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FACULDADE DE EDUCAÇÃO

DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA

CURSO DE MESTRADO EM TERAPIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA

Relatório de Estágio, Supervisão e Coaching I

Estagiária: Beatriz Valeriano da Cruz Sabão

Supervisora: Dra. Lenia Mapelane

Orientadora: Irmã Ana Paula (directora da Casa Maria Clara)

Maputo, Outubro de 20

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INDICE

1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 3
1.1. MOTIVAÇÃO/JUSTIFICAÇÃO DA ESCOLHA DA ÀREA DE INTERVENÇÃO E DO LOCAL DO
ESTÁGIO ...................................................................................................................................... 4
1.2. RELEVÂNCIA DO ESTÁGIO .............................................................................................. 4
1.3. OBJECTIVOS DO ESTÁGIO ............................................................................................... 5
1 3.1. Objectivo geral........................................................................................................ 5
1.3.2. Objectivos específicos ............................................................................................. 5
1.4. METODOLOGIA DO ESTÁGIO .......................................................................................... 5
2. METODOLOGIA.................................................................................................................. 6
2.1. DESCRIÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO ............................................................................... 6
2.1.1. Objectivos da criaçao da casa Madre Maria Clara ............................................... 6
2.1.2. Estrutura orgânica da casa Madre Maria Clara ................................................... 7
2.2. PLANO GERAL DAS ACTIVIDADES A REALIZAR DURANTE O ESTÁGIO ........................... 7
2.3. ACTIVIDADES REALIZADAS NO ESTÁGIO E SUA AVALIAÇÃO ......................................... 7
2.4. AVALIAÇÃO .................................................................................................................. 18
3. APRESENTAÇÃO DE CASOS ......................................................................................... 19
3.1. APRESENTAÇÃO DO CASO “A” .................................................................................... 19
3.2. HISTÓRIA CONTADA PELA INSTITUIÇÃO 2, DESIGNADA POR CASA MADRE MARIA
CLARA 22
3.2.1. História contada pela Instituição 1, designada por Casa da Alegria .................. 22
3.2.2. Lembranças que tem da família ............................................................................ 22
3.2.3. Evolutivo ............................................................................................................... 22
3.2.4. Sexual .................................................................................................................... 22
3.2.5. Escola/trabalho ..................................................................................................... 22
3.2.6. Relacional ............................................................................................................. 23
3.2.7. Médica................................................................................................................... 23
3.2.8. Diagnóstico ........................................................................................................... 23
3.2.9. Hipótese sistémica ................................................................................................ 23
3.2.10. Contrato e aliança terapéutica ............................................................................. 23
3.2.11. Planificação do tratamento à luz do contrato ...................................................... 23
3.2.12. Resultados da intervenção .................................................................................... 24
3.2.13. Follow up/ monitoramento.................................................................................... 24
3.2.14. Conclusão ou fim da intervenção ......................................................................... 25
3.3. APRESENTAÇÃO DO CASO “E” .................................................................................... 25
3.3.1. Processo psicodiagnóstico e terapéutico .............................................................. 25

1
3.3.2. Genograma da paciente “E” ................................................................................ 26
3.3.3. História contada pela Instituição 2, designada “Casa Madre Maria Clara” ..... 28
3.3.4. História contada pela Instituição 1, a “Casa da Alegria”................................... 28
3.3.5. Diagnóstico ........................................................................................................... 29
3.3.6. Contrato e aliança terapéutica ............................................................................. 30
3.3.7. Planificação do tratamento à luz do contrato ...................................................... 30
3.4. PROCESSO TERAPÉUTICO ............................................................................................. 31
3.4.1. Apresentação de sessões de terapia ...................................................................... 32
3.4.2. História contada pela senhora de referência ....................................................... 34
3.4.3. Resultados da intervenção .................................................................................... 35
3.4.4. Follow up/ monitoramento.................................................................................... 35
3.4.5. Conclusão ou fim da intervenção ......................................................................... 36
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 36
4.1. DIFICULDADES .............................................................................................................. 36
4.2. LIMITAÇÕES ................................................................................................................. 36
4.3. RECOMENDAÇÕES ........................................................................................................ 36

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1. INTRODUÇÃO
O presente relatório foi elaborado no âmbito do Módulo “Estágio, Supervisão e Coaching I”, do
curso de Mestrado em Terapia Familiar e Comunitária, da Faculdade de Educação, da
Universidade Eduardo Mondlane. O estágio decorreu na Casa Madre Maria Clara, uma
instituição de acolhimento de crianças e adolescentes em situação difícil.

O estágio constituiu não só uma oportunidade de aplicação dos conhecimentos teóricos


adquiridos ao longo do curso de Mestrado, como também uma oportunidade de fazer experiência
na prática profissional em situações reais com as quais o futuro Terapeuta deverá enfrentar no
seu quotidiano durante o exercício da sua função. É de realçar a oportunidade que o estágio tem
oferecido, porque além de se ter o privilégio de conjugar a teoria versus realidade, observa-se
também e precisamente, no contexto moçambicano, que existe muito trabalho a se fazer.
O estagio foi orientado pela dra. Lénia Mapelane, na qualidade de supervisora do estagio, e pela
Irmã Ana Paula, directora da Casa Maria Clara.
A elaboração do relatório observou o modelo dos cursos de pós-graduação da Faculdade
de Educação e segue a seguinte estrutura:
- No primeiro capítulo, a introdução apresenta: motivação/justificação, relevância,
objectivos, e metodologia de estágio;
- No segundo capítulo, a metodologia do trabalho, apresentada através da descrição do
local de estágio, o plano geral e actividades desenvolvidas; Plano geral das actividades a
realizar durante o estágio, Actividades realizadas no estágio e sua avaliação;
- No terceiro capítulo é feita a apresentação de Casos através do Processo diagnóstico, que
inclui Psicodiagnóstico (identificação do problema) e o prognóstico; Instrumentos
psicodiagnósticos utilizados; Teorias usadas para a interpretação do problema; Hipótese
Sistémica; Contrato e Aliança Terapêutica, Plano de Intervenção; Finalidades;
Meta/Objectivo; Estratégias que incluem as técnicas a serem usadas;
- O quarto capítulo, apresenta Considerações Finais, e;
- O quinto e último capítulo que apresenta as Referências Bibliográficas usadas.

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1.1. Motivação/justificação da escolha da àrea de intervenção e do local do estágio
A motivação da escolha da área de intervenção e do local do estágio surge das exigências
impostas pela natureza do próprio curso. Este requer o desenvolvimento de habilidades com base
na realização de actividades práticas nos domínios de terapia familiar e comunitária.

Assim, a selecção do local de estágio, a casa Madre Maria Clara, surge do interesse da estudante
em poder lidar com Casos de terapia de família e também ao nível comunitário. Sendo a casa
Madre Maria Clara uma Instituição dedicada ao acolhimento de crianças que romperam os seus
laços familiares, a maior esperança foi de encontrar pacientes de famílias desestruturadas,
podendo assim, encontrar condições favoráveis para o desenvolvimento de habilidades nos
campos de terapia familiar e comunitária.

