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O que é mobilidade social?

AULA 4 Em síntese, mobilidade social é toda passagem de uma posição ou si-


tuação social para outra; tanto em movimento linear como ascendente
ou descendente. A mobilidade social de indivíduos e grupos pode favo-
recer o avanço intelectual, cultural e econômico da sociedade.

Mobilidade social reflete mudanças de posição na sociedade

E a mobilidade social no Brasil?


Uma pesquisa recente sobre mobilidade e desigualdade no Brasil, de autoria dos sociólogos
José Pastore e Nelson do Valle Silva, mostrou que a mobilidade social no país foi, durante o século
20, maior até mesmo que em alguns países da Europa. Enquanto na Alemanha e na Itália a mobilida-
de alcançou, em média, 53% das pessoas, no Brasil esse índice atingiu 58% até a década de 1970,
e passou para 63% nos últimos trinta anos. É bom lembrar que essa mobilidade de classe pode ser
para cima ou para baixo. No caso do Brasil, a boa notícia é que, desde os anos de 1970, quase 87%
da população conquistou uma condição de vida melhor ou igual à de seus pais, enquanto pouco mais
de 13% perdeu posições nos estratos sociais.
Os sociólogos mostraram com sua pesquisa que a mobilidade social é ainda maior nas classes
mais altas: pelo menos 82% de quem está no topo da pirâmide social brasileira encontrava-se em ní-
veis mais baixos da hierarquia e apenas 18% herdam essa situação dos pais. Todos esses números
parecem contraditórios quando se imagina o tamanho das desigualdades sociais no país. Pastore
explica que esse problema está ligado às distâncias percorridas no deslocamento entre classes. “O
volume de pessoas que se move é muito grande, mas a maioria sobe pouco e uma minoria sobe
muito”, afirma.

Superinteressante. Agosto de 2003. Texto adaptado.

Sociologia 2 - Aula 4 37 Instituto Universal Brasileiro


A dinâmica da mobilidade social
Vimos, anteriormente, que a população,
seja de um grupo, comunidade ou sociedade, Para conhecer a posição social do
está organizada numa rede de ações e intera- indivíduo, dos grupos, da sociedade em
ções sociais que se desenvolvem dentro de um meio às nações existentes no mundo, é
sistema de status e seus correspondentes pa- preciso identificar a posição do indivíduo
drões de comportamento (papéis). Pois bem, ao nos grupos de que faz parte.
estudarmos a mobilidade social, veremos como
um cidadão de um determinado status pode su- Citamos, por exemplo, o grupo familiar:
bir ou descer para outro, ou mudar-se para uma se é tradicional ou não, se é um cidadão do
posição semelhante, num mesmo nível. país ou um imigrante, seu grau de estudo, se
a escola onde cursou tem prestígio ou não,
se o grupo religioso a que pertence professa
Conceito de mobilidade social
a religião predominante ou minoritária, se é
Existe o espaço geográfico, no qual, para branco, asiático, negro etc.
localizarmos qualquer acidente geográfico ou As pessoas que fazem parte do mesmo
região, precisamos de um ponto de referência. grupo (ou mesmos grupos) e desempenham
Da mesma forma, existe o espaço social no em seu interior as mesmas funções, pos-
qual se encontram indivíduos, grupos, comu- suem consequentemente posições sociais
nidades e onde ocorrem fenômenos sociais. semelhantes. Dizemos, nesse caso, que não
Para localizarmos um indivíduo ou um gru- há distância social entre elas. Entretanto, se
po, por exemplo, precisamos de coordenadas elas pertencem a grupos diferentes e exercem
sociais para isso. Estas nos são fornecidas pe- nesses grupos funções diferentes, diremos
las relações que o indivíduo ou o grupo mantém que entre elas há uma distância social, que
com outros indivíduos ou grupos. A partir dessas será maior à medida que as posições sociais
coordenadas teremos critérios para estabelecer forem mais diferentes e numerosas.
o status do indivíduo ou do grupo. Essas coor-
denadas existem no espaço social e são elas: Mobilidade social é o movimento de
grupos de parentesco, étnicos, de situação eco- um indivíduo ou grupo, de uma posição
nômica, ocupação, formação educacional, reli- para outra, em meio a várias classes so-
gião, partido político, sexo, idade. ciais ou camadas (estratos) sociais.

Podemos inferir, deste conceito, que


para haver a mudança de posição é preciso
que as pessoas estejam agrupadas em ca-
madas ou classes sociais. Numa sociedade
de castas dificilmente ocorre mobilidade, o
mesmo acontecendo quando é dividida em
estamentos, a exemplo do feudalismo. Neste
caso, ocorria mudança, mas era bem restrita
e difícil de ser conquistada.

