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Direito da família I

23-09-2019 (aula prática)

CP1

Resolução: Maria não pode casar com José porque a afinidade em linha reta de 1º grau nunca
cessa (art. 1585º do CC). A afinidade não cessa com a dissolução por casamento por morte.
Mas cessa por dissolução por casamento.

Afinidade: art. 1602º do CC e art. 1585º do CC ARTIGOS IMPORTANTES

Francisco é parente em linha reta em primeiro grau. O que liga Maria ao sogro é uma relação
de afinidade (porque é ligada á família de Francisco pelo casamento e não por sair da mesma
pessoa) em linha reta de primeiro grau.

CP 2

Zeferino de 23 anos de idade é casado com Lurdes de 21 anos de idade. Desde de muito nova
Lurdes sabe que não poderá engravidar e Zeferino bem o sabia quando com ela se casou.
Lurdes apos convencer Zeferino decide candidatar-se a adotar uma criança, Zeferino sugere
então que consultem um advogado para que melhor se clarifiquem algumas questões.
Perguntam-se que resposta lhes daria o advogado quanto á intenção de Lurdes?

Resolução: Não podem adotar nenhuma criança, porque tem que ter pelo menos 25 anos de
idade e tem que estar casados á mais de 4 anos. Art. 1979º do CC.

Devido á preocupação da estabilidade da vida familiar é que se pedem estes dois requisitos no
processo de adoção que costuma ser um passo muito grande tanto para a criança como para
os futuros pais. Art. 7º da LUF e art. 1789º do CC.

CP3

Luís de 25 anos de idade e Júlia de 26 anos de idade vivem juntos á 3 anos, todos os vizinhos,
amigos e familiares sabem que constituem um casal e até já se dirigiram á junta de freguesia
da sua residência como testemunhas comprovar a sua situação.

1- Em que regime vivem Luís e Júlia. E quais os efeitos que podem resultar para ambos?
Caraterize o mesmo.
Luís e Júlia vivem no regime de União de Facto que é uma relação que se estabelece
entre duas pessoas que independentemente do sexo vivem em condições análogas á
dos cônjuges á mais de dois anos. Tem que haver prova para ser atribuído este regime
segundo o art. 2º do RUF.
A este regime atribuem-se vários direitos e deveres parecidos ao regime do casamento
como o dever de fidelidade, assistência, obrigação de partilhar despesas. Etc.
Mas segundo o art. 1576º do CC as pessoas que estão em regime de UF não são
considerados da mesma família.
Os efeitos da UF são a proteção da casa e da família (art. 1105º do CC – efeitos art.
1793º UF), em caso de morte de um dos membros da UF o membro que sobrevive
pode permanecer na casa durante 5 anos. Beneficiam de regime de ferias, feriados e
faltas dos cônjuges, tem regime de IRS dos casados, tem regime da segurança social
igual á dos casados. O membro sobrevivo da UF tem direito a prestação por morte em
caso de acidente de trabalho. Tem direito a adoção em condições análogas á dos
casados.
2- Podem Luís e Júlia adotar uma criança? Porque?
Direito da família I

Não, porque não tem a idade exigida pelo regime da UF exige que tenham mais de 30
anos. È mais exigente para assegurar a estabilidade familiar. Art. 7º da LUF e art. 1789º
do CC.

CP4

Júlia está farta do luís e não o suporta mais, pensa apenas em deixa-lo e nunca mais o quer
ver. Consulta um advogado e comunica a sua intenção de casar com Joaquim, mas também
que lhe convinha muito manter alguns benefícios que mantinha no regime legal com luís.

Quid Iuris

Júlia estando em regime em união de facto com Luís pode casar com outra pessoa quando
quiser e dá-se imediatamente a dissolução da União de Facto com Luís.

Art. 4º LUF al. B)

CP5

Júlia e Luís enquanto viviam juntos e coabitam também com Joana, sua governanta, de quem
Júlia sente muita falta. Dado que Joana era sempre quem partilhava as refeições com a mesma
e quem se encontrava sempre presente quando esta mais precisava.

Justifique em que regime legal viviam.

No que toca a Joana como á o regime contratual entre Joana e Júlia não existe um regime de
economia comum.

Art. 3º REC al. A)

25-09-2019 (aula teórica)

Ultima fonte do direito de família:

Adoção é o vinculo que á semelhança da filiação natural estabelece legalmente entre duas
pessoas. Art. 1586º do CC

Filia-se á nova família como se viesse de uma forma natural, deixando a outra família a que foi
filiada.

Art. 1973º do CC – o vinculo da adoção constitui-se por vinculo judicial. Tem que ser decretado
pelo tribunal por sentença.

Existem requisitos para a adoção Art. 1974º do CC – “superior interesse da criança “ significa
que a adoção para ser decretada te que ter em conta antes de tudo o interesse da criança
adotada (que vai ser adotada). Significa nomeadamente que não devem presidir á adoção
outros interesses que não sejam principalmente aqueles do que vai ser adotado. Não deve
adotar-se no interesse do adotante (como por exemplo porque gosta de crianças, porque
gostava de ter filhos e não teve, porque queria dar um irmão ao seu filho), todos esses
interesses tem que ser secundários.

Tem que representar vantagens para o adotando (tem que ser vantajosa para a criança, não
apenas do ponto de vista material, nem de conseguir uma família), tem que existir vantagens
algo que melhore a vida do adotado patrimonialmente e afetivamente. Dar uma nova família e
não só uma família de acolhimento.
Direito da família I

A adoção anula todas as relações familiares anteriores.

Deve de haver motivos legítimos (o que determina a adoção deve de ser não o bem estar e a
melhoria de vida do adotante, mas o propósito de entregar o adotando como se fosse filho
natural) para a adoção. (Ninguém pode adotar para abusar sexualmente da criança ou para ser
escravizada).

O outro requisito é que não resolva sacrifícios injustos para os outros filhos do adotante.
Significa não pior a situação patrimonial e pessoal dos outros filhos do adotante.

Suposição razoável que se vai estabelecer um vinculo semelhante ao da filiação.

Tem que se ver se realmente se integram na família com o prazo máximo de 6 meses. (ver na
lei)

Quem pode adotar?

Art. 1979º do CC nº1 – O legislador associa á situação de casado á 4 anos uma estabilidade de
vida que melhor propicia, normalmente, a integração do adotando na família. Assim como o
facto de terem de ter mais de 25 anos de idade, cada um dos cônjuges.

Pode-se adotar o filho do cônjuge quando se tem 25 anos, mas que não estão casados á 4
anos. – é apenas nesta situação que isto acontece. Porque se ele já é filho de um dos cônjuges
a sua integração vai ser mais fácil.

Nº3, 4 e 5- não pode adotar quem tiver mais de 60 anos de idade, salvo se o adotando for filho
do cônjuge.

Quem pode ser adotado? Os menores, filhos do cônjuge ou quem já tenha sido adotado por
um dos cônjuges. Art. 1980º do CC.

A adoção tem que ter consentimento de alguma das partes? Tem que haver o consentimento
do adotado, desde que tenha mais de 12 anos de idade. Tem que haver cônjuge do adotante.
Tem que se pedir consentimento á família natural do adotando (pais naturais, porque vai
deixar de ser filhos deles), só não é preciso este consentimento quando as crianças estejam á
guarda do estado ou quando as crianças tenham sido retiradas aos pais naturais. Art. 1981º do
CC.

O consentimento só é dispensado se houver privação do uso de faculdades mentais ou se


houver grave dificuldade em o fazer. Nº3 al. A)

Que efeitos tem a adoção? Pela adoção o adotando adquire a situação de filho do adotante
extinguindo-se todas as relações familiares anteriores. Art. 1602º do CC -

Quando A é adotado pode se casar com a mãe natural antiga? Não, porque a adoção extingue
todas as relações familiares anteriores exceto se for para finalidades matrimoniais. Art. 1986º
do CC.

Nº2 – Se um dos cônjuges adota o filho do outro mantem-se a filiação em relação a estes e aos
seus parentes.

Regra de segredo da adoção – Art. 1985º do CC – com a finalidade de não haver a


possibilidade de interferência na integração do adotando.
Direito da família I

A adoção é irrevogável mesmo que por acordo (não se pode voltar atrás), os laços familiares
cortam-se.

Art. 1990º do CC –

Al. C) – quando A tem a convicção que vai adotar F que é filho de B (cônjuge) , e afinal não era
filho dele.

Exercício: A paga a J para consentir na adoção de F. J gasta o dinheiro e fica com remorsos.
Pode ser revista a sentença de adoção? Isto não é suficiente para justificar uma revisão, tem
que se calar para sempre.

O adotado passa a ser parte integrante no conjunto dos sucessores legitimários do adotante.

Art. 36º da CRP: Principios constitucionais de direito de família (direitos da pessoa humana ou
direitos perante outrem)

Direitos da pessoa humana:

 Direito de celebração de casamento: aceção simples, todos podem casar com todos
independentemente da raça e religião. Se isto acontecer é completamente irrelevante
para a lei portuguesa, porque isto não constitui um impedimento para o casamento (a
lei portuguesa não proíbe isso através da lei). No entanto, a idade é um impedimento
para casar, a idade mínima para casar é 16 anos para ambos os sexos (para que se
possa estabelecer uma igualdade material dos cônjuges no casamento é necessário
para a mulher que tenha a possibilidade de estudar para garantir a sua autonomia
económica, o que não se conseguia se ela se casa-se mais cedo aos 14, por exemplo,
como acontecia antigamente).
Não impede que a lei consagre o impedimento do casamento múltiplo (casamento de
uma pessoa com vários). O que ainda causa problemas? Porque á países que admitem
isso e se vierem para Portugal em termos de sucessões qual é a mulher desse homem?
Art. 1601º do CC –
Impede que apenas seja admitido apenas uma forma de casamento, como acontecia
antigamente que apenas se reconhecia o casamento religioso
 Direito a constituir família: Art. 36º nº 1 da CRP – pode-se constituir família baseada
ou não fundada pelo casamento. Nos termos da constituição a família se constitui pelo
casamento ou qualquer forma prevista por lei, não havendo valorização de nenhuma
delas.
 Principio da competência da lei civil para regular requisitos efeitos do casamento e da
sua dissolução: Art. 36º nº2 da CRP – apenas a lei civil pode validamente estabelecer
requisitos e efeitos sobre o casamento.
Se uma determinada religião determinar que por exemplo se possa casar aos 12 anos,
não tem qualquer valor sobre a lei civil portuguesa.
Art. 1588º do CC - o facto da lei civil portuguesa reconhecer efeitos ao casamento
católico não deve reconhecer-se como os únicos efeitos sejam estes. Ex: a lei do
casamento católico reconhece que quem se casa por este não pode voltar a casar uma
segunda vez, mas pode faze-lo pelo civil, desde que dissolva o primeiro casamento.
Art. 1625º do CC – Só os tribunais eclesiásticos pode fazer a dispensa do casamento e
não consumação do casamento. Nestes casos estes tribunais aceitam a dissolução do
seu casamento por não ser consumado. RECONHECE A CAPACIDADE DOS TRIBUNAIS
ECLESIÁSTICOS PARA APRECIAREM OS CASAMENTOS RELIGIOSOS.
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Art. 1589º do CC – Se o casamento católico for dissolvido, todos os seus efeitos


