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ELETROQUÍMICA

Eletroquímica é a área da Química que estuda as reações que envolvem a


transferência de elétrons e a interconversão de energia química em energia
elétrica.

A eletroquímica é aplicada para fabricação de muitos aparelhos utilizados em


nosso cotidiano, como pilhas, baterias, celulares, lanternas, computadores e
calculadoras.

Número de Oxidação (NOX)


O número de oxidação (NOX) de um elemento é a carga elétrica que ele adquire
quando faz uma ligação iônica ou o caráter parcial (δ) que ele adquire quando
faz uma ligação predominantemente covalente.
Isso significa que corresponde à tendência de um átomo de atrair os elétrons
envolvidos nas ligações que realiza. Por isso, a maioria dos elementos químicos
apresenta diversos números de oxidação, dependendo do composto que ele
está formando.
No entanto, existem alguns elementos, que normalmente são os mais
eletropositivos ou mais eletronegativos, que apresentam o mesmo NOX em uma
série de compostos diferentes. Esses elementos estão na tabela abaixo:

Com base nesses valores e nas regras a seguir, é possível determinar qual
será o NOX dos outros elementos presentes em diferentes substâncias:
 O NOX de substâncias simples é sempre igual a zero. Exemplos:
N2, O2, H2, Na, Fe, Al.
 O NOX de íons é igual a sua carga. Exemplos:
Na1+: NOX= +1
O2-: NOX= -2
F1-: NOX= -1
 A soma dos NOX dos elementos de um composto sempre dá
igual a zero;
 A soma dos NOX dos elementos em um íon composto é sempre
igual à carga do íon.
Veja como usar essas informações para calcular o NOX de vários elementos:
1. H2SO4:
 O NOX do H é igual a +1;
 O NOX do O é igual a -2;
 A soma dos NOX desses compostos é igual a zero;
 Precisamos saber apenas o NOX do enxofre (S), que chamaremos de x:

2. Na4P2O7:
 O Na é um metal alcalino, então seu NOX é igual a +1;
 O NOX do O é igual a -2;
 A soma dos NOX desses compostos é igual a zero;
 Precisamos saber apenas o NOX do fósforo (P), que chamaremos de
x. Não se esquecendo de multiplicar pelo índice 2:

3. NH41+:
 Nesse caso temos um íon composto, então a soma dos NOX será
igual à carga, que é +1:
Oxirredução
Oxirredução é um fenômeno químico no qual temos a produção de energia
elétrica a partir da ocorrência de oxidação e redução de espécies químicas.
Oxirredução é uma reação química em que há a ocorrência de oxidação e
redução de átomos de substâncias (espécie química) presentes no processo.
 Oxidação: É a perda de elétrons por parte de um átomo de uma espécie
química.
 Redução: É o ganho de elétrons por parte de um átomo de uma espécie
química.
Assim, durante uma reação de oxirredução, os elétrons transitam da espécie
que os perde em direção à espécie que vai recebê-los, o que resulta na formação
de uma corrente elétrica (energia elétrica).
Agente redutor e agente oxidante
A espécie química que sofre o fenômeno da oxidação é denominada de agente
redutor, e a espécie que sofre o fenômeno da redução é chamada de agente
oxidante.
A determinação do agente oxidante e do agente redutor de uma reação de
oxirredução é feita a partir da variação do NOX (quantidade de elétrons perdida
ou recebida) de cada átomo das espécies químicas presentes na reação. Veja:
 Oxidação: causa aumento do NOX;
 Redução: causa diminuição do NOX.

Veja a variação do NOX dos átomos nas espécies químicas da equação abaixo:

NOX dos componentes de uma equação química de oxirredução

 O Ferro sofreu oxidação porque seu NOX aumentou de 0 para +3 do


reagente para o produto;
 O gás Cloro (Cl2) sofreu redução porque seu NOX diminuiu de 0 para -1 do
reagente para o produto.
Alguns aspectos muito estudados a partir da oxirredução são:
 Corrosão de metais
 Número de oxidação (NOX)
 Balanceamento de reações de oxirredução
 Proteção dos metais contra a corrosão
A ferrugem é um aspecto visual da ocorrência de uma reação de oxirredução

Entretanto, para saber quem ganha e quem perde elétrons, deve-se conhecer
os números de oxidação dos elementos. Veja esse exemplo de oxirredução:

Zn(s) + 2H+(aq) → Zn2+(aq) + H2(g)

O elemento Zinco (Zn2+) é oxidado ao perder dois elétrons. Ao mesmo tempo,


provocou a redução do íon de hidrogênio. Por isso, é o agente redutor.

