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RELACIONAMENTOS ABUSIVOS: A PERCEPÇÃO DOS(AS) GRANDUANDOS(AS)

DE PSICOLOGIA

Ana Kelma Cunha Gallas1


Isabele Kemilly dos Santos Aranha²
Juliana de Souza Silva³
Lara Brito Oliveira⁴
Raisa Miranda Costa ⁵
Vitória Régia Sousa Santos⁶

RESUMO

A violência manifestada dentro dos relacionamentos foi tratada durante muito tempo como
uma questão de foro íntimo, somente na década de 80 a temática ganha um viés social. Essa
violência, por quase sempre ocorrer dentro do ambiente doméstico, em muitos casos é
silenciada e, apesar das políticas públicas desenvolvidas, o número de denúncias e de busca
por ajuda ainda é pequeno em relação ao total de indivíduos que relatam já ter sofrido algum
tipo de violência (seja ela física, psicológica, patrimonial ou sexual) em suas relações
amorosas. Na presente revisão sistemática, buscou-se pesquisar quais os aspectos
caracterizam um relacionamento abusivo, qual o perfil do(a) agressor(a), em que momentos
as vítimas perceberam estar vivenciando um relacionamento abusivo, os motivos que levaram
a manutenção da relação, se adotaram alguma medida e quais foram estas, bem como se
houve impactos decorrentes dessa relação e quais foram esses. Nesse contexto, questionou-
se a percepção que os(as) granduandos(as) de psicologia possuem acerca da temática, como
forma de compreender se são capazes de identificar os sinais de abuso dentro de uma relação
(vivenciadas por si e/ou por terceiros) e a abordagem adotada diante desse tipo de demanda.
Para tanto, adotou-se como metodologia a realização de pesquisa bibliográfica, sendo
identificados fatores múltiplos como causas desse tipo de relação.

Palavras-chave: relacionamento abusivo, violência doméstica, agressor, vítima, impactos,


graduandos, psicologia, dependência.

INTRODUÇÃO

Relacionamentos abusivos são caracterizados pelo desejo de controlar o outro, como


se o mesmo fosse um objeto. Esse problema tem se mostrado presente em toda sociedade,
independentemente de posição política, social ou econômica, no entanto, em razão da

1
Mestre em Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal do Piauí (2011-2013). Professora do Centro
Universitário Santo Agostinho. Integrante do Grupo de Pesquisa CNPq, Sexualidades, Corpo e Gênero -
SEXGEN (UFPA) e do COMGENERO (Universidade Estadual do Piauí).
² Graduanda em Psicologia pela UNIFSA.
³ Graduanda em Psicologia pela UNIFSA.
⁴ Graduanda em Psicologia pela UNIFSA.
⁵ Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Graduanda em Psicologia pela UNIFSA.
⁶ Graduanda em Psicologia pela UNIFSA.
violência física nem sempre estar presente, algumas vezes sua identificação se torna mais
difícil tanto para a vítima quanto para terceiros. Ainda assim, mesmo diante da ausência de
agressões físicas, esse tipo de relação ocasiona sequelas profundas, que irão demandar um
adequado acompanhamento psicológico para terem seus impactos reduzidos.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu a violência como “uso intencional da
força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra
um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em
lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação”.
Analisando a história, observa-se diversos momentos em que as mulheres foram
vítimas de repressão por seus companheiros, mas, somente na década de 80, essa temática
assume tratamento de problema social, segundo Antunes (2016, p.11, apud Caridade &
Machado, 2006).
Em um primeiro momento, a investigação estava apenas centrada na violência
conjugal, sendo recentemente o enfoque ampliado para as populações mais jovens, o que
evidencia preocupantes níveis de violência nos relacionamentos vivenciados por esse grupo,
problema este que é agravado pela deficiência de ações educacionais voltadas para os jovens.
No Brasil, apesar dos movimentos voltados para essa causa e da Lei N° 11.340,
popularmente conhecida como Lei Maria da Penha, que ampara as mulheres vítimas de
violência doméstica, ainda ocorrem frequentemente atos abusivos e de violência contra a
mulher. Percebe-se assim a fragilidade dos mecanismos que não ofertam efetivas garantias
de prevenção e impedimento às agressões.
Associa-se a esse cenário, a dificuldade de identificação de casos abusivos em razão da
romanização dos casos de violência, sendo muitas vezes vistos pela própria vítima e pelos
demais como demonstrações de amor e zelo.
Deve-se ressaltar que o abuso nesses relacionamentos é muitas vezes silencioso, uma
vez que é realizado dentro de quatro paredes e tido como motivo de vergonha pela vítima,
que costuma se calar para não ter que conviver com o julgamento da sociedade, fato que
ocasiona diversos traumas, aumentando os índices de depressão, e, até mesmo, a retirada da
própria vida, que começa a parecer sem sentido e sem valor.
Levando em conta que é próprio ao ambiente acadêmico o acontecimento de relações
interpessoais, pois por muitos é considerado um local para construção de histórias, é comum
que nesse ambiente sejam também desenvolvidos relacionamentos afetivos, podendo ser
feita a análise da percepção que os universitários possuem acerca do tema, de forma a
disseminar o assunto e assim atualizar a rede combate a todos os tipos de violência que
possam estar presentes em um relacionamento.

