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GUIA DE ESTUDO

Fundamentos da Educação
UNIDADE I
UNIDADE 1

DISCIPLINA: FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO

PALAVRAS DO PROFESSOR

Caro aluno,

A princípio quero dar as boas vindas para você este nosso primeiro contato. Tenho como objetivo
geral dessa disciplina em oferecer subsídios para você conhecer, analisar e refletir sobre as teo-
rias educacionais e sobre os paradigmas contemporâneos. Assim, você deve buscar compreender
a Educação enquanto ciência importante para mudança social. Portanto, a cada unidade você de-
verá ficar atento aos objetivos de aprendizagem, apresentado no seu livro texto para poder guiar
seus estudos da melhor maneira possível.

Nesse guia, esses objetivos estarão elencados no início do texto para que você possa acompanhá
-los no seu processo de aprendizagem. Afinal, nosso objetivo não é apenas discorrer sobre teorias
educacionais, mas permitir o “despertar” para um pensamento crítico reflexivo, enquanto ação
necessária para compreender os papeis dos alunos e professores envolvidos nesse processo tão
importante para qualquer sociedade.

Nessa unidade I aprofundaremos o conhecimento sobre os seguintes temas:

• Um olhar sobre a pedagogia e a educação;


• O que é, afinal, a educação?;
• Concepção de educação;
• A cientificidade da pedagogia;
• Apresentando a pedagogia;
• Uma abordagem histórica da pedagogia;
• A educação como saber científico.

Observe o quadro 1 para entender quais serão os focos de estudos de cada um destes temas:

Quadro 1 – Foco dos estudos Unidade 1


1 – O que é, afinal, a educação? 2 – A educação como saber científico
Nesse ponto, iremos estudar a formação de uma con- Atualmente, muito se fala da educação como ato de
cepção de educação, entendendo melhor a formação amor ou como uma vocação. Este capítulo pretende
da pedagogia como é conhecida hoje. A proposta estudar a pedagogia como um saber científico. É pre-
desse tema é introduzir a ideia a partir de um rápido ciso formação para entender o processo de aprendiza-
giro histórico sobre a criação dessa ciência, desde os gem dentro da sala de aula e como se consegue fazer
primórdios da escola até hoje. desse processo um momento realmente emancipador,
de trocas entre professor e estudante.

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Para início de conversa

Para que você fique ciente, é importante destacar que a cada tema estudado
também serão recomendadas outras leituras obrigatórias e complementares,
além de vídeos e/ou filmes que você deverá assistir para que possa compreen-
der melhor os conteúdos estudados, ou relacioná-los analisando elementos dos
temas abordados. Você também será capaz de analisar situações a partir do
conhecimento que será construído ao longo desta unidade.

Esses conteúdos são pensados para que você desempenhe seu papel de aluno (a)
da melhor maneira possível, afinal, nesse processo quanto mais você se envolver
para estudar, dialogar e interagir, mais você construirá uma aprendizagem sólida
sobre os fundamentos da educação.

Dica

Você deve ter em mente que os conhecimentos dessa disciplina são fundamen-
tais e primordiais para o seu processo de formação profissional. Aproveite bas-
tante os materiais que serão propostos nesta unidade, pois assim, será possível
conhecer profundamente sobre a Educação enquanto ciência. O intuito é desper-
tar você, para as reflexões necessárias para as mudanças de paradigma.
Gosto muito de utilizar Alicia Fernández, psicopedagoga argentina dos anos 80:

“A teoria cumpre a mesma função que a rede para o equilibrista. O equi-


librista necessita ter como sustentação a rede para poder inventar novas
piruetas no fio onde caminha... A teoria é essa rede que nos sustenta e
nos permite transitar por esse fio tão arriscado que é o caminho do nosso
acionar concreto diário. Se dela carecemos, não haverá possibilidade de
trabalhar com autoria, de inventar novos recursos e descobrir qual meio
utilizamos em cada ocasião.” Alicia Fernández (O Saber em Jogo, A psico-
pedagogia propiciando autorias de pensamento, 2001c, p 56).

Assim, todas as teorias e teóricos apresentados ao longo dos estudos dessa dis-
ciplina devem compor a rede que sustenta, mas que não podem jamais impedir
você de construir sua teia de conhecimento.

