição
Definição doutrinária:

DOUTRINA: “Aplicado ao Estado, o termo “Constituição” em sua acepção geral pode


designar a sua organização fundamental total, quer social, quer política, quer jurídica,
quer econômica.” (Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Curso de Direito Constitucional)

45 Constituição
Conceitos de Constituição: (cf. Luiz Alberto David de Araújo e Vidal Serrano Nunes
Júnior, in Curso de Direito Constitucional)

a) do ponto de vista político → a Constituição determina a estrutura mínima do


Estado, ou seja, as regras que definem a titularidade do poder, a forma de seu
exercício e etc.

b) do ponto de vista sociológico → a Constituição é o reflexo das lutas e conquistas


sociais ao longo da história.

46 Constituição
Conceitos de Constituição:

c) do ponto de vista jurídico: (cf. Luís Roberto Barroso, in Curso de Direito


Constitucional Contemporâneo)

c1) no sentido material → a Constituição organiza o exercício do Poder Político,


define os direitos fundamentais, consagra valores e indica fins públicos para serem
realizados.

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realizados.

c2) sentido formal → a Constituição, no sistema, é norma fundamental e superior, que


regula o modo de produção das demais normas.

47 Constituição
Tipos:

1) Constituição do Estado de Direito Liberal


→ restringe-se a limitação do poder do Estado, normatizando os órgãos que
compõem este.
→ e assegurando um rol de direitos de liberdade.

2) Constituição do Estado de Direito Social


→ não é só mera garantidora das liberdades individuais.
→ tem a função prestacional em matéria social.
→ imposições de tarefas ao Poder Público para o bem estar social.

48 Constituição
Tipos:

3) Constituição do Estado Socialista

→ a principal nota caracterizadora é a propriedade estatal de todos os meios de


produção ao lado de uma economia centralmente planejada.

→ o mercado e a livre iniciativa saem e dão lugar ao planejamento estatal sobre


todas as atividades econômicas.

49 Constituição
Classificação:

a) Quanto à Origem

a1) Promulgada (votada)


→ elaborada pelo Legislador Constituinte.
P.ex.: as Constituições brasileiras de 1891, de 1934, de 1946 e de 1988.

a2) Outorgada (imposta)


→ fruto do autoritarismo estatal.
P.ex.: as Constituições brasileiras de 1824, de 1937, de 1967.

50 Constituição

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Classificação:

b) Quanto à Mutabilidade

b1) Flexível → aquela que não exige, para sua alteração, nenhum processo legislativo
mais solene, considerando o previsto para a Lei Ordinária. P. ex.: Constituição da
Inglaterra.

b2) Rígida → aquela que, para sua alteração, exige-se um processo legislativo mais
solene e difícil do que o estabelecido para a Lei Ordinária.
P.ex.: Constituição Federal de 1988, onde a proposta de Emenda Constitucional tem
iniciativa restrita (art. 60) e a proposta de Lei Ordinária tem iniciativa geral (art. 61); a
aprovação de Lei Ordinária é por maioria simples (art. 47) e a aprovação de Emenda
Constitucional é por maioria qualificada de 3/5 (art. 60, §2.º) .

51 Constituição
Classificação:

b) Quanto à Mutabilidade

b3) Semi Rígida ou Semi Flexível

→ para a alteração de uma parte exige-se um processo mais solene e difícil do que
aquele exigido para a Lei Ordinária.

→ em outra parte apresenta, para sua alteração, a mesma forma que a de aprovação
de uma Lei Ordinária.

P.ex.: Constituição Imperial brasileira de 1824.

b4) Imutável → não prevê a possibilidade ou traz a impossibilidade de modificação


de seu texto.
P.ex.: o art. 60 da CF/88, que traz as cláusulas pétreas (parte do texto que não pode
ser alterada), torna ela uma Constituição Semi Imutável.

52 Constituição
Classificação:

c) Quanto à Forma

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c1) Escrita ou Dogmática

→ aquela representada por um texto escrito completo e organizado.


P.ex.: Constituição Federal de 1988.

c2) Costumeira ou Histórica


→ aquela formada por textos esparsos, sedimentada em costumes e fundamentada
em documentos históricos que lhe servem de fundamento.
P.ex.: Constituição da Inglaterra.

53 Constituição
Classificação:

d) Quanto ao Conteúdo

d1) Material

d2) Formal

d1) Material
→ partindo do conceito político da Constituição, algumas matérias são tipicamente
constitucionais, mesmo se não constarem de uma Constituição escrita.

P.ex.: matérias relativas a forma e estrutura do Estado; ao sistema de governo, a


divisão dos Poderes e aos direitos e garantias fundamentais.

54 Constituição
Normas materialmente constitucionais:

1) art. 1.º (identifica o titular do Poder Constituinte);


2) art. 2.º (elenca os Poderes do Estado);
3) art. 3º (fixa os objetivos do Estado);
4) art. 5º (estabelece os direitos e garantias individuais);
5) art. 18 (identifica as unidades da Federação) e etc.

→ mesmo se não fizessem parte de uma Constituição escrita, seriam normas


materialmente constitucionais.

55 Constituição
d2) Formal

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→ algumas normas colocadas na Constituição, que não fazem parte do núcleo de


estruturação mínima de um Estado, são denominadas de “normas formalmente
constitucionais”.

→ normas que, apesar de sua importância, não fazem parte da estruturação do


Estado e, por isso, poderiam não constar do texto constitucional e serem aprovadas
por meio de processo legislativo comum (de Lei Ordinária).

56 Constituição
d2) Formal

P.ex.:
1) art. 231 (trata dos índios);
2) art. 242 (menciona o Colégio Pedro II no Rio de Janeiro);
3) art. 244 (trata de adaptação para garantir acessibilidade às pessoas portadoras de
deficiência).

→ essas normas formalmente constitucionais, juntamente com as normas


materialmente constitucionais, é que formam a Constituição de um Estado.

57 Constituição
DOUTRINA: “Indubitavelmente, existe um núcleo material nas Constituições sem o qual
não se pode falar em Estado. Se este pressupõe organização e se esta é fornecida por
instrumentos normativos cogentes, imperativos, derivam eles do exercício do poder.
Assim, é norma substancialmente constitucional aquela que identifica o titular do
poder. [...] Anotamos que não é relevante, juridicamente, a identificação de matéria
constitucional e de outra, que, embora na Constituição, não seria constitucional. Isto
porque o critério de modificação, gerador de preceitos de porte constitucional, é o
mesmo para todas as normas [...]” (Michel Temer, Elementos de Direito Constitucional)
(GN)

58 Constituição
Classificação:

e) Quanto à Sistemática

e1) Reduzida
→ representada por um Código único, sistematizado.
P.ex.: Constituição Federal de 1988

e2) Variada
→ quando os textos estão espalhados em diversos diplomas legais distintos.

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→ quando os textos estão espalhados em diversos diplomas legais distintos.


P.ex: Constituição Francesa de 1975; Constituição Belga de 1830.

59 Poder Constituinte
Definições e Apontamentos Preliminares:

Poder Constituinte
→ poder de elaboração de uma Constituição.

Legislador Constituinte
→ é o responsável pela elaboração do texto constitucional.
→ o faz por força do Poder Constituinte (Originário).

Titularidade do Poder Constituinte numa Democracia


→ é do Povo.

60 Poder Constituinte
DOUTRINA: “O poder constituinte [...] envolve a manifestação de vontade de quem o
exerce e o consentimento ou sujeição de quem a ele se submete. [...] Na sua essência,
portanto, o poder constituinte consiste na capacidade de elaborar uma Constituição e
de determinar sua observância.” (Luís Roberto Barroso, Curso de Direito Constitucional
Contemporâneo)

61 Poder Constituinte
Manifestações do Poder Constituinte

→ Ao longo da história tivemos vários cenários políticos em que se deram a


manifestação do Poder Constituinte:

1) Revolução → grupo revolucionário toma o poder e edita uma Constituição.

P.ex.: Constituição Francesa de 1791; Constituição Portuguesa 1976 e Constituições


Brasileiras de 1934, 1946 e 1967, etc.

62 Poder Constituinte
Manifestações do Poder Constituinte

2) Derrota em Guerra → P.ex.: Constituição de Weimar de 1919 e Lei Fundamental de


Bonn de 1949 (Alemanha – após 1.ª e 2.ª Guerra Mundiais); Constituição do Japão de
1947; Constituição da Itália de 1948 (Queda de Mussolini)

18
13/08/2019

3) Criação de um novo Estado → emancipação ou libertação de uma colônia e edição


de uma Constituição. P.ex: Constituição Americana; Constituição Brasileira de 1824;
Constituição da Índia de 1950; Constituição do Paquistão de 1956; etc.
63 Poder Constituinte
Manifestações do Poder Constituinte

4) Transição Política Pacífica → por meio de uma Assembleia Constituinte aprova-se a


Constituição.

P.ex.: Constituição Espanhola de 1978; Constituição Brasileira de 1988; Constituição da


África do Sul de 1997.

64 Poder Constituinte
Tipos:

a) Originário → aquele que dá origem a Constituição de um Estado, por meio dos


representantes eleitos pelo povo em Assembleia Geral Constituinte ou por meio da
outorga (imposição) dela.

b) Derivado → aquele que deriva do Poder Constituinte Originário, de acordo com o


que restou estabelecido por este na Constituição do Estado.
65 Poder Constituinte
Tipos de Poder Constituinte

b) Derivado

b1) Reformador
→ consiste na possibilidade de se reformar (alterar/emendar) o texto constitucional,
respeitando-se o procedimento previsto na própria Constituição.

b1) Decorrente
→ consiste na possibilidade que os Estados Membros têm de, em razão de sua
autonomia político administrativa, se auto organizarem por meio de suas próprias
Constituições Estaduais, respeitando-se, sempre, as normas limitativas estabelecidas
na Constituição Federal.

66 Poder Constituinte
Poder Constituinte Originário

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13/08/2019

DOUTRINA: “Assim, o Poder Constituinte originário estabelece a Constituição de um


novo Estado, organizando-0 e criando os poderes destinados a reger os interesses de
uma comunidade. Tanto haverá Poder Constituinte no surgimento de uma primeira
Constituição, quanto na elaboração de qualquer Constituição posterior.” (Alexandre de
Moraes, Constituição do Brasil Interpretada e Legislação Constitucional)

67 Poder Constituinte
Poder Constituinte Derivado

DOUTRINA: “Duas são as espécies de Poder Constituinte derivado. Uma é o poder de


revisão. Trata-se do poder, previsto pela Constituição, para alterá-la, adaptando-a a
novos tempos e novas exigências. Outra é o Poder Constituinte dos Estados-Membros
de um Estado federal. O chamado Poder Constituinte decorrente. Este deriva também
do originário mas não se destina a rever sua obra e sim a institucionalizar
coletividades, com caráter de estados, que a Constituição preveja.” (Manoel Gonçalves
Ferreira Filho, Curso de Direito Constitucional)

68 Poder Constituinte
Poder Constituinte Derivado Decorrente

DOUTRINA: “O Poder Constituinte Decorrente nasce com o pacto federativo, que


apresenta como uma de suas peculiaridades a capacidade de auto-organização - por
Constituições próprias - das unidades federadas. [...] Nesse sentido, cumpre destacar
que o Poder Constituinte Decorrente, como espécie do Poder Constituinte Derivado,
apresenta as mesmas características deste, é dizer, a limitação e o condicionamento
que se materializam pelo dever genérico de observância dos princípios contidos na
Constituição Federal e pela atuação restrita no âmbito próprio da competência
constitucionalmente reservada aos Estados-membros.” (Luiz Alberto David de Araújo e
Vidal Serrano Nunes Júnior, Curso de Direito Constitucional)

69 Poder Constituinte
Poder Constituinte Decorrente
→ deve observância ao chamado “Princípio da Simetria”.

Princípio da Simetria → determina que os princípios magnos e os padrões


estruturantes do Estado, segundo a disciplina da Constituição Federal, sejam objeto
de reprodução simétrica (espelhada) nos textos das Constituições Estaduais.

P.ex.: a Separação dos Poderes que deve ser reproduzida nas Constituições Estaduais
(art. 2.º, CF/88); as hipóteses de iniciativa reservada do Chefe do Executivo Federal
(art. 61, §1.º, CF/88) que deve ser aplicada, no que couber, aos chefes do Poder
Executivo Estadual e Municipal; e etc.

70 Poder Constituinte

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13/08/2019

Características do Poder Constituinte Originário

a) inicial → inaugura uma nova Ordem Jurídica, revogando a Constituição anterior (se
existente) e os dispositivos infraconstitucionais antes produzidos e incompatíveis com
ela;

b) autônomo → autonomia de quem o exerce para determinar os termos e a


estrutura da Constituição;

c) ilimitado → não se reporta à Ordem Jurídica anterior, podendo compor uma nova
Ordem sem qualquer limite para a criação;

d) incondicionado → não se submete a nenhum processo predeterminado para sua


elaboração.

71 Poder Constituinte
Características do Poder Constituinte Derivado

a) limitação → a Constituição impõe limites a sua alteração. P.ex.: art. 60, §4º
(cláusulas pétreas - áreas imutáveis);

b) condicionalidade → a alteração da Constituição deve obedecer as formalidades


previstas no processo predeterminado para sua alteração (emenda).

P.ex.: art. 60, I, II e III (dificuldade maior da iniciativa); quórum mais elevado com
relação à Lei Ordinária e 2 turnos de votação (art. 60, §2º); impossibilidade de
reapresentação de projeto de emenda na mesma Sessão Legislativa (art. 60, §5º),
enquanto a Lei Ordinária pode ser reapresentada desde que o pedido seja feito pela
maioria absoluta de qualquer uma das Casas (art. 67).

72 Poder Constituinte
Limites Explícitos ao Poder Constituinte Derivado:

a) Limites materiais → matérias petrificadas (imutáveis)


→ art. 60, §4.º, CF/88 → a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal
e periódico; a separação dos Poderes; e os direitos e garantias individuais.

b) Limites circunstanciais → em determinadas circunstâncias não pode haver trâmite


de proposta de emenda constitucional, em razão da necessidade de tranquilidade
social.
→ art. 60, §1º, CF/88 → na vigência de intervenção federal (art. 34), estado de defesa
(art. 136) ou estado de sítio (art. 137).

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13/08/2019

73 Poder Constituinte
Limites Explícitos ao Poder Constituinte Derivado:

c) Limites procedimentais → se a proposta de emenda for rejeitada ou tida como


prejudicada, só poderá ser reapresentada na Sessão Legislativa (ano) seguinte.

→ art. 60, §5º, CF/88.

74 Poder Constituinte
Limites Implícitos ao Poder Constituinte Derivado:

→ por conta de todo o sistema constitucional algumas disposições não podem ser
alteradas, mesmo não havendo restrição explícita no corpo da Constituição.

P.ex.: Fundamentos e Objetivos do Estado Brasileiro (incisos I a V, art. 1.º e art. 3.º,
CF/88); Procedimento traçado pelo Constituinte Originário (art. 60, CF/88).

75 Poder Constituinte
Formas de Mudança Constitucional

a) Ordinária → proposta de Emenda Constitucional.


→ art. 60, CF/88.

b) Extraordinária → Revisão Constitucional.


→ art. 3.º, ADCT.

“Art. 3.º - A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da
promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do
Congresso Nacional, em sessão unicameral”.

76 Poder Constituinte
Poder Constituinte Derivado

Poder Constituinte Revisional

Poder Constituinte Derivado → não tem limitação temporal;


→ pode ser exercido sempre que se respeitar o rito do art. 60, CF/88;
→ o quórum é maioria de 3/5 (mais difícil);
→ a votação é em Sessão de cada uma das Casas do Congresso Nacional;

Poder Constituinte Revisional → tem limitação temporal (ao menos 5 anos da

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Poder Constituinte Revisional → tem limitação temporal (ao menos 5 anos da


promulgação da Constituição).
→ só pode ser exercido uma única vez
→ o quórum é maioria absoluta (mais fácil).
→ a votação é em sessão unicameral do Congresso Nacional.

77 Poder Constituinte
Poder Constituinte Revisional

→ a Revisão Constitucional já ocorreu (1993).

→ foram propostas 6 emendas na época.

→ não pode ocorrer mais vezes, pois o art. 3.º do ADCT trazia a ideia de apenas uma
revisão.

→ agora todas as alterações no texto constitucional devem ser feitas por meio de
Emendas.

78 Recepção das Normas Infraconstitucionais


Aprovação de uma Nova Constituição

→ revoga a Constituição anterior.

PERGUNTA-SE: E as normas infraconstitucionais produzidas sob a égide da antiga


Constituição, perdem a validade?

79 Recepção das Normas Infraconstitucionais


→ uma nova Constituição não implica na revogação automática da legislação
infraconstitucional anterior a ela.

→ grande parte das normas anteriores serão compatíveis com a nova Constituição,
sendo, portanto, recepcionadas por esta.

Recepção → caso as normas anteriores sejam compatíveis com a nova Constituição.

Revogação → caso as normas anteriores sejam incompatíveis com a nova


Constituição.

80 Recepção das Normas Infraconstitucionais


Já se decidiu: “Ação direta de inconstitucionalidade – Impugnação de ato estatal
editado anteriormente à vigência da CF/88 – Inconstitucionalidade superveniente –
Inocorrência – Hipótese de revogação do ato hierarquicamente inferior por ausência de

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13/08/2019

recepção - Impossibilidade de instauração do controle normativo abstrato – Ação direta


não conhecida. [...] A incompatibilidade vertical superveniente de atos do Poder Público,
em face de um novo ordenamento constitucional, traduz hipótese de pura e simples
revogação dessas espécies jurídicas, posto que lhe são hierarquicamente inferiores. O
exame da revogação de leis ou atos normativos do Poder Público constitui matéria
absolutamente estranha à função jurídico-processual da ação direta de
inconstitucionalidade”. (STF, ADI-7/DF, rel. Min. Celso de Mello). (GN)
81 Recepção das Normas Infraconstitucionais
Já se decidiu: “CONSTITUIÇÃO. LEI ANTERIOR QUE A CONTRARIE. REVOGAÇÃO.
INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE. IMPOSSIBILIDADE. 1. A lei ou é
constitucional ou não é lei. Lei inconstitucional é uma contradição em si. A lei é
constitucional quando fiel à Constituição; inconstitucional na medida em que a
desrespeita, dispondo sobre o que lhe era vedado. O vício da inconstitucionalidade é
congênito à lei e há de ser apurado em face da Constituição vigente ao tempo de sua
elaboração. Lei anterior não pode ser inconstitucional em relação à Constituição
superveniente; nem o legislador poderia infringir Constituição futura. A Constituição
sobrevinda não torna inconstitucionais leis anteriores com ela conflitantes: revoga-as.
Pelo fato de ser superior, a Constituição não deixa de produzir efeitos revogatórios.
Seria ilógico que a lei fundamental, por ser suprema, não revogasse, ao ser
promulgada, leis ordinárias. [...].” (STF, ADI 2/DF, Relator(a): Min. PAULO BROSSARD)
(GN)
82 Repristinação das Normas Infraconstitucionais
→ tem importância exclusivamente teórica.

