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FACULDADE VENDA NOVA DO IMIGRANTE

FAVENI

A PSICOPEDAGOGIA E O PORTADOR
DE MICROCEFALIA

CARLOS JOSÉ CARVALHO POPPOLINO

Três Corações, 2018.


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FACULDADE VENDA NOVA DO IMIGRANTE

A PSICOPEDAGOGIA E O PORTADOR
DE MICROCEFALIA

Monografia apresentada à banca examinadora da Faculdade


Venda Nova do Imigrante – FAVENI, como exigência para
obtenção do título de Pós-graduação.

Três Corações, 2018.


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A PSICOPEDAGOGIA E O PORTADOR DE MICROCEFALIA

CARLOS JOSÉ CARVALHO POPPOLINO

RESUMO

Este trabalho visa apresentar como a psicopedagogia pode lidar com o portador de microcefalia e
suas implicações, tendo em vista o aparecimento de vários casos de microcefalia no Brasil. O objetivo
deste trabalho é a obtenção do título de Especialista em Psicopedagogia Institucional, Clínica e TGD
do Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Psicopedagogia Institucional, Clínica e TGD da
Faculdade Venda Nova do Imigrante – FAVENI. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e
o resultado alcançado é que a psicopedagogia pode auxiliar em muito a aprendizagem dos alunos
que tenham alguma dificuldade e em especial, os portadores de necessidades especiais com a
microcefalia, utilizando para isso técnicas e exercícios para melhorar a plasticidade do cérebro e
realizando as adaptações necessárias no currículo escolar, tornando-se essencial no processo
ensino-aprendizagem dos dias de hoje.

PALAVRA - CHAVE: Psicopedagogia; Especial; Microcefalia; Educação; Necessidades.


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1 INTRODUÇÃO

A finalidade deste trabalho é a obtenção do título de Especialista em


Psicopedagogia Institucional, Clínica e TGD, que possibilite a atuar no dia a dia da
instituição de ensino desempenhando as práticas ligadas ao trabalho de educar e
orientar discentes e docentes seguindo a Educação Especial e Inclusiva, bem como
em hospitais e clínicas.
Segundo Bossa (2007) a psicopedagogia é uma área nova, resultante da
conexão de conhecimentos de várias disciplinas, assinalando novas orientações
para a solução de problemas antigos. A psicopedagogia, ainda segundo a mesma
autora, volta-se para problemas de aprendizagem, os quais foram inicialmente
estudados pela medicina e pela pedagogia, sendo tratados na atualidade por um
corpo teórico que vem se estabelecendo a partir de aportes de outros campos. Para
uma prática psicopedagógica sólida, são necessários conhecimentos teóricos
interdisciplinares fundamentados na psicologia da aprendizagem e genética; teorias
da personalidade; pedagogia; fundamentos da biologia, da linguística, da sociologia
e da filosofia. Também entram nesse rol áreas afins, como a psicanálise e a
medicina. Todas essas diferentes visões voltam-se para a busca da origem e
solução do problema analisado. (COSTA, 2015)
De acordo com o dicionário Aurélio (FERREIRA, 1986) o termo pesquisa
significa, “indagação ou busca minuciosa para averiguação da realidade;
investigação; inquirição”. Foi escolhida a pesquisa bibliográfica devido a
complexidade do assunto e o vasto material para consulta, em livros, Internet,
artigos científicos e revistas especializadas. (TOZONI, 2010)
A seção 2.1 apresenta a psicopedagogia no mundo e no Brasil. A seção 2.2
apresenta a microcefalia e suas consequências. A seção 2.3 apresenta a educação
especial e inclusiva, apresenta as necessidades especiais, a paralisia e a
plasticidade cerebral. A seção 2.4 apresenta os fundamentos da pesquisa. A seção
2.5 apresenta as adaptações curriculares e a seção 3 apresenta a conclusão do
trabalho.
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2 DESENVOLVIMENTO

Para Kiguel (1991 apud Bossa, 2007, p. 8), [...] o objeto central de estudo da
psicopedagogia está se estruturando em torno do processo de aprendizagem
humana, seus padrões evolutivos normais e patológicos – bem como a influência do
meio (família, escola, sociedade) no seu desenvolvimento.
A psicopedagogia é uma profissão nova em que o exercício da atividade
profissional ainda não está regulamentado por lei especifica.
A profissão de psicopedagogo encontra-se respaldada atualmente pela
Constituição Federal de 1988 e pelo Art. 44 da Lei das Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, Lei 9394/1996.

