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Capftulo 1.

Conjuntos Finitos e Infinitos 1


1. Números naturais
2. Conjuntos finitos 3
3. Conjuntos infinitos 5
4. Conjuntos enumeráveis 6
B. Exercícios 9

Capftulo 2. Números Reais 11


1. IR é um corpo 11
2. IH: é um corpo ordenado 12
:1. li~ é um corpo ordenado completo 15
'1 . Exercícios 19

C1pftulo 3. Seqüências de Números Reais 22


1. Limite de uma seqüência 22
'J . ! .Imites e desigualdades 26
a. Operações com limites 27
,1. Limites Infinitos 31
l'í . Fxorcfclos 33

01pftulo 4. Séries Numéricas 37


1. Hc'ltloe convergentes 37
1;1 . B~rlos absolutamente convergentes 39
11 hu1tnH de convergência 41
il Comutatividade 43
n 1 ,cnrofclos 45

01pllulo 15. Algumas Noções Topológicas 48


1 !lo11juntos abertos 48
1,1 Conjuntos fechados 49
tt 110111011 de acumulação 52
il l ;011junlos compactos 53
n o 11011ju11to de Cantor 55
ft f ,cnmfofoR 58

01pftulo a. Limites de Funções 61


1 IJ1dh1l91lo o primeiras propriedades 61
lil UmllH lttlc,rale 66
lt ~lmlt111 no Infinito, !Imites Infinitos, expressões indeterminadas 68
~ f:!N•mfolo11 71

01pflulo 7. ,un9õH Contínuas 73


t ll•flt1fvAo • primeiras propriedades 73
2. Funções contínuas num intervalo 76
3. Funções contínuas em conjuntos compactos 79
4. Continuidade uniforme 82
5. Exercícios 85
Capítulo 8. Derivadas 88
1. A noção de derivada 88
2. Regras operacionais 91
3. Derivada e crescimento local 93
4. Funções deriváveis num intervalo 95
5. Exercícios 97

Capítulo 9. Fórmula de Taylor e Aplicações da Derivada 101


1. Fórmula de Taylor 101
2. Funções convexas e côncavas 105
3. Aproximações sucessivas e método de Newton 110
4. Exercícios 114
Capítulo 1O. A Integral de Riemann 117
1. Revisão sobre sup e inf 117
2. Integral de Riemann 119
3. Propriedades da Integral 123
4. Condições suficientes de lntegrabilldade 127
5. Exorclclos 129

Capítulo 11. Cálculo com Integrais 132


1. Os teoremas clássicos do Cálculo Integral 132
2. A Integral como limite de somas de Riemann 136
3. Logaritmos e exponenciais 137
4. Integrais impróprias 141
5. Exercícios 146
Capítulo 12. Seqüências e séries de funções 151
1. Convergência simples e convergência uniforme 151
2. Propriedades da convergência uniforme 154
3. Séries de potências 158
4. Funções trigonométricas 162
5. Séries de Taylor 164
6. Exercícios 167
Capítulo 13. Sugestões e Respostas 171
Sugestões de leitura 190
Índice 191
1

Conjuntos Finitos
e Infinitos

Neste capítulo, será estabelecida com precisão a diferença entre conjunto finito
e conjunto infinito. Será feita também a distinção entre conjunto enumerável e
conjunto não-enumerável. O ponto de partida é o conjunto dos números naturais.

1. Números Naturais

O conjunto N dos números naturais é caracterizado pelos seguintes fatos:

1. Existe uma função injetiva s:N--+ N. A imagem s(n) de cada número


natural n EN chama-se o sucessor de n.
2. Existe um único número natural 1 EN tal que 1 =/= s(n) para todo n EN.
3. Se um conjunto X e N é tal que 1 E X e s(X) e X (isto é, n E X ===}

s(n) E X) então X = N.

Essas afirmações podem ser reformuladas assim:

I '. Todo número natural tem um sucessor, que ainda é um número natural;
números diferentes têm sucessores diferentes.
2'. Existe um único número natural 1 que não é sucessor de nenhum outro.
3'. Se um conjunto de números naturais contém o número 1 e contém também o
sucessor de cada um dos seus elementos, então esse conjunto contém todos
os números naturais.
As propriedades 1, 2, 3 acima chamam-se os axiomas de Peano. O axioma 3
é conhecido como o princípio da indução. Intuitivamente, ele significa que todo
número natural n pode ser obtido a partir de 1, tomando-se seu sucessor s(l),
o sucessor deste, s(s(l)), e assim por diante, com um número finito de etapas.
(Evidentemente "número finito" é uma expressão que, neste momento, não tem
ainda significado. A formulação do axioma 3 é uma maneira extremamente
hábil de evitar a petição de princípio até que a noção de conjunto finito seja
esclarecida.)
O princípio da indução serve de base para um método de demonstração
de teoremas sobre números naturais, conhecido como o método de indução (ou
recorrência), o qual funciona assim: "se uma propriedade Pé válida para o
número 1 e se, supondo P válida para o número n daí resultar que Pé válida
também para seu sucessors( n ), então Pé válida para todos os números naturais".
Como exemplo de demonstração por indução, provemos que, para todo
n E N, tem-se s(n) i- n. Esta afirmação é verdadeira para n = l porque, pelo
axioma 2, tem-se 1 i- s(n) para todo n logo, em particular, 1 i- s(l). Supondo-a
verdadeira para um ce1io n E N, vale n i- s(n). Como a função sé injetiva, daí
resulta s(n) i- s(s(n)), isto é, a afirmação é verdadeira para s(n).
No conjunto N dos números naturais são definidas duas operações funda-
mentais: a adiçc7o, que associa a cada par de números (m, n) sua somam+ n,
e a multiplicaçüo, que faz corresponder ao par (m, n) seu produto m.n. Es-
sas operações são caracterizadas pelas seguintes igualdades, que lhes servem de
definição:

rn, + L = s(m);
rn+s(n)=s(m+n), istoé, m+(n+l)=(m+n) + l;
n1,.l = m;
m.(n+l)=m.n+m.

Noutros termos: somar 1 a m significa tomar o sucessor de m. E se já


conhecemos a soma m + n também conheceremos m + (n + l), que é o sucessor
de m + n. Quanto à multiplicação: multiplicar por 1 não altera o número. E
se conhecemos o produto m.n, conheceremos m.(n + 1) = m.n + m. A de-
monstração da existência das operações + e . com as propriedades acima, bem
como sua unicidade, se faz por indução. Os detalhes serão omitidos aqui. O
leitor interessado pode consultar o "Curso de Análise", vol. 1, ou as referências
11ropricdades da adição e da multiplicação:

nssociatividade: (m+n) +p = m+ (n+p), m.(n.p) -:-- (m.n).p;


distributividade: m.(n + p) = m.n + m.p;
mnmtividade: m+n=n+m, m.n=n.m;
fo,i do corte: m + n = m + p ===} n = p, m.n = m.p ==} n = p.
Dados os números naturais m, n, escreve-se m < n quando existe p E N
t.a.l que n = m+p. Diz-se então que m é menor do que n. A notação m s n
Hiµ;uifica que m < ·n ou m = n. Prova-se que 'Tn < n, n < p ==} m < p
( t.ransitividade) e que, dados m, n E N quaisquer, vale uma, e somente
11111a, das três alternativas: m = n, m < n ou n < m.
Uma das mais importantes propriedades da rel(!,ção de ordem m < n
1111t.ro os números naturais é o chamado princípio da boa-ordenação, abaixo
11111111ciado e provado,
Todo subconjunto não vazio A e N possui um menor elemento, isto é,
u:111. elemento no E A tal qv.e nos n pam todo n E A.
A fim de provar esta afirmação, para cada número n E N, chamemos
dn ln o conjunto dos números naturais s n. Se 1 E A então 1 será o
111c11or elemento de A. Se, porém, 1 (/-. A, então consideremos o conjunto
X dos números naturais n tais que In e N -A. Como li= {1} e N -A,
vmnos que 1 E X. Por outro lado, como A não é vazio, concluirnos que
X f- N. Logo a conclusão do axioma 3 não é válida. Segue-se que deve
c\xistir n E X tal que n + l ff. X. Então In = {1,2, ... ,n} e N - A mas
no = n + l E A. Portanto no é o menor elemento do conjunto A.

2. Conjuntos finitos
Continuaremos usando a notação ln = {p E N ; p S n}.
Um conjunto X diz-se finito quando é vazio ou então existem n E N e
11ma bijeção f: ln - X. Escrevendo x1 = f(l), x2 = f(2), ... , Xn = f(n)
t.mnos então X = {xi, x2, ... , Xn}- A bijeção f chama-se urna contagem
dos elementos de X e o número n chama-se o número de elementos, ou
número cardinal do conjunto finito X. O Corolário 1 abaixo prova que
o número cardinal está bem definido, isto é, não depende da particular
contagem f.

Teorema 1. Se A é um subconjunto próprio de In, não pode exist;ir


uma bijeção _f: A - ln.
Demonstração: Suponha, por absurdo, que o teorema seja falso e con-
sidere no E N, o menor número natural para o qual
existem um subconjunto próprio A C In 0 e uma bijeção f: A ---+ Inu.
Tem-se, evidentemente, no > 1. Seja a E A tal que f (a) = no. A restrição
de f ao subconjunto próprio A-{a} C Ino-1 será uma bijeção sobre Ina-1,
o que contraria a minimalidade de no. D

Corolário 1. Se f: Im ---+ X e g: In ---+ X são bijeções então m = n.


Com efeito, se fosse m < n então Im seria um subconjunto próprio
de In, o que violaria o Teorema 1, pois g- 1 o f: Im ---+ ln é urna bijeção.
Analogamente se mostra que nã.o é possível n < m. Logo m = n. D

Corolário 2. Seja X um conjunto nnito. Uma aplicação f: X ---+ X é


injetiva se, e somente se, é sobrejetiva.
Com efeito, existe uma bijeção c.p: In---+ X. A aplicação f: X---+ X
é injetiva ou sobrejetiva se, e somente se, c.p- 1 o f o c.p: In ---+ In o é.
Logo podemos considerar f: In -> In.. Se f for injetiva então, pondo
A = f (ln), teremos uma bijec~iio .r- 1 : A ---+ In. Pelo Teorema 1, A = In
e f é sobrejetiva. Reciprocau1c11tc, se f for sobrejetiva então, para cada
:1; E In, podemos escolher y = y(:1:) E In tal que f(y) = x. Isto define
uma aplica<_:ão .<J: In. -> In. La! q1w ./'(.<1(:r:)) = :i; para todo x E In. Então
g é injetiva e, pelo qnc acabamos de provar, g é sobrejetiva. Assim, se
Y1,Y2 E In. forem tais que ./'(:i;1) = ./°('u2) tornamos x1,x2 E ln com g(x1) =
:til, .9(:1;2) = '.11'2 e teremos :i:1 =- f(.<1(:i:1)) = f(:v1) = f(y'2) = J(g(~r:2)) = x2,
0

donde Yl = g(:1:1) = y(:1:2) = y 2 logo f é iujetiva. D

Corolário 3. Não pode existir 1111w bijeção entre um conjunto fi.nito e


uma sua parte própria.

Com efeito, sejam X finito e Y e X uma parte própria. Existem


n E N e uma bijeção c.p: ln ---+ X. Então o conjunto A = cp- 1 (Y) é
uma parte própria de In. Chamemos de cp A: A ---+ Y a bijeção obtida
por restrição de cp a A. Se existisse uma bijeção f: Y ---+ X, a composta
g = cp- 1 o f o 'PA: A ---+ In seria também uma bijeção, contrariando o
Teorema 1. D

Lema. Se existe uma bijeção f: X---+ Y então, dados a E X e b E Y,


existe também uma bijeção g: X---+ Y tal que g(a) = b.
Demonstração: Seja b' = f (a). Como f é sobrejetiva, existe a' E X tal
que f(a') = b. Definamos g: X -----+ Y pondo g(a) = b,
.<J(a.') = b' e g(x) = f(x) se x E X não é igual a a nem a a'. É fácil ver
que .<J é uma bijeção. D
Teorema 2. Todo subconjunto de um conjunto Enito é Enito.
Demonstração: Provaremos inicialmente o seguinte caso particular: se
X é finito e a E X então X - {a} é finito. Com efeito,
uxiste uma bijeção f: ln -----+ X a qual, pelo Lema, podemos supor que
cumpre f'(n) = a. Se n = 1 então X - {a} = 0 é finito. Se n >
1, a restrição de f a In-l é uma bijeção sobre X - {a}, logo X - {a}
t'i finito e tem n - l elementos. O caso geral ·se prova por indução no
11 i'unero n de elementos de X. Ele é evidente quando X = 0 ou n = l.

Supondo o Teorema verdadeiro para conjuntos com n elementos, sejam X


11m conjunto com n + l elementos e Y um subconjunto de X. Se Y = X,
nada há o que provar. Caso contrário, existe a E X com a (f: Y. Então,
11a realidade, Y C X - {a}. Como X - {a} tem n elementos, segue-se que
Y é finito. D
Corolário 1. Dada f: X -----+ Y, se Y é finito e f é injetiva então X é
finito; se X é finito e f é sobrejetiva então Y é finito.
Com efeito, se f é injetiva então ela é uma bijeção de X sobre um
subconjunto f(X) do conjunto finito Y. Por outro lado, se fé sobrejetiva
(! X é finito então, para cada y E Y podemos escolher um x = g(y) E X

tal que f (x) = y. Isto define uma aplicação g: Y -----+ X tal que f (g(y)) = y
para todo y E Y. Segue-se que g é injetiva logo, pelo que acabamos de
provar, Y é finito. D
Um subconjunto X e N diz-se limitado quando existe p E N tal que
:i: S p para todo x E X.

Corolário 2. Um subconjunto X e N é finito se, e somente se, é limitado.


Com efeito, se X = {x1, ... , Xn} C N é finito, pondo p = x1 + · · · + Xn
vemos que x E X =>- x :::; p logo X é limitado. Reciprocamente, se X e N
é limitado então X C Ip para algum p E N, segue-se pois do Teorema 2
que X é finito. D

3. Conjuntos infinitos
Diz-se que um conjunto é infinito quando não é finito. Assim, X é
infinito auando não é vazio nem existe. seia aual for n E N. uma biiccão
6 Conjuntos Finitos e Infinitos Cap. 1

Por exemplo, o conjunto N dos números naturais é infinito, em virtude do


·corolário 2 do Teorema 2. Pelo mesmo motivo, se k EN então o conjunto k.N
dos múltiplos de k é infinito.

Teorema 3. Se X é um conjunto infinito, então existe uma aplicação


injetiva f: N ---+ X

Demonstração: Para cada subconjunto não vazio A e X, escolhemos um ele-


mento x A E A. Em seguida, definimos f: N ---+ X indutiva-
mente. Pomos f (1) = x x e, supondo já definidos f (1), ... , f (n), escrevemos
An = X - {f(l), ... , f(n)}. Como X é infinito, An não é vazio. Definimos
então f (n + l) = x An. Isto completa a definição de f. Para provar que f é inje-
tiva, sejam m, n EN, digamos com m < n. Então f(m) E {f(l), ... , f(n-1)}
enquanto f(n) E X - {f(l), ... , f(n - l)}. Logo f(m) # f(n). D

Corolário. Um conj,rn/;o X ô infinif;o se, e somente se, existe uma


b~jeç1:1.o <p: X ---+ Y so/mJ um subconjunto próprio Y e X.

Com efeito, sejam X infinito e f: N -> X uma aplicação injetiva. Escre-


':'amos, para cada n E N, f (n) "= :i:n. Consideremos o subconjunto próprio
Y = X - {:i:t}. Definamos a bijeção tp: X---+ Y pondo <p(x) = x se x não é um
dos :r:n e tp(:r:n) = :r:n+i (n E N). Reciprocamente, se existe uma bijeção de X
sobre um seu subconjunto próprio então X é infinito, em virtude do Corolário 3
do Teorema 1. D
Se N 1 = N - {1} então <p: N---+ N1 , <p(n) = n + l, é uma bijeção de N sobre
seu subconjunto N1 = {2, 3, ... }. Mais geralmente, fixando p E N podemos
considerar Np = {p + l,p + 2, ... } e definir a bijeção 'f): N---+ Np, <p(n) = n + p.
Fenômenos desse tipo já tinham sido observado por Galileu, que foi o primeiro
a notar que "há tantos números pares quantos números naturais", mostrando que
se P = {2, 4, 6, ... } é o conjunto dos números pares então <p: N ---+ P, dada por
<p(n) = 2n, é uma bijeção. Evidentemente, se I = {1, 3, 5, ... } é o conjunto dos
números ímpares, então '1/J: N---+ I, com 'ljJ(n) = 2n - 1, também é uma bijeção.
Nestes dois últimos exemplos, N - P = I e N - I = P são infinitos, enquanto
N - Np = {1, 2, ... ,p} é finito.

4. Conjuntos enumeráveis

Um conjunto X diz-se enumerável quando é finito ou quando existe uma


bijeção f: N ---+ X. Neste caso, f chama-se uma enumeração dos elementos
de X. Escrevendo f(l) = xi, f(2) X2, ... , f (n) Xn, . . . tem-se então
X = {Xi, X2, . . . , Xn, ... } .

Teorema 4. Todo subconjunto X e N é enumerável.

Demonstração: Se X é finito, nada há para demonstrar. Caso contrário, enu-


meramos os elementos de X pondo xi= menor elemento de X,
e supondo definidos Xi< x2 < · · · < Xn, escrevemos An = X - {xi, ... xn}.
Observando que An -=/- 0, pois X é infinito, definimos Xn+i = menor elemento de
/\n, Então X = {Xi, x 2 , ••• , Xn, . .. }. Com efeitd, se existisse algum elemento
:1; E X diferente de todos os Xn, teríamos x E An para todo n E N, logo x
seria um número natural maior do que todos os elementos do conjunto infinito
l:1: 1, • • • , Xn, ... }, contrariando o Corolário 2 do Teorema 2. D

Corolário 1. Seja f: X ----+ Y injetiva. Se Y é enumerável então X tam-


bém é. Em particular, todo subconjunto de um _conjunto
m111merável é enumerável.

Com efeito, basta considerar o caso em que existe uma bijeção cp: Y----+ N.
Então cp o f: X ----+ N é uma bijeção de X sobre um subconjunto de N, o qual é
enumerável, pelo Teorema 4. No caso particular de X e Y, tomamos f: X ----+ Y
igual à aplicação de inclusão. D

( '.orolário 2. Seja f: X ----+ Y sobrejetiva. Se X é enumerável então Y


também é.

Com efeito, para cada y E Y podemos escolher um x = g(y) E X tal que


./'(:i:) = y. Isto define uma aplicação g: Y ----+ X tal que f(g(y)) = y para todo
'/1 e Y. Segue-se daí que g é injetiva. Pelo Corolário 1, Y é enumerável.

( '.orolário 3. O produto cartesiano de dois conjuntos enumeráveis é um


conjunto enumerável.

Com efeito, se X e Y são enumeráveis então existem sobrejeções f: N ----+ X


e y: N----+ Y, logo cp: N x N----+ X x Y, dada por cp(m, n) = (f(m), g(n)) é sobre-
,ictiva. Portanto, basta provar que N x N é enumerável. Para isto, consideremos
11 aplicação ~/J: N x N ----+ N, dada por 'ljJ(m, n) = 2m.3n, Pela unicidade da
decomposição de um número em fatores primos, 'ljJ é injetiva. Segue-se que
1,1 x N é enumerável. D
8 ConJuntos Finitos e Infinitos Cap. 1

Corolário 4. A reunião de uma família enumerável de conjuntos enu-


meráveis é enumerável.

Com efeito, dados X 1 , X 2 , •.. , Xn, ... enumeráveis, existem sobrejeções


fi:N _, X1,h:N _, X2, ... ,fn:N _, Xn,· ... Tomando X= LJ~= 1 Xn,
definimos a sobrejeção f: N x N -, X pondo f(m, n) = fn(m). O caso de
uma reunião finita X = X 1 u · · · u Xn reduz-se ao anterior porque então X =
X1U···UXnUXnU···. D
O Teorema 3 acima significa que o enumerável é o "menor" dos infinitos.
Com efeito, ele pode ser reformulado assim:
Todo conjunto infinito contém um subconjunto infinito enumerável.

Exemplo 1. O conjunto Z = {... - 2, -1, O, 1, 2, ... } dos números inteiros


é enumerável. Uma bijeção f: N-, Z pode ser definida pondo
f(n) = (n - 1)/2 para n ímpar e f(n) = -n/2 para n par.

Exemplo 2. O conjunto Q = {rn/n; rn, n E Z, n =I= O} dos números racionais


é enumerável. Com efeito, escrevendo Z* = Z - {O}, podemos
definir uma função sobrejetiva f: ~ x Z* -, <Ql pondo f (m, n) = m/n.