→ Jurisprudência e Doutrina negam aplicação ao instituto.

→ significa a revalidação de norma revogada por uma Constituição anterior, mas que
viesse a apresentar compatibilidade com a Constituição mais atual.

Ex.: Imagine uma norma editada sob a égide da Constituição de 1946 e que tenha
sido revogada, por incompatibilidade, pela Constituição de 1967. Caso essa norma
fosse compatível com a atual Constituição de 1988, ela estaria automaticamente
revalidada pelo instituto da repristinação.

83 Repristinação das Normas Infraconstitucionais


Repristinação:

DOUTRINA: “No prisma constitucional, ela significa a revalidação de norma revogada


pela Constituição anterior, mas que viesse a apresentar compatibilidade com a atual.
[...] o que, como se disse, não é possível, pois essa norma já desapareceu, não podendo,
assim, ser ressuscitada sem previsão expressa.” (Luiz Alberto David de Araújo e Vidal
Serrano Nunes Júnior, Curso de Direito Constitucional) (GN)

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13/08/2019

84 Repristinação das Normas Infraconstitucionais


Já se decidiu: “Agravo regimental. – Não tem razão o agravante. A recepção de lei
ordinária como lei complementar pela Constituição posterior a ela só ocorre com
relação aos seus dispositivos em vigor quando da promulgação desta, não havendo que
pretender-se a ocorrência de efeito repristinatório, porque o nosso sistema jurídico,
salvo disposição em contrário, não admite a repristinação (artigo 2º, § 3º, da Lei de
Introdução ao Código Civil). Agravo a que se nega provimento.” (AI 235800 AgR / RS,
Relator(a): Min. MOREIRA ALVES) (GN)

85 Eficácia das Normas Constitucionais


Eficácia:
→ capacidade da norma constitucional de produzir, em maior ou menor grau, seus
efeitos jurídicos no meio social.
→ então diz respeito a possibilidade, plena ou não, de aplicação de uma norma
jurídica na vida em sociedade.

Classificações Doutrinárias → existem várias:


1) José Afonso da Silva; 2) Michel Temer; 3) Manoel Gonçalves Ferreira Filho; 4) Celso
Ribeiro Bastos; 5) Carlos Ayres Brito; 6) Maria Helena Diniz; e etc.

86 Eficácia das Normas Constitucionais


DOUTRINA: “De acordo com José Afonso da Silva, as normas constitucionais, no
tocante à sua eficácia e aplicabilidade comportam uma classificação tricotômica, assim
enunciada: a) normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata; b)
normas constitucionais de eficácia contida e aplicabilidade imediata, mas passíveis de
restrição; c) normas constitucionais de eficácia limitada ou reduzida, que compreendem
normas definidoras de princípio institutivo e as definidoras de princípio programático,
em geral dependentes de integração infraconstitucional para operarem a plenitude de
seus efeitos.” (Luís Roberto Barroso, Curso de Direito Constitucional Contemporâneo)

87 Eficácia das Normas Constitucionais


Classificação das Normas Constitucionais segundo sua eficácia e aplicabilidade

José Afonso da Silva (a mais adotada, inclusive pelo STF)

1) Normas de Eficácia Plena


→ aquelas que produzem seus efeitos de imediato.
→ não necessitam de norma infraconstitucional que as regulamente.
→ não admitem restrição de seu alcance por norma infraconstitucional.

P.ex: 1) art. 20; 2) art. 21; 4) art. 22; 5) art. 24; 6) art. 28, todos da CF/88; e etc.

88 Eficácia das Normas Constitucionais

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13/08/2019

Normas de Eficácia Plena

DOUTRINA: “[...] aquelas que, desde a entrada em vigor da Constituição, produzem, ou


têm possibilidade de produzir, todos os efeitos essenciais, relativamente aos interesses,
comportamentos e situações que o legislador constituinte, direta e normativamente,
quis regular”. (José Afonso da Silva, Aplicabilidade das normas constitucionais)

89 Eficácia das Normas Constitucionais


Normas de Eficácia Plena

DOUTRINA: “O Supremo Tribunal Federal considerou de eficácia plena o art. 7º, que
reconheceu licença-maternidade, sem necessidade de qualquer fonte de custeio
específica (cf. RE 220.613, Rel. Min. limar Galvão). Também é de eficácia plena o art. 8º,
IV, que trata da contribuição confederativa, obrigando-a, no entanto, apenas aos
filiados à entidade sindical (RE 176.696-SP, Rel. Min. Celso de Meilo, RTJ, 170:648-50).”
(Luiz Alberto David de Araújo e Vidal Serrano Nunes Júnior, Curso de Direito
Constitucional)

OBS: Em 29/06/2018, na ADI n.º 5794, o STF entendeu que a contribuição sindical
não é obrigatória e sim facultativa.

90 Eficácia das Normas Constitucionais


Classificação das Normas Constitucionais segundo sua eficácia

2) Normas de Eficácia Contida


→ possuem eficácia imediata, não precisando de legislação infraconstitucional para
gerar seus efeitos.
→ porém, o advento de Lei posterior faz com que seu campo de abrangência fique
restrito, contido.
→ são aquelas normas constitucionais em que cabe regulamentação por meio de
legislação infraconstitucional.
→ enquanto não materializada essa Lei infraconstitucional (de restrição) a norma tem
eficácia plena.

P.ex.: 1) art. 5º, inc. XIII; 2) art. 5º, inc. VII; 3) art. 5º, XXXIII; 4) art. 37, inc. I, todos da
CF/88; e etc.

91 Eficácia das Normas Constitucionais


Já se decidiu: “AVISO PRÉVIO PROPORCIONAL AO TEMPO DE SERVIÇO. ARTIGO 7º,
XXI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. O aviso prévio proporcional ao tempo de serviço do
empregado depende de lei ordinária regulamentadora em que se tracem os critérios
por que se deve nortear o intérprete para fixá-lo. O artigo 7º, inciso XXI, da
Constituição da República ao inscrever "nos termos da lei", não se revela auto-aplicável,
tratando-se de norma constitucional de eficácia contida. Recurso conhecido e provido.”

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(TST - Recurso de Revista nº 1924798219955045555 - Órgão Julgador: 1ª Turma;


Julgamento: 02/02/2000).
92 Eficácia das Normas Constitucionais
Classificação das Normas Constitucionais segundo sua eficácia:

3) Normas de Eficácia Limitada


→ são aquelas que não produzem seus efeitos de imediato.
→ pois dependem de uma regulamentação, por meio de uma norma
infraconstitucional, para surtirem seus efeitos.

Subdivide-se em:
3.1) Normas de Princípio Institutivo;
3.2) Normas de Princípio Programático.

93 Eficácia das Normas Constitucionais


DOUTRINA: “[...] são as que não receberam do constituinte normatividade suficiente
para sua aplicação, o qual deixou ao legislador ordinário a tarefa de completar a
regulamentação das matérias nela traçadas em princípio ou esquema. [...] José Afonso
da Silva apresenta exemplos: (i) o art . 32, §4.º [...], (ii) o art. 146 [...].” (Luís Roberto
Barroso, Curso de Direito Constitucional Contemporâneo)

94 Eficácia das Normas Constitucionais


Já se decidiu: “RECURSO. Embargos de declaração. Caráter infringente. Embargos
recebidos como agravo. Professor estrangeiro. Contratação. Pretensão de acesso ao
Regime Jurídico Único. Vedação por força do art. 37, I, da Constituição Federal. EC nº
19/88, que acrescentou os §§ 1º e 2º, ao art. 207, da Carta da República. Eficácia
limitada, porque dependentes de normatividade ulterior. Jurisprudência assentada.
Ausência de razões novas. Decisão mantida. Agravo regimental improvido. [...].” (RE nº
342459 ED/RS, Relator: Ministro Cezar Peluso) (GN)

95 Eficácia das Normas Constitucionais


3) Normas de Eficácia Limitada

3.1) de Princípio Institutivo

→ também chamadas de “normas de princípio organizativo”.

→ são aquelas que trazem esquemas gerais de estruturação das instituições, dos
órgãos ou de entidades públicas.

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13/08/2019

órgãos ou de entidades públicas.

P.ex.: art. 90, §2º; art. 113; art. 161, I; art. 224, todos da CF/88; e etc.

96 Eficácia das Normas Constitucionais


3) Normas de Eficácia Limitada

3.2) de Princípio Programático

→ são normas as quais o Constituinte, em vez de regular imediatamente


determinados interesses, limitou-se a traçar princípios para serem observados pelos
Órgãos do Estado como verdadeiros programas, visando à realização dos fins sociais
deste.

P.ex.: art. 197; art. 206, p.ú., art. 215, §3.º; art. 227, §2.º todos da CF/88; e etc.

97 Histórico das Constituições Brasileiras


1.ª) Constituição Política do Império do Brasil de 1824;

2.ª) Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1891;

3.ª) Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1934;

4.ª) Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 1937;

5.ª) Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1946;

6.ª) Constituição de 1967;

7.ª) Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.


98 Histórico das Constituições Brasileiras
Constituição Política do Império do Brasil de 1824

→ foi outorgada (imposta).

→ trouxe uma primeira declaração de direitos individuais.

→ era marcada pelo grande centralismo do governo imperial.

→ foi o texto constitucional mais longo da história do Brasil.

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13/08/2019

99 Histórico das Constituições Brasileiras


Constituição Política do Império do Brasil de 1824

Sistema de Governo → monárquico e hereditário.

Padrão de Estado → unitário.

Poderes do Estado → eram 4 → Executivo, Legislativo, Judiciário e Moderador.

Legislativo → duas Casas → Câmara dos Deputados e Senado.

Executivo → Ministros de Estado chefiados pelo Imperador.

Judiciário → Juízes que podiam ser suspensos pelo Imperador.

Moderador → podia nomear e destituir Ministros de Estado; podia dissolver a Câmara


dos Deputados; podia adiar a escolha e convocação de Senadores.

100 Histórico das Constituições Brasileiras


Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1891

→ foi promulgada em 24/02/1891.

Sistema de Governo → Presidencialista e representativo.

Padrão de Estado → passou a ser o Federal (Estados Membros com competências


próprias).

101 Histórico das Constituições Brasileiras


Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1891

Poderes do Estado → passam a ser 3 → Executivo, Legislativo e Judiciário.

Legislativo → duas Casas → Câmara dos Deputados e Senado.

Executivo → Presidente da República eleito por sufrágio direto.

Judiciário → fortalecido → com Juízes com controle sobre os atos legislativos e


administrativos.

102 Histórico das Constituições Brasileiras

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13/08/2019

Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1934


→ foi promulgada em 16/07/1934.
→ manteve os Princípios Fundamentais do Estado (a República, a Federação, a
Separação de Poderes, o Presidencialismo e o Regime Representativo).
→ discriminou rendas tributárias próprias para a União, Estados e Municípios.
→ admitiu o voto feminino.
→ criou novos direitos individuais, estabelecendo um título sobre a Ordem
Econômica e Social, sobre a Família, sobre a Educação e a Cultura.

103 Histórico das Constituições Brasileiras


Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1934

Poder Judiciário → criou-se a Justiça Eleitoral e a Justiça Militar.

Poder Legislativo → rompeu-se com o bicameralismo atribuindo-o a função


legislativa à Câmara, apenas com colaboração do Senado.

104 Histórico das Constituições Brasileiras


Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 1937
→ foi outorgada (imposta), por Getúlio Vargas, em 10/11/1937.
→ tinha forte traço autoritário e centralizador.
→ fortaleceu o Poder Executivo que passou a ter função legislativa, enfraquecendo
assim o Poder Legislativo.
→ reduziu as autonomias estaduais.
→ estabeleceu a pena de morte para crimes políticos e de homicídios por motivo fútil
ou com crueldade.
→ o direito de manifestação foi restringido, mediante a censura prévia da imprensa,
do rádio, do teatro e do cinema.

105 Histórico das Constituições Brasileiras


Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 1937

Poderes do Estado → haviam 3 poderes formais:

→ mas o Legislativo e o Judiciário tiveram suas funções esvaziadas.

→ a maioria dos poderes se concentravam na pessoa do “Chefe Supremo do Estado”


que era o representante do Poder Executivo.

106 Histórico das Constituições Brasileiras


Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1946
→ promulgada em 18/09/1946.
→ repudiou o Estado totalitário da Constituição de 1937 e estabeleceu o Estado

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13/08/2019

→ repudiou o Estado totalitário da Constituição de 1937 e estabeleceu o Estado


Democrático de Direito.
→ fixou o regime de eleições diretas para Presidente da República.
→ proibiu a pena de morte, a de caráter perpétuo, a de banimento e a de confisco.
→ estabeleceu o direito de greve.

Poder Legislativo → voltou-se o bicameralismo com o retorno das atribuições do


Senado.
107 Histórico das Constituições Brasileiras
Constituição de 1967

→ as Forças Armadas tomam o poder em 1964.

Governo Revolucionário Militar baixam o AI-1:


→ através do Ato Institucional n.º 1 manteve a Constituição de 1946, com alterações.
→ mas em 24/01/1967 foi outorgada (imposta) a nova Constituição.

108 Histórico das Constituições Brasileiras


Constituição de 1967

→ tinha caráter altamente centralizador .


→ redução das competências dos Estados e dos Municípios.
→ redução das competências dos Poderes Legislativo e Judiciário.
→ diminuição dos direitos individuais (p.ex.: possibilidade exagerada de suspensão
dos direitos políticos; a propriedade podia ser perdida para fins de reforma agrária,
etc.)
→ o Poder Executivo podia legislar por meio de Decretos Lei.

109 Histórico das Constituições Brasileiras


Constituição de 1967

→ por força das manifestações populares e estudantis o Governo Revolucionário


editou o AI-5.

Ato Institucional n.º 5, de 13/12/1968

→ dotado de um autoritarismo incomum.

110 Histórico das Constituições Brasileiras


Constituição de 1967

Ato Institucional n.º 5, de 13/12/1968

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13/08/2019

→ o Presidente podia fechar o Congresso Nacional, as Assembleias Estaduais e as


Câmaras de Vereadores, desempenhando as funções destes.
→ autorizava a suspensão dos direitos políticos de qualquer pessoa.
→ cassava mandatos parlamentares.
→ suspendia as garantias da Magistratura (p.ex. irredutibilidade de vencimentos,
inamovibilidade).
→ suspendia as garantias dos funcionários públicos (p.ex. estabilidade).
→ o Judiciário não podia analisar as decisões administrativas tomadas com base no
AI-5.

111 Histórico das Constituições Brasileiras


Constituição de 1967

Emenda Constitucional n.º 1 de 1969


→ para muitos trata-se de uma nova Constituição.

DOUTRINA: “Alterou de tal forma o sistema, sem qualquer respeito aos limites fixados
pela Carta Magna – que já vinha sendo alterada por atos institucionais, baixados pela
Junta Militar –, que é entendida como ato do Poder Constituinte Originário.” (Luiz
Alberto David de Araújo e Vidal Serrano Nunes Júnior, Curso de Direito
Constitucional)
112 Histórico das Constituições Brasileiras
Constituição de 1967

Emenda Constitucional n.º 1 de 1969


→ manteve-se o autoritarismo do período militar.
→ criou os Tribunais de Contas dos Municípios (apenas naqueles com mais de 2
milhões de habitantes).
→ criou uma nova forma de perda do mandato parlamentar (por ato atentatório às
Instituições).

113 Histórico das Constituições Brasileiras


Emenda Constitucional n.º 1 de 1969

Em 1985 → foi eleito um civil para a Presidência (Tancredo Neves)


→ antes de assumir faleceu
→ assumindo o vice José Sarney → que convocou a Assembleia Constituinte.
→ em 05/10/1988 foi promulgada a nova Constituição – 1988.

114 Histórico das Constituições Brasileiras


Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
→ foi promulgada em 05/10/1988.

32
13/08/2019

→ chamada de “Constituição Cidadã” (na feliz expressão de Ulisses Guimarães)


→ rompeu com a inspiração centralizadora do período anterior.
→ amplamente voltada para a defesa dos direitos dos cidadãos.
→ fruto do poder constituinte originário emergido do processo de transição entre o
regime militar e o regime democrático.

115 Histórico das Constituições Brasileiras


Constituição da República Federativa do Brasil de 1988

DOUTRINA: “Pela Emenda n. 26 à Constituição de 1967, encaminhada pelo Presidente


José Sarney ao Congresso Nacional, em 1985, foi convocada uma nova ‘Assembleia
Nacional Constituinte’. Foram eleitos Senadores e Deputados, em 1986, com a missão
de elaboração da atual Constituição brasileira, promulgada em 5 de outubro de 1988.
A maior evidência de que a atual Constituição é fruto de um poder constituinte
originário , muito embora tenha sido convocada por uma emenda à Constituição, foi a
realização do plebiscito em que o povo brasileiro pôde escolher a forma de governo a
ser adotada Estado brasileiro: República ou Monarquia.” (Rodrigo César Rebello Pinho,
Da Organização do Estado, dos Poderes e Histórico das Constituições)

116 Constituição Federal de 1988


O atual texto constitucional foi dividido da seguinte forma:

→ Preâmbulo

→ Títulos I a IX

→ Ato das Disposições Constitucionais Transitórias


117

118 Preâmbulo da Constituição de 1988


Preâmbulo

Conceito
→ é a parte que precede um texto constitucional.
→ “preambulus” (latim) que significa “o que caminha na frente” ou “o que precede”.

DOUTRINA: “... uma síntese do pensamento que dominou na Assembleia Constituinte


em seu trabalho de elaboração constitucional.” (José Afonso da Silva, Comentário
Contextual à Constituição)

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13/08/2019

Contextual à Constituição)

119 Preâmbulo da Constituição de 1988


Força Normativa
→ o Preâmbulo não tem natureza normativa (não é norma constitucional).

