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AULA 2

A prosa no Romantismo
Prosa é um termo latino que significa “discurso direto, livre, em linha reta”.
Refere-se ao texto escrito como expressão natural da linguagem, em parágra-
fos. Na literatura, sobretudo romântica, trata-se do texto usado para escrever os
romances - histórias ou narrativas - e se contrapõe à poesia.

Jornais, romances e folhetins

Os primeiros jornais surgiram na Europa no século 17, cerca de duzentos anos depois da invenção
da prensa por Gutenberg, quando já havia uma maior quantidade de pessoas capazes de ler. Desde o
início, os jornais eram vistos com certa desconfiança, seja pelo medo de poderem incitar a população a
motins e revoluções ou mesmo por preconceito contra um gênero passível de ser lido por várias camadas
da sociedade. Por outro lado, um gênero literário antes desprezado, o romance, adquiria no século 19,
junto com o desenvolvimento da imprensa, um lugar de destaque na Literatura.
A relação entre o desenvolvimento dos jornais e a ascensão do romance não é simplesmente
uma coincidência temporal. Muitos romances foram publicados nos jornais como folhetins. Até hoje
essa palavra se refere, geralmente de forma pejorativa, a intrigas de enredos rocambolescos e de
alto apelo popular. Porém muitos romances considerados hoje clássicos da Literatura, de autores
respeitados como Alexandre Dumas, Balzac e Machado de Assis, ou seja, da Alta Literatura, vieram
a público inicialmente também dessa maneira.
A palavra “folhetim” vem do francês e significa “pequena folha”. A partir de 1836 o termo pas-
sou a se referir a “romances-folhetim”, ou seja, romances publicados de forma fragmentada em jor-
nais e marcados por uma estratégia de corte que provocava a curiosidade do leitor pelos “próximos
capítulos”, estratégia mantida atualmente pelas novelas televisivas. Nesse momento ocorria uma
conjunção de fatores para o sucesso dos folhetins: o aumento da taxa de alfabetização, a diminuição
da jornada de trabalho, a mudança do gosto, a importância crescente dos jornais no cotidiano e a
diminuição de seus preços.

Texto adaptado, com base em trabalho publicado pela professora de Comunicação Social e mestre em Letras, Luiza
Alvim. Disponível em: http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/6o-encontro-2008-1/Os%20jornais-%20o%20ro-
mance%20e%20o%20folhetim.pdf. Acesso em: 20.10.2013.

Literatura 2 - Aula 2 17 Instituto Universal Brasileiro


O romance no Romantismo
É muito comum confundir romance com “A moreninha” é a primeira obra escrita nesse
Romantismo. O romance é um tipo de narra- gênero literário. O romance fixa os costumes
tiva que já existia antes do Romantismo. Na da sociedade carioca do tempo, atendendo a
Europa, os escritores românticos utilizaram- expectativa do leitor burguês, que lia com pra-
se do romance para difundir as novas tendên- zer as histórias que transcorriam em cenários
cias literárias do século 19. Com a chegada conhecidos, onde se via retratado como per-
do Romantismo, o romance europeu, que já sonagem.
existia desde o século 18, sofreu alterações
importantes em suas características básicas. Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882)
Na França, destacam-se os romances: “Os
Miseráveis” de Victor Hugo e “Os três mos- Distinguiu-se como
queteiros” de Alexandre Dumas. poeta, historiador, ro-
mancista, comediógrafo,
dramaturgo, jornalista e
político. Seus principais
romances: “A moreninha”
(1844), considerada a
primeira novela nacional;
“O moço loiro” (1845);
“Os dois amores” (1848);
“A luneta mágica” (1869).

