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AULA 13

Corpo humano III – Outros três sistemas


Os sistemas corpóreos são programados para trabalhar em sincronia. Cada
um tem órgãos especializados em determinadas funções, mas trabalham em
cooperação para promover o bem-estar de todo o corpo. Vamos estudar ou-
tros três sistemas: circulatório; digestório; e urinário.

O corpo recebe o alimento: os nutrientes circulam


pela corrente sanguínea e os resíduos são eliminados.

Sistema circulatório: bate, bate, coração

No peito existe um músculo do tamanho de um punho capaz de bombear 300 milhões de litros de
sangue ao longo da vida. O coração faz circular o sangue, que realiza uma longa lista de atividades fisioló-
gicas. Cheia de tarefas, essa bomba vital surge como o músculo mais trabalhador do corpo humano. Mas,
claro, ele não age sozinho. O cérebro detecta as condições a nosso redor e regula o aparelho circulatório de
forma a satisfazer as necessidades de nosso organismo sob tais circunstâncias.

Sistema digestório: linha de desmontagem

O sistema digestivo funciona como uma fábrica ao contrário. Ele transforma o produto final, a comida,
nas moléculas que a constituem. A comida faz dentro do seu corpo uma viagem fantástica. A primeira mordida
é o ponto inicial de uma jornada que dura entre 18 e 30 horas, por um tortuoso caminho de 9 metros de exten-
são. No itinerário, a comida sofre uma série de transformações físicas e químicas. A exigência do organismo é
que as substâncias mais complexas sejam divididas em moléculas cada vez mais simples: isso é a digestão.

Sistema urinário: o caminho das águas

Em cerca de uma hora, o líquido que entrou quer sair. Quando bebemos um copo d’água, o líquido
passa pelo esôfago, estômago, é absorvido pelas paredes do intestino delgado e daí segue pela corrente
sanguínea até chegar aos rins, onde parte é absorvida e parte é encaminhada para o sistema urinário.
Nossos rins (temos dois) têm a forma de um enorme grão de feijão, com 12 cm de comprimento, 7 cm
de largura e 5 cm de espessura. Cada um é formado por cerca de 1 milhão de unidades filtradoras, os
néfrons. É ali que o xixi é produzido.

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Corpo humano III – Sistemas: circulatório, digestório e urinário
Sistema circulatório de sangue.Um septo separa o lado esquer-
do do direito, impedindo a mistura do san-
gue arterial com o venoso. Pelo lado direito
só passa sangue venoso (com alta taxa de
CO2),e pelo lado esquerdo, sangue arterial
(com alta taxa de O2).
Veja o esquema que representa a anato-
mia interna do coração.

Anatomia interna do coração


Veia cava Aorta Artéria pulmonar
superior esquerda
Válvula aórtica
Veias
pulmonares
Artéria esquerdas
pulmonar
direita

Átrio
esquerdo

Válvula AV
esquerda

O sistema circulatório é o principal res- Veias


pulmonares
ponsável pelo transporte de substâncias no in- esquerdas
terior do organismo. Para isso, ele é formado
Átrio
por uma extensa rede de vasos sanguíneos direito

por todo o corpo, por onde circula o sangue,


Válvula AV
impulsionado pelo coração. As contrações car- direita

díacas são involuntárias, reguladas pelo siste- Veia cava Válvula Ventrículo
Ventrículo
esquerdo
ma nervoso autônomo. inferior pulmonar direito

Quando se fala em sistema circulatório,


pensa-se no seu órgão principal, o coração.
Circulação
É uma bomba muscular pequena mas poten-
te, que bate ininterruptamente durante toda a A circulação sanguínea dos mamíferos
nossa vida, desde a terceira semana da fase e aves é dupla (passam dois tipos de sangue
embrionária. No ser humano o coração , que pelo coração), completa (não há mistura de
pesa cerca de 400g, contrai-se cerca de 70 ve- sangue) e fechada (através de vasos). Pelo
zes por minuto, em estado de repouso. A cada lado direito passa sangue venoso e pelo lado
batimento, ele impulsiona 140 mL de sangue esquerdo, sangue arterial.
para o sistema cardiovascular. O sangue chega ao coração através de
veias, que desembocam nos átrios: as veias
Anatomia do coração cavas transportando sangue venoso da cabe-
ça e dos órgãos e a veia pulmonar, sangue
Nosso coração é um músculo grosso arterial dos pulmões. A musculatura dos átrios
chamado miocárdio, oco e dividido em quatro relaxa e eles se enchem de sangue, simulta-
câmaras internas: duas superiores (átrios) e neamente. É a diástole. Em seguida, dá-se a
duas inferiores (ventrículos). Entre cada átrio contração (sístole) simultânea dos átrios e o
e o ventrículo correspondente, há uma válvula sangue passa para os ventrículos, que se di-
que se abre e fecha, durante a passagem latam e se enchem (diástole). A passagem se
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faz através das válvulas (ou valvas) tricúspide,
do lado direito, e mitral do lado esquerdo, que um aparelho chamado esfigmomanômetro, a
se fecham em seguida, impedindo o refluxo do pressão arterial pode ser medida pelo médico
ou profissional habilitado. O valor da pressão
sangue. É esse fechamento forte que produz o
arterial é um dado importante na avaliação das
som característico identificado pelos médicos condições de saúde do sistema cardiovascular.
como o “tum” das batidas do coração.
O sangue sai dos ventrículos por arté-
rias: pelo lado direito, é levado pela artéria Circulação venosa (azul) e
pulmonar até os pulmões, para ser oxigena- arterial (vermelha)
do. Pelo lado esquerdo, sai pela artéria aorta Região capilar da parte superior do corpo
levando o oxigênio a todos os tecidos do cor- (cabeça e os braços)
Artéria
po. Na saída das artérias existem as válvulas carótida
semilunares, em forma de lâminas, que se fe- Veia
Jugular
cham após a passagem do sangue, impedindo Região capilar
do pulmão
o refluxo do sangue para os ventrículos. Produ- Veia
pulmonar
zem o som do “ta” dos batimentos cardíacos: Artéria
“tum-ta”, “tum-ta”, “tum-ta”... Veia cava pulmonar
superior
Os batimentos cardíacos não dependem Aorta
de estímulos externos ao coração. A regula- Átrio
direito Átrio
esquerdo
ção do ritmo cardíaco é independente: de-
Veia cava
ve-se a um grupo de células (“marca-passo”) inferior Ventrículo
esquerdo
localizadas na parte superior do átrio direito,
Nódulo Ventrículo
que estimulam as contrações dos átrios. Esse linfático direito
estímulo se propaga até o nódulo atrioventri- Veia porta
Veia hepática
cular (no septo entre os átrios) e de lá, a ou- hepática
tras partes do coração. Artéria
Vasos mesentérica
linfáticos

