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AULA 10

Cinética Química - velocidade das reações


Não existe uma velocidade geral para as reações químicas. Umas são lentas e
outras são rápidas. Por exemplo: a oxidação (ferrugem) de um pedaço de ferro
é lenta, levará algumas semanas para reagir com o oxigênio do ar; rápida é a
reação do palito de fósforo que acendemos; a combustão, pelo oxigênio, ocorre
em segundos, gerando o fogo.

Cinética química é a ciência que estuda a velocidade das


reações químicas e os fatores que as influenciam

Reação química entre dióxido de


carbono (CO2), água (H2O) e amônia (NH3)

Os catalisadores biológicos

Nos seres vivos, as reações químicas se processam lentamente. São as enzimas, fabricadas
pelas células, que agem como catalisadores, acelerando as reações. Imagine como seriam lentos
os processos biológicos!
Catalisadores são substâncias capazes de aumentar a velocidade de uma reação química
sem interferir no caminho da reação. As enzimas são catalisadores biológicos, ou seja, são encon-
tradas nos organismos vivos (animais, plantas, fungos e bactérias). Enzimas são essenciais para
a vida. Reações metabólicas que ocorrem em frações de segundos nos organismos vivos levariam
meses ou até mesmo milhares de anos para acontecer se não fossem as enzimas.
A natureza química das enzimas é proteica. Ou seja, enzimas são proteínas globulares que
atuam nos organismos vivos aumentando a velocidade das reações de 107 a 1011 vezes. Sabe o
que isso quer dizer? Vamos supor que uma reação catalisada ocorre em um segundo. Caso não
fosse catalisada por uma enzima, essa reação ocorreria em cerca de 4 meses! Faça as contas, ago-
ra, do tempo de uma reação não catalisada por uma enzima que leva 1011 segundos para ocorrer.
É muito tempo!
As enzimas também são importantes no nosso cotidiano, mesmo quando não as vemos, pois
estão presentes na indústria e na clínica, ajudando a diagnosticar e a tratar diversas doenças.
Disponível em: http://enzimatico.blogspot.com.br/2012_01_01_archive.html. Acesso em: 20.04.2014. Texto adaptado.

Química 2 - Aula 10 101 Instituto Universal Brasileiro


Cinética Química
A velocidade das reações química com a caixinha virar chama. O processo
Uma reação química ocorre quando cer- é bem conhecido: a gente risca o palito
tas substâncias sofrem transformações em na caixa e produz uma faísca, que faz as
relação ao seu estado inicial. Para que isso substâncias inflamáveis do palito entrar
possa acontecer, as ligações entre átomos e em combustão. Em contato com o palito,
moléculas devem ser rompidas e devem ser a faísca queima o clorato de potássio, que
restabelecidas de outra maneira. libera uma grande quantidade de oxigê-
nio. Esse oxigênio reage com a parafina
que reveste o palito e a parafina alimenta
a chama. A queima do fósforo leva 45 fra-
ções de segundo.

Entenda a lentidão da oxidação


no caso da ferrugem

A formação da ferrugem é um pro-


cesso lento: os átomos de ferro (sólido) Quem descobriu essas propriedades
sofrem oxidação, isto é, perdem elétrons, químicas foi o físico inglês Robert Boyle,
e o oxigênio do ar atmosférico sofre redu- em 1669. Mas o palito de fósforo só foi cria-
ção (ganha elétrons). Essa reação ocorre do em 1826, quando surgiram uns palitões
na presença de água. de 8 centímetros apresentados pelo quími-
co inglês John Walker. Mas esses fósforos
H 2O
Fe(S) + 3 O2 (g) 2 Fe2O3 . nH2O grandões tinham um grande inconvenien-
te: todas as substâncias necessárias para
Observação. nH2O representa a presença de a queima ficavam na cabeça do artefato.
moléculas de água na ferrugem. O n representa um nú- Aí, qualquer raspada dos palitos na calça
mero variável de moléculas de água.
fazia o troço pegar fogo. A solução surgiu
em 1855, quando o industrial sueco Johan
Edvard Lundstrom inventou os chamados
"fósforos de segurança" que a gente usa
até hoje. A sacada de Lundstrom foi colocar
uma parte das substâncias para a queima
no palito, e outra na caixinha. É por isso
Por que o palito de fósforo queima?
que os palitos não se incendeiam quando
Reação de combustão do fósforo. você os raspa em qualquer lugar!
O palito queima porque sua cabeça é feita Disponível em: mundoestranho.abril.com.br/como
de substâncias que fazem a faísca do atrito funciona o palito de fósforo. Acesso em: 28.05.2014.

