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AULA 9

Filo Cordados: Protocordados e Vertebrados


Na linha evolutiva, o mais complexo é o filo Cordados. Nesta aula serão estu-
dados: o subfilo dos Protocordados; e três grupos do subfilo dos Vertebra-
dos: peixes, anfíbios e répteis. Na próxima, aves e mamíferos. E depois
mais uma aula exclusiva para estudar o corpo humano.

Os cordados constituem um grupo heterogêneo, abrangendo


animais adaptados à vida na água e na terra.

Cordados

O homem também pertence ao filo Cordados, subfilo Vertebrados e carregam as


marcas registradas do seu filo: coluna vertebral e cérebro derivado do tubo neural

A maior parte das criaturas que se veem no dia a dia, efetivamente, compreende apenas cinco
ou seis grandes tipos básicos, ou filos, em linguagem técnica. Segundo essa classificação, o homem
pertence ao mesmo filo que os macacos, as baleias, as aves, os peixes, os anfíbios e os répteis,
inclusive os ancestrais extintos desses animais, como os dinossauros: filo Cordados, subfilo Verte-
brados.
Todos os seres vertebrados carregam as marcas registradas do seu filo: possuem coluna ver-
tebral e têm um cérebro derivado do tubo neural. Esses traços fundamentais, por outro lado, não se
encontram em nenhum outro filo do planeta: nos outros animais, o cordão nervoso original localiza-se
no ventre e tem funções muito mais limitadas que as do tubo neural.
Superinteressante, novembro de 1990. Fragmento adaptado.

Biologia 2 - Aula 9 133 Instituto Universal Brasileiro


Filo Cordados: Protocordados e Vertebrados
Protocordados
O filo cordados (Chordata, do latim chorda
= corda) constitui o mais evoluído na escala
zoológica. No embrião desses animais surgiu
uma estrutura de sustentação, como um cor-
dão dorsal, chamada notocorda (noto = dor-
so), que dá origem à coluna vertebral. Os cor-
dados são animais adaptados à vida na água
doce e salgada, na terra e no ar. Os proto- Ascídia
cordados são os primeiros animais nos quais
surgiu a notocorda. São animais pequenos, Nos cefalocordados (cefalo = cabeça)
insignificantes. Atualmente há dois pequenos a notocorda vai da cabeça à cauda e é perma-
grupos de protocordados: os urocordados e nente durante toda a vida. Formam um peque-
os cefalocordados. no grupo, tendo como representante o anfioxo
Os protocordados (proto = primitivo) são (Anphioxus), semelhante a um peixinho, que
os cordados primitivos, animais aquáticos de ta- vive parcialmente enterrado na areia de águas
manho insignificante. São também chamados marinhas rasas. São animais dioicos (sexos
de cordados invertebrados, pois não possuem separados). Na reprodução, os gametas saem
coluna vertebral. Compreendem dois pequenos pelo atrióporo e a fecundação é externa. O de-
grupos: os urocordados e os cefalocordados. senvolvimento é direto, sem fase larval.
Nos urocordados (uro = cauda), a notocorda é
restrita à cauda das larvas, sendo reabsorvida Anfioxo Tentáculos
durante a passagem para a fase adulta. O exem-
Boca
plo é a Ascídia, que tem de 5 a 10 centímetros
de altura e vive fixa em rochas. Os urocordados Faringe

também são conhecidos como tunicados e mui- Átrio


Notocorda
tas vezes são confundidos com esponjas. Intestino

Ascídia Entrada de água Tubo nervoso


Atrióporo
dorsal
Músculos
Saída de
água do átrio Ânus
adulto bem
Faringe
desenvolvido
Cauda

Remanescente
da cauda
Células
reprodutivas Vertebrados (craniados)
Remanescente
Parte I: peixes, anfíbios e répteis
da notocorda
Ânus Os vertebrados são considerados os
Sistema nervoso verdadeiros cordados e os principais habi-
reduzido tantes do Planeta, não pelo número de espé-
Estômago
cies, mas pela importância de incluir os se-
Superfície adesiva res humanos e os animais conhecidos das
nossas faunas. São chamados craniados pela
Biologia 2 - Aula 9 134 Instituto Universal Brasileiro
existência de um crânio envolvendo e prote-
gendo o cérebro, formando a cabeça. Consti- a temperatura do ambiente, são chamados
tuem o maior número de cordados, com mais pecilotermos ou poiquilotermos, tam-
de 50 mil espécies, apresentando adaptações bém conhecidos como animais de sangue
em todos os ambientes e uma imensa biodi- frio. É o caso de peixes, anfíbios e rép-
versidade quanto à forma, tamanho, reprodu- teis. Os animais que mantêm a tempera-
ção e metabolismo. tura corporal constante, geralmente entre
35°C e 40°C (dependendo da espécie), são
chamados homeotermos. São chamados
popularmente, animais de sangue quente,
como as aves e os mamíferos.
Um outro critério, usado atualmente,
considera a origem do calor corporal: se a
fonte é externa, por exposição ao Sol, os
animais são ditos ectotérmicos (ecto =
fora). Se o calor tem origem interna, do me-
tabolismo energético, os animais são cha-
mados endotérmicos (endo = dentro).

Classificação geral dos vertebrados


Os cientistas dividem os vertebrados em
dois grupos, ou superclasses: os Agnatos
(sem mandíbula) e os Gnatostomados (com
mandíbula), nome que vem do grego gnathos,
“mandíbula”, e stomatos, “boca”.
Características gerais dos vertebrados
• Esqueleto interno (endoesqueleto) Agnatos (sem mandíbula)
ósseo ou cartilaginoso (tubarões e raias).
• Coluna vertebral óssea e cartilagino- São vertebrados primitivos, sem mandí-
sa como eixo de sustentação do corpo, forma- bula, de corpo cilíndrico e alongado, esque-
da por peças chamadas vértebras. leto cartilaginoso, com vértebras incompleta-
• Encéfalo, com cérebro desenvolvido. mente formadas. Medem de 15 centímetros
• Medula espinhal (tubo neural), prote- a mais ou menos um metro de comprimento.
gida pelas vértebras. Compreendem os ciclostomados ou ciclós-
• Corpo dividido em cabeça, tronco tomos (boca circular). Seus principais re-
(tórax e abdômen) e cauda. presentantes são as lampreias e feiticeiras.
• Simetria bilateral, triblásticos, celo- Esses animais têm a pele lisa, sem escamas e
mados e deuterostômios. sem nadadeiras pares, como nos peixes com
• Circulação fechada: o sangue circu- mandíbula. Possuem sete orifícios branquiais,
la dentro de vasos e o pigmento respiratório, por onde entra a água com oxigênio.
que transporta oxigênio, é a hemoglobina.