Veia renal Artéria


renal

Artéria
Veia ilíaca ilíaca

Medida da pressão arterial Região capilar da parte inferior do corpo


(tronco e pernas)
A sístole e a diástole alternam-se num
ritmo ordenado e são responsáveis pelo fluxo de Pequena e grande circulação
sangue dentro dos vasos sanguíneos. A pressão
arterial que se mede é a pressão exercida pelo A circulação do sangue entre o coração
sangue sobre as paredes da aorta após ser lan- e os pulmões é muito rápida e o trajeto é
çado pelo ventrículo esquerdo. Ela é diferente na conhecido como pequena circulação: ven-
sístole e na diástole ventricular. A pressão arte- trículo direito artéria pulmonar pul-
rial máxima corresponde ao momento em que o
mões veia pulmonar átrio esquerdo.
ventrículo esquerdo bombeia sangue para dentro
Aqui, o sangue entra no coração como arterial.
da aorta e esta se distende. Já a pressão arte-
rial mínima é a que se verifica no final da diástole Na grande circulação, o sangue per-
do ventrículo esquerdo. A pressão arterial máxima corre o seguinte trajeto: ventrículo esquerdo
corresponde a 120 mm de mercúrio, enquanto a artéria aorta ramificações da aorta ór-
pressão arterial mínima corresponde a 80 mm de gãos do corpo. Nos tecidos dos órgãos ocor-
mercúrio. Estes são os valores normais para re a outra troca de gases, através dos vasos
a população. Daí falar-se em 120 por 80 ou capilares que banham as células. O oxigênio
12 por 8 para a pressão normal. Por meio de entra nas células para a respiração enquanto
o gás carbônico liberado entra no sangue: o
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sangue passa de arterial a venoso e percorre novamente repostas na própria medula ós-
a volta ao coração através de veias. sea dos ossos longos.
Leucócitos. Ou glóbulos brancos (leuco
► O sangue = branco; cito = célula) são as células de de-
fesa do organismo que destroem os agentes
Você já sabe que o sangue transporta nu- estranhos, por exemplo, as bactérias, os vírus
trientes, gases respiratórios, hormônios e resí- e as substâncias tóxicas que causam infecções
duos do metabolismo. Embora o sangue pareça ou outras doenças. Os leucócitos constituem o
um líquido vermelho completamente homogê- principal agente do sistema de defesa do nosso
neo, ao microscópio óptico podemos observar organismo, denominado também de sistema
que ele é constituído basicamente de: plasma imunológico. A taxa normal de leucócitos no
(55%), e de elementos figurados (45%): glóbu- sangue é de 7 mil a 9 mil por mm3 e são de
los vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. vários tipos, de diferentes formatos, todos com
Plasma. É a porção líquida do sangue, núcleo, de formas e tamanhos diferentes. Sai-
contém água (mais de 90%), proteínas e sais ba quais são os tipos de leucócitos: neutrófilos,
minerais diversos, glicose e vitaminas, entre monócitos, basófilos, eusinófilos, linfócitos.
outras substâncias.
Glóbulos vermelhos ou hemácias. São ► As células do sangue
também denominados eritrócitos Veja nova-
mente o aspecto dessas células na foto: Os elementos do sangue

Eritrócitos
Eosinófilos
Monócitos

Plaquetas

Linfócitos
Neutrófilos Basófilos
As hemácias são as mais numerosas
células sanguíneas. No ser humano, exis-
tem cerca de 5 milhões delas por milímetro Os leucócitos são maiores que as hemá-
cúbito de sangue. Elas são produzidas na cias, no entanto a quantidade deles no sangue
medula óssea vermelha dos ossos. Não pos- é bem menor. São produzidos, como as hemá-
suem núcleo e apresentam a forma de disco cias, na medula óssea vermelha, a partir de cé-
côncavo em ambos os lados. A forma discoide lulas-tronco e duram dias ou até mesmo horas,
e a concavidade em ambos os lados garan- se for o caso de uma infecção. Quando o orga-
tem uma superfície relativamente grande para nismo é atacado por vírus ou bactérias, o núme-
a captação e a distribuição de gás oxigênio. ro de leucócitos aumenta significativamente.
Hemoglobina. Você já sabe que a cor
vermelha das hemácias se deve à presença Os leucócitos possuem a proprie-
do pigmento hemoglobina, e como a sua mo- dade de atravessar a parede dos vasos
lécula se combina com os gases respirató- sanguíneos, chamada diapedese e po-
rios. As hemácias duram cerca de 90 a 120 dem atuar de dois modos no combate aos
dias. Após esse período elas envelhecem e corpos estranhos ou toxinas:
morrem (são depositadas no baço), sendo
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Por fagocitose - nesse processo, os
leucócitos englobam, digerem e destroem
os microrganismos invasores. Fagocitose
é uma palavra composta de origem grega,
formada por fago, que significa “comer, di- No sangue que é armazenado para
gerir”, e cito “célula”. transfusões usam-se oxalatos e citratos,
Por produção de anticorpos - os an- que reagem com o cálcio, bloqueando a
ticorpos são proteínas especiais que neutra- formação da fibrina. A agitação contínua
lizam a ação das substâncias tóxicas pro- e baixa temperatura também dificultam a
duzidas pelos seres invasores ou presentes coagulação. Por isso, o sangue pode ser
em alimentos e substâncias diversas. armazenado por muito tempo em bolsas
plásticas, sob refrigeração.

► Os vasos sanguíneos: artérias, veias


e capilares

Independentemente do tipo de sangue


O pus que geralmente se acumula que transportam, arterial ou venoso, pode-se
no local de um machucado é formado definir:
pelo conjunto de leucócitos, de micror- • Artérias como vasos que partem do
ganismos mortos, e também o líquido coração, levando sangue aos órgãos.
que sai dos capilares nos pontos infec- • Veias como vasos que levam o sangue
tados, provocando inchaço. de volta ao coração, partindo dos órgãos.