Exemplo 3. (Um conjunto não-enumerável.) Seja S o conjunto de todas


as sequências infinitas, como s = (O 11 OOO1 O... ), formadas
com os símbolos O e l. Noutras palavras, Sé o conjunto de todas as funções
s: N _, {O, l}. Para cada n E N, o valor s(n), igual a O ou 1, é o n-ésimo
termo da seqüências. Afirmamos que nenhum subconjunto enumerável X =
{s 1 , s 2 , ... , sn, ... } e S é igual a S. Com efeito, dado X, indiquemos com
Snm o n-ésimo termo da seqüência Sm E X. Formamos uma nova seqüência
s* E S tomando o n-ésimo termo de s* igual a O se for Snn = 1, ou igual a 1 se
for Snn = O. A seqüência 8* não pertence ao conjunto X porque seu n-ésimo
termo é diferente do n-ésimo termo de sn. (Este raciocínio, devido a G. Cantor,
é conhecido como "método da diagonal".)

No capítulo seguinte mostraremos que o conjunto lR dos números reais não


é enumerável.
5. Exercícios

Seção 1: Números naturais

1. Usando indução, prove:

(a) 1 + 2 + · · · + n= n(n + 1)/2.


(b) 1 + 3 + 5 + · · · + 2n - 1 = n 2 •

2. Dados m, n E N com n > m, prove que ou n é múltiplo de m ou existem


q, r EN tais que n = mq + r e r < m. Prove que q e r são únicos com esta
propriedade.
3. Seja X e Numsubconjuntonão-vaziotalquem,n E X{:} m,m+n E X.
Prove que existe k E N tal que X é o conjunto dos múltiplos de k.
4. Dado n EN, prove que não existe x EN tal que n < x < n + l.
5. Prove o princípio de indução como uma conseqüência do princípio da boa
ordenação.

Seção 2: Conjuntos finitos

1. Indicando com card X o número de elementos do conjunto finito X, prove:


(a) Se X é finito e Y e X então card Y:::; cardX.
(b) Se X e Y são finitos então X U Y é finito e

card(X U Y) = card X+ card Y - car<l(X n Y).

(c) Se X e Y são finitos então X x Y é finito e

card(X x Y) = cardX. card Y.

2. Seja P(X) o conjunto cujos elementos são os subconjuntos de X. Prove


por indução que se X é finito então card P( X) = 2cªrd X.
3. Seja.F(X; Y) o conjunto das funções f: X---. Y. SecardX = mecard Y =
n, prove que card.F(X; Y) = nm.
4. Prove que todo conjunto finito não-vazio X de números naturais contém
um elemento máximo (isto é, existe x 0 E X tal que x :::; x 0 Vx E X).
Seção 3: Conjuntos infinitos

1. Dada f: X - Y, prove:
(a) Se X é infinito e f é injetiva então Y é infinito.
(b) Se Y é infinito e f é sobrejetiva, então X é infinito.
2. Sejam X um conjunto finito e Y um conjunto infinito. Prove que existe
uma função injetiva f: X ---* Y e uma função sobrejetiva g: Y - X.
3. Prove que o conjunto P dos números primos é infinito.
4. Dê exemplo de uma seqüência decrescente X 1 :) X 2 :) · · · :) Xn :) · · · de
conjuntos infinitos cuja interseção n;=
1 Xn seja vazia.

Seção 4: Conjuntos enumeráveis

1. Defina f: N x N - N pondo .f(l, n) = 2n - 1 e f(m + 1, n) = 2m(2n - 1).


Prove que f é uma bijeção.
2. Prove que existe g: N -~ N sobrejetiva tal que g- 1 (n) é infinito, para cada
nE N.

3. Exprima N = N1 u N:.! u · · · u Nn u .. · como união infinita de subconjuntos


infinitos, dois a dois disjuntos.
4. Para cada n E N, seja ~·'n = {X e N; cardX = n}. Prove que Pn é
enumerável. Conclua que o conjunto P f dos subconjuntos finitos de N é
enumerável.
5. Prove que o conjunto P(N) de todos os subconjuntos de N não é enumerável.
6. Sejam Y enumerável e f: X - Y tal que, para cada y E Y, J- 1 (y) é
enumerável. Prove que X é enumerável.
2

Números Reais

O conjunto dos números reais será indicado por R Faremos neste capítulo uma
descrição de suas propriedades que, juntamente com suas conseqüências, serão
utilizadas nos capítulos seguintes.

1. IR é um corpo

Isto significa que estão definidas em IR duas operações, chamadas adição e


multiplicação, que cumprem certas condições, abaixo especificadas.
A adição faz corresponder a cada par de elementos x, y E IR, sua soma
:i: +- y E IR, enquanto a multiplicação associa a esses elementos o seu produto
;i:.y ER

Os axiomas a que essas operações obedecem são:


Associatividade: para quaisquer x, y, z E~ tem-se (x + y) + z = x + (y + z) e
(:r:.y).z = x.(y.z).
Comutatividade: para quaisquer x, y E IR tem-se x + y = y + x e x.y = y.x.
Wnnentos neutros: existem em IR dois elemt'ntos distintos Oe 1 tais que x+O = x
e :i:.l = x para qualquer x E R
Inversos: todox E 1Rpossuiuminversoad1tivo -x E IRtalquex+(-x) = Oe,
se :i: f O, existe também um inverso multiplicativo x- 1 E IR tal que x.x- 1 = 1.
/)istributividade: para x, y, z E IR quaisquer, tem-se x.(y + z) = x.y + x.z.
Dos axiomas acima resultam todas as regras familiares de manipulação com
os números reais. A título de exemplo, est::.beleceremos algumas delas.
Da comutatividade resulta que O + x = :r e -x + x = O para todo :z; E lR.
12 Números Reais Cap. 2

indicada por x - y e chamada a diferença entre x e y. Se y =/=- O, o produto


x.y- 1 será representado também por x/y e chamado o quociente de x por
y. As operações (x, y) f----+ x - y e (x, y) f----+ x/y chamam-se, respectivamente,
subtração e divisão. Evidentemente, a divisão de x por y só faz sentido
quando y =!=- O, pois o número O não possui inverso multiplicativo.
Dadistributividadesegue-seque,paratodox E IR., valex.O+x = x.O+x.1 =
x(O+l) = x.l = x. Somando -x a ambos os membros daigualdadex.O+x = x
obtemos x.O = O.
Por outro lado, de x.y = O podemos concluir que x = O ou y = O. Com
efeito, se for y =!=- Oentão podemos multiplicar ambos os membros desta igualdade
por y- 1 e obtemos x.y.y- 1 = O.y- 1 , donde x = O.
Da distributividade resultam também as "regras dos sinais": x.(-y) =
(-x).y = -(x.y) e (-x).(-y) = xy. Com efeito, x.(-y) + x.y = x.(-y + y) =
x.0 = O. Somando -(x.y) a ambos os membros da igualdade x.(-y) + x.y = O
vem x.(-y) = -(x.y). Analogamente, (-x).y = -(x.y). Logo (-x).(-y) =
-[x.(-y)] = -[-(x.y)] = x.y. Em particular, (-1).(-1) = 1. (Observação:
a igualdade -(-z) = z, acima empregada, resulla de somar-se z a ambos os
membros da igualdade -(-z) + (-z) = O.)
Se dois números reais x, y têm quadrados iguais, então x = ±y. Com efeito,
de = y 2 decorre que O = x 2 - y 2 = (x + y) (x -y) e, como sabemos, o produto
x2
de dois números reais só é zero quando pelo menus um dos fatores é zero.

2. IR. é um corpo ordenado


Isto significa que existe um subconjunto JR.+ e IR., chamado o conjunto dos
números reais positivos, que cumpre as seguintes condições:
Pl. A soma e o produto de números reais positivos são positivos. Ou seja,
x, y E JR.+ ::::} X+ y E JR.+ e x.y E JR.+.
P2. Dado x E IR., exatamente uma das três alternativas seguintes ocorre: ou
X = 0, OU X E JR.+ ou -X E JR.+.

Se indicarmos com JR_- o conjunto dos números -x onde x E IR.+, a condição


P2. diz que IR. = JR.+ u IR.- u {O} e os conjuntos JR.+, JR_- e {O} são dois a dois
disjuntos. Os números y E JR_- chamam-se negativos.
Todo número real x =!=- O tem quadrado positivo. Com efeito, se x E JR.+
:r:1. ~ :i:.:r: E JR.+ por Pl. Se x ~ JR.+ então (como x =!=- O) -x E JR.+ logo,
l'llli1o
Seção 2 lR é um corpo ordenado 13

uinda por causa de Pl., temos x 2 = (-x).(-x) E JR+. Em particular, 1 é um


número positivo porque 1 = 12 •
Escreve-se x < y e diz-se que x é menor do que y quando y - x E JR+, isto
é, y = x + z onde zé positivo. Neste caso, escreve-se também y > x e diz-se
que y é maior do que x. Em particular, x > O significa que x E JR+, isto é, que
;i: é positivo, enquanto x < O quer dizer que x é negativo, ou seja, que -x E JR+.

Valem as seguintes propriedades da relação de ordem x < y em JR:


O 1. Transitividade: se x < y e y < z então x < z.
02. Tricotomia: dados x, y E JR, ocorre exatamente uma das alternativas x = y,
X< y OU y < X.

03. Monotonicidade da adição: se x < y então, para todo z E JR, tem-se


x+z < y+z.
04. Monotonicidade da multiplicação: se x < '.lJ então, para todo z > Otem-se
xz < yz. Se, porém, z < O então x < y implica yz < xz.

Demonstração: 01. x < y e y < z significam y - x E JR+ e z - y E JR+. Por


Pl segue-se que (y- x) + (z -y) E JR;.+, isto é, z - x E JR+, ou
seja, x < z.

02. Dados x,y E JR, ou y - x E JR+, ou y - x = O ou y · x e JR- (isto é,


:1: - y E JR+). No primeiro caso tem-se x < y, no segundo x = y e no terceiro
y < x. Estas alternativas se excluem mutuamente, por P2.

03. Se x < y então y - x E JR+, donde (y + z) - (x + z) = y - x E JR+, isto é,


:1: +z < y+z.

04. Se x < y e z > Oentão y- x E JR+ e z E JR+, logo (y-x).z E JR+, ou seja,
yz - xz E JR+, o que significa xz < yz. Se x < y e z < Oentão y - x E JR+ e
z E JR+, donde xz - yz = (y - x)(-z) E JR+, o que significa yz < xz. D
Mais geralmente, x < y e x' < y' implicam x + x' < y + y'. Com efeito
(y + y') - (x + x') = (y - x) + (y' - x') E JR+.
Analogamente, O < x < y e O < x' < y' implicam xx' < yy' pois yy' -
:r:x' = yy' -yx' + yx' - xx' = y(y' - x') + (y - x)x' > O.
Se O < x < y então y- 1 < x- 1 . Para provar, nota-se primeiro que x >
o :::} x- 1 = x.(x- 1 ) 2 > O. Em seguida, multiplicando ambos os membros da
desigualdade x < y por x- 1 y- 1 vem y- 1 < x- 1 .
14 Números Reais Cap. 2

Como 1 E lR é positivo, segue-se que 1 < 1 + 1 < 1 + 1 + 1 < ... Podemos


então considerar N e JR. Segue-se que Z e lR pois O E lR e n E lR =;, -n E R
Além disso, sem, n E Z com n -=f- Oentão m/n = m.n- 1 E JR, o que nos permite
concluir que (Ql e R Assim, N e Z e (Ql e JR.
Na seção seguinte, veremos que a inclusão (Ql e lR é própria.

Exemplo 1. (Desigualdade de Bernoulli.) Para todo número real x 2 -1


e todo n E N, tem-se (1 + xr 2 1 + nx. Isto se prova por
indução em n, sendo óbvio para n = 1. Supondo a desigualdade válida para n,
multiplicamos ambos os membros pelo número 1 + x 2 O e obtemos
(1 + x)n+I = + x)n(I + x) 2 (1 + nx)(l + x) = 1 + nx + x + nx 2
(1
= 1 + (n + l) x + nx 2
2 1 + (n + l)x.

Pelo mesmo argumento, vê-se que ( l + x )n > 1 + nx quando n > l, x > - l


eX -=f- 0.

A relação de ordem em JR( permite definir o valor absoluto (ou módulo)


de um número real :1; E ll~ assim: l:rl = :r se x > O, !OI = Oe lxl = -x se x < O.
Noutras palavras, l:i:I = umxf:r:, -:1:} é o maior dos números reais x e -x.
Tem-se -1:rl ::;: :r ::;: l:r:I para todo :r E R Com efeito, a desigualdade x '.S !xi
é óbvia, enquanto -1:r:I ::;: :r resulta de multiplicar por -1 ambos os membros
da desigualdade -:r ::;: l:1:I, Podemos caracterizar !xi como o único número 2 O
cujo quadrado é :r: 2 •

Teorema 1. Se :r, y l:1; + YI :S !xi+ IYI .e lx.yl = lxl.lYI·


E JR( m1Uio

Demonstração: Somando membro a membro as desigualdades !xi 2 x e IYI 2 y


vem l:i;I + IYI 2 :1; + y. Analogamente, de !xi 2 -x e IYI 2 -y
resulta lxl+IYI 2 -(x+y). Logo l:r:l+IYI 2 lx + YI = max{x+y, -(x+y)}. Para
provar que lx.yl = lxl.lYI, basta mostrar que estes dois números têm o mesmo
quadrado, já que ambos são 2 O. Ora o quadrado de lx.yl é (x.y) 2 = x2.y2,
enquanto (lxl-lYl)2 = lxl2IYl2 = x2 .y2. O

Teorema 2. Sejam a, x, 8 E JR. Tem-se lx - ai < 8 se, e somente se,


a - 8 < x <a+ 8.
Demonstração: Como lx - ai é o maior dos dois números x - a e -(x - a),
afirmar que lx - ai < 8 equivale a dizer que se tem x - a < 8
Seção 3 IR é um corpo ordenado complete

e -(:1: - a)< 8, ou seja, x - a< 8 ex - a> -8. Somando a, vem: lx - ai<


ti <=> x < a+ 8 ex > a - 8 ~ a - 8 < x < a+ 8. O

De modo análogo se vê que lx - ai~ 8 ~ a - 8 ~ x ~a+ 8.


Usaremos as seguintes notações para representar tipos especiais de conjun-
tos de números reais, chamados intervalos:

[a, b] = {X E IR; a ~ X ~ b} (-oo,b] = {x E IR;x ~ b}


(a, b) = {X E IR; a < X < b} (-oo,b) = {x E JR;x < b}
[a,b) = {x E IR;a ~ x < b} [a, +oo) = {x E IR; a~ x}
(a,b] = {x E IR;a <x ~ b} (a, +oo) = {x E IR; a< x}
(-oo, +oo) = IR

Os quatro intervalos da esquerda são limitados, com extremos a, b: [a, b]


é um intervalo fechado, (a, b) é aberto, [a, b) é fechado à esquerda e (a, b] é
/h·hado à direita. Os cinco intervalos à direita são ilimitados: ( -oo, b] é a
semi-reta esquerda fechada de origem b. Os demais têm denominações análogas.
<)uando a= b, o intervalo fechado [a, b] reduz-se a um único elemento e chama-
se um intervalo degenerado.
Em termos de intervalos, o Teorema 2 diz que lx - ai < e: se, e somente se,
;r pertence ao intervalo aberto (a - E, a+ E). Analogamente, lx - ai ~ e ~
;1: E [a-c,a+c].

É muito conveniente imaginar o conjunto IR como uma reta (a "reta real") e


os números reais como pontos dessa reta. Então a relação x < y significa que o
ponto x está à esquerda de y (e y à direita de x), os intervalos são segmentos de
reta e lx - yl é a distância do ponto x ao ponto y. O significado do Teorema 2 é
de que o intervalo (a - 8, a + 8) é formado pelos pontos que distam menos de 8
do ponto a. Tais interpretações geométricas constituem um valioso auxílio para
u compreensão dos conceitos e teoremas da Análise.

3. IR é um corpo ordenado completo

Nada do que foi dito até agora permite distinguir IR de <Q pois os números
racionais também constituem um corpo ordenado. Acabaremos agora nossa
caracterização de IR, descrevendo-o como um corpo ordenado completo, pro-
priedade que (Q não tem.
Números Reais Cap. 2

Um conjunto X e lR diz-se limitado superiormente quando existe algum


b E lR tal que x ::; b para todo x E X. Neste caso, diz-se que b é uma cota superior
de X. Analogamente, diz-se que o conjunto X e lR é limitado inferiormente
quando existe a E lR tal que a ::; x para todo x E X'. O número a chama-se então
uma cota inferior de X. Se X é limitado superior e inferiormente, diz-se que X
é um conjunto limitado. Isto significa que X está contido em algum intervalo
limitado [a, b] ou, equivalentemente, que existe k > Otal que x E X ===}I x l::S k.
Seja X e lR limitado superiormente e não-vazio. Um número b E lR chama-
se o supremo do conjunto X quando é a menor das cotas superiores de X. Mais
explicitamente, b é o supremo de X quando cumpre as duas condições:
S 1. Para todo x E X, tem-se x ::; b;
S2. Se e E lR é tal que x ::; e para todo x E X então b ::; e.
A condição S2 admite a seguinte reformulação:
S2'. Se e< b então existe :i; E X com e< x.
Com efeito, S2' diz que nenhum número real menor do que b pode ser cota
superior de X. Às vezes se exprime S2' assim: para todo é > O existe x E X tal
que b- é< x.
Escreveremos b = supX para indicar que b é o supremo do conjunto X.
Analogamente, se X e IR é um conjunto não-vazio, limitado inferiormente,
um número real a chama-se o írrfimo do conjunto X, e escreve-se a = inf X,
quando é a maior das cotas inferiores de X. Isto equivale às duas afirmações:
Il. Para todo x E X tem-se a ::; x;
I2. Se e ::; x para todo x E X então e ::; a.
A condição I2 pode também ser formulada assim:
I2'. Se a < e então existe x E X tal que x < e.
De fato, I2' diz que nenhum número maior do que a é cota inferior de X.
Equivalentemente: para todo é > O existe x E X tal que x <a+ é.
Diz-se que um número b E X é o maior elemento (ou elemento máximo)
do conjunto X quando b 2: x para todo x E X. Isto quer dizer que b é uma cota
superior de X, pertencente a X. Por exemplo, b é o elemento máximo do
intervalo fechado [a, b] mas o intervalo [a, b) não possui maior elemento. Eviden-
temente, se um conjunto X possui elemento máximo este será seu supremo. A
noção de supremo serve precisamente para substituir a idéia de maior elemento
de um conjunto quando esse maior elemento não existe. O supremo do conjunto
ln,/,) é b. Considerações inteiramente análogas podem ser feitas em relação ao
ínfimo.
A afirmação de que o corpo ordenado IR é completo significa que todo con-
junto não-vazio, limitado superiormente, X e IR possui supremo b = sup X E IR.
Não é necessário estipular também que todo conjunto não-vazio, limitado
inferiormente, X e IR posui ínfimo. Com efeito, neste caso o conjunto Y =
1 ;i;; x E X} é não vazio, limitado superiormente, logo possui um supremo
li E IR. Então, como se vê sem dificuldade, o número a= -b é o ínfimo de Y.
Em seguida veremos algumas conseqüências da completeza de R

Teorema 3.
i) O conjunto N e IR dos números naturais não é limitado superior-
mente;
ii) O ínfi.mo do conjunto X= {1/n; n EN} é igµal a O;
iii) Dados a, b E IR+, existe n E N tal que n.a > b.

l>cmonstração: Se N e IR fosse limitado superiormente, existiria c = sup N.


Então c - 1 não seria cota superior de N, isto é, existiria n EN
rom c - 1 < n. Daí resultaria c < n + 1, logo c não seria cota superior de N.
1~sla contradição prova i). Quanto a ii), O é evidentemente uma cota inferior
de X. Basta então provar que nenhum c > O é cota inferior de X. Ora, dado
1• > O, existe, por i), um número natural n > 1/c, donde 1/n < c, o que prova

ii). Finalmente, dados a) E IR+ usamos i) para obter n EN tal que n > b/a.
Então na> b, o que demonstra iii). D

As propriedades i), ii) e iii) do teorema acima são equivalentes e significam


que IR é um corpo arquimediano . Na realidade, iii) é devida ao matemático
grego Eudoxo, que viveu alguns séculos antes de Arquimedes.

Teorema 4. (Intervalos encaixados.) Dada uma seqüência decrescente


11 ::> 12 ::> · · · ::> ln ::> · · · de intervalos limitados e fechados
ln= [an, bn], existe pelo menos um número real c tal que c E ln para todo
nE N.
8 Números Reais Cap.2

Demonstração: As inclusões ln :J ln+i significam que


a1 ::::; a2 ::::; · · · ::::; an ::::; · · · ::::; bn ::::; · · · ::::; b2 ::::; b1,
O conjunto A = {a 1 , a 2 , ... , an, ... } é, portanto, linútado superiormente. Seja
e= sup A. Evidentemente, an ::::; e para todo n E N. Além disso, como cada bn
é cota superior de A, temos e::::; bn para todo n EN. Portanto e E ln qualquer
quesejanEN. D

Teorema 5. O conjunto dos números reais não é enumerável.