cessam em civil. Se estiver casados nos dois locais tem que dissolver também o
casamento no civil.
 Principio da admissibilidade de divorcio, para quaisquer casamento: Art. 36º nº2 do
CRP – é inconstitucional excluir o divorcio para qualquer casamento, ainda que para
determinadas religiões o casamento seja indissolúvel o divorcio é sempre admitido. Os
casamentos católicos são indissolúveis e no civil não, mas isso é inconstitucional. Mas
podem existir requisitos para o divórcio que não tem conhecimento de outro em que
por exemplo temos um período em que a pessoa não pode voltar a casar com outra
pessoa (Art. 1781º al. A) do CC) Art. 1782º do CC. Já se considera inconstitucional que
se volte ao regime que havia antigamente que era o divorcio como sanção em que
existia o não cumprimento por um dos cônjuges e que trazia sanções patrimoniais para
um dos cônjuges, era divorcio.
 Principio da igualdade dos cônjuges para a capacidade civil e manutenção e educação
dos filhos: Art. 36º nº2 da CRP – está extinto e é considerado inconstitucional o poder
que um dos cônjuges já teve para dirigir o casal. Ex: a mulher só podia trabalhar com
autorização do marido, etc. Os cônjuges passam a estar em pé de igualdade em
aspetos relativos á educação dos filhos, que recebem educação de ambos os pais sem
predomínio de quaisquer deles.
 Atribuição aos pais do poder e dever exclusivo de educação dos filhos: existem países
em que a educação dos filhos é do Estado, mas isso não acontece em Portugal. A
educação dos filhos é orientado pelos pais, podem escolher a educação dos filhos. Art.
36º nº5 da CRP
 Principio da inseparabilidade entre pais e filhos: Impõe que só por decisão judicial
pode o poder paternal ser retirado aos pais. Art. 1915º nº1 do CC Só em caso de
violação grave dos seus deveres parentais é que se pode retirar o poder paternal. Hoje
em dia á quem diga que o direito de parentalidade será um direito de personalidade.
 Regra da não discriminação dos filhos nascidos fora e dentro do casamentos: A própria
de filho legitimo ou legitimo, nenhum documento pode dizer que aquele filho é
ilegítimo. Tirou-se dos textos jurídicos todas as normas que diferenciavam os filhos
nascidos dentro do casamento ou fora dele. Não se distingue (Art. 2033º al. A e art.
2177º do CC). Isto não impede que a lei continue a dizer que “presume-se que esta
criança seja filho da mulher casada seja filho do seu atual marido”, Art. 349º do CC
presunção - é uma elação que a lei tira de um facto conhecido para afirmar um facto
desconhecido, fá-lo para que a criança não tenha que provar que é filho do marido da
mãe, se for mentira os outros é que tem que o fazer. A presunção vem proteger a
criança. A lei colocou um prazo antenupcial.
Art. 36º nº4 da CRP – a própria designação de filho ilegítimo não pode constar em
qualquer documento oficial.
 Principio da proteção da adoção: Art. 36º nº7 da CRP não podem diminuir-se direitos e
deveres dos adotados e dos adotantes, nem fazer a eliminação da adoção.

Direitos perante outrem

 Principio e proteção da família: Art. 67º da CRP – a família é considerada na nossa


sociedade um elemento essencial. A família de que fala a constituição não é a família
tradicional que era vista antigamente. Vê a família natural que nasce na sociedade de
Direito da família I

hoje em dia. Equiparar o casamento e a união de facto não encaixa nesta disposição.
Não se pode impor o casamento aqueles que preferem a UF, estas estão neste regime
porque querem, tem a sua liberdade. A assimilação das duas situações não aparecem
na CRP. Direito de conhecer os pais biológicos e o direito de este permanecer anónimo
(como se pode conciliar as duas?).
 Principio da proteção da maternidade …
 Principio da Proteção da infância

Fontes de direito da Família

 CRP
 Convenções Internacionais (concordata acordada em Portugal pela santa sé em 1975)
– reconhecimento dos efeitos civis dos casamentos católicos. Art. 1587º do CC –
principio o casamento católico tem efeitos civis. Art. 1588º do CC- os requisitos e
efeitos do casamento católico são os mesmos que os do casamento civil. A dissolução
do casamento católico rege-se pelas normas de direito civil. Art. 1589º do CC –
estamos a falar em casamento civil e que querem casar pelo católico. Se duas pessoas
tiverem casadas catolicamente não podem casar civilmente por outra pessoa.
Capacidade dos tribunais eclesiásticos para avaliarem a validade dos casamentos
católicos enquanto casamentos católicos Art. 1625º do CC.
 Lei ordinária (CC, CRC, Lei de organização tutelar de menores)

O casamento católico tem efeitos civis. Em Portugal vigora um dos 4 sistemas possíveis de
casamento:

o Sistema de casamento religioso obrigatório: segundo este a forma religiosa de


casamento é a única permitida para efeitos civis. Vigorou em Portugal até 1867.
o Sistema de Casamento civil obrigatório: o direito patrimonial do estado é obrigatório
para todos os cidadãos independentemente da crença que professem. Os cidadão
podem casar na sua igreja, mas não produz efeitos civis. Vigorou em Portugal entre
1910 e 1940.
o Sistema de Casamento civil facultativo: Os nubentes (pessoas que vão casar) podem
escolher entre casamento civil e casamento religioso, em que o Estado atribui efeitos
civis a quaisquer um deles. 1º subsistema - o Estado atribui os mesmos direitos civis É
ESTE O SISTEMA QUE VIGORA EM PORTUGAL NA ATUALIDADE e 2º subsistema -o
estado atribui efeitos civis ao direito da igreja em que as pessoas casamentos (quem
casa-se religiosamente era o sistema dessa igreja no seu casamento)
o Sistema de Casamento civil subsidiário: O estado adota o sistema religioso em vigor
naquele estado, no entanto permite o casamento civil aos que não professem a
religião do estado.

Contrato de casamento: contrato típico (sem o seu regime previsto na lei) em que o seu
regime está exaustivamente previsto na lei com leis que em maior parte dos casos são normas
injuntivas (não se admite celebrar um casamento com clausulas que as pessoas queiram, no
entanto existem regras que as pessoas tem alguma liberdade como é o caso da gestão do
património-regime de bens em que as pessoas podem escolher um dos que a lei prevê (união
geral, separação de bens e união de adquiridos), mas pode ser admitido outro regime em que
as partes escolhem). O casamento é um negócio pessoal Art. 1619º do CC – é estritamente
pessoal não obstante é admitido o casamento por procuração pelo qual alguém atribui
poderes a outrem para que em seu nome celebre um negócio jurídico em que os efeitos se
Direito da família I

verificam na esfera jurídica do representado (nos casos em que a pessoa não pode estar
presente. A procuração deve de ser feita por instrumento publico ou documento escrito
assinado pelo representado com verificação presencial das assinaturas. Apenas um dos
nubentes se pode fazer representar Art. 1620º do CC um dos nubentes não se pode fazer
representar por outra pessoa para que possa casar com ele próprio.). A procuração deve
ortugar deveres especiais para o ato e deve especificar a pessoa Art. 1620º nº2 do CC

Casos práticos:

Em 2 de Janeiro de 2018, A mandata B como seu procurador para casar A com C. Em 2 de


Junho de 2018, A morre. Em 2 de Julho de 2018, B casa A com C. O casamento é inexistente,
porque a procuração perde os seus efeitos.

A constitui B seu procurador para B casar A com C em janeiro de 2018. Em 2 de Julho de 2018,
A é considerado maior acompanhado por ter uma anomalia psíquica. É válido este casamento?
É inválido porque apesar da data em que passou a procuração a sua capacidade de revogar a
procuração quando for considerado maior acompanhado fica em risco. A sua liberdade é
colocada em causa e por isso o casamento é Inválido. Art. 1621º do CC e Art. 1628º al. D) do
CC.

O casamento é também um negócio solene (obedece a uma solenidade (obedece a uma


determinada, é suposto a cerimónia solene acontecer, para informar as pessoas do que está a
acontecer e mostrar os efeitos do casamento). Existe sempre assento e o registo do
casamento. É um negócio único o que resulta da regra segundo a qual não podem celebrar
casamento as pessoas que estão vinculadas por casamento anterior não dissolvido, é
impedimento absoluto a outro casamento Art. 1601º al. C) do CC. O casamento é um NJ
duradouro, não pode ser por tempo determinado, ou designar que passado um tempo seja
devolvido – não se pode apresentar quaisquer condições resolutivas ou suspensivas (é o facto
de verificação futura e incerta quanto ao momento da sua verificação e inserta á sua
verificação). Quem celebra um casamento com uma condição resolutiva ou suspensivas não é
válido. O casamento é feito para durar.

Também não é válido o casamento a termo (facto de verificação futura certa quanto á sua
verificação, certa ou incerta quanto ao momento da sua verificação). Contrato a termo certo é
um contrato que tem um prazo.

Requisitos do casamento
O consentimento para casar deve de ser puro e sim (não deve ter reserva, não deve de ter erro
e não deve de ter coação. E não deve de ter condição ou termo). Art. 1606º do CC – o
consentimento deve de ser perfeito, quer dizer que no casamento deve de haver vontades
concordantes sem divergência entre a vontade e a declaração.

Art. 1634º do CC – vê-se que se presume que a declaração e a vontade estavam em


concordância. Tem que se provar que assim não era.

As divergência entre vontade e declaração no casamento podem ser 4: Art. 1635º do CC

 Falta de consciência do ato: dá-se quando aquele que declara que está a casar não tem
consciência que o está a fazer como por exemplo estar sobre efeitos de substancias.
Também causa a anulabilidade. Art. 246º do CC – a declaração não produz qualquer
efeitos Aplica-se quando aquele que faz a declaração não tem qualquer consciência
que está a celebrar o contrato. Art. 1635º al. A) do CC – é simplesmente anulável.
Direito da família I

Quando ele tem a consciência que está a proferir uma declaração negocial, mas não
para casar. Se o nubente quiser fazer uma declaração de promessa de casamento e na
verdade está a casar, neste caso o casamento é anulável a requerimento do nubente
cuja vontade faltou – Art. 1640º nº2 do CC.
O consentimento tem vários requisitos temos que ver que as pessoas sabem os seus
efeitos principais, é necessário que haja liberdade exterior sem pressão e ameaça,
quando esta existir dá-se a coação (Art. 1634º do CC presunção de liberdade do
consentimento).
O dolo anula o casamento?? Art. 253º do CC – dolo (“no casamento engana quem
pode”, não pode ser anulável, exceto quando existe o dolo essencial). É consentida
uma certa margem de engano no casamento mas é fixado um limite e esse limite é
limitado pelo erro (o erro que vicia a vontade Art. 1636º do CC). Ex: quando uma
pessoa que casa com outra que era imputável o casamento pode ou não ser anulável,
á quem diga que seria porque é uma condição essencial para o casamento e á pessoas
que não, porque hoje em dia quase ninguém casa virgem e tem como saber que a
outra era imputável. Mas a maioria dizem que é uma condição essencial para o
casamento.
 Erro sobre a identidade física do contraente:
 Coação Física:
 Simulação: Ex: alguém casa para obter a nacionalidade (divergência ente a vontade e a
declaração), alguém casa para suceder no direito de arrendamento para a habitação,
alguém casa para obter licença de trabalho. E não para constituir família. Este
casamento é anulável e pode ser adquirida pelos cônjuges quer pelas pessoas que são
prejudicadas pelo casamento (os seus sucessores – podem arguir a anulabilidade do
casamente por casamento). Art. 1640º nº1 do CC. Prazos, nos três anos subsequentes
á celebração do casamento ou nos seis meses após o casamento Art. 1644º do CC.

O casamento pode se fazer com um contrato de promessa em que duas pessoas se prometem
a casar. Art. 1591º do CC apenas admite a indemnização destas especificadas como os gastos
que foram feitos no casamento. O contrato não é feito pela sentença de tribunal (execução
especifica), não é admitido o sinal nem cláusula penal.

09-10-2019 (aula teórica)

Art. 1636º do CC – erro que vicia a vontade.

Art. 1645º do CC –

Capacidade para casar

Obedece ás regras gerais dos NJ, no entanto existem regras gerais. Fala-se dos impedimentos
para casar.

Os impedimentos podem ser de natureza:

Dirimentes: quando determinam a ação do casamento. Ex: falta de idade para casar (menor de
16 anos).

1º Casamento por pessoa menor de 16 anos de idade Art. 1601º al. A) do CC, nem a lei civil
nem a católica indicam uma idade máxima para casar, mas se casarmos com mais se 60 anos é
imposto o regime de separação de bens. Se duas pessoas casarem com menos de 16 anos a
anulação do casamento pode ser requerida por ambos os cônjuges, pelos parentes deles em
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linha reta, e também pelos parentes em linha colateral em 4º grau, pelos herdeiros, pelos
adotantes ou pelo MP. – Art. 1639º do CC. O prazo para intentar a ação é de 6 meses após
completarem os 18 anos e 3 anos após a data do casamento nos restantes casos, não podendo
ultrapassar a data dos cônjuges, porque depois da pessoa atingir a maioridade e se nada disser
nesses 6 meses este impedimento perde a sua anulação. - Art. 1643º do CC.

