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INFORMATIVOS RESUMIDOS a partir de 20161

STF
OBS: Repercussão geral está nessa cor.
CONSTITUCIONAL
COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS
É formalmente inconstitucional lei municipal que autoriza o Poder Executivo Municipal a conceder a exploração do Serviço
de Radiodifusão Comunitária no âmbito do território do Município. O art. 21, XII, “a”, da CF/88 estabelece que a competência
para conceder autorização para tais serviços é da União. Além disso, o art. 22, IV da CF/88 confere à União a competência
privativa para legislar sobre o tema “radiodifusão”. STF. Plenário. ADPF 235/TO, Rel. Min. Luiz Fux, 14/8/2019 (Info 947).
É inconstitucional lei estadual que proíbe que as empresas concessionárias cobrem “taxa” de religação no caso de corte
de fornecimento de energia por atraso no pagamento. Essa lei estadual invadiu a competência privativa da União para
dispor sobre energia, violando, assim, o art. 22, IV, da CF/88. Além disso, também interferiu na prestação de um serviço
público federal, considerando que o serviço de energia elétrica é de competência da União, nos termos do art. 21, XII, “b”,
da CF/88. Ex: concessionária havia “cortado” (suspendido) o serviço de energia elétrica em razão de inadimplemento; o
consumidor regularizou a situação, quitando os débitos; a concessionária pode exigir do cliente o pagamento de uma tarifa
para efetuar o religamento do serviço; lei estadual não pode proibir que a concessionária cobre esse valor. STF. Plenário.
ADI 5610/BA, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 8/8/2019 (Info 946).
É constitucional lei municipal que estabelece que os supermercados e hipermercados do Município ficam obrigados a
colocar à disposição dos consumidores pessoal suficiente no setor de caixas, de forma que a espera na fila para o
atendimento seja de, no máximo, 15 minutos. Isso porque compete aos Municípios legislar sobre assuntos de interesse
local, notadamente sobre a definição do tempo máximo de espera de clientes em filas de estabelecimentos empresariais.
Vale ressaltar que essa lei municipal não obriga a contratação de pessoal, e sim sua colocação suficiente no setor de caixas
para o atendimento aos consumidores. STF. 1ª Turma. ARE 809489 AgR/SP, Rel. Min. Rosa Weber, 28/5/2019 (Info 942)
No exercício de sua competência para regulamentação e fiscalização do transporte privado individual de passageiros, os
municípios e o Distrito Federal não podem contrariar os parâmetros fixados pelo legislador federal. Isso porque compete à
União legislar sobre “trânsito e transporte”, nos termos do art. 22, XI, da CF/88. STF. Plenário. ADPF 449/DF, Rel. Min. Luiz
Fux; RE 1054110/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 8 e 9/5/2019 (repercussão geral) (Info 939).
São inconstitucionais leis municipais que proíbam o serviço de transporte de passageiros mediante aplicativo A proibição
ou restrição da atividade de transporte privado individual por motorista cadastrado em aplicativo é inconstitucional, por
violação aos princípios da livre iniciativa e da livre concorrência. STF. Plenário. ADPF 449/DF, Rel. Min. Luiz Fux; RE
1054110/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 8 e 9/5/2019 (repercussão geral) (Info 939).
A exigência de prévia autorização da assembleia legislativa para o governador e o vicegovernador do Estado ausentarem-
se, “em qualquer tempo”, do território nacional mostra-se incompatível com os postulados da simetria e da separação dos
Poderes. A Constituição Federal, em seu art. 49, III e em seu art. 83, prevê que é da competência do Congresso Nacional
autorizar o Presidente e o Vice-presidente da República a se ausentarem do País quando a ausência for por período superior
a 15 dias. Logo, afronta os princípios da separação dos Poderes e da simetria a norma da Constituição estadual que exige
prévia licença da Assembleia Legislativa para que o Governador e o Vice-governador se ausentem do País por qualquer
prazo. Os Estados-membros não podem criar novas ingerências de um Poder na órbita de outro que não derivem explícita
ou implicitamente de regra ou princípio previsto na Constituição Federal. STF. Plenário. ADI 5373 MC/RR, Rel. Min. Celso de
Mello, julgado em 9/5/2019 (Info 939).
É inconstitucional lei estadual que isenta entidades filantrópicas de recolher as taxas de retribuição autoral arrecadadas
pelo ECAD. A lei estadual que cria novas hipóteses de não recolhimento de direitos autorais não previstas na Lei federal
usurpa a competência privativa da União para legislar sobre direito civil, direito de propriedade e para estabelecer regras
de intervenção no domínio econômico (art. 22, I, da CF/88). Além disso, essa lei estadual retira dos autores das obras
musicais o seu direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução das obras ou do reconhecimento por sua criação,
afrontando o art. 5º, XXII e XXVII, da CF/88. STF. Plenário. ADI 5800/AM, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 8/5/2019 (Info 939).
É inconstitucional lei estadual que preveja que o pescador semiprofissional ou esportivo, para o exercício da atividade,
deverá se cadastrar e se habilitar na Federação de Pescadores do Estado. Também é inconstitucional a norma estadual que
afirme que a taxa de cadastro e o fornecimento da habilitação para exercer a atividade de pescador semiprofissional ou
esportivo será definida em Assembleia Geral da Federação de Pescadores do Estado. Tais disposições invadem a
competência da União para editar as normas gerais sobre pesca. Existe lei federal que regulamenta, de modo unificado,
todo o procedimento de habilitação de pesca com requisitos nacionais. Além disso, a lei não poderia ter delegado a uma

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Atualizado até 952.
Patrícia Reinert Lang
entidade de direito privado (Federação dos Pescadores) o poder de definir o valor da taxa a ser cobrada. STF. Plenário. ADI
3829/RS, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 11/4/2019 (Info 937).
É constitucional lei estadual que obriga as empresas de telefonia fixa e móvel a cancelarem a multa contratual de fidelidade
quando o usuário comprovar que perdeu o vínculo empregatício após a adesão do contrato. STF. Plenário. ADI 4908/RJ, Rel.
Min. Rosa Weber, julgado em 11/4/2019 (Info 937).
Inconstitucionalidade de lei estadual que imponha obrigações contratuais para seguradoras: É inconstitucional lei estadual
que discipline as obrigações contratuais relativas a seguros de veículos e regras de registro, desmonte e comercialização de
veículos sinistrados. Esta lei estadual viola a competência privativa da União para legislar sobre direito civil, seguros, trânsito
e transporte (art. 22, I, VII e XI, da CF/88). STF. Plenário. ADI 4704/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/3/2019 (Info 934).
Inconstitucionalidade de lei estadual, de iniciativa parlamentar, que imponha atribuições ao DETRAN: É inconstitucional
lei estadual, de iniciativa parlamentar, que imponha ao DETRAN a obrigação de publicar, no diário oficial e na internet, a
relação de cada um dos veículos sinistrados, seus respectivos dados, com destinação para os que sofreram desmonte e/ou
comercialização das peças e partes. Essa lei trata sobre “atribuições” de órgãos/entidades da administração pública, matéria
que é de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo (art. 61, § 1º, II, “e”, da CF/88). A correta interpretação que deve
ser dada ao art. 61, § 1º, II, “e” c/c o art. 84, VI, da CF/88 é a de que a iniciativa para leis que disponham sobre “estruturação
e atribuições” dos órgãos públicos é do chefe do Poder Executivo. STF. Plenário. ADI 4704/DF, Rel. Fux, 21/3/2019 (Info 934).
É constitucional lei estadual que obriga as empresas prestadoras de serviços no Estado (exs: empresas de telefonia, de
TV por assinatura, de energia elétrica etc.) a informarem previamente a seus clientes os dados do empregado que
realizará o serviço na residência do consumidor. Ex: lei do RJ prevê que as empresas prestadoras de serviços, quando
acionadas para realizar qualquer reparo na residência do consumidor, ficam obrigadas a enviar uma mensagem de celular,
pelo menos 1h antes do horário agendado, informando o nome e a identidade do funcionário que irá ao local. STF. Plenário.
STF. Plenário. ADI 5745/RJ, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 07/02/2019 (Info 929)
É constitucional lei estadual que proíbe que as empresas concessionárias façam o corte do fornecimento de água e luz
por falta de pagamento, em determinados dias. Ex: lei do Estado do Paraná proíbe concessionárias de serviços públicos de
água e luz de cortarem o fornecimento residencial de seus serviços por falta de pagamento de contas às sextas-feiras,
sábados, domingos, feriados e no último dia útil anterior a feriado. Também estabelece que o consumidor que tiver suspenso
o fornecimento nesses dias passa a ter o direito de acionar juridicamente a concessionária por perdas e danos, além de ficar
desobrigado do pagamento do débito que originou o corte. STF. Plenário. ADI 5961/PR, M. Aurélio, 19/12/2018 (Info 928)
É inconstitucional lei do Distrito Federal que institua, extinga e transforme órgãos internos da Polícia Civil do Distrito Federal.
Essa lei viola o art. 21, XIV, da CF/88, que fixa a competência da União para manter e organizar a Polícia Civil do Distrito
Federal. Deve-se reconhecer que o art. 21, XIV, CF/88 trata tanto de competência administrativa quanto legislativa, sendo
a matéria, portanto, atribuída, prioritariamente, à União. As leis distritais impugnadas, ao criarem cargos em comissão e
novos órgãos, também instituíram novas obrigações pecuniárias a serem suportadas pela União. Ocorre que é vedado ao
Distrito Federal valer-se de leis distritais para instituir encargos financeiros a serem arcados pela União. Como as leis
distritais declaradas inconstitucionais eram muito antigas (2001, 2002 e 2005), o STF decidiu modular os efeitos da decisão.
STF. Plenário. ADI 3666, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 06/12/2018 (notícia do site).
É constitucional lei estadual ou municipal que imponha sanções às agências bancárias que não instalarem divisórias
individuais nos caixas de atendimento. Trata-se de matéria relativa a relação de consumo, o que garante ao Estado
competência concorrente para legislar sobre o tema (art. 24, V, da CF/88). STF. Plenário. ADI 4633/SP, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 10/04/2018 (notícia do site). STF. 1ª Turma. ARE 756593 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/12/2014.
É inconstitucional lei estadual que impõe às montadoras, concessionárias e importadoras de veículos a obrigação de
fornecer veículo reserva a clientes cujo automóvel fique inabilitado por mais de quinze dias por falta de peças originais ou
por impossibilidade de realização do serviço, durante o período de garantia contratual. STF. Plenário. ADI 5158/PE, Rel. Min.
Roberto Barroso, julgado em 6/12/2018 (Info 926).
É possível que a Constituição do Estado preveja iniciativa popular para a propositura de emenda à Constituição Estadual.
A iniciativa popular de emenda à Constituição Estadual é compatível com a Constituição Federal, encontrando fundamento
no art. 1º, parágrafo único, no art. 14, II e III e no art. 49, VI, da CF/88. Embora a Constituição Federal não autorize proposta
de iniciativa popular para emendas ao próprio texto, mas apenas para normas infraconstitucionais, não há impedimento
para que as Constituições Estaduais prevejam a possibilidade, ampliando a competência constante da Carta Federal. STF.
Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).
É constitucional norma de Constituição Estadual que preveja que “o Estado e os Municípios reservarão vagas em seus
respectivos quadros de pessoal para serem preenchidas por pessoas portadoras de deficiência.” Apesar de, em tese, a
Constituição Estadual não poder dispor sobre servidores municipais, sob pena de afronta à autonomia municipal, neste caso
não há inconstitucionalidade, considerando que se trata de mera repetição de norma da CF/88: Art. 37 (...) VIII - a lei
reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua
admissão. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).

Patrícia Reinert Lang


A CE/AP trouxe regra dizendo que se o Prefeito ou o Vice-Prefeito for viajar ao exterior, “por qualquer tempo”, ele deverá
pedir uma licença prévia da Câmara Municipal para a viagem. O STF considerou inconstitucional a expressão “por qualquer
tempo”. Essa regra de “por qualquer tempo” está em desacordo com o princípio da simetria. Isso porque a CF/88 somente
exige autorização do Congresso Nacional se a ausência do Presidente da República for superior a 15 dias (art. 49, III). De
igual modo, a Constituição do Estado do Amapá também só exige autorização da Assembleia Legislativa se a ausência do
Governador (ou do Vice) for superior a 15 dias (art. 118, § 1º). Logo, a exigência de autorização da Câmara Municipal para
que o Prefeito possa se ausentar por períodos menores que 15 dias quebra a simetria existente em relação ao Governador.
STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).
São inconstitucionais as leis que obrigam supermercados ou similares à prestação de serviços de acondicionamento ou
embalagem das compras, por violação ao princípio da livre iniciativa (art. 1º, IV e art. 170 da CF/88). STF. Plenário. RE
839950/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24/10/2018 (repercussão geral) (Info 921).
É inconstitucional lei municipal que cria concurso de prognósticos de múltiplas chances (loteria) em âmbito local. A
competência para tratar sobre esse assunto (sistemas de sorteios) é privativa da União, conforme determina o art. 22, XX,
da CF/88. Sobre o tema, vale a pena lembrar a SV 2: é inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que
disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias. STF. Plenário. ADPF 337/MA, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 17/10/2018 (Info 920).
A competência para editar lei fixando o piso salarial das categorias profissionais (art. 7º, V, da CF/88) é privativa da União
por se tratar de direito do trabalho (art. 22, I). A União editou a LC federal 103/2000 autorizando que os Estados-membros
e o DF editem leis fixando o piso salarial dos profissionais de acordo com suas realidades regionais. Ocorre que a União
exigiu, dentre outros requisitos, que essa lei seja de iniciativa do chefe do Poder Executivo estadual (Governador). Se uma
lei estadual/distrital de iniciativa parlamentar fixa o piso salarial, essa lei ultrapassa os limites impostos pela LC federal
103/2000 e, em última análise, viola diretamente o art. 22, I e parágrafo único, da CF/88, sendo considerada inconstitucional.
Assim, a extrapolação dos limites da competência legislativa delegada pela União aos Estados e ao Distrito Federal
representa a usurpação de competência legislativa da União para legislar sobre direito do trabalho (art. 22, I e parágrafo
único) e, consequentemente, a inconstitucionalidade formal da lei delegada. STF. Plenário. ADI 5344 MC/PI, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 11/10/2018 (Info 919).
A competência para legislar sobre as atividades que envolvam organismos geneticamente modificados (OGM) é concorrente
(art. 24, V, VIII e XII, da CF/88). No âmbito das competências concorrentes, cabe à União estabelecer normas gerais e aos
Estados-membros editar leis para suplementar essas normas gerais (art. 24, §§ 1º e 2º). Determinado Estado-membro editou
lei estabelecendo que toda e qualquer atividade relacionada com os OGMs naquele Estado deveria observar “estritamente
à legislação federal específica”. O STF entendeu que essa lei estadual é inconstitucional porque significou uma verdadeira
“renúncia” ao exercício da competência legislativa concorrente prevista no art. 24, V, VIII e XII, da CF/88. Em outras
palavras, o Estado abriu mão de sua competência suplementar prevista no art. 24, § 2º da CF/88. Essa norma estadual
remissiva fragiliza a estrutura federativa descentralizada, e consagra o monopólio da União, sem atentar para nuances locais.
Assim, é inconstitucional lei estadual que remete o regramento do cultivo comercial e das atividades com organismos
geneticamente modificados à regência da legislação federal. STF. Plenário. ADI 2303, Rel. M. Aurélio, 5/9/2018 (Info 914).
São inconstitucionais as normas que estabelecem vinculação de parcelas das receitas tributárias a órgãos, fundos ou
despesas, por desrespeitarem a vedação contida no art. 167, IV, da Constituição Federal. Caso: STF julgou inconstitucional
o art. 226, § 1º da Constituição do Estado do RJ, que criou o Fundo de Desenvolvimento Econômico e a ele destinou recursos
provenientes do Fundo de Participação dos Estados. STF. Plenário. ADI 553/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, 13/6/2018 (Info 906).
As disposições legais sobre a forma de cobrança do Imposto sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de quaisquer Bens
ou Direitos (ITCMD) pela Procuradoria Geral do Estado e de sua intervenção em processos de inventário, arrolamento e
outros de interesse da Fazenda Pública são regras de procedimento que não violam o Código de Processo Civil. Neste caso,
são normas eminentemente procedimentais, autorizadas pelo art. 24 da CF/88, que prevê a competência concorrente da
União e dos Estados. A possibilidade de a Procuradoria-Geral do Estado intervir e ser ouvida nos inventários, arrolamentos
e outros feitos em nada atrapalha o processo. STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. A. Moraes, j. em 6/6/2018 (Info 905).
É constitucional lei estadual que obrigue os planos de saúde a fornecerem aos consumidores informações e documentos
justificando as razões pelas quais houve recusa de algum procedimento, tratamento ou internação. O Mato Grosso do Sul
editou uma lei estadual prevendo que, se o plano de saúde recusar algum procedimento, tratamento ou internação, ele
deverá fornecer, por escrito, ao usuário, um comprovante fundamentado expondo as razões da negativa. O STF entendeu
que essa norma não viola competência privativa da União, considerando que ela trata sobre proteção ao consumidor,
matéria inserida na competência concorrente (art. 24, V). STF. Plenário. ADI 4512/MS, Min. C. Lúcia, 7/2/2018 (Info 890).
É inconstitucional lei estadual que estabelece a obrigatoriedade de que os rótulos ou embalagens de todos os produtos
alimentícios comercializados no Estado contenham uma série de informações sobre a sua composição, que não são exigidas
pela legislação federal. STF. Plenário. ADI 750/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 3/8/2017 (Info 871).
Lei estadual que torna obrigatória a prestação de serviços de empacotamento nos supermercados é inconstitucional por
afrontar o princípio constitucional da livre inciativa. Lei estadual que exige que o serviço de empacotamento nos
Patrícia Reinert Lang
supermercados seja prestado por funcionário do próprio estabelecimento é inconstitucional por violar a competência
privativa da União para legislar sobre Direito do Trabalho. STF. Plenário. ADI 907/RJ, Rel. Min. Barroso, 1º/8/2017 (Info 871).
Lei estadual que impõe a prestação de serviço de segurança em estacionamento a toda pessoa física ou jurídica que
disponibilize local para estacionamento é inconstitucional, quer por violar a competência privativa da União para legislar
sobre direito civil, quer por violar a livre iniciativa. Lei estadual que impõe a utilização de empregados próprios na entrada
e saída de estacionamento, impedindo a terceirização, viola a competência privativa da União para legislar sobre Direito do
Trabalho. STF. Plenário. ADI 451/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 1º/8/2017 (Info 871).
É constitucional lei estadual que preveja a possibilidade de empresas patrocinarem bolsas de estudo para professores em
curso superior, tendo como contrapartida a obrigação de que esses docentes ministrem aula de alfabetização ou
aperfeiçoamento para os empregados da empresa patrocinadora. Essa lei insere-se na competência legislativa do Estado-
Membro para dispor sobre educação e ensino, prevista no art. 24, IX, da CF/88. STF. Plenário. ADI 2663/RS, Rel. Min. Luiz
Fux, julgado em 8/3/2017 (Info 856).
É inconstitucional lei estadual que estabeleça normas sobre a comercialização de títulos de capitalização, proibindo a venda
casada e prevendo regras para a publicidade desses produtos. STF. Plenário. ADI 2905/MG, rel. orig. Min. Eros Grau, red. p/
o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 16/11/2016 (Info 847).
É inconstitucional lei estadual que preveja que o escritório de prática jurídica da Universidade Estadual deverá manter
plantão criminal nos finais de semana e feriados para atender pessoas hipossuficientes que sejam presas em flagrante. Esta
lei viola a autonomia administrativa, financeira, didática e científica assegurada às universidades no art. 207 da CF/88
(inconstitucionalidade material). Além disso, contém vício de iniciativa (inconstitucionalidade formal), na medida em que
foi usurpada a iniciativa privativa do Governador. STF. Plenário. ADI 3792/RN, Rel. Min. Toffoli, j. em 22/09/2016 (Info 840).
É inconstitucional lei estadual que estabelece regras para a cobrança em estacionamento de veículos. STF. Plenário. ADI
4862/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18/8/2016 (Info 835).
Lei estadual que disponha sobre bloqueadores de sinal de celular em presídio invade a competência da União para legislar
sobre telecomunicações. STF. Plenário. ADI 3835/MS, Rel. Min. M. Aurélio, ADI 5356/MS, red. p/ o ac Min. M. Aurélio, ADI
5253/BA, Rel. Min. Toffoli, ADI 5327/PR, Rel. Min Toffoli, ADI 4861/SC, Rel. Min. Gilmar M., julgados em 3/8/2016 (Info 833).
A competência para legislar sobre serviços de telecomunicações é privativa da União art. 21, XI e art. 22, IV, da CF/88). Logo,
é inconstitucional lei estadual que determinou às empresas telefônicas que criem e mantenham um cadastro de
assinantes interessados em receber ofertas de produtos e serviços, que deve ser disponibilizado para as empresas de
telemarketing. STF. Plenário. ADI 3959/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 20/4/2016 (Info 822).
É inconstitucional lei estadual que veda ao Poder Público estadual exigir a revalidação de títulos obtidos em instituições de
ensino superior dos países membros do Mercado Comum do Sul – MERCOSUL. A lei estadual que trata sobre revalidação de
títulos obtidos em instituições de ensino superior dos países membros do MERCOSUL afronta o pacto federativo (art. 60,
§4º, I, da CF/88) na medida em que usurpa a competência da União para dispor sobre diretrizes e bases da educação
nacional (art. 22, XXIV). STF. Plenário. ADI 5341 MC- Referendo/AC, Rel. Min. Edson Fachin, j. em 10/3/2016 (Info 817).
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
É cabível ADI contra decreto presidencial que, com fundamento no art. 84, VI, “a”, da CF/88, extingue colegiados da
Administração Pública federal. Isso porque se trata de decreto autônomo, que retira fundamento de validade diretamente
da Constituição Federal e, portanto, é dotado de generalidade e abstração. STF. Plenário. ADI 6121 MC/DF, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 12 e 13/6/2019 (Info 944).
Em Fortaleza, foi editada a Lei municipal nº 10.553/2016 proibindo o serviço de transporte em aplicativos. Foi ajuizada ADPF
contra a lei. Antes que a ação fosse julgada, a referida Lei foi revogada. Mesmo com a revogação, o STF conheceu da ADPF
e julgou o mérito, declarando a Lei nº 10.553/2016 inconstitucional. O Tribunal considerou que a revogação da Lei atacada
na ADPF por outra lei local não retira o interesse de agir no feito. Isso porque persiste a utilidade da prestação jurisdicional
com o intuito de estabelecer, com caráter erga omnes e vinculante, o regime aplicável às relações jurídicas estabelecidas
durante a vigência da norma impugnada, bem como no que diz respeito a leis de idêntico teor aprovadas em outros
Municípios. Trata-se da solução mais consentânea com o princípio da eficiência processual e o imperativo aproveitamento
dos atos já praticados de maneira socialmente proveitosa. STF. Plenário. ADPF 449/DF, Rel. Min. Fux, 9/5/2019 (Info 939).
O CTB pode exigir a quitação do pagamento dos tributos, encargos e multas como condição para que o veículo possa circular
O CTB prevê que só poderá ser expedido novo certificado de registro de veículo e novo certificado de licenciamento anual
se ficar comprovado o pagamento dos débitos relativos a tributos, encargos e multas vinculadas ao veículo,
independentemente da responsabilidade pelas infrações cometidas (arts. 124, VIII, 128, e 131, § 2º). Tais dispositivos são
constitucionais e não limitam o direito de propriedade. Além disso, não se constituem em sanções políticas. STF. Plenário.
ADI 2998/DF, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 10/04/2019 (Info 937).
Resolução do CONTRAN não pode estabelecer penalidades, devendo as sanções ser previstas em lei em sentido formal e
material O art. 161 do CTB prevê que: Art. 161. Constitui infração de trânsito a inobservância de qualquer preceito deste
Código, da legislação complementar ou das resoluções do CONTRAN, sendo o infrator sujeito às penalidades e medidas

Patrícia Reinert Lang


administrativas indicadas em cada artigo, além das punições previstas no Capítulo XIX. Parágrafo único. As infrações
cometidas em relação às resoluções do CONTRAN terão suas penalidades e medidas administrativas definidas nas próprias
resoluções. O STF conferiu interpretação conforme a Constituição, para declarar inconstitucional a possibilidade do
estabelecimento de sanção por parte do CONTRAN, como se órgão legislativo fosse, visto que as penalidades têm de estar
previstas em lei em sentido formal e material. Além disso, o Tribunal declarou a nulidade da expressão “ou das Resoluções
do Contran” presente neste artigo. STF. Plenário. ADI 2998/DF, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 10/04/2019 (Info 937).
Não se conta em dobro o prazo recursal para a Fazenda Pública em processo objetivo, mesmo que seja para interposição
de recurso extraordinário em processo de fiscalização normativa abstrata. Não há, nos processos de fiscalização normativa
abstrata, a prerrogativa processual dos prazos em dobro. Não se aplica ao processo objetivo de controle abstrato de
constitucionalidade a norma que concede prazo em dobro à Fazenda Pública. Assim, por exemplo, a Fazenda Pública não
possui prazo recursal em dobro no processo de controle concentrado de constitucionalidade, mesmo que seja para a
interposição de recurso extraordinário. STF. Plenário. ADI 5814 MC-AgR-AgR/RR, Rel. Min. Roberto Barroso; ARE 830727
AgR/SC, Rel. para acórdão Min. Cármen Lúcia, julgados em 06/02/2019 (Info 929).
Coexistência de ADI no TJ e ADI no STF, sendo a ADI estadual julgada primeiro Coexistindo duas ações diretas de
inconstitucionalidade, uma ajuizada perante o tribunal de justiça local e outra perante o STF, o julgamento da primeira –
estadual – somente prejudica o da segunda – do STF – se preenchidas duas condições cumulativas: 1) se a decisão do
Tribunal de Justiça for pela procedência da ação e 2) se a inconstitucionalidade for por incompatibilidade com preceito
da Constituição do Estado sem correspondência na Constituição Federal. Caso o parâmetro do controle de
constitucionalidade tenha correspondência na Constituição Federal, subsiste a jurisdição do STF para o controle abstrato de
constitucionalidade.
Viola a igualdade a exigência de que o cargo público seja ocupado por indivíduo com curso de administração pública
mantido por instituição pública credenciada no respectivo Estado: É inconstitucional lei estadual que, ao criar o cargo de
administrador público, exige que ele seja ocupado por profissional graduado em Curso de Administração Pública mantido
por Instituição Pública de Ensino Superior, credenciada no respectivo Estado. Essa previsão da lei estadual ofende o princípio
constitucional da igualdade no acesso a cargos públicos. Além disso, essa regra também viola o art. 19, III, da Constituição
Federal, que proíbe a criação de distinções ilegítimas entre brasileiros. STF. Plenário. ADI 3659/AM, Rel. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 13/12/2018 (Info 927).
Caso o STF, ao julgar uma ADI, ADC ou ADPF, declare a lei ou ato normativo inconstitucional, ele poderá, de ofício, fazer a
modulação dos efeitos dessa decisão. Ex: no julgamento de uma ADI, o STF decidiu que determinado artigo de lei é
inconstitucional. Um dos legitimados do art. 103 da CF/88 opôs embargos de declaração pedindo a modulação dos efeitos.
Ocorre que o STF considerou que esses embargos eram intempestivos. O STF, mesmo não conhecendo dos embargos,
poderá decretar a modulação dos efeitos da decisão. STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Fachin, 2/10/2018 (Info 918).
A alteração do parâmetro constitucional, quando o processo ainda está em curso, não prejudica o conhecimento da ADI.
Isso para evitar situações em que uma lei que nasceu claramente inconstitucional volte a produzir, em tese, seus efeitos.
STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).
O advogado que assina a petição inicial da ação direta de inconstitucionalidade precisa de procuração com poderes
específicos. A procuração deve mencionar a lei ou ato normativo que será impugnado na ação. Repetindo: não basta que a
procuração autorize o ajuizamento de ADI, devendo indicar, de forma específica, o ato contra o qual se insurge. Caso esse
requisito não seja cumprido, a ADI não será conhecida. Vale ressaltar, contudo, que essa exigência constitui vício sanável e
que é possível a sua regularização antes que seja reconhecida a carência da ação. STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).
A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) é meio processual inadequado para o controle de decreto regulamentar de lei
estadual. Seria possível a propositura de ADI se fosse um decreto autônomo. Mas sendo um decreto que apenas
regulamenta a lei, não é hipótese de cabimento de ADI. STF. Plenário. ADI 4409/SP, Min. A. Moraes, 6/6/2018 (Info 905).
É cabível ADI contra Resolução do TSE que tenha, em seu conteúdo material, “norma de decisão” de caráter abstrato,
geral e autônomo, apta a ser apreciada pelo STF em sede de controle abstrato de constitucionalidade. STF. Plenário. ADI
5122, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2018 (Info 900).
A Resolução do CNMP consiste em ato normativo de caráter geral e abstrato, editado pelo Conselho no exercício de sua
competência constitucional, razão pela qual constitui ato normativo primário, sujeito a controle de constitucionalidade, por
ação direta, no Supremo Tribunal Federal. STF. Plenário. ADI 4263/DF, Rel. Min. Barroso, julgado em 25/4/2018 (Info 899).
O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em sede de controle concentrado de
constitucionalidade, ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo respectivo Governador. A legitimidade para recorrer, nestes
casos, é do próprio Governador (previsto como legitimado pelo art. 103 da CF/88). Os Estados-membros não se incluem no
rol dos legitimados a agir como sujeitos processuais em sede de controle concentrado de constitucionalidade. STF. Plenário.
ADI 4420 ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 05/04/2018.

Patrícia Reinert Lang


É possível a celebração de acordo num processo de índole objetiva, como a ADPF, desde que fique demonstrado que há
no feito um conflito intersubjetivo subjacente (implícito), que comporta solução por meio de autocomposição. Vale
ressaltar que, na homologação deste acordo, o STF não irá chancelar ou legitimar nenhuma das teses jurídicas defendidas
pelas partes no processo. O STF irá apenas homologar as disposições patrimoniais que forem combinadas e que estiverem
dentro do âmbito da disponibilidade das partes. A homologação estará apenas resolvendo um incidente processual, com
vistas a conferir maior efetividade à prestação jurisdicional. STF. Plenário. ADPF 165/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 1º/3/2018 (Info 892).
O que acontece se a lei impugnada por meio de ADI é alterada antes do julgamento da ação? Neste caso, o autor da ADI
deverá aditar a petição inicial demonstrando que a nova redação do dispositivo impugnado apresenta o mesmo vício de
inconstitucionalidade que existia na redação original. A revogação, ou substancial alteração, do complexo normativo
impõe ao autor o ônus de apresentar eventual pedido de aditamento, caso considere subsistir a inconstitucionalidade na
norma que promoveu a alteração ou revogação. Se o autor não fizer isso, o STF não irá conhecer da ADI, julgando
prejudicado o pedido em razão da perda superveniente do objeto. STF. Plenário. ADI 1931/DF, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 7/2/2018 (Info 890).
O STF não admite a “teoria da transcendência dos motivos determinantes”. Segundo a teoria restritiva, adotada pelo STF,
somente o dispositivo da decisão produz efeito vinculante. Os motivos invocados na decisão (fundamentação) não são
vinculantes. A reclamação no STF é uma ação na qual se alega que determinada decisão ou ato: • usurpou competência do
STF; ou • desrespeitou decisão proferida pelo STF. Não cabe reclamação sob o argumento de que a decisão impugnada
violou os motivos (fundamentos) expostos no acórdão do STF, ainda que este tenha caráter vinculante. Isso porque
apenas o dispositivo do acórdão é que é vinculante. Assim, diz-se que a jurisprudência do STF é firme quanto ao não
cabimento de reclamação fundada na transcendência dos motivos determinantes do acórdão com efeito vinculante. STF.
Plenário. Rcl 8168/SC, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 19/11/2015 (Info 808).
STF. 2ª Turma. Rcl 22012/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, red. p/ ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 12/9/2017 (Info 887).
Se uma lei ou ato normativo é declarado inconstitucional pelo STF, incidentalmente, ou seja, em sede de controle difuso,
essa decisão, assim como acontece no controle abstrato, também produz eficácia erga omnes e efeitos vinculantes. O STF
passou a acolher a teoria da abstrativização do controle difuso [..... há controvérsia]. Assim, se o Plenário do STF decidir a
constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo, ainda que em controle difuso, essa decisão terá
os mesmos efeitos do controle concentrado, ou seja, eficácia erga omnes e vinculante. Houve mutação constitucional do
art. 52, X, da CF/88. A nova interpretação deve ser a seguinte: quando o STF declara uma lei inconstitucional, mesmo em
sede de controle difuso, a decisão já tem efeito vinculante e erga omnes e o STF apenas comunica ao Senado com o objetivo
de que a referida Casa Legislativa dê publicidade daquilo que foi decidido. STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel.
Min. Rosa Weber, julgados em 29/11/2017 (Info 886).
Imagine a seguinte situação: é proposta uma ADI contra determinada lei. Cinco Ministros votam pela inconstitucionalidade
da lei. Quatro Ministros votam pela constitucionalidade. Dois Ministros declaram-se impedidos de votar. Qual deverá ser a
proclamação do resultado? Pode-se dizer que esta lei foi declarada inconstitucional por maioria de votos? NÃO. Não foi
atingido o número mínimo de votos para a declaração de inconstitucionalidade da lei (6 votos). Assim, como não foi
alcançado o quórum exigido pelo art. 97 da CF/88, entende-se que o STF não pronunciou juízo de constitucionalidade ou
inconstitucionalidade da lei. Isso significa que o STF não declarou a lei nem constitucional nem inconstitucional. Além disso,
esse julgamento não tem eficácia vinculante, ou seja, os juízes e Tribunais continuam livres para decidir que a lei é
constitucional ou inconstitucional, sem estarem vinculados ao STF. STF. Plenário. ADI 4066/DF, Rel. Min. Rosa Weber,
julgado em 23 e 24/8/2017 (Info 874).
Em regra, não é cabível ADI sob o argumento de que uma lei ou ato normativo violou um tratado internacional. Em regra,
os tratados internacionais não podem ser utilizados como parâmetro em sede de controle concentrado de
constitucionalidade. Exceção: será cabível ADI contra lei ou ato normativo que violou tratado ou convenção internacional
que trate sobre direitos humanos e que tenha sido aprovado segundo a regra do § 3º do art. 5º, da CF/88. Isso porque neste
caso esse tratado será incorporado ao ordenamento brasileiro como se fosse uma emenda constitucional. STF. Plenário. ADI
2030/SC, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/8/2017 (Info 872).
O Estado do Rio de Janeiro vive uma grave crise econômica, estando em débito com o pagamento de fornecedores e atraso
até mesmo no pagamento da remuneração dos servidores públicos. Os órgãos e entidades também estão sem dinheiro para
custear os serviços públicos. Diante disso, diversas ações (individuais e coletivas) foram propostas, tanto na Justiça comum
estadual como também na Justiça do Trabalho, pedindo a realização desses pagamentos. Os órgãos judiciais estavam
acolhendo os pedidos e determinando a apreensão de valores nas contas do Estado para a concretização dos pagamentos.
Neste cenário, o Governador do Estado ajuizou ADPF no STF com o objetivo de suspender os efeitos de todas as decisões
judiciais do TJRJ e do TRT da 1ª Região que tenham determinado o arresto, o sequestro, o bloqueio, a penhora ou a liberação
de valores das contas administradas pelo Estado do Rio de Janeiro. O STF afirmou que a ADPF é instrumento processual
adequado para esse pedido e deferiu a medida liminar. O conjunto de decisões questionadas são atos típicos do Poder
Público passíveis de impugnação por meio de APDF. STF. Plenário. ADPF 405 MC/RJ, Rel. R. Weber, 14/6/2017 (Info 869).
Patrícia Reinert Lang
É possível a modulação dos efeitos da decisão proferida em sede de controle incidental de constitucionalidade. STF.
Plenário. RE 522897/RN, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 16/3/2017 (Info 857).
O STF, ao julgar as ações de controle abstrato de constitucionalidade, não está vinculado aos fundamentos jurídicos
invocados pelo autor. Assim, pode-se dizer que na ADI, ADC e ADPF, a causa de pedir (causa petendi) é aberta. Isso significa
que todo e qualquer dispositivo da Constituição Federal ou do restante do bloco de constitucionalidade poderá ser utilizado
pelo STF como fundamento jurídico para declarar uma lei ou ato normativo inconstitucional. STF. Plenário. ADI 3796/PR,
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 8/3/2017 (Info 856).
Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis municipais utilizando como
parâmetro normas da Constituição Federal, desde que se trate de normas de reprodução obrigatória pelos estados. STF.
Plenário. RE 650898/RS, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 1º/2/2017 (repercussão geral) (Info 852).
Se é proposta ADI contra uma medida provisória e, antes de a ação ser julgada, a MP é convertida em lei com o mesmo
texto que foi atacado, esta ADI não perde o objeto e poderá ser conhecida e julgada. Como o texto da MP foi mantido, não
cabe falar em prejudicialidade do pedido. Isso porque não há a convalidação ("correção") de eventuais vícios existentes na
norma, razão pela qual permanece a possibilidade de o STF realizar o juízo de constitucionalidade. Neste caso, ocorre a
continuidade normativa entre o ato legislativo provisório (MP) e a lei que resulta de sua conversão. Ex: foi proposta uma
ADI contra a MP 449/1994 e, antes de a ação ser julgada, houve a conversão na Lei nº 8.866/94. Vale ressaltar, no entanto,
que o autor da ADI deverá peticionar informando esta situação ao STF e pedindo o aditamento da ação. STF. Plenário. ADI
1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2016 (Info 851).
Foi proposta ADI contra a Lei nº 3.041/2005, do Estado do Mato Grosso do Sul, que tratava sobre assunto de competência
da União. Ocorre que esta Lei havia revogado outras leis estaduais de mesmo conteúdo. Desse modo, se a Lei nº 3.041/2005
fosse, isoladamente, declarada inconstitucional, as demais leis revogadas "voltariam" a vigorar mesmo padecendo de
idêntico vício. A fim de evitar essa "eficácia repristinatória indesejada", o PGR, que ajuizou a ação, impugnou não apenas a
Lei nº 3.041/2005, mas também aquelas outras normas por ela revogadas. O STF concordou com o PGR e, ao declarar
inconstitucional a Lei nº 3.041/2005, afirmou que não deveria haver o efeito repristinatório em relação às leis anteriores de
mesmo conteúdo. O dispositivo do acórdão ficou, portanto, com a seguinte redação: "O Tribunal, por maioria e nos termos
do voto do Relator, julgou procedente o pedido formulado para declarar a inconstitucionalidade da Lei nº 3.041/2005, do
Estado de Mato Grosso do Sul, inexistindo efeito repristinatório em relação às leis anteriores de mesmo conteúdo, (...)" STF.
Plenário. ADI 3.735/MS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 8/9/2016 (Info 838).
As associações que representam fração de categoria profissional não são legitimadas para instaurar controle concentrado
de constitucionalidade de norma que extrapole o universo de seus representados. Ex: a ANAMAGES, associação que
representa apenas os juízes estaduais, não pode ajuizar ADPF questionando dispositivo da LOMAN, considerando que esta
lei rege não apenas os juízes estaduais, mas sim os magistrados de todo o Poder Judiciário, seja ele federal ou estadual. STF.
Plenário. ADPF 254 AgR/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/5/2016 (Info 826).
O que acontece caso o ato normativo que estava sendo impugnado na ADI seja revogado antes do julgamento da ação?
Regra: haverá perda superveniente do objeto e a ADI não deverá ser conhecida (STF ADI 1203). Exceção 1: não haverá perda
do objeto e a ADI deverá ser conhecida e julgada caso fique demonstrado que houve "fraude processual", ou seja, que a
norma foi revogada de forma proposital a fim de evitar que o STF a declarasse inconstitucional e anulasse os efeitos por ela
produzidos (STF ADI 3306). Exceção 2: não haverá perda do objeto se ficar demonstrado que o conteúdo do ato impugnado
foi repetido, em sua essência, em outro diploma normativo. Neste caso, como não houve desatualização significativa no
conteúdo do instituto, não há obstáculo para o conhecimento da ação (ADI 2418/DF). Exceção 3: caso o STF tenha julgado
o mérito da ação sem ter sido comunicado previamente que houve a revogação da norma atacada. Nesta hipótese, não
será possível reconhecer, após o julgamento, a prejudicialidade da ADI já apreciada. STF. Plenário. ADI 2418/DF, Rel. Min.
Teori Zavascki, julgado em 4/5/2016 (Info 824). STF. Plenário. ADI 951 ED/SC, Rel. Min. Barroso, j. 27/10/2016 (Info 845).
Em regra, a decisão proferida pelo STF em processos individuais (ex: recurso extraordinário, reclamação) possui eficácia
inter partes. No entanto, no caso do RE 567.985/MT, do RE 580963/PR e do Rcl 4374/PE é diferente. Isso porque o Plenário
da Corte Suprema, no julgamento desses processos não apenas resolveu o conflito individual deduzido naquela causa,
mas realizou, expressamente, a reinterpretação da decisão proferida pelo STF na ADI 1.232/DF. Em outras palavras, a
decisão proferida no processo individual ganhou eficácia erga omnes e efeito vinculante porque reinterpretou e modificou
uma decisão proferida em ADI, que possui tais atributos. Logo, por ter "substituído" um entendimento do STF que tinha
eficácia erga omnes e efeito vinculante, a nova decisão proferida em sede de controle concreto ganhou contornos de
controle abstrato. Dessa forma, se uma decisão proferida por outro órgão jurisdicional violar o que foi decidido pelo STF no
RE 567.985/MT, no RE 580963/PR e no Rcl 4374/PE caberá reclamação para o Supremo. Obs: apenas para esclarecer, em
1998, na ADI 1.232/DF, o STF havia decidido que o § 3º do art. 20 da Lei nº 8.742/93 era constitucional. Em 2013, ao apreciar
novamente o tema no RE 567.985/MT, no RE 580963/PR e no Rcl 4374/PE, processos individuais julgados em conjunto, o
STF mudou de entendimento e afirmou que o referido § 3º é parcialmente inconstitucional. STF. Decisão monocrática. Rcl
18636, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 10/11/2015 (Info 813).

Patrícia Reinert Lang


É possível a impugnação, em sede de controle abstrato de constitucionalidade, de leis orçamentárias. Assim, é cabível a
propositura de ADI contra lei orçamentária, lei de diretrizes orçamentárias e lei de abertura de crédito extraordinário.
STF. Plenário. ADI 5449 MC-Referendo/RR, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 10/3/2016 (Info 817).
RESERVA DE PLENÁRIO
Sociedade de economia mista realizou concurso público para advogado da empresa. Mesmo havendo aprovados no
certame, que ainda estava dentro do prazo de vigência, a empresa decidiu contratar um escritório de advocacia para realizar
os serviços jurídicos. Diante disso, uma das Turmas do TRT reconheceu que houve preterição dos aprovados e determinou
a nomeação. Ao assim decidir, a Turma do TRT disse que não se aplicava, ao caso, o art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95. Essa
decisão da Turma do TRT (órgão fracionário do Tribunal) não viola a SV 10. Isso porque o enfoque do acórdão do TRT não
era a terceirização dos serviços, mas sim a preterição arbitrária praticada pela Administração Pública. STF. 1ª Turma. Rcl
29307 AgR/PB, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 4/12/2018 (Info 926).
É nula a decisão de órgão fracionário que se recusa a aplicar o art. 94, II, da Lei nº 9.472/97, sem observar a cláusula de
reserva de plenário (art. 97, da CF/88), observado o art. 949 do CPC/2015. STF. Plenário. ARE 791932/DF, Rel. Min. Alexandre
de Moraes, j. 10 e 11/10/2018 (repercussão geral) (Info 919)OBS: Art. 94. No cumprimento de seus deveres, a concessionária
poderá, observadas as condições e limites estabelecidos pela Agência: (...) II - contratar com terceiros o desenvolvimento
de atividades inerentes, acessórias ou complementares ao serviço, bem como a implementação de projetos associados.
O art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95 prevê o seguinte: “(...) a concessionária poderá contratar com terceiros o desenvolvimento
de atividades inerentes, acessórias ou complementares ao serviço concedido, bem como a implementação de projetos
associados.” Se o órgão fracionário de um Tribunal (ex: uma das Turmas do TRT) julga ilegal a terceirização contratada por
uma concessionária do serviço público, afastando a aplicação do art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95, esta decisão viola a súmula
vinculante 10? • SIM. O art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95 permite a terceirização da atividade-fim das empresas
concessionárias do serviço público. Logo, se um órgão fracionário do TRT afasta a aplicação deste dispositivo, haverá afronta
à súmula vinculante 10 por violação à cláusula da reserva de plenário. STF. 1ª Turma. Rcl 27.068/MG, rel. orig. Min. Rosa
Weber, red. p/ o ac. Min. Luís Roberto, julgado em 5/3/2018 (Info 896). • NÃO. O ato reclamado, ao considerar ilegal a
contratação de empregado, por empresa interposta, para prestar serviços essenciais à atividade fim da tomadora, nos
termos da Súmula 331, I, do TST, não declarou expressamente, nem implicitamente, a inconstitucionalidade de qualquer
norma especial de regência aplicável ao caso. É firme a jurisprudência do STF no sentido de que não se exige reserva de
plenário para a mera interpretação e aplicação das normas jurídicas que emerge do próprio exercício da jurisdição, sendo
necessário, para caracterizar violação à cláusula de reserva de plenário, que a decisão de órgão fracionário se fundamente
na incompatibilidade entre a norma legal e o Texto Constitucional. STF. 1ª Turma. Rcl 24284/SP, rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 22/11/2016 (Info 848). STF. 2ª Turma. Rcl 26408 AgR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 07/11/2017.
Não viola a Súmula Vinculante 10, nem a regra do art. 97 da CF/88, a decisão do órgão fracionário do Tribunal que deixa
de aplicar a norma infraconstitucional por entender não haver subsunção aos fatos ou, ainda, que a incidência normativa
seja resolvida mediante a sua mesma interpretação, sem potencial ofensa direta à Constituição. Além disso, a reclamação
constitucional fundada em afronta à SV 10 não pode ser usada como sucedâneo (substituto) de recurso ou de ação própria
que analise a constitucionalidade de normas que foram objeto de interpretação idônea e legítima pelas autoridades jurídicas
competentes. STF. 1ª Turma. Rcl 24284/SP, rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/11/2016 (Info 848).
Não viola o art. 97 da CF/88 nem a SV 10 a decisão de órgão fracionário do Tribunal que declara inconstitucional decreto
legislativo que se refira a uma situação individual e concreta. Isso porque o que se sujeita ao princípio da reserva de plenário
é a lei ou o ato normativo. Se o decreto legislativo tinha um destinatário específico e referia-se a uma dada situação
individual e concreta, exaurindo-se no momento de sua promulgação, ele não pode ser considerado como ato normativo,
mas sim como ato de efeitos concretos. STF. 2ª Turma. Rcl 18165 AgR/RR, Rel. Min. Teori, j. em 18/10/2016 (Info 844).
PROCESSO LEGISLATIVO
Não viola a Constituição Federal lei municipal, de iniciativa parlamentar, que veda a realização, em imóveis do Município,
de eventos patrocinados por empresas produtoras, distribuidoras, importadoras ou representantes de bebidas alcoólicas
ou de cigarros, com a utilização da respectiva propaganda. STF. 2ª Turma. RE 305470/SP, rel. orig. Min. Ellen Gracie, rel. p/
o ac. Min. Teori Zavascki, julgado em 18/10/2016 (Info 844).
É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que:  determina o destino que o Poder Executivo deverá dar aos
bens de empresa estatal que está sendo extinta;  disciplina as consequências jurídicas das relações mantidas pelo Poder
Executivo com particulares;  cria conselho de acompanhamento dentro da estrutura do Poder Executivo. STF. Plenário.
ADI 2295/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/6/2016 (Info 830).
É inconstitucional norma resultante de emenda parlamentar a projeto de lei de iniciativa exclusiva do Chefe do Poder
Executivo, na hipótese em que a emenda apresentada acarrete aumento de despesa (art. 61, § 1º, II, “a” e art. 63, I, da
CF/88). STF. Plenário. ADI 2810/RS, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 20/4/2016 (Info 822).
A iniciativa de projetos de lei que tratem sobre a organização e o funcionamento dos Tribunais de Contas é reservada
privativamente ao próprio Tribunal (arts. 73 e 96, II, “b”, da CF/88). É possível que haja emendas parlamentares em
Patrícia Reinert Lang
projetos de lei de iniciativa do Tribunal de Contas, desde que respeitados dois requisitos: a) guardem pertinência temática
com a proposta original (tratem sobre o mesmo assunto); b) não acarretem em aumento de despesas. STF. Plenário. ADI
5442 MC/DF e ADI 5453 MC/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 17/3/2016 (Info 818).
MEDIDA PROVISÓRIA
O STF declarou inconstitucional dispositivo da MP 886/2019, que transferia para o Ministério da Agricultura a competência
para realizar a demarcação de terras indígenas. Essa disposição foi declarada inconstitucional porque o Congresso Nacional
já havia rejeitado uma outra proposta, com esse mesmo teor, prevista em outra medida provisória (MP 870), editada no
mesmo ano/sessão legislativa (2019). Assim, o STF entendeu que houve a reedição, na mesma sessão legislativa, de
proposta que já havia sido rejeitada pelo Congresso Nacional, o que violou o § 10 do art. 62 da CF/88: § 10. É vedada a
reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por
decurso de prazo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32/2001) Nos termos expressos da Constituição Federal, é vedada
a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada. STF. Plenário. ADI 6062 MC-Ref/DF,
ADI 6172 MC-Ref/DF, ADI 6173 MC-Ref/DF, ADI 6174 MCRef/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, 1º/8/2019 (Info 946).
Determinada lei foi impugnada por meio de ação direta de inconstitucionalidade. Foi editada medida provisória revogando
essa lei. Enquanto esta medida provisória não for aprovada, será possível julgar esta ADI. Assim, se chegar o dia de
julgamento da ADI, e a MP ainda não tiver sido votada, o STF poderá apreciar livremente a ação, não tendo havido perda do
interesse de agir (perda do objeto). Isso, porque a edição de medida provisória não tem eficácia normativa imediata de
revogação da legislação anterior com ela incompatível, mas apenas de suspensão, paralisação, das leis antecedentes até
o término do prazo do processo legislativo de sua conversão. Embora seja espécie normativa com força de lei, a medida
provisória precisa ser confirmada. A medida provisória é lei sob condição resolutiva. Se for aprovada, a lei de conversão
resultará na revogação da norma. Dessa maneira, enquanto não aprovada a MP, não se pode falar em perda de interesse
(perda do objeto). STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF, Rel. Min. Rosa Weber, 27/3/2019 (Info 935).
É inconstitucional medida provisória ou lei decorrente de conversão de medida provisória cujo conteúdo normativo
caracterize a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória anterior rejeitada, de eficácia exaurida por
decurso do prazo ou que ainda não tenha sido apreciada pelo Congresso Nacional dentro do prazo estabelecido pela
Constituição Federal. STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e ADI 5727/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgados
em 27/3/2019 (Info 935).
Determinada medida provisória foi editada criando a possibilidade de que empresas instalassem Centros Logísticos e
Industriais Aduaneiros (CLIA), desde que autorizados pela Receita Federal. Diversas empresas fizeram o requerimento
pedindo a instalação desses Centros. Ocorre que, antes que a Receita examinasse todos os pedidos, a MP foi rejeitada pelo
Senado. O Congresso Nacional não editou decreto legislativo disciplinando as situações ocorridas durante o período em que
a MP vigorou (§ 3º do art. 62 da CF/88). Diante disso, as empresas defendiam a tese de que os requerimentos formulados
deveriam ser apreciados pela Receita Federal com base no § 11 do art. 62: “§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se
refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas
e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas.” O STF não concordou e afirmou que
os pedidos formulados pelos interessados durante a vigência da MP 320/2006 não foram sequer examinados. Logo, não se
pode dizer que havia ato jurídico perfeito. O simples fato de ter sido feito o requerimento não significa “relação jurídica
constituída”, de sorte que não se pode invocar o § 11 para justificar a aplicação da medida provisória rejeitada. O mero
protocolo do pedido não constitui uma “relação jurídica constituída” de que trata o § 11. STF. Plenário. ADPF 216/DF, Rel.
Min. Cámen Lúcia, julgado em 14/3/2018 (Info 894).
O art. 62, § 6º da CF/88 afirma que “se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de sua
publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando
sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando”.
Apesar de o dispositivo falar em “todas as demais deliberações”, o STF, ao interpretar esse § 6º, não adotou uma exegese
literal e afirmou que ficarão sobrestadas (paralisadas) apenas as votações de projetos de leis ordinárias que versem sobre
temas que possam ser tratados por medida provisória. Assim, por exemplo, mesmo havendo medida provisória trancando
a pauta pelo fato de não ter sido apreciada no prazo de 45 dias (art. 62, § 6º), ainda assim a Câmara ou o Senado poderão
votar normalmente propostas de emenda constitucional, projetos de lei complementar, projetos de resolução, projetos de
decreto legislativo e até mesmo projetos de lei ordinária que tratem sobre um dos assuntos do art. 62, § 1º, da CF/88. Isso
porque a MP somente pode tratar sobre assuntos próprios de lei ordinária e desde que não incida em nenhuma das
proibições do art. 62, § 1º. STF. Plenário. MS 27931/DF, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 29/6/2017 (Info 870).
Durante a tramitação de uma medida provisória no Congresso Nacional, os parlamentares poderão apresentar emendas?
SIM, no entanto, tais emendas deverão ter relação de pertinência temática com a medida provisória que está sendo
apreciada. Assim, a emenda apresentada deverá ter relação com o assunto tratado na medida provisória. Desse modo, é
incompatível com a Constituição a apresentação de emendas sem relação de pertinência temática com medida provisória
submetida à sua apreciação. A inserção, por meio de emenda parlamentar, de assunto diferente do que é tratado na medida

Patrícia Reinert Lang


provisória que tramita no Congresso Nacional é chamada de "contrabando legislativo", sendo uma prática vedada. Vale
ressaltar, no entanto, que a primeira vez que o STF declarou inconstitucional o contrabando legislativo foi no julgamento da
ADI 5127/DF, em 15/10/2015 (Info 803). Como antes desse julgamento, a prática do contrabando legislativo era algo muito
comum, o STF decidiu, por razões de segurança jurídica, modular os efeitos da decisão e afirmou o seguinte: todas as leis
que foram aprovadas até 15/10/2015 serão mantidas como válidas (hígidas) mesmo que tenham sido fruto de contrabando
legislativo. Os dispositivos legais aprovados após 15/10/2015 e que tenham sido resultado de contrabando legislativo
deverão ser julgados inconstitucionais. Seguindo este raciocínio, o STF reconheceu que os arts. 113 a 126 da Lei nº
12.249/2010 foram fruto de contrabando legislativo (porque inseridos durante a tramitação de uma MP que tratava sobre
assunto diverso), no entanto, declarou que eles deverão ser mantidos como válidos porque aprovados antes de 15/10/2015.
STF. Plenário. ADI 5012/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 16/3/2017 (Info 857).
O art. 62 da CF/88 prevê que o Presidente da República somente poderá editar medidas provisórias em caso de relevância
e urgência. A definição do que seja relevante e urgente para fins de edição de medidas provisórias consiste, em regra, em
um juízo político (escolha política/discricionária) de competência do Presidente da República, controlado pelo Congresso
Nacional. Desse modo, salvo em caso de notório abuso, o Poder Judiciário não deve se imiscuir na análise dos requisitos da
MP. No caso de MP que trate sobre situação tipicamente financeira e tributária, deve prevalecer, em regra, o juízo do
administrador público, não devendo o STF declarar a norma inconstitucional por afronta ao art. 62 da CF/88. STF. Plenário.
ADI 1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2016 (Info 851).
CNJ
O STF entende que não é seu papel fazer a revisão do mérito das decisões do CNJ. Assim, os atos e procedimentos do CNJ
estão sujeitos apenas ao controle de legalidade por parte do STF. O mandado de segurança não se presta ao reexame de
fatos e provas analisados pelo CNJ no processo disciplinar. A LOMAN não estabelece regras de prescrição da pretensão
punitiva por faltas disciplinares praticadas por magistrados. Diante disso, deve ser feita a aplicação subsidiária da Lei nº
8.112/90. STF. 2ª Turma. MS 35540/DF e MS 35521/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 12/3/2019 (Info 933).
Deve ser mantida a decisão do CNJ que aplica pena de disponibilidade (art. 42, IV, da LC 35/79) à magistrada que, mesmo
depois de informada que uma adolescente mulher estava presa em uma mesma cela com homens, demora a tomar as
providências necessárias para corrigir essa situação e, além disso, procura se eximir de reponsabilidade produzindo
documento falso com data retroativa, na tentativa de comprovar que teria adotado providências que, na realidade, não
adotou. STF. 1ª Turma. MS 34490/DF, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 5/2/2019 (Info 929).
Caso concreto: foi instaurado procedimento de controle administrativo (PCA) no CNJ para apurar a regularidade de 300
serventias judiciais. O impetrante alega a nulidade do PCA pelo fato de haver um grande número de interessados no mesmo
processo, defendendo a ideia de que deveria ser um procedimento para cada parte. O STF não concordou com o mandado
de segurança impetrado e manteve a decisão do CNJ. O fato de o PCA instaurado no CNJ contar com um número elevado
de partes interessadas não significa, necessariamente, violação ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
O prejuízo à defesa deve ser analisado concretamente, à luz das especificidades do caso. No caso concreto, tendo em vista
que todos os interessados foram intimados para se manifestarem no processo e o que CNJ enfrentou de maneira detida as
teses jurídicas por eles apresentadas, não há que se falar em anulação do ato impugnado. Como regra geral, o controle dos
atos do CNJ pelo STF somente se justifica nas hipóteses de: a) inobservância do devido processo legal; b) exorbitância das
competências do Conselho; e c) injuridicidade ou manifesta irrazoabilidade do ato impugnado. No caso concreto, não se
identifica nenhuma dessas três situações. Logo, não há motivo para a anulação da decisão do CNJ. STF. 1ª Turma. MS
28.495/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 13/11/2018 (Info 923).
O CNJ não pode fazer controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo de forma a substituir a competência do STF.
Contudo, o CNJ pode determinar a correção de ato do Tribunal local que, embora respaldado por legislação estadual, se
distancie do entendimento do STF. Assim, o CNJ pode afirmar que determinada lei ou ato normativo é inconstitucional se
esse entendimento já estiver pacificado no STF. Isso porque, neste caso, o CNJ estará apenas aplicando uma jurisprudência,
um entendimento já pacífico. As leis estaduais que preveem abono de férias aos magistrados em percentual superior a 1/3
são inconstitucionais. Isso porque essa majoração do percentual de férias não encontra respaldo na LOMAN, que prevê, de
forma taxativa, as vantagens conferidas aos magistrados, sendo essa a Lei que deve tratar do regime jurídico da
magistratura, por força do art. 93 da CF/88. Logo, o CNJ agiu corretamente ao determinar aos Tribunais de Justiça que pagam
adicional de férias superior a 1/3 que eles enviem projetos de lei para as Assembleias Legislativas reduzindo esse percentual.
STF. 2ª Turma. MS 31667 AgR/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/9/2018 (Info 915).
O TRF condenou juiz federal à pena de aposentadoria compulsória. Ocorre que, em virtude de alguns Desembargadores
terem se averbado suspeitos, este juiz foi condenado com um quórum de maioria simples. O CNJ reconheceu a
irregularidade da proclamação do resultado e anulou o julgamento de mérito realizado pelo TRF. Isso porque o art. 93, VIII
e X, da CF/88 exige quórum de maioria absoluta do tribunal. Ocorre que o CNJ, após anular o julgamento de mérito realizado
pelo TRF, decidiu avocar o processo administrativo para que o magistrado fosse julgado diretamente pelo Conselho. O juiz
impetrou MS contra essa avocação, mas o STF afirmou que o CNJ agiu corretamente. A Constituição, expressamente, confere

Patrícia Reinert Lang


ao CNJ competência para, a qualquer tempo, avocar processos de natureza disciplinar em curso contra membros do Poder
Judiciário. Assim, não há óbice para que o CNJ anule o julgamento do Tribunal e inicie lá um outro procedimento. Uma das
causas legítimas de avocação de procedimentos administrativos pelo CNJ é justamente a falta do quórum para proferir
decisão administrativa por maioria absoluta em razão de suspeição, impedimento ou falta de magistrados. O CNJ poderia
ter devolvido o processo ao TRF2, mas optou por exercer sua competência concorrente, dentro da discricionariedade
conferida pela Constituição, para julgar o processo e evitar novas questões de suspeição e impedimento. STF. 1ª Turma. MS
35100/DF, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 8/5/2018 (Info 901).
O CNJ não pode substituir a banca examinadora do concurso na escolha das questões, na correção de provas e nas
atribuições de notas. Assim, ao Conselho é defeso (proibido) substituir o critério valorativo para escolha e correção das
questões pela Banca Examinadora nos concursos públicos. O CNJ pode, no entanto, substituir, anular ou reformar decisões
da banca do concurso que firam os princípios da razoabilidade, da igualdade, da legalidade, da impessoalidade, da
moralidade e da publicidade. Isso porque a discricionariedade da banca de concurso não se confunde com arbitrariedade.
Se houver desrespeito aos princípios constitucionais da administração pública, será possível a plena revisão da decisão pelo
Conselho. Ex: o CNJ pode anular decisão do Tribunal de Justiça que, em concurso de cartório, deu interpretação equivocada
a determinado item do edital, e conferiu pontuação indevida a certos candidatos na fase de títulos. A pontuação conferida
pela Comissão no TJ violava à Resolução do CNJ que regulamenta os concursos de cartório. Neste caso, o CNJ atuou dentro
dos limites constitucionais do controle administrativo. STF. 1ª Turma. MS 33527/RJ, red. p/ o acórdão Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 20/3/2018 (Info 895).
A competência originária do CNJ para a apuração disciplinar, ao contrário da revisional, não se sujeita ao parâmetro
temporal [de 1 ano] previsto no art. 103-B, § 4º, V da CF/88. STF. 2ª Turma. MS 34685, rel.Toffoli, 28/11/2017 (Info 886).
Não cabe ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cujas atribuições são exclusivamente administrativas, o controle de
controvérsia que está submetida à apreciação do Poder Judiciário. STF. 1ª Turma. MS 28845/DF, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 21/11/2017 (Info 885).
Competência originária e concorrente do CNJ: A CF conferiu competência originária e concorrente ao CNJ para aplicação
de medidas disciplinares. Assim, a competência do CNJ é autônoma (e não subsidiária). Logo, o CNJ pode atuar mesmo que
não tenha sido dada oportunidade para que a corregedoria local pudesse investigar o caso. Utilização no PAD de dados
obtidos em descoberta fortuita na investigação criminal: É possível a utilização de dados obtidos por descoberta fortuita
em interceptações telefônicas devidamente autorizadas como prova emprestada em processo administrativo disciplinar.
STF. 1ª Turma. MS 30361 AgR/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 29/8/2017 (Info 875).
CNJ pode determinar que Tribunal de Justiça exonere servidores nomeados sem concurso público para cargos em
comissão que não se amoldam às atribuições de direção, chefia e assessoramento, contrariando o art. 37, V, da CF/88.
Esta decisão do CNJ não configura controle de constitucionalidade, sendo exercício de controle da validade dos atos
administrativos do Poder Ju bdiciário. STF. Plenário. Pet 4656/PB, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 19/12/2016 (Info 851).
Não cabe mandado de segurança contra ato de deliberação negativa do Conselho Nacional de Justiça, por não se tratar de
ato que importe a substituição ou a revisão do ato praticado por outro órgão do Judiciário. Assim, o STF não tem
competência para processar e julgar ações decorrentes de decisões negativas do CNMP e do CNJ. Como o conteúdo da
decisão do CNJ/CNMP foi “negativo”, o Conselho não decidiu nada. Se não decidiu nada, não praticou nenhum ato. Se não
praticou nenhum ato, não existe ato do CNJ/CNMP a ser atacado no STF. Em razão do exposto, não compete ao STF julgar
MS impetrado contra decisão do CNJ que julgou improcedente pedido de cassação de um ato normativo editado por vara
judicial. STF. 2ª Turma. MS 33085/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 20/09/2016 (Info 840).
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pode proceder à revisão disciplinar de juízes e membros de tribunais desde que
observado o requisito temporal: processos disciplinares julgados há menos de um ano. Essa medida pode ser instaurada
de ofício ou mediante provocação de qualquer interessado e admite que o CNJ agrave ou abrande a decisão disciplinar
revista (art. 103-B, § 4º, V, da CF/88). STF. 1ª Turma. MS 33565/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 14/6/2016 (Info 830).
TRIBUNAL DE CONTAS
É inconstitucional lei estadual, de origem (iniciativa) parlamentar, que discipline a organização e o funcionamento do
Tribunal de Contas estadual (TCE). Isso porque os Tribunais de Contas possuem reserva de iniciativa (competência privativa)
para apresentar os projetos de lei que tenham por objetivo tratar sobre a sua organização ou o seu funcionamento (art. 96,
II c/c arts. 73 e 75 da CF/88). Os Tribunais de Contas, conforme reconhecido pela CF/88 e pelo STF, gozam das prerrogativas
da autonomia e do autogoverno, o que inclui, essencialmente, a iniciativa privativa para instaurar processo legislativo que
pretenda alterar sua organização e funcionamento. STF. Plenário. ADI 4643/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, 15/5/2019 (Info 940).
É inconstitucional lei estadual ou emenda à Constituição do Estado, de iniciativa parlamentar, que trate sobre organização
ou funcionamento do TCE Os Tribunais de Contas possuem reserva de iniciativa (competência privativa) para deflagrar o
processo legislativo que tenha por objeto alterar a sua organização ou o seu funcionamento (art. 96, II c/c arts. 73 e 75 da
CF/88). Trata-se de uma prerrogativa que decorre da independência e autonomia asseguradas às Cortes de Contas. Assim,
é inconstitucional lei estadual ou mesmo emenda à Constituição do Estado, de iniciativa parlamentar, que trate sobre

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organização ou funcionamento do TCE. A promulgação de emenda à Constituição Estadual não constitui meio apto para
contornar (burlar) a cláusula de iniciativa reservada. STF. Plenário. ADI 5323/RN, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em
11/4/2019 (Info 937).
É inconstitucional norma da Constituição Estadual que preveja regra sobre a organização ou funcionamento do TCE de
forma diferente do modelo federal O art. 75 da CF/88 estabelece que deverá haver um “espelhamento obrigatório” do
modelo de controle externo do TCU previsto na CF/88 para os Tribunais de Contas dos Estados/DF e para os Tribunais e
Conselhos de Contas dos Municípios. Isso significa que é materialmente inconstitucional norma da Constituição Estadual
que trate sobre a organização ou funcionamento do TCE de forma diferente do modelo federal. Caso isso ocorra, haverá
uma violação ao art. 75 da Carta Maior. Diante disso, é inconstitucional dispositivo da CE que preveja que, se o TCE
reconhecer a boafé do infrator e se este fizer a liquidação tempestiva do débito ou da multa, a Corte deverá considerar
saneado o processo. Esta regra é inconstitucional porque não há previsão semelhante na CF/88. STF. Plenário. ADI 5323/RN,
Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 11/4/2019 (Info 937).
O ICMS é um imposto de competência estadual. Apesar disso, a CF/88 determina que o Estado deverá repassar 25% da
receita do ICMS aos Municípios. Esse repasse será realizado após cálculos que são feitos para definir o valor da cota-parte
que caberá a cada Município, segundo critérios definidos pelo art. 158, parágrafo único, da CF/88 e pela lei estadual. A
Constituição do Estado do Amapá previu que seria competência do TCE homologar os cálculos das cotas do ICMS devidas
aos Municípios. Este dispositivo é inconstitucional. Sujeitar o ato de repasse de recursos públicos à homologação do TCE
representa ofensa ao princípio da separação e da independência dos Poderes. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).
Não compete ao TCU adotar procedimento de fiscalização que alcance a Fundação Banco do Brasil quanto aos recursos
próprios, de natureza eminentemente privada, repassados por aquela entidade a terceiros, eis que a FBB não integra o rol
de entidades obrigadas a prestar contas àquela Corte de Contas, nos termos do art. 71, II, da CF. A FBB é uma pessoa jurídica
de direito privado não integrante da Administração Pública. Assim, a FBB não necessita se submeter aos ditames da gestão
pública quando repassar recursos próprios a terceiros por meio de convênios. Por outro lado, quando a FBB recebe recursos
provenientes do Banco do Brasil — sociedade de economia mista que sofre a incidência dos princípios da Administração
Pública previstos no art. 37, caput, da Constituição Federal, — ficará sujeita à fiscalização do TCU. Isso porque, neste caso,
tais recursos, como são provenientes do BB, têm caráter público. STF. 2ª T. MS 32703/DF, Rel. Tóffoli, 10/4/2018 (Info 897).
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas não possui legitimidade ativa para propor reclamação no STF alegando
descumprimento da decisão do Supremo. A atuação dos membros do MPTC limita-se, unicamente, ao âmbito dos próprios
Tribunais de Contas perante os quais oficiam. STF. 2ª Turma. Rcl 24156 AgR/DF, Min. C, de Mello, j. 24/10/2017 (Info 883).
A Constituição Federal não proíbe a extinção de Tribunais de Contas dos Municípios. STF. Plenário. ADI 5763/CE, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 26/10/2017 (Info 883). Obs: nesse caso, extinguiram o TCM Ceará.
Tribunais de Contas DOS MUNICÍPIOS Tribunal de Contas DO MUNICÍPIO
Órgão estadual que atua na fiscalização das contas de Órgão municipal que atua na fiscalização das contas de um
todos os Municípios de determinado Estado. único Município
Atua como órgão auxiliar de todas as Câmaras Municipais Atua como órgão auxiliar de uma única Câmara Municipal no
de determinado Estado no exercício do controle externo exercício do controle externo sobre determinado Município
sobre os respectivos Municípios daquele Estado.
A CF/88 permite que os Estados criem novos Tribunais de A CF/88 proíbe que sejam criados novos Tribunais de Contas
Contas dos Municípios. Municipais.
Atualmente, existem três: TCM/BA, TCM/GO e TCM/PA. Atualmente, existem dois: TCM/Rio de Janeiro e TCM/São
Paulo.
Auditoria do TCU e desnecessidade de participação dos terceiros reflexamente prejudicados: Em auditoria realizada pelo
TCU para apurar a gestão administrativa do órgão, os terceiros indiretamente afetados pelas determinações do Tribunal (ex:
pensionistas) não possuem direito de serem ouvidos no processo fiscalizatório. Não existe, no caso, desrespeito ao devido
processo legal. Nessa espécie de atuação administrativa, a relação processual envolve apenas o órgão fiscalizador e o
fiscalizado, sendo dispensável a participação dos interessados. O contraditório pressupõe a existência de litigantes ou
acusados, o que não ocorre quando o Tribunal de Contas atua no campo da fiscalização de órgãos e entes administrativos.
O contraditório deve ser garantido pelo órgão de origem, a quem cabe o cumprimento da determinação do Tribunal de
Contas. Não aplicação do art. 54 da Lei nº 9.784/99 para as fiscalizações realizadas pelo TC na forma do art. 71, IV, da CF/88
Em casos de “fiscalização linear exercida pelo Tribunal de Contas”, nos termos do art. 71, IV, da CF/88, não se aplica o prazo
de decadência previsto no art. 54 da Lei nº 9.784/99. Isso porque em processos de “controle abstrato”, o Tribunal de Contas
não faz o exame de ato específico do qual decorre efeito favorável ao administrado. A Corte está examinando a
regularidade das contas do órgão e a repercussão sobre eventual direito individual é apenas indireta. STF. 1ª Turma. MS
34224/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/8/2017 (Info 873).