Os Miseráveis: romance social em dois volumes, marcado


por uma vasta análise de costumes da França do século Resenha do romance
19. Capa da editora Martin Claret.
Em uma viagem ao
litoral, Augusto, Filipe e
O romance no outros dois amigos, to-
Romantismo brasileiro dos estudantes de Medi-
cina, fazem uma aposta:
No Brasil, o Romantismo exerceu in- Augusto não se apaixo-
fluência ainda maior, visto que esse estilo de naria por nenhuma moça
época coincidiu com o surgimento do roman- durante o período em
ce brasileiro. Isso significa que, no Brasil, o que eles permaneceriam
romance nasceu romântico, em formato de de férias no litoral. Caso o estudante perdesse
folhetim. a aposta, deveria escrever um romance con-
tando a sua história de amor.
Entre os romancistas, destacam-se
Na praia, mais especificamente na casa
Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antô- da avó de Filipe, em Paquetá, Augusto acaba
nio de Almeida, José de Alencar, Bernardo se apaixonando por Carolina, irmã de Filipe.
Guimarães, Visconde de Taunay e Franklin Os dois passam a se conhecer melhor e o jo-
Távora. vem recorda que, quando criança, havia jurado
Foi com Joaquim Manuel de Macedo amor a uma menina naquela praia, cujo nome
que surgiu o verdadeiro romance brasileiro.
Literatura 2 - Aula 2 18 Instituto Universal Brasileiro
nas de prata” (1862); o drama “Mãe” (1860);
desconhecia. Recorda também que havia dado
“Diva” (1864); “Lucíola” (1862); “Iracema”
a ela um camafeu, isto é, um broche adorna-
(1865); “A pata da gazela” (1870); “O gaú-
do com pedras, como símbolo do verdadeiro
amor. cho” (1870); “O tronco do ipê”; “Sonhos
Carolina então revela a Augusto que pos- de ouro” (1872); “Ubirajara” (1874); “O ser-
sui um camafeu igual ao descrito pelo moço, o tanejo” (1875); “A guerra dos mascates”
qual havia ganhado de um menino por quem (1873); “A viuvinha” (1860); “Til” (1872);
havia se apaixonado e jurado amor quando “Alfarrábios” (1873); “Encarnação” (1893);
criança. “Senhora” (1875). Sua carreira literária ini-
A coincidência faz com que os dois re- cia-se com as crônicas que depois reuniu sob
lembrem da infância e descubram que eram o título de “Ao correr da pena” (1856). Em
os amantes prometidos. Augusto, então, revi- 1857 publica “O guarani”, que fora precedido
ve a paixão pela menina e pede Carolina em
por um pequeno romance, “Cinco minutos”.
casamento. Perdida a aposta, Augusto es-
A partir daí passa a escrever e publicar abun-
creve um romance. O título do livro foi dado
pelo protagonista fazendo referência aos as- dantemente. De 1865 a 1869, ele publica as
pectos físicos de Carolina, e seu apelido ca- famosas “Cartas de Erasmo”, dirigidas ano-
rinhoso dado pelas pessoas mais próximas: nimamente ao imperador Dom Pedro II. Es-
“A moreninha”. creveu ainda “Encarnação”, livro de ficção,
publicado depois de sua morte. Seu estilo é
livre, natural e muito pessoal.
Leia com atenção, o fragmento seguin-
te, de “A moreninha”, que nos relata que o Sua obra abrange todos os temas da
primeiro contato entre Carolina e Augusto nossa literatura da época e pode ser clas-
teve lugar em um baile, que ocorre com muita sificada em quatro grupos:
frequencia nos romances urbanos do Ro-
mantismo, pois as mulheres viviam mais ou
• Romance indianista - Encontra-
menos reclusas no ambiente doméstico, sob
remos romances baseados em lendas e
vigilância dos pais. Sem bailes, dificilmente
poderia haver namoro e casamento. mitos selvagens, como “Iracema”, “O gua-
rani”, “Ubirajara”.
E o mais é que nós estamos num sarau: inú-
meros batéis conduziram da corte para a ilha de...
senhoras e senhores, recomendáveis por caráter e • Romance histórico - Apresenta a
qualidade: alegre, numerosa e escolhida sociedade identificação do europeu com a gente e
enche a grande casa, que brilha e mostra em toda a
parte borbulhar o prazer e o bom gosto.
com a terra americana. Destacamos, nes-
Entre todas essas elegantes e agradáveis sa categoria, “As minas de prata”, “A alma
moças, que com aturado empenho se esforçam por do Lázaro”, “A guerra dos mascates”, “O
ver qual delas vence em graças, encantos e donai-
res, certo que sobrepuja a travessa Moreninha, prin-
ermitão da glória” etc.
cesa daquela festa.
• Romance regionalista - Encontra-
remos romances que exploram as nossas
José de Alencar (1829-1877) tradições, os nossos costumes, o nosso
linguajar, tais como: “O tronco do ipê”,
José de Alencar é “Til”, “O sertanejo”, “O gaúcho”.
considerado um dos princi-
pais escritores do Roman- • Romance urbano - É aquele que
tismo no Brasil. Como focaliza a sociedade burguesa, que tem
romancista, publicou: “O como cenário a cidade grande e, como
guarani” (1857); “O de- assunto, histórias de amor. Destacam-se:
mônio familiar” (comé- “Lucíola”, “Diva”, “A pata da gazela”, “Se-
dia); o drama “Verso e nhora”, “A viuvinha”, “Cinco minutos” etc.
reverso” (1857); “As mi-
Literatura 2 - Aula 2 19 Instituto Universal Brasileiro
Trechos e comentários sobre os princi-
pais romances de José de Alencar. pitiguaras, habitantes do litoral, adversários
dos tabajaras; os pitiguaras lhe deram o nome
de Coatiabo.
“O guarani” é um dos
• Moacir. Filho de Iracema e Martim, o
romances mais populares,
primeiro brasileiro miscigenado.
inspiração para a ópera de
• Poti. Herói dos pitiguaras, amigo (que
Carlos Gomes de mesmo tí-
se considerava irmão) de Martim.
tulo. Este romance pode ser
• Irapuã. Chefe dos guerreiros tabaja-
considerado indianista e
ras, era apaixonado por Iracema.
também histórico, pois traz
• Caubi. Índio tabajara, irmão de Iracema.
como personagem a famí-
• Jacaúna. Chefe dos guerreiros piti-
lia de D. António de Mariz,
guaras, irmão de Poti.
personagem real. Alencar procura mostrar a
• Araquém. Pajé da tribo Tabajara. Pai
autonomia do índio no seu espaço natural,
de Iracema e Caubi.
que retira da natureza tudo o que é necessário
• Batuirité. Avô de Poti, o qual denomi-
para sua sobrevivência.
na Martim Gavião Branco, fazendo, antes de
José de Alencar procura valorizar a
morrer, a profecia da destruição de seu povo
terra, ressaltando quase sempre a riqueza da
pelos brancos.
fauna e da flora. Usa excessivamente a des-
A ação inicia-se entre 1603 e o começo
crição, constituindo um importante documen-
de 1604 e prolonga-se até 1611. O episódio
to dos usos e costumes da época; aliás, seu
amoroso entre Martim e Iracema, do encon-
poder descritivo é incomparável, e uma prova
tro à morte da protagonista, dá-se em 1604 e
disso é a descrição da enchente, em “O gua-
ocupa quase todo o romance, do capítulo II ao
rani”, uma das mais belas de nossa literatura.
XXXII. A valorização da cor local, do típico, do
Em suas obras, o diálogo é pouco usado.
exótico inscreve-se na intenção nacionalista
de embelezar a terra natal por meio de me-
Iracema (ou Iracema,
táforas e comparações que ampliam as ima-
a virgem dos lábios de
gens de um Nordeste paradisíaco, primitivo. É
mel) é um romance da lite-
o Nordeste das praias e das serras (Ibiapaba),
ratura romântica brasileira
dos rios (Parnaíba e Jaguaribe) e da Bica do
publicado em 1865 e escrito
Ipu ou Bica da Iracema.
por José de Alencar, que faz
parte da trilogia indianista do
autor. Os outros dois roman- Vejamos um trecho de “Iracema”, que é
ces pertencentes à trilogia
quase um poema em prosa, simbolizando o
são “O guarani” e “Ubirajara”. O romance
conta, de forma poética, o amor quase impos- encontro da raça branca com a indígena, de
sível entre um branco, Martim Soares More- que proveio a civilização brasileira, segundo
no, pela bela índia Iracema, a virgem dos lá- os românticos.
bios de mel e de cabelos mais negros que
a asa da graúna e explica poeticamente as II
origens da terra natal do autor, o Ceará.
Além, muito além daquela serra, que
Personagens ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel,
• Iracema. “A virgem dos lábios de mel”, que tinha os cabelos mais negros que a asa
índia da tribo dos tabajaras, é filha de Ara- da graúna e mais longos que seu talhe de pal-
quém, velho pajé. Era uma espécie de vestal meira.
(no sentido de ter a sua virgindade consagra- O favo da jati não era doce como seu
da à divindade) por guardar o segredo de ju- sorriso; nem a baunilha recendia no bosque
rema (bebida mágica utilizada nos rituais reli- como seu hálito perfumado.
giosos). Iracema é um anagrama de América. Mais rápida que a ema selvagem, a mo-
• Martim. Guerreiro branco, amigo dos rena virgem corria o sertão e as matas do Ipu?