2º A Demência (qualquer anomalia que se projeta em incapacidade acidental) Art. 1601º do


CC al. B) – este impedimento tem interesse publico para que as doenças psicológicas se
transfiram por via hereditária. Este impedimento vigora desde da data de inicio da
incapacidade, se este não se encontrar confirmado quem pretender anular o casamento tem o
ónus da prova. Se a demência se verificar apos o casamento isso dá direito ao divorcio. Se
aquele que casa não estiver em demência mas sim numa situação de falta de consciência
voluntária (bêbedo) o casamento pode ser anulável por falta de vontade – Art. 1635º do CC.
Temos que saber distinguir se a pessoa não tem consciência ou está em demência.

Art. 1639º nº1 do CC – legitimidade para intentar a ação /Prazos – até 6 meses após o
levantamento da … no caso do demente se for outras pessoas será o prazo de 3 anos … .

Gravação

Art. 1643º do CC – o casamento pode ser confirmado depois de cessar a demência.

3º Vinculo matrimonial anterior não dissolvido/não tenha sido anulado:

Ex: A é casado com C em 2/1/2018. Em 2/1/2019 A casa com B. C tem 14 anos de idade. Qual
destes casamentos é anulável? São os dois, um por falta de idade de um dos cônjuges e o
outro por ter vinculo matrimonial anterior não dissolvido. B não pode pedir á anulação do
primeiro casamento.

Se for declarado nulo o 1º casamento após o 2º casamento a eficácia retroativa da declaração


de nulidade convalida o 2º casamento. Art. 1633º do CC. Estas situações acontecem mais
provavelmente se essa pessoa for casado no estrageiro e não esteja registado em Portugal ou
no caso em que a pessoa tenha casado pela igreja e o padre não tenha redigido uma
declaração para enviar ao civil.

4º Morte presumida: Art. 114º do CC – não dissolve o casamento. Mas o art. 116º do CC tem
uma exceção á regra, - o cônjuge daquele declarado em morte presumida pode contrair novo
casamento, no entanto, a morte presumida não dissolve casamento na data do ausente
regressar este casamento é anulável. O art. 1781º al. C) do CC – ao fim de um ano pode pedir o
divorcio. Quem te legitimidade para pedir a anulação deste casamento com este fundamento
os que estão estipulados no Art. 1639º nº1 do CC, e neste caso, alem destes, o primeiro
cônjuge também pode pedir a anulação. O prazo para interpor a ação é 6 meses após a
anulação do primeiro casamento Art. 1643º nº1 al. C) do CC devido aos interesses sucessórios.

Se estiver pendente ação de anulação do primeiro casamento não pode ser intentada outra
ação para a anulação do 2º casamento com o fundamento por bigamia. Art. 1643º nº3 do CC.
Fica convalidado o 2º casamento.

5º Parenteso e afinidade – compreende no caso de adoção a relação entre adotante e


adotado, também não pode casar os ascendentes do adotante e do adotado, também não
pode casar o adotado com outros filhos do adotante. Art. 1604º do CC, … também existe
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impedimento da afinidade em linha reta. Art. 1602º al. A), C) e D) do CC – os cunhados podem
casar. As razoes deste impedimento são de fundamento ético e social e de ordem eugénica.

Este impedimento vale ainda que não esteja estabelecida a paternidade ou maternidade em
ação própria, pode ser levantado no próprio processo do casamento. – Uma pessoa é filha de
outra só para não casar.

Legitimidade Art. 1639º nº1 do CC, prazo é de 6 meses após a anulação do casamento (?).

No caso da afinidade ela cessa com o divórcio e com ela cessa o impedimento.

6º A existência de relação anterior de responsabilidades parentais: este impedimento dos


cônjuges de pai ou mãe ou unido de facto com aquele que tenha assumido responsabilidades
parentais relativas ao filho desse pai ou mãe. Art. 1602º al. B) do CC. Este impedimento não
cessa com o divorcio dos cônjuges por razões sociais apenas.

Este casamento é anulável Art. 1631º A) do CC – legitimidade (Art. 1639º nº1 do CC) – prazo
até 6 meses após a dissolução do casamento.

Impedientes: não determinam a anulabilidade do casamento tem outras sanções. Ex: casar
com o tio.

Impedimento pelo homicídio doloso, mesmo que na forma tentada é impedimento para casar.

Legitimidade: Art. 1639º do CC. / Prazo: Art. 1643º al. B) do CC.

 Falta de autorização dos pais ou tutor: para o menor que case com (meramente
impediente para casar) entre 16 e 18 anos. Art. 1604º al. A) do CC. Tem que ser
autorização de todos os tutores que exerçam responsabilidades parentais. E se um dos
pais autorizar e outro não – Art. 1902º e 1903º do CC – esta incapacidade dos
menores é suprível pelo conservador do registo civil Art. 255º do CRC – ele vai avaliar
se o menor tem maturidade para casar. O suprimento da incapacidade é emancipado
pelo casamento Art. 132º e 133º do CC – Art. 1649º do CC. Consequência: Se o menor
casar sem autorização dos pais, não sendo suprida a sua capacidade continua a ser
considerado menor na administração de bens que leva para o casamento.
 Parentesco no 3º grau na linha colateral: Art. 1604º al. C) do CC impedimento do
casamento do menor com tios ou sobrinhos, este impedimento também é dispensável
pelo conservador do registo civil. Art. 1609º nº1 al. A) e nº2 do CC – “motivos sérios”
vai avaliar se o casamento vai ser celebrado para realmente constituir família ou se
existe um interesse patrimonial. Consequência: Se faltar o suprimento do
impedimento que consiste neste impediente o tio ou a tia não poderá receber do
sobrinho agora cônjuge qualquer doação ou ser beneficiário por casamento. Art.
1650º nº2 do CC.
 A existência de vinculo de tutela, curatela ou administração legal de bens: Art. 1604º
al. D) do CC. Art 1608º do CC – a existência deste vinculo impede o casamento das
pessoas assim ligadas ate um ano apos o termo da incapacidade que ditou este
impediente e … Este impedimento atinge o tutor como os seus parentes. O
fundamento deste impedimento é evitar que este tutor evite prestar contas e evitar
também sobre a pessoa sujeita que prejudique o consentimento dessas pessoas. Este
impedimento também é suprido desde que as contas estejam aprovadas, se e só se.
Direito da família I

Art. 1609 nº2 do CC. A sanção é o tutor etc. não pode receber qualquer beneficio por
doação ou testamento.
 Apadrinhamento civil: Art. 2º da L 103/2009 Art. 22º da lei – impedimento impediente
entre padrinho e afilhado. Não é extensivo a outros familiares de ambas as partes. É
dispensável pelo conservador do registo civil havendo motivos sérios (os mesmos do
anterior). Sanção – incapacidade por receber qualquer beneficio por doação ou
testamento. Art. 22º nº3 da L.
 Impedimento rosa: estão impedidos de casar aquele que tenha sido pronunciado por
homicídio do cônjuge do outro nubente. Art. 1604º al F) do CC – Se for condenado
pelo crime por impedimento dirimente relativo. Se for absolvido não existe
impedimento, este cessa.

Absolutos: são aqueles que dizem respeito á qualidade da pessoa que a impedem de casar
com qualquer outras pessoa

Relativos: ilegitimidades. Só proíbem o casamento com determinadas pessoas

Dispensáveis: admitem a sua dispensa (ato de autoridade que atendendo ao caso concreto
autoriza o casamento). Art. 1609º do CC. A dispensa compete ao funcionário do RC que a deve
conceder quando houver motivos sérios para a celebração do casamento.

Não dispensáveis:

14-10-2019 (aula prática)

Princípios constitucionais de direito da família e os seus artigos (art. 36º, 67º, 68º e 69º da
CRP)

 Direito de celebração do casamento: não é um direito absoluto, pois existem


impedimentos. (Art. 36º nº1 e 2 da CRP)
 Direito a constituir família: (Art. 36º nº1 e 67º nº1 CRP)
 Competência da lei civil para regular os requisitos e efeitos do casamento (art. 36º nº2
da CRP)
 Principio da admissibilidade do divorcio para quaisquer casamentos (art. 36º nº2 da
CRP)
 Principio da igualdade dos cônjuges (art. 36º nº3 da CRP)
 Principio da atribuição aos pais do poder e dever de educação dos filhos (art. 36º nº3
da CRP)
 Principio da inseparabilidade dos filhos dos seus progenitores ( art. 36º nº6 da CRP)
 Principio da não discriminação entre filhos nascidos dentro e fora do casamento (art.
36º nº4 da CRP)
 Principio da proteção da adoção (art. 36º nº7 da CRP)
 Principio da proteção da família (art. 67º da CRP)
 Principio da proteção da maternidade e paternidade (art. 68º da CRP)
 Principio da proteção da infância (art. 69º da CRP)

Fontes de direito da família:

 CRP (art. 36º, 67º, 68º, 69º e 106º da CRP)


 Convenções internacionais (concordata de 1940 com protocolo adicional em 1975 –
com Portugal e a santa sé)
 Código civil/código de registo civil
Direito da família I

Caraterísticas do casamento:

 Contrato típico
 Negócio solene, porque são proferidas determinadas palavras e só assim é que vigora.
 Negócio único
 Negócio de duração duradoura

Situações de anulabilidade do casamento/ vícios do casamento - Art. 1635º, 1636º, 1638º do


CC:

 Falta de vontade – art. 1635º do CC, Ex: estado de sonambulismo, efeito de álcool ou
estupefacientes, ação hipnótica – al. A) // al. B) – Ex: gémeos // al. C) – Ex: coação
física em relação ao próprio ou a terceiros // al. D) Ex: adquirir nacionalidade
estrangeira, suceder para arrendamento de habitação, adquirir licença de habitação
ou de trabalho.
 Vício da vontade – Art. 1636º do CC, tem que se verificar 3 requisitos cumulativos – 1º
o erro deve recair sobre qualidades essenciais do outro cônjuge, 2º deve ser
desculpável “se provar que não teve meios para se aperceber da falta de qualidade
antes do casamento”, 3º o erro deve de ser essencial – tem que se provar que se se
soubesse daquele facto o casamento não se teria realizado.
 Coação moral – Art. 1638º do CC, 1º mal grave, 2º a ameaça seja ilícita, 3º receio
justificado da sua consumação

Casos praticas:

Indique qual o tipo de vicio do casamento patente em cada uma das situações apresentadas:

1- A casa com B, num estado de inconsciência porque se encontra alcoolizado. – vicio de


falta de vontade previsto no art. 1635º al. A) do CC por incapacidade acidental, art.
246º CC. O casamento pode ser anulável baseado no art. 1641º al. B) do CC. Segundo o
art. 1640º nº2 a anulabilidade pode ser requerida pelo cônjuge que a vontade faltou,
os seus parentes afins na linha reta, herdeiros ou adotantes, caso o autor faleça na
pendencia da causa. O prazo para esta ação de anulabilidade ser instaurada é de 3
anos apos a celebração do casamento ou se este for ignorado pelo requerente, nos
seis meses após o momento em que teve conhecimento de vicio – art. 1644º do CC.
Neste caso pode haver indemnização neste caso em todas as despesas que a outra
parte teve para fazer o casamento.

2- A casa com B, gémeo de C, pensando que aquele era este.