Química 2 - Aula 10 102 Instituto Universal Brasileiro


A cinética química estuda a velocidade
das reações e os fatores que afetam essa ve- C - CB
locidade. Certas reações são tão rápidas que ΔC
Vmédia = =
não permitem a medida da velocidade com t1 - t Δt
que se processam, como, por exemplo, a rea- ou
ção de um ácido com uma base, a decomposi- Δ [C]
ção de nitroglicerina que, de tão rápida, chega Vm =
Δt
a ser explosiva etc.
Por outro lado, certas reações são tão • Se na reação geral, a concentração
lentas que não permitem medidas de veloci- inicial de B era 20 moles/litro e passou (após
dade, como é o caso, por exemplo, da reação a reação) para 12,5 moles/litro do 5° para o
de hidrogênio e oxigênio, com formação de 10° minuto de reação, diremos que a veloci-
água; se misturarmos hidrogênio e oxigênio dade média da reação, em relação a B, foi:
e deixarmos a mistura isolada, a reação se
completará após séculos; se, porém, fizermos No intervalo de 5º ao 10º minuto,
saltar uma faísca, a reação será tão rápida
que explodirá. 20 - 12,5
Vm =
10 - 5
Entre esses dois extremos há uma sé-
rie grande de reações, cujas velocidades são Vm = 1,5 mol/litro x min
passíveis de serem medidas. O conceito de
velocidade de uma reação química é análogo
• Podemos então dizer que a velocida-
ao de velocidade de um objeto, visto na Física.
de da reação é dada pela reação da variação
da quantidade de substância consumida, pelo
Para calcular a velocidade de uma reação intervalo de tempo nesse consumo. Idêntico
raciocínio pode ser feito com relação a qual-
quer das substâncias que se formam. Pode-
• Se tivermos uma reação geral do tipo: mos dizer que a velocidade da reação tam-
bém pode ser dada em função da formação
A+B X+D
de X, por exemplo. Assim, analogamente, se
A velocidade será dada em função tivermos uma quantidade de Cx no instante t,
da quantidade de A ou B que se transfor- e num tempo (t1 > t) tivermos Cx1 (sendo Cx1
ma na unidade de tempo, ou da quantida- > Cx), podemos dizer que a velocidade média
de de X ou D que se formam na unidade da reação será dada por:
de tempo.
C x1 - C x ΔCx
Vmédia = =
A velocidade de uma reação é dada t1 - t Δt
pela quantidade de reagente que se
transforma na unidade de tempo, ou • E a velocidade da reação, num ins-
pela quantidade de substância formada tante t, será definida por:
na unidade de tempo. ΔCx
V= lim =
• Assim, se no exemplo genérico cita- t 0 Δt
do, a concentração de A (um dos reagen-
tes) for C, em certo instante t da reação e, Citação Matemática para
num tempo t1 (sendo t1 > t), a concentração lim indicar a máxima velocidade
de B for CB, sendo CB < C (pois uma parte t 0 de reação com o tempo
já reagiu), dizemos que a velocidade média tendendo a ser Zero.
da reação, no intervalo de tempo t1 - t será:

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Medida da velocidade de uma reação
• De um modo geral, a quantidade de
substância que reage ou que se forma é me- Como vimos, temos que saber a quan-
dida em moles e o tempo em minutos, que tidade de reagente consumido ou de subs-
resulta em uma velocidade definida para tância formada num certo intervalo de tempo.
certo número de moles de uma substância Para isso, podemos efetuar, em intervalos de
que se forma ou que reage, em um minuto. tempos medidos, uma análise de uma das
Como exemplo, imaginemos a formação de substâncias reagentes ou de uma das subs-
ácido iodídrico, HI, segundo a reação: tâncias que se formam.
H2 + I2 2 HI
Assim, por exemplo, seja a reação:
• De tempos em tempos, analisa-se a ácido + álcool éster + água
quantidade de HI que se forma. Assim, se
tivermos os dados abaixo: Essa reação é lenta e podemos, de
tempos em tempos, retirar uma amostra
Tempo Moles de HI da mistura e efetuar uma análise de uma
0 min 0,125 das substâncias.
5 min 0,200
10 min 0,275
15 min 0,340
20 min 0,390