Literatura 2 - Aula 2 20 Instituto Universal Brasileiro


onde campeava sua guerreira tribo da grande — Quem te ensinou, guerreiro branco,
nação tabajara, o pé grácil e nu, mal roçando a linguagem de meus irmãos? Donde vieste a
alisava apenas a verde pelúcia que vestia a estas matas, que nunca viram outro guerreiro
terra com as primeiras águas. como tu?
Um dia, ao pino do sol, ela repousava — Venho de bem longe, filha das flores-
em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo tas. Venho das terras que teus irmãos já pos-
a sombra da oiticica, mais fresca do que o suíram, e hoje têm os meus.
orvalho da noite. Os ramos da acácia silves- — Bem-vindo seja o estrangeiro aos
tre esparziam flores sobre os úmidos cabelos campos dos tabajaras, senhores das aldeias,
Escondidos na folhagem os pássaros amei- e à cabana de Araquém, pai de Iracema.
gavam o canto.
Iracema saiu do banho; o aljôfar d’água
ainda a roreja, como à doce mangaba que co-
rou em manhã de chuva. Enquanto repousa,
empluma das penas do gará as flechas de seu
arco, e concerta com o sabiá da mata, pousa-
do no galho próximo, o canto agreste.
A graciosa ará, sua companheira e ami- A importância de José de Alencar
ga, brinca junto dela. Às vezes, sobe aos ra-
mos da árvore e de lá chama a virgem pelo As estruturas do folhetim, o predomínio da
nome; outras, remexe o uru te palha mati- ação sobre os caracteres, o nacionalismo ufanis-
zada, onde traz a selvagem seus perfumes, ta e a visão idealizada da existência - que com-
os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara põem a obra de Alencar - não fascinam mais os
com que tece a renda, e as tintas de que ma- leitores. Sob este ângulo, seus romances perten-
tiza o algodão. cem a outra época, desgastaram-se com o pas-
Rumor suspeito quebra a doce harmonia sar do tempo e oferecem dificuldades de leitura,
da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol sobretudo aos jovens. Não obstante, por várias
não deslumbra; sua vista perturba-se. razões, o autor cearense continua tendo uma im-
Diante dela e todo a contemplá-la, está portância histórica extraordinária:
um guerreiro estranho, se é guerreiro e não al- ► Consolidou o romance brasileiro ao
gum mau espírito da floresta. Tem nas faces o escrever movido por um sentimento de missão
branco das areias que bordam o mar; nos olhos patriótica (durante toda a sua carreira, parece
o azul triste das águas profundas. Ignotas ar- que nada mais quis senão descobrir a essên-
mas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo. cia da nacionalidade).
Foi rápido, como o olhar, o gesto de Irace- ► Discutiu incessantemente a questão
ma. A flecha embebida no arco partiu Gotas de da autonomia de nossa literatura, procurando
sangue borbulham na face do desconhecido. eliminar as influências portuguesas sobre ela
De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu so- (ainda que às vezes caísse em padrões fran-
bre a cruz da espada, mas logo sorriu. O moço ceses e ingleses).
guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, ► Preocupou-se em construir um painel,
onde a mulher é símbolo de ternura e amor. o mais abrangente possível, da realidade bra-
Sofreu mais d’alma que da ferida. sileira. Seu esforço de totalização fracassou,
O sentimento que ele pôs nos olhos e no é verdade. Contudo, a ideia de um romance,
rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de ou de um conjunto de romances, capazes de
si o arco e a uiraçaba, e correu para o guerrei- representar a nação (ou o povo) ainda encon-
ro, sentida da mágoa que causara. traria eco nos escritores do século 20, como
A mão que rápida ferira estancou mais Mário de Andrade, Antônio Callado, João Ubal-
rápida e compassiva o sangue que gotejava. do Ribeiro entre outros.
Depois Iracema quebrou a flecha homicida: ► Foi o primeiro ficcionista a perceber a
deu a haste ao desconhecido, guardando con- vastidão e a diversidade do país, intuindo algu-
sigo a ponta farpada. mas especificidades regionais e abrindo um fi-
O guerreiro falou: lão (a narrativa de temática rural) que continua
— Quebras comigo a flecha da paz? presente na ficção contemporânea.