Estamos perante um casamento anulável, segundo o art. 1631º al. B) do CC, por um
vicio de falta de vontade de erro acerca da identidade física da pessoa previsto no art.
1635º al. B) do CC. As pessoas, segundo o art. 1640º nº2 do CC, que tem legitimidade
para arguir o vicio são pelo cônjuge que a vontade faltou, os seus parentes afins na
linha reta, herdeiros ou adotantes, caso o autor faleça na pendencia da causa. As
pessoas que tem legitimidade para arguir este vicio tem o prazo dec3 anos apos a
celebração do casamento ou se este for ignorado pelo requerente, nos seis meses
após o momento em que teve conhecimento de vicio – art. 1644º do CC
3- A casa com B, porque o seu tio prometeu uma elevada quantia de dinheiro.
Estamos perante um casamento anulável, segundo o art. 1631º al. B) do CC, Simulação
Direito da família I

4- A casa com B, porque este ameaça B com uma faca, do que resultou um golpe na
barriga.
Coação física Art. 246º
5- A casa com B, porque este o ameaça de morte.
Estamos perante um casamento anulável, segundo o art. 1631º al. B) do CC, por um
vicio causado por uma coação moral previsto no art. 1638º do CC que pode ser feito ao
próprio ou a terceiros, que tem 3 requisitos em que tem que ser uma ameaça grave,
ilícita e tem que haver um justificado receio da sua consumação. As pessoas que tem
legitimidade para arguir este vicio e instaurar a ação estão previstas no art. 1641º do
CC são pelo cônjuge que foi vitima do erro ou da coação e podem prosseguir na ação
os seus parentes, afins na linha reta, herdeiros e adotantes, se o autor falecer na
pendencia da ação. Para arguir esta anulabilidade do casamento as pessoas que tem
legitimidade para o fazer tem o prazo de 6 meses após a cessação do vicio como está
apresentado do art. 1645º do CC.
6- A casa com B, mas B tem doença mental grave (esquizofrenia).
Erro que vicia a vontade

Impedimentos do casamento:

 Impedimentos dirimentes (art. 1631º al. A) do CC):


o Absolutos (art. 1601º do CC): são aqueles que impossibilitam o casamento
com qualquer pessoa Ex: idade.
o Relativos (art. 1602º do CC): apenas não podemos casar com certas pessoas.
Ex: não posso casar com o meu irmão.
 Impedimentos impedientes (art. 1604º do CC):
o Absolutos (art. 1601º do CC) – a qualquer pessoa:
 Idade inferior a 16 anos Art. 1601º al. A) do CC
 Demência notória e habitual (tem que existir antes do casamento) Art.
1601 al. B) do CC (Interdição – art. 1138º do CC e 1140º do CC//
inabilitação (art. 152º do CC))
 Casamento anterior não dissolvido (art. 1601º al. C) do CC)
o Relativos (art. 1602º do CC) – aplica-se a pessoas especificas:
 Parentesco em linha reta (art. 1602º al. A) do CC)
 Responsabilidades parentais – Ex: enteado e madrasta (art. 1602º al.
B) do CC)
 Afinidade na linha reta (art. 1602º al. D) do CC)
 Afinidade em linha colateral (art. 1602º al. C) do CC)
 Condenação de um dos nubentes por homicídio ou tentativa de
homicídio do cônjuge do outro (art. 1602º al. E) do CC – tem que já ter
transitado em julgado)

Ordem de resolução dos casos para impedimentos dirimentes absolutos:

1º art. 1631º al. A) – causas de anulabilidade

2º art. 1601º - impedimento dirimente absoluto

3º art. 1639º - legitimidade


Direito da família I

4º art. 1643º - prazo

5º art. 1633º - sanação

Ordem de resolução de casos para impedimentos dirimentes relativos:

1º art. 1631º al. A) – causas de anulabilidade

2º art. 1602 – impedimento dirimente relativo

3º art. 1629º - legitimidade

4º art. 1643º - prazo

16-10-2019 (aula teórica)

Temas da aula: Impedimentos impedientes ao casamento (aula anterior)// Referencia e atos


do processo do casamento

Processo de casamento

Como é que se passa o processo de casamento? É competente qualquer conservatória, não


apenas aquelas da residência. Art. 134º do CRC. Apor (acrescentar) . Art. 135º e 136º do CRC
(estudo não obrigatório). Deve de ser publicitada a intenção dos nubentes que é obtida
mediante cópia da declaração Art. 140º do CRC.

A existência de impedimentos pode ser declarada por qualquer pessoa até á data de
celebração do casamento e por funcionário do registo civil. Perante a declaração de
impedimento o conservador deve junta-la ao processo do casamento e deve suspender este
até que o impedimento seja avaliado. Art. 144º do CRC Findo o prazo de publicidade o
conservador 1 dia antes … .

Havendo despacho favorável o casamento deve de ser celebrado no prazo de 6 meses.

Se se tratar de casamento de menores o menor núbil (aquele que vai casar) deve obter
autorização dos pais ou de tutor do poder paternal ou se estes não houverem poderá obter
como alternativa apresentar o suprimento por falta de autorização. Art. 149º do CC.

No ato de celebração do casamento deve de estar ambos os nubentes ou um deles


representado. A procuração deve de ter força especial Art. 1620º do CC – carater pessoal do
casamento.

Se os nubentes ou um deles for menor e ainda não tiver sido prestado o consentimento para
tal nem suprida a autorização a pessoa que está a celebrar o casamento tem que perguntar se
autorizam o casamento.

Tem que explicar aos nubentes quais os direitos e os deveres ao celebrar aquele contrato.

Casamento urgentes: na iminência de morte ou na iminência do parto - Art. 1622º do CC.


Podem ser celebrados sem processo preliminar e sem o funcionário do RC. Os casamentos
urgentes são obrigatoriamente no regime de separação de bens Art. 1720º do CC. Art. 156º do
CC – proclamação oral ou escrita na casa onde estejam. Tem que ser celebrado mediante 4
testemunhas, tem que se redigir uma ata que tem que ser assinada pelos presentes, lavrada a
ata é levada junto de um funcionário do RC que decide se homologa o casamento, deve
recusar se faltar requisitos (art. 1622º do CC) para o casamento urgente ou se o casamento for
Direito da família I

celebrado por um impedimento impediente. O casamento urgente não homologação é não


existente. Art. 1623º e 1624º do CC.

Casamento celebrado no estrangeiro: o casamento dos portugueses no estrangeiro e sempre


celebrado … . Art. 51º do CC Art. 1599º do CC. Casamento de estrangeiro em Portugal nos
termos previstos no CC ou nos termos previstos na lei nacional dos respetivos nubentes. Art.
51º nº1 do CC – principio da não reciprocidade.

Registo do casamento: obrigatório, mas não como requisito de validade. Único meio de prova.
O registo faz prova plena não podendo ser delimita por outra a não ser por ações de estado ou
ações de registo. Art. 1º a 4º do CRC – requisito ad provacione. O assento deve ser lavrado e
lido logo após o ato de celebração.

Art. 1670º nº1 do CC - Os efeitos do registo.

CP: A e B casam em regime de comunhão geral de bens. B vende a C a casa de morada de


família sem autorização de A. C na ausência de registo confia que o casamento não existe e
conclui que não era consentimento de A para a venda ser eficaz. Posteriormente á data de
venda o casamento entra A e B é registado. (?)

Art. 1670º nº2 do CC – os direitos de terceiros ficam salvaguardados. Pode acontecer em dois
casos em que o casamento é católico ou então quando existe casamentos no estrangeiro. No
entanto quando o registo seja feito no prazo de 7 dias á data da celebração do casamento, fica
a valer desde a data da celebração do casamento.

Invalidade do casamento

 Inexistência: os casamentos são inexistentes quando o vicio seja de tal gravidade que a
anulação não baste, em que a lei não admite que produza qualquer efeito nem sequer
efeitos potestativos. O casamento inexistente não produz qualquer efeito. Duas razões
para ser declarada: perante quem não tinha capacidade para celebrar o ato ou em que
falte a declaração de vontade total de um dos nubentes. Art 1628º do CC. Nos casos
em que a pessoa que não tem capacidade para produzir o ato existem casos em que é
competente Art. 369º do CC – funcionário de facto – Art. 1629º do CC – chama-se
casamento celebrado perante funcionário de facto aquele que é celebrado perante
aquele que não tem capacidade para celebrar o ato exerça publicamente as respetivas
funções, salvo se os nubentes sabiam da falta de competência. Mas o registo é nulo.
Pode ser invocada a todo o tempo, por qualquer interessado, independentemente de
procuração judicial – Art. 1630º do CC. Caso estiver registado é necessária procuração
do tribunal para tirar efeito ao registo. O registo do casamento faz prova plena.
 Nulidade:
 Anulabilidade: Além dos efeitos potestativos. Ex: casamentos feitos em linha reta. Art.
287º do CC – não tem conhecimento oficioso tem que ser requerido por quem a lei dá
legitimidade. Os casamentos anuláveis produzem alguns efeitos art. 1647º e 1648º do
CC. Produzem afeitos os casamentos celebrados de boa fé até o transito em julgado.
Direito da família I

21-10-2019 (aula prática)

Impedimentos dirimentes (podem ser absolutos e relativos) e impedientes.

Impedimentos impedientes são os menos graves. Art. 1604º do CC – al. B) revogada.

Remissões que temos que fazer no código:

Al. A) – 1612º nº 1 (autorização dos pais) e 2 (autorização do conservador) – 1902º nº 1 e 2


(autorização dos pais, atos dos pais) – 132º e 133º (emancipação e seus efeitos) – 1649º
(casamento de menores) – 1609º nº3 (dispensa).

Al. C) – 1650º nº2 (sanção)

Al. D) - 1608º (vinculo de tutela) – 1609º nº1 al. B) (dispensa) – 1650º nº2 (sanção)

Al. F) – 1650º nº2 (sanção)

Impedimentos Impedientes – 1604º do CC

 Não conduzem á anulação do casamento.


 Não integram as causas de anulabilidade do casamento.
 Sanções menos severas.
 Está prevista a dispensa em alguns casos particulares.

Temos 4 situações possíveis:

 Falta de autorização dos pais ou do tutor – 1604º al. A) – para casamentos (16 e 17
anos) – 1902º nº1 e 2 (autorização só de um progenitor)/ 1612º nº1 (autorização dos
pais) nº2 (autorização suprida pelo conservador)/132º e 133º (emancipação)/1649º
(casamentos de menores)/1609º nº3 (dispensa).
 Parentes em 3º grau da linha colateral (Ex: casamento de tia e sobrinha) – 1604º al. E)
– 1650º nº2 (sanções)
 Vinculo de tutela/Curatela/Administração de bens – 1604º al. D) – 1608º (vinculo de
tutela)/ 1609º nº1 al. B) (dispensa)/ 1650º nº2 (Sanção)
 Pronuncia Crime de homicídio ou tentativa – 1604º F) – 1605º nº2 (sanção)

Apadrinhamento civil (L 103/2009)

Art. 2º // 22º da L

Casos práticos nº3

1) Se estiverem ambos 15 anos de idade nenhum deles terá legitimidade para contrair
casamento, pois a idade mínima para contrair casamento é de 16 anos de idade.
Temos um impedimento dirimente absoluto previsto no art. 1601º al. A) do CC.
A capacidade matrimonial consiste na suscetibilidade de ser parte no contrato de
casamento. De acordo com o art. 1600º do CC, tem capacidade para contrair
casamento todos aqueles em que se não verifique algum dos impedimentos
matrimonias previstos na lei. O caso em apresso induz uma situação de anulabilidade
do casamento, prevista no art. 1631º al. A): é anulável o casamento contraído com
algum impedimento dirimente. O facto dos nubentes terem ambos idade de 15 anos
constitui um impedimento dirimente absoluto, previsto no art. 1601º al. A): são
Direito da família I