As lampreias podem atingir mais de


Temperatura corporal. Animais que um metro de comprimento, e parasitam
têm a temperatura do corpo variável com peixes, golfinhos e baleias, usando seus

Biologia 2 - Aula 9 135 Instituto Universal Brasileiro


• Aves (9 mil espécies). Exemplos:
dentículos para se fixar e perfurar a garça, águia, sabiá, pinguim, pato.
pele do hospedeiro. Vivem no mar mas
se reproduzem nos rios. Em muitas re- • Mamíferos (4,5 mil espécies). Exem-
giões esses animais são consumidos na plos: gato, cavalo, baleia, girafa, homem.
alimentação.

Peixes
Os peixes são animais encontrados nos
mais variados ambientes aquáticos e adapta-
dos a diferentes profundidades. Apresentam
grande diversidade de formas, tamanhos e
Lampreia Boca da lampreia
modos de vida. São os vertebrados com o
maior número de espécies sobre a Terra.
Gnatostomados (com mandíbula) Apresentam estruturas de adaptação ao
meio aquático, como forma hidrodinâmica do
Compreendem dois grandes grupos: os corpo, nadadeiras, pele recoberta de esca-
peixes e os tetrápodos. mas, brânquias para retirar o oxigênio dissol-
vido na água e alguns órgãos sensoriais mais
► Peixes desenvolvidos. Por exemplo, todos apresen-
Representados em duas classes: con- tam bem visível em cada lado do corpo, a li-
drictes e osteíctes. nha lateral, formada por orifícios que se co-
municam com um conjunto de canais cheios
• Condrictes - (do grego chondros, de células nervosas sob a pele.
cartilagem e ichthyos, peixes),com esquele- Essas estruturas captam variações de
to cartilaginoso, abrangem 800 espécies. pressão na água, permitindo que o peixe “sin-
Exemplos: tubarões e raias. ta” a profundidade em que se encontram. Veja
as características e diferenças entre peixes
• Osteíctes - (do grego osteos, osso), cartilaginosos e ósseos.
peixes com esqueleto ósseo, abrangem 24
mil espécies. Exemplos: pescada, atum,
Condrictes - peixes com esqueleto
sardinha, salmão, bagre, bacalhau, doura-
cartilaginoso: tubarões, cações e raias
do e muitos outros.
Muitos autores, para simplificar, conside- Há 375 espécies de tubarões, das quais
ram os peixes como uma só classe, subdi- 88 são conhecidas no Brasil. Todos marinhos,
vidida em dois grupos: peixes cartilaginosos são os maiores vertebrados vivos, com ex-
(Condrictes) e peixes ósseos (Osteíctes). ceção das baleias e considerados os “mons-
tros” do mar. Algumas espécies de raia são de
► Tetrápodos (tetra = quatro; podos = água doce, como por exemplo, a raia-de-fogo
pés, patas) da Amazônia, que injeta veneno através do
Animais com quatro patas ou membros seu ferrão caudal.
locomotores. Todos com esqueleto ósseo.
Estão representados em quatro classes: anfí-
bios, répteis, aves e mamíferos.
Tubarão- Raia
• Anfíbios (5 mil espécies). Exemplos: martelo jamanta
sapos, rãs, pererecas e salamandras.

• Répteis (8 mil espécies). Exemplos:


Tubarão
lagartos, jacarés, cobras e tartarugas.
Biologia 2 - Aula 9 136 Instituto Universal Brasileiro
Características dos condrictes
Parte superior Nadadeira dorsal
(maior)
• Pele recoberta por escamas placoi-
des, muito pequenas, que dão no conjunto,
aspecto de lixa. Essas escamas têm estrutura
de um dente e são formadas na derme. Sua
função, além de proteção à pele, é diminuir o
Parte inferior
atrito com a água, permitindo maior velocida- (menor)
Nadadeira caudal
de de locomoção.
• A fecundação é interna. Nos ma-
Escama placoide de tubarão chos, as nadadeiras ventrais diferenciam-se
num órgão copulador chamado clásper. Al-
gumas espécies de condrictes são ovíparas,
com ovos semelhantes a pequenas bolsas de
cor marrom, com extremidades pontiagudas.
Epiderme
com escamas
São comumente encontradas nas praias. Há
espécies vivíparas, isto é, os filhotes se de-
senvolvem dentro do organismo materno e
Esmalte
nascem completamente formados. A maioria
Cavidade da polpa é ovovivípara: os ovos são retidos por um cer-
Placa basal to tempo e o desenvolvimento termina fora do
Dentina
Epiderme
organismo materno.
Derme

• Cinco pares de fendas branquiais


no exterior do corpo, que se comunicam inter-
namente com as brânquias.
• Boca ventral, com várias fileiras de
dentes pontiagudos, que, nos tubarões, são
substituídos sempre que necessário.
Cápsula de ovos de raia ou tubarão

O olfato é um dos sentidos mais apu-


rados dos tubarões. Alguns estudiosos di-
zem que ele consegue sentir cheiro de san-
gue a 400 m de distância. Outros garantem
que seria capaz de perceber uma mísera
gota de sangue numa piscina olímpica.

• Sistema digestório. Possuem um


estômago altamente dilatável e o intestino,
curto, apresenta internamente uma longa pre-
• Nadadeira caudal heterocerca. Nos ga ou válvula espiral, que aumenta a super-
tubarões a parte superior da nadadeira caudal fície de absorção dos alimentos. O intestino
é maior que a parte inferior. termina em uma bolsa chamada cloaca, onde
• Nadadeira dorsal. É pontiaguda, trian- também desembocam os sistemas urinário e ge-
gular, facilmente notada quando estão próximos nital. Portanto, é pelo orifício da cloaca que saem
à superfície. as fezes, a urina, os espermatozoides e os ovos.
Biologia 2 - Aula 9 137 Instituto Universal Brasileiro
Os tubarões são carnívoros por natureza, ali-
mentam-se de peixes ósseos, aves e mamíferos mas alguns atingem 12, e o tubarão-baleia
marinhos, como é o caso do tubarão branco, que chega a atingir 15 metros. As raias são
ataca e come leões marinhos. menores, com cerca de 60-90 centímetros
de comprimento, mas a raia-jamanta atin-
Estômago Nadadeira ge 5 metros de comprimento e 6 metros de
Fendas Nadadeira
caudal envergadura.
branquiais dorsal

