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Cultura popular: folclore e arte de rua

AULA 5 A cultura popular revela a identidade de um povo: sua arte, seu folclore,
suas lendas, suas tradições. No folclore brasileiro, a herança cultural
das grandes etnias se mistura ao saber do povo, caracterizando dife-
rentes regiões do país. A arte de rua é urbana, característica de grandes
metrópoles.

A cuca: criatura do folclore é fonte de inspiração para obra de arte

A cuca, Tarsila do Amaral (1924)

Versões do bicho-papão

Os versinhos são muito conhecidos: “Nana, nenê,/ que a cuca vem pegá/, papai foi na roça,/ ma-
mãe volta já”. As cantigas infantis e as canções de ninar também fazem parte do nosso folclore.
A cuca, personagem da quadrinha, é uma versão feminina do bicho-papão, nome genérico
de uma criatura imaginária que pega crianças que se recusam a dormir. O escritor Monteiro Lobato
usou a personagem em um de seus livros e apresenta a cuca com cara de um jacaré que dorme
uma noite a cada sete anos. A artista plástica Tarsila do Amaral encontra na criatura lendária inspi-
ração para um de seus quadros.
Segundo o Dicionário Brasileiro de Folclore de Câmara Cascudo, cuca “é o papão fe-
minino, fantasma sem forma, ente vago, ameaçador, que devora crianças”. Há ligações entre a
personagem brasileira e a lusitana e, além da cuca, existem ainda outras versões do bicho-papão
presentes em muitas canções de ninar, afirma o folclorista.
Disponível em: http://www.brasilcultura.com.br/cultura/cuca-algumas-versoes-do-bicho-papao/.
Acessso em: 21.08.2012. Texto adaptado.

Arte 2 - Aula 5 39 Instituto Universal Brasileiro


Folclore e Arte de rua
Folclore e lore que significa “saber”. Portanto o
Certamente você já ouviu falar sobre folklore é o “saber do povo” ou a “sabe-
folclore, porém aqui vão mais algumas dicas doria popular”. No Brasil, a palavra adap-
para que você conheça ainda melhor o povo tada tornou-se folclore.
brasileiro. Em todas as partes do mundo, cada
povo tem seu folclore, sua forma de mani-
festar suas crenças e costumes. O folclo-
re se manifesta na arte, no artesanato, na
literatura popular, nas danças regionais,
no teatro, na música, na comida, nas fes-
tas populares como o carnaval, nos brin-
quedos e brincadeiras, nos provérbios, na
medicina popular, nas crendices e supers-
tições, mitos e lendas.
Disponível em: http://educacao.uol.com.br/cultu-
ra-brasileira/folclore-brasileiro-festas-comidas-e-lendas-
-tradicionais-do-brasil.jhtm. Acesso em: 12.10.2012.

O folclore brasileiro, um dos mais


ricos do mundo, formou-se ao longo dos
anos principalmente pelas tradições dos
índios, brancos e negros.

Festas e artes tradicionais do Brasil


A Organização das Nações Unidas
para a Educação, a Ciência e a Cultura –
UNESCO declara que folclore é sinônimo
de cultura popular e representa a identidade
O folclore é o conjunto das criações social de uma comunidade através de suas
de uma comunidade cultural, baseadas criações culturais, coletivas ou individuais, e
nas tradições de um grupo ou de indivídu- é também uma parte essencial da cultura de
os que expressam sua identidade cultural cada nação.
e social, além dos costumes e valores que
se transmitem oralmente, passando de
geração em geração.
A palavra folclore foi utilizada pela
primeira vez num artigo do arqueólogo
William John Thoms, publicado no jornal
londrino “O Ateneu”, em 22 de agosto de
1846 (por isso 22 de agosto é o dia do fol-
clore). Ela é formada pelos termos de ori-
gem saxônica: folk que significa “povo”
O batizado de Macunaíma, Tarsila do Amaral (1956)

