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comunicação.

No entanto, proferida numa situação de


Sintaxe perigo, com entonação de medo – isto é, em um
Definição: determinado tipo de contexto – essa única palavra será
Sintaxe é a parte da Gramática que estuda a disposição das considerada uma frase, pois, adquirirá um sentido
palavras nos períodos, bem como a relação lógica entre completo: “Socorro!”
elas. Ela é o conjunto das regras que determinam as
diferentes possibilidades de associação das palavras da PERÍODO:
língua para a formação de enunciados. É o enunciado (frase), de sentido pleno, constituído de uma
ou mais orações. Quando a frase for composta apenas por
[...] sintaxe é a disciplina linguística que estuda como uma oração a denominaremos de período simples. Se a
combinamos palavras para formar sintagmas e como frase estiver constituída de mais de uma oração a
combinamos sintagmas para formar sentenças. Esta denominaremos de período composto.
concepção de sintaxe se apoia no que se chama Hipótese Observe o exemplo: O pianista executou lindas melodias.
Lexicalista, isto é, a sintaxe começa a atuar onde acaba a
atuação da morfologia. A sintaxe toma as palavras, que são Neste caso, temos um período simples já que a frase conta
o produto da morfologia, e realiza as combinações” apenas com uma oração, ou seja, a frase estrutura-se em
(MIOTO, 2013, p.36). torno de um único verbo.
Agora, veja o exemplo a seguir:
FRASE: “Então não estou mais contente. Estou Infeliz. Meu dia
É todo enunciado ou conjunto de uma ou mais palavras está arruinado.”
que em situação de uso da língua estabelece a
comunicação e transmite informação completa. Neste caso, a frase conta com três orações e, por esta
Os enunciados que se organizam sem a presença de verbo razão, trata-se de um período composto. Mais adiante,
são chamados de frase nominal. Já os enunciados que se estudaremos o tipo de relação que uma oração estabelece
organizam em torno de uma ou mais forma(s) verbal(is) com as outras.
são chamados de frase verbal ou oração.
TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO
ORAÇÃO: Os termos essenciais da oração são o sujeito e o predicado.
É todo enunciado linguístico estruturado em torno de um É em torno desses dois elementos que as orações são
verbo (explícito ou não), mas que não necessariamente estruturadas.
tenha sentido completo. Cada verbo ou locução verbal
corresponde a uma oração. O elemento a quem se declara algo é denominado sujeito.
Na estrutura da oração, o sujeito é o elemento que
Analise os exemplos: estabelece a concordância com o verbo. Por sua vez, o
“Bom dia!” Frase sem verbo = frase nominal predicado é tudo aquilo que se diz sobre o sujeito.
“Aqui estou eu, feliz e contente” (1º quadrinho) Frase com
1 verbo = 1 oração. Sujeito = o ser sobre o qual se declara alguma coisa.
“Pedro brigou, saiu e voltou Frase com 3 verbos = 3 Predicado = o que se declara sobre o sujeito.
orações.
Na oração, sujeito e predicado funcionam assim:
Mas, cuidado para não generalizar e confundir!
• Nem toda frase é uma oração dado que existem as frases Exemplo 1:
nominais, aquelas que não possuem verbo. As ruas são intransitáveis.
• Nem toda oração é uma frase, já que há oração que não Sujeito: as ruas
possui um sentido completo. Verbo: são
Predicado: são intransitáveis (este é um predicado nominal
Observe os dois casos abaixo: e abaixo você vai entender o porquê!)
a) “Graças a Deus!”- trata-se de uma frase nominal. Por
quê? Porque possui sentido completo e não está organizada Exemplo 2:
em torno de um verbo. Por essa razão, esta frase não é Os alunos chegaram atrasados novamente.
considerada uma oração. Sujeito: os alunos
b) “Eu comprei” - trata-se de uma oração. Por quê? Porque Verbo: chegaram
o enunciado está organizado em torno de um verbo. Predicado: chegaram atrasados novamente.
Porém, não podemos considerá-la uma frase posto que,
fora de um contexto discursivo específico, a mesma não NÚCLEO DO SUJEITO
apresenta um sentido completo. De imediato, Núcleo do sujeito é a palavra com carga mais significativa
perguntaríamos, comprou o quê? em torno do sujeito. Quando o sujeito é formado por mais
de uma palavra, há sempre uma com maior importância
Para definir se um enunciado é ou não uma frase, faz-se semântica.
necessário levar sempre em conta não só os elementos
linguísticos que o constituem, mas, também, todo o seu Exemplo:
contexto enunciativo. Por exemplo: a palavra “Socorro”, O garoto logo percebeu a festa que o esperava.
pronunciada fora de qualquer contexto, não estabelece uma Sujeito: O garoto
Núcleo do sujeito: garoto verbos vão aparecer sempre na 3ª. pessoa do singular.
Predicado: logo percebeu a festa que o esperava Quando o sujeito é inexistente, a oração compõe-se apenas
do predicado.
TIPOS DE SUJEITO
O sujeito pode ser determinado (simples, composto, Os principais casos de sujeito inexistente ou de oração sem
oculto), indeterminado ou inexistente. sujeito na língua portuguesa são:
● Verbos e expressões que denotam fenômeno da
SUJEITO SIMPLES natureza: amanhecer, entardecer, anoitecer,
Quando possui um só núcleo. Ocorre quando o verbo se chover, fazer calor, fazer frio, estar frio, gear,
refere a um só substantivo ou um só pronome, ou um só nevar, relampejar, trovejar, ventar etc.
numeral, ou a uma só palavra substantivada. No inverno, amanhece muito tarde.

