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cm R alfh 0 .

M uncaster

H IISJl

m
R a lfh 0. M u n c a s t e r

REIS BO O K DIGITAL

examine/.
EVIDENCIAS Ia Edição

Traduzido por Degmar Ribas

CPJD
Rio de Janeiro
2007
Todos os direitos reservados. Copyright © 2007 para a língua portuguesa da Casa Publicadora
das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina.

Título do original em inglês: Examine the Evidence


Harvest House Publishers, Eugene, Oregon, EUA
Primeira edição em inglês: 2004
Tradução: Degmar Ribas

Preparação dos originais: Gleyce Duque


Revisão: Luciana Alves, César Moisés e Elaine Arsenio
Capa: Josias Finamore
Projeto gráfico e editoração: Alexandre Soares

CDD: 230 - Cristianismo


ISBN: 978-85-263-0870-1

As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Corrigida, edição de 1995,
da Sociedade Bíblica cio Brasil, salvo indicação em contrário.

Para maiores informações sobre livros, revistas, periódicos e os últimos lançamentos da


CPAD, visite nosso site: http://www.cpad.com.br

SAC — Serviço de Atendimento ao Cliente: 0800-21-7373

Casa Publicadora das Assembléias de Deus


Caixa Postal 331
20001-970, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

I a edição/2007
Dedico esta obra, com amor, ao
meu avô e xará, Ralph Olsen -
seu amor abundante
permanecerá, eternamente,
como uma fonte de inspiração
Agradecimentos

Sou muito grato a Michael Spicher, mestre em Apologética Cristã


no Southern Evangelical Seminary, por sua ajuda incansável e des­
prendida à edição técnica deste projeto. Também estou muito grato
aos Doutores Norman Geisler e Thomas Howe, professores do
Southern Evangelical Seminary, por terem trabalhado com o Sr. Spicher
como consultores.

Também estou grato a Kurt Goedelman, da Personal Freedom


Outreach* por sua generosa provisão de fotos dos sítios arqueológi­
cos da Terra Santa.

* Personal Freedom Outreach é “uma organização sem fins lucrativos e não denominacional
que tem três objetivos: educar os cristãos sobre os perigos representados pelas seitas
religiosas e suas doutrinas heréticas, usar o evangelho de Jesus Cristo para alcançar os
membros destas seitas, e advertir os cristãos sobre ensinos não-bíblicos que possam estar
sendo divulgados dentro das próprias igrejas”.
O site desta organização é www.pfo.org. Também é possível entrar em contato através da
Caixa Postal 26062, St. Louis.MO 63136; (314) 921-9800.
“Na obra E x am in e a s Evidências, o ex-ateu Ralph Muncaster
apresenta vastas evidências que validam as reivindicações das
verdades do cristianismo. Ralph fornece argumentos amplamen­
te convincentes com base na ciência, nas profecias bíblicas, na
história e na arqueologia. Este livro ajudará os cristãos a com­
preender a análise racional e as razões físicas que estão por trás
da fé cristã. Ele também será uma ajuda valiosa para os não-
crentes que estiverem à procura da verdade.”
— D r. N orm an Geisler
Co-autor da obra N ão Tenho Fé S uficien te p a r a Ser Ateu
Presidente do Southern Evangelical Seminary

“Em sua obra prima E xam in e a s E vidên cias, Ralph Muncaster


estrutura uma brilhante apologia em defesa da fé Cristã. Este ex-
cético destaca que, dentre todas as religiões e filosofias na terra,
somente uma — o cristianismo — pode ser verificada e compro­
vada depois de ser testada. O autor mostra os fatos em uma
ordem lógica, e de uma forma que facilita a leitura.”

— D. Jam es K ennedy, Ph.D.


Autor da obra P or q u e Creio;
Pastor Presidente, Coral Ridge Presbyterian Church,
Ft. Lauderdale, Florida

“O novo livro de Ralph Muncaster, E x am in e a s E vidên cias, é


uma ferramenta esplêndida para ajudar os cristãos a explicar e
defender a fé. Eu o recomendo de forma enfática.”
— Dr. Ronald Nash
Autor da obra L ife’s Ultimate Questions;
Professor de filosofia no Southern Baptist
Theological Seminary, Louisville, Kentucky
“O livro de Ralph Muncaster, E x am in e a s Evidências, apresenta
evidências incontestáveis a respeito de Deus, de Jesus, e da Bí­
blia Sagrada de uma maneira que facilita a compreensão. A sua
meticulosidade e perfeição, aliadas a recursos como, por exem­
plo, versículos para memorização, conceitos chave inseridos nos
textos, além de testes e atividades em grupo, tornam-no uma
obra ideal para o aprendizado individual ou em grupo. Este
livro é um recurso muito necessário para as igrejas que deseja­
rem que seus membros se aprofundem nas verdades fundamen­
tais das Escrituras, enquanto estão sendo preparados para de­
fender a sua fé à medida que procuram trazer outros ao Reino
de Deus.”
— Dr. Fred a Crew s, D.Min., Ph.D ., CCMHC
Decano e Diretor da International University
for Graduate Studies,
School of Christian Counseling and Religious Studies;
apresentador do programa de TV em rede nacional, Time f o r H ope
Sumário
Preparação para a sua Viagem, a Caminho de uma Fé M aior......13

Parte 1 —Evidência da E xistên cia de Deus n a C riação


1. Evidência através da Observação da C riação...............................31
2. Analisando o Registro F ó ssil..............................................................47
3. Criação, Ciência e a Bíblia ................................................................. 63
4. A Complexidade dos Seres V ivos.....................................................77
5. Avaliação cla Impossibilidade de uma Origem
Randômica cla V ida............................................................................... 93
6. Mutações: Um Mecanismo Defeituoso para a Evolução........ 107
7. A Irredutível Complexidade: Um Grande
Problema Transicional....................................................................... 121
R esum o e C o n clu sã o ................................................................................. 133

Parte 2 —Evidência da Confiabilidade da Bíblia


8. A Bíblia É cientificamente Precisa ................................................. 143
9. A Estrutura da B íb lia...........................................................................153
10. Os Manuscritos do Mar Morto, a Septuaginta, e como
Foram Validados por Je s u s ............................................................... 171
11. A Grande Divulgação dos Manuscritos do
Novo Testam ento................................................................................ 181
12. Documentos Não-Cristãos a Respeito de Jesus .........................191
13- Os Primeiros Patriarcas (ou Pais) da Igreja
Confirmam a B íb lia............................................................................. 209
14. Evidências Arqueológicas do Antigo Testam ento..................... 221
15. Evidências Arqueológicas do Novo Testam ento....................... 239
R esum o e C o n clu sã o ................................................................................. 261

Parte 3 —Evidência de Deus, da Bíblia e de Jesu s n a Profecia


16. Profecia: O Teste de D e u s............................................................... 267
17. Por que a Profecia é um Teste C onfiável................................... 27^
18. Provas de Profecias Relacionadas aos Maiores
Eventos Históricos............................................................................... 285
19. Prova Profética do Deus do Judaísm o......................................... 297
20. As Profecias e Je s u s ............................................................................305
E xa m in e a s E v id ên c ia s

21. As Profecias do Antigo Testamento Descrevem o Messias


perfeitamente ........................................................................................317
22. Prova Estatística das Profecias de
Jesus Comparada a O u tras............................................................... 327
Resum o e C o n clu sã o ................................................................................. 339

P arte 4 - E vid ências da R essu rreiçã o de Je s u s


23. Por que Testar as Afirmações da Bíblia a Respeito de Jesus? ....345
24. O Túmulo Vazio................................................................................... 351
25. O Martírio dos A póstolos................................................................. 367
26. Testemunhas na Época de Je s u s .....................................................379
27. Os Primeiros Mártires Cristãos e a Igreja Cristã.........................395
R esum o e C o n clu sã o ................................................................................. 409

P arte 5 —P ergu n tas B íb lica s C om uns


28. Por que Deus Permite o Sofrimento?............................................ 413
29. A Trindade............................................................................................. 429
30. Como Analisar Supostas Contradições na Bíblia Sagrada......447
31. Revisão das Supostas Contradições Específicas.........................463
32. De que Maneira Jesus é Diferente dos
outros Líderes Religiosos?................................................................. 475

P arte 6 —Seis Estudos In d ep en d en tes da H istó ria do M undo e da


B íb lia
33- De Noé até o Período dos Ju izes....................................................501
34. Do Reino Unido cie Israel até Alexandre, o G rande............... 505
35. De Alexandre, o Grande, até N ero................................................ 509
36. De Nero ao Imperador Constantino..............................................513
37. Do Imperador Constantino à Reforma Protestante...................517
38. Da Reforma até a Igreja Moderna.................................................. 521

P alavra Final: C om o C o n h ecer a D e u s ...........................................S25


A pêndice A: Uma L ista de V erificação de Perguntas
p ara E v o lu c io n is ta s ................................................................................. 527
A pêndice B: A nálise das P rofecias do Antigo T e s ta m e n to ......531
N o ta s ................................................................................................................541
B ib lio g ra fia ...................................................................................................553

12
Preparação para a sua
Viagem, a Caminho
de uma Fé Maior

ADVERTÊNCIA — Uma p r a g a m ortal atin girá você!

A
JL JL notícia correu o mundo inteiro. Jornais, televisão, os meios de
comunicação de todos os tipos anunciam o surgimento de um novo
vírus, que vive nas partículas de pó da atmosfera superior. O vírus
“Dybbuk” se propaga pelo mundo diariamente e desce ã terra perio­
dicamente. No final, acabará infectando cada homem, mulher e cri­
ança no planeta. Contrair o tal vírus corresponde a mais lenta e dolo­
rosa morte que se pode imaginar. As vítimas sentem uma terrível dor
de garganta, que torna o ato de comer praticamente impossível. Gra­
dualmente, uma sensação ardente penetra nos vasos sangüíneos e
percorre todo o corpo. Cada parte do corpo parece ser engolida pelo
inferno — um fogo que não pode ser extinto. Feridas irrompem na
pele. Minúsculos vermes que acompanham o vírus crescem nas feri­
das e se multiplicam, espalhando-se por toda parte, enquanto se ali­
mentam cla carne que está apodrecendo. Lentamente, muito lenta­
mente, o fogo eterno entope os vasos capilares cio organismo —
desabilitando o mesmo membro de uma vez, até que, finalmente,
não há sangue suficiente para irrigar o cérebro. Não existe cura...
somente prevenção.
Mas a prevenção é garantida, e simplesmente exige um pouco de
tempo, investigação e comprometimento para ser obtida. I )iversas
publicações médicas estão disponíveis a todos, cada uma delas reve-
E x a m in e a s E v id ên c ia s

lando possíveis antídotos — mas somente um deles funciona. A vaci­


na correta não é difícil de ser identificada por um indivíduo — no
entanto, existem pessoas tentando convencer a todo mundo que a
sua alternativa favorita é a “certa”. Cabe a cada pessoa escolher um, e
som en te um, antídoto para usar. Neste mundo imaginário, cada esco­
lha deve ser secreta, de modo que não existem “estudos de pesquisa”
para orientar no processo. Se o antídoto correto for escolhido, a pes­
soa será poupada. Caso contrário, o terrível destino a espera.
O nosso grupo de amigos íntimos consiste de John, um dinâmico
vendedor; Maiy, uma tranqüila dona de casa; Richard, um jovem
mergulhador; e Joan, uma paupérrima moradora de rua. Todos estão
assombrados com as notícias da epidemia mundial. Em resposta a
elas, imediatamente eles saem e compram diversas publicações mé­
dicas de salvar vidas em potencial.
Surpreendentemente, embora ninguém saiba quando um golpe
de “vento infectado” pode descer da troposfera — isto pode aconte­
cer em qualquer dia — somente Joan começa a pesquisar nas publi­
cações imediatamente.
“Eu farei isto na semana que vem”, diz Richard, que está planejan­
do uma viagem às Ilhas Cayman para praticar mergulho.
Mary está apática. “Eu não estou preocupada”, diz. “Eu sou uma
boa pessoa, que se mantém ativa e bastante saudável, de modo que
eu não espero que nada realmente ruim aconteça”.
“Nós ainda não tivemos nenhuma morte na nossa área”, ri John,
passando pela porta com tacos de golfe sobre o ombro. “Vou investigar
isso logo, mas agora tenho um cliente importante para impressionar.”
Joan, lutando financeira e emocionalmente, guarda tudo o que des­
cobre para si, e depois de duas semanas descobre o antídoto “correto”.
O que você faria? Decide sair de férias? Fica apático? Concentra-se
no seu trabalho ou no seu jogo de golfe? Ou começa a pesquisar?
O tempo passa. Um por um, os seus amigos são vitimados —
devastados pela praga irrefreável. Como é horrível ver cada um deles
“derrubado”. Repetidamente, as lágrimas enchem os seus olhos, e
você se pergunta por que eles deram tanta prioridade a outras coisas,
ou não se preocuparam o suficiente para investigar a maldição que
certamente iria atingir a todos.

14
P repa ra çã o para a su a V ia g e m , a C a m in h o d e u m a F é M a io r

A História da Praga Dybbuk É um


Exem plo de uma Decisão Cristã
Todo homem, mulher e criança da terra morrerá no final. É como
a praga Dybbuk, ninguém pode evitar isso. E todos terão uma eterni­
dade de intensos sofrimentos, a menos que obtenham o dom gratuito
da salvação por intermédio de Jesus Cristo. Além disso, tudo o que
precisamos saber para termos uma vicia alegre na terra e uma vida
eterna na presença de Deus pode ser aprendido em um único livro
— a Bíblia — desde que dediquemos tempo para aprender sobre o
presente de Deus que é Jesus Cristo, e aceitá-lo. Há outros livros
disponíveis, e promovidos por outras pessoas. A chave é descobrir o
“antídoto correto” para a redenção definitiva com Deus.
No entanto, como no exemplo acima, mesmo que todas as pesso­
as saibam que acabarão morrendo, poucas dedicam algum tempo
para analisar objetivamente a verdade a respeito da eternidade.
Freqüentemente as pessoas têm outras prioridades, como férias ou
carreiras profissionais — ou simplesmente ficam apáticas. Muitas ve­
zes as pessoas crêem que todas as religiões são praticamente a mes­
ma coisa, e não dedicam tempo para descobrir as diferenças. Isto
implica a aceitação das crenças religiosas por parte da família ou de
amigos.
A Bíblia nos ensina que existe somente um Caminho (um antído­
to) para a vida eterna (Jo 14.6). Além disso, Deus forneceu evidências
suficientes de que este único Caminho é Verdadeiro e Seguro. As
evidências estão em toda parte — desde registros históricos até fun­
damentos científicos à profecias milagrosas e descobertas arqueoló­
gicas. Somente o cristianismo pode fornecer um apoio tão grande.
Este texto examina as evidências.
Jesus — o maravilhoso Redentor de Deus —- convoca cada um
de nós, que já descobriu este “presente milagroso” a contar aos
outros sobre Ele. Embora a praga Dybbuk seja um modelo imaginá­
rio da situação que toda a humanidade enfrenta, as conseqüências
da escolha religiosa antes da morte são reais. Embora cada um de
nós tenha a sua própria responsabilidade de procurar o verdadeiro
relacionamento com Deus, contá-lo a outros também é a incumbên­

15
E x a m in e a s E v id ên c ia s

cia de cada um de nós. Como seria terrível saber que os nossos


amigos e entes queridos sofrerão desnecessariamente na terra e na
eternidade... simplesmente porque nunca receberam o “antídoto”
correto para o pecado. Você pode contar a eles. Você pode ensinar
aos outros, para que também digam aos seus entes queridos. Este
livro irá ajudá-lo.

Este Livro Irá Ensiná-lo a Com partilhar


(S.H.A.R.E.)
Contar aos outros sobre Jesus pode — e deve - ser fácil, natural e
divertido — e não um confronto terrível como sentem algumas pes­
soas. Um programa que envolve um pouco de preparação, e que
pode utilizar outras ferramentas prontamente disponíveis chamado,
S.H.A.R.E., mostra como partilhar as Boas Novas sobre Jesus com
outros. (Veja no Apêndice A.)

Uma Aventura de Descobrim ento


Prepare-se para uma viagem fascinante, rica de percepções na fé
cristã. Moisés passou 40 dias no monte para receber a instrução de
Deus sobre os Dez Mandamentos. Jesus passou 40 dias com os seus
discípulos, ensinando-os, depois da sua ressurreição. Neste livro, você
será conduzido por 40 lições (capítulos) de fé. Na conclusão, a sua fé
no cristianismo deverá ser mais forte do que nunca, porque obterá
uma percepção muito maior dos fatos e das evidências que susten­
tam o cristianismo. Assim sendo, aperte o cinto de segurança e pre­
pare-se para começar!

40 Lições de Fé
A Bíblia é o projeto do cristianismo. Mas, muitos já perguntaram:
Quão exata ela é? As palavras originais eram confiáveis, ou meramen­
te a fantasia de alguém? Eram mitos criados e escritos muitos séculos
depois? Foram as palavras transmitidas com precisão a partir dos re­
gistros originais, ou foram cometidos enganos? Posteriormente a igre­

16
P repa ra çã o para a su a V ia g e m , a C a m in h o d e um a F é M a io r

ja alterou a Bíblia para adequá-la às suas necessidades? Existem mui­


tas perguntas como estas.
Outros podem perguntar quais evidências sustentam a Bíblia. Ela
está de acordo com outros registros da história do mundo? Existe
evidência arqueológica para sustentar o que ela afirma? Ela está de
acordo com o conhecimento científico? As respostas a estas e outras
perguntas irá nos conduzir a uma empolgante aventura de descobri­
mento da riqueza de evidências que sustentam o cristianismo.

O Cristianism o é uma Religião Baseada na História


É extremamente significativo o fato de que o cristianismo é uma religião
baseada na história. De todas as religiões do mundo, somente o judaísmo (o
alicerce do Antigo Testamento do cristianismo) e o cristianismo são verdadei­
ramente baseados na história. Somente o cristianismo se apóia inteiramente
em um conjunto de eventos históricos (a crucificação e a ressurreição). O
islamismo, embora contenha muita informação baseada em história, não apre­
senta nenhum a doutrina baseada em
qualquer reivindicação ou evidência
de divindade do seu líder, Maomé. E O cristianismo é a única reli­
as religiões orientais, como o budismo, gião verdadeiramente ba­
o hinduísmo e a religião criada por seada em história — o que
Confücio, embora criadas por pessoas
significa que a sua crença
históricas, não têm doutrina nem qual­
essencial baseia-se em dois
quer reivindicação de conhecimento
divino que dependa de nenhum even­ eventos históricos. Isto perm i­
to histórico específico das suas vidas. te que ela seja verificada e
O cristianismo depende comple­ testada, ao passo que outras
tamente da morte e da ressurreição religiões se fundamentam
de Jesus Cristo. Sc- estes dois even­
somente sobre crenças filo ­
tos profetizados não tiverem ocorri­
sóficas mais fracas.
do, então o cristianismo é controver­
so e não tem significado. Quando a
Bíblia é subdividida na sua forma
mais simples, todo o Antigo Testamento revê, essencialmente, a separação
do homem de Deus, e a necessidade de uma oferta de expiação pelo

17
E xa m in e as E v id ên c ia s

pecado. A resposta definitiva para a reconciliação foi então predita,


por meio de profecias, como sendo um sacrifício futuro perfeito do
próprio Deus — Jesus Cristo. Sem este sacrifício definitivo não have­
ria reconciliação com Deus. Assim, o fato histórico da crucificação (o
sacrifício prometido) é absolutamente essencial.
Embora a crucificação fosse o verdadeiro sacrifício e necessária
para redimir a humanidade, a ressurreição também é vital para o
cristianismo. Isto porque todas as declarações de Jesus de que Ele era
o Messias, que possibilitaria um relacionamento restaurado com Deus,
dependem da sua realidade como um convincente porta-voz — nes­
te caso, o próprio Deus, sob forma humana. A ressurreição é a prova
da declaração de que Ele é Deus. A prova não está somente no espe­
tacular evento de que Ele derrotou a morte — algo que ninguém
mais fez — mas também na sua exata profecia deste evento. O cum­
primento de uma profecia é um teste crítico de que alguma coisa veio
de Deus. E, neste caso, estamos falando de uma pessoa, do Senhor
Jesus Cristo, que é Deus (veja a parte 3).

Decidindo Seguir a Palavra Provada de Deus


Uma vez que o cristianismo se apóia na história, ele pode ser
verificado e testado. Se ele pode ser provado como exato, especial­
mente em um nível elevado de certeza “divina” (se nós pudermos
demonstrar que ele é inspirado divinamente), então seria prudente
submeter-se à sua orientação e rejeitar a crença e a doutrina qúe o
contradigam. Estas são ações que devem parecer óbvias para uma
pessoa objetiva, porque muitas questões — e, o mais importante,
toda a eternidade — residem na comparação. Mesmo assim, muitas
pessoas, sabendo disso, se recusam a investigar o cristianismo — ou
simplesmente se recusam a aceitar que ele se baseia no conhecimen­
to que eles têm.
Por que alguém iria rejeitar o cristianismo, se ele pode ser verda­
deiramente comprovado como sendo de Deus? Algumas das razões
mais comuns são:

• eles não entendem realmente como obter um relacionamento


com Deus (isto c, a mensagem do evangelho)

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P repa ra çã o para a su a V ia g e m , a C a m in h o d e um a F é M a io r

• eles não compreendem as conseqüências de não ter um relaci­


onamento eterno com Deus (Jo 3.36)
• eles estão imersos em uma
religião baseada na família,
baseada na comunidade, ou
Este livro pretende ser um
baseada na cultura, e não
estão dispostos a investigar program a pessoal para
outras religiões ajudá-lo a descobrir a evi­

• eles são apáticos dência que suporta o cristi­

• eles têm medo de investigar anismo, conduzindo a:


a religião (é como ter medo 1) uma fé mais forte,
de ir ao médico, para que 2) um am or crescente por
não se descubra o que há de Deus, e
errado)
3) uma preparação para
Mas se o cristianismo for verda­
contar aos outros sobre
de, se for o único caminho para
Jesus.
ter um relacionamento com Deus
por toda a eternidade (como indi­
ca a Bíblia), então seria uma horrível tragédia que alguém não tivesse
pelo menos uma oportunidade de compreender as boas novas do
evangelho, o fundamento que há por trás dele, e as conseqüências
por não segui-lo. Certamente esta é uma razão essencial para o co­
mando definitivo de Jesus, de ir e “fazer discípulos” em todas as
partes.

A Im portância de Construir uma Fé Racional


Algumas pessoas pensam que somente ter f é em Deus, até mesmo
o Deus da Bíblia, é tudo o que importa. Elas dizem, às vezes com
bastante orgulho, que não é necessário que tenham fatos que susten­
tem a sua fé. No entanto, se admitirmos que a Bíblia é claramente a
Palavra inspirada de Deus, então precisamos entender que o coman­
do de Deus n ã o é que nós aceitemos “cegamente” as noções sobre
Ele. O risco ao fazer isto deve ser óbvio. Isso poderia levar à aceita­
ção de várias idéias “cultas” que conduzem ou à “morte” prematura

19
E xa m in e as E v id ên c ia s

na terra (considere Jim Jones, David Koresh, ou Marshall Applewhite,


de Heaven’s Gate [Porta do Céu]) — ou à morte eterna, por seguir
uma falsa religião.
Tal “fé cega” pode facilmente resultar de acompanhar a família ou
os amigos na escolha de crenças religiosas, em vez de fazer uma
investigação honesta e objetiva a respeito da verdade. Uma vez que o
cristianismo fundamenta-se na história, ele pode ser facilmente testa­
do. Por mais atraentes que possam parecer as crenças religiosas de
alguém, isso não importará nem um pouco, se as mesmas não forem
verdadeiras. E a sinceridade, por mais profunda que seja, não é um
bom medidor da verdade. Independentemente de como alguém é
atraído para longe da verdade, a Bíblia indica que as conseqüências
são devastadoras. Todo este livro lida com a verificação de evidênci­
as de Deus, de Jesus e da Bíblia.
Com respeito às pessoas que são suscetíveis à f é cega, essas com
freqüência abrem a sua Bíblia e apontam para Hebreus 11.6:

_______Um V e r s í c u lo p a ra M e m o r i z a r ----------------
Sem f é é im possível a g ra d a r-lh e [a Deus], p o r q u e é n ecessá­
rio q u e a q u e le qu e se a p ro x im a d e D eus c reia q u e Ele existe
e q u e é g a la r d o a d o r d os q u e o bu scam (Hb 11.6).

A tendência é 1er a primeira parte deste versículo e parar: “Sem fé


é impossível agradar-lhe [a Deus]...” No entanto, o restante do versículo
fornece outra informação crítica sobre a fé. Ele indica que “é necessá­
rio que aquele que se aproxima de Deus c re ia que Ele existe”. Por­
tanto, o significado é que a fé, que o dicionário Webster’s define
como uma “crença inquestionável” baseia-se em um “sentimento” de
que alguma coisa é verdadeira. O fu n d a m e n to p a r a este sentim ento
inquestionável, no entanto, é m uito im portante. Como seres huma­
nos, temos a oportunidade de considerar as nossas crenças de.forma
racional, o que normalmente vem de um teste ou de uma experiência
m ais racion al. E uma vez que o cristianismo baseia-se na história, ele
fo r n e c e op o rtu n id ad e p a r a testes racion ais.

20
\
P repa ra çã o para a sua V ia g e m , a C a m in h o d e um a F é M a io r

A última parte de Hebreus 11.6 também é crucial para compreen­


der como a fé agrada a Deus. Ela diz que Deus “é galardoador dos
que o buscam”. Novamente, nós vemos que Deus não deseja sim­
plesmente a “fé cega”, mas em vez disso, quer que as pessoas o
busquem fervorosamente, o que com certeza sugere que o ser huma­
no faça uso de todos os dons que Deus forneceu — inclusive de
forma especial a mente — a fim de conhecê-lo.
Em resumo, Hebreus 11.6 diz que devemos procurar a Deus com
tudo o que somos (espírito, força e mente), e que seremos recompensa­
dos. Aparentemente, u m a recompensa chave será a fé racional e forte.
Uma fé tão forte, então, conduz à fé inabalável.

Os Apóstolos Precisavam de Fé Racional


Considere os primeiros apóstolos. Eles tinham todo o ensinamento
direto de Jesus, no entanto, quando Ele foi crucificado, desmoronaram. A
fé deles despedaçou-se. Por quê? Porque ainda não era sustentada por
uma crença racional de que Jesus era quem dizia ser — Deus, sob a forma
humana. Depois da ressurreição, tudo isso mudou. Então, os discípulos
tiveram a prova. Eles tiveram uma razão racional para crer. Podiam sim­
plesmente ter crido, com fé, antes da ressurreição, mas não o fizeram... e
conheciam a Jesus pessoalmente. Eles tinham até mesmo visto os seus
muitos milagres. Jesus sabia como os discípulos iriam agir, antes de mor­
rer. Se Jesus previu que os discípulos, que o conheciam pessoalmente,
precisariam de evidências racionais que sustentassem a sua reivindicação
de ser Deus, por que, da mesma maneira, não esperaria que nós também
desejássemos as evidências (e às vezes até precisássemos delas)?

Crença e Fé Racionais para Conhecer a Deus


A Bíblia nos ordena que examinemos tudo para saber se vem de
Deus.

i----------- Um V e r s í c u lo p a r a M e m o r i z a r _________

E x a m in a i tudo. R etende o bem (1 Ts 5.21).

21
E xa m in e as E v id ên c ia s

Desenvolver a fé
racional nos ajuda a Este versículo diz que de­
1. conhecer a Deus (nós somos re­ vemos examinar tudo, inclu­
sive as próprias palavras da
compensados quando buscamos
Bíblia e aqueles que dizem
a Deus - Hb 11.6)
falar por ela. Certamente a ra­
2. am ar a Deus (nós amamos a zão para examinar (ou testar)
Deus com o nosso entendimento - é saber que este ensinamento
M c 12.30) e esta informação em que
3. compartilhar Deus (nós podemos baseamos a nossa vida e eter­
nidade são, verdadeiramente,
estar preparados para dar uma
de Deus, e não de algum fal­
razão para a nossa esperança por
so profeta. A Bíblia também
meio de Jesus Cristo - 1 Pe 3.15) nos fornece o teste definitivo
— a profecia 100% perfeita
(veja a parte 3):

_______Um V e r s í c u lo p a ra M e m o r i z a r ------------
Eu sou Deus, e n ã o b ã ou tro Deus, n ão h á outro sem elh a n ­
te a m im ; q u e a n u n c io o fim d esd e o p rin cíp io e, d esd e a
an tig u id ad e, a s coisas q u e a in d a n ã o su cederam .
(Is 46.9,10)

Este versículo proclama que Deus é único e exclusivo — “não há


outro”; “não há outro semelhante a mim”. Além disso, este versículo
indica co m o Deus é único e exclusivo — Ele anuncia “o fim desde o
princípio”. Há muitas outras passagens na Bíblia onde a profecia é
indicada e usada como um teste de que alguma coisa é verdadeira­
mente de Deus. Por esta razão, uma atenção considerável é dada à
evidência profética e histórica de Deus, Jesus e da Bíblia neste livro.
Como foi observado acima, desenvolver uma crença racional em
Deus é importante como o princípio do estabelecimento de um rela­
cionamento com Ele. Seguir o deus errado pode ser desastroso. Mui­
tas influências podem conduzir alguém a uma crença equivocada:

22
P repa ra çã o para a sua V ia g e m , a C a m in h o d e uma F é M a io r

família, amigos, uma comunidade, um líder inspirador, costumes ou


apatia. Selecionar a autoridade correta para guiar o conhecimento de
um relacionamento com Deus é importantíssimo. Faz sentido que a
autoridade não seja humana, uma vez que os seres humanos podem
cometer erros e ter motivos equivocados. As pessoas mudam. Algu­
ma coisa que transcende à humanidade, como as garantias escritas
de um livro santo como a Bíblia, seria uma autoridade mais perma­
nente e mais confiável. Este livro demonstrará por que a Bíblia é
merecedora de confiança, e que tem toda a autoridade.

Fé e Crença Racional para Amar a Deus


Jesus ensinou que o maior de todos os mandamentos é amar a
Deus, com todo o nosso coração, alma, forças e entendimento:

---------- Um V e r s í c u lo p a ra M e m o r i z a r — _______
A m arás, pois, a o Senhor, teu Deus, d e todo o teu co ra çã o , e
d e tod a a tu a alm a, e d e todo o teu entendim ento, e d e
tod as a s tuas fo r ç a s (Mc 12.30).

Este versículo indica que devemos amar a Deus com todo o nosso
ser. Para simplificar a compreensão, Marcos define as maneiras como
devemos amar a Deus. O c o r a ç ã o significa o âmago do amor (inclu­
indo a em oção) que Deus deseja, talvez semelhante ao amor emoci­
onal humano que nós sentimos pelos outros. A a lm a significa um
amor espiritual que transcende à humanidade. É um amor inato que
existe dentro do nosso ser — o sentimento de que existe um Deus
que podemos e devemos nos conectar. As fo r ç a s indicam o amor que
Ele espera por meio das nossas ações. Seja servindo ativamente aos
outros, demonstrando o amor de Deus, ou em um leito de morte,
servindo como uma inspiração, por meio da fé e da coragem, Ele
deseja que nós o amemos com todas as forças que nos concede.
Finalmente, o versículo acima mostra claramente que amar a Deus
com todo o nosso ser, também inclui amá-lo com o nosso entendim ento.
Ele não o coloca em segundo lugar, depois do amor emocional, do

23
E x a m in e as E v id ên c ia s

espiritual, ou do amor dedicado ao serviço. Ele está completamente


integrado. E por que não deveria estar? Deus dotou os seres humanos
com uma coisa exclusiva, entre todas as criaturas — um entendimento.
Uma vez que somos criados à sua imagem, sabemos que isso até mesmo
reflete (a uma pequena proporção) a mente de Deus. Devemos amá-lo
com o nosso entendimento. Este tipo de amor implica um entendimento
racional a respeito de quem Deus realmente é, e um amor impressionan­
te que inspira temor, e que é um resultado deste entendimento.

Fé e Crença Racional para Compartilhar Deus


As últimas palavras de Jesus aos seus discípulos foram para que
saíssem e compartilhassem o evangelho:

_________ U m V e r s íc u l o p a r a M e m o r iz a r — -----------
Ide, portan to, J a z e i discípulos d e todas a s nações, b a tiz a n ­
do-os em n om e d o Pai, e d o Filho, e d o Espírito Santo
(Ml 28.19,20 ARA).

Este é um mandamento vital para toda pessoa que tem um relaci­


onamento com Deus, por intermédio de Jesus Cristo. A razão é que a
única maneira de ser redimido, em um relacionamento apropriado
com Deus, por toda a eternidade, é por intermédio de Jesus — cren­
do no seu sacrifício na cruz e na sua ressurreição, e tomando a deci­
são de aceitá-lo, tanto como Senhor e Salvador.

Um V e r s í c u lo p a r a M e m o r i z a r .................

Eu sou o cam in h o, e a verdade, e a vicia. N inguém vem. a o


P a i sen ã o p o r m im (Jo 14.6,7).

É de extrema importância que as pessoas conheçam e aceitem o


dom da redenção, dado por Deus, por intermédio de Jesus Cristo. O
que poderia ser mais claro do que a afirmação de que somente aqueles
que crêem em Jesus terão a vida eterna? (No significado pleno da

24
P r epa ra ç ã o para a su a V ia g e m , a C a m in h o de uma F é M a io r

língua original, “crer” significa confiar


completamente em Jesus). Além dis- Aque|0 que crê nQ Fj|ho
to, está igualmente claro que aqueles . ,
. . _ tem a vida eterna, mas
que o rejeitarem (ou nao o aceitarem)
não verão a vida e terão que suportar aquele que não crê no Fi-
a ira de Deus. Que escolha — a vida lh° não verá a vida, mas a
eterna ou a ira de Deus! Isto nos leva ira de Deus sobre ele per-
ao segundo grande mandamento que manece (Jo 3.36).
Jesus ensinou:
Conhecendo a extrema necessidade de aceitar a Jesus como
Senhor e Salvador, como pode alguém amar verdadeiramente ao
seu próximo, como a si mesmo, sem compartilhar o evangelho —
e obedecer ao mandamento de Jesus, de “fazer discípulos de to­
das as n açõ es”?

---------Um V e r s í c u lo p a ra M e m o r i z a r ................

E o seg u n d o... é: A m arás o teu p róx im o com o a ti m esm o.


N ão b á ou tro m a n d am en to m a io r d o q u e este (Mc 12.31).

Duas Maneiras de Usar este Livro


Este livro lhe ajudará em tudo o que foi dito acima: 1) conhecer a
Deus, 2) amar a Deus, e 3) compartilhar Deus. Embora tenha sido
escrito para ser lido seqüencialmente, ele foi planejado de modo que
qualquer segmento possa ser lido como uma seção isolada. Além
disso, ele foi escrito para ser lido com um destes dois objetivos:

1. Puro divertim ento - Alguns desejarão ler E xam ine a s Evidências


exclusivamente para divertimento na sua própria jornada de fé.
Deixe que a sua curiosidade lhe conduza em uma aventura de
descobrimento bíblico. Olhe o índice e vá para as áreas de seu
interesse. Folheie o texto, parando onde lhe chamar a atenção.

25
E x a m in e a s E v id ên c ia s

Ou, se você tiver uma pergunta específica, tente encontrar a


resposta, usando as opções de referência e índice disponíveis.
2. Estudo sério — Alguns irão desejar ter uma abordagem mais
séria e estudar o material, para ensinar aos outros, ou para
evangelismo. Em primeiro lugar, seria prudente verificar o seu
conhecimento dos fundamentos his­
tóricos da Bíblia e do cristianismo. Se
Podemos realmente am ar você sentir que ele é relativamente
fraco, os “Seis Estudos Independen­
a outra pessoa que não
tes” (parte 6) estão planejados de for­
conhece a Jesus se não
ma esquemática como um guia, para
com partilharm os o evan­ ajudá-lo a obter uma compreensão
gelho com ela? mais clara cia história da Bíblia e da
igreja, e como ela se encaixa na his­
tória do mundo. Se o seu conhecimen-
to bíblico e do cristianismo já é suficientemente forte, poderá
começar logo com a parte 1, a seguir. Para um estudo sério, o
texto deverá ser coberto de forma seqüencial.

Recursos para um Aprendizado Fácil


Os seguintes recursos irão ajudar você a organizar o seu pensa­
mento e aprendizado em qualquer um dos dois casos:

• In ú m eras referên cias cruzadas-. Referências úteis estão inseridas


ao longo de todo o texto.
• In form ações im portantes: Informações que são importantes para
o aprendizado estão colocadas lateralmente, ao lado do texto
principal.
• M em orize isto: Informações importantes ou passagens das Es­
crituras que devem ser memorizadas estão em destaque com
um sombreamento especial.
• Fatos fa s c in a n te s : Informações que são de interesse especial
estão colocadas em um quadro.
• A valie o q u e v ocê ap ren d eu : No final de cada capítulo, há um

26
P r epa ra çã o para a su a V ia g e m , a C a m in h o d e um a F é M a io r

teste que pode lhe ajudar a avaliar o seu conhecimento a res­


peito do que você acabou de ler.
• Estudo em gru po: Um programa para estudo em grupo é suge­
rido no final de cada capítulo. Isso fornece diretrizes para 40
seções que podem ser escolhidas para aulas de estudo da Bí­
blia, seminários ou pequenos grupos.
Seja qual for a razão do seu interesse nesse livro, simplesmente sen-
te-se, relaxe e comece a percorrê-lo. Pense nas suas próprias perguntas.
Ou pense nas pessoas que podem se beneficiar dos conceitos que você
aprenderá. Você pode perceber uma orientação para uma necessidade
educacional em particular. Se for este o caso, dedique um momento para
esquematizar um plano de estudos
pessoal, abrangendo as áreas de inte­
resse específico para você. Estai sempre preparados
E, o mais importante, esteja pre­ para responder com mansi­
parado para desfrutar a sua viagem dão e temor a qualquer
de conhecimento da evidência para que vos pedir a razão da
a fé cristã. Saiba, com plena certeza,
esperança que há em vós.
que, quando você tiver terminado de
— 1 Pe 3.1 5
ler este livro, terá à sua disposição,
a informação necessária para fazer
aquilo que o apóstolo Pedro nos exortou a

27
Pí 1

Evidência da Existência
de Deus na Criação

------ Um V e r s í c u lo p a ra M e m o r iz a r ......... .
P orq u e a s su as coisas invisíveis, d esd e a c r ia ç ã o d o m u n d o,
tanto o seu etern o p o d e r co m o a su a divin dade, se en ten ­
dem e cla ra m en te se vêem p e la s coisas q u e estão c r ia d a s ,
p a r a q u e eles fiq u e m inescusáveis (Rm 1.20).

beleza delicada de uma borboleta. A força estron­


dosa das ondas. O arom a de uma rosa. A majestade
dos Alpes. A harm onia da floresta tropical. O espetá­
culo do céu. O m ilagre de um bebê recém-nascido. To­
das essas coisas testemunham a glória de Deus. Todas
essas coisas são evidências da sua existência. Todas são
"claram ente vistas" e indicam o seu poder e natureza
divinos, tornando "inescusável" qualquer dúvida a res­
peito da existência de Deus. Certamente a evidência
mais forte da existência de Deus é a da criação da vida
— que também inclui a evidência de que o surgimento
da vida, pelo acaso, é irracional; e, diriam alguns, im ­
possível.
1

Evidência através da
Observação da Criação

C omo a Bíblia descreve, em Romanos 1.20, o “eterno poder”


de Deus, e a sua “divindade” podem ser claramente vistos naquilo
que Ele criou, de modo que a humanidade é “inescusável” (em nâo
reconhecer a Deus). Quando se considera cuidadosamente a vida
propriamente dita, é bastante simples reconhecer se alguma coisa é
criada ou não.
Embora a maior parte desta seção trate de ev id ên cia s con cretas
(veja as páginas 35 e 36 para a definição de evidências concretas [ou
exatas] e evidências menos rigorosas [ou naturais]), existe certa quan­
tidade de ev id ên cias m enos rigorosas que nós deveríamos considerar.
Essas evidências baseiam-se em lógica direta. Por exemplo, certa vez
um missionário disse que tinha explicado o conceito de evolução —
que o homem descendia dos macacos — a um grupo de nativos que
vivia na Amazônia. Ele foi imediatamente recebido com grandes gar­
galhadas. Eles não conseguiam compreender como alguém podia
crer em uma coisa dessas.
Hoje temos a tecnologia de DNA, descobertas da biologia molecular,
e muitas outras evidências que indicam que as risadas dos nativos
estavam bem fundamentadas. Mas vamos examinar mais de perto a
lógica apresentada pelos nativos. Não devemos descartar o simples
processo de observação que os levou a rir.
E xa m in e as E v id ên c ia s

Acaso ou Criação?
O exemplo dos nativos da Amazônia exemplifica algo que tem sido
aparente ao longo de toda a história humana. Os seres humanos, tendo
um entendimento, podem prontamente reconhecer se alguma coisa foi
criada com um propósito ou se ocorreu por acaso. Alguma coisa criada,
projetada ou construída tem uma forma que desafia a aleatoriedade. Ela
parece ter um propósito. Pense em Stonehenge (o mais importante mo­
numento megalítico da Europa [2000 a.C.]). Basicamente, trata-se de um
simples agrupamento de rochas. Mas a cuidadosa forma das rochas, a
sua localização, a sua coerência em tamanho e o seu padrão nos levam
a admitir que as rochas não se agruparam ali por acidente. Elas recebe­
ram a sua forma e foram ali colocadas intencionalmente, embora possa­
mos somente especular quanto ao modo e ao motivo.
Da mesma maneira, imagine que você está passeando pelo deserto.
Pode pisar sobre centenas de pedras, aqui e ali chutando algumas. De
repente, uma “pedra” chama a sua atenção. Obviamente ela recebeu a sua
forma propositadamente. Depois de um momento, você reconhece que a
sua forma é a de a ponta de uma flecha. Não há dúvida, na sua mente, de
que é alguma coisa que foi criada. Ela tem uma forma. Aparentemente, ela
tem um propósito. E é normal e intuitivo chegar a esta conclusão.
Como um exemplo adicional, considere a formação rochosa “Cara
de Macaco” (Monkey Face), em Smith Rock, no Parque Estadual Smith
Rock, no estado de Oregon.

Cortesia de Oregon State Parks and Recreation Department.

32
E v id ê n c ia através d a O bserv a ç ã o d a C r ia ç ã o

Quando você olha a rocha, ela realmente parece um macaco. Mas


terá ela sido criada propositadamente? Não. Isto é óbvio para qual­
quer observador. Você pode chamar esta rocha de “rocha do gorila”,
ou “rocha da cabeça de dinossauro”, ou muitas outras coisas. Ela
exalta os macacos? Ou ela foi apenas formada ao acaso, e por acaso
parece com a cabeça de um macaco? (Hoje em dia, muitos alpinistas
adoram escalar Smith Rock, mas ela não foi criada com este objetivo).
Agora, considere outra rocha, uma que todos nós reconhecemos,
o Monte Rushmore.

Esta “rocha” obviamente foi criada. Na verdade, é uma rocha que


foi transformada em um monumento. Foram necessários, energia e
um projeto proposital para criá-la. E ela tem um objetivo claro —
honrar quatro grandes presidentes.
O exemplo acima demonstra como é natural ver a diferença entre
coisas criadas e coisas desenvolvidas aleatoriamente — até mesmo
com simples formações rochosas.

Os Sistemas dentro das Coisas Vivas


Lidar com um desenho em rochas é simples, em comparação com
as complexidades da vida. Vamos levar a nossa comparação um pas­
so adiante. Imagine que pousou em outro planeta. Você encontra
uma criatura parecida com um robô, com múltiplos componentes.

33
E x a m in e a s E v id ên c ia s

Talvez ele tenha “olhos” parecidos com um farol na cabeça. Talvez


tenha vários “braços” de alavancas de aço. E você percebe que ele
rola sobre um complexo conjunto de rodas que podem ser erguidos
e abaixados, para adequar-se ao terreno. Intuitivamente, você sabe
que este robô foi criado. Na verdade, reconhece que os seres huma­
nos são capazes de criar coisas como esta.
Ainda assim, por exemplo, os mesmos tipos de motores que seriam
usados em um robô como este são encontrados a o s trilhões n o corpo
hu m an o. Eles têm os mesmos componentes básicos — mas são 200 mil
vezes menores do que a cabeça de um alfinete. (Veja as páginas 83 e 84,
para mais informações a respeito destes “motores ATP”.) Cada célula do
nosso corpo possui centenas destes motores. E, em termos de eficiência,
no centro do motor há uma roda que gira aproximadamente 100 revolu­
ções por segundo.1 A biologia molecular da atualidade fez com que
ficasse muito fácil, para nós, compreender que fomos criados por algum
projetista incrivelmente inteligente, agora que somos capazes de investi­
gar a extraordinária máquina biológica, que nem sequer podemos ver.
Tudo isso não é novidade. Mesmo nos tempos antigos, as pessoas
percebiam os detalhes intrincados de uma flor, todos os componen­
tes minuciosos e complexos. Ou podiam observar uma centopéia —
tão pequena, e ainda assim, tão complexa. Examinando criaturas mais
complexas, eles perguntariam: Como todas as partes do corpo pare­
ciam “saber” como devem se unir? Como elas “sabiam” onde se en­
caixam? Como “sabiam” como se diagnosticar e se consertar? Como
elas “sabiam” como crescer? Como essas criaturas “sabiam” como se
reproduzir? As perguntas continuam indefinidamente. Mesmo na
“macro-escala” de plantas e animais complexos, a sua complexidade
e o seu projeto tem sido óbvio por milênios.
Vamos dar uma olhada em mais um exemplo, obtido dos recentes
progressos na biologia molecular: a surpreendente harmonia do “sis­
tema cle fábrica” de uma célula humana. Gerald Schroeder, PhD pelo
MIT, descreve da seguinte maneira:
Com a exceção das células sexuais e sangüíneas, cada célula
no seu corpo está produzindo aproximadamente duas mil
proteínas a cada segundo. Uma proteína é uma combinação

34
E v id ê n c ia através d a O bserv a ç ã o da C riaçã o

de um número de aminoácidos, de trezentos a mais de mil.


Um corpo humano adulto é constituído de aproximadamen­
te setenta e cinco trilhões de células. Cada segundo, de cada
minuto, de cada dia, o seu corpo, e o corpo de todo mundo,
está organizando aproximadamente 150 milhares, de milha­
res, de milhares, de milhares, de milhares, de milhares de
am inoácidos em cadeias de proteínas, cuidadosamente
construídas. Cada segundo; cada minuto; cada dia. O tecido
da qual nós, e toda a vida, somos feitos, está sendo continu­
amente tecido novamente, a uma velocidade tremenda e
assombrosamente rápida.2

É impossível à lógica supor que tais sistemas complexos — siste­


mas que trabalham juntos de uma maneira tão precisa e harmoniosa
— surgiram ao acaso. Isto é completamente absurdo.

Evidências Concretas (ou Exatas) Versus Evidênci­


as Menos Rigorosas (ou Naturais)
Uma ciência exata é uma ciência que obtém conclusões a partir cie
equações matemáticas ou com o uso de dados obtidos de experiênci­
as confiáveis e altamente previsíveis. As ciências exatas incluem a
física, a astronomia, a engenharia, a química e a biologia molecular.
As ciências naturais são as que fazem um estudo cie um assunto com
o uso da melhor observação e do melhor conhecimento disponíveis,
embora sem uma abundância de evidências concretas disponíveis a
partir das quais tira conclusões. As ciências naturais incluem a geolo­
gia, a paleontologia, a antropologia e a biologia básica.
Os experimentos e cálculos das ciências exatas levaram às leis e
fórmulas da física, termodinâmica, química e engenharia — todas
ciências exatas, e todas muito previsíveis. Essas são as ciências que
nos permitem construir pontes e edifícios com confiança, sabendo
que eles são seguros estruturalmente. Essas são as ciências que nos
permitem fazer o homem pousar na lua, ou lançar sondas espaciais
que percorrem distâncias imensas, de maneira previsível. E essas são

35
E x a m in e a s E v id ên c ia s

as ciências que nos permitem criar refrigeradores, fornos de microon­


das e remédios. Todos os dias, planejamos as nossas vidas, de acordo
com as ciências exatas. Pense nisto. Todas as vezes que dirigimos um
automóvel, passamos sobre um viaduto, subimos em um elevador,
bebemos água tratada ou tomamos algum remédio, estamos deposi­
tando as nossas vidas nas mãos daquilo que a ciência exata estudou.
Felizmente, a ciência exata é ex trem am en te confiável. A c iê n c ia n a ­
tu ral n ã o é.

Como os Evolucionistas Usam as Ciências Naturais


para Ensinar a Evolução
As ciências naturais têm sido usadas durante anos, no ensino da
evolução, nas escolas públicas. Algumas das observações das ciênci­
as naturais que são consideradas evidências a favor da evolução in­
cluem estudos de partes comuns do corpo (homologia), estudos
embrionários comuns (embriologia) e um uso inadequado do estudo
da m icroev olu çâ o como suporte para a m acro ev olu ção .
À medida que examinarmos mais detalhadamente estas e outras
declarações abaixo, veremos, repetidas vezes, que tais observações
deixam de fornecer evidências ou comprovações sólidas da teoria da
evolução. Os registros fósseis (uma ciência natural), tão respeitados
por muitos, falharam. A lógica e a intuição falharam. E o mundo da
física, nas ciências exatas certamente desapontou os evolucionistas.
Agora, as maiores fronteiras no estudo das origens — biologia
molecular, astrofísica e análises de probabilidades — estão desapon­
tando os evolucionistas também.
Embora alguns evolucionistas dedicados ainda estejam procuran­
do respostas razoáveis a partir das ciências exatas, a teoria da evolu­
ção não pode mais basear-se nas ciências exatas. Em vez disso, ela
fundamenta-se em especulações não comprovadas ou recai em no­
ções ultrapassadas das ciências naturais. Apesar disso, novas evidên­
cias, que mostram que a evolução é implausível, ainda não são ensi­
nadas nas nossas escolas. Na verdade, a evolução continua sendo
ensinada vigorosamente no nosso sistema educacional. Devemos nos
propor a esta pergunta: Por quê?

36
E v id ê n c ia através d a O bserv a ç ã o d a C ria çã o

SupÕe-se que a Evolução Seja Verdade


Infelizmente, vivemos em uma sociedade onde se supõe que a
evolu ção é um fato. Uma pesqu isa na literatura escrita por
evolucionistas indica que as conclusões foram baseadas na su posi­
ç ã o in ic ia l de que a evolução é um fato. Várias teorias foram, en­
tão, consideradas, para ver qual delas melhor se encaixava no “fato”
da evolução. Em tais casos, a evolução propriamente dita jamais foi
questionada. Nunca se sugeriu que um projeto inteligente e sobre­
natural poderia, na verdade, ser uma teoria mais razoável e ter mais
evidências que o suportassem. A suposição de que a evolução é um
fato tem resistido durante décadas, e isso somente mudará quando
os cientistas decidirem promover os fatos que agora são abundan­
tes, das ciências exatas.

Um Sistema Hermético de Pensamento


Em um livro escolar destinado à sexta série, intitulado Earth
Science, publicado em 2001 (e endossado pela National Geographic
Society), podem ser encontradas evidências de uma doutrinação
precoce em evolução. Salpicada por todo o texto estava a p ressu p o ­
siçã o da evolução:1

• “A vida vegetal (flora) evoluiu na terra.”


• “Nesta época, os animais começaram a mover-se sobre a terra,
com as plantas.”
• “As aves evoluíram dos dinossauros.”
• “As evidências fósseis mostram que os ancestrais das baleias e
dos golfinhos da atualidade já viveram na terra.”

A questão é que as crianças são ensinadas que a evolução é


um f a t o . E agora, muito mais de cem anos depois do livro m em o­
rável de Darwin, esta doutrinação está estabelecida nas mentes
de muitas pessoas — apesar das novas evidências. É somente
por causa destes muitos anos de pressuposições que a evolução
ainda continua nos livros escolares. Ela continua se perpetuando
assim:

37
E x a m in e a s E v id ên c ia s

1. As pessoas desejam saber sobre a origem da vida.


2. As pessoas procuram aqueles que são considerados especialis­
tas (os evolucionistas).
3. As pessoas ouvem a teoria cia evolução, um pouco modificada,
desde os tempos de Darwin.
4. Ninguém questiona os “especialistas”. A evolução permanece
arraigada no sistema educacional.

A evolução é pressuposta como Um exem plo disso é uma


matéria da capa cla revista Time,
sendo um fato pela m aioria
de outubro cie 1996. Robert
dos evolucionistas. Um sistema
W right afirm a no seu artigo
hermético de pensamento cau­ “Science and the Original Sin” (A
sou a idéia de que a evolução Ciência e o Pecado Original):
é "científica" e de que a cria ­
ção é a "re lig iã o " que resiste. Como a história da criação, o
Portanto a evolução continua livro cie Gênesis há muito,
sendo ensinada nas escolas. muito tempo, desintegrou-se
sob o peso da ciência, nota­
velmente a teoria da seleção
natural de Darwin.'

É triste, mas Robert Wright e os editores da revista Tim e estão


simplesmente desinformados acerca dos fatos.

Os Fatos Vêm à Tona


Agora, até mesmo evolucionistas dedicados reconhecem que o
neodarwinismo não é nada além de uma teoria — apesar das suas
próprias pressuposições de que é um fato. Tais cientistas repetida­
mente descrevem passos teóricos da evolução, usando palavras e
expressões como “talvez”, “possivelmente”, “nós pensamos que”, “se”,
e assim por diante. Na verdade, nem um sequer dos passos críticos
de transição identificados pelos evolucionistas tem qualquer evidên­
cia forte — e este problema é admitido pelos próprios arquitetos

38
E v id ê n c ia através d a O bserv a ç ã o d a C ria çã o

evolucionistas! Isto dificilmente parece uma teoria que esmagou


logicamente teorias de criação sobrenatural, tais como a do projeto
inteligente.
Hoje em dia, as evidências das ciências exatas estão possibilitando
que cientistas como o bioquímico, Dr. Michael Behe, o astrofísico Dr.
Hugh Ross, e o matemático Dr. William Dembski contradigam os pen­
samentos ultrapassados. Estamos vendo mudanças na maneira como
as evidências são consideradas. Na verdade, em breve teremos deixa­
do para trás a pressuposição comum da evolução como um fato.
Uma observação final deve ser feita, à medida que os cristãos
aprendem como usar as ciências exatas para demonstrar a glória de
Deus. Seria absurdo n eg ar que os astrônomos são capazes de predi­
zer um eclipse, ou que os engenheiros são capazes de construir uma
ponte segura, ou que os químicos são capazes de antecipar uma
reação química. Estas são ciências exatas nas quais aprendemos a
confiar. A maioria das pessoas deseja que seus filhos aprendam sobre
tais ciências. Essas e outras ciências similares colocam com precisão
o homem na lua, e enviam sondas espaciais com exatidão milimétrica
a Marte e Júpiter, exatamente na hora pré-determinada.
Mais adiante, neste texto, as mesmas ciências exatas serão usadas
para demonstrar um suporte poderoso a favor do Deus da criação e
a favor da exatidão da Bíblia. As ciências exatas também serão usa­
das na discussão da rev elaçã o g e r a l (Deus por meio da sua criação) e
rev ela çã o esp ecial (Deus por intermédio da sua Palavra — a Bíblia).
As ciências exatas fornecem o nosso conhecimento do universo e a
revelação geral de Deus, assim como uma abundância de evidências
que mostram a coerência entre a ciência e a Bíblia. Os cristãos devem
ser cautelosos para não criticar as ciências exatas porque elas prova­
ram ser tão dignas de confiança e previsíveis.
Os leitores devem ter este pensam ento na discussão da reve­
lação geral (que inclui o conhecim ento do universo). Não se deve
tentar seguir os dois cam inhos. Em outras palavras, perderíam os
a credibilidade se afirmássem os que a matemática avançada e as
leis da física são confiáveis, enquanto estamos olhando para eclip­
ses e enviando sondas espaciais a Marte e Júpiter, mas então, de

39
E x a m in e as E v id ên c ia s

repente, afirm ássem os que as equações e as leis da física se de­


sintegram quando avaliamos as fronteiras (e a idade) do univer­
so — usando exatam ente os m esmos princípios astronôm icos,
m odelos m atem áticos e m étodos. A matemática e as leis da física
são imutáveis.
Como uma regra geral, aceitar as ciências exatas e questionar
as ciências naturais é a maneira mais correta e também a mais
eficiente de apresentar Deus, a Bíblia e, por fim, Jesus, a um mun­
do incrédulo.

Mitos Observáveis Usados no Ensino da Evolução


Mito n° 1: Hontologia
A homologia é o mito de que similaridades observadas entre
criaturas diversas “provam” que estas criaturas tiveram um mesmo
ancestral evolucionário. Por exemplo, os seres humanos, os m orce­
gos e os gafanhotos, todos têm joelhos — um evolucionista que
usasse a homologia poderia afirmar, portanto, que todos eles ti­
nham o mesmo ancestral.
Este argumento é destruído, no entanto, quando comparado com
o argumento a favor de um Projetista Inteligente (Criador). Obvia­
mente, um bom projetista aplica um sistema bem sucedido de meca­
nismos similares — como o projeto de rodas para pranchas de “skate”,
bicicletas e automóveis.

Mito n° 2: A Microevolução é Igual à


Macroevolução
Evolução simplesmente significa “mudança” (no sentido de “de­
senrolar” ou “desenvolver”). A “evolução naturalista”, então, signifi­
caria “mudança devida a causas que ocorrem na natureza sem o
envolvimento de um agente inteligente”. No entanto, a mais comum
definição de evolução — a definição usada no nosso sistema escolar
— dá a entender muito mais cio que isto. Ela significa a m u d a n ç a de
u m a espécie rep rod u tora em ou tra esp écie reprodu tora. O livro de
Darwin, A Origem d as Espécies estabelece uma fundação razoável

40
E v id ê n c ia através d a O bserv a ç ã o d a C ria çã o

para a noção da seleção natural (veja a página 42). Mas muitos livros
escolares de biologia dão um grande salto no escuro e também a
citam como a fundação para o conceito da evolução interespécies.
Examinemos uma definição mais precisa destes termos.

M icroev o lu ção . A evolução (mudança) acontece internamen­


te, nas espécies em particular. Talvez a maneira mais segura de
identificar uma espécie seja pelo seu g en ó tip o (a sua constituição
genética). Alguns podem identificar um genótipo com o uma espé­
cie reprodutora.
Existe uma considerável variedade na estrutura genética de qual­
quer espécie. Por exemplo, um ser humano pode ter olhos azuis,
olhos castanhos, pode ter pele clara ou escura, pode ser alto ou
baixo, gordo ou muito magro... a lista continua, indefinidamente.
Todas essas variações em potencial existem no código de DNA hu­
mano de um indivíduo. Como a ciência moderna descobriu, o
“mapeamento”, ou a constituição, do genoma humano é cle 3,2 bi­
lhões de pares básicos de DNA. Esta informação permite uma enor­
me flexibilidade para que os humanos e outras criaturas se adaptem
ao seu ambiente. Este tipo de adaptação pode ser chamado de
m icroev olu ção. Ele tem sido observado, e é aceito por praticamente
todo mundo.

M acroevolução. A teoria evolucionária neodarwiniana está base­


ada no conceito de que uma espécie reprodutora pode converter-se
em outra. Este processo pocle ser chamado de macroevolução.
Hoje, somos capazes de compreender que saltos de aperfeiçoa­
mento podem acontecer, em uma espécie, porque ela já tem esta
capacidade no seu DNA. Mas uma espécie pode ser “aperfeiçoada”
somente “microevolucionariamente” — no sentido de sobreviver
para atender às circunstâncias. Como outro exemplo, bactérias que
apresentam variações em longo prazo estatisticamente válidas na
estrutura do DNA (porque o seu ciclo rápido de procriação permite
populações rapidamente mutantes — veja a página 110), ainda con­
tinuam sendo bactérias. Sim plesm ente, n ã o existe ev id ên cia , nem
m esm o n este caso, d e u m a m o d ific a ç ã o estru tu ral no DNA d a s b a c ­

41
E x a m in e a s E v id ên c ia s

térias q u e a s tran sform em em o rg a n ism os m ais com plexos. (A pala­


vra “variedade” é mais adequada para descrever os tipos modifica­
dos das bactérias.)

Seleção natural. A tendência que têm os genes favoráveis de


predominar em uma espécie, para permitir a sobrevivência dos mais
adequados, foi denominada seleção natural.
Darwin estava certo. A seleção natural é óbvia. Mas ela funciona
somente em um determinado genótipo. Há muitos estudos que de­
monstram que os conjuntos genéticos favoráveis sob determinadas cir­
cunstâncias sobrevivem e proliferam
para auxiliar uma espécie existente.
A microevolução é uma mo­ Mas não parece lógico que um pro­
dificação em uma espécie, e jetista inteligente projetasse esta
adaptabilidade em qualquer criação?
é verdadeira.
Somente um projetista incapaz iria
A mocroevolução é uma projetar um mecanismo que deixa­
transform ação de uma espé­ ria de funcionar se uma única cir­
cie em outra e nunca foi p ro ­ cunstância do ambiente fosse alte­
rada. Até mesmo os projetos huma­
vada. A microevolução não
nos incluem mecanismos de com­
prova a macroevolução.
pensação — por exemplo, a redun­
A seleção natural é o proces­ dância dos sistemas nos aeroplanos.
O que dizer da procriação de
so no qual um conjunto de
novas raças de cães, ou novos ti­
genes com uma vantagem de
pos de trigo? Não representam
sobrevivência, dom inará modificações genéticas que criam
uma população. Ela é obser­ novas espécies? Nós fomos capa­
vada na microevolução, mas zes de retocar o DNA existente para
não na macroevolução. efetivamente aprimorar alguns as­
pectos das espécies, por meio do
aperfeiçoamento da raça. Alguns
cães parecem mais atraentes quando filhotes, o trigo pode tornar-se
mais abundante e as vacas podem produzir mais leite.
Mas embora o aperfeiçoamento artificial dos humanos (ou mesmo
a mutação acidental) possa, às vezes, “aperfeiçoar” um organismo,

42
E v id ê n c ia através d a O bserv a ç ã o d a C riaçã o

em certo sentido, inevitavelmente ele prejudica o organismo de ou­


tras maneiras.

Mito n° 3- A Embriologia Suporta a Evolução


Uma vez que Darwin admitiu a existência de problemas para a
comprovação da sua teoria da evolução, a partir das evidências dos
registros fósseis e de modificações graduais, ele formulou a hipótese
de que a evidência das similaridades embrionárias iria suportar as
suas afirmações. E, realmente, os desenhos bastante conhecidos de
embriões, feitos pelo biólogo alemão Ernst Haeckel (1834-1919) pa­
reciam mostrar similaridades entre os embriões de várias espécies. A
partir dos desenhos, foram extraídas conclusões que suportavam a
evolução darwiniana.
Infelizmente, estes desenhos e estas conclusões provaram ser frau­
dulentos. A fraude envolveu: 1) uma adulteração dos embriões, ante­
rior aos desenhos; 2) uma seleção incoerente do estágio e da idade
dos embriões, e um desenho distorcido cleles; e 3) um engano quan­
to a quais espécies foram realmente usadas. Haeckel estava simples­
mente tentando dar suporte às suas próprias idéias.5

Mito n° 4: As Experiências de Miller-Urey, de Vida


Criada em Laboratório
Praticamente qualquer pessoa exposta ao ensino da biologia
nas últimas cinco décadas terá ouvido que, em 1953, Stanley Miller,
juntamente com o seu mentor, Harold Urey, desenvolveu um meio
científico de simular o am biente primitivo da terra e, nele, foi
capaz de criar os “elem entos fundamentais da vida”. Isso é imen­
samente enganador.
Em primeiro lugar, estes “elementos fundamentais da vida” con­
sistiam de alguns poucos aminoácidos — muito distantes das com ­
plexas proteínas, dos nucleotídeos, e da informação organizada ne­
cessária para a vida. Isto é o mesmo que produzir uma gota de tinta
preta, e afirmar que você criou o elemento fundamental de uma
enciclopédia.

43
E x a m in e as E v id ên c ia s

Em segundo lugar, a simulação de Miller e Urey do ambiente da


terra primitiva foi amplamente criticada. Eles bloquearam oxigênio
artificialmente e “capturaram” somente os aminoáciclos favoráveis ã
vida. No entanto, não há maneira de explicar como isto poderia ter
acontecido na terra primitiva.
Em terceiro lugar, praticamente nunca se m enciona que a vasta
maioria de com ponentes produzidos nestes experim entos era um
“alcatrão” destrutivo — que teria e lim in a d o qualquer vida primiti­
va. O balanço final é que um projeto impressionante de laborató­
rio, nos livros escolares de biologia, enganou as pessoas, fazendo-
as pensar que “a ciência criou vida”. Nada poderia estar mais lon­
ge da verdade.

v.
Avalie o que Você Aprendeu
1. Cite uma referência da Bíblia que indica que “o homem é
inescusável” quando se trata de reconhecer que a presença,
o poder e a divindade de Deus são aparentes na natureza.
2. Que exemplos você usaria para dizer a alguém que a diferença
entre projeto e criação aleatória é óbvia?
3- O que é ciência exata? O que é ciência natural?
4. O que é homologia? Embriologia? Microevolução costuma mos­
trar macroevolução? Por que elas não fazem sentido, como
evidências da evolução?
5. Quais são os problemas com as experiências de Miller-Urey?

jÈ)
Capítulo 1 — Estudo em Grupo
P rep aração p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: Romanos 1.20; Isaías 44.24; o capítulo 1 deste texto. Familiari­
ze-se com o Apêndice B. Também navegue em www.evidence-
ofgod.com e familiarize-se com as ferramentas a respeito de cria ç ã o
versus evolução.

44
E v id ê n c ia através d a O bserv a ç ã o da C riaçã o

O ração de A bertura
D iscu ssão: O exem plo do “relógio” surgido ao acaso parece
exagerado. Ninguém seria tão tolo a ponto de considerar a “evolu­
ção de um relógio”. Ainda assim, as pessoas estão prontas a crer
na evolução de um ser humano muito mais com plexo. Comente o
porquê.

Atividade Prática
R epresen tação: O objetivo é que o “cristão” apresente ao “não-
crente”, evidências convincentes, usando somente a simples observa­
ção, que Deus existe. O descrente deve usar os argumentos emprega­
dos no ensino “normal” da evolução.

O ração de E n cerram en to

45
2

Analisando o
Registro Fóssil

ssos antigos, fossilizados e criaturas antigas, tais como os


dinossauros s ã o fascinantes. Parece que estes restos podem nos
levar mais perto cle como a Terra realmente era há muito, muito
tempo. Mas devemos tomar muito cuidado com o que concluímos
de tais evidências não rigorosas, tendo em mente que estamos li­
dando com uma ciência natural que está obtendo conclusões
especulativas.
O registro fóssil é freqüentemente avaliado partindo-se da suposi­
ção da evolução — que é uma teoria em crise. É relativamente fácil
mostrar que o registro fóssil co n tra d iz a evolução.

Cortesia de www.creationism.org
E x a m in e as E v id ên c ia s

O Ponto Crucial da Controvérsia dos Fósseis


Muitos evolucionistas afirmam que o registro fóssil confirma a
evolução. Outros se envergonham, porque não o confirma. Por que
existe esta controvérsia?
Aqueles que sustentam que o registro fóssil confirma a evolução,
partem da suposição cie que a evolução é um fato, e então procuram
evidências que satisfaçam a sua crença. Por exemplo, eles irão procu­
rar estruturas de corpos aparentemente similares, esperando, desta
maneira, demonstrar que espécies diferentes têm um mesmo ances­
tral. Na realidade, isso não demonstra nada. Um argumento igual­
mente válido seria o de que estas espécies foram criadas diferentes e
completas, talvez até mesmo em épocas distintas no tempo.
Pense nisso. Antigos esqueletos humanos são com freqüência usa­
dos como exemplos da evolução do homem. Esta é uma prova muito
fraca. Examine as diferentes formas de esqueletos que existem no mundo
hoje em dia. No futuro, depois de milhões de anos, alguém poderia
desenterrar esqueletos na Ásia, Europa e na África, e cometer o mesmo
erro, formulando a hipótese cle que um era o ancestral do outro.
A suposição da evolução não se encaixa no modelo de boa ciên­
cia. Em vez disso, uma hipótese razoável deveria ser formulada em
primeiro lugar, cuidadosamente definindo os parâmetros para prová-
la. Por exemplo, suponha que a hipótese é que os peixes evoluíram
e se tornaram sapos (uma idéia que muitos evolucionistas defen­
dem). Critérios de teste poderiam, então, ser estabelecidos, para ver
se a hipótese se confirmaria. Por exemplo, seriam pesquisadas for­
mas cle vida transitória que tivessem nadadeiras com troncos, e ou­
tras em que tais troncos realmente começassem a tornar-se pernas.
Estaríamos procurando evidências fósseis, que mostrassem que o corpo
dos peixes começou a assumir a forma de um sapo. Poderíamos
procurar indicações de que as guelras estivessem começando a trans­
formar-se em pulmões. Esse tipo de teste científico ajudaria a forne­
cer evidências objetivas de uma transformação de peixes em sapos.
A razão por que tantos biólogos — sendo ou não evolucionistas
— não acreditam que o registro fóssil forneça evidências de evolu­
ção, é porque todos os organismos que constituem o registro fóssil

48
A n a lisa n d o o R e g is t r o F ó ssil

estão completamente formados e funcionais. Não encontramos lagar­


tos com pequenas penas começando a formar-se nas suas escamas.
As formas de vida fossilizadas, ou têm penas ou não. Não encontra­
mos organismos que apresentem somente o estojo da retina. Ou eles
têm globos oculares, ou não. Não encontramos nenhuma forma com
troncos para pernas. Ou eles têm pernas, ou não.

Que Tipo de Modificação o Registro Fóssil Revela?


O registro fóssil, na verdade, mostra que espécimes antigos têm
formas praticamente idênticas às formas de vida que existem hoje em
dia. Abaixo estão alguns exemplos:

• “Os mais antigos fósseis de animais residentes na terra são


milípedes (ou miriápodes), datando de mais de 425 milhões de
anos atrás. Inacreditavelmente, as formas arcaicas são pratica­
mente indistinguíveis de certos grupos existentes hoje em dia.”1
• “As jazidas fósseis cle Florissant, no estado de Colorado, são
internacionalmente conhecidas pela variedade e quantidade
(mais de 60 mil espécimes) de fósseis descobertos. Estes fós­
seis datam de aproximadamente 35 milhões de anos atrás, a
grosso modo, na metade do período compreendido entre a
idade dos dinossauros e os primeiros humanos. As descobertas
incluem mais de 1.100 diferentes espécies cle insetos. Segundo
a National Park Service’s Geologic Resources Division, ‘os fós­
seis indicam que os insetos, há milhares de anos, eram muito
parecidos com os de hoje em dia.’”2
• “Um negociante de fósseis encontrou águas-vivas fossilizadas,
incrustadas em aproximadamente quatro metros verticais de
rocha, o que, segundo os cientistas, representa um período de
tempo de até um milhão de anos. Segundo um artigo da agên­
cia Reuters, ‘A água viva fossilizada parece similar, em tama­
nho e características, às suas irmãs modernas.’”3
Se o registro fóssil confirma alguma coisa, ele confirma a realida­
de de poucas alterações. Plantas e animais que existiam há milhares
de anos são muito parecidos com as plantas e os animais de hoje.

49
E x a m in e as E v id ên c ia s

O Registro Fóssil Está Completo?


Charles Darwin escreveu em seu livro A Origem clas Espécies que,

A seleção natural pocle agir somente pela preservação e


acúmulo de modificações herdadas, infinitesimalmente
pequenas, benéficas ao ser preservado.1

Ele prosseguiu perguntando,

Por que, se as espécies descenderam de outras espécies,


por graduações imperceptivelmente finas, nós não encon­
tramos inúmeras formas de transição, por todas as partes?
Por que não está toda a natureza em confusão [ele está
falando sobre as plantas e os animais de hoje], em vez das
espécies como nós as vemos, bem definidas?1

Finalmente, ele se pergunta,

Mas, segundo esta teoria, incontáveis formas de transição


devem ter existido, por que não as encontramos incrusta­
das, em quantidades incontáveis, na crosta da terra?6

Na época de Darwin, tínhamos escavado relativamente poucos


fósseis, em comparação aos incontáveis milhões de que dispomos
hoje em dia para análise. Mas a validade do que ele diz não se alte­
rou. Se o registro fóssil realmente demonstrasse evolução, teríamos
encontrado “incontáveis” espécies de transição, apresentando varia­
ções infinitesimalmente pequenas.
Hoje em dia, os pesquisadores concluíram que o registro fóssil
está praticamente completo, no que ele tem a revelar. Por exemplo,

Um estuclo da publicação S cien c e [Ciência] de 26 de


fevereiro de 1999 combina análises cle dados cie cen ­
tenas cie fósseis de mamíferos antigos com um modelo
matemático cle padrões de ramificações evolucionárias,
para determinar a integridade do registro fóssil anteri­
or a 65 milhões de anos atrás. Os pesquisadores con ­

50
A n a lisa n d o o R e g is t r o F ó ssil

cluíram que a taxa de preservação fóssil é elevada —


suficientem ente elevada, a ponto de que a probabili­
dade de que os mamíferos modernos existissem há
mais de 65 milhões de anos, sem deixar fósseis, é de
apenas 0,2 % (dois décimos de 1 %). A autora de estu­
dos Christine Janis, professora de ecologia e biologia
evolucionária na Brown University, declarou: “O re­
gistro fóssil daquele período é suficientem ente bom
para que possamos dizer que tais espécies provavel­
mente teriam sido preservadas, se tivessem estado ali”.7

A Soma dos Números não Confere


Hoje em dia, dezenas de milhões de fósseis foram desenterra­
dos e classificados. Definimos 250 mil espécies fossilizadas distin­
tas. Se as formas verdadeiras de transição existissem, teríamos pelo
menos o mesmo número de espécies de transição — talvez muitas
mais, dado que muitas pequenas m odificações teriam ocorrido ao
longo do tempo.
Até mesmo se considerarmos o equ ilíbrio p o n tu a d o , que teoriza
uma modificação evolucionária súbita e abrupta e que é uma alterna­
tiva sugerida ao modelo neoclarwiniano gradual (veja a página 55),
uma abundância de fósseis verdadeiros de transição ainda estariam
presentes. E de acordo com a teoria neodarwiniana, também deverí­
amos esperar que os intervalos entre espécies em desenvolvimento,
divergentes, fossem pequenos.
No entanto, estes números simplesmente não estão ali.
Em primeiro lugar, não existem verd ad eiras espécies cle tran sição
no registro fóssil — nenhuma. ( Somente fósseis completamente for­
mados, com aparências similares, são considerados, por alguns bió­
logos, como sendo transições.)
Em segundo lugar, o ráp id o ap a recim en to d e m uitas espécies sep a ­
rad a s e com p letam en te fo r m a d a s — na explosão Cambriana — con­
tradiz o gradualismo proposto pelos neodarwinistas. (E também con­
funde os biólogos moleculares, que têm que confrontar as questões

51
E x a m in e as E v id ên c ia s

da co m p lex id a d e irredutível e da mutação por meio de vastas modi­


ficações de DNA - veja os capítulos 6 e 7.)
No paradigma do projeto inteligente, no entanto, poderíamos es­
perar que criaturas completamente formadas e completamente funci­
onais aparecessem subitamente. E, naturalmente, haveria diferenças
— lacunas — entre as várias espécies. É exatamente isso o que o
registro fóssil indica.

Os Paleontólogos se Manifestam
Com tantos fósseis agora disponíveis para exame, e não tendo
sido encontrado nenhum elo perdido, os evolucionistas que não es­
tão comprometidos em “fazer com que a evidência se adapte à teo­
ria” estão se manifestando. Alguns tentam minimizar a importância
da falta de espécies de transição. O zoólogo britânico Mark Ridley
declara:

A alteração gradual de espécies fósseis nunca fez parte


das evidências a favor da evolução. Nos capítulos sobre
o registro fóssil, na obra A Origem d a s Espécies, Darwin
demonstrou que o registro era inútil para decidir entre
a evolução e uma criação especial, porque nele havia
grandes vazios, ou falhas. O mesmo argumento ainda é
válido... De qualquer forma, nenhum evolucionista ver­
dadeiro, seja gradualista ou puntuacionista, usa o regis­
tro fóssil como uma evidência a favor da teoria da evo­
lução, em oposição à criação especial.8

Curiosamente, Ridley parece repetir o que Darwin tinha lamenta­


do — os “vazios”, ou a falta de fósseis a serem analisados. Como
vimos, este já não é mais o caso, como ressaltou T. N. George, já em
1960:

Não há mais necessidade de pedir desculpas pela pobre­


za do registro fóssil. De certa maneira ele se tornou rico,
de uma maneira quase incontrolável. E as descobertas
estão alcançando a integração.9

52
A n a lisa n d o o R e g is t r o F ó ssil

Reconhecendo os Vazios
O famoso biólogo molecular Michael Denton, que é MD e PhD,
examinou o problema dos vazios no seu conhecido livro Evolution: A
Theory in Crisis. A contra capa do livro resume as suas opiniões:

Não somente a paleontologia deixou de solucionar os


“vazios [fósseis] que faltavam”, que Darwin previu, mas
reconstruções hipotéticas de grandes desenvolvimentos
evolucionários — tais como a ligação de aves a répteis
— já começam a parecer mais fantasias do que conjetu-
ras sérias.10

Embora alguns evolucionistas tentem utilizar o registro fóssil para


desenvolver uma aparente progressão de plantas e animais, os vazios
invalidam esta progressão, como observa o paleontólogo evolucionário
George Gaylord Simpson:

Isto [o vazio na progressão proposta para cavalos] é


verdade, nas trinta e duas ordens de mamíferos... os
primeiros e mais primitivos membros conhecidos de cada
ordem já têm as características ordinais básicas, e de
nenhuma maneira existe uma seqüência aproximada­
mente contínua entre uma ordem e outra conhecida.
Na maioria dos casos, a ruptura é tão aguda e o vazio é
tão grande que a origem da ordem é especulativa e
muito discutida.11

Mais tarde, Simpson observa:

Esta ausência regular de formas de transição não está limi­


tada aos mamíferos, mas é um fenômeno quase universal,
que tem sido observado há muito tempo pelos pa­
leontólogos. Isto é verdadeiro para praticamente todas as
ordens de todas as classes de animais, tanto vertebrados
quanto invertebrados. A fortiori, é também verdadeiro para
as classes, e o principal filo animal, e aparentemente tam­
bém é verdadeiro para categorias análogas de plantas.12

53
E x a m in e a s E v id ên c ia s

Não é nada difícil encontrar paleontólogos que reconheçam que


os muitos vazios no registro fóssil basicamente o invalidam como
uma evidência a favor cia evolução. Aqui está uma amostra do que
tem sido dito:

Uma vez que esta evolução, segundo Darwin, estava em


um contínuo estado cie movimento... logicamente a con­
seqüência é que o registro fóssil deveria ser abundante
em exemplos de formas de transição, da menos evoluída
para a mais evoluída... em vez de preencher os vazios
no registro fóssil com os chamados elos perdidos, a mai­
oria dos paleontólogos se encontra diante de uma situa­
ção na qual havia somente vazios no registro fóssil, sem
nenhuma evidência de intermediários em transformação
entre as espécies fósseis docum entadas (Jeffrey H.
Schwartz).13

Apesar cla brilhante promessa de que a paleontologia


fornece um meio de “examinar” a evolução, ela apresen­
tou algum as d ificu ld ad es d esagrad áv eis para os
evolucionistas, das quais a mais notória é a presença de
“vazios” no registro fóssil. A evolução requer formas in­
termediárias entre as espécies, e a paleontologia não as
fornece. Os vazios, portanto, devem representar uma
característica contingente do registro (David B. Kitts).14

Um grande número de cientistas bem treinados, fora da


biologia evolucionária e da paleontologia, infelizmente
adquiriu a idéia de que o registro fóssil é muito mais
darwiniano do que ele realmente é. Provavelmente isto se
deve à simplificação excessiva, inevitável em fontes se­
cundárias: livros de baixo nível, artigos semipopulares, e
outros. Além disso, é possível que haja alguma ilusão en­
volvida. Nos anos que se seguiram a Darwin, os seus de­
fensores esperaram encontrar progressões previsíveis. Em

54
A n a lisa n d o o R e g is t r o F ó ssil

geral, elas não foram encontradas; mas o otimismo resis­


tiu, e uma dose de pura fantasia penetrou nos livros esco­
lares... Uma das ironias da discussão entre criação e evo­
lução é o fato de que os criacionistas aceitaram a noção
equivocada de que o registro fóssil apresenta uma pro­
gressão ordenada e detalhada (citado por David Raup).15

O registro salta, e toda a evidência mostra que é real: os


vazios que vemos refletem eventos reais na história da
vida — não o artefato de um registro fóssil de má quali­
dade (Niles Eldredge).16

A ausência de evidências fósseis para estágios intermediá­


rios entre transições principais no projeto orgânico, na
verdade, a nossa incapacidade, até mesmo na nossa ima­
ginação, de produzir intermediários funcionais em muitos
casos, tem sido um problema persistente e irritante para
os relatos graclualistas da evolução (StephenJ. Gould).'7

Agora que muitos evolucionistas e paleontólogos observam a falta


de evidências fósseis que sustentem a evolução gradual, o que pro­
puseram no seu lugar?

Equilíbrio Pontuado
Desenvolvida em 1972, por Miles Eldredge e Stephen Jay Gould,
como uma crítica ao darwinismo tradicional (gradualismo), a teoria
do eq u ilíb rio p o n tu a d o afirma que a evolução acontece “aos trope­
ções” — às vezes, movendo-se muito rapidamente, às vezes lenta­
m ente, e às vezes sem nenhum m ovimento. (Gomo vimos, o
darwinismo encara a evolução como um processo lento e contínuo,
sem saltos repentinos.)
Eldredge e Gould descrevem da seguinte maneira o mecanismo
do equilíbrio pontuado: Grupos de criaturas eram separados cio res­
tante da sua espécie, em áreas limítrofes inóspitas, onde poderiam
evoluir mais rapidamente. Tais grupos pequenos possibilitavam uma

55
E x a m in e as E v id ên c ia s

pressão de seleção pelo cruzamento na mesma raça, que teoricamen­


te iria provocar o aparecimento de mutações positivas (ou negativas)
e a sua preservação — ao passo que, em uma população maior, elas
iriam desaparecer. Além disso, propõe-se que tal espécie modificada
poderia acabar movendo-se para uma área mais ampla, geografica­
mente, onde os indivíduos iriam tornar-se fossilizados — desta ma­
neira dando a aparência de uma modificação abrupta na espécie.
(Argumentou-se que a “área limítrofe” original nunca seria escavada
à procura de fósseis.)18
No entanto, o equilíbrio pontuado é, na realidade, mais uma obser­
vação — com base no registro fóssil, que mostra a aparição repentina
de novas espécies (por exemplo, a explosão cambriana) — do que
uma teoria no sentido usual. É simplesmente um esforço de explicar o
problema fóssil e não oferece nenhum embasamento científico. E não
soluciona o problema suscitado pelo processo de mutação:

1. As mutações não acrescentam informação.


2. Mesmo se as mutações pudessem acrescentar informação, existe
uma impossibilidade estatística de uma grande modificação
macroevolucionária.
3. Nunca se demonstrou que o cruzamento na mesma raça fizes­
se qualquer coisa além de e n fr a q u ec e r a sobrevivência, em
longo prazo, de um organismo.

Mas alguns evolucionistas sentem-se obrigados a adotar a teoria,


para explicar o problema dos vazios:

Parecemos não ter escolha, a não ser considerar a rápida


divergência de populações pequenas demais para deixar
registros fósseis perceptíveis (S. M. Stanley).19

No entanto, tem havido um debate contínuo entre os próprios


evolucionistas sobre a probabilidade do modelo do equilíbrio pon­
tuado versus o modelo tradicional gradualista. Aparentemente, o
modelo gradualista tradicional ainda tem forte apoio. A seguir estão
citados alguns pesquisadores cujos textos apóiam este ponto de
vista:

56
A n a lisa n d o o R e g is t r o F ó ssil

Agora está claro que entre os protistas microscópicos, o


gradualismo parece prevalecer (Hayami e Ozawa, 1975;
Scott, 1982; Arnolcl, 1983; Malmgren e Kennett, 1981;
Malmgren et at., 1983; Wei e Kennett, 1988, a respeito de
foraminiferans; Kellogg e Hays, 1975; Kellogg, 1983;
Lazarus et a l., 1985; Lazarus, 1986, a respeito de
radiolários, e Sorhannus et al., 1988; Fenner et al., 1989;
Sorhannus, 1990, sobre diatomáceas, algas unicelulares.20

Qualquer que seja o modelo que os evolucionistas decidam apoi­


ar, a falta cle um único exemplo de uma transição real é evidência
suficiente de que o registro fóssil não serve de fundamento para a
evolução.

Outra Especulação Evolucionista


Como vimos, o registro fóssil representa um fundamento para a
evolução somente quando combinado com especulação — e com a
noção pré-concebida de que a evolução é
um fato. Assim, procurar os “elos perdi­
dos” do fóssil é como tentar encontrar as M uitos paleontólogos
peças de um quebra-cabeça — mas é um e evolucionistas dedi­
quebra-cabeça que existe somente na cados agora pronta­
mente daqueles que se apegam à teoria
mente admitem o
evolucionária. O que resultou das tentati­
fracasso dos fósseis
vas de cobrir os vazios na progressão
evolucionária proposta, partindo de espé­ na fundamentação
cies mais simples para mais complexas? da evolução.

O Arqueopterix
Vários evolucionistas ainda apontam alguns animais incomuns como
elos perdidos — por exemplo, o arqueopterix. Essa criatura antiga
tem características de ave e de réptil. Por exemplo, tem asas cobertas
com penas completamente formadas. Um dos espécimes encontra­
dos tem o tipo de esterno que seria necessário para a ligação do
músculo das asas. Além disso, o arqueopterix tem dentes, garras nas

57
E x a m in e a s E v id ên c ia s

suas asas e uma cauda. Nem mesmo a comunidade científica conse­


gue explicar exatamente o que é o arqueopterix. Alguns entendem
que é um elo perdido. Outros o consideram como a primeira ave. As
opiniões são variadas.
No entanto, podemos ter certeza de uma coisa. Ele — juntamente
com outros exemplos, tais como o pássaro jurássico e o ichthpostega,
um tipo de sapo antigo — não se encaixa no modelo de um verdadeiro
elo perdido, porque todos os seus componentes estão completamente
formados. As suas asas são perfeitamente adequadas para voar, e a
estrutura das suas penas é perfeita até o mínimo detalhe. Somente o
fato de que ele contém algumas características de espécies diferentes,
não significa nada. Afinal, os humanos têm características em comum
com os crocodilos, tais como o olho vertebrado — isto significa que
somos aparentados com os crocodilos? Um verdadeiro elo perdido
deveria mostrar um desenvolvimento parcial de alguma coisa que apa­
receria completamente formada posteriormente.

Uma Descoberta Recente Confunde ainda mais as D e­


clarações a Respeito do Fóssil Evolucionário
Em 15 de julho de 2002, o paleontólogo francês Michel Brunet anun­
ciou oficialmente a sua descoberta de um esqueleto hominídeo em Chacl,
na África, que datava de 6 a 7 milhões de anos atrás — aproximadamen­
te o dobro da idade do mais antigo fóssil hominídeo que havia então. O
hominídeo foi apelidado de “Toumai”, que significa “árvore da vicia”.
Henry Gee, editor de paleontologia da revista Natiire, chamou a desco­
berta de “o fóssil mais importante na memória viva”.21
O que está provocando enorme interesse dos evolucionistas é o
fato de que “Toumai” mostra características semelhantes às humanas,
muito mais “avançadas" do que diversos fósseis “intermediários” na
suposta linha de desenvolvimento da árvore evolucionária humana.
Esta descoberta, juntamente com muitas outras descobertas de
hominídeos, ao longo dos dez últimos anos, rejeitou qualquer per­
curso de evolução humana, apesar de diversas décadas cie esforços
para construir uma. Daniel Lieberman, um especialista em evolução
humana, de Harvard, declarou, a respeito da descoberta cle Brunet:

58
A n a lisa n d o o R e g is t r o F ó ssil

“Isto terá o impacto de uma pequena bomba nuclear”.22 Na verdade,


alguns cientistas dizem que essas recentes descobertas, especialmen­
te a de “Toumai”, podem tornar impossível a identificação de um
verdadeiro elo perdido.
A fascinação por fósseis não é uma boa razão para aceitar declara­
ções evolucionárias, a respeito de uma progressão de desenvolvi­
mento de espécies. Como vimos, o registro fóssil é uma das partes
mais fracas na teoria da evolução. Alguns entendem que ele é até

|i'■f g
Ossos de dinossauro estavam disponíveis e na verdade eram
estudados pelos antigos humanos — pelo menos por volta cie
2000 a.C. — e eram considerados como tendo sido originados
muito tempo antes. Na verdade, a descoberta de tais ossos le­
vou ao desenvolvimento de lendas, incluindo o grifo, além dos
dragões reverenciados portanto tempo na região da índia e cia
China. Até mesmo os imperadores de Roma mencionados na
Bíblia eram ávidos colecionadores de ossos de dinossauros. O
imperador César Augusto estabeleceu o primeiro museu de
paleontologia conhecido. E Tibério César, que “cresceu com as
descobertas dos dinossauros”, ficou fascinado com os relatos
cie Plínio, sobre “restos de monstros" antigos. Ele isolou-se na
ilha de Capri. onde estava localizado o museu.
Este entusiasmo relevou -se no legado artístico cia humani­
dade primitiva (como no caso do grifo, dos dragões t outros). 4:>
Assim como hoje em dia. as pessoas imaginavam que as cria­
turas antigas (às vezes, lendas) eram parecidas entre si. Por
isso. tenha cautela em chegar a conclusões que tentam colo­
cai' juntos o homem e os dinossauros. Ainda não existe ta!
evidência cientifica aceitável. A apresentação de informação
não confirmável pode prejudicar enormemente a credibilidade
cristã em outras áreas muito mais importantes.

59
E x a m in e as E v id ên c ia s

mesmo mais consistente com o relato que o livro de Gênesis apre­


senta a respeito cia criação, que é exato.
Quando nos libertarmos dessas idéias pré-concebidas, estes espé­
cimes antigos podem abrir nossas mentes a alternativas que expli­
cam, de maneira mais racional, as observações que fazemos deles.
Uma alternativa desse tipo é o fato de que espécies diferentes e inde­
pendentes fazem uso de estruturas e partes similares, e algumas ve­
zes m uito similares — porque elas foram p ro jeta d a s desta maneira.

\ Avalie o que Você Aprendeu


1. Além de algumas extinções notáveis, como os dinossauros, de
que forma a maioria das espécies fossilizadas são diferentes
das criaturas da atualidade?
2. De que maneira completa os cientistas consideram o registro
fóssil da atualidade?
3. O que é uma verdadeira espécie cie transição? Por que as tran­
sições são importantes? O arqueópterix é uma transição? Fun­
damente a sua opinião.
4. Darwin acreditava que o registro fóssil fundamentava a evolu­
ção? Qual era a sua opinião?
5. Qual é o papel dos dinossauros na Bíblia?

! * ' 6
Capítulo 2 — Estudo em Grupo

P rep aração p ara a liç ã o de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia-.Jó 40.15-24; 41; o capítulo 2 deste texto. Familiarize-se com o
apêndice B. Também navegue por www.evidenceofgod.com e fami­
liarize-se com as ferramentas a respeito de c r ia ç ã o versus evolução,

O ração de A bertura
D iscussão: Traga o livro D inossauros e a B íb lia ao seu grupo. Dis­
cuta onde os dinossauros aparecem na Bíblia, se aparecem em algu­

60
A n a lisa n d o o R e g is t r o F ó ssil

ma parte. É provável que eles estivessem na arca? É essencial para a


salvação colocar dinossauros na Bíblia ou na arca? Os cristãos não
estão de acordo a respeito dos dinossauros — o que pode ser feito
para mitigar os problemas entre os cristãos, e por que é importante
fazer isso?

