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Energia mecânica: cinética e potencial

AULA 2 Energia é um conceito abstrato muito abrangente. Na Física, a energia se


refere à capacidade que um corpo tem para realizar um trabalho. No caso da
energia mecânica, é possível identificar formas complementares: a energia
potencial, criada pela gravidade ou armazenada; e a energia cinética, trans-
formada em movimento relativo dos corpos.

Na Física clássica, energia potencial e energia cinética


são consideradas como duas faces da energia mecânica

Energia mecânica (potencial e cinética) no parque de diversões

A velocidade da montanha-russa parece muito maior que a real, pela proximidade dos trilhos. E
as apavorantes acrobacias aéreas não passam de bem planejadas estruturas que funcionam graças
às leis da Física. No início, o carrinho é lentamente puxado até o ponto mais alto da montanha-russa.
Quanto mais alto for esse ponto, maior será a energia – no caso, trata-se da energia potencial, que ao
se transformar em energia cinética durante a descida aumentará progressivamente a velocidade do
carrinho. Qualquer objeto levantado do solo contém energia potencial, criada pela força da gravidade.
Mas a corda de um relógio, por exemplo, ou um pedaço de elástico esticado também possuem energia
potencial armazenada.
A palavra energia foi usada pela primeira vez num texto científico, em 1807, pela Royal Society in-
glesa, por sugestão do médico e físico Thomas Young (1773-1829). Outra de suas idéias brilhantes foi a
definição de energia como a capacidade de realizar trabalho, ou seja, deslocar determinada massa por
uma distância. Essa definição é o ponto-chave para a compreensão do conceito – e também para se
entender os segredos da montanha-russa. Depois de ultrapassar o topo do ponto de partida, o carrinho
escorrega em desabalada viagem ladeira abaixo sem a ajuda de motores ou máquina. A partir daí, to-
dos os movimentos eletrizantes da montanha-russa podem se tornar uma aula experimental de Física.
Superinteressante. Janeiro de 1989. Trecho adaptado.

Física 2 - Aula 2 17 Instituto Universal Brasileiro


Energia mecânica: cinética e potencial
menos força e nos cansaríamos menos,
Conceito de energia
consumindo menos energia do que para ar-
O termo energia é muito empregado rastar o piano.
em nossa vida diária. Com efeito, dize- O conceito de energia usado no dia a
mos, por exemplo, que um atleta despende dia, embora satisfatório na vida comum, é
“energia” ao erguer do chão até a altura muito vago para os objetivos da Física. Ne-
de sua cabeça uma massa de 100 kg. Após cessitamos de um conceito mais claro, sus-
um dia de intenso trabalho, à noite estamos cetível de avaliação numérica, para cálculo
cansados e dizemos que gastamos a nos- da energia.
sa “energia”, que deverá ser restabelecida
pelo repouso e pela alimentação. Na Física, define-se então, ener-
gia de um corpo (ou sistema de corpos)
como a capacidade que possui esse cor-
po (ou esse sistema de corpos) de reali-
zar trabalho. Pode-se dizer que o traba-
lho que um corpo ou sistema de corpos
realiza, mede a sua energia. No estudo
da Mecânica, classifica-se a energia em
duas modalidades mais importantes que
juntas determinam a energia mecânica
(Em): a energia cinética (Ec) e a energia
potencial (Ep).