Demonstração: Mostraremos que nenhuma função f: N --+ lR pode ser sobreje-
tiva. Para isto, supondo f dada, construiremos uma seqüência
decrescente 11 :J 12 :J · · · :J ln :J · · · de intervalos limitados e fechados tais
que f(n) ~ ln, Então, se e é um número real pertencente a todos os ln, ne-
nhum dos valores f (n) pode ser igual a e, logo f não é sobrejetiva. Para obter
os intervalos, começamos tomando 11 = [a 1, b1] tal que f(l) < a 1·e, supondo
obtidos 11 :J 12 :J .. · :J ln tais que f(j) ~ lj, olhamos para ln = [an, bn],
Se f(n + 1) ~ ln, podemos simplesmente tomar ln+i = ln. Se, porém,
f(n+ 1) E ln, pelo menos um dos extremos, digamos an, é diferente de f(n+l),
isto é, an < f (n+ 1). Neste caso, tomamos ln+i = [an+i, bn+i], com ªn+i = an
e bn+I = (an + f(n + 1))/2. D

Um número real chama-se irracional quando não é racional. Como o


conjm:ito Q dos números racionais é enumerável, resulta do teorema acima que
existem números irracionais e, mais ainda, sendo lR = Q U (JR-Q), os irracionais
constituem um conjunto não-enumerável (portanto formam a maioria dos reais)
porque a reunião de dois conjuntos enumeráveis seria enumerável. Evidente-
mente, números irracionais podem ser exibidos explicitamente. No Capítulo 3,
Exemplo 15, veremos que a função f:JR--+ JR+, dada por f(x) = x 2 , é sobre-
jetiva. Logo existe um número real positivo, indicado por ./2, cujo quadrado
é igual a 2. Pitágoras e seus discípulos mostraram que o quadrado de nenhum
número racional pode ser 2. (Com efeito, de (p/q) 2 = 2 resulta 2q 2 = p 2 , com
p, q inteiros, um absurdo porque o fator primo 2 aparece um número par de vezes
na decomposição de p 2 em fatores primos e um número ímpar de vezes em 2q 2 .)

Corolário. Todo intervalo não-degenerado é não-enumerável.

Com efeito, todo intervalo não degenerado contém um intervalo aberto


6 uma hijeção, basta mostrar que o intervalo aberto (-1, 1) é não-enumerável.
( )rn, a função r.p: IR - (-1, 1), dada por r.p(x) = x/(1 + lxl), é uma bijeção cuja
Inversa é 't/J: (-1, 1) - IR, definida por 'lj;(y) = y/(1 - IYI), pois r.p(1/J(y)) = y
t.' ·1/, (r.p( :1:)) = x para quaisquer y E ( -1, 1) e x E IR, como se pode verificar
l'llcilmcnte. D

Todo intervalo não-degenerado I contém números racio-


nais e irracionais.
l>t•monstração: Certamente I contém números irracionais pois do contrário se-
ria enumerável. Para provar que I contém números racionais,
10111111110s [a, b] e J, onde a < b podem ser supostos irracionais. Fixemos n E N
1111 que 1/n < b - a. Os intervalos Im = [m/n, (m + 1)/n], m E Z, cobrem
li rctu, isto é IR = Uma.Im- Portanto existem E Z tal que a E Im. Como
11 é irracional, temos m/n < a < (m + 1)/n. Sendo o comprimento 1/n do
Intervalo Im menor do que b- a, segue-se que (m + 1)/n < b. Logo o número
1·11l'ional (m + 1)/n pertence ao inte~alo [a, b] e portanto ao intervalo I. D

4. Exercícios

Soção 1: IR é um corpo

1. Prove as seguintes unicidades:


(a) Se x + 0 = x para algum x E IR então 0 = O;
(b) Se x.u = x para todo x E IR então u = 1;
(c) Sex+y=Oentãoy=-x;
(d) Se x.y = 1 então y = x- 1 .
2. Dados a, b, e, d E IR, se b-/= O e d-/= O prove que a/b +e/d= (ad + bc)/bd
e (a/b)(c/ d) = ac/bd

J. Se a-/= Oe b-/= Oem IR, prove que (ab)- 1 =: a- 1 b- 1 e conclua que (a/b)- 1 =
b/a.
4. Prove que (1 - xn+I )/(1 - x) = 1 + x + · · · + xn para todo x-/= 1.

Seção 2: IR é um corpo ordenado


1 P!lr!l n1rnii;:n11Pr 'l" q1 ,,, ç llJ> nrrnrP nnP 1 'l" - ,,, l<"I 'l" - ., 1 _j_ 1., - ,,, 1
2. Prove que li x 1- 1y 11:S:I x - y I para quaisquer x, y E R
3. Dados x, y E~. se x 2 + y 2 = Oprove que x = y = O
4. Prove por indução que (1+x)n21 + nx + [n(n - 1)/2]x2 se x 2 O.
5. Para todo x =f:. Oem~. prove que (1 + x) 2 n > 1 + 2nx.
6. Prove que Ia - b I< e =}Ia 1<1 b 1+e:.
7. Use o fato de que o trinômio do segundo grau J(>..) = I::f= 1(xi+ Àyi)2 é
2 Opara todo À E ~ para provar a desigualdade de Cauchy-Schwarz
n n n
(L XiYi) :S: (L xf )(L YT ).
2

Í=l Í=l Í=l

Prove ainda que vale a igualdade se, e somente se, existe À tal que xi = ÀYi
para todo i = 1, ... , n, ou Y1 = · · · = Yn = O.
8. Se aifb 1 , •.• , an/bn pertencem ao intervalo (o:, (3) e b1, ... , bn são positi-
vos, prove que (a 1 + · · · + an) / (b1 + · · · + bn) pertence a (o:, (3). Nas mesmas
condições, se ti, ... , tn E~+, prove que (t1a1 + · · · + tnan)/(t1b1 + ·· · +
tnbn) também pertence ao intervalo (o:, (3).

Seção 3: ~ é um corpo ordenado completo

1. Diz-se que uma função f: X --, ~ é limitada superiormente quando sua


imagem f(X) = {f(:r,); :r, E X} é um conjunto limitado superiormente.
Então põe-se snpf = snp{f(x);x E X}. Prove que se f,g:X--, ~ são
limitadas superiormente o mesmo ocorre com a soma f +g: X --, ~ e tem-se
sup(f+g)::; supf +snpg. Dêumexemplocomsup(f+g) < supf+supg.
Enuncie e prove um resultado análogo para inf.
2. Dadas as funções f, g: X --, ~+ limitadas superiormente, prove que o pro-
duto f.g: X --, ~+ é uma função limitada (superior e inferiormente) com
sup(f.g) ::; sup f. sup g e inf(f.g) 2 inf f. inf g. Dê exemplos onde se tenha
<enão=.
3. Nas condições do exercício anterior mostre que sup(f2) = (sup 1) 2
e inf(j2) = (inf 1) 2 •
4. Dados a, b E ~+ com a 2 < 2 < "& 2 , tome x, y E ~+ tais que x < 1,
x < (2-a 2 )/(2a+ 1) e y < (b 2 -2)/2b. Prove que (a+x) 2 < 2 < (b-y) 2 e
b-y > O. Emseguida,considereoconjuntolimitadoX = {a E ~+;a 2 < 2}
e conclua que o número real e = sup X cumpre c2 = 2.
,. l'rovc que o conjunto dos polinômios com coeficientes inteiros é enu-
111cnívcl. Um número real chama-se algébrico quando é raiz de um po-
linômio com coeficientes inteiros. Prove que o conjunto dos números
nlgéhricos é enumerável. Um número real chama-se transcendente quando
ni'io é algébrico. Prove que existem números transcendentes.
(1, Prove que um conjunto I e lR é um intervalo se, e somente se, a< x < b,
a, /J C f '=;,- X E J.
3

Seqüências
de números reais

Neste capítulo será apresentada a noção de limite sob sua forma mais simples,
o limite d~ uma seqüência. A partir daqui, todos os conceitos importantes da
Análise, de uma forma ou de outra, reduzir-se-ão a algum tipo de limite.

1. Limite de uma seqüência.

Uma seqüência de números reais é uma função x : N -----+ JR, que associa
a cada número natural num número real Xn, chamado o n-ésimo termo da
seqüência.
Escreve-se (x1,x2, ... ,xn, .. ,) ou (xn)nEN, ou simplesmente (xn), para
indicar a seqüência cujo n-ésimo termo é Xn.
Não se confunda a seqüência (xn) com o conjunto {x 1 , x 2 , •.. , Xn, ... } dos
seus termos. Por exemplo, a seqüência (1, 1, ... , 1, ... ) não é o mesmo que o
conjunto {1 }. Ou então: as seqüências (O, 1, O, 1, ... ) e (O, O, 1, O, O, 1, ... ) são
diferentes mas o conjunto dos seus termos é o mesmo, igual a {O, 1}.
Uma seqüência (xn) diz-se limitada superiormente (respectivamente infe-
riormente) quando existe e E lR talque Xn ::; e (respectivamente Xn 2'. e) para
todo n E N. Diz-se que a seqüência (xn) é limitada quando ela é limitada
superior e inferiormente. Isto equivale a dizer que existe k > Otal que I Xn 1::::; k
para todo n EN.

Exemplo 1. Se a > 1 então a seqüência (a, a 2 , ••• , an, ... ) é limitada in-
feriormente porém não superiormente. Com efeito, multipli-
cando ambos os membros da desigualdade 1 < a por an obtemos an < an+ 1.
Segue-se que a < an para todo n E N, logo (an) é limitada inferiormente por
a. Por outro lado, temos a = 1 + d, com d > O. Pela desigualdade de Bernoulli,
pt11•11 todon E N vale an > 1 + nd. Portanto, dado qualquer e E IR podemos
ohtcr 11:n > e desde que tomemos 1 + nd > e, isto é, n > (e - 1) / d.

Dada uma seqüência x = (xn)nEN, uma subseqüência de x é a restrição


1111 função x a um subconjunto infinito N' = {n 1 < n2 < · · · < nk < · · ·} de N.
ltNcrcvc-se x' = (xn)nEN' ou (xnu Xn 2 , • • • , Xnk, ... ), ou (xnk)kEN para indicar
11 Nllhscqüênciax' = x I N'. Anotação (xnk)kEN mostra como uma subseqüência
pode ser considerada como uma seqüência, isto é, uma função cujo donúnio é
N.
Lembremos que N' e N é infinito se, e somente se, é ilimitado, isto é, para
todo no E N existe nk E N' com nk > no.

lt:Ju1mplo2. Dadoonúmeroreala < -1,formemosaseqüência(an)nEN· Se


N' e N é o conjunto dos números pares e N" e N é o conjunto
tloN números ímpares então a subseqüência (an)nEN' é limitada apenas inferior-
llll'lllc enquanto a subseqüência (an)nEN" é limitada apenas superiormente.

Diz-se que o número real a é limite da seqüência (xn) quando, para todo
111lr11cro real e > O, dado arbitrariamente, pode-se obter n 0 E N tal que todos os
tt1r111os :r:n com índice n > n 0 cumprem a condição I Xn - a I< e. Escreve-se
tltlll'lo 11, = lim Xn-

11sta importante definição significa que, para valores muito grandes de n,


11Ntermos Xn tornam-se e se mantêm tão próximos de a quanto se deseje. Mais
precisamente, estipulando-se uma margem de erro é > O, existe um índice n 0 E
N tnl que todos os termos Xn da seqüência com índice n > no são valores
nproximados de a com erro menor do que é.
Simbolicamente, escreve-se:

a,= IimXn \/é > O :lno E N; n > no =} lxn - ai < é.

Acima, o símbolo . = . significa que o que vem depois é a definição do que


w111 antes. \:/ significa "para todo"ou "qualquer que seja". :l significa "existe".
<>ponto-e-vírgula quer dizer "tal que" e a seta* significa "implica".
Convém lembrar que I Xn - a I< E é o mesmo que a - E < Xn < a+ é, isto
é, ;1:n pertence ao intervalo aberto (a - e, a+ E).
Assim, dizer que a = lim Xn significa afirmar que qualquer intervalo aberto
de centro a contém todos os termos Xn da seqüência, salvo para um número
finito de índices n (a saber, os índices n ~ n 0 , onde n 0 é escolhido em função
do raio ê do intervalo dado).
Em vez de a = lim Xn, escreve-se também a = limnEN Xn, a = limn_, 00 Xn
ou Xn - a. Esta última expressão lê-se "xn tende para a" ou "converge para
a". Uma seqüência que possui limite diz-se convergente. Caso contrário, ela se
chama divergente .

Teorema 1. (Unicidade do limite.) Uma seqüência não pode convergir


para dois limites distintos.

Demonstração: Seja limxn = a. Dado b f=. a podemos tomar ê > Otal que os
intervalos abertos I = (a - E, a+ E) e J = (b - E, b + E) sejam
disjuntos. Existe n 0 E N tal que n > n 0 implica Xn E J. Então, para todo
n > n 0 , temos Xn ~ J. Logo não é limxn = b. D

Teorema 2. Se lim Xn = a então toda subseqüência de (xn) converge


para o limite a.

Demonstração: Seja (:En 1 , ••• , Xnk, ... ) a subseqüência. Dado qualquer inter-
valo aberto I de centro a, existe n 0 E N tal que todos os termos
Xn, com n > n 0 , pertencem. a J. Em particular, todos os termos Xnk' com
nk > n 0 também pertencem a J. Logo limxnk = a. D

Teorema 3. Todn scqiiência convergente é limitada.

Demonstração: Seja a= Iimxn. Tomando é = 1, vemos que existe n 0 EN tal


que n > n 0 =} Xn E (a-1, a+ 1). Sejam b o menor eco maior
elemento do conjunto finito {x 1 , . . . , Xn 0 , a - 1, a+ 1 }. Todos os termos Xn da
seqüência estão contidos no intervalo [b, c], logo ela é limitada. O

E~emplo 3. A seqüência (2, O, 2, O, ... ), cujo n-ésimo termo é Xn 1+


( -1) n+ , é limitada mas não é convergente porque possui duas
1

subseqüências constantes, x,m-i = 2 e x 2 n = O, com limites distintos.

Exemplo 4. A seqüência (1, 2, 3, ... ), com Xn = n, não converge porque


não é limitada.

Uma seqüência (xn) chama-se monótona quando se tem Xn ~ Xn+i para


momítona não-decrescente e, no segundo, que (xn) é monótona não-crescente.
Sr, mais precisamente, tivermos Xn < Xn+1 (respect. Xn > Xn+1) para todo
11, N. diremos que a seqüência é crescente (respectivamente, decrescente).

'foua seqüência monótona não-decrescente (respect. não-crescente) é limi-


t11d11 inferiormente (respect. superiormente) pelo seu primeiro termo. A fim de
qur da seja limitada é suficiente que possua uma subseqüência limitada. Com
,•t'cilo, seja (xn)nEN' uma subseqüência limitada da seqüência monótona (diga-
mos, não-decrescente) (xn), Temos Xn' :S c para todo n' EN'. Dado qualquer
11 1 N, existe n' EN' tal que n < n'. Então Xn :S Xn' :Se.

( > teorema seguinte dá uma condição suficiente para que uma seqüência
1,•011vi1:ja. Foi tentando demonstrá-lo ao preparar suas aulas, na metade do século
11), que R. Dedekind percebeu a necessidade de uma conceituação precisa de
1111111cm real.

'l'l•orcma 4. Toda seqüência monótona limitada é convergente.

Umumstração: Seja (xn) monótona, digamos não decrescente, limitada. Es-


crevamos X = {x 1 , ... , Xn, ... } e a = sup X. Afirmamos que
11 · lim Xn, Com efeito, dado é> O, o número a - é não é cota superior de X.

1.oµo existe n 0 E N tal que a - é < Xn 0 :S a. Assim, n > no =?- a - e < Xn 0 :S


,1! 11 ·• a,+ é e daí limxn = a. O

Scmelhantemente, se (xn) é não-crescente, limitada então lim Xn é o ínfimo


do conjunto dos valores Xn,

( 'orohírio. (Teorema de Bolzano-Weierstrass.) Toda seqüência limitada


de números reais possui uma subseqüência convergente.

Com efeito, basta mostrar que toda seqüência (Xn) possui uma subseqüência
111on6tona. Digamos que um termo Xn da seqüência dada é destacado quando
.,· 11 > :1:p para todo p > n. Seja D e N o conjunto dos índices n tais que Xn é

11111 termo destacado. Se D for um conjunto infinito, D = {n 1 < n 2 < · · · <


HJ.: < · · · }, então a subseqüência (xn)nED será monótona não-crescente. Se,
rntrctanto, D for finito seja n 1 E N maior do que todos os n E D. Então Xn 1
nilo é destacado, logo existe n 2 > n 1 com Xn, < Xn 2 • Por sua vez, Xn 2 não é
destacado, logo existe n 3 > n 2 com Xn 1 < Xn 2 < Xn 3 • Prosseguindo, obtemos
Xn/Yn >e.A/e= A e daí lim(xn/Yn) = +oo.
(4) Existe e > O tal que I Xn 1::; e para todo n E N. Dado arbitrariamente E > O,
existe no EN tal que n >no=} Yn > e/e. Então n > no =>I xn/Yn I< e.e/e=
E, logo lim(xn/Yn) = O. D
As hipóteses feitas nas diversas partes do teorema anterior têm por objetivo
evitar algumas das chamadas "expressões indeterminadas". No item ( 1) procura-
se evitar a expressão +oo -oo. Defato,selimxn = +ooelimyn = -oonenhuma
afirmação geral pode ser feita sobre lim(xn + Yn), Este limite pode não existir
(como no caso em que Xn = n + (-l)n e Yn = -n), pode ser igual a +oo
(se Xn = 2n e Yn = -n), pode ser -oo (tome Xn = n e Yn = -2n) ou pode
assumir um valor arbitrário e E lR (por exemplo, se Xn = n + e e Yn = -n).
Por causa desse comportamento errático, diz-se que +oo - oo é uma expressão
indeterminada. Nos ítens (2), (3) e (4), as hipóteses feitas excluem os limites
do tipo O x oo (também evitado no Teorema 7), 0/0 e 00/00, respectivamente,
os quais constituem expressões indeterminadas no sentido que acabamos de
explicar. Outras expressões freqüentemente encontradas são 00°, 100 e o0.
Os limites mais importantes da Análise quase sempre se apresentam sob
forma de uma expressão indeterminada. Por exemplo, o número e = limn-+oo (1 +
l/n)n é da formal 00 • E, como veremos mais adiante, a derivada é um limite do
tipo o/o.
Agora, uma observação sobre ordem de grandeza. Se k E N e a é um número
real > l então limr,.-,cx, nk = liinn-+oo an = limn-+oo n! = limn-+oo nn. Todas
estas seqüências têm limite infinito. Mas o Exemplo 9 nos diz que, para valores
muito grandes dentemos nk « an « n! « nn, onde o símbolo« quer dizer "é
uma fração muito pequena de" ou "é insignificante diante de". Por isso diz-se que
o cre~cimento exponencial supera o polinomial, o crescimento fatorial supera o
exponencial com base constante mas é superado pelo crescimento exponencial
com base crescente. Por outro lado, o crescimento de nk (mesmo quando k = 1)
supera o crescimento logarítmico, como mostraremos agora.
No Capítulo 11 provaremos a existência de uma função crescente log : lR + - t
JR, tal que log( xy) = log x + log y e log x < x para quaisquer x, y E lR +. Daí
resulta que logx = log(Jx.Jx) = 2logJx, donde logJx = (logx)/2. Além
disso, log x = log(l.x) = log l + log x, donde log 1 = O. Como log é crescente,
tem-se log x > O para todo x > l. Vale também log(2n) = n. log 2, portanto
limn_, log(2n) = +oo. Como log é crescente, segue-se limn-+oo logn = +oo.
00
. logn
Provaremos agora que hm - - = O.
n----+oo n
Pura todo n E N, temos log ,ln < ,ln. Como log ,ln = ½log n, segue-se
qllt' log n < 2,/n. Dividindo por n resulta que O < log n / n < 2/ ,ln. Fazendo
. logn
11 , ,~1. vem hm - - = O.
n----+oo n

1, Exercícios

rlf.tçlfo 1: Limite de uma seqüência

1. Uma seqüência (xn) diz-se periódica quando existe p EN tal que Xn+p =
;i:n para todo n E N. Prove que toda seqüência periódica convergente é

l'onstante.
l. l>udas as seqüências (xn) e (Yn), defina (zn) pondo Z2n-i = Xn e Z2n = Yn·
Se lim Xn = lim Yn = a, prove que lim Zn = a.
1. Se limxn = a, prove que lim lxnl = lal.
•I. Se uma seqüência monótona tem uma subseqüência convergente, prove que
11 seqüência é, ela própria, convergente.

í. lJm número a chama-se valor de aderência da seqüência (xn) quando é


limite de uma subseqüência de (xn). Para cada um dos conjuntos A, B e C
uhaixo ache uma seqüência que o tenha como conjunto dos seus valores de
aderência. A= {l, 2, 3}, B = N, C = [O, 1].
(1, /\ fim de que o número real a seja valor de aderência de (xn) é necessário
e suficiente que, para todo e > Oe todo k E N dados, exista n > k tal que
1;1:11, -ai< e.
7. /\ fim de que o número real b não seja valor de aderência da seqüênci-
a (;i:n) é necessário e suficiente que existam n 0 E N e e > O tais que
n > no =} lxn - bl 2: é.

!ioção 2: Limites e desigualdades

1. Se Jim Xn = a, lim Yn = b e lxn - Ynl 2 é para todo n E N, prove que


ln - l>I 2 e.
L Sejam lim Xn = a e lim Yn = b. Se a < b, prove que existe n 0 E N tal que
n > no =} Xn < Yn·
Seqüências de números reais Cap.3
.:,..