impedimentos dirimentes, obstando ao casamento da pessoa a quem respeitam com


qualquer outra a idade inferior a 16 anos. Tal como referido, o casamento é anulável
de acordo com o 16 al. A). Tem legitimidade para intentar a ação de anulação fundada
em impedimento dirimente, ou para prosseguir nela os cônjuges ou qualquer parente
deles em linha reta ou até ao 4º grau da linha colateral, bem como os herdeiros e
adotantes dos cônjuges e o MP. Além destas pessoas podem ainda intentar ação, ou
prosseguir nela, o tutor ou curador, no caso de menoridade, de acordo com o art.
1639º nº1 e 2 do CC.
A ação de anulação fundada em impedimento dirimente deve de ser instaurada pelo
próprio, nos casos de menoridade até 6 meses depois de ter atingido a maioridade, e
quando proposta por outra pessoa, dentro dos 3 anos seguintes á celebração do
casamento, mas nunca depois da maioridade (art. 1643º nº1 al. A)).
Todavia, considera sanada a anulabilidade e válido o casamento desde o momento da
celebração se antes de transitar em julgado a sentença de anulação ser o casamento
do menor não núbil confirmado por este, perante o funcionário do RC e duas
testemunhas, depois de atingir a maioridade (art. 1633º nº1 al. A)).
2) Estamos perante um impedimento impediente previsto no art. 1604º al. A) em que a
falta de autorização dos pais ou do tutor para o casamento do nubente menor, quando
não suprida pelo conservador do registo civil. Ou seja, esta causa invalidade do
casamento pode ser suprida se for dada autorização dos pais ou suprida pelo
funcionário do RC (art. 1612º nº 1 e 2 do CC). Quando a autorização seja dada apenas
por um dos pais temos que nos socorrer do art. 1902º nº2 em que
Os impedimentos matrimoniais constituem obstáculos á celebração do casamento e
distinguem-se em impedimentos matrimoniais dirimentes e impedimentos
matrimoniais impedientes. O Facto de ambos os nubentes terem 17 anos pode ser
enquadrado numa situação de impedimento impediente prevista no art. 1604º al. A), a
saber: são impedimentos além de outros designados em leis especiais, a falta de
autorização dos pais ou do tutor, para o casamento do nubente menor quando não
suprida pelo conservador do RC.
Todavia, a autorização para o casamento de menor de 17 anos e maior de 16 anos
deve de ser concedida pelos progenitores que exerçam o poder paternal ou pelo tutor
(art. 1612º nº1 do CC). Ainda assim, pode o conservador do RC suprir a autorização a
que se refere o anteriormente apresentado se razões ponderosas justificarem a
celebração do casamento e o menor tiver capacidade física e psíquica (art. 1612º nº2).
No que a autorização só um dos pais, esta está prevista no art. 1902º nº1 do CC: se um
dos pais praticar ato integra o exercício das responsabilidades parentais, presume-se
que haja de acordo com o outro, sendo ainda aplicável o disposto no nº2 do mesmo
art. Tem-se ainda a considerar o art. 132º, que nos diz que o menor é emancipado pelo
casamento e o art. 133º (efeitos da emancipação) que nos diz que a emancipação
atribui ao menor plena capacidade de exercício de direitos, habilitando a reger a sua
pessoa e a dispor livremente dos seus bens como se fosse maior, salvo o disposto no
art. 1649º do CC (casamento de menores) nº1. Assim, o menor que casar sem ter
obtido autorização dos pais ou do tutor, ou o respetivo suprimento judicial, continua a
ser menor quanto á administração de bens que leve para o casal ou que
posteriormente lhe advenham por titulo gratuito até á maioridade (…) . No entanto, de
acordo com o art. 1609º (dispensa) nº3 se um dos nubentes for menor, o conservador
ouvirá sempre que possível, os pais ou o tutor.
Direito da família I

3) Art. 1577º / 1600º / 1631º al. A) / 1602º al. C) / 1639º nº1 / 1643º nº1 al. C) / não
existe … .
4) Não existem impedimentos. Art. 1577º /1600º / 1576º (relações jurídicas) / (1578º
noção de parentesco / 1602º al. A) e C) /1604º al. C) /

Caso prático nº8

a) Não existe impedimento, o casamento é válido. Art. 1577º / 1600º / 1576º / 1578º /
1584º / 1586º / 1602º al. A e B e C / 1604º al. C .
b) O art. 1577º do CC define casamento como contrato celebrado entre duas pessoas que
pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida, as quais ficam
desde logo vinculadas pelos direitos e deveres decorrentes da lei. De acordo com o art.
1600º do CC tem capacidade para contrair casamento todas aquelas em que não se
verifique qualquer impedimento previsto na lei. São relações familiares o casamento, o
parentesco, a afinidade e a adoção (art. 1576º do CC). A afinidade é a relação que liga
um dos cônjuges aos parentes do outro e resulta do parentesco do casamento (art.
1584º do CC – noção de afinidade). Entre o sogro e a viúva do filho existe o vinculo de
afinidade. O caso em apresso constitui uma situação de anulabilidade do casamento,
prevista no art. 1631º al. A) do CC – é anulável o casamento contraído com algum
impedimento dirimente. O Facto de os nubentes serem afins em linha reta (sogro e
nora) constitui um impedimento dirimente relativo. Os impedimentos dirimentes
relativos obstam á celebração do casamento entre a pessoa a que respeitam e
determinadas outras pessoas, em função do relacionamento com elas, constituído
ilegitimidades conjugais. No caso vertente verifica-se um impedimento dirimente
relativo, da afinidade na linha reta previsto no art. 1602º al. D) do CC, o qual impede o
casamento de uma pessoa com os afins na linha reta, descendente ou ascendente, do
seu cônjuge, abrangendo relações entre sogro e nora (entre outras situações –
padrasto e enteada, etc.), residindo os fundamentos desta proibição em relações de
natureza ética e social tal como já referido o casamento é anulável de acordo com o
art. 1631º al. A) do CC. Esta causa de anulabilidade, para ser invocada, tem que ter
sido reconhecida por decisão judicial transitada em julgado proferida em ação
especialmente intentada para esse efeito, de acordo com o acordo 1632º do CC, tem
legitimidade para intentar a ação de anulação fundada em impedimento dirimente ou
para prosseguir a ação os cônjuges ou qualquer parente deles em linha reta, ou até ao
4º grau da linha colateral, bem como os herdeiros e adotantes dos cônjuges e o MP
(art. 639º nº1 do CC).
A ação de anulação terá que ser intentada no prazo previsto no art. 1643º nº1 al. C) do
CC, ou seja, no prazo de 6 meses após a dissolução do casamento, só podendo o MP
propor a ação até á dissolução do casamento conformo o disposto no nº2 do citado
artigo.
c) Não tem qualquer impedimento. Vermos a noção do casamento. Art. 1577º, 1600º,
1576º, 1578º, 1584º,.
Quanto ao casamento do genro com a madrasta da sua antiga mulher trata-se de uma
situação em que não existe entre os nubentes qualquer relação familiar. Esta relação
que se estabelece entre um dos cônjuges e os afins do outro não constitui relação de
Direito da família I

afinidade, uma vez que afinidade não gera afinidade. Assim sendo, não existe qualquer
impedimento que obsta á celebração deste casamento

23-10-2019 (aula teórica)

Os casamentos inexistentes podem acontecer em casos em que haja falta de vontade ou falta
de competência funcional. – art. 1628º do CC.

As causas de inexistência e anulabilidade são apenas as que a lei enuncia – art. 294º do CC.

São anuláveis apenas os casamentos celebrados com impedimento dirimente – 1601 e 1602 –
os casamentos celebrados com falta de vontade (incapacidade acidental, falta de consciência
do ato, erro á cerca da identidade física, coação física e simulação. Art. 1635º do CC. Também
são anuláveis os casamentos celebrados com vícios de vontade relevante (Erro-vicio (251º e
252º - erro sobre os motivos). O casamento celebrado sem a presença de testemunhas
também é anulável.

A anulabilidade só pode ser reconhecida por sentença em ação especial, Art. 1632º do CC.

CP1

A e B casam ser ter dissolvido o primeiro casamento. Qual dos casamentos é anulável? É o
segundo que pode ser anulável, se o primeiro casamento for dissolvido esse vício será sanado.

Julgar ou estar convencido – efeitos putativos – o casamento anulável produz efeitos


putativos, o que significa que declarado o casamento anulado, podem aproveitar-se os efeitos
que produziu até á declaração de anulação desde que estejam reunidos certos pressupostos. –
art. 1647º e 1648º do CC.

A e B são casados o casamento é anulado. A morre. B sucede a A como seu herdeiro


legitimário. O casamento foi anulado.

O casamento anulado não devia produzir qualquer efeito … .

Efeito putativo tem vários requisitos:

 É necessário que o casamento exista. O casamento inexistente não produz efeitos


putativos Art. 1630
 È necessário que o casamento tenha sido declarado anulado. A anulabilidade não
produz efeitos ipso iure (pela letra lei) tem que ser declarado art. 1632º. Até essa
declaração produz efeitos.
 É necessário que ambos os cônjuges estejam de boa- fé ou apenas um deles. 1648º CC.
Não se aplica os efeitos putativos não se aplicam aos filhos. (?) 1827º e 1826º. A boa-
fé presume-se. Até ao transito em julgado daa sentença ou averbamento da decição
do tribunal eclesiástico o casamento produz os seus efeitos:
o Cônjuges:
 Se ambos os cônjuges estiverem de boa-fé o casamento produz todos
os efeitos antes de ser declarado anulado. Art. 1647º do CC nº1. Ex: A
casa com B o casamento é anulável e ambos os cônjuges estão de boa
fé. A morre e B sucede. O efeito sucessório mantem-se mesmo
quando o casamento é considerado anulável.
 Só um dos cônjuges está de boa-fé o casamento produz efeitos
favoráveis ao cônjuge que está de boa fé – art. 1647º nº2 do CC.
Direito da família I

 Se ambos os cônjuges tiverem de má fé não se dá efeitos putativos do


casamento. Em relação aos filhos aplica-se a presunção de
paternidade aplica-se.
o Filhos:
o Terceiros:
 Ex: A e B são casados e o casamento é anulável. Estão ambos de boa
fé. Fazem a alienação de um bem a C e não dão os dois o
consentimento. Art. 1647º nº1 do CC. O outro cônjuge pode arguir a
anulação da alienação? É anulável porque o casamento produz efeitos.
Se o casamento for inválido a alienação mantem-se, mas só nesta
ocasião. Porque julgando-se casado tinha que saber que tinha que ter
a aprovação do outro cônjuge, pois eles ignoram o vicio.
 Só um dos cônjuges está de boa fé,:
 Em relação ás relações com terceiros os efeitos … Ex: A de má-
fé aliena um bem imóvel sem autorização do seu cônjuge que
está de boa-fé. A pode requerer a anulação dessa alienação?
Art. 1647º nº2 do CC – Não, porque está de má-fé não pode
beneficiar de um ato porque está de má-fé. Se fosse o B a
requerer a anulação podia faze-lo porque está de boa-fé e o
objetivo de requerer a anulação da alienação é porque ele
sabia que tinha que ter dado o seu consentimento estando A
casado com B.
Á parte: Se as relações estabelecidas diretamente entre os
cônjuges e 3º que não estejam dependentes, o casamento não
produz efeitos quanto a terceiros.

A com menos de 30 anos julgando-se validamente casado com B adota C. Esta adoção é
anulável pelo adotado? O casamento não produz efeitos em relação a terceiros, estes não
merecem menos ou mais proteção da boa fé dos cônjuges, por isso a adoção á anulável desde
que a situação não seja por mero reflexo da situação patrimonial dos cônjuges. Na opinião do
professor a adoção não seria anulável porque eles fazem-no com a ideia que estavam casados.

 Se ambos os cônjuges estiverem de má-fé:

Oponível significa produzir efeitos em relação a terceiros.

Sanções especiais do casamento

Hoje em dia o casamento passou a ter mais finalidade patrimoniais do que finalidades
pessoais, por isso é que a estas não são aplicadas sanções direitas. A traição hoje em dia
motivo de divorcio, apenas apresenta uma rutura (que tem que ser objetiva nas causas que lhe
dão fundamento) dos deveres conjugais.

Art. 1781º do CC. – o casamento tem dois princípios fundamentais que são a igualdade dos
direitos e deveres de ambos os cônjuges (art. 1671º nº1 do CC) e o principio da direção
conjunta da família (art. 1671º nº2 do CC), só em 3 casos é que se pode recorrer ao tribunal
para decidir sem o consentimento de ambos para resolver o referendo:

 Fixação ou alteração da morada de família art. 1673º


 Desacordo sobre o nome ou apelido dos filhos art. 1875º e 1876º
 Questões importantes sobre a orientação parental 1901º nº2
Direito da família I

A lei só prevê estas situações de intervenção do tribunal.

Quando falamos em liberdades no casamento temos todas menos uma que é o direito da vida
sexual de cada um dos cônjuges.

