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Controlo On-Off
Guia de Prática Laboratorial

Mestrado Integrado em Engenharia Electrónica Industrial e Computadores


Escola de Engenharia Universidade do Minho

Informação de direitos de autor:


Universidade do Minho cc Licença CreativeCommons 3.0 Attribution Share-Alike
MIEEIC LPI1 1011 PL1 V1 2

1. Introdução
Esta Prática Laboratorial (PL) tem como objectivo geral realizar o controlo da temperatura de
uma estufa usando controlo On-Off (Garrido, 2010).

A estufa em questão é um modelo laboratorial, representado esquematicamente na Figura 1. Este


modelo permite reproduzir em laboratório as características fundamentais de uma instalação ou
sistema a controlar do tipo de uma estufa.

No modelo laboratorial está montado um transdutor (Wikipedia, 2010) de temperatura em


resistência eléctrica do tipo PT100 – Platina com 100 Ω (Educypedia, 2010).

Está também montada uma lâmpada que serve como elemento aquecedor.
Esta lâmpada tem tensão de alimentação e potência nominais de 12 V e 20 W, respectivamente.
Alimentando a lâmpada a valores no intervalo [0,12], pode variar-se a potência térmica fornecida
ao modelo laboratorial.

Uma cortina permite isolar termicamente a lâmpada da PT100, de forma a evitar que a
resistência desta última seja influenciada pela radiação da primeira. Com a cortina fechada, a
medida de temperatura obtida a partir da PT100 é apenas influenciada pela temperatura do ar que
circula na estufa – que é a variável que se pretende medir e controlar.

Porta

Lâmpada

Cortina

PTC
Ventoínha

off on

Figura 1 – Modelo laboratorial de uma estufa.

O controlador On-Off a realizar será analógico, implementado com recurso a amplificadores


operacionais. As montagens electrónicas a realizar nesta PL poderão ser usadas em outras PLs da
UC.

A realização de um sistema de controlo requer a utilização de um sensor, de um controlador e de


um actuador (Garrido, 2010).

O sensor destina-se a fornecer uma medida da variável a controlar, neste caso, a temperatura da
estufa.
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O controlador tem várias funções:


i) Estabelecer o valor da variável de referência, neste caso, a temperatura desejada.
ii) Calcular o erro, ou seja, a diferença entre a temperatura desejada e a temperatura da estufa.
iii) A partir do erro, determinar, de acordo com a lei de controlo, o valor da variável de comando.

O actuador tem por função aplicar um certo valor da variável de manipulação, neste caso,
potência calorífica que flui para o interior da estufa, em função do valor da variável de comando.

Os objectivos específicos desta PL serão indicados no seguimento.

2. Medida da variável a controlar – temperatura


Em tudo o que se segue considerar as tensões de alimentação dos amplificadores operacionais
como sendo +Vcc = 12 V e –Vcc = –12 V. Os amplificadores operacionais serão do tipo LM324
ou equivalente.

A medida da temperatura na estufa será realizada pelo circuito na Figura 2.

Objectivos

2.1 Estudar e explicar o funcionamento do circuito.


2.2 Assumir que a resistência da PT100 varia linearmente entre 100 Ω e 138.5 Ω (Cimbala, sem
data), quando a temperatura varia entre 0 ºC e 100 ºC. Determinar a expressão da tensão vmedida
em função da temperatura e fazer o seu gráfico, admitindo que os valores reais das resistências
coincidem com os valores nominais. Para realizar o gráfico, usar régua e papel milimétrico ou
uma aplicação como o Excel .
2.3 Montar o circuito. Ao montar o circuito entrançar os dois cabos de ligação que ligam o
circuito à PT100, para evitar ruído. Testar o funcionamento do circuito. Em particular, verificar
se a tensão vmedida, à temperatura do laboratório indicada no painel do ar condicionado, está de
acordo com o gráfico feito em 2.
1 kΩ VSTAT vPT100
+Vcc vmedida
A1

5.1 kΩ
5.1 V
20 kΩ
PT100
1 kΩ

Figura 2 – Montagem para medida da temperatura da estufa. O díodo Zener garante uma tensão estabilizada VSTAT.
Quando a temperatura varia, a tensão vPT100 varia pelo efeito do divisor de tensão. O amplificador não-inversor tem
um ganho de 20.

3. Controlador ‘On-Off’
A implementação do controlador On-Off pode ser realizada pela montagem na Figura 3.
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R1 R2

+VSTAT
R3
vmedida R3 + vcomando
5.1 kΩ + v–erro A4
A3 –

RV vreferência
50 Ω +
A2

R3 R3

91 Ω 20 kΩ

1 kΩ

Figura 3 – Montagem implementando a lei de controlo ‘On-Off’. Para minimizar o número de amplificadores
operacionais usados, o circuito calcula o simétrico da representação eléctrica do erro: v–erro. Porque este sinal é
aplicado a um comparador inversor com histerese resulta que vcomando tem um valor alto correspondente a ‘On’
quando o erro é positivo e tem um valor baixo correspondente a ‘Off’ quando o erro é negativo. Para obter este
efeito se a montagem subtractora A2 calculasse o erro, seria necessário um quarto amplificador.

O circuito constituído pela resistência de 5.1 kΩ, o potenciómetro RV (usar 200 Ω), as
resistências de 50 Ω e de 91 Ω e a montagem amplificadora com A2, permite gerar uma tensão
vreferência que representa a temperatura pretendida para a estufa. Por exemplo, se a temperatura
pretendida para a estufa for de 50 ºC, então o potenciómetro RV deve ser ajustado de maneira
que a tensão vreferência seja de 2.45 V. Compare-se com o valor esperado para a tensão vmedida
quando a temperatura for de 50 ºC determinado no gráfico do objectivo 2.2!