1.2. Relevância do estágio


No quadro do Plano curricular do curso de Mestrado em Terapia Familiar e Comunitária está em
curso o Estágio, Supervisão e Coaching I, com objectivo de capacitar os mestrandos na aplicação
de conhecimentos de natureza teórica que possuem, à prática terapêutica, nas actividades
desenvolvidas nas instituições especializadas.
É nestes termos que o estágio tem grande relevância para o futuro do terapeuta porque ganha
capacidade de traduzir os conhecimentos teóricos adquiridos no processo de ensino e
aprendizagem, no atendimento de Casos terapêuticos nas diferentes dimensões em que surgem.
Para isso, é importante desenvolver habilidades práticas no tratamento de pacientes.

No quadro do Plano curricular do curso de Mestrado em Terapia Familiar e Comunitária está em


curso o Estágio, Supervisão e Coaching I, com objectivo de capacitar os mestrandos na aplicação
de conhecimentos de natureza teórica que possuem, à prática terapêutica, nas actividades
desenvolvidas nas instituições especializadas.
É nestes termos que o estágio tem grande relevância para o futuro do terapeuta porque ganha
capacidade de traduzir os conhecimentos teóricos adquiridos no processo de ensino e
aprendizagem, no atendimento de Casos terapêuticos nas diferentes dimensões em que surgem.
Para isso, é importante desenvolver habilidades práticas no tratamento de pacientes.

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1.3. Objectivos do estágio

1 3.1. Objectivo geral


- Adquirir uma visão holística e antropológica da saúde, da família e da comunidade no
contexto moçambicano, confrontando com as influências internas e a globalização.

1.3.2. Objectivos específicos


- Acompanhar as actividades da Instituição, procurando integrar a teoria à prática dentro
dos conhecimentos adquiridos.
- Desenvolver actividades de terapia comunitária para melhor integração do grupo
identificado.
- Promover actividades que permitam criar empatia para o melhor desempenho da
anamnese
- Fazer anamnese às pacientes identificadas
- Apresentar os casos identificados para a terapia
- Conduzir os casos identificados procurando teorias, técnicas e métodos apropriados
- Fazer a intervenção do caso indicado pela orientadora aplicando os conhecimentos
teóricos em termos de diagnóstico sistémico/Comunitário e a devida intervenção.

1.4. Metodologia do estágio


Foi adoptado como metodologia de estágio a constituição de grupos de dois estagiários, os quais
em cada caso, onde quando um actuava como terapeuta, o outro desempenhava o papel de co-
terapeuta, o que facilitou a interajuda que era necessária nas sessões de terapia.
No local de estágio, os estagiários foram apesentados pelos supervisores, aos responsáveis da
instituição seleccionada para o estágio.
Assim, na casa Madre Maria Clara, o estágio iniciou no dia 30 de Agosto de 2013, com a
apresentação dos estagiários à Directora do centro, a Irmã Ana Paula.
Foram apresentados alguns casos pela directora do centro, que na sua opinião tratam-se de
crianças de difícil reunificar às suas famílias de origem.

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Os estudantes passaram por um período de acompanhamento dos Casos sob direcção da
supervisora e da orientadora institucional.

2. METODOLOGIA

2.1. Descrição do local de estágio


O estágio foi realizado no Centro Madre Maria Clara, localizado junto da Missão de São José de
Lhanguene, Bairro de Chamanculo C, Avenida do Trabalho na cidade de Maputo. Esta é uma
Instituição de carácter religioso pertencente a Igreja Católica, fundada em 1998 e que se dedica à
acolher raparigas abandonadas, órfãs e em situação de risco nomeadamente pobreza/fome,
separação de seus pais, pais infectados e afectados pelo HIV/SIDA. Estas crianças e adolescentes
têm idades compreendidas entre quatro (04) e 21 anos.
A Casa Madre Maria Clara acolhe actualmente cerca de 100 raparigas, das quais 80 em regime
de internato.

2.1.1. Objectivos da criaçao da casa Madre Maria Clara


- Proporcionar às crianças e adolescentes de sexo feminino, em idade escolar, a educação
formal em estabelecimentos de ensino público;

- Proporcionar actividades extracurriculares, como habilidades para a vida;

- Recuperar os valores pessoais, culturais e morais, tendo em vista a sua integração social,
e;

- Formar a consciência da mulher Moçambicana a fim de que seja capaz de assumir com
liberdade as responsabilidades de esposa, mãe e educadora na familia e na sociedade do
amanhã.

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2.1.2. Estrutura orgânica da casa Madre Maria Clara

Direcção

Equipa de Voluntários

Equipa de educadores

Pessoal de apoio

2.2. Plano geral das actividades a realizar durante o estágio


Cada estudante elaborou o seu plano de actividades a realizar durante o estágio, que apresenta-se
preenchido de actividades realizadas a partir da primeira semana, 26 a 30 de Agosto de 2013, que
consistiu pela entrega da guia de estágio seguido da resposta da Instituição; apresentação dos
estagiários; explicação dos objectivos do estágio à Orientadora da Instituição; encontro de
Planificação das actividades; e encontro com a Supervisora para avaliação e orientação do
arranque das actividades.
O estágio decorreu de 27 de Agosto a 20 de Dezembro de 2013, com a frequência de duas
sessões semanais das 13:30 as 15:30 horas, com pequenas variações na prática, tendo como
conteúdos o acompanhamento e a condução de casos de terapia de grupo e comunitário. As
sessões eram realizadas nas 3as e 5as feiras, sendo que nas 5as feiras eram prolongadas na sala
de aulas, através da supervisão conjunta.

2.3. Actividades realizadas no estágio e sua avaliação


Na casa Madre Maria Clara reunimo-nos com a Directora do Centro a responsável pela
orientação dos estagiários e com a qual foram programadas actividades para dias subsequentes.

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Foi feita visita às instalações e tomamos contacto com os diferentes colaboradores da instituição,
responsáveis dos vários sectores da casa. A Directora do Centro, representante das pacientes
falou das actividades que alí se realizam, bem como da história do surgimento desta área de
actividade.

Por sua orientação foram identificados e priorizados casos para as sessões de atendimento e
deslocações às comunidades donde elas provém elas. Foi nesse âmbito que nos deslocamos à
comunidade de Massaca, distrito de Boane e no Bairro Patrice Lumumba. Também, visitamos a
casa da Alegria, um outro centro de acolhimento onde estabelecemos alguns contactos com
trabalhadores com vista à realização de sessões de terapia de Rede, onde foi possível identificar
um dos irmãos de uma paciente da casa Madre Maria Clara.

Terminado a primeira fase “Estágio, Supervisão e Coaching I”, podemos afirmar que os
resultados foram positivos e satisfeitas as expectativas.

De seguida apresenta-se detalhadamente o percurso das actividades realizadas:

Dia 27/08
Data da entrega do pedido do estágio no local, onde foi dada a resposta favorável a 29/08.
Centro Madre Maria Clara a da solicitação.
Por uma questão de visualização das actividades desenvolvidas, optou-se por indicar a data e em
seguida a sua descrição. Este é um resumo que permite compreender sobre o decurso do processo
do estágio.
Dia 30/08
Foi o primeiro dia de contacto com a Instituição, dedicado a apresentação dos estagiários pela
Directora do curso. Agradeceu a oportunidade concedida aos estagiários, pois esta é uma forma
de contribuir para a sua formação. Explicou na ocasião os objectivos do estágio e indicou qual
seria o papel da Orientadora da Instituição.
Ao longo do diálogo, a Orientadora do Centro destacou a importância do trabalho que seria
desenvolvido pelos estagiários, mostrando-se deste modo uma abertura para colaboração naquilo
que fosse necessário.
Ficou acordado que os estagiários voltariam acompanhados pela supervisora para um encontro
de planificação das actividades.