• Se quisermos saber a velocidade


Seria possível efetuar uma análise
média de formação de HI no intervalo de
volumétrica do ácido que está sendo con-
10 a 15 minutos, teremos:
sumido e titulá-lo com hidróxido de sódio
ΔCx (já comentado na aula anterior). Assim,
Vmédia = saberíamos o número de moles que vão
Δt reagindo de tempos em tempos, podendo
0,340 - 0,275 calcular as várias velocidades médias da
Vmédia = reação. Observa-se que a velocidade mé-
15 - 10
dia é grande no início da reação e vai di-
0,065 minuindo com o tempo, sendo isto mais ou
Vmédia = menos geral para todas as reações. A aná-
5
lise volumétrica, apesar de ser um método
Vmédia = 0,013 mol/min simples, não é muito boa para o propósito
da experiência, pois não se pode confiar
• Isto é, nesse intervalo de tempo, inteiramente no resultado obtido. Isto por-
ocorre a formação de 0,013 mol de HI por que, enquanto se faz a análise volumétri-
minuto. ca, a reação em estudo continua ocorren-
do no frasco a ser analisado e, portanto,
a massa determinada não corresponde
100% à massa formada no instante em
que se retirou a amostra; por outro lado,
se quisermos acompanhar a reação por
um tempo maior, teremos que retirar um
Na cinética química é comum indicar número grande de amostras, o que pode
a molaridade com o uso de colchetes; constituir-se em dificuldade, em caso de
assim, por exemplo [HCl] indica a molari- não sobrar quantidade suficiente da mistu-
dade do HCl numa solução. ra para dar prosseguimento à reação.

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Uso de medidas físicas Exemplo do zinco metálico

Para medir a velocidade de uma rea- Assim, se reagirmos, por exemplo,


ção, o melhor é efetuarmos medidas físi- zinco metálico com ácido clorídrico, a velo-
cas, pois, não alterando o sistema reagen- cidade de reação dependerá da superfície
te, são muito mais precisas. do zinco metálico e, como sabemos que a
superfície de um metal aumenta à medi-
Métodos da que se aumenta seu estado de divisão,
podemos dizer que a velocidade maior da
• Numa reação que apresenta um gás reação será aquela que empregar zinco
como substância que se forma, podemos ir em pó. Se tivermos massas iguais de zin-
medindo o volume do gás obtido de tempos co colocadas em diferentes recipientes e
em tempos e, assim, a velocidade poderá efetuarmos a experiência, podemos facil-
ser dada pelo volume do gás formado na mente perceber a diferença na velocidade
unidade de tempo, ou podemos saber o nú- da reação para cada caso.
mero de moles do gás que corresponde ao Se tivermos, por exemplo, três re-
volume medido (P . V = n . R . T). cipientes, sendo colocada em cada um a
mesma massa de zinco - no primeiro reci-
• Outros métodos físicos usados são: piente, coloca-se uma lâmina de zinco; no
colorimetria, que aproveita o fato de a in- segundo recipiente, coloca-se a massa de
tensidade de coloração de uma solução zinco em raspas; e, no terceiro, coloca-se
ser proporcional à concentração de uma o zinco em pó -, as velocidades de reação
espécie presente (pelo aumento ou dimi- do zinco com ácido serão diferentes.
nuição da coloração); medida do índice
de refração da luz; medida da conduti- Zn + 2 HCl ZnCl2 + H2
bilidade elétrica etc.

HCl H2 HCl H2 HCl H2


Fatores que influem na
velocidade das reações

1. Superfície de contato entre as


substâncias que reagem Lâmina Raspas Zinco
de zinco de zinco em pó
Isto só tem influência nas reações hete- 10 g 10 g 10 g
rogêneas e não nas homogêneas. Reações
homogêneas são aquelas em que os reagen- Observa-se que a maior velocidade
tes estão todos numa mesma fase e as hete- ocorre no recipiente contendo o zinco em
rogêneas são aquelas que possuem os rea- pó; em seguida, com menor velocidade,
gentes em diferentes fases. a reação no recipiente contendo o zinco
Portanto, é claro que, se misturarmos em raspas, sendo mais lenta a reação que
dois líquidos para reagirem, este fator não terá ocorre com a lâmina de zinco. Como se
influência nenhuma, pois não haverá superfí- sabe, quanto mais dividido o sólido, maior
cie de separação entre eles. Mas, se reagir- a área total obtida e, assim sendo, embora
mos um sólido com um líquido, esse fator terá a massa seja a mesma nos três casos ci-
influência enorme, pois a reação, processan- tados, a maior área é dada pelo zinco em
do-se na superfície de contato do sólido com pó e a menor, pelo zinco em lâminas; a in-
o líquido, terá sua velocidade dependente da termediária é dada pelo zinco em raspas.
superfície do sólido.
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sua formação. Assim, se a substância reagir
Experimentalmente, verifica-se a pro- no instante de sua formação, essa energia su-
dução de maior quantidade de hidrogênio plementar será aproveitada para a realização
na reação que emprega zinco em pó, devi- dessa reação; daí ser mais rápida a reação
do a sua maior superfície de contato. nessas condições.

