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Soluções - solubilidade em líquidos

AULA 5 No dia a dia, estamos sempre em contato com soluções. Por exemplo, quan-
do adoçamos o leite, formamos uma solução de leite e açúcar, usando um
líquido para dissolver uma substância. De acordo com a nomenclatura quí-
mica, a substância dissolvida - no caso o açúcar - é denominada soluto; e a
substância dissolvente (no caso o leite), solvente.

Solubilidade designa tanto o fenômeno qualitativo


como a proporção quantitativa de concentração das soluções

Dissolver dois solutos, sal e açúcar, em um solvente, a água,


nas quantidades certas pode combater a desidratação e salvar vidas

O soro caseiro consiste em uma solução aquosa com sal (cloreto de sódio) e açúcar (sacaro-
se). As medidas da receita são: duas colheres de sopa de açúcar e uma colher de chá de sal dissol-
vidos em um litro de água limpa. Colocar as medidas certas de sal e açúcar é fundamental para que
o soro tenha o efeito desejado.
Em muitos países subdesenvolvidos, a popularização do soro caseiro teve uma grande repercus-
são e ajudou a diminuir a mortalidade infantil causada por diarreia. Mas o soro caseiro só deve ser utiliza-
do nos casos leves de desidratação; nos casos mais graves, é necessário atendimento médico.

Por que se usa sal, açúcar e água na preparação do soro caseiro?


A diarreia significa grande perda de água do corpo, causando tamanha desidratação que pode
levar à morte, principalmente crianças. O segredo da eficácia do soro é que sua composição simula
o líquido que temos dentro do organismo. "Esse líquido é composto de água, mais sódio e glicose -
elementos presentes, respectivamente, no sal e no açúcar.
Assim, o soro caseiro equilibra o meio interno, simulando o que acontece dentro do corpo", diz o
pediatra Adalberto Stape, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo. A glicose é uma fonte energética
que auxilia a absorção do sal, cuja composição atrai as moléculas de água, fazendo com que ela se
mantenha dentro dos vasos. Sal e açúcar são, portanto, como portas de entrada da água nas células
do organismo. "Sem a mistura, a ingestão da água pura não hidrata, pois o corpo não consegue reter o
líquido", afirma o pediatra Luiz Afonso Mariz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Fragmento adaptado com base em artigo disponível em: www.mundoestranho.com.br. Acesso em: 12.05.2014.

Química 2 - Aula 5 51 Instituto Universal Brasileiro


Soluções - solubilidade em líquidos
Soluções e seus componentes Solvente x soluto

Solução é a mistura homogênea entre Solvente é o componente da solução


duas ou mais substâncias. Uma solução é que se encontra em maior quantidade e que
sempre formada por um soluto e um solvente. tem a característica de dissolver totalmente o
soluto, que é o componente da solução que
Solução = soluto + solvente se encontra em menor quantidade.
Soluto
Podemos citar inúmeros exemplos de Açúcar
soluções em que é possível determinar um
soluto (substância dissolvida) e um solvente
(substância dissolvente). Vejamos:
Leite
Vinagre + água
Solvente
Quando em nossa
casa, misturamos uma co-
lher de vinagre em água
para temperar saladas ou
carnes, estamos fazendo
uma solução de vinagre
(soluto) e água (solvente).
• O solvente mais importante, e,
portanto, aquele que mais nos interessará
Gasolina + álcool neste estudo, é a água, também chamada
de solvente universal.
Nos postos de gasoli- • Existem, é claro, outros tipos de sol-
na, encontramos a gasolina ventes como, por exemplo, os solventes or-
misturada a um percentual gânicos: álcool, acetona, benzina, éter etc.,
de álcool comum (etanol). muito usados nas indústrias químicas, têx-
Nesta mistura vamos consi- teis, farmacêuticas.
derar o álcool como soluto • Neste nosso estudo, os solventes
e a gasolina como solvente.
mais importantes são os ácidos, bases,
sais e alguns compostos orgânicos, tais
como glicose (C6H12O6) e sacarose ou açú-
car comum (C12H22O11).