Percebemos então, que não existe


qualquer atividade humana isenta do uso ou
da necessidade de energia, mesmo quando
estamos dormindo. Para repor as energias,
uma pequena parte continua a ser consu-
mida, para que os nossos órgãos, coração,
cérebro etc., continuem a funcionar corre-
tamente. A energia total do universo é sem-
pre constante, podendo ser transformada
de uma forma para outra; entretanto, não
Ao arrastar um piano através de uma pode ser criada e nem destruída.
sala, ficamos muito cansados; dizemos,
então, que o esforço realizado na execu-
ção daquela tarefa consumiu parte de nos-
sa energia. Também percebemos que, se
tivéssemos que arrastar o piano através
de uma distância maior que a anterior, por Quase toda a energia vem do Sol
exemplo, o triplo da distância anterior, fi-
caríamos mais cansados ainda, isto é, ne- A maioria absoluta das fontes de ener-
cessitaríamos gastar mais energia, ou seja, gia que o ser humano utiliza tem como origem
a energia vinda do Sol: por meio da fotossín-
o triplo da energia gasta no caso anterior.
tese, as plantas absorvem a energia solar e
Mas, se tivéssemos que carregar um sofá
a armazenam na forma de ligações químicas
pela mesma distância, precisaríamos fazer
Física 2 - Aula 2 18 Instituto Universal Brasileiro
em compostos de carbono. Extraímos essa
Ec = mV
2
energia dos vegetais, queimando a madei-
ra, o carvão vegetal, o bagaço ou a palha. 2
Absorvemos a energia que vem dos vege-
tais, quando nos alimentamos e isso man-
tém a vida e o corpo em funcionamento.
Moinhos e barcos à vela movem-se gra-
ças à energia dos ventos, que surgem do
aquecimento de massas de ar pelo Sol; as
chuvas são a precipitação das nuvens, for-
madas pela evaporação causada pelo calor
do Sol. O petróleo, o carvão mineral e os
gases combustíveis, formaram-se da de-
composição de plantas e animais que exis-
tiram em outras eras e que armazenaram a Veja o exemplo abaixo
mesma energia do Sol, há milhões de anos,
em cadeias de carbono.
Um corpo de massa m = 1 kg move-
se com velocidade constante de 20 m/s.
Qual a sua energia cinética?

Solução: A energia cinética desse


corpo é dada por:

E c = mV
2

onde, neste exemplo,

m = 1 kg
V = 20 m/s V2 = 400 m2/s2

A sua energia cinética será:

Ec = 1 x 400 Ec = 200 kg m2/s2


2
Mas há exceções. A energia nuclear
não tem origem no Sol, e a energia geotér-
mica, ainda pouco explorada, provém do Teorema da Energia Cinética
magma quente existente no interior da Terra.
Ainda outra forma de energia renovável e lim- Pela segunda lei de Newton, quando
pa, pesquisada atualmente, e não provenien- um corpo de massa m sofre ação de uma
te do sol, é a energia gerada pela quebra de força resultante R, não nula, ele irá apre-
moléculas que contêm hidrogênio. sentar uma aceleração a. Se R for cons-
tante, a aceleração poderá ser calculada
pela Equação de Torricelli:
Energia cinética (Ec)
onde,
É a energia que um corpo possui, de- VF é a velocidade final;
vido ao seu estado de movimento. Se o Vi é a velocidade inicial;
corpo possui massa m e velocidade V, a ∆x é o deslocamento.
sua energia cinética (Ec) é:
Física 2 - Aula 2 19 Instituto Universal Brasileiro
VF2 = Vi2 + 2 . a . ∆x em que a força é constante, também
A equação acima pode ser escrita: vale para o caso em que a força não é
constante. A trajetória também não pre-
Vi2 + 2.a.∆x = VF2 cisa ser necessariamente retilínea.
2. Deste teorema, concluímos que
Se passarmos Vi2 para o 2º mem- as unidades de medida de Energia Ciné-
bro: tica são iguais às de Trabalho. Assim,
2.a.∆x = VF2 - Vi2 no SI, a unidade de Energia Cinética é
o Joule (J).
E se isolarmos a.∆x:
VF2 - Vi2
a.∆x = Veja o exemplo detalhado a seguir
2
VF2 Vi2 que nos apresenta o uso do teorema
a.∆x = -
2 2
Qual o trabalho que deverá ser rea-
Multiplicando por m, lizado por uma força de 20 N, para que
uma partícula de massa m = 2 kg adqui-
m.a.∆x = mVF - mVi
2 2

