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UNIVERSIDADE FEDERAL DO

PIAUÍ
UNIVERSIDADE ABERTA DO
PIAUÍ
Programa de Educação a
Distância

méso

quarks E
= hν
3d
4d
5d

QUÍMICA GERAL I

Prof. Dr. Welter Cantanhêde da Silva


Prof. Ms. Luiz Alves Marinho

1
PRE SIDENTE DA REPÚ BL ICA
Lu iz Inác io Lu la d a S ilva

MI NISTR O DA E DUC AÇÃ O


F er nan do Had dad
REIT OR DA U NIV ERSIDA DE FE DER AL DO PIAUÍ
Lu iz de Sous a San to s Jún io r

SECR ETÁRI O DE EDUC AÇÃ O A DISTÂ NCI A DO MEC


C ar los Eduardo B ielsch owsky
DIRET OR DE PO LITI CAS PU BLI CAS PARA EA D
Hélio Cha ves
C OOR DE NA DO RA GERA L DA U NIV ERSIDA DE A BERTA DO BR ASIL
C elso Cos ta

C OOR DE NA DO R GER AL DO CENTR O DE E DUC AÇÃ O ABE RTA A


DISTÂ NCI A DA UFP I
G ildá sio Gu ed es Fern and es

SU PERITE NDÊCI A DE EDUC AÇÃ O SUPERI OR NO ESTA DO


E lian e M end onç a

DIRET OR DO CE NTRO DE CIENC IAS DA NATUR EZA


Helder Nunes d a Cunh a

C OOR DE NA DO R DO CUR SO DE L ICEN CIAT URA EM QUÍM ICA À


DISTA NCI A
Ros a L ina Go mes do Nas cimento Per eir a da S ilva

CH EFE DO DEPARTAM ENT O DE QU ÍMIC A


Fra nc isc o C ar los Marques da Silva

EQUIP E DE APO IO
L ian a C ardos o
La na G ra siela Marq ues
C leid in alva Oliveir a

Copyright © 2008. Todos os direitos desta edição estão reservados à Universidade Federal
do Piauí (UFPI). Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada,
por qualquer meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, do
autor.

5586q Silva, Welter Cantanhêde; Marinho, Luiz Alves


Química Geral I /Welter Cantanhêde da Silva, Luiz Alves Marinho –
Teresina: UFPI/UAPI
2008

83p.
Inclui bibliografia

1 – Química. 2 – Tabela Periódica. 3 - Ligações Químicas. 4 - Notação


e Nomenclatura. 5 - Reações e Cinética Química. 6 - Soluções e 2
Estequiometria I. Universidade Federal do Piauí/Universidade Aberta
do Piauí. II. Título.

C.D.D: 540
APRESENTAÇÃO

Este texto é destinado aos estudantes


aprendizes que participam do programa de Educação
a Distância da Universidade Aberta do Piauí (UAPI)
vinculada ao consórcio formado pela Universidade
Federal do Piauí (UFPI) Universidade Estadual do Piauí
(UESPI), Centro Federal de Ensino Tecnológico do Piauí
(CEFET-PI), com apoio do Governo do estado do Piauí,
através da Secretaria de Educação.
Parte do texto foi elaborada através de consulta
a sites e literaturas especializadas. O corpo do livro é
composto de seis unidades, contendo itens e subitens,
que abordam sobre os seguintes temas: Estrutura
Atômica, Tabela Periódica, Ligações Químicas, Notação
e Nomenclatura, Reações e Cinética Química, Soluções
e Estequiometria.
Com intuito de despertar no aluno curiosidade e
a independência profissional, algumas unidades serão
também exploradas sob a forma de estudos dirigidos.

Na Unidade 1, discutimos aspectos


relacionados à estrutura atômica, relatando histórico,
modelos atômicos, características e estudo de novas
partículas.

3
Na Unidade 2, apresentamos de que forma os
elementos químicos encontram-se organizados na
tabela periódica, bem como suas propriedades gerais
e reatividades.

As Unidades de 3 a 6 destinam-se aos


aspectos fundamentais relacionados às ligações
químicas, nomenclatura, cinética química, soluções e
estequiometria, respectivamente.
SUMÁRIO
UNIDADE 1. Estrutura Atômica 06
1.1 Modelo Atômico Inicial (Histórico) 08
1.2 Modelo de Dalton (1808) 08
1.3 Modelo de Thomson (1897) 09
1.4 Modelo de Rutherford (1908) 11
1.5 Modelo de Bohr (1913) 13
1.6 Modelo Sommerfeld (1916) 15
1.7 Modelo Atômico Atual: Conceito, 15
Composição e Dimensões
1.8 Radiação Eletromagnética 23
1.9 Espectros Atômicos 28
1.10 Quantização da Energia 35
1.11 O Modelo de Camadas e Subcamadas de 37
Orbitais.
1.12 Exercícios 39
1.13 Referências Bibliográficas 41
UNIDADE 2. Tabela Periódica 42
2.1 Lei da Periodicidade Química 44
2.2 Propriedades Gerais dos Elementos 46
2.2.1 Tamanho dos Átomos 46
2.2.2 Energia de Ionização (EI) 46
2.2.3 Afinidade Eletrônica (AE) 47
2.2.4 Eletronegatividade (E) 47
2.2.5 Caráter Metálico 47
2.2.6 Ciclo de Born-Haber 47
2.3 Exercícios 48
2.4 Referências Bibliográficas 50
UNIDADE 3. Ligações Químicas 51
3.1 Modelos de Ligações 53
3.2 Estrutura e Geometria Molecular 54
3.3 Estudo Dirigido 56
3.4 Referências Bibliográficas 59
UNIDADE 4. Notação e Nomenclatura 60
4.1 Nomenclatura de Compostos 62
4.2 Normas da IUPAC 64
4.3 Estudo Dirigido 66
4.3 Referências Bibliográficas 69
UNIDADE 5. Reações e Cinética Química 70

4
5.1 Estudo das Reações 72
5.2 Estudo Dirigido 73
5.3 Referências Bibliográficas 74
UNIDADE 6. Soluções e Estequiometria 7
5
6.1 Soluções Aquosas e Equilíbrio 7
Estequiométrico 7
6.2 Estudo Dirigido 7
8
6.3 Referências Bibliográficas 8
2

Unidade 1

ESTRUTURA ATÔMICA

RESUMO
Durante algum tempo a composição da matéria era
objetivo de estudos e pesquisas científicas, pois pouco se
conhecia a cerca das partículas que compõem a matéria.
Tentando elucidar dúvidas a respeito da composição da
5
matéria, pesquisadores elaboraram teorias e fizeram
experimentos para comprovar suas hipóteses. O problema
tornou-se um dos mais desafiadores da ciência, pois os
cientistas procuravam entender algo tão pequeno que não
podia ser visto nem ser manipulado individualmente. Hoje,
entretanto, podemos proceder por etapas lógicas, baseada
em experiências e observações que podem ser repetidas e
verificadas em qualquer parte do mundo, e demonstrar que
existem diferentes espécies de átomos, constituídos por
partículas ainda menores e que embora as teorias sejam
constantemente ultrapassadas por teorias mais modernas e
com maior poder explicativo, os modelos de maior
potencial didático têm sua validade histórica e representam
o avanço da ciência.

Para compreender e entender esta unidade,


estudaremos a constituição da matéria e como algumas de
suas propriedades podem ser explicadas.

SUMÁRIO
UNIDADE 1. Estrutura Atômica 06
1.1 Modelo Atômico Inicial (Histórico) 08
1.2 Modelo de Dalton (1808) 08
1.3 Modelo de Thomson (1897) 09
1.4 Modelo de Rutherford (1908) 11
1.5 Modelo de Bohr (1913) 13
1.6 Modelo Sommerfeld (1916) 15
1.7 Modelo Atômico Atual: Conceito, 15
Composição e Dimensões
1.8 Radiação Eletromagnética 23
1.9 Espectros Atômicos 28
1.10 Quantização da Energia 35
1.11 O Modelo de Camadas e Subcamadas de 37
Orbitais.
1.12 Exercícios 39
1.13 Referências Bibliográficas 41

6
UNIDADE 1. ESTRUTURA ATÔMICA

1.1 MODELO ATÔMICO INICIAL (Histórico)

LEUCIPO (450 A.C.): a matéria poderia ser


dividida em partículas cada vez menores, até chegar-
O curso de se a um limite.
Química
Geral I da DEMÓCRITO: discípulo de Leucipo viveu por
Universidad volta de 470 a 380 a.C. e afirmava que a matéria era
e Aberta do
descontínua, isto é, a matéria era formada por
Piauí (UAPI)
minúsculas partículas indivisíveis, as quais foram
é dividido
denominadas de átomo (que em grego significa
em 06
"indivisível"). Demócrito postulou que todos os tipos
Unidades.
de matéria era formada a partir da combinação de
átomos de 4 elementos: água, ar, terra e fogo. O
modelo da matéria descontínua foi rejeitado por um
dos grandes filósofos da época, ARISTÓTELES, o qual
afirmava que a matéria era contínua, isto é, a
matéria vista como um "todo inteiro", contrastando
assim com a idéia de que a matéria era constituída
por minúsculas partículas indivisíveis.

1.2 MODELO DE DALTON (1808)

7
O químico inglês John DALTON, que viveu entre
1766 a 1825, afirmava que o átomo era a partícula
elementar, a menor partícula que constituía a matéria.
Em 1808, Dalton apresentou seu modelo atômico: o
átomo como uma minúscula esfera maciça, indivisível,
impenetrável e indestrutível. Para ele, todos os
átomos de um mesmo elemento químico são iguais,
até mesmo as suas massas. Hoje, nota-se um
equívoco nesta teoria pelo fato da existência dos
isótopos, os quais são átomos de um mesmo elemento
químico que possuem entre si massas diferentes. Seu
modelo atômico também é conhecido como "modelo
atômico da bola de bilhar".

Figura 1. Modelo Atômico de Dalton: "bola de bilhar".


O átomo seria uma esfera (partícula) maciça e
indivisível.

O modelo consta de algumas medidas sobre a


razão das massas dos elementos que se combinava
para formar compostos, sendo capaz de detectar
razões de massas consistentes que o levaram a
desenvolver sua hipótese atômica.

Observações gerais:
- Todos os átomos de um dado elemento são
idênticos.

8
- Os átomos de diferentes elementos têm
massas diferentes.
- Um conjunto é uma combinação específica de
átomos de mais de um elemento.
- Em uma reação química, os átomos não são
criados nem destruídos, mas trocam de parceiros para
produzir novas substâncias.

“Elemento: é uma substância constituída de uma


única espécie de átomo.”

1.3 MODELO DE THOMSON (1897)

Pesquisando os raios catódicos, o físico inglês J.