Dentada fatal
Fígado
Cloaca Nadadeira Quando aberta, a bocarra de um
Nadadeira Válvula anal
peitoral
tubarão-branco mede mais de um metro,
espiral Nadadeira
pélvica
permitindo que ele abocanhe suas presas
Intestino
facilmente. Além disso, ao contrário do
que ocorre com a maioria dos predadores,
• Sensores eletromagnéticos. Os tu- sua mandíbula superior é móvel, tornando
barões detectam sinais elétricos emitidos por a mordida ainda mais letal. Na hora do ata-
qualquer peixe ou outro ser vivo. Eles pos- que, o tubarão-branco levanta o focinho
suem milhares de células sensíveis à eletri- a cerca de 40 graus e abre a mandíbula
cidade, chamadas ampolas de Lorenzini, si- inferior para baixo. Em seguida, projeta a
tuadas na parte superior e inferior da cabeça. mandíbula superior para fora do crânio,
Depois de captados, os impulsos elétricos são ampliando a envergadura da dentada.
enviados por meio de terminações nervosas, (Mundo estranho)
até o cérebro do tubarão, que identifica a dis-
tância e posição da presa.
Osteíctes - peixes com esqueleto ósseo

Flutuabilidade. Os condrictes não


possuem um órgão de controle da flutuabi-
lidade, como a bexiga natatória dos peixes
ósseos. Por isso, eles precisam manter-se
nadando continuamente para não afundar.
Para auxiliar a flutuabilidade, utilizam-se
do fígado muito grande e oleoso. O fígado
do tubarão azul por exemplo, corresponde
a cerca de 20% do peso do animal. Essa São os vertebrados com o maior núme-
flutuabilidade do fígado é muito efetiva, ro de espécies: cerca de 25.000, com muitas
além do esqueleto cartilaginoso ser mais ainda desconhecidas. No mar, habitam dife-
leve que o ósseo. rentes profundidades, desde águas rasas até
as zonas abissais (as mais profundas).
São abundantes tanto em água salgada
(tainha, robalo, badejo, sardinha, cavalo-mari-
nho, pescada etc.), como em água doce (lam-
bari, dourado, pintado, pacu, acará-bandeira
Tamanho. A maioria dos tubarões etc.). No mar, habitam diferentes profundida-
apresenta até 2,5 metros de comprimento, des, desde águas rasas até as zonas abissais
(as mais profundas).
Biologia 2 - Aula 9 138 Instituto Universal Brasileiro
Tipicamente os peixes ósseos não são • A nadadeira caudal é homocerca
maiores que 1 m de comprimento mas existem (homo = igual) isto é, os dois ramos têm o
formas reduzidas, com poucos centímetros, e mesmo tamanho (diferente dos condrictes).
outras gigantescas como o esturjão com 3,80 Possuem uma nadadeira dorsal alongada,
m e 590 kg de peso ou o peixe-lua com 900 com raios ósseos, um par de nadadeiras pei-
kg de peso). torais, um par de pélvicas (ventrais) e uma na-
Adaptaram-se a viver em condições dadeira anal.
por vezes difíceis, como lagos a grande al- • Linha lateral visível. É essa estrutu-
titude, zonas polares, fontes hidrotermais, ra que permite ao peixe sentir a pressão da
charcos com elevada salinidade ou pobres água durante os deslocamentos para baixo ou
em oxigênio etc. para cima.
Muitos peixes realizam migrações perió-
dicas, seja de local para local, seja de águas ► Anatomia interna
profundas para a superfície, tanto para deso- • Sistema digestório. A boca tem den-
var como para se alimentar. tes iguais, permanentes. O esôfago comuni-
ca-se com as brânquias e com a bexiga nata-
Características dos osteíctes tória e o intestino, sem válvula espiral, termina
no ânus. Esses peixes não têm cloaca.
Os osteíctes são bem diferentes dos
condrictes, não só em tamanho, mas pelo as- • Bexiga natatória. É o órgão de flutua-
pecto externo de várias estruturas exclusivas bilidade dos peixes ósseos, semelhante a uma
desses peixes. Assim, podemos identificá-los bolsa, situada acima do esôfago. Esse órgão
facilmente pela anatomia externa. tem a função de permitir a subida e a descida
do peixe dentro da água. Suas paredes são
► Anatomia externa ricas em vasinhos sanguíneos, através dos
• O corpo é recoberto por escamas quais entram e saem gases dissolvidos no
circulares, achatadas, e sobre elas há uma sangue (oxigênio, gás carbônico e outros), au-
camada de muco produzido por glândulas da mentando ou diminuindo seu volume. Quando
epiderme, cuja função é tornar o corpo liso, a bexiga natatória está cheia, a densidade do
permitindo melhor deslizamento dentro da peixe diminui, ele fica mais leve e sobe. Quan-
água. As diferentes cores dos peixes são devi- do os gases voltam para o sangue a bexiga
das à existência de células da derme, chama- murcha, o peixe fica mais pesado e desce. Há
das cromatóforos, que podem mudar de cor, um pequeno canal comunicando a bexiga na-
conforme a situação, por exemplo, no período tatória ao esôfago, possibilitando o entra e sai
de reprodução. dos gases da bexiga natatória.
Nadadeira
dorsal Bexiga Nadadeira
natatória caudal

Linha
Estômago
lateral

Escamas cicloides, mostrando os orifícios da linha lateral.

