Você está na página 1de 7

Zacarias M. Chamberlain Pravia et al.

Engenharia Civil

Otimização númerica e experimental de


perfis U formados a frio sujeitos à
compressão
(Numerical and experimental optimization of cold formed
steel c-sections under compression)

Zacarias M. Chamberlain Pravia


Universidade de Passo Fundo. Faculdade de Engenharia e Arquitetura
E-mail: zacarias@upf.br

Moacir Kripka
Universidade de Passo Fundo. Faculdade de Engenharia e Arquitetura
E-mail: mkripka@upf.br

Resumo Abstract
Esse trabalho apresenta um estudo numérico que This paper presents a numeric study that aims to
objetiva a determinação do peso mínimo de perfis confor- obtaining minimum weight of cold-formed channel
mados a frio de seção U, com e sem enrijecedores de columns, with and without lips. Flexural, torsional and
borda. Os modos de falha considerados incluem escoa- torsional-flexural buckling of columns were considered
mento da seção, flambagem global por flexo - compres- as constraints. The design of cold-formed steel columns
são, flexo-torção e flambagem local de placa. A obtenção was prepared on the basis of the 2001 edition of the
das dimensões ótimas da seção é baseada nos preceitos North American Specification for the Design of Cold-
da norma norte-americana AISI (2001) para comprimento Formed Steel Structural Members. The optimization was
e carga definidos a priori. A otimização foi efetuada atra- made through the Simulated Annealing method. Several
vés do Método do Recozimento Simulado (Simulated numeric simulations are presented and discussed with
Annealing). Simulações numéricas são apresentadas com the main goal of validate the proposal, as well as an
o intuito de validar o procedimento empregado, assim experimental example that qualifies the implementation.
como um exemplo experimental que qualifica a implemen-
Keywords: Optimization, cold-formed steel, channel
tação proposta.
columns, Simulated Annealing.
Palavras-chave: Otimização, perfis conformados a frio,
perfil U, Simulated Annealing.

REM: R. Esc. Minas, Ouro Preto, 61(3): 371-377, jul. set. 2008 371
Otimização númerica e experimental de perfis U formados a frio sujeitos à compressão