J. THOMSON demonstrou que os mesmos podiam ser
interpretados como sendo um feixe de partículas
carregadas de energia elétrica negativa, as quais
foram chamadas de elétrons. Utilizando campos
magnéticos e elétricos, Thomson conseguiu
determinar a relação entre a carga e a massa do
elétron. Ele conclui que os elétrons (raios catódicos)
deveriam ser constituintes de todos os tipos de
matéria, pois observou que a relação carga/massa do
elétron era a mesma para qualquer gás que fosse
colocado na Ampola de Crookes (tubo de vidro
rarefeito no qual se faz descargas elétricas em
campos elétricos e magnéticos). Com base em suas
conclusões, Thomson colocou por terra o modelo do
átomo indivisível e apresentou seu modelo, conhecido
também como o "modelo atômico de pudim com
passas":

9
Figura 2. Modelo de Thomson: "pudim com passas".

Observações Experimentais:

- Evidência experimental da estrutura interna dos


átomos (constituídos por partículas subatômicas
menores).
- Mostrou que os feixes de partículas eram
carregados negativamente.
- Feixes provem dos átomos que constituem o
eletrodo negativo (cátodo).
- Evidenciando que as partículas eram as mesmas,
independentemente dos metais utilizados,
constituindo parte dos átomos (elétrons, símbolo
e-).
- Capaz de medir o valor de e/m.
1.4 MODELO DE RUTHERFORD (1908)

Para O modelo atômico de RUTHERFORD é baseado


entender nos resultados da experiência que Rutherford e seus
melhor a
colaboradores realizaram: bombardeamento de uma
experiência
lâmina muito fina (delgada) de ouro (Au) com
de
partículas alfa (que eram carregadas positivamente).
Rutherford,
clique na
figura 3.

10
Figura 3. Experiência científica de Rutherford. Fonte:
http://enciclopediavirtual.vilabol.uol.com.br/quimica/at
omistica/explicacaoexperiencia.htm

Rutherford e seus colaboradores verificaram


que, para aproximadamente 10.000 partículas alfa que
incidiam na lâmina de ouro, apenas uma (1) era
desviada ou refletida. Com isso, concluíram que o raio
do átomo era 10.000 vezes maior que o raio do
núcleo. Comparando, se o núcleo de um átomo tivesse
o tamanho de uma bola de futebol, o átomo teria o
tamanho de estádio de futebol. Surgiu então em 1911,
o modelo do átomo nucleado, conhecido como o
modelo planetário do átomo. Neste modelo o
átomo era constituído por um núcleo central positivo,
muito pequeno em relação ao tamanho total do átomo
porém com grande massa e ao seu redor, onde
localizam-se os elétrons com carga negativa
(compondo a "enorme" eletrosfera) e com pequena
massa, que neutraliza o átomo.

11
Elétro
n
Núcle
o

Eletrosfe
ra

Figura 4. Modelo atômico de Rutherford: modelo


planetário do átomo. O átomo é formado por um
núcleo muito pequeno em relação ao átomo, com
carga positiva, no qual se concentra praticamente
toda a massa do átomo. O balanço de carga ou
neutralidade do átomo é devido à interação entre
núcleo do átomo e a eletrosfera.

Observações Experimentais:

- Se atirassem partículas α contra um pedaço de folha


Por que o de ouro de poucos átomos de espessura, com os
elétron não
átomos sendo esferas carregadas positivamente,
cai no
então as partículas α deveriam passar facilmente
núcleo?
através da folha, com alguma ligeira deflexão
ocasional nos caminhos.
- Embora as partículas α tivessem passado e defletido
somente um pouco, cerca de 1 em 20.000 foi defletida

12
mais de 90o poucas retornaram na direção em que
tinham vindo.
- Neste modelo, dentro do átomo há uma densa carga
positiva central circundada por um grande volume de
espaço vazio. A região carregada positivamente ficou
conhecida como núcleo atômico.

“Representava o átomo como um sistema solar em


miniatura onde os elétrons se moviam como planetas ao
redor do núcleo.”
1.5 MODELO DE BOHR (1913)

Segundo o modelo de Bohr, o modelo de


Rutherford havia dois equívocos. A saber:

1) Uma carga negativa, colocada em movimento ao


redor de uma carga positiva estacionária, adquire
movimento espiralado em direção à carga positiva
acabando por colidir com ela;

2) Uma carga negativa em movimento irradia


(perde) energia constantemente, emitindo
radiação. Porém, sabe-se que o átomo em seu
estado normal não emite radiação.

Órbita permitida

+
Órbita proibida

O físico dinamarquês Niels BOHR conseguiu


"solucionar" os equívocos cometidos por Rutherford
baseando-se na seguinte idéia:· um elétron num
13
átomo adquire apenas certas energias, e cada energia
é representada por uma órbita definida, particular. Se
o elétron recebe energia ele salta para uma outra
órbita mais afastada do núcleo. Pode ocorrer no
elétron a perda de energia por irradiação, e sendo
assim, o elétron cai para uma órbita mais próxima do
núcleo. Todavia o elétron não pode ficar entre duas
órbitas definidas, específicas, pois essa não seria uma
órbita estável (órbita não específica). Conclui-se então
que: quanto maior a energia do elétron, mais
afastado ele está do núcleo. Em outras palavras:
um elétron só pode estar em movimento ao redor do
núcleo se estiver em órbitas específicas, definidas,
e se encontrar em movimento ao redor do núcleo em
quaisquer órbitas.

As órbitas permitidas constituem os níveis de


energia do átomo (camadas K L M N ... ).Um elétron
num átomo só pode ter certas energias específicas, e
cada uma destas energias corresponde a uma órbita
particular. Quanto maior a energia do elétron, mais
afastada do núcleo, se localiza a sua órbita. Se o
elétron receber energia ele pula para uma órbita mais
afastada do núcleo. Por irradiação de energia, o
elétron pode cair numa órbita mais próxima do núcleo.
No entanto, o elétron não pode cair abaixo de sua
órbita normal estável.

Observações Experimentais:

- Os elétrons podem ocupar apenas certas órbitas


especiais ao redor do núcleo, chamadas órbitas
estacionárias;

14
Modelo de
Schrodinger
:
abandonou
- O equilíbrio dinâmico do átomo nos estados
a idéia de
estacionários (isto é, quando os elétrons ocupam
órbitas
órbitas estacionárias) é governado pelas leis clássicas
precisas e
de Newton.
substituiu
por - Insere os primeiros conceitos de números quânticos

descrição
“Quantificava as órbitas para explicara estabilidade do
das regiões
do espaço átomo.”

Tabela 1. Propriedades das Partículas Subatômicas.

Partícula Símbolo Carga Massa, kg


Elétron E0- -1 9,109 x10-31
Próton P +1 1,673 x 10-27
Nêutron N 0 1,675 x 10-27

1.6 MODELO SOMMERFELD (1916)

Após o modelo de Bohr postular a existência de


órbitas circulares específicas, definidas, em 1916
Sommerfeld postulou a existência de órbitas não só
circulares, mas elípticas também. Para Sommerfeld,
num nível de energia n, havia uma órbita circular e (n-
1) órbitas elípticas de diferentes excentricidades. Por
exemplo, no nivel de energia n = 4 (camada N), havia
uma órbita circular e três órbitas elípticas. Cada uma
das órbitas elípticas constitui um subnível, cada um
com sua energia.

1.7 MODELO ATÔMICO ATUAL: CONCEITO,


COMPOSIÇÃO E DIMENSÕES

Ao longo dos anos, o átomo foi conceituado


como sendo a menor partícula de um elemento.

15
Entretanto esta definição hoje não é verdadeira, pois
sabe-se que o átomo é na verdade constituído por
outras componentes ainda menores como: elétrons,
prótons, nêutrons, quarks, e ainda há outras
subpartículas que ainda estão sendo investigadas.
Para se ter idéia do tamanho do átomo é só
observarmos a seguinte relação: na extensão de 1
milímetro estão enfileirados algo em torno de
10.000.000 átomos, um unido ao outro. Apesar de tão
pequeno, o átomo, como já mencionado, é constituído
por partículas ainda menores, dispostas de forma
similar ao sistema planetário em miniatura, isto é: os
prótons e nêutrons estão muito próximos uns dos
outros, numa região central muito pequena do átomo
(imagine o Sol) chamada núcleo, enquanto os elétrons
giram ao seu redor (imagine os planetas do sistema
solar) a distâncias variáveis e relativamente grandes.

Os quarks, por sua vez, são as partículas que


compõem a estrutura interna dos prótons e nêutrons.
A existência de partículas que compõem os elétrons,
ainda é motivo de controvérsia, mas já existem
algumas hipóteses a esse respeito.

O átomo é dinâmico, pois apresenta uma


movimentação contínua, uma vez que todos seus
constituintes estão se movimentando e se
convertendo em novas partículas (núcleo): os elétrons
estão sempre girando em torno do núcleo, enquanto
que os prótons e nêutrons vibram dentro do núcleo e
os quarks vibram dentro dos prótons e dos nêutrons.

16
Tudo que não pode mais ser divisível é
considerado constituinte universal da matéria. Com
base nos entendimentos da física de partículas, os
quarks e os elétrons passam a ser os constituintes
fundamentais da matéria. Entretanto, é importante
ressaltar que os quarks não vivem isolados e só
existem quando confinadas no interior de prótons e
nêutrons, enquanto os elétrons são partículas
solitárias vagando ao redor do núcleo.

É usual utilizar a denominação núcleons para


prótons e nêutrons. Ou seja, o número de massa é
também conhecido como número de núcleons. Com
base nas descobertas científicas realizadas pelos
cientistas, na Figura 5 encontra-se uma ilustração
qualitativa do que se imagina que seja o núcleo
atômico. Observe que nesta, os tamanhos das
partículas são qualitativos.

ÁTOMO NÚCLEO NÚCLEON


QUARK

GLÚON

Figura 5. Ilustração qualitativa das partículas


subatômicas que constituem o átomo.

Para se der uma idéia da distância que separa os


elétrons do núcleo vamos supor um átomo com
extensão de aproximadamente 1 km. Nestas
condições o tamanho do núcleo seria na ordem de 10

17
cm, com os elétrons girando ao seu redor há
distâncias de ~ 500 metros (Fig. 6).

As constatações a respeito do tamanho, bem


como de seus componentes, levaram à idéia de que o
átomo é praticamente um grande espaço vazio, ou
seja, nossos corpos, os vegetais, os objetos e toda a
matéria presente na natureza são, na maior parte,
constituída de espaços vazios.

Se você ainda tem dificuldade em aceitar este


fato pense como seria se passássemos as dimensões
do átomo para uma escala na qual pudéssemos
visualizá-lo. Para exemplificar vamos assumir que o
elétron é da ordem de ~0,0001 m; nessa caso,
teríamos a seguinte situação:

~ 0,0001 m

~ 500 núcleo
~ 1
m
km

~
0,01m

Figura 6. Ilustração fictícia das dimensões das


partículas que compõem o átomo, onde a estrutura
atômica com o diâmetro de ~ 1 quilômetro
(dimensões "reais" associadas ao tamanho do
átomo).

18
Quais são as dimensões dos núcleons?

Na figura 7 encontra-se uma representação de


dois tipos de bárions (nêutrons e prótons) formados
pela associação de 03 quarks.

Quarks
(~ 10 -18 m)
Sabe-se
que o quark
é uma das
Nêutrons Prótons
partículas
(~ 10 -15 (~ 10 -15
fundamenta m) m)
isda
matéria. Diâmetro nuclear: ~ 10
-14
m

Figura 7. Tamanhos dos núcleons e dos quarks.

Qual o conhecimento que se tem sobre os


quarks?

19
Os quarks são partículas elementares que se
combinam para formar os prótons e os nêutrons nos
núcleos atômicos. Já foram identificados seis tipos de
quarks: up (u), down (d), charmoso (c), estranho (s),
top (t) e o bottom (b), sendo os quarks up e down os
mais estáveis. O próton é constituído por dois quarks
up e um down, enquanto que o nêutron é formado por
um quark up e dois quarks down.