Atividade Prática
Entrevista de televisão: O “cristão” entra em um estúdio de grava­
ção para comentar a respeito da nova descoberta do hominídeo
“Tournai” como o elo perdido. O objetivo é convencer a audiência da
televisão de que os fósseis, na verdade, não servem de fundamento
para a evolução, cle nenhuma maneira.

O ração de E n cerram en to
C ria ç ã o , C iê n c ia
e a B íb lia

: omo tudo veio a existir? As coisas foram criadas, ou surgiram


por meio de algum processo ajeatório ’Pense nisso. Não há outra
possibilidade.
Em um sentido mais amplo, “tudo” inclui toda a matéria, energia e
vida. Nós sabemos que estas coisas existem agora, mas elas sempre
existiram? Houve um começo, como indica a Bíblia? A criação teve
um término? O que a ciência nos diz diverge da Bíblia ou a suporta?
A evolução e a criação podem, ambas, estarem certas (um tipo de
“evolução teísta")?

O que a Bíblia D iz a Respeito da Criação e da Evolução


1. A Bíblia indica que houve um princípio de tudo (Gn 1.1). Isto
significa que houve, anteriormente, uma época de não exis­
tência, e que um Deus que transcende o domínio espaço-
tempo, que nós percebemos que existe, criou tudo o que
havia de existir.
2. A Bíblia indica que a Criação ocorreu em uma série de passos
ordenados abrangendo diversos e diferentes períodos de tem-
. po. (Estes períodos de tempo são os “dias” da terra jovem ou
as “eras” da terra velha.)
E x a m in e as E v id ên c ia s

3. A Bíblia indica que cada espécie foi criada separadamente, “con­


forme as suas espécies”. Conseqüentemente, elas não evoluí­
ram de uma espécie a outra, como indicaria uma evolução
teísta. Elas foram criadas seqüencialmente.
4. A Bíblia indica que a criação teve um término ( “Deus descan­
sou”, Gn 2.2).

O que a Ciência D iz a Respeito da Origem


1. O tempo, a matéria e o espaço tiveram um princípio. A rela­
tividade geral, que foi proposta como uma teoria por Albert
Einstein, em 1915, agora já foi provada por muitos experi­
mentos científicos. Basicamente ela se verifica, tanto quanto
outras leis da física.
2. As formas de vida apareceram nesta terra em pontos dife­
rentes no tempo, que os cientistas definem com o “eras” ou
“ép o cas”.
3. As formas de vida apareceram neste planeta em uma seqüên­
cia, e em diferentes pontos no tempo. A evolução — modifica­
ção das espécies por meio de mutação favorável — é mais
freqüentemente ensinada como a base para esta seqüência de
desenvolvimento de novas espécies.
4. Houve um ponto depois do qual não houve mais criação nova.
Fica aparente que a ciência está de acordo com a Bíblia, no que
diz respeito ao processo geral de desenvolvimento da origem da vida,
com a exceção de que muitos cientistas preferem a evolução
neodarwiniana das espécies à criação.

A Criação na Bíblia Está acim a da Ciência


Algumas pessoas ficam surpresas ao descobrir que os registros
científicos dos eventos da criação estão completamente de acordo
com o relato do Gênesis. Para compreender isso completamente, é
importante reconhecer o marco de referência de Deus — “sobre a
face das águas” (Gn 1.2).

64
C r ia ç ã o , C iên c ia e a B íbl ia

Passo 1 (Gn 1.1,2)

“No princípio, criou Deus os céus e a terra. E a terra era


sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abis­
mo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.”

É particularmente importante reconhecer a presença do “Espírito


de Deus” sobre a “face das águas”. Este marco de referência será
importante na consideração dos demais passos do Gênesis.
A ciên cia diz: Eiouve um princípio do tempo, espaço e da maté­
ria, de acordo com a relatividade geral, que foi proposta pela primei­
ra vez por Albert Einstein em 1915, e que foi finalmente verificada
por Penzias e Wilson, Smoot, e muitos outros cientistas depois disso.
A ciência também indica que o estado inicial de um planeta como a
Terra seria “o vazio e o vácuo”.

Passo 2 (Gn 1.3)

“E disse Deus: Elaja luz. E houve luz.”

Por estar o Espírito de Deus sobre a “face das águas”, esta referên­
cia indica que a luz tornou-se visível, da posição estratégica de Deus
— em outras palavras, na superfície do oceano.
A ciên cia diz: A luz por todo o universo teria estado disponível
muito tempo antes do desenvolvimento da Terra. No entanto, quan­
do consideramos a linguagem da Bíblia, a ciência concordaria com
Gênesis 1.3 — de que o passo seguinte do desenvolvimento, d a
p o siçã o estratégica d a su p erfície d a terra, seria que os densos gases
se tornariam translúcidos, permitindo que uma pequena quantidade
de luz alcançasse a terra. Esse passo é vital para a fotossíntese, neces­
sária para a vida vegetal.

Passo 3 (Gn 1.6,7)

“E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e


haja separação entre águas e águas. E fez Deus a expan­

65
E x a m in e as E v id ên c ia s

são e fez separação entre as águas que estavam debaixo


da expansão e as águas que estavam sobre a expansão.
E assim foi.”

A ciên cia diz: O passo seguinte no desenvolvimento seria que a


água aquecida iria evaporar para as nuvens. Isto estabeleceria o ciclo
hidrológico, que é necessário para a vida.

Passo 4 (Gn 1.9,10)

“E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus


num lugar; e apareça a porção seca. E assim foi. F. cha­
mou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das
águas chamou mares. E viu Deus que era bom .”

A ciên cia diz: O passo seguinte do desenvolvimento planetário


seria o de pesada atividade vulcânica e sísmica, que teria provocado
a criação dos continentes e outras porções de terra, em uma propor­
ção de 30% de terra — ideal para a vida.

Passo 5 (Gn 1.11)

“E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê


semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua es­
pécie, cuja semente esteja nela sobre a terra. E assim foi.”

A ciê n cia diz: De todas as formas de vida mencionadas na nar­


rativa da criação da Bíblia, a vegetação seria o passo seguinte. Luz,
água e as grandes quantidades de dióxido de carbono que estavam
todas presentes na terra primitiva teriam definido a etapa para a
vida vegetal.

Passo 6 (Gn 1.14-18)

“E disse Deus: Elaja luminares na expansão dos céus,


para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles

66
C r ia ç ã o , C iên c ia e a B íblia

para sinais e para tempos determinados e para dias e


anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para
alumiar a terra. E assim foi. E fez Deus os dois grandes
luminares: o luminar maior para governar o dia, e o lu­
minar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E
Deus os pôs na expansão dos céus para alumiar a terra,
e para governar o dia e a noite, e para fazer separação
entre a luz e as trevas.”

A ciên cia diz: À medida que a vida vegetal liberava oxigênio


(juntamente com outros fatores), a atmosfera foi se tornando transpa­
rente, até o ponto em que o sol, a lua e as estrelas ficaram visíveis
desde a superfície da terra. (Anteriormente a esta época, os gases
densos permitiam a passagem de um pouco de luz, mas não a visibi­
lidade dos corpos celestes).
Uma vez mais, é importante recordar que o marco de referência
está sobre a face das águas.
Alguns opinam que uma interpretação literal da Bíblia indicaria
que o sol, a lua e as estrelas foram criados durante este passo
(quarto dia). Isto faria pouco sentido para um cientista. A terra
deveria ter a luz do dia e o período da noite (e deveria girar) para
ter um dia ou uma tarde e manhã — tudo isso exigiria um sol.
Uma solução para este dilema está em reconhecer que a Bíblia
afirma que os céus foram criados no primeiro dia. Não há nada na
linguagem do quarto dia que exigisse a criação desses corpos ce­
lestes no quarto dia — eles já poderiam ter sido criados previa­
mente.
Nós também descobrimos que a palavra hebraica que significa
“fez” no quarto dia — a s a h — que normalmente significa produzir
ou manufaturar, também poderia ter significado “fez surgir”, o que
se encaixaria melhor no contexto. Em primeiro lugar, precisamos
nos lembrar que a posição estratégica do Espírito de Deus era sobre
a face das águas. Em segundo lugar, devemos considerar que a
Bíblia nos diz a razão porque os corpos celestes “surgiram” — para
marcar “tempos determinados e para dias e anos”.

67
E x a m in e as E v id ên c ia s

Passo 7 (Gn 1.20,21)

“E disse Deus: Produzam as águas abundantemente rép­


teis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da
expansão dos céus. E Deus criou as grandes baleias, e
todo réptil de alma vivente que as águas abundantemen­
te produziram conforme as suas espécies, e toda ave de
asas conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom .”

A ciên cia diz: Os seguintes, na linha de desenvolvimento listada


na Bíblia, foram as criaturas do mar, seguidas pelas aves.

Passo 8 (Gn 1.24)

“E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a


sua espécie; gado, e répteis e bestas-feras da terra con­
forme a sua espécie. E assim foi.”

A ciên cia diz: A seguir, entre as criaturas da Bíblia, vieram os


animais terrestres.

Passo 9 (Gn 1.26)

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, confor­


me a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar,
e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a
terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.”

A ciên cia diz: A última criatura a aparecer sobre a Terra foi o


homem.

Passo 10 (Gn 2.2)

“E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que


tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra,
que tinha feito.”

68
C r ia ç ã o , C iên c ia e a B íbl ia

A ciência diz: N ão p o d e ria te r h a - Os dez passos da criação


vido mais criação (a primeira lei da no Gênesis estão de acor-
teimoclinâmica). J q com Q |jsjQ j a orcjem
Nenhuma cultura na face da terra
dos mesmos eventos, con­
compreendeu os eventos da criação do
forme definidos pela ciên-
universo naquela época. Mas se con­
siderarmos somente a citação dos dez c 'a - ^ p robabilidade de
eventos da criação, verificaremos que "a divin h ar" aleatoriamente
as probabilidades de adivinhar aleato- esta ordem seria de apro-
riamente os passos e a sua seqüência xim adam ente uma chance
são de aproximadamente uma chance
em quatro milhões, sim ilar
em quatro milhões.
à p robabilidade de g a ­

A Bíblia e a Grande Explosão nhar na loteria com um

(Big Bang) único bilhete.

O big b an g é um termo cunhado na época que os cientistas


estavam especulando, originalmente, a origem do universo com base
na teoria da relatividade de Einstein. Em resumo, as equações de
Einstein (juntamente com as atualizações baseadas na física experi­
mental) indicam que o universo se iniciou no nada e veio à existên­
cia. Infelizmente, a expressão big b a n g dá a impressão de uma ex­
plosão caótica. Nada poderia estar mais longe da verdade. Na reali­
dade, o desenvolvimento do universo tem a aparência de um des­
dobrar harmonioso de um ambiente ajustado com precisão para a
humanidade.
Ironicamente, hoje em dia alguns acreditam que o “big bang” con­
firma a evolução, talvez porque sugira um ponto de vista de terra
velha. O mal-entendido se origina na idéia de que bilhões de anos é
um período adequado para a evolução. Mas, n a realid ad e, o big ban g
p ro v a q u e o tem po tem um p rin c íp io e um lim ite—•nem rem otam en te
“su ficien te”p a r a o p rin cíp io d a vida. A ironia é que, quando isso foi
descoberto como verdadeiro, os cientistas ateus (não o clero) se ar­
maram, denegrindo a descoberta com base no fato de que implicava
na existência de Deus (um deles até lamentou que os cientistas esta­
vam correndo para unir-se à Primeira Igreja de Cristo do “Big Bang”).

69
E xa m in e as E v id ên c ia s

Alguns cientistas até mesmo publicaram livros tentando refutar isso,


temendo as implicações do suporte á Bíblia.
Tais cientistas reconheceram que o big bang estava de acordo
com a Bíblia de diversas maneiras — mais notavelmente o capítulo .1
de Gênesis, de que houve um princípio do tempo e do espaço. Adi­
cionalmente, muitos cientistas astutos reconheceram que no momen­
to em que se estabelecesse um limite de tempo, o desenvolvimento
aleatório da vida seria matematicamente ilógico, não importando
quantos bilhões cle anos estivessem disponíveis.
Além da referência ao princípio do tempo, em Gênesis 1.1, há
diversas referências na Bíblia, ao “prolongamento cio universo", o
que implica na expansão que observamos e que foi predita no mode­
lo do big bang (Sl 104.2; Jó 9.S; Is 40.22; 42.5; 44.24; 45.12; 48.13;
51.13; Jr 10.12; 51.15; Zc 12.1).

De que m aneira a Relatividade Geral e o Big Bang


São Confiáveis?
Diversos dos progressos importantes cia física do Século XX en­
volveram fenômenos que afetaram o estudo da origem do universo.
A experimentação, durante este período de tempo, tendia a apoiar o
modelo do big bang. Aqui estão alguns desses progressos.

i s Descobertas de Hubble

Na década de 1920, um contemporâneo de Einstein, Eclwin Hubble,


documentou que as galáxias mais distantes estavam se afastando da
terra. Além disso, quanto mais distantes estão as galáxias, mais rapi­
damente estào recuando. A sua descoberta experimental que demons­
trou isso é chamada de desvio para o vermelho.
Para exemplificar, considere a maneira como percebemos o efeito
Doppler com o som. Como, por exemplo, a aproximação cle um
trem. A tonalidade do ruído é mais alta porque o trem está vindo na
sua direção, na verdade, comprimindo os comprimentos das ondas
sonoras que chegam ao seu ouvido. Depois que o trem passa, no
entanto, acontece o oposto — o comprimento das ondas sonoras se
expande, e a tonalidade diminui subitamente.

70
C r ia ç ã o , C iên cia e a B íblia

Da mesma maneira, o desvio para o vermelho das galáxias distan­


tes implica que elas estão se afastando de nós, uma vez que o verme­
lho é o maior comprimento de onda da luz visível. O “grau de verme­
lho” indica velocidade. Embora Hubble fosse o primeiro a documen­
tar um universo em expansão, um grande número de experimentos
foi feito, desde então, para confirmar a lei de Hubble, como ela é
chamada.1 Por exemplo,

Em 1996, duas equipes dos Observatórios Carnegie que


se dispuseram a medir a constante de Hubble, por méto­
dos diferentes, relataram descobertas coincidentes sobre
a idade do universo. Uma equipe, liderada por Wendy L.
Freedman, estimou a idade entre 9 e 12 bilhões de anos.
A outra, liderada por Allan Sandage, estimou a idade
entre 11 e 15 bilhões de anos.2

Radiação de Fundo
Em 1964 e 1965, Arno Penzias e Robert Wilson, dos Laboratórios
Bell, estavam trabalhando com uma grande antena espacial situada
em Holmdale, Nova Jersey. Eles perceberam uma radiação “de fun­
do” de 3o K, que literalmente vinha de todas as direções do universo.
(Ironicamente, outros cientistas tinham observado anteriormente a
mesma radiação de fundo, mas simplesmente a tinham considerado
uma anomalia).
Aproximadamente na mesma ocasião, Robert Dicke, da Universi­
dade de Princeton, procurando evidências adicionais do big bang,
tinha postulado que se o mesmo tivesse ocorrido, um resíduo de
radiação de nível muito baixo estaria ressoando por todo o universo.
A descoberta de Penzias e Wilson, desta maneira, possibilitou uma
forte evidência de confirmação do big bang. (Em 1978, Penzias e
Wilson receberam o Prêmio Nobel em Física).

Mapeando a Radiação de Fundo


A sonda espacial COBE (Exploradora Cósmica de Fundo) foi
lançada em 1989 por uma equipe, sob a liderança de George Smoot,

71
E x a m in e as E v id ên c ia s

da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Estava equipada com


uma grande quantidade de equipamentos sofisticados, incluindo
instrumentação que poderiam comparar o espectro da radiação de
fundo com o de um “corpo negro” preciso. A sonda foi projetada
para confirmar ou negar o big bang como o evento de origem, e para
mapear com exatidão a radiação cósmica cie fundo.
Em 24 de abril de 1992, veio a notícia. Anunciou-se em todo o
mundo que a equipe cie pesquisa tinha “descoberto os limites do
universo”. A esta altura, a espaçonave COBE tinha emitido de volta
um tremendo número de pontos de daclos que confirmavam a radia­
ção de fundo e mapeavam o universo.
Stephen Hawking, professor Lucasiano de matemática na Uni­
versidade de Cambridge, disse, “É a descoberta do século, se não
de todos os tem pos”.3 Michael Turner, astrofísico em Fermilab e
na Universidade de Chicago, inclicou que a descoberta era “incri­
velmente importante... o significado disso não é exagerado. Eles
descobriram o Santo Graal da cosm ologia”. 1 O líder de projetos
Smoot exclamou, “O que nós encontramos é evidência cio nasci­
mento do universo”. E acrescentou, “É com o estar olhando para
D eus”."
Desde 1992, tem havido inúmeras confirmações experimentais
independentes de resultados das descobertas da COBE. Os dados cie
outros instrumentos sofisticados de obtenção de informação simples­
mente confirmaram o que Penzias e Wilson tinham observado origi­
nalmente em 1965.

À Procura de Hélio
O m odelo do big bang afirma que, quando o universo tinha
20 segundos de idade, teria havido uma elevada proporção de
hélio (avaliada com o sendo 25 % de toda a m atéria). Uma das
maneiras de exam inar a probabilidade do big bang é determinar
os elem entos em existência no universo, nas suas extrem idades.
Essas regiões teriam sido as primeiras a serem form adas, e se
existir nelas uma elevada proporção de hélio, isso suportaria o
m odelo do big bang.'1

72
C r ia ç à o , C iên cia k a B íblia

Em 1994, os astrônomos mediram uma abundância de hélio em


nuvens de gás intergalácticas, muito distantes. Nova confirmação da
elevada presença cie hélio nas galáxias distantes foi, posteriormente,
feita pelos astrônomos americanos e ucranianos, como observado no
exemplar de 1999 do The Astrophysical Journal.7

Um Modelo e um Princípio Confirmado


Desde a descoberta da COBE original, milhões de pontos cie da­
dos do universo têm sido mapeados anualmente, o que constante­
mente acrescenta dados adicionais para confirmar o princípio da re­
latividade geral de Einstein. A teoria do big bang foi testada pela
medição da velocidade de expansão das galáxias mais distantes, e
cinco métodos independentes surgiram com indicações extremamen­
te constantes de que o universo tem entre 14,6 e 15,1 bilhões de anos
de idade. (Observe: Recentemente, alguns calcularam a idade cio
universo como sendo 13,6 bilhões de anos.) Hoje em dia, pratica­
mente todos os físicos aceitam a relatividade geral como uma lei
essencial da física, e o big bang como o modelo da origem cio univer­
so. Em uma entrevista de 2001, o astrofísico Dr. Hugh Ross observou:
“A relatividade geral está tão próxima de uma lei da física quanto é
possível estar”.8
Em outra ocasião, Ross enfatiza ainda mais a fundamentação
empírica da relatividade geral:

Nas últimas décadas, inúmeros testes de observação fo­


ram inventados para a relatividade geral. Em cada caso,
a relatividade geral foi aprovada com distinção.9
A relatividade geral prediz a velocidade com a qual dois
astros cie nêutron, um em órbita do outro, se aproxi­
mam. Quando esse fenômeno foi observado e medido, a
relatividade geral foi provada com uma exatidão superi­
or a um trilhão por cento.
Nas palavras de Roger Penrose, este resultado fez da
relatividade geral “um dos princípios mais confirmados
em toda a física”.10

73
E x a m in e as E v id ên c ia s

O princípio do big bang da física é Com os seus recentes


plenamente apoiado pela Bíblia. Ele aprimoramentos, a interpre­
tação do big bang agora é
fornece evidências muito fortes de
admirada até mesmo por
que a criação ocorreu, porque: 1)
ateus, que compreendem as
houve um princípio do tempo, e 2) implicações de um univer­
houve um período lim itado de tempo so com um começo. O físi­
desde o advento da criação — to r­ co Lawrence Krauss, que se
nando-o um tempo impossivelmente descreve como ateu, elogia
o modelo como uma das
curto para o desenvolvimento alea­
“realidades mais primorosa­
tório de uma única célula sequer
mente projetadas, do conhe­
(como será visto em uma análise cimento do homem”.11
posterior).
<*>

' Avalie o que Você Aprendeu


1. Em geral, como a Bíblia coincide com a ciência, a respeito das
origens?
2. O que diz Gênesis 1.2 sobre a localização de Deus na criação?
Por que isso é importante na compatibilização do Gênesis
com a ciência.?
3. Se alguém lhe dissesse que o sol foi criado no “quarto dia” (Gn
1.16) — depois cla criação de plantas que precisam do sol —
como você responderia?
4. Quais são as probabilidades de “adivinhar” os passos da cria­
ção? Por que isso é importante?
5. De que maneira o big bang apóia a criação bíblica?

Capítulo 3 —Grupo de Estudo


P rep aração p a ra a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: Gênesis 1— 2.2; o capítulo 3 deste texto. Familiarize-se
com o apêndice B. Também navegue por ww w.evidenceofgod.com

74
C r ia ç ã o , C iên c ia e a B íblia

e familiarize-se com as ferramentas a respeito de criação versus


evolução.

O ração de A bertura
Discussão: Discuta o capítulo 1 de Gênesis, e como ele se conecta
com a ciência. Como os crentes de posição de terra jovem podem
apresentar a criação a cientistas altamente instruídos, sem abrir mão
das suas crenças pessoais?

Atividade P rática
Debate: O “cristão” é colocado contra um físico que indica que a
Bíblia contém erros. Especificamente, ele afirma que os cristãos pen­
sam que: 1) o universo tem somente sete mil anos de idade, 2) o sol
foi criado depois das plantas, e 3) os dinossauros conviveram com
humanos.

O ração de E n cerram en to

75
4
A Complexidade
dos Seres Vivos

J forma mais simples de vida é uma célula. No entanto, uma


única célula é extraordinariamente complexa. E toda esta complexi­
dade cabe dentro de um espaço minúsculo.
Uma célula reprodutora é a menor criatura viva completamente
funcional. As células podem variar em tamanho, desde a menor —
bactérias, que têm aproximadamente 1/50.000 de uma polegada de
diâmetro — até a maior, a gema de um ovo de avestruz.1 Também
existe uma grande variedade do formato e na função das células
vivas (por exemplo, células de vegetais, ou dos músculos, sangue,
nervos, e assim por diante). Podemos colocar o tamanho de uma
célula em perspectiva observando que quase mil células “médias”
caberiam no ponto final desta sentença. (E 25 mil células do tamanho
de bactérias caberiam no mesmo espaço.)
Apesar das vastas diferenças entre elas, praticamente todas as células
realizam determinadas funções. Essas funções são tão complexas que
uma única célula acaba sendo muito mais complicada, em sua estrutura,
do que a mais moderna fábrica no mundo. Todas as células “respiram”,
se alimentam, expelem resíduos, crescem, se reproduzem, e finalmente
morrem. Elas são, basicamente, seres vivos em miniatura — na verdade,
existem muitos organismos unicelulares. (Uma das mais conhecidas é a
ameba, estudada com freqüência nas aulas de biologia.)
E xa m in e as E v id ên c ia s

Uma Multiplicidade de Partes


A verdadeira complexidade de uma célula viva nào pode ser bem
avaliada até que sejam consideradas as partes individuais da sua estrutura.
Existem inúmeras partes que são comuns à maioria das células. Dê uma
olhada no diagrama abaixo, que é uma representação muito simplificada
cle como uma célula pode assemelhar-se a uma fábrica típica.
E sq u em a S im p lificad o de u m a C élula B ásica

78
A C o m p l e x id a d e d o s S e r es V iv o s

Abaixo está uma breve descrição de algumas das partes comuns


de uma célula. (Mais adiante, neste capítulo, iremos exemplificar como
é simplista o exemplo de uma fábrica, quando revirmos algumas das
complexidades da mitocôndria, do DNA, do RNA e das cadeias de
proteínas.) No entanto, tenha em mente que tudo isso está inserido
em um espaço, normalmente do tamanho de um milésimo de um
ponto final — às vezes, menor.
O DNA é como o computador principal — a parte essencial de
cada célula, que dita todas as suas ações. Embora uma cadeia com­
pleta de DNA use somente seis ingredientes essenciais, a minúscula
cadeia é enormemente longa — freqüentemente contendo bilhões de
partes. Por exemplo, se alguém pegasse a quantidade de DNA em
um único corpo humano, e a esticasse cie ponta a ponta, ela se esten­
deria por 50 bilhões d e qu ilôm etros (da terra até além do sistema
solar)!2Obviamente, a quantidade de informações complexas em um
único cordão de DNA é imensa.
O DNA é o elemento básico dos cromossomos. Cada espécie tem
um número específico cle cromossomos em cada célula. Por exem ­
plo, nos humanos, são 23 pares cle cromossomos em células (gerais)
(célu las som áticas), ou 46 cromossomos no total. As células sexuais
(também chamadas cie célu lasgerm in ativas), são diferentes, pois nelas
os cromossomos não aparecem em pares ( nos hu m an os, elas têm 23
crom ossom os sim ples). O processo reprodutor combina as células se­
xuais de um macho e de uma fêmea — duplicando os cromossomos
na fertilização, e trazendo o seu total de volta ao número normal (nos
humanos, 23 pares, ou 46).
Matematicamente, o processo da reprodução sexuada (em oposi­
ção à reprodução assexuada) possibilita maior diversificação. Em hu­
manos, 3,2 bilhões de pares básicos cle DNA de um homem se com­
binam com 3,2 bilhões de pares básicos em uma mulher. (Os
evolucionistas afirmam que a enorme variação potencial na seqüên­
cia dos genes, por meio cia reprodução sexuada, pode levar a outras
formas de criaturas, embora eles admitam que essa idéia é uma espe­
culação.)3
Embora diferentes espécies possam ter o mesmo n ú m ero de
cromossomos que os humanos, o DNA será diferente. É a in fo rm a -

79
E x a m in e as E v id ên c ia s

ç â o c o d ific a d a n a c a d e ia d e
• N a reprodução, o homem e a DNA q u e d ife re n c ia um ser
mulher contribuem, individualm en- hum ano de um a aran h a
te, com 23 cromossomos, para for- ( além d is to ’ 08 cordòes de
i DNA serão diferentes à sim-
necer ao novo ser humano o pa- , _
pies observação). A capacida-
drão de 23 pares de cromossomos de que têm QS genes Je DN A
(46 no total) quando unidos. (seçõ es de DNA) de gerar
• Embora algumas outras criaturas produtos cle proteína também
tenham o mesmo número de difere enormemente, de espé-
cromossomos que os humanos, a cie Para esPécie - (Tudo isso
. r „ i i , . levanta uma questão impor-
inrorm açao neles contida e imensa-
tante que confronta os evo-
mente diferente. lucionistas: Se as espécies se
transformam, umas em outras,
qual é o mecanismo que muda — e, na verdade, aprimora — o
DNA?)
O DNA controla uma qualidade de informações além da compre­
ensão humana, fazendo uma incrível quantidade de coisas, em uma
minúscula fração de um segundo. Ele dá instruções a cada parte cia
célula, sobre funções típicas de fábrica, tais como:

1. gerar energia
2. produzir uma grande quantidade e variedade de produtos
(proteínas)
3. designar a função e a relação desses produtos
4. orientar partes essenciais (moléculas) ao seu destino final
5. empacotar determinadas moléculas em sacos de membranas
6. gerenciar transferência cie informação
7. assegurar um nível de qualidade muito além cle qualquer pa­
drão humano
8. expelir resíduos
9. crescer
10. reproduzir-se

80
A C o m p l e x id a d e d o s S er es V iv o s

O conjunto clos genes — isto é, o agrupamento cias seções — do


cordão de DNA, permite cie 30 mil a 70 mil variações, segundo as
estimativas atuais. Existem também mais complexidades e mais alter-
nativas de combinação do que pensávamos que existissem. Conse­
qüentemente, a informação de DNA disponível no pátio de produção
(os ríbossom os) é imensa.
O RNAé a substância que executa as instruções do DNA. Ele é muito
semelhante ao DNA, tendo seis ingredientes básicos (mais informações
a este respeito, adiante). A maneira mais fácil de pensar em RNA é uma
“cópia reversa” do DNA que viaja do núcleo (o “centro do computador”,
onde está o DNA), ao “pátio de produção”, onde são executadas as
instruções para a produção de uma grande quantidade de proteínas.
C) núcleo é como a “sala de controle por computador”. É onde se
localiza o DNA, e onde a informação é transferida do DNA ao RNA.
Dentro do núcleo, ocasionalmente, são encontradas estruturas arre­
dondadas, chamadas de nucléolos. Eles rodeiam seções de cromossomos
específicos, e se acredita que eles facilitem a produção dos ríbossomos.
Os ríb o ssom o s são, basicamente, os “pátios de produção” —
onde são recebidas as instruções cio RNA e vários tipos de proteínas
são “fabricadas”, dependendo do código de RNA. Por exemplo, um
corpo humano precisa, literalmente, de milhares de diferentes prote­
ínas, para realizar muitas tarefas, desde muitas necessidades dentro
da célula até diferentes tipos cle proteínas para construir o cabelo, as
unhas clas mãos, os músculos, e assim por diante. Em uma única
célula pode haver muitos ríbossomos, cada um deles produzindo um
grande número de diferentes proteínas.
As m itocôndrias são locais de produção de energia, graças à res­
piração da célula. Uma célula pode conter centenas dessas estruturas,
com formato de salsicha, para prover todas as suas necessidades,
Os lisossom os processam e expelem os rejeitos destrutivos. Basi­
camente, eles digerem os resíduos e o alimento que há na célula,
usando enzimas digestivas (uma proteína que há dentro da célula)
para decompor os alimentos em elementos básicos.
O retícu lo en d op lasm ãtico é como uma rede cle transporte para
as moléculas, pelo citoplasm a (substância líquida cia célula). Ele trans­
porta as moléculas para os seus destinos finais específicos.

81
E x a m in e as E v id ên c ia s

O co m p le x o de Golgi é um tipo de “centro de empacotamento”.


Ele toma determinadas moléculas e as empacota em sacos, que são
destinados a vários locais dentro da “fábrica” da célula, ou até mesmo
distribuídos externamente.
As enzim as e p ro teín as reguladoras são produzidas pela célula
para uso na sua própria operação. As enzimas aceleram drasticamen­
te determinadas atividades da célula. Algumas proteínas reguladoras
(tais como p olim erase) de certa forma “ligam” ou “desligam” os genes
— permitindo ou impedindo a cópia de RNA, dependendo da neces­
sidade da célula. Muitas outras funções reguladoras também são rea­
lizadas por determinadas proteínas, tais como o sistema de “corre­
ção” integrado. Sem ele, uma célula pode ter uma taxa de erro de
cópia de DNA de uma em 10 mil. No entanto, graças ao sistema de
controle de erros, os erros de cópia (m u ta ç ã o d e p on to s) v ã o somen­
te de um em um bilhão e um em cem bilhões.1
O citoesqueleto é a impressionante “armação” interior à célula.
Diferentemente das paredes das fábricas normais, ele pode alterar-se e
adaptar-se de diversas maneiras, com base nas instruções do DNA. Por
exemplo, uma função essencial é a manutenção das org an elas (os
“órgãos” das células) no seu devido lugar. Mas o citoesqueleto também
é capaz de alterar-se para possibilitar o crescimento e a reprodução.
Muitos tipos de proteínas no citoesqueleto possibilitam isto.

Estrutura Atômica e Sub-atômica


Até agora, examinamos somente a ponta da complexidade da bi­
ologia molecular — apenas uma pequena porção da célula e da sua
sub-estrutura. Considere agora a vasta complexidade de um organis­
mo como um ser humano. Há aproximadamente cem trilhões de cé­
lulas no corpo humano, realizando milhares de funções específicas.
Cada célula contém aproximadamente um trilhão de átomos.5
Os simples números de partes e alterações e a quantidade de
especialização parecem quase incompreensíveis. Mas os cientistas
aprenderam sobre alterações instantâneas ainda mais inacreditáveis
nos nossos corpos, a nível subatômico. Por exem plo, foi descoberta
uma partícula subatômica chamada x i cujo ciclo de vida é de somen-

82
A C o m p l e x id a d e d o s S er es V iv o s

Fatos Fascinantes

O corpo humano contém 102s átomos mais do que


todas as estrelas do universo.
Estudos de isótopos indicam que 90% dos nossos áto­
mos são substituídos anualmente.
A cada cinco anos, 100% dos nossos átomos são substi­
tuídos.
No decorrer da última hora, um trilhão de trilhões dos
seus átomos foram substituídos.6

te um decabilionésimo de segundo. Isto significa que, em apenas


poucos segundos, bilhões de partículas x í encerraram seus ciclos de
vida. B asicam en te, o nosso c o /p o s e m od ifica a u m a v elocid a d e p r ó x i­
m a à v elocid a d e da. luz.

O Mistério da Célula
O Dr. Richard Swenson reuniu pesquisas feitas por conhecidos
cientistas, que dão ainda mais evidências da complexidade da célula.
Ele observa, “O mistério da célula é, ao mesmo tempo, impressionan­
te e inspirador”:

• Cada célula é complexa, de uma maneira que não é possível


imaginar. Cada uma delas vive em comunidade com as suas vizi­
nhas, realizando o seu papel especializado no conjunto global.
• Cada célula está rodeada por uma membrana mais fina do que
a teia cie uma aranha, que eleve funcionar com precisão, caso
contrário a célula morrerá.
• Cada célula gera seu próprio campo elétrico, que às vezes é
maior do que o campo elétrico próximo a uma linha de trans­
missão de alta voltagem.7
• Cada célula contém fábricas especializadas de energia, que sinte­
tizam tnfosfato d e ad en osifía (ATP), que é a fonte principal de

83
E x a m in e as E v id ên c ia s

energia do corpo, em nível de célula. Cada célula contém cente­


nas dessas fábricas, chamadas m otores d e ATP, embutidos na su­
perfície da mitocôndria. Cada motor é 200 mil vezes menor do
que a cabeça de um alfinete. No centro de cada motor de ATP há
uma minúscula roda que gira aproximadamente cem revoluções
por segundo, e produz três moléculas de ATP por segundo.8
• As células não armazenam ATP. Em vez disso, elas o produzem
conforme seja necessário, de acordo com o alimento consumi­
do. P essoas ativas podem produzir o seu próprio peso em ATP
todos os dias.9
• Cada célula tem o seu próprio relógio interno, que é ligado ou
desligado em ciclos que variam de 2 a 26 horas, sem variar nunca.10

O Dr. Swenson prossegue, dizendo: “Se, depois de vislumbrar a


atividade, a complexidade, o equilíbrio e a precisão de vida nesse
nível, você não suspeitar de que há um Deus [ou um projetista inte­
ligente] por trás de tudo isso, então o meu melhor diagnóstico é que
você está em um coma metafísico”.11
O comentário de Swenson nos incentiva a pensar realmente. Qual
é a probabilidade de que tão vasta complexidade e precisão possam
ter surgido por acaso? Aqueles que são adeptos da evolução natura­
lista têm aqui um verdadeiro problema. O problema é explicar como
tais intrincadas máquinas celulares, muito além do que os humanos
projetam, poderiam, aleatoriamente, agrupar-se. Que mecanismo
poderia ter provocado isso? Qual é a probabilidade matemática de
que isso tivesse acontecido no período de tempo cle uma terra de 4,6
bilhões de anos de idade? Ou até mesmo de um universo de 15
bilhões de anos de idade?
Os problemas óbvios incluem as seguintes questões:

1. Como qualquer componente individual “saberia” quando chegar?


2. Como todos os componentes aleatórios “saberiam” como “mon­
tar-se” adequada mente?
3. Como o citoesqueleto — a surpreendente “casca” protetora
— “saberia” como cobrir a célula, para permitir que ela traba­
lhasse?

84
A C o m p l e x id a d e d o s S e r es V iv o s

4. Como toda essa complexidade poderia acontecer ao mesmo


tempo? (Por exemplo, ter somente a mitocôndria, sozinha, não
serviria para nada, sem o DNA, o RNA e as proteínas.)
5. Como uma mitocôndria, com seus numerosos e minúsculos
motores de ATP — cada um produzindo 300 moléculas de ATP
por segundo — surgiria?
6. Para começar, de onde viria a informação para as células traba­
lharem individualmente ou como um sistema?
7. Finalmente, o que energizaria a vida, no início?

O Papel do DNA
Em princípio, as células de qualquer planta ou organismo obe­
decem a instruções pré-programadas, contidas no seu DNA. O pa­
pel do DNA é essencial — é como o computador principal que
orquestra todo o processamento de informações que faz uma pes­
soa ser quem ela é. Portanto, se desejarmos verdadeiramente enten­
der a vida, e em particular, a origem da primeira célula viva, deve­
mos ter uma compreensão básica do DNA; a sua estrutura e o pro­
cesso pelo qual ele cria as proteínas que realizam as funções reais
de uma célula viva.

Estrutura
Se desenrolássemos uma hélice de DNA, veríamos uma estrutura
do tipo de uma escada, com fosfatos e açúcares em cada coluna
vertical. Os “degraus” presos aos lados dos fosfatos e dos açúcares
são combinações das bases: tim in a (T) e a d e n in a (A), ou g u a n in a
(G) e citosin a(C ). Estas combinações em pares sempre são TA, AT ou
GC, CG. Não existem outras combinações. O diagrama na página
seguinte ilustra a estrutura de uma molécula de DNA desenrolada.
Partindo dos seus seis componentes básicos, o DNA é capaz de
produzir muitas proteínas necessárias. Cada cadeia de proteína é for­
mada por algumas centenas de aminoáciclos, entre os vinte tipos de
aminoácidos “importantes para a vida” (em mais de 80 aminoácidos
encontrados na terra).12 Qualquer cadeia de proteínas pode ter mui­

85
E xa m in e as E v id ê n c ia s

tos de cada tipo, e a ordem dos aminoáciclos em uma proteína deter­


mina a sua função. A seleção 1) dos aminoáciclos corretos, juntamen­
te com 2) o agrupamento correto de aminoáciclos, e 3) a ordem cor­
reta, são extremamente importantes. N ad a p o d e ser aleatório, p a r a
q u e a p r o teín a p ossa: r e a liz a r u m a fu n ç ã o . A questão principal é: a
formação das proteínas necessárias é complexa e precisa.
As proteínas, em qualquer forma de vida multicelular, são os in­
gredientes básicos que determinam o que cada célula é, estrutural­
mente, e o que cada uma faz. Como os nossos corpos — e os dos
vegetais e animais — são formados de células, podemos chegar à
conclusão de que é a proteína, construída conforme as instruções do
DNA, que determina o que se torna cabelo, pele, ossos, e todos os
órgãos do corpo. Ela também decide se seremos uma planta, um ser
humano ou um sapo.

Processos
As instruções embutidas na molécula de DNA controlam o proces­
so de “informar” aos ribcssomos quais proteínas devem fabricar. Este
processo funciona basicamente como indicado no diagrama da pági­
na 87. A hélice do DNA se divide. Uma vez que as combinações são
sempre em pares (TA, AT ou GC, CG), quando “fragmentos” de RNA
se conectam à metade da molécula de DNA, sempre fazem um mapa
preciso. (No RNA, a ribose é usada como um açúcar, em lugar da
d e s o x ir r ib o s e — co n seqü en tem en te o “R” versus o “D ” — e u racilo
toma o lugar da timina.) A molécula completa de RNA se divide e
passa para o ribossomo, onde se produz uma proteína de acordo
com as instruções levadas cio DNA, levadas pelo RNA. O DNA “sabe”
o que a célula ou o organismo necessita a seguir.
Como? O DNA se divide em grupos de degraus pareados chama­
dos genes. Avalia-se que existam algo entre 30 mil e 100 mil genes em
um cordão de DNA, e cada gene “sabe” como produzir determinado
tipo de proteína. Portanto, um cordão de DNA produz até cerca de
cem mil proteínas.13 Os genes determinam todas as características de
um indivíduo, a ordem na qual ocorre o crescimento, e os sistemas
de retroinformação quando são necessários reparos ou alterações.

86
A C o m p l e x id a d e d o s S e r e s V iv o s

Estrutura do DNA e RNA


—■
—'XXV—
Como a Proteína é Produzida

Ksquema da
hélice do DNA LEGENDA
Passo 1: O P asso 2: (
“desenrolada” DNA se RNA se
separa duplica D esoxirri bose R i bose
(a çú ca r) 1 I (a çú ca r) [......... i

c Fosfatos g Fosfatos
IS

:>
Tim ina Uracilo
O
Adenina Adenina

o Guanina Guanins
<
(impo dei
Genes i
o Citosina Citosina
o
o Passo 3: O RNA se funde em
unia duplicação perfeita cio
DNA. O seu o b jetivo é o rien ­
tar a ptodução clas pioteínas

o n ecessárias, co m o fo i deteimi-
n ado originalm ente pela
m olécula de DNA.
a^'
O b serv a çõ es:
.■ d 1. As inform ações de DNA/
RNA são relevantes para
a vida.
>- 2. T o d o s os nucleotíd eos
d evem s er destros.

Observações:
1. T od os os am inoácidos devem
,o 3 . O DNA d eve ter os genes
e x a to s para “funcionar”
para uma e sp é cie — para
ser esp ecíficos para a vida (20 dar instruções.
entre aproxim adam ente 80). 0 -a -.; 4. As en zim as possibilitam
2. T od os o s am inoácid os devem “ch aves liga-desliga” para
ser canhotos. o s gen es, a fim de deter
3. Tod os os am inoácidos devem
estar em um a ordem exata, R ' . - .•o m inar as n ecessid ades
d as células.

(H-
em cadeias curtas, para “funci­ 5. O s co rd õ es de DNA têm
onar". um com prim ento enor­
4. O s am inoácid os devem estar m e. S e tod o o DNA de
em uma ordem exata de um a única célula humana
cad eias longas, para "fu n cio­ fo sse esten dido, teria 3
nar”. m etros de com prim ento.
5. O s ingredientes das cadeias
laterais e a ordem na qual
e les aparecem , determ inam a
fu nção da pioteína, e , em
última análise, as e sp é c ie s e o
papel ad equ ado da criatura. A m inoácidos —
20 possibilid ades

87
E x a m in e a s E v id ên c ia s

Veja, por exemplo, a seqüência de eventos da concepção humana,


quando um espermatozóide e um óvulo se unem, por meio do processo
de diferenciação. Esta é uma questão que nenhum biólogo compreende.
Ainda assim, alguns fatos são conhecidos. Por exemplo, sabemos que,
trinta horas depois da concepção, a primeira molécula de DNA “ordena”
a primeira divisão celular. As células resultantes dividem-se aproximada­
mente duas vezes por dia. Como o crescimento é exponencial (cada
célula se duplica, duas vezes por dia), não é necessário muito tempo
para que se formem alguns bilhões de células. Mas o que confunde os
cientistas — em especial, os evolucionistas — é o estágio em que as
células começam a diferenciar-se, em braços, pernas, unhas dos pés,
retinas e todas as demais partes do corpo.1' É como se uma molécula de
DNA fosse um super computador, de projeto altamente especializado,
que sabe exatamente o que fazer, e quando.

_________________ CONCEITO-CHAVE ---------------------------


• O DNA ê a “m olécu la p r in c ip a l” q u e fo r n e c e a in fo rm a ­
ç ã o exclu siva d e con trole sobre c a d a p essoa.
• ORNA é, basicam en te, u m a "cópia” d o DNA q u e p erm ite
o desenvolvim en to d a s proteín as.
• /Is proteínas (m a is d e cem m il tipos) sã o c a d e ia s d e
a m in o á c id o s fa b r ic a d a s co n fo rm e instruções d o DNA, d e ­
p e n d e n d o d a s n ecessid ad es d o corpo.

Funções
Então, em que resulta todo o microprojeto daquela única molécu­
la de DNA? O corpo do humano adulto médio — cada segu n do de
cada dia — organiza aproximadamente 150 quintilhões (150 x 1018)
aminoácidos, em cadeias cuidadosamente construídas.15 O que fazem
estas cadeias de proteínas? Elas realizam uma grande quantidade de
funções corpóreas, nas quais uma pessoa normal n u n ca chega a
pensar:
A C o m p l e x id a d e d o s S e r es V iv o s

Em uma vida, um coração bate 2,5 bilhões de vezes, sem parar


para descansar.
Em uma vida, aproximadamente 227 milhões de litros de san­
gue são bombeados por todo o nosso corpo.
Um glóbulo vermelho percorre o nosso corpo 200 mil vezes
em 120 dias, somente para ser destruído no baço, na volta de
número 200.001.
O seu corpo tem 96 mil metros de vasos sangüíneos — o equi­
valente a duas voltas e meia ao redor da terra.
O número de glóbulos vermelhos no seu corpo, se dispostos
seqüencialmente, circundaria a terra quatro vezes.
Bilhões de glóbulos brancos morrem cada vez que você tem
uma febre, para que possa continuar vivendo.
Você respira aproximadamente 23 mil vezes todos os dias, e a
quantidade de ar que respira diariamente pesa aproximada­
mente 11 quilogramas.
Os pequenos sacos cie ar nos seus pulmões (os alvéolos), se
separados e colocados juntos, cobririam meia quadra de tênis.
Os cílios pulmonares, que varrem o muco da traquéia, vibram
aproximadamente mil vezes por minuto.
O olho é tão intrincado e complexo, que só existe uma possi­
bilidade em 1078 de que dois humanos quaisquer venham a ter
as mesmas características.
Na retina existem 120 milhões de baston etes (para visão emba-

Seria necessário, pelo menos, cem anos de operação de


um super computador Cray, para simular o que aconte­
ce no seu olho a cada segundo.16
E x a m in e a s E v id ên c ia s

çada, noturna e periférica), e aproximadamente 7 milhões de


con es (para visão colorida e detalhada).17
• O olho pode distinguir milhões de tonalidades de cores.
• O ouvido tem um milhão de partes móveis.
• Além deste complexo sistema auditivo, o ouvido tem mais de
cem mil células detectoras de movimento, que permitem que
tenhamos equilíbrio e movimento.
• O seu nariz consegue determinar dez mil cheiros diferentes.
• O seu corpo tem 450 células “táteis” por polegada quadrada.
• Estima-se que existam cem bilhões de neurônios no cérebro.
• Estima-se que cada neurônio tenha dez mil fibras de ramifica­
ção, que o conectam com outros neurônios.
• O cérebro tem capacidade de armazenar a quantidade de in­
formação contida em 25 milhões de livros (8 milhões a mais do
que há agora na Biblioteca do Congresso norte americano).
® O cérebro faz aproximadamente mil trilhões de cálculos por
segundo.18

Tudo o que vimos acima — e muito, muito mais — cliz respeito


simplesmente a uma minúscula molécula de DNA que, de alguma
maneira, “sabia” exatamente como construir e o que fazer para uma
pessoa em particular. O nosso corpo é muito mais com plexo do
que todas as instalações fabris de todo o mundo juntas. A idéia de
que a imensa complexidade microbiológica do corpo possa ter evo­
luído de uma simples bactéria é inaceitável. De onde teria vindo
toda a informação?
Quanto mais aprendemos a respeito de biologia molecular, desde
a com plexidade da estrutura celular até a vasta com plexidade dos
nossos próprios corpos humanos, fica mais óbvio que todos os
seres vivos são projetados. No entanto, a com preensão básica da
biologia molecular somente define o cenário para uma análise mais
rigorosa da origem da vida. E com a origem da vida, podemos
determinar que a única alternativa é o projeto inteligente da pró­
pria vida — ou Deus.

90
A C o m p l e x id a d e d o s S er es V iv o s
v %
■Avalie o que Você Aprendeu
1. Que tamanho tem uma célula “média”? O que ela faz?
2. O que é a molécula de DNA? E a de RNA? E a proteína?
3. Descreva, em termos gerais, como é estruturado o DNA, e como
ele produz proteínas.
4. Quantos pares de cromossomos possui um ser humano? É o
número de cromossomos que distingue humanos de animais?
5. Cite três fatos fascinantes a respeito do nosso corpo que indi­
cam projeto.

Capítulo 4 — Grupo de Estudo

Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: Salmos 139.13-16; o capítulo 4 deste texto. Familiarize-se com
o apêndice B. Também navegue por www.evidenceofgocl.com e fami­
liarize-se com as ferramentas a respeito de criação versus evolução.

Oração de Abertura
D iscussão: Leia Salmos 139-13-16, e comente a relação entre a
criação de Deus dos seres humanos, e a maravilhosa complexidade
do corpo humano, revisando as páginas 101-103- Revise o processo
de como o DNA comanda a produção cle proteínas.

Atividade P rática
R ep resen tação: O objetivo do “crente” é informar ao “não-crente”
sobre a assombrosa complexidade do corpo humano, e discutir como
ela se relaciona com a grande possibilidade de um projetista (Deus).

Oração de Encerramento

91
Avaliação da Impossibilidade de
uma Origem Randômica da Vida

esmo através da visão rudimentar de uma única célula, e das


funções diárias dos seres vivos, ainda assim podemos perceber a
enorme complexidade da vida no seu nível mais inferior. Hoje em
dia, com as avançadas técnicas microscópicas que podem penetrar
no DNA dos seres vivos, permitindo que um DNA específico possa
ser mapeado em muitas criaturas, podemos usar modelos matemáti­
cos para calcular as probabilidades de uma criação randômica da
vida (evolução). Como essa casualidade é alguma coisa que, pela sua
própria natureza, leva a uma análise estatística e às leis das probabi­
lidades, os novos conhecimentos adquiridos da microbiologia e da
cosmologia nos permitem avaliar a possibilidade da teoria de uma
criação randômica.
Com respeito à primeira célula viva que foi formada, a criação e a
evolução são eventos independentes e exclusivos. Se um aconteceu,
o outro não poderia ter acontecido, e se um não aconteceu, o outro
deve ter acontecido. Portanto, com os novos conhecimentos sobre a
grande complexidade das exigências da vida (a partir da biologia
molecular), e com os limites impostos sobre o tempo disponível para
a ocorrência randômica dos eventos (a partir da cosmologia), os ci­
entistas são capazes de analisar os requisitos necessários à uma ori­
gem casual da vida (evolução neodarwiniana). O resultado será uma
E x a m in e as E v id ê n c ia s

certeza virtual cie que essa origem da vida é impossível — provando,


conseqüentemente, a única alternativa, a existência de um Criador
(Deus).

As Ciências Naturais Incluem uma Prova


Probabilístíca
Levando-se em conta todas as finalidades práticas, existe um limi­
te além do qual alguma coisa é impossível de acontecer. No caso dos
eventos probabilísticos, os cientistas geralmente consideram que al­
guma coisa que tenha 1 chance em ICPVle ocorrer ao acaso é essen­
cialmente impossível ou absurda (sem nenhuma interferência sobre­
natural). Portanto, ao observarmos a ocorrência dos eventos evolutivos,
devemos usar os mesmos padrões.

■ os Fas
Cento e cinqüenta pessoas tentando girar 150 moedas, à
razão de uma tentativa por segundo, durante 15 bilhões de
anos, ainda assim teriam a probabilidade de obter uma única
chance, em dez mil trilhões de trilhões de tentativas, de
que todas elas caíssem viradas com a mesma face. A forma
mais simples de vida iria exigir que fossem feitas 11.0.000
dessas tentativas de giros de moedas, e não apenas 150!

m
As ciências exatas usam a matemática, a experimentação e a esta­
tística como fundamento para determinar se algum resultado seria
altamente provável. A melhor e a mais sólida evidência é aquela que
se mostra consistente com os cálculos matemáticos baseados em fór­
mulas e dados comprovados — onde, portanto, podem se basear
úteis e razoáveis premissas. Uma evidência empírica, e ainda não
comprovada, deixa pouco espaço para a especulação e a interpreta­
ção. Ela pode eliminar uma série de “conceitos fantasiosos" ao de­
monstrar que algumas teorias, baseadas apenas na observação, são
irracionais.

94
A v a lia ç ã o da I m p o s s i b il id a d e d e um a O r ig e m R a n d ô m ic a da V id a

A complexidade dos sistemas de células vivas foi revista breve­


mente no capítulo 5. Além de reconhecermos a microbiologia como
necessária à vida, também usamos a ciência exata da astrofísica que
definiu, atualmente, os limites para a idade e o tamanho do nosso
universo. Essa ciência, ao lado de outras ciências exatas, fornece
importantes limites para a avaliação do que seria possível em relação
à origem da vida.
Quando desintegramos a célula mais simples e fundamental que
pode ser imaginada, a fim de darmos início a qualquer processo
evolucionário randômico, podemos começar a relacionar as exigên­
cias bioquímicas e a probabilidade estatística de cada célula. Sabe­
mos, por exemplo, que a primeira célula viva precisava ter um núme­
ro mínimo de estruturas de construção, inclusive pelo menos uma
mínima molécula de DNA, juntamente com os aminoácidos específi­
cos para a vida. (Embora também possam existir outros requisitos,
uma simples análise desses itens poderá igualmente corroborar o
nosso argumento).

Qulralidade
Inicialmente, examinamos o desenvolvimento do ser humano a
partir das informações contidas numa única e minúscula molécula de
DNA. Será que existe qualquer obstáculo ponderável para a teoria cia
origem randômica da primeira célula viva?
A maioria dos evolucionistas acredita que a primeira célula viva
era uma simples bactéria. As atuais células bacterianas têm cerca de
128 milhões de pares básicos (os “degraus” do DNA — veja a página
87) de DNA.1 Entretanto, alguns cientistas encontraram fósseis anti­
gos de bactérias com apenas 500 mil desses pares. Outros questio­
nam ainda a possibilidade de as primeiras bactérias terem sobrevivi­
do com apenas mil desses pares básicos de DNA.
Da mesma forma, havia na primeira bactéria um limite mínimo
para o número de aminoácidos necessários à formação da proteína.
O número geralmente aceito é cie um mínimo cie 10 mil aminoácidos,
que compreendem pelo menos 100 cadeias funcionais de proteínas
(embora cada uma delas teria, provavelmente, contido cerca de algu­

95
E x a m in e as E v id ê n c ia s

mas centenas cie aminoáddos). Por que esses números de pares bá­
sicos de DNA e de aminoácidos são tão importantes? Por causa da
quiral idade.
Quiralidade é o termo empregado para a necessidade inerente a
todos os nucleotídeos (açúcares), contidos numa cadeia de DNA ou
de RNA, de ter uma certa orientação molecular (ou uma formação
“destra” ou clextroform a, tecnicamente falando) para que a cadeia
possa funcionar.
Da mesma forma, quase todos os 20 diferentes aminoácidos (na
realidade, 19), que constam das cadeias protéicas celulares, também
devem ter uma orientação específica (ou uma formação “levo” ou
levoform a, tecnicamente falando) para que a proteína possa funcio­
nar. Nenhuma delas pode ter qualquer defeito. Se essas exigências da
quiralidade não forem atendidas, todo o processo do DNA ou do
RNA de fabricar uma “proteína funcional” poderá falhar. Portanto,
para que a primeira bactéria existisse era necessário que houvesse a
ocorrência de uma perfeita combinação de orientação, tanto dos
nucleotídeos (destros) como dos aminoácidos (levos). Mesmo no caso
de uma simples bactéria precisamos ter em mente que tanto as cadei­
as cio DNA como das proteínas são extremamente longas.

Quiralidade

E xem p lo 1: Aceitável
Todos os aminoácidos e nucleotídeos estão perfeitamente orientados

E xem p lo 2: Inaceitável
A existência de um erro em qualquer orientação dos aminoácidos e
nucleotídeos

96
A v a l ia ç ã o da I m p o s s i b il id a d e d e um a O r ig e m R a n d ô m ic a da V id a

O Problema Apresentado pela Quiralidade


Sabemos, entretanto, que na natureza os aminoácidos apresentam-
se numa formação randômica e em exatas proporções de orientação,
sendo destros ou levos (numa combinação racêmica). Depois de anos
cie estudo os cientistas ainda não encontraram um único meio de p u ri­
f i c a r adequadamente essa composição — isto é, de aumentar substan­
cialmente a proporção dos aminoácidos levos. (O mesmo problema,
embora seja mais difícil cie explicar, existe para os nucleotícleos que
elevem ser destros). Para criar a primeira célula todos os m ilhares d e
am in oácidos, d a s cen ten as ou m ais d e p roteín as fu n c io n a is necessári­
as, teriam q u e apresentar, repentinam ente, os tipos corretos — ex ata­
m ente n o m esm o lu gar e no m om en to exato — sen d o q u e todos deveri­
am ser levos. Esta seria a única maneira de serem capazes de se ligar
adequadamente como foi determinado pelo DNA.2
Da mesma forma, todos os cerca de 100 mil nucleotídeos teriam
que se encontrar exatamente no mesmo momento e exatamente na
mesma forma — sendo todos destros — para formar uma molécula
funcional cle DNA.
Em outras palavras, som en te para o b ter um con ju nto de
nucleotídeos, corretamente orientados, seria como girar uma moeda
100 mil vezes e obter, na sua qLieda, uma seqüência contínua de 100
mil faces iguais. Para obter um conjunto de 10 mil aminoácidos cor­
retamente orientados seria como girar seqüencialmente a moeda 10
mil vezes e obter 10 mil faces iguais. A fim de obter ambos, o que
seria necessário, será o mesmo que obter 110 mil giros específicos da
moeda. É claro que existem outros problem as de com binação
randômica, mas não precisamos ir além do problema da quiralidade
para jtistificar o nosso argumento.

Analogia com o Giro da Moeda


Vamos considerar detalhadamente o exemplo do giro cia moeda,
que vai nos ajudar a relacionar esses números realmente imensos.
Qual seria a possibilidade de obter uma seqüência de 150 faces iguais?
A matemática é bastante simples — basta multiplicar 150 vezes a

97
E x a m in e as E v id ê n c ia s

mesma fração de +. O denominador da fração seria tão grande que,


para muitos computadores, o cálculo direto se tornaria muito difícil.
Usando logaritmos, esse número poderia ser calculado da seguinte
maneira:

h = 2150log1(1(h) = 150 x log1(|(2) [porque log (hnx log (h)]

log10(h) = 4.5 então...

h = 1015

Em outras palavras, a probabilidade de se obter uma seqüência de


150 vezes a mesma face cie uma moeda é cie 1 chance em I0 's— ou
1 chance em um bilhão cie trilhões, de trilhões cie trilhões!
Um cético poderia dizer: “Bem, a probabilidade ainda não é igual a
zero — isso poderia acontecer”. Vamos tentar entender como seria im­
provável girar urna moeda 150 vezes e obter uma seqüência de 150 faces
iguais. Imagine que você convidasse 150 amigos para se reunir com
você num ginásio e fazer a experiência cie girar a moeda. Imagine ainda
que cada um girasse uma moeda por um segundo — todos juntos, 150
vezes por segundo. É claro que isso não seria um feito desprezível.
Observe o tempo que leva para girar uma moeda, e veja que todos os
outros iriam certamente levar mais de um segundo. Entretanto, vamos
considerar que isso seja possível. Mesmo se você e seus amigos pudes­
sem começar a girar a moeda no momento em que o universo começou
(de acordo com a maioria dos cientistas isso aconteceu há 14 bilhões de
anos) vocês somente seriam capazes de girar a moeda 1017vezes. Depois
de todo este tempo, qual é a probabilidade que vocês teriam de conse­
guir que num giro coordenado todas as faces fossem iguais? Haveria
ainda 1 chance em dez milhões cie trilhões de trilhões de vezes. A esta­
tística iria considerar que isso é “impossível”.

Os Cientistas Reconhecem o Problema


Alguns cientistas propuseram alguns caminhos em volta do pro­
blema da quiralidade. Christian cie Duve, do Institute o f C ellular

98
A v a l ia ç ã o da I m p o s s i b il id a d e d e um a O r ig e m R a n d ô m ic a da V id a

Pathology, na cidade de Bruxelas, Bélgica, propôs uma certa forma


de estrutura molecular. E disse:

A explicação proposta não resolve inteiramente o pro­


blema da quiralidade.

Mais tarde ele disse:

A estrutura molecular não poderia ajudar a esclarecer


essa questão.3

Outros tentaram provar que a quiralidade não é necessária, mas


não tiveram sucesso. O Dr. Alan Schwartz do E volutionary Biology
R esearch Group, da Universidade de Nijmegen, Holanda, descreve
essa tentativa:

Numa experiência destinada a testar os requisitos da


pureza quiral foi demonstrado que a incorporação de
um único mononucleótide de uma quiralidade oposta
no fim de uma cadeia crescente, na oligomerização de
um modelo, será suficiente para terminar a reação (Joyce
et al., 1984).4

Conceituados evolucionistas recon hecem claram ente que a


quiralidade representa um problema principal.

Comparação Matemática
Como mencionamos anteriormente, para se obter ranclomicamente
compostos corretamente orientados para o primeiro e mais simples
organismo vivo, seria o mesmo que predizer corretamente o resulta­
do de 110 mil moedas girando em seqüência. A probabilidade de
cada giro estar correto é, naturalmente, de uma em duas tentativas.
Hasta um giro errado para encerrar o jogo. Um resultado correto seria
obtido simplesmente multiplicando + x + 110 mil vezes. Quais seriam
as chances desse resultado? Falando diretamente: +110000. Converten­
do para a base 10, as chances seriam, surpreendentemente, de 1 vez
em IO33-113!

99
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Esse número é tão grande que pode ser comparado à chance de


alguém ganhar mais de 4700 vezes, em seguida, a loteria estadual com
um único bilhete em cada uma delas! Ou, se contarmos todas as partícu­
las sub atômicas cio universo inteiro ( 10S|) — na verdade — em quase
400 universos — teríamos a chance de escolher uma única e pré-desig-
nada partícula dentro desse número. Pode-se, então, entender por que a
quiralidade representa uma pedra no sapato da ciência evolucionária?

----------------------------- CONCEITO-CHAVE ---------------------------

A c h a n c e d a e v o lu ç ã o , c o n s i d e r a n d o s o m e n t e a
q u ira lid a d e, é igu al a u m a c h a n c e em 10r’ Seria o
m esm o q u e g a n h a r 4 700 loterias estad u ais seguidas, com
a com p ra d e a p e n a s um ú n ico bilhete p a r a c a d a u m a
delas. Ou seria co m o esco lh er a d e q u a d a m e n te u m a p a r ­
tícu la a tô m ica p ré -d es ig n a d a a p a r tir d e 4 0 0 universos
d o ta m a n h o d o nosso.

A Luta dos Evolucionistas com a Quiralidade


Veja o que os evolucionistas estão dizendo a respeito do proble­
ma da quiralidade:

Uma recente conferência sobre a “Origem cia Homo-


quiralidade e a Vida” deixou bem claro que a origem
da tendência de uma ou outra mão é um completo mis­
tério para os evolucionistas.5

O canal da WEB da Universidade da Califórnia, na cidade de Davis,


observa:

Obviamente, a origem da quiralidade está ligada à ori­


gem da vida, com o nós a conhecemos, de modo que os
mesmos problemas se encontram presentes... Existem
várias teorias para a origem da quiralidade, mas nenhu­
ma é obviamente superior a outra.6

100
A v a l ia ç ã o da I m p o s s i b il id a d e d e um a O r ig e m R a n d ô m ic a da V id a

Como nenhum cientista pode refutar a impossibilidade matemá­


tica cie uma solução randômica para o problema da quiralidade,
deu-se maior atenção a um meio de p u r ific a r o ticam en te as partícu­
las (escolhidas segundo a sua orientação), agrupando-se depois as
partículas escolhidas. É aí que as teorias parecem solicitar que a
sugerida purificação seja feita no espaço, com alguma transferência
para a terra. Mas essas desamparadas noções revelam seus próprios
problemas, por exemplo, onde e como as moléculas se agrupam?
Será que elas podem ser realmente 100% purificadas? Como seriam
transportadas para a terra? E, o que é mais importante, onde estão
as evidências?
Nesse ponto, infelizmente, o pensamento começa a abandonar
inteiramente o reino científico. Por exemplo, um canal da WEB de­
senvolve grandes esforços para fornecer soluções racionais para a
origem randômica do DKTA. Mas depois o autor tropeça:

Essa [quiralidade] foi descoberta há muito tempo, em 1848,


por Luis Pasteur. e a ciência moderna dá a ela o nome de
homoquiralidade biológica. A ciência não tem explica­
ção para isso."

Ela se tornou um problema tão sério para as teorias do autor que,


mais tarde, ele reflete:

O que poderia levar um engenheiro pré-orgânico


[alienígena] a criar uma vida orgânica usando apenas me­
tade dos aminoácidos disponíveis? Por que ele se limita­
ria a criar projetos que, dessa forma, ficariam limitados?
Uma possibilidade é que as condições locais fossem de
tal ordem que estivessem disponíveis algumas moléculas
orgânicas de uma orientação específica...
. Se a primeira célula foi criada fora deste mundo, então
esse lugar é a nossa melhor alternativa de onde devemos
começar a procurar.8

Falando seriamente, esse tipo de coisa é exatamente o que certos


conceituados evolucionistas com o Jo h n Mavnard Smith e Eors

101
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Szathmary (autores da obra padrão The Origins o f L i f e - “As Origens


da Vida”) estão considerando.
Também foram feitas outras sugestões, como neste artigo publica­
do na revista Science:

Pesquisadores sobre a origem cia vicia estão tentando


procurar certas forças mais fracas que poderiam explicar
como a vida pode consistir de aminoácidos levos e de
açucares destros. Alguns dos mecanismos “clássicos”, tais
como a luz polarizada circularmente dos corpos super
novos, e de outros acontecimentos astronômicos explo­
sivos, já foram eliminados.
Os pesquisadores mostraram que essa luz [polarizada
circularmente] pode distorcer as reações químicas e pro­
duzir uma molécula quiral especial à custa da sua m o­
lécula gêmea. Mas as fontes
supernovas, assim como ou­
tras fontes astronômicas, iri­
Não existe nenhuma evi­
am gerar igualmente ambas as
dência concreta que possa
formas levos e destras, portan­
dar suporte a qualquer to seria improvável a produ­
solução racional para o ção desequilibrada de m olé­
problema da quiralidade. culas orgânicas.
Até os evolucionistas reco­ No entanto, esses problemas
nhecem isso. ignoram a dificuldade mais
fundamental dos elevados ní­
veis de radiação que seriam
produzidos por estas fontes
astronômicas e que são incompatíveis com os organis­
mos vivos, e mesmo com os com plexos químicos or­
gânicos.1’

Os cientistas vêm lutando com a quiralidade por mais de um sécu­


lo. O problema se revela essencial para o entendimento da origem da
vida. E, pelo menos do ponto de vista evolucionário, nenhuma res­
posta satisfatória foi encontrada até agora.

102
A v a l ia ç ã o da I m p o s s i b il id a d e d e um a O r ig e m R a n d ô m ic a da V id a

Os Especialistas Reconhecem outros Problemas


Concernentes a Teoria da Origem Randômica da Vida
Aqui está o que alguns especialistas estão dizendo sobre a proba­
bilidade de uma origem randômica para a primeira célula viva:
• Mareei Schutzenberger, da Universidade de Paris declarou: “Não
existe nenhuma chance (<10'100°) de ver este mecanismo apare­
cer espontaneamente, e caso isso tenha acontecido, existe uma
chance ainda menor dele permanecer”.10
• O biólogo molecular, Harold Morowitz, calculou que, se cada
ligação química fosse quebrada na mais simples das células
vivas, as possibilidades de ela se recompor sob condições ide­
ais seria cie 10
• O astrofísico, Edward Argyle, observa que uma simples bacté­
ria E. coli, com um conteúdo de informações de cerca de 6
milhões de bits teria exigido cerca de io J KOOOOOde circunstânci­
as, ou “estados”, para que sua existência começasse a ocorrer
no início da Terra.12
• John Horgan afirmou, num artigo da revista Scientific American,
que “Alguns cientistas têm discutido que, se houver tempo su­
ficiente, até os acontecimentos aparentemente milagrosos se
tornam possíveis, como a emergência de um organismo de
uma única célula a partir de randômicas associações químicas.
Sir Frederick Floyle, astrônomo inglês, disse que tal ocorrência
seria tão possível como a construção de um 747 por um fura­
cão que soprasse através de um depósito de lixo. Nesse ponto,
a maioria dos pesquisadores concorda com Hoyle”.13
• A probabilidade de todas as proteínas funcionais necessárias à
vida poderem se formar num único lugar, e através de eventos
casuais (sem incluir os outros problemas, como a quiralidade),
foram calculadas por Hoyle e pelo seu associado Chandra
Wickramasinghe, que chegaram à conclusão de que seria de 1
chance em I0‘“u,()(’ .1
• Thomas Huxley, um ardente defensor e contemporâneo de Darwin
• afirmou, supostamente, que seis macacos, datilografando ao aca-

103
E x a m in e as E v id ê n c ia s

so durante milhões de anos, poderiam datilografar todos os livros


do Museu Britânico. David Foster, um especialista em cibernética,
concluiu que “Huxley estava irremediavelmente errado ao afirmar
que seis macacos, dispondo de um enorme espaço de tempo,
iriam datilografar ao acaso todos os livros do Museu Britânico
quando, na realidade, eles poderiam datilografar apenas a metade
de uma das sentenças de um livro, mesmo que tivessem para isso
o mesmo tempo da existência do universo”.15
• Hoyle e Wickramasinghe forneceram cálculos para uma versão
um pouco diferente da afirmação de Huxley — isto é, em vez
de todos os livros do Museu Britânico, os macacos poderiam
datilografar as obras completas de William Shakespeare. Seus
cálculos indicavam que o mundo não era suficientemente grande
para abrigar todas as hordas de macacos datilógrafos (sem falar
nas cestas de lixo) exigidos para tal façanha. Eles afirmaram
que isso era tão impossível como a
Stephen M. Meyer, da Uni­ criação ranclômica da matéria viva."’
versidade de Cambridge, • Gerald
que possui Phd em História e com a analogia dos macacos ao
afirmar que a chance cle eles dati­
Filosofia da Ciência, afirma,
lografarem ao acaso qualquer sen­
"Embora muitos adeptos de
tença, com apenas algumas pala­
uma origem externa para a vras, é da ordem de 1 em 1012<l. E
vida biológica ainda possam continua dizendo, “A c a s u a lid a d e
invocar a "chance" para a s im p le s m e n te n ã o a b r e v i a e s ta
explicação casual da origem c h a n c e q u a n d o se trata d e g e r a r
u m a o rd em sig n ificativ a a p a r tir
de uma informação biológi­
d o caos. A o r ie n ta ç ã o é im p rescin ­
ca, poucos pesquisadores
dível. Sem pre'. As probabilidades
sérios ainda o fazem" .18 com um mundo de macacos dati­
lógrafos e um universo cle tempo
se tornam mais fracas quando comparadas às probabilidades
do simples problema da quiralidade. E este problema se tor­
na muito maior quando outros fatores são levados em consi­
deração.17

104
A v a l ia ç ã o da I m p o s s i b il id a d e d e uma O r ig e m R a n d ô m ic a da V id a

Os famosos ateus Cari Sagan e Francis Crick tentaram construir


um modelo para extraterrestres (a fim de obter fundos para realizar
pesquisas nesse campo). Durante o processo, eles avaliaram a difi­
culdade da evolução humana como sendo de uma única chance em
10 -2.ooo,ooo,<ioo, jgua[ à mesma variação obtida por Harold Morowitz.J,;

Outros Fatores da Origem e suas Probabilidades


Aproximadas
Descrevemos abaixo alguns dos fatores críticos — alguns dos quais
já abordamos — que estão fazendo os cientistas, como aqueles des­
critos acima, descartarem a noção de uma origem naturalística para a
primeira célula viva.

Fator Probabilidade 20
Quiralidade 1/10». u.-;
Aminoácidos específicos da vida no lugar certo 1/10«,02!
Aminoácidos corretos e específicos no lugar certo l/ion.om
1/lQO'U^
Material correto no lugar certo de cada gene
Correta seqüência cie genes 1/10S2H
Probabilidades totais de uma origem naturalística da
bactéria mais simples possível (um número conserva­
dor, ou seja, sem qualquer exagero) 1/1 0 " ’ B27

Isso seria como ganhar 16.119 loterias estaduais em seguida (com


apenas um bilhete).
Ou seria como destacar um simples elétron, em mais de 1.300
universos tão grandes como o nosso, presumindo-se que toda maté­
ria fosse desintegrada em partículas sub atômicas.

CONCEITO-CHAVE ...................
As p r o b a b ilid a d e s de u m a origem r a n d ô m ica d a vida
(u m a sim ples b actéria) seriam a s m esm as d e se escolh er
r a n d o m ica m en te u m a p a rtíc u la su b a tô m ica esp ecífica
em 1.300 universos tão g r a n d es co m o o nosso, todos eles
d esin tegrados em p artícu las su batôm icas. Em ou tras p a ­
lavras, isso é impossível.

105
E x a m in e a s E v id ê n c ia s

Avalie o que Você Aprendeu


1. Descreva a probabilidade de girar uma moeda e obter uma
seqüência de 150 faces iguais. Como isso se relaciona com o
problema cia quiralidade da primeira célula viva?
2. O que é quiralidade? Por que é importante mostrar que a evo­
lução é impossível?
3. Além da quiralidade, cite outros três fatores moleculares críti­
cos para a origem da vida.
4. Dê um exemplo da probabilidade randômica da origem da
vida usando o exemplo das loterias ou do universo.

Capítulo 5 — Grupo de Estudo

P rep aração p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: O capítulo 5 deste texto. Familiarize-se com o apêndice B.
Também navegue por www.evidenceofgod.com e familiarize-se com
as ferramentas relacionadas com criação versus evolução.

O ração de A bertura
D iscussão: Discuta o que é quiralidade. Quais técnicas poderiam
ser usadas para mostrar aos outros que a evolução é estatisticamente
irracional? Gaste alguns minutos verificando se o grupo consegue
obter uma seqüência igual de 10 faces ao girar uma moeda. Peça a
todos para girar uma moeda, o mais rápido possível, durante cinco
minutos. Quantos, em seqüência, obtiveram o “melhor” giro conse­
cutivo?

Atividade P rática
C on ferên cia d e Im pren sa: O cristão está tentando usar a imprensa
a fim de persuadir o público a fazer com que as escolas ensinem
problemas estatísticos relacionados com a evolução.

O ração de E n cerram en to

106
M u ta çõ e s: U m M e c a n ism o
D e fe itu o so p a r a a E v o lu çã o

:j uitos evolucionistas evitam discutir os problemas matemáti-


co-estatísticos apresentados anteriormente sobre a evolução, enquanto
relacionados com a origem da vida. Será importante repetir a citação
de Stephen C. Meyer feita no capítulo anterior: “Embora muitos adep­
tos de uma origem externa para a vida biológica ainda possam invo­
car a ‘chance’ como uma explicação casual para a origem de uma
informação biológica, poucos pesquisadores sérios ainda o fazem”.1
Entretanto, os evolucionistas ainda adoram teorizar sobre como as
formas mais simples de vida evoluíram para formas mais complexas.
Embora já tenhamos demonstrado que o processo neodarwiniano
não poderia nem ter começado racionalmente, iremos agora mais
adiante para provar que, depois da iniciação da vida, a evolução
também seria impossível.

A Afirmação
A pedra fundamental da teoria evolucionista é a afirmação de que
as mutações ocorridas no DNA iriam eventualmente levar ao aperfei­
çoamento das espécies. Colocando essa afirmação sob a seguinte
perspectiva, temos:
Primeiro: uma simples bactéria com uma base de 100 mil pares
sofreria uma mutação para organismos mais avançados. Exponen-
E x a m in e as E v id ê n c ia s

cialm ente falando, então no decorrer do tempo cada organismo


iria sofrer uma mutação para mais e mais organismos até alcançar­
mos além das 1,7 milhões de espécies que vemos atualmente. (Na
verdade, o índice do desenvolvimento teria que ser muito mais
rápido porque as espécies têm sido extintas nesse período — pre­
sentem ente, numa velocidade estimada de três espécies por hora).2
Virtualmente, todos os livros de biologia e de ciência baseiam a
evolução nas mutações. Por exem plo, alguns evolucionistas afir­
mam:

Os livros de biologia irão dizer, provavelmente, que as


mutações — isto é, as variações hereditárias — são
randômicas... Seria realmente verdade que as mutações...
levaram à evolução daqueles organismos maravilhosa­
mente adaptados que vemos ao nosso redor? O livro [The
Origins o fL ife de Maynard Smith e Szathmary] tenta dar
uma resposta a esta pergunta.3

Os cientistas entendem que as mutações — isto é, as


mudanças ocorridas nos genes — são responsáveis pela
produção das características genéticas (assim como pe­
las doenças hereditárias). Eles também entendem que a
evolução não pode existir sem essas m utações.1

Embora a mutação seja a origem suprema de toda varia­


ção genética ela é, relativamente, um acontecimento raro.5

Mutações benéficas - se elas forem germinais [que acon­


tecem nas células sexuais] - também formam a base da
evolução.6

Todas as citações acima levam à premissa de que as mutações


favoráveis, à medida que sejam transmitidas, podem levar a uma vas­
ta diferenciação das espécies. Iremos analisar essa premissa sob vári­
as perspectivas.

108
M u ta ç õ e s: U m M e c a n is m o D e f e i t u o s o p a r a a E v o l u ç ã o

(> que É uma Mutação?


A mutação é uma modificação randômica ocorrida nos nucleotídeos
de uma molécula de DNA. Isso acontece durante a reprodução, quando
o DNA está sendo duplicado, preparando-se para a divisão celular.
Muitas coisas podem provocar uma mutação. Primeiro, existem
erros randômicos na duplicação. Eles são extremamente raros por-
que o DNA tem realmente seu próprio sistema de “leitura a toda
prova”. Segundo, existem fatores externos, como a radiação, que
podem fazer com que a molécula do DNA sofra uma mutação.
Para que uma mutação seja transmitida a um descendente, ela pre­
cisa ocorrer numa célula sexual (germe). Se assim não for, a mutação
existirá apenas dentro do próprio organismo do indivíduo. Entretanto,
raramente as mutações se estendem a toda uma população, a não ser
que exista uma significativa procriação consangüínea. Isso acontece
porque, em populações sexualmente reprodutoras, as características
de um organismo são constituídas a partir do pai e da mãe. Portanto, as
probabilidades são de 50%, ou ainda menores, de ocorrer a transmis­
são de um gene que tenha sofrido alguma mutação.
Verdadeiramente, todas as mutações são prejudiciais. Elas têm a
tendência de criar problemas em vez de oferecer algum benefício.
(Falaremos mais tarde sobre a estatística). Portanto, populações com
elevadas taxas de procriação consangüínea têm a tendência de apre­
sentar mais defeitos, e problemas cie saúcle mais freqüentes.
Todas as fontes mencionadas acima reconhecem os efeitos preju­
diciais das mutações:

Em geral, as mutações têm mais probabilidade de serem


prejudiciais à sobrevivência do que à adaptação.7

Geralmente, as informações alteradas [mutações] se apre­


sentam no descendente como um defeito.8

Entretanto, provavelmente as mutações que dão origem


a mudanças substanciais nas características físicas cle um
organismo serão mais prejudiciais do que benéficas.9

109
E x a m in e as E v id ê n c ia s

A maioria das mutações que causa uma mudança visível


é prejudicial.10

Os evolucionistas, embora reconhecendo que a maioria das muta­


ções seja prejudicial, ainda as aceitam como sendo o mecanismo da
evolução. Por que? Como mencionamos acima, a s m u tações sã o a
ú n ic a esp eran ça p a r a a m u d a n ç a d e u m a espécie p a r a outra.

- CONCEITOCHAVE .....

Virtualmente, tod as a s m u tações sã o p reju d iciais.

Haveria uma Mudança Real nas Espécies?


Como observamos anteriormente, dados recentes mostram que
cerca de três espécies estão sendo extintas a cada hora. Existem pro­
vas confiáveis de que ultimamente o índice de extinção aumentou
com bastante rapidez, mas a extinção das espécies ainda levanta uma
questão: se a mudança ocorrida pela mutação é tão eficiente na cria­
ção de novas espécies por que, através do passado, existem evidên­
cias de que estamos perdendo algumas espécies e não estamos ga­
nhando nenhuma?
Alguns evolucionistas insistem naquilo que eles chamam de no­
vas espécies. Entretanto, parece claro que essas populações sim­
plesm ente experimentaram mudanças m icro-evolucionárias. Um
impacto ambiental levou a uma modificação no conjunto de genes
que resultou, então, uma mudança visível. Esse é o caso da traça e
do urso polar que têm sido mencionados com o exemplos de novas
espécies.
O famoso astrofísico Frecl Hoyle concorda com esta conclusão:

Minha impressão é que alguns evolucionistas procura­


ram apressar as coisas e consideraram erroneamente al­
guns casos onde as espécies estão apenas administrando
adequadamente certas condições ambientais já experi­

110
M u ta çõ es: U m M e c a n is m o D e f e i t u o s o pa ra a E vo lu ção

mentadas, de modo que a memória está sendo mal inter­


pretada, como sendo uma nova descoberta.11

Hoyle continua e cita a traça como um exemplo da maneira como


os evolucionistas interpretam erroneamente uma simples adaptação
como se ela fosse o desenvolvimento de uma nova espécie. Depois
de usar extensivamente diferentes equações para avaliar o potencial
que têm as mutações positivas cie desenvolver novas e diferentes
espécies, ele conclui:

As raras mutações benéficas que ocorrem são domina­


das pelas mutações deletérias mais freqüentes. O melhor
que a seleção natural poderia fazer, de acordo com 11111
ambiente específico, seria manter sob controle as muta­
ções deletérias. Quando o ambiente não é estável existe
uma lenta erosão genética que, entretanto, a seleção na­
tural não consegue evitar.12

Mudanças dentro das Espécies


Antes de pesquisarmos se as mutações no DNA podem realmente
provocar uma mudança entre as espécies, examinaremos uma ques­
tão mais simples: as mutações que ocorrem clentro das espécies exis­
tentes. O conceito da seleção natural estava sendo discutido descle o
ano de 1830. Por exemplo, o naturalista Edward Blyth (1810-1973),
contemporâneo cie Darwin, argumentou que se as espécies podiam
evoluir consideravelmente em relação ao seu gênero, família, ordem
e classe, então por que não poderiam também evoluir numa exten­
são menor quando seus limites ambientais tivessem sido ameaçados?
A argumentação de Blyth era natural, mas os fatos indicam que
quando uma espécie sofre uma significativa mudança cie ambiente,
ela tem a tendência de não se adaptar, e de desaparecer.13 Isso serve
para dar suporte à observação cle Hoyle sobre a inexistência de uma
alteração positiva na mutação que pudesse contrabalançar qualquer
alteração negativa na mutação. É por isso que as extinções superam o
suposto desenvolvimento de novas espécies.

111
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Outros m atemáticos também analisaram o efeito das m utações.


Sir Ronald Fisher (1890-1962), um dos m aiores especialistas mun­
diais na matemática da evolução, que também foi um dos arqui­
tetos da teoria neodarw iniana (e um dos fundadores do cam po
da genética clas popu lações), realizou um dos seus primeiros es­
tudos sobre com o funciona a seleção natural. Essencialm ente,
ele observou a descendência nas populações, e qual descen d ên ­
cia tinha um valor positivo de sobrevivência, em vista de ter uma
m utação positiva, ou uma sobrevivência negativa por causa de
uma m utação negativa. D epois de consideráveis análises, ele
concluiu que

a maioria dos mutantes, mesmo tendo valores positivos


cle sobrevivência, será extinta por causa de efeitos
randômicos.

...Uma única mutação, mesmo tendo sido positiva, tem


apenas uma pequena chance de sobrevivência. Como
resultado, uma única mutação terá pouca probabilidade
de executar um papel significativo na evolução.

Depois ele resumiu:

Se mutações positivas desempenharem algum papel


na evolução, então muitas delas ainda deverão ocor­
rer.1"

É importante ter em mente que essas observações vieram de um


arquiteto do neodarwinismo.
Os cálculos cle Fisher, verificados e recalculados pelo Dr. Lee
Spetner (possuidor cle um diploma de física, do MIT) indicam que os
evolucionistas estão errados ao concluir que basta um pequeno nú­
mero de alterações positivas da mutação para controlar uma popula­
ção. Esse número deverá ser imenso. E, nesse ponto, estamos falan­
do apenas sobre como aperfeiçoar uma população, e não sobre trans­
formar uma lagarta num pássaro.

112
M u ta ç õ es: U m M e c a n is m o D e f e i t u o s o pa r a a E volu ção

/l.v Mutações São Iguais aos Erros de Digitação

Uma das maneiras mais fáceis de entender porque as mutações


são quase sempre negativas é olhar para elas como se fossem erros
de datilografia. Essencialmente, é isso que elas são: erros ao transmi­
tir informações. Quando uma molécula de DNA é copiada, e ocorre
um erro, isso seria igual a datilografar uma mensagem e, de repente,
bater na tecla errada. Quais são as probabilidades de que isso redun­
dará numa melhoria? Temos aqui um exemplo bem simples:

A raposa correu celeremente A raposd correu celeremente


A rapsa correu celeremente A radosa correu celeremente
A rapjosa correu celeremente A rapisa correu celeremente
A rabosa correu celeremente A racosa correu celeremente
A ratosa correu celeremente A ragosa correu celeremente
A ralosa correu celeremente A rapusa correu celeremente
A ramosa correu celeremente A ranosa correu celeremente
A rasosa correu celeremente A ravosa correu celeremente
A rafosa correu celeremente A rarosa correu celeremente
A raxosa correu celeremente A razosa correu celeremente

É difícil melhorar uma sentença quanclo ela tem um erro, não é? O


mesmo acontece com o DNA, que foi pré-programaclo para uma fina­
lidade específica. O erro elim in a rá q u a lq u er informação.

As Mutações não A crescentam Inform ações


Presumindo que a mutação é o mecanismo para as mudanças cia
evolução, ela. então, deveria ser capaz de acrescentar novas informa­
ções a fim de desenvolver organismos mais sofisticados. Se os primeiros
organismos tivessem sido monocelulares, com talvez apenas 100 mil
pares de DNA, e agora temos os homens, que são imensamente mais
complexos, com 3,2 bilhões de pares de DNA, alguma informação deve
ter sido incorporada 110 decorrer cio tempo. Como já disseram, “Sem a
mutação não poderia haver a evolução”. Em outras palavras, se as muta­
ções não podem acrescentar informações, não pode haver evoluçâo:

113
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Mas o que já se conhece, ou pelo menos pelo que co­


nheço, não existem tais exemplos [de mutações acres­
centando informações].1=1

Ao fazer esta afirmação, o Dr. Lee Spetner não está dizendo que
não existem mutações que podem ajudar as criaturas a sobreviver.
Mas indicando que essas mutações mudam simplesmente a função
de um gene — e que nada acrescentam.

r ________CONCEITO-CHAVE -------------------------------

As m u tações n ã o ac rescen ta m in fo r m a ç õ e s — elas c a u ­


sam o sen d esap arecim en to.

Exemplos de Perda de Informações


Todas as mutações mencionadas foram estudadas e mostraram
que não só nenhuma informação nova foi acrescentada, como tam­
bém ela pode ter desaparecido. Vamos analisar alguns casos em par­
ticular:
• B actérias resistentes à estreptom icin a. Algumas bactérias tor­
naram-se resistentes ao antibiótico estreptomicina através da
mutação. Normalmente, uma molécula desse medicamento se
liga ao centro de reprodução das células, localizado no
ribossomo da bactéria, interferindo assim com a sua capacida­
de de produzir as proteínas necessárias. (Os mamíferos não
têm esse mesmo centro nos seus ribossomos, portanto essa
droga não lhes faz nenhum mal).
As mudanças ocorridas na bactéria, por causa da mutação, al­
teram a estrutura desse centro, de modo que ele se torna imu­
ne à futura ação do medicamento. Essa mutação acrescenta um
valor cie sobrevivência à bactéria, que é hereditário, mas não
acrescenta nenhuma informação nova. Além disso, a perda da
especificidade (informação) que ocorre no ribossomo provoca
uma degradação na performance geral da bactéria.16

114
M u ta ç õ es: U m M e c a n is m o D e f e i t u o s o pa ra a E volu ção

• Insetos resistentes a o DDT. Da mesma maneira, alguns insetos


desenvolveram mutações que lhes permitem ser resistentes ao
DDT. A função cio DDT é introduzir moléculas venenosas aos
centros reprodutores, localizados nas membranas das células
nervosas dos insetos. As mutações prejudicam a reprodução e
tornam ineficiente o veneno. Novamente, nenhuma nova in­
formação foi acrescentada, houve apenas uma mudança. En­
tretanto, o DDT sobrevivente começa a perder sua especificidade
nas proteínas das células nervosas.17
• R esistência dos ursos p o la r e s a o frio . O urso polar adaptou-se
esplendidamente ao seu frígido ambiente. Entretanto, as muta­
ções que ocorreram para essa sua adaptação irão diminuir a
sobrevivência do animal no caso de acontecer alguma modifi­
cação no seu meio ambiente.
• M aior p r o d u ç ã o d e g rão s e vegetais. A produção de muitas plan­
tas comestíveis foi aumentada através de mudanças introduzidas
nos seus genes reguladores. Embora as células passassem a
fornecer maior nutrição protéica, o custo desse processo é a
perda da especificidade nas proteínas reguladoras da planta.
Novamente, nenhuma informação nova foi acrescentada.18
• M aior p r o d u ç ã o d o g a d o leiteiro. O gado leiteiro, criado para
produzir maior quantidade de leite, apresentou uma diminui­
ção na fertilidade. Houve, novamente, uma total perda de in­
formação. 19

Uma série de experiências realizadas durante 20 anos por pesqui­


sadores da evolução sugeriu, originalmente, que as culturas de bacté­
rias poderiam realmente acrescentar informações formando, assim,
uma possível base para uma macroevolução. Entretanto, avaliando
detalhadamente essas experiências,

Vemos que nenhuma informação adicional foi acrescen­


tada ao genoma. Na verdade, o que se observou é que
cada uma dessas mutações provocou perda de informa­
ções. Elas fizeram com que o gene se tornasse menos
específico. Portanto, nenhuma delas pocle desempenhar

115
E x a m in e as E v id ê n c ia s

o papel dos pequenos passos que, supostamente, levari­


am a uma macroevolução.20

Resumindo nossos argumentos originais, se as mutações não acres­


centam informações, e se esta adição de informações também é ne­
cessária, então a macroevolução possivelmente não poderá ocorrer.

Análise Estatística da Probabilidade de as Mutações


Levarem a um a M acroalteração
O Dr. Lee Spetner analisou a probabilidade do desenvolvimento
de novas espécies por meio da mutação.21 Para fazer sua análise, ele
preferiu selecionar cavalos porque, muitas vezes, eles são usados
como exemplos da evolução.
A fim de calcular as chances de a mutação criar novas espécies
precisamos saber:
1. quais as chances de se obter uma mutação
2. qual fração das mutações apresenta uma vantagem seletiva
3. quantas réplicas existem em cada passo da cadeia da seleção
4. quantos desses passos serão necessários para se obter novas
espécies.
Quais as chances de se obter um a mutação? Consideráveis pesqui­
sas têm sido desenvolvidas sobre a chance de se obter uma mutação. Os
estudos indicam que a probabilidade de ocorrer uma mutação varia cie
acordo com a espécie. Por exemplo, as bactérias apresentam o maior
número de mutações, com um índice entre 1 e 10 por bilhão de transcri­
ções. (Voltando ao nosso exemplo de datilografia, isso seria igual a um
erro em 50 milhões de páginas datilografadas — a produção de uma vida
inteira de cerca de 100 teclados profissionais.) Entretanto, outros organis­
mos apresentam um índice de mutação de 1 em 10 bilhões (1 0 10).22 Por­
tanto, usaremos um índice de mutação igual a 10~10

Qual fra çã o das m utações ap resen ta u m a vantagem seletiva?


A fim de criar uma vantagem seletiva que possa nos levar a novas
espécies, uma mutação deve ter dois componentes:

116
M u ta çõ es: U m M e c a n is m o D e f e i t u o s o pa r a a E v o lu ção

® Deve ter um valor seletivo positivo (“ajudar” as espécies).


® Deve acrescentar uma pequena informação ao genoma.

