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1 - SISTEMA DE PROJEÇÕES

1.1 - INTRODUÇÃO

O Desenho Técnico por ser executado sobre o papel tem o problema de representar o tridim
apenas duas dimensões.
A solução do problema da representação das formas está na aplicação dos princípios da geome
organização e padronização desta linguagem, pois somente assim poderemos transmitir ao leitor
clara e precisa, condição fundamental para a existência dos desenhos técnicos. A seguir ap
Sistema Europeu de Projeção (adotado pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Fig. 1.1.1 - Criação / Planejamento / Execução - (www.corbis.com.br)

É fácil imaginar um pequeno engano de leitura causando um grande erro de interpretação.

Para criarmos as regras do Desenho Técnico vamos, inicialmente, visualizar a planifi


tridimensional através da projeção de sua forma como uma sombra.

Fig. 1.1.2 - (COMUNICAÇÃO GRÁFICA MODERNA - GIESECKE, F.E.)

Assim sendo, temos a identificação dos elementos dessa linguagem, que são:

Fig. 1.1.3 - (EXPRESSÃO GRÁFICA DESENHO TÉCNICO - Hoelscher, R.P. & Springer, C.H. & Dobrovolny, J

A seguir a descrição do conjunto de variáveis do sistema da projeção que altera o resultado


(sombra):
1 - Distância do observador ao objeto e plano de projeção - pode ser próxima ou afastada.
2 - Ângulo das projetantes com o plano de projeção - pode ser perpendicular ou não.
3 - Posição do objeto em relação ao plano de projeção - pode possuir uma face paralela ao plano

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não.

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1.2 - DISTÂNCIA DO OBSERVADOR AO OBJETO E PLANO DE


PROJEÇÃO

Fig. 1.2.1a & 1.2.1b- (COMUNICAÇÃO GRÁFICA MODERNA - GIESECKE, F.E.)

Quanto à distância podemos dizer que o observador poderá estar próximo do objeto, de tal
modo que causará uma ampliação da sombra (note as diferentes ampliações na figura 1.2.3)
ou tão afastado (distância infinita) que a sombra estará em VERDADEIRA GRANDEZA (de agora
em diante chamada simplesmente de V.G. = mesma medida da realidade, como representa a
figura 1.2.1b e 1.2.2b), onde as projetantes serão paralelas.
Assim, classificaremos os desenhos técnicos em PROJEÇÕES CÔNICAS OU CILINDRICAS.

Fig. 1.2.2a & 1.2.2b- (DESENHO TÉCNICO - CUNHA, L.V.)

Os Desenho Técnicos produzidos por projeções cônicas são as chamadas PERSPECTIVAS


RIGOROSAS. Temos grande familiaridade com este tipo de desenho pois são imagens deste
tipo que estamos acostumados a interpretar com os olhos.

Fig. 1.2.3 - (COMUNICAÇÃO GRÁFICA MODERNA - GIESECKE, F.E.)

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1.3 - ÂNGULO DAS PROJETANTES EM RELAÇÃO AO PLANO DE

DE PROJEÇÃO

Quanto ao ângulo os Desenhos Técnicos se classificam como PROJEÇÕES ORTOGONAIS


(projetantes perpendiculares ao plano de projeção) ou OBLÍQUA (projetantes oblíquas ao plano
de projeção).

Fig. 1.3.1 - Projeções

Os Desenhos Técnicos produzidos por projeções em que o ângulo formado entre as


projetantes e o plano de projeção não for 90º, são chamados de PERSPECRTIVAS
CAVALEIRAS.

Fig. 1.3.2 - Perspectiva

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1.4 - POSIÇÃO DO OBJETO EM RELAÇÃO AO OBSERVADOR E AO

PLANO DE PROJEÇÃO

Fig. 1.4.1 - Posições

São infinitas as posições do objeto em relação ao plano de projeção.


Vamos avaliar a projeção das três dimensões (largura, altura e profundidade).

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Fig. 1.4.2 - Dimensões

A projeção de cada uma das dimensões se apresenta com maior ou menor deformação em
relação à realidade, conforme o ângulo formado com as projetantes correspondentes,
resultando a representação nas perspectivas axonométricas.

Fig. 1.4.3 - Ângulo das projetantes

As vistas em que a peça se projeta apresentando duas dimensões em V.G. e a terceira


acumulada chamamos de Vista Comum.

Fig. 1.4.4 - Vista Comum

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Em nosso estudo vamos fixar o observador em grande distância (infinita) ao objeto e ao


plano de projeção. Assim como também vamos fixar as projetantes perpendiculares aoa plano
de projeção. São chamadas Vistas Ortogonais.
Entre as possibilidades de projetar uma peça segundo as vistas ortogonais, temos a
situação especial em que a peça acumula uma das dimensões. É possível obter seis vistas de
uma mesma peça acumulando uma das dimensões. Chamamos de Vistas Ortográficas (figura
1.4.5).

Fig. 1.4.5 - (COMUNICAÇÃO GRÁFICA MODERNA - GIESECKE, F.E.)

Veja que já idenficamos uma classificação para os Desenhos Técnicos como segue:

CLASSIFICAÇÃO DO SISTEMA DE PROJEÇÕES


(segundo as variáveis apresentadas anteriormente)

Fig. 1.4.6 - Tabela de Sistema de Projeções

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1.5 - SISTEMA AMERICANO DE PROJEÇÃO

Existem dois sistemas de projeção. O Sistema Europeu, adotado pelo Brasil e utilizado
neste estudo (figuras 1.5.1a, 1.5.3a e 1.5.4a) e o Sistema Americano de projeção que
apresentaremos a seguir.

A diferença entre os dois sistemas está apenas na posição do plano de projeção em relação
à peça e observador.

Fig. 1.5.1a & 1.5.1b, respectivamente - (DESENHO TÉCNICO Vol I - BORNANCINI, J.C.M. & PETZOLD, N.I. &
ORLANDI, H. Jr.)

Fig. 1.5.2 - (NBR 10067/1995)

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Fig. 1.5.4a & 1.5.4b, respectivamente - (DESENHO TÉCNICO Vol I - BORNANCINI, J.C.M. & PETZOLD, N.I. &
ORLANDI, H. Jr.)

Estando o desenho representado no Sistema Americano haverá uma composição do


paralelepípedo formado pelos planos de projeção e consequentemente uma abertura diferente,
causando outra distribuição das vistas em torno da vista anterior. Esta é a única diferença
entre os dois sistemas.
Assim, temos uma distribuição diferente das vistas em torno da Vista Anterior.

IMPORTANTE: A única diferença entre os dois sistemas é a posição entre os pares


de Vistas Ortográficas. As vistas são EXATAMENTE iguais. NÃO há inversão ou troca de
visibilidade.

Usamos uma simbologia para identificarmos qual o sistema adotado em determinado


Desenho Técnico, caso haja necessidade. Os desenhos técnicos executados no Brasil devem ser
no sistema europeu, caso contrário deverá necessariamente ser acompanhado do símbolo de
identificação do sistema americano.

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Fig. 1.5.5 - (TECHNICAL DRAWING - GIESECKE, F.E.)

A vista posterior usualmente é posicionada próxima à vista lateral esquerda, mas poderá
ficar ao lado da vista lateral direita se for conveniente.

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1.6 - PROJEÇÕES ORTOGONAIS

As projeções ortogonais são todos os desenhos produzidos, segundo o sistema de projeções


estudado anteriormente, posicionando o observador em distância infinita do objeto e as
projetantes perpendiculares ao plano de projeção.

Classificamos as projeções ortogonais em dois tipos:

1 - PERSPECTIVAS ORTOGONAIS

2 - VISTAS ORTOGRÁFICAS

1 - PERSPECTIVAS ORTOGONAIS: Quando a vista apresenta leitura das 3 dimensões em


uma única projeção.

Fig. 1.6.1 - (EXPRESSÃO GRÁFICA DESENHO TÉCNICO - Hoelscher, R.P. & Springer, C.H. & Dobrovolny, J.S.)

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2 - VISTAS ORTOGRÁFICAS: Quando a vista apresenta apenas 2 dimensões.

Fig. 1.6.2 - (MÉMOTECH DESSIN TECHNIQUE - Pillot, C.)

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1.7 - PERSPECTIVAS

Temos 5 tipos de perspectivas:

Fig. 1.7.1 - (DESENHO TÉCNICO - CUNHA, L.V.)

Fig. 1.7.2 - (TECHNICAL DRAWING - GIESECKE, F.E.)

Temos 3 tipos de perspectivas ortogonais

1 - TRIMÉTRICA

2 - DIMÉTRICA

3 - ISOMÉTRICA

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Fig. 1.7.3 - (DESENHO TÉCNICO - CUNHA, L.V.)