Pretendemos dar um norte, para um sentido que será produzido por você e em você.
Como diz Castoriades, no Livro O pensar complexo de Edgar Morin:

“Chamarei subjetividade a capacidade de receber um sentido, de fazer algo com ele e


de produzir sentido, dar sentido, fazer com que cada vez seja um sentido novo. Cornelius
Castoriades.”(O Pensar complexo, Edgar Morin et al, 1999, p.35)
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Palavra do Professor

Portanto é importante que você saiba que todo material juntamente a todos os
vídeos e links escolhidos, foram selecionados para você criar essa teia de senti-
dos e significados. Não deixe de acessá-los!

Vale salientar também, que para a compreensão de alguns aspectos importantes


para essa disciplina precisaremos de alguns regastes históricos. Quando olhar-
mos para o passado nos lembraremos de como as sociedades mudaram.

Às vezes é inacreditável que de homens das cavernas, conseguimos evoluir tan-


to. Obviamente essas mudanças trouxeram diversas mudanças e, podemos com
certeza afirmar que, o processo educacional é o maior responsável por isso,
afinal, descobríamos e ensinávamos e assim chegamos onde chegamos e ainda
vamos avançar.

Um olhar sobre a Pedagogia e a Educação

Meu caro, gostaria que você ficasse atento, pois a partir de agora você começa a compreender
que o olhar sobre a educação e a Pedagogia está vinculado ao panorama histórico da sociedade
e, para isso, alguns resgates históricos são consideravelmente importantes para ampliar a com-
preensão sobre o desenvolvimento do processo educacional e sobre o surgimento da Pedagogia
enquanto ciências. Afinal, a Educação é um processo que acompanha a sociedade desde seu
surgimento e a Pedagogia é o desdobramento desse processo.Vamos aos resgates para poder nos
aprofundar!

Grandes marcos históricos podem ser considerados UPs da sociedade, como por exemplo, o Ilu-
minismo.

O iluminismo, também conhecido como Século das Luzes e como movimento cultural da elite in-
telectual europeia do século XVIII, que procurou mobilizar o poder da razão, a fim de, reformar a
sociedade e o conhecimento herdado da tradição medieval. Abarcou inúmeras tendências e, entre
elas, buscava-se um conhecimento apurado da natureza, com o objetivo de torná-la útil ao homem
moderno e progressista. Promoveu o intercâmbio intelectual e foi contra a intolerância da Igreja
e do Estado.

O centro do iluminismo foi a França e culminou com a grande Encyclopédie (1751-1772) editada
por Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond d’Alembert com contribuições de centenas de líde-
res filosóficos (intelectuais), tais como; Voltaire (1694 -1778) e Montesquieu (1689-1755). Cerca
de 25.000 cópias do conjunto de 35 volumes foram vendidos, metade deles fora da França.

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As novas forças intelectuais difundiram-se para os centros urbanos de toda a Europa, nomeada-
mente: Inglaterra, Escócia, os estados alemães, Países baixos, Rússia, Itália, Áustria e Espanha,
em seguida, saltou o Atlântico para colônias europeias, onde influenciou Benjamin Franklin e Tho-
mas Jefferson, entre muitos outros, e desempenhou um papel importante na Revolução America-
na. Os ideais políticos influenciaram a Declaração de Independência dos Estados Unidos, a Carta
dos Direitos dos Estados Unidos, a Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão e a
Constituição Polaco-Lituana de 3 de maio de 1791.

Veja o vídeo!

A sociedade vivia a época de intensa produção de conhecimento e de disseminar


de informações, pois, se você quiser se lembrar como era antes, compre uma
pipoca e assista o filme O Nome da Rosa, lançado em 1980 pelo escritor italiano
Umberto Eco.

Ainda relembrando marcos históricos do tipo UP social é importante que você


faça alguns resgates sobre a REVOLUÇÃO FRANCESA e A REVOLUÇÃO INDUS-
TRIAL. Para isto, disponibilizamos os vídeos abaixo para que você possa fazer
esses resgates históricos e assim organizar melhor seus pensamentos a respeito
das aprendizagens.

Vamos adiante!

veja o vídeo!

Revolução Francesa

Revolução Francesa 1789-1799 (tempo de duração: 19:45).

Revolução Industrial

Revolução Industrial (tempo de duração: 21:40).

??? Você sabia que esse resgate histórico torna-se muito importante a partir do
momento em que começamos a considerar a relação imbricada entre sociedade
e educação?

Afinal, pode-se dizer que a Revolução Francesa teve relevante papel nas bases da sociedade de
uma época, além de ter sido um marco divisório da história dando início à idade contemporânea.

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Foi um acontecimento tão importante que seus ideais influenciaram vários movimentos ao redor
do mundo, dentre eles, a nossa Inconfidência Mineira. Leia mais no link.