Exemplo: ● Verbo haver com sentido de “existir”: Não há


O desenho em nanquim será sempre uma expressão motivos para tanto desespero! Há leões na África.
admirada. ● verbo haver, fazer, ser e ir indicando tempo
Sujeito: O desenho em nanquim transcorrido.
Núcleo: desenho Faz horas que espero para ser atendida neste
Predicado: será sempre uma expressão admirada. hospital.
Há dias que ansiava por sua resposta.
Sujeito composto
Com mais de um núcleo. As orações com sujeito composto ● Verbo ser, na designação de tempo em geral:
são compostas por mais de um pronome, mais de um É cedo.
numeral, mais de uma palavra ou expressão substantivada São duas horas.
ou mais de uma oração substantivada. Era de madrugada.

Exemplo: TERMOS ESSENCIAIS: TIPOS DE PREDICADO


Cristina, Marina e Bianca fazem balé no Teatro Municipal.
Sujeito: Cristina, Marina e Bianca O predicado é tudo aquilo que se informa ou se comenta
Núcleo: Cristina, Marina, Bianca sobre o sujeito e que se estrutura em torno de um verbo.
Predicado: fazem balé no Teatro Municipal. De acordo com a Gramática Normativa, existem três tipos
de predicado: predicado verbal (o núcleo é um verbo de
SUJEITO OCULTO ação); predicado nominal (o núcleo é um nome, chamado
Ocorre quando o sujeito não está materialmente expresso de predicativo do sujeito); e predicado verbonominal (com
na oração, mas pode ser identificado pela desinência verbal dois núcleos: um verbo e um nome – verbo de ação e
ou pelo período contíguo. predicativo do sujeito ou do objeto).

Também é chamado de sujeito elíptico, desinencial ou Verificamos que, na língua portuguesa, há dois tipos de
implícito. verbo: de ação e de ligação. O primeiro exprime aquilo que
o sujeito faz ou sofre são verbos significativos e se
Exemplo: classificam em transitivos ou intransitivos. O segundo liga
Estávamos à espera do ônibus. ao sujeito um estado, qualidade, condição e classificação e,
Sujeito oculto: nós portanto, não é considerado significativo.
Desinência verbal: estávamos
VERBOS DE LIGAÇÃO
SUJEITO INDETERMINADO Os verbos de ligação são responsáveis por fazer a relação
O sujeito indeterminado ocorre quando não se refere a um entre o sujeito e o estado do sujeito.
elemento identificado de maneira clara. É observado em São eles: ser, estar, parecer, permanecer, ficar, continuar,
três casos: tornar-se e andar (indicando estado: andar cansado).

- quando o verbo está na 3ª pessoa do plural, sem que o


contexto permita identificar o sujeito;
- quando um verbo está na 3.ª pessoa do singular
acompanhado do pronome (se);
- quando o verbo está no infinitivo pessoal.

SUJEITO INEXISTENTE
A oração sem sujeito ocorre quando a informação
veiculada pelo predicado está centrada em um verbo
impessoal. Por isso, não há relação entre sujeito e verbo.
Quando, realmente, não existe sujeito.
Os verbos são empregados impessoalmente, ou seja, não se
referem a nenhuma pessoa gramatical; não há nenhum
elemento ao qual o predicado se refira. Neste caso, os
veiculada pelo predicado está contido em um verbo
Ao estado do sujeito dá-se o nome de predicativo do significativo que pode ser transitivo ou intransitivo. Nesse
sujeito. Pode-se defini-lo, portanto, como “o termo que caso, a informação sobre o sujeito está contida nos verbos.
atribui característica ao sujeito por meio de um verbo”
(PASCOALIN). Exemplo:
O entregador chegou.
VERBOS DE AÇÃO: TRANSITIVIDADE VERBAL Predicado verbal: chegou.

Verbos transitivos são verbos que precisam de PREDICADO NOMINAL


complementos verbais para completar o seu sentido. Têm O predicado nominal é formado por um verbo de ligação +
um significado incompleto. Eles podem ser diretos, predicativo do sujeito.
indiretos ou ambos.
Exemplo:
VERBOS TRANSITIVOS DIRETOS pedem um objeto O entregador está atrasado.
direto como complemento, indicando quem ou o quê. Predicado nominal: está atrasado.