O íon (H+) ganha um elétron, sofrendo redução. Com isso, provocou a oxidação
do zinco. É o agente oxidante.

Balanceamento por oxirredução


Todo balanceamento de reações por oxirredução leva em conta que o número
de elétrons cedidos deve ser igual ao número de elétrons doados.
O balanceamento de uma equação de oxirredução se baseia na
igualdade do número de elétrons cedidos com o número de elétrons
recebidos. Um método simples de se realizar esse balanceamento é
dado pelos passos a seguir:
Vejamos na prática como aplicar esses passos, por meio do seguinte exemplo:
Reação entre uma solução aquosa de permanganato de potássio e ácido
clorídrico:
KMnO4 + HCl → KCl + MnCl2 + Cl2 + H2O
*1º passo: Determinar os números de oxidação:
Esse passo é importante porque normalmente não conseguimos visualizar
rapidamente quais são as espécies que sofrem oxidação e redução.

+1 +7 -2 +1 -1 +1 -1 +2 -1 0 +1 -2
KMnO4 + HCl → KCl + MnCl2 + Cl2 + H2O
*2º passo: Determinação da variação da oxidação e da redução:

Observe que o manganês (Mn) sofre redução e o cloro (Cl) sofre oxidação.

MnCl2 = ∆Nox = 5
Cl2 = ∆Nox = 2
No caso do cloro, podemos notar que o HCl originou 3 compostos (KCl, MnCl 2,
e Cl2), mas o que nos interessa é o Cl 2, pois é o seu Nox que sofreu variação.
Cada cloro que forma Cl 2 perde 1 elétron; como são necessários 2 cloros para
formar cada Cl2, são perdidos então dois elétrons.

3º passo: Inversão dos valores de ∆:


Nesse passo, os valores de ∆ são trocados entre as espécies citadas, tornando-
se os coeficientes delas:
MnCl2 = ∆Nox = 5 → 5 será o coeficiente de Cl 2
Cl2 = ∆Nox = 2→ 2 será o coeficiente de MnCl2
KMnO4 + HCl → KCl + 2 MnCl2 + 5 Cl2 + H2O

Nesse momento já é possível conhecer dois coeficientes da equação.

Observação: normalmente, na maioria das reações, essa inversão de valores é


efetuada no 1º membro. Mas, como regra geral, isso deve ser feito no membro
que tiver maior número de átomos que sofrem oxirredução. Se esse critério não
puder ser observado, invertemos os valores no membro que tiver maior número
de espécies químicas. Foi isso o que foi realizado aqui, pois o 2º membro possui
mais substâncias.

4º passo: Balanceamento por tentativa:


KMnO4 + HCl → KCl + 2 MnCl2 + 5 Cl2 + H2O
 Visto que no segundo membro há dois átomos de manganês, conforme mostrado
pelo coeficiente, no primeiro também deverá haver. Portanto, temos:
2 KMnO4 + HCl → KCl + 2 MnCl2 + 5 Cl2 + H2O
 Com isso, a quantidade de potássio (K) no 1º membro ficou de 2, que será o
mesmo coeficiente para esse átomo no segundo membro:
2 KMnO4 + HCl → 2 KCl + 2 MnCl2 + 5 Cl2 + H2O
 A quantidade de cloros (Cl) no 2º membro é de 16 no total, por isso o coeficiente
do HCl do 1º membro será:
2 KMnO4 + 16 HCl → 2 KCl + 2 MnCl2 + 5 Cl2 + H2O
 O número de hidrogênios do 1º membro é 16, por isso o coeficiente da água
(H2O) do 2º membro será igual a 8, pois a multiplicação do índice do hidrogênio
(2) por 8 é igual a 16:
2 KMnO4 + 16 HCl → 2 KCl + 2 MnCl2 + 5 Cl2 + 8 H2O

Exemplo 2. Cu(s) + HNO3(aq) → Cu(NO3)2(aq) + NO(g) + H2O(l)