Função Valorativa
→ reflete a opinião pública sob a qual a Constituição foi elaborada.
→ são diretivas “políticas, morais e filosóficas” do regime constitucional (Hans Kelsen,
Teoria Geral do Direito e do Estado).
→ não pode ser esquecido pelos agentes públicos no exercício de seus poderes.

120 Preâmbulo da Constituição de 1988


Função
→ dar sentido às normas jurídicas previstas na Constituição.

DOUTRINA: “É preciso admitir que o preâmbulo não é ato juridicamente irrelevante. Ele
foi aprovado juntamente com a Constituição e às vezes de maneira até mesmo mais
explícita expõe certos pontos que mais adiante serão retomados pelo texto
constitucional.” (Celso Ribeiro Bastos, apud José Carlos Souza Silva, Princípios
Fundamentais do Estado Brasileiro)

121 Preâmbulo da Constituição de 1988


DOUTRINA: “O preâmbulo de uma Constituição pode ser definido como documento de
intenções do diploma, e consiste numa certidão de origem legitimidade do novo texto e
uma proclamação de princípios que demonstra a ruptura com o ordenamento
constitucional anterior e o surgimento jurídico de um novo Estado.” (Alexandre de
Moraes, Constituição do Brasil Interpretada e Legislação Constitucional)

122 Preâmbulo da Constituição de 1988


DOUTRINA: “[...] deve ser observado como elemento de interpretação e integração dos
diversos artigos que lhe seguem. [...] por não ser norma constitucional, não poderá
prevalecer contra texto expresso da Constituição Federal, e tampouco poderá ser
paradigma comparativo para declaração de inconstitucionalidade, porém, por traçar as
diretrizes políticas, filosóficas e ideológicas da Constituição, será uma de suas linhas
mestras interpretativas.” (Alexandre de Moraes, Direito Constitucional)

123 Preâmbulo da Constituição de 1988


Já se decidiu: “CONSTITUCIONAL. CONSTITUIÇÃO: PREÂMBULO. NORMAS CENTRAIS.
Constituição do Acre. [...] II. - Preâmbulo da Constituição: não constitui norma central.
Invocação da proteção de Deus: não se trata de norma de reprodução obrigatória na
Constituição estadual, não tendo força normativa. III. - Ação direta de
inconstitucionalidade julgada improcedente”. (ADI 2076/AC, rel. Min. Carlos Velloso, DJ

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13/08/2019

08.8.2003) (GN)

124 Princípios Constitucionais


Conceito → são verdadeiras “regras-mestras”, fundamentos, que servem de alicerce e
orientam a aplicação de todo o Ordenamento Jurídico pelo intérprete, inclusive da
Constituição.

DOUTRINA: “...normas de grande relevância para o ordenamento jurídico, na medida


em que estabelecem fundamentos normativos para a interpretação e aplicação do
Direito, deles decorrendo, direta ou indiretamente, normas de comportamento.” (Karl
Larenz, Metodologia da Ciência do Direito)

125 Princípios Constitucionais


Grande Carga Valorativa
→ os princípios demonstram (1) os valores fundamentais de um Estado, bem como
(2) o posicionamento político deste em cada momento da história.

P.ex.: 1º) Princípio da Isonomia e possibilidade de casamento entre pessoas do


mesmo sexo; 2º) Princípio da presunção da inocência e a possibilidade de prisão
antes do trânsito em julgado da sentença caso haja condenação por Tribunal (ainda
em análise pelo STF).

126 Princípios Constitucionais


DOUTRINA: “Os princípios - notadamente os princípios constitucionais – são a porta
pela qual os valores passam do plano ético para o mundo jurídico. [...] os princípios
deixaram de ser fonte secundária e subsidiária do Direito para serem alçados ao centro
do sistema jurídico. De lá se irradiam por todo ordenamento, influenciando a
interpretação e aplicação das normas jurídicas em geral e permitindo a leitura moral
do Direito.” (Luís Roberto Barroso, Curso de Direito Constitucional Contemporâneo)

127 Princípios Constitucionais


Constituição

→ conjunto de regras e de princípios...


→ consubstanciados num documento solene (escrito) ...
→ criado pelo Poder Constituinte.

Regras ≠ Princípios

128 Princípios Constitucionais

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13/08/2019

Regras ≠ Princípios

Regras → são preceitos que tutelam situações específicas.

DOUTRINA:
“...prescrevem imperativamente uma exigência (impõe, permitem ou proíbem)...” (J.J.
Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da Constituição);

“...há de fazer exatamente o que ela exige, sem mais nem menos ... contêm
determinações (definitivas) no âmbito do fático e juridicamente possível...” (Robert
Alexy, Teoria dos Direitos Fundamentais).

129 Princípios Constitucionais


Regras ≠ Princípios

Princípios → tem caráter geral (não específico como as regras).


→ podem ser positivados na Constituição ou não;
→ se forem transformam-se em “normas-princípio”.

→ “...mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição


fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e
servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente por definir a
lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá
sentido harmônico.” (Celso Antonio Bandeira de Mello, Curso de Direito
Administrativo)

130 Princípios Constitucionais


Regras ≠ Princípios

DOUTRINA: “...as regras possuem um elemento frontalmente descritivo, ao passo que os


princípios apenas estabelecem uma diretriz. [...] As regras são normas imediatamente
descritivas, na medida em que estabelecem obrigações, permissões e proibições
mediante a descrição da conduta a ser cumprida. Os princípios são normais
imediatamente finalísticas [...] cuja qualidade frontal é, justamente, a determinação da
realização de um fim juridicamente relevante...” (Humberto Ávila, Teoria dos Princípios).

Regras → normas descritivas.


Princípios → normas finalísticas → determinam um fim a ser atingido.

131 Princípios Constitucionais

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13/08/2019

DOUTRINA: “A transposição completa dos princípios para o mundo do Direito se deu,


verdadeiramente, a partir da ampliação da noção corrente de norma jurídica, que
passou a constituir um gênero dentro do qual se distinguem as regras e os princípios:
enquanto as primeiras contêm um relato mais objetivo, dirigindo-se, em primeiro
plano, para a fixação de uma conduta a ser observada, os últimos tem maior teor de
abstração, estabelecendo, imediatamente, um estado de coisas a ser atingido.” (Ana
Paula de Barcellos, Comentários à Constituição do Brasil).

132 Princípios Constitucionais


Características: (cf. Carmen Lúcia Antunes Rocha)

a) generalidade → são gerais, aplicando-se em todo sistema e não a uma situação em


específico.

b) primariedade → são primários no sistema, podendo a partir deles nascer outras


normas e outros princípios (p.ex. princípios do concurso público e da licitação que
decorrem dos princípios da moralidade, impessoalidade e isonomia).

c) dimensão axiológica → trazem em si valores que podem ir mudando com o tempo,


de acordo com a sociedade da época.

133 Princípios Constitucionais


Princípios Constitucionais → encontram-se num plano hierárquico superior dentro do
nosso sistema jurídico, irradiando-se por todo Ordenamento, inclusive o
constitucional.

Exs.: 1) Princípio da isonomia (igualdade) → que se expande sobre as relações


conjugais (art. 226 ,§5.º, CF/88); sobre as relações trabalhistas; sobre as relações de
consumo; e etc.

134 Princípios Constitucionais


Princípios Constitucionais
Exs.:

2) Princípio da legalidade → que se expande sobre as relações de Direito Penal;


Tributário; Previdenciário; Ambiental; Administrativo; e etc.;

3) Princípios da Administração Pública (art 37, CF - moralidade, impessoalidade,


eficiência, publicidade) → que não se referem a uma decisão administrativa em

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13/08/2019

específico e se expandem por todas as decisões que deverão ser tomadas pelo
Administrador Público.
135 Princípios Constitucionais
CF/88 - Três Tipos de Princípios Constitucionais (cf. Luís Roberto Barroso)

a) Princípios Fundamentais do Estado Brasileiro


→ também chamados de “princípios políticos constitucionais”.
→ positivados em “normas-princípio” expressam as opções políticas do Estado
brasileiro.

P.ex.: 1) Princípios Republicano (art. 1.º, caput, CF/88); 2) Princípio Federativo (art. 1.º,
caput, CF/88); 3) Princípio do Estado Democrático de Direito (art. 1.º, caput, CF/88); 4)
Princípio da Separação de Poderes (art. 2.º, CF/88); 5) Princípio Presidencialista (art.
76, CF/88) e etc.
136 Princípios Constitucionais
CF/88 - Traz 3 Tipos de Princípios Constitucionais (cf. Luís Roberto Barroso)

b) Princípios Gerais
→ envolvem temas da Teoria Geral do Direito Constitucional.
→ são princípios informadores do Ordenamento Jurídico.

P.ex.: 1) Princípio da legalidade (art. 5.º, II, CF/88); 2) princípio da isonomia (art. 5.º,
caput e inciso I, CF/88); 3) princípio do acesso à Justiça (art. 5.º, XXXV, CF/88); 4)
princípio da segurança jurídica (art. 5.º, XXXVI, CF/88); 5) princípio do Juiz natural (art.
5.º, XXXVII e LIII, CF/88); 6) princípio do devido processo legal (art. 5.º, LIV, CF/88); e
etc.

137 Princípios Constitucionais


CF/88 - Traz 3 Tipos de Princípios Constitucionais (cf. Luís Roberto Barroso)

c) Princípios Setoriais (Especiais)


→ modelam determinados setores ou instituições previstas na Constituição.

P.ex.: 1) princípios da Administração Pública (art. 37, caput, CF/88); 2) princípio do


concurso público (art. 37, II, CF/88); 3) princípios da Tributação (legalidade tributária –
art. 150, I, CF/88; isonomia tributária – art. 150, I, CF/88; etc) 4) princípios
Orçamentários (anualidade orçamentária – art. 165, III e §5.º, CF/88; unidade
orçamentária – art. 165, §5.º, CF/88; ) e etc.

138 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro

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13/08/2019

Arts. 1.º a 4.º da CF/88

→ neles encontram-se os valores e os fins mais essenciais (fundamentais) do Estado


brasileiro.

→ valores que funcionam como verdadeiras diretrizes para os Órgãos e Poderes


constituídos do Estado.

139 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Art. 1.º, caput - “A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de
Direito e tem como fundamentos [...]”

Características essenciais do Estado brasileiro:

1) trata-se de uma Federação (forma de Estado);


2) trata-se de uma República (forma de governo);
3) adota o regime político Democrático, assentado na soberania do povo;
4) constitui-se um Estado de Direito, com limitação do Poder e garantia de direitos
fundamentais.

140 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio Federativo

Federação → é forma de Estado.

→ significa “aliança, pacto, união entre os Estados”.

→ é o modelo adotado pelo Estado brasileiro desde a instituição da República no


país (Constituição de 1891).

→ representa a coexistência, num mesmo território, de unidades dotadas de


autonomia política e administrativa, com rendas e competências próprias (autonomia
financeira e legislativa).

141 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Estado Federal

→ aquele modelo onde existe uma verdadeira união de Estados.

→ Estados Membros abrem mão de sua soberania em prol de um Estado Central.

→ o Estado Central é dotado de soberania (plano internacional).

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13/08/2019

→ o Estado Central é dotado de soberania (plano internacional).

→ cada Estado Membro, embora não soberano, goza de autonomia (política,


administrativa, financeira e legislativa) no plano interno.

142 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


DOUTRINA: “...o Estado Federal apresenta-se como um conjunto de entidades
autônomas que aderem a um vínculo indissolúvel, integrando-o. [...] No federalismo,
portanto, há uma descentralização do poder, que não fica represado na órbita federal,
sendo compartilhado pelos diversos integrantes do Estado. Todos os componentes do
Estado federal (sejam estados, distrito, regiões, províncias, cantões ou municípios)
encontram-se no mesmo patamar hierárquico, ou seja, não há hierarquia entre essas
diversas entidades, ainda que alguma seja federal e outras estaduais ou municipais.”
(André Ramos Tavares, Curso de Direito Constitucional)

143 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio Federativo

DOUTRINA: “[...] no Estado federal os poderes dos Estados singulares são inteiramente
subordinados à entidade comum, única que os representa unitariamente. Base de um
Estado federal não é um tratado, mas uma “constituição”, pela qual se determinam a
estrutura e a competência tanto dos órgãos centrais, como dos órgãos particulares ou
locais.” (Giorgio Del Vecchio, Teoria do Estado)

144 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio Federativo

Art. 1.º, caput e art. 18, CF/88

Federação brasileira → é composta por União (Ordem Central), Estados Membros,


Distrito Federal e Municípios (Ordens Parciais).

Princípio da Indissolubilidade do Vínculo Federativo → no Brasil não se admite a


secessão (separação).

Cláusula Pétrea → art. 60, §4.º, I, CF/88;


→ não pode ser objeto de proposta de emenda constitucional.

145 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio Republicano

República→ Forma de Governo.

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13/08/2019

→ trata-se da liberdade do povo na escolha de seus governantes.

→ introduzida no Brasil em 15 de novembro de 1889.

Constituição Republicana de 1891 → 1ª a prever essa forma de governo, tendo sido


mantida, depois, em todas as nossas Constituições posteriores.
146 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro
Princípio Republicano

DOUTRINA: “Esse modelo republicano impõe ao Estado ser governado por pessoas
eleitas pelo eleitorado, garantindo, assim, que o poder político não será objeto de
hereditariedade, e que só será transmitido ou transferido por decisão do povo.” (José
Carlos Sousa Silva, Princípios Fundamentais do Estado Brasileiro)

147 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio Republicano

→ essa ideia começou a desenvolver a partir das lutas contra o Absolutismo


Monárquico.

→ foi a partir da obra de Maquiavel “O Príncipe” (1513), que a ideia de República


despontou como forma governo oposta a Monarquia.

→ surgia-se a ideia de se afirmar a “soberania do povo”.

148 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Características fundamentais da República: (cf. Dalmo de Abreu Dalari, Elementos de
Teoria Geral do Estado)

1) temporariedade → o Chefe de Governo e de Estado tem prazo limitado para


governar;

2) eletividade → há eleição para escolha dos governantes, (direta ou indireta); e

3) responsabilidade → os governantes respondem por seus atos.

→ nós acrescentaríamos a “igualdade” como 4ª característica.

149 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio Republicano
→ é a própria relação entre os governantes e os governados.

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13/08/2019

→ é a própria relação entre os governantes e os governados.

DOUTRINA: “é, portanto, estabelecer quem deve exercer o poder e como este se exerce.
A mais notória característica formal das repúblicas é a necessidade de alternância no
poder. [...] O conceito de república, hoje, encontra-se irremediavelmente imbricado com
o princípio democrático e com o princípio da igualdade (ausência de privilégios em
razão da estirpe). Em suma, a república é a forma de governo fundada na igualdade
jurídica das pessoas, em que os detentores do poder político exercem-no em caráter
eletivo, representativo, transitório e com responsabilidade.” (Vicente Paulo e Marcelo
Alexandrino, Direito Constitucional Descomplicado)

150 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Já se decidiu: “O postulado republicano – que repele privilégios e não tolera
discriminações [...]. Nada pode autorizar o desequilíbrio entre os cidadãos da República.
O reconhecimento da prerrogativa de foro, perante o STF, nos ilícitos penais comuns,
em favor de ex-ocupantes de cargos públicos ou de ex-titulares de mandatos eletivos
transgride valor fundamental à própria configuração da ideia republicana, que se
orienta pelo vetor axiológico da igualdade. A prerrogativa de foro é outorgada,
constitucionalmente, ratione muneris, a significar, portanto, que é deferida em razão de
cargo ou de mandato ainda titularizado por aquele que sofre persecução penal
instaurada pelo Estado, sob pena de tal prerrogativa – descaracterizando-se em sua
essência mesma – degradar-se à condição de inaceitável privilégio de caráter pessoal.
Precedentes.” (Inq 1.376-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, j. 15-2-2007, Plenário) (GN)

151 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Regime Político de Estado Democrático de Direito

→ modelo de Estado que tem Poderes limitados e reconhece direitos fundamentais.

→ ainda assegura a participação popular no exercício do Poder.

→ os Poderes do Estado são exercidos por representantes do povo, escolhidos


democraticamente.

→ nesse padrão de Estado, todos (governantes e governados) estão submetidos ao


império da Lei (do Direito).

152 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Estado Democrático de Direito

DOUTRINA: “Em suas origens o conceito de ‘Estado de Direito’ estava ligado tão
somente à ideia de limitação do poder e sujeição do governo a leis gerais e abstratas. A

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13/08/2019

somente à ideia de limitação do poder e sujeição do governo a leis gerais e abstratas. A


noção de ‘Estado Democrático’ é posterior e relaciona-se à necessidade de que seja
assegurada a participação popular no exercício do poder, que deve, ademais, ter por
fim a obtenção de uma igualdade material entre os indivíduos.” (Vicente Paulo e
Marcelo Alexandrino, Direito Constitucional Descomplicado)
153 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro
Princípio Democrático

→ “é o governo do povo, pelo povo e para o povo”. (Abraham Lincoln).

CF/88, art. 1.º, p.ú.

- “Todo poder emana do povo ...” (ideia de soberania popular)

154 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio Democrático - art. 1.º, p.ú., CF/88

DOUTRINA: “...no Brasil o povo é o dono, o sujeito, o titular do poder político, que
exerce através de seus representantes eleitos ou diretamente, conforme as normas
constitucionais. [...] A origem do poder político está na própria capacidade do povo no
exercício do direito de votar [...]. É muito importante o povo ter plena consciência dessa
sua imensa responsabilidade como verdadeira fonte do poder político.” (José Carlos
Souza Silva, Princípios Fundamentais do Estado Brasileiro)

155 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Democracia no Brasil – art. 14, CF/88

Semidireta ou Participativa
→ conjuga-se a representatividade (indireta) pelas autoridades;
→ com os institutos da Democracia direta (plebiscito, referendum e projetos de
iniciativa popular).

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13/08/2019

156 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Fundamentos da República Federativa do Brasil
Art. 1.º, inc. I a V, CF/88 → enumera os valores maiores que orientam o nosso Estado:
1) a soberania;
2) a cidadania;
3) a dignidade da pessoa humana;
4) os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
5) o pluralismo político.