Os quarks apresentam três características


interessantes:

- Possuem carga fracionária;

- Só existem em grupos;

- Nunca foram observados fora do núcleo.

As partículas que mantém os quarks unidos no


interior de prótons e nêutrons no núcleo são
denominadas glúons (Figura 7). Os quarks e os glúons
são tão unidos que ainda não foi possível separá-los.
Porém os pesquisadores acreditam que num futuro
próximo com a realização de experimentos utilizando
potentes aceleradores de partículas, que permitam
colisões entre núcleos pesados, seja possível lançar
núcleos uns contra os outros para então separa os
glúons dos quarks, formando um tipo de estado da
matéria denominada plasma de glúons e quarks.

Partículas formadas por quarks, como é o caso


dos prótons e nêutrons, são chamadas de hádrons.

20
Quais são os outros tipos de Hádrons?

Existem dois tipos de hádrons: os compostos por


três quarks denominados bárions (representados por
qqq) e os compostos por um quark (q) e um antiquark,
(-q), chamados de mésons. Só para ter idéia do
universo complexo que é a estrutura interna do
núcleo, já foram identificados mais de 140 tipos de
mésons.

Os físicos descobriram que para cada tipo de


partícula que compõe a matéria, existe uma
O que é um
antiquark? antipartícula correspondente. Portanto, a matéria é
constituída de partículas e a antimatéria de
antipartículas. Isto significa que o mundo é constituído
de matéria e antimatéria.

Uma partícula e sua respectiva antipartícula


possuem a mesma massa e mesmo comportamento;
porém possuem cargas opostas. Além disso, quando
se encontram se anulam, convertendo-se em energia,
e ainda podem formar novas partículas. Entretanto,
apesar dos cientistas já terem conseguido identificá-
las, pouco se sabe a respeito de suas propriedades e
uma das questões mais intrigantes no momento, e que
ainda não possui explicação, é qual a razão da
existência de mais matéria do que antimatéria no
Universo?

21
Quais devem ser as propriedades das partículas
da matéria para serem classificadas como
léptons?

Enquanto os núcleons (prótons e nêutrons) são


classificados como hádrons, pois são constituídos por
grupos de 03 quarks, os elétrons, que são solitários,
pertencem à categoria de Léptons.

Além do elétron, existem mais cinco léptons: o


múon e o tau, que como elétron possui carga, e três
tipos de neutrinos, com massa muito pequena e sem
carga. Acredita-se que os léptons não possuam
Por que estrutura interna. Podemos imaginar que se houvesse
existem um consultor sentimental de partículas para o átomo
tantas os léptons poderiam ser encaminhados, pois viver
partículas solitários e com um grande vazio interior. deve ser
no núcleo?
difícil.

Sobre os neutrinos, o que já se sabe é que são


em grande número no Universo e proveniente de
reações nucleares. Para se ter idéia, estima-se que
para cada próton existam bilhões de neutrinos. Os
pesquisadores sugerem que os neutrinos sejam
provenientes de reações nucleares que ocorrem nas
estrelas, e que eles podem atravessar não só a Terra,
mas o Universo inteiro sem que sua trajetória seja
interrompida.

Outra descoberta importante com relação aos


léptons é que, ao contrário do elétron que é um dos
constituintes fundamentais, tanto o múon, como o tau,
não é encontrado em toda matéria, pois, por serem
instáveis (radioativos), decaem rapidamente formando
outras partículas. Mas os físicos ainda não conhecem
22
todos os modos de decaimentos desses léptons
instáveis. O que se pode afirmar é que para cada
lépton há um antilépton.

Os núcleos pesados radioativos, que apresentam


uma fraca energia de ligação nuclear, decaem em
núcleos intermediários com uma energia de ligação
nuclear maior. Estes últimos ainda podem decair
transformando-se em muitos outros núcleos e
partículas.

Qual é o peso de um átomo?

É errado o conceito de que a constituição da


massa atômica seja igual à soma de seus
constituintes, isto é:

massa do átomo = massa do núcleo + massa dos


elétrons

Na realidade, a massa do átomo é menor que a


soma da massa dos seus constituintes, pois quando
prótons e nêutrons se unem para formar um núcleo
atômico eles transformam parte de sua massa em
energia e, desta forma, a massa do átomo é dada por:

Massa atômica: somas da massa nuclear e


massa do elétron, menos a energia liberada
na formação do núcleo.

Num núcleo estável as forças de atração devem


ser maiores que as forças de repulsão. Num núcleo
instável, as forças repulsivas superam as forças de
atração. Como pode ser explicada a estabilidade de

23
O que se
entende
por um núcleo atômico, se só existe partículas positivas e
estabilidad neutras?
e nuclear?

A estabilidade do nuclear pode ser justificada por


duas formas, através da relação entre nêutrons e prótons
(curva de estabilidade nuclear) e pela descoberta da
partícula subatômica méson pi: desenvolvido por César
Lattes.

Tarefa. Faça uma pesquisa sobre o físico brasileiro:

César Lattes

Observações Importantes:

- O méson pi é uma partícula subatômica que se


forma a partir de reações nucleares quando duas
partículas de grande energia colidem. É uma partícula
de vida efêmera (surge e é destruída logo em
seguida), mas ainda assim é fundamental para
entender a natureza das partículas elementares.
- O méson pi é uma partícula fundamental. Até
sua descoberta, a estrutura do átomo era conhecida
apenas por meio de suas três partículas elementares:
próton, nêutrons e elétrons.

1.8 RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA

24
A radiação eletromagnética pode ser
conceituada como sendo a energia transportada por
um campo eletromagnético, que se propaga em forma
de ondas eletromagnéticas. O conceito surgiu a partir
das experiências do físico inglês James Clerk Maxwell
(1831-1879), que descreveu a teoria matemática para
todas as formas de radiação em termos de campos
elétricos e magnéticos oscilantes, ou ondulatórios no
espaço.

Desta forma, os campos elétricos e magnéticos,


ao se propagarem no espaço, geram-se mutuamente e
transportam energia sob a forma de radiação
eletromagnética. A luz visível, as microondas, os sinais
de televisão e de rádio, os raios x são denominados
radiação eletromagnética. A única diferença entre a
luz visível e os raios x é que a luz visível tem uma
faixa de freqüências específica que os nossos olhos
conseguem perceber, através de células
especializadas localizadas na retina, o que nos
possibilita vê-la.

a unidade Os raios x têm uma faixa de freqüências muito


de
maior, que fica fora do nosso limite de visão. O calor,
freqüência
as ondas de rádio e as microondas (aquelas mesmas
é dada em
que você usa para aquecer os alimentos) também são
hertz.
radiações eletromagnéticas.

25
Espectro Visível

| |||||||||||||| |||||||||||| |||||||||||||


400 500 600
700
Comprimento de onda (λ),

Energia

Figura 8. Espectro eletromagnético ilustrando as


diferentes energias de radiações e tamanhos. Em
detalhe: espectro na região do visível. Figura no topo,
fonte: http://
educar.sc.usp.br/licenciatura/2003/rx/index.html.

O comprimento de onda (λ) de uma onda é


definido como a distância entre as duas cristas ou
máximos sucessivos (ou entre dois mínimos
sucessivos). As ondas também são caracterizadas por

26
sua freqüência (v, do grego), ou seja, conta-se o
número de ondas completas que passam pelo ponto
numa unidade de tempo. Em geral, a freqüência é
definida pelo número de ciclos que passam pelo ponto
em cada segundo, sendo a unidade s-1. A altura
máxima de uma onda, medida a partir do seu eixo de
propagação, é chamada de amplitude. Os pontos onde
as amplitudes são nulas são denominados de nodos.
Outro fator importante é a velocidade de propagação
da onda, que pode ser resumida na seguinte equação:

-1
Comprimento x freqüência (s ) =
velocidade (m s-1)
de onda (m)

A equação acima também se aplica para o


seguinte caso:

λ . ν = c = 2,99792458 x 108 m s-1

Como já citado, o espectro da radiação


eletromagnética engloba a luz visível, os raios gama,
as ondas de rádio, as microondas, os raios x,
ultravioleta, infravermelho. Esses nomes indicam
áreas do espectro divididas para fins didáticos, pois
sabe-se que o espectro é contínuo e não há diferenças
abruptas entre as formas de radiação, sendo todas
ocasionadas pelo mesmo fenômeno físico. Por
exemplo, as radiações se irradiam pelo espaço com a
mesma velocidade, conhecida como “velocidade da
luz”, de cerca de 300 mil km s-1. As diferenças estão
no comprimento das ondas e na freqüência da
radiação, que fazem com que tenham diferentes
27
características, como o poder de penetração dos raios
X ou o aquecimento do infravermelho. Uma fonte de
radiação, como o sol, pode emitir luz dentro de um
espectro variado. Por exemplo, decompondo-se a luz
solar com um prisma (figura 9) é possível ver um
espectro de cores, como as do arco-íris. Outras não
são visíveis ao olho humano, porém facilmente
detectáveis por instrumentos ópticos.

Figura 9. Decomposição da luz solar no prisma.


Fonte:
http://www.radiacao.com.br/radiacao_eletromagnetica.
html

A radiação pode ser caracterizada como baixa


energia ou alta energia. Se tiver alta energia pode, ao
penetrar o nosso organismo, remover elétrons que
estão nas últimas camadas dos átomos (que
constituem nosso corpo). Estes elétrons são os
responsáveis pelas ligações químicas. Quando estes
elétrons são arrancados, o átomo se transforma num
íon, ou seja, numa espécie com carga capaz de reagir
com outros átomos ou moléculas. Este tipo de
radiação chama-se de radiação ionizante.

28
Se, por exemplo, a radiação ionizante atingisse
as moléculas de DNA de nossas células e conforme o
grau de exposição à radiação (pouco tempo de
exposição, tempo médio e tempo em excesso, com
alta ou baixa intensidade), algumas coisas poderiam
acontecer:

1) A célula poderia morrer (isto aconteceria com


grande intensidade de radiação e considerável tempo
de exposição, princípio básico da radioterapia);

2) A célula poderia continuar viva, mas perderia sua


capacidade funcional, sendo, após algum tempo,
organicamente eliminada;

3) A radiação danificaria a célula, mas esta seria


reparada posteriormente,

4) Em último caso, o núcleo da célula seria lesado,


sem que a célula morresse e nem perdesse sua
capacidade de se reproduzir. Desta forma, a célula se
reproduziria na sua forma modificada (mutação
genética), podendo-se diagnosticar, anos mais tarde,
células malignas na região onde se incidiu a radiação
ou em até outra parte do corpo humano.

Unidades de Energia

A unidade padrão do Sistema Internacional (SI)


para energia é o joule, mas, por ser uma unidade
macroscópica, não é adequada para uso em
fenômenos atômicos. No domínio atômico é utilizado o
elétron-volt (eV), definido como a energia que um
elétron adquire ao atravessar uma diferença de

29
potencial de 1 volt. Numericamente: 1 eV = 1,6 x 10
-19
J.

Fontes de Radiação

Pesquise As radiações podem ser emitidas por elementos

sobre o químicos com núcleos atômicos instáveis ou por


princípio equipamentos construídos pelo homem. Elementos
físico de químicos radioativos podem ser encontrados na
funcioname natureza (como o urânio natural ou o tório das areias
nto dos monazíticas) ou produzidos pelo homem através de
aceleradore
reações nucleares artificiais em aceleradores de
s de
partículas ou reatores nucleares.
partículas.