Exemplo: reação de cloro com ouro


Exemplo prático: reação de
comprimidos efervescentes triturados

Essa reação possui pequena veloci-


dade. Contudo, a reação de cloro nascente
com ouro é instantânea. O cloro nascente
é obtido pela mistura de ácidos nítrico e
clorídrico concentrados, que constituem a
"água-régia":

3 HCl + HNO3 2 H2O + NO + 3 [Cl]


Um exemplo prático é o dos antiáci-
dos efervescentes que, quando triturados, Au + 3 [Cl] AuCl3
se dissolvem mais rapidamente em água 3 HCl + HNO3 + Au 2 H2O + NO + AuCl3
do que em forma de comprimido inteiro.
Isto porque a superfície de contato fica
maior para reagir com a água.
Quanto maior for a superfície (área) 3. Concentração
de contato dos reagentes, maior a velo-
De um modo geral, o aumento da con-
cidade da reação.
centração de um dos reagentes aumenta a
velocidade de uma reação. Assim, se tivermos
duas porções de alumínio, de 5 g cada, igual-
2. Estado nascente mente subdivididos, e mergulharmos a primei-
A velocidade de uma reação é enorme- ra porção em HCI, 0,1 N, e a segunda porção
mente aumentada, quando um dos reagentes em HCI, 1 N, verificaremos que a segunda
se encontra no estado nascente. Uma subs- reação é mais rápida.
tância encontra-se no estado nascente no ins-
Isto é evidente, pois, quanto mais
tante em que se forma; é que, nesse momen-
concentrado um reagente, maior é o núme-
to, a substância possui uma quantidade de
ro de suas partículas em solução e, portan-
energia maior que a que possui normalmen- to, maior é o número de choques. Assim, a
te, e essa quantidade suplementar de ener- reação ocorre mais rapidamente.
gia é perdida numa fração de segundo após
Química 2 - Aula 10 106 Instituto Universal Brasileiro
4. Temperatura sendo lenta à luz difusa e tornando-se vio-
O aumento da temperatura ocasiona lenta em presença de luz intensa (solar):
aumento da velocidade de uma reação, pois escuro
H2 + Cl2 não reagem
aumenta o estado de agitação das partículas
reagentes (quanto maior a temperatura, maior H2 + Cl2
luz difusa
2 HCl (reação lenta)
o estado de agitação), o que acarreta um maior
número de choques entre as partículas reagen- H2 + Cl2
luz solar
2 HCl (instantânea, explosiva)
tes. A teoria cinética trata desse assunto e diz
que, à medida que se aumenta a temperatura
de um meio, as partículas desse meio aumen-
tam suas energias médias, ocorrendo maior Outro exemplo: sais de prata AgI
agitação. Daí pode-se perceber que o aumen- (iodeto de prata) e AgBr (brometo de pra-
to da temperatura acarreta não só aumento da ta), que ocorrem nos filmes fotográficos.
agitação do meio (com consequente aumen-
to do número de choques), como também da
energia média de cada partícula.

Assim, E vem a ser energia média


de uma partícula, isto é, E é função da
temperatura = f (t).

E = f (t)

Quanto maior a temperatura, maior Esses sais decompõem-se em presença


a energia da partícula. O químico holan- da luz, resultando depósito de prata metálica,
dês Van't Hoff (1852-1911), estudando a que dá origem às imagens. As reações são:
influência da temperatura, estabeleceu a
2 AgI 2 Ag° + I2
seguinte regra: "Uma elevação de 10 °C
na temperatura de uma reação duplica ou 2 AgBr 2 Ag° + Br2
triplica a sua velocidade".
Essas decomposições pela luz rece-
bem o nome de fotólise.

6. Pressão
A influência da pressão na velocidade
Trata-se de uma regra aproximada,
das reações entre gases é grande. Quando
mas que dá o efeito da elevação da tem-
as substâncias reagentes são líquidas ou só-
peratura, de forma geral.
lidas, a influência da pressão é desprezível.
As reações que ocorrem com contração de
volume gasoso são bastante favorecidas pelo
5. Luz aumento da pressão.
Como a luz é uma forma de energia,
também ativa as partículas dos reagentes. Assim, as reações abaixo são favo-
recidas pelo aumento da pressão:
Exemplo: caso da reação entre
hidrogênio e cloro N2 + 3 H2 2 NH3
CO + 2 H2 H3C - OH (vapor)
Essa reação não se verifica no escuro,

Química 2 - Aula 10 107 Instituto Universal Brasileiro


• Na primeira, temos 4 volumes no Como a reação é exotérmica, haverá
primeiro membro (1 N2 e 3 H2) e 2 volumes liberação de calor e outras moléculas te-
no segundo membro. Temos contração de rão possibilidade de reagir.
volume de 4 para 2.
• Na segunda reação, temos 3 volu-
mes no primeiro membro e 1 volume no
segundo, ocorrendo a contração de volu-
mes (3 para 1).
• A primeira equação corresponde à
síntese do gás amônia e a segunda, a sín-
tese do álcool metálico.

