Você está na página 1de 5

Eletro candinha:

1. Ritmo cardíaco sinusal: ver se toda onda P é seguido de um complexo QRS e se ela
(onda P) é positivas em D2. Se sim, o ritmo é sinusal.
2. Onda P: ver se tem 2,5 quadradinhos no máximo tanto na vertical quanto na
horizontal. Depois ver o fomato da onda P que normalmente é redonda e assimétrica
(ascensão um pouco mais lento que a queda).
3. Intervalo PR: ver se dura 0,2 segundos, ou seja, 5 quadradinhos, se sim está normal. So
lembrando que intervalo PR é do inicio da onda P até o inicio do QRS e segmento PR é
do final da onda P até o inicio do QRS.
4. Complexo QRS: ver aonde está o eixo elétrico, depois se QRS dura até 2,5
quadradinhos se sim está normal, se dura mais indica bloqueio. Depois ver se a
amplitude é menor que 8 mm. Só lembrando que o índice de Sokolov se faz somando
o S de V1 com o R de V5 ou V6 (oque for maior) e que nas derivações V1 e V2 o
complexo é negativo, V3 e V4 estão na transição e V5 e V6 são positivos.
5. Segmento ST: primeiro ver se está na mesma linha de base que o intervalo PR,
podendo estar até no máximo 1 quadradinho para cima ou para baixo para ser normal.
Acima disso é considerado que está supra ou infra desnivelado.
6. Onda T: não se mede duração ou amplitude, apenas vê se o formato é arredondado
(ascensão mais lento que a queda) e se tem a mesma polaridade que o complexo QRS.

Lembretes: cada quadradinho na horizontal tem 0,04 milisegundos, e um quadrado grande


tem 0,2 segundos. Cada quadradinho na vertical do eletro tem 0,1 milivolts e um quadrado
grande tem 0,5 mV.

Onda P difásica (um componente positivo e um negativo) é normal desde que a parte positiva
seja maior que a negativa (ver eletro 1).

Sinais de sobrecarga do átrio esquerdo (melhor visto em D2 e V1) são: onda P em corcova
(melhor visto em D2), aumento da duração de P e onda P difásica com porção negativa maior
que a positiva (melhor visto em V1). (ver eletro 3).

Para saber a FC divide 1500 pelo numero de quadradinhos entre dois complexos QRS.

Sinal de sobrecarga do AD: onda P com amplitude aumentada e apiculada (não é mais
arredondada). (ver eletro 4).

Se tem apenas um retardo do intervalo PR, intervalo PR é constante e toda onda P é seguida
de QRS: bloqueio de 1º grau. (ver eletro 5).

Hipertrofia do VE é indicado pelo índice de Sokolov (soma de S de V1 com o R de V5 ou V6)


maior que 35 mV. E o desnivelamento de ST indica isquemia. Os dois juntos indicam que o VE
está com sobrecarga (excesso de carga faz musculo hipertrofiar e esse aumento de massa
muscular gera isquemia do musculo). (ver eletro 8 ).

Hipertrofia do VD é indicado pela mudança do eixo elétrico e consequentemente o QRS em V1


vai ser positivo e em V5 e V6 negativo. (ver eletro 9).
Eletrocardiograma-bloqueio

O estimulo para a contração cardíaca tem inicio no nó sinoatrial, depois ele caminha até o nó
atrioventricular, depois passa pelos feixes de His direito e esquerdo e depois para as fibras de
Purkinge e por ultimo chega ao musculo cardíaco.

A onda P significa a despolarização dos átrios

O complexo QRS significa a despolarização dos ventrículos. Do inicio da onda P ao inicio do


complexo QRS existe um espaço no eletrocardiograma sem ondas que corresponde ao espaço
PR ou PQ e é um marcador da saúde do sistema de condução cardíaca. O espaço PR deve ter
de 3 a 5 mm no eletro (3 a 5 quadradinhos), sabendo que cada mm corresponde a 0.04
segundos. Já a duração do complexo QRS deve ser de 2 a 2,5 mm.