Como vimos anteriormente, esse segundo componente apresenta


um problema. Não temos nenhuma evidência de que as mutações
acrescentaram informações ao genoma de um organismo. Entretanto,
no interesse dessa análise, vamos presumir que isso seja possível e,
então, continuar.
O prim eiro com ponente também apresenta um problem a.
Quantas mutações deveriam ocorrer para chegarmos a um valor
seletivo adequado para aperfeiçoar uma determinada população?
Sir Ronald Fisher admite que seriam necessárias “muitas” mutações,
de acordo com o que já observamos antes. Uma mutação mínima
seria aquela que ocorreu num único nucleotícleo, e alguns biólogos
(por exemplo, Richard Dawkins) entendem que mesmo uma míni­
ma mutação pode desencadear uma modificação macroevolucionária.
Vamos presumir, a essa altura, que não sabemos quantas mutações
seriam necessárias para se obter um valor adequado de seleção
para uma macromodificaçâo para depois continuarmos com nossa
análise.

Quantas réplicas seriam n ecessárias p ara fo rm a r novas espé­


cies? Quanto menor for a mudança ocorrida em cada passo da cadeia,
mais passos serão necessários. Um outro arquiteto clo neodarwinismo,
o falecido G. Ledyard Stebbins, calculou que seriam necessários 500
procedimentos para criar uma nova espécie.23 Então, a questão passa a
ser, quantos nascimentos seriam necessários para que ocorresse um
pequeno passo evolucionário? Paleontólogos que estudaram cavalos
durante o seu teórico desenvolvimento de 65 milhões de anos fornece­
ram informações ao I3r. Spetner que o levaram a concluir que seriam
necessários cerca de 50 milhões de nascimentos.

Voltando ao p ro b lem a das m utações benéficas. Qual fração


da mutação deveria ser tão favorável (adaptadora) que criasse uma
seleção benéfica? Ninguém sabe realmente, exceto que, segundo
Fischer, elas deveriam ser “muitas”. Então, a fim de continuar, vamos

117
E x a m in e as E v id ê n c ia s

examinar melhor a questão e ver quantas mutações benéficas seriam


necessárias para fazer com que a evolução “funcionasse”. Dessa ma­
neira, poderemos julgar se esse número seria ou não verdadeiramen­
te real.
Precisamos começar dando um certo “valor” a uma evolução “típi­
ca”. Esse valor indicaria a contribuição feita pela mutação a uma
benéfica mudança de espécie. O falecido George Gaylord, geralmen­
te reconhecido como o “decano dos evolucionistas” indicou um “va­
lor freqüente” de cerca cie um décimo de porcentagem.-1Spetner usa
esse valor nos seus cálculos.

S obrevivência das m utações. “Em seguida", diz Spetner, “passa­


remos para os cálculos usados por Fisher, especialista em evolução e
genética das populações, de que para única mutação, que tenha um
décimo da porcentagem do valor seletivo, as probabilidades da sua
sobrevivência serão de 500 contra 1. Deveria haver 1100 delas para
se chegar a 90% de chances de sobrevivência”.2’
Começamos agora a ver o problema das mutações em relação
aos passos entendidos como necessários à evolução do cavalo. Pri­
meiro, deve ocorrer uma mutação positiva (com um adequado va­
lor seletivo), depois ela precisa sobreviver e, em seguida, dominar
uma população. A chance de essa mutação se apresentar na popu­
lação é de 1 em 600 (1/600). Se ela tiver um elevado valor seletivo,
de um décimo de porcentagem, a sua chance de sobreviver será de
1 em 500 (1/500). Assim sendo, as chances de essa mutação se
apresentar, sobreviver e dominar uma população serão de 1/600 X
1/500 = 1/300.000. Mas existe um outro problema estatístico para os
evolucionistas quando usamos os seus próprios números ao fazer
os nossos cálculos. A chance acima de 1 em 300.000 é simplesmen­
te para um único passo num total de 500 passos, considerados como
necessários para efetuar uma mudança evolucionária. A fim de cal­
cular o que seria necessário para que todos os 500 passos se apre­
sentassem, presumindo uma ausência de erros, teríamos que multi­
plicar o número 1/300.000 por si mesmo 500 vezes. Nosso resultado
seria 2.7/1027W

118
M u t a ç õ e s : U m M e c a n is m o D e f e i t u o s o p a r a a E v o l u ç ã o

Esta é vima probabilidade que os estatísticos chamam de impos­


sível. Seria como ganhar 391 loterias em seguida com um único
bilhete em cada uma delas. E elevemos ter em mente o seguinte:

• Esta é apenas u m a m u d a n ç a na escala da evolução.


• Usamos os n ú m eros fo r n e c id o s p elos evolucionistas.
• Nós nos su jeitam os a a rg u m en taçõ es q u e a cred ita m o s serem
fa lsa s, tais como a afirmativa de que uma mutação pode acres­
centar informações.

Quando submetemos a idéia evolucionária da mutação a uma


análise crítica descobrimos que não existem provas de que as muta­
ções acrescentem informações. Usando os números e as suposições
dos evolucionistas para avaliar a probabilidade de as mutações resul­
tarem em uma única espécie aperfeiçoada, chegamos a um resultado
impossível.

V,x
Avalie o que Você Aprendeu
1. Quantas mutações a evolução exige que tenham ocorrido, des­
de a primeira célula, para que tenhamos as espécies que pos­
suímos hoje?
2. Quais são as exigências para que uma mutação seja transmiti­
da?
3. Cite dois problemas críticos da teoria de que as mutações po­
dem criar espécies novas e superiores.
4. Quais são os exemplos comumente mal interpretados de as
mutações produzirem “espécies novas e superiores” que, na
verdade, são exemplos de microevolução?
5. Qual é a probabilidade estatística de uma única mudança
evolucionária?

119
E x a m in e a s E v id ê n c ia s

Capítulo 6 —Grupo de Estudo

P rep aração para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: o capítulo 6 deste texto. Familiarize-se com o apêndice B.
Também navegue por www.evidenceofgocl.com e familiarize-se com
as ferramentas a respeito de criação versus evolução.

O ração de A bertura
D iscu ssão: Discuta a análise de Spetner sobre uma mutação
evolucionária (pp. 116 -119). Procure fazer com que todos entendam
os cálculos matemáticos e sejam capazes de explicar, em termos ge­
rais, como as mutações — mesmo que pudessem acrescentar infor­
mações — seriam impossíveis.

Atividade P rática
A tiv id ad e d e In terp retação: O cristão está falando com um concei­
tuado professor de biologia de uma escola que ensina a evolução. O
objetivo é criar dúvidas na mente dos incrédulos de que as mutações
sejam um mecanismo viável para a evolução.

O ração de E n cerram en to

120
A Irredutível Complexidade: Um
Grande Problema Transicional

m p ré-req u isito da ev o lu ção n eodarw iniana é que as


infinitesimais mudanças ocorridas no sistema de um organismo de­
vem ter acontecido ao longo de grandes períodos de tempo. Isso
levanta uma questão: O que acontece quando um grande número de
mudanças muito complexas acontece ao mesmo tempo — para que
um “sistema aperfeiçoado” (como a visão) funcione? Um sistema que
exige várias e importantes mudanças simultâneas para funcionar tem
o nome de sistema de “complexidade irredutível”.
De Darwin até o evolucionista Richard Dawkins, as afirmações
evolucionárias foram feitas por meio da observação do aspecto exte­
rior dos organismos — as m a cra p o rçõ es. Elas parecem ter sido facil­
mente projetadas do lado cle fora, mas a história é inteiramente dife­
rente do lado de dentro.
Tome um automóvel como exemplo de um sistema de complexi­
dade irredutível. Se levarmos em conta apenas um típico motor de
automóvel, ele poderia ser fragmentado em centenas de partes, todas
elas vitais ao funcionamento do carro. O mesmo acontece com o
movimento de um trem. Mas os sistemas vivos, em nível celular, são
infinitamente mais complexos cio que uma simples estrutura de um
carro, de um motor, ou do movimento de um trem. Precisaríamos
não só incluir o equivalente ao tanque de gasolina, as velas de igni­
E x a m in e as E v id ê n c ia s

ção, os relês, radiadores, as tubulações do combustível, os pistões, os


sistemas de ignição eletrônica, as bombas, os sistemas de exaustão...
bem, nós também teríamos que incluir alguns trilhões de outras par­
tes — tudo junto exatamente ao mesmo tempo. Isso faz dos sistemas
vivos um complexo irredutível de grau extremo.
Michael Behe, conhecido biólogo molecular, autor do livro
D an vin 's B la ck B o x — e campeão do conceito de co m p lex id a d e
irredutível faz a seguinte descrição:

Qual tipo de sistema biológico não poderia ser formado


por “numerosas, sucessivas e ligeiras modificações” [A
premissa da teoria evolucionária]?
Bem, para começar, um sistema que tem uma complexi­
dade irredutível. Quando falo complexidade irredutível
estou querendo dizer um único sistema composto por
várias partes, bem combinadas e interagindo, e que con­
tribuem para a função básica, porquanto a remoção cle
qualquer uma dessas partes fará com que o sistema dei­
xe efetivamente de funcionar.1

Como acontece com o exem plo acima, do carro, se a p ro p o sta


m a c r o e v o lu ç ã o d e um sistem a n ã o p o d e a c o n te c e r g ra d u a lm en te,
e se o sistem a f o r n e ce s s á rio p a r a a u m e n ta r o v a lo r d e so b rev iv ên ­
c ia d e u m a espécie, e n tã o esse sistem a n ã o p o d e r ia ter resu lta d o d e
p r o c e s s o s ev o lu cio n á rio s.

Um Exem plo Básico da Complexidade Irredutível


Behe explica a premissa básica deste modelo utilizando uma sim­
ples ratoeira.
Veja que os componentes dessa ratoeira incluem:
1. Plataforma
2. Martelo
3. Mola
4. Lingüeta
5. Barra de Fixação

122
A I r r e d u t í v e l C o m p le x id a d e : U m G r a n d e P r o b l e m a T r a n s i c i o n a l

Martelo
Mola

Barra de
Fixação

Lingüeta Plataforma

Se colocarm os a ratoeira no contexto da evolução gradual, po­


demos imaginar apenas a plataforma evoluindo e perm anecendo
na população. Entretanto, por si só ela não tem nenhum valor de
sobrevivência, portanto com toda probabilidade iria desaparecer.
H certam ente não pegaria nenhum camundongo. Da mesma for­
ma, o martelo poderia evoluir dentro de uma população durante
algum tempo, mas novamente, se não tivesse nenhum valor de
sobrevivência em si mesmo, provavelmente também iria desapa­
recer da população. O mesmo poderia ser dito para cada um dos
outros com ponentes. A fim de que qualquer parte tivesse o valor
de pegar ratos, to d a s a s p a r te s d ev eria m esta r d isp on ív eis a o m es­
m o tem po — sem dizer com as informações necessárias e a ener­
gia para montar a ratoeira.
No entanto, esse exemplo básico está simplificando demais as coi­
sas, Se a plataforma não é bastante forte, ela não funcionará — não
suportará a tensão da mola e do martelo. Se a mola não é suficiente­
mente forte, ela não funcionará — não projetará a força necessária
para matar um rato. Se a lingüeta for muito curta, não alcançará o
martelo... e assim por diante.

123
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Os Sistemas Celulares São muito mais Com plexos


que a Ratoeira ou o Automóvel
Pense numa macromudança que está envolvendo um sistema de
células. A complexidade desse sistema celular é imensamente maior
que a complexidade de todas as instalações industriais do mundo em
conjunto. Pense na indústria ATP de motores em comparação com
uma mitocôndria — sem mencionar todas as outras funções que as
células devem executar — e na complexidade das instruções do DMA
que vimos anteriormente.
Na época de Darwin seria admissível examinar os variados tipos
de bico dos pássaros e, num sentido macro, presumir que um pássa­
ro havia evoluído a partir de outro pássaro. Mesmo na metade do
século XX era talvez justificável afirmar que os macacos e os homens,
por causa da sua aparência, eram semelhantes. Atualmente, com a
biologia molecular, vemos que isso não é verdade. Com o microscó­
pio eletrônico, a cristalografia, os Raios-X e as imagens por ressonân­
cia magnética nuclear, pode-se examinar a verdadeira composição
dos genes e a função das células vivas.
Michael Behe faz uma relevante observação. Quando, no início
do século XX, a teoria neodarwiniana estava sendo sintetizada, havia
um grupo importante que se m anteve ausente — os biólogos
moleculares. Por que? Porque não existia nem a disciplina, nem as
suas ferramentas! Como no exemplo abaixo, a maior parte da crítica
à irredutível complexidade é feita por biólogos que ainda não apren­
deram, a “pensar pequeno”.
• A p rem issa do olho humano, como foi discutida por Francis
Hitching:

É bastante evidente que se a menor coisa der errado


no caminho — se a córnea estiver indistinta, ou a pu­
pila deixar cie dilatar, ou o cristalino se tornar opaco,
ou a focalizaçào não der certo — então uma imagem
reconhecível não será formada. O olho funciona como
um todo ou não funciona. Então, como poderia ter

124
A I r r e d u t ív e l C o m p l e x id a d e : U m G rande P ro blem a T r a n s ic io n a l

evoluído a partir dos aperfeiçoamentos Darwinianos,


lentos, invariáveis e infinitamente pequenos? Será real­
mente plausível que centenas e centenas cle felizes
chances de mutação aconteceram coincidentemente de
modo que as lentes e a retina, que só podem funcionar
em conjunto, evoluíram em sincronia? Que valor de
sobrevivência pode existir num olho que não vê?2

• A R esposta do zoólogo Richard Dawkins ao argumento de


Hitching:

[Hitching] também afirma, como se fosse óbvio, que


o cristalino e a retina não podem funcionar um sem
o outro. Com que autoridade? Alguém muito próxi­
mo fez uma operação de catarata nos dois olhos.
Antes, ela não tinha nenhum cristalino. Sem óculos
não podia nem com eçar a jogar tênis ou mirar um
alvo. Mas me garantiu que as pessoas se sentem
muito melhor com um olho sem cristalino, do que
se não tivessem nenhum olho. Você pode dizer se
está caminhando em direção a uma parede ou se
vai dar de encontro com outra pessoa. Se fosse uma
criatura selvagem, certamente usaria o seu olho sem
cristalino para detectar a imagem assustadora de
um predador, e a direção de onde ele viria se apro­
xim ando.3

Por que a afirmação cle Dawkins está ultrapassada? Por causa das
inerentes implicações de que o olho poderia ter evoluído cle acordo
com macro etapas parciais (por exemplo, sem o cristalino). Ela tam­
bém conclui que o restante do olho — o incrível complexo da retina e
das suas células sensíveis à luz — representa um todo e que tudo
poderia ter evoluído simultaneamente. Essa ultrapassada forma de pensar
não pode mais ser justificada por causa das evidências obtidas a partir
da bioquímica molecular. Se a evolução vai funcionar, ela deverá fun­
cionar em nível celular, ou não funcionará de forma alguma.

125
E x a m in e as E v id ê n c ia s

......- CONCEITO-CHAVE

Um complexo sistema irredutível é a q u e le q u e exige a


o c o rrên cia sim u ltâ n ea cie im portan tes m u d a n ç a s a f i m
d e p o d e r fu n c io n a r . C om o a ev olu ção exige u m a m u d a n ­
ça. g r a d u a l e co m o m uitos sistem as dos organ ism os vivos
fo r m a m um com p lex o irredutível, con clu i-se q u e a evo­
lu ç ã o n ã o é possível.

Estabelecendo uma Análise Real


Para se chegar ao valor macro para uma população, as mutações
devem ser positivas, elas precisam sobreviver e ter um valor seletivo
suficientemente elevado — cerca de 1%. (Analisamos esse assunto
no capítulo 7). Para um sistema tão útil como o sistema ocular deví­
amos ser capazes de admitir que o valor seletivo precisa ser suficien­
temente elevado.
O problema vai se tornar aparente com o enorme número de
mutações que seriam necessárias para termos todos os respectivos
subsistemas funcionando numa mutação simultânea. Afinal de con­
tas, em se tratando do olho humano, consideramos que isso seria
mais do que justo para as partes facilmente visíveis — a córnea, a
íris, a pupila. Também temos que levar em conta o cristalino, os
músculos ligados a ele, a retina com seus 120 milhões de bastonetes
e 7 milhões de células cônicas, e muitas outras partes, sem m encio­
nar o nervo que precisa saber com o processar as informações. Cada
um desses subsistemas é formado por incontáveis células — sendo,
cada uma, uma pequena “fábrica”.
Vamos considerar a parte básica mais simples — a célula sensí­
vel à luz (um simples bastonete ou cone). Iremos examiná-la a par­
tir de um modelo bioquímico. O texto abaixo é a paráfrase de uma
descrição de Michael Behe, encontrada no seu célebre livro, D arw in 's
B la c k Box:'

126
A I r r e d u t ív e l C o m p l e x id a d e : U m G ran de P ro blem a T r a n s ic io n a l

Ciclo Bioquímico de uma Célula Sensível à Luz


1. A luz atinge a célula e um fóton interage com uma molécula
chamada 11-cis-retinal.
2. Isso se ajusta dentro de picosegundos (o tempo que a luz leva
para viajar na largura de um fio de cabelo) e se transforma
numa célula trans-retinal.
3. A mudança no formato da molécula retin al obriga uma mu­
dança no formato da proteína rodopsina à qual a molécula
retin al está firmemente ligada.
4. A metamorfose ocorrida na proteína altera o seu comporta­
mento — ela agora passa a se chamar m etaro d op sin a II.
5. A proteína alterada se liga a outra proteína chamada transducin.
6. Antes de se ligar à m e ta r o d o p s in a II, a tra n sd u cin havia es­
tado fortemente ligada a uma pequena m olécula chamada
GDP.
7. Quando a trcm sducin interage com a m etarod op sin a II, a mo­
lécula GDP deteriora e uma molécula chamada GTP se liga à
transdu cin .
8. Agora a G T P -tran sducin-m etarodopsin a //liga-se a uma prote­
ína chamada fosfodiesterase, localizada na membrana interior
da célula.
9. Quando ligada ao grupo da m etarod op sin a II a fosfodiesterase
adquire a capacidade química de “cortar” as moléculas chama­
das cGMP da célula. A fo sfo d iestera se diminui a concentração
de cGMP, cla mesma maneira como uma tampa diminui o nível
de água de uma banheira ao ser removida.

Uma outra proteína da membrana, que se liga à cGMP, é chamada


de c a n a l d e íons. Ela age como uma porta de entrada para regular o
número de íons de sódio que fluem para dentro da célula. Normal­
mente, o canal de íons permite que os íons de sódio penetrem na

127
E x a m in e as E v id ê n c ia s

célula, enquanto uma outra proteína bombeia ativamente esse sódio


para fora novamente.
A ação do canal de íons, e a sua eliminação, mantêm o nível de
íons de sódio no interior da célula dentro de um limite reduzido.
10. Quando a concentração de cGMP fica reduzida por causa da
clivagem feita pela fosfocliesterase, o canal de íons se fecha,
fazendo com que a concentração celular de íons de sódio po­
sitivamente carregados fique reduzida.
11. Isso faz com que seja transmitida uma corrente elétrica ao
longo do nervo ótico até o cérebro.
12. O resultado, quando interpretado pelo cérebro, é a visão.

Se as reações mencionadas acima fossem as únicas a operar


dentro da célula, <> fornecimento de 11-cis-retinal, cGMP e de
íons de sódio iria rapidamente diminuir. Alguma coisa deveria
desligar as proteínas que estavam funcionando e devolver a
célula ao seu estado original.
No escuro, o canal de íons, além dos íons de sódio, também
permite a entrada de íons de cálcio para dentro da célula. O
cálcio é bombeado para fora por uma proteína diferente, de
modo a manter a uma constante concentração de cálcio.

13. Quando os níveis de cGMP diminuem, fechando o canal de


íons, a concentração do íon de cálcio também diminui.
14. A reação enzimática da fosfocliesterase, que destrói a cGMP,
diminui até alcançar uma concentração mais baixa de cálcio.
15. Uma proteína chamada gucinilato ciclase começa a sintetizar no­
vamente a cGMP quando os níveis de cálcio começam a baixar.
16. Enquanto tudo isso acontece, a metarodopsina II é modificada
quimicamente por uma enzima chamada rodopsin aqu in ase.
17. A rodopsina modificada liga-se então à uma proteína cha­
mada arrestin que impede a rodopsina de ativar mais trans-

128
A I r r e d u t ív e l C o m p l e x id a d e : U m G ra n d e P r o b l e m a T ran sic io n a l

ducin. (Vemos, portanto, que a célula contém mecanismos


para limitar a am plificação do sinal que com eçou com um
simples fóton.)
18. A trans-retinal diminui a quantidade de rodopsina e deve ser
convertida novamente em 11-cis-retinal. Ela precisa ser religada
à rodopsina para voltar ao ponto de partida para dar início a
outro ciclo visual.
19- Para que isto seja feito, a trans-retinal é primeiramente modifi­
cada quimicamente por uma enzima e se torna o trans-retinol
— uma forma que contém dois ou mais átomos de hidrogênio.
20. Em seguida, uma outra enzima converte a molécula para 11-
cis-retinol.
21. Finalmente, uma terceira enzima remove os átomos de hidro­
gênio previamente introduzidos para formar o 11-cis-retinal,
e o ciclo se completa.
Todo esse processo leva apenas alguns picosegundos — e se rep e­
te em 1 2 7 m ilhões d e bastonetes e con es cie c a d a olho.
Observamos, imediatamente, que esse processo é muito mais com­
plexo do que Darwin, ou qualquer outro biólogo, poderia jamais
imaginar. É bastante difícil imaginar como a evolução poderia ter
organizado toda estrutura dos bastonetes e cones. Mas a verdadeira
dificuldade se apresenta quando analisamos cada célula e, especifi­
camente, aquilo que elas fazem. A omissão de um simples passo, dos
21 relacionados acima, iria resultar em falta de visão. Portanto, as
mutações que devem ocorrer para criar um centro sensitivo à luz
podem ser generalizadas em quatro estágios:

1. A cúm u lo d a s bases m olecu lares n ecessárias para realizar o pro­


cesso num único local, em primeiro lugar.
2. A g reg ação dos elem en tos estruturais n um sistem a m ecâ n ico a
fim de permitir o funcionamento do sistema químico.
3. D esenvolvim ento d o com plexo processo descrito acima, que re­
sulta em impulsos eletrônicos para o cérebro.
4. E n sin ar o céreb ro a interpretar estes sinais.

129
E x a m in e as E v id ê n c ia s

O conceito da complexidade irredutível indica que tudo que foi


descrito acima teria que acontecer de forma simultânea, pois qual­
quer centro que fosse apenas parcialmente sensível à luz não teria
qualquer valor de sobrevivência. E se não houvesse esse valor, a(s)
mutaçâo(ões) iria(m) desaparecer.

Enfrentando os Dados
Será que, realmente, as mutações iriam produzir randomicamente
um centro sensível ã luz numa população? Poderíamos argumentar
que as necessárias bases m olecu lares podiam ser agregadas,
randomicamente, num único centro.
Mas, no minuto em que passamos para o estágio 2, o problema se
torna substancialmente maior. Agora estamos pedindo que as muta­
ções agreguem um número considerável de informações — como
estruturar alguma coisa simultaneamente com todas as outras que
devem acontecer ao mesmo tempo.
O problema atinge um ponto extremo quando passamos para o
estágio 3. Agora, serão necessárias imensas quantidades de infor­
mações para a mutação (reveja simplesmente a complexidade do
sistema de 21 passos descrito acima). Nesse ponto, seria necessário
que as moléculas, a estrutura correta e um sistema químico extre­
mamente complicado, tivessem todos sofrido uma mutação exata­
mente ao mesmo tempo. A derradeira questão será a necessidade
do imediato entendimento do cérebro de como usar esse novo input
nervoso.
Na verdade, 127 m ilhões dessas células sensíveis à luz terão
que se agregar num único olho. Mas para que o olho com ece a
funcionar, serão indispensáveis muitas outras partes, cada uma
com suas próprias com plexidades irredutíveis: o nervo ótico, o
conteúdo do globo ocular, o cristalino, a córnea, os músculos etc.
E se todas essas partes individuais do com plexo irredutível não
puderem se agregar ao mesmo tempo por meio de m utações si­
multâneas, o valor de sobrevivência do olho será inútil. (Nova­
mente, você não poderá apanhar vários cam undongos usando
apenas um pedaço de madeira.)

130
A I r r e d u t ív e l C o m p l e x id a d e : U m G ra n d e P r o b l e m a T ran sicio n a l

Logicamente, não parece concebível que um imenso número des­


sas necessárias, complexas e integradas mutações pudesse ter lugar
simultaneamente a fim de formar todos esses sofisticados sistemas.
Além disso, devemos ter em mente aquilo que vimos no capítulo
anterior:

• As mutações positivas são muito raras.


• As mutações geralmente não sobrevivem numa população.
• As mutações não agregam informações.
• Para o desenvolvimento de um sistema complexo, um grande
número de mutações positivas simultâneas teria que sobrevi­
ver e dominar uma população.

De acordo com o que observamos em Darwin, não foi levada em


conta a necessidade da presença dos componentes da complexidade
irredutível nos modelos biológicos da evolução naturalista. Essa é
uma outra questão que ainda não foi respondida pelos adeptos do
neodarwinismo. Em resumo, a complexidade irredutível parece apontar
novamente em direção a uma evolução alternativa — em direção a
um projetista inteligente (Deus).

Avalie o que Você Aprendeu


1. Defina o que é a co m p lex id a d e irredutível e depois clê alguns
exemplos para explicá-la.
2. Por que uma sim ples ratoeira seria uma com plexidade
irredutível?
3. Descreva, de maneira geral, como o olho humano poderia ter
uma complexidade irredutível muito maior que uma ratoeira.
4. O que você acha que Darwin iria pensar sobre a complexidade
irredutível? Por quê?
5. Como o problema das mudanças da mutação combina com o
problema da complexidade irredutível para se tornar um pro­
blema extraordinariamente grande?

131
E x a m in e as E v id ên c ia s

Capítulo 7 — Grupo de Estudo

Prep aração p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: o capítulo 7 deste texto e o apêndice B. Também navegue
por www.evidenceofgod.com e familiarize-se com as ferramentas a
respeito de criação versus evolução.

O ração de A bertura
D iscussão: Num grupo, faça uma relação dos sistemas cio corpo
humano que representam um complexo irredutível. Discuta cada um
deles e reveja como poderia explicar esse conceito às pessoas que
acreditam na evolução

Atividade P rática
Entrevista para a TV: O repórter leva o cristão para o estúdio a fim
de entrevistá-lo sobre o “novo” conceito da complexidade irredutível.
Explique como ele funciona de forma que a maioria dos ouvintes
possa entender.

O ração de E n cerram en to

132
Parte

Evidência da Existência de Deus na


Criação: Resumo e Conclusão

1. A criação e a macroevoluçâo naturalista são mutuamente exclu­


sivas; cenários independentes mostram como as coisas aconte­
ceram. Se alguma coisa surgiu através de algum fato randômico,
ela não poderia ter sido criada, e vice-versa. Portanto, se uma
pode provar que é verdadeira — ou falsa — isso iria compro­
var a inveraciclade da outra.
2. Sabemos agora (pela teoria da relatividade geral de Einstein)
que o tempo, o espaço e a matéria tiveram um começo. Como
a primeira lei da termodinâmica indica que a matéria e a ener­
gia não podem ser criadas (ou destruídas) a causa primeira da
existência teria que estar fora das dimensões tempo-espaço.
3- Sabemos que se as coisas existentes tivessem sido formadas
randomicamente — a vida, em particular — elas deveriam ter
sido criadas por um projetista inteligente. Somente através da
observação podemos nos maravilhar perante a complexidade
do projeto que se apresenta em toda a forma de vida. Um
“nome” para esse projetista inteligente é “Deus”.
4. Podemos raciocinar que a base da evolução, como está sendo
ensinada em muitas escolas, é estritamente a base de uma ci­
ência teórica que poderia ser, também, a base para que a cria-
E x a m in e as E v id ên c ia s

cão fosse o resultado cla evolução. Em muitos casos, os mitos


são usados intencionalmente para enganar as pessoas, como
nos casos em que a microevolução é usada numa tentativa de
dar suporte à macroevolução.
5. Sabemos que os registros fósseis em nada contribuem para o
apoio à evolução. Mesmo os melhores paleontólogos reconhe­
cem suas fraquezas. Por exemplo, o registro dos fósseis, em
especial a explosão Cambriana, no país cie Gales, é mais uma
indicação da criação tal como foi descrita na Bíblia.
6. Acreditamos que o relato da criação, como está indicado na
Bíblia, é consistente com o conhecimento científico. Da mes­
ma forma, as outras referências feitas na Bíblia também são
consistentes com a ciência.
7. Podemos agora determinar a vasta complexidade dos eventos ne­
cessários a qualquer desenvolvimento randê>mico proposto para
uma célula viva. Somente o problema da quiralidacle é suficiente
para tornar insustentável o conceito randômico cla origem da vida.
8. Além do problema matemático da quiralidade existem muitos ou­
tros problemas estruturais, tal como a seleção cios aminoácidos
“corretos" e os componentes do DNA, a seqüência dos genes, a
localização dos aminoácidos e outros. As probabilidades contra a
agregação randômica dos componentes das células são astronô­
micas c sua ocorrência seria certamente impossível dentro de um
universo de tempo de alguns meros 14 bilhões de anos ou mais.
9. As alterações da mutação, como mecanismo para o desenvolvimen­
to clas espécies, é um conceito irracional. As mutações destroem as
informações quando, para terem sucesso, elas precisam agregar
informações (considere o número crescente de informações neces­
sárias para passar de uma criatura monocelular para um ser huma­
no). As mutações sempre são virtualmente destruidoras e uma pe­
quena porção de mutações positivas iria matematicamente, e quase
sempre, desaparecer numa população. As mutações são diferentes
das variações genéticas, que são introduzidas nas espécies para
melhorar sua chance de sobrevivência.

134
P a r t e 1 : R e su m o e C o n c lu sã o

10. A complexidade irredutível torna irracional a idéia da transi­


ção de uma espécie para outra por meio de um dramático
aperfeiçoamento (como a adição de um olho).
Finalmente, mesmo os evolucionistas que escrevem livros e
artigos em jornais sobre como funciona a evolução, indicam
que cada fase do processo evolucionário está cheia de incerte­
zas e problemas. Se os evolucionistas não podem comprovar
suas próprias teorias, e se admitem ter problemas em todo o
sistem a proposto, com o alguém pode acreditar que ele
corresponda à verdade? Por outro lado, existe uma enorme
evidência de que a evolução é matematicamente e estatistica­
mente (usando provas naturais) impossível.
11. Por outro lado, a evidência realmente apóia o relato da criação
registrado na Bíblia. O registro científico dá suporte às fases da
criação como estão descritas na Bíblia.
12. A descoberta científica da explosão Cambriana serve de apoio
à criação.
13. A admirável complexidade do projeto dos sistemas vivos —
que se encontra muito além dos processos naturalísticos esta­
tisticamente racionais — dá suporte à criação.
14. A presença, nos organismos vivos, de muitos sistemas de com­
plexo irredutível dá suporte à criação.
15. O fato de a matéria inerte tornar-se “viva”, por sua própria
conta, dá suporte à criação (considerando que a “geração es­
pontânea" é um mito não científico).

135
I

Evidência da Confiabilidade
da Bíblia

____ Um V e r s í c u lo p a ra M e m o r i z a r ------------
T oda Escritura d iv in a m en te in sp irad a é p rov eitosa p a r a
ensinar, p a r a redargüir, p a ra corrigir, p a r a instruir em ju s ­
tiça, p a r a q u e o hom em d e D eus seja p erfeito e p e r fe ita m e n ­
te instruído p a r a toda b o a o b r a (2 Tm 3.16,17).

foi inspirada por Deus é de profunda im portância. Em essên­


cia, a Bíblia afirm a ter a suprema autoridade sobre a "justi­
ça" (isso quer dizer, um "correto" relacionamento com Deus,
que inclui a salvação eterna) e também sobre a nossa vida
na terra. Se pretendermos conceder à Bíblia essa autoridade
divina, devemos também esperar que ela seja precisa em
todos os aspectos — relacionados à criação (veja a Parte 1),
a história (veja esta parte), a ciência (veja o capítulo 9) e as
profecias (veja a Parte 3).
Também precisamos estar certos de que os manuscritos o ri­
ginais — que teriam sido a "in spirad a" versão original —
foram precisamente copiados e chegaram até a nós através
dos séculos. Além disso, se as antigas profecias relaciona­
das com Jesus Cristo forem consideradas válidas, devemos
ter certeza de que foram realmente profetizadas antes do
seu nascimento e não escritas após esta data. Nesta parte,
serão revistas todas as questões re la c io n a d a s com a
confiabilid ade da Bíblia.
E x a m in e as E v id ên c ia s

A Im portância da Teocracia em Relação à Escritura


O povo de Israel devia formar uma nação governada por Deus.
Na verdade, os israelitas haviam sido governados por Deus até a
época de Samuel (1 Sm 8.6), quando se queixaram de que não ti­
nham um rei, como as demais nações. Logo depois Saul se tornou o
primeiro rei de Israel, no ano 1050 a.C.
É difícil, atualmente, avaliarmos o que teria significado ser uma
nação governada por Deus e sem as leis humanas. Mas várias coisas
devem ser consideradas:

• Todas as leis e regulam entos vieram da Escritura e foram


entregues por Deus. Especificamente, estas leis estavam con­
tidas principalm ente nos cinco primeiros livros da Bíblia
que foram dados a Moisés — conhecidos pelo nom e de
Torá, P e n ta te u c o ou sim plesm ente, a Lei. Isso é muito dife­
rente de hoje, pois existe uma variedade de leis do gover­
no de cada estado ou nação, juntam ente com várias leis
para cada religião. No caso dos israelitas, as leis eram úni­
cas e iguais.
• O governo estava nas mãos dos líderes religiosos — todos es­
colhidos por Deus. Às vezes, esses líderes eram sacerdotes (sem­
pre da tribo de Levi), como no caso de Moisés e Arâo. Outras
vezes, o governo era exercido por “juizes” previamente esco­
lhidos, como no caso de Sansão, Gideão e Débora. E também
pelos profetas, como no caso de Samuel.
• As leis de Deus eram imutáveis e não havia nenhum “voto”
do povo em relação a quaisquer dessas leis, regulamentos ou
castigos.
• A Santa Escritura era considerada tão importante que pessoas
especialmente treinadas eram designadas (os escribas) para fa­
zerem as cópias, e regras especiais eram definidas; além disso,
havia certos ritos cerimoniais durante este processo, e quando
os sagrados pergaminhos chegavam ao fim da sua vida útil eles
geralmente recebiam um “enterro cerimonial”.

138
E v id ê n c ia d a C o n f ia b il id a d e d a B íb l ia

• Os israelitas aprendiam a Santa Escritura assim que chegavam à


juventude e uma grande quantidade dos seus textos era decorada.
° As pessoas consideradas com o profetas de Deus, que escre­
veram (ou mandavam seus escribas escrever) uma grande
parte da Santa Escritura eram extremamente consideradas,
mas criticamente controladas. Se com etessem um ú n ico e n ­
g a n o na sua profecia elas deviam ser apedrejadas até a mor­
te (Dt 18.20).
• Os castigos para aquele que desobedecesse às leis contidas na
Santa Escritura eram geralmente muito severos. Por exemplo,
qualquer um que “amaldiçoasse” sua mãe ou pai devia ser con­
denado à morte (Lv 20.9). Certamente os israelitas iriam querer
e precisar conhecer bem a Escritura.
Dessa forma, considerando que a nação de Israel era uma teocracia
(' que todas as leis e regulamentos — tanto religiosos como políticos
— vinham cla Santa Escritura, uma extrema atenção devia ser dada
aos detalhes a fim de manter esse conjunto de documentos consis-
tentemente precisos.
Além disso, como grande parte da Santa Escritura era memoriza­
da, lida todo sábado (e ouvida virtualmente por toda a população) e
estritamente cumprida em bases legais, havia poucas oportunidades
para que erros pudessem se insinuar, sem serem percebidos. Em es­
sência, com o grau de conhecimento e de escrutínio da nação judai­
ca, qualquer engano teria sido descoberto e corrigido imediatamente.
Na verdade, na cópia dos pergaminhos mais importantes, não era
tolerado nem o erro de uma simples letra.

Regras para a Cópia da Escritura


Os escribas precisavam obedecer a regras muito precisas, sendo
que essa disciplina havia sido enraizada neles através dos seus anos
de treinamento. As muitas regras usadas pelos escribas do Antigo
Testamento incluíam o seguinte:1
1. O pergaminho de uma Sinagoga devia ser escrito sobre peles
de animais limpos,

139
E xa m in e as E v id ê n c ia s

2. e preparadas por um judeu para o uso particular da Sinagoga.


3. Elas deviam ser amarradas com cordões obtidos de animais
limpos.
4. Toda pele devia conter um certo número de colunas e elas
deviam ser iguais em todo o codex (ou código).
5. O comprimento de cada coluna não devia ser menor que 48 ou
maior que 60 linhas; e a largura devia consistir de trinta letras.
6. Toda a cópia deveria ser feita na primeira linha, e se três pala­
vras fossem escritas sem uma linha elas não teriam valor.
7. A tinta devia ser preta e não vermelha, verde ou de qualquer
outra cor, e ser preparada de acordo com uma receita definida.
8. O exemplar devia ser uma cópia autêntica, da qual o copiador
não devia de forma alguma se desviar.
9. Nenhuma palavra ou letra, nem mesmo um yod, devia ser es­
crito de memória, e sem que o escriba tivesse olhado para o
código perante ele...
10. Entre cada consoante devia existir o espaço de um fio de cabe­
lo ou de um fio de linha;
11. entre cada parágrafo novo, ou seção, devia haver o espaço de
nove consoantes;
12. entre cada livro, devia haver três linhas.
1 3 -0 quinto livro de Moisés deveria terminar exatamente numa
linha, mas o restante não precisava ser assim.
14. Além disso, o copista devia vestir-se totalmente como um ju­
deu,
15.lavar o corpo todo,
ló .n ào começar a escrever o nome de Deus com uma pena recém
molhada com tinta,
17.e se um rei se dirigisse a ele enquanto estivesse escrevendo
esse nome, não devia tomar conhecimento dele.

Além desses requisitos especiais também existiam algumas regras


básicas. A palavra escrib a significa literalmente contador. A fim de

140
E v id ê n c ia d a C o n f ia b il id a d e d a B íbl ia

verificar a precisão com que cada pergaminho havia sido copiado,


eles tinham vários itens que eram levados em consideração. Eles con­
tavam cada letra e comparavam com o pergaminho mestre. Conta­
vam o número de palavras e, como checagem final, contavam cada
pergaminho até um ponto médio e comparavam as letras com a “letra
média” do pergaminho mestre.
Portanto, a precisão dos escribas do Antigo Testamento (e até dos
copistas “profissionais” do Novo Testamento) era enorme. Isso é muito
diferente do que poderíamos esperar no mundo cle hoje.

A M emorização da Escritura Aumenta a sua


Confiabilidade
Imagine tentar modificar a história e as palavras da Santa Escritu­
ra. Para ter sucesso seria necessário mudar uma grande porcentagem
de toda a Escritura a fim de evitar contradições, e que essa “mudan­
ça” fosse transmitida às outras gerações. (Sabemos, a partir dos per­
gaminhos do mar Morto, que isso não aconteceu.)
Entretanto, se alguém quisesse realmente mudar a Santa Escritura,
não adiantaria alterar todos os pergaminhos escritos. Virtualmente,
todos os judeus memorizavam grandes quantidades da Escritura, essa
era uma parte vital cia sua educação. Portanto, se alguém quisesse
modificar a Escritura (por causa de algum desconhecido motivo pos­

141
E xa m in e as E v id ên c ia s

terior) teria que mudar não só as suas muitas cópias, como também
mudar a memória de dez milhões de judeus. Certamente, não seria
possível acontecer isso numa teocracia, onde as palavras de Deus
eram consideradas com tanta seriedade.

142
A B íb lia É
c ie n tific a m e n te P r e c is a

ara que a Bíblia seja aceita como a palavra inspirada de Deus ela
deve ser cientificamente precisa... considerando que Deus iria certamen­
te conhecer os fatos sobre a sua criação. Fica aqui, entretanto, uma
palavra de cautela ao procurarmos avaliar a sua pretensão de ser cienti­
ficamente precisa. Ao longo do tempo, muitas vezes a ciência descobriu
novos fatos que confirmaram o entendimento da versão de uma verdade
antes desconhecida. Essas descobertas têm sido sempre consistentes com
a Bíblia — entretanto, em certas ocasiões, deverá ser feito um cuidadoso
exame das palavras e (o que é importante) do seu contexto. Em muitos
casos, a ciência descobriu fatos que a Bíblia havia mencionado muito
antes de serem descobertos. E, em outros, as descobertas científicas
contribuíram para um melhor entendimento da mensagem da Bíblia.
Por exemplo, na época de Galileu a ciência acreditava que a Terra
era o centro do universo e que o sol girava em torno dela. Parece que
a Bíblia apoiava, teologicamente, este conceito — com a sua inter­
pretação cie que se a humanidade fosse “especial” ela devia estar no
centro do universo. Além disso, alguns versículos da Bíblia pareciam
indicar que o nascer e o pôr-do-sol significavam que a Terra era
imóvel (veja Ec 1.5). Nessa época, qualquer um que desafiasse esse
conceito enfrentava uma possível condenação à morte como herético
nas mãos da igreja católica romana.
E x a m in e as E v id ên c ia s

Copérnico, predecessor de Galileu, que havia antecipado a idéia


de que os planetas giravam em torno do sol, não teve coragem cle
publicar seus trabalhos com medo de ser perseguido pela Inquisição.
Galileu apoiava as idéias de Copérnico e enfrentou a ameaça da tor­
tura e até da morte. Ele foi preso e declarado herético pela igreja por
causa das suas convicções — uma acusação que foi mantida até 1992
— quando foi finalmente perdoado.
Além do fato de a Bíblia conter realmente certas afirmações meta­
fóricas ou fenomenológicas (como demonstra o exemplo acima em
Eclesiastes 1.5, quando fala do nascer e do pôr-do-sol) ela é cientifi­
camente precisa e até contém um grande número de conclusões muito
antes de terem sido entendidas pelos humanos. Ao avaliar a Bíblia,
sob um “ponto cle vista científico” devemos ter em mente que ela não
é um livro científico — mas um livro destinado a definir o correto
relacionamento dos seres humanos com Deus. Portanto, não é cle se
esperar a presença de grandes discussões da ciência. Entretanto, como
indica o resumo abaixo, quando existe uma referência sobre um fato
cla natureza, a Bíblia é precisa e, em muitos casos, existem conclu­
sões fornecidas milhões cle anos antes cle elas terem sido compreen­
didas pela ciência.

A h istória da cria ção (na Bíblia: 1450 a.C.; na ciência, os anos


1900). Como mencionamos na Parte 1, a história da criação, tal como
consta cla Bíblia, é precisa de acordo com as fases entendidas pela
ciência. Escrita originalmente por Moisés, ela não foi totalmente reco­
nhecida pela ciência até cerca do ano 1900 através do emprego cla
moderna astronomia, da física, química, paleontologia e geologia.

Ciclo hidrológico (na Bíblia: 3000 a.C.; na ciência, nos anos 1700).
O ciclo hidrológico foi escrito primeiramente no livro de Jó , cerca de
3000 a.C. Ele afirma:

Porque reúne as gotas das águas que derrama em chuva


do seu vapor, a qual as nuvens destilam e gotejam sobre
o homem abundantemente (Jó 36.27,28).

144
A B íb l ia É c ien t ific a m en t e P r ecisa

Além disso, Salomão descreveu o ciclo hidrológico cerca de 935


a.C., dizendo:

Todos os ribeiros vão para o mar, e, contudo, o mar não


se enche; para o lugar para onde os ribeiros vão, para aí
tornam eles a ir (Ec 1.7).

Entretanto, a ciência não havia entendido o ciclo hidrológico até


esse processo ser corretamente identificado por Perrault e Marriotte
em 1700.

A T erra está su spensa num esp aço vazio (na Bíblia: 3000 a.C.;
na ciência: 1543). As antigas culturas acreditavam em muitas coisas,
no entanto todas elas pensavam que a terra era um tipo de objeto
chato e imóvel. Muitos mitos estavam associados a várias crenças.
Mas a Bíblia indicou corretamente que a terra estava suspensa no
espaço:

Ele estende o [céu do] norte sobre o vazio e faz pairar a


terra sobre o nada (Jó 26.7, ARA).

A ciência não havia descoberto isso até a declaração de Copérnico


em 1543.

O a r é pesado (na Bíblia: 3000 a.C.; na ciência: 1643). Embora os


povos cla antiguidade acreditassem plenamente que o ar fosse desti­
tuído de peso, o livro de Jó indicava que, de fato, ele era pesado:

Quando deu peso ao vento e tomou a medida das águas


(Jó 28.25).

Torricelli, um cientista italiano, descobriu a pressão barométrica


em 1643.

O tem p o, o esp aço e a m atéria tiveram um co m eço (na Bíblia:


1450 a.C.; na ciência: 1916). As primeiras palavras da Bíblia são “no
princípio”. E em outras passagens, inclusive no Novo Testamento,

145
E x a m in e a s E v id ên c ia s

existem referências ao com eço cio tempo (2 Tm 1.9; Tt 1.2; 1 Co 2.7).


Em 19 15 as equações da relatividade de Einstein sugeriam o com eço
do tempo, da matéria e do espaço. Mais tarde, essas equações foram
confirmadas por meio de repetidas experiências.

------ C O N C E IT O -C H A V E -------------- — --------


A co n firm a çã o , fe it a p e la ciên cia, d e q u e o tem po teve
um co m eço represen ta u m a d a s con sistên cias m ais im ­
p ortan tes d a B íblia. Essa c o n firm a ç ã o o ferece n ã o só u m a
d ra m á tic a m u d a n ç a no co n ceito existente, a o atestar o
rela cio n a m en to d a B íb lia com a rev ela çã o geral, co m o
tam bém é fu n d a m e n ta l p a r a d es m en tira evolu ção. Uma
vez te n b a sid o c o lo c a d o um lim ite n o tempo, seja ele d e
10 m il ou 10 0 trilhões d e a n o s — ela torn a a ev olu ção
im possível ( veja a Parte 1).

A p rim eira lei da term o d in âm ica (na Bíblia: 1450 a.C.; na ciên ­
cia: 1842). A lei da conservação da energia indica que a matéria e a
energia não podem ser criadas, nem destruídas (apenas convertidas).
Existem muitas referências bíblicas à c o n clu são de Deus (isto é, de
que a criação estava terminada) desde o Gênesis (2.2,3) e também
em vários outros livros (SI 148.6; Is 40.26; 2 Pe 3-3-7; Hb 4.3,4,10).
Joule e Mayer, independentemente um do outro, fizeram essa desco­
berta no mesmo ano (1842) e ela ficou conhecida hoje como a pri­
meira lei da termodinâmica.

A segunda lei da term odinâm ica (na Bíblia: 1000 a.C.; na ciência:
1850). Geralmente conhecida com o nome de entropia, essa lei afirma
que todas as coisas passam de um estado de ordem para um estado de
desordem (dentro de um sistema fechado) sem que haja um input de
energia intencional. Exemplos comuns: as coisas se estragam, as molas
desenrolam, as estrelas desaparecem, o calor se dissipa, e as matérias
se tornam impuras com o passar do tempo. Existem muitas referências
ao princípio da entropia na Bíblia, por exemplo:

146
A B íb l ia É c ien t ific a m en t e P r ecisa

Desde a antiguidade fundaste a terra; e os céus são obra


das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos
eles, como uma veste, envelhecerão (SI 102.25,26).

Outras referências semelhantes incluem Isaías 51.6; Mateus 24.35;


Romanos 8.20-22; 1 João 2.17; e Hebreus 12.27. Em 1850, essa segun­
da lei da termodinâmica foi descoberta por Clausius.

A T erra é um a esfera (na Bíblia; 700 a.C.; na ciência: 1543).


Até a afirmação de Copérnico, a maior parte dos habitantes da terra
pensava que ela fosse chata. Entretanto, a Bíblia dizia que a terra tinha
a forma de um “círculo” (ou sugeria que fosse uma esfera usando uma
definição mais abrangente da palavra original hebraica, khug):

Ele é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos


moradores são para ele como gafanhotos (Is 40.22).

O universo está em exp an são (na Bíblia: 1000 a.C.; na ciência:


1916). A deslocação dos céus foi prevista nas equações gerais da
relatividade propostas por Albert Einstein e, desde então, confirmada
várias vezes. Físicos, como Edwin Hubble, fizeram experiências e
verificaram, no início de 1900 que, como havia sido previsto, o uni­
verso estava em expansão. Entretanto, muito antes a Bíblia já havia
mencionado esta expansão. Aproximadamente no ano 1000 a.C., o
autor do Salmo 104 escreveu:

Ele cobre-se de luz como de uma veste, estende os céus


como uma cortina (v. 2).

Muitos outros versículos indicam que os céus estavam (e ainda


estão) sendo expandidos por Deus (Jó 9.8; Is 40.22; 42.5; 44.24; 45.12;
48.13; 51.13; Jr 10.12; 51.13; Zc 12.1).

As estrelas são incontáveis (na Bíblia: 600 a.C.; na ciência, dé­


cada de 1920 ). Os povos da antiguidade acreditavam que podiam
contar as estrelas. Na verdade, no ano 100 a.C. Ptolomeu estava ativa­
mente catalogando as estrelas — segundo seus cálculos, naquela época

147
E x a m in e as E v id ên c ia s

elas eram 1100. Claro está que a ciência moderna, que começou por
volta da década de 1920 com telescópios extremamente potentes,
percebeu que o número de estrelas alcançava a casa dos bilhões.
Mais tarde, reconheceram que existe cerca de um bilhão de galáxias,
com aproximadamente um bilhão de estrelas cada uma. Entretanto,
isso já havia sido reconhecido pela Bíblia quando proclamou, cerca
do ano 600 a.C., que as estrelas era “incontáveis”:

Como não se pode contar o exército dos céus, nem me­


dir-se a areia do mar, assim multiplicarei a descendência
de Davi, meu servo, e os levitas que ministram diante de
mim (Jr 33.22).

A precisão dessa afirmação literal da Bíblia pode ser agora fa­


cilmente verificada. Se as estrelas fossem “contadas”, de acordo
com um índice de dez por segundo, seriam necessários mais de
100 trilhões de anos para “contar” as estrelas, o que é claramente
impossível.

As co rre n te s do o cean o (na Bíblia: 700 a.C.; na ciência: 1855).


Os arqueólogos usam muitas vezes a Bíblia como um confiável docu­
mento histórico que pode levar à descoberta de cidades e culturas
antigas. Uma pessoa que usou a Bíblia, por ser um “documento cien­
tífico” confiável, foi Matthew Fontaine Maury, o pai da oceanografia.
Maury leu a afirmação de que havia “caminhos no mar”:

Assim diz o Senhor, o que preparou no mar um caminho


e nas águas impetuosas, uma vereda (Is 43.16).

Entendendo literalmente esse versículo, ele formou os oceanos do


mundo e mapeou as principais correntes que, desde essa época co­
meçaram a ser usadas para a navegação. (Outra referência aos “cami­
nhos clo mar” se encontra no Salmo 8.8. )

P ad rõ es Globais das C o rre n te s de V entos (na Bíblia. 1000


a.C.; na ciência, década de 1960). Foi necessário usar a tecnologia
dos satélites para reconhecer exatam ente os atuais padrões mun-

148
A B íb l ia É c ie n t ific a m en t e P r ec isa

diais das correntes de ventos. Entretanto, a Bíblia m encionou a


existência de tais padrões no livro do Eclesiastes, escrito por
Salomão em 1000 a.C.:

O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte;


continuamente vai girando o vento e volta fazendo os
seus circuitos (1.6)

P rin cíp io de d e ix a r a te r r a d e sc a n sa r (na Bíblia: 1450 a.C:


na ciência 200 a.C.). Atualmente, os agricultores reconhecem a
importância de “dar um descanso à terra” a cada sete anos mais ou
menos a fim de permitir a reposição dos nutrientes. O primeiro
registro histórico dos homens da antiguidade que fizeram isso (além
dos israelitas) está nos romanos, cerca de 200 a.C. Alguns histori­
adores acreditam que os romanos aprenderam essa prática com os
israelitas. A Bíblia ordenava que a terra tivesse um repouso a cada
sete anos:

Porém, ao sétimo ano, haverá sábado de descanso para a


terra, um sábado ao Senhor; não semearás o teu campo,
nem podarás a tua vinha. O que nascer de sí mesmo da
tua sega não segarás e as uvas da tua vide não tratada não
vindimarás; ano de descanso será para a terra (Lv 25.4,5).

C on stru ção da a rca de Noé (na Bíblia: 1450; na ciência, década


de: 1900). A Bíblia definiu as dimensões e as especificações para a
construção cia arca de Noé (Gn 6.15). A moderna engenharia calcu­
lou que o projeto de Noé seria ótimo e o mais adequado para a
construção de uma barca para mares revoltos.1

Código gen ético (na Bíblia: 1450 a.C.; na ciência: 1735). Tínha­
mos pouco conhecimento sobre a classificação básica das espécies
alé Carolus Linnaeus desenvolver um sistema para a classificação dos
organismos usados ainda hoje. O componente mais fundamental desse
sistema é a reprodução básica das espécies. A Bíblia fez referência a
esse sistema básico da classificação genética quando se refere às cri­
aturas “conforme a sua espécie” (Gn 1.21-31; 7.14).

149
E x a m in e a s E v id ê n c ia s

C ircuncisão n o oitavo dia (na Bíblia: 1450 a.C.; na ciência: 1947).


Ninguém sabe ao certo porque Deus escolheu especificamente a cir­
cuncisão como sinal cio pacto com Abraão (Gn 17.11). Embora pare­
ça ser uma prática antiga, pesquisas mostraram que isso tem uma
certa importância médica. Estudos realizados na metade do Século
XX mostraram que as mulheres judias apresentavam um índice me­
nor de câncer cervical. Foi demonstrado que o acúmulo de bacilos
era a causa principal desse tipo de câncer. Eles podem, facilmente, se
localizar no prepúcio de homens não circuncidados e serem transfe­
ridos às mulheres através de abrasões no cérvix (como aquelas que
ocorrem no parto).
Vale notar que Deus especificou que os recém -nascidos deviam
ser circuncidados no oitavo dia do nascim ento (Gn 17.12). Pesqui­
sas mostraram que os recém -nascidos se apresentam particular­
mente sensíveis à hemorragia desde o segundo até o quinto dia
depois do nascimento. Um pequeno corte pode ser mortal. A Vita­
mina K, necessária à produção da protrombina (a substância do
organismo que coagula o sangue) só está presente, em quantia
suficiente, a partir do quinto dia de vida e assim perm anece até o
sétimo dia. Ela atinge o nível máximo de 110% do normal no oita­
vo dia e, depois, se estabiliza. A Bíblia está especificando o m e­
lhor dia possível.

Quarentena (na Bíblia: 1450 a.C.; na ciência, por volta de 1500). Antes
da Renascença, quando a Peste Negra estava assolando a Europa, nações
desesperadas procuraram a igreja para receber alguma orientação. Nessa
época, não se conhecia os germes, nem as infecções. O clero voltou-se
para os livros de Moisés para encontrar alguma informação e também às
leis instituídas e ensinadas aos israelitas, inclusive aquelas que tratam das
doenças infecciosas como a lepra. Em Levítico 13 enfatiza-se o isolamento
daquelas pessoas que são portadoras de doenças infecciosas. Essa orienta­
ção, aliada a outras leis de Moisés, ajudou a controlar a Peste Negra.

Destino adequado do lixo (na Bíblia: 1450 a.C.; na ciência, por


volta cie 1500). Assim como a falta de quarentena, os métodos precá­
rios de destinação do lixo também levaram à propagação da Peste

150
A B íb l ia É c ien t ific a m en t e P recisa

Negra. As leis de Moisés especificavam, claramente, o método mais


adequado (Dt 23.12-14) e isso ajudou a controlar a doença.

Tratam ento adequado aos m o rtos (na Bíblia: 1450 a.C.; na ci­
ência, por volta de 1500). A Bíblia também é específica quanto ao
tratamento adequado para os mortos (Nm 19). Quando esse procedi­
mento foi implementado, juntamente com outras leis de Moisés, ele
também ajudou a interromper a disseminação da Peste Negra.

Esterilização (na Bíblia 1450 a.C.; na ciência, por volta de 1800).


lí fácil aceitar como fato consumado o nosso conhecimento sobre
germes e doenças. Entretanto, tanto os germes como a esterilização
não eram conhecidos até a época de Joseph Lister (1865), quase no
fim da guerra civil. A Bíblia exigia a esterilização de muitas coisas:
doenças infecciosas (Lv 13), parto (cap. 12), evacuações orgânicas
(cap. 15) e no tratamento dado aos mortos (Nm 19).

Avalie o que Você Aprendeu


1. Onde está mencionado o ciclo hidrológico na Bíblia?-
2. Por que a descoberta da ciência de que o tempo teve um co­
meço foi tão importante?
3- Quais são a primeira e a segunda lei da termodinâmica? Cite
um lugar para cada uma delas na Bíblia Sagrada.
4. Cite três princípios médicos contidos primeiramente na Bíblia.
5. Na Bíblia, onde Deus promete aos hebreus que eles nunca
teriam “nenhuma das más doenças dos egípcios”?

Capítulo 8 — Grupo de Estudo


...................‘ 1 ■ ■ ÍTZP
Preparação p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: Deuteronômio 7.12-15; 2 Timóteo 1.9; Tito 1.2; 1 Coríntios
2.7 e o capítulo 8 deste texto.

151
E x a m in e as E v id ên c ia s

O ração de A bertura
Discussão: Peça a todos do grupo para escolher uma opinião cien­
tífica bíblica que tenha exercido um grande impacto sobre eles. Peça a
cada pessoa para rever a sua escolha e por que ela é tão importante.

Atividade Prática
D ebate: O “cristão” discutirá com um “cientista”. A questão é se a
Bíblia é ou não precisa. (Não esqueça de dar ao “cientista” tempo
para se preparar).

O ração de E n ce rra m en to
9
A Estrutura
da Bíblia

X J k Bíblia é formada por um conjunto de 66 livros (39 do Antigo


Testamento e 27 do Novo Testamento) escritos por pelo menos 40
autores diferentes, em muitas terras e sob circunstâncias muito distin-
las. No entanto, ela é inteiramente consistente em muitas questões
extremamente controversas. Somente isso seria suficiente para indi­
car a milagrosa inspiração divina.
A Bíblia pode confundir um leitor inexperiente ao não entender
que, em geral, ela não obedece a uma ordem cronológica. O Antigo
Testamento foi agrupado de acordo com os seguintes tópicos: 1)
Porá, 2) os outros livros de história, 3) literatura e 4) Profecias, e
distribuída em subgrupos em ordem cronológica dentro destas cate­
gorias, e segundo a ordem da canonização feita pelos judeus.
O Novo Testamento começa com os três Evangelhos sinóticos (si­
milares), seguidos pelo livro de João. Em seguida, vem o livro histó­
rico dos Atos (dos apóstolos) que se acredita ser uma continuação do
livro de Lucas. As cartas de Paulo vêm em seguida no Novo Testa­
mento, e depois as cartas dos outros apóstolos. E o Novo Testamento
termina com o livro do Apocalipse.
Segue-se um resumo da Bíblia e da sua estrutura. Todo leitor é
encorajado a fazer um bom estudo da Bíblia, a usar uma versão
confiável, ou ambos, para conseguir maior profundidade. Seria útil
E xa m in e as E v id ên c ia s

considerar, na parte 6, o contexto histórico a fim de perceber como


os livros da Bíblia se coadunam com os acontecimentos históricos.
(As datas dos manuscritos bíblicos foram obtidas da Life Application.
Bible).
Embora o conteúdo histórico do Antigo Testamento forneça im­
portantes ensinamentos, o que existe cle fundamental na sua mensa­
gem básica é a promessa do Messias (Jesus), junto com as promessas
de grandeza para Abraão (Gn 12) e o pacto de Deus prometendo a
terra de Israel aos descendentes de Abraão (Gn 15).

ATO RÁ

Os cinco primeiros livros da Bíblia foram agrupados e são conhe­


cidos como Torci, P en tateu co e a Lei. Todos esses livros — Gênesis,
Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio foram “daclos” a Moisés
por Deus durante a peregrinação dos hebreus pelo deserto, depois
de se libertarem da escravidão no Egito.
Os livros da Torá formam a base fundamental tanto para o judaís­
mo como para o cristianismo. Muitos judeus ortodoxos se limitam
quase exclusivamente à Torá e se dedicam à leitura diária dos seus
livros para garantir que seja lido, do com eço ao fim, todo o ano. Para
os cristãos, a Torá introduz a natureza do amor perfeito, do Santo e
do Justo Deus, através do seu relacionamento com os primeiros
israelitas. E os maiores mandamentos mencionados por Jesus (Mc
12.30,31) também foram primeiramente mencionados na Torá:

Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração,


e de toda a tua alma, e de todo o teu poder (Dt 6.5).

Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Se­


nhor (Iv 19.18).

O livro de Gênesis introduz um Deus onipotente ao descrever o


poder cia sua criação. Ele mostra que o processo da criação foi feito
de acordo com uma ordem planejada e metódica. Em seguida, o
Gênesis descreve o importante relacionamento dos seres humanos
com Deus — começando com o relacionamento desejado e, então,

154
A E st r u tu r a d a B íbl ia

(lescrevenclo como esse relacionamento foi rompido por causa da


vontade que o homem teve de desobedecer a Deus. O resto do livro
cie Gênesis apresenta um relato histórico de vários indivíduos e cio
seu relacionamento com Deus e com os demais seres humanos le­
vando, por fim, os escolhidos descendentes de Sem, filho cie Noé
(que se tornaram a nação hebraica dos israelitas) ao Egito.

O livro do Ê xo d o faz um relato de como Deus chamou Moisés


para libertar os hebreus da escravidão no Egito. Nesse processo de
libertação Deus realizou muitos milagres, inclusive a separação do
mar Vermelho quando abriu passagem para os hebreus. Esse livro
descreve os 40 anos de peregrinação no deserto, ocasião em que os
Dez Mandamentos foram dados à nação em fuga, passando a fazer
parte dos livros da Torá. O Êxodo termina com a introdução do
Tabernáculo quando os israelitas foram expostos à glória de Deus e
chamados a adorá-lo.

O livro de Levítico é um relato detalhado das muitas leis dadas


aos israelitas. Foram de grande importância as leis espirituais exigidas
no sacrifício, nas ofertas e no culto a Deus. Além disso, havia leis
sobre a saúde e a religião em geral, juntamente com instruções espe­
ciais para a tribo de Levi (os levitas) cujos membros deviam servir
como sacerdotes.

O livro cie Núm eros descreve os acontecimentos que tiveram lugar


no deserto, inclusive a realização de um censo, uma rebelião contra os
líderes escolhidos por Deus (Moisés e Arão), o processo cia peregrina­
ção e algumas tentativas iniciais para entrar na prometida terra de Canaâ.
Durante esse período de 40 anos cie peregrinação Deus estava prepa­
rando uma nova geração para entrar na Terra Prometida.

O livro de D euteronôm io descreve os discursos de Moisés aos


israelitas antes de entrarem na Terra Prometida. Ele começa com a
revisão dos supremos atos de Deus, inclusive o relacionamento com
o seu povo escolhido. Os Dez Mandamentos são revistos novamente,

155
E xa m in e a s E v id ê n c ia s

junto com outras leis que Deus impôs ao seu povo. Ele também
exigia um compromisso duradouro do povo com o Senhor Deus.
Esse livro termina com a morte de Moisés, antes de cruzar o rio
Jordão e entrar na Palestina.

Outros livros Históricos


Na Bíblia, os outros livros históricos incluem Josué, Juizes, Rute, 1
e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester.

O livro de Jo su é cobre o período ocorrido desde o êxodo, quan­


do a liderança dos israelitas foi transferida de Moisés para Josué. Ele
enfoca, principalmente, a conquista inicial da Terra Prometida a Abraão,
demonstrando o poder de Deus e o cumprimento das suas promes­
sas. Apesar de obterem sucesso no começo, os hebreus se estabele­
ceram inicialmente na Terra Prometida sem que ela tivesse sido total­
mente conquistada.

O livro de Ju izes começa onde Josué termina, e faz uma revisão


da história dos israelitas na Palestina durante o período subseqüente
à liderança de Josué, quando não havia uma linha pré-ordenada de
lideranças. Em seu lugar, Deus formou uma seqüência de Juizes que
receberam autoridade para administrar as situações que podiam ame­
açar a terra. Esse livro mostra que, mesmo quando as pessoas não
observavam uma estrita obediência à vontade de Deus, Ele ainda
atendia às suas necessidades.

O livro de Rute é uma história em quatro capítulos sobre o relaci­


onamento de uma jovem camponesa moabita, chamada Rute, e do
seu compromisso, com a sogra israelita, Noemi, e mais tarde com
Boaz, seu parente e remidor. Este pequeno livro tem várias finalida­
des: 1) Mostrar como três pessoas, de diferentes culturas, permanece­
ram fortes de caráter e devotadas a Deus, mesmo quando a socieda­
de que as cercava estava desabando; 2) dar um exemplo do papel de
um parente-remidor (o conceito de que uma pessoa pode redimir
outra, e que é muito parecido com o sangue de Cristo que redimiu os

156
A E st r u t u r a d a B íblia

pecadores); e 3) mostrar que a linhagem de Jesus foi formada através


de uma variedade de pessoas (inclusive de Raabe, uma prostituta e
Rute, uma moabita).

Os livros de 1 e 2 Sam uel cobrem o período da história de Israel


em que houve a transição do período dos juizes, quando “cada um
fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz 21.25), para o período
dos Reis. Deus havia escolhido o profeta Samuel para ser o líder
principal da nação e aquele que iria escolher o primeiro rei. Esse
livro faz uma revisão do nascimento de Samuel e cia sua infância,
do momento em que escolheu Saul para ser rei, o crescimento de
Davi e o favor que recebeu por ter matado Golias, o ciúme que Saul
sentia de Davi e, finalmente, a morte de Saul. O livro de 2 Samuel
registra a história do reinado de Davi, e mostra a sua eficiência sob
a direção de Deus. Ele revela também as qualidades pessoais que
agradam a Deus (juntamente com aquelas que o desagradam) e
mostra Davi como sendo o líder ideal (apesar dos seus erros) de um
reino imperfeito.

Os livros de 1 e 2 Reis cobrem o período histórico de liderança


dos reis de Israel que se seguiram a Davi. O livro de 1 Reis começa
com o rei Salomão, filho de Davi e Bate-Seba. Salomão foi o último a
reinar sobre o reino unido do norte e cio sul de Israel. Devido a um
erro de Salomão, cometido no fim da sua vida, o reino foi tirado dos
seus herdeiros e dividido entre as dez tribos do norte (“Israel”) e as
duas tribos do sul (“Judá”). O livro de 1 Reis enfoca, em grande parte,
a vida de Salomão e os primeiros anos dos reis desse reino dividido,
juntamente com os profetas Elias e Eliseu. O livro de 2 Reis cobre os
inúmeros reis das duas nações que vieram mais tarde.

Os livros de 1 e 2 C rônicas podem ser intrigantes porque cobrem


a maior parte do mesmo período histórico de 2 Samuel e dos dois
livros de Reis. Diz a tradição judaica que foram escritos pelo escriba
Esdras, possivelmente depois do exílio na Babilônia. O livro de 1
Crônicas cobre virtualmente o mesmo período de 2 Samuel, e serve
como se fosse um comentário sobre esse tempo, enfocando a vida de

157
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Davi. O livro de 2 Crônicas cobre desde o período inicial do reino de


Salomão até a destruição de Jerusalém pelos babilônios (586 a.C.).

O livro de Esd ras, segundo alguns, foi escrito por volta cie 450
a.C., talvez pelo próprio escriba Esdras. Ele cobre o período que se
seguiu a 2 Crônicas, quando o rei Ciro da Pérsia deu permissão aos
judeus para voltarem do exílio. Ele trata da volta dos judeus, da nova
dedicação da fundação do Templo, da oposição dos inimigos dos
judeus e a suprema fé e atitude do povo.

O livro cie Neem ias é um outro livro escrito após o exílio. Foi escrito
depois do livro de Esdras, e discute sua preocupação com os muros de
Jerusalém que estavam em ruínas. O livro descreve como Deus permitiu
a Neemias, que era um líder, a reconstrução dos muros a fim cle proteger
Jerusalém, apesar de ele sofrer uma rigorosa oposição.

Acredita-se que o livro de E ster (cerca de 483 até 471 a.C.) foi
escrito depois da época do exílio dos judeus. Tendo como pano cle
fundo a Pérsia, ele descreve a soberania e o amor cle Deus para com
o seu povo, mesmo quando o seu povo estava numa terra estrangei­
ra. O enredo desse livro mostra a coragem de uma única mulher,
Ester, que arriscou a própria vida para realizar proezas que, no fim,
salvaram a vida dos judeus.

Livros de Literatura (ou Poéticos)

Na Bíblia, os livros de literatura incluem Jó , Salmos, Provérbios,


Eclesiastes e Cantares (às vezes chamado de Cânticos cle Salomão).

Muitos acreditam que J õ seja a obra mais antiga da Bíblia. Segun­


do os estudiosos esse livro foi escrito por um homem chamado Jó,
que viveu numa região da Mesopotâmia. É interessante notar que o
livro mais antigo da Bíblia pode ter vindo da Mesopotâmia, conheci­
da por ser o berço da civilização. Acreditam também que era ali que
se localizava o Jardim do Éden, e também o local onde a arca de Noé

158
A E st r u t u r a d a B íbl ia

ancorou (no monte Ararate, ao norte), assim como a Torre de Babel


Ibi construída (perto da Babilônia). Jó analisa filosoficamente as ques­
tões do sofrimento dos justos, os ataques cle Satanás e a suprema
bondade de Deus.

O livro de Salm os é uma coletânea de 150 “cânticos” ou “salmos”


escritos por várias pessoas entre 1440 a.C. e 586 a.C. O escritor mais
prolífico foi Davi, que escreveu dezenas de Salmos por volta do ano
1000 a.C. e têm várias finalidades. Alguns expressam aflição e sofri­
mento, outros refletem um pedido de ajuda ou confessam pecados.
Muitos louvam e cultuam a Deus. Incluídas nos Salmos estão as pro­
fecias referentes à vinda do Messias.

O livro de P ro v érb io s consta de ditados curtos e concisos que


transmitem verdades morais e práticas (ou sabedorias). Foi divido em
seções que transmitem sabedoria aos jovens, ao povo em geral, e aos
líderes. Escrito pelo rei Salomão, nos primeiros anos do seu reinado
(que começou cerca de 970 a.C.), esses versos memoráveis podem
ser aplicados à vida em geral.

Eclesiastes é um livro escrito por Salomão no fim da sua vida


(provavelmente em 935 a.C.) e analisa seus anos de aprendizado,
inclusive aqueles quando estava longe de Deus. A finalidade desse
livro é ajudar às futuras gerações a fugir de uma existência sem sen­
tido se não tiver a presença de Deus.

Muitos acreditam que o livro de Cantares (ou Cântico de Salomão)


foi escrito no princípio do reinado de Salomão. Esse livro é uma
história de amor entre uma noiva e o seu noivo. Ele afirma a santida­
de do casamento, e muitos estudiosos pensam que ele também serve
como uma alegoria ao amor de Deus pelo seu povo.

Livros Proféticos
Os livros proféticos foram divididos entre os profetas “maiores”
— Isaías, Jerem ias, Lamentações, Ezequiel e Daniel, e os profetas

159
E x a m in e a s E v id ê n c ia s

“m enores” — Oséias, Jo el, Amos, Obaclias, Jonas, Miquéias, Naum,


Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Os profetas mai­
ores não são considerados os mais importantes, simplesmente seus
livros é que são mais longos. Os profetas m enores foram agrupa­
dos como os “D oze” na Escritura judaica original (e atual). Os
livros proféticos, isto é as Escrituras, foram extremamente impor­
tantes para os israelitas, pois os profetas eram considerados como
porta vozes de Deus se, e somente se, as suas profecias fossem
100% exatas (Dt 18.20-22). Quando a exatidão dos profetas era
comprovada, por serem profetas das Sagradas Escrituras, suas pa­
lavras e seus escritos passavam a ser aceitos com o determ inações
do próprio Deus.

O livro de Isaías foi escrito cerca de 700 a.C. É um dos livros mais
importantes desse grupo por conter mais profecias a respeito de J e ­
sus Cristo do que qualquer outro livro. Em particular, o capítulo 53
contém uma descrição viva e acurada do sofrimento do futuro Salva­
dor — contradizendo uma crença comum entre os judeus de que o
profetizado Messias seria um conquistador militar.

illllii
Fatos Fascinantes
O autor mais surpreendente da Bíblia é o rei Nabu-
codonosor, o tirano da Babilônia, que obrigou os judeus
a irem para o exílio (586 a.C.). Ele “escreveu” o com eço
do quarto capítulo de Daniel onde existe a indicação de
que, até mesmo as pessoas mais improváveis, podem ser
transformadas e usadas por Deus.

mm
Acredita-se que o profeta Je re m ia s escreveu tanto o livro cle
Jerem ias com o o de L am en taçõ es. Ambos foram escritos no perí­
odo entre 627-586 a.C. no reino do sul de Judá. Eles insistiam com
o povo de Deus para se arrepender dos pecados antes que fosse
muito tarde.

160
A E str u tu r a d a B íb l ia

O livrei de E zequ iel foi escrito para os judeus que estavam no


cativeiro da Babilônia, cerca de 571 a.C. Ele previu a futura salvação
do povo de Deus.

D aniel foi um dos profetas mais importantes do Antigo Testamen­


to. Ele escreveu o seu livro entre 605 e 535 a.C. e fez um relato
histórico do cativeiro da Babilônia. Suas profecias mostravam o enor­
me poder de Deus e o controle que Ele exerce sobre o céu e a terra.
Talvez sua profecia mais importante seja aquela que previu a data
precisa em que o Messias iria entrar em Jerusalém (O chamado “Do­
mingo de Ramos” foi o primeiro dia em que Jesus permitiu que as
pessoas o homenageassem publicamente como Rei-Messias).

Oséias (cerca cle 753-715 a.C.) escreveu ao reino do norte para


mostrar o amor de Deus pelo seu povo. Jo e l (cerca de 835 a 796 a.C.)
preveniu Israel a respeito do iminente castigo por causa dos seus peca­
dos, enquanto Amós (cerca de 760 a 750 a.C.) preveniu da mesma
forma o reino do norte a respeito de sofrerem um castigo semelhante.

Obadias (cerca de 853 a 8 Í1 a.C.) enfocou os edomitas, inimigos


dos judeus em Judá. Seu livro mostra o castigo de Deus sobre aque­
les que prejudicam o seu povo. O livro de Jo n a s (cerca de 785 a 760
a.C.) foi escrito para o povo de Deus que está em toda parte, a fim de
demonstrar a extensão da graça divina e indicar que a mensagem da
salvação se destina a todos os povos.

Miquéias (cerca de 742 a 687 a.C., para Israel), Naum (cerca de 663
a 612 a.C., para Nínive e Judá) e Sofonias (cerca cle 640 a 621 a.C. para
Judá) escreveram para proclamar o castigo de Deus sobre o pecado e
conclamar o povo a se arrepender. No caso de Naum, foi oferecido um
consolo a Judá, pois o castigo havia sido proclamado sobre a Assíria.

O livro de Habacuque (cerca de 612 a 588 a.C.) foi escrito para o


povo de Judá a fim de revelar que Deus está no controle, embora o
mundo pareça estar fora de controle. O livro de Ageu (cerca de 520
a 518 a.C.) foi escrito para os exilados que haviam retornado, a fim

161
E x a m in e as E v id ê n c ia s

de lhes dar a esperança da vinda do Messias. E o livro de Malaquias


(cerca de 430 a.C.) era uma exortação ao povo de todas as partes
para se arrepender e restaurar seu relacionamento com Deus.

Os Evangelhos e Atos
O Novo Testamento começa com quatro relatos individuais sobre
o ministério de Jesus Cristo: Mateus, Marcos, Lucas e João. Embora
esses livros sejam históricos, eles também são considerados Evange­
lhos (que significa “Boas Novas") porque o seu propósito é apresen­
tar o Senhor Jesus da forma mais importante para a humanidade —
Ele é o restaurador clo relacionamento entre o povo e o Deus vivo.
Os três primeiros, Mateus, Marcos e Lucas, são chamados de Evan­
gelhos sinóticos (que significa “do mesmo ponto de vista”) porque
contêm um certo numero de versículos idênticos (ou quase idênti­
cos). O Evangelho de Jo ão cobre a maioria dos mesmos eventos, mas
tem poucos versículos idênticos aos outros três. Acredita-se que o
Evangelho de Marcos tenha sido o primeiro a ser escrito (cerca clo
ano 55 cl.C.) enquanto Mateus e Lucas se basearam intensamente no
seu conteúdo. Também existem muitos versículos em Mateus e Lucas
que não são encontrados em Marcos. Os estudiosos acreditam que
eles podem ter se originado cie uma fonte ainda não identificada (que
é mencionada como “Q ” nos círculos especializados).
Apesar das semelhanças encontradas nos Evangelhos (especial­
mente nos Evangelhos sinóticos) todos eles apresentam o ministério
de Jesus sob um ponto de vista favorável. Tanto as diferenças, como
as semelhanças, são importantes para lhes dar credibilidade. Os Evan­
gelhos estão de acordo — por serem realmente a obra de quatro
testemunhas oculares dos eventos — para podermos constatar a es­
sência dos acontecimentos. Entretanto, eles também possuem algum
grau de diferença, considerando que cada testemunha ocular iria se
lembrar de coisas diferentes. Sc fossem analisadas de acordo com os
termos atuais cias cortes de justiça, testemunhas com as mesmas in­
formações básicas sobre um evento estariam corroborando o próprio
evento, enquanto as diferenças que cada uma lembrasse iriam acres­
centar profundidade ao entendimento clo que realmente aconteceu.

162
A E str u tu r a d a B íb l ia

Cada um dos relatos dos Evangelhos aborda o ministério de


Jesus, fornecem uma nítida descrição do seu perfeito caráter, seus
milagres, sua missão e seus ensinamentos. Todos eles enfocam
especialm ente o final da chamada “semana da paixão” — a morte
e a ressurreição de Jesus — com cerca de 25 a 35% desse texto
dedicado a essa parte da vida de Jesus na terra. Mateus e Lucas
são textos sem paralelos ao tratarem dos ancestrais de Jesus e dos
eventos que cercaram o seu nascimento, enquanto Jo ã o também é
especial pelo fato cle insistir na divindade de Jesus, inclusive na
sua pré-existência e na sua atuação na criação cio universo como
participante da Trindade (João 1).
Cada autor do Evangelho citou o nome cle Jesus muitas vezes.
Suas palavras correspondem às seguintes porcentagens dos livros:
Mateus — 60%; Marcos — 42%; Lucas — 50% e João — 50%.' Como
era de se esperar, existem múltiplas narrações de eventos significantes
no ministério de Jesus, e 18 delas foram registradas em mais de uma
dessas narrações. Parece que a intenção do Evangelho cle João era
fornecer importantes informações que foram omitidas nos outros
Evangelhos. Dos oito milagres que João discute, somente os milagres
de Jesus dar de comer a 5 mil pessoas e caminhar sobre as águas
constam dos outros Evangelhos. O mais importante dos milagres es­
peciais mencionados em João é a ressurreição de Lázaro que certa­
mente serviu para intensificar o ódio dos líderes judeus na semana da
morte e ressurreição de Jesus.
Cada um dos Evangelhos clã uma ênfase diferente aos quatro pa­
péis que Jesus precisava desempenhar, de acordo com o que havia
sido previsto no Antigo Testamento.

Mateus (cerca de 55 a 63 d.C.) realça a realeza de Jesus. Ele foi


retratado como um “leão”; esse Evangelho foi claramente escrito para
os judeus. O tema básico cle Mateus é que Jesus é o Messias porque
cumpriu as profecias cio Antigo Testamento. Portanto, o tom desse
Evangelho é profético. Mais cio que qualquer outro Evangelho, ele
faz uma extensa utilização das profecias do Antigo Testamento, e faz
53 citações diretas do seu conteúdo. De acordo com a realeza de

163
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Jesus, ele insiste na sua descendência de Davi, através da genealogia


registrada.

M arcos (cerca de 55 a 60 d.C.) enfocou Jesus principalmente como


um servo (com o havia sido profetizado por Isaías). Ele mostra a obe­
diência de Jesus ao executar a vontade do Pai. O tema de Marcos é
que Jesus consolidou suas palavras com atos. O tom desse Evangelho
é prático e, de certa forma, aparentemente inclinado aos romanos.

Lucas (cerca cie 60 cl.C.) apresentou Jesus como o homem perfei­


to. Tudo, desde o nascimento de Jesus e em toda sua vida, ministério,
morte e ressurreição, indicava a sua humanidade. Logo, o tema de
Lucas é que Jesus era Deus, mas também era humano. Parece que
seu Evangelho foi escrito para os gregos, e descrevia Jesus como o
Filho do Homem. Seu aspecto é histórico.

Jo ã o (cerca de 85 a 90 d.C.) retratou Jesus como o divino filho de


Deus — e também como o próprio Deus 0 o 1). Jesus foi descrito como
o Verbo de Deus que pré-existiu à criação. O tema essencial de João é
que a crença em Jesus é necessária à salvação. O Evangelho de João
foi escrito para a igreja. Seu tom é espiritual. Embora ele faça menos
citações diretas do Antigo Testamento que qualquer outro Evangelho,
ele faz mais alusões ao Antigo Testamento do que os demais.

O livro de Atos (cerca de 60 a 63 d.C.) parece ser a continuação dos


acontecimentos históricos que sucederam à ressurreição descrita por Lucas
(por exemplo, os dois livros começam dirigindo sua narrativa a “Teófilo”).
Ele fornece uma descrição histórica sobre o desenvolvimento inicial da
igreja. O livro de Atos faz também uma importante conexão entre a vida
e o ministério de Jesus e a igreja cristã. Ele faz uma revisão do ministério
dos apóstolos, dedicando especial atenção aos primeiros líderes da igre­
ja, Paulo e Pedro. Isso tem uma importância considerável, pois a
credibilidade de Paulo, em relação à sua conexão com Jesus, é essencial
(Paulo escreveu pelo menos 13 livros do Novo Testamento, sobre os
quais a igreja cristã se baseia como sendo as Santas Escrituras).

164
A E stru tu ra da B íb l ia

As Cartas (Epístolas) q |jv r o ^ QS a j u c |a a

As epístolas compreendem os 21 d ar credibilidade à aceita-


livros do Novo Testamento escritos çõo de Paulo pelos discí-
pelos apóstolos. As primeiras 13 fo- pu|os o riginais de Jesus,
ram escritas por Paulo e quase todas i . - i i .
1 1 durante o período das tes-
foram dirigidas às igrejas que ele aju- . . .
, c , „ i rr i ' temunhas oculares da res-
dou a fundar. O iivro de Hebreus e
de autoria desconhecida (alguns acre- surreiçõo. Isso é extrema-
ditam que foi escrito por Paulo), e os mente im portante porque
livros de Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 Paulo escreveu muitos li-
Jo ão e Judas foram escritos pelos vros do Novo Testamento,
mesmos autores que lhes dão nome.
Embora cada epístola tenha um pro­
pósito diferente, em geral elas servem para encorajar e orientar os
ensinamentos da Igreja Primitiva.

0 livro de Rom anos (cerca de 57 d.C.) foi escrito para os cristãos de


Roma a fim de apresentar Paulo e fazer um resumo dos seus ensinamentos
antes dele chegar a esta cidade. O livro de Romanos é considerado
como a primeira e grande obra da teologia cristã, e muitos acreditam ser
o livro mais importante de Paulo, pois exerceu um impacto considerável
sobre o desenvolvimento da igreja. Ele enfoca o pecado da humanidade
e a justificação dos pecadores por meio do sacrifício de Jesus na cruz; ele
discute a santificação do crente. Esse livro vai mais além; faz uma revisão
dos propósitos de Deus para Israel, e oferece instruções práticas à igreja
a respeito dos cultos ao Senhor.

1 C oríntios (cerca de 55 d.C.) foi a segunda carta escrita à igreja


que Paulo havia estabelecido em Corinto (a primeira carta, e a carta
que se segue a 1 Coríntios foram perdidas). Ela foi escrita para iden­
tificar e oferecer soluções aos problemas que esta igreja estava en­
frentando, e realça a importância da unidade na igreja contra a divi­
são, e a ordem e a moralidade contra a desordem e a imoralidade.
Além disso, o livro faz uma revisão dos dons e das doutrinas da igreja
e condena os seus abusos.

165
E x a m in e as E v id ê n c ia s

2 C oríntios (cerca cie 55 a 57 cl.C. — na verdade, esta foi a quarta


carta escrita a essa igreja) tinha a finalidade cie afirmar o ministério e
a autoridade cie Paulo e refutar os falsos ensinamentos dentro cia
igreja de Corinto. Ela defendia a glória do ministério cristão e insistia
na glória do ministério cle dar.

Gálatas (cerca de 49 d.C.) essa carta foi escrita às igrejas que


Paulo havia fundado na sua primeira viagem missionária à região cia
Galácia. Sua finalidade principal era refutar aqueles que ensinavam
que os gentios deviam obedecer às leis judaicas a fim de serem sal­
vos. Nesse sentido, a carta aos Gálatas ensinava a revelação pessoal,
a justificação e a santificação.

Efésios (cerca de 60 d.C.) esta carta foi escrita à igreja que Paulo
havia fundado em Éfeso para fortalecer a fé dos crentes ao explicar a
natureza e o propósito cia igreja como corpo cle Cristo.

Filipenses (cerca de 61 d.C.) esta carta foi escrita por Paulo à


igreja cle Filipos para agradecer pela oferta que esta havia lhe envia­
do, e afirmar que a verdadeira alegria vem somente por meio de
Jesus Cristo. Essa alegria em Cristo se expressa através cia nossa vicia,
do nosso exemplo, do nosso propósito, e da suficiência que recebe­
mos do Senhor.

C olossen ses (cerca de 60 cl.C.) esta carta foi escrita à igreja em


Colossos (nunca visitada por Paulo). A sua intenção era combater os
erros que haviam sido introduzidos na igreja por alguns crentes que
tentavam combinar elementos do paganismo com a filosofia secular
da doutrina cle Cristo. Esse livro realça a glória de Cristo, as suas
respostas aos erros doutrinários e como a união com Ele forma a
base para a vida cristã.

1 T essaionicenses (cerca de 51 a 52 d.C.) esta carta foi escrita


para fortalecer os tessaionicenses na sua fé e assegurar-lhes a volta
de Cristo.

166
A E stru tu ra da B íb l ia

2 T essalonicenses (cerca de 51 a 52 d.C.) esta carta foi escrita


aos tessalonicenses para esclarecer a confusão relativa à segunda vin­
da de Cristo.

1 Tim óteo (cerca de 64 cl.C.) esta carta, dirigida a Timóteo, discí­


pulo de Paulo, e aos jovens lideres das igrejas em toda parte, tinha a
finalidade de encorajá-los e instruí-los. Ela faz uma revisão das disci­
plinas da sã doutrina, da adoração, do governo da igreja e da lideran­
ça pastoral local.

2 Tim óteo (cerca de 66 a 67 cl.C.) escrita pouco antes da execu­


ção de Paulo por Nero, esta carta dava instruções finais e encorajava
Tito e os demais líderes da igreja.

Tito (cerca de 64 cl.C.) esta carta foi escrita a um grego chamado


Tito que, provavelmente, havia se tornado cristão por meio do minis­
tério cie Paulo. Esse livro tinha a finalidade cie aconselhar Tito sobre
suas responsabilidades na supervisão das igrejas na ilha de Creta.

Filem om (cerca cie 60 d.C.) escrita por Paulo a Filemom para


convencê-lo a perdoar o escravo que havia fugido e aceitá-lo como
irmão na fé.

Hebreus (antes de 70 cl.C.) foi escrita para apresentar a suficiência


e a superioridade de Cristo. O autor desse livro é desconhecido, embo­
ra alguns versos possam sugerir que o autor também tenha sido Paulo
(Hb 13.23 — Timóteo era conhecido como um querido amigo e irmão
cle Paulo; 2 Pe 3.15 — pode ter se referido ao livro de Hebreus). Esse
é um livro básico para a definição do relacionamento do cristianismo
com o judaísmo. Ele discute a superioridade de Cristo em relação aos
profetas, anjos, Moisés, Josué e os sacerdotes. Ela também faz uma
revisão da superioridade da Nova Aliança em relação à Antiga Aliança.

Tiago (cerca cle 49 d.C.) é a primeira carta do Novo Testamento que,


definitivamente, não foi escrita por Paulo. O autor, Tiago — irmão de
Jesus e líder da igreja de Jerusalém — estava escrevendo para os cristãos

167
E x a m in e as E v id ê n c ia s

do primeiro século no mundo inteiro. O propósito dessa carta é expor as


práticas cristãs hipócritas, e estimular um comportamento adequado.

1 P ed ro (cerca de 62 a 64 cl.C.) esta carta foi escrita pelo apóstolo


Pedro provavelmente em Roma e sob a perseguição cie Nero. Foi
dirigida aos cristãos expulsos de Jerusalém para encorajá-los a supor­
tar o seu sofrimento.

2 P ed ro (cerca de 67 cl.C.) foi escrita por Pedro aos cristãos de


toda parte a fim de preveni-los sobre os falsos ensinamentos e exortá-
los na fé. Os cristãos eram encorajados a crescer no seu conhecimen­
to de Cristo.

1 Jo ã o (cerca cie 85 a 90 cl.C.) foi escrita pelo apóstolo João como


uma carta pastoral dirigida a várias congregações dos gentios com a
intenção de ensinar os crentes de tocla parte. Sua finalidade era tranqüi­
lizar os cristãos na sua fé e ajudá-los a enfrentar os falsos ensinamentos.

2 J o ã o (cerca cie 90 cl.C.) foi escrita para uma determinada “se­


nhora eleita” que pode ser uma metáfora da igreja, mas a mensagem
estava claramente dirigida aos cristãos de tocla parte. Essa pequena
carta pretendia realçar os ensinamentos básicos de quem deseja se­
guir a Cristo e se prevenir contra os falsos mestres.

3 Jo ã o (cerca de 90 d.C.) foi escrita por João a Gaio, líder da


igreja, e a todos os cristãos. A finalidade dessa carta é agradecer a
Gaio pela sua hospitalidade e encorajá-lo na sua vida cristã.

Ju d a s (cerca cie 65 cl.C.) foi escrita por Judas, irmão de Jesus e de


Tiago, aos judeus convertidos ao cristianismo, como também a todos
os cristãos. Sua finalidade era lembrar a igreja da necessidade de
permanecer em guarda — oponcio-se às heresias, e sendo forte na fé.

O último livro da Bíblia é o A pocalipse, escrito cerca de 95 d.C.


pelo apóstolo João enquanto estava no exílio na ilha cie Patmos.
Essa carta foi endereçada especificam ente às sete igrejas da Ásia,

168
A E stru tu ra d a B íb l ia

mas o seu claro propósito era ensinar os crentes cio mundo inteiro.
Embora tenha sido escrito sob uma forma repleta de simbolismos,
talvez para proteger o autor da ameaça da perseguição, o propósito
desse livro é revelar a plena identidade de Cristo, dar conselhos e
transmitir esperança aos crentes.

V
Avalie o que Você Aprendeu
1. Quais são os livros da Torá e quando foram escritos?
2. Quais são as principais seções do Antigo Testamento?
3. Quais são os cinco livros dos profetas maiores? Como esses
profetas foram classificados?
4. Qual é a data aproximada em que os Evangelhos foram escri­
tos? Qual é a importância da data das autorias?
5. Qual é a finalidade principal das epístolas? Quem escreveu a
maioria delas?