Outro exemplo do fator eletricidade,


influenciando na velocidade das reações, é
o que ocorre nos motores à explosão, nos
quais a reação ar - gasolina é desencadea-
da por ação de uma faísca elétrica.

Na indústria, as reações a elevada


pressão são efetuadas em aparelhagens 8. Condições dos reagentes
denominadas autoclaves. Apenas como
curiosidade, as panelas de pressão são O fato dos reagentes estarem em solu-
pequenos autoclaves nos quais o vapor ção aquosa, ao invés de estarem no estado
de água fica submetido à elevada pressão. sólido, também tende a aumentar a velocida-
de da reação. Muitos sólidos que não reagem
quando puros transformam-se instantanea-
mente quando em solução aquosa.
7. Eletricidade
Como outra forma de energia, a eletrici- Exemplo:
dade influencia a velocidade de reações quí- (precipitado)
micas de várias maneiras. 2 KBr (aq) + Pb (NO3)2 (aq) PbBr2 (s) + 2 KNO3 (aq)

Por exemplo, temos a eletrólise:


Características dos cristais geométri-
As faíscas elétricas também interfe- cos de um sólido também influenciam na
rem na velocidade de uma reação quími- velocidade de uma reação. Formas cris-
ca; assim, vejamos um exemplo: talinas mais compactas tendem a reagir
mais lentamente que outras, nas quais o
1 faíscas elétricas
H2 + O H 2O contato de suas unidades com as do outro
2 2
reagente são mais fáceis.

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Energia de ativação e catalisadores Complexo ativado

Energia de ativação
H2 + I2 2 HI
As reações de combustão do carvão, da
madeira, do álcool, da gasolina - enfim, das
substâncias combustíveis - são espontâneas.
No entanto, nenhuma dessas substâncias já H H
desapareceu da natureza por combustão. É H I
H H + I I
H I
que, para ocorrer uma reação, se torna ne- I I
cessário o fornecimento de certa quantidade
inicial de energia.

A energia mínima necessária para H I H I


H I

que se inicie a reação é denominada H + H


I I
H I
energia de ativação.
Reagentes Complexo Produtos
ativado
Já sabemos que numa reação química intermediário

ocorrem colisões (choques) entre as molécu-


las. Estes choques podem causar rompimento Analisando-se o gráfico do caminho de
de ligações nas moléculas reagentes e forma- uma reação em função da energia total (H)
ção de novas ligações. Nem todas as colisões dos reagentes e produtos nota-se que, para
são efetivas. a reação ter início, é necessário fornecer a
Choque efetivo é aquele que leva à for- energia de ativação.
mação de um produto. Entenda melhor, ob-
servando a representação abaixo: Observação. Reveja os gráficos es-
tudados no capítulo - Entalpia.

A diferença de entalpia entre o ponto


mais alto da curva e a entalpia dos reagen-
tes corresponde à energia de ativação. É uma
"barreira" que deve ser vencida pelos reagen-
1 2 1 2
tes até que comece a se formar o complexo
ativado. Uma reação ocorrerá com maior fa-
cilidade quanto menor for sua energia de ati-
vação. Quanto maior a energia de ativação,
3 Choque não efetivo 3 Choque efetivo menor será a velocidade de uma reação.
• Para uma reação exotérmica, temos:
Para que um choque seja considerado
efetivo, e portanto, bem sucedido, são neces- Entalpia
Complexo ativado
sárias duas condições:
Ea
a) Que as moléculas reagentes colidam
numa orientação apropriada e num ângulo de Hr
reagentes
encontro correto; ΔH < 0
b) Que as moléculas colidam com ener- Hp
produtos
gia suficiente para formar o complexo ati-
vado. É o estado intermediário em que as Caminho da reação
ligações iniciais se enfraquecem e as novas Hr > Hp ΔH < 0
ligações começam a se formar. A duração do Ea = energia de ativação
complexo ativado é muito pequena.
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• Para uma reação endotérmica, temos:
O catalisador é o dióxido de manga-
Entalpia nês, MnO2. No fim da reação, o peso des-
te se mantém, porém seu aspecto físico
Ea
pode apresentar-se alterado. Assim, se
Hp
usarmos porções grandes de MnO2, após
produtos
ΔH > 0
a reação ele permanecerá com o mesmo
Hr
peso, porém finamente dividido. Isto faz
reagentes
pensar que, neste caso, o MnO2 tome par-
Caminho da reação te na reação, regenerando-se, porém.
Hr < Hp ΔH > 0
2. Combustão de gás amônia em
Ea = energia de ativação
indústria, na fabricação de ácido nítrico. A
mistura de gás amônia e oxigênio é passa-
da por uma rede de platina, que atua como
Catalisadores catalisador:
Catalisador é uma substância que, pre-
Pt
sente numa reação química, altera sua velo- 2 NH3 + 5 O3 2 NO + 3 H2O
2
cidade, sem sofrer qualquer alteração perma-
nente em quantidade e composição química. Após algum tempo, a rede de platina
Essa definição é devida ao químico alemão se torna áspera (modificação física), porém
Wilhelm Ostwald (1853-1932). Catálise é toda com o mesmo peso e mesma composição.
reação em que participam catalisadores.
Os catalisadores podem tanto acelerar
quanto retardar uma reação química. Temos
os catalisadores positivos (os que aceleram
a velocidade de uma reação) e os catalisado-
res negativos (os que retardam a velocidade
de uma reação). Alguns produtos de limpeza contêm enzi-
mas para facilitar a remoção de sujeiras. As en-
zimas agem como catalisadores, que facilitam a
Catálise positiva e catálise negativa quebra das moléculas de substâncias responsá-
veis pelas manchas nos tecidos.
Exemplos:

1. Água oxigenada, já estudada. A Catálise homogênea e heterogênea


decomposição da água oxigenada é acele-
rada pela presença de íons OH- e retarda- Catálise homogênea
da pela presença de íons H+. Assim, em
presença de OH- temos catálise positi- É aquela em que o catalisador e os rea-
va e em presença de H+ temos catálise gentes constituem uma mistura homogênea,
negativa, em função da decomposição ou seja, estão numa única fase. A decompo-
da água oxigenada. O catalisador nunca sição de água oxigenada por íons H+ é um
sofre alteração química permanente, po- exemplo (fase líquida homogênea); outro
dendo sofrer modificações de natureza fí- exemplo vem a ser a hidrólise de sacarose
sica. Assim, na decomposição de clorato em presença de íons H+ (catalisador):
de potássio:
H+
MnO2 3 C12H22O11 + H2O C6H12O6 + C6H2O6
KClO3 KCl + O
2 2 sacarose glicose frutose

Química 2 - Aula 10 110 Instituto Universal Brasileiro


Gráficos de catálises homogêneas
Temos a oxidação de gás amônia em
Os gráficos de catálises homogêneas presença de platina, já vista. Temos os rea-
esquematizados a seguir, mostram a dife- gentes gasosos em presença de platina
rença entre as reações com e sem catali- sólida. Outro exemplo é a síntese da água
sadores. Nos gráficos de entalpia teremos: pela combinação de hidrogênio e oxigê-
nio (gases) em presença de platina fina-
• Para uma reação exotérmica: mente dividida (esponja de platina):

1 Pt
H2 + O H 2O
2 2
Entalpia
A mistura de hidrogênio e oxigênio à
temperatura ambiente não se produz sem
a presença de platina.
a b
Hr
reagentes
ΔH < 0 Nas reações de equilíbrio (reversíveis),
Hp
produtos o catalisador modifica a velocidade da rea-
ção tanto num como noutro sentido (dire-
Caminho da reação ta e inversa), na mesma proporção. O ca-
talisador, nestes casos, não altera o estado
a = energia de ativação sem catalisador final de equilíbrio de uma reação reversí-
b = energia de ativação com catalisador vel; só modifica a velocidade de estacio-
a _ b = abaixamento da energia de ativação namento do equilíbrio. Assim, vejamos a
reação de equilíbrio:
• Para uma reação endotérmica:
A+B C+D

Se partirmos de A + B, levaremos cer-


Entalpia
to tempo para atingir o estado de equilíbrio;
porém, em presença de catalisador, esse
a tempo é menor. Contudo, o equilíbrio final
b é o mesmo, pois o catalisador atua tanto no
produtos
Hp sentido de formação de C + D como de A +
ΔH > 0 B (uma vez formados C + D). De um modo
Hr
reagentes
geral, a quantidade de catalisador neces-
sária para a reação é muito pequena, em
Caminho da reação relação às quantidades dos reagentes.

a = energia de ativação com catalisador


b = energia de ativação sem catalisador
a _ b = abaixamento da energia de ativação

