Você está na página 1de 2

Patinetes elétricos

Veículo ágil, prático, e, no entanto polêmico, o patinete elétrico é cada vez mais visto
pelas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Vitória, Fortaleza e São José dos
Campos, e outras cidades brasileiras.

Duas grandes marcas gerenciam o meio de transporte: a Yellow, de origem brasileira,


que inovou ao trazer para cá o sistema de aluguel de bikes sem estação; e a Grin,
mexicana, a maior empresa de patinetes elétricos na América Latina. Ambas as
empresas agora se fundiram e formaram a Grow. E há ainda outras opções, como a
Scoo e a TemBici, a das famosas bicicletas laranjas do Itaú.

Para utilizar os patinetes, o usuário procura o veículo disponível mais próximo, por
meio de aplicativo, e desbloqueia a trava usando um QR Code. Depois de usar, basta
devolvê-lo em alguma das estações. Tudo bastante simples, mas ainda com pontos
importantes a serem equacionados pela Grow e as outras empresas para seu uso
seguro.

Primeiro ponto: não há ainda regulamentação plena desse modal. Até o


momento, apenas a prefeitura de São Paulo ditou algumas regras que deverão
ser seguidas em breve. Já no Rio, a ordem é tão somente seguir as regras locais
de trânsito.
Em São Paulo
Como dito, a prefeitura paulistana determinou, em resolução municipal publicada no
Diário Oficial do último dia 14, algumas regras para a utilização dos veículos.

Entre elas, foi determinado que não usar capacetes ou transitar com patinetes em
calçadas poderá gerar multas para as empresas responsáveis, e que é
responsabilidade delas repassar a cobrança para seus usuários. Também só será
permitido usar os patinetes em ciclovias, ciclofaixas e vias com velocidade máxima de
40 km/h. Outra regra importante é a velocidade do patinete, que não deverá
ultrapassar o limite de 20 km/h.

A diretora de participação pública do Ciclocidade, Aline Cavalcante, questiona alguns


pontos dessa regulamentação: “Somos contra a regulamentação da obrigatoriedade
do capacete [...] Se você cria essa obrigação, pode ao mesmo tempo desestimular o
uso do meio de transporte”, afirma.

De fato, a obrigatoriedade do capacete levanta diversas questões: os usuários


terão que carregar o capacete consigo mesmo quando não estão pilotando? Ele
será fornecido pela própria empresa? Se sim, haverá alguma ferramenta de
higiene?

Para Aline, o que parece estar errado é o foco do debate; ela entende que melhor
seria direcionar as discussões para a segurança viária como um todo, não apenas ao
uso do capacete: “Só se conseguirá eficiência em uma discussão sobre segurança
quando se reduzir a velocidade dos carros, por exemplo”.

Quanto a estabelecer um limite de velocidade para o patinete, ela acredita ser um


passo na direção correta; mas ainda longe do ideal: “O patinete alcança velocidades
de 0 a 20 em muito pouco tempo. Daí você coloca para dirigi-lo pessoas que não tem
qualquer experiência, que muitas vezes nunca nem andaram de bicicleta. Isso é a
fórmula para dar errado”, reflete.

Como explica um porta-voz da Grow: “Estamos em contato constante com as


autoridades municipal para colaborar no que for possível na construção de uma
regulamentação inteligente, que aumente a oferta de mobilidade na cidade”.

Vale destacar que ainda não há uma regulamentação federal que cite nominalmente
os patinetes. Assim, mesmo o município tendo o direito de estabelecer regras para
credenciamento e fiscalização das empresas, o que deverá prevalecer será essa
futura norma, ainda por ser criada pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito).

Infraestrutura
Mas como os patinetes já estão por aí, por toda parte, a pergunta que fica é: São
Paulo e outras cidades do país estão prontas para receber esse meio de transporte?
Um porta-voz da Yellow avalia que “as cidades que melhor recebem os patinetes são
aquelas com melhor infraestrutura cicloviária, pois são as que possibilitam maior
segurança e conforto aos usuários nos seus deslocamentos”.

Nesse sentido, o Brasil ainda tem muito que avançar. Basta ver a consultoria
dinamarquesa Copenhagenize, que, a cada biênio, ranqueia as cidades mais
amigáveis a bicicletas no mundo. Em seu top 20 de 2017 (os resultados de 2019 ainda
não foram revelados), a entidade não incluiu nenhuma cidade brasileira.

Você também pode gostar