Arte 2 - Aula 5 40 Instituto Universal Brasileiro


do país. Estão ligadas aos aspectos
religiosos, festas, lendas, fatos histó-
ricos, acontecimentos do cotidiano e
brincadeiras e caracterizam-se pelas
Macunaíma – Novos significados para músicas animadas (com letras simples
personagens e mitos folclóricos e populares), figurinos e cenários re-
presentativos.
A historiadora brasileira Anna Maria SECRETARIA DA EDUCAÇÃO. Proposta Curricular
Ribeiro Costa comenta que na tela “O ba- do Estado de São Paulo: Educação Física.
tizado de Macunaíma”, de 1956, Tarsila São Paulo: 2009 (adaptado).
do Amaral retrata a cerimônia batismal da
criança Macunaíma, que nasceu do fundo
do mato virgem. Filho do medo da noite
era feio, e cicatrizes marcavam seu corpo
e percorriam seu caráter. Mário de Andra-
de (1893-1945) publicou o romance “Ma-
cunaíma” em 1928, obra do indianismo
moderno, uma renovação da linguagem
literária brasileira. Romance emblemático,
ressignificou provérbios, personagens do
folclore amazônico e mitos indígenas.
O romance e a tela são obras refe-
Bumba meu boi, Maranhão
renciais do Movimento Antropofágico que
nasceu com o intuito de digerir influências
artísticas estrangeiras e, como num ritu- O folclore é o retrato da cultura de
al de canibalismo, devorar o inimigo para um povo. A dança popular e folclórica é
obter suas qualidades. No campo das ar- uma forma de representar a cultura re-
tes, buscou um caráter com feições abra- gional, pois retrata seus valores, crenças,
sileiradas. Uma alma nacional! Essa von- trabalho e significados.
tade fez renascer a figura do índio, apto a
BREGOLATO, R. A. Cultura corporal da dança.
assimilar o estrangeiro, ao torná-lo carne São Paulo: Ícone, 2007.
da sua carne pelo ritual do canibalismo.
Assim, o Brasil seria um país canibal e o As manifestações folclóricas perpe-
índio, ao digerir tudo o que vem a ele, ab- tuam a tradição cultural, é obra de um povo
sorveria as virtudes dos estrangeiros para que cria e recria formas de arte tipicamen-
tornar-se melhor e mais forte. Tornar-se te nacionais ou com influência de outras
brasileiro. culturas. Sob esta perspectiva é possível
Disponível em: http://www.circuitomt.com.br/flip/400/
identificar como dança folclórica tipicamen-
files/assets/downloads/page0013.pdf. te brasileira o bumba meu boi, que é uma
Acesso em: 08.10.2012. Texto adaptado. dança teatral onde personagens contam
uma história envolvendo crítica social, mor-
te e ressurreição.
Danças com raízes folclóricas Há danças folclóricas que fazem
adaptações de expressões de culturas es-
A dança é um importante componen- trangeiras com um toque de brasilidade
te cultural da humanidade. O folclore bra- como: a quadrilha das festas juninas, que
sileiro é rico em danças que representam associam festejos religiosos a celebrações
as tradições e a cultura de várias regiões de origens pagãs europeias envolvendo as
colheitas e a fogueira; o congado, que é
Arte 2 - Aula 5 41 Instituto Universal Brasileiro
uma representação de um reinado africano
em que se homenageiam santos através
de música, cantos e dança; o maracatu,
de origem africana, que reflete a miscige-
nação entre as culturas de colonização do
Brasil, com forte componente religioso; e
o carnaval, em que o samba derivado do
batuque africano é utilizado com o objeti-
vo de contar ou recriar uma história nos
desfiles.

Cerâmicas e outros tipos de artesanato

A cerâmica é uma das formas de arte


popular e de artesanato mais desenvolvi-
das no Brasil. Dividida entre cerâmica uti-
litária e figurativa, essa arte feita pelos ín-
dios misturou-se depois à tradição barrista É tempo de resgatar a cultura
européia, e aos padrões africanos, e de- afro-brasileira
senvolveu-se em regiões propícias à extra-
ção de sua matéria-prima - o barro. É importante lembrar que a chegada
Nas feiras e mercados do Nordeste, dos negros ao Brasil aconteceu no cenário
podem-se ver os bonecos de barro que re- da escravidão. Mesmo assim, podemos
constituem figuras típicas da região: canga- dizer que a presença negra trouxe cor e
ceiros, retirantes, vendedores, músicos e alegria para a cultura brasileira. Nos últi-
rendeiras. Os mais famosos são os do per- mos anos, através da ação do movimen-
nambucano Mestre Vitalino (1909-1963), to negro e das conquistas na legislação,
que deixou dezenas de descendentes e verificamos cada vez mais uma presença
discípulos. positiva dessa cultura no Brasil.
A cultura africana foi encontrando
brechas nas religiões, e a oralidade foi um
elemento essencial para a sua permanên-
cia. Foi uma cultura que ficou muito mar-
ginalizada, ao ponto de a capoeira e os
agrupamentos negros na rua serem crimi-
nalizados após a escravidão.