Um catalisador não inicia uma rea-


Catálise heterogênea ção, apenas modifica sua velocidade.
Isto quer dizer que reações que não
É aquela em que o catalisador e os rea- tendem a ocorrer não podem sofrer a ação
gentes constituem uma mistura heterogênea, de catalisadores, mas, se a reação tende
isto é, um sistema polifásico (várias fases); o a ocorrer, a presença de um catalisador
catalisador e os reagentes estão separados pode alterar sua velocidade.
por superfícies. Exemplo:
Química 2 - Aula 10 111 Instituto Universal Brasileiro
Veja no quadro abaixo, os sintomas cau-
sados pela presença de álcool no sangue, bolsa. A pessoa sopra através do bocal
correspondentes a diferentes concentrações até que a bolsa fique inflada. Dessa for-
em gramas por litro. ma, o álcool exalado - se houver algum
no organismo - reage com a mistura do
Etanol no sangue
Estágio Sintomas
tubo, fazendo-a mudar de cor, de amare-
(gramas/litro)
lo para verde. De acordo com a tonali-
0,1 a 0,5 Sobriedade Nenhuma influência aparente.
dade, é possível estimar a quantidade de
Perda de eficiência,
0,3 a 1,2 Euforia diminuição da atenção, álcool presente no sangue.
julgamento e controle.
Disponível em: www.mundoeducação.com.br.
Instabilidade das emoções,
incoordenação muscular. Acesso em: 20.04.2014. Texto adaptado.
0,9 a 2,5 Excitação
Menor inibição. Perda do
julgamento crítico.
Vertigens, desequilíbrio,
1,8 a 3 Confusão dificuldade na fala e
distúrbios da sensação.
Apatia e inércia geral. Vômitos,
2,7 a 4 Estupor
incontinência urinária e fezes.
3,5 a 5 Coma Inconsciência, anestesia. Morte.
Acima de 5 Morte Parada respiratória.
Cinética química: mede a velocidade
Wikipédia. Acesso em 28.05.2014. com que as reações químicas acontecem.

Fatores que aumentam a velocidade


de uma reação:

● Temperatura: aumentando a tempe-


ratura do sistema aumenta a velocidade da
A química no bafômetro (ou etilômetro) reação.
● Pressão: aumentando a pressão do
A Lei Seca é a nova lei do Código de sistema aumenta a velocidade da reação.
Trânsito Brasileiro, e sua ideia principal é ● Concentração dos reagentes: au-
diminuir o índice de acidentes causados mentando a concentração de um dos reagen-
por motoristas embriagados. tes, aumenta a velocidade da reação.
De acordo com a legislação, a con- ● Luz: aumentando a incidência de luz em
uma reação, aumenta a velocidade da reação.
centração máxima de álcool permitida é
● Volume: reduzindo o volume (tama-
de 0,1 mg/L de sangue no organismo do nho do recipiente) aumenta a velocidade da
motorista. A concentração de 0,3 mg/L já reação.
é considerada embriaguez.
O bafômetro é um aparelho que per- Outros fatores interferentes
mite determinar a concentração de álcool
etílico no sangue, analisando o ar exala- ● Energia de ativação é a energia ne-
do dos pulmões de uma pessoa. Todos cessária inicial para que ocorra uma reação;
os tipos de bafômetro baseiam-se na re- ● Complexo ativado é aquele momento
lação entre o álcool diluído na corrente em que as partículas iniciais perdem força e
sanguínea e o que é expelido na res- as que se formam ganham energia;
● Catalisadores são elementos que
piração. O aparelho compõe-se de um
aceleram ou retardam a velocidade de uma
tubo transparente, semelhante a uma reação sem sofrer alteração e nem alterar
ampola, contendo uma solução de áci- a reação.
do sulfúrico e dicromato de potás- ● Catálise: é o processo de ação de um
sio (indicador), um bocal e uma bolsa catalisador para alterar a velocidade de uma
plástica inflável. Numa extremidade do reação. Pode ser catálise homogênea (mono-
tubo é colocado o bocal e na outra, a fásica) ou catálise heterogênea (polifásica).