Sobre as implicações da Revolução Industrial, várias foram às mudanças sociais, afinal, mudou
o processo de produção de mercadorias e, com isso, houve uma grande mudança nas relações
sociais e no modo de se viver na Europa Ocidental a partir do século XVIII. O trabalho, antes feito
de modo artesanal, praticamente familiar, em que o patrão mais se assemelhava a um pai do que
propriamente um patrão, ganhou ares totalmente adversos. Agora, a jornada de trabalho se fixava
no tempo e o relógio passou a ser utilizado de forma quase que escravista.

Visite a Página

Posso te ajudar indicando esta página para que você leia mais e fique mais
informado.

Continuando nosso estudo, as crianças e mulheres que trabalhavam, mudava a relação familiar e
todo o contexto social. Fortemente identificamos duas classes, segundo Marx, a dos proprietários
e dos não proprietários.

Os não proprietários, por não terem como se sustentar, começaram a vender sua força de trabalho
numa relação de exploração entre explorador e explorado.

Dentre outros autores, como Karl Marx, Emile Durkheim e Max Weber se interessaram por
compreender essas implicações e abordar temas diversos como relações de exploração, fatos
sociais e capitalismo na ótica do protestantismo.

Pronto, agora que você fez um resgate histórico sobre as principais revoluções e relembrou ele-
mentos importantes para compreender o panorama mundial daquela época.
Por isso, vamos agora ao nosso tema sobre educação.

O que é, afinal, a educação?

Após a leitura do item 1 do seu livro texto, você deve ter iniciado sua teia de ideias sobre a res-
posta para essa pergunta.

Vamos aprofundá-las assistindo os vídeos abaixo.

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Veja o vídeo!

O que é educação? (Tempo de duração:3:21).

O que é educação? (Tempo de duração: 27:06).

Pedagogia (Tempo de duração: 03:02).

Guarde essa ideia

Em seu Livro O que é Educação, Carlos Brandão afirma que:

“É preciso entender o verdadeiro sentido da Educação e o papel que esta


exerce hoje em nossa sociedade. Não podemos aceitar o fato de que a edu-
cação só existe na escola formal tendo como representante máximo o mes-
tre (professor profissional). A educação está presente em todas as nossas
ações, na nossa vivência, enfim, na experiência de cada um. As pessoas não
dependem de um professor para aprender. Elas aprendem através de suas
relações e interações com o meio no qual estão inseridas.”

(Ver Resenha do livro no link).

Dica

Quero que você preste atenção!

Sobre o caráter histórico do processo educativo Moema Toscano, no seu livro


Sociologia da Educação, aborda que nas sociedades modernas existe uma cons-
ciência cada vez mais clara da importância da educação como fator de desen-
volvimento. Segundo ela, existe uma progressiva e complexa relação na neces-
sidade de agilizar recursos materiais e humanos que possam efetivar o processo
educacional.

Conforme Toscano, a Educação tem sido, pelo menos, os últimos três séculos de nossa civilização,
um veículo de manutenção e privilégios e instrumento de sustentação do estado atual. A autora
relembra que a escola era destinada aos filhos da nobreza e da elite, enquanto que, para os filhos
dos trabalhadores, reservava-se apenas oportunidades de uma aprendizagem elementar.

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Concepção de Educação

Vamos lá caro aluno, depois da leitura feita até agora, você pode observar que definir a palavra
EDUCAÇÃO não é algo tão simples, afinal, temos várias concepções de Educação que serão estu-
dadas ao longo desta disciplina.

Mas vamos sinalizar algumas concepções para que você possa ir se apropriando e compreendendo
as mudanças históricas que fizeram o conceito de educação ser ampliado.

Concepção Tradicionalista da Educação

ORIGEM HISTORICA - Desde o poder aristocrático antigo e feudal. Buscou inspiração nas tradi-
ções pedagógicas antigas e cristãs. Predominou até fins do século XIX. Foi elitista, pois apenas o
clero e a nobreza tinham acesso aos estudos.

Concepção Liberalista da Educação

ORIGEM HISTÓRICA - A concepção liberalista da Educação foi se constituindo ao longo da História


em reação à concepção Tradicionalista, seus primeiros indícios podem se reportar ao Renasci-
mento (séc. XV - XVI); prosseguindo com a instalação do poder burguês liberalista (séc. XVIII) e
culminando com a emergência da chamada Escola Nova” (início do séc. XX) e com a divulgação
dos pressupostos da Psicologia Humanista (1950).