3. Se o número real a não é o limite da seqüência limitada (xn), prove que


alguma subseqüência de (xn) converge para um limite b =f. a.
4. Prove que uma seqüência limitada converge se, e somente se, possui um
único valor de aderência.
5. Quais são os valores de aderência da seqüência (xn) tal que x 2n-i = n e
X2n = 1/n? Esta seqüência converge?
6. Dados a, b E JR+, defina indutivamente as seqüências (xn) e (Yn) pondo
X1 = v'ab, Y1 = (a+ b)/2 e Xn+I = JXnYn, Yn+I = (Xn + Yn)/2. Prove
que (xn) e (Yn) convergem para o mesmo limite.
7. Diz-se que (Xn) é uma seqüência de Cauchy quando, para todo s > Odado,
existe no EN tal quem, n >no=} lxm - Xnl < E.
(a) Prove que toda seqüência de Cauchy é limitada.
(b) Prove que uma seqüência de Cauchy não pode ter dois valores de
aderência distintos.
(c) Prove que uma seqüência (xn) é convergente se, e somente se, é de
Cauchy.

Seção 3: Operações com limites

1. Prove que, para todo p EN, tem-se limn_, 00 n+{1/n = 1.


2. Se existem E > O e k E N tais que é ::; Xn s; nk para todo n suficien-
temente grande, prove que lim ~ = 1. Use este fato para calcular
limn..... 00 o/n + k, lim o/n + ,jn, lim o/logn e lim :c,'nlogn.
3. Dado a > O, defina indutivamente a seqüência (xn) pondo x 1 = va e
Xn+i = Ja + Xn. Prove que (xn) é convergente e calcule seu limite

L=Va+Ja+Ja+

4. Seja en = (Xn - va) /va o erro relativo na n-ésima etapa do cálculo de


-Ja,. Prove que en+1 = e~/2(1 + en)- Conclua que en '.S O, 01 =} en+1 :'.S
O, 00005 =} en+ 2 ::; o, 00000000125 e observe a rapidez de convergência do
método.
5. Dado a > O, defina indutivamente a seqüência (xn) pondo x 1 = 1/a e
Xn+i = 1/(a + Xn). Considere o número e, raiz positiva da equação x 2 +
11.:1: - l = O, único número positivo tal que e = 1/ (a + e). Prove que

:E2 < X4 < · · · < X2n < · · · < C < · · · < X2n-l < · · · < X3 < X1,
e que lim Xn = e. O número e pode ser considerado como a soma da fração
l'Ontfnua
1
1
a+------
1
a+----
1
a+---
a+···
ti. Dado a > O, defina indutivamente a seqüência (Yn), pondo Y1 = a e Yn+1 =
11. + 1/ Yn· Mostre que lim Yn = a + e, onde e é como no exercício anterior.

7. Defina a seqüência (an) indutivamente, pondo a 1 = a2 = 1 e an+ 2 =


11,.,,+ 1 + an para todo n E N. Escreva Xn = an / an+ 1 e prove que lim Xn = e,
onde e é único número positivo tal que 1/ (e+ 1) = e. O termo an chama-se
o n-ésimo número de Fibonacci e e= (-1 + ,/5)/2 é o número de ouro da
Geometria Clássica.

Hação 4: Limites infinitos

1. Prove que lim o/'n! = +oo.


2. Se limxn = +oo e a E JR., prove: limn-+oo[Jlog(xn + a) - -Jiogxn] = O.
:l. Dados k EN e a> O, determine o limite
n'
lim --·-.
n-+oo nk .an
Supondo a > Oe a =/- e calcule
.
11m an.n! . n k .an .n.1
Irm
-- e n
n-+oo nn n-+oo n
(Para o caso a= e, ver exercício 9, seção 1, capítulo 11.)
4. Mostre que limn-++oo log( n + I) / log n = 1.
~. Sejam (xn) uma seqüência arbitrária e (Yn) uma seqüência crescente, com
limyn = +oo. Supondo que lim(xn+1 - Xn)/(Yn+1 - Yn) = a, prove que
limxn/Yn = a. Conclua que se lim(Xn+1 - Xn) = a então limxn/n = a.
Em particular, de limlog(l + 1/n) = O, conclua que lim(logn)/n = O.
6. Se limxn = a e (tn) é uma seqüência de números positivos com
lim(t1 + · · · + tn) = +oo,
prove que
. t1X1 + · · · + tnxn
11m ------- = a.
t1 + · · · + tn
Xi+ ... +xn
Em particular, se Yn = -----, tem-se ainda lim Yn = a.
n
4

Séries numéricas

1111111 série é uma somas= a 1 + a 2 + · · · + an + · · · com um número infinito de


p11rccl11s. Para que isto faça sentido, poremos s = lirnn--. 00 (a 1 + · · ·+an)- Como
todo limite, este pode existir ou não. Por isso há séries convergentes e séries
tllwrgcntes. Aprender a distinguir umas das outras é a principal finalidade deste
l1 1tpí111lo.

1, Séries convergentes

l>ada uma seqüência (an) de números reais, a partir dela formamos uma
1111v11 seqüência (sn) onde

.. . ' Sn = a1 + a.2 + · · · + an, etc .


números sn chamam-se as reduzidas ou somas parciais da série
C)s E an.
A purtcla an é o n-ésimo termo ou tenno geral da série.
Sl• existir o limites= limn--.oo Sn, diremos que a série E an é convergente
t•" ) ~ an = E~=l an = a1 + a2 + · · · + an + · · · será chamado a soma da
"'(\1fr. Selim Sn não existir, diremos que E an é uma série divergente.
Às vezes é conveniente considerar séries do tipo E~=o an, que começam
~·0111 1/.11 cm vez de a1.

Como já vimos (Exemplos 11 e 12, Capítulo 3), quando !ai < 1


a série geométrica l +a+ a 2 + · · · + an + · · · é convergente,
r11111 soma igual a 1/(1 - a), e a série 1 + 1 + 1/2! + · · · + 1/n! + · · · também
,•1111vcrgc, com soma igual a e.

A série 1-1 + 1-1 + ... , de termo geral (-1)n+ 1 , é divergente


pois a soma parcial Sn é igual a zero quando n é par, e igual a
38 Séries numéricas Cap.4
.;-..

1 quando n é ímpar. Portanto não existe lim sn.

Exemplo 3. A série E 1/n(n + 1), cujo termo geral é an = 1/n(n + 1) =


1/n - 1/(n + 1), tem n-ésima soma parcial

8n = ( 1 - ~) + ( ~- ~) + .. · + ( ¾- n : 1) =1- n : 1·

Portanto limsn = 1, isto é, E 1/n(n + 1) = 1.


Se an ~ O para todo n E N, as reduzidas da série E an formam uma
seqüência não-decrescente. Portanto uma série E an, de termos não-negativos,
converge se, e somente se, existe uma constante k tal que a 1 + · · · + an ::::; k para
todo n E N . Por isso usaremos a notação E an < +oo para significar que a
série E an, com an ~ O, é convergente.
Se an ~ O para todo n E N e (a~) é uma subseqüência de (an) então
I: an < +oo implica E a~ < +oo.
Exemplo 4. (A série harmônica.) A série E 1/n é divergente. De fato, se
E 1/n = s fosse convergente então E 1/2n =te E 1/(2n -
1) = u também seriam convergentes. Além disso, como s 2 n = tn + Un, fazendo
n---+ oo teríamos s = t + u. Mas t = E 1/2n = (1/2) E 1/n = s/2, portanto
u = t = s/2. Por outro lado
. . [ 1 1 1 1 1]
( (
u - t = J~~ Un - tn) = J~~ 1 - 2) + ( 3 - 4) + · · · + ( 2n - 1 - 2n)

. (1 1 1 1 )
= J~~ 1.2 + 3.4 + 5.6 + · · · + (2n - 1)2n > O,
logo u > t. Contradição.

Teorema 1. (Critério de comparação.) Sejam E an e E bn


séries de ter-
mos não-negativos. Se existem c > O e no E N tais que
an ::; cbn para todo n > n 0 então a convergência de E bn implica a de
E an enquanto a divergência de E an implica a de E bn.
Demonstração: Sem perda de generalidade, podemos supor an ::; cbn para
todo n E N. Então as reduzidas sn e tn, de E an e E bn
respectivamente, formam seqüências não-decrescentes tais que sn ::; ctn para
todo n E N. Como c > O, (tn) limitada implica (sn) limitada e (sn) ilimitada
implica (tn) ilimitada, pois tn ~ sn/c. D
ICH1111,lo 5. Ser > 1, a série I::: 1/nr converge. Com efeito, seja e a soma
da série geométrica I:::';:=0 (2/2r)n. Mostraremos que toda re-
11111,ldn li.,, 1, da série I::: 1/nr é < e. Seja n tal quem ::; 2n - 1. Então

Como a série harmônica diverge, resulta do critério de comparação que


). : 1/n''' diverge quando r < 1pois, neste caso, 1/ nr > 1/ n.

'l\!orcma 2. O termo geral de uma série convergente tem limite zero.

U11111onstração: Se a série I::: an é convergente então, pondo sn = a1 + · · ·+ an,


existe s = limn---.= Sn. Consideremos a seqüência (tn), com
I I O e tn = Sn-l quando n > 1. Evidentemente, lim tn = se Sn - tn = an.
Portunto Iiman = Iim(sn - tn) = Iimsn - Iimtn = s - s = O. D

O critério contido no Teorema 2 constitui a primeira coisa a verificar quando


Nt'quer saber se uma série é ou não convergente. Se o termo geral não tende a
1.~ro, a série diverge. A série harmônica mostra que a condição lim an = Onão
é Nuficiente para a convergência de I::: ªn· D

2. Séries absolutamente convergentes

Uma série I::: an diz-se absolutamente convergente quando I::: lanl con-
verge.

lf.xemplo 6. Uma série convergente cujos termos não mudam de sinal é


absolutamente convergente. Quando -1 < a < 1, a série
~cométrica I:::':=o an é absolutamente convergente, pois lanl = laln, com O ::S
lal < 1.
Oexemplo clássico de uma série convergente I::: an tal que I::: lanl = +oo é
dudo por I:::(-1r+1/n = 1- 1/2 + 1/3 - 1/4 + · · ·. Quando tomamos a soma
dos valores absolutos, obtemos a série harmônica, que diverge. A convergência
du série dada segue-se do
grande e daí resultá que o termo geral an não tende para zero. Se L = ·1, o teste é
inconclusivo. A série pode convergir (como no caso I:: 1/n2 ) ou divergir (como
no caso I:: 1/n).

Exemplo 8. Seja an = l/(n2 - 3n + 1). Considerando a série convergente


I:;(1/n 2 ), como lim[n2 /(n 2 - 3n + 1)] = lim[l/(1 - 3/n +
1/n2 )] = 1, concluímos que I::an é convergente.

Exemplo 9. Segue-se do Exemplo 9 do Capítulo 3 e do teste de d' Alembert


que as séries I:;(an /n!), I:;(n!/nn) e I:;(nk /an), esta última
com a> l, são convergentes.

Teorema 6. (Teste de Cauchy.) Quando existe um número real e tal que


~ :::; e < 1 para todo n E N suficientemente grande
(em particular, quando lim ~ < 1), a série I:;an é absolutamente
convergente.
Demonstração: Se ~ :::; e < 1 então lan cn para todo n suficientemente
1 :::;

grande. Como a série geométrica I:: cn é convergente, segue-se


do critério de comparação que I:: an converge absolutamente. No caso paiticular
de existir lim ~ = L < l, escolhemos e tal que L < e < l e teremos
~ < e para todo n suficientemente grande (Teorema 5, Capítulo 3), recaindo
assim no caso anterior. D

Observação. Também no teste de Cauchy, tenta-se calcular lim ~ = L.


Se L > l, a série I:: an diverge. Com efeito, neste caso, tem-se
~ > 1 para todo n suficientemente grande, donde lanl > 1, logo a série
I:: an diverge pois seu termo geral não tende a zero. Quando L = l, a série pode
divergir (como no caso I:;(1/n)) ou convergir (como I:: (1/n 2 )).

Exemplo 10. Seja an = (logn/n)n. Como ~ = logn/n tende a zero, a


série I:: an é convergente.

O teorema seguinte relaciona os testes de d' Alembert e Cauchy.

Teorema 7. Seja (an) uma seqüência cujos termos são diferentes de


zero. Selim lan+1 l/lanl = L então lim VÍllnT = L.
Demonstração: Para simplificar a notação, suporemos que an > O para todo
n EN. Dado e> O, fixemos K,M tais que L - t < K <
I, .. Ili · /,+E. Existe p E N tal que n ~ p =} K < an+if an < M.
Mulllpllc1111do membro a membro as n - p desigualdades K < ªp+i/ªp+i-I <
~/ 1 1 -- l 1 ••• , n - p, obtemos Kn-p < an/ap < Mn-p para todo n > p.

lf1111h11111os n --' av/ KP e /3 = ap/MP. Então Kna < an < Mn/3. Extraindo
11411.rM, vtm K ·:ya < ~ < M 'y1fj para todo n > p. Levando em conta
tjllP /, 1 < K, M < L + s,lim o/li = 1 e lim "v7J = 1, concluímos que
411\l!!IU '1111 > JJ tal que n > no ::::} L - E < K o/li e M "v7J < L + E. Então
li .~ Hu -- :- L - E< ~ < L + E, o que prova o teorema quando L > O. Se
I, - O, hnstu considerar M em vez de K e M. O

lti1111m1,lo IO. Resulta do Teorema 7 que lim n / ~ = e. Com efeito, pondo


an =nn/n! vemn/~ =~-Ora
1/.n 11
=
(n + 1r+1 (n + 1) (n + 1 t . n! = ( n + 1) n
nn (n + 1)! (n+l)-n! nn n '
h•Mo lli11(11,n+i/an) = e, e daí lim ~=e.

4, Comutatividade

l 111111 série I:: an diz-se comutativamente convergente quando, para qual-


q11N hijc'tão 'P : N --+ N, pondo bn = acp(n), a série I:: bn é convergente. (Em
p111·1k11l11r, tomando 'P(n) = n, vemos que I:: an é convergente.) Resulta do
'lllli 111oslraremos a seguir que se I:: an é comutativamente convergente então
~ : /1 11 E an qualquer que seja a bijeção 'P· Esta é a maneira precisa de afirmar
'Ili(\ 11 soma I:: an não depende da ordem das parcelas. Mas isto nem sempre
lll'IIITC.

ICnm1>lo 11. A série


1 1 1
S=l--+---+-··
2 3 4
,•onvcrgc, mas não comutativamente. Com efeito, temos
s 1 1 1 1
2=2-4+6-8+···
l'odcmos então escrever
1 1 1 1 1 1 1
S=l--+---+---+---+···
2 3 4 5 6 7 8
s 1 1 1 1
- =o+ - + o - - +o+ - +o - - + ...
2 2 4 6 8
Séries numéricas Cap. 4

Somando termo a termo vem


3s 1 1 1 1 1 1 1 1
-=1+---+-+---+-+---+···
2 3 2 5 7 4 9 11 6

A série acima, cuja soma é 3s/2, tem os mesmos termos da série inicial,
cuja soma és, apenas com uma mudança na sua ordem.

Teorema 8. Se L an é absolutamente convergente então para toda bi-


jeção cp: N ---t N, pondo bn = acp(n), tem-se L bn = L ªn·

Demonstração: Supomos inicialmente an ~ Opara todo n. Escrevamos sn =


a1 + · · · + an e tn = b1 + · · · + bn. Para cada n E N, os números
cp(l), ... , cp(n) pertencem todos ao conjunto {l, 2, ... , m}, onde m é o maior
dos cp(i). Então
n m
tn = L acp(i) ~ L aj = 8m.
Í=l j=l

Assim, para cada n E N existem E N tal que tn ~ sm. Reciprocamente,


(considerando-se cp- 1 em vez de cp) para cada m E N existe n E N tal que
Sm ~ tn. Segue-se que lim tn = lim Sn, isto é, L bn = Lar,.. No caso geral,
temos I: an = L Pn - L qn, onde Pn é a parte positiva e qn a parte negativa de
an. Toda reordenação (bn) dos termos an determina uma reordenação (Un) para
os Pn e uma reordenação (vn) dos qn, de modo que Un é a parte positiva e Vn a
parte negativa de bn. Pelo que acabamos de ver, I: Un = L Pn e I: Vn = L qn.
Logo I:an = L'Un - I:vn = I:bn, D

O teorema seguinte implica que somente as séries absolutamente conver-


gentes são comutativamente convergentes.

Teorema 9. Alterando-se convenientemente a ordem dos


(Riemann.)
termos de uma série condicionalmente convergente, pode-
se fazer com que sua soma fique igual a qualquer número real pré-fixado.

Demonstração: Seja I: an a série dada. Fixado o número e, começamos aso-


mar os termos positivos de I: an, na sua ordem natural, um a
um, parando quando, ao somar an, , a soma pela primeira vez ultrapasse e. (Isto é
possível porque a soma dos termos positivos de I: an é +oo.) A esta soma acres-
centamos os termos negativos, também na sua ordem natural, um a um, parando
logo que, ao somar an 2 ( < O), o total resulte inferior a e (o que é possível porque
a soma dos termos negativos é -oo). Prosseguindo analogamente, obtemos uma
..,.011 Exercícios 45

1111v11 Héric, cujos termos são os mesmos de I:: an, numa ordem diferente. As
r11tl11:,.id11s desta nova série oscilam em tomo do valor e de tal modo que (a partir
1111 urdem n 1 ) a diferença entre cada uma delas e e é inferior, em valor absoluto,
llli ll'l'IIIO <1.nk onde houve a última mudança de sinal. Ora, limk_, 00 ank = O
1111rq11c u série I:: an converge. Logo as reduzidas da nova série convergem para
f!, D

1, Exercícios

l:ltQflo 1: Séries convergentes

I, 1>ndas as séries I:: ªn e I:: bn, com ªn = .Jn + 1 - vn


e bn = log ( 1 + *),
mostre que lim an = lim bn = O. Calcule explicitamente as n-ésimas reduzi-
dui. .'!n e tn destas séries e mostre que lim Sn = lim tn = +oo, logo as séries
dndas são divergentes.
t l Jsc o critério de comparação para provar que I:: 1/n2 é convergente, a partir
du convergência de I:: 2/n(n + 1).
\, Seja sn a n-ésima reduzida da série harmônica. Prove que para n = 2m
tem-se sn > l + r;_, e conclua daí que a série harmônica é divergente.
,1, Mostre que a série I:::=2 nl.!gn diverge.
.1\ , M os t re que ser> 1 a sene
, · "'
LJn=
00 1
2 n(logn)T converge.

(), Prove que a série L 1°J2n converge.


7, Prove: se a1 2: · · · 2: an 2: · · · e L an converge então limn_, 00 nan = O.

Bação 2: Séries absolutamente convergentes

1, Se I:: an é convergente e an 2: O para todo n E N então a série I:: anxn é


absolutamente convergente para todo x E [-1, 1] e
Lªnsen(nx), Lªncos(nx)
são absolutamente convergentes para todo x E JR.
2. A série 1 - ½+ i- i-
l + ~ - ¼+ ½+ i - + · · · tem termos alternada-
i
mente positivos e negativos e seu termo geral tende para zero. Entretanto é
divergente. Por que isto não contradiz o Teorema de Leibniz?
.1. Dê exemplo de uma série convergente :E an e de uma seqüência limitada
(xn) tais que a série I: anXn seja divergente. Examine o que ocorre se urna
das hipóteses seguintes for verificada: (a) (xn) é convergente; (b) I: an
absolutamente convergente.
4. Prove que é convergente a série obtida alterando-se os sinais dos termos
da sêrie harmônica, de modo que fiquem p termos positivos (p E N fixado)
seguidos de p termos negativos, alternadamente.
5. Se I::=o an é absolutamente convergente e lim bn = O, ponha Cn = aobn +
a1bn-1 + · · · + anbo e prove que limCn = O.
6. Se I: an é absolutamente convergente, prove que I: ªh converge.
7. Se I: ªh e I: bh convergem, prove que I,: anbn converge absolutamente.
8. Prove: uma série I: an é absolutamente convergente se, e somente se, é
limitado o conjunto de todas as somas finitas formadas com os termos an.

Seção 3: Testes de convergência

1. Prove que se existir uma infinidade de índices n tais que ~ 2 1 então


a série I: an diverge. Se an f. O para todo n e 1ªn+i / an 1 :> 1 para todo
n > n 0 então I: an diverge. Por outro lado, a série 1/2 + 1/2 + 1/22 +
1/22 + 1/23 + 1/2:1 +. ·. converge mas se tem an+if an = 1 para todo n
ímpar.
2. Seo <a< l> < l, asériea+b+a 2 +b 2 +a 3 +b3 +· .. é convergente. Mostre
que o teste de Cauchy conduz a este resultado mas o teste de d' Alembert é
inconclusivo.
3. Determine se a série I:(logn/n)n é convergente usando ambos os testes,
de d' Alembert e Cauchy.
4. Dada uma seqüência de números positivos Xn, com lim Xn = a, prove que
limn-, 00 ~X1X2 ... Xn = a.
5. Determine para quais valores de x cada uma das séries abaixo é convergente:
Lnkxn, Lnnxn, Lxn/nn, Ln!xn, Lxn/n2.