• Boca terminal (na extremidade ante- Brânquias


Gônada
rior do corpo), voltada para a frente. Nadadeiras Instestino
Nadadeiras Nadadeira
• Opérculo. Estrutura óssea que cobre peitorais
ventrais anal
e protege as brânquias, lateralmente.
Biologia 2 - Aula 9 139 Instituto Universal Brasileiro
nitrogenados. É formado por um par de rins
do tipo mesonefro, situados acima da bexi-
ga natatória e a urina é conduzida por canais
(ureteres) até o poro excretor, localizado per-
to do ânus (não há bexiga urinária). A maio-
Peixes pulmonados
ria dos peixes ósseos elimina amônia como
A piramboia é um peixe encontrado substância nitrogenada, isto é, possuem uni-
na Bacia Amazônica, em regiões pantano- dades filtradoras do sangue chamadas glo-
sas que secam nos períodos de baixa dos mérulos e canais que se abrem no celoma.
rios. Nessa época, ele deixa de respirar Pela urina eliminam amônia como substân-
pelas brânquias e utiliza a bexiga natató- cia nitrogenada.
ria como órgão respiratório. Permanece
muito tempo com a cabeça fora da lama,
retirando diretamente o oxigênio do ar, que
é levado aos vasinhos da bexiga natatória,
e de lá para o sangue. Peixes desse tipo
pertencem ao grupo dos dipnoicos por Tipos de rins dos vertebrados
apresentarem dois tipos de respiração (di
= dois; pnoi = sopro, respiração). Pronefros. É o mais primitivo e, em-
bora presente no desenvolvimento embrio-
• Sistema respiratório branquial. As nário de todos os vertebrados, não é funcio-
brânquias são filamentos muito vasculari- nal no adulto de nenhum deles. Aparecem
zados, cobertos por uma epiderme fina, que em alguns ciclóstomos. Situam-se na parte
deixa entrar o oxigênio. Os peixes ósseos anterior do corpo e as unidades excretoras
possuem quatro pares de arcos branquiais, si- (néfrons) se abrem no celoma.
tuados lateralmente na faringe. É interessante Mesonefros. As unidades excreto-
observar os movimentos respiratórios dos pei- ras apresentam um glomérulo (enovelado
xes: eles abrem e fecham a boca constante- de vasos sanguíneos capilares que filtram
mente, “engolindo” água, que entra na faringe o sangue) e uma abertura para o celoma.
e passa pelas brânquias, deixando o oxigênio Aparecem nos peixes e anfíbios.
que está dissolvido na água. Em seguida, o Metanefros. As unidades excretoras
opérculo se abre, e a água sai. Costuma-se apresentam somente glomérulos para fil-
observar a cor das brânquias para avaliar o trar o sangue. Encontram-se nos répteis,
estado de conservação dos peixes (são ver- aves e mamíferos.
melhas e brilhantes nos peixes frescos).
• Sistema circulatório. É fechado, • Reprodução. Os osteíctes são de
como em todos os vertebrados, isto é, o san- sexos separados e muitas espécies apre-
gue circula somente dentro de vasos sanguí- sentam dimorfismo sexual: machos e fêmeas
neos. É simples porque pelo coração só pas- possuem diferenças externas no tamanho, na
sa um tipo de sangue. Nos peixes, só passa forma do corpo e de algumas nadadeiras. A
sangue venoso. Do coração, que possui duas fecundação é externa e o desenvolvimento
cavidades, um átrio e um ventrículo, o sangue é feito através de larvas chamadas alevinos.
vai para as brânquias receber oxigênio e tor- Os peixes de rios, machos e fêmeas adultos,
nar-se sangue arterial. Daí, é distribuído para na época da reprodução, sobem em sentido
todo o corpo e volta novamente ao coração contrário ao da correnteza, procurando as
como sangue venoso. nascentes para a fecundação. Esse desloca-
• Sistema excretor. O sistema excre- mento é chamado piracema. As fêmeas de-
tor dos peixes, como dos outros vertebrados, positam os óvulos no cascalho do fundo e os
regula o conteúdo de água do corpo, man- machos lançam os espermatozoides sobre
tém o equilíbrio salino e elimina os resíduos eles, fecundando-os.
Biologia 2 - Aula 9 140 Instituto Universal Brasileiro
Os salmões adultos vivem no mar os embriões se desenvolvem até o vigé-
de um a quatro anos sem se reproduzirem, simo primeiro dia, quando se dá o “par-
mas no período de reprodução machos e to”. Podem nascer de 450 a 600 filhotes
fêmeas iniciam uma árdua jornada de su- de cada vez. Durante o período de ges-
bida aos rios, até chegarem ao local onde tação, a fêmea visita o macho e os dois
nasceram, para se procriarem. realizam rituais de comunicação que os
aproximam.

Osmorregulação: a maneira como os


peixes equilibram a concentração
interna com o meio aquático

Peixes marinhos e de água doce


precisam manter constante a concentra-
ção de sais no sangue. Num ambiente hi- Nessa época, eles ficam mais bri-
pertônico (maior concentração de sais), o lhantes e “dançam” ao redor de uma plan-
animal perde água por osmose continua- ta marinha, agarrados pelo rabo.
mente, no sentido de atingir o equilíbrio
osmótico. É o que ocorre com os peixes Disponível em: www.portalsaofrancisco.com.br.
marinhos: eles bebem água salgada, eli-
minam o excesso de sais no sangue pelas
brânquias e pela urina. Os rins reabsor- Anfíbios (classe Amphibia)
vem água, produzindo urina concentra-
da e em pequena quantidade. Nos pei- A palavra anfíbio, de origem grega (anfi
xes de água doce, a concentração de sais = ambos e bios = vida), significa “vida dupla”
no sangue é maior que na água (ambiente porque os animais dessa classe nascem na
hipotônico), pois eles absorvem sais pelas água e vivem no ambiente terrestre quando
brânquias. Eles não bebem água, pois ela adultos. Foram os primeiros vertebrados a
entra por osmose através das mucosas iniciar a conquista do meio terrestre, embora
da boca e das brânquias. A urina é diluí- dependam da água para a reprodução. São
da e abundante. descritas mais de três mil espécies de an-
fíbios (nenhuma delas marinha), mas atual-
mente correm o risco de extinção.

Classificação dos anfíbios


Os anfíbios estão classificados em três
ordens: anuros, urodelos e ápodos.
Pais grávidos
• Anuros (a = sem; uro = cauda). Sa-
Entre os cavalos-marinhos, é o ma- pos, rãs e pererecas, que não têm cauda.
cho que dá a luz aos filhotes. A fêmea pro-
duz os óvulos e os coloca em um saco de
incubação no abdômen do macho. Lá, o
macho lança os espermatozoides (fecun-
dação externa) e os fertiliza. Nessa bolsa, Perereca (2 a rã (10 a 20 sapo (15 a 20
3 centímetros) centímetros) centímetros)