Concepção técnico-burocrática da educação

ORIGEM HISTORICA - Esta concepção é também conhecida como concepção TECNICISTA. Pene-
trou nos meios educacionais a partir dos meados do séc. XX (1950) com o avanço dos modelos de
organização EMPRESARIAL. Representa a introdução do modelo capitalista empresarial na escola.

Concepção Dialética de Educação

ORIGEM HISTÓRICA: A dialética é muito antigo podendo ser reportada a sete séculos antes de
Cristo. Sócrates (469-399 A.C.) é considerado o maior dialético grego. No séc. XIX, Hegel e Karl
Marx revivem a dialética, e a partir deles novos autores têm retomado e ampliado a questão da
dialética. A dialética como fundamentação filosófica e metodológica da Educação existiu desde
os tempos antigos, mas não como concepção dominante. Prevaleceu ao longo da História uma
concepção tradicionalista e metafísica de Educação. (Metafísica: teoria abstrata, desvinculada da
realidade concreta, com uma visão estática de mundo).

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Dica!

Não esqueça, ao longo da disciplina tudo vai ganhar um sentido maior e por isso
fique atento aos detalhes.

Agora que você organizou suas ideias sobre o que e Educação, vamos ao próximo
passo:

A Cientificidade da Pedagogia

Vamos começar a refletir sobre o que a Pedagogia difere de Educação?


Assista o vídeo, e em seguida vamos refletir de acordo com o que foi visto.

Veja o vídeo!

Pedagogia: Cotidiano Escolar (Tempo de duração: 05:26).

Assistiu? Vamos começar nossa troca de informações?

A pedagogia, além de ser uma abordagem transdisciplinar do processo de educar, articula as


teorias das diferentes ciências que lhe dão sustentação direta (psicologia, sociologia, história)
ou indireta (biologia, antropologia, neurologia). Dessa forma, ela constitui, conjuntamente, uma
abordagem plural ao expressar diferentes formas e tipos de conhecimento: senso comum, estéti-
ca, ética e política etc.

Para aprofundar alguns conhecimentos, é importante destacar que a Legislação atual sob a forma
de Diretrizes Curriculares para o Curso de Pedagogia (Resolução CNE/CP n 1 de 15 de maio de
2006) aponta para a possível construção da Identidade profissional do pedagogo, documento este
alicerçado na atuação da docência segundo os autores Libâneo, Franco, Pimenta (2007) e não pre-
valecendo uma discussão de muitos anos que evidencia a Pedagogia como ciência da educação.

“A base de um curso de Pedagogia não pode ser a docência. A base de um curso de pedagogia é
o estudo do fenômeno educativo, em sua complexidade, em sua amplitude. Então, podemos dizer:
Todo trabalho docente é trabalho pedagógico, mas nem todo trabalho pedagógico é trabalho do-
cente.” (LIBÂNEO, Pedagogia e Pedagogos para que?, 2006).

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Apresentando a Pedagogia

Para que eu apresente a pedagogia, gosto muito da forma como Libâneo organiza o conceito dela,
ele aborda que a Pedagogia, mediante conhecimentos científicos, filosóficos e técnicos-profissio-
nais, investiga a realidade educacional em transformação, para explicitar objetivos e processos
de intervenção metodológica e organizativa referentes à transmissão/assimilação de saberes e
modos de ação.

Segundo esse autor, a Pedagogia é a ciência que tem a educação como objeto de estudo. Para
ele a sociologia, a psicologia, a economia, entre outras, também podem se ocupar com problemas
educativos, entretanto:

“É a Pedagogia que pode postular o educativo, propriamente dito, e ser ciência integradora dos
aportes das demais áreas. Isto não quer dizer, todavia, que ela, por isso, passa ocupar lugar hie-
rarquicamente superior às demais” (LIBÂNEO, 1996).

Para esse autor, a Pedagogia tem uma identidade e tem problemas próprios, tendo como campo
de estudos os elementos da ação educativa e sua contextualização.

Outro autor que aborda sobre a Pedagogia é Saviani (2001).

Para ele, a Pedagogia tem íntima relação com uma teoria da prática educativa. Saviani destaca
que o conceito de Pedagogia se reporta a uma teoria que se estrutura a partir e em função da prá-
tica educativa. Ele destaca ainda que a pedagogia, como teoria da educação, busca equacionar, de
alguma maneira, o problema da relação educador-educando, de modo geral, ou, no caso específico
da escola, a relação professor-aluno, orientando o processo de ensino e aprendizagem (SAVIANI,
Pedagogia Histórico Critica, 2001).

