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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS


CURSO DE BACHARELADO EM HISTÓRIA

A imigração alemã no Rio Grande do Sul

Maria Ida Hellebrandt

Pelotas, 2019
A imigração alemã no Rio Grande do Sul

Maria Ida Hellebrandt da Silva

O presente texto tem como objetivo apresentar uma breve análise do processo da
imigração alemã, a partir do texto ​“​Capitalismo e colonização ─ Os alemães no Rio Grande
do Sul”​ de Aldair M. L. Lando Eliane C. Barros.
O século XIX marca o início do fluxo migratório de alemães para o Brasil, o Império
pretendia com isso inicialmente substituir o trabalho escravo nas lavouras cafeeiras, também
a territorialização da Fronteira, além da pouco mencionado pela historiografia
embranquecimento da sociedade.
O processo ocorreu de forma diferenciada, em São Paulo os imigrantes foram
direcionados ao trabalho nas lavouras cafeeiras, já no Rio Grande do Sul os imigrantes
vinham para colonizar para ocupar as terras devolutas e assim consolidar a fronteira e
também para recompor o exército nacional. Os escolhidos como soldados ficavam no Rio de
Janeiro e seus familiares vinham para o Rio Grande do Sul.
O Major Jorge Von Schaeffer, foi o incombido pelo recrutamento dos imigrantes
alemães, para tanto, formou uma equipe, que espalhada pela Alemanha convencia as pessoas
a migrarem para o Brasil, oferecendo uma série de vantagens tais como: custo da passagem
de ida, um lote de terra de 78 hectares para viver e plantar, salário de 160 réis por ano, gado,
cavalos, porcos e galinhas.
Assim, em 1824 o primeiro grupo de alemães chega a São Leopoldo, onde encontram
a base necessária para trabalhar visto que, eram em grande parte camponeses e haviam sido
expulsos do Meio Rural da Alemanha pelo avanço do capitalismo, a nova terra então, era a
promessa de um futuro promissor
A leva inicial de imigrantes que era de 39 pessoas e 9 famílias , em 10 anos atingiu o
número de 1027 Emigrantes e ao longo de 100 anos chegou a aproximadamente 250.000
imigrantes, num fluxo anual contínuo que perdurou até 1830.
Entre 18830 e 1844 a imigração foi interrompida pela Revolução Farroupilha, mas
voltou a crescer logo após o final do conflito, fazendo também crescer as despesas do
orçamento provincial, o que forçou o governo a elaborar a lei que deliberou que as terras não
seriam mais doadas e sim vendidas, somando-se a essa, outras leis foram promulgadas, entre
elas a lei 183 que tratava da proibição da introdução de escravos nas colônias. Portanto, pela
lei os imigrantes eram proibidos de possuir escravos.
Essa é uma questão sobre a qual a historiografia do Rio Grande do Sul até há bem
pouco tempo, fazia pouca ou nenhuma referência, o que de certa forma parece conduzir há
uma ideia de apagamento sobre esse trágico momento da história (a escravidão). No entanto,
os pesquisadores Roberto Staudt Moreira e Miquéias Henrique Mugge, no texto “​História de
escravos e senhores em região de imigração européia”,​ demonstram através de fontes como
registros de batismo, casamento e óbitos de escravos anotados nos livros de registros das
comunidades evangélica-luterana e também das paróquias católicas, sendo que ambas eram
formadas por membros provenientes da imigração alemã, isso comprova que os alemães
possuíam escravos.
Para os autores essa relação senhores e escravos entre os imigrantes não é como
parece desconhecida ─ é desconsiderada. Não se pode dizer que tenha sido esse é o caso do
primeiro texto analisado, é provável que as autoras não citaram a presença de escravos entre a
população de imigrantes alemães, por terem escolhido como ênfase para seu texto a questão
do capitalismo. Porém, no segundo texto podemos ver que é perfeitamente possível
comprovar através de inúmeros registros, que mesmo após o fim da escravidão, muitas
famílias de alemães continuaram utilizando mão de obra escrava.
Mesmo que a historiografia sempre tivesse propagado a imigração alemã como
detentora de valores morais e princípios éticos contrários ao escravismo, comprova-se com
esses registros em fontes seguras, que o trabalho escravo não só estava presente entre as
famílias de imigrantes alemães como foi partícipe fundamental para o desenvolvimento da
colonização via imigração alemã no Rio Grande do Sul.
Referências Bibliográficas:

BARROS, Eliane Cruxên, LANDO, Aldair Marli. ​Capitalismo e colonização ─ Os Alemães


no Rio Grande do Sul, ​In:​A colonização alemã no Rio Grande do Sul ─ uma
interpretação sociológica. ​Porto Alegre: Movimento/IEL,1976

MOREIRA, Paulo Roberto Staudt, MUGGE, Miquéias Henrique. Histórias de escravos e


senhores em uma região de imigração européia.​ São Leopoldo: Oikos, 2014