As plaquetas ou trombócitos (trombos =


coágulo; cito = célula) não são células, mas frag-
mentos de grandes células da medula óssea.
Sua taxa normal no sangue é de 200 mil a 300
mil por mm3 . A função das plaquetas está relacio- Não se pode generalizar, dizendo
nada à coagulação sanguínea, graças à produ- que toda artéria transporta sangue arte-
ção de uma enzima, a tromboplastina. rial, pois você viu que a artéria pulmo-
Num ferimento, por exemplo, no ponto nar leva sangue venoso do coração até
de ruptura de um vaso sanguíneo, as pla- os pulmões. Da mesma forma, nem toda
quetas se aglomeram e liberam a enzima, veia transporta sangue venoso, pois a
que, na presença de íons cálcio e vitami- veia pulmonar leva sangue arterial dos
na K, reagem com substâncias do plasma, pulmões ao coração.
resultando na formação de fibrina, uma
proteína que forma filamentos. Esses fila- As artérias se ramificam em arterío-
mentos vão aprisionando células, enquan- las cada vez mais finas, até formarem uma
to o plasma acumulado no local, torna-se rede capilar que irriga os tecidos. Os capi-
viscoso e forma o coágulo, uma placa ge- lares se reúnem em vênulas e estas, em
latinosa que funciona como um tampão no veias, que levam o sangue de volta ao co-
local do ferimento. ração. A parede dos capilares (endotélio) é
Os íons Ca 2+ e a vitamina K, livres no tão fina, que permite a troca de substâncias
plasma, podem ser chamados anti-hemor- por difusão entre o plasma e os líquidos in-
rágicos. Há substâncias anticoagulantes, tercelulares.
como a heparina, que evitam a formação Anatomicamente, as artérias se dife-
dos trombos (ou coágulos) no sangue cir- renciam das veias por terem paredes mais
culante. grossas e ricas em fibras elásticas. Impulsio-
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nado pelo bombeamento do coração, o sangue e as tonsilas palatinas ou amídalas. A linfa é
circula sob alta pressão nas artérias. Elas se um líquido claro, ligeiramente amarelado, que
situam mais profundamente em relação à pele. flui lentamente em nosso corpo através dos
As veias são mais superficiais e visíveis. vasos linfáticos. Parte do plasma sanguíneo
Nas veias, a pressão sanguínea é baixa e extravasa continuamente dos vasos capilares,
o retorno do sangue para o coração é auxiliado formando um material líquido entre as células
pela contração da musculatura estriada, que for- dos diversos tecidos do organismo – o líquido
ça a abertura das válvulas existentes nas suas intercelular ou intersticial.
paredes internas. Isso impede o refluxo do san- Uma parte desse líquido intercelular retor-
gue, que tem que subir contra a gravidade. na aos capilares sanguíneos, carregando gás
carbônico e resíduos diversos. Outra parte - a
Válvulas
Músculo da para evitar o
Fluxo de sangue
causado por linfa - é recolhida pelos capilares linfáticos. Os
panturrilha refluxo contração muscular capilares linfáticos transportam a linfa até vasos
funciona Valvula
como aberta de maior calibre, chamados vasos linfáticos.
bomba para
as veias Esses vasos semelhantes às veias, por sua vez,
profundas
da perna desembocam em grandes veias, onde a linfa é
liberada, misturando-se com o sangue. Ao longo
Valvula
do seu trajeto, os vasos linfáticos passam pelo
fechada interior de pequenos órgãos globulares, chama-
Músculo da Músculo da dos linfonodos. Os vasos linfáticos passam ain-
panturrilha relaxado panturrilha
contraído da por certos órgãos, como as tonsilas palatinas
(amídalas) e o baço.
O sistema linfático não possui um ór-
Sistema linfático gão equivalente ao coração. A linfa, portanto,
não é bombeada como no caso do sangue.
Mesmo assim se desloca, pois as contrações
musculares comprimem os vasos linfáticos,
provocando o fluxo da linfa.

Os vasos linfáticos possuem válvulas


que impedem o refluxo (retorno) da linfa em
seu interior: assim, ela circula pelo vaso linfáti-
co num único sentido. O sistema linfático auxilia
o sistema cardiovascular na remoção de resí-
duos, na coleta e na distribuição de ácidos gra-
xos e gliceróis absorvidos no intestino delgado
e contribui para a defesa do organismo, produ-
zindo certos leucócitos, como os linfócitos.

(www.sobiologia.com.br/circulação)

Sistema digestório
O sistema digestório tem a função de rea-
lizar o processamento dos alimentos, a fim de
conduzir os nutrientes a todas as células do
corpo,através da corrente sanguínea. Para que
O sistema linfático compreende o conjun- isso ocorra, é preciso que as moléculas grandes
to formado pela linfa, pelos vasos linfáticos e complexas sejam transformadas em molécu-
e órgãos como os linfonodos, o baço, o timo las simples.Por exemplo, o amido precisa ser
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desdobrado em muitas moléculas de glicose Órgãos do sistema digestório
para ser aproveitado pelas células. A digestão
abrange processos mecânicos e químicos. Nos O sistema digestório é formado pelo
processos mecânicos o alimento é triturado e tubo digestório e glândulas anexas. Todo
misturado às enzimas, que promovem as rea- o processamento se faz em quatro etapas:
ções químicas de quebra das moléculas. ingestão, digestão (transformação do ali-
mento - mecânica e química), absorção
(passagem dos nutrientes para a corrente
sanguínea) e egestão (expulsão das subs-
tâncias não digeridas, através de fezes).

Roteiro de um bom bocado


Boca

Do garfo ao intestino, o alimento faz Faringe


uma viagem com muitas escalas. A primeira,
naturalmente, é a boca, onde a digestão já co-
meça: produzida por glândulas, a saliva não Esôfago
Glândulas
serve apenas para amolecer a comida; ela salivares
contém componentes chamados enzimas,
capazes de digerir substâncias como o ami-
do, encontrado na batata e no arroz. Digerir
Estômago
quer dizer transformar substâncias comple-
xas em simples, de modo que o organismo
possa aproveitá-las. O amido, por exemplo, Fígado
não pode ser aproveitado como tal. No en-
tanto, transformado em glicose, seu compos- Intestino
to mais simples, é absorvido sem problemas. delgado
Pâncreas
Da boca, o alimento passa ao esôfa-
go, o tubo longo e fino que vai da garganta Intestino
até o abdômen. É o túnel pelo qual a comida grosso
mastigada alcança o estômago. Ali, graças à
profusão de sucos gástricos e à grande quan- Reto
tidade de enzimas, se dá a digestão propria-
mente dita. O bolo alimentar assim formado
Ânus
toma o rumo do intestino delgado onde vai
sofrer a ação de outros sucos digestivos, es-
tes enviados pelo fígado e pelo pâncreas.
As secreções produzidas por esses órgãos ► Digestão bucal
contêm enzimas especiais capazes de digerir
proteínas e gorduras. O intestino delgado é A boca é a primeira estação na longa
também a estação onde os alimentos já di- caminhada dos alimentos pelo corpo. A di-
geridos são absorvidos pelo organismo, sen- gestão inicia-se com a trituração do alimento
do embarcados na circulação sanguínea. Os (mastigação), insalivação (umidificação) e o
resíduos não aproveitados nesse processo início da digestão química dos glicídios pre-
todo - que incluem as fibras vegetais - pas- sentes no alimento. Na boca, forma-se o bolo
sam então ao intestino grosso ou cólon, onde alimentar, que é empurrado pela língua e de-
ficarão até ser expelidos. glutido, deslocando-se para a faringe, onde
uma série de contrações musculares propi-
Revista Superinteressante de Julho/1990 ciam o ato de engolir (deglutição).
A língua e os dentes são os órgãos da
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mastigação. A língua é um músculo extrema- estender até 4,5 litros. Suas paredes são cons-
mente flexível, sendo o de maior mobilidade do tituídas por três camadas musculares e uma
corpo. Tem três funções principais: é o órgão mucosa de revestimento interno, de aspecto
do paladar, mistura a saliva aos alimentos e os enrugado. O estômago é dividido em quatro re-
transporta para a faringe, e é o órgão mais im- giões: cárdia, corpo, fundo e piloro.
portante da fala. O que lhe dá grande mobilida-
de é a disposição da musculatura estriada em Esôfago Esfíncter cardíaco Fundo
feixes orientados em três direções. Abertura Corpo
A saliva é produzida pelas glândulas sa- gastroesofageal
Camada do
livares, dispostas em torno da cavidade bucal: músculo
longitudinal
parótidas (as maiores, situadas lateralmente), Esfíncter
pilórico Piloro Camada do
as submaxilares e a sublingual. Um dos com- músculo
circular
ponentes da saliva é a enzima ptialina (uma Camada do
amilase), que quebra o amido em maltose, um músculo
oblíquo
açúcar mais simples. Por isso, todo alimento
com amido, como batata e farináceos, por Duodeno Rugas Mucosa
Submucosa
exemplo, começam a ser digeridos na boca.

