Você está na página 1de 24

Problemas Metafísicos

Material Teórico
Problemas Metafísicos Antropológicos

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Dr. Valter Luiz Lara

Revisão Textual:
Profa. Ms. Fátima Furlan
Problemas Metafísicos Antropológicos

• Introdução
• Ser Humano: Ainda um Enigma?
• Há uma Essência Humana?
• Os Conflitos da Condição Humana, seus Limites e Possibilidades
• O Caráter Pluridimensional do Ser Humano
• Conclusão

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Conhecer problemas, teorias e concepções que fundamentam a visão
de ser humano desde o ponto de vista da reflexão filosófica metafísica
· Conhecer alguns problemas específicos que estão implicados na
concepção do ser humano como o dualismo do corpo e alma,
identidade e alteridade, linguagem, representação e consciência.
· Desenvolver olhar crítico sobre a variedade das noções do humano
que identificam diferentes grupos, sociedades e culturas ao longo da
história da humanidade.
· Aprender alguns princípios que ajude o aluno a identificar situações
que marcam a condição humana em seus limites e possibilidades.

ORIENTAÇÕES
Caro aluno,
Você está iniciando uma unidade de estudos sobre os problemas humanos sob
a ótica da metafísica. Problemas humanos temos muitos e eles são de vários
tipos. Vão desde os problemas mais imediatos como aqueles que enfrentamos
em casa junto à família, no trabalho ou na escola. Há os problemas pessoais de
relacionamento, os de natureza financeira e os de natureza pessoal que guardamos
só para nós mesmos e às vezes os compartilhamos com os mais íntimos.
Acompanhe com muita atenção a distinção que será feita entre os dualismos que mar-
cam a busca pela essência humana e veja como o modo que nos definimos como pes-
soa: corpo, alma, emoção e razão, por exemplo, tem tudo a ver com o comportamen-
to que diariamente domina nossas atitudes diante da realidade. Claro que o contrário
também é bem possível e talvez seja mais frequente. O modo como nos comportamos
revela o que na prática concebemos. Ser e conceber são uma via de mão dupla.
Observe como autores destacam em sua avaliação do ser humano um ou outro
traço que de repente você não tinha dado tanta importância, mas que pode fazer
a diferença ao reavaliar o modo como conduzimos nossas vidas.
Veja também como a consciência crítica aberta para aprender mais dos problemas
que fundam os princípios que condicionam a nossa identidade pode nos ajudar a
compreender não apenas os outros ou a humanidade, mas sem dúvida a nós mesmos.
Então aproveite esse estudo! Espero que ao final você mesmo perceba o crescimento.
UNIDADE Problemas Metafísicos Antropológicos

Contextualização
Que valor e importância você dá a seu corpo? Você é daquelas pessoas que
buscam adaptar-se ao padrão de corpo ditado pelos modelos da propaganda e da
passarela? Você notou que os valores estéticos para o corpo variam de cultura para
cultura, de sociedade para sociedade e também variam conforme a história. Repare
nos quadros dos pintores renascentistas e perceba como o corpo feminino nu é de
uma configuração bem diferente das moças de nossas capas de revista.

Você reparou que hoje há uma academia de ginástica em cada esquina enquanto
é muito raro você avistar uma biblioteca, cinema ou museu de arte?

Repare também na arquitetura de nossas cidades. Percebeu como os grandes


edifícios e construções são produzidos pelo mercado financeiro? Bancos e Shop-
pings são fantásticos. Pois é, a arquitetura expressa os valores de nosso tempo e
de nossa sociedade.

Mas esse conjunto - moda, academias, arquitetura contemporânea, Shopping


Center - é apenas reflexo da concepção de ser humano que prevalece por detrás
de tudo isso, você não acha?

O que mais valorizamos em nós mesmos não é fruto da cultura de nosso tempo?
A sociedade medieval era marcada por outro tipo de modelo físico, arquitetura e,
portanto, de concepção de ser humano.

Valorizar o corpo em detrimento do espírito ou a alma em detrimento do corpo


são modos distintos e igualmente metafísicos de conceber o ser humano, e ambos,
quando levados à radicalidade sem uma reflexão crítica do projeto de vida total que
eles implicam podem produzir muitos problemas como consequência.

Os problemas metafísicos antropológicos têm a ver com essa realidade em


que as concepções sobre o ser humano condicionam comportamentos e projetos
de felicidade que podem às vezes fazer sofrer e nem sempre trazem a felicidade
prometida, ao menos para todos. Pense nisso.

6
Introdução
Os problemas metafísicos nascem sempre de preocupações com as origens, as
causas e os princípios últimos sobre os fenômenos. Não é diferente quando se trata
do ser humano.

Sempre é bom lembrar que não há questão que não seja antropológica, isto é,
humana, uma vez que são feitas no interesse do ser humano, o sujeito que põe
todas as questões, sejam elas de ordem física, geográfica, histórica, sociológica,
biológica ou de qualquer outra ciência que não tenha o ser humano como seu
objeto de investigação. O conhecimento do objeto pode não ser o humano, mas
o conhecimento que se pretende é sempre humano. Dito de modo contrário,
tudo o que interessa ao conhecimento é humano, mesmo que o objeto desse
interesse não o seja.