Patrícia Reinert Lang


O prazo prescricional para que o TCU aplique multas é de 5 anos, aplicando-se a previsão do art. 1º da Lei nº 9.873/99. Caso
esteja sendo imputada ao agente público a conduta omissiva de ter deixado de tomar providências que eram de sua
responsabilidade, tem-se que, enquanto ele permaneceu no cargo, perdurou a omissão. No momento em que o agente
deixou o cargo, iniciou-se o fluxo do prazo prescricional. STF. 1ª Turma. MS 32201/DF, rel. Barroso, 21/3/2017 (Info 858).
É constitucional a criação de órgãos jurídicos na estrutura de Tribunais de Contas estaduais, vedada a atribuição de cobrança
judicial de multas aplicadas pelo próprio tribunal. É inconstitucional norma estadual que preveja que compete à
Procuradoria do Tribunal de Contas cobrar judicialmente as multas aplicadas pela Corte de Contas. A Constituição Federal
não outorgou aos Tribunais de Contas competência para executar suas próprias decisões. As decisões dos Tribunais de
Contas que acarretem débito ou multa têm eficácia de título executivo, mas não podem ser executadas por iniciativa do
próprio Tribunal. STF. Plenário. ADI 4070/RO, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 19/12/2016 (Info 851). A competência
para isso é do titular do crédito constituído a partir da decisão, ou seja, o ente público prejudicado.
É inconstitucional norma da Constituição Estadual que preveja que compete privativamente à Assembleia Legislativa
julgar as contas do Poder Legislativo estadual. Seguindo o modelo federal, as contas do Poder Legislativo estadual deverão
ser julgadas pelo TCE, nos termos do art. 71, II c/c art. 75, da CF/88. STF. Plenário. ADI 3077/SE, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 16/11/2016 (Info 847).
Determinada Constituição Estadual prevê que, se o TCE não elaborar, no prazo de 180 dias, o parecer prévio na prestação
de contas do Prefeito, o processo deverá ser encaminhado à Câmara Municipal e esta julgará as contas mesmo sem o
parecer. Esta previsão é inconstitucional por violar o art. 31, § 2º, da CF/88. Pela leitura desse dispositivo, a elaboração do
parecer prévio é sempre necessária e a Câmara Municipal somente poderá dele discordar se houver manifestação de, no
mínimo, 2/3 dos Vereadores. Assim, a CE/SE criou uma exceção na qual a Câmara Municipal poderia julgar as contas dos
Prefeitos mesmo sem parecer do TCE. Ocorre que esta nova situação não encontra abrigo na Constituição Federal, sendo,
portanto, inconstitucional. STF. Plenário. ADI 3077/SE, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 16/11/2016 (Info 847).
Para os fins do artigo 1º, inciso I, alínea g, da Lei Complementar 64/1990, a apreciação das contas de Prefeito, tanto as de
governo quanto as de gestão, será exercida pelas Câmaras Municipais, com auxílio dos Tribunais de Contas competentes,
cujo parecer prévio somente deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos vereadores. STF. Plenário. RE
848826/DF, red. p/ o ac Min. Ricardo Lewandowski, j. 10/8/2016 (repercussão geral) (Info 834). Parecer técnico elaborado
pelo Tribunal de Contas tem natureza meramente opinativa, competindo exclusivamente à Câmara de Vereadores o
julgamento das contas anuais do chefe do Poder Executivo local, sendo incabível o julgamento ficto das contas por decurso
de prazo. STF. Plenário. RE 729744/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 10/8/2016 (repercussão geral) (Info 834).
Em auditoria realizada pelo TCU para apurar a gestão administrativa do Poder Legislativo, os servidores indiretamente
afetados pelas determinações do Tribunal não possuem direito de serem ouvidos no processo fiscalizatório. Não existe,
no caso, desrespeito ao devido processo legal. A atuação do TCU ficaria inviabilizada se, nas auditorias realizadas, fosse
necessário intimar, para integrar o processo administrativo de controle, qualquer um que pudesse ser alcançado, embora
de forma indireta, pela decisão da Corte. STF. 1ª Turma. MS 32540/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 29/3/2016 (Info 819).
PRERROGATIVA DE FORO NO STF
As investigações envolvendo autoridades com foro privativo no STF somente podem ser iniciadas após autorização formal
do STF. De igual modo, as diligências investigatórias envolvendo autoridades com foro privativo no STF precisam ser
previamente requeridas e autorizadas pelo STF. Diante disso, indaga-se: depois de o PGR requerer alguma diligência
investigatória, antes de o Ministro-Relator decidir, é necessário que a defesa do investigado seja ouvida e se manifeste sobre
o pedido? NÃO. As diligências requeridas pelo Ministério Público Federal e deferidas pelo Ministro relator são meramente
informativas, não suscetíveis ao princípio do contraditório. Desse modo, não cabe à defesa controlar, “ex ante”, a
investigação, o que acabaria por restringir os poderes instrutórios do Relator. Assim, o Ministro poderá deferir, mesmo sem
ouvir a defesa, as diligências requeridas pelo MP que entender pertinentes e relevantes para o esclarecimento dos fatos.
STF. 2ª Turma. Inq 3387 AgR/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/12/2015 (Info 812).
IMUNIDADES
Deputados Estaduais gozam das mesmas imunidades formais previstas para os parlamentares federais no art. 53 da CF/88
São constitucionais dispositivos da Constituição do Estado que estendem aos Deputados Estaduais as imunidades formais
previstas no art. 53 da Constituição Federal para Deputados Federais e Senadores. A leitura da Constituição da República
revela, sob os ângulos literal e sistemático, que os Deputados Estaduais também têm direito às imunidades formal e material
e à inviolabilidade que foram conferidas pelo constituinte aos congressistas (membros do Congresso Nacional). Isso porque
tais imunidades foram expressamente estendidas aos Deputados pelo § 1º do art. 27 da CF/88. STF. Plenário. ADI 5823
MC/RN, ADI 5824 MC/RJ e ADI 5825 MC/MT, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgados em 8/5/2019 (Info 939).
Assembleia Legislativa pode rejeitar a prisão preventiva e as medidas cautelares impostas pelo Poder Judiciário contra
Deputados Estaduais É constitucional resolução da Assembleia Legislativa que, com base na imunidade parlamentar formal
(art. 53, § 2º c/c art. 27, § 1º da CF/88), revoga a prisão preventiva e as medidas cautelares penais que haviam sido impostas
pelo Poder Judiciário contra Deputado Estadual, determinando o pleno retorno do parlamentar ao seu mandato. O Poder

Patrícia Reinert Lang


Legislativo estadual tem a prerrogativa de sustar decisões judiciais de natureza criminal, precárias e efêmeras, cujo teor
resulte em afastamento ou limitação da função parlamentar. STF. Plenário. ADI 5823 MC/RN, ADI 5824 MC/RJ e ADI 5825
MC/MT, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgados em 8/5/2019 (Info 939).
O Poder Judiciário possui competência para impor aos parlamentares, por autoridade própria, as medidas cautelares
previstas no art. 319 do CPP, seja em substituição de prisão em flagrante delito por crime inafiançável, por constituírem
medidas individuais e específicas menos gravosas; seja autonomamente, em circunstâncias de excepcional gravidade.
Obs: no caso de Deputados Federais e Senadores, a competência para impor tais medidas cautelares é do STF (art. 102, I,
“b”, da CF/88). Importante, contudo, fazer uma ressalva: se a medida cautelar imposta pelo STF impossibilitar, direta ou
indiretamente, que o Deputado Federal ou Senador exerça o seu mandato, então, neste caso, o Supremo deverá
encaminhar a sua decisão, no prazo de 24 horas, à Câmara dos Deputados ou ao Senado Federal para que a respectiva
Casa delibere se a medida cautelar imposta pela Corte deverá ou não ser mantida. Assim, o STF pode impor a Deputado
Federal ou Senador qualquer das medidas cautelares previstas no art. 319 do CPP. No entanto, se a medida imposta impedir,
direta ou indiretamente, que esse Deputado ou Senador exerça seu mandato, então, neste caso, a Câmara ou o Senado
poderá rejeitar (“derrubar”) a medida cautelar que havia sido determinada pelo Judiciário. Aplica-se, por analogia, a regra
do §2º do art. 53 da CF/88 também para as medidas cautelares diversas da prisão. STF. Plenário. ADI 5526/DF, rel. orig. Min.
Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 11/10/2017 (Info 881).
Deputado Estadual que, ao defender a privatização de banco estadual, presta declarações supostamente falsas sobre o
montante das dívidas dessa instituição financeira não comete o delito do art. 3º da Lei nº 7.492/86, estando acobertado
pela imunidade material. STF. 1ª Turma. HC 115397/ES, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 16/5/2017 (Info 865).
A imunidade parlamentar material (art. 53 da CF/88) protege os Deputados Federais e Senadores, qualquer que seja o
âmbito espacial (local) em que exerçam a liberdade de opinião. No entanto, para isso é necessário que as suas declarações
tenham conexão (relação) com o desempenho da função legislativa ou tenham sido proferidas em razão dela. Para que
as afirmações feitas pelo parlamentar possam ser consideradas como "relacionadas ao exercício do mandato", elas devem
ter, ainda de forma mínima, um teor político. Exemplos de afirmações relacionadas com o mandato: declarações sobre fatos
que estejam sendo debatidos pela sociedade; discursos sobre fatos que estão sendo investigados por CPI ou pelos órgãos
de persecução penal (Polícia, MP); opiniões sobre temas que sejam de interesse de setores da sociedade, do eleitorado, de
organizações ou grupos representados no parlamento etc. Palavras e opiniões meramente pessoais, sem relação com o
debate democrático de fatos ou ideias não possuem vínculo com o exercício das funções de um parlamentar e, portanto,
não estão protegidos pela imunidade material. No caso concreto, as palavras do Deputado Federal dizendo que a
parlamentar não merecia ser estuprada porque seria muito feia não são declarações que possuem relação com o exercício
do mandato e, por essa razão, não estão amparadas pela imunidade material. STF. 1ª Turma. Inq 3932/DF e Pet 5243/DF,
Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 21/6/2016 (Info 831).
DIREITOS POLÍTICOS
A suspensão de direitos políticos prevista no art. 15, III, da Constituição Federal, aplica-se no caso de substituição da pena
privativa de liberdade pela restritiva de direitos. Havendo condenação criminal transitada em julgado, a pessoa condenada
fica com seus direitos políticos suspensos tanto no caso de pena privativa de liberdade como na hipótese de substituição
por pena restritiva de direitos. Veja o dispositivo constitucional: Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda
ou suspensão só se dará nos casos de: III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; STF.
Plenário. RE 601182/MG, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 8/5/2019 (repercussão geral) (Info 939).
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO
Para que sejam alterados os limites territoriais de um Município é necessária a realização de consulta prévia, mediante
plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, nos termos do art. 18, § 4º da CF/88. STF. Plenário. ADI 2921/RJ, rel.
orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 9/8/2017 (Info 872).
PODER JUDICIÁRIO
É válido ato do CNJ que, ao dar plena aplicabilidade ao art. 31 do ADCT, decide pela invalidade dos atos administrativos de
nomeação de todos os titulares de cartórios privatizados que tenham ingressado no cargo após 5 de outubro de 1988, data
de promulgação da CF em vigor. As pessoas que assumiram as serventias judiciais depois da CF/88, em caráter privado,
não têm direito líquido e certo de nelas permanecerem, qualquer que seja a forma de provimento. Há flagrante
inconstitucionalidade a partir do momento em que assumem cargo em serventia que deveria ser estatizada. STF. 1ª Turma.
MS 29323/DF, MS 29970/DF, MS 30267/DF e MS 30268/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgados em 12/2/2019 (Info 930). O escrivão que ocupa serventia judicial provida, em caráter privado, antes da
CF/88, pode ser mantido na titularidade da serventia. O art. 31 do ADCT garante, expressamente, o direito do escrivão
nomeado antes da CF/88 de continuar explorando a serventia. Isso porque este dispositivo afirma que, depois da CF/88,
deverão ser estatizadas as serventias do foro judicial, “respeitados os direitos dos então titulares”. STF. 1ª Turma. MS
29998/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 28/5/2019 (Info 942)

Patrícia Reinert Lang


Se o Juiz do Trabalho Substituto está exercendo as funções do Juiz do Trabalho Titular, ele terá direito de receber um valor
a mais denominado “substituição” (art. 656, § 3º da CLT e art. 124 da LOMAN). Essa verba da substituição não deverá ser
paga durante a licença-saúde do Juiz Substituto. Assim, Juiz do Trabalho Substituto, durante seu afastamento para
tratamento de saúde, não tem direito de continuar recebendo a verba de substituição pelo fato de estar na Titularidade da
unidade judiciária. Esse tipo de verba só pode ser paga enquanto mantido o desempenho da titularidade da unidade
judiciária – condição necessária para seu recebimento. STF. 2ª Turma. AO 2234 ED/MS, Rel. G Mendes, 19/3/2019 (Info 934).
É válido ato do CNJ que, ao dar plena aplicabilidade ao art. 31 do ADCT, decide pela invalidade dos atos administrativos
de nomeação de todos os titulares de cartórios privatizados que tenham ingressado no cargo após 5 de outubro de 1988,
data de promulgação da CF em vigor. As pessoas que assumiram as serventias judiciais depois da CF/1988, em caráter
privado, não têm direito líquido e certo de nelas permanecerem, qualquer que seja a forma de provimento. Há flagrante
inconstitucionalidade a partir do momento em que assumem cargo em serventia que deveria ser estatizada. Isso porque é
inconstitucional o provimento de pessoas para exercerem a função de titular de serventias judiciais, com caráter privado
(serventias judicias privatizadas / não estatizadas), após a CF/88. O art. 31 do ADCT é autoaplicável, de modo que é
obrigatória a estatização das serventias judiciais à medida que elas fiquem vagas. O prazo decadencial do art. 54 da Lei nº
9.784/99 não se aplica quando o ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. STF. 1ª Turma. MS 29323/DF,
MS 29970/DF, MS 30267/DF e MS 30268/DF, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgados em 12/2/2019 (Info 930).
Constitucionalidade da verba “auxílio-voto”, paga aos juízes convocados para atuar nos processos de 2ª instância do
Tribunal: Foi instituído, no Tribunal de Justiça de São Paulo, o pagamento de uma verba pela atuação em 2ª instância de
magistrados de 1ª instância. Em outras palavras, o juiz era convocado para atuar nos processos do Tribunal e, em razão
disso, recebia uma verba que ficou conhecida como “auxílio-voto”. O CNJ, em procedimento de controle administrativo
(PCA), considerou a verba irregular, por suposta ofensa ao teto constitucional, e determinou a devolução dos valores
recebidos pelos juízes. O STF cassou a decisão do CNJ. Argumentos: 1) A decisão do CNJ violou o devido processo legal
administrativo e os princípios do contraditório e da ampla defesa. Isso porque os magistrados não foram notificados para
apresentação de defesa escrita, além de não terem participado da instrução processual. A decisão proferida pelo Conselho
surpreendeu a todos os envolvidos. Além disso, o PCA no qual o CNJ decidiu pela irregularidade da verba foi instaurado para
tratar sobre assunto completamente diverso. 2) A verba paga aos magistrados de 1ª instância que atuaram nos processos
do Tribunal de Justiça foi regular, considerando que baseada no art. 124 da LC 35/79 (LOMAN). Essa convocação de juízes
para atuar no Tribunal é válida e não viola a CF/88. Como essa convocação de juízes é válida (compatível com a CF/88), é
natural que seja devido o pagamento de um valor como forma de “recomposição patrimonial dos magistrados, dado o
exercício extraordinário de atribuições transitórias desempenhadas acumuladamente com a jurisdição ordinária”. De igual
modo, como se trata de uma verba prevista em lei, fica afastada qualquer alegação de má-fé. Como a verba em questão
servia para pagar os magistrados por um serviço extraordinário, elas não estavam abrangidas pelo subsídio. STF. 2ª Turma.
MS 29002/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 7/8/2018 (Info 910).
A Constituição do Estado do Ceará previa que os escrivães de entrância especial teriam seus vencimentos fixados de modo
a não exceder a 80% do que fosse atribuído aos juízes da entrância inferior, aplicando-se o mesmo limite percentual para
os escrivães das demais entrâncias. O STF decidiu que essa regra é inconstitucional por violar o art. 37, XIII, da CF/88, que
proíbe a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias de pessoal do serviço público e também por
violar a iniciativa legislativa do Poder Judiciário (art. 96, II, “b”, da CF/88). STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 20/6/2018 (Info 907).
A Resolução 146/2012 do CNJ dispõe sobre o instituto da redistribuição de cargos efetivos dos quadros de pessoal dos
órgãos do Poder Judiciário da União. O STF entendeu que é constitucional o art. 6º, I, da referida Resolução, que prevê o
seguinte: “Art. 6º O cargo ocupado somente poderá ser redistribuído se o servidor preencher cumulativamente os seguintes
requisitos: I – tempo mínimo de 36 meses de exercício no cargo a ser redistribuído;” O instituto da redistribuição de cargos
efetivos tem função de resguardar o interesse da Administração Pública e não visa a atender às necessidades do servidor.
O prazo de 36 meses previsto no referido dispositivo coincide com o prazo estabelecido no art. 41 da CF/88 relativo à
estabilidade do servidor público, de modo a evidenciar a razoabilidade e a proporcionalidade da resolução. STF. Plenário.
ADI 4938/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 26/4/2018 (Info 899).
A redação originária do art. 192, I, da Lei nº 8.112/90 previa que o servidor público federal, ao se aposentar, deveria receber,
como proventos, a remuneração da classe superior a que pertencia. Esse art. 192 foi revogado em 1997 pela Lei nº 9.527.
Determinado Juiz Federal completou os requisitos para se aposentar em 1994. No entanto, optou por continuar trabalhando
até 2010, quando pediu a aposentadoria. O STF entendeu que, como ele preencheu os requisitos para se aposentar em
1994, ou seja, antes da Lei nº 9.527/97, ele teria direito à regra prevista no art. 192, I, da Lei nº 8.112/90. Logo, ele, ao se
aposentar como Juiz Federal, tem direito de receber os proventos como se fosse Desembargador Federal (classe
imediatamente superior àquela em que ele se encontrava posicionado). STF. 1ª Turma. MS 32726/DF, rel. orig. Min. Roberto
Barroso, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2017 (Info 853).
É inconstitucional norma do Tribunal de Justiça que permite a reeleição de desembargadores para cargos de direção após o
intervalo de dois mandatos. Esta previsão viola o art. 93, caput, da CF/88, segundo o qual a regulamentação da matéria
Patrícia Reinert Lang
afeta à elegibilidade para os órgãos diretivos dos tribunais está reservada a lei complementar de iniciativa do Supremo
Tribunal Federal. Além disso, esta norma afronta o tratamento que foi dado à matéria pelo art. 102 da LOMAN (LC 35/79),
que regulamenta o art. 93 da CF/88. STF. Plenário. ADI 5310/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 14/12/2016 (Info 851).
A lei orçamentária anual do Rio de Janeiro foi aprovada e nela previsto o orçamento do Poder Judiciário. Ocorre que o Poder
Executivo estadual não estava cumprindo seu dever de repassar os recursos correspondentes às dotações orçamentárias do
Poder Judiciário em duodécimos. Diante disso, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro impetrou mandado de segurança, com
pedido de tutela de urgência, contra o ato omissivo do Governador do Estado do Rio de Janeiro no atraso do repasse dos
referidos recursos. O Governador argumentou que o Estado passa por uma crise muito grave e que no ano de 2016 houve
um déficit orçamentário de 19,6% em relação ao orçamento que foi previsto na Lei orçamentária anual. O STF deferiu
parcialmente a medida liminar, assegurando-se ao Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro o direito de receber, até o
dia 20 de cada mês, em duodécimos, os recursos correspondentes às dotações orçamentárias, sendo, contudo, facultado
ao Poder Executivo fazer um desconto de 19,6% da Receita Corrente Líquida prevista na LOA. A crise do Estado e a queda
na arrecadação não justificam que o Poder Executivo deixe de repassar o duodécimo ao Poder Judiciário. No entanto, deve
ser autorizado que o Executivo diminua os valores a serem entregues ao TJ de forma proporcional à redução que houve na
arrecadação inicialmente prevista pela Lei Orçamentária Anual. Não faz sentido que, diante de uma situação de déficit
orçamentário (a realização do orçamento foi muito inferior ao previsto), o Poder Executivo reduza seu orçamento e o Poder
Judiciário continue com seu duodécimo calculado com base na previsão da receita que não foi a verificada na prática.
Havendo frustração de receita, o ônus deve ser compartilhado de forma isonômica entre todos os Poderes. Em suma, a base
de cálculo dos duodécimos deve observar o valor real de efetivo desempenho orçamentário e não o valor fictício previsto
na lei orçamentária. STF. 1ª Turma. MS 34483-MC/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/11/2016 (Info 848).
Salvo em situações graves e excepcionais, não cabe ao Poder Judiciário, sob pena de violação ao princípio da separação de
Poderes, interferir na função do Poder Legislativo de definir receitas e despesas da Administração Pública, emendando
projetos de leis orçamentárias, quando atendidas as condições previstas no art. 166, §§ 3º e 4º, da Constituição Federal.
STF. Plenário. ADI 5468/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 29 e 30/6/2016 (Info 832).
O art. 65, § 2º da LOMAN (LC 35/1979), ao vedar a concessão de adicionais ou vantagens pecuniárias nela não previstas,
não proíbe que as leis estaduais prevejam o pagamento de verbas de natureza indenizatória aos magistrados estaduais.
Com base nesse entendimento, o STF considerou válida previsão de lei estadual que concede aos magistrados o direito de
serem ressarcidos pelos cofres públicos em relação às despesas médicas, cirúrgicas e odontológicas que realizem e que
excedam o custeio coberto pelo Instituto de Previdência do Estado. STF. 1ª T. MS 27463, M. Aurélio, 10/5/2016 (Info 825)
É correta decisão do CNJ que considera indevida a existência de férias coletivas para servidores de Tribunal de Justiça,
mesmo que estas estejam previstas em lei ou ato normativo estadual. Isso porque a EC 45/2004 incluiu o inciso XII ao art.
93 da CF/88 proibindo as férias coletivas de juízes e Tribunais de 2º grau. Com a edição da EC 45/2004, as leis e atos
normativos que previam férias coletivas nos Tribunais de 2º grau foram considerados não recepcionados ("revogados") pela
nova redação do art. 93, XII, da CF/88. STF. 2ª Turma. MS 26739/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º/3/2016 (Info 816).
A comprovação do triênio de atividade jurídica exigida para o ingresso no cargo de juiz substituto, nos termos do art. 93, I,
da CF, deve ocorrer no momento da inscrição definitiva no concurso público. STF. Plenário. RE 655265/DF, rel. orig. Min.
Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 13/4/2016 (repercussão geral) (Info 821).
PODER LEGISLATIVO
O STF decidiu que o art. 39, § 4º, da Constituição Federal não é incompatível com o pagamento de terço de férias e décimo
terceiro salário (Tema 484 da Repercussão Geral). Assim, os Vereadores, mesmo recebendo sua remuneração por meio
de subsídio (parcela única), podem ter direito ao pagamento de terço de férias e de décimo terceiro salário. Vale ressaltar,
no entanto, que o pagamento de décimo terceiro e do terço constitucional de férias aos agentes políticos com mandato
eletivo não é um dever, mas sim uma opção, que depende do legislador infraconstitucional. Assim, a definição sobre a
adequação de percepção dessas verbas está inserida no espaço de liberdade de conformação do legislador
infraconstitucional. Em outras palavras, o legislador municipal decide se irá ou não conceder tais verbas aos Vereadores.
Se não houver lei concedendo, eles não terão direito. Desse modo, é possível o pagamento de terço de férias e de décimo
terceiro salário aos Vereadores, mas desde que a percepção de tais verbas esteja prevista em lei municipal. STF. 1ª Turma.
Rcl 32483 AgR/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 3/9/2019 (Info 950).
O parlamentar, na condição de cidadão, pode exercer plenamente seu direito fundamental de acesso a informações de
interesse pessoal ou coletivo, nos termos do art. 5º, inciso XXXIII, da Constituição Federal e das normas de regência desse
direito. O parlamentar, na qualidade de cidadão, não pode ter cerceado o exercício do seu direito de acesso, via
requerimento administrativo ou judicial, a documentos e informações sobre a gestão pública, desde que não estejam,
excepcionalmente, sob regime de sigilo ou sujeitos à aprovação de CPI. O fato de as casas legislativas, em determinadas
situações, agirem de forma colegiada, por intermédio de seus órgãos, não afasta, tampouco restringe, os direitos inerentes
ao parlamentar como indivíduo. STF. Plenário. RE 865401/MG, Rel. Min.Toffoli, j. 25/4/2018 (repercussão geral) (Info 899).

Patrícia Reinert Lang


Se o STF condenar um parlamentar federal e decidir que ele deverá perder o cargo, isso acontece imediatamente ou
depende de uma deliberação da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal respectivamente? 1ª Turma do STF: DEPENDE
• Se o Deputado ou Senador for condenado a mais de 120 dias em regime fechado: a perda do cargo será uma consequência
lógica da condenação. Neste caso, caberá à Mesa da Câmara ou do Senado apenas declarar que houve a perda (sem poder
discordar da decisão do STF), nos termos do art. 55, III e § 3º da CF/88. • Se o Deputado ou Senador for condenado a uma
pena em regime aberto ou semiaberto: a condenação criminal não gera a perda automática do cargo. O Plenário da Câmara
ou do Senado irá deliberar, nos termos do art. 55, § 2º, se o condenado deverá ou não perder o mandato. STF. 1ª Turma.
AP 694/MT, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 2/5/2017 (Info 863). STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado
em 23/5/2017 (Info 866). Obs: existem decisões em sentido diverso (AP 565/RO - Info 714 e AP 470/MG - Info 692), mas
penso que, para fins de concurso, deve-se adotar o entendimento acima explicado. 2ª Turma do STF: NÃO. A perda não é
automática. A Casa é que irá deliberar. O STF apenas comunica, por meio de ofício, à Mesa da Câmara dos Deputados ou do
Senado Federal informando sobre a condenação do parlamentar. A Mesa da Câmara ou do Senado irá, então, deliberar
(decidir) como entender de direito (como quiser) se o parlamentar irá perder ou não o mandato eletivo, conforme prevê o
art. 55, VI, § 2º, da CF/88. Assim, mesmo com a condenação criminal, quem decide se haverá a perda do mandato é a Câmara
dos Deputados ou o Senado Federal. STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904).
O ex-Deputado Federal Eduardo Cunha impetrou mandado de segurança no STF pedindo a suspensão do processo de
cassação que tramitava contra ele na Câmara dos Deputados por quebra de decoro parlamentar. O pedido do impetrante
foi negado. O STF só pode interferir em procedimentos legislativos (ex: processo de cassação) em uma das seguintes
hipóteses: a) para assegurar o cumprimento da Constituição Federal; b) para proteger direitos fundamentais; ou c) para
resguardar os pressupostos de funcionamento da democracia e das instituições republicanas. Exemplo típico na
jurisprudência é a preservação dos direitos das minorias, onde o Supremo poderá intervir. No caso concreto, o STF entendeu
que nenhuma dessas situações estava presente. Em se tratando de processos de cunho acentuadamente político, como é o
caso da cassação de mandato parlamentar, o STF deve se pautar pela deferência (respeito) às decisões do Legislativo e pela
autocontenção, somente intervindo em casos excepcionalíssimos. Dessa forma, neste caso, o STF optou pela técnica da
autocontenção (judicial self-restraint), que é o oposto do chamado ativismo judicial. Na autocontenção, o Poder Judiciário
deixa de atuar (interferir) em questões consideradas estritamente políticas. STF. Plenário. MS 34.327/DF, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgado em 8/9/2016 (Info 838).
O STF entendeu que a manutenção de Eduardo Cunha na função de parlamentar e de Presidente da Câmara dos
Deputados representaria risco para as investigações penais instauradas contra ele e, por essa razão, determinou a
suspensão do exercício do seu mandato de Deputado Federal e, por consequência, da função de Presidente da Câmara
dos Deputados que era por ele ocupada. A decisão foi baseada na medida cautelar prevista no art. 319, VI, do CPP. Esse
inciso VI do art. 319 do CPP pode ser utilizado como fundamento para se afastar do cargo Deputados Federais e Senadores.
Os §§ 2º e 3º do art. 55 da CF/88 outorgam às Casas Legislativas do Congresso Nacional a competência para decidir a respeito
da perda do mandato político. Isso não significa, no entanto, que o Poder Judiciário não possa suspender o exercício do
mandato parlamentar. A legitimidade do deferimento das medidas cautelares de persecução criminal contra Deputados e
Senadores encontra abrigo no princípio da inafastabilidade da jurisdição (art. 5º, XXXV, da CF/88) e no fato de que as
imunidades parlamentares não são absolutas, podendo ser relativizadas quando o cargo não for exercido segundo os fins
constitucionalmente previstos. Vale ressaltar que os membros do Poder Judiciário e até o chefe do Poder Executivo podem
ser suspensos de suas atribuições quando estejam sendo acusados de crime. Desse modo, não há razão para conferir
tratamento diferenciado apenas aos Parlamentares, livrando-os de qualquer intervenção preventiva no exercício do
mandato por ordem judicial. STF. Plenário. AC 4070/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 5/5/2016 (Info 579).
PODER EXECUTIVO
2
A imunidade formal prevista no art. 51, I , e no art. 86, caput, da CF/88 não se estende para os codenunciados que não se
encontrem investidos nos cargos de Presidente da República, Vice-Presidente da República e Ministro de Estado. A
finalidade dessa imunidade é proteger o exercício regular desses cargos, razão pela qual não é extensível a codenunciados
que não se encontrem ocupando tais funções. STF. Plenário. Inq 4483 AgR-segundo/DF e Inq 4327 AgR-segundo/DF, rel.
Min. Edson Fachin, julgados em 14 e 19/12/2017 (Info 888).
Imagine que foi formulada denúncia contra o Presidente da República por infrações penais comuns. O STF deverá
encaminhar esta denúncia para a Câmara dos Deputados exercer o seu juízo político. É possível que, antes desse envio, o
STF analise questões jurídicas a respeito desta denúncia, como a validade dos elementos informativos (“provas”) que a
embasaram? NÃO. Não há possibilidade de o STF conhecer e julgar qualquer questão ou matéria defensiva suscitada pelo

2
Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados: I - autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de
processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado; Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente
da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas
infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.

Patrícia Reinert Lang


Presidente antes que a matéria seja examinada pela Câmara dos Deputados. O juízo político de admissibilidade exercido
pela Câmara dos Deputados precede a análise jurídica pelo STF para conhecer e julgar qualquer questão ou matéria
defensiva suscitada pelo denunciado. A discussão sobre o valor probatório dos elementos de convicção (“provas”), ou
mesmo a respeito da validade desses elementos que eventualmente embasarem a denúncia, constitui matéria relacionada
com a chamada “justa causa”, uma das condições da ação penal, cuja constatação ou não se dará por ocasião do juízo de
admissibilidade, a ser levado a efeito pelo Plenário do STF após eventual autorização da Câmara dos Deputados. STF.
Plenário. Inq 4483 QO/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 20 e 21/9/2017 (Info 878).
Não há necessidade de prévia autorização da Assembleia Legislativa para que o STJ receba denúncia ou queixa e instaure
ação penal contra Governador de Estado, por crime comum. Se a Constituição Estadual exigir autorização da ALE para que
o Governador seja processado criminalmente, essa previsão é considerada inconstitucional. Assim, é vedado às unidades
federativas instituir normas que condicionem a instauração de ação penal contra Governador por crime comum à previa
autorização da Casa Legislativa. Se o STJ receber a denúncia ou queixa-crime contra o Governador, ele ficará
automaticamente suspenso de suas funções no Poder Executivo estadual? NÃO. O afastamento do cargo não se dá de forma
automática. O STJ, no ato de recebimento da denúncia ou queixa, irá decidir, de forma fundamentada, se há necessidade
de o Governador do Estado ser ou não afastado do cargo. Vale ressaltar que, além do afastamento do cargo, o STJ poderá
aplicar qualquer uma das medidas cautelares penais (exs: prisão preventiva, proibição de ausentar-se da comarca, fiança,
monitoração eletrônica etc.). STF. Plenário. ADI 4777/BA, ADI 4674/RS, ADI 4362/DF, red. p/ o acórdão Min. Roberto
Barroso, julgado em 9/8/2017 (Info 872). STF. Plenário. ADI 5540/MG, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2017 (Info
863). STF. Plenário. ADI 4764/AC, ADI 4797/MT e ADI 4798/PI, red. p/ o ac. Min. Barroso, julgados em 4/5/2017 (Info 863).
MINISTÉRIO PÚBLICO
O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública que vise anular ato administrativo de aposentadoria
que importe em lesão ao patrimônio público. STF. Plenário. RE 409356/RO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/10/2018
(repercussão geral) (Info 921)
A Constituição do Estado do Ceará previa que os Delegados de Polícia de classe inicial deveriam receber idêntica
remuneração a dos Promotores de Justiça de primeira entrância, prosseguindo na equivalência entre as demais classes pelo
escalonamento das entrâncias judiciárias. O STF decidiu que essa regra é inconstitucional por violar o art. 37, XIII, da CF/88,
que proíbe a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias de pessoal do serviço público. STF. Plenário.
ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).
É constitucional dispositivo da Constituição Estadual que assegura ao Ministério Público autonomia financeira e a iniciativa
ao Procurador-Geral de Justiça para propor ao Poder Legislativo a criação e a extinção dos cargos e serviços auxiliares e a
fixação dos vencimentos dos membros e dos servidores de seus órgãos auxiliares. Também é constitucional a previsão de
que o Ministério Público elaborará a sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos pela LDO. STF. Plenário.
ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).
Se o CNMP decidir avocar um PAD que está tramitando na Corregedoria local por suspeita de parcialidade do Corregedor,
ele poderá aproveitar os atos instrutórios praticados regularmente na origem pela Comissão Processante. Não há motivo
para se anular os atos instrutórios já realizados pela Comissão Processante, sem participação do Corregedor, especialmente
se o interessado não demonstra a ocorrência de prejuízo. O princípio do pas de nullité sans grief é plenamente aplicável no
âmbito do Direito Administrativo, inclusive em processos disciplinares. STF. 2ª Turma. MS 34666 AgR/DF, rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 29/8/2017 (Info 875).
Compete ao Procurador-Geral da República (e não ao STF) decidir conflito negativo de atribuições entre Ministério Público
estadual e Ministério Público Federal. STF. Plenário. Pet 5586. STF. Plenário. ACO 924/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
19/5/2016 (Info 826). Obs: no caso de conflito entre MPEs de dois Estados diferentes, também cabe ao PGR dirimi-lo.
É inconstitucional dispositivo de CE que permita a recondução ao cargo de Procurador-Geral de Justiça sem limite de
mandatos. Essa previsão contraria o art. 128, § 3º da CF/88, que autoriza uma única recondução. STF. Plenário. ADI 3077/SE,
Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 16/11/2016 (Info 847)
Determinado Promotor de Justiça foi considerado aprovado no estágio probatório pelo Colégio de Procuradores do MP. O
CNMP, de ofício, reformou esta decisão e negou o vitaliciamento do Promotor, determinando a sua exoneração. O STF
considerou legítima a atuação do CNMP. O ato de vitaliciamento tem natureza de ato administrativo, e, assim, se sujeita
ao controle de legalidade do CNMP, por força do art. 130-A, § 2º, II, da CF/88, cuja previsão se harmoniza perfeitamente
com o art. 128, § 5º, I, "a", do texto constitucional. Vale ressaltar que, quando o CNMP tomou esta decisão, o referido
Promotor já estava suspenso do exercício de suas funções e não chegou a completar 2 anos de efetivo exercício. Logo, como
o Promotor ainda não havia acabado seu estágio probatório, poderia perder o cargo por decisão administrativa, não sendo
necessária sentença judicial transitada em julgado (art. 128, § 5º, I, "a", da CF/88). STF. 2ª Turma. MS 27542/DF, Rel. Min.
Dias Toffoli, julgado em 04/10/2016 (Info 842).
O Procurador-Geral da República não possui legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança com o objetivo de
questionar decisão que reconheça a prescrição da pretensão punitiva em processo administrativo disciplinar. A legitimidade

Patrícia Reinert Lang


para impetrar mandado de segurança pressupõe a titularidade do direito pretensamente lesado ou ameaçado de lesão por
ato de autoridade pública. O Procurador-Geral da República não tem legitimidade para a impetração, pois não é o titular do
direito líquido e certo que afirmara ultrajado. Para a impetração do MS não basta a demonstração do simples interesse ou
atuação como custos legis, uma vez que os direitos à ordem democrática e à ordem jurídica não são de titularidade do MP,
mas de toda a sociedade. STF. 2ª Turma. MS 33736/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 21/6/2016 (Info 831).
Membros do Ministério Público não podem ocupar cargos públicos fora do âmbito da instituição, salvo cargo de professor
e funções de magistério. A Resolução 72/2011 do CNMP, ao permitir que membro do Parquet exerça cargos fora do MP, é
flagrantemente contrária ao art. 128, § 5º, II, "d", da CF/88. Consequentemente, a nomeação de membro do MP para o
cargo de Ministro da Justiça viola o texto constitucional. STF. Plenário. ADPF 388/DF, Rel. Min. Mendes, 9/3/2016 (Info 817)
CPI
O investigado pode se recusar a comparecer na sessão da CPI na qual seria ouvido?
SIM. Ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello. O comparecimento do investigado perante a CPI para ser ouvido é
facultativo. Cabe a ele decidir se irá ou não comparecer. Se decidir comparecer, ele terá direito: a) ao silêncio; b) à
assistência de advogado; c) de não prestar compromisso de dizer a verdade; d) de não sofrer constrangimentos. Caso o
investigado não compareça, a CPI não pode determinar a sua condução coercitiva. Aplica-se para as CPIs o mesmo
entendimento da ADPF 395/DF.
NÃO. Ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia. O comparecimento do investigado perante a CPI para ser ouvido é
compulsório. Ele tem que comparecer. No entanto, chegando lá, o investigado tem direito: a) ao silêncio; b) à assistência
de advogado; c) de não prestar compromisso de dizer a verdade; d) de não sofrer constrangimentos. Caso o investigado não
compareça, a CPI poderia determinar a sua condução coercitiva.
Desse modo, tivemos dois votos favoráveis à tese de que o paciente não estava obrigado a comparecer à CPI e dois votos
contrários. Em caso de empate, prevalece a decisão mais favorável ao paciente. Assim, a 2ª Turma do STF concedeu a ordem
de habeas corpus para transformar a compulsoriedade de comparecimento em facultatividade e deixar a cargo do paciente
a decisão de comparecer ou não à Câmara dos Deputados, perante a CPI, para ser ouvido na condição de investigado. STF.
2ª Turma. HC 171438/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado 28/5/2019 (Info 942).
SIGILO BANCÁRIO
Os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal devem ser mantidos sob reserva. Assim, a
página do Senado Federal na internet não pode divulgar os dados obtidos por meio da quebra de sigilo determinada por
comissão parlamentar de inquérito (CPI). STF. Plenário. MS 25940, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 26/4/2018 (Info 899).
As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios podem
requisitar diretamente das instituições financeiras informações sobre as movimentações bancárias dos contribuintes.
Esta possibilidade encontra-se prevista no art. 6º da LC 105/2001, que foi considerada constitucional pelo STF. Isso porque
esta previsão não se caracteriza como "quebra" de sigilo bancário, ocorrendo apenas a “transferência de sigilo” dos bancos
ao Fisco. Vale ressaltar que os Estados-Membros e os Municípios somente podem obter as informações previstas no art. 6º
da LC 105/2001, uma vez regulamentada a matéria de forma análoga ao Decreto Federal nº 3.724/2001, observados os
seguintes parâmetros: a) pertinência temática entre a obtenção das informações bancárias e o tributo objeto de cobrança
no procedimento administrativo instaurado; b) prévia notificação do contribuinte quanto à instauração do processo e a
todos os demais atos, garantido o mais amplo acesso do contribuinte aos autos, permitindo-lhe tirar cópias, não apenas de
documentos, mas também de decisões; c) sujeição do pedido de acesso a um superior hierárquico; d) existência de sistemas
eletrônicos de segurança que fossem certificados e com o registro de acesso; e, finalmente, e) estabelecimento de
mecanismos efetivos de apuração e correção de desvios. A Receita Federal, atualmente, já pode requisitar tais informações
bancárias porque possui esse regulamento. Trata-se justamente do Decreto 3.724/2001 acima mencionada, que
regulamenta o art. 6º da LC 105/2001. O art. 5º da LC 105/2001, que permite obriga as instituições financeiras a informarem
periodicamente à Receita Federal as operações financeiras realizadas acima de determinado valor, também é considerado
constitucional. STF. Plenário. ADI 2390/DF, ADI 2386/DF, ADI 2397/DF e ADI 2859/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgados em
24/2/2016 (Info 815). STF. Plenário. RE 601314/SP, Rel. Min. Fachin, julgado em 24/2/2016 (repercussão geral) (Info 815).
RESPONSABILIDADE PENAL
Não é possível aplicar o art. 86, § 4º, da CF/88 para o Presidente da Câmara dos Deputados, considerando que a garantia
prevista neste dispositivo é destinada expressamente ao chefe do Poder Executivo da União (Presidente da República).
Desse modo, por se tratar de um dispositivo de natureza restritiva, não é possível qualquer interpretação que amplie a sua
incidência a outras autoridades, notadamente do Poder Legislativo. STF. Plenário. Inq 3983/DF, Rel. Min. Teori Zavascki,
julgado em 02 e 03/03/2016 (Info 816). OBS: Art. 86 (...) § 4º - O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não
pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.
DIREITO À SAÚDE
O art. 1º, § 3º da Lei nº 13.301/2016 prevê, como uma das medidas para combater o Aedes aegypti, que o poder público
fica autorizado a fazer a pulverização, por meio de aeronaves, de produtos químicos para matar o mosquito: § 3º São ainda
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medidas fundamentais para a contenção das doenças causadas pelos vírus de que trata o caput: IV - permissão da
incorporação de mecanismos de controle vetorial por meio de dispersão por aeronaves mediante aprovação das
autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida. O STF deu intepretação conforme a esse
dispositivo dizendo que, além da comprovação científica e da aprovação das autoridades sanitárias (mencionadas
expressamente no texto da lei), é necessário também que haja a aprovação das autoridades ambientais. A aprovação das
autoridades sanitárias e ambientais competentes e a comprovação científica da eficácia da medida são condições prévias
e inafastáveis à incorporação de mecanismo de controle vetorial por meio de dispersão por aeronaves. STF. Plenário. ADI
5592/DF, rel. orig. Min. Cármen Lúcia, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 11/9/2019 (Info 951)
Fornecimento pelo Poder Judiciário de medicamentos não registrados pela ANVISA 1. O Estado não pode ser obrigado a
fornecer medicamentos experimentais. 2. A ausência de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
impede, como regra geral, o fornecimento de medicamento por decisão judicial. 3. É possível, excepcionalmente, a
concessão judicial de medicamento sem registro sanitário, em caso de mora irrazoável da Anvisa em apreciar o pedido
(prazo superior ao previsto na Lei 13.411/2016), quando preenchidos três requisitos: a) a existência de pedido de registro
do medicamento no Brasil (salvo no caso de medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras); b) a existência de
registro do medicamento em renomadas agências de regulação no exterior; e c) a inexistência de substituto terapêutico
com registro no Brasil. 4. As ações que demandem fornecimento de medicamentos sem registro na Anvisa deverão
necessariamente ser propostas em face da União. STF. Plenário. RE 657718/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac.
Min. Roberto Barroso, julgado em 22/5/2019 (repercussão geral) (Info 941).
Responsabilidade pelo fornecimento do medicamento ou pela realização do tratamento de saúde: Os entes da Federação,
em decorrência da competência comum, são solidariamente responsáveis nas demandas prestacionais na área da saúde e,
diante dos critérios constitucionais de descentralização e hierarquização, compete à autoridade judicial direcionar o
cumprimento conforme as regras de repartição de competências e determinar o ressarcimento a quem suportou o ônus
financeiro. STF. Plenário. RE 855178 ED/SE, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2019 (Info 941).
O programa “Mais Médicos”, instituído pela MP 691/2013, posteriormente convertida na Lei nº 12.871/2013, é
constitucional. STF. Plenário. ADI 5035/DF e ADI 5037/DF, red. p/ o ac. Min. A. de Moraes, j. em 30/11/2017 (Info 886).
É inconstitucional a Lei nº 13.269/2016, que autorizou o uso da fosfoetanolamina sintética ("pílula do câncer) por pacientes
diagnosticados com neoplasia maligna mesmo sem que existam estudos conclusivos sobre os efeitos colaterais em seres
humanos e mesmo sem que haja registro sanitário da substância perante a ANVISA. Obs: trata-se de decisão cautelar, não
tendo o julgamento sido ainda concluído. STF. Plenário. ADI 5501 MC/DF, Rel. Min. M. Aurélio, j. em 19/5/2016 (Info 826).
AMICUS CURIAE
É irrecorrível a decisão denegatória de ingresso no feito como amicus curiae. Assim, tanto a decisão do Relator que
ADMITE como a que INADMITE o ingresso do amicus curiae é irrecorrível. STF. Plenário. RE 602584 AgR/DF, rel. orig. Min.
Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em 17/10/2018 (repercussão geral) (Info 920).
Nos processos que tramitam no STF, o amicus curiae pode fazer sustentação oral. Em regra, o amicus curiae dispõe de 15
minutos para a sustentação oral no STF. Se houver mais de um amicus curiae, o prazo para sustentação oral no STF será o
mesmo? NÃO. Havendo mais de um amicus curiae, o STF adota a seguinte sistemática: o prazo é duplicado e dividido entre
eles. Assim, em vez de 15, os amici curiae (plural de amicus curiae) terão 30 minutos, que deverão ser divididos entre eles.
Dessa forma, se são três amici curiae para fazer sustentação oral, o prazo deverá ser considerado em dobro, ou seja, 30
minutos, devendo ser dividido pelo número de sustentações orais. Logo, cada um deles terá 10 minutos para manifestação
na tribuna. STF. Plenário. RE 612043/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 4/5/2017 (Info 863).
É cabível a intervenção de amicus curiae em reclamação. STF. Plenário. Rcl 11949/RJ, Rel. C Lúcia, 15/3/2017 (Info 857).
Determinado Deputado Federal estava respondendo a ação penal no STF pela suposta prática do crime de peculato. O
partido político que ele integra requereu a sua intervenção no feito como amicus curiae. O STF indeferiu o pedido afirmando
que a agremiação partidária, autoqualificando-se como amicus curiae, pretendia, na verdade, ingressar numa posição que
a relação processual penal não admite, considerados os estritos termos do CPP. STF. 1ª Turma. AP 504/DF, rel. orig. Min.
Cármen Lúcia, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 9/8/2016 (Info 834).
LICENÇA-MATERNIDADE
Os prazos da licença-adotante não podem ser inferiores ao prazo da licença-gestante, o mesmo valendo para as
respectivas prorrogações. Em relação à licença-adotante, não é possível fixar prazos diversos em função da idade da
criança adotada. STF. Plenário. RE 778889/PE, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 10/3/2016 (repercussão geral) (Info 817).
NACIONALIDADE
Se um brasileiro nato que mora nos EUA e possui o green card decidir adquirir a nacionalidade norte-americana, ele irá
perder a nacionalidade brasileira. Não se pode afirmar que a presente situação se enquadre na exceção prevista na alínea
“b” do inciso II do § 4º do art. 12 da CF/88. Isso porque, como ele já tinha o green card, não havia necessidade de ter
adquirido a nacionalidade norte-americana como condição para permanência ou para o exercício de direitos civis. O
estrangeiro titular de green card já pode morar e trabalhar livremente nos EUA. Dessa forma, conclui-se que a aquisição da
Patrícia Reinert Lang
cidadania americana ocorreu por livre e espontânea vontade. Vale ressaltar que, perdendo a nacionalidade, ele perde os
direitos e garantias inerentes ao brasileiro nato. Assim, se cometer um crime nos EUA e fugir para o Brasil, poderá ser
extraditado sem que isso configure ofensa ao art. 5º, LI, da CF/88. STF. 1ª Turma. MS 33864/DF, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 19/4/2016 (Info 822). STF. 1ª Turma. Ext 1462/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 28/3/2017 (Info 859).
DEFENSORIA PÚBLICA
É inconstitucional dispositivo da Constituição Estadual que concede aos Defensores Públicos a aplicação do regime de
garantias, vencimentos, vantagens e impedimentos do Ministério Público e da Procuradoria-Geral do Estado. Os estatutos
jurídicos das carreiras do Ministério Público e da Defensoria Pública foram tratados de forma diversa pelo texto
constitucional originário. Ademais, a equivalência remuneratória entre as carreiras encontra óbice no art. 37, XIII, da CF/88,
que veda a equiparação ou vinculação remuneratória. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
20/6/2018 (Info 907). Obs: o tema foi analisado tendo como parâmetro a redação originária da Constituição Federal de
1988, ou seja, antes das Emendas Constitucionais 45/2004 e 80/2014.
É inconstitucional a contratação, sem concurso público, após a instalação da Assembleia Constituinte, de advogados para
exercerem a função de Defensor Público estadual. Tal contratação amplia, de forma indevida, a regra excepcional do art. 22
do ADCT da CF/88 e afronta o princípio do concurso público. STF. 1ª Turma. RE 856550/ES, rel. orig. Min. Rosa Weber, red.
p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 10/10/2017 (Info 881).
A Defensoria Pública Estadual pode atuar no STJ, no entanto, para isso, é necessário que possua escritório de representação
em Brasília. Se a Defensoria Pública estadual não tiver representação na capital federal, as intimações das decisões do STJ
nos processos de interesse da DPE serão feitas para a DPU. Assim, enquanto os Estados, mediante lei específica, não
organizarem suas Defensorias Públicas para atuarem continuamente nesta Capital Federal, inclusive com sede própria, o
acompanhamento dos processos no STJ constitui prerrogativa da DPU. A DPU foi estruturada sob o pálio dos princípios da
unidade e da indivisibilidade para dar suporte às Defensorias Públicas estaduais e fazer as vezes daquelas de Estados-
Membros longínquos, que não podem exercer o múnus a cada recurso endereçado aos tribunais superiores. STJ. 6ª Turma.
AgRg no HC 378.088/SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 06/12/2016. STF. 1ª Turma. HC 118294/AP, rel. orig.
Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 7/3/2017 (Info 856).
É possível que emenda à Constituição Federal proposta por iniciativa parlamentar trate sobre as matérias previstas no art.
61, § 1º da CF/88. As regras de reserva de iniciativa fixadas no art. 61, § 1º da CF/88 não são aplicáveis ao processo de
emenda à Constituição Federal, que é disciplinado em seu art. 60. Assim, a EC 74/2013, que conferiu autonomia às
Defensorias Públicas da União e do Distrito Federal, não viola o art. 61, § 1º, II, alínea "c", da CF/88 nem o princípio da
separação dos poderes, mesmo tendo sido proposta por iniciativa parlamentar. STF. Plenário. ADI 5296 MC/DF, Rel. Min.
Rosa Weber, julgado em 18/5/2016 (Info 826).
É inconstitucional lei estadual que atribui ao chefe do Poder Executivo estadual competências administrativas no âmbito
da Defensoria Pública. Assim, viola o art. 134, § 2º da CF/88 a lei estadual que preveja que compete ao Governador: a) a
nomeação do Subdefensor Público-Geral, do Corregedor-Geral, dos Defensores Chefes e do Ouvidor da Defensoria Pública
estadual; b) autorizar o afastamento de Defensores Públicos para estudos ou missão; c) propor, por meio de lei de sua
iniciativa, o subsídio dos membros da Defensoria Pública. Obs: tais competências pertencem ao Defensor Público-Geral do
Estado. STF. Plenário. ADI 5286/AP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/5/2016 (Info 826).
Governador do Estado, ao encaminhar para a Assembleia Legislativa o projeto de lei orçamentária, não pode reduzir a
proposta orçamentária elaborada pela Defensoria Pública e que estava de acordo com a LDO. Há, neste caso, violação ao
§ 2º do art. 134 da CF/88. Assim, é inconstitucional a redução unilateral pelo Poder Executivo dos orçamentos propostos
pelos outros Poderes e por órgãos constitucionalmente autônomos, como o Ministério Público e a Defensoria Pública, na
fase de consolidação do projeto de lei orçamentária anual, quando tenham sido elaborados em obediência às leis de
diretrizes orçamentárias e enviados conforme o art. 99, § 2º, da CF/88. Caso o Governador do Estado discorde da proposta
elaborada, ele poderá apenas pleitear ao Poder Legislativo a redução pretendida, visto que a fase de apreciação legislativa
é o momento constitucionalmente correto para o debate de possíveis alterações no projeto de lei orçamentária. Não pode,
contudo, já encaminhar o projeto com a proposta alterada. STF. Plenário. ADI 5287/PB, Rel. Min. Fux, 18/5/2016 (Info 826).
O Governador do Estado é obrigado a efetuar o repasse, sob a forma de duodécimos e até o dia 20 de cada mês, da
integralidade dos recursos orçamentários destinados, pela lei orçamentária, à Defensoria Pública estadual. STF. Plenário.
ADPF 339/PI, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/5/2016 (Info 826).
É inconstitucional a Lei de Diretrizes Orçamentárias que seja elaborada sem contar com a participação da Defensoria Pública
para elaborar as respectivas propostas orçamentárias. Assim, a LDO enviada pelo Governador do Estado à Assembleia
Legislativa deve contar com a participação prévia da Defensoria Pública. Isso porque a LDO fixa limites do orçamento anual
que será destinado à Instituição. Aplica-se às Defensorias Públicas o disposto no § 2º do art. 99 da CF/88. STF. Plenário. ADI
5381 Referendo-MC/PR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 18/5/2016 (Info 826).
EDUCAÇÃO

Patrícia Reinert Lang


Não viola a Constituição Federal a cobrança de contribuição obrigatória dos alunos matriculados nos Colégios Militares do
Exército Brasileiro. Os Colégios Militares apresentam peculiaridades que fazem com que eles sejam instituições diferentes
dos estabelecimentos oficiais de ensino, por razões éticas, fiscais, legais e institucionais. Podem, assim, ser qualificados
como instituições educacionais sui generis. A quota mensal escolar exigida nos Colégios Militares não representa ofensa à
regra constitucional de gratuidade do ensino público, uma vez que não há violação ao núcleo de intangibilidade do direito
fundamental à educação. Por fim, deve-se esclarecer que esse valor cobrado dos alunos para o custeio das atividades do
Sistema Colégio Militar do Brasil não possui natureza tributária (não é tributo). Logo, é válida a sua instituição por meio de
atos infralegais. Portanto, são válidos os arts. 82 e 83, da Portaria 42/2008 do Comandante do Exército, que disciplinam essa
cobrança. STF. Plenário. ADI 5082/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/10/2018 (Info 921).
É constitucional lei estadual que: • assegure, nos estabelecimentos de ensino superior estadual e municipal, a livre
organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes. • estabeleça que é de
competência exclusiva dos estudantes a definição das formas, dos critérios, dos estatutos e demais questões referentes à
organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes. • determine que os
estabelecimentos de ensino deverão garantir espaços, em suas dependências, para a divulgação e instalações para os
Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais Estudantis. Vale ressaltar, no entanto, que esta lei não se
aplica para as instituições federais e particulares de ensino superior considerando que elas integram o “sistema federal”,
de competência da União. Deve-se acrescentar, por fim, que é inconstitucional que essa lei estadual preveja multa para
as entidades particulares de ensino em caso de descumprimento das medidas acima listadas. STF. Plenário. ADI 3757/PR,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/10/2018 (Info 920).
Não é possível, atualmente, o ensino domiciliar (homeschooling) como meio lícito de cumprimento, pela família, do dever
de prover educação. Não há, na CF/88, uma vedação absoluta ao ensino domiciliar. A CF/88, apesar de não o prever
expressamente, não proíbe o ensino domiciliar. No entanto, o ensino domiciliar não pode ser atualmente exercido porque
não há legislação que regulamente os preceitos e as regras aplicáveis a essa modalidade de ensino. Assim, o ensino
domiciliar somente pode ser implementado no Brasil após uma regulamentação por meio de lei na qual sejam previstos
mecanismos de avaliação e fiscalização, devendo essa lei respeitar os mandamentos constitucionais que tratam sobre
educação. STF. Plenário. RE 888815/RS, red. p/ o acórdão Min. A. de Moraes, j. 12/9/2018 (repercussão geral) (Info 915).
São constitucionais a exigência de idade mínima de quatro e seis anos para ingresso, respectivamente, na educação infantil
e no ensino fundamental, bem como a fixação da data limite de 31 de março para que referidas idades estejam completas.
STF. Plenário. ADPF 292/DF, Rel. Min. Luiz Fux, j. em 1º/8/2018 (Info 909). É constitucional a exigência de 6 (seis) anos de
idade para o ingresso no ensino fundamental, cabendo ao Ministério da Educação a definição do momento em que o aluno
deverá preencher o critério etário. STF. Plenário. ADC 17/DF, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, j. 1º/8/2018 (Info 909).
A CF/88 prevê que “o ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas
públicas de ensino fundamental.” (art. 210, § 1º). Diante disso, nas escolas públicas são oferecidas aulas de ensino religioso,
normalmente vinculadas a uma religião específica. É o chamado ensino religioso confessional. O PGR ajuizou ADI pedindo
que fosse conferida interpretação conforme a Constituição ao art. 33, §§ 1º e 2º da LDB e ao art. 11, § 1º do acordo Brasil-
Santa Sé. Na ação, o PGR afirmava que não é permitido que se ofereça ensino religioso confessional (vinculado a uma religião
específica). Para o autor, o ensino religioso deve ser voltado para a história e a doutrina das várias religiões, ensinadas sob
uma perspectiva laica e deve ser ministrado por professores regulares da rede pública de ensino, e não por pessoas
vinculadas às igrejas. O STF julgou improcedente a ADI e decidiu que o ensino religioso nas escolas públicas brasileiras pode
ter natureza confessional, ou seja, pode sim ser vinculado a religiões específicas. A partir da conjugação do binômio
Laicidade do Estado (art. 19, I) e Liberdade religiosa (art. 5º, VI), o Estado deverá assegurar o cumprimento do art. 210, § 1º
da CF/88, autorizando na rede pública, em igualdade de condições o oferecimento de ensino confessional das diversas
crenças, mediante requisitos formais previamente fixados pelo Ministério da Educação. Assim, deve ser permitido aos
alunos, que expressa e voluntariamente se matricularem, o pleno exercício de seu direito subjetivo ao ensino religioso como
disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, ministrada de acordo com os princípios de sua
confissão religiosa, por integrantes da mesma, devidamente credenciados a partir de chamamento público e,
preferencialmente, sem qualquer ônus para o Poder Público. Dessa forma, o STF entendeu que a CF/88 não proíbe que
sejam oferecidas aulas de uma religião específica, que ensine os dogmas ou valores daquela religião. Não há qualquer
problema nisso, desde que se garanta oportunidade a todas as doutrinas religiosas. STF. Plenário. ADI 4439/DF, rel. orig.
Min. Roberto Barroso, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 27/9/2017 (Info 879).
A garantia constitucional da gratuidade de ensino não obsta a cobrança por universidades públicas de mensalidade em
cursos de especialização. STF. Plenário. RE 597854/GO, Rel. Min. Fachin, j. em 26/4/2017 (repercussão geral) (Info 862)
São constitucionais o art. 28, § 1º e o art. 30 da Lei nº 13.146/2015, que determinam que as escolas privadas ofereçam
atendimento educacional adequado e inclusivo às pessoas com deficiência sem que possam cobrar valores adicionais de
qualquer natureza em suas mensalidades, anuidades e matrículas para cumprimento dessa obrigação. STF. Plenário. ADI
5357 MC-Referendo/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 9/6/2016 (Info 829).