1. Introdução zação não foi baseado na resistência da A seção seguinte desse trabalho
peça e, sim, na capacidade de incremen- apresenta uma descrição do problema
Perfis conformados a frio constitu- tar o momento resistente da seção en- abordado, incluindo os procedimentos
em uma alternativa para pequenas e mé- quanto minimizava a área da seção trans- para a verificação de perfis conforme a
dias estruturas metálicas, tais como es- versal. norma AISI (2001), a formulação do pro-
truturas de coberturas. A grande vanta-
gem desses tipos de perfis consiste na Castelluci et al. (1997) apresentaram blema de otimização e a técnica empre-
possibilidade de se ajustar a forma às um perfil otimizado para flexão, baseado gada.
necessidades da peça e do conjunto da em um perfil U com enrijecedores de bor- Para o desenvolvimento do presen-
estrutura, obtendo-a com o mínimo peso da, porém com dois enrijecedores inter- te estudo, os autores optaram pela utili-
possível. Na prática essa vantagem não mediários na alma. Esses autores afirmam zação do Método do Recozimento Simu-
é explorada, pois a simples busca de um que a carga de colapso é 15% maior que lado, ou Simulated Annealing, para a
perfil com seu máximo desempenho (mai- a da seção genérica proposta, obtida com obtenção da seção mínima em perfis con-
or relação resistência/peso) foge das ati- apenas 5% de incremento de área. O tra-
formados a frio. Esse mesmo método foi
vidades do dia-a-dia do engenheiro. Nes- balho, no entanto, não faz menção a ne-
empregado com êxito em outras aplica-
se sentido, o presente trabalho objetiva nhuma técnica de otimização.
ções relativas à otimização de seções
estudar a otimização de elementos com-
Adeli e Karim (1997) desenvolve- em elementos de estruturas metálicas
ponentes de estruturas compostas por
ram um modelo de redes neurais para (Kripka & Drehmer, 2005, Drehmer &
perfis formados a frio, mais especifica-
mente perfis U com e sem enrijecedores problemas não lineares e o aplicaram a Kripka, 2005).
de borda, usando como referência para vigas simplesmente apoiadas com se-
ções transversais I e Z. Para a verifica- Na terceira seção, são descritas al-
determinar a capacidade de carga a nor- gumas das simulações numéricas efetu-
ma americana AISI (2001). A partir da im- ção das seções, utilizaram como referên-
cia as normas AISI de tensões admissí- adas a partir da implementação da for-
plementação computacional da formula- mulação. Foram analisados perfis com e
ção proposta, foram avaliadas as seguin- veis (ASD).
sem enrijecedores de borda, com o obje-
tes relações: para perfis sem enrijecedo- Al-Mosawi e Saka (2000) incluíram, tivo de verificar a influência destes no
res, a relação entre a largura de alma e de em seu procedimento de otimização, as peso final. É também apresentado o ex-
abas e, para perfis enrijecidos, tanto a tensões de empenamento de seções con- perimento desenvolvido com o objetivo
relação entre largura de alma e de abas, formadas a frio e obtiveram seções óti-
como a relação entre largura de aba e de validar os resultados numéricos obti-
mas de perfis U simétricos e assimétri-
enrijecedor. No processo de otimização dos.
cos e seções Z submetidas a cargas
da seção para a obtenção da carga resis- transversais uniformemente distribuídas. Por fim, na última seção são tecidas
tente, empregou-se o método das largu- Porém, no processo de otimização, con- algumas considerações sobre o estudo
ras efetivas (AISI, 2001). Segundo esse sideraram apenas as restrições de ten- desenvolvido.
procedimento, cada uma das possíveis são normal e de deslocamento.
cargas elásticas de flambagem (flexional,
torsional, flexo-torsional e local) é obti- Tian (2003) apresentou um estudo
teórico e experimental para obtenção do
2. Descrição do
da e, em função da menor destas, define-
se o máximo carregamento admissível. O peso mínimo da seção transversal de problema
modo de distorção da seção não foi con- perfis U sujeita à compressão, prescre-
2.1 Verificação de perfis U
siderado nesse estudo. vendo um comprimento fixo e uma carga
axial resistente. Para os cálculos de re- com e sem enrijecedores
Uma revisão do estado da arte mos- sistência, empregou, como referência, a sujeitos à compressão
tra que a produção bibliográfica relativa norma Britânica BS 5959 e um método
à otimização de perfis conformados a frio A verificação dos perfis foi efetua-
não linear (SQP, ou programação qua-
ainda é incipiente. Seaburg e Salmon da a partir dos preceitos da norma norte-
drática sequencial). Tian apresentou, ain-
(1971) estudaram o peso mínimo de se- americana AISI (2001), descritos de for-
da, um método simplificado, no qual as
ções tipo cartola usando os métodos di- ma sucinta no presente item.
tensões de escoamento, de flambagem
reto e do gradiente para a minimização flexional e flexo-torsional são igualadas. Segundo a seção C.4 do AISI
da função-peso, apresentando apenas O autor concluiu que, em perfis U, existe (2001), a resistência axial nominal Pn deve
um único exemplo devido à complexida-
uma relação ótima constante entre as lar- ser determinada da seguinte maneira:
de numérica do problema.
guras da alma e da aba. As seções estu-
Pn = Ae Fn (1)
Dinovitzer (1992) otimizou o com- dadas forneceram aumento de cerca de
primento do enrijecedor de uma seção U 50% na capacidade de resistência à com- onde Ae é a área efetiva determinada para
de acordo com a norma canadense. O pressão axial sem aumentar a área da se- tensão Fn, sendo esta tensão calculada
procedimento empregado para a otimi- ção transversal. de acordo com o seguinte critério:

372 REM: R. Esc. Minas, Ouro Preto, 61(3): 371-377, jul. set. 2008
Zacarias M. Chamberlain Pravia et al.
Se λ ≤ 1,5 então

(
Fn = 0,658 λc F y
2
) (2)