Tipos de mobilidade social


Como ficou claro, o sistema de coorde-
nadas sociais, com base na totalidade de gru-
pos e agrupamentos existentes e na totalidade
Sociologia 2 - Aula 4 38 Instituto Universal Brasileiro
de suas relações, funciona num espaço mul- Mobilidade cultural
tidimensional, que é o espaço social. Quanto
mais complexa é a sociedade, maiores são A mobilidade cultural compreende um
as dimensões do espaço social, a exemplo deslocamento de significados, normas, valo-
da sociedade brasileira atual e da que foi em res, veículos.
seus primórdios.
Mobilidade Mobilidade
Mobilidade vertical e horizontal Cultural Social

A mobilidade social pode ser dividida em Horizontal Horizontal


duas classes, cada qual com várias subclas-
Vertical Vertical
ses: vertical e horizontal. Essas duas divi-
sões do universo social são essenciais para a
determinação da posição social.

Ascendente Ascendente

Descendente Descendente

de indivíduos de indivíduos
ou grupos ou grupos

Exemplos de mobilidade
Quando se considera o indivíduo em re- cultural na História
lação ao local onde nasceu (naturalidade e
nacionalidade), idade, sexo, religião, empresa A religião cristã foi adotada por indiví-
onde trabalha, levantam-se dados na dimen- duos espalhados por vários países do mundo,
são horizontal, ou seja, sua localização em distribuindo-se pelos vários grupos e estratos
relação a esses grupos, mas não sua função sociais. Essa religião foi adotada horizontal-
neles. Assim, embora se saiba que é funcio- mente, de forma individual. Aconteceu nesse
nário de uma empresa, sua função como pro- momento da História, portanto, mobilidade
fissional permanece desconhecida. cultural horizontal individual.
Quando falamos em ocupação e função Ainda tomando-se o cristianismo como
estamos falando em dimensão vertical, na exemplo, esta religião foi imposta à população
qual poderá haver ascensão social (subida inteira de certas regiões do Império Romano, de
ou promoção social) e descenso social (des- forma que se expandiu coletivamente. Temos en-
cida ou rebaixamento social). tão a mobilidade cultural horizontal coletiva.
Note-se que a passagem de um indivíduo Quando se tornou uma religião obrigatória
de um grupo para outro não significa, obrigato- para todas as classes superiores do Império Ro-
riamente, qualquer ascenso ou descenso social. mano, portanto disseminada entre os grupos e
Assim, a mobilidade pode ocorrer ao mesmo estratos sociais, ela elevou-se na escala socio-
tempo, na dimensão horizontal e na vertical. cultural em relação às demais religiões e credos.
Ocorreu, então, a mobilidade cultural vertical
Segundo o filósofo e sociólogo russo ascendente coletiva. Do mesmo modo, quando
Pitrim Sorokin (1889-1968), em sua obra alguns indivíduos de estratos superiores do Im-
Social Mobility (1927), a mobilidade pode pério Romano se converteram ao cristianismo,
ser social e cultural. ocorreu a mobilidade cultural ascendente, mas
agora de maneira individual.
Sociologia 2 - Aula 4 39 Instituto Universal Brasileiro
Caracterização da mobilidade quando a profissão exige maior preparo e sa-
social horizontal lário mais alto. A taxa de mobilidade ocupa-
] cional aumenta em épocas de prosperidade e
decresce nos momentos de depressão.
Grupos religiosos. De forma moderada,
as pessoas mudam seu credo, passando para
outra religião. Dessa forma, ocorrem desloca-
mentos, principalmente entre religiões menos
dogmáticas e no meio da população urbana e
industrial, e entre intelectuais. Nos países em
que há liberdade religiosa, ocorre com maior
frequência o abandono de crença religiosa por
A mobilidade horizontal de indivíduos ou parte de sua população. Em situações de re-
de grupos pode ocorrer entre vários grupos. volução e reforma religiosa observamos gran-
Grupos territoriais. Com o início da des deslocamentos, como exemplo o cresci-
industrialização, assistimos à migração das mento do cristianismo, a reforma protestante
populações rurais para as cidades em bus- e a disseminação do islamismo.
ca de condições melhores de trabalho. Esse Partidos políticos. A mobilidade é con-
fluxo continua, mas outras causas têm sido tínua entre os partidos políticos, uma vez que
apontadas, a exemplo de calamidades como é constante a mudança de partido pelos pró-
enchentes, seca, terremoto, epidemias, fome, prios políticos. Em ditaduras, onde o partido é
convulsões sociais, perseguições e guerras. único, a mobilidade do eleitorado é expressa
Família e parentesco. Em todas as so- pela abstenção, voto em branco ou nulo.
ciedades é normal passar-se de um grupo fa- Estados. Com respeito aos Estados do
miliar de parentesco para outro, por meio do mundo, a concessão de entrada a imigrantes
casamento, divórcio, adoção. O índice de ca- e do direito à cidadania dependem da legisla-
samentos nas sociedades ocidentais tende a ção de cada um. Alguns anos atrás havia mais
ser maior no meio rural e menor nas cidades. facilidade para um cidadão de um país pobre
As taxas de separação ou divórcio são maio- imigrar, conseguir emprego e estabelecer-se
res entre as populações urbanas e entre ca- em países da Europa ou nos Estados Unidos.
sais ateus e de classe alta e média alta. Com o crescimento do terrorismo, a imigração
ilegal e crises econômicas, esses países têm
fechado suas portas e dificultado a vida da-
queles que se encontram em suas fronteiras.
Lutas políticas, revoluções, perseguições reli-
giosas ou políticas podem fazer que Estados
desapareçam ou que suas populações migrem
em massa para outros países. Temos assisti-
do, em nosso país, a vinda de muçulmanos,
e já tivemos, antes, intensos movimentos mi-
gratórios por ocasião da industrialização em
nosso país, que deixaram grande contribuição
Grupos ocupacionais. O indivíduo tem ao nosso desenvolvimento.
mais oportunidade de mudar de emprego, Os deslocamentos, em geral, corres-
seja para ocupar a mesma função ou outra, pondem à mobilidade social horizontal. Entre-
nas sociedades industrializadas e de classes. tanto, podem também tornar-se verticais para
A taxa de mobilidade ocupacional varia de cima ou para baixo, conforme tenha o indiví-
acordo com o grau de especialização e habi- duo subido ou descido de posição em conse-
litação: é elevada entre as profissões não es- quência da mudança havida no seu grupo.
pecializadas e de baixa remuneração, e baixa
Sociologia 2 - Aula 4 40 Instituto Universal Brasileiro
Caracterização da mobilidade social vertical

