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Amor e Comprometimento – Modelos do amor - As cores do amor /

Teoria triangular do Amor

Estranho sentimento de delícias que


Esconde segredos e malícias além
De indecifráveis sensações.

INTRODUÇÃO

Independentemente das mutações de contexto histórico e social, é no âmbito das


relações interpessoais que o homem vive suas maiores emoções dentre elas é essencial o
prazer decorrente do amor.Nesta época em que vivemos, de mudanças, transições
constantes, surgimento de novos conceitos, influências, diferentes papéis sexuais e novas
formas de “arranjos” entre as pessoas, época em que as diretrizes estão vagas e indefinidas,
faz-se necessário um esforço ainda maior para obter-se êxito em uma relação não sendo
fora de propósito pensar-se em pessoas, indivíduos que desistiram de suas ligações afetivas.
A revisão crítica do progresso tecnológico e das coisas que rapidamente têm
ocorrido neste século agitado tem mostrado as graves contradições a que estamos sendo
conduzidos. A ciência e a tecnologia aumentam com facilidade o potencial destrutivo, mas
não resolvem o problema da escassez de comida. O desenvolvimento e crescimento
desordenado dos grandes centros urbanos aumentam a violência interpessoal, mas não
ajudam em nada o encontro entre as pessoas, ao contrário, praticamente o impede. Os
progressos da pedagogia estão subtraindo de um modo assustador o genuíno interesse dos
jovens pelo saber. A medicina moderna, caríssima, em troca de ajuda efetiva para algumas
raras enfermidades, desenvolveu o medo das doenças de um modo a neutralizar, como
resultado final, todos os seus recursos recentemente adquiridos.
Foi neste século, e, portanto, neste clima geral estranho, que nasceu e deu seus
primeiros passos a ciência da psicologia. Nasceu e está se desenvolvendo numa época em
que todo progresso e aquisição importante deste animal humano têm se transformado, por
mecanismos pouco claros em seus detalhes, mas certamente ligados a interesses de
pequenos grupos poderosos, em mais um instrumento de destruição, de poder agressivo, de
enganação e desvirtuamento das verdadeiras intenções de seus autores. Seria ingênuo supor
que à psicologia estivesse destinado um desenvolvimento diferente, desligado e
descomprometido com esta terrível inversão de valores, que estamos presenciando em
todos os domínios da atividade humana. As revisões críticas são difíceis de serem feitas,
pois vivemos um período de enorme crença popular em todos estes "progressos" e
transformações, de tal forma que apontar suas aplicações negativas ou destrutivas significa
ser "contra" o progresso; corre-se o risco de cair na ridícula posição dos que continuam
tentados pelo "passado". Apesar de as pessoas estarem bastante infelizes, insatisfeitas,
exaustas, há um culto e um grande orgulho de termos nós, acidentais, construído esta
estupenda civilização, tão complexa e intrincada, tão árida, mas tão majestosa!
As pessoas em geral estão profundamente infelizes. Tem talvez mais consciência e
compreensão intelectual do que se passa com elas e com o mundo que as cerca. Mas estão,
mais do que nunca, paralisadas, resignadas e assustadas. As interpretações psicológicas
acerca dos aspectos básicos da vida humana são do seu conhecimento. Ao serem explicadas
as razões dos males, estes se tornam menos intensos. Há um certo alívio. E a este alívio se
segue a pacata aceitação da situação tal como ela é, em muitos momentos confundida com
o conceito de realidade e associada definitivamente à idéia de que a felicidade humana não
é possível.

Achamos oportuno iniciarmos nosso trabalho com a inserção de um poema que ao


menos em nossa concepção traduz perfeitamente a verdadeira essência do amor romântico
de Hatfield, que em nossa concepção o ideal seria o tipo ‘eros estórgico” mas isto é uma
opinião pessoal que não vem ao caso agora prosseguiremos:

O Amor é o fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;


É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;


É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;


É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor


Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Outro poema de amor de Luís de Camões que transmite perfeitamente a essência da teoria
de Hatfield as cores do amor “Eros” e em “Ágape”:

Transforma-se o amador na cousa amada

Transforma-se o amador na cousa amada,


Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,


Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sómente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,


Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;


[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma.