Patrícia Reinert Lang


O Poder Judiciário pode obrigar o Município a fornecer vaga em creche a criança de até 5 anos de idade. A educação infantil,
em creche e pré-escola, representa prerrogativa constitucional indisponível garantida às crianças até 5 anos de idade, sendo
um dever do Estado (art. 208, IV, da CF/88). Os Municípios, que têm o dever de atuar prioritariamente no ensino
fundamental e na educação infantil (art. 211, § 2º, da CF/88), não podem se recusar a cumprir este mandato constitucional,
juridicamente vinculante, que lhes foi conferido pela CF. STF. RE 956475, Rel. Min. Celso de Mello, 12/05/2016 (Info 826).
RECLAMAÇÃO
Na reclamação fundada no descumprimento de decisão emanada pelo STF, o ato alvo de controle deve ser posterior ao
paradigma. Ex: em 2016, o Juiz proferiu decisão negando a homologação do acordo de colaboração premiada celebrado
com o Delegado de Polícia sob o argumento de que a autoridade policial não poderia firmar esse pacto. Em 2018, o STF
proferiu decisão afirmando que o Delegado de Polícia pode formalizar acordos de colaboração premiada na fase de inquérito
policial. Não cabe reclamação contra esta decisão do Juiz de 2016 sob o argumento de que ela teria violado o acórdão do
STF de 2018. Isso porque só há que se falar em reclamação se o ato impugnado por meio desta ação é posterior à decisão
paradigma. STF. 2ª Turma. Rcl 32655 AgR/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/4/2019 (Info 938).
Em 2010, no julgamento da ADC 16, o STF decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 é constitucional. Várias decisões da
Justiça do Trabalho continuaram entendendo de forma diferente do art. 71, § 1º. Contra essas decisões, o Poder Público
ajuizava diretamente reclamações no STF, que era obrigado a recebê-las considerando que de uma decisão, até mesmo de
1ª instância, que viola o que o STF deliberou em sede de ADI, ADC ou ADPF, cabe reclamação. Em 2017, o STF reafirmou o
entendimento de que o art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 é constitucional e deve ser aplicado. Isso foi no julgamento do RE
760931/DF, submetido à sistemática da repercussão geral. O STF afirmou que a sua decisão no RE 760931/DF “substituiu”
a eficácia da tese fixada na ADC 16. Isso significa que agora o Poder Público, se quiser ajuizar reclamação discutindo o tema,
deverá fazê-lo alegando violação ao RE 760931/DF (e não mais à ADC 16). Qual a desvantagem disso para o Poder Público:
• Em caso de descumprimento de decisão do STF proferida em ADI, ADC, ADPF: cabe reclamação mesmo que a decisão
“rebelde” seja de 1ª instância. Não se exige o esgotamento de instâncias. • Em caso de descumprimento de decisão do STF
proferida em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral: cabe reclamação, mas exige-se o esgotamento
das instâncias ordinárias (art. 988, § 5º, II, do CPC/2015). Assim, agora, a Fazenda Pública terá que esgotar as instâncias
ordinárias para ajuizar reclamação discutindo esse tema. STF. 1ª Turma. Rcl 27789 AgR/BA, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 17/10/2017 (Info 882). STF. 1ª Turma. Rcl 28623 AgR/BA, Rel. Min. Roberto Barroso, j. em 12/12/2017 (Info 888).
Neste julgado, duas conclusões devem ser destacadas: I - A reclamação ao STF somente é cabível se houver necessidade de
preservação da competência da Corte ou para garantia da autoridade de suas decisões (art. 102, I, “l”, da CF/88). A
reclamação não se destina a funcionar como sucedâneo recursal ("substituto de recurso") nem se presta a atuar como atalho
processual destinado a submeter o processo ao STF “per saltum”, ou seja, pulando-se todas as instâncias anteriores. As
competências originárias do STF se submetem ao regime de direito estrito, não admitindo interpretação extensiva. Em
outras palavras, o rol de competências originárias do STF não pode ser alargado por meio de interpretação. II - A regra
prevista no art. 654, § 2º, do CPP não dispensa a observância do quadro de distribuição constitucional das competências
para conhecer do “habeas corpus”. Assim, somente o órgão jurisdicional competente para a concessão da ordem a pedido
pode conceder o “writ” de ofício. Em outras palavras, o Tribunal pode conceder habeas corpus de ofício, mas para isso
acontecer é necessário que ele seja o Tribunal competente para apreciar eventual pedido de habeas corpus relacionado
com este caso. STF. Plenário. Rcl 25509 AgR/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 15/2/2017 (Info 854).
Não cabe reclamação para o STF contra sentença que julgou improcedente pedido de direito de resposta sob o
fundamento de que não houve, no caso concreto, ofensa. Esta sentença não afronta a autoridade da decisão do STF no
julgamento da ADPF 130/DF. Como a sentença não violou nenhuma decisão do STF proferida em sede de controle
concentrado de constitucionalidade, o que se percebe é que o autor, por meio da reclamação, deseja que o Supremo
examine se a sentença afrontou, ou não, o art. 5º, V, da CF/88. Para isso, seria necessário reexaminar matéria de fato, o que
não é possível em reclamação, que se presta unicamente a preservar a autoridade de decisão do STF. Ademais, isso
significaria o exame per saltum, ou seja, "pulando-se" as instâncias recursais do ato impugnado diretamente à luz do art. 5º,
V, CF/88. STF. 1ª Turma. Rcl 24459 AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 13/12/2016 (Info 851).
DIREITO À INFORMAÇÃO
O STF deu provimento a recurso em mandado de segurança impetrado por pesquisador que queria ter acesso aos áudios
das sessões de julgamento do STM ocorridas na década de 1970, época do regime militar. Entendeu-se que a coleta de
dados históricos a partir de documentos públicos e registros fonográficos, mesmo que para fins particulares, constitui-se
em motivação legítima a garantir o acesso a tais informações. Ocorre que, mesmo com essa decisão judicial, o STM somente
autorizou que o pesquisador tivesse acesso aos áudios das sessões públicas realizadas (na qual havia leitura do relatório e
sustentação oral dos advogados). O Tribunal se negou, contudo, a fornecer os áudios das sessões secretas, nas quais os
votos dos magistrados eram colhidos. O impetrante ingressou, então, com reclamação, julgada procedente pelo STF. Ao
autorizar a consulta apenas dos registros relacionados com a parte pública das sessões, o STM violou a decisão do Supremo,
que deu acesso amplo aos áudios das sessões. Além disso, a recusa do STM está em descompasso com a ordem

Patrícia Reinert Lang


constitucional vigente, que garante o acesso à informação como direito fundamental. STF. Plenário. Rcl 11949/RJ, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 15/3/2017 (Info 857).
DIREITO ADQUIRIDO
O art. 38 da Lei nº 8.880/94 previu que a URV deveria ser utilizada como parâmetro de cálculo dos índices de correção
monetária nos dois primeiros meses de implantação do Plano Real. As pessoas que tinham contratos em vigor e que haviam
sido celebrados antes da Lei nº 8.880/94 começaram a questionar a aplicação imediata deste dispositivo. Alegaram que a
sua aplicação aos contratos em vigor seria inconstitucional por violar o direito adquirido (art. 5º, XXXVI, da CF/88). O STF
não concordou com essa tese e decidiu que: É constitucional o art. 38 da Lei nº 8.880/94 e que a sua aplicação imediata
para os contratos em vigor não violou a garantia do “direito adquirido”, prevista no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal.
Não é possível opor a cláusula de proteção ao direito adquirido ou ato jurídico perfeito em face da aplicação imediata de
normas que tratam de regime monetário, as quais possuem natureza estatutária e institucional, como é a situação daquelas
responsáveis por substituir uma moeda por outra. As normas que tratam do regime monetário - inclusive, portanto, as de
correção monetária -, têm natureza institucional e estatutária, insuscetíveis de disposição por ato de vontade, razão pela
qual sua incidência é imediata, alcançando as situações jurídicas em curso de formação ou de execução. STF. Plenário. ADPF
77/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/5/2019 (Info 940).
EXERCÍCIO PROFISSIONAL
É constitucional a expressão “privativas”, contida no caput do art. 3º da Lei nº 8.234/91, que regulamenta a profissão de
nutricionista, respeitado o âmbito de atuação profissional das demais profissões regulamentadas. STF. Plenário. ADI 803/DF,
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/9/2017 (Info 879).
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
São inconstitucionais os atos judiciais ou administrativos que determinem ou promovam: • o ingresso de agentes públicos
em universidades públicas e privadas; • o recolhimento de documentos (ex: panfletos); • a interrupção de aulas, debates
ou manifestações de docentes e discentes universitários; • a realização de atividade disciplinar docente e discente e a coleta
irregular de depoimentos desses cidadãos pela prática de manifestação livre de ideias e divulgação do pensamento nos
ambientes universitários ou em equipamentos sob a administração de universidades públicas e privadas. STF. Plenário. ADPF
548 MC-Ref/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 31/10/2018 (Info 922).
Uma decisão judicial determinou a retirada de matéria de “blog” jornalístico, bem como a proibição de novas publicações,
por haver considerado a notícia ofensiva à honra de delegado da polícia federal. Essa decisão afronta o que o STF decidiu na
ADPF 130/DF, que julgou não recepcionada a Lei de Imprensa. A ADPF 130/DF pode ser utilizada como parâmetro para
ajuizamento de reclamação que verse sobre conflito entre a liberdade de expressão e de informação e a tutela das garantias
individuais relativas aos direitos de personalidade. A determinação de retirada de matéria jornalística afronta a liberdade
de expressão e de informação, além de constituir censura prévia. Essas liberdades ostentam preferência em relação ao
direito à intimidade, ainda que a matéria tenha sido redigida em tom crítico. O Supremo assumiu, mediante reclamação,
papel relevante em favor da liberdade de expressão, para derrotar uma cultura censória e autoritária que começava a se
projetar no Judiciário. STF. 1ª Turma. Rcl 28747/PR, red. p/ ac. Min. Luiz Fux, j. em 5/6/2018 (Info 905).
É inconstitucional o § 1º do art. 4º da Lei nº 9.612/98. Esse dispositivo proíbe, no âmbito da programação das emissoras de
radiodifusão comunitária, a prática de proselitismo, ou seja, a transmissão de conteúdo tendente a converter pessoas a uma
doutrina, sistema, religião, seita ou ideologia. O STF entendeu que essa proibição afronta os arts. 5º,IV, VI e IX, e 220, da
Constituição Federal. A liberdade de pensamento inclui o discurso persuasivo, o uso de argumentos críticos, o consenso e
o debate público informado e pressupõe a livre troca de ideias e não apenas a divulgação de informações. STF. Plenário.
ADI 2566/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 16/5/2018 (Info 902).
O STF tem sido mais flexível na admissão de reclamação em matéria de liberdade de expressão, em razão da persistente
vulneração desse direito na cultura brasileira, inclusive por via judicial. No julgamento da ADPF 130, o STF proibiu
enfaticamente a censura de publicações jornalísticas, bem como tornou excepcional qualquer tipo de intervenção estatal
na divulgação de notícias e de opiniões. A liberdade de expressão desfruta de uma posição preferencial no Estado
democrático brasileiro, por ser uma pré-condição para o exercício esclarecido dos demais direitos e liberdades. A retirada
de matéria de circulação configura censura em qualquer hipótese, o que se admite apenas em situações extremas. Assim,
em regra, a colisão da liberdade de expressão com os direitos da personalidade deve ser resolvida pela retificação, pelo
direito de resposta ou pela reparação civil. Diante disso, se uma decisão judicial determina que se retire do site de uma
revista determinada matéria jornalística, esta decisão viola a orientação do STF, cabendo reclamação. STF. 1ª Turma. Rcl
22328/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/3/2018 (Info 893).
LIBERDADE RELIGIOSA
É constitucional a lei de proteção animal que, a fim de resguardar a liberdade religiosa, permite o sacrifício ritual de animais
em cultos de religiões de matriz africana. STF. Plenário. RE 494601/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson
Fachin, julgado em 28/3/2019 (Info 935).

Patrícia Reinert Lang


ORDEM ECONÔMICA
É constitucional lei estadual que concede o desconto de 50% no valor dos ingressos em casas de diversões, praças
desportivas e similares aos jovens de até 21 anos de idade. STF. Plenário. ADI 2163/RJ, red. p/ o ac. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 12/4/2018 (Info 897).
ADVOCACIA PÚBLICA
É inconstitucional emenda à Constituição Estadual, de iniciativa parlamentar, que trate sobre as competências da
Procuradoria Geral do Estado. Isso porque esta matéria é de iniciativa reservada ao chefe do Poder Executivo (art. 61, § 1º,
da CF/88). É do Governador do Estado a iniciativa de lei ou emenda constitucional que discipline a organização e as
atribuições dos órgãos e entidades da Administração Pública estadual. STF. Plenário. ADI 5262 MC/RR, Rel. Min. Cármen
Lúcia, julgado em 27 e 28/3/2019 (Info 935).
É inconstitucional dispositivo de Constituição Estadual que preveja que a Procuradoria Geral do Estado ficará responsável
pelas atividades de representação judicial e de consultoria jurídica apenas “do Poder Executivo”. Essa previsão viola o
princípio da unicidade da representação judicial dos Estados e do Distrito Federal. De acordo com o art. 132 da CF/88 as
atribuições da PGE não ficam restritas ao Poder Executivo, abrangendo também os demais Poderes. STF. Plenário. ADI 5262
MC/RR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 27 e 28/3/2019 (Info 935).
Viola o art. 132 da CF/88 norma da Constituição Estadual que preveja que a assistência jurídica da Administração indireta
será exercida por profissionais do corpo jurídico que compõem seus respectivos quadros
É inconstitucional dispositivo de Constituição Estadual que preveja que “a representação judicial e extrajudicial dos órgãos
da administração indireta é de competência dos profissionais do corpo jurídico que compõem seus respectivos quadros e
integram advocacia pública cujas atividades são disciplinadas em leis especificas.” Essa previsão viola o princípio da
unicidade da representação judicial dos Estados e do Distrito Federal. O art. 132 da CF/88 atribuiu aos Procuradores dos
Estados e do DF exclusividade no exercício da atividade jurídica contenciosa e consultiva não apenas dos órgãos, mas
também das entidades que compõem a administração pública indireta. STF. Plenário. ADI 5262 MC/RR, Rel. Min. Cármen
Lúcia, julgado em 27 e 28/3/2019 (Info 935).
Inconstitucionalidade da previsão de procuradores autárquicos
É inconstitucional dispositivo de Constituição Estadual que cria o cargo de procurador autárquico em estrutura paralela à
Procuradoria do Estado. Também é inconstitucional dispositivo de constituição Estadual que transforma os cargos de
gestores jurídicos, advogados e procuradores jurídicos em cargos de procuradores autárquicos. STF. Plenário. ADI 5215/GO,
Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27 e 28/3/2019 (Info 935).
Inconstitucionalidade da previsão de procuradores autárquicos e de advogados de fundação
É inconstitucional dispositivo de Constituição Estadual que preveja que os procuradores autárquicos e os advogados de
fundação terão competência privativa para a representação judicial e o assessoramento jurídico dos órgãos da
Administração Estadual Indireta aos quais vinculados, e que, para os efeitos de incidência de teto remuneratório, eles serão
considerados “procuradores”, nos termos do art. 37, XI, da CF/88. STF. Plenário. ADI 4449/AL, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 27 e 28/3/2019 (Info 935).
É constitucional lei estadual que preveja o cargo em comissão de Procurador-Geral da universidade estadual. Esta previsão
está de acordo com o princípio da autonomia universitária (art. 207 da CF/88). STF. Plenário. ADI 5262 MC/RR, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 27 e 28/3/2019 (Info 935).
É inconstitucional lei estadual que preveja que servidor de autarquia (no caso, era Técnico Superior do DETRAN) será
responsável por: • representar a entidade “em juízo ou fora dele nas ações em que haja interesse da autarquia”. • praticar
“todos os demais atos de natureza judicial ou contenciosa, devendo, para tanto, exercer as suas funções profissionais e de
responsabilidade técnica regidas pela Ordem dos Advogados do Brasil OAB”. Tais previsões violam o “princípio da unicidade
da representação judicial dos Estados e do Distrito Federal”, insculpido no art. 132 da CF/88. A legislação impugnada, apesar
de não ter criado uma procuradoria paralela, atribuiu ao cargo de Técnico Superior do Detran/ES, com formação em
Direito, diversas funções privativas de advogado. Ao assim agir, conferiu algumas atribuições de representação jurídica do
DETRAN a pessoas estranhas aos quadros da Procuradoria-Geral do Estado, com violação do art. 132, caput, da CF/88. O STF
decidiu modular os efeitos da decisão para: • manter os cargos em questão, excluídas as atribuições judiciais inerentes às
procuradorias; • declarar a validade dos atos praticados (ex: contestações, recursos etc.) até a data do julgamento, com
base na teoria do funcionário de fato. ATENÇÃO. Por outro lado, é válido que esses servidores façam a atuação jurídica no
âmbito interno da autarquia, sobretudo em atividades de compliance, tais como conceber e formular medidas e soluções
de otimização, fiscalização e auditoria (exs: interpretar textos e instrumentos legais, elaborar pareceres sobre questões
jurídicas que envolvam as atividades da entidade, elaborar editais, contratos, convênios etc.). Essas atribuições podem sim
ser exercidas pelos Técnicos Superiores do DETRAN, sem que isso ofenda o princípio da unicidade da representação judicial.
O STF entendeu que não se pode deslocar qualquer atuação técnico-jurídica da autarquia para a PGE, porque esta não
conseguirá fazer frente a essa gama de trabalho, sob pena de ter suas atividades inviabilizadas. STF. Plenário. ADI 5109/ES,
Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13/12/2018 (Info 927).

Patrícia Reinert Lang


É inconstitucional norma de Constituição Estadual que preveja que compete ao Governador nomear e exonerar o
“Procurador da Fazenda Estadual”. Isso porque o art. 132 da CF/88 determina que a representação judicial e a consultoria
jurídica do Estado, incluídas suas autarquias e fundações, deve ser feita pelos “Procuradores dos Estados e do Distrito
Federal”. Essa previsão do art. 132 da CF/88 é chamada de princípio da unicidade da representação judicial e da consultoria
jurídica dos Estados e do Distrito Federal. Em outras palavras, só um órgão pode desempenhar esta função e se trata da
Procuradoria-Geral do Estado, que detém essa competência funcional exclusiva. O modelo constitucional da atividade de
representação judicial e consultoria jurídica dos Estados exige a unicidade orgânica da advocacia pública estadual,
incompatível com a criação de órgãos jurídicos paralelos para o desempenho das mesmas atribuições no âmbito da
Administração Pública Direta ou Indireta. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. A. de Moraes, j. 25/10/2018 (Info 921).
A atuação da Procuradoria da Assembleia Legislativa deve ficar limitada à defesa das prerrogativas inerentes ao Poder
Legislativo. Em outras palavras, é possível a existência de Procuradoria da Assembleia Legislativa, mas este órgão ficará
responsável apenas pela defesa das prerrogativas do Poder Legislativo. A representação estadual como um todo,
independentemente do Poder, compete à Procuradoria-Geral do Estado (PGE), tendo em conta o princípio da unicidade
institucional da representação judicial e da consultoria jurídica para Estados e Distrito Federal. No entanto, às vezes, há
conflito entre os Poderes. Ex: o Poder Legislativo cobra do Poder Executivo o repasse de um valor que ele entende devido e
que não foi feito. Nestes casos, é possível, em tese, a propositura de ação judicial pela Assembleia Legislativa e quem irá
representar judicialmente o órgão será a Procuradoria da ALE. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 25/10/2018 (Info 921).
A Constituição do Estado do Ceará previa que o Governador deveria encaminhar à ALE projetos de lei dispondo sobre a
organização e o funcionamento da Procuradoria-Geral do Estado e das procuradorias autárquicas. O STF decidiu que essa
regra é inconstitucional. Isso porque a CF/88 determina que a representação judicial e a consultoria jurídica do Estado,
incluídas suas autarquias e fundações, deve ser feita pela PGE, nos termos do art. 132 da CF/88. O art. 132 da CF/88 consagra
o chamado “princípio” da unicidade da representação judicial e da consultoria jurídica dos Estados e do Distrito Federal e,
dessa forma, estabelece competência funcional exclusiva da Procuradoria-Geral do Estado. A exceção prevista no art. 69 do
ADCT da CF deixou evidente que, a partir da Constituição de 1988, não se permite mais a criação de órgãos jurídicos distintos
da Procuradoria-Geral do Estado, admite-se apenas a manutenção daquelas consultorias jurídicas já existentes quando da
promulgação da Carta. Trata-se de exceção direcionada a situações concretas e do passado e, por essa razão, deve ser
interpretada restritivamente, inclusive com atenção à diferenciação entre os termos “consultoria jurídica” e “procuradoria
jurídica”, uma vez que esta última pode englobar as atividades de consultoria e representação judicial. STF. Plenário. ADI
145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).
CONTRIBUIÇÃO SINDICAL
São compatíveis com a Constituição Federal os dispositivos da Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista) que extinguiram
a obrigatoriedade da contribuição sindical e condicionaram o seu pagamento à prévia e expressa autorização dos filiados.
No âmbito formal, o STF entendeu que a Lei nº 13.467/2017 não contempla normas gerais de direito tributário (art. 146, III,
“a”, da CF/88). Assim, não era necessária a edição de lei complementar para tratar sobre matéria relativa a contribuições.
Também não se aplica ao caso a exigência de lei específica prevista no art. 150, § 6º, da CF/88, pois a norma impugnada não
disciplinou nenhum dos benefícios fiscais nele mencionados, quais sejam, subsídio ou isenção, redução de base de cálculo,
concessão de crédito presumido, anistia ou remissão. Sob o ângulo material, o STF afirmou que a Constituição assegura a
livre associação profissional ou sindical, de modo que ninguém é obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato (art.
8º, V, da CF/88). O princípio constitucional da liberdade sindical garante tanto ao trabalhador quanto ao empregador a
liberdade de se associar a uma organização sindical, passando a contribuir voluntariamente com essa representação. Não
há nenhum comando na Constituição Federal determinando que a contribuição sindical é compulsória. Não se pode admitir
que o texto constitucional, de um lado, consagre a liberdade de associação, sindicalização e expressão (art. 5º, IV e XVII, e
art. 8º) e, de outro, imponha uma contribuição compulsória a todos os integrantes das categorias econômicas e
profissionais. STF. Plenário. ADI 5794/DF, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em 29/6/2018 (Info 908).
DIREITOS SOCIAIS
É inconstitucional a expressão “quando apresentar atestado de saúde, emitido por médico de confiança da mulher, que
recomende o afastamento”, contida nos incisos II e III do art. 394-A da CLT, inseridos pelo art. 1º da Lei nº 13.467/2017.
Essa expressão, inserida no art. 394-A da CLT, tinha como objetivo autorizar que empregadas grávidas ou lactantes
pudessem trabalhar em atividades insalubres. Ocorre que o STF entendeu que o trabalho de gestantes e de lactantes em
atividades insalubres viola a Constituição Federal. O art. 6º da CF/88 proclama importantes direitos, entre eles a proteção à
maternidade, a proteção do mercado de trabalho da mulher e redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas
de saúde, higiene e segurança. A proteção para que a gestante e a lactante não sejam expostas a atividades insalubres
caracteriza-se como importante direito social instrumental que protege não apenas a mulher como também a criança (art.
227 da CF/88). A proteção à maternidade e a integral proteção à criança são direitos irrenunciáveis e não podem ser
afastados pelo desconhecimento, impossibilidade ou a própria negligência da gestante ou lactante em apresentar um

Patrícia Reinert Lang


atestado médico, sob pena de prejudicá-la e prejudicar o recém-nascido. Em suma, é proibido o trabalho da gestante ou da
lactante em atividades insalubres. STF. Plenário. ADI 5938/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, 29/5/2019 (Info 942).
É indispensável o registro do sindicato no Ministério do Trabalho para poder ingressar em juízo na defesa de seus filiados.
A legitimidade dos sindicatos para representação de determinada categoria depende do devido registro no Ministério do
Trabalho em obediência ao princípio constitucional da unicidade sindical (art. 8º, II, da CF/88). STF. 1ª Turma. RE 740434
AgR/MA, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/2/2019 (Info 931).
Não há vedação para a fixação de piso salarial em múltiplos do salário mínimo, desde que inexistam reajustes automáticos.
Isso não configura afronta ao art. 7º, IV, da CF/88 nem à SV 4. STF. 1ª Turma. RE 1077813 AgR/PR, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 05/02/2019 (Info 929). STF. 2ª Turma. ARE 1110094 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
29/06/2018. No mesmo sentido é a OJ 71, da SBDI-2 do TST: “A estipulação do salário profissional em múltiplos do salário
mínimo não afronta o art. 7º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, só incorrendo em vulneração do referido preceito
constitucional a fixação de correção automática do salário pelo reajuste do salário mínimo.”
A incidência da estabilidade prevista no art. 10, II, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) somente exige
a anterioridade da gravidez à dispensa sem justa causa. Art. 10. (...) II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa:
(...) da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. O único requisito exigido é de
natureza biológica. Exige-se apenas a comprovação de que a gravidez tenha ocorrido antes da dispensa arbitrária, não sendo
necessários quaisquer outros requisitos, como o prévio conhecimento do empregador ou da própria gestante. Assim, é
possível assegurar a estabilidade à gestante mesmo que no momento em que ela tenha sido demitida pelo empregador
ele não soubesse de sua gravidez. STF. Plenário. RE 629053, Min. A. de Moraes, j. 10/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).
COMUNIDADES QUILOMBOLAS
O art. 68 do ADCT estabelece que “aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras
é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.” Em 2003, foi editado o Decreto
nº 4.887, com o objetivo de regulamentar o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e
titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos. O STF entendeu que este Decreto não
invadiu esfera reservada à lei. O objetivo do Decreto foi tão somente o de regular o comportamento do Estado na
implementação do comando constitucional previsto no art. 68 do ADCT. Houve o mero exercício do poder regulamentar da
Administração, nos limites estabelecidos pelo art. 84, VI, da Constituição. O art. 2º, caput e § 1º do Decreto nº 4.887/2003
prevê como deve ser o critério utilizado pelo Poder Público para a identificação dos quilombolas. O critério escolhido foi o
da autoatribuição (autodefinição). O STF entendeu que a escolha do critério desse critério não foi arbitrária, não sendo
contrária à Constituição. O art. 2º, §§ 2º e 3º, do Decreto preconiza que, na identificação, medição e demarcação das terras
dos quilombolas devem ser levados em consideração critérios de territorialidade indicados pelos remanescentes das
comunidades dos quilombos. O STF afirmou que essa previsão é constitucional. Isso porque o que o Decreto está garantindo
é apenas que as comunidades envolvidas sejam ouvidas, não significando que a demarcação será feita exclusivamente com
base nos critérios indicados pelos quilombolas. O art. 13 do Decreto, por sua vez, estabelece que o INCRA poderá realizar a
desapropriação de determinadas áreas caso os territórios ocupados por remanescentes das comunidades dos quilombos
estejam situados em locais pertencentes a particulares. O STF reputou válida essa previsão tendo em vista que, em nenhum
momento a Constituição afirma que são nulos ou extintos os títulos eventualmente incidentes sobre as terras ocupadas por
remanescentes das comunidades dos quilombos. Assim, o art. 68 do ADCT, apesar de reconhecer um direito aos
quilombolas, não invalida os títulos de propriedade eventualmente existentes, de modo que, para que haja a regularização
do registro em favor das comunidades quilombolas, exige-se a realização do procedimento de desapropriação. Por fim, o
STF não acolheu a tese de que somente poderiam ser consideradas terras de quilombolas aqueles que estivessem sendo
ocupadas por essas comunidades na data da promulgação da CF/88 (05/10/1988). Em outras palavras, mesmo que, na data
da promulgação da CF/88, a terra não mais estivesse sendo ocupada pelas comunidades quilombolas, é possível, em tese,
que seja garantido o direito previsto no art. 68 do ADCT. STF. Plenário. ADI 3239/DF, Min. R Weber, j. 8/2/2018 (Info 890).
ORÇAMENTO
O Estado do Rio de Janeiro vive uma grave crise econômica, estando em débito com o pagamento de fornecedores e atraso
até mesmo no pagamento da remuneração dos servidores públicos. Os órgãos e entidades também estão sem dinheiro para
custear os serviços públicos. Diante disso, diversas ações (individuais e coletivas) foram propostas, tanto na Justiça comum
estadual como também na Justiça do Trabalho, pedindo a realização desses pagamentos. Os órgãos judiciais estavam
acolhendo os pedidos e determinando a apreensão de valores nas contas do Estado para a concretização dos pagamentos.
Neste cenário, o Governador do Estado ajuizou ADPF no STF com o objetivo de suspender os efeitos de todas as decisões
judiciais do TJRJ e do TRT da 1ª Região que tenham determinado o arresto, o sequestro, o bloqueio, a penhora ou a liberação
de valores das contas administradas pelo Estado do Rio de Janeiro. O STF afirmou que esse conjunto de decisões representa
uma usurpação das competências constitucionais reservadas ao Poder Executivo (a quem cabe exercer a direção da
administração) e ao Poder Legislativo (a quem compete autorizar a transposição, remanejamento ou transferência de
recursos de uma categoria de programação para outra, ou de um órgão para outro). Logo, isso significa uma ofensa ao art.

Patrícia Reinert Lang


2º, art. 84, II e art. 167, VI e X, da Constituição Federal. Diante desse cenário, o STF determinou a suspensão dos efeitos das
decisões que tenham determinado o arresto, o sequestro, o bloqueio, a penhora ou a liberação de valores das contas
administradas pelo Estado do Rio de Janeiro e que tenham recaído sobre recursos escriturados, com vinculação
orçamentária específica ou vinculados a convênios e operações de crédito, valores de terceiros sob a administração do
Poder Executivo e valores constitucionalmente destinados a municípios, devendo, ainda, ser devolvidos os recursos que
ainda não tenham sido repassados aos beneficiários dessas decisões judiciais. STF. Plenário. ADPF 405 MC/RJ, Rel. Min. Rosa
Weber, julgado em 14/6/2017 (Info 869).
SUBSTITUIÇÃO PRESIDENCIAL
Os substitutos eventuais do Presidente da República a que se refere o art. 80 da CF/88, caso ostentem a posição de réus
criminais perante o STF, ficarão impossibilitados de exercer o ofício de Presidente da República. No entanto, mesmo sendo
réus, podem continuar na chefia do Poder por eles titularizados. Ex: o Presidente do Senado Renan Calheiros tornou-se réu
em um processo criminal; logo, ele não poderá assumir a Presidência da República na forma do art. 80 da CF/88; porém, ele
pode continuar normalmente como Presidente do Senado, não precisando ser afastado deste cargo. STF. Plenário. ADPF
402 MC-REF/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/12/2016 (Info 850).
ADVOCACIA PÚBLICA
A Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (ANAPE) tem legitimidade ativa para, via arguição
de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), questionar dispositivos de lei estadual que estabelece a isonomia de
vencimentos entre as carreiras de Procurador estadual e de Delegado de Polícia. STF. Plenário. ADPF 328 AgR/MA, rel. orig.
Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 18/08/2016 (Info 835).
LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL
A Lei de Responsabilidade Fiscal, cumprindo o que determina o art. 169 da CF/88, estabelece, em seus arts. 19 e 20, valores
máximos que a União, os Estados/DF e os Municípios poderão ter gastar com despesas de pessoal. É inconstitucional lei
estadual que amplia os limites máximos de gastos com pessoal fixados pelos arts. 19 e 20 da Lei de Responsabilidade (LC
101/2000). O art. 169 da CF/88 determina que a despesa com pessoal da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar. Esta lei complementar de que trata a
Constituição é uma lei complementar nacional que, no caso, é a LC 101/2000. A legislação estadual, ao fixar limites de gastos
mais generosos, viola os parâmetros normativos contidos na LRF, e, com isso, usurpa a competência da União para dispor
sobre o tema. STF. Plenário. ADI 5449 MC-Referendo/RR, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 10/3/2016 (Info 817).
IMPEACHMENT
Principais conclusões do STF na decisão que definiu o rito do processo de impeachment da Presidente Dilma: 1) Não há
direito à defesa prévia antes do recebimento da denúncia pelo Presidente da Câmara. 2) É possível a aplicação subsidiária
dos Regimentos Internos da Câmara e do Senado que tratam sobre o impeachment, desde que sejam compatíveis com os
preceitos legais e constitucionais pertinentes. 3) Após o início do processo de impeachment, durante a instrução probatória,
a defesa tem o direito de se manifestar após a acusação. 4) O interrogatório deve ser o ato final da instrução probatória.
5) O recebimento da denúncia no processo de “impeachment” ocorre apenas após a decisão do Plenário do Senado Federal.
Assim, a Câmara dos Deputados somente atua no âmbito pré-processual, não valendo a sua autorização como um
recebimento da denúncia, em sentido técnico. Compete ao Senado decidir se deve receber ou não a denúncia cujo
prosseguimento foi autorizado pela Câmara. O Senado não está vinculado à decisão da Câmara. 6) A decisão do Senado que
delibera se instaura ou não o processo se dá pelo voto da maioria simples, presente a maioria absoluta de seus membros.
7) É possível a aplicação analógica dos arts. 44, 45, 46, 47, 48 e 49 da Lei 1.079/1950 — os quais determinam o rito do
processo de “impeachment” contra Ministros do STF e o PGR — ao processamento no Senado Federal de crime de
responsabilidade contra o Presidente da República. 8) Não é possível que sejam aplicadas, para o processo de
impeachment, as hipóteses de impedimento do CPP. Assim, não se pode invocar o impedimento do Presidente da Câmara
para participar do processo de impeachment com base em dispositivos do CPP. 9) A eleição da comissão especial do
impeachment deve ser feita por indicação dos líderes e voto aberto do Plenário. Os representantes dos partidos políticos
ou blocos parlamentares que irão compor a chapa da comissão especial da Câmara dos Deputados deverão ser indicados
pelos líderes, na forma do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Assim, não é possível a apresentação de
candidaturas ou chapas avulsas para a formação da comissão especial. STF. Plenário. ADPF 378/DF, Rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 16, 17 e 18/12/2015 (Info 812).
Caso o Presidente da República seja "acusado" de ter praticado um crime de responsabilidade, a Câmara dos Deputados é
que irá decidir se autoriza ou não a instauração de processo, nos termos do art. 51, I, da CF/88. O art. 187, § 4º do Regimento
da Câmara dos Deputados prevê que, na votação que autoriza ou não a instauração de processo, cada Deputado Federal
será chamado nominalmente e deverá responder "sim" ou "não". Ainda segundo este § 4º, a chamada dos Deputados
Federais para votar deverá ocorrer, "alternadamente, do norte para o sul e vice-versa". Segundo decidiu o STF, não existe
nenhuma inconstitucionalidade nesta previsão, não havendo ofensa aos princípios do contraditório, da ampla defesa, da
impessoalidade, da moralidade e da República. Qualquer tipo de votação nominal, independentemente do critério adotado,
Patrícia Reinert Lang
jamais poderá afastar a possibilidade de "efeito cascata". O STF afirmou, ainda, que não se pode exigir isenção e
imparcialidade dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Na realidade, o “impeachment” é uma
questão política que deve de ser resolvida com critérios políticos. A garantia da imparcialidade está no alto quórum
exigido para a votação. STF. Plenário. ADI 5498 MC/DF, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, j. 14/4/2016 (Info 821). STF.
Plenário. MS 34127 MC/DF, MS 34128 MC/DF, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, julgados em 14/4/2016 (Info 821).
POLÍCIA CIVIL
É inconstitucional dispositivo de CE que exija que o Superintendente da Polícia Civil seja um delegado de polícia integrante
da classe final da carreira. STF. Plenário. ADI 3077/SE, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 16/11/2016 (Info 847).
ADMINISTRATIVO
RESPONSABILIDADE CIVIL
A teor do disposto no art. 37, § 6º, da Constituição Federal, a ação por danos causados por agente público deve ser
ajuizada contra o Estado ou a pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público, sendo parte ilegítima para
a ação o autor do ato, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. STF. Plenário. RE
1027633/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/8/2019 (repercussão geral) (Info 947).
Teoria da dupla garantia: Apesar de o Min. Marco Aurélio não ter mencionado isso expressamente em seu voto, a posição
acima exposta ficou conhecida no meio jurídico como “teoria da dupla garantia”. Essa expressão foi cunhada pelo então
Min. Carlos Ayres Britto, no RE 327904, julgado em 15/08/2006: O § 6º do artigo 37 da Magna Carta autoriza a proposição
de que somente as pessoas jurídicas de direito público, ou as pessoas jurídicas de direito privado que prestem serviços
públicos, é que poderão responder, objetivamente, pela reparação de danos a terceiros. Isto por ato ou omissão dos
respectivos agentes, agindo estes na qualidade de agentes públicos, e não como pessoas comuns. Esse mesmo dispositivo
constitucional consagra, ainda, dupla garantia: uma, em favor do particular, possibilitando-lhe ação indenizatória contra a
pessoa jurídica de direito público, ou de direito privado que preste serviço público, dado que bem maior, praticamente certa,
a possibilidade de pagamento do dano objetivamente sofrido. Outra garantia, no entanto, em prol do servidor estatal, que
somente responde administrativa e civilmente perante a pessoa jurídica a cujo quadro funcional se vincular. STF. 1ª Turma.
RE 327904, Rel. Min. Carlos Britto, julgado em 15/08/2006.
O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e registradores oficiais que, no exercício de suas funções,
causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa, sob pena de
improbidade administrativa. O Estado possui responsabilidade civil direta, primária e objetiva pelos danos que notários e
oficiais de registro, no exercício de serviço público por delegação, causem a terceiros. STF. Plenário. RE 842846/RJ, Rel. Min.
Luiz Fux, 27/2/2019 (repercussão geral) (Info 932). OBS, LEMBRANDO: Art. 22. Os notários e oficiais de registro são
civilmente responsáveis por todos os prejuízos que causarem a terceiros, por culpa ou dolo, pessoalmente, pelos substitutos
que designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado o direito de regresso. (Lei nº 13.286/2016). § único. Prescreve
em três anos a pretensão de reparação civil, contado o prazo da data de lavratura do ato registral ou notarial.
A pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público possui responsabilidade civil em razão de dano
decorrente de crime de furto praticado em suas dependências, nos termos do art. 37, § 6º, da CF/88. Caso concreto: o
caminhão de uma empresa transportadora foi parado na balança de pesagem na Rodovia Anhanguera (SP), quando se
constatou excesso de peso. Os agentes da concessionária determinaram que o condutor estacionasse o veículo no pátio da
concessionária e, em seguida, conduziram-no até o escritório para ser autuado. Aproximadamente 10 minutos depois, ao
retornar da autuação para o caminhão, o condutor observou que o veículo havia sido furtado. O STF condenou a Dersa –
Desenvolvimento Rodoviário S/A, empresa concessionária responsável pela rodovia a indenizar a transportadora. STF. 1ª
Turma. RE 598356/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018 (Info 901).
Considerando que é dever do Estado, imposto pelo sistema normativo, manter em seus presídios os padrões mínimos de
humanidade previstos no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade, nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição, a
obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente causados aos detentos em decorrência da falta ou
insuficiência das condições legais de encarceramento. STF. Plenário. RE 580252/MS, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o
ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 16/2/2017 (repercussão geral) (Info 854).
O STF decidiu que "é prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil." (RE 669069/MG).
Em embargos de declaração opostos contra esta decisão, o STF afirmou que: a) O conceito de ilícito civil deve ser buscado
pelo método de exclusão: não se consideram ilícitos civis aqueles que decorram de infrações ao direito público, como os de
natureza penal, os decorrentes de atos de improbidade e assim por diante. b) As questões relacionadas com o início do
prazo prescricional não foram examinadas no recurso extraordinário porque estão relacionadas com matéria
infraconstitucional, que devem ser decididas segundo a interpretação da legislação ordinária. c) Não deveria haver
modulação dos efeitos, considerando que na jurisprudência do STF não havia julgados afirmando que as pretensões de ilícito
civil seriam imprescritíveis. Logo, o acórdão do STF não frustrou a expectativa legítima da Administração Pública. STF.
Plenário. RE 669069/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 3/2/2016 (repercussão geral) (Info 813). STF. Plenário. RE

Patrícia Reinert Lang


669069 ED/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 16/6/2016 (Info 830). QUAL O PRAZO? Prazo de 3 anos: acórdão
mantido pelo STF No julgamento acima explicado, o Tribunal de origem adotou a 1ª corrente (prazo de 3 anos) e o STF
manteve a decisão. Vale ressaltar, no entanto, que o objeto do recurso extraordinário não era esse, de forma que a questão
ainda se encontra em aberto na Corte. Penso que não é possível afirmar ainda que se trata da posição do STF. No entanto,
como foi trazido no Informativo, poderá ser cobrado nas provas. Fique atento com o enunciado da questão ("segundo o
STF" ou "segundo o STJ"). Prazo de 5 anos: posição pacífica do STJ (...) 4. A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido
de que a prescrição contra a Fazenda Pública é quinquenal, mesmo em ações indenizatórias, uma vez que é regida pelo
Decreto 20.910/32, norma especial que prevalece sobre lei geral. (...) 5. O STJ tem entendimento jurisprudencial no sentido
de que o prazo prescricional da Fazenda Pública deve ser o mesmo prazo previsto no Decreto 20.910/32, em razão do
princípio da isonomia. (...) (STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 768.400/DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03/11/2015)
A fixação do prazo prescricional de 5 anos para os pedidos de indenização por danos causados por agentes de pessoas
jurídicas de direito público e de pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos, constante do art. 1º-
C da Lei 9.494/97, é constitucional. STF. Plenário. ADI 2418/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 4/5/2016 (Info 824).
Em caso de inobservância de seu dever específico de proteção previsto no art. 5º, inciso XLIX, da CF/88 [é assegurado aos
presos o respeito à integridade física e moral;], o Estado é responsável pela morte de detento. Em regra: o Estado é
objetivamente responsável pela morte de detento. Isso porque houve inobservância de seu dever específico de proteção
previsto no art. 5º, inciso XLIX, da CF/88.  Exceção: o Estado poderá ser dispensado de indenizar se ele conseguir provar
que a morte do detento não podia ser evitada. Neste caso, rompe-se o nexo de causalidade entre o resultado morte e a
omissão estatal. STF. Plenário. RE 841526/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 30/3/2016 (repercussão geral) (Info 819).
IMPROBIDADE
São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade
Administrativa. STF. Plenário. RE 852475/SP, Rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, Rel. para acórdão Min. Edson Fachin,
julgado em 08/08/2018 (repercussão geral) (Info 910).
Ação de improbidade administrativa: ministro de estado e foro competente. Os agentes políticos, com exceção do
Presidente da República, encontram-se sujeitos a duplo regime sancionatório, de modo que se submetem tanto à
responsabilização civil pelos atos de improbidade administrativa quanto à responsabilização político-administrativa por
crimes de responsabilidade. O foro especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em relação às
infrações penais comuns não é extensível às ações de improbidade administrativa. STF. Plenário. Pet 3240 AgR/DF, rel. Min.
Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/5/2018 (Info 901).
ATO ADMINISTRATIVO
O Poder Judiciário não pode fazer a revisão judicial do mérito da decisão administrativa proferida pelo CADE. A expertise
técnica e a capacidade institucional do CADE em questões de regulação econômica exige que o Poder Judiciário tenha uma
postura deferente (postura de respeito) ao mérito das decisões proferidas pela Autarquia. A análise jurisdicional deve se
limitar ao exame da legalidade ou abusividade do ato administrativo. STF. 1ª Turma. RE 1083955/DF, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 28/5/2019 (Info 942).
Não é inconstitucional medida provisória que, ao tratar sobre os órgãos vinculados à Presidência da República, confere
status de Ministro de Estado ao chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, ainda que seu titular a ser
nomeado, venha a ter foro por prerrogativa de função no STF. Não há desvio de finalidade na edição deste ato. A norma, ao
estabelecer a organização básica dos Ministérios e demais órgãos ligados à Presidência da República, é matéria que está no
âmbito decisório do chefe do Poder Executivo da União. Não se sustenta, do ponto de vista jurídico, o argumento de que a
criação da Secretaria-Geral com status de Ministério de Estado implicaria burla aos postulados constitucionais de
moralidade e probidade na Administração, porque a criação ou extinção de ministérios e órgãos da Presidência também
está no campo de decisão do chefe do Poder Executivo. A nomeação de determinada pessoa para o cargo de Ministro de
Estado é um ato subsequente e que, em princípio, está na alçada político-administrativa do Presidente da República (art.
84), desde que presentes os requisitos do art. 87 da CF/88. STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e ADI
5727/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 27/3/2019 (Info 935).
PRECATÓRIO
É harmônica com a normatividade constitucional a previsão do art. 86 do ADCT na dicção da EC 37/2002 de um regime de
transição para tratar dos precatórios reputados de pequeno valor, já expedidos antes da promulgação da Constituição
Federal. STF. Plenário. RE 587.982/RS e RE 796.939/RS, Rel. Min. Edson Fachin, 27/3/2019 (repercussão geral) (Info 935).
É inconstitucional determinação judicial que decreta a constrição de bens de sociedade de economia mista prestadora de
serviços públicos em regime não concorrencial, para fins de pagamento de débitos trabalhistas. Sociedade de economia
mista prestadora de serviço público não concorrencial está sujeita ao regime de precatórios (art. 100 da CF/88) e, por
isso, impossibilitada de sofrer constrição judicial de seus bens, rendas e serviços, em respeito ao princípio da legalidade
orçamentária (art. 167, VI, da CF/88) e da separação funcional dos poderes (art. 2º c/c art. 60, § 4º, III). STF. Plenário. ADPF
275/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/10/2018 (Info 920).
Patrícia Reinert Lang
Não se submetem ao regime de precatório as empresas públicas dotadas de personalidade jurídica de direito privado com
patrimônio próprio e autonomia administrativa que exerçam atividade econômica sem monopólio e com finalidade de lucro.
STF. 1ª Turma. RE 892727/DF, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 7/8/2018 (Info 910).
As empresas públicas e sociedades de economia mista não têm direito à prerrogativa de execução via precatório. STF. 1ª
Turma. RE 851711 AgR/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12/12/2017 (Info 888).
Em regra, as empresas estatais estão submetidas ao regime das pessoas jurídicas de direito privado (execução comum). No
entanto, é possível sim aplicar o regime de precatórios para empresas públicas e sociedades de economia mista que prestem
serviços públicos e que não concorram com a iniciativa privada. Assim, é aplicável o regime dos precatórios às empresas
públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não
concorrencial. STF. 1ª Turma. RE 627242 AgR, Rel. p/ Ac Min. Barroso, j. 02/05/2017. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min.
Gilmar Mendes, j. 23/3/2017 (Info 858).
É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado
e de natureza não concorrencial. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017 (Info 858). O
caso concreto no qual o STF decidiu isso envolvia uma sociedade de economia mista prestadora de serviços de
abastecimento de água e saneamento que prestava serviço público primário e em regime de exclusividade. O STF entendeu
que a atuação desta sociedade de economia mista correspondia à própria atuação do Estado, já que ela não tinha objetivo
de lucro e o capital social era majoritariamente estatal. STF. 2ª Turma. RE 852302 AgR/AL, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
15/12/2015 (Info 812).
A decisão judicial que, em julgamento de mandado de segurança, determina que a União faça o pagamento dos valores
atrasados decorrentes de reparação econômica devida a anistiado político não se submete ao regime dos precatórios,
devendo o pagamento ser feito de forma imediata. STF. Plenário. RE 553710/DF, Rel. Min. Toffoli, j. 17/11/2016 (Info 847).
SERVIDORES PÚBLICOS
O art. 40, § 4º, I, da CF/88 prevê que o servidor público com deficiência possui direito à aposentadoria com requisitos e
critérios diferenciados (aposentadoria especial). Ocorre que o dispositivo constitucional exige que uma lei complementar
regulamente essa aposentadoria, sendo, portanto, uma norma constitucional de eficácia limitada. Até o presente momento,
não foi editada essa lei complementar, havendo, portanto, uma omissão inconstitucional. Diante disso, a LC nº 142/2013,
que regulamentou a aposentadoria especial de pessoas com deficiência no Regime Geral de Previdência Social, deve ser
aplicada aos pedidos de aposentadoria de servidores públicos com deficiência, por se tratar de diploma mais adequado
para suprir a omissão na regulamentação do art. 40, § 4º, I, da CF/1988. Assim, o servidor público com deficiência possui
o direito de ver analisado o requerimento de aposentadoria especial apresentado com base no art. 40, § 4º, I, da CF/88
utilizando-se das normas da LC 142/2013. STF. 1ª Turma. MI 6818/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, 13/8/2019 (Info 947).
O § 4º do art. 39 da CF/88 prevê que os servidores remunerados pelo regime de subsídio recebem “parcela única” mensal,
sendo “vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie
remuneratória”. Vale ressaltar, no entanto, que o art. 39, § 4º, da CF/88 não estabelece uma vedação absoluta ao
pagamento de outras verbas além do subsídio. O modelo de remuneração por subsídio tem por objetivo evitar que
atividades “normais” exercidas pelo servidor público, ou seja, atividades que são inerentes ao cargo que ele ocupa (e que
já são remuneradas pelo subsídio) sejam também remuneradas com o acréscimo de outras parcelas adicionais. Dito de
outra forma: o subsídio remunera o servidor pelas atividades que ele realiza e que são inerentes ao seu cargo, ou seja, as
atividades “normais” de seu cargo. O art. 39, § 4º proíbe que este servidor receba outras verbas (além do subsídio) para
exercer essas atividades “normais”. Contudo, o art. 39, § 4º, não proíbe que o servidor receba: a) valores que não ostentam
caráter remuneratório, como os de natureza indenizatória; e b) valores pagos como retribuição por eventual execução de
encargos especiais não incluídos no plexo das atribuições normais e típicas do cargo considerado. O que o art. 39, § 4º, da
CF/88 impede é a acumulação do subsídio com outras verbas destinadas a retribuir o exercício de atividades próprias e
ordinárias do cargo.
Justamente por isso, é constitucional lei estadual que preveja o pagamento de gratificação para servidores que já recebem
pelo regime de subsídio quando eles realizarem atividades que extrapolam as funções próprias e normais do cargo. Essas
atividades, a serem retribuídas por esta parcela própria, detêm conteúdo ocupacional estranho às atribuições ordinárias do
cargo e, portanto, podem ser remuneradas por gratificação além da parcela única do subsídio, sem que isso afronte o art.
39, § 4º, da CF/88. Essa gratificação somente seria inconstitucional se ficasse demonstrado que estaria havendo um duplo
pagamento pelo exercício das mesmas funções normais do cargo. STF. Plenário. ADI 4941/AL, rel. orig. Min. Teori Zavascki,
red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado 14/8/2019 (Info 947).
A acumulação de cargos públicos de profissionais da área de saúde, prevista no art. 37, XVI, da CF/88, não se sujeita ao
limite de 60 horas semanais previsto em norma infraconstitucional, pois inexiste tal requisito na Constituição Federal. O
único requisito estabelecido para a acumulação é a compatibilidade de horários no exercício das funções, cujo
cumprimento deverá ser aferido pela administração pública. STF. 1ª Turma. RE 1176440/DF, Rel. Min. Alexandre de

Patrícia Reinert Lang


Moraes, julgado em 9/4/2019 (Info 937). STF. 2ª Turma. RMS 34257 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
29/06/2018. STJ. 1ª Seção. REsp 1767955/RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 27/03/2019.
Teto remuneratório de Procuradores Municipais é o subsídio de Desembargador de TJ. A expressão "Procuradores",
contida na parte final do inciso XI do art. 37 da Constituição da República, compreende os procuradores municipais, uma
vez que estes se inserem nas funções essenciais à Justiça, estando, portanto, submetidos ao teto de 90,25% (noventa inteiros
e vinte e cinco centésimos por cento) do subsídio mensal, em espécie, dos ministros do STF. STF. Plenário. RE 663696/MG,
Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/2/2019 (Info 932).
Incide o teto remuneratório constitucional aos substitutos interinos de serventias extrajudiciais. STF. 2ª Turma. MS
29.039/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/11/2018 (Info 923).
Não deve ser determinada a devolução de valores recebidos de boa-fé por servidor público, percebidos a título precário
no período em que liminar produziu efeitos. É desnecessária a devolução dos valores recebidos por liminar revogada, em
razão de mudança de jurisprudência. Também é descabida a restituição de valores recebidos indevidamente, circunstâncias
em que o servidor público atuou de boa-fé. STF. 1ª Turma. MS 32.185/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 13/11/2018 (Info 923).
O STJ possui o mesmo entendimento acima exposto? NÃO. O STJ, sem enfrentar expressamente o tema referente à
mudança na jurisprudência, em regra, afirma que é devida a devolução. Confira: Se o servidor público recebe valores por
força de decisão judicial posteriormente revogada, tal quantia poderá ser exigida pela Administração Pública? SIM. É devida
a restituição ao erário dos valores de natureza alimentar pagos pela Administração Pública a servidores públicos em
cumprimento a decisão judicial precária posteriormente revogada. O STJ entende que, neste caso, não se pode falar em
boa-fé do servidor, considerando que ele sabia que poderia haver alteração da decisão que tinha caráter precário
(provisório). STJ. 1ª Seção. EAREsp 58.820-AL, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 8/10/2014.
RESUMINDO – DEVOLUÇÃO DE VALORES
SITUAÇÃO TERÁ QUE DEVOLVER?
1) Servidor recebe por decisão ADMINISTRATIVA depois revogada NÃO
2) Servidor que recebe indevidamente valores em decorrência de erro operacional da NÃO
Administração
3) Servidor recebe por decisão JUDICIAL não definitiva depois reformada SIM (posição do STJ)
4) Servidor recebe por decisão JUDICIAL não definitiva depois reformada (obs: a reforma da NÃO (posição do STF)
liminar foi decorrência de mudança na jurisprudência).
5) Servidor recebe por sentença TRANSITADA EM JULGADO e que posteriormente é rescindida NÃO
6) Herdeiro que recebe indevidamente proventos do servidor aposentado depois que ele SIM
morreu
Não é possível a extensão a servidores públicos civis da majoração de vencimentos, no percentual de 45%, concedida a
servidores militares, a título de reestruturação de cargos, com base na Lei nº 8.237/91 e no princípio da isonomia dos índices
revisionais disciplinados na redação original do art. 37, X, da Constituição Federal. O reajuste de vencimentos concedido aos
integrantes das Forças Armadas, à base de 45%, pela Lei nº 8.237/91, não configurou um aumento geral na remuneração
dos servidores militares que autorizasse, com fundamento no art. 37, X, da CF/88, a extensão aos servidores civis. STF. 2ª
Turma. RE 229637/ SP, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 6/11/2018 (Info 922).
É constitucional a previsão legal que assegure, na hipótese de transferência ex officio de servidor, a matrícula em instituição
pública, se inexistir instituição congênere à de origem. Ex: Paulo é servidor público federal, lotado em Recife (PE), onde faz
faculdade de Medicina em uma universidade particular. Ele é transferido, de ofício, para Rio Branco (AC). Suponhamos,
hipoteticamente, que, em Rio Branco, as universidades privadas lá existentes não possuem o curso de medicina. Neste caso,
Paulo teria direito a uma vaga no curso de Medicina da universidade pública. Fundamento legal: art. 1º da Lei nº 9.536/97.
STF. Plenário. RE 601580/RS, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 19/9/2018 (repercussão geral) (Info 916).
Em 2001, foi editada uma lei estadual criando cargos e organizando a Polícia Civil do Estado do Amazonas. Nesta Lei foi
previsto que, na estrutura da Polícia Civil, haveria cargos de Delegado de Polícia e de Comissário de Polícia. Ainda em 2001,
foi realizado um concurso público, com provas específicas para cada um desses cargos, e os aprovados nomeados e
empossados. Contudo, em 2004, houve duas leis modificando o cargo de Comissário de Polícia. • a primeira delas afirmou
que Comissário de Polícia seria autoridade policial, juntamente com o Delegado de Polícia, equiparando a remuneração dos
dois cargos. • a segunda lei, transformando o cargo de "Comissário de Polícia" em "Delegado de Polícia". Essas duas leis
foram impugnadas por meio de ADI. Em 2015, o STF decidiu que elas são INCONSTITUCIONAIS porque representaram burla
à exigência do concurso público. As referidas leis fizeram uma espécie de ASCENSÃO FUNCIONAL dos Comissários de Polícia
porque transformaram os ocupantes desses cargos em Delegados de Polícia sem que eles tivessem feito concurso público
para tanto. No caso concreto, os Ministros entenderam que, quando o cargo de Comissário de Polícia foi criado, ele possuía
diferenças substanciais em relação ao de Delegado de Polícia, o que impediria a transformação, mesmo sob o argumento
de ser medida de racionalização administrativa. Foram opostos embargos de declaração contra a decisão. Em 2018, o STF
acolheu os embargos e aceitou modular os efeitos da decisão proferida na ADI 3415. Além disso, o Tribunal determinou ao

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Estado do Amazonas que promova, no prazo máximo de 18 meses, a contar da publicação da ata de julgamento
(07/08/2018), a abertura de concurso público para o cargo de Delegado de Polícia. O Ministro Relator Alexandre de Moraes
afirmou que mais de 70 delegacias de polícia ficariam sem delegados e que a população amazonense é que sofreria as
consequências. Além disso, na decisão dos embargos, os Ministros esclareceram que são plenamente válidos os atos
praticados nos cargos de Delegado de Polícia que serão afastados. STF. Plenário. ADI 3415 ED-segundos/AM, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 1º/8/2018 (Info 909).
O art. 3º, § 7º, da Lei nº 12.618/2012 e o art. 92 da Lei nº 13.328/2016 previram que os servidores titulares de cargos efetivos
da União (inclusive magistrados, membro do MP e do TCU) poderiam aderir, até o dia 29/07/2018, aos planos de benefícios
administrados por entidades fechadas de previdência complementar. Duas associações de magistrados ingressaram com
ação requerendo a prorrogação deste prazo. O STF, contudo, negou o pedido. O deferimento do pleito representaria
indevida manipulação de opção político-normativa do Parlamento. Ao STF, à semelhança do que ocorre com as demais
Cortes Constitucionais, cabe exercer o papel de legislador negativo. É sua a relevante função de extirpar do ordenamento
jurídico normas incompatíveis com a Lei Maior, devendo, exatamente por esse motivo, atuar com parcimônia. Não há, sob
o ângulo material ou formal, qualquer traço de incompatibilidade direta com a Constituição Federal. STF. Plenário. ADI 4885
MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27/6/2018 (Info 908).
Guardas municipais não têm direito à aposentadoria especial: Aposentadoria especial é aquela cujos requisitos e critérios
exigidos do beneficiário são mais favoráveis que os estabelecidos normalmente para as demais pessoas. A CF/88 prevê que
os servidores que exerçam atividades de risco têm direito à aposentadoria especial, segundo requisitos e condições previstas
em lei complementar (art. 40, § 4º, II, “b”). Diante da ausência de legislação específica, não cabe ao Poder Judiciário garantir
aposentadoria especial (art. 40, § 4º, II, da CF/88) às guardas municipais. A aposentadoria especial não pode ser estendida
aos guardas civis, uma vez que suas atividades precípuas não são inequivocamente perigosas e, ainda, pelo fato de não
integrarem o conjunto de órgãos de segurança pública relacionados no art. 144, I a V, da CF/88. STF. Plenário. MI 6515/DF,
MI 6770/DF, MI 6773/DF, MI 6780/DF, MI 6874/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 20/6/2018 (Info 907).
A Constituição do Estado do Ceará previa que o servidor, ao se aposentar, deveria receber, como proventos, o valor
pecuniário correspondente ao padrão de vencimento imediatamente superior ao da sua classe funcional, e, se já ocupasse
o ultimo escalão, faria jus a uma gratificação adicional de 20% sobre a sua remuneração. O STF decidiu que essa previsão
não era considerada materialmente inconstitucional à época da edição da Carta, uma vez que a superação da remuneração
em atividade era tolerada na redação original da CF. Porém, essa regra não foi recepcionada pela EC 20/98 que proibiu a
superação do patamar remuneratório da atividade e a impossibilidade de incorporação da remuneração do cargo em
comissão para fins de aposentadoria (art. 40, §§ 2º e 3º, da CF/88). STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado
em 20/6/2018 (Info 907).
São inconstitucionais os arts. 154, § 2º; 167, XII e XIII, §§ 1º e 2º; e 174, da Constituição do Estado do Ceará, e os arts. 27 e
28 do seu ADCT. Tais dispositivos tratam de remuneração e direitos de servidores públicos, que, por não encontrarem
similares na CF/88, somente poderiam ser veiculados por meio de lei de iniciativa do Chefe do Poder Executivo. São
previsões específicas que não tratam da organização e estruturação do Estado-membro ou de seus órgãos, mas que versam
sobre o regime jurídico de servidores públicos. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 20/6/2018 (Info 907).
A Constituição do Estado do Ceará prevê que deverá ser assegurada isonomia salarial para docentes em exercício, com
titulação idêntica, respeitando-se o grau de ensino em que estiverem atuando. O STF decidiu que essa regra é constitucional
e que não ofende o art. 37, XIII, da CF/88. Isso porque não há, no caso, equiparação salarial de carreiras distintas,
considerando que se trata especificamente da carreira de magistério público e de docentes com titulação idêntica. STF.
Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).
A Constituição do Estado do Ceará previa que deveria ser assegurado “aos servidores da administração pública direta, das
autarquias e das fundações, isonomia de vencimentos para cargos de atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo Poder
ou entre servidores dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as
relativas à natureza ou ao local de trabalho.” O STF decidiu que é inconstitucional a expressão “das autarquias e das
fundações”. Isso porque a equiparação remuneratória entre servidores, a teor da redação originária do art. 39, § 1º, da
CF/88, restringiu-se aos servidores da administração direta, não mencionando os entes da administração indireta, como o
faz a norma impugnada. Além disso, o dispositivo estadual não foi recepcionado, em sua integralidade, pela redação atual
do art. 39 da Constituição Federal, na forma EC 19/1998. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Toffoli, j. 20/6/2018 (Info 907).
A decisão judicial que concede a servidor público a gratificação de 13,23% prevista na Lei nº 10.698/2003 afronta a súmula
vinculante 37, mesmo que o julgador fundamente sua decisão no art. 37, X, da CF/88 e no art. 6º da Lei nº 13.317/2016.
Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o
fundamento de isonomia. STF. 1ª Turma. Rcl 25927 AgR/SE e Rcl 24965 AgR/SE, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac.
Min. Alexandre de Moraes, julgados em 31/10/2017 (Info 884). STF. 1ª Turma. Rcl 24965 AgR/SE, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 28/11/2017 (Info 886).
A jornada de trabalho do MÉDICO servidor público é de 4 horas diárias e de 20 horas semanais, nos termos da Lei nº
12.702/2012. A jornada de trabalho do ODONTÓLOGO servidor público é de 6 horas diárias e de 30 horas semanais, nos
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termos do DL 2.140/84. Essas regras acima explicadas não se aplicam no caso de médicos e odontólogos que ocupem cargo
em comissão ou função de confiança, considerando que, neste caso, terão que cumprir a jornada normal de trabalho. STF.
2ª Turma. MS 33853/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 13/6/2017 (Info 869).
Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação de cargos, empregos e funções, a incidência do art. 37, XI, da
Constituição Federal pressupõe consideração de cada um dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto
remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente público. Ex: se determinado Ministro do STF for também
professor da UnB, ele irá receber seu subsídio integral como Ministro e mais a remuneração decorrente do magistério. Nesse
caso, o teto seria considerado especificamente para cada cargo, sendo permitido que ele receba acima do limite previsto
no art. 37, XI da CF se considerarmos seus ganhos globais. STF. Plenário. RE 612975/MT e RE 602043/MT, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgados em 26 e 27/4/2017 (repercussão o geral) (Info 862).
Os servidores ocupantes de cargo exclusivamente em comissão não se submetem à regra da aposentadoria compulsória
prevista no art. 40, § 1º, II, da CF, a qual atinge apenas os ocupantes de cargo de provimento efetivo, inexistindo, também,
qualquer idade limite para fins de nomeação a cargo em comissão. Ressalvados impedimentos de ordem infraconstitucional,
não há óbice constitucional a que o servidor efetivo, aposentado compulsoriamente, permaneça no cargo comissionado
que já desempenhava ou a que seja nomeado para cargo de livre nomeação e exoneração, uma vez que não se trata de
continuidade ou criação de vínculo efetivo com a Administração. STF. Plenário. RE 786540/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado
em 15/12/2016 (repercussão geral) (Info 851).
A LC 22/2000, do Estado do Ceará, autoriza a contratação de professores, por tempo determinado, para atender necessidade
temporária de excepcional interesse público nas escolas estaduais. O art. 3º da referida Lei prevê diversas hipóteses nas
quais é possível a referida contratação. O STF afirmou que, em tese, é possível a contratação temporária por excepcional
interesse público (art. 37, IX, da CF/88) mesmo para atividades permanentes da Administração (como é o caso de
professores). No entanto, o legislador tem o ônus de especificar, em cada circunstância, os traços de emergencialidade
que a justificam. As alíneas "a, b, c, d, e" preveem a contratação temporária caso o titular se afaste para gozar de licenças
ou para fazer cursos de capacitação. O STF reputou que tais hipóteses são constitucionais já que elas descrevem situações
que são alheias ao controle da Administração Pública, ou seja, hipóteses que estão fora do controle do Poder Público e que,
se este não tomasse nenhuma atitude, poderia resultar em desaparelhamento transitório do corpo docente. Logo, para tais
situações está demonstrada a emergencialidade. A alínea "f" previa que poderia haver a contratação temporária para suprir
"outros afastamentos que repercutam em carência de natureza temporária". O STF entendeu que esta situação é
extremamente genérica, de forma que não cumpre o art. 37, IX, da CF/88. O parágrafo único do art. 3º autoriza a contratação
temporária para que a Administração Pública pudesse implementar "projetos educacionais, com vista à erradicação do
analfabetismo, correção do fluxo escolar e qualificação da população cearense". O STF entendeu que esta previsão também
é inconstitucional porque estes são objetivos corriqueiros (normais, ordinários) da política educacional. Desse modo, esse
tipo de ação não pode ser implementado por meio de contratos episódicos (temporários), já que não constitui contingência
especial a ser atendida. STF. Plenário. ADI 3721/CE, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 9/6/2016 (Info 829).
Lei estadual de 2007 fixou aumento na remuneração dos servidores públicos estaduais. A Lei entrou em vigor na data de
sua publicação, mas estabeleceu que os efeitos financeiros desse aumento seriam contados somente a partir do primeiro
dia do ano seguinte. Ocorre que, antes que chegasse a data prevista como início do reajuste, a referida Lei foi revogada por
uma outra. O STF entendeu que esta Lei revogadora é inconstitucional por violar o direito adquirido (art. 5º, XXXVI, da
CF/88) e o princípio da irredutibilidade dos vencimentos (art. 37, XV). A Lei que concedeu o reajuste entrou em vigor na
data de sua publicação. Apenas os efeitos financeiros é que foram postergados para o dia 1º/1/2008. No momento em
que a Lei entrou em vigor, os servidores passaram a ter direito adquirido ao reajuste, ainda que os efeitos financeiros
somente fossem em data futura. STF. Plenário. ADI 4013/TO, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 31/3/2016 (Info 819).
O art. 1º da Lei nº 10.698/2003 concedeu reajuste aos servidores públicos federais de todos os Poderes, porém em
percentuais diferentes. A diferença entre o maior e o menor reajuste foi de 13,23%. Os servidores que receberam o menor
percentual alegaram que o mencionado art. 1º representou uma revisão geral anual, tendo, no entanto, violado o art. 37,
X, da CF/88, considerando que foi feita com índices diferentes, o que não é permitido por esse dispositivo constitucional.
Diante disso, pediram que fosse concedida a incorporação dos 13,23% em sua remuneração. A 1ª Turma do TRF1 (órgão
fracionário do Tribunal) concedeu a incorporação pedida. Para o STF, esta decisão violou as súmulas vinculantes 10 e 37. A
1ª Turma do TRF1, mesmo sem dizer isso expressamente, fez um controle de constitucionalidade do art. 1º da Lei nº
10.698/2003 concluindo que este dispositivo incidiu em inconstitucionalidade por omissão parcial. No entanto, como se
trata de órgão fracionário do TRF, houve violação ao art. 97 da CF/88 e da SV 10: "Viola a cláusula de reserva de plenário
(CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de
lei ou ato normativo do Poder Público, afasta a sua incidência no todo ou em parte." Além disso, houve violação da SV 37:
"Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob
fundamento de isonomia." STF. 2ª Turma. Rcl 14872, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 31/5/2016 (Info 828).
O art. 19 do ADCT da CF/88 previu que os servidores públicos que estavam em exercício há pelo menos 5 anos quando a
Constituição Federal foi promulgada, deveriam ser considerados estáveis, mesmo não tendo sido admitidos por meio de
Patrícia Reinert Lang
concurso público. Desse modo, quem ingressou no serviço público, sem concurso, até 05/10/1983 e assim permaneceu, de
forma continuada, tornou-se estável com a edição da CF/88. É inconstitucional Constituição estadual ou lei estadual que
amplie a abrangência do art. 19 do ADCT e preveja estabilidade para servidores públicos admitidos sem concurso público
mesmo após 05/10/1983 (5 anos antes da CF/88). STF. Plenário. ADI 1241/RN, Rel. Min. Toffoli, j. em 22/09/2016 (Info 840).
DESAPROPRIAÇÃO
O DL 3.365/41 dispõe sobre desapropriações por utilidade pública. Veja o que diz o art. 15-A, que foi incluído pela MP 2.183-
56/2001: “Art. 15-A No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por necessidade ou utilidade pública e interesse
social, inclusive para fins de reforma agrária, havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do bem, fixado
na sentença, expressos em termos reais, incidirão juros compensatórios de até seis por cento ao ano sobre o valor da
diferença eventualmente apurada, a contar da imissão na posse, vedado o cálculo de juros compostos. § 1º Os juros
compensatórios destinam-se, apenas, a compensar a perda de renda comprovadamente sofrida pelo proprietário. § 2º Não
serão devidos juros compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da terra e de eficiência na exploração iguais
a zero. § 3º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às ações ordinárias de indenização por apossamento
administrativo ou desapropriação indireta, bem assim às ações que visem a indenização por restrições decorrentes de atos
do Poder Público, em especial aqueles destinados à proteção ambiental, incidindo os juros sobre o valor fixado na sentença.
§ 4º Nas ações referidas no § 3º, não será o Poder Público onerado por juros compensatórios relativos a período anterior à
aquisição da propriedade ou posse titulada pelo autor da ação.” O STF analisou a constitucionalidade do art. 15-A do DL
3.365/41 e chegou às seguintes conclusões:
1) em relação ao “caput” do art. 15-A do DL 3.365/41: 1.a) reconheceu a constitucionalidade do percentual de juros
compensatórios no patamar fixo de 6% ao ano para remuneração do proprietário pela imissão provisória do ente público
na posse de seu bem; 1.b) declarou a inconstitucionalidade do vocábulo “até”; 1.c) deu interpretação conforme a
Constituição ao “caput” do art. 15-A, de maneira a incidir juros compensatórios sobre a diferença entre 80% do preço
ofertado em juízo pelo ente público e o valor do bem fixado na sentença;
2) declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 15-A, que condiciona o pagamento dos juros compensatórios à
comprovação da “perda da renda comprovadamente sofrida pelo proprietário”;
3) declarou a constitucionalidade do § 2º do art. 15-A, afastando o pagamento de juros compensatórios quando o imóvel
possuir graus de utilização da terra e de eficiência iguais a zero;
4) declarou a constitucionalidade do § 3º do art. 15-A, estendendo as regras e restrições de pagamento dos juros
compensatórios à desapropriação indireta.
5) declarou a inconstitucionalidade do § 4º do art. 15-A;
6) declarou a constitucionalidade da estipulação de parâmetros mínimo (0,5%) e máximo (5%) para a concessão de
honorários advocatícios e a inconstitucionalidade da expressão “não podendo os honorários ultrapassar R$ 151.000,00
(cento e cinquenta e um mil reais)” prevista no § 1º do art. 27.
STF. Plenário. ADI 2332/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/5/2018 (Info 902).
A preferência do julgador por determinada prova insere-se no livre convencimento motivado e não cabe compelir o
magistrado a colher com primazia determinada prova em detrimento de outras pretendidas pelas partes se, pela base do
conjunto probatório tiver se convencido da verdade dos fatos. STF. Plenário. RE 567708/SP, rel. orig. Min. Gilmar Mendes,
red. p/ o acórdão Min. Cármen Lúcia, julgado em 8/3/2016 (Info 817).
PAD
A Súmula Vinculante 5 continua válida. O STF rejeitou proposta da OAB que pretendia o cancelamento do verbete. Após a
edição da SV 5, não houve mudança na legislação, na jurisprudência ou na percepção da sociedade a justificar a revisão ou
o cancelamento do enunciadoA súmula vinculante deve ter certo grau de estabilidade, somente devendo ser cancelada ou
revista em caso de superveniência de fatos suficientemente relevantes. Assim, a falta de defesa técnica por advogado no
processo administrativo disciplinar não ofende a CF. STF. Plenário. PSV 58/DF, julgado em 30/11/2016 (Info 849).
Mesmo em matéria penal, a jurisprudência do STF e do STJ é no sentido de que não é necessária a degravação integral das
escutas, sendo bastante que dos autos constem excertos suficientes a embasar o oferecimento da denúncia. O servidor
processado, que também é réu no processo criminal, tem acesso à integralidade das interceptações e, se entender
necessário, pode juntar no processo administrativo os eventuais trechos que considera pertinentes ao deslinde da
controvérsia. O acusado em processo administrativo disciplinar não possui direito subjetivo ao deferimento de todas as
provas requeridas nos autos, ainda mais quando consideradas impertinentes ou meramente protelatórias pela comissão
processante (art. 156, §1º, Lei nº 8.112/90). STF. 1ª Turma. RMS 28774/DF, red. p/ o ac Min. Barroso, j. 9/8/2016 (Info 834).
A prova colhida mediante autorização judicial e para fins de investigação ou processo criminal pode ser utilizada para instruir
procedimento administrativo punitivo. Assim, é possível que as provas provenientes de interceptações telefônicas
autorizadas judicialmente em processo criminal sejam emprestadas para o processo administrativo disciplinar. STF. 1ª
Turma. RMS 28774/DF, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 9/8/2016 (Info 834).