Capítulo 9 — Grupo de Estudo j

P rep aração p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: 2 Timóteo 3.16,17 e o capítulo 9 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Leia 2 Timóteo 3.16,17. Discuta o significado desses
versículos e questione a época dos livros da Bíblia em relação à
história do mundo.

Atividade P rática
A questão entre o “crente” e o “nào-crente” forma a estrutura cia
Bíblia. Esteja preparado para explicar a estrutura e o propósito de
cada uma das partes mais importantes, e responder às perguntas que
o nào-crente possa fazer.

O ração de E n cerram en to

169
10
Os Manuscritos do Mar Morto, a
Septuaginta, e como Foram
Validados por Jesus

A alvez a descoberta religiosa mais importante jamais feita pela


arqueologia tenha sido os cerca cie 800 manuscritos encontrados nas
cavernas de Qumran, situadas na margem noroeste do mar Morto.
Esses manuscritos foram escritos aproximadamente entre os anos 250
a.C. e 65 d.C. e foram descobertos acidentalmente em 19-47. Suas
condições variavam entre manuscritos completos, quase perfeitos e
outros que estavam seriamente danificados e rompidos em milhares
de fragmentos. Além dos inúmeros manuscritos relevantes ã cultura
dos essênios, todos os livros do Antigo Testamento, com exceção de
Ester, estavam representados em Qumran (inteiros ou em parte). O
E x a m in e as E v id ê n c ia s

número de livros do Antigo Testamento e dos seus fragmentos en­


contrados em Qumran está relacionado abaixo:1

Livro N úm ero de Cópias

(seg u n d o a ordem c a n ô n ic a h eb r a ic a ) (? =
Gênesis 18 3?
Êxodo 8
Levítico 17
Números 12
Deuteronômio 31
Josué 2
Juizes 3
1 - 2 Samuel 4
1 - 2 Reis 3
Isaías 22
Jeremias 6
Ezequiel 7
Doze (profetas menores) 10 ■
Salmos 39 ■
Provérbios 2
Jó 4
Cantares 4
Rute 4
Lamentações 4
Eclesiastes 3
Ester 0
Daniel 8 +
Esd ras-N eemias 1
1—2 Crônicas 1

CONCEITO-CHAVE
Os m an uscritos d o m a r Morto representam todos os livros
d o Antigo Testam ento com e x c e ç ã o d e Ester (in teiros ou
em parte).

172
Os M a n u s c r it o s d o M a r M o r t o , a S e p tu a g in ta ,
e co m o F o ra m V a lid a d o s p o r Je su s

Os manuscritos encontrados em Qumran foram enterrados pro­


fundamente nas cavernas quando os romanos estavam avançando
para esmagar a revolta dos judeus em 66 cl.C. (Jerusalém e o Tem­
plo foram totalmente destruídos em 70 d.C. e os judeus foram ex­
pulsos da cidade). Os essênios formavam uma seita de judeus reli­
giosos que escolheram viver como segregados dos hábitos religio­
sos de Jerusalém. Eles fundaram seu domicílio num enclave cia ci­
dade de Qumran, situada no lado noroeste do mar Morto, onde
praticavam uma rígida obediência à religião judaica e se dedicavam
a copiar a Sagrada Escritura. Essas cópias da Escritura, assim como
outros importantes documentos dos essênios, foram guardados em
jarros de louça e depois colocados nas livrarias das cavernas. Ao
receber a notícia de que os romanos estavam avançando, os essênios
abandonaram as cavernas (68 d.C.) e elas permaneceram intocadas
durante quase 1900 anos.
Em março de 1947 um jovem beduíno chamado Muhammad, que
estava à procura de uma cabra extraviada nas colinas em volta de
Qumran, jogou uma pedra numa das cavernas e ficou surpreso ao
ouvir o barulho de louça quebrada. Ao investigar o barulho, entrou
na caverna escura e desceu até o fundo. Ele descobriu inúmeros
potes de louça que continham manuscritos de couro envoltos em
tecido de linho. Como esses manuscritos haviam sido cuidadosamen­
te preparados e selados nos jarros de barro, eles estavam em excelen­
tes condições. Nos anos seguintes, foram descobertas outras caver­
nas que continham mais manuscritos elevando o número total a vári­
as centenas deles, com milhares de fragmentos que ainda estão sen­
do analisados e agrupados.
Não se pode exagerar suficientemente a importância da descoberta
dos manuscritos cio mar Morto quanto à comprovação da precisão dos
manuscritos bíblicos. Por exemplo, um manuscrito cie Tsaías, escrito
em 150 a.C. e encontrado em condições quase perfeitas, foi compara­
do a um texto escrito em hebraico massorá, datado de 916 d.C., e
revelou ser consistente depois de mais de 1000 anos! Na verdade, de
166 palavras do capítulo 53 do manuscrito de Isaías, somente 17 letras
mostravam algum possível sinal de mudança. E no caso das letras em
questão, as mudanças representam questões de mudança ortográfica e

173
E x a m in e as E v id ê n c ia s

de estilo, tais como as conjunções, que não têm nenhuma influência


no significado do texto.2
A descoberta dos manuscritos do mar Morto e a comparação do
seu texto com cópias posteriores revelaram, sem sombra de dúvida,
que o Antigo Testamento foi precisamente transmitido ao longo dos
séculos. Isso tem uma importância imensurável na avaliação da ver­
dade e da relevância de Jesus porque o Antigo Testamento contém
muitas profecias sobre o Messias que foram precisamente cumpridas
por Jesus.
Os manuscritos do mar Morto, contendo profecias feitas centenas
de anos antes de Jesus, foram escritos décadas, e em alguns casos,
centenas de anos antes de Jesus. Dessa maneira, ficamos sabendo
que elas não foram escritas “depois do fato”. Isso também significa
que podemos saber, com certeza, que não foram inventadas e será
essencial para avaliarmos a importância da sua realização por Jesus.
Quando analisamos as probabilidades estatísticas das inúmeras pro­
fecias que se tornaram verdadeiras em apenas um homem, percebe­
mos que isso seria virtualmente impossível de acontecer, a não ser
que houvesse uma intervenção divina (veja a Parte 3). Isso nos leva à
decisiva conclusão de que Jesus é o Messias profetizado pelo Antigo
Testamento.

A Septuaginta
Depois da conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, no
ano 331 a.C., não demorou muito para que o povo cla Judéia trocasse
o hebraico, sua língua nativa, pelo grego. Quando isso aconteceu,
somente os escribas e um seleto grupo de pessoas cultas eram capa­
zes de ler a Sagrada Escritura. Reconhecendo este problema, durante
o terceiro e o segundo séculos a.C., os judeus nomearam um grupo
de 70 anciãos (daí a origem do nome Septuaginta, ou LXX) para
traduzir o Antigo Testam ento para o grego. A Septuaginta era
comumente usada na época de Jesus. A maioria das citações do An­
tigo Testamento, que constam do Novo Testamento, tem sua origem
na Septuaginta. Ela teria sido a Escritura que Jesus usou para ensinar
às pessoas do povo. Na verdade, os cristãos adotaram tão seriamente

174
Os M a n u s c r it o s d o M ar M o rto , a S e p t u a g in t a ,

f. c o m o F oram V a l id a d o s p o r J esu s

esse livro que os judeus acabaram perdendo o interesse e passaram a


considerá-lo como o “Antigo Testamento cristão”. Ainda agora ele é
considerado como a “versão oficial do Antigo Testamento” pela Igre­
ja O rtodoxa Grega. Atualmente, tem os alguns fragm entos da
Septuaginta de antes de 200 a.C. Outros fragmentos foram encontra­
dos entre os manuscritos do mar Morto, embora a maioria deles esti­
vesse escrita em hebraico. Existem várias razões pelas quais a tradu­
ção da Septuaginta é especialmente importante:
• Como já mencionamos, ela era a versão do Antigo Testamento
geralmente disponível na época de Jesus, portanto, exige uma
atenção especial.
• Assim como os manuscritos do mar Morto, a Septuaginta esta­
belece as profecias a respeito de Jesus em um determinado
momento an tes da sua vinda. Podemos estar certos cie que as
profecias não foram inventadas a fim de se adaptar às circuns­
tâncias da vida de Jesus.
• A Septuaginta foi traduzida da Escritura Hebraica pouco antes,
ou até na mesma época, da mais antiga Escritura Hebraica que
temos hoje (os manuscritos do mar Morto). Conseqüentemen­
te, ela será útil para esclarecer quaisquer pontos controversos.

Jesus Confirmou as Escrituras Judaicas


Ao analisar a confiabilidade da Bíblia, muitos deixam de lado a
confirmação de Jesus. Devemos lembrar, em primeiro lugar, que Je ­
sus realmente confirmou todo o Antigo Testamento. Como mencio­
namos, a Sagrada Escritura habitualmente usada durante o seu tempo
era a mesma Septuaginta que temos atualmente disponível para leitu­
ra. Além disso, os manuscritos do mar Morto representam a Escritura
hebraica daquela época.
Em outras palavras, na mente de Jesus não havia nenhuma ques­
tão relativa à escolha dos manuscritos (“livros”) reconhecidos como
Sagrada Escritura — também chamada de T an ak b pelos judeus. O
T an akh usado por Jesus era idêntico ao Antigo Testamento atual,

175
E x a m in e as E v id ê n c ia s

exceto que os manuscritos judeus co m b in a v a m alguns livros (por


exemplo, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Jeremias, Lamentações
e outros) de modo que os 39 livros do Antigo Testamento Protestante
estavam contidos em 20 livros.

A Apócrifa
Os 11 livros apócrifos incluídos na Bíblia da igreja católica romana
não eram considerados como parte da Sagrada Escritura na época de
Jesus. Eram geralmente guardados no mesmo local da Escritura Sagra­
da e entendidos como fontes de boas referências para o ensino, entre­
tanto, simplesmente não eram
A A p ócrifa não foi reconhecida considerados como “inspirados
por Jesus — nem pelos autores por Deus”. Isso é interessante,
porque esses livros estavam vir­
do N ovo Testamento, nem peíos
tualmente sempre junto com a
patriarcas da Igreja — como
Bíblia, e mesmo quando a Bíblia
sendo a Sagrada Escritura até os era colocada sob a forma de um
anos 1 500 , quando a Igreja Ca­ coclex (livro), a apócrifa era ge­
tólica Romana declarou que era ralmente incluída. Até a Bíblia
"igual à Escritura" e incluiu esses produzida por Martinho Lutero,
líder da Reforma Protestante, con­
livros na sua Bíblia. Entretanto,
tinha esses livros.
eles sempre foram considerados
Foi somente depois da Refor­
como "edificantes" e até incluí­ ma Protestante que a igreja ca­
dos por M artinho Lutero como tólica romana declarou de for­
parte (uma parte "não inspirada ma infalível que a Apócrifa era
por Deus") em sua Bíblia. M ais parte da Sagrada Escritura. Mas
tarde, os protestantes excluíram a igreja protestante discordou e
continuou a afirmar que os li­
a A pó crifa da sua Bíblia.
vros apócrifos eram apenas uma
“boa fonte de ensino” e não ti­
nham sido inspirados por Deus. Por fim, por causa da grande exten­
são, no que se refere ao custo de imprimir páginas extras na Bíblia
para aqueles leitores que estavam mais interessados na Palavra inspi­
rada por Deus, a Apócrifa foi excluída das Bíblias Protestantes.

176
Os M a n u s c r it o s d o M ar M o rto , a S e p t u a g in t a ,
e com o F oram V a l id a d o s p o r J esu s

Jesus Pré-confirm ou o Novo Testamento


Jesus verdadeiramente pré-eonfirmou o desenvolvimento do Novo
Testamento e a inspiração do Espírito Santo. Durante sua permanên­
cia na terra, Jesus deu aos apóstolos a autoridade para escrevê-lo, e
depois o profetizou e confirmou.
Primeiro, Ele concedeu autoridade. O Espírito Santo iria guiar to­
das as palavras dos apóstolos:

Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai envi­


ará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos
fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito (Jo 14.26).

Mas. quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos


guiará em toda a verdade, porque não falará de si mes­
mo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o
que há de vir (Jo 16.13).

Porque na mesma hora vos ensinará o Espírito Santo o


que vos convenha falar (Lc 12.12).

Segundo, o evangelho foi profetizado. Jesus previu 17 vezes que


o evangelho seria propagado. Por exemplo:

E este evangelho cio Reino será pregado em todo o mun­


do, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim
(Mt 24.14).

Em verdade vos digo que, onde quer que este evangelho


for pregado, em todo o mundo, também será referido o
que ela fez para memória sua (Mt 26.13)-

Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão


de passar (Lc 21.33).

Terceiro, em três ocasiões diferentes, Jesus confirmou o evange­


lho durante o período em que estava sendo pregado:

177
E x a m in e as E v id ê n c ia s

E disse o Senhor, em visão, a Paulo: Não temas, mas fala


e não te cales (At 18.9).

E aconteceu que, tornando eu para Jerusalém, quando


orava no templo, fui arrebatado para fora cle mim. E vi
aquele que me dizia: Dá-te pressa e sai apressadamente
de Jerusalém, porque não receberão o teu testemunho
acerca cle mim (At 22.17,18).

E, na noite seguinte, apresentando-sedhe o Senhor, dis­


se: Paulo, tem ânimo! Porque, como de mim testificaste
em Jerusalém, assim importa que testifiques também em
Roma (At 23.11).

Embora o Novo T estam en to tenha


Jesus confirm ou o A ntigo sido escrito d ep o is das ex te n sa s apari-

Tesfamento (Tanakh) còcs de Jesus na terr:l a' K>s a sua rt''s-


. suireicao, cremos (jiie o Senhor havia
quando esteve na terra. . , ,,, ,
previsto a sua vinda. Alem disso, ele
E também pré-confirm ou confirmou a escrita do Novo Testamento
o N ovo Testamento. durante o p e ríod o em q u e estava s e n ­
do registrado, para q u e d ep o is fosse
com pilad o.
Sabendo que o Espírito Santo guiou os escritos do Novo Testa­
mento, e sabendo que havia sido previsto e confirmado pelo próprio
Jesus, podemos confiar nas suas palavras.

■Avalie o que Você Aprendeu


1. Qual foi o único livro do Antigo Testamento que não foi inclu­
ído nos manuscritos do mar Morto?
2. Por que é importante saber que os manuscritos do mar Morto
foram realmente escritos antes do nascimento de Cristo?
3- O que é a Septuaginta? Por que é importante?

178
Os M a n u s c r it o s d o M ar M o rto , a S e p t u a g ín t a ,
e com o F oram V a l id a d o s p o r J esu s

4. De .que maneiras Jesus confirmou a Bíblia?


5. O que é a Apócrifa? Quem a incluiu como parte da Bíblia?
Quem recusou? Por quê?

Capítulo 10 — Grupo de Estudo

P rep aração p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: Mateus 24.14 e o capítulo 10 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Discuta por que os manuscritos do mar Morto são, pro­
vavelmente, a descoberta arqueológica mais importante de todos os
tempos — especialmente em relação ã Bíblia. Preste particular aten­
ção às profecias de Jesus.

Atividade P rática
Entrevista p a r a a TV: O “cristão” está participando de um show
que trata da questão das profecias cie Jesus terem sido escritas, ou
não, depois do seu cumprimento.

O ração de E n cerram en to
A Grande Divulgação dos Manuscritos
do Novo Testamento

JL Igreja Cristã Primitiva entrou em cena mais rapidamente que


qualquer outro fenômeno teológico ou filosófico de todos os tempos.
A Bíblia informa que cerca de 3 mil pessoas aderiram ao grupo num
único dia — 50 dias depois da ressurreição (no dia conhecido como
Dia de Pentecostes). Provavelmente, eram todos homens, pois essa
era a maneira como as “pessoas” eram contadas naquela época. Se
acrescentarmos a eles as mulheres, as crianças e os crentes que já
existiam, isso teria levado o número total para aproximadamente 6
mil a 10 mil pessoas. Alguns dias depois, quando Pedro e João foram
capturados pelos guardas do templo e colocados na prisão por pre­
gar sobre a ressurreição (At 4.1-4), o número de cristãos havia au­
mentado para 5 mil homens e, novamente, somando as mulheres e as
crianças, ele pode ter chegado a 10 mil ou 15 mil, poucos dias depois
da ressurreição!
Essa rápida reação em cadeia da Igreja exigia algum controle para
garantir a precisão e a consistência da mensagem. Por essa razão, o
relato do ministério de Jesus, da sua morte e ressurreição, foi registra­
do por vários e diferentes autores.
Além dos relatos precisos a respeito de Jesus, que seriam distri­
buídos numa igreja que estava em rápida expansão, também era
necessário que houvesse uma orientação e uma organização nesse
E x a m in e as E v id ê n c ia s

crescimento. As cartas escritas por Paulo tinham exatamente essa


finalidade. Assim como os Evangelhos, elas foram profusamente
copiadas e distribuídas. Os E v a n g elh o s , a s C artas e o livro d o
A p ocalip se (todos do Novo Testamento) fo r a m a ceito s p o r m uitas
p e s s o a s co m o in sp irad os p o r D eus na época em que foram escritos.
Os patriarcas da Igreja concordaram em confirmar esses escritos do
Novo Testamento no início do ano 200, e ele foi oficialmente cano­
nizado em 397.
Durante séculos o Antigo Testamento havia sido copiado por
escribas treinados, que obedeciam a regras rígidas e detalhadas de
escrituração, e isso resultou em registros isentos de erros (veja as
páginas 156,157). O Dr. Norman Geisler escreve:

Embora nem toclos os copistas cio Novo Testamento fos­


sem escribas treinados profissionalmente, eles foram capa­
zes de transcrevê-lo com tanto cuidado que a precisão des­
se processo ficou demonstrada pela nossa capacidade de
determinar o texto original com um grau de precisão muito
mais elevado do que qualquer outro livro da antiguidade.1

Antigos M anuscritos do Novo Testamento


Atualmente, quase 2000 anos depois cla época de Jesus, temos um
número extraordinário cie manuscritos antigos do Novo Testamento
ainda existentes (cerca de 5.700). Isso é verdadeiramente notável,
considerando a perseguição inicial que procurou destruir esses regis­
tros. Essas cópias existem em diferentes formatos e línguas.2

Antigos M anuscritos Existen tes N úm ero Existen te


de A cord o co m a Língua
Grego 5.700
Vulgata Latina 8.000 a 10.000
Etíope, Eslavo, Armênio 8.000
Outros Cerca de 1.000
Total C erca de 2 4 .0 0 0

182
A G ran de D iv u l g a ç à o d o s M a n u s c r it o s do N ovo T esta m en to

A proximidade dos registros do Novo Testamento com a ressurrei­


ção também é muito importante. Os registros mais antigos fazem
parte da época dos testemunhos oculares. Muitos outros fazem parte
de uma ou duas gerações posteriores. Dois importantes critérios aju­
dam a assegurar a confiabilidade do texto: 1) o grande número de
manuscritos consistentes, e 2) o fato de a data dos primeiros manus­
critos ser próxima dos eventos. Isso faz com que sejam favoravel­
mente comparados a outros documentos da antiguidade que são ge­
ralmente considerados históricos:1

Obra Número de Manuscritos Anos Desde o


Existentes Manuscrito Original
Homero - Ilía d a 643 400
Heródoto - H istória 8 1350
Tucídides - H istória 8 1300
Platão 7 1300
Demóstenes 200 1400
César - G uerras G ãlicas 10 1000
Lívio - H istória d e R om a 19+1 Parcial 1000; 400
Tácito - A nais 20 1000
Plínio Segundo - H istória 7 750
Novo T estam ento 5700 50 a 225

Torna-se aparente que o Novo Testamento se encontra bem acima


de todos os outros livros mais importantes da antiguidade em: 1) nú­
mero de cópias comprobatórias e 2) proximidade das cópias com a
escrita original, e isso tem grande significado. Estamos sempre dispos­
tos a aceitar outros livros de história escritos pelos autores relaciona­
dos acima, embora a confirmação desses documentos seja muito me­
nos substancial e as cópias tenham sido posteriormente removidas dos
autógrafos originais. Deveríamos ter uma confiança muito maior na
precisão com que foi feita a transmissão do Novo Testamento.
Finalmente, em relação à consistência de um grande número de
cópias do Novo Testamento, encontramos uma substancial concor­
dância e nenhum desacordo doutrinário. Como já mencionamos, na
maior parte os copistas não eram escribas treinados no sentido clássi­

183
E x a m in e as E v id ê n c ia s

co. Um exemplo de uma insignificante inconsistência entre os docu­


mentos do Novo Testamento pode ser a transposição da ordem das
palavras. Em nosso idioma vai fazer muita diferença se escrevermos “o
homem come galinhas” e “as galinhas comem o homem”. Em grego
isso não acontece. Em grego, cada sentença tem um sujeito definido,
um verbo e um predicado baseados na forma da palavra. Portanto, a
ordem das palavras não faz nenhuma diferença.4 Os estudiosos da
Bíblia, que analisaram a documentação do Antigo Testamento, afir­
mam que ele é mais “puro” do que qualquer outro livro da antiguida­
de. Os especialistas Norman Geisler e William Nix concluíram que o
Novo Testamento “sobreviveu numa forma que é 99,5% pura”.5

lÍÊi!ÁitJÊÊfi%á&4 •tô.$SlÈitlii£tiÊÈÊÊÊÊiSÊÍÍÊtíltÈÊÊ :

Fatos Fascinantes
Voltaire, o famoso escritor e filósofo francês alardeava, em
1700, que dentro de 100 anos o cristianismo e a Bíblia
iriam desaparecer — sugerindo que suas próprias obras
iriam durar muito mais. Atualmente, poucos conhecem as
obras de Voltaire, enquanto a Bíblia é um “best-seller”
permanente. Ironicamente, a casa de Voltaire e os seus
equipamentos agora são usados pela G en eva B ib le Society
para publicar Bíblias.6

____________ CONCEITO-CHAVE --------------------

Existem, atu alm en te, cerc a d e 5 .7 0 0 có p ia s an tigas do


N ovo Testamento, e alg u m as d a s su as p o rç õ es p o d em es­
tar b ã 5 0 a n o s d a có p ia origin al. Isso é m uito su perior a
q u a lq u e r ou tro texto antigo, p o is a m a io r ia d eles tem
m en os d e d o z e có p ia s escritas p e lo m enos m il a n o s depois
d a r e d a ç ã o original.

184
A G r a n d e D iv u lg a ç ã o d o s M a n u s c r ito s d o N ovo T e s ta m e n to

Antigos Manuscritos Confirmam a sua Precisão


Como mencionamos acima, houve uma explosão tão grande dos
manuscritos do Novo Testamento que hoje dispomos de um grande
número de cópias antigas — que em muito superam todos os outros
livros da história cia antiguidade.
Além das cópias do Novo Testamento, existem vários documentos
de fontes não cristãs que corroboram alguns fatos sobre Jesus, como
a crucificação, a crença na ressurreição, seus inúmeros seguidores e
seus milagres.

Exemplo das Cópias Existentes do Novo Testamento


Embora o número de cópias antigas do Novo Testamento chegue
aos milhares, existem outras que são especialmente importantes.
Pap iro J o h n Rylands. João 18.31-33 e também João 18.37,38
aparecem no papiro conhecido como papiro de John Rylands:

Disse-lhes, pois, Pilatos: Levai-o vós e julgai-o segundo a


vossa lei. Disseram-lhe, então, os judeus: A nós não nos
é lícito matar pessoa alguma. (Para que se cumprisse a
palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte
havia de morrer.) Tornou, pois, a entrar Pilatos na audi­
ência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o rei dos
judeus? (Jo 18.31-33)

Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu:


Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci e para isso
vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.
Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. Disse-
lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isso, voltou até
os judeus e disse-lhes: Não acho nele crime algum (Jo
18.37,38).

O papiro John Rylands, datado de 125 d.C, é o fragmento mais


antigo e comumente aceito do Novo Testamento existente hoje. (Em­
bora alguns estudiosos acreditem que certas porções do Novo Testa­

185
E x a m in e as E v id ê n c ia s

mento tenham sido encontradas entre os Rolos do mar Morto, outros


crêem que estes achados pertençam meramente ao livro não bíblico
de Enoque).
O papiro Rylands é importante em virtude da sua data e localiza­
ção. Encontrado no Egito, a centenas de quilômetros do provável
lugar do autógrafo na Ásia Menor, ele parece indicar que o Evange­
lho original de João poderia muito bem ter sido escrito no início de
40 d.C.7 O famoso estudioso da Bíblia, E F. Bruce, que foi professor
de Rylands na Universidade de Manchester, diz que o Evangelho de
João, o último dos Evangelhos, foi escrito em 90 d.C.H
Mesmo que o Evangelho original de João tenha sido escrito no
início de 40 d.C., ou mais tarde, em 90 d.C., o que sabemos é que João
estava presente no momento em que havia muitas testemunhas ocula­
res da crucificação e ressurreição de Jesus. Isso nos dá a certeza de que
ele tinha condições de ser examinado em relação à sua precisão.

O C odex Sinaiticus (O Código Sinaítico). O Codex Sinaiticus é


um dos manuscritos bíblicos mais importantes jamais encontrados,
por ser uma das cópias mais completas e antigas da Bíblia. Até a
descoberta do Código é interessante:

O fogo ardia calidamente, lançando sombras bruxuleantes


sobre as paredes do mosteiro situado na base do monte
Sinai. Os monges se amontoavam ao redor dele e con­
versavam tranqüilamente sobre os eventos do dia. Um
jovem de 30 anos chamado Tischendorf, da Universida­
de de Leipzig, havia chegado no com eço do dia à procu­
ra de manuscritos da Bíblia. Os monges ficaram fascina­
dos com o seu entusiasmo, sorriam disfarçadamente, e
imaginavam por que encontrar Bíblias antigas era tão
importante para ele.
Tischendorf, aproximando-se do fogo, dirigiu-se a um
cesto de papel usado para manter o fogo aceso. Quando
estava prestes a lançar uma folha às chamas, parou in­
crédulo olhando para o que segurava nas mãos. Para sua
surpresa, tratava-se de parte de uma antiga cópia da ver-

186
A G r a n d e D iv u lg a ç ã o d o s M a n u s c rito s d o N ov o T e s t a m e n t o

são Septuaginta da Bíblia. Os monges começaram a rir


quando Tischendorf contou o que havia encontrado, di­
zendo que já haviam queimado dois cestos de papel chei­
os dos mesmos manuscritos. O jovem implorou que lhe
dessem outras folhas do manuscrito que tinham em seu
poder e pediu para não queimarem nenhuma outra que
porventura ainda tivessem.
Tischendorf retornou à sua casa e mandou publicar as
porções da Bíblia que havia recuperado, dando-lhes o
nome de código Frederico-Augustanus. Mais tarde, ele
voltou uma segunda vez ao mosteiro, e depois uma ter­
ceira vez. Agora já havia conquistado a confiança e a
amizade dos monges. Ele levou uma cópia da versão
publicada da Septuaginta e deu ao administrador do
mosteiro. Naquela noite, o administrador o chamou em
particular.
“Tenho uma coisa para lhe mostrar” disse ao enfiar a
mão num armário e retirar um manuscrito, meticulosa­
mente envolvido num tecido vermelho. Vagarosamente,
ele abriu o pacote que tinhas nas mãos e Tischendorf
não conseguiu acreditar nos seus olhos. Era uma Bíblia
quase completa e, obviamente, de origem muito antiga.
Lágrimas começaram a rolar nas suas faces. Naquela noi­
te, ele não conseguiu dormir e ficou examinando as pa­
lavras do manuscrito. Nessa época, ele escreveu no seu
diário: “Parecia realmente que estaria cometendo um sa­
crilégio se fosse dormir”. Alguma coisa verdadeiramente
muito importante havia sido descoberta.9

O manuscrito descoberto pelo Dr. Constantin Von Tischendorf


é conhecido atualmente com o Código Sinaítico e foi organizado
em 1859. Ele contém quase todo o Novo Testamento e quase m e­
tade do Antigo Testamento. Posteriorm ente, o mosteiro deu esse
manuscrito de presente ao czar da Rússia e, mais tarde, ele foi
comprado pelo governo britânico por 100 mil libras no dia de
Natal de 1933-

187
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Esse Código, escrito em grego, foi copiado primeiramente de um


manuscrito original, mais ou menos por volta cle 350 d.C. Os especi­
alistas concluíram que três escribas estiveram envolvidos nessa cópia
e cerca de nove “corretores” haviam feito algumas anotações no de­
correr dos séculos. Ele consiste de 148 páginas, medindo 35 por 36
centímetros cada página, escritas com tinta marrom, e cada página
tem quatro colunas e 48 linhas em cada coluna. Ele é consistente com
muitas cópias anteriores de porções do Novo Testamento encontra­
das anteriormente (algumas dessas porções da Bíblia datam do início
do segundo século). Atualmente, o Código Sinaítico está guardado
no Museu Britânico.
O Código Sinaítico, escrito somente algumas gerações depois das
testemunhas oculares de Jesus, serve para corroborar que o texto do
Novo Testamento é uma precisa representação cia vida, morte e res­
surreição de Jesus.

O Código Vaticano. De acordo com o autor e historiador Eusébio,


clo início do ano 300, Constantino mandou que fossem feitas 50 cópi­
as “oficiais” da Bíblia para serem guardadas em Roma. Alguns estudi­
osos afirmam que o Código Vaticano, guardado durante séculos no
Vaticano, em Roma, é uma das cópias verdadeiras solicitadas por
Constantino.
Não podemos ter certeza disso. Entretanto, estamos certos cia im­
portância do manuscrito por causa da sua origem antiga e cia sua
integralidade.
O Código Vaticano foi escrito em aproximadamente 325 d.C. e é
uma edição quase completa da Bíblia atual. Ele contém todo o Antigo
Testamento, exceto a maior parte do livro cle Gênesis. Contém tam­
bém o Novo Testamento, inclusive os Evangelhos, Atos e as cartas de
Paulo, e uma parte cle Hebreus. Estão faltando as cartas pastorais e o
livro cle Apocalipse. A porção que está faltando (a maior parte de
Gênesis e o final da Bíblia) deve-se ao fato de que tanto o início
como o final da Bíblia foram danificados e perdidos.
O Código Vaticano foi escrito em grego uncial, isto é, todas as
letras eram maiúsculas e não havia pontuação. O Antigo Testamento

188
A G ran de D iv u l g a ç ã o d o s M a n u s c r it o s d o N ovo T esta m en to

consiste de 617 folhas (páginas) e o Novo Testamento de 142. Cada


folha mede cerca de 28 por 28 centímetros e está formatada em três
colunas com 40 a 44 linhas em cada coluna. Os estudiosos acreditam
que um escriba copiou o Antigo Testamento a partir de um exemplar
mestre e outro copiou o Novo Testamento da mesma maneira. Acre­
ditam que um “corretor” trabalhou nesse manuscrito logo depois de
terminado e que ele também foi trabalhado por um segundo “corre­
tor”, centenas de anos depois, provavelmente cerca do décimo ou
décimo primeiro século.
O Código Vaticano tem uma importância enorme. Ele representa a
Bíblia mais antiga e quase completa que temos disponível atualmente
e foi escrito apenas 200 anos depois da época dos apóstolos. Ele é
idêntico à Bíblia que lemos hoje, com apenas algumas exceções muitas
vezes observadas em muitas Bíblias de estudo.
O Código Vaticano nos dá provas de que a história de Jesus, como
é lida hoje, é idêntica à crença que era amplamente aceita na sua
época.

‘‘ í

Avalie o que Você Aprendeu


1. Por que é importante a existência de um grande número de
manuscritos consistentes para aumentar a confiabilidade?
2. Por que o fato de ter cópias próximas aos autógrafos ajuda a
assegurar a confiabilidade?
3. Aproximadamente, quantas cópias de alguns manuscritos anti­
gos e quase completos da Bíblia existem atualmente?
4. Quantos anos se passaram desde que o livro de João foi escrito
no papiro John Ryland? Seria concebível que o copista tivesse
conhecido o apóstolo João?
5. O que são o Código Sinaítico e o Código Vaticano, e aproxima­
damente quando eles foram escritos?

189
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Capítulo 11 — Grupo de Estudo

Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


L eia: o capítulo 11 deste texto.

Oração de Abertura
D iscussão: Discuta a afirmação de Norman Geisler e de Willian
Nix de que a Bíblia é “99,5% ” textualmente precisa (página 184).
Como o número de manuscritos, a proximidade dos autógrafos e o
grau de variação levaram ambos a fazer essa afirmação?

Atividade Prática
C on ferên cia com a Im pren sa: O “cristão” estará analisando as pre­
ocupações da imprensa relativas à garantia de que a Bíblia é confiável.
Como podemos saber que ela não foi alterada pela Igreja Católica
(ou outros grupos) no decorrer dos anos, como alegam muitas vezes?

Oração de Encerramento

190
D o c u m e n to s N ã o -C ristã o s
a R e s p e ito d e Je s u s

sol estava se pondo, enquanto o vento fresco e seco soprava


sobre o Nilo. Os homens levavam consigo o seu precioso tesouro para
escondê-lo e protegê-lo para as futuras gerações. Chegaram, finalmen­
te, à margem oriental do rio onde os documentos estariam a salvo.
Rochedos se erguiam acima deles, e o pesado vaso que carregavam
continha 45 textos divididos em 13 livros de papiro (os códigos ou
códices), sendo que também havia sido incluída uma cópia da obra
R epública de Platão. Os livros haviam sido cuidadosamente acondicio­
nados num vaso, protegidos com um material envolvente e cobertos
com um cilindro. Vagarosamente, desceram o vaso até o fundo de uma
cova, cobriram-na com lodo e, sobre a cova foi colocada uma pedra
grande e arredondada. Constantino havia, recentemente, transformado
o cristianismo na religião mais importante do Império Romano. Agora,
os fundamentos do gnosticismo iriam ser preservados, a salvo de qual­
quer perseguição que porventura acontecesse pelo fato cle terem sido
considerados heréticos pelos líderes da Igreja cristã.
O “Evangelho de Tomé” estava entre os documentos descobertos
dentro de um vaso enterrado debaixo cle uma pedra, na base dos
rochedos da margem oriental do Rio Nilo, no Egito. Essa importante
descoberta foi feita em 1945. Embora esse documento trouxesse o
nome de “Evangelho”, ele não é canônico, nem mesmo consistente
E x a m in e as E v id ê n c ia s

com os ensinamentos bíblicos cio Novo Testamento. A sua importân­


cia se deve exclusivamente ao fato de ser uma das fontes não-bíblicas
que corroboraram com a existência e as palavras de Jesus.
Os estudiosos acreditam firmemente que o Evangelho de Tomé foi
escrito no início da metade do segundo século. A data geralmente
aceita é cerca de 140 d.C. Basicamente, supõe-se que seja uma antolo­
gia de 114 declarações desconhecidas de Jesus que, segundo afirma o
prólogo, foram coletadas e transmitidas por Tomé. Elas foram escritas
na língua copta usando um alfabeto grego expandido. Embora sua
origem seja herética, a relação abaixo1das semelhanças entre os Evan­
gelhos do Novo Testamento e o Evangelho de Tomé (GTh) ajuda a
confirm ara existência dos propagados ensinamentos de Jesus.
Evangelho Mateus M arcos Lucas
de Tom é
9 13.3-8 4.3-8 8.5-8
10 12.49
16 10.34-36 12.51-53
20 13-31,32 4.30-32 13.18,19
26 7.3-5 6 .4 1,42
34 15.14 6.39
35 12.29 3.27 11.21,2 2
41 25.29 19.26
45 7.16-20 6.43-46
46 11.11 7.28
54 5.3 6.20
64 22.3-9 14.16-24
65 21.33-39 12.10 20.17
73 9.37,38 10.2
86 8.20 9.58
89 11.39,40
93 7.6
94 7.7,8 11.9,10
100 12.13-17 20.22-25
103 24.43 12.39
107 18.12,13 15.3-7*
* Fonte: www.sacred-texts.com/chr/thomas.htm

192
D ocum entos N à o -C r is t â o s a R e s p e it o de J esu s

O Evangelho de Tomé contra­


O Evangelho de Tomé não
diz, claramente, os ensinamentos
bíblicos em áreas importantes. Ele é um Evangelho, nem é
não inclui nenhuma das palavras consistente com a doutrina
de Jesus relacionadas com a sal­ cristã. Entretanto, ele
vação ou a suprema revelação his­ acrescenta uma confirm a­
tórica da sua segunda vinda, as­
ção não-cristã da existên­
sim como a criação de “um novo
cia histórica de Jesus e das
céu e de uma nova terra” (para os
gnósticos, a salvação é alcançada suas famosas declarações.
através do conhecimento próprio).
Embora o Evangelho de Tomé tenha sido encontrado no Egito, ele
também foi encontrado na Síria e, nesse ponto, não temos certeza
sobre qual foi sua origem ou onde possa ter sido mais popular.
Embora esse Evangelho não tenha valor canônico ou teológico, e
tenha se originado de uma seita considerada herética, ele não deixa
de ter algum valor histórico por ser um documento comprobatório
escrito por aqueles que eram familiares aos ensinamentos de Jesus.
Ele tam bém confirm a m uitos, se não uma grande parte, dos
ensinamentos do Novo Testamento.

Referências a Jesus no Talmude Judaico


O Talmude babilónico consiste de 63 livros contendo critérios éti­
cos, espirituais, teológicos, rituais e históricos. Escrito e editado no
decorrer de muitos séculos, a parte que mais interessa em relação a
Jesus é a que foi escrita durante o período compreendido entre 70 a
200 d.C. por um grupo de estudiosos judeus (também chamado
Tanna). LTm texto particularmente importante é o Sanhedrin (ou
Sinédrio) 43a:

Na véspera da Páscoa eles penduraram Yeshu [Jesus —


uma das versões desse diz claram ente “Y eshu, o
Nazareno”]. E um arauto ia à frente dele durante quaren­
ta dias dizendo: “Ele vai ser apedrejado porque praticou
a feitiçaria, seduziu e desviou Israel. Qualquer um que

193
E x a m in e as E v id ê n c ia s

souber qualquer coisa a seu favor que venha e apele em


seu nome”. Mas, não tendo sido encontrado nada a seu
favor, eles o penduraram na véspera da Páscoa.2

Esta passagem é importante pelo fato de ter sido escrita por ju­
deus que não só negavam Jesus, como faziam, também, um ativo
proselitismo contra os cristãos. Há muito tempo os tribunais vêm
afirmando que o testemunho mais poderoso é o testemunho corro­
borado pelas declarações das testemunhas hostis (esse é o caso dos
judeus que testificaram a respeito de Jesus). O que pode ser deduzi­
do das palavras do Talmude é o seguinte:

1. Que Jesus existiu


2. Que Jesus foi crucificado (“pendurado”) na véspera da Páscoa
3. Que Ele fazia milagres (que os judeus interpretavam como fei­
tiçaria )
4. Que Ele havia desviado muitas pessoas do ensinamento legalista
dos judeus (com o está mencionado no Novo Testamento —
Mt 15.3-9)
5. Que os líderes judeus estavam tramando para matar Jesus

Em resumo, a evidência de Jesus, escrita no Talmude pelos pró­


prios judeus que o desprezavam, representa um sólido testemunho
da sua existência e dos seus atos. É bastante significativo o fato de
estar inteiramente de acordo com o relato de Jesus no Novo Testa­
mento, inclusive com as referências feitas aos milagres, à crucificação
e a outros detalhes.

..... ......- ........... -.— .. CONCEITO-CHAVE _ -----


Os fa t o s p rin c ip a is d a história, inclusive os m ilagres d e
fesu s, fo r a m co n firm a d o s n o T alm u de ju d a ic o — p e la s
p róp rias p essoas q u e ten taram im pedi-los.

194
D ocum entos N ão-C r is t ã o s a R e s p e it o de J esu s

Referências Feitas a Jesus por Josefo, um Historia­


dor Judeu
Flávio Josefo foi amplamente reconhecido como um dos maiores
historiadores do primeiro século.
Nascido em 37 d.C., pouquíssimos anos depois cla morte de Jesus,
ele passou sua juventude em Israel. Ao completar 20 anos foi envia­
do a Roma para negociar a libertação de vários sacerdotes mantidos
como reféns pelo Imperador Nero. Ao voltar para casa, a revolução
dos judeus já havia começado e ele foi convocado para comandar a
força revolucionária na Galiléia. Quando o general romano Vespasiano
capturou a cidade de Jotapata, o único que encontrou vivo foi Josefo,
pois todo o seu grupo de seguidores havia morrido. Obedecendo a
uma ordem de Josefo, eles haviam feito o pacto de se suicidar e, por
mais estranho que pareça, somente o seu chefe não havia tomado o
veneno mortal. Ele se proclamava um profeta. Por ter sido capaz de
bajular Vespasiano, levando-o a pensar que era o Messias menciona­
do pela Escritura, Josefo foi poupado da morte. Mais tarde, quando
Vespasiano se tornou imperador de Roma, Josefo passou a pertencer
à família real dos Flávios. Durante o restante da guerra, ele ajudou o
comandante romano Tito com seus conhecimentos da cultura judai­
ca. Entretanto, como Jerusalém o considerava um traidor, ele não
teve sorte na sua negociação com os revolucionários tornando-se,
antes, uma testemunha da destruição de Jerusalém e do Templo.
Josefo começou a escrever a história da guerra entre romanos e
judeus na década de 70 d.C. Aparentemente, seu livro era fiel aos
fatos, entretanto, ele também foi escrito para agradar os romanos e
advertir outras províncias sobre a loucura de se opor a Roma. Mais
tarde, ele escreveu uma obra volumosa sobre a história do povo
judeu (Jewish Antiquities) publicada em 93 ou 94 d.C.3
Foi assim que Josefo escreveu a respeito de Jesus na sua obra
Antiquities:

Ora, havia nessa época Jesus, um homem sábio, se for


lícito chamá-lo de homem, pois era alguém que fazia
maravilhas, um mestre de homens que recebem a verda-

195
E x a m in e as E v id ê n c ia s

cie com p razer. Ele trouxe muitos para junto de si, tanto
ju d e u s com o gentios. Ele era o Cristo. Quando Pilatos,
obedecendo à sugestão dos homens mais importantes
entre nós, condenou-o à cruz, aqueles que o amavam
primeiramente não se esqueceram clEle, p o is Ele lhes a p a ­
receu vivo n ov am en te n o terceiro dia, co m o os divinos
p r o fe ta s h a v ia m previsto sob re essas e d e z m il ou tras c o i­
sas m arav ilh osas a respeito clEle, e a tribo dos cristãos —
assim chamada por causa dEle — até hoje não se extin­
guiu (Antiquities 18.63,64):4

Esse texto é uma declaração


extrem am ente poderosa feita
Josefo é um dos historiadores Po r alguém que não era cristão,
mais conhecidos da antigui- dentro do Período das testemu-
, | . , . , nhas oculares. Embora exista
dade ludaica e ele comprovou , ,, . , ,
alguma duvida em relaçao a to-
muitas coisas sobre Jesus, ^ ,is suas palavrJS _ pois acre_
inclusive sua história, sua cru- dita-se que algumas delas foram
cificaçõo e seus milagres. acrescentadas depois (as pala­
vras em itálico estão sendo ques­
tionadas) — considerando ape­
nas as que foram aceitas pelos estudiosos como historicamente corre­
tas, descobriremos que elas confirmam a história de Jesus, dos seus
milagres e seguidores, e da sua crucificação por Pilatos.

Referências Feitas a Jesus pelo Historiador Tácito


Nascido 22 anos depois cia morte de Jesus, Cornélio Tácito foi um
eficaz cônsul substituto que, mais tarde, se tornou procônsul na Ásia
Menor. Pouco se sabe sobre sua vicia, a não ser que era amigo cio
cônsul romano, Plínio, o Moço. Tácito era conhecido por ser um
orador eloqüente e eficiente. Era inclinado a encorajar sua audiência
para manter um elevado padrão moral. Nas suas diversas posições de
governo, às vezes também era encarregado da política governamen­
tal e até cio exército.

196
D ocum entos N à o - C r is t à o s a R e s p e it o de J esu s

Ele se tornou famoso por causa das suas importantes obras histó­
ricas, escritas numa época cla qual muito pouco cie história sobrevi­
veu. Ele escreveu cinco H istórias, das quais apenas quatro sobrevive­
ram (e parte cia quinta). Essa obra cobre apenas a história do impera­
dor Galba (68-69 d.C.) e o início cio reinado de Vespasiano (70 d.C.).
Ele também escreveu um conjunto cle 12 volumes chamado Anais,
que vai do período histórico desde o reinado de Tibério (a partir de
uma data anterior ao ministério de Jesus) até o reinado de Cláudio e
o início do reinado de Nero (os últimos anos do ministério cle Paulo).
Escrevendo por volta do ano 115, Tácito afirma nos seus A n ais 15.44:

Mas nem todo alívio que recebesse dos homens, nem todas
as recompensas que um príncipe pudesse lhe conceder,
nem toda reparação que pudesse oferecer aos deuses seri­
am suficientes para libertar Nero da infâmia de ter sido
considerado aquele que teria ordenado a conflagração do
incêndio de Roma. Portanto, a fim de suprimir o boato, ele
falsamente acusou de culpados, e puniu, os cristãos que
eram odiados por causa das suas “perversidades”. Cristo, o
fundador desse nome, foi condenado à morte por Pôncio
Pilatos, procurador da Judéia no reinado de Tibério; mas a
perniciosa superstição, reprimida durante algum tempo,
rompeu novamente, não só através da Judéia, onde a de­
sordem havia começado, mas também através da cidade de
Roma, onde todas as coisas vergonhosas e horrendas, de
todas as partes do mundo, encontram o seu centro e se
tornam populares. Assim sendo, primeiramente foram pre­
sas todas as pessoas que se declararam culpadas; depois,
segundo sua informação, uma imensa multidão foi conde­
nada, não tanto pelo crime de incendiar a cidade, como
pelo seu [cle Nero?] ódio contra a humanidade.5

É muito significativo que Tácito, claramente um anticristão, consi­


derasse a existência de Jesus e dos seus muitos seguidores como se
fosse um assunto trivial. Além disso, ele menciona a crença dos cris­
tãos primitivos na ressurreição (a “nova superstição”) e também for­

197
E x a m in e as E v id ê n c ia s

nece um suporte nâo-bíblico a muitos outros detalhes dos textos do


Novo Testamento.

Referência Feita a Jesus pelo Historiador Plínio, o


Moço
Plínio, o Moço, começou a praticar a lei em 79 d.C., com a idade
de 18 anos. Ele rapidamente, adquiriu uma eminente reputação em
advocacia civil o que levou à demanda dos seus serviços nos tribu­
nais políticos que julgavam funcionários acusados de fazer extorsão.
As vitórias mais importantes que se destacam como indicação das
suas habilidades incluem a condenação de um governador na África
e também de um grupo de oficiais na Espanha.6
Plínio, o Moço, era também um ávido escritor. Ele publicou dez
livros importantes que continham uma série de cartas com um con­
teúdo muito variado. Muitas continham informações históricas sobre
seu relacionamento com as pessoas, como com o Imperador Trajano.
Outras ainda continham conselhos aos jovens, faziam inquéritos e
descreviam os diferentes cenários naturais.
Suas cartas registraram a primeira vez em que o governo romano
reconheceu o cristianismo como religião separada do judaísmo. Como
governador da Bitínia (na Ásia Menor), ele se encontrou preso a um
dilema. Os cristãos levados perante ele pareciam ser inofensivos, no
entanto se recusavam a adorar o imperador romano (a população de
Roma considerava os imperadores como deuses) e estavam prejudi­
cando o comércio local de ídolos por causa da denúncia que faziam
contra eles. Plínio, o Moço, decidiu mandar executar vários cristãos
que foram levados até ele se não renunciassem à sua fé. Sentindo-se
inseguro dos seus atos, ele escreveu ao amigo, o Imperador Trajano,
pedindo conselhos:

Senhor,
Tenho o hábito freqüente de entrar em contato consigo
para a solução de todas as minhas dúvidas: pois quem
poderia melhor orientar a minha demorada forma de pro­
ceder ou instruir a minha ignorância? Nunca estive pre-

198
D o cum entos N ão-C r is t ã o s a R e s p e it o de J esu s

sente ao interrogatório dos cristãos [pelos outros], portan­


to, não estou familiarizado com o que habitualmente é
inquirido e o que, e até onde eles costumam ser punidos;
nem são pequenas as minhas dúvidas quanto a haver uma
distinção entre as idades [dos acusados?] e se os muito
jovens deveriam receber o mesmo castigo que os homens
fortes? Se não haveria perdão para o arrependimento? Ou
se não seria vantajoso para aquele que havia sido cristão
se ele tivesse renunciado ao cristianismo? Se o simples
nome, sem quaisquer outros crimes, ou crimes que esti­
vessem ligados àquele nome, deveria ser punido?
Nesse ínterim, segui esse curso sobre aqueles que eram
trazidos perante mim como cristãos. Perguntei se eram
cristãos ou não. Se confessassem que eram cristãos, eu
perguntava novamente, e mais uma terceira vez, interca­
lando ameaças com as perguntas. Se perseverassem na
sua confissão, ordenava que fossem executados; eu não
tinha dúvidas, e, como a sua confissão era de alguma
forma enfática, a sua positividade e inflexível obstinação
mereciam ser punidas.
Houve alguns dessa seita louca, que, por serem cidadãos
romanos, tratei particularmente, e creio que poderiam
ser enviados a esta cidade. Depois de algum tempo, como
é habitual nesses tipos de exames, o crime se espalhou e
mais casos foram trazidos perante mim. Um libelo foi-
me enviado, embora sem nenhum autor, contendo mui­
tos nomes [de pessoas acusadas], No entanto, elas nega­
ram que fossem, ou tivessem sido cristãs. Elas invocaram
os deuses e suplicaram perante sua imagem (que eu ha­
via mandado trazer para esse propósito), com incenso e
vinho; também amaldiçoaram a Cristo e nenhuma dessas
coisas, segundo dizem, um cristão pode ser obrigado a
fazer. Portanto julguei mais adequado deixar que fossem
embora. Outras pessoas, que haviam sido mencionadas
nesse libelo, disseram que eram cristãs, mas que nega­

199
E x a m in e as E v id ê n c ia s

vam naquele momento, dizendo que haviam sido cristãs,


mas tinham deixado de ser há cerca de uns três anos,
talvez mais, e uma delas disse que havia sido um cristão
há mais de vinte anos. Todos adoraram a tua imagem e
as imagens dos nossos deuses; e também amaldiçoaram
a Cristo. Entretanto, me garantiram que sua maior culpa,
ou o seu erro havia sido este: de que haviam sido acos­
tumados a, num determinado dia, se encontrar antes do
amanhecer e a cantar um hino para Cristo, como para
um deus, alternadamente, e a se obrigarem a um sacra­
mento [ou promessa] de não fazer nada que fosse erra­
do, de não cometer nenhum roubo, ou furto, ou adulté­
rio, de que não iriam quebrar suas promessas, ou negar
o que havia sido depositado consigo quando fosse recla­
mado de volta novamente; depois disso, era costume
partir e se encontrar para uma refeição inocente e em
comum, que a tudo haviam abandonado obedecendo ao
édito que eu mandara publicar obedecendo a tua ordem
e, a partir do qual, passei a proibir tais reuniões religio­
sas secretas. Esses exames me fizeram acreditar que se­
ria necessário inquirir, através de tormentos, qual era a
verdade; e foi o que fiz com duas servas chamadas
diaconisas, mas nada mais descobri além de que eram
adeptas de uma superstição má e extravagante.
Depois disso, adiei quaisquer outros exames e recorri a
ti, pois esse assunto bem merece uma consulta, especial­
mente por causa do número daqueles que correm peri­
go, pois existem muitos de idades variadas e, portanto,
com a possibilidade de serem chamados para prestar
contas e ficar em perigo; pois esta superstição se espa­
lhou como se fosse por contágio, não só nas vilas e cida­
des, mas também no campo, mas ainda há razões para
esperar que seja interrompida ou corrigida. Para estar­
mos seguros, os templos que haviam sido quase esque­
cidos, já passaram a ser freqüentados e as solenidades

200
D ocum entos N â o - C r is t ã o s a R e s p e it o de J esu s

sagradas, que há muito haviam se tornado intermitentes,


começaram a reviver. Em toda parte os sacrifícios — para
os quais ultimamente apareciam poucos compradores —
começaram a ser vendidos. Portanto será fácil supor que
uma grande multidão cie homens poderá ser corrigida se
for admitida uma ocasião de arrependimento.7

Será muito interessante voltar no tempo e sentir, de fato, os aconte­


cimentos que tiveram lugar na época cia perseguição aos cristãos. Ve­
mos aqui o conteúdo de uma carta ao imperador que estava em Roma,
descrevendo o processo do julgamento e a pena capital àqueles que
proclamavam o cristianismo. Embora ciente de que havia muitos cris­
tãos que preferiam morrer a amaldiçoar Jesus, esta carta também des­
creve, em detalhes muito vivos, aqueles que realmente renegavam sua
fé para salvar a vida — em outras palavras, aqueles que “traíam” a
Cristo para adorar o Imperador Trajano. Podemos, em primeiro lugar,
imaginar o quanto deviam estar comprometidos com Cristo.
Essa carta também descreve a força da crença na ressurreição (a
“má” superstição era, provavelmente, uma referência à ressurreição).
De acordo com essa carta, os crentes em Jesus formavam um grande
grupo de pessoas — jovens, velhos, homens, mulheres, e cie todas as
classes sociais. E faz referências sobre como eles estavam se espa­
lhando através daquela região.

Referências a Jesus Feitas pelo Historiador Suetônio


Caio Suetônio Tranqüilo era secretário particular do Imperador
Adriano. Sabemos que Adriano estava muito preocupado com a pro­
pagação do cristianismo. Estava tão preocupado que mandou cobrir
os lugares sagrados da crucificação e da ressurreição com estátuas
pagãs numa tentativa de “ajudar” os cristãos a se esquecer delas.
Obviamente, Adriano e Suetônio tiveram uma discussão sobre Jesus
e os cristãos.
Suetônio foi um historiador que viveu no período de 69 a 140 d.C.
Além do seu relacionamento com Adriano, pouco se sabe sobre sua
vida. Ele realmente escreveu muitos livros históricos da antiguidade

201
E x a m in e as E v id ê n c ia s

que ainda temos atualmente, inclusive a obra D e vila C aesarum ( “Acer­


ca cia vida dos Césares”, traduzida para o inglês em 1957 por Robert
Graves com o nome de Tloe Twelve C aesars) e a grande coleção de
biografias De viris illustribus ( “A respeito dos homens ilustres”).
As palavras que Suetônio escreveu sobre Jesus Cristo e os cristãos
foram as seguintes:

Como os judeus de Roma provocavam constantes distúr­


bios, sob a instigação de Chrestus ( Cristo ), ele (Cláudio)
os expulsou da cidade (de Roma) ( Life o f th e Em pe ror
C laudius, capítulo 25— excerto. )s
Durante o seu reinado, muitos abusos foram severamen­
te castigados e suprimidos, e muitas leis novas foram
feitas; foi estabelecido um limite para os gastos públicos,
os banquetes foram limitados a uma distribuição de ali­
mento, foi proibida a venda de quaisquer carnes cozidas
nas tavernas, com exceção dos grãos e dos vegetais, en­
quanto toda sorte de iguarias era exposta à venda. Casti­
gos eram impostos aos cristãos, uma classe de homens
dedicada a novas e perniciosas superstições. Ele termi­
nou com as diversões dos condutores das bigas que, por
causa da sua antiga posição, reclamavam o direito de
vaguear livremente e de se divertir tapeando e roubando
o povo. Os atores de pantomima e seus partidários tam­
bém foram banidos da cidade ( Life o f t h e E m peror Nero,
capítulo 16— excerto).9

Suetônio reafirma a autenticidade da crença na ressurreição cha­


mando-a, assim com outros historiadores da antiguidade que não
eram crentes, de “superstição”.

Referências a Jesus Feitas pelo Historiador Phlegon


Orígenes, um dos primeiros patriarcas da Igreja, estava procuran­
do antigos escritos feitos por historiadores nào-cristàos a respeito dos
acontecimentos da crucificação e da ressurreição. Ele ficou sabendo

202
D ocum entos N à o -C r is t à o s a R e s p e it o de J e su s

da obra de Phlegon, que escreveu sobre os eventos do terremoto e


do escurecimento do céu no momento cla crucificação.
Phlegon justificava que o céu havia escurecido no momento da
crucificação por causa de um eclipse, o que foi refutado por Orígenes.
Sabemos, ironicamente, que um eclipse solar teria sido impossível de
ocorrer na Páscoa (a data da crucificação de Jesus) porque isso só
acontece no período da lua cheia. Seria cientificamente impossível a
ocorrência de um eclipse solar porque, nesse caso, a lua estaria no
lado errado cla terra.
Orígenes (184-254 d.C.) faz referência a duas obras de Phlegon:
1 ) Crônicas e 2) Olimpíadas. Infelizmente, os dois originais foram
perdidos e somente restam referências feitas a elas por Orígenes. As
citações, nas quais ele trata do errôneo eclipse solar no momento da
crucificação, são as seguintes:

E, em relação ao eclipse na época de Tibério César, em


cujo reinado parece que Jesus foi crucificado, e o grande
terremoto que então teve lugar... (Orígenes contra Celsns)w
Phlegon mencionou o eclipse que teve lugar durante a
crucificação do Senhor Jesus e nenhum outro; é claro
que não sabia, a partir das suas fontes, a respeito de
nenhum outro eclipse (semelhante) nos anos anteriores
e isso pode ser visto através do relato histórico de Tibério
César ( Origen and Philopon, De. Opif. Mund., 1121).11

Phlegon também se referiu à profecia de Jesus e indicou que as


profecias se realizaram:

Agora sobre Phlegon, no décimo terceiro ou quarto li­


vro, acho que suas Crônicas não só atribuem a Jesus o
conhecimento de eventos futuros, como também teste­
munharam o resultado correspondente às suas previsões
( Orígenes contra Celsits).'z

Os escritos extra-bíblicos cle Phlegon contribuem em favor de


eventos com o foram descritos na Bíblia. Embora não fosse cristão,

203
E x a m in e as E v id ê n c ia s

ele não negou esses eventos e até apoiou a precisão cia profecia
de Jesus.

Referências a Jesus Feitas p or Luciano de


Samósata
O escritor satírico Luciano tinha paixão pela verdade histórica.
Essa paixão foi registrada em alguns dos seus escritos:

A história renega a intrusão do menor escrúpulo de falsida­


de, ela se assemelha à traquéia que, segundo os médicos
nos dizem, não tolera um fragmento de comida desviada.1'
A única obrigação do historiador é contar as coisas como
elas aconteceram.14
[O historiador] não deve oferecer sacrifícios a nenhum
Deus, mas à Verdade; ele deve negligenciar toclo o resto,
sua única lei e seu infalível guia é esse — não pensar
naqueles que o estão ouvindo agora, mas naqueles que
ainda não nasceram e que irão consultar suas palavras.IS

Essa convicção sobre a história e a verdade é bastante importante


quando consideramos seus escritos a respeito de Jesus (sabendo es­
pecialmente que ele é um escritor satírico que estaria inclinado a
realçar o lado engraçado das coisas).
Luciano nasceu em Samósata e viveu de 125 a 180 d.C. Era filho
de um escultor, mas rapidamente decidiu que nâo seguiria a mesma
carreira do pai e preferiu, ao contrário, a carreira da retórica e da
oratória pública em lugares como a Jônia, Grécia, Itália e até a Gália.
Seus discursos eram simplesmente destinados a divertir e nâo preten­
diam estabelecer nenhuma verdade moral ou filosofar. Entretanto,
ele amava a precisão histórica e a verdade, como podemos ver nas
citações anteriores. Ele escreveu:

Os cristãos... até hoje adoram um homem, um distinto


personagem que lhes deu novos ritos e por isso foi cru­
cificado... Foi gravado neles, pelo seu legislador original,
que eram todos irmãos, a partir do momento em que se

204
D ocum entos N â o -C r is t â o s a R e s p e it o de J esu s

convertiam, e que deviam negar os deuses da Grécia e


adorar a sabedoria do crucificado e viver de acordo com
as suas leis.16

Embora Luciano tenha zombado dos cristãos ao fazer esta declara­


ção, vários pontos são dignos cle nota: D que Jesus é mencionado
como homem, 2) que os “novos ritos” foram anotados, 3) que ele foi
crucificado, 4) que ele era muito conceituado pelos seus seguidores,
5) que os seguidores se con verteram cios deu ses da Grécia para 6)
a d o r a r a “sa b e d o r ia

Referências a Jesus Feitas pelo Im perador Adriano


Adriano, imperador de Roma de 117 a 138, sofreu um forte impac­
to do mundo judeu e cristão. Numa tentativa cle apagar nos cristãos
quaisquer lembranças dos locais sagrados cle Jesus, ele construiu um
templo pagão sobre o lugar da crucificação, colocou estátuas de Vênus
no lugar da cruz e de Júpiter no local da ressurreição.17 Longe de
fazer os cristãos se esquecerem desses lugares, eles serviram apenas
como referências permitindo que, mais tarde, fossem reverenciados
como lugares sagrados.
Esses atos abomináveis de Adriano de proibir vários costumes
judeus, construir monumentos pagãos, e cobrar impostos dos judeus
e dos cristãos em nome dos deuses pagãos, levaram a uma revolta
dos judeus que foi suprimida em 132. Terminada a revolta, os judeus
foram proibidos de voltar à cidade de Jerusalém — e a maioria dos
cristãos dessa região era formada por ex-judeus.
Parece que, durante a perseguição, Adriano foi mais tolerante com
os cristãos que os outros líderes romanos e, numa carta escrita ao
procônsul da Ásia em 124, ele adverte contra as falsas acusações:

Portanto, não desejo que esse assunto seja ignorado


sem antes ser examinado para que esses homens não
sejam molestados, nem desejo que seja oferecida aos
informantes a oportunidade de procedimentos mal in­
tencionados. Portanto, se os encarregados regionais
puderem claramente provar suas acusações contra os

205
E x a m in e as E v id ê n c ia s

cristãos, de forma a levá-los a responder perante os


tribunais, que eles continuem apenas com esse curso
de ação, não por simples petições ou meras acusações
contra os cristãos. Portanto será mais conveniente, se
alguém apresentar uma acusação, que ela seja exami­
nada por você.

Além disso, Adriano explicou que se os cristãos fossem conside­


rados culpados eles deveriam ser julgados “de acordo com o horror
do seu crime”. Se os acusadores estiverem apenas caluniando os
crentes, então aqueles que erradamente fizeram as acusações deve­
rão ser punidos.18
Entretanto, para não sermos enganados, estas delicadezas não se
aplicam durante os massacres organizados. Também, como nas ou­
tras ocasiões, os cristãos serão convocados a adorar os deuses roma­
nos (especialmente Júpiter) e se recusarem a renunciar à sua fé e
curvar-se perante os deuses romanos isso resultará na sua execução.
As políticas de Adriano (mesmo na tentativa de obliterar os luga­
res sagrados) e os seus escritos oferecem uma prova contemporânea,
com algumas testemunhas oculares de Jesus, da rápida propagação
do cristianismo e da sólida crença na ressurreição.

Avalie o que Você Aprendeu


1. Por que os escritos dos não-cristâos são tão importantes?
2. Algumas pessoas afirmam que o Evangelho de Tomé é um legí­
timo Evangelho bíblico. O que você poderia dizer a elas? Mas
de qualquer forma, por que se trata de um importante docu­
mento histórico?
3. O que os líderes judeus registraram nos seus sagrados docu­
mentos antigos sobre Jesus?
4. Quem foijosefo? O que ele disse sobre Jesus?
5. Cite pelo menos o nome de três outros autores não-cristâos que
escreveram sobre Jesus.

206
D o c i:.\ ii:\ to s N â o - C k i s t v o s a Ri sim i j c > ni: ] 1 si s

Capítulo 12 — Grupo dc Estudo

Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: O capítulo 12 deste texto.

Oração de Abertura
Discussão: Alguns escritores não-cristãos confirmaram importantes
fatos históricos, como a crucificação de Jesus. Mas outros falaram sobre
eventos difíceis cle acreditar como os milagres e a “superstição”, isto é,
a ressurreição. Discuta ambos, com ênfase no segundo ponto.

Atividade Prática
A credibilidade cia Bíblia é uma questão a ser discutida com o
“não- crente”. O “crente” deverá usar aquilo que aprendeu, inclusive
alguma autoria milagrosa e consistente para ajudar a resolver essa
questão.

Oração de Encerramento
Os Primeiros Patriarcas (ou Pais)
da Igreja Confirmam a Bíblia

âo levou muito tempo para a Igreja Primitiva se empenhar em


registrar a história de Jesus. No entanto, em aproximadamente 64
d.C., a perseguição havia atingido o auge, apenas 30 anos depois da
morte de Cristo. Mas a Igreja cristã explodia e parecia estar fora do
controle daqueles que desejavam suprimi-la. Por ocasião do fim do
primeiro século, todos os Evangelhos, o livro dos Atos, as cartas e o
livro de Apocalipse — todos os livros que formam o Novo Testamen­
to — haviam sido completados.
Além de escrever o Novo Testamento pouco depois da morte de
Jesus, os líderes da Igreja do primeiro século (e do início do segun­
do) conservaram grandes seções na sua memória. Essa memorização
ajudou a proteger contra os erros, pois qualquer um que desejasse
distorcer a mensagem do Evangelho teria também que enfrentar a
memória dos líderes da Igreja.
Os primeiros patriarcas (ou pais) da Igreja também incluíram, em
grande escala, versículos e outras seções do Novo Testamento em
outros escritos e ensinamentos.
Tão extensos eram esse reconhecimento e as referências ao Novo
Testamento que os estudiosos, ao fazerem sua análise, declararam
que se todas as cópias do Novo Testamento fossem destruídas ele
poderia ser reconstruído exclusivamente a partir das referências ex­
E x a m in e as E v id ê n c ia s

ternas feitas pelos outros. O grande número de citações dos primei­


ros líderes da Igreja está resumido abaixo:1

Citações do Novo Testamento Feitas pelos


Prim eiros Líderes da Igreja
Autor Datas Evangelhos/Atos Cartas Apocalipse Total
Justino 100-165 278 49 3 330
Mártir
Irineu 120-202 1232 522 65 1819
Clemente
de Ale­
xandria 150-216 1061 1334 11 2406
Orígenes 185-253 9580 8177 165 17.922
Tertuliano 155-220 4324 2729 205 7258
Flipólito 170-236 776 414 188 1378
Eusébio 260-340 3469 1680 27 5176
Total 2 0 .7 2 0 14 .9 0 5 664 3 6 .2 8 9

Além dessa relação, o conhecido mártir Inácio (30-107), nas suas


sete epístolas, fez citações do livro de Mateus, João, Atos, Romanos, 1
Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicen-
ses, 1 e 2 Timóteo, Tiago e 1 Pedro. Inácio conheceu pessoalmente
alguns dos apóstolos e teve todas as oportunidades para verificar a
exatidão da vida de Jesus por meio das próprias testemunhas oculares.

Os Credos da Igreja Primitiva


Priscila fitou o sacerdote com lágrimas nos olhos quando ele fez
as perguntas mais importantes da sua vida: “Você acredita em Deus
Pai Todo Poderoso, em Jesus Cristo, Filho de Deus, que nasceu do
Espírito Santo e da virgem Maria... você crê no Espírito Santo, na
santa Igreja e na ressurreição do corpo?” Seu esposo e seus dois
filhos pequenos observavam com um sorriso de aprovação.
“Sim, acredito” ela disse, com a voz cheia de emoção. Com isso,
Priscila foi mergulhada na água e depois ungida com óleo. “Faço isso

210
O s P r im e ir o s P a t r ia r c a s ( o u P a is ) da I g r e ja C o n f ir m a m a B íb l ia

como sinal do seu batismo com o Espírito Santo” continuou o sacer­


dote. Cheia da alegria, Priscila começou a chorar e abraçou fortemen­
te o esposo enquanto pensava no seu novo relacionamento com o
Senhor Jesus Cristo.
Somente 180 anos haviam se passado desde que Jesus caminhara
sobre a face da terra.
Como líder da primitiva Igreja, Hipólito escreveu sobre batismos
no início do ano 200. As palavras que escolheu como declaração de
lé eram fundamentais para aquilo que o próprio Jesus considerava
como básicas para a religião cristã. Nós podemos ter certeza disso
porque aqueles que registraram tais declarações estavam apenas há
poucas gerações de Jesus. A doutrina foi discutida por líderes cris­
tãos, tais como Inácio e Clemente de Roma (95 cl.C.) que haviam tido
contato com os próprios apóstolos. Em seguida, Inácio e Clemente
transmitiram a doutrina a outros lideres primitivos, inclusive Policarpo
(70-156), Justino Mártir (cerca de 100 a 165), Irineu (120-202), Tertuliano
(155-220) e Hipólito (170-236).
Houve uma ininterrupta continuidade entre os ensinamentos de
Jesus e dos apóstolos e as definidas declarações de fé da Igreja cristã
(veja a página 515).
Acredita-se que o Credo dos Apóstolos, isto é, a declaração funda­
mental de fé usada ativamente por muitas denominações atuais, tem
suas raízes no “Credo Interrogatório de Hipólito” (aproximadamente
no ano 215).2 Ele é especialmente importante porque afirma:

• A “unidade” cie Jesus com Deus, o Criador do universo


• O nascimento virginal de Jesus
• A ressurreição do corpo de Jesus
• A natureza trina de Deus (Pai, Filho e Espírito Santo)
• O perdão do pecado
O Credo dos Apóstolos tinha a finalidade específica de combater
o gnosticismo — a crença herética que se opunha aos reinos espiritu­
ais do bem e clo mal, com o mundo material alinhado com o mal. O
gnosticismo tinha origem filosófica e rejeitava a redenção e a ressur­
reição do corpo de Jesus.

211
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Credo dos Apóstolos


Creio em Deus, Pai Todo-Poderoso,
Criador do céu e da terra,
E em Jesus cristo, seu único Filho, nosso Senhor;
Que foi concebido do Espírito Santo,
Nasceu cla virgem Maria,
Sofreu sob Pôncio Pilatos,
Foi crucificado, morto e sepultado.
No terceiro dia ressurgiu dos mortos,
Subiu ao céu
Onde está sentado à mão direita de Deus Poderoso
De onde virá para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo, na santa Igreja,
Na comunhão dos santos
Na remissão dos pecados
Na ressurreição do corpo
Na vida eterna. Amém.

Um outro credo muito importante da antiguidade foi o Credo de


Nicéia, adotado aproximadamente no ano 325 (mais tarde revisto
pelo Primeiro Conselho de Constantinopla, 381). Este credo foi de­
senvolvido no Primeiro Concílio de Nicéia, reunido pelo Imperador
Constantino de Roma. A finalidade desse credo era se opor à heresia
do arianismo que rejeitava a divindade de Jesus.

Credo de Nicéia
Cremos num único Deus,
Pai,
Todo-Poderoso
Criador do céu e da terra,
E de tudo que é visível e invisível.

Cremos num único Senhor, Jesus Cristo,


Unigénito Filho de Deus,
Gerado eternamente do Pai,

212
O s P r im e ir o s P a t r ia r c a s ( o u P a is ) da I g r k ja C o n f ir m a m a B íb l ia

Deus de Deus, Luz da Luz,


Verdadeiro Deus nascido do verdadeiro Deus,
Gerado, mas não feito,
Um único ser com o Pai.
Através dEle todas as coisas foram feitas.
Para nós e para a nossa salvação
Ele desceu do céu;
Pelo poder do Espírito Santo
Poi encarnado através da virgem Maria,
E fez-se homem.
Por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
Morreu e foi sepultado.
No terceiro dia ressuscitou novamente
Segundo as Escrituras;
Subiu ao céu
E está assentado à mão direita do Pai.
Voltará novamente em glória para julgar os vivos e os mortos,
E seu reino não terá fim.
Cremos no Espírito Santo, no Senhor criador da vida,
Que procede do Pai e do Filho.
Com o Pai e o Filho Ele é adorado e glorificado.
Ele falou através dos profetas.
Cremos numa única Igreja universal e apostólica.
Reconhecemos o batismo para o perdão dos pecados.
Aguardamos a ressurreição dos mortos
E a vida do mundo que virá. Amém.

O Cânon da Bíblia
A palavra “Cânon” significa simplesmente “padronizado”. De
acordo com o entendimento bíblico, ele tem a especial importân­
cia de sugerir que a Escritura vem de Deus, ou foi “inspirada por
Deus”. Existem evidências substanciais, a partir de escritos históri­
cos, indicando que o cânon do Antigo Testamento foi essencial­
mente “fechado” (determ inado) antes do ano 167 a.C. Jesus fazia
freqüentes referências às Escrituras como se fossem uma coleção

213
E x a m in e as E v id ê n c ia s

pré-ordenacla de palavras cie Deus. Nunca foi sugerida nenhuma


possibilidade de variação.
Três seções da Bíblia foram canonizadas em diferentes épocas
do tempo: a Torá, ou os primeiros cinco livros do Bíblia; o T anakh,
ou o Antigo Testamento, e o remanescente da Bíblia, isto é, o Novo
Testamento.

O Cânon da Torá

Os primeiros cinco livros — a Torá — foram imediatamente con­


siderados como a Sagrada Escritura (“inspirada por Deus”) e com
boas razões:
1. Deus ordenou a Moisés que escrevesse suas leis em grandes
rochas e nos papiros para as futuras gerações.

Será, pois, que, no dia em que passares o Jordão...


levantar-te-ás umas pedras grandes e ... escreverás
nelas todas as palavras desta lei, para entrares na
terra que te cler o Senhor, teu Deus, terra que mana
leite e mel, como te disse o Senhor, Deus de teus
pais (Di 27.2,3).

E, nestas pedras, escreverás todas as palavras desta


lei, exprimindo-as bem (Dt 27.8).

2. A presença de Deus era facilmente observada através da sua


glória. Encontramos a glória de Deus quase diariamente quan­
do uma “coluna de nuvem” de dia e uma “coluna de fogo” de
noite guiava os hebreus através do deserto (Êx 13.21). Da mes­
ma maneira, a glória de Deus era vista sobre o Tabernáculo
(40.34,35) e o monte Sinai.

E, subindo Moisés o monte, a nuvem cobriu o monte.


E habitava a glória do Senhor sobre o monte Sinai, e
a nuvem o cobriu por seis dias; e, ao sétimo dia, cha­
mou o Senhor a Moisés cio meio da nuvem. E o as­

214
O s P r i m e ir o s P a t r i a r c a s ( o u P a i s ) d a I g r e j a C o n fir m a m a I5iiima

pecto da glória do Senhor era como um fogo consu­


midor no cume do monte aos olhos dos filhos de
Israel (Êx 24.15-17).

3. A inspiração divina foi vista no próprio Moisés. Depois de


falar com Deus para receber a lei, ele voltou com um “res­
plendor” no rosto — indicando sua interação com Deus. A
princípio, isso assustou o povo. Moisés até cobriu o rosto
com um véu para se dirigir ao povo, até a próxima vez em
que veria a Deus.

Assim, acabou Moisés de falar com eles e tinha posto


um véu sobre o seu rosto. Porém, entrando Moisés
perante o Senhor, para falar com ele, tirava o véu até
que saía; e, saindo, falava com os filhos de Israel o que
lhe era ordenado. Assim, pois, viam os filhos de Israel
o rosto de Moisés e que resplandecia a pele do rosto
de Moisés; e tornava Moisés a pôr o véu sobre o seu
rosto, até que entrava para falar com ele (Êx 34.33-35).

4. A presença de Deus se fazia aparente por meio de grandes e


visíveis milagres. Coisas como a divisão do mar Vermelho, a
provisão diária de maná e a derrota dos amalequitas (Êx 17.8-
14) eram óbvias indicações de uma direta interação divina.
Embora não houvesse necessidade de comprovar a Sagrada Escri­
tura da Torá, o exílio dos judeus na Babilônia (586 a.C.) criou alguma
preocupação concernente ao fato de os registros escritos de Moisés
serem canonizados “oficialmente”. Portanto, pouco depois da época
da volta dos judeus a Israel (cerca do ano 500 a.C.) a Torá foi oficial­
mente canonizada.
Jesus apoiou diretamente as palavras da Torá, e isso está indica< lo
pelas suas freqüentes citações. Ele se referiu sete vezes à Torá como
sendo a Palavra de Deus (Mt 4.4,7,10; 19.18,19; 22.32,37-39) e dezesseis
vezes ele se referiu a eventos que foram ali registrados (Ml 8.4; 10.15;
11.23; 17.3; 23-35; 24.37; Lc 16.29,31; 17.28,32; 20.37; 21.27; Jo 3.14;
6.31; 8.17, 56).

215
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Jesus também confirmou todos os acontecimentos mais importan­


tes da primeira metade de Gênesis, que compreendem os fatos histó­
ricos mais controversos da crítica bíblica. No entanto, eles foram con­
firmados historicamente por Jesus.

O Cânon do Antigo Testamento


Quando o Antigo Testamento (ou T an akb como dizem os judeus)
foi registrado, ele havia sido levado a vários testes de inspiração divina.
O teste mais importante para comprovar que era uma palavra vinda de
Deus foi o teste das profecias 100% perfeitas. A profecia foi designada
como “teste” pelo próprio Deus através de Moisés, na Torá. Podemos
observar alguma coisa por detrás disso quando os israelitas estavam
pedindo para não ouvir mais a voz de Deus, ou para não ver o seu
“grande fogo”, ou certamente iriam morrer (Dt 18.16). Por meio de
Moisés, Deus indicou que os futuros profetas iriam ser assim conside­
rados se fossem testados através cle profecias 100% perfeitas (V 22):

Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os


prognosticadores e os adivinhadores; porém a li o Se­
nhor, teu Deus, não permitiu tal coisa. O Senhor, teu
Deus, te despertará um profeta cio meio de ti, de teus
irmãos, como eu; a ele ouvireis; conforme tudo o que
pediste ao Senhor, teu Deus, em Horebe, no dia da con­
gregação, dizendo: Não ouvirei mais a voz do Senhor,
meu Deus, nem mais verei este grande fogo, para que
não morra. Então, o Senhor me disse: Bem falaram na­
quilo que disseram. Eis que lhes suscitarei um profeta do
meio cle seus irmãos, como tu, e porei as minhas pala­
vras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe
ordenar. E será que qualquer que não ouvir as minhas
palavras, que ele falar em meu nome, eu o requererei
dele. Porém o profeta que presumir soberbamente de
falar alguma palavra em meu nome, que eu lhe não te­
nho mandado falar, ou o que falar em nome de outros
deuses, o tal profeta morrerá. E se disseres no teu cora­

216
O s P r im e ir o s P a t r ia r c a s ( o u P a is ) da I g r e ia C o n f ir m a m a B íb l ia

ção: Como conheceremos a palavra que o Senhor não


falou? Quando o tal profeta falar em nome do Senhor, e
tal palavra se não cumprir, nem suceder assim, esta é
palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou o
tal profeta; não tenhas temor dele (Dt 18.14-22).

Depois, Deus define sua supremacia e a importância da profecia


por meio do profeta [saías:

Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade:


que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro
semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio
e, desde a antiguidade, as coisas que aincia não sucede­
ram (Is 46.9,10).

Deus deixa bem claro que Ele é único ( “Não existe outro" e “não
há outro semelhante a mim”) e, além disso, que ninguém mais anun­
cia “o fim desde o princípio”. Conseqüentemente, o Antigo Testa­
mento está repleto de profecias em todos os seus livros. Como era de
se esperar, profecias de curto prazo (realizadas dentro do mesmo
período de tempo e no mesmo livro em que foi registrada) represen­
tavam uma importante ferramenta para descobrir se alguém era um
profeta digno de ser incluído na Sagrada Escritura. A Parte 3 faz uma
revisão detalhada da importante questão da profecia bíblica. Além
das profecias de longo prazo encontradas na Parte 3, outras também
podem ser encontradas no Apêndice C.
Portanto, os livros da Escritura do Antigo Testamento eram, em
geral, determinados ao usar a profecia como teste principal, logo
depois de serem escritas (usando as profecias de curto prazo feitas
pelo autor como forma de comprovação). No entanto, foi somente
depois do ano 167 a.C. (ano em que o governante selêucicla Antíoco
Epífanes IV sacrificou um porco no altar do Templo, desencadeando
a revolta dos judeus pelos macabeus — com o H cm ttkkab represen­
tando o fim da revolta exatamente um ano depois) que os israelitas
chegaram a um consenso em relação aos livros e à integralidade do
Antigo Testamento.

217
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Como mencionamos anteriormente nesta parte, Jesus confirmou o


Antigo Testamento por ser a Bíblia oficial (a Septuaginta) usada du­
rante o seu tempo na terra.
Embora o cânon do Antigo Testamento ainda não tivesse sido
reconhecido oficialmente no ano 167 a.C., isso só aconteceu depois
que os judeus enfrentaram o segundo exílio no ano 70.

O Cânon do Novo Testam ento


Cerca do ano 200, a Igreja cristã já havia afirmado um cânon
(uma coletânea de livros aceitos) para toda a Bíblia. Os primeiros
patriarcas cia Igreja, Irineu (aproxim adam ente no ano 130) e
Orígenes (aproximadamente no ano 180) haviam relacionado to­
dos os 27 livros do Novo Testamento (embora alguns tivessem
sido relacionados com o suspeitos: 6 por Irineu e 5 por Orígenes).'1
Entretanto, uma confirm ação final do cânon só ocorreu com o
Concílio de Cartago em 397.
Como dissemos anteriormente, Jesus realmente pré-confirmou o
Novo Testamento quando indicou que ele iria existir depois da sua
ressurreição (veja as páginas 177,178). Ele o autorizou, profetizou e
confirmou enquanto estava sendo pregado.
É significativo que o cânon tenha siclo submetido a um escrutí­
nio logo depois da época em que os livros do Novo Testamento
foram escritos, assim perm anecendo durante muitos anos antes da
sua aprovação final. Dessa maneira, os críticos dos livros cio Novo
Testamento tiveram bastante lempo para exprimir suas possíveis
preocupações, além de um conhecim ento mais próximo para fa­
zer a sua revisão.
Também é significativo que cada cânon da Bíblia — a Torá, o
T a n a k b e o Novo Testamento — tenha recebido uma aceitação ge­
ral 200 anos ou mais antes de ser oficializado, leria havido tempo
suficiente para qualquer reclamação quanto a sua autenticidade fei­
ta por aqueles que ainda estavam próximos cia época em que foram
escritos.

218
Os P r im e ir o s P a t r ia r c a s ( o u P a is ) da I g r e ja C o n f ir m a m a B íb l ia

Avalie o que Você Aprendeu


1. Por que é tão importante haver uma cadeia contínua de docu­
mentos desde os apóstolos, através dos primeiros patriarcas da
Igreja e até os nossos dias?
2. Se perdêssemos todas as cópias do Novo Testamento o que as
citações dos patriarcas da Igreja poderiam fazer por nós?
3. C) que é gnosticismo? Qual credo foi estabelecido para relutá-lo?
4. Qual foi o propósito do Credo de Nicéia? Quem convocou o
Concílio?
5. Relacione seis cânones (oficiais e não oficiais) e aproximada­
mente quando foram estabelecidos.

Capítulo 13 — Grupo de Estudo

P rep aração p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: o capítulo 13 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Discuta a continuidade da comunicação dos apóstolos
através dos primeiros patriarcas cla Igreja até os muitos documentos
do Novo Testamento (veja as páginas 210 e 211). Por que essa contí­
nua cadeia dos apóstolos é importante para demonstrar a confiabilidade
da Bíblia?

Atividade Prática
Entrevista d e TV. O “porta voz da TV” entrevista o cristão sobre os
primeiros patriarcas cla Igreja e o seu papel no desenvolvimento do
Novo Testamento. Discuta como podemos saber que ele não mudou
desde essa época e como esses líderes realmente ajudaram a garantir
a sua confiabilidade.

O ração de E n cerram en to

219
14
Evidências Arqueológicas
do Antigo Testamento

erguntam, muitas vezes: “Será que a Bíblia pode ser comprovada


pela arqueologia?” E a resposta, claro, é não. Geralmente, a arqueolo­
gia não pocle provar os detalhes dos acontecimentos e, em especial,
não pode provar o que havia na mente das pessoas que viviam em
determinada época (por exemplo, não pode provar os seus motivos).
Mas, pode su gerir algumas coisas, inclusive esses motivos.
O que a arqueologia também pode fazer, entretanto, é comprovar
a existência de certas coisas como cidades, culturas, etc. Por exem­
plo, pode comprovar a existência do Templo — exatamente como foi
descrito na Bíblia. Os eventos também podem ser seguramente suge­
ridos e, em alguns casos (especialmente onde existem inscrições) até
confirmados. Dessa forma, muitas coisas que são discutidas na Bíblia
podem ser verificadas por meio da arqueologia, ou solidamente con­
firmadas ou desmentidas. Até essa data, a arqueologia tem servido
como um forte apoio à Bíblia, muito mais do que as pessoas poderi­
am originalmente esperar.
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Nota: As informações contidas nos capítulos 15 e 16 foram obti­


das de uma ou mais cias seguintes fontes (na maioria dos casos,
múltiplas fontes tratam das mesmas descobertas):

• Finegan, Jack. The A rcheology o f the New Testament: The Life


o f Je s u s a n d th e B eg in n in g o f the Early C hurch, rev. ed.
Princeton, NJ: Princeton University Press, 1992.

• Free, Joseph P., and Howard F. Vos. A rchaeology a n d B ible


History. Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1992.

• McDowell, Josh. E viden ce That D em an d s a V erdict— Volu­


m es I a n d II. Nashville, TN: Thomas Nelson, Inc., 1993.

• . The New E vidence That D em an ds a Verdict. Nashville,


TN: Thomas Nelson Publishers, 1999.

• McDowell, Josh, and Bill Wilson. A R ead y D efen se. San


Bernardino, CA: Here’s Life Publishers, Inc.. 1990.

• M cRay, Jo h n . A rchaeology a n d the New Testament. G rand


Rapids, MI: B a k e r B o o k H o u se, 1991.

• Millard, Alan. Illustrated Wonders a n d D iscoveries o f the Bible.


Nashville, TN: Thomas Nelson, Inc., 1997.

• Packer, J. I., Merrill C. Tenney, and William White Jr. Illustrated


Encyclopedia, o f B ible Facts. Nashville, TN: Thomas Nelson,
Inc., 1980.

• Pritchard, James B. The H arper A tlas o f the Bible. New York:


Harper & Row, 1987.

• Unger, Merrill F. The New Unger 's B ib le H an d book. Chicago:


Moody Press, 1984.

• Youngblood, Ronald F. New Illu strated B ib le D ictionary.


Nashville, TN: Nelson, 1995.

222
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T esta m en to

O que É Arqueologia?
É natural as pessoas pensarem que a arqueologia é uma “ciência
antiga”. Afinal de contas, ela se dedica a coisas antigas. A maioria das
pessoas fica admirada ao saber que a arqueologia, sendo ou não uma
verdadeira “ciência”, é uma coisa relativamente nova. (Alguns defi­
nem como ciê n c ia exclusivamente aquela disciplina que usa méto­
dos científicos. Outras, inclusive as definições do dicionário Webster,
ampliam a palavra ciên cia para incluir qualquer método sistemático
de estudo).
A arqueologia é o estudo sistemático de coisas que as culturas
deixaram para trás. Até o século XVIII ela não havia se tornado obje­
to de qualquer interesse profissional. Até essa época, a arqueologia
havia se dedicado a pesquisar principalmente os objetos de “valor”
(isto é, objetos de ouro e prata). A abordagem sistemática (científica)
não havia sido amplamente usada até o início do século XX depois
qtie alguns críticos inconsciente (e erroneamente) presumiram que a
Bíblia não dispunha de qualquer evidência para comprová-la. No
final do século XIX, “críticas elevadas” (ou “superiores”; populares
naquela época) sugeriram que a Bíblia poderia estar repleta de erros
e de mitos. Alguns arqueólogos procuraram “provar” que a Bíblia
estava errada. Outros adotaram a abordagem oposta e tentaram en­
contrar evidências que a pudessem comprovar. Arqueólogos, traba­
lhando no Oriente Médio, ficaram surpresos com suas descobertas
que confirmavam a Bíblia praticamente em todos os detalhes (veja
nas páginas 250, 256 e 257 os grandes arqueólogos que passaram de
críticos a crentes na Bíblia).
Os arqueólogos que usavam a Bíblia como guia para suas pesqui­
sas começaram a encontrar partes da história que nem sabiam que
existiam. Foram descobertas antigas culturas até então desconheci­
das. Antigas cidades, antes acreditadas como simplesmente mitos,,
foram descobertas. E eventos, antes classificados como simples “len­
das”, foram confirmados. Atualmente, a Bíblia é considerada como
uma referência arqueológica fundamental.
Entretanto, devemos ter em mente que a maioria dessas evi­
dências arqueológicas surgiu apenas nos ú ltim os 50 an os. Foi so­

223
E x a m in e as E v id ê n c ia s

m ente durante um período relativamente pequeno de tempo que


a arqueologia foi capaz de descobrir certas coisas com o a existên­
cia de Socloma e Gomorra, de pessoas proem inentes com o o rei
Davi, ou culturas com o as dos antigos hititas (ou heteus). Agora os
museus estão cheios de provas arqueológicas que comprovam a
Bíblia.

A Arqueologia Refuta as “Críticas Elevadas” à Bíblia


Muitos livros especializados e muitas opiniões públicas ainda se
baseiam nos resquícios do período errôneo das “críticas elevadas” do
final do século XIX até o início do século XX. Essas “críticas” acredi­
tavam que a Bíblia tivesse cometido erros, no entanto não possuíam
sólidas evidências sobre as quais pudessem se basear para suportar
suas opiniões. Agora, através cios fatos, a arqueologia deixou descon­
certadas as antigas “críticas elevadas” da Bíblia. Aqui estão alguns
exemplos dos erros que cometeram:

• As “críticas elevadas” acreditavam que a cultura hitita da época


de Abraão não teria possibilidade de ter existido, da maneira
como está registrada na Bíblia (Gn 10.15; 15.20; 23.3, 7-20;
25.10; 49.32). Agora, a arqueologia descobriu muitos objetos
dos primitivos hititas e eles são tão numerosos que encheram
todo um museu em Israel.1
• A Bíblia fala que Tubal-Cain (um descendente de Caim, fi­
lho de Adão e Eva) forjou “toda obra de cobre e de ferro”
(Gn 4.22). A ciência considera aproximadamente o ano de
1200 a.C. com o o ano da Idade do Ferro, muito depois da
época estimada para Tubal-Caim. No entanto, a arqueologia
encontrou uma lâmina de ferro exatam ente a noroeste de
Bagdá — não muito longe do provável lugar do Jardim cio
Éden — cuja data é anterior ao ano 2700 a.C., muito antes
da estimativa anterior.2
• Acreditava-se que camelos domesticados não existiam na épo­
ca de Abraão (como mencionado em Gênesis 12.16), mas os
arqueólogos descobriram pinturas de camelos domesticados

224
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T esta m en to

nas paredes do templo de H atsbepsnl (perto da cidade de Tebas,


no Egito), cuja data é anterior a esse período.3
• Foi discutido anteriormente que o relato da existência das por­
tas sólidas e trancadas na casa de Ló (Gn 19-9,10) era ilógico
porque naquela época as cidades estavam em estado de deca­
dência. No entanto, os arqueólogos descobriram a cidade bí­
blica de Quiriate-Sefer na mesma área, com provas da existên­
cia de muros e portas sólidas. As construções datam de 2200 a
1600 a.C., a época de Ló.'
• Alguns insistiram que as leis do Antigo Testamento (a Torá, o
primeiro dos cinco livros escritos por Moisés) nào poderiam ter
sido escritas antes de 1450 a.C., pois, segundo acreditavam,
nenhuma cultura estaria tão avançada. No entanto, em 1902 os
arqueólogos descobriram na Babilônia um artefato com leis
semelhantes — o Código de Hamurabi, cuja data é anterior à
época de Moisés.s
• A existência dos filisteus tam bém foi co lo cad a em dúvida.
A Bíblia registra que os filisteus eram efetivos inim igos de
Israel na época dos Ju izes. Até agora muitas cidades dos
filisteus já foram descobertas na Palestina, juntam ente com
mais de 28 lugares e 5 centros im portantes. Até o in cên ­
dio da cidade de G ibeá foi confirm ado, com o consta em
Ju izes 20 .8 -4 0 .'’
• Acreditava-se que Davi não poderia ter sido músico, pois os ins­
trumentos que, segundo a Bíblia ele tocava, só foram desenvolvi­
dos muito depois. No entanto, os arqueólogos descobriram os
tipos de instrumentos usados por Davi na cidade de Ur (cidade
natal de Abraão), inclusive liras, flautas, harpas e até um oboé
duplo, com data de 2500 a.C. Foram feitas descobertas posteriores
de instrumentos musicais feitos no Egito (com data anterior a 1900
a.C.) e na Palestina (cerca de 2000 a.C.) muito tempo antes de
Davi (que viveu aproximadamente no ano 1.000 a.C.).7

Infelizmente leva tempo para corrigir estas concepções errôneas,


que estão tão arraigadas.