Literatura 2 - Aula 2 21 Instituto Universal Brasileiro


va Isaura” (1875), sua melhor obra.
► Nos momentos mais felizes (Iracema,
A publicação de “A escrava Isaura”, em
Senhora e Lucíola), alcançou a análise psicoló-
1875, garantiu-lhe prestígio nacional, a ponto
gica, quase à maneira realista, além de mostrar
o peso da sociedade nas relações pessoais. de o próprio Imperador visitá-lo na antiga capital
► Problematizou a questão da língua mineira. Nenhum autor expressou tão ampla-
brasileira e ele próprio criou uma linguagem mente a tendência sertanista como Bernardo
literária original, muitas vezes de grande den- Guimarães. “A escrava Isaura” é um romance
sidade poética. de tese abolicionista. Bernardo explorou o dra-
► Em muitos de seus romances de- ma do mestiço, que era muito grave, visto ser
monstrou um esforço estético, uma “vontade um problema social e moral. Ele faz do mestiço
de forma”, uma capacidade de elaboração ar- a perfeição moral. No final de sua obra dá a vitó-
tística que não encontramos em nenhum outro ria aos simples e oprimidos e a derrota ao bran-
prosador do período.
co opressor. Até os nossos dias, essa é uma das
Por todos estes motivos, José de Alencar
obras mais lidas do nosso Romantismo.
pode ser considerado o fundador do romance
brasileiro.
Resumo da obra “A escrava Isaura”
Disponível em: http://romantic0.blogspot.com.br/2010/06/ Isaura é filha de
romances-regionalistas-ou-sertanistas.html.
Acesso em: 07.11.2013. uma escrava e de um
feitor português de uma
enorme fazenda, no in-
Os romances de temática rural de José de terior do Rio de Janeiro.
Alencar abriram uma vertente para um grupo Após a morte da mãe, a
de romancistas também denominados serta- menina é adotada pela fa-
nistas (ou regionalistas). São escritores preo- zendeira que a trata como
cupados em revelar o Brasil agrário, distanciado se fosse sua própria filha.
do litoral, com seus costumes específicos e seus Vem daí a esmerada edu-
protagonistas que oscilam entre a ingenuidade cação da escrava que
psicológica e a prepotência patriarcal. conversa sobre todos os assuntos, toca piano,
canta e sabe línguas estrangeiras. Ainda por
cima, é branca. Paradoxalmente branca:
Bernardo Joaquim da Silva Guimarães Acha-se ali sozinha e sentada ao piano uma
(1825-1884) bela e nobre figura de moça (...) A tez é como marfim do
teclado, alva que não deslumbra, embaçada por uma
Foi jornalista, crítico nuança delicada, que não sabereis dizer se é leve pali-
literário, professor de re- dez ou cor-de-rosa desmaiada...
tórica e poética, poeta e
No entanto, com a morte da fazendeira,
romancista. Em 1859 fi- Leôncio, seu filho, assume a propriedade e
xou-se no Rio de Janeiro, começa a perseguir obsessivamente Isaura,
onde dirigiu “A Atualida- assediando-a com propostas indecorosas. O
de”, jornal político, e co- pai da escrava, que agora trabalhava em ou-
laborou em outros como tra fazenda, sabedor da situação, rapta a filha
“Bom Senso”, “Ensaios e ambos vão morar no Recife. Isaura adota o
Literários”, “Jornal do Comércio” etc. Obras: nome de Elvira. Um pernambucano riquíssi-
“Cantos da solidão” (1852), seu primeiro livro mo, Álvaro, a vê e se apaixona loucamente
de versos publicado; “O ermitão de Muquém” por ela. Mas, no primeiro baile a que vão jun-
(1865); “O índio Afonso” (1873); “O garimpei- tos, Elvira é desmascarada e sua condição
de escrava fugida vem à tona.
ro” (1872), romance sentimental e campesino;
Álvaro e Leôncio enfrentam-se pela
“O seminarista” (1872), onde o autor demons- posse da moça, porém esta acaba voltando
tra fortes influências de Alexandre Herculano; à fazenda como cativa, embora resistindo a
“Maurício” (1877), história da descoberta e ex- todo o assédio do cruel fazendeiro. Este então
ploração do ouro das Minas Gerais; “A escra-
Literatura 2 - Aula 2 22 Instituto Universal Brasileiro
Visconde de Taunay (1843-1899)
promete libertá-la desde que ela casasse com
o jardineiro, um ser monstruoso, “cabeludo como
O professor, político,
um urso e feio como um macaco”. Na hora do ca-
samento, ocorre a surpresa final: Álvaro aparece
historiador e sociólogo
na fazenda, dizendo que havia comprado todos carioca Alfredo d’Escrag-
os bens que Leôncio penhorara por estar enreda- nolle-Taunay (1843-1899)
do em dívidas. Entre esses bens estavam todos escreveu apenas um livro
os escravos, inclusive a linda Isaura, que eviden- dentro do gênero denomina-
temente vai se casar com Álvaro. Neste momen- do regionalismo romântico,
to, Leôncio sai da sala e se suicida, encerrando a “Inocência” (1872). Con-
narrativa com o mais desbragado final feliz. seguiu com ele, porém, um ótimo resultado.
Deu um tom regional e coloquial ao seu texto
e, ao mesmo tempo, conseguiu descrever a
paisagem brasileira e criar uma narrativa que
cativa o leitor.