Acesse o Ambiente Virtual

Para organizar melhor seu pensamento a respeito do que é Pedagogia, seria in-
teressante fazer uma leitura em seu livro texto da página 03 a 13, fazendo uma
relação entre Educação e a Pedagogia.

Uma abordagem histórica da Pedagogia

A Pedagogia não surgiu de maneira tão definida como abordada por Libâneo e Saviani. Ao fazer
uma abordagem histórica sobre o termo Pedagogo, você irá encontrar que esse termo surgiu na
Grécia Clássica, da palavra cujo significado etimológico é preceptor, mestre, guia,
aquele que conduz.

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No livro A História da Pedagogia de Franco Cambi, o autor faz um completo resgate histórico sobre
o processo que a Pedagogia percorreu para se transformar em ciência.

Segundo Cambi, a História da Educação fornece aos educadores um conhecimento do passado


coletivo da profissão, que serve para formar a sua cultura profissional.

No entanto, ele destaca que possuir um conhecimento histórico não implica ter uma ação mais
eficaz, mas estimula uma atitude crítica e reflexiva e, por isso, a história da Educação amplia a
memória e a experiência, o leque de escolhas e de possibilidades pedagógicas, o que permite um
alargamento do repertório dos educadores e lhes fornece uma visão da extrema diversidade das
outras ciências.

Cambi, traz para discussão que a história da pedagogia no sentido próprio, nasceu entre os sé-
culos XVIII e XIX e desenvolveu-se no decorrer deste último como pesquisa elaborada por pes-
soas ligadas à escola, empenhadas na organização de uma instituição cada vez mais central na
sociedade moderna, preocupadas, portanto, em sublinhar os aspectos mais atuais da educação.
Segundo o autor, a história da pedagogia nascia como uma história ideologicamente orientada
que valorizava a continuidade.

Dica

Outro aspecto histórico importante trazido por Cambi é que essa pedagogia foi
mudando ao longo do tempo, por exemplo, com a revolução cristã opera-se uma
radical revisão do processo dos princípios educativos no qual toda cultura es-
colar se organiza em torno da religião. Já a Idade Média, inovará a tradição
pedagógica e educativa influenciando a própria modernidade. E a Modernidade
traz mudanças sociais em torno de movimentos sociais e evoluções tecnológicas
e cientificas que irá provocar mudanças diversas na educação.

Ou seja, ao longo dessa disciplina, você poderá acompanhar esse processo no qual a Pedagogia
se tornou ciência.

Agora que você já organizou as ideias sobre os conceitos a respeito de Educação


e Pedagogia é importante ampliar seu pensamento crítico a respeito do processo
educacional. Gostaria que você lesse o texto abaixo com um olhar bem crítico.

Quando a escola é de vidro – Ruth Rocha

Publicado por CCBela em 25/09/2012 em Mudando de Assunto

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“Naquele tempo eu até que achava natural que as coisas fossem daquele jeito.
Eu nem desconfiava que existissem lugares muito diferentes…
Eu ia para a escola todos os dias de manhã e quando chegava, logo, logo, eu tinha que
me meter no vidro.
É, no vidro!
Cada menino ou menina tinha um vidro e o vidro não dependia do tamanho de cada um,
não!
O vidro dependia da classe em que agente estudava.
Se você estava no primeiro ano ganhava um vidro de um tamanho.
Se você fosse do segundo ano seu vidro era um pouquinho maior.
E assim, os vidros iam crescendo à medida que você ia passando de ano.
Se não passasse de ano, era um horror.
Você tinha que usar o mesmo vidro do ano passado, coubesse ou não coubesse.
Aliás nunca ninguém se preocupou em saber se a gente cabia nos vidros.
E pra falar a verdade, ninguém cabia direito.
Uns eram muito gordos, outros eram muito grandes, uns eram pequenos e ficavam afun-
dados no vidro, nem assim era confortável.
Os muitos altos de repente se esticavam e as tampas dos vidros saltavam longe, às
vezes até batiam no professor.
Ele ficava louco da vida e atarraxava a tampa com força, que era pra não sair mais.
A gente não escutava direito o que os professores diziam, os professores não entendiam
o que a gente falava…
As meninas ganhavam uns vidros menores que os meninos.
Ninguém queria saber se elas estavam crescendo depressa, se não cabiam nos vidros,
se respiravam direito…
A gente só podia respirar direito na hora do recreio ou na aula de educação física.
Mas aí a gente já estava desesperado, de tanto ficar preso e começava a correr, a gritar,
a bater uns nos outros.
As meninas, coitadas, nem tiravam os vidros no recreio. E na aula de Educação Física
elas ficavam atrapalhadas, não estavam acostumadas a ficarem livres, não tinham jeito
nenhum para Educação Física.
Dizem, nem sei se é verdade, que muitas meninas usavam vidros até em casa.
E alguns meninos também.
Estes eram os mais tristes de todos.
Nunca sabiam inventar brincadeiras, não davam risada a toa, uma tristeza!
Se a gente reclamava?
Alguns reclamavam.
Então os grandes diziam que sempre tinha sido assim; ia ser assim o resto da vida.
A minha professora dizia que ela sempre tinha usado vidro, até para dormir, por isso é
que ela tinha boa postura.
Uma vez um colega meu disse pra professora que existem lugares onde as escolas não
usam vidro nenhum, e as crianças podem crescer a vontade.
Então a professora respondeu que era mentira. Que isso era conversa de comunistas.
Ou até coisa pior…
Tinha menino que tinha até que sair da escola porque não havia jeito de se acomodar