• Resumindo, solução é toda mis-


tura homogênea formada por soluto e
solvente.
Água, solvente universal
• Tanto o soluto quanto o solven-
te podem ser formados por uma ou mais A água é um dos melhores solven-
substâncias. tes na natureza, capaz de dissolver uma

Química 2 - Aula 5 52 Instituto Universal Brasileiro


zadas no cotidiano as referências de cálculo
infinidade de substâncias, como sais, gases,
e medida serão aproximadas. Já no caso do
açúcares, proteínas etc. Essa alta capacida-
preparo de soluções químicas padronizadas é
de de dissolver substâncias deu à água a
preciso utilizar instrumentos de precisão para
característica de solvente universal.
cálculos e medidas exatas.
No ambiente é muito difícil encontrar
1. Fazer um cálculo da quantidade ne-
água pura, em razão da facilidade com
cessária de soluto (menor) e solvente (maior).
que as outras substâncias se misturam a
2. Realizar a medição dos componentes.
ela. Mesmo a água da chuva, por exem-
3. Proceder à dissolução ou diluição do
plo, ao cair, traz impurezas do ar nela dis-
soluto no solvente.
solvidas. No organismo, a propriedade
4. Obter uma determinada homogenei-
que a água tem de atuar como solvente é
zação da solução.
fundamental para a vida. No sangue, por
Exemplo:
exemplo, várias substâncias - como sais
minerais, vitaminas, açúcares entre outras Preparação de uma solução
- são transportadas dissolvidas na água.
A água dos mares, rios e fontes con-
têm quantidades variáveis de sais dissol-
vidos. Veja um exemplo da composição
química de certa água mineral, impressa 1L

no rótulo da garrafa.

Coloca-se certa quantidade de soluto

1L

Composição Química (mg/L)


Bicarbonato 44,60
Sulfato 3,60
Fluoreto 0,21 Acrescenta-se um pouco de água
Sódio 2,24 para dissolver o soluto
Potássio 2,80
Magnésio 4,09
Cálcio 7,19
Cloreto 0,81
Nitrato 1,40 1L

Preparação de uma solução


A preparação de soluções apresenta al-
gumas etapas básicas que serão realizadas Completa-se com água até
de acordo com a rigorosidade científica do a marca de 1 L
procedimento. No preparo de soluções utili-
Química 2 - Aula 5 53 Instituto Universal Brasileiro
Classificação das soluções Exemplo: 10 g de sal comum em um
copo (200 mL) de água.
Existem diferentes tipos de soluções.
Para identificá-las melhor, elas são classifica- Solução saturada
das segundo alguns critérios básicos: de acor-
do com o estado de agregação da solução; de Quando a quantidade do soluto é a má-
acordo com a proporção entre soluto e solven- xima permitida para uma certa quantidade de
te; de acordo com a natureza do soluto. solvente numa dada temperatura.
Exemplo: 360 g de sal comum em 1 litro
de água (à temperatura ambiente).
De acordo com o estado de
agregação da solução Nota. Este valor é encontrado em ta-
As soluções podem ser sólidas, líqui- belas sobre solubilidade de sais em água,
das e gasosas. Veja no quadro a seguir as e foi determinado a partir de observações
características e exemplos de cada uma: experimentais.

Características Exemplos Solução supersaturada


• Liga de cobre e
Soluto. Pode ser
níquel.
sólido, líquido ou
• Amálgama de
A solução é supersaturada quando a
Sólida gasoso. quantidade do soluto é maior que a máxima
ouro.
Solvente. É sempre
sólido.
• Liga de zinco e permitida. É um sistema instável.
cobre.
• Solução aquosa
Soluto. Pode ser
de sacarose. De acordo com a natureza do soluto
sólido, líquido ou
• Solução aquosa
Líquida gasoso.
Solvente. É sempre
de álcool. Em função da natureza das partículas dis-
• Solução aquosa
líquido.
de ar.
persas (do soluto), as soluções podem ser: mo-
Soluto. É sempre
leculares ou iônicas.
• Mistura de dois
gasoso.
Gasosa ou mais gases
Solvente. É sempre
quaisquer. Solução molecular
gasoso.