METODOLOGIA

Esta revisão sistemática da literatura foi realizada com base de dados eletrônicos
SCIELO (www.scielo.org/pt) com os seguintes descritores “violência”, “relacionamento
abusivo” e “graduandas”. E ampliamos a pesquisa ao Google acadêmico
(https://scholar.google.com.br/) usando os termos “percepção das graduandas”,
“estudantes” todos os artigos selecionados foram em português e os critérios de inclusão
foram do ano de publicação 2004 a 2018 e população alvo mulheres. A busca foi atualizada
em dezembro de 2019.
Foram utilizados artigos e publicações em revistas sobre a percepção das/dos
graduandos de psicologia sobre relacionamento abusivo. Foram incluídos os seguintes
critérios: pesquisa realizada com homens/mulheres de 20 a 64 anos, apresentavam objetivos
e métodos específicos para melhor compreensão, com resultados semelhantes. Foram
excluídos trabalhos sem descrição metodológica completa, em idiomas diversos do português
e anteriores a 2004.

N=1500 Primeira base de dados

N= 800 resultantes do uso de


critérios
N= 300 resultantes da eliminação de
estudos duplicados de matérias

N= 30 resultados da filtragem por


meio da leitura

N=5 trabalhos selecionados


Fonte: Aranha, Isabele Kemilly dos Santos. Silva, Juliana de Souza. Oliveira, Lara Brito. Costa, Raisa Miranda.
Santos, Vitória Régia Sousa.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Tabela 1: identificação dos trabalhos coletados nas bases de dados

AUTORES TÍTULO DO TRABALHO ANO DE BASE DE DADOS


PUBLICAÇÃO
Rafael, Ricardo de Violência contra a mulher ou 2014 Scielo
Mattos Russo. mulheres em situação de
Moura, Anna violência? Uma analise sobre a
Tereza Miranda prevalência do fenômeno.
Soares

AUTORES TÍTULO DO TRABALHO ANO DE BASE DE DADOS


PUBLICAÇÃO
LUCENA, Kerle : Análise do ciclo da violência 2016, São Paulo Scielo
Dayana Tavares doméstica contra a mulher
de; DEININGER,
Layza de Sousa
Chaves;
COELHO,
Hemilio
Fernandes
Campos;
MONTEIRO,
Alisson Cleiton
Cunha; VIANNA,
Rodrigo Pinheiro
de Toledo;
NASCIMENTO,
João Agnaldo do.
Analise do ciclo
da violência
domestica contra
a mulher. 2016

AUTORES TÍTULO DO TRABALHO ANO DE BASE DE DADOS


PUBLICAÇÃO
Luciane Lemos Violência silenciosa: violência 2007, Florianápolis Google acadêmico
da Silva ; Elza psicológica como condição da
Berger Salema violência física domestica.
Coelho; Sandra
Noemi Cucurullo
AUTORES TÍTULO DO TRABALHO ANO DE BASE DE DADOS
PUBLICAÇÃO
Daniely Cristina Análise funcional da Google acadêmico
de Souza Pereira permanência das mulheres nos
relacionamentos abusivos: Um
Vanessa Silva
estudo prático
Camargo

Patricia Cristina
Novaki Aoyama

AUTORES TÍTULO DO TRABALHO ANO DE BASE DE DADOS


PUBLICAÇÃO
Liliana Maria Processo de resiliência nas 2012, Santa Catarina Scielo
Labronici mulheres vítimas de violência
doméstica: Um olhar
fenomenológico

De acordo com os dados retirados para realizar a tabela 1, foi visto que grande parte
dos artigos obtidos foi da plataforma eletrônica Scielo e, para a complementação, o Google
acadêmico. Os artigos foram elaborados por pesquisadores das áreas de humanas, de saúde
e social.
Estabelecendo um diálogo entre a fundamentação teórica e o problema de pesquisa,
percebe-se uma preocupação em relação ao grande número de casos e a deficiência de
informações completas e verídicas.

