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JURISDIÇÃO, AÇÃO E PROCESSO: ​a jurisdição normalmente não atua por conta própria.
Age quando provocada. A parte interessada precisa ir até os agentes e órgãos jurisdicionais
pedir que atuem e que lhe deem uma determinada proteção no conflito em que está
envolvida. Essa proteção recebe o nome de ​tutela ​jurisdicional​. ​O modo pelo qual se
provoca o início da atuação jurisdicional- e se participa ativamente dessa atividade na busca
da tutela jurisdicional- recebe o nome de ​ação​. ​A atividade jurisdicional desenvolve-se de
modo procedimentalizado. Esse procedimento, na medida em que é desenvolvido com a
participação dos possíveis atingidos pela decisão final, recebe o nome de ​processo-
consiste no procedimento que se submete ao contraditório;

AUTODEFESA E AUTOCOMPOSIÇÃO: ​O poder de decidir litígio é conferido ao


Estado, que possui jurisdição. Em regra não é admitido a ​autodefesa. ​Contudo, o
indivíduo pode pedir a proteção da posse, mesmo antes da sua violação, e é
conferido ao possuinte a autodefesa ( Defesa Imediata da Posse e Desforço
Possessório).Há também a possibilidade da ​Autocomposição, ​pode ser realizada
judicialmente ou antes de provocar o judiciário. Consiste em atividades das próprias
partes que objetivam a encontrar a solução de um litígio. O judiciário estimula e
incentiva as partes nesse sentido, havendo a possibilidade de se valerem antes de
iniciarem um processo da ​Mediação ou ​Conciliação​, em que um terceiro participa e
auxilia. O Código de Processo Civil prevê que o Juiz tem o dever de buscar a
autocomposição. (art. 165 CPC)

CONTRADITÓRIO: ​é nesse contexto- de acesso à justiça, igualdade e ampla defesa- que


se põe o princípio do contraditório. Por outro lado, ele implica a paridade de tratamento e a
bilateralidade da audiência, que é resumida no binômio ciência e reação. Ou seja, é preciso
dar ao réu possibilidade de saber da existência de pedido judicialmente formulado contra si,
bem como dar ciência de todos os atos processuais subsequentes, às partes (autor e réu) e
demais sujeitos que participam do processo, permitindo-lhes sempre reagir, responder a tais
atos, e produzir provas para demonstrar as alegações formuladas em suas manifestações;
. CONTRADITÓRIO- mais do que simples ciência e reação- é o direito de plena participação
de todos os atos, sessões, momentos, fases do processo, e de efetiva influência sobre a
formação da convicção do julgador;

PRINCÍPIO DISPOSITIVO (ou da inércia inicial da jurisdição): ​conforme o princípio


dispositivo, incumbe àquele que se diz titular do direito que deve ser protegido
jurisdicionalmente colocar em movimento o aparato judiciário, para dele obter uma concreta
solução quanto à parcela do conflito trazido a juízo;
. ​O processo previsto no CPC está baseado fundamentalmente nesse princípio, como se vê
da disposição​ ​constante no art. 2º. Segunda essa regra, “o processo começa por iniciativa
da parte”.
IMPARCIALIDADE DO JUIZ: ​o juiz deve atuar com total independência, sem amarras ou
vinculação a qualquer sujeito de direito, sem uma pauta política, enfim, sem qualquer outro
objetivo que não o de aplicar corretamente o ordenamento jurídico. {art. 99, CF};

PRINCÍPIOS DA PUBLICIDADE E DA FUNDAMENTAÇÃO DAS DECISÕES:


fundamentação- ​essa garantia tem assento no art. 93, IX e X, CF, e dispõe que é
imprescindível que toda e qualquer decisão judicial seja fundamentada, isso é, seja
justificada e explicada, pela autoridade judiciária que a proferiu, a fim de que sejam
compreensíveis as suas razões de decidir e se dê transparência à atividade judiciária,
possibilitando-se seu controle pelas partes e pela sociedade como um todo;
publicidade- ​a atividade jurisdicional tem natureza pública, pois é um modo de exercício do
poder estatal. Assim o é mesmo quando o litígio entre as partes, objeto daquela atuação, é
puramente privado. Por isso, em geral, os atos realizados no processo devem ser
amplamente acessíveis e divulgados. Trata-se de norma que representa uma garantia para
as partes, para o próprio juiz e para toda a sociedade;