Patrícia Reinert Lang


Não é obrigatória a intimação do interessado para apresentar alegações finais após o relatório final de processo
administrativo disciplinar. Inexiste previsão na Lei nº 8.112/1990 de intimação do acusado após a elaboração do relatório
final da comissão processante. STF. 1ª Turma. RMS 28774/DF, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 9/8/2016
(Info 834). STJ. 1ª Seção. MS 18.090-DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 8/5/2013 (Info 523)
Respeitados todos os aspectos processuais relativos à suspeição e impedimento dos membros da Comissão Processante
previstos pelas Leis 8.112/90 e 9.784/99, não há qualquer impedimento ou prejuízo material na convocação dos mesmos
servidores que anteriormente tenham integrado Comissão Processante, cujo relatório conclusivo foi posteriormente
anulado (por cerceamento de defesa), para comporem a segunda Comissão de Inquérito. Assim, não há qualquer
impeditivo legal de que a comissão de inquérito em processo administrativo disciplinar seja formada pelos mesmos
membros de comissão anterior que havia sido anulada. STF. 1ª Turma. RMS 28774/DF, red. p/ o ac Min. Roberto Barroso,
julgado em 9/8/2016 (Info 834). STJ. 1ª Seção. MS 16.192/DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10/04/2013.
CONCURSO PÚBLICO
É inconstitucional lei que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado no concurso público ingressar imediatamente no
último padrão da classe mais elevada da carreira. Essa disposição afronta os princípios da igualdade e da impessoalidade,
os quais regem o concurso público. Por essa razão, o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 18 da Lei nº
8.691/93. STF. Plenário. ADI 1240/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 28/2/2019 (Info 932).
Os candidatos possuem direito à segunda chamada nos testes físicos em concursos públicos? REGRA: NÃO. Os candidatos
em concurso público NÃO têm direito à prova de segunda chamada nos testes de aptidão física em razão de circunstâncias
pessoais, ainda que de caráter fisiológico ou de força maior, salvo se houver previsão no edital permitindo essa possibilidade.
STF. Plenário. RE 630733/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/5/2013 (repercussão geral) (Info 706). EXCEÇÃO: as
candidatas gestantes possuem. É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à
época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. STF. Plenário. RE
1058333/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/11/2018 (repercussão geral) (Info 924).
Em regra, não produzem fato consumado a posse e o exercício em cargo público decorrentes de decisão judicial tomada à
base de cognição não-exauriente. Em outras palavras, não se aplica a teoria do fato consumado para candidatos que
assumiram o cargo público por força de decisão judicial provisória posteriormente revista. Trata-se do entendimento
firmado no RE 608482/RN (Tema 476). A situação é diferente, contudo, se a pessoa, após permanecer vários anos no cargo,
conseguiu a concessão de aposentadoria. Neste caso, em razão do elevado grau de estabilidade da situação jurídica, o
princípio da proteção da confiança legítima incide com maior intensidade. Trata-se de uma excepcionalidade que autoriza
a distinção (distinguish) quanto ao leading case do RE 608482/RN (Tema 476). STF. 1ª Turma. RE 740029 AgR/DF, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 14/8/2018 (Info 911).
CNJ anulou concurso público para cartório no RJ sob o argumento de que o Presidente da Comissão do concurso possuía
relacionamento pessoal com duas candidatas aprovadas que teriam sido beneficiadas na correção das questões da prova
subjetiva. O STF cassou a decisão do CNJ sob três argumentos principais: 1) CNJ não poderia ter reavaliado os critérios de
correção das provas adotados pela comissão; 2) Houve um aditamento no processo administrativo sem que as candidatas
tenham tido a oportunidade de se manifestar sobre ele; 3) Não ficou provado ter havido o alegado favorecimento das
candidatas. STF. 2ª Turma. MS 28775/DF, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 17/10/2017 (Info 882).
A nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público, por meio de ato judicial, à qual atribuída eficácia
retroativa, não gera direito às promoções ou progressões funcionais que alcançariam se houvesse ocorrido, a tempo e modo,
a nomeação. STF. Plenário. RE 629392 RG/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/6/2017 (repercussão geral) (Info 868).
Constitucionalidade do sistema de cotas raciais em concursos públicos: A Lei nº 12.990/2014 estabeleceu uma cota aos
negros de 20% das vagas em concursos públicos realizados no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das
fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União. O STF declarou que
essa Lei é constitucional e fixou a seguinte tese de julgamento: "É constitucional a reserva de 20% das vagas oferecidas nos
concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública direta e
indireta.” Além da autodeclaração, é possível que a Administração Pública adote critérios de heteroidentificação para
analisar se o candidato se enquadra nos parâmetros da cota: A Lei nº 12.990/2014 estabeleceu uma cota aos negros de
20% das vagas em concursos públicos da administração pública federal, direta e indireta. Segundo o art. 2º da Lei, poderão
concorrer às vagas reservadas a candidatos negros aqueles que se autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscrição no
concurso público, conforme o quesito cor ou raça utilizado pelo IBGE. Trata-se do chamado critério da autodeclaração. O
STF afirmou que este critério é constitucional. Entretanto, é possível também que a Administração Pública adote um
controle heterônomo, sobretudo quando existirem fundadas razões para acreditar que houve abuso na autodeclaração.
Assim, é legítima a utilização de critérios subsidiários de heteroidentificação dos candidatos que se declararam pretos ou
pardos. A finalidade é combater condutas fraudulentas e garantir que os objetivos da política de cotas sejam efetivamente
alcançados. Vale ressaltar que tais critérios deverão respeitar a dignidade da pessoa humana e assegurar o contraditório e
a ampla defesa. Exemplos desse controle heterônomo: exigência de autodeclaração presencial perante a comissão do

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concurso; exigência de apresentação de fotos pelos candidatos; formação de comissões com composição plural para
entrevista dos candidatos em momento posterior à autodeclaração. Essa conclusão do STF foi resumida na seguinte tese
de julgamento: "É legítima a utilização, além da autodeclaração, de critérios subsidiários de heteroidentificação, desde que
respeitada a dignidade da pessoa humana e garantidos o contraditório e a ampla defesa". STF. Plenário. ADC 41/DF, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 8/6/2017 (Info 868).
O art. 236, § 3º, da CF é uma norma constitucional autoaplicável. Logo, mesmo antes da edição da Lei nº 8.935/94, ela já
tinha plena eficácia e o concurso público era obrigatório como condição não apenas para ingresso na atividade notarial e de
registro, como também nos casos de remoção ou permuta. As normas estaduais que admitem a remoção na atividade
notarial e de registro independentemente de prévio concurso público são incompatíveis com o art. 236, § 3º, da
Constituição, razão pela qual não foram por essa recepcionadas. O prazo decadencial de 5 anos, de que trata o art. 54 da
Lei nº 9.784/99, não se aplica à revisão de atos de delegação de serventias extrajudiciais editados após a CF/88, sem o
atendimento das exigências prescritas no seu art. 236. Assim, se uma pessoa assumiu uma serventia notarial ou registral
sem concurso público após a CF/88, este ato poderá ser anulado mesmo que já se tenham passado mais de 5 anos. A decisão
que anula o ato de investidura em serventia notarial e registral sem concurso público não viola o direito adquirido nem a
segurança jurídica. STF. 1ª Turma. MS 29415/DF, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em 27/09/2016 (Info 841).
Editais de concurso público não podem estabelecer restrição a pessoas com tatuagem, salvo situações excepcionais em
razão de conteúdo que viole valores constitucionais. STF. Plenário. RE 898450/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/8/2016
(repercussão geral) (Info 835).
Determinado candidato foi aprovado fora do número de vagas. Todos os aprovados dentro do número de vagas foram
nomeados e empossados. Durante o prazo de validade do concurso, um servidor se aposentou, mas não houve autorização
do Ministério do Planejamento para que o órgão federal fizesse o provimento desta vaga. Um mês após o fim do prazo de
validade do concurso, a Administração Pública abriu novo concurso para este cargo. O STF entendeu que este candidato não
possui direito líquido e certo à nomeação porque:  foi aprovado fora do número de vagas previsto no edital; e  o prazo
de validade do concurso em que ele foi aprovado expirou antes da abertura do novo certame.  realmente surgiu uma vaga
decorrente da aposentadoria, mas não houve manifestação do órgão competente se havia disponibilidade orçamentária
para que este cargo fosse imediatamente provido. O mero surgimento de vagas ou a abertura de novo concurso para o
mesmo cargo não gera direito subjetivo à nomeação do candidato aprovado fora do número de vagas, cabendo a ele
demonstrar, de forma inequívoca, que houve preterição arbitrária e imotivada por parte da administração pública. No
caso concreto, o STF entendeu que isso não ficou comprovado. Assim, para o Tribunal, a situação não se enquadra nas
hipóteses previstas no RE 837311/PI. STF. 1ª Turma. RMS 31478/DF, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, j. 9/8/2016 (Info 834).
LICITAÇÕES E CONTRATOS
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), empresa pública federal, pode ser contratada sem licitação, com
fundamento no art. 24, VIII, da Lei nº 8.666/93, para a prestação de serviços de logística: Art. 24 (...) VIII - para a aquisição,
por pessoa jurídica de direito público interno, de bens produzidos ou serviços prestados por órgão ou entidade que integre
a Administração Pública e que tenha sido criado para esse fim específico em data anterior à vigência desta Lei, desde que o
preço contratado seja compatível com o praticado no mercado; A ECT preenche todos os requisitos legais necessários à
possibilidade de sua contratação direta, haja vista integrar a Administração e ter sido criada em data anterior à da Lei nº
8.666/93 para prestação de serviços postais, dentre os quais se incluem os serviços de logística integrada. STF. 2ª Turma.
MS 34939/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/3/2019 (Info 934).
O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere automaticamente ao Poder
Público contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art.
71, § 1º, da Lei nº 8.666/93. Obs: a tese acima foi a fixada pelo STF. No entanto, penso que é importante um esclarecimento
revelado durante os debates: é possível sim, excepcionalmente, que a Administração Pública responda pelas dívidas
trabalhistas contraídas pela empresa contratada e que não foram pagas, desde que o ex-empregado reclamante comprove,
com elementos concretos de prova, que houve efetiva falha do Poder Público na fiscalização do contrato. STF. Plenário. RE
760931/DF, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ác. Min. Luiz Fux, julgado em 26/4/2017 (repercussão o geral) (Info 862).
É inconstitucional lei estadual que exija Certidão negativa de Violação aos Direitos do Consumidor dos interessados em
participar de licitações e em celebrar contratos com órgãos e entidades estaduais. Esta lei é inconstitucional porque compete
privativamente à União legislar sobre normas gerais de licitação e contratos (art. 22, XXVII, da CF/88). STF. Plenário. ADI
3.735/MS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 8/9/2016 (Info 838).
CONCESSÕES
A concessionária não tem direito adquirido à renovação do contrato de concessão de usina hidrelétrica. A União possui a
faculdade de prorrogar ou não o contrato de concessão, tendo em vista o interesse público, não se podendo invocar direito
líquido e certo a tal prorrogação. Dessa forma, a prorrogação do contrato administrativo insere-se no campo da
discricionariedade. A Lei nº 12.783/2013 subordinou a prorrogação dos contratos de concessão de geração, transmissão e
distribuição de energia elétrica à aceitação expressa de determinadas condições. Se estas são recusadas pela concessionária,

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a Administração Pública não é obrigada a renovar a concessão. A Lei nº 12.783/2013 pode ser aplicada para a renovação de
contratos ocorrida após a sua vigência mesmo que a assinatura do pacto original tenha ocorrido antes da sua edição. STF.
2ª Turma. RMS 34203/DF e AC 3980/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgados em 21/11/2017 (Info 885).
BENS PÚBLICOS
As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União (art. 20, XI, da CF/88) e, portanto, não podem ser
consideradas como terras devolutas de domínio do Estado-membro. STF. Plenário. ACO 362/MT e ACO 366/MT, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgados em 16/8/2017 (Info 873).
A EC 46/2005 não interferiu na propriedade da União, nos moldes do art. 20, VII, da Constituição Federal, sobre os terrenos
de marinha e seus acrescidos situados em ilhas costeiras sede de Municípios, que continuam pertencendo à União. STF.
Plenário. RE 636199/ES, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/4/2017 (repercussão geral) (Info 862).
AGÊNCIAS REGULADORAS
É constitucional o art. 7º, III e XV, da Lei nº 9.782/99, que preveem que compete à ANVISA: III - estabelecer normas,
propor, acompanhar e executar as políticas, as diretrizes e as ações de vigilância sanitária; XV - proibir a fabricação, a
importação, o armazenamento, a distribuição e a comercialização de produtos e insumos, em caso de violação da
legislação pertinente ou de risco iminente à saúde; Entendeu-se que tais normas consagram o poder normativo desta
agência reguladora, sendo importante instrumento para a implementação das diretrizes, finalidades, objetivos e princípios
expressos na Constituição e na legislação setorial. Além disso, o STF, após empate na votação, manteve a validade da
Resolução RDC 14/2012- ANVISA, que proíbe a comercialização no Brasil de cigarros com sabor e aroma. Esta parte do
dispositivo não possui eficácia erga omnes e efeito vinculante. Significa dizer que, provavelmente, as empresas continuarão
ingressando com ações judiciais, em 1ª instância, alegando que a Resolução é inconstitucional e pedindo a liberação da
comercialização dos cigarros com aroma. Os juízes e Tribunais estarão livres para, se assim entenderem, declararem
inconstitucional a Resolução e autorizar a venda. Existem, inclusive, algumas decisões nesse sentido e que continuam
valendo. STF. Plenário. ADI 4874/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 1º/2/2018 (Info 889).
ACORDO DE LENIÊNCIA
É possível o compartilhamento, para outros órgãos e autoridades públicas, das provas obtidas no acordo de leniência, desde
que sejam respeitados os limites estabelecidos no acordo em relação aos aderentes. Assim, por exemplo, se uma empresa
celebra acordo de leniência com o MPF aceitando fornecer provas contra si, estas provas somente poderão ser utilizadas
para as sanções que foram ajustadas no acordo. No entanto, nada impede que tais provas sejam fornecidas (compartilhadas)
para os órgãos de apuração para que sejam propostas medidas contra as outras pessoas envolvidas nos ilícitos e que não
fizeram parte do acordo. STF. 2ª Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/8/2018 (Info 913)
EMPRESAS PÚBLICAS
A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige autorização legislativa e
licitação. Por outro lado, não se exige autorização legislativa para a alienação do controle de suas subsidiárias e
controladas. Nesse caso, a operação pode ser realizada sem a necessidade de licitação, desde que siga procedimentos que
observem os princípios da administração pública inscritos no art. 37 da CF/88, respeitada, sempre, a exigência de necessária
competitividade. STF. Plenário. ADI 5624 MC-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 5 e 6/6/2019 (Info 943).
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) tem o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus
empregados. STF. Plenário. RE 589998 ED/PI, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 10/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).
FUNDAÇÕES
A qualificação de uma fundação instituída pelo Estado como sujeita ao regime público ou privado depende: i) do estatuto
de sua criação ou autorização e ii) das atividades por ela prestadas. As atividades de conteúdo econômico e as passíveis
de delegação, quando definidas como objetos de dada fundação, ainda que essa seja instituída ou mantida pelo poder
público, podem se submeter ao regime jurídico de direito privado. STF. Plenário. RE 716378/SP, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 1º e 7/8/2019 (repercussão geral) (Info 946).
A estabilidade especial do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) não se estende aos
empregados das fundações públicas de direito privado, aplicando-se tão somente aos servidores das pessoas jurídicas de
direito público. O termo “fundações públicas”, utilizado pelo art. 19 do ADCT, deve ser compreendido como fundações
autárquicas, sujeitas ao regime jurídico de direito público. Ex: empregados da Fundação Padre Anchieta não gozam dessa
estabilidade do art. 19 do ADCT em razão de se tratar de uma fundação pública de direito privado. STF. Plenário. RE
716378/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º e 7/8/2019 (repercussão geral) (Info 946).
CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA
No âmbito da administração pública federal, é vedada a contratação temporária do mesmo servidor antes de decorridos 24
meses do encerramento do contrato anterior. Tal regra está prevista no art. 9º, III, da Lei nº 8.745/93: Art. 9º O pessoal
contratado nos termos desta Lei não poderá: III - ser novamente contratado, com fundamento nesta Lei, antes de decorridos
24 (vinte e quatro) meses do encerramento de seu contrato anterior, salvo nas hipóteses dos incisos I e IX do art. 2º desta

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Lei, mediante prévia autorização, conforme determina o art. 5º desta Lei. O STF, ao analisar um caso concreto envolvendo
a contratação temporária de professores, decidiu que essa regra é constitucional e fixou a seguinte tese: “É compatível com
a Constituição Federal a previsão legal que exija o transcurso de 24 (vinte e quatro) meses, contados do término do contrato,
antes de nova admissão de professor temporário anteriormente contratado.” STF. Plenário. RE 635648/CE, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 14/6/2017 (repercussão geral) (Info 869).
São inconstitucionais, por violarem o art. 37, IX, da CF/88, a autorização legislativa genérica para contratação temporária
e a permissão de prorrogação indefinida do prazo de contratações temporárias. STF. Plenário. ADI 3662/MT, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 23/3/2017 (Info 858).
GREVE
O Governador da Bahia editou um decreto prevendo que, em caso de greve, deverão ser adotadas as seguintes providências:
a) convocação dos grevistas a reassumirem seus cargos; b) instauração de processo administrativo disciplinar; c) desconto
em folha de pagamento dos dias de greve; d) contratação temporária de servidores; e) exoneração dos ocupantes de cargo
de provimento temporário e de função gratificada que participarem da greve. O STF decidiu que este Decreto é
constitucional. Trata-se de decreto autônomo que disciplina as consequências — estritamente administrativas — do ato de
greve dos servidores públicos e as providências a serem adotadas pelos agentes públicos no sentido de dar continuidade
aos serviços públicos. A norma impugnada apenas prevê a instauração de processo administrativo para se apurar a
participação do servidor na greve e as condições em que ela se deu, bem como o não pagamento dos dias de paralisação, o
que está em consonância com a orientação fixada pelo STF no julgamento do MI 708. É possível a contratação temporária
excepcional (art. 37, IX, da CF/88) prevista no decreto porque o Poder Público tem o dever constitucional de prestar serviços
essenciais que não podem ser interrompidos, e que a contratação, no caso, é limitada ao período de duração da greve e
apenas para garantir a continuidade dos serviços. STF. Plenário. ADI 1306/BA, Rel. Min. C. Lúcia, j. em 13/6/2017 (Info 906).
A justiça comum, federal ou estadual, é competente para julgar a abusividade de greve de servidores públicos celetistas
da Administração pública direta, autarquias e fundações públicas. STF. Plenário. RE 846854/SP, rel. orig. Min. Luiz Fux, red.
p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 1º/8/2017 (repercussão geral) (Info 871).
O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores
públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. É obrigatória a participação do Poder Público em mediação
instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos
interesses da categoria. STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860).
A administração pública deve proceder ao desconto dos dias de paralisação decorrentes do exercício do direito de greve
pelos servidores públicos, em virtude da suspensão do vínculo funcional que dela decorre. É permitida a compensação
em caso de acordo. O desconto será, contudo, incabível se ficar demonstrado que a greve foi provocada por conduta
ilícita do Poder Público. STF. Plenário. RE 693456/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 27/10/2016 (repercussão geral) (Info 845).
AUTOTUTELA
Servidor que recebeu auxílio-moradia apresentando declaração falsa de que havia se mudado para outra cidade terá que
ressarcir o erário e devolver os valores recebidos mesmo que já se tenha passado mais de 5 anos desde a data em que o
pagamento foi autorizado. STF. 1ª Turma. MS 32.569/DF, rel. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 13/09/2016 (Info 839).
CONFISCO
A expropriação prevista no art. 243 da Constituição Federal pode ser afastada, desde que o proprietário comprove que não
incorreu em culpa, ainda que in vigilando ou in eligendo. STF. Plenário. RE 635336/PE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
14/12/2016 (repercussão geral) (Info 851).
APOSENTADORIA
Não se aplica a aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF aos titulares de serventias judiciais não
estatizadas, desde que não sejam ocupantes de cargo público efetivo e não recebam remuneração proveniente dos cofres
públicos. STF. Plenário. RE 647827/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/2/2017 (repercussão geral) (Info 854).
CONSELHOS PROFISSIONAIS
Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos de Fiscalização (exs: CREA, CRM, COREN,
CRO) não se submetem ao regime de precatórios. STF. Plenário. RE 938837/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac.
Min. Marco Aurélio, julgado em 19/4/2017 (repercussão geral) (Info 861).
A Lei nº 12.514/2011, que trata sobre as contribuições (anuidades) devidas aos Conselhos Profissionais, é constitucional.
Sob o ponto de vista formal, esta Lei, apesar de ser fruto de uma MP que originalmente dispunha sobre outro assunto, não
pode ser declarada inconstitucional porque foi editada antes de o STF declarar ilegítima a prática do “contrabando
legislativo” (ADI 5127/DF). Ainda quanto ao aspecto formal, esta Lei não trata sobre normas gerais de Direito Tributário,
motivo pelo qual não precisava ser veiculada por lei complementar. Sob o ponto de vista material, a Lei respeitou os

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princípios da capacidade contributiva, da vedação ao confisco e da legalidade. STF. Plenário. ADI 4697/DF, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 06/10/2016 (Info 842).
ABONO DE PERMANÊNCIA
A ocupação de novo cargo dentro da estrutura do Poder Judiciário, pelo titular do abono de permanência, não implica a
cessação do benefício. Ex: determinada pessoa ocupa o cargo de Desembargador do Trabalho e está recebendo abono de
permanência; se ela for promovida ao cargo de Ministro do TST, terá direito de continuar recebendo o abono, não sendo
necessário completar cinco anos no cargo de Ministro para requerer o benefício. STF. 1ª Turma. MS 33424/DF e MS
33456/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 28/3/2017 (Info 859).
REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA
A Lei nº 11.952/2009 trata sobre a regularização fundiária das ocupações incidentes em terras situadas em áreas da União,
no âmbito da Amazônia Legal. O STF deu intepretação conforme ao art. 4º, § 2º da Lei para dizer que é inconstitucional
qualquer interpretação que permita a regularização fundiária das terras ocupadas por quilombolas e outras comunidades
tradicionais da Amazônia Legal em nome de terceiros ou de forma a descaracterizar o modo de apropriação da terra por
esses grupos. Em outras palavras, os quilombolas e outras comunidades tradicionais não podem perder suas terras em caso
de regularização fundiária. O STF também deu intepretação conforme ao art. 13 da Lei para afastar quaisquer interpretações
que concluam pela desnecessidade de fiscalização dos imóveis rurais até quatro módulos fiscais, devendo o ente federal
utilizar-se de todos os meios referidos em suas informações para assegurar a devida proteção ambiental e a concretização
dos propósitos da norma para, somente então, ser possível a dispensa da vistoria prévia, como condição para a inclusão da
propriedade no programa de regularização fundiária de imóveis rurais de domínio público na Amazônia Legal. Em outras
palavras, a União deve utilizar-se de todos os meios para assegurar a devida proteção ambiental e a concretização dos
propósitos da norma, para somente então ser possível a dispensa da vistoria prévia como condição para inclusão da
propriedade no programa de regularização fundiária de imóveis rurais de domínio público na Amazônia Legal. STF. Plenário.
ADI 4269/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 18/10/2017 (Info 882).
PENSÃO POR MORTE
Não constitui requisito legal para a concessão de pensão por morte à companheira que a união estável seja declarada
judicialmente, mesmo que vigente formalmente o casamento. Assim, é possível o reconhecimento de união estável de
pessoa casada que esteja comprovadamente separada judicialmente ou de fato, para fins de concessão de pensão por
morte, sem necessidade de decisão judicial neste sentido. STF. 1ª T. MS 33008/DF, Rel. Min. Barroso, 3/5/2016 (Info 824).
CADASTROS FEDERAIS DE INADIMPLÊNCIA
O cadastro restritivo não deve ser feito de forma unilateral e sem acesso à ampla defesa e ao contraditório. Isso porque,
muitas vezes, a inscrição pode ter, além de motivação meramente financeira, razões políticas. Assim, ao poder central
(União) é possível suspender imediatamente o repasse de verbas ou a execução de convênios, mas o cadastro deve ser feito
nos termos da lei, ou seja, mediante a verificação da veracidade das irregularidades apontadas. Isso porque o cadastro tem
consequências, como a impossibilidade da repartição constitucional de verbas das receitas voluntárias. A tomada de contas
especial, procedimento por meio do qual se alcança o reconhecimento definitivo das irregularidades, com a devida
observância do contraditório e da ampla defesa, tem suas regras definidas em lei. Ao final, é possível tornar o dano ao erário
dívida líquida e certa, e a decisão tem eficácia de título executivo extrajudicial. STF. Plenário. ACO 2892 AgR/DF, rel. orig.
Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 11/9/2019 (Info 951).
Segundo a posição que prevalece no STF, se a irregularidade no convênio foi praticada pelo gestor anterior e a gestão
atual, depois que assumiu, tomou todas as medidas para ressarcir o erário e corrigir as falhas (exs: apresentou todos os
documentos ao órgão fiscalizador, ajuizou ações de ressarcimento contra o antigo gestor etc.), neste caso, o ente (Estado
ou Município) não poderá ser incluído nos cadastros de inadimplentes da União. Assim, segundo esta acepção, o princípio
da intranscendência subjetiva das sanções proíbe a aplicação de sanções às administrações atuais por atos de gestão
praticados por administrações anteriores. Segundo o Min. Luiz Fux, “não se pode inviabilizar a administração de quem foi
eleito democraticamente e não foi responsável diretamente pelas dificuldades financeiras que acarretaram a inscrição
combatida”. Penso que seja a posição que prevalece no STF. STF. 1ª Turma. ACO 732/AP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado
em 10/5/2016 (Info 825). STF. 1ª Turma. AC 2614/PE, AC 781/PI e AC 2946/PI, Rel. Min. Luiz Fux, j. 23/6/2015 (Info 791).
É necessária a observância da garantia do devido processo legal, em especial, do contraditório e da ampla defesa,
relativamente à inscrição de entes públicos em cadastros federais de inadimplência. Assim, a União, antes de incluir Estados-
membros ou Municípios nos cadastros federais de inadimplência (exs: CAUC, SIAF) deverá assegurar o devido processo legal,
o contraditório e a ampla defesa. STF. 1ª Turma. ACO 732/AP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2016 (Info 825).
STF. Plenário. ACO 1995/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/3/2015 (Info 779).
NEPOTISMO
O STF tem afastado a aplicação da SV 13 a cargos públicos de natureza política, como são os cargos de Secretário Estadual
e Municipal. Mesmo em caso de cargos políticos, será possível considerar a nomeação indevida nas hipóteses de: •

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nepotismo cruzado; • fraude à lei e • inequívoca falta de razoabilidade da indicação, por manifesta ausência de
qualificação técnica ou por inidoneidade moral do nomeado. STF. 1ª Turma. Rcl 29033 AgR/RJ, rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 17/9/2019 (Info 952).
A nomeação do cônjuge de prefeito para o cargo de Secretário Municipal, por se tratar de cargo público de natureza
política, por si só, não caracteriza ato de improbidade administrativa. STF. 2ª Turma. Rcl 22339 AgR/SP, Rel. Min. Edson
Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info 914). Em regra, a proibição da SV 13 não se aplica para
cargos públicos de natureza política, como, por exemplo, Secretário Municipal. Assim, a jurisprudência do STF, em regra,
tem excepcionado a regra sumulada e garantido a permanência de parentes de autoridades públicas em cargos políticos,
sob o fundamento de que tal prática não configura nepotismo. Exceção: poderá ficar caracterizado o nepotismo mesmo em
se tratando de cargo político caso fique demonstrada a inequívoca falta de razoabilidade na nomeação por manifesta
ausência de qualificação técnica ou inidoneidade moral do nomeado. STF. 1ª T. Rcl 28024, Rel. Min. Barroso, em 29/05/2018.
Não há nepotismo na nomeação de servidor para ocupar o cargo de assessor de controle externo do Tribunal de Contas
mesmo que seu tio (parente em linha colateral de 3º grau) já exerça o cargo de assessor-chefe de gabinete de determinado
Conselheiro, especialmente pelo fato de que o cargo do referido tio não tem qualquer poder legal de nomeação do
sobrinho. A incompatibilidade da prática enunciada na SV 13 com o art. 37 da CF/88 não decorre diretamente da existência
de relação de parentesco entre pessoa designada e agente político ou servidor público, mas de presunção de que a escolha
para ocupar cargo de direção, chefia ou assessoramento tenha sido direcionado à pessoa com relação de parentesco com
quem tenha potencial de interferir no processo de seleção. STF. 2ª Turma. Rcl 18564/SP, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red.
p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 23/2/2016 (Info 815).
DIREITO ELEITORAL
PROPAGANDA ELEITORAL
O art. 45, II e III da Lei nº 9.504/97 prevê que, depois do prazo para a realização das convenções no ano das eleições, as
emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e em seu noticiário, não podem: a) usar trucagem, montagem
ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou
produzir ou veicular programa com esse efeito (inciso II) e b) difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido,
coligação, a seus órgãos ou representantes (segunda parte do inciso III). Os §§ 4º e 5º explicam o que se entende por
trucagem e por montagem. O STF decidiu que tais dispositivos são INCONSTITUCIONAIS porque representam censura
prévia. A liberdade de expressão autoriza que os meios de comunicação optem por determinados posicionamentos e
exteriorizem seu juízo de valor, bem como autoriza programas humorísticos, “charges” e sátiras realizados a partir de
trucagem, montagem ou outro recurso de áudio e vídeo, como costumeiramente se realiza, não havendo nenhuma
justificativa constitucional razoável para a interrupção durante o período eleitoral. Vale ressaltar que, posteriormente, é
possível a responsabilização dos meios de comunicação e de seus agentes por eventuais informações mentirosas, injuriosas,
difamantes. O que não se pode é fazer uma censura prévia. São inconstitucionais quaisquer leis ou atos normativos
tendentes a constranger ou inibir a liberdade de expressão a partir de mecanismos de censura prévia. STF. Plenário. ADI
4451/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20 e 21/6/2018 (Info 907).
É constitucional o art. 25, § 2º, da Resolução 23.404/2014 do TSE, que proíbe a realização de propaganda eleitoral via
“telemarketing", em qualquer horário. STF. Plenário. ADI 5122, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2018 (Info 900).
O tempo de propaganda eleitoral gratuita, nas emissoras de rádio e TV, é regulado pelo art. 47 da Lei nº 9.504/97. A Lei nº
13.165/2015 alterou o § 2º do art. 47, mudando os percentuais dessa distribuição, aumentando ainda mais o tempo dos
partidos que tenham representação na Câmara dos Deputados. Essa mudança foi atacada por meio de ADI e o STF decidiu
que este artigo é constitucional. STF. Plenário. ADI 5423/DF e ADI 5491/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgados em 24 e
25/8/2016; ADI 5577 MC-Ref/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 24 e 25/8/2016 (Info 836).
MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
O art. 79 da LC 75/93, que confere ao Procurador Regional Eleitoral a incumbência de designar os membros do Ministério
Público estadual que atuarão junto à Justiça Eleitoral, é constitucional tanto sob o ponto de vista formal como material.
O Procurador-Geral da República detém a prerrogativa, ao lado daquela atribuída ao Chefe do Poder Executivo, de iniciar
os projetos de lei que versem sobre a organização e as atribuições do Ministério Público Eleitoral. A designação de membro
do Ministério Público local (estadual) como Promotor Eleitoral por Procurador Regional Eleitoral, que é membro do
Ministério Público Federal, não afronta a autonomia administrativa do Ministério Público do Estado. STF. Plenário. ADI
3802/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/3/2016 (Info 817).
CRIMES ELEITORAIS
O comitê de campanha do candidato Ronaldo foi arrombado e de lá furtados dois computadores. Em entrevista concedida
a um jornal, Ronaldo teria afirmado que o maior suspeito do crime era o governo. Em razão das declarações, o Ministério
Público eleitoral ofereceu denúncia contra Ronaldo pela prática de calúnia eleitoral (art. 324 do CE), figurando como suposta
vítima Teotônio, Governador e candidato a reeleição. O réu se defendeu alegando que apenas emitiu opinião sobre o
ocorrido e que não citou o nome do Governador. Vale ressaltar que Teotônio (suposta vítima) afirmou que não se sentiu
Patrícia Reinert Lang
pessoalmente ofendido. Diante disso, o STF absolveu o réu afirmando que, para configurar o delito de calúnia é necessária
a comprovação da lesividade da conduta e que, como o suposto atingido afirma não ter se ofendido com as declarações,
não há prova da materialidade da conduta delituosa. STF. Plenário. AP 929 ED, Rel. Min. Luiz Fux, j. 17/10/2018 (Info 920).
Candidato que omite, na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, recursos utilizados em sua campanha eleitoral,
pratica o crime do art. 350 do Código Eleitoral. Vale ressaltar que o delito de falsidade ideológica é crime formal. Não
exige, portanto, o recolhimento do material não declarado. Caso concreto: Paulo era candidato a Deputado Federal. A
empresa de Paulo pagou R$ 168 mil de materiais gráficos para a campanha, mas o candidato não declarou tais despesas na
prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral. STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux, j. em 22/5/2018 (Info 903).
A doação eleitoral por meio de “caixa 2” é uma conduta que configura crime eleitoral de falsidade ideológica (art. 350 do
Código Eleitoral). A competência para processar e julgar este delito é da Justiça Eleitoral. A existência de crimes conexos
de competência da Justiça Comum, como corrupção passiva e lavagem de capitais, não afasta a competência da Justiça
Eleitoral, por força do art. 35, II, do CE e do art. 78, IV, do CPP. STF. 2ª T. PET 7319, Rel. Min. Fachin, 27/3/2018 (Info 895).
Não comete crime de desobediência eleitoral o candidato que, proibido de ingressar em órgãos públicos com o intuito de
realizar atos inerentes à campanha eleitoral, adentra nos prédios da Administração Pública para filmar e fotografar
fiscalizando se o então Prefeito, seu adversário, estava praticando ilícitos eleitorais. STF. 2ª Turma. Inq 3909/SE, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 17/5/2016 (Info 826)
INELEGIBILIDADES
É possível aplicar o prazo de 8 anos de inelegibilidade, introduzido pela LC 135/2010 (Lei da Ficha Limpa), às condenações
por abuso de poder, mesmo nos casos em que o processo já tinha transitado em julgado quando a Lei da Ficha Limpa entrou
em vigor. O fato de a condenação nos autos de representação por abuso de poder econômico ou político haver transitado
em julgado, ou mesmo haver transcorrido o prazo da sanção de três anos, imposta por força de condenação pela Justiça
Eleitoral, não afasta a incidência da inelegibilidade constante da alínea “d” do inciso I do art. 1º da LC 64/90, cujo prazo
passou a ser de 8 anos. Exemplo: em 2009, João, político, foi condenado em Ação de Investigação Judicial Eleitoral, pela
prática de abuso de poder político. Naquela época não havia ainda a Lei da Ficha Limpa. Vigorava a redação originária do
art. 1º, I, “d”, da LC 64/90. Logo, a Justiça Eleitoral determinou que João ficasse inelegível por 3 anos. O processo transitou
em julgado em 10/09/2010 e João cumpriu os 3 anos de inelegibilidade, conforme havia sido determinado. Nas eleições de
2016, já imaginando que estaria livre da inelegibilidade, ele tentou concorrer ao cargo de Prefeito, apresentando
requerimento de registro de candidatura. Ele não pode concorrer. Isso porque, em 2010, a Lei da Ficha Limpa aumentou a
punição prevista no art. 1º, I, “d”, da LC 64/90 de 3 para 8 anos. Mesmo a Lei da Ficha Limpa tendo entrado em vigor após
o fato praticado por João, este novo diploma deve ser aplicado ao caso concreto. Logo, a inelegibilidade de João, que era de
3 anos (e que acabou em 2012 = 3 + 2009), subiria para 8 anos (e a inelegibilidade perduraria até 2017 = 8 + 2009). STF.
Plenário. ARE 1180658 AgR/RN, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 10/9/2019 (Info 951).

Para relembrar os fundamentos que levaram o STF a decidir assim, recomendo a leitura do Info 892. Esse entendimento foi
reiterado no ARE 1180658 AgR/RN:

Inelegibilidade não é sanção A inelegibilidade não é uma sanção, mas um requisito estabelecido pela lei. As hipóteses de
inelegibilidade não apresentam caráter sancionatório. Isso se prova, por exemplo, com a hipótese do art. 14, § 4º da CF/88,
que prevê a inelegibilidade dos analfabetos. Ora, o objetivo do legislador constituinte não foi o de punir os analfabetos, não
se podendo, portanto, dizer que se trata de uma sanção. A inelegibilidade ostenta natureza jurídica de “requisito negativo
de adequação do indivíduo ao regime jurídico do processo eleitoral”. Aquele que não cumprir o prazo de oito anos, em
razão da aplicabilidade da lei, não preenche pressuposto necessário para voltar a ser elegível. Logo, as hipóteses de
inelegibilidade previstas na LC 64/90 não possuem caráter sancionatório ou punitivo, mesmo no caso descrito no art. 22,
XIV. Não existe no ordenamento jurídico brasileiro a figura da inelegibilidade-sanção.

Não há ofensa à coisa julgada A imposição do prazo de inelegibilidade configura uma relação jurídica continuativa, para a
qual a coisa julgada opera sob a cláusula rebus sic stantibus. A decisão que reconhece a inelegibilidade somente produzirá
seus efeitos na esfera jurídico-eleitoral do condenado se este vier a formalizar registro de candidatura em eleições
vindouras. Em consequência disso, verificado o exaurimento do prazo de 3 anos, previsto na redação originária do art. 22,
XIV, por decisão transitada em julgado, é perfeitamente possível que o legislador infraconstitucional proceda ao aumento
dos prazos, o que impõe que o agente da conduta abusiva fique inelegível por mais 5 anos, totalizando os 8 anos, sem que
isso implique ofensa à coisa julgada, que se mantém incólume. Dessa forma, não há ofensa à coisa julgada.
Ao se fazer uma interpretação conjugada dos §§ 5º e 7º do art. 14 da CF/88 chega-se à conclusão de que a intenção do
poder constituinte foi a de proibir que pessoas do mesmo núcleo familiar ocupem três mandatos consecutivos para o mesmo
cargo no Poder Executivo. Em outras palavras, a CF/88 quis proibir que o mesmo núcleo familiar ocupasse três mandatos
consecutivos de Prefeito, de Governador ou de Presidente. A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos de

Patrícia Reinert Lang


prefeito pelo mesmo núcleo familiar aplica-se também na hipótese em que tenha havido a convocação do segundo colocado
nas eleições para o exercício de mandato-tampão. Ex: de 2010 a 2012, o Prefeito da cidade era Auricélio. Era o primeiro
mandato de Auricélio. Seis meses antes das eleições, Auricélio renunciou ao cargo. Em 2012, Hélio (cunhado de Auricélio)
vence a eleição para Prefeito da mesma cidade. De 2013 a 2016, Hélio cumpre o mandato de Prefeito. Em 2016, Hélio não
poderá se candidatar à reeleição ao cargo de Prefeito porque seria o terceiro mandato consecutivo deste núcleo familiar.
STF. 2ª Turma. RE 1128439/RN, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 23/10/2018 (Info 921)
A condenação por abuso do poder econômico ou político em ação de investigação judicial eleitoral, transitada em julgado,
“ex vi” do artigo 22, inciso XIV, da Lei Complementar 64/90, em sua redação primitiva, é apta a atrair a incidência da
inelegibilidade do artigo 1º, inciso I, alínea "d", na redação dada pela Lei Complementar 135/2010, aplicando-se a todos os
processos de registros de candidatura em trâmite. STF. Plenário. RE 929670, rel. Min. Fux, 1º/3/2018 (rep. geral) (Info 892).
LEI DAS ELEIÇÕES
Voto impresso: É inconstitucional a lei que determina que, na votação eletrônica, o registro de cada voto deverá ser
impresso e depositado, de forma automática e sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado (art. 59-A
da Lei 9.504/97, incluído pela Lei 13.165/2015). Essa previsão acaba permitindo a identificação de quem votou, ou seja,
permite a quebra do sigilo, e, consequentemente, a diminuição da liberdade do voto, violando o art. 14 e o § 4º do art. 60
da Constituição Federal. Cabe ao legislador fazer a opção pelo voto impresso, eletrônico ou híbrido, visto que a CF/88 nada
dispõe a esse respeito, observadas, entretanto, as características do voto nela previstas. No entanto, o modelo híbrido
trazido pelo art. 59-A constitui efetivo retrocesso aos avanços democráticos conquistados pelo Brasil para garantir eleições
realmente livres, em que as pessoas possam escolher os candidatos que preferirem. STF. Plenário. ADI 5889/DF, rel. orig.
Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).
A parte final do § 12 do art. 28 da Lei nº 9.504/97 prevê a possibilidade de “doações ocultas” de pessoas físicas a candidatos,
ou seja, sem que os nomes dos doadores fiquem registrados na prestação de contas. Veja: "§ 12. Os valores transferidos
pelos partidos políticos oriundos de doações serão registrados na prestação de contas dos candidatos como transferência
dos partidos e, na prestação de contas dos partidos, como transferência aos candidatos, sem individualização dos doadores."
(Incluído pela Lei nº 13.165/2015) O STF julgou inconstitucional a expressão “sem individualização dos doadores”, constante
da parte final do § 12 do art. 28 da Lei nº 9.504/97, acrescentado pela Lei 13.165/2015. Essa parte final do dispositivo
suprime a transparência do processo eleitoral, frustra o exercício da fiscalização pela Justiça Eleitoral e impede que o eleitor
exerça, com pleno esclarecimento, seu direito de escolha dos representantes políticos. Isso viola os princípios republicano
e democrático (art. 1º, da CF/88), além de representar afronta aos postulados da moralidade e da transparência. STF.
Plenário. ADI 5394/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 22/03/2018 (Info 895).
O art. 9º da Lei nº 13.165/2015 previu o seguinte: Art. 9º Nas três eleições que se seguirem à publicação desta Lei, os partidos
reservarão, em contas bancárias específicas para este fim, no mínimo 5% e no máximo 15% do montante do Fundo
Partidário destinado ao financiamento das campanhas eleitorais para aplicação nas campanhas de suas candidatas, incluídos
nesse valor os recursos a que se refere o inciso V do art. 44 da Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995. O STF, ao julgar
uma ADI proposta contra esse dispositivo, decidiu: a) Dar interpretação conforme a Constituição ao art. 9º da Lei nº
13.165/2015, de modo a equiparar o patamar legal mínimo de candidaturas femininas (hoje o do art. 10, § 3º, da Lei nº
9.504/97, isto é, ao menos 30% de cidadãs), ao mínimo de recursos do Fundo Partidário a lhes serem destinados, que deve
ser interpretado como também de 30% do montante do Fundo alocado a cada partido, para as eleições majoritárias e
proporcionais, e fixar que, havendo percentual mais elevado de candidaturas femininas, o mínimo de recursos globais do
partido destinados a campanhas lhe seja alocado na mesma proporção. Assim, o montante de recursos para as campanhas
de mulheres deve ser proporcionalmente igual ao número de candidatas, sendo no mínimo 30%; b) Declarar a
inconstitucionalidade da expressão “três”, contida no art. 9º da Lei nº 13.165/2015. A previsão de recursos mínimos para as
campanhas de candidatas não deve ter um prazo determinado considerando que ela dura até que as desigualdades sejam
corrigidas; c) Declarar a inconstitucionalidade, por arrastamento, do § 5º-A e do § 7º do art. 44 da Lei nº 9.096/95, que
tratam dos recursos específicos para a criação e manutenção de programas de promoção e difusão da participação política
das mulheres. STF. Plenário. ADI 5617/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 15/3/2018 (Info 894).
Ao declarar inconstitucionais tais dispositivos, surgiu um “problema”: o que fazer com esses recursos que estavam mantidos
em contas bancárias específicas? Caso mantida na íntegra a decisão do dia 15/03/2018, os partidos não poderiam fazer uso
dos recursos do fundo partidário para as campanhas femininas. Isso iria contrariar o escopo do próprio julgamento, pois o
objetivo do STF foi o de fortalecer as candidaturas de mulheres. Diante desse impasse, o STF, na sessão de 02/10/2018,
resolveu modular os efeitos da decisão tomada no dia 15/03/2018 e decidiu “aproveitar” tais recursos nas campanhas
eleitorais de candidatas mulheres nas eleições de 2018. Veja como o Supremo determinou a modulação: Os recursos
financeiros de anos anteriores acumulados nas contas específicas mencionadas pelos §§ 5º-A e 7º do art. 44 da Lei nº
9.096/95 devem ser adicionalmente transferidos para as contas individuais das candidatas no financiamento de suas
campanhas eleitorais no pleito geral de 2018, sem que haja a redução de 30% do montante do fundo alocado a cada partido
para as candidaturas femininas. STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 2/10/2018 (Info 918).

Patrícia Reinert Lang


A Lei nº 13.165/2015 (minirreforma eleitoral de 2015) inseriu os §§ 3º e 4º ao art. 224 do Código Eleitoral. O § 3º prevê que
“a decisão da Justiça Eleitoral que importe o indeferimento do registro, a cassação do diploma ou a perda do mandato de
candidato eleito em pleito majoritário acarreta, após o trânsito em julgado, a realização de novas eleições,
independentemente do número de votos anulados.” O STF declarou a inconstitucionalidade da expressão “após o trânsito
em julgado” e decidiu que basta a exigência de decisão final da Justiça Eleitoral. Assim, concluído o processo na Justiça
Eleitoral (ex: está pendente apenas recurso extraordinário), a nova eleição já pode ser realizada mesmo sem trânsito em
julgado. O § 4º, por sua vez, determina que: § 4º A eleição a que se refere o § 3º correrá a expensas da Justiça Eleitoral e
será: I - indireta, se a vacância do cargo ocorrer a menos de seis meses do final do mandato; II - direta, nos demais casos. O
STF afirmou que esse § 4º deveria receber uma interpretação conforme a Constituição, de modo a afastar do seu âmbito de
incidência as situações de vacância nos cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, bem como no de Senador da
República. Vale ressaltar que a regra do § 4º aplica-se aos cargos de Governador e Prefeito. STF. Plenário. ADI 5525/DF, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 7 e 8/3/2018 (Info 893). RELEMBRANDO: PRESIDENTE -> direta: se a vacância ocorrer nos
primeiros dois anos do mandato; • indireta (pelo Congresso Nacional): se a vacância ocorrer nos últimos dois anos do
mandato. SENADOR -> Ocorrendo vaga e não havendo suplente, far-se-á eleição para preenchê-la se faltarem mais de quinze
meses para o término do mandato.
CÓDIGO ELEITORAL
É constitucional legislação federal que estabeleça novas eleições para os cargos majoritários simples — isto é, Prefeitos
de Municípios com menos de duzentos mil eleitores e Senadores da República — em casos de vacância por causas
eleitorais. Nas eleições para cargos majoritários simples não se exige 2º turno de votação. Assim, o § 3º do art. 224 do CE
deve sim ser aplicado mesmo em casos de eleições para Prefeitos de Municípios com menos de 200 mil eleitores e para
Senadores, cargos para os quais não se exige 2º turno de votação. STF. Plenário. ADI 5619/DF, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 7 e 8/3/2018 (Info 893)
RECURSOS
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o órgão competente para julgar os Recursos Contra Expedição de Diploma (RCED)
nas eleições presidenciais e gerais (federais e estaduais). STF. Plenário. ADPF 167/DF, Rel. Min. Fux, j. 7/3/2018 (Info 893).
INFIDELIDADE PARTIDÁRIA
O art. 1º da Resolução 22.610/2007, do TSE, previa que a criação de novo partido político era considerada como justa causa
para desfiliação, sem perda do mandato, desde que a nova filiação ocorresse em 30 dias da criação da sigla. O art. 22-A da
Lei nº 9.096/95, introduzido pela Lei nº 13.165, de 29 de setembro de 2015 (minirreforma eleitoral de 2015), excluiu a
criação de nova legenda como hipótese de justa causa para a desfiliação, sem perda de mandato, por infidelidade partidária.
Desse modo, a troca de partido, mesmo decorrente da criação de nova legenda, passou a ser considerada como hipótese
de infidelidade partidária, sujeita à perda do mandato. Ocorre que, quando a Lei nº 13.165 foi editada, em 29/09/2015, 3
novos partidos haviam acabado de ser registrados no TSE, de modo que estavam correndo seus prazos de 30 dias para que
recebessem parlamentares detentores de mandato eletivo, ao abrigo da justa causa de desfiliação. Diante disso, o Min.
Roberto Barroso, em decisão monocrática, entendeu que o art. 22-A não poderia ser aplicado para esses 3 partidos, sob
pena de violação da segurança jurídica, na modalidade direito adquirido, tanto das agremiações recém-criadas quanto dos
parlamentares que pretendiam se filiar a elas. Ele, então, determinou que esses 3 partidos tivessem direito de receber de
volta os 30 dias para que os detentores de mandatos eletivos pudessem se filiar a novas agremiações que tenham sido
registradas no TSE antes da entrada em vigor da lei impugnada. O Plenário do STF referendou essa medida cautelar. STF.
Plenário. ADI 5398/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 9/5/2018 (Info 901).
CANDIDATURA AVULSA
Determinado indivíduo ingressou com pedido de registro para concorrer às eleições de Prefeito sem estar filiado a partido
político (candidatura avulsa). O pedido foi indeferido em todas as instâncias e a questão chegou até o STF por meio de
recurso extraordinário. Ocorre que, quando o STF foi apreciar o tema, já haviam sido realizadas as eleições municipais.
Diante disso, suscitou-se que o recurso estava prejudicado. O STF reconheceu que, na prática, realmente havia uma
prejudicialidade do recurso tendo em vista que as eleições se encerraram. No entanto, o Tribunal decidiu superar a
prejudicialidade e atribuir repercussão geral à questão constitucional discutida dos autos. Isso significa que o STF admitiu o
processamento do recurso e em uma data futura irá examinar o mérito do pedido, ou seja, se podem ou não existir
candidaturas avulsas no Brasil. Entendeu-se que o mérito do recurso deveria ser apreciado tendo em vista sua relevância
social e política. STF. Plenário. ARE 1054490 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 5/10/2017 (Info 880).
DIREITO CIVIL
ALIMENTOS
A prisão por dívida de natureza alimentícia está ligada ao inadimplemento inescusável de prestação, não alcançando
situação jurídica a revelar cobrança de saldo devedor. A razão de ser da prisão civil é a de compelir o devedor a pagar quantia

Patrícia Reinert Lang


voltada à subsistência do alimentando, não podendo ser utilizada para exigir débitos pretéritos. STF. 1ª Turma. HC
121426/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/3/2017 (Info 857).
A CF/88 (art. 5º, LXVII) só admite a prisão por dívida decorrente de pensão alimentícia quando a não prestação é voluntária
e inescusável: "LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e
inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;" Com base nessa orientação, a 2ª Turma concedeu habeas
corpus de ofício a determinado devedor que estava preso por não ter pago a pensão alimentícia, mas provou, no caso
concreto, que estava desempregado. Os Ministros entenderam que o inadimplemento não foi voluntário em virtude da
situação de desemprego. STF. 2ª Turma. HC 131554/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 15/12/2015 (Info 812).
FILIAÇÃO
O filho tem direito de ter reconhecida sua verdadeira filiação. Assim, mesmo que ele tenha nascido durante a constância do
casamento de sua mãe e de seu pai registrais, ele poderá ingressar com ação de investigação de paternidade contra o
suposto pai biológico. A presunção legal de que os filhos nascidos durante o casamento são filhos do marido não pode servir
como obstáculo para impedir o indivíduo de buscar a sua verdadeira paternidade. STF. Plenário. AR 1244 EI/MG, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 22/09/2016 (Info 840).
A paternidade socioafetiva, declarada ou não em registro público, não impede o reconhecimento do vínculo de filiação
concomitante baseado na origem biológica, com os efeitos jurídicos próprios. Ex: Lucas foi registrado e criado como filho
por João; vários anos depois, Lucas descobre que seu pai biológico é Pedro; Lucas poderá buscar o reconhecimento da
paternidade biológica de Pedro sem que tenha que perder a filiação socioafetiva que construiu com João; ele terá dois pais;
será um caso de pluriparentalidade; o filho terá direitos decorrentes de ambos os vínculos, inclusive no campo sucessório.
STF. Plenário. RE 898060/SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21 e 22/09/2016 (Info 840).
UNIÃO ESTÁVEL
No sistema constitucional vigente, é inconstitucional a diferenciação de regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros,
devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no artigo 1.829 do Código Civil. STF. Plenário. RE
646721/RS, red. p/ o ac. Min. Barroso e RE 878694/MG, Rel. Min. Barroso, j. em 10/5/2017 (repercussão geral) (Info 864).
RESPONSABILIDADE CIVIL
Em caso de extravio de bagagem ocorrido em transporte internacional envolvendo consumidor, aplica-se o CDC ou a
indenização tarifada prevista nas Convenções de Varsóvia e de Montreal? As Convenções internacionais. Nos termos do art.
178 da Constituição da República, as normas e os tratados internacionais limitadores da responsabilidade das
transportadoras aéreas de passageiros, especialmente as Convenções de Varsóvia e Montreal, têm prevalência em
relação ao Código de Defesa do Consumidor. Art. 178. A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e
terrestre, devendo, quanto à ordenação do transporte internacional, observar os acordos firmados pela União, atendido o
princípio da reciprocidade. STF. Plenário. RE 636331/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes e ARE 766618/SP, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgados em 25/05/2017 (repercussão geral) (Info 866).
Qual é o prazo prescricional da ação de responsabilidade civil no caso de acidente aéreo em voo doméstico? 5 anos, segundo
entendimento do STJ, aplicando-se o CDC. Qual é o prazo prescricional da ação de responsabilidade civil no caso de acidente
aéreo em voo internacional? 2 anos, com base no art. 29 da Convenção de Varsóvia. Nos termos do art. 178 da Constituição
da República, as normas e os tratados internacionais limitadores da responsabilidade das transportadoras aéreas de
passageiros, especialmente as Convenções de Varsóvia e Montreal, têm prevalência em relação ao Código de Defesa do
Consumidor. STF. Plenário. RE 636331, Rel. G. Mendes, ARE 766618, Rel. Barroso, 25/05/2017 (repercussão geral) (Info 866).
PLANO DE SAÚDE
A Lei nº 9.656/98, que disciplina os planos e seguros privados de assistência à saúde, é constitucional. Este diploma, contudo,
não pode ser aplicado para contratos celebrados antes de sua vigência. Assim, são inconstitucionais os dispositivos da Lei
nº 9.656/98 que determinavam a sua aplicação para contratos celebrados antes da sua edição. STF. Plenário. ADI 1931/DF,
Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2018 (Info 890).
TRANSGÊNERO
O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de sua classificação de gênero no registro
civil, não se exigindo, para tanto, nada além da manifestação de vontade do indivíduo, o qual poderá exercer tal faculdade
tanto pela via judicial como diretamente pela via administrativa. Essa alteração deve ser averbada à margem do assento de
nascimento, vedada a inclusão do termo “transgênero”. Nas certidões do registro não constará nenhuma observação sobre
a origem do ato, vedada a expedição de certidão de inteiro teor, salvo a requerimento do próprio interessado ou por
determinação judicial. Efetuando-se o procedimento pela via judicial, caberá ao magistrado determinar de ofício ou a
requerimento do interessado a expedição de mandados específicos para a alteração dos demais registros nos órgãos
públicos ou privados pertinentes, os quais deverão preservar o sigilo sobre a origem dos atos. STF. Plenário. RE 670422/RS,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/8/2018 (repercussão geral) (Info 911).

Patrícia Reinert Lang


Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de transgenitalização, ou da realização de
tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito à alteração do prenome e do gênero (sexo) diretamente no
registro civil. STF. Plenário. ADI 4275/DF, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 28/2 e 1º/3/2018 (Info 892).
BEM DE FAMÍLIA
Não é penhorável o bem de família do fiador no caso de contratos de locação comercial. Em outras palavras, não é possível
a penhora de bem de família do fiador em contexto de locação comercial. STF. 1ª Turma. RE 605709/SP, Rel. Min. Dias
Toffoli, red. p/ ac. Min. Rosa Weber, julgado em 12/6/2018 (Info 906).
DIREITO À IMAGEM
Jornal divulgou a foto do cadáver de um indivíduo morto em tiroteio ocorrido em via pública. Os familiares do morto
ajuizaram ação de indenização por danos morais contra o jornal alegando que houve violação aos direitos de imagem. O STF
julgou a ação improcedente argumentando que condenar o jornal seria uma forma de censura, o que afronta a liberdade
de informação jornalística. STF. 2ª Turma. ARE 892127 AgR/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/10/2018 (Info 921).
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
COMPETÊNCIA
Em regra, as ações ordinárias contra atos do CNJ devem ser processadas e julgadas na Justiça Federal. Isso é fundamental
para resguardar a capacidade decisória do STF, evitar a banalização da jurisdição extraordinária e preservar a própria
funcionalidade da Corte. No entanto, será de competência originária do STF julgar as ações ordinárias: • que impugnem
atos do CNJ que possuam caráter normativo ou regulamentar; • que desconstituam ato normativo de tribunal local; e •
que envolvam interesse direto e exclusivo de todos os membros do Poder Judiciário. Por outro lado, não são de
competência do STF as demandas contra atos do CNJ: • que atinjam tão somente servidores dos órgãos fiscalizados ou
mesmo as serventias extrajudiciais; • que não digam respeito a interesse exclusivo de toda magistratura ou • que revejam
atos administrativos gerais dos tribunais, assim considerados os que não se sujeitam a regulamentação distinta do Poder
Judiciário, de que seriam exemplo os relacionados a concursos públicos ou licitações dos tribunais locais. STF. 1ª Turma. Rcl
15564 AgR/PR, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em 10/9/2019 (Info 951).