Tabela 2: Objetivos, Desenho Metodológico e Conclusões das pesquisas

AUTORES OBJETIVOS TIPO DA DESENHO CONCLUSÕES DA


DO PESQUISA METODOLÓGICO PESQUISA
TRABALHO
Rafael, Refletir sobre Qualitativa Trata-se de um estudo A constante
Ricardo de as possíveis transversal com uma vitimização da
Mattos Russo. diferenças amostra de 640 mulheres mulher pela
Moura, Anna entre os com idade entre 20 a 64 sociedade, mídia e
Tereza termos anos, em quatro investigações
Miranda “violência unidades de saúde da científicas pode
Soares contra mulher” família do município de estar gerando perdas
e “mulheres Nova Iguaçu (RJ). de componentes
em situação de necessários para a
violência” compreensão do
com base na fenômeno. Dessa
análise da forma, o estudo
ocorrência de pretendeu iluminar
violência de maneira
íntima. diferenciada uma
parte do problema,
enfatizando a
necessidade de
contemplar a
dinâmica de cada
casal, contrapondo
as especificidades
dos gêneros para o
manejo desse tipo
de violência.

AUTORES OBJETIVOS TIPO DA DESENHO CONCLUSÕES DA


DO PESQUISA METODOLÓGICO PESQUISA
TRABALHO
LUCENA, Kerle analisar o Quantitativa Trata-se de um a violência
Dayana Tavares Inquérito de base
de; ciclo da populacional, doméstica contra a
DEININGER, violência transversal, mulher vem afetar
Layza de Sousa exploratório, descritivo
Chaves; domestica de abordagem direta e
COELHO, contra a quantitativa. O estudo negativamente a
Hemilio foi desenvolvido no
Fernandes mulher município de João qualidade de vida
Campos; Pessoa-PB no período das mulheres
MONTEIRO, de agosto de 2013 a
vitimizadas em
Alisson Cleiton dezembro de 2015. A
Cunha; população foi composta diversos aspectos,
VIANNA, por 427 mulheres acima pois interfere na
Rodrigo de 18 anos residentes
Pinheiro de saúde física e
Toledo; no município cenário do psicológica da
NASCIMENTO, estudo.
João Agnaldo mulher, na
do. Analise do sociedade e suas
ciclo da
violência relações sociais,
domestica contra trazendo
a mulher. 2016
consequências,
também, para o
sistema de saúde.

AUTORES OBJETIVOS TIPO DA DESENHO CONCLUSÕES DA


DO PESQUISA METODOLÓGICO PESQUISA
TRABALHO
Luciane O movimento da
Identificar as Qualitativa Entrevistas com as
Lemos da violência remete a
Silva ; Elza violências vitimas e agressores, algumas questões
que, se observadas
Berger sutis pois analise com 1 2422 e divulgadas pelos
Salema profissionais que
Coelho; aponta-se fichas cadastrais de
atendem a vítimas
Sandra como um pessoas atendidas pelo em centros
Noemi especializados,
Cucurullo grande CEVIC. podem contribuir
problema a para gerar um
conhecimento
dificuldade da acerca da violência
psicológica que,
violência como já destacado,
doméstica até hoje é pouco
discutida. Com a
publicitação dos
primeiros sinais de
manifestação da
violência
psicológica a
sociedade, de um
modo geral, pode
passar a ter uma
visão diferenciada,
podendo identificá-
la tão logo se
manifeste e refreá-
la evitando, assim,
que se agrave ou
se transforme em
violência física.
AUTORES OBJETIVOS TIPO DA DESENHO CONCLUSÕES DA
DO PESQUISA METODOLÓGICO PESQUISA
TRABALHO
Desvelar a
Liliana Maria manifestação do Qualitativa Trata-se de pesquisa Cuidar neste
Labronici processo de fenomenológica, fun- contexto significa
resiliência nas
mulheres vítimas damentada no ajudar na
de violência
doméstica. referencial de Maurice superação do
Merleau--Ponty, vivido pelas
filósofo existencialista mulheres vítimas
que teve em seu de violência
pensamento o corpo doméstica, que
como um dos seus implica em
temas mais rupturas com o
importantes, outro e com o
compreendido como passado, para que
uma es-trutura que é possam se libertar,
estruturante do mundo superar e adaptar-
vivido ou o mundo da se ao novo. O
vida; o único capaz de novo sentido que
dar sentido e estão tentando
significação. A partir encontrar não
dele toda a experiência apagará o vivido,
e conhecimento do mas poderá servir
mundo são possíveis, e como fator de
isso se dá pela resili-ência para a
percepção. reconstrução de
uma nova
existência.