2 2 ra, a partir do repouso e sob a ação dessa


força, uma velocidade de 10 m/s ?
Como ∆x é o deslocamento de R = m . a
mVF2 mVi2 Solução:
R.d= - Pelo teorema da energia, esse tra-
2 2
balho é dado por:
Como o trabalho da força resultante que
T = mVF - mVi
2 2
age em um corpo, paralela ao deslocamento é:
2 2
TR = R . d, então, se:
mVF2 mVi2 onde Vi é a velocidade inicial, que neste
R.d= - caso é igual a zero: Vi = 0 (a partícula par-
2 2
te do repouso); Vf é a velocidade final e,
neste problema, Vf = 10 m/s.
TR = ECf - ECi
Então:
T = mVF - mVi
2 2
onde, ECf = energia cinética final do corpo,
2 2
e ECi = energia cinética inicial do corpo. sendo m = 2 kg; Vi = 0 e Vf = 10 m/s.

Portanto, o trabalho realizado pela for- T = 2 .102 - 2 . 02


ça R, quando o ponto material percorre a 2 2
distância d, é igual à variação da sua ener- T = 2 .100 - 2 .0
gia cinética. Esta afirmação é conhecida 2 2
como Teorema de Energia Cinética. T = 200 T = 100 J
2

Energia potencial gravitacional (Ep)


1. Este teorema, apesar de ter sido Como sabemos de estudos anteriores,
demonstrado para um caso particular, o trabalho realizado sobre o movimento de
um ponto material pela força de gravidade
Física 2 - Aula 2 20 Instituto Universal Brasileiro
(que atua sobre todos os corpos), faz com Energia potencial
que se movimente para baixo.

Existem na natureza outras forças,


além da força de gravidade, que go-
zam da mesma propriedade que esta,
ou seja, o trabalho realizado por essas
forças, durante o deslocamento de um
ponto material, depende apenas das
Próximo à superfície da Terra, a ace- posições inicial e final do ponto mate-
leração da gravidade praticamente não rial, não dependendo da forma da tra-
depende da altitude (isto é, para altitudes jetória seguida por ele. Para tais forças
muito menores que o raio da Terra). Portan- estabelecemos o conceito de energia
to, sobre um corpo qualquer que se move potencial.
nessa região, a força peso que age sobre
ele será aproximadamente constante.

Suponhamos que um ponto material


de massa m se desloca de uma posição
A até uma posição B, segundo a curva
AB da figura.
B

∆h = h2 - h1
A h2

h1
Energia potencial é um tipo de
Solo
energia que o corpo armazena, quando
está a certa distância de um referencial
Como vimos anteriormente, o tra- de atração gravitacional ou associado a
balho realizado pela força de gravidade uma mola (energia potencial elástica).
(m.g), durante este deslocamento, de-
pende apenas dos pontos inicial e final,
e não da forma da trajetória. ► Sistema mecânico Terra-massa

Esse trabalho é dado por: Seja o sistema mecânico formado pela


Terra e um ponto material de massa m. Su-
T = mg (h2 - h1) ponha que queiramos erguer essa massa m
do solo até um ponto P, situado a certa altura
onde (h2 - h1) é a diferença de nível entre os h do solo, segundo uma trajetória qualquer,
pontos A e B. Representando (h2 - h1) , por conforme a figura abaixo:
∆h resulta
P
T = mg . ∆h
m
Este trabalho será resistente e, h2 = h
portanto, negativo, se o ponto material mg
mover-se de A para B, e será motor (po- h1 = 0
sitivo) quando o ponto material mover-se Solo
de B para A.