Quando as partículas dispersas são molé-


culas. Estas soluções recebem também o nome
De acordo com a proporção
de soluções não eletrolíticas, pois não condu-
entre soluto e solvente
zem corrente elétrica.
Dependendo da quantidade de soluto Exemplos:
em relação à quantidade de solvente, as so- • Solução aquosa de sacarose (C12H22O11).
luções podem ser diluídas, concentradas, • Solução aquosa de álcool (C2H6O).
saturadas e supersaturadas.
Solução iônica
Solução diluída ou insaturada
Quando as partículas dispersas são íons
Quando a quantidade do soluto é muito ou então íons e moléculas.
pequena em relação à do solvente. Estas soluções são também chamadas de
Exemplo: 10 g (1 colher de sopa) de sal soluções eletrolíticas, pois conduzem corrente
comum em 1 litro de água. elétrica.
Exemplos:
Solução concentrada • Solução aquosa de cloreto de sódio ou
sal comum (NaCl).
Quando a quantidade do soluto é grande • Qualquer solução aquosa de ácidos ou
em relação ao solvente. bases.
Química 2 - Aula 5 54 Instituto Universal Brasileiro
Soluções e suspensões
Uma solução aquosa (diluída) de clo-
reto de sódio (sal de cozinha) é homogênea
aos nossos olhos, ou seja, tem o mesmo
aspecto de um copo de água comum. Mes- Veja a diferença entre dispersão
mo usando um microscópio potente não po- coloidal e suspensão
deremos distinguir as partículas de cloreto
de sódio dissolvidas na água, porque não • Uma dispersão coloidal pode ser
se conhece instrumento de aumento que obtida, por exemplo, ao se colocar uma
nos permita visualizar íons ou moléculas pequena porção de amido de milho em um
(pequenas ou médias). copo de água. Nesse caso, teremos visual-
Qualquer solução verdadeira (ou sim- mente um aspecto ligeiramente turvo.
plesmente solução) tem sempre um aspecto
homogêneo, mesmo diante de ultramicroscó- • Se colocarmos um pouco de argi-
pios, porque as unidades do soluto (as partí- la em um copo de água e agitarmos, te-
culas dispersas) têm diâmetros extremamen- remos uma dispersão de diminutas par-
te pequenos (cerca de 10-8 cm ou 1 angstrom, tículas de argila em água. Dizemos que
representado por: 1 Å). a mistura argila-água é uma suspensão.
No entanto, alguns sistemas que têm As unidades da substância dispersa (ar-
visualmente aspecto homogêneo são hetero- gila) têm diâmetros superiores a 100 Å e,
gêneos diante de ultramicroscópios que per- quando deixamos o sistema em repouso,
mitem que se distingam unidades de pouco as unidades maiores se depositam no
mais de 10 Å. É o caso das dispersões coloi- fundo do recipiente.
dais (ou simplesmente coloides).

Em resumo, apesar de ser muito difícil estabelecer exatamente os limites entre as três
situações descritas, podemos simplificá-las no quadro a seguir:

Natureza das Tamanho médio das Visibilidade das


Exemplos
partículas dispersas partículas partículas

açúcar + água
As partículas não são
Soluções átomos, íons ou visíveis com nenhum
sal + água 0 a 10 Å
(verdadeiras) moléculas aparelho (sistema
homogêneo)
álcool + água

gelatina na água As partículas são


aglomerados de íons
visíveis ao
Dispersão maionese ou moléculas ou
de 10 a 100 Å ultramicroscópio
coloidal macromoléculas ou
(sistema
amido de milho macroíons
na água heterogêneo)

grandes aglomerados As partículas são vi-


terra suspensa
Suspensão de átomos, íons ou acima de 100 Å síveis ao microscópio
em água
moléculas comum