157 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Fundamentos da República Federativa do Brasil

Art. 1.º, inc. I a V, CF/88

DOUTRINA: “O constituinte denominou esses valores mais gerais de ‘fundamentos da


República Federativa do Brasil’, exatamente para transmitir a noção de alicerces, de
vigas mestras de nossa ordenação político-jurídica.” (Vicente Paulo e Marcelo
Alexandrino, Direito Constitucional Descomplicado)

158 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Fundamentos da República Federativa do Brasil:

Soberania → é a manifestação do poder do Estado.

No Plano Interno
→ é superior a todas as demais manifestações de poder dentro da sociedade.
→ é a autoridade (poder) do Estado dentro da sociedade.

No Plano Externo (Internacional)


→ é o poder do Estado, em pé de igualdade, perante os demais Estados
independentes.
→ “é a manifestação, independente, do poder do Estado perante os demais Estados
estrangeiros” (Paulo Bonavides, Ciência Política).

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13/08/2019

159 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Soberania

DOUTRINA: “Revela ela algo específico, um atributo, um predicado, que acompanha e


caracteriza o Estado [...]. A soberania dá ao Estado posição de ‘Supremacia’, de ausência
de superior, de Supremo domínio. Sendo ela essencial, ao fazer parte de sua definição, o
Estado passa a ter uma força de caráter supremo, que não admite superior [...]. Apesar
das controvérsias e reflexões que o tema acarreta, surge o entendimento de que a
Soberania decorre da não submissão a qualquer autoridade, nem na ordem interna ou
na ordem internacional. Exclui qualquer espécie de controle. (José Alfredo de Oliveira
Baracho, Teoria Geral da Soberania)

160 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Soberania

Já se decidiu: “As ‘terras indígenas’ versadas pela CF de 1988 fazem parte de um


território estatal brasileiro sobre o qual incide, com exclusividade, o direito nacional. E
como tudo o mais que faz parte do domínio de qualquer das pessoas federadas
brasileiras, são terras que se submetem unicamente ao primeiro dos princípios regentes
das relações internacionais da República Federativa do Brasil: a soberania ou
‘independência nacional’ (inciso I do art. 1º da CF).” (Pet 3.388, Rel. Min. Ayres Britto,
j.19-3-2009, Plenário).

161 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Fundamentos da República Federativa do Brasil:

Cidadania

→ termo deriva do latim “civitas” e “activa civitatis”, que significa os laços que
prendem um cidadão a uma organização política, dotando-o de prerrogativas para
influenciar nas decisões políticas do Estado.

→ é fundamento da República no sentido de que devem ser asseguradas condições


para que todos os indivíduos se integrem na vida política do Estado.
→ os cidadãos, membros de uma determinada comunidade político organizada,
tornam-se autores e destinatários do Ordenamento Jurídico criado.

162 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Cidadania

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13/08/2019

→ traduz a importância que o povo tem no exercício dos Poderes Políticos do Estado.

→ configura-se pela participação dos cidadãos nas decisões políticas da sociedade.

DOUTRINA: “Porém, não se restringe ao voto [...] o voto é apenas uma etapa desse
processo. Todas as vezes que um cidadão se posiciona frente a atuação estatal,
criticando ou apoiando determinada medida, está realizando um exercício de
cidadania”. (Walber de Moura Agra, Comentários à Constituição do Brasil)

163 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Cidadania

DOUTRINA: “Não se satisfaz a cidadania aqui enunciada com a simples atribuição


formal de direitos políticos ativos e passivos aos brasileiros que atendam aos requisitos
legais. É necessário que Poder Público atue, concretamente, a fim de incentivar e
oferecer condições propícias a efetiva participação política dos indivíduos na condução
política dos negócios do Estado, fazendo valer seus direitos, controlando os atos dos
órgãos públicos, cobrando de seus representantes o cumprimento de compromissos
assumidos em campanha eleitoral, enfim, assegurando e oferecendo condições
materiais para a integração irrestrita do indivíduo na sociedade política organizada.”
(Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, Direito Constitucional Descomplicado) (GN)

164 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Cidadania
Já se decidiu: “A Lei 8.899/1994 é parte das políticas públicas para inserir os portadores
de necessidades especiais na sociedade e objetiva a igualdade de oportunidades e a
humanização das relações sociais, em cumprimento aos fundamentos da República de
cidadania e dignidade da pessoa humana, o que se concretiza pela definição de meios
para que eles sejam alcançados.” (ADI 2.649, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 8-5-2008,
Plenário)

165 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Fundamentos da República Federativa do Brasil:

Dignidade da Pessoa Humana

→ significa que o Estado brasileiro tem sua organização concentrada no ser humano.

→ o nosso Estado não se funda na propriedade, nas classes sociais, nas corporações,
nas organizações religiosas ou no próprio Estado (como nos regimes totalitários), ele
se funda na pessoa humana.

166 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Fundamentos da República Federativa do Brasil:

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13/08/2019

Fundamentos da República Federativa do Brasil:

Dignidade da Pessoa Humana

DOUTRINA: “Ao consagrar a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos


do Estado Democrático (e social) de Direito (art. 1º, III), a CF de 1988, além de ter
tomado uma decisão fundamental a respeito do sentido, da finalidade e da justificação
do próprio Estado e do exercício do poder estatal, reconheceu categoricamente que o
Estado existe em função da pessoa humana e não o contrário.” (Ingo Wolfgang Sarlet,
Comentários à Constituição do Brasil) (GN)

167 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Dignidade da Pessoa Humana

→ trata-se de valor jurídico fundamental na nossa sociedade.

→ desempenha um papel de “valor guia” não só na interpretação dos direitos


fundamentais, mas de todo o Ordenamento Jurídico.

→ vários valores decorrem da ideia de dignidade da pessoa humana, como, p.ex., o


direito à vida, à intimidade, à honra, à imagem e etc.
168 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro
Dignidade da Pessoa Humana

DOUTRINA: “[...] a dignidade da pessoa humana é, em primeiro lugar, um valor, um


conceito vinculado a moralidade, ao bem, à conduta correta e à vida boa. [...] constitui
um valor fundamental subjacente às democracias constitucionais de modo geral [...]
funciona como fundamento jurídico-normativo dos direitos fundamentais. [...] A
dignidade humana é parte do núcleo essencial dos direitos fundamentais, [...] sendo
assim ela vai necessariamente informar a interpretação de tais direitos constitucionais,
ajudando a definir o seu sentido nos casos concretos.” (Luís Roberto Barroso, A
Dignidade da Pessoa Humana no Direito Constitucional Contemporâneo)

169 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Dignidade da Pessoa Humana

DOUTRINA: “O Estado brasileiro, ao reconhecer o valor da dignidade da pessoa


humana, como um dos seus fundamentos, terá sempre assim motivo para fazer-se
respeitado na concretização de políticas que adota na sua administração. O poder
estatal brasileiro, onde fizer-se presente, não deverá nunca ignorar a dignidade da
pessoa humana, pois se trata de um dos seus princípios fundamentais.” (José Carlos
Souza Silva, Princípios Fundamentais do Estado Brasileiro)

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13/08/2019

170 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Exemplos de aplicação do princípio Dignidade da Pessoa Humana em casos
concretos (pelo Poder Judiciário)

1) Corte de energia elétrica ou de água por falta de pagamento

→ ofensa a dignidade da pessoa humana daqueles que não dispõem de condições


financeiras mínimas para arcar com suas necessidades básicas.

→ impossibilidade de corte, pois trata-se de um serviço essencial para uma vida


digna.

171 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Exemplos de aplicação do princípio Dignidade da Pessoa Humana em casos
concretos (pelo Poder Judiciário)

2) Direito social à saúde e fornecimento de medicamentos

→ fornecimento de medicamentos pelo Estado para aquelas pessoas hipossuficientes


(sem condições financeiras para comprar).

→ a saúde representa o mínimo (existencial) para uma vida digna.

172 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Dignidade da Pessoa Humana

Já se decidiu: “Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio


de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de
terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade
disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato
processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.” (Súmula
Vinculante 11)

173 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Dignidade da Pessoa Humana

Já se decidiu: “Reconhecimento e qualificação da união homoafetiva como entidade


familiar. O STF – apoiando-se em valiosa hermenêutica construtiva e invocando
princípios essenciais (como os da dignidade da pessoa humana, da liberdade, da
autodeterminação, da igualdade, do pluralismo, da intimidade, da não discriminação e
da busca da felicidade) – reconhece assistir, a qualquer pessoa, o direito fundamental à

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13/08/2019

orientação sexual, havendo proclamado, por isso mesmo, a plena legitimidade ético-
jurídica da união homoafetiva como entidade familiar, atribuindo-lhe, em
consequência, verdadeiro estatuto de cidadania, em ordem a permitir que se extraiam,
em favor de parceiros homossexuais, relevantes consequências no plano do direito,
notadamente no campo previdenciário, e, também, na esfera das relações sociais e
familiares.” (RE 477.554-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, j. 16-8-2011, Segunda Turma)

174 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Os Valores Sociais do Trabalho e da Livre Iniciativa

→ fundamentos do Estado brasileiro que devem orientar a atuação estatal.

→ a Constituição coloca que a nossa economia (capitalista) tem como prioridade a


valorização do trabalho do homem e da livre iniciativa.

Trabalho → deve ser livre, afastando-se o trabalho escravo no âmbito do nosso


Estado.

Livre Iniciativa → liberdade do indivíduo em suas iniciativas (escolhas) econômicas,


sem qualquer interferência do Estado.

175 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Os Valores Sociais do Trabalho e da Livre Iniciativa

Art. 170, CF/88 → “A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e


na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames
da justiça social...”

→ através do trabalho a pessoa conquista uma vida mais digna.

→ e o Estado também se desenvolve economicamente.

→ então o Estado deve valorizar o trabalho e a livre iniciativa para que haja progresso
e bem estar sociais.

176 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Os Valores Sociais do Trabalho e da Livre Iniciativa

DOUTRINA → “O trabalhador é um construtor do crescimento econômico. [...] É dever


do Estado saber dar valor social ao trabalho do povo. Incentivar recursos objetivando
gerar serviços e empregos [...]. A livre iniciativa é importantíssima. Ela precisa de apoio

49
13/08/2019

gerar serviços e empregos [...]. A livre iniciativa é importantíssima. Ela precisa de apoio
estatal para crescer [...] podendo assim se constituir num excelente apoio para o próprio
Estado cumprir sua missão diante do povo [...]. O modelo econômico brasileiro precisa,
a todo instante, não desrespeitar os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa,
justamente para que os seus objetivos não alcancem apenas alguns poucos e de forma
injusta e privilegiada.” (José Carlos Souza Silva, Princípios Fundamentais do Estado
Brasileiro)

177 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Os Valores Sociais do Trabalho e da Livre Iniciativa

Já se decidiu: “É certo que a ordem econômica na Constituição de 1988 define opção


por um sistema no qual joga um papel primordial a livre iniciativa. [...] A livre iniciativa
é expressão de liberdade titulada não apenas pela empresa, mas também pelo
trabalho. [...]” (ADI 1.950, Rel. Min. Eros Grau, j. 3-11-2005, Plenário)

178 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Os Valores Sociais do Trabalho e da Livre Iniciativa

Já se decidiu: “A fixação de horário de funcionamento de estabelecimento comercial é


matéria de competência municipal, considerando improcedentes as alegações de
ofensa aos princípios constitucionais da isonomia, da livre iniciativa, da livre
concorrência, da liberdade de trabalho, da busca do pleno emprego e da proteção ao
consumidor.” (AI 481.886-AgR, Rel. Min. Carlos Velloso, j. 15-2-2005, Segunda Turma)

179 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Pluralismo Político

→ inclusão, nos processos de formação da vontade geral, das diversas correntes de


pensamento, dos mais variados grupos existentes no seio de uma comunidade.

→ demonstra a preocupação do legislador constituinte em afirmar a ampla e livre


participação popular nos destinos políticos do país;

→ garante a liberdade para convicções políticas variadas e organização em partidos


políticos .

180 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Pluralismo Político

DOUTRINA: “O pluralismo político [...] expressa um dos fundamentos do Estado


brasileiro, que o adota para que, desse modo, os candidatos a cargos eletivos sejam em

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13/08/2019

número ilimitado e possam divergir à vontade, sem restrição alguma.” (José Carlos
Souza Silva, Princípios Fundamentais do Estado Brasileiro)
181 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro
Já se decidiu: “LIBERDADE DE IMPRENSA (CF, ART. 5º, IV, c/c O ART. 220).
JORNALISTAS. DIREITO DE CRÍTICA. PRERROGATIVA CONSTITUCIONAL CUJO
SUPORTE LEGITIMADOR REPOUSA NO PLURALISMO POLÍTICO (CF, ART. 1º, V), QUE
REPRESENTA UM DOS FUNDAMENTOS INERENTES AO REGIME DEMOCRÁTICO. O
EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÍTICA INSPIRADO POR RAZÕES DE INTERESSE PÚBLICO:
UMA PRÁTICA INESTIMÁVEL DE LIBERDADE A SER PRESERVADA CONTRA ENSAIOS
AUTORITÁRIOS DE REPRESSÃO PENAL A CRÍTICA JORNALÍSTICA E AS AUTORIDADES
PÚBLICAS. A ARENA POLÍTICA: UM ESPAÇO DE DISSENSO POR EXCELÊNCIA.” (STF -
Pet: 3486 DF, Relator: Min. CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 26/10/2005, Data
de Publicação: DJ 09/11/2005)

182 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Art. 2.º, CF/88

Separação de Poderes do Estado

→ esse dispositivo consagra o “princípio da separação dos poderes do Estado”;

→ também chamado de “princípio da divisão funcional do poder do Estado”.

183 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio da Separação de Poderes do Estado

→ a ideia surge ainda na Antiguidade, diante da necessidade de limitação do poder


absoluto dos Monarcas na época;

→ tinha o fim de evitar, com isso, abusos de poder pela autoridade do Estado.

184 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio da Separação de Poderes do Estado

Antiguidade (4.000 a.C. – 476 d.C.)

Platão (428-348 a.C.)


→ já mencionava a ideia de se dividir o poder do Estado;

51
13/08/2019

DOUTRINA: “...não se deve estabelecer jamais uma autoridade demasiado poderosa e


sem freio nem paliativos” (Platão, obras: As Leis; e “A República”).
185 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro
Princípio da Separação de Poderes do Estado

Idade Moderna (séc. XV – séc. XVII)

John Locke (1632 - 1704)

Na obra “Segundo Tratado sobre o Governo” → apontava uma divisão dos poderes do
Estado, entre Legislativo, Executivo, Federativo e Prerrogativo.

Legislativo → era o responsável pela criação das normas jurídicas;

Executivo → exercido pelo Rei, era responsável pela aplicação dessas normas
jurídicas;

186 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


John Locke (1632 - 1704)

Federativo → era o responsável pelas relações externas (internacionais) do Estado;

Prerrogativo → exercido pelo Rei, era o responsável pelos casos de “exceção


constitucional”, onde era permitido “o poder de agir pela discrição em favor do bem
público, sem a prescrição em lei e, com freqüência, até contra ela.”
187 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro
Princípio da Separação de Poderes do Estado na Idade Moderna (séc. XV – séc. XVII)

Charles de Montesquieu (1689 - 1755) → na obra “Do Espírito das Leis” → apontava
para uma divisão dos poderes do Estado em:

Poder Legislativo → cabia estatuir leis em nome do povo e, ao mesmo tempo,


impedir que outros órgãos agissem de forma contrária aos interesses gerais.

Poder Executivo → cabia executar as leis, bem como impedir que sejam criadas, pelo
Parlamento, leis contrárias aos interesses gerais.

Poder Judiciário → cabia uma função de “dizer a letra da Lei”.

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13/08/2019

188 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Charles de Montesquieu (1689 - 1755)

→ propôs dividir o poder do Estado em diversas esferas que deveriam se limitar


reciprocamente;

→ cada poder do Estado deveria ser limitado por outro poder;

→ propôs uma repartição de poderes equilibrada, como única forma de se


efetivamente controlar o poder estatal.

189 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Charles de Montesquieu (1689 - 1755)
→ criou a técnica do equilíbrio entre os poderes do Estado ou o chamado “sistema de
freios e contrapesos”.
→“faculté de statuer” (faculdade de estatuir) e “faculté d´empêcher” (faculdade de
impedir).
→ essa técnica garante a separação de poderes pela possibilidade, ou necessidade,
de cada poder controlar (impedir) o outro.
→ e ser pelo outro controlado (impedido);
→ sem que se possa invocar a invasão de um poder na esfera de competência do
outro.
190 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro
Princípio da Separação de Poderes do Estado

DOUTRINA: “Em atenção ao disposto no artigo 16º da Declaração Universal dos


Direitos do Homem e do Cidadão de 1793, o princípio da separação de poderes foi
sendo consagrado em todas as Constituições dos séculos XVIII e XIX.” (Jorge Miranda,
Formas e Sistemas de Governo)

No Brasil → esteve presente em todas as nossas Constituições (na de 1937 a


separação era apenas formal, haja vista que Legislativo e Judiciário tiveram suas
funções totalmente esvaziadas).

191 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


O Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

Art. 2.º → Três Poderes “independentes e harmônicos entre si” no nosso atual padrão
de Estado:

Poder Legislativo → é o responsável pela elaboração das normas jurídicas e pela


fiscalização orçamentária no âmbito do Estado (arts. 44 a 75);

53
13/08/2019

fiscalização orçamentária no âmbito do Estado (arts. 44 a 75);

Poder Executivo → incumbe-se de exercer as funções de Chefe de Governo e de


Chefe de Estado (arts. 76 a 91);

Poder Judiciário → é o responsável pela aplicação da lei, no exercício da jurisdição


(jurisdictio = “dizer o direito”) (arts. 92 a 135).

192 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

→ apesar de independentes os Poderes do Estado devem atuar de maneira


harmônica.

DOUTRINA: “A independência entre os Poderes constituídos, cada um exercendo as


suas atribuições sem interferências do outro, nos termos estabelecidos na própria
Constituição, é imprescindível no regime democrático, sendo também indispensável a
harmonia entre eles, justamente para evitar conflitos e o povo poder desfrutar das
vantagens da prática democrática.” (José Carlos Souza Silva, Princípios Fundamentais
do Estado Brasileiro)

193 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

→ os dirigentes de cada Poder devem respeitar os limites de suas atribuições


constitucionais.

→ isso é imprescindível para a manutenção do equilíbrio democrático no Estado.