Seção 4: Comutatividade

1. Se uma série é condicionalmente convergente, prove que existem alterações


da ordem dos seus termos de modo a tomar sua soma igual a +oo e a -oo.
Exercícios 47

~. Mfot.110 oxplicitamente uma reordenação dos termos da série 1-1/2+


1/:1 , l /4 + 1/5 - · · · de modo que sua soma se torne igual a zero.

:i, l ll~.-1-m que a seqüência (an) é somável, com soma s, quando, para
t,udo E > O dado, existe um subconjunto finito Jo C N tal que, para
l,udo ./ finito com Jo C J C N, tem-se Is - I:nEJ anl < €. Prove:

(n) fk a seqüência (an) é somável então, para toda bijeção <p: N---+N,
n :-;cqüência (bn), definida por bn = ª<p(n), é somável, com a
11 HJHma soma.

(1,) Sc1 a seqüência (an) é somável, com soma s, então a série


~ nn=s é absolutamente convergente.

(i:) Reciprocamente, se I:: ané uma série absolutamente conver-


µ;cnte, então a seqüência (an) é somável.
5

Algumas Noções
Topológicas

A Topologia é um ramo da Matemática no qual são estudadas, com grande gene-


ralidade, as noçõe.s de limite, de continuidade e as idéias com elas relacionadas.
Neste capítulo, abordaremos alguns conceitos topológicos elementares referen-
tes a subconjuntos de IR:., visando estabelecer a base adequada para desenvolver os
capítulos seguintes. Adotaremos uma linguagem geométrica, dizendo "ponto"
em vez de "número real", "a reta" em vez de "o conjunto IR:.".

1. Conjuntos abertos

Diz-se que o ponto a é interior ao conjunto X e IR:. quando existe um número


E: > Otal que o intervalo aberto (a - E:, a+ E:) está contido em X. O conjunto dos
pontos interiores a X chama-se o interior do conjunto X e representa-se pela
notação int X. Quando a E iut X diz-se que o conjunto X é uma vizinhança
do ponto a. Um conjunto A e IR:. chama-se aberto quando A = int A, isto é,
quando todos os pontos de A são interiores a A.

Exemplo 1. Todo ponto e do intervalo aberto (a, b) é um ponto interior a


(a, b). Os pontos a e b, extremos do intervalo fechado [a, b] não
são interiores a [a, b]. O interior do conjunto Q dos números racionais é vazio.
Por outro lado, int[a, l>] = (à, b). O intervalo fechado [a, b] não é uma vizinhança
de a nem de b. Um intervalo aberto é um conjunto aberto. O conjunto vazio é
aberto. Todo intervalo aberto (limitado ou não) é um conjunto aberto.
O limite de uma seqüência pode ser reformulado em termos de conjuntos
abertos: tem-se a = lim Xn se, e somente se, para todo aberto A contendo a
existe n 0 E N tal que n > n 0 ==} Xn E A.

Teorema 1.
11) Sn A I e A 2 são conjuntos abertos então a interseção A 1 n A 2 é
1111i conjunto aberto.

h) Se (A).) ÀEL é uma família qualquer de conjuntos abertos, a reunião


A= U>.EL A>. é um conjunto aberto.
U11111011Htrução: a) Se x E A 1 n A 2 então x E A 1 ex E A 2. Como A 1 e A2 são
abertos, existem .:: 1 > O e .:: 2 > O tais que (x - .:: 1 , x + .:: 1 ) e A 1
11 (,1· t: 2,a:; + c 2) e A 2 . Seja e o menor dos dois números c 1,c2. Então
(,,, r·, :i: + e) e A 1 e (x - e, x + e) e A 2 logo (x - e, x + e) e A 1 n A 2 . Assim
li 11111 ponto x E A 1 n A 2 é um ponto interior, ou seja, o conjunto A1 n A2 é aberto.

h) Se x E A então existe >.E L tal que x E A>.. Como A>. é aberto, existe
ll ' ~ O tal que (x - e, x + .::) e A>. e A, logo todo ponto x E A é interior, isto é,
A6 uhcrto. D

11:11111111,lo 2. Resulta imediatamente de a) no Teorema 1 que a interseção


A 1 n · · · n Ande um número finito de conjuntos abertos é um
1•1111,1111110 aberto. Mas, embora por b) a reunião de uma infinidade de conjuntos
nhNtos seja ainda aberta, a interseção de um número infinito de abertos pode
uno Hcr aberta. Por exemplo, se A 1 = (-1, 1), A 2 = (-1/2, 1/2), ... , An =
( t/11, 1/n), ... então A 1 n A 2 n · · · n An n ···={O}. Com efeito, se x-=/- O
Plllílo existe n EN tal que lxl > 1/n logo x ~ An, donde x ~ A.

li, Conjuntos fechados

1>iz-se que um ponto a é aderente ao conjunto X e lR quando a é limite


1h1 nl~uma seqüência de pontos Xn E X. Evidentemente, todo ponto a E X é
t11INt·ntc a X: basta tomar todos os Xn = a.
( 'hama-se fecho de um conjunto X ao conjunto X formado por todos os
p1111t11s aderentes a X. Tem-se X e X. Se X e Y então X e Y. Um conjunto
,\' di'l,-sc fechado quando X = X, isto é, quando todo ponto aderente a X
pNtc•11cc a X. Seja X e Y. Diz-se que X é denso em Y quando Y e X, isto
~. q1111ndo todo b E Y é aderente a X. Por exemplo, Q é denso em lR.

'l\torcmu 2. Um ponto a é aderente ao conjunto X se, e somente se,


toda vizinhança de a contém algum ponto de X.
lh1monstração: Seja a aderente a X. Então a = limxn, onde Xn E X para
todo n E N. Dada uma vizinhança qualquer V :::::i a temos
Xn E V para todo n suficientemente grande (pela definição de liin_ite), log
V n X =/= 0. Reciprocamente, se toda vizinhança de a contém pontos de X
podemos escolher, em cada intervalo (a - 1/n, a+ 1/n), n EN, um p onto
Xn E X. Então lxn - ai < 1/n, logo limxn = a e a é aderente a X. O

Pelo teorema acima, a fim de que um ponto a não pertença a X é


necessário e suficiente que exista uma vizinhança V 3 a tal que VnX = 0.

Corolário. O fecho de qualquer conjunto é um conjunto fechado. ( Ou


seja, X= X para todo X e R)

Com efeito, se a é aderente a X então todo conjunto aberto A contendo


<L contém algum ponto b E X. A é uma vizinhança de b. Como b é aderente
a X, segue-se que A contém algum ponto de X. Logo qualquer ponto a,
aderente a X, é também aderente a X, isto é, a E X. O

Teorema 3. Um conjunto F e IR é fechado se, e somente se, seu com-


plementar A = IR - F é aberto.

Demonstração: Sejam F fechado e a E A, isto é, a (Í. F. Pelo Teorema 2,


existo alguma vizinhança V 3 a que não contém pontos
de F, isto é, V C A. Assim, todo ponto a E A é interior a A, ou seja, A é
aberto. Reciprocamente, se o conjunto A é aberto e o ponto a é aderente
a F = IR - A então toda. vizinhança de a contém pontos de F, logo a não
é interior a A. Sendo A aberto, temos a (Í. A: ou seja, a E F. Assim, todo
ponto a aderente a F pertence a F, logo F é fechado. D

Teorema 4.

a) Se F1 e F2 s;fo fechados então Fi U F2 é fechado.

b) · Se (F.Ú>.EL é uma família qualquer de conjuntos fechados então a


interseção F = íl.>.EL F>. é um conjunto fechado.

Demonstração: a) Os conjuntos A1 =IR-F1 e A2=IR-F2 são abertos, pelo


Teorema 3. Logo, pelo Teorema 1, A1nA2 = IR-(Fi UF2)
é aberto. Novamente pelo Teorema 3, F1 U F2 é fechado.
b) Para cada .À E L, A>. = IR - F>. é aberto. Segue-se que A = U>-EL A>. é
aberto. Mas A = IR - F. Logo F é fochado. D
lt\Hm1alo .\. Seja X e IR limitado, não-vazio. Então a = inf X e b = sup X
são aderentes a X. Com efeito, para todo n E N, podemos
111wolhcr ;1: 11 e X com a '.S Xn < a+ l/n, logo a= Iimxn. Analogamente, vê-se
1111&1 11 li 111 1/n, 1/n E X. Em particular, a e b são aderentes a (a, b).

lt~nm1,10 4. O fecho dos intervalos (a, b), [a, b) e (a, b] é o intervalo [a, b].
Q é denso em IR e, para todo intervalo I, Q n I é denso em I.
1111111 reunião infinita de conjuntos fechados pode não ser um conjunto fechado;
l111111 ~feito, todo conjunto (fechado ou não) é reunião dos seus pontos, que são
u111,l1111tos fechados.

lJmu cisão de um conjunto X e IR é uma decomposição X= A u B tal


tfllt' A r 1 /J = 0 e A n B = 0, isto é, nenhum ponto de A é aderente a B e
11ts11h11111 ponto de B é aderente a A. (Em particular, A e B são disjuntos.) A
1IPt'o111posição X= X u 0 chama-se a cisão trivial.

1r.1ni1111,lo 5. Se X= IR - {O}, então X= IR+ U IR_ é uma cisão. Dado um


número irracional a, sejam A = { x E Q; x < a} e B = { x E
i(Ji: ,1: • n}. AdecomposiçãoQ = AuBéumacisãodoconjuntoQdosracionais.
l'or outro lado, se a< c < b, então [a, b] = [a, c] u (c, b] não é uma cisão.

'l\tt11'l lllll 5.
1 Um intervalo da. reta. só admite a. cisão trivial.
lhtmonstração: Suponhamos, por absurdo, que o intervalo I admita a cisão não
trivial I = A u B. Tomemos a E A, b E B, digamos com
,, • ti, logo [a, b] e I. Seja e o ponto médio do intervalo [a, b]. Então c E A
1111 ,. e B. Se c E A, poremos a 1 = e, b1 = b. Se c E B, escreveremos
tt 1 - n, b1 = c. Em qualquer caso, obteremos um intervalo (a 1, b1 ] e [a, b],
l'lllll h 1 - a 1 = (b - a)/2 e a 1 E A, b1 E B. Por sua vez, o ponto médio de
111 1, 11 1J o decompõe em dois intervalos fechados justapostos de comprimento
(11 n)/4. Um desses intervalos, que chamaremo-s [a2 , b2 ], tem a 2 E A e b2 E B.
1•n 1sscguindo analogamente, obteremos uma seqüência de intervalos encaixados
111.,/11 .J [a1,b1] ::J ··· ::J [an,bn] ::J ··· com bn - an = (b-a)/2n,an E A e
11,, 1 /J para todo n E N. Pelo Teorema 4, Capítulo 2, existe d E IR tal que
11. 11 • ,l :s; bn para todo n E N. O ponto d E J = A u B não pode estar em A pois
,/ - limbn E B, nem em B pois d= liman E A. Contradição. D

C'ornlário. Os únicos subconjuntos de IR que são simultaneamente


abertos e fechados são 0 e R
Com efeito, se A e IR é aberto e fechado, então IR = A U (IR - A) é uma
cisão, logo A = 0 e IR - A = IR ou então A = IR e IR - A = 0. D

3. Pontos de acumulação

Diz-se que a E IR é ponto de acumulação do conjunto X e IR quando toda


vizinhança V de a contém algum ponto de X diferente do próprio a. (Isto é,
V n (X - {a}) =f 0.) Equivalentemente: para todo é> Otem-se (a- é, a+ é) n
(X - {a}) =f. 0. Indica-se com X' o conjunto dos pontos de acumulação de X.
Portanto, a E X' {:::::::} a E X - {a}. Se a E X não é ponto de acumulação de
X, diz-se que a é um ponto isolado de X. Isto significa que existe é > O tal
que a é o único ponto de X no intervalo (a - é, a+ é). Quando todos os pontos
do conjunto X são isolados, X chama-se um conjunto discreto.

Teorema 6. Dados X e ffi; e a E IR, aB seguintes afirmações são equiva-


lentes:

(1) a é um ponto ele acumulação ele X;


(2) a é limite ele uma seqüência de pontos Xn E X - {a};
(3) Todo intervalo aberto de centro a contém uma infinidade de pontos
de X.

Demonstração: Supondo ( 1), para todo n E N podemos achar um ponto Xn E X,


Xn =J a, na vizinhança (a - l/n, a+ l/n). Logo limxn = a,
o que prova (2). Por outro lado, supondo (2), então, para qualquer n 0 E N, o
conjunto {xn; n > n 0 } é infinito porque do contrário existiria um termo Xn 1 que
se repetiria infinitas vezes e isto forneceria uma seqüência constante com limite
Xn 1 =J a. Pela definição de limite, vê-se portanto que (2)=?(3). Finalmente, a
implicação (3)=?(1) é óbvia. D

Exemplo 6. Se X é finito então X' = 0 (conjunto finito não tem ponto de


acumulação). íZ é infinito mas todos os pontos de íZ são isolados.
(Q' = IR. Se X= (a, b) então X'= [a, b]. Se X= {1, 1/2, ... , 1/n, ... } então
X' = {O}, isto é, O é o único ponto de acumulação de X. Note que todos os
pontos deste conjunto X são isolados (X é discreto).

Segue-se uma versão do Teorema de Bolzano-Weierstrass em termos de


ponto de acumulação.
Teorema 7. Todo conjunto infi.nito limitado de números reais admite
pelo menos um ponto de acumulação.
Demonstração: Seja X e IR infinito limitado. X possui um subconjunto enu-
merável {x 1 , x 2 , ..• , Xn, ... }. Fixando esta enumeração, te-
mos uma seqüência (xn) de termos dois a dois distintos, pertencentes a X,
portanto uma seqüência limitada, a qual, pelo Teorema de Bolzano-Weierstrass,
possui uma subseqüência convergente. Desprezando os termos que estão fora
dessa subseqüência e mudando a notação, podemos admitir que (xn) converge.
Seja a = lim Xn, Como os termos Xn são todos distintos, no máximo um deles
pode ser igual a a. Descartando-o, caso exista, teremos a como limite de uma
seqüência de pontos Xn E X - {a}, logo a E X'. O

4. Conjuntos compactos

Um conjunto X e IR chama-se compacto quando é limitado e fechado.


Todo conjunto finito é compacto. Um intervalo do tipo [a, b] é um conjunto
compacto. Por outro lado, (a, b) é limitado mas não é fechado, logo não é
compacto. Também Z não é compacto pois é ilimitado, embora seja fechado
(seu complementar IR - ~ é a reunião dos intervalos abertos (n, n + l), n E Z,
logo é um conjunto aberto).

Teorema 8. Um conjunto X e IR é compacto se, e somente se, toda


seqüência de pontos em X possui uma subseqüência que
converge para um ponto de X.

Demonstração: Se X e IR é compacto, toda seqüência de pontos de X é limi-


tada, logo (por Bolzano-Weierstrass) possui uma subseqüência
convergente, cujo limite é um ponto de X (pois X é fechado). Reciprocamente,
seja X e IR um conjunto tal que toda seqüência de pontos Xn E X possui uma
subseqüência que converge para um ponto de X. Então X é limitado porque,
do contrário, para cada n E N poderíamos encontrar Xn E X com lxnl > n.
A seqüência (xn), assim obtida, não possuiria Sl!bseqüência limitada, logo não
teria subseqüência convergente. Além disso, X é fechado pois do contrário exis-
tiria um ponto a ~ X com a= limxn, onde cada Xn E X. A seqüência (:rn)
não possuiria então subseqüência alguma convergindo para um ponto de X pois
todas suas subseqüências teriam limite a. Logo X é compacto. 11
Observação. Se X e IR é compacto então, pelo Exemplo 3, a, = inf X e
b = sup X pertencem a X. Assim, todo conjunto compacto
contém um elemento mínimo e um elemento máximo. Ou seja, X compacto
=} :3x0 , X1 E X tais que x 0 :::; x:::; x 1 para todo x E X.

O teorema a seguir generaliza o princípio dos intervalos encaixados.

Teorema 9. Dada uma seqüência decrescente X 1 :::> X 2 :::> • • • :::> Xn :::>


· · · de conjuntos compactos não-vazios, existe (pelo me-
nos) um número real que pertence a todos os Xn.

Demonstração: Definamos uma seqüência (xn) escolhendo, para cada n EN,


um ponto Xn E Xn. Esta seqüência está no compacto X 1 , logo
possui uma subseqüência (Xn 1 , Xn 2 , ••• , Xnk, ... ) convergindo para um ponto
a E X 1 . Dado qualquer n EN, temos Xnk E Xn sempre que nk > n. Como
Xn é compacto, segue-se que a E Xn. Isto prova o teorema. D

Encerraremos nosso estudo dos conjuntos compactos da reta com a demons-


tração do Teorema de Borel-Lebesgue.
Chama-se cobertura de um conjunto X a uma farm1ia C de conjuntos C>,.
cuja reunião contém X. A condição X e UJ..EL C>,. significa que, para cada
x E X, deve existir (pelo menos) um >. E L tal que x E C J... Quando todos
os conjuntos C J.. são abertos, diz-se que C é uma cobertura aberta. Quando
L = {Ài, ... , Àn} é um conjunto finito, diz~se que X e C>,. 1 u · · · U C>,.n é uma
cobertura finita . . Se L' e L é tal que ainda se tem X e LJJ..,EL' C>,.,, diz-se que
C' = (C>,.,)J..,EL' éumasubcoberturadeC.

Teorema 10. (Borel-Lebesgue.) Toda cobertura aberta de um conjunto


compacto possui uma subcobertura fi.nita.

Demonstração: Tomemos inicialmente uma cobertura aberta [a, b] e UJ..ELAJ..


do intervalo compacto [a, b]. Suponhamos, por absurdo, que
C = (A>,.)>,.EL não admita subcobertura finita. O ponto médio do intervalo [a, b] o
decompõe em dois intervalos de comprimento (b- a)/2. Pelo menos um destes
intervalos, o qual chamaremos [a 1 , b1 ], não pode ser coberto por um número
finito de conjuntos A>,.. Por bisseções sucessivas obteremos uma sequência
decrescente [a, b] :::> [a 1, b1] :::> [a2, b2] :::> • • • :::> [an, bn] :::> • • • de intervalos tais
que bn - an = (b - a)/2n e nenhum [an, bn] pode estar contido numa reunião
finita dos abertos A>,.. Pelo Teorema 4, Capítulo 2, existe um número real c
que pertence a todos os intervalos [an, bn]. Em particular, e E [a, b]. Pela
definição de cobertura, existe,\ E L tal que e E A>,, Como A>, é aberto, temos
[e - .s, e+ .s] e A>,. para um certo e > O. Tomando n EN tal que (b- a)/2n < E
temos então e E [an, b,,i] e [e - e, e+ e], donde [an, bn] e A>,., logo [an, bn]
pode ser coberto por apenas um dos conjuntos A>,.. Contradição. No caso geral,
temos uma cobertura aberta X e U>.EL A>, do compacto X. Tomamos um
intervalo compacto [a, b] que contenha X e, acrescentando aos A>, o novo aberto
A>,. 0 = IR - X, obtemos uma cobertura aberta de [a, b], da qual extraímos, pela
parte já provada, uma subcobertura finita [a, b] e A>, 0 u A>, 1 u,, · u AÀn. Como
nenhum ponto de X pode pertencer a A>, 0 , temos X e A>, 1 u · · · u A>.n e isto
completa a demonstração. D

Exemplo 7. Os intervalos An = (1/n, 2), n EN, constituem uma cobertura


aberta do conjunto X = (O, 1] pois (O, 1] e UnEN An. Entre-
tanto, esta cobertura não possui subcobertura finita pois, como A 1 e A 2 e A:~ e
· · · e An e · · · , toda reunião finita de conjuntos An é igual àquele de maior
índice, logo não contém (O, 1].

O Teorema de Borel-Lebesgue, cuja importância é inestimável, será utili-


zado neste livro uma só vez, no Capítulo 10, seção 4. (V. Teorema 7 daquele
capítulo.) Pode-se provar, reciprocamente, que se toda cobertura aberta de um
conjunto X e IR. possui uma subcobertura finita então X é limitado e fechado.
(Cfr. "Curso de Análise", vol. 1, pag. 144.)

5. O conjunto de Cantor

O conjunto de Cantor, que descreveremos agora, tem as seguintes proprie-


dades.
1) É compacto.
2) Tem interior vazio (não contém intervalos).

3) Não contém pontos isolados (todos seus pontos são pontos de acumulação).
4) É não-enumerável.
O conjunto de Cantor K é um subconjunto fechado do intervalo [O, 1], obtido
como complementar de uma reunião de intervalos abertos, do seguinte modo.
Retira-se do intervalo [O, 1] seu terço médio aberto (1/3, 2/3). Depois retira-
se o terço médio aberto de cada um dos intervalos restantes [O, 1/3] e [2/3, 1].
Sobra então [O, 1/9] u [2/9, 1/3] u [2/3, 7/9] u [8/9, 1]. Em seguida, retira-se o
terço médio aberto de cada um desses quatro intervalos. Repete-se o processo
indefinidamente. O conjunto K dos pontos não retirados é o conjunto de Cantor.

o 1/3 2/3

1 1 1 1 1 1
o 1
1/9 2/9 1/3 2/3 7/9 8/9

H H H H H H H H

H H H H H H H H H H H H HH H H

Fig. 1 - Construindo o conjunto de Cantor.