Os aceleradores de partículas são fontes de


radiação que utilizam elementos químicos com uma
energia superior, adquiridas através da aplicação de
altas voltagens, suficiente para superar a barreira
energética oriunda da repulsão eletrostática.

Quando desligados, aceleradores e tubos de


raios-X não emitem radiação.

1.9 ESPECTROS ATÔMICOS

O conceito moderno da estrutura atômica foi


O efeito
desenvolvido com base nas propriedades da luz
fotoelétrico
emitida pelos átomos depois de absorverem energia
ocorre
quando a extra.

luz atinge a
Um elemento gasoso sob baixa pressão está
superfície
sujeito a um campo elétrico intenso (alta voltagem),
de um
metal e os onde os átomos podem absorver energia e
elétrons
30
são
ejetados da
permanecerem excitados. Estes átomos neste estado
eletrônico emitem luz de características diferentes a
emitida pelos objetos aquecidos.

Os átomos excitados em fase gasosa emitem


somente certos comprimentos de onda da luz,
diferentemente de um espectro contínuo de
comprimentos de ondas. Esta última constatação é
fácil de ser visualizada quando analisa-se a passagem
da luz através de um prisma. Neste caso, somente
poucas linhas são observadas, sendo denominado de
espectro de emissão de raias (ou de linhas).

Bohr com intuito de resolver a contradição


estabelecida entre as leis clássica da física e a
estabilidade dos átomos, sugeriu que o elétron do
átomo de hidrogênio só deveria ocupar certas órbitas
ou níveis de energias nos quais seria estável, assim a
energia seria quantizada.

Dentro da abordagem de Bohr a energia


possuída pelo elétron na n-ésima órbita (En) do átomo
de H é dada pela seguinte equação:

En = - Rhc / n2

Onde, R = constante de proporcionalidade (Rydberg),


h = constante de Planck, c = velocidade da luz e n =
número inteiro adimensional. Este último é
denominado como número quântico principal do
elétron.

As séries espectrais mais importantes são as


seguintes:

31
• Lyman: 1/l = R[(1/12)-(1/n2)], n = 2,3,4,...

• Balmer: 1/l = R[(1/22)-(1/n2)], n=

3,4,5,...

• Paschen: 1/l = R[(1/32)-(1/n2)], n =

4,5,6,...

• Brackett: 1/l = R[(1/42)-(1/n2)], n =

5,6,7,...

• Pfund: 1/l = R[(1/52)-(1/n2)], n=

6,7,8,...

Dessas séries, a única que se encontra na parte


visível do espectro do hidrogênio é a de Balmer. As
séries de Paschen, Brackett e Pfund, encontram-se no
infravermelho, enquanto a série de Lyman representa
a região ultravioleta do espectro do hidrogênio que
provém dos elétrons que passam de estados com n
maior do que 1 para o estado com n = 1. A série de
Balmer provém de elétrons que passam de estados
com n = 3 ou mais para o estado com n = 2.

Bohr propôs que somente certas órbitas


discretas seriam permitidas e que em tais órbitas o
elétron não emitiria radiação. Essas órbitas são
definidas por:

, com n =1, 2,… (i)

32
Onde m é a massa do elétron; r o raio do movimento
circular com velocidade v, em torno do núcleo. A
expressão para o raio da órbita é obtida igualando-se
a força centrípeta com a força coulombiana:

(ii)

Combinando (i) e (ii) teremos ,


a qual determina que apenas algumas órbitas (em
função de n2) serão possíveis.

É interessante notar que a energia total de um


elétron numa órbita n será dada pela combinação da
energia cinética com a energia potencial representada
pela equação abaixo:

Einstein, as
partículas
de luz sem .
massa
eram
Fóto
denominad
n
as de
pacotes de
energia.
Hoje + +
chamamos
de fótons. a
)
33
Fóto
n

+ +

b
)
Figura 10. Saltos quânticos dos elétrons em: a)
Quando absorve energia e b) Quando emite energia.

De acordo a teoria de Bohr (observe figura 10),


pode-se inferir que a energia pode ser absorvida ou
emitida, quando o elétron passa de um nível para
outro. Esta abordagem permitiu que Bohr explicasse
os espectros dos gases excitados, de acordo com a
equação:

∆E = Eestado final – Eestado inicial

Substituindo os valores de n na equação E = (-


Rhc / n2), pode-se encontrar o valor de ∆E para
determinada transição. Geralmente um valor de ∆E
positivo (processo endotérmico) sugere um
movimento eletrônico de um estado de baixo n para
um estado de alto n, ao contrário um valor de ∆E
negativo indica um processo exotérmico relacionado
ao movimento de um estado de alto n para um estado
deEbaixo n.
final

Absorçã Emissão
o
Einicial 34
Figura 11. Energias de absorção e emissão para os
estados de energia final e inicial.

Pode-se inferir que no modelo de átomo de Bohr,


temos as diferentes linhas espectrais, em função dos
diferentes níveis a partir do qual se dá a transição:

n = 1, série de Lyman (linhas do ultravioleta);

n = 2, série de Balmer (linhas do espectro

visível);

n = 3, série de Paschen (linhas do

infravermelho).

Tanto os átomos como os íons podem ser


ionizados ou excitados por processos de colisão em
que a partícula livre colide com um elétron e transfere
parte de sua energia cinética; ou por radiação, quando
ocorre a absorção de um fóton com energia
correspondente à diferença de energia entre 2 níveis.
É justamente tal processo que produz as linhas de
absorção. Os processos de colisão e de radiação
também podem não excitar ou recombinar os átomos
ou os íons.

Na figura 12 encontra-se diagramas de níveis


atômicos de energia, séries espectrais e processos de
emissão e absorção.

35
Figura 12. Diagrama de níveis atômicos de energia.
Fonte:
http://www.astro.iag.usp.br/~jane/aga215/aula05/cap5
b.htm#linhas.

Um experimento típico para o registro do


espectro atômico de emissão está esquematizado na
Fig. 13. A fonte de radiação eletromagnética consiste
de uma ampola com um gás monoatômico rarefeito
através do qual se produz uma descarga elétrica. Os
átomos do gás que participam da descarga absorvem
energia em colisões mútuas e com os elétrons que
constituem a corrente elétrica e passam a um estado

36
excitado. Esses átomos quando retornam ao seu
estado original emitem radiação eletromagnética. Esta
radiação é colimada por uma fenda, atravessa um
prisma onde as radiações monocromáticas são
separadas para serem registradas numa chapa
fotográfica. O registro fotográfico consiste de um
conjunto discreto de raias, cada qual correspondendo
à imagem da fenda colimadora para uma particular
radiação monocromática.
O conjunto de raias ou o conjunto das radiações
eletromagnéticas monocromáticas emitidas e suas
correspondentes intensidades são características do
tipo de átomo que constitui o gás rarefeito através do
qual se dá a descarga elétrica e é o que se chama de
espectro de emissão desse tipo de átomo. Se o arranjo
experimental representado na Fig.13 for modificado
colocando-se como fonte de radiação eletromagnética
uma fonte de espectro contínuo, como um sólido
incandescente, e, entre essa fonte e o prisma, uma
ampola com o gás monoatômico a ser estudado, a
chapa fotográfica registra um conjunto discreto de
raias escuras. Esse conjunto de raias escuras ou o
conjunto das radiações monocromáticas que estão
faltando no espectro contínuo original porque foram
absorvidas pelo gás monoatômico é o que se chama
de espectro de absorção do tipo de átomo que
constitui tal gás.

37
Figura 13. Experimentos para observação de espectro
atômico

1.10 QUANTIZAÇÃO DA ENERGIA

A teoria quântica surgiu para se tentar explicar


novos fenômenos que os físicos estavam estudando
no final do século XIX. A "hipótese quântica" foi criada
por Planck, em 1900, para justificar a radiação de um
corpo negro. Podemos pensar em um corpo negro
como uma cavidade completamente fechada, a não
ser por um pequeno orifício por onde a luz entra. Num
modelo "ideal" de um corpo negro, a luz que penetra
nele é completamente absorvida nas sucessivas
reflexões em suas paredes internas. O problema do
corpo negro consiste em se estudar a radiação emitida
por ele em função do seu comprimento de onda ( ).
A teoria clássica (Lei de Rayleigh-Jeans) previa uma
densidade de energia emitida em função do
comprimento de onda.
É fácil perceber que em altas freqüências λ é
pequeno e a densidade de energia alcança um limite
para infinito. Esse fenômeno ficou conhecido como
"Catástrofe do Ultravioleta". A equação de Rayleigh-
Jeans era bem aceita para comprimentos de ondas
grandes, porém para pequenos valores de λ, a leia
falhava. O passo revolucionário foi sugerido por
Planck, que idealizou o modelo em que a energia não
era emitida de forma contínua, mas sim em pequenos
38
pacotes, de energia bem definida. Planck considerou
que os átomos vibrando em um objeto aquecido
emitiam radiação eletromagnética, porém
considerando que as vibrações eram quantizadas, isto
é, somente existiam com determinadas energias.
Segundo a equação: E = h ν, onde E indica a energia
de radiação, h a constante de Planck (h = 6,6260755
x10-34 J s) e ν = freqüência da radiação. Desta forma a
energia era quantizada, e não contínua.

Comprimento de onda (m) x freqüência (s-1) =


velocidade (m.s-1)

Energia aumenta quando a frequência


aumenta

E = h ν = h. c /

Energia aumenta quando o comprimento de onda


diminui

λ ν = c = 2,99792458 m.s-1
E=hν=hc/λ

Dica:

Entenda mais o efeito fotoelétrico através do


seguinte link: Einstein.

1.11 O MODELO DE CAMADAS E SUBCAMADAS


DE ORBITAIS.

39
O número de elétrons em cada uma das
camadas externas em um átomo é consistente com o
grupo em que o elemento é encontrado. Assim, Li, Na
e K têm um elétron na sua camada externa e cada um
destes elementos está inserido no grupo 1. Já os
elementos Be, Mg e Ca possuem dois elétrons na
camada externa e estão inseridos no grupo 2. A
distribuição dos elétrons de valência, que participam
das ligações, no átomo é refletida na distribuição dos
elementos na tabela periódica.
A tabela periódica é dividida em quatro blocos.
Os elementos do bloco s são denominados elementos
do grupo principal, os elementos do grupo d (exceção
do grupo 12, zinco, cádmio e mercúrio) são citados
como elementos de transição e os elementos do bloco
f como lantanídeos (números atômicos de 57 a 71,
mais leves) e actinídeos (números atômicos de 89 a
103).
No entendimento das propriedades dos
elementos é necessário conhecer as configurações
eletrônicas dos átomos e também o conceito de
subcamamadas dentro das camadas de elétrons. Este
conhecimento veio a partir de dados de
espectroscopia fotoeletrônica. Ou seja, para os
elementos a seguir, tem as seguintes configurações
eletrônicas (seguindo ao diagrama de Pauling):

H (Z = 1) 1s1

He (Z = 2) 1s2

Li (Z = 2) 1s22s1

Be (Z = 4) 1s22s2

B (Z = 5) 1s22s22p1

40
Neste sentido, houve a necessidade de
implementar mais números quânticos que fossem
capazes de mostrar a identidade de um átomo.

- Número quântico principal (n) - O número quântico


principal, representado por n, indica a camada em o
elétron se encontra, e só pode assumir valores inteiros
e positivos.