Esôfago. É um tubo muscular de A mucosa gástrica tem glândulas que pro-


aproximadamente 30 centímetros de com- duzem ácido clorídrico, muco (para proteção
primento, onde o bolo alimentar permane- do estômago contra o ácido) e pepsina, uma
ce por alguns segundos apenas. Através enzima que age diretamente sobre as proteí-
de movimentos peristálticos (contrações), nas. Quando os alimentos entram no estôma-
o esôfago empurra o bolo alimentar, que go, o sangue passa a receber um hormônio,
atravessa a abertura (esfíncter) chamada a gastrina, que estimula a secreção do ácido,
cárdia, e entra no estômago. que torna o suco gástrico com pH entre 1,5 e 2.
O suco gástrico contém outras enzimas:
a renina, que coagula a proteína do leite (ca-
seína), facilitando sua digestão, e uma lipase,
que inicia a digestão das gorduras. Com ex-
ceção de substâncias como água e álcool, o
estômago não absorve nada dos alimentos in-
Os movimentos peristálticos ou peristal- geridos.
tismo representam o mecanismo de transporte, Durante a permanência de duas a três
não só do esôfago, como do estômago e dos horas no estômago, os alimentos ficam redu-
intestinos, que se contraem para impulsionar o zidos a uma pasta, que recebe o nome de qui-
alimento ao longo do tubo digestório. As con- mo. Esse quimo, ácido, passa lentamente para
trações são estimuladas, em parte, pelo nervo o duodeno (trecho inicial do intestino delgado),
vago do cérebro, e em parte pelo sistema ner- através do piloro.
voso simpático e também pelos nervos das pa-
redes dos órgãos. Ao pressionar as paredes dos ► Digestão intestinal
órgãos, os alimentos acionam os impulsos das
fibras nervosas, que estimulam a liberação de
Os intestinos dividem-se em: intestino
acetilcolina, que dá origem às contrações.
delgado, intestino grosso ou cólon, e reto. A
absorção máxima das substâncias úteis é feita
► Digestão gástrica no intestino delgado. A parte inicial do intesti-
no delgado tem o nome de duodeno, derivado
É a transformação dos alimentos no es- do seu comprimento: 12 centímetros. A parte
tômago. O estômago é uma bolsa com capa- seguinte chama-se jejuno, com 2,5 metros de
cidade normal para 1 litro e meio, podendo se comprimento, onde se realiza a absorção má-
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xima das substâncias úteis e continua no íleo,
que termina no cólon. A digestão dos alimen- uma franja que reveste toda a superfície
tos é feita, quase totalmente, no duodeno, que interna do intestino delgado. Cada uma
produz o suco entérico. Este suco contém a dessas vilosidades possui uma rede mui-
enzima tripsina que age sobre proteínas, em to densa de capilares e vasos linfáticos.
pH ácido.Os movimentos peristálticos vão em- As proteínas, os açúcares e algumas gor-
purrando os alimentos para a frente à razão de duras são absorvidos pelos vasos san-
2 a 3 centímetros por minuto, ao mesmo tempo guíneos, mas a maioria das gorduras vai
que se efetua a digestão. para o sistema linfático.
A parede intestinal é composta de quatro
camadas: um revestimento externo de tecido
conjuntivo, duas camadas de músculos lisos e Vilosidades intestinais
um revestimento interno, a mucosa. Como as
contrações dos músculos lisos são involuntá-
rias, estão fora do nosso controle.
No duodeno desembocam dois canais: o
do fígado (colédoco) e o do pâncreas (pan-
creático). O suco pancreático contém bicarbo-
nato de sódio, que neutraliza a acidez do qui-
mo, elevando o pH para 7- 8, valor ótimo para
a ação das enzimas pancreáticas: amilase Células epiteliais da mucosa
(quebra do amido), lipase (gorduras) e tripsi-
na (proteínas). No duodeno ocorre a descarga
da bile pelo canal colédoco. A bile é produzida Intestino delgado
no fígado e não contém enzimas. Ela exerce o
papel de um detergente, com pH básico, emul-
sionando as gorduras em partículas minúscu-
las, facilitando a digestão pelas lipases do suco
Duodeno
pancreático e do suco entérico (do intestino).
Ao longo do intestino delgado ocorrem as Jejuno
últimas transformações químicas pela ação do Íleo
suco entérico, que contém maltase, lactase, sa-
carase, lipases e peptidases ( que desdobram
as moléculas de peptídeos em aminoácidos).