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Dia 03/09
Os estagiários acompanhados pela supervisora foram recebidos pela Orientadora, onde
apresentou a Instituição, explicando pacientemente sobre o funcionamento do Centro e seu
efectivo. Uma vez iniciada apresentação visitaram todo o espaço físico, o que permitiu conhecer
sobre a sua organização.
Durante a visita, os estagiários foram observando a participação das meninas nas várias
actividades, bem como do todo pessoal que contribuem para o funcionamento doCentro. Foi
notável, o interesse e abertura de todos, a avaliar pelo questionamento e respostas feitas
mutuamente.
A seguir a Orientadora apresentou a lista das meninas que deviam ter um acompanhamento
destacando como motivo o baixo aproveitamento escolar, dificuldade de integração no Centro,
desvio de comportamento e alguns casos especiais que estavam a ser acompanhados por
psicólogos mas mereciam uma melhor atenção.
Ficou combinado que o acompanhamento das PI seria feito nas terças-feiras e quintasfeiras das
12:30 as 15:30.
Dia 05/09
Terapeuta: Beatriz Valeriano da Cruz Sabao
Co terapeuta: Inácio Natingue
Foi o primeiro dia de encontro com o grupo identificado. As meninas tinham sido avisadas que
teriam um encontro com um grupo de psicólogos. Demoraram a encontrar um espaço, mas com o
apoio dos estagiários e supervisora acabou – se por definir que melhor seria na sala de recreação.
O facto de falar em acompanhamento psicológico para as PI causou um impacto negativo ao
grupo. Os estagiários explicaram o motivo do trabalho conjunto para uma melhor abertura do
grupo.
Introduziu – se uma dinâmica de apresentação do grupo para sentir até que ponto entre elas havia
um conhecimento mútuo.
Em círculo colocou-se no centro os crachás com nomes em posição contrária, onde cada
membro devia retirar um diferente do seu nome e fazer a apresentação da sua colega.
Durante a dinâmica comprovou – se que não era um grupo coeso. Foi preciso introduzir outras
motivações como cânticos a fim de criar um ambiente de empatia.
Decorreram nesta data aulas de Supervisão e Coaching I.

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Dia 06/09
Nesta data, realizou-se encontro para avaliar o decurso do estágio e planificar as actividades para
semana seguinte.
Dia 10/09
Terapeuta: Inácio Natingue
Co Terapeuta: Beatriz Valeriano da cruz Sabao
A sessão foi conduzida pelo Inácio onde trabalhou com uma dinâmica de autoapresentação,
cabendo cada membro falar de si próprio.
A dinâmica ocorreu bem, pois o grupo começou a ter mais abertura o que possibilitou estabelecer
algumas regras de convivência durante o estágio.
No fim da sessão, realizou-se uma avaliação das actividades desenvolvidas entre os estagiários e
a supervisora, o que permitiu verificar os aspectos positivos e alguns por melhorar.
Dia 12/09
Terapeuta: Quitéria Paciência Torres
Co Terapeuta: Beatriz Valeriano da cruz Sabao
Motivado pela abertura do grupo, iniciou a sessão conduzida pela Quitéria com a
dinâmica do auto-retrato. Com um espelho, cada membro observava-se prestando atenção nos
seus olhos.
No primeiro momento foi difícil a concentração, o espelho passou a primeira vez e somente na
segunda vez conseguiram olhar para os seus próprios olhos. Cada membro procurava expressar
algum sentimento ao grupo através de desenho livre, poemas mostrando seus pensamentos,
alegria, tristeza, vaidade, observação de pequenos detalhes em si próprio, imitação.
No segundo momento foram convidados a desenhar o seu retrato, tendo sido solicitados a
explicarem o significado do desenho que haviam apresentado.
No terceiro momento cada uma apresentou ao grupo o seu auto-retrato.
Foi notável no grupo, uma abertura para falar com segurança e respeito pelas diferenças.
Realizou-se no fim da sessão uma avaliação com a supervisora a fim de verificar os aspectos
positivos e aqueles seja necessário melhorar.
De seguida, realizou-se aulas de Supervisão e Estágio Coaching I, com apresentação de
estudo de caso. A Directora do curso aproveitou o momento para dar orientações sobre a
dinâmica do estágio.

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13/09
Este dia ficou reservado para o encontro entre a supervisora e os estagiários para uma avaliação e
planificação das actividades subsequentes, no caso concreto da semana seguinte.
17/09
Terapeuta: Beatriz Valeriano da cruz Sabao
Co Terapeuta: Quitéria Paciência Torres
O terapeuta apresentou uma dinâmica que permitiu descobrir o meio em que vivem.
Como estratégia dividiu o grupo em dois e através de figuras de animais e de pessoas, motivou-
as a criar uma história a partir da realidade que vivem. Houve boa participação e conseguiu com
sucesso os objectivos da dinâmica. Foi o próprio grupo que deu nome a história “Família
Macuacua”.
Como prática durante neste estágio, seguiu-se uma avaliação das actividades desenvolvidas nesta
sessão junto com a supervisora do estágio.
Dia 19/09
Terapeuta: Quitéria Paciência Torres
Co Terapeuta: Inácio Natingue
Dando continuidade ao trabalho de Terapia Comunitária de grupo através de dinâmica de grupo
foi apresentado ao grupo figuras de diferentes animais e pessoas. O objective era associar as
figuras as vivencias do dia a dia no Centro. O primeiro grupo mostrou-se unido e demonstrou
uma capacidade de fazer leitura das actividades diárias do Centro.
O primeiro grupo criou uma história intitulada “os alimentos estranhos”. Conseguiu integrar
todas as figuras dentro da história no contexto da realidade vivida.
Avaliando pelo nível de participação, pode se afirmar que se alcançou os objectivos
preconizados que visava criar um ambiente favorável em que todos os elementos do grupo
ganhassem confiança para falarem abertamente. Como indica Osório, Valle e Colaboradores
(2009) o trabalho desenvolvido com grupos de famílias possibilita aos participantes identificar,
nomear e compartilhar suas emoções.
Para além da avaliação do decurso da sessão com a supervisora, decorreram aulas de supervisão
e Coaching I.
Dia 20/09

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Em coordenação com a supervisora, este dia ficou reservado para a avaliação do decurso de
estágio e uma planificação da semana seguinte. A supervisora deu orientações sobre alguns
aspectos a ter em consideração para o sucesso das actividades que eram desenvolvidas.
Dia 24/09
Terapeuta: Inácio Natingue
Co terapeuta: Beatriz Valeriano da Cruz Sabao
O terapeuta iniciou a sessão com uma dinâmica de auto estima, com o tema “Todos somos
importantes”. Tal como nas duas sessões anteriores, trabalhou – se duas a duas.
Nesta sessão apresentou o primeiro grupo, em que demonstraram que cada um é importante no
seu lugar, pelo que há uma necessidade de um respeito mútuo pelas tarefas dos outros.
Realizou–se uma avaliação junto com a supervisora sobre a dinâmica das actividades
desenvolvidas ao longo desta sessão.
Dia 26/09
Terapeuta: Quitéria Paciência Torres
Co Terapeuta: Inácio Natingue
A terapeuta no início da sessão de Terapia Comunitária introduziu uma dinâmica para criar auto
estímulo.
Com as figuras apresentadas, os grupos tiveram que valorizar cada elemento da história.
Na estratégia adoptada, 7 membros deviam ser eliminados, como todos eram importantes foi
difícil encontrar estes membros. Como era regra, acabou-se eliminando alguns membros, onde
descobriram que todos eram importantes, claro que cada um com seus pontos fortes e fracos.
Após a dinâmica, o grupo foi preparado para um encontro individual com os terapeutas e co
terapeutas. Como motivação deviam fazer o desenho da sua família para apresentar no momento
da anamnese.
Seguidamente, realizou-se um encontro de avaliação desta sessão afim de melhorar alguns
aspectos, terminando o dia com as aulas de Supervisão e Coaching I.
Dia 27/09
Este dia ficou reservado para uma avaliação junto com a supervisora do estágio, tendo se feito a
planificação para a semana seguinte.
Dia 01/10
Terapeuta: Beatriz Sabao