Biologia 2 - Aula 9 141 Instituto Universal Brasileiro


• Urodelos. Anfíbios de corpo alongado, dulas é venenosa e só sai se forem comprimi-
com cauda. São as salamandras e tritões. das. São estruturas de defesa contra predado-
res que tentam abocanhar o animal.
• As salamandras têm o corpo alon-
gado, patas curtas e uma cauda relativamen-
te longa. Superficialmente assemelham-se
a lagartos, mas podem ser distinguidos pela
Salamandra ausência de escamas. Os urodelos têm a ca-
pacidade de regenerar os membros e a cau-
• Ápodos. Sem patas. São as cobras- da se estes forem decepados. São encontra-
cegas ou cecílias. dos principalmente no Hemisfério Norte, mas
também ocorrem no norte da América do Sul.
Como todos os anfíbios,os urodelos têm uma
pele nua e susceptível à secura. Por esse
motivo, habitam zonas úmidas de florestas,
perto de rios ou lagos. O seu ciclo de vida co-
Cobra-cega
meça invariavelmente na água, mas podem
depois passar a um modo de vida terrestre.
Algumas espécies vivem na água durante
toda a vida sem terminar o desenvolvimen-
to e por isso, conservando as brânquias. É o
O axolote (ou caso do axolote.
axolotle) é uma sala- • As cobras-cegas vivem enterradas,
mandra muito estra- têm aproximadamente 30 centímetros de com-
nha, encontrada em primento, olhos atrofiados, daí o nome, e o cor-
grutas do México, vi- po alongado lembrando o de uma cobra.
vendo sempre dentro da água. Esse anfí-
bio não completa todo o desenvolvimento,
conservando durante toda a vida caracte-
rísticas da fase jovem, como brânquias ex-
ternas, por exemplo. Esse fenômeno é cha- Os sapos
mado neotenia. coloridos

Há pequenos
Diferenças entre os anfíbios Sapo venenoso da sapos nas matas
floresta Amazônica sul-americanas,
• As pererecas vivem sobre árvores pró-
que apresentam cores vivas, facilmente
ximas a lagoas e riachos e muitas vezes usam
visíveis. Esses lindos sapinhos possuem
a água acumulada entre folhas, como as de
glândulas dispersas pela pele, produtoras
bromélia, para se reproduzirem. Elas possuem
de venenos mortais para os predadores e
pequenas ventosas adesivas nas pontas dos
até para o homem, se penetrarem na pele
dedos, cuja função é mantê-las agarradas aos
através de algum ferimento.
galhos e outras superfícies.
• As rãs têm membranas interdigitais
(entre os dedos das patas traseiras) que pos-
sibilitam a natação, uma vez que vivem mais Adaptações anatômicas dos anfíbios
próximas da água. Os sapos possuem a pele A fim de poderem sair da água para viver
mais grossa, são maiores e apresentam, visi- na terra, os anfíbios adquiriram importantes
velmente de cada lado da cabeça, uma grande adaptações anatômicas e fisiológicas. Veja
glândula paratoide. A secreção dessas glân- quais são:
Biologia 2 - Aula 9 142 Instituto Universal Brasileiro
átrios e um ventrículo. No átrio direito chega
• Quatro patas locomotoras (com o sangue venoso do corpo e no esquerdo,
exceção dos ápodos). chega o sangue arterial dos pulmões. Dos
átrios o sangue é lançado ao ventrículo, ha-
• Respiração pulmonar.
vendo uma mistura de sangue venoso e ar-
• Pele permeável, com glândulas de terial. Por haver essa mistura, a circulação é
secreção de muco e de veneno. As glându- dita incompleta.
las de muco mantêm a umidade, evitando
o ressecamento da pele e, além disso, per-
mitem a respiração cutânea: o oxigênio do
ar dissolve-se no muco e entra nos vasos
capilares da pele.

Essas adaptações surgem durante o de-


senvolvimento dentro da água, desde o ovo Átrio
até a fase adulta. O conjunto de transforma- direito Átrio
ções é chamado metamorfose, controlada esquerdo
por hormônios da tireoide.
Ventrículo
Características gerais dos anfíbios
• Temperatura do corpo. Assim como • Reprodução. Os anfíbios são de se-
os peixes, os anfíbios são pecilotermos, isto xos separados, geralmente com dimorfismo
é, a temperatura do corpo varia com a do sexual. Dependem da água para a reprodu-
ambiente. ção: durante a cópula, a fêmea elimina pela
• Esqueleto. Apresenta uma evolução: cloaca uma fita gelatinosa que envolve milha-
as cinturas ósseas, onde se prendem os mem- res de óvulos, enquanto o macho vai eliminan-
bros anteriores (cintura escapular) e posterio- do seu líquido seminal sobre eles. A fecunda-
res (cintura pélvica). ção é externa e o desenvolvimento é indireto
• Sistema digestório. A boca é ampla, (por metamorfose).
sem dentes, com uma língua estreita e longa, Veja o esquema que representa a meta-
presa na região anterior da mandíbula. Dessa morfose dos sapos e rãs:
forma, a língua pode ser projetada para fora,
para capturar insetos.
• Respiração. Apresentam três tipos:
branquial na fase jovem, pulmonar e cutâ-
nea (através da pele) na fase adulta. A respi-
ração pulmonar não é muito eficiente porque
depende dos movimentos de engolir o ar, mas Ambiente Ambiente
a respiração cutânea compensa a troca de ga- terrestre aquático