Não iremos mais nos estender em poemas, embora adoremos, vamos agora aos estudos
relacionados ao amor dentro do contexto das relações interpessoais em psicologia.Dentre os
modelos que se propõem a explicar o amor a psicologia se divide em várias teorias, Dentre
elas a de Hatfield, de Lee , Sternberg, Rubin, Bystronski, Hendrick e Hendrick,
Maslow,Critelli, Peele, Driscoll, dentre outros mas procuramos nos ater mais nos primeiros
pois são mais recomendados embora façamos menções no decorrer do texto a muitos deles,
principalmente nas conclusões.
Tipos de amor por Hatfield:

Apaixonado → Descrito como um estado de intenso desejo de união com outra


pessoa, cuja reciprocidade confere êxtase e realização, ao passo que uma separação é
sentida como vazio, provocando intensa ansiedade e/ou mesmo desespero, trata-se de um
despertar fisiológico, relaciona-se a uma variedade de emoções fortes, negativas e
positivas; se intercalando na forma como são apresentadas.

Companheiro → caracteriza-se como um processo de aproximação entre indivíduos,


sendo exploradas suas semelhanças e diferenças nas maneiras de pensar, sentir e agir, os
parceiros apresentam um desejo de se revelarem um ao outro compartilhando seus
segredos, angustias e desejos, valores, fraquezas e esperanças.Também são apresentadas
preocupações profundas e cuidados com outro bem como o conforto com relação a
proximidade física.

Teoria de Lee “ As cores do amor”

Esta teoria tenta explicar o amor através de uma analogia e como preferir uma
relação com as cores, partindo de um pressuposto de que no amor também encontramos
diversas variações assim como as cores tendo origem em apenas uma fundamental, também
conhecido como love-styles deslocando o foco de como o quanto duas pessoas se amam
para fundamentar quais cores do amor produzem uma boa combinação.

Estilos primários do amor definidos por Lee (Assim como cores primárias dando
origem a outras) :

Eros → baseado no amor erótico, que geralmente se inicia com uma grande atração
física, em que os sujeitos se guiam por um tipo de pessoa ideal, abrindo-se mutuamente
para o conhecimento.
O amor erótico, segundo Erich Fromm, "é o anseio de fusão completa, de união com outra
pessoa". Possui uma natureza exclusiva e não universal, isto é, o amor é dedicado a uma só pessoa.
Mesmo sendo o amor erótico exclusivo, ele não é possessivo no sentido de se ter propriedade da
pessoa amada, É sim, no sentido de guardar o amor a uma só pessoa com a qual vai se fundir plena
e intensamente, entregando-se a ela em todos os aspectos da vida, amando nela toda a humanidade,
tudo quanto vive.
O amor erótico busca estabelecer a intimidade, isto é, um conhecimento mútuo, profundo
entre duas pessoas. A pessoa que ama é movida no sentido de superar a barreira que a separa do ser
amado e depois que isso acontece não há mais o que buscar, o outro já lhe é intimamente conhecido,
não há mais proximidade "súbita" a se realizar. Contudo se a busca da intimidade for baseada no
conhecimento profundo da experiência da outra pessoa, da infinidade de sua personalidade, a
pessoa amada jamais seria o bastante íntima para esgotar a busca de superar barreiras e a cada dia a
relação ficaria mais íntima, mais completa, renovada.Com base no estabelecimento da intimidade,
esse objeto do amor pode se manifestar segundo duas concepções: como uma atração
completamente individual, única, entre duas pessoas específicas e como um ato de vontade, de
decisão de entregar minha vida completamente à de outra pessoa.
Quando a busca da intimidade for mais no sentido de superar uma separação entre duas
pessoas, esta pode se manifestar através de uma união física estabelecida pelo contato sexual. Deste
modo, a intimidade está sendo reduzida a uma fusão entre dois corpos.Para ocorrer a união física é
preciso que haja um desejo sexual mútuo entre as pessoas envolvidas. Esse desejo pode ser
meramente um apetite físico de uma pessoa em relação à outra e quando o é, acabando a relação
sexual, o desejo acaba, ficando um vazio entre as pessoas que sentem uma ilusão de ter havido algo
mais no relacionamento. O desejo também pode ser estimulado pela angústia da solidão, pela
vontade de conquistar ou ser conquistado, pela vaidade, pelo gosto de ferir e destruir, assim como
pelo amor.
Quando é o amor que incita o desejo de união sexual, a relação é permeada pela ternura que
"é o produto direto do amor fraterno e existe tanto nas formas físicas do amor quanto nas não
físicas." E é asseguradamente este o tipo de união sexual que proporciona um maior prazer,
satisfação e intimidade entre duas pessoas.E nessa direção se encaminha a segunda concepção do
amor erótico onde o amor é em essência um ato de vontade, de decisão, de entrega assegurando a
continuação do amor entre duas pessoas.A intimidade entre o casal nessa concepção é baseada na
seguinte premissa: "que eu ame da essência do meu ser e experimente a outra pessoa na essência do
seu ser".
Esse tipo de busca acarreta uma atitude das duas pessoas que amam em serem responsáveis
e comprometidas com a relação se quiserem viver juntas permanentemente, pois aí o amor não é
apenas um sentimento forte, é uma decisão, uma escolha, um julgamento, uma promessa; o
sentimento vem e pode ir-se enquanto a atitude, se sincera e interior da pessoa, permanece.
O amor erótico revela um caráter paradoxal da natureza humana. "Por sermos todos Um, podemos
amar a todos do mesmo modo, no sentido do amor fraterno. Mas por sermos todos também
diferentes, o amor erótico requer certos elementos específicos, altamente individuais, que existem
entre certas pessoas, mas não entre todas".Assim, uma concepção não é mais verdadeira que a outra.
Ambas ocorrem nas relações entre pessoas de acordo com o estilo de vida e personalidade dessas
pessoas. Pelo fato das pessoas serem diferentes, o amor acontece diferentemente nas mais variadas
relações amorosas.