Se indicarmos com I,, I2, ... , ln, ... os intervalos abertos omitidos, vere-
mos que F = IR - u:.
1 ln é um conjunto fechado logo K = [O, 1] n Fé limitado
e fechado, ou seja, o conjunto de Cantor é compacto.
Para mostrar que /( tem interior vazio, obseryamos que depois da o-ésima
etapa de sua construção restam apenas intervalos de comprimento 1/3n. Por-
tanto, dado qualquer intervalo J e [O, 1] de comprimento e > O, se tomarmos
n tal que 1/:rn < e, o intervalo J estará mutilado depois da o-ésima etapa da
formação de /(. Assim, K não contém intervalos.
Os pontos extremos dos intervalos omitidos nas diversas etapas da constru-
ção do conjunto de Cantor, tais como 1/3, 2/3, 1/9, 2/9, 7/9 8/9, etc, pertencem
a K, pois em cada etapa são retirados apenas pontos interiores aos intervalos
que restaram na etapa anterior. Eles constituem um conjunto enumerável E,
sem pontos isolados. Com efeito, seja e E K extremidade de algum intervalo,
digamos (e, b), omitido de [O, 1] para formar K. Quando (e, b) foi retirado, restou
um certo intervalo [a, e]. Nas etapas seguintes da construção de K, restarão
sempre terços finais de intervalo, do tipo [an, e], com an E E. O comprimento
e - an tende a zero, logo an ---+ e e assim e não é ponto isolado de E.
Suponhamos agora que e E K não seja extremo de intervalo retirado de
[ü, 1] durante a construção de K. (Até agora, não sabemos se de fato tais pontos
existem, mas veremos logo mais que eles constituem a maioria dos pontos de
K.) Provemos que e não é isolado em K. Com efeito, para cada n E N, e
pertence ao interior de um intervalo [xn, Yn] que restou depois de n-esima etapa
da construção de K. Temos Xn <e< Yn com Xn,Yn E K e Yn - Xn = I/3n.
Logo e = lim Xn = lim Yn é ponto de acumulação de K.
Fica então constatado que K não possui pontos isolados.
Provaremos agora que o conjunto de Cantor K não é enumerável. Dado
qualquer subconjunto enumerável {x 1 , x 2 , ..• , Xn, ... } e K, obteremos um
ponto e E K tal que e# Xn para todo n EN. Para isso, com centro num ponto
de K, tomamos um intervalo compacto não-degenerado 11 tal que x 1 ~ 11 .
Como nenhum ponto de K é isolado, 11 n K é um conjunto infinito, compacto
sem pontos isolados. Em seguida, com centro em algum ponto de K interior a
/ 1 , tomamos um intervalo compacto não-degenerado 12 e 1 1 tal que x 2 ~ 12 .

Prosseguindo analogamente, obtemos uma seqüência decrescente de intervalos


compactos 11 =:i 12 =:i • • • =:i ln =:i • • • tais que Xn ~ ln e ln n K # 0. Sem
perda de generalidade, podemos supor que ln tem comprimento< 1/n. Então
o ponto e, pertencente a todos os ln (cuja existência é garantida pelo Teorema 4
do Capítulo 2) é único, isto é, n:= 1 ln = {e}. Escolhendo, para cada n E N, um
ponto Yn E ln n K, teremos então IYn - cl :S 1/n, donde limyn = e. Como K
é fechado, segue-se que e E K. Por outro lado, para todo n EN temos e E ln,
logo e # Xn, concluindo a demonstração.
Os pontos do conjunto de Cantor têm uma caracterização interessante e útil
em termos de sua representação em base 3. Dado x E [O, l], representar x na
base 3 significa escrever x = O, x 1 x 2 x 3 ... , onde cada um dos dígitos Xn é igual
a O, 1 ou 2, de tal modo que
X1 X2 Xn
X=-+-+···+-+···
3 32 3n
A fim de que se tenha x = O, x 1 x 2 •.• XnOOO ... é necessário e suficiente que
x seja um número da forma m/3n, com m, n inteiros em s; 3n_ Por exemplo
17 /27 = 0,122000 ... na base 3. Quando o denominador da fração irredutível
p / q não é uma potência de 3 então a representação de p / q na base 3 é periódica.
Por exemplo, 1/4 = O, 020202 ... e 1/7 = O, 010212010212 ... na base 3. Os
números irracionais têm representação não-periódica.
Na primeira etapa da formação do conjunto de Cantor, ao retirar-se o inter-
valo aberto (1/3, 2/3) ficam excluídos os números x E [O, 1] cuja representação
na base 3 tem x 1 = 1, com a única exceção de 1/3 = O, 1, que permanece. Na
segunda etapa, foram excluídos os números dos intervalos (l/9, 2/9) e (7 /9, 8/9)
ou seja, aqueles da forma O, Olx 3 x4 ••• ou da forma O, 2lx 3 x 4 •.. (com exceção
de 1/9 = O, 01 e de 7/9 = O, 21, que permanecem). De um modo geral, po-
demos afirmar que os elementos do conjunto de Cantor são os números do
intervalo [O, 1] cuja representação x = O, x 1 x 2 ... Xn ... na base 3 só contém
os algarismos O e 2, com exceção daqueles que contêm um único algarismo 1
como algarismo significativo final, como x = O, 20221, por exemplo. Se obser-
varmos que O, 0222 ... = O, 1 poderemos sempre substituir o algarismo final 1
p~la seqüência 0222 .... Por exemplo: O, 20201 = O, 20200222 .... Com esta
convenção, pode-se afirmar, sem exceções, que os elementos do conjunto de
Cantor são os números do intervalo [O, 1] cuja representação na base 3 só contém
os algarismos Oe 2.
Daí resulta facilmente que o conjunto de Cantor é não-enumerável (vide
Exemplo 3, Capítulo 1) e que 1/4 = O, 0202 ... pertence ao conjunto de Cantor.

6. Exercícios

Seção 1: Conjuntos abertos

1. Prove que, para todo X e IR tem-se int(int X) = int X e conclua que int X
é um conjunto aberto.
2. Seja A e lR um conjunto com a seguinte propriedade: "toda seqüência (xn)
que converge para um ponto a E A tem seus termos Xn pertencentes a A
para todo n suficientemente grande". Prove que A é aberto.
3. Prove que int(A u B) =:> int A u int B e int(A n B) = int A n int B quaisquer
que sejam A, B e R Se A= (O, 1] e n = [1, 2), mostre que int(A u B) #
intA U intB.
4. Para todo X e IR, prove que vale a reunião disjunta lR = int X u int(JR -
X) u F, onde Fé formado pelos pontos x E lR tais que toda vizinhança de
x contém pontos de X e pontos de lR - X. O conjunto F = fr X chama-se
a fronteira de X. Prove que A e lR é aberto se, e somente se A n fr A= 0.
5. Para cada um dos conjuntos seguintes, determine sua fronteira: X= [O, 1],
Y = (O, 1) U (1, 2), Z = Q, W = Z.
6. Sejam 11 ::> 12 =:> · • · =:> ln =:> · · · intervalos limitados dois a dois distintos,
cuja interseção I = íl~= 1 ln não é vazia. Prove que J é um intervalo, o qual
nunca é abertp.

Seção 2: Conjuntos fechados

1. Sejam J um intervalo não-degenerado e k > 1 um número natural. Prove


que o conjunto dos números racionais m/kn, cujos denominadores são
potencias de k com expoente n EN, é denso em I.
2. Prove que, para todo X e JR., vale X = X u fr X. Conclua que X é fechado
se, e somente se, X :) fr X.
3. Para todo X e JR., prove que lR. - int X = 1R. - X e IR - X = int(JR. - X).
4. Se X e lR. é aberto (respectivamente, fechado) e X = A u B é uma cisão,
prove que A e B são abertos (respectivamente, fechados).
5. Prove que se X e lR. tem fronteira vazia então X= 0 ou X= R
6. SejamX,YcR ProvequeXUY=XUYequeXnYcXnY. Dê
exemplo em que X n Y # X n Y.
7. Dada uma seqüência (xn), prove que o fecho do conjunto X= {xn; n EN}
é X= X u A, onde A é o conjunto dos valores de aderência de (xn).

Seção 3: Pontos de acumulação

1. Prove que, para todo X e JR., tem-se X = X u X'. Conclua que X é fechado
se, e somente se, contém todos os seus pontos de acumulação.
2. Prove que toda coleção de intervalos não degenerados dois a dois disjuntos
é enumerável.
3. Prove que se todos os pontos do conjunto X e lR. são isolados então pode-se
escolher, para cada x E X, um intervalo aberto Ix, de centro x, tal que
x # y ==?- Ix n Iy = 0.
4. Prove que todo conjunto não enumerável X e lR. possui algum ponto de
acumulação a E X.
5. Prove que, para todo X e JR., X' é um conjunto fechado.
6. Seja a um ponto de acumulação do conjunto X. Prove que existe uma
seqüência crescente ou uma seqüência decrescente de pontos xn E X com
Iimxn = a.

Seção 4: Conjuntos compactos

1. Prove que o conjunto A dos valores de aderência de uma seqüência (xn) é


fechado. Se a seqüência for limitada, A é compacto, logo existem l e L,
respectivamente o menor e o maior valor de aderência da seqüência limitada
(xn)- Costuma-se escrever l = liminf Xn eL = limsupxn,

2. Prove que uma reunião finita e uma interseção arbitrária de conjuntos com-
pactos é um conjunto compacto.
3. Dê exemplo de uma seqüência decrescente de conjuntos fechados não-vazios
F 1 ::J · · · ::i Fn :J · · · e uma seqüência decrescente de conjuntos limitados
não-vazios L 1 :J · · · :J Ln :J · · · tais que nFn = 0 e nLn = 0.
4. Sejam X, Y conjuntos disjuntos e não-vazios, com X compacto e Y fe-
chado. Prove que existem x 0 E X, y0 E Y tais que lxo - Yol ::; lx - YI para
quaisquer x E X, y E Y.
5. Um conjunto compacto cujos pontos são todos isolados é finito. Dê exemplo
de um conjunto fechado ilimitado X e um conjunto limitado não-fechado
Y, cujos pontos são todos isolados.
6. Prove que se X é compacto então os seguintes conjuntos também são com-
pactos:
a) S = {x+y; x,y E X};
b) D= {x - y; x, y E X};
c) P = {x.y; x,y E X};
d) Q = {x / y; x, y E X} se O ~ X.

Seção 5: O conjunto de Cantor

1. Determine quais dentre os números 1/ n, 2 ::; n ::; 10, pertencem ao conjunto


de Cantor.
2. Dado arbitrariamente a E [O, l], prove que existem x < y pertencentes ao
conjunto de Cantor, tais que y - x = a.
3. Prove que a soma da série cujos termos são os comprimentos dos intervalos
· omitidos para formar o conjunto de Cantor é igual a 1.
4. Prove que os extremos dos intervalos removidos formam um subconjunto
enumerável denso no conjunto de Cantor.
6

Limites
de Funções

A noção de limite, que estudamos no Capítulo 3 no caso particular de seqüências,


será agora estendida à situação mais geral onde se tem uma função f: X --+ JR,
definida num subconjunto qualquer X e R

1. Definição e primeiras propriedades

Sejam X e lR um conjunto de números reais, f: X --+ lR uma função real


cujo domínio é X e a E X' um ponto de acumulação do conjunto X. Diz-
se que o número real L é limite de f (x) quando x tende para a, e escreve-se
limx----,a .f (x) = L, quando, para todo E > Odado arbitrariamente, pode-se obter
8 > Otal que se tem lf(x) - Lf < E sempre que x E X e O< [x - a[< 8.
Simbolicamente:
lim .f(x)
X-+a
=L ·=· Vé > O::lb > O; x
·
E X, O< [x - a[ < 8 => ff(x) - Lf < é
Informalmente: limx----,a .f (x) = L quer dizer que se pode tornar f (x) tão próximo
de L quanto se queira desde que se tome x E X suficientemente próximo, porém
diferente, de a.
A restrição O < [x - a[ significa x =/- a. Assim, no limite L = limx----,a f (x)
não é permitido à variável x assumir o valor a. Portanto, o valor f (a) não tem im-
portância alguma quando se quer determinar L: o que conta é o comportamento
de .f (x) quando x se aproxima de a, sempre com x =/- a.
Na definição de limite é essencial que a seja um ponto de acumulação do
conjunto X mas é irrelevante que a pertença ou não a X, isto é, que f esteja ou
não definida no ponto a. Num dos exemplos mais importantes de limite, a saber,
a derivada, estuda-se limx---.a q(x), onde a função q(x) = [.f(x) - f(a)]/(x - a)
não está definida para x = a.
Nas condições f: X -----, IR!., a E X', negar que se tem limx-+a f(x) = L
equivale a dizer que existe um número e > Ocom a seguinte propriedade: seja
qual for /5 > O, pode-se sempre achar x6 E X tal que O < lxt - ai < 15 e
lf (x6) - LI 2: é.
Teorema 1. Sejam f, g: X -----, IR!., a E X', lirnx---.a f (x) = L e limx-,a g(x) =
M. Se L < M então existe 15 > O tal que f(x) < g(x) para
todo x E X com O< lx - ai< 15.
Demonstração: Seja K = (L + M)/2. Pondo é= K - L = M - K temos
e > Oe K = L + E = M - E. Pela definição de limite, existem
81 > Oe82 > Otaisquex E X,O < Jx-aJ < 81 *
L-E < f(x) < Kex E
X,O < Jx- ai< 82 *
K < g(x) < M + é. Portanto, pondo 8 = min{/51,152}
vem: x E X, O < 1x - a 1 < /5 *
.f (x) < K < g (x), o que prova o teorema. D

Observação. A hipótese L < M não pode ser substituida por L ::; M no


Teorema 1.

Observação. Para o Teorema 1 e seus corolários, bem como para o Teorema


2 abaixo, valem versões análogas com > em lugar de < e vice-
versa. Tais versões serão usadas sem maiores comentários.

Corolário 1. Se limx-+a f (x) = L < M então existe 8 > O tal que f (x) <
M para todo x E X com O< lx - ai< 8.

Corolário 2. Sejam limx_.af(x) = L e limx_,ag(x) = M. Se f(x)::; g(x)


para todo x E X - {a} então L::; M.

Com efeito, se fosse M < L então tomaríamos um número real K tal que
M < K < L. Neste caso, existiria 8 > Otal que x E X, O < Jx - ai < 8 *
g(x) < K < f(x), uma contradição. D

Teorema 2. (Teorema do sanduíche.) Sejam f, g, h: X -----, IR!., a E X' e


limx-+a. f (x) = limx-,a g(x) = L. Se f (x) ::; h(x) ::; g(x)
pnrn todo x E X - {a} então limx-+a h(x) = L.
Demonstração: Dado arbitrariamente é > O, existem 81 > O e /52 > O tais
que x E X,O < lx- ai < 81 *
L - é < f(x) < L + é e
.,: e X,o < ja; - aj < 82 * L- é< g(x) < L + é. Seja8 = min{81,82}. Então
;e E X,O < lx-al < 8 *
L-E < f(x) :s; h(x) :s; g(x) < L+e * L-E <
h(x) < L +E.Logo limx-+a h(x) = L. D

Observação. A noção de limite é local, isto é, dadas as funções f, g: X--. R


e dado a E X', se existir uma vizinhança V do ponto a tal que
f(x) = g(x) paratodox-# aem VnX entãoexistelimx-+a f(x) se, e somente se,
existe limx-+a g(x). Além disso, se existirem, esses limites serão iguais. Assim,
por exemplo, no Teorema 2, não é necessário supor que vale f (x) :s; h(x) :s; g(x)
para todo x E X - {a}. Basta que exista uma vizinhança V do ponto a tal que
estas desigualdades valham para todo x -# a pertencente a V n X. Observação
análoga para o Teorema 1 e seu Corolário 2.

Teorema 3. Sejam .f: X--. R e a E X'. A fim de que seja limx-+a f(x) =
L é necessário e suE.ciente que, para toda seqüência de
pontos Xn E X - {a} com limxn = a, tenha-se lim.f(xn) = L.

Demonstração: Suponhamos, primeiro, que limx-+a f(x) =Leque se tem uma


seqüência de pontos Xn E X - {a} com lim Xn = a. Dado arbi-
trariamente E> O, existe8 > Otalquex E X, O< lx - ai < 8 *
lf(x) - LI < E.
Existe também n 0 E N tal que n > n 0 *
O < lxn - ai < 8 (pois Xn -#apara
todo n). Por conseguinte, n > n 0 *
lf (xn) - LI < E, logo lim .f (xn) = L.
Reciprocamente, suponhamos que Xn E X - {a} e lirn Xn = a impliquem
limf(xn) = L e provemos que se tem
lim f(x) = L.
X->a
Com efeito, negar esta igualdade implicaria em afirmar a existência de um
número E > O com a seguinte propriedade: qualquer que seja n E N podemos
achar Xn E X tal que O< lxn - ai < 1/n mas lf(xn) - LI ~ E. Então teríamos
Xn E X - {a},limxn = a sem que fosse limf(xn) = L. Esta contradição
completa a demonstração. D

Corolário 1. (Unicidade do limite.) Sejam .f: X --. ~ e a E X 1 •


Se lim f(x) = L e lim f(x) = M então L = M.
X-+a x-+a

Com efeito, basta tomar uma seqüência de pontos Xn E X - {a} com


limxn = a, o que é assegurado pelo Teorema 6 do Capítulo 5. Então teremos
L = lim f (xn) e M = lim f (xn). Pela unicidade do limite da seqüência (f (xn)),
vemL=M. D
Corolário 2. (Operações com limites.) Sejam f, g: X ---+ IR., a E X', com
Iimx--+af(x) = L e)imx--+ag(x) = M. Então
lim [f(x) ± g(x)] = L ± M;
X--+a
lim [f(x).g(x)] = L.M;
X--+a
lim f(x) = ~ se M =f- O.
X--+a g(x) M'
Além disso, se limx--+a f(x) = O e g é limitada nun:i.a vizinhança de a,
tem-se limx--+a[f(x).g(x)] = O.

Com efeito, dada qualquer seqüência de pontos Xn E X - {a} com lim Xn =


a, pelo Teorema 8 do Capítulo 3 valem lim[f(xn) ± g(xn)] = limf(xn) ±
lim(g(xn)) = L± M, limf(xn).g(xn) = limf(xn). Iimg(xn) = L.M e também
lim[f(xn)/g(xn)] = limf(xn)/Iimg(xn) = L/M. Finalmente, se existem uma
vizinhança V de a e uma constante e tal que lg(x)I ~ e para todo x E V então,
como Xn E V para todo .n suficientemente grande, a seqüência g(xn) é limi-
tada; logo, pelo Teorema 7 do Capítulo 3, tem-se limf(xn).g(xn) = O, pois
limf(xn) = O. O Corolário 2 segue-se portanto do teorema. D

Teorema 4. Sejam f: X ---+ IR., a E X'. Se existe limx--+a f (x) então f é


limitada numa vizinhança de a, isto é, existem {j > O e
e> O tais que x E X, O< lx - ai < {j =;, lf(x)I ~ e.
Demonstração: Seja L = limx--+a f (x). Tomando é = 1 na definição de limite,
resulta que existe 8 > O tal que x E X, O < lx - ai < b =;,
lf(x) - LI < 1 =;, lf(x)I = lf(x) - L + LI ~ lf(x) - LI+ ILI < ILI+ 1. Basta
então tomar e = ILI + 1. D
O teorema 4 generaliza o fato de que toda seqüência convergente é limitada.

Exemplo 1. Se f,g:IR.---+ IR. são dadas por.f(x) = e e g(x) = x (função


constante e função identidade)então, para todo a E~. tem-se
evidentemente limx--,a J(x) = e e limx--+a g(x) = a. Segue-se do Corolário 2 do
Teorema 3 que, para todo polinômio p: ~---+ R p(x) = a0 + a 1 x + · · · + anxn;
tem-seJimx--+aP(x) = p(a), sejaqualfora E R Analogamente,paratodafunção
racional f(x) = p(x)/q(x), quociente de dois polinômios, tem-selimx--+a f(x) =
f(a) desde que seja q(a) =f- O. Quando q(a) = O, o polinômio q(x) é divisível
por :i; - a. Escrevemos então q(x) = (x - a)mq 1 (x) e p(x) = (x - a)k1ii(x)
onde UI, E N, k E NU {O}, q 1 (a) =f- O e p 1 (a) =f- O. Se for m = k então vale
limx-,af(x) = P1(a)/q1(a) porque f(x) = P1(x)/q1(x) para todo xi- a. Se
for k > m então tem-se limx-,a f(x) = O pois f(x) = (x - a)k-m[p 1(x)/q 1(x)]
para todo x i- a. Se, entretanto, tivermos k < m, então f(x) = p 1 (x)/[(x -
a) m-k .q1 ( x)] para todo x i- a. Neste caso, o denominador de f (x) tem limite
zero e o numerador não. Isto implica que não pode existir limx-,a f (x). Com
efeito, se f(x) = rp(x)/'lj;(x), com limx-a 'lj;(x) = O, e existe L = limx-,a f(x)
então existe Iimx-,a rp(x) = limx_,a(f(x).'lj;(x)) = L.O = O. Trata-se, portanto,
de um fato geral: quando limx---.a 'lj;(x) = O, só pode existir limx-,a[rp(x)/'lj;(x)]
no caso em que se tenha também limx---.a rp(x) = O (embora esta condição, por
si só, não seja suficiente para a existência de lim[rp/1);].).

