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EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS - UFMG

O PRINCIPIO MÁXIMO DE ALEXANDROFF

Joel Cruz Ramirez

Seja um operador L, definido por

Lu = aij (x)Dij u + bi (x)Di u + c(x)u, x ∈ Ω, (1)

com coeficientes aij , bi , c, onde i, j = 1, ..., n definidos em um domı́nio Ω ⊂ Rn .


L é dito elı́ptico em Ω se a matriz dos coeficientes A = [aij ] é positiva.
Denote-se por D o determinante de A e seja D∗ = D1/n que é interpretada
como a media geométrica dos autovalores de A e

0 < λ ≤ D∗ ≤ Λ,

onde λ, Λ denotam, respectivamente, os autovalores mı́nimo e máximo de A.


O princı́pio máximo de Alexandroff é uma extensão do princı́pio mı́nimo
clássico para soluções fortes, e, em particular, soluções nos espaços de Sobolev
2,n
Wloc (Ω), da equação
Lu = f, (2)
onde f é uma função definida em Ω. As condições dos coeficientes de L e o
termo não homogêneo f na equação (2) serão considerados

|b| f
, ∈ Ln (Ω), c ≤ 0 em Ω. (3)
D∗ D∗
Teorema 1 (Princı́pio do máximo de Alexandroff ) Seja Lu ≥ f em um
2,n
domı́nio limitado Ω e u ∈ C 0 (Ω) ∩ Wloc (Ω). Então

sup ≤ sup u+ + C||f /D∗ ||Ln (Ω) , (4)


Ω ∂Ω

onde C é uma constante que depende apenas de n, diam Ω e ||b/D∗ ||Ln (Ω) .

Definição: Seja u ∈ C 0 (Ω). O conjunto

Γ+ = {y ∈ Ω : existe p = p(y) ∈ Rn talque u(x) ≤ u(y)+p.(x−y) para todo x ∈ Ω}


é chamado o conjunto de contato superior de u.

Para uma função de u ∈ C 0 (Ω) define-se a aplicação normal χ(y) = χu (y)


do ponto y ∈ Ω por

χ(y) = {p ∈ Rn |u(x) ≤ u(y) + p.(x − y) para todo x ∈ Ω}. (5)

Observações:
1.- χ(y) 6= φ se, só se, y ∈ Γ+ .
2.- Se u ∈ C 1 (Ω), então χ(y) = Du(y) sobre Γ+ .

1
Exemplo: Seja a função u : B = BR (z) ⊂ Rn → R definida por

|x − z|
u(x) = a(1 − ), a ∈ R.
R
Então, tem-se (
−a(y−z)
R|y−z| para y 6= z,
χ(y) = (6)
Ba/R (0) para y = z.
Para provar o Teorema 1 será necessário o uso vários resultados.

Lema 1 Para u ∈ C 2 (Ω) ∩ C 0 (Ω) tem-se


Z
d
sup u ≤ sup u + 1/n ( | det D2 u| dx)1/n , (7)
Ω ∂Ω ωn + Γ

onde d = diamΩ.

Prova: Substituindo u por u − sup∂Ω u, é suficiente assumir que u ≤ 0 sobre


∂Ω. A aplicação χε = Du − εId tem jacobiano D2 u − εId que é estritamente
negativo em Γ+ . Logo, podemos aplicar a formula de mudança de variáveis para
integrais múltiplas pra obter
Z
χε (Γ+ ) = | det(D2 u − εId)| dx.
Γ+

Assim, fazendo ε → 0 tem-se


Z
|χ(Ω)| = |χ(Γ+ )| ≤ | det D2 u| dx. (8)
Γ+

A função u pode ser estimada em termos de |χ(Ω)|. Assume-se que u tem um


máximo positivo no ponto y ∈ Ω, e seja k a função cujo gráfico é o cone K com
vértice (y, u(y)) e base ∂Ω. Então χk (Ω) ⊂ χu (Ω) pois, para cada hiperplano
suporte para K, existe um hiperplano tangente ao gráfico de u. Agora seja k a
função cujo gráfico é o cone K com vértice (y, u(y)) e base Bd (y). Observe-se
que χk (Ω) ⊂ χk (Ω); e, consequentemente,

|χk (Ω)| ≤ |χk (Ω)|.

Mas, usando (6) e (8), segue-se


Z
u(y) n
ωn ( ) ≤ | det D2 u| dx.
d
Γ+

Da álgebra linear, tem-se a desigualdade matricial


trAB n
det A. det B ≤ ( ) ,
n

2
onde A e B são duas matrizes simétricas positivas.
Considerando A = −D2 u, B = [aij ] sobre Γ+ , tem-se

1 −aij Dij u n
| det D2 u| = det(−D2 u) ≤ ( ) . (9)
D∗ n
Isto conduz ao seguinte lema:
Lema 2 Para u ∈ C 2 (Ω) ∩ C 0 (Ω) tem-se

d aij Dij u
sup u ≤ sup u + || ||Ln (Γ+ ) . (10)
Ω ∂Ω
1/n
nωn D∗

Prova: Basta substituir (9) no Lema 1. 