Assim, podemos afirmar o seguinte: 1) MS, HS e habeas data contra ato do CNJ: competência do STF; 2) Ações ordinárias
impugnando ato do CNJ: • Em regra, serão julgadas na Justiça Federal (1ª instância). • Exceção: serão julgadas pelo STF as
ações ordinárias em que se impugnam atos do CNJ que possuam caráter normativo ou regulamentar, que desconstituam
ato normativo de tribunal local e que envolvam interesse direto e exclusivo de todos os membros do Poder Judiciário.
Não compete ao STF julgar ação proposta contra a União e o Banco do Brasil para obrigar que a instituição financeira cumpra
lei estadual que determina o repasse de parte dos valores dos depósitos judiciais para o caixa único do Estado. Trata-se de
controvérsia meramente patrimonial, não justificando sequer a presença da União no polo passivo. STF. Plenário. ACO
989/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/9/2019 (Info 951).
Existe uma decisão proferida pelo TJ em processo coletivo que beneficia diversos servidores do Poder Judiciário. Esses
servidores começam a ingressar com execuções individuais pedindo o pagamento dos valores reconhecidos no acórdão do
TJ. João é um deles e ajuíza pedido de cumprimento de sentença. O TJ remete a execução individual de João para o STF
afirmando que mais da metade dos Desembargadores possui alguma relação de parentesco com outros servidores
beneficiados pela decisão. Logo, para o TJ, a competência para julgar todas as execuções individuais seria do STF, com base
no art. 102, I, “n”, segunda parte, da CF/88. O STF, contudo, não concordou com a decisão. O STF não é competente para
julgar originariamente a execução de João, pois não há impedimento dos Desembargadores. Nenhum deles mantêm
relação de parentesco com João, servidor que figura especificamente no processo de execução individual. STF. 1ª Turma.
AO 2380 AgR/SE, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/6/2019 (Info 945).
Compete ao STF processar e julgar “as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre
uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta” (art. 102, I, “f”, da CF/88). O STF confere
interpretação restritiva a esse dispositivo e entende que, para se caracterizar a hipótese do art. 102, I, “f”, da CF/88 é
indispensável que, além de haver uma causa envolvendo União e Estado, essa demanda tenha densidade suficiente para
abalar o pacto federativo. Em outras palavras, não é qualquer causa envolvendo União contra Estado que irá ser julgada
pelo STF, mas somente quando essa disputa puder resultar em ofensa às regras do sistema federativo. Configura conflito
federativo a ação na qual a União e o Estado-membro, em polos antagônicos, discutem se determinado projeto se enquadra
como atividade de transporte de gás canalizado (art. 177, IV, da CF/88) ou fornecimento de gás canalizado (art. 25, § 2º).
STF. 2ª Turma. Rcl 4.210/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 26/3/2019 (Info 935).
Compete à justiça comum (e não à Justiça do Trabalho) o julgamento de conflito de interesses a envolver a incidência de
contribuição previdenciária, considerada a complementação de proventos. Caso concreto: Estado-membro editou lei
instituindo contribuição previdenciária de 11% sobre o valor da complementação da aposentadoria dos ex-empregados de
uma sociedade de economia mista. Os ex-empregados prejudicados ingressaram com ações questionando essa cobrança.
O STF afirmou que a discussão em tela tem natureza tributária, o que atrai a competência da Justiça comum, uma vez que
Patrícia Reinert Lang
no caso não se discutem verbas de natureza trabalhista, mas a incidência de contribuição social (espécie de tributo). STF.
Plenário. RE 594435/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 24/5/2018 (Info 903).
Compete à Justiça Comum (e não à Justiça do Trabalho) julgar as ações propostas por ferroviários pensionistas e
aposentados das antigas ferrovias do Estado de São Paulo, que foram absorvidas pela Ferrovia Paulista S/A, sucedida pela
extinta Rede Ferroviária Federal, com vistas à complementação de suas pensões e aposentadorias em face da União. O STF
entendeu que esta é uma causa oriunda de uma relação estatutária. Assim, não há relação de trabalho que justifique a
competência da Justiça laboral. STF. 1ª Turma. Rcl 24990 AgR/SP, red. p/ o ac Min. Barroso, j. em 20/3/2018 (Info 895).
Não cabe recurso extraordinário contra decisão do TST que julga processo administrativo disciplinar instaurado contra
magistrado trabalhista. Compete ao STF julgar, mediante recurso extraordinário, as “causas” decididas em única ou última
instância (art. 102, III, da CF/88). O vocábulo “causa” referido no inciso III do art. 102 da CF/88 só abrange processos judiciais,
razão pela qual é incabível a interposição de recursos extraordinários contra acórdãos proferidos pelos Tribunais em
processos administrativos, inclusive aqueles de natureza disciplinar instaurados contra magistrados. STF. 2ª Turma. ARE
958311/SP, rel. org. Min. Teori Zavaski, red.p/ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/02/2018 (Info 892).
*Compete à Justiça do Trabalho julgar causa relacionada com depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)
de servidor que ingressou no serviço público antes da Constituição de 1988 sem prestar concurso. STF. Plenário. CC
7.950/RN, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/09/2016 (Info 839).
*Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar demandas propostas contra órgãos da Administração Pública, por
servidores que ingressaram em seus quadros, sem concurso público, antes da CF/88, sob regime da CLT, com o objetivo de
obter prestações de natureza trabalhista. STF. Plenário. ARE 906491 RG, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 01/10/2015
(repercussão geral).
*Não compete à Justiça do Trabalho julgar controvérsia referente aos reflexos de vantagem remuneratória, que teve origem
em período celetista anterior ao advento do regime jurídico único. Reconhecido que o vínculo atual entre o servidor e a
Administração Pública é estatutário, compete à Justiça comum processar e julgar a causa. É a natureza jurídica do vínculo
existente entre o trabalhador e o Poder Público, vigente ao tempo da propositura da ação, que define a competência
jurisdicional para a solução da controvérsia, independentemente de o direito pleiteado ter se originado no período celetista.
STF. Plenário. Rcl 8909 AgR/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgado em 22/09/2016 (Info
840). STF. 2ª Turma. Rcl 26064 AgR/RS, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/11/2017 (Info 885).
Não compete originariamente ao STF processar e julgar execução individual de sentenças genéricas de perfil coletivo,
inclusive aquelas proferidas em sede mandamental. Tal atribuição cabe aos órgãos judiciários competentes de primeira
instância. STF. 2ª Turma. PET 6076 QO /DF, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 25/4/2017 (Info 862).
O art. 102, I, ‘n’, da CF/88 determina que a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente
interessados é de competência originária do STF. Vale ressaltar, no entanto, que a causa não será da competência originária
do STF se a matéria discutida, além de ser do interesse de todos os membros da magistratura, for também do interesse de
outras carreiras de servidores públicos. Além disso, para incidir o dispositivo, o texto constitucional preconiza que a matéria
discutida deverá interessar a todos os membros da magistratura e não apenas a parte dela. Com base nesses argumentos,
o STF decidiu que não é competente para julgar originariamente ação intentada por juiz federal postulando a percepção
de licença-prêmio com fundamento na simetria existente entre a magistratura e o Ministério Público. STF. 2ª Turma. AO
2126/PR, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 21/2/2017 (Info 855).
De quem é a competência para julgar demandas contra o CNJ e o CNMP: • Ações ordinárias: Juiz federal (1ª instância) •
Ações tipicamente constitucionais (MS, MI, HC e HD): STF. No entanto, houve um caso concreto no qual o STF conheceu e
julgou uma ação ordinária proposta por sindicato de servidores públicos contra uma decisão do CNJ. Foram invocados dois
argumentos para fixar a competência no STF: 1) O caso concreto discutia os poderes do CNJ para afastar lei inconstitucional.
Se o STF não julgasse a causa, isso significaria conferir à Justiça Federal de 1ª instância a possibilidade de definir os poderes
atribuídos ao CNJ para o cumprimento de sua missão, subvertendo, assim, a relação hierárquica constitucionalmente
estabelecida. 2) Além da ação ordinária proposta pelo Sindicato, diversos servidores impetraram mandados de segurança
contra a decisão do CNJ. Assim, mesmo que a ação ordinária fosse remetida para a Justiça Federal de 1ª instância,
continuariam no STF os mandados de segurança individuais. Desse modo, o mais recomendável seria a reunião dessas ações
a fim de garantir, com a tramitação e o julgamento conjuntos, a prolação de decisões harmônicas sobre a legitimidade da
situação jurídica afetada pelo CNJ. Obs: em concursos públicos, é provável que seja indagada apenas a regra geral
considerando que este julgado foi muito específico e baseado no caso concreto; contudo, é importante que você conheça a
existência deste precedente para a eventualidade de ele ser cobrado; vale ressaltar que você somente deverá adotar o
entendimento excepcional se isso for expressamente perguntado. STF. Plenário. Pet 4656/PB, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 19/12/2016 (Info 851).
Compete à justiça federal processar e julgar ações em que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), quer mediante o
conselho federal, quer seccional, figure na relação processual. STF. Plenário. RE 595332/PR, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 31/8/2016 (repercussão geral) (Info 837)

Patrícia Reinert Lang


Compete ao STF julgar mandado de segurança impetrado pelo Tribunal de Justiça contra ato do Governador do Estado que
atrasa o repasse do duodécimo devido ao Poder Judiciário. Nesta hipótese, todos os magistrados do TJ possuem interesse
econômico no julgamento do feito, uma vez que o pagamento dos subsídios está condicionado ao cumprimento do dever
constitucional de repasse das dotações consignadas ao Poder Judiciário estadual pelo chefe do Poder Executivo respectivo.
Logo, a situação em tela se amolda ao art. 102, I, "n", da CF/88. STF. 1ª Turma. MS 34483-MC/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 22/11/2016 (Info 848).
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
Não é possível fracionar o crédito de honorários advocatícios em litisconsórcio ativo facultativo simples em execução
contra a Fazenda Pública por frustrar o regime do precatório. A quantia devida a título de honorários advocatícios é uma
só, fixada de forma global, pois se trata de um único processo, e, portanto, consiste em título a ser executado de forma
una e indivisível. STF. Plenário. RE 919269 ED-EDv/RS, ARE 930251 AgR-ED-EDv/RS, ARE 797499 AgR-EDv/RS, RE 919793
AgR-ED-EDv/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 7/2/2019 (Info 929).
É cabível a fixação de honorários recursais, prevista no art. 85, § 11, do CPC/2015, mesmo quando não apresentadas
contrarrazões ou contraminuta pelo advogado. STF. Plenário. AO 2063 AgR/CE, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, j. 18/5/2017
(Info 865). STF. 1ª Turma. AI 864689 AgR/MS e ARE 951257 AgR/RJ, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, j. 27/09/2016 (Info 841).
Não cabe a fixação de honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/2015) em caso de recurso interposto no curso de processo
cujo rito exclua a possibilidade de condenação em honorários. Como exemplo desta situação, podemos citar o mandado
de segurança, que não admite condenação em honorários advocatícios. Logo, se for interposto um recurso extraordinário
neste processo, o Tribunal não fixará honorários recursais. STF. 1ª Turma. ARE 948578 AgR/RS, ARE 951589 AgR/PR e ARE
952384 AgR/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em 21/6/2016 (Info 831).
PROCESSO COLETIVO
O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública que vise anular ato administrativo de aposentadoria
que importe em lesão ao patrimônio público. STF. Plenário. RE 409356, Rel. Fux, 25/10/2018 (repercussão geral) (Info 921).
O Ministério Público é parte legítima para ajuizamento de ação civil pública que vise o fornecimento de remédios a
portadores de certa doença. STF. Plenário. RE 605533/MG, Rel. Min. M. Aurélio, j. 15/8/2018 (repercussão geral) (Info 911).
A associação privada autora de uma ação civil pública pode fazer transação com o réu e pedir a extinção do processo, nos
termos do art. 487, III, “b”, do CPC. O art. 5º, § 6º da Lei nº 7.347/85 (LACP) prevê que os órgãos públicos podem fazer
acordos nas ações civis públicas em curso, não mencionando as associações privadas. Apesar disso, a ausência de disposição
normativa expressa no que concerne a associações privadas não afasta a viabilidade do acordo. Isso porque a existência de
previsão explícita unicamente quanto aos entes públicos diz respeito ao fato de que somente podem fazer o que a lei
determina, ao passo que aos entes privados é dado fazer tudo que a lei não proíbe. STF. Plenário. ADPF 165/DF, Rel. Min.
Ricardo Lewandowski, julgado em 1º/3/2018 (Info 892).
A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na
defesa de interesses dos associados, somente alcança os filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador,
que o fossem em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à
inicial do processo de conhecimento. STF. Plenário. RE 612043/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2017
(repercussão geral) (Info 864). Sobre o mesmo tema, importante relembrar: O disposto no artigo 5º, inciso XXI, da Carta da
República encerra representação específica, não alcançando previsão genérica do estatuto da associação a revelar a defesa
dos interesses dos associados. As balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, é
definida pela representação no processo de conhecimento, presente a autorização expressa dos associados e a lista destes
juntada à inicial. STF. Plenário. RE 573232/SC, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, j. 14/5/2014 (repercussão geral) (Info 746).
INQUÉRITO CIVIL
A Resolução 23/2007-CNMP disciplina, no âmbito do Ministério Público, a instauração e tramitação do inquérito civil. A
Resolução 126/2015-CNMP alterou a Resolução 23/2007 e determinou que, se após instaurar o inquérito civil ou o
procedimento preparatório, o membro que o preside concluir ser atribuição de outro Ministério Público, deverá submeter
sua decisão ao referendo do órgão de revisão competente, no prazo de 3 dias. O STF considerou que esta previsão é
constitucional. Tratando-se de divergência interna entre órgãos do MP cumpre ao próprio Ministério Público decidir quem
terá a atribuição para conduzir a investigação. O CNMP possui atribuição constitucional para fazer o controle da atuação
administrativa do MP (art. 130-A, da CF/88). O STF entendeu que essa Resolução se insere no campo da estruturação
administrativa da instituição. Não viola, portanto, o princípio da independência funcional e da unidade, insculpidos no § 1º
do art. 127 da CF/88. Além disso, o STF entendeu que não compete ao Poder Judiciário envolver-se na gestão interna do
MP, cabendo, no caso, um juízo de autocontenção. STF. Plenário. ADI 5434/DF, red. p/ac. Min. Fachin, 26/4/2018 (Info 899).
É possível compartilhar as provas colhidas em sede de investigação criminal para serem utilizadas, como prova
emprestada, em inquérito civil público e em outras ações decorrentes do fato investigado. Esse empréstimo é permitido
mesmo que as provas tenham sido obtidas por meio do afastamento (“quebra") judicial dos sigilos financeiro, fiscal e
telefônico. STF. 1ª Turma. Inq 3305 AgR/RS, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 23/2/2016 (Info 815).
Patrícia Reinert Lang
MANDADO DE SEGURANÇA
O mandado de segurança não é o instrumento processual adequado para o controle abstrato de constitucionalidade de
leis e atos normativos. STF. 2ª Turma. RMS 32.482/DF, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 21/8/2018 (Info 912).
Em regra, é indispensável a intimação do Ministério Público para opinar nos processos de mandado de segurança, conforme
previsto no art. 12 da Lei nº 12.016/2009. No entanto, a oitiva do Ministério Público é desnecessária quando se tratar de
controvérsia acerca da qual o tribunal já tenha firmado jurisprudência. Assim, não há qualquer vício na ausência de remessa
dos autos ao Parquet que enseje nulidade processual se já houver posicionamento sólido do Tribunal. Nesses casos, é
legítima a apreciação de pronto pelo relator. STF. 2ª Turma. RMS 32.482/DF, red. p/ o ac. Min. Fachin, 21/8/2018 (Info 912).
Em outubro/2004, a parte impetrou mandado de segurança no STF. O writ foi proposto depois que já havia se passado mais
de 120 dias da publicação do ato impugnado. Dessa forma, o Ministro Relator deveria ter extinguido o mandado de
segurança sem resolução do mérito pela decadência. Ocorre que o Ministro não se atentou para esse fato e concedeu a
liminar pleiteada. Em março/2017, a 1ª Turma do STF apreciou o mandado de segurança. O que fez o Colegiado? Extinguiu
o MS sem resolução do mérito em virtude da decadência? NÃO. A 1ª Turma do STF reconheceu que o MS foi impetrado fora
do prazo, no entanto, como foi concedida liminar e esta perdurou por mais de 12 anos, os Ministros entenderam que deveria
ser apreciado o mérito da ação, em nome da segurança jurídica. STF. 2ª Turma. MS 25097/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 28/3/2017 (Info 859)
O Tribunal de Justiça, mesmo não possuindo personalidade jurídica própria, detém legitimidade autônoma para ajuizar
mandado de segurança contra ato do Governador do Estado em defesa de sua autonomia institucional. Ex: mandado de
segurança contra ato do Governador que está atrasando o repasse dos duodécimos devidos ao Poder Judiciário. STF. 1ª
Turma. MS 34483-MC/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/11/2016 (Info 848).
Não cabe sustentação oral no julgamento que aprecia o pedido de liminar formulado em mandado de segurança. Obs:
caberá sustentação oral no julgamento final do MS. STF. Plenário. MS 34127 MC/DF, MS 34128 MC/DF, Rel. orig. Min.
Roberto Barroso, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, julgados em 14/4/2016 (Info 821). INCLUSÃO NA LEI DO MS: Art.
16. Nos casos de competência originária dos tribunais, caberá ao relator a instrução do processo, sendo assegurada a
defesa oral na sessão do julgamento do mérito ou do pedido liminar. (Redação dada pela Lei nº 13.676, de 2018)
O mandado de segurança não é a via adequada para aferir critérios utilizados pelo TCU e que culminaram por condenar
solidariamente a empresa impetrante à devolução de valores ao erário, em razão de superfaturamento de preços
constatado em aditamentos contratuais por ela celebrados com a Administração Pública. Isso porque para a análise do
pedido seria necessária a análise pericial e verificação de preços, dados e tabelas, o que é incompatível com o rito do
mandado de segurança. STF. 1ª Turma. MS 29599/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º/3/2016 (Info 816).
EXECUÇÃO
São constitucionais o parágrafo único do art. 741 e o § 1º do art. 475-L do CPC/1973, bem como os correspondentes
dispositivos do CPC/2015 (art. 525, § 1º, III e §§ 12 e 14; e art. 535, § 5º). São dispositivos que, buscando harmonizar a
garantia da coisa julgada com o primado da Constituição, vieram agregar ao sistema processual brasileiro um mecanismo
com eficácia rescisória de sentenças revestidas de vício de inconstitucionalidade qualificado, assim caracterizado nas
hipóteses em que: a) a sentença exequenda (“sentença que está sendo executada”) esteja fundada em uma norma
reconhecidamente inconstitucional, seja por aplicar norma inconstitucional, seja por aplicar norma em situação ou com um
sentido inconstitucionais; ou b) a sentença exequenda tenha deixado de aplicar norma reconhecidamente constitucional; e
c) desde que, em qualquer dos casos, o reconhecimento dessa constitucionalidade ou a inconstitucionalidade tenha
decorrido de julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) realizado em data anterior ao trânsito em julgado da sentença
exequenda. STF. Plenário. RE 611503/SP, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 20/9/2018 (repercussão geral) (Info
916). OBS: Art. 525. (...) § 1º Na impugnação, o executado poderá alegar: (...) III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade
da obrigação; (...) § 12. Para efeito do disposto no inciso III do § 1º deste artigo, considera-se também inexigível a obrigação
reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo Supremo
Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal
como incompatível com a Constituição Federal, em controle de constitucionalidade concentrado ou difuso. (...) § 14. A
decisão do Supremo Tribunal Federal referida no § 12 deve ser anterior ao trânsito em julgado da decisão exequenda.
EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA
O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/2009, na parte em que disciplina os juros moratórios
aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-
tributária, aos quais devem ser aplicados os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito
tributário, em respeito ao princípio constitucional da isonomia (art. 5º, da CF/88). Quanto às condenações oriundas de
relação jurídica não-tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança
é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela
Lei nº 11.960/2009. O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/2009, na parte em que disciplina
a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de
Patrícia Reinert Lang
poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, da CF/88),
uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a
promover os fins a que se destina. STF. Plenário. RE 870947/SE, Rel. Min. Luiz Fux, 20/9/2017 (repercussão geral) (Info 878).
A execução provisória de obrigação de fazer em face da Fazenda Pública não atrai o regime constitucional dos precatórios.
Assim, em caso de “obrigação de fazer”, é possível a execução provisória contra a Fazenda Pública, não havendo
incompatibilidade com a Constituição Federal. Ex: sentença determinando que a Administração institua pensão por morte
para dependente de ex-servidor. STF. Plenário. RE 573872/RS, Rel. Min. Fachin, j. 24/5/2017 (repercussão geral) (Info 866).
É válida a penhora em bens de pessoa jurídica de direito privado, realizada anteriormente à sucessão desta pela União, não
devendo a execução prosseguir mediante precatório (art. 100, caput e § 1º, da Constituição Federal). STF. Plenário. STF.
Plenário. RE 693112-MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 09/02/2017 (repercussão geral) (Info 853).
A ampliação do prazo para a oposição de embargos do devedor pela Fazenda Pública para 30 dias, inserida no art. 1º-B
da Lei nº 9.494/97, é constitucional e não viola os princípios da isonomia e do devido processo legal. O estabelecimento
de tratamento processual especial para a Fazenda Pública, inclusive em relação a prazos diferenciados, quando razoáveis,
não constitui propriamente restrição a direito ou prerrogativa da parte adversa, mas busca atender ao princípio da
supremacia do interesse público. A fixação do prazo de 30 dias para a Fazenda apresentar embargos à execução não pode
ser considerado como irrazoável, afinal de contas esse é o mesmo prazo que o particular goza para apresentar embargos
em caso de execuções fiscais contra ele movidas pela Fazenda Pública (art. 16 da Lei nº 6.830/80). STF. Plenário. ADI
2418/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 4/5/2016 (Info 824).
RECURSO EXTRAORDINÁRIO
É possível reconhecer, também na instância extraordinária, a possibilidade da homologação do pedido de renúncia ao direito
sobre o qual se funda a ação, quando postulado por procurador habilitado com poderes específicos, desde que anterior ao
julgamento final do recurso extraordinário. STF. 2ª Turma. RE 514639 QO/RS, Rel. Min. Toffoli, j. em 10/5/2016 (Info 825).
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Não cabem embargos de declaração contra a decisão de presidente do tribunal que não admite recurso extraordinário. Por
serem incabíveis, caso a parte oponha os embargos, estes não irão suspender ou interromper o prazo para a interposição
do agravo do art. 1.042 do CPC/2015. Como consequência, a parte perderá o prazo para o agravo. STF. 1ª Turma. ARE 688776
ED/RS e ARE 685997 ED/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgados em 28/11/2017 (Info 886).
Após 18 de março de 2016, data do início da vigência do Novo Código de Processo Civil, é possível condenar a parte
sucumbente em honorários advocatícios na hipótese de o recurso de embargos de declaração, interposto perante Tribunal,
não atender os requisitos previstos no art. 1.022 e tampouco se enquadrar em situações excepcionais que autorizem a
concessão de efeitos infringentes. Obs: a doutrina entende que, mesmo com o novo CPC, não cabem honorários advocatícios
no julgamento de embargos de declaração, seja em 1ª instância, seja nos Tribunais. Por todos: Fredie Didier Jr e Leonardo
Carneiro da Cunha. STF. 1ª Turma. RE 929925 AgR-ED/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 7/6/2016 (Info 829).
RECLAMAÇÃO
Não é cabível a propositura de reclamação preventiva. A reclamação não tem caráter preventivo, de modo que não serve
para impedir a eventual prática de decisão judicial ou ato administrativo. O ajuizamento da reclamação pressupõe a
existência de um ato que efetivamente já tenha usurpado a competência do Tribunal, violado a autoridade de alguma de
suas decisões que possua efeito vinculante ou incidido em alguma das outras hipóteses de cabimento deste instituto. STF.
Rcl 25310 MC, Rel. Min. C. Mello, j. 03/10/2016 (Info 845). STF. Plenário. Rcl 4058 AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, j. 17/02/2010.
O art. 988, § 5º, II, do CPC/2015 prevê que é possível reclamação dirigida ao Supremo Tribunal Federal contra decisão judicial
que tenha descumprido tese fixada pelo STF em recurso extraordinário julgado sob o rito da repercussão geral. O CPC exige,
no entanto, que, antes de a parte apresentar a reclamação, ela tenha esgotado todos os recursos cabíveis nas "instâncias
ordinárias". O STF afirmou que essa hipótese de cabimento prevista no art. 988, § 5º, II, do CPC deve ser interpretada
restritivamente, sob pena de o STF assumir, pela via da reclamação, a competência de pelo menos três tribunais superiores
(STJ, TST e TSE) para o julgamento de recursos contra decisões de tribunais de 2º grau de jurisdição. Assim, segundo
entendeu o STF, quando o CPC exige que se esgotem as instâncias ordinárias, significa que a parte só poderá apresentar
reclamação ao STF depois de ter apresentado todos os recursos cabíveis não apenas nos Tribunais de 2º grau, mas também
nos Tribunais Superiores (STJ, TST e TSE). Se ainda tiver algum recurso pendente no STJ ou no TSE, por exemplo, não caberá
reclamação ao STF. Em suma, nos casos em que se busca garantir a aplicação de decisão tomada em recurso extraordinário
com repercussão geral, somente é cabível reclamação ao STF quando esgotados todos os recursos cabíveis nas instâncias
antecedentes. STF. 2ª Turma. Rcl 24686 ED-AgR/RJ, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 28/10/2016 (Info 845).
PRECATÓRIOS
Incidem os juros da mora no período compreendido entre a data da realização dos cálculos e a da requisição de pequeno
valor (RPV) ou do precatório. STF. Plenário. RE 579431/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 19/4/2017 (repercussão
geral) (Info 861). Obs: cuidado para não confundir com a SV 17: Durante o período previsto no parágrafo 1º (obs: atual § 5º)

Patrícia Reinert Lang


do artigo 100 da Constituição, não incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos. O período de que trata
este RE 579431/RS é anterior à requisição do precatório, ou seja, anterior ao interregno tratado pela SV 17.
RPV
Os Estados-membros podem editar leis reduzindo a quantia considerada como de pequeno valor, para fins de RPV,
prevista no art. 87 do ADCT da CF/88. É lícito aos entes federados fixar o valor máximo para essa especial modalidade de
pagamento, desde que se obedeça ao princípio constitucional da proporcionalidade. Ex: Rondônia editou lei estadual
prevendo que, naquele Estado, as obrigações consideradas como de pequeno valor para fins de RPV seriam aquelas de até
10 salários-mínimos. Assim, a referida Lei reduziu de 40 para 10 salários-mínimos o crédito decorrente de sentença judicial
transitada em julgado a ser pago por meio de RPV. O STF entendeu que essa redução foi constitucional. STF. Plenário. ADI
4332/RO, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 7/2/2018 (Info 890).
INTIMAÇÃO PESSOAL
Nos casos de intimação pessoal realizada por oficial de justiça, a contagem do prazo para a interposição de recursos ou a
eventual certificação de trânsito em julgado começa a partir da juntada aos autos do mandado devidamente cumprido. STF.
2ª Turma. ARE 892732/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 5/4/2016 (Info 820)
REPERCUSSÃO GERAL
O reconhecimento da repercussão geral no Plenário Virtual não impede sua rediscussão no Plenário físico, notadamente
quando tal reconhecimento tenha ocorrido por falta de manifestações suficientes. STF. Plenário. RE 584247/RR, Rel. Min.
Roberto Barroso, julgado em 27/10/2016 (Info 845).
COISA JULGADA/AÇÃO RESCISÓRIA
Não cabe ação rescisória para desconstituir decisão judicial transitada em julgado que apenas homologou acordo
celebrado entre pessoa jurídica e o Estado-membro em uma ação judicial na qual se discutiam créditos tributários de
ICMS. É cabível, neste caso, a ação anulatória, nos termos do art. 966, § 4º do CPC. É inadmissível a ação rescisória em
situação jurídica na qual a legislação prevê o cabimento de uma ação diversa. STF. Plenário. AR 2697 AgR/RS, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 21/3/2019 (Info 934). Se a parte propôs ação rescisória, não é possível que o Tribunal receba esta
demanda como ação anulatória aplicando o princípio da fungibilidade. Isso porque só se aplica o princípio da fungibilidade
para recursos (e ação anulatória e a ação rescisória não são recursos). STF. Plenário. AR 2440 AgR/DF, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 19/9/2018 (Info 916).
O Sport Club do Recife conseguiu, em 1999, uma decisão judicial transitada em julgado declarando que ele foi o campeão
brasileiro de futebol do ano de 1987. Ocorre que, em 2011, a CBF editou a Resolução 2/2011 reconhecendo que, além do
Sport, o Flamengo também teria sido campeão brasileiro em 1987. O Sport não se conformou com esta postura da entidade
e ingressou com ação de cumprimento de sentença pedindo que, em respeito à decisão judicial transitada em julgado em
1999, a CBF fosse condenada a anular a Resolução e reconhecer o clube pernambucano como o único campeão de 1987. O
STF concordou com o pleito do Sport. A decisão judicial que conferiu ao Sport o título de campeão brasileiro de 1987
transitou em julgado e não podia ser alterada por resolução posterior da CBF. A coisa julgada, como manifestação do
princípio da segurança jurídica, assume a estatura de elemento estruturante do Estado Democrático de Direito. A autonomia
das entidades desportivas não autoriza a transformação da CBF em órgão revisor de pronunciamentos jurisdicionais
alcançados pela preclusão. STF. 1ª Turma. RE 881864 AgR/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/4/2017 (Info 861).
JUIZ NATURAL
Não viola o princípio do juiz natural o julgamento de apelação por órgão colegiado presidido por desembargador, sendo os
demais integrantes juízes convocados. STF. 1ª Turma. HC 101473/SP, red. p/ o ac Min. R. Barroso, j. 16/2/2016 (Info 814)
RECURSOS
Se o Poder Público for condenado ao pagamento da multa do § 2º do art. 557 do CPC/1973 (§ 4º do art. 1.021 do CPC/2015),
a interposição de outros recursos ficará condicionada ao depósito prévio do respectivo valor? CPC/1973: SIM: Havendo
condenação da Fazenda Pública ao pagamento da multa prevista no art. 557, § 2º, do CPC 1973, a interposição de qualquer
outro recurso fica condicionada ao depósito prévio do respectivo valor. O prévio depósito da multa também é devido pela
Fazenda Pública. STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 553.788-DF, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 16/10/2014 (Info
551). STF. 2ª Turma. ARE 931830 AgR/PB, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/8/2018 (Info 912). CPC/2015: NÃO: Veja o
que diz o CPC/2015: Art. 1.021 (...) § 4º Quando o agravo interno for declarado manifestamente inadmissível ou
improcedente em votação unânime, o órgão colegiado, em decisão fundamentada, condenará o agravante a pagar ao
agravado multa fixada entre um e cinco por cento do valor atualizado da causa. § 5º A interposição de qualquer outro
recurso está condicionada ao depósito prévio do valor da multa prevista no § 4º, à exceção da Fazenda Pública e do
beneficiário de gratuidade da justiça, que farão o pagamento ao final.
DIREITO AMBIENTAL
PRINCÍPIOS

Patrícia Reinert Lang


No atual estágio do conhecimento científico, que indica ser incerta a existência de efeitos nocivos da exposição ocupacional
e da população em geral a campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos gerados por sistemas de energia elétrica, não
existem impedimentos, por ora, a que sejam adotados os parâmetros propostos pela Organização Mundial de Saúde (OMS),
conforme estabelece a Lei nº 11.934/2009 [princípio da precaução]. STF. Plenário. RE 627189/SP, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 8/6/2016 (repercussão geral) (Info 829).
CRIMES AMBIENTAIS
O princípio da bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/98: Art. 34.
Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente: Pena - detenção de um
ano a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem: II - pesca
quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos;
Caso concreto: realização de pesca de 7kg de camarão em período de defeso com o uso de método não permitido. STF. 1ª
Turma. HC 122560/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018 (Info 901). Obs: apesar de a redação utilizada no
informativo original ter sido bem incisiva (“O princípio da bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c
parágrafo único, II, da Lei 9.605/98”), existem julgados tanto do STF como do STJ aplicando, excepcionalmente, o princípio
da insignificância para o delito de pesca ilegal. Deve-se ficar atenta(o) para como isso será cobrado no enunciado da prova.
É possível aplicar o princípio da insignificância para crimes ambientais. Ex: pessoa encontrada em uma unidade de
conservação onde a pesca é proibida, com vara de pescar, linha e anzol, conduzindo uma pequena embarcação na qual não
havia peixes. STF. 2ª Turma. Inq 3788/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 1°/3/2016 (Info 816).
A Lei de Crimes Ambientais tipifica a pesca ilegal, nos seguintes termos: "Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja
proibida ou em lugares interditados por órgão competente:" Se a pessoa é flagrada sem nenhum peixe, mas portando
consigo equipamentos de pesca, em um local onde esta atividade é proibida, ela poderá ser absolvida do delito do art. 34
da Lei de Crimes com base no princípio da insignificância? A 2ª Turma do STF possui decisões conflitantes sobre o tema:
SIM. Inq 3788/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, 1°/3/2016 (Info 816). NÃO. RHC 125566/PR e HC 127926/SC, Rel. Min. Dias Toffoli,
26/10/2016 (Info 845).
COMPETÊNCIA
É inconstitucional lei estadual que discipline a ARRECADAÇÃO das receitas oriundas da exploração de recursos hídricos
para geração de energia elétrica e de recursos minerais, inclusive petróleo e gás natural. Há uma inconstitucionalidade
formal, considerando que cabe à União legislar sobre o tema (art. 22, IV e XII, da CF/88). Por outro lado, a lei estadual
pode dispor sobre a fiscalização e o controle dessas receitas, tendo em vista que é de competência comum aos entes
registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em
seus territórios (art. 23, XI, da CF/88). STF. Plenário. ADI 4606/BA, Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 28/2/2019 (Info 932).
É inconstitucional, por violar o princípio da separação dos poderes, lei estadual que exige autorização prévia do Poder
Legislativo estadual (Assembleia Legislativa) para que sejam firmados instrumentos de cooperação pelos órgãos
componentes do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA. Também é inconstitucional lei estadual que afirme que
Fundação estadual de proteção do meio ambiente só poderá transferir responsabilidades ou atribuições para outros órgãos
componentes do SISNAMA se houver aprovação prévia da Assembleia Legislativa. STF. Plenário. ADI 4348/RR, Rel. Min.
Ricardo Lewandowski, julgado em 10/10/2018 (Info 919).
Viola a Constituição Federal lei municipal que proíbe o trânsito de veículos, sejam eles motorizados ou não, transportando
cargas vivas nas áreas urbanas e de expansão urbana do Município. Essa lei municipal invade a competência da União. O
Município, ao inviabilizar o transporte de gado vivo na área urbana e de expansão urbana de seu território, transgrediu a
competência da União, que já estabeleceu, à exaustão, diretrizes para a política agropecuária, o que inclui o transporte de
animais vivos e sua fiscalização. Além disso, sob a justificativa de criar mecanismo legislativo de proteção aos animais, o
legislador municipal impôs restrição desproporcional. Esta desproporcionalidade fica evidente quando se verifica que a
legislação federal já prevê uma série de instrumentos para garantir, de um lado, a qualidade dos produtos destinados ao
consumo pela população e, de outro, a existência digna e a ausência de sofrimento dos animais, tanto no transporte quanto
no seu abate. STF. Plenário. ADPF 514 e ADPF 516 MC-REF/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 11/10/2018 (Info 919).
É inconstitucional lei estadual prevendo que é possível a supressão de vegetal em Área de Preservação Permanente (APP)
para a realização de “pequenas construções com área máxima de 190 metros quadrados, utilizadas exclusivamente para
lazer”. Essa lei possui vícios de inconstitucionalidade formal e material. Há inconstitucionalidade formal porque o Código
Florestal (lei federal que prevê as normas gerais sobre o tema, nos termos do art. 24, § 1º, da CF/88) não permite a instalação
em APP de qualquer tipo de edificação com finalidade meramente recreativa. Existe também inconstitucionalidade material
porque houve um excesso e abuso da lei estadual ao relativizar a proteção constitucional ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, cujo titular é a coletividade, em face do direito de lazer individual. STF. Plenário. ADI 4988/TO, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 19/9/2018 (Info 916).
É possível a edição de medidas provisórias tratando sobre matéria ambiental, mas sempre veiculando normas favoráveis
ao meio ambiente. Normas que importem diminuição da proteção ao meio ambiente equilibrado só podem ser editadas

Patrícia Reinert Lang


por meio de lei formal, com amplo debate parlamentar e participação da sociedade civil e dos órgão e instituições de
proteção ambiental, como forma de assegurar o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Dessa
forma, é inconstitucional a edição de MP que importe em diminuição da proteção ao meio ambiente equilibrado,
especialmente em se tratando de diminuição ou supressão de unidades de conservação, com consequências
potencialmente danosas e graves ao ecossistema protegido. A proteção ao meio ambiente é um limite material implícito
à edição de medida provisória, ainda que não conste expressamente do elenco das limitações previstas no art. 62, § 1º, da
CF/88. STF. Plenário. ADI 4717/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 5/4/2018 (Info 896).
As leis estaduais que proíbem o uso do amianto são constitucionais. O art. 2º da Lei federal nº 9.055/95, que autorizava
a utilização da crisotila (espécie de amianto), é inconstitucional. Houve a inconstitucionalidade superveniente (sob a
óptica material) da Lei nº 9.055/95, por ofensa ao direito à saúde (art. 6º e 196, CF/88); ao dever estatal de redução dos
riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança (art. 7º, inciso XXII, CF/88); e à proteção
do meio ambiente (art. 225, CF/88). STF. Plenário. ADI 3937/SP, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 24/8/2017 (Info
874). STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 29/11/2017 (Info 886).
Em tese, o Estado-membro detém competência para legislar sobre controle de resíduos de embarcações, oleodutos e
instalações costeiras. Isso porque o objeto dessa lei é a tutela ao meio ambiente, sendo essa matéria de competência
concorrente, nos termos do art. 24, VI e VIII, da CF/88. STF. Plenário. ADI 2030/SC, Min. G Mendes, j. 9/8/2017 (Info 872).
O Município tem competência para legislar sobre meio ambiente e controle da poluição, quando se tratar de interesse
local. Ex: é constitucional lei municipal, regulamentada por decreto, que preveja a aplicação de multas para os proprietários
de veículos automotores que emitem fumaça acima de padrões considerados aceitáveis. STF. Plenário. RE 194704/MG, rel.
orig. Min. Carlos Velloso, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 29/6/2017 (Info 870).
Os Municípios podem legislar sobre Direito Ambiental, desde que o façam fundamentadamente. STF. 2ª Turma. ARE
748206 AgR/SC, Rel Min. Celso de Mello, julgado em 14/3/2017 (Info 857).
Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime ambiental de caráter transnacional que envolva animais silvestres,
ameaçados de extinção e espécimes exóticas ou protegidas por compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. STF.
Plenário. RE 835558/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9/2/2017 (repercussão geral) (Info 853)
CÓDIGO FLORESTAL
O STF analisou a constitucionalidade do Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) e decidiu: 1) declarar a inconstitucionalidade
das expressões “gestão de resíduos” e “instalações necessárias à realização de competições esportivas estaduais, nacionais
ou internacionais”, contidas no art. 3º, VIII, b, da Lei nº 12.651/2012; 2) dar interpretação conforme a Constituição ao art.
3º, VIII e IX, da Lei, de modo a se condicionar a intervenção excepcional em APP, por interesse social ou utilidade pública, à
inexistência de alternativa técnica e/ou locacional à atividade proposta; 3) deve-se dar interpretação conforme a
Constituição ao art. 3º, XVII e ao art. 4º, IV, para fixar a interpretação de que os entornos das nascentes e dos olhos d´água
intermitentes configuram área de preservação permanente; 4) declarar a inconstitucionalidade das expressões
“demarcadas” e “tituladas”, contidas no art. 3º, parágrafo único; 5) deve-se dar interpretação conforme a Constituição ao
art. 48, § 2º, para permitir compensação apenas entre áreas com identidade ecológica; 6) deve-se dar interpretação
conforme a Constituição ao art. 59, §§ 4º e 5º, de modo a afastar, no decurso da execução dos termos de compromissos
subscritos nos programas de regularização ambiental, o risco de decadência ou prescrição, seja dos ilícitos ambientais
praticados antes de 22.7.2008, seja das sanções deles decorrentes, aplicando-se extensivamente o disposto no § 1º do art.
60 da Lei 12.651/2012, segundo o qual “a prescrição ficará interrompida durante o período de suspensão da pretensão
punitiva”. Todos os demais dispositivos da Lei foram considerados constitucionais. STF. Plenário. ADC 42/DF, ADI 4901/DF,
ADI 4902/DF, ADI 4903/DF e ADI 4937/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 28/2/2018 (Info 892).
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
É inconstitucional a redução ou a supressão de espaços territoriais especialmente protegidos, como é o caso das unidades
de conservação, por meio de medida provisória. Isso viola o art. 225, § 1º, III, da CF/88. Assim, a redução ou supressão de
unidade de conservação somente é permitida mediante lei em sentido formal. A medida provisória possui força de lei, mas
o art. 225, § 1º, III, da CF/88 exige lei em sentido estrito. A proteção ao meio ambiente é um limite material implícito à
edição de medida provisória, ainda que não conste expressamente do elenco das limitações previstas no art. 62, § 1º, da
CF/88. STF. Plenário. ADI 4717/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 5/4/2018 (Info 896).
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
RECOLHIMENTO COMPULSÓRIO DE CRIANÇAS
São constitucionais o art. 16, I, o art. 105, o art. 122, II e III, o art. 136, I, o art. 138 e o art. 230 do ECA3. Tais dispositivos
estão de acordo com o art. 5º, caput e incisos XXXV, LIV, LXI e com o art. 227 da CF/88. Além disso, são compatíveis com a

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Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários,
ressalvadas as restrições legais;
Art. 105. Ao ato infracional praticado por criança corresponderão as medidas previstas no art. 101.
Patrícia Reinert Lang
Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), a Convenção sobre os Direitos da Criança, as Regras de Pequim para a
Administração da Justiça de Menores e a Convenção Americana de Direitos Humanos. STF. Plenário. ADI 3446/DF, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 7 e 8/8/2019 (Info 946).
INTERNAÇÃO
O ato de internação do menor é medida excepcional, apenas cabível quando atendidos os requisitos do art. 122 do ECA: Art.
122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando: I — tratar-se de ato infracional cometido mediante grave
ameaça ou violência a pessoa; II — por reiteração no cometimento de outras infrações graves; III — por descumprimento
reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta. Assim, quando for aplicada a internação, o magistrado deverá
adotar uma fundamentação idônea que apresente justificativas concretas para a escolha dessa medida socioeducativa. STF.
1ª Turma. HC 125016/SP, red. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, j. 15/3/2016 (Info 818).
ESTUPRO DE VULNERÁVEL
O agente que passa as mãos nas coxas e seios da vítima menor de 14 anos, por dentro de sua roupa, pratica, em tese, o
crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP). Não importa que não tenha havido penetração vaginal (conjunção carnal).
STF. 1ª Turma. RHC 133121/DF, red. p/o acórdão Min. Edson Fachin julgado em 30/8/2016 (Info 837).
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA
É inconstitucional a expressão “em horário diverso do autorizado” contida no art. 254 do ECA. "Art. 254. Transmitir, através
de rádio ou televisão, espetáculo em horário diverso do autorizado ou sem aviso de sua classificação: Pena - multa de vinte
a cem salários de referência; duplicada em caso de reincidência a autoridade judiciária poderá determinar a suspensão da
programação da emissora por até dois dias." O Estado não pode determinar que os programas somente possam ser exibidos
em determinados horários. Isso seria uma imposição, o que é vedado pelo texto constitucional por configurar censura. O
Poder Público pode apenas recomendar os horários adequados. A classificação dos programas é indicativa (e não
obrigatória). STF. Plenário. ADI 2404/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 31/8/2016 (Info 837).
DIREITO PENAL
HOMÍCIDIO
Verifica-se a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo automotor sob a influência de álcool, além de fazê-lo na
contramão. Esse é, portanto, um caso específico que evidencia a diferença entre a culpa consciente e o dolo eventual. O
condutor assumiu o risco ou, no mínimo, não se preocupou com o risco de, eventualmente, causar lesões ou mesmo a morte
de outrem. STF. 1ª Turma. HC 124687/MS, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/5/2018 (Info 904).
Se houver incorreto enquadramento fático-jurídico na capitulação penal, que repercuta na competência do órgão
jurisdicional, admite-se, excepcionalmente, a possibilidade de o magistrado, antes da pronúncia e submissão do réu ao júri
popular, efetuar a desclassificação para outro tipo penal e encaminhar o feito ao órgão competente. No caso, o STF
considerou que não havia homicídio doloso na conduta de um homem que entregou o seu carro a uma mulher embriagada
para que esta dirigisse o veículo, tendo havido acidente por conta do excesso de velocidade e da embriaguez, resultando na
morte da mulher (condutora). STF. 2ª Turma. HC 113598/PE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2015 (Info 812).
FURTO
A existência de sistema de vigilância em estabelecimento comercial não constitui óbice para a tipificação do crime de
furto. STF. 1ª Turma. HC 111278/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Roberto Barroso, julgado em
10/4/2018 (Info 897). Súmula 567-STJ: Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de
segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a configuração do crime de furto.
É legítima a incidência da causa de aumento de pena por crime cometido durante o repouso noturno (art. 155, § 1º) no
caso de furto praticado na forma qualificada (art. 155, § 4º). Não existe nenhuma incompatibilidade entre a majorante
prevista no § 1º e as qualificadoras do § 4º. São circunstâncias diversas, que incidem em momentos diferentes da aplicação
da pena. Assim, é possível que o agente seja condenado por furto qualificado (§ 4º) e, na terceira fase da dosimetria, o juiz
aumente a pena em 1/3 se a subtração ocorreu durante o repouso noturno. A posição topográfica do § 1º (vem antes do §
4º) não é fator que impede a sua aplicação para as situações de furto qualificado (§ 4º). STF. 2ª T. HC 130952/MG, Rel. Min.
Dias Toffoli, 13/12/2016 (Info 851). STJ. 6ª T. HC 306.450-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 4/12/2014 (Info 554).
LATROCÍNIO

Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando: (...) II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves; III -
por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.
Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar: I - atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, aplicando
as medidas previstas no art. 101, I a VII;
Art. 138. Aplica-se ao Conselho Tutelar a regra de competência constante do art. 147.
Art. 230. Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão sem estar em flagrante de ato infracional ou
inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária competente: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Parágrafo único. Incide na
mesma pena aquele que procede à apreensão sem observância das formalidades legais.
Patrícia Reinert Lang
Carlos e Luiza estão entrando no carro quando são rendidos por João, assaltante armado, que deseja subtrair o veículo.
Carlos acaba reagindo e João atira contra ele e Luiza, matando o casal. João foge levando o carro. Haverá dois crimes de
latrocínio em concurso formal de ou um único crime de latrocínio? STJ: concurso formal impróprio. STF e doutrina
majoritária: um único crime de latrocínio. STJ. 5ª Turma. HC 336.680/PR, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/11/2015.
STF. 1ª Turma. RHC 133575/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/2/2017 (Info 855).
Aquele que se associa a comparsa para a prática de roubo, sobrevindo a morte da vítima, responde pelo crime de latrocínio,
ainda que não tenha sido o autor do disparo fatal ou que sua participação se revele de menor importância. Ex: João e Pedro
combinaram de roubar um carro utilizando arma de fogo. Eles abordaram, então, Ricardo e Maria quando o casal entrava
no veículo que estava estacionado. Os assaltantes levaram as vítimas para um barraco no morro. Pedro ficou responsável
por vigiar o casal no cativeiro enquanto João realizaria outros crimes utilizando o carro subtraído. Depois de João ter saído,
Ricardo e Maria tentaram fugir e Pedro atirou nas vítimas, que acabaram morrendo. João pretendia responder apenas por
roubo majorado (art. 157, § 2º, I e II) alegando que não participou nem queria a morte das vítimas, devendo, portanto, ser
aplicado o art. 29, § 2º do CP. O STF, contudo, não acatou a tese. Isso porque João assumiu o risco de produzir resultado
mais grave, ciente de que atuava em crime de roubo, no qual as vítimas foram mantidas em cárcere sob a mira de arma de
fogo. STF. 1ª Turma. RHC 133575/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/2/2017 (Info 855).
CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO
O Procurador-Geral da República ofereceu denúncia contra um Ministro do TCU pela prática do crime de tráfico de influência
(art. 332, caput, do Código Penal). Segundo a denúncia, o filho do Ministro, em nome do pai, recebeu pagamento (“propina”)
de um empreiteiro, sob o pretexto de que iria influenciar em um processo que estava em curso no TCU e no qual se analisava
uma licitação fraudulenta, vencida pela empresa do empreiteiro.
Para o PGR, o Ministro do TCU teria demonstrado ao empreiteiro que poderia influenciar no trâmite do caso ao pedir vista
do processo. Na sessão seguinte do TCU, ele devolveu os autos e declarou seu impedimento para atuar no feito. O colegiado
considerou não haver, em relação ao Ministro, lastro probatório mínimo, consistente em conjunto de evidências seguro e
idôneo capaz de demonstrar a materialidade do crime e indícios razoáveis de autoria. O cerne da imputação formulada
contra o Ministro decorre, essencialmente, do fato de ele ter pedido vista de um processo, com a suposta intenção
deliberada de postergar o julgamento, apesar de já saber que estaria impedido de atuar no feito. Ocorre que, desde a
primeira vez em que o processo foi inserido na pauta de julgamento no TCU até a ocasião do pedido de vista pelo
denunciado, transcorreram quase cinco meses, com diversos adiamentos e retiradas, mas nenhuma delas por ato do
Ministro acusado. Além disso, na sessão em que ele solicitou vista, por equívoco, não foi registrado impedimento ou
suspeição do Ministro no sistema. Vale ressaltar também que não houve nem mesmo advertência quanto ao pedido de vista
do denunciado pelos demais Ministros do TCU, advogados, partes, pelo secretário da sessão ou, até mesmo, pelo
representante do Ministério Público que atua no TCU. Essa circunstância revela a ausência de conhecimento geral sobre o
mencionado impedimento e a eventual irregularidade do ato praticado pelo Ministro. Em razão disso, mostra-se crível a
versão do acusado no sentido de que foi levado a acreditar que se encontrava plenamente apto a participar do referido
julgamento e, assim, desempenhar as funções e prerrogativas inerentes ao cargo, dentre elas a de pedir vista regimental
para melhor estudar os casos em julgamento. O Ministro devolveu os autos após quatorze dias e declarou-se impedido,
não tendo participado da discussão ou votação do processo em análise. STF. 1ª Turma. Inq 4075/DF, rel orig. Min. Edson
Fachin, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 10/9/2019 (Info 951).
A causa de aumento prevista no § 2º do art. 327 do Código Penal não pode ser aplicada aos dirigentes de autarquias (ex: a
maioria dos Detrans) porque esse dispositivo menciona apenas órgãos, sociedades de economia mista, empresas públicas
e fundações. STF. 2ª Turma. AO 2093/RN, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/9/2019 (Info 950).
Configura o crime do art. 1º, III, do DL 201/67, a conduta do Prefeito que utiliza verbas oriundas do Fundo Nacional de
Saúde (vinculadas a determinado programa de saúde) para o pagamento de débitos da Secretaria Municipal de Saúde
junto ao instituto de previdência do Município. O delito previsto no art. 1º, III, do DL 201/1967 consiste em o administrador
público aplicar verba pública em destinação diversa da prevista em lei. Não se trata, portanto, de desviar em proveito
próprio. Para a configuração deste crime, é irrelevante verificar se houve, ou não, efetivo prejuízo para a Administração
Pública. STF. 1ª Turma. AP 984/AP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 11/6/2019 (Info 944).
O diretor de organização social pode ser considerado funcionário público por equiparação para fins penais (art. 327, § 1º do
CP). Isso porque as organizações sociais que celebram contratos de gestão com o Poder Público devem ser consideradas
“entidades paraestatais”, nos termos do art. 327, § 1º do CP. STF. 1ª T. HC 138484/DF, Rel. M. Aurélio, 11/9/2018 (Info 915).
Determinado Deputado Federal integrava a cúpula de um partido de sustentação do governo federal. Como importante
figura partidária, ele exercia pressão política junto à Presidência da República a fim de que Paulo Roberto Costa fosse
mantido como Diretor de Abastecimento da Petrobrás. Como “contraprestação” por esse apoio, o Deputado recebia
dinheiro do referido Diretor, quantia essa oriunda de contratos ilegais celebrados pela Petrobrás. O STF entendeu que esta
conduta se enquadra no crime de corrupção passiva (art. 317 do CP). Obs: foi a primeira condenação do STF envolvendo a
chamada “operação Lava Jato”. STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904).

Patrícia Reinert Lang


Determinado Senador solicitou e recebeu de uma construtora R$ 500 mil, valor destinado à sua campanha política. A quantia
foi repassada pela construtora não diretamente ao Senador, mas sim ao partido político, como se fossem doações eleitorais
oficiais. Ao pedir o valor, o Senador teria se comprometido com a construtora a manter João como Diretor da Petrobrás.
Isso era de interesse da construtora porque João, em nome da estatal, celebrava contratos fraudulentos com a empresa. O
Senador foi reeleito e, com sua influência decorrente do cargo, conseguiu manter João na Diretoria. Em um juízo preliminar,
para fins de recebimento da denúncia, o STF entendeu que a conduta do Senador, em tese, configura a prática dos seguintes
crimes: • Corrupção passiva (art. 317, caput e § 1º, do CP); • Lavagem de dinheiro (art. 1º, caput, da Lei nº 9.613/98). STF.
2ª Turma. Inq 3982/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 7/3/2017 (Info 856).
O Ministério Público ofereceu denúncia contra o Senador Renan Calheiros pelas seguintes condutas: • o denunciado teria
desviado recursos públicos da chamada verba indenizatória (destinada a despesas relacionadas ao exercício do mandato
parlamentar) para pagar pensão alimentícia à filha. Com isso, teria praticado peculato (art. 312 do CP). Quanto ao art. 312
do CP, a denúncia foi recebida porque o STF entendeu estarem presentes indícios de autoria e materialidade minimamente
suficientes. STF. Plenário. Inq 2593/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 1º/12/2016 (Info 849).
O servidor público (ex: um Deputado Federal) que se utiliza do trabalho de outro servidor público (ex: assessor parlamentar)
para lhe prestar serviços particulares pratica crime de peculato (art. 312 do CP)? Situação 1. Servidor público que se utiliza
da mão-de-obra de outro servidor público (normalmente seu subordinado) para, em determinados momentos, fazer com
que este preste serviços particulares a ele. Esta conduta não configura peculato nem qualquer outro crime. Atenção: se o
indivíduo que se utilizou do servidor público for Prefeito, ele cometerá o delito do art. 1º, II, do DL 201/67. Situação 2.
Servidor público que utiliza a Administração Pública para pagar o salário de empregado particular. Aqui o chefe contrata um
indivíduo supostamente para ser servidor público (cargo comissionado), mas, na verdade, ele manda que a pessoa
contratada preste exclusivamente serviços particulares ao seu superior. Esta conduta, em tese, configura peculato. Isso
porque o dinheiro público está sendo desviado para o pagamento de um "servidor" que, formalmente está vinculado à
Administração Pública, mas que, na prática, apenas executa serviços para outro servidor público no interesse particular
deste último. STF. 2ª Turma. AP 504/DF, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 9/8/2016 (Info 834).
Diversos servidores municipais tinham empréstimos consignados cujos valores eram descontados da folha de pagamento.
O Prefeito ordenou que fosse feita a retenção, mas que tais valores não fossem repassados à instituição e sim gastos com o
pagamento de despesas do Município. Isso foi feito no último ano do mandato do Prefeito, quando não havia mais recursos
para pagar o banco, o que só foi feito no mandato seguinte. O STF entendeu que, nesta situação, restou configurada a
prática de dois delitos: arts. 312 e 359-C do Código Penal. STF. 1ª Turma. AP 916, Rel. Min. Barroso, j. 17/5/2016 (Info 826).
Secretária de Estado que desvia verbas de convênio federal que tinha destinação específica e as utiliza para pagamento da
folha de servidores não pratica o crime de peculato (art. 312 do CP), mas sim o delito de emprego irregular de verbas ou
rendas públicas (art. 315). STF. 2ª Turma. Inq 3731/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 2/2/2016 (Info 813).
O simples fato de o réu exercer um mandato popular não é suficiente para fazer incidir a causa de aumento do art. 327, §
2º, do CP. É necessário que ele ocupe uma posição de superior hierárquico (o STF chamou de "imposição hierárquica").
STF. Plenário. Inq 3983/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 02 e 03/03/2016 (Info 816).
CRIMES LEI DE LICITAÇÕES
Não se pode exigir do assessor jurídico conhecimento técnico de todas as áreas e não apenas do Direito. No processo
licitatório, não compete à assessoria jurídica averiguar se está presente a causa de emergencialidade, mas apenas se há,
nos autos, decreto que a reconheça. Sua função é zelar pela lisura sob o aspecto formal do processo, de maneira a atuar
como verdadeiro fiscal de formalidades, somente. Assim, a assinatura do assessor jurídico na minuta do contrato serve de
atestado do cumprimento de requisitos formais, e não materiais. STF. 2ª Turma. HC 171576/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 17/9/2019 (Info 952).
Não comete o crime do art. 89 da Lei nº 8.666/934 Secretária de Educação que faz contratação direta, com base em
inexigibilidade de licitação (art. 25, I), de livros didáticos para a rede pública de ensino, livros esses que foram escolhidos
por equipe técnica formada por pedagogos, sem a sua interferência. Vale ressaltar que havia comprovação, por meio de
carta de exclusividade emitida por entidade do setor, de que a empresa contratada era a única fornecedora dos livros na
região. Além disso, não houve demonstração de sobrepreço. Diante dessas circunstâncias, o STF absolveu a ré por ausência
de “dolo específico” (elemento subjetivo especial). STF. Plenário. AP 946/DF, Rel. Min. Lewandowski, j. 30/8/2018 (Info 913).
Elemento subjetivo: Para a configuração da tipicidade subjetiva do crime previsto no art. 89 da Lei 8.666/93, exige-se o
especial fim de agir, consistente na intenção específica de lesar o erário ou obter vantagem indevida. Exige-se
descumprimento de formalidades mais violação aos princípios da Administração Pública: O tipo penal previsto no art. 89
não criminaliza o mero fato de o administrador público ter descumprido formalidades. Para que haja o crime, é necessário
que, além do descumprimento das formalidades, também se verifique que ocorreu, no caso concreto, a violação de
princípios cardeais (fundamentais) da Administração Pública. Se houve apenas irregularidades pontuais relacionadas com a

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Art. 89. Dispensar ou inexigir licitação fora das hipóteses previstas em lei, ou deixar de observar as formalidades pertinentes à dispensa
ou à inexigibilidade: Pena - detenção, de 3 (três) a 5 (cinco) anos, e multa.
Patrícia Reinert Lang
burocracia estatal, isso não deve, por si só, gerar a criminalização da conduta. Assim, para que ocorra o crime, é necessária
uma ofensa ao bem jurídico tutelado, que é o procedimento licitatório. Sem isso, não há tipicidade material. Decisão
amparada em pareceres técnicos e jurídicos: Não haverá crime se a decisão do administrador de deixar de instaurar
licitação para a contratação de determinado serviço foi amparada por argumentos previstos em pareceres (técnicos e
jurídicos) que atenderam aos requisitos legais, fornecendo justificativas plausíveis sobre a escolha do executante e do preço
cobrado e não houver indícios de conluio entre o gestor e os pareceristas com o objetivo de fraudar o procedimento de
contratação direta. STF. 1ª Turma. Inq 3962/DF, Rel. Min Rosa Weber, julgado em 20/2/2018 (Info 891).
A teoria do domínio do fato não permite que a mera posição de um agente na escala hierárquica sirva para demonstrar ou
reforçar o dolo da conduta. Do mesmo modo, também não permite a condenação de um agente com base em conjecturas.
Assim, não é porque houve irregularidade em uma licitação estadual que o Governador tenha que ser condenado
criminalmente por isso. STF. 2ª Turma. AP 975/AL, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/10/2017 (Info 880).
Determinado Secretário de Educação fez contratação direta, com inexigibilidade de licitação, com a empresa "X", por meio
da qual adquiriu mil licenças de uso do software "XX" para organizar os horários e grades escolares da rede de ensino
estadual, no valor total de R$ 1 milhão. O Ministério Público denunciou o Secretário pela prática do crime do art. 89 da Lei
nº 8.666/93 argumentando que outras empresas ofereciam softwares diferentes, mas com as mesmas funcionalidades, por
preço menor. Dessa forma, o Parquet alegou que seria possível sim a concorrência entre as empresas, não sendo caso de
inexigibilidade de licitação. O STF entendeu que não houve crime. O laudo pericial constatou que o “software” da empresa
escolhida tinha mais especificações do que os das concorrentes e era mais adequado ao seu objeto. O STF afirmou também
que não há nos autos prova de conluio com a empresa escolhida e de recebimento de qualquer vantagem econômica pelo
então Secretário. Por fim, asseverou que o crime previsto no art. 89 da Lei nº 8.666/1993 exige o dolo, consubstanciado na
vontade livre e consciente de praticar o ilícito penal, que não se faz presente quando o acusado atua com fulcro em parecer
da Procuradoria Jurídica no sentido da inexigibilidade da licitação. STF. 1ª T. Inq 3753/DF, Rel. Min.Fux, 18/4/2017 (Info 861).
Determinado Deputado Federal, na época em que era Secretário de Estado, contratou, sem licitação, empresa para a
realização de obras emergenciais em um ginásio. Depois de o contrato estar assinado, o Secretário celebrou termo aditivo
com a empresa para que ela fizesse a demolição e reconstrução das instalações do ginásio. O parlamentar foi denunciado
pelos crimes dos arts. 89 e 92 da Lei nº 8.666/93. Algumas conclusões do STF no momento do recebimento da denúncia: 1)
A declaração de emergência feita por Governador do Estado, por si só, não caracteriza situação que justifique a dispensa de
licitação; 2) O crime do art. 89 da Lei de Licitações não é inconstitucional nem viola o princípio da proporcionalidade; 3) O
aditamento realizado descaracterizou o contrato original e, portanto, configura, em tese, a prática do art. 92; 4) O fato de a
dispensa de licitação e de o aditamento do contrato terem sido precedidos de parecer jurídico não é bastante para afastar
o dolo caso outros elementos externos indiciem a possibilidade de desvio de finalidade ou de conluio entre o gestor e o
responsável pelo parecer. STF. 1ª Turma. Inq 3621/MA, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, j. 28/3/2017 (Info 859).
O crime do art. 89 da Lei 8.666/93 exige resultado danoso (dano ao erário) para se consumar? 1ª corrente: SIM. Posição
do STJ e da 2ª Turma do STF. 2ª corrente: NÃO. Entendimento da 1ª Turma do STF. O objetivo do art. 89 não é punir o
administrador público despreparado, inábil, mas sim o desonesto, que tinha a intenção de causar dano ao erário ou obter
vantagem indevida. Por essa razão, é necessário sempre analisar se a conduta do agente foi apenas um ilícito civil e
administrativo ou se chegou a configurar realmente crime. Deverão ser analisados três critérios para se verificar se o ilícito
administrativo configurou também o crime do art. 89: 1º) existência ou não de parecer jurídico autorizando a dispensa ou
a inexigibilidade. A existência de parecer jurídico é um indicativo da ausência de dolo do agente, salvo se houver
circunstâncias que demonstrem o contrário. 2º) a denúncia deverá indicar a existência de especial finalidade do agente de
lesar o erário ou de promover enriquecimento ilícito. 3º) a denúncia deverá descrever o vínculo subjetivo entre os
agentes. STF. 1ª Turma. Inq 3674/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 7/3/2017 (Info 856).
Para que haja a condenação pelo crime do art. 89 da Lei nº 8.666/93, exige-se a demonstração de que houve prejuízo ao
erário e de que o agente tinha a finalidade específica de favorecimento indevido. Assim, mesmo que a decisão de dispensa
ou inexigibilidade da licitação tenha sido incorreta, isso não significa necessariamente que tenha havido crime, sendo
necessário analisar o prejuízo e o dolo do agente. STF. 2ª T. Inq 3731/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, 2/2/2016 (Info 813).
LEI MARIA DA PENHA
Não se aplica o princípio da insignificância aos delitos praticados em situação de violência doméstica. Os delitos praticados
com violência contra a mulher, devido à expressiva ofensividade, periculosidade social, reprovabilidade do comportamento
e lesão jurídica causada, perdem a característica da bagatela e devem submeter-se ao direito penal. Vale ressaltar que o
fato de o casal ter se reconciliado não significa atipicidade material da conduta ou desnecessidade de pena. STJ. 5ª Turma.
HC 333.195/MS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 12/04/2016. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 318.849/MS, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 27/10/2015. STF. 2ª Turma. RHC 133043, Rel. C. Lúcia, julgado em 10/5/2016 (Info 825).
LEI DE DROGAS
Não é possível a fixação de regime de cumprimento de pena fechado ou semiaberto para crime de tráfico privilegiado de
drogas sem a devida justificação. Não se admite a fixação automática do regime fechado ou semiaberto pelo simples fato