- Número quântico secundário ou azimutal (I) - O


número quântico azimutal, representado por l,
especifica a subcamada e, assim, a forma do orbital.
Pode assumir os valores 0, 1, 2 e 3, correspondentes
às subcamadas s , p , d , f

- Número quântico magnético (ml) - O número


quântico magnético, representado por ml, fornece
informações sobre a orientação de um orbital no
espaço. Pode assumir valores inteiros de + l a - l. Por
exemplo, para uma subcamada d (l = 2), ml pode ser
igual a -2, -1, 0, +1 ou +2, cinco valores que
correspondem aos cinco orbitais da subcamada d.

- Número quântico spin (ms) - o número quântico spin,


representado por mS , especifica o spin do elétron e
possui valor + 1/2 ou - 1/2.

As atribuições e configurações eletrônicas são


governadas pelo Princípio de Exclusão de Pauling
e a Regra de Hund.

No Princípio de Exclusão de Pauling, num mesmo


átomo não pode existir dois elétrons com os seus

41
quatro números quânticos iguais. A Regra de Hund diz
que cada orbital do subnível que está sendo
preenchido recebe inicialmente apenas um elétron.
Somente depois do último orbital desse subnível
receber o seu primeiro elétron começa o
preenchimento de cada orbital com o seu segundo
elétron, que terá spin contrário ao primeiro.

Dica:

Ao longo do texto há hiperlinks das páginas da


web que foram utilizadas na pesquisa deste livro e
podem servir de apôio para estudo dos assuntos de
interesse.

1.12 EXERCÍCIOS

1. Qual o significado da palavra átomo? Por que ela


perdeu o sentido original?

2. Defina: a) Quarks; b) Núcleons; c) Glúons; d)


Mésons;

3. Ilustre um esquema simplificado das partículas


que podem ser encontrada na matéria.
4. O que é defeito de massa?
5. Explique a equação que é diretamente
relacionada com a energia de ligação nuclear.
6. Explique a estabilidade do núcleo atômico em
virtude da existência de prótons (cargas positivas).
7. Mostre a contribuição do modelo de Bohr para
construção do modelo atômico atual. Por que o elétron
não cai no núcleo?

42
8. O que significa orbital no contexto do modelo de
Schrödinger?
9. O que descrevem os números quânticos n, l e m?
Qual a variação permitida para cada um destes
números? Por quê?
10. A energia eletrônica pode ser ordenada para
cada átomo. O diagrama de Pauling fornece um modo
simplificado de deduzir a configuração eletrônica que
é válida para a maioria dos casos. Monte o diagrama
de Pauling.
11. Conceitue o princípio de exclusão de Pauli e a
regra de Hund.
12. O que é espectroscopia?
13. O que são radiações eletromagnéticas? Mostre
as várias regiões do espectro eletromagnético com
suas respectivas energias.
14. Nossos olhos enxergam radiação
eletromagnética, chamada luz visível, cuja freqüência
está no intervalo de 4,3 x1014 (luz vermelha) até 7,1
x10 14
(luz violeta). Calcule os comprimentos de onda
da luz vermelha e luz violeta.
15. Em 1,0 s, uma lâmpada que produz 25 J de
energia por segundo, em certa região do espectro,
emite 5,5 x 1019 fótons de luz nesta região. Qual o
comprimento de onda da luz emitida? (Respost:. 437
nm)
16. Calcule o comprimento de onda da radiação
emitida por um átomo de hidrogênio quando um
elétron faz uma transição entre os níveis com n2=3 e
n1=2. (Resposta: 657 nm)

43
17. Faça a conversão de comprimento de onda para
número de onda (em cm-1): a) 600 nm; b) 450 nm, c)
900 nm
18. Faça a conversão de número de onda para
comprimento de onda (em nm): a) 1560 cm-1; b) 5250
cm-1, c) 10.000 cm-1.

44
1.13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. RUSSEL, John Blair. Química Geral. McGraw-Hill do


Brasil: São Paulo, 1982.
2. ATKINS, P.; JONES, L. Princípios de Química:
Questionando a vida moderna e o meio ambiente.
Bookman: Porto Alegre, 2001.
3. BRADY, James E. & HUMISTON, Gerard E. Química
Geral, Livros Técnicos e Científicos: Rio de Janeiro,
1983.
4. MAHAN, Bruce H. & MYERS, R. J. Química - Um Curso
Universitário. Ed. Edgard Blucher LTDA: São Paulo,
1993.

5. KOTZ & TREICHEL, Química e Reações Químicas, 4a


ed, LTC Editora, vol. 1 e 2, 2002.
6.
http://enciclopediavirtual.vilabol.uol.com.br/quimica/at
omistica, acesso em 14/07/07.
7. http://www.ipen.br/crpq/len/leigo.htm, acesso em
08/10/04.
8.http://www.astro.iag.usp.br/~jane/aga215/aula05/ca
p5b.htm#linhas , acesso em 14/07/07.
9.http://www.if.ufrgs.br/tex/fis142/modelobohr/modelobo
hrhist.html, acesso em 14/07/07.
10.
http://educar.sc.usp.br/licenciatura/2003/rx/index.html,
acesso em 14/07/07.
11.http://www.radiacao.com.br/radiacao_eletromagnet
ica.html, acesso em 14/07/07.
12.http://www.fisica.net/quantica/curso/teoria_do_efeito_fot
oeletrico.php, acesso em 14/07/07

45
Unidade 2

TABELA PERIÓDICA

RESUMO
A lei da periodicidade química surge a partir da
necessidade que os cientistas tiveram em organizar os
elementos químicos, que eram descobertos, segundo
a tendência de suas propriedades físicas e químicas.
Esta lei ajuda explicar a organização dos elementos
químicos na tabela periódica.

Nesta unidade estudaremos a organização dos


elementos na Tabela Periódica, bem como suas
Propriedades Gerais e Reatividades.

46
SUMÁRIO
UNIDADE 2. Tabela Periódica 42
2.1 Lei da Periodicidade Química 44
2.2 Propriedades Gerais dos Elementos 46
2.2.1 Tamanho dos Átomos 46
2.2.2 Energia de Ionização (EI) 46
2.2.3 Afinidade Eletrônica (AE) 47
2.2.4 Eletronegatividade (E) 47
2.2.5 Caráter Metálico 47
2.2.6 Ciclo de Born-Haber 47
2.3 Exercícios 48
2.4 Referências Bibliográficas 50

UNIDADE 2. TABELA PERIÓDICA.

47
2.1 LEI DA PERIODICIDADE QUÍMICA

Esta lei estabelece que quando os elementos


são listados, sequencialmente em ordem crescente do
numero atômico, é observado uma repetição periódica
em suas propriedades, essa lei é a base estrutural da
tabela periódica moderna, na qual a família de
elementos com propriedades químicas semelhantes
são distribuídos em colunas verticais denominadas
grupos. Com este sistema, designamos os elementos
do grupo 1, 2, 13 até 18 como os elementos
representativos.

A Tabela Periódica surgiu devido à crescente


descoberta de elementos químicos e suas
propriedades, os quais necessitavam ser organizados
segundo suas características. Até 1800
aproximadamente 30 elementos eram conhecidos; nos
dias de hoje a Tabela Periódica consta de 109
elementos. Com a Tabela Periódica podemos analisar
uma série de propriedades dos elementos, e um
químico sempre deve tê-la em mãos. O nome "Tabela
Periódica" é devido à periodicidade, ou seja, à
repetição de propriedades, de intervalos em
intervalos, como, por exemplo, ocorre com as fases da
lua, que mudam durante o mês e se repetem mês
após mês.

A base da classificação periódica atual é a


tabela de Mendeleev com a diferença de que as
propriedades dos elementos variam periodicamente
com seus números atômicos e não com os pesos
atômicos, como era a classificação feita por
Mendeleev.
48
A Tabela Periódica (figura 14) atual é formada
por 109 elementos distribuídos em 07 períodos (linhas
horizontais) e 18 colunas (grupos ou famílias). Os
elementos pertencentes ao mesmo período possuem o
O que é um
mesmo número de camadas de elétrons. Os
elemento
elementos químicos da tabela periódica também são
representativ
classificados em conjunto: chamado de séries
o?
químicas (quadro 01).

Figura 14. Estrutura da Tabela Periódica.

Quadro 1. Séries químicas da tabela periódica.

Metais Metais Lantaníd Actinídios Metais de


Alcalinos Alcalinos eos Transição
Terrosos
Metais Semimetais Não- Halogêni Gases
Representati metais o Nobre
vos

A tabela periódica é dividida em quatro blocos.


Os elementos do bloco s são denominados elementos
do grupo principal, os elementos do bloco d

49
(exceção do grupo 12, zinco, cádmio e mercúrio) são
citados como elementos de transição e os
elementos do bloco f como lantanídeos e
actinídeos. As fileiras horizontais da tabela são os
períodos, que são enumerados a partir de 1.

2.2 PROPRIEDADES GERAIS DOS ELEMENTOS

2.2.1 Tamanho dos Átomos

Observações Gerais:

• O tamanho dos átomos diminui da esquerda para

Qual efeito
a direita ao longo de um período da tabela

da carga periódica. (Ex: Li → Be, carga positiva é


nuclear acrescentada ao núcleo, bem como um elétron
efetiva nos orbital adicional).
tamanhos • O aumento da carga nuclear provoca um aumento
dos átomos
da força de atração de todos os elétrons
e íons?
circundantes pelo núcleo.
• Tamanho dos Íons: os íons positivos formados a
partir da remoção de um ou mais elétrons do
átomo do metal. Os íons metálicos são menores
que os átomos a partir dos quais foram gerados:
toda a camada eletrônica externa é ionizada
(removida) e carga nuclear efetiva.

2.2.2 Energia de Ionização (EI)

Observações Gerais:

• Energia necessária para remover o elétron mais


externo num átomo neutro (M → M+) → 1a Energia
de Ionização.

50
• Fatores que influenciam as energias de ionização:
tamanho dos átomos, carga do núcleo, eficiência
com que os níveis externos blindam a carga nuclear
e o tipo de elétron envolvido (s, p, d ou f).
2.2.3 Afinidade Eletrônica (AE)

Observações Gerais:

• Energia liberada quando um elétron é


adicionado a um átomo gasoso neutro.
• Pode ser obtido através do ciclo de Born-Haber

2.2.4 Eletronegatividade (E)


Pesquise
sobre o Tendência de um átomo de atrair elétrons em sua
efeito de direção quando combinado, formando um composto.
blindagem. (átomos recebem cargas parciais: δ- e δ+).

2.2.5 Caráter Metálico

Os metais são eletropositivos e apresentam a


tendência de perder elétrons, quando lhe é fornecida
energia:
M → M+ + e-

2.2.6 Ciclo de Born-Haber

O ciclo de Born-Haber é um ciclo termodinâmico


que relaciona a energia reticular de um cristal com
alguns dados termodinâmicos como: Entalpia de
sublimação (∆Hs), Energia de Ionização (EI), Entalpia
de Dissociação (∆Hd), Afinidade Eletrônica (AE) e
Energia Reticular (U), seguindo a seguinte equação:

51
Lei de Hess: ∆Hf = ∆Hs + EI + ½ ∆Hd + AE +
U

52
A figura 13 ilustra o ciclo termodinâmico para o
cristal KCl. Observe que a energia reticular (X) pode
ser obtida através da aplicação da Lei de Hess.