2.1 Da Psicopedagogia

A psicopedagogia surgiu da necessidade de atendimento e orientação a


crianças que apresentavam dificuldades na sua aprendizagem e inicialmente, todo
diagnóstico chegava a conclusão que o problema era a própria criança. Iniciou-se na
Europa, no século XIX, nascida pela preocupação com problemas de aprendizagem
na área clínica. Médicos, filósofos e educadores acentuaram na ação pedagógica
maneiras de tratamento voltadas às formas de educação, tornando a ação do
pedagogo vinculada à do médico. (MERY, 1985)
A partir do século XVIII vários estudiosos iniciaram os estudos mais
aprofundados sobre os comprometimentos do aluno.
O psicopedagogo tem como missão principal investigar as possíveis
dificuldades no processo educacional e intervir de modo a remover ou minimizar as
barreiras que impedem ou dificultam a aprendizagem e auxiliar no processo de
ensino-aprendizagem, propor mudanças pedagógicas no currículo escolar,
mudanças no modo de ensinar, corrigir falhas no âmbito das instituições escolares,
orientar os docentes no modo de agir face às diversidades do dia a dia, orientar os
pais sobre a melhor maneira de ajudar seus filhos e os alunos que tenham
dificuldades de aprendizagem.
O psicopedagogo tem a difícil tarefa de analisar a adequação da estrutura e o
funcionamento da instituição, bem como do currículo e métodos de ensino
empregados, desfocando o olhar do aluno, como identificado pela sua dificuldade,
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para os fatores intraescolares e interinstitucionais, de ordem social, econômica e


política que envolve a educação. (OLIVEIRA, 2009)
Com o aparecimento de casos da microcefalia no Brasil teremos, daqui a
alguns anos, vários alunos portadores de problemas neurológicos onde será
necessário um acompanhamento multidisciplinar face às dificuldades encontradas.

2.2 Da Microcefalia

A microcefalia é um quadro em que bebês nascem com o cérebro menor do


que o esperado (perímetro menor ou igual a 33 cm) e que compromete o
desenvolvimento da criança e pode ser causado por infecções adquiridas pela mãe,
no primeiro trimestre da gravidez, período em que o cérebro do bebê está em
formação e a má formação congênita está associada a uma série de fatores de
diferentes origens. Pode ser o uso de substâncias químicas durante a gravidez,
como drogas, contaminação por radiação e infecção por agentes biológicos, bem
como bactérias, vírus e radiação.
O psicopedagogo deve ter em mente que a família sofre muito e que deve ser
apoiada por uma equipe multidisciplinar. Na entrevista inicial com os pais da criança
deve-se verificar a existência dessa equipe e caso negativo, devem ser dadas
orientações a essa família sobre como proceder para encontrar o auxílio necessário.
Nos casos congênitos, uma série de fatores de diferentes origens podem ser
os causadores, como substâncias químicas, agentes biológicos infecciosos
(bactérias, vírus e radiação), síndrome de Rett, envenenamento por mercúrio ou
cobre, meningite, desnutrição, HIV materno, doenças metabólicas na mãe e uso de
medicamentos contra epilepsia, hepatite ou câncer nos primeiros três meses de
gravidez.
As crianças com microcefalia podem apresentar atraso mental, déficit
intelectual, paralisia, convulsões, epilepsia, autismo e rigidez dos músculos. A
doença é grave e não tem cura, e a criança pode precisar de cuidados por toda a
vida, sendo dependente para comer, se mover e fazer suas necessidades,
dependendo da gravidade da microcefalia. (CORAÇÃO E VIDA, 2017)
Alguns bebês nascem mais gravemente afetados e outros menos, mas isso
não parece ter relação com a gravidade da doença da mãe. Algumas mães tiveram
quadros virais muito leves e as crianças sofreram danos cerebrais graves.
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Percebemos que nas gestantes infectadas pelo vírus no segundo e no terceiro


trimestre de gravidez os danos tendem a ser mais leves. (CORAÇÃO E VIDA, 2017)

2.3 Da Educação Especial e Inclusiva

O movimento de inclusão começou por volta de 1985 nos países mais


desenvolvidos, tomou impulso na década de 1990 naqueles países em desenvolvi-
mento e vai se desenvolver fortemente nos primeiros 10 anos do século XXI,
envolvendo todos os países (SASSAKI, 1997).