Por isso, algumas perguntas que fazemos sobre o universo, além de serem
feitas por nós, seres humanos, implicam direta ou indiretamente a vida do ser
humano. Referimo-nos àquelas perguntas que não calam jamais e continuam a
inquietar de geração em geração a mais simples mente que se volta para pensar
sua trajetória nesse vasto mundo em que vivemos. Qual é o sentido de tudo isso
que vemos, por que existimos? De onde viemos, para onde vamos? Essas são
as questões metafísicas mais universais que se pode formular. Embora se dirija a
tudo, na colocação do sentido o ser humano torna-se o eixo em que todas as outras
questões estão implicadas e subentendidas. Afinal o que é o sentido senão algo que
o é exclusivamente para o ser humano.

Problemas metafísicos antropológicos são então basicamente esses mesmos


problemas com a atenção voltada agora exclusivamente para o próprio ser humano.
Além da pergunta por nossa origem, a questão pelo sentido da vida e do nosso
papel diante de nossos semelhantes, da construção da sociedade, há outras que nos
colocam diante de tudo o que existe, dos demais seres, da natureza, da realidade
planetária e cósmica.

Nesta Unidade, o objetivo é dar destaque ao que de fato se constitui como


problema metafísico sobre o ser humano. São questões que estão presentes em
outras disciplinas e áreas do conhecimento filosófico, bem como do conhecimento
científico e devido ao caráter abrangente e universal próprio da metafísica, também
fazem parte do universo das proposições religiosas. A identidade maior, entretanto,
das questões que serão levantadas aqui é com a Antropologia filosófica, pois de
modo semelhante à metafísica ela se propõe responder a pergunta fundamental:

O que é o ser humano?

Contudo, os problemas metafísicos antropológicos não são, no sentido exato


uma disciplina, mas um conjunto de questões como o próprio nome evoca, esbarram
e pressupõem áreas diversas do conhecimento humano. Não só a antropologia

7
7
UNIDADE Problemas Metafísicos Antropológicos

filosófica, mas filosofias do social e da política, bem como as ciências sociologia,


antropologias (física, cultural, social e linguística) e psicologia estarão na base de
suas preocupações.

O itinerário que escolhemos para demonstrar a você a natureza dos problemas


metafísicos mais relevantes relacionados ao ser humano é o seguinte: 1) inquietações
em torno do que de fato pode ser a identidade humana; 2) busca de uma essência
diante dos dualismos presentes na experiência humana; 3) limites, conflitos e
possibilidades derivados da condição humana; 4) perspectivas e autores que
contribuíram para destacar um traço dominante na definição do que eles entendem
por ser humano.

Ser Humano: Ainda um Enigma?


Problemas imediatos apontam para os metafísicos
O estudo do ser humano sob o ponto de vista da metafísica exige um alcance
cuja abrangência pode a primeira vista não ter nada a dizer sobre o cotidiano mais
concreto vivido por todos nós. A existência singular e particular a que estamos
submetidos demanda problemas que parecem ser bem mais urgentes do que estes
que vão ser aqui tratados. Você pode alegar que problemas de verdade são estes
que incomodam o nosso dia a dia: a briga com o parceiro (a), namorado (a), o
conflito ou a discussão com os pais e dos pais com seus filhos, as contas para
pagar, as dívidas causando stress e a sensação de que é inútil trabalhar tanto; ter
que suportar aquelas pessoas chatas que perseguem ou simplesmente incomodam
ou nos tiram do sério quando mais precisamos de apoio e compreensão. Problema
de fato é o que precisa enfrentar aquelas pessoas que vivem com gente doente,
poucos recursos e que precisam assumir o ônus do seu cuidado. Problemas
têm também aqueles que carregam dores advindas de suas próprias fragilidades
físicas ou psíquicas. Você poderá então concluir: estes sim são problemas. Sim é
verdade. Mas o modo como se lida com eles sempre tem um horizonte direta ou
indiretamente ligado ao sentido que nós damos para a existência como um todo e
o modo como entendemos nosso papel e lugar no mundo. E isso nos remete aos
problemas metafísicos.

O primeiro cuidado que devemos ter ao tratar o ser humano como problema
metafísico é não esquecer que à medida que pretendemos dar um tratamento
universal ao ser humano, abarcando a totalidade dos seres humanos, o nosso
procedimento corre o risco de uma abordagem abstrata distante da realidade. O
antídoto a esse tipo de risco é proceder de forma a reconhecer a nós mesmos
como objeto desse estudo. Quando gente é o nosso objeto de estudo, estamos
colocando a nós mesmos como objeto de investigação e não apenas os outros.

8
Colocar o ser humano em geral como foco dos problemas metafísicos é a
tarefa dessa unidade, mas ao fazermos isso, pretendemos pronunciar não apenas
um discurso genérico, mas incluir nele a pessoa concreta e singular que vive a
cotidianidade de sua vida nas mais complexas e diversas situações. O objetivo é
incluir você em suas relações com todos os outros. Estudar a humanidade é refletir
a condição de cada um de nós em particular.