Severino Vitalino, família de retirantes, cerâmica.


Reprodução fotográfica Argos Foto.

A cerâmica figurativa destaca-se tam-


bém nos estados do Pará, Ceará, Pernam-
buco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito San- A capoeira como folclore é a sínte-
to, São Paulo e Santa Catarina. Nos demais se sócioetnográfica de quatro séculos de
estados, a cerâmica é mais do tipo utilitária Brasil. Como manifestação popular, é um
(potes, panelas, vasos etc.).
Arte 2 - Aula 5 42 Instituto Universal Brasileiro
dos mais autênticos símbolos de brasi- de festas populares do Nordeste, como as
lidade. disputas entre cordões (o encarnado e o
A prática da capoeira é desenvol- azul), que eram mediados por um velho, a
vida ao som de instrumentos musicais e quem Chacrinha personificava.
cantos. Liderados pelo berimbau, símbolo Nos meios de comunicação de mas-
místico da capoeira, os instrumentos mu- sa, como o cinema, a estética dos circos
sicais ditam o ritmo, a tática e o comporta- mambembes que percorriam o interior do
mento. Os cantos evocam, por vezes, as país também pode ser encontrada em pro-
lendas de um passado de lutas, ou refle- duções cinematográficas inusitadas como
tem a realidade social e as contingências os filmes de terror de José Mojica Marins,
humanas, sobretudo com uma mensagem conhecido como Zé do Caixão.
de firmeza no presente e esperança no fu-
turo. Por isso enquanto houver um berim-
bau solitário marcando o toque de mes-
tres, a capoeira estará viva na identidade Arte de rua
de um povo em evolução. Uma arte que dialoga diretamente com as
A capoeira como luta caracteriza- pessoas, pois é criada e pensada para estar
-se pela extrema dinâmica de seus movi- nas ruas, não em museus ou espaços fecha-
mentos. Não é simplesmente defensiva, dos. Isso é arte urbana. Com este importante
é uma luta de revide, de contra-ataque, diferencial, vai além da criação, dá movimento
baseada na filosofia do guerreiro do pas- e cor para o meio urbano, além de ter impor-
sado, para quem o fundamental não era tante papel na democratização da arte. Em evi-
nem se defender nem atacar, mas revidar dência nos últimos anos no Brasil, em função
quando atacado. Filosofia que deve pre- do surgimento de artistas que mexem com gra-
valecer para o guerreiro no presente: o fite e da valorização dessa expressão, a arte
importante não é só a vida, mas a vida em urbana retoma o conceito original do espaço
liberdade. público comum, onde há interação, diálogo,
Disponível em: http://www.reocities.com/bourbonstre- convivência mútua entre a arte e as pessoas, o
et/9945/index.html. Acesso em: 22.03.2013. que dá legitimidade às cidades.
Texto adaptado.
Disponível em: http://revistaideias.com.br/ideias/ma-
teria/arte-de-rua-alem-da-arte. Acesso em 01.09.2012.

Hip-Hop
Hip-hop é uma cultura artística que ini-
ciou-se durante a década de 1970 nas áreas
Folclore no cinema e na TV –
centrais de comunidades jamaicanas, latinas
Mazzaropi, Chacrinha, Zé do Caixão
e afro-americanas da cidade de Nova Iorque.
O folclore brasileiro é basicamente
ligado ao universo rural, a industrialização
do país é recente em termos históricos,
mas chegou a influenciar nossos meios
de comunicação de massa. O ator e dire-
tor Amácio Mazzaropi levou o caipira do
interior paulista para as telas do cinema.
O animador de programas de auditório
Abelardo Chacrinha Barbosa fez enor-
me sucesso na TV utilizando elementos

Arte 2 - Aula 5 43 Instituto Universal Brasileiro


Afrika Bambaataa, reconhecido como
o criador oficial do movimento, estabele- fonográfico do rap brasileiro. Foi também
ceu que o rap, o break dancing e o grafite o trabalho que imortalizou a dupla Thaíde
são pilares essenciais na cultura hip-hop. e DJ Hum, através do sucesso “Corpo fe-
Outros elementos incluem a moda hip-hop chado”. Era a cultura da São Bento regis-
e as gírias. A cultura hip-hop se espalhou trada em áudio. Um retrato de uma época.
por todo o mundo, também ficou conhecida Qualquer pessoa que tenha vivido o sur-
como cultura de rua, incluindo novas formas gimento do hip-hop no Brasil teve contato
de danças improvisadas. com este disco de vinil. É impossível não
aflorarem lembranças.