Art. 60, §4.º, III, CF/88 → a separação de poderes foi protegida (pretrificada), não
podendo ser objeto de proposta de emenda constitucional tendente a aboli-la.

194 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

DOUTRINA: “A Constituição Federal, visando, principalmente, evitar o arbítrio e o


desrespeito aos direitos fundamentais do homem, previu a existência dos Poderes do
Estado (CF, art. 44 a 126) [...] independentes e harmônicos entre si, repartindo entre eles
as funções estatais para que bem pudessem exercê-las, bem como criando mecanismos
de controle recíprocos, sempre como garantia da perpetuidade do Estado Democrático
de Direito.” (Alexandre de Moraes, Constituição do Brasil Interpretada e Legislação
Constitucional)

195 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro

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13/08/2019

O Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

DOUTRINA: “A palavra poder comporta duas significações: os órgãos estatais, em


sentido orgânico – Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário – e as funções a
serem desempenhadas, em sentido formal – atividade administrativa, atividade
legislativa e atividade jurisdicional [...]. Diz-se função típica aquela correspondente, por
excelência, ao órgão e função atípica aquela exercida pelo órgão em caráter
extravagante [...]. Entende-se que a separação não é propriamente do poder político-
jurídico, considerando uno, indivisível, e sim das funções. O poder não se divide, as
funções provenientes do poder sim.” (Lenio Luiz Streck, Comentários à Constituição do
Brasil)

196 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

Funções Típicas:

Poder Executivo → a administração e execução do Estado;

Poder Legislativo → a legislativa, criando normas jurídicas para o Estado; e


fiscalizatória do Executivo;

Poder Judiciário → a jurisdicional, aplicando o Direito nos casos concretos e


decidindo os litígios.

197 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

Funções Atípicas (p.ex.):

Poder Executivo → legislar por meio de Medidas Provisórias (art. 62);

Poder Legislativo → Senado julgar o Presidente da República nos crimes de


responsabilidade (art. 52, I).

Poder Judiciário → legislar por meio de Súmulas Vinculantes (art. 103-A) e de seus
Regimentos Internos – art. 96, I, ‘a’.

198 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

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13/08/2019

Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

Funções atípicas → representam o sistema de controle recíproco (freio e contrapesos)


existente entre os Poderes do Estado.

Controle Recíproco

CF/88 → traz um complexo de mecanismos para o controle recíproco entre os


Poderes:

→ esses mecanismos representam a Teoria dos Freios e Contrapesos pensada por


Montesquieu.

199 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

Mecanismos de Controle do Legislativo sobre o Executivo

Exs.: 1) art. 49, V (sustar atos normativos que exorbitem o poder regulamentar); 2)
arts. 57, IV e 66, §4.º (deliberar sobre o veto presidencial, podendo derrubá-lo); 3) e
etc. (art. 36, §1.º; art. 49, I, IX, X e XI; art. 73, §2.º, I; art. 101, p.ú.; art. 104, p.ú.);

200 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

Mecanismos de Controle do Legislativo sobre o Judiciário

Exs.: 1) art. 52, II (processar e julgar os Ministros do STF e os membros do CNJ); 2) art.
58, §3.º (possibilidade de criação de Comissões Parlamentares de Inquérito com
poderes de investigação próprios das autoridades judiciais); e 3) etc (art. 48, VIII; e
XV)

201 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

Mecanismos de Controle do Executivo sobre o Legislativo

Exs.: 1) art. 62 (possibilidade de edição de medidas provisórias em casos de relevância


e urgência, com força de lei); 2) art. 66 (sanção ou veto presidencial aos projetos de

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13/08/2019

e urgência, com força de lei); 2) art. 66 (sanção ou veto presidencial aos projetos de
lei) e 3) etc (art. 63; art. 71, §2.º, I).

202 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

Mecanismos de Controle do Executivo sobre o Judiciário

Exs.: 1) art. 101, p.ú. (escolha dos Ministros do STF); 2) art. 104, p.ú. (escolha dos
Ministros do STJ); e 3) etc. (84, XII).

Mecanismos de Controle do Judiciário sobre o Legislativo

Exs.: 1) art. 102, I, ‘a’ (possibilidade de declaração de inconstitucionalidade de lei ou


ato normativo federal ou estadual); 2) art. 102, I, ‘b’ (processar e julgar parlamentares
por infrações penais comuns); e 3) etc. (art. 96, I, ‘a’ e art. 97).

203 Princípios Fundamentais do Estado Democrático de Direito Brasileiro


Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88

Mecanismos de Controle do Judiciário sobre o Executivo

Exs.: 1) art. 5.º, LI e LII (não permitir que a Presidência conceda extradição em caso de
ausência de requisitos constitucionais e legais); 2) art. 102, II, ‘b’ (competência do STF
para julgar a Presidência e a Vice Presidência pela prática de infrações penais
comuns) e 3) etc. (art. 96, I, ‘e’; art. 97; art. 102, I, ‘a’).

204 O Princípio da Separação de Poderes do Estado na CF/88


Já se decidiu: “A possibilidade de controle jurisdicional, mesmo sendo excepcional,
apoia-se na necessidade de impedir que o Presidente da República, ao editar medidas
provisórias, incida em excesso de poder ou em situação de manifesto abuso
institucional, pois o sistema de limitação de poderes não permite que práticas
governamentais abusivas venham a prevalecer sobre os postulados constitucionais que
informam a concepção democrática de Poder e de Estado [...]. Nada pode justificar a
utilização abusiva de medidas provisórias, sob pena de o Executivo - quando ausentes
razões constitucionais de urgência, necessidade e relevância material -, investir-se,
ilegitimamente, na mais relevante função institucional que pertence ao Congresso
Nacional, vindo a converter-se, no âmbito da comunidade estatal, em instância
hegemônica de poder, afetando, desse modo, com grave prejuízo para o regime das
liberdades públicas e sérios reflexos sobre o sistema de "checks and balances", a relação
de equilíbrio que necessariamente deve existir entre os Poderes da República.” (STF -
ADI-MC: 2213 DF, Relator: CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJ
23-04-2004) (GN)

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13/08/2019

23-04-2004) (GN)

205 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 3.º, CF/88 – “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e


regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação.”

206 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 3.º CF/88

DOUTRINA: “Este artigo [...] corresponde a formar uma sociedade dotada dos valores
supremos dos direitos sociais e individuais, tais como a liberdade, a segurança, o bem
estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça – que é aquela sociedade fraterna,
pluralista e sem preconceitos e fundada na harmonia social.” (José Afonso da Silva,
Comentário Contextual à Constituição)

207 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 3.º CF/88

→ é norma de eficácia plena.

→ que dá definição ao princípio da igualdade (art. 5.º, caput e inciso I; art. 7.º, XXX,
XXXI e XXXII).

→ aponta fins (positivos) a serem alcançados pelo Estado com a aplicação dos outros
preceitos trazidos na Constituição.

→ e traz a noção de justiça social no Estado.

208 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 3.º CF/88

DOUTRINA: “Significa apenas que os objetivos fundamentais são impostergáveis e hão


de ser a preocupação constante da ação governamental, porque a Constituição entende
que sua realização constitui meio de conseguir a realização plena dos fundamentos do
Estado Democrático de Direito. [...] na concepção da Constituição, o Estado não é um

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13/08/2019

Estado Democrático de Direito. [...] na concepção da Constituição, o Estado não é um


aparelho sem objetivos, nem pode selecionar livremente seus objetivos. Enquanto
Estado constitucional, ele está submetido à Constituição e comprometido na realização
dos objetivos constitucionais.” (José Afonso da Silva, Comentário Contextual à
Constituição)
209 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil
Art. 3.º, inciso I: (origem da Constituição Portuguesa de 1976)

“Construir uma sociedade livre, justa e solidária;”


→ o termo “construir” reconhece que a sociedade existente em 1988 “não era livre,
nem justa, nem solidária” (José Afonso da Silva)

Tal objetivo do Estado brasileiro é construir:


→ uma ordem de pessoas livres;
→ onde se impere a ideia de justiça social;
→ e que haja um sentimento de apoio recíproco fundado na ideia do bem comum.

210 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


DOUTRINA: “Compete ao Estado, no exercício de suas funções específicas explicitadas
na Constituição, fazer-se presente diante do povo [...] é seu dever educar a sociedade
para que ela possa ser livre, justa e solidária, oferecendo-lhe, para isso, apoio
imprescindível no percurso do seu caminho na busca da construção de seu próprio bem
estar.” (José Carlos Souza Silva, Princípios Fundamentais do Estado Brasileiro)

211 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 3.º, inciso II:

“Garantir o desenvolvimento nacional;”

→ CF/88 busca um desenvolvimento nacional em todas as dimensões (não só


econômico como era pensado na Constituição de 1967).

→ busca-se o desenvolvimento com justiça social.

212 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


DOUTRINA: “Não se quer um mero crescimento econômico sem justiça social – pois
faltando esta, o desenvolvimento nada mais é do simples noção quantitativa, como
constante aumento do produto nacional, como se deu no regime anterior, que elevou o
país a oitava potência econômica do mundo, ao mesmo tempo que o desenvolvimento
social foi mínimo e a miséria se ampliou.” (José Afonso da Silva, Comentário
Contextual à Constituição)

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13/08/2019

213 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Declaração da ONU quanto ao direito ao Desenvolvimento (04.12.1986)

Preâmbulo → “[...] o desenvolvimento é um processo econômico, social, cultural, e


político abrangente, que visa o constante incremento do bem estar de toda população e
de todos os indivíduos [...].”

Artigo 1º §1.º → “O direito ao desenvolvimento é um direito humano inalienável, em


virtude do qual toda pessoa e todos os povos estão habilitados a participar do
desenvolvimento econômico, social, cultural e político, para ele contribuir e dele
desfrutar, no qual todos os direitos humanos e liberdades fundamentais possam ser
plenamente realizados.”

214 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 3.º, inciso III:

“erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;”

Declaração da ONU sobre o direito ao Desenvolvimento (04.12.1986)

Pobreza → falta de renda e recursos suficientes para o sustento; fome; desnutrição;


más condições de saúde; limitado acesso à educação; maior incidência de doenças e
mortalidade especialmente infantil.

215 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 3.º, inciso III:

→ é modo de efetivação objetivo do Estado de uma sociedade livre, justa e solidária


(inc. I).

Pobreza e Marginalização → são intoleráveis porque revelam a injustiça de um


sistema de má distribuição de rendas.

→ é objetivo do Estado brasileiro erradicar esses estados das pessoas.

216 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


DOUTRINA: “[...] ninguém pretende erradicar a pobreza e a marginalização tirando
bens dos ricos e dando-os aos pobres e marginalizados. O que se quer é abolir a

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13/08/2019

pobreza [...] pela maior oportunidade de trabalho dignamente remunerado, mais


serviços educacionais e de saúde, que propiciem desenvolvimento equilibrado e
elevação da vida.” (José Afonso da Silva, Comentário Contextual à Constituição)
217 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil
Art. 3.º, inciso III:

Redução das desigualdades sociais existentes no país

→ a consecução dos objetivos anteriores leva a realização desse objetivo.

→ a melhor distribuição de riqueza, especialmente pela oferta de trabalho bem


remunerado.

→ que leva a um desenvolvimento nacional equilibrado.

→ e que proporciona a elevação da qualidade de vida, reduzindo as desigualdades


sociais no país.

218 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 3.º, inciso IV:

“promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação.”

Promover o bem de todos → é o chamado “bem comum”.

→ é objetivo de todo Estado.

→ que acaba sintetizando todos os demais objetivos (inc. I, II e III).

219 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


DOUTRINA: “Mas a enunciação do objetivo aqui tem importância especial de destacar
alguns aspectos que a Constituição tem como sendo expressão do bem comum, como
também de uma sociedade justa e solidária, que para ser tal há de ser sem preconceitos
de origem, raça, sexo, cor, idade e qualquer outra forma de discriminação.” (José
Afonso da Silva, Comentário Contextual à Constituição)

220 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 3.º, inciso IV:

61
13/08/2019

Art. 3.º, inciso IV:

Preconceito de sexo

→ sexo sempre foi um fator de discriminação no país.

→ as mulheres sempre foram inferiorizadas e só mais recentemente conquistaram


paridade com os homens.

CF/88 → exs.: art. 5.º, I; art. 3.º, IV; art. 7.º, XXX, art. 40, III c.c. art. 201, §7.º.

→ protege-se também a discriminação contra os homoafetivos.

221 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 3.º, inciso IV:

Preconceito de origem, cor e raça

→ são formas de discriminação por racismo (teoria que prega a existência de raças
superiores e inferiores).

Repúdio ao racismo no Plano Internacional do Estado → art. 4.º, VIII, CF/88.

Racismo como crime inafiançável → art. 5.º, XLII, CF/88.

222 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 3.º, inciso IV:

Preconceito de origem, cor e raça

→ para o Estado brasileiro não bastam ações negativas (p/ impedir o preconceito).

→ são tomadas também ações afirmativas → “que fomentem um tratamento


compensatório aos males históricos” (José Afonso da Silva).

→ Estatuto da Igualdade Racial – Lei 12.288/2010.

→ prevê várias ações afirmativas (p.ex. reserva de vagas no ensino superior , reserva
de vagas em concursos públicos).

223 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 3.º, inciso IV:

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13/08/2019

Preconceito de idade

→ a idade também sempre foi motivo de discriminação em nosso país.

→ p.ex. nas relações de emprego (pessoas mais idosas ou mais novas) pela diferença
de salários.

Art. 7.º, XXX, CF/88 → norma expressa.

→ admite-se apenas a distinção com relação ao menor aprendiz (art. 7.º, XXXIII,
CF/88).

224 Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 3.º, inciso IV:

“Qualquer outra forma de discriminação”

→ ficam também vedadas pela CF/88 quaisquer outras formas de discriminação.

→ p.ex.: por credo religioso; por convicção política ou filosófica; etc.

225 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, CF/88

Relações Internacionais do Estado brasileiro

→ “A República Federativa do Brasil rege-se” por esses princípios nas relações


internacionais com outros Estados estrangeiros.

→ esses princípios previstos nos incisos do art. 4.º (norma de eficácia plena) são de
observância obrigatória.

→ ainda que alguns apresentem enunciados abertos (como o que traz a


“independência nacional”).

226 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso I

Independência nacional

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13/08/2019

Independência nacional
→ é a face externa da soberania.

→ ela reafirma o princípio da soberania do Estado (fundamento da República


Federativa do Brasil - art. 1.º, I, CF/88).

No Plano Internacional
→ significa que não precisamos acatar regras que não aceitarmos voluntariamente.
→ e que estamos em pé de igualdade com os poderes supremos dos demais Estados
estrangeiros.

227 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso I

DOUTRINA: “A independência nacional é ... resultado de sua autonomia administrativa


e política diante das outras nações e é imprescindível que assim permaneça, sem
qualquer interferência de outro país. [...] Essa independência permite que o Brasil seja
capaz de se relacionar com outros países sem perder a originalidade de sua política
interna [...].” (José Carlos Souza Silva, Princípios Fundamentais do Estado Brasileiro)

228 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso II

Prevalência dos Direitos Humanos

→ esse princípio se refere aos direitos fundamentais da pessoa humana.

→ o Brasil, em suas relações internacionais, deve exigir o respeito integral a esses


direitos da pessoa humana.

229 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso II

Prevalência dos Direitos Humanos

DOUTRINA: “Não é admissível, no regime democrático, que os direitos humanos sejam


desprezados, banalizados, tratados como coisas. É, portanto, imprescindível ter
destaque, no plano fático e também nas normas que constituem o centro do modelo
jurídico democrático do país.” (José Carlos Souza Silva, Princípios Fundamentais do
Estado Brasileiro)

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13/08/2019

Estado Brasileiro)

230 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso III

Autodeterminação dos Povos

→ advém do princípio das nacionalidades.

→ que significa que todos os povos têm direito de estabelecer, livremente, sua
condição política.

→ e de autodeterminar o seu desenvolvimento econômico, social e cultural.

→ esse princípio garante a todo povo de um país o direito de se autogovernar, de


realizar suas escolhas sem intervenção externa, exercendo soberanamente o direito
de determinar o seu próprio estatuto político.

231 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso III

Autodeterminação dos Povos

DOUTRINA: “Assegura o direito de ser independente nas relações com outros países
diante da possibilidade de escolher a sua própria forma de governo. [...] Face a esse
princípio nenhum Estado, no mundo, tem direito de impor, pela forma direta ou
indireta, soluções nos negócios políticos ou econômicos de outros Estados.” (José Carlos
Souza Silva, Princípios Fundamentais do Estado Brasileiro)

232 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso IV

Não Intervenção

→ é complemento do princípio da autodeterminação dos povos.

→ significa que nenhum Estado pode ingerir-se nos assuntos internos e externos dos
outros Estados.

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13/08/2019

→ não é apenas a intervenção armada, mas qualquer “interferência ou tendência


atentatória à personalidade do Estado e dos elementos políticos, econômicos e culturais
que o constituem”. (Carta da OEA/1948, art. 19)

→ protege os países pobres nas relações internacionais com as grandes potências


mundiais.

233 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso V

Igualdade entre os Estados

→ Nas relações internacionais o Brasil considera a igualdade entre os países.

DOUTRINA: “A igualdade entre os Estados é possível e é importantíssima para que a


humanidade possa desfrutar das vantagens da convivência pacífica entre todos eles.”
(José Carlos Souza Silva, Princípios Fundamentais do Estado Brasileiro)

234 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso VI

Defesa da Paz

Paz → situação caracterizada pela ausência de combate armado (guerra).

DOUTRINA: “Estando, portanto, explicitado na Constituição, como princípio, a defesa


da paz, o Brasil tem, hoje, o compromisso, com conteúdo legítimo e legal, de oferecer
aos povos o propósito de contribuir para a paz mundial.” (José Carlos Souza Silva,
Princípios Fundamentais do Estado Brasileiro)

235 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso VII

Solução Pacífica dos Conflitos

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13/08/2019

→ princípio tradicional do constitucionalismo brasileiro.

→ art. 4.º, Constituição de 1981; art. 4.º, Constituição de 1934; art. 4.º, Constituição de
1946; art. 7.º, Constituição de 1967 e EC/1969.

→ na existência de conflitos internacionais o Brasil deve, sempre, buscar uma solução


pacífica, sem violência.

236 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso VIII

Repúdio ao Terrorismo e ao Racismo

→ rejeição pelo Estado brasileiro por entender que o terrorismo e o racismo são
modos desumanos de atuação.