Principais relações do ser humano


Quatro são as principais relações que o ser humano estabelece com o mundo
a sua volta. A primeira delas é a relação com o outro nosso semelhante. Trata-
se de uma relação social. A outra é a relação com o mundo, a natureza, as
coisas não humanas a nossa volta, os animais, a natureza vegetal, a paisagem
física e o mundo das coisas. Mas também há a relação consigo mesmo e com a
transcendência.

A comida, a bebida e o modo como encaramos dimensões diversas da vida, o


trabalho, o lazer, a família, a política, a arte a cultura, o corpo, e as coisas que hoje
se pode incluir como objetos de consumo incluem dimensões expressivas do modo
como nos realizamos como seres humanos nas relações não só sociais, mas com o
mundo e com nós mesmos.

A relação consigo mesmo é então uma terceira dimensão de nosso ser. Nesta
todas as demais estão implicadas, mas o que a caracteriza é o modo como nos
compreendemos como sujeito diante dos demais. Somos capazes de autonomia,
liberdade ou dependência e submissão? Aceitamos o que somos ou o sentimento
de culpa prevalece? Ou o peso da culpa é extirpado para dar lugar a uma existência
irresponsável, incapaz de assumir as consequências das escolhas que faz? Veja que
o relacionamento consigo mesmo tem um peso fundamental nas demais relações e
depende muito do que você reconhece como o que de fato é ser humano.

Há também uma quarta relação que é a relação com a transcendência,


relação explícita na dimensão religiosa da vida humana. Ainda que alguns não
a reconheçam como tal, há uma espécie de sentido mais profundo que damos à vida
que está para além do alcance da materialidade vegetativa, biológica e mecânica de
nossa trajetória histórica no mundo. Independente do nome que você dê a isso, o
fato é que há uma transcendência humana que alguns vivem na arte, no trabalho,
na entrega de si para um propósito histórico que não é fruto de outra coisa senão
de escolhas que ultrapassam as necessidades de nutrição, abrigo e sobrevivência
imediatas. São necessidades espirituais, pois dizem respeito ao alimento da condição
racional, cultural e inteligente que pergunta pelo sentido da vida. Alguns chamam
o sujeito desse relacionamento como Deus, outros de deuses, espíritos, forças e
outros seres que transitam entre as dimensões desconhecidas. Mas o fato é que
esse é um relacionamento presente em todas as culturas humanas.

9
9
UNIDADE Problemas Metafísicos Antropológicos

Problema humano preliminar para a reflexão metafísica


Situar o ser humano nas questões mais relevantes de nosso mundo atual em que
preconceitos, violência, problemas econômicos e as dificuldades de lidar e resolver
as demandas ecológicas estão na ordem do dia podem também ajudar a reflexão
metafísica antropológica a incidir sobre o que mais interessa ao cidadão comum de
nosso tempo.

Nesse sentido, proponho que qualquer metafísica que se queira admitir sobre
o humano deva reconhecer os desafios da singularidade e concretude histórica e
existencial, tomando como central as questões vitais de toda a humanidade. Os
desafios são diversos, mas o da miséria persistente e o da integração humana a um
relacionamento sustentável com o planeta requer uma nova concepção do humano.

O problema preliminar e desafio mais imediato no enfrentamento dos


problemas metafísicos antropológicos é aquele que é capaz de reconhecer que a
maior parte da humanidade encontra-se desfigurada em sua dignidade própria por
causa dos modelos de organização e de convivência social que impôs a desigualdade
humana. Filósofos de todos os tempos refletiram esse tema, alguns legitimando
a desigualdade em função das diferenças e tendências do caráter humano que é
diverso na sua liberdade de ser.

Platão e Aristóteles, por exemplo, viam a natureza humana como tendendo a


expressar essa diversidade que explica a desigualdade entre senhores e escravos,
além das outras como entre pobres e ricos, camponeses e artesãos, militares
subordinados a governantes administradores do poder. De outro lado, a história
da filosofia produziu aqueles que questionaram essa postura e a apontaram como
ideológica. Karl Marx (1818-1883) foi um deles. Ele demonstrou que a sociedade
de classes é expressão da desigualdade que tem origem na apropriação privada
dos meios de produção como a terra, as ferramentas e o capital. Seu pensamento
influenciou e continua a influenciar modelos alternativos de sociedade. Jean
Jacques Rousseau (1712-1778) escreveu um livro que foi publicado em 1755 e
influenciou bastante a Revolução Francesa em 1789. Trata-se de uma obra que
procura explicar a origem das desigualdades e anuncia esse objetivo já em seu
título: “Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os
Homens” (ROUSSEAU, 1989).
O primeiro que tendo marcado um terreno, se lembrou de dizer: isto
é meu, e encontrou pessoas bastante simples para acreditá-lo, foi o
verdadeiro fundador da sociedade civil (ROUSSEAU, 1989).