Química 2 - Aula 5 55 Instituto Universal Brasileiro


Coeficiente de solubilidade estaremos considerando que soluções com
Como já vimos, dependendo da quanti- quantidades bem menores que 31,6 g de
dade de soluto dissolvido, as soluções podem KNO3 dissolvidas em 100 g de água são
ser classificadas em: diluídas (ou insatura- soluções diluídas. A solução é insatu-
das), concentradas, saturadas e supersa- rada quando a quantidade de soluto dis-
turadas. solvido é menor que o coeficiente de
A quantidade máxima de soluto dissolvi- solubilidade.
do em 100 g de água (em uma determinada
temperatura) recebe o nome de coeficiente • Concentradas. As que apresen-
de solubilidade, simbolizado por CS. tam quantidades inferiores, mas próximas,
Exemplos: de 31,6 g são soluções concentradas.

• O coeficiente de solubilidade (CS) • Saturadas. Colocando-se, a 20 °C,


do cloreto de sódio (NaCl) em água, a 0 °C quantidade de KNO3 superior a 31,6 g, dis-
e 1 atm, é 35,7 g em 100 g de água. Isto solve-se apenas essa massa do sal, e o res-
significa que mesmo a uma temperatura tante vai depositar-se no fundo do recipien-
tão baixa conseguimos dissolver quase te, constituindo o corpo de chão ou corpo
36 g de sal comum em cada 100 g (ou 100 de fundo. A solução assim obtida chama-se
mL) de água. solução saturada.
• O coeficiente de solubilidade (CS)
do nitrato de potássio (KNO3) em água, a • Supersaturadas. São soluções
1 atm é: nas quais a quantidade de soluto é maior
que a de solvente. Ou a quantidade de
a 0 °C 13,3 g / 100 g de H2O
soluto dissolvido é maior que a sua so-
a 20 °C 31,6 g / 100 g de H2O lubilidade em determinada temperatura.
Acontece quando o solvente e soluto
a 40 °C 63,9 g / 100 g de H2O
estão em uma temperatura em que seu
a 80 °C 169,0 g / 100 g de H2O coeficiente de solubilidade (solvente) é
maior, e depois a solução é resfriada ou
aquecida, de modo a reduzir o coeficien-
Influência da temperatura na te de solubilidade. Quando isso é feito
solubilidade em água de modo cuidadoso, o soluto permanece
Normalmente, a solubilidade dos sólidos dissolvido, mas a solução se torna ex-
em água aumenta com a temperatura. É claro tremamente instável. Qualquer vibração
que há exceções, ou seja, alguns sólidos têm faz precipitar a quantidade de soluto em
a sua solubilidade diminuída com o aumento excesso dissolvida.
de temperatura. Encontramos frequentemen-
te a expressão coeficiente de solubilidade Observe o desenho ilustrativo dos ti-
substituída por grau de solubilidade e pode- pos de soluções:
mos, quando necessário, encontrar tais valo-
res em tabelas próprias.

Tipos de soluções

• Diluídas (ou insaturadas). Quan-


do dizemos, por exemplo, que a 20 °C po-
demos dissolver no máximo 31,6 g de nitra- Diluída Concentrada Saturada Supersaturada
to de potássio (KNO3) em 100 g de água,

