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1 Coríntios 9:20-22

“Isto é”, em gr. Kai. Uma vez que esses versículos ilustram o verso 19, que explica como Saul
Paulo “fez-se escravo de todos”, a tradução da ARC, “e”, não é boa.

“Com os judeus, coloquei-me no lugar de um judeu”; literalmente, “tornei-me judeu para os


judeus”. Nestes 3 versículos Saulo Paulo diz que ele “tornou-se como”, e uma vez ele diz que
“tornou-se”, como que adotando o atributo distintivo de um grupo de pessoas; por último, ele
faz um resumo dizendo que ele “fez-se”, como coloca a ARA, “tudo para com todos” V 22. Essa
frase hoje da a conotação de um enganador, ou de um camaleão, que muda seu
comportamento para agradar sua audiência por causa de uma mete a ser alcaçada. Sabemos
que Saulo Paulo reprovou Simão Pedro por agir justamente desta forma (Gálatas 2:11-16), mas
não estaria ele mesmo bancando o hipócrita? Vale tudo? Vale virar um prostituto para ganhar
prostitutas? Os fins justificam os meios?! Saulo Paulo mesmo escreveu, mais tarde, para o
mesmo público leitor em Corínto: “Recusamo-nos a usar métodos vergonhosos e sorrateiros”
2 Coríntios 4:1,2, e depois Saulo Paulo usou três capítulos para se defender de tais acusações
(2 Coríntios Capítulos 10,11,12). Saulo Paulo dificilmente poderia ter esperanças de que os
coríntios acreditassem nele nesse ponto se tivessem identificado nos ensinos de Saulo Paulo a
idéia de que os fins justificam os meios.

Mais especificamente, os críticos modernos assumem que essa passagem tem o seguinte
significado: Saulo Paulo observava a Torah quando estava com os judeus, mas deixava-a de
lado quando estava com os gentios. E não somente os que possuem motivações pessoais que
dizem isso a respeito dele; comentaristas bem intencionados, simpáticos a ele,
frequentemente dão a impressão de ter um ponto cego ético que os críticos de Saulo Paulo
podem explorar. Entretanto, acredito que a deficiência dos comentaristas não está no campo d
ética, mas no campo da exegese.

A interpretação equivocada desses versículos leva-os a um beco sem saída, do qual a única
escapatória é dar a impressão de justificar, ou pelo menos de negligenciar, uma dissimulação
em favor do Reino de Deus. Dessa forma, eles citam a circuncisão de Timóteo, que foi
providenciada por Saulo Paulo (Atos 16:1-3), como exemplo de “fazendo-se judeu para os
judeus” e “debaixo da lei para os que estão debaixo da lei”. E citam syas refeições com os
gentios, cuja comida, presumivelmente, não era kosher (Gálatas 2:11-14), para ilustrar o
“fazer-se sem lei para os que não têm lei”. Fazendo assim, eles revelam três interpretações
equivocadas:

1. Eles acham que “tornar-se como” quer dizer: “comportar-se como”;


2. Eles pensam que “debaixo da lei” quer dizer: “esperar que obedeçam à Torah” e, em
consequência disso, igualam “os judeus” a “aqueles debaixo da lei”;
3. Eles parecem não se dar conta do fato de que ser judeu não é algo que se assume ou
se descarta de acordo com a vontade.

Com relação a este último ponto, Saulo Paulo nunca se considerou um ex judeu (Atos 13:9 \
Atos 21:21). Assim, mesmo que ele não fosse um homem íntegro, mesmo que ele desejasse
ser um judeu de fachada, observando costumes judeus entre judeus e deixando de fazê-los
entre os gentios, ele dificilmente conseguiria desprezar as leis judaicas entre os gentios sem
ter sua DUPLICIDADE E CREDIBILIDADE desfeitas.

Já que Saulo Paulo manteve-se judeu por toda a vida, podemos eliminar outra interpretação
equivocada, a de ele “tornou-se” – “tornou-se algo que não era antes”. Tal exegese, em
princípio, poderia ser aplicada à atitude de Saulo Paulo tornar-se um “alheio a Torah” 1
Coríntios 9:21 ou “fraco” (1 Coríntios 9:22), mas não se aplica a Saulo Paulo tornar-se como um
judeu, uma vez que ele era judeu; Paulo não adotava para si a situação dos seus ouvintes para
conduzi-los a cristo.

O “fazia-se como ou tornava-se como” não significa que ele fingia ser algo que ele não era;
significa sim que ele agia de EMPATIA para com todas as pessoas; ou seja, Saulo Paulo se
colocava no lugar delas, penetrando em suas necessidades e restrições, idéias, sentimentos e
valores; EM RESUMO, para usar a expressão corrente, ele tentou entender “de onde eles
tinham vindo”. Além disso, ele se certificou de que não faria nada que os ofendessem (1
Corítios 10:12).

Uma vez estabelecido um ponto em comum com aqueles que tentava alcançar, ele poderia,
então, comunicar as boas novas usando padrões semelhantes aos deles, usando métodos
rabínicos de ensino com os judeus e formas de pensamentos filosóficos com os gregos. Ele
poderia suportar o excesso de escrúpulo dos “fracos”, porque entendia de onde surgiramos
escrúpulos (1 Coríntios 8:7-12). Ele fez todo o possível para superar todas as barreiras –
psicológicas, sociais e, especialmente, culturais. Isso porque ele sabia que a tarefa de
comunicar as boas-novas havia sido confiada a ele (1 Coríntios 1 Co 9:15-18,23), e ele não
poderia esperar que outros o encontrassem no meio do caminho. Mas ele nunca foi
condescendente a ponto de imitar ou fingir falta de santidadem compulsividade legalista ou
diligência “débil”. Pois o grau de mudança em seu comportamento, para que as pessoas
pudessem sentir-se tranquilas, sempre foi delimitado por uma vida vivida “no contexto da
torah afirmada pelo Messias” 1 Coríntios 9:21

Além do mais a estratégia usada por Saulo Paulo

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