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Co terapeuta: Quitéria Paciência Torres
Pacientes: A/B
As PI não mostraram interesse durante o processo da anamnese, houve muita dificuldade de se
expressarem.
Nesta sessão apresentou-se o desenho da família mas oferecia poucos elementos para uma
análise que pudesse ter elementos para o preenchimento do Processo Psicodiagnóstico e
Terapéutico.
No encontro com a supervisora apresentou-se dificuldade na adaptação das questões do guião do
Processo Psicodiagnóstico e Terapêutico. Em conjunto, fez-se um estudo onde foi possível
mostrar aos estudantes como interpretar as perguntas e fazer anamnese.
Dia 03/10
Terapeuta: Quitéria Paciência Torres
Co Terapeuta: Beatriz Sabao
Pacientes: C/D
As duas PI colaboraram bastante no processo da anamnese, onde ficou claro que a sua
preocupação maior era a integração na sociedade, pediram apoio no sentido dos terapeutas
ajudarem na localização dos seus familiares. Assim, os terapeutas julgaram importante utilizar a
abordagem da Teoria Sistémica nas condicionantes da Acção Social, introduzindo uma Terapia
em Rede, conforme indica Prette e Prette (2011): “ qualquer programa visando o
desenvolvimento de habilidades sociais, de character remediativo ou preventivo deve, nesta
perspectiva, possibilitar ao participante uma compreensão de suas dificuldades interpessoais
para além do pensamento linear, ou seja, para além da causação imediata dos factores
intraindividuais ou localizados nas variáveis da situação. Pessoas-chave em sua vida seriam
então “reconstruídas” no ambiente terapêutico a partir de sua percepção que, nessa
perspectiva, tende a se refinar.”
Realizou-se um encontro de avaliação com a supervisora, onde abordou-se o decurso das
actividades, indicando os aspectos positivos e negativos. Decorreram igualmente aulas de
Supervisão e Coaching I.
Dia 08/10
Terapeuta: Beatriz Valeriano da cruz sabao
Co Terapeuta: Quitéria Paciência Torres

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PACIENTES: E/F
Feito a anamnese as duas PI, demonstraram muita abertura, pedindo apoio dos terapeutas. A
ajuda solicitada está relacionada com os problemas quotidianos, queixando-se da falta de apoio
dos familiares. Perante esta situação, viu-se a importância da terapia em rede, pois a solução não
passava apenas das PI.
Dia 10/10
Terapeuta: Quitéria Paciência Torres
Co Terapeuta: Beatriz Valeriano da cruz Sabao
Pacientes. G/H
Durante o processo de anamnese foi difícil o diálogo. As PI fechavam-se não deixando
transparecer as suas inquietações. O terapeuta teve que encontrar outras formas de modo que
conseguisse uma abertura para resposta as questões feitas.
Mediante as novas estratégias, a paciente G teve mais abertura para o diálogo enquanto a
paciente H continuava fechada limitando-se a respostas “Não sei”.
Realizou-se aulas de Supervisão e Coaching I, onde se abordou sobre o decurso do estágio e
novas orientações para o alcance dos objectivos preconizados.
Dia 11/10
Este dia ficou reservado para avaliação das actividades desenvolvidas e planificação das
actividades da semana seguinte.
Dia 15/10
Terapeuta: Inácio Natingue
Co terapeuta: Beatriz Valeriano da Cruz Sabao
Pacientes: I/J
Nesta data, as PI demoraram comparecer no local, onde demonstram medo de falar o que
sentiam, em parte pela presença de três pessoas desconhecidas (terapeuta, co terapeuta e
supervisora) e o desconhecimento da sua própria história.
Durante o processo de anamnese as PI não se sentiam confortáveis para abrir a sua privacidade.
A primeira PI pediu ajuda, mas a segunda disse que estava tudo bem.
No fim da sessão, realizou-se um encontro de avaliação das actividades desenvolvidas ao longo
do dia.

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Dia 17/10
Terapeuta: Beatriz Valeriano da Cruz Sabao
Co Terapeuta: Inácio Natingue
Pacientes. K/L
Diferentemente da sessão anterior, as PI já estavam a espera no local. Apesar de muitas
limitações, colaboraram com os terapeutas.
Ficou patente no desenho da primeira PI um sentimento de revolta por ter sido abandonada pela
família. Segundo ela, o mais importante era sair do Centro e ter uma família seja ela qual for. A
segunda PI era mais tímida e limitava-se a dizer que não sabia nada. Devido ao ambiente em que
vivem, notou-se um desconhecimento da vida fora do Centro.
Realizou-se aulas de Supervisão e Coaching I, no qual se abordou sobre o decurso do estágio.
Dia 18/10
Como foi característica durante a realização deste estágio, esta data ficou reservado para
avaliação do estágio e planificação das actividades da semana seguinte.
Dia 22/10
Realizou-se encontro com a Orientadora do Centro para apresentar o trabalho desenvolvido e
auscultar as inquietações em relação aos casos seleccionados para um estudo aprofundado e
possível seguimento.
Feita uma análise chegou-se a conclusão que os casos C; F; G e I precisavam mais ajuda e se
mostravam dispostos para receber este apoio com os terapeutas.
A Orientadora encorajou para dar se seguimento aos casos identificados, pois as próprias PI
tinham interesse manifestado durante o processo de anamnese. A Orientadora mostrou-se
disponível para colaborar no que for necessário.
Após esta selecção, obteve-se mais informação sobre a história social, onde os terapeutas
comprometeram-se a elaborar um plano de intervenção.
Dia 24/10
Os estagiários preparam o plano de intervenção dos casos identificados com apoio da supervisora
do estágio. Em anexo o plano de intervenção.
Realizou-se aulas de supervisão e Coaching I, onde se abordou o decurso do estágio e deu-se
orientações para o alcance dos objectivos preconizados.
Dia 25/10