Deveres conjugais – art. 1672º do CC

São 5, a saber:

 Dever de respeito: é considerado um dever residual (apenas é visto quando o


comportamento desrespeitoso não se encaixar em mais nenhum dos outros deveres),
fica para o resto dos deveres como por exemplo de bater no outro cônjuge, Art. 1883º
do CC, esterilização voluntária sem fins terapêuticos, doação de esperma, etc.
 Dever de Fidelidade: Não manter relações sexuais com outra pessoa que não o
cônjuge. Pode haver exceções como uma situação de erro em que a pessoa pensa que
o casamento já está dissolvido e não está ou em situações de coação física.
 Dever de Coabitação: é mais que economia comum, é necessário que haja comunhão
de mesa, habitação. O cônjuge deve demonstrar que tenha disponibilidade de manter
relações sexuais com o outro cônjuge, apenas em situações de impotência ou motivos
maiores de saúde. Isto não quer dizer que o outro tenha que estar permanentemente
disponível. A habitação tem que se ver nas situações em que um dos cônjuges tenha
que se ausentar para trabalhar ou apoiar um filho na escola. Art. 1673º do CC
 Dever de Cooperação
 Dever de assistência

Não podem ser excluídos por acordo.

Art. 1618º do CC

Art. 1699º nº1 al. B) do CC

28-10-2019 (aula prática)

Art. 1620º do CC – casamentos por procuração

Art. 1622º do CC – casamentos urgentes (remissão para 1720º nº1 al. A) regime de separação
de bens)

Invalidades do casamento:

 Inexistência – art. 1628º do CC (remissão para o art. 1630º nº1 do CC (não produz
efeitos), art. 1630º nº2 do CC (legitimidade), art. 1629º do CC (sanação)).
 Anulabilidade – art. 1631º do CC (remissões para os art. 1643º, 1644º 1645º e 1646º
(prazos), 1632º (ação de anulação), 1633º (sanação), 1639º ao 1642º (legitimidade)).
Direito da família I

O casamento considerado inexistente não tem efeitos. Mas os casamentos anuláveis surtem
alguns efeitos.

O casamento potestativo é aquele casamento que pode ser anulável mas que surte alguns
efeitos.

Art. 1647º - efeitos putativos do casamento anulável (remissões para os artigos: 1632º - ação
de anulação / 1648º - boa fé / 1827º - presunção de paternidade -> 1647º).
Direito da família I

1º - exemplo: ofensa á integridade física ou moral, introdução no lar de filho nascido fora do
casamento, doação de óvulos ou esperma sem o consentimento do outro cônjuge,
esterilização sem fins terapêuticos.

2º - exemplos:

A. Não se trata de nenhum vicio de vontade, não se enquadra em nenhuma das situações
art. 1635º , 1636º, 1638º, 1601º al. C) (vicio que está presente), 1639º nº1
(legitimidade), 1643º (prazo), art. 1632º (ação de anulação), 1633º nº3 (sanação – ser
declarado nulo o 1º casamento de Maria).
B. Impugnação da paternidade. 1647º (casamento putativo), existência de casamento
(1628º e 1630º), casamento declarado nulo (1647º nº1 e 2) e ação de anulação (art.
1632º). Necessidade da boa fé de pelo menos um dos nubentes (art. 1648º). Não pode
… 1827º do CC.
C. 1639º podem.

04-11-2019 (aula prática)

Resolução de casos práticos de exames

Grupo 1

a) Impedimento absoluto (casamento já existente) e depois a coação moral.


anulação do casamento 1º situação que é um impedimento dirimente
absoluto (casamento anterior não dissolvido), art. 1577º (noção de
casamento), 1600º (capacidade para contrair casamento), 1631º al. A. (causa
Direito da família I

de anulabilidade – impedimento dirimente), 1601 al. C). (impedimento


dirimente absoluto), 1639º nº1 (legitimidade – francisco tem legitimidade),
1643º nº1 al. C) nº3 (prazo – francisco está dentro do prazo), 1632º (ação de
anulação), 1633º al. C) (sanação). 2º situação que é o vicio de casamento que é
a coação moral – 1631º al. B) (causa de anulabilidade), 1638º (coação moral –
satisfaz 3 requisitos – mal grave, ameaça ilícita, receio justificado), 1641º
(legitimidade – francisco tem legitimidade), 1645º (prazo – 6 meses – francisco
está fora do prazo 8 meses), 1634º (Bernardo faleceu e é difícil de provar as
ameaças – presunção de vontade no casamento). Impugnação da paternidade
1647º - casamento putativo (3 requisitos – existência de casamento (afastar a
inexistência 1628º e 1630º), o casamento é declarado anulado – 1632º (ação
de anulação, 1647º), necessário boa fé de pelo menos um dos cônjuges (art.
1648º). Francisco não pode impugnar a paternidade do filho (art. 1827º nº1 e
2 do CC).
d) 1639º nº1 (legitimidade- os irmão tem legitimidade), 1647º nº2 (francisco estava de
boa fé), enquanto não for anulado o casamento este produz efeitos, apenas quando é
que for anulado é que deixa de produzir efeitos. Eles não podem afastar o Francisco da
herança, apenas quando for redigida a sentença de anulação.
O casamento produz todos os efeitos enquanto não for reconhecida a ação de
anulação por sentença.

Regimes de casamento:

 Sem convenção nupcial é em comunhão de adquiridos.


 Com convenção nupcial é em separação de bens ou a comunhão geral de bens.
Direito da família I

Caraterísticas da comunhão de adquiridos (art. 1717 -> 1714 , 1721 a 1731)

 Bens próprios (património individual)


o 1722 (definição), 1723, 1726 nº1, 1727, 1728 nº1 e 2 (remissão para o 1325),
1733º nº1 (remissão para o 2286), 1181 e 409.
 Bens comuns (património comum)
o 1724, 1725, 1726 nº1, 1733 nº2

Resolução de casos de bens

Temos que ver primeiro qual é o regime de bens que se aplica e quais os bens comuns e os
bens próprios dos cônjuges.

Dívidas dos cônjuges (1690º a 1697º)

Poder de disposição (comunhão de adquiridos)

 Temos o poder de disposição (art. 1682 nº1, 2 e 3, 1682 al. A b e c, 1683 – sanção 1687
nº 1 a 4 – nulidade - remissão para o art. 892. Por morte é o 1685 (exceção 2103 al. A
nº 1 a 4 -só pode dispor de bens próprios e da meação de bens comuns á exceção da
morada de família)

Resolução da alínea B) do exame de dia: como exemplo – temos que ver o regime do
casamento de comunhão de adquiridos. Temos que ver que tipo de bem é (venda do imóvel).

Casamento sem convenção antinupcial (art. 1717), 1722 nº1 al. A) (imóvel é bem próprio de
francisco), 1682º al. A nº2 (alienação de casa de morada de família carece de autorização do
outro cônjuge), 1687 nº 1 (sanção – anulação) – remissão para o 892º - nulidade da venda.
1687º nº2 (prazo) – 6 meses a Maria é que pode arguir. Anulação do casamento tem que
colocar a ação – o casamento é válido art. 1632º (necessidade de ação), sem sentença de
anulação o casamento ainda continua válido – francisco só depois da anulação do casamento
pode realizar esta venda sem autorização de Maria.

Francisco não pode ter a herança porque é ele que pede a anulação do casamento. E assim
presume-se que seja ele que esteja de má-fé. Se fosse a Maria a pedir a anulação do
casamento ele teria direito.

11-11-2019 (aula prática)

Comunhão de adquiridos /comunhão de bens

Deveres conjugais

Princípios constitucionais

Fontes de direito da família

Art. 1717º 1721º 1722º 1723º 1724º 1726º 1727º 1728º 1729º 1730º 1733º - comunhão de
adquiridos

1678º 1682º 1682º - A 1682º - B 1683º 1684º 1685º 1687º 1688º - poderes de comunhão de
adquiridos

Hipótese 11
Direito da família I

O caso apresentado está relacionado com o regime de bens do casamento e a titularidade


desses bens. Dado que João e Maria celebraram o seu casamento sem convenção antenupcial,
considera-se celebrado sob o regime de bens supletivos, que de acordo com o disposto no art.
1717º é o regime de comunhão de adquiridos, regulado nos art 1721º e ss. No regime de
comunhão de adquiridos existem 3 massas patrimoniais de bens: os bens comuns do casal, os
bens próprios de um dos cônjuges e os bens próprios do outro cônjuge. De acordo com o art
1722º nº1 e 2, serão bens próprios de cada um dos cônjuges os bens que cada um tiver ao
tempo da celebração do casamento os bens que advierem depois do casamento, por sucessão
ou doação, os bens que adquirir na constância do casamento por virtude de direito próprio
anterior e os bens sub-rogados no lugar de bens próprios por meio de troca direta, o preço dos
bens alienados, os bens adquiridos ou as benfeitorias feitas com dinheiro ou valores próprios
desde que a sua proveniência seja mencionada no documento de aquisição ou em documento
equivalente com intervenção de ambos os cônjuges e ainda de acordo com o art. 1726º do CC
nº1 e 2, os bens adquiridos em parte com dinheiro ou bens próprios e noutra parte com
dinheiro ou bens comuns, quando aquela for a mais valiosa das duas prestações, ressalvada a
compensação de vida pelo património próprio ao património comum do casal.

a) Bem comum: em fase do regime de bens aplicável os 10 mil€ adquiridos por João em
virtude da sua participação num concurso televisivo são um bem comum ao abrigo no
disposto no art. 1724º al. A), na medida em que serão de considerar como produto de
trabalho dos cônjuges os prémios recebidos por qualquer deles que impliquem contra
prestação de esforço, ciência ou qualquer outra aptidão.
b) Bem próprio de Maria: A casa de morada de família é um bem próprio de Maria
porque foi adquirido por virtude de um direito próprio anterior, ou seja, Maria
adquiriu a casa em virtude do exercício do seu direito de preferência enquanto
arrendatária através do disposto no art. 1722 nº1 al. C) e nº2 al. D), sem prejuízo da
eventual aplicação do disposto no art. 1728º do CC, isto é, das oportunas
compensações ao património comum quando a aquisição tenha sido feita também é
conta deste
c) Bem próprio do João: O automóvel adquirido por João com 5 mil€ do seu salário e 10
mil€ por doação feita por seu pai, apesar de ser um bem adquirido a titulo oneroso na
constância do casamento, assume a natureza de bem próprio. Assim, nos termos do
art. 1726º nº1 os bens adquiridos em parte com dinheiro próprio e noutra parte com
dinheiro comum revestem a natureza da mais valiosa das duas prestações. O
automóvel foi adquirido com 5 mil€ provenientes dos rendimentos do trabalho do
João os quais constituem bem comum ao abrigo do art. 1724º al. A) e com 10mil€
doados ao João pelo seu pai, os quais conforme resulta do art. 1722º nº1 al.B) é um
bem próprio de João. Deste modo, uma vez que a mais valiosa das prestações é um
bem próprio o automóvel adquirido por João é bem próprio sem prejuízo da
compensação devida no momento da dissolução e partilha, pelo património próprio de
João conforme resulta do disposto no art. 1726º nº2.
d) Bem comum, mas também pode ser encarado como bem próprio em algumas
circunstancias: art. 1722º nº1 al. B); 1723º al. C);
e) Bem próprio do João: art. 1722º nº1 al. A); 1733º nº1 al. D);
Direito da família I

Hipótese 12

O presenta caso prende-se com os efeitos patrimoniais … mais precisamente com a


administração e disposição dos bens. O principio fundamental quanto aos efeitos patrimoniais
do casamento é o da igualdade de direitos e deveres dos cônjuges, consagrado no art. 1671º.
No que respeita á administração dos bens do casal temos que ver o art 1678º, ou seja, quanto
á administração dos bens próprios vigora a regra de cada um dos cônjuges tem a
administração dos seus bens próprios e quanto aos bens comuns a regra é a da administração
conjunta (exceção art. 1778º nº2).