AUTORES OBJETIVOS DO TIPO DA DESENHO CONCLUSÕES DA


TRABALHO PESQUISA METODOLÓGICO PESQUISA
PEREIRA, D., Identificar as Pesquisa de Pesquisa de campo por Identificadas
possíveis campo por meio meio de entrevista contingências
CAMARGO,V., variáveis que de entrevista semidirigida com três mantenedoras para
& AOYAMA,P. afetam a semidirigida mulheres vítimas de a permanência no
permanência com três violência doméstica. relacionamento
da mulher em mulheres Para análise e abusivo, sendo
vítimas de compreensão desse elas: a esperança
relacionamentos violência contexto, utilizou-se o sobre a mudança
abusivos. doméstica. referencial analítico- de comportamento
comportamental. do parceiro,
dependência
financeira,
emocional,
preocupação com a
criação dos filhos,
falta de rede de
apoio e
passividade.

De acordo com as informações levantadas, os desenhos metodológicos dos artigos são


análises de dados em um período de tempo, sendo assim, uma pesquisa observável. Os artigos
1 e 2 da tabela usaram a metodologia transversal, o terceiro, uma análise com fichas
cadastradas no CEVIC, o quarto uma análise por uma pesquisa fenomenológica fundamentada
pela filósofo Maurice Merleau-Panty.
Depois de analisados, observou-se que os objetivos propostos foram alcançados,
obtendo resultados satisfatórios: o estudo se apresentou grande relevância para o meio
acadêmico e social, pois com os dados obtidos percebeu-se que o número de casos de
relacionamentos abusivos é elevado, demandando atenção dos mais diversos setores.
Portanto se faz necessário um olhar mais sensível ao reconhecimento das diversas
formas de violência, pois, em sua grande maioria, é iniciada de uma forma sutil, sendo
resultado da forma coma a sociedade é construída: patriarcal, com a supervalorização do
homem e naturalização dos abusos por eles cometidos, o que aumenta grandemente os casos
de impunidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS/CONCLUSÕES

A presente revisão sistemática permitiu concluir que os relacionamentos abusivos


estão presentes em todas as partes, inclusive em relacionamentos que se manifestam dentro
do ambiente acadêmico, e que embora exista um esforço para a sua identificação e combate,
em muitos casos a violência ainda não é denunciada.
Embora tenha havido avanços, a sociedade brasileira, que é culturalmente machista,
ainda trata a violência como uma demonstração de afeto, romantizando aquilo que deveria
ser fortemente combatido.
A revisão apresentada também permitiu concluir que os fatores para manutenção de
um relacionamento abusivo podem ser múltiplos (dependência financeira, dependência
emocional, aspectos religiosos, julgamento social, cuidado com os filhos, entre outros), bem
como também são diversas as sequelas por ele deixadas (baixa autoestima, depressão,
ansiedade), o que demanda uma atenção profissional qualificada para o atendimento dessa
demanda.

REFERÊNCIAS

LABRONICI, Liliana Maria. Processo de resiliência nas mulheres vítimas de violência doméstica:
um olhar fenomenológico. Texto contexto - enferm., Florianópolis , v. 21, n. 3, p. 625-632,
Sept. 2012 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
07072012000300018&lng=en&nrm=iso>. access on 01 Dec. 2019.
http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072012000300018.

LUCENA, Kerle Dayana Tavares de et al . Análise do ciclo da violência doméstica contra a


mulher. J. Hum. Growth Dev., São Paulo , v. 26, n. 2, p. 139-146, 2016 . Disponível em
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
12822016000200003&lng=pt&nrm=iso>. acessos
em 01 dez. 2019. http://dx.doi.org/10.7322/jhgd.119238.

PEREIRA, D., CAMARGO, V., & AOYAMA, P. (2018). Análise funcional da permanência das
mulheres nos relacionamentos abusivos: Um estudo prático. Revista Brasileira De Terapia
Comportamental E Cognitiva, 20(2), 10-25. https://doi.org/10.31505/rbtcc.v20i2.1026

RAFAEL, Ricardo de Mattos Russo; MOURA, Anna Tereza Miranda Soares de. Violência contra
a mulher ou mulheres em situação de violência? Uma análise sobre a prevalência do
fenômeno. J. bras. psiquiatr., Rio de Janeiro v. 63, n. 2, p. 149-153, 2014.Disponível em
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0047-
20852014000200149&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 27 nov. 2019.
http://dx.doi.org/10.1590/0047-2085000000019.

SILVA, Luciane Lemos da; COELHO, Elza Berger Salema; CAPONI, Sandra Noemi Cucurullo de.
Violência silenciosa: violência psicológica como condição da violência física doméstica.
Interface (Botucatu), Botucatu , v. 11, n. 21, p. 93-103, Apr. 2007 . Available from
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-
32832007000100009&lng=en&nrm=iso>. access on 24 Nov. 2019.
http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832007000100009.