10
Identidade humana apesar dos avanços científicos permanece
um enigma
Depois de estabelecer a condição da histórica desigualdade humana preliminar
para a reflexão metafísica, é preciso reconhecer que apesar dos avanços do
conhecimento humano sobre si mesmo, permanece o desafio do mistério ainda
não desvendado da identidade humana atestado por vários pensadores. Ernst
Cassirer expressa exemplarmente essa dificuldade no campo da metodologia
científica adequada de abordagem para se chegar a um consenso sobre o que de
fato é o ser humano:
Nenhuma outra idade se viu em posição tão favorável no que concerne às
fontes do conhecimento da natureza humana. A psicologia, a etnografia, a
antropologia e a história reuniram um cabedal de fatos surpreendentemente
rico e de constante crescimento. Nossos instrumentos técnicos de
observação e experimentação foram imensamente aperfeiçoados e nossas
análises se tornaram mais apuradas e mais penetrantes. Apesar disto, não
parece que tenhamos encontrado ainda um método para o domínio e a
organização deste material.

Outro grande filósofo, Martin Heidegger (1889-1976), menciona os avanços


de nossa época sobre o conhecimento, mas reconhece também a dificuldade que
temos de definir realmente o que é o ser humano:
Nenhuma época teve noções tão variadas e numerosas sobre o homem
como a atual. Nenhuma época conseguiu, como a nossa apresentar o
seu conhecimento acerca do homem de um modo tão eficaz e fascinante,
nem comunicá-lo de um modo tão fácil e rápido. Mas também é verdade
que nenhuma época soube menos que a nossa o que é o homem. Nunca
o homem assumiu um aspecto tão problemático como atualmente
(HEIDEGGER. 1998, pár. 37, Apud MONDIN, 1980A, p. 8).

A complexidade e a multiplicidade das dimensões que definem o que é ser humano


permanecem cada vez mais desafiadoras aos estudos da metafísica antropológica.
O avanço tecnológico e a diversidade das ciências humanas não conseguiram dar
conta da necessidade de se ter uma visão unitária capaz de definir a humanidade
como ser integral, único e singular em meio ao caráter cada vez mais fragmentário
das abordagens científicas sobre o humano. Tudo isso nos autoriza a repetir com
a mesma admiração a célebre afirmação de Agostinho (354-430): “Que grande
mistério é o homem!” (AGOSTINHO, 1980, IV, 14, p. 95).

11
11
UNIDADE Problemas Metafísicos Antropológicos

Há uma Essência Humana?


Desde o começo, a filosofia tem se dedicado ao problema do conhecimento do
ser humano sobre si mesmo em busca de uma essência que o definisse de modo
convincente, universal e integral. Sócrates da antiga Atenas (469-399aC.) foi o
grande mestre da atenção filosófica voltada para o ser humano quando propôs a
seus discípulos o desafio inscrito no templo do Oráculo de Delfos: “Conhece-te a ti
mesmo”. Porém, Protágoras de Abdera (480-411aC.) já havia colocado antes dele
uma espécie de antropocentrismo filosófico ao afirmar: “o homem é a medida de
todas as coisas”.

A busca por uma essência humana


A busca por uma essência humana é antiga. Platão (427-347 aC.) a entendeu
como alma pensante, sujeito das operações intelectuais e da vontade, mas
condicionada à prisão do corpo e das sensações que lhe são inerentes. Aristóteles
(384-322aC), por sua vez, definiu o ser humano na clássica e talvez a mais influente
de todas as fórmulas: “animal racional”. O fato é que os filósofos não deixaram
jamais de pensar o ser humano segundo a possibilidade de uma característica
que pudesse manifestar a sua essência, isto é, sua identidade exclusiva diante dos
demais seres existentes.

O caráter dualista da experiência humana é sua essência?


Na tentativa de encontrar uma essência, os pensadores se depararam com a
realidade de dupla face como marca da experiência humana. No dualismo platônico
expresso pelas categorias de “corpo” e “alma” talvez esteja um modelo metafísico
de caracterização ambígua do ser humano que tem se repetido em outros dualismos
ao longo das tentativas filosóficas de encontrar a essência humana. Não há como
negar que a experiência humana oscila entre polos nem sempre harmoniosos.
Somos com frequência submetidos a situações flagrantes do conflito entre duas
forças que convivem em nosso ser e que constitui o que chamamos dualismo
humano. A seguir apresentamos apenas algumas formas desse dualismo que
caracteriza a vida humana: “razão x emoção”; “natureza x cultura”; “inteligência x
sentimento”; “caráter biológico e genético x caráter psicológico e social”; “corpo x
alma”; “matéria x espírito”; “indivíduo x sociedade“.

A busca por uma definição que realmente encontre uma essência humana tem
inspirado muitos autores entre filósofos, poetas e artistas das diversas áreas do
conhecimento. Transcrevemos seis definições bastante instigantes entre aquelas
que foram selecionadas por Edvino Aloisio Rabuske (1992) no intuito de sugerir
a você um panorama bastante aberto de possibilidades para compreensão da
natureza humana.