Estorge → ou amor companheiro, em que a afeição e o compromisso se


desenvolvem gradativamente, não possuindo o sujeito um tipo ideal, mas sim procurando
conhecer outras pessoas que apreciem as mesmas atividades de seu interesse, possuam os
gostos parecidos etc com as quais possam se unir, adquirindo gradativamente confiança e
possuindo sobretudo tolerância,este tipo de amor é comum em relacionamentos entre
adultos maduros, duradouros como o casamento. “Amor sem febre ou tolice”o individuo se
acostuma com o parceiro e não se apaixona repentina e arrebatadoramente.

Ludus → quando o sujeito não possui quaisquer tipo ideal, estando voltado para o
prazer, o jogo sem compromisso.A perspectiva é que o relacionamento seja prazeroso e não
comprometedor, tendo uma duração indeterminada ,podendo acabar no dia seguinte este
relacionamento, “o lúdico é um errante,ou um colecionador de experiências de amor que
serão relembradas com prazer, são amantes pluralísticos( promíscuos )e ograua de
envolvimento é cuidadosamente controlado.

Da combinação dos estilos acima decorrem novos tipos de amor ou assim como as
cores tipos secundários:
Mania - Eros + ludus → se caracteriza pela preocupação excessiva com o ser
amado de forma ciumenta e possessiva.O indivíduo necessita continuamente de repetidas
reafirmações de que é amado, como por exemplo demonstrações públicas de afeto,e ao
mesmo tempo recua temeroso de amar demais antes que aja alguma garantia da
reciprocidade.
Mais do que uma "prova de amor", o ciúme é um sentimento angustiante para quem sente e
para quem recebe. Pode ser compreendido como uma reação de ansiedade relativa a uma ameaça de
perda numa relação afetiva. Se esta ameaça é real, o ciúme é considerado "normal", procedente. Se
a situação é avaliada erroneamente, se é sentida uma ameaça de perda onde ela não existe, é
considerado "anormal".No ciúme normal ou de preservação, a reação é momentânea e proporcional
à situação real. Por exemplo, num determinado momento uma namorada desperta a atenção de
alguém e mostra certo interesse. Sinto-me ameaçado diante de uma situação de fato. Digo que estou
enciumado. É uma reação momentânea e proporcional à situação real.
No ciúme patológico, de desconfiança, a pessoa tem a sensação permanente de ameaça.
Está sempre desconfiada diante de qualquer situação. Todo e qualquer indício pode provocar
suspeitas. Se alguém olhou (ou eu acho que olhou) para minha namorada É porque querem
"paquera-la" e se ela aceitou a corte então passo a desconfiar que tem alguém, então é por isso que
se atrasou ontem... então... e por aí vai... Movido pela dúvida, há a busca incessante e obsessiva da
evidência. Parece que enquanto não é descoberta a prova da infidelidade o ciumento não tem paz. A
avaliação das situações de ameaça é baseada em percepções seletivas, onde pesam muito mais os
"indícios" favoráveis à suspeita e são minimizados os que a desmentem. As conclusões são
radicais :SE chegou atrasada, então, tem outra pessoa. Outras alternativas são minimizadas.
Finalmente há o ciúme delirante, próprio dos estados psicóticos, onde não há a suspeita
mas sim a certeza da traição.Na conclusão há total desprezo por todos os indícios contrários e só são
levados em consideração os que, na ótica do ciumento, reiteram a traição.As causas do ciúme
exacerbado são complexas. Algumas pessoas desenvolvem uma personalidade insegura e tornam-se
ansiosas, medrosas, tensas, com medo da perda e não confiantes em sua capacidade de manter uma
relação. A auto estima está sempre diminuída e há o desenvolvimento de uma dependência
simbiótica com a outra pessoa , que se torna condição de sobrevivência. A possibilidade de perda,
remota que seja, constitui uma ameaça vital. Se uma pessoa vive em função de outra, perde-la, é
perder-se a si própria. É uma relação doentia. Numa relação normal a presença do outro incorpora,
acrescenta à vida da outra, mas não é esta vida. Outros viveram o processo efetivo de traição e
trazem o ciúme como seqüela em seus relacionamentos futuros. Finalmente o ciúme pode ser
sintoma de quadros psicopatológicos como Transtorno paranóide de personalidade e na
esquizofrenia paranóide.
O ciúme traz uma terrível sensação de sofrimento pode levar ao fim de relacionamentos e é
freqüentemente causa de suicídios e homicídios. Muitas vezes a "profecia se auto-realiza": por não
agüentar o sofrimento da desconfiança permanente, sai da relação, não "por ter outra pessoa", mas
porque a relação torna-se asfixiante. Habitualmente o ciúme vem acompanhado de outros
problemas emocionais. Abala a qualidade de vida como um todo e deve ser tratado
terapeuticamente.

Pragma – ludus + storge → relação baseada em interesses comuns em que se


valoriza a compatibilidade.Esta em busca de um parceiro compatível,de acordo com as suas
concepções.

Ágape – Eros + storge → amor altruísta universalista, respeitoso, dedicado e


desinteressado,sempre gentil e paciente,nunca ciumento, nunca necessita de reciprocidade,é
despojado é uma doação incondicional para o outro.
A diferença entre amor egoísta e amor altruísta

Os dois tipos de amor são diametralmente opostos. O amor egoísta é condicional; você
simplesmente quer que suas necessidades sejam satisfeitas, e se a pessoa que você escolheu não
serve a sua necessidades, você rejeita aquela pessoa e procura em outra parte. Embora ele possa
parecer lindo por algum tempo, este tipo de amor está propenso a ser fugidio. Quando a pessoa que
você ama quer ajuda, talvez você a forneça. Mas quando o preço se torna muito alto, se você sentir
que está dando mais do que recebe, você simplesmente deixa de amar. Afinal, há mais desconforto
do que aquilo que você deseja tolerar por outra pessoa.O amor altruísta, porém, significa elevar-se
acima de suas necessidades. Significa sair de si mesmo, conectando-se realmente com a alma de
outra pessoa e, portanto, com D'us. Num amor assim altruísta não há condições; quando D'us é o
foco de nosso amor, não redefinimos constantemente nossos desejos e necessidades.