Tempo. O tempo também é um fator


que impõe mudanças, inclusive na mobilidade
vertical. O índice varia de grupo para grupo
e também nos vários grupos, no decorrer de
Verificamos que a mobilidade vertical sua história. Calamidades, fome, epidemias,
existe em todo grupo organizado e, portanto, crises econômicas, revoluções são fatores
estratificado. Mesmo no sistema de castas, que aceleram a mobilidade. Quando a revolu-
cujas mudanças são raras, existe certa mobi- ção não é apenas política, mas também social
lidade nos níveis inferiores, ou seja, um indi- e econômica, propicia a propagação de novas
víduo de uma casta mais baixa pode descer ideias, sistemas filosóficos, mudanças na éti-
para uma subcasta. Também com respeito ca e na justiça, e ainda aumento da produção
aos estamentos há mobilidade social vertical. artística. Nas grandes revoluções políticas,
Mas são as classes sociais que apresentam normalmente a equipe do governo é afastada,
maior mobilidade vertical. podendo ser substituída por grupos e indiví-
A mobilidade vertical, em qualquer gru- duos de estratos inferiores.
po, de certa forma não é totalmente livre, nem Ritmo. Não se pode precisar, estudando
mesmo na sociedade de classes. Sempre a evolução dos grupos de vida longa, a ten-
existe um mecanismo de seleção que divide dência para o aumento ou diminuição da mo-
aqueles que ocuparão posições superiores bilidade vertical. A verdade é que ela, sem que
dos que estarão em posições inferiores. ocorram os fatores mencionados, não pode
Há alguns fatores que influenciam a mo- persistir, pois a mobilidade ilimitada é prejudi-
bilidade vertical como o nível, o tempo, o ritmo cial à continuidade dos grupos e seus objeti-
com que ocorrem as variações. vos. Portanto, a mobilidade normal não pode
Nível. O nível de mobilidade vertical va- aumentar sempre e, assim, quando atinge o
ria conforme o grupo. Assim, ele é mais baixo ponto ideal deve ser desacelerada por meio
entre a população rural, em grupos ocupacio- de mecanismos próprios do grupo, como, por
nais com forte transmissão hereditária, como exemplo, aplicação de testes para selecionar
os que, pelo status hereditário de seus mem- os indivíduos e fazer sua distribuição conve-
bros, ocupam o ápice da pirâmide ocupacio- nientemente. Em todos os grupos sociais, a
nal e econômica, inclusive havendo a trans- mobilidade vertical normal ocorre de forma
missão de funções, principalmente aquelas gradual de um estrato para outro, sendo con-
que exigem grande preparo técnico, elevados trolada pelo mecanismo antes referido.
capitais e privilégios, e outros casos como an-
tiguidade, origem familiar, posição econômica, Nas sociedades ocidentais não fica
que também podem determinar a mobilidade muito nítida a separação dos indivíduos
vertical. Nas sociedades urbanizadas, com em estratos, porque há uma dispersão
forte economia, a mobilidade vertical normal- de membros de grupos diferentes, de
mente se dá por mérito, quando se trata da forma que os filhos muitas vezes estão
vertical ascendente.
Sociologia 2 - Aula 4 41 Instituto Universal Brasileiro
pulação. Podemos afirmar que essa ascensão
participando de estratos diferentes dos representou um quadro assim: filhos de pes-
de origem. Por exemplo, nas camadas soas da classe mais abastada tornaram-se mais
superiores é possível encontrar pessoas ricos que seus pais, e aqueles pertencentes aos
cujos pais ocupam estratos inferiores ou, estratos mais baixos ficaram menos pobres que
ao contrário, filhos em estratos inferiores seus pais. Depois tivemos períodos de quase
e pais em superiores. paralisação do sistema econômico. Mesmo as-
sim, como veremos adiante, em 1973 pudemos
assinalar uma tímida ascensão vertical.
Para realizar essas pesquisas foram con-
Mobilidade Social no Brasil
sideradas populações dentro de uma mesma
A mobilidade social vertical é que nos dá geração e populações de gerações diferentes
uma das medidas da dinâmica e do desen- (filhos e pais), ou seja, pesquisa intergeracio-
volvimento social de um país. O Brasil não se nal e intrageracional, respectivamente. Consi-
encontra entre os países de baixa trajetória deremos, também, que a mobilidade vertical,
de mudança social. Como vimos no texto de no que diz respeito ao mercado de trabalho,
introdução da aula, em termos internacionais, pode ser estrutural e circular.
entre as décadas de 1970 e 1990 os registros Mobilidade social vertical estrutural.
apresentam indicadores diferenciados de mo- Ocorre quando são abertas novas vagas de
bilidades sociais do conjunto da população, emprego ou quando os indivíduos deixam sua
em comparação com países da Europa como ocupação por aposentadoria, doença, morte.
Itália e Alemanha – entre 5 e 9 pontos percen- Quando o número de vagas é grande, a mo-
tuais a mais. bilidade não está ligada apenas às caracte-
rísticas do indivíduo, mas também ao maior
crescimento da economia.
Índices de mobilidade social no Mobilidade social vertical circular. Ca-
Brasil - século 20 racteriza-se pela predominância dos aspectos
individuais e ocorre quando há escassez de
vagas e a ascensão de um indivíduo implica a
descida de outro.
2000 Desenhando-se uma pirâmide de
1990
63% mobilidade social, podemos ver que a
1980 mobilidade estrutural situa-se entre as ca-
1970
58% madas mais baixas e a circular no ápice
da pirâmide, onde as posições requerem
maior conhecimento ou preparo.