12
1. Blaise PASCAL (1623 - 1662 ): “Caniço pensante [...] Mesmo se o universo
aniquilasse o homem, este ainda seria mais nobre do que aquilo que o mata,
porque sabe que morre; o universo não o sabe. O pensamento é, portanto,
a nossa suprema dignidade. O homem transcende infinitamente o homem”.
2. Johann Wofgang von GOETHE (1749-1832): “O homem não pode
permanecer por muito tempo na consciência ou no estado consciente; deve
refugiar-se novamente ao inconsciente, pois nele vive a sua raiz”.
3. Karl MARX (1818-1883): O homem não passa dum “conjunto de rela-
ções sociais”
4. Friedrich NIETZSCHE (1844-1900): O homem é “o animal doente”, “o
animal ainda não fixado”. “O homem é uma ponte, preso entre o animal e o
além-homem, uma ponte sobre um abismo”.
5. Martin HEIDEGGER (1889-1976): O homem é “o ente, em cujo ser se trata
dele mesmo”. Ele é o “pastor do ser”.
6. Jean Paul SARTRE (1905-1980): “No ser humano, a existência precede a
essência”. O traço fundamental do ser humano é ser para-si, liberdade, criador
de valores. Mas, no fundo, tudo é absurdo e o homem é uma “paixão inútil”.

As definições sobre o humano são abundantes1 e neste momento podemos


afirmar que a complexidade que paira sobre a natureza humana é o que o torna
objeto de problemas metafísicos presentes em diversas áreas do conhecimento.
Veja como Battista Mondin, reconhecendo o caráter problemático da identidade
humana, busca por uma unidade do “Eu” a solução para essa variedade complexa
das ações e das múltiplas dimensões de seu ser.
Eis uma constatação indiscutível: o homem é uma realidade extremamente
complexa. Isso é verdade, antes de tudo, na ordem das ações. Ele exerce
atividades de todo gênero: conhece, estuda, escreve, fala, trabalha, joga,
reza, canta, ama, sofre, diverte-se, come etc. E cada uma dessas atividades
suscita questões e problemas de difícil solução. Mas a complexidade
acentua-se ainda mais quando se passa do plano da ação ao do ser. Então
nos perguntamos: quem é esse indivíduo singular que chamamos Eu e que
qualificamos como pessoa? O que é que permite a seu corpo explicar as
mencionadas atividades, muitas das quais transcendem tão abertamente
os confins da materialidade? Será possível decifrar o ser profundo do
homem? (MONDIN, 1980B, p. 55)

Com essa pergunta pelo ser profundo do humano, podemos encaminhar o tema
da condição humana que levanta, por sua vez, outros problemas fundamentais da
metafísica antropológica.

1 Ao final do texto você encontrará “Referências” a bibliografia diversa contendo inúmeros conceitos sobre ser humano,
humanismo e humanidade.

13
13
UNIDADE Problemas Metafísicos Antropológicos

Os Conflitos da Condição Humana, seus


Limites e Possibilidades
A noção de condição humana em Hannah Arendt
A filósofa Hannah Arendt (1906-1975) publicou em 1958 uma obra importante
sobre a condição humana (ARENDT, 2007). Neste livro, ela reflete os modos de vida
que o ser humano assumiu para si mesmo nas mais diversas formas de organização
social desde a Grécia Antiga até a modernidade. O que ela entende por condição
humana não se confunde com a noção de essência ou qualquer definição que se
possa ter de natureza humana.
A condição humana diz respeito às formas de vida que o homem impõe a
si mesmo para sobreviver. São condições que tendem a suprir a existência
do homem. As condições variam de acordo com o lugar e o momento
histórico do qual o homem é parte. Nesse sentido, todos os homens são
condicionados, até mesmo aqueles que condicionam o comportamento de
outros se tornam condicionados pelo próprio movimento de condicionar.
Sendo assim, somos condicionados por duas maneiras: 1. Pelos nossos
próprios atos, aquilo que pensamos, nossos sentimentos, em suma os
aspectos internos do condicionamento. 2. Pelo contexto histórico que
vivemos, a cultura, os amigos, a família; são os elementos externos do
condicionamento (BRAGA, 2011).

A contribuição de Arendt está na avaliação crítica do processo de organização


da sociedade que tem por base, sobretudo, as categorias do labor, trabalho e ação.
Labor é a energia biológica que é gasta para sobreviver; trabalho é atividade cultural
que realiza mediante meios humanos e transforma objetos naturais em artificiais;
e ação é a o que torna o ser humano um ser sociável e o faz viver com seus
semelhantes. A natureza do ser humano não é o trabalho, mas sua ação. É na ação
que é necessariamente social que está a sua essência e não no trabalho.

Arendt mostrou a que ponto chegou a humanidade na imposição de sua forma


de vida transformando sua condição de igualdade fundamental em desigualdade.
Permitiu também uma visão crítica do conceito de trabalho e a realidade das ações
humanas que o organizam de forma a produzir dominação de uns pelos outros.
Há, portanto, para a filósofa, uma lógica destrutiva da capacidade plural de viver
as potencialidades que é preciso superar como vida ativa que se realiza no modo
próprio humano ativo e livre de ser.

Entretanto, como problema metafísico antropológico, é preciso reconhecer


outros condicionamentos que limitam, mas ao mesmo tempo oferecem as
possibilidades da aventura humana em seu processo de existência. Trata-se de
considerar não apenas os dualismos que caracterizam a identidade de nosso ser
como foi demonstrado no tópico anterior, mas de admitir aquelas condições que de
fato circunscrevem o modo do existir humano.