Exemplo 2. Seja X= R- {O}. Então O E X'. A função f: X--+ R, definida


por f(x) = sen(l/x) não possui limite quando x --+ O. Com
efeito, a seqüência de pontos Xn = 2/(2n - l)1r é tal que limxn = O mas
f (xn) = ±1 conforme n seja ímpar ou par, logo não existe lim f(xn). Por outro
lado, se g: X --+ Ré definida por g(x) = x. sen(l/x), tem-se limx---.o g(x) = O,
pois isen(l/x)I ::; 1 para todo x E X e limx---.o x = O. Os gráficos dessas duas
funções são mostrados na Fig. 2 abaixo.

''" /
/
/

' /

/
/
/

Fig. 2

Exemplo 3. Sejaf: R --+ R definida por f (x) = O quando x é racional e


f (x) = 1 quando x é irracional. Dado qualquer a E R, podemos
obter uma seqüência de números racionais Xn i- a e uma seqüência de números
irracionais Yn i- a com limxn = limyn =a.Então limf(xn) = Oe lirn f(Yn) ,,.
1, logo não existe limx-+a f (x).
Observação. Dois dos limites mais importantes que aparecem na Análise são
limx-+o(senx/x) = 1 e limx-+o(ex -1)/x = 1. Paraestabelecê-
los é necessário, entretanto, que se tenha feito um desenvolvimento rigoroso das
funções trigonométricas e da função exponencial. Isto será feito nos Capítulos
11 e 12. Sem embargo, continuaremos utilizando essas funções e suas inversas
(como o logaritmo) em exemplos, antes mesmo daqueles capítulos. É que esses
exemplos ajudam a fixar a aprendizagem mas não interferem no encadeamento
lógico da matéria aqui apresentada. Ao leitor interessado, esclarecemos que uma
apresentação rigorosa porém elementar dos logaritmos e da função exponencial
pode ser encontrada no livrinho "Logaritmos" mencionado na bibliografia.

2. Limites laterais

Seja X e lR. Diz-se que o número real a é um ponto de acumulação à


direita para X, e escreve-se a E X+, quando toda vizinhança de a contém
algum ponto x E X com x > a. Equivalentemente: para todo E > O tem-se
X n (a, a+ e:) f:. 0. A fim de que a E X+ é necessário e suficiente que a seja
limite de uma seqüência de pontos Xn > a, pertencentes a X. Finalmente, a
é um ponto de acumulação à direita para o conjunto X se, e somente se, é um
ponto de acumulação ordinário do conjunto Y = X n (a, +oo).
Analogamente se define ponto de acumulação à esquerda . Por definição,
a E X'_ significa que, para todo E > O, tem-se X n (a - E, a) f:. 0, ou seja, a E Z'
onde Z = (-oo, a) n X. Para que isto aconteça, é necessário e suficiente que
a = limxn, onde (xn) é uma seqüência cujos termos Xn < a pertencem a X.
Quando a E X+ n X'_ diz-se que a é um ponto de acumulação bilateral de X.

Exemplo 4. Se X = {1, 1/2, ... , 1/n ... } então O E X+ porém O ~ X'_.


Seja I um intervalo. Se e E int I então e E I+ n J'_ mas se e
é um dos extremos de I então tem-se apenas e E I+ se é o extremo inferior e
e E J'_ se é o extremo superior de J.

Exemplo 5. Seja K o conjunto de Cantor. Sabemos que todo ponto a E K é


ponto de acumulação. Se o, é extremo de algum dos intervalos
omitidos numa das etapas da construção de f{ então vale apenas uma das alter-
nativas a E K+ ou a E K'_. Se entretanto"' E f( não é extremo de intervalo
omitido então a E K~1_ n K'_ como se conclui do argumento usado no Capítulo
5, seção 5.
Seção 2 Limites laterais 67

Sejam f: X - JR, a E X~. Diz-se que o número real L é limite à direita de


f (x) quando x tende para a, e escreve-se L = limx-+a+ f(x) quando, para todo
ê > O dado arbitrariamente, pode-se obter 8 > O tal que lf(x) - LI < E sempre
que x E X e O< x - a< 8. Simbolicamente:
lim f(x) = L
X-+a+
·=· 'vE > O :l8 > O; x E X n (a, a+ 8) => lf(x) - LI < E.

Analogamente se define o limite à esquerda L = limx-+a- f(x), no caso de


f: X - lR com a E X~: isto significa que, para todo E > Odado arbitrariamente,
pode-se escolher 8 > O tal que x E X n (a - 8, a)=> lf(x) - LI < E.
As propriedades gerais dos limites, demonstradas na seção 1, se adap-
tam facilmente para os limites laterais. Basta observar que o limite à direita
limx-a+ f(x) se reduz ao limite ordinário limx-+a g(x), onde g é a restrição da
função f: X - lR ao conjunto X n (a, +oo). E analogamente para o limite à
esquerda.
Por exemplo, o Teorema 3 no caso de limite à direita se exprime assim:
"A fi.m de que seja limx-+a+ f (x) = L é necessário e sufi.ciente que,
para toda seqüência de pontos Xn E X com Xn > a e lim Xn = a, se tenha
limf(xn) = L."
Como se vê facilmente, dado a E X~ n X~, existe limx-+a f(x) = L se, e
somente se, existem e são iguais os limites laterais
lim f(x) = lim f (x) = L.
X-+a+ X-+a-

Exemplo 6. As funções f, g, h: JR-{O} - JR, definidas por f(x) = sen(l/x),


g(x) = x/lxl e h(x) = 1/x não possuem limite quando x - O.
Quanto aos limites laterais, temos limx-o+ g(x) = 1 e limx-+o- g(x) = -1
porque g(x) = 1 para x > O e g(x) = -1 se x < O. As funções f e h não
possuem limites laterais quando x - O, nem à esquerda nem à direita. Por
outro lado, cp:JR - {O} - O, definida por cp(x) = e- 1 /x, possui limite à direita,
limx-o+ cp(x) = O, mas não existe limx-+O- <p(x) pois <p não é limitada para
valores negativos de x próximos de zero.

Exemplo 7. Seja I: lR - lR a função "parte inteira de x". Para cada :r E ITt


existe um único número inteiro n tal que n :::; x < n + J; põe-se
então I(x) = n. Se n E Z então limx-n+ I(x) = n e limx-+n- I(a:) = n -- 1.
Com efeito, n < x < n+l => I(x) = nenquanton-1 < x < n => l(:r) = n--1.
Por outro lado, se a não é inteiro então limx----,a+ I(x) = Iimx-,a- I(x) = I(a)
pois neste caso I (x) é constante numa vizinhança de a.

Uma função f: X__, lR chama-se monótona não-decrescente quando para


x, y E X, x < y * f(x) ::; f(y). Se x < y * .f(x) 2: f(y), f diz-se monótona
não-crescente . Se vale a implicação mais estrita x < y * .f (x) < f (y) dizemos
que a função fé crescente. Finalmente, se x < y * f(x) > f(y), dizemos que
f é uma função decrescente .

Teorema 5. f: X ---, lR uma função monótona limitada. Para todo


Seja
a X~ e todo b E X'_ existem L = Iimx---,a+ f(x) e M =
E
limx_,b_ f(x). Ou seja: existem sempre os limites laterais de uma função
monótona limitada.
Demonstração: Para fixar as idéias, suponhamos f não-decrescente. Seja L =
inf{f(x); x E X, x > a}. Afirmamos que limx---,a+ f(x) = L.
Com efeito, dado arbitrariamente E > O, L + E não é cota inferior do conjunto
limitado {f (x); x E X, x > a}. Logo existe 15 > O tal que a + 15 E X e
L ::; f(a + 15) < L + E. Como fé não-decrescente, x E X n (a, a+ 15) *
L ::::; f (x) < L + E, o que prova a afirmação feita. De modo análogo vê-se que
M = sup{f (x); x E X, x < b} é o limite à esquerda M = limx---,b- f (x). O

Observação. Se a E X não é necessário supor que f seja limitada no Teo-


rema 5. Com efeito, suponhamos, para fixar idéias, que f seja
monótona não-decrescente e a E X~. Então f (a) é uma cota inferior do conjunto
{f(x);x E X,x > a}eoínfimodesteconjuntoélimx-a+f(x). Analogamente,
se a E X'_ então f(a) é uma cota superior do conjunto {f(x);x E X,x < a},
cujo supremo é o limite à esquerda limx-a- f (x).

3. Limites no infinito, limites infinitos, expressões indeterminadas

Seja X e lR ilimitado superiormente. Dada .f: X __, JR, escreve-se


lim .f (x) = L,
X-++oo

quando o número real L satisfaz à seguinte condição:


Vê> O 3A > O; :r: E X, :i: >A* lf(x) - LI< E.
Ou seja, dado arbitrariamente ê > O, existe A > Otal que lf(x) - LI < E sempre
que:,;> A.
Seção 3 Limites no Infinito, llmltes Infinitos, expressões Indeterminadas

De maneira análoga define-se limx----,-oo f(x) = L, quando o domínio de


f é ilimitado inferiormente: para todo E > O dado, deve existir A > O tal que
:z; <-A* lf(x) - LI < E.
Valem os resultados já demonstrados para o limite quando x -+ a, a E IR,
com as adaptações evidentes.
Os limites para x-+ +oo ex-+ -oo são, de certo modo, limites laterais (o
primeiro é um limite à esquerda e o segundo à direita). Logo vale o resultado do
Teorema 5: se f: X-+ IR é monótona limitada então existe limx----,+oo f(x) se o
domínio X for ilimitado superiormente e existe limx--oo .f (x) se o domínio de
f for ilimitado inferiormente.
O limite de uma seqüência é um caso particular de limite no infinito: trata-
se de limx-+oo f(x), onde f: N-+ IR é uma função definida no conjunto N dos
números naturais.

Exemplo 8. limx-+oo 1/x = limx----,-oo 1/x = O. Por outro lado, não existe
limx----,+oo senx nemlimx----,-oo senx. Vale limx----,-oo ex= Oma&
não existe limx----,+oo ex, no sentido da definição acima. Como fizemos no caso
de seqüências, introduziremos "limites infinitos" para englobar situações como
esta.

Em primeiro lugar, sejam X e IR., a E X', f: X -+ R Diremos que


limx-a f (x) = +oo quando, para todo A > O dado, existe 8 > O tal que_
O< lx - ai< 8,x E X* f(x) > A.
Por exemplo, limx----,a 1/(x - a) 2 = +oo, pois dado A > O, tomamos 8 =
1/v'JL Então O< lx - ai< 8 *O< (x - a) 2 < 1/A::::} 1/(x - a) 2 > A.
De modo semelhante, definiremos limx----,a f (x) = -oo. Isto significa que,
para todo A> O, existe 8 > Otal que x E X,O < lx- ai< 8 * f(x) < -A.
Por exemplo, limx----,a -1/(x - a) 2 = -oo.
Evidentemente, as definições de limx----,a+ f (x) = +oo, limx----,a- f (x) =
+oo, etc. não apresentam maiores dificuldades e são deixadas a cargo do lei-
tor. Também omitiremos as definições evidentes de limx----,+oo f(x) = +oo,
limx--oo f(x) = +oo, etc. Por exemplo,
. 1 . 1
hm ( - - ) = +oo, hm ( - - ) = -oo,
X---->a+ x - a x-a- x- a
lim ex= +oo, lim xk = +oo (k EN).
X---->+oo X---->+cx,
Deve-se observar enfaticamente que +oo e -oo não são números reais, de
modo que as afirmações Iimx--+a f (x) = +oo e limx-+a f (x) = -oo não exprimem
limites no sentido estrito do termo.

Observação. Valem para lim(f + g ), lim(f.g) e lim(f / g) resultados análogos


aos do Capítulo 3 (v. Teorema 9) sobre limites de seqüências.

Observação. Admitindo limites infinitos, existem sempre os limites laterais


de uma função monótona f: X __, IR em todos os pontos a E X',
ou mesmo quando x __, ±oo. Tem-se limx--+a+ f(x) = L, L E IR se, e somente
se, para algum 8 > O, fé limitada no conjunto X n (a, a+ 8). Se, ao contrário,
fé ilimitada (digamos superiormente) em X n (a, a+ 8) para todo 8 > O então
limx--+a+ f (x) = +oo.

Em aditamento aos comentários feitos na seção 4 do Capítulo 3, diremos


algumas palavras sobre as expressões indeterminadas O/o, oo - oo, Ox oo, oo / oo,
oº, 00° e 1
00 •

Vejamos, por exemplo, 0/0. Como a divisão por zero não está definida, esta
expressão não tem sentido aritmético. Afirmar que o/o é indeterminada tem o
seguinte significado preciso:
Sejam X e IR, f, g: X __, IR, a E X'. Suponhamos que limx--+a f (x) =
limx--+ag(x) = O e que, pondo Y = {x E X;g(x)-:/- O}, ainda se tenha a E Y'.
Então f(x)/g(x) está definida quando x E Y e faz sentido indagar se existe
limx-+a f (x) / g( x). Mas nada se pode dizer em geral sobre este limite. De-
pendendo das funções f, g, ele pode assumir qualquer valor real ou não exis-
tir. Por exemp1o, dado qualquer e E IR, tomando f (x) = ex e g(x) = x, te-
mos limx--+D f(x) = limx-o g(x) = O, enquanto limx--+D f(x)/ g(x) = e. Por
outro lado, se tomarmos f(x) = x. sen(l/x), (x -:f. O) e g(x) = x, teremos
limx--+O f(x) = limx--+D g(x) = O, mas não existe limx--+D f(x)/ g(x).
Pelo mesmo motivo, 00-00 é indeterminado. Isto quer dizer: podemos achar
funções f, g: X -+ IR, tais que limx--+a f (x) = limx--+a g(x) = +oo, enquanto
límx--+a[f(x) - g(x)], dependendo das nossas escolhas para f e g, pode ter um
valor arbitrário e E IH1. ou pode não existir. Por exemplo, se f, g: IR - {a} __, IR
são dadas por
f (x) 1 ) e g(x) = ( 1 )2,
=e+ (x-a, 2
x-a
então limx-,a f (x) = limx_.a g(:1:) = +oo e limx_.a[f(x) - g(x)] = e. Analoga-
mente, se
1 1 1
f(x) = sen - - + ( ) e g(x) = ( x-a )2,
x-a x-a 2
não existe limx-->a[f (x) - g(x)].
Mais um exemplo: dado qualquer número real e > Opodemos achar funções
f, g: X ------, JR., com a E X' e limx-,a J(x) = limx-,a g(x) = O, J(x) > O
para todo x E X, enquanto limx-,a f(x)g(x) = e. Basta, por exemplo, defi-
nir f,g: (O, +oo) ------, lR pondo f(x) = x,g(x) = logr,/logx. Neste caso, vale
f(x)g(x) = e para todo x # O. (Tome logaritmos de ambos os membros.)
Portanto limx-->O f (x)g(x) = e. Ainda neste caso, podemos escolher f e g de
modo que o limite de f(x)g(x) não exista. Basta tomar, digamos, f(x) = x e
g(x) = log(l + isenl/xi).(logx)- 1 . Então f(x)g(x) = 1 + isenl/xl, portanto
não existe limx-->O f (x)g(x).
Estes exemplos devem bastar para que se entenda o significado de "ex-
pressão indeterminada". O instrumento mais eficaz para o cálculo do limite de
expressões indeterminadas é a chamada "Regra de L 'Hôpital", que é objeto de
infindáveis exercícios nos cursos de Cálculo.

4. Exercícios

Seção 1: Definição e primeiras propriedades

1. Sejam f:X------, JR., a E X' e Y = J(X - {a}). Se limx-->af(x) = L então


LEY.
2. Sejamf:X------, JR.ea E X'. Afimdequeexistalimx-af(x)ésuficienteque,
para toda seqüência de pontos Xn E X - {a} com lim Xn = a, a seqüência
(f (xn)) seja convergente.
3. Sejam f: X------, JR., g: Y------, lR. com f(X) e Y, a E X' e b E Y' n Y. Se
lim f (x) = b e lim g(y) = e,
X-->U X--tb
prove que limx-->a g(f(x)) = e, contanto que e= g(b) ou então que x # a
implique f(x) # b.
4. Sejam f, g: lR. ------, lR. definidas por f (x) = O se x é irracional e f (x) = x
se x E Q; g(O) = 1 e g(x) = O se x # O. Mostre que limx-->O f (x) = O e
limy-->O g(y) = O, porém não existe limx-->O g(f (x)).
5. Seja f:JR.------, lR. definida por f(O) = O e f(x) = sen(l/x) se x # O. Mostre
que para todo e E [-1, 1] existe uma seqüência de pontos Xn =1- O tais que
limxn = O e limf(xn) = e.

Seção 2: Limites laterais

1. Prove que a E X~ (respectivamente, a E X~) se, e somente se, a = lim Xn é


limite de uma seqüência decrescente (respectivamente, crescente) de pontos
pertencentes ao conjunto X.
2. Prove que limx-,a+ f(x) = L (respectivamente, limx-,a- f(x) = L) se, e
somente se, para toda seqüência decrescente (respectivamente, crescente)
de pontos Xn E X com limxn =atem-se limf(xn) = L.
3. Seja f: JP1.. - {O} - t JP1.. definida por f (x) = l/ (1 + a 1 fx), onde a > l. Prove
que limx-,o+ J(x) = Oe limx-+O- f(x) = 1.
4. Sejam f: X - t JP1.. monótona e a E X~. Se existir uma seqüência de pontos
Xn E X com Xn > a, limxn = a e limf(xn) = L então limx-,a+ f(x) = L.
5. Dada f: JP1..-{0} - t JP1.., definida por f (x) = sen(l/x)/ (1 +2 1 /x), determine o
conjunto dos números L tais que L = lim f (xn), com lim Xn = O, Xn =/- O.

Seção 3: Limites no infinito, limites infinitos, etc.

1. Seja p: IP1.. - t JP1.. um polinômio não constante, isto é, para todo x E IP1.., p( x) =
a 0 + a 1 x + · · · + anxn, com an =/- Oe n ~ l. Prove que, se n é par então
limx-,+= p( x) = limx-+-oo p( x) = +oo se an > Oe = -oo se an < O. Se n
é ímpar então limx ..... += p(x) = +oo e limx-+-oo p(x) = -oo quando an > O
e os sinais dos limites são trocados quando an < O.
2. Seja f: "IP'. - t JP1.., definida por f (x) = x sen x. Prove que, para todo e E JR,
existe uma seqüência Xn E JP1.. com lim Xn = +oo e lim f(xn) = e.
11,-+(X) n--++oo
3. Seja f: [a, +oo) - t JP1.. limitada. Para cada t ~ a indiquemos com Mt o sup
e mt o inf de .f no intervalo J = [t, +oo). Com Wt = Mt - mt indicaremos
a oscilação de f em I. Prove que existem limt-+oo Mt e limt-+oo mt.
Prove que existe limx-++oo f (x) se, e somente se, limt-++= Wt = O.
7

Funções
Contínuas

A noção de função contínua é um dos pontos centrais da Topologia. Ela será


estudada neste capítulo em seus aspectos mais básicos, como introdução a uma
abordagem mais ampla e como instrumento para aplicação nos capftulos seguin-
tes.

1. Definição e primeiras propriedades

Uma função f: X - IR, definida no conjunto X e IR, diz-se contínua no


ponto a E X quando, para todo e > Odado arbitrariamente, pode-se obter ô > O
tal que x E X e lx - ai < ô impliquem lf(x) - f(a)I < e. Em símbolos, f
contínua no ponto a significa:
Vc > O :3ô > O; x E X, lx - ai < ô :e} lf(x) - f(a)I < e.
Chama-se descontínua no ponto a E X uma função f: X - IR que não
é contínua nesse ponto. Isto quer dizer que existe e > O com a seguinte
propriedade: para todo ô > O pode-se achar x5 E X tal que lx8 - ai <
ô e lf(x5) - f(a)I 2 e. Em particular, tomando 8 sucessivamente igual a
1, 1/2, 1/3, ... e escrevendo Xn em vez de x 1;n• vemos que f: X - IR é des-
contínua no ponto a E X se, e somente se, existe e > O com a seguinte pro-
priedade: ,para cada n E N pode-se obter Xn E X com lxn - ai < 1/n e
lf(xn) - f(a)I 2 e. Evidentemente, lxn - ai < 1/n para todo n E N implica
limxn = a.
Diz-se que f: X - IR é uma fanção contínua quando f é contínua em todos
os pontos a E X.
A continuidade é um fenômeno local, isto é, a função f: X - ~ é contínua
no ponto a E X se, e somente se, existe uma vizinhança V de a tal que a restrição
de f a V nX é contínua no ponto a.
Se a é um ponto isolado do conjunto X, isto é, se existe 6 > O tal
que X n (a - 5, a + 5) = {a}, então toda função f: X _, lR é contínua
no ponto a. Em particular, se X é um conjunto discreto, como Z por
exemplo, então toda função f: X _, lR é contínua.
Se a E XnX', isto é, se a E X é um ponto de acumulação de X, então
f: X _, lR é contínua no ponto a se, e somente se, limx---ta f (x) = f (a).
Ao contrário do caso de um limite, na definição de função contínua o
ponto a deve pertencer ao conjunto X e pode-se tomar x = a pois, quando
isto se dá, a condição lf(x) - f(a)I < ê torna-se O< ê, o que é óbvio.