Para efeito de estudo, tem-se tomado a


pesquisa do IBGE de 1973, coordenada por
José Pastore, e comparada à realizada em 1996
com os mesmos entrevistados da pesquisa an- Quando o país se encontra num baixo es-
terior, realizada pelo PNAD – Pesquisa Nacional tágio de desenvolvimento, a mobilidade ocorre
por Amostra de Domicílios, do IBGE. com maior intensidade na base da pirâmide. À
Desde 1930 observa-se que a maior ex- medida que ele se desenvolve, verificamos o
aumento da mobilidade vertical no topo da pirâ-
pansão econômica do Brasil foi acompanhada
mide. Quando analisamos o índice de cada tipo
por um importante movimento social. Foi uma
de mobilidade, chegamos ao padrão de desen-
ascensão desigual, mas mesmo assim registrou volvimento de uma sociedade.
melhoras relativas nas condições de vida da po-
Sociologia 2 - Aula 4 42 Instituto Universal Brasileiro
Índices de Mobilidade Social Vejamos agora a tabela 2, que nos dá a
modificação de nossa estrutura social:
O professor Pastore comparou os índi-
ces do Brasil com os dos Estados Unidos, em Tabela 2 - Evolução da Estrutura
1979, e constatou que os índices de mobili- Social (em %)
dade de ambos os países eram semelhantes,
Estratos Cresci-
aproximadamente 60%, mas havia uma dife- 1973 1996
sociais mento
rença com relação ao tipo de mobilidade:
Baixo 48,0 47,5 Estável
• Estados Unidos - mobilidade es-
trutural: 33%; mobilidade circular: 67%. Inferior 32,0 24,0 -25

• Brasil - mobilidade estrutural: Superior 16,0 23,0 +45


57%; mobilidade circular: 43%.
Médio 48,0 47,5 Estável
Vejamos a tabela 1, que consta de da-
dos dos anos de 1973 e 1996: Inferior 24,0 27,0 +12

Médio 18,0 13,0 -27


Tabela 1 - Mobilidade Estrutural
e Circular (%) Superior 6,0 7,5 +25

Alto 3,5 5,0 +43


Diferença
Tipos 1973 1996
em p.p. Extraído de Nota sobre a Mobilidade Social no Brasil, Estu-
do e Pesquisas nº 84, de José Pastore e Nelson do Valle.
Dados do IBGE.

