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NOVA LEI QUE PROTEGE AS PESSOAS COM HIV E SIDA ENTRA EM VIGOR E CAUSA POLÉMICA

Posted by ethelfeldman on 10/09/2009 · Deixe um Comentário

Desde essa quarta-feira, 09 de Setembro, está em vigor a Lei 12/2009, que estabelece os
direitos e os deveres das pessoas vivendo com HIV e Sida e adopta medidas necessárias para
a prevenção, protecção e tratamento.
Publicada pela Assembleia da República em 12 de Março, esta Lei protege oficialmente
ainda mais os seropositivos, que até então eram legalmente respaldados apenas nas relações
trabalhistas, através da Lei 5/2002.
Com a nova Lei está proibida a discriminação contra as pessoas vivendo com HIV e Sida em
qualquer sítio público ou privado, sejam eles escolas, órgãos governamentais, meios de
transporte e na comunidade.
Os profissionais de saúde que ofenderem a honra e a dignidade de uma pessoa infectada,
desprezando-a, poderão ser punidos com prisão e multa.
O mesmo vale para as pessoas que transmitirem ou veicularem, sem autorização, imagens de
um seropositivo.
No que se refere à testagem para o HIV, não será permitido o exame sem o consentimento do
indivíduo, com excepção dos casos em que o clínico considerar essencial para a saúde do
paciente, para fins de doação de sangue e hemoderivados ou em processos penais que tenham
prévia ordem das autoridades judiciais.
Polémica
O artigo 52 na Lei em questão diz que a “aquele que, conhecendo o seu estado serológico
positivo, transmitir dolosamente a outrem o HIV, será punido com a pena de dois a oito anos
de prisão maior.”
Para o Secretário Nacional da Rede Nacional de Pessoal Vivendo com HIV e Sida (RENSIDA), Júlio Mujojo, é
muito difícil provar que uma transmissão foi proposital.
“A suposta pessoa que transmitiu o HIV, poderia não saber do seu status naquela altura, mas esta Lei abre um
espaço para que pessoas inocentes sejam condenadas. Trata-se de mais uma vulnerabilidade para nós pessoas
vivendo com HIV e Sida.”
Mujojo diz que desde a altura em que a Lei estava a ser discutida, a RENSIDA se posicionou contra este tópico,
mas segundo ele, era uma discussão entre
juristas e pessoas que olhavam para os artigos e se colocavam diante deles nos problemas do dia a dia.
“Fomos colocados na cruz diante desta Lei”, criticou.
O activista queixa-se também que a nova Lei apenas penaliza os infractores e “arrecada fundos para o Governo”,
enquanto as pessoas que foram discriminadas continuarão sem nenhum auxílio psicológico.
Outro artigo que também causa polémica na Lei 12/2009 é o número 4, que segundo o tópico 2, “a pessoa
vivendo com HIV e Sida tem direito ao tratamento gratuito no Serviço Nacional de Saúde.”
Segundo o Impacto Demográfico do HIV e Sida em Moçambique, cerca de 425 mil pessoas precisariam hoje de
tratamento antiretroviral, mas os recursos humanos e logísticos do Governo só conseguem atender a 145 mil.
Dr. Ricardo Xavier, advogado e especialista em HIV e Sida no local de trabalho pelo Futures Group International
– uma organização especializada em implementação de programas de saúde pública – explica que, diante desta
lei, nada impede que um paciente que precise de tratamento e não esteja a receber processe o Estado.
“Isto é totalmente possível, apesar de que as legislações apenas contemplam aqueles que têm no mínimo de 10
anos de contribuição no Sistema Nacional de Segurança Social”, acrescentou.
https://vihsidanoticias.wordpress.com/2009/09/10/nova-lei-que-protege-as-pessoas-com-
hiv-e-sida-entra-em-vigor-e-causa-polemica/
Acessado aos 30 de Novembro de 2019, as 09:47h