Absorção. Os produtos finais da


digestão formam uma solução chama-
da quilo, e as substâncias se acham em
condições de serem absorvidas, isto é, as
moléculas simples (glicose, frutose, ami- Enquanto o intestino delgado participa do
noácidos, ácidos graxos e glicerol) conse- processo de absorção de nutrientes, o intestino
guem atravessar a mucosa intestinal e cair grosso (ou cólon) é a porção do sistema di-
na circulação sanguínea. gestório responsável pelo importante processo
Vilosidades. A grande capacidade de absorção da água, o que determina a con-
de absorção do intestino delgado deve- sistência do bolo fecal. Ele constitui a parte final
se à existência das vilosidades em toda a do tubo digestivo e possui rica flora bacteriana.
mucosa de revestimento interno. As vilo- Possui aproximadamente 1,5 m e é dividido fun-
sidades são protuberâncias semelhantes cional e anatomicamente em três partes:
a pontas de dedos, muito finas, formando • Ceco. Onde desemboca o conteúdo
vindo do intestino delgado, é semelhante a
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uma bolsa, com fundo cego. Nesta região exis-
te um pequeno prolongamento em forma de
tubo, conhecido como apêndice vermiforme.
Quando ocorre a inflamação dessa estrutura,
fica caracterizado um quadro clínico conhecido
O poder das fibras na alimentação
como apendicite, que geralmente leva à ne-
cessidade da remoção do apêndice, sem pre-
Os movimentos do intestino (peris-
juízo para o organismo.
taltismo) são estimulados pela ingestão
• Cólon. É a segunda porção do intesti-
de alimentos ricos em fibras (celulose)
no, uma estrutura grande que atravessa todo o
de origem vegetal: frutas, verduras e ce-
abdômen, ele, por sua vez, também se distin-
reais, que favorecem e regulam a defe-
gue em quatro partes que são o cólon ascen-
cação, e diminuem o risco do câncer do
dente, o cólon transverso, o cólon descen-
intestino grosso.
dente e o cólon sigmóide (em forma de S).
• Reto. A última porção é o reto, res-
ponsável por fazer a comunicação do organis-
mo com o ambiente externo através do ânus, Conheça algumas patologias
que se encontra normalmente fechado por um do sistema digestório
músculo chamado esfíncter anal, que o rodeia
em forma de anel. • Síndrome do cólon irritável (SCI)
ou síndrome do intestino irritável (SII).
Intestino grosso
É uma doença funcional crônica, ou
Cólon Cólon
transverso
seja, não há lesão orgânica presente no in-
ascendente
testino, mas causa grande desconforto nas
pessoas que a apresentam. Segundo alguns
médicos, por vezes chega a causar uma in-
capacidade comparável a deficientes moto-
res. A SCI apresenta o início dos sintomas
mais comumente na juventude e é caracte-
rizada por dor abdominal com cólica, dis-
tensão abdominal por gases, obstipação
(“intestino preso”, constipação severa, obs-
trução intestinal) ou diarréia. Desta forma, o
ponto inicial do tratamento da síndrome do
Cólon cólon irritável é a mudança de estilo de vida,
descendente
Ceco o que levaria a uma diminuição do estresse e
Reto da ansiedade. Nesse sentido, considera-se a
Apêndice
conexão da síndrome do cólon irritável com
Ânus desequilíbrios da serotonina no organismo,
motivados por diversos fatores. A serotoni-
na atua tanto no humor quanto regulando os
movimentos peristálticos do intestino.
Egestão ou defecação
• Alergia ao leite e intolerância à
Constitui a eliminação dos resí- lactose.
duos (sólidos) das substâncias que não
foram não absorvidas durante a passa- Alergia ao leite é a resposta imunoló-
gem pelo intestino delgado. gica às proteínas do leite. A alergia costuma

Biologia 2 - Aula 13 224 Instituto Universal Brasileiro


restringir mais a vida do paciente porque
os sintomas aparecem rapidamente, não
só pela ingestão do leite, mas também
pelo contato ou cheiro do alimento.Na pele
pode ocorrer coceira, vermelhidão, boli- Durante uma vida inteira passam
nhas e inchaço nos lábios, olhos e orelha; pelo tubo digestório cerca de 50 toneladas
já nas vias respiratórias, pode aparecer de alimentos sólidos e 50.000 litros de lí-
tosse, chiado, falta de ar, inchaço na glote quidos. No adulto, o bolo alimentar avança
e até mesmo choque anafilático. à razão de 3 centímetros por minuto e vai
Intolerância à lactose é a falta de se tornando mais lento quanto mais baixa
lactase, enzima responsável pela que- nos intestinos estiver a comida. Normal-
bra da molécula de lactose, o açúcar do mente, leva cerca de cinco horas para os
leite. Essa deficiência causa desconforto alimentos passarem do piloro para o cólon
gastrointestinal quando a pessoa ingere a (intestino grosso). No total, são precisas
bebida, e os sintomas podem ser gases, doze horas para o trajeto dos alimentos
barriga inchada e diarreia, dependendo da desde a boca até o reto.
quantidade, ao passo que na alergia os
A descoberta do homem- Lennart Nilsson –
sintomas aparecem independentemente Ed. Círculo do livro.
da quantidade ingerida. 70% dos adultos
têm algum nível de intolerância, pois a pro-
dução de lactase no organismo vai dimi- As glândulas anexas do sistema
nuindo após os cinco anos de idade. digestório: fígado e pâncreas

• Doença celíaca. ► Fígado

A doença celíaca é causada pela É um órgão vital, a maior glândula do


intolerância ao glúten, uma proteína en- corpo, localizada abaixo do diafragma, do lado
contrada no trigo, aveia, cevada, centeio direito. Essa glândula pode ser comparada a
e seus derivados, como massas, pizzas, uma fábrica de produtos químicos.Uma impor-
bolos, pães, biscoitos, cerveja, uísque, tante veia, chamada veia porta, transporta o
vodka e alguns doces.Há pessoas que sangue enriquecido de nutrientes, diretamen-
são hipersensíveis ao glúten e não con- te do intestino para o fígado. Saiba quais são
seguem digerir a proteína, tendo dificul- suas funções:
dade de absorver os nutrientes dos ali- • Armazena vitaminas, proteínas e hor-
mentos, vitaminas, sais minerais e água. mônios.
Por isso, é obrigatório constar nas em- • O açúcar proveniente do intestino fica
balagens, se o produto contém ou não estocado sob a forma de glicogênio. Quando
glúten na composição. as células precisam de mais combustível, o fí-
gado converte o glicogênio em glicose.
• Diverticulite. • Armazena ferro para a produção de
hemoglobina das hemácias.
É a inflamação do cólon, na sua por- • É o maior centro de desintoxicação do
ção final. Aparece com mais frequência em organismo: decompõe várias toxinas como o
idosos, a partir dos 60 anos. A musculatura álcool, as drogas e outras substâncias que, vo-
daquela região do cólon fica frouxa e for- luntária ou involuntariamente, consumimos.
ma reentrâncias da espessura de um dedo, • Age no metabolismo das gorduras,
onde pequenas porções de fezes podem através da produção de bile.
ficar retidas, causando cólicas e náuseas. A bile é produzida continuamente e vai
sendo armazenada na vesícula biliar, que se
Biologia 2 - Aula 13 225 Instituto Universal Brasileiro
contrai durante a digestão, expulsando-a para de maior eficiência. Produz 1L de suco por
o duodeno. O pigmento da bile é a bilirrubina, dia, contendo enzimas e sais como o bicar-
resultante da degradação de hemácias velhas bonato, que neutraliza a acidez do quimo. O
no fígado. Quando o canal da vesícula é obs- pâncreas é dividido em três regiões: cabeça,
truído por cálculos renais (“pedras”), uma parte corpo e cauda. A cabeça se encaixa junto ao
dos pigmentos é levada para a circulação san- duodeno e sua cauda é afilada.
guínea, manifestando-se a icterícia, caracteri- Função. Já vimos que o pâncreas é uma
zada pela cor amarelada da pele e dos olhos. glândula mista, por produzir enzimas (porção
exócrina) e hormônios (porção endócrina). A
Fígado, vesícula, pâncreas porção exócrina do pâncreas participa da di-
e passagem da bile gestão, secretando enzimas digestivas, atra-
Duto hepático direito
Fígado e esquerdo vés de estruturas chamadas ácinos. As en-
zimas são secretadas para o duodeno, onde
ocorre a finalização da digestão química. As
Vesícula Duto
biliar cístico enzimas presentes no suco pancreático são:
Duto amilase, que converte o amido em maltose;
hepático
comum
tripsina, que quebra as proteínas em peptí-
Duto biliar
deos, e lipase, que transforma gorduras em
glicerol e ácidos graxos.
Acessório do duto
pancreático
Duto Danos ao pâncreas podem causar
pancreático
doenças como diabetes, fibrose cística, in-
Menor
papila suficiência pancreática, pancreatites, car-
duodenal Cauda do
pâncreas cinoma e tumores.
Maior Cabeça do Corpo do
papila Duodeno pâncreas pâncreas
duodenal
Sistema excretor (urinário)
O fígado recebe dois tipos de sangue: o É o sistema de limpeza do organismo, filtran-
que vem do intestino, carregado de nutrientes, do e eliminando as substâncias tóxicas do san-
chega pela veia porta; e o sangue oxigenado gue, provenientes do metabolismo das células.
chega da artéria aorta do coração pela artéria
hepática.
Sistema urinário