Patrícia Reinert Lang


de ser tráfico de drogas. A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para justificar a fixação do
regime mais gravoso. STF. 1ª Turma. HC 163231/SP, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, 25/6/2019 (Info 945).
Não configura crime a importação de pequena quantidade de sementes de maconha. STF. 2ª Turma. HC 144161/SP, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2018 (Info 915).
Se o réu é primário e possui bons antecedentes, o juiz pode, mesmo assim, negar o benefício do art. 33, § 4º da LD
argumentando que a quantidade de drogas encontrada com ele foi muito elevada? O tema é polêmico. 1ª Turma do STF:
encontramos precedentes afirmando que a grande quantidade de droga pode ser utilizada como circunstância para
afastar o benefício. Nesse sentido: não é crível que o réu, surpreendido com mais de 500 kg de maconha, não esteja
integrado, de alguma forma, a organização criminosa, circunstância que justifica o afastamento da causa de diminuição
prevista no art. 33, §4º, da Lei de Drogas (HC 130981/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, 18/10/2016. Info 844). 2ª Turma do STF:
a quantidade de drogas encontrada não constitui, isoladamente, fundamento idôneo para negar o benefício da redução
da pena previsto no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 (RHC 138715/MS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 23/5/2017. Info
866). STF. 2ª T. RHC 138715/MS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 23/5/2017 (Info 866). Obs: o tema acima não deveria ser
cobrado em uma prova objetiva, mas caso seja perguntado, penso que a 2ª corrente é majoritária.
O condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos e não exceda a 8 anos, tem o direito de cumprir a pena
corporal em regime semiaberto (art. 33, § 2°, b, do CP), caso as circunstâncias judiciais do art. 59 lhe forem favoráveis. Obs:
não importa que a condenação tenha sido por tráfico de drogas. A imposição de regime de cumprimento de pena mais
gravoso deve ser fundamentada, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente,
aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima (art. 33, § 3°, do CP) A
gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para justificar a fixação do regime mais gravoso. STF. 2ª
Turma. HC 140441/MG, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 28/3/2017 (Info 859).
Se o agente vende a droga nas imediações de um presídio, mas o comprador não era um dos detentos nem qualquer pessoa
que estava frequentando o presídio, ainda assim deverá incidir a causa de aumento do art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006?
SIM. A aplicação da causa de aumento prevista no art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006 se justifica quando constatada a
comercialização de drogas nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais, sendo irrelevante se o agente
infrator visa ou não aos frequentadores daquele local. Assim, se o tráfico de drogas ocorrer nas imediações de um
estabelecimento prisional, incidirá a causa de aumento, não importando quem seja o comprador do entorpecente. STF. 2ª
Turma. HC 138944/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/3/2017 (Info 858).
O chamado "tráfico privilegiado", previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas), não deve ser
considerado crime equiparado a hediondo. STF. Plenário. HC 118533/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, 23/6/2016 (Info 831).
Se o réu, não reincidente, for condenado, por tráfico de drogas, a pena de até 4 anos, e se as circunstâncias judiciais do art.
59 do CP forem positivas (favoráveis), o juiz deverá fixar o regime aberto e deverá conceder a substituição da pena privativa
de liberdade por restritiva de direitos, preenchidos os requisitos do art. 44 do CP. A gravidade em abstrato do crime não
constitui motivação idônea para justificar a fixação do regime mais gravoso. STF. 1ª Turma. HC 130411/SP, rel. orig. Min.
Rosa Weber, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 12/4/2016 (Info 821).
É legítima a fixação de regime inicial semiaberto, tendo em conta a quantidade e a natureza do entorpecente, na hipótese
em que ao condenado por tráfico de entorpecentes tenha sido aplicada pena inferior a 4 anos de reclusão. A valoração
negativa da quantidade e da natureza da droga representa fator suficiente para a fixação de regime inicial mais gravoso.
STF. 2ª Turma. HC 133308/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 29/3/2016 (Info 819).
O grau de pureza da droga é irrelevante para fins de dosimetria da pena. De acordo com a Lei nº 11.343/2006,
preponderam apenas a natureza e a quantidade da droga apreendida para o cálculo da dosimetria da pena. STF. 2ª Turma.
HC 132909/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 15/3/2016 (Info 818).
ESTATUTO DO DESARMAMENTO
A Lei nº 13.060/2014, que disciplina o uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de segurança
pública, é constitucional, tanto sob o aspecto formal como material. STF. Plenário. ADI 5243/DF, rel. orig. Min. Alexandre de
Moraes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 11/4/2019 (Info 937).
A posse (art. 12 da Lei nº 10.826/2003) ou o porte (art. 14) de arma de fogo configura crime mesmo que ela esteja
desmuniciada. Da mesma forma, a posse ou o porte apenas da munição (ou seja, desacompanhada da arma) configura
crime. Isso porque tal conduta consiste em crime de perigo abstrato, para cuja caracterização não importa o resultado
concreto da ação. STF. 1ª Turma. HC 131771/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/10/2016 (Info 844).
É atípica a conduta daquele que porta, na forma de pingente, munição desacompanhada de arma. STF. 2ª Turma. HC
133984/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 17/5/2016 (Info 826). Obs: vale ressaltar que, em regra, a jurisprudência
não aplica o princípio da insignificância aos crimes de posse ou porte de arma ou munição.
CTB

Patrícia Reinert Lang


A regra que prevê o crime do art. 305 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é constitucional, posto não infirmar o princípio
da não incriminação, garantido o direito ao silêncio e ressalvadas as hipóteses de exclusão da tipicidade e da antijuridicidade.
STF. Plenário. RE 971.959/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/11/2018 (repercussão geral) (Info 923).
CRIMES HEDIONDOS
A causa de aumento prevista no art. 9º da Lei de Crimes Hediondos foi tacitamente revogada pela Lei nº 12.015/2009,
considerando que esta Lei revogou o art. 224 do CP, que era mencionado pelo referido art. 9º. Se um indivíduo foi
condenado, antes da Lei nº 12.015/2009, pela prática de estupro contra menor de 14 anos com a incidência da causa de
aumento do art. 9º da Lei de Crimes Hediondos, esta majorante deverá ser retirada de sua condenação por força da novatio
legis in mellius (art. 2º, parágrafo único, do CP). Diante da revogação do art. 224 do CP pela Lei nº 12.015/2009, ainda que
o fato delituoso seja anterior a esta alteração, é o caso de se decotar da pena do condenado o acréscimo baseado no art. 9º
da Lei nº 8.072/90. STF. Plenário. HC 100181/RS, p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 15/8/2019 (Info 947).
Os crimes de estupro e atentado violento ao pudor, mesmo que cometidos antes da edição da Lei nº 12.015/09, são
considerados hediondos, ainda que praticados na forma simples, sendo irrelevante que a prática de qualquer deles tenha
causado, ou não, lesões corporais de natureza grave ou morte. STF. 1ª T. HC 100612/SP, Rel. Barroso, 16/8/2016 (Info 835).
PRESCRIÇÃO
Se o Ministério Público não recorreu contra a sentença condenatória, tendo havido apenas recurso da defesa, qual deverá
ser o termo inicial da prescrição da pretensão executiva? O início do prazo da prescrição executória deve ser o momento
em que ocorre o trânsito em julgado para o MP? Ou o início do prazo deverá ser o instante em que se dá o trânsito em
julgado para ambas as partes, ou seja, tanto para a acusação como para a defesa? • Posicionamento pacífico do STJ: o termo
inicial da prescrição da pretensão executória é a data do trânsito em julgado da sentença condenatória para a acusação,
ainda que a defesa tenha recorrido e que se esteja aguardando o julgamento desse recurso. Aplica-se a interpretação literal
do art. 112, I, do CP, considerando que ela é mais benéfica ao condenado. • Entendimento da 1ª Turma do STF: o início da
contagem do prazo de prescrição somente se dá quando a pretensão executória pode ser exercida. Se o Estado não pode
executar a pena, não se pode dizer que o prazo prescricional já está correndo. Assim, mesmo que tenha havido trânsito
em julgado para a acusação, se o Estado ainda não pode executar a pena (ex: está pendente uma apelação da defesa), não
teve ainda início a contagem do prazo para a prescrição executória. É preciso fazer uma interpretação sistemática do art.
112, I, do CP. Vale ressaltar que, com o novo entendimento do STF admitindo a execução provisória da pena, para essa
segunda corrente o termo inicial da prescrição executória será a data do julgamento do processo em 2ª instância. Isso
porque se estiver pendente apenas recurso especial ou extraordinário, será possível a execução provisória da pena. Logo,
já poderia ser iniciada a contagem do prazo prescricional. STF. 1ª T. RE 696533/SC, rel. ac. Min. Barroso, 6/2/2018 (Info 890).
Para que incida a redução do prazo prescricional prevista no art. 115 do CP, é necessário que, no momento da sentença, o
condenado possua mais de 70 anos. Se ele só completou a idade após a sentença, não terá direito ao benefício, mesmo que
isso tenha ocorrido antes do julgamento de apelação interposta contra a sentença. Existe, no entanto, uma situação em que
o condenado será beneficiado pela redução do art. 115 do CP mesmo tendo completado 70 anos após a sentença: isso
ocorre quando o condenado opõe embargos de declaração contra o acórdão condenatório e esses embargos são
conhecidos. Nesse caso, o prazo prescricional será reduzido pela metade se o réu completar 70 anos até a data do
julgamento dos embargos. Nesse sentido: STF. Plenário. AP 516 ED/DF, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o acórdão Min.
Luiz Fux, julgado em 5/12/2013 (Info 731). STF. 2ª Turma. HC 129696/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, j. em 19/4/2016 (Info 822).
DOSIMETRIA DA PENA
Determinado réu foi condenado por furto qualificado por rompimento de obstáculo (art. 155, § 4º, I, do CP). O STF
considerou incorreta a sentença do juiz que, na 1ª fase da dosimetria da pena, aumentou a pena-base com fundamento em
três argumentos: a) Culpabilidade. O magistrado afirmou que era patente a culpabilidade do réu considerando que ele tinha
plena consciência da ilicitude de seu ato. O juiz confundiu os conceitos. Para fins de dosimetria da pena, culpabilidade
consiste na reprovação social que o crime e o autor do fato merecem. Essa culpabilidade de que trata o art. 59 do CP não
tem nada a ver com a culpabilidade como requisito do crime (imputabilidade, potencial consciência da ilicitude do fato e
inexigibilidade de conduta diversa). b) Antecedentes. O juiz aumentou a pena pelo fato de o agente já responder a quatro
outros processos criminais. A jurisprudência entende que, em face do princípio da presunção de não culpabilidade, os
inquéritos policiais e ações penais em curso não podem ser considerados maus antecedentes (Súmula 444-STJ e STF RE
591054/SC). c) Circunstâncias do crime. O julgador considerou que as circunstâncias do crime eram negativas porque o crime
foi praticado com rompimento de obstáculo à subtração da coisa. Aqui, o erro do magistrado foi utilizar como circunstância
judicial (1ª fase da dosimetria) um elemento que ele já considerou como qualificadora (inciso I do § 4º do art. 155). Houve,
portanto, bis in idem (dupla punição pelo mesmo fato). STF. 2ª T. HC 122940/PI, Rel. Min. G. Mendes, 13/12/2016 (Info 851).
Os elevados custos da atuação estatal para apuração da conduta criminosa e o enriquecimento ilícito obtido pelo agente
não constituem motivação idônea para a valoração negativa do vetor "consequências do crime" na 1ª fase da dosimetria da
pena. Em outras palavras, o fato de o Estado ter gasto muitos recursos para investigar os crimes (no caso, era uma grande

Patrícia Reinert Lang


operação policial) e de o réu ter obtido enriquecimento ilícito com as práticas delituosas não servem como motivo para
aumentar a pena-base. STF. 2ª Turma. HC 134193/GO, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/10/2016 (Info 845).
É legítima a utilização da condição pessoal de policial civil como circunstância judicial desfavorável para fins de
exasperação da pena-base aplicada a acusado pela prática do crime de concussão. Aquele que está investido de parcela
de autoridade pública — como é o caso de um juiz, um membro do Ministério Público ou uma autoridade policial — deve
ser avaliado, no desempenho da sua função, com maior rigor do que as demais pessoas não ocupantes de tais cargos. STF.
1ª Turma. HC 132990/PE, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 16/8/2016 (Info 835).
A circunstância judicial "conduta social", prevista no art. 59 do Código Penal, representa o comportamento do agente no
meio familiar, no ambiente de trabalho e no relacionamento com outros indivíduos. Os antecedentes sociais do réu não se
confundem com os seus antecedentes criminais. São circunstâncias distintas, com regramentos próprios. Assim, não se
mostra correto o magistrado utilizar as condenações anteriores transitadas em julgado como "conduta social desfavorável".
STF. 2ª Turma. RHC 130132, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 10/5/2016 (Info 825).
FIXAÇÃO DE REGIME
João, reincidente, foi condenado a uma pena de 1 ano e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática do
crime de furto simples (art. 155, caput, do CP). A defesa postulou a aplicação do regime aberto com base no princípio da
insignificância, considerado o objeto furtado ter sido apenas uma garrafa de licor. O STF decidiu impor o regime semiaberto.
Entendeu-se que, de um lado, o regime fechado deve ser afastado. Por outro, não se pode conferir o regime aberto para
um condenado reincidente, uma vez que isso poderia se tornar um incentivo à criminalidade, ainda mais em cidades
menores, onde o furto é, via de regra, perpetrado no mesmo estabelecimento. A reincidência delitiva do paciente, que
praticou o quinto furto em pequeno município, eleva a gravidade subjetiva de sua conduta. STF. 1ª Turma. HC 136385/SC,
Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 7/8/2018 (Info 910).
Se todas as circunstâncias judiciais são favoráveis, de forma que a pena-base foi fixada no mínimo legal, então, neste caso,
não cabe a imposição de regime inicial mais gravoso. STF. 2ª Turma. RHC 131133/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, 10/10/2017 (Info
844). Obs: Súmula 440-STJ: Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais
gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito.
CONTINUIDADE DELITIVA
Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto. Isso porque, os
referidos crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de espécies diversas. STJ. 5ª Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min.
Ribeiro Dantas, julgado em 24/05/2018. STF. 1ª T. HC 114667/SP, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, 24/4/2018 (Info 899).
Não há como reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de roubo e o de latrocínio porquanto são delitos de espécies
diversas, já que tutelam bens jurídicos diferentes. STJ. 5ª T. AgInt no AREsp 908.786/PB, Rel. Min. Felix Fischer, 06/12/2016.
CRIMES CONTRA A HONRA
A esposa tem legitimidade para propor queixa-crime contra autor de mensagem que insinua que o seu marido tem uma
relação extraconjugal com outro homem. Se alguém alega que um indivíduo casado mantém relação homossexual
extraconjugal com outro homem, a esposa deste indivíduo tem legitimidade para ajuizar queixa-crime por injúria, alegando
que também é ofendida. Caso concreto: Roberto insinuou que Weverton teria um relacionamento homossexual
extraconjugal com outro homem. A mulher de Weverton tem legitimidade para ajuizar queixa-crime contra Roberto pela
prática do crime de injúria. STF. 1ª Turma. Pet 7417 AgR/DF, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, j. 9/10/2018 (Info 919)
Configura, em tese, difamação a conduta do agente que publica vídeo de um discurso no qual a frase completa do orador é
editada, transmitindo a falsa ideia de que ele estava falando mal de negros e pobres. A edição de um vídeo ou áudio tem
como objetivo guiar o espectador e, quando feita com o objetivo de difamar a honra de uma pessoa, configura dolo da
prática criminosa. Vale ressaltar que esta conduta do agente, ainda que praticada por Deputado Federal, não estará
protegida pela imunidade parlamentar. STF. 1ª Turma. Pet 5705/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 5/9/2017 (Info 876).
CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL
No caso de crimes contra a liberdade sexual (arts. 213 a 216-A) e crimes sexuais contra vulnerável (arts. 217-A a 218-B), se
o autor do delito for ascendente da vítima, a pena deverá ser aumentada de metade (art. 226, II, do CP). O bisavô está
incluído dentro dessa expressão “ascendente”. O bisavô está no terceiro grau da linha reta e não há nenhuma regra de
limitação quanto ao número de gerações. STF. 2ª Turma. RHC 138717/PR, Rel. Min. Lewandowski, j. 23/5/2017 (Info 866).
ABORTO
A interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação provocada pela própria gestante (art. 124) ou com o seu
consentimento (art. 126) não é crime. É preciso conferir interpretação conforme a Constituição aos arts. 124 a 126 do Código
Penal – que tipificam o crime de aborto – para excluir do seu âmbito de incidência a interrupção voluntária da gestação
efetivada no primeiro trimestre. A criminalização, nessa hipótese, viola diversos direitos fundamentais da mulher, bem
como o princípio da proporcionalidade. STF. 1ª Turma. HC 124306/RJ, red. p/ o ac. Min. Barroso, j. 29/11/2016 (Info 849).
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
Patrícia Reinert Lang
A reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a insignificância penal da conduta, à luz dos elementos
do caso concreto. No entanto, com base no caso concreto, o juiz pode entender que a absolvição com base nesse princípio
é penal ou socialmente indesejável. Nesta hipótese, o magistrado condena o réu, mas utiliza a circunstância de o bem
furtado ser insignificante para fins de fixar o regime inicial aberto. Desse modo, o juiz não absolve o réu, mas utiliza a
insignificância para criar uma exceção jurisprudencial à regra do art. 33, § 2º, “c”, do CP, com base no princípio da
proporcionalidade STF. 1ª Turma. HC 135164/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado
em 23/4/2019 (Info 938).
Em regra, o reconhecimento do princípio da insignificância gera a absolvição do réu pela atipicidade material. Em outras
palavras, o agente não responde por nada. Em um caso concreto, contudo, o STF reconheceu o princípio da insignificância,
mas, como o réu era reincidente, em vez de absolvê-lo, o Tribunal utilizou esse reconhecimento para conceder a
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, afastando o óbice do art. 44, II, do CP: Art. 44. As
penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: (...) II – o réu não for reincidente
em crime doloso; Situação concreta: Antônio foi denunciado por tentar furtar quatro frascos de xampu de um
supermercado, bens avaliados em R$ 31,20. O réu foi condenado pelo art. 155 c/c art. 14, II, do CP a uma pena de 8 meses
de reclusão. Foi aplicado o regime inicial semiaberto e negada a substituição por pena restritiva de direitos em virtude de
ele ser reincidente (já possuía uma condenação anterior por furto), atraindo a vedação do art. 44, II, do CP. Em razão da
reincidência, o STF entendeu que não era o caso de absolver o condenado, mas, em compensação, determinou que a pena
privativa de liberdade fosse substituída por restritiva de direitos, afastando a proibição do art. 44, II, do CP. STF. 1ª Turma.
HC 137217/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 28/8/2018 (Info 913).
Em regra, a habitualidade delitiva específica (ou seja, o fato de o réu já responder a outra ação penal pelo mesmo delito) é
um parâmetro (critério) que afasta o princípio da insignificância mesmo em se tratando de bem de reduzido valor.
Excepcionalmente, no entanto, as peculiaridades do caso concreto podem justificar o afastamento dessa regra e a
aplicação do princípio, com base na ideia da proporcionalidade. É o caso, por exemplo, do furto de um galo, quatro galinhas
caipiras, uma galinha garnizé e três quilos de feijão, bens avaliados em pouco mais de cem reais. O valor dos bens é
inexpressivo e não houve emprego de violência. Enfim, é caso de mínima ofensividade, ausência de periculosidade social,
reduzido grau de reprovabilidade e inexpressividade da lesão jurídica. Mesmo que conste em desfavor do réu outra ação
penal instaurada por igual conduta, ainda em trâmite, a hipótese é de típico crime famélico. A excepcionalidade também se
justifica por se tratar de hipossuficiente. Não é razoável que o Direito Penal e todo o aparelho do Estado-polícia e do Estado-
juiz movimente-se no sentido de atribuir relevância a estas situações. STF. 2ª Turma. HC 141440 AgR/MG, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 14/8/2018 (Info 911).
Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso de crimes tributários e descaminho? 20 mil reais (tanto para o STF
como para o STJ) Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho quando o débito
tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n.
10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção.
REsp 1.709.029/MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo). STF. 1ª Turma. HC 127173,
Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ Acórdão: Min. Roberto Barroso, julgado em 21/03/2017. Cuidado. Neste informativo 897, a
1ª Turma do STF afirmou que esse parâmetro de 20 mil reais não poderia produzir efeitos penais em virtude do princípio da
independência das instâncias: Asseverou que a lei que disciplina o executivo fiscal não repercute no campo penal. Tal
entendimento, com maior razão, deve ser adotado em relação à portaria do Ministério da Fazenda. STF. 1ª Turma. HC
128063, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/4/2018 (Info 897). Este precedente, contudo, não é a posição majoritária,
não sendo recomendável a sua adoção em provas.
O réu que disponibiliza provedor de internet sem fio pratica atividade clandestina de telecomunicação (art. 183 da Lei nº
9.472/97), de modo que a tipicidade da conduta está presente, devendo ser afastada a aplicação do princípio da
insignificância mesmo que, no caso concreto, a potência fosse inferior a 25 watts, o que é considerado baixa potência, nos
termos do art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.612/98. STF. 1ª Turma. HC 118400/RO, Rel. Min. M. Aurélio, j, em 04/10/2016 (Info 842).
É possível aplicar o princípio da insignificância para a conduta de manter rádio comunitária clandestina? STJ: NÃO. É
inaplicável o princípio da insignificância ao delito previsto no art. 183 da Lei nº 9.472/97, nas hipóteses de exploração
irregular ou clandestina de rádio comunitária, mesmo que ela seja de baixa potência, uma vez que se trata de delito formal
de perigo abstrato, que dispensa a comprovação de qualquer dano (resultado) ou do perigo, presumindo-se este
absolutamente pela lei. Nesse sentido: STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 740.434/BA, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro,
julgado em 14/02/2017. STF: SIM, é possível, em situações excepcionais, o reconhecimento do princípio da insignificância
desde que a rádio clandestina opere em baixa frequência, em localidades afastadas dos grandes centros e em situações
nas quais ficou demonstrada a inexistência de lesividade. STF. 2ª Turma. HC 138134/BA, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 7/2/2017 (Info 853).
LAVAGEM DE DINHEIRO

Patrícia Reinert Lang


Eduardo Cunha foi condenado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, por ter solicitado
e recebido dinheiro de uma empresa privada para interferir em um contrato com a Petrobrás. A propina teria sido acertada
entre o indivíduo chamado “IC”, proprietário da empresa beneficiada, e “JL”, ex-Diretor Internacional da Petrobrás. O
pagamento foi realizado mediante transferências para contas secretas no exterior. O STF entendeu que não se podia
reconhecer a consunção entre a corrupção passiva e a lavagem, considerando que não houve simples pagamento da propina
para interposta pessoa, mas sim pagamento mediante utilização de contas secretas no exterior em nome de uma offshore,
de um lado, e de um trust, de outro, e da realização de transação por meio da qual a propina foi depositada e ocultada em
local seguro. Logo, ficou demonstrada da autonomia entre os delitos. STF. 2ª Turma. HC 165036/PR, Rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 9/4/2019 (Info 937)
Simples fato de ter recebido a propina em espécie não configura lavagem de dinheiro: O mero recebimento de valores em
dinheiro não tipifica o delito de lavagem, seja quando recebido pelo próprio agente público, seja quando recebido por
interposta pessoa. STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904). Recebimento de
propina em depósitos bancários fracionados pode configurar lavagem: Pratica lavagem de dinheiro o sujeito que recebe
propina por meio de depósitos bancários fracionados, em valores que não atingem os limites estabelecidos pelas
autoridades monetárias à comunicação compulsória dessas operações. Ex: suponhamos que, na época, a autoridade
bancária dizia que todo depósito acima de R$ 20 mil deveria ser comunicado ao COAF; diante disso, um Deputado recebia
depósitos periódicos de R$ 19 mil para burlar essa regra. Para o STF, isso configura o crime de lavagem. Trata-se de uma
forma de ocultação da origem e da localização da vantagem pecuniária recebida pela prática do crime antecedente. STF. 2ª
Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904).
Pratica o crime de lavagem de dinheiro o Deputado Federal que encobre (oculta) o dinheiro recebido decorrente de
corrupção passiva, utilizando-se, para tanto, de contas bancárias e fundos de investimentos situados na Ilha de Jersey,
abertos em nome de empresas “offshores”, com o objetivo de encobrir a verdadeira origem, natureza e propriedade dos
referidos aportes financeiros. STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866).
O delito de lavagem de bens, direitos ou valores (“lavagem de dinheiro”), previsto no art. 1º da Lei nº 9.613/98, quando
praticado na modalidade de ocultação, tem natureza de crime permanente. A característica básica dos delitos permanentes
está na circunstância de que a execução desses crimes não se dá em um momento definido e específico, mas em um alongar
temporal. Quem oculta e mantém oculto algo, prolonga a ação até que o fato se torne conhecido. Assim, o prazo
prescricional somente tem início quando as autoridades tomam conhecimento da conduta do agente. STF. 1ª Turma. AP
863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866).
Na primeira fase da dosimetria em caso de condenação por lavagem de dinheiro, o órgão julgador poderá aumentar a pena-
base do Deputado Federal que exerce mandato há muitos anos, sob o argumento de que sua culpabilidade é mais intensa.
A transgressão da lei por parte de quem usualmente é depositário da confiança popular para o exercício do poder enseja
juízo de reprovação muito mais intenso do que seria cabível em se tratando de um cidadão comum. STF. 1ª Turma. AP
863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866)
Se um Deputado Federal que exerce mandato há muitos anos é condenado, o órgão julgador poderá aumentar a pena-
base atribuindo destaque negativo para a “reprovabilidade”. A circunstância de o réu ser homem de longa vida pública,
acostumado com regras jurídicas, enseja uma maior reprovabilidade em sua conduta considerando a sua capacidade
acentuada de conhecer e compreender a necessidade de observar as normas. STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866)
A pena-base pode ser aumentada, no que tange às “circunstâncias do crime”, se a lavagem de dinheiro ocorreu num
contexto de múltiplas transações financeiras e de múltipla transnacionalidade, o que interfere na ordem jurídica de mais
de um Estado soberano. STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866).
Se a lavagem de dinheiro envolveu valores vultosos, a pena-base poderá ser aumentada (“consequências do crime”) tendo
em vista que, neste caso, considera-se que o delito violou o bem jurídico tutelado de forma muito mais intensa do que o
usual. STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866).
LEI DE SEGURANÇA NACIONAL
O agente que é preso com duas granadas de uso exclusivo do Exército que seriam utilizadas para roubar um banco não
pratica crime do art. 12 da Lei nº 7.170/83. Isso porque não há, no presente caso, a motivação política, que consiste no "dolo
específico" (elemento subjetivo especial do tipo) exigido para a configuração dos crimes de que trata a Lei de Segurança
Nacional. Se o sujeito praticar uma conduta semelhante a esta, em tese, ele deverá responder pelo crime do art. 16 do
Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003). STF. Plenário. RC 1472/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 25/5/2016 (Info 827).
CONFISCO DE BENS
É possível o confisco de todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico de drogas, sem a
necessidade de se perquirir a habitualidade, reiteração do uso do bem para tal finalidade, a sua modificação para dificultar
a descoberta do local do acondicionamento da droga ou qualquer outro requisito além daqueles previstos expressamente
no art. 243, parágrafo único, da CF. STF. Plenário. RE 638491/PR, Rel. Min. Fux, 17/5/2017 (repercussão geral) (Info 865).

Patrícia Reinert Lang


RACISMO
1. Até que sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional destinada a implementar os mandados de criminalização
definidos nos incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição da República, as condutas homofóbicas e transfóbicas, reais ou
supostas, que envolvem aversão odiosa à orientação sexual ou à identidade de gênero de alguém, por traduzirem
expressões de racismo, compreendido este em sua dimensão social, ajustam-se, por identidade de razão e mediante
adequação típica, aos preceitos primários de incriminação definidos na Lei nº 7.716, de 08.01.1989, constituindo, também,
na hipótese de homicídio doloso, circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe (Código Penal, art. 121, § 2º, I,
“in fine”); 2. A repressão penal à prática da homotransfobia não alcança nem restringe ou limita o exercício da liberdade
religiosa, qualquer que seja a denominação confessional professada, a cujos fiéis e ministros (sacerdotes, pastores, rabinos,
mulás ou clérigos muçulmanos e líderes ou celebrantes das religiões afro-brasileiras, entre outros) é assegurado o direito
de pregar e de divulgar, livremente, pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, o seu pensamento e de externar
suas convicções de acordo com o que se contiver em seus livros e códigos sagrados, bem assim o de ensinar segundo sua
orientação doutrinária e/ou teológica, podendo buscar e conquistar prosélitos e praticar os atos de culto e respectiva
liturgia, independentemente do espaço, público ou privado, de sua atuação individual ou coletiva, desde que tais
manifestações não configurem discurso de ódio, assim entendidas aquelas exteriorizações que incitem a discriminação, a
hostilidade ou a violência contra pessoas em razão de sua orientação sexual ou de sua identidade de gênero; 3. O conceito
de racismo, compreendido em sua dimensão social, projeta-se para além de aspectos estritamente biológicos ou
fenotípicos, pois resulta, enquanto manifestação de poder, de uma construção de índole histórico-cultural motivada pelo
objetivo de justificar a desigualdade e destinada ao controle ideológico, à dominação política, à subjugação social e à
negação da alteridade, da dignidade e da humanidade daqueles que, por integrarem grupo vulnerável (LGBTI+) e por não
pertencerem ao estamento que detém posição de hegemonia em uma dada estrutura social, são considerados estranhos e
diferentes, degradados à condição de marginais do ordenamento jurídico, expostos, em consequência de odiosa
inferiorização e de perversa estigmatização, a uma injusta e lesiva situação de exclusão do sistema geral de proteção do
direito. STF. Plenário. ADO 26/DF, Rel. Min. Celso de Mello; MI 4733/DF, Rel. Min. Edson Fachin, 13/6/2019 (Info 944).
O então Deputado Federal Jair Bolsonaro proferiu palestra no auditório de determinado clube e ali fez críticas e comentários
negativos a respeito dos quilombolas e também de povos estrangeiros. No trecho mais questionado de sua palestra, ele
afirmou: “Eu fui em um quilombola em El Dourado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não
fazem nada! Eu acho que nem para procriador eles servem mais. Mais de um bilhão de reais por ano gastado com eles.
Recebem cesta básica e mais material em implementos agrícolas. Você vai em El Dourado Paulista, você compra arame
farpado, você compra enxada, pá, picareta por metade do preço vendido em outra cidade vizinha. Por que? Porque eles
revendem tudo baratinho lá. Não querem nada com nada.” O STF entendeu que a conduta de Bolsonaro não configurou o
crime de racismo (art. 20 da Lei nº 7.716/89). As palavras por ele proferidas estão dentro da liberdade de expressão prevista
no art. 5º, IV, da CF/88, além de também estarem cobertas pela imunidade parlamentar (art. 53 da CF/88). O objetivo de
seu discurso não foi o de repressão, dominação, supressão ou eliminação dos quilombolas ou dos estrangeiros. O
pronunciamento do parlamentar estava vinculado ao contexto de demarcação e proveito econômico das terras e
configuram manifestação política que não extrapola os limites da liberdade de expressão. Além disso, as manifestações de
Bolsonaro estavam relacionadas com a sua função de parlamentar. Inclusive, o convite para a palestra se deu em razão do
exercício do cargo de Deputado Federal a fim de dar a sua visão geopolítica e econômica do País. Assim, havia uma
vinculação das manifestações apresentadas na palestra com os pronunciamentos do parlamentar na Câmara dos Deputados,
de sorte que incide a imunidade parlamentar. STF. 1ª Turma. Inq 4694/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 11/9/2018 (Info 915).
A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores não está protegida pela cláusula
constitucional que assegura a liberdade de expressão. Assim, é possível, a depender do caso concreto, que um líder
religioso seja condenado pelo crime de racismo (art. 20, §2º, da Lei nº 7.716/81) por ter proferido discursos de ódio público
contra outras denominações religiosas e seus seguidores. STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli,
julgado em 6/3/2018 (Info 893). Compare com RHC 134682/BA, Rel. Min. Edson Fachin, j. em 29/11/2016 (Info 849).
Determinado padre escreveu um livro, voltado ao público da Igreja Católica, no qual ele faz críticas ao espiritismo e a
religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé. O Ministério Público da Bahia ofereceu denúncia contra ele
pela prática do art. 20, § 2º da Lei nº 7.716/89 (Lei do racismo). No caso concreto, o STF entendeu que não houve o crime.
A CF/88 garante o direito à liberdade religiosa. Um dos aspectos da liberdade religiosa é o direito que o indivíduo possui de
não apenas escolher qual religião irá seguir, mas também o de fazer proselitismo religioso. Proselitismo religioso significa
empreender esforços para convencer outras pessoas a também se converterem à sua religião. Desse modo, a prática do
proselitismo, ainda que feita por meio de comparações entre as religiões (dizendo que uma é melhor que a outra) não
configura, por si só, crime de racismo. Só haverá racismo se o discurso dessa religião supostamente superior for de
dominação, opressão, restrição de direitos ou violação da dignidade humana das pessoas integrantes dos demais grupos.
Por outro lado, se essa religião supostamente superior pregar que tem o dever de ajudar os "inferiores" para que estes
alcancem um nível mais alto de bem-estar e de salvação espiritual e, neste caso não haverá conduta criminosa. Na situação
concreta, o STF entendeu que o réu apenas fez comparações entre as religiões, procurando demonstrar que a sua deveria
Patrícia Reinert Lang
prevalecer e que não houve tentativa de subjugar os adeptos do espiritismo. Pregar um discurso de que as religiões são
desiguais e de que uma é inferior à outra não configura, por si, o elemento típico do art. 20 da Lei nº 7.716/89. Para haver
o crime, seria indispensável que tivesse ficado demonstrado o especial fim de supressão ou redução da dignidade do
diferente, elemento que confere sentido à discriminação que atua como verbo núcleo do tipo. STF. 1ª Turma. RHC
134682/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/11/2016 (Info 849).
FALSIDADE IDEOLÓGICA
Prefeito que assina documentos previdenciários com conteúdo parcialmente falso não deve ser condenado por falsidade
ideológica se não foram produzidas provas de que ele tinha ciência inequívoca do conteúdo inverídico da declaração. Neste
caso, ele deverá ser absolvido, nos termos do art. 386, III, do CPP, por ausência de dolo, o que exclui o crime. STF. 1ª Turma.
AP 931/AL, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/6/2017 (Info 868).
DESACATO
O crime de desacato é compatível com a Constituição Federal e com o Pacto de São José da Costa Rica. A figura penal do
desacato não tolhe o direito à liberdade de expressão, não retirando da cidadania o direito à livre manifestação, desde que
exercida nos limites de marcos civilizatórios bem definidos, punindo-se os excessos. STF. 2ª Turma. HC 141949/DF, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 13/3/2018 (Info 894). Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela
continua a ser crime, conforme previsto no art. 331 do Código Penal. STJ. 3ª Seção. HC 379.269-MS, Rel. Min. Reynaldo
Soares da Fonseca, Rel. para acórdão Min. Antônio Saldanha Palheiro, julgado em 24/5/2017 (Info 607).
DESCAMINHO
O descaminho é crime tributário FORMAL. Logo, para que seja proposta ação penal por descaminho não é necessária a
prévia constituição definitiva do crédito tributário. Não se aplica a Súmula Vinculante 24 do STF. O crime se consuma com
a simples conduta de iludir o Estado quanto ao pagamento dos tributos devidos quando da importação ou exportação de
mercadorias. STJ. 6ª Turma. REsp 1.343.463-BA, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/3/2014 (Info
548). STF. 2ª Turma. HC 122325, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/05/2014. É dispensada a existência de
procedimento administrativo fiscal com a posterior constituição do crédito tributário para a configuração do crime de
descaminho (art. 334 do CP), tendo em conta sua natureza formal. STF. 1ª Turma. HC 121798/BA, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 29/5/2018 (Info 904).
MULTA
O Ministério Público possui legitimidade para propor a cobrança de multa decorrente de sentença penal condenatória
transitada em julgado, com a possibilidade subsidiária de cobrança pela Fazenda Pública. Quem executa a pena de multa?
• Prioritariamente: o Ministério Público, na vara de execução penal, aplicando-se a LEP.
• Caso o MP se mantenha inerte por mais de 90 dias após ser devidamente intimado: a Fazenda Pública irá executar, na
vara de execuções fiscais, aplicando-se a Lei nº 6.830/80. STF. Plenário. ADI 3150/DF, Rel. para acórdão Min. Roberto
Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018 (Info 927). STF. Plenário. AP 470/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 12 e
13/12/2018 (Info 927). Obs: a Súmula 521-STJ fica superada e deverá ser cancelada: A legitimidade para a execução fiscal
de multa pendente de pagamento imposta em sentença condenatória é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública.
INCITAÇÃO AO CRIME
O Deputado Federal Jair Bolsonaro afirmou que a também Deputada, Maria do Rosário (PT-RS), “não merece ser estuprada
por ser muito ruim, muito feia, não faz meu gênero”. E acrescentou que, se fosse estuprador, "não iria estuprá-la porque
ela não merece". O STF entendeu que a conduta do parlamentar configura, em tese, para fins de recebimento de denúncia,
o delito do art. 286 do CP (incitação ao crime): "Art. 286. Incitar, publicamente, a prática de crime: Pena - detenção, de três
a seis meses, ou multa.". STF. 1ª Turma. Inq 3932/DF e Pet 5243/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 21/6/2016 (Info 831).
FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO
Prefeito que, ao sancionar lei aprovada pela Câmara dos Vereadores, inclui artigo que não constava originalmente no projeto
votado pratica o crime de falsificação de documento público (art. 297, § 1º do CP). No momento da dosimetria, o fato de o
réu ser Prefeito não pode ser utilizado como circunstância desfavorável para aumentar a pena-base na primeira fase e, em
seguida, ser empregado como causa de aumento do § 1º do art. 297 do CP. Se ele for utilizado duas vezes, haverá bis in
idem. Assim, essa circunstância (condição de Prefeito) deve ser considerada apenas uma vez, na terceira fase da pena, como
majorante (causa de aumento). STF. 1ª Turma. AP 971/RJ, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 28/6/2016 (Info 832).
ATIVIDADE CLANDESTINA DE TELECOMUNICAÇÕES
É possível aplicar o princípio da insignificância para a conduta de transmitir sinal de internet como provedor sem autorização
da ANATEL (art. 183 da Lei nº 9.472/97)? No STJ: é pacífico que NÃO (Súmula 606-STJ: Não se aplica o princípio da
insignificância a casos de transmissão clandestina de sinal de internet via radiofrequência, que caracteriza o fato típico
previsto no art. 183 da Lei n. 9.472/1997). No STF: prevalece que não. Assim, é inaplicável o princípio da insignificância no
crime de transmissão clandestina de sinal de internet, por configurar o delito previsto no art. 183 da Lei nº 9.472/97, que é
crime formal, e, como tal, prescinde de comprovação de prejuízo para sua consumação (STF. 1ª Turma. HC 124795 AgR, Rel.

Patrícia Reinert Lang


Min. Rosa Weber, julgado em 23/08/2019). Apesar disso, no HC 157014 AgR/SE, julgado pela 2ª Turma do STF em 17/9/2019
(Info 952), houve um empate na votação: dois Ministros entenderam que se deveria reconhecer o princípio e dois outros
negaram o HC. Quando há um empate no julgamento de um habeas corpus, prevalece a decisão mais favorável ao paciente,
conforme determina o art. 146, parágrafo único, do Regimento Interno do STF. Logo, neste caso concreto, o réu foi absolvido
por se tratar de delito de bagatela, em razão do mínimo potencial ofensivo da conduta. STF. 2ª Turma. HC 157014 AgR/SE,
rel. orig. Min. Cármen Lúcia, red. p/ o ac. Min Ricardo Lewandowski, julgado em 17/9/2019 (Info 952
A conduta de transmitir sinal de internet, via rádio, como se fosse um provedor de internet, sem autorização da ANATEL,
configura o crime do art. 183 da Lei nº 9.472/97? STJ: SIM. A transmissão clandestina de sinal de internet, via
radiofrequência, sem autorização da ANATEL, caracteriza, em tese, o delito previsto no art. 183 da Lei nº 9.472/97. Nesse
sentido: STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1077499/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, 26/09/2017. STF: NÃO. A oferta
de serviço de internet é concebida como serviço de valor adicionado e, portanto, não pode ser considerada como atividade
clandestina de telecomunicações, não caracterizando o crime do art. 183 da Lei nº 9.472/97. STF. 1ª Turma. HC 127978,
Rel. Min. Marco Aurélio, 24/10/2017 (Info 883).
DIREITO PROCESSUAL PENAL
AÇÃO PENAL
Verificado empate no julgamento de ação penal, deve prevalecer a decisão mais favorável ao réu. Esse mesmo
entendimento deve ser aplicado em caso de empate no julgamento dos embargos de declaração opostos contra o acórdão
que julgou a ação penal. Terminando o julgamento dos embargos empatado, aplica-se a decisão mais favorável ao réu. STF.
Plenário. AP 565 ED-ED/RO, Rel. Min. Cármen Lúcia, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/12/2017 (Info 888).
Não oferecida a queixa-crime contra todos os supostos autores ou partícipes da prática delituosa, há afronta ao princípio
da indivisibilidade da ação penal, a implicar renúncia tácita ao direito de querela, cuja eficácia extintiva da punibilidade
estende-se a todos quantos alegadamente hajam intervindo no cometimento da infração penal. STF. 1ª Turma. Inq 3526/DF,
Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 2/2/2016 (Info 813).
COLABORAÇÃO PREMIADA
Não existe direito líquido e certo a compelir o Ministério Público à celebração do acordo de delação premiada, diante das
características desse tipo de acordo e considerando a necessidade de distanciamento que o Estado-juiz deve manter durante
o cenário investigado e a fase de negociação entre as partes do cenário investigativo. O acordo de colaboração premiada,
além de meio de obtenção de prova, constitui-se em um negócio jurídico processual personalíssimo, cuja conveniência e
oportunidade estão submetidos à discricionariedade regrada do Ministério Público e não se submetem ao escrutínio do
Estado-juiz. Em outras palavras, trata-se de ato voluntário, insuscetível de imposição judicial. Vale ressaltar, no entanto, que
o ato do membro do Ministério Público que se nega à realização do acordo deve ser devidamente motivado. Essa recusa
pode ser objeto de controle por órgão superior no âmbito do Ministério Público (Procurador-Geral de Justiça ou Comissão
de Coordenação e Revisão), por aplicação analógica do art. 28 do CPP (art. 62, IV, da LC 75/93). Mesmo sem ter assinado o
acordo, o acusado pode colaborar fornecendo as informações e provas que possuir. Ao final, na sentença, o juiz irá analisar
esse comportamento processual e poderá conceder benefício ao acusado mesmo sem que tenha havido a prévia celebração
e homologação do acordo de colaboração premiada. Dito de outro modo, o acusado pode receber a sanção premial mesmo
sem a celebração do acordo caso o magistrado entenda que sua colaboração foi eficaz. STF. 2ª Turma. MS 35693 AgR/DF,
Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 28/5/2019 (Info 942).
É possível o compartilhamento, para outros órgãos e autoridades públicas, das provas obtidas no acordo de colaboração
premiada, desde que sejam respeitados os limites estabelecidos no acordo em relação ao colaborador. Assim, por exemplo,
se um indivíduo celebra acordo de colaboração premiada com o MP aceitando fornecer provas contra si, estas provas
somente poderão ser utilizadas para as sanções que foram ajustadas no acordo. Ainda que remetido a outros órgãos do
Poder Judiciário para apuração dos fatos delatados, o juízo que homologou o acordo de colaboração premiada continua
sendo competente para analisar os pedidos de compartilhamento dos termos de depoimentos prestados no âmbito da
colaboração. STF. 2ª T. PET 7065/DF, Rel. Min. Fachin, 30/10/2018 (Info 922).
O delegado de polícia pode formalizar acordos de colaboração premiada, na fase de inquérito policial, respeitadas as
prerrogativas do Ministério Público, o qual deverá se manifestar, sem caráter vinculante, previamente à decisão judicial.
Os §§ 2º e 6º do art. 4º da Lei nº 12.850/2013, que preveem essa possibilidade, são constitucionais e não ofendem a
titularidade da ação penal pública conferida ao MP pela CF (art. 129, I). STF. Plenário. ADI 5508/DF, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 20/6/2018 (Info 907).
Competência para homologação do acordo de colaboração premiada se o delatado tiver foro por prerrogativa de função:
Se a delação do colaborador mencionar fatos criminosos que teriam sido praticados por autoridade (ex: Governador) e que
teriam que ser julgados por foro privativo (ex: STJ), este acordo de colaboração deverá, obrigatoriamente, ser celebrado
pelo Ministério Público respectivo (PGR), com homologação pelo Tribunal competente (STJ). Assim, se os fatos delatados
tiverem que ser julgados originariamente por um Tribunal (foro por prerrogativa de função), o próprio acordo de
colaboração premiada deverá ser homologado por este respectivo Tribunal, mesmo que o delator não tenha foro
Patrícia Reinert Lang
privilegiado. A delação de autoridade com prerrogativa de foro atrai a competência do respectivo Tribunal para a respectiva
homologação e, em consequência, do órgão do Ministério Público que atua perante a Corte. Se o delator ou se o delatado
tiverem foro por prerrogativa de função, a homologação da colaboração premiada será de competência do respectivo
Tribunal. Análise da legitimidade do delatado para impugnar o acordo de colaboração premiada: Em regra, o delatado
não tem legitimidade para impugnar o acordo de colaboração premiada. Assim, em regra, a pessoa que foi delatada não
poderá impetrar um habeas corpus alegando que esse acordo possui algum vício. Isso porque se trata de negócio jurídico
personalíssimo. Esse entendimento, contudo, não se aplica em caso de homologação sem respeito à prerrogativa de foro.
Desse modo, é possível que o delatado questione o acordo se a impugnação estiver relacionada com as regras
constitucionais de prerrogativa de foro. Em outras palavras, se o delatado for uma autoridade com foro por prerrogativa de
função e, apesar disso, o acordo tiver sido homologado em 1ª instância, será permitido que ele impugne essa homologação
alegando usurpação de competência. STF. 2ª Turma. HC 151605/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. em 20/3/2018 (Info 895).
O sigilo sobre o conteúdo de colaboração premiada deve perdurar, no máximo, até o recebimento da denúncia (art. 7º, §
3º da Lei nº 12.850/2013). Esse dispositivo não traz uma regra de observância absoluta, mas sim um termo final máximo.
Para que o sigilo seja mantido até o recebimento da denúncia, deve-se demonstrar a existência de uma necessidade
concreta. Não havendo essa necessidade, deve-se garantir a publicidade do acordo. STF. 1ª Turma. Inq 4435 AgR/DF, Rel.
Min. Marco Aurélio, julgado em 12/9/2017 (Info 877).
Natureza jurídica do acordo de colaboração premiada: A colaboração premiada é um negócio jurídico processual entre o
Ministério Público e o colaborador, sendo vedada a participação do magistrado na celebração do ajuste entre as partes.
Papel do Poder Judiciário no acordo de colaboração premiada: A colaboração é um meio de obtenção de prova cuja
iniciativa não se submete à reserva de jurisdição (não exige autorização judicial), diferentemente do que ocorre nas
interceptações telefônicas ou na quebra de sigilo bancário ou fiscal. Nesse sentido, as tratativas e a celebração da avença
são mantidas exclusivamente entre o Ministério Público e o pretenso colaborador. O Poder Judiciário é convocado ao final
dos atos negociais apenas para aferir os requisitos legais de existência e validade, com a indispensável homologação.
Natureza da decisão que homologa o acordo de colaboração premiada: A decisão do magistrado que homologa o acordo
de colaboração premiada não julga o mérito da pretensão acusatória, mas apenas resolve uma questão incidente. Por isso,
esta decisão tem natureza meramente homologatória, limitando-se ao pronunciamento sobre a regularidade, legalidade e
voluntariedade do acordo (art. 4º, § 7º, da Lei nº 12.850/2013). O juiz, ao homologar o acordo de colaboração, não emite
juízo de valor a respeito das declarações eventualmente prestadas pelo colaborador à autoridade policial ou ao Ministério
Público, nem confere o signo da idoneidade a seus depoimentos posteriores. A análise se as declarações do colaborador são
verdadeiras ou se elas se confirmaram com as provas produzidas será feita apenas no momento do julgamento do processo,
ou seja, na sentença (ou acórdão), conforme previsto no § 11 do art. 4º da Lei. Na decisão homologatória, magistrado
examina se as cláusulas contratuais ofendem manifestamente o ordenamento jurídico: No ato de homologação da
colaboração premiada, não cabe ao magistrado, de forma antecipada e extemporânea, tecer juízo de valor sobre o conteúdo
das cláusulas avençadas, exceto nos casos de flagrante ofensa ao ordenamento jurídico vigente. Ex: o Relator poderá excluir
ao acordo a cláusula que limite o acesso à justiça, por violar o art. 5º, XXXV, da CF/88. Neste momento, o Relator não realiza
qualquer controle de mérito, limitando-se aos aspectos formais e legais do acordo. Em caso colaboração premiada
envolvendo investigados ou réus com foro no Tribunal, qual é o papel do Relator? É atribuição do Relator homologar,
monocraticamente, o acordo de colaboração premiada, analisando apenas a sua regularidade, legalidade e voluntariedade,
nos termos do art. 4º, § 7º da Lei nº 12.850/2013: § 7º Realizado o acordo na forma do § 6º, o respectivo termo,
acompanhado das declarações do colaborador e de cópia da investigação, será remetido ao juiz para homologação, o qual
deverá verificar sua regularidade, legalidade e voluntariedade, podendo para este fim, sigilosamente, ouvir o colaborador,
na presença de seu defensor. Não há qualquer óbice à homologação do respectivo acordo mediante decisão monocrática.
O art. 21, I e II, do RISTF confere ao Ministro Relator no STF poderes instrutórios para ordenar, de forma singular, a realização
de quaisquer meios de obtenção de provas. Em caso colaboração premiada envolvendo investigados ou réus com foro no
Tribunal, qual é o papel do órgão colegiado? Compete ao órgão colegiado, em decisão final de mérito, avaliar o
cumprimento dos termos do acordo homologado e a sua eficácia, conforme previsto no art. 4º, § 11 da Lei nº 12.850/2013:
§ 11. A sentença apreciará os termos do acordo homologado e sua eficácia. Assim, é possível que o órgão julgador, no
momento da sentença ou acórdão, ou seja, após a conclusão da instrução probatória, avalie se os termos da colaboração
foram cumpridos e se os resultados concretos foram atingidos, o que definirá a sua eficácia. Acordo de colaboração
homologado pelo Relator deve, em regra, produzir seus efeitos, salvo se presente hipótese de anulabilidade O acordo de
colaboração devidamente homologado individualmente pelo relator deve, em regra, produzir seus efeitos diante do
cumprimento dos deveres assumidos pelo colaborador. Vale ressaltar, no entanto, que o órgão colegiado detém a
possibilidade de analisar fatos supervenientes ou de conhecimento posterior que firam a legalidade do acordo, nos termos
do § 4º do art. 966do CPC/2015: § 4º Os atos de disposição de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes
do processo e homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados no curso da execução, estão sujeitos
à anulação, nos termos da lei. Direitos do colaborador somente serão assegurados se ele cumprir seus deveres: O direito
subjetivo do colaborador nasce e se perfectibiliza na exata medida em que ele cumpre seus deveres. Assim, o cumprimento
Patrícia Reinert Lang
dos deveres pelo colaborador é condição sine qua non para que ele possa gozar dos direitos decorrentes do acordo. Por isso
diz-se que o acordo homologado como regular, voluntário e legal gera vinculação condicionada ao cumprimento dos
deveres assumidos pela colaboração, salvo ilegalidade superveniente apta a justificar nulidade ou anulação do negócio
jurídico. STF. Plenário. Pet 7074/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 21, 22, 28 e 29/6/2017 (Info 870).
A colaboração premiada foi tratada com detalhes pela Lei nº 12.850/2013. No entanto, o julgado do STF envolveu fatos que
aconteceram antes da Lei nº 12.850/2013. Desse modo, o julgamento foi feito com base na colaboração premiada
disciplinada pela Lei nº 9.807/99. A Lei nº 9.807/99 prevê o instituto da colaboração premiada, assegurando ao colaborador
a redução da pena (art. 14) ou até mesmo o perdão judicial (art. 13) O réu colaborador não terá direito ao perdão judicial,
mas apenas à redução da pena, caso a sua colaboração não tenha tido grande efetividade como meio para obter provas,
considerando que as investigações policiais, em momento anterior ao da celebração do acordo, já haviam revelado os
elementos probatórios acerca do esquema criminoso integrado. STF. 1ª T. HC 129877/RJ, M. Aurélio, 18/4/2017 (Info 861).
Não existe obrigatoriedade legal absoluta de que as declarações do colaborador premiado sejam registradas em meio
audiovisual. O § 13 do art. 4º da Lei nº 12.850/2013 prevê que "sempre que possível, o registro dos atos de colaboração
será feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica similar, inclusive audiovisual,
destinados a obter maior fidelidade das informações". Desse modo, existe sim uma recomendação da Lei no sentido de que
as declarações sejam registradas em meio audiovisual, mas isso não é uma obrigação legal absoluta a ponto de gerar
nulidade pelo simples fato de o registro não ter sido feito dessa forma. STF. Plenário. Inq 4146, Teori, 22/6/2016 (Info 831)
Não viola o entendimento da SV 14-STF a decisão do juiz que nega a réu denunciado com base em um acordo de colaboração
premiada o acesso a outros termos de declarações que não digam respeito aos fatos pelos quais ele está sendo acusado,
especialmente se tais declarações ainda estão sendo investigadas, situação na qual existe previsão de sigilo, nos termos do
art. 7º da Lei nº 12.850/2013. STF. 2ª Turma. Rcl 22009 AgR/PR, rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 16/2/2016 (Info 814).
NULIDADES
A ausência de defensor, devidamente intimado, à sessão de julgamento não implica, por si só, nulidade processual. Caso
concreto: em ação penal originária que tramitava no TJ, o defensor foi intimado da sessão de julgamento, mas deixou de
comparecer e de fazer a sustentação oral; não há nulidade. Intimada a defesa para a sessão de julgamento da ação penal
originária, a ausência da sustentação oral prevista no art. 12 da Lei nº 8.038/90 não invalida a condenação. STF. 1ª Turma.
HC 165534/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 3/9/2019 (Info 950).
Não há nulidade se o advogado do réu “A” foi devidamente intimado para o interrogatório dos demais corréus (“X”, “Y”,
“Z”), mas decide não comparecer. STF. 2ª Turma. AO 2093/RN, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/9/2019 (Info 950).
O réu delatado tem o direito de apresentar suas alegações finais somente após o réu delator. Os réus colaboradores não
podem se manifestar por último (ou no mesmo prazo dos réus delatados) porque as informações trazidas por eles
possuem uma carga acusatória. O direito fundamental ao contraditório e à ampla defesa deve permear todo o processo
legal, garantindo-se sempre a possibilidade de a defesa se manifestar depois do agente acusador. Vale ressaltar que pouco
importa a qualificação jurídica do agente acusador: Ministério Público ou corréu colaborador. Se é um “agente acusador”,
a defesa deve falar depois dele. Ao se permitir que os réus colaboradores falem por último (ou simultaneamente com os
réus delatados), há uma inversão processual que ocasiona sério prejuízo ao delatado, tendo em vista que ele não terá
oportunidade de repelir os argumentos eventualmente incriminatórios trazidos pelo réu delator ou para reforçar os
favoráveis à sua defesa. Permitir o oferecimento de memoriais escritos de réus colaboradores, de forma simultânea ou
depois da defesa — sobretudo no caso de utilização desse meio de prova para prolação da condenação —, compromete o
pleno exercício do contraditório, que pressupõe o direito de a defesa falar por último, a fim de poder reagir às manifestações
acusatórias. STF. 2ª Turma. HC 157627 AgR/PR, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 27/8/2019 (Info 949).
É nula a “entrevista” realizada pela autoridade policial com o investigado, durante a busca e apreensão em sua residência,
sem que tenha sido assegurado ao investigado o direito à prévia consulta a seu advogado e sem que ele tenha sido
comunicado sobre seu direito ao silêncio e de não produzir provas contra si mesmo. Trata-se de um “interrogatório
travestido de entrevista”, havendo violação do direito ao silêncio e à não autoincriminação. STF. 2ª Turma. Rcl 33711/SP,
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/6/2019 (Info 944)
A participação de magistrado em julgamento de caso em que seu pai já havia atuado é causa de nulidade absoluta, prevista
no art. 252, I, do CPP. STF. 2ª Turma. HC 136015/MG, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 14/5/2019 (Info 940).
Não há nulidade se o réu possui mais de um advogado constituído nos autos e a intimação para a sessão de julgamento
ocorre em nome de apenas um dos causídicos que, no entanto, já havia falecido, mas cuja morte não tinha sido
comunicada ao Tribunal. Vale ressaltar que, neste caso, não havia pedido da defesa para que todos os advogados fossem
intimados ou para que constasse o nome de um causídico em específico nas publicações. Assim, estando o réu representado
por mais de um advogado, basta, em regra, que a intimação seja realizada em nome de um deles para a validade dos atos
processuais, salvo quando houver requerimento expresso para que as publicações sejam feitas de forma diversa. STJ. 5ª
Turma. HC 270.534/SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 07/03/2017. STF. 1ª Turma. HC 138097/SP, Rel. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 23/10/2018 (Info 921). Cumpre esclarecer, no entanto, que, se, no

Patrícia Reinert Lang


processo estivesse atuando apenas um advogado, neste caso, haveria nulidade: A intimação do julgamento da apelação
em nome do advogado falecido do réu, único causídico constituído nos autos, configura cerceamento de defesa apto a
ensejar a nulidade absoluta, já que impossibilitou a interposição de recurso pela defesa. STJ. 5ª Turma. HC 307.461/CE,
Rel. Min. J. Paciornik, julgado em 14/08/2018. STJ. 6ª Turma. HC 301.274/CE, Rel. Min. A. Palheiro, julgado em 23/10/2018.
Não viola o Princípio do Promotor Natural se o Promotor de Justiça que atua na vara criminal comum oferece denúncia
contra o acusado na vara do Tribunal do Júri e o Promotor que funciona neste juízo especializado segue com a ação penal,
participando dos atos do processo até a pronúncia. No caso concreto, em um primeiro momento, entendeu-se que a
conduta não seria crime doloso contra a vida, razão pela qual os autos foram remetidos ao Promotor da vara comum. No
entanto, mais para frente comprovou-se que, na verdade, tratava-se sim de crime doloso. Com isso, o Promotor que estava
no exercício ofereceu a denúncia e remeteu a ação imediatamente ao Promotor do Júri, que poderia, a qualquer momento,
não a ratificar. Configurou-se uma ratificação implícita da denúncia. Não houve designação arbitrária ou quebra de
autonomia. STF. 1ª Turma. HC 114093/PR, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 3/10/2017 (Info 880).
Neste julgado, podemos destacar quatro importantes conclusões: I – O prefeito detém prerrogativa de foro,
constitucionalmente estabelecida. Desse modo, os procedimentos de natureza criminal contra ele instaurados devem
tramitar perante o Tribunal de Justiça (art. 29, X, da CF/88). Isso significa dizer que as investigações criminais contra o
Prefeito devem ser feitas com o controle (supervisão) jurisdicional da autoridade competente (no caso, o TJ). II – Deve ser
rejeitada, por ausência de justa causa, a denúncia que, ao arrepio da legalidade, baseia-se em supostas declarações, colhidas
em âmbito estritamente privado, sem acompanhamento de qualquer autoridade pública (autoridade policial, membro do
Ministério Público) habilitada a conferir-lhes fé pública e mínima confiabilidade. III – A denúncia contra Prefeito por crime
ocorrido em licitação municipal deve indicar, ao menos minimamente, que o acusado tenha tido participação ou
conhecimento dos fatos supostamente ilícitos. O Prefeito não pode ser incluído entre os acusados unicamente em razão
da função pública que ocupa, sob pena de violação à responsabilidade penal subjetiva, na qual não se admite a
responsabilidade presumida. IV – Se o réu é denunciado por crime previsto no art. 1º do DL 201/67 em concurso com outro
delito cujo rito segue o CPP, ex: art. 312 do CP, art. 90 da Lei nº 8.666/93, o magistrado ou Tribunal, antes de receber a
denúncia, deverá dar oportunidade para que o denunciado ofereça defesa prévia. Não pode a defesa prévia ser concedida
apenas para a imputação referente ao art. 1º do DL 201/67. A defesa prévia antes do recebimento da denúncia é prevista
no art. 2º, I, do DL 201/67, que é considerado procedimento especial e, portanto, prevalece sobre o comum. STF. 1ª Turma.
AP 912/PB, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 7/3/2017 (Info 856).
Não há que se falar em nulidade do julgamento da apelação interposta pelo Ministério Público se a defesa, regularmente
intimada para a apresentação de contrarrazões, permanece inerte. Em outras palavras, a ausência de contrarrazões à
apelação do MP não é causa de nulidade por cerceamento de defesa se o defensor constituído pelo réu foi devidamente
intimado para apresentá-las, mas não o fez. STF. 1ª Turma. RHC 133121/DF, red. p/o ac Min. Fachin, 30/8/2016 (Info 837).
Juiz negou pedido da Defensoria Pública para adiar audiência de instrução considerando que, naquela data, o Defensor
Público que fazia a assistência jurídica do réu já possuía audiência marcada em outra comarca. O magistrado, diante da
ausência do Defensor, designou defensor dativo para acompanhar o réu na audiência. O STF entendeu que não houve
violação aos princípios da ampla defesa e do "Defensor Público natural" considerando que: a) o inciso VI do art. 4º da LC
80/94 não garante exclusividade à Defensoria para atuar nas causas em que figure pessoa carente; b) o indeferimento do
pedido da defesa não causou prejuízo ao réu, já que o defensor dativo teve entrevista prévia reservada com o acusado e
formulou perguntas na audiência, participando ativamente do ato processual; c) a impossibilidade de a Defensoria atuar na
comarca não acarreta direito à redesignação dos atos processuais designados. STF. 2ª Turma. HC 123494/ES, Rel. Min. Teori
Zavascki, julgado em 16/2/2016 (Info 814)
Determinada pessoa foi convocada a depor na condição de testemunha. Antes de iniciar o depoimento, ela assinou termo
no qual assumiu o compromisso de dizer a verdade. O termo dizia que "a depoente se compromete a dizer a verdade,
ressalvadas as garantias constitucionais aplicáveis". Posteriormente, descobriu-se que essa pessoa também estaria
envolvida no esquema criminoso, razão pela qual foi denunciada. O STF entendeu que não houve nulidade neste
depoimento porque, embora a denunciada tenha sido ouvida na condição de testemunha, assumindo o compromisso de
dizer a verdade, consta do termo de depoimento que ela foi informada de que estavam ressalvadas daquele compromisso
“as garantias constitucionais aplicáveis”. Logo, foi a ela conferido o direito de não responder a perguntas cujas respostas
pudessem eventualmente acarretar sua autoincriminação. STF. Plenário. Inq 3983/DF, Rel. Min. Teori, 3/03/2016 (Info 816).
É possível que os Ministros do STJ e STF, em ações penais originárias destes Tribunais, deleguem a realização de atos de
instrução aos chamados juízes instrutores, não havendo nulidade nesta prática. Os juízes instrutores atuam como “longa
manus” do magistrado relator e, nessa condição, procedem sob sua supervisão. Trata-se, portanto, de delegação limitada a
atos de instrução, com poder decisório restrito ao alcance desses objetivos. A atuação dos juízes instrutores encontra
respaldo no art. 3º da Lei 8.038/90. STF. 1ª Turma. HC 131164/TO, rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/5/2016 (Info 827).
EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA

Patrícia Reinert Lang


Após empate na votação, a 2ª Turma do STF concedeu habeas corpus ao paciente (réu condenado em 1ª e 2ª instâncias),
para lhe assegurar o direito de aguardar em liberdade até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Em outras
palavras, a 2ª Turma do STF afastou a execução provisória da pena. O Min. Relator Ricardo Lewandowski apresentou como
argumentos, dentre outros: • a execução da pena privativa de liberdade antes do trânsito em julgado da sentença
condenatória, ressalvada a hipótese de prisão cautelar (art. 312 do CPP), ofende o princípio da presunção de inocência,
insculpido no art. 5º, LVII, da Constituição Federal; • o entendimento do STF proferido no HC 126.292/SP não respeitou,
necessariamente, o princípio do duplo grau de jurisdição, uma vez que deu azo ao início do cumprimento de pena tanto do
indivíduo absolvido em primeiro grau e condenado em segundo grau de jurisdição, bem como daquele que apenas foi
condenado em segunda instância, por ter foro por prerrogativa de função em Tribunal de Justiça ou em Tribunal Regional
Federal. • o entendimento do STF que admite a execução provisória da pena viola a proibição do retrocesso em matéria de
direitos fundamentais, princípio que se encontra expressamente estampado no art. 30 da Declaração Universal dos Direitos
do Homem, de 1948. • ficou consignado na sentença condenatória que o réu poderia recorrer em liberdade. Esse comando
da sentença não foi impugnado pelo Ministério Público, tendo havido coisa julgada quanto a este ponto. Logo, esse direito
de recorrer em liberdade deve vigorar até o trânsito em julgado. Assim, não é possível que, ao julgar um recurso da defesa,
o Tribunal de Justiça determine o início da execução provisória da pena, sob pena de incorrer em verdadeira reformatio in
pejus. STF. 2ª Turma. HC 151430 AgR-segundo/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 3/9/2019 (Info 950).