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Depois de uma análise chegou-se a conclusão que era necessário uma intervenção em rede, pelo
que foi necessário fazer uma replanificação das actividades em conjunto com a Instituição.
28/10
Nesta semana, a estagiária participou no seminário de capacitação no period compreendido das
14:00 as 15:00 no Campus da Universidade Eduardo Mondlane subordinado ao tema” Avaliação
da Estrutura e da Dinámica Familiar”.
A capacitação foi muito valiosa na medida em que contribui para o enriquecimento dos
conhecimentos sobre a importância da terapia familiar e comunitária.
Dia 29/10
Realizou-se um encontro com Doutora Júlia, no qual esclareceu sobre o seguimento dos casos
identificados. A Doutora transmitiu sua experiência sobre a condução dos casos.
Dia 30/10
Teve lugar o segundo encontro com a Doutora Júlia, no qual analisou-se o guião do processo
diagnóstico. Foi um momento importante pois, deu ainda mais subsídios sobre a condução dos
casos.
Dia 31/10
Na Faculdade, teve lugar as aulas de Supervisão e Coaching I, onde se abordou sobre o decurso
do estágio. Aqui os estagiários trocaram impressões sobre diferentes experiências que
encontraram no local de estágio.
01/11
A técnica de trabalho em rede mostrou-se mais eficaz para a condução dos casos identificados,
razão pela qual, no terceiro encontro com a Doutora Júlia explicou – se sobre os procedimentos
da terapia em rede.
05/11
Como ilustra os anexos, realizou-se a condução de dois casos, do grupo alvo com que se
trabalhou. Em princípio, foram 4 casos identificados que exigiam uma intervenção mas como
eram dois terapeutas houve uma divisão.
Realizou-se igualmente um encontro de avaliação com a supervisora, onde deu-se as orientações
sobre a condução de casos.
08/11

16
Neste dia, deu-se continuidade a condução de casos, mas de uma forma individual mediante o
plano de intervenção elaborado previamente como ilustra o anexo.
No mesmo dia houve o encontro com a supervisora no qual fez-se avaliação e orientações sobre
a condução de casos.
Decorreu igualmente as aulas do Módulo de Intervenção e Coaching I.
De forma indiviidual, a estagiária estudou a forma de intervenção e condução de casos,
procurando a teoria que melhor ilumine o seu trabalho.
Dia 12/11
Tal como na sessão anterior, neste dia deu-se continuidade a condução de casos identificados,
como já se fez referência são dois C e G.
A estagiária teve a oportunidade tal como sempre no fim da sessão de colocar as possíveis
dúvidas á supervisora.
Dia 14/11
Os casos C e G mereceram atenção durante este período, pois a maior preocupação era encontrar
a solução do problema que as PI apresentavam.
A Supervisora esteve a disposição para fazer uma avaliação e deu orientações sobre a condução
de casos.
Nesta data decorreram as aulas de Supervisão e Coaching I.
Dia 15/11
A preocupação da estudante na elaboração do plano de intervenção do estudo de casos, levou
com que esta dedicasse boa parte de tempo no estudo de teorias e técnicas de condução de casos.
Dia 19/11
Nesta data colocou se em prática as técnicas estudadas reconciliando com as teorias abordadas na
Faculdade.
Houve um encontro com a supervisora para avaliação e orientações sobre a condução dos casos
identificados.
Dia 21/11
Deu-se continuidade a condução e participação dos casos C e G duma forma individualizada,
para no fim realizar – se um encontro de avaliação e orientação com a supervisão.
Realizou-se o encontro com a supervisora para avaliação, decorreu ainda nesta data as aulas de
Supervisão e Coaching I.

17
Dia 22/11
A estagiária dedicou seu tempo no estudo do plano de intervenção, com vista a encontrar solução
dos casos em estudo. Iniciou igualmente a produção de relatório de estágio.
Dia 26/11
Deu-se continuidade a condução e participação de casos C e G de uma forma individualizada
para no fim da sessão realizar-se o encontro com a supervisora para avaliação do trabalho
desenvolvido.
Dia 28/11
Tal como no dia anterior, a estagiária deu continuidade na condução de casos e no fim teve um
encontro com a supervisora para obter orientações sobre a condução de casos.
Dia 29/11
Dedicou esta data para o estudo do plano de intervenção e produção de relatório de estágio.
Dia 03/12
Realizou-se encontro com a Orientadora do Centro para apresentar a evolução sobre a condução
dos casos e propor algumas actividades em conjunto.
Neste dia, a estagiária apresentou o primeiro draf do relatório de estágio e Coaching I à
Supervisora onde recebeu orientações sobre a elaboração de acordo com as normas vigentes na
Faculdade de Educação.
Dia 06/12
Neste dia, deu-se continuidade na produção de relatório final
Dia 10/12
Realizou-se um encontro com a Orientadora do Centro para dar um relatório do trabalho
desenvolvido na Instituição e aproveitou-se na ocasião para agradecer todo apoio que receberam.
Dia 12/12
Dedicou-se este dia para a elaboração do relatório final.

2.4. Avaliação
De uma forma geral, o estágio decorreu com sucesso na medida em que se cumpriu com aquilo
que foram os objectivos preconizados, pois houve uma boa colaboração da Direcção do Centro e
bom acompanhamento da Direcção do curso e da supervisora que sempre estiveram disponíveis
para apoiar naquilo que foi necessário.

18
O estágio ajudou a reconciliar a teoria á prática através da condução de casos. Foi bastante
positivo porque as PI que inicialmente fechavam-se com medo que as informações que
consideravam confidenciais pudessem chegar a Direcção do Centro, no fim já tinham mais
confiança razão pela qual já tinham mais abertura.
Dia 12/12
Dedicou-se este dia para a elaboração do relatório final.

3. APRESENTAÇÃO DE CASOS
Para esta fase de estágio serão apresentados a seguir dois casos, sendo um novo e outro antigo
respectivamente A e E. No entanto, embora o caso “E” seja um caso novo com mesmas
características do anterior, teve um desfecho positivo por no mínimo ter se obtido o nome de um
familiar que fora lhe internar no primeiro Centro no dia 25 de Junho de 1999.

3.1. Apresentação do Caso “A”


Processo psicodiagnóstico e terapéutico

Dados da paciente:

Nome: A

Data de nascimento:16 de Junho de 1994

Endereço: Casa Madre Maria Clara - casa de acolhimento de meninas em situação difícil

Telefone: 82 XX XX XXX

Estado civil: Solteira

Nível de escolaridade: Presentemente frequenta a 8ª classe

Trabalho/actividade: Estudante

Data do início da terapia: 01/10/13

Data do fim da terapia: 24/05/14

19
Número de sessões: 08

Informação sobre a derivação: Encaminhada pela casa Madre Maria Clara

Problema apresentado: Dificuldades de relacionamento no Centro e anseio de encontrar a sua


família biológica.

Nome do terapeuta: Beatriz Valeriano da Cruz Sabao

Nome da co-terapeuta: Quitéria Torres

Fig. 2. Genograma da paciente A

? ? ?
?

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A
13

Instituição
Instituição
Casa
M.M.Clara Casa Alegria
Fonte: Autor

A PI e o seu irmão mais novo vivem em centros diferentes de acolhimento de crianças em


situação difícil, porque o Centro Madre Maria Clara onde vive a PI que acolhe exclusivamente
crianças de sexo feminino.cinco anos de idade, adolescentes e adultos doentes e sócio e
economicamente vulneráveis. Assim, elas lamentam o facto de não terem outro Centro para
encaminhar aquele adolescente com o risco de se contaminar por doenças crónicas.

20
Sabe dizer que seu pai havia se unido com uma outra mulher depois da morte de sua mãe,
contudo tempo depois ficou a saber que se encontravas separados da sua segunda mulher.