Obs.: Aqui nós vamos escolher trabalhar com as substâncias do segundo


membro, porque é o que tem maior número de substâncias.
Fica assim, então:

Cu(s) + HNO3(aq) → 3 Cu (NO3)2(aq) + 2 NO(g) + H2O(l)

Exemplo 3. O permanganato de potássio (KMnO 4) reage com o peróxido de


hidrogênio – água oxigenada ─ (H2O2) em meio ácido. A solução de
permanganato é violeta, mas, com o tempo, observa-se que ocorre uma
descoloração da solução, que libera gás oxigênio. Essa reação pode ser
representada pela seguinte equação:

KMnO4 + H2SO4 + H2O2 → K2SO4 + H2O + O2 + MnSO4


Exemplo 4. Sais de ferro podem ser oxidados por vários oxidantes. Uma
dessas reações pode ser representada por essa equação não balanceada

FeSO4 + H2O2 + H2SO4 → Fe2(SO4)3 + H2O


A soma dos menores coeficientes inteiros que acertam essa equação é
a) 7. b) 8. c) 10. d) 13.

Exemplo 5. CS2 + H2S + Cu → Cu2S + CH4

PILHAS

Pilhas são dispositivos capazes de produzir corrente elétrica (energia elétrica) a


partir de reações de oxidação e redução de componentes metálicos presentes
em sua estrutura. Vale dizer que:
 Oxidação: é a capacidade que um material apresenta de perder elétrons;
 Redução: é a capacidade que um material apresenta de ganhar elétrons.
Assim, em uma pilha, como os elétrons partem de um componente e chegam
até outro, forma-se uma corrente elétrica, que é capaz de fazer funcionar
diversos dispositivos eletrônicos.

Funcionamento de uma pilha

Para explicar o funcionamento de uma pilha, vamos utilizar uma das primeiras
pilhas construídas, a pilha de Daniell:
Esquema da pilha de Daniell

Na pilha de Daniell, temos:


 Um ânodo de zinco (formado por uma placa) imerso em uma solução formada
por água e sulfato de zinco (ZnSO4). A placa de zinco, ao sofrer oxidação,
libera elétrons, formando o cátion Zn +2, que permanece na solução. Com isso,
a placa tem seu tamanho diminuído e a solução fica com excesso de cátions;
 Um cátodo de cobre (formado por uma placa) imerso em uma solução
formada por água e sulfato de cobre (CuSO4). Na solução, existem cátions
cobre (Cu+2), os quais, ao receber os elétrons vindos do ânodo, transformam-
se em cobre sólido (Cu) e aderem-se à placa. Com isso, a placa tem seu
tamanho aumentado e a solução fica com deficiência de cátions;
 Uma ponte salina, formada por uma solução de água e cloreto de potássio
(KCl), que possui cátions potássio (K+) e ânions cloreto (Cl -). Durante o
funcionamento da pilha, cátions da ponte salina deslocam-se para a solução
do cátodo, e os ânions da ponte salina deslocam-se para a solução do ânodo;
 Um fio condutor conecta o ânodo ao cátodo.
Componentes de uma pilha qualquer

 Ânodo: é o polo da pilha que sofre o processo de oxidação, ou seja, aquele


que perde os elétrons;
 Cátodo: é o polo da pilha que sofre o processo de redução, ou seja, aquele
que recebe os elétrons. Geralmente, apresenta uma mistura pastosa com íons
capazes de sofrer redução;
 Condutor de elétrons: é o material por onde os elétrons percorrem o
caminho do ânodo até o cátodo.

REAÇÕES
As semirreações da pilha podem ser identificadas na tabela de potenciais-
padrão de redução. Como o cobre, vide tabela, possui maior tendência a
reduzir (maior EoRed), o cobre será o elemento que sofrerá redução, no cátodo.
No ânodo acontecerá a reação de oxidação do Zn.