Química 2 - Aula 10 112 Instituto Universal Brasileiro


a) ( ) No trecho II, a concentração é
maior e diminui com o tempo.
b) ( ) No trecho I, a concentração é
maior com menor intervalo de tempo.
c) ( ) No trecho III, ocorre a maior con-
1. O que ocorre com a velocidade de centração com maior intervalo de tempo.
uma reação quando um de seus componentes d) ( ) No trecho IV, ocorre a menor con-
encontra-se no estado nascente? centração no menor intervalo de tempo.
a) ( ) Ocorre uma rápida redução de
sua velocidade e da interação entre os áto- 4. Em determinada experiência, a rea-
mos das moléculas de seus componentes. ção de formação da água está ocorrendo
b) ( ) As substâncias não conseguem com o consumo de 4 moles de oxigênio
formar um novo composto, pois não apresen- por minuto. Consequentemente, a veloci-
tam velocidade em sua reações. dade de consumo de hidrogênio é de, em
c) ( ) No estado nascente, quando um mol/min:
elemento ou substância acaba de se formar, a) ( ) 2 moles/min
ocorre um grande aumento na velocidade de b) ( ) 4 moles/min
sua reação. c) ( ) 8 moles/min
d) ( ) No estado nascente, quando um d) ( ) 10 moles/min
elemento ou substância acaba de se formar,
eles perdem toda a sua movimentação e re- 5. Calcule a velocidade média da rea-
duzem sua velocidade. ção abaixo em função da formação de NO2,
sabendo que decorridos 70 segundos foi
2. A decomposição da água oxigenada, consumido 0,35 mol de O2. Assinale a al-
em certas condições, produziu gás oxigênio à ra- ternativa com o valor correto da velocidade
zão de 1,6 mol/min, de acordo com a equação: alcançada em função do O2 nessa reação.
2 H2O2 (aq) 2 H2O + C2 (g)
Veja abaixo a reação de síntese do dióxido
de nitrogênio:
Assinale a alternativa que apresenta o 2 NO (g) + O2 (g) 2 NO2 (g)
valor correto da velocidade de decomposição
da água oxigenada, em moles por minuto. a) ( ) 0,62 mol/min
a) ( ) 4,2 moles/min b) ( ) 0,96 mol/min
b) ( ) 7 moles/min c) ( ) 0,45 mol/min
c) ( ) 5,3 moles/min d) ( ) 0,3 mol/min
d) ( ) 3,2 moles/min
6. Por que alguns medicamentos, como
3. O gráfico abaixo foi construído com da- por exemplo, a água oxigenada, devem ser
dos obtidos no estudo da decomposição do io- acondicionados em frascos escuros?
deto de hidrogênio à temperatura constante. Em a) ( ) O efeito que a luz causa sobre as
qual dos quatro trechos assinalados na curva a substâncias é retardar a velocidade preser-
reação ocorre com maior velocidade média? vando os seus constituintes.
b) ( ) A luz não tem qualquer efeito so-
HI
bre os medicamentos ou outras substâncias
I químicas.
II
c) ( ) A luz é um fator de aceleração das
III reações químicas que altera não só a água
IV oxigenada como quaisquer medicamentos ex-
postos a ela por um certo tempo.
Tempo (min)
d) ( ) Nenhuma das alternativas está
correta.
Química 2 - Aula 10 113 Instituto Universal Brasileiro
4. c) ( x ) 8 moles/min

Comentário. Como já sabemos, na


reação de formação de água são necessá-
rios 2 moles de hidrogênio para cada mol de
1. c) ( x ) No estado nascente, quan- oxigênio. Portanto, a quantidade de consu-
do um elemento ou substância acaba de se mo de hidrogênio será sempre o dobro da
formar, ocorre um grande aumento na velo- de oxigênio.
cidade de sua reação.
5. d) ( x ) 0,3 mol/min
Comentário. Estado nascente é quan-
do qualquer elemento ou substância acaba de Comentário. Vamos primeiro calcular
se formar e, neste caso, irá sempre ocorrer quanto de O2 é consumido por minuto, através
um aumento, extremamente elevado, da velo- de uma simples regra de três.
cidade da reação.
70 segundos 0,35 mol de O2
2. d) ( x ) 3,2 moles/min
60 segundos x
Comentário. Se temos o número de 1 minuto

mol de gás oxigênio que se forma em cada


minuto, podemos calcular o número de moles 60 . 0,35
x= x = 0,3 mol/min O2
de H2O2 que se decompõem por minuto, atra- 70
vés de uma simples regra de três.
Em função de NO2 temos:
2 moles de H2O2 1 mol de O2
produzem
x 1,6 mol de O2 1 mol de O2 2 moles de NO2

2 . 1,6 Portanto, a quantidade de NO2 produzida


x= x = 3,2 moles de H2O2/min será o dobro da quantidade de O2 consumido.
1
A velocidade da reação em função de
Portanto, a velocidade de decomposi- NO2 será:
ção da água oxigenada é de 3,2 moles/min.
V = 0,60 mol/min
3. b) ( x ) No trecho I, a concentra-
ção é maior com menor intervalo de tempo.
6. c) ( x ) A luz é um fator de acele-
Comentário. Há maior decomposi- ração das reações químicas que altera não
ção do HI em menor quantidade de tem- só a água oxigenada como quaisquer medi-
po no trecho l. Observando com bastante camentos expostos a ela por certo tempo.
atenção o gráfico dado, vemos que em um
curto intervalo de tempo há uma grande Comentário. A luz tende a acelerar rea-
concentração de HI no trecho l. Gradati- ções químicas, alterando assim a constituição
vamente essa concentração vai diminuin- química da água oxigenada, ou outro medica-
do, e o tempo aumentando até o trecho mento sensível à luz. Vale dizer que a reação
IV. Como a velocidade de uma reação é de decomposição da água oxigenada, ou pe-
calculada com base na concentração pelo róxido de hidrogênio (H2O2), é catalisada pela
tempo, devemos considerar que quanto luz; logo, se a solução for preservada da luz,
maior a concentração e menor o tempo, sua decomposição terá a velocidade reduzida,
maior será a velocidade. preservando as características do produto.
Química 2 - Aula 10 114 Instituto Universal Brasileiro