Como se pode chegar ao amor altruísta?

Para conseguir o amor altruísta, primeiro você deve amar a si mesmo, a criar harmonia entre seu
corpo e sua alma. Isso significa entender quem você realmente é, para que foi colocado neste
mundo. Se está em conflito consigo mesmo, como pode esperar conseguir um amor confortável
com outra pessoa?
Se você não encontrar uma maneira de amar a D'us, de amar o D'us que habita sua alma,
você estará numa constante busca pelo amor. Muitas vezes voltamo-nos para formas não sadias de
amor para repor esta carência de amor interior.

Além desses tipos primários existem ainda encontramos os tipos terciários:

Eros estórgico → Uma mistura entre o amor erótico baseado em tipo ideal,
seguindo os instintos da atração física que se fundi com o amor companheiro dentro do
contexto de conhecer e aprimorar as afinidades do parceiro o respeitando e compreendendo.

Eros – Ludus → o Amor erótico, baseado na atração física, sem compromisso,


voltado para o jogo do prazer mas sempre na busca de um tipo ideal que sacie suas
fantasias.

Ludus Stórgico → o amor sem comprometimento voltado para o prazer, porém


baseado nas afinidades de gostos, preferências com um toque de amizade.

Teoria triangular do amor de Sternberg:

Segundo ele são três os componentes principais do amor: intimidade, paixão e


decisão/compromisso.

A intimidade→ refere-se aos sentimentos vivenciados dentro de uma relação que


promovem o vínculo entre os membros do casal, distinguindo a presença de dez elementos:
o desejo de promover o bem-estar da pessoa amada, o sentimento de felicidade junto a ela,
o respeito por ela, a capacidade de contar com a pessoa amada em momentos de
necessidade, o entendimento mútuo que se estabelece entre os parceiros, entregar-se e
dividir as posses com o parceiro, receber apoio emocional da pessoa amada, prover-lhe
apoio, comunicar-se intimamente com ela e valorizá-la.
A paixão → consiste, em grande parte, na expressão de desejos e necessidades, tais
como necessidades de auto-estima, entrega, submissão e satisfação sexual.
O componente decisão/compromisso → tem dois aspectos, um a curto e outro a
longo prazo. O aspecto a curto prazo é a decisão de amar outra pessoa, ao passo que o de
longo prazo é o compromisso em manter esse amor. Tais aspectos não ocorrem,
necessariamente, de modo simultâneo. A decisão de amar não implica em estabelecer um
compromisso por esse amor, bem como o inverso também é possível, como quando o
compromisso por uma relação se estabelece sem o acordo de um dos parceiros, casos de
matrimônios arranjados, por exemplo. No entanto, ainda que a decisão/compromisso possa
carecer da carga de intimidade e paixão, é o componente que, em última instância, mantém
a relação.
A partir da combinação desses três componentes, Sternberg caracteriza diversos
tipos de amor que podem ocorrer. Assim, presente somente o componente intimidade, o
amor se caracterizará pelo carinho, sem a paixão ou comprometimento, situando-se muito
próximo à amizade. A presença exclusiva do componente paixão, por sua vez, dá origem a
uma relação em que predomina o alto grau de despertar psicofisiológico(ludus), podendo
tanto surgir como se dissipar instantaneamente. O amor baseado somente no elemento
decisão/compromisso é o denominado amor vazio, que pode ser visto naquelas relações em
que a intimidade e a atração física já deixaram de existir.