Química 2 - Aula 5 56 Instituto Universal Brasileiro


Coeficiente de solubilidade das Observando-se os dados da tabela ve-
substâncias em função da temperatura rifica-se que a 60 °C pode-se dissolver no
máximo 110 g de KNO3 em 100 g de água,
Através de gráficos podemos observar obtendo-se uma solução saturada. Resfriando
com mais detalhes a variação dos coeficientes esta solução a 20 °C permanecem dissolvidos
de solubilidade das substâncias em função apenas 31,6 g de KNO3, na qual haverá a for-
da temperatura. Consideremos, por exemplo, mação de um corpo de chão de 78,4 g (ou
a tabela a seguir que mostra os coeficientes de seja, a diferença entre 110 g e 31,6 g).
solubilidade do nitrato de potássio (em gramas Esta quantidade foi calculada a partir
de KNO3 por 100 gramas de água) em várias das diferentes solubilidades do KNO3 a 60 °C
temperaturas. Dos valores desta tabela, resulta e a 20 °C.
a curva de solubilidade do nitrato de potássio em Elevando-se a temperatura até 40 °C,
água, que é apresentada ao lado da tabela. pode-se dissolver em 100 g de água, por
exemplo, 50 g de KNO3.
Solubilidade de KNO3 em água Deixando-se a solução resfriando len-
Gramas de tamente e em repouso, é possível obter uma
Temperatura (°C) KNO3 / 100 g de água solução a 20 °C, contendo os 50 g dissolvidos
0 13,3 em água. Neste caso, obtém-se uma solução
10 20,9 em que a quantidade de soluto dissolvido é
maior que aquela capaz de saturar a solução.
20 31,6
Esta é uma solução supersaturada, metaes-
30 45,8 tável, pois qualquer abalo é suficiente para
40 63,9 depositar todo o excesso do sal (18,4 g de
50 85,5 KNO3).
60 110
70 138 Concentração grama/litro
80 169 É a relação entre a massa do soluto e
90 202 o volume da solução, constituindo a forma
100 246
mais simples de expressar a concentração
de uma solução. Nesse caso, a unidade mais
Coeficiente de solubilidade empregada é g/L ou seja, gramas do soluto
concentração (g/100 g de água)
por litro de solução.
260

240

220

200
Região das
180 soluções
160 supersaturadas
(instáveis)
140

120

100

80
Região das
60 soluções não
saturadas
40
(estáveis)
Assim, se tivermos uma solução de
20 açúcar de concentração 20 g/L isto signi-
ficará que 1 litro de solução contém 20 g
20 40 60 80 100
Temperatura (°C)
de açúcar. Como uma solução é sempre

Química 2 - Aula 5 57 Instituto Universal Brasileiro


homogênea, vale a regra de três, ou A concentração indica, portanto,
seja, se 1 litro da solução contém 20 g quantos gramas de soluto existem em
de açúcar, 2 litros da mesma conterão cada litro de solução.
40 g de açúcar; 3 litros da solução con-
terão 60 g de açúcar, 500 mL (0,5 L) da
mesma conterão 10 g de açúcar e assim
por diante.

É preciso que fique claro que o volume


é da solução resultante e não do solven- Solubilidade de gases
te. Isto quer dizer que, se quisermos prepa-
rar uma solução de cloreto de sódio de con-
centração 30 g/L, teremos que pesar 30 g
do sal e ir adicionando água sob agitação,
até que a solução restante tenha o volume
de 1 litro; portanto, não se trata de 30 g de
cloreto de sódio (NaCl) dissolvidos em 1 litro
de água.

Para facilitar a interpretação das fór-


mulas matemáticas das concentrações,
adotaremos o seguinte simbolismo:
Água com gás não é apenas o con-
• Índice 1, para as quantidades de
teúdo daquela garrafinha que você com-
soluto.
pra no supermercado ou as borbulhas que
• Índice 2, para as quantidades de saem do refrigerante. O simples contato
solvente. de um gás ou de uma mistura gasosa com
um líquido faz com que parte desse gás
• Sem índice, referindo-se à própria
se dissolva na água. Você pode achar isso
solução.
estranho, mas os peixes, por exemplo,
agradecem... Afinal, graças a isso é que
eles conseguem obter oxigênio para sua
Resumindo, temos:
respiração.
Lembre-se do seguinte: um gás tem
Concentração comum (C) é a re-
suas moléculas em constante movimento
lação entre a massa do soluto (em
e, dessa forma, essas moléculas se cho-
gramas) e o volume da solução (em
cam com os obstáculos que encontram no
litros).
caminho. Quando o obstáculo que o gás
encontra é a superfície de um líquido, vez
Ou seja:
por outra, moléculas com um pouco mais
de velocidade conseguem penetrar no lí-
m1 massa do soluto (g)
C= quido, ficando dissolvidas.
V volume da solução (L)
Como vivemos em um planeta envol-
concentração to por uma atmosfera gasosa, os líquidos,