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nos vidros. E tinha uns que mesmo quando saiam dos vidros ficavam do mesmo jeitinho,
meio encolhidos, como se estivessem tão acostumados que estranhavam sair dos vidros.
Mas uma vez veio para a minha escola um menino, que parece que era favelado, caren-
te, essas coisas que as pessoas dizem pra não dizer que era pobre.
Ai não tinha vidro pra botar esse menino.
Então os professores acharam que não fazia mal não, já que ele não pagava a escola
mesmo…
Então o Firuli, ele se chamava Firuli, começou a assistir as aulas sem estar dentro do
vidro.
Engraçado é que o Firuli desenhava melhor que qualquer um, o Firuli respondia pergun-
tas mais depressa que os outros, o Firuli era muito mais engraçado…
Os professores não gostavam nada disso…
Afinal, o Firuli podia ser um mau exemplo pra nós…
Nós morríamos de inveja dele, que ficava no bem-bom, de perna esticada, quando queria
ele espreguiçava, e até meio que gozava a cara da gente que vivia preso.
Então um dia um menino da minha classe falou que também não ia entrar no vidro.
Dona Demência ficou furiosa, deu um coque nele e ele acabou tendo que se meter no
vidro, como qualquer um.
Mas no dia seguinte duas meninas resolveram que não iam entrar no vidro também:
– Se Firuli pode por que é que nós não podemos?
Mas dona Demência não era sopa.
Deu um croque em cada uma, e lá se foram elas, cada uma pro seu vidro…
Já no outro dia a coisa tinha engrossado.
Já tinha oito meninos que não queriam saber de entrar nos vidros.
Dona Demência perdeu a paciência e mandou chamar seu Hermenegildo que era o dire-
tor lá da escola.
Hermenegildo chegou muito desconfiado:
Aposto que essa rebelião foi fomentada pelo Firuli. É um perigo esse tipo de gente aqui
na escola. Um perigo!
A gente não sabia o que queria dizer fomentada, mas entendeu muito bem que ele es-
tava falando mal do Firuli.
Seu Hermenegildo não conversou mais. Começou pegar os meninos um por um e enfiar
á força dentro dos vidros.
Mas nós estávamos loucos para sair também, e para cada um que ele conseguia enfiar
dentro do vidro, já tinha dois fora.
E todo mundo começou a correr do seu Hermenegildo, que era para ele não pegar a
gente, e na correria começamos a derrubar os vidros.
E quebramos um vidro, depois quebramos outro e outro mais e dona Demência já estava
na janela gritando:
– SOCORRO! VÂNDALOS! BÁRBAROS!
(Pra ela bárbaro era xingação).
Chamem os Bombeiros, o Exército da Salvação, a Polícia Feminina…
Os professores das outras classes mandaram cada um, um aluno para ver o que estava
acontecendo.
E quando os alunos voltaram e contaram a farra que estava na 6ª série todo mundo ficou