Finalmente, encontramos o modelo de Critelli, Myers e Loos, cuja escala dos componentes
do amor é utilizada na presente pesquisa. Segundo os autores, podem ser identificados
cinco componentes do amor, quais sejam:
Dependência romântica → caracterizada pela crença em ideais românticos, com
ênfase na importância do relacionamento, no quanto o parceiro é necessário e na
exclusividade do amor, estando a felicidade do indivíduo na dependência do
relacionamento com o parceiro. Esse componente encontra-se relacionado pelos autores
basicamente ao falso amor de Fromm e às “necessidades “D” de Maslow, apesar de
envolver alguns aspectos respectivos ao sentimento de responsabilidade pelo bem-estar do
parceiro (amor maduro). Os autores salientam, ainda, a presença, nesse componente, dos
três itens identificados por Rubin(1973) em sua concepção de amor romântico:
necessidades afiliativas e de dependência, predisposição à ajuda e exclusividade e absorção
pelo parceiro.
Intimidade comunicativa → componente que enfatiza o sentimento de ser
compreendido, participar de um relacionamento sólido, sendo realmente capaz de se
comunicar e confiar no parceiro. Esse componente, conforme expõem os autores,
identifica-se com o amor genuíno de Fromm, as “necessidades “B” de Maslow (1974) e,
ainda, com o amor conjugal de Driscoll et al. (1972).
Excitação física → item que se relaciona ao estar romântica e sexualmente excitado,
apaixonado e fisicamente atraído pelo parceiro.
Respeito → que inclui muitos dos itens da escala do “gostar” de Rubin(1973),
enfatizando as concepções de um parceiro maduro, bem ajustado, recomendável e que
usufrui um bom conceito.
Compatibilidade romântica → resultado da combinação dos ideais românticos
enfatizados na dependência romântica e a interação harmoniosa, a compatibilidade de
humor, a satisfação total e o contentamento dos parceiros. Deve ser salientado que, na
escala dos autores, os ideais românticos são expressos em itens que soam de forma um
tanto irrealista, o que, não obstante, parecem ser aspectos do amor bastante importantes
para alguns casais.
Conclusões