Total 58,5 63,2 +4,7


Vejamos as ocupações consideradas em
cada estrato da tabela 2:
Estrutural 32,8 31,4 -1,4
Baixo inferior: lenhador, pescador,
lavrador etc.
Circular 25,7 31,8 +6,1 Baixo superior: trabalhador braçal,
servente de pedreiro, ambulante, traba-
lhador sem qualificação.
Extraído de Nota sobre a Mobilidade Social no Brasil, Estu- Médio inferior: pedreiro, eletricista,
do e Pesquisas nº 84, de José Pastore e Nelson do Valle. marceneiro etc.
Dados do IBGE.
Médio médio: viajantes, chefes de
nível baixo, auxiliar de escritório etc.
Médio superior: assessores, ge-
Analisando esses dados, verifica- rentes de alto nível, diretores etc.
mos que a estrutura social brasileira está Alto: grandes proprietários, magis-
se abrindo aos poucos: a mobilidade cir- trados, pessoal de nível superior etc.
cular aumentou mais de 6 pontos percen-
tuais (p.p.), a estrutural sofreu uma leve
baixa e a mobilidade total aumentou, no Analisando a tabela 2, verificamos
período de 1973 a 1996, 4,7 pontos per- que a classe alta passou de 3,5 para 5%,
centuais. Esses dados mostram que hou- e o estrato médio superior (classe média
ve um peso maior da qualificação, compe- alta) também subiu de 6 para 7,5%. A clas-
tência e educação. se alta subiu 43% e a média alta, 25%.

Sociologia 2 - Aula 4 43 Instituto Universal Brasileiro


A pirâmide apresentada a seguir proporciona melhor visualização da
mobilidade social que ocorreu em nosso país de 1973 até 1996.

1973 1996
Grandes proprietários,
3,5% Elite
magistrados 4,9%
Assessores, gerentes,
6,3% Classe Média Alta
diretores 7,4%

Viajantes, chefes de nível baixo,


Classe Média Média 13,3%
18,4% auxiliar de escritório

Pedreiro, eletricista,
Classe Média Baixa 26,9%
23,7% marceneiro

16,1% Pobres
Trabalhador braçal, 23,5%
servente, ambulante

32% Muito Pobres


Lenhador, pescador, 24%
lavrador

Na tabela 3 apresentamos as variações que ocorreram comparativamente entre pais e filhos.


Tabela 3 - Comparação das Estruturas Sociais (%)
Pais Pais Pais Filhos Filhos Filhos
Estratos Sociais
1973 1996 Diferença 1973 1996 Diferença
Baixo inferior 64,9 55,4 -9,5 24,0 24,0 -8,1
Baixo superior 6,9 13,1 6,2 23,0 23,5 7,4
Médio inferior 9,3 17,4 7,1 23,7 26,8 3,1
Médio médio 13,8 8,8 -5,0 27,0 13,3 -5,1
Médio superior 3,1 3,4 0,3 13,0 7,4 1,1
Alto 2,0 2,8 0,8 7,5 4,9 1,4
Extraído de Nota sobre a Mobilidade Social no Brasil, Estudo e Pesquisa nº 84, de José Pastore e Nelson do Valle. Dados do IBGE.

Tabela 4 - Mobilidade Social 1996 (%) – Estratos de origem dos filhos - Status do filho
Baixo Baixo Médio Médio Médio
Status pai Alto
inferior superior inferior médio superior
Baixo inferior 90,4 54,5 49,3 34,6 28,4 20,4
Baixo superior 2,9 17,9 13,4 18,8 17,6 16,3
Médio inferior 2,5 15,7 26,5 20,3 20,3 16,3
Médio médio 2,5 8,1 7,5 16,5 16,2 18,4
Médio superior 1,3 2,6 2,2 5,3 9,5 10,2
Alto 0,4 1,3 1,1 4,5 8,1 18,4
Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Extraído de Nota sobre a Mobilidade Social no Brasil, Estudo e Pesquisa nº 84, de José Pastore e Nelson do Valle. Dados do IBGE