Essa decisão da 2ª Turma representa uma nova mudança de entendimento do STF? Podemos dizer que o STF passou a proibir
a execução provisória da pena? NÃO. Esse é um dos temas mais polêmicos dentro do STF. O entendimento sobre a
possibilidade de execução provisória da pena foi construído com uma apertada maioria (6x5). Ocorre que, depois disso, o
Min. Teori Zavascki faleceu e o Min. Gilmar Mendes (que votou originalmente pela possibilidade de execução provisória da
pena) anunciou que teria mudado de entendimento. Assim, é possível que, ao apreciar novamente o tema, o Plenário do STF
reveja a possibilidade de execução provisória da pena. Como alguns Ministros vislumbram essa possibilidade, têm sido
proferidas decisões monocráticas e votos nos colegiados tentando, desde já, reverter o cenário, ou seja, proibir a execução
provisória da pena. Este foi um desses casos. No entanto, tecnicamente falando, o entendimento do Plenário do STF continua
sendo, formalmente, o de que é possível a execução provisória da pena e que ela não viola o princípio da presunção de
inocência. A última decisão do Plenário da Corte foi nesse sentido.
O STF, ao julgar habeas corpus impetrado pelo ex-Presidente Lula, decidiu manter o seu entendimento e reafirmar que é
possível a execução provisória de acórdão penal condenatório proferido em grau recursal, ainda que sujeito a recurso
especial ou extraordinário. A execução provisória da pena não ofende o princípio constitucional da presunção de inocência
(art. 5º, LVII, da CF/88). STF. Plenário. HC 152752/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 4/4/2018 (Info 896).
A execução provisória de acórdão penal condenatório proferido em grau de apelação, ainda que sujeito a recurso especial
ou extraordinário, não ofende o princípio constitucional da presunção de inocência (art. 5º, LVII, da CF/88) e não viola o
texto do art. 283 do CPP. STF. Plenário. ADC 43 e 44 MC/DF, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, j. em 05/10/2016 (Info 842).
EXECUÇÃO PENAL
A Justiça Federal de Curitiba determinou a transferência do ex-Presidente Lula para que ele cumprisse pena em um
estabelecimento de São Paulo (SP), deixando, assim, a sede da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba (PR), onde
se encontra preso. A Justiça de São Paulo, ao receber essa decisão, determinou que Lula cumprisse a pena no presídio de
Tremembé, interior do Estado. O STF, contudo, deferiu liminar para: a) suspender a eficácia das decisões proferidas pelos
Juízos da 12ª Vara Federal de Curitiba/PR e pela Vara de Execução Criminal de São Paulo, que autorizaram a transferência
do ex-Presidente das dependências da Superintendência da Polícia Federal no Paraná; b) assegurar ao ex-Presidente Lula,
até ulterior deliberação, o direito de permanecer custodiado na sala reservada, instalada na referida Superintendência da
Polícia Federal no Paraná, na qual atualmente se encontra. STF. Plenário. Pet 8312/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
7/8/2019 (Info 946).
Nada impede que o magistrado das execuções criminais, facultativamente, requisite o exame criminológico e o utilize
como fundamento da decisão que julga o pedido de progressão. STF. 2ª T. Rcl 27616, Lewandowski, 9/10/2018 (Info 919).
Não se admite a remição ficta da pena. Embora o Estado tenha o dever de prover trabalho aos internos que desejem
laborar, reconhecer a remição ficta da pena, nesse caso, faria com que todas as pessoas do sistema prisional obtivessem o
benefício, fato que causaria substancial mudança na política pública do sistema carcerário, além de invadir a esfera do Poder
Executivo. O instituto da remição exige, necessariamente, a prática de atividade laboral ou educacional. Trata-se de
reconhecimento pelo Estado do direito à diminuição da pena em virtude de trabalho efetuado pelo detento. Não sendo
realizado trabalho, estudo ou leitura, não há que se falar em direito à remição. STF. 1ª T. HC 124520/RO, Min. Barroso,
29/5/2018 (Info 904). STJ. 5ª T. HC 421.425/MG, F. Fischer, 27/02/2018. STJ. 6ª T. HC 425.155/MG, N. Cordeiro, 06/03/2018.
É inviável a remoção de apenado para outro Estado com fundamento em suposto tratamento privilegiado. Apenas razões
excepcionalíssimas e devidamente fundamentadas poderiam legitimar essa medida. STF. 2ª Turma. HC 152.720/DF, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/4/2018 (Info 897).

Patrícia Reinert Lang


O art. 75 do Código Penal prevê que o tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 30
anos. Isso significa que, se o réu for condenado a uma pena de 100 anos de reclusão, o limite máximo de cumprimento da
pena será 30 anos. Vale ressaltar, no entanto, que, no cálculo dos benefícios da execução penal, deverá ser considerada
a pena total aplicada. Assim, ao se calcular o requisito objetivo da progressão de regime, o juiz deverá considerar o total da
pena imposta (e não o limite do art. 75 do CP). Ex: 1/6 de 100 anos (pena total) e não 1/6 de 30 anos. Existe um enunciado
que espelha essa conclusão: Súmula 715-STF: A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento,
determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a concessão de outros benefícios, como o livramento
condicional ou regime mais favorável de execução. STF. 1ª T. HC 112182, Rel. p/ Ac Min. Barroso, 03/04/2018 (Info 896).
Se o condenado estava preso preventivamente, a data da prisão preventiva deve ser considerada como termo inicial para
fins de obtenção de progressão de regime e demais benefícios da execução penal, desde que não ocorra condenação
posterior por outro crime apta a configurar falta grave. STF. 1ª Turma. RHC 142463/MG, Rel. Fux, j. 12/9/2017 (Info 877).
João foi condenado a pena em regime semiaberto. Diante da falta de vagas em colônia agrícola ou industrial, ele se encontra
cumprindo a reprimenda em um presídio do regime fechado. Vale ressaltar, contudo, que neste presídio existe uma ala
destinada somente aos sentenciados dos regimes semiaberto e aberto, concedendo-lhes os benefícios próprios destes
regimes. João encontra-se preso justamente nesta ala do presídio. A situação de João viola a SV 56 ("A falta de
estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se
observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS.")? NÃO. Segundo o STF decidiu no RE 641.320, "os juízes
da execução penal podem avaliar os estabelecimentos destinados aos regimes semiaberto e aberto, para qualificação como
adequados a tais regimes. São aceitáveis estabelecimentos que não se qualifiquem como “colônia agrícola, industrial”
(regime semiaberto) ou “casa de albergado ou estabelecimento adequado” (regime aberto) (art. 33, §1º, “b” e “c”, do CP).
No entanto, não deverá haver alojamento conjunto de presos dos regimes semiaberto e aberto com presos do regime
fechado." Assim, os presos do semiaberto podem ficar em outra unidade prisional que não seja colônia agrícola ou industrial,
desde que se trate de estabelecimento similar (adequado às características do semiaberto). No caso de João, embora o
presídio onde ele está não seja efetivamente uma colônia penal agrícola, esse estabelecimento preenche, na medida do
possível, as condições do regime semiaberto, inclusive dando condições para que internos se ausentem nas ocasiões
legalmente previstas. STF. 2ª Turma. Rcl 25123/SC, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 18/4/2017 (Info 861).
Segundo o art. 30 da LEP, a jornada diária de trabalho do apenado deve ser de, no mínimo, 6 horas e, no máximo, 8 horas.
Apesar disso, se um condenado, por determinação da direção do presídio, trabalha 4 horas diárias (menos do que prevê a
Lei), este período deverá ser computado para fins de remição de pena. Como esse trabalho do preso foi feito por orientação
ou estipulação da direção do presídio, isso gerou uma legítima expectativa de que ele fosse aproveitado, não sendo possível
que seja desprezado, sob pena de ofensa aos princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança. Vale ressaltar,
mais uma vez, o trabalho era cumprido com essa jornada por conta da determinação do presídio e não por um ato de
insubmissão ou de indisciplina do preso. STF. 2ª Turma. RHC 136509/MG, Rel. Min. Toffoli, julgado em 4/4/2017 (Info 860).
O cumprimento de pena em penitenciária federal de segurança máxima por motivo de segurança pública não é compatível
com a progressão de regime prisional. STF. 2ª Turma. HC 131.649/RJ, rel. orig. Min. Cármen Lúcia, rel. p/ac. Min. Dias Toffoli,
julgado em 6/9/2016 (Info 838). O Juízo competente para processar e julgar os incidentes da execução é o que detém a
custódia do apenado, no caso, o Juízo responsável pelo presídio federal. Não lhe é permitido, contudo, conceder a
progressão de regime prisional ao condenado que esteja recolhido em presídio federal de segurança máxima, uma vez que
os motivos que justificaram sua transferência ou manutenção no sistema federal mostram-se totalmente incompatíveis com
a concessão do benefício, ficando condicionado o deferimento da progressão à ausência dos motivos que justificaram a sua
remoção para o estabelecimento federal. STJ. 3ª Seção. CC 137.110/RJ, Rel. Min. Ericson Maranho, julgado em 22/4/2015.
O inciso I do art. 118 da LEP afirma que o apenado deverá regredir de regime se "praticar fato definido como crime doloso".
Não é necessário que o juiz das execuções penais aguarde que a pessoa seja condenada com trânsito em julgado para
determinar a sua regressão. STJ. 5ª Turma. HC 333.615/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 15/10/2015.
STF. Plenário. EP 8 ProgReg-AgR/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 1º/7/2016 (Info 832).
Como regra, o inadimplemento deliberado da pena de multa cumulativamente aplicada ao sentenciado impede a
progressão no regime prisional. Em outras palavras, a pessoa só poderá progredir se pagar a pena de multa. Exceção: mesmo
sem ter pago, pode ser permitida a progressão de regime se ficar comprovada a absoluta impossibilidade econômica do
apenado em quitar a multa, ainda que parceladamente. Se o juiz autorizar que o condenado pague a pena de multa
parceladamente, o apenado poderá progredir de regime, assumindo o compromisso de quitar todas as prestações da multa.
Caso deixe de pagar injustificadamente o parcelamento, haverá a regressão de regime. O inadimplemento injustificado das
parcelas da pena de multa autoriza a regressão no regime prisional. STF. Plenário. EP 16 ProgReg-AgR/DF, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgado em 1º/7/2016 (Info 832).
O calendário de saídas temporárias é permitido? A prática da saída temporária automatizada é válida? • STF: SIM. É legítima
a decisão judicial que estabelece calendário anual de saídas temporárias para visita à família do preso. STF. 1ª T. HC
130502/RJ, Rel. Min. M. Aurélio, 21/6/2016 (Info 831). STF. 2ª T. HC 128763/RJ, Rel. Min. G. Mendes, 4/8/2015 (Info 793).

Patrícia Reinert Lang


a) A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso;
b) Os juízes da execução penal poderão avaliar os estabelecimentos destinados aos regimes semiaberto e aberto, para
qualificação como adequados a tais regimes. São aceitáveis estabelecimentos que não se qualifiquem como “colônia
agrícola, industrial” (regime semiaberto) ou “casa de albergado ou estabelecimento adequado” (regime aberto) (art. 33,
§1º, alíneas “b” e “c”, do CP); c) Havendo déficit de vagas, deverá determinar-se: (i) a saída antecipada de sentenciado no
regime com falta de vagas; (ii) a liberdade eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou é
posto em prisão domiciliar por falta de vagas; (iii) o cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao
sentenciado que progride ao regime aberto; d) Até que sejam estruturadas as medidas alternativas propostas, poderá ser
deferida a prisão domiciliar ao sentenciado. STF. Plenário. RE 641320, G. Mendes, 11/5/2016 (repercussão geral) (Info 825).
A contagem do prazo do benefício de saída temporária de preso é feita em dias e não em horas. O apenado pedia que o
prazo para a saída temporária fosse computado em horas. Segundo alegou, ele só é liberado do presídio às 12 horas do
primeiro dia do benefício, o que lhe é prejudicial, já que assim ele perde algumas horas e, na prática, usufrui de apenas 6
dias e meio. A 2ª Turma do STF entendeu que, na esfera penal, a contagem do prazo é feita em dias (art. 10 do CP), não
sendo possível fazê-la em horas. CP/Art. 10. O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses
e os anos pelo calendário comum. STF. 2ª Turma. HC 130883/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 31/5/2016 (Info 828).
HABEAS CORPUS
Cabe habeas corpus mesmo nas hipóteses que não envolvem risco imediato de prisão, como na análise da licitude de
determinada prova ou no pedido para que a defesa apresente por último as alegações finais, se houver a possibilidade de
condenação do paciente. Isso porque neste caso a discussão envolve liberdade de ir e vir. STF. 2ª Turma. HC 157627 AgR/PR,
rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 27/8/2019 (Info 949).
Cabe sustentação oral no agravo regimental interposto contra a decisão monocrática do Ministro do STF que negou
seguimento ao habeas corpus. Fundamento: aplicação, por analogia, da regra do § 3º do art. 937 do CPC/2015. STF. 2ª
Turma. HC 152676/PR, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/4/2019 (Info 937).
Não se admite agravo regimental contra decisão do Ministro Relator que, motivadamente, defere ou indefere liminar em
habeas corpus. STF. 2ª Turma. HC 157.604/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info 914).
A superveniência de sentença condenatória que mantém a prisão preventiva prejudica a análise do habeas corpus que
havia sido impetrado contra o título originário da custódia. Se, após o habeas corpus ser impetrado contra a prisão
preventiva, o juiz ou Tribunal prolata sentença/acórdão condenatório e mantém a prisão anteriormente decretada, haverá
uma alteração do título prisional e, portanto, o habeas corpus impetrado contra prisão antes do julgamento não deverá ser
conhecido. STF. Plenário. HC 143333/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11 e 12/4/2018 (Info 897).
É cabível habeas corpus contra decisão judicial transitada em julgado? 1ª) SIM. Foi o que decidiu a 2ª Turma no RHC
146327/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/2/2018 (Info 892). 2ª) NÃO. É a posição majoritária no STF e no STJ.
Vale ressaltar que se houver alguma ilegalidade flagrante, o Tribunal poderá conceder a ordem de ofício. STF. 2ª Turma.
RHC 146327/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/2/2018 (Info 892).
O STF admitiu a possibilidade de habeas corpus coletivo. O habeas corpus se presta a salvaguardar a liberdade. Assim, se
o bem jurídico ofendido é o direito de ir e vir, quer pessoal, quer de um grupo determinado de pessoas, o instrumento
processual para resgatá-lo é o habeas corpus, individual ou coletivo. A ideia de admitir a existência de habeas corpus coletivo
está de acordo com a tradição jurídica nacional de conferir a maior amplitude possível ao remédio heroico (doutrina
brasileira do habeas corpus). Apesar de não haver uma previsão expressa no ordenamento jurídico, existem dois dispositivos
legais que, indiretamente, revelam a possibilidade de habeas corpus coletivo. Trata-se do art. 654, § 2º e do art. 580, ambos
do CPP. O art. 654, § 2º estabelece que compete aos juízes e tribunais expedir ordem de habeas corpus de ofício. O art. 580
do CPP, por sua vez, permite que a ordem concedida em determinado habeas corpus seja estendida para todos que se
encontram na mesma situação. Assim, conclui-se que os juízes ou Tribunais podem estender para todos que se encontrem
na mesma situação a ordem de habeas corpus concedida individualmente em favor de uma pessoa. Existem mais de 100
milhões de processos no Poder Judiciário, a cargo de pouco mais de 16 mil juízes, exigindo do STF que prestigie remédios
processuais de natureza coletiva com o objetivo de emprestar a máxima eficácia ao mandamento constitucional da razoável
duração do processo e ao princípio universal da efetividade da prestação jurisdicional. Diante da inexistência de regramento
legal, o STF entendeu que se deve aplicar, por analogia, o art. 12 da Lei nº 13.300/2016, que trata sobre os legitimados
para propor mandado de injunção coletivo. Assim, possuem legitimidade para impetrar habeas corpus coletivo: 1) o
Ministério Público; 2) o partido político com representação no Congresso Nacional; 3) a organização sindical, entidade de
classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 (um) ano; 4) a Defensoria Pública. STF.
2ª Turma. HC 143641/SP. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/2/2018 (Info 891).
O habeas corpus pode ser empregado para impugnar medidas cautelares de natureza criminal diversas da prisão. STF. 2ª
Turma. HC 147426/AP e HC 147303/AP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 18/12/2017 (Info 888).
O habeas corpus não é o meio adequado para se buscar o reconhecimento do direito a visitas íntimas. Isso porque não está
envolvido no caso o direito de ir e vir. STF. 1ª Turma. HC 138286, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/12/2017 (Info 887).

Patrícia Reinert Lang


O art. 28 da LD não prevê a possibilidade de o condenado receber pena privativa de liberdade. Assim, não existe
possibilidade de que o indivíduo que responda processo por este delito sofra restrição em sua liberdade de locomoção.
Diante disso, não é possível que a pessoa que responda processo criminal envolvendo o art. 28 da LD impetre habeas
corpus para discutir a imputação. Não havendo ameaça à liberdade de locomoção, não cabe habeas corpus. Em suma, o
habeas corpus não é o meio adequado para discutir crime que não enseja pena privativa de liberdade. STF. 1ª Turma. HC
127834/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 05/12/2017 (Info 887).
Não cabe habeas corpus para o STF contra decisão monocrática do Ministro do STJ que negou o pedido da defesa formulado
em ação cautelar (medida cautelar) proposta com o objetivo de conferir efeito suspensivo ao recurso especial. Incide, no
caso, o óbice previsto na Súmula 691 do STF. STF. 1ª Turma. HC 138633/RJ, red. p/ o ac. Min. Moraes, 8/8/2017 (Info 872).
Não cabe habeas corpus para tutelar o direito à visita em presídio. STF. 1ª Turma. HC 128057/SP, Rel. Min. Marco Aurélio,
red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 1º/8/2017 (Info 871).
Em regra, não cabe habeas corpus para o STF contra decisão monocrática do Ministro do STJ que não conhece ou denega
habeas corpus que havia sido interposto naquele Tribunal. É necessário que primeiro o impetrante exaure (esgote), no
tribunal a quo (no caso, o STJ), as vias recursais ainda cabíveis (no caso, o agravo regimental). Exceção: essa regra pode ser
afastada em casos excepcionais, quando a decisão atacada se mostrar teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou
manifestamente contrária à jurisprudência do STF, situações nas quais o STF poderia conceder de ofício o habeas corpus.
STF. 2ª Turma. HC 143476/RJ, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 6/6/2017 (Info 868).
Não cabe habeas corpus se a impetração for ajuizada em face de decisões monocráticas proferidas por Ministro do
Supremo Tribunal Federal. STF. Plenário. HC 115787/RJ, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 18/5/2017 (Info 865).
STF. Plenário. HC 105959/DF, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 17/2/2016 (Info 814).
Em regra, não cabe habeas corpus para o STF contra decisão monocrática do Ministro do STJ que não conhece ou denega
habeas corpus que havia sido interposto naquele Tribunal. É necessário que primeiro o impetrante exaure (esgote), no
tribunal a quo (no caso, o STJ), as vias recursais ainda cabíveis (no caso, o agravo regimental). Exceção: essa regra pode ser
afastada em casos excepcionais, quando a decisão atacada se mostrar teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou
manifestamente contrária à jurisprudência do STF, situações nas quais o STF poderia conceder de ofício o habeas corpus.
STF. 1ª Turma. HC 139612/MG, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/4/2017 (Info 862).
Não cabe habeas corpus para reexame dos pressupostos de admissibilidade de recurso interposto no STJ. Ex: o STJ deu
provimento ao recurso interposto pelo MP e, com isso, piorou a situação do réu; a defesa impetra HC no STF contra o
acórdão alegando que o STJ, no recurso especial, reexaminou provas, o que é vedado pela Súmula 7 da Corte (A pretensão
de simples reexame de prova não enseja recurso especial.). Esse HC não será conhecido pelo STF porque o impetrante busca
questionar os pressupostos de admissibilidade do Resp. STF. 2ª Turma. HC 138944/SC, Rel. Toffoli, j. 21/3/2017 (Info 858).
É possível que o Ministro Relator do STJ ou do STF decida monocraticamente o habeas corpus nas hipóteses autorizadas
pelo regimento interno? • Precedente divulgado no Info 857: NÃO. Cabe ao colegiado o julgamento de habeas corpus. •
Posição majoritária no STF: SIM. O Ministro Relator pode decidir monocraticamente habeas corpus nas hipóteses
autorizadas pelo regimento interno, sem que isso configure violação ao princípio da colegialidade. Nesse sentido: STF. 1ª
Turma. HC 137265 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 07/03/2017; STF. 2ª Turma. HC 131550 AgR, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 15/12/2015. STF. 1ª Turma. HC 120496/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/3/2017 (Info 857).
Habeas corpus não é o instrumento adequado para pleitear trancamento de processo de impeachment. STF. Plenário. HC
134315 AgR/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 16/6/2016 (Info 830).
Não cabe habeas corpus contra decisão que negou direito de familiar de preso internado em unidade prisional de com
ele ter encontro direto, autorizando apenas a visita por meio do parlatório. STF. 2ª Turma. HC 133305/SP, Rel. Min. Dias
Toffoli, j. 24/5/2016 (Info 827). No mesmo sentido, STF. 2ª T. HC 127685/DF, Rel. Min. Toffoli, 30/6/2015 (Info 792).
É incabível a utilização do “habeas corpus” com a finalidade de se obter a desclassificação de imputação de homicídio doloso,
na modalidade dolo eventual, para homicídio culposo, na hipótese em que apurada a prática de homicídio na direção de
veículo automotor. Isso porque os limites estreitos dessa via processual impossibilitam a análise apurada do elemento
subjetivo do tipo penal para que se possa afirmar que a conduta do réu foi pautada por dolo eventual ou pela culpa
consciente. Em outras palavras, não cabe HC para se discutir se houve dolo eventual ou culpa consciente em homicídio
praticado na direção de veículo automotor. STF. 2ª Turma. HC 132036/SE, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 29/3/2016 (Info 819).
COMPETÊNCIA
Compete ao STF julgar a apelação criminal interposta contra sentença de 1ª instância caso mais da metade dos membros
do Tribunal de Justiça estejam impedidos ou sejam interessados (art. 102, I, “n”, da CF/88). STF. 2ª Turma. AO 2093/RN,
Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/9/2019 (Info 950).
Quem julga, no Brasil, crime cometido por brasileiro no exterior e cuja extradição tenha sido negada? • STF: Justiça Estadual
• STJ: Justiça Federal O fato de o delito ter sido cometido por brasileiro no exterior, por si só, não atrai a competência da
Justiça Federal. Assim, em regra, compete à Justiça Estadual julgar o crime praticado por brasileiro no exterior e que lá não
foi julgado em razão de o agente ter fugido para o Brasil, tendo o nosso país negado a extradição para o Estado estrangeiro.

Patrícia Reinert Lang


Somente será de competência da Justiça Federal caso se enquadre em alguma das hipóteses do art. 109 da CF/88. STF. 1ª
Turma. RE 1.175.638 AgR/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, 2/4/2019 (Info 936). Compete à Justiça Federal o processamento e o
julgamento da ação penal que versa sobre crime praticado no exterior que tenha sido transferida para a jurisdição brasileira,
por negativa de extradição. STJ. 3ª Seção. CC 154.656-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, 25/04/2018 (Info 625).
Compete à Justiça Eleitoral julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhes forem conexos. Cabe à Justiça Eleitoral analisar,
caso a caso, a existência de conexão de delitos comuns aos delitos eleitorais e, em não havendo, remeter os casos à
Justiça competente. STF. Plenário. Inq 4435 AgR-quarto/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 13 e 14/3/2019 (Info 933).
Compete ao TRF julgar os crimes praticados por Procurador da República, salvo em caso de crimes eleitorais, hipótese na
qual a competência é do TRE. Vale ressaltar que o Procurador da República é julgado pelo TRF em cuja área exerce suas
atribuições, sob pena de ofensa ao princípio do juiz natural. Ex: o Procurador da República lotado em Recife (PE) pratica um
crime em Brasília. Ele será julgado pelo TRF da 5ª Região (Tribunal que abrange o Município onde ele atua) e não pelo TRF
da 1ª Região (que abrange Brasília). Imagine agora que João, Procurador da República, é lotado na Procuradoria de
Guarulhos (SP), área de jurisdição do TRF-3. Ocorre que este Procurador estava no exercício transitório de função no MPF
em Brasília. O Procurador pratica um crime neste período. De quem será a competência para julgar João: do TRF3 ou do
TRF1? Do TRF1. A 2ª Turma, ao apreciar uma situação semelhante a essa, decidiu que a competência seria do TRF1, Tribunal
ao qual o Procurador da República está vinculado no momento da prática do crime, ainda que esse vínculo seja temporário.
STF. 2ª Turma. Pet 7063/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 1º/8/2017
(Info 871). Obs: houve empate na votação (2x2) e a conclusão acima exposta prevaleceu em virtude de a decisão ter sido
tomada em habeas corpus no qual, em caso de empate, prevalece o pedido formulado em favor do paciente.
Se o crime do art. 241-A do ECA for praticado por meio do computador da residência do agente localizada em São Paulo
(SP), mesmo assim ele poderá ser julgado pelo juízo de Curitiba (PR) se ficar demonstrado que a conduta do agente ocorreu
com investigações que tiveram início em Curitiba, onde um grupo de pedófilos ligados ao agente foi preso e, a partir daí,
foram obtidas todas as provas. Neste caso, a competência do juízo de Curitiba ocorrerá por conexão, não havendo ofensa
ao princípio do juiz natural. STF. 1ª Turma. HC 135883/PR, red. p/ o ac. Min. A. de Moraes, julgado em 6/6/2017 (Info 868).
O fato de o delito ter sido cometido por brasileiro no exterior, por si só, não atrai a competência da justiça federal. STF.
1ª Turma. HC 105461/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 29/3/2016 (Info 819). E a competência territorial? Art. 88 do
CPP. No processo por crimes praticados fora do território brasileiro, será competente o juízo da Capital do Estado onde
houver por último residido o acusado. Se este nunca tiver residido no Brasil, será competente o juízo da Capital da República.
PRISÃO
Para a decretação ou manutenção da prisão cautelar é necessário demonstrar o cumprimento dos requisitos previstos no
art. 312 do CPP. A liberdade de um indivíduo suspeito da prática de infração penal somente pode sofrer restrições se houver
decisão judicial devidamente fundamentada, amparada em fatos concretos, e não apenas em hipóteses ou conjecturas. A
prisão cautelar, portanto, constitui medida de natureza excepcional e não pode ser utilizada como instrumento de punição
antecipada do réu. STF. 2ª Turma. HC 152676/PR, red. p/ ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/4/2019 (Info 937)
Deve ser concedida a liberdade provisória a réu primário preso preventivamente sob a imputação de tráfico de drogas por
ter sido encontrado com 887,89 gramas de maconha e R$ 1.730,00. O STF considerou genéricas as razões da segregação
cautelar do réu. Além disso, reconheceu como de pouca nocividade a substância entorpecente apreendida (maconha).
Reputou que a prisão de jovens pelo tráfico de pequena quantidade de maconha é mais gravosa do que a eventual
permanência em liberdade, pois serão fatalmente cooptados ou contaminados por uma criminalidade mais grave ao
ingressarem no ambiente carcerário. STF. 1ª Turma. HC 140379/RJ, red. p/ o ac. Min. R. Barroso, 23/10/2018 (Info 921).
Para a decretação da prisão preventiva, o art. 312 do CPP exige a prova da existência do crime. O decreto prisional é,
portanto, ilegal se descreve a conduta do paciente de forma genérica e imprecisa e não deixa claro, em nenhum momento,
os delitos a ele imputáveis e que justificariam a prisão preventiva. A liberdade de um indivíduo suspeito da prática de
infração penal somente pode sofrer restrições se houver decisão judicial devidamente fundamentada, amparada em fatos
concretos, e não apenas em hipóteses ou conjecturas, na gravidade do crime ou em razão de seu caráter hediondo. O juiz
pode dispor de outras medidas cautelares de natureza pessoal, diversas da prisão, e deve escolher aquela mais ajustada às
peculiaridades da espécie, de modo a tutelar o meio social, mas também dar, mesmo que cautelarmente, resposta justa e
proporcional ao mal supostamente causado pelo acusado. No caso concreto, o STF entendeu que o perigo que a liberdade
do paciente representaria à ordem pública ou à aplicação da lei penal poderia ser mitigado por medidas cautelares menos
gravosas do que a prisão. Além disso, os fatos imputados ao paciente ocorreram há alguns anos (2011 a 2014), não havendo
razão para, agora (2018), ser decretada a prisão preventiva. Diante disso, o STF substituiu a prisão preventiva pelas medidas
cautelares diversas de: a) comparecimento periódico em juízo; b) proibição de manter contato com os demais investigados;
c) entrega do passaporte e proibição de deixar o País sem autorização do juízo. STF. 2ª Turma. HC 157.604/RJ, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info 914).
O art. 318, II, do CPP é chamado de prisão domiciliar humanitária. Em um caso concreto, o STF entendeu que deveria
conceder prisão humanitária ao réu tendo em vista o alto risco de saúde, a grande possibilidade de desenvolver infecções

Patrícia Reinert Lang


no cárcere e a impossibilidade de tratamento médico adequado na unidade prisional ou em estabelecimento hospitalar —
tudo demostrado satisfatoriamente no laudo pericial. Considerou-se que a concessão da medida era necessária para
preservar a integridade física e moral do paciente, em respeito à dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF). STF. 2ª
Turma. HC 153961/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/3/2018 (Info 895).
O STF reconheceu a existência de inúmeras mulheres grávidas e mães de crianças que estavam cumprindo prisão preventiva
em situação degradante, privadas de cuidados médicos pré-natais e pós-parto. Além disso, não havia berçários e creches
para seus filhos. Também se reconheceu a existência, no Poder Judiciário, de uma “cultura do encarceramento”, que
significa a imposição exagerada e irrazoável de prisões provisórias a mulheres pobres e vulneráveis, em decorrência de
excessos na interpretação e aplicação da lei penal e processual penal, mesmo diante da existência de outras soluções, de
caráter humanitário, abrigadas no ordenamento jurídico vigente. A Corte admitiu que o Estado brasileiro não tem condições
de garantir cuidados mínimos relativos à maternidade, até mesmo às mulheres que não estão em situação prisional.
Diversos documentos internacionais preveem que devem ser adotadas alternativas penais ao encarceramento,
principalmente para as hipóteses em que ainda não haja decisão condenatória transitada em julgado. É o caso, por exemplo,
das Regras de Bangkok. Os cuidados com a mulher presa não se direcionam apenas a ela, mas igualmente aos seus filhos,
os quais sofrem injustamente as consequências da prisão, em flagrante contrariedade ao art. 227 da Constituição, cujo teor
determina que se dê prioridade absoluta à concretização dos direitos das crianças e adolescentes. Diante da existência desse
quadro, deve-se dar estrito cumprimento do Estatuto da Primeira Infância (Lei 13.257/2016), em especial da nova redação
por ele conferida ao art. 318, IV e V, do CPP, que prevê: Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar
quando o agente for: IV - gestante; V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; Os critérios para a
substituição de que tratam esses incisos devem ser os seguintes: REGRA. Em regra, deve ser concedida prisão domiciliar
para todas as mulheres presas que sejam - gestantes - puérperas (que deram à luz há pouco tempo) - mães de crianças (isto
é, mães de menores até 12 anos incompletos) ou - mães de pessoas com deficiência. EXCEÇÕES: Não deve ser autorizada a
prisão domiciliar se: 1) a mulher tiver praticado crime mediante violência ou grave ameaça; 2) a mulher tiver praticado
crime contra seus descendentes (filhos e/ou netos); 3) em outras situações excepcionalíssimas, as quais deverão ser
devidamente fundamentadas pelos juízes que denegarem o benefício. Obs1: o raciocínio acima explicado vale também
para adolescentes que tenham praticado atos infracionais. Obs2: a regra e as exceções acima explicadas também valem
para a reincidente. O simples fato de que a mulher ser reincidente não faz com que ela perca o direito à prisão domiciliar.
STF. 2ª Turma. HC 143641/SP. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/2/2018 (Info 891).
Em um caso concreto, o réu foi preso preventivamente pela suposta prática de delitos previstos na Lei nº 11.343/2006 (Lei
de Drogas). Ocorre que já se passaram mais de quatro anos desde a prisão preventiva sem haver, sequer, audiência de
interrogatório. Diante disso, o STF entendeu que havia flagrante excesso de prazo na segregação cautelar e, por essa razão,
concedeu habeas corpus para determinar a soltura do paciente. Embora a razoável duração do processo não possa ser
considerada de maneira isolada e descontextualizada das peculiaridades do caso concreto, diante da demora no
encerramento da instrução criminal, sem que o paciente, preso preventivamente, tenha sido interrogado e sem que tenham
dado causa à demora, não se sustenta a manutenção da constrição cautelar. STF. 2ª Turma. HC 141583/RN, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 19/9/2017 (Info 878).
Em um caso concreto, os réus, embora pronunciados, estavam aguardando presos há 7 anos serem julgados pelo Tribunal
do Júri. Diante disso, o STF concedeu ordem em “habeas corpus” para revogar prisão preventiva em razão do excessivo
prazo de duração da prisão. Além disso, determinou que o STJ julgue recurso especial interposto contra o acórdão que
confirmou a sentença de pronúncia referente no prazo máximo de dez sessões (entre ordinárias e extraordinárias), contado
da comunicação da decisão. STF. 2ª Turma. HC 142177/RS, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 6/6/2017 (Info 868).
A prerrogativa conferida ao advogado da prisão em sala de Estado-Maior (art. 7º, V, da Lei nº 8.906/94) continua existindo
mesmo que já estejamos na fase de execução provisória da pena?  Redação literal da Lei: SIM. O art. 7º, V, afirma que o
advogado terá direito de ser preso em sala de Estado-Maior até que haja o trânsito em julgado.  STJ: NÃO. A prerrogativa
conferida aos advogados pelo art. 7º, V, da Lei nº 8.906/94, refere-se à prisão cautelar, não se aplicando para o caso de
execução provisória da pena (prisão-pena). STJ. 6ª Turma. HC 356.158/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
19/05/2016.  STF: ainda não tem posição expressa sobre o tema. No entanto, a Corte não admite reclamação contra
decisões dos Tribunais que determinam a prisão dos advogados condenados em 2ª instância em unidades prisionais comuns
(STF. 2ª Turma. Rcl 25111 AgR/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/5/2017. Info 865).
Não se pode decretar a prisão preventiva do acusado pelo simples fato de ele ter descumprido acordo de colaboração
premiada. Não há, sob o ponto de vista jurídico, relação direta entre a prisão preventiva e o acordo de colaboração
premiada. Tampouco há previsão de que, em decorrência do descumprimento do acordo, seja restabelecida prisão
preventiva anteriormente revogada. Por essa razão, o descumprimento do que foi acordado não justifica a decretação de
nova custódia cautelar. É necessário verificar, no caso concreto, a presença dos requisitos da prisão preventiva, não podendo
o decreto prisional ter como fundamento apenas a quebra do acordo. STF. 1ª Turma. HC 138207/PR, Rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 25/4/2017 (Info 862).

Patrícia Reinert Lang


O Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016), ao alterar as hipóteses autorizativas da concessão de prisão
domiciliar, permite que o juiz substitua a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for gestante ou mulher com
filho até 12 anos de idade incompletos (art. 318, IV e V, do CPP). STF. 2ª Turma. HC 134069/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 21/6/2016 (Info 831). STF. 1ª Turma. HC 136408/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/12/2017 (Info 887).
PROVAS
Não há violação da súmula vinculante 14 no caso em que, ao contrário do que alega a defesa, os áudios interceptados
foram juntados ao inquérito policial e sempre estiveram disponíveis para as partes, inclusive na forma digitalizada depois
de deflagrada a investigação. Súmula vinculante 14-STF: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso
amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência
de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. Caso concreto: defesa ingressou com reclamação no
STF alegando que o magistrado não permitiu que ela tivesse acesso ao procedimento de interceptação telefônica que serviu
de base ao oferecimento da denúncia. Ficou provado, no entanto, que o procedimento estava disponível para a defesa, de
forma que não houve violação à SV 14. STF. 1ª Turma. Rcl 27919 AgR/GO, Rel. Min. Rosa Weber, 27/8/2019 (Info 949)
A determinação de busca e apreensão nas dependências da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal pode ser
decretada por juízo de 1ª instância se o investigado não for congressista: A Constituição, ao disciplinar as imunidades e
prerrogativas dos parlamentares, não conferiu exclusividade ao STF para determinar medidas de busca e apreensão nas
dependências da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal. Assim, a determinação de busca e apreensão nas
dependências do Congresso Nacional, desde que não direcionada a apurar conduta de congressista, não se relaciona com
as imunidades e prerrogativas parlamentares. Isso porque, ao contrário do que ocorre com as imunidades diplomáticas, as
prerrogativas e imunidades parlamentares não se estendem aos locais onde os parlamentares exercem suas atividades nem
ao corpo auxiliar. O fato de o endereço de cumprimento da medida coincidir com as dependências do Congresso Nacional
não atrai, de modo automático e necessário, a competência do STF. É necessário examinar, no caso concreto, se a
investigação tinha congressista como alvo. O STF não detém competência exclusiva para apreciação de pedido de busca e
apreensão a ser cumprida no Congresso Nacional. STF. Plenário. Rcl 25537/DF e AC 4297/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados
em 26/6/2019 (Info 945).

Duplo juízo de validade de uma mesma prova: Eventual nulidade decorrente da inobservância da prerrogativa de foro não
se estende aos agentes que não se enquadrem nessa condição. Ex: Polícia Federal investiga 5 pessoas que não têm foro por
prerrogativa de função; ocorre que havia indícios da participação de 3 Senadores; logo, essa investigação criminal deveria
ter a supervisão do STF, a quem competiria autorizar as medidas cautelares; isso, contudo, não acontece; o juiz de 1ª
instância autoriza a interceptação telefônica das 5 pessoas formalmente investigadas; essa interceptação será considerada
nula em relação aos 3 Senadores (por usurpação da competência do STF), mas será válida para os 2 investigados sem foro.
Assim, a usurpação da competência do STF não contamina os elementos probatórios colhidos no que se refere aos
investigados que não possuem foro por prerrogativa de função. Podem ser utilizadas contra eles. STF. Plenário. Rcl 25537/DF
e AC 4297/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 26/6/2019 (Info 945).

Mesmo que haja usurpação da competência do STF, os elementos informativos colhidos e que não precisavam de
autorização judicial são válidos: Ex: Polícia Federal investiga 5 pessoas que não têm foro por prerrogativa de função; ocorre
que havia indícios da participação de 3 Senadores; logo, essa investigação criminal deveria ter a supervisão do STF, a quem
competiria autorizar as medidas cautelares; isso, contudo, não acontece; a Polícia ouve uma série de testemunhas sobre o
caso; esses depoimentos não serão anulados; isso porque se a prova produzida não precisava de autorização judicial (como
é o caso da mera oitiva de testemunhas), não há motivo para que ela seja anulada. Em suma: mesmo que tenha sido
usurpada a competência do STF para supervisionar o inquérito, não deverão ser desconstituídos (anulados) os atos de
investigação que não precisavam de autorização judicial, como é o caso da tomada de depoimentos. Por outro lado, as
provas que foram colhidas sem autorização do STF (com decisão apenas do juízo de 1ª instância) deverão ser anuladas, mas
essa anulação se aplica somente para os agentes detentores de foro por prerrogativa (tais provas continuam válidas para os
processos envolvendo os investigados sem foro). STF. Plenário. Rcl 25537/DF e AC 4297/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados
em 26/6/2019 (Info 945).
Lei estadual previu que se a vítima do estupro for pessoa do sexo feminino menor de 18 anos, esta vítima deverá ser
examinada, obrigatoriamente, por uma legista mulher, que irá fazer a perícia. O STF concedeu medida cautelar em ADI para
dar interpretação conforme a Constituição a esse dispositivo. Segundo o STF, as crianças e adolescentes do sexo feminino
vítimas de violência deverão ser, obrigatoriamente, examinadas por legista mulher, mas desde que isso não importe
retardamento ou prejuízo da diligência. É preciso conciliar a proteção de crianças e adolescentes mulheres vítimas de
violência e o acesso à Justiça. Embora essa norma estadual vise proteger as vítimas de estupro na realização da perícia, o
efeito resultante foi contrário, porque peritos homens estavam se recusando a fazer o exame nas menores de idade em
razão da Lei. Dessa forma, as investigações não tinham prosseguimento. Vale ressaltar, por fim, que o Estado-membro tinha
competência legislativa para editar esta norma (não há inconstitucionalidade formal). Isso porque esta Lei estadual não trata
Patrícia Reinert Lang
sobre direito processual penal (art. 22, I, da CF/88), mas sim sobre procedimento em matéria processual, assunto que é de
competência concorrente (art. 24, XI, da CF/88). STF. Plenário. ADI 6039 MC/RJ, Rel. Min. Fachin, j. 13/3/2019 (Info 933).
São ilegais as provas obtidas por policial militar que, designado para coletar dados nas ruas como agente de inteligência,
passa a atuar, sem autorização judicial, como agente infiltrado em grupo criminoso. Determinado policial militar foi
designado para participar, nas ruas, à paisana, de passeatas e manifestações, a fim de coletar dados para subsidiar a Força
Nacional de Segurança em atuação estratégica diante dos movimentos sociais e dos protestos ocorridos no Brasil em 2014.
Para essa atividade, não se exigia prévia autorização judicial. No curso de sua atividade originária, o referido policial,
percebendo que algumas pessoas estavam se reunindo para planejar a prática de crimes, aproximou-se desses suspeitos,
ganhou a sua confiança e infiltrou-se no grupo participando das conversas virtuais e das reuniões presenciais dos envolvidos.
Assim, o policial ultrapassou os limites da sua atribuição original e passou a agir como agente infiltrado. Ocorre que a
infiltração de agentes somente pode acontecer após prévia autorização judicial, o que não havia no caso. Diante disso, o
STF declarou a ilicitude e determinou o desentranhamento da infiltração realizada pelo policial militar e dos depoimentos
por ele prestados em sede policial e em juízo, nos termos do art. 157, § 3º, do CPP. STF. 2ª Turma. HC 147837/RJ, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 26/2/2019 (Info 932).
Paulo Bernardo era investigado e o juiz de 1º grau determinou, contra ele, busca e apreensão. Ocorre que Paulo Bernardo
residia com a sua esposa, a Senadora Gleisi Hoffmann, em um imóvel funcional cedido pelo Senado. Desse modo, a busca e
apreensão foi realizada neste imóvel funcional. O STF entendeu que esta prova foi ilícita (art. 5º, LVI, da CF/88) e determinou
a sua inutilização e o desentranhamento dos autos de todas as provas obtidas por meio da referida diligência. O Supremo
entendeu que a ordem judicial de busca e apreensão foi ampla e vaga, sem prévia individualização dos bens que seriam de
titularidade da Senadora e daqueles que pertenciam ao seu marido. Diante disso, o STF entendeu que o juiz, ao dar essa
ordem genérica, acabou por também determinar medida de investigação contra a própria Senadora. Logo, como ela tinha
foro por prerrogativa de função no STF (art. 102, I, “b”, da CF/88), somente o Supremo poderia ter ordenado qualquer
medida de investigação contra a parlamentar federal. Isso significa que o juiz de 1ª instância usurpou uma competência que
era do STF. Reconheceu, por conseguinte, a ilicitude da prova obtida (art. 5º, LVI, da CF/88) e de outras diretamente dela
derivadas. STF. 2ª Turma. Rcl 24473/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/6/2018 (Info 908).
Na fase de defesa prévia, o réu arrolou uma série de testemunhas, mas o juiz negou a oitiva afirmando que o requerimento
seria protelatório, haja vista que as testemunhas não teriam, em tese, vinculação com os fatos criminosos imputados. O STF
entendeu que houve constrangimento ilegal. O direito à prova é expressão de uma inderrogável prerrogativa jurídica, que
não pode ser, arbitrariamente, negada ao réu. O princípio do livre convencimento motivado (art. 400, § 1º, do CPP) faculta
ao juiz o indeferimento das provas consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias. No entanto, no caso concreto
houve o indeferimento de todas as testemunhas de defesa. Dessa forma, houve ofensa ao devido processo legal, visto que
frustrou a possibilidade de o acusado produzir as provas que reputava necessárias à demonstração de suas alegações. STF.
2ª Turma. HC 155363/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 8/5/2018 (Info 901).
Segundo a redação atual do art. 212 do CPP, quem primeiro começa fazendo perguntas à testemunha é a parte que teve a
iniciativa de arrolá-la. Em seguida, a outra parte terá direito de perguntar e, por fim, o magistrado. Assim, a inquirição de
testemunhas pelas partes deve preceder à realizada pelo juízo. Em um caso concreto, durante a audiência de instrução, a
magistrada primeiro inquiriu as testemunhas e, somente então, permitiu que as partes formulassem perguntas. O STF
entendeu que houve violação ao art. 212 do CPP e, em razão disso, determinou que fosse realizada uma nova inquirição
das testemunhas, observada a ordem prevista no CPP. STF. 1ª Turma. HC 111815/SP, Min. Luiz Fux, 14/11/2017 (Info 885).
A antecipação da prova testemunhal prevista no art. 366 do CPP pode ser justificada como medida necessária pela gravidade
do crime praticado e possibilidade concreta de perecimento, haja vista que as testemunhas poderiam se esquecer de
detalhes importantes dos fatos em decorrência do decurso do tempo. Além disso, a antecipação da oitiva das testemunhas
não traz nenhum prejuízo às garantias inerentes à defesa. Isso porque quando o processo retomar seu curso, caso haja
algum ponto novo a ser esclarecido em favor do réu, basta que seja feita nova inquirição. STF. 2ª Turma. HC 135386/DF, rel.
orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/12/2016 (Info 851).
Se determinada prova é considerada ilícita, ela deverá ser desentranhada do processo. Por outro lado, as peças do processo
que fazem referência a essa prova (exs: denúncia, pronúncia etc.) não devem ser desentranhadas e substituídas. A
denúncia, a sentença de pronúncia e as demais peças judiciais não são "provas" do crime e, por essa razão, estão fora da
regra que determina a exclusão das provas obtidas por meios ilícitos prevista art. 157 do CPP. Assim, a legislação, ao tratar
das provas ilícitas e derivadas, não determina a exclusão de "peças processuais" que a elas façam referência. STF. 2ª Turma.
RHC 137368/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 29/11/2016 (Info 849).
Não há nulidade se, em mandado de busca e apreensão, o titular do órgão entrega para ser periciado pela Polícia o
computador utilizado pela chefia e, após esse fato, antes de a perícia ser iniciada, o magistrado responsável pela investigação
autoriza a diligência na máquina. Não há violação do sigilo de correspondência eletrônica se o magistrado autoriza a
apreensão e perícia de computador e nele estão armazenados os e-mails do investigado que, então, são lidos e examinados.
A proteção a que se refere o art. 5º, XII, da CF/88, é da 'comunicação de dados' e não dos 'dados em si mesmos', ainda
quando armazenados em computador. STF. 1ª Turma. RHC 132062/RS, red. p/ o ac. Min. Fachin, 29/11/2016 (Info 849).
Patrícia Reinert Lang
A tradução para o vernáculo de documentos em idioma estrangeiro juntados aos autos só deverá ser realizada se tal
providência for absolutamente “necessária”. É o que prevê o CPP: "Art. 236. Os documentos em língua estrangeira, sem
prejuízo de sua juntada imediata, serão, se necessário, traduzidos por tradutor público, ou, na falta, por pessoa idônea
nomeada pela autoridade." A decisão sobre a necessidade ou não da tradução dos documentos cabe ao juiz da causa. STJ.
Corte Especial. AgRg na APn 675/GO, Nancy Andrighi, 17/06/2015. STF. Plenário. Inq 4146/DF, Teori, 22/6/2016 (Info 831).
A utilização pelo Ministério Público de documentos enviados por outros países para fins de investigação por meio de
cooperação jurídica internacional é legítima mesmo não havendo ainda legislação específica no Brasil regulamentando o
tema. Isso porque a transferência de procedimento criminal encontra abrigo em convenções internacionais sobre
cooperação jurídica, cujas normas, quando ratificadas, assumem status de lei federal. Dessa forma, é legítima a providência
da autoridade brasileira de, com base em material probatório obtido da Confederação Suíça, por sistema de cooperação
jurídica internacional, investigar e processar o congressista em questão pelo delito de evasão de divisas, já que se trata de
fato delituoso diretamente vinculado à persecução penal objeto da cooperação, que tem como foco central delitos de
corrupção e lavagem de capitais. STF. Plenário. Inq 4146/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 22/6/2016 (Info 831).
Não há direito absoluto à produção de prova. Em casos complexos, há que se confiar no prudente arbítrio do juiz da causa,
mais próximo dos fatos, quanto à avaliação da pertinência e relevância das provas requeridas pelas partes. Assim, não há
nulidade se o juiz indefere, de modo fundamentado, a oitiva das vítimas do crime. Em regra, o ofendido deverá ser ouvido
na audiência de instrução. No entanto, a obrigatoriedade de oitiva da vítima deve ser compreendida à luz da razoabilidade
e da utilidade prática da colheita da referida prova. STF. 1ª Turma. HC 131158/RS, Rel. Min. Fachin, j. 26/4/2016 (Info 823)
É possível compartilhar as provas colhidas em sede de investigação criminal para serem utilizadas, como prova emprestada,
em inquérito civil público e em outras ações decorrentes do fato investigado. Esse empréstimo é permitido mesmo que as
provas tenham sido obtidas por meio do afastamento ("quebra") judicial dos sigilos financeiro, fiscal e telefônico. STF. 1ª
Turma. Inq 3305 AgR/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 23/2/2016 (Info 815).
BUSCA E APREENSÃO
A apreensão de documentos no interior de veículo automotor constitui uma espécie de "busca pessoal" e, portanto, não
necessita de autorização judicial quando houver fundada suspeita de que em seu interior estão escondidos elementos
necessários à elucidação dos fatos investigados. Exceção: será necessária autorização judicial quando o veículo é destinado
à habitação do indivíduo, como no caso de trailers, cabines de caminhão, barcos, entre outros, quando, então, se inserem
no conceito jurídico de domicílio. STF. 2ª Turma. RHC 117767/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, j. em 11/10/2016 (Info 843).
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA
É constitucional a Resolução 36/2009 do CNMP, que dispõe sobre o pedido e a utilização de interceptações telefônicas, no
âmbito do Ministério Público, nos termos da Lei nº 9.296/96. A norma foi editada no exercício das atribuições previstas
diretamente no art. 130-A, § 2º, I e II, da CF/88. A Resolução apenas regulamentou questões administrativas e disciplinares
relacionadas ao procedimento de interceptação telefônica, sem adentrar em matéria de direito penal, processual ou relativa
a nulidades. Não foram criados novos “requisitos formais de validade” das interceptações. Tanto isso é verdade que a
inobservância dos preceitos contidos na resolução não constitui causa de nulidade, mas sim motivo para a instauração de
procedimento administrativo disciplinar contra o agente público infrator, pois consistem em regras ligadas aos deveres
funcionais de sigilo na atuação ministerial. A independência funcional do MP foi preservada. A resolução não impõe uma
linha de atuação ministerial, apenas promove a padronização formal mínima dos ritos adotados nos procedimentos
relacionados a interceptações telefônicas, em consonância com as regras previstas na Lei nº 9.296/96. STF. Plenário. ADI
4263/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/4/2018 (Info 899).
A Resolução 59/2008 do CNJ disciplina e uniformiza o procedimento de interceptação de comunicações telefônicas e de
sistemas de informática e telemática nos órgãos jurisdicionais do Poder Judiciário. Foi proposta uma ADI contra esse ato
normativo. O STF decidiu que essa Resolução é constitucional, com exceção do § 1º do art. 13, que prevê o seguinte: “§ 1º
Não será admitido pedido de prorrogação de prazo de medida cautelar de interceptação de comunicação telefônica,
telemática ou de informática durante o plantão judiciário, ressalvada a hipótese de risco iminente e grave à integridade ou
à vida de terceiros, bem como durante o Plantão de Recesso previsto artigo 62 da Lei nº 5.010/66”. Em relação ao § 1º do
art. 13 da Resolução 59/2008, o CNJ extrapolou sua competência normativa, adentrando em seara que lhe é imprópria. Essa
previsão violou: a) a competência dos Estados para editar suas leis de organização judiciária (art. 125, § 1º, da CF/88); b) a
competência legislativa na União para a edição de normas processuais (art. 22, I); c) a norma constante do art. 5º, XXXV, da
CF, no que respeita à inafastabilidade da jurisdição. STF. Plenário. ADI 4145/DF, red/ p ac A. Moraes, 26/4/2018 (Info 899).
“Denúncia anônima” e quebra de sigilo: Segundo a jurisprudência do STJ e do STF, não há ilegalidade em iniciar
investigações preliminares com base em "denúncia anônima" a fim de se verificar a plausibilidade das alegações contidas
no documento apócrifo. A Polícia, com base em diligências preliminares para atestar a veracidade dessas “denúncias” e
também lastreada em informações recebidas pelo Ministério da Justiça e pela CGU, requereu ao juízo a decretação da
interceptação telefônica do investigado. O STF entendeu que a decisão do magistrado foi correta considerando que a
decretação da interceptação telefônica não foi feita com base unicamente na "denúncia anônima" e sim após a realização

Patrícia Reinert Lang


de diligências investigativas e também com base nas informações recebidas dos órgãos públicos de fiscalização. Renovação
das interceptações: A Lei nº 9.296/96 prevê que a interceptação telefônica "não poderá exceder o prazo de quinze dias,
renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova." (art. 5º). A interceptação
telefônica não pode exceder 15 dias. Contudo, pode ser renovada por igual período, não havendo restrição legal ao
número de vezes para tal renovação, se comprovada a sua necessidade. STF. 2ª Turma. RHC 132115/PR, Rel. Min. Dias
Tóffoli, julgado em 6/2/2018 (Info 890).
O réu estava sendo investigado pela prática do crime de tráfico de drogas. Presentes os requisitos constitucionais e legais,
o juiz autorizou a interceptação telefônica para apurar o tráfico. Por meio dos diálogos, descobriu-se que o acusado foi o
autor de um homicídio. A prova obtida a respeito da prática do homicídio é LÍCITA, mesmo a interceptação telefônica tendo
sido decretada para investigar outro delito que não tinha relação com o crime contra a vida. Na presente situação, tem-se
aquilo que o Min. Alexandre de Moraes chamou de “crime achado”, ou seja, uma infração penal desconhecida e não
investigada até o momento em que, apurando-se outro fato, descobriu-se esse novo delito. Para o Min. Alexandre de
Moraes, a prova é considerada lícita, mesmo que o “crime achado” não tenha relação (não seja conexo) com o delito que
estava sendo investigado, desde que tenham sido respeitados os requisitos constitucionais e legais e desde que não tenha
havido desvio de finalidade ou fraude. STF. 1ª Turma. HC 129678/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 13/6/2017 (Info 869).
Após receber diversas denúncias de fraudes em licitações realizadas no Município, o Ministério Público Estadual promoveu
diligências preliminares e instaurou Procedimento Investigativo. Segundo a jurisprudência do STJ e do STF, não há ilegalidade
em iniciar investigações preliminares com base em "denúncia anônima" a fim de se verificar a plausibilidade das alegações
contidas no documento apócrifo. Após confirmar a plausibilidade das "denúncias", o MP requereu ao juízo a decretação da
interceptação telefônica dos investigados alegando que não havia outro meio senão a utilização de tal medida, como forma
de investigação dos supostos crimes. O juiz acolheu o pedido. O STJ e o STF entenderam que a decisão do magistrado foi
correta considerando que a decretação da interceptação telefônica não foi feita com base unicamente na "denúncia
anônima" e sim após a realização de diligências investigativas por parte do Ministério Público e a constatação de que a
interceptação era indispensável neste caso. STJ. 6ª Turma. RHC 38.566/ES, Rel. Min. Ericson Maranho (Des. Conv. do TJ/SP),
julgado em 19/11/2015. STF. 2ª Turma. HC 133148/ES, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 21/2/2017 (Info 855).
A Lei nº 9.296/96 prevê que a interceptação telefônica "não poderá exceder o prazo de quinze dias, renovável por igual
tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova." (art. 5º). A interceptação telefônica não pode exceder
15 dias. Contudo, pode ser renovada por igual período, não havendo restrição legal ao número de vezes para tal renovação,
se comprovada a sua necessidade. STF. 2ª Turma. HC 133148/ES, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 21/2/2017 (Info 855).
O simples fato de o advogado do investigado ter sido interceptado não é causa, por si só, para gerar a anulação de todo o
processo e da condenação que foi imposta ao réu. Se o Tribunal constatar que houve indevida interceptação do advogado
do investigado e que, portanto, foram violadas as prerrogativas da defesa, essa situação poderá gerar três consequências
processuais: 1ª) Cassação ou invalidação do ato judicial que determinou a interceptação; 2ª) Invalidação dos atos
processuais subsequentes ao ato atentatório e com ele relacionados; 3ª) Afastamento do magistrado caso se demonstre
que, ao assim agir, atuava de forma parcial. Se o próprio juiz, ao perceber que o advogado do investigado foi indevidamente
"grampeado", anula as gravações envolvendo o profissional e, na sentença, não utiliza nenhuma dessas conversas nem
qualquer prova derivada delas, não há motivo para se anular a condenação imposta. STF. 2ª Turma. HC 129706/PR, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 28/6/2016 (Info 832).
É possível que a interceptação telefônica seja decretada por um juiz que atue em Vara de Central de Inquéritos Criminais
mesmo que ele não seja o competente para conhecer da futura ação penal que será proposta. Não há, neste caso, nulidade
na prova colhida, nem violação ao art. 1º da Lei nº 9.296/96, considerando que este dispositivo não fixa regra de
competência, mas sim reserva de jurisdição para quebra do sigilo das comunicações. Em outras palavras, ele não trata sobre
qual juízo é competente, mas apenas quer dizer que a interceptação deve ser decretada pelo magistrado (Poder Judiciário).
Admite-se a divisão de tarefas entre juízes que atuam na fase de inquérito e na fase da ação penal. Assim, um juiz pode
atuar na fase pré-processual decretando medidas que dependam da intervenção do Poder Judiciário, como a interceptação
telefônica, mesmo que ele não seja o competente para julgar a ação penal que será proposta posteriormente. STF. 2ª Turma.
HC 126536/ES, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 1º/3/2016 (Info 816).
INVESTIGAÇÃO CRIMINAL/INQUÉRITO
Não é necessária a intimação prévia da defesa técnica do investigado para a tomada de depoimentos orais na fase de
inquérito policial. Não haverá nulidade dos atos processuais caso essa intimação não ocorra. O inquérito policial é um
procedimento informativo, de natureza inquisitorial, destinado precipuamente à formação da opinio delicti do órgão
acusatório. Logo, no inquérito há uma regular mitigação das garantias do contraditório e da ampla defesa. Esse
entendimento justifica-se porque os elementos de informação colhidos no inquérito não se prestam, por si sós, a
fundamentar uma condenação criminal. A Lei nº 13.245/2016 implicou um reforço das prerrogativas da defesa técnica, sem,

Patrícia Reinert Lang


contudo, conferir ao advogado o direito subjetivo de intimação prévia e tempestiva do calendário de inquirições a ser
definido pela autoridade policial. STF. 2ª Turma. Pet 7612/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 12/03/2019 (Info 933).
Em 2016, foi instaurado inquérito no STF para apurar crimes de corrupção passiva (art. 317 do CP) e de lavagem de dinheiro
(art. 1º, V, da Lei nº 9.613/98) que teriam sido praticados por Aécio Neves. O Delegado de Polícia Federal concluiu as
investigações, opinando, no relatório policial, pelo arquivamento do inquérito sob a alegação de que não foram reunidos
indícios contra o investigado. A Procuradoria-Geral da República afirmou que, após a manifestação do Delegado, surgiram
novos indícios e que, portanto, as investigações deveriam continuar. Afirmou, contudo, que o STF deveria remeter os autos
à 1ª instância para que as investigações continuassem lá, tendo em vista que os delitos praticados por Aécio Neves teriam
sido praticados fora do cargo de parlamentar federal, não havendo competência do STF. O STF determinou o retorno dos
autos à PGR para que ela conclua as diligências ainda pendentes de execução, no prazo de 60 dias, e que depois apresente
manifestação conclusiva nos autos, apontando concretamente os novos elementos de prova a serem considerados. De
posse de manifestação mais objetiva da PGR, com provas suficientes para eventual continuidade das investigações, o STF
poderá avaliar se é mesmo o caso de arquivamento ou se a investigação deve prosseguir e em que condições. STF. 2ª Turma.
Inq 4244/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/11/2018 (Info 924).
O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando verificar que, mesmo após terem sido feitas diligências de investigação e
terem sido descumpridos os prazos para a instrução do inquérito, não foram reunidos indícios mínimos de autoria ou
materialidade (art. 231, § 4º, “e”, do RISTF). A pendência de investigação, por prazo irrazoável, sem amparo em suspeita
contundente, ofende o direito à razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/88) e a dignidade da pessoa humana
(art. 1º, III, da CF/88). Caso concreto: tramitava, no STF, um inquérito para apurar suposto delito praticado por Deputado
Federal. O Ministro Relator já havia autorizado a realização de diversas diligências investigatórias, além de ter aceitado a
prorrogação do prazo de conclusão das investigações. Apesar disso, não foram reunidos indícios mínimos de autoria e
materialidade. Com o fim do foro por prerrogativa de função para este Deputado, a PGR requereu a remessa dos autos à 1ª
instância. O STF, contudo, negou o pedido e arquivou o inquérito, de ofício, alegando que já foram tentadas diversas
diligências investigatórias e, mesmo assim, sem êxito. Logo, a declinação de competência para a 1ª instância a fim de que lá
sejam continuadas as investigações seria uma medida fadada ao insucesso e representaria apenas protelar o inevitável. STF.
2ª T. Inq 4420/DF, Min. G. Mendes, 21/8/2018 (Info 912). STF. Decisão monoc. INQ 4.442, Rel. Min. Barroso, Dje 12/06/2018.
O arquivamento de inquérito policial por excludente de ilicitude realizado com base em provas fraudadas não faz coisa
julgada material. STF. Plenário. HC 87395/PR, Min. Lewandowski, 23/3/2017 (Info 858). Obs1: o STF entende que o inquérito
policial arquivado por excludente de ilicitude pode ser reaberto mesmo que não tenha sido baseado em provas fraudadas.
Se for com provas fraudadas, como no caso acima, com maior razão pode ser feito o desarquivamento. Obs2: ao contrário
do STF, o STJ entende que o arquivamento do inquérito policial baseado em excludente de ilicitude produz coisa julgada
material e, portanto, não pode ser reaberto. Nesse sentido: STJ. 6ª T. RHC 46.666/MS, Rel. Min. Sebastião Reis, 05/02/2015.
A suspeição de autoridade policial não é motivo de nulidade do processo, pois o inquérito é mera peça informativa, de
que se serve o Ministério Público para o início da ação penal. Assim, é inviável a anulação do processo penal por alegada
irregularidade no inquérito, pois, segundo jurisprudência firmada no STF, as nulidades processuais estão relacionadas
apenas a defeitos de ordem jurídica pelos quais são afetados os atos praticados ao longo da ação penal condenatória. STF.
2ª Turma. RHC 131450/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/5/2016 (Info 824)
As notícias anônimas ("denúncias anônimas") não autorizam, por si sós, a propositura de ação penal ou mesmo, na fase de
investigação preliminar, o emprego de métodos invasivos de investigação, como interceptação telefônica ou busca e
apreensão. Entretanto, elas podem constituir fonte de informação e de provas que não podem ser simplesmente
descartadas pelos órgãos do Poder Judiciário. Procedimento a ser adotado pela autoridade policial em caso de “denúncia
anônima”: 1) Realizar investigações preliminares para confirmar a credibilidade da “denúncia”; 2) Sendo confirmado que
a “denúncia anônima” possui aparência mínima de procedência, instaura-se inquérito policial; 3) Instaurado o inquérito,
a autoridade policial deverá buscar outros meios de prova que não a interceptação telefônica (esta é a ultima ratio). Se
houver indícios concretos contra os investigados, mas a interceptação se revelar imprescindível para provar o crime,
poderá ser requerida a quebra do sigilo telefônico ao magistrado. STF. 1ª Turma. HC 106152/MS, Rel. Min. Rosa Weber,
julgado em 29/3/2016 (Info 819).
CITAÇÃO
É constitucional a citação com hora certa no âmbito do processo penal. STF. Plenário. RE 635145/RS, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, julgado em 1º/8/2016 (Info 833).
PRERROGATIVA DE FUNÇÃO
Prefeito cometeu o crime durante o exercício do mandato e o delito está relacionado com as suas funções: a competência
para julgá-lo será, em regra, do Tribunal de Justiça. Se esse Prefeito, antes de o processo terminar, for reeleito para um
segundo mandato (consecutivo e ininterrupto), neste caso, o Tribunal de Justiça continuará sendo competente para julgá-
lo. Por outro lado, se o agente deixar o cargo de Prefeito e, quatro anos mais tarde, for eleito novamente Prefeito do mesmo
Município, nesta situação a competência para julgar o crime será do juízo de 1ª instância. A prorrogação do foro por