O grau de satisfação de um indivíduo com o seu relacionamento consiste, segundo


Bystronski (1995), em uma função da avaliação subjetiva que possa fazer sobre a qualidade
do mesmo. Tal qualidade está relacionada com os resultados obtidos a partir da relação
(positivos ou negativos), o nível de comparação entre os resultados da relação e o padrão
interno de satisfação. Esse padrão varia conforme as experiências passadas da pessoa.
Assim, na medida em que tenha se acostumado a obter resultados bastante satisfatórios em
suas relações, o indivíduo apresentará, em conseqüência, um nível de comparação alto,
esperando engajar-se em relacionamentos nos quais os benefícios superem os custos.
Outro fator que pode ser considerado como influente na avaliação da satisfação é a
eqüidade. Assim, uma relação percebida como eqüitativa em termos de custos e benefícios
tende a ser avaliada como mais satisfatória, na medida em que os sentimentos,
normalmente indesejados, de explorar ou ser explorado não estariam presentes.
Hendrick e Hendrick (1997) sustentam que a satisfação é um dos diversos termos
empregados para descrever o julgamento sobre um relacionamento íntimo. Os autores
salientam que a perspectiva de satisfação abrange o sentimento subjetivo de uma pessoa
sobre o seu relacionamento, ao passo que a perspectiva do ajustamento estaria mais
relacionada com os comportamentos realmente verificados em um relacionamento, sendo
melhor expressada pelo termo “funcionamento” da relação.
Voltando a Sternberg (1989), este enfatiza que, ainda que as relações românticas
envolvam dois indivíduos de carne e osso, também podem estar envolvidos outros
indivíduos, quais sejam, os companheiros ideais de cada um. A felicidade e a satisfação de
um dos parceiros na relação poderá ver-se significativamente afetada por uma mera
invenção da imaginação, seja esta uma versão “hollywoodiana” de perfeição ou uma
expectativa baseada no presente e nas experiências passadas de uma pessoa.
Ainda segundo Sternberg (1989), deve-se levar em conta que a felicidade de uma
pessoa dependerá da medida em que a relação na qual está envolvida supere ou não o seu
nível de comparação, ou seja, aquilo que espera de uma relação segundo sua experiência no
passado. Tal noção pode ser ampliada para o seguinte raciocínio: em primeiro lugar, define-
se o nível de comparação para o presente, propósito não somente como representativo do
nível médio de amor que essa pessoa tenha experimentado em relações anteriores, como
também o seu ideal realista para as relações presentes e futuras, ou seja, o ideal possível
para a sua vida. Em segundo lugar, inclui-se não somente o ideal do que um indivíduo
gostaria realmente de sentir por outro, mas também o ideal do que gostaria que o outro
sentisse por si. Desse modo, para cada membro de um casal podemos observar o que um
sente realmente pelo outro, o que cada um gostaria idealmente de sentir pelo outro, o que
cada um percebe que o outro sente por ele e como cada um gostaria, idealmente, que o
outro sentisse por ele.
Segundo o autor acima, o importante não é tanto o que um sente pelo outro ideal,
senão a diferença entre o que sente pelo outro ideal em contraposição ao que sente pelo
outro real. Em outras palavras, o importante não é somente o que um deseja idealmente,
mas a diferença entre o que deseja e o que sente que obtém.
Considerando se a visão do que o outro sente é importante para a satisfação, e se é
tão importante como os próprios sentimentos em relação ao outro, tem-se, conforme o
autor, que são ambos importantes. O que um dos membros do casal crê que o outro sente