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JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA: ​ prevista nos arts. 719 a 770 do CPC, diferentemente, desde
o princípio sabe-se a quem a tutela jurisdicional deverá ser conferida, pois inexiste conflito
entre as partes. Trata-se apenas da prática de um ato ou negócio jurídico cuja relevância
exige a intervenção do órgão judicial, que aferirá seus pressupostos e o revestirá de
maiores formalidades;
. Para a doutrina tradicional, trata-se de atividade extraordinariamente desempenhada pelo
Poder Judiciário, sem que faça parte de sua destinação de resolver os conflitos de
interesses a ele submetidos;

CONEXÃO E CONTINÊNCIA: ​CONSTITUEM LIAMES DE AFINIDADE existentes entre


duas ou mais ações, que fazem com que se justifique a reunião dos processos para que
tramitem em conjunto e sejam decididos concomitantemente. Isso pode fazer com que um
juiz que, a princípio não teria competência relativa para o conhecimento da causa, por força
da conexão ou continência, passe a tê-la. Nesse sentido, pode ser uma causa modificativa
de competência (art. 54). Em outros casos , há a simples reunião de processos perante um
juiz que, desde o início, era em tese competente (inclusive pelos critérios relativos) para
todos eles;
. Para que haja reunião das ações continentes ou conexas, é necessário que o juízo em que
tramitarão os processos seja competente em relação a todos, em função de critérios
relativos à competência absoluta;
. Continência existe quando as partes são as mesmas, idêntica é a causa de pedir, mas o
pedido de uma é maior do que o da outra, ou seja, contém o da outra (art. 65);

PREVENÇÃO: ​ganha importância quando surge a necessidade de reunião de diferentes


processos. Exemplos: conexão, continência, incidentes processuais etc;
. A prevenção, em sua configuração tradicional, é o fenômeno que gera, em relação às
demais ações já em curso, o que a doutrina chama de vis attractiva, “atraindo”, como consta
da expressão, para junto de si, as outras ações;
. A ideia de prevenção também é importante quando se está diante de duas ações
idênticas;
. Também se aplicam as regras de prevenção quando a reunião de processos for
necessária para evitar que sejam proferidas decisões conflitantes ou contraditórias, caso
sejam os processos julgados separadamente (arts. 55, art. 286);
. Aplica-se a qualquer caso em que o primeiro processo tenha sido extinto sem resolução de
mérito;

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TEORIA DA AÇÃO ADOTADA PELO CPC: ​a teoria que prevaleceu no nosso sistema
processual é a da ação como direito abstrato de agir- não em sua concepção pura, mas na
verdade eclética de Liebman, segundo a qual a ação é abstrata e, no entanto, condicionada;

CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES: ​ações condenatórias: o ​ autor pede, além da declaração


da existência de um direito a uma prestação de conduta, a condenação do réu ao seu
cumprimento. Se não houver o cumprimento espontânea da sentença condenatória, haverá
a necessidade de uma execução. A sentença condenatória serve de “título executivo” para
tal atividade executiva ;
. ​Ações mandamentais: ​têm por objetivo a obtenção de sentença em que o juiz emite uma
ordem, cuja descumprimento, por quem a receba, caracteriza desobediência à autoridade
estatal passível de sanções, inclusive de caráter penal;
. ​Ações executivas lato sensu: s​ ão espécie de ação que contêm um passo além daquilo que
a parte obtém com uma ação condenatória. Nas executivas ​lato sensu ​há, tal como nas
condenatórias, uma autorização para executar. No entanto, diferentemente da regra das
ações condenatórias, a produção de efeitos práticos, no mundo dos fatos, independe, na
​ e posterior requerimento de execução. VALE DIZER: a ação
ação executiva ​lato sensu, d
condenatória produz sentença que, se for de procedência, exigirá nova provocação do
interessado, pleiteando o cumprimento da sentença; já na ação executiva ​lato sensu ​disso
não necessita, estando sua sentença apta a diretamente determinar a produção dos efeitos
de transformação no mundo empírico;

EXCEÇÃO1 MATERIAL: ​são aquelas que versam acerca da própria situação de direito
material que se está a discutir. Podem referir-se aos fatos envolvidos no conflito ou à
qualificação jurídica de tais fatos. São também chamadas de defesas de mérito;

PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS DE EXISTÊNCIA: ​são os elementos mínimos sem os


quais não é sequer possível dizer que existe uma relação jurídica processual. São três:
presença do órgão jurisdicional, presença do autor e presença do réu;