1 - Perspectiva TRIMÉTRICA é aquela em que temos ângulos diferentes entre os eixos


(alrgura, altura e profundidade) e o plano de projeção. Cada eixo tem sua projeção reduzida
com coeficientes diferentes.

Fig. 1.7.4 - (DESENHO TÉCNICO - CUNHA, L.V.)

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2 - Perspectiva DIMÉTRICA é aquela em que temos apenas dois ângulos entre os eixos e o
plano de projeção. Como são três eixos temos dois com o mesmo ângulo. Temos dois
coeficientes de redução para as dimensões.

Fig. 1.7.5 - (DESENHO TÉCNICO - CUNHA, L.V.)

3 - Perspectiva ISOMÉTRICA é aquela em que temos três eixos formando um mesmo


ângulo com o plano de projeção. Todos os eixos têm a mesma redução de projeção. É, sem
dúvida, a perspectiva ortogonal mais utilizada, por ser grande a facilidade de execução.

Fig. 1.7.6 - (DESENHO TÉCNICO - CUNHA, L.V.)

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1.8 - VISTAS ORTOGRÁFICAS

Define a Norma Técnica Brasileira (NBR 10647) que: Vistas Ortográficas são as "figuras
resultantes da projeção cilíndricas ortogonais do objeto sobre planos convenientemente
escolhidos, de modo a representar, com exatidão a forma do mesmo com seus detalhes".
Quais sejam:

z Vistas Comuns
z Vistas Secionais
z Vistas Auxiliares

1.8.1 - VISTAS COMUNS

Como visto anteriormente temos que uma vista comum é aquela em que temos uma das
dimensões da peça projetada de forma acumulada (reduzida a um ponto).

Deste modo temos que é possível obter seis Vistas Comuns de uma peça. Um par para
cada dimensão acumulada. Uma principal e outra oposta.

Fig. 1.8.1.1 - (COMUNICAÇÃO GRÁFICA MODERNA - GIESECKE, F.E.)

Se para cada Vista Comum temos um plano de projeção, então é possível considerar um
paralelepípedo formado pelos seis planos de projeção.

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Fig. 1.8.1.2 - (COMUNICAÇÃO GRÁFICA MODERNA - GIESECKE, F.E.)

Agora vamos imaginar que este paralelepípedo se abra até que todos os planos de projeção
estejam sobre uma mesma superfície (coplanares).

Fig. 1.8.1.3 - (COMUNICAÇÃO GRÁFICA MODERNA - GIESECKE, F.E.)

As vistas Ortográficas devem, sempre que possível, ser utilizadas obedecendo ao


alinhamento (referente à distribuição de vistas), caso contrário devemos identificá-las
claramente com o nome da vista (figura 1.8.1.5).

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Fig. 1.8.1.4 - (COMUNICAÇÃO GRÁFICA MODERNA - GIESECKE, F.E.)

Fig. 1.8.1.5 - (NBR10067/1995)

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1.8.2 - VISTAS SECIONAIS

São vistas obtidas quando se supõe o objeto cortado por plano secante convenientemente
escolhido e removida a parte anteposta entre o plano secante e o observador.

1.8.3 - VISTAS AUXILIARES

São vistas obtidas sobre planos auxiliares, inclinados em relação a planos principais de
projeção. Empregam-se para representar, com exatidão, detalhes do objeto, inclinados em
relação às faces principais do mesmo.
As vistas auxiliares são projeções parciais, pois devem representar apenas o detalhe que a
motivou, o restante da peça deve ser omitido a partir do traçado de uma linha de ruptura.
Observar que caso a vista auxiliar seja completa (sem interrupção da vista) então esta
passará a levar a denominação de perspectiva.

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2 - TIPOS E LARGURAS DE LINHAS

O Desenho Técnico básico é composto por “traço e fundo”, ou seja, é o produto do desenho
de linhas sobre um fundo homogêneo representando arestas e linhas de contorno aparente.
Temos a possibilidade de variar a largura, o traço e a cor das linhas.
1. Largura
As linhas tem sua largura classificadas em duas grandes famílias, quais sejam:
z à linhas largas – correspondem a arestas ou linhas de contorno aparente reais
z à linhas estreitas – correspondem a representação convencionais tais como: eixos,
hachuras, linhas de cota e outros.
Temos que a relação entre as linhas largas e estreitas não deve ser inferior a razão 2.
As larguras variam de acordo com o tipo de desenho, escala, densidade e distância do leitor
ao desenho devendo, pelo estabelecido em mesma, manter uma razão v2 entre si.
Assim sendo: 0,13 - 0,18 – 0,25 – 0,35 – 0,50 – 0,70 – 1,00 – 1,40 e 2,00mm.

Para um mesmo desenho devemos manter as mesmas larguras nas diversas vistas. Troca-
se a largura na hipótese de trocar a escala do desenho.
O espaçamento mínimo entre linhas deve ser de aproximadamente o dobro da linha mais
larga e nunca inferior a 0,70mm.
2. Traçado

Fig. 2.1 - (NBR 8403/1984)

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Fig. 2.2 - (NBR 8403/1984)

3. Cor
As cores são pouco usadas no Desenho Técnico Básico apresentado ao leitor, porém ganham
certa importância enquanto lidos nas telas geradas por softwares de CAD (sigla adotada para
desenho assistido por computador) vez que nesta apresentação as linhas raramente tem leitura
de espessuras (todas tem mesma largura).
Assim sendo, as linhas tem, geralmente, a largura substituída por cores antes da impressão
em sua apresentação para leitura.
Devemos adotar, portanto, cores diferentes para larguras diferentes.
Geralmente os escritórios (desenhistas) adotam uma grade de cores que correspondem a
cores fortes para linhas largas e cores fracas para as estreitas.
Não há regra para padronização de cores. Nunca esquecendo que podemos encontrar linhas
de cores diferentes com mesma largura.
Podemos usar larguras diferentes, também, para valorizar e ou ressaltar detalhes do
desenho ou para dar impressão de que aquelas linhas estão mais afastadas do observador
(segundo plano).

Fig. 2.3 - detalhe da linha mais espessa (segundo plano)

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3 - CONCORDÂNCIAS E TERMINAIS

As concordâncias e os terminais servem para melhorar a representação das peças e as


informações relativas as mesmas contidas nos desenhos.
Concordâncias são uniões de duas superfícies através de curvaturas e terminais são
símbolos que indicam a união de curvaturas em um determinado ponto do desenho.
A correta utilização destes elementos gráficos permite a representação mais precisa das
peças com um menor número de vistas. Por exemplo, as quatro peças abaixo podem ser
representadas cada uma em duas vistas ortográficas, ressaltando suas diferenças através de
concordâncias e terminais, como veremos a seguir.
Nestes exemplos, se não fossem utilizados terminais e concordâncias seriam necessárias
vistas complementares para a representação de cada uma das peças, que não seriam
totalmente definidas somente em duas vistas.

Fig. 3.1 - as 4 perspectivas da 1ª linha de exe da folha B8


Antes de estudar os terminais e concordâncias propriamente ditos, vamos explorar um
pouco mais cada uma destas peças e sua representação. Inicialmente cabe verificar os tipos de
linha presentes na representação de cada peça.

A peça 1 da figura 3.1 é composta por um cilindro unido a uma haste, que está
representada parcialmente no desenho. Em sua representação temos os seguintes tipos de
linha:

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Fig. 3.2 - Representação de linhas

Observe que nesta primeira peça a união entre as superfícies da haste e do cilindro é feita
através de arestas e cantos vivos, assim como a união entre as superfícies da haste.
Vemos que na vista anterior, as duas linhas representativas da haste avançam sobre o
cilindro até um determinado alinhamento.

Fig. 3.3 - Representação de tangência

Este é o alinhamento do ponto de tangência, na Vista Superior, da reta representativa da


superfície da haste à circunferência representativa do cilindro.

Fig. 3.4 - Representação de tangência

Determina-se o ponto de tangência de uma reta a uma circunferência traçando-se uma reta
auxiliar à reta tangente, que passe pelo centro da circunferência e que seja perpendicular à
referida reta:

Fig. 3.5 - Ponto de tangência

Na Vista Anterior as retas que representam a haste avançam até o alinhamento deste ponto
de tangência, conforme se observa a seguir.

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Fig. 3.6 - Linha auxiliar

Até este ponto analisamos alguns aspectos da peça a título introdutório, visto que não
estão presentes nesta representação nem terminais nem concordâncias, que são o foco
principal desta aula e serão tratados a seguir.
Comparando agora as peças 1 e 2

Fig. 3.7 - Detalhes de acabamento

Vemos que existem diversas diferenças de acabamento entre elas. Na peça 2 as uniões
entre o cilindro e a haste e entre as superfícies da haste entre si são curvas, e as arestas
desbastadas (arredondadas). Por exemplo, se cortássemos a haste, veríamos para a peça 1
uma seção da seguinte forma:

e, para a peça 2, um pouco diferente:

Estas diferenças de acabamento serão demostradas nas vistas utilizando-se as


concordâncias e terminais, sem uso de seções ou de perspectivas.