Resumo do romance “Inocência”


Novela ‘Escrava Isaura’ está
de volta em DVD O romance Inocên-
cia é ambientado no sertão
Entre outubro de 1976 de Mato Grosso, em 1860,
e fevereiro de 1977, boa par- e tem como protagonista
te dos brasileiros passava o a personagem Inocência.
final de tarde grudada na TV. Órfã de mãe, ela foi criada
Primeira novela das 18 ho- pelo pai, o mineiro Marti-
ras a fazer grande sucesso, nho dos Santos Pereira,
Escrava Isaura encantou o que pauta a sua vida por
público ao oferecer uma crí- valores como a honra e a
tica política camuflada de palavra dada, além do amor incondicional
enredo romântico: a luta da escrava branca pela filha. Julgando que está fazendo o me-
que, no século 19, buscava se libertar de um lhor por ela, decide casá-la com Manecão
malvado feitor traduzia o sentimento de opres- Doca, um homem simples e rude, mas rico.
são popular naquela época de ditadura militar. Mas a história apresenta Cirino, um
“Foi nosso grande trunfo ao driblar a censura”, prático de enfermagem que se apresentava
comenta Gilberto Braga, autor da novela que como médico (curandeiro) que errava pelo
agora ganha uma versão em DVD, com cinco sertão e acaba na casa de Pereira. Ele cura
discos e mais de 15 horas de duração. Inocência, filha deste, de malária e apaixona-
Braga inspirou-se no romance publicado -se. Cirino foi o primeiro homem a despertar
por Bernardo Guimarães em 1875, mas, antes realmente as emoções do amor, criando em
de fazer uma adaptação, utilizou o original como Inocência uma grande perturbação íntima,
argumento. “Acho que o sucesso se deve à força pois estava prometida a Manecão.
da trama do romance de Guimarães”, disse Braga Aparece depois Meyer, um naturalista
ao Estado. “A escrava que não cede ao desejo de alemão, que viajava em busca de insetos,
seu senhor é um tema que pega qualquer pessoa. que após inocentemente elogiar a beleza
Todos nós temos medo de quem é mais forte. E o de Inocência, passa a ser vigiado incessan-
medo é o sentimento mais forte do ser humano. temente por Pereira, dando oportunidade
Muitos acham que é o amor, mas o medo é mais a Cirino de comunicar-se mais facilmente
forte.” Tornou-se uma campeã de reprises na Glo- com a moça.
bo, sendo reexibida por cinco vezes. Meyer fica por lá por que trazia uma
carta de recomendação de Francisco (Chico)
Fonte: Estadão. Disponível em: http://www.gp1.com.br/no-
ticias/novela-escrava-isaura-esta-de-volta-em-dvd-244853. irmão de Pereira e sai mais tarde de volta a
html. Acesso em: 10.12.2013. Texto adaptado. Saxônia para apresentar uma nova espécie

Literatura 2 - Aula 2 23 Instituto Universal Brasileiro


de rara beleza que encontrou, à qual dá o Resumo do romance “O Cabeleira”
nome de Papilio Innocentia (uma borboleta).
Tinha também o anão Tico, espécie de cão de Cabeleira é o ape-
guarda de Inocência. lido de José de Gomes,
Com a partida de Meyer, as coisas se um dos primeiros canga-
complicam, aumentando o medo de Inocên- ceiros de Pernambuco.
cia, que teme uma reação violenta do pai José era naturalmente
caso venha a saber de seu romance com bom, mas foi ensinado
Cirino. A jovem instrui Cirino a procurar seu pelo pai, Joaquim Go-
padrinho para que ele convença Pereira a mes, a ser cruel.
concordar com o rompimento do compromis- Junto com o pai e
so com Manecão. Teodósio, o traiçoeiro ami-
Inocência, herdeira da teimosia do pai, go, assim como vários ou-
não abre mão de seu amor, então comunica tros comparsas, Cabeleira aterroriza a pro-
ao pai a intenção de não se casar, inventa víncia de Pernambuco em 1776 (exatos 100
que sonhou com a mãe e esta lhe disse que anos antes da publicação do romance). Mas
o casamento não deveria se realizar. A jovem quando ele reencontra Luísa, foge com ela e
quase consegue atingir seus objetivos, mas começa a se reformar, apesar de instintiva-
o pai declara que prefere vê-la morta a vê-la mente ainda tentar se defender violentamen-
desonrada. te. Luísa acaba morrendo logo após a fuga,
Enquanto Cirino sai à procura do padri- pois estava ferida, e Cabeleira é preso, fra-
nho, Inocência e Manecão se encontram e ela co, faminto e desarmado, num canavial. José
se recusa a ficar com ele. A suposta desonra Gomes é executado junto com seus antigos
leva Manecão a perseguir e matar Cirino. Ino- comparsas apesar dos apelos da mãe de que
cência também morre, só que de tristeza em a ele servia melhor a penitenciária, pois esta-
face da ausência definitiva do amado. va reformado.