Cátodo (+): Cu2+(aq) + 2e− → Cu0(s) (eletrodo de Cu)


Ânodo (-): Zn0(s) → Zn2+(aq)+2e− (eletrodo de Zn)

Reação global
Para obter a reação global, devem-se somar as semirreações. Porém, é
necessário, antes, igualar o número de elétrons para que eles não apareçam
na equação final.
No caso em estudo, o número de elétrons já é igual, portanto, devemos apenas
somá-las.
Cu2+(aq) + 2e− → Cu0(s) (semirreações)
Zn (s) → Zn (aq) + 2e−
0 2+
----------------------------------------------------------------------------

Zn0(s)+Cu2+(aq) → Cu0(s)+Zn2+(aq) (reação global)

Cálculo da força eletromotriz


A força eletromotriz da pilha é calculada somando-se o potencial padrão de
oxidação da semirreação de oxidação com o potencial padrão de redução da
semirreação de redução.
FEM = EoRed + EOOxi = +0,34 + (+0,76) = 1,1V

Representação de uma pilha


De acordo com a IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada), a
pilha deve ser representada da forma indicada abaixo:

Zn(s)/Zn2+(aq)//Cu2+(aq)/Cu(s)
Onde “//” representa a ponte salina que divide os eletrodos, “/” indica diferença
de fase entre reagente e produto da semirreação. Na esquerda, representa-se
o ânodo (oxidação) e, na direita, o cátodo (redução).
Para que um destes metais, ou os dois, dissolvam-se, estes devem sofrer
oxidação. Como apenas o zinco possui potencial de redução menor (ou
potencial de oxidação maior) que o cátion H+ da solução ácida, apenas ele
sofrerá oxidação e se dissolverá. Portanto, a liga se dissolverá parcialmente.

Tabela de potenciais-padrão de redução (Foto: Colégio Qi)

QUESTÕES
1 - Considere as semirreações com seus potenciais padrão de redução:
Cr3+(aq) + 3e− → Cr (s) Eo = -0,74V
Cd2+(aq) + 2e− → Cd (s) Eo = -0,40V
a) Mostre a reação global da pilha formada e calcule sua força eletromotriz.
b) Diga quem é o cátodo e o ânodo na pilha formada.
c) Em qual sentido os elétrons se deslocarão?
d) Em quais eletrodos ocorrerá corrosão e aumento de massa?
e) Faça a representação da pilha.
Respostas:

a) a reação global é obtida somando-se as semirreações.


3Cd2+(aq) + /2e− 6e− → 3Cd(s) (3x) Semirreações
2Cr(s) → 2Cr (aq)+/3e− 6e− (x2)
3+

----------------------------------------------------------------------------
2Cr(s)+3Cd2+(aq)→ 2Cr3+(aq)+3Cd(s) ΔE=−0,40+0,74=0,34V
b) Cátodo = Cd (s); Ânodo = Cr (s)
c) Do ânodo para o cátodo, Cr → Cd.
d) Corrosão: eletrodo de Cr; deposição: eletrodo de Cd.
e) Cr(s)/Cr2+(aq)//Cd2+(aq)/Cd(s)

2 - (Fuvest) Uma liga metálica, ao ser mergulhada em ácido clorídrico, pode


permanecer inalterada, sofrer dissolução parcial ou dissolução total. Qual das
situações acima será observada com a liga de cobre e zinco (latão)? Justifique
utilizando as informações relativas às semi-reações medidas em Eo(Volt):
I. Cl2 + 2e− → 2Cl− Eo = + 1,36V
II. Cu2+ + 2e→ Cu Eo = + 0,34V
III. 2H + 2e− → H2 Eo = 0,00V
+

IV. Zn2+ + 2e−→ Zn Eo = - 0,76V

Para que um destes metais, ou os dois, dissolvam-se, estes devem sofrer


oxidação. Como apenas o zinco possui potencial de redução menor (ou potencial
de oxidação maior) que o cátion H+ da solução ácida, apenas ele sofrerá
oxidação e se dissolverá. Portanto, a liga se dissolverá parcialmente.

EXEMPLOS DE PILHAS EXISTENTES NO MERCADO


a) Pilha comum (pilha de Leclanché)
Foi a primeira pilha desenvolvida sem a presença de soluções. Trata-se de uma
pilha capaz de produzir uma voltagem (diferença de potencial) em torno de 1,5
V e apresenta os seguintes componentes:
 Ânodo: formado por uma placa de zinco metálico;
 Cátodo: formado por uma pasta com dióxido de manganês (MnO 2), cloreto de
amônio (NH4Cl), água e amido.
Representação esquemática dos componentes de uma pilha comum.
Trata-se de uma pilha muito utilizada em brinquedos e dispositivos eletrônicos
gerais (controle remoto, lanternas etc.).