14
Condições inevitáveis da existência humana
Quais são as condições que fundam e determinam o modo de todo e qualquer
ser humano existir? São as situações das quais ninguém pode escapar: vida e
morte; alegria e dor; bem e mal; amor e ódio; sucesso e fracasso, ganhos e
perdas; saúde e doença; conhecimento e ignorância. Saber lidar com os dois
lados contrários da nossa existência e conseguir atribuir algum sentido para a dor, o
sofrimento, o mal, a doença, as perdas, fracassos, definhamento e morte é o maior
desafio real da existência humana.

São estas as condições que trazem os maiores problemas da humanidade.


Nenhuma situação histórica e social particular que se possa alcançar, por melhor
que seja a capacidade de abreviar e equacionar dores, problemas de ordem material
e econômica, além de outros de ordem social e política, poderá ignorar o caminho
inevitável da morte como fim supremo da vida.

Só as soluções metafísicas, ainda que estejam revestidas de linguagem científica


ou religiosa podem interpretar e atribuir sentido ao fenômeno de uma existência
frágil e efêmera como a nossa. Aqui devemos reconhecer que há limites existenciais,
mas por outro lado, há uma abertura enorme para inventar mecanismos de
enfrentamento da fragilidade humana. O pensamento pode alçar voo e assumir
essa tarefa de interpretação como desafio perpétuo, pois não há verdade pronta e
acabada que possa inibir o espanto de todos diante da condição humana marcada
pela finitude. Talvez esteja aí a grande razão de ser da abertura e a suscetibilidade
que tem as pessoas para dar vazão à dimensão religiosa em suas vidas e assim, por
essa via, adotar princípios e lógicas metafísicas que suportam modos tão diferentes
de compreender e agir no mundo.

Tais condições estão tão presentes que não há como não transformá-las em obje-
tos ora de lamento, protesto e inconformismo, ora de louvor, agradecimento e acei-
tação. Veja como se pronuncia o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
quando se propôs a refletir metafisicamente sobre o que de fato significa ser homem.

Especulações em torno da palavra “Homem” (ANDRADE, 2002, p. 428)


Mas que coisa é homem, sentir-se a si mesmo,
que há sob o nome: quando o mundo some?
uma geografia?
Como vai o homem
um ser metafísico? junto de outro homem,
uma fábula sem sem perder o nome?
signo que a desmonte?
E não perde o nome
Como pode o homem e o sal que ele come

15
15
UNIDADE Problemas Metafísicos Antropológicos

nada lhe acrescenta Sua morte é fome


que a si mesma come?
nem lhe subtrai Morre a cada passo
da doação do pai?
Como se faz um homem? Quando dorme, morre?
Quando morre, morre?

Apenas deitar, A morte do homem

copular, à espera
de que do abdômen consemelha a goma
que ele masca, ponche

brote a flor do homem? que ele sorve, sono

Como se fazer
que ele brinca, incerto
a si mesmo, antes
de estar perto, longe?
Morre, sonha o homem?
de fazer o homem?
Fabricar o pai
Por que morre o homem?
e o pai e outro pai
Campeia outra forma
de existir sem vida?
e um pai mais remoto
que o primeiro homem?
Fareja outra vida
Quanto vale o homem?
não já repetida,
em doido horizonte?
Menos, mais que o peso?
Hoje mais que ontem?
Indaga outro homem?
Vale menos, velho?
Porque morte e homem
andam de mãos dadas
Vale menos, morto?
Menos um que outro
e são tão engraçadas
se o valor do homem
as horas do homem?

é medida de homem? Mas que coisa é homem?

Como morre o homem,


como começa? Tem medo de morte,
mata-se, sem medo?

16
Ou medo é que o mata Mas que dor é homem?
Homem como pode
com punhal de prata, descobrir que dói?
laço de gravata,
pulo sobre a ponte? Há alma há homem?
E quem pôs na alma
por que vive o homem? algo que a destrói?
Quem o força a isso,
prisioneiro insonte? Como sabe o homem
o que é sua alma
Como vive o homem, e o que é alma anônima?
se é certo que vive?
Que oculta na fonte? Para que serve o homem?
Para estrumar flores,
E por que não conta para tecer contos?
seu tolo segredo
mesmo em tom esconso? Para servir o homem?
Para criar Deus?
Por que mente o homem? Sabe Deus do homem?
mente, mente, mente
desesperadamente? E sabe o demônio?
Como quer o homem
Por que não se cala, ser destino, fonte?
se a mentira fala,
em tudo que sente? Que milagre é o homem?
Que sonho, que sombra?
Por que chora o homem? Mas existe o homem?
Que choro compensa
o mal de ser homem?

Você percebeu como o poeta levanta de maneira ousada, irônica e concreta,


com referências ao cotidiano, as questões de ordem expressivamente metafísicas?
O problema da morte, do relacionamento do ser humano com seus semelhantes
e questões de ordem ética e social como valor, o mentir e o sobreviver estão
presentes. Deus, o destino e a vida em seu processo de produzir o homem também

17
17
UNIDADE Problemas Metafísicos Antropológicos

aparecem. Trata-se de um texto significativo que ilustra o que acabamos de apontar


como condição humana, mas também evoca algumas das dimensões que fazem
parte do último tópico dessa unidade.