A tendência
que alguns
elementos
têm em
formar Figura 13. Ciclo termodinâmico para o cristal KCl.
composto
Fonte: ATKINS, P.; JONES, L. Princípios de Química:
com duas
Questionando a vida moderna e o meio ambiente.
unidades a
menos ou a
Alguns conceitos como, efeito do par inerte e
mais é
relações diagonais e verticais são utilizados no
justificada
pelo efeito entendimento de algumas propriedades
do par termodinâmicas e posição de um determinado
inerte. elemento na tabela periódica.

2.3 EXERCÍCIOS

1. Explique de que forma a tabela periódica


encontra-se organizada.

53
2. Segundo a afirmação: “Os íons quando
comparados com seus respectivos átomos
possuem tamanhos menores”. Explique os
fatores que determinam esta tendência
observada nos elementos dos blocos s e p.

3. Qual a diferença entre eletronegatividade e


afinidade eletrônica?

4. Quais os fatores que influenciam a energia de


ionização?

5. Por que as energias de ionização dos metais


alcalinos estão nesta ordem Li > Na > K > Rb?

6. Selecione (e explique) a melhor escolha em


cada uma das seguintes opções:

a) Maior energia de ionização: Ca ou Sr.

b) Maior afinidade eletrônica: C ou N.

c) Elemento mais eletropositivo: Li ou Mg.

d) Elemento mais eletronegativo: I ou Br.

e) Menor energia de ionização: Rb ou I.

f) Maior raio atômico: K ou Ba.

g) Menor raio atômico: K ou Bi.

7. Defina: a) raio metálico, b) raio covalente e c)


raio iônico.
8. As energias de ionização para Cl-, Cl e Cl+ são
343, 1250 e 2300 KJ mol-1, respectivamente.
Explique este tendência.
9. Construa o ciclo de Born-Haber para os cristais
NaCl e MgCl2. Quais são as energias
endotérmicas? E as exotérmicas?

54
10. Como podemos prever empiricamente a
solubilidade de um cristal em água?

2.4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- RUSSEL, John Blair. Química Geral. McGraw-Hill do


Brasil: São Paulo, 1982.
- ATKINS, P.; JONES, L. Princípios de Química:
Questionando a vida moderna e o meio ambiente.
Bookman: Porto Alegre, 2001.
- BRADY, James E. & HUMISTON, Gerard E. Química
Geral, Livros Técnicos e Científicos: Rio de Janeiro,
1983.
- SLABAUGH, Wendell H. & Parsons, Therand. Química

Geral. 2a ed., Livros Técnicos e Científicos S.A: São


Paulo, 1982.
- MAHAN, Bruce H. & MYERS, R. J. Química - Um Curso
Universitário. Ed. Edgard Blucher LTDA: São Paulo,
1993.

- KOTZ & TREICHEL, Química e Reações Químicas, 4a


ed, LTC Editora, vol. 1 e 2, 2002.

55
Unidade 3

LIGAÇÕES QUÍMICAS

RESUMO

O número de elementos diferentes existente na


natureza é inferior a 100 (cem), mas a diversidade
das substâncias e materiais que encontramos, indica
a existência de combinações destes elementos.
Para entender a formação de moléculas e
compostos, bem como algumas de suas geometrias e
reatividades, é necessário entender os modelos de
ligações: iônicos, covalente e metálico.

56
SUMÁRIO
UNIDADE 3. Ligações Químicas 51
3.1 Modelos de Ligações 53
3.2 Estrutura e Geometria Molecular 54
3.3 Estudo Dirigido 56
3.4 Referências Bibliográficas 59

57
UNIDADE 3. LIGAÇÕES QUÍMICAS

3.1 MODELOS DE LIGAÇÕES

A molécula é um tipo de combinação entre


átomos caracterizados pela existência de uma
afinidade especial denominada ligação química. Essa
combinação pode ser entre átomos do mesmo
elemento ou de elementos diferentes. Na teoria
quântica, a molécula não é formada de átomos e
ligações químicas, mas de núcleos e elétrons. Esse
modo de ver a molécula não é muito popular entre os
químicos.
Na química, não trabalhamos com uma
molécula e sim com um conjunto de moléculas. Um
conjunto de moléculas do mesmo tipo é chamado de
substância pura. Caso contrário será uma mistura.
As substâncias puras apresentam propriedades bem
definidas e constantes. Estas propriedades refletem
tanto as características individuais das moléculas
quanto as interações entre elas, que denominamos
forças intermoleculares. Por exemplo, para a
molécula de água a polaridade é uma característica
individual, enquanto que a formação de pontes de
hidrogênio é uma interação intermolecular.
Na química, convivemos com vários modelos
de ligação, em especial, existem dois modelos
extremos que procuram explicar como ocorre a
ligação entre átomos: o modelo iônico e o modelo
covalente.

58
Segundo o modelo iônico, os átomos são unidos
por forças de atração elétrica entre cargas opostas.
Para que isto aconteça é necessário que haja uma
transferência de elétrons de um átomo para o outro,
transformando-se em cátion e ânion que se atraem.
Uma substância química cujas moléculas tivessem
esse tipo de ligação deveria facilmente conduzir
corrente elétrica no estado líquido ou em solução.
No modelo covalente, a ligação entre átomos
se dá pelo compartilhamento de um par de elétrons;
ou seja, um par de elétrons passa a pertencer
simultaneamente aos átomos que se ligam.

3.2 ESTRUTURA E GEOMETRIA MOLECULAR

As formas como os átomos se arranjam


depende de alguns fatores como tamanho dos
Estrutura
difere de átomos e eletronegatividade. Neste aspecto devem-
geometria se salientar as diversas teorias que ajudam a
molecular. entender a geometria molecular de algumas
substâncias mais simples, a saber: Sidgwick-Powell,
Repulsão dos Pares de Elétrons da Camada de
Valência e Teoria de Valência.
No quadro 2, há uma relação entre estrutura e
geometria molecular, inclusive com alguns exemplos.

Quadro 2. Relação entre estrutura e geometria


molecular.

59
60
Dados:
PEE = pares de elétrons efetivos (número
estérico)
GE = geometria estrutural
PEL = pares de elétrons ligantes
PENL = pares de elétrons não ligantes
GM = geometria molecular

Dica:
Nesta unidade é necessário que o aluno
aprofunde os conceitos de substâncias, misturas,
forças inter e intramoleculares, estruturas de Lewis,
carga formal, ressonância e ligações covalente, iônica
e metálica.

3.3 ESTUDO DIRIGIDO

1. Explique a regra do octeto. Cite 05 casos onde


ela não é obedecida.

2. Conceitue elétrons de valência e símbolos de


Lewis.

3. Qual dos seguintes compostos não é provável


de existir: CaCl2 ou CaCl4. Explique.

4. O que são íons? E cátions? E ânions?

5. Explique como se forma a ligação entre cálcio e


o bromo no brometo de cálcio

6. O que é uma ligação covalente? Dê dois


exemplos.

7. Dê a estrutura de Lewis das seguintes espécies


e os números de pares ligantes e isolados:

61
a) H3O+; b) NH3; c) N2H4; d) CO; e) NO2+; f) SCN-, g)
SO42-; h) CCl4; i) NF3; j) HNO3; l) HClO4; m) HOCl;
n) BH4-; o) OCN-; p) I3-; q) XeO2F2; r) IBr2-, s) IF3.
8. O que são espécies isoeletrônicas?
Exemplifique.

9. Quais entre as seguintes espécies possuem um


número ímpar de elétrons: NO2, SF3, NH3, SO3,
O2- e NO.

10. Conceitue através do íon carbonato (CO32-):

a) teoria de ressonância, b) estrutura de


ressonância, c) híbrido de ressonância.
11. Dê as estruturas de ressonância do íon nitrato
(NO3-).
12. Qual relação entre ordem de ligação e
comprimento de ligação?
13. Dê o número de ligações nas moléculas
seguintes. Para cada ligação diga qual a sua
ordem:
a) H2CO; b) SO32-; c) NOCl, d) SO3
14. Em cada par de ligações mencionado abaixo,
diga qual é a mais curta:
a) Si-N ou Si-O; b) P-S ou P-O; c) Si-O ou C-O, d)
C=O ou C=N.
15. Dê a ordem de cada uma das ligações
seguintes e organize-as na seqüência
crescentes: C−N, C≡N e C=N.
16. Dê a estrutura de ressonância do íon nitrito
(NO2-) e a ordem de ligação na molécula.
17. O que é uma carga parcial? Por que é
necessário saber a carga parcial de uma
molécula?

62
18. Determine, em cada uma das moléculas ou
íons seguintes, a carga formal de cada átomo:
a) N2H4; b) NH3; c) PO43-; d) NH2OH; e) SCO; f) O3.
19. Qual a relação entre os raios de uma mesma
série isoeletrônica?

20. Explique por que o ângulo entre os átomos


HOH da água é 104°28’.

21. O que é hibridização? O que é orbital híbrido?

22. O que são fórmulas eletrônicas? Exemplifique.

23. Qual a diferença entre ligação covalente


simples e coordenada? Exemplifique.

24. O que são ligações covalentes polarizadas?


Exemplifique.

25. O que são moléculas apolares? E polares?


Exemplifique.

26. Faça a fórmula eletrônica e dê o nome das


ligações existentes no sulfato de sódio.

27. Faça uma pesquisa e conceitue: ligação


metálica, forças de van der Waals, pontes de
hidrogênio, paramagnetismo e diamagnetismo.

28. Qual a propriedade periódica relacionada com


uma ligação iônica? Como é aplicada? Cite
onde esta regra é falha. Existe ligação 100%
iônica? E 100% covalente? Explique e
exemplifique. Quais os elementos que
formariam a ligação iônica mais perfeita?

29. Quais os tipos de ligações covalentes


existentes nos seguintes compostos: H2; H2O;
NH3; CH4; C2H4; C2H2; BF3; BeH2; Cl2?

63
30. O que é momento dipolar? Qual sua unidade?
Qual o momento dipolar do BF3.

31. Faça a fórmula eletrônica e dê o nome das


ligações existentes nos seguintes íons: H3O+;
NH3; SO4= e HCOO-.

32. Diamante e grafite têm a mesma composição


química (carbono). O que os diferencia? O que
pode se dizer sobre as ligações entre átomos
de carbono de cada uma delas?

33. Por que os gases nobres são os elementos


menos reativos? Cite cátions e ânions com a
mesma configuração do He, Ne e Ar.

34. Estude a possibilidade das moléculas AB, AB2,


AB3 e AB4 serem apolares. exemplifique.

35. Faça a fórmula estrutural e eletrônica dos


seguintes compostos: HCl, HClO, HClO3, H3PO2,
H3PO3 e H4P2O7.

3.4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- RUSSEL, John Blair. Química Geral. McGraw-Hill do


Brasil: São Paulo, 1982.
- ATKINS, P.; JONES, L. Princípios de Química:
Questionando a vida moderna e o meio ambiente.
Bookman: Porto Alegre, 2001.
- BRADY, James E. & HUMISTON, Gerard E. Química
Geral, Livros Técnicos e Científicos: Rio de Janeiro,
1983.
- SLABAUGH, Wendell H. & Parsons, Therand. Química

Geral. 2a ed., Livros Técnicos e Científicos S.A: São


Paulo, 1982.
64
- MAHAN, Bruce H. & MYERS, R. J. Química - Um Curso
Universitário. Ed. Edgard Blucher LTDA: São Paulo,
1993.