b) Pilha alcalina
Trata-se de uma pilha que apresenta o mesmo padrão de estrutura da pilha
comum. O diferencial está na composição do ânodo e do cátodo. É capaz de
produzir uma voltagem em torno de 1,5 V e apresenta os seguintes
componentes:
 Ânodo: geralmente formado por uma placa de zinco, cádmio e outros metais;
 Cátodo: formado também por uma mistura pastosa com óxidos de alguns
metais, mas com a presença de cloreto de potássio (Kcl) em vez do cloreto de
amônio.
Essa pilha apresenta as mesmas aplicações de uma pilha comum.

c) Pilha de lítio e iodo


Pilha alcalina capaz de produzir uma voltagem em torno de 2,8 V e apresenta
os seguintes componentes:
 Ânodo: formado por uma placa de lítio;
 Cátodo: formado por um complexo de iodo.
Essa pilha é utilizada em aparelhos de marca-passo, por exemplo.

d) Pilha de mercúrio e zinco


Pilha alcalina capaz de produzir uma voltagem em torno de 1,35 V e apresenta
os seguintes componentes:
 Ânodo: formado por uma placa de zinco;
 Cátodo: formado por uma pasta com óxido de mercúrio (HgO).
Essa pilha é muito utilizada em relógios e calculadoras, por exemplo.
Aplicações
A eletroquímica é bastante presente em nosso cotidiano. Alguns exemplos são:
 Reações no corpo humano;
 Fabricação de diversos aparelhos eletrônicos;
 Carregamento de baterias;
 Galvanoplastia: revestimento de peças de ferro e aço com zinco metálico;
 Diversos tipos de aplicação na indústria química.
A ferrugem dos metais é formada pela oxidação do ferro metálico (Fe) a cátion
ferro (Fe2+), quando na presença de ar e água. Podemos considerar a ferrugem
como um tipo de corrosão eletroquímica. O revestimento com zinco metálico,
pelo processo de galvanoplastia, impede o contato do ferro com o ar.

Exercícios Eletroquímica

1. (FUVEST) - I e II são equações de reações que ocorrem em água,


espontaneamente, no sentido indicado, em condições padrão.
I. Fe + Pb2+ → Fe+2 + Pb II. Zn + Fe2+ → Zn2+ + Fe
Analisando tais reações, isoladamente ou em conjunto, pode-se afirmar que,
em condições padrão,
a) elétrons são transferidos do Pb2+ para o Fe.
b) reação espontânea deve ocorrer entre Pb e Zn 2+.
c) Zn2+ deve ser melhor oxidante do que Fe 2+ .
d) Zn deve reduzir espontaneamente Pb2+ a Pb.
e) Zn2+ deve ser melhor oxidante do que Pb2+.

2. (Unip) Objetos de ferro ou aço podem ser protegidos da corrosão de vários


modos:
I) Cobrindo a superfície com uma camada protetora.
II) Colocando o objeto em contato com um metal mais ativo, como zinco.
III) Colocando o objeto em contato com um metal menos ativo, como cobre.
São corretos:
a) apenas I. b) apenas II. c) apenas III.
d) apenas I e II. e) apenas I e III

3. (Fuvest) Numa pilha do tipo comumente encontrado nos supermercados, o


pólo negativo é constituído pelo revestimento externo de zinco. A semi-reação
que permite ao zinco funcionar como pólo negativo é:
a) Zn+ + e- → Zn b) Zn2+ + 2e- → Zn c) Zn → Zn+ + e-
d) Zn → Zn + 2e
2+ -
e) Zn + Zn → 2Zn
2+ +

4. (PUC) Na cela eletroquímica representada pela equação:


Ni0 + 2Ag+ → Ni2+ + 2Ag0
é correto afirmar que:
a) os elétrons fluem, pelo circuito externo, da prata para o níquel.
b) o cátodo é o eletrodo de níquel. c) o eletrodo de prata sofre desgaste.
d) a prata sofre redução. e) a solução de níquel irá se diluir.
5. (FUC-MT) Nas pilhas eletroquímicas obtém-se corrente elétrica devido à
reação de oxidorredução.
Podemos afirmar que:
a) no cátodo, ocorre sempre a semirreação de oxidação.
b) no cátodo, ocorre sempre a semirreação de redução.
c) no ânodo, ocorre sempre a semirreação de redução.
d) no ânodo, ocorre sempre a oxidação e a redução simultaneamente.
e) no cátodo, ocorre sempre a oxidação e a redução simultaneamente.