Segundo Sassaki (1997), crê-se que a semente da inclusão foi plantada


pela Disabled People Internacional (DPI), uma organização não
governamental criada por líderes deficientes, quando em sua Declaração de
Princípios, de 1981, definiu o conceito de equiparação de oportunidades,
que era, em parte, o seguinte: O processo mediante o qual os sistemas
gerais da sociedade, tais como o meio físico, a habilitação e transporte, os
serviços sociais e de saúde, as oportunidades de educação e trabalho, e a
vida cultural e social, incluídas as instalações esportivas e de recreação, é
feito acessível para todos. Isso inclui a remoção de barreiras que impedem
a plena participação das pessoas deficientes em todas estas áreas,
permitindo-lhe assim alcançar uma qualidade de vida igual à de outras
pessoas. (SASSAKI, 1997, p. 39)
Esse novo paradigma começa a ser disseminado, principalmente, a partir
da Assembleia Mundial realizada em junho de 1994, na cidade de
Salamanca, Espanha, sob o patrocínio da Unesco, quando representantes
de 92 países e de 25 organizações internacionais se reuniram para discutir
o processo de inclusão escolar.
Trata-se do mais complexo documento sobre inclusão na educação, em
cujos parágrafos fica evidente que a Educação Inclusiva não se refere
apenas às pessoas com deficiência, e sim a todas as pessoas, deficientes
ou não, que tenham necessidades educativas especiais em caráter
temporário, intermitente ou permanente. Isso se coaduna com a filosofia da
inclusão na medida em que ela não admite exceções, todas as pessoas
devem ser incluídas. O encontro em Salamanca reafirma o direito de todas
as pessoas à educação, conforme a Declaração Universal de Direitos
Humanos, de 1948, e ainda reafirma o empenho da comunidade
internacional em cumprir o estabelecido na “Conferência Mundial sobre
Educação para Todos”.
Acompanhando essa caminhada histórica, salientamos outros movimentos
organizados pela DPI, como a Declaração de Madri, aprovada em 23 de
março de 2002, que, segundo Sassaki (2002), proclama o ano de 2003
como o Ano Europeu das Pessoas com Deficiências. O objetivo maior
centra-se na conscientização da população sobre os direitos de mais de 50
milhões de europeus com deficiência. Essa declaração tem como
preâmbulo a não discriminação e a ação afirmativa como promotores da
inclusão social. (Minetto, Maria de Fátima Joaquim et al, 2010, Cap. A
inclusão através dos tempos, p. 47-48)

A política educacional brasileira está atrelada às propostas internacionais de


política da educação que reconhece a necessidade da educação de proporcionar ao
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aluno a satisfação no processo do aprender. Cada criança deverá estar em


condições de aproveitar as oportunidades educativas. A proposta internacional da
Declaração de Salamanca (1994) valoriza a pedagogia centrada na criança e
reconhece a necessidade de providências dos programas de educação às crianças
com necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular de ensino. Para
combater atitudes discriminatórias e desenvolver ações acolhedoras e colaborativas,
defende práticas educativas inclusivas. (PRESTES, 2015)

2.3.1 Inclusão no Brasil e na escola

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB):

Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado


mediante a garantia de:
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete)
anos de idade, organizada da seguinte forma:
a) pré-escola;
b) ensino fundamental;
c) ensino médio;
II - educação infantil gratuita às crianças de até 5 (cinco) anos de idade;
III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou
superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades,
preferencialmente na rede regular de ensino;
IV - acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e médio para todos
os que não os concluíram na idade própria;
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação
artística, segundo a capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;
VII - oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com
características e modalidades adequadas às suas necessidades e
disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições
de acesso e permanência na escola;
VIII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica,
por meio de programas suplementares de material didático-escolar,
transporte, alimentação e assistência à saúde;
IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a variedade e
quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvol-
vimento do processo de ensino-aprendizagem.
X - vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental
mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que
completar 4 (quatro) anos de idade.
Art. 5o O acesso à educação básica obrigatória é direito público subjetivo,
podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária,
organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída e,
ainda, o Ministério Público, acionar o poder público para exigi-lo.
§ 1o O poder público, na esfera de sua competência federativa, deverá:
I - recensear anualmente as crianças e adolescentes em idade escolar, bem
como os jovens e adultos que não concluíram a educação básica;
II - fazer-lhes a chamada pública;
III - zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à escola.
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§ 2º Em todas as esferas administrativas, o Poder Público assegurará em


primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório, nos termos deste artigo,
contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino,
conforme as prioridades constitucionais e legais.
§ 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem
legitimidade para peticionar no Poder Judiciário, na hipótese do § 2º do art.
208 da Constituição Federal, sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial
correspondente.
§ 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o
oferecimento do ensino obrigatório, poderá ela ser imputada por crime de
responsabilidade.
§ 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino, o Poder
Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino,
independentemente da escolarização anterior.
Art. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na
educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade. (BRASIL, LDB,
1996)

A política atual de Educação Especial e Inclusiva reafirma que todos os


alunos portadores de necessidades educacionais especiais têm direito a frequentar
o ensino regular e no contra turno o atendimento educacional especializado. Os
alunos, dependendo de cada caso, ainda podem ter o auxílio de um professor de
apoio e todas as escolas públicas devem ter uma sala de recursos multifuncionais
para prestar o Atendimento Educacional Especializado - AEE, de forma comple-
mentar ou suplementar aos estudantes com deficiências, transtornos globais do
desenvolvimento, altas habilidades/superdotação matriculados em classes comuns
do ensino regular, assegurando-lhes condições de acesso, participação e aprendi-
zagem.
Portanto, a acessibilidade nas suas diferentes dimensões (arquitetônica,
tecnológica, comunicacional, linguística, pedagógica e atitudinal - preconceito, medo
e ignorância) preconiza a construção de acesso e eliminação dos diversos tipos de
barreiras favorecendo a dignidade e o bem estar de todos os cidadãos. (PRESTES,
2015)

2.3.2 Das Necessidades Especiais

Um aluno pode ter uma ou várias necessidades educacionais e na maioria


dos casos esses alunos portam alguma deficiência.
Amaral (1995) define deficiência como toda alteração do corpo ou aparência
física, de um órgão ou de uma função, qualquer que seja sua causa, caracterizando-
-se por perdas ou alterações que podem ser temporárias ou permanentes e que
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incluem a existência ou ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um


membro, órgão, tecido ou outra estrutura do corpo, incluindo a função mental.
As deficiências podem ocorrer em diferentes épocas da vida e de diferentes
formas. Elas podem ser adquiridas, através de acidentes ou enfermidades, ou a
pessoa pode nascer com alguma deficiência proveniente de alterações genéticas,
má-formação ou problemas diversos na gestação ou no parto. Algumas deficiências
natas, como a mental, somente são percebidas pelos pais quando seu filho não
tem um desenvolvimento normal comparado a outras crianças da mesma idade.
Listamos a seguir algumas das deficiências que um ser humano pode ser
acometido, ocasionando então dificuldades na aprendizagem: (MINETTO et al,
2010)

a) Crises convulsivas;
- Distúrbios neurológicos que acontecem normalmente em crianças e
quando se repetem são chamados de crises epilépticas.
b) Transtorno Autista;
- Respostas anormais a estímulos auditivos ou visuais e problemas graves
de compreensão da linguagem falada, de relacionamento social e comportamento
ritualístico.
c) Transtorno de Rett;
- Desenvolvimento de múltiplos déficits específicos após um período de
funcionamento normal durante os primeiros meses de vida, severos prejuízos no
desenvolvimento da linguagem expressiva ou receptiva e um retardo neuro-
psicomotor.
d) Transtorno de Asperger;
- Prejuízo severo e persistente na interação social, movimento estereoti-
pado (repetição de uma sequência de movimentos invariáveis sem nenhum objetivo)
e desenvolvimento de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e
atividades.
e) Transtorno Desintegrativo da Infância também conhecida como síndrome
de Heller, demência infantil ou psicose desintegrativa;
- Desenvolvimento aparentemente normal, pelo menos durante os dois
primeiros anos após o nascimento e perda clinicamente significativa de habilidades
já adquiridas.
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f) Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (sem outra especificação);