Química 2 - Aula 5 58 Instituto Universal Brasileiro


salvo situações de armazenamento muito Funciona assim: embora o metal possa
especiais, estão sempre em contato com ser encontrado em todos os ambientes, é no
os gases, fazendo-os sempre dissolver meio aquático que mora o perigo. Graças à
parte dele. Assim o contato com a atmos- ação de bactérias, sobretudo em zonas ala-
fera é que garante que uma parte do oxi- gáveis, o mercúrio é transformado em sua
gênio do ar acabe dentro dos oceanos e forma orgânica e mais perigosa: o metilmer-
dê suporte à respiração de toda fauna ma- cúrio. Nessa versão, ele penetra nas algas.
rinha. Da mesma forma, o gás carbônico As plantas aquáticas têm baixo teor de mer-
em excesso, originado do ar atmosférico cúrio, mas os peixes herbívoros (que se ali-
poluído e de produtos em decomposição, mentam dessas plantas) têm um pouco mais.
dissolve-se na água dos mares e rios, tor- E os predadores (que comem os herbívoros)
nando o meio ácido, afetando a vida de acabam com um índice bem maior. Quanto
muitos seres, principalmente dos corais. mais perto do topo da cadeia alimentar, mais
contaminado tende a ser o peixe.
Texto extraído de: http://educacao.uol.com.br/
quimica/ult1707u33.jhtm. Texto adaptado. Isso não significa que todo peixe
grande esteja contaminado. Se ele vive
numa região livre de mercúrio, o que é co-
mum, não tem problema. Mas claro: quem
vê cara, não vê contaminação. Você só
tem como saber o estado dos peixes que
comeu se acabar intoxicado. Os sintomas
são tremores, vertigem, perda de memória,
Quem vê cara, não vê contaminação
problemas digestivos e renais entre outros.
Não, não precisa parar de comer esses pei-
Até os peixes considerados mais saudáveis
xes, só ter alguma moderação. Mas o risco
podem estar contaminados por mercúrio.
não deve diminuir - o mercúrio é um resí-
duo das termelétricas. E a maior parte do
mundo ainda é movida a carvão.
Segundo definição de cientistas, ve-
neno é uma substância que causa doença
ou morte mesmo se tomado em pequenas
quantidades e concentrações. Esta definição
enquadra perfeitamente o mercúrio, um metal
que pode provocar a loucura e as contínuas
perdas de memória que afetaram, por exem-
plo, o grande cientista Isaac Newton (1643-
1727). Tal como muitos outros cientistas da
Existe um tipo de carne que não
sua época, o físico inglês sonhava transfor-
depende das plantações: os peixes sel-
mar o mercúrio em ouro e, enquanto se con-
vagens. Mas eles não são a alternativa
sagrava às experiências, ficou intoxicado. Os
de alimentação em alta escala. Primeiro,
sintomas eram inequívocos: insônia, agressi-
porque os mais nobres estão acabando.
vidade, perda de apetite, surdez… Segundo
Algumas espécies de atum e de bacalhau
análises forenses na época de sua morte, ao
não devem escapar da extinção. Segun-
seu cabelo se acumulavam 73 partes por mi-
do, porque existe o perigo da contamina-
lhão (ppm) de mercúrio no organismo - valor
ção por altas concentrações de mercúrio,
considerado normal é de 5 ppm.
pelo menos para quem come certos pei-
xes com frequência. Quanto mais alta a Fragmentos adaptados da reportagem O lado obs-
concentração de mercúrio, maior o perigo. curo da comida. Superinteressante, dezembro de 2010.