Física 2 - Aula 2 21 Instituto Universal Brasileiro


Observação: m = 8 kg Ep = m . g . h
Adotaremos h = 0 no solo. Neste g = 10 m/s2 Ep = 8 . 10 . 15
Então, exemplo h = 15 m Ep = 1.200 J
∆h = h2 - h1 será:
∆h = h - 0
∆h = h ►Sistema mecânico massa-mola

O trabalho que deveremos realizar Outro sistema mecânico que apresen-


contra a força de gravidade, será: ta uma forma diferenciada do uso e aplica-
ção da Energia Potencial (Ep) é o sistema
T = m g h, pois ∆h = h massa-mola, por exemplo: uma mola de
massa desprezível, presa em um suporte,
Esse trabalho que tivemos de forne- apresenta um comprimento L 0, conforme
cer à massa m não foi perdido, mas ficou a figura.
“armazenado” no sistema: Terra + massa
m. Isto se evidencia pelo seguinte fato: se
permitirmos à massa m que ela entre em
queda livre, então a força de gravidade
realizará, espontaneamente, um trabalho L0
T = m g h, devolvendo assim o trabalho
feito contra a força de gravidade, para co-
locar a massa m na posição P.
Então, devido a este fato, dizemos
que a massa m, quando localizada na po- Se na extremidade livre da mola, for fixa-
sição P, à altura h acima do solo, possui da uma massa m, observaremos que a mola
uma energia potencial, devido à posição irá se distender, até uma nova posição onde
que ocupa em relação ao solo. seu comprimento será L1.
Essa energia potencial que ela tem em
relação ao solo é medida pelo trabalho que
é necessário realizar contra a força de gra-
vidade, para elevar a massa m até a altura L0
h (e que é o trabalho que será devolvido
espontaneamente pela força peso, se for
L1
permitido à massa m voltar ao solo).
x
Representando por Ep, a Energia Poten-
cial do sistema Terra + massa m, temos que: Fe
m1

P (P = m1 . g)
Ep = m g h

A unidade de medida de energia po- Nesta situação, o peso P é equilibrado


tencial no SI também é o joule (J). pela força de reação da mola Fe (força elástica
da mola).
Veja o exemplo que detalha mais cla- Sendo x = L1 - L0, experiências constatam
ramente essa medida de energia que a força elástica de reação da mola é:

Um corpo de massa 8 kg encontra- Fe = K . x


se a 15 m de altura do solo. Qual a sua
energia potencial?
Onde K é chamada de constante elásti-
Física 2 - Aula 2 22 Instituto Universal Brasileiro
ca da mola (varia de mola para mola, depen-
dendo, dentre outros fatores, do material de kx2
Área = x . kx = TF = kx
2
que é feita a mola). 2 2 e 2

Veja o exemplo a seguir para


verificar a aplicação dessa força: Portanto, o trabalho realizado contra a
força exercida pela mola é dado pela quan-
Qual a força exercida por uma mola, tidade kx2/2, onde X é a variação do compri-
cuja constante elástica vale 50 N/m, quan- mento da mola. A grandeza kx²/2 é chamada
do ela é esticada 20 cm? de energia potencial da mola. Ela mede a
energia que deve ser empregada para compri-
Solução: mir (ou esticar) a mola, variando o seu compri-
Temos que: Fe = K. x mento de um valor X.

Onde: Observe com atenção este outro


K = Constante elétrica da mola = 50 exemplo de força elástica:
N/m;
x = variação do comprimento = 20 cm Qual a energia potencial de uma
= 0,2 m. mola de constante elástica k = 50 N/m,
quando comprimida de 10 cm em relação
Então: ao seu tamanho normal?
F = 50 x 0,2 Solução:
F = 10 N
k = 50 N
m
►Força elástica proporcional Temos:
x = 10 cm = 0,1 m
Então, aprendemos, através do exem-
Ep = 50 . (0,1)
2
plo acima, que a força elástica é propor- E p = kx
2

cional à variação de comprimento da mola, 2 2


X = L - L0. Observe que esta variação no
comprimento da mola corresponde ao des- Ep = 50 . 0,01 = 0,5
locamento da massa m. Se desejarmos cal- 2 2
cular o trabalho da força elástica, devemos 0,25 J
calcular a área no gráfico:
Fe Observe que se
aumentamos x,
aumentamos Fe,
pois Fe = K . x
Kx
As forças que atuam sobre os
Altura
Área corpos e que promovem movimentos
necessitam e envolvem energia, pois
x
x a mesma faz parte de todo e qualquer
Base corpo, como a que nós consumimos em
nossas atividades cotidianas profissio-
Como a área é um triângulo,
nais, esportivas e lazer, as quais repo-
mos por meio de repouso, descanso e
Área = base x . altura
2 uma alimentação saudável.