Fig.3. Ecomapa da paciente A

Instituição 2

C.M.M.Clara Amigos na
Terapeuta Instituição
familiar

Instituição 1
Igreja A
C. Alegria-seu
Irmao
Colegas da
escola Escola

Madrinha Amigos fora


da instituição
Fonte: Autor na Espanha

Diante da situação social desta paciente, parece improvável conjugarmos a garantia de direitos
fundamentais de cidadania, agregando à infância e à adolescência espaços de expressão de suas
próprias experiências de vida, quando estas são marcadas pela violação de todos os direitos
fundamentais, entre eles o da convinvência familiar e comunitária.

A PI veio da província de Inhambane juntamente com os seus pais biológicos e seu irmão mais
novo para a província de Maputo-cidade. Chegados a cidade de Maputo, eles enfrentaram
dificuldades de inserção na comunidade onde se fixaram, obrigando seus pais a se refugiarem ao
álcool, e consequente falta de atenção nos seus filhos pondo assim em causa os seus Direitos.

21
3.2. História contada pela Instituição 2, designada por Casa Madre Maria Clara
Segundo esta Instituição, a paciente veio da Instituição 1 designada por casa da Alegria aos 11
anos de idade e actualmente conta com 17 anos. Esta Instituição não possui nenhuma história
social da paciente pelo facto de que a outra instituição que a não documentou este processo de
referência, tendo se baseado em informação oral.

3.2.1. História contada pela Instituição 1, designada por Casa da Alegria


Foi nesta Instituição de acolhimento onde a paciente identificada teve a sua primeira experiência
da vida institucionalizada.

Igualmente, nesta Instituição não existe nenhuma informação documentada sobre a história
social da paciente. Porém, através de um senhor que trabalha naquela Instituição com a categoria
de Segurança pôde se saber que os dois irmãos foram levados para aquele centro pelo seu pelo
seu pai no ano de 2004 devido a problemas económicos e de saúde. Ainda de acordo com ele, a
paciente e seu irmão tinham problemas graves da pele, associado ao albinismo que eles
apresentam. Informou ainda que, por outro lado, o seu pai era viúvo e alcootra.

3.2.2. Lembranças que tem da família


A PI diz ter vindo da província de Inhambane juntamente com os seus pais. Após a morte de sua
mãe, ela juntamente com seu irmão viveram com a sua madrasta no Bairro de Hulene, onde
foram expulsos pela madrasta e passaram a viver em casa de alguns vizinhos, contudo, não
conhece o paradeiro nem de seu irmão, nem da sua madrasta.

3.2.3. Evolutivo
Esperança de um dia conhecer a sua hsitória verdadeira.

3.2.4. Sexual
Através das Irmãs e de um grupo de pares ela recebe orientação sexual no centro onde está
acolhida, atendendo a sua idade.

3.2.5. Escola/trabalho
Com 17 anos de idade ela frequenta a 8a classe, o que significa existir um atraso, tendo em conta
o programa do Sistema Nacional de Educação, pois, estaria na 12 a classe.

22
3.2.6. Relacional
Tem um bom relacionamento com as amigas do centro onde vive, com amigos de fora do Centro,
com os funcionários do Centro. Também desenvolveu boas relações com os terapeutas.

Ela tem uma Madrinha residente na Espanha, que lhe apoia em produtos para cuidar da sua pele,
bem como em óculos, visto que tem problemas da vista.

3.2.7. Médica
Apresenta albinismo, tem problemas da vista e da pele associado à sua condição.

3.2.8. Diagnóstico
7.1. Psiquiátrico

De acordo com o manual DSM-IV-TR a PI apresenta o seguinte diagnóstico:

Eixo IV: Problemas psicossociais e ambientais

Perturbação da adaptação: 309.24 com ansiedade [F43:28]

309.3 com perturbação do comportamento [F43.24]

- Desmantelamento da família pela morte da mãe e desaparecimento do pai;

- Manifestações predominantes do comportamento perante normas.

3.2.9. Hipótese sistémica


- Trabalhar com a PI para esclarecer a sua história social;

- Identificar o comportamento de risco da PI na Instituição, que lhe leva problemas acima.

3.2.10. Contrato e aliança terapéutica


- Abertura para a terapia em rede;

- Compromisso com a isntituição para encontrar a família;

3.2.11. Planificação do tratamento à luz do contrato


• Finalidade: Esclarecer a sua história social e apoiar a reencontrar a sua família biológica

23
• Metas:

- Encontro com a PI para esclarecer a sua história social;

- Reduzi a ansiedade;

- Trabalhar os problemas de perturbação de adaptação;

- Modificação comportamental;

- Trabalhar as emoções;

- Encontros com a PI e com os directores dos dois centros.

• Estratégias:

- Terapia Comunitária;

- Teoria Estrutural;

- Terapia cognitivo-comportamental.

• Técnicas:

- Empatia;

- Escuta activa;

- Co-participação

3.2.12. Resultados da intervenção


Dificuldades de fechar este caso devido a falta de registo ou informação documentada sobre a
sua história social desde o tempo de seu acolhimento até ao presente momento.

3.2.13. Follow up/ monitoramento


Apesar da falta de informação sobre a sua história é possível se obter alguma informação sobre a
sua família, visto que seu pai vivia perto da casa Alegria.

24
3.2.14. Conclusão ou fim da intervenção
Enquanto não se explicar a situação da família biológica da PI, ela e seu irmão correm o risco de
de uma Institucionalizaçao eternal.

Lamentavelmente, não foi possível fechar com sucesso este caso embora faça parte dos casos
antigos, devido a falta da Base de Dados que contenha sua história social nas duas Instituições, a
Casa da Alegria e a Casa Madre Maria Clara onde se encontra acolhida presentemente.

3.3. Apresentação do Caso “E”

3.3.1. Processo psicodiagnóstico e terapéutico


Dados do paciente:

Nome: E

Data de nascimento:15/03/ 1996

Endereço: Casa Madre Maria Clara - casa de acolhimento de meninas em situação difícil

Telefone: 82 XX XX XXX

Estado civil: Solteira

Nível de escolaridade: Presentemente frequenta a 7ª classe

Trabalho/actividade: Estudante

Data do início da terapia: 08/04/14

Data do fim da terapia: 12/06/14

Número de sessões: 08

Informação sobre a derivação: Encaminhada pela casa Madre Maria Clara

Problema apresentado:

25
Dificuldades de relacionamento com as Irmãs/gestoras do centro e deseja reencontrar a sua
família biológica.

3.3.2. Genograma da paciente “E”


Família imaginária

Apesar de a paciente não conhecer a sua família biológica, ela tem uma imaginação sobre a sua
cosntituição, contudo sem poder indicar nomes nem saber se ainda estão vivos.

? ? ?
?

? ?

Instituição

Casa
M.M.Clara
Fonte: Autor

Quando a PI comete alguma irregularidade, lamenta o facto de algumas Irmãs/gestoras do Centro


estarem dizer que, assim o faz por ter sido encontrada na Lata de Lixo quando ainda era bebé. E
assim, ela foi reeconstruindo a sua história pensando que fosse verdade de que sua mãe lhe
deixara nao Lixo.