O movimento hip-hop é tão urbano


quanto as grandes construções de con-
creto e as estações de metrô, e cada
dia se torna mais presente nas grandes
metrópoles mundiais. Nasceu na perife-
ria dos bairros pobres de Nova Iorque. É
formado por três elementos: a música (o
rap), as artes plásticas (o grafite) e a dan-
ça (o break). No hip-hop os jovens usam
as expressões artísticas como uma for-
ma de resistência política. Enraizado nas
camadas populares urbanas, o hip-hop
afirmou-se no Brasil e no mundo com um
discurso político a favor dos excluídos,
sobretudo dos negros. Apesar de ser um
movimento originário das periferias norte- Grafite
-americanas, não encontrou barreiras no
Brasil, onde se instalou com certa natura- O grafite é a arte expressa em espa-
lidade – o que, no entanto, não significa ços públicos: inscrições e desenhos feitos
que o hip-hop brasileiro não tenha sofrido em paredes, muros e prédios das grandes
influências locais. O movimento no Brasil metrópoles. O grafite tem uma importante
é híbrido: rap com um pouco de samba, ligação com o hip-hop, movimento que vê
break parecido com capoeira e grafite de no grafite uma forma de arte que reflete a
cores muito vivas. realidade das ruas.
(Adaptado de Ciência e Cultura, 2004)

“Hip-hop Cultura de Rua” identifica o


movimento e é capa de disco

Em 2008, a coletânea de rap “Hip-hop


Cultura de Rua” completou 20 anos após seu
lançamento em 1988. Foi o primeiro registro

Arte 2 - Aula 5 44 Instituto Universal Brasileiro


Nos anos de 2000, importantes Texto II
museus e galerias deixaram de torcer o
nariz para os famosos grafites (muitas
vezes confundidos com pichação), que
só eram vistos em muros pela cidade, e
o espaço concedido para esta e outras
formas de arte urbana foi sendo assimi-
lado. Em novembro de 2009, o Museu
de Arte de São Paulo (Masp) abriu uma
exposição dedicada somente para a arte
de rua, e o museu britânico Tate Modern Arte Urbana. Foto: Diego Singh.
teve a fachada pintada pelos gêmeos de
São Paulo, Otávio e Gustavo Pandolfo, Disponível em: http://www.diaadia.pr.gov.br.
Acesso em: 27.07.2010.
para a exposição “Street Art”.
Até mesmo esportes antes inco- O grafite contemporâneo, considerado
muns, como o skate e a patinação, ga- em alguns momentos como uma arte margi-
nharam seus espaços. Com o tempo sur- nal, tem sido comparado às pinturas murais
giram encontros de grafiteiros, skatistas, de várias épocas e às escritas pré-históricas.
malabaristas, rappers etc. com a propos- Observando as imagens apresentadas, é pos-
ta de unir a juventude. Dessa maneira, sível reconhecer elementos comuns entre os
os grafiteiros se uniram ao hip-hop e tam- tipos de pinturas murais, tais como o registro
bém ao skate. do pensamento e das crenças das socieda-
des em várias épocas. As pinturas rupestres
Postado em dezembro de 2009 por Bboy Guil
encontradas na Toca do Salitre e o grafite Arte
em Culturas (Texto adaptado)
Urbana têm como elemento comum a repre-
sentação da sociedade por meio da ilustração
dos costumes e valores que a estruturam.

Cultura popular e folclore são con-


ceitos equivalentes no sentido de englo-
Questão do Enem faz comparação bar as criações culturais de um povo, com
histórica e considera o grafite como re- base nas tradições que representam sua
gistro do pensamento das sociedades identidade social.
em várias épocas: As expressões do folclore estão li-
gadas às formas de arte com raízes étni-
Texto I cas e regionais. Por isso apresentam uma
grande riqueza de danças, de represen-
tações, de formas plásticas, com caracte-
rísticas típicas de cada região, compondo
um grande mosaico da cultura popular.
No Brasil, o Hip-hop incorpora a cul-
tura popular dos grandes centros urbanos.
Uma de suas expressões, o grafite, se
destaca pela temática, pelos personagens
que podem ter ligações com o folclore e
Toca do Salitre, Piauí
pelas cores fortes. Os artistas do grafite
Disponível em: http://www.fumdham.org.br. brasileiro misturam, em formas simples, o
Acesso em: 27.07.2010 real e o abstrato.