225
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Como a Arqueologia Procede


A moderna arqueologia — extremamente organizada e meticulosa
— mantém registros detalhados e é bastan te lenta. Há muito tempo
os “caçadores de tesouros” destruíam muitos sítios à procura cie enri­
quecimento rápido. Atualmente, os arqueólogos dão mais valor aos
escritos e aos objetos do que ao ouro ou pedras preciosas.
No Oriente Médio a forma habitual cia.s escavações é uma grande
montanha de terra chamada tell, que representa essencialmente uma
cidade soterrada. Os locais originais das cidades (onde mais tarde se
desenvolveram as tells) foram cuidadosamente escolhidos, levando-se
em conta certos detalhes como suprimento de água e defesas naturais.
Quando uma cidade era destruída, era típico construir outra em cima
da cidade antiga. Com o passar do tempo, este ciclo de destruição e
reconstrução resultou numa grande
A arqueologia é uma ciên­ montanha feita pelo homem. É claro
cia relativamente nova. que o nível superior representava a
Mesmo assim, ela já des­ civilização mais recente, enquanto o
nível inferior correspondia às cultu­
mentiu muitas crenças de
ras mais antigas. Ocasionalmente,
que a Bíblia estava incorre­
abriam-se covas através cie várias ca­
ta (especialmente os con­ madas ou estrato.
ceitos das "críticas eleva­ À medida que a escavação avan­
das" da Bíblia — populares çava, a localização precisa e o rela­
no final do século XIX). cionamento com os vários objetos se
perdiam para sempre. Portanto, as
perfurações são feitas sistematica­
mente divididas em áreas quadradas e freqüentemente fotografadas,
e cada objeto encontrado é detalhadamente documentado. A escava­
ção pode começar com o uso cie enxadas que, à medida que se
aproximam das áreas críticas, são rapidamente substituídas por pe­
quenas ferramentas manuais — até colheres e escovas de dente. Em
virtude do enorme tempo gasto e às despesas exigidas, somente uma
pequena perfuração já foi feita, até esta data, em dezenas de milhares
cle sítios em potencial.

226
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T esta m en to

Como São Determinadas as Datas Arqueológicas


Ocasionalmente, os arqueólogos encontram moedas e inscrições
que ajudam a verificar a data de uma cidade ou cultura. Tais desco­
bertas são extremamente raras. Entretanto, a grande quantidade de
cerâmicas deixadas para trás — com óbvias mudanças de estilo que
podem fazer referência às diversas épocas — representam uma fonte
abundante e confiável de datas. Como exemplo, as lâmpadas de óleo
abaixo mostram uma progressão distinta de estilos facilmente reco­
nhecíveis pelos arqueólogos. Tais lâmpadas são comumente encon­
tradas nas Terras Santas.8

P eríodo
M acabeus
Períod o 165 - 30 a.C.
H elenístico
331 - 165 a.C.

Exemplo de uma Tell


Strata d os Períodos

Bizantino Inicial *■
Bizantino Final
Rom ano R ecente
H eródio
M acabeu
H elenístico
Persa

Cidade
Muro

Fonte

227
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Será que a Ausência da Evidência Significa Evidência


da Ausência?
Algumas pessoas dizem: “A falta de evidência significa que não
existiu”. Por exem plo, até agora, não foram encontradas inscri­
ções com os nomes dos patriarcas anteriores a Moisés em nenhu­
ma das tábuas de argila. Mas não deveríamos esperar que tais
registros fossem encontrados. Os patriarcas eram nômades de pouca
ou nenhuma aclam ação mundial, eles não eram reis que constru­
íam pirâmides.
Os céticos podem perguntar por que os egípcios, por exem plo,
não registraram o êxodo em massa dos hebreus. Seria ingênuo
acreditar que os governantes egípcios (ou outros) fossem docu­
mentar seus erros ou derrotas mais importantes (a Bíblia é única
pelo fato de indicar prontamente os erros dos seus líderes). Entre­
tanto, nós realmente encontram os evidências na arte e nas inscri­
ções egípcias de que os hebreus r ea lm e n te existiram co m o e s c r a ­
vos q u e a ju d a r a m n os g r a n d e s p ro je to s d e co n stru ção, tal com o a
Bíblia indica. Portanto, eles estiveram lá — e depois partiram —
de modo que deve ter havido alguma forma de “êxod o”, para
aqueles que queriam ou não aceitar a Bíblia. Mesmo assim, muitos
outros escritos da antiguidade mencionam pessoas e acontecimentos
bíblicos (por exem plo, o Q u r’a n do islamismo m enciona muitos
personagens bíblicos).
Além disso, â medida que o tempo passa, descobrimos que a
arqueologia muitas vezes descobre casualmente as evidências.

A Arqueologia Facilita o Entendimento da Bíblia


Às vezes, parece que algumas seções da Bíblia não fazem sentido,
mas a arqueologia tem ajudado a acrescentar hermenêutica (interpreta­
ção) a um certo número de questões. Um exemplo disso é o seguinte:

Quantas Codornizes Existiram no Deserto?


Algumas pessoas acreditam que o número de codornizes fornecidas
por Deus aos israelitas nômades parece ser pouco real, se elas estive­

228
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T esta m en to

ram realmente a dois côvados de altura acima do chão. Observe a


tradução da versão RC:

Então, soprou um vento do Senhor, e trouxe codornizes


cio mar, e as espalhou pelo arraial quase caminho de um
dia de uma banda, e quase caminho de um dia da outra
banda, à roda do arraial, e a quase dois côvados sobre a
terra (Nm 11.31 )■

Entretanto, a palavra hebraica para “sobre” era a mesma pala­


vra para “acim a” (o hebraico era a língua original).9 É claro que,
se a intenção da palavra era afirmar que as codornizes estavam
voando 91 centím etros acima do chão, ela estaria indicando que
seriam fáceis de serem capturadas. A arqueologia encontrou an­
tigos escritos no Sinai registrando a captura de codornizes nos
ninhos quando elas voam 91 centím etros acima do chão. Na ver­
dade, a mesma prática ainda é usada atualmente nessa mesma
região.
Algumas traduções mais modernas da Bíblia têm, no entanto,
mudado a linguagem para ela refletir o seguinte:

De repente, o Senhor enviou um vento que trouxe do


mar bandos de codornas. Elas caíram no acampamento
e em volta, em todas as direções, a uma distância de uns
trinta quilômetros; e cobriram o chão em montes de qua­
se um metro de altura (Nm 11.31, NLT).

Há outras questões semelhantes na Bíblia Sagrada. Porém o mais


importante é saber que a Bíblia sempre registra a verdade. No caso
das codornizes, eram tantas que seria impossível contá-las!

Exem plos Arqueológicos do Antigo Testamento


Ja rd im do Éden (Gn 2.11-14). A Bíblia fornece alguns indícios
sobre a localização do Jardim do Éden com esta descrição.
Caim e Abel (Gn 4). Antigos instrumentos de sopro e de cordas,
e uma lâmina de ferro (datada de cerca de 2700 a.C.), foram desco-

229
E x a m in e as E v id ê n c ia s

hortos próximo ao local onde se propõe que estava o Jardim do


Eden.10
O Dilúvio (Gn 6). A arqueologia descobriu m ais d e 2 0 0 r e la -
los, de culturas tio mundo inteiro, sobre um grande dilúvio que
destruiu seres humanos e animais.
A T orre de Babel (Gn 11). Muitas estruturas, chamadas zig u rates
— torres muito altas feitas cie tijolo, contendo no topo um altar,
foram encontradas perto cia Babilônia. Um fragmento de tábua de
argila encontrado na Babilônia m enciona um templo que “ofen­
deu tanto os deuses” que foi destruído em uma noite, e que o
povo foi espalhado com sua “linguagem que se tornou confusa”.
Abraão no Egito (Gn 12.10-20). Os arqueólogos concordam atu­
almente com dois detalhes da curta permanência cie Abraão no Egito
que antes eram considerados errados.
Sodom a e G o m o rra (Gn 19). As cidades da planície podem
estar submersas sob as águas rasas do extremo sul do mar Morto
(ele teve grandes variações de profundidade - 1 1,27 metros em
poucas décadas). Um outro local, chamado Bab edh-Dhra, parece
ter sido a possível localização de Sodoma e Gomorra. Ele se encon­
tra adjacente a um grande cemitério e mostra ter havido ali um
simultâneo enterro em massa. Uma espessa camada cie cinzas tam­
bém cobre essas ruínas. Josefo, o historiador do primeiro século,
registra que “traços” de todas as cinco cidades da planície eram
visíveis naquela época.
Antigos Hititas (ou heteus; Gn 15.20; 23.10; 26.34). Muitas des­
cobertas fornecem provas cie ter existido um grande império hitita
na Síria, com áreas tribais que se estendiam ao sul, dentro de Canaã.
Tão grande é a quantidade cie evidências que, atualmente, muitos
museus contêm objetos hititas; e em algumas universidades pode-
se obter um título cie PhD somente com estudos sobre eles.
Sepultura de Sara (Gn 23). Acredita-se que uma caverna em
Hebrom possa ser a verdadeira sepultura de Sara (e de Abraão, Isaque
e Jacó — Gn 25.9; 49.29,30) e, atualmente, foi construída uma mes­
quita muçulmana sobre ela (Abrão e Sara são reverenciados por mui­
tos muçulmanos). Embora o acesso a essa cova tenha sido geralmen­
te proibido, ela foi visitada pelo menos duas vezes por pessoas não

230
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s do A n t ig o T esta m en to

Locais do Antigo Testamento


Confirmados pela Arqueologia

Ugarit

y*NÇ
* Sidom • Damasco

ff—Hazor

Megido
.Samaria
Siquém * AM O M
Gezer - • n — Sucote
Betei
^•Jericó
Jerusalém
Qumran MOABE
• Gaza
Hebrom
Berseba \S o d o m a e
Gomorra

EDOM
Petra

« Eziom-Geber
DESERTO
DO SINAI EDOM
SABA

231
E x a m in e as E v id ê n c ia s

" 'S "


~L- f
Fatos Fascinantes
P ed ras d e fe r r o e m ontes d e cobre: Deus disse a Moisés
que a Terra Prometida teria pedras de ferro e cobre que
podiam ser cavadas dos montes (Dt 8.9). À distância de 32
quilômetros ao sul do mar Morto uma grande área se en­
contra pontilhada de antigas fornalhas. Esta vasta região
está coberta por montes de escória de cobre e algumas
veias de cobre ainda podem ser vistas acima do solo.11

muçulmanas (uma dos quais


não percebeu o seu significado).
Grande parte das informações Pouco depois da Guerra dos
Seis Dias de 1967, uma menina
arqueológicas que temos —
de doze anos foi baixada para
tanto anteriores quanto da p ró ­
dentro dessa cova, cerca de 3,65
pria época dos patriarcas — metros abaixo do chão. I Im cor­
nos ajuda a definir a cultura da redor de 17 metros levava a uma
época. Porém, é fácil com pre­ porta fechada que, provavel­
ender que não haja menções mente, se interligava com ou­
de pessoas específicas. Este
tras áreas subterrâneas. Três
grandes pedras, uma delas pa­
detalhe também tem uma gra n­
recendo ser uma pedra tumular,
de im portância, pois corrobora estavam colocadas à frente des­
com o relato bíblico. sa entrada. Durante a Primeira
Grande Guerra, um oficial in­
glês, que procurava outros soldados, escorregou para dentro de um
aposento medindo cerca de 6 por 6 metros. Ele relatou a respeito de
um objeto de pedra medindo 1,80 metros de comprimento, 91 centí­
metros de largura e 91 centímetros de altura. Somente mais tarde
percebeu que esse lugar podia ser a sepultura de Sara.
As Leis cie Moisés. Durante muito anos, as "críticas elevadas” da
Bíblia afirmaram que as leis de Moisés (em Levítico) eram demasi-

232
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T esta m en to

adamente avançadas para sua época e não poderiam ter sido escri­
tas antes do ano 500 a.C. ou mais tarde ainda. Porém, em 1902, as
Leis de Hamurabi foram encontradas esculpidas em um stele
(monolito) negro da Babilônia, medindo 2,13 metros de altura —
descoberto em Susa, no Elam — mudando radicalmente a opinião
dos estudiosos.
As C onquistas de Jo su é (Js 12.9-24). Vários reis de cidades pa­
lestinas e sírias escreveram um conjunto de cartas, as Tábuas Amarna,
para o rei cio Egito, aproximadamente no ano 1400 a.C. (a época de
Josué). Essas tábuas confirmam as condições e os vários eventos
que aconteceram na época de Josué. Sete dessas cartas foram escri­
tas pelos reis de Jerusalém e as outras pelos reis das importantes
cidades portuárias de Tiro e Sidom, juntamente com cartas de mui­
tos dos 31 reis conquistados por Josué. Várias mencionam uma in­
vasão feita pelos H ab iru (aparentemente, uma palavra derivada de
“hebreu”.)12
Rei Davi; A M orte do Rei Saul (1 Sm, 1 Cr, 1 Rs). A arqueologia
descobriu considerável suporte ao relato bíblico a respeito de Davi.
Algumas pessoas argumentaram que o rei Davi era um mito — até
1993. Nesse ano, foi descoberto o fragmento de um monumento de
pedra em Tel Dan, próximo à fronteira entre Israel e Síria. Esse mo­
numento, que se acredita ser um esteia de vitória, menciona o rei
Davi e a “Casa de Davi”, junto com palavras que sugerem uma vitória
conquistada pelo rei de Damasco, Ben-Hadacle que “feriu a Ijom, e a
Dà, e a Abel-Bete-Maaca” (1 Rs 15.20).13
As Datas dos R einados dos Reis de Israel. Graças aos assírios,
a arqueologia pode confirmar as datas precisas dos reis de Israel
desde a época cle Salomão. Escavações descobriram listas de todos
os reis d a Assíria, d esd e 8 9 3 a té 6 6 6 a. C. e também as datas em que
foram empossados ( “as listas epônimas”). O ano exato de cada um
deles pode ser estabelecido usando um eclipse que ocorreu na ca­
pital Nínive (maio-junho de 763 a.C. — confirmado pelos astrôno­
mos) com o ponto de referência. Os registros arqueológicos do rei
Salmaneser III (858-824) descrevem a grande batalha de Qarqar (853).
e mencionam o rei Acabe de Israel. Essa batalha aconteceu no últi­
mo ano do reinado clo rei Acabe. Como a Bíblia especifica a suces­

233
E x a m in e as E v id ê n c ia s

são dos reis de Israel, e a duração do seu reinado, fica fácil estabe­
lecer a data de cada um.
Rei Acabe. E xistem ev id ên cias d o rei A cabe fora cie Israel (n a
vizinha M o abe) num m onolito n eg ro (esteia) construíd o p e lo rei M esa,
de M oabe, para registrar sua vitória so b re A cabe, em a p ro x im ad a­
m en te 8 6 0 a.C.
R e ije ú . O Obelisco Negro de Salmaneser II, que menciona Jeú,
foi descoberto em Ninrode, cidade localizada ao sul de Nínive.
A Proteção de Deus a Jeru salém (2 Rs 19.20-36). Isaías havia pro­
fetizado que Deus iria proteger Israel contra o ataque do rei Senaqueribe
da Assíria. Um anjo do Senhor matou 185 mil assírios na noite seguinte
à profecia (Is 37.35,36). Escavações feitas em dois cilindros separados
(o cilindro Taylor da antiga Nínive e o cilindro do Instituto Oriental)
confirmam esse incomum acontecimento, declarando com grande or­
gulho as derrotas de muitas cidades cia Palestina, mas reconhecendo,
ao mesmo tempo, o insucesso na conquista cie Jerusalém.
Túnel de Ezequias (2 Rs 20.20; 2 Cr 32.30). Ezequias construiu um
túnel com 573 metros cie comprimento e 1,80 de altura que terminava
no Tanque de Siloé. Nesse local foi encontrada uma inscrição descre­
vendo como os trabalhadores começaram a obra em cada uma das
extremidades e como “podiam ouvir cada um deles cavando” até que
finalmente se encontraram no meio do túnel (sem os benefícios da
moderna engenharia).
O E x ílio (2 Rs, Dn, Ez). Existem evidências arqueológicas subs­
tanciais das três fases distintas do exílio de Juclá até a Babilônia. A
primeira fase (605 a.C.), quando Daniel foi deportado, foi confirmada
pela “Crônica da Babilônia” encontrada nos registros da corte da
Babilônia. A segunda (597), quando Ezequiel foi capturado, foi con­
firmada pelas “Crônicas dos Reis Caldeus”. E a terceira e última de­
portação, em seguida à queda cie Jerusalém (596) foi confirmada
pelas “Cartas de Laquis”.
Os Rolos (o u P e rg a m in h o s) do m a r M orto. A descoberta reli­
giosa mais importante da arqueologia foi os rolos (ou pergaminhos)
do mar Morto. Cerca de um terço das centenas de pergaminhos
encontrados se refere ao Antigo Testamento (cópias, muitas vezes
múltiplas, de cada livro, exceto Ester), sendo que a maioria deles

234
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T esta m en to

foi escrita pelo menos um ou dois séculos antes de Cristo. Os per­


gaminhos restantes contêm uma grande quantidade de informações
sobre a cultura desse período. Guardados em vasos escondidos nas
cavernas até ano 70, e depois esquecidos até 1947, esses pergami­
nhos são com o uma cápsula do tempo e mostram, praticamente,
que não há nenhuma diferença entre eles e o atual texto massorético.
Rei Joaquim . A arqueologia descobriu interessantes evidências
sobre Joaquim que foi rei d eju d á durante três meses apenas, inclusi­
ve um recibo registrado numa tábua de argila relacionando paga­
mentos feitos por azeite, cevada e outros alimentos para os cativos na
Babilônia, também relaciona o rei Joaquim e seus cinco filhos como
receptores (2 Rs 25.27-30).lH
Ezequiel, o p ro feta (livro de Ezequiel). Recentemente, foram
descobertas tábuas de pedra contendo um texto quase completo do
livro de Ezequiel. Estudos sobre a forma específica usada pelos hebreus
para fazer as inscrições indicam que essas tábuas foram escritas du­
rante a época de Ezequiel - 600 a 500 a.C. Alguns estudiosos sugeri­
ram que elas podem ter sido gravadas pelo próprio profeta Ezequiel
(o que o Talmude parece indicar).15
O R etorn o do Exílio (Esdras, Ageu, Zacarias). A arqueologia con­
firmou muitas e importantes profecias bíblicas. Uma das mais admirá­
veis é a confirmação profética de que a pessoa responsável pelo
retorno dos judeus do primeiro exílio seria um homem chamado
“Ciro”. O cilindro de Ciro, encontrado na Babilônia, registra essa pro­
clamação, junto com outros fatos históricos da Bíblia, inclusive a con­
quista da Babilônia pelos persas sem qualquer violência e a devolu­
ção dos tesouros do templo (Esdras 1.1-6).

_______________ CONCEITO-CHAVE -------- ----------------


O “C ilin dro d e C iro ”f o i u m a im portan te d esco berta a r ­
q u eo ló g ica q u e co n firm a o d ecreto d e Ciro d e p erm itir o
retorn o d os judeu s a Jeru salém , depois d o p rim eiro ex í­
lio, a f i m d e reconstru írem a c id a d e e o T em plo— e x a ta ­
m en te co m o h a v ia sid o p ro fetiz a d o em Isa ía s 44.28, com
m ais d e 100 a n o s d e a n tec ed ên c ia .

235
E x a m in e as E v id ê n c ia s

T iro: p ro fe c ia cu m prida. Embora a Bíblia tenha mantido silên­


cio entre o Antigo e o Novo Testamento (desde 400 a.C. até a época
de Jesus) a arqueologia continuou a documentar o cumprimento de
muitas profecias feitas anteriormente. Entre elas está a dupla destrui­
ção de Tiro, a grande cidade portuária da época de Ezequiel, em 586
e 330 a.C.

Resumo de mais Exemplos Arqueológicos do Antigo


Testamento
Para outros estudos e referências, aqui estão mais alguns even­
tos da Bíblia cuja ocorrência e existência foram comprovados pela
arqueologia.

• íd olos d e L abão, Gênesis 31.


• J a c ó e José, Gênesis 37-50.
• D e líderes a escravos, Gênesis e Êxodo.
• Escravos h eb reu s con stroem cidades, Êxodo 1.11; 5.13-18.
• O T abern áculo.
• A q u e d a d e je r ic ó , Josué 6.
» C idades d a ép o c a dos Ju izes, livro de Juizes.
• D agom , deus dos filisteus, 1 Samuel 5.2-7.
• C on sag ração d o rei S alom ão, 1 Reis 1.5-7, 41-50.
• R eiJero b o ã o , 1 Reis 12.20 e em outras passagens.
• Roboãio, Sisaque, 1 Reis 14.25-26.
• D inastia d e Onri.
• S am aria.
• P rofecias d a Amós, livro de Amós.
• Sargão, Isaías 20.1.
• N abu codon osor, Daniel 24.
• Profecia, d e Jerem ias, Jeremias 42.8-12.
• S usa (S u sã) e ou tro s d eta lh e s s o b r e N eem ias, Neemias 1,2.

236
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T esta m en to

Avalie o que Você Aprendeu


1. O que é um telft Como são determinadas as datas em arqueolo­
gia?
2. O que são as “críticas elevadas” à Bíblia? Dê alguns exemplos
dessas críticas que, mais tarde, foram desmentidas com o uso
da arqueologia.
3- Qual é a evidência de que Davi existiu?
4. Qual é a evidência arqueológica que fornece um confiável pon­
to de referência para as datas dos reis de Israel?
5. O que é o cilindro de Ciro? Por que é importante?

Capítulo 14 — Grupo de Estudo

P rep aração para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: o capítulo 14 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: O que a arqueologia “prova”? O que ela pode nos dizer
e quais são as suas limitações? Discuta em grupo.

Atividade Prática
D ebate: O “cristão” está enfrentando um “não-crente” que ainda
aceita as “críticas elevadas” (ainda encontradas em alguns livros).

O ração de E n cerram en to

237
Evidências Arqueológicas
do Novo Testamento

maior parte cia vicia cie Jesus foi passada na região cia Galiléia
e a sua influência se fez sentir através cie toda essa região. Jesus
visitou as terras dos gentios em Tiro e Sidom (Mt 15.21), a área da
Transjordânia (localizada cio lado oriental do Jordão, também inten­
samente habitada por gentios), a Samaria (Jo 4.5) e algumas cidades
escolhidas da Judéia, perto de Jerusalém.
Muitas pessoas, inclusive lideres religiosos, também vinham
vê-lo. Sabem os que uma grande multidão vinha ter com Ele da
“Judéia, e de Jerusalém , e da Iduméia, e dalém do Jordão, e de
perto de Tiro, e de Sidom ” (Mc 3-8). Esse era um longo com pro­
misso de viagem na época da antiguidade. A viagem de Jeru sa­
lém a Nazaré levava cerca de quatro a cinco dias. Viagens para
áreas mais distantes no sul (por exem plo, Idum éia) levavam vá­
rios dias. E não havia nenhuma program ação — nenhuma garan­
tia de que Jesu s estaria naquela cidade quando as pessoas ch e­
gassem. Tudo isso mostra que Jesus exerceu um grande impacto
sobre esta região.

Locais da Vida e do Ministério de Jesus


Todos os seguintes locais do Novo Testamento foram identifica­
dos através da arqueologia.
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Betânia — local onde, aparentemente, Jesus viveu durante sua


última semana de ministério (Mt 21.17). Jesus foi ungido ali (26.6).

Belém — terra natal de Jesus (Mt 2.1), onde Ele recebeu a visita
dos reis magos (2.9) e Herodes mandou matar as criancinhas (2.16).

Betfagé — local para onde Jesus enviou os discípulos a fim de


buscar um jumento para sua entrada final em Jerusalém (Mc 11.1).

Betsaida — cidade onde Jesus curou um cego (Mc 8.22) e alimen­


tou 5 mil seguidores (Ix 9-10).

C esa ré ia (m a r ítim a ) — porto im portante. Lugar onde um


centurião se converteu pela pregação de Pedro (At 10.1) e do julga­
mento de Paulo (At 23.53).

Cesaréia de Filipe — cidade onde Pedro proclamou pela primei­


ra vez que Jesus era o Messias, filho do Deus vivo (Mt 16.16).

Caná — cidade onde Jesus realizou seu primeiro milagre — trans­


formando água em vinho (Jo 2.1).

C afa rn a u m — quartel general do ministério de Jesus (Mt 4.13) e


onde muitos milagres foram realizados. Local onde estava situada a
casa de Pedro.

Em aús — a primeira aparição de Jesus depois da ressurreição


ocorreu na estrada para essa cidade (Lc 24.13).

Gadara — um homem endemoninhado veio tia região que levava


o nome dessa cidade (Lc 8.26).

G en esaré — Jesus chegou ali depois de acalmar o mar. As


pessoas dali traziam os doentes para serem curados por Ele (Mt
14.35).

240
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N ovo T esta m en to

Gergesa — atualmente, lugar -Sidom


Cesaréia y ®
no mar da Galiléia, onde uma ma­ de Filipe
*'■» Tiro
nada de porcos possuídos por
demônios se precipitou no mar Betsaidaf
Cafarnaum
(Mt 8.28). Genesaré

MSI
Je ricó — foi exatamente fora Séfora
M agadala^
dos muros dessa cidade que Jesus
Nazaré Gergesa
curou o cego Bartimen (Mc 10.46).
Naim * G adara •

Je ru salém — a cidade judai­ IO


Cesaréia
ca mais importante. Local do tem­ (Marítima)
plo e onde Jesus foi crucificado, SAMARIA
morto e sepultado.
Sicar
a
M agdala— cidade de pesca­
dores no mar da Galiléia. Acre­
dita-se que tenha sido o lar de
Maria Madalena.
Jericó

N a im -local onde Jesus ressus­ EmaÚ5' ' * ^ B e tfa g ?


Jerusalém _,, Betânía
citou o filho de uma viúva (Lc 7 .11).
Belém _ #

Nazaré — importante encru­


zilhada comercial. Lar de Jesus durante sua juventude e local de um
número limitado de milagres (Mc 6.5).

S é fo ra — capital de Herodes Antipas, próxima a Nazaré. É possí­


vel que Jesus tenha trabalhado ali como carpinteiro.

S id o m — importante cidade portuária do Mediterrâneo, visitada


por Jesus para ministrar aos gentios (Mt 15.21).

Sicar — cidade na Samaria onde Jesus encontrou uma mulher


junto ao poço, prometendo-lhe dar a “água viva” (Jo 4.5).

241
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Tiro — importante cidade portuária do Mediterrâneo visitada por


Jesus para ministrar aos gentios (Mt 15.21).

Tradição Histórica
É comum venerarmos os lugares mais importantes da história. Por
exem p lo, os am ericanos reverenciam certos lugares com o o
In d ep en d en ce Hall, o M ount Vernon e a cidade natal de Lincoln. Se
uma catástrofe destruísse alguma dessas estruturas, não há dúvida de
que elas continuariam a ser famosas.
Da mesma forma, os lugares arqueológi­
A m aioria dos luga­ cos do Novo Testamento eram muito conheci­
res do ministério de dos na sua época. Em primeiro lugar, docu­
Jesus, mencionados mentos históricos não-bíblicos revelam um a
clara descendência d e paren tes de Cristo que
no Novo Testamento,
se estende até o terceiro século.1Esses parentes
já foi descoberta.
deveriam conhecer os lugares do nascimento
e da morte de Jesus, assim como os aconteci­
mentos mais importantes da sua vida. Em segundo lugar, os seguidores de
Jesus tinham uma admirável paixão pela verdade do Evangelho — uma
verdade pela qual valia a pena moner. Portanto, não é de admirar que,
apesar da perseguição, muitos locais dos relatos do Evangelho ficassem
registrados na tradição da Igreja Primitiva. Essas tradições, a respeito dos
locais, nem sempre são precisas, mas quando comprovadas pelos primei­
ros historiadores, sua confiabilidade fica fortalecida. Ironicamente, as ten­
tativas de dar fim à veneração a esses lugares através da construção de
monumentos pagãos sobre eles, só serviram para identificá-los até à acei­
tação do cristianismo pelo império romano no quarto século, depois do
qual eles puderam ser abertamente reconhecidos.

Tradição Histórica Versus Lenda


Como identificamos a lenda de que George Washington atirou um
dólar de prata no Rio Potomac, e da tradição de que sua casa estava
situada no monte Vernon? Podemos testar essa evidência seguindo os
seguintes critérios:

242
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s do N ov o T e s t a m e n t o

1. Haveria alguma evidência an terior d a c re n ç a no local ou no


evento, considerando-os como um fato histórico?
2. Será que essa evidência anterior se baseia numa fo n t e confiável?
3- Será que existe uma evidência anterior de que o lugar ou even­
to era am p lam en te a ceito como fato histórico?
As tradições históricas, para serem válidas, devem passar por três
testes, mas o mesmo não acontece com as lendas. A razão disso é
que as len d a s levam m uito tem po p a r a se tran sform ar em cren ças.
Obviamente, se fosse feita uma afirmação ridícula (por exemplo, que
Elvis Presley ressuscitou) os seus ouvintes iriam rejeitá-la por ser uma
tolice. Alguma documentação escassa, se houvesse, iria sobreviver,
mas praticamente sem
ter nenhum seguidor Tradição Válida Lenda
contemporâneo dessa Evento Evento
crença. O oposto a c o n ­
teceu co m os even tos Aceito pelos
bíblicos. Houve u m a Contemporâneos
g r a n d e ex p losão da fé,
I
ap e s a r d a p erseg u ição A Tradição
e das tentativas para jj se Espalha j
erradicar as crenças
relativas aos eventos
que cercaram Jesu s.
Tratando-se de afirma­
ções ridículas, somen­
te o tempo poderia fa­ Aceitação Aceitação
zer com que elas se
tornassem plausíveis.
Foram necessários vários séculos para as pessoas idolatrarem Bucla
ou Confúcio (os quais, diga-se de passagem, agiam de forma oposta
àquilo que pregavam). Um outro exemplo é que atualmente existem
algumas pessoas que idolatram Maria, a mãe de Jesus — muitos sécu­
los depois da ocorrência desse fato. Entretanto, os lugares e os even­
tos que cercaram o p r ó p r io Je s u s foram rapidamente aceitos e
registrados pelos seus contem porân eos.

243
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Os Parentes de Jesus Es­


A tradição histórica não tem a
tavam em Nazaré
mesma confiabilidade da histó­
ria. Entretanto, o seu valor não Fontes não-bíblicas revelam que
parentes de Jesus residiram na área
pode ser desprezado, de forma
de Nazaré pelo menos até o ter­
algum a, pois ela é com pleta­
ceiro século (e, talvez mais tempo
mente diferente das lendas. As ainda). Julius Africanus (aproxima­
tradições são freqüentemente damente no ano 200) escreve a
baseadas em uma cadeia de respeito de parentes do Senhor que
comunicação ininterrupta e bas­ vieram de Nazaré e também da ci­
tante confiável, e várias tra d i­ dade próxima cle C ochaba e que
eles guardavam “registros do seu
ções têm sido confirm adas pela
descendente com muito cuidado”.
arqueologia.
Eusébio (cerca do ano 300)
escreve a respeito de dois netos
de Judas, meio irmão de Jesus, que
foram levados perante o imperador Domiciano no décimo quinto ano
do seu reinado (no ano 95) e depois libertados quando admitiram que
pertenciam à casa de Davi. Em seguida, eles fundaram várias igrejas na
área “porque eram parentes do Senhor”. Eusébio também menciona o
nome de Simeão, filho de Clopas (que acreditavam ser irmão de José)
que sucedeu a Tiago como líder da Igreja e foi martirizado com cerca
de 120 anos cle idade.2

Irmãos , Irmãs e Parentes de Jesus


A Bíblia faz uma distinção bem clara entre os irmãos e irmãs cle “san­
gue" de Jesus (na verdade, meio-irmàos e meio-irmãs) e os seus discípulos
(Mt 12.46-50). A arqueologia revela que a Igreja Primitiva de Roma (que
mais tarde se transformou na Igreja Católica Romana) reconheceu os pa­
rentes de Jesus, inclusive seus irmãc xs Tiago e Judas, os netos de Tiago e
de Judas, seu primo Simeão e outros descendentes dos parentes, como
Conon. Isso foi confirmado por docum entos antigos, mosaicos, inscrições
e monumentos. A existência dos parentes de Jesus também foi confirmada
por testemunhas oculares e por historiadores não-cristãos.

244
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N ovo T esta m en to

As Pedras Podem se Calar — mas as Pessoas Não!


Tio e Ha de Jesus Irm ã o de José

Jo sé e M a r ia C lo p a s O u tro s ?

J
in d e te r- \ in d e te r­
T ia g o Ju das S im e ã o
m in a d o s I m in a d o s

in d e te r- in d e te r­ ; in d e te r­ in d e te r- j i in d e te r- :
m in a d o s m in a d o s m in a d o s m in a d o s m in a d o s

1-------------------- H !
N e to s d e Ju das in d e te r- in d e te r- j
(e d e T ia g o ? ) m in a d o s m in a d o s m in a d o s -

in d e te r- in d e te r- in d e te r- in d e te r- in d e te r- , \ in d e te r­
m in a d o s m in a d o s ; m in a d o s m in a d o s m in a d o s m in a d o s

■ in d e te r- in d e te r- in d e te r- in d e te r- in d e te r- in d e te r- i in d e te r- i
! m in a d o s m in a d o s m in a d o s m in a d o s m in a d o s m in a d o s i m in a d o s i

I in d e te r ■ in d e te r- C o no n , d escendente in d e te r- in d e te r- l in d e te r- ;
1 m in a d o s m in a d o s d e Tiago m in a d o s m in a d o s m in a d o s

Fim da perseguição — a igreja


reconhece os lugares históricos

Séculos mais tarde, a igreja católica romana negou as mesmas pes­


soas que havia anteriormente homenageado, depois de redefinir Maria
como uma virgem perpétua. Portanto, o conceito de que Maria foi uma
virgem perpétua não está cle acordo com os critérios da tradição (esta
idéia precisaria ter sido concebida, e confirmada, muito antes).
CONCEITO-CHAVE _____________
A teologia ca tó lica r o m a n a p r o c la m a a g o ra a “v irg in d a­
d e p erp étu a d e M aria Essa d ou trin a f o i c o n c e b id a a
p a r tir d e 1500. Os protestan tes e a m a io ria d os estudiosos
a c r e d ita m q u e Jesu s teve irm ãos e irm ãs n atu rais (Mt
12.46-50).

245
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Exem plos Arqueológicos do Novo Testamento


Local do n ascim en to de Jesu s. A Igreja da Natividade, em Belém,
marca o tradicional lugar do nascimento de Jesus. A construção da
igreja original foi encomendada pela mãe de Constantino, Helena.
(Constantino foi o imperador que acabou com a perseguição aos
cristãos e transformou o cristianismo na religião oficial clo Império
Romano). Como acontece com muitos lugares cristãos, foram feitas
muitas tentativas para im pedira adoração a Jesus com a destruição
desses lugares; mas sempre reaparecia uma indicação dessa adora­
ção — uma igreja. Escavações feitas no lugar da Igreja da Natividade
revelaram provas da existência de igrejas anteriores, inclusive colu­
nas e capitéis que datavam da época de Constantino. Escritores anti­
gos indicaram que Jesus havia nascido numa gruta que, naquela épo­
ca, era o lugar habitual dos estábulos. Acredita-se que a localização
exata da gruta do nascimento de Jesus é debaixo do altar que marca
esse lugar na atual Igreja da Natividade.

A Igreja da Natividade.

C afarnaum : A Sinagoga de Jesu s. A Sinagoga de Cafarnaum, na


qual Jesus pregou, foi localizada sob as ruínas de Sinagogas posteri­
ores. Durante as escavações descobriu-se que os pavimentos inferio­

246
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N ovo T esta m en to

res continham cerâmicas antigas e uma moeda datada de aproxima­


damente 146 a 116 a.C. (reinado de Ptolometi VIII do Egito) indican­
do a provável presença de uma Sinagoga na época de Jesus.

Sinagoga em Cafarnaum.

Cafarnaum : A Casa de Pedro. Uma residência em Cafarnaum


tem sido reverenciada durante séculos como sendo a casa de Pedro.
O estilo da sua arquitetura combina precisamente com o tipo de casa
mencionada na Bíblia, da
qual o telhado foi parcial­
mente removido para bai­ Nos primeiros 300 anos depois da
xar um cego (Mc 2.4). Além morte de Jesus, as igrejas primitivas
disso, a casa está localiza­
eram, muitas vezes, construídas nos
da próximo à margem cio
locais tradicionais. Embora as Igrejas
mar da Galiléia e até con­
tém anzóis pregados no o riginais fossem destruídas por suces­
chão. Obviamente, ela foi sivos invasores, geralmente elas eram
a casa de um pescador. reconstruídas. Freqüentemente a a r­
Mais importante, no entan­ queologia descobre a história de anti­
to, é a evidência que dá
gas igrejas em determinados lugares.
suporte à antiga tradição de

247
E x a m in e as E v id ê n c ia s

ter sido a casa de Pedro. Aetheria, um peregrino que esteve nessa


área de 381 a 384 escreveu sobre a existência da casa do primeiro
dos apóstolos, “onde um para­
lítico foi curado”.
A existência de uma "casa igre­ Além disso, existem provas
ja " no lugar que se acredita ter de que esse local era venera­
sido a casa do apóstolo Pedro é do por muitas pessoas desde
o
uma boa evidência da autentici-
co n trad a uma co n sid eráv el
dade daquilo que os cristãos do
quantidade de inscrições an­
segundo século acreditavam. tigas, aproximadamente do se­
gundo século (124 fragmentos
em grego, 15 em hebraico e 18 em siríaco). Essas inscrições fa­
lam sobre o apóstolo Pedro, sobre Jesu s e sobre os pedidos de

Casa do apóstolo Pedro em Cafarnaum.

ajuda a Jesus. No início, a casa de Pedro foi convertida num


lugar de oração e sofreu significativas m odificações pelo menos
três vezes. As evidências mais antigas do seu uso com o lugar de
oração pertencem ao primeiro século, uma época contem porâ­
nea de Pedro.
B a rc o de P e sc a U sado n o m a r da G aliléia. Um barco cle
pesca, usado na época cle Cristo, foi descoberto perto de Betsaida.

248
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o Novo T esta m en to

Barco de pesca do primeiro século.

Ele media 8,08 metros de com prim ento, 2,28 de largura e 1,37 de
altura. Esse era o tipo de barco provavelm ente Lisado para atra­
vessar o mar da Galiléia, inclusive na época em que Jesu s acal­
mou a tem pestade (Mt 8.23-27) e cam inhou sobre as águas (Mt
14.22-33).
C e saréia: E n c o n tra d a E v id ên cia de P ô n c io P ilato s. Duran­
te as escavações de um teatro romano em Cesaréia, foi encontra­
da uma pedra na base de uma escada. Ela trazia a inscrição “Ao

Pedra de Pôncio Pilatos.

249
E x a m in e as E v id ê n c ia s

I William Albright (1891-1971). Ma época em que foi dire­


tor da S cb o o l o f O rien tal R esea rch da J o h n H op kín s
University, William Albright escreveu mais de 800 livros e
artigos dedicados principalmente à validade cios manus­
critos bíblicos. Ele é mais conhecido pelos seus trabalhos
orientados à confirmação da autenticidade do Antigo Tes­
tamento e, especialmente, da autenticidade dos Rolos (ou
Pergaminhos) do mar Morto.
Albright também pesquisou e confirmou a data dos escri­
tos do Novo Testamento. Sua conclusão foi que não havia
"nenhuma base sólida para datar qualquer livro do Novo
Testamento depois tio ano 80”. No início da sua vida pro­
fissional, Albright teve algumas dúvidas acerca da validade
cias afirmações bíblicas sobre Jesus. Essas, entretanto, fo
ram respondidas de forma conclusiva em favor da autenti­
cidade da Bíblia à medida que realizava sua pesquisa.

povo de Cesaréia Tiberium Pontius Pilate Governador cia Ju d éia”.


LI ma outra sentença parece indicar uma palavra que significa “de­
d icação ”. É provável que essa pedra tenha sido colocada origi­
nalmente em um muro externo para com em orar a construção do
teatro.
Betânia: A Sepultura de Lázaro. Um dos acontecimentos mais
significativos do ministério de Jesus foi a ressurreição cie Lázaro (Jo
I I ). Não é de admirar que esse lugar tenha siclo venerado desde a
antiguidade. Vários escritores dessa época registraram a existência da
cripta de Lázaro e os arqueólogos acreditam que conseguiram desco­
brir a sua localização. Várias coisas levaram muitos arqueólogos a
acreditar que ela é autêntica. Primeiramente, foi aceita a identificação
cia cidade e do lugar. Segundo, os objetos encontrados são consisten­
tes com o período. Terceiro, existe uma substancial evidência de que

250
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N ovo T esta m en to

A “Sepultura de Lázaro".

os contemporâneos desse acontecimento acreditavam ser ali o local


original da sepultura. Essa evidência inclui antigas inscrições feitas
pelos cristãos. Essas inscrições mencionam que nesse lugar Lázaro
ressuscitou dos mortos, e demonstra que os próprios escritores im­
ploraram por uma misericórdia semelhante para si mesmos.
O T em plo de Je ru sa lé m . O Templo sempre foi o lugar mais im­
portante para os judeus desde Salomão. O Templo original, construído
por Salomão em aproximadamente 974 a.C., foi destruído na época
do exílio na Babilônia e reconstruído mais tarde. O rei Herodes, o
Grande, expandiu consideravelmente o tamanho do Templo durante
o seu reinado. Mencionado por alguns como o “Terceiro Templo” ele
foi destruído no ano 70.

O Muro Ocidental do Templo


(Também conhecido como Muro das Lamentações).

251
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Jesus passou muito tempo no Templo. Ali Ele foi circuncidado e


louvado pelos profetas (Lc 2.21-28). Ele voltou ao Templo quando
criança para as celebrações da Páscoa (Lc 2.41) e, durante o seu
ministério, Jesus certamente orou ali. Por duas vezes Ele expulsou os
cambistas que ficavam no pátio externo.

O Jardim do Getsêmani.

Getsêmani. A Igreja Universal do Getsêmani tem sido venerada


durante séculos por ter sido construída no lugar onde Jesus esteve
antes de ser traído. No centro da nave oriental está uma rocha identificada
como sendo a mesma rocha sobre a qual Jesus orou (Mt 26.36). Ela foi

Provável local onde Jesus foi açoitado.

252
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s do N ov o T e s t a m e n t o

construída sobre as fundações de uma antiga igreja bizantina. Eusébio


identificou este lugar no ano 330.
Ju lgam en tos de Jesu s: Caifãs e Pilatos. Jesus foi submetido a
uma série cle julgamentos realizados na casa de Caifás, o sumo sacer­
dote (Jo 18.24) e no palácio cle Pilatos. Embora esses dois lugares
tenham sido sugeridos, nenhum deles foi até agora confirmado. En­
tretanto, foram escavados degraus de pedra do primeiro século le­
vando desde o lugar da Última Ceia até o Jardim cio Getsêmani, e do
Getsêmani até o lugar da casa do sumo sacerdote. Esses degraus
certamente são autênticos.
Locais da M orte e da R essurreição de Jesus. A Igreja do Santo
Sepulcro foi construída no lugar onde a maioria dos arqueólogos
acredita terem ocorrido a crucificação e a ressurreição de Jesus. Cer­
tamente os primeiros cristãos iriam se lembrar desse lugar. Esse sítio
era tão importante que o imperador Adriano mandou colocar uma
estátua da deusa pagã Vênus no lugar do Gólgota Conde Jesus foi
crucificado) e uma estátua semelhante de Júpiter sobre o sepulcro da
ressurreição, esperando que os cristãos esquecessem dos seus luga­
res sagrados. Mas, ao contrário,
isso serviu apenas para identifi­
car e lembrar desses lugares. M uitos estudiosos consideram os
(Essa mesma abordagem foi ten­ locais da crucificação e da ressur­
tada por Adriano em Belém).
reição como os mais confiáveis
Mais tarde, quando Constan-
dentre todos os locais que estão
tino encerrou a perseguição e
transformou o cristianismo na re­ relacionados ao Senhor Jesus.
ligião oficial de Roma, sua mãe Helena, a mãe de Constantino,
Helena ajudou a construir uma identificou esses lugares a p ro x i­
igreja em cada um desses luga­ madamente no ano 326, com
res. No ano 335 foi realizado um
base na tradição. E o reconheci­
grande conclave de bispos em
mento desses lugares por A d ria n o
Jerusalém para consagrar a Igre­
ja do Santo Sepulcro. Eusébio es­ — que havia tentado escondê-los
teve presente nessa reunião e es­ com estátuas pagãs — confere
creveu sobre a sua importância. cre dib ilid ad e à tradição.

253
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Mais tarde, em 348, Cirilo de Jerusalé m fez uma série cie palestras nessa
igreja, mencionando repetidamente o significado histórico do lugar,
Foi registrado que até a madeira da;i três cruzes, assim como o cartaz
escrito em três idiomas coloca­
do acima da cabeça cie Jesus,
Nunca seja demasiadamente pre­
ainda existiam na igreja nessa
cipitado ao "aceitar grandes des­
época. Cirilo também nos dá
cobertas arqueológicas" como uma nítida descrição cia sepul­
autênticas. Entretanto, seja sem tura onde Jesus foi colocado,
pre receptivo para aprender mais antes cios operários de Constan­
sobre elas à medida que os estu­ tino começarem a construção
de elaborados edifícios para
diosos fazem suas análises com a
homenagear esse local. (Cirilo
finalidade de confirm ar mais evi­
nasceu em tempo de ver esse
dências sobre o passado. lugar antes e depois da cons­
trução da igreja.)
Vários outros escritores da
antiguidade também mencionaram a igreja, o Gólgota e o sepulcro
cie Jesus. Embora sofresse a destruiç :ào comum à maioria dos marcos

O lugar cia crucificação na Igreja do Santo Sepulcro.

254
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N ov o T esta m en to

fundamentais do cristianismo, ela foi repetidamente reconstruída,


destacando-se atualmente como a lembrança silenciosa do aconteci­
mento mais importante da história.
O Ossuário de Caifás (Mt 26.3,4, 63-66). Em novembro de 1999,
operários de construção, trabalhando numa seção ao sul da Cidade
Velha de Jerusalém, encontraram uma cova sepulcral que havia perma­
necido selada desde a destruição dessa cidade por Roma no ano 70.
No seu interior, eles encontraram um ossuário ricamente ornamentado
— uma caixa que continha os ossos de uma pessoa. Mas esse ossuário
não era uma descoberta comum. Gravado em um dos lados, em aramaico
antigo, estava o nome de “Caifás”. Essa inscrição, juntamente com ou-
Iras inscrições de membros da família na mesma sepultura, deixou
claro que se tratava verdadeiramente do ossuário de Caifás, o sumo
sacerdote que foi o primeiro a procurar a morte de Jesus.
Ossuários Cristãos em Jerusalém . A descoberta de dois ossuários
fora da cidade de Jerusalém, em 1945, por Eleazar L. Sukenik deu
margem a interessantes conceitos sobre os cristãos do primeiro sécu­
lo. Esses ossuários haviam sido gravados com inscrições e quatro
cruzes. Foram encontradas as palavras lesou s iou que, essencialmen­
te, significavam “Jesus, ajude”. Também foram encontradas as pala­
vras lesou s aloth que significavam “Jesus, ressuscita-o”.
Os especialistas calcularam a data desses ossuários como sendo

Ossuários em Jerusalém que acreditam


pertencer a Maria, Marta e Lázaro.

255
E x a m in e as E v id ê n c ia s

cie 50 d.C., isto é, aproximadamente 20 anos após a morte e ressurrei­


ção de Jesus. É até concebível que essas pessoas tivessem sido teste­
munhas oculares da ressurreição.

ÉK^II
sonantes

I
Sir William Ram say (1852-/910). Sir William Ramsay
foi, com certas ressalvas, o maior arqueólogo da sua época.
Ele havia rejeitado a maioria dos relatos do Novo Testamen­
to e estava determinado a provar sua falsidade tomando
como base outros escritos daquela época que contradiziam
a Bíblia. Ramsay acreditava que os livros de Lucas e de Atos
foram de fato escritos por volta do ano 150, portanto falta­
va-lhes a autenticidade que documentos do primeiro século
deviam mostrar. Suas viagens arqueológicas o levaram a
visitar 32 países, 44 cidades e 9 ilhas.3 Depois de 15 anos de
intensos estudos ele concluiu que “Lucas foi um historiador
de primeira categoria — esse autor devia estar colocado ao
lado dos maiores historiadores”.

O q u e os Críticos P o isa v a m — O q u e R am say D esco­


briu:
• Não houve nenhum censo romano (como indica­
do em Lc 2.1).
H av ia um cen so ro m a n o a c a d a 14 anos, c o m e ­
ç a n d o com o Im p erad o r Augusto.
• Quirino não era o governador da Síria na época do
nascimento de Jesus (como indicado em Lc 2.2).
Q uirino e r a g o v e rn a d o r d a Síria a p r o x im a d a m e n ­
te no a n o 7 a.C.
• As pessoas não precisavam voltar para a cidade
dos seus ancestrais (como indicado em Lc 2.3).
As pessoas realmente precisavam voltar para sua
cidade natal — isso foi verificado por meio de an­
tigos papiros egípcios que davam orientação sobre
como um censo devia ser realizado.

256
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N ovo T esta m en to

* A existência de Erasto, tesoureiro da cidade de


Corinto (Rm 16.23) estava incorreta.
Uma calçada na cidade de Corinto trazia a seguinte
inscrição: “Erasto, curador dos edifícios públicos,
construiu essa calçada às suas próprias custas”.
• A referência feita por Lucas a Gálio, procônsul da
Acaia estava errada (At 18.12).
Uma inscrição de Delfos dizia: “Como Lucius Junius
Gallio, meu amigo e procônsul de Acaia”.
Muitas e muitas vezes à procura de Ramsay com o
intuito de encontrar evidências de que os escritos de Lucas
estavam errados se transformou em evidências de que, ao
contrário, eles eram exatos. Como resultado, ele acabou
se convertendo ao cristianismo e proclamou Lucas como
‘um dos maiores historiadores de todos os tempos”.

«áSiai

R esu m o de ou tro s E xem p lo s A rq u eo ló gico s do Novo


Testamento
Para mais estudos e referências aqui estão outros eventos e perso­
nagens da Bíblia cuja ocorrência ou existência foram confirmados
pela arqueologia.

» Lugar d a a n u n c ia ç ã o d o n ascim ento d e Jesus, l.c 1.26-28.


• Segundo lu g ar d a a n u n c ia ç ã o , Lc 1.29-38.
• Local d e n ascim en to d e J o ã o Batista, Lc 1.65.
• C asa d e José, Mt 13-55; Marcos 6.3; Lc 4.16.
o L ocal d o b a tism o d e Jesus.
• C an á: Jesu s tran sform a á g u a em vinho, Jo 2. I I 1.
• S am aria: a m u lh er no p o ç o , Jo 4.1-41.
• A a lim en ta çã o d e m ultidões com cin co p ã es e dois peixes, Mc
6.32-44.

257
E x a m in e as E v id ê n c ia s

® O ofício d e M ateus, Mt 9.9.


• A lib erta çã o d o en d em o n in h a d o : o d em ôn io f o i la n ç a d o ao s
porcos, Mt 8.28-34.
• O sepu lcro d e f o ã o Batista, Mt 14.12.
• C esaréia: o p retório o n d e P au lo fic o u preso, At 23.35.
• B etfagé: Jesu s co m eç a su a en tra d a fin a l, Mt 21.1,2.
• O m onte d a s Oliveiras: Jesu s revela eventos d o fim dos tempos,
Mt 24.3.
• O monte d as Oliveiras: Jesus chora p ela cidade, Lc 19.41-44.
® A Ultima Ceia.
• A a sc en sã o d e Jesus, Lc 24.50-53; At 1.9.
• O en g a n o d e Safira, At 5.1.
• A S in agoga d os Libertos, At 0.9.
• O eu n u co etíope, At 8.26-40.
• A co n firm a çã o d a existência d e Sérgio Paulo, At 13-6-12.
• O repen tin o r e to m o d e M arcos a Jeru salém , At 13-13; 15-38,39-
• C o rreçã o d a s in fo r m a ç õ e s so b r e Ic ô n io , Listra e D erb e, At
14.6.
• C on firm ação d o “distrito” d a M aced ôn ia, At 16.12.
• C on firm ação d a p a la v r a "magistrados'', At 17.6, 8.
• In scrição n o m e a n d o Ercisto, Rm 16.23.
• O con trovertido ossu ãrio d e Tiago.

Avalie o que Você Aprendeu


1. Qual 6 a diferença entre tradição e lenda? Será que as tradições
têm valor?
2. Que evidência existe de que o local do nascimento de Jesus é
autêntico?
3. Quais são os lugares da crucificação e da ressurreição? Por que
podemos acreditar que eles sejam válidos?

258
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N ovo T esta m en to

4. O que sabemos a respeito dos parentes de Jesus depois da sua


crucificação? Como isso se relaciona com as informações que
temos a respeito dele?
5. Cite algumas descobertas arqueológicas relacionadas com ou­
tros importantes personagens do N o n o Testamento, como
Pilatos, Caifás e outros.

Capítulo 15 — Grupo de Estudo

Preparação p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: o capítulo 15 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Leia as passagens bíblicas relacionadas com as desco­
bertas feitas por Sir William Ramsaey (veja as páginas 256 e 257).
Discuta essas descobertas e como elas mudaram a vida de Ramsey.
Como essas informações podem ser usadas para ajudar outros a con­
fiar nas afirmações da Bíblia?

Atividade Prática
Entrevista p a r a a TV: Um “interlocutor da TV” está entrevistando um
“cristão” sobre sua recomendação a visitar possíveis lugares do Novo
Testamento. Esteja preparado para discutir sobre onde ir e por quê.

O ração de E n cerram en to

259
P a rte 2

Evidência da Confiabilidade da
Bíblia: Resumo e Conclusão

Não existe, praticamente, nenhuma base razoável sobre a qual


questionar a validade dos manuscritos bíblicos. Como já menciona­
mos, a origem dos escritos — começando com a importância da
teocracia e o cuidado adotado pelos escribas na escrituração cias có­
pias — fornecem, logo de início, uma base sólida para a precisão dos
manuscritos do Antigo Testamento. As evidências oferecidas pelos
Rolos (ou Pergaminhos) do mar Morto e pela Septuaginta ajudam a
corroborar nossas expectativas de que eles são portadores de uma
virtual perfeição e autenticidade.
Além disso, encontramos uma incrível precisão científica nas in­
formações previstas na Bíblia, comprovadas somente muitos séculos
depois pelos cientistas. Isso serve para acrescentar maiores evidênci­
as de que a Bíblia foi divinamente inspirada, assim como as profecias
100% perfeitas nela contidas (veja a parte 3), que comprovam a sua
divina inspiração.
A confirmação do Antigo Testamento feita por Jesus, assim como
sua pré-confirmação do Novo Testamento, também oferece um sóli­
do suporte à confiabilidade da Bíblia.
A existência de milhares de antigas e consistentes cópias do Novo
Testamento, algumas escritas pouco depois da época de Jesus, acres­
centa considerável base de evidência ao fato de o registro histórico
E x a m in e as E v id ê n c ia s

de Jesus e da Igreja Cristã Primitiva ter sido amplamente divulgado e


acreditado pelos primeiros cristãos. Portanto, teria havido suficiente
oportunidade para que possíveis erros fossem discutidos. E se esses
relatos não fossem fiéis à verdade eles não teriam sobrevivido.
Existe um grande número de manuscritos antigos e específicos
confirmando a história da Bíblia. Ao lado de exemplares praticamen­
te completos da própria Bíblia, existem também fontes extra-bíblicas,
algumas escritas por autores nào-cristâos e inimigos da igreja, que
fornecem provas da sua precisa historicidade.
Até os escritos e as citações dos primeiros patriarcas da igreja dão
considerável suporte a uma precisão de 100% da Bíblia — tanto as­
sim que se acredita que o Novo Testam ento esteja, em sua
integralidade, contido nesses escritos nâo-bíblicos.
Finalmente, toda a Bíblia foi canonizada nos seus três estágios: a
Torá, o Tanakh e o Novo Testamento. Em cada um desses casos, eles
foram popularmente aceitos rapidamente depois cie considerados como
Santas Escrituras e confirmados oficialmente 200 anos mais tarde.
A Bíblia é um livro que define o relacionamento do homem com
Deus. Entretanto, ela está baseada na história. E a fundação do cristi­
anismo também está baseada na história — nos fatos da crucificação
e ressurreição de Jesus Cristo. Portanto, a confiabilidade nos relatos
históricos da Bíblia é vital para o cristianismo. Como podemos ver, as
evidências disponíveis que dão suporte à Bíblia em muito ultrapas­
sam qualquer outro livro de história, qualquer que seja ele.
P arte 3

Evidências de Deus, da Bíblia e


de Jesus nas Profecias

____ Um V e r s íc u l o para M e m o r iz a r -- ---------


Eu sou Deus, e n ã o b ã ou tro Deus, n ã o h á ou tro s em e ­
lh a n te a mim.; q u e a n u n c io o fim d es d e o p r in c íp io e,
d e s d e a a n tig u id a d e , a s co isa s q u e a in d a n ã o s u c e d e ­
ram (Is 46.9,10).

s perguntas mais importantes que um ser humano


pode fazer são:

1. Será que Deus existe? Como podemos saber?

2. Se Deus existe, como podemos saber em que confi­


ar quanto à sua mensagem para nós? Em outras
palavras, quais religiões, livros e pessoas são ver­
dadeiramente de Deus?

3. Será que a Bíblia foi inspirada por Deus?

4. Será que Jesus é Deus?


E x a m in e as E v id ê n c ia s

A razão de essas perguntas serem tão importantes é que elas tra­


tam da nossa posição na eternidade (sem mencionar uma vicia me­
lhor na terra), se, na verciade, Deus existe e a Bíblia e Jesus são o que
afirmam ser. Chegara uma decisão esclarecida a respeito de Deus, cia
Bíblia e de Jesus deverá, certamente, ter precedência sobre qualquer
outra atividade humana — as ferias, o trabalho e mesmo a família.
(Em alguns casos, será necessário abandonar as crenças e tradições
cia família para conhecer o verdadeiro Deus.)
A Bíblia não mede palavras para especificar suas declarações e a
eterna importância da decisão de aceitar ou rejeitar a Jesus (examine
o versículo abaixo — o total significado da palavra “crentes” é crer e
aceitar intelectualmente, nesse caso o sacrifício de Jesus):

---------- Um V e r s íc u l o para M e m o r iz a r __________


A qu ele q u e crê n o Filho tem a vicia eterna, m as a q u ele q u e
n ã o crê no F ilho n ã o verá a vida, m as a ira d e D eus sob re
ele p e r m a n e c e (Jo 3.36).

Isso torna bastante claro a alternativa da eternidade. Ou 1) crer e


aceitar a Jesus a fim de ter alguma pretensão à vida eterna; ou 2)
rejeitar a Jesus e não ter a vida — e, ao contrário, enfrentar a ira de
Deus. Além disso, a Bíblia nos dá uma indicação sobre a maravilhosa
natureza da vida eterna (com Deus) versus a alternativa de uma eter­
nidade longe de Deus (que é o contrário de tudo o que se pode
chamar de “vida”).

O Reino do Céu para o Crente

() Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido


num campo que um homem achou e escondeu; e, pelo
gozo dele, vai, vende tudo quanto tem e compra aquele
campo (Mt 13-44).

O Reino dos céus é semelhante ao homem negociante


que busca boas pérolas; e, encontrando uma pérola de

264
E v id ê n c ia s de D eu s, da B íb l ia e d e J e s u s n as P r o f e c ia s

grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou -


a (vv. 45,40).

Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois


com eles habitará [com os crentes que aceitam Jesus —
no céu], e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará
com eles e será o seu Deus. E Deus limpará de seus
olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pran­
to, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas
são passadas (Ap 21.3,4, grifo do autor).

O Destino do Não-crente

O diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e


enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de
noite serão atormentados para todo o sempre (Ap 20.10).

Aquele que não foi achado escrito no livro da vida [onde


estão registrados aqueles que recebem a vida através de
sua fé no Senhor Jesus Cristo] foi lançado no lago cie
fogo [onde Satanás, a besta e o falso profeta foram lança­
dos — veja o versículo acima] (Ap 20.15, grifo do autor).

Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos e


separarão os maus dentre os justos. E lançá-los-ão na
fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger cie dentes
(Mt 13.49,50).

Considerando que a Bíblia é muito clara na descrição das conse­


qüências de aceitar ou rejeitar a Jesus Cristo, alguém seria muito tolo
se não examinasse cuidadosamente essa questão. Seria o mesmo que
saber com absoluta certeza que um furacão atingiria a sua casa (como
se fosse a morte se aproximando), e você não fizesse nenhuma pre­
paração para recebê-lo.
Portanto, as questões mais importantes foram aquelas que coloca­
mos no início dessa seção. Se Deus, Jesus e a Bíblia n ã o forem váli­
dos, então a decisão de prestar atenção às palavras da Bíblia e de

265
E x a m in e as E v id ê n c ia s

seguir a Jesus será passível cie discussão. Entretanto, se eles forem


dignos de crédito, ignorar Jesus seria a decisão mais difícil que al­
guém poderia tomar. Dessa maneira, como podemos verificar se Deus,
Jesus e a Bíblia são reais?

266
Profecia:
O Teste de Deus

' ;, ue teste o Deus do universo iria exigir para determinar se


alguma coisa teria vindo dEle? Certamente, seria um teste que nenhu­
ma pessoa, ou coisa (inclusive Satanás) poderia realizar, exceto Deus.
Também seria algo que os seres humanos entenderiam.
Uma profecia que fosse 100% perfeita seria um tipo desse teste.
Como foi indicado pelo versículo que introduz essa parte (Is 46.9,10),
Deus é único (“não há outro”) na sua capacidade de saber “o fim
desde o princípio”.
Também encontramos um mandamento profético na Lei de Moisés
quando os judeus estavam pedindo para não serem forçados a “ou­
vir” ou ver a glória de Deus — em seu lugar, profetas seriam provi­
denciados (Dt 18.15,16).
A gravidade e a seriedade da profecia é mostrada mais adiante em
Deuteronômio, quando falsos profetas (em virtude de um único erro)
foram condenados à morte:

E será que qualquer que não ouvir as minhas palavras, que


ele falar em meu nome, eu o requererei dele. Porém o pro­
feta que presumir soberbamente cie falar alguma palavra em
meu nome, que eu lhe não tenho mandado falar, ou o que
falar em nome de outros deuses, o tal profeta morrerá.
E x a m in e as E v id ê n c ia s

E se disseres no teu coração: Como conheceremos a pa­


lavra que o Senhor não falou? Quando o tal profeta falar
em nome do Senhor, e tal palavra se não cumprir, nem
suceder assim, esta é palavra que o Senhor não falou;
com soberba a falou o tal profeta; não tenhas temor dele
(Dt 18.19-22).

Além disso, a Bíblia usa também a profecia como um teste. Por


exemplo, consideremos a ocasião em que o profeta Elias disse cora­
josamente que Deus iria produzir um fogo que consumiria os sacrifí­
cios — um teste contra 450 profetas do deus pagão Baal, reunidos
pelos odiados “assassinos de profetas”, Jezabel e Acabe.

Então, disse Elias ao povo: Só eu fiquei por profeta do


Senhor, e os profetas de Baal são quatrocentos e cinqüen­
ta homens. Dêem-se-nos, pois, dois bezerros, e eles esco­
lham para si um dos bezerros, e o dividam em pedaços, e
o ponham sobre a lenha, porém não lhe metam fogo, e eu
prepararei o outro bezerro, e o porei sobre a lenha, e não
lhe meterei fogo. Então, invocai o nome do vosso deus, e
eu invocarei o nome do Senhor; e há cie ser que o deus
que responder por fogo esse será Deus. E todo o povo
respondeu e disse: É boa esta palavra (1 Rs 18.22-24).

Depois de passarem horas em meio a orações e clamores, os 450


profetas de Baal não produziram nenhum fogo. Então Elias, confian­
do na sua profecia, mandou que o altar fosse molhado três vezes
com água. A Bíblia registra o resultado dessa profecia:

Sucedeu, pois, que, oferecendo-se a oferta de manjares,


o profeta Elias se chegou e disse: Ó Senhor, Deus de
Abraão, cie Isaque e de Israel, manifeste-se hoje que tu
és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que confor­
me a tua palavra fiz todas estas coisas. Responde-me,
Senhor, responde-me, para que este povo conheça que
tu, Senhor, és Deus e que tu fizeste tornar o seu coração
para trás. Então, caiu fogo do Senhor, e consumiu o

268
P r o f e c ia : O T este d e D eu s

holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lam­


beu a água que estava no rego. O que vendo todo o
povo, caiu sobre os seus rostos e disse: Só o Senhor é
Deus! Só o Senhor é Deus! (1 Rs 18.36-39)

O profeta Isaías mostra um outro exemplo usando a profecia como


teste:

Apresentai a vossa demanda, diz o Senhor; trazei as vos­


sas firmes razões, diz o Rei de Jacó. Tragam e anunciem-
nos as coisas que hão de acontecer; anunciai-nos as coi­
sas passadas, para que atentemos para elas e saibamos o
fim delas; ou fazei-nos ouvir as coisas futuras. Anunciai-
nos as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos
que sois deuses... (Is 41.21-23)

Para mostrar a importância da profecia como um instrumento que


determina se alguém ou alguma coisa vem de Deus, mesmo quando
Jesus estava sendo ridicularizado, foi-lhe feita uma exigência:

Então, cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e ou­


tros o esbofeteavam, dizendo: Profetiza-nos, Cristo, quem
é o que te bateu? (Mt 26.67.68)

Tipos de Profecia
Os três principais tipos de profecia são: as profecias de curto pra­
zo, cie longo prazo e do fim dos tempos. Cada uma dessas formas
executa um papel primordial porque nos ajuda a entender Deus,
Jesus, a Bíblia e também o nosso relacionamento com Ele.

Profecia de Curto Prazo


A profecia de curto prazo é aquela que, tendo sido registrada na
Bíblia, realizou-se depois de um curto período de tempo. Geralmen­
te, a profecia era registrada no mesmo livro em que era realizada.
Elas eram muito importantes para os judeus, pois representavam os

269
E x a m in e as E v id ê n c ia s

meios principais pelos quais os profetas eram confirmados. Em ou­


tras palavras, se uma profecia importante de curto prazo era proferi­
da de forma consistente e depois se cumpria, ela estava confirmando
que o profeta falava verdadeiramente de Deus. Entretanto, um único
erro não só desacreditaria o “profeta”, como também daria motivos
para sua imediata execução.
Vejamos, por exemplo, as profecias de curto prazo expressas por
Natã a respeito das conseqüências que sobreviriam ao rei Davi de­
pois de cometer o pecado de adultério com Bate-Seba (e o assassina­
to de Urias).

Então, disse Natã a Davi: Tu és este homem. Assim diz o


Senhor, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te
livrei das mãos de Saul; e te dei a casa de teu senhor e as
mulheres de teu senhor em teu seio e também te dei a casa
de Israel e de Judá; e, se isto é pouco, mais te acrescentaria
tais e tais coisas. Por que, pois, desprezaste a palavra clo
Senhor, fazendo o mal diante de seus olhos? A Urias, o
heteu, feriste à espada, e a sua mulher tomaste por tua
mulher; e a ele mataste com a espada dos filhos de Amom.
Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa,
porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o
heteu, para que te seja por mulher. Assim diz o Senhor: Eis
que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti, e tomarei
tuas mulheres perante os teus olhos, e as ciarei a teu próxi­
mo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol.
Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio
perante todo o Israel e perante o sol. Então, disse Davi a
Natã: Pequei contra o Senhor. E disse Natã a Davi: Também
o Senhor traspassou o teu pecado; não morrerás. Todavia,
porquanto com este feito deste lugar sobremaneira a que
os inimigos do Senhor blasfemem, também o filho que te
nasceu certamente morrerá (2 Sm 12.7-14).

Essa passagem da Bíblia contém quatro profecias importantes: 1)


o filho de Davi seria homem, 2) a criança morreria, 3) a “espada não

270
P r o f e c ia : O T este d e D eu s

se apartaria da casa de Davi” — querendo dizer que as contendas


continuariam na família, e 4) alguém próximo a Davi iria “deitar com
Isuas] mulheres... perante todo o Israel e perante o sol”.
Mais tarde, nesse mesmo livro (2 Samuel), encontramos o cumpri­
mento de todas essas profecias. Bate-Seba cleu â luz um filho que
morreu. Absalâo, filho de Davi, organizou um exército e lutou contra
Davi na disputa pelo trono, c, no fim, se “deitou com as concubinas
(esposas) de seu pai” no terraço do palácio — “à vista de lodo Israel”
(2 Sm 16.22, ARA).
Podemos ver que essas profecias muito específicas concederiam
uma sólida credibilidade a Natã como profeta, levando essa história a
ser incluída na Escritura Sagrada, apesar do constrangimento imposto
ao rei Davi.
Embora nessa época as profecias de curto prazo fossem extrema­
mente importantes para os judeus, atualmente, para muitos, essa im­
portância é limitada (em particular para os céticos), pois alguém po­
deria argumentar que os antigos autores, levados por motivos dúbi­
os, poderiam de forma incorreta reivindicar profecias depois de o
fato já ter acontecido.

Profecia de Longo Prazo


Outras profecias foram feitas num determinado momento de tem­
po e num determinado livro da Bíblia, mas se cumpriram num tempo
posterior, ou foram registradas num livro diferente, por um autor
diferente, ou ambos. Essas profecias dão mais garantia aos céticos
atuais sobre o milagre da sua divina inspiração — em especial quan­
do essas profecias e seu cumprimento podem ser confirmados pela
objetividade da história e da arqueologia. Quanto a esta parte, fize­
mos a revisão cle várias profecias de longo prazo que são comentadas
a seguir, juntamente com outras que relacionamos no Apêndice C.

Profecia do Fim dos Tempos


Na Bíblia, a categoria dessa profecia é a que está relacionada com
o fim dos tempos — com coisas que estão além desse mundo, inclu-

271
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Os três tipos de profecia trabalham si ve com a vida após a mor­


em conjunto. As profecias de curto te, com o céu e o inferno. A
importância de tal profecia é
prazo ajudaram as pessoas a reco­
óbvia: ela nos dá indicações
nhecer os autênticos profetas de
sobre o que irá finalmente
Deus, de modo que puderam in­ acontecer — depois da mor­
cluir seus escritos na Sagrada Es­ te ou no fim dos tempos.
critura. As profecias de longo p ra ­ O problema com esse tipo
zo fornecem aos céticos atuais a de profecia é que ela só po­
derá ser comprovada no fim
prova de que a Bíblia foi inspirada
dos tem pos, quando será
por Deus, e que Jesus é quem a fir­
muito tarde para qualquer re­
mou ser — o Deus encarnado. E as ação de nossa parte. Mas a
profecias de curto e longo prazo confiança adquirida com uma
100% perfeitas nos dão a certeza perfeita profecia, de curto ou
de que as profecias do fim dos de longo prazo, deverá nos
levar a sentir a mesma confi­
tempos também serão precisas.
ança com relação às profeci­
as do fim dos tempos.

Avalie o que Você Aprendeu


1. Recite o versículo que destaca Deus acima de todas as outras
coisas ao afirmar que somente Ele conhece “o fim desde o
princípio”.
2. Qual é o versículo que define as conseqüências de uma vida
com e sem Jesus?
3. Descreva o céu. Descreva o inferno.
4. Defina o que é uma profecia de curto prazo, de longo prazo e
do fim dos tempos. Qual é o papel cie cada uma?
5. O que a Bíblia fala a respeito dos profetas que cometem um
erro? Onde encontramos isso?

272
P r o f e c ia : O T este d e D eu s

Capítulo 16 — Grupo de Estudo

Prep aração p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: Isaías 46.9,10; Deuteronômio 18.20-22; Hebreus 11.6; João
3.36; 1 Tessalonicenses 5.21 e o capítulo 16 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Leia as passagens bíblicas acima relacionadas com a
profecia. Discuta como é importante o fato de Deus nos dar um
método absolutamente “a toda prova” de testar se alguma coisa vem
de fato dEle. Discuta o papel das profecias de curto prazo, de longo
prazo e do fim dos tempos.

Atividade P rática
D in â m ic a d e p a p éis: O “cristão” deve tentar estabelecer o cená­
rio para uma discussão sobre a profecia do futuro, revendo a neces­
sidade de um teste "a toda prova” para saber se alguma coisa “veio
de Deus”. Deverão ser transmitidas a gravidade desse assunto e as
suas conseqüências.

O ração de E n cerram en to

273
Por que a Profecia
É um Teste Confiável

J k Bíblia nos diz que Deus é único e só Ele conhece o fim desde
o princípio (Is 46.9,10). Isso estabelece a profecia como um teste de
algo como sendo “cie Deus”. Sabemos que os homens não podem
profetizar sem Deus, do contrário muitas pessoas utilizariam
indevidamente este poder. De igual modo, podemos descansar segu­
ros de que Satanás não pode prever o futuro, cio contrário ele usaria
a profecia para afastar as pessoas de Deus — por exemplo, dando a
algumas pessoas o conhecimento cle como ganhar constantemente
fama ou fortuna. A profecia, ou a predição do futuro, é um teste
particularmente bom para verificar se algo é cle Deus, porque os
seres humanos estão familiarizados com isso e são capazes de enten­
der o ponto no qual a profecia ultrapassa a razão humana e é obvia­
mente cle Deus.
Considere o fato de que a todo minuto, de todos os dias, as pessoas
estão tentando prever o futuro. Isso não envolve só jogar em cassinos
e na bolsa de valores. As pessoas estão tentando prever o futuro de
seus relacionamentos, sua saúde, suas finanças, e outras coisas. Embo­
ra as pessoas possam não ser boas em predizer o futuro, especialmen­
te se isso envolver uma predição bastante específica, elas en tendem o
que a profecia futura envolve. O que em geral elas não entendem é até
que ponto a probabilidade faz parte da nossa vida cotidiana. A maioria
E x a m in e as E v id ê n c ia s

das pessoas não entende completamente as probabilidades matemáti­


cas dramáticas associadas com as muitas profecias.

A Profecia Pode Ser uma “Evidência Concreta e


Exata” de Deus, de Jesus e da Bíblia
A evidência concreta e exata inevitavelmente envolve a matemáti­
ca que define uma verdade por definição (com freqüência como uma
equação) ou como ura evento estatístico altamente provável. A pro­
fecia pode fornecer uma evidência concreta e exata de Deus, de
Jesus e da Bíblia, porque pode ser avaliada usando suposições “ab­
surdamente conservadoras” e ainda provar (estatisticamente) a inspi­
ração sobrenatural da Bíblia. Trataremos mais sobre isso depois, mas
primeiro vamos descrever em linhas gerais como a profecia na Bíblia
pode ser eficazmente mais avaliada pelos céticos.
O valor da profecia ao “provar” a existência de Deus, a divindade
de Jesus, ou a inspiração de Deus da Bíblia, está diretamente relacio­
nado com: D o grau de improbabilidade de uma ocorrência aleatória
de um evento(s) específico(s) profetizado(s) sem Deus; e 2) o núme­
ro de profecias corretas consecutivas feitas sem erro.
Primeiro, a esp ecificid ad e de qualquer profecia representa um gran­
de papel em sua importância. Por exemplo, proclamar que alguém
conhecerá um “estranho alto, moreno e bonito” não diz muito. Um
exemplo de tal profecia foi a suposta “predição” de Jeane Dixon
sobre a eleição e o assassinato cie John F. Kennedy.1 Na verdade, a
sua predição na revista P a ra d o em 1956 clizia que “um democrata”
venceria a eleição e que “morreria no poder”. Isso foi muito menos
específico do que predizer que ‘Jo h n F. Kennedy seria assassinado”,
como alguns mais tarde recontaram a “profecia”. De que forma essa
“profecia” foi surpreendente?
Primeiro, a probabilidade de um democrata vencer aquela elei­
ção presidencial era de 50%. Segundo, a probabilidade de um pre­
sidente morrer no poder — como a cie 1960 — era por volta de
40%. A probabilidade combinada de ambos os eventos ocorrer era
de 50% vezes 40% — ou seja, 20%. Em outras palavras, havia uma
chance cie 1 em 5 de que os eventos tivessem ocorrido de qualquer

276
P or que a P r o f e c ia É cm T este C o n f iá v e l

maneira. Sendo assim, foi essa profecia extraordinária? Nâo. No


entanto, isso lançou Jean e Dixon em uma carreira bem-sucedida
como “médium”. Mas a sua carreira também incluiu muitos erros,
tais como:

1. a predição cie que a Terceira Guerra Mundial ocorreria em 1954;


2. a predição de que Jacqueline Kennedy jamais se casaria outra
vez (ironicamente, esta predição foi feita um clia antes de ela se
casar com Aristóteles Onassis);
3. a predição de que o conflito no Vietnã (que durou até 1975)
terminaria em 1966.
Se Jeane Dixon tivesse expressado essas profecias em nome cie
Deus no Israel dos tempos bíblicos, ela teria sido apedrejada até a
morte! Por outro lado, se essas quatro profecias tivessem se tornado
realidade sem erros, teria sido algo muito impressionante.
IJma profecia extrem am ente espetacular com uma probabili­
dade insuperável pode fornecer uma prova profética de Deus
por si só (tal com o a profecia da ressurreição de Jesus). No en­
tanto, muitas profecias 100% corretas, sem erro algum, também
podem estatisticam ente fornecer certeza de que algo é “de Deus”.
Com freqüência, uma pessoa ou coisa (por exem plo, um livro
sagrado) reivindicando ser “de D eus” com bina várias profecias
de especificidade variada. Por exem plo, suponha que alguém
profetizasse que o próxim o presidente dos Estados Unidos seria
uma mulher republicana, com 51 anos de idade, do estado de
Rhocle Island, cujo primeiro nom e é Zora, que se casou com um
homem cham ado Blake que nasceu em Woodstown, N ovajersey.
Ela tem 1,55 m de altura, pesa 55 quilos, nasceu na cidade cle Big
Bear Lake, Califórnia, tem uma marca de nascença de 30 cm nas
costas, tem olhos azuis, possui 11 letras em seu sobrenom e, sen­
do o seu pai de Grenade, sua mãe do Panamá. Ah, mais uma
coisa: a profecia prediz o p a d r ã o e x a lo d a im p ressã o d ig ita l do
novo presidente. Esta é uma profecia muito im pressionante. Em
função do exem plo, vamos assumir as seguintes probabilidades
estimadas:

277
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Especificação 1 C hance em ...


Republicana 2
Mulher 50
51 anos 20
De Rhode Island 165
Primeiro nome Zora 2011
Casada com Blake 1000
Nascido em Woodstown 1000
Nascida em Big Bear Lake 1000
Marca de nascença de 30 cm 100.000
1,55 m de altura 15
55 kg 10
11 letras no sobrenome 9
Pai de Grenada 20.000
Mãe do Panamá 7000
Olhos azuis 2
Impressões digitais corretas 64.000.0002
Total de probabilidade 1 ch an ce em 1,6 x 10 1’

Certamente esta seria uma profecia espantosa se feita por um


indivíduo (sem que nada estivesse errado). Esta incrível profecia,
tão absolutamente remota, poderia ser de igual modo tão impres­
sionante quanto simplesmente uma pessoa (ou livro sagrado) pre­
dizer um grande número de eventos com exatidão em uma se­
qüência sem erros. Comparemos a profecia acima a alguém predi­
zendo m u itas e le iç õ e s co rreta s s e g u id a s — apenas predizendo o
partido vencedor. Suponha que o “profeta” tenha predito um re­
publicano e ele vença. A pessoa estava correta, mas o quanto isso
é significativo? Não muito, visto que a probabilidade é de aproxi­
madamente 50%. Agora suponhamos que o “profeta” prediga cor­
retamente duas eleições seguidas. A predição dupla é um pouco
mais interessante. Seria com o jogar uma moeda e ter “cara” duas
vezes seguidas, ou + x + = +, ou 1 chance em 4. Vamos continuar
o exem plo por 150 eleições.


’ 2 x 50 x 20 x 165 x 2011 x 1000 x 1000 x 1000 x 100.000 x 15 x 10 x 9 x 20.000 x 7000
x 2 x 64.000.000.

278
P or que a P r o f e c ia É um T este C o n f iá v e l

A chance cie predizer corretamente 150 eventos com uma proba­


bilidade aleatória de 50% cada é fácil de se calcular matematica­
mente. É + multiplicado por si mesmo 1.50 vezes. Encontramos que
a probabilidade de se fazer corretamente 150 profecias perfeitas
(nenhuma errada) com uma chance de 50% de cada, é de 1 chance
em 10'|S, ou 1 chance em um bilhão de trilhões de trilhões cie trilhões!
Podemos ver que a probabilidade de se predizer todos os 150 even­
tos “profetizados de forma simples” é tão espantosa quanto profeti­
zar um evento incrivelmente improvável (tal como a eleição de uma
pessoa específica para presidente). E como demonstrado na parte 1
(pp. 97, 98), a probabilidade de se jogar uma moeda e dar “cara”
150 vezes seguidas está além da razão.
Ao avaliarmos a profecia bíblica, usaremos os dois princípios aci­
ma para determinar, de forma conservadora, a prova da existência cie
Deus, se Ele inspirou a Bíblia, e também a divindade de Jesus. Os
dois princípios-chave da avaliação de uma profecia são:
1. a especificidade da profecia;
2. o número de profecias consistentemente corretas.

Padrões Proféticos Probabilísticos


Os seres humanos desenvolveram padrões usando estatísticas
para “provar” que algo é certo. Por exem plo, os cientistas prova­
ram essencialm ente que a gravidade existe. Duvido que alguém
seja capaz de refutar isso. Muitas outras
leis da física também já foram provadas,
com base em testes que indicam que a ^ especificidade e o
probabilidade cia lei é tão alta (baseada número de profecias
em causa e efeito) que qualquer outra constantemente cor-
explicação poderia ser considerada vir- retas são os dois
m almente impossível. Em geral, os ci- critérios que serão
entistas consideram qualquer evento ,
, usados ao se anali-
com uma probabilidade m enor do que
uma chance em 10"" como sendo impos- sar ° sl9 ni'lcac'0
sível (sem Deus). estatístico da Bíblia.

279
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Por outro lado, sabemos com certeza absoluta que essas leis são
verdadeiras? Não! Mas como resultado de experiências maciças, sabe­
mos que as chances de se negar as leis da física são absurdamente
pequenas. Muitas experiências que envolvem deixar as coisas caírem
determinaram que a gravidade existe sem qualquer sombra de dúvi­
da. As pessoas aceitam isso como um fato. Os cientistas geralmente
aceitam as experiências estatísticas como prova. E ninguém (ao me­
nos nenhuma pessoa em sã consciência) saltaria de um penhasco
tentando provar que a lei cia gravidade está errada. Todas as leis da
física que aceitamos hoje, sobre as quais estão baseadas todas as
coisas desde o design dos aviões até a segurança das nossas pontes,
estão fundamentadas em provas estatísticas.
Em certo sentido, as ações diárias de todas as pessoas estão ba­
seadas também em provas estatísticas, ou “probabilísticas”. A fami­
liaridade com estas provas cotidianas nos ensina a evitar fazer coi­
sas ridículas como saltar de um caminhão em movimento (força =
massa vezes aceleração, uma lei de física de Newton); ficar em pé
dentro cia banheira e colocar o dedo em uma tomada elétrica; ou
permanecer no caminho de um tornado que avança. Todas essas
situações carregam uma altíssima probabilidade de uma conseqü­
ência desastrosa baseada na prova das leis da física. N en hu m a é
provada com 100% de certeza. No entanto, todas as leis-chave cia
física são provadas com um grau de certeza abaixo de 1 chance de
não ocorrer em 10s". Isto significa que existe menos de 1 chance em
I OO.OOO.OOO.OOO.OOO.OOO.OOO.OOO.OOO. 000.000.000.000.000.000.000.000
de alguma n ã o estar certa.
Em outras palavras, a chance da gravidade não existir é absurda­
mente pequena. A gravidade é em essencial um fato absoluto. Sim,
um cético radical poderia reivindicar que a gravidade “ainda não está
provada”. Entretanto, outra vez, tenho de encontrar um cético dis­
posto a desafiar a prova da gravidade saltando de um penhasco.
É bem provável que a prova estatística seja a mais comum que
usamos no curso diário das nossas vicias:

• Toda vez que entramos em uma estrada temos alguma proba­


bilidade cie sofrer um acidente de carro fatal.

280
P or que a P r o f e c ia É um T este C o n f iá v e l

Todo minuto temos alguma probabilidade de sermos atingidos


por um meteorito.
Toda vez que comemos temos alguma probabilidade de mor­
re rmos e ngasga dos.
Dependemos da prova da gravidade para a estabilidade de
tudo, desde as nossas casas até grandes edifícios e pontes.
Dependemos da prova das leis da física para coisas como o
aquecimento, a refrigeração, a eletricidade, e a solidez estrutu­
ral, por exemplo, das represas.
Dependemos da prova das descobertas químicas para os remé­
dios e milhares de outras substâncias.

A prova estatística não tem


100% de certeza. Mas é altam en te
con fiáv el através de repetidas ob­ Vivemos a nossa vida cotidi­
servações e experimentos. Além ana com base em p ro b a b ili­
disso, o marco-padrão é que qual­ dades. A p a rtir de um ponto
quer coisa com uma probabilida­ de vista humano, há um
de menor que 1 em 10,ü é impossí­ ponto no qual a p ro b a b ili­
vel e absurda (sem D eus); portan­
dade pode ser usada efeti­
to, os homens aceitam tal probabi­
vamente como "prova".
lidade como “prova”.

- CONCEITO-CHAVE -----------------
Os cientistas g eralm en te a c eita m o p a d r ã o d e q u e q u a l­
q u er coisa com u m a p r o b a b ilid a d e m en o r q u e 1 em IO9’
é impossível.

Critério de Profecia
Como já foi observado, a especificidade de qualquer profecia
determinaria, em grande parte, a sua importância juntamente com o

281
E x a m in e as E v id ê n c ia s

número de profecias perfeitamente corretas. Também, a verificação


de que a profecia foi na verdade feita a n tes do cumprimento seria
de vital importância. E a verificação da confiabilidade da informa­
ção a respeito tanto da profecia original como cio cumprimento
seria crítico. Tais questões de verificação são tratadas na parte 2.
O critério para a avaliação estatística da profecia inclui que seja:

1. De suficiente especificidade e im probabilidade, d e fo rm a q u e um


ex am e rápido levasse u m a p essoa sensata a concluir qu e o cum ­
prim en to teria uma. p ro b a b ilid a d e d e 1 em. 10 ou menor. Esse cri­
tério elimina as generalidades “alto, moreno, bonito” e as profeci­
as “democrata morrendo no poder” que não são muito notáveis.
Embora 1 chance em 10 em si também não seja algo muito espe­
tacular, como demonstrado acima, várias profecias 1 em 10 reuni­
das — sem que nenhuma seja errada — seriam espetaculares.
(Por exemplo, apenas oito profecias corretas do tipo 1 em 10, em
uma combinação, se equiparariam a 1 chance em 100 milhões).
2. A u ten tica d a p o r u m a fo n t e e c o n fir m a d a p o r u m a f o n t e s e ­
p a r a d a q u e n ã o r e c e b e r ia n en h u m benefício líquido d a c o n ­
fir m a ç ã o d a p r o fe c ia . Isto eliminaria profecias arranjadas para
o benefício de alguém. “B enefício líquido" é importante
porque em alguns casos pode haver algum benefício perce­
bido que possa prejudicar a confirm ação da profecia.
3. B asea d a em u m a fo n te confiável. As fontes tanto cla profecia como
da confirmação devem ser confiáveis, ou a profecia se torna ape­
nas especulação. A parte 2 demonstra que a Escritura Sagrada
sobre a qual a Bíblia foi escrita é confiável. Em particular, tanto os
manuscritos do mar Morto como a Septuaginta fornecem evidên­
cias poderosas de que todas as profecias do Antigo Testamento
sobre Jesus foram escritas antes de seu nascimento.

Avalie o que Você Aprendeu


1. Por que a profecia, em particular, pode ser submetida à análise
de probabilidade?

282
P or que a P r o f e c ia É um T este C o n f iá v e l

2. Quais são os dois critérios que devem ser avaliados ao se deter­


minar a probabilidade de uma série de profecias bíblicas con-
sistentemente corretas?
3. Dê um exemplo de como, matematicamente, uma série de mui­
tas profecias 100% corretas pode ter a mesma importância de
uma única profecia bastante espantosa.
4. Qual é a probabilidade de se jogar uma moeda e dar cara “ape­
nas” 150 vezes seguidas?
5. Que padrão os cientistas usam para definir algo como impossível?

Capítulo 17 — Grupo de Estudo

P rep aração para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: o capítulo 17 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Os homens têm usado a probabilidade para definir as
coisas como “provadas”, tais como a gravidade e muitas leis da física
usadas pelos engenheiros. Discuta o simples exemplo de “jogar uma
moeda” (veja as páginas 97 e 98) e discuta os números de probabili­
dade como “prova”.

Atividade P rática
D ebate: O “cristão” versus um “cético” que argumenta que não se
pode provar nada. O objetivo é convencê-lo do contrário.

O ração de E n cerram en to

283
Provas de Profecias Relacionadas
aos Maiores Eventos Históricos

m 722 a.C., Samaria, a capital da cidade das dez tribos do


Norte, foi capturada pelos assírios, que fizeram os judeus cati­
vos. Embora algumas tentativas tenham sido feitas pela Assíria
para conquistar Judá (o Reino do Sul), eles nunca tiveram êxito.
P o s t e r io r m e n t e , os b a b i lô n io s , s o b o c o m a n d o do rei
N abucodonosor, derrotaram os assírios e expandiram o seu im­
pério. Eles, com êxito, atacaram Judá e com eçaram a exilar os
judeus entre 606 e 605 a.C. No entanto, o primeiro exílio não se
c o m p le to u a té o c e r c o b e m -s u c e d id o de Je r u s a lé m p or
N abucodonosor, entre 587 e 586 a.C.

Profecias sobre o Prim eiro Exílio Judeu


Naquela época o exílio dos judeus do Reino do Sul estava com­
pleto. Oito profetas predisseram isso corretamente com muitos deta­
lhes específicos.

M oisés (Dt 28.49-57). Moisés profetizou sobre esse exílio por vol­
ta de 1450 a.C. (Como ponto cie referência, Lamentações foi escrito
por Jeremias logo após a queda de Jerusalém em 586 a.C., confirman­
do a profecia de Moisés quase 900 anos depois.)
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Profecia C um prim ento


Uma nação estrangeira derrotaria
a nação dos hebreus. História
Tudo seria destruído. História
Os invasores não teriam nenhum
respeito pelos idosos e nenhuma
compaixão pelos jovens. Lamentações 2.21
F.les cercariam as cidades. Lamentações 3.5
Os hebreus recorreriam ao canibalismo. Lamentações 2.20

Am ós (Am 3; 5— 9). Quase 40 anos antes de os assírios conquista­


rem e quase 200 anos antes ele os babilônios conquistarem, Amós
(por volta de 760 a.C.) profetizou que a nação de Israel seria devas­
tada por seus pecados. C um prim ento: História.