por ele é tão importante como o que um sente pelo outro. Nesse ponto, faz-se um
questionamento: até que ponto são importantes os sentimentos reais da outra pessoa em
contraposição à própria percepção desses sentimentos?
As diferenças percebidas predizem melhor a satisfação que as diferenças reais. Com
efeito, depois de considerar o que uma pessoa crê que a outra sente, o que essa última
realmente sente não produz diferença quanto à satisfação, ou seja, a própria percepção dos
sentimentos da outra pessoa são mais importantes para a satisfação do que os sentimentos
reais. A melhor forma de predizer a satisfação dentro de uma relação, portanto, consiste em
achar a diferença entre o que uma pessoa espera da outra e aquilo que essa pessoa pensa
que está recebendo (Sternberg, 1989).
Shackelford e Buss (1997) sustentam que, sob uma perspectiva psicológica
evolutiva, a satisfação ou insatisfação conjugal podem ser vistas como estados psicológicos
que trilham os benefícios e custos globais associados a uma união marital em particular.
Uma aliança conjugal é uma união reprodutiva forjada por aproximadamente todos os
homens e mulheres ao redor do mundo. O casamento implica vários e variados desafios
adaptativos, alguns específicos a determinado sexo, mas muitos deles enfrentados tanto por
homens quanto por mulheres. Tais problemas adaptativos não são estáticos, mas mudam
conforme o contexto flutuante que se verifica ao longo do casamento. É o contínuo sucesso
na resolução dos problemas adaptativos que produzem estados de relativa satisfação
marital, felicidade e contentamento.
Para os autores acima, através das culturas, as mulheres costumam valorizar
capacidades aquisitivas e de trabalho e ambição em um esposo potencial. Já para os
homens, a valorização maior recai na capacidade reprodutiva de uma esposa potencial,
avaliada mediante critérios de juventude e atratividade física. Ambos os sexos, contudo,
valorizam a inteligência, a generosidade e a confiabilidade no parceiro, mais do que
quaisquer outros atributos.
Em uma perspectiva evolutiva, os autores predizem que a contradição do valor dos
parceiros está associada a uma insatisfação em ambos os membros do casal, produzindo
ansiedade no parceiro menos valorizado quanto à possibilidade de que seu esposo ingresse
em ligações extramaritais, em busca de alguém de valor comparável. O esposo de maior
valor, por sua vez, também poderá expressar insatisfação, na medida em que os benefícios
recebidos podem ser menores do que os custos de permanecer em uma relação, excluindo
as possibilidades de outros relacionamentos possíveis.
Dentre os componentes do amor estabelecidos por Critelli et al (1986), a intimidade
comunicativa é o preceptor de satisfação mais significativo, tanto para os homens quanto
para as mulheres.
Esse componente, conforme Critelli et al. (1986), baseia-se na compreensão,
confiança e comunicação entre o casal, encontrando-se identificado com o amor genuíno,
de Fromm, e o “amor S”, de Maslow (1974).
Driscoll et al. (1972) distinguem amor romântico de amor conjugal. O primeiro,
baseado em necessidades afiliativas e de dependência, paixão, idealização, absorção e
exclusividade; o segundo, baseado em confiança, tolerância a críticas, troca, conhecimento
genuíno do parceiro. Este último, caracterizado como amor maduro, é o que prevalece
como maior propiciador de satisfação neste estudo, na medida em que seus elementos estão
na origem do componente intimidade comunicativa
O amor apaixonado, descrito por Hatfield (1988) como aquele em que os indivíduos
experimentam um intenso desejo de união, em que podem se intercalar sentimentos de