Física 2 - Aula 2 23 Instituto Universal Brasileiro


Forças conservativas e potencial em energia cinética; quando a mas-
forças dissipativas sa m se choca contra a estaca, parte da ener-
gia cinética é transformada em calor (que é
uma modalidade de energia, como veremos
Forças conservativas oportunamente) e parte em trabalho contra a
Como vimos anteriormente, o trabalho força de resistência do solo à penetração da
realizado pela força de gravidade sobre o mo- estaca.
vimento de um ponto material de massa m,
não depende da trajetória do ponto material,
mas apenas de sua posição inicial e de sua
posição final. Forças que gozam desta pro-
priedade não alteram a energia do sistema e
são chamadas de forças conservativas.
Essas forças possuem uma proprieda-
de importante: o trabalho realizado contra
elas não é perdido, mas pode ser nova-
mente recuperado, desde que seja permi-
tido ao sistema voltar à sua situação inicial.
A força gravitacional e a força elástica são
exemplos de forças conservativas.
Suponha que realizamos certo traba-
lho contra a força de gravidade, para er- Outro exemplo é a força
guer uma massa m do solo até uma altu- elástica de uma mola
ra h; este trabalho não foi perdido, mas foi
empregado para aumentar a energia poten-
cial da massa m, em relação ao solo.
Podemos dizer que ele foi “armazena-
do” sob a forma de energia potencial. Se
permitirmos a esse corpo voltar à sua po-
sição inicial, entrando em queda livre, ele
perderá a energia potencial adquirida e de-
volverá, assim, o trabalho que tivemos de
realizar para erguê-lo do solo até a altura A força exercida por uma mola, por
h. Portanto, essa energia que ele devolve, exemplo, varia com a variação de seu
realizando um trabalho, pode ser aprovei- comprimento. Apesar de não ser uma for-
tada para a realização de uma tarefa útil ça constante, ela é conservativa. O tra-
como fincar uma estaca ou mover o meca- balho realizado contra a força elástica da
nismo de uma máquina. mola, para comprimi-la (ou para esticá-la),
também não é perdido, mas fica “arma-
Veja o exemplo da máquina de bater zenado” na mola sob a forma de energia
estacas, mostrada na imagem potencial elástica. Se permitirmos à mola
recuperar a sua forma normal, ela devol-
Na máquina bate-estaca, uma massa é verá essa energia potencial armazenada,
erguida até certa altura, gastando-se nessa ta- realizando espontaneamente um trabalho
refa determinada quantidade de energia (com- que poderá ser utilizado em alguma tare-
bustível). Essa energia é transformada, en- fa útil, como por exemplo, para fechar uma
tão, em energia potencial. A seguir, deixa-se porta, mover um mecanismo de uma má-
a massa cair, transformando assim a energia quina ágrícola ou de um relógio etc.

Física 2 - Aula 2 24 Instituto Universal Brasileiro


Forças não-conservativas ou dissipativas
do aumento da temperatura causado
São aquelas que transformam a ener- pela força de atrito com o asfalto. O fe-
gia mecânica do sistema em outras formas nômeno é visivelmente ampliado em pis-
de energia, como som, calor e deformação. tas molhadas.
São forças cujo trabalho depende da traje-
tória realizada durante o movimento.
Energia Mecânica (Em)

Definição: Chama-se de energia


mecânica de um corpo (ou conjunto de
corpos), a soma de suas energias ci-
nética e potencial. Representando
a energia potencial por E p e a energia
cinética por Ec, a energia mecânica Em
será, então:

Em = Ep + Ec
O trabalho realizado contra as forças
dissipativas nunca é devolvido, constituin-
do essas forças uma causa da dissipação Quando um ponto material está sob a
de energia. É o caso da força de atrito. ação de forças conservativas, a energia me-
Para arrastarmos um objeto, por exemplo, cânica não sofre alteração, isto é:
temos necessidade de realizar um trabalho
contra as forças de atrito. Esse trabalho não Ep + Ec = Em = constante
será devolvido, sendo, portanto, um traba-
lho perdido, pois ele é totalmente usado Se a energia cinética diminuir de um
para vencer as oposições ao movimento do valor ∆Ec, a energia potencial deverá en-
objeto. A força de atrito faz um objeto parar, tão necessariamente aumentar de um valor
transformando parte de sua energia cinéti- ∆Ep(com ∆Ep = ∆Ec) ,de modo a manter o
ca inicial, em calor e som. valor de energia mecânica constante.

Um exemplo é a freada Teorema da Conservação da Energia


brusca de um carro

Afirma que a energia mecânica de um


ponto material não varia, quando sujeito à
ação de forças conservativas. Assim, por
Quando um carro freia bruscamente, exemplo, se um corpo de massa m des-
escutamos o som da freada e vemos a fu- lizar ao longo de uma rampa sem atrito,
maça dos pneus queimando, em virtude desde um ponto A até um ponto B, confor-
me a figura.
Física 2 - Aula 2 25 Instituto Universal Brasileiro
A V
inventivo sem sacrificar os recursos na-
A
turais no futuro. Sustentabilidade ener-
gética é uma forma de usar a energia
V para satisfazer as necessidades atuais,
hA B
B mas de modo a não comprometer as de-
hB mandas por energia, sobretudo a ener-
Solo gia elétrica, para as gerações futuras.

em A: EM,A = EC,A + EP,A


em B: EM,B = EC,B + EP,B

Se não há atritos ou outras forças dis-


sipativas, podemos afirmar que:

TER = ECf =- Eci E


MA MB

EC,A + EP,A = EC,B + EP,B

(a energia mecânica se conserva)

Energia mecânica: cinética


Não havendo atritos a energia e potencial
mecânica se conserva
Conceito de energia
A trajetória da massa m não precisa
ser, necessariamente, a que ocorre numa ► Na Física define-se energia de um
rampa como indica a figura acima. Pode ser corpo (ou sistema de corpos) como a ca-
uma trajetória qualquer; não havendo atri- pacidade que possui esse corpo (ou esse
tos, a Energia mecânica se conserva. sistema de corpos) de realizar trabalho.

Tudo o que existe em termos físicos e


quaisquer de nossas ações envolvem esse
conceito, pois a energia é responsável dire-
ta por elas, como pensar, andar, erguer um
objeto, andar, escrever, respirar etc. envol-
Energia e sustentabilidade ve o uso e a necessidade de energia.

A sustentabilidade energética de- Energia Cinética (Ec)


sempenha um papel importante no nosso
mundo e na atual geração populacional. ► É a energia para o movimento de
É uma forma de sermos capazes de fazer corpos ou objetos no plano horizontal
uso dos recursos presentes num processo e depende diretamente da massa e da

Física 2 - Aula 2 26 Instituto Universal Brasileiro


velocidade com que o mesmo se movi- Energia Mecânica (Em)
menta, pois quanto maior a distância e
maior a velocidade, maior será o consu- ► É a medida total de energia ne-
mo e a necessidade de energia para o cessária ou consumida em uma ação
que se pretende fazer. qualquer de movimento ou não, incluin-
do o consumo e a necessidade dela no
Ec = mV plano horizontal e vertical. Dada por:
2

2 E m = E c + E p.

Energia Potencial (Ep)

► É a energia para o movimento de


corpos ou objetos no plano vertical ou in-
clinado e depende da massa m, da altura
h e da gravidade g, à qual todos estamos
sujeitos (g = 10m/s2) para nos movimen- 1. Um corpo se move com velocidade
tarmos, pois, recordando, a descida é constante de 20 m/s e consome neste proces-
sempre mais fácil do que a subida, de- so uma energia cinética de 40.000 J. Em qual
vido a ação da gravidade. Sua forma de das alternativas abaixo, temos o valor correto
medida é idêntica ao trabalho realizado da massa desse corpo?
por um corpo ou objeto no plano vertical,
dada por: Ep = m.g.h. Portanto no plano a) ( ) 100 kg.
vertical Ep = Trabalho. b) ( ) 200 kg.
c) ( ) 30 kg.
Forças conservativas d) ( ) 400 kg.