Verbo transitivo direto PREDICADO VERBO-NOMINAL


Verbo ler O predicado verbo-nominal apresenta dois núcleos: o
Ler o quê? verbo transitivo ou intransitivo + o predicativo do sujeito
Ler a receita. ou predicativo do objeto.
Ler o livro.
Ler a notícia. Exemplo:
A receita, o livro e a revista são objetos diretos. A menina chegou ofegante à ginástica.
Sujeito: A menina
VERBOS TRANSITIVOS INDIRETOS pedem um objeto Predicado verbo-nominal: chegou ofegante à ginástica.
indireto como complemento, indicando de quem, para
quem, com quem, de quê, para quê, a quê,… COMPLEMENTO NOMINAL
Verbo precisar
Precisar de quê? O complemento nominal é o termo da oração que é ligado
Precisar de ajuda. ao sujeito, predicativo, objetivo direto, o objeto indireto, o
Precisar de dinheiro. agente da passiva, o adjunto adverbial, o aposto ou ao
Precisar de um casaco. vocativo.
De ajuda, de dinheiro e de um casaco são objetos indiretos. O complemento nominal liga-se ao substantivo, adjetivo
ou advérbio por intermédio de uma preposição.
VERBOS TRANSITIVOS DIRETOS E INDIRETOS
pedem tanto um objeto direto como um objeto indireto Exemplo 1:
como complementos, indicando quem ou o quê e, também, A mulher tinha necessidade de medicamentos.
de quem, para quem, com quem, de quê, para quê, a quê,… Nome (substantivo): necessidade
Complemento nominal: de medicamentos.
Verbo agradecer
Agradecer o quê? Agradecer a quem? Exemplo 2:
Agradecer o presente ao namorado. Esta conduta é prejudicial à saúde.
Agradecer o convite à diretora. Nome (adjetivo): prejudicial
Agradecer a atenção à professora. Complemento nominal: à saúde.
O presente, o convite e a atenção são objetos diretos.
Ao namorado, à diretora e à professora são objetos Exemplo 3:
indiretos. Decidiu favoravelmente ao acusado.
Nome (advérbio): favoravelmente
Verbos intransitivos são verbos que não precisam de Complemento nominal: ao acusado.
complementos verbais para completar o seu sentido. Têm
um significado completos. O núcleo do complemento nominal, em geral, é
representado por um substantivo ou palavra com valor de
Verbo dormir substantivo. O pronome oblíquo também pode representar
Dormir muito. um complemento nominal deixando a preposição implícita
Dormir cedo. no pronome.
Dormir sozinho.
Muito, cedo e sozinho são adjuntos adverbiais. Exemplo:
Andar a pé lhe era agradável. (era agradável a ele)
Predicado Complemento nominal: Lhe
O predicado pode ser verbal, nominal ou verbo-nominal.
Quando houver um período composto, a função do
PREDICADO VERBAL complemento nominal pode agir na oração com valor de
O predicado verbal ocorre quando o núcleo da informação
substantivo. Nos casos em que isso ocorre, a denominação ● De instrumento: A blusa foi feita com seda
é de oração substantiva completiva nominal. chinesa;
Exemplo: ● De meio: Voltei para casa de metrô;
Tinha a necessidade de que o socorressem. ● De companhia: Moro com os pais. Trabalho com
Complemento nominal: de que o socorressem. seu irmão;
Oração: Tinha necessidade ● De negação: Não fui ao cinema;
● De afirmação: Trata-se, realmente de um grande
AGENTE DA PASSIVA filme;
● De finalidade: Fui ao banco para encerrar minha
O agente da passiva é o complemento preposicionado que conta.
representa o ser que pratica a ação expressa por um verbo
na voz passiva.
APOSTO
Exemplo: O aposto explica, resume ou desenvolve algo citado
A criança foi orientada pelo professor. anteriormente. Ele vem separado por vírgulas, travessões
Sujeito: A criança ou parênteses. O aposto pode ser explicativo, distributivo,
Verbo na voz passiva: pelo professor. enumerativo, comparativo e resumidor. Veja um exemplo:
● O rio Tietê, limpo em sua nascente, torna-se sujo
quando aproxima-se de São Paulo.
Na frase acima, temos um aposto explicativo.
TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO: ADJUNTO
ADNOMINAL E ADVERBIAL, APOSTO E VOCATIVO
VOCATIVO
Os termos acessórios adjetivam o ser, definem substantivos
e determinam circunstâncias verbais. São quatro os termos O vocativo é usado para chamar, interpelar ou evocar
acessórios da oração: adjunto adnominal, adjunto pessoas, animais e seres sobrenaturais. Separado por
adverbial, aposto e vocativo. vírgulas, o vocativo não tem ligação com outros termos da
Termos integrantes dão sentido a oração. Já os termos oração. Confira um exemplo:
acessórios da oração são elementos dispensáveis a ● Não faça mais isso, menino!
compreensão do enunciado.
Conheça as particularidades de cada um: Libras
Definição de surdo: Considera-se pessoa surda aquela que,
ADJUNTO ADNOMINAL por ter perda auditiva, compreende
O adjunto adnominal dá a característica, modifica ou e interage com o mundo por meio de experiências visuais,
determina o nome. Artigos, adjetivos, numerais, pronomes manifestando sua cultura principalmente pelo uso da
e pelas locuções ou expressões adjetivas acompanhadas Língua Brasileira de Sinais - Libras.
com a preposição de são adjuntos adnominais.
Para identificar é necessário localizar o núcleo da oração. Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral a partir
Veja os exemplos: de 41(dB), aferida por audiograma nas frequências de
Uma dor intensa atingiu o jovem paciente.
500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.
● Sujeito: uma dor intensa;
● Núcleo do sujeito: dor;
● Adjunto Adnominal do Sujeito: uma/intensa. A língua de sinais não é universal. Uma evidência disso é a
Aquelas duas igrejas históricas serão restauradas. existência de uma língua de sinais chamada gestuno ou
● Sujeito: aquelas duas igrejas; língua
● Núcleo do sujeito: igrejas; de sinais internacional, que emergiu justamente da
● Adjunto Adnominal: históricas.
necessidade de comunicação entre surdos
de diferentes nacionalidades.
ADJUNTO ADVERBIAL
Advérbio é a palavra que modifica o verbo. O adjunto O termo correto é Língua de Sinais. Nosso país utiliza a
adverbial é o advérbio ou expressão adverbial que confere LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais),
ideia de lugar, tempo, causa, modo, intensidade, dúvida, que hoje é reconhecida como a segunda língua oficial em
instrumento, meio, companhia, negação, afirmação e
todo o território nacional.
finalidade.
Confira alguns exemplos de adjuntos adverbiais:
● De lugar: Foi para longe. Mudou-se para perto; A lingua de sinais não é baseada nas linguagens orais mas
● De tempo: Dormi cedo. Cheguei tarde; possui a mesma capacidade expressiva.
● De causa: Faltei à festa porque estava com
enxaqueca; Hoje, o Intérprete de LIBRAS é o profissional ouvinte
● De modo: Dirige bem. Cozinha mal; fluente em LIBRAS e em Língua Portuguesa que
● De intensidade: Trabalha bastante. Estuda muito;
● De dúvida: Talvez eu viaje no feriado;
realiza a tradução/interpretação simultânea ainda não sei
LIBRAS/Português e Português/LIBRAS. ao certo
por que me levantei