Concordâncias
Existem dois tipos de concordâncias: de raio determinado e de raio indeterminado (ou
comuns). As concordâncias de raio determinado necessitam ter uma dimensão precisa na peça
para que a mesma funcione adequadamente. As concordâncias de raio indeterminado servem
para indicar o acabamento da peça, mas não necessitam ter uma dimensão precisa.
As concordâncias de raio determinado sempre devem ser representadas cotadas ou com
marcação de seu centro, enquanto as de raio indetermindo não necessitam destes elementos
em sua representação.

Fig. 3.8 - Concordâncias de raio determinado e indeterminado

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Quando o desenho for executado manualmente, para traçar uma concordância utilizando os
instrumentos convencionais de desenho deve-se posicionar o furo do gabarito de
circunferências com o raio escolhido de forma que seja possível apoiar a lapiseira no mesmo e
tocar as retas que deverão ser unidas pela concordância, para então traçar com a lapiseira
apoiada no gabarito.
Na Vista Anterior da peça 2 teremos uma concordância unindo a superfície lateral do
cilindro à superfície da haste, como se verifica a seguir. Tratando-se de uma peça simétrica,
esta mesma concordância será representada na parte superior e na inferior da vista.

Fig. 3.9 - Detalhe de concordâncias

Terminais são símbolos que indicam que em um determinado ponto da


peça existe a união de duas ou mais curvaturas. Por exemplo, na peça 2,
no ponto indicado a seguir temos a união da curvatura referente ao
encontro da lateral do cilindro com a haste e da curvatura referente ao
encontro das duas superfícies laterais da haste.
Fig. 3.10 - Detalhe de terminais

Nas vistas, esta união de curvaturas será representada através de terminais. Assim, na
Vista Anterior da peça 2, no final das linhas representativas da haste serão representados
terminais indicando que ali ocorre a união de duas curvaturas. Os terminais são desenhados
até o alinhamento do ponto de tangência da superfície da haste com a do cilindro.

Fig. 3.11 - Representação de terminais

A representação dos terminais é feita através de uma


pequena curvatura ao final da reta. Esta curvatura tem cerca
de 1/8 de circunferência.
Fig. 3.12 - Representação dos terminais

Observemos, agora, a peça 3. Comparando-a com a peça 2 vemos que a diferença entre
elas reside no formato da haste, que na peça 2 tem superfícies planas e, na 3, superfícies
completamente curvas. Estas diferenças são represetadas nas vistas através dos terminais.

Terminais divergentes indicam que a superfície entre eles é plana (caso da peça 2)

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enquanto que terminais convergentes indicam que a superfície entre eles é curva.

Assim, a diferença na representação das peças 2 e 3 se dará unicamente na forma dos


terminais representados em sua Vista Anterior, ficando a representação da peça 3 como segue:

Fig. 3.13 - Detalhe de terminais

A última peça desta seqüência de 4 peças é muito similar a peça 2, alterando somente o
ponto em que a haste encontra o cilindro. Na peça 4 a haste não tangencia o cilindro, o que
altera, consequentemente, a representação nas vistas, como se observa a seguir.

Fig. 3.14 - Representação das vistas

Basicamente a utilização de terminais e de concordâncias poderia ser resumidamente


explicada conforme foi colocada até aqui. Veremos a seguir alguns exemplos que visam
simplesmente reforçar o que foi exposto.

Fig. 3.15 - Representação de terminais

Existem situações, quando tratamos com peças com acabamento composto por arestas
desbastadas e por curvaturas, que podemos optar entre representar ou não certas arestas.
Esta opção deve sempre ser feita visando a maior clareza na transmissão da informação
através do desenho.
Vejamos, por exemplo, a peça 3.16.

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Fig. 3.16 - Detalhe de concordâncias

A aresta assinalada poderia ser suprimida de sua representação, visto que no encontro do
cilindro com a superfície existente naquele alinhamento não temos uma aresta, mas somente
uma concordância, uma curvatura. Entretanto fica mais fácil de compreender o volume da peça
se representarmos tal aresta do que se não o fizermos. Neste caso temos 3 opções:
a) representar a aresta
b) não representar a aresta
c) representar uma linha estreita, que não troca nos exemplos, indicando que naquele ponto
do desenho temos um detalhe que ceve ser observado na outra vista (na Vista Superior).

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4 - VISTAS AUXILIARES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS

Esta aula tem por objetivo apresentar o conteúdo de vistas auxiliares primárias e
secundárias no desenho técnico. Inicialmente é apresentada a definição de vistas auxiliares e,
em seguida, a importância do uso dessas vistas no desenho técnico. Depois, é realizada uma
breve revisão de mudança de plano de projeção da geometria descritiva. Por fim, é apresentada
uma sistemática de obtenção de vistas auxiliares primárias e secundárias através de uma
analogia com o assunto de mudança de plano de projeção.

4.1 - O QUE SÃO VISTAS AUXILIARES?

Nos capítulos anteriores, você se deparou com vistas que assumiam uma posição particular
com relação aos planos de projeção do primeiro diedro. Conforme verificado, essas vistas são a
anterior, posterior, laterais direita e esquerda, superior e inferior. Estas vistas são chamadas
Vistas Principais ou Comuns.
Contudo, em diversas situações, com o intuito de aumentar a compreensão da forma da
peça e de suas dimensões por parte de quem lê o projeto ou desenho, o desenhista se vê
obrigado a representar determinadas partes da peça em verdadeira grandeza. Isto se torna
mais evidente no momento em que a verdadeira grandeza de uma determinada parte da peça
não é obtida diretamente pela leitura das vistas comuns (figura 4.1.1).

Fig. 4.1.1 - (COMUNICAÇÃO GRÁFICA MODERNA - Giesecke, F.E.; Mitchell, A.; Spencer, H.C.; Hill, I.L.; Dygdon,
J.T.; Novak, J.E.; Lockhart, S.)

Nesse caso, o desenhista pode representar graficamente a peça observada de uma posição
distinta de forma a explicitar com clareza e exatidão as partes, elementos ou componentes que
necessitam ser melhor apresentados. Em outras palavras, representa-se a vista da peça de uma
determinada posição diferente destas seis posições principais e a vista assim obtida é
denominada vista auxiliar.
Para exemplificar, vamos analisar a peça apresentada na figura 4.1.2. De acordo com essa
figura, percebe-se a existência de um plano oblíquo cuja projeção aparece reduzida nas vistas
anterior e superior.

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Fig. 4.1.2 – Peça que apresenta plano oblíquo com relação aos planos de projeção
Caso seja interessante a representação em verdadeira grandeza da face oblíqua da peça
apresentada na figura 4.1.1, é necessário posicionar o observador de forma que consigamos
obter uma projeção ortogonal da face oblíqua em plano de projeção conveniente. Para resolver
esse problema, é necessário, nesse caso, contar com os conhecimentos da geometria descritiva
e utilizar o processo de mudança de plano de projeção para obtenção da nova vista. No
exemplo da figura, é necessária a realização de uma dupla mudança de plano de projeção, uma
vez que na primeira mudança de plano a face oblíqua será acumulada e, em seguida, através
de uma segunda mudança de plano de projeção, a verdadeira grandeza da face oblíqua será
explicitada.

4.2 - MUDANÇA DE PLANO DE PROJEÇÃO DA GEOMETRIA DESCRITIVA

(Suporte para obtenção das VISTAS AUXILIARES)

Existem algumas formas para obtenção das vistas auxiliares no desenho técnico. Pode-se
obter uma vista auxiliar, por exemplo, utilizado processos de mudança de plano de projeção ou
rotacionando a peça em estudo em torno de um determinado eixo. Nos próximos itens iremos
revisar o processo de mudança de plano de projeção.
Na vista anterior da figura 4.1.2 as retas que representam a haste avançam até o
alinhamento deste ponto de tangência.

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4.3 - MUDANÇA SIMPLES DE PLANO DE PROJEÇÃO

A mudança simples de plano de projeção é o processo de identificação da verdadeira


grandeza de um plano que tenha uma de suas projeções acumuladas em 1 ou 2.
Dessa forma, considere o exemplo apresentado na figura 4.3.1. De acordo com a mesma,
um plano representado pelos pontos A, B e C, cujas projeções em 1 são A1, B1 e C1 e cujas
projeções em 2 são A2, B2 e C2, possui projeção acumulada em 2.

Fig. 4.3.1 – Épura de um plano representado pelos pontos A, B e C

A condição suficiente para se obter a verdadeira grandeza desse plano é alterar a posição
da linha de terra de forma que a mesma fique paralela à projeção acumulada do plano (figura
4.3.2) e gerar uma nova vista.