6. Observe a célula eletroquímica na figura a seguir:

Exercício sobre célula eletroquímica

Indique a representação correta do ânodo e do cátodo dessa pilha:


a) Zn2+/Zn //Al/ Al3+ b) Zn+/Zn //Al/ Al3+ c) Al/ Al3+ // Zn2+/Zn
+ + 2+ 2+
d) Al/ Al // Zn /Zn e) Al/ Al // Zn /Zn

7. Indique o ânodo e o cátodo das pilhas construídas com os seguintes pares


de metais:
a) Zn e Mg b) Zn e Ni c) Pb e Ag d) Mg e Pb e) Pb e Ni

RESPOSTAS
1. D; 2. D; 3. D; 4. D
A reação global Ni0 + 2Ag+ → Ni2+ + 2Ag0 é formada pelas duas semirreações
mostradas a seguir que ocorrem no ânodo e no cátodo da pilha:
ânodo (polo negativo onde ocorre a oxidação ou perda de elétrons):
Ni0→ Ni2+ + 2 e-
cátodo (polo positivo onde ocorre a redução ou ganho de elétrons):
Ag+ + e- → Ag0
Assim, temos o seguinte:
a) Incorreta. Visto que o níquel perdeu elétrons e a prata ganhou elétrons, os
elétrons fluem do níquel para a prata.
b) Incorreta. O cátodo é o eletrodo de prata.
c) Incorreta. Visto que os íons prata recebem elétrons, são formados mais
átomos de prata metálica que se depositam sobre o eletrodo de prata. Assim, o
eletrodo de prata não sofre desgaste, pelo contrário, sua massa aumenta.
d) Correta. A prata ganhou elétrons, sofrendo redução.
e) Incorreta. Visto que o níquel do eletrodo recebe elétrons e forma mais íons
níquel para ficarem na solução, essa solução terá sua concentração
aumentada.
5. B
Nas pilhas eletroquímicas, o cátodo (polo positivo) é onde ocorre a redução, e
o ânodo (polo negativo) é onde ocorre a oxidação.
6. C

Representação de pilha em exercício

7.
Consultando uma tabela de potenciais-padrão de redução ou oxidação (como a
encontrada no texto Medida dos potenciais eletroquímicos), sabemos que:
a) O Mg tem maior potencial de oxidação (+2,37) que o Zn (+0,76), logo o Mg
oxida (perde elétrons), constituindo o ânodo, e o Zn reduz (ganha elétrons),
formando o cátodo: Mg/Mg2+ // Zn2+/Zn.
b) O Zn tem maior potencial de oxidação (+0,76) que o Ni (+0,23), assim o Zn
oxida, constituindo o ânodo, e o Ni reduz (ganha elétrons), formando o cátodo:
Zn/Zn2+ // Ni2+/Ni.
c) O Pb tem maior potencial de oxidação (+0,13) que o Ag (-0,80), assim o Pb é
o ânodo e o Ag é o cátodo: Pb/Pb2+ // Ag+/Ag.
d) O Mg tem maior potencial de oxidação (+2,37) que o Pb (+0,13), logo o Mg é
o ânodo e o Pb é o cátodo: Mg/Mg2+ // Pb2+/Pb.
e) O Ni tem maior potencial de oxidação (+0,23) que o Pb (+0,13), então o Ni é
o ânodo e o Pb é o cátodo: Ni/Ni 2+ // Pb2+/Pb.

ELETRÓLISE

O estudo da eletroquímica compreende as pilhas e a eletrólise. A diferença entre


os dois processos é a transformação de energia.
 A pilha converte energia química em energia elétrica, de modo espontâneo.
 A eletrólise converte energia elétrica em energia química, de modo não
espontâneo.
A eletrólise é a reação de oxirredução que ocorre de modo não espontâneo,
provocada pela passagem de corrente elétrica vinda de fonte externa.
É um processo físico-químico que utiliza a energia elétrica de uma fonte qualquer
(como pilha ou bateria) para forçar a ocorrência de uma reação química de
produção de substâncias simples ou compostas que não podem ser encontradas
na natureza ou que não são encontradas em grande quantidade.
A eletrólise pode ser ígnea ou aquosa.
A eletrólise ígnea é aquela que se processa a partir de um eletrólito fundido, ou
seja, pelo processo de fusão.
Na eletrólise aquosa, o solvente ionizante utilizado é a água. Em solução aquosa,
a eletrólise pode ser realizada com eletrodos inertes ou eletrodos ativos (ou
reativos).