Franklin Távora (1842-1888)


Um dos romancistas
de caráter regionalista no
Nordeste. Obras principais:
“O Cabeleira” (1876); “O Traços de Romantismo se
matuto” (1878); “Lou- misturam ao Naturalismo
renço” (1881). Uma das
obras mais marcantes é Cabeleira é um homem naturalmen-
“O Cabeleira”, romance te bom (como acreditavam os românticos)
passado em Pernambuco que é corrompido pelo pai e pelo meio
do século 18. O romance acaba com o autor (característica dos naturalistas), age vá-
atacando a pena de morte. A obra inicial da “li- rias vezes por instinto (Naturalismo), mas
teratura do Norte” que o autor pretendia fazer, reforma-se pelo todo-poderoso amor (Ro-
O Cabeleira começa o regionalismo na nossa mantismo).
literatura e apresenta marcantes qualidades As mulheres são todas boas (Roman-
tanto do Romantismo quanto do Naturalismo. tismo), os homens reúnem defeitos e qua-
O autor oscila entre a análise objetiva e a idea- lidades (Naturalismo) e o protagonista vive
lização, mostrando um personagem que sofre perseguido pelo conflito interno; uma ten-
as influências do ambiente, com registros inte- dência mais realista esta última. Os realis-
ressantes sobre a vida nordestina, sobretudo, tas tinham também preocupações sociais
a seca e o cangaço. O romance, além do valor como o anteriormente referido ataque à
literário, tem grande valor histórico, documen- pena de morte.
tando a realidade do nordeste brasileiro.
Literatura 2 - Aula 2 24 Instituto Universal Brasileiro
Transição do Romantismo para o Realismo/Naturalismo
Manuel Antônio de Almeida (1831-1861) Resumo do romance “Memórias de
um sargento de milícias”
Manuel António de Al-
meida escreveu pouco e
A personagem cen-
não seguiu as inovações tral é Leonardo, filho
do Romantismo; fez tra- ilegítimo do meirinho
duções e não ambicionou Leonardo Pataca e da
nunca a glória literária. saloia Maria da Hortali-
Seu único livro, “Memó- ça. Os pais se separam
rias de um sargento de e Leonardo é criado por
milícias”, foi publicado seu padrinho (o Com-
anonimamente, entre os anos de 1854-55. padre), que é barbeiro,
Nesse romance, entram tipos das ruas daque- e por sua madrinha (a
Comadre), que é partei-
la época, acontecimentos populares, festas,
ra. Estas personagens
crendices, superstições, tudo descrito com
se envolvem em acontecimentos pitorescos,
bastante realismo, correspondentes à época de uma maneira que prende a atenção do lei-
de D. João VI. A linguagem é marcada pelo tor e que ajuda a compreender os costumes,
tom coloquial, próximo da fala do povo, dando tipos e ambientes do Rio, na primeira metade
mais realismo ao texto. Essa obra nos traz um do século 19.
precioso levantamento do modo de vida do
Brasil do século passado.

O romantismo como forma


Romance é considerado de comportamento
obra de transição
Leia esse texto escrito em 1994, final
O romance “Memórias de um sargento
do século 20, portanto. Nele, a jornalista
de milícias” de Manuel Antônio de Almeida,
fugindo às convenções românticas, é consi- trata de uma forma de comportamento –
derado uma obra de tradição para o Realis- o romantismo – que sempre existiu e faz
mo/Naturalismo. Observa-se nele, além de parte da própria história do homem. Esse
recursos literários diferentes dos românticos romantismo tem sentido mais amplo que o
(como a linguagem mais popular, por exem- Romantismo, estilo de época.
plo), o retrato de uma classe social que ainda
não tinha aparecido como personagem cen- Coração bate de novo no
tral no Romantismo: o povo remediado. Outra compasso da serenata
novidade é certa tendência ao lado cômico.
Ao contrário dos demais romances urbanos,
As cenas são centenárias, mas não
ganharam espaço figuras comuns da socie-
há quem não sonhe ser a mocinha ou o
dade, como o barbeiro, a comadre, o delega-
do, o soldado, o vagabundo entre outros. O mocinho que cruzam olhares no embalo
autor, na figura do personagem central, repre- de uma serenata, que tenham nos olhos o
sentou o primeiro grande malandro da nove- reflexo da chama amarelada das velas so-
lística brasileira. bre a mesa de jantar e que, emocionados,