Rim

O alcoolismo e o excesso de algumas


toxinas e medicamentos, afetam o fígado,
causando a necrose do tecido, que se rege-
nera, produzindo tecidos fibroso e adiposo.
Esse processo caracteriza a cirrose hepáti- Ureter
ca, que causa graves problemas no metabo-
lismo, podendo levar à morte.
Bexiga

► Pâncreas
Uretra
Depois do fígado, é a maior glândula do
corpo (mede 15 centímetros), um dos órgãos
Biologia 2 - Aula 13 226 Instituto Universal Brasileiro
Os órgãos que compõem o sistema no ureter. Na região da pelve, localizam-se dois
urinário são: grossos vasos: uma artéria e uma veia renal.
• Dois rins situados dorsalmente,
Néfrons
um de cada lado da coluna vertebral. Têm
a forma de um grão de feijão, medindo cer- Cápsula de
Bowman
ca de 10 cm de comprimento. Os rins têm
a função de filtrar o sangue. Glomérulo de
• Dois ureteres, canais que trans- Malpighi

portam a urina dos rins até a bexiga. Túbulo


proximal
• Uma bexiga, que armazena a urina.
Túbulo
• Uma uretra, canal que elimina a distal
urina da bexiga para o exterior.
Alça de
Henle ou
Estrutura interna do rim alça néfrica

Túbulo coletor
Anatomia de um rim

Cálices Cápsula renal

Cápsula de Túbulo Capilares


Bowman proximal peritubulares
Córtex Túbulo
distal
Medula Glomérulo Ramo da
Artéria veia cava
renal renal
Artéria renal
Veia
cava
renal

Ramo da
Veia renal artéria renal Artéríola
eferente

Artéríola
aferente Vênula
Pelve renal
Alça de Henle Duto coletor
Ureter

► Formação da urina

Internamente, o rim apresenta uma região A formação da urina é um processo de


cortical e uma medular, onde o sangue é filtra- filtração-reabsorção seletiva, regulado por
do em estruturas microscópicas chamadas né- mecanismos nervosos e hormonais.
frons. Em cada rim há cerca de 1 milhão de
néfrons. Dentro de cada néfron, há um capilar Entenda como ocorre esse processo:
sanguíneo enrolado, chamado glomérulo, en-
volvido por uma cápsula (cápsula de Bowman) • A pressão nos capilares dos glomé-
que continua num túbulo. Os inúmeros túbulos rulos é mais elevada que nos outros capilares
convergem para os cálices renais, transportan- e permite uma filtração rápida. O plasma e as
do a urina. A região central do rim, que recolhe substâncias solúveis passam através das
toda a urina, é a pelve renal, que se continua
Biologia 2 - Aula 13 227 Instituto Universal Brasileiro
paredes capilares, deixando nos vasos
sanguíneos apenas os glóbulos verme-
lhos e proteínas. Estas, por terem gran-
de peso molecular, não atravessam os
vasos. O filtrado glomerular, que passa O álcool das bebidas, certos me-
para os túbulos, contém principalmente dicamentos e algumas substâncias na-
água, sais, glicose, aminoácidos, vi- turais de alimentos como chá, café e
taminas e ureia. Os túbulos são rodea- melancia, por exemplo, aumentam a
dos por uma densa rede de capilares, produção de urina porque inibem a se-
que reabsorvem as substâncias vitais e creção do hormônio antidiurético (ADH)
a água. Algumas, como a glicose, o só- da hipófise.
dio, os aminoácidos e outros íons, são
absorvidos por transporte ativo, com gas- ► Exemplos de doenças renais
to energético, enquanto outras como a
água, passam por osmose. A intensidade Nefrite. É a inflamação dos néfrons dos
de reabsorção da água varia em função rins.Existe a nefrite (glomerulonefrite aguda)
de fatores hormonais. Muitas substâncias e a nefrite crônica (glomerulonefrite crônica).
estranhas ao organismo, como medica- No primeiro caso, há uma tendência para a
mentos, por exemplo, não são reabsorvi- melhora espontânea. E na forma crônica ocor-
das e aparecem na urina. re uma lesão progressiva dos rins. Sinais da
doença podem ser a presença de proteína e
sangue na urina e habitualmente uma eleva-
ção da pressão arterial. No Brasil, a nefrite crô-
nica é a causa mais comum da insuficiência
crônica dos rins, causando uma enfermidade
terminal nestes órgãos, a qual habitualmente
A urina é um ótimo indicador da presen- termina em diálise. Os pacientes com nefrite
ça de drogas no organismo, por isso é utiliza- aguda frequentemente têm evidência de uma
da para exame antidoping em atletas. infecção recente. E a mais comum é uma in-
fecção por estreptococo da garganta ou da
pele. Existem, no entanto, outras bactérias e
► A composição da urina infecções virais que podem estar associadas
a uma nefrite aguda.
• 95% de água, 2% de uréia; Cálculo renal (pedra nos rins). O in-
• 1% de NaCl; divíduo que tem cálculo renal, com certeza,
• 2% de outras substâncias (ácido úrico, apresenta também algum distúrbio metabóli-
uratos, amônia, creatinina e pigmentos como a co que faz com que os cristais, normalmente
bilirrubina da bile, que dá a cor amarela). eliminados pela urina, se precipitem e formem
A urina é armazenada na bexiga e não sai a pedra. Algumas são decorrentes de exces-
continuamente, mas apenas quando é libera- so de ácido úrico ou oxalato de cálcio na
da por um esfíncter de músculos lisos que ro- urina, de infecções urinárias de repetição, de
deia a abertura da uretra. A parede da bexiga é falta de citrato ou de uma doença chamada
constituída por várias camadas de músculos li- cisteinúria. Em mais de 50% dos casos, quer
sos, podendo ser muito dilatada. Seu conteúdo em homens, quer em mulheres, as pedras são
normal num adulto é de meio litro. Em pessoa formadas por oxalato de cálcio. Feito o diag-
saudável, o reflexo de urinar surge quando a nóstico, recomenda-se uma avaliação meta-
bexiga contém de 200 a 300 ml. Em condições bólica, porque a abordagem terapêutica e o
patológicas, pode conservar volumes menores, prognóstico podem ser diferentes de acordo
caso da “bexiga hiperativa”. com o tipo de cálculo.
Biologia 2 - Aula 13 228 Instituto Universal Brasileiro
► Sangue