Química 2 - Aula 5 59 Instituto Universal Brasileiro


solvente e soluto estão em uma tempera-
tura em que seu coeficiente de solubilida-
de (solvente) é maior, e depois a solução é
resfriada ou aquecida, de modo a reduzir o
coeficiente de solubilidade. Quando isso é
Soluções - solubilidade feito de modo cuidadoso, o soluto perma-
em líquidos nece dissolvido, mas a solução se torna
extremamente instável. Qualquer vibração
Soluções e seus componentes faz precipitar a quantidade de soluto em
excesso dissolvida.
Solução. É toda mistura homogê-
nea formada por soluto e solvente. Desenho ilustrativo dos tipos
de soluções
Solvente. Substância que deve apa-
recer sempre em maior quantidade, ge-
ralmente no estado líquido, para diluir ou
dissolver um outro composto.

Soluto. Substância que deve aparecer


em menor quantidade no estado sólido ou lí-
quido, que deverá ser diluída ou dissolvida.
Diluída Concentrada Saturada Supersaturada
Tipos de soluções

Solução diluída (ou insaturada). É Concentração grama/litro


aquela na qual a quantidade de solvente
é maior que a de soluto. Ou a quantidade Concentração (C). É a relação entre
de soluto é menor que o Cs (coeficiente de a massa do soluto e o volume da solu-
solubilidade). ção, constituindo a forma mais simples de
expressar a concentração de uma solu-
Solução concentrada. Quando o ção. Nesse caso, a unidade mais empre-
soluto se encontra na quantidade máxima gada é g/L ou seja, gramas do soluto por
que o solvente pode diluir. litro de solução.
É preciso que fique claro que o vo-
Solução saturada. É aquela em que lume é da solução resultante e não do
a quantidade de soluto e solvente são pro- solvente.
porcionais, isto é, contêm uma quantida- Ou seja:
de de soluto dissolvido igual à sua solu-
bilidade em determinada temperatura. O
excesso de soluto, em relação ao valor m1 massa do soluto (g)
do coeficiente de solubilidade (Cs), não se C=
V
dissolve, e constituirá o corpo de fundo. volume da solução (L)

Solução supersaturada. É aquela na concentração


qual a quantidade de soluto é maior que a de
solvente. Ou a quantidade de soluto dissol- A concentração indica, portanto,
vido é maior que a sua solubilidade em de- quantos gramas de soluto existem em
terminada temperatura. Acontece quando o cada litro de solução.

Química 2 - Aula 5 60 Instituto Universal Brasileiro


4. Uma solução foi preparada dissolven-
do-se 4,0 g de cloreto de sódio (NaCl) em 2,0
litros de água. Considerando que o volume da
solução permaneceu 2,0 L, qual é a concen-
tração da solução final?
Analisando o gráfico abaixo, assinale a a) ( ) 4 g/L
alternativa correta nas questões 1 a 3. b) ( ) 2 g/L
c) ( ) 6 g/L
Coeficiente de solubilidade
concentração (g/100 g de água) d) ( ) 8 g/L

130 5. Qual a massa de ácido sulfúrico


120 (H2SO4) que deve ser dissolvida em água su-
110 KOH
NaNO3 ficiente para se ter 160 mL de solução cuja
100 concentração seja de 50 g/L?
90
a) ( ) 40 g
KBr
b) ( ) 12 g
80
c) ( ) 6 g
70
d) ( ) 8 g
60
Na2SO4
6. Dissolveu-se 6,0 g de hidróxido de só-
HO

50
2

dio (NaOH) em água suficiente para se obter


10

40
NaCl uma solução de concentração igual a 4 g/L.
4
SO

30
Qual é o volume dessa solução?
2
Na

20
a) ( ) 2 litros
10 Ce2(SO4)3
b) ( ) 3 litros
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 c) ( ) 1,5 litros
Temperatura (°C) d) ( ) 2,5 litros