Sociologia 2 - Aula 4 44 Instituto Universal Brasileiro


Verificamos, na tabela 3, que houve
queda no estrato mais baixo, tanto com
relação aos pais como com relação aos
filhos. Verificamos, também, que os estra-
tos médios aumentaram: o médio inferior, A nova classe média brasileira
em 1996, passou de 17,4 (pais) para 26,8 O estudo aponta o fato de ter ocorrido
(filhos) e o médio superior subiu de 3,4 no período de 2004 a 2011 um acréscimo de
(pais) para 7,4 (filhos). pessoas que atingiram um novo patamar so-
cial, formando o que se chamou de a “nova
classe C” brasileira, com renda mensal de R$
Pela tabela 4, vemos que 90% dos 1.315,00 a R$ 5.672,00.
trabalhadores do estrato baixo inferior Há entre os estudiosos, no entanto, al-
(trabalhadores rurais e outros) são filhos gumas ressalvas quanto a essa nova classe,
de indivíduos do mesmo estrato.Já no es- uma vez que, ao contrário da classe média tra-
trato alto vemos que, embora tenha havi- dicional, esta também deveria ter condições de
do aumento, apenas 18,4% são filhos de receber ensino de qualidade para seus filhos,
ter maior acesso à cultura e ao aprimoramento
indivíduos do estrato alto. Portanto, mais
profissional, ter assistência médica para sua
de 80% subiram para esse patamar vindo família. Enfim, com o poder de compra é pre-
de estratos mais baixos. ciso que venha também o acesso ao conheci-
mento nas áreas de artes, ciências, tecnologia
etc. Apesar disso, esses estudiosos creem que
Desigualdade de oportunidades X essa classe permanecerá, lutará por melhores
Mobilidade social no Brasil condições de vida. É só verificar as pirâmi-
des estatísticas da Fundação Getúlio Vargas
Embora estejamos assistindo à diminui-
(FGV): em 2002 a classe média C ocupava
ção do número de cidadãos que vivem abaixo 42% da pirâmide e em 2010, 52%.
da linha de pobreza, a desigualdade de oportu-
nidades persiste por razões como a precocida- A supremacia da classe C
de com relação ao início do trabalho. Segundo
Segundo a FGV, a pobreza despencou
dados de 1996, 70% dos chefes de família co-
desde 2002. Com isso, o miolo da pirâmide en-
meçaram a trabalhar antes dos 14 anos. A idade gordou e agora é maioria absoluta. Veja a seguir:
média para começar a trabalhar ficou em 12,5,
embora saibamos que há crianças de tenra ida- Em 2002
de no trabalho rural e também doméstico. Elite (classe A e B): renda
13% familiar acima de R$ 4.591
Outro problema, pesquisado e compro-
Classe Média (classe C):
vado, é a discriminação racial que afeta brasi- de R$ 1.065 até R$ 4.590
44%
leiros de cor parda e negra. Entre os brancos
Remediados (classe D):
16,5% se encontram no estrato social mais 12,5% de R$ 768 até R$ 1.064
baixo da estrutura social. Quanto aos de cor 30,5%
Pobres (classe E) renda
negra, são 25%, e pardos, 30,7%. familiar abaixo de R$ 767
Já nos estratos médios, a porcentagem
de brancos é 35,7%, de pardos 18% e de ne- Em 2010
gros 14,2%. A escolaridade média é de 6,6% Elite (classe A e B): renda
15,5% familiar acima de R$ 4.591
anos para brancos, 4,2% para pardos e de
4,1% anos para negros. Os dados mostraram Classe Média (classe C):
52% de R$ 1.065 até R$ 4.590
ainda que pessoas negras e pardas nascidas
em famílias de estratos mais altos têm mais Remediados (classe D):
14% de R$ 768 até R$ 1.064
possibilidade de descer na estrutura social 18,5% Pobres (classe E): renda
do que as de cor branca, independentemente familiar abaixo de R$ 767
de sua escolaridade.
Sociologia 2 - Aula 4 45 Instituto Universal Brasileiro
de situação econômica, ocupação, formação
educacional, religião, partido político, sexo,
idade.
Tipos de mobilidade social
Adolescência brasileira é marcada
por diferenças sociais Vertical. Trata-se da situação em que a
pessoa pode subir na pirâmide de classes so-
Estudo do Fundo das Nações Unidas para
a infância – Unicef constatou que 2,1 milhões de ciais (ascensão) ou então descer (discenso).
jovens nordestinos de 12 a 17 anos se encon- Pode ser estrutural ou circular.
tram em estado de extrema pobreza, ou seja, Horizontal. São mudanças que não in-
32% dos adolescentes da região. E no Norte, terferem na classe social do indivíduo.
são 418 mil jovens na mesma condição, sujeitos
à baixa escolaridade. São dados que nos levam Mobilidade cultural. Trata-se de des-
a repensar o modo de governar nosso país. Má- locamento de significados, normas, valores,
rio Volpi, coordenador do setor de adolescência veículos. Quando essa mobilidade se dá para
da Unicef no Brasil, declara: “É preciso que as uma condição de prestígio, como ocorreu com
políticas públicas levem em consideração essas a adesão à religião cristã, temos uma mobili-
desigualdades e tenham um olhar diferenciado dade social cultural vertical, no caso ascen-
para os mais excluídos.” dente, podendo ser também descendente. E
Disponível em: http: /revista escola.abril.com.br/avul- pode ser cultural horizontal, também, quan-
sos/249 _ emdia.shtml. Acesso em: 20.10.3013. do não interfere na condição social.
Texto adaptado.
Mobilidade Social no Brasil
A expectativa é a de que as políticas sociais A mobilidade social vertical é que nos
no Brasil avancem, a fim de que todos tenham dá uma das medidas da dinâmica e do desen-
acesso a uma boa educação e possam adquirir volvimento social de um país. O Brasil não se
competência para enfrentar a nova realidade, do encontra entre os países de baixa trajetória
contrário a desigualdade persistirá e coexistirá de mudança social. Consideremos, também,
com grande mobilidade de curta distância e pou- que a mobilidade vertical, no que diz respeito
ca mobilidade de longa distância. Solidariedade,
ao mercado de trabalho, pode ser estrutural
sensibilidade, empatia, ingredientes para formar
e circular.
uma nação brasileira em que “todos devem ser
iguais perante a Lei”. Índices de Mobilidade Social
Quando analisamos o índice de cada
tipo de mobilidade, chegamos ao padrão de
desenvolvimento de uma sociedade. As ta-
belas apresentadas nesta aula apontam me-
lhora na situação das classes sociais, como
A dinâmica da mobilidade social aumento da mobilidade circular e queda da
estrutural.
Conceito de mobilidade social
É o movimento de um indivíduo ou gru- Desigualdade de oportunidades X
po, de uma posição para outra, em meio a Mobilidade social no Brasil
várias classes ou estratos sociais. Nas socie-
dades onde há castas ou estamentos é muito Embora estejamos assistindo à diminui-
difícil haver mobilidade social. Para sabermos ção do número de cidadãos que vivem abaixo
qual a posição social de determinada pessoa da linha de pobreza, a desigualdade de opor-
no espaço social, usamos coordenadas so- tunidades persiste por razões como a precoci-
ciais, que são: grupos de parentesco, étnico, dade com relação ao início do trabalho.