Caso contrário,

⎡ 0,877 ⎤
Fn = ⎢ 2 ⎥F y (3)
⎣ λc ⎦

Fy
λ= (4)
Fe

Na relação anterior, Fe é o valor


mínimo da tensão de flambagem elástica
flexional (σex , σey) de torção (σt) ou flexo-
torção (Felt) de acordo com as seguintes
expressões:

π 2E
σ ex = 2
⎛ KL x ⎞ (5)
⎜ ⎟
⎝ rx ⎠

π 2E
σ ey = 2
⎛ KL y ⎞
⎜ ⎟ (6)
⎜ r ⎟
⎝ y ⎠

Figura 1 - Fluxograma para determinação da capacidade à compressão de perfis U


1 ⎡ π 2 .E.C w ⎤ segundo AISI (2001).
σt = +
⎢ E
Ag .r02 ⎣ r
. J
( K .Lt ) ⎥⎦ (7)
2.2 Procedimento de
otimização
Felt =
1
2. β
[
(σ ex + σ t ) − (σ ex + σ t ) 2 − 4. β .σ ex .σ t ] (8) Uma vez conhecidos o carregamen-
to Ps, o comprimento total L e as condi-
O cálculo da área efetiva, de acordo com o método das larguras efetivas, é ções de vinculação, busca-se determi-
realizado conforme a seção B2 do AISI (2001): nar as dimensões da seção transversal
b = w se λ ≤ 0,673 (9) do perfil que resistam ao carregamento
aplicado com o menor consumo de ma-
b = ρ. w se λ > 0,673 (10)
terial (menor peso de aço ou, de forma
ρ = (1 - 0,22 /λ ) / λ (11) equivalente, menor seção bruta Ag). Des-
sa forma, designando as dimensões por
1,052 ⎛ w ⎞ f A, B, C e t (conforme a Figura 2), a fun-
λ= ⎜ ⎟ , f = Fn (12)
k ⎝t⎠ E ção-objetivo a ser minimizada pode ser
escrita como:
onde w é a largura plana do elemento sendo analisado na seção. A formulação
apresentada anteriormente é válida para elementos biapoiados. Para o caso de ele- f (A, B, C, t) = Ag (13)
mentos apoiados e com enrijecedor de borda, usam-se as formulações das seções onde:
B3.1 e B4.2 da referida norma.
Ag = t [a + 2b + 2u + α (2c + 2u)] (14)
A Figura 1 apresenta um fluxograma resumindo o procedimento para determina-
ção da capacidade à compressão de perfis U segundo AISI (2001). a = A - (2r + t) (15)