Fig. 4.3.2 – Mudança da posição da linha de terra

Como o novo plano de projeção escolhido é perpendicular a 2, tem-se que a nova linha de
terra deve ser chamada de 2 3. Em seguida, deve-se desenhar linhas de chamada
perpendiculares à nova linha de terra, visto que estamos trabalhando com o sistema de
projeções ortogonais. Sendo o plano 3 um plano horizontal de projeções, assim como 1, os
afastamentos se manterão iguais nestas duas projeções. Para transferí-los, mede-se os
afastamentos dos pontos A, B e C, pelas distâncias das projeções A1, B1 e C1 à linha de terra
1 2 Essas distâncias serão os afastamentos das projeções A3, B3 e C3 em relação a nova
linha de terra 2 3 (figura 4.3.3).

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Fig. 4.3.3 – Marcação das projeções dos pontos A3, B3 e C3

Procedida a marcação dos afastamentos do pontos A, B e C em 3, deve-se agora unir as


projeções A3, B3 e C3 para a obtenção da verdadeira grandeza do plano formado pelos pontos
A, B e C (figura 4.3.4).

Fig. 4.3.4 – Obtenção da verdadeira grandeza do plano

Ver Animação

Saiba mais:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10067: Princípios gerais de representação em desenho
técnico

CUNHA, L. Desenho Técnico. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1989.

GIESECKE, F. et alli. Comunicação Gráfica Moderna. Porto Alegre: Bookman, 2002.

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4.4 - MUDANÇA DUPLA DE PLANO DE PROJEÇÃO

Considere agora um plano oblíquo formado pelos pontos A, B e C, cuja representação em


épura é apresentada na figura 4.4.1. Conforme observa-se na figura 1, tanto a projeção do
plano em 1 como em 2 aparecem reduzidas.

Fig. 4.4.1 - Representação em épura de um plano oblíquo qualquer

Para a obtenção da verdadeira grandeza do plano deve-se, nesse caso, realizar uma
mudança de plano de projeção de forma a acumular uma das projeções em 1 ou 2 de
forma que o problema seja reduzido ao caso anterior apresentado no item 4.3 deste capítulo.
obrigatoriamente paralela a linha de terra 1 2. Com isso garantimos que a projeção da
mesma reta em 1 seja apresentada em verdadeira grandeza.

Fig. 4.4.2 – Escolha de uma reta pertencente ao plano que tenha uma de suas projeções paralelas a 1 ou a 2

Com a projeção da reta em 2, verificamos que é necessário a determinação de um quarto


ponto do plano. Conforme é verificado na figura 4.4.3, este ponto, doravante denominado
ponto D, ou simplesmente D, pertence também a reta AC. A figura 4.4.3 apresenta a
identificação das projeções do ponto D em 1 e em 2.

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Fig. 4.4.3 – Determinação da projeção em 1 e em 2 do ponto D.

Determinada a projeção da reta em verdadeira grandeza, basta agora proceder a primeira


mudança de plano de projeção de forma a representarmos a projeção do plano acumulada em
um dos planos de projeção. Conforme observa-se na figura 4.4.4, como a verdadeira grandeza
da reta BD foi determinada em 1, deve-se colocar um novo plano de projeção perpendicular
a esse último. Assim, tem-se uma nova linha de terra 1 4 que será perpendicular a direção
da projeção da reta BD em 1.
Para determinar as projeções A4, B4, C4 e D4 em 4, basta traçar linhas de chamada
perpendiculares à posição da nova linha de terra 1 4 e transpor as cotas dos pontos de 2 e
marcá-las em 4 (figura 4.4.4). Cabe lembrar que sendo 2 e 4 planos verticais de projeção
as cotas irão se manter iguais de um para outro.

Fig. 4.4.4 – Acumulando o plano oblíquo em 4.

Acumulando a projeção do plano em 4, podemos obter agora a verdadeira grandeza do


plano repetindo os procedimentos no item 4.3. Isto significa que devemos partir para uma
segunda mudança de plano de projeção. Posicionando o novo plano de projeção de forma que
a nova linha de terra fique paralela a projeção acumulada do plano formado pelos pontos A, B,
C e D em 4.

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Fig. 4.4.5 – Segunda mudança de plano de projeção.

Fig. 4.4.6 – Determinação da verdadeira grandeza do plano.

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4.5 - OBTENDO VISTAS AUXILIARES NO DESENHO TÉCNICO

Para a obtenção de vistas auxiliares no desenho técnico são utilizados os conhecimentos de


geometria descritiva. Porém, existem algumas diferenças que devem ser aqui esclarecidas.
Inicialmente, a linha de terra da geometria descritiva passa a ser denominada de plano de
referência. Este plano é representado através de uma linha traço-ponto e posicionado de forma
conveniente para que uma dada vista auxiliar seja obtida.
Além disso, caso a direção da observação da vista não seja evidente, convenciona-se
colocar no desenho uma seta representativa da posição na qual se está observando a peça,
acompanhada de uma letra maiúscula indicativa (isto só se faz necessário se não estiver
seguindo o alinhamento “natural” do desenho. Com isso, após o desenho da vista auxiliar
pode-se colocar o nome “Vista de A”, “Vista de B”, dentre outras (figura 4.5.1).

Fig. 4.5.1– (MÉMOTECH DESSIN TECHNIQUE - Pillot, C.)

Também em desenho técnico, convenciona-se chamar a vista obtida com uma mudança de
plano de projeção de vista auxiliar primária. Já vista auxiliar secundária é aquela obtida com a
realização de uma mudança de plano de projeção dupla.
Para exemplificarmos melhor a forma de obtenção de vistas auxiliares primárias e
secundárias no desenho técnico, aplicaremos o processo de mudança de plano de projeção na
peça apresentada na figura 4.5.2. Nosso objetivo será obter uma vista que apresente a face
formada pelos pontos 1, 2, 3, 4 e 5 em verdadeira grandeza. Para facilitar a apresentação da
forma pela qual o processo de mudança de plano de projeção foi realizado, numeramos,
também, os demais vértices da peça. Na figura 4.5.3 são apresentadas as vistas anterior e
superior da peça na figura 4.5.2.

Fig. 4.5.2 – Peça cortada por plano oblíquo


Fig. 4.5.3 - Vista Anterio e
Superior respectivamente

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4.6 - VISTAS AUXILIARES PRIMÁRIAS

Utilizando os conhecimentos de geometria descritiva, sabemos que a face 1, 2, 3, 4, 5


constitui-se em um plano oblíquo e, portanto, para obtermos a verdadeira grandeza desta face
é necessário inicialmente obtermos uma vista auxiliar primária através de uma mudança de
plano de projeção simples, na qual este plano 1, 2, 3, 4, 5 apresenta-se acumulado. Com isso,
iniciamos as etapas para a obtenção da vista auxiliar secundária (item 4.4) através de uma
segunda mudança de plano de projeção. Para isso, é interessante que posicionemos um plano
de referência em posição conveniente (figura 4.6.1).
Uma condição necessária para se obter uma vista

Fig. 4.6.1 – Vistas anterior e superior da peça com plano de referência

da peça que apresente a face formada pelos pontos 1, 2, 3, 4 e 5 acumulada é identificar


uma reta cuja projeção apareça em verdadeira grandeza na vista anterior ou na superior.
Tomemos nesse caso a projeção da aresta formada pelos pontos 1 e 5 na vista anterior. Como
a projeção dessa aresta é paralela à linha de terra, sua respectiva projeção na vista superior
está em verdadeira grandeza.

Em seguida deve-se proceder a primeira mudança de plano de projeção que deverá ser
posicionado de tal forma que a direção da projeção da reta formada pelos pontos 1 e 5 na
vista superior lhe seja perpendicular (figura 4.6.2). Com isso, pode-se puxar linhas de
chamada partindo das projeções dos vértices da peça e que sejam perpendiculares ao plano de
referência. Por fim, são transpostas as medidas de altura dos pontos da peça. Estas medidas
são as cotas de cada um destes pontos e se manterão iguais na nova vista auxiliar em função
desta constituir-se em um novo plano vertical 3. Em geometria descritiva a altura dos pontos
é denominada cota do ponto.

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Fig. 4.6.2 – Primeira mudança de plano de projeção

Marcadas as cotas de todos os pontos da peça, deve-se proceder ao desenho das arestas e
análise de visibilidade das mesmas. Como buscamos acumular a face formada pelos pontos 1,
2, 3, 4 e 5, mostrando uma vista completa da peça, inclusive determinando a visibilidade ou
não de cada aresta, deve-se orientar futuros leitores do desenho qual a posição na qual o
observador está vendo a peça. Nesse caso, convém colocar uma seta indicativa com uma letra
romana em maiúscula da posição segundo a qual a peça é observada (figura 4.6.3).
Após análise da visibilidade, deve-se unir os pontos desenhando assim linhas visíveis e
invisíveis. Não podemos esquecer nesse caso de indicar abaixo da peça que esta vista é a
“Vista de A”. Através desse procedimento desenhamos a vista auxiliar primária da peça, já que
a mesma foi obtida com uma simples mudança de plano de projeção.