ses e a pele acaba sendo o principal órgão


de absorção do oxigênio e eliminação do gás
carbônico.
• Sistema circulatório. A circulação
dos anfíbios é chamada dupla, pois passam
pelo coração dois tipos de sangue: o venoso
e o arterial. Há uma circulação venosa entre Modificações na sequência: aparecem as
o coração e os pulmões, e uma circulação patas posteriores, as brânquias atrofiam, surgem as
arterial entre o coração e os tecidos do cor- patas anteriores e a cauda regride até desaparecer.
po. O coração possui três cavidades: dois
Biologia 2 - Aula 9 143 Instituto Universal Brasileiro
Répteis (classe Reptilia) mões são eficientes, com grande número de
alvéolos, que aumentam a superfície para a
A era Mezozoica, conhecida como a “Era troca de gases.
dos Répteis” ou “Era dos Dinossauros” surgiu há • Eliminação de ácido úrico como prin-
cerca de 300 milhões de anos e teriam evoluído cipal produto nitrogenado. Há economia de
de certos anfíbios.Durou 180 milhões de anos água para que o animal não sofra desidratação.
e terminou há 65 milhões de anos. Atualmente, Como o ácido úrico é insolúvel em água, pode
abrangem aproximadamente, 7 mil espécies co- ser excretado na forma de uma pasta.
nhecidas e ainda hoje, descobertas de fósseis
desses “monstros” do passado continuam ocor-
rendo em várias regiões do Planeta. Classificação dos répteis
Os répteis (do latim reptare = rastejar) Os répteis estão classificados em três
conquistaram definitivamente o ambiente ter- grupos (ordens):
restre seco, embora alguns como as tartaru- • Quelônios - tartarugas, jabutis e cá-
gas, sejam aquáticos. Os terrestres, exceto gados. Têm o corpo revestido por duas pla-
as cobras, possuem quatro patas curtas inse- cas ósseas, dorsal e ventral (plastrão), solda-
ridas no plano do corpo, fazendo-os rastejar das entre si. As tartarugas são aquáticas e
sobre o solo. Certos lagartos conseguem an- podem viver em água doce ou salgada; suas
dar sobre as duas patas traseiras. São repre- pernas têm a forma de nadadeiras, o que fa-
sentantes dessa classe: lagartos, jacarés, cilita a locomoção na água. Os jabutis são
cobras e tartarugas. terrestres e seus dedos são grossos. Os cá-
gados vivem em água doce e seus dedos
são ligados por uma membrana que auxilia na
Adaptações dos répteis natação. Não têm dentes e na extremidade da
Veja as adaptações que possibilitaram aos boca há um bico córneo.
répteis a conquista do ambiente terrestre:
• Corpo revestido por escamas e pla-
cas córneas ou ósseas, que impedem a de-
sidratação. Possuem a pele sem glândulas e
a camada superficial da epiderme produz uma
Tartaruga Jabuti Cágado
proteína, a queratina, resistente e impermeá-
vel, que forma escamas ou placas • Crocodilianos - crocodilos e jacarés.
• Ovo com casca: independência da Têm o corpo alongado, recoberto por placas
água para a reprodução. A fecundação é in- córneas. Habitam regiões tropicais, geralmen-
terna e os ovos com casca são a novidade te às margens de rios e pântanos. No Brasil só
surgida com os répteis. As tartarugas saem da existem jacarés, encontrados no Pantanal Mato-
água para depositar os ovos na areia. O ovo grossense e na Amazônia. Duas características
terrestre tem casca resistente, calcificada e, externas nos permitem diferenciar um jacaré de
sendo porosa, permite a troca de gases (oxi- um crocodilo: a cabeça do jacaré é mais larga e
gênio e gás carbônico) com o meio ambiente. arredondada que a do crocodilo e seus dentes
Como já visto, o ovo de répteis e aves apre- não aparecem quando fecha a boca. O croco-
sentam anexos embrionários (âmnio, córion dilo tem a cabeça mais estreita e, ao fechar a
e alantoide). A grande quantidade de vitelo boca, alguns dentes ficam visíveis.
(gema) alimenta o embrião durante o desen-
volvimento e o líquido amniótico evita o resse-
camento e o protege contra choques. Assim, o
ovo tornou-se uma estrutura independente do
ambiente aquático.
• Respiração exclusivamente pulmo-
nar, mesmo nas espécies aquáticas. Os pul- Jacaré Crocodilo

Biologia 2 - Aula 9 144 Instituto Universal Brasileiro


de setas). Cada seta tem uma ponta em
forma de brócolis onde se localizam en-
tre 400 e 1000 espátulas de meio milé-
simo de milímetro cada uma. São essas
Nos crocodilos e tartarugas marinhas pontas que trocam elétrons com pare-
a temperatura é fator responsável pela de- des ou outras superfícies lisas. A força
terminação do sexo durante o desenvolvi- criada pelo contato é equivalente a dez
mento embrionário. Na construção do ni- vezes a pressão do ar - o suficiente para
nho, os crocodilos juntam matéria vegetal entortar um arame. “Elas fazem isso de
que fermenta, provocando a elevação da uma maneira limpa, sem nenhum tipo
temperatura. de substância pegajosa”, maravilha-se o
• Escamados - possuem o corpo re- biólogo Robert Full, da Universidade da
vestido por escamas. Dividem-se em dois Califórnia em Berkeley.
grupos:
- Lacertílios: que compreendem lagar-
tos (camaleão, iguana, calango, teiú, “dragão”
de Komodo) e lagartixas, com patas;

Lagarto (camaleão) Lagartixa

- Ofídios: representados pelas serpen- Os pesquisadores acham que a la-


tes (ou cobras), sem patas. gartixa pode inspirar a ciência a produ-
zir um adesivo sintético autolimpante no
futuro.
Revista superinteressante - Julho de 2000.
Texto adaptado.
Serpente (cobra)

Como a lagartixa corre Língua de grande alcance


no teto da casa

Esqueça essa história de ventosa. O


que permite às lagartixas desafiar a lei da
gravidade e correr no teto da casa são as
mesmas forças que atuam em ligações quí-
micas. Um grupo de pesquisadores ame-
ricanos descobriu que o animal é capaz
de criar uma interação atômica temporária O camaleão tem visão e olfato muito
com a parede graças a estruturas micros- desenvolvidos. Ele detecta a presa com a
cópicas existentes nas suas patas, conhe- visão, porque seus olhos são capazes de
cidas como setas (cada pata tem 2 milhões girar para todos os lados, explorando seu

Biologia 2 - Aula 9 145 Instituto Universal Brasileiro


entorno, enquanto seu corpo permane- Aorta
Aorta esquerda
ce parado. Localizada a presa, sua lín- direita Artérias
pulmonares
gua é disparada da boca com precisão, Artéria
e a ponta pegajosa atinge o inseto e o braquiocéfala Veias
pulmonares
apanha. Todo esse processo é extrema-
mente rápido e envolve uma complexa Seio
venoso Átrio
coordenação. esquerdo
Fonte: enciclopédia do estudante/Estadão.
Texto adaptado. Átrio
esquerdo
Cavidade
ventricular
pulmonar
Principais características anatômicas
Ventrículo
e fisiológicas dos répteis

Temperatura do corpo Cavidade


Cavidade ventricular
Septo
ventricular vertical arterial
São pecilotermos. Aquecem seu corpo venosa (não é fechado
com o calor do ambiente (são ectotérmicos). completamente)