REM: R. Esc. Minas, Ouro Preto, 61(3): 371-377, jul. set. 2008 373
Otimização númerica e experimental de perfis U formados a frio sujeitos à compressão
Recozimento Simulado utiliza uma estra- Klt= 1680 mm). Para o perfil descrito, foi
⎡ t t ⎤
b = B − ⎢ r + + α (r + )⎥ (16) tégia diferente da empregada pelos mé- obtido o carregamento resistente
⎣ 2 2 ⎦ todos baseados em programação mate- Pn = 10,72 kN.
mática, ao tentar evitar a convergência
⎡ ⎛ t ⎞⎤ Na seqüência, foram efetuadas di-
para um ponto de mínimo local, aceitan-
c = α ⎢C − ⎜ r + ⎟
2 ⎠ ⎥⎦
(17) do também, segundo um critério especí- versas análises com o emprego do códi-
⎣ ⎝ go computacional desenvolvido, bus-
fico, soluções que acarretem em aumen-
πr to no valor da função. Esse método é cando-se a obtenção da menor seção Ag
u= (18) reconhecido como um procedimento que resistisse ao mesmo carregamento
2 do perfil original.
para a obtenção de boas soluções para
⎧1 → C ≠ 0 problemas de otimização de difícil reso- Os principais parâmetros emprega-
α⎨ (19) lução, desenvolvido em analogia ao pro- dos no processo de otimização pelo Si-
⎩0 → C = 0
cesso de recozimento de um sólido, mulated Annealing foram os seguintes:
Onde A, B, C, t, r (Figura 2) são as di- quando se busca a obtenção de um es- temperatura inicial T = 200, redutor de
mensões da seção e as variáveis de pro- tado que apresente mínima energia. temperatura α = 0,95 e constante de pe-
jeto. Por questão de simplicidade, o raio A consideração das restrições, na nalização P = 1000.
de dobramento r é considerado igual à implementação computacional, foi efetu-
espessura t. Nesse caso, o número de A Tabela 1 apresenta os resultados
ada pela penalização das soluções não obtidos para as duas considerações efe-
variáveis da função fica reduzido a qua- factíveis (não atendidas). A função pe-
tro, se existir enrijecedor, ou apenas, três tuadas, quais sejam, perfis sem e com
nalizada F(x) é escrita como:
no caso deste não existir. enrijecedor de borda (designados, res-
F(x) = f(x) + Pφ (x) (24) pectivamente, pelas iniciais PSE e PCE),
As dimensões foram consideradas comparando-os com o perfil original (de-
como variáveis contínuas, com limites onde x consiste no conjunto das variá-
signado por P0). Nessa tabela, a última
veis de projeto. Tem-se, ainda, que:
inferior e superior, para cada dimensão, coluna indica a redução percentual na
definidos em função das limitações ine- φ(x) = ∑ [g(x)²] (25) seção (e, em conseqüência, no peso) do
rentes ao processo de fabricação e do- perfil ótimo com relação ao perfil inicial.
Nas expressões anteriores, φ(x) é o
bragem.
somatório das funções de restrição não A partir da observação da Tabela 1,
Além dos limites impostos às di- atendidas (g(x)), para a solução atual, e pode-se constatar a grande redução na
mensões, consiste em restrição adicio- P, uma constante de penalização. Assim, área da seção transversal obtida com a
nal o atendimento à condição de que a penalizar uma solução não factível equi- otimização do perfil. Como esperado, a
carga resistida pelo perfil, Pd, seja igual vale, no presente problema, a incremen- presença de enrijecedores aumenta, de
ou superior ao carregamento solicitante tar, artificialmente, o peso (ou área da forma considerável, sua eficiência, ge-
Ps. Um perfil que atenda a todos esses seção) do perfil correspondente.
limites, designados como restrições de
projeto, é uma solução possível, ou fac-
tível, para o problema, constituindo-se 3. Resultados
num candidato a ótimo. Apresentam-se, na seqüência, al-
O problema de minimização da se- guns resultados obtidos a partir da im-
ção do perfil pode ser, então, descrito, plementação computacional da formula-
incorporando-se, à função-objetivo, o ção proposta. Em todas as simulações nu-
seguinte conjunto de restrições: méricas efetuadas, foram considerados os
seguintes dados: coeficientes de flamba-
Ps ≤ Pd (20) gem Kx = Ky = 1 e Kt = 0,7, módulo de
50mm ≤ A ≤ 1000mm (21) elasticidade longitudinal E = 203 GPa,
coeficiente de Poisson ν = 0,3 e tensão
30mm ≤ B ≤ 1000mm (22) de escoamento Fy = 350 MPa.
1mm ≤ t ≤ 25mm (23) As primeiras análises partiram de um
A formulação apresentada foi im- perfil com as seguintes características:
plementada empregando-se o Método do altura A = 88,5 mm, largura B = 37,5mm,
Recozimento Simulado, ou Simulated altura do enrijecedor C = 7,65 mm,
Annealing, o qual consiste em um mé- espessura t = 1,5 mm e comprimento
todo heurístico para otimização global total L = 2400 mm (gerando os compri-
(Kirkpatrick et al., 1983). O Método do mentos efetivos Klx = Kly = 2400 mm e Figura 2 - Seção do perfil U.