- comportamentos muito característicos apresentados que não podem ser
correlacionados com nenhum dos transtornos já apresentados. Quando existe um
prejuízo severo e invasivo do desenvolvimento da interação social recíproca ou de
habilidades de comunicação verbal e não verbal, ou quando comportamentos,
interesses e atividades estereotipados estão presentes, mas não são satisfeitos os
critérios para outro TID específico.
g) Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH);
- Hiperatividade, distúrbio de atenção (ou concentração), impulsividade e
agitação, graves problemas como distúrbios emocionais e dissociais de
aprendizagem e aproveitamento.
h) Transtorno de Conduta;
- Padrão repetitivo e persistente de mau comportamento, no qual os
direitos mais básicos e a privacidade dos outros são violados (violações de regras,
mentir, não cumprir com os compromissos ou promessas, furtar objetos de valor ou
falsificar documentos).
i) Deficiência intelectual;
- Funcionamento cognitivo significativamente abaixo da média.
j) Deficiência visual;
- Situação irreversível de diminuição da resposta visual, em virtude de
causas congênitas ou hereditárias, mesmo após tratamento clínico e/ou cirúrgico e
uso de óculos convencionais.
k) Deficiência física;
- Deficiência motora que pode ir desde a ausência de um membro até um
funcionamento inadequado de uma das partes decorrente de lesões diferentes,
como alterações neurológicas, neuromusculares, ortopédicas ou adquiridas.
l) Deficiência auditiva;
- Quando não consegue perceber sons, mesmo que com ajuda de
aparelhos, perda auditiva que impossibilita o processamento da informação pela
audição.
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2.3.2.1 A Paralisia Cerebral.

Destacamos a seguir a paralisia cerebral, pois é uma complicação que pode


comprometer o desenvolvimento cognitivo por toda a vida principalmente quando
acometida a um portador de microcefalia.
Segundo Brandão (1992, p. 9), “paralisia cerebral é uma desordem da postura
e do movimento, persistente, mas não mutável, devido a uma disfunção do cérebro
antes de estar completado seu crescimento e desenvolvimento.”
A expressão “cérebro” normalmente é utilizada para falar dos “órgãos”
localizados na cabeça, que formam o Sistema Nervoso.
O Sistema Nervoso (SN) controla e comanda o funcionamento dos demais
sistemas. É uma das primeiras partes do corpo a ser formado. Com três semanas da
fecundação, em média, já há células desenvolvidas que formarão o cérebro e a
medula espinhal. (STIELER, 2013)

2.3.2.2 Plasticidade Cerebral

O desempenho do Sistema Nervoso está totalmente relacionado aos


aspectos culturais, à consciência, linguagem e memória. Os cinco primeiros anos
são cruciais para o desenvolvimento do SN, pois o encéfalo sai das 400g, a média
do peso ao nascimento, para chegar à média de 1,5kg na fase adulta. A diferença de
tamanho é explicada pelas conexões que vão acontecendo entre os neurônios nos
cinco primeiros anos de vida da criança, formando uma rede de informações que
fundamenta a inteligência. (PANTANO & ZORZI, 2009, p.37)
Podemos definir a plasticidade cerebral ou neuroplasticidade como a
capacidade que o cérebro tem de se reorganizar, de modificar internamente suas
estruturas para possibilitar adaptação à novas situações, que podem ser tanto a
partir de lesões cerebrais como a partir de novas aprendizagens. (STIELER, 2013)
O cérebro, a partir da plasticidade, pode restaurar ou estabelecer novas
conexões neurais, permitindo a comunicação entre neurônios e órgãos efetores, e,
assim, aprendendo a realizar de outra forma a função afetada. (STIELER, 2013)
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2.4 Fundamentações da Pesquisa