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​Significa toda a atividade do réu, desenvolvida no curso do processo, pela qual ele busca
demonstrar a improcedência do pedido do autor ou, quando menos, a inadmissibilidade da
ação ou algum outro defeito processual; ainda, consiste em cada alegação realizada pelo
réu no exercício da atividade defensiva.
. Grande parte da doutrina costuma dizer que os pressupostos de existência processual
seriam: ​jurisdição, petição inicial e citação (s​ implificando);

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DENUNCIAÇÃO DA LIDE E CHAMAMENTO AO PROCESSO: ​Denunciação da lide:​ ​uma
das partes originárias do processo (autor ou réu) formula demanda contra o terceiro,
trazendo para dentro do processo. Nessa demanda, a parte que a formula (chamada
"denunciante") pretende um direito de regresso ou reembolso contra o terceiro
("denunciado"), a fim de ressarcir-se dos prejuízos decorrentes de eventual sucumbência
que venha a sofre na demanda principal daquele processo. O denunciante reputa que o
denunciado está obrigado a ressarcir-lhe os prejuízos que sofrerá com eventual derrota no
processo, e por isso formula uma "ação regressiva" contra ele, mediante a denunciação.
Então, o denunciante provoca a intervenção do terceiro no processo, a fim de já obter, ali
mesmo, um título executivo contra o denunciado, caso seja derrotado na ação principal.
Chamamento ao processo​:​ trata-se de formação de litisconsórcio passivo, por iniciativo do
próprio réu. Nesse sentido, é uma exceção, pois a facultatividade do litisconsórcio está
normalmente ligada à figura do autor, e não à do réu. Em certa medida, quem lança mão do
instituto chamamento traz para o processo aqueles que devem tanto quanto ele, ou mais do
que ele, para responder conjuntamente a ação, ampliando-se, o polo passivo da relação
processual. O objetivo fundamental deste instituto é a criação de título executivo para
posterior sub-rogação (art. 132). O chamamento ao processo só pode ocorrer em processos
de conhecimento e de natureza condenatória. . O chamamento deve ser feito na
contestação (art. 131). Se o réu não o fizer nesse momento, há a perda (preclusão) dessa
faculdade.

MINISTÉRIO PÚBLICO: ​O MP tem suas funções institucionais definidas na CF (art. 127) e


se constitui, inclusive no âmbito do processo civil, como representante dos interesses da
sociedade, incumbido da defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis. A
ausência de intimação do MP quando sua atuação for obrigatória é caso de nulidade
absoluta; todavia, somente serão invalidados os atos praticados a partir do momento em
que a intervenção deveria ocorrer e desde que o MP se manifeste sobre a real existência de
prejuízo (art. 279, CPC);

APROVEITAMENTO DE ATOS PROCESSUAIS: ​Sanabilidade dos atos processuais ​ : a


invalidade somente deverá ser decretada, em qualquer caso, quando houver,
concomitantemente, defeito no ato processual e prejuízo, entendido este último como a
capacidade de o efeito impedir que a finalidade do ato seja atingida​. "não há nulidade sem
prejuízo"; . A maior parte dos defeitos, no plano do direito processual, deverá, em tese, ser
sanada, seja pela sua repetição ou sua simples correção, pela preclusão consumativa ou
lógica; . As modalidades de saneamento do ato processual: convalidação, irrelevância e
suprimento ​ . A) o ato inválido deixa de ser impugnado no prazo e na forma cabível, pela
parte que está legitimada para isso; b) o ato, embora inválido, acaba por não gerar prejuízo
à parte nem à própria atuação da jurisdição. Nesse caso, a invalidade é irrelevante; c) a
invalidade é corrigida;
LITISCONSORTE FACULTATIVO ATIVO: o​ art. 113 define as hipóteses em que pode
(facultativamente) ocorrer a formação de litisconsórcio pela vontade do autor. São hipóteses
em que se poderia propor ações isoladamente; . Se trata-se de litisconsórcio passivo,
está-se diante de hipótese em que o autor poderia propor várias ações, cada uma contra
um dos litisconsortes passivos, que seria, então, isoladamente, réus em cada uma dessas
ações; ​Se tratar de ativo, os diversos autores poderiam ter proposto cada um a sua ação,
isoladamente, contra o mesmo réu; -> há de ser quando se propõe a ação para ser
admitido.