Terrorismo → modo covarde de agressão a inocentes.

Racismo → forma de discriminação que acredita na existência de uma raça superior a


outra.

→ o Brasil não aceita essas duas formas de ação política.

237 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso VIII

Repúdio ao Terrorismo e ao Racismo

DOUTRINA: “... não são aceitáveis e assim o Brasil apresenta ao mundo a sua posição
em respeito a todas as pessoas, tratando-as igualmente e pretendendo que os demais
países desse modo procedam.” (José Carlos Souza Silva, Princípios Fundamentais do
Estado Brasileiro)

238 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso IX

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13/08/2019

Cooperação entre os Povos para o Progresso da Humanidade

→ o Estado brasileiro tem a missão internacional de contribuir, ao lado de outros


países, para que a humanidade possa progredir.

DOUTRINA: “O progresso não deve ser privilégio de poucos, mas deve constituir-se
numa concretização em favor de todos, entre os quais estejam beneficiados pobres e
ricos, sem nenhuma discriminação. Assim é possível falar em progresso da
humanidade.” (José Carlos Souza Silva, Princípios Fundamentais do Estado Brasileiro)

239 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso X

Concessão de Asilo Político

Asilo Político → compreende → Asilo Diplomático;


→ Asilo Territorial.
Asilo Diplomático → acolhida de refugiado político em representação diplomática no
Estado asilante.

→ é concedido para quem, em seu próprio país, se sinta ameaçado pelo Estado, por
divergências de ideologia ou qualquer escolha de fundo cultural ou de opinião.

Asilo Territorial → recebimento de estrangeiro a seu pedido, sem requisitos de


ingresso no país, para evitar perseguição ou punição em seu país de origem por
delito de natureza política ou ideológica.

240 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


Art. 4.º, inciso X

Concessão de Asilo Político

CF/88 → prevê o asilo político sem restrições, como direito fundamental do homem,
nos termos da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão – art. XIV.

→ o asilado político deve respeitar as normas de direito internacional e também as


normas internas do Brasil.

241 Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil

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13/08/2019

Art. 4.º, parágrafo único:

Integração dos Povos da América Latina

→ fundamento do MERCOSUL (Mercado Comum do Cone Sul) estabelecido pelo


Tratado de Assunção de 21/03/1991.

→ formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Chile, Bolívia, Peru, Equador,
Colômbia, Guiana e Surinane.

→ trata-se de mandamento constitucional a ser cumprido pelo Estado brasileiro.

→ no sentido de buscar a integração entre os Estados para formar uma comunidade


latino americana de Nações.

242 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Terminologia

→ uso da terminologia “direitos fundamentais” tem sido feito indistintamente.


→ e, às vezes, até mesmo de forma equivocada.
→ quando é utilizada como sinônimo de: “direitos humanos”, “direitos do homem”,
“direitos da pessoa humana”, “direitos humanos fundamentais” e etc.

DOUTRINA: “...ultimamente, tem havido uma verdadeira banalização do uso da


expressão ‘direitos fundamentais”. (George Marmelstein, Curso de Direitos
Fundamentais)

243 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Terminologia

Constituição Federal de 1988 → além dos termos “direitos e garantias fundamentais”


constantes do seu Título II, traz, ainda, expressões como:
→ “direitos sociais e individuais” (Preâmbulo);
→“direitos e deveres individuais e coletivos” (Capítulo I do Título II);
→ “direitos humanos” (art. 4º, inc. II; art. 5º, § 3º; art. 7º do ADCT);
→ “direitos e liberdades fundamentais” (art. 5º, inc. XLI);
→ “direitos e liberdades constitucionais” (art. 5º, inc. LXXI);
→ “direitos civis” (art. 12, § 4º, inc. II, alínea “b”);
→ “direitos fundamentais da pessoa humana” (art. 17, caput);
→ “direitos da pessoa humana” (art. 34, inc. VII, alínea “b”);

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13/08/2019

→ direitos e garantias individuais (art. 60, § 4º, inc. IV);


→ “direitos” (art. 136, § 1º, inc. I);
→ “direito público subjetivo” (art. 208, § 1º)

244 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


→ mostra-se mais apropriado utilizar o termo “direitos fundamentais”.

Definição de Direitos Fundamentais

DOUTRINA: “[...] são direitos público-subjetivos de pessoas (físicas ou jurídicas),


contidos em dispositivos constitucionais e, portanto, que encerram caráter normativo
supremo dentro do Estado, tendo como finalidade limitar o exercício do poder estatal
em face da liberdade individual.” (Dimitri Dimoulis e Leonardo Martins)

“[...] os direitos fundamentais são normas jurídicas, intimamente ligadas à ideia de


dignidade da pessoa humana e de limitação do poder, positivadas no plano
constitucional de determinado Estado Democrático de Direito, que, por sua importância
axiológica, fundamentam e legitimam todo o ordenamento jurídico. (George
Marmelstein, Curso de Direitos Fundamentais)

245 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Positivação dos Direitos Fundamentais

Constituição Federal de 1988

→ os direitos fundamentais encontram-se positivados em diversas partes da


Constituição Federal de 1988.
→ em especial no Título II denominado de “Direitos e Garantias Fundamentais” (arts.
5.º a 17).

→ mas existem outros direitos fundamentais elencados fora do art. 5º, conforme seu
§2º que prevê:

Art. 5º, §2º, CF/88 → “Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem
outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados
internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”.

246 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais

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13/08/2019

Positivação dos Direitos Fundamentais

DOUTRINA: “O parágrafo em questão dá ensejo a que se afirme que se adotou um


sistema aberto de direitos fundamentais no Brasil, não se podendo considerar taxativa
a enumeração dos direitos fundamentais no Título II da Constituição. [...] Direitos não
rotulados expressamente como fundamentais no título próprio da Constituição podem
ser assim tidos, a depender da análise do seu objeto e dos princípios adotados pela
Constituição.” (Gilmar Ferreira Mendes e Paulo Gustavo Gonet Branco, Curso de Direito
Constitucional)

Tratados e Convenções Internacionais sobre Direitos Humanos


Art. 5.º, §3.º, CF/88 → “Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos
que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três
quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas
constitucionais.”
247 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais
Classificação dos Direitos Fundamentais previstos na CF/88 (cf. José Afonso da Silva)

1º) Direitos individuais (art. 5º);

2º) Direitos à nacionalidade (art. 12);

3º) Direitos políticos (arts. 14 a 17);

4º) Direitos sociais (arts. 6º e 193 e ss.);

5º) Direitos coletivos (art. 5º);

6º) Direitos solidários (arts. 3º e 225).

248 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Direitos Fundamentais ≠ Garantias Fundamentais

Garantias Fundamentais
CF/88 → previu também diversos mecanismos processuais para defesa dos direitos
fundamentais

→ estes meios são denominados de “garantias fundamentais”.

P.ex.: 1) Habeas Corpus;

71
13/08/2019

2) Habeas Data;
3) Mandado de Segurança (individual e coletivo);
4) Ação Civil Pública;
5) Ação Popular;
6) Ações de Controle da Constitucionalidade (Ação Direta de Inconstitucionalidade –
ADIN; Ação Declaratória de Constitucionalidade – ADECON; e Arguição de
Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF).
249 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais
Direitos Fundamentais ≠ Garantias Fundamentais

Direitos Fundamentais → são verdadeiras vantagens garantidas para uma vida


humana digna .

Garantias Fundamentais → são instrumentos voltados a assegurar o efetivo exercício


de tais direitos fundamentais.

→ são mecanismos processuais oferecidos pelo Estado para o reconhecimento de


direitos fundamentais da pessoa humana.

DOUTRINA: “Os direitos representam só por si certos bens, as garantias destinam-se a


assegurar a fruição desses bens; os direitos são principais, as garantias são acessórias...”
(Jorge Miranda, Manual de Direito Constitucional)

“Com a previsão expressa do rol de direitos e de garantias fundamentais, a Constituição


Federal de 1988 buscou não apenas proclamar direitos, mas, sobretudo, concretizá-los.”
(George Marmelstein, Curso de Direitos Fundamentais)

250 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais
Evolução Histórica dos Direitos Fundamentais

Teoria das Gerações de Direitos (Karel Vasak, 1979)


→ inspirada no lema da Revolução Francesa, “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”,
que se encontra representado nas 3 cores da bandeira da França.

1ª Dimensão) Direitos fundados na ideia de liberdade


→ o reconhecimento dos direitos fundamentais passa, primeiramente, pela ideia de
um Estado juridicamente limitado.
→ a população reivindicava mais liberdade e menos intromissão do Estado.
→ passava-se do modelo de “Estado Absoluto” para o padrão de “Estado de Direito”.
P.ex.: direitos civis e políticos.

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13/08/2019

251 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


1ª Dimensão de Direitos Fundamentais

DOUTRINA: “O recado dado pela burguesia para o governante [...] era bastante direto:
proteja minha propriedade (direito ‘sagrado e inviolável’, de acordo com a declaração
francesa), cumpra a lei que meus representantes aprovarem (principio da legalidade) e
não se meta em meus negócios, nem em minha vida particular, especialmente na
escolha de minha religião. Eis a explicação para a consagração de inúmeros direitos de
liberdade: liberdade de reunião, liberdade de expressão, liberdade comercial, liberdade
de profissão, liberdade religiosa etc.” (George Marmelstein, Curso de Direitos
Fundamentais).

252 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


2ª Dimensão) Direitos instituídos com base na noção de igualdade

→ mesmo diante do espírito humanístico da época, os direitos não eram garantidos a


todas as pessoas.

→ as classes menos favorecidas clamavam por uma igualdade real e não meramente
formal (descrita em papéis).

→ o período de industrialização mundial trazia prosperidade para uma minoria e, ao


mesmo tempo, uma série de problemas sociais.

253 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


2ª Dimensão) Direitos instituídos com base na noção de igualdade

→ poucos viviam com luxo e muitos passavam fome, se encontravam desempregados


ou morriam por falta de cuidados médicos.

→ a classe operária, então, começa a reivindicar por direitos a melhores condições de


trabalho e por direitos sociais.

→ e o Estado para conseguir garantir a paz social, perante a classe operária, começa
então a conceder esses direitos .

P.ex.: direitos dos trabalhadores (salário mínimo, piso salarial, férias, limitação da
jornada diária de trabalho, direito de greve e sindicalização) direitos sociais
(alimentação, saúde, educação, moradia, assistência social), etc.

254 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


2ª Dimensão de Direitos Fundamentais

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13/08/2019

DOUTRINA: “...assim nasce o Estado do bem-estar social, um novo modelo político, no


qual o Estado, sem se afastar dos alicerces básicos do capitalismo [...], compromete-se a
promover maior igualdade social e garantir as condições básicas para uma vida digna”.
(George Marmelstein, Curso de Direito Fundamentais)

Direitos de Segunda Dimensão


→ vieram, portanto, para proporcionar desenvolvimento ao ser humano.
→ dando lhe condições mínimas para gozar das suas liberdades conquistadas.

No Brasil
Constituição de 1946 → que previu, com maior amplitude, direitos sociais como a
aposentadoria, a educação, a assistência social, bem como outros direitos dos
trabalhadores.

255 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Evolução Histórica dos Direitos Fundamentais

3ª dimensão) direitos relacionados à concepção de solidariedade

→ surge um movimento mundial em favor da internacionalização da dignidade da


pessoa humana, por considerá-la um valor universal.

→ nesse cenário surgem inúmeros Tratados Internacionais, firmados por vários países,
legitimando-se esses valores ligados à dignidade da pessoa humana.

→ e é nesse contexto, de solidariedade mundial, que aparecem os direitos chamados


de 3ª dimensão.
→ aqueles direitos considerados universais, de todos os seres humanos.

DOUTRINA: “Esses novos direitos visam a proteção de todo o gênero humano e não
apenas de um grupo de indivíduos. No rol desses direitos, citam-se o direito ao
desenvolvimento, o direito à paz, o direito ao meio ambiente, o direito de propriedade
sobre o patrimônio comum da humanidade e o direito de comunicação.” (George
Marmelstein, Curso de Direitos Fundamentais)

256 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Evolução Histórica dos Direitos Fundamentais

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13/08/2019

Outras Dimensões (4ª, 5ª e ...)

→ a Doutrina menciona a existência de outras gerações de direitos fundamentais:

Paulo Bonavides (Curso de Direito Constitucional)


4ª dimensão → “direito à democracia”, “direito à informação” e “direito ao pluralismo”.
5ª dimensão → “paz mundial”.

Dimitri Dimoulis e Leonardo Martins (Teoria Geral dos Direitos Fundamentais)


4ª dimensão → o “cosmopolismo e a democracia universal”.

257 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Outras Dimensões (4ª, 5ª, 6ª, 7ª ...)

José Joaquim Gomes Canotilho (Direito Constitucional e Teoria da Constituição)


4ª dimensão → “direitos dos povos”.

André Ramos Tavares (Curso de Direito Constitucional)


4ª dimensão → “direitos das minorias”.

José Adércio Leite Sampaio (A Constituição Reinventada pela Jurisdição


Constitucional)
4ª dimensão → “o direito à informação, à autodeterminação dos povos, ao
desenvolvimento e ao meio ambiente equilibrado”.

Zulmar Fachin (Curso de Direito Constitucional)


5ª dimensão → “paz mundial”.

258 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Evolução Histórica dos Direitos Fundamentais

DOUTRINA: “...o ideal é considerar que todos os direitos fundamentais podem ser
analisados e compreendidos em múltiplas dimensões, ou seja, na dimensão individual-
liberal (primeira dimensão), na dimensão social (segunda dimensão), na dimensão de
solidariedade (terceira dimensão), na dimensão democrática (quarta dimensão) e assim
sucessivamente.” (George Marmelstein, Curso de Direitos Fundamentais)

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13/08/2019

259 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Características Intrínsecas dos Direitos Fundamentais

(1) a historicidade:
→ os direitos fundamentais não surgiram do nada, são o resultado de um processo
histórico de conquistas.

(2) a imprescritibilidade:
→ os direitos fundamentais não prescrevem. Eles são permanentes e nunca deixam
de ser exigíveis.

(3) a irrenunciabilidade:
→ não podem ser renunciados. Podem até não ser exercidos, porém não podem ser
renunciados por seus titulares.
DOUTRINA: “...a aderência desses direitos à condição humana faz com que a renúncia
a eles traduza, em última análise, a renúncia da própria condição humana, que, por
sua natureza, é irrealizável.” (Luiz Alberto David Araujo, Curso de Direito
Constitucional)

260 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Características Intrínsecas dos Direitos Fundamentais

(4) a inalienabilidade/indisponibilidade:
→ os direitos fundamentais não podem ser transferidos ou negociados, de forma
gratuita ou onerosa, uma vez que são direitos indisponíveis.

(5) a inviolabilidade:
→ os direitos fundamentais não podem ser desrespeitados ou violados por nenhuma
autoridade pública.

(6) a universalidade:
→ os direitos fundamentais são dirigidos a todo ser humano em geral, sem restrições,
independente de sua raça, credo, nacionalidade, convicção política e etc.
OBS: mas vale lembrar que a CF/88 também traz direitos fundamentais específicos a
determinada categoria de pessoas, como, por exemplo, aos trabalhadores (art. 7.º),
aos idosos (art. 230) e etc.

261 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Características Intrínsecas dos Direitos Fundamentais

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13/08/2019

(7) a efetividade:
→ é dever do Poder Público atuar para a garantia da efetivação máxima dos direitos
fundamentais.

(8) a interdependência/inter-relação:
→ os direitos fundamentais interagem-se entre si, influenciando uns aos outros
reciprocamente.
→ há entre os direitos fundamentais uma mútua relação de dependência, onde uns
complementam os outros.

(9) a concorrência:
→ os direitos fundamentais podem ser exercidos cumulativamente pelas pessoas.
→ refere-se a possibilidade de um único titular, em um só momento, vir a exercer,
simultaneamente, mais de um direito fundamental.

262 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Características Intrínsecas dos Direitos Fundamentais

(10) a complementaridade:
→ os direitos fundamentais devem ser interpretados de forma conjunta, não
isoladamente.

(11) a autogeneratividade:
→ os direitos fundamentais são gerados no tempo, sem que os direitos,
anteriormente adquiridos pelo povo, sejam desqualificados.

DOUTRINA: “Diz-se que os direitos fundamentais são autogenerativos, ou seja, sua


institucionalização em uma ordem jurídica determinada não desqualifica o momento
anterior.” (Luiz Alberto David Araújo, Curso de Direito Constitucional)

(12) a limitabilidade:
→ os direitos fundamentais não são absolutos, podendo estes sofrer limitações por
outros valores consagrados na Constituição ou mesmo por outros direitos
fundamentais.

263 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Características Extrínsecas dos Direitos Fundamentais

(1) maior rigidez ou supremacia constitucional:


→ os direitos fundamentais, por serem necessários à garantia de uma vida humana
digna, representam os valores mais supremos dentro do Estado.
→ por isso, necessitam de uma proteção normativa especial para não serem

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13/08/2019

→ por isso, necessitam de uma proteção normativa especial para não serem
negociados no jogo político.
→ encontram-se na parte mais alta da pirâmide do Ordenamento Jurídico (segundo
Kelsen).
→ gozam, então, de supremacia formal e material perante as demais normas jurídicas
existentes no sistema.
→ uma vez que representam verdadeiros fundamentos éticos de todo o ordenamento
jurídico e do Estado brasileiro.

264 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Características Extrínsecas dos Direitos Fundamentais

(2) aplicabilidade imediata (cf. art. 5º, §1º CF/88):

→ os direitos fundamentais produzem seus efeitos independente de regulamentação


pelo legislador infraconstitucional.

→ dessa aplicação imediata emergem, desde logo, direitos subjetivos ao povo, sem a
necessidade de qualquer regulamentação posterior.

DOUTRINA: “...em hipótese alguma um direito fundamental pode deixar de ser


concretizado pela ausência de lei...”. (George Marmelstein, Curso de Direitos
Fundamentais)

→ portanto, incumbe aos Poderes Públicos a tarefa e o dever de extrair destas


normas a máxima eficácia possível.

265 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Características Extrínsecas dos Direitos Fundamentais

(3) colocação como cláusulas pétreas (cf. art. 60, §4º, inc. IV, CF/88):

→ não podem ser objeto de alteração legislativa, por meio de projeto de emenda
constitucional, propostas que pretendam abolir direitos e garantias fundamentais.