êxtase e realização com ansiedade e desespero conforme a proximidade ou separação dos
parceiros, identifica-se com o componente da dependência romântica de Critelli et al.
(1986). Como se pode observar, tal componente não se correlacionou positivamente com a
satisfação dos homens e, para as mulheres, foi o preditor mais fraco da mesma. Já o amor
companheiro, definido pela autora acima como peculiar a um tipo de relacionamento em
que os parceiros apresentam desejo de auto-revelação, de compartilhar segredos e valores, e
que se identifica com o componente intimidade comunicativa, se correlacionou
positivamente com a satisfação, para ambos os sexos.
Segundo Peele (1988), o amor pode ser visto como hábito, na medida em que os
parceiros não possam ver nada além de um ao outro, e a relação contenha aspectos
destrutivos, de sofrimento, sendo sua manutenção vista como uma questão de segurança,
muitas vezes impedindo outras fontes de satisfação. O hábito, é o oposto do amor, o qual
deve basear-se em confiança, ajuda, aceitação, envolvendo o prazer, a valorização do outro
e de si mesmo. Esse entendimento vem ao encontro dos resultados obtidos neste trabalho,
na medida em que tais aspectos do amor, tido como verdadeiro pelo autor acima, abrangem
os elementos que caracterizam a intimidade comunicativa, maior preditor de satisfação para
os casais.
No que diz respeito à teoria triangular do amor, Sternberg (1989) enfatiza a
intimidade como o maior preditor de satisfação, em consonância com o que foi levantado
neste trabalho, tendo em vista que os elementos que compõem a intimidade comunicativa
estão contemplados no componente intimidade do autor acima. Destaca-se, novamente, a
importância da comunicação e da auto-exposição dos membros do casal no
desenvolvimento da intimidade.
Deve ser destacada, ainda, a importância para a satisfação nos relacionamentos
íntimos da capacidade de auto-revelação e a existência de uma auto-estima positiva
(Hendrick, 1981; Napoli et al., 1985) que se encontra na base da intimidade, elemento de
maior valorização pelos casais, e, por conseqüência, ponto crucial para o desenvolvimento
de relações saudáveis.
Quanto à excitação física, tem-se que contribui, ainda que em uma medida mais
discreta, para a satisfação tanto dos homens quanto das mulheres. Tal achado está de acordo
com Sternberg (1989) na medida em que a paixão, na qual está inserido o despertar sexual,
ocupa o segundo lugar na predição da satisfação, assim como em Lee (1988), encontramos
em eros - estilo que valoriza a atração física - o maior preditor de satisfação.
Já nos estudos de Hendrick e Hendrick (1997) e Hendrick, Hendrick e Adler (1988),
encontramos em eros - estilo que valoriza a atração física - o maior preditor de satisfação.
Os dados deste texto nos permitiram concluir que o componente do amor que maior
satisfação proporciona em membros de casais consiste na intimidade comunicativa, seguida
da excitação física, cuja participação revela-se bem mais discreta.
Tratando-se da intimidade comunicativa, um componente que valoriza os aspectos
de comunicação, compreensão, apoio e confiança, elementos consagrados pelos autores que
se dedicam ao tema como promotores de relações sadias.
Bibliografia

Branden, Nathaniel (1988). A vision of Romantic Love.In:


Sternberg, Robert J.;

Barnes, Michael L. (Orgs.). The Psychology of Love. New


Haven: Yale University.

Michael Lee (orgs.). The Psychology of Love. New Haven:


Yale University.

(1992) A liberação dos costumes e suas conseqüências


sobre
os relacionamentos amorosos heterossexuais.
Porto Alegre: UFRGS. Dissertação (Mestrado), Instituto de
Filosofia
e Ciências Humanas.