O bloqueio do nó sinoatrial faz com que o estimulo no NS nasça mas não passa para o átrio
(não contrai) não gerando onda P e nem complexo QRS e onda T (porque o estimulo não é
conduzido do átrio para o ventrículo). No eletro isso é demonstrado por ondas normais que de
vez em quando ocorre um sumiço das 3 ondas em um mesmo ciclo, deixando o dobro da
distancia entre ondas normais do eletro.

No bloqueio atrioventricular, o átrio contrai normalmente, mas a condução para os ventrículos


é retardada ou alterada. Existem variam variantes:

 Bloqueio AV de 1º grau: o estimulo demora mais para passar do átrio para o ventrículo
sempre e todos os estímulos do átrio são conduzidos para o ventrículo. No eletro isso
é traduzido por uma onde P longe do complexo QRS (maior que 5mm ou 5
quadradinhos). Ocorre aumento do intervalo PR. Essa condição pode não ser
patológica, podendo ocorrer em atletas devido um estimulo do parassimpático
excessivo.
 Bloqueio AV do 2º: ocorre uma dificuldade de passar o estimulo, não passando todos
(nem toda onda P é seguido do complexo QRS), podendo ou não ser retardados. O
Bloqueio AV de 2º grau é subdividido em Mobtz 1 onde se vê o fenômeno de
Wenckenbach (aumento progressivo de da distancia da onda P do complexo QRS até
não ter QRS, voltando o ciclo depois) e Mobtz 2 onde não se tem fenômeno de
Wenckenbach (espaço PR é o mesmo sempre, a onde P nem sempre é seguido de
complexo QRS). Ainda deve ser indicado o nº de ondas P e o nº de complexo QRS por
cilco (exemplo 4/3 significa que a cada ciclo tem 4 ondas P e 3 complexo QRS). Quando
O QRS some indica final do ciclo e quando ele aparece indica o inicio. Portando temos
o bloqueio AV de 2º grau Mobtz 1) X (nº de ondas P)/Y (nº de QRS) e bloqueio AV de 2º
grau Mobtz 2 X (nº de ondas P)/Y (nº de QRS). O Mobtz dois indica doença grave e
sempre há indicação de marca passo.
 Bloqueio AV de 2º grau 2/1: ocorre quando um estímulo passa do átrio para o
ventrículo e o outro não passa, por isso não tem como classifica-lo em Mobtz (não tem
como ver o fenômeno de Wenckenbach). Ele recebe esse nome porque no eletro se
tem 2 ondas P e 1 QRS por ciclo. Não tem alteração do espaço PR.
 Bloqueio de 2º grau avançado: quando 2 ou mais estímulos seguidos não conseguem
passar para o ventrículo. No eletro é traduzido como ondas normais seguidos de duas
ou mais ondas P sem QRS. Pode ser Mobtz 1 ou 2, deve ser colocado quantas ondas P/
QRS (exemplo 5/3, 6/4).
 Bloqueio AV total ou de 3º grau: quando o NS para de enviar estimulo para o
ventrículo totalmente, o estimulo para a contração ventricular é gerado pelo nódulo
AV, se este falhar o estimulo é gerado nos feixes de His (direito e esquerdo) e se este
falar o estimulo é gerado pelas fibras de Purkinge. Cada vez que a condução é gerado
em um local mais inferior no sistema de condução a frequência de contração diminui,
logo a onda P tem uma frequência diferente da QRS, porem as distancias entre as
ondas P (frequência) são iguais e as distancias entre QRS (frequência) são iguais. O NS
despolariza, contrai o átrio mais não passa para o ventrículo, ou seja, o ventrículo é
estimulado por outro sitio e por isso se despolariza em outra frequência. A frequência
do átrio está dissociado da frequência do ventrículo. A onde P ocorre aleatoriamente e
sem relação com a QRS que ocorre em outra frequência. Esse ritmo é chamado de
ritmo de escape (quando o NS não manda mais no ventriculo).
 Bloqueio de ramo: é quando o estimulo desce e não passa para o lado esquerdo ou
para o direito. O problema não está no NAV. Por exemplo no bloqueio de ramo
esquerdo o estimulo vai para o ramo direito e a musculatura do lado direito conduzira
o estimulo para o lado esquerdo, por isso o QRS fica longo, pois essa depolarização
demora pra terminar, o intervalo PR não altera. Para ver se o bloqueio é de ramos
direito ou esquerdo ver a derivação V1 do eletro. Isso é um dos critérios, se for
negativo o bloqueio é de ramo esquerdo, se for positivo é bloqueio de ramo direito.

