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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes
Departamento de História

Tópicos Especiais de Historiografia sobre o Mundo Contemporâneo (HH 285)


Créditos: 04
Carga horária semestral: 60 h/aula Carga horária semanal: 04 h/aula
Professor: Clóvis Gruner

Ementa: Estudos monográficos da produção historiográfica sobre a


contemporaneidade e seus encaminhamentos no repensar dos conceitos e das
abordagens da história.

I - Objetivos
A discussão da disciplina terá como eixo central uma reflexão sobre as condições,
possibilidades e limites de escrever uma história na era das catástrofes. Para tanto,
se organiza a partir de três itinerários, complementares. O primeiro, teórico, pretende
problematizar discussões sobre tempo, temporalidade e historicidade na
contemporaneidade. O segundo, articula à discussão conceitual uma dimensão
política, além de historiográfica, em um esforço por ampliar a noção de “catástrofe”
para além dos limites de uma historiografia europeia a partir das contribuições do
pensamento decolonial. E enfim, uma reflexão sobre os usos do passado, o lugar da
história como um conhecimento sobre o presente e o papel da narrativa na construção
de uma história e de uma memória sensíveis às inquietações e traumas coevos.

II – Conteúdos
1-) O passado presente
a-) Políticas do tempo: história e ética do presente
b-) A hipótese e os limites do presentismo

2-) Um longo século


a-) Sobre as ruínas: história e catástrofe
b-) Continente sombrio: a América Latina no século

3-) Contar as catástrofes: história e memória


a-) A história contando-se, a história contada
b-) Uma tarefa política: performar o passado
III – Bibliografia
ALEKSIÈVITCH, Svetlana. Vozes de Tchernóbil: a história oral do desastre
nuclear. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
ARRIGHI, Giovanni. O longo século XX: dinheiro, poder e as origens de nosso
tempo. Rio de Janeiro: Contraponto, 2013.
ÁVILA, Arthur Lima; NICOLAZZI, Fernando; TURIN, Rodrigo (orgs.). A história
(in)disciplinada: teoria, ensino e difusão do conhecimento histórico. Vitória:
Milfontes, 2019.
BAUER, Caroline Silveira. Como será o passado? História, historiadores e a
Comissão Nacional da Verdade. São Paulo: Paco Editorial, 2017.
BERARDI, Franco. Depois do futuro. São Paulo: Ubu, 2019.
BEVERNAGE, Berber. História, memória e violência de Estado: tempo e justiça.
Serra: Mil Fontes/ Mariana: SBTHH, 2018.
BROWN, Wendy. Cidadania sacrificial: neoliberalismo, capital humano e
políticas da austeridade. Rio de Janeiro: Zazie Edições, 2018.
BUTLER, Judith. Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto? Rio de
Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.
CALVEIRO, Pilar. Poder e desaparecimento: os campos de concentração na
Argentina. São Paulo: Boitempo, 2013.
CRUZ, Manuel. Adiós, historia, adiós: el abandono del pasado en el mundo
actual. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2014.
DANOWSKI, Déborah; CASTRO, Eduardo Viveiros de. Há mundo por vir? Ensaio
sobre os medos e os fins. Desterro [Florianópolis]: Cultura e Barbárie, 2014.
DUNKER, Christian [et all]. Ética e pós-verdade. Porto Alegre: Dublinense, 2017.
HARTOG, François. Regimes de historicidade: presentismo e experiências do
tempo. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.
HOBSBAWN, Eric. A era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo:
Companhia das Letras, 1995.
JELIN, Elizabeth. La lucha por el pasado: como construímos la memoria social.
Buenos Aires: Siglo Veintiuno, 2017.
LACAPRA, Dominick. História y memoria después de Auschwitz. Buenos Aires:
Prometeo Libros, 2009.
LE BRUN, Annie. O sentimento da catástrofe: entre o real e o imaginário. São
Paulo: Iluminuras, 2016.
LUDMER, Josefina. Literaturas pós-autônomas. Sopro: Panfleto Político-cultural,
nr. 20. Desterro [Florianópolis]: Cultura e Barbárie, janeiro/2010.
MAZOWER, Mark. O continente sombrio: a Europa no século XX. São Paulo:
Companhia das Letras, 2001.
MBEMBE, Achille. Políticas da inimizade. Lisboa: Antígona, 2017.
MEZZADRA, Sandro (org.). Estudios postcoloniales: ensayos fundamentales.
Madri: Traficantes de Sueños, 2008.
MIGNOLO, Walter. Desobediencia epistémica: retórica de la modernidad, logica
de la colonialidad y gramatica de la descolonialidad. Buenos Aires: Ediciones del
Signo, 2010.
MUDROVCIC, María Inés; RABOTNIKOF, Nora (coord.). En busca del pasado
perdido: temporalidad, historia y memoria. Buenos Aires: Siglo XXI, 2013.
NESTROVSKI, Arthur; SELIGMANN-SILVA, Márcio (orgs.) Catástrofe e
representação: ensaios. São Paulo: Escuta, 2000.
PERÓTIN-DUMON, Anne (dir.). Historizar el pasado vivo en América Latina.
Santiago: Universidad Alberto Hurtado, 2007.
Disponível em: http://www.historizarelpasadovivo.cl/es_home.html.
RICHARD, Nelly. Fracturas de la memoria: arte y pensamento critico. Buenos
Aires: Siglo XXI, 2007.
ROUSSO, Henry. A última catástrofe: a história, o presente, o contemporâneo.
Rio de Janeiro: FGV, 2016.
SÁNCHEZ, Ana María Amar. Instrucciones para la derrota: narrativas éticas y
políticas de perdedores. Barcelona: Anthropos Editorial, 2010.
SARLO, Beatriz. Tempo passado: cultura da memória e guinada subjetiva. São
Paulo: Companhia das Letras, 2007.
STENGERS, Isabelle. No tempo das catástrofes: resistir à barbárie que se
aproxima. São Paulo: Cosac Naify, 2015.
TURIN, Rodrigo. Tempos precários: aceleração, historicidade e semântica
neoliberal. Rio de Janeiro: Zazie Edições, 2019.

IV – Metodologia de aula
Os encontros serão desenvolvidos por meio de aulas expositivas e apresentação e
discussão das fontes e textos elencados, a serem combinados e distribuídos com os
alunos.
V – Avaliação
a-) Serão confeccionados trabalhados de sistematização de leitura das unidades. Os
relatórios, entre quatro e seis laudas, podem ser escritos em equipes de até três
integrantes.
Serão avaliados: Domínio sobre as abordagens estudadas e capacidade de estabelecer
relações entre os autores. Cada relatório valerá no máximo 20 pontos.

b-) Os discentes elaborarão, em equipe, um material articulando os conteúdos da


disciplina aqueles específicos do curso de Bacharelado.
Serão avaliados: Coerência entre o conteúdo da disciplina e sua estruturação em
recursos didáticos que tenham uma linguagem coerente ao período proposto. O
trabalho valerá no máximo 40 pontos.