Patrícia Reinert Lang


prerrogativa de função só ocorre se houve reeleição, não se aplicando em caso de eleição para um novo mandato após o
agente ter ficado sem ocupar função pública. Ex: em 2011, Pedro, Prefeito, em seu primeiro mandato, cometeu o crime de
corrupção passiva. Pedro foi denunciado e passou a responder um processo penal no TJ. Em 2012, Pedro disputou a
campanha eleitoral buscando a reeleição. Contudo, ele perdeu. Com isso, Pedro ficou sem mandato eletivo. Vale esclarecer
que o processo continuou tramitando normalmente no TJ. Em 2016, Pedro concorreu novamente ao cargo de Prefeito do
mesmo Município, tendo sido eleito. Em 01/01/2017, João assumiu como Prefeito por força dessa nova eleição. O processo
de Pedro não será julgado pelo TJ, mas sim pelo juízo de 1ª instância. STF. 1ª Turma. RE 1185838/SP, Rel. Min. Rosa Weber,
julgado em 14/5/2019 (Info 940).
É inconstitucional dispositivo da Constituição Estadual que confere foro por prerrogativa de função, no Tribunal de Justiça,
para Procuradores do Estado, Procuradores da ALE, Defensores Públicos e Delegados de Polícia. A CF/88, apenas
excepcionalmente, conferiu prerrogativa de foro para as autoridades federais, estaduais e municipais. Assim, não se pode
permitir que os Estados possam, livremente, criar novas hipóteses de foro por prerrogativa de função. STF. Plenário. ADI
2553/MA, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 15/5/2019(Info 940).
Pedro, Deputado Federal, recebeu doação ilegal de uma empresa com o objetivo de financiar a sua campanha para
reeleição. Esta doação não foi contabilizada na prestação de contas, configurando o chamado “caixa 2” (art. 350 do Código
Eleitoral). Pedro foi reeleito para um novo mandato de 2019 até 2022. O STF será competente para julgar este crime
eleitoral? SIM. O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e
relacionados às funções desempenhadas. O STF entende que o recebimento de doação ilegal destinado à campanha de
reeleição ao cargo de Deputado Federal é um crime relacionado com o mandato parlamentar. Logo, a competência é do
STF. Além disso, mostra-se desimportante a circunstância de este delito ter sido praticado durante o mandato anterior,
bastando que a atual diplomação decorra de sucessiva e ininterrupta reeleição. STF. Plenário. Inq 4435 AgR-quarto/DF, Rel.
Min. Marco Aurélio, julgado em 13 e 14/3/2019 (Info 933)
Se os fatos criminosos que teriam sido supostamente cometidos pelo Deputado Federal não se relacionam ao exercício do
mandato, a competência para julgá-los não é do STF, mas sim do juízo de 1ª instância. Isso porque o foro por prerrogativa
de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas
(STF AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018). A apropriação indébita se consuma no ato da
inversão da propriedade do bem. Se a inversão da propriedade ocorreu com a transferência dos recursos da conta bancária
da empresa vítima, com sede em Brasília/DF, efetuada pelo Diretor da entidade, tem-se que a competência para apurar este
delito é do juiz de direito de 1ª instância do TJDFT. STF. 1ª Turma. Inq 4619 AgR/DF, Rel. Min. Fux, j. 19/2/2019 (Info 931).
Com a decisão proferida pelo STF, em 03/05/2018, na AP 937 QO/RJ, todos os inquéritos e processos criminais que estavam
tramitando no Supremo envolvendo crimes não relacionados com o cargo ou com a função desempenhada pela autoridade,
foram remetidos para serem julgados em 1ª instância. Isso porque o STF definiu, como 1ª tese, que “o foro por prerrogativa
de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas”.
O entendimento acima não se aplica caso a instrução já tenha se encerrado. Em outras palavras, se a instrução processual
já havia terminado, mantém-se a competência do STF para o julgamento de detentores de foro por prerrogativa de função,
ainda que o processo apure um crime que não está relacionado com o cargo ou com a função desempenhada. Isso porque
o STF definiu, como 2ª tese, que “após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para
apresentação de alegações finais, a competência para processar e julgar ações penais não será mais afetada em razão de o
agente público vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo.” STF. 1ª Turma. AP
962/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 16/10/2018 (Info 920).
Se uma pessoa sem foro por prerrogativa está sendo interceptada por decisão do juiz de 1ª instância e ela liga para uma
autoridade com foro (ex: Promotor de Justiça), a gravação desta conversa não é ilícita. Isso porque se trata de encontro
fortuito de provas (encontro fortuito de crimes), também chamado de serendipidade ou crime achado. Se após essa ligação,
o Delegado ainda demora três dias para comunicar o fato às autoridades competentes para apurar a conduta do Promotor,
este tempo não é considerado excessivo, tendo em vista a dinâmica que envolve as interceptações telefônicas. Assim, o STF
decidiu que a prerrogativa de foro de membro do Ministério Público é preservada quando a possível participação deste em
conduta criminosa é comunicada com celeridade ao Procurador-Geral de Justiça. Tais gravações, por serem lícitas, podem
servir como fundamento para que o CNMP aplique sanção de aposentadoria compulsória a este Promotor. STF. 1ª Turma.
MS 34751/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/8/2018 (Info 911).
Restrição ao foro por prerrogativa de função: As normas da Constituição de 1988 que estabelecem as hipóteses de foro
por prerrogativa de função devem ser interpretadas restritivamente, aplicando-se apenas aos crimes que tenham sido
praticados durante o exercício do cargo e em razão dele. Assim, por exemplo, se o crime foi praticado antes de o indivíduo
ser diplomado como Deputado Federal, não se justifica a competência do STF, devendo ele ser julgado pela 1ª instância
mesmo ocupando o cargo de parlamentar federal. Além disso, mesmo que o crime tenha sido cometido após a investidura
no mandato, se o delito não apresentar relação direta com as funções exercidas, também não haverá foro privilegiado. Foi
fixada, portanto, a seguinte tese: O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o
exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas. Marco para o fim do foro: término da instrução. Após o
Patrícia Reinert Lang
final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para apresentação de alegações finais, a
competência para processar e julgar ações penais não será mais afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro
cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo. STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 03/05/2018 (Info 900).
Se, após a interposição de recurso especial contra a condenação criminal, o réu foi diplomado Deputado Federal, a
competência para julgar este recurso passa a ser do STF. STF. 1ª T. RE 696533/SC, Rel. Min. Barroso, 6/2/2018 (Info 890).
Em regra, o STF entende que deverá haver o desmembramento dos processos quando houver corréus sem prerrogativa. Em
outras palavras, permanece no STF apenas a apuração do investigado com foro por prerrogativa de função e os demais são
julgados em 1ª instância. No entanto, no caso envolvendo o Senador Aécio Neves, sua irmã, seu primo e mais um
investigado, o STF decidiu que, no atual estágio, não deveria haver o desmembramento e a apuração dos fatos deveria
permanecer no Supremo para todos os envolvidos. Isso porque entendeu-se que o desmembramento representaria
inequívoco prejuízo às investigações. STF. 1ª T. Inq 4506 AgR/DF, rel. ac. Min. Alexandre de Moraes, 14/11/2017 (Info 885).
A simples menção ao nome de autoridades detentoras de prerrogativa de foro, seja em depoimentos prestados por
testemunhas ou investigados, seja em diálogos telefônicos interceptados, assim como a existência de informações, até
então, fluidas e dispersas a seu respeito, são insuficientes para o deslocamento da competência para o Tribunal
hierarquicamente superior. STF. 2ª Turma. Rcl 25497 AgR/RN, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/2/2017 (Info 854).
Se o STF entende que não há indícios contra a autoridade com foro privativo e se ainda existem outros investigados, a
Corte deverá remeter os autos ao juízo de 1ª instância para que continue a apuração da eventual responsabilidade penal
dos terceiros no suposto fato criminoso. STF. 1ª Turma. Inq 3158 AgR/RO, rel. ac. Min. Rosa Weber, j. 7/2/2017 (Info 853).
Em regra, a autoridade com foro por prerrogativa de função pode ser indiciada. Existem duas exceções previstas em lei de
autoridades que não podem ser indiciadas: a) Magistrados (art. 33, parágrafo único, da LC 35/79); b) Membros do Ministério
Público (art. 18, parágrafo único, da LC 75/73 e art. 40, parágrafo único, da Lei nº 8.625/93). Excetuadas as hipóteses legais,
é plenamente possível o indiciamento de autoridades com foro por prerrogativa de função. No entanto, para isso, é
indispensável que a autoridade policial obtenha uma autorização do Tribunal competente para julgar esta autoridade. Ex:
em um inquérito criminal que tramita no STJ para apurar crime praticado por Governador de Estado, o Delegado de Polícia
constata que já existem elementos suficientes para realizar o indiciamento do investigado. Diante disso, a autoridade policial
deverá requerer ao Ministro Relator do inquérito no STJ autorização para realizar o indiciamento do referido Governador.
Chamo atenção para o fato de que não é o Ministro Relator quem irá fazer o indiciamento. Este ato é privativo da autoridade
policial. O Ministro Relator irá apenas autorizar que o Delegado realize o indiciamento. STF. Decisão monocrática. HC 133835
MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 18/04/2016 (Info 825)
Durante a investigação, conduzida em 1ª instância, de crimes praticados por pessoas sem foro privativo, caso surja indício
de delito cometido por uma autoridade com foro no STF, o juiz deverá paralisar os atos de investigação e remeter todo o
procedimento para o Supremo. O juiz não pode decidir separar os procedimentos e remeter ao Tribunal apenas os
elementos colhidos contra a autoridade, permanecendo com o restante. Chegando ao STF, compete a este decidir se deverá
haver o desmembramento ou se o Tribunal irá julgar todos os suspeitos, incluindo as pessoas que não têm foro privativo.
Em suma, cabe apenas ao STF decidir sobre a necessidade de desmembramento de investigações que envolvam
autoridades com prerrogativa de foro. De igual forma, se surgem diálogos envolvendo autoridade com foro no STF, o juiz
que havia autorizado a interceptação não poderá levantar o sigilo do processo e permitir o acesso às conversas porque a
decisão quanto a isso é também do STF. STF. Plenário. Rcl 23457/PR, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 31/3/2016 (Info 819).
Em regra, havendo a aposentadoria do Desembargador, ele deixa de ter foro por prerrogativa de função no STJ e passa a
ser julgado em 1ª instância. Se houver, no entanto, outros réus com foro privativo no STJ, é possível que este Tribunal
reconheça que existe conexão entre os fatos e que será útil ao deslinde da causa que os réus continuem a ser julgados
conjuntamente. Neste caso, não haverá desmembramento e o réu sem foro privativo será julgado também no Tribunal com
os demais. Este procedimento não viola a CF/88, conforme definido na Súmula 704-STF. STF. 1ª Turma. HC 131164/TO, rel.
Min. Edson Fachin, julgado em 24/5/2016 (Info 827).
SIGILO BANCÁRIO
Não são nulas as provas obtidas por meio de requisição do Ministério Público de informações bancárias de titularidade de
Prefeitura para fins de apurar supostos crimes praticados por agentes públicos contra a Administração Pública. É lícita a
requisição pelo Ministério Público de informações bancárias de contas de titularidade da Prefeitura, com o fim de proteger
o patrimônio público, não se podendo falar em quebra ilegal de sigilo bancário. O sigilo de informações necessário à
preservação da intimidade é relativizado quando há interesse da sociedade em conhecer o destino dos recursos públicos.
Diante da existência de indícios da prática de ilícitos penais envolvendo verbas públicas, cabe ao MP, no exercício de seus
poderes investigatórios (art. 129, VIII, da CF/88), requisitar os registros de operações financeiras relativos aos recursos
movimentados a partir de contacorrente de titularidade da Prefeitura. Essa requisição compreende, por extensão, o acesso
aos registros das operações bancárias sucessivas, ainda que realizadas por particulares, e objetiva garantir o acesso ao real

Patrícia Reinert Lang


destino desses recursos públicos. STJ. 5ª Turma. HC 308.493-CE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
20/10/2015 (Info 572). STF. 2ª Turma. RHC 133118/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/9/2017 (Info 879).
Não é nula a condenação criminal lastreada em prova produzida no âmbito da Receita Federal do Brasil por meio da
obtenção de informações de instituições financeiras sem prévia autorização judicial de quebra do sigilo bancário. Isso
porque o STF decidiu que são constitucionais os arts. 5º e 6º da LC 105/2001, que permitem o acesso direto da Receita
Federal à movimentação financeira dos contribuintes. STF. 2ª Turma. RHC 121429/SP, Rel. Toffoli, 19/4/2016 (Info 822).
SUSPEIÇÃO/IMPEDIMENTO
É possível a arguição de suspeição de membros do Ministério Público, inclusive do Procurador-Geral da República nos
processos que tramitam no âmbito do STF. O STF entendeu que o então Procurador-Geral da República Rodrigo Janot não
era suspeito para investigar e denunciar Michel Temer. Entendeu-se que o fato de o PGR dar entrevistas falando sobre o
caso, requerer que o inquérito fosse dirigido para determinado Delegado e ainda que um determinado Procurador, em tese,
tenha orientado o advogado do réu acerca da colaboração premiada não caracterizam hipóteses de suspeição. STF. Plenário.
AS 89/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 13/9/2017 (Info 877).
O magistrado que atuou como corregedor em processo administrativo instaurado contra o réu não está impedido de
participar como julgador no processo criminal que tramita contra o acusado. A situação não se amolda em nenhuma das
hipóteses do art. 252 do CPP. O STF entende que não é possível criar, por meio de interpretação, novas causas de
impedimento que não estejam descritas expressamente nesse dispositivo. STF. 2ª Turma. RHC 131735/DF, Rel. Min. Cármen
Lúcia, julgado em 3/5/2016 (Info 824)
DEFENSORIA PÚBLICA
É inconstitucional dispositivo da Constituição Estadual que confere foro por prerrogativa de função, no Tribunal de Justiça,
para Procuradores do Estado, Procuradores da ALE, Defensores Públicos e Delegados de Polícia. A CF/88, apenas
excepcionalmente, conferiu prerrogativa de foro para as autoridades federais, estaduais e municipais. Assim, não se pode
permitir que os Estados possam, livremente, criar novas hipóteses de foro por prerrogativa de função. STF. Plenário. ADI
2553/MA, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 15/5/2019(Info 940).
A intimação pessoal da Defensoria Pública quanto à data de julgamento de habeas corpus só é necessária se houver pedido
expresso para a realização de sustentação oral. STF. 2ª Turma. HC 134.904/SP, Rel. Min. Toffoli, j. em 13/9/2016 (Info 839).
A não observância da intimação pessoal da Defensoria Pública deve ser impugnada imediatamente, na primeira
oportunidade processual, sob pena de preclusão. STF. 2ª Turma. HC 133476, Rel. Min. Teori, j. em 14/6/2016 (Info 830).
RECURSOS
Em regra, cabem embargos infringentes para o Plenário do STF contra decisão condenatória proferida pelas Turmas do STF,
desde que 2 Ministros tenham votado pela absolvição. Neste caso, o placar terá sido 3 x 2, ou seja, 3 Ministros votaram para
condenar e 2 votaram para absolver. Excepcionalmente, se a Turma, ao condenar o réu, estiver com quórum incompleto,
será possível aceitar o cabimento dos embargos infringentes mesmo que tenha havido apenas 1 voto absolutório. Isso
porque o réu não pode ser prejudicado pela ausência do quórum completo. STF. Plenário. AP 929 ED-2º julg-EI/AL, Rel. Min.
Luiz Fux, julgado em 17/10/2018 (Info 920).
O prazo para interposição de agravo regimental no STF, em processos criminais, é de 5 dias corridos (não são dias úteis,
como no CPC). O MP e a Defensoria Pública possuem prazo em dobro para interpor esse agravo? • MP: NÃO. Em matéria
penal, o Ministério Público não goza da prerrogativa da contagem dos prazos recursais em dobro. Logo, o prazo para
interposição de agravo pelo Estado-acusador em processo criminal é de 5 dias. • Defensoria Pública: SIM. Mesmo em
matéria penal, são contados em dobro todos os prazos da Defensoria Pública. Logo, o prazo para a Defensoria Pública
interpor agravo regimental é de 10 dias. STF. 1ª Turma. HC 120275/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15/5/2018 (Info 902).
Não é extemporâneo recurso interposto antes da publicação do acórdão. Sob o ângulo da oportunidade, a publicação do
acórdão impugnado é elemento neutro, podendo a parte, ciente da decisão proferida, protocolar o recurso. Assim por
exemplo, admite-se a interposição de embargos declaratórios oferecidos antes da publicação do acórdão embargado e
dentro do prazo recursal. STF. 1ª Turma. HC 113826, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/4/2018 (Info 897).
O § 5º do art. 1.035 do CPC/2015 preconiza: § 5º Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal
determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a
questão e tramitem no território nacional. O STF fixou as seguintes conclusões a respeito desse dispositivo: a) a suspensão
prevista nesse § 5º não é uma consequência automática e necessária do reconhecimento da repercussão geral. Em outras
palavras, ela não acontece sempre. O Ministro Relator do recurso extraordinário paradigma tem discricionariedade para
determiná-la ou modulá-la; b) a possibilidade de sobrestamento se aplica aos processos de natureza penal. Isso significa
que, reconhecida a repercussão geral em um recurso extraordinário que trata sobre matéria penal, o Ministro Relator
poderá determinar o sobrestamento de todos os processos criminais pendentes que versem sobre a matéria; c) se for
determinado o sobrestamento de processos de natureza penal, haverá, automaticamente, a suspensão da prescrição da
pretensão punitiva relativa aos crimes que forem objeto das ações penais sobrestadas. Isso com base em uma
interpretação conforme a Constituição do art. 116, I, do Código Penal; d) em nenhuma hipótese, o sobrestamento de
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processos penais determinado com fundamento no art. 1.035, § 5º, do CPC abrangerá inquéritos policiais ou procedimentos
investigatórios conduzidos pelo Ministério Público; e) em nenhuma hipótese, o sobrestamento de processos penais
determinado com fundamento no art. 1.035, § 5º, do CPC abrangerá ações penais em que haja réu preso provisoriamente;
f) em qualquer caso de sobrestamento de ação penal determinado com fundamento no art. 1.035, § 5º, do CPC, poderá o
juízo de piso, no curso da suspensão, proceder, conforme a necessidade, à produção de provas de natureza urgente. STF.
Plenário. RE 966.177 RG/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 7/6/2017 (Info 868).
O art. 580 do CPP afirma que, no caso de concurso de agentes, a decisão favorável que um dos réus conseguir no julgamento
do seu recurso poderá ser aproveitada pelos demais acusados, salvo se a decisão tiver se fundamentado em motivos que
sejam de caráter exclusivamente pessoal. Esse dispositivo não pode ser aplicado quando: a) o réu que estiver requerendo
a extensão da decisão não participar da mesma relação jurídico-processual daquele que foi beneficiado. O requerente
será, neste caso, parte ilegítima; b) se invoca extensão da decisão para outros processos que não foram examinados pelo
órgão julgador. Isso porque, neste caso, o que o requerente está pretendendo é obter a transcendência dos motivos
determinantes para outro processo, o que não é admitido pela jurisprudência do STF. STF. 1ª Turma. HC 137728 EXTN/PR,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 30/5/2017 (Info 867)
O art. 1º da Lei nº 9.800/99 prevê que "é permitida às partes a utilização de sistema de transmissão de dados e imagens
tipo fac-símile ou outro similar, para a prática de atos processuais que dependam de petição escrita." É possível a
interposição de recurso por e-mail, aplicando-se as regras da Lei nº 9.800/99? NÃO. A ordem jurídica não contempla a
interposição de recurso via e-mail. O e-mail não configura meio eletrônico equiparado ao fax, para fins da aplicação do
disposto no art. 1º da Lei nº 9.800/99, porquanto não guarda a mesma segurança de transmissão e registro de dados. STJ.
6ª Turma. AgRg no AREsp 919.403/DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13/09/2016. STF. 1ª Turma. HC
121225/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/3/2017 (Info 857).
Se o Presidente do tribunal de origem nega seguimento ao RE ou Resp (em matéria criminal) e a parte deseja interpor agravo
contra esta decisão, ela terá o prazo de 15 dias (art. 1.003, § 5º, do CPC/2015). Antes do CPC/2015, este prazo era de 5 dias,
conforme previa o art. 38 da Lei nº 8.038/90. Com o novo CPC e a revogação do art. 38 da Lei nº 8.038/90, ficou superada a
Súmula 699-STF. Vale ressaltar que o prazo deste agravo acima mencionado é contado em dias CORRIDOS (não são dias
úteis). Não se aplica o art. 219 do CPC/2015, considerando que existe regra específica no processo penal determinando que
todos os prazos serão contínuos, não se interrompendo por férias, domingo ou dia feriado (art. 798 do CPP). Resumindo: se
o Presidente do tribunal de origem nega seguimento ao RE ou Resp (em matéria criminal) e a parte deseja interpor agravo
contra esta decisão, ela terá o prazo de 15 dias CORRIDOS (não são dias úteis). STF. 1ª Turma. ARE 993407/DF, Rel. Min.
Edson Fachin, julgado em 25/10/2016 (Info 845).
REVISÃO CRIMINAL
Não cabe revisão criminal para impugnar decisão que se limita a inadmitir recurso. A decisão suscetível de impugnação por
meio de revisão criminal consiste no ato jurisdicional que impõe ou chancela (confirma) o mérito de pronunciamento
condenatório. Não cabe revisão criminal contra decisões posteriores que, correta ou incorretamente, tenham inadmitido
ou negado provimento a recursos, visto que essas manifestações jurisdicionais não compõem o título condenatório. STF.
Plenário. RvC 5480 AgR/AM, rel. Min. Edson Fachin, julgamento em 12.9.2019. (RvC-5480)
DENÚNCIA
A PGR ofereceu denúncia contra Paulo e outros réus perante o STJ. Este Tribunal desmembrou o feito e ficou com o processo
apenas da autoridade com foro no STJ, declinando da competência para que o TJ julgasse os demais. O PGJ (que atua no TJ)
ratificou a denúncia. Ocorre que o TJ também decidiu desmembrar o feito e ficou com o processo apenas da autoridade
com foro no TJ, declinando da competência para que o juízo de 1ª instância julgasse os demais corréus. O processo de Paulo,
que não tinha foro privativo, foi remetido para a 1ª instância. O Promotor de Justiça que atua na 1ª instância decidiu não
ratificar a peça acusatória, oferecendo nova denúncia incluindo, inclusive, novos réus. A defesa alegou que o Promotor não
poderia ter alterado a denúncia. O STF entendeu que o membro do MP agiu corretamente e que não há qualquer nulidade
neste caso. É possível o aditamento da denúncia a qualquer tempo antes da sentença final, garantidos o devido processo
legal, a ampla defesa e o contraditório, especialmente quando a inicial ainda não tenha sido sequer recebida originariamente
pelo juízo competente, como ocorreu no caso concreto. O membro do MP possui total liberdade na formação de seu
convencimento (opinio delicti). Assim, a sua atuação não pode ser restringida ou ficar vinculada às conclusões jurídicas que
o outro membro do MP chegou, mesmo que este atue em uma instância superior. Em outras palavras, o Promotor de Justiça
que passou a ter atribuição para atuar no caso não está vinculado às conclusões do Procurador-Geral de Justiça que estava
anteriormente funcionando no processo. Desse modo, é irrelevante que outros membros do Ministério Público com
atribuição para atuar em instância superior, em virtude da análise dos mesmos fatos, tenham, anteriormente, oferecido
denúncia de diferente teor em face do réu, uma vez que, conforme ficou reconhecido pelo STJ e pelo TJDFT, a competência
para o processo criminal era da 1ª instância, de forma que o promotor natural do caso era o Promotor de Justiça que atua
na 1ª instância. Portanto, o fato de o promotor natural — aquele com atribuição para atuar na 1ª instância — não se
encontrar tecnicamente subordinado e apresentar entendimento jurídico diverso, afasta qualquer alegação de nulidade

Patrícia Reinert Lang


decorrente de alteração do teor da peça acusatória oferecida contra o réu Paulo. STF. 1ª Turma. HC 137637/DF, Rel. Min.
Luiz Fux, julgado em 6/3/2018 (Info 893).
O Ministério Público ofereceu denúncia contra alguns sócios da empresa, dentre eles o Diretor-Presidente, afirmando,
quanto a este, que praticou o crime de evasão de divisas porque detinha o domínio do fato e que não seria crível que a
empresa movimentasse altos valores para o exterior sem que ele soubesse. O STF entendeu que esta denúncia é inepta.
Não há óbice para que a denúncia invoque a teoria do domínio do fato para dar suporte à imputação penal, sendo
necessário, contudo, que, além disso, ela aponte indícios convergentes no sentido de que o Presidente da empresa não só
teve conhecimento do crime de evasão de divisas, como dirigiu finalisticamente a atuação dos demais acusados. Assim, não
basta que o acusado se encontre em posição hierarquicamente superior. Isso porque o próprio estatuto da empresa prevê
que haja divisão de responsabilidades e, em grandes corporações, empresas ou bancos há controles e auditorias exatamente
porque nem mesmo os sócios têm como saber tudo o que se passa. STF. 2ª Turma. HC 127397/BA, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 6/12/2016 (Info 850).
QUEIXA CRIME
Em um programa de maior audiência da rádio, o apresentador proferiu uma série de acusações contra determinado político,
afirmando que ele desviou dinheiro público na construção da escola, que se trata de um corrupto, de um ladrão etc. O
ofendido ajuizou queixa-crime contra o radialista e contra o proprietário da rádio afirmando que todos sabem que o dono
deste meio de comunicação é seu inimigo político, de forma que é intuitivo crer que foi o sócio-proprietário da rádio quem
orientou e ordenou que o apresentador proferisse as agressões verbais contra o querelante. Em uma situação semelhante
a esta, o STF rejeitou a queixa-crime afirmando que o querelante não individualizou, minimamente, a conduta do querelado
detentor de prerrogativa de foro e lhe imputou fatos criminosos em razão da mera condição de sócio-proprietário do veículo
de comunicação social, o que não é admitido. A mera posição hierárquica do querelado como titular da empresa de
comunicação não é suficiente para o recebimento da queixa-crime. Seria necessário que o querelante tivesse descrito e
apontado elementos indiciários que evidenciassem a vontade e consciência do querelado de praticar os crimes imputados.
Não tendo isso sido feito, a queixa-crime deve ser rejeitada por manifesta ausência de justa causa. STF. 1ª Turma. Pet
5660/PA, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/3/2017 (Info 857).
INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL
O incidente de insanidade mental é prova pericial constituída em favor da defesa. Logo, não é possível determiná-lo
compulsoriamente na hipótese em que a defesa se oponha à sua realização. STF. 2ª Turma. HC 133.078/RJ, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 6/9/2016 (Info 838).
MEDIDA DE SEGURANÇA
É inconstitucional a manutenção em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico – estabelecimento penal – de pessoa
com diagnóstico de doença psíquica que teve extinta a punibilidade. Essa situação configura uma privação de liberdade
sem pena. STF. 2ª Turma. HC 151523/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 27/11/2018 (Info 925).
ALGEMAS
A apresentação do custodiado algemado à imprensa pelas autoridades policiais não afronta o Enunciado 11 da Súmula
Vinculante. A SV 11 refere-se apenas a situações em que o emprego abusivo da algema decorre de decisão judicial, ou seja,
no âmbito de um ato processual. Não abrange hipóteses em que seu uso decorreu de ato administrativo da autoridade
policial. STF. 1ª Turma. Rcl 7116/PE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 24/5/2016 (Info 827).
PROCEDIMENTO AÇÕES ORIGINÁRIAS
A competência para julgar determinados habeas corpus é de uma das duas Turmas do STF (e não do Plenário). Ex: HC contra
decisão do STJ, em regra, é de competência de uma das Turmas do STF. O Ministro Relator do HC no STF, em vez de submetê-
lo à Turma, pode levá-lo para ser julgado pelo Plenário? SIM. Essa possibilidade encontra-se prevista no art. 6º, II, “c” e no
art. 21, XI, do RI/STF. Para fazer isso, o Relator precisa fundamentar essa remessa? É necessário que o Relator apresente
uma justificativa para que o caso seja levado ao Plenário? NÃO. É possível a remessa de habeas corpus ao Plenário do STF,
pelo relator, de forma discricionária, com fundamento no art. 6º, II, “c” e no art. 21, XI, do RI/STF. STF. Plenário. HC
143333/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11 e 12/4/2018 (Info 897).
O agravo interposto contra decisão monocrática do Ministro Relator no STF e STJ, em recursos ou ações originárias que
versem sobre matéria penal ou processual penal NÃO obedece às regras no novo CPC. Isso significa que:  o prazo deste
agravo é de 5 dias, nos termos do art. 39 da Lei nº 8.038/90 (não se aplicando o art. 1.070 do CPC/2015);  este prazo é
contado em dias corridos, conforme prevê o art. 798 do CPP (não se aplicando a regra da contagem em dias úteis do art.
219 do CPC/2015). STF. Decisão monocrática. HC 134554 Rcon, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 10/06/2016 (Info 830).
STJ. 3ª Seção. AgRg na Rcl 30.714/PB, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 27/04/2016.
Em regra, é cabível a aplicação analógica do prazo em dobro previsto no art. 229 do CPC/2015 ao prazo previsto no art. 4º
da Lei nº 8.038/90 (“Apresentada a denúncia ou a queixa ao Tribunal, far-se-á a notificação do acusado para oferecer
resposta no prazo de quinze dias”). "Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de

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advocacia distintos, terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal,
independentemente de requerimento." No entanto, não cabe a aplicação subsidiária do art. 229, caput, do CPC/2015 em
inquéritos e ações penais originárias em que os atos processuais das partes são praticados por via eletrônica e todos os
interessados — advogados e membros do Ministério Público — têm acesso amplo e simultâneo ao inteiro teor dos autos.
Incide aqui a regra de exceção do § 2º do art. 229: "§ 2º Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos
eletrônicos." STF. 2ª Turma. Inq 3980 QO/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 7/6/2016 (Info 829).
PRINCÍPIOS
Não caracteriza reformatio in pejus a decisão de tribunal de justiça que, ao julgar recurso de apelação exclusivo da defesa,
mantém a reprimenda aplicada pelo magistrado de primeiro grau, porém com fundamentos diversos daqueles adotados
na sentença. Não viola o princípio da proibição da reformatio in pejus a reavaliação das circunstâncias judiciais em recurso
de apelação penal, no âmbito do efeito devolutivo, desde que essa não incorra em aumento de pena. Não há falar em
reformatio in pejus se os motivos expendidos pelo julgador em sede de apelação exclusiva da defesa não representaram
advento de situação mais gravosa para o réu. STF. 1ª Turma. RHC 119149/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/2/2015
(Info 774). STF. 1ª Turma. HC 126457/PA, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/11/2018 (Info 922). Esse é
também o entendimento do STJ: STJ. 5ª Turma. HC 330.170/RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/09/2016.
Em virtude do grande volume de trabalho que assoberba o STJ, é necessário flexibilizar o princípio constitucional da razoável
duração do processo. Dessa forma, em regra, tolera-se que haja uma natural demora no julgamento dos recursos que
tramitam naquele Tribunal. Além disso, o STF entende que se a demora no julgamento do recurso pelo STJ deveu-se ao fato
de que houve a troca do Ministro Relator do caso, isso, em regra, justifica o atraso. No entanto, no caso concreto, o Resp
estava aguardando julgamento no STJ há 5 anos, demora muito grande, o que caracteriza evidente constrangimento ilegal
e negativa de prestação jurisdicional. Diante disso, o STF determinou ao STJ que apresente o recurso especial para ser
julgado em, no máximo, cinco sessões daquele Tribunal, prazo a ser contado da comunicação da ordem. STF. 2ª Turma. HC
136435/PR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 22/11/2016 (Info 848).
SENTENÇA
O princípio da congruência preconiza que o acusado se defende dos fatos descritos na denúncia e não da capitulação jurídica
nela estabelecida. Assim, para que esse princípio seja respeitado é necessário apenas que haja a correlação entre o fato
descrito na peça acusatória e o fato pelo qual o réu foi condenado, sendo irrelevante a menção expressa na denúncia de
eventuais causas de aumento ou diminuição de pena. Ex: o MP ajuizou ação penal contra o réu por sonegação fiscal (art.
1º, I, da Lei nº 8.137/90). Na denúncia, o MP não pediu expressamente que fosse reconhecida a majorante do art. 12, I.
Pediu-se apenas a condenação do acusado pelo crime do art. 1º, I. No entanto, apesar disso, na exordial o membro do MP
narrou que o réu sonegou tributos em montante superior a R$ 4 milhões. O juiz, na sentença, ao condenar o réu, poderá
reconhecer a incidência da causa de aumento de pena prevista no art. 12, I, porque o fato que ela representa (vultosa
quantia sonegada que gera dano à coletividade) foi narrado, apesar de não haver menção expressa ao dispositivo legal. STF.
2ª Turma. HC 129284/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 17/10/2017 (Info 882).
EMENDATIO LIBELLI
O réu foi condenado a 4 anos de reclusão pela prática do crime previsto no art. 4º, caput, da Lei nº 7.492/86. O Tribunal, em
recurso exclusivo da defesa, reclassificou a conduta para os art. 16 e 22, parágrafo único, da Lei nº 7.492/86, mantendo,
contudo, a pena em 4 anos de reclusão. Não há qualquer nulidade no acórdão do Tribunal. Houve, no presente caso,
emendatio libelli. É possível a realização de emendatio libelli em segunda instância no julgamento de recurso exclusivo
da defesa, desde que não gere reformatio in pejus, nos termos do art. 617 do CPP. Como a pena foi mantida pelo Tribunal,
não houve prejuízo ao réu. STF. 2ª Turma. HC 134.872/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 27/3/2018 (Info 895).
JÚRI
João foi denunciado por homicídio doloso. Foi condenado pelo Tribunal do Júri. Contra esta sentença, a defesa interpôs
apelação e o TJ deu provimento ao recurso, absolvendo o réu por entender que a decisão dos jurados foi manifestamente
contrária à prova dos autos. Isso porque só havia uma única testemunha contra o réu e o TJ entendeu que isso não seria
suficiente para a condenação. Contra o acórdão do TJ, o Ministério Público interpôs recurso extraordinário. O STF deu
provimento ao recurso do MP para restaurar o veredicto condenatório prolatado pelo Tribunal do Júri. Para o STF, analisar
se um único depoimento é suficiente ou não para a condenação é uma matéria que cabe aos jurados no Tribunal do Júri e
que não pode ser reformado pelo TJ. Ocorre que, em revisão criminal, o TJ voltou a absolver o réu utilizando novamente
como fundamento o argumento de que a condenação é contrária à evidência dos autos. Essa decisão do TJ na revisão
criminal viola aquilo que o STF decidiu no recurso extraordinário, razão pela qual deve ser julgada procedente reclamação
contra o acórdão do TJ. STF. 1ª Turma. Rcl 29621 AgR/MT, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/6/2019 (Info 945)

Em regra, é incabível, por ilegitimidade ativa ad causam, o manejo de reclamação por quem não tenha sido parte no processo
subjetivo que tramitou perante o STF. No entanto, em um caso específico, o STF abriu uma exceção para esse entendimento.
O STF reconheceu a legitimidade do autor da reclamação afirmando que se mostra inequívoco o interesse da família da
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vítima no deslinde do caso. Não se pode, por excessivo apelo formal, afastar a relação de pertinência subjetiva do autor da
reclamação que, como filho da vítima, atua também na qualidade de representante dos interesses da família. Assim, o filho
da vítima do homicídio, mesmo que não tenha sido assistente de acusação no curso da ação penal, tem legitimidade para
ajuizar reclamação contra decisão do Tribunal de Justiça que absolveu o réu no julgamento de revisão criminal, alegando
que esta decisão violou a autoridade de acórdão do STF. STF. 1ª Turma. Rcl 29621 AgR/MT, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
25/6/2019 (Info 945).
Na fase de pronúncia deve-se adotar a teoria racionalista da prova, na qual não deve haver critérios de valoração das provas
rigidamente definidos na lei, no entanto, por outro lado, o juízo sobre os fatos deve ser pautado por critérios de lógica e
racionalidade, podendo ser controlado em âmbito recursal ordinário. Para a pronúncia, não se exige uma certeza além da
dúvida razoável, necessária para a condenação. Contudo, a submissão de um acusado ao julgamento pelo Tribunal do Júri
pressupõe a existência de um lastro probatório consistente no sentido da tese acusatória. Ou seja, requer-se um standard
probatório um pouco inferior, mas ainda assim dependente de uma preponderância de provas incriminatórias. STF. 2ª
Turma. ARE 1067392/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 26/3/2019 (Info 935)
Se a condenação proferida pelo júri foi anulada pelo Tribunal em recurso exclusivo da defesa, isso significa que deverá ser
realizado um novo júri, mas, em caso de nova condenação, a pena imposta neste segundo julgamento não poderá ser
superior àquela fixada na sentença do primeiro júri. Em outras palavras, se apenas o réu recorreu contra a sentença que o
condenou e o Tribunal decidiu anular a sentença, determinando que outra seja prolatada, esta nova sentença, se também
for condenatória, não pode ter uma pena superior à que foi aplicada na primeira. Isso é chamado de princípio da ne
reformatio in pejus indireta, que tem aplicação também no Tribunal do Júri. A soberania do veredicto dos jurados (art.
5º, XXXVIII, “c”, da CF/88) não autoriza a reformatio in pejus indireta. STF. 2ª Turma. HC 165376/SP, Rel. Min. Cármen
Lúcia, julgado em 11/12/2018 (Info 927).
Em caso de condenação pelo Tribunal do Júri, é possível a execução provisória da pena mesmo antes de o Tribunal julgar a
apelação interposta pela defesa? 1ª corrente: SIM. É possível a execução da condenação pelo Juiz Presidente do Tribunal
do Júri, independentemente do julgamento da apelação ou de qualquer outro recurso, em face do princípio da soberania
dos veredictos. Assim, nas condenações pelo Tribunal do Júri não é necessário aguardar julgamento de recurso em segundo
grau de jurisdição para a execução da pena. STF. 1ª Turma. HC 140449/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Roberto Barroso, julgado em 6/11/2018 (Info 922). STF. 1ª Turma. HC 118770 ED, Redator do acórdão Min. Roberto Barroso,
julgado em 04/06/2018. 2ª corrente: NÃO. Não é possível a execução provisória da pena em face de decisão do júri sem
que haja o exaurimento em grau recursal das instâncias ordinárias, sob pena de macular o princípio constitucional da
presunção de inocência. A execução provisória da pena somente é admitida se o recurso pendente de julgamento não tiver
efeito suspensivo. STF. 2ª Turma. HC 136223, Rel. Min. Dias Toffoli, Segunda Turma, julgado em 25/04/2017. STJ. 5ª Turma.
HC 438088, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 24/05/2018. STJ. Presidente Min. Laurita Vaz, em decisão
monocrática no HC 458.249, julgado em 12/07/2018.
A defesa sustentava a nulidade absoluta do processo, em razão da ausência das alegações finais por abandono da causa
pelo advogado. Sustentava, também, a violação ao devido processo legal, diante da modificação da tese acusatória em
plenário, sem que tivesse sido oportunizado o exercício do contraditório. O STF entendeu não ter ocorrido nulidade
processual, tendo em vista que, na audiência de instrução, a defesa técnica postulou a impronúncia. Além disso, afirmou
haver correlação entre o que foi arguido pelo Estado-acusador em plenário e a pronúncia. Em outras palavras, o MP pediu
a condenação do réu justamente pelos fatos que constavam na pronúncia. STF. 1ª Turma. HC 129.263/RS, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 15/5/2018 (Info 902).
SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO
De acordo com o art. 89 da Lei nº 9.099/95, a suspensão condicional do processo é instituto de política criminal, benéfico
ao acusado, que visa a evitar a sua sujeição a um processo penal, cujos requisitos encontram-se expressamente previstos
na norma em questão. É constitucional a norma do art. 89 da Lei nº 9.099/95, que estabelece os requisitos para a concessão
do benefício da suspensão condicional do processo, entre eles o de não responder o acusado por outros delitos. Assim, a
existência de ações penais em curso contra o denunciado impede a concessão do sursis processual por força do art. 89 da
Lei nº 9.099/95. STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/5/2018 (Info 903). STF. 2ª Turma. RHC 133945
AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/06/2016.
INTERROGATÓRIO
Nos processos criminais que tramitam perante o STF e o STJ, cujo procedimento é regido pela Lei nº 8.038/90, o
interrogatório também é o último ato de instrução. Apesar de não ter havido uma alteração específica do art. 7º da Lei
8.038/90, com base no CPP, entende-se que o interrogatório é um ato de defesa, mais bem exercido depois de toda a
instrução, porque há possibilidade do contraditório mais amplo. Assim, primeiro devem ser ouvidas todas as testemunhas
arroladas pela acusação e pela defesa para, só então, ser realizado o interrogatório. STF. 1ª Turma. AP 1027/DF, Rel. Min.
Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luís Roberto Barroso, julgado em 2/10/2018 (Info 918).

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O CPP, ao tratar sobre a condução coercitiva, prevê o seguinte: Art. 260. Se o acusado não atender à intimação para o
interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar
conduzi-lo à sua presença. O STF declarou que a expressão “para o interrogatório”, prevista no art. 260 do CPP, não foi
recepcionada pela Constituição Federal. Assim, caso seja determinada a condução coercitiva de investigados ou de réus
para interrogatório, tal conduta poderá ensejar: • a responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade •
a ilicitude das provas obtidas • a responsabilidade civil do Estado. Modulação dos efeitos: o STF afirmou que o entendimento
acima não desconstitui (não invalida) os interrogatórios que foram realizados até a data do julgamento, ainda que os
interrogados tenham sido coercitivamente conduzidos para o referido ato processual. STF. Plenário. ADPF 395/DF e ADPF
444/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 13 e 14/6/2018 (Info 906).
ARRESTO
Para que seja autorizada a decretação da medida de arresto, não é necessário que fique demonstrado que o réu está
praticando atos concretos de desfazimento de bens. Porém, é imperiosa a demonstração da plausibilidade do direito e do
perigo na demora. A indisponibilidade dos bens não traz prejuízos desarrazoados ao réu, pois ele terá seus bens
desbloqueados, se absolvido ao fim do processo. Assim, é possível o arresto prévio de bens de acusados por suposta prática
de crime único de corrupção passiva em concurso de agentes. STF. 1ª Turma. Pet 7.069/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, red p/o
acordão Min. Luís Roberto Barroso, julgado em 13/3/2019 (Info 933).
SUSTENTAÇÃO ORAL
A sustentação oral do representante do Ministério Público que diverge do parecer juntado ao processo, com posterior
ratificação, não viola a ampla defesa. STF. 1ª Turma. HC 140780/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 30/10/2018 (Info 922).
RECLAMAÇÃO
Deve ser aplicado o art. 798 do CPP (contagem dos prazos de forma contínua) em caso de recurso contra decisão que
julgou reclamação em matéria penal: A contagem de prazos no contexto de reclamações cujo ato impugnado tiver sido
produzido em processo ou procedimento de natureza penal submete-se ao art. 798 do CPP, ou seja, os prazos são contados
de forma contínua (e não em dias úteis). STF. Plenário. Rcl 23045 ED-AgR, Rel. Min. Edson Fachin, 9/5/2019 (Info 939).
TRIBUTÁRIO
ICMS
Em 2006, o STF julgou inconstitucional lei do Estado do Pará que concedia isenção, redução da base de cálculo, diferimento,
crédito presumido e suspensão do ICMS para os empreendimentos ali instalados. Entendeu-se que houve violação do art.
155, § 2º, XII, letra “g” da CF/88. Agora, o STF rejeitou os embargos de declaração opostos pelo Estado do Pará postulando
a modulação dos efeitos da decisão. Os Ministros afirmaram que no julgamento da ADI foi debatida a possibilidade de
modulação dos efeitos, sendo essa proposta recusada pelo Colegiado. Assim, entendeu-se que a decisão que julgou
inconstitucional a lei deve ter efeitos retroativos (ex tunc). STF. Plenário. ADI 3246/PA, Rel. Moraes, 13/6/2018 (Info 906).
É válida lei estadual que dispõe acerca da incidência do ICMS sobre operações de importação editada após a vigência da EC
33/2001 (12/12/2001), mas antes da LC federal 114/2002, visto que é plena a competência legislativa estadual enquanto
inexistir lei federal sobre norma geral, conforme art. 24, § 3º, da CF/88. Nesse sentido, o STF julgou válida lei do Estado de
SP, editada em 21/12/2001, que prevê a incidência de ICMS sobre importação de veículo por pessoa física e para uso próprio.
Não há inconstitucionalidade uma vez que a lei foi editada após a EC 33/2001, que autorizou a tributação. STF. 2ª Turma.
ARE 917950/SP, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 5/12/2017 (Info 887).
É inconstitucional lei estadual que concede, sem autorização de convênio interestadual, dedução de ICMS para empresas
que patrocinarem bolsas de estudo para professores. O Estado-membro só pode conceder isenção de ICMS se isso tiver sido
combinado com os demais Estados-membros/DF por meio de um convênio. É o que prevê o art. 155, § 2º, XII, “g”, da CF/88
e o art. 1º da LC 24/75. STF. Plenário. ADI 2663/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 8/3/2017 (Info 856).
No Rio Grande do Sul foi editada uma lei prevendo que as empresas transportadoras teriam duas opções de tributação do
ICMS: 1ª) poderiam continuar com o sistema normal de créditos e débitos inerente ao ICMS; 2ª) poderiam aderir a um
regime tributário opcional no qual teriam a redução da base de cálculo para o percentual de 80%, condicionada ao abandono
do regime de apuração normal de créditos e débitos. O STF entendeu que não é inconstitucional lei estadual que permita
que o contribuinte opte por um regime especial de tributação de ICMS com base de cálculo reduzida, mediante expressa
renúncia ao aproveitamento de créditos relativos ao imposto pago em operações anteriores, ainda que proporcional. Esta
norma não viola o princípio da não cumulatividade. Assim, se a empresa contribuinte optar pelo sistema da base de cálculo
reduzida, não terá direito ao creditamento de ICMS. STF. 1ª T. AI 765420 AgR/RS, Min. Rosa Weber, 21/2/2017 (Info 855).
O ICMS é um imposto estadual. A CF/88 e a LC 87/96 determinaram que não deveria incidir ICMS nas operações e prestações
destinadas ao exterior. Como isso causou uma perda de arrecadação, foi prevista uma forma de compensação por meio da
qual a União deveria transferir recursos aos Estados. Os critérios para compensar os Estados por conta das desonerações de
ICMS sobre as exportações estão previstos no art. 91 do ADCT. O caput do art. 91 exige que seja editada uma nova lei
complementar para regulamentar os critérios de compensação dos Estados. No entanto, o § 3º prevê que, até a edição da

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nova lei complementar, devem ser adotados para o repasse os critérios estabelecidos no Anexo da LC 87/96, com a redação
da LC 115/2002. Portanto, o próprio texto constitucional transitório já previu a solução a ser adotada até a vinda da nova lei
complementar. Dessa forma, o Poder Judiciário não pode alterar os índices de repasse da União aos Estados previstos no
art. 91 do ADCT e na LC 87/96, criando novos critérios. Tal atitude equivaleria a uma inovação no ordenamento jurídico
contra o direito posto, violando a cláusula da separação dos Poderes. STF. Plenário. ACO 1044/MT, Rel. Min. Luiz Fux, julgado
em 30/11/2016 (Info 849).
É devida a restituição da diferença do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pago a mais, no regime
de substituição tributária para a frente, se a base de cálculo efetiva da operação for inferior à presumida. STF. Plenário. ADI
2675/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski e ADI 2777/SP, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgados em 19/10/2016
(Info 844). STF. Plenário. RE 593849/MG, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 19/10/2016 (repercussão geral) (Info 844).
O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incide sobre a tarifa de assinatura básica mensal cobrada pelas
prestadoras de serviço de telefonia, independentemente da franquia de minutos concedida ou não ao usuário. STF. Plenário.
RE 912888/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 13/10/2016 (repercussão geral) (Info 843). Cuidado. Não confundir com
o RE 572020/DF, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, julgado em 6/2/2014 (Info 734). Serviços preparatórios à comunicação:
NÃO incide ICMS (RE 572020/DF - Súmula 350 STJ). Configuram atividades-meio ou serviços suplementares (acessórios). Ex:
habilitação, instalação, disponibilidade, cadastro de usuário e equipamento.
IPI
Há direito ao creditamento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na entrada de insumos, matéria-prima e
material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, considerada a previsão de
incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição Federal, combinada com o comando do art. 40 do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias. STF. Plenário. RE 592891/SP, Rel. Min. Rosa Weber e RE 596614/SP, rel. Min. Marco
Aurélio, red. p/ ac. Min. Edson Fachin, julgados em 24 e 25/4/2019 (repercussão geral) (Info 938).
Surge constitucional, sob o ângulo do caráter seletivo, em função da essencialidade do produto e do tratamento isonômico,
o art. 2º da Lei nº 8.393/91, a revelar alíquota máxima de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI de 18%, assegurada
isenção, quanto aos contribuintes situados na área de atuação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste -
SUDENE e da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM, e autorização para redução de até 50% da
alíquota, presentes contribuintes situados nos Estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Obs: o art. 2º da Lei nº 8.393/91
encontra-se atualmente revogado. Dessa forma, este julgamento do STF refere-se a casos concretos ocorridos na época em
que vigia essa norma. STF. Plenário. RE 592145/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860).
Incide o IPI em importação de veículos automotores por pessoa natural, ainda que não desempenhe atividade
empresarial, e o faça para uso próprio. STF. Plenário. RE 723651PR, Rel. M. Aurélio, 4/2/2016 (repercussão geral) (Info 574).
É constitucional a concessão regular de incentivos, benefícios e isenções fiscais relativos ao Imposto de Renda e Imposto
sobre Produtos Industrializados por parte da União em relação ao Fundo de Participação de Municípios e respectivas quotas
devidas às Municipalidades. STF. Plenário. RE 705423/SE, Rel. Min. E. Fachin, j. 17/11/2016 (repercussão geral) (Info 847)
ISS
É inconstitucional lei municipal que estabelece impeditivos à submissão de sociedades profissionais de advogados ao regime
de tributação fixa em bases anuais na forma estabelecida por lei nacional. STF. Plenário. RE 940769/RS, Rel. Edson Fachin,
julgado em 24/4/2019 (repercussão geral) (Info 938).
O STF, ao julgar embargos de declaração opostos contra acórdão prolatado no dia 29/09/2016, alterou a redação da tese
fixada para excluir a menção que era feita ao seguro saúde. Assim, a tese do RE 651703/PR passa a ser a seguinte: As
operadoras de planos de saúde realizam prestação de serviço sujeita ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza -
ISSQN, previsto no art. 156, III, da CF/88. STF. Plenário. RE 651703/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 29/09/2016
(repercussão geral) (Info 841). STF. Plenário. RE 651703 ED/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/2/2019 (Info 932).
É inconstitucional lei municipal que veicule exclusão de valores da base de cálculo do ISSQN fora das hipóteses previstas em
lei complementar nacional. Também é incompatível com o texto constitucional medida fiscal que resulte indiretamente na
redução da alíquota mínima estabelecida pelo art. 88 do ADCT, a partir da redução da carga tributária incidente sobre a
prestação de serviço na territorialidade do ente tributante. STF. Plenário. ADPF 190/SP, Rel. Fachin, j. 29/09/2016 (Info 841).
ITR
É constitucional a progressividade das alíquotas do ITR previstas na Lei nº 9.393/96 e que leva em consideração, de maneira
conjugada, o grau de utilização (GU) e a área do imóvel. Essa progressividade é compatível com o art. 153, § 4º, I, da CF/88,
seja na sua redação atual, seja na redação originária, ou seja, antes da EC 42/2003. Mesmo no período anterior à EC 42/2003,
era possível a instituição da progressividade em relação às alíquotas do ITR. STF. 1ª Turma. RE 1038357 AgR/ SP, Rel. Min
Dias Tóffoli, julgado em 6/2/2018 (Info 890).
TAXAS
É inconstitucional taxa de combate a sinistros instituída por lei municipal. A prevenção e o combate a incêndios são
atividades desenvolvidas pelo Corpo de Bombeiros, sendo consideradas atividades de segurança pública, nos termos do art.
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144, V e § 5º da CF/88. A segurança pública é atividade essencial do Estado e, por isso, é sustentada por meio de impostos
(e não por taxa). Desse modo, não é possível que, a pretexto de prevenir sinistro relativo a incêndio, o Município venha a se
substituir ao Estado, com a criação de tributo sob o rótulo de taxa. Tese fixada pelo STF: “A segurança pública, presentes a
prevenção e o combate a incêndios, faz-se, no campo da atividade precípua, pela unidade da Federação, e, porque serviço
essencial, tem como a viabilizá-la a arrecadação de impostos, não cabendo ao Município a criação de taxa para tal fim.”
STF. Plenário. RE 643247/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 1º/8/2017 (repercussão geral) (Info 871).
As taxas municipais de fiscalização e funcionamento não podem ter como base de cálculo o número de empregados ou
ramo de atividade exercida pelo contribuinte. STF. 2ª Turma. ARE 990914/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2017
(Info 870). A taxa de fiscalização e funcionamento pode ter como base de cálculo a área de fiscalização, na medida em que
traduz o custo da atividade estatal de fiscalização. STF. 1ª Turma. RE 856185 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 04/08/2015.
Não viola a legalidade tributária a lei que, prescrevendo o teto, possibilita o ato normativo infralegal fixar o valor de taxa
em proporção razoável com os custos da atuação estatal, valor esse que não pode ser atualizado por ato do próprio conselho
de fiscalização em percentual superior aos índices de correção monetária legalmente previstos. STF. Plenário. RE 838284/SC,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 06/10/2016 (repercussão geral) (Info 842)
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
Os bens e direitos que integram o patrimônio do fundo vinculado ao Programa de Arrendamento Residencial (PAR), criado
pela Lei nº 10.188/2001, beneficiam-se da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal. STF. 1ª
Turma. RE 928902/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/10/2018 (Info 920).
As Caixas de Assistência de Advogados encontram-se tuteladas pela imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, “a”, da
Constituição Federal. A Caixa de Assistência dos Advogados é um “órgão” integrante da estrutura da OAB, mas que possui
personalidade jurídica própria. Sua finalidade principal é prestar assistência aos inscritos no respectivo no Conselho
Seccional (art. 62 da Lei nº 8.906/94). As Caixas de Assistências prestam serviço público delegado e possuem status jurídico
de ente público. Vale ressaltar ainda que elas não exploram atividades econômicas em sentido estrito com intuito lucrativo.
Diante disso, devem gozar da imunidade recíproca, tendo em vista a impossibilidade de se conceder tratamento tributário
diferenciado a órgãos integrantes da estrutura da OAB. STF. Plenário. RE 405267/MG, Rel. Min. Fachin, 6/9/2018 (Info 914).
A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal, não abarca o maquinário utilizado no
processo de produção de livros, jornais e periódicos. A imunidade tributária visa à garantia e efetivação da livre
manifestação do pensamento, da cultura e da produção cultural, científica e artística. Assim, é extensível a qualquer material
assimilável a papel utilizado no processo de impressão e à própria tinta especial para jornal, mas não é aplicável aos
equipamentos do parque gráfico, que não são assimiláveis ao papel de impressão, por não guardarem relação direta com a
finalidade constitucional do art. 150, VI, “d”, da CF/88. STF. 1ª T. ARE 1100204/SP, rel. Min. A Moraes, 29/5/2018 (Info 904).
A INFRAERO (empresa pública federal) celebrou contrato de concessão de uso de imóvel com uma empresa privada por
meio da qual esta última poderia explorar comercialmente um imóvel pertencente à INFRAERO. Vale ressaltar que esta
empresa é uma concessionária de automóveis. A empresa privada queria deixar de pagar IPTU alegando que o imóvel gozaria
de imunidade tributária. O STF não aceitou a tese e afirmou que não incide a imunidade neste caso. A atividade desenvolvida
pela empresa tem por finalidade gerar lucro. Se fosse reconhecida a imunidade neste caso, isso geraria, como efeito
colateral, uma vantagem competitiva artificial em favor da empresa, que teria um ganho em relação aos seus concorrentes.
Afinal, a retirada de um custo permite o aumento do lucro ou a formação de preços menores, o que provoca desequilíbrio
das relações de mercado. Não se pode aplicar a imunidade tributária recíproca se o bem está desvinculado de finalidade
estatal. STF. Plenário. RE 434251/RJ, red. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgado em 19/4/2017 (Info 861).
Incide o IPTU, considerado imóvel de pessoa jurídica de direito público cedido a pessoa jurídica de direito privado,
devedora do tributo. Ex: a União celebrou contrato de concessão de uso de imóvel com uma empresa privada por meio da
qual esta última poderia explorar comercialmente determinado imóvel pertencente ao patrimônio público federal. A
empresa privada queria deixar de pagar IPTU alegando que o imóvel gozaria de imunidade tributária. O STF não aceitou a
tese e afirmou que não incide a imunidade neste caso. STF. Plenário. RE 601720/RJ, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o
ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 6/4/2017 (repercussão geral) (Infos 860 e 861).
A imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal, não se estende a empresa privada arrendatária
de imóvel público, quando seja ela exploradora de atividade econômica com fins lucrativos. Nessa hipótese é
constitucional a cobrança do IPTU pelo Município. Ex: a União, proprietária de um grande terreno localizado no Porto de
Santos, arrendou este imóvel para a Petrobrás (sociedade de economia mista), que utiliza o local para armazenar
combustíveis. Antes do arrendamento, a União não pagava IPTU com relação a este imóvel em virtude da imunidade
tributária recíproca. Depois que houve o arrendamento, a Petrobrás passa a ter que pagar o imposto. STF. Plenário. RE
594015/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 6/4/2017 (repercussão geral) (Info 860).
A imunidade tributária constante do art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal (CF), aplica-se ao livro eletrônico (“e-book”),
inclusive aos suportes exclusivamente utilizados para fixá-lo. STF. Plenário. RE 330817/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado
em 8/3/2017 (repercussão geral) (Info 856). A imunidade da alínea “d” do inciso VI do art. 150 da CF/88 alcança

Patrícia Reinert Lang


componentes eletrônicos destinados, exclusivamente, a integrar unidade didática com fascículos. STF. Plenário. RE
595676/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/3/2017 (repercussão geral) (Info 856).
Importante!!! Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar. STF. Plenário. ADI
2028/DF, ADI 2036/DF, ADI 2228/DF, rel. orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgados em 23/2 e
2/3/2017 (Info 855). STF. Plenário. RE 566622/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 23/2/2017 (Info 855).
A imunidade tributária subjetiva aplica-se a seus beneficiários na posição de contribuinte de direito, mas não na de simples
contribuinte de fato, sendo irrelevante, para a verificação da existência do beneplácito constitucional, a repercussão
econômica do tributo envolvido. • Se a entidade imune for contribuinte de direito: incide a imunidade subjetiva. • Se a
entidade imune for contribuinte de fato: não incide a imunidade subjetiva. STF. Plenário. RE 608872/MG, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 22 e 23/2/2017 (repercussão geral) (Info 855).
CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA
O que acontece se o réu de um crime contra a ordem tributária aderir ao parcelamento da dívida? Haverá a suspensão do
processo penal. Nos crimes contra a ordem tributária, quando o agente ingressa no regime de parcelamento dos débitos
tributários, fica suspensa a pretensão punitiva penal do Estado (o processo criminal fica suspenso). Durante o parcelamento
o que ocorre com o prazo prescricional? Também fica suspenso. O prazo prescricional não corre enquanto estiverem sendo
cumpridas as condições do parcelamento do débito fiscal. É o que prevê o art. 9º, § 1º da Lei nº 10.684/2003. Se, ao final,
o réu pagar integralmente os débitos, haverá a extinção da punibilidade. STF. 2ª Turma. ARE 1037087 AgR/SP, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 14/8/2018 (Info 911).
O art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 prevê que a pena do crime de sonegação fiscal (art. 1º, I, da Lei nº 8.137/90) deverá ser
aumentada no caso de o delito “ocasionar grave dano à coletividade”. A jurisprudência entende que se configura a referida
causa de aumento quando o agente deixa de recolher aos cofres públicos uma vultosa quantia. Em outras palavras, se o
valor sonegado foi alto, incide a causa de aumento do art. 12, I. A Portaria nº 320, editada pela Procuradoria Geral da
Fazenda Nacional, prevê que os contribuintes que estão devendo acima de R$ 10 milhões são considerados “grandes
devedores” e devem receber tratamento prioritário na atuação dos Procuradores. Diante disso, surgiu uma tese defensiva
dizendo que somente as dívidas acima de R$ 10 milhões poderiam ser consideradas de grande porte, justificando a
incidência da causa de aumento do art. 12, I. Essa tese não foi acolhida pelo STF e STJ. Não é razoável dizer que somente
deverá incidir a causa de aumento de pena do art. 12, I, se o valor dos tributos sonegados for superior a R$ 10 milhões,
previsto no art. 2º da Portaria nº 320/PGFN. Isso porque este dispositivo define "quantia vultosa" para fins internos de
acompanhamento prioritário pela Fazenda Nacional dos processos de cobrança, não limitando ou definindo o que seja grave
dano à coletividade. STJ. 5ª T. REsp 1274989/RS, Rel. Laurita Vaz, 2014. STF. 2ª T. HC 129284, Rel. Lewandowski (Info 882).
O diretor-geral da empresa de telefonia Vivo foi denunciado pelo fato de que na filial que funciona no Estado de Pernambuco
teriam sido inseridos elementos inexatos em livros fiscais. Diante disso, o Ministério Público denunciou o referido diretor
pela prática de crime contra a ordem tributária (art. 1º, II, da Lei nº 8.137/90). A denúncia aponta que, na condição de
diretor da empresa, o acusado teria domínio do fato, o poder de determinar, de decidir, e de fazer com que seus empregados
contratados executassem o ato, sendo responsável pelo delito. O STF determinou o trancamento da ação penal afirmando
que não se pode invocar a teoria do domínio do fato, pura e simplesmente, sem nenhuma outra prova, citando de forma
genérica o diretor estatutário da empresa para lhe imputar um crime fiscal que teria sido supostamente praticado na filial
de um Estado-membro onde ele nem trabalha de forma fixa. Em matéria de crimes societários, a denúncia deve apresentar,
suficiente e adequadamente, a conduta atribuível a cada um dos agentes, de modo a possibilitar a identificação do papel
desempenhado pelos denunciados na estrutura jurídico-administrativa da empresa. Não se pode fazer uma acusação
baseada apenas no cargo ocupado pelo réu na empresa. STF. 2ª Turma. HC 136250/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 23/5/2017 (Info 866).
Imagine que determinada empresa deixou de pagar tributos, fraudando a fiscalização tributária (inciso II do art. 1º da Lei nº
8.137/90). Ocorre que o Fisco ainda não terminou o processo administrativo-fiscal instaurado para apurar o fato. É possível
que seja instaurado inquérito policial para apurar o crime mesmo não tendo havido ainda a constituição definitiva do crédito
tributário? SIM. Nos crimes de sonegação tributária, apesar de a jurisprudência do STF condicionar a persecução penal à
existência do lançamento tributário definitivo, o mesmo não ocorre quanto à investigação preliminar. Em outras palavras,
mesmo não tendo havido ainda a constituição definitiva do crédito tributário, já é possível o início da investigação criminal
para apurar o fato. STF. 1ª Turma. HC 106152/MS, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 29/3/2016 (Info 819).
DEPOSITÁRIO INFIEL
É inconstitucional a Lei nº 8.866/94, que estabelece a possibilidade de prisão do depositário infiel de débitos tributários.
Esta é uma ferramenta desproporcional de aumento de arrecadação, que viola os princípios do devido processo legal, do
contraditório, da ampla defesa e as súmulas vinculantes 28 e 25. STF. Plenário. ADI 1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 15/12/2016 (Info 851).
CDA

Patrícia Reinert Lang


O protesto das certidões de dívida ativa constitui mecanismo constitucional e legítimo por não restringir de forma
desproporcional quaisquer direitos fundamentais garantidos aos contribuintes e, assim, não constituir sanção política. STF.
Plenário. ADI 5135/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 3 e 9/11/2016 (Info 846).
RESTITUIÇÃO DE VALORES AO CONTRIBUINTE
A mora injustificada ou irrazoável do Fisco em restituir o valor devido ao contribuinte caracteriza a resistência ilegítima
autorizadora da incidência da correção monetária. STF. Plenário. RE 299605 AgR/PR, Rel. Min. Fachin, 6/4/2016 (Info 820).
PRESCRIÇÃO
Caso concreto: STF decidiu que determinada contribuição tributária era inconstitucional. Não houve modulação dos efeitos.
Contribuinte ajuizou ação pedindo a repetição do indébito, ou seja, a restituição dos valores pagos. O debate envolve o
prazo prescricional para essa pretensão. No momento em que o contribuinte ajuizou a ação, o entendimento do STJ era no
sentido de que o prazo prescricional tinha início a partir da data da declaração de inconstitucionalidade da exação pelo STF
no controle concentrado, ou de resolução do Senado Federal, no controle difuso. Ocorre que, durante o curso da ação, o
STJ promoveu revisão abrupta de sua jurisprudência para considerar que, nos tributos sujeitos a lançamento por
homologação, o transcurso do prazo prescricional ocorre a partir do recolhimento indevido, independentemente da data
da decisão do STF ou da Resolução do SF (REsp 435.835/SC). Com a aplicação do novo entendimento do STJ, o contribuinte
– que já estava com a sua ação em curso – teria seu pedido rejeitado por força da prescrição. O STF, contudo, não concordou
com a aplicação imediata do novo entendimento do STJ aos processos em curso. Para o Supremo, isso representa retroação
da regra de contagem do prazo prescricional às pretensões já ajuizadas, em afronta ao princípio da segurança jurídica e aos
postulados da lealdade, da boa-fé e da confiança legítima, sobre os quais se assenta o próprio Estado Democrático de Direito.
A modificação na jurisprudência em matéria de prescrição não pode retroagir para considerar prescrita pretensão que
não o era à época do ajuizamento da ação, em respeito ao posicionamento anteriormente consolidado. Toda inflexão
jurisprudencial que importe restrição a direitos dos cidadãos deve observar certa regra de transição para produção de seus
efeitos, levando em consideração os comportamentos então tidos como legítimos, porquanto praticados em conformidade
com a orientação prevalecente, em homenagem aos valores e princípios constitucionais. STF. 2ª Turma. ARE 951533/ES,
Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. acórdão o Min. Dias Toffoli, julgado em 12/6/2018 (Info 906).

Patrícia Reinert Lang