Arte 2 - Aula 5 45 Instituto Universal Brasileiro


Hip-hop

Hip-hop é um movimento cultural


que surgiu no início da década de 1970
Folclore nos Estados Unidos, que trata sobre os
conflitos sociais e da violência urbana vi-
O folclore é o conjunto das criações vidos pelas classes menos favorecidas da
de uma comunidade cultural, baseadas nas sociedade. O hip-hop como movimento
tradições de um grupo ou de indivíduos que cultural é composto por quatro elementos
expressam sua identidade cultural e social, (atividades): o canto do rap, a instrumen-
além dos costumes e valores que se trans- tação do DJ, a dança do break dancing e
mitem oralmente, passando de geração em a pintura do grafite.
geração. No Brasil há forte influência da cul-
tura africana, europeia e indígena. Há vá-
rios tipos de manifestação como:

• Danças com raízes folclóricas.

- Bumba meu boi;


- Quadrilha;
- Congado;
- Maracatu;
- Carnaval.

• Cerâmicas e outros tipos de ar-


tesanato.

Grafite

O grafite é a arte expressa em espa-


Severino Vitalino, família de retirantes, cerâmica. ços públicos: inscrições e desenhos feitos
Reprodução fotográfica Argos Foto. em paredes, muros e prédios das grandes
metrópoles. O grafite tem uma importante
ligação com o hip-hop, movimento que vê
no grafite uma forma de arte que reflete a
realidade das ruas.

Arte de rua

Uma arte que dialoga diretamente


com as pessoas, pois é criada e pensada
para estar nas ruas, não em museus ou
espaços fechados.

Arte 2 - Aula 5 46 Instituto Universal Brasileiro


fazem parte da apresentação do hip-hop,
conhecido como Cultura de Rua.