Literatura 2 - Aula 2 25 Instituto Universal Brasileiro


molhem o sorriso com lágrimas na entrega coincidiu com o surgimento do romance brasi-
da rosa. leiro. Isso significa que, no Brasil, o romance
O comportamento parece ridículo, nasceu romântico, em formato de folhetim.
mas também não há quem não sonhe em
ficar sentado, horas, esperando o telefo- Joaquim Manuel de Macedo
ne tocar para, depois, relembrar palavra Lança o primeiro romance brasileiro, “A
por palavra dita do outro lado da linha; es- moreninha”, pioneiro nesse gênero literário. Ou-
crever frases bregas no cartãozinho mais tros romances: “O moço loiro”; “Os dois amores;
brega ainda (e achar um exemplo de bom “A luneta mágica”.
gosto e originalidade); ficar sem fome (ou
comer demais); ouvir música (melosa) sem José de Alencar
descanso e perder o maior tempo imagi- Um dos principais escritores do Roman-
nando os passos do outro. tismo no Brasil. Sua obra abrange todos os
Não há quem não queira ser o mo- temas da nossa literatura da época e pode ser
tivo da “loucura” e da inspiração (mesmo classificada em quatro grupos:
desastrada) para o versinho que vem as-
Romance indianista - Encontraremos ro-
sinado pelo Chuchu, pelo Fofo ou pela
mances baseados em lendas e mitos selvagens,
Gatinha – apelidos que fazem o resto do
como “Iracema”, “O guarani”, “Ubirajara”.
mundo cair na gargalhada e ele(a) se sen-
tir realmente um fofo, um chuchu ou uma Romance histórico - Apresenta a iden-
gatinha. Os últimos românticos ganharam tificação do europeu com a gente e com a terra
milhões de companheiros. O romantismo americana. Destacamos, nessa categoria, “As
sobreviveu a todas as formas de revolu- minas de prata”, “A alma do Lázaro”, “A guerra
dos Mascates”, “O ermitão da glória” etc.
ções de comportamento. Ele pode ter em-
prestado as vestes da modernidade, mas, Romance regionalista - Encontraremos
despido, ainda tem as velhas formas que romances que exploram as nossas tradições, os
emocionam todas as gerações. Não há nossos costumes, o nosso linguajar, tais como: “O
como negar. Não há quem não queira ser tronco do ipê”, “Til”, “O sertanejo”, “O gaúcho”.
o Te do Eu te amo. Romance urbano - É aquele que tem
como cenário a cidade grande e como assun-
GUERREIRO, Márcia. O Estado de S. Paulo,
12 de junho de 1994.
to, histórias de amor. Destacam-se: “Lucíola”,
“Diva”, “A pata da gazela”, “Senhora”, “A viuvi-
nha”, “Cinco minutos” etc.

Grupo de romancistas também denominados


sertanistas (ou regionalistas)
Bernardo Guimarães - romancista e
poeta. Principais obras: “O seminarista”, “A
A Prosa no Romantismo escrava Isaura”.
Visconde de Taunay - Principal obra:
O romance é um tipo de narrativa que já
“Inocência”.
existia antes do Romantismo. Na Europa, os escri-
tores românticos utilizaram-se do romance para di- Franklin Távora - iniciou o romantismo
fundir as novas tendências literárias do século 19. regionalista no Nordeste. Principais obras: “O
Cabeleira”; “O matuto”; “Lourenço”.
Romantismo no Brasil
Manuel Antônio de Almeida - Princi-
No Brasil, o Romantismo exerceu influên- pais obras: “Memórias de um sargento de mi-
cia ainda maior, visto que esse estilo de época lícias”, “Dois Amores” (peça de teatro).

Literatura 2 - Aula 2 26 Instituto Universal Brasileiro


Hábil menina é ela! [...] Enquanto as ou-
tras moças haviam esgotado a paciência de
seus cabeleireiros, posto em tributo toda a
habilidade das modistas da Rua do Ouvidor e
coberto seus colos com as mais ricas e precio-
1. Releia o texto final “Coração bate de sas jóias, D. Carolina dividiu seus cabelos em
novo no compasso da serenata” e assinale a duas tranças, que deixou cair pela costa; não
única alternativa incorreta. quis adornar o pescoço com seu adereço de
brilhantes nem com seu lindo colar de esme-
a) ( ) No primeiro e segundo parágrafos, raldas; vestiu um finíssimo, mas simples ves-
tido de garça, que até pecava contra a moda
citam-se hábitos e atitudes que identificam o
reinante, por não ser sobejamente comprido.
comportamento romântico. A essência do ro- Vindo assim aparecer na sala, arrebatou todas
mantismo é a mesma de outros tempos em- as vistas e atenções.
bora a aparência seja outra.
b) ( ) Segundo o texto, cruzar olhares à A idealização da figura feminina é o princí-
luz de velas, sorrisos emocionados com lágri- pio romântico que Joaquim Manuel de Mace-
mas na entrega da rosa são cenas considera- do aplicou para criar a personagem Carolina.
das à moda antiga, mas não há geração que Qual é, segundo o trecho, a característica de
não sonhe com elas. Carolina que a diferencia das demais jovens?
c) ( ) O romantismo, como forma de com-
portamento, sobreviveu aos períodos de transi- a) ( ) Paciência.
ção e à modernidade, mantendo manifestações b) ( ) Simplicidade.
que continuam mexendo com os corações, c) ( ) Vaidade.
mesmo se consideradas “bregas”. d) ( ) Luxúria.
d) ( ) Em: “Não há quem não queira ser
o Te do Eu te amo” A autora destaca que não 4. Um dos representantes mais significa-
há quem não queira ser autor desta clássica tivos da prosa romântica escreveu romances
frase romântica, que atravessa os tempos e em várias modalidades: históricos, regiona-
não perde a força. listas, indianistas e urbanos. Alguns desses
romances mais conhecidos são: “O Guarani”
2. Assinale a alternativa que preenche e “Iracema”. Assinale a alternativa que indica
corretamente a afirmativa abaixo. corretamente o nome deste autor.