Sociologia 2 - Aula 4 46 Instituto Universal Brasileiro


4. Num país desenvolvido, o tipo de mo-
bilidade que prevalece é:

a) ( ) horizontal alta.
b) ( ) vertical baixa.
1. Considerando as definições clássicas de c) ( ) vertical estrutural.
Sociologia, assinale a única alternativa incorreta: d) ( ) horizontal cultural.

a) ( ) A mobilidade social é o movimento 5. O Brasil, nos últimos anos, tem tido um


de um indivíduo ou grupo de uma posição social forte movimento de ascensão de indivíduos para
para outra, em meio a várias classes sociais. classes sociais superiores. Isto significa que:
b) ( ) A partir das coordenadas sociais é
possível estabelecer critérios, a fim de determi- a) ( ) há um grande número de pessoas
nar o status do indivíduo e de grupos sociais. na classe média alta.
c) ( ) A mobilidade social pode se dar b) ( ) o estrato inferior tem tido índices
de duas formas, vertical e horizontal, deter- muito altos de ascensão para as classes mé-
minando mudança, ascensão ou queda na dia alta e alta.
esfera social. c) ( ) a camada de cima da pirâmide de
d) ( ) A mobilidade social ocorre com classes sociais tem decrescido.
frequência na sociedade de castas ou dividida d) ( ) “somos um país onde muitos so-
em estamentos, com rápida ascensão de indi- bem pouco e poucos sobem muito”.
víduos e grupos.
6. Considerando o gráfico comparativo
2. Quando uma pessoa muda seu esta- da FGV, é correto afirmar.
do civil, seja por casamento ou por morte do
cônjuge, ou quando ela migra de um estado ou Em 2002
Elite (classe A e B): renda
país em busca de melhores condições de vida, 13% familiar acima de R$ 4.591
ou passa a seguir outra religião, dizemos que Classe Média (classe C):
de R$ 1.065 até R$ 4.590
em todos os casos houve mobilidade social: 44%
Remediados (classe D):
12,5% de R$ 768 até R$ 1.064
a) ( ) horizontal.
30,5%
b) ( ) vertical. Pobres (classe E): renda
familiar abaixo de R$ 767
c) ( ) cultural.
d) ( ) circular. Em 2010
Elite (classe A e B): renda
15,5% familiar acima de R$ 4.591
3. Assinale a afirmação correta:
Classe Média (classe C):
52% de R$ 1.065 até R$ 4.590
a) ( ) A mobilidade horizontal é um im-
portante índice de medida da dinâmica e de- Remediados (classe D):
14% de R$ 768 até R$ 1.064
senvolvimento social de um país. 18,5% Pobres (classe E): renda
b) ( ) A mobilidade social vertical não familiar abaixo de R$ 767
pode ser ilimitada, sob risco de prejudicar a
continuidade dos grupos e seus objetivos. a) ( ) Apesar da mobilidade geral verifi-
c) ( ) Calamidades, fome, epidemias, cada, não houve avanços significativos.
crises econômicas, revoluções são fatores b) ( ) A classe média C avançou em 8
que não interferem na mobilidade de uma pontos percentuais na pirâmide social.
sociedade. c) ( ) Maior acesso a emprego e renda
d) ( ) Na pirâmide de mobilidade social de não influenciam a ascensão social.
nosso país encontra-se, no seu ápice, o estrato d) ( ) Os dados da ascensão social evi-
médio alto e, na base, o estrato médio médio. denciam maior acesso ao conhecimento.
Sociologia 2 - Aula 4 47 Instituto Universal Brasileiro
quando acelerada, sofre um mecanismo de
ajuste para não prejudicar os grupos e seus
objetivos. Portanto, a alternativa b está cor-
reta; e a alternativa a, incorreta. A mobilidade
horizontal ocorre por força de convulsões so-
1. d) ( x ) A mobilidade social ocorre ciais, calamidades ambientais, como enchen-
com frequência na sociedade de castas ou tes, secas etc., portanto estes fatores interfe-