374 REM: R. Esc. Minas, Ouro Preto, 61(3): 371-377, jul. set. 2008
Zacarias M. Chamberlain Pravia et al.
rando uma redução adicional na quanti- Tabela 1 - Perfil inicial e perfis ótimos.
dade total de material (superior a 15 %,
ainda conforme a tabela). Observou-se,
ainda, que a resistência do perfil inicial
P0 é limitada pela tensão de flambagem
por flexão em relação ao eixo vertical
y (Eq. 6), enquanto, nos perfis ótimos, a
flambagem ocorre de forma simultânea
por flexão em relação ao eixo y e por fle-
xo-torção (Eq. 7).
Cabe ressaltar que tal economia se
dá sem detrimento da segurança, uma
vez que a carga resistente é idêntica nos
três perfis.
Com o objetivo de validar o proce-
dimento empregado, para a otimização
da seção, efetuaram-se várias análises,
partindo-se de diversos valores iniciais
para cada variável de projeto. Observou-
se que o resultado final é pouco depen-
dente dos valores iniciais adotados.
Uma segunda série de análises foi
efetuada para os mesmos dados empre-
gados nas análises anteriores, porém
para carregamentos crescentes. Consi-
derando carregamentos Ps iguais a 10,
20, 30, 40 e 50 kN, buscou-se a determi-
nação das dimensões ótimas para perfis
com e sem enrijecedores. As dimensões
ótimas obtidas, bem como as seções cor-
respondentes, estão ilustradas nas Fi-
guras 3 a 7 (as curvas apresentadas nes- Figura 3 - Relação Carga (Ps) x Altura ótima do perfil (A*).
sas figuras foram ajustadas a partir dos
cinco carregamentos analisados).
Com base nas figuras apresenta-
das, observa-se uma relação linear nas
dimensões dos perfis com o aumento do
carregamento. Essa relação, no entanto,
não é verificada com relação ao compri-
mento do enrijecedor (Figura 5). Ainda
assim, fica evidente a contribuição sig-
nificativa dos enrijecedores de borda para
a redução do peso do perfil. Nas estru-
turas analisadas, essa redução variou de
14,2 a 25,3 %.
Apesar da variação das dimensões
do perfil com o aumento do carregamen-
to, a relação entre a altura e a base do
perfil sem enrijecedores se manteve pra-
ticamente constante e igual a 1,66. Já
para perfis enrijecidos, essa relação so-
freu uma maior variação, ficando, no en-
tanto, entre 1,73 e 1,81. Figura 4 - Relação Carga (Ps) x Largura ótima do perfil (B*).

REM: R. Esc. Minas, Ouro Preto, 61(3): 371-377, jul. set. 2008 375
Otimização númerica e experimental de perfis U formados a frio sujeitos à compressão
Cabe destacar que as relações-limi-
tes entre largura e espessura, preconiza-
das pelo AISI (2001), apesar de não te-
rem sido impostas como restrições no
presente trabalho, atenderam aos limi-
tes, respectivamente, de 200 para a rela-
ção altura/espessura do segmento pla-
no da alma e 60 para largura/espessura
do segmento plano da mesa do perfil.
Com o intuito de verificar, experi-
mentalmente, os resultados obtidos, a
partir da aplicação do procedimento de
otimização proposto no presente traba-
lho, foi definido um perfil-base de
110x55x1,2mm de seção e comprimento
de 1200 mm. Uma vez determinado o es-
forço resistente à compressão desse per-
Figura 5 - Relação Carga (Ps) x Largura ótima do enrijecedor (C*).
fil-base, foi efetuada a otimização do per-
fil com o intuito de obter uma redução
no peso sem comprometimento da resis-
tência. De acordo com as limitações de
espessura oferecidas pelo fabricante, o
perfil ótimo foi de 65x35x1,5mm.
Na otimização, foi usado o valor
médio da tensão de escoamento de
217,2 MPa. Essa tensão média foi obtida
de 4 ensaios experimentais de tração em
corpos-de-prova nas duas espessuras
usadas.
Foram construídos 2 perfis de cada
seção (U110x55x1,2 e U65x35x1,5), para
serem ensaiados à compressão. Os per-
fis ensaiados, mostrando a falha por flam-
bagem local interagindo com a global,
são mostrados na Figura 8.
Figura 6 - Relação Carga (Ps) x Espessura ótima do perfil (t*).
Um resumo dos resultados experi-
mentais é apresentado na Tabela 2. Ob-
serva-se que o perfil otimizado conduziu
a uma redução no peso de 24% em rela-
ção ao perfil original, para cargas de co-
lapso semelhantes (variação de 3,71%
para menos no perfil otimizado).