Art. 1717º; 1721; 1722º nº1 e 2; 1726º nº1 e 2

a) De acordo com o regime de bens aplicável, o apartamento que João avia comprado
com o dinheiro que trouxe para o casamento será em principio um bem comum nos
termos do art. 1724º al. B) o qual determina que são bens comuns os bens adquiridos
pelos cônjuges na constância do casamento que são sejam excetuados por lei. O
apartamento foi adquirido com dinheiro que o João tinha antes de casar, o qual seria
bem próprio deste de acordo com o disposto no art. 1722º nº1 al. A), mas o art. 1723º
al. C) dia que conserve a qualidade de bens próprios os bens adquiridos com dinheiro
ou valores próprios de um dos cônjuges desde que a proveniência do dinheiro ou
valores seja devidamente mencionada no documento de aquisição, ou em documento
equivalente, com intervenção de ambos os cônjuges, dado que o presente caso, não
faz qualquer menção ao facto da proveniência do dinheiro tendo ficado a constar no
documento de aquisição, com intervenção de ambos os cônjuges o bem em causa não
poderia ficar o bem considerado no lugar de bem próprio. Passando assim a integrar o
lugar de bem comum. O ato de alienação do apartamento careceria sempre do
consentimento de ambos os cônjuges de acordo com o 1682º A) nº1. Assim João não
poderia sem o consentimento de Maria proceder á venda do imóvel. O ato praticado
por João seria anulável de acordo com o art. 1687º nº1 e nº2 (maria poderia arguir
esta anulabilidade no prazo de 6 meses apos o conhecimento do ato, mas nunca
passado 3 anos após a celebração do ato). Art 892º nulidade da venda.
b) Trata-se de um ato que carece de consentimento por parte de Maria de acordo com o
1783º nº2.

27-11-2019 (aula teórica)

Cota (proporção social de social só tem legitimidade para a de cota comum o cônjuge que
vigora nos estatutos da sociedade ou no ato pela qual a cota entrou na comunhão. O cônjuge
administrador que seja sócio necessita do consentimento do outro cônjuge para alienar ou
onerar a participação. Art. 8º nº2 do código das sociedades comerciais

Provimentos do trabalho ou da prestação de serviços: cada cônjuge tem a administração


exclusiva dos respetivos proventos do trabalho apesar destes serem normalmente bens
comuns. Sem prejuízo de acontecer a conta comum.

Frutos dos bens próprios: a administração é exclusiva do titular dos bens que frutificam
mesmo que os frutos sejam comuns.

Estabelecimento comercial: a alienação de estabelecimento comercial próprio ou comum


carece do consentimento de ambos os cônjuges sob pena de anulabilidade art. 1682º - A nº1
al. B e A.
Direito da família I

Casa de morada de família (em qq regime): a alienação ou oneração ou arrendamento


depende sempre do consentimento de ambos os cônjuges.

Disposição por morte de bens: cada cônjuge pode dispor dos bens próprios e da meação (cota
ideal dos bens comuns que é distribuída pelos cônjuges em caso de divorcio ou morte) dos
bens comuns.

Responsabilidade por Dividas


Ambos os cônjuges podem contrair dividas sem consentimento do outro (art. 1690º). É livre.
1º se a divida é de responsabilidade de ambos os cônjuges ou de só um.

 Responsabilidade de ambos os cônjuges art. 1691º do CC – respondem os bens


comuns – regra geral
o Dividas que onerarem bens comuns. Art. 1694º do CC
o Situações previstas no art. 1691º nº1 e 2 do CC.
 Responsabilidade de apena um dos cônjuges art. 1692º do CC

2º que bens respondem por essa divida

o Responsabilidade de apenas um dos cônjuges – bens que respondem por essas


dividas: respondem em primeiro lugar os bens próprios desse cônjuge devedor e
subsidiariamente a meação dos bens comuns. Ao mesmo tempo que os bens próprios
respondem também al. A) os bens levados por eles para o casal ou depois adquiridos a
titulo gratuito (A casado com B em regime de CDA contrai divida sem consentimento
de B se esta divida não for para proveito do casal é da responsabilidade do que contrai
a divida os bens que respondem são os bens próprios de A e para alem destes os bens
levados para o casal e a titulo gratuito (bens próprios – art. 1722º do CC),) / al. B)
respondem também conjuntamente o produto do trabalho e o produto dos direitos de
autor (que são bens comuns – art. 1724º do CC). / al. C) os bens sub rugados no lugar
dos primeiros (Ex: por troca) -> art. 1696º do CC

Modificação da relação matrimonial


Separação de factos: vidas separadas e corpos separados sem que tenham a pretensão de
retomar.

Simples Separação judicial de bens (art. 1767º a 1772º do CC): separam apenas os bens não as
pessoas. Judicial: tem que ser decretada pelo tribunal. Simples Separação: não existe divórcio
o casamento mantém-se. É apenas separação de bens deixando intocados os efeitos pessoais.
-> qual a situação que tem efeitos essa consequência quando existe uma situação em que se
tem perigo de perda ou risco de destruição. Trata-se de uma separação de bens autónoma
pedida para defesa do cônjuge lesado com a administração do outro cônjuge. Esta separação
não se deve confundir com a separação de bens em processo de insolvência que tem o mesmo
efeito (art. 141º nº1 al. B) CIRE). A simples separação judicial de bens só pode ser decretada
em processo litigioso (tem que ser uma ação de um cônjuge contra o outro) art. 1768º do CC.
Só pode ser decretada pelo tribunal. Tem 3 pressupostos alternativos, a saber (art. 1767º do
CC):

 Existe perigo de um cônjuge perder o que é seu em consequência da má administração


do outro cônjuge. Art. 1678º nº2 al. E a G. Deve de ser sistemática não sendo porem
necessária a consumação.
Direito da família I

 Deve de estar em risco a perda de bens próprios do requerente em consequência da


má administração do outro cônjuge ou de bens comuns administrados pelo outro
cônjuge Art. 1678º nº2.
 O perigo deve de resultar da má administração e não de outras causas.

Pratica sistemática de atos que diminuam que diminuam os bens próprios do outro cônjuge ou
os bens comuns ou um endividamento excessivo. Tanto faz a má administração sem culposa
ou inábil (não tenha intenção).

Processo – art. 1770º do CC

Consequências:

 passa a vigorar o regime de separação de bens,


 o requerente passa a ser o administrador exclusivo dos seus bens próprios e também
dos bens comuns que sejam administrados pelo outro cônjuge.

A simples separação judicial de bens é irrevogável – art 1771º

Simples Separação judicial de pessoas e bens (art. 1794º a 1795º-D do CC): os cônjuges
separados de pessoas e bens continuam a ser casados. Mantem-se os deveres de fidelidade,
de cooperação e de respeito (art. 1795º-A), mas dá-se a separação dos corpos e dos bens.
Pode ser litigiosa, neste caso tem que seguir via judicial, se for por mutuo consentimento pode
ser judicial ou administrativo. Pode ser alterado para pedido de divórcio e também pode
acontecer o contrário. (Jurisprudência: acórdão do STJ de 1953 publicado no MJ nº35 pág. 3 e
acórdão do STJ 1952 publicado no MJ nº35 pág. 229º ) se for por mutuo consentimento os
prossupostos são os mesmo do divorcio e o mesmo processo.

Sem consentimento de um dos cônjuges também segue o processo de divórcio. Art. 1794º do
CC. Proposta a ação de divorcio pode o réu em pedido reconvenção pedir a separação judicial
e pessoas e bens e vise versa.

Se no processo de separação o processo proceder é decretado o divórcio art. 1795º do CC.

Efeitos da separação de pessoas e bens:

 as pessoas não podem contrair novo casamento sob pena de bigamia.


 Mantem-se o dever de fidelidade, respeito e cooperação.
 Cessa o dever de coabitação, mantendo-se o dever de alimentos. Art. 1794º do CC/art.
1795º-A do CC/art. 2016º do CC
 Cessa o dever para contribuir para os encargos da vida familiar
 O cônjuge separado de pessoas e bens conserva os apelidos do outro cônjuge – art.
1677º al. B) nº1 do CC
 Cessa a presunção de paternidade art. 1829º do CC nº1 e 2 – 300 dias após
 Relativamente aos bens:
o Produz os mesmos efeitos da cessação do casamento
o O cônjuge separado de pessoas e bens não é herdeiro legitimo do outro
cônjuge art. 2133º nº3 do CC

Pode acabar a bem ou a mal: pode acabar com reconciliação dos cônjuges, isto pode acontecer
a todo o tempo. Art. 1795º-B.

Consequência: repõem-se o regime de bens antes da separação.


Direito da família I

A ,al a separação pode se converter em divórcio:

 Requerida por ambos, pode ser feita a todo o tempo. Se a conversão for requerida por
um dos cônjuges contra a vontade do outro tem de ter decorrido o prazo de um ano
apos a aplicação da separação. Art. 1795-B do CC

O requerimento é requerido na conservatória do RC.

Faz cessar todos os efeitos do casamento. – conversão

Pode ser feito em processo autónomo.

02-12-2019 (aula prática)

Dividas dos cônjuges:

Art. 1690º a 1697º do CC


Direito da família I

1696º nº1 do CC - pelas dividas de um dos cônjuges, respondem em primeiro lugar os bens
próprios do cônjuge e subsidiariamente a meação dos bens comuns.

1691º al. C) do CC – três requisitos cumulativos:

 Divida contraída na constância do matrimónio;


 Divida contraída pelo cônjuge administrador dentro dos seus poderes de
administração;
 Em proveito comum do casal.

1691º remissão para o 1695º

1693º nº2 – comunhão geral de bens

1695º -> 1733º al. A (bens incomunicáveis)

Estudar bem o art. 1696º nº1 do CC

A compensação só em caso de separação é que se acertam as contas.

Exercicio 14

Continuação do exercício (divida)

Depreende-se que Carlos tenha contraído empréstimo junto do banco sem o consentimento
de Isabel. De acordo com o art. 1690º do CC, Carlos teria total legitimidade para contrair tal
empréstimo de 25 mil€ sem necessitar do consentimento de Isabel.

No entanto, tal divida apesar de contraída apenas pelo Carlos, seria da responsabilidade de
ambos os cônjuges, de acordo com o disposto no art. 1691º nº1 al. C), por se tratar de divida
contraída na constância do casamento, pelo cônjuge administrador, uma vez que Carlos vem
exercendo a administração com o conhecimento e sem oposição de Isabel e nos limites dos
seus poderes de administração. De acordo com o art. São 3 os requisitos cumulativos para a
comunicabilidade da divida, a saber: 1º a divida tenha sido contraída na constância do
matrimónio, 2º a divida ser contraída pelo cônjuge administrador dentro dos seus poderes de
administração, 3º em proveito comum do casal. No caso vertente, pode considerar-se que a tal
divida foi contraída em proveito comum do casal por se entender que Carlos agiu tendo em
vista um fim comum, que é o de explorar de forma rentável a referida quinta, porque embora
esta seja um bem próprio de Isabel, os frutos resultantes da respetiva exploração serão
comuns por aplicação do disposto no art. 1728º nº1 do CC.

Respondem assim pela divida nos termos do art. 1695º nº1 do CC, os bens comuns do casal e
na falta ou insuficiência destes, solidariamente, os bens próprios de qualquer um dos cônjuges.
Dado que os bens de que á conhecimento são todos bens próprios de um ou do outro dos
cônjuges, sendo conhecidos bens comuns, o banco de credor poderia exigir que respondessem
pelo pagamento da totalidade da divida os bens próprios de Carlos, os bens próprios de Isabel
e, no caso de qualquer um dos cônjuges pagar a totalidade da divida á custa dos seus bens
próprios, ficaria com o direito de exigir do outro no momento de eventual partilha de bens
(por divórcio), a respetiva compensação (art. 1697º nº1 do CC).

Resolução de exames:

Grupo I
Direito da família I

c) Dividas: Dado que Francisco e Maria celebraram o casamento sem convenção


antinupcial, o seu casamento considera-se celebrado sobre o regime supletivo, que é o
regime da comunhão de adquiridos (art. 1717º do CC).
Maria submeteu-se a uma lipoaspiração numa clinica de luxo e contraiu a respetiva
divida, essa divida é da exclusiva responsabilidade da Maria, de acordo com o disposto
no art. 1622º al. A) são da exclusiva responsabilidade do cônjuge a que respeitam: al.
A) as dividas contraídas, antes ou depois da celebração do casamento por um dos
cônjuges sem o consentimento do outro. Pela divida da lipoaspiração respondem os
bens próprios de Maria, e subsidiariamente, a meação dos bens comuns do casal (art.
1696º nº1).
No casamento celebrado sob o regime de comunhão de adquiridos, o prémio recebido
em concurso, que implique trabalho manual ou intelectual, não pode ser considerado
adquirido a titulo gratuito, e assim bem próprio do cônjuge ganhador, mas antes bem
comum do casal de acordo com o art. 1724º al. A): “ fazem parte da comunhão: al. A) o
produto do trabalho dos cônjuges”. Assim sendo, a alienação do computador e do
sistema de som, móveis comuns, cujo a administração caiba ao dois cônjuges carece
de consentimento de ambos ou ainda se forem utilizados por ambos de acordo com o
1682º do CC nº1 e 3 al. A).
1687º nº1 (anulável) 1687º nº2 e 3

Exame da noite

c. 1º parte igual art. 1717º

De acordo com o art. 1632º (necessidade de ação de anulação), a anulabilidade do casamento


não é invocável para nenhum efeito, judicial ou extrajudicial, enquanto não for reconhecida
por sentença em ação especialmente intentada para esse fim.