- KOTZ & TREICHEL, Química e Reações Químicas, 4a


ed, LTC Editora, vol. 1 e 2, 2002.

Unidade 4

NOTAÇÃO E NOMENCLATURA

RESUMO
A escrita de compostos orgânicos e inorgânicos
segue recomendações da IUPAC (União Internacional
para Química Pura e Aplicada) e todos os estudantes,
professores e cientistas sempre devem consultá-la,

65
pois as normas de escrita e de leitura são
constantemente revisadas.
Nesta unidade será abordada apenas a
nomenclatura para os íons inorgânicos, sendo
complementada com um estudo dirigido.

SUMÁRIO

UNIDADE 4. Notação e Nomenclatura 60


4.1 Nomenclatura de Compostos 62
4.2 Normas da IUPAC 64
4.3 Estudo Dirigido 66
4.3 Referências Bibliográficas 69

66
UNIDADE 4. NOTAÇÃO E
NOMENCLATURA

4.1 NOMENCLATURA DE COMPOSTOS

Os químicos devem estar familiarizados com a


linguagem que os cientistas adotam, incluindo os
procedimentos para denominar os compostos. Estes
podem receber nomes comuns (ex. água, açúcar,
amônia, etc.) e nome sistemático, também conhecido
como nomenclatura química, que possui um conjunto
de regras para facilitar a memorização de
determinado composto.

NOME DOS CÁTIONS

O nome de um cátion monoatômico é o mesmo


do elemento que o formou, colocando a palavra íon à
frente do cátion. Por exemplo, o nome de Li+ é íon
lítio. Porém, quando o elemento formar mais que
uma espécie de cátion, como Cu+ e Cu2+, utiliza-se o

67
número de oxidação referente a carga do íon escrita
em algarismos romanos entre parênteses. Assim, o
citados íons de cobre são chamados de cobre (I) e
cobre (II), respectivamente.
È interessante salientar da utilização do sistema
antigo de nomenclatura, que se baseia na
incorporação dos sufixos -oso e -ico para íons com
cargas menores e maiores, respectivamente. Assim,
os íons ferro (II) e ferro (III) são também chamados de
íons ferroso e férrico, respectivamente.

NOME DOS CÁTIONS

Para um ânion monoatômico deve-se adicionar o


sufixo -eto à primeira parte (base) do nome. Por
exemplo, os íons S2- e F- são respectivamente
chamados de íons sulfeto e fluoretos.
Podem-se encontrar íons poliatômicos e os
o íon O2- é oxiânions, porém os mais importantes e comuns são
chamado os oxiânions. Para um determinado oxiânion de um
de íon elemento o nome deve ser formado, em geral, pela
óxido, mas incorporação do sufixo -ato à raiz do nome do
em inglês o
elemento, como no caso do íon carbonato (CO3=).
-
íon O2
Porém alguns elementos podem formar dos tipos de
obedece à
oxiânions com diferentes números e átomos de
regra dos
oxigênio e devem ser distinguidos. Neste caso o íon
demais
com maior número de oxigênio recebe o sufixo -ato e
íons.
o com menor número de oxidação agrega o sufixo
-ito à raiz do nome do elemento, como os íons NO2- e
NO3-, chamados respectivamente nitrito e nitrato.

NOME DOS COMPOSTOS IÔNICOS

68
O nome de um composto iônico é formado
primeiro pelo nome do ânion e depois pelo nome do
cátion, sem a palavra íon. Exemplos específicos são
os compostos: cloreto de potássio (KCl), que contém
os íons K+ e Cl- e o nitrato de amônio (NH4NO3) que
contém os íons NH4+ e NO3-.
Alguns compostos podem ter moléculas de água
incorporadas, como no caso do sulfato de cobre (II),
que contém cinco moléculas de água (cristais azuis
de CuSO4.5H2O) e seu nome é sulfato de cobre (II)
pentahidratado. Há ainda os compostos similares que
não possuem água de hidratação e seu nome deve
ser acrescido da palavra anidro.

4.2 NORMAS DA IUPAC

As normas para construção de fórmulas químicas


e leitura correta de compostos orgânicos e
inorgânicos são reportadas no site da IUPAC (União
Internacional para Química Pura e Aplicada).

Quadro 03. Nomenclatura de alguns íons.


Halogênios Carbono
F- Fluoreto CN- Cianeto
Cl- Cloreto CNO- Cianato
ClO- Hipoclorito CNS -
Tiocianato
ClO2- Clorito C2H3O2- Acetato
ClO3- Clorato CHO2- Formiato
ClO4- Perclorato CO3 2-
Carbonato
Br- Brometo HCO3- Bicarbonato
BrO- Hipobromito C2O42- Oxalato
BrO3- Bromato C2 2-
Carbeto
I- Iodeto Metais de Transição
Externa
IO- Hipoiodito MnO4 2-
Manganato
69
IO3- Iodato MnO4- Permaganato
IO4- Periodato CrO42- Cromato
Enxofre Cr2O72- Dicromato
S2- Sulfeto PtCl62- Hexacloroplatin
ato
HS- (Mono)hidrogenossul [Fe(CN)6] Ferricianeto
3-
feto
=
SO 3 Sulfito [Fe(CN)6] Ferrocianeto
4-

HSO3- (Mono)hidrogenossul Outros


fito
SO42- Sulfato H- Hidreto
HSO4- (Mono)hidrogenossul OH- Hidróxido
fato
S2O32- Tiossulfato O2- Óxido
S2O42- Hipossulfito O22- Peróxido
S2O82- Persulfato SnO22- Estanito
S4O62- Tetrationato SnO32- Estanato
Nitrogênio SiO32- Metassilicato
NO2- Nitrito SiO44- Ortossilicato
NO3- Nitrato SiF62- Hexafluorsilicat
o
N3- Nitreto AsO33- Arsenito
Fósforo AsO43- (Orto)arsenito
PO3- Metafosfato SbO33- Antimonito
H2PO2- Hipofosfito AsO43- (Orto)antimona
to
HPO32- Fosfito BO33- Borato
PO43- Fosfato B4O72- Tetraborato
HPO42- Monohidrogenofosfat NH2- Amideto
o
H2PO4- Dihidrogenofosfato NH4+ Amônio
P3- Fosfeto

70
4.3 ESTUDO DIRIGIDO

1. Escreva a fórmula química das substâncias


seguindo as normas de nomenclatura da IUPAC.

1. ACETATO DE AMÔNIO

2. ACETATO DE CÁLCIO

3. ÁCIDO ARSENOSO

4. ÁCIDO BÓRICO

5. ÁCIDO CLORÍDRICO

6. ÁCIDO HIPOCLOROSO

7. ÁCIDO NITROSO

8. ÁCIDO SULFÚRICO

9. ANTIMONATO DE POTÁSSIO

10. ARSENIATO DE SÓDIO

11. BICABORNATO DE SÓDIO

12. BICROMATO DE POTÁSSIO

13. BISSULFITO DE SÓDIO

14. IODATO DE POTÁSSIO

15. BROMATO DE POTÁSSIO

16. BROMETO DE BÁRIO

17. CARBONATO DE AMÔNIO

18. CLORATO DE POTÁSSIO

19. CLORETO DE ANTIMÔNIO

20. CLORETO ESTÂNICO

21. CLORETO ESTANOSO

22. CLORETO MANGANOSO

23. CLORETO MERCÚRICO

24. CLORETO MERCUROSO

71
25. FERRICIANETO DE POTÁSSIO

26. FERROCIANETO DE POTÁSSIO

27. FOSFATO DISSÓDICO

28. FOSFATO MONOPOTÁSSIO

29. HIDRÓXIDO DE BÁRIO

30. HIPOBROMITO DE SÓDIO

31. HIPOCLORIO DE CÁLCIO

32. IODATO DE POTÁSSIO

33. MOLIBDATO DE AMÔNIO

34. NITRATO CÚPRICO

35. NITRATO DE PRATA

36. NITRATO FÉRRICO

37. NITRATO MERCÚRICO

38. NITRATO MERCUROSO

39. OXALATO DE AMÔNIO

40. PERCLORATO DE POTÁSSIO

41. PERIODATO DE POTÁSSIO

42. PERSULFATO DE AMÔNIO

43. SULFATO CÚPRICO

44. SULFATO CUPROSO

45. SULFATO DE PRATA

46. TIOCIONATO DE AMÔNIO

47. TIOSSULFATO DE SÓDIO

48. ÁCIDO BENZÓICO

49. ÁCIDO SALICÍLICO

50. ÁCIDO ESTEÁRICO

72
2. Escreva o nome das substâncias seguindo as
normas de nomenclatura da IUPAC.

1. NaCH3COO 2. Pb(CH3COO)2
3. HF 4. H3PO4
5. HNO3 6. HClO4
7. H2S 8. H2SO3
9. KHCO3 10. Na2SO4
11. NH4Br 12. CaCO3
13. KCN 14. AlCl3
15. FeCl2 16. FeCl3
17. K2CrO4 18. NaCr2O7
19. KF 20. Ca3(PO4)2
21. NH4OH 22. KI
23. AL(NO3)3 24. Ba(NO3)2
24 KNO2 25. Na2O
26. MgO 27. KMnO4
28. H2O2 29. Al2(SO4)3
30. FeSO4 31. Fe2(SO4)3
32. Na2S 33. NaSO3
34. CH.3CO2H 35. HNO3

4.4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- http://www.iupac.org/dhtml_home.html, acesso em
14/07/2007.
- ATKINS, P.; JONES, L. Princípios de Química:
Questionando a vida moderna e o meio ambiente.
Bookman: Porto Alegre, 2001.

- KOTZ & TREICHEL, Química e Reações Químicas, 4a


ed, LTC Editora, vol. 1 e 2, 2002.

73
Unidade 5

REAÇÕES E CINÉTICA
QUÍMICA

RESUMO
A termodinâmica estuda a espontaneidade das
reações químicas através do balanço energético das
etapas (ex. entropia, entalpia e energia livre), ou seja, ela
é capaz de dizer se um determinada reação será possível
ou não. Entretanto, algumas reações são
termodinamicamente favoráveis, porém cineticamente
inviáveis, pois apresentam um tempo bastante elevado
para serem processadas.
O estudo das velocidades das reações químicas é
chamado de cinética química. Ela apresenta uma
grande relevância na biologia e na medicina devido às
reações biológicas que se processam nos organismos
vivos e também na indústria, como no desenvolvimento
de catalisadores, que aceleram as velocidades das
reações químicas.
Esta unidade será explorada através de conceitos
básicos, pesquisa e estudo dirigido.

74
SUMÁRIO
UNIDADE 5. Reações e Cinética Química 70
5.1 Estudo das Reações 72
5.2 Estudo Dirigido 73
5.3 Referências Bibliográficas 74

75
UNIDADE 5. REAÇÕES E CINÉTICA
QUÍMICA

5.1 ESTUDO DAS REAÇÕES

Diariamente ocorrem transformações à sua volta


– madeira queimando, ferro enferrujando entre outros
fenômenos observáveis na natureza. Assim quando
Quais os
se pensa em química, pensa-se em reações químicas.
fatores que
A imagem medieval de um químico como um
evidenciam
alquimista medieval, que mistura produtos químicos
uma reação
química? para produzir uma explosão ainda se mantém viva.
Mas é claro que existe muito mais. O simples fato de
se respirar envolve uma serie de reações químicas no
corpo. Deste modo, qualquer dos seres vivos
depende de um conjunto de reações químicas
precisamente controladas. Estas reações acontecem
com diferentes espaços de tempo. O estudo das
velocidades das reações químicas é chamado de
cinética química – onde estudaremos os fatores que
determinam as velocidades das reações e os meios
pelos quais os químicos podem prever e regular as
velocidades das reações.