A separação das sílabas poéticas ocorre da seguinte forma:


1) Nes | ses | di (3)
2) es | ca (2)
3) a | in | da | não | sei (5)
Poética 4) ao | cer (2)
5) por | que | me | le | van | tei (6)
Elementos Essenciais da Poesia.
Os números entre parênteses indicam o número de sílabas
Elementos oriundos da prosa: O uso de elementos
poéticas do verso. Repare que, nos versos 1, 2 e 4, a
narrativos, tais como: personagem, verbos no pretérito
contagem de sílabas poéticas difere da separação silábica.
perfeito, marcadores temporais; e de
Isso ocorre, pois os versos terminam com palavras
elementos descritivos: a construção do cenário está
paroxítonas (“dias”, “escassos” e “certo”). Ou seja, a sílaba
também vinculada à prosa.
tônica é a penúltima e, portanto, a última sílaba do verso
não é contada.
Ritmo: reflexo da vida na poesia
b) Dá-se uma elisão quando, em um verso, uma palavra
O ritmo de um poema também é construído
terminar por vogal átona e a palavra
pela metrificação e pela correspondência sonora
seguinte começar por vogal. Observe:
provocada pela rima.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
No verso livre, a sonoridade rítmica segue um padrão
É/ Fe/ ri/ da/ que/ dó/ i e/ não/ se/ sen/ te
singular, não sendo regido por regras externas derivadas da
alternação uniforme de sílabas tônicas ou de metrificação e
A elisão também influencia a contagem de sílabas
rima, a essa modalidade dá-se o nome de arritmia.
poéticas, como no poema abaixo:
NOITE
Metrificação e Escansão: verso e vida na medida
O tempo passando
Noite de vento suave
Podemos definir metrificação (TAVARES, 1989) como a
Saudade em meu peito
técnica de medir os versos de um
poema. Na língua portuguesa, ela se apoia na tonicidade
Neste caso, a escansão é realizada da seguinte forma:
morfossintaticamente.
1) O | tem | po | pas | san (5)
Já a escansão é a contagem dos sons dos versos. É
2) Noi | te | de | ven | to | su | a (7)
importante destacarmos que as sílabas
3) Sau | da | de em | meu | pei (5)
métricas são diferentes das sílabas gramaticais. Isso,
porque a aproximação fônica nos versos
Repare que, no terceiro verso, de + em é contado como
nem sempre corresponde às sílabas dos vocábulos.
apenas uma sílaba poética. Quando pronunciamos o trecho
em questão, naturalmente suprimimos a vogal átona em
Para tanto, há as seguintes regras:
“de” na junção com a vogal que inicia a palavra seguinte
1. Contagem das sílabas métricas:
“em”.
Como escansão é a contagem dos sons dos versos, uma
a) Só devemos contar até a última silaba tónica de cada
boa dica é ler em voz alta.
verso. Vejamos:
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
É/ um/ con/ ten/ ta/ men/ to/ des/ con/ ten/ te
c) Quando dois sons se fundem num só dentro da mesma
Nesta situação, a sílaba te da palavra “descontente” não
palavra, temos a sinérese:
entra na contagem poética por ser uma silaba atônica.
1 2 3 4
Lan/ ça a/ poe/ si/ a
Vejamos como isso funciona no poema abaixo:
d) Diérese: o oposto da sinérese, ocorre quando se separa
SENTIDO
em sílabas distintas dois sons
nesses dias
vocálicos dentro de uma mesma palavra. É o que vemos no
escassos
exemplo a seguir:
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Deus/ fa /la/, quan/ do a/ tur/ ba es/ tá/ qui/e/ta Observe que, neste caso, todos os versos são decassílabos.
Dentre os grandes sonetistas da literatura portuguesa,
e) Hiato: é o contrário da elisão. Nesse caso, separam-se destacam-se Camões, Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa,
dois sons interverbais. A sinérese e Olavo Bilac e Vinícius de Moraes.
a diérese são intraverbais; a elisão e o hiato são
interverbais. Vejamos: Estrofe: Harmonia na Poesia
E/ va/ ga
Ao/ lu/ ar Costumamos chamar de estrofe a parte de um poema
Se a/pa/ga formada de uma série de linhas ou
No / ar. versos organizados em certa configuração regular,
2. Classificação do verso quanto ao número de sílabas: definidos por metrificação e rima que se
repetem periodicamente (MOISÉS, 2003). Assim, uma
● Monossílabo: 1 sílaba poética estrofe tem geralmente um padrão
● Dissílabo: 2 sílabas poéticas regular de número de linhas, metrificação e rima,
● Trissílabo: 3 sílabas poéticas
constituindo-se em uma seção da poesia.
● Tetrassílabo: 4 sílabas poéticas
● Pentassílabo ou Redondilha Menor: 5 sílabas
poéticas