→ a petrificação dos direitos fundamentais não se refere somente aos direitos e


garantias individuais previstos no art. 5º, CF/88, mas a todos que se encontram
espalhados na Constituição.

DOUTRINA: “Trata-se, porém, de uma análise equivocada, pois é possível afirmar que
todos os direitos fundamentais – e não apenas os previstos no art. 5º – estão
acobertados pela proibição de abolição pelo poder reformador, até mesmo porque esses
direitos são potencialmente hábeis a gerar para os seus titulares pretensões subjetivas,
sendo, portanto, capazes de se transformar em direitos individuais” (George

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13/08/2019

Marmelstein, Curso de Direitos Fundamentais)

266 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Dupla Perspectiva como Característica dos Direitos Fundamentais

1ª) Subjetiva
→ na medida em que são considerados direitos subjetivos individuais.
2ª) Objetiva
→ apresentam-se como elementos objetivos fundamentais (sistema de valores) no
meio social.

267 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Perspectiva Subjetiva dos Direitos Fundamentais

→ a previsão de um direito fundamental na Constituição do Estado gera um direito


subjetivo às pessoas do povo.

→ refere-se ao poder gerado a um titular de pleitear, individualmente, a garantia de


um direito fundamental pelo Estado.

→ podendo, inclusive, buscar o Poder Judiciário, se necessário, para fazer valer esse
direito subjetivo fundamental.

DOUTRINA: “[...] todo direito fundamental gera dever de respeito, proteção e promoção,
ou seja, o Estado tem o dever de respeitar (não violar o direito), proteger (não deixar
que o direito seja violado) e promover (possibilitar que todos usufruam o direito)”.
(George Marmelstein, Curso de Direitos Fundamentais)

268 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Perspectiva Subjetiva dos Direitos Fundamentais

DOUTRINA: “Neste contexto, quando – no âmbito da assim denominada perspectiva


subjetiva – falamos de direitos fundamentais subjetivos, estamo-nos referindo à
possibilidade que tem o seu titular (considerado como tal a pessoa individual ou ente
coletivo a quem é atribuído) de fazer valer judicialmente os poderes, as liberdades ou
mesmo o direito à ação ou às ações negativas ou positivas que lhe forem outorgadas
pela norma consagradora do direito fundamental em questão.” (Ingo Wolfgang Sarlet,
A Eficácia dos Direitos Fundamentais)

269 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Perspectiva Objetiva dos Direitos Fundamentais (sistema de valores)

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13/08/2019

Perspectiva Objetiva dos Direitos Fundamentais (sistema de valores)

→ nessa perspectiva os direitos fundamentais funcionam como uma verdadeira


“ordem de valores” e se irradiam por todo o sistema normativo brasileiro.

→ representa o dever do Estado de levar em conta os direitos fundamentais no


momento da tomada de decisões por parte do Poder Público.

→ pouco importando quem é o sujeito do direito (indivíduo).

270 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Perspectiva Objetiva dos Direitos Fundamentais (sistema de valores)

DOUTRINA: “Como consequência da dimensão objetiva, qualquer interpretação jurídica


deverá ser feita à luz dos direitos fundamentais, que se transformam no fundamento
axiológico de todo sistema normativo [...]. É como se a Constituição criasse um campo
magnético ao redor das leis de modo que toda interpretação acaba sendo afetada por
essa força [...]. Em razão disso fala-se hoje em uma verdadeira constitucionalização do
Direito [...]. Com essa ‘filtragem constitucional’, os direitos fundamentais passam a
ocupar uma função estratégica de fundamentação e de legitimação do sistema
normativo como um todo [...]. Eis aí o significado da dimensão objetiva dos direitos
fundamentais.” (George Marmelstein, Curso de Direitos Fundamentais)

271 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Perspectiva Objetiva dos Direitos Fundamentais (sistema de valores)

→ a perspectiva objetiva expressa a necessidade de uma interpretação de acordo


com os direitos fundamentais.

→ A Doutrina afirma a existência do chamado “princípio da interpretação conforme os


direitos fundamentais”.

DOUTRINA: “...a perspectiva objetiva revela que os direitos fundamentais permitem o


desenvolvimento de novos conteúdos, além de sua concepção subjetiva, assumindo um
papel de grande relevância na construção de um sistema eficaz e racional para a
efetivação desses direitos.” (Ingo Wolfgang Sarlet, A Eficácia dos Direitos
Fundamentais)

→ portanto, dentro do contexto social, os direitos fundamentais previstos na CF/88 se


irradiam por todo o sistema normativo
→ servindo como valores para a interpretação de todas as normas jurídicas (inclusive
as constitucionais).

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13/08/2019

272 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Fiscalização para o respeito aos Direitos Fundamentais

→ cabe ao Poder Judiciário a tarefa de fiscalizar o respeito aos direitos fundamentais,


por meio da chamada “Jurisdição Constitucional”.

→ é próprio dos Estados que adotam o padrão Federal a existência dessa função
fiscalizatória, exercida por um Tribunal Constitucional.

→ assim, para que os direitos fundamentais tenham eficácia jurídica e sejam mais do
que meros postulados morais escritos,
→ estes precisam ter um suporte judicial que lhes ampare nos casos de omissão
estatal.
273 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais
Fiscalização para o respeito aos Direitos Fundamentais

Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1948

→ traz a 1.ª previsão legal sobre a possibilidade de proteção (controle) dos direitos
fundamentais pelo Poder Judiciário.

Art. 8º → “Toda pessoa tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes
remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam
reconhecidos pela constituição ou pela lei.”

274 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Fiscalização para o respeito aos Direitos Fundamentais

Daí, PERGUNTA-SE: Essa atuação positiva (ativa) por parte do Poder Judiciário, para a
garantia de direitos fundamentais, pode ser considerada uma ofensa ao princípio da
separação dos poderes do Estado?

DOUTRINA: “Se a Constituição confere ao indivíduo direitos contra o legislador e prevê


um tribunal constitucional (também) para garantir esses direitos, então, a atividade do
tribunal constitucional no âmbito da legislação que seja necessária à garantia desses
direitos não é uma usurpação inconstitucional de competências legislativas, mas algo
que não apenas é permitido, mas também exigido pela Constituição.” (Robert Alexy,
Teoria dos Direitos Fundamentais)

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13/08/2019

275 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Fiscalização para o respeito aos Direitos Fundamentais

→ por meio dessa atuação ativa, o Judiciário procura extrair, ao máximo, as


potencialidades do texto constitucional.

→ sem invadir o campo de criação dos Legisladores ou de atuação do Executivo.

→ essa postura ativa é própria do poder de fiscalização conferido ao Judiciário, no


nosso padrão de Estado Federal, através do exercício da jurisdição constitucional.

276 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Fiscalização para o respeito aos Direitos Fundamentais

CF/88 e direitos fundamentais são normas supremas no Ordenamento Jurídico


nacional

→ assim mostra-se primordial admitir a existência de um controle de


constitucionalidade, feito pelo Poder Judiciário.

→ sobre as Leis infraconstitucionais feitas pelo Parlamento e sobre os atos de


administração praticados pelo Executivo.
→ sem a existência desse mecanismo de fiscalização, os direitos fundamentais
ficariam à mercê das vontades políticas do Estado (Legisladores e Administradores).

277 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Fiscalização para o respeito aos Direitos Fundamentais

Assim:
→ por conta da perspectiva objetiva dos direitos fundamentais.
→ segundo a qual estes direitos se apresentam como os valores mais essenciais da
vida humana.
→ essa tarefa de fiscalizar o respeito e o cumprimento a esses direitos trata-se de
uma das prerrogativas mais importantes do Poder Judiciário.
→ sendo então essa atuação jurisdicional, às vezes até mesmo positiva, primordial
para a garantia de tais direitos no nosso atual modelo de Estado Federal.

278 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


A titularidade dos Direitos Fundamentais
→ é assunto que levanta inúmeras discussões na Doutrina.
→ sobre quem detém a prerrogativa de exercício destes direitos.
→ discutem se as pessoas físicas, as pessoas jurídicas (inclusive as de Direito Público),

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13/08/2019

os estrangeiros (residentes ou não no país), poderiam exercitá-los ????

DOUTRINA: “Qualquer pessoa, em regra, pode ser titular de direitos fundamentais, não
importando a cor da pele, a condição financeira, a orientação sexual, a idade, a
nacionalidade ou qualquer outro atributo. Não é necessário sequer que a pessoa seja
plenamente capaz. Pode ser menor de idade, idoso, portador de deficiência mental etc.
Basta que seja ser humano.” (George Marmelstein, Curso de Direitos Fundamentais)

279 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


A titularidade dos Direitos Fundamentais

CF/88, art. 5º, caput → expressa que os direitos fundamentais à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade são assegurados “aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no país”.

PERGUNTA-SE: E os estrangeiros não residentes no país? Estes também estão


amparados pelos direitos fundamentais?

→ se a CF/88 elenca o princípio da dignidade da pessoa humana como fundamento


da República Federativa do Brasil (art. 1º, inc. III).

→ devemos considerar que todos os seres humanos, independentemente de


nacionalidade, estão acobertados sob o manto dos direitos fundamentais.

280 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


A titularidade dos Direitos Fundamentais

DOUTRINA: “A Constituição, em nenhum momento, diz expressamente que os


estrangeiros não residentes no país não podem exercer direitos fundamentais. Apenas
silencia a respeito. Assim, levando em conta o espírito humanitário que inspira todo o
ordenamento constitucional, conclui-se que qualquer pessoa pode ser titular de direitos
fundamentais. [...] mesmo os estrangeiros que só estejam de passagem pelo país podem
ser titulares dos direitos fundamentais, bem como fazer uso de todos os instrumentos
processuais de proteção destes direitos, salvo nos casos em que a própria Constituição
limite o exercício, como ocorre, por exemplo, com a ação popular.” (George
Marmelstein, Curso de Direitos Fundamentais)

Já se decidiu: “MANDADO DE SEGURANÇA - ESTRANGEIRO - O estrangeiro, embora


não residente no país, pode impetrar mandado de segurança.” (MS nº 4.706, Relator
Ministro ARI FRANCO)

281 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais

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13/08/2019

A titularidade dos Direitos Fundamentais de um Grupo Específico

→ existem alguns direitos fundamentais na CF/88, cuja titularidade é restrita a


determinado grupo ou categoria de pessoas:

P.ex.:
1) os direitos trabalhistas que só podem ser exercitados pelos trabalhadores (art. 7º);
2) o direito dos idosos (art. 230, § 2º);
3) o direito dos portadores de deficiência (art. 7º, inc. XXXI);
4) o direito das mulheres (art. 7º, inc. XX);
5) o direito dos presos (art. 5º, inc. LXIII);
6) o direito das presidiárias (art. 5º, inc. L), e etc.

282 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


A titularidade dos Direitos Fundamentais da Pessoa Jurídica

→ existem também direitos fundamentais exercidos pelas Pessoas Jurídicas.

P.ex.:
1) o direito dos Sindicatos e dos Partidos Políticos (com representação no Congresso
Nacional) de impetrar mandado de segurança coletivo (art. 5.º, LXX, “a” e “b”).
2) o sigilo de correspondência (art. 5.º, XII);
3) o direito de ampla defesa (art. 5.º, LV);
4) o direito de assistência judiciária (art. 5.º, LXXIV);
5) o direito de propriedade (art. 5.º, XXII);
6) o direito à livre iniciativa (art. 170 e ss.);
7) os direitos fiscais (como contribuintes que são), e etc.

Já se decidiu: “A pessoa jurídica pode sofrer dano moral” (Súmula nº 227, STJ)

283 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


A titularidade dos Direitos Fundamentais da Pessoa Jurídica de Direito Público

→ a Doutrina diverge sobre a possibilidade de exercício de direitos fundamentais da


Pessoa Jurídica de Direito Público.

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13/08/2019

Pessoa Jurídica de Direito Público.

Pela não titularidade por parte das Entidades Públicas

DOUTRINA: “Excluem-se, contudo e pelas observações feitas precedentemente, as


pessoas jurídicas de Direito Público, às quais se reservam ‘competências’, ‘interesses
legítimos’ ou ‘direitos constitucionais’ que não podem ser subsumidos sob o rótulo de
direitos fundamentais.” (José Adércio Leite Sampaio, A Constituição Reinventada pela
Jurisdição Constitucional)

284 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


Pela titularidade por parte das entidades públicas

DOUTRINA: “ [...] uma resposta negativa absoluta não conviria, até por força de alguns
desdobramentos dos direitos fundamentais do ponto de vista de sua dimensão objetiva.
Tem-se admitido que as entidades estatais gozam de direitos do tipo procedimental.”
(Gilmar Ferreira Mendes e Paulo Gustavo Gonet Branco, Curso de Direito
Constitucional)

“[...] as pessoas jurídicas de direito público, excepcionalmente, quando estiverem em


uma posição de sujeição, poderão invocar as normas constitucionais que consagram
direitos fundamentais para se protegerem do abuso do poder de outro ente estatal.”
(George Marmelstein, Curso de Direitos Fundamentais)

285 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


A titularidade dos Direitos Fundamentais da Pessoa Jurídica de Direito Público

→ os direitos fundamentais não visam, somente, a proteção à dignidade da pessoa


humana.

→ servem, também, para a limitação de poder.

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13/08/2019

→ servem, também, para a limitação de poder.

→ casos como o da Fazenda Pública integrar um processo judicial na qualidade de


litigante, esta estará sujeita ao poder estatal do Juiz.

→ e isso leva a crer que as garantias constitucionais do processo, como a do devido


processo legal, a da ampla defesa, a do contraditório e a da tutela efetiva, também se
aplicam em favor da Pessoa Jurídica de Direito Público.

→ nesse sentido parece mais acertada a posição que reconhece às Pessoas Jurídicas
de Direito Público a titularidade de alguns direitos e garantias fundamentais.

286 Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


A titularidade dos Direitos Fundamentais Sociais

→ estes devem ser garantidos a todos pelo Estado, de forma universal.

→ todas as pessoas físicas são titulares de direitos sociais, devendo, por isto, o Estado
garantir direitos fundamentais como a saúde, a educação e a moradia, àqueles que
não têm acesso próprio aos mesmos.

→ podendo até mesmo serem exigidos pelas pessoas que se encontrem em situação
de nítida desvantagem social.

→ e o Estado pode até ser compelido judicialmente.

287 Direitos Fundamentais em Espécie


Espécies de Direitos Fundamentais

→ dividem-se os direitos fundamentais em Direitos de Defesa e Direitos Prestacionais.

1.º) Direitos de Defesa

→ constituem um dever de não ingerência do Estado na esfera privada de cada um.

→ desse modo, o Estado deve abster-se de determinados atos, garantido assim o


dever de respeito aos interesses individuais.

288 Direitos Fundamentais em Espécie


Espécies de Direitos Fundamentais

2.º) Direitos Prestacionais

→ são aqueles que demandam uma prestação material (um fazer) por parte do

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13/08/2019

→ são aqueles que demandam uma prestação material (um fazer) por parte do
Estado.

→ têm como característica a relevância econômica, pois demandam recursos públicos


para serem efetivados.

P.ex.: a maioria dos direitos sociais enumerados no art. 6º da CF/88 (saúde, educação,
moradia, segurança e etc.).

289 Direitos Fundamentais em Espécie


Direito à Igualdade – art. 5.º, caput, CF/88

DOUTRINA → “igualdade é tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma


desigual, na medida de suas desigualdades”. (Aristóteles)

→ consiste em tratar igualmente os iguais, com os mesmos direitos e obrigações, e


desigualmente os desiguais, a fim de manter a isonomia.

→ se tratarmos igualmente os desiguais, isso só faria aumentar a desigualdade já


existente.

→ portanto nem todo tratamento desigual é inconstitucional.

→ a Lei pode estabelecer certas diferenciações, considerando os fatores de


“descrímen”, visando atenuar as desigualdades existentes.

290 Direitos Fundamentais em Espécie


Dois tipos de Igualdade:

1.ª) Formal → advém da concepção clássica de que todos são iguais perante a Lei.

2.ª) Material → refere-se a busca de uma igualdade de fato, na vida econômica e em


todos os aspectos da vida social.
→ também denominada de igualdade “efetiva”, “real” ou “concreta”.
→ exige também ações positivas (afirmativas) por parte do Estado, para reduzir as
desigualdades sociais e regionais (cf. art. 3º, III, da CF).

P. ex.: 1) não basta a CF/88 assegurar a igualdade de acesso a todos ao Poder


Judiciário (cf. art. 5°, XXXV). Para o exercício efetivo desse direito mostra-se
indispensável que o Estado forneça assistência judiciária gratuita às pessoas carentes
(cf. art. 5º, LXXIV).

291 Direitos Fundamentais em Espécie


Direito à Igualdade

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13/08/2019

DOUTRINA: “Como se vê, em lugar da concepção “estática” da igualdade extraída das


revoluções francesa e americana, cuida-se nos dias atuais de se consolidar a noção de
igualdade material ou substancial, que, longe de se apegar ao formalismo e à
abstração [...] recomenda, inversamente, uma noção “dinâmica”, “militante” de
igualdade, na qual, necessariamente, são devidamente pesadas e avaliadas as
desigualdades concretas existentes na sociedade de sorte que as situações desiguais
sejam tratadas de maneira dessemelhante, evitando-se assim o aprofundamento e a
perpetuação de desigualdades engendradas pela própria sociedade”. (Celso Antônio
Bandeira de Mello, Conteúdo jurídico do princípio da igualdade)

292 Direitos Fundamentais em Espécie


Direito à Igualdade

Já se decidiu: “Programa Universidade para Todos (PROUNI). Ações afirmativas do


Estado. Cumprimento do princípio constitucional da isonomia. (...) A educação,
notadamente a escolar ou formal, é direito social que a todos deve alcançar. Por isso
mesmo, dever do Estado e uma de suas políticas públicas de primeiríssima prioridade.
[...] Não é toda superioridade juridicamente conferida que implica negação ao princípio
da igualdade. O típico da lei é fazer distinções. Diferenciações. Desigualações. E fazer
desigualações para contrabater renitentes desigualações. A lei existe para, diante dessa
ou daquela desigualação que se revele densamente perturbadora da harmonia ou do
equilíbrio social, impor uma outra desigualação compensatória. A lei como instrumento
de reequilíbrio social. Toda a axiologia constitucional é tutelar de segmentos sociais
brasileiros historicamente desfavorecidos, culturalmente sacrificados e até perseguidos,
como, verbi gratia, o segmento dos negros e dos índios. Não por coincidência os que
mais se alocam nos patamares patrimonialmente inferiores da pirâmide social. A
desigualação em favor dos estudantes que cursaram o ensino médio em escolas
públicas e os egressos de escolas privadas que hajam sido contemplados com bolsa
integral não ofende a Constituição pátria, porquanto se trata de um descrímen que
acompanha a toada da compensação de uma anterior e factual inferioridade ("ciclos
cumulativos de desvantagens competitivas"). Com o que se homenageia a insuperável
máxima aristotélica de que a verdadeira igualdade consiste em tratar igualmente os
iguais e desigualmente os desiguais, máxima que Ruy Barbosa interpretou como o ideal
de tratar igualmente os iguais, porém na medida em que se igualem; e tratar
desigualmente os desiguais, também na medida em que se desigualem.” (ADI 3.330, rel.
min. Ayres Britto, DJE de 22-3-2013)

293 Direitos Fundamentais em Espécie


Direito à Vida - art. 5º, caput, CF/88

→ o direito à vida é o principal direito fundamental.