Formado pelo plasma (55%), porção


líquida, constituído por água, proteínas, sais,
Corpo humano III – Sistemas: glicose, vitaminas e outras substâncias absor-
circulatório, digestório e urinário vidas; elementos figurados (45%): glóbulos
vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
Sistema circulatório Glóbulos vermelhos ou hemácias
(4,5 a 5,5 milhões/mm3 de sangue) - células
Transporta substâncias no interior do sem núcleo, com pigmento hemoglobina,
organismo, através do sangue. Formado pelo de cor vermelha, responsável pelo trans-
coração (bombeia) e vasos sanguíneos porte de oxigênio.
(transportam): veias, artérias e capilares. Glóbulos brancos ou leucócitos
(7 mil a 9 mil/mm3 de sangue) - células de
► Coração defesa do sistema imunológico, nucleadas
(núcleos de formas variadas). Tipos de leu-
Músculo (estriado cardíaco), dividido cócitos: neutrófilos, monócitos, basófilos,
internamente em quatro cavidades: dois eusinófilos, linfócitos. Propriedades: dia-
átrios, que recebem o sangue, e dois pedese - atravessam a parede dos vasos
ventrículos, que o impulsionam para as sanguíneos; fagocitose - englobam e dige-
artérias. Dentro do coração passam dois rem os microrganismos invasores; produção
tipos de sangue: venoso, no lado direito, de anticorpos - proteínas que destroem as
e arterial no lado esquerdo (circulação toxinas estranhas ao organismo.
dupla). A circulação é chamada comple- Plaquetas (200 mil a 300 mil/mm3 de
ta, pois não há mistura de sangue. sangue) não são células, mas sim, frag-
O sangue chega ao coração por veias mentos de células da medula óssea. Pro-
e sai por artérias. O enchimento ou dilata- duzem a enzima tromboplastina, que inte-
ção dos átrios e ventrículos é a diástole. O rage na coagulação sanguínea.
esvaziamento é a sístole. Tanto a diástole
quanto a sístole, ocorrem simultaneamente ►Sistema linfático
nos dois átrios e nos dois ventrículos.
Pequena circulação é o trajeto do Linfa e vasos linfáticos e órgãos como
sangue entre o coração e os pulmões: os linfonodos, o baço, o timo e as tonsilas
ventrículo direito artéria pulmonar palatinas ou amídalas. A linfa é um líquido
pulmões veia pulmonar claro, ligeiramente amarelado, que banha as
átrio esquerdo. células. O sistema linfático auxilia o sistema
Grande circulação é o trajeto do cardiovascular na remoção de resíduos,
sangue entre o coração e os órgãos do na coleta e na distribuição de ácidos graxos
corpo: ventrículo esquerdo artéria e gliceróis absorvidos no intestino delgado e
aorta artérias dos órgãos te- contribui para a defesa do organismo, produ-
cidos células. zindo certos leucócitos, como os linfócitos.
Vasos sanguíneos: veias transpor-
tam sangue dos órgãos ao coração; arté- Sistema digestório
rias transportam sangue do coração aos
órgãos do corpo; capilares são vasos finís- Boca, faringe, esôfago, estômago, in-
simos, que irrigam os tecidos (os capilares testino delgado, intestino grosso, reto e ânus.
se unem em vênulas, e estas em veias, Sua função é transformar os alimentos (di-
levando o sangue de volta ao coração). gestão mecânica e química) a fim de que as

Biologia 2 - Aula 13 229 Instituto Universal Brasileiro


moléculas das substâncias possam ser ab- as fezes. Pelo peristaltismo, elas se enca-
sorvidas pelo intestino e sejam transporta- minham para a porção final, o reto, e são
das até as células, através da circulação. eliminadas pelo ânus.

►Digestão bucal Glândulas anexas

Digestão mecânica (mastigação) e Fígado. Recebe, através da veia porta,


química (ação da ptialina da saliva sobre todos os nutrientes absorvidos pelo intestino.
o amido). Funções: armazena vitaminas, proteínas,
Esôfago. Tubo que transporta o bolo hormônios e ferro (produção de hemoglobi-
alimentar até o estômago. na); transforma glicose em glicogênio (reser-
va); decompõe toxinas (álcool e drogas) e
► Digestão gástrica produz bile, para a digestão das gorduras.
Pâncreas. Glândula mista, vital, pro-
Digestão mecânica (peristaltismo) e duz o hormônio insulina e suco com enzimas
química, pela ação do suco gástrico, que con- digestivas. As enzimas presentes no suco
tém enzimas digestivas e ácido clorídrico. A pancreático são: amilase, que converte o
pepsina degrada as moléculas de proteína da amido em maltose; tripsina, que quebra as
carne, a renina age sobre a caseína do leite proteínas em peptídeos, e lipase, que trans-
e uma lipase, sobre as gorduras. No final da forma gorduras em glicerol e ácidos graxos.
digestão estomacal, forma-se o quimo.
Sistema excretor
► Digestão intestinal
Formado pelos rins, ureteres, be-
Intestino delgado. O duodeno rece- xiga e uretra. Função: filtrar o sangue
be o quimo do estômago, a bile do fígado e para eliminar as substâncias tóxicas
o suco pancreático do pâncreas, contendo através da urina. As unidades filtradoras
enzimas: amilase, lipase e tripsina. Nessa dentro dos rins são os néfrons, forma-
primeira porção do intestino delgado, ocorre dos por uma cápsula com um enovelado
o término da digestão química, com a ação de capilares, e túbulos que convergem
daqueles sucos e do suco entérico, produzi- para o cálice, na pelve renal. Todas as
do pelo duodeno. O suco entérico contém as substâncias, exceto as proteínas, pas-
enzimas maltase, lactase, lipases e peptida- sam dos capilares para os túbulos e de-
ses. O alimento sai do duodeno com consis- pois são reabsorvidas. A urina se forma
tência líquida, agora chamado quilo. por um processo de filtração-reabsorção
Jejuno. É a maior porção do intestino seletiva, sendo composta por:
delgado, onde ocorre a máxima absorção das
substâncias presentes no quilo. Sua grande 95% de água, 2% de ureia, 1% de
capacidade de absorção deve-se à existência NaCl e 2% de outras substâncias (ácido
das vilosidades em toda a mucosa interna, úrico, uratos, amônia, creatinina e pig-
densamente irrigada de capilares sanguíneos. mentos como a bilirrubina da bile, que
Íleo. Porção final do intestino delga- dá a cor amarela).
do, desemboca no ceco (intestino grosso).
Intestino grosso. Inicia-se no ceco Ureteres - Tubos que conduzem a
(fundo cego), onde se encontra o apêndice, e urina dos rins à bexiga.
continua-se no cólon (ascendente, transver- Bexiga - Formada por camadas de
so, descendente e sigmoide). No cólon, ocor- musculatura lisa, sua função é armazenar a
re a absorção da água restante, formando-se urina; uretra é o canal que elimina a urina.