O presente Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação Lato sensu


em Psicopedagogia Institucional, Clínica e TGD da Faculdade Venda Nova do
Imigrante - FAVENI é parte integrante dos requisitos necessários para a obtenção do
grau de Especialista em Psicopedagogia Institucional, Clínica e TGD. Constitui-se
como atividade de caráter obrigatório integralizando a carga horária prevista no
projeto pedagógico do referido curso e foi desenvolvido seguindo as Normas para o
Trabalho de Conclusão de Curso.
Mudanças na formação de professores e nas políticas de educação especial e
inclusiva para todos os alunos portadores de necessidades educacionais especiais
fizeram com que a inclusão no ensino regular necessitasse cada vez mais de
adaptações curriculares e apoio da psicopedagogia.

2.5 Adaptações curriculares

Um currículo inclusivo deve contar com adaptações e flexibilizações para


atender as diferenças individuais e adversidade em sala de aula. (PRESTES, 2015)
Os recursos necessários à educação inclusiva contemplam os serviços de apoio
pedagógico especializado, que acontece nas salas regulares, com a presença de
especialistas, intérpretes de Libras, sistema Braille, tecnologias assistivas, acessibi-
lidade em suas dimensões necessárias e, nas salas de recursos, onde o professor
realiza a complementação curricular, utilizando instrumentos técnicos e pedagógicos
específicos. As condições pedagógicas para a ação e planejamento de práticas
educativas inclusivas irão refletir sobre a temporalidade flexível, seja das atividades
em sala de aula como do ano letivo. A avaliação psicopedagógica pode contribuir na
identificação das necessidades específicas do aluno formando assim “uma rede de
apoio interinstitucional que envolva profissionais das áreas de saúde, assistência
social e trabalho sempre que necessário para o seu sucesso na aprendizagem”.
(SEESP, 2001. p. 48)
O portador de microcefalia pode ter várias sequelas devido o perímetro
cefálico (PC) encontra-se menor que o normal, muitas vezes não se desenvolvendo
de maneira adequada, podendo, também, ocorrer outras enfermidades que irão
complicar o quadro atual, necessitando, normalmente de uma equipe multidisciplinar
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de profissionais da área da educação e da saúde para o acompanhamento e


desenvolvimento do melhor currículo e adaptações possíveis.

3 CONCLUSÃO

A psicopedagogia surgiu na Europa, no século XIX, nascida pela preocupação


com problemas de aprendizagem na área clínica.
O psicopedagogo tem como missão principal auxiliar no processo de ensino-
aprendizagem, propor mudanças pedagógicas no currículo escolar, mudanças no
modo de ensinar, corrigir falhas no âmbito das instituições escolares, orientar os
docentes no modo de agir face às diversidades do dia a dia, orientar os pais sobre a
melhor maneira de ajudar seus filhos e os alunos que tenham dificuldades de
aprendizagem.
A microcefalia é uma condição neurológica em que perímetro cefálico (PC)
encontra-se menor que o normal e muitas vezes o cérebro não se desenvolve de
maneira adequada comprometendo o desenvolvimento da criança. A malformação
congênita está associada a uma série de fatores de diferentes origens com severas
restrições a aprendizagem escolar.
A política de educação especial e inclusiva reafirma que todos os alunos
portadores de necessidades educacionais especiais têm direito a frequentar o
ensino regular e no contra turno o atendimento educacional especializado.
O cérebro, a partir da plasticidade, pode restaurar ou estabelecer novas
conexões neurais, permitindo a comunicação entre neurônios e outros órgãos, e,
assim, aprendendo a realizar de outra forma a função afetada.
O currículo adaptado deve contemplar a diversidade necessária para fazer
com que os alunos portadores de necessidades especiais consigam atingir os níveis
de ensino possíveis para suas idades mentais.
A psicopedagogia pode auxiliar em muito a aprendizagem dos alunos que
tenham alguma dificuldade e em especial, os portadores de necessidades especiais
como a microcefalia, utilizando para isso técnicas e exercícios para melhorar a
plasticidade do cérebro, tornando-se essencial no processo ensino-aprendizagem
dos dias de hoje.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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