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assanhado e começou a sair dos vidros.
Na pressa de sair começaram a esbarrar uns nos outros e os vidros começaram a cair e
a quebrar.
Foi um custo botar ordem na escola e o diretor achou melhor mandar todo mundo pra
casa, que era pra pensar num castigo bem grande, pro dia seguinte.
Então eles descobriram que a maior parte dos vidros estava quebrada e que ia ficar
muito caro comprar aquela vidraria toda de novo.
Então diante disso seu Hermenegildo pensou um bocadinho, e começou a contar pra
todo mundo que em outros lugares tinha umas escolas que não usavam vidro nem nada,
e que dava bem certo, as crianças gostavam muito mais.
E que de agora em diante ia ser assim: nada de vidro, cada um podia se esticar um bo-
cadinho, não precisava ficar duro nem nada, e que a escola agora ia se chamar Escola
Experimental.
Dona Demência, que apesar do nome não era louca nem nada, ainda disse timidamente:
– Mas seu Hermenegildo, Escola Experimental não é bem isso…
Seu Hermenegildo não se perturbou:
– Não tem importância. A gente começa experimentando isso. Depois a gente experi-
menta outras coisas…
E foi assim que na minha terra começaram a aparecer as Escolas Experimentais.
Depois aconteceram muitas coisas, que um dia eu ainda vou contar…”

(Referência: https://ccbela.wordpress.com/2012/09/25/quando-a-escola-e-de-vidro-ruth-rocha/)

O que achou do texto? Interessante, rico em informações? Espero que esteja entendendo tudo que
foi visto.

Dando continuidade, sabemos que a educação é um processo histórico e de fundamental impor-


tância para a sociedade! Este deve ser nosso mantra.

Vamos adiante, em 2013, Moacir Gadotti, deu uma entrevista para o observatório em Natal em
que ele chamava a atenção para uma necessária educação com qualidade social.

Moacir Gadotti, Licenciado em Pedagogia e Filosofia, mestre em Filosofia da Educação pela Pon-
tifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), doutor em Ciências da Educação pela Univer-
sidade de Genebra (Suíça) e livre docente pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o
professor Moacir Gadotti é referência quando o assunto é educação.

Aluno e parceiro do mestre Paulo Freire, considerado um dos maiores pensadores da educação
do mundo, Gadotti também é diretor do Instituto Paulo Freire, em São Paulo, e autor de várias
publicações na área, como Educação e poder (Corte), Paulo Freire: Uma bibliografia (Cortez) entre
outros.

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Guarde essa ideia

Com tudo que vimos até agora, destaco duas perguntas muito importante para
contribuir com nossas concepções sobre educação:

1) Vamos iniciar com uma pergunta tradicional: como avalia o atual es-
tagio de educação no Pais?

A educação vem avançando no País em termos quantitativos, agora o grande


desafio é garantir a qualidade do ensino. Do ponto de vista teórico, a questão
da qualidade está solucionada, varias pesquisas mostram como o conhecimento
acontece no cérebro, como ocorre o desenvolvimento. Neste aspecto as condi-
ções sociais são determinantes. Condições sociais de moradia, de trabalho, de
emprego, de saúde... A educação não está desligada, não é um problema seto-
rial, é um problema estrutural com os outros condicionantes. Então, a qualidade
da educação tem a ver com esses outros fatores, está ligada. Não estou dizendo
que precisa primeiro resolver o problema da moradia, do emprego, do transporte,
para depois resolver a educação. É tudo junto. Nas últimas décadas tivemos uma
boa legislação e um plano nacional de educação, que bem ou mal faz um diag-
nóstico; um sistema nacional de avaliação de educação básica, o Fundeb; FHC
deixou ainda os parâmetros curriculares nacionais. E Lula avançou mais ainda.
Há um avanço. Mas precisamos avançar mais.

2) Porque nosso ensino é tão ruim?

Precisamos despertar na criança, no jovem, o desejo de aprender. É preciso que o


que eu sei tenha sentido para mim. E quantas crianças não vão para a escola e se
perguntam que sentido tem aprender isso? A formação do professor tem que ser
numa direção dele ser um orientador da aprendizagem, incentivador. Tem dados
que mostram que, quando um professor aprende com o aluno, pesquisa com o
aluno, está com o aluno, gosta do que está ensinando, as crianças se interes-
sam mais em aprender. Diálogo é fundamental. Que dialogue com a comunidade,
com os pais, que seja um gestor do conhecimento, um animador cultural. Então,
depende muito dele ser um dirigente, não um burocrata, executor de programa.
Ele precisa ser um dirigente, que tenha ideia, que estimule a participação po-
lítica. Hoje, defendemos o conceito de educação com qualidade social, que é
um conceito político que significa qualificar a qualidade. Os antigos critérios
de qualidade já não são suficientes. É preciso educar para o imprevisível, como
diz Edgar Morin. A qualidade do ensino é resultado da gestão democrática e da
capacidade do individuo de participar de sua formação. Como Paulo Freire dizia:
só aprendo aquilo na qual eu participo ativamente.