● Hexassílabo ou Heróico Quebrado: 6 sílabas Classificação das Estrofes
poéticas
● Heptassílabo ou Redondilha Maior: 7 sílabas De acordo com a quantidade de versos agrupados num
poéticas poema, a estrofe recebe as seguintes denominações:
● Octossílabo: 8 sílabas poéticas ● Monóstico: estrofe formada por um verso.
● Eneassílabo: 9 sílabas poéticas ● Dístico ou Parelha: estrofe formada por dois
● Decassílabo: 10 sílabas poéticas versos.
● Hendecassílabo: 11 sílabas poéticas
● Terceto ou Trístico: estrofe formada por três
● Dodecassílabo: 12 sílabas poéticas
● Bárbaro: 13 ou mais sílabas poéticas versos.
● Quarteto ou Quadra: estrofe formada por quatro
Poemas que utilizam métricas variadas, muitas vezes sem versos.
utilizar rimas, são chamados versos livres. Algumas ● Quintilha, Quinteto ou Pentástico: estrofe formada
formas de poemas utilizam métricas fixas. É o caso do por cinco versos.
soneto. ● Sextilha, Sexteto ou Hexástico: estrofe formada
Soneto é um poema de forma fixa, com catorze versos. Sua
estrutura é dividida em duas estrofes com quatro versos por seis versos.
cada, seguidas de duas estrofes com três versos cada. ● Septilha, Hepteto, Heptástico, Sétima ou Septena:
estrofe formada por sete versos.
● Oitava ou Octástico: estrofe formada por oito
versos.
Soneto da Hipocrisia ● Nona: estrofe formada por nove versos.
Senti o ódio e seu imenso véu, ● Décima ou Década: estrofe formada por dez
Cobrindo o mundo, enganando a esperança versos.
E enquanto era planejada a vingança
Vi nuvens negras cruzarem o céu Rima: Som e Conexão

Escondido no lugar mais profundo, 1) Quanto à posição:


Com medo eterno e sedento de vida,
Hesitante em relação à saída, A. rimas emparelhadas ou paralelas -- AA – BB –
O amor confinado no fim do mundo CC:
B. rimas alternadas, cruzadas ou entrelaçadas -- AB
Almas sugadas pela insegurança AB AB AB: Quando de um lado, rimam os versos
Nos humanos, dentro do coração, ímpares (o 1º com o 3º etc.); de outro, os versos
Triste pavor nos transforma em crianças pares (o 2º com o 4º etc.).
C. rimas opostas ou interpoladas ou intercaladas --
Seres fadados à diminuição ABBA ABBA: quando o 1º verso rima com o 4º, e
Mas o fogo interno que não se cansa o 2º com o 3º.
Faz a vida virar doce ilusão
D. rimas encadeadas: quando rima o final de um e) Imperfeitas: formada por palavras homógrafas (escrita
verso com o interior do verso seguinte, conforme o igual ou semelhante, e significado
esquema abaixo: diferente) e homofônicas (pronúncia igual ou semelhante).
------------------------ A Exemplo:
------------- A ----------------- C Estrela (Homógrafa)
------------------------------ B Vejo (Homofônica)
------------- B ----------------- C Vê-la (Homógrafa)
E. rimas coroadas: quando rimam palavras dentro de Beijo (Homofônica)
um mesmo verso, conforme o
esquema abaixo: Gêneros Poéticos e a Compreensão da Poesia
AA ------------------------ BB
CC ------------------------------ D Gêneros Literários Poéticos
EE---------------------------- FF
GG ----------------------------- D a) Balada; deriva do francês arcaico ballade. Inicialmente,
F. f) rimas aliterantes: sucessão de fonemas foi concebida como um poema que, acompanhado por
consonantais idênticos ou semelhantes no início música, deveria ser cantado durante um baile. A balada
das palavras de um ou mais versos. Vejamos: francesa é composta de três estrofes com oito versos, três
Vozes, veladas, veludosas, vozes oitavas com uma finda, ou seja, uma estrofe de menor
Volúpias dos violões, vozes veladas extensão. Geralmente, as estrofes terminam com um
Vagam nos velhos vórtices velozes estribilho ou refrão, como se denominam os versos que se
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas. repetem ao final de cada estrofe ou em intervalos regulares
(Cruz e Souza) de uma composição poética.
G. g) rimas misturadas: São as rimas que não
obedecem a esquema determinado. b) Vilancete: gênero comum no Renascimento Ibérico, o
É meia-noite ...e rugindo vilancete é um poema construído em medida velha (formas
Passa triste a ventania. de inspiração medieval, com cinco ou sete sílabas poéticas)
Com um verbo da desgraça e
Como um grito de agonia a partir de um mote de dois ou três versos. Quando o
último verso do mote é repetido no último verso do poema,
2 - Quanto ao valor, a rima pode ser: tem-se um vilancete perfeito.