Oséias (Os 1.2-8). Oséias (por volta de 753 a.C.) compara Israel a
uma mulher adúltera que será castigada por Deus, e por fim restaura­
da. Ele profetiza que Judá será temporariamente poupada. Cum pri­
m ento: História. Israel — o Reino do Norte — foi exilado pelos assírios
em 722 a.C. Judá foi poupada por outros 130 anos.

Miquéias (Mq 1.2— 3.12). Miquéias (por volta de 742 a.C.) profe­
tizou juízo contra Samaria (a capital do Reino do Norte) e Jerusalém.
Muitos detalhes foram dados, incluindo um Israel posteriormente
reunificado. C um prim ento: História. Quando Samaria caiu, a captura
do Reino do Norte pelos assírios foi completada. Mais tarde Jerusa­
lém foi sitiada e capturada.

Isaías ( Is 7.18-25; 9.8— 10.4). Isaías (por volta de 740 a.C .) profe­
tizou a derrota de Israel nas mãos dos assírios e o cativeiro do Reino
do Norte. Ele também profetizou uma posterior derrota de Juclá, o
Reino do sul. C um prim ento: História.

Habacuque (Hb 1.1-11). Habacuque (por volta de 612 a.C.) pro­


fetizou que os babilônios varreriam Judá totalmente, derrotanclo-o.

286
P rovas de P r o f e c ia s R e l a c io n a d a s aos M a io r e s E ven to s H is t ó r ic o s

I )etalhes coletados incluem o cerco de várias cidades. C um prim ento:


II istória.

Je re m ia s (Jr 5.1-19; 6.1-30; 7.30-34). Jeremias (por volta de 627


a.C.) profetizou muitos detalhes sobre o juízo do exílio, incluindo a
devastação futura. Ele também predisse que o Vale do Pilho de Hinom
seria chamado de “Vale da Matança”. C um prim ento: História.

Ezequiel (Ez 6.1-14; 7.1-27; 8.17,18). Ezequiel na verdade se tor­


nou um profeta em 593 a.C. após ter estado no exílio (juntamente
com Daniel e outros). Ele anunciou muitas profecias específicas a
respeito do exílio. C um prim ento: História.
As muitas profecias específicas do primeiro exílio dos judeus con­
firmadas pela história, e pela arqueologia, tiveram uma probabilida­
de de se cumprirem aleatoriamente m uito m en o r q u e 1 em 1 0 —
cad a.

Profecias do Tempo Exato do Prim eiro Exílio


Jeremias profetizou com exatidão que o rei Nabucodonosor inici­
aria o exílio dos israelitas, levando-os ã servidão na Babilônia. A
profecia foi feita no primeiro ano do reinado de Nabucodonosor,
antes de sua conquista de Judá (Jr 25), e ela especificamente limitava
o tempo da servidão no exílio a 70 anos (v. 12). C um prim ento: En­
contramos na história que o exílio começou entre 607 e 606 a.C., e
que os judeus tiveram permissão de começar o seu retorno em 537
a.C., 70 anos mais tarde.
Posteriormente, Jeremias profetizou um segundo período de 70
anos de exílio — a época da destruição total de Jerusalém alé que o
retorno final foi completado — quando o Templo seria reconstruído
(Jr 29.10-14). C um prim ento: O exílio foi concluído depois da captura
de Jerusalém entre 587 e 586 a.C., exatamente 70 anos depois.
As profecias sobre a duração exata do exílio dos judeus — duran­
te dois períodos diferentes, e como confirmado pela história e pela
arqueologia — teriam uma probabilidade muito menor que 1 em 100
de se cumprirem aleatoriamente.

287
E x a m in e as E v id ê n c ia s

------------------ CONCEITO-CHAVE .............


O tem po d e d u r a ç ã o ex ato d o p rim eiro exílio f o i p r o feti­
z a d o p o r Jerem ia s.

Uma Profecia Expressando o Nom e da Pessoa que


Permitiria o Retorno dos Judeus
Isaías profetizou por volta de 700 a.C. que um líder chamado “Ciro”
permitiria que os judeus retornassem para reconstruir Jerusalém e o
Templo:

[O Senhor] diz de Ciro: É meu pastor e cumprirá tudo o


que me apraz; dizendo também a Jerusalém: Sê edificada;
e ao templo: Funda-te. Assim diz o Senhor ao seu ungi­
do. a Ciro, a quem tomo pela sua mão direita, para aba­
ter as nações diante de sua face; eu soltarei os lombos
dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não
se fecharão. Eu irei adiante de ti, e endireitarei os cami­
nhos tortos; quebrarei as portas de bronze e despedaça­
rei os ferrolhos de ferro. E te darei os tesouros das
escuridades e as riquezas encobertas, para que possas
saber que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que te
chama pelo teu nome (Is 44.28; 45.1-3).

Essa é uma profecia muito específica dando o nome do futuro


líder, “Ciro”, a quem Deus permitiria que derrotasse os babilônios e a
quem Deus citaria pelo nome para permitir que Israel retornasse a
sua terra e reconstruísse Jerusalém e o Templo. Isaías anunciou esta
profecia mais de 100 anos antes de Jerusalém e o Templo serem
destruídos — cerca de 1 6 0 anos antes de Ciro nascer! C um prim ento:
Os persas conquistaram Babilônia. Ciro se tornou rei e permitiu que
os judeus retornassem para reconstruir a cidade e o Templo precisa­
mente como foi profetizado.
A arqueologia moderna chegou até mesmo a localizar um antigo
artefato, o “cilindro de Ciro”, que mostra o decreto real que Ciro

288
P rovas de P r o f e c ia s R e l a c io n a d a s aos M a io r e s E ven to s H is t ó r i c o s

expressou e perm itiu que os q nome precjSo da pessoa que


israelitas retornassem à sua terra • , j •j
perm itiria o retorno dos judeus
e a reconstruíssem (veja a p. 252). ,,
c . , para reconstruir Jerusalem e o
Essa profecia citando o nome r
exato da pessoa que permitiria Templo foi profetizado com
que os judeus retornassem à sua mais de 100 anos de antece-
terra natal — confirmada pela dência. Essa espantosa profe-
história e pela arqueologia te- cja £ apoiad a pela descoberta
ria uma probabilidade muito me- do c j|indro de GrQ
nor que 1 em 100 de ser cumpri­
da por acaso.
Podemos observar a extrema especificidade das profecias quanto
ao primeiro exílio dos judeus. Quais eram as chances de esses profe­
tas predizerem tudo isto corretamente, e ao acaso.

• a destruição total de duas cidades


• o exílio do Reino do Norte pelos assírios
• o exílio do Reino do Sul 130 anos depois nas mãos dos
babilônios
• a duração exata do exílio
• o nome da pessoa que iria destronar Babilônia e decretar o
retorno dos judeus à sua terra natal?

A probabilidade estatística de todas essas profecias se cumprirem


com exatidão, a partir de uma única fonte (a Bíblia Sagrada), é im­
pressionante, e até mesmo assustadora.

Profecias do Segundo Exílio Judeu, da Sobrevivên­


cia e do Retorno dos Judeus
Várias profecias-chave indicam que os judeus seriam exilados uma
segunda vez, que a identidade deles seria mantida, e posteriormente
retornariam à sua terra natal. Em 70 cl.C. os judeus foram removidos
de Jerusalém e espalhados sobre a face da terra — o segu ndo exílio.

Porque há de acontecer, naquele dia, que o Senhor tor­


nará a estender a mão para adquirir outra vez... E levan­

289
E x a m in e as E v id ê n c ia s

tará um pendão entre as nações, e ajuntará os desterra­


dos de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde
os quatro confins cia terra (Is 11.11,12).
Dize-lhes, pois: Assim cliz o Senhor Jeová: Eis que eu
tomarei os filhos cie Israel cie entre as nações para onde
eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os
levarei à sua terra. E deles farei uma nação na terra, nos
montes de Israel, e um rei será rei de todos eles; e nunca
mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se
dividirão em dois reinos (Ez 37.21,22).
À tua semente darei esta terra (Deus falando a Abraão
em Gn 12.7).
E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engran­
decerei o teu nome, e tu serás uma bênção. E abençoarei
os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldi­
çoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra
(Deus falando a Abraão cm Gn 12.2,3).

Cum prim ento: I lislõria. Em 1948, Israel se tornou uma nação, apro­
ximadamente 2000 anos depois que os judeus foram dispersos de sua
terra natal. N unca an tes n a história d o m un do um grupo étn ico f o i
sep a ra d o d e su a terra n atal p o r m ais d e algu m as p o u ca s g erações e
a in d a assim mcniteve a su a identidade. Os judeus não só mantiveram
a sua identidade, como indica-
As profecias a respeito dos exílios do cm Gênesis 12.2.3. mas con-
judaicos — especialmente o retor- 11:1 l(K^|s as piobabilidades.
retornaram à terra que Deus
no do segundo exílio, que é con­
havia prometido a Abraão atra­
firmado pela história e por even-
vés de seu filho Isaque. E des-
tos que podemos observar hoje — de essa época Israd tem so_
estão entre as profecias mais es- brevivido a várias tentativas de
pantosas de todos os tempos. A destruí-la.
probabilidade de seu cumprimen- Com relação a profecia de
que o nome de Abraão — o
to sem a inspiração divina está
pai dos judeus — se tornaria
muito aquém da razão.
grande, considere isso: A po­

290
Provas de P r o f e c ia s R e l a c io n a d a s aos M a io r e s E ven to s H is t ó r i c o s

pulação judaica representa cerca de três décimos de 1% cia popula­


ção mundial — em outras palavras, 34 pessoas a cacla 10 mil. Entre-
lanlo, ouvimos muito mais sobre os judeus cio que ouvimos de mui-
las culturas, raças e religiões cie tamanho populacional dramatica­
mente maior.

Considerações de Datas
Às vezes, as datas antigas variam em um ano ou dois. A razão é
que as datas antigas eram geralmente definidas com base no período
do reinado de um governante específico, e sistemas diferentes foram
usados ao registrar o início do reinado de um rei específico. O que
formou a base com maior exatidão para a determinação da data dos
reis de Israel (893-666 a.C.) foi a descoberta de um relato bastante
preciso da Assíria — as listas epônimas (veja as páginas 233 e 234).
Então, as múltiplas referências em diferentes livros cio T an akh nos
permitem relacionar os profetas judeus com os reis de seu tempo.
A arqueologia também confirmou m uitos detalhes do período do
exílio, chegando a encontrar um recibo antigo por produtos forneci­
dos para a família do rei Joaquim de Juclá na Babilônia (onde ele foi
mantido em exílio). A Bíblia indica precisamente que Joaquim rece­
bia uma provisão diária (veja a página 235 e 2 Reis 25.27-30).

Quatrocentos Anos de História Profetizada


Por volta de 550 a.C., enquanto estava no cativeiro na Babilônia,
Daniel anunciou uma profecia extraordinariamente detalhada. Ele
profetizou com exatidão os 400 anos seguintes da história que
envolveu Israel. A profecia usa uma vívida ilustração cie um “car­
neiro” com dois “chifres” — sendo um chifre mais comprido —
dando marradas para o ocidente e para o norte e derrotando a
todos. Então um “bod e” com um único chifre grande surgiu cie
repente, furiosamente atacando o carneiro e quebrando os seus
dois chifres e pisando nele (Dn 8.1-1'D. As imagens continuam
cora a imagem cio grande chifre cio bode se quebrando no alto de
seu poder e então sendo substituído por quatro chifres menores.
Um chifre m enor surgiu de um desses chifres, e cresceu em poder

291
E x a m in e as E v id ê n c ia s

para o sul e para o oriente na direção da “terra form osa”, onde


assumiria o controle do sacrifício contínuo do “Príncipe do exérci­
to ” e tomaria conta do santuário.
Se a profecia parasse ali, seria de pouco valor uma vez que a sua
imagem é vaga e indefinida. No entanto, o anjo Gabriel interpretou
precisamente a visão. Tudo isso foi escrito na época de Daniel, muito
antes de vos eventos acontecerem.
Em Daniel 8, praticamente 400 anos de história foram com preci­
são preditos:

f. O Império Babilónico estava no poder naquela região na época


(Daniel estava no exílio na Babilônia quando esta profecia foi
expressa).
2. O carneiro com dois chifres eram os reis da Média e da Pérsia;
o chifre mais comprido, o príncipe da Pérsia (Ciro) que cres­
ceu em proeminência. C um prim ento: A história indica que o
Império Meclo-Persa derrubou o Império Babilónico. Ciro tor-
nou-se o rei dominante.
3. O bode com um único grande chifre representava o Império
Grego, com o chifre grande representando o seu primeiro
governante, Alexandre, o Grande. Isto é particularmente es­
pantoso, porque na época cla profecia, 200 anos antes de Ale­
xandre, a Grécia era um país muito fraco. Ninguém jamais teria
imaginado que ele se tornaria uma potência mundial.
A imagem do bode que “vinha do ocidente sobre toda a
terra, mas sem tocar no chão” (8.5) indica grande velocidade
de conquista. A velocidade com que Alexandre conquistou
aquela parte do mundo jamais havia sido vista antes. C um pri­
m ento: Iniciando em 326 a.C., Alexandre levou apenas três anos
para estabelecer o controle do Império Grego sobre boa parte
do mundo civilizado.
4. No auge do seu poder, o chifre grande seria quebrado. C um pri­
m ento: Alexandre, o Grande morreu repentinamente com 33
anos de idade, em 323 a.C.

292
P kovas de P r o f e c ia s R e l a c io n a d a s aos M a io r e s E v e n t o s H is t ó r ic o s

5. Os quatro chifres representavam os quatro reinos que surgiriam


da nação grega, mas “não com a força dela” (v. 22). C um pri­
m ento: Após sua morte, as conquistas de Alexandre foram divi­
didas entre quatro de seus generais, sendo que nenhum deles
conseguiu o mesmo poder. O império foi dividido em áreas da
Macedônia e Grécia; Trácia, Bitínia e a maior parte da Ásia
Menor; Síria e o território oriente da Síria (incluindo a Babilônia);
e Egito e Palestina.
O pequeno chifre foi descrito por Daniel como crescendo
em poder para o oriente e sul em direção à “terra formosa”
(Israel) e por fim estabelecendo-se para ser tão grande quanto
o “príncipe do exército”; tirando o sacrifício contínuo e “lan­
çando por terra” o santuário (w . 9-11).
Mais tarde no mesmo capítulo, Daniel identifica o chifre
pequeno como “um rei feroz de cara” que assumiria o poder
na segunda parte do reinado dos “rebeldes ímpios” na terra.
Este rei se consideraria superior e enfrentaria o “príncipe dos
príncipes” (isto é, uma autoridade celestial — w . 11,25). Ele foi
descrito como destruindo “os poderosos e o povo santo”. No
final, este rei seria “quebrado sem esforço de mãos humanas”
(v. 25, ARA).
C um prim ento: Na história, esses eventos específicos tam­
bém foram cumpridos com precisão. Os selêucidas (do norte)
dominaram a Palestina. Um rei particularmente ímpio se levan­
tou, Antíoco IV Epífano (o “pequeno chifre” do v. 9), que pôs
fim à adoração judaica e ao sacrifício contínuo. Os judeus fo­
ram mortos por possuírem as Escrituras.
Antíoco matou milhares de judeus que lenlaram manter a
sua adoração a Deus apesar dos seus decretos (deslruindo “os
fortes e o povo santo”). Ele se considerava superior a Iodos os
outros — como é refletido no nome “Epífano” , que significa
“Deus manifesto” — , e por fim consagrou novamente o Tem­
plo judeu ao deus grego Zeus e sacrificou um porco (conside­
rado imundo ao povo judeu) no altar — cumprindo, desse
modo, a profecia de Daniel sobre o “santuário”.

293
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Isso enfureceu a população e foi o catalisador para a revolta


dos macabeus que culminou com a derrota desse governante
odiado, e do levantamento cie um novo altar e outra consagra­
ção no dia 25 no mês de quisleu, 164 a.C., exatamente três
anos depois. O sucesso da revolta dos macabeus contra o po­
der superior de Antíoeo poderia ser visto como algo “sem es­
forço de mãos humanas" (v. 25, ARA).

Todos os pontos cia profecia cie Daniel foram confirmados pela


história — tanto pelos antigos escritos como pela arqueologia. Todos
eles reunidos têm uma probabilidade cie ocorrer, aleatória e imensa­
mente menor que 1 em 1000.

V;
Avalie o que Você Aprendeu
1. Quando começou o primeiro exílio dos judeus? Quem exilou os
judeus? Quem profetizou isto?
2. Qual foi a duração profetizada para o primeiro exílio? Quem o
profetizou?
3. Qual é o nome do governante profetizado que permitiu que os
judeus retornassem cio exílio?
4. Por que a profecia do retorno do segundo exílio é significativa?
5. Cite os impérios a respeito dos quais Daniel profetizou em sua
profecia cios 400 anos (veja Dn 8).

Capítulo 18 — Grupo de Estudo

P rep aração p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em g rupo)


Leia: Daniel 8 e o capítulo 18 deste texto.

O ração de A bertura
Discussão: Revise Daniel 8, e, como um grupo, tente avaliar as chances
cie todas as partes desta profecia se cumprirem como indicado. Deter­

294
P rovas de P r o f e c ia s R e l a c io n a d a s aos M a io r e s E ven to s H is t ó r i c o s

mine, como um grupo, que extensão de probabilidade seria realista


para que a profecia de um segundo exílio e retorno se cumprisse.

Atividade Prática
E n tr e v is ta d e TV: Por causa de suas m uitas p ro fecias, o
“entrevistador de TV” está interessado em afirmações de que a Bíblia
é divinamente inspirada. O “cristão” que está sendo entrevistado deve
usar profecias para persuadir ou mostrar ao entrevistador que a Bí­
blia é inspirada por Deus.

O ração de E n ce rra m e n to

295
Prova Profética do
Deus do Judaísmo

Bíblia contém registros de profecias sobre cidades, nações e


pessoas, fornecendo detalhes surpreendentes sobre o futuro. Aqui
estão exemplos cie duas dessas profecias:

Assíria e sua Capital, Nínive


• A d errota d a Assíria e N ínive (Is 10.5-34). Isaías expressou esta
profecia por volta de 735 a.C.
• O rei da Assíria seria punido por “arrogância e altivez” (v. 12).
C um prim ento: A queda histórica de Babilônia em 612 a.C.
• Embora a destruição das dez tribos do Norte cie Israel pela
Assíria tivesse sido assegurada (Is 7.18-25), Jerusalém deve­
ria ser poupada (10.32-34). Até mesmo a rota cia Assíria para
a pretendida conquista de Jerusalém foi predita (vv. 28-32).
C u m p rim en to: A história, exatam ente com o profetizado.
Apesar das probabilidades que favoreciam os assírios de
modo considerável, Jerusalém foi poupada da destruição em
suas mãos.
• O remanescente de Israel (as dez tribos cio Norte) retornaria (v.
21). C um prim ento: A história. Um remanescente de judeus
retornou cio cativeiro seguindo a destruição de Nínive.
E x a m in e as E v id ê n c ia s

• A destruição foi decretada sobre toda a terra dos assírios (v.


23). C um prim ento: A história. Os babilônios destruíram inteira­
mente o reino assírio.

O Futuro cla Cidade de Tiro


Tiro estava entre os mais poderosos portos comerciais mediterrâ­
neos dos dias de Ezequiel (sua profecia, no capítulo 26 de seu livro,
foi expressa por volta de 586 a.C.). Era uma Nova Yorque ou Hong
Kong de seu tempo. Tiro se regozijou pela destruição de Judá, com a
noção de que talvez outros negócios chegariam a eles (vv. 1,2). Mui­
tos detalhes da destruição de Tiro foram preditos — a destruição
tanto cie sua fortaleza no continente, como da parte da cidade que
estava na ilha.

• Nabucodonosor da Babilônia seria trazido do Norte para sitiar


Tiro e destruí-la (vv. 7-9). C um prim ento: A história. A cidade
no continente foi conquistada pelo cerco babilônio, mas não a
cidade na ilha.
• Muitas nações atacariam Tiro (v. 3). C um prim ento: A história.
• Seus muros e torres seriam destruídos, e as ruínas, varridas,
tornando-a uma “penha clescalvada” (v. 4). C um prim ento: A
história. As ruínas da cidade no continente foram varridas para
o mar — pelos gregos sob o governo de Alexandre, o Grande,
a fim de fazer um caminho elevado para sitiar a parte da cidade
na ilha, anteriormente inalcançável. A evidência disso é visível
ainda hoje.
• Os pescadores lançariam suas redes onde antes havia comér­
cio (v. 5). C um prim ento: A história. A parte da cidade que
ficava na ilha está debaixo do mar.
• Tiro “jamais seria reconstruída” (vv. 7-14). C um prim ento: A his­
tória. Há uma cidade chamada Tiro, porém muito menor e em
um local diferente. A grande cidade na ilha, em si, está submersa.
• Governantes nas redondezas se renderiam sem luta (v. 16).
Cum prim ento: Após a espantosa conquista da parte de Tiro

298
P rova P r o f é t ic a do D eu s d o J u d a ís m o

que estava na ilha, por Alexan­


As profecias sobre cida­
dre, o Grande, os governantes
des, nações e pessoas, e
nas redondezas se renderam.
seu cumprimento fornecem
Profecias muito detalhadas sobre
uma inegável evidência
Nínive e Tiro foram, todas, cumpridas
adicional da inspiração da
precisamente como indicado. (Cerca
de 80 profecias não-messiânicas adi­ Bíblia. Essas profecias po­
cionais significativas, que se pode pro­ dem ser facilmente testadas
var através cia história e da arqueolo­ usando a história e a a r­
gia, estão contidas no apêndice C.) queologia.

Análise Estatística das Profecias do Antigo Testamento


O Antigo Testamento passa no teste de profecia perfeita, e, por­
tanto, os judeus puderam crer que ele foi divinamente inspirado. Mas
como ele se arranjaria com o padrão humano estabelecido pelos ci­
entistas — de que a ocorrência aleatória cle qualquer coisa com uma
probabilidade menor do que I chance em 1(P" é essencialmente im­
possível — sem Deus?
Para responder a uma pergunta estatística assim, devemos avali­
ar com o seria provável que cada uma dessas profecias individuais
se cumprissem aleatoriamente. Então podemos avaliar a múltipla
probabilidade de todas elas se realizarem apenas usando conven­
ções estatísticas.
Não é possível saber com certeza as chances cle eventos espe­
cíficos acontecerem . As opiniões poderiam variar amplamente. No
entanto, o número de profecias corretas no Antigo Testamento é
tão grande que um estatístico poderia atribuir quase qualquer pro­
babilidade a qualquer profecia específica, e chegar a uma conclu­
são idêntica.
Por exemplo, se alguém quisesse estimar que as chances de os
judeus exilados sobreviverem como um grupo étnico e retornarem a
Israel fosse cle 1 em 10 em vez cle 1 em ÍO.OOO.OOO, esta poderia ser
uma estimativa absurdamente conservadora, mas aceitável. Ou dizer
que as chances de que o nome de Ciro seria profetizado anos antes de

299
E x a m in e as E v id ê n c ia s

ele nascer fossem também cte 1 em 10 em vez cte 1 em 1.000.000, outra


vez isso poderia ser absurdamente conservador, mas também aceitá­
vel. Em outras palavras, a Bíblia contém tantas profecias corretas que
faz pouca diferença que chances são atribuídas a uma profecia especí­
fica. (Qualquer cético pode se sentir livre para mudar as probabilida­
des na análise das profecias ou descartar profecias inteiras se desejar.)
k & s.i ê m i i w *

Fatos Fascinantes
Em virtude do grande número de profecias corretas na
Bíblia, podemos usar uma estimativa absurdamente con­
servadora de probabilidade para cada profecia individu­
al, e ainda assim obter a mesma conclusão geral.

Então, façamos alguns cálculos estatísticos muito simples, usan­


do suposições extremamente conservadoras. Na verdade, suponha­
mos que cada evento profetizado tenha uma chance de a p e n a s 1
em 10 de ocorrer aleatoriamente. Quais seriam as chances reais de
os judeus sobreviverem como um povo após o seu exílio — e então
retornar à sua terra natal 2 mil anos depois — de uma forma realis­
ta? As chances somente de esse evento se cumprir são, com certeza,
uma em milhões. E o que se diria da profecia de Daniel de 400 anos
de história, das predições do tempo exato clo primeiro exílio, ou da
citação do nome cle Ciro? A chance cle quaisquer dessas profecias se
cumprirem é, com certeza, muito remota. No entanto, para o propó­
sito da análise abaixo, a estimativa absurdamente conservadora de
chances para todas elas é de apenas 1 chance em 10.
Há tantas profecias bíblicas cumpridas que uma prova de Deus e
da inspiração divina da Bíblia pode ser feita mesmo permitindo pro­
babilidades por demais conservadoras. Somando-se às profecias — já
examinamos de forma prévia as profecias historicamente verificáveis
no apêndice C (que exclui as profecias de curto prazo e outras “não
historicamente verificáveis”) — , temos um total de 118 profecias his­
tóricas não-messiânicas. Matematicamente, a probabilidade de todas

300
P rova P r o f é t ic a d o D eu s d o J u d a ís m o

as 118 dessas profecias se realizarem de modo aleatório (se atribuir­


mos a probabilidade de apenas 1 em 10 para cada) é calculada mul­
tiplicando-se a probabilidade 1 em 10 por si mesma 118 vezes. O
resultado é 1 chance em 10118.
Em outras palavras, 1/10 x 1/10 x 1/10, e assim por diante, 118
vezes.
Qual é o tamanho desse número? Aqui estão algumas compara­
ções:
1. Seria como vencer 17 loterias federais seguidas com um único
bilhete para cada.
2. Seria como dividir toclo o tempo desde o princípio cio universo
(uma estimativa de 15 bilhões de anos) em segundos, aleatori­
amente “marcando” 7 desses segundos, e então adivinhar cor­
retamente por acaso cada um dos 7 segundos designados.
3- Seria como ser atingido por um raio 24 vezes em um ano.

A partir do modelo extremamente conservador citado acima, po­


demos ver que os resultados proféticos bíblicos seriam co n s id e r a ­
dos co m o im possíveis p e la c iê n c ia (isto é, sem Deus) porque as
chances de sua ocorrência aleatória são raríssimas — muito menos
do que 1 chance em IO’0. Portanto, poderíamos “raciocinar cientifi­
cam ente” que um Deus sobrenatural deve: 1) existir e 2) ter inspira­
do os profetas e os escritos originais. Uma extensão lógica disso
seria cie que Deus, que forneceu a informação no Antigo Testamen­
to, deve ser obrigatoriamente o verdadeiro Deus. Mais adiante, ire­
mos expandir o teste profético até testar as reivindicações de que
Jesus é divino.

_________________ CONCEITO-CHAVE ---------------------------


T om an d o a p en a s 1 1 8 p r o fe c ia s v erificáveis d o Antigo
Testamento e a p lica n d o u m a p r o b a b ilid a d e ex trem am en ­
te con serv ad ora d e u m a c h a n c e d e 10% p a r a ca d a, isso
a in d a in d ic a a p en a s 1 c h a n c e em 1 0"'s d e q u e elas p o d e ­
riam , reu nidas, ser cu m p rid as sem a a ç ã o d e Deus.

301
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Uma outra maneira de analisar essas profecias é selecionar ape­


nas aquelas cujos cumprimentos ocorreram séculos depois e que
foram confirmadas pela história registrada fora da Bíblia, e então
atribuir-lhes chances aceitáveis e calcular as probabilidades.

Uma Outra Estimativa Profética de Probabilidade


1. O fato cie Isaías citar o nome de Ciro com aproxima­
damente dois séculos de antecedência (Is 44.28-45.3). 1 1 0 .0 0 0

2. 400 anos cie história precisamente predita por


Daniel (Dn 8). 1 / 1 .0 0 0 . 0 0 0

3- Profecias por cinco profetas da total destruição de


Amom, Edom e Moabe. 1/ 10.000.000

4. A profecia detalhada cia destruição cle Tiro, com


1/ 100.000
centenas de anos cle antecedência (Ez 26).
5. A profecia cia destruição cle Nínive com mais de
100 anos de antecedência (Is 10.5-34). 1/ 1. 000.000

6. A destruição dos amalequitas predita com 450 anos


de antecedência (Êx 17.14). I 10.000

7. Jerusalém ser reedificada “desde a torre cle Hananel


até à Porta da Esquina’’ (Jr 31.38-40). 1/1000

8. Profecias detalhadas do primeiro exílio judaico por


sete profetas — algumas com mais de um século
cle antecedência. 1/100.000

9. A sobrevivência definitiva dos judeus após a sua


dispersão, e seu retorno à terra natal em 1948 (Is
11.12; Ez 37.21,22). 1/100.000

10. A sobrevivência cle Israel desde 1948 apesar cle ser


excedido grandemente em número durante os con­
flitos (Am 9.14,15). 1/ 1.000.000

A probabilidade acumulativa somente das profecias acima se cum­


prirem de forma aleatória é de 1 chance em IO53. Outra vez, esse
número cai fora cios limites daquilo que é considerado como aleato­
riamente possível pelos cientistas.

302
P rova P r o f é t ic a d o D eu s d o J u d a ís m o

A partir disso, podemos concluir estatisticamente que:

1. Deus existe — isto é comprovado estatisticamente pela profecia


100% cumprida na Bíblia judaica (a Tanakb).
2. O Antigo Testamento foi inspirado por Deus.

V,
Avalie o que Você Aprendeu
1. Quais são algumas das profecias que foram expressas sobre
Nínive e Assíria?
2. Quais são algumas das profecias que foram expressas sobre
Tiro?
3. Que evidência há do cumprimento das profecias sobre Tiro?
4. Pense em um exemplo de chance ridiculamente conservadora,
e então tome 118 profecias não-messiânicas listadas neste capí­
tulo e no apêndice C, e calcule a probabilidade.
5. Quão remotas são as chances do cumprimento aleatório das
profecias acima? Por que podemos usar estimativas de proba­
bilidade absurdamente conservadoras e ainda demonstrar a
existência de Deus?

Capítulo 19 — Grupo de Estudo

P rep aração p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


L eia: Ezequiel 26 e o capítulo 19 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Revise as profecias feitas sobre a cidade de Tiro em
Ezequiel 26, e então discuta todas as coisas que Deus está demons­
trando ao mundo e àqueles que as lêem.

Atividade Prática
R epresen tação d e p ap éis: Um “cético" desafia a importância da pro­
fecia, indicando que não concorda com a probabilidade que os cris­

303
E x a m in e as E v id ê n c ia s

tãos usam ao calcular o milagre profético. O “cristão” eleve, efetiva­


mente, expressar esta preocupação.

O ração de E n cerram en to

304
2 0

As Profecias e Jesus

profecia é de uma importância extraordinária para confirmar


a identidade de Jesus e seu papel. Em primeiro lugar, é importante no
estabelecimento cia Bíblia como uma autoridade em suas afirmações
sobre Jesus. Como já foi visto, as profecias do Antigo Testamento
provam estatisticamente a inspiração divina das Sagradas Escrituras.
No entanto, as profecias a respeito de Jesus, se demonstradas histori­
camente como comprováveis, poderiam também confirmar que as
suas reivindicações a respeito cie Jesus são verdadeiras.
Outra vez, a razão para a importância da profecia é que som en te
Deus conhece o fim desde o princípio (Is 46.9,10). Portanto, se a
Palavra de Deus (a Bíblia), comprovada através da profecia, procla­
ma Jesus como o Messias divino — e Jesus proclama na Bíblia, atra­
vés da profecia, que Ele mesmo é Deus — , segue-se que Jesus deve
ser Deus (ou um mentiroso... mas um Messias divino não poderia
mentir). Outras afirmações mais específicas de Jesus — particular­
mente, que Ele veio à terra para ser um sacrifício c um redentor para
os pecados do homem (Jo 3.16,17), e que o único caminho para o
céu é através clEle (Jo 14.6) — seriam também verificadas se a profe­
cia pudesse provar que Jesus é Deus.
Além disso, devemos procurar evidências das profecias do pró­
prio Senhor Jesus. Isto se deve ao fato cie que, se Ele for quem real­
E x a m in e as E v id ê n c ia s

mente afirma ser — Deus encarnado — , então com certeza seria


capaz de profetizar com exatidão, sobre si mesmo e de se reconhecer
nas Escrituras.
Os judeus acusaram Jesus de blasfêmia várias vezes devido às
suas indicações de que Ele era divino. Abaixo estão exemplos das
coisas que Jesus disse ou fez que tanto enfureceram os judeus, por
Ele ter afirmado ser Deus.

Afirmações de Cristo que Evidenciam sua Divindade


Diversas auto-afirmações de Jesus ser Deus são relatadas por todo
o Novo Testamento, o qual também registra que os líderes religiosos
judeus estavam muito irritados com isso.

• “Eu e o Pai somos um” (Jesus, em Jo 10.30).


• “Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o
Pai? Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?”
(Jesus, em Jo 14.9b, 10a).
• “Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes
que Abraão existisse, eu sou” (Jo 8.58). A afirmação “eu sou”
era equivalente a afirmar ser Deus (veja Êx 3-14).
• Jesus afirmou diversas vezes que Ele era o Messias (Mc 14.61-
63; Jo 4.25,26; Lc 9.20). No Evangelho de Marcos 14.61-63
subtende-se que uma reivindicação de divindade estava inclu­
ída na afirmação de Jesus ser o Cristo (o Messias).
• Jesus referiu-se a si mesmo com o o Filho de Deus e, mais
freqüentemente, como o Filho do Homem. Esses dois títulos
falavam de sua divindade — algo que os líderes judeus teriam
entendido de forma clara a partir de uma profecia de Daniel:

Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis


que vinha nas nuvens do céu um como o filho do
homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram
chegar até ele. E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e
o reino, para que todos os povos, nações e línguas o
servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que

306
As P r o f e c ia s e J esu s

não passará, e o seu reino, o único que não será


destruído (Dn 7.13,14).

Em um ponto crítico no julgamento de Jesus, antes da sua crucifi­


cação, lhe fizeram uma pergunta que Ele
foi obrigado a responder pela lei:
Muitas vezes, Jesus
E, insistindo o sumo sacerdote, dis­
referiu-se a si mesmo
se-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que
nos digas se tu és o Cristo, o Filho cie como o Messias, ou
Deus. Disse-lhes Jesus: Tu o disseste Deus encarnado —
(Mt 26.63,64a). em cada Evangelho.

Analisando as Profecias sobre Jesus


Todo o Antigo Testam ento (a B íb lia ju d a ic a ) está repleto d e p r o fe ­
cia s q u e se cu m p rem em Jesu s — incluindo muitos detalhes sobre a
sua vida, morte e ressurreição. Capítulos inteiros de livros contêm
números consideráveis de profecias sobre Jesus.
A chave para aceitar essas profecias, naturalmente, é verificar que
elas na verdade foram escritas antes da época de Jesus — não depois,
em uma tentativa fraudulenta de divinizá-lo.

Avaliando as Suposições Básicas


Qualquer teste de profecia sobre Jesus para os céticos de hoje
depende de duas perguntas importantes:
1. Houve um intervalo de tempo adequado entre os registros das
profecias no Antigo Testamento e o registro cio cumprimento
no Novo Testamento?
2. Os relatos de Jesus do Novo Testamento eram aceitos como
precisos e como o cumprimento de profecia pelos antigos ju­
deus que viveram próximos aos eventos?

Várias coisas ajudam a estabelecer a credibilidade dos registros


proféticos. Como um fundamento, houve um período de 400 anos
entre as profecias finais da vinda de um Messias (registradas nas

307
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Escrituras judaicas) e seu cumprimento através cie Jesus. Durante


esse tempo algumas coisas importantes aconteceram, as quais dis­
cutimos anteriormente. Como elas são muito críticas, vamos rever
as questões.
1. O cânon T an ak h (Escritura judaica) era popularmente reco­
nhecido.
2. Os P erg am in h os (ou Rolos) d o m a r M orto foram escritos, inclu­
indo muitas cópias completas e fragmentos de cada livro no
T anakh, exceto o livro de Ester.
3. A Septuaginta (a tradução grega do Tanakh, também designada
como a LXX) foi redigida.
4. Outras trad u ções do T an akh foram feitas.
Esses eventos do período de 400 anos foram importantes pelas
seguintes razões:
• O cânon T an ak h (aqueles livros reconhecidos como Escritura
divinamente inspirada ) tinha sido popularmente estabelecido
por volta de 167 a.C. Assim, na época em que Jesus estava
ensinando, havia um conhecim ento difundido entre os seus
milhares de ouvintes do que foi designado por “Escritura”.
Não havia nenhuma dúvida sobre quais livros estavam e quais
não estavam incluídos. Em 70 a.C., exatamente os mesmos
livros da Escritura usados por Jesus e outros foram reconheci­
dos como o cânon oficial pelas autoridades religiosas judai­
cas — os mesmos livros em uso hoje tanto pelos judeus como
pelos cristãos.
• Os P erg am in h os (ou Rolos) d o m a r M orto consistem de cerca
de 800 manuscritos e representam todos os livros do Antigo
Testamento, exceto Ester (com múltiplas cópias da maioria dos
livros). Uma parte substancial das cópias T an akh foi escrita
mais de 200 anos antes de Jesus — como indicado tanto pela
datação radiométrica quanto paleográfica (o estudo cle escritos
antigos). Os manuscritos foram guardados em uma caverna
por uma seita religiosa judaica, os essênios, pouco antes da
conquista romana em 70 a.C., e permaneceram intocados até

308
A s P r o f e c ia s e J esu s

1947, quando os primeiros foram descobertos em Qumran per­


to do mar Morto (não longe de Jerusalém). Conseqüentemen­
te, eles foram como uma “cápsula do tempo”. Os manuscritos
foram comparados com as cópias modernas e concordam, pra­
ticamente, letra por letra. (A maioria das diferenças estão na
grafia dos nomes.) A questão é, os Pergaminhos (ou Rolos) do
mar Morto de modo essencial “congelaram no tempo” as pro­
fecias sobre Jesus — muito antes de Ele nascer.
• A Septuaginta é uma tradução do hebraico para o grego da
T an ak h feita por uma equipe designada de 70 estudiosos
( “Septuaginta” vem da palavra “setenta”). Visto que muitos ju­
deus da época (por volta de 280 a.C.) falavam grego, esta tra­
dução oficial tinha o objetivo de permitir que todos lessem a
Sagrada Escritura. (As porções mais antigas cio manuscrito ago­
ra em existência fazem parte cla Torá, copiada antes de 200
a.C.) A Septuaginta é especialmente importante para se verifi­
car a profecia, porque alguns estudiosos argumentam em re­
trospectiva que as traduções do hebraico original feitas após a
época de Jesus podem não ter refletido de forma adequada o
significado original. No entanto, a Septuaginta claramente de­
monstra o entendimento judaico das Escrituras em um período
bem antes cie Jesus chegar! Ela foi traduzida por 70 dos melho­
res estudiosos cla época — estudiosos que estavam colocando
em grego seu melhor entendimento do significado hebraico, e
que usavam o hebraico antigo regularmente. Além disso, os
textos hebraicos a partir dos quais eles trabalharam eram muito
mais próximos aos originais do que aqueles que temos hoje.

........... ........... C O N C E IT O -C H A V E --------------------_ _


S abem os q u e a s p r o fe c ia s cio Antigo Teslanier/lo p ré-d a-
tam a Je s u s p o r alg u n s motivos: 1) o câ n o n T an akh n ão
oficial, q u e f o i estab elecid o e p osteriorm en te co n firm ad o
p o r Jesu s; 2 ) os P erg am in h os (ou Rolos) d o m a r Morto;
. !) a Septuaginta; e 4) as ou tras traduç ões.

309
E x a m in e as E v id ê n c ia s

• Outras trad u ções da Tanakh — em várias línguas diferentes —


foram feitas antes da época de Jesus. Todas também ajudam a
documentar as profecias detalhadas da vinda do Messias.

Há um corpo substancial de evidências de que quaisquer pro­


fecias no Antigo Testam ento sobre a vinda de um Messias e ou ­
tros eventos futuros foram registrados de forma confiável. Elas
foram claram ente escritas antes do fato, antes de Jesu s de Nazaré
nascer. Os estudiosos podem ver, tocar e estudar esses docu­
m entos. A credibilidade do registro profético está firm em ente
estabelecida.

y ls Profecias com Essência

A fim cie avaliar objetivamente as profecias sobre Jesus, é impor­


tante isolar as profecias feitas com essência versus aquelas que não
são comprováveis ou que não são claras.
Alguns céticos argumentam que os cristãos tentam exagerar nas
palavras das profecias do Antigo Testamento para que estas se mol­
dem a Jesus. Um exemplo às vezes citado é Gênesis 3.15:

E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua se­


mente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe
ferirás o calcanhar.

Os cristãos dizem que esta é uma profecia sobre Jesus. A serpente


(Satanás) fere o calcanhar da mulher (através da crucificação de J e ­
sus), e a sua semente (Jesus) esmaga a cabeça de Satanás. Embora
esta interpretação seja possível, para um cético, as palavras cle Gênesis
não revelam nada que seja específico ou comprovável.
Não há nada específico que identifique Jesus com a semente de
Eva. A alegação de que ferir o calcanhar era símbolo de crucificação
e esmagar a cabeça era a derrota final cle Satanás por Jesus é ambí­
gua. A serpente com certeza representa Satanás, mas no que diz res­
peito às profecias, inegavelmente, comprováveis para um cético, tan­
to esta como outras profecias ambíguas similares estão excluídas da
análise estatística cle um texto.

310
A s P r o f e c ia s e J esu s

No entanto, aplicando a lógica básica, é bem fácil encontrar mui­


tas profecias do Antigo Testamento sobre Jesus. Por exemplo, no
livro mais antigo da Bíblia, Jó (escrito por volta de 2000 a.C.), há a
primeira profecia escrita sobre um “redentor” que vive eternamente
(tanto no tempo de Jó como no “fim”). Este redentor foi aparente­
mente identificado como Deus, que viria à terra.

Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se


levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha
pele, ainda em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por
mim mesmo, e os meus olhos, e não outros, o verão; e,
por isso, o meu coração se consome dentro cie mim (Jó
19.25-27).

Embora estas palavras não sejam definitivamente específicas a J e ­


sus, elas são específicas a um Redentor — alguém como Jesus, des­
crito em muitas passagens no Antigo Testamento (por exemplo, Is
53) e no Novo Testamento.

Isaías 53
Isaías 53 é um texto altamente descritivo sobre o futuro Messias.
Este capítulo contém profecias muito específicas que se refletem de
modo direto na vida de Jesus. Veja pontos numerados dentro do que
se segue:

Quem deu crédito à nossa pregação? li a quem se mani­


festou o braço do Senhor? Porque foi subindo como re­
novo perante ele e como raiz d.e uma terra seca; não
tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para ele,
nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos 11],
Era desprezado e o mais indigno entre os homens [2],
homem cie dores, experimentado nos trabalhos [51 e, comò
um de quem os homens escondiam o rosto, era despre­
zado, e não fizemos dele caso algum [41. Verdadeiramen­
te, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nos­
sas dores levou sobre si [5]; e nós o reputamos por aflito,

311
E x a m in e as E v id ê n c ia s

ferido de Deus e oprimido [6], Mas ele foi ferido pelas


nossas transgressões [71 e moído pelas nossas iniqüida-
des; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e,
pelas suas pisaduras, fomos sarados [8]. Todos nós anda­
mos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava
pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a
iniqüidade de nós todos 19]. Ele foi oprimido, mas não
abriu a boca [10]; como um cordeiro, foi levado ao mata­
douro [11] e, com o a ovelha muda perante os seus
tosquiadores, ele não abriu a boca [12], Da opressão e
do juízo foi tirado [13]; e quem contará o tempo da sua
vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes e pela
transgressão do meu povo foi ele atingido [14], E puse­
ram a sua sepultura com os ímpios [15] e com o rico, na
sua morte [16]; porquanto nunca fez injustiça, nem hou­
ve engano na sua boca [17]. Todavia, ao Senhor agradou
o moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se
puser por expiação do pecado [18], verá a sua posterida­
de, prolongará os dias, e o bom prazer do Senhor pros­
perará na sua mão [191. O trabalho da sua alma ele verá
e ficará satisfeito [20]; com o seu conhecimento, o meu
servo, o justo, justificará a muitos, porque as iniqüidacles
deles levará sobre si [21], Pelo que lhe darei a parte de
muitos [22], e, com os poderosos, repartirá ele o despojo
[23]; porquanto derramou a sua alma na morte e foi con­
tado com os transgressores [24]; mas ele levou sobre si o
pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu [25]
(grifos do autor).

Estas 25 profecias são muito específicas, e falam a respeito de


Jesus:
1. Jesus veio aos seres humanos com um aspecto que não parece­
ria atraente — com o um bebê. Ele trabalhou como um carpin­
teiro comum.
2. Ele foi desprezado e rejeitado.
3. Ele conheceu muito sofrimento.

312
A s P r o f e c ia s e J e su s

4. Ele não era estimado.


5. Ele levou as dores (pecados) da humanidade.
6. As pessoas o consideravam “ferido de Deus”, ou aflito.
7. Ele foi “ferido” pelas transgressões do homem.
8. As suas feridas trouxeram a cura.
9. Ele falou de si mesmo como dando a sua vida pelas “ovelhas”.
Todo pecado do homem foi levado por Ele.
10. Quando foi oprimido em seu julgamento, Ele não abriu a sua
boca, exceto quando legalmente requerido.
11. Ele foi levado para a sua crucificação como um cordeiro para
o matadouro.
12. “Como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não
abriu a boca” — Jesus não se defendeu em seu julgamento.
13. Ele foi tirado pela “opressão” e pelo “juízo”.
14. Ele foi “ferido” pela transgressão (pecado) de muitos.
15. Ele foi crucificado com dois criminosos e esperava-se que líle
fosse sepultado com eles.
16. Um homem rico, José de Arimatéia, pediu o corpo de Jesus e
o colocou em seu (de José) túmulo.
17. Jesus não resistiu pela força, nem mentiu em seu testemunho
perante o governador romano, Pilatos.
18. Deus, o Pai, aceitou a vida de Jesus como uma “expiação pelo
pecado”.
19- A vontade de Deus “prevaleceu” através de Jesus.
20. Depois de sofrer, Jesus outra vez viu a luz — em sua ressur­
reição.
21. Jesus justificou a “muitos” e levou os seus pecados.
22. Deus o exaltou sobremaneira.
23. Ele dividiu o “despojo” com os “poderosos” (os crentes pros­
perariam eternamente).
24. Ele derramou a si mesmo até à morte (ou entregou-se à mor­
te), e foi considerado um homem pecador (transgressor).

313
E x a m in e as E v id ê n c ia s

25. Ele levou os pecados de muitos e intercedeu junto a Deus


pelos transgressores (pecadores).

........... .................. C O N C E IT O -C H A V E -----------------------------


Isa ía s 5 3 é um d os m ais im portantes capítulos proféticos,
u m a vez q u e con tém 2 5 p r o fe c ia s in dividu ais q u e d es­
crevem com e x a tid ã o a p esso a e o p a p e l d e Jesus.

Fatos Fascinantes
Alguns grupos judeus na verdade cortaram Isaías 53 de
suas Bíblias, porque essas palavras representam o Senhor
Jesus com perfeição. No entanto, qualquer pessoa que vi­
-
sitar o Santuário do Livro em Jerusalém — o lar dos Perga­
minhos (ou Rolos) do mar Morto — pode ver de modo
claro esta passagem no manuscrito de Isaías, precisamente
como foi originalmente escrita.

******

Avalie o que Você Aprendeu


1. Cite pelo menos três passagens em que Jesus reivindicou a sua
divindade.
2. Liste quatro maneiras que podemos ter a certeza de que as
profecias de Jesus não foram arquitetadas depois do fato.
3. Quando os Pergaminhos (ou Rolos) do mar Morto mais antigos
foram escritos? Quais livros estão incluídos?
4. O que é a Septuaginta? Por que ela é importante?
5. Qual é o significado de Isaías 53? Quantas profecias ele contém?

314
As P r o f e c ia s k J e s i is

Capítulo 20 — Grupo de Estudo

Preparação p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: Todas as reivindicações bíblicas em que Jesus afirma ser o
Messias (veja as páginas 329 e 330) e o capitulo 20 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Discuta as reivindicações de Jesus de ser o Messias, o
Filho de Deus, e o Filho do Homem, e todas as alusões à divindade.
Além destas reivindicações, que atitude Jesus ou outros tomaram que
indica que Ele afirmou ser Deus? Por que as suas profecias precisas
são tão importantes?

Atividade P rática
D eb ate: Um “cren te” debaterá com um “não-crenle” sobre a
confiabilidade das profecias ao definirem a divindade e o papel de
Jesus.

O ração de E n cerram en to

315
2 1

As Profecias do Antigo Testamento


Descrevem o Messias perfeitamente

ma revisão meticulosa das profecias a respeito de Jesus no Antigo


Testamento revela que um retrato completo de Jesus é apresentado, o
qual inclui especificamente que um plano para o Messias foi preconce­
bido por Deus e realizado por Jesus. Essa informação é tão completa
•|ue se pode analisá-la em boa parte como um repórter de jornal faria —
buscando o “quem, o quê, quando e onde” a respeito de Jesus.

Quem
De acordo com as Escrituras, o Messias viria de uma linhagem ou
descendência que passaria por:

• Sem (Gn 9— 10)


• Abraão (Gn 22.18)
• Isaque (Gn 26.4)
• Jacó (Gn 28.14)
• Juclá (Gn 49.10)
• Jessé (Is 11.1-5)
• Rei Davi (2 Sm 7.11-16)

O Novo Testamento indica o cumprimento dessas profecias como


registrado nos relatos de Mateus (cap .l) e Lucas (cap. 3.23-28). Lucas
E x a m in e as E v id ê n c ia s

investigou a história conversando com testemunhas oculares e revi­


sando outros relatos a respeito de Jesus (Lc 1.1). Mateus investigou a
reivindicação legal de Jesus ao reinado de Israel, o que teria sido de
suma importância para os judeus. O reinado de Jesus vinha de Davi
através da linhagem cle José, seu padrasto (com o registrado em
Mateus), enquanto que a sua descendência física cle Davi vinha da
linhagem de Maria (com o registrado em Lucas). A diferença em suas
perspectivas não foi surpresa, visto que Mateus era um coletor cle
impostos e tinha de estar muito ciente dos assuntos legais, ao passo
que Lucas era médico.

Is a ia s 7.14
Isaías registra que o Messias seria chamado E m a n u e l— signifi­
cando “Deus conosco”. Isso é precisamente como Jesus foi descrito
por Mateus no momento de seu nascimento (Mt 1.23). Ele tem sido
chamado de Emanuel desde então.

O Quê

A Vida do M essias F o i D escrita em D etalhes


Além de Isaías 53, há muitas outras referências proféticas às ativi­
dades do Messias, incluindo:

» ensinar por parábolas (Sl 78.2);


• entrar em Jerusalém com o um rei, porém montado num
jumentinho (Zc 9.9);
• ser traído por um amigo (Sl 41.9);
• ser avaliado em 30 moedas de prata que foram então lançadas
no Templo, e posteriormente destinadas a um oleiro (Zc
11.12,13);
• ser rejeitado por Israel (Is 8.14);
• ser escarnecido, e ter alguém lançando sortes pelas suas vestes
(Sl 22.18);

318
As P r o f e c ia s d o A n t ig o T esta m en to

D esc rev em o M e s s ia s p e r f e it a m e n t e

• ter as suas mãos e pés perfurados (Sl 22 );


• receber fel e vinho (Sl 69.21);
• ser transpassado (Zc 12.10);
• ser sepultado no túmulo de um homem rico (Is 53-9);
• sair clo túmulo ressuscitado (Sl 16.10).
Os Evangelhos relatam esses eventos e afirmam que Jesus cum­
priu essas profecias.

O Messias Operaria Certos Milagres


à antiga nação de Israel acreditava que alguns milagres poderiam
ser feitos som en te p o r Deus, incluindo estes profetizados por Isaías:

Dizei aos turbados de coração: Esforçai-vos e não temais;


eis que o vosso Deus virá com vingança, com recom­
pensa de Deus; ele virá, e vos salvará. Então, os olhos
dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abri­
rão. Então, os coxos saltarão como cervos, e a língua dos
mudos cantará... (Is 35.4-6).

Os Evangelhos relatam que


os cegos, os surdos, os coxos e
os mudos foram curados por M ilagres, por definição, parecem
Jesus (Mt 9.27-30; 11.5; 15.30,31; impossíveis — especialmente no
21.14; Mc 7.32-37; 10.51,52; Lc mundo de hoje. É interessante no­
7.22; Jo 5.3-15; 9.13-25). tar que mesmo algumas fontes
Jesus também pediu que al­
não-cristãs conhecidas como in i­
guns discípulos relatassem os
migas de Jesus também fizeram
milagres que tinham visto, a fim
de confirmar sua divindade a alusão aos milagres. Por exemplo,
João Batista, que estava preso. escritos no Talmude judaico cha­
Je su s respondeu: “Ide e maram Jesus de "feiticeiro" [numa
anunciai a João as coisas que clara alusão aos seus feitos
ouvis e vedes: Os cegos vêem,
miraculosos].
e os coxos andam; os leprosos

319
E x a m in e as E v id ê n c ia s

são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos


pobres é anunciado o evangelho” (Mt 11.4,5).

O Papel do Messias Foi Explicado


As profecias do Antigo Testamento que descrevem o Messias indi­
cavam que Ele seria:

• um redentor — alguém que salvaria o povo dos seus pecados


(Is 53);
• um profeta e um mestre (Dt 18.15).
Essas profecias foram feitas mais específicas por outras exigências
apresentadas no Antigo Testamento, que liga diretamente a Jesus,
que como o Messias descrito em Isaías 53, deveria ser “levado como
um cordeiro para o matadouro”:
• Foi necessário um sacrifício d e san g u e por causa do pecado da
humanidade: “Cada dia prepararás um novilho por sacrifício
pelo pecado para as expiações” (Êx 29-36,37).
• Era exigida p e r fe iç ã o no sacrifício: “E, quando alguém oferecer
sacrifício pacífico ao Senhor, separando das vacas ou cias ove­
lhas um voto ou oferta voluntária, sem mancha será, para que
seja aceito” (Lv 22.21).
• O p róp rio D eus proveria o sacrifício: “E disse Abraão [a Isaque]:
D eus p ro v erá p a r a si o co rd eiro para o holocausto, meu filho.
Assim, caminharam ambos juntos” (Gn 22.8, grifo do autor).

O sacrifício de Isaque, quase oferecido por Abraão, é um modelo


da reivindicação cristã de que Deus Pai proveu Jesus como o perfeito
“cordeiro” sacrificial.

A M orte do Messias
O Salmo 22 foi escrito cerca de 600 anos antes mesmo da cru­
cificação ser inventada. Entretanto, ele é um retrato vívido de uma
morte por crucificação, e se encaixa perfeitam ente com os eventos
da morte de Jesus na cruz. (Os pontos correspondentes estão enu­
merados.)

320
As P r o f e c ia s d o A n t ig o T esta m en to

D esc rev em o M e s s ia s p e r f e it a m e n t e

Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? [1] Por


que te alongas das palavras do meu bramido e não me
auxilias? Deus meu, eu clamo de dia, e tu nào me ouves;
de noite, e não tenho sossego. Porém tu és Santo [2], o
que habitas entre os louvores cie Israel. Em ti confiaram
nossos pais [31; confiaram, e tu os livraste. A ti clamaram
e escaparam; em ti confiaram e não foram confundidos.
Mas eu sou verme, e nào homem, opróbrio dos homens
e desprezado do povo [4J. Todos os que me vêem zom­
bam de mim, estendem os lábios e meneiam a cabeça,
dizendo: Confiou no Senhor, que o livre [51; livre-o,
pois nele tem prazer. Mas tu és o que me tiraste do
ventre; o que me preservaste estando ainda aos seios
de minha mãe. Sobre ti fui lançado desde a madre; tu
és o meu Deus desde o ventre de minha mãe [61. Nào te
alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há
quem ajude [7]. Muitos touros me cercaram; fortes tou­
ros de Basã me rodearam. Abriram contra mim suas
bocas, como um leão que despedaça e que ruge [8],
Como água me derramei, e todos os meus ossos se des­
conjuntaram [9]; o meu coração é com o cera e derre-
teu-se dentro de mim. A minha força se secou como
um caco, e a língua se me pega ao paladar [fOJ; e me
puseste no pó da morte [11], Pois me rodearam cães; o
ajuntamento de malfeitores me cercou [12]; traspassa­
ram-me as mãos e os pés [13]- Poderia contar todos o s
meus ossos [1^]; eles vêem e me contemplam 115|. Re­
partem entre si as minhas vestes e lançam sortes sobre
a minha túnica [16]. Mas tu, Senhor, não te alongues de
mim; força minha, apressa-te em socorrer-me. Livra a
minha alma cia espada e a minha predileta, da força cio
cão. Salva-me da boca do leão; sim, ouve-me desde as
pontas dos unicórnios. Então, declararei o teu nome
aos meus irmãos; louvar-te-ei no meio da congregação.
Vós que temeis ao Senhor, louvai-o; todos vós, descen­
dência de Jaeó, glorificai-o [17]; e temei-o todos vós,

321
E x a m in e as E v id ê n c ia s

descendência de Israel. Porque não desprezou nem abo­


minou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu
rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu. O meu lou­
vor virá de ti na grande congregação; pagarei os meus
votos perante os que o temem [18]. Os mansos com e­
rão e se fartarão; louvarão ao Senhor os que o buscam;
o vosso coração viverá eternamente [191 Todos os limi­
tes da terra se lembrarão e se converterão ao Senhor; e
todas as gerações das nações adorarão perante a tua
face. Porque o reino é do Senhor, e ele domina entre as
nações [20]. Todos os grandes da terra comerão e ado­
rarão, e todos os que descem ao pó se prostrarão pe­
rante ele; como também os que não podem reter a sua
vida [21], Uma semente o servirá; falará do Senhor de
geração em geração. Chegarão e anunciarão a sua justi­
ça ao povo que nascer [22], porquanto ele o fez [23].

Embora escrito por Davi cerca cie mil anos antes da época cle
Jesus, esse Salmo (freqüentemente chamado de “salmo da crucifica­
ção") fornece muitos detalhes sobre a morte de Jesus como registra­
do pelos autores do Evangelho. Esses autores até mesmo apontam os
cumprimentos do Salmo 22 por parte cle Jesus. Aqui estão os 23
detalhes proféticos numerados acima, que correspondem aos relatos
do Novo Testamento:

1. Com as primeiras palavras que Ele falou na cruz — “Deus meu,


Deus meu, por que me desamparaste?” — , Jesus chamou a
atenção dos espectadores para este salmo profético.
2. Jesus reconheceu que Deus Pai era aquEle que estava entronizado
(Ap 3.21; 4.2-11; 7.15).
3- Jesus reconheceu que Deus era o Deus dos patriarcas judeus
(Mt 22.31.32; Mc 12.26).
4. Jesus foi escarnecido e desprezado (Jo 15.18, 24,25).
5. Jesus foi zombado (Mt 27.41-43).
6. Jesus estava firmemente comprometido com Deus.

322
As P r o f e c ia s d o A n t ig o T esta m en to

D esc rev em o M e s s ia s p e r f e it a m e n t e

7. Jesus confiava que Deus estava sempre perto, mesmo quando


outros fugiam (iVit 26.56).
8. Seus inimigos o cercaram — tanlo quando Ele foi zombado
com uma coroa de espinhos em sua cabeça como ao pé da
cruz (Ml 27.29,41-43).
9. Os ossos se desconjuntarem é uma conseqüência iipica da cru­
cificação.
10. Jesus sentiu sede durante a crucificação (Jo 10,28)
11. Jesus morreu fisicamente (Mc 15.37).
12. Homens maus cercaram Jesus (Ml 27.28 31 ).
13. As mãos e os pés de Jesus foram pregados na cru/ ( A profei ia
do Salmo 22 foi feita 600 anos antes da crucificaçao ser inven
tada — veja Jo 20.25.)
14. A crucificação causa uma extrema desidratação, e la/ com que
o corpo definhe (Jo 19.28),
15. Os espectadores se vangloriaram pela morte d ejcsu s ( Ml 27.20,
41-43).
16. Os soldados romanos lançaram sortes pelas vestes de Jesus (Jo
19.23,24).
17. Jesus rendeu honra e louvor a Deus.
18. Jesus rendeu louvor e reverência contínuos a Deus.
19. Jesus declarou que aqueles que buscassem e encontrassem a
Deus viveriam para sempre (Jo 3.16,36).
20. Todos os povos se inclinarão a Deus, até mesmo nos confins
cia terra (Ap 4.10; Rm 14.11).
21. Todos, no final, se prostrarão e adorarão a Deus (Ap 4.10; Rm
14,11).
22. Gerações futuras ouvirão a respeito de Jesus e de Deus (Mc
13.10).
23. “Está consumado.” As últimas palavras de Jesus na cruz trans­
mitem essencialmente a mesma mensagem do encerramento
do salmo da crucificação: “Porquanto ele o fez” (Jo 19-30).

323
E x a m in e as E v id ê n c ia s

O Salmo 22 é coerente do princípio ao fim ao descrever a


crucificação de Jesu s. Talvez as observações iniciais de Jesu s na
cruz tivessem a intenção de atrair as futuras gerações para este
salm o profético. Embora alguns céticos possam afirmar que J e ­
sus na verdade planejou cumprir estas e outras profecias, pode­
mos então sim plesm ente perguntar com o Jesus cumpriu as mui­
tas profecias que estavam além de seu controle (tais com o as
ações dos rom anos).

............................... . CONCEITO-CHAVE
() S alm o 2 2 é um d os cap ítu los p r o fé tic o s m ais im por­
tantes d a B íb lia, p o r q u e ele p ro fetiz o u so b re a cr u c ifi­
c a ç ã o em su a to ta lid a d e — o p o n to p r in c ip a l d a o b r a
cle Jesu s n a terra.

Quando
O Tem po Certo do N ascim ento d e J e s u s F o i D efinido
Gênesis profetizou que o cetro não se “arredaria” de Juclá até que
“viesse Silo” (isto é, o Messias):

O cetro não se arredará cle Juclá, nem o legislador dentre


seus pés, ate que venha Siló; e a ele se congregarão os
povos (Gn 49.10).

Pela definição judaica, o “cetro” se referia ao controle cia admi­


nistração da pena de morte. A nação judaica manteve este controle
mesmo em meio ao primeiro exílio — até que os romanos tomaram
o controle em 11 d.C .1Naquela época, os líderes religiosos judeus
“rasgaram as suas vestes” lamentando que o cetro havia passado e
nenhum messias havia chegado. Infelizmente, esses líderes não
perceberam que o Messias já tinha vindo — na forma de um bebê
nascido em Belém.

324
As P r o f e c ia s d o A n t ig o T esta m en to

D esc rev em o M e s s ia s p e r f e it a m e n t e

( )n d e
O L ocal do Nascimento do “Legislador" Foi P rofetizado

E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de


Judá, de ti me sairá o
que será Senhor em Is­
rael, e cujas origens são
As duas profecias a respeito de
desde os tempos antigos
(Mq 5.2). Jesus relacionadas ao tempo estão
entre as mais espantosas e im por­
Duas coisas tornam a pro­
tantes da Bíblia. Em prim eiro lu­
fecia do local de nascimento
gar, elas são incrivelmente especí­
do Messias particularmente
interessante: 1) o fato de que ficas, e, portanto, indicam a inspi­
Idi em uma cidade muito es­ ração divina. E, em segundo lugar,
pecífica e pequena, e 2) que elas definem tanto o nascimento
líle seria Senhor “desde os físico de Jesus como o "nascimen­
lem pos antigos”, o que pare­
to" do reinado definitivo de Jesus
ce se referir a algo sobrena­
no Domingo de Ramos.
tural. A cidade exata indicada
na profecia era uma pequena
cidade fora de Jerusalém — Belém Efrata, na Judéia, não a Belém
mais próxima de Nazaré, a cidade de José e Maria.
Mas as “origens” do Senhor em Israel deveriam ser “desde os tem­
pos antigos”. Isso indica uma alegação mais significativa. O Messias
precisaria existir antes do seu nascimento de um modo sobrenatural.
Essa alegação a respeito de Jesus é feita pelo apóstolo João (Jo 1,
especialmente os versículos f, 2 e 14; Ap 1.8). O apóstolo também
declara que Jesus já existia antes do início dos tempos (Jo 1.1-3).

Avalie o que Você Aprendeu


1. Que ancestrais de Jesus foram profetizados?
2. Liste no mínimo cinco coisas que foram profetizadas sobre “o
que” Jesus faria.

325
E x a m in e as E v id ê n c ia s

3. Quais foram as duas profecias a respeito do “quando” de Jesus


que foram expressas? Onde elas podem ser encontradas na
Bíblia? Por que elas são importantes?
4. Explique a profecia do “Domingo de Ramos” de modo que uma
pessoa comum possa entendê-la.
5. Qual é a profecia “onde”? Onde ela pode ser encontrada na
Bíblia?

Capítulo 21 — Grupo de Estudo

P rep aração p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: João 2.4; Lucas 19.37-40 e o capítulo 21 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Leia João 2.4 e Lucas 19-37-40. O que Jesus quis dizer
quando, ao falar com sua mãe, disse que o seu tempo ainda não
havia “chegado”? Qual é a diferença em relação ao texto que está em
Lucas 19-37-40? Discuta a profecia da entrada de Jesus em Jerusalém
no Domingo de Ramos, de forma que todos a entendam.

Atividade P rática
D eb ate: Um “cren te” debaterá com um “não-crente” sobre a
confiabilidade da profecia ao definir a divindade e o papel de Jesus.

O ração de E n cerram en to

326
2 2

Prova Estatística das Profecias de


Jesus Comparada a Outras

uitas profecias específicas a respeito de Jesus foram revisa


tias. Sabemos que os manuscritos do Antigo Testamento Ibrain redi
gidos antes da época de Jesus (parte 2). De igual modo, os manuscri­
tos do Novo Testamento, largamente difundidos durante a época de
Jesus (veja também a parte 2), fornecem evidências de que o cumpri­
mento das profecias foi preciso.
Assim, a pergunta essencial é: O que isto significa? As profecias
são estatisticamente confiáveis o bastante para chegar a conclusões a
respeito de Jesus e suas alegações? Para responder a estas perguntas,
comecemos com uma estimativa de apenas 29 das profecias sobre
Jesus.

Profecia M essiânica Um a “Suposta Estim ativa” das Chances


1. Sem, um antepassado (Gn 9-10) 1/3
2. Abraão, um antepassado (Gn 22.18) 1/1000
3. Isaque, um antepassado (Gn 26.4) 1/10.000
4. Jacó, um antepassado (Gn 28.14) 1/100.000
5. Judá, um antepassado (Gn 49.10) 1/1.000.000
6. Jessé, um antepassado (Is 11.1-5) 1/10.000.000
7 Rei Davi, um antepassado (2 Sm 7.11-16) 1/100.000.000
8. Belém Efrata como local de nascimento (Mq 5.2) 1/100.000
9. Estrela associada com o nascimento (Nm 24.17) 1/100.000
E x a m in e as E v id ê n c ia s

10. Chamado “Deus conosco” (Is 7.14) 1/100.000


11. Apaziguar o mar (Sl 107.29) 1/10.000.000
12. Milagres “especiais” (Is 35.4-6) 1/100.000.000
13. Nomes recebidos (Is 9-6) 1/10.000
14. Uso de parábolas (Sl 78.2) 1/10
15. Rei supremo sobre todas
as coisas (Is 45.23; Sl 22) 1/10
10. Oferta pela expiação dos
pecados e cordeiro pascal (Is 53) 1/100
17. Morrerá com “homens ímpios” (Is 53-3-9) 1/10
18. Será sepultado com
um homem rico (Is 53.3-9) 1/10
19. Entrar em Jerusalém como um
rei montado em um jumentinho (Zc 9.9) 1/100
20. Traído e vendido por um amigo — por
30. Moedas de prata (Zc 11,12,13) 1/1000
21. Rejeitado por Israel; não dirá
nada em seu julgamento (Is 8.10; 53) 1/10.000
22. Mãos e pés perfurados (Sl 22) 1/10.000
23. Identificar o lugar cia crucificação (Gn 22) 1/1.000.000
24. Terá secle enquanto
estiver sendo morto (Sl 69.20-22) 1/10
25. Nenhum osso quebrado (Sl 22) 1/10
2(i. Identificação das palavras no
início e no fim da execução (Sl 22) 1/1000
27. Lançar sortes sobre as vestes (Sl 22) 1/1000
28. Receberá fel e vinho (Sl 69.20-22) 1/10
29. Será “transpassado” (Is 53.5; Zc 12.10) 1/100

A probabilidade cumulativa de todas essas profecias aleatoriamente


se realizarem em uma única pessoa seria cie 1 chance em IO110. Isto
seria como ganhar cerca cie 16 loterias seguidas. Mesmo que um
cético reduzisse de modo substancial algumas das estimativas acima,
o resultado ainda seria julgado impossível. Por exemplo, suponha­
mos cie forma muito conservadora que as estimativas acima estejam
classificadas por um fator de um trilhão de trilhões! Isto ainda resul-

328
P r o v a E s t a t ís t ic a das P r o f e c ia s de J esu s C o m pa ra d a a O utras

laria nas “chances impossíveis” de que todas as profecias se cumpris­


sem em um único homem — Jesus — uma chance em 1086! Como
essa probabilidade é remota! Seria como pegar toda a matéria de
lodo o universo (isto é, um bilhão de bilhões de estrelas e sistemas
solares) e dividi-la em partículas subatômicas, e de forma aleatória
escolher um elétron marcado! Verdadeiramente, só as profecias feitas
sobre Jesus no Antigo Testamento já confirmam a sua divindade por­
que comprovam as afirmações da Bíblia a respeito dEle, e as suas
afirmações sobre si mesmo.

Profecias Expressas através do Próprio Senhor Jesus


As profecias do Antigo Testamento fornecem evidências podero­
sas sobre Jesus. Embora tenha profetizado muitas coisas, com certeza
as mais significativas foram as suas múltiplas profecias de que Ele
seria traído, crucificado, e ao terceiro dia ressuscitaria cios mortos:

E, subindo Jesus a Jerusalém, chamou à parte os seus


doze discípulos e, no caminho, disse-lhes: Eis que va­
mos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue
aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas, e condená-
lo-ão ã morte. E o entregarão aos gentios para que dele
escarneçam, e o açoitem, e crucifiquem, e ao terceiro dia
ressuscitará (Mt 20.17-19).

Jesus profetizou sua morte e ressurreição diversas ve­


zes, em todos os quatro Evangelhos:
• Mateus 12.40; 16.21; 1 7 .22 ,23 ; 20.1 7-19 ; 26.61;
27.40; 27.63
• Marcos 8.31; 9.30-32; 10.32-34; 14.58; 15.29,30
• Lucas 9.21,22, 44,45; 18.31-34
• Jo ão 2.13-22; 3.14-16; 12.32-34

____________

329
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Se houve alguma vez uma profecia incomum e espantosa, esta foi


aquela que trouxe detalhes específicos da morte daquele que a pro­
fetizou, e muito mais que isso, de que Ele ressuscitaria ao terceiro
dia! De todos os tipos de profecia, esta é a mais fenomenal e estaria
além de qualquer probabilidade imaginável!
Esta profecia era tão central na vida de Jesus que Ele declarou-a
muitas vezes; foi registrada nos relatos dos Evangelhos em 18 passa­
gens (veja acima)! E uma predição que apenas um Deus que tudo
sabe poderia fazer e cumprir.
Além disso, Jesus também profetizou especificamente sobre ou-
tras coisas:

• Um dos discípulos o trairia (Mt 26.21; Mc 14.17-21; Lc 22.21,22).


• Os seus discípulos o abandonariam (Mt 26.30,31; Mc 14.26,27).
• Pedro o negaria três vezes (Mt 26.33,34; Mc 14.29,30; Lc 22.31-
34).
• Ele encontraria os discípulos na Galiléia após ter ressuscitado
(Mc 14.28).

......... ...... ..............CONCEITO-CHAVE -------------------------


A p r o fe c ia cie Jesu s etn rela çã o a si m esmo, d e q u e seria,
traído, cr u c ific a d o e ressuscitaria dos m ortos f o i expres­
sa p o r Ele Itt vezes no Nono Testam ento. O cu m prim en to
d e tod as elas é a p r o v a defin itiva d e q u e Ele é qu em a fir­
m ou s e r — Deus.

Outras Pessoas Creram que Jesus Era Deus


Uma pergunta óbvia é a seguinte: Com todas as evidências profé­
ticas, os judeus da época, que com certeza estavam cientes das profe­
cias no Taiiakh, achavam que Jesus era Deus?
Na verdade, os judeus de Jerusalém aceitaram muito rapidamente
a Jesus como o Messias nos meses após a sua morte. A Bíblia relata
que o número que logo creu na ressurreição (as testemunhas ocula-

330
P r o v a E s t a t ís t ic a das P r o f e c ia s d e J esu s C om pa ra d a a O utras

ivs ) foi, no mínimo, de quase 500 pessoas antes da Festa de Pente­


costes — que aconteceu 50 dias após a ressurreição (1 Co 15.6).
Quando Pedro pregou no Dia de Pentecostes, 3 mil pessoas foram
imediatamente acrescentadas ao grupo de crentes (At 2.41). Por que
,i mensagem de Pedro foi tão impactante? Porque estava fundamenta­
da nas profecias que os judeus conheciam e nos eventos que eles
haviam testemunhado ou tinham ouvido falar. A Bíblia posteriormen­
te relata que o número crescia dia a dia (2.47).
Através de um estudo adicional do registro bíblico, encontramos
que quando Pedro e jo à o estavam falando perante o povo e o Sinédrio
(o conselho religioso dominante), o número dos seguidores já havia
crescido para 5 mil homens. Somando-se a isso as mulheres e crian­
ças, a conta poderia facilmente ter se aproximado de 15 mil pessoas
- em uma cidade de pouco mais de 100 mil na época. Em um
espaço de dias, os crentes em Jesus tinham se tornado aproximada­
mente 15% da população local! Não é de se admirar que os líderes
religiosos estivessem bastante preocupados! F naturalmente a grande
perseguição aos seguidores de Jesus logo foi iniciada.
Há também outra evidência a partir dos escritos bíblicos, que le­
vou os antigos judeus a crerem que Jesus é Deus. Primeiro, conside­
remos os escritores judeus dos Evangelhos (Mateus, Marcos e João).
Afinal, eles não só estavam com Jesus e o conheciam bem, mas tam­
bém aproveitaram para escrever os relatos enquanto as testemunhas
dos eventos ainda estavam vivas. Todos enfrentaram perseguições e
riscos de morte, com base na veracidade daquilo que eles tinham
escrito nos relatos do Evangelho.
Uma cias indicações mais admiráveis da certeza de que Jesus era
Deus está no Evangelho de João. O próprio João foi uma testemunha
ocular de todos os eventos cia vida de Jesus, e o seu relato tanto foi
escrito como difundido durante o tempo de vida de outras testemu­
nhas oculares:

No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o


Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas
as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi

331
E x a m in e as E v id ê n c ia s

feito se fez. Nele, estava a vida e a vida era a luz dos


homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a
compreenderam. Houve um homem enviado de Deus,
cujo nome era João. [Este texto está se referindo a João
Batista.] Este veio para testemunho para que testificasse
da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz,
mas veio para que testificasse da luz. Ali estava a luz ver­
dadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo,
estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo
não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o
receberam. Mas ;i todos quantos o receberam deu-lhes o
poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no
seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da
vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de1Deus.
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua
glória, como a glória do Unigénito do Pai, cheio de graça
e de verdade (Jo 1.1-14, grifo do autor).

As palavras de João mostram claramente que Jesus era Deus. E


outros que lhe eram próximos também creram que Ele era Deus.

• Pedro o adorou (Lc S.S). Um judeu não adoraria ninguém além


de Deus.
• Da mesma forma, Tomé o adorou (Jo 20.28).
• Pedro, Tiago e João testemunharam e relataram a “transfigura­
ção" (Mt 17), uma demonstração visível de que Jesus possuía a
mesma glória que Deus, o Pai.
• Isabel, parente de Jesus, creu que Ele era Deus (Lc 1.41-55)..
• Simeão, um devoto profeta judeu, ao tomar o menino Jesus
em seus braços, creu que este era Deus (Lc 2.25-35).
• Ana, uma profetisa, creu que Ele era Deus (Lc 2.36-38).
• Até os meio-irmãos de Jesus, Tiago e Judas, no final creram
que Jesus era Deus (veja os livros de Tiago e Judas).
• Um centurião romano e outros que estavam presentes na cru­
cificação, creram que Jesus era Deus:

332
P ro v a E s t a t ís t ic a das P r o f e c ia s de J esu s C om pa ra d a a O utras

E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto


a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras. E
abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos
que dormiam foram ressuscitados; li, saindo cios se­
pulcros, depois da ressurreição dele, entraram na Ci­
dade Santa e apareceram a muitos. E o cenlurião e os
que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremolo e
as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor
e disseram: Verdadeiramente, este era <> Filho de Deus
(Mt 27.51-54).

O sumo sacerdote e outros


presentes no julgamento de J e ­
sus entenderam que Jesus es­ N ão devemos subestimar o signi­
lava afirmando ser Deus encar­ ficado do grande número de ju­
nado:
deus m udando tão rapidamente
O sumo sacerdote, disse- de opiniã o para a fé de que Jesus
lh e : C o n ju ro -te p elo era Deus encarnado — parte de
Deus vivo que nos digas uma Trindade. Primeiro, a reli­
se tu és o Cristo, o Filho
g ião era muito mais doutrinada
de Deus. Disse-lhes Je ­
na sociedade deles do que na
sus: Tu o disseste; digo-
vos, porém, que vereis cultura ocidental hoje. Conse­
em breve o Filho do Ho­ qüentemente, fazer uma m udan­
mem assentado à direita ça dram ática de pensamento se­
cio Todo-poderoso e vin­ ria muito mais dificil. Segundo,
do sobre as nuvens do
os judeus estavam acostumados a
céu. Então, o sumo sa­
pensar em Deus como apenas
cerdote rasgou as suas
vestes, dizendo: Blasfe­ uma pessoa — não três, no senti­
mou; para que precisa­ do de uma Trindade. Terceiro,
mos ainda de testemu teria havido uma forte pressão
nhas? Eis que bem ou­ política e social para que eles
vistes, agora, a sua blas­
permanecessem sob a liderança
fêmia (Mt 26.63-65).
judaica.

333
E x a m in e as E v id ê n c ia s

O sumo sacerdote não só declarou oficialmente que Jesus havia


blasfemado, mas o fato dele ter rasgado as suas vestes era um sinal
de lamento e indignação pela blasfêmia.

Outros Livros Sagrados não Passam no Teste da


Profecia
IJma vez que a profecia é um teste que verifica se algo veio verda­
deiramente de Deus, não é surpreendente que poucos livros sagra­
dos atestem qualquer profecia. Afinal, uma vez que somente Deus
pode profetizar — e a maioria dos supostos “livros sagrados” não é
realmente de Deus — , seria difícil planejar uma profecia passível de
teste que fosse confirmável (como a Bíblia).
Considerando outras religiões bem conhecidas, encontramos o
seguinte:

Religiões orien tais (H induísm o, Budism o, C onfucionism o,


X in to ísm o). Essas religiões são essencialmente religiões “místico-
filosóficas” e, portanto, tendem a não usar ou depender de profecias.

Islã (e o Corão ou A lcorão). Embora o islã seja baseado na his­


tória e concorde com muitas das mesmas figuras históricas mencio­
nadas na Bíblia (Abraão, Ismael, Jesus, Maria, e assim por diante),
isto não comprova que seja inspirado por Deus, usando a profecia.1
O Alcorão foi escrito baseado nas palavras de Maomé (570-632 cl.C.).
Os líderes islâmicos dizem que há 22 profecias no Alcorão (Sura
2.23,24; 3.10,106,107,144; 5.70; 8.7; 9.14; 15.9,96; 24.55; 28.85; 30.2-4;
41.42; 48.16-21,27,28; 54.44-48; 56.1-56; 110.1,2).
No entanto, das passagens listadas, Sura 2.23,24,88,89; Sura
3.10,106,107,144; Sura 8.7; Sura 9.14; Sura 28.85; Sura 48.16-21,27,28;
Sura 54.44-48; e Sura 56.1-56, todas tratam de profecias cio tempo do
fim e não podem ser testadas (assim como a profecia bíblica que foi
excluída). Sura 5.70; 15.9; 41.42; e 15.96 não são profecias, mas gene­
ralidades e advertências. Sura 2Í.55 é uma promessa de uma bênção
cie terra e riqueza aos crentes no islã. No entanto, ela não especifica
que terra, como no caso cle Israel. Sura 54.44-48 profetiza ações mili­
tares contra inimigos da religião, mas isso não cliz muito, visto que é

334
P ro v a E s t a t ís t ic a das P r o f e c ia s de J e su s C o m pa ra d a a O utras

o que as pessoas tendem a fazer de qualquer forma. E Sura 110.1,2


promete ajuda de Alá (o Deus do islã) em tempo de guerra. Outra
vez, isto não é específico — como, por exemplo, uma reivindicação
de vitória em uma batalha ou guerra específica.
Sura 30.2-4 é a única profecia histórica potencial, embora tenha
problemas. Ela essencialm ente diz que: “O Império Romano foi
derrotado em uma terra próxima; mas eles, (m esm o) antes dessa
derrota, serão vitoriosos em alguns anos. Com Alá está a Decisão,
no passado e no futuro: naquele Dia os Crentes se regozijarão”.
Na história, os persas foram vitoriosos sobre o Império Romano
Oriental em 615 d.C., e então os romanos retornaram para derro­
tar os persas 13 anos depois, em (>2<S. I)e acordo com Maomé,
“alguns” anos nessa profecia seriam 3 a 9 anos, com 13 ficando
fora desse parâmetro. Mesmo assim, a profecia nao seria particu­
larmente surpreendente visto que havia uma guerra em progresso
nesta região, e não era incomum que um território fosse recon­
quistado.

M órm ons (o Livro de M õrm on, D outrinas e A lianças). O Li­


vro de Mórmon foi publicado em 1330 (mas na verdade foi escrito no
início dos anos 1800), e supostamente traduzido de tábuas de ouro
escritas antes da época de Jesus (infelizmente, essas tábuas valiosas
jamais estiveram disponíveis para comprovação). Mesmo assim, dan­
do às tábuas o benefício da dúvida, o Livro de Mórmon contém duas
profecias sobre Jesus, ambas as quais são falsas:

E eis que ele nascerá de Maria, em Jerusalém que é a


terra dos pais, sendo ela uma virgem, um vaso precioso
e escolhido, que será coberta pela sombra e conceberá
pelo poder do Espírito Santo, e gerará um filho, sim, o
próprio Filho de Deus (Alma 7.10, Livro de Mórmon).

Jesus nasceu em Belém , não em Jerusalém. Alguns podem argu­


mentar que Belém é um subúrbio de Jerusalém; no entanto, quando
o transporte era a pé, uma cidade com uma hora e meia de distância
não seria considerada um subúrbio. Alé mesmo o Livro de Mórmon
indica que ela é uma cidade separada (1 Nefi 1.4).

335
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Aqui está um outro exemplo:

M as eis que, assim d iz o S en hor Deus: "Q uando ch eg a r o


d ia em q u e eles (os ju d e u s) crerem em mim, q u e eu sou o
Cristo, en tã o terei fe ito a a lia n ç a com seus p aís, p e la q u a l
eles s erã o restau rad os n a carn e, n a terra, em r e la ç ã o a o s
bens d e su a h e r a n ç a ” (2 Nefi 10.7, Livro de Mórmon).

Naturalmente os judeus retornaram à sua terra em 1948 apesar de


não “crerem” em Jesus.
O Livro de Mórmon, Doutrina e Aliança contêm vários erros pro­
féticos (sem nenhuma profecia correta, na verdade) com respeito
ao templo que deveria ser construído na região oeste do Missouri
dentro de uma geração, a contar da predição de Joseph Smith no
início dos anos 1800: 1) um templo deveria ser construído em um
local consagrado em Jackson County, Missouri (“Sião”), dentro de
uma geração, a partir de 1832 (Doutrinas e Alianças 84.5,31); 2) a
cidade ( “Sião”) “jamais deveria ser mudada” daquele lugar (97.19;
101.17-21). Mais de 150 anos já se passaram sem que um templo
fosse construído ali.

As Testem unhas de Je o v á (A Sentinela, Estudos n a E scritu­


ra ). Este grupo não-cristâo tem repetidamente falhado em testar a
profecia do fim dos tempos.

• (2.101) — 1914 como o ano da “batalha” cio grande dia do


Deus Todo-pocleroso (Ap 16.14)
• (Edição de 1914) — a data do “fim do mundo” mudou para
1915
• (7.92) — a data mudou para 1918
• (7.542) — a data mudou para 1920
• (Várias outras publicações) — a data do fim do mundo mudou
repetidas vezes para 1925, 1942, 1975, 1980...

Através de uma pesquisa contínua, poder-se-ia descobrir que não


há nenhuma religião, pessoa, ou livro sagrado que contenha profeci­
as com qualquer tipo de essência — e certamente nada que se aproxi-

336
P rova E s t a t ís t ic a das P r o f e c ia s de J esu s C o m pa rada a O utras

me das profecias bíblicas. Isto deveria levar as pessoas a dar ouvidos


cuidadosamente às palavras da Bíblia como a verdade.
V

Avalie o que Você Aprendeu


1. Cite pelo menos cinco profecias messiânicas com uma estimati­
va de probabilidade que você julga que poderia defender.
2. Quantas referências do Evangelho indicam a profecia da morte
e ressurreição de Jesus?
3- Que referências do Evangelho indicam a reivindicação da divin­
dade de Jesus?
4. Por que a ressurreição é vital para a reivindicação da divindade?
5. Que outros livros sagrados poderiam sei' leslados de acordo
com o critério da profecia? Qual é o resultado?

Capítulo 22 — Grupo de Estudo

P reparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: As profecias da morte e ressurreição de Jesus - (veja.as pági­
nas 329,330).

O ração de A bertura
D iscussão: Discuta as estimativas de probabilidade das páginas
327-329. Em grupo, revise cada uma delas e as reduza a um nível
ridiculamente baixo até que o grupo julgue “razoável”. Este novo
nível baixo ainda apóia a afirmação de que a profecia mostra Jesus
como divino? Agora, considere e acrescente a profecia da ressurrei­
ção. Isso muda alguma coisa?

Atividade Prática
C on ferên cia d e im pren sa: O “corpo de imprensa” está desafiando
o “porta-voz cristão” em sua reivindicação de que as profecias sepa­
ram o cristianismo das outras religiões.

O ração de E n cerram en to

337

Evidência de Deus, da Bíblia e de Je­


sus na Profecia: Resumo e Conclusão

A Bíblia nos diz que é importante “examinar tudo” (ou “pôr tudo
à prova’’, versão TB) para ver se algo é de Deus. Além disso, ela nos
diz que teste usar — a profecia perfeita em 100%. Só Deus pode
predizer o futuro.
A profecia assume três formas básicas. A profecia de curlo prazo é
a que foi declarada e cumprida dentro de um período de tempo
relativamente curto. Com freqüência as profecias eram escritas nos
mesmos livros da Bíblia em que elas foram cumpridas. Embora uma
profecia de curto prazo não pudesse satisfazer um cético dos dias
modernos sobre a inspiração sobrenatural, era vital para os antigos
judeus determinar que pessoas eram profetas e que escritos eram a
Escritura Sagrada.
A profecia de longo prazo é a que foi declarada em um determi­
nado ponto no tempo e cumprida na história, freqüentemente com­
provada pela arqueologia, muitos anos depois. Essas profecias forne­
cem a garantia às gerações posteriores de que a Bíblia é inspirada e
que suas palavras, incluindo aquelas a respeito de Jesus, são dignas
de toda a confiança.
A profecia do fim dos tempos é a que fala do período final deste
mundo. Ela fala do céu e da vida após a morte. Embora não haja
nenhuma maneira de comprovar tais profecias, um grande número
E x a m in e as E v id ê n c ia s

de outras profecias cumpridas na Bíblia nos encoraja a confiar nas


profecias sobre o futuro.
 profecia se presta a uma análise estatística. Embora seja difícil
verificar a probabilidade da maioria das profecias, uma ordem razoá­
vel de grandeza pode ser estimada. Encontramos que a probabilida­
de de muitas profecias bíblicas é extremamente remota. No entanto,
mesmo que as chances sejam muito exageradas ou diminuídas, o
vasto número de profecias corretas na Bíblia, sem que nenhuma este­
ja errada, nos permite aplicar uma análise estatística para chegar a
uma conclusão, mesmo que as chances de uma única profecia sejam
grandemente mudadas. Um exemplo foi dado, no qual uma probabi­
lidade absurdamente conservadora de apenas uma chance em dez
foi aplicada a 118 profecias de longo-prazo, quando, na verdade, a
probabilidade seria muito mais remota. A conclusão não exigiu a
probabilidade mais realista — a prova da inspiração de Deus era
visível, cie qualquer forma.
De igual modo, descobrimos que o grande número de profecias
de Jesus comprova a sua afirmação de divindade. Nem mesmo é
necessário ter um grande número de profecias a respeito de sua di­
vindade, uma vez que as suas próprias profecias sobre um único
evento — a sua morte e ressurreição em três dias — por si só são
suficientes para provar a sua divindade.
Somente o cristianismo foi capaz de provar a si mesmo através cia
profecia divina. Os outros poucos testes feitos por outras religiões
falharam. As conclusões mais importantes que podemos extrair das
centenas de profecias perfeitamente cumpridas na Bíblia são:
1. Deus é real (só Deus pode profetizar de modo perfeito);
2. A Bíblia é inspirada por Deus;
3. Jesus é o Messias — Deus encarnado.
: j

Evidências da Ressurreição
de Jesus

— .- Um V e r s íc u l o para M e m o r iz a r
Se Cristo n ã o ressuscitou-, logo é vã a nossa p reg a ç ã o , e tam ­
bém é vã a vossa fé ... E, se Cristo n ã o ressuscitou, é vã a
vossa fé , e a in d a p e r m a n e c e is nos vossos p e c a d o s (1 Co
15.14,17).

1 apóstolo Paulo não mediu palavras ao falar a res­


peito da importância da ressurreição para a fé cristã.
Como indicado nos versículos acima, a fé cristã como
um todo depende do fato histórico da ressurreição. Sem
a ressurreição, não há base para a fé em Cristo, e
todos permanecem sem perdão e ainda estão "m or­
tos" nos seus pecados.
Alguns cristãos podem perguntar por que a ressur­
reição é necessária. A final, a Bíblia deixa claro que a
crucificação foi o sacrifício definitivo pelo nosso peca­
do, não a ressurreição (Rm 4.25). Por que Jesus não
poderia ser crucificado, e os crentes obterem a reden­
ção apenas através desse fato tão importante, sem a
ressurreição? A Parte 3 (Profecia) nos fornece a res­
posta. A profecia indicava que o Messias não veria a
morte (no sentido de não permanecer morto). Pode­
mos descobrir a resposta na profecia do Antigo Testa­
mento a respeito do Messias:
E x a m in e as E v id ê n c ia s

___ Um V e r s íc u l o para M e m o r iz a r -----------

. Nem p erm itirá s q u e o teu Santo veja co rru p ção (SI 16.10).