Os lagartos e crocodilos costumam se expor


ao Sol e a sua temperatura interna atinge va- Respiração pulmonar
lores altos, acima de 38°C. Na sombra e à noi-
te, a temperatura corporal diminui, mantendo- Todos possuem dois pulmões, exceto
se entre 10°C e 15°C. as cobras, que possuem apenas um, alon-
gado, que facilita a deglutição de grandes
Sistema digestório presas. É por esse motivo que a sucuri, de
quase 10 metros de comprimento, é capaz
Boca com abertura ampla, e a maioria de engolir um bezerro e outros animais, sem
com dentes bem desenvolvidos nos maxila- ficar sufocada.
res. As cobras peçonhentas possuem dentes
com canais especiais para a inoculação de Reprodução
veneno; e conseguem abrir a boca até um ân-
gulo de quase 180 graus, graças a um osso Os répteis são de sexos separados e,
chamado “quadrado”, que liga a mandíbula ao em todos, a fecundação é interna. A maio-
crânio. Todos possuem cloaca, comum aos ria é ovípara, mas há espécies ovovivíparas,
sistemas digestório, excretor e reprodutor, como certas cobras peçonhentas, em que o
que se comunica com o meio externo por um desenvolvimento do embrião inicia-se den-
orifício. tro da mãe e termina dentro do ovo, após
a postura. Há espécies vivíparas, como
Circulação certos lagartos, que dão à luz filhotes já
desenvolvidos.
É dupla e incompleta, como nos anfíbios. As serpentes ocorrem em quase todas
O coração tem dois átrios e um ventrículo que as regiões do Planeta, em terra, mares e
não é fechado completamente, havendo mis- rios. São mais numerosas nas zonas de cli-
tura de sangue venoso com arterial. Somente mas quentes, mas também são encontradas
nos crocodilianos o ventrículo é dividido por nas zonas de clima temperado ou mesmo
um septo completo, não havendo mistura de frio. No Brasil, as serpentes peçonhentas
sangue dentro do coração. estão em todas as regiões. As mais comuns
Veja no esquema a seguir, o funciona- são as várias espécies de jararacas, corais
mento do coração na maioria dos répteis: e cascavéis.
Biologia 2 - Aula 9 146 Instituto Universal Brasileiro
Tipos de soro antiofídico

O soro antiofídico é obtido a partir


de anticorpos do sangue do cavalo.
Serpentes e venenos O processo de produção do soro an-
tiofídico consiste na aplicação de peque-
O veneno das serpentes é secreta- nas doses de veneno no animal. Neste
do por um par de glândulas volumosas, período, o organismo do cavalo produz
situadas nos lados da cabeça, abaixo e anticorpos contra o veneno. Depois de
atrás dos olhos, dando forma triangular um determinado período sofre sangria.
à cabeça. É importante conhecermos al- Os anticorpos são separados por cen-
gumas características externas que dife- trifugação do sangue. Em seguida ele
renciam as cobras peçonhentas das não sofre liofilização (remoção de água) e é
peçonhentas. armazenado.
Veja no quadro quais são essas dife- No Brasil, o Instituto Butantan é o
renças: maior produtor de soros contra picadas
Não de animais peçonhentos. Além do soro
Características Peçonhenta
peçonhenta antiofídico, polivalente, são produzidos
basicamente os seguintes soros antiofídi-
Longa (afina Curta (afina cos específicos:
Cauda
lentamente) abruptamente)

Triangular • Antibotrópico - contra aciden-


Arredondada,
achatada, tes de jararacas;
Cabeça com placas
com placas
grandes
pequenas • Anticrotálico - contra acidentes
de cascavel;
Com pupilas Com pupilas em
Olhos
arredondadas fenda vertical
• Antilaquético - contra aciden-
Escamas da tes de surucucu;
Grandes Pequenas
cabeça
• Antielapídico - contra aciden-
Escamas do tes de cobra-coral.
Lisas Com saliências
corpo
• Anticrotálico-botrópico - con-
Fosseta loreal Ausente Presente
tra acidentes com cascavéis e jarara-
cas;
Fosseta loreal
• Antibotrópico-laquético - con-
Orifício situado entre as narinas e tra acidentes com cascavéis e suru-
os olhos, através do qual as cobras ve- cucus.
nenosas (exceto as corais) sentem a
proximidade de um animal pelo calor do A aplicação do soro não confere
seu corpo. imunidade permanente, pois a memória
imunológica não é estimulada. Os anti-
corpos injetados deixam de circular pelo
organismo em poucos dias. Os próprios
anticorpos injetados são reconhecidos
como substâncias estranhas e o orga-
Cobra não venenosa, Cobra venenosa, nismo fabrica anticorpos específicos
sem fosseta loreal com fosseta loreal contra eles.

Biologia 2 - Aula 9 147 Instituto Universal Brasileiro


• Osteíctes (esqueleto ósseo): sar-
dinha, pescada, tainha, bacalhau, doura-
do etc.
Boca terminal, escamas cicloides, linha
lateral, opérculo recobrindo as brânquias,
Filo cordados - Protocordados
nadadeira caudal homocerca. Internamente,
e Vertebrados
possuem a bexiga natatória, para subida e
descida na água. A fecundação e o desenvol-
Animais nos quais surgiu a notocorda
vimento são externos.
como estrutura de sustentação do corpo. Divi-
de-se em protocordados e vertebrados.
Anfíbios
Os protocordados (cordados primi-
tivos, com notocorda permanente), são os
Pecilotermos, pele fina com glându-
urocordados, com notocorda caudal, exem-
las secretoras de muco; boca ampla, sem
plo, ascídia, e os cefalocordados, com no-
dentes. Todos dependem da água para a
tocorda que vai da cabeça à cauda. Exem-
reprodução, a fecundação é externa e o de-
plo, o anfioxo.
senvolvimento indireto, por metamorfose.
Os vertebrados (craniados) são os cor-
Respiração branquial (fase jovem), pulmo-
dados verdadeiros, nos quais a notocorda ori-
nar e cutânea na fase adulta. Circulação:
ginou a coluna vertebral.Todos têm um crânio,
fechada (através de vasos), dupla (sangue
formando a cabeça e protegendo o cérebro.
venoso e arterial) e incompleta (há mistura
de sangue). Coração com três cavidades:
Principais características
dois átrios e um ventrículo.
dos vertebrados

Esqueleto interno, ósseo ou cartilagi- Grupos de anfíbios


noso; coluna vertebral, formada por vérte-
bras; medula espinhal; corpo dividido em • Anuros (sem cauda): sapos, rãs
cabeça, tronco e cauda; simetria bilate- e pererecas. Patas traseiras longas, para
ral, celomados, triblásticos e deuteros- saltos.
tômios; circulação fechada, sangue com • Urodelos (com cauda): salamandras
hemoglobina. e tritões. Quatro patas curtas.
• Ápodos (sem patas): cobras-cegas.
Classificação geral dos vertebrados
Répteis
I - Agnatos (sem mandíbula), exemplo:
lampreia. Totalmente terrestres, pecilotermos, ras-
II - Gnatostomados (com mandíbula): tejantes, pele sem glândulas, revestida por es-
peixes (sem patas) e tetrápodos, com patas: camas e placas.Fecundação interna e desen-
anfíbios, répteis, aves e mamíferos. volvimento externo (ovo com casca).