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13/08/2019

→ o direito à vida é o principal direito fundamental.


→ é o bem jurídico de maior relevância tutelado pela Ordem Constitucional.
→ o exercício dos demais direitos depende de sua existência e garantia.
→ seria inútil tutelar a liberdade, a igualdade e o patrimônio de uma pessoa sem que
lhe fosse assegurada a vida.
→ deve ser entendido como o “direito a uma vida digna”.

DOUTRINA: “... o direito à vida deve ser compreendido de forma extremamente


abrangente, incluindo o direito de nascer, de permanecer vivo, de defender a própria
vida, enfim, de não ter o processo vital interrompido senão pela morte espontânea e
inevitável.” (José Afonso da Silva, Curso de Direito Constitucional Positivo)

294 Direitos Fundamentais em Espécie


Decorrências do Direito à Vida

→ do direito à vida decorrem uma outra série de direitos.


P.ex.:
1) o direito à integridade física e moral;
2) a proibição da pena de morte (exceto no caso do art. 5.º,XLVII, “a”);
3) a proibição da venda de órgãos;
4) a punição ao homicídio;
5) a punição à eutanásia;
6) a punição ao aborto;
7) a punição à tortura.

295 Direitos Fundamentais em Espécie


Direito à Vida

Já se decidiu: “PACIENTES COM ESQUIZOFRENIA PARANÓIDE E DOENÇA MANÍACO-


DEPRESSIVA CRÔNICA, COM EPISÓDIOS DE TENTATIVA DE SUICÍDIO. PESSOAS
DESTITUÍDAS DE RECURSOS FINANCEIROS. DIREITO À VIDA E À SAÚDE.
NECESSIDADE IMPERIOSA DE SE PRESERVAR, POR RAZÕES DE CARÁTER ÉTICO-
JURÍDICO, A INTEGRIDADE DESSE DIREITO ESSENCIAL. FORNECIMENTO GRATUITO DE
MEDICAMENTOS INDISPENSÁVEIS EM FAVOR DE PESSOAS CARENTES. DEVER
CONSTITUCIONAL DO ESTADO (CF, ARTS. 5º, "CAPUT", E 196). PRECEDENTES (STF).
RECONHECIDO E PROVIDO.” (RTJ 175/1212-1213, Rel. Min. CELSO DE MELLO)

296 Direitos Fundamentais em Espécie


Direito à Vida

Já se decidiu: “[...] antecipação terapêutica do parto na hipótese de gravidez de feto


anencéfalo, previamente diagnosticada por profissional habilitado. Pretende-se o
reconhecimento do direito da gestante de submeter-se ao citado procedimento sem

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13/08/2019

estar compelida a apresentar autorização judicial ou qualquer outra forma de


permissão do Estado. [...] O anencéfalo é um natimorto. Não há vida em potencial. [...]
Anencefalia e vida são termos antitéticos. Conforme demonstrado, o feto anencéfalo
não tem potencialidade de vida. [...] Por ser absolutamente inviável, o anencéfalo não
tem a expectativa nem é ou será titular do direito à vida [...] no outro lado da balança,
em contraposição aos direitos da mulher, não se encontra o direito à vida ou à
dignidade humana de quem está por vir, justamente porque não há ninguém por vir,
não há viabilidade de vida. Aborto é crime contra a vida. Tutela-se a vida em potencial.
No caso do anencéfalo, repito, não existe vida possível. [...] No caso, ainda que se
conceba o direito à vida do feto anencéfalo – o que, na minha óptica, é inadmissível,
consoante enfatizado –, tal direito cederia, em juízo de ponderação, em prol dos direitos
à dignidade da pessoa humana, à liberdade no campo sexual, à autonomia, à
privacidade, à integridade física, psicológica e moral e à saúde, previstos,
respectivamente, nos arts. 1º III; 5º, cabeça e II III e X; e 6º, cabeça, da CR. [...] Ante o
exposto, julgo procedente o pedido formulado na inicial, para declarar a
inconstitucionalidade da interpretação segundo a qual a interrupção da gravidez de
feto anencéfalo é conduta tipificada nos arts. 124, 126, e 128, I e II, do CP brasileiro.”
[ADPF 54, voto do rel. min. Marco Aurélio, j. 12-4-2012, P, DJE de 30-4-2013.]

297 Direitos Fundamentais em Espécie


Direito à Liberdade - art. 5º, caput, CF/88
→ pressupõe a possibilidade de escolher, entre duas ou mais alternativas, de acordo
com a própria vontade (sem coação).
→ para que uma pessoa seja livre é indispensável que os outros respeitem sua
liberdade.
→ não se trata de um direito absoluto, pois ninguém pode fazer tudo o que quiser.
→ por isso o respeito a esse direito recebe o reforço da Lei.

298 Direitos Fundamentais em Espécie


Direito à Liberdade

→ o homem age conforme sua vontade, mas condicionado ao meio social em que
vive.
→ nesse sentido, o indivíduo é livre para fazer tudo o que a Lei não proíbe.
→ por força do princípio da legalidade (art. 5°, II), apenas as Leis podem limitar a
liberdade individual.

Art. 5°, II, CF/88 → “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa
senão em virtude de lei.”

299 Direitos Fundamentais em Espécie


Direito à Liberdade

→ existem diversas formas de concretização da liberdade.

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13/08/2019

→ existem diversas formas de concretização da liberdade.

Liberdade de Pensamento - art. 5°, IV, CF/88


→ “é livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato”.
→ o pensamento pertence ao próprio indivíduo (questão de foro íntimo).
→ assim todos temos liberdade absoluta sobre o pensamento, enquanto ele não for
exteriorizado (estiver fora do poder social).
300 Direitos Fundamentais em Espécie
Liberdade de Pensamento - art. 5°, IV, CF/88
→ porém a partir do momento em que ele é exteriorizado (manifestado), incide a
tutela constitucional.
→ portanto, o pensamento é livre, mas sua manifestação não pode ser feita de forma
anônima.
→ pois o anonimato acobertaria abusos desse direito, o que é passível de punição
pelo Estado.
301 Direitos Fundamentais em Espécie
Liberdade de Pensamento - art. 5°, IV, CF/88

→ a CF/88 assegura a liberdade de pensamento, mas pessoas são obrigadas a


assumir a responsabilidade por aquilo que exteriorizam.
→ mas ninguém pode fugir da responsabilidade pelo pensamento exteriorizado,
escondendo-se sob o manto do anonimato.
→ o Estado não tolera o exercício abusivo desse direito em detrimento da honra de
outras pessoas.
→ a ofensa à honra é passível de punição pelos crimes de calúnia, injúria e difamação,
assim como de proteção por danos morais.

302 Direitos Fundamentais em Espécie


Liberdade de Pensamento

→ a liberdade de exteriorização do pensamento é assegurada nas diversas áreas do


conhecimento humano.

Ela abrange:
→ a liberdade de culto (art. 5°, VI, CF/88);
→ a liberdade de cátedra (art. 206, II, CF/88);
→ a liberdade de informação jornalística (art. 220, CF/88) e etc.

Dela decorre:
→ o direito de opinião (possibilidade de emitir juízos de valor sobre os fatos da vida
social).

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13/08/2019

303 Direitos Fundamentais em Espécie


Liberdade de Expressão e Proibição da Censura e da Licença - art. 5°, IX, CF/88

→ a CF/88 assegura a ampla liberdade de manifestação do pensamento, por meio da


vedação (expressa) à censura e à licença.

Censura → é a verificação de compatibilidade entre um pensamento que se pretende


exprimir e as normas legais vigentes no Estado.

Licença → é a exigência de autorização do Estado para que um pensamento possa ser


exteriorizado.

304 Direitos Fundamentais em Espécie


Liberdade de Expressão e Proibição da Censura e da Licença - art. 5°, IX, CF/88

Já se decidiu: “MARCHA DA MACONHA” – MANIFESTAÇÃO LEGÍTIMA, POR CIDADÃOS


DA REPÚBLICA, DE DUAS LIBERDADES INDIVIDUAIS REVESTIDAS DE CARÁTER
FUNDAMENTAL: O DIREITO DE REUNIÃO (LIBERDADE-MEIO) E O DIREITO À LIVRE
EXPRESSÃO DO PENSAMENTO (LIBERDADE-FIM) – A LIBERDADE DE REUNIÃO COMO
PRÉ-CONDIÇÃO NECESSÁRIA À ATIVA PARTICIPAÇÃO DOS CIDADÃOS NO PROCESSO
POLÍTICO E NO DE TOMADA DE DECISÕES NO ÂMBITO DO APARELHO DE ESTADO.
[...] O DIREITO À LIVRE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO: NÚCLEO DE QUE SE
IRRADIAM OS DIREITOS DE CRÍTICA, DE PROTESTO, DE DISCORDÂNCIA E DE LIVRE
CIRCULAÇÃO DE IDEIAS - DEBATE QUE NÃO SE CONFUNDE COM INCITAÇÃO À
PRÁTICA DE DELITO NEM SE IDENTIFICA COM APOLOGIA DE FATO CRIMINOSO [...]
ART. 287 DO CÓDIGO PENAL: NECESSIDADE DE INTERPRETAR ESSE PRECEITO LEGAL
EM HARMONIA COM AS LIBERDADES FUNDAMENTAIS DE REUNIÃO, DE EXPRESSÃO E
DE PETIÇÃO [...]”. (ADPF 187, MIN. CELSO DE MELLO, j. em 15/06/2011)

305 Direitos Fundamentais em Espécie


Liberdade de Pensamento na Imprensa

Direito de resposta - art. 5º, V, CF/88 → “é assegurado o direito de resposta,


proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem”.
→ trata-se de direito de defesa da pessoa ofendida pela imprensa em razão de
publicação de notícia inverídica ou errônea.
→ a pessoa atingida tem o direito de apresentar sua resposta, ou uma retificação,
oferecendo sua versão dos fatos.
→ sem prejuízo de eventual Ação de Indenização por Danos Materiais, Morais ou à
Imagem.

306 Direitos Fundamentais em Espécie


Liberdade de Consciência - art. 5°, VI, CF/88

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Liberdade de Consciência - art. 5°, VI, CF/88


→ é de foro íntimo, interessando apenas ao indivíduo.
→ é absoluta e não está sujeita a qualquer forma de controle pelo Estado.

Abrange:

1) a Liberdade de Consciência em Sentido Estrito → é a liberdade de pensamento (de


foro íntimo) sobre questões não religiosas.

2) a Liberdade de Crença → é a liberdade de pensamento (de foro íntimo) sobre


questões de natureza religiosa.

307 Direitos Fundamentais em Espécie


Liberdade de Crença e de Culto - Art. 5°, VI, CF/88

Liberdade de Crença → inclui o direito de professar ou não uma religião, de acreditar


ou não na existência de um ou de diversos Deuses.
→ o próprio “ateísmo” é assegurado pela liberdade de crença.

Liberdade de Culto → é o modo de exteriorização da crença.


→ inclui o direito de venerar divindades, de celebrar cerimônias típicas, de construir
templos religiosos e etc.
Separação do Estado brasileiro e a Igreja → art. 19, CF/88.
→ o Brasil é um Estado laico, já que autoriza a existência, em território nacional, de
várias religiões distintas.
308 Direitos Fundamentais em Espécie
Liberdade de Crença e de Culto

DOUTRINA: “Liberdade de culto: a religião não é apenas sentimento sagrado puro. Não
se realiza na simples contemplação do ente sagrado, não é simples adoração a Deus
[...] sua característica básica se exterioriza na prática dos ritos, no culto, com suas
cerimônias, manifestações, reuniões, fidelidades aos hábitos, às tradições, na forma
indicada pela religião escolhida.” (José Afonso da Silva, Curso de Direito Constitucional
Positivo.)

309 Direitos Fundamentais em Espécie


Liberdade de Comunicação ou Inviolabilidade das Comunicações Pessoais - art. 5º,
XII, CF/88

→ o indivíduo precisa ter segurança de que suas comunicações pessoais não serão
interceptadas por outras pessoas.

→ sejam as comunicações feitas por Cartas, por Telegramas, por Telefonemas ou por

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Mensagens Eletrônicas.

DOUTRINA: “O objeto da tutela é dúplice: de uma lado, a liberdade de manifestação do


pensamento; de outro lado, o segredo, como expressão do direito à intimidade.” (José
Afonso da Silva, Comentário Contextual à Constituição)
310 Direitos Fundamentais em Espécie
Liberdade de Comunicação

→ a proteção a essa liberdade se divide em 3 espécies:

1) Sigilo de comunicação telefônica → as conversas são protegidas.


→ só é permitida a quebra do sigilo por meio de ordem judicial, na forma da Lei,
para fins de investigação criminal e instrução processual penal (regulamentado pela
Lei nº 9.296/1996).

2) Sigilo de correspondência → a correspondência do preso pode ser violada em


casos excepcionais (Lei nº 7210/84, art. 41, p.ú.);
→ os Correios também podem violar em casos autorizados (Lei 6.538/1978);
→ e os pais, em razão do poder familiar, em casos excepcionais também podem
violar a correspondência do filho.

3) Sigilo de dados (bancários, fiscais e telefônicos) → referem-se apenas aos registros


e não ao conteúdo.

311 Direitos Fundamentais em Espécie


Inviolabilidade da Correspondência e das Comunicações Telegráficas e de Dados
→ as violações de correspondência e de comunicação telegráfica são crimes previstos
no CP (art. 151) e na Lei n.º 6.538/78 (que dispõe sobre Serviços Postais).
→ somente na vigência de estado de defesa ou de sítio poderão ser estabelecidas
restrições à inviolabilidade de correspondência (CF/88, arts. 136, I, b, e 139, III).

312 Direitos Fundamentais em Espécie


Liberdade de Reunião e de Associação - art. 5º, XVI a XXI, CF/88

Semelhanças entre a Reunião e a Associação:


→ pluralidade de participantes;
→ com um fim pré-determinado.

Diferenças:
→ a Reunião tem caráter temporário (episódico);
→ a Associação tem caráter permanente.

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→ a Associação tem caráter permanente.

313 Direitos Fundamentais em Espécie


Liberdade de Reunião - art. 5º, XVI, CF/88

→ não é qualquer agrupamento de pessoas que se considera uma reunião.


→ é preciso que as pessoas tenham se organizado para tal fim.

1) em locais abertos ao público → é assegurada, desde que observados determinados


requisitos: a) reunião pacífica, sem armas; b) fins lícitos; c) aviso prévio à autoridade
competente.
→ esse aviso prévio não se confunde com autorização do Poder Público.
→ a finalidade do aviso é evitar a convocação de reunião para o mesmo horário e
local, no intuito de manter a ordem.

2) em locais fechados → é garantida pelo Texto Constitucional de forma implícita e


pode ser exercida sem a exigência do aviso prévio à autoridade competente.

314 Direitos Fundamentais em Espécie


Liberdade de Associação - art. 5º, XVI a XXI, CF/88

→ refere-se ao agrupamento de pessoas, organizado e permanente, com fins lícitos.


Abrange:
1) o direito de associar-se a outras pessoas para formação de uma entidade;
2) o de aderir a uma Associação já formada;
3) o de desligar-se da Associação; e
4) o de autodissolução da Associação.

315 Direitos Fundamentais em Espécie


Liberdade de Ação Profissional - art. 5°, XIII, CF/88
→ é a faculdade de poder escolher o trabalho que se pretende exercer.
→ é direito de cada indivíduo exercer a atividade profissional de acordo com sua
preferência.
Qualificações profissionais
→ para o exercício de determinados trabalhos a Constituição estabelece que podem
ser feitas certas exigências pela legislação infraconstitucional.
P.ex.: 1) o Advogado tem que ser aprovado no exame da OAB; 2) O médico para atuar
em área especializada precisa ser aprovado em curso de especialização.

316 Direitos Fundamentais em Espécie


Liberdade de Locomoção - art. 5°, XV, CF/88
→ consiste no direito de ir e vir.
→ “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer
pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”.

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1 DIREITO CONSTITUCIONAL I
(2º período)

Prof. Me.
Wilson Francisco Domingues

1ª parte
Direito Constitucional
Constitucionalismo e Neoconstitucionalismo
Estado de Direito e Estado Democrático de Direito
Poder Constituinte e Constituição
Preâmbulo da Constituição Federal de 1988
Princípios e Regras
Princípios Fundamentais do Estado Brasileiro
Teoria Geral dos Direitos Fundamentais
Direitos e Garantias Fundamentais em Espécie
Remédios Constitucionais

2 Direito
Ordenamento Jurídico Positivo

→ complexo de normas de diversos ramos que se complementam entre si.

Direito Positivo Nacional

→ 1.º divide-se em duas grandes Classes:

1) Direito Público; e
2) Direito Privado.

3 Direito
Direito Público

→ conjunto de normas jurídicas, interligadas entre si, que regulam as atividades


ligadas ao Poder Público.

Poder Público → atividades ligadas ao Estado (União, Estados Membros, Distrito


Federal, Municípios, Autarquias e etc.).

Direito Privado

→ conjunto de normas jurídicas, interligadas entre si, que regulam as atividades


ligadas aos particulares.

4 Direito
PERGUNTA-SE: E como saber se uma determinada Lei pertence ao Direito Público ou 96
ao Direito Privado?

Vários critérios distintivos:


1) Um deles é ver quem é o sujeito da relação jurídica:

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