O Caráter Pluridimensional do Ser Humano


Qualquer tentativa de concepção do humano que não considere o seu caráter
pluridimensional tende a um reducionismo desumano, isto é, corre o risco de querer
impor e eleger uma ou algumas poucas de suas potencialidades ou qualidades
como as que melhor o identifica. Toda vez que historicamente isso aconteceu há
um esvaziamento e empobrecimento de nossa humanidade. Por exemplo, não se
pode considerar apenas um dos lados daqueles polos que constituem, ainda que em
conflito a nossa natureza de ser gente. Corpo e alma se pertencem, assim como
sentimento e inteligência se completam e a razão não precisa ignorar as emoções
e estas, por sua vez não precisam impor seu domínio sobre a primeira. A vida
humana é pluralidade integrada e a tensão desses pólos constitui a sua essência.

Do mesmo modo, a condição humana não pode negar a inevitabilidade de sua


fragilidade. Pois é nos limites da condição de sua existência efêmera que estão dadas
as possibilidades da vivência da liberdade humana de projetar o seu ser que nunca
é previamente estabelecido. Como dizia Sartre (1905-1980) em resposta àqueles
pensadores que postulavam os condicionamentos sociais, biológicos, genéticos e
históricos como testemunho de nossa incapacidade para a liberdade:
Não importa o que fizeram do homem, importa o que o homem faz do
que fizeram dele (SARTRE, 1952).

Mas a liberdade, embora seja, talvez, a mais importante dimensão da vida humana,
há inúmeras outras que não podem ser diminuídas ou esquecidas quando se trata
de definir o humano. Racionalidade, sociabilidade, cultura, historicidade, trabalho,
pessoa singular e única, corporeidade, sexualidade, afetividade, linguagem, símbolo,
religiosidade, transcendência, utopia, ludicidade, arte e criatividade são dimensões
que caracterizam integral e diversamente a existência de todo ser humano.

A linguagem
A linguagem e o aprimoramento da capacidade simbólica de representar a
realidade permitiram ao ser humano o desenvolvimento de inúmeras outras
capacidades de comunicação, distanciamento, reflexão da realidade e a cooperação
social para mediante o trabalho produzir, reproduzir a vida e transformar a natureza
em fonte de bens e recursos adaptados às suas necessidades.

18
Linguagem, fala, escrita e por fim a comunicação possibilitando o trabalho
são as condições fundamentais para a produção de ferramentas e técnicas cada
vez mais avançadas de produção da cultura. Toda variação cultural é uma riqueza
cuja estrutura é expressão máxima da liberdade criativa do ser humano frente sua
própria adaptação à natureza.

Cultura e trabalho
Cultura, trabalho e linguagem estão associados como dimensões que se abrem
para formar o que há de mais genuíno no ser humano. A capacidade de sonhar,
criar e produzir arte na liberdade de aprender e superar os problemas colocados
em sua existência histórica é fonte inesgotável do jeito humano de ser. Cada uma
dessas dimensões mereceria um aprofundamento particular, mas importa nesse
momento apenas apontá-las como dimensões que caracterizam a originalidade de
nossa humanidade.

O reconhecimento do caráter pluridimensional da humanidade não resolve


todos os problemas humanos, mas pode superar a tendência de reprodução do
homem unidimensional que Herbert Marcuse (1973) viu prevalecer como ideologia
da sociedade industrial e que ainda hoje insiste em permanecer como lógica
dominante na formação e condicionamento das pessoas.

Conclusão
O ser humano é por definição um ser educável e por isso é, por natureza,
aberto, inacabado e incompleto. Essa é sua mais importante definição, a saber, ser
carente, incompleto, aberto ao conhecimento de si mesmo e ao intercâmbio com o
outro, seja esse outro, o mundo exterior, a natureza ou o seu próprio semelhante.

Neste sentido, o caráter ético é a dimensão que deriva de sua liberdade. Por ser
livre é constantemente convocado a reconstruir seus valores, princípios, normas,
lei e projetos de felicidade. Está, portanto, predisposto à utopia, à construção de
mundos e sociedades novas. Razão e emoção se completam com a imaginação e
o sonho utópico.

Ser humano é viver em confronto, diálogo e abertura à alteridade. Somos, na


verdade, um vazio a ser preenchido por uma história única que se abre aos mistérios
envolventes do ciclo fantástico que é a vida. As razões metafísicas não esgotam
os desejos e anseios humanos por vida em plenitude, mas com certeza, ajudam a
romper os laços que nos condicionam a uma vida inautêntica e desumana.