II - A cultura hip-hop iniciou-se nos


anos de 1970, na cidade de Nova Iorque, e
1. Quais os principais povos formado- se espalhou por todo o mundo.
res da nossa raça e do nosso folclore bra-
sileiro, um dos mais ricos do mundo? a) ( ) I e II são falsas.
b) ( ) Somente a afirmativa I é verda-
a) ( ) Índios e brancos. deira.
b) ( ) Índios, brancos e negros. c) ( ) Somente a afirmativas I é falsa.
c) ( ) Brancos e negros. d) ( ) I e II são verdadeiras.
d) ( ) Negros e índios.
5. (ENEM. Adaptada) Quatro olhos,
2. Mestre Vitalino é o artista mais co- quatro mãos e duas cabeças formam a du-
nhecido no Nordeste, especialmente em Per- pla de grafiteiros “Os gêmeos”. Eles cres-
nambuco, pela arte: ceram pintando os muros do bairro Cambu-
ci, em São Paulo, e agora têm suas obras
a) ( ) dos vasos de cerâmica. expostas em Nova Iorque, prova de que o
b) ( ) das cestas de palha. grafite feito no Brasil é apreciado por ou-
c) ( ) dos bonecos de barro. tras culturas. Muitos lugares abandonados
d) ( ) das panelas de barro. e sem manutenção pelas prefeituras das
cidades tornam-se mais agradáveis e hu-
3. (Enem. Adaptada) A dança, como manos com os grafites pintados nos muros.
manifestação e representação da cultura rít- Atualmente, instituições públicas educati-
mica, envolve a expressão corporal própria vas recorrem ao grafite como forma de ex-
de um povo. Considerando-a como elemen- pressão artística, o que propicia a inclusão
to folclórico, a dança revela: social de adolescentes carentes, demons-
trando que o grafite é considerado uma ca-
a) ( ) manifestações afetivas, históri- tegoria de arte aceita e reconhecida pelo
cas, ideológicas, intelectuais e espirituais campo da cultura e pela sociedade local e
de um povo, refletindo seu modo de ex- internacional.
pressar-se no mundo.
b) ( ) acontecimentos do cotidiano Segundo o texto, no processo social de
que ressaltam aspectos políticos, sob in- reconhecimento de valores culturais consi-
fluência mitológica e religiosa de cada re- dera-se que:
gião.
c) ( ) tradições culturais de cada a) ( ) o grafite é o mesmo que picha-
região, cujas manifestações rítmicas são ção e suja a cidade, sendo diferente das obras
classificadas em um ranking das mais ori- dos artistas.
ginais. b) ( ) atualmente a arte não pode ser
d) ( ) lendas, que se sustentam em usada para a inclusão social, ao contrario
inverdades históricas, uma vez que são in- do grafite.
ventadas e servem apenas para a vivência c) ( ) os grafiteiros podem conse-
lúdica do povo. guir projeção internacional, demonstran-
do que a arte do grafite não tem fronteiras
4. Leia as afirmativas e escolha a al- culturais.
ternativa correta. d) ( ) lugares abandonados e sem
manutenção tornam-se ainda mais desa-
I - As danças improvisadas também gradáveis com a aplicação do grafite.
Arte 2 - Aula 5 47 Instituto Universal Brasileiro
ideológicos, intelectuais e até mesmo espiri-
tuais. Como arte folclórica, a dança reflete o
modo de o povo expressar-se no mundo. As
demais alternativas apresentam afirmativas
equivocadas. Neste tipo de dança se revelam
1. b) ( x ) Índios, brancos e negros. tradições culturais, crenças e lendas de cada
região, mas não se destacam aspectos políti-
Comentário. O folclore brasileiro, um cos; nem há classificação em um ranking dos
dos mais ricos do mundo, formou-se ao longo ritmos mais originais; nem as lendas servem
dos anos principalmente pelas tradições dos apenas para a vivência lúdica do povo.
principais povos formadores de nossa raça:
índios, brancos e negros. No Brasil, a miscige- 4. d) ( x ) I e II são verdadeiras.
nação é um fator preponderante na multiplici-
dade de ritmos, danças, crenças, tradições. As Comentário. As afirmações I e II são
influências culturais indígenas, portuguesas e verdadeiras. A cultura hip-hop iniciou-se nos
africanas apresentam aspectos regionais, de- anos de 1970, na cidade de Nova Iorque, e
pendendo da presença étnica mais marcante se espalhou por todo o mundo, tornando-se
na região. Pode-se observar que no Amazo- conhecida também como Cultura de Rua, in-
nas há fortes influências indígenas; na Bahia, cluindo as danças improvisadas. Nasceu na
africanas; no Sul, portuguesas e europeias. Há periferia dos bairros pobres de Nova Iorque e
danças e tradições genuinamente brasileiras; e se enraizou nas camadas populares urbanas.
outras que apresentam misturas de traços es- O hip hop é formado por três elementos bási-
trangeiros, adaptados à realidade nacional. cos: a música (rap), as artes plásticas (grafite)
e a dança (break). A cultura hip-hop afirmou-
2. c) ( x ) dos bonecos de barro. se no Brasil e no mundo com um discurso em
favor dos excluídos, sobretudo dos negros.
Comentário. O artesão Vitalino Pereira Em 1988, foi lançada no Brasil a coletânea de
dos Santos, conhecido como Mestre Vitalino, rap “Hip-hop Cultura de Rua”, registro fono-
nasceu em 1909, em Caruaru, Pernambu- gráfico que imortalizou os primeiros artistas
co. Desde menino, já modelava bonecos de brasileiros desta modalidade de arte.
barro. Na idade adulta, passou a imprimir em
seus bonecos as características do homem do 5. c) ( x ) os grafiteiros podem con-
agreste. Seus trabalhos expressam os costu- seguir projeção internacional, demonstran-
mes da região nordestina com técnica e ori- do que a arte do grafite não tem fronteiras
ginalidade, influenciando outros artesãos. O culturais.
Mestre também ensinava a arte de modelar o
barro, deixando muitos discípulos, entre eles Comentário. A alternativa correta é c.
seus filhos Severino e Amaro, que adotam o De acordo com o texto, o grafite é uma for-
sobrenome artístico Vitalino. ma de arte reconhecida pela sociedade local
e internacional, portanto, trata-se de uma arte
3. a) ( x ) manifestações afetivas, his- sem fronteiras. No texto o grafite é entendido
tóricas, ideológicas, intelectuais e espirituais como forma de arte, sem a conotação de pro-
de um povo, refletindo seu modo de expres- blema e de sujeira que é atribuída à pichação.
sar-se no mundo. Segundo as ideias apresentadas no texto, o
grafite torna a cidade mais humana, e é uma
Comentário. A alternativa correta é a. A forma de inclusão social, mesmo não sendo a
dança, considerada como elemento folclórico, única. Ao contrário do que afirma a alternativa
pode ser compreendida como expressão am- d, o texto relata que lugares abandonados e
pla da cultura de um povo, na medida em que sem manutenção tornam-se mais agradáveis
abrange seus aspectos afetivos, históricos, e humanos quando recebem grafites.
Arte 2 - Aula 5 48 Instituto Universal Brasileiro

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