a) pobre: formada por palavras da mesma classe c) Ode: termo originário do grego odé e do latim õde (ou
gramatical. Exemplo: õda), era, originalmente, um poema destinado a ser
Existe (verbo) cantado. Poderia representar qualquer forma de canto
Teimoso (adjetivo) alegre ou triste ou a própria ação de cantar. Era, na
Aviste (verbo) antiguidade clássica, um poema lírico, normalmente
Amoroso (adjetivo) extenso, e de assunto tido como elevado e nobre,
b) Rica: formada por palavras de classes gramaticais expressando sentimentos de maior sorte, em celebração de
diferentes. Exemplo: algum evento especial. Transcendendo os sentimentos
Espero (verbo) ricos, a ode tinha, também, como principais características
Vida (substantivo) a elaboração estrófica, bem como formalidade e nobreza
Sincero (adjetivo) no tom e no estilo, o que a tornavam algo com caráter
Querida (adjetivo) cerimonioso.
c) Rara: formada por palavras de pouca rima, difíceis de se
encontrar. Exemplo: d) Canção: é um texto escrito em verso ou em prosa
Cisne (adjetivo) literária, voltado ao canto. Diferentemente da música que
Bosque (substantivo) corresponde à combinação de sons que produz melodia por
Tisne (verbo ou substantivo) meio de
Quiosque (substantivo) instrumentos musicais, a canção é uma combinação de
d) Preciosa: formada por artifícios gramaticais, ou junção duas linguagens: a verbal e a musical. Talvez seja o mais
de palavras. Exemplo: musical dos gêneros poéticos ou o mais poético dos
Amá-la gêneros musicais. É deveras popular em todas as culturas
Tranquilo ocidentais.
De gala
Por certo fi-lo
É bastante significativo o caráter melódico da composição, na estrofe seguinte, na sequência 6, 1, 5, 2, 4, 3. E se faz na
além da simplicidade do tema bem como o vínculo que o estrofe seguinte a sequência 6, 1, 5, 2, 4, 3 em relação à
sujeito estabelece entre seu sentimento e a natureza. estrofe anterior. E assim até a
sexta estrofe, finalizando os sextetos. O terceto final, ou
f) Elegia: composição de caráter patético, ou seja, voltada coda, tem, em cada verso, no meio e no fim, marcando as
para o pathos (sofrimento). sílabas tônicas, as rimas utilizadas no poema todo, na
posição em
g) Idílio: é o poema lírico em que o eu-poético expressa que se apresentaram na primeira estrofe.
uma homenagem à natureza e às belezas e às riquezas que
ela dá à humanidade: “pequeno poema em que se m) Haicai: o haiku, traduzido para o português como
representa, idealizada, haicai, é a forma de poesia mais tradicional da cultura
a vida rústica” (MARTINS, 1987, p. 453). É o poema japonesa. Autores ocidentais tendem a definir o haicai
bucólico, ou seja, que exprime o desejo de lograr, ou seja, como um poema de 17 sílabas dispostas em três linhas de
de usufruir, de gozar, dessas belezas e riquezas ao lado da 5, 7 e 5 sílabas métricas. O haicai deve promover um
amada (pastora), momento de reflexão, de forma que cause no leitor, uma
que enriquece e embeleza ainda mais a paisagem, espaço sensação de descoberta. O haicai também deve conter um
ideal para a paixão. kigo, palavra que se refere a uma das estações do ano, que
indica quando foi escrito. O tema do haicai é
h) Égloga ou pastoral: é um poema em forma de diálogo principalmente observações de cenas que acontecem na
ou de solilóquio, ou seja, o monólogo, o ato de falar natureza.
consigo mesmo, sobre temas rústicos. Seus intérpretes são,
de modo geral, pastores. n) Soneto: o soneto é de origem italiana, composto por 14
versos, duas quadras e dois tercetos, rimados. No soneto
i) Rondó ou rondel: é formada por duas quadras e uma dito petrarquiano ou regular esse esquema é, sobretudo,
quintilha, cujo primeiro ou os dois primeiros versos da ABBA ABBA CDC (CDE) DCD (CDE). Contudo, já no
primeira quadra se repetem no início ou no fim da Renascimento foram usadas diversas variantes. A mais
composição. notável é a do “soneto inglês”, no qual o esquema passa a
O primeiro verso do poema, também costuma ser o último. ser três quadras e um dístico. O verso usado é o
Surgiu na França, no século XIII. Não há variações na sua decassílabo, embora hoje em dia sejam aceitas outras
forma. formas. Quanto ao conteúdo, as quadras expõem o assunto,
cujas conclusões aparecem nos tercetos ou, no caso inglês,
j) Epitalâmio: é um cântico nupcial, de natureza religiosa, no dístico.
destinado a suplicar aos noivos a bênção dos deuses.
Também era chamado himeneu, em evocação a Himeneu, Figuras de linguagem e reflexões sobre a forma e o
deus conteúdo da poesia
grego do casamento.
1) Figuras sonoras: são aquelas que extraem efeitos de
k) Triolé (do francês Triolet): é um poema curto, de oito sentido dos fonemas que compõem as palavras.
versos, com apenas duas rimas utilizadas por toda parte.
As regras são simples: a primeira linha é repetida nas A. Aliteração: consiste na repetição ordenada de
linhas de quarta e sétima, a segunda linha é repetida na mesmos sons consonantais.
linha final, e apenas os dois primeiros finais das palavras “Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi
são usados para completar o esquema de rimas apertado. berrando...Dança doido, dá de duro, dá de dentro,
Assim, o poeta escreve apenas cinco linhas originais, dá direito”.
dando ao triolé uma aparência enganosamente simples: (Guimarães Rosa)
ABAAABAB, em que as letras em vermelho e azul (ver B. Assonância: consiste na repetição ordenada de
poema a seguir) indicam mesmos sons vocálicos.
os versos repetidos. “O que o vago e incógnito desejo/de ser eu mesmo
de meu ser me deu”.
l) Sextina: é um poema formado de seis sextetos e um (Fernando Pessoa)
terceto final, a coda. Utilizando versos decassilábicos, tem C. Paronomásia: consiste na aproximação de palavras
as rimas finais repetidas em todas as estrofes, num de sons parecidos, mas de significados distintos.