Família real:

Através da Terapia Comunitária onde participaram os Terapeutas, o Chefe de Quarteirão, os


vizinhos e a tia da PI que é irmã mais velha de sua mãe, que tem o mesmo nome da PI,
construiu-se a seguinte representação gráfica da sua família real. No entanto, após sessões de

26
Terapia de Rede e Comunitária conclui-se que a PI foi internada na Casa da Alegria aos três anos
de idade quando sua mãe faleceu, tendo sido levado para aquele Centro pelo seu tio, o irmão
mais velho da sua mãe. Não se conhece a situação social de seu pai, mas sabe-se que sua mãe
teve dois filhos de sexo masculino no primeiro casamento e que se encontram a viver no distrito
da Macia, província de Gaza. A sua tia com o mesmo nome reside no Bairro Polana Caniço B
com seus dois netos e com um homem do segundo casamento.

Genograma da família real:

Chará
da PI

PI

Instituição
Fonte: Autor
Casa
M.MClara

Nas definições sociológicas, destaca-se Meneses (2007) que refere que a família constitui uma
configuração do indiíduo, composta pela estrutura nuclear, extensiva e de procriação. A visão
sociológica da família está assente no número de membros integrantes, organizados por

27
casamentos, nascimentos, adopções, não têm em conta as famílias monoparentais, reconstituidas
e substitutas.

Gonzalez (2012:26) citando Rezzini et al (2006), afirma que é ressaltada a importância de que,
qualquer que seja a forma de acolhimento possível, deve ser priorizada a reintegração ou
inserção familiar da criança ou adolescente.

Ecomapa da paciente E

Instituição 2

C.M.M.Clara Amigos na
Terapeuta Instituição
familiar
Instituição 1
Igreja A
C. Alegria-seu
Irmao
Colegas da
escola Escola

Terapeuta Amigos fora


tradicional da instituição
Fonte: Autor

3.3.3. História contada pela Instituição 2, designada “Casa Madre Maria Clara”
A paciente foi referida da Instituição 1, a casa da Alegria aos 06 anos de idade e actualmente
tem 18 anos. Não foi possível obter-se a sua história social através desta Instituição, visto não
possuir uma base de Dados organizada e actualizada, contendo histórias sociais de todas as
crianças ali existentes. Segundo uma das gestoras da Instituição 2, a PI está na situação social de
abandonado, não se sabendo assim o paradeiro de sua família biológica.

3.3.4. História contada pela Instituição 1, a “Casa da Alegria”


Foi nesta Instituição de acolhimento onde a paciente identificada teve a sua primeira experiência
da vida institucional.

28
Aqui, obteve-se a informação de que a PI foi levada aos três anos para aquela casa por um senhor
identificado por Z, no dia 19/06/99. Também ficou a se saber que o senhor Z vinha do Bairro A,
Quarteirão 7.

Através de um trabalhador-Motorista da Instituição soube-se que a PI quando chegou naquela


instituição muito pequena e encontrava-se doente.

Evolutivo

Desejo de reencontrar a família biológica.

Sexual

Através de um grupo de pares ela recebe orientação sexual no centro onde está acolhida,
atendendo a sua idade.

Escola/trabalho

Ela frequenta a 7a classe. Segundo a sua idade e comparando com o nível académico, pode se
constatar que ela tem dificuldades na aprendizagem.

Relacional

Tem um bom relacionamento com duas colegas da Instituição onde vive, tem também com
amigos de fora do centro. Igualmente desenvolveu boas relações com os terapeutas familiar e
comunitária.

Médica

A sua história médica não apresenta algo de realce. Portanto, considera-se de boa saúde.

3.3.5. Diagnóstico
3.3.5.1. Psiquiátrico
De acordo com o manual DSM-IV-TR a PI apresenta o seguinte diagnóstico:

Eixo IV: Problemas psicossociais e ambientais

29
Problemas com grupo primário: V.62.89

Problemas da fase de vida [Z60.0]

Dificuldades em aceitar o abandono da família

Problemas relacionados com o ambiente social

Desmantelamento da família

3 3.5.2. Hipótese sistémica


• Desenvolver a Terapia de rede para encontrar a sua família biológica;

• Trabalhar com a PI para esclarecer a sua história social

3.3.6. Contrato e aliança terapéutica


• Abertura para a terapia em rede;

• Compromisso com a isntituição para encontrar os familiares;

3.3.7. Planificação do tratamento à luz do contrato


• Finalidade: Esclarecer a sua história social e apoiar a encontrar a sua família biológica

• Metas:

ü Encontro com a PI para esclarecer a sua hsitória social;

ü Ajudar a PI aceitar a família;

ü Reconstruir a família

• Encontros com a Estrutura do Bairro Z para encontrar a família da PI

Estratégias:

ü Terapia de Rede;

ü Teoria Estrutural

ü Terapia Tradicional

30
• Técnicas:

ü Empatia;

ü Escuta activa;

ü Co-participação

3.4. Processo terapéutico


O terapeuta familiar e comunitário, para ter sucesso no seu trabalho, precisa sair do paradigma
positivista para a fenomenologia, que trata das experiências das pessoas ou seja, das práticas
sociais. Portanto, interessam-lhe os significados que as pessoas atribuem às acções.
Sendo que tem se verificado nas nossas comunidades a prática do pluralismo médico ou
terapéutico, que consiste na coexistência num dado contexto de mais do que uma prática médica
ou terapéutica, assim, para a realização deste processo terapéutico isnpirou-se nas práticas
terapéuticas como terapia em rede, a terapia sistémica e terapia tradicional.

Num nível existencial, as relações sociais contribuem para dar sentido à vida de seus membros.
As relações sociais favorecem a organização da identidade por meio do olhar e de acções de
outros. Disso deriva a experiência de existirmos para alguém ou servirmos para a coisa, o que
por sua vez, outorga um sentido e estimula a manutenção das práticas de cuidado de saúde e em
última instância, continuar vivendo (Suzuki apud Amaro, 2007:29).

A Teoria Geral dos Sistemas elaborada e sistematizada pelo biólogo Ludwig Von Bertalanffy na
década 50 surge como reacção ao modelo mecanicista de causalidade linear que intervém através
da divisão das partes do todo, i.e., busca uma explicação unificada do comportamento humano
tendo como pressuposto básico (Bertalanffy, 1971).

Müller & Müller (1999:206) referem que o ser humano está rodeado de uma multidão de poderes
espirituais, sendo que existem aqueles que têm boas intenções, que ajudam no trabalho diário e
aqueles que somente intentam maldade e que podem ser espíritos selvagens ou então almas de
pessoas falecidas que não podem entrar no reino dos mortos e que por isso procuram se vingar
dos vivos pelo seu infortúnio.

31
3.4.1. Apresentação de sessões de terapia
Sessão 1:

Terapeuta: Inácio

Co-terapeuta: Quitéria

Participante: PI

Local: Casa Madre Maria Clara, Bairro de Lhanguene

Este é um dos novos casos que a Instituição solicitou apoio aos Terapeutas para intervenção
devido a complexidade da sua natureza, visto que a ausência da história social da parte da
Instituição dificulta a sua reinserção social.

A PI mostrou-se muito preocupada pela forma como as Irmãs/gestoras lhe estigmatizam.


Segundo ela, quando comete alguma irregularidade, elas têm lhe dito que “hás de voltar para a
Lata de Lixo, onde foste encontrada”. Estas declarações preocuparam-nos, porque a serem
verdade põem em causa o processo de vinculação afectiva entre a PI e os educadores que têm o
papel de educar para a sua reinserção social. Por outro lado permitiu-nos compreender que a
Instituição não têm história social da PI.

