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30/01/2019 Cooperação tributária internacional* — Receita Federal

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Cooperação tributária internacional*


por Assessoria de Comunicação Social — publicado
26/04/2016 12h01, última modificação 24/06/2016 16h17
Por Jorge Antonio Deher Rachid - Secretário da
Receita Federal e Carlos M. Cozendey - Subsecretário-
Geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do
Ministério das Relações Exteriores

Levantamento do pesquisador Gabriel Zucman,


autor do livro A Riqueza Escondida das Nações,
estima que 8% da renda mundial - ou US$ 7,6
trilhões - esteja depositada em jurisdições
popularmente conhecidas como paraísos fiscais.
Neles encontram-se ativos de pessoas físicas e jurídicas
que buscam não pagar - ou pagar menos - impostos em
seus países de origem, impostos evadidos que são
estimados entre US$ 21 trilhões e US$ 32 trilhões por
James Henry (The Price of Offshore Revisited: New
Estimates for Missing Global Private Wealth, Income,
Inequality and Lost Taxes).
No marco do pacto social democrático, o financiamento
dos Estados exige que cada cidadão recolha tributos
segundo a respectiva capacidade contributiva. Torna-se,
portanto, necessário coibir o uso de mecanismos artificiais
que permitem evitar o pagamento dos tributos devidos. Um
desses mecanismos é o chamado "planejamento tributário
agressivo", que explora brechas entre as diversas
legislações fiscais nacionais e adota manobras jurídico-
contábeis de transferência de lucros/ativos para jurisdições
de tributação favorecida e pouca transparência fiscal.
Certas jurisdições permitem a ocultação do beneficiário
final de lucros e rendimentos, impedindo a ação das
autoridades fiscalizadoras.
Para lidar com esse problema, o G-20, grupo que reúne as
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maiores economias do mundo, tem ampliado ações de


cooperação tributária no combate às práticas abusivas de
evasão, elisão e lavagem de dinheiro. Essas ações
incluem o Fórum Global de Transparência e Troca de
Informações Tributárias (FG) e o projeto de combate à
Erosão da Base Tributária e à Transferência de Lucros
(BEPS, na sigla em inglês). O governo brasileiro participa
ativamente de ambas as iniciativas por meio da Receita
Federal do Brasil e do Itamaraty, que atuam em estreita
coordenação.
O FG conta com a participação de mais de 130 membros e
avalia criteriosamente a legislação tributária de seus
membros, bem como a aplicação prática de normas para
acesso e troca de informações tributárias. Além disso,
recomenda a todos os seus membros a assinatura da
Convenção de Assistência Mútua Administrativa em
Matéria Tributária. A adesão do Brasil a essa convenção,
assinada em 2011 e já aprovada pelo Congresso Nacional,
permitirá que o País cumpra o compromisso coletivo do G-
20 de realizar, no mais tardar a partir de 2018, a troca
automática de informação tributária com os demais
signatários. Esse será um passo muito importante e eficaz
para coibir uma série de ilícitos no âmbito internacional,
tais como sonegação fiscal, lavagem de dinheiro,
corrupção e financiamento ao terrorismo.
Com o mesmo objetivo, o Brasil também vem fortalecendo
a cooperação tributária no âmbito bilateral. Nos últimos
anos, assinou nove Acordos para Troca de Informações
Tributárias com: Bermudas, Cayman, EUA, Guernsey,
Jamaica, Jersey, Reino Unido, Suíça e Uruguai. Além
disso, todos os Acordos para Evitar Dupla Tributação
assinados pelo Brasil (32 em vigor) incluem mecanismos
de troca de informações tributárias.
Com tais esforços no plano multilateral e bilateral,
autoridades do Fisco e da diplomacia brasileira contribuem
efetivamente para operar mudanças em favor da ordem
tributária internacional, que aproximarão a incidência de
tributação sobre a atividade econômica real e coibirão
regimes fiscais privilegiados.
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Tais ações do governo brasileiro, ao pôr à disposição


instrumentos efetivos para o combate a práticas tributárias
evasivas, melhoram o ambiente de negócios para a
atividade empresarial, pois reduzem a concorrência
desleal. Num mundo cada vez mais interconectado em
todas as dimensões, a transparência fiscal internacional
tornou-se mandatória, apoiando-se em mecanismos
sólidos de cooperação internacional.

(*)Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo em


26/4/2016.

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