►Aquelas que não modificam a 2. Um objeto de 5 kg possui energia po-


energia mecânica do sistema. Exem- tencial gravitacional igual a 1000 J em relação
plos: força gravitacional e força elásti- ao solo. Adote g = 10 m/s². Assinale a alter-
ca. O trabalho não depende da trajetó- nativa que mostra a altura em que o corpo se
ria das forças. encontra do solo.

Forças não conservativas, a) ( ) 20 m


ou dissipativas b) ( ) 50 m
c) ( ) 100 m
►São aquelas forças que trans- d) ( ) 200 m
formam a energia mecânica em outras
formas de energia, como som, calor e 3. Uma mola armazena 8 J de ener-
deformação, cujo trabalho depende da gia potencial, quando é comprimida 0,2 m. A
trajetória realizada durante o movimen- constante elástica desta mola é igual a:
to.O trabalho realizado contra as forças
dissipativas nunca é devolvido, consti- a) ( ) 20 N/m
tuindo essas forças uma causa da perda b) ( ) 200 N/m
de energia. É o caso da força de atrito. c) ( ) 40 N/m
Esse trabalho não será devolvido, sen- d) ( ) 400 N/m
do, portanto, um trabalho perdido, pois
ele é totalmente usado para vencer as 4. Um objeto de 10 kg tem energia ciné-
oposições ao movimento. tica igual a 180 J. O módulo de sua velocidade
é igual a:
Física 2 - Aula 2 27 Instituto Universal Brasileiro
a) ( ) 3 m/s até atingir uma altura máxima H, em relação
b) ( ) 6 m/s a CD. A velocidade do esqueitista no trecho
c) ( ) 18 m/s CD e a altura máxima H são, respectivamen-
d) ( ) 36 m/s te, iguais a:

5. Uma caixa de 10 kg esta a 3 m de


altura em relação ao solo. Nesta situação, sua
energia potencial é igual a: (use g = 10 m/s2). B
A

a) ( ) 15 J
b) ( ) 30 J h
c) ( ) 150 J
d) ( ) 300 J C D

6. Uma mola de constante elástica igual


a 20 N/m, utilizada em uma competição es- a) ( ) 5 m/s e 2,4 m.
portiva olímpica deve possuir elasticidade de b) ( ) 7 m/s e 2,4 m.
até 1,25 m. Para o uso que se pretende fazer c) ( ) 8 m/s e 2,4 m.
nessas competição, qual a força máxima a d) ( ) 8 m/s e 3,2 m.
que ela resiste sem sofrer deformação perma-
nente. (Dados: F = K.x) Note e adote:
g = 10 m/s2
a) ( ) F = 25 N Desconsiderar:
b) ( ) F = 60 N - Efeitos dissipativos.
c) ( ) F = 70 N - Movimentos do esqueitista em relação
d) ( ) F = 80 N ao esqueite.

7. Um homem que trabalha com transpor-


te de cargas pesadas decide se arriscar, duran-
te uma brincadeira, a levantar um objeto de 150
Kg erguendo até uma altura de 0,25 m acima de
sua cabeça, qual a energia potencial envolvida
nesse movimento? (Adote: g = 10 m/s2). (Da- 1. b) ( x ) 200 kg.
dos: Ep = m.g.h)
Comentário. Neste tipo de exercício,
a) ( ) Ep = – 375 J basta destacarmos as informações e aplicar-
b) ( ) Ep = 450 J mos a fórmula.
c) ( ) Ep = 275 J Resolução:
d) ( ) Ep= – 425 J
V = 20 m/s
8. (FUVEST-2011 - Adaptada) Um es- Dados Pedido: m = ?
queitista treina em uma pista cujo perfil está Ec = 40.000 J
representado na figura abaixo. O trecho ho-
rizontal AB está a uma altura h = 2,4 m em Como EC = m . V,2 substituindo os
relação ao trecho,também horizontal, CD. O 2
esqueitista percorre a pista no sentido de A valores conhecidos,
para D. No trecho AB, ele está com velocida-
de constante, de módulo v = 4 m/s; em segui- 40.000 = m . (20)
2