As únicas maneiras para que o “Santo” (Messias) não visse a


“corrupção” seriam: 1) não experimentar a morte, ou 2) ressuscitar.
Uma vez que sabemos que era necessário que ocorresse uma expia­
ção a fim de que os homens fossem redimidos, a ú n ica altern ativa
restante (p a r a q u e Ele n ã o visse a “co rru p ção”) seria a ressu rreiçã o.
Igualmente, nos Evangelhos há 18 referências à profecia de Jesus
sobre a sua morte e ressurreição em três dias (veja as pp. 329,330).
A ressurreição cie Jesus é importante por muitas razões: 1) ela
demonstra a esperança para toda a humanidade e revela o triunfo
definitivo de Deus sobre o mal; 2) ela indica a vida eterna que está
disponível a todos os crentes. No entanto, em primeiro lugar, a res­
surreição é importante porque confirma a reivindicação de Jesus de
ser Deus. Como já vimos, apenas profecias perfeitas com 100% de
acerto provam que alguma coisa é de Deus. Neste caso, a ressurrei­
ção foi profetizada antes de Jesus e cumprida por Ele. Além do mais,
ela foi profetizada pelo próprio Senhor Jesus muitas vezes. Devido
ao fato de Ele ressuscitar, podemos estar certos de que Jesus é Deus
encarnado como afirmou ser. Em virtude de o Senhor ter ressuscita­
do, podemos confiar nas palavras que Ele falou a respeito da expia­
ção como a oferta definitiva pelo pecado:

Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim im­


porta que o Filho do Homem seja levantado, para que
todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida
eterna (Jo 3.14,15).

Além disso, se a ressurreição não ocorresse, isso indicaria que


Jesu s seria um falso profeta. Não poderíamos confiar em sua rei­
vindicação, e a sua expiação leria sido inútil. Como Paulo indicou,
sem ela estaríamos eternamente mortos em nossos pecados (veja
1 Co 15.17,18).

342
E v id ê n c ia s da R e s s u r r e iç ã o de J e su s

Além de nos ajudar a confiar em Jesus com respeito às palavras


supremas de sua principal missão na terra — ser um sacrifício para
redimir os crentes, levanclo-os a um relacionamento com Deus — , a
ressurreição nos dá segurança em relação a todas a s p a la v ra s dos
en sin os d e Jesus. Conseqüentemente descobrimos que a ressurreição
é de importância inestimável.

343
P o r q u e T e s ta r a s A firm a ç õ e s da
B íb lia a R e s p e ito d e Je s u s ?

história prontamente nos fornece razões para testarmos a base


para a nossa fé. Olhemos para dois exemplos de fé bastante simila­
res, separados por cerca de dois mil anos, com dois líderes muito
diferentes.

Dois Exemplos de Fé
E x em p lo 1: Em 18 de novembro de 1978, um pequeno grupo de
investigadores entrou no acampamento de Jonestown, Guiana, boi
uma cena de terror. Pilhas e mais pilhas de corpos mortos amontoa­
dos. Famílias. Crianças. Mais de 900 pessoas jaziam mortas — 276
eram crianças.
Uma investigação posterior contou a história cie como um líder
religioso, Jim Jones, havia atraído os seus seguidores ao longo de um
caminho de fé e confiança nele, a ponto de beberem, voluntariamen­
te, uma mistura que tinha cianureto.
E x em p lo 2: Nos anos do imperador Trajano (98-117), seguidores
de Jesus Cristo foram solicilack >s a negar a fé ou enfrentar uma dolo­
rosa morte, como mártires. Para ganhar a liberdade, tudo o que eles
precisavam fazer era: 1) renunciar a lealdade a Jesus, e 2) adorar o
imperador Trajano, inclinando-se diante de sua estátua. Muitos cris­
E x a m in e as E v id ê n c ia s

tãos deram voluntariamente a vida por sua crença de que Jesus é o


Filho de Deus.

Jim Jones ou Jesus Cristo? Fm cada caso as pessoas se sentiram


convencidas sobre o seu líder antes cie enfrentarem a morte. Como
sabemos de fato quem estava certo? Como mostra o exemplo de Jim
Jones, há muitos casos documentados onde um líder ganhou a confi­
ança de outros e por fim os atraiu para uma morte prematura. Exem­
plos recentes incluem David Koresh em Waco, Texas, e Marshall
Applewhite, que iludiu os seguidores da Porta do Céu em San Diego,
Califórnia. Esses tipos de líderes, porém, são extremos e raros.
No entanto, talvez ainda mais perigosos, sejam os líderes que atraem
as pessoas para uma religião que é realmente falsa, fazendo promessas
maravilhosas para que as pessoas os sigam e rejeitem o único caminho
verdadeiro. Esses tipos de líderes são muito comuns. E tais líderes pare­
cem muito mais aceitáveis cio que aqueles extremos. Mas o resultado
final — enganar as pessoas, levando-as a uma falsa esperança que termi­
na em uma condenação eterna — não é igualmente fatal? A habilidade
desses líderes de atrair multidões muito maiores do que os líderes extre­
mos os tornam muito mais perigosos. Exemplos cie líderes assim perigo­
sos são aqueles que lideram organizações bem conhecidas como a Igre­
ja Mórmon, As Sentinelas (Testemunhas de Jeová), Ciência Cristã e a
Escola da Unidade do Cristianismo. Todas estas usam um “disfarce” de
cristianismo enquanto negam a divindade e a expiação de Jesus — des­
se modo negando a vida eterna aos seus membros.
Escolher Jesus Cristo como um líder é algo sério. Ele disse que
devemos segui-lo e rejeitar os falsos ensinos que alguém pode nos
propor. Assim como com os primeiros cristãos, seguir a Jesus é uma
decisão potencial de vida ou morte. Para a maioria das pessoas hoje,
porém, esta não é uma decisão fatal para a vida na terra. No entanto,
de acordo com Jesus, em todas as situações, segui-lo ou não segui-lo
envolve conseqüências com relação à vida eterna. As opções são
simplesmente declaradas: Siga-o e tenha a vida eterna; rejeite-o e
perca a vida eterna.

346
P or que T esta r as A f ir m a ç õ e s da B íb l ia a R e s p e it o de J esu s?

Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele


que nào crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus
sobre ele permanece (Jo 3-36).

Portanto, a decisão de seguir a Jesus é de enorme importância. E


a decisão de rejeitar qualquer outro ensino é igualmente de extrema
importância. Muitas pessoas com todo direito perguntam: “Como posso
saber se o ensino da Bíblia sobre Jesus está certo?” “Todas as religiões
não são basicamente a mesma?” Algumas outras perguntam: “Por que
Deus não se revelaria em outros livros sagrados?” “Por que Ele não se
revelaria através de outras pessoas também?” Muitos também pergun­
tam: “Por que o cristianismo tem que ser tão estrito? Nào parece fazer
sentido que um Deus tão grande fosse ‘encaixotado’ em uma religião
tão estrita quanto o cristianismo ensinado pela Bíblia”.
No entanto, não importa o que “pensemos” ser certo. O que de
fato importa é o que é certo, quer se encaixe em nosso ponto cie vista
pessoal ou não. A esse respeito, devem os co n sid erar q u e ev id ên cia
está disponível, p a r a q u e tom em os a m elhor decisão, com b ase em
in fo rm a ções seguras.
Como já foi mostrado nesse livro, a Bíblia nào nos pede para a
aceitarmos com uma fé cega. Na verdade, a Bíblia nos ordena a tes­
tarm os todas as coisas.

Examinai tudo. Retende o bem (1 Ts 5.21).

Os exemplos acima indicam por que a Bíblia prescreveria um


leste assim. Uma fé cega pode levar a uma fé em qualquer coisa. Ela
pode levar a uma fé em um
líder religioso dos pais de .. , .
, , " , , . r. A Bíblia deixa claro que sequir a Je-
alguem. Pode levar a te o
mais popular na comunida- sus leva à vida eterna com Deus' en~
de. Pode levar à fé dos a mi- quanto rejeitar a Jesus leva à ira eter-
gos. E até pode levar à le na. O texto de João 3.3Ó é um dos
em pessoas como Jim Jones, versículos mais específicos e claros da
David Koresh e Marshall D-i !■ r j r- •
Bíblia no que se retere a detinir a es-
Applewhite. No entanto, a m i
, , , colha de sequir ou não a Jesus.
e a d e q u a d a m e n te testada

347
E x a m in e as E v id ê n c ia s

lev ará a p e n a s à verdade. Portanto, se Jesus Cristo é real e as afirma­


ções da Bíblia a respeito dEle são reais, a fé nEle deveria ser capaz de
suportar qualquer teste sério. As pessoas que já possuem a fé na
Bíblia não devem ter nada a temer. E se a Bíblia estivesse errada, ela
não deveria ser rejeitada?

Testando a Veracidade da Ressurreição


Já analisamos várias questões a respeito da autenticidade do Se­
nhor Jesus:

1. Examinamos o registro histórico de Jesus como apoiado pela


arqueologia (parte 2) e descobrimos que há muitos achados
arqueológicos que apóiam o relato bíblico de Jesus, sem que
nenhum se oponha ao registro.
2. Examinamos as profecias sobre a vinda do Messias e concluí­
mos que uma análise estatística da probabilidade cie todas as
profecias messiânicas se realizarem em uma só pessoa está
além da razão — sem a intervenção divina. Entretanto, tudo se
realizou em Jesus.
3. Igualmente, revisamos as profecias do próprio Jesus (pp. 329,330)
e descobrimos que só as suas profecias a respeito da ressurrei­
ção já são espetaculares o bastante para garantir a sua reivindi­
cação cie ser Deus encarnado (sem mencionar as suas muitas
outras profecias).
4. Revisamos a evidência dos manuscritos (pp. 171-178) e conclu­
ímos que os manuscritos cias profecias foram confiavelmente
escritos antes do nascimento de Jesus e são, portanto, dignos
de confiança.
5. Revisamos a evidência cios manuscritos (pp. 181-189) e con ­
cluímos que o relato do Novo Testamento a respeito cie J e ­
sus é confiável, fornecendo, portanto, entre outras coisas,
evidências de que as profecias a respeito de Jesus se cum ­
priram.

Sendo assim, podemos ver que muitos pontos vitais já confirmam


a ressurreição de Jesus. () mais importante de todos é a comprovação

348
Por que T esta r a s A f ir m a ç õ e s da B íb l ia a R e s p e it o de J e su s?

profética da ressurreição. No entanto, esta profecia seria inútil se os


documentos que contêm as profecias ou os seus cumprimentos se
mostrassem não confiáveis. Felizmente, existem evidências extraordi­
nárias de que tanto os documentos proféticos (o Antigo Testamento)
como aqueles que indicam o cumprimento (os Evangelhos) são dig­
nos de confiança (veja novamente, parte 2).
Além disso, a arqueologia apóia muitos fatos que são reivindica­
dos na Bíblia (veja os capítulos 15 e 16). Embora este fato, em si,
não prove a ressurreição, se houvesse um número de incoerências
arqueológicas, então se lançaria dúvidas sobre a confiabilidade dos
registros bíblicos. Em vez disso, a arqueologia reforça a sua con­
fiabilidade.

Avalie o que Você Aprendeu


1. Cite dois versículos de Paulo sobre a importância da ressurrei­
ção.
2. Qual é a diferença entre o papel da crucificação e o papel da
ressurreição?
3. Cite alguns exemplos de como uma fé cega pode ser fatal.
4. Cite um versículo muito específico na Bíblia sobre as conseqü­
ências de aceitar ou rejeitar a Jesus.
5. Quais são algumas maneiras pelas quais a ressurreição pode ser
comprovada?

TrTTTTI
I ;<ü

Capítulo 23 — Grupo de Estudo

Prep aração para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: SI 16.10; Jo 3-36; 1 Ts 5.21 e o capítulo 23 deste texto.

O ração de A bertura
D iscu ssão: Revise os dois exem plos das histórias das páginas
345, 346. Discuta por que essas histórias não são forçadas. Veja se

349
E x a m in e as E v id ê n c ia s

o grupo pode imaginar o que é se deparar com uma escolha cie


vida ou morte por Jesus. No que seria baseada a escolha de cada
indivíduo?

Atividade P rãíica
R ep resen tação d e p ap éis: O “crente” se encontra com um “não-
crente” que está empolgado em virtude de um novo grupo religioso
ao qual ele foi apresentado. Ií.xplique a importância da fé ser testada.

O ração de E n cerram en to

350
O Túmulo V azio

Podemos apenas imaginar como foi, em Jerusalém, o clia em que


Jesus ressuscitou dos mortos. Sem dúvida alguma a notícia do corpo
“desaparecido” foi recebida de forma diferente e de acordo com a
perspectiva de cada indivíduo.

O tú m ulo estava vazio.


E x a m in e as E v id ê n c ia s

Da perspectiva cie Herodes, Pôncio Pilatos e outras autoridades


romanas, esta notícia introduziu um novo dilema. Em virtude da
pressão cias figuras religiosas locais, eles haviam consentido ou
concordado com a pena de morte de Jesus, apesar das circunstân­
cias incomuns. Agora eles enfrentavam uma situação potencial­
mente perturbadora. Como os fariseus e saduceus manteriam o
controle religioso se houvesse um maremoto em razão cia crença
cie que Jesus havia ressuscitado dos mortos? Jesus profetizara a
sua ressurreição várias vezes. Os seus discípulos estavam cientes
disso. Os líderes religiosos lambem. E talvez, pior de tudo, parte
cia população de Jerusalém estava ciente disso. Como esta notícia
afetaria a opinião pública? As pessoas creriam que Jesus havia
verdadeiramente vencido a morte? Eles creriam que Ele era Deus?
Isto causaria disputas passageiras entre grupos judaicos e despe­
daçaria o governo romano?
A partir cia perspectiva dos líderes religiosos judeus, foi um gran­
de desastre. Eles presumiram que a execução de Jesus eliminaria,
cie uma vez por todas, esta ameaça ao poder que tinham. Agora, os
discípulos de Jesus poderiam proclamar que Ele havia ressuscitado
dos mortos e que cie fato era Deus. Se os discípulos ganhassem o
controle da opinião pública, enfatizariam ainda mais os ensinamentos
de Jesus, que haviam sempre diminuído o poder dos líderes religi­
osos. A própria autoridade cio Concílio Judaico poderia ser ameaçada.
Poderia até significar o com eço de uma nova religião que, talvez,
abalaria os alicerces do judaísmo, que vinham permanecendo por
muitos séculos.
A partir da perspectiva das pessoas, havia confusão. Os discípulos
estavam dizendo a todos que Jesus fora visto depois cie sua morte. O
que isto significava? Jesus havia mesmo ressuscitado dos mortos? Onde
Ele estava? Exatamente o que os discípulos tinham visto? Se Jesus real­
mente ressuscitara dos mortos, isto comprovava a sua afirmação de ser
Deus? Para muitos, poderia significar esperança... esperança nas muitas
coisas que Jesus havia ensinado durante a sua vida na terra. Esperança
cie vida eterna.

352
O T ú m u lo V a z io

rreocupações Originais sobre o Corpo de Jesus


Os líderes judeus tinham preocupações a respeito do corpo de
Jesus desde o princípio. Eles perceberam que a falta de explicação
s<>bre o paradeiro de um corpo causaria problemas tremendos, e
lemiam a resposta público potencial se ele fosse dado como desapa­
recido. Esta preocupação era tão grande que eles procuraram Pôncio
I’ilatos para pedir um favor especial, como indicado no Evangelho de
Mateus:

E, no dia seguinte, que é o dia depois da Preparação,


reuniram-se os príncipes dos sacerdotes e os fariseus em
casa de Pilatos, dizendo: Senhor, lembramo-nos de que
aquele enganador, vivendo ainda, disse: Depois de três
dias, ressuscitarei. Manda, pois, que o sepulcro seja guar­
dado com segurança até ao terceiro dia; não se dê o caso
que os seus discípulos vão de noite, e o furtem, e digam
ao povo: Ressuscitou dos mortos; e assim o último erro
será pior do que o primeiro (Mt 27.62-64).

Esse pedido trouxe a questão dos ensinamentos de Jesus de volta


ao domínio de Pilatos. O interesse de Pilatos iria além de meramente
apaziguar os líderes judeus? Ele também estava preocupado com re­
lação ao impacto público se o corpo de Jesus desaparecesse? A pre­
ocupação de Pilatos revela um temor arraigado de que Jesus poderia
de fato ser quem Ele afirmava ser? Afinal, no dia da morte de Jesus, a
mulher de Pilatos o advertira a não entrar na questão desse homem,
por causa de uma revelação que ela havia tido:

E, estando ele assentado no tribunal, sua mulher man-


dou-lhe dizer: Não entres na questão desse justo, porque
num sonho muito sofri p o r causa dele (Mt 27.19).

Essa mensagem sugere que Pilatos linha falado sobre Jesus na


privacidade de seu lar com sua mulher. A condição de Jesus neste
mundo deve ter sido de algum interesse particular para Pilatos antes
da noite do julgamento.

353
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Além disso, Pilatos pareceu ter feito tudo o que podia para libertar
Jesus, a ponto de oferecer o criminoso Barrabás como um “substituto”.
Quando a multidão insistiu em crucificar Jesus enquanto Pilatos estava
assentado no tribunal, o governador “lavou as mãos diante da multidão,
dizendo: Estou inocente cio sangue deste justo; considerai isso” (27.24).
Quer o seu interesse em monitorar a existência do corpo de Jesus
fosse por causa cie seu medo de problemas políticos, quer fosse em
razão de sua curiosidade ou medo a respeito das alegações de Jesus
de sua divindade, ele rapidamcnle consentiu com o pedido do sumo
sacerdote para tornar o túmulo seguro:

Disse-lhes Pilatos: Tendes a guarda; ide, guardai-o como


entenderdes. E, indo eles, seguraram o sepulcro com a
guarda, selando a pedra (27.65,66).

A Resposta da Guarda
A guarda romana responsável pelo túmulo cle Jesus (que consistia
cie no mínimo 16 soldados) estava obviamente chocada com os even­
tos da ressurreição. Quando eles viram o anjo tirando a pedra que
obstruía o túmulo, a Bíblia diz que
ficaram “como mortos” (Mt 28.4).
Os romanos, a pedido dos lí­
A ausência do corpo de Jesus os
deres judeus, fizeram tudo o
expôs a um problema difícil. Tipi­
que puderam para guardar o camente, se tais guardas permitis­
corpo de Jesus. O que ensejou sem que um prisioneiro (ou neste
esse cuidado foi a profecia de caso um corpo) escapasse enquan­
que Jesus ressuscitaria dos to dormissem, ou tivessem aban­
mortos — o que, como já foi
donado os seus postos, eles enfren­
tariam a mesma sentença que o
indicado, feria com provado a
prisioneiro — nesse caso, a cruci­
sua alegação de ser Deus. ficação. Os guardas estavam clara­
mente preocupados com o seu des­
tino, porque primeiro procuraram os líderes religiosos para que tives­
sem um suporte — antes de procurar a autoridade política — prova­
velmente para que os líderes militares não os punissem. Além disso,

354
O T úm u lo V a z io

li;ivia a necessidade de conseguir uma explicação para o desapareci­


mento do corpo:

Eis que alguns da guarda, chegando à cidade, anuncia­


ram aos príncipes dos sacerdotes todas as coisas que
haviam acontecido. E, congregados eles com os anciãos
e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos
soldados, ordenando: Dizei: Vieram de noite os seus dis­
cípulos e, dormindo nós, o furtaram. E. se isso chegar a
ser ouvido pelo governador, nós o persuadiremos e vos
poremos em segurança. E eles, recebendo o dinheiro,
fizeram como estavam instruídos. E foi divulgado esse
dito entre os judeus, até ao dia de hoje (28.11-15).

Assim, a guarda romana foi essencialmente forçada a inventar a


história de que eles estavam dormindo enquanto os discípulos de
lesus furtaram o corpo. Em retribuição pela divulgação da história,
eles receberam uma grande quantidade de dinheiro e proteção da
mais alta autoridade local — o governador. Mas se estavam d o rm in ­
do, com o p o d e r ia m s a b e r q u e os discípulos h av iam fu rta d o o corp o?
Se estivessem dormindo, eles não teriam testemunhado isso. Por ou­
tro lado, teria sido difícil para fó guardas, separados, manter em se­
gredo por muito tempo a história de um anjo que apareceu “como
um relâmpago” (28.3). É provável que alguém acabasse contando a
uma outra pessoa sobre isso.
Entretanto, a história “oficial” dos guardas caindo no sono, e os
discípulos furtando o corpo foi apoiada pela instituição religiosa e
I ><>1ítica, de forma que é fácil entender por que esta se tornou a histó-
iia popular em curso entre os judeus que se opunham aos cristãos.

A Resposta dos Lideres Religiosos


As autoridades judaicas tinham um problema sério. Jesus, que havia
profetizado que ressuscitaria dos mortos em três dias, não foi encon-
trado em nenhum lugar três dias depois de sua crucificação. Este era
■i pior pesadelo deles. Agora os seguidores de Jesus poderiam chamá-
lo de Deus, e teriam a evidência necessária para apoiar isso. Não

355
E x a m in e as E v id ê n c ia s

„ |, , . . demorou muito para os efeitos da


Os lideres religiosos teriam
ressurreição causarem um grande
usado toda ferramenta que ^ p a c to . Qs disd p u lo s de Jesug)
estivesse à sua disposição 50 d j a s após a sua morte, imedia-
para localizar o corpo de Je- lamente começaram a celebrar a
sus. Isto certamente significaria sua divindade e a promovê-la por
recrutar ajuda de todos os seus toda a rc« iaíK Em alSuns dias- m i'
. I 1 1 . lhares cie pessoas estavam seguin-
seguidores leais, que deveriam , , , ,
do a Jesus como o Salvador do
ser muitos. Nenhum corpo mundQ A autoridade dos líderes
pôde ser encontrado. judeus oficiais e seus ensinos co­
meçaram a declinar entre muitos.
Sem o corpo para provar a mortalidade humana de Jesus, as auto­
ridades nào podiam provar que Jesus era apenas 11111 outro ser huma­
no. Uma ve/ que os líderes judeus precisavam desesperadamente do
corpo de Jesus, eles com certeza teriam usado todos os meios à sua
disposição para procura lo ate"' encontrar. Famílias, amigos, conheci­
dos e todos os que haviam conhecido a Jesus teriam sido questiona­
dos. Os trabalhadores das sinagogas seriam recrutados para vascu­
lhar os lugares onde o corpo poderia ter sido colocado. Em suma, se
o corpo de Jesus pudesse ser encontrado, o desenvolvimento do
cristianismo seria interrompido, e a ameaça ao judaísmo histórico
terminaria. As autoridades judaicas manteriam o seu domínio e os
seus abusos.
No entanto, se o corpo n ão podia ser encontrado, os líderes reli­
giosos tinham um problema.

A Resposta dos Líderes Romanos


A instituição política cie Koma também tinha o interesse de que o
corpo de Jesus fosse encontrado. Al inal, Israel era um estado religio­
so passageiro que poderia sei perturbado por qualquer desafio sério
à tradição judaica. Os ensinos de Jesus trouxeram a verdade de Deus
para o seu povo. No entanto, eles ainda foram mais além, quando
consideramos que Ele se posicionou como o Deus encarnado. Muitos
judeus seriam forçados a lidar com a complexa e difícil questão de

356
O T ú m u lo V a z io

entender o fato de Deus ser três


Os líderes romanos teriam
pessoas em uma única Natureza (a
usado toda ferramenta à sua
Trindade — Jesus se refere a isso
em Mt 28.19). disposição para localizar o
Desse modo, um conflito entre corpo de Jesus. Isto certamen­
i >s líderes religiosos e os seguidores te teria envolvido ordenar
(le Jesus parecia inevitável. Estava tropas para vasculhar a área
«laro que o interesse do governo
ao redor. Nenhum corpo
romano era encontrar o corpo de
pôde ser encontrado.
lesus. para que a paz fosse mantida.
Os romanos tinham grandes re­
cursos à sua disposição para tentar encontrar um corpo. Mais importante
ainda, eles podiam invocar a pena de morte a qualquer pessoa que
estivesse escondendo o corpo. Na verdade, a arqueologia localizou em
Nazaré um túmulo do primeiro século que possui uma mensagem gra
vada, especificando a pena cie morte para qualquer um que fosse ladrão
de sepulturas. É interessante que esta penalidade extraordinariamente
severa tenha sido encontrada na cidade natal de Jesus. Ela foi colocada
em um local de sepultamento logo depois da ressurreição. Talvez esta
lenha sido a resposta cias autoridades romanas ao episódio.

A Resposta dos Discípulos


Quando consideramos os discípulos durante o período da crucifica­
ção e da ressurreição, percebemos que seria um absurdo pensar que
eles poderiam ter furtado o corpo de Jesus. Em primeiro lugar, deve­
mos considerar o estado mental instável dos discípulos. Muito embora
tivessem sido advertidos repetidas vezes por Jesus cie que Ele seria
crucificado e mais tarde ressuscitaria dos mortos, era óbvio que eles
não entenderam bem a profecia. Na noite crítica da traição, os discípu-
l<>s nem mesmo ficaram acordados. Durante o período do julgamento
de Jesus, Pedro o negou três vezes. Quando Ele estava crucificado, os
discípulos se dispersaram e havia relutância em acreditar na ressurrei­
ção. Por exemplo, Tomé declarou que creria somente quando colocas-
■ a sua mão nas feridas cie Jesus. Nenhum desses eventos são indicativos
de um grupo de discípulos bem organizados, capazes de formular

357
E x a m in e as E v id ê n c ia s

rapidamente um plano inteligente para furtar um corpo sob os cuida­


dos da guarda romana, que era tão profissional.
Em segundo lugar, mesmo que os discípulos estivessem motiva­
dos e prontos para furtar o corpo de Jesus, isso teria sido extrema­
mente difícil. O momento da ocorrência teria sido durante o sábado.
O movimento durante o sábado era limitado e teria sido um proble­
ma óbvio se os discípulos estivessem planejando o grande furto do
corpo. E existia a questão da multidão de seguidores passando des­
percebidos pelos guardas mais bem treinados do mundo. Por fim,
havia os problemas cie mover uma pedra de cerca de duas toneladas
e romper um selo romano oficial sem serem detectados.
Todo o ministério de Jesus estava concentrado em seu papel como
o Filho de Deus. Nesse papel, o seu triunfo sobre a morte através da
ressurreição era supremo. Para os discípulos, um Messias morto não
serviria para nada. Eles não tinham motivação para furtar o corpo de
Jesus; seria muito mais simples apenas reconhecer que tinham se
enganado a respeito do Mestre. Além disso, não haveria nada a ga­
nhar inventando uma história cie uma ressurreição e divulgá-la. Ao
contrário, uma vez que a perseguição começara, teria siclo óbvio que
havia tudo a perder perpetuando uma história de um falso Messias.

----------------------------- CONCEITO-CHAVE ________________


Os discípulos n ã o teriam tido n en h u m m otivo p a r a f u r ­
ta r o corpo d e Jesus, p o r q u e essa atitu de ca ra cteriz a ria
Jesu s co m o um fa ls o p ro feta — e seria tolice en fren ta r
p erseg u ição p o r u m a m entira.

A Resposta das Outras Testemunhas Oculares


Os 12 discípulos não foram os únicos a ver o Cristo ressuscitado!
Por exemplo, sabemos que várias mulheres o viram no clia cia ressur­
reição. Havia Maria Madalena, Salomé e “a outra Maria”, (possivel­
mente a esposa cle Clopas ou a mãe de Tiago e José). Também sabe­
mos que Jesus apareceu a muitas ou iras pessoas, incluindo 500 pes­
soas de uma só vez (1 Co 15.6).
O T úm u lo V a z io

() fato cie haver tantas outras testemunhas tornaria mais difícil


para os líderes religiosos e romanos “venderem” a história de os dis-
i ipulos terem furtado o corpo. Afinal, por que outras pessoas, além
ilos próprios discípulos, afirmariam ter visto o Cristo ressuscitado? O
■11 k■elas ganhariam com isso?

A Resposta da Cidade de Jerusalém


Jerusalém se deparou com dois pontos de vantagem opostos.
I)e um lado, as autoridades religiosas e políticas indicaram que
n.to havia um corpo morto de Jesus porque, “contra todas as p o s ­
sibilidades”, os discípulos furtaram o corpo. Com certeza, esses
lideres teriam exigido um respeito enorm e do populacho. Por ou­
tro lado, os discípulos e outras pessoas afirmavam ter testemunha­
do o Jesus ressuscitado; como conseqüência, não haveria nenhum
corpo. Naturalmente, uma ressurreição sobrenatural com o essa
também seria contra todas as probabilidades. Assim, a cidade ti­
nha o dilema de escolher entre seus líderes e as testemunhas dig­
nas de crédito. Estava em jogo uma mudança fundamental na crença
religiosa. Estava em jogo a vida de milhares de milhares de pesso­
as, a partir daquela época.
O resultado cia decisão de Jerusalém cie crer nos lícleres ou nos
discípulos após a ressurreição está registrado pela história. Os dis-
<ipulos e a s testem u n h a s o c u la r e s v en cera m fa c ilm e n t e . O cristia ­
nism o ex p lod iu n a c i d a d e — em a lg u n s dias, m ilh a r es d e p e s s o a s
se to rn a ra m seg u id o res d e Cristo. Isto é significativo porque a rígi­
da crença religiosa era de suma importância para os judeus. Em 70
d.C. alguns estimam que uma enorm e porcentagem da população
de Jerusalém havia se tornado cristã. Até mesmo hoje, em uma
cultura muito mais tolerante com a diversidade, nunca se imagina-
i ia uma nova religião dominando uma parte tão grande da popu­
lação em um período tão curto. Mesmo assim, sabemos que o
cristianismo cresceu de modo muito rápido. Do contrário não teria
havido perseguição, o que a história registra como ocorrendo ime­
diatamente. O cristianismo continuou a se espalhar apesar da per­
seguição.

359
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Medidas de Segurança no Túm ulo


Como já mostramos, os líderes religiosos judeus tinham uma gran­
de preocupação em proteger o corpo de Jesus porque eles reconhe­
ciam que se o corpo desaparecesse, isto seria proclamado como uma
ressurreição. Tanto os fariseus como os romanos supunham que to­
mando medidas de segurança extraordinárias poderiam impedir o
furto (eles certamente não levaram a sério a profecia da ressurreição
feita por Jesus).
A<> analisar a questão da guarda colocada no túmulo de Jesus,
algumas pessoas têm questionado se a mesma era uma guarda do
Templo, e não uma guarda romana, como é em geral assumido. Po­
rém, mesmo os membros da guarda do Templo eram altamente trei­
nados. A guarda cio Templo teria consistido de ao menos, dez ho­
mens — e qualquer um deles seria executado se adormecesse em
uma hora inapropriada.
No entanto, evidências excepcionais sugerem que uma guarda
romana foi destacada para guardar o corpo de Jesus, pelas seguintes
razões:
1. Na Bíblia, a palavra grega k.oustodia (guarda), quando usada no
contexto de Mateus 27.65, sugeria uma guarda romana.
2. Pilatos emitiu a ordem, sugerindo que ele estava no comando
supremo da guarda. (Se apenas uma guarda cio 'templo tivesse
sido usada, por que os fariseus foram a Pilatos pedir ajuda?)
3. Quando os guardas procuraram os líderes religiosos judeus após a
ressurreição, eles estavam obviamente preocupados com a reação
cie Pilatos — e não com os próprios líderes religiosos. Isto fica
evidente pela declaração dos líderes judeus: “E, se isso [o relato
cios guardas dormindo] chegar a ser ouvido pelo governador, nós
o persuadiremos e vos poremos em segurança” (Mt 28.14, grifo
cio autor). Se houvesse apenas uma guarda do Templo sob a
autoridade dos líderes religiosos naquele momento, sérias conse­
qüências teriam acontecido imediatamente. Nesse caso, os líderes
religiosos foram procurados para tentar evitar uma sentença de
execução que poderia ser emitida pelas autoridades romanas.

360
O T ú m u lo V a z io

A guarda romana teria consistido de 16 soldados para um impor-


lante prisioneiro político como Jesus. Esses guardas eram divididos
cm grupos de quatro de cada lado do que quer que tivessem que
proteger. À noite, quatro guardas teriam sido colocados diretamente
em frente à entrada do túmulo, com os outros 12 dormindo “com a
lace virada para dentro” em um semicírculo em frenle aos quatro que
estavam de vigia. Os guardas dormiam em turnos de forma que sem­
pre houvesse um mínimo de quatro vigiando por ve/. Como observa­
do anteriormente, qualquer guarda que abandonasse o seu posto ou
adormecesse enfrentaria a crucificação.1

-------------------------- CONCEITO-CHAVE ---------------------------


A g u a r d a c o lo c a d a n a fren te d o túm ulo era q u a se qu e
com certez a u m a g u a r d a rom an a, q u e n orm alm en te le­
ria sido com posta p o r 1 6 sold a d o s com turnos altern ad o s
d e son o p a r a asseg u rar u m a p r o le ç à o constante. A p en a
lid a d e p o r d o rm ir fo r a d o tu rn o ou p e la d eserçã o era a
ex ecu çã o.

A Pedra de Duas Toneladas


O registro histórico bíblico indica que uma pedra obstruía a entra­
da do túmulo de Jesus, e esta era uma barreira tremenda:

E, passado o sábado, Maria Madalena, Salomé e Maria,


mãe de Tiago, compraram aromas para irem ungi-lo. E,
no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã
cedo, ao nascer do sol, e diziam umas às outras: Quem
nos revolverá a pedra da porta do sepulcro? (Mc 16.1-3)

Estudiosos estimam que a pedra que fechava o túmulo de Jesus


pesava cerca de duas toneladas. Este era o peso típico das pedras
usadas em sepulturas naquela época.-
Alguns críticos sugerem, antes, uma alternativa bizarra para a hi­
pótese de os discípulos terem furtado o corpo. Eles dizem que Jesus

361
E x a m in e as E v id ê n c ia s

nunca morreu, mas apenas recobrou a sua força e removeu a pedra.


Mas se ele não tinha morrido, certamente estaria muito fraco. Além
disso, teria sido impossível mover a pedra estando dentro do túmulo.
A pedra não só era pesada demais, mas visto que obstruía a abertura,
Ele não teria sido capaz de encontrar uma alça. Para os outros do
lado de fora do túmulo, ela teria sido movida através de uma grande
força. Mas ela era um obstáculo importante a se considerar, como
mostrado pela preocupação das mulheres que se aproximaram do
túmulo no dia cla ressurreição.

O Selo que Protegia o Túmulo


Uma das medidas de segurança tomadas consistia em aderir um
selo à pedra fechando a entrada clo túmulo: “E, indo eles, seguraram
o sepulcro com a guarda, selando a pedra” (Mt 27.66).
O selo era um cordão esticado cruzando a entrada clo túmulo, e
tinha, no meio, uma ligadura de cera. Isto teria impedido a abertura
do túmulo sem quebrar o selo. O “selo” da autoridade administrativa
no comando ficava impresso na cera, significando a sua importância.
Apenas ao capitão da guarda era permitido dar a permissão para se
quebrar o selo. Qualquer pessoa que o quebrasse sem permissão
seria executada.
Com certeza, só o selo era quebrável e poderia ser facilmente
rompido. No entanto, ele conferia uma barreira psicológica para que
ninguém tentasse remover a pedra sem permissão. Ele também refor­
çava a importância de se proteger a sepultura, indicando que ela
jamais poderia ser aberta sem o consentimento dos romanos.

Impacto Geral das Precauções com a Segurança no


Túmulo
Sem dúvida alguma as precauções de segurança no túmulo de
Jesus eram amplamente conhecidas. Teria sido impossível para qual­
quer pessoa tentar forçar o túmulo sem o conhecimento e a aprova­
ção dos responsáveis por protegê-lo. Sobrepujar uma guarda romana
cie 16 soldados, mover uma rocha de duas toneladas e romper um
selo — o que significaria morte certa — , todas essas medidas ajuda­

362
O T úm u lo V a z io

vam a assegurar que o corpo de Jesus não seria perturbado sem que
os romanos o soubessem.
A alta segurança no túmulo de Jesus proporciona a garantia de
que o túmulo estava vazio em virtude da ressurreição de Jesus, e não
de um furto ou de qualquer outra forma de distúrbio.

Podemos Estar Certos de que Jesus Estava real­


mente Morto?
Algumas pessoas que tentam explicar a ressurreição afirmam que
Jesus não estava de fato morto — Ele apenas “desmaiou” e, portanto,
p areceu voltar dos mortos.
Essa idéia não faz absolutamente sentido algum quando se consi­
dera várias coisas:
1. Os romanos eram executores profissionais. Os centuriões que
foram designados para a tarefa, sem a menor dúvida tinham
experiência com dezenas, e talvez centenas, de execuções. Eles
estariam seguindo métodos e procedimentos padronizados sob
o olhar vigilante da liderança judaica, que queria estar certa de
que a execução foi realizada adequadamente.
2. Jesus era um importante prisioneiro político. Isto teria trazi­
do uma extrema importância e atenção à sua execução, o
que tornaria o seu resultado desejado mais certo do que
nunca.
3- O processo cle morte por crucificação era extremamente lento e
certo. A vítima teria cle empurrar-se para cima com os pés a fim
de respirar (quando a pessoa estava pendurada pelas mãos, o
diafragma era forçado para cima, tornando a respiração impos­
sível). Conseqüentemente, era bastante óbvio que quando a
vítima parasse de se projetar para cima, era sinal de que havia
morrido por asfixia. Assim como acontece no afogamento, após
alguém ficar submerso por dez minutos ou mais, pode-se estar
certo de que a morte ocorreu.
4. O golpe com a lança assegurou ainda mais que Jesus havia
morrido.

363
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Resumo
Nos dias que se seguiram à crucificação, muitas precauções fo­
ram tomadas para proteger o corpo de Jesus. Mesmo assim, desde o
dia cia ressurreição, o corpo cie Jesus jamais foi localizado. Havia
todos os motivos para que os líderes judeus fizessem tudo o que
podiam a fim cie localizar o corpo de Jesus. O fracasso em se obter
isso resultaria, e resultou, na diminuição da sua autoridade religio­
sa. Da mesma forma, os líderes romanos teriam tido todo o incenti­
v o para fazer tudo o que podiam para localizar o corpo de Jesus.
Do contrário, poderia resultar uma disputa transitória entre os ju­
deus tradicionais e os seguidores de Jesus — e resultou. Isto signi­
ficava uma ameaça paia o domínio romano cie Jerusalém e dos
te rritórios vizinhos.
'leria sido praticamente impossível para o grupo despreparado de
discípulos, sobrepujar a guarda romana e furtar o corpo de Jesus.
Nem haveria qualquer razão para eles procederem assim. Apesar da
explicação apresentada pelos líderes judeus e dos guardas romanos
de que os discípulos haviam furtado o corpo, a cidade de Jerusalém
não a estava aceitando. Em vez disso, as pessoas aceitaram o relato
apresentado pelas testemunhas oculares, de que Jesus havia ressusci­
tado dos mortos. Muitos deram a propria vida para comprovar esta
forle crença.
Em poucas palavras, tudo o que os líderes judeus e os romanos
tinham de fazer, a fim de pôr fim ao cristianismo para sempre, era
conseguir o corpo de Jesus. Eles não puderam fazer isso. E o cristia­
nismo clescle então se tornou a maior religião do mundo. O túm ulo
estava vazio.

Avalie o que Você Aprendeu


1. Por que os líderes judeus c.siavam preocupados com a seguran­
ça do corpo de Jesus?
2. O que os líderes judeus e os romanos teriam feito ao ouvir que
o túmulo estava vazio? Por que o corpo era tão importante?

364
O T úm u lo V a z io

3. Em que estado mental estavam os discípulos depois da crucifi­


cação?
4. Descreva a guarda romana. Que outras precauções foram toma­
das contra o furto?
5. Que problemas a pedra representava?

Capítulo 24 — Grupo de Estudo

Preparação p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo cm grupo)


Leia: Mateus 27.24; 28.11-15 e o capítulo 2/i deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Em grupo, finjam que vocês são os discípulos e que
pretendem furtar o corpo de Jesus. Veja se conseguem pensar em uma
estratégia para terem êxito. Lembrem-se de apresentar como vocês
irão lidar com todos os problemas de segurança (incluindo c<>isas como
a.s pessoas notando os seus movimentos em um sábado).

Atividade P rática
C on ferên cia cie im pren sa: Um “corpo cle imprensa" se reuniu em
Jerusalém, que está predisposta a acreditar na noçrto dominante de
que o corpo de Jesus foi furtado. O objetivo d< >“crislâi >" e delénder a
sua fé contra tais alegações.

O ração de E n cerram en to
O M a rtírio d o s A p ó sto lo s

J alomé, soluçando incontrolavelmente e com os olhos banhados


em lágrimas, abraçou seu marido, Zebedeu. Ela já tinha visto isso
antes. Já vira o que uma pessoa com poder absoluto podia fazer.
Primeiro foi o seu Senhor, o próprio Jesus. Depois, Estevão, que
entregou o seu espírito enquanto o povo o apedrejava (At 7.54-60).
Agora seu filho mais velho, Tiago, um discípulo cle Jesus, que estava
sendo arrastado pelas ruas como um pedaço de lixo a ser descartado.
Salomé sabia que deveria perdoar, mas este era o seu próprio filho.
Ela tinha um desprezo repleto de ira pelo rei Herodes Agripa I.
Finalmente, eles alcançaram o local de execução. Então, um even­
to chocante aconteceu. Para espanto de todos, um dos soldados ro­
manos se colocou de joelhos e pediu perdão a Tiago. Ele viu uma
coragem tão extraordinária no apóstolo Jlago, que também começou
a chorar, pedindo-lhe permissão para entrar no Reino de Deus.
— Não mate apenas a ele — disse o soldado. — Me leve também.
Tiago, rápido, diga-me o que fazer!
— Apenas creia no Senhor Jesus e serás salvo — exclamou Tiago
enquanto a sua cabeça estava sendo posicionada no bloco do executor.
Enquanto os segundos se passavam, Zebedeu abraçava Salomé
fortemente. Ela não queria olhar — ó, como ela não queria olhar. Mas
esta era a sua última chance cle ver o filho.
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Tiago olhou para a sua mãe com uma expressão cie serenidade e
amor profundo que somente uma mãe reconheceria. Ele sorriu. E
então acabou.
Por volta do ano 190, o antigo escritor Clemente de Alexandria
documentou a história cia execução cie Tiago, o irmão mais velho do
apóstolo João, e filho de Zebedeu e Salomé. A história, que contei
novamente em uma linguagem moderna, revela a enorme coragem
dos primeiros apóstolos, que se deparavam com uma morte cruel
todos os dias apenas por crer em Jesus e anunciar a verdade.
Mas esta história de Tiago não é um caso isolado de martírio
entre os discípulos. Todos eles, exceto Jo ão , enfrentariam um des­
tino similar. Todos morreram cie forma horrível, tiveram mortes
cruéis simplesmente porque creram e anunciaram a mensagem do
evangelho.1

Pedro
Depois da crucificação de Jesus, Pedro ficou desanimado. Se Jesus
de fato tivesse permanecido morto e não tivesse ressuscitado, espera­
va-se que Pedro retornasse à vicia cie pescador. Afinal, era um especi­
alista em pesca, mas um orador público bastante simples e inculto.
No entanto, Pedro de imediato se lançou em uma carreira completa­
mente alheia a tudo o que ele era, passando a ser um apóstolo, e é
bem provável que jamais tenha retornado à pesca. Obviamente, a
ressurreição mudou a sua vida para sempre. E Pedro, sem dúvida,
soube que a ressurreição foi real. Ele tinha acabado de passar cerca
de três anos com Jesus, acompanhando-o dia a dia. Ele estava com
Jesus na noite anterior e no dia da crucificação, e foi um dos primei­
ros a vê-lo ressuscitado.
Pedro iniciou a sua nova carreira fazendo discursos ousados que
persuadiram milhares de judeus locais a seguirem o Cristo ressuscita­
do. Embora Pedro tenha iniciado o seu ministério evangelístico em
Jerusalém, logo partiu para anunciar a mensagem em outros lugares
— após ter sido preso duas vezes. A história indica que ele viajou
para pregar em Corinto por um curto período cie tempo depois de
Paulo ter estabelecido uma igreja ali.

368
O M a r t ír io d o s A pó sto lo s

O historiador Eusébio declara que Pedro estabeleceu a igreja Síria


em Antioquia, pouco tempo depois da ressurreição. A tradição da
igreja defende que Pedro continuou na liderança como o seu primei­
ro “bispo” de 33 a 40 d.C. Durante este período, ministrou à região da
Mesopotâmia, que era uma região de força e importância para os
judeus. É provável que tenha continuado o seu trabalho missionário
na Babilônia e na região oriental por muitos dos seus anos restantes,
até à sua morte em 67 d.C., embora haja um número considerável de
evidências de que durante este período ele também tenha passado
um tempo na Grã-Bretanha, Gália e Roma.
Conquanto Pedro, sem dúvida alguma, tenha enfrentado as perse­
guições que foram empreendidas contra os cristãos durante os seus
anos de ministério, a brutalidade que sofreu no final de sua vida é
um tremendo testemunho da força de sua fé na ressurreição do Se­
nhor Jesus. Nero havia se declarado “inimigo de Deus” e estava deci­
dido a promover esta posição, repleto de orgulho, líle, portanto, li­
nha todas as razões para maximizar a história sobre a traição dos
cristãos — especialmente tratando-se de líderes comi >Pedro e Paulo.
Pedro foi, de modo maldoso, condenado e lançado na infame
Prisão Mamertina, em Roma. A Mamertina era uma câmara profunda
e escura, lavrada em rocha sólida, formada por duas câmaras, uma
em cima da outra. Uma fenda estreita no teto fornecia o único acesso
e luz à câmara de cima. A câmara inferior, conhecida como a “cela da
morte”, ficava em completa escuridão — e nunca era limpa. Um mau
cheiro terrível enchia a prisão, chegando a envenenar de maneira
fatal muitos prisioneiros.
No “vívido inferno” de Mamertina, Pedro foi acorrentado de pé a
um poste, em uma posição fisicamente exaustiva que não permitia
que ele se reclinasse. Ali, sozinho, chafurdando-se na imundície, em
completa escuridão, Pedro aguardou a sua morte durante nove lon­
gos meses — a monotonia só era interrompida por períodos de in­
tensa tortura. Tuclo o que Pedro tinha a fazer para ser liberto era
renunciar a Jesus. Mas o evangelho se divulgava cada vez mais en­
quanto Nero continuava a edificar sua reivindicação pessoal como
inimigo de Deus.

369
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Um clia, no ano 67, Pedro foi conduzido até o circo de Nero para
ser executado. Ali o apóstolo solicitou que fosse crucificado de cabe­
ça para baixo, pois não se achava digno de ser crucificado na mesma
posição que seu Senhor Jesus Cristo. Os romanos sarcásticos conce­
deram o seu pedido.
Enquanto Pedro era conduzido para ser crucificado, ele olhou para
a sua mulher, que igualmente estava sendo conduzida para ser execu­
tada. Em seu livro, A H istória cia Igreja, * Eusébio cita as últimas pala­
vras de estímulo de Pedro à sua mulher: “Ó, lembra-te do Senhor”.
Em vez de se submeter às autoridades romanas, que haviam tenta­
do todos os meios para quebrantar o seu espírito e fazê-lo renunciar
à ressurreição, Pedro se manteve firme — assim como sua mulher —
e enfrentou horrendas aflições para glorificar ao Senhor Jesus. Certa­
mente Pedro conhecia a veracidade da ressurreição. Será que Pedro e
sua mulher passariam por tamanho sofrimento por causa de uma
mentira patente?

André
André foi o primeiro homem descrito como um seguidor do Se­
nhor Jesus. Ele esteve presente no primeiro milagre e em muitos
outros depois disso. André conhecia Jesus muito bem e certamente
saberia se, de fato, Ele luivia aparecido vivo depois da crucificação.
As ações evangelísticas de André após a ressurreição demonstram a
sua crença de que Jesus é <> Filho de Deus.
Piá vários relatos não- bíblicos a respeito do ministério de André
após a ressurreição. Embora eles sejam diferentes em alguns aspec­
tos, há muitos pontos cie c<>ncordância. Não se tem certeza de quan­
do André deixou Jerusalém paia anunciar o evangelho. Acredita-se
que tenha passado a maior parle de seu ministério na Cítia, no sul da
Rússia, nas proximidades cio mar Negro (de acordo com Eusébio).
Outras fontes indicam que André também passou algum tempo
evangelizando na Ásia Menor, na cidade de Éfeso, onde algumas
pessoas crêem que o Evangelho de João foi escrito, baseado em par-

* N. cio R.: Publicado no Brasil, pela <TA I), m u o título H istória E clesiástica.

370
O M a r t ír io d o s A pó sto lo s

lr em uma revelação dada a André. É possível que o período na Ásia


Menor tenha se seguido ao ministério de André na Cítia, enquanto se
encaminhava para a Grécia, onde fontes geralmente concordam que
ele passou os seus anos finais e foi executado.
Em Patras, Grécia, a tradição (confirmado por várias fontes não-
bíblicas) indica que André enfureceu o governador da região, por ter
levado a mulher do governador a se converter ao cristianismo, cau­
sando desavença entre eles. Como conseqüência, o governador man­
dou crucificar André em uma cruz em forma de “X ”, e não em uma
cruz semelhante a do Senhor Jesus. (Esta forma de cruz é agora co­
nhecida como a cruz cle Santo André.)
Como Paulo e outros apóstolos, André sofreu torturas antes de sua
execução. Em vez de ser pregado na cruz, como os outros, André foi
amarrado a fim de prolongar o seu sofrimento. Hora após hora supor­
tou dor e humilhação extremas, enquanto era exposto sem roupa.
Mesmo assim, está registrado que durante este período André exortou
os cristãos e outros espectadores, louvando a Deus. A sua tortura con­
tinuou por dois dias até que finalmente sucumbiu a morte no último
dia de novembro, por volta do ano 69- Admite-se que as últimas pala­
vras de André foram: “Aceite-me, ó Cristo Jesus, a quem eu amo, e cle
([uem sou; aceite o meu espírito em paz em teu reino eterno”.

Tomé

O apóstolo Tomé é mais conhecido por ter duvidado da ressurrei­


ção cle Jesus: “Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não
puser o cledo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu
lado, de maneira nenhuma o crerei” (Jo 20.25). No entanto, essa dúvi­
da se transformou em um compromisso determinado, tão logo ele teve
um encontro com o Cristo ressuscitado. Depois de deixar Jerusalém,
Tomé viajou em direção ao oriente, para a Babilônia e além, até a
India, onde se tornou conhecido como o fundador da igreja do Orien­
te. É dito que o seu ministério começou por volta do ano 52 na cidade
de Crangamore. Antigos registros indicam que ele não queria servir na
India em virtude da severidade cio ambiente; no entanto, assim mesmo
escolheu seguir o chamado que havia recebido de Jesus.

371
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Os detalhes do ministério de Tomé variam, mas os relatos em


geral concordam em relação ao seu martírio. Aparentemente Tomé
havia depreciado os brahmins, uma seita hindu, diante do rei. Eles se
tornaram invejosos do seu sucesso missionário e tramaram matá-lo. E
relatado que um dia Tomé estava em profunda oração em uma caver­
na nas encostas do monte Antenodur, quando os brahmins o ataca­
ram, o torturaram, feriram o seu lado com uma lança, e então fugi­
ram. Tomé saiu da caverna agonizando e se arrastou subindo a en­
costa, onde morreu.

Mateus
A tradição conta que Mateus viajou para a Etiópia e se associou a
Candace (veja At 8.27). As narrativas sobre o seu martírio variam. O
Talmude judaico indica que ele foi condenado pelo Sinédrio. Alguns
escritos indicam que foi preso em um (ronco no solo e decapitado
por causa de sua fé, por volta do ano 60.

Filipe
Filipe viajou para Cítia (sul da Rússia) logo após a ressurreição.
Ali, pregou o evangelho por 20 anos. Alguns relatos indicam que
também passou algum tempo na ( ialin (a França dos dias modernos);
no entanto, isto não é confirmado.
Registros indicam que Filipe lbi martirizado com a idade de 87
anos na cidade de Hierápolis na frigia. É relatado que sacerdotes
pagãos o crucificaram de cabeça para baixo, e que o pregaram à cruz
perfurando as suas coxas. Fie foi então apedrejado enquanto estava
pendurado na cruz. Antes de entregar o seu espírito, diz-se que Filipe
orou pelos seus inimigos, assim como Jesus fez.

Bartolomeu ( Natanael)
Bartolomeu é sempre citado juntamente com Filipe nos Evange­
lhos. Após a ressurreição, viajou com Felipe para Cítia, onde traba­
lharam juntos em Hierápolis. Bartolomeu, porém, escapou da crucifi­
cação na época em que Filipe foi crucificado.

372
O M a r t ír io dos A pó sto lo s

De Hierápolis, Bartolomeu viajou para a Armênia, onde é dito que


ele deu início a uma igreja cristã naquela região. Ele foi martirizado
cm Albana (agora Derbend, Rússia). Um relato indica que sacerdotes
pagãos e o irmão do rei, Astíages, tornaram-se hostis quando
bartolomeu falou contra os ídolos locais (e através de sua interces­
são, Deus curou a filha do rei). Os seus inimigos por fim consegui­
ram mandar prenclê-lo, espancá-lo e crucificá-lo no ano 6<S.

Judas Tadeu
Às vezes os nomes dos 12 discípulos são confusos. Por exemplo, em
alguns casos aparece o nome Judas, e em outros Tadeu. No entanto,
Tadeu era o sobrenome de Judas. (O antigo historiador Jerônimo refere-
se a ele como “Triônio”, o que significa um homem com três nomes —
Judas Tadeu Lebeu — veja Mt 10.3). Ele era filho de Tiago (Lc (>.16).
O historiador da Igreja Primitiva, Nicéforo Calisto, analisa o minis-
lério de Judas na Síria, Arábia, Mesopotâmia e Pérsia. Outras fontes
documentam um extenso envolvimento de Judas com a igreja Armênia
dc 35 a 43. Acredita-se que ele serviu com Barlolomeu e Tomé na
região por vários anos. As fontes mais conhecidas indicam que Judas
loi martirizado por uma barragem de flechas no monte Ararate.

Tiago, Filho de Alfeu


Tiago, filho de Alfeu, freqüentemente chamado de “Tiago, o me­
nor", é às vezes confundido com Tiago, o irmão de Jesus. Boa parte
desta confusão foi gerada pelas tentativas dos primeiros católicos
romanos e ortodoxos armênios de utilizar referências gregas obscu­
ras para demonstrar que ambos eram a mesma pessoa, a fim de expli­
cai' a virgindade perpétua de Maria. Estas explicações, porém, são
insuficientes por que deveriam considerar Tiago, o menor, através de
algumas possibilidades: 1) um irmão que tinha duas irmãs chamadas
“Maria” na mesma família; ou 2) um meio-irmão (o que seria biblica­
mente incorreto); ou 3) um “primo” (o que significaria que Paulo
leria escolhido a palavra errada). Nenhuma destas parece ser uma
resposta satisfatória.

373
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Separando Tiago, filho de Alfeu, e Tiago, irmão de Jesus, torna


muito mais fácil entender a Escritura e muito mais fácil pesquisar.
Fontes indicam que Tiago, o menor viajou para a Síria logo após a
ressurreição do Senhor, onde se tornou o primeiro “bispo” da Igreja
Síria. (O irmão de Jesus, Tiago, por outro lado, tornou-se o dirigente
da igreja de Jerusalém). A tradição posteriormente indica que Tiago,
o menor mais tarde voltou a Jerusalém, onde foi apedrejado até a
morte, pelos judeus, por pregar o evangelho de Cristo.

Simão o Zelote
Simão tornou-se um discípulo no mar de Tiberíades, juntamente
com André, Pedro, Tiago (o maior), João, Tadeu e Judas Iscariotes.
Existem muitos documentos antigos que registram o ministério de
Simão após a ressurreição. Embora difira em detalhes, indicam que
ele primeiro começou a sua obra missionária no Egito e no norte da
África. Dali viajou para Cartago, Espanha e Britânia. Após uma curta
estada, viajou para Londres e voltou para a Palestina.
Acredita-se que então Simão viajou para a Pérsia, onde registros
indicam que evangelizou com Judas. Documentos antigos descrevem
Simão como tendo de suportar “infinitos problemas e dificuldades”.
Na Pérsia, Simão acabou sendo serrado em dois por pregar a ressur­
reição de Jesus.

João
Dos 12 discípulos, apenas João morreu de morte natural (mas foi
exilado por sua fé em Jesus).

Outros Apóstolos (n ã o dos D o z e ) que Foram


Martirizados
Tiago, irm ão de Je su s. Tiago foi o primeiro lícler da igreja em
Jerusalém (At 12.17; 15.13-29; 21.18-24) e autor do livro de Tiago. O
h isto riad or ju deu , Jo s e fo , registra o m artírio de T iago por
apedrejamento. Acredita-se que isso ocorreu por volta do ano 66.

374
O M a r t ír io d o s A pó sto lo s

Matias. Matias foi eleito para ocupar o lugar de Judas Iscariotes.


I)iz-se que foi apedrejado e então decapitado.
M arcos. A tradição indica que Marcos foi morto em Alexandria
depois de falar contra o ídolo local, Serápis.
Paulo. Paulo passou muito tempo nas prisões de Roma, onde
escreveu muitas de suas epístolas. No ano 66, o imperador Nero
condenou Paulo à morte e mandou decapitá-lo.
B arnabé. Barnabé anunciou o Evangelho em muitos países. No
entanto, em um retorno a Chipre foi martirizado pelos judeus em
virtude de sua atividade evangelística. A história registra que João
Marcos, secretamente, sepultou o seu corpo em um sepulcro vazio
fora da cidade de Salamina.

Quem Morreria por uma Mentira?


Fato 1. Todos estes apóstolos (exceto Paulo e Barnabé) conhece­
ram a Jesus intimamente an tes de Ele ser crucificado. (Paulo e Barnabé
lambém podem ter visto Jesus antes de sua crucificação.) Nao have­
ria absolutamente nenhuma dúvida a respeito da habilidade deles em
reconhecer Jesus e distingui-lo de qualquer outra pessoa que pudes­
se simplesmente se parecer com Ele.
Fato 2. Todos os Doze (e outros) viram a Jesus depois cie sua
ressurreição.
Fato 3- Todos os apóstolos m u d a ra m rad ica lm en te depois de
verem o Cristo ressuscitado — de seguidores ineptos a oradores e
líderes ousados.
Fato 4. Toclos os apóstolos c o m eç a ra m p r e g a n d o as Boas Novas
acerca cia morte e ressurreição cie Jesus — uma ação que ameaçava
as suas vidas.
Fato 5. Todos os apóstolos leriam su as rid as p o u p a d a s se tives­
sem sim plesm ente renunciado a Jesu s e interrom pido o seu
evangelismo.
Fato 6. Todos os apóstolos voluntariamente, até mesmo de forma
alegre, sa c r ific a r a m su as vidas das maneiras mais horríveis e doloro­
sas, para anunciar as Boas Novas sobre a morte e ressurreição de
Jesus.

375
E x a m in f . as E v id ê n c ia s

Por que Eles Morreram voluntariamente?


A pergunta óbvia de um observador objetivo seria: “Por que as
pessoas voluntariamente sofreriam execuções horríveis, quando po­
diam evitá-las por uma simples renúncia de sua fé?” A única resposta
é que elas estavam ab solu ta e totalm ente co n v en cid as d e q u e Jesu s
h a v ia m orrido e ressuscitado dos mortos, comprovando a sua reivin­
dicação de ser o Filho de Deus.
Quando as pessoas questionam a autenticidade do relato da ressur­
reição, elas deveriam considerar que, no caso dos apóstolos, temos pelo
menos dez pessoas q u e com certeza con h eciam a verdade e decidiram
escolher a morte a rejeitar Jesus. Se a ressurreição de Jesus fosse uma
mentira, por que eles teriam morrido? Algumas pessoas dizem que esses
seguidores de Jesus eram loucos. Mas seria possível que todos os d e z
fossem loucos? Ou Jesus era apenas uma ilusão? Teriam todos os discí­
pulos visto a mesma ilusão ao mesmo tempo? Dificilmente.

_________________ CONCEITO-CHAVE ---------------------------.


Todos os discípulos, com ex c eç ã o cle J o ã o e Ju d a s (qu e
traiu o S en hor c suicidou-se), tiveram m ortes horríveis
co m o m ártires p o r p reg arem o Evangelho. “T u d o” o q u e
lhes era ex ig id o p a r a q u e escapassem d a m orte era re­
n u n cia r a Je s u s . A pergu nta óbv ia é: “P or q u e u m a p e s­
soa — q u em d ir á d e z — m orreria p e lo q u e certam en te
teria sido u m a m en tira?’'

Além do mais, os apóstolos foram martirizados durante um longo


período de tempo e em vários locais. Não houve uma execução em
massa. Isto indica a convicção contínua que eles tinham. Não era
uma crença de curto prazo e de pouca conseqüência; era uma crença
de mudança de vida, e de suma importância.
O martírio dos apóstolos, que conheciam a Jesus de forma íntima, é
um exemplo poderoso de testemunhas oculares que estavam absoluta­
mente convencidas de que Jesus Cristo tinha morrido e ressuscitado
dos mortos, cia mesma maneira como Ele havia profetizado. Qualquer

37 6
O M a r t ír io d o s A pó sto lo s

um dos apóstolos martirizados poderia ter facilmente escolhido evitar


a execução renunciando a Jesus. Nenhum deles fez isto. Os discípulos
morreram para que outros pudessem crer em Cristo e viver.
t

Avalie o que Você Aprendeu


1. Por que o martírio voluntário dos apóstolos está entre as evi­
dências mais poderosas de que a morte e a ressurreição de
Jesus são historicamente verdadeiras?
2. O martírio de qual apóstolo foi registrado por Clemente de
Alexandria?
3. Como Pedro foi martirizado? E André? E Paulo?
4. O que os apóstolos poderiam ter feito para evitar o martírio?
5. Por que é significativo que os apóstolos tenham sido martiriza­
dos durante um longo período de tempo, em locais diferentes?

Capítulo 25 — Grupo de Estudo

Preparação p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: João 21.17,18 e o capítulo 25 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Leia Jo ão 21.17,18. Como este versículo é associado ao
sacrifício que os discípulos foram chamados a fazer? Discuta por que
o martírio dos discípulos é vitalmente importante para nós hoje.

Atividade Prática
R epresen tação cie p ap éis: O “cristão” deve discutir com o “des­
crente” o fato de que todos os apóstolos voluntariamente deram as
suas vidas pelos eventos históricos da crucificação e ressurreição.
Não se esqueça de indicar o significado e a importância disso.

O ração de E n ce rra m e n to

377
Testemunhas na Época d e Jesus

odemos entender hoje o quanto é memorável eventos como o


ataque ao World Trade Center, a explosão do um ônibus espacial, ou
o assassinato de um presidente dos Estados Unidos. Por que alguém
suporia, mesmo por um segundo, que os eventos que cercaram Jesus
Cristo foram menos significativos para as pessoas da época? A linica
diferença seria que elas não tinham a mídia de massa para comunicar
o que as testemunhas oculares viram. Na época de Jesus, as pessoas
conversavam com as testemunhas oculares ou com outras pessoas
que eram fontes fidedignas cle testemunho. A ressurreição de Jesus
poderia bem ser considerada tão chocante quanto o ataque ao World
frade Center ou o assassinato de JFK o é.
Eventos incríveis e desastrosos marcam detalhes vívidos na mente
daqueles que os testemunham. Como conseqüência, os fatos não são
esquecidos e as versões dos eventos podem ser facilmente compara­
das. Por fim, quando eles são registrados, como no Novo Testamen­
to, a exatidão dos escritos é comprovada com facilidade.
Embora a ressurreição tenha sido certamente o ponto crucial, tam­
bém houve muitas outras coisas extraordinárias que aconteceram a
respeito de Jesus. Por exemplo:
1. O n ascim en to m iracu loso d e J o ã o B atista (Lc 1.13,14,18,21,22)
2. O an ú n cio sob ren atu ral cio n ascim ento d e Jesu s (Lc 2.9-13,17,18)
E x a m in e as E v id ê n c ia s

3. O reco n h ecim en to d e Jesu s co m o M essias p o r um respeitado a n ­


c iã o (Lc 2.27-33)
4. O reco n h ecim en to d e Jesu s co m o M essias p o r u m a respeitada
p ro fetisa (Lc 2.36-38)
5. O aviso so b ren a tu ra l p a r a fu g ir p a r a o Egito (Mt 2.13-15)
6. A m a ta n ç a d os m en in os p o r H erodes (Mt 2.16)
7. Os m uitos m ilagres d e Jesu s
8. A c r u c ific a ç ã o d e Jesu s
9. A ressu rreição d e Jesu s
10. Os m ilagres op era d os p elos discípu los (At 3.2,6-10)
1 1 . 0 a p a recim en to d e Jesu s a 5 0 0 p esso a s ap ós ter ressuscitado
(1 Co 15.3-6)

As Pessoas Conversavam
As pessoas nos dias de Jesus eram como as de hoje em dia. Elas
adoravam conversar. Na verdade, esperaríamos isso, com menos dis­
trações tais como a TV, computa­
dores e vídeo games. Elas prova­
Como ocorre nos dias de
velmente conversavam ainda mais
hoje, nos tempos bíblicos as cio que hoje.
pessoas inevitavelmente con­ Todos os eventos aqui m enci­
versavam. Os eventos extra­ onados foram muito incomuns.
ordinários da época de Jesus Cada um deles foi bastante memo­
rável. Esses eventos foram teste­
m arcariam a mente das pes­
munhados por muitas pessoas e
soas com lembranças vívidas.
foram amplamente discutidos por
toda a terra. Como os eventos de
II de setembro de 2001, eles teriam sido lembrados vividamente
por muitas pessoas por um longo período de tempo. As pessoas
também teriam sido capazes de confirmar com facilidade os relatos
escritos no Novo Testamento, assim comprovando a sua exatidão.
As pessoas, discutindo amplamente os eventos memoráveis da épo­
ca, validariam os pontos essenciais de cada um deles. A verdade

380
T estem u n h a s na É poca de J esu s

resistiria ao exam e minucioso das testemunhas oculares; o resto


seria descartado.

As Fontes de Inform ação para os Evangelhos


Lucas usou informações de muitas fontes para pesquisar a mensa­
gem do evangelho, fazendo uma investigação metódica do relato da
história de Jesus.

Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a nar­


ração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo
nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde
o princípio e foram ministros da palavra, pareceu-me
tam bém a mim co n v en ien te d escrev ê-lo s a ti, ó
excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já
informado minuciosamente de tudo desde o princípio,
para que conheças a certeza das coisas de que já estás
informado (Lc 1.1-4).

Maria
Maria, a mãe de Jesus, é sem dúvida alguma, a mulher mais admi­
rada de todos os tempos. Quando se considera a evidência que en­
volve o nascimento, a vida, a morte e a ressurreição de Jesus, nin­
guém estaria em posição de saber a história completa melhor do que
Maria. Ela estava presente em quase todas as ocasiões importantes —
exceto nas jornadas rigorosas durante o ministério de três anos de
Jesus (e, mesmo nestas circunstâncias, provavelmente houvesse al­
gum contato).
As pessoas teriam falado sobre os muitos eventos miraculosos que
cercaram o nascimento, a vida e a morte de Jesus. Maria estava pre­
sente na ocasião do anúncio da vinda de Jesus pelos anjos. Ela parti­
cipou cia concepção de Jesus. Estava presente na ocasião do nasci­
mento miraculoso, anunciado pelos anjos que apareceram aos pasto­
res. Estava presente quando um anjo orientou Jo sé a fugir para o
Egito. Estava por perto quando Herodes impiedosamente matou os

381
E x a m in e as E v id ê n c ia s

meninos de dois anos para baixo, na região de Belém. Estava lá


quando Jesus operou os muitos milagres, e ela é mencionada especi­
ficamente quando Ele operou o seu primeiro milagre, transformando
água em vinho (Jo 2.1-11). Ela estava presente na ocasião da crucifi­
cação cie Jesus, abaixo dEle, diante da cruz:

E junto ã cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua


mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Ora,
Jesus, vendo ali sua mãe e que o discípulo a quem ele
amava estava presente, disse à .sua mãe: Mulher, eis aí o
teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E
desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa (Jo
19.25-27).

E, por fim, estava presente no momento da ressurreição de Jesus


(Al 1.14). A evidência do envolvimento de Maria é visível nas mui­
tas igrejas das quais ela participou, que foram imediatamente
construídas nos locais venerados assim que Constantino permitiu o
cristianismo no Império Romano. Isto indica que a população local
estava bem ciente dos eventos e do papel de Maria em cada um
deles. A crença na fidelidade de Maria como serva do Senhor, bem
com o em seu envolvimento na obra de Deus como crente não dimi­
nuiu com o tempo.
Os autores dos Evangelhos quase certamente usaram Maria como
uma cle suas fontes originais de informação.

Conon — Um Descendente Direto da Família de Jesus


Os autores dos Evangelhos leriam certamente juntado informa­
ções dos parentes de Jesus. Sabemos que tais parentes existiram. Era
difícil manter a linhagem de Jesus, dada a perseguição que ocorreu
pouco tempo depois cia ressurreição. Esperaríamos que muitos dos
descendentes de Jesus fossem martirizados. O último descendente de
Jesus registrado foi um jardineiro chamado Conon, que viveu na
Panfília, na Ásia Menor. Pouco antes cle sua morte, perguntaram-lhe
se era da descendência do rei Davi. Ele respondeu: “Eu sou da cidade

382
T e st e m u n h a s na É po ca de J e su s

<lc Nazaré, na Galiléia, sou da família de Cristo, cuja adoração herdei


'los meus antepassados”.1

<hitros Parentes de Jesus


A Bíblia indica que Jesus teve irmãos e irmãs: “Não é este o filho
il< >carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago,
c José, e Simão, e Judas?” (Mt 13-55,56 — veja também as páginas
2 i í ,245). Estes irmãos e irmãs, ou parentes, teriam sido usados pelos
autores dos Evangelhos para confirmar fatos a respeito da vida, mor-
!c e ressurreição de Jesus.
Fora a menção dos parentes na Bíblia, encontramos menção cie
outros parentes em fontes extrabíblicas (veja a página 262). Hegésipo
escreve de Simão, filho cie Clopas (que era considerado irmão de
José — veja Jo 19-25), descrevendo a sua longa tortura e eventual
martírio:

Certos destas coisas, os hereges levantaram acusação


contra Simão, filho de Clopas, com base em que ele era
um descendente de Davi e um cristão; e assim ele sofreu
o martírio, com a idade de cento e vinte anos, enquanto
Trajano era imperador, e Ático, o governador.2

Hegésipo também se refere brevemente aos netos de Judas, o


irmão de Jesus.

Tiago, Irm ão de Jesus


A Bíblia se refere a Tiago (e Judas) como irmãos de Jesus:

E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago,


irmão do Senhor (Paulo, em Gl 1.19).

Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago (Jd 1).

No entanto, também encontramos evidências do irmão de Jesus,


Tiago, fora da Bíblia, incluindo o que pode ser o seu ossuário real

383
E x a m in e as E v id ê n c ia s

(veja as pp. 257,258). Mas a evidência da existência e cio papel de


Tiago, irmão de Jesus, vai além do ossuário. Josefo (um historiador
judeu, não-cristão, que viveu por volta dos anos 37) fala cia execução
de Tiago:

Albino... reuniu o Sinédrio dos juizes, e trouxe diante


deles o irmão de Jesus (que era chamado de Cristo), cujo
nome era Tiago, e alguns outros (ou alguns dos seus
companheiros); e quando havia formado uma acusação
contra eles como transgressores cia lei, entregou-os para
serem apedrejados.1

O não-canônico “Evangelho de Tomé” (veja as páginas 191,193)


fala de Tiago como “o irmão do Senhor, que fora eleito pelos apósto­
los para o trono episcopal em Jerusalém ”. ' Outros escritos que falam
de Tiago e de sua eleição para liderar a igreja de Jerusalém incluem
as Constituições Apostólicas Siríacas (segundo século), Clemente de
Roma (30-97), Eusébio de Cesaréia (260-340), Clemente de Alexandria
(180-216, sobrevivendo em um documento de Eusébio), Orígenes
(185-253) e Jerônimo (342-420).

Maria Madalena, Salomé e a “Outra M aria”


Maria, Salomé e a “outra Maria” eram três mulheres que estavam
intimamente envolvidas na vida de Jesus (veja Mc 15.40; 16.1). Sabe­
mos disso pelo fato de elas estarem indo para o túmulo a fim de
preparar o corpo de Jesus no dia cia ressurreição. Como conseqüên­
cia, estiveram envolvidas nos muitos eventos daquele dia decisivo.
Com certeza os escritores dos Evangelhos teriam obtido o depoimen­
to testemunhal destas três mulheres leais, juntamente com quaisquer
outras como elas.

Os 500 que Viram Jesus Ressuscitado


Sabemos que em pelo menos um caso, Jesus apareceu a 500 pes­
soas de uma só vez (veja 1 Co 15.3-7). O que é particularmente
significativo é que Paulo está relatando este fato aos coríntios em

384
T estem u n h a s na É po ca de J esu s

uma carta antes cio ano 64 d.C. — quando muitas das testemunhas
oculares ainda estão vivas. Visto que esta carta aos coríntios foi copi­
ada e divulgada a um grande público por todo o Império Romano,
da com certeza poderia ter sido “revisada” por algumas das próprias
lesiemunhas oculares. Isto significa que se a carta estivesse incorreta,
ela seria contestada. Porém não foi — e permanece no livro que já foi
mais amplamente lido em todos os tempos: a Bíblia Sagrada.
Por todo o período do nascimento, ministério, morte e ressurrei­
ção de Jesus, houve muitos motivos admiráveis para as pessoas se
lembrarem de eventos espetaculares e discuti-los. Como já vimos,
Mateus, Marcos, Lucas e Jo ão não teriam dificuldade para encontrar
testemunhas oculares para confirmar os eventos dos Evangelhos. E
se livesse havido quaisquer incoerências nos relatos largamente dis­
cutidos, haveria críticas e correções, uma vez que cópias escritas fo­
ram distribuídas durante a época das testemunhas oculares.
Houve muitos eventos altamente memoráveis durante a época de
lesus, coroados pela sua ressurreição. Eles com certeza teriam ganhado
atenção e seriam largamente discutidos. As muitas testemunhas dos
eventos e da ressurreição — incluindo os apóstolos, os amigos e a
íainília de Jesus, e pelo menos 500 outros que viram o Cristo ressus­
citado — teriam confirmado a sua ressurreição.

Testemunhas Hostis
O vento gemia em meio às árvores, em uma canção lúgubre que
prenunciava o derramamento de sangue que se aproximava. Uma
névoa úmida aderiu ao seu rosto quando o imperador cansado da
batalha se pôs de joelhos, em profundos pensamentos cio lado de
fora de um acampamento do exército há poucos quilômetros ao
norte de Roma. Era 28 de outubro de 312. Gravado em sua mente,
estavam as palavras que ele ouvira de sua mãe cristã, Helena, desde
.1 infância: “Dai... a César o que é de César e a Deus, o que é de

Deus" (Mt 22.21).


Lentamente o imperador Constantino levantou a sua cabeça e
viu, através da névoa, uma aparição — vindo de uma distância infi­
nita... ele teve a visão de uma cruz de luz, acima do sol portando

385
E x a m in e as E v id ê n c ia s

uma inscrição: “Vença através disto”. A palavra rapidamente se es­


palhou por todo o acampamento enquanto os muitos soldados com
grande em polgação relatavam suas versões, afirmando que tiveram
a mesma visão.
Mais tarde, naquele mesmo dia, após um sono espasmódico,
Constantino teve uma segunda visão. O “Cristo de Deus” apareceu- |
lhe com o mesmo sinal e lhe ordenou que fizesse um objeto igual
para usar como uma proteção em todas as batalhas. O objeto deveria
ter uma lança com uma barra transversal dando-lhe a forma de uma
cruz; as letras gregas X e P cruzando dentro da coroa de ouro na
ponta da lança, formando o monograma chi-rbo, as duas primeiras j
letras de Cristo em grego.
Espantado com a visão, Constantino ordenou que lhe trouxessem
os líderes cristãos. Com certeza, esperavam ser executados pelo im­
perador pagão. No entanto, longe de serem executados, Constantino
lhes pediu conselho a respeito do “Deus dos cristãos”. Em suas dis­
cussões, recebeu informações sobre a encarnação e a imortalidade
de Cristo.
Constantino obedeceu à ordem. Estandartes de batalha foram con­
feccionados. Erguenclo-os com um grito repentino de que Constantino
não poderia ser denotado, o exército brandia as suas espadas en­
quanto o inimigo, Maxêncio e seus soldados, cruzavam uma ponte
feita de barcos para ir ao cnc<>ntro deles. Antes porém, durante o dia,
Maxêncio havia consultado um oráculo que indicava que o exército
romano de Constantino seria completamente derrotado. Esta seria
uma batalha do recém recebido Deus cristão contra o deus pagão de
Maxêncio.
O vigor dos entusiasmados romanos era tremendo. O exército de
Constantino atacou as tropas de Maxêncio, destruiu a ponte atrás de­
les, e os forçou a entrar no Rio 'fiber, onde “foram para as profundezas
como uma pedra”. O mundo estava mudado para sempre. (Baseado
na narrativa de Eusébio, e contada novamente pelo autor.)
O relato acima, sobre o imperador Constantino, é um exemplo de
testemunho hostil — alguém previamente determinado a eliminar o
cristianismo, mas que cie repente mudou. Os testemunhos hostis há
muito tempo têm sido considerados nos tribunais de justiça como

386
T estem u n h a s na É po ca de J esu s

i".i;indo entre os mais convincentes. Quando eles expõem as suas


i .1/,(>cs de modo significativo, apoiando a reivindicação de um lado a
>|iic- se opunham (ou ao qual eram opostos), eles são dignos de mui-
im iredito. Neste capítulo, revemos as testemunhas hostis a partir cios
lies mais incomuns pontos de vista: 1) de um imperador romano
i iriginalmente com a intenção de derrotar o cristianismo; 2) de um
l.iriseu determinado a aniquilar os cristãos; 3) dos parentes de sangue
de Jesus, que a princípio não criam na divindade dEle.

( ) Imperador Constantino
Poucos eventos mudaram a história mundial de forma tão grande
quanto as visões de Constantino, recontada acima. O historiador
líusébio afirmou que Constantino considerou a sua experiência e “a
confirmou com um juramento”. Não há dúvida de que Eusébio teve
longas conversas com ele — e elas foram bem documentadas, histo-
i icamente.
Na época em que Constantino estava guerreando contra Maxêncio,
eslava sendo oferecida isenção de impostos às cidades que desco­
brissem cristãos para execução. Um documento fraudulento estava
( ii culando por todo o Império Romano para fomentar o ódio contra
i is cristãos, e prostitutas, sendo cercadas e forçadas a criar falsas “con­
fissões” de vis perversões cristãs. O ódio pelos cristãos estava em
Ioda parte, e a perseguição, no seu ápice.
Da noite para o dia, Constantino mudou tudo isso. Em 313, ele,
I lascado em sua recém-descoberta fé em Jesus, entrou em uma alian-
•.i com Licínio, imperador romano oriental. Foi publicado um edito
cm que cada um podia “seguir a forma de adoração que desejasse”,
lím um certo sentido, isso permitiu que os clois imperadores “fizes-
sem as suas apostas nos dois lados”; ou seja, no Deus Todo-podero-
so, ou em outros deuses, supondo que, no final, o Deus verdadeiro
venceria. E, no fim, um deles de fato venceu.
O imperador Licínio por fim abandonou a sua aliança de tolerân­
cia mútua e recomeçou uma horrível perseguição aos cristãos. Eusébio
escreveu sobre o impacto que isto causou sobre o enfurecido
Constantino, que marchou “acendendo uma grande tocha de luz” e

387
E x a m in e a s E v id ê n c ia s

saiu para guerrear contra Licínio. Este, completamente derrotado, foi


estrangulado até à morte.
As mudanças que Constantino implantou mudaram radicalmen-
le o mundo. Em 32 4, sua influência foi expandida de imperador
de Roma a imperador de todo o Império Romano. De imediato
foram feitos esforços para corrigir os erros do passado. Os cristãos
presos ilegalmente por causa de sua fé foram soltos. Todas as
propriedades e bens que haviam sido confiscados dos cristãos
deveriam ser restaurados imediatamente — isto incluía a proprie­
dade que fora comprada em nome da igreja, e pela primeira vez
tal propriedade deveria ser “oficialm ente reconhecida”. Os cléri­
gos receberam a liberdade dos deveres civis e também a isenção
de alguns impostos. O primeiro dia da semana (dom ingo) deveria
ser um dia de descanso. E feriados-chave foram estabelecidos (tais
com o 25 de dezem bro — Natal — e provavelmente também a
Páscoa e a Quaresma).
A mãe de Constantino, Helena, já uma cristã devota, foi enviada à
Terra Santa a fim de identificar locais importantes para serem venera­
dos. Esta ação estabeleceu muitos dos locais arqueológicos importan­
tes que reverenciamos hoje. No entanto, apesar de todos os esforços
de Constantino, antigos sentimentos sobre os cristãos — causados
por extensos erros de informação divulgados pelos inimigos — de­
moraram para acabar. Só em 391, o cristianismo passou a desfrutar de
um monopólio definitivo como uma religião de Estado.
Durante o seu tempo de vida, Constantino foi prudente para não
alienar os seus súditos, e cauteloso para não destruir locais e templos
pagãos. No entanto, ao morrer em 337, o ritmo de destruição de tais
locais acelerou. Roma, naturalmente, havia se tornado a sede da igre­
ja que estava destinada a se tornar a maior religião do mundo.

Paulo
“Saulo de Tarso” (o apóstolo Paulo) era o principal perseguidor
dos cristãos nos anos que imediatamente se seguiram à crucificação
de Jesus (At 7.57— 8.3). Ele foi o supervisor do apedrejamento de
Estevão, o primeiro mártir cristão registrado. Saulo era o seu nome

388
T estem u n h a s na É po ca de J esu s

hebraico, embora na maior parte do Novo Testamento ele seja citado


pelo seu nome grego, Paulo.
Paulo levou o seu ataque contra os cristãos para Damasco, tendo
recebido “cartas cie recomendação” dos sacerdotes em Jerusalém para
lornar a sua tarefa mais fácil. O seu objetivo era cercar os cristãos e
levá-los de volta a Jerusalém para julgamento e execução. No cami­
nho, repentinamente se deparou com uma luz ofuscante e ouviu as
palavras de Jesus:

Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem


és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu
persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.
E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que
faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te e entra na cidade,
e lá te será dito o que te convém fazer (At 9.4-6).

Paulo tinha ficado temporariamente cego, uma condição que duraria


por três dias — até que Ananias, um homem chamado por Deus, foi até
ele e restaurou a sua visão. A princípio, Ananias aceitou esta tarefa com
grande temor, porque a reputação de Paulo o havia precedido, e todos
iis seguidores de Cristo em Damasco sabiam de sua missão mortal.
No entanto, a experiência de Paulo, ao ter um encontro com o
( xisto ressuscitado, transformou a sua vida. A sua missão foi mudada
imediatamente: deixou cie prender os cristãos e entregá-los à execu­
ção, e agora passou a pregar o evangelho de Jesus Cristo. Então, foi
para as sinagogas locais e anunciou que Jesus era o Filho de Deus,
para imenso espanto dos cristãos presentes (At 9-21): “Saulo [Paulo],
porém, se esforçava muito mais e confundia os judeus que habitavam
em Damasco, provando que aquele era o Cristo” (v. 22).
Depois de muitos dias testificando de Jesus, os judeus enfurecidos
iramaram matar Paulo para acabar com esta embaraçosa mudança de
atitude a respeito cie Jesus. Com a ajuda dos cristãos locais, Paulo esca­
pou. A sua nova missão na vida estava agora estabelecida; ele se torna­
ria, talvez, o defensor mais influente de Jesus Cristo de todos os tempos.
Pelo resto de sua vida, Paulo viajou por boa parte do Império
Komano pregando as Boas Novas sobre a ressurreição de Jesus. Ele

389
E x a m in e as E v id ê n c ia s

era especialmente qualificado para esta tarefa. Era fariseu e filho de


fariseu (At 23.6). A sua família tinha, obviamente, algumas posses, e
ele fora instruído por Gamaliel — considerado um dos principais
educadores. Assim, Paulo vinha cie uma posição de grande influên­
cia, riqueza e educação.
As suas viagens o levaram a maior parte da Ásia Menor e, por fim,
a Roma. Ele estabeleceu igrejas em todas as suas viagens. Durante
este período, escreveu muitas cartas, encorajando as igrejas e instru­
indo-as nos ensinamentos de Jesus. Essas cartas se tornaram, em sua
maioria, livros do Novo Testamento. P au lo é respon sável p o r escrever
m ais livros d o Novo Testam ento d o q u e q u a lq u e r outro escritor.
Mas a sua conversão veio acompanhada com um grande custo
pessoal e “terreno”. Ele foi açoitado muitas vezes, sofreu naufrági­
os, foi apedrejado, e quase morto. Ele trocou a sua grande reputa­
ção entre a nação estabelecida dos judeus por um papel de lideran­
ça em um grupo esfarrapado de novos crentes em Cristo. No final,
fez o sacrifício supremo por amor a Jesus Cristo — perdeu a sua
vida na terra.
A conversão de Paulo fala com intensidade sobre a autenticidade
histórica de Jesus e de sua ressurreição. Afinal, Paulo tinha visto Jesus
d epois de sua ressurreição, e como um fariseu praticante, é muito
provável que estivesse em Jerusalém na Páscoa no momento da cru­
cificação de Jesus. Paulo inicialmente era uma “testemunha hostil”,
um homem influenciado, sem dúvida, pela grande pressão dos líde­
res religiosos. Isto se torna óbvio pelo seu objetivo implacável de
eliminar a recém-estabelecida igreja de Cristo. Então, quando ocor­
reu sua conversão, com a reivindicação de ter se encontrado com o
Cristo ressuscitado, isto sc tornou uma mensagem poderosa para to­
dos aqueles que a ouviam. Isso era um constrangimento tão grande
para a ordem judaica, que eles fizeram tudo o que estava ao seu
alcance para livrar a região do ensino de Paulo. Mas no final, Deus
prevaleceu através de Paulo. Considere aqueles espectadores que
testemunharam a dura frieza de Paulo durante o apedrejamento de
Estevão (At 7.57-60). Quem teria pensado que as palavras de Paulo
influenciariam agora mais pessoas a Cristo do que, talvez, qualquer
outro escritor na história!

390
T estem u n h a s na É po ca de J e su s

Tiago e Judas
É dada tanta atenção à vida adulta e ao ministério de Jesus que é
l.icil esquecer que Fde, juntamente com seus irmãos e irmãs, tam­
bém teve uma infância. Pode-se apenas imaginar como eram real­
mente os relacionamentos desta família. Afinal, Maria, José e outros
parentes estavam bem cientes de que Jesus deveria ser o Salvador
do mundo.
Sabemos que quando Jesus iniciou o seu ministério, foi rejeitado
na cidade em que havia crescido:

E, chegando à sua pátria, ensinava-os na sinagoga deles,


de sorte que se maravilhavam e diziam: Donde veio a
este a sabedoria e estas maravilhas? Não é este o filho do
carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus ir­
mãos, Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre
nós todas as suas irmãs? Donde lhe veio, pois, tudo isso?
E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não
há profeta sem honra, a não ser na sua pátria e na sua
casa. E não fez ali muitas maravilhas, por causa da incre­
dulidade deles (Mt 13.54-58).

Para compreender totalmente a reação a Jesus em Nazaré — in­


cluindo a reação de Tiago e Judas — , devemos olhar para a afirma­
ção ousada de Jesus de sua divindade quando ensinava na sinagoga:

E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu


o livro, achou o lugar em que estava escrito: O Espírito
do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para
evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebranta­
dos do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar
vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anun­
ciar o ano aceitável do Senhor. E, cerrando o livro e
tornando a dá-lo ao ministro, assentou-se; e os olhos de
todos na sinagoga estavam fitos nele. Então, começou a
dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ou­
vidos (Lc 4.17-21).

391
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Esta era uma clara afirmação feita por Jesus de que Ele era o
Messias esperado há muito tempo. A reação por parte das pessoas
religiosas e de outros em Nazaré enfatizam a indignação deles:

E todos, na sinagoga, ouvindo essas coisas, se encheram


cie ira. E, levantanclo-se, o expulsaram tia cidade e o
levaram até ao cume do monte em que a cidade deles
estava edificada, para dali o precipitarem. Ele, porém,
passando pelo meio deles, retirou-se (w . 28-30).

O que torna a reação eventual de Tiago e Judas muito importante em


relação à evidência da afirmação de divindade feita por Jesus é que:
1. os dois conheciam a Jesus desde a infância;
2. os dois fazem parte da multidão que o rejeitou em Nazaré;
3. os dois posteriormente mudaram de pensamento, e o reconhe­
ceram como o Messias.

Sabemos disso porque tanto Tiago como Judas escreveram livros do


Novo Testamento. Tiago também foi o líder da Igreja Primitiva em Jeru­
salém. Paulo enfatiza a importância de Tiago, mencionando o apareci­
mento do Jesus ressuscitado a ele: “Depois, foi visto por Tiago, depois,
por todos os apóstolos e, por derradeiro de todos, me apareceu também
a mim, como a um abortivo” (1 Co 15.7,8). Assim, dois meio-irmãos
próximos de Jesus o rejeitaram a princípio, mas então mudaram de idéia
após a ressurreição.
Uma larga gama de testemunhas
A , , l l i~ hostis mudou de idéia depois cie
As testemunhas hostis estao 1
ver o Cristo ressuscitado. Primeiro,
entre as mais valiosas quan- ,
^ os irmaos de Jesus o aceitaram
do passam a a p o ia r um tes- como Scnhor ,ipós a ressurreição.
temunho. N o caso da ressur- Segundo, Paulo — que provavel-
reição, Paulo, Tiago, Judas e mente tinha aceitado a “história ofi-
Constantino tiveram uma c ';l* t*° corP ° de Jesus ter sido íur-
j j ... tado — teve uma radical mudança
mudança dramatica ao pas- v
. . . de idéia ao ter um encontro com o
sarem pela experiencia de .. . t . , „ ... ,
r r Cristo ressuscitado. E finalmente,
ver o Cristo ressuscitado.

392
T estem u n h a s na É po ca de J e su s

,ipós três séculos cie perseguição dos romanos aos cristãos, o impera­
dor Constantino teve uma visão de Cristo, fazendo com que ele aca­
basse com a perseguição. Juntos, os depoimentos destas testemunhas
hostis fazem uma afirmação excepcionalmente forte de que o Cristo
ressuscitado é real.

Avalie o que Você Aprendeu


1. Liste cinco eventos incomuns envolvendo Jesus, que causariam
uma discussão generalizada.
2. Por que os eventos altamente memoráveis são importantes quan­
do se trata da exatidão de uma documentação?
3. Que parentes de Jesus foram registrados pelos historiadores?
4. Por que as testemunhas hostis são particularmente valiosas?
5. Revise como Paulo, Constantino, Tiago e Judas mudaram de
opinião depois de suas experiências com a ressurreição clo
precioso Senhor.

Capítulo 26 — Grupo de Estudo

Preparação p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: Mateus 13-55; Gálatas 1.19 e o capítulo 26 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Leia Mateus 13-55 e Gálatas 1.19 e discuta sobre os
parentes de Jesus. Que impacto os parentes causariam na transmis­
são das informações?

Atividade P rática
Entrevista d e TV: Os eventos que cercam o nascimento, a morte e
a ressurreição de Jesus são difíceis de acreditar. O “entrevistador de
TV” fará perguntas ao “cristão” a respeito da transmissão de informa­
ções para verificar se as fontes são confiáveis ou não.