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Leitura complementar

Se você quiser ver a Entrevista na integra, acesse o link.

Dando continuidade ao nosso raciocínio, não poderíamos deixar um dos nomes mais importantes
da pedagogia e da educação de fora, para começar uma nova rodada de estudos mencionamos
nosso renomado Paulo Freire.

Paulo Freire é considerado um dos pensadores mais notáveis na história da Pedagogia mundial,
tendo influenciado o movimento chamado
pedagogia crítica.

A sua prática didática se fundamentava na esperança de que os alunos assimilaria o objeto de


estudo fazendo uso de uma prática com a realidade, em contraposição por ele denominada edu-
cação bancária, tecnicista e alienante: o aluno criava a sua própria educação, fazendo ele próprio
seu caminho, e não seguindo o que já existia; ficando livre de chavões alienantes, o aluno criaria
seu o rumo do seu aprendizado.

O seu trabalho foi destaque por atuar na área da educação popular, voltada tanto para a escolari-
zação como para a formação da consciência política.

Esse ilustre educador, em uma entrevista para a revista nova escola, intitulada
“Nós podemos reinventar o mundo”, traz algumas questões importantes para
refletir. Confira no link.

Leitura complementar

E importante esclarecer que o educador Paulo Freire não gostava de dar entre-
vistas e, por isso, para superar essa resistência, a revista Nova Escola convidou
também o educador Moacir Gadotti, amigo pessoal e chefe de gabinete do se-
cretário Paulo Freire.

Da entrevista, destacaria a seguinte questão:

Moacir Gadotti - O brasileiro é um povo que vive de esperanças, só que uma atrás da outra vão
embora, e sempre vem a frustração depois. Foi assim com as diretas já, com a Constituinte, com o
Collor. Hoje vivemos um momento de incertezas, parece que o chão que pisamos está se movendo,
e nós, no Brasil, não conseguimos enxergar o dia de amanhã. De onde vem essa esperança de que
é possível transformar o mundo a que você se refere em Pedagogia da Esperança?

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Paulo Freire - É uma pergunta que exige uma reflexão, mesmo que sucinta, em torno de nós
próprios. O que estamos sendo no mundo João, Maria, Carlos? E não importa aí a classe social,
embora esta tenha uma influência fantástica na forma como estamos sendo. Mas o que estamos
sendo, por que estamos sendo, como estamos sendo, quem estamos sendo? Isso me permite fazer
comparações. Por exemplo: olho agora o quintalzinho de minha casa e vejo outros seres também
vivos, mas de ordem natural - uma jabuticabeira e o canil onde está o Jim, um pastor alemão
-, e já poderia estabelecer comparações entre como eu estou sendo, como a jabuticabeira está
sendo e como o Jim está sendo. Sem ir muito longe, eu chego a uma primeira conclusão, de que
as relações que há entre eu e as minhas jabuticabeiras e entre eu e Jim não são as mesmas que
há entre eu e você. Há uma qualidade diferente nessas relações. Segundo, eu posso tomar como
referência, para me distinguir dos outros dois seres (o Jim e a jabuticabeira), que, embora os três
seres sejamos finitos, inacabados, incompletos, imperfeitos, somente eu entre os três sei que
somos finitos, inacabados e incompletos. A jabuticabeira não sabe. Ela tem outro tipo de saber.

O que podemos fazer com o nosso saber?

E importante destacar que você deve se perceber daqui para frente responsável pela educação.
Por isso, vou finalizar como Rubem Alves.

Veja o vídeo!

Para que você possa ter acesso a algumas informações, veja o vídeo: A Escola
Ideal (Tempo de duração: 9:50).

E para que você compreenda bem as temáticas abordadas, aí vai uma dica: é sempre importante
fazer o registro por escrito das suas ideias iniciais, como também das palavras chaves do conteú-
do que estamos estudando. Mas por que estou lhe sugerindo isso? Para que você possa organizar
melhor as suas ideias e sistematizar o conteúdo que irá aprender.

Meu caro, chegamos ao fim de nossa primeira unidade.

Você começou a ampliar seus conceitos sobre EDUCAÇÃO e PEDAGOGIA.

Temas importantes e contextos históricos foram inseridos no seu processo educacional e você
estará mais preparado para compreender a respeito da disciplina de Fundamentos da Educação.

É importante considerar todas as abordagens que serão tratadas nessa disciplina.

Vamos agora organizar as ideias e nos preparar para UNIDADE II…

Forte abraço e bons estudos.

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