O amplificador A3 e as quatro resistências marcadas como R3 implementam um circuito


subtractor. As resistências devem ser todas iguais para que os dois sinais de entrada tenham o
mesmo peso e não sejam amplificados ou atenuados. Assim, a saída de A3 será:
v–erro = vmedida–vreferência.

O amplificador A4 e as resistências R2 e R1 implementam um comparador inversor com


histerese. A tensão vcomando será positiva (On) se a temperatura da estufa for inferior à desejada.
Neste caso tem-se:
vreferência > vmedida
Logo, v–erro = vmedida–vreferência será negativa e a saída do comparador será positiva.

A saída do comparador positiva será usada para ligar a lâmpada, aquecendo a estufa e a
temperatura desta aumentará.

Aumentando a temperatura esta tornar-se-á superior á desejada. Então


vreferência < vmedida
Logo, v–erro = vmedida–vreferência será positiva e a saída do comparador será negativa.

A saída do comparador negativa será usada para desligar a lâmpada, a estufa arrefecerá e a
temperatura desta diminuirá.
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O resultado deste processo será a temperatura aproximar o valor desejado. Para evitar uma
comutação muito rápida da lâmpada impõe-se histerese no comparador.

A resistência R1 deve ser implementada com uma resistência variável como indicado na Figura 3
para se poder ajustar a margem de histerese. O valor máximo desta resistência deverá ser de
100 Ω.

Os amplificadores A2, A3 e A4 podem ser implementados com os restantes amplificadores


disponíveis no circuito integrado LM324 ou equivalente.

Objectivos:

3.1 Estudar o funcionamento do circuito, tendo em conta a explicação anterior.

3.2 Escolher o valor das resistências R3.

3.3 Dimensionar R2 com o esquema acima de modo a ser possível ajustar a margem de histerese
de 0 ºC a ±5 ºC quando se varia a resistência R1 entre 0 e 100 Ω.

3.4 Montar o circuito e testar o seu funcionamento. Em particular testar o funcionamento


correcto do comparador com a variação da sua tensão de entrada, bem como a variação da
margem de histerese. Ligar a saída do circuito anterior (vmedida) a este. Verificar a variação da
tensão v–erro quando se varia a tensão vreferência. Verificar que a comutação da saída do
comparador apresenta histerese e esta pode ser variada ajustando R1.

4. Actuador On-Off
A montagem para a actuação On-Off mostra-se na figura 4.
VL

D1 L
Figura 4 – Montagem para actuação On-Off. L representa a lâmpada usada
como elemento aquecedor. VL é a tensão DC fornecida pela ponte R4
rectificadora e condensador para alimentar a lâmpada. T
vcomando
D2

O díodo D1 é dito de roda livre (‘free-wheeling’) e é indispensável quando a carga é indutiva,


pois proporciona caminho para descarregar a energia armazenada no campo magnético da carga
indutiva quando o transístor desliga (½ L⋅I2). A não existência deste díodo pode provocar o
aparecimento de um pico de tensão elevado aquando do desligar do transístor, levando à sua
destruição.

O díodo D1 deve ser rápido e recomenda-se o MR852. O transístor T poderá ser o BD675, que
deverá ser montado num dissipador para garantir que a sua temperatura se mantém em valores
seguros para as correntes previstas.

O díodo D2 destina-se a evitar que seja aplicada à base do transístor uma tensão negativa menor
que –0.7 V quando a saída do amplificador operacional A4 é negativa.

A rsistência R4 deve ser dimensionada de modo a garantir a corrente de base necessária para o
transístor conduzir à corrente nominal máxima (em saturação), quando vcomando é positiva.
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Objectivos

4.1 Estudar o funcionamento do circuito.

4.2 Dimensionar R4 para garantir a saturação do transístor.

4.3 Montar o circuito (não esquecer o dissipador e verificar a boa ligação de D1).

4.4 Testar a montagem, aplicando-lhe as tensões de saída do comparador nos estados On e Off,
tendo como carga a lâmpada.

5. Controlo On-Off
Tendo realizado e ligado as diferentes montagens, estamos em condições de “ver” o controlo On-
Off a funcionar.

Objectivos:

5.1 Colocar o sistema de controlo em funcionamento, ajustando o potenciómetro RV para uma


temperatura de referência de aproximadamente 35 ºC. Ajustar a margem de histerese para ±1 ºC.
Observar o funcionamento do sistema. Observar com um multímetro a evolução da tensão vmedida.

5.2 Aumentar a margem de histerese. Observar que a frequência de comutação da lâmpada é


menor e que a temperatura tem uma maior amplitude de oscilação à volta da temperatura
desejada.

5.3 Com o auxílio de um relógio / cronómetro registar valores de evolução da temperatura


durante algum tempo e fazer o seu gráfico.

5.4 Repetir as experiências anteriores para um (ou mais) valor de temperatura desejada superior
(por exemplo, 50 ºC) ATENÇÃO AO PERIGO DE QUEIMADURAS! Observar o
comportamento do sistema e notar as diferenças em relação ao caso anterior (frequência de
comutação e tempo On da lâmpada).

Referências

Cimbala (sem data). Lectures on Instrumentation, Measurement and Statistics. Platinum 100-Ω
RTD Table. Penn State University.
http://www.mne.psu.edu/me345/Lectures/Platinum_RTD_100_ohm_table.pdf

Educypedia (2010). PT100 Transducer. Educypedia electronics.


http://www.educypedia.be/electronics/sensorstemprtd.htm#computer

Garrido, P. (2010). Elementos de Controlo Automático. Universidade do Minho.


Plataforma de e-learning.

Wikipedia (2010). Transducer. Wikimedia Foundation.


http://en.wikipedia.org/wiki/Transducer