Arritmias
Se tiver uma área fibrotica dentro do miocárdio o estimulo que chega nele dá uma volta nessa
área e volta a despolarizar o ventrículo (reentrada). Isso se chama extrassístole ventricular que
pode ser isolado, pareadas (2 extra-sístoles juntas), monofocais (um foco fibrotico) e bifocais
(2 ou mais focos fibroticos). Ela pode ser sustentada, quando dura mais de 30 segundos ou não
sustentada. É a arritmia mais comum (85%) sendo que essa ilha fibrotica pode ser temporária
ou permanente, móvel ou imóvel. Pessoas que usam cocaína pode ter esse achado (miocardite
espasmo de microcirculação). No eletro isso se manifesta como um QRS precoce e largo
(inverte o sentido do estimulo) e distorcido. Se houver varias reentradas, vai ter varias
extrassistoles seguidas. Quando ocorre uma extrassistole por batimento normal ela é chamada
de bigeminada. Esse fenômeno de reentrada pode desencadear uma taquicardia ventricular.

No átrio esse fenômeno de reentrada ocorre na entrada ou saída de vasos do coração


ocasionando uma extrassisole supraventricular que pode gerar uma taquicardia. No eletro
ocorre um batimento precoce (QRS) com as mesmas características que o QRS anterior, mas a
onda P pode ocorrer em qualquer lugar. Nos usuários de cocaína pode ocorrer esse fenômeno.

Se ocorrer várias depolarizações atriais (estimulo fica rodando em volta do átrio devido às
varias entradas de vasos na parede do átrio) o nódulo atrioventricular não deixa passar todos
para o ventrículo. Se a frequência do átrio for por volta de 300 isso gera no eletro varias ondas
P (chamado de onda F) e em intervalos regulares ocorrem as o QRS (NAV deixa passar 1
estimulo e bloqueia o outro). Isso se chama Fluter atrial. Gera uma taquicardia.

Se essa frequência do átrio for de 450 (pelo mesmo mecanismo) ocorre a fibrilação atrial, onde
no eletro não se consegue ver ondas P nítidas e o QRS tem distancias variáveis ( o NAV não
tem muito controle sobre a passagem de estímulos). É a 3º causa de arritmias. O tratamento
do fluter e da fibrilação é o mesmo.

Dentro do nodo AV pode ocorrer que a fibra de uma lado seja mais rápido que a do outro lado,
então ocorre uma recirculação do estimulo no nodo AV (micro reentrada). Cada vez que
completa um ciclo essa reentrada despolariza uma vez o átrio e uma vez o ventrículo. Isso se
chama dupla via nodal. No eletro observa-se uma onda P invertida (inverte o sentido da
despolarização) e pode ocorrer antes, no mesmo momento ou depois do QRS. Ocorre em
doenças próprias do nodo AV.

Pode ocorre quando se tem a despolarização atrial do estimulo passar pela valva mitral e/ou
tricúspide. Esse estimulo é mais rápido do que o que vem pelo nodo AV, pois neste local ele é
desacelerado para que o átrio se contraia primeiro que o ventrículo. No eletro isso é
demonstrado por uma onda P perto do QSR (curto circuito) e isso é chamado de síndrome de
Wolf-Parkinson-White (WPW). Se ocorrer um aumento da frequência atrial a frequência do
ventrículo aumenta (o NAV não controla mais a passagem do estimulo para o ventrículo), e se
ocorrer fibrilação atrial, ocorre fibrilação ventricular e morte. O estimulo que vem do NAV,
pode passar pelo orifício das valvas e fazer um macro reentrado gerando uma taquicardia que
é chamada de ortodromica.