Para Bowbly (1977), o apego é a propensão dos seres humanos a construirem ligações afectivas
fortes a outros específicos, o que explica as formas de sofrimento emocional e distúrbio de
personalidade, como ansiedade, raiva, depressão e desapego emocional, isto é, sensassões
originárias da separação ou da perda não desejadas.

Sessão 2:

Terapeuta: Beatriz Valeriano Da Cruz Sabao

Co-terapeuta: Quitéria

Participantes: PI e funcionários dos dois Centros de acolhimento

Local: Casa da Alegria , Bairro do Hulene e Casa Madre Maria Clara

32
A PI mostrou-se muito cooperativa e ansiosa em ver os resultados desta sessão a desvendarem a
realidade da sua história, sendo que foi ela que orientou a direcção para se chegar a esta
instituição. No local deparamos com uma situação de que todos aqueles que eram gestores da
quando a PI foi acolhida, foram transferidos para outras instituições. No entanto, alguns antigos
trabalhadores apoiaram-nos dando certas informações relevantes.

Na tentativa da busca da história social da PI, foi-nos facultado um dado que consideramos de
extrema importância. Trata-se de um nome e endereço físico de um senhor que acompanhara a PI
para aquele Centro, no dia 25 de Junho de 1999, quando ela tinha três anos de idade. Ficamos
também a saber que desde que esse senhor foi deixar a PI nunca mais voltou para visitá-la.

Sessão 3:

Terapeuta: Inácio

Co-terapeuta: Beatriz

Participante: Secretário do Bairro

É de referir que segundo a informação obtida na casa da Alegria, procuramos o Secretário do


Bairro Polana Caniço. Porque não tinhamos informação sobre qual seria o Bairro, visto que está
subdivido em A e B o Secretário do Bairro, humildemente nos referiu ao chefe do Quarteirão da
Polana Caniço A e lá chegados não conseguimos localizar o senhor que procurávamos. Porque
estes Bairros são muito próximos, ainda no mesmo dia procuramos localizar o chefe do
Quarteirão da Polana Caniço B, e felizmente obtivemos a informação de que o senhor que
procurávamos era conhecido, contudo ele falecera há mais de 10 anos.

Sessão 4:

Terapeuta: Beatriz

Co-terapeuta: Quitéria

Participante: Secretário do Bairro

33
Nesta sessão procuramos o chefe do Quarteirão da Polana Caniço B, e felizmente obtivemos a
informação de que o senhor que procurávamos é conhecido, contudo ele faleceu há mais de 10
anos.

Com o recurso a terapia de Rede, conseguimos identificar uma senhora que é irmã do senhor de
referência, e assim marcamos um encontro com ela para uma sessão terapéutica.

Sessão 5:

Terapeuta: Inácio

Co-terapeuta: Beatriz

Participante: Irmã do senhor de referência

3.4.2. História contada pela senhora de referência


Após a nossa apresentação perguntamos a senhora “E” se conhecia um senhor com nome “X”,
que levara uma criança para um centro de acolhimento? De seguida pedimos-lhe a nos contar a
hsitória da sua famíla, o que fez tal como se segue:

O senhor “X” é irmão mais velho da senhora de referência, faleceu devido ao consumo excessivo
do álcool. A PI é filha da sua irmã mais nova que morreu por motivos de doença. O corpo da
mãe da PI foi sepultado na vala comum devido a falta de meios financeiros para a realização de
um funeral condigno. A mãe da PI teve dois filhos no primeiro casamento e uma filha que é a PI
no segundo casamento. A PI tem dois irmãos nascidos da mesma mãe mas de pais diferentes.
Pressupõe-se que o pai dela encontre-se vivo e a residir na província de Gaza junto da sua
família. O seu padrasto vive na província de Gaza, distrito da Macia junto com seus dois irmãos
ambos do sexo masculino. A PI tem primos que estão a residir no distrito de Boane, província de
Maputo.

Sessão 6:

Terapeuta: Beatriz

Co-terapeuta: Quitéria

Participantes: PI, Supervisora, Gestores da Instituição, Tia da PI e 2 primos da PI

34
O acolhimento deve ser eminentemente temporário e transitório e não pode ser visto como uma
solução. Nos casos em que a reintegração às famílias de origem não é possível, é preciso haver
uma política pública, que pense em alternativas, tais como a colocação em famílias substitutas, a
adopção, entre outros (Gonzalez, A. et al, 2004:39).

Esta sessão realizou-se no local do estágio, tendo os Terapeutas levado a família da PI


constituida pela tia, e dois seus primos para apresentação. O ecnontro esteve carregado de muita
emoção, tendo tanto a PI quanto a tia lacrimejados de satisfação. A tia contou histórias tristes
sobre as causas da morte da mãe da PI e o facto de o seu irmão, o mesmo que acompanhara a PI
ao Centro, tendo desviado valor monetário que sua empresa lhe dera para custear as despesas
fúnebres de sua irmã, tendo assim, sido espultada na vala comum por falta de meios financeiros.

Na actualidade, há maior conscientização da necessidade de focar a atenção para as causas dos


problemas que que têm levado ao acolhimento de crianças e adolescents e para a busca de
formas de apoiar e possibilitar a permanência destes junto às suas famílias e comunidades
(Gonzalez, A. et al, 2012:21).

Por seu turno, as Irmãs/gestoras do Centro comentaram sobre anecessidade de se reintegrar a PI à


sua família, contudo junto os Terapeutas acordou-se que devido as condições financeiras devia
ser acautelada a referida reinserção familiar. Igulamente, concordou-se que devia-se promover
encontros livres e exporádicos através de visitas para as ambas partes desenvolver vínculos
afectivos.

3.4.3. Resultados da intervenção


ü A PI encontrou a família;

ü A tia da PI se sentiu apoiada pelos Terapeutas e pela Instituição;

ü A PI está a interagir com a sua família.

3.4.4. Follow up/ monitoramento


Durante as sessões houve momentos de muita emoção tendo assim motivado aos Terapeutas a
gerirem esses momentos.

35
3.4.5. Conclusão ou fim da intervenção
A PI, sua tia e seus primos estão a promover encontros através de visitas na Instituição de
acolhimento e em casa da tia.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conhecer para poder intervir foi um princípio que norteou o estagiágio a enveredar pela
condução dos casos referidos.

4.1. Dificuldades
Durante o estágio deparou-se com algumas dificuldades entre elas a indisponibilidade de tempo
por parte da orientadora institucional para junto com os estagiários fazer a monitoria da
implementação das actividades, a falta de base de dados ou ficheiros das pacientes acolhidas com
as suas histórias sociais.

4.2. Limitações
A falta de informação detalhada e arquivada sobre as histórias sociais das pacientes limitou a
condução de casos com sucesso.

4.3. Recomendações
Tendo em conta os objectivos do plano de intervenção, que eram orientados para esclarecer as
suas histórias sociais, trabalhar as emoções, recomenda-se às famílias promoverem visitas às
suas crianças acolhidas. Para as crianças consideradas abandonadas.
O quadro teórico de referência serviu para o estagiário identificar os instrumentos adequados
para o levantamento de dados da situação problemática, avaliação e resposta.
O estágio, supervisão e coaching II deu valiosas contribuições para promover encontros entre os
membros dos sistemas familiares através de visitas domiciliárias, como também contribuiu para
o reencontro familiar entre uma Paciente que se encontrava na situação social de abandono, sem
nenhum familiar.

36