1. O coeficiente de solubilidade do NaNO3 7. Em um rótulo de leite em pó integral, lê-se:


a 40 ºC é igual a:
Modo de preparar:
a) ( ) 40 g / 100 g de água.
b) ( ) 100 g / 100 g de água. Coloque o leite integral instantâneo sobre
água quente ou fria, previamente fervida.
c) ( ) 50 g / 100 g de água. Mexa ligeiramente e complete com água até
d) ( ) 120 g / 100 g de água. a medida desejada.
Para 1 copo (200 mL) - 2 colheres de sopa
bem cheias (30 g).
2. De acordo com o gráfico, o composto
que apresenta maior solubilidade a 50 ºC é: Composição média do produto em pó
a) ( ) NaNO3 Gordura 26% Sais minerais 6%
b) ( ) KBr Proteínas 30% Água 3%
c) ( ) Na2SO4 Lactose 35% Lecitina 0,2% no pó
d) ( ) NaCl
A porcentagem em massa indica-nos a
3. Qual a concentração, em g/L de uma quantidade de gramas de cada componente
solução de nitrato de potássio (KNO3) sabendo- em 100 g de leite em pó. Calcule a concentra-
se que ela possui 60 g desse sal em 300 cm3 ção em massa (em g/L) de proteínas em um
de solução? copo de 200 mL de leite preparado.
a) ( ) 220 g/L a) ( ) 60 g/L
b) ( ) 200 g/L b) ( ) 45 g/L
c) ( ) 150 g/L c) ( ) 50 g/L
d) ( ) 300 g/L d) ( ) 70 g/L
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5. d) ( x ) 8 g

Comentário. Com os dados do proble-


ma, basta substituir como mostrado na fórmu-
la abaixo:
1. b) ( x ) 100 g / 100 g de água.
m1 = ?
Dados do
V = 160 mL = 0,16 L
Comentário. Através do gráfico dado problema
C = 50 g/L
podemos verificar que o coeficiente de solu-
Substituímos os valores dados na fórmula:
bilidade na referida temperatura, está corre-
tamente apresentado na alternativa indicada. m1
C= m1 = C . V m1 = 50 . 0,16
Basta acompanhar a curva de solubilidade do V
NaNO3 e achar o ponto em que ela cruza com
a reta da temperatura. Veja que esse ponto m1 = 8 g
corresponde a 100 g / 100 g de água.

2. a) ( x ) NaNO3 6. c) ( x ) 1,5 litros

Comentário. Nesse gráfico, pode-se Comentário. Com os dados apresen-


verificar que à temperatura de 50 °C, o com- tados no exercício e substituindo na fórmula
posto que apresenta maior solubilidade é o ni- como mostrado a seguir:
trato de sódio (NaNO3). Basta acompanhar a
m1 = 6,0 g
curva e o ponto correspondente a 50 °C. Dados do
V =?
problema
C = 4 g/L
3. b) ( x ) 200 g/L Substituímos os valores dados na fórmula:
m1 m1 6,0
Comentário. Como a unidade da con- C= V= V=
centração é g/L devemos primeiramente trans- V C 4
formar o volume dado em cm3 para litros.
V = 1,5 L
1.000 cm3 1L 300 x 1
V=
1.000
300 cm3 V V = 0,3 L 7. b) ( x ) 45 g/L
m1 = 60 g
Dados do
problema
V = 0,3 L Comentário. Primeiro calculamos a
C =? concentração da solução feita, misturando-
Substituímos os valores dados na fórmula: se 30 g do leite em pó integral em 200 mL (1
m1 60 copo) de água. Lembre-se de transformar o
C= C= C = 200 g/L volume para litro (200 mL 0,2 L):
V 0,3

Portanto, a concentração desta solução m1 30


C= C= C = 150,0 g/L
é igual a 200 g/L o que significa dizer que em V 0,2
cada litro de solução existem 200 g de KNO3. Agora fazemos uma regra de três,
visto que a proteína equivale a 30% da
4. b) ( x ) 2 g/L massa do leite:

Comentário. Como o problema nos in- 100% 150,0 g/L x=


30 x 150
forma a massa em gramas (4,0 g) e o volume 100
em litros (2,0 L), basta efetuar a divisão de um 30% x x = 45 g/L
pelo outro e teremos a concentração em g/L.
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