O ração de E n cerram en to

393
Os Primeiros Mártires
Cristãos e a Igreja Cristã

ssim como os discípulos, muitos dos primeiros cristãos esta­


vam em uma posição inigualável para saber com certeza se a história
de Jesus era verdadeira ou não. Muitos foram testemunhas oculares
dos eventos; outros conheciam testemunhas oculares. Alguns teste­
munharam o martírio condenatório dos discípulos e dos apóstolos.
Muitos, sim, muitos cristãos estavam dispostos a dar a vida alegre­
mente por Cristo. Como disse Lucas, eles encaravam como uma hon­
ra ser considerados dignos de sofrer por Jesus: “[Os apóstolos], retira
ram-se, pois, da presença do conselho, regozijando-se de terem sido
julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus” (At 5.41,
acréscimo clo autor).
O imperador romano, Nero, foi o primeiro a encorajar a persegui­
ção aos cristãos em larga escala. Nero, que fora culpado pelo grande
incêndio de Roma, tentou jogar a culpa nos cristãos, a quem ele con­
denou. Muitas execuções inimaginavelmente cruéis foram idealizadas.
Alguns cristãos foram costurados dentro de peles de animais selvagens
e despedaçados por cães ferozes. Outros foram vestidos com roupas
embebidas em cera e então empalados em estacas, e incendiados para
fornecer luz às orgias preparadas para o prazer de Nero.
Enquanto as histórias de horror se espalhavam por todo o Império
Romano, a estratégia de Nero para quebrantar o espírito dos cristãos
E x a m in e as E v id ê n c ia s

surtiu efeito contrário. Em vez cie se desfazerem em medo, o espírito


dos primeiros cristãos foi fortalecido — um sinal de sua enorme con­
vicção e fé em Cristo. Muitos dos 72 homens apontados por Jesus (Lc
10.1) foram martirizados, incluindo pessoas como Erasto (Rm 16.23),
Aristarco (At 19.29), Trófimo (At 21.29), Barsabás (At 1.23) e Ananias
(At 9.10).
Inácio é um cios últimos mártires cuja morte foi registrada pelos
historiadores da Igreja Primitiva. Ele era um corajoso líder da igreja
que ajudou muitos outros cristãos a se esconder durante a persegui­
ção. No entanto, como tantos outros cristãos da época, recebeu de
bom grado a chance de alegremente dar a sua vida por Cristo. Quan­
do Inácio percebeu que logo seria executado por anunciar o evange­
lho, ele disse: “[Quanto aos leões...] Eu os induzirei a me devorarem
rapidamente... Que venha sobre mim o fogo, a cruz e os conflitos
com bestas feras, arrancando os ossos, destroçando membros... o
meu único desejo é chegar à presença de Jesus Cristo”. 1
Mais tarde o inevitável aconteceu, e Inácio foi capturado e levado
ao Coliseu para ser executado. Ele ficou imóvel como um cepo dian­
te de uma multidão sedenta de sangue e faminta por sua morte.
Então, olhou para os céus e disse: “Eu sou o trigo de Cristo: serei
moído pelos dentes das bestas feras para que possa me tornar um
pão puro”.2
( )s portões foram abertos, e os leões pularam sobre ele como se
fosse em câmera lenta. Inácio olhou para cima, entoando cânticos de
louvor, até que as garras finalmente o alcançaram, e o fim chegou, e
ele ficou em silêncio. Era o ano 107.
Nero foi o primeiro de uma longa série de imperadores que em­
preenderam violentas perseguições. O imperador Domiciano foi o
primeiro a emitir a ordem para que os cristãos fossem levados diante
cio tribunal a fim de serem questionados sobre a sua fé. Tudo o que
tinham de fazer para escapar de uma execução horrenda era renunci­
ar a sua fé. Mais uma vez, muitos permaneceram fortes, voluntaria­
mente enfrentando a morte em vez de renunciar a Cristo. Entre aque­
les martirizados durante este período estava Timóteo, querido amigo
de Paulo ( 1 Co 4.17).

396
O s P r i m e ir o s M á r t i r e s C r i s t ã o s e a I g r e j a C r i s t à

O imperador Trajano continuou a prática de forçar os cristãos a


renunciarem a sua fé; no entanto, acrescentou o capricho de que eles
lambém tinham de se curvar diante cle sua estátua e adorá-lo para
serem libertos. Os cristãos continuaram a escolher a morte.
Trajano foi sucedido por Adriano, que foi responsável por cerca
de 10 mil martírios. Ele foi especialmente conhecido por colocar
coroas de espinhos na cabeça dos cristãos, crucificá-los e perfurar
seus lados com lanças, em uma cruel zombaria da crucificação de
Jesus. Esta prática, porém, c o n fir m a v a os relatos escritos so b re os
d ias f i n a i s d e Cristo. Em um determinado caso, um comandante
romano foi solicitado por Adriano a se juntar em um sacrifício idó­
latra para celebrar as suas vitórias. Quando o comandante se recu­
sou por causa de sua fé em Cristo, Adriano mandou matar tanto o
oficial com o a sua família.
A lista de atrocidades continua de forma interminável. Talvez o
mais importante para nós hoje seja o imenso número de mártires que
morreram durante os primeiros anos depois de Jesus. Alguns teriam
estado em uma posição em que verificariam a verdade de uma forma
direta. O p o n to p r in c ip a l so b re o m artírio cristão é q u e ete está rela ci­
o n a d o a um evento histórico, e n ã o a m eras id éias filosóficas, co m o
ocorre com os m ártires em ou tras religiões.

—_______________ CONCEITO-CHAVE - -
O im p era d o r N ero fo i o p rim eiro im p era d or ro m a n o a
executar, d e m od o intencional, u m a p erseg u iç ã o em la r­
g a escala. As su as p o lítica s fo r a m seg u id as e se torn aram
a in d a m ais rígidas n os govern os dos im p era d ores q u e o
su ced eram , n o ta d a m en te T rajan o e A drian o.

Mesmo conhecendo a verdade, quantos cle nós hoje enfrentariam


voluntariamente uma execução horrível quando uma “simples renún­
cia” impediria isto? Com certeza os primeiros mártires tinham uma
incrível convicção. Felizmente, para nós, os primeiros mártires forne­
cem evidências convincentes de que aqueles que estavam mais pró­

397
E x a m in e as E v id ê n c ia s

ximos da ressurreição — e que seriam mais provavelmente as teste­


munhas diretas da verdade — aceitaram morrer como mártires por­
que o evangelho tinha a máxima importância para eles.

As Catacumbas
Qualquer pessoa que visite Roma hoje pode ver as catacumbas, onde
os primeiros cristãos enterraram os seus mortos, fora da cidade de Roma.
As covas das catacumbas são um testemunho espantoso da grande quan­
tidade de mártires cristãos que deram a vida por anunciar o evangelho
de Jesus, no princípio da igreja. Dezenas de milhares de cristãos antigos
foram sepultados em mais de 60 labirintos subterrâneos, onde túmulos
individuais e criptas familiares foram lavrados em estreitas passagens de
rochas. (Cinco das catacumbas estão atualmente abertas ao público.)
Centenas de quilômetros de túneis estão conectados por grandes acres
de terra — como os fios de uma teia de aranha. Em alguns casos há
muitos níveis de passagens para economizar espaço, que era muito limi­
tado para os cristãos durante a época da perseguição.
Contrariando a crença popular, as catacumbas não eram usadas
como esconderijos durante a perseguição; no entanto, às vezes eram
usadas como locais de refúgio para a celebração da Ceia do Senhor.
De pé em uma das “áreas de adoração” abertas, ou mesmo em
uma grande “cripta familiar”, um visitante não pode deixar de sentir o
espírito e o poderoso compromisso com Jesus em uma época tão
próxima de sua crucificação, quando as pessoas teriam evidências
fortes e diretas de sua ressurreição. As evidências da fé em Jesus
Cristo em seus primeiros anos estão por toda parte. Os símbolos
predominantes em todas as catacumbas são:

• o B om P a s to r — um pastor com um cordeiro em torno de seu


pescoço, que simbolizava Cristo e as almas que Ele estava sal­
vando; encontrados em afrescos, em sarcófagos, e nos revesti­
mentos dos túmulos;
• o su p lican te — a figura cie uma pessoa em oração, com os
braços abertos, simbolizando a alma dos mortos vivendo eter­
namente em paz;

398
Os P r im e ir o s M á r t ir e s C r is t ã o s e a I g r e ja C r is t ã

• o m o n o g ra m a d e C risto— as letras gregas c h i e rho, que repre­


sentavam as duas primeiras letras de “Cristo”, indicando que
um cristão foi sepultado ali;
• o p e ix e — as letras gregas “IXTHYS”, que colocadas vertical­
mente, formavam um acróstico que significava “Jesus Cristo,
Filho de Deus, Salvador”;
• a p o m b a lev an d o um ram o d e oliveira — simbolizando a alma
alcançando a paz divina;
• a s letras g reg as a lfa e ôm eg a — representando Cristo como o
princípio e o fim.
Os milhares de mártires nas catacumbas são freqüentemente iden­
tificados pela abreviatura grega
“MPT” (que significava mártir).
Em fevereiro de 313, Cons-
tantino acabou com a persegui­ As catacumbas de Roma ofere­
ção aos cristãos. No entanto, as cem evidências poderosas da
catacumbas continuaram a ser usa­ convicção dos primeiros cris­
das como um cemitério até o sé­ tãos, que alegremente deram a
culo seguinte. A igreja acabou
vida pelo fato histórico do
voltando à prática de sepultar os
evangelho.
mortos acima do nível cia terra.
Com o passar do tempo, as pes­
soas se esqueceram das catacumbas, e uma vegetação espessa cresceu
nas entradas, ocultando-as da vista. Somente no final dos anos cle 1500
é que Antônio Bosio (1575-1629) iniciou a busca e a exploração cien­
tífica das antigas catacumbas. O mais importante é a evidência irrefutável
que as catacumbas nos proporcionam hoje, de que os primeiros cris­
tãos se mantiveram fiéis à verdade ensinada pelo Senhor Jesus.
As pessoas que viveram perto da época cia ressurreição de Jesus
tinham a grande habilidade de julgar a veracidade da exatidão his­
tórica dos eventos. Muitos acreditavam, sem nenhuma sombra de
dúvida, que Jesus Cristo havia ressuscitado dos mortos. E os primei­
ros cristãos — que viveram tão perto da época de Jesus e estavam
em uma boa posição para conhecer as testemunhas — escolheram

399
E x a m in e as E v id ê n c ia s

honrar a Jesus e morreram por anunciar o evangelho, em vez de se


curvarem diante de algum outro “deus”. Evidências históricas e ar­
queológicas apóiam o amplo martírio que eles sofreram. O fato de
tantos cristãos terem morrido no início de sua fé para contar a his­
tória traz uma credibilidade especialmente forte que permite a veri­
ficação de que a crucificação e a ressurreição de Jesus são absoluta­
mente verdadeiras.

A Existência da Igreja Cristã


Ninguém duvida da existência da igreja cristã. Ela não somente é
a maior religião do mundo (cerca de 33% da população do mundo
afirma ser cristã), mas sobreviveu à perseguição desde a sua funda­
ção pouco depois da crucificação de Jesus, por volta do ano 33 d.C.
O cristianismo existe em Iodos os cantos do mundo, mesmo onde ele
é estritamente proibido sob a ameaça de morte.

O Mundo do Cristianismo
Hoje, aproximadamente um terço do mundo afirma ser cristão.
Estima-se que no ano 33 a população judaica seria de menos da
metade de 1% do inundo um nível que ainda é aproximado.
O cristianismo começou a partir dessa base de judeus. Na verda­
de, no início quase todos <>.s cristãos eram judeus. No entanto, o cris­
tianismo rapidamente se espalhou
O cristianismo começou com alcançando também os gentios,
uma pequena base de judeus Como o martírio foi algo custoso,
o cristianism o se tornou m a is
fam iliarizados com Jesus, e com
a fa sta d o tanto n o tem po co m o n a
a crucificação e ressurreição
g eo g ra fia d a P alestin a da época
históricas. Ele explodiu dentro dc. Jesus. ou seja aicançou lüCais
do mundo gentio por causa da mais longínquos. A porcentagem
convicção dos primeiros missio- de judeus que eram cristãos caiu,
nários, e mártires e estava bem enquanto a porcentagem da po-
I i - • d pulação do mundo que se tomou
a rra ig a d o no Império Komano ' M
. . cristã aumentou grandem ente,
antes de Constantino.

4 00
O s P r im e ir o s M á r t ir e s C r is t ã o s e a I g r e ja C r is t ã

Portanto, a decisão do mundo — que viu a “confiança que os márti­


res depositaram no evangelho”, chegando a dar a própria vida por
ele — indicava que as pessoas criam mais na ressurreição de Jesus
que na história largamente divulgada de que o seu corpo fora furtado
pelos discípulos.

O Fundamento do Cristianismo — A Ressurreição


Histórica
Como esta parte enfatiza, o fundamento da igreja cristã é a
confiabilidade da ressurreição de Jesus Cristo. Como observado antes,
o apóstolo Paulo disse: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e
ainda permaneceis nos vossos pecados” (1 Co 15.17). Este é um fato
extremamente poderoso. A igreja cristã n ã o é uma religião filosófica
como o hinduísmo, o budismo, ou as várias e “novas espiritualidacles”.
lim vez disso, ele está ligado a uma questão extraordinariamente cen­
tral — q u e a ressurreição d e Jesu s Cristo é um fa to histórico!
Não dizemos que a ressurreição de Jesus Cristo seja a ú n ica ques-
lào teológica importante no cristianismo; longe disso. A c ru c ific a ç ã o
de Jesus foi o evento que propiciou a salvação (foi o sacrifício) para
aqueles que possuem um relacionamento pessoal com Ele. No entan­
to, foi a ressu rreição cie Jesus que confirmou a sua reivindicação
profética de que Ele era o Filho de Deus — o Messias — e ven ceria
a m orte p a r a q u e p u déssem os ter a vida etern a. Apenas Deus poderia
realizar esta ressurreição. Era absolutamente necessário que isto acon­
tecesse a fim de que a promessa de salvação tivesse um significado e
uma importância incomensurável. Nenhum outro líder religioso fez
algo semelhante. A ressurreição fez os primeiros discípulos se alegra­
rem por saber que Jesus era quem dizia ser, e que a vida eterna
estava assegurada. A ressurreição deu aos discípulos a confiança ne­
cessária para enfrentarem a morte alegremente, sabendo que existia
urna recompensa maior para eles, no céu.
Devido ao fato de o cristianismo ser baseado em um evento histó­
rico que demonstra a divindade de Jesus, ele é muito diferente de
qualquer outra religião. O cristianismo pode ser testado e confirmado
por este único evento histórico — a ressurreição. Se isso ocorreu,

401
E x a m in e as E v id ê n c ia s

então Jesus é de fato Senhor e Salvador. Se não ocorreu, Ele não o é.


O meio de provar qualquer evento histórico desse tipo é através
de provas “legais” — isto é, a prova pelo depoimento das testemu­
nhas e também por outras provas que são freqüentemente circuns­
tanciais, a saber, as evidências.
Como já indicado, há um grande número de depoimentos de tes­
temunhas de que a ressurreição ocorreu. Este conjunto de provas foi
proporcionado por muitas testemunhas, incluindo os discípulos que
tiveram uma mudança radical de atitude ao se tornarem ousados de­
fensores e divulgadores de Cristo, imediatamente após a ressurreição
do Senhor.

Superando um Dilema Teológico — Um Deus ou Três?


Como uma teocracia, os judeus levavam a sua religião muito a
sério. As leis de Moisés (os primeiros cinco livros cia Bíblia) eram
bem conhecidas. No centro deste pensamento teológico estava a im­
portância de um único Deus, que estava em desigualdade com as
culturas politeístas da época.
Os ensinamentos de Jesus apontavam para o conceito de um Deus
“três em um”. Mesmo com as últimas palavras que Ele falou antes de
ascender aos céus, Jesus exortou os seus discípulos a batizar outros
em nome do Deus trino: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as
nações, batizando-os em nome do P a i, e do Filho, e do Espírito S an ­
to" (Mt 28.19).
Para os judeus, a idéia de Jesus como um homem que é, ao mesmo
tempo, Deus — enquanto também ora a Deus Pai e ensina sobre a
existência do Espírito Santo — era no mínimo confusa, e na pior das
hipóteses, blasfêmia. Aos olhos de algumas pessoas isso seria como
adorar a três deuses separados, o que é estritamente proibido pela lei de
Moisés. Portanto, qualquer mudança de pensamento para aceitar a Jesus
como Deus (juntamente com o Espírito Santo) era uma mudança teoló­
gica fundamental que teria sido difícil fazer em uma teocracia séria.
Porém, esta era uma mudança exigida pelo cristianismo.
Quando consideramos a existência da igreja à luz das condições
da época, não só devemos considerar a dificuldade 1) do milagre

402
O s P r i m e ir o s M á r t i r e s C r i s t ã o s e a I g r e j a C r i s t ã

da ressurreição em si e 2) do horror da perseguição, mas também 3)


a dificuldade teológica de aceitar a idéia da Trindade — pela qual
Jesus era Deus. A existência da igreja mostra que a m a io r p a r te d a
p o p u la ç ã o su p erou to d as estas três d ific u ld a d es e creu n a ressu rrei­
ç ã o h istórica!
Além disso, o que torna isto tão importante é que a essência do
cristianismo repousa na veracidade desse evento histórico único —
um evento que comprovou a divindade de Jesus. Nenhuma outra
religião possui, nem sequer de longe, qualquer coisa semelhante a
essa tão grande bênção e salvação.

A História Inicial e a Perseguição Inicial da Igreja


A história e a perseguição iniciais da igreja cristã são bem do­
cumentadas. Sabemos que três mil pessoas foram somadas aos
discípulos de Jesus poucos dias após a ressurreição (veja At 2.41).
Pedro, anteriormente um pescador inculto, embora impulsivo, fa­
lou com ousadia a uma multidão de pessoas logo após a ressurrei­
ção. As suas palavras causaram um impacto profundo sobre uma
cidade ciente da ressurreição — em muitos casos, devido ao de­
poimento de testemunhas oculares. Depois de se dirigir ã multi­
dão e de lhes explicar do que se tratava a crucificação e a ressur­
reição, ele lhes disse:

Saiba, pois, com certeza, toda a casa cle Israel que a esse
Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.
Ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração e
perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que fare­
mos, varões irmãos? E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos,
e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo
para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espíri­
to Santo. Porque a promessa vos diz respeito a vós, a
vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos
quantos Deus, nosso Senhor, chamar. E com muitas ou­
tras palavras isto testificava e os exortava, dizendo: Salvai-
vos desta geração perversa. De sorte que foram batizados

403
E x a m in e as E v id ê n c ia s

os que de bom grado receberam a sua palavra; e, naque­


le dia, agregaram-se quase três mil almas (At 2.36-41).

Pouco depois disso, sabemos que o número de pessoas na Igreja


Primitiva saltou para cinco mil homens (At 4.4). Uma vez que era
normal na época contar apenas os homens, como os líderes da casa
— e uma vez que as mulheres e as crianças mais velhas geralmente
tinham a mesma crença — provavelmente podemos no mínimo do­
brar essa estimativa do tamanho da igreja naquela época. Isto expres­
saria, de uma forma conservadora, o tamanho da igreja em Jerusalém
entre dez e quinze mil pessoas pouco tempo depois da ressurreição.
A igreja continuou a crescer rapidamente (At 5.14; 6.7). Como é que
este crescimento poderia ter acontecido de forma tão rápida?
Eu estimo que na época em que Jerusalém caiu, no ano 70, cerca de
70% da cidade consistia de seguidores de Jesus. Isto colocaria o número
por volta de 70 mil pessoas. Quando consideramos que havia cerca de
dez mil a quinze mil cristãos em Jerusalém pouco tempo depois da
ressurreição, então o número não parece estranho, absolutamente. Na
verdade, o crescimento do cristianismo teria de ter chegado a u m a m é­
d ia d e ap en as cerca d e 1,8% a o a n o para alcançar este número. Sabe­
mos que nos primeiros anos, o cristianismo ultrapassaria este 1,8% ao
ano. O crescimento pode ter sido muito maior que isto, quando se con­
sidera que: 1) o ensino de Jesus teria tornado conhecido o valor de
segui-lo e o custo de rejeitá-lo; 2) Jesus era bem conhecido por seus
milagres — um dos quais foi ressuscitar Lázaro dos mortos; 3) a decisão
de seguir a Jesus teria sido tomada em um momento muito próximo da
ressurreição, e havia muitas testemunhas oculares para confirmá-la.
Os cristãos que moravam em Jerusalém e nas suas cercanias foram
perseguidos desde o princípio. Estevão é o primeiro mártir cristão regis­
trado. Estima-se que o seu martírio ocorreu por volta do ano 35, pouco
tempo depois da ressurreição. Estevão foi o primeiro de sete a ser nome­
ado diácono na igreja, responsável pela distribuição caridosa de alimen­
to e dinheiro. Ele foi acusado de blasfêmia quase da mesma forma que
Jesus foi acusado — ele essencialmente confirmou que Jesus era o Filho
de Deus e o adorou como tal. A Bíblia descreve como Estevão enfureceu
os líderes religiosos e narra os eventos que se seguiram:

404
O s P r i m e ir o s M á r t i r e s C r i s t ã o s e a I g r e j a . C r i s t ã

Homens cie dura cerviz e incircuncisos de coração e ou­


vido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim, vós
sois como vossos pais. A qual dos profetas não persegui­
ram vossos pais? Até mataram os que anteriormente anun­
ciaram a vinda do Justo, do qual vós agora fostes traido­
res e homicidas; vós que recebestes a lei por ordenação
dos anjos e não a guardastes. E, ouvindo eles isto, enfu­
reciam-se em seu coração e rangiam os dentes contra
ele. Mas ele, estando cheio do Espírito Santo e fixando
os olhos no céu, viu a glória de Deus e Jesus, que estava
à direita de Deus, e disse: Eis que vejo os céus abertos e
o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de
Deus. Mas eles gritaram com grande voz, taparam os
ouvidos e arremeteram unânimes contra ele. E, expul-
sando-o da cidade, o apedrejavam. E as testemunhas
depuseram as suas vestes aos pés de um jovem chamado
Saulo. E apedrejaram a Estêvão, que em invocação dizia:
Senhor Jesus recebe o meu espírito. E, pondo-se de joe­
lhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes
este pecado. Er tendo dito isto, adormeceu (At 7.51-60).

Esse ato de apedrejar Estevão foi uma violação da lei romana —


somente as autoridades romanas tinham o direito supremo de pres­
crever a pena de morte.
Como vimos no capítulo anterior, o Saulo mencionado nesse rela­
to do martírio de Estevão tornou-se conhecido mais tarde como Pau­
lo, e foi responsável pela expansão do cristianismo depois de sua
conversão. Ele começou estabelecendo uma base de operação em
Antioquia (uma cidade que está localizada hoje na Síria). A partir
dali, embarcou em três grandes viagens missionárias por toda a Ásia
Menor (agora Turquia) e Maceclônia (Grécia). Durante essas viagens,
muitas novas igrejas foram estabelecidas.
A primeira viagem de Paulo o levou para Chipre, e então para a
Ásia Menor. Ele viajou com Barnabé e João Marcos (que falhou em
completar a viagem) para as cidades de Salamina, Pafos, Perge,
Antioquia da Pisídia e Atália.

405
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Em sua viagem seguinte, Paulo foi tanto para a Ásia Menor como
para a Maeedônia. Durante essa viagem, trabalhou com Silas e Timó­
teo, e estabeleceu igrejas em Filipos, Tessalônica e Éfeso.
Na terceira e última viagem missionária de Paulo, trabalhou
com Apoio e outros, e estabeleceu novas igrejas em Filipos e
Corinto.
Durante todo o período em que o apóstolo Paulo trabalhou
com o missionário, e até o momento de seu próprio martírio, ele se
comunicou com as igrejas que havia estabelecido através de car­
tas. Estas se tornaram conhecidas com o as E pístolas P a u lin a s e
são agora livros do Novo Testam ento — do qual elas perfazem
cerca de um terço.
A perseguição ao cristianismo fora de Jerusalém cresceu consi­
deravelmente durante o governo de Nero, quando em 64 ele cul­
pou os cristãos pelo grande incêndio de Roma e iniciou a primeira
de muitas execuções em massa. Nero era extremamente cruel. O
medo havia se espalhado pela comunidade cristã, embora os cren­
tes aceitassem o seu destino como mártires com alegria — como
registrado em muitos escritos históricos. (Eles se alegravam por so­
frer como o seu Salvador havia sofrido, e por saberem que estariam
com Ele no céu.)
Em vez de destruir a igreja como Nero havia planejado, a perse­
guição na verdade fez com que ela florescesse. Como mostrado no
capítulo anterior, a perseguição se expandiu depois de Nero: 1) o
imperador Domiciano ordenou que os cristãos fossem levados aos

_______________ CONCEITO-CHAVE -----------------------


M ilhares d e m ilh ares d e cristãos m orreram p o r ca u sa d a
c r e n ç a em um ú n ico fa t o h istó rico — a ressurreição.

tribunais romanos para responder sobre a sua fé; 2) Trajano forçou os


cristãos a renunciarem à sua fé curvando-se diante de suas estátuas;
3) Adriano matou dez mil cristãos; 4) também estabeleceu marcos
O s P r i m e ir o s M á r t i r e s C r i s t ã o s e a I g r e j a C r i s t ã

pagãos sobre os locais cristãos sagrados, e assassinou cristãos. A lista


prossegue até que o imperador Constantino acabou com a persegui­
ção em 313 d.C.
Assim, desde a época de Jesus até o ano 313 d.C., a igreja cristã
floresceu apesar da perseguição extrema. Esses anos teriam prova­
velmente sido os mais fáceis para o cristianismo desaparecer. Todas
as testemunhas oculares acabaram morrendo, no entanto a fé em
Jesus Cristo continuou mais intensa do que nunca. No ano 303 d.C.,
um edito de Roma declarava que qualquer pessoa apanhada com
escritos sagrados da igreja cristã seria executada. O cristianismo se
moveu de forma completamente oculta (e em certas circunstâncias
até mesmo em locais subterrâneos), porém mesmo assim continuou
a crescer.
Constantino tornou o cristianismo uma religião aceitável para o
Império Romano. As pessoas no império estavam livres para rejeitar
o cristianismo (elas só não tinham mais a permissão de perseguir os
cristãos). Nos anos que se seguiram, a igreja cresceu a passos largos.
(Uma continuação do resumo do desenvolvimento da igreja cristã
está incluída na parte 6.)

V.
Avalie o que Você Aprendeu
1. Cite pelo menos um exemplo de cristãos dando alegremente as
suas vidas por Cristo.
2. Qual imperador romano iniciou uma perseguição em larga es­
cala? Qual imperador acabou com ela? Quando?
3- Quais foram os imperadores romanos que se sucederam, rea­
lizando perseguições cada vez maiores? Que imperador ro­
mano realmente “marcou” os locais cristãos sagrados com
estátuas pagãs?
4. O que são as catacumbas?
5. Por que o fato de o cristianismo ser histórico é tão crítico?

407
E x a m in e a s E v id ê n c ia s

Capítulo T l — Grupo de Estudo

P rep aração para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: Atos 5.41,42 e o capítulo T l deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Discuta o que os primeiros mártires do cristianismo
devem ter pensado e sentido. Que benefícios os mártires nos propor­
cionam hoje? Discuta por que o fato de o cristianismo ser histórico é
tão importante.

Atividade P rática
R epresen tação cie p apéis: O papel do “cristão" é apresentar ao “des­
crente” o caso em favor dos primeiros mártires cristãos, de maneira
que ele entenda a força cia certeza que está por trás da crença de
cada um deles.

O ração de E n ce rra m e n to
Parte 4

Evidência da Ressurreição de Jesus:


Resumo e Conclusão

A ressurreição de Jesus como um evento real e histórico tem sido a


pedra de esquina do cristianismo através dos séculos. O fato de que
isso é crido por inúmeras pessoas por uma sucessão ininterrupta de
gerações, tem dado pouca oportunidade para o surgimento de repen­
tinos “mitos de Jesus” ou lendas. Além disso, sempre podemos compa­
rar a crença moderna com milhares de escritos antigos do Novo Testa­
mento, e com escritos não-cristãos, para verificar a coerência de vários
relatos e garantir a exatidão histórica na doutrina e nas crenças.
Diferente de outras religiões, o cristianismo é baseado em fa to s
históricos. Ele não é uma filosofia ilusória. Se a ressurreição de Jesus
nunca tivesse acontecido, não haveria absolutamente nenhuma base
para a igreja cristã. Ela não existiria. Como vimos, há uma história
contínua da igreja sem interrupção. Podemos voltar ao passado re­
correndo aos documentos mais antigos cla igreja (primeiros manus­
critos do Novo Testamento) e encontrar o dogma essencial da igreja,
que permanece o mesmo.
Os muitos mártires da fé cristã morreram todos por essencialmen­
te uma coisa — defender o fato histórico de que Jesus Cristo ressus­
citou dos mortos. Os inimigos da igreja esperavam que a execução
dos líderes da igreja fizesse a expansão do cristianismo cessar. Em
vez disso, aumentou a determinação dos cristãos e fornece evidênci­
E x a m in e as E v id ê n c ia s

as pungentes cia historicidade da ressurreição de Jesus às gerações


posteriores.
Alguns consideram como mártires em outras religiões ou em sei­
tas (como por exemplo, os muçulmanos) as pessoas que cometem
suicídio por algo que não é verdadeiro. No entanto, há uma grande
diferença em relação ao martírio cios apóstolos. Eles conheciam com
certeza a verdade histórica da ressurreição (e as afirmações associa­
das a ela). No caso de outras crenças, os mártires morrem por filoso­
fias obscuras que jamais passariam em um teste de veracidade.
A existência da igreja cristã é inegável, pois existe somente por
causa da crença tão difundida no evento da ressurreição de Jesus
Cristo. Se a ressurreição não tivesse ocorrido historicamente, a igreja
cristã não existiria no princípio, nem existiria hoje. Ela se destaca cie
qualquer outra religião pelo fato de su a existên cia depen cler d e um
ú n ico evento histórico e sobren atu ral.
P e rg u n ta s B íb lic a s C o m u n s

_ Um V e r s í c u lo p a ra M e m o r iz a r ....

A quele q u e crê no F ilho tem a vida etern a , m as a q u e le q u e


n ã o crê no Filho n ã o verã a vida, m as a ira d e Deus sobre
ele p e r m a n e c e (Jo 3.36).

...............

s vezes surgem problemas a partir dos enigmas e


dilemas da vida, ou do ensino bíblico que é difícil para
os não-crentes — ou até mesmo para os próprios cren-
íes — entenderem. Embora nenhum texto possa real­
mente responder a todas as perguntas que alguém pos­
sa conceber, esta seção tentará responder a algumas
das questões mais comuns que as pessoas enfrentam,
tentando entender o ensino da Bíblia
E x a m in e as E v id ê n c ia s

A Im portância das Questões


Todas as pessoas naturalmente querem que todas as suas pergun­
tas sejam respondidas de forma satisfatória. No entanto, quando con­
sideramos a imensa quantidade de perguntas potenciais, devemos
sempre nos manter focados na mensagem principal da Bíblia — que
significa “vida” para os crentes. Não importa quais perguntas tenha­
mos no que se refere a entender a Bíblia, devemos sempre nos lem­
brar de que aceitar a Jesus Cristo como Senhor e Salvador é funda­
mental; todas as outras coisas são secundárias. (Dê uma outra olhada
no versículo da Escritura da página anterior.)
Para este fim, as páginas seguintes tratam da questão de edificar a
crença a fim de que a fé sólida em Deus e na Bíblia possa ser alcançada.
Será abordado o uso das evidências e da lógica ao discutir seções da
Bíblia que são aparentemente difíceis de entender, ou mesmo para o
estudo das doutrinas bíblicas. O p a ss o f i n a l d e f é en v olv e c o n fia r nas
coisas que são ensinadas por Jesus na Bíblia, e que talvez não enten­
damos completamente.
Assim, dentro das limitações de espaço deste livro, as dúvidas e
perguntas geralmente feitas, e que são difíceis para algumas pessoas,
serão respondidas. Os leitores são encorajados a buscar outras fontes
com base bíblica, uma ótima opção, por exemplo, é o livro V erdade
A bsoluta de Nancy Pearcey,* os livros listados na bibliografia, e con­
versas com líderes em igrejas que possuam um sólido conhecimento
sobre o assunto.

* N.do R.: Publicado no Brasil pela CPAD.

412
Por que Deus Permite
o Sofrimento?

JL J L pergunta é feita a toda hora — por que Deus permite que al­
guém sofra, ou morra? E a resposta geral é que somos meros seres
humanos, com uma perspectiva muito limitada no propósito de Deus e
na eternidade. Nào somos Deus, e devemos aprender a confiar que
Deus tem um “bom propósito” em tudo o que Ele faz. Como a Bíblia diz:

---------Um V e r s í c u lo p a ra M e m o r iz a r ..... .... ..


S abem os q u e tod as a s coisas con tribu em ju n ta m en te p a r a o
bem d aq u eles q u e a m a m a Deus, d aq u eles q u e s ã o c h a m a ­
dos p o r seu d ecreto (Rm 8.28).

Entretanto, esta resposta nào é “boa o bastante” para muitos que


choram a perda de um filho, ou que sofrem um estupro, ou que
estejam lutando com um vício. Os seres humanos não tendem a pen­
sar no paraíso que pode lhes aguardar por ocasião da morte, ou no
grande benefício que pode ser proporcionado ao mundo através das
experiências daqueles que sofrem.
Numa tentativa de fornecer alguma perspectiva sobre a razão de
um Deus amoroso permitir o sofrimento, é bom entender primeiro
por que Deus criou os homens e como o plano cie Deus enquadra o
mundo em que vivemos.
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Por que Deus Criou os Seres Humanos?


Podemos obter algumas pistas e indicações da Bíblia, que, como
já foi estabelecido, é uma autoridade digna de confiança que nos
mostra a vontade cie Deus. Abaixo estão algumas conclusões a que
podemos chegar a partir da Escritura:

1. Os hom en s fo r a m p la n e ja d o s d e fo r m a in ig u alável p o r Deus.


Como sabemos disso? Primeiro Deus propôs desde o princípio
que os seres humanos existiriam com Ele em um paraíso eter­
no para sempre (Ap 21.3; Gn 2.4-17; Ap 21.3,4). Segundo, atra­
vés de um caos cósmico, Deus criou um ambiente que está
precisamente correto em prol da existência da humanidade.
2. D eus criou a h u m a n id a d e ã su a im ag em (C>n 1.26). A palavra
“imagem” significa representação gráfica, plástica ou fotográ­
fica de pessoa ou de objeto. Mas o significado da palavra
bíblica original em hebraico é na verdade bastante diverso;
ela também pode ter um sentido espiritual, ou significar al­
gum outro tipo de semelhança. Portanto, Deus pode ter cria­
do os homens com uma “sem elhança” a Ele em suas qualida­
des de amor, justiça, perdão, e em muitas outras áreas —
incluindo o atributo do livre-arbítrio.
3. D eus p ro v id en cio u um m eio d e r e d e n ç ã o p o r q u e p e r c e b e u q u e
os h om en s u sariam o livre-arbítrio p a r a o m al. Em seu perfei­
to amor, Deus cleu aos homens a liberdade de escolha — o
livre-arbítrio — que permitiria a corrupção de sua criação
perfeita por escolhas imperfeitas. No entanto, Deus também
deu aos homens uma escolha de redenção que permitiria que
fossem reconciliados com Ele em toda a sua perfeição, em bo­
ra tivessem usado mal o seu livre-arbítrio para fazer escolhas
corruptas. Os passos para que os homens sejam reconciliados
com Deus são: 1) crer que Deus existe e que Ele enviou o seu
filho a terra na forma humana; 2) desejar se converter a Ele e
abandonar o mal; 3) aceitar o sacrifício de Jesus como aquele
que traz o perdão para os maus pensamentos e para as más
ações — isto é, aceitando Jesus como o seu Salvador; 4) en­

414
P or que D eu s P e r m it e o S o f r im e n t o ?

tregar sinceramente a Jesus (Deus) o controle de sua vida,


depositando toda a sua confiança nEle, e assim fazendo ciEle
o seu Senhor.
4. D eus q u e r h o m en s p e r fe ito s com E le p a r a sem p re no céu . Na­
turalmente ninguém é perfeito, uma vez que os seres huma­
nos usaram o seu livre-arbítrio para tomar decisões imper­
feitas. Mas a Bíblia nos diz que qualquer pessoa pode ser
“aperfeiçoada” através do sacrifício de Jesus (Hb 10.12-18).
Embora isso seja difícil de entender, já estabelecem os a Bí­
blia com o inspirada por Deus, uma autoridade digna de cré­
dito. Portanto, podem os confiar em qualquer coisa que ela
diga. Assim escolhendo o plano de Deus para reconciliar a
si mesmo com um mundo imperfeito, qualquer pessoa pode
ser aperfeiçoada e receber a oportunidade de viver com Ele
para sempre no céu.
5. C onclusão: D eus q u er u m a co m u n h ã o etern a com os hom ens.
Mas em virtude de Ele amar todos os homens perfeitamente e
querer apenas o melhor para eles, Deus quer que a sua comu­
nhão com eles seja baseada apenas em seu caráter de amor
perfeito, santidade perfeita e justiça perfeita. Seu amor perfeito
faz com que Ele permita que os homens façam escolhas a par­
tir de seu livre-arbítrio. A sua santidade perfeita exige que os
homens, se desejarem que os seus males sejam perdoados,
escolham aceitar o sacrifício de Jesus. E a sua justiça perfeita
exige que os homens aceitem as terríveis conseqüências — o
inferno — se escolherem não aceitar o seu amor.

Por que Deus Criou este Tipo de Terra?


Os propósitos supremos de Deus para os seres humanos são
freqüentemente mencionados na Bíblia — nossa única autoridade
confiável a respeito dEle. Entre os seus muitos propósitos, Deus criou
a terra e as suas criaturas para o domínio dos seres humanos (Gn
1.26-28). Mas esses objetivos supremos para os homens consistem
em que eles:

415
E x a m in e as E v id ê n c ia s

• o amem livremente de todo o seu coração, alma, entendimento


e forças (Mc f2.30);
• o adorem para sempre (Ap 4.21,22);
• desfrutem uma comunhão direta com Ele (Ap 21.3);
• desfrutem uma vida eterna que está além da imaginação terrena
(Mt 13.44-46).

Como os Objetivos de Deus se Encaixam com o Tipo


de Mundo em que Vivemos
1. D eus tin h a cie c r ia r algo. Do contrário os seus objetivos não
poderiam ter sido manifestados.
2. D eus p ocleria ter c r ia d o um m u n d o sem o m al. Os homens
poderiam ser “programados” a sempre escolher o caminho
certo e santo. Isto teria resultado em um mundo cie “robôs”
dirigidos por Deus. O amor não existiria, porque o amor exi­
ge uma escolha de livre-arbítrio. Você não pode programar
algo para amá-lo.
3. Uma vez q u e D eus a m a p erfeita m en te, e lim a v ez que, em
con trapart ida, Ele d eseja qu e os seres h u m a n o s o am em p e r fe i­
tam ente, a h u m a n id a d e recebeu o livre-arbítrio. Isto deu aos
seres humanos a oportunidade de escolherem amar a Deus e
aos outros. No entanto, isto também lhes deu a escolha de não
amar. A decisão de Deus de dar o livre-arbítrio resultou em um
mundo perfeito — mas um livre-arbítrio que foi usado e está
sendo usado para escolhas imperfeitas.
4. E m bora D eus ten h a cria d o todas a s coisas p erfeitas, as coisas
p e r fe ita s p o d em se r e s ã o u sadas p a r a o m al.
• O fogo pode aquecer ou cozinhar, mas também pode ferir e
matar.
• A energia nuclear pode gerar eletricidade, mas também pode
ser usada para bombas.
• O metal pode ser usado para muitas coisas maravilhosas, mas
também pode ser transformado em armas.

416
P or que D eu s P e r m it e o S o f r im e n t o ?

• As nossas mentes podem ser usadas para ajudar as pessoas,


mas também podem ser usadas para odiá-las.

5. O m a l ó u m a esco lh a q u e consiste em u sar m al a s co isa s p e r fe i­


tas, g era n d o , p o rta n to , resu ltados corruptos. O mal não é uma
“coisa”; é a a u s ê n c ia de uma coisa — a ausência de pureza e
santidade. É o mau uso de coisas que foram criadas perfeitas
e que deveriam ser usadas de modo perfeito. Em outras pala­
vras, o mal não poderia ser definido, nem mesmo poderia
existir, se não houvesse coisas santas e puras em primeiro
lugar. Para dar dois exemplos, grosso modo, se a visão não
existisse, como saberíamos que é uma maldade arrancar os
olhos de alguém? Se os homens não tivessem pernas, em pri­
meiro lugar, como saberíamos quão terrível é se tornar para­
lítico em um acidente de carro causado por um motorista
embriagado?
6. Um D eus a m oro so p o d e r ia p erm itir q u e to d o s — a té m esm o as
pessoas m uito m á s — entrassem no céu. Afinal, isso não seria
perdão e amor perfeitos? Sim, no entanto, isso co n tra d iz eria os
outros atributos d o ca rá ter d e D eu s— a sua santidade e justiça
perfeitas — porque o mal entraria no lugar santo onde Deus
vive, e porque seria injusto — o mal não receberia o seu ade­
quado castigo. Conseqüentemente, o mundo que Deus criou
exigia: E) escolha, para que pudéssemos demonstrar um amor
perfeito por Ele; e 2) reden ção, para que a sua justiça e santi­
dade perfeitas pudessem ser manifestadas (Hm 3.21-26).

Através de Jesu s podem os ser “aperfeiçoados” (Hb 10.1-4).


Mas precisam os aceitar a Jesu s com o Senhor e Salvador, abando­
nando o mal, para que possam os alcançar a sua perfeição final.
Jesu s veio a terra com o um homem, sofreu todas as tentações e
provações de um ser humano para que pudéssem os nos relacio­
nar com Ele. Então se permitiu ser executado de uma das m anei­
ras mais horríveis, dolorosas e hum ilhantes já concebidas pelos
hom ens — para demonstrar o grande amor de Deus por nós e
prover o perdão a tod os os q u e q u iserem . Rejeitar, ou não aceitar.

417
E x a m in e as E v id ê n c ia s

este dom gratuito de amor e perdão é a dem onstração definitiva


de desprezo a Deus.

O que Causa o Sofrimento?


Já estabelecemos que a existência cio livre-arbítrio permite que as
pessoas escolham o mal, o que resulta em sofrimento para a pessoa
que faz tal escolha e geralmente para outras pessoas também. Quais
são as outras causas do sofrimento?

Satanás e os Demônios Podem Causar Sofrimentos


É impressionante a quantidade de pessoas que não acreditam em
Satanás ou nos demônios, embora a Bíblia esteja cheia de relatos da
existência deles. O livro de Jó fornece um excelente retrato de como
Satanás pode trazer sofrimento às pessoas. Observe como ele é cruel
e prepotente:

• ele influenciou exércitos para roubar os rebanhos de Jó e ma­


tar os seus servos (1.4-15);
• ele trouxe fogo do céu para destruir as ovelhas e os servos de
JÓ (v. 16);
• ele influenciou bandos a roubarem os camelos de Jó (v. 17);
• ele dirigiu um vento que derrubou uma casa, matando os fi­
lhos de Jó (vv. 18,19);
• ele afligiu Jó com feridas extremamente dolorosas por todo o
seu corpo (2.7,8).
Satanás claramente possui um imenso poder, e ele e seus demô­
nios criarão tanto sofrimento quanto puderem. Mas ainda assim,
precisa ter a aprovação de Deus para exercer o seu poder (veja Jó
1 .1 2 ; 2 .6 ).

Deus Pode Causar Sofrimentos


A idéia de que Deus pode causar sofrimento pode a princípio
parecer inimaginável. Por que um Deus amoroso causaria sofrimen­
to? Devemos nos lembrar de que o propósito e o entendimento de

418
Se Deus ê o Todo-Poderoso, e, ao mesmo tempo, amoroso, como podemos conciliar
esta situação com a existência do reino das trevas e da iniqüidade — o reino do mal?
Perguntas Respostas

1. A l ó g ic a não su g ere que D eus c r io u o m a l? N ão' ° m al é do u s° Pur° e san ‘° « 'i s a s - não um a

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P or que D eu s P e r m it e o S o f r im e n t o ?

Deus são maiores do que freqüentemente imaginamos. Considere o


seguinte:

• Nós tem,os u m a m ente fin ita , lim ita d a p o r q u atro dim ensões.
Entender completamente a mente de Deus é impossível para
nós.
• O m a l n ã o é o m esm o q u e o sofrim ento. O mal sempre tem a
sua origem em um intento de fazer algo errado ou de causar
dano. No entanto, o sofrimento pode ser causado por boas
razões. Por exemplo, as pessoas freqüentemente escolhem a
dor cie uma cirurgia e da sua recuperação a fim cie terem um
corpo que funcione melhor, depois. E sofrer por Cristo traz
recompensas eternas, embora o mal possa ser a causa do
sofrimento.
• As in ten ções d e D eus sã o m uito m aiores d o q u e a s nossas. É
difícil para os seres humanos olhar para além de suas circuns­
tâncias imediatas. Mas Deus sempre considera a perspectiva
eterna (por exemplo, às vezes o nosso sofrimento pode levar
outra pessoa a alcançar a vida eterna em Cristo).
Deus é perfeitamente santo, amoroso e justo. Para as nossas limi­
tadas mentes humanas, esses atributos com freqüência parecem
conflitar um com outro. Na verdade, do nosso ponto de vista parece
que Deus às vezes escolhe um em detrimento do outro:
• Deus destruiu os filhos de Arão porque eles trouxeram fogo
estranho ao tabernáculo (Lv 10.1-3). Note que o fogo que ma­
tou os filhos veio “de diante do Senhor”. Nesse caso Deus
mostrou a sua santidade, embora isso tenha causado sofrimen­
to à família de Arão.
• Deus feriu de morte o filho primogênito de Davi, e causou
uma calamidade dentro da casa dele por causa de seu adul­
tério com Bate-Seba e por ter mandado matar Urias, o mari­
do dela (2 Sm 12.7-14). Observe que Deus disse: “Eis que
suscitarei... o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante
os teus olhos, e as darei a teu próxim o”. Deus mostrou a sua
justiça, embora ela causasse um grande sofrimento a Davi.

421
E x a m in e as E v id ê n c ia s

I tá vários outros casos na Bíblia onde Deus causou sofrimento. Mas


para aquelas pessoas que aceitaram a Jesus, seja qual for a fonte de sua
dificuldade, como já vimos há uma grande mensagem de Deus — que
todas as coisas cooperam juntamente para o bem (Rm 8.28).

O Sofrimento e a Morte São sem pre Ruins?


As pessoas freqüentemente perguntam por que o sofrimento exis­
te. Sempre passamos pela dor em algum momento de nossas vidas, e
em geral parece que <> nosso sofrimento não tem nenhum propósito
bom. Só queremos que ele acabe. Raramente consideramos os bene­
fícios da dor, do sofrimento, e até mesmo da morte.
São as causas e a “justificativa” da dor, do sofrimento e da morte, que
com freqüência entendemos menos. Às vezes a dor e o sofrimento são,
claramente, o resultado cie uma ação má (pecado) — nossa ou de outra
pessoa. Por exemplo, um motorista embriagado causa um acidente de
carro, paralisando por toda a vida tanto a si mesmo como o condutor do
carro em que ele bateu. Parece haver alguma justiça na punição daquele
que cometeu o pecado de embriaguez, mas é difícil entender por que a
vítima aparentemente inocente também deva sofrer.

Os Benefícios do Sofrimento
Como podemos compreender os benefícios da dor e do sofrimen­
to? Certas dores são fáceis de entender. Na verdade, ela é um dom
protetor de Deus. Toque um fogão quente e aprenderá a não fazer
isso outra vez. Ao sentir dor em uma parte do seu corpo, logo procu­
ra um médico para ajudá-lo. Mas o sofrimento duradouro é mais
difícil cie entender. Freqüentemente não o entendemos por muitos
anos, e às vezes não o entendemos nesta vida. Alguns dos possíveis
benefícios do sofrimento em que podemos não pensar quando estamos
sofrendo são aqueles que Deus pode ter planejado:

• nos ensinar algo


• nos ajudar a aprender a amar os outros
• testar a nossa fé nEle
• desenvolver o nosso caráter

422
P or que D eu s P e r m it e o S o f r im e n t o ?

• edificar a nossa confiança nEle


• nos inspirar a ter a nossa esperança nas coisas eternas

Os Benefícios da M orte
A maioria das pessoas pensa na morte como um evento horrível —
e o é para aquelas pessoas que se recusam a aceitar a Jesus como seu
Senhor e Salvador. Mas para muitos de nós que aceitam o amor de
Deus através de Jesus, a morte é algo maravilhoso! Imagine ser trans­
portado de um mundo de maldades e problemas insolúveis para um
paraíso perfeito, onde viveremos na presença de Deus para sempre! O
que muitos cristãos temem é o sofrimento que este processo possa
trazer. Por mais terrível e prolongado que este sofrimento temporário
possa ser, ele ainda é pequeno em comparação com a eternidade.

O Sofrimento de Jesus
O Deus que criou o universo poderia, com certeza, ter criado um
mundo sem sofrimentos. Mas as razões pelas quais Ele não fez isso
— e por que a existência do nosso tipo cie mundo faz sentido, sim,
perfeitamente — já foram exploradas. No entanto, algumas pessoas
podem pensar que Deus é mau e sem sentimento porque “se assenta
ali em seu paraíso perfeito” enquanto estamos sofrendo “aqui embai­
x o ”. Isto está muito longe cia verdade.
Deus veio a terra na pessoa de Jesus Cristo, e passou por todos os
tipos de sofrimento que a maioria das pessoas passam — até por
volta do ano 33 d.C. Naquela época, Jesus voluntariamente se expôs
à morte mais dolorosa, horrível e humilhante já imaginada pelo ho­
mem: a crucificação.
Sempre que duvidarmos da existência de Deus — sempre que nos
perguntarmos se o Deus digno desse Nome criaria um mundo que
Ele saberia que seria dominado pela dor, pelo sofrimento e pela morte
— , devemos nos lembrar de que Ele escolheu entrar neste mundo
para sofrer mais do que qualquer outra pessoa, e morrer da maneira
mais dolorosa, apenas para permitir que nós escolhêssemos ter a
vida eterna com Ele no céu. Jesus não precisava fazer isso. Ele esco­

423
E x a m in e as E v id ê n c ia s

lheu este sacrifício horrível pelas pessoas que não o mereciam. Ele
escolheu isto para demonstrar o seu grancle amor.

Porque Deus amou o mundo cle tal maneira que deu o


seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê
não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus en­
viou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o
mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (Jo
3.16,17).

Quando rejeitamos, ou simplesmente não aceitamos a Jesus como


o nosso Senhor e Salvador, estamos na verdade afrontando a Deus —
dizendo, em essência, que o sangue cle Jesus não é “bom o bastante”.

Colocando o Sofrimento em Perspectiva


Valeria a pena o sofrimento de 30 segundos de se tomar uma
injeção com vacina para evitar os efeitos de longo prazo da varíola?
Você suportaria alguns meses de quimioterapia para que pudesse
viver uma vida longa livre do câncer? Às vezes um enorme benefício
de longo prazo exige sofrimento para alcançá-lo. O próprio Jesus
disse que teríamos de sofrer para seguido e obter a vida eterna no
paraíso (Mt 10.21,22,38,39). Um ou dois segundos de sofrimento não
valem a pena por bilhões de anos (de fato, um infinito) de uma
eternidade inconcebivelmente maravilhosa?
É óbvio que Deus às vezes permite o sofrimento. Como mostrado,
Deus até o usa para realizar os seus maiores propósitos. Seja qual for o
sofrimento por que passamos, seja pouco, muito, ou em todos os mo­
mentos de nossas vidas, as nossas mentes humanas ainda estão muito
preocupadas com o presente — o aqui e o agora. Deus está con cen tra­
do n a e te r n id a d e— u m a etern id ad e repleta de tudo o qu e é bom.
A questão é que aquilo que os homens consideram um sofri­
mento insuportável terá um fim — e o tempo em que sofremos na
terra é, realmente, um período muito pequeno comparado à eterni­
dade. A maneira como lidamos com este sofrimento é fundamental;
ele de fato nos testa no que se refere ao verdadeiro amor e confian­
ça, o amor e a confiança que só podem ser ancorados em Deus. Um

424
P or quh D kus P e r m it e o S o f r im e n t o ?

C om o s a b e r q u e a v id a a p ó s a m orte é real: Jesus


freqüentemente mencionava, a vida após a morte quando
falava sobre: 1) o Reino de Deus -— o céu; 2) o inferno;
3) a vida eterna; e.4) a alma e o espírito dos seres huma­
nos. Na verdade, na Bíblia é encontrado o seguinte nú­
mero de referências:

Palavras Relacionadas Número de Referências


Céu / Reino de Deus 420+
Inferno / Fogo / Abismo 150+
Alma / Espírito 660 +
Eternidade / Para sempre 370+

Só isso já é uma razão suficientemente forte para se


crer na vida após a morte, seja no céu ou no inferno. No
entanto, também há uma boa razão científica e lógica
para se acreditar na vida após a morte. C on sidere q u e os
átom os em seu corpo estão em con stan te estado d e substi­
tu ição. Os cientistas ca lc u la m q u e u m a vez a c a d a cin co
anos, todos os átom os em seu corpo s ã o substituídos. Mes­
mo assim, você ainda é a mesma pessoa. Você se lembra
da maioria das mesmas coisas. E o seu caráter e a sua
personalidade permanecem iguais. Da mesma forma,
mesmo que você sofresse um acidente traumático que
lhe deixasse irreconhecível, os seus amigos lhe conhece­
riam pelas suas experiências, personalidade e gestos.
Essencialmente, isto demonstra que existe algo que
identifica você além da parte física do seu corpo, que é
formado por átomos. Qual é esta “outra parte” do seu
ser? Se ela não morre quando todas as células do seu
corpo morrem e são substituídas, p o r q u e você espera qu e
e la m orra q u a n d o todo o corpo m orrer, d e u m a vez? A
lógica diria que ela não morre. E a lógica poderia definir
esta “essência”, que está além do ser material, como o
espírito ou a alma de uma pessoa.
E x a m in e as E v id ê n c ia s

bom exemplo disso é que Deus permitiu que o sofrimento fosse


uma parte importante do evangelismo. Considere o que a Bíblia
diz:

• “. . . a trib u la ção p r o d u z a p a c i ê n c i a "(Rm 5.3).


• “p r o v a c la r a d o ju sto ju íz o d e Deus, p a r a q u e sejais hav id os p o r
dignos d o Reino d e Deus, p e lo q u a l tam bém p a d e c e is ” (2 Ts
1.5).
• "... seg u n d o o m eu ev an g elh o; p e lo q u e sofro trabalh os e até
prisões, co m o um m alfeitor; m as a p a la v r a d e D eus n ã o está
p r e s a " (2 Tm 2.8.9).
• “P orqu e co n v in h a q u e aqu ele, p a r a qu em sã o todas a s coisas e
m ed ia n te qu em tudo existe, tra zen d o m uitos filh o s â glória,
consagrasse, p e la s aflições, o P rín cipe d a s a lv a ç ã o d e le s ” (Hb
2 . 10).

• “L em brai-v os, p o rém , d os d ia s p a ss a d o s, em qu e, d ep o is d e


serd es ilu m in a d os, su portastes g r a n d e c o m b a te d e a f l i ç õ e s ”
(Hb 10.32).
• “Meus irm ãos, to m a i p o r exem plo d e a fliç ã o e p a c iê n c ia os p r o ­
fe t a s q u e fa la r a m em n om e d o Senhor. Eis q u e tem os p o r bem -
av en tu rad os os q u e so fr er a m . Ouvistes q u a l f o i a p a c iê n c ia d e
f ó e vistes o f i m q u e o S en hor lhe deu ; p o r q u e o S en hor é m uito
m isericordioso e p i e d o s o ”(Tg 5.10,11).

Além de sofrermos pelo evangelho, devemos reconhecer que


apenas através de vários tipos de sofrimento podemos verdadeira­
mente apreciar a extrema bondade de Deus — em contraste com
o mal.
No entanto, nada apresentado aqui tem o propósito de minimizar
a tremenda dor, mágoa e tristeza que resultam do sofrimento. Mas
as nossas vicias continuam enquanto estamos sofrendo, muito em ­
bora possam os desejar que o sofrimento cesse. E através disso
tudo precisam os continuar a enfrentar os problemas centrais da
existência humana. Devemos finalmente nos dar conta de que Deus
está no controle — e que Ele é amoroso, é justo e é santo. Os seus
atos de amor, justiça e santidade têm sido documentados por mi­

426
P or que D eu s P e r m it e o S o f r im e n t o ?

lhares de anos. Não estamos em posição de julgar a Deus. As


respostas finais para o sofrimento residem em uma dimensão além
da nossa — porque elas residem com o próprio Deus.
Lembre-se: toda a nossa existência terrena, mesmo que seja de
100 anos de sofrimento, é como a menor fração de um segundo
quando comparada com os bilhões de anos (na verdade um infinito)
da eternidade. Visto que Deus conhece tanto o fim como o começo
(Is 46.9,10), Ele é o único que pode nos ajudar a desenvolver uma
atitude de alegria no sofrimento, como fizeram os primeiros cristãos
que vieram a conhecer Jesus (1 Ts 1.5-10).

V.x
Avalie o que Você Aprendeu
1. Como o sofrimento está associado ao amor? Dê alguns exem­
plos de como você passou pelo sofrimento, no processo de ser
amado.
2. Por que Deus criou os seres humanos? Como você imagina ser
o céu e o inferno?
3. Explique por que Deus criou um mundo o qual Ele sabia que se
tornaria mau.
4. O que causa o sofrimento? Dê alguns exemplos.
5. Como Jesus sofreu da mesma maneira, ou muito mais, do que
os homens?

Capítulo 28 — Grupo de Estudo


' • ÍE T f
P rep aração p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
L eia: o capítulo 28 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Em grupo, revise o quadro da página 452. Certifique-se
de que todos entendam o processo. Discuta a morte. Como ela é
benéfica? Por que é tão importante que os não-crentes entendam a
morte?

427
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Atividade Prática
D ebate: O “cristão” debate com um “ateu” que usa, em sua princi­
pal defesa, a idéia de que se Deus fosse real, Ele não permitiria o
sofrimento. Não se esqueça de trazer para o debate a questão da
morte.

O ração de E n ce rra m en to

428
A Trindade

s cristãos falam da Santa Trindade, as três “pessoas” de Deus,


como um aspecto fundamental de sua fé. A Santa Trindade é o Pai, o
Filho (Jesus) e o Espírito Santo — de alguma maneira existindo como
um único “Deus”. No mínimo isto parece confuso. Algumas pessoas
acham que isto é irracional.*
Por que a Trindade é um problema? Talvez porque seja básica
para conhecer a Deus. Afinal, para conhecer a Deus, devemos saber
quem Ele é e como Ele é. A Trindade é um conceito bíblico que se
estende por toda a Escritura:

• A Bíblia define Deus como três “Pessoas” (muitas referências


serão revisadas abaixo).
• Podemos confiar na definição da Bíblia.

A Bíblia declara que a Trindade é real e pessoal. Se adoramos,


oramos e pensamos que conhecemos um “deus” que não é real, nos
enganamos. É importante conhecermos a natureza do Deus que pre­
sumimos conhecer. A Trindade é uma definição bíblica e cristã. Em­
bora possa ser difícil entendê-la, por ser uma descrição verdadeira de

* Talvez muita confusão venha da referência à divindade trina com o sendo três pessoas
em um único Deus. Na realidade, porém, a Trindade consiste em três Pessoas em uma
única Natureza — a natureza de Deus.
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Deus, precisamos saber o suficiente para pelo menos aceitá-la. Abai­


xo, tentaremos esclarecer a questão da Trindade para que possamos
saber quem é Deus.

Definindo a Santa Trindade


O dicionário Aurélio define a Trindade nos termos mais simples:

A união de três pessoas distintas (o Pai, o Filho e o Espí­


rito Santo) em um só Deus.

Será que esta definição está correta sob um ponto de vista bíblico?
Sim. Será que ela é compreensível para a maioria das pessoas? Não.
Será que ela pode dar ocasião a algum equívoco? Possivelmente. (É
necessário ter uma descrição mais detalhada, porque a palavra espíri­
to mudou de significado nos últimos séculos, e agora pode transmitir
uma impressão errada, não havendo a menção da natureza igual e
pessoal da Trindade.)
Uma definição muito melhor e mais completa da Trindade é dada
por um famoso dicionário teológico. Ele define a Trindade como:

O termo que designa um único Deus em três pessoas.


Embora não seja em si um termo bíblico... [é] uma
designação conveniente para o Deus único auto-reve-
lado na Escritura como a única essência da Divindade.
Temos de distinguir três ‘pessoas’ que não são três
deuses por um lado, nem três partes ou formas de
Deus por outro, mas que são, igual e eternamente,
D eu s.1

P o r q u e a P a la v r a Trindade n ã o E s t á n a B íb lia ?

Como a definição acima afirma, embora a palavra Trindade nunca


apareça na Bíblia, o conceito é “auto-revelado” por Deus. Os estudi­
osos bíblicos simplesmente deram um nome ao conceito do Deus
“três-em-um”, para que a referência e a discussão deste conceito se
tornassem mais fáceis.

430
A T r in d a d e

Há outros conceitos na Bíblia aos quais foram ciados nomes


que não aparecem na Bíblia. Por exem plo, a onipotência (“todo
poder”) de Deus é muito clara a partir das Escrituras (por exem ­
plo, em Jó 38 e 39). Nenhum cristão negaria esta doutrina — no
entanto a palavra o n ip o tê n c ia nunca é usada na Bíblia. Para facili­
tar a referência, o conceito de “todo poder” de Deus recebeu o
nome de on ip otên cia.

A Trindade É Composta de três Pessoas


Uma p esso a é alguém que pode lhe conhecer, aconselhar e ajudar,
se preocupar e até mesmo se sacrificar por você. Assim, a sugestão
de que Deus é uma “coisa”, ou que o Espírito Santo é uma “coisa”,
está essencialmente dizendo que Deus é uma “força” que: 1) não
conhece, 2) não se preocupa, 3) não ajuda, ou 4) não se sacrifica
pelos seres humanos. A Bíblia declara diversas vezes que Deus co-

E S P ÍR IT O S A N T O

DEUS FILHO PAI


(J E S U S )

nhece cada um de nós e que amorosamente se preocupa conosco,


nos aconselha e nos ajuda, e até mesmo se sacrificou por nós. Está
bastante claro que Deus não é uma “coisa”.
As Pessoas da Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), embora
iguais e eternas, desempenham diferentes funções na história da
salvação.

431
E x a m in e as E v id ê n c ia s

A v Pessoas da Trindade São Co-Iguais e Co-Eternas

As palavras c o -ig u a is e co -e te r n a s indicam que o Filho e o Es­


pírito Santo são totalmente iguais a Deus, o Pai. À primeira vista,
isto parece contradizer a Bíblia. Por exem plo, Jesus orou ao Pai no
jardim do Getsêmani: “Não seja, porém, o que eu quero, mas o
que tu queres” (Mc 14.36). Isto parece sugerir que o Pai estava
acima de Jesus.
A resposta é revelada definindo o p rop ósito de Jesus enquanto Ele
estava na terra. O propósito de Jesus era assumir o papel da humani­
dade para se tornar não só um sacrifício pelo pecado humano, mas
também para nos ensinar como nos relacionarmos com um Deus
Todo-pocleroso e totalmente santo. Para realizar isso, Jesus “abriu
mão” do direito de exercer o seu poder como Deus enquanto estava
na terra (esse conceito é chamado de ken osis [esvaziamento] em teo­
logia). Ele ainda era 100% Deus, mas simplesmente limitou o seu
poder enquanto estava na terra (embora ainda tivesse acesso a ele).
Jesus, desse modo, assumiu a humanidade com todos os seus atribu­
tos. Como homem, Ide nos ensinou a orar e como podemos nos
relacionar com Deus. E nos ensinou que a vontade de Deus nem
sempre é a nossa vontade.
Essa subjugação a Deus o Pai, em curto prazo, torna Jesus “menos
igual”? Não! Isso serviu para um propósito de ensino. A Bíblia clara­
mente descreve Jesus como igual a Deus (por exemplo, “Eu e o Pai
somos um” — veja Jo 10.30). Jesus também recebeu adoração e per­
doou pecados, algo que só Deus poderia fazer. E Jesus proclamou a
sua suma autoridade como Deus: “É-me dado todo o poder no céu e
na terra” (Mt 28.18).
A existência eterna de Jesu s juntamente com o Pai é evidente
no capítulo 1 do Evangelho de Jo ão . Jesu s é uma Pessoa da di­
vindade que sempre existiu, e sempre existirá (Ap 22.13). Igual­
m ente, o Espírito Santo é uma Pessoa da divindade que é co-
igual, que sempre existiu, e sempre existirá. Note que no p rirtcí-
p io (Gn 1.2) “o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”.
E no f i m d o s sécu los, o Espírito de Deus também estará presente
(Ap 22.17).

432
A T r in d a d e

A Trindade no Antigo Testamento


Há evidências substanciais apoiando o conceito da Trindade no
Antigo Testamento (as Escrituras hebraicas). Além das referências in­
dividuais às três “partes” da Trindade, também encontramos outras
indicações de que Deus é formado de múltiplas “pessoas”.

Deus, o Pai
Deus o Pai é apresentado no Antigo Testamento em glória absolu­
ta e total. A sua majestade é tão santa e tão gloriosa que qualquer
pessoa que visse a sua face morreria (Gn 32.30; Is 6.1-5).
A presença de Deus o Pai ( teo fa n ia) foi percebida de muitas ma­
neiras miraculosas:

• um anjo apareceu a Agar (Gn 16.9);


• o Senhor apareceu outra vez a Abraão (Gn 22.11,12);
• a sarça ardente a Moisés (Êx 3.2);
• nuvens e fogo aos israelitas (Êx 14.19);
• o tabernáculo (Êx 40.34);
• o Senhor apareceu a Moisés (Êx 33.11);
• o Senhor apareceu a Isaías (Is 6.1-5).

Deus, o Filho
O Antigo Testamento também está repleto de escritos que apon­
tam na direção de Jesus. Há centenas de profecias contidas no Antigo
Testamento que foram cumpridas por Jesus com exatidão. (Na verda­
de, estudiosos identificaram 322 profecias distintas.) Deus declarou
que o cumprimento da profecia é o teste-chave para determinar se
algo é “clEle” (Dt 18.9-22; Is 46.10).
Certamente os próprios judeus estavam bem cientes da vinda de
um Messias (“o Ungido”). Talvez a indicação mais importante do fu­
turo Messias com relação à Trindade seja a profecia de Isaías de um
“filho” que deveria ser chamado de “Emanuel” (Is 7.14). E m an u el
sig n ifica “D eus con osco".

433
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Fatos Fascinantes
Uma teofan ia é uma presença visual ou falada de Deus.
Houve muitas teofanias no Antigo Testamento (tais como
a sarça ardente — veja Êx 3.2), possivelmente porque
Deus precisava prover evidências inequívocas de sua au­
i-f toridade divina sobre a rebelde nação de Israel.
Algumas teofanias mostram claramente a glória de
Deus (por exemplo, a presença do Senhor no monte
Sinai — Êx 19-18,19; a nuvem sobre o tabernáculo — Êx
40.34). Outras teofaniás são aparentemente manifesta­
ções de Deus na forma humana — freqüentemente des­
critas como o aparecimento de um “anjo do Senhor”, um
termo que sugere uma reverência especial reservada a
Deus. Os estudiosos debatem muitas questões sobre as
teofanias em que é mencionado o “anjo do Senhor”. Al­
guns crêem que essas são aparições de Cristo antes de
ele vir a terra como ser humano.

Mateus deixa esse paralelo profético muito claro em seu Evan­


gelho (1.23). Os primeiros apóstolos, que viveram continuamente
com Jesu s durante três anos, não só entendiam o importante papel
do Filho, Jesus, com o parte da Trindade — eles, na verdade, usa­
ram a profecia do Antigo Testamento sobre a vinda de um “Deus
encarnado” para persuadir os judeus monoteístas* de que Jesus
era Deus. Quando consideramos a forte atitude monoteísta da na­
ção judaica, e acrescentam os a isso o grande número cle judeus
que rapidamente adotou o cristianismo (em grande parte devido
ao cumprimento das profecias do Antigo Testam ento), isso nos
leva à conclusão de que aqueles que estavam na melhor posição

* M on oteísta é “aquele que crê em um único D eus”. M on oteísm o significa a “crença em um


único D eus”.

434
A T r in d a d e

para “saber com certeza” dos Alguns estudiosos crêem que Cris­
fatos a respeito de Jesus (in­ to apareceu na época do Antigo
cluindo o seu papel como uma
Testamento. Melquisedeque —
Pessoa da Trindade) aceitaram
com quem Abrão (posteriormente
as profecias a respeito dEle, in­
cluindo o ponto-chave expres­ Abraão) se encontrou — pode ser
so por Mateus: Jesus Cristo é o um caso. Ele é, no mínimo, um
“Deus co n osco ”. "modelo" do Senhor Jesus Cristo
(Gn 14.18).
Deus, o Espírito
O terceiro com ponente da Melquisedeque foi honrado
Trindade, o Espírito de Deus, é como um "sacerdote do Deus
mencionado por todo o Antigo
Altíssimo" (Hb 7.1,2) — assim
Testamento. Começando bem
como o Senhor Jesus é um sa­
no princípio de Gênesis (1.2),
encontramos este versículo mui­ cerdote. Ele ofereceu a A b rã o
to importante: pão e vinho, possivelmente um
prenúncio da última ceia. E
0 Espírito d e D eus se mo-
A b rã o lhe deu o dízim o de tudo,
1’ia sobre a f a c e d as águas.
um exemplo do dízim o que mais
A palavra hebraica usada para tarde foi instituído pela lei de
espírito é ruwach, que em es­
Moisés.
sência significa “uma semelhan­
ça de fôlego” — mas que só pode
ser proveniente de “um ser racional”.2 Assim, podemos reconhecer
imediatamente que este “Espírito” é diferenciado de Deus o Pai, e de
Deus o Filho. E também vemos que Ele é um “ser racional”, e nâo
meramente alguma “força”. Além disso, vemos o Espírito Santo envol­
vido cle imediato, desde o princípio da criação.
O Espírito de Deus também é visto no Antigo Testamento como
um conselheiro e auxiliador — habitando nas pessoas para permitir
que elas realizem aquilo que Deus deseja (com o no Novo Testamen­
to). Por exemplo, Bezalel foi cheio do Espírito de Deus para que
tivesse certas habilidades em artes ao fazer o tabernáculo (Êx 31-3).
Até mesmo algumas pessoas que rejeitaram a Deus foram inspiradas

435
E x a m in e as E v id ê n c ia s

pelo Espírito Santo, conforme indicado pela bênção do profeta pa­


gão Balaào a Israel, apesar da tentativa do rei inimigo Balaque, que
queria comprar uma maldição (Nm 24.2,3).

A Trindade no Novo Testamento


O conceito cia Trindade é claramente expresso ao longo do Novo
Testamento como um todo. Cremos na doutrina da Trindade, porque
temos evidências distintas tanto no início como no final do ministério
de Jesus, além de uma grande quantidade de evidências nesse ínterim.

O Início do Ministério de Jesus


Quando Jesus tinha cerca de 30 anos de idade, Ele começou o seu
ministério sendo batizado por João Batista. É significativo que Jesus
tenha aparecido muito humano e humilde.
Jo ão declarou ser “indigno” de batizar a Jesus; então, quando o
batismo ocorreu pela insistência de Jesus, encontramos novamente
todas as três Pessoas da Trindade:
• O Filho estava se sujeitando humildemente em forma humana
ao Pai, como um modelo para todas as pessoas no mundo (Mt
3.15).
• O P a i falou do céu, dizendo: “Este é o meu Filho amado, em
quem me comprazo” (Mt 3.17).
• O Espírito Santo — o “Espírito de Deus” — descendo “como
pomba” e vindo sobre Jesus (Mt 3-16).

O Final do Ministério de Jesus


As últimas palavras de uma pessoa têm, freqüentemente, um sig­
nificado e uma importância especiais. Afinal, todos nós queremos
deixar para as pessoas que amamos a coisa mais importante que
queremos que elas se lembrem. (A propaganda é um exemplo ideal.
As últimas palavras são quase sempre o nome da marca e o atributo
principal — em geral um slogan). Tendo isso em mente, quais foram
as últimas palavras de Jesus? Elas foram ditas exatamente antes de
sua ascensão aos céus.

436
A T r in d a d e

Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em


nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-
as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado;
e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consu­
mação dos séculos (Mt 28.19,20).

Sem dúvida Jesus queria especialmente que as pessoas reconhe­


cessem a natureza tripla de Deus. Do contrário, por que usaria suas
palavras finais para enfatizar as três Pessoas da Trindade?
O batismo é uma parte importante do compromisso de uma pes­
soa com a fé cristã e com Jesus Cristo. Assim, o último mandamento
de Jesus (freqüentemente chamado de “Grande Comissão”) trata da
questão de uma proclamação pública — o batismo — no qual as
três Pessoas da divindade podem ser reconhecidas — o Pai, o Filho
e o Espírito Santo. Conseqüentem ente, quando as pessoas são
batizadas como cristãs, a Trindade é uma parte integral de seu com ­
promisso.

Mais Referências do N ovo Testamento


O Novo Testamento diferencia, embora também una, o Pai, o Fi­
lho e o Espírito Santo de muitas maneiras além daquelas indicadas no
início e no fim do ministério de Jesus. Por exemplo, Paulo fala da
natureza tríplice de Deus em sua Carta aos Coríntios. Ele descreve as
diferenças dos papéis desempenhados, mas também mostra a unida­
de que existe na “essência” do glorioso Deus:

Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há


diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E
há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que
opera tudo em todos (1 Co 12.4-6).

E a clara distinção nos papéis das três Pessoas da Trindade foi


exposta por Jesus — que falou de seu papel como intercessor, do
papel do Pai como a autoridade suprema, e do papel do Espírito
Santo como o nosso auxiliador nas decisões do cotidiano — no se­
guinte versículo:

437
E x a m in e as E v id ê n c ia s

E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador,


para que fique convosco para sempre, o Espírito da ver­
dade, que o mundo não
pode receber, porque não
Algum as referências ao Deus o vê, nem o conhece (Jo
trino no N ovo Testamento: 14.16,17).
• Mateus 3 .1 6 ,1 7
• João 14.16 O Am or de Deus na Trin­
• 1 Coríntios 12.4-6 dade
• 2 Coríntios 13.14
Deus existia como uma Trin­
• Efésios 3 .1 4 -1 9
dade antes do início do tempo (Gn
• Efésios 4 .4 -1 3 1.1; 1.26; Jo 1). No entanto, a rea­
• 1 Pedro 1.1,2 lidade do amor de Deus foi mos­
• Apocalipse 1.4-6 trada em sua natureza tríplice an­
tes que qualquer outra coisa exis­
tisse. O amor de Deus — total e
completo — é apresentado nas três Pessoas quando exemplificam a
graça, o amor e a comunhão:

A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a


comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos (2 Co
13.13).

A Descrição das Pessoas da Trindade


O Pai — A Primeira Pessoa da Divindade
Uma descrição exata da Pessoa do Pai está além da habilidade e
compreensão humanas. Embora todos os que vissem a f a c e de Deus
morreria (Gn 32.30; Is 6.1-5), a g ló ria de Deus foi mostrada no Antigo
Testamento aos israelitas várias vezes (veja as pp. 432,433). Ela tam­
bém foi expressa de forma audível no batismo de Jesus (Mt 3.17) e na
transfiguração (Mt 17.5).
A revelação de Jo ã o a respeito de Jesu s fornece algumas pistas
quanto à aparência do Pai. Ele o descreve como “alguém ” assenta-

438
A T r in d a d e

Um Deus em Três Pessoas Atende a


todas as Necessidades Humanas

a Autoridade
perfeito em santidade
a q u ele que recebe a
adoração no céu DEUS

COMPLETO
* uma Autoridade
para adorar
* um R edentor
para o perdão
* um Conselheiro

O FILHO (Jesus) para guiar

• o R edentor O ESPIRITO SANTO


♦ a F on te de vida i o C on selheiro
para o s hom ens * um C on solador
n a aflição
* um In tercesso r junto a o Pai
* um Agente da
vontade d o Pai

do em um trono no céu. Ele é “semelhante à pedra de jaspe e


sardónica”, e do seu trono saem “relâm pagos”, e “trovões” (Ap
4.3.5) — similar à glória de Deus no monte Sinai (Êx 19-16-18).
Por fim, Deus é freqüentem ente m encionado como “luz”, porém
podemos assumir que se trate do Pai, do Filho e do Espírito San­
to). No entanto, o próprio Deus é chamado de luz, uma luz tão
extraordinária que não há necessidade de sol ou candeias (Ap
22.5).
É importante destacar que a Bíblia Sagrada, em seus ensinos,
enfatiza a essência de Deus o Pai, não como um pai humano, no
sentido físico, mas como o Pai celestial -— o Criador de todas as
coisas (Jó 38.4-7; SI 33-6).

439
E x a m in e as E v id ê n c ia s

O Filho — A Segunda Pessoa da Divindade


Jesus, o Filho, era totalmente homem e totalmente Deus (Jo 10.30).
Portanto, o ser físico de Jesus era como o de um homem. Jesus foi
concebido através do Espírito Santo dentro de um corpo humano — o
corpo de Maria (Lc 1.35; Mt 1.20). No entanto, a natureza humana
completa de Jesus estava unida à natureza completa de Deus, e estas
duas naturezas estavam em uma só Pessoa — Jesus. Esse fato possibi­
litou que nos relacionássemos com Deus, e que Jesus experimentasse
tudo o que experimentamos (Hb 2.9, 12, 18). Isso também possibilitou
o sacrifício completamente perfeito pelo pecado (Hb 10.1-14).
Talvez a coisa mais difícil de se entender a respeito de Jesus a
partir dos nossos limitados pontos de vista humanos seja a sua pré-
exislência. Sabemos que Jesus é co-eterno com Deus, visto que Ele
estava presente no princípio e então veio a terra.

No princípio era o Verbo (Jo 1.1).

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14).

Na qualidade de Filho, Jesus nunca se referiu ao seu relacionamen­


to especial com Deus Pai de uma forma que pudesse sugerir que os
discípulos tinham um relacionamento igual. Jesus reivindicou ser o
Filho eterno e pré-existente, totalmente Deus e totalmente igual ao Pai,
encarnado para cumprir o propósito de Deus de prover a salvação. Por
essa razão, Ele foi designado como o único mediador entre Deus Pai e
os homens (Mt 11.27; Jo 5.22; 8.58; 10.30,38; 14.9; 16.28). Como um
homem que também era de todo ou completamente (de novo) Deus,
Jesus aceitava a oração e a adoração (Mt 14.33; 28.9; Jo 14.14).

O Espírito Santo — A Terceira Pessoa da Divindade


As palavras hebraicas e gregas originais referindo-se ao Espírito
Santo ( ruw ach e p n eu m á ) significam “vento” ou “fôlego”. Não pode­
mos ver o vento, mas por seus efeitos, sabemos que existe. O Espírito
Santo é a Pessoa poderosa que estava envolvida na criação (Gn 1.2).
Ele também estará envolvido no fim dos tempos congregando as pes­

440
A T r in d a d e

soas para o novo céu e a nova terra (Ap 22.17). O Espírito Santo está
envolvido diariamente com os seres humanos que são crentes, como
um “consolador”, nos guiando, transmitindo-nos a presença do Cristo
vivo, e fazendo todas as coisas por nós como o próprio Cristo fez pelos
discípulos (Jo 14.15-17; 16.13-15). Ele é um apoiador invisível cio bem
(Zc 4.6; 1 Co 12.3). O Espírito Santo é aquEle que restringe o mal, e
convence o mundo do pecado (Gn 6.3; Jo 16.8-11; 1 Co 12.3).

Três em Um — A Natureza da Trindade


Embora o conceito da Trindade seja conhecido desde o tempo de
Cristo, ele freqüentemente tem sido mal entendido. Como podemos
saber ou até mesmo conceber dimensões além das nossas — tais
como a dimensão espiritual? Este tem sido um grande problema para
as pessoas que não conseguem aceitar a Deus porque Ele está muito
além do nosso entendimento.
Como já vimos, a Bíblia é muito clara em suas referências à natureza
trina de 1)eus. Também sabemos que houve uma aceitação muito difun­
dida e rápida de Jesus como Deus (igual ao Pai), pelos judeus que
estavam nas cercanias cie Jerusalém, imediatamente após a morte de
Jesus. À primeira vista, isso pareceria contradizer o monoteísmo judaico
tradicional; no entanto, os primeiros cristãos de origem judaica aceita­
ram o Senhor Jesus como sendo “um” com o Pai: co-existente e igual.

A Expressão do Am or de Deus Exigiu os Recursos


Completos da Trindade
A fim de demonstrar amor completo aos seres humanos, que fo­
ram feitos à imagem de Deus, todas as três Pessoas de Deus são
necessárias. Primeiro, uma figura de autoridade (o Pai) foi necessária
para mostrar o amor, a justiça e a santidade perfeitos. O Pai nos
concedeu uma chance de amá-lo perfeitamente nos dando a livre
escolha — a qual também permitiu que o pecado entrasse no mun­
do. Segundo, uma figura humana (o Filho, Jesus) foi necessária: 1)
para dar a si mesmo como sacrifício perfeito para redimir os homens
do pecado que Ele sabia que eles escolheriam, e 2) para ser a nossa

441
E x a m in e as E v id ê n c ia s

fonte contínua de vida e relacionamento com o Pai. Finalmente, o


Espírito Santo foi necessário para dar aos homens a direção, a segu­
rança e o conselho — bênçãos tão necessárias em nosso cotidiano —
através da presença contínua de Cristo dentro de cada um de nós.

Os Papéis das Pessoas da Trindade


Em muitos aspectos das atividades de Deus, vemos cada uma das
Pessoas da Trindade assumindo um papel.
• N a c ria ç ã o :
Pai — Ap 4.11
Filho — Hb 1.1,2; Jo 1.1,14
Espírito Santo - Gn 1.2; SI 33.6

• No p la n o d e Deus:
Pai — Ef 1.11,12
Filho — Cl 1.15,16
Espírito Santo — Is 11.2,3

• Na P alav ra d e Deus:
Pai — Is 55.11
Filho — Jo 1.14; Hb 1.3
Espírito Santo — 1 Co 2.12-14

• No ad v en to d e D eus n a fo r m a h u m a n a :
Pai — Hb 10.5-7
Filho — Mt 16.15-17
Espírito Santo — Mt 1.20; Jo 3.34

• N a s a lv a ç ã o atrav és d o sacrifício d e Jesu s:


Pai — Jo 3.16; 1 Jo 4.10,11
Filho — Jo 19.30; Hb 9.28
Espírito Santo — Jo 3.34

442
A T r in d a d e

• Na rec o n c ilia ç ã o com Deus:


Pai — 1 Jo 1.3; 2 Co 5.17-19
Filho — Hb 2.13-15
Espírito Santo — 2 Co 13.14
• Ao p ro v er a s a n tid a d e ao s crentes:
Pai — 1 Pe 1.15,16
Filho — 1 Co 1.30,31
Espírito Santo — Gl 5.16; Km 8.3A

• Ao p r o v e r am or, f é e esperan ça:


Pai — Jo 3.16
Filho — Jo 14.6; Hb 12.2,3
Espírito Santo — Rm 15.13

A Trindade É Necessária para a Vida Eterna com


Deus
Observamos as funções das Pessoas da Trindade e o apoio bíblico
para eles. Podemos ver que:
• o conceito da Trindade é claro por toda a Bíblia;
® cada pessoa da Trindade tem tido um papel claro desde o prin­
cípio em todos os relacionamentos humanos com Deus.

No entanto, ainda temos uma pergunta: “Por que, em primeiro


lugar, foi necessário 11111 Deus trino?” Fazer essa pergunta (embora
muitas pessoas a tenham feito) parece presunção. Que direito temos
de perguntar a Deus p o r q u e Ele é quem Ele é? Mesmo assim, embora
seja impossível para as mentes humanas compreender um Deus infi­
nito, a Bíblia nos dá algumas pistas da razão pela qual a Trindade é
necessária para o nosso relacionamento eterno com Deus. Considere
o seguinte:
1. Deus é perfeitamente santo. Ele esteve uma vez em completa
comunhão com Adão e Eva que não tinham pecado.

443
E x a m in e as E v id ê n c ia s

2. Uma vez que Adão e Eva pecaram, a humanidade se tornou


separada de Deus.
3. Uma perfeita expiação era necessária para pagar pelo pecado
humano.
4. Mesmo após a oferta desse sacrifício perfeito, os homens ainda
continuam pecando.
5. O objetivo supremo de Deus é a completa comunhão com os
homens em um lugar perfeitamente sem pecado — o céu.
Em resumo, a Trindade, embora difícil de entender de um ponto
de vista humano, é um aspecto integral e necessário de Deus — e é
indispensável ao seu grande amor e às suas muitas provisões tempo­
rais e eternas para a humanidade.
V

Avalie o que Você Aprendeu


1. Defina a santa Trindade.
2. Cite pelo menos um exemplo da Trindade no Antigo Testamen­
to.
3. Cite pelo menos um exemplo da Trindade no Novo Testamen­
to.
4. Como a Trindade está envolvida no início e no fim do ministé­
rio de Jesus?
5. Liste pelo menos três dos papéis da Trindade.

Capítulo 29 — Grupo de Estudo

P rep aração p ara a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)


Leia: o capítulo 29 deste texto.

O ração de A bertura
D iscussão: Revise os muitos papéis abordados neste capítulo. Se­
lecione aqueles que são mais interessantes ao grupo e os discuta.

444
A T r in d a d e

Algumas seitas afirmam que a Trindade não existe (por exemplo, as


Testemunhas de Jeová). Como você falaria com um membro de tal
grupo para convencê-lo de que a Trindade é essencial para a mensa­
gem da Bíblia?

Atividade P rática
Entrevista d e TV: O “apresentador de TV” está entrevistando o
“cristão” a respeito da dificuldade cie entender a Trindade. Esteja pre­
parado para explicar isso e a sua importância.

O ração de E n cerram en to

445
f
Como Analisar Supostas
Contradições na Bíblia Sagrada

Á■ J Llgumas pessoas afirmam que a Bíblia possui contradições.


No entanto, ela continua sendo uma fonte de inspiração e o fun­
damento da fé cristã há mais de 2000 anos. Será que existem mes­
mo contradições?
Se Deus realmente inspirou todas as palavras da Bíblia, Ele com
certeza não contradiria a si mesmo. Contudo, sabemos que foram
pessoas que de fato escreveram as palavras da Bíblia. Os autores
humanos cometeram erros? Eles entenderam mal a inspiração cle
Deus em alguns casos? Ou alguns erros foram introduzidos posteri­
ormente durante a cópia e a tradução? No caso de contradições
aparentes, é possível que não estejamos cavando fundo o suficiente
para verdadeiramente entendermos a mensagem.
Uma vez que os cristãos afirmam que a Bíblia é inspirada por
Deus, é importante estabelecer que ela não contém contradições no
centro de sua mensagem. Por quê?
• Do contrário, como a Bíblia poderia ser digna de confiança?
• Como as pessoas saberiam crer ou não em que partes da Bíblia ?
• Uma Bíblia contraditória não permitiria “selecionar e escolher”
o que seguir a respeito de suas mensagens e verdades?
E x a m in e as E v id ê n c ia s

Quando as pessoas pesquisam supostas contradições na Bíblia,


elas descobrem que a Bíblia, de fato, está em c o n c o r d â n c ia com os
m an uscritos m ais an tigos sobre todas as questões, apesar dos milha­
res cie anos de cópia e tradução. Isto significa que as Bíblias cie hoje
correspondem, palavra por palavra, aos originais? Não, claro que não.
Por um motivo; os originais foram escritos em idiomas diferentes. Por
exemplo, a Bíblia hebraica original não contém vogais. A evidência
sugere, no entanto, que a Bíblia aincla reflete com exatidão os ma­
nuscritos originais, apenas com pequenas variações. A pergunta en­
tão se torna: existem contradições dentro da própria Bíblia?

Definindo Contradições
O que constitui uma “contradição” bíblica? O dicionário Webster
define co n tra d içã o e con trad itório como se segue:
• C on trad ição: “Algo que contém elementos contraditórios”.
• C ontraditório: “Uma de duas possibilidades associadas de tal
forma que é impossível que ambas sejam verdadeiras ou ambas
falsas”.
Portanto, quando se trata da Bíblia, o “algo” que teria de conter
“elementos contraditórios” seria a própria Bíblia.

A Im portância de Semelhanças e Diferenças


Algumas seções cia Bíblia, muito especialmente os relatos dos Evan­
gelhos, contêm semelhanças e diferenças em suas narrações do mes­
mo evento. Essas coisas não constituem uma contradição aparentes.
Na verdade, há um benefício em se ter tanto semelhanças com o dife­
renças nos relatos cie testemunhas oculares. Considere este exemplo:

Os Relatos das Testemunhas Oculares do Grupo 1:


• T estem unha 1: “Uma senhora foi atingida por um caminhão.
Dois homens observaram da calçada. Um deles tinha aproxi­
madamente 1,90 metro de altura e usava uma camisa preta; o
outro também era alto e usava uma camisa vermelha".

448
C omo A n a l is a r S u p o s t a s C o n t r a d iç õ e s na B íb l ia S agrada

• T estem unha 2: “Uma senhora foi atingida por um caminhão.


Dois homens observaram da calçada. Um deles tinha aproxi­
madamente 1,90 metro de altura e usava uma camisa preta; o
outro também era alto e usava uma camisa vermelha”.
• T estem unha J : “Uma senhora foi atingida por um caminhão.
Dois homens observaram da calçada. Um deles tinha aproxi­
madamente 1,90 metro de altura e usava uma camisa preta; o
outro também era alto e usava uma camisa vermelha”.

Os Relatos das Testemunhas Oculares do Grupo 2:


Testem unha 1: “Uma senhora foi atingida por um caminhão. Um
homem correu para ver se ela estava bem. Ele tinha cerca de 1,90
metro de altura e estava de preto. Isso aconteceu ao meio dia”.

Testem unha 2: “Uma senhora foi atingida por um caminhão. Dois


homens observaram da calçada. Um tinha cerca de 1,90 metro de
altura e usava uma camisa preta; o outro também era alto e usava
uma camisa vermelha. Isso aconteceu por volta do meio dia”.

Testem unha 3 : “Uma senhora foi atingida por um caminhão. Mui­


tos testemunharam isso. Os paramédicos foram os primeiros a che­
gar. Eu olhei no meu relógio; eram 12h02min”.

Que grupo descreveu mais completamente os eventos? O primei­


ro, tão homogêneo, forneceu menos informações dignas de crédito,
porque as informações eram idênticas. Talvez tenha havido conivên­
cia com algum propósito. Embora cada relato seja diferente dentro
do grupo 2, eles não são incoerentes. Essas semelhanças indicam a
confirmação e o apoio aos fundamentos do evento. As diferenças,
porém, acrescentam profundidade, significado e percepção.

A história real: Pouco antes do meio dia uma senhora foi atingida
por um caminhão. Houve várias testemunhas oculares, incluindo dois
homens. Um deles tinha aproximadamente 1,90 metro de altura e

449
E x a m in e as E v id ê n c ia s

usava uma camisa preta. O outro também era alto e usava uma cami­
sa vermelha. O homem de preto correu para ver se a senhora estava
bem. Os paramédicos foram os primeiros oficiais a chegar, às 12h02min.
Tanto as semelhanças como as diferenças são importantes para
um relato completo e digno de confiança!

Gênesis 1 Versus Gênesis 2


Alguns críticos afirmam que Gênesis 1 é incoerente com Gênesis 2.
Aqui está um resumo das aparentes contradições:

1. Gênesis 2.5-7 parece indicar que o homem foi criado antes cia
vegetação.
2. Gênesis 1.12 indica que a vegetação foi criada no 3o dia; Gênesis
1.27 indica que o homem e a mulher foram criados no 6o dia.
3. Gênesis 2.7 e 2.19 parecem indicar que os animais foram cria­
dos depois da espécie humana.
4. Gênesis 1.20-25 indica que os animais foram criados no 5o e no
6 o dia; em Gênesis 1.26,27, a Bíblia indica que o homem e a
mulher foram criados posteriormente, no 6o dia.

Resposta para as Acusações de Contradição


Gênesis 1 é claramente um relato metódico da criação. Sabemos
disso a partir das palavras de abertura “no princípio” e pelo sistema
metódico de etapas, ou “dias”, cada um destacado com “limites” que
marcam o início e o fim (noite e manhã). O relato do capítulo 1