esquema “Conhecer as manhas e as manhãs/ O sabor das
pré-estabelecido. Assim, rimas que aparecem na primeira massas e das maçãs”.
estrofe, na sequência de versos 1, 2, 3, 4, 5, 6, repetem-se (Almir Sater e Renato Teixeira)
D. Onomatopeia: consiste na criação de uma palavra eles algum relacionamento. A metonímia ocorre
para imitar sons e ruídos. É uma figura que quando se emprega:
procura imitar os ruídos e não apenas sugeri-los. A causa pelo efeito: vivo do meu trabalho (do
Chega de blá-blá-blá-blá! produto do trabalho = alimento)
E. Eco: é a figura que de repetição de um O efeito pela causa: aquele poeta bebeu a morte (=
determinado som no final de palavras em veneno)
sequência. O eco só é considerado uma figura O instrumento pelo usuário: os microfones corriam
quando tem função estilística. no pátio = repórteres).
Em ronco que aterra, E. Antonomásia: É a figura que designa uma pessoa
Berra o sapo-boi: por uma característica, feito ou fato que a tornou
- “Meu pai foi à guerra!” notória.
- “Não foi!” - “Foi!” - “Não foi!”. A cidade eterna (em vez de Roma)
F. Sinestesia: Trata-se de mesclar, numa expressão,
É importante destacar que a existência de uma figura de sensações percebidas por diferentes órgãos
linguagem não exclui outras. Em um mesmo texto sensoriais.
podemos encontrar aliteração, assonância, paronomásia e Um doce abraço ele recebeu da irmã. (sensação
onomatopeia. gustativa e sensação tátil)
G. Antítese: é o emprego de palavras ou expressões
de significados opostos.
Os jardins têm vida e morte.
H. Eufemismo: consiste em atenuar um pensamento
2) Figuras semânticas desagradável ou chocante.
Consistem no emprego de uma palavra num sentido não Ele sempre faltava com a verdade (= mentia)
convencional, ou seja, num sentido conotativo. I. Gradação ou clímax: é uma sequência de palavras
que intensificam uma ideia.
A. Comparação ou símile: ocorre comparação quando Porque gado a gente marca,/ tange, ferra, engorda
se estabelece aproximação entre dois elementos e mata,/ mas com gente é diferente.
que se identificam, ligados por nexos J. Hipérbole: trata-se de exagerar uma ideia com
comparativos explícitos, como tal qual, assim finalidade enfática.
como, que nem e etc. A principal diferenciação Estou morrendo de sede!
entre a comparação e a metáfora é a presença dos Não vejo você há séculos!
nexos comparativos. K. Prosopopeia ou personificação: consiste em
“E flutuou no ar como se fosse um príncipe.” atribuir a seres inanimados características próprias
(Chico Buarque) dos seres humanos.
B. Metáfora: consiste em empregar um termo com O jardim olhava as crianças sem dizer nada.
significado diferente do habitual, com base numa L. Paradoxo: consiste no uso de palavras de sentido
relação de similaridade entre o sentido próprio e o oposto que parecem excluir-se mutuamente, mas,
sentido figurado. Na metáfora ocorre uma no contexto se completam, reforçam uma ideia
comparação em que o conectivo comparativo fica e/ou expressão.
subentendido. Estou cego, mas agora consigo ver.
“Meu pensamento é um rio subterrâneo”. M. Perífrase: é uma expressão que designa um ser por
(Fernando Pessoa) meio de alguma de suas características ou
C. Catacrese: ocorre quando, por falta de um termo atributos.
específico para designar um conceito, toma-se O ouro negro foi o grande assunto do século. (=
outro por empréstimo. petróleo)
Ele comprou dois dentes de alho para colocar na N. Apóstrofe: é a interpelação enfática de pessoas ou
comida. seres personificados.
O pé da mesa estava quebrado. “Senhor Deus dos desgraçados!/ Dizei-me vós,
Não sente no braço do sofá. Senhor Deus!” (Castro Alves)
D. Metonímia: assim como a metáfora, consiste numa O. Ironia: é o recurso linguístico que consiste em
transposição de significado, ou seja, uma palavra afirmar o contrário do que se pensa.
que usualmente significa uma coisa passa a ser Que pessoa educada! Entrou sem cumprimentar
utilizada com outro sentido. Ou seja, é o emprego ninguém.
de um nome por outro em virtude de haver entre P. Sinédoque: tipo especial de metonímia baseada na
relação quantitativa, ou seja, designamos a parte
pelo todo ou o todo pela parte. Consiste em normal sujeito, predicado e complementos, a
empregar um termo num sentido mais abrangente. inversão dessa sequência tem como finalidade
Os casos mais comuns são a parte pelo todo: enfatizar a ação, a circunstância ou qualquer outro
“cabeças elemento:
pensantes” por “homens pensantes”. Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;[...]
D. Pleonasmo: repetição de um termo ou reforço do sentido.
• o gênero pela espécie ou vice-versa: “nascemos E. Polissíndeto, repetição da conjunção:
Mas se Deus é as árvores e as flores
no Brasil”, por “nascemos em um E os montes e o luar e o sol,
lugar do Brasil”; ou da matéria pela forma em Para que lhe chamo eu Deus?
F. Assíndeto: supressão da conjunção.
“Jesus está pendente no madeiro”, ou seja, ele está G. Anáfora: repetição de uma palavra ou expressão no início de seguidos
“na cruz que é feita de madeira”. versos, orações ou períodos.
E agora, José?
• sinédoque de número: “Sejamos honestos”, por Está sem mulher,
“seja eu honesto”; ou “o político deve se preocupar está sem discurso,
com o homem”, por “os políticos devem se está sem carinho,
H. Quiasmo: consiste no cruzamento de grupos sintáticos paralelos, por
preocupar com as pessoas”, “a isso pode ser considerada uma figura sintática. Pode ser considerada,
maldade do homem” por “da espécie humana”. também, uma espécie de antítese e, nesse caso, poderia ser
• Sinédoque de espécie: uso da espécie pelo categorizada como uma figura de oposição. Preferimos, no entanto,
deixa-la aqui como figura sintática.
gênero, como em “os mortais sofrem neste
mundo” por “os homens sofrem neste mundo”; da ANEXO A - ALFABETO E NÚMEROS EM LIBRAS