da,desce a rampa BC, percorre o trecho CD, 2


o mais baixo da pista, e sobe a outra rampa
Física 2 - Aula 2 28 Instituto Universal Brasileiro
40.000 = m . 400 k . (0,2)2 = 2 . 8
2 k . 0,04 = 16
40.000 = m .200
k = 16
0,04
m = 40.000
200
k = 400 N/m
m = 200 kg

4. b) ( x ) 6 m/s
2. a) ( x ) 20 m
Comentário. Resolução:
Comentário. Resolução:
Neste exercício,
Neste exercício,
m = 10kg
m = 5 kg Dados Pedido: V = ?
Dados Pedido: h = ?
EC = 180J
EP = 1.000 J
EC = mV
2

Como EP = m g h, substituindo os 2
valores conhecidos,
180 = 10 . V
2

2
1.000 = 5 . 10 . h
10 V2 = 2 . 180
1.000 = 50 . h
10 V2 = 360
h = 1.000
50 V2 = 360
10
h = 20 m V2 = 36

V = 6 m/s
3. d) ( x ) 400 N/m

Comentário. Resolução: 5. d) ( x ) 300 J

Neste exercício, Comentário. Resolução:

EP = 8 J Neste exercício,
Dados Pedido: k = ?
x = 0,2 m
m = 10 kg
Pedido: EP = ?
Como EP = kx é a energia poten-
2
Dados h=3m
2
cial elástica, substituindo, g = 10 m/s2

8 = k . (0,2)
2

2 EP = m . g . h

Física 2 - Aula 2 29 Instituto Universal Brasileiro


sipativos, o sistema é conservativo. Consi-
EP = 10 . 10 . 3 derando o plano horizontal de referência, no
EP = 300 J trecho CD vamos calcular inicialmente a ve-
locidade naquele trecho:

6. a) ( x ) F = 25 N E mec AB = E mec CD
Comentário. Resolução:
A energia mecânica corresponde à soma
F = K.x das energias cinética e potencial:

K = 20N/m ; x = 1,25m
(Ec AB + Ep AB) = ( Ec CD + Ep CD)
Substituindo na fórmula temos: a Ep no ponto CD é zero.

F = 20.1,25
Substituindo os dados do problema:

F = 25 N
mV2AB + mgh = mV2 CD
2 2
7. a) ( x ) – 375 J
42 + 10 . 2,4 = V2 CD
Comentário. Resolução: 2 2
8 + 24 = V 2

2
Ep = m.g.h V = 32 . 2
2

V = 64
m = 150 kg g = 10 m/s2

V = 8 m/s
h = 0,25 m(25 cm)
No ponto de altura máxima da
Ep = 150 . 10 . 0,25 rampa, após o trecho CD a velocidade
é nula. Portanto, a E c é zero. Vamos
EP = 375 J calcular a altura H, até onde o esquei-
tista subiu:
(Em valores absolutos)
(Ecin + Ep)AB = (Ec + Ep) final

Obs.: Como o movimento é para mV2 AB + mgh = mgH


cima, é o contrário da forma de ação 2
da força peso, em função da gravidade. 4 + 10. 2,4 = 10 H
2

Portanto, a Energia Potencial (E p) deve 2


ser indicada na forma negativa, ou seja
Ep = – 375 J. 8 + 24 = 10 H
32 = 10 H
8. d) ( x ) 8 m/s e 3,2 m
H = 3,2 m
Comentário. Como não há efeitos dis-
Física 2 - Aula 2 30 Instituto Universal Brasileiro

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