O gênero literário denominado romance a) ( ) Teixeira e Sousa.


desenvolve-se no século _________ retratan- b) ( ) José de Alencar.
do, sobretudo, a __________________; e era c) ( ) Manuel Antônio de Almeida.
muito comum sua publicação em partes, nos d) ( ) Bernardo Guimarães.
jornais, em forma de ________________.
5. A respeito do romance “Memórias de um
a) ( ) 18 - sociedade burguesa - crônica. sargento de milícias”, de Manoel Antônio de Al-
b) ( ) 19 - alta aristocracia - crônica. meida, assinale a única alternativa incorreta.
c) ( ) 19 - sociedade burguesa - folhetim.
d) ( ) 18 - alta aristocracia - folhetim. a) ( ) Romance de aventura, marcado
pela crítica.
3. Foi com Joaquim Manuel de Macedo b) ( ) Narrativa em que o personagem
que surgiu o verdadeiro romance brasileiro. principal encarna o “malandro”.
Leia com atenção o fragmento seguinte de c) ( ) Obra considerada de transição para
“A moreninha”, considerada a primeira novela o Realismo/Naturalismo.
nacional, e responda a pergunta, escolhendo d) ( ) Romance de costumes que descre-
a alternativa correta. ve a vida urbana.
Literatura 2 - Aula 2 27 Instituto Universal Brasileiro
entra na sala. A idealização extrema torna-se
evidente em vários temas, acentuando algu-
mas características: a mulher é vista como
virgem frágil e submissa; o índio, como he-
rói nacional, cheio de virtudes e habilidades;
1. d) ( x ) Em: “Não há quem não a pátria, como a terra querida. Para compor
queira ser o Te do Eu te amo” A autora essa idealização, a linguagem é marcada por
destaca que não há quem não queira ser o descrições minuciosas.
autor desta clássica frase romântica, que
atravessa os tempos e não perde a força. 4. b) ( x ) José de Alencar.

Comentário. A alternativa d é a única in- Comentário. Um dos maiores nomes da


correta. Na verdade, em vez de autor, a au- literatura romântica é José de Alencar. Seus
tora destaca que não há quem não queira ser romances, divididos em quatro categorias,
o receptor desta frase. A indicação para autor traçam um perfil da cultura e dos costumes
seria o pronome eu; para receptor, o pronome de sua época. Os romances urbanos de Alen-
te. Isso significa que alguém (eu/1ª pessoa) car seguem o padrão típico dos romances de
emite a frase para um receptor (tu/2ª pessoa). folhetim, retratando a sociedade fluminense,
As demais afirmativas estão corretas e todas com tramas que envolvem amor e segredos.
expressam as reflexões da autora sobre o ro- Os chamados romances regionalistas ou ser-
mantismo, entendido como um comportamen- tanistas abriram caminhos para a narrativa de
to que atravessa os séculos. temática rural, por isso, Alencar foi conside-
rado o primeiro romancista a retratar as es-
2. c) ( x ) 19 - sociedade burguesa - pecificidades das diferentes regiões do país.
folhetim. Além de se destacar no campo da literatura,
Alencar foi também um político atuante. E,
Comentário. A alternativa que reúne as mesmo tendo morrido de tuberculose aos 48
palavras que preenchem corretamente a afir- anos, deixou como legado obras de grande
mativa sobre o movimento romântico é a c. O importância histórica e literária.
Romantismo é um movimento característico
do século 19, e a literatura retrata, em seus 5. a) ( x ) Romance de aventura, mar-
romances regionalistas e urbanistas, a vida cado pela crítica.
e as histórias da sociedade burguesa em as-
censão, após o processo de independência do Comentário. A única alternativa incorre-
país. A produção literária em prosa, publicada ta é a. O romance “Memórias de um sargen-
em folhetim, revelou um caráter popular da li- to de milícias” é considerado um romance de
teratura: essa forma fragmentada de apresen- costumes, e não de aventura. A obra é classi-
tar diariamente no jornal um novo capítulo da ficada como de transição entre o Romantismo
história caiu no gosto popular e deu origem às e o Realismo/Naturalismo. Apresenta caracte-
antigas novelas de rádio e atuais telenovelas. rísticas típicas de uma obra romântica como o
ambiente urbano e os detalhes da vida social;
3. b) ( x ) Simplicidade. mas, mostra também uma visão mais próxima
da realidade, com personagens menos idea-
Comentário. Neste trecho, fica bastante lizados, fora dos padrões do herói romântico.
evidente a característica da simplicidade: Ca- O personagem principal, Leonardo, represen-
rolina representa a idealização da mulher com ta o típico “malandro” que não chega a ser um
sua simples presença. Mesmo sem a riqueza vilão, apesar de não ser nenhum modelo de
de adornos, penteados exuberantes ou ves- comportamento. Portanto, apesar de ter sido
tidos de acordo com a última moda, a hábil escrita no período do Romantismo, é conside-
menina chama a atenção de todos quando rada precursora do Realismo/Naturalismo.
Literatura 2 - Aula 2 28 Instituto Universal Brasileiro