19
19
UNIDADE Problemas Metafísicos Antropológicos

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

 Vídeos
Introdução aos Direitos Humanos: conceito, fundamentos, características
Ouça a aula de introdução aos direitos humanos que ajudará você a completar os
estudos dessa Unidade segundo a ótica jurídica, perspectiva que não foi o foco de nossa
abordagem, mas importante no conjunto dos valores que marcam a compreensão da
dignidade humana.
https://goo.gl/6x4BN7

 Filmes
A Partida
Direção de Yojiro Takita. Japão/2008. Atores: Masahiro Motoki, Tsutomu Yamazaki,
Ryoko Hirosue, Kazuko Yoshiyuki, Kimiko Yo; duração: 130 min. O filme “questiona
a morte por outro ângulo, a do preparador de cadáveres.
Trecho da resenha crítica de Rodolfo Lima, jornalista, ator e crítico de cinema
http://www.cranik.com/apartida.html
Você pode ver o filme no youtube:
https://goo.gl/PNiDBU

 Leitura
O homem e a política em A condição humana
Leia atentamente o artigo “O homem e a política em A condição humana” do
Prof. Ms. Moisés Rodrigues da Silva (Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás,
Goiânia-GO – Brasil) sobre as noções de “Labor”, “Trabalho” e “Ação” em Hannah
Arendt. Se houver possibilidade o aluno deve ler o livro da própria Arendt. Mas
o artigo irá prepará-lo para uma leitura posterior mais proveitosa. Trata-se de um
complemento de grande contribuição à compreensão dos problemas metafísicos
antropológicos a partir de uma visão histórica bastante profunda, centrada nos
conceitos de trabalho, labor e ação.
http://goo.gl/N6v1Jq Acesso em 14/10/2015 às 00h31min.
A condição humana
Ler a obra de ARENDT, Hannah. A condição humana. 10.ed. Tradução de Roberto
Raposo. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2007.
http://goo.gl/26ofdC Acesso em 14/10/2015 às 00h34min.

20
Referências
AGOSTINHO. Confissões. 2. ed. Tradução de J. Oliveira Santos e A. Ambrósio
de Pina. São Paulo: Abril Cultural, 1980. Coleção Os pensadores. Versão Online.
Disponível em: http://copyfight.me/Acervo/livros/OS%20PENSADORES%20
-%20Vol.%2006%20(1980).%20Santo%20Agostinho.pdf. Acesso em
12/10/2015 às 21h38minh.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia Completa de Carlos Drummond de


Andrade. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.

ARENDT, Hannah. A condição humana. 10.ed. Tradução de Roberto Raposo.


Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2007.

AZCONA, Jesús. Antropologia I. História. Tradução de Lúcia Mathilde Endlich


Orth. Petrópolis: Vozes. 1992. 181p.

BARROS, Edson de Almeida Rego. O homem e seu software. São Paulo: Páginas
&Letras, 1997. 124p.

BRAGA, Thiago Rodrigues. “A condição humana” de Hannah Arendt”. Site: Mundo


dos Filósofos. Postado em 2011. Disponível em: http://www.mundodosfilosofos.
com.br/a-condicao-humana-hannah-arendtt.htm. Acesso em 12/10/2015 às
22h54minh.

CASSIRER, Ernst. Antropologia Filosófica. Ensaio sobre o homem. Introdução a


uma filosofia da cultura humana. 2.ed. Tradução de Vicente Felix de Queiroz. São
Paulo: Mestre Jou, 1977. 378p.

CORREA, Jaime Vélez. El hombre um enigma. Antropologia Filosófica. Santa Fé


de Bogotá/Colombia: Publicomunicaciones/CELAM, 1995. 443p.

HEIDEGGER, Martin. Kant und das Problem der Metaphysik. Frankfurt/


Alemanha: V. Klostermann, 1998. 317p.

LAPLANTINE, François. Aprender Antropologia. 7ª Ed. São Paulo: Brasiliense,


1994. 205p.

LARA, Valter Luiz. Em busca do humano. Contribuição ao estudo do homem


contemporâneo. Vol. I: Conhecimento e Verdade. São Paulo: CEPE, 1997, 128p.

LUCAS, Juan de Sahagún (Org.). Antropologías del siglo XX. 3ª Ed. Salamanca:
Ediciones Sigueme, 1983. 275p.

MARCUSE, Herbert. A ideologia da sociedade industrial. O homem


unidimensional. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1973. 238p.

MARÍAS, Julián. O tema do homem. Tradução de Diva Ribeiro de Toledo Piza.


São Paulo: Duas Cidades, 1975. 336p.

MONDIN, Battista. O homem, quem é ele? São Paulo: Paulinas, 1980A.

21
21
UNIDADE

_____. Introdução à Filosofia. Problemas, sistemas, autores, obras. Tradução de


J. Renard. São Paulo: Paulinas, 1980B. 266p.

_____. Definição filosófica da pessoa humana. Tradução Ir. Jacinta Turolo


Garcia. Bauru/SP: EDUSC – Editora da Universidade do Sagrado Coração. 1998.

NOGARE, Pedro Dalle. Humanismos e anti-humanismos. Introdução à


Antropologia Filosófica. 3ed. Petrópolis: Vozes, 1977. 290p.

RABUSKE, Edvino Aloisio. Antropologia Filosófica. Um estudo sistemático.


4.ed. Petrópolis: Vozes, 1992. 219p.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da


desigualdade entre os homens. Brasília/DF e São Paulo/SP: Editora Universidade
de Brasília e Editora Ática. 1989.

SARTRE, Jean-Paulo. Saint Genet: Comédien et martyr. Paris: Gallimard, 1952.

22

Você também pode gostar