Lema 3 Seja g uma função integrável não negativa sobre R. Então para
qualquer u ∈ C 2 (Ω) ∩ C 0 (Ω) tem-se

aij Dij u n
Z Z Z
g dx ≤ g(Du)| det D2 u| dx ≤ g(Du)( ) dx, (11)
nD∗
BM (0) Γ+ Γ+

onde
M = (sup u − sup u)/d, d = diam(Ω).
Ω ∂Ω

Prova: Pelo mesmo argumento usado em (8), tem-se a fórmula mais geral
Z Z
g dx ≤ g(Du)| det D2 u| dx, (12)
χu (Ω) Γ+

e, dado que BM (0) ⊂ χk (Ω) ⊂ χu (Ω), tem-se a estimativa (11). 

Demonstração do Teorema 1: Suponha que u ∈ C 2 (Ω) ∩ C 0 (Ω) e satisfaz


Lu ≥ f com a condição (3). Considere a função g : Rn → R definida por

g(p) = (|p|n/n−1 + |µ|n/n−1 )1−n ,

onde µ > 0 é uma constante a ser fixada posteriormente. Pela desigualdade de


Hölder caso discreto, tem-se, em Ω+ = {x ∈ Ω : u(x) > 0},
aij Dij u bi Di u−f
− nD ∗ ≤ nD ∗

|b||Du|+|f |
≤ nD ∗ (13)

(|b|n +µ−n |f |n )1/n


≤ ng 1/n D ∗
.

Portanto , por (11) tem-se


Z Z
1
g dx ≤ n (|b|n + µ−n |f |n )/D∗ dx.
n
BM Γ+

3
A integral do lado esquerda pode ser estimada por uma consequência da
desigualdade de Hölder caso discreto, obtendo-se

g(p) ≥ 22−n (|p|n + µn )−1 .

Integrando, segue-se
n
22−n |b|n + µ−n |f |n
Z
M
ωn log( + 1) ≤ n dx.
µn n D∗
Γ+

Se f 6= 0, escolha µ = ||f /D∗ ||Ln (Γ+ ) para obter

2n−2 |b|
Z
M ≤ {exp[ n (1 + ∗ ) dx] − 1}1/n ||f /D∗ ||Ln (Γ+ ) ; (14)
n ωn D
Γ+

enquanto, para f ≡ 0, faça µ → 0 para obter novamente a desigualdade (14).


Assim, é estabelecida a estimativa (4) para funções u ∈ C 2 (Ω) ∩ C 0 (Ω). A
2,n
extensão a funções u ∈ C 0 (Ω) ∩ Wloc (Ω) pode ser obtida por uma aproximação.
Suponha primeiro que L é uniformemente elı́ptico em Ω com |b|/λ limitado.
+
Trabalhe no conjunto Ω+ . Dado que u ∈ C 0 (Ω ), segue-se, para algum δ > 0,
ε
u(x) ≤ + sup u ∀x ∈ Ω+ com dist(x, ∂Ω+ ) < δ. (15)
2 ∂Ω+

Dado o conjunto Ωε = {x ∈ Ω : dist(x, ∂Ω) > inf{δ/3, ε}}, considere


V ⊂ Rn suficientemente suave tal que

Ω ε ⊂ V ⊂ Ω+ .

Seja {um } uma sequência de funções em C 2 (Ω) convergindo, no sentido de


2,n
Wloc (Ω), para u. Como W 2,n (V ) ,→ C 0 (V ) é compacto, tem-se que {um }
converge uniformemente em Ωε , e portanto
ε
um < +u em Ωε ,
2
e daı́, por (15), segue

um < ε + sup u sobre ∂Ωε .


∂Ω+

Das condições do operador L, segue que


aij Dij um + bi Di um ≥ aij Dij (um − u) + bi Di (um − u) − cu + f
≥ aij Dij (um − u) + bi Di (um − u) + f,

e, consequentemente, por (4), para as funções um , tem-se


C ij
sup um ≤ ε+sup u+ + ||a Dij (um −u)+bi Di (um −u)||Ln (Ωε ) +C||f /D∗ ||Ln (Ωε ) ,
Ωε ∂Ω λ
e portanto, fazendo m → ∞ e usando o fato que um converge uniformemente
para u em Ωε , tem-se

sup u ≤ ε + sup u+ + C||f /D∗ ||Ln (Ωε ) (16)


Ωε ∂Ω

4
e daı́ segue (4) fazendo ε → 0.
Para remover a restrição sobre L, considere para η > 0, o operador

Lη = η(Λ + |b|)∆ + L.

É fácil verificar que Lη é elı́ptico. De (16) tem-se

η(Λ + |b|)∆u
sup u ≤ ε + sup u+ + C{|| ||Ln (Ωε ) + ||f /D∗ ||Ln (Ωε ) },
Ωε ∂Ω Dη∗

logo, fazendo η → 0 e usando teorema da convergência dominada, segue-se a


desigualdade (16) novamente. O Teorema 1 segue fazendo-se ε → 0. 

Bibliografia
[1 ] D. Gilbarg and N. Trudinger, Elliptic Partial Differential Equatios
of Second Order, Springer, New York 2001.
[2 ] J. Jurgen, Partial Differential Equations, Springer, New York 2002.
[3 ] J. B. Rodney, Notas de Aula: equações diferenciais parciais I/II, 2010.

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