dividida em estamentos, com rápida as- rem diretamente na mobilidade social, o que
censão de indivíduos e grupos. torna a alternativa c incorreta. Também está
Comentário. De acordo com as defini- incorreta a afirmativa d, porque no ponto alto
ções clássicas de Sociologia, apenas a alter- da pirâmide de classes sociais temos a elite e,
nativa d apresenta conteúdo incorreto. Neste na base, os muito pobres, como serventes de
tipo de sociedade, de castas ou dividida em pedreiro, varredores de rua, lavradores etc.
estamentos, praticamente não há mobilidade
social. As demais alternativas estão corretas e 4. c) ( x ) vertical estrutural.
apresentam um breve resumo das teorias que Comentário. A resposta correta é a
explicam a mobilidade social. Trata-se do mo- c, mobilidade vertical estrutural, que ocorre
vimento de um indivíduo ou grupo de uma posi- quando novas vagas são abertas, ou quando
ção social para outra, em meio a várias classes os indivíduos deixam sua ocupação por moti-
sociais. A partir das coordenadas sociais é pos- vo de aposentadoria, morte ou doença. Quan-
sível estabelecer critérios, a fim de determinar do há mobilidade horizontal, não falamos em
o status do indivíduo e de grupos sociais, e ve- ascensão ou discenso; se ocorrer uma mu-
rificar sua mobilidade que pode se dar de duas dança na condição do indivíduo ou grupo para
formas: vertical e horizontal; determinando mu- uma condição melhor é porque ele subiu ver-
dança, ascensão ou queda na esfera social. ticalmente, ocorreu mobilidade vertical ascen-
dente, portanto é incorreta a resposta a. Não
2. a) ( x ) horizontal. prevalecem num país desenvolvido nem a
Comentário. A resposta correta é ho- mobilidade vertical baixa (incorreta a b), nem
rizontal, alternativa a, pois não ocorre ascen- a horizontal cultural (falsa alternativa d).
são social ou descenso, apenas uma mudan-
ça com relação a cidade, local de trabalho, 5. d) ( x ) “somos um país onde mui-
condição familiar (casamento, divórcio etc.). A tos sobem pouco e poucos sobem muito”.
alternativa b está incorreta, já que a mobilida- Comentário. A alternativa correta refe-
de vertical implica subir ou descer na pirâmide re-se à frase de José Pastore ao explicar a
de classes sociais. Quanto à mobilidade cul- mobilidade no Brasil. As alternativas a, b e c
tural, esta ocorre quando o indivíduo ou o gru- não correspondem à realidade, pois o número
po passa a absorver novos valores, normas e de pessoas que ascenderam às classes mé-
significados diferentes dos que seguia ou obe- dia alta e alta não são expressivos, e a elite
decia, portanto a alternativa c é falsa; assim não decresceu.
como a d, pois a mobilidade circular ocorre
quando há escassez de oportunidades e pre- 6. b) ( x ) A classe média C avançou em
valecem as características individuais para o 8 pontos percentuais na pirâmide social.
preenchimento de vagas de trabalho. Comentário. A alternativa correta é a b.
As demais alternativas trazem afirmativas que
3. b) ( x ) A mobilidade social vertical não são verificáveis nos dados apresentados. O
não pode ser ilimitada, sob risco de pre- avanço de 8 pontos percentuais é bastante sig-
judicar a continuidade dos grupos e seus nificativo; o maior acesso a emprego e renda é
objetivos. determinante para a ascensão na pirâmide; e os
Comentário. É a mobilidade vertical dados não evidenciam maior acesso a conheci-
que serve de medida do desenvolvimento e, mento, mesmo que isso possa ter ocorrido.
Sociologia 2 - Aula 4 48 Instituto Universal Brasileiro