Biologia 2 - Aula 13 230 Instituto Universal Brasileiro


nas podem ser encontradas, respectivamente:

a) ( ) no pâncreas, na boca e no estô-


mago.
b) ( ) no pâncreas, na vesícula biliar e
1. (FUVEST) No coração dos mamí- no estômago.
feros há passagem de sangue: c) ( ) na vesícula biliar, na boca e no
duodeno.
a) ( ) do átrio esquerdo para o ven- d) ( ) na boca, no pâncreas e no estô-
trículo esquerdo. mago.
b) ( ) do ventrículo direito para o
átrio direito. 4. (PUC) Adaptada. No duodeno ocorre
c) ( ) do ventrículo direito para o grande parte da digestão enzimática dos alimentos.
ventrículo esquerdo.
d) ( ) do átrio direito para o átrio es-
querdo.

2. (UNESP) O esquema abaixo re-


Duodeno
presenta o coração de um mamífero:
Jejuno
Íleo
l
ll

Nessa região do trato digestório, a


enzima I, presente no suco II, digere III.No
texto acima, I, II e III podem ser preenchi-
dos, correta e respectivamente, por:

a) ( ) amilase, gástrico e amido.


b) ( ) pepsina, entérico e gorduras.
c) ( ) tripsina, entérico e gorduras.
d) ( ) tripsina, pancreático e proteínas.
O nome dos vasos I e II e o destino do
sangue em cada um, é, respectivamente: 5. (PUC) No homem, várias substâncias
presentes no sangue chegam ao néfron, atra-
a) ( ) artéria pulmonar pul- vessam a cápsula de Bowman e atingem o tú-
mões; artéria aorta corpo. bulo renal. Várias dessas substâncias são, nor-
b) ( ) artéria aorta corpo; malmente, reabsorvidas, isto é, do néfron elas
artéria pulmonar pulmões. são lançadas novamente ao sangue, retornan-
c) ( ) veia pulmonar cora- do a outras partes do corpo.Entre essas subs-
ção; veia cava corpo. tâncias, normalmente reabsorvidas no nível do
d) ( ) veia pulmonar pul- néfron, podem ser citadas:
mões; artéria aorta corpo.
a) ( ) água e ureia.
3. (FUVEST) Enzimas que atuam em b) ( ) água e glicose.
pH alcalino sobre gorduras, em pH neutro so- c) ( ) glicose e ureia.
bre carboidratos e em pH ácido sobre proteí- d) ( ) água e ácido úrico.
Biologia 2 - Aula 13 231 Instituto Universal Brasileiro
3. c) ( x ) na vesícula biliar, na
boca e no duodeno.

Comentário. A ação das enzimas de-


pende da temperatura e do pH do meio, e cada
1. a) ( x ) do átrio esquerdo para uma é específica para determinado substrato
o ventrículo esquerdo. (substância sobre a qual atuam). A bile, que
emulsiona gorduras, só age em pH básico;
Comentário. No interior do coração de na boca, o pH é neutro, ideal para a ação da
todos os mamíferos há um septo, que separa ptialina sobre carboidratos (amido) e no duo-
o lado direito (sangue venoso) do lado esquer- deno, o meio ácido propicia a ação da enzima
do (sangue arterial), não permitindo mistura tripsina sobre a degradação das moléculas de
de sangue. Os átrios comunicam-se com os proteínas.
ventrículos do mesmo lado, fazendo passar o
sangue através de válvulas. 4. d) ( x ) tripsina, pancreático e
proteínas.
2. b) ( x ) artéria aorta cor-
po; artéria pulmonar pulmões. Comentário. Esta é a única alterna-
tiva correta. Na alternativa a, a amilase
não está presente no suco gástrico; na b,
a pepsina não atua sobre gorduras e na
l c, a tripsina também não digere gorduras.
ll Já vimos que o pâncreas é uma glândula
mista, por produzir enzimas (porção exó-
crina) e hormônios (porção endócrina). A
porção exócrina do pâncreas participa da
digestão secretando enzimas digestivas,
através de estruturas chamadas ácinos.
As enzimas são secretadas para o duode-
no, onde ocorre a finalização da digestão
química. As enzimas presentes no suco
pancreático são: amilase, que converte o
amido em maltose; tripsina, que quebra
as proteínas em peptídeos, e lipase, que
transforma gorduras em glicerol e ácidos
graxos.

Comentário. Observando-se o dese- 5. b) ( x ) água e glicose.


nho do coração, vê-se que o vaso repre-
sentado por I sai do ventrículo esquerdo, Comentário. Os túbulos dos néfrons
portanto, corresponde à artéria aorta. Essa são rodeados por uma densa rede de ca-
artéria, a maior e mais importante, impulsio- pilares, que reabsorvem as substâncias
na o sangue arterial (com oxigênio) a todos vitais e a água. Algumas, como a glicose,
os tecidos do corpo. A artéria II sai do ven- o sódio, os aminoácidos e outros íons, são
trículo direito, portanto, trata-se da artéria absorvidos por transporte ativo, com gasto
pulmonar, que transporta o sangue venoso energético, enquanto outras como a água,
(com gás carbônico) até os pulmões, para passam por osmose. A ureia, substância tó-
ser oxigenado. Lembre-se que o sangue sai xica nitrogenada, proveniente da digestão
do coração por artérias e chega por veias. das proteínas, é eliminada na urina.
Biologia 2 - Aula 13 232 Instituto Universal Brasileiro