A taquicardia ventricular pode evoluir para uma fibrilação ventricular que é uma emergência,
pois pode gerar parada cardíaca. Nessas condições o paciente não tem pulso, não está
orientado, no eletro não se ve onda P e QRS. Se o paciente estiver bem, mas não tem onda P e
QRS é porque o eletrodo está solto. A manobra do seio de valsava é usado para ver o fluter e
consiste em comprimir os seios carotídeos e espaçar o QRS então da pra ver as varias ondas P.

Hipertrofias cardíacas no eletrocardiograma

O intervalo entre o final do QRS até o inicio da onda T é denominado espaço ST. A onda P é
redonda e tem amplitude máxima de 2,5 mm. A amplitude total do QRS varia de pessoa a
pessoa e de derivação para derivação.

A frequência cardíaca pode ser estimada através da distancia entre dois QRS e divide 1500 por
essa distancia acha-se a frequência cardíaca.

O aumento do átrio esquerdo faz com que a duração da despolarização aumenta (maior massa
para o estimulo percorrer). No eletro isso é traduzido como uma onda P bífida (onda P mitrale)
e ela fica negativa em V1.

O aumento do átrio direito faz com que a duração da despolarização aumente (maior massa).
Isso se traduz no eletro como uma onda P pontuda e acima dos 2,5 mm (onda P pulmonale).
O VE como tem uma massa maior que o VD, o QRS é um reflexo da despolarização do VE
(domínio do VE sobre o VD). A hipertrofia do ventrículo esquerdo (exemplo na estesone
aórtica e HAS) aumenta a massa do VE que já era maior que a do VD. Então tem mais miofibrila
e por isso a amplitude do QRS no eletro aumenta. Existem 3 critérios para diagnosticar a HVE
no eletro:

 Como a amplitude do QRS varia de pessoa a pessoa, usa-se os critérios de Sokolow:


soma-se a onda S de V1 com a onda R de V5 ou V6 (a que for maior), se essa soma for
maior que 35mm ele tem critério para HVE (exceto se for atleta, ai tem q ser acima de
40mm).
 A maior massa do VE desvia mais ainda o eixo elétrico para esquerda (eixo superior
esquerdo). Então vai ter D1 positivo e aVF negativo ou nulo.
 Em padrão de estresse vai ter um infra desnivelamento de ST em V5 e V6.

Quando se tem um bloqueio de ramo e uma hipertrofia ventricular ocorre uma onda T
alterada por QRS (alteração secundaria da repolarização).

A despolarização do VD não se expressa no eletro, pois o VE domina o direito. A hipertrofia do


ventrículo direito tem alguns critérios para seu diagnostico:

 Desvio do eixo elétrico para direita (negativa em D1 e positivo em aVF.


 V1 e V2 tem R grande.

Só lembrando que esses são alguns critérios para HVE e HVD, existem outros.

O IAM ocorre devido o fechamento das coronárias. A alteração mais precoce do eletro é o
supra nivelamento do seguimento ST em 2 ou mais derivações e tem que ser maior que 1mm.
Essa fase precoce é chamada de Corrente de Lesão. Depois a onda T inverte (indica Isquemia) e
aparece a onda Q (indica Necrose). O supra desnivelamento de ST desaparece, a onda Q
permanece e a onda T se normaliza (cicatriz do infarto). Nem todo infarto altera o eletro. A
onda R desaparece (??). Se houver supra e infra desnivelamento de ST (imagem espelhada) em
diferentes derivações sempre se sobressai o supra desnivelamento. Algumas situações podem
supra desnivelamento do seguimento ST (vagotonia, bloqueio do ramo direito) e para
diferenciar deve-se fazer testes ergométricos.

A síndrome do coração de atleta: altera eletro.

Você também pode gostar