parte pelo todo: “lançou a vela ao mar”, por lançou


o navio no mar.

3) Figuras de oposição

Antítese: é uma das mais conhecidas e usadas figuras de


linguagem da língua portuguesa.
Consiste na aproximação de palavras que expressam ideias
contrárias.
o bem, que sem ser mal, motiva o dano;
o mal, que sem ser bem apressa a morte
Oximoro: trata-se de uma intensificação da antítese, uma
espécie de paradoxo, ideia aparentemente absurda, só
possível no plano da linguagem: “o fogo frio do seu olhar”,
por exemplo.

Ironia: é a afirmação de algo diferente do que se deseja


comunicar, geralmente o contrário,
na qual o emissor deixa transparecer a contrariedade por
meio do contexto do discurso, ou
de alguma diferenciação editorial, ou entoativa ou gestual.

4) Figuras sintáticas

Elipse e zeugma
A. Elipse: supressão de um termo que pode ser
facilmente subentendido pelo contexto linguístico
ou pela situação.
B. Zeugma: um caso de elipse que consiste na
supressão, em orações subsequentes, de um termo
expresso na primeira (p.ex.: cada criança escolheu
um brinquedo; o menino, um carro, a menina, uma
boneca)
C. Hipérbato: inversão da ordem natural dos
elementos da oração. Considerando-se a ordem