Fig. 4.6.3 - Vista Auxiliar Primária da peça

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4.7 - VISTAS AUXILIARES SECUNDÁRIAS

De posse da vista auxiliar primária da peça estudada, pode-se agora posicionar um novo
plano de referência paralelamente a face 1, 2, 3, 4 e 5 acumulada que é apresentada na vista
de A. Com isso pode-se traçar linhas de chamada ortogonais ao novo plano de referência
desenhado, respeitando, assim, o sistema de projeção ortogonal (figura 4.7.1) Plano horizontal
de projeção – afastamentos se mantêm. Em seguida são marcadas as distâncias dos pontos
até o primeiro plano de referência marcado (figura 4.7.1).

Fig. 4.7.1 – Marcação dos pontos para construção da Vista Auxiliar Secundária

A partir da marcação dos pontos pode-se realizar a análise de visibilidade das arestas. De
forma similar aquela realizada na construção da vista auxiliar primária, deve-se verificar
inicialmente a posição do observador para a vista auxiliar secundária. Nesse caso, deve-se
desenhar uma seta apresentando de onde o observador está visualizando a vista seguido da
letra B. Com isso, pode-se escrever abaixo da vista auxiliar secundária o nome da vista, isto é,
“Vista de B”.

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Fig. 4.7.2 – Vista Auxiliar Secundária da peça

Cabe-se lembrar que o contorno da peça sempre será visível e, como colocamos a face 1,
2, 3, 4, 5 em verdadeira grandeza (de frente para o observador) todas as arestas
componentes da mesma serão visíveis e qualquer reta que cruze esta face estará cruzando
“por trás” sendo, assim, invisível.

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5 - CORTES E SECÇÕES

Em muitos casos a representação da realidade através do sistema de vistas ortográficas


pode não se mostrar adequado devido a dificuldade de interpretação do desenho que pode
haver, principalmente em peças complexas.

Imagine, por exemplo, um prédio ou o motor de um carro sendo representados através de


vistas ortográficas, ou seja, observados de fora e registrando no desenho todas as arestas e
contornos visíveis e invisíveis. O número de linhas resultante nos desenhos destes exemplos
exigiria um tempo bastante longo para sua confecção e, mais ainda, para sua interpretação.

Explorando um pouco estes dois exemplos: no caso de um prédio representado através de


vistas ortográficas teríamos que registrar todos os detalhes visíveis pelo lado de fora do
mesmo (contorno, esquadrias, arestas, detalhes de fachada, etc.) e todos os detalhes que
seriam invisíveis desta posição (paredes internas, esquadrias e vãos internos, detalhes da
fachada oposta, ect.)

Fig. 5.1 - Peça representada em vistas ortográficas (DESENHO TÉCNICO E TECNOLOGIA GRÁFICA - French, T. E. &
Vierck, C. J.)

No caso do motor de carro teríamos que mostrar, da mesma forma, todos os detalhes
visíveis externamente e todos aqueles internos e existentes do outro lado da peça.
É fácil compreender que em peças complexas, além do tempo que seria despendido para a
transmissão de informação neste sistema, a dificuldade de interpretação aumentaria a
probabilidade de equívocos na compreensão desenho.

Para evitar estas dificuldades, se utiliza amplamente nos desenhos técnicos a representação
de peças através de vistas seccionadas (cortes e seções) juntamente com as representações
em vistas ortográficas, buscando facilidade de representação, rapidez e eficiência de
interpretação dos desenhos.

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Fig. 5.2 - Vista em corte da peça da figura 3 (MÉMOTECH DESSIN TECHNIQUE - Pillot, C.)

Representar uma peça “cortada” consiste em:


z imaginar que a peça está sendo seccionada por um plano imaginário (figura 5.3);
z eliminar toda a porção da peça situada entre o plano de corte e o observador;
z representar a porção restante da peça como se estivéssemos observando a mesma
cortada (figura 5.3), seguindo algumas regras comentadas a seguir.

Fig. 5.3 - Execução de um corte (EXPRESSÃO GRÁFICA DESENHO TÉCNICO - Hoelscher, R.P. & Springer, C.H. &
Dobrovolny, J.S.)

O “traço” do plano de corte" deve ser indicado em uma vista perpendicular ao mesmo –
este plano deve ser representado através de linha tipo traço-ponto larga que se prolonga para
fora do contorno da peça. Dentro da peça o traço do plano de corte pode ser representado
com linhas estreitas tipo traço-ponto ou ser suprimido.

Obrigatoriamente deve-se representar o sentido de observação, o que é feito através de


setas nos extremos da linha que demarca a posição do plano de corte.

Cabe lembrar que um objeto cortado, se observado em um sentido ou em outro pode


resultar em vistas bastante diferentes.

Caso esteja sendo representado mais de um corte da mesma peça colocam-se letras

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maiúsculas junto às setas indicativas da direção. Estas letras servem para identificar cada
posição de corte e são informadas abaixo de cada vista cortada com a finalidade de vinculá-la
com a respectiva posição de corte. Vide na figura 5.4 as letras “A”, “B” e “C” junto às setas e
os “nomes” dos cortes (corte AA, corte BB, corte CC, ...) indicados abaixo das respectivas
vistas seccionadas.

Fig. 5.4 - Cortes

Quando a posição de corte for óbvia (figura 5.5), esta não necessita ser indicada (NBR
10067/1995 item 4.7.2.2).

Fig. 5.5 - (EXPRESSÃO GRÁFICA DESENHO TÉCNICO - Hoelscher, R.P. & Springer, C.H. & Dobrovolny, J.S.)

Fig. 5.6 - (EXPRESSÃO GRÁFICA DESENHO TÉCNICO - Hoelscher, R.P. & Springer, C.H. & Dobrovolny, J.S.)

Ao se desenhar a peça cortada algumas arestas antes invisíveis se tornarão visíveis em

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função de ter-se retirado parte da peça que impedia sua visibilidade (figura 5.6). Estas
arestas que passarão a ser visíveis serão representadas com linhas contínuas.

Buscando dar clareza à representação e facilidade de interpretação ao desenho evita-se, ao


máximo, a representação de detalhes invisíveis nas vistas “em corte”. Podemos adotar como
padrão para a maior parte dos cortes suprimir todas as linhas tracejadas que representariam
elementos invisíveis em peças cortadas.

Para salientar a parte da peça que foi cortada coloca-se uma espécie de pintura nos locais
onde o plano de corte atravessou partes sólidas da peça – naqueles locais em que teria sido
necessário serrar a peça para gerar o corte. Esta “pintura” chama-se hachura e é comentada a
seguir.

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5.1 - HACHURAS

Hachuras são uma espécie de pintura que serve para salientar a parte onde a peça
efetivamente foi cortada. Pode também acrescentar informações sobre o tipo de material
constituinte da peça que está sendo representada – neste caso utilizam-se hachuras
específicas , que são comentadas a seguir.
Pode se classificar as hachuras em:
• genéricas;
• específicas.
As hachuras genéricas são compostas de linhas estreitas, eqüidistantes e paralelas entre si
e inclinadas a 45° com os contornos principais da peça.

Fig. 5.1.1 - (MÉMOTECH DESSIN TECHNIQUE - Pillot, C.)

Para representar as hachuras adotam-se os seguintes


métodos:
• manualmente – com o esquadro de 45°:
• faz-se uma marca distante da borda do esquadro a
distância que se deseja ter entre as linhas das hachuras;
• posiciona-se o esquadro sobre a régua paralela e traça-se
a primeira linha da hachura;
• desloca-se o esquadro em direção a linha traçada de
forma que a marca feita no primeiro passo fique sobre a
referida linha;
• traça-se a segunda linha da hachura;
• desloca-se novamente o esquadro de forma que a marca
fique sobre a última linha traçada e repete-se estes dois
últimos passos para a representação das demais linhas da
hachura
Fig. 5.1.2 - (DESENHO TÉCNICO - CUNHA, L.V.)

• manualmente – com instrumento específico para execução de hachuras: existem alguns


instrumentos de desenho técnico específicos para facilitar e agilizar o desenho de hachuras, nos
quais se regula a distância que se deseja entre as linhas da hachura e uma régua avança
quando se pressiona um botão, servindo como apoio para o traçado das linhas da hachura.
• através de programas computacionais (CAD): quando da confecção de desenhos através de
programas computacionais utilizam-se comandos específicos dos programas, destinados à
representação de hachuras de forma automatizada.
A distância entre as linhas da hachura depende do tamanho da região a ser hachurada. As
linhas devem estar espaçadas de tal forma que não fiquem nem próximas demais nem
afastadas demais (figura 5.1.1).