O casamento continua válido a convicção de anulação não serve de nada. Todavia, neste caso,
mesmo depois da anulação do casamento, o Francisco estaria protegido ao abrigo do art.
1647º (casamento putativo- efeitos do casamento declarado anulado.) Francisco esteve de boa
fé no momento da celebração do casamento.

Se Maria, sem consentimento de Francisco, seu marido, comprou artigos de luxo, a respetiva
divida é da exclusiva responsabilidade de Maria de acordo com o art. 1692º al. A). Por esta
divida respondem os bens de Maria e subsidiariamente, a meação dos bens comuns nos
termos do art. 1696º nº1.

Tanto o computador como o estabelecimento comercial são bens próprios de Maria, todavia a
alienação carece de consentimento de Francisco de acordo respetivamente com os art. 1682º
nº3 al. B) (computador) e 1682º A nº1 al. B) (estabelecimento). É ainda aplicável o disposto no
art 1684º nº1 a 3 (forma de consentimento conjugal e seu suprimento).

1687º nº1 a 3

04-12-2019 (aula teórica)

Extinção da relação matrimonial: pode extinguir-se:

 Por morte de um dos cônjuges (em caso de morte presumida o casamento não é
dissolvido, mas o outro cônjuge pode casar e essa casamento só cessa se o cônjuge
desaparecido aparecer):
Direito da família I

o O cônjuge vivo pode continuar a usar os apelidos do cônjuge que morreu, o


que ele não pode juntar os apelidos do novo cônjuge ao mesmo tempo. 1777º
al. A) do CC.
o O cônjuge sobrevivo tem direito á legitima (art. 2156º/2177º do CC).
o O cônjuge sobrevivo tem direito á partilha (bens próprios e a meação dos bens
comuns – art. 2101º nº1 do CC) – art. 1106º nº1 al. A)
o O cônjuge sobrevivo tem direito a alimentos art. 2018º do CC
o Pensão de sobrevivência e subsidio
 Divórcio (no caso do casamento católico temo o caso do casamento não consumado).
2 vias – direito potestativo extintivo/direito pessoal intransmissível mas a ação de
divorcio pode ser continuada por herdeiros do autor falecido ou do reu. Art. 1785º nº3
do CC
o Por mutuo consentimento: pode seguir via administrativa ou judicial.
 É requerido por ambos os cônjuges com mutuo consentimento(1775 a
1778-A)
 Não tem que ser revelada a causa
 Não tem prazo mínimo para que possa ser pedido como acontecia
anteriormente (antes de 2008)
 Para ser requerido não é necessário haver acordo sobre alimento,
responsabilidades parentais e destino da casa de família, mas se faltar
um deles o processo tem que seguir por via judicial art. 1775º nº1 do
CC.
 O processo varia consoante haja filhos menores ou estando as
responsabilidades parentais reguladas (al. A – não existe filhos) o
conservador do RC aprecia o acordo que é apresentado se acabar por
não concordar e envia o processo para o tribunal (art. 1778º ); á filhos
menores e as responsabilidades parentais não estão reguladas
judicialmente (al. B) o conservador envia o processo para o MP para
vista e se este entender que o acordo não cautela os interesses dos
menores o processo volta ao conservador para notificar os cônjuges,
se concordar com o acordo decreta o divórcio e coloca um visto, caso
contrário o conservador remete o processo para tribunal;
 Art. 1778º-A
o Sem consentimento de um dos cônjuges (rutura objetiva da relação conjugal
por qualquer causa que a justifique). Tem que ser judicial. 3 sistemas:
 Sistema do divorcio sanção – decretado por um dos cônjuges contra o
outro assente na culpa de um dos cônjuges – já não vigora
 Divorcio remédio – reage a uma crise no matrimónio – não vigora
 Divorcio constatação de rutura do casamento – situação que pode ser
comum, ou até devido ao cônjuge autor – é o que vigora entre nós
 Causa do divorcio: cláusula geral
 Quando se tenha tornado intolerável a vida em comum
 Causas perentórias (porque se estiverem provadas em tribunal
o juiz é obrigado a decretar o divorcio) – 17781 al) A a C
o Al. A) elemento objetivo (rompimento da coabitação á
1 ano ou mais), elemento subjetivo (propósito de não
estabelecerem vida em comum)
Direito da família I

o Al. B) 2 requisitos: que é alteração das faculdades


mentais á mais de um ano e 2º que comprometa a
possibilidade de vida em comum
o Al. C) requisito a ausência sem noticias á mais de um
ano – vontade de voltar a estabelecer a vida em
comum
o Al. D) factos que comprometam o casamento
definitivamente
 Causas facultativas: 1781-D são aquelas que decretar o
divórcio estão perante a livre apreciação do juiz
 Causa de pedir da ação: são factos concretos
 Efeitos: o divórcio cessa o casamento ex nunc
 Estinguem-se o dever de fidelidade, coabitação, cooperação, o
dever de respeito mantem-se. E pode manter-se a pensão de
alimentos.
 Cessa o direito de usar o sobrenome do outro cônjuge exceto
se houver autorização do tribunal ou consentimento do outro
cônjuge. 1777º al. B)
 Adquirição de nacionalidade não perde a nacionalidade
portuguesa mas pode pedir para se retirar
 Pode casar com outras pessoas, e com eles.
 Perder o direito de suceder como herdeiro legitimário art.
2133º nº3. Na casa de morada de família depende se a casa
era deles (1793º) ou se era alugada (1105º).
 Os efeitos de divórcio produzem-se apos a sentença, mas retroagem á
data da propositura de ação em termos patrimoniais. Produzem
apenas efeitos contra terceiros com a sentença. - 1789º
 Partilha é extrajudicial – art. 1790º e 1689º
 Casa de morada de família é decidido se for própria pode ser comum
do casal ou própria de um dos cônjuge ela pode ser arrendada ao
cônjuge não proprietário art. 1793º do CC. Se for arrendada o destino
é decidido por acordo ou o direito de arrendamento concentra-se num
deles decidido pelo tribunal. Art. 1105º do CC
 As ilegitimidades conjugais cessam com o divórcio
 Obrigação de alimentos – em caso de divorcio cada cônjuge deve de
prover ás suas necessidades – art. 2016º nº1 o incumprimento é para
ser sancionado penalmente art. 215º do CP. Cessa quando o outro
cônjuge volta a casar, morte do credor ou devedor, ausência de
necessidade, falta de possibilidade, ou pela UF do credor, pelo
comportamento moral do credor (ilegalidade). Art. 2019º do CC
 Efeitos em relação aos filhos: regulado por acordo sujeito a
homologação, na falta de acordo decidirá o juiz – art. 1906º do CC, são
crime o não cumprimento de determinadas situações (art. 249º do CP)
 Efeitos em relação a terceiros: só são oponíveis após o averbamento
da sentença de divórcio aos registos de divórcio e nascimento.

Casamento católito: dispensa (casamento rato e não consumado – seja celebrado entre
pessoas batizadas que não seja consumado pela cópula conjugal – não é igual á anulação).
Direito da família I

Também é aplicável aos casamentos entre um batizado e um não batizado, impotência


superveniente, aversão entre os cônjuges, casamento civil com terceiro. O divorcio dos
casamentos católicos é apreciado pelos tribunais eclesiásticos art.1625 do CC.

09-12-2019 (aula prática)

Exercícios sobre as dividas

Hipótese 19

O divórcio constitui uma causa de dissolução do casamento que extingue a relação


matrimonial e os deveres pessoais que dela recorrem para os cônjuges, bem como as relações
patrimoniais entre eles (art. 1788º). O direito ao divórcio é um direito pessoal, em principio
intransmissível, embora a relação de divorcio possa ser continuada pelos herdeiros do autor e
prosseguir contra os herdeiros do réu para efeitos patrimoniais, nos termos do disposto no art.
1785 nº3.

Atualmente existem duas modalidades de divorcio: o divorcio por mutuo consentimento e o


divórcio sem consentimento de um dos cônjuges. No divorcio por mutuo consentimento existe
a modalidade de divorcio administrativo, que corre na conservatória do RC, desde dos
cônjuges apresentem todos os pressupostos exigidos e a modalidade de divorcio judicial que
se destina a facilitar a dissolução do casamento, quando seja essa a vontade dos cônjuges, mas
que não seja possível alcançar o acordo exigido (art. 1773º nº2 e 1778º al. A)). Na dissolução
do casamento por mutuo acordo, com intervenção judicial, o tribunal decide ainda as questões
relativamente ás quais os cônjuges não conseguem chegar a acordo, como se se trata-se de
um divórcio sem consentimento de um dos cônjuges. No caso em apresso o divórcio é por
mutuo acordo e poderá ser feito na conservatória do RC a todo o tempo, desde que cheguem
a acordo quanto ao exercício das responsabilidades parentais, sobre eventual prestação de
alimentos ao cônjuge que deles careça (art. 2016º nº2 e 2016º -A) e sobre o destina da morada
de família 1775 al. D. Deverão, além dos referidos acordos juntar ao requerimento de divorcio
a relação especificada dos bens comuns, com a indicação dos respetivos valores ou caso optem
Direito da família I

pela partilha do património conjugal (art. 272º A e C do CRC), acordo sobre a partilha e ainda
se houver escritura da convenção antinupcial.

Recebido o requerimento, o conservador convoca os cônjuges para uma conferencia em que


verifica o preenchimento dos pressupostos legais e analisa os acordos apresentados. Havendo
acordo no exercício das responsabilidades parentais, o processo é enviado ao MP para que se
pronuncie sobre o acordo. Quando se entenda que os acordos acautelam devidamente os
interesses dos cônjuges e dos filhos e se mostram elaborados de acordo com os critérios
legais, o conservador homóloga e decreta o divórcio, nos casos em que não acontece deve o
conservador remeter o processo remeter o processo para o tribunal o que se sucederá por sua
iniciativa ou na sequencia do parecer desfavorável do MP quando os cônjuges não se
conformarem com as alterações por este indicadas (art. 1776º 1776-A 1778 e 1778-A).

Hipótese 20

De acordo com o art. 1788º do CC, o divorcio é a forma de extinção de uma relação
matrimonial válida que produz os mesmos efeitos da dissolução por morte salvo as exceções
consagradas na lei.

(modalidades de divórcio…) 1773º nº2 / 1778º - A

Dado que Maria já não vive com João á mais de 14 anos e desconhece o seu paradeiro, para
conseguir divorciar-se, teria que intentar contra João uma ação de divorcio sem
consentimento de um dos cônjuges, de acordo com o art 1773º nº3 a propor no tribunal com
base no fundamento do artigo 1781º al. A) e 1782º nº1. O fundamento que Maria poderia
invocar para pedir o divorcio seria o da separação de facto por mais de um ano consecutivo,
sendo que, segundo o art. 1782º nº1, á separação de facto quando não existe comunhão de
vida entre os cônjuges e á da parte de ambos, ou de apenas um deles, o propósito da não
restabelecer.

A separação de facto verifica-se quando não existe comunhão de vida entre os cônjuges,
quando existe separação de leito, mesa e habitação e não existe intenção de restabelecer a
vida em comum.

Hipótese 18

Art. 1690º nº1 e 2/ 1691º al. D) / 1695º nº1 /1697º nº1 -> divida shopping

Propinas do colégio -> 1691 nº1 al. B)/1695º nº1

Fotos do caderno da professora