Representação da montagem de um sistema de eletrólise qualquer


Durante a eletrólise, um cátion sofre redução no cátodo, e um ânion
sofre oxidação no ânodo. Isso acontece por meio da descarga elétrica
fornecida por uma fonte externa. Assim, temos na eletrólise uma reação
de oxidação e redução não espontâneas.
Entenda agora as duas formas de ocorrência da eletrólise:
→ Eletrólise ígnea
Nesse tipo de eletrólise, utilizamos uma substância iônica no estado
líquido em uma cuba eletrolítica. Quando a substância iônica (XY) é
submetida à fusão, ela sofre o processo de dissociação, como
representado abaixo:

Em seguida, quando a fonte de energia elétrica é ligada, o cátion (X+)


desloca-se em direção ao cátodo, e os ânions (Y-) deslocam-se em
direção ao ânodo. Com isso:
No cátodo: os cátions recebem elétrons (sofrem redução) e
transformam-se em uma substância estável (X), processo representado
pela equação a seguir:
No ânodo: os ânion perdem elétrons (sofrem oxidação) e transformam-
se em uma substância estável (X), processo representado pela equação
a seguir:

a) Exemplo de eletrólise ígnea


Como exemplo, acompanhe agora a eletrólise ígnea do cloreto de
sódio (NaCl). Quando o cloreto de sódio (NaCl) é submetido à fusão,
ele sofre o processo de dissociação, como representado abaixo:

Em seguida, quando a fonte de energia elétrica é ligada, o cátion (Na+)


desloca-se em direção ao cátodo, e os ânions (Cl-) deslocam-se em
direção ao ânodo. Com isso:
No cátodo: os cátions Na+ recebem elétrons (sofrem redução) e
transformam-se em uma substância estável (Na, que é um metal sólido),
processo representado pela equação abaixo:

No ânodo: os ânions Cl- perdem elétrons (sofrem oxidação) e


transformam-se em uma substância estável (Cl2, que é gasoso),
processo representado pela equação abaixo:
Esquema demonstrando a eletrólise ígnea do NaCl
Assim, na eletrólise ígnea do cloreto de sódio, temos a formação de
sódio metálico (Na) e gás cloro (Cl2).
→ Eletrólise aquosa
Nesse tipo de eletrólise, utilizamos uma substância iônica dissolvida na
água, dentro da cuba eletrolítica. Assim, antes de realizar a eletrólise,
primeiramente misturamos a substância (geralmente um sal inorgânico)
na água para provocar sua dissociação (liberação de um cátion e um
ânion), como representado abaixo:
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O diferencial em relação à eletrólise ígnea é que, além dos íons


provenientes da dissociação, temos também os íons provenientes da
autoionização da água. Em sua autoionização, a água produz um cátion
hidrônio (H+) e um ânion hidróxido (OH-), como na equação abaixo:

Com isso, no interior da cuba eletrolítica, temos a presença de dois


cátions (um proveniente da substância iônica e outro proveniente da
água) e dois ânions (um proveniente da substância iônica e outro
proveniente da água).
Para saber qual cátion se deslocará para o cátodo e qual ânion se
deslocará para o ânodo, é necessário conhecer a ordem de descarga de
cátions e ânions.
 Para cátions:
Au>Pt>Hg>Ag>Cu>Ni>Cd>Pb>Fe>Zn>Mn>hidrônio>família IIIA> família IIA >
família IA

 Para ânions
Ânions não oxigenados e o HSO4 > hidróxido > ânions oxigenados e F
Em seguida, quando a fonte de energia elétrica é ligada, um cátion (X+)
desloca-se em direção ao cátodo, e um dos ânions (Y-) desloca-se em
direção ao ânodo.
No cátodo: os cátions recebem elétrons (sofrem redução) e
transformam-se em uma substância estável (X), processo representado
pela equação abaixo:

No ânodo: os ânions perdem elétrons (sofrem oxidação) e


transformam-se em uma substância estável (Y), processo representado
pela equação abaixo:

a) Exemplo de eletrólise aquosa


Como exemplo, utilizaremos a eletrólise aquosa do cloreto de sódio
(NaCl). Quando o cloreto de sódio (NaCl) é dissolvido na água, ele
sofre o processo de dissociação, como representado abaixo:

Além da dissociação do NaCl, temos a autoionização da água:


Temos, então, os cátions H+ e Na+ e os ânions OH- e Cl-. Em seguida,
quando a fonte de energia elétrica é ligada, temos o seguinte:
No cátodo: os cátions H+ recebem elétrons (sofrem redução) e
transformam-se em uma substância estável (H2, que é um gás). Isso
ocorre porque o hidrônio tem prioridade de descarga em relação aos
elementos da família IA (no caso, o Na). O processo é representado pela
equação abaixo:

No ânodo: os ânions Cl- perdem elétrons (sofrem oxidação) e


transformam-se em uma substância estável (Cl2, que é gasoso). Isso
ocorre porque o Cl- é um ânion não oxigenado e tem prioridade de
descarga em relação ao hidróxido, processo representado pela equação
abaixo:

Esquema demonstrando a eletrólise aquosa do NaCl


Assim, na eletrólise aquosa do cloreto de sódio, temos a formação de
gás hidrogênio (H2) e gás cloro (Cl2).
Produção dos gases hidrogênio e oxigênio a partir da eletrolise da água

Exercícios Eletrólise
1. (Ulbra-RS) O potássio metálico pode ser produzido pela eletrólise ígnea do
cloreto de potássio. A partir dessa afirmação, assinale a alternativa correta.
a) Eletrólise é um processo que envolve reações de oxirredução e redução
motivadas pela corrente elétrica.
b) A eletrólise ígnea do cloreto de potássio ocorre a temperatura ambiente.
c) O potássio é encontrado na natureza na forma reduzida (K 0).
d) A reação de eletrólise é aquela que ocorre com a ajuda da radiação
ultravioleta.
e) No processo de eletrólise do cloreto de potássio, para obtenção do potássio
metálico, ocorre a transferência de elétrons de potássio para o cloro.

2. (UFRGS-RS) No cátodo de uma célula de eletrólise sempre ocorre:


a) Deposição de metais.
b) Uma semirreação de redução.
c) Produção de corrente elétrica.
d) Desprendimento de gás hidrogênio.
e) Corrosão química.

3. (Unifor-CE) As proposições a seguir estão relacionadas com eletrólise:


I. As reações de eletrólise ocorrem com consumo de energia elétrica.
II. Soluções aquosas de glicose não podem ser eletrolisadas porque não
conduzem corrente elétrica.
III. Nas eletrólises de soluções salinas, os cátions metálicos sofrem oxidação.
Podemos afirmar que apenas:
a) I é correta. b) II é correta. c) III é correta.
d) I e II são corretas. e) II e III são corretas.
4. (FEI-SP) Dois alunos de Química realizaram eletrólise do BaCl 2; a primeira
aquosa e, a segunda, ígnea. Com relação ao resultado, podemos afirmar que
ambas obtiveram:
a) H2 e O2 nos ânodos.
b) H2 e Ba nos ânodos.
c) Cl2 e Ba nos eletrodos.
d) H2 nos cátodos.
e) Cl2 nos ânodos.

5. (Vunesp) “Piscina sem Química” é um anúncio envolvendo tratamento de


água. Sabe-se, no entanto, que o tratamento consiste na adição de cloreto de
sódio na água e na passagem dessa água por um recipiente dotado de
eletrodos de cobre e de platina ligados a uma bateria de chumbo de automóvel.
a) Com base nessas informações, discutir se a mensagem do anúncio é correta
b) Considerando os eletrodos inertes, escrever as equações das reações
envolvidas que justificam a resposta anterior.

Respostas: 1. A; 2. B; 3. D; 4. E
5. a) A mensagem do anúncio não está correta, pois haverá formação de
produtos químicos.
b) 2 NaCl + 2H2O → 2 NaOH + H2 + Cl2 (reação que forma o cloro, útil no
tratamento da água da piscina)
2 NaOH + Cl2 → NaCl + NaClO + H2O (reação que forma o NaClO, um forte
bactericida)