76
5.2 ESTUDO DIRIGIDO
1. O que estuda a cinética química? E a
termodinâmica?
2. Quais são as evidências experimentais de
reações químicas?
2. Através de um exemplo, explique o conceito
de velocidade de reação.
3. O que é velocidade média? E velocidade
instantânea?
4. Descreva quatro fatores que influenciam a
velocidade de uma reação química.
5. Defina: equação de velocidade, constante de
velocidade (k) e ordem de uma reação. Em
seguida, ilustre uma reação química abordando
os conceitos reportados acima.
6. Como pode ser calculada graficamente a
ordem de uma reação química?
7. Defina tempo de meia-vida (t1/2).
8. Pesquise as falhas na teoria das colisões
9. Explique a teoria do complexo ativado.
10. O que é mecanismo de uma reação química?
11. Defina, para um determinado mecanismo de
reação, a etapa elementar e etapa
determinante da velocidade.
12. Defina molecularidade das etapas
elementares.
13. Explique a equação de Arrhenius.
14 Através de um exemplo, ilustre a formação de
um intermediário numa reação química.
15. O que catalisador? Qual a influência deste
sobre o mecanismo de uma reação?

77
16. Explique a diferença entre catálise
homogênea e catálise heterogênea. Dê
exemplo de cada uma.
17. Quais as substâncias que são adicionadas ao
leite para que a coalhada se forme mais
rapidamente. Qual a finalidade destas
substâncias?

5.3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- RUSSEL, John Blair. Química Geral. McGraw-Hill do


Brasil: São Paulo, 1982.
- ATKINS, P.; JONES, L. Princípios de Química:
Questionando a vida moderna e o meio ambiente.
Bookman: Porto Alegre, 2001.
- BRADY, James E. & HUMISTON, Gerard E. Química
Geral, Livros Técnicos e Científicos: Rio de Janeiro,
1983.
- SLABAUGH, Wendell H. & Parsons, Therand. Química

Geral. 2a ed., Livros Técnicos e Científicos S.A: São


Paulo, 1982.
- MAHAN, Bruce H. & MYERS, R. J. Química - Um Curso
Universitário. Ed. Edgard Blucher LTDA: São Paulo,
1993.

- KOTZ & TREICHEL, Química e Reações Químicas, 4a


ed, LTC Editora, vol. 1 e 2, 2002.

78
Unidade 6

SOLUÇÕES E
ESTEQUIOMETRIA

RESUMO
As soluções químicas podem ser expressas

normalmente em concentração comum, molaridade,

molalidade e normalidade. Para os cálculos

estequiométrico é necessário preocupar com o

balanço estequiométrico, ou seja encontrar as

quantidades em moles dos reagentes que participam

das reações químicas em nível molecular.

Esta unidade será estudada através da


resolução de lista de exercícios.

79
SUMÁRIO
UNIDADE 6. Soluções e Estequiometria. 7
5
6.1 Soluções Aquosas e Equilíbrio 77
Estequiométrico
6.2 Estudo Dirigido 7
8
6.3. Referências Bibliográficas 8
2

80
UNIDADE 6. SOLUÇÕES E
ESTEQUIOMETRIA

6.1 SOLUÇÕES AQUOSAS E EQUILÍBRIO


ESTEQUIOMÉTRICO

Embora o conceito de solução química seja


muito amplo, inclui uma variedade de substâncias
Nos
nas quais dois ou mais compostos são misturados em
cálculos
nível molecular, há um tipo mais comum e familiar.
estequiomé
tricos é Neste tipo, um volume relativamente pequeno de
necessário uma substancia (chamada soluto) é dissolvido num
encontrar volume bem maior da outra (chamada solvente).
os agentes O solvente é quase sempre um líquido o
limitantes e soluto, é quase sempre um sólido, embora possa ser
excessos. um gás ou um liquido. Podendo haver também dois
ou mais soluto na mesma solução.
Relacionando-se a quantidade de cada
participante de uma solução, envolve cálculos
químicos, e relacionando as quantidades envolvidas
das massas participantes – soluto e solvente, chama-
se estequiometria.
As soluções podem ser expressas
normalmente em concentração comum, molaridade,

81
molalidade e normalidade. Para os cálculos
estequiométrico é necessário se preocupar com o
balanço estequiométrico, ou seja encontrar as
quantidades em moles dos reagentes que participam
das reações químicas em nível molecular.

82
6.2 ESTUDO DIRIGIDO

1. Sulfato de sódio é um eletrólito forte quando

dissolvido em água. Considere que certa

quantidade de sulfato de sódio foi dissolvida

em água, de tal forma que [Na2SO4] = 0,5 mol

L-1. Qual a concentração de cada íon em

solução?

2. Qual a massa do soluto, em gramas, em 125

mL de solução de Na3PO4 1,023 x 10-3 mol L-1?

Quais as concentrações molares dos íons Na+ e

PO43-?

3. Uma experiência em laboratório requer 250

mL de duas soluções de AgNO3 0,020 e 0,0020

mol L-1. Há disponibilidade de AgNO3 sólido,

água destilada e um balão volumétrico de 250

mL. Descreva o processo para preparação das

soluções desejadas.

4. O que significa ácido nítrico fumegante?

Quantos mL de ácido nítrico concentrado (16

mol L-1) são necessários para preparar 1,0 L de

HNO3 0,1 mol L-1?

5. O que significa ácido sulfúrico fumegante?

Quantos mililitros de ácido sulfúrico

83
concentrado (18 mol L-1) são utilizados para

obter 1,0 L de H2SO4 6,0 mol L-1.

6. 1,0 mL de solução padrão de H2SO4 0,1 mol L-1

equivale a quantos miligramas de carbonato de

sódio?

7. Qual a concentração da nova solução de

CuSO4, quando se mistura 6,0 mL de uma

solução de CuSO4 0,15 mol L-1 com água

suficiente para ter um volume de 50 mL ?

8. Quantos gramas de soluto existem em: a) 30

mL de uma solução de ácido acético 0,8 mol L-


1
; b) 80 mL de uma solução de ácido fosfórico

3,5 mol L-1; c) 200 mL de uma solução de

hidróxido de cálcio mol L-1.

9. O ácido clorídrico concentrado é um produto

comercial que apresenta densidade de 1,18 g

mL-1 e título de 37,2%. Baseado nestas

informações, calcule a molaridade deste ácido

e o volume necessário para preparar 1,0 L de

HCl 0,1 mol.

10. Dissolve-se 0,435 g de KMnO4 em 250 mL de

água. Qual a molaridade do KMnO4 na solução?

11. O zinco metálico reage com ácido clorídrico

liberando H2(g) segundo a reação: Zn(s) +

84
2HCl(aq) → ZnCl2(aq) + H2 (g). Qual o volume

de HCl 2,50 mol L-1 necessário para converter

totalmente o zinco em cloreto de zinco ?

12. Qual a massa do soluto, em gramas, contida

em 250 mL de solução de KMnO4 0,0125 mol L-


1
?

13. Coloca-se 2,56 g de CaCO3 em um béquer que

contém 250 mL de HCl 0,125 mol L-1. Quando a

reação acaba resta algum carbonato de cálcio?

Explique seu raciocínio. Que massa de CaCl2

pode ser produzida?

14. Dispõe-se de 0,954 g de ácido desconhecido,

H2A, que reage com o NaOH conforme a

equação equilibrada: H2A(aq) + 2NaOH (aq)

→ Na2A (aq) + 2H2O(l). Se forem gastos 36,04

mL de NaOH 0,509 mol L-1 na titulação ácido-

base até o ponto de equivalência, qual a massa

molecular do ácido?

15. Quantos mililitros de solução de Pb(NO3)2

0,750 mol L-1 reagem completamente com 1,0 L

de solução de NaCl 2,25 mol L-1? A equação

equilibrada da reação é:

Pb(NO3)2 (aq) + 2NaCl (aq) → PbCl2 (s) +

2NaNO3 (aq)

85
16. Quantos mililitros de HCl 0,812 mol L-1 são

necessários para titular 1,33g de NaOH até o

ponto de equivalência?

NaOH(aq) + HCl(aq) → NaCl (aq) + H2O(l)

17. Quantos mililitros de HNO3 0,125 mol L-1 são

necessários para reagir completamente com

1,30 g de Ba(OH)2?

2HNO3 (aq) + Ba(OH)2 (aq) → Ba(NO3)2 +

2H2O(l)

18. Quantos gramas de Na2CO3 são necessários

para a reação completa com 25 mL de HNO3

0,155 mol L-1?

Na2CO3 (aq) + 2HNO3 (aq) → 2NaNO3 + CO2(g)

+ 2H2O(l)

19. No processo de revelação fotográfica, o

brometo de prata é dissolvido pela adição de

tiossulfato de sódio: AgBr(s) + 2Na2S2O3 (aq)

→ Na3Ag(S2O3)2 + NaBr(aq). Se fosse dissolver

0,250 g de AgBr, quantos mililitros de solução

de tiossulfato de sódio 0,0138 mol L-1 devem

ser usados?

20. Segundo a reação: NaHCO3 (aq) + CH3CO2H

(aq) → NaCH3CO2 + CO2 (g)+ H2O(l). Suponha-

se que tenha 125 mL de ácido acético 0,15 mol

86
L-1. Depois que é adicionado 15,0 g de

bicarbonato de sódio nesta solução continua

ocorrendo desprendimento de CO2? Explique

seu raciocínio?

6.3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- RUSSEL, John Blair. Química Geral. McGraw-Hill do


Brasil: São Paulo, 1982.
- ATKINS, P.; JONES, L. Princípios de Química:
Questionando a vida moderna e o meio ambiente.
Bookman: Porto Alegre, 2001.
- BRADY, James E. & HUMISTON, Gerard E. Química
Geral, Livros Técnicos e Científicos: Rio de Janeiro,
1983.

87
- SLABAUGH, Wendell H. & Parsons, Therand. Química

Geral. 2a ed., Livros Técnicos e Científicos S.A: São


Paulo, 1982.
- MAHAN, Bruce H. & MYERS, R. J. Química - Um Curso
Universitário. Ed. Edgard Blucher LTDA: São Paulo,
1993.

- KOTZ & TREICHEL, Química e Reações Químicas, 4a


ed, LTC Editora, vol. 1 e 2, 2002.
- http://www.fisica.net/quimica/resumo18.htm, acesso
em 14/07/07.
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Estequiometria, acesso
em 14/07/07

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Sobre os Autores

• Prof. Welter Cantanhêde da Silva

- Doutor em Química pela Universidade de São Paulo

(campus São Carlos);

- Mestre em Química Inorgânica e Graduado em

Química Industrial, ambos os títulos pela

Universidade Federal do Ceará;

- Leciona disciplinas nas áreas de Química Inorgânica

e Analítica;

- Pesquisador na área da Nanotecnologia Molecular.

• Prof. Luiz Alves Marinho

- Mestre em Química Analítica pela Universidade de

São Paulo (campus São Carlos);

- Graduado em Química pela Universidade Federal do

Piauí;

- Leciona disciplinas na área de Química Analítica;

- Desenvolve atividades pelo LAPETRO (Laboratório

de Análises de Combustível, UFPI).

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