4. Considerações
finais
Nesse trabalho, foi empregada uma
formulação desenvolvida para a deter-
minação da seção mínima de perfis U
conformados a frio sujeitos à compres-
são, dimensionados segundo a norma
AISI (2001) com o emprego do método
do Recozimento Simulado. Figura 7 - Relação Carga (Ps) x Seção ótima do perfil (Ag*).

376 REM: R. Esc. Minas, Ouro Preto, 61(3): 371-377, jul. set. 2008
Zacarias M. Chamberlain Pravia et al.
Tabela 2 - Valores médios dos ensaios realizados.

Observou-se, a partir dos resulta- AL-MOSAWI, S., SAKA, M.P. Optimum


dos numéricos obtidos, que uma grande shape design of cold-formed thin-walled
redução de peso pode ser obtida a partir steel sections, Advances in Engineering
do emprego de técnicas de otimização. Software, v. 31, p. 851-862, 2000.
Adicionalmente, o acréscimo de enrije- AMERICAN IRON AND STEEL
cedores de borda nos perfis conduziu a INSTITUTE (AISI). Specification for the
Design of Cold-Formed Steel Structural
uma redução significativa no peso do
Members, Washington, D.C., USA, 2001
perfil, nunca inferior a 14 % nos casos
CASTELLUCCI, M.A., PILLINGER, I.,
aqui estudados.
HARTLEY, P., DEELEY, G.T. The
Com o objetivo de avaliar, experi- optimization of cold rolled formed
Figura 8 - Perfis já ensaiados mostrando
mentalmente, o processo de otimização, products, Thin-Walled Structures, v. 29, a falha por flambagem local.
e de acordo com as limitações de espes- n. 1-4, p. 159-174, 1997.
sura disponíveis, foi proposta uma se- DINOVITZER, A.S. Optimization of cold
ção ótima submetida ao mesmo esforço formed steel C-sections using Standard
Can/CSA-S316-M89. Canadian Jornal
de compressão de uma seção-base de KRIPKA, M. Construção metálica:
of Civil Engineering, n. 19, p. 39-50,
dimensões 110x55x1,2 mm. A seção óti- estudos e pesquisas recentes. Passo
1992.
ma obtida com o processo de otimização Fundo: UPF Editora, 2005. p. 100-119.
DREHMER, G.A., KRIPKA, M.
foi de 65x35x1,5 mm. Os resultados expe- Otimização de perfis I soldados com
SEABURG, P.A., SALMON,C.G. Minimum
rimentais são promissores, já que mos- weight design of light gauge steel
dupla simetria. In: CHAMBERLAIN, Z.
tram uma economia de 24% em peso no members. Journal of Structural Division
M., KRIPKA, M. Construção metálica:
caso aqui estudado. ASCE, v. 97, n. 1, p. 203-222, 1971.
estudos e pesquisas recentes. Passo
TIAN, Y.S. Optimal design of cold-formed
Fundo: UPF Editora, 2005. p. 159-179.
steel sections and panels. Cambridge
KIRKPATRICK, S., GELATT, C.D.,
5. Referências VECCHI, M.P. Optimization by
University Engineering Department,
2003. (Ph.D. thesis).
Simulated Annealing, Science 220, 4598,
bibliográficas p. 671-680, 1983.
ADELI, H., KARIM, A. Neural network Artigo recebido em 30/05/2007 e
KRIPKA, M. & DREHMER, G.A.
model for optimization of cold-formed aprovado em 28/03/2008.
Determinação da geometria e configuração
steel sections. Journal of Structural
ótimas em treliças metálicas de banzos
Engineering ASCE, v. 123, n. 11, p.
paralelos. In: CHAMBERLAIN, Z.M.,
1525-1543, 1997.

REM: R. Esc. Minas, Ouro Preto, 61(3): 371-377, jul. set. 2008 377

Você também pode gostar