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Nos casos extremos temos que para regiões muito grandes a serem hachuradas pode-se
colocar a hachura somente no contorno da área hachurada (figura 5.1.3).

Fig. 5.1.3 - (DESENHO TÉCNICO E TECNOLOGIA GRÁFICA - French, T. E. & Vierck, C. J.)

Nos casos opostos, ou seja, de peças muito delgadas (com pouca espessura) utiliza-se um
tipo particular de hachura, chamada hachura enegrecida, que consiste em “pintar” totalmente
de preto a superfície a ser hachurada.

Fig. 5.1.4 - (NBR12298 /1995 )

Neste caso, se tivermos duas peças encostadas entre si, ambas com hachuras enegrecidas,
verifica-se que a separação entre as elas desapareceria. Para evitar este efeito coloca-se esta
linha de separação em branco para salientar sua posição - chama-se esta linha de separação
entre as peças de “linha de luz”.

Fig. 5.1.5 - (EXPRESSÃO GRÁFICA DESENHO TÉCNICO - Hoelscher, R.P. & Springer, C.H. & Dobrovolny, J.S.)

Em todos os desenhos e vistas secionadas utilizados na representação de uma mesma peça


adota-se sempre o mesmo tipo de hachura. Já quando se tem peças diferentes representadas
em um desenho de conjunto utilizam-se, obrigatoriamente, hachuras diferentes para cada uma
das peças, de forma a salientar que tratam-se de peças distintas. Para tanto, quando se está

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utilizando hachuras genéricas, pode se trocar a orientação e/ou o espaçamento entre as


linhas como forma de diferenciar peças distintas.

Fig. 5.1.6 - (DESENHO TÉCNICO E TECNOLOGIA GRÁFICA - French, T. E. & Vierck, C. J.)

As hachuras específicas servem para representar os materiais constituintes de cada peça


que está sendo cortada. São regidas pela norma NBR 122.98/1995 no caso dos desenhos em
geral e pela norma NBR 6492/1994 no caso de desenhos específicos para edificações ou
projetos de arquitetura. São utilizadas principalmente em representações onde se tem mais de
um tipo de material sendo utilizado ao mesmo tempo e desde que a escala do desenho permita
sua adequada visualização.

Fig. 5.1.7 - (EXPRESSÃO GRÁFICA DESENHO TÉCNICO - Hoelscher, R.P. & Springer, C.H. & Dobrovolny, J.S.)

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Fig. 5.1.8 - Hachuras específicas - (EXPRESSÃO GRÁFICA DESENHO TÉCNICO - Hoelscher, R.P. & Springer, C.H. &
Dobrovolny, J.S.)

Fig. 5.1.9 - Hachuras específicas - (ARTE DE PROJETAR EM ARQUITETURA - Neufert, P.)

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5.2 - TIPOS DE CORTE

Existem basicamente 5 tipos de corte:

z Corte total;
z Corte parcial;
z Meio corte & meia vista;
z Corte composto por planos paralelos (ou corte em desvio - NBR 10067/1995 item
4.7.6);
z Corte composto por planos concorrentes.

Deve-se optar pela utilização de um ou outro tipo de corte em função da informação que se
necessita transmitir, objetivando sempre a clareza na transmissão da informação.

• Corte total – um único plano de corte atravessa toda a peça que é representada
totalmente cortada.

Fig. 5.2.1 - (DESENHO TÉCNICO E TECNOLOGIA GRÁFICA, French T.E. & Vierck C.J.)

• Corte parcial – é adotado quando se deseja representar somente uma parte da peça em
corte para salientar algum detalhe da mesma (figura 5.2.2). Entre a região cortada e a região
representada em vista são separadas por linhas de ruptura.

Fig. 5.2.2 - (NBR 10067/1995 )

• Meio corte & meia vista – é utilizado em peças simétricas, aproveitando a simetria para
em uma única vista representar metade da peça em corte e a outra metade em vista. A parte
representada “cortada” e a parte representada em vista são separadas por uma linha de eixo
(figura 5.2.3).

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Fig. 5.2.3 - (NBR 10067/1995)

• Corte composto por planos paralelos – é utilizado quando se deseja em um único


corte representar partes da peça que não estão alinhadas e que podem ser representadas em
um único corte se este for composto por dois ou mais planos paralelos entre si (figura 5.2.4).

Fig. 5.2.4 - (MÉMOTECH DESSIN TECHNIQUE - Pillot, C.)

• Corte composto por planos concorrentes – é utilizado para representar em um único


corte detalhes que seriam observados em cortes feitos por planos diferentes, concorrentes
entre si (figura 5.2.5).
Dentro do sistema de vistas ortográficas, para evitar qualquer distorção, o observador deve
sempre estar posicionado perpendicularmente ao plano de projeção. Nos cortes, o plano de
corte estará sempre paralelo ao plano de projeção e as visuais perpendiculares aos dois. No
caso de corte composto por planos concorrentes teremos em uma única vista cortes gerados
por planos não paralelos entre si.

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Fig. 5.2.5 - Corte composto por planos concorrentes

Para evitar distorções no desenho, os elementos seccionados pelo segundo plano de corte
necessitarão ser “trazidos” para o alinhamento do primeiro plano de corte para, então, serem
levados por alinhamento para a vista que será construída mostrando o corte resultante dos
dois planos.

Fig. 5.2.6 - (DESENHO TÉCNICO - CUNHA, L.V.)

Analisando esta representação verifica-se que nem sempre um corte representa o que
efetivamente se veria se estivesse observando a peça realmente cortada. Os cortes são,
portanto, desenhos complementares que devem ser analisados dentro do contexto das demais
vistas da peça (nunca isoladamente), e levando as regras e particularidades de sua
representação em conta.

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5.3 - EXCEÇÕES

Existem algumas exceções na representação de cortes, que visam facilitar sua


interpretação.Estas exceções são comentadas a seguir:

z Representação de elementos de fixação


z Representação de esferas
z Representação de nervuras de reforço das peças
z Representação de elementos de fixação

Os elementos de fixação (parafuso, porca, pino, arruela, chaveta, etc) quando seccionados
longitudinalmente pelo plano de corte não são representados cortados e, conseqüentemente,
não recebem hachuras. É como se realizássemos o corte de todo o restante da peça e, ao final,
acrescentássemos estes elementos.

Fig. 5.3.1 - (DESENHO TÉCNICO - CUNHA,L.V.)

Fig. 5.3.2 - (DESENHO TÉCNICO - Bachmann, A. & Forberg, R.)

• Representação de esferas

Da mesma forma que os elementos de fixação as esferas mesmo quando seccionadas pelo
plano de corte não são representadas cortadas e não recebem hachuras.

• Representação de nervuras

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Nervuras são elementos de fixação que seguem a mesma regra destes, quando seccionadas
longitudinalmente pelo plano de corte, não sendo representadas cortadas e conseqüentemente
não recebendo hachuras. Estas nervuras tem ainda a particularidade de serem representadas
em verdadeira grandeza quando constituintes de peças simétricas.

Fig. 5.3.3 - (COMUNICAÇÃO GRÁFICA MODERNA - GIESECKE,F.E.)

Fig. 5.3.5 - (DESENHO TÉCNICO - Bachmann, A. & Forberg, R.)

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Fig. 5.3.7 - (COMUNICAÇÃO GRÁFICA MODERNA - GIESECKE, F.E.)

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5.4 - SECÇÕES

A diferença entre uma seção e um corte está no fato de que no corte representa-se o que
está em contato com o plano de corte e o que está além deste em vista e, nas seções, somente
se representar a parte da peça efetivamente seccionada.
Adota-se este tipo de representação principalmente em peças que mudam sua forma ao longo
do seu desenvolvimento. Com as seções pode-se mostrar como é a forma da peça em cada
parte da mesma, sem a necessidade de gerar um corte completo em cada uma destas posições.

Fig. 5.4.1 - (DESENHO TÉCNICO E TECNOLOGIA GRÁFICA - French, T. E. & Vierck, C. J.)

Fig. 5.4.2 - (DESENHO TÉCNICO - CUNHA, L.V.)

Formas de representação das seções


As seções podem ser representadas fora da vista da peça onde se demarca sua posição ou
rebatidas sobre o próprio eixo e sobrepostas à vista da peça. No caso de representação fora da
vista, as seções podem estar dispostas uma após a outra (figura 5.4.2) ou alinhadas com os
planos de seccionamento (figura 5.4.1).

