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Resenha do livro Que tipo de República?

FERNANDES, Florestan. Que tipo de República?


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Faremos aqui uma analise de três artigos que compõem o livro de Florestan
Fernandes Que tipo de Republica? O primeiro a ser trabalhado será o Pacto social à
brasileira onde Florestan tem como objetivo chamar atenção para o rumo da democracia
brasileira. O segundo artigo intitulado de Que paga o “pacto? Onde objetivo é colocar
o real sentido do pacto social diante da situação dos trabalhadores. Já o terceiro e último
é o Quem ganhou? Expõe o fim da ditadura e a conjuntura politica que se forma. O
livro no entanto, compete a uma serie de artigos escritos para a Folha de São Paulo,
onde se buscou elencar o fim da ditadura e a “Nova República “ que se constituía, sendo
assim, seria esta uma nova república pautada nos direitos de todos?

Pacto social à brasileira

Esse artigo publicado em de 14 de maio de 1986 na Folha de São Paulo,


Florestan criticava a manobra política de manter a massa a parte dos movimentos
políticos. Ao começar o texto ele diz que “Em nosso país existe democracia”, com isso
jcomeça a discursar em torno da “Nova República” dos problemas enfrentados e na
falsa democracia que ela representa.
Para Florestan o período posterior a ditadura militar em nada representava um
período democrático, que o jogo de poder disfarçado usava o discurso de melhorias para
os de baixo, mas na verdade buscava-se apenas salvar a economia para a burguesia. Os
trabalhadores por sua vez assistiu a “Nova República” com um certo distanciamento e
continuaram a margem e “reforçando de modo próprio a exclusão social e política a que
sempre foram condenados”. p. 26
É visível a defesa de Florestan Fernandes em relação ao trabalhadores que são
objeto de manobra da grande burguesia.

Poder-se-ia dizer que, ao excusar-se do pacto social oferecido pela Aliança


Democrática, pela “Nova República” e sacramentado por Tancredo Neves os
trabalhadores expulseram-se ao pior, deixando de ser parte de um processo no qual
acabaram se tornando objeto de barganha dos de cima”. p. 27

Portanto, embora se tivessem feito algo pela massa e proletariados o que de dato
se buscava era salvar o capital da ruína. Desta forma vemos que Florestan buscou em
seu artigo chamar atenção para a situação dos trabalhadores que vinham sendo
“explorados” pelo capital financeiro a sua critica ao pacto social.

Quem paga o “pacto”?

No artigo do dia 28 de dezembro de 1986, Florestan Fernandes retorna com o


tema de pacto social, fazendo alusão ao próprio título de seu artigo. Dessa forma, as
criticas ao pacto social se intensificam Fernandes chama novamente atenção, para a
participação do trabalho dor frente ao pacto. Seria dessa forma, o trabalhador, operários
enganados pelo sistema.
Portanto, a ideia do pacto social segundo Florestan representava na verdade
“uma obsessão política dos estratos mais conservadores da burguesia”. Nos parece que
com esse artigo Florestan Fernandes aponta que o pacto social se mostraria como forma
de silenciar os trabalhadores em geral. “O que se pretende conseguir aí é um estado de
quietação dos trabalhadores, em geral, e de rendição passiva dos grupos mais
organizados decididos dos proletariados rurais e urbanos” p.41. Era uma forma de
mantê-los quietos e assim continuarem seus trabalhos.

[...] até um pacto social com benefícios e compensações mirradas e desiguais


impõe à burguesia (e ao seu governo, ditatorial ou “democrático”) a prova de uma
revolução política. Sem uma revolução, vinda de cima para baixo (com o consentimento
e o apoio dos de baixo), não há como chegar-se a um pacto social, por si mesmo uma
revolução dentro da ordem, no melhor estilo burguês. p. 42-43
Dessa forma, qualquer forma de mudança deveria contar com o apoio das
massas, embora o capitalismo por si só já defina as desigualdades caberia, no entanto,
um consentimento das massas para que houve uma revolução dita de fato onde as
mudanças se tornassem não meras ilusões, mas algo real.
Concluindo seu artigo Florestan Fernandes chama atenção para a consciência
desses trabalhadores, quando identificam que esse pacto não passa de uma ilusão. A
conquista da consciência política faz com que busquem através dela seu espaço dentro
da política e na conquista das “condições mínimas” essa revolução politica assusta a
elite.

Que ganhou?

A abertura política que se deu na década de 1980, abriria a possibilidade, depois


de anos sob regime de ditadura militar, de um envolvimento da população na política.
Tal acontecimento seria marcado pelas eleições para prefeito em 1985. Sendo a primeira
eleição depois de anos em que houve participação popular.
O terceiro artigo é o do dia 25 de novembro de 1985, período este onde o clamor
popular pela volta da democracia estava em alta. Florestan nesse artigo buscou enfatizar
as eleições como via de mudança prática pela massa.

As eleições (e os seus resultados) nos puseram cara a cara com os


nossos dilemas mais crus. De um lado, a minoria todo-poderosa , que joga a
sangue frio na roleta russa, fiando-se que, no final das contas, não terá de pagar
por seus equívocos deliberados e por sua má fé transparente. De outro, a
maioria subalterna dividida por muitas barreiras, que foram criadas e não
reproduzidas pelas próprias classes dominantes. A democracia exige assim
uma revolução social. Uma revolução social rebenta de baixo ( ao contrário da
contra revolução) e vai da sociedade para o sistema de poder. p. 54

Ao falar sobre isso Florestan disserta sobre as eleições a prefeitura de São


Paulo onde Fernando Henrique Cardoso perde a prefeitura para Jânio Quadros,
candidato não muito popular entre as elites. Que exigia dessa forma que se fizesse
uma revolução social, criando dessa forma a consciência de seu papel eleitoreiro.
Sendo assim cabe a esses trabalhadores, a classe mais pobre entender que
esses direitos eleitorais consiste nos direitos políticos, e que através desses que se
alcançar uma melhoria em sua situação. Cabendo também os setores de esquerda
apreenderem que as reformas se datam mediante a sua organização insticional.
Portanto, em Que tipo de República Florestan Fernandes vai buscar a definir
as amarras do período posterior a ditadura militar, onde os setores mais pobres,
trabalhadores assalariados são os que mais sofrem com a ausência de democracia,
pois é através dos debates políticos que se dará as conquistas no âmbito das
revoluções democráticas. O papel que a esquerda desempenha ou que deferia
desempenhar e aquele q mais mexe e assusta a classe burguesa da sociedade
brasileira.