Peixes Grupos de répteis

• Condrictes (esqueleto cartilagino- • Quelônios: tartarugas (marinhas e


so): tubarões e raias. de água doce), jabutis (terrestres) e cágados
Têm boca ventral, cinco pares de fen- (água doce). Corpo revestido por duas cara-
das branquiais, escamas placoides, nadadei- paças de origem óssea: uma dorsal ligada a
ra caudal heterocerca e dorsal, triangular. In- outra ventral, chamada plastrão.
testino com válvula espiral. Possuem cloaca, • Crocodilianos: jacarés e crocodilos.
bolsa onde desembocam os sistemas diges- Corpo alongado, revestido por placas córneas.
tório, excretor e reprodutor, e se abre ao meio Patas curtas, perpendiculares ao corpo.
externo por um único orifício. A fecundação • Escamados: corpo recoberto por es-
é interna e o desenvolvimento, externo (são camas: lacertílios (lagartos e lagartixas) e
ovíparos). ofídios (serpentes).

Biologia 2 - Aula 9 148 Instituto Universal Brasileiro


a) ( ) mamíferos.
b) ( ) aves.
c) ( ) répteis.
d) ( ) anfíbios.

1. Presença de corda dorsal ou notocor- 5. (PUCC) Quatro indivíduos foram pi-


da, tubo neural e fendas branquiais na faringe cados por 4 cobras peçonhentas distintas. O
são características do filo dos primeiro por uma cobra venenosa, não iden-
tificada, mas que não era coral; o segundo
a) ( ) anelídeos. por uma cobra coral verdadeira; o terceiro por
b) ( ) artrópodes. uma cascavel; e o quarto por uma jararaca.
c) ( ) equinodermas. O soro que deve ser aplicado em cada caso,
d) ( ) cordados. respectivamente, é:

2. (U.F.PA) Dos animais a seguir relacio- a) ( ) antiofídico - antibotrópico - anti-


nados, o único que apresenta esqueleto carti- crotálico - antielapídico.
laginoso, exclusivamente, é: b) ( ) antibotrópico - antielapídico - anti-
crotálico - antiofídico.
a) ( ) sapo. c) ( ) antiofídico - antielapídico - anticro-
b) ( ) cação. tálico - antibotrópico.
c) ( ) jacaré. d) ( ) antielapídico - antiofídico - anticro-
d) ( ) arara. tálico - antibotrópico.

3. No coração dos anfíbios adultos: 6. (PUCC) Os peixes marinhos sempre


absorvem água e sal em quantidade. O ex-
cesso de sais é excretado:

a) ( ) circula apenas sangue venoso. a) ( ) pela pele.


b) ( ) circula apenas sangue arterial. b) ( ) pelas brânquias e pelos rins.
c) ( ) circulam, separadamente, sangue c) ( ) somente pelos rins.
venoso e arterial. d) ( ) pelo intestino.
d) ( ) misturam-se no ventrículo, san-
gue arterial e venoso. 7. No coração dos peixes ósseos adultos:

4. (FUVEST) Os vertebrados conquista- a) ( ) circulam, separadamente, sangue


ram o ambiente terrestre através da formação arterial e venoso.
de um tipo de ovo capaz de se desenvolver b) ( ) circula só sangue venoso.
fora da água. Esta conquista aparece na pri- c) ( ) circula só sangue arterial.
meira vez em: d) ( ) misturam-se sangue venoso e arterial.
Biologia 2 - Aula 9 149 Instituto Universal Brasileiro
o ventrículo, que é uma única cavidade, sem
divisão, os sangues venoso e arterial se mis-
turam. É por isso que a circulação desses ani-
mais é chamada incompleta.

1. d) ( x ) cordados. 4. c) ( x ) répteis.

Comentário. O filo cordados apresenta Comentário. O ovo terrestre surgiu com


três características básicas: todos os animais os répteis, determinando definitivamente a in-
apresentam uma corda dorsal chamada noto- dependência da água para a reprodução des-
corda, que dá sustentação ao corpo, um tubo ses animais. O desenvolvimento do embrião
nervoso também dorsal e fendas branquiais se dá totalmente dentro do ovo, que contém
(pelo menos na fase embrionária). vitelo para nutri-lo e permite a troca de gases
através da casca porosa. Além disso, existe
2. b) ( x ) cação. uma camada (âmnio), cheia de líquido, que
protege o embrião contra choques e evita que
Comentário. O cação, o tubarão e a raia ele se desidrate.
são peixes com esqueleto totalmente cartila-
ginoso, pertencem ao grupo dos condrictes. 5. c) ( x ) antiofídico - antielapídico -
Esses peixes apresentam o corpo com carac- anticrotálico - antibotrópico.
terísticas externas diferentes dos peixes ós-
seos (osteíctes), tais como: boca ventral com Comentário. O soro antiofídico poliva-
várias fileiras de dentes, cinco pares de fen- lente é válido, como o nome diz, para qualquer
das branquiais, ausência de opérculo, nada- veneno e é aplicado quando não se conhece
deira caudal heterocerca e nadadeira dorsal a cobra peçonhenta. O soro antielapídico é
triangular. específico contra o veneno da coral. O anti-
crotálico age contra o veneno da cascavel e o
3. d) ( x ) misturam-se no ventrículo, antibotrópico, contra o da jararaca.
sangue arterial e venoso.
6. b) ( x ) pelas brânquias.

Comentário. Num ambiente hipertô-


nico (maior concentração de sais), o animal
perde água por osmose continuamente, no
sentido de atingir o equilíbrio osmótico. É o
que ocorre com os peixes marinhos: eles
Átrio bebem água salgada, eliminam o excesso de
direito Átrio sais no sangue pelas brânquias e pela urina.
esquerdo
Os rins reabsorvem água, produzindo urina
concentrada e em pequena quantidade.
Ventrículo
7. b) ( x ) circula só sangue venoso.

Comentário. O coração dos anfíbios é Comentário. No coração dos peixes só


dividido em três câmaras ou cavidades: dois passa sangue venoso (circulação simples). Do
átrios e um ventrículo. O átrio direito recebe coração, que possui duas cavidades, um átrio e
sangue venoso, que vem dos órgãos do cor- um ventrículo, o sangue vai para as brânquias
po; o átrio esquerdo recebe sangue arterial, receber oxigênio e tornar-se sangue arterial.
oxigenado, vindo dos pulmões e dos vasos da Daí é distribuído para todo o corpo e volta no-
pele (respiração cutânea). Ao passarem para vamente ao coração como sangue venoso.
Biologia 2 - Aula 9 150 Instituto Universal Brasileiro