Fig. 5.4.3 - (NBR 10067/1995 )

No caso de representação da seção sobreposta à vista da peça onde é demarcado o plano de


corte as seções são rebatidas sobre o próprio eixo “aplicadas” sobre o desenho da vista. Neste
caso, para facilitar a intepretação e a diferencia'~ao entre as linhas da seção e as da vista sobre
a qual a mesma está sendo sobreposta, as linhas da seção são representadas com linhas
estreitas.

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6 - COTAGEM

Cotagem é a expressão gráfica do dimensionamento de uma peça. Juntamente com o


dimensionamento pode-se concluir outras informações, como seqüência de montagem,
tratamento de superfícies...
Este procedimento se faz necessário, pois a realidade tem uma precisão que não é
necessariamente a mesma da representação. Observe que na realidade temos que considerar
uma tolerância de erro significativo durante a leitura, fabricação e desenho. Temos, também, o
agravamento da imprecisão dos processos de reprodução dos desenhos (cópias, cotagens...)
além da distorção pela dilatação térmica do papel pela variação da temperatura ambiente entre
o dia da plotagem (ou cópia) e o dia da leitura.
São cotatos os desenhos de detalhe (desenhos em que cada componente da peça é
desenhado separadamente), pois os desenhos de conjunto contêm apenas as informações de
cotas de “conjunto”.
Elementos de Cotagem:

Fig. 6.1 - Elementos de cotagem

1. Cota – é a expressão do valor da dimensão


2. Linha de Cota – tem o exato comprimento (dimensão) do que está sendo cotado.
Podemos dispensar as linhas de cota somente no caso dos desenhos esquemáticos (figura
6.1.5).
3. Extremidade da linha de cota – a extremidade de uma linha de cota é geralmente na
forma da seta alongada. É usada geralmente quando a unidade adotada no desenho for
milímetro.

Fig. 6.2 - Extremidade da linha de cota

Quando a unidade adotada for metro é usual a adoção de uma das extremidades a seguir:

Fig. 6.3 - Outros tipos de extremidade de cota

Adota-se quantas casas decimais forem necessárias para o valor da cota. Quando a cota for
em metros usa-se sempre duas casas decimais.

Fig. 6.4 - aproximação centesimal

A unidade de uma cota não é escrita juntamente com a cota no desenho, pois tem lugar

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junto à legenda na prancha de desenho técnico. Admite-se a presença da unidade quando


uma (ou algumas) cota estiver em unidade diferente, ou ainda quando o desenho não estiver
acompanhado de legenda.
4. Símbolo de Cotagem – usa-se colocar um símbolo junto ao valor da cota quando:
z a unidade adotada deverá ser indicada
z for conveniente esclarecer quanto a natureza da cota adotada (diâmetro Ø, raio R, lado
do quadrado )

6.1 - POSIÇÃO DA COTAGEM

As cotas devem ser colocadas acima da linha de cota, observando a disposição a seguir:
É usual, embora não constante da NB, a intervenção da linha de cota para interposição do
seu valor, como segue:

Fig. 6.1.1 - Posições das cotas

Os ângulos devem ser lançados como segue:

Fig. 6.1.2 - Cotagem de ângulos e raios

Exemplos de cotagem:

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Fig. 6.1.3 - Cotagem de circunferências, arcos e cordas

Fig. 6.1.4 - Cotagem em série e em paralelo

Para mostrar as dimensões de qualquer objeto, é necessário, que elas sejam colocadas na
vista adequada. Como as vistas são projeções no plano, é preciso associar a cota a uma figura
plana, como triângulos, retângulos, círculos ou uma combinação dessas formas. Cada peça
deve ser cotada segundo as três dimensões básicas (altura, largura e profundidade). As cotas
devem ser tão completas para que não seja necessário adicionar ou subtrair cotas.
Não repetir cotas – considerar que um único desenho pode ser composto por mais de uma
vista
Considerar repetição de cota quando tem o mesmo detalhe contato na simetria da peça (ou
semelhança).
Não cotar o desnecessário – cotar “tudo” e “apenas” o que for necessário ao leitor.
Devemos considerar o objetivo da cotagem em questão para então colocar as informações.
Cota-se para:

z fabricação
z inspeção
z utilização
z compreensão da forma e dimensão

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Cotar de dentro para fora (da menor para a maior) evitando ao máximo os argumentos
Cotar próximo ao detalhe – a cota deve estar próxima ao detalhe, considerando onde o
leitor estará olhando quando precisar da informação.
Não usar linha do desenho como linha de cota.
Devemos usar linhas de cota para indicar determinada dimensão. Admite-se usar a própria
linha do desenho como linha de cota tão somente nos casos de desenhos esquemáticos.

Fig. 6..1.5 - Modelo esquemático

Não cotar concordância comum – quando certa concordância for de raio “determinado”, este
deverá estar cotado, mas quando não for relevante seu valor o leitor fará uma interpretação
de sua ordem de grandeza segundo a escala adotada.
Usar planos de referência – existem dois tipos principais de cotagem:
Observe que a cotagem em paralelo faz referência de todas as cotas a um plano escolhido.
Escolhe –se o plano de referência segundo conveniência, geralmente a face do melhor
acabamento (aquela que tem menor tolerância ao erro).
Não se deve cotar detalhe invisível.
A cotagem é, acima de tudo, a expressão clara e precisa das dimensões da peça. Para
tanto devemos usar o bom senso para colocar todas e apenas as cotas necessárias à
compreensão.

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7 - ESCALAS

A representação gráfica de peças ou objetos de desenho técnico pode ocorrer de diferentes


formas em uma folha de papel. Dependendo das medidas reais dessas peças ou objetos,
porém, é complicado realizar essa representação em tamanho natural (figura 7.1).

Fig. 7.1 – Representação gráfica de um prédio de vários andares (www.goldstein.com.br)

Para resolver esse problema, pode-se representar o mesmo prédio em escala apropriada,
de forma que o mesmo caiba em uma folha de papel.
De acordo com MONTENEGRO (1978), escala “é a relação entre cada medida do desenho e
a sua dimensão real no objeto” (figura 7.2).

Fig. 7.2 – Relação entre a medida gráfica e a real de um objeto


Onde: E = escala; d = medida gráfica; D = medida real.

As escalas são expressas sempre na relação 1 para algum número ou algum número para
1. Exemplos:

Fig. 7.3 - Transformações de escala

No primeiro exemplo temos uma escala de redução. Isto significa que uma medida gráfica
(no papel) do objeto é cinco vezes menor que a medida real. Já no segundo exemplo, verifica-
se que a medida gráfica é cinco vezes maior que a medida real do objeto. Esta última escala é
chamada de escala de ampliação.

As escalas podem ser escritas também da seguinte forma: E = d:D. Assim, pode-se ter E =

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1:5 ou 5:1. As escalas de ampliação e de redução são conhecidas como escalas


numéricas.

Nas escalas numéricas, o número 1 sempre indicará o valor de 1 (um) metro. Assim, pode-
se dizer que um desenho representado na escala 1:5 teve a medida de um metro reduzido
cinco vezes, isto é, o valor da unidade da medida gráfica corresponderá a 1/5 = 0,20 m ou 20
cm.

Porém, existem algumas situações que objetos representados em escala podem ter suas
escalas alteradas quando submetidos a algum tipo de reprodução (fotográfica, xerográfica,
dentre outros). Assim, caso um projeto de um dado objeto representado em escala 1:50 seja
submetido a uma redução xerográfica, a leitura da escala 1:50 ficará alterada. Esse problema
pode ser solucionado se o desenhista ou projetista colocar próximo ao desenho uma escala
gráfica (figura 7.5). A escala gráfica nada mais é do que a representação gráfica da escala
numérica. Esse tipo de escala é bastante utilizado no desenho de mapas (figura 7.6).

Fig. 7.5 - (DESENHO ARQUITETÔNICO - MONTENEGRO, G.A.)

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Fig. 7.6 - (www.gobrasil.net/brasil/ riograndedosulENG.shtml )

Para o desenho da escala gráfica (figura 7.5), o primeiro segmento à esquerda é dividido
em 10 partes iguais para possibilitar a leitura de grandezas que possuem um único algarismo
decimal (MONTENEGRO, 1978). Este tipo de escala é conhecida como escala gráfica simples.

Contudo, caso seja necessária leitura da medida com uma segunda casa decimal, deve-se
lançar mão da escala gráfica de transversais.

Para o desenho da escala gráfica de transversais é necessário, inicialmente, identificar qual


a escala numérica que servirá de base para a construção da escala gráfica (MONTENEGRO,
1978). Para exemplificar tomemos o caso da escala 1:20. Um desenho de um objeto
representado nessa escala informa ao leitor que suas medidas gráficas foram reduzidas 20
vezes do tamanho natural do objeto.

Assim, 1/20 = 0,05 m = 5 cm . MONTENEGRO (1978) complementa os passos para o


traçado da escala gráfica de transversais: “Fazemos traços verticais para baixo de cada uma
das divisões principais; sobre eles marcamos um segmento qualquer a ser dividido em dez
partes iguais por meio de retas horizontais. Transportamos as divisões do primeiro segmento
da escala simples para a horizontal do extremo inferior. Desenhamos linhas oblíquas, isto é,
transversais ligando cada divisão da horizontal superior com a divisão seguinte na horizontal
inferior. Está concluída a escala de transversais”.
Saiba mais:
GILDO A. MONTENEGRO – DESENHO ARQUITETÔNICO
GIESECKE E OUTROS - COMUNICAÇÃO GRÁFICA MODERNA
NBR 8196 – DESENHO TÉCNICO – EMPREGO DE ESCALAS
NBR 6492 – REPRESENTAÇÃO DE PROJETOS DE ARQUITETURA

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7.1 - O USO DO ESCALÍMETRO

O escalímetro é um instrumento de desenho técnico utilizado


para desenhar objetos em escala ou facilitar a leitura das medidas
de desenhos representados em escala. Podem ser planos ou
triangulares, como o apresentado na figura 7.1.1.

Fig. 7.1.1 – Exemplo de escalímetro ou escala triangular

O escalímetro, escala ou régua triangular, é dividido em três faces, cada qual com duas
escalas distintas. Pode-se, nesse caso, através da utilização de múltiplos ou submúltiplos
dessas seis escalas, extrair um grande número de outras escalas.

O escalímetro convencional utilizado na engenharia e na arquitetura é aquele que possui as


seguintes escalas 1:20; 1:25; 1:50; 1:75; 1:100; 1:125.

Cada unidade marcada nas escalas do escalímetro correspondem a um metro. Isto significa
que aquela dada medida corresponde ao tamanho de um metro na escala adotada (figura
7.1.2).

Fig. 7.1.2– Cada unidade do escalímetro corresponde a um metro

7.2 - ESCALÍMETRO CONVENCIONAL


Como eu faço para desenhar objetos na escala 2:1 utilizando meu escalímetro convencional?

Como o escalímetro convencional apresenta escalas de redução, é necessário que


convertamos inicialmente a escala 2:1 para uma escala de redução próxima de uma conhecida.

Fig. 7.2.1 - Transformação de escalas

Isto significa que a escala 2:1 = 1:0,5. Como esta última é uma escala de redução, basta
tentarmos verificar no escalímetro convencional uma escala mais próxima para podermos

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trabalhar. Essa escala é a 1:50 que é 100 vezes menor que a escala de 1:0,5. Assim, para
desenhar um objeto na escala 1:0,5 ou 2:1 basta ler as unidades do escalímetro 1:50. A
diferença é que cada unidade em vez de corresponder a 1 m , será igual a 1m/100 = 1 cm ou
10 mm . Assim, em vez de ler 1m para cada unidade, deve-se ler, para cada unidade, o valor
de 1 cm ou 10 mm.

7.3 - ESCALAS UTILIZADAS NA ENGENHARIA

De acordo com a NBR 8196, as escalas utilizadas na engenharia são, em geral:

AMPLIAÇÃO NATURAL REDUÇÃO


1:2 1:1 2:1
1:5 5:1
1:10 10:1

Contudo, em geral, costuma-se utilizar as escalas 1:20; 1:25; 1:50; 1:75; 1:100; 1:125,
uma vez que o escalímetro comumente empregado na representação de peças e desenhos da
engenharia utilizam tais escalas. Exceção a essa regra deve ser feita para a Engenharia
Cartográfica, uma vez que as escalas normalmente empregadas são bem inferiores as
apresentadas (1:500; 1:1000; dentre outras).

7.4 - ESCALAS UTILIZADAS NA ARQUITETURA

As escalas de redução recomendadas pela NBR 6492 para a representação de projetos de


arquitetura são: 1:2; 1:5; 1:10; 1:20; 1:25; 1:50; 1:75; 1:100; 1:200; 1:250; 1:500.

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8 - FOLHAS PARA DESENHO TÉCNICO

O presente trabalho tem como objetivo apresentar, de forma sintética, as normas e


convenções usuais referentes as folhas para representação de desenhos técnicos.

Tem como finalidade servir como material de apoio para as disciplinas de Desenho Técnico
(ARQ 3319, ARQ 3322 e ARQ 3323) ministradas nos cursos de engenharia Civil, de Produção,
de Alimentos, da Computação, de Materiais, de Minas, Elétrica, Mecânica, Metalúrgica, Química
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e encontra-se a disposição para
download no site das disciplinas (www.ufrgs.br/destec).

8.1 - NORMAS A CONSULTAR

NBR 10068/87 – FOLHAS DE DESENHO LEIAUTE E DIMENSÕES


NBR 10582 – CONTEÚDO DA FOLHA PARA DESENHO TÉCNICO
NBR 13142 – DOBRAMENTO DE CÓPIA

8.2 - DIMENSÕES

As normas em vigor, editadas pela ABNT adotam a seqüência “A” de folhas, partindo da
folha A0 com área de aproximadamente 1,0m2. Cada folha na seqüência possui dimensão igual
a metade da folha anterior – por exemplo, a folha A1 possui a metade do tamanho da folha
A0, a folha A2 possui a metade do tamanho da folha A1 e assim por diante.
A seguir são apresentadas as dimensões de cada uma destas folhas e alguns desenhos
explicativos.

DIMENSÕES DAS FOLHAS


FOLHA LARGURA (mm) ALTURA (mm)
A0 841 1189
A1 594 841
A2 420 594
A3 297 420
A4 210 297

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Fig. 8.2.1 - Dimensões das folhas de desenho técnico

Fig. 8.2.2 - Grade de dimensões das folhas de desenho técnico

8.3 - MARGENS

Segundo as normas em vigor, cada tamanho de folha possui determinadas dimensões para
suas margens, conforme tabela a seguir.
FORMATO ESQUERDA (mm) OUTRAS (mm)
A0 25 10
A1 25 10
A2 25 7
A3 25 7
A4 25 7

8.4 - CONFIGURAÇÃO DA FOLHA

A seguir são apresentadas as diversas regiões da folha de desenho e a posição de cada um


dos elementos nas mesmas.

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Fig. 8.4.1 - Tipos de divisões

8.5 - POSIÇÃO DE LEITURA

A seguir são apresentadas as diversas regiões da folha de desenho e a posição de cada um


dos elementos nas mesmas.

Fig. 8.5.1 - Posições da cota

8.6 - DOBRAGEM

As normas da ABNT (NBR 13142 – DOBRAMENTO DE CÓPIA) recomendam procedimentos


para que as cópias sejam dobradas de forma que estas fiquem com dimensões, após dobradas,
similares as dimensões de folhas tamanho A4.
Esta padronização se az necessária para arquivamento e armazenamento destas cópias, pois
os arquivos e as pastas possuem dimensões padronizadas.
A seguir são reproduzidos os desenhos constantes na referida Norma indicando a forma que
as folhas de diferentes dimensões devem ser dobradas.

Fig. 8.6.1 - Técnica de dobragem

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Fig. 8.6.2 - Técnica de dobragem

Fig. 8.6.3 - Técnica de dobragem

Fig. 8.6.4 - Técnica de dobragem

8.7 - SELO OU LEGENDA

Segundo a NBR 10582, a legenda de um desenho técnico deve conter as seguintes


informações:
z Designação da firma;
z Projetista desenhista ou outro responsável pelo conteúdo do desenho;
z Local, data e assinatura;
z Nome e localização do projeto;
z Conteúdo do desenho;
z Escala;
z Número do desenho;

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z Designação da revisão;
z Indicação do método de projeção;
z Unidade utilizada no desenho.
O local em que cada uma destas informações deve ser posicionada dentro da legenda pode
ser escolhido pelo projetista, devendo sempre procurar destacar mais as informações de maior
relevância. O número da prancha deve ser posicionado sempre no extremo inferior direito da
legenda.
A seguir é apresentada uma legenda a título exemplificativo.

Fig. 8.7.1 - Selo ou Legenda

8.8 - MARCAS DE REVISÃO (OU TÁBUA DE REVISÃO)

Conforme a NBR 10582, a tábua de revisão é utilizada para registrar correções, alterações
e/ou acréscimos feitos no desenho. Busca registrar com clareza as informações referentes ao
que foi alterado de uma versão do desenho para outra.
Deve conter, segundo a referida norma:
z Designação da revisão;
z Número do lugar onde a correção foi feita;
z Informação do assunto da revisão;
z Assinatura do responsável pela revisão;
z Data da revisão.
A Tábua de revisão é posicionada sobre a legenda, possuindo o formato a seguir
representado. É preenchida de baixo para cima, ou seja, a primeira revisão é registrada na
linha inferior da tábua, a segunda na linha acima desta e assim por diante.

Fig. 8.8.1 - tábua de revisão

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