Teorema 1. Sejam f,g: X-, IR contínuas no ponto a E X, com f(a) <


g(a). Existe 6 > O tal que f(x) < g(x) para todo x E
Xn(a-5,a+5).

Demonstração: Tomemos c=[g(a)+ f(a)]/2 e ê=g(a)-c=c-f(a). Então


E > O e f(a) + ê = g(a) - é = e. Pela definição de
continuidade, existem 61 > O e 62 > O tais que x E X, lx - ai < 61 ::::}
f(a) - E< J(x) < e ex E X, lx - ai < 62::::} e< g(x) < g(a) + e. Seja 5 o
menor dos números 61 e 62. Então x E X, lx - ai < 6 =} f(x) <e< g(x),
o que prova o teorema. D

Corolário 1. Seja f: X _, IR contínua no ponto a E X. Se f (a) =f- O,


existe 6 > O tal que, para todo x E X n (a - 6, a+ 5),
f(x) tem o mesmo sinal de f(a).

Com efeito, para fixar idéias suponhamos f(a) < O. Então basta
tomar g identicamente nula no Teorema 1. D

Corolário 2. Dadas f,g: X IR contínuas, sejam Y = {x E X; f(x) <


-t

g(x)} e Z = {x E X; J(x) :S g(x)}. Existem A e lR aberto


e F e IR fechado tais que Y = X n A e Z = X n F. Em particular, se X
é aberto então Y é aberto e se X é fechado então Z é fechado.

Com efeito, pelo Teorema 1, para cada yEY existe um intervalo aberto
fy, de centro y, tal que {y}cXnI11 cY. Daí resulta LJ 11 Ey{y}C LJ11 Ey(Xn111 )
cY, ou seja: YcXn(UyEY fy)CY. Poudo A= uyEY Iy, o Teorema 1, Ca-
pítulo 5 assegura que A é um conjunto aberto. Além disso, de Y cXnAcY
Seção 1 Definição e primeiras propriedades 75

concluímos que Y = X n A. Quanto ao conjunto Z, temos Z = X - {x E


X; g(x) < f(x)}. Pelo que acabamos de ver, existe B e lR aberto tal que
Z = X - (X n B) = X n (JR - B). Pelo Teorema 3 do Capítulo 5, F = lR - B
é fechado, portanto Z = X n F como se pretendia mostrar. o

Teorema 2. A fi.m de que a função f: X--, JR seja contínua no ponto a é


necessário e sufi.ciente que, para toda seqüência de pontos
Xn E X com limxn = a, se tenha Iimf(xn) = f(a).

A demonstração segue exatamente as mesmas linhas do Teorema 3, Capítulo


6, por isso é omitida.

Corolário 1. Se f, g: X --, lR são contínuas no ponto a E X então são


contínuas nesse mesmo ponto as funções f +g, f.g: X--, JR,
bem como a função f / g, caso seja g(a) f- O.

O domínio da função f / g, bem entendido, é o subconjunto de X formado


pelos pontos x tais que g(x) f- O. Existe 8 > O tal que X n (a - 8, a+ 8) está
contido nesse domínio.

Exemplo 1. Todo polinômio p: lR --, lR é uma função contínua. Toda função


racional p(x)/q(x) (quociente de dois polinômios) é contínua
no seu domínio, o qual é o conjunto dos pontos x tais que q(x) f- O. A função
f:JR--, JR, definida por f(x) = sen(l/x) se x f- O e f(O) = O, é descontínua no
ponto O e é contínua nos demais pontos da reta. A função g: R --, JR, dada por
g(x) = x. sen(l/x) se x f- O e g(O) = O, é contínua em toda a reta. A função
r.p: lR--, JR, definida por r.p(x) = Opara x racional e r.p(x) = 1 para x irracional, é
descontínua em todos os pontos da reta porém suas restrições a Q e a lR - Q são
contínuas porque são constantes. Se definirmos 'lt,: lR--, lR pondo 'lt,(x) = x.r.p(x)
veremos que 'lt, é contínua apenas no ponto x = O.

Teorema 3. Sejam f: X --, lR contínua no ponto a E X, g: Y --, lR


contínua no ponto b = f(a) E Y e f(X) e Y, de modo
que a composta g o f: X --, lR está bem defi.nida. Então g o f é contínua
no ponto a. (A composta de duas funções contínuas é contínua.)

Demonstração: Dado E > O existe, pela continuidade de g no ponto b, um


número rJ>O tal que y E Y, IY- bl <'f} implicam lg(y)-g(b)I
< E. Por sua vez, a continuidade de f no ponto a assegura que existe 8 > O
tal que x E X, lx - ai < 15 implicam lf(x) - bl < TJ. Conseqüentemente,
x E X n (a -15, a+ 15) =} lg(f(x)) - g(b)I = l(g o f)(x) - (g o f)(a)I < E, o que
prova o teorema. O

2. Funções contínuas num intervalo

Teorema 4. (Teorema do valor intermediário.) Seja f: [a, b] ---+ IR contí-


nua. Se f(a) < d < f(b) então existe e E (a, b) tal que
f(c) = d.

Demonst~ação: Consideremos os conjuntos A= {x E [a, b]; f(x) ::; d} e B =


{x E [a, b]; f(x) 2". d}. Pelo Corolário 2 do Teorema 1, A e
B são fechados, logo A n B = A n B = A n B. Além disso, é claro que
[a, b] = A u B. Se for A n B -1- 0 então o teorema está demonstrado porque
se tem f(c) = d para qualquer e E A n B. Se, entretanto, fosse A n B = 0
então [a, b] = A u B seria uma cisão não trivial (porque a E A e b E B), o que é
vedado pelo Teorema 5 do Capítulo 5. Logo, deve ser A n B -1- 0 e o teorema
está provado. D

Corolário. Se I e IR é um intervalo e f: I---+ IR é contínua então f(I)


é um intervalo.
Isto é óbvio se f é constante. Caso contrário, sejam a = inf f (I) =
inf{f(x); x E J} e {3 = sup f (I) = sup{f (x); x E J}. Se f(I) for ilimitado,
tomaremos a= -oo e/ou {3 = +oo. Para provar que f (I) é um intervalo (aberto,
fechado ou semi-aberto) cujos extremos são a e {3, tomemos d tal que a < d < {3.
Pelas definições de inf e sup, existem a, b E J tais que a ::; f (a) < d < f (b) ::; {3.
Pelo Teorema 4 existe e E [a, b], logo e E J, tal que f(c) = d. Assim d E f(I).
Isto prova que (a, {3) e f(I). Como a é o inf e {3 é o sup de f(I), nenhum
número real menor do que a ou maior do que {3 pode estar em f(J). Portanto
f(I) é um intervalo cujos extremos são a e {3. D

Observação. Se I = [a, b] é um intervalo compacto então f(J) é também


um intervalo compacto, pelo Teorema 7, a seguir. Mas se I
não é fechado ou·é ilimitado, f(I) pode não ser do mesmo tipo que I. Por
exemplo, seja f: IR ---+ IR dada por f (:r;) = sen x. Tomando sucessivamente os
intervalos abertos I 1 = (O, 7), / 2 = (O, 1r /2) e / 3 = (O, 1r) temos f(J1) = [-1, 1],
.f(/2) = (O, 1) e f(J3) = (O, 1].
Seção 2 Funções contínuas num Intervalo 77

Exemplo 2. Como aplicação, mostraremos que todo polinômio p: lR __, JR,


de grau ímpar, possui alguma raiz real. Seja p( x) = a 0 + a 1 x +
· · · + anxn com n ímpar e an f- O. Para fixar as idéias, suporemos an > O.
Pondo anxn em evidência, podemos escrever p(x) = anxn.r(x), onde
ao 1 a1 1 an-l 1
r(x) = - · - + - · - - + .. · + - - · - + 1.
an xn an xn- l an x
É claro que limx_.+= r(x) = limx-+-= r(x) = l. Logo limx-++=P(x)
limx_.+= anxn = +oo e limx_.- 00 p(x) = limx-+-oo anxn = -oo (porque n
é ímpar). Portanto o intervalo p(R) é ilimitado inferior e superiormente, isto
é p(R) = R Isto significa que p: lR __, lR é sobrejetiva. Em particular, deve
existir e E R tal que p(c) = O. Evidentemente, um polinômio de grau par, como
p(x) = x 2 + 1, por exemplo, pode não ter raiz real.

Exemplo 3. (Existência de ~.) Fixado n E N, a função f: [O, +oo) __,


[O, +oo), definida por f(x) = xn, é crescente (portanto inje-
tiva), com f(O) = O e limx_.+ 00 f(x) = +oo. Sua imagem é, portanto, um
subintervalo ilimitado de [O, +oo ), contendo seu extremo inferior, igual a zero.
Logo f([O, +oo)) = [O, +oo), isto é, fé uma bijeção de [O, +oo) sobre si mesmo.
Isto significa que, para todo número real a 2: O, existe um único número real
b 2: O tal que a= bn, ou seja, b = ~. No caso particular de n ímpar, a função
x t---7 xn é uma bijeção de R sobre R, de modo que, neste caso, todo número real
a possui uma raiz n-ésima, que é positiva quando a > Oe negativa se a < O.

Exemplo 4. O Teorema 4 é do tipo dos chamados "teoremas de existênci-


a". Sob certas condições, ele assegura a existência de uma raiz
para a equação f(x) = d. Uma de suas mais simples aplicações é a seguinte.
Seja f: [a, b] - Ruma função contínua tal que f(a) ~ a e b ~ f(b). Nestas
condições, existe pelo menos um número e E [a, b] tal que f(c) = e. Com efeito,
a função cp: [a, b] __, R, definida por cp(x) = x - f(x), é contínua, com cp(a) _ O
e cp(b) :::; o. Pelo Teorema 4, deve existir e E [a, b] tal que cp(c) = O, isto ,:
f (e) = e. Um ponto x E X tal que f (x) = x chama-se um ponto fixo da fu nçt O
f: X__, R O resultado que acabamos de provar é a versão uni-dimensionul do
conhecido "Teorema do ponto fixo de Brouwer".

Outra aplicação do Teorema 4 se refere à continuidade da função inversa.


Sejam X, Y e lR e f: X __, Y uma bijeção. Supondo f contín m, pode-se
concluir que sua inversa J- 1 : Y __, X também seja contínua? A,. Hf)ofl ta é, em
geral, negativa, como mostra o seguinte exemplo.
assume seu valor máximo ou seu valor mínimo. Antes de tentar resolver um
de~ses problemas, é necessário saber se realmente tais pontos existem. Para
começar, a função f pode ser ilimitada superiormente (e então não possui va-
lor máximo) ou inferiormente (e não terá valor mínimo). Entretanto, mesmo
limitada, f pode não assumir .v,alor.. máximo em X, ou mínimo,
.
ou nenhum dos
dois.

Exemplo 6. Sejam X = (O, 1) e f: X --+ IB'. dada por f(x) = x. Então


f (X) = (O, 1) logo, para todo x E X existem x', x" E X com
f(x') < J(x) < f(x"). Isto significa que, para nenhum x E X, o valor f(x) é
o maior nem o menor que f assume em X. Noutro exemplo, podemos tomar
g:R--+ IR,g(x) = 1/(1 + x 2 ). Temos O< g(x) <::: 1 para todo x E R Como
g(O) = 1, vemos que g(O) é o valor máximo de g(x) para todo x E IR: Mas não
existe x E IR tal que g(x) seja o menor valor de g. Com efeito, se x > Obasta
tomar x' > x para ter g(x') < g(x). E se x < O, toma-se x' < x e se tem
novamente g(x') < g(x).

1
Fig. 4 - Gráfico da função g ( x) = 1 + x2 .
O teorema seguinte assegura a existência de valores máximos e mínimos de
uma função contínua quando seu domínio é compacto.

Teoreina 6. (Weierstrass.) Seja f: X --+ IR contínua no conjunto com-


pacto X e IR. Existem x 0 , x 1 E X tais que f(x 0 ) s:; f(x) <:::
f(x1) para todo x E X.

Estabeleceremos o Teorema de Weierstrass como conseqüência do


Teorema 7. A imagem f(X) de um conjunto compacto X e IR por uma
função contínua f: X---* IR é um conjunto compacto.
Demonstração: De acordo com o Teorema 8 do Capítulo 5, devemos provar que
toda seqüência de pontos Yn E f(X) possui uma subseqüência
que converge para algum ponto em f(X). Ora, para cada n E N temos Yn =
f(xn), com Xn E X. Como X é compacto, a seqüência (xn) possui uma
subseqüência (xn)nEN' que converge para um ponto a E X. Sendo f contínua
no ponto a, de limnEN' Xn = a concluímos que, pondo b = f(a), temos b E
f(X) e, além disso, limno, Yn = limnEN' f(xn) = f(a) = b, como queríamos
1

demonstrar. D

Demonstração: (do Teorema 6.) Como foi visto na seção 4 do Capítulo 5, o


conjunto compacto f(X) possui um menor elemento f(x 0 ) e
um maior elemento f(x 1 ). Isto quer dizer que existem x 0 , x 1 E X tais que
f(xo):::; J(x) :::; f(x1) para todo :i:: E X. D

Corolário. Se X e IR é compacto então toda função contínu"a f: X ---* IR


é limitada, isto é, existe e> O tal que lf(x)I :::; e para todo
XEX.

Exemplo 7. A função f: (O, 1] ---* IR, definida por f(x) = 1/x, é c~ntínua
porém não é limitada. Isto se dá porque seu domínio (O, 1] não
é compacto.

Teorema 8. Se X e IR é compacto então toda bijeção contínua f: X---*


Y e IR tem inversa contínua g: Y ---* X.
Demonstração: Tomemos um ponto arbitrário b = f (a) em Ye mostremos que
g é contínua no ponto b. Se não fosse assim, existiriam um
número é > O e uma seqüência de pontos Yn = f (Xn) E Y com lim Yn = b
e lg(yn) - g(b)I 2 é, isto é, lxn - ai 2 é para todo n E N. Passando a uma
subseqüência, se necessário, podemos supor que lim Xn = a'· E X, pois X é
compacto. Tem-se la' - ai 2 é. Em particular, a' i= a. Mas, pela continuidade
de f, limyn = limf(xn) = f(a'). Como já temos limyn = b = f(a), daí
resultaria f(a) = f (a'), contradizendo a injetividade de f. D

Exemplo 8. O conjunto Y = {O, 1, 1/2, ... , i/n, ... } é compacto e a bije-


ção f:N---* Y, definida por f(l) ~ O, f(n) 1/(n-::: ~L~~
n > 1, é contínua mas sua inversa J- 1 : Y---+ N é descontínua no ponto O. Logo,
no Teorema 8, a compacidade de X não pode ser substituída pela de Y.

4. Continuidade uniforme

Seja f: X ---+ lR contínua. Dado e > O, para cada x E X pode-se achar


8 > O tal que y E X, IY - xi < 8 implicam lf(y) - f(x)I < E. O número
positivo 8 depende não apenas do e > Odado mas também do ponto x no qual
a continuidade de fé examinada. Nem sempre, dado e> O, pode-se encontrar
um 8 > O que sirva em todos os pontos x E X (mesmo sendo f contínua em
todos esses pontos).

Exemplo 9. Seja f: lR - {O} ---+ lR definida por f (x) = x/lxl, logo f (x) = 1
se x > Oe f(x) = -1 para x < O. Esta função é contínua em
lR - {O} pois é constante numa vizinhança de cada ponto x -/= O. Entretanto,
se tomarmos e < 2, para todo 8 > Oque escolhermos, existirão sempre pontos
x,y E JR- {O} tais que IY- xi< 8 e lf(y)-f(x)I 2 E. Basta tomar x = 8/3 e
y = -8/3.

Exemplo 10. Afunçãof:JR+ ---+lR,definidaporf(x) = 1/x,écontínua. Mas,


dado e, com O< e< 1, seja qual for 8 > Oescolhido, tomamos
um número natural n > 1/8 e pomos x = l/n, y = l/2n. Então O< y < x < 8,
donde IY - xi< ô porém lf(y) - f(x)I = 2n - n = n 2 1 > é.
Uma função f: X ---+ lR diz-se uniformemente contínua no conjunto X
quando, para todo e > O dado arbitrariamente, pode-se obter 8 > O tal que
x, y E X, IY - xi < 8 implicam lf(y) - f(x)J < E.
Uma função uniformemente contínua f: X ---+ lR é contínua em todos os
pontos do conjunto X. A recíproca é falsa, como se vê nos Exemplos 9 e 10
acima.
A continuidade de uma função f: X ---+ lR no ponto a E X significa que se
pode tomar f (x) tão próximo de f (a) quanto se deseje, contanto que se tome
x suficientemente próximo de a. Note-se a assimetria: o ponto a está fixo e
x se aproxima dele, a fim de que f (x) se aproxime de f(a). Na continuidade
uniforme, pode-se fazer com que f(x) e f(y) se tomem tão próximos um do
outro quanto se queira, bastando que x, y E X estejam também próximos. Aqui,
x e y são variáveis e desempenham papéis simétricos na definição.
Outra distinção entre a mera continuidade e a continuidade uniforme é a
seguinte: se cada ponto x E X possui uma vizinhança V tal que a restrição
de f a X n V é contínua, então a função f: X ------. lR é contínua. Mas, como
mostram o Exemplo 9 e o Exemplo 1O acima, se cada ponto x E X possui uma
vizinhança V tal que f é uniformemente contínua em X n V, daí não se conclui
necessariamente que f: X _____, lR seja uniformemente contínua no conjunto X.
Isto se exprime dizendo que a continuidade é uma noção local enquanto a
continuidade uniforme é um conceito global .

Exemplo 11. Uma função f: X ------, lR chama-se lipschitziana quando existe


uma constante k > O ( chamada constante de Lipschitz da fun-
ção f) tal que lf(x) - f(y)I ~ klx - YI sejam quais forem x, y E X. A fim
de que f: X ------. lR seja lipschitziana é necessário e suficiente que o quociente
[f (y) - f (x)] / (y - x) seja limitado, isto é, que exista uma constante k > O tal
que x,y E X, x-/- y =;, lf(y) - f(x)l/ly- xi~ k. Toda função lipschitziana
f: X ------, lR é uniformemente contínua: dado E > O, tome-se 8 = Ejk. Então
x, y E X, lx - YI < 8 =;, lf(y) - f(x)I ~ klx - YI < k.E/k = E. Se f: lR _____,
lR é um polinômio de grau 1, isto é, f (x) = ax + b, com a -::f- O, então f é
lipschitziana com constante k = lal pois lf(y) - f(x)I = lay + b - (ax + b)I =
lal.lY - xi. A função f do Exemplo 10 evidentemente não é lipschitziana pois
não é uniformemente contínua. Entretanto, para todo a > O, a restrição de f
ao intervalo [a, +oo) é lipschitziana (e, portanto, uniformemente contínua), com
constante k = l/a 2 • Com efeito, se x 2'.: a e y 2:: a então lf(y) - f(x)I =
IY - xl/lyxl ~ IY - xl/a 2 = kly - xi.

Teorema 9. A Em de que f: X _____, lR seja ,uniformemente contínua é


necessário e sunciente que, para todo par de seqüências
(xn), (Yn) em X com lim(Yn - Xn) = O, tenha-se lim[f(Yn) - f(xn)] = O.

Demonstração: Se fé uniformemente contínua e lim(Yn -xn) = Oentão, dado


arbitrariamente E > O, existe 8 > Otal que x, y E X, 1y - x 1 < 8
implicam lf(y) - f(x)I < E. Existe também no E N tal que n > no implica
IYn - Xnl < 8. Logo n > no implica lf(Yn) - f(xn)I < E e daí lim[f(Yn) -
f (xn)] = O. Reciprocamente, suponhamos válida a condição estipulada no
enunciado do teorema. Se f não fosse uniformemente contínua, existiria um
E > O com a seguinte propriedade: para todo n E N poderíamos achar pontos
Xn, Yn em X tais que IYn - Xnl < l/n e lf(Yn) - f(xn)I 2:: ê. Então teríamos
lim(yn - Xn) = O sem que fosse lim[f (Yn) - f (xn)] = O. Esta contradição
conclui a prova do teorema. D
Exemplo 12. A função f: IR; -----, IR;, dada por f (x) = x 2 , não é uniformemente
contínua. Com efeito, tomando Xn = n e Yn = n + l/n temos
lim(yn - Xn) = lim(l/n) = O mas f (Yn) - J(xn) = n 2 + 2 + 1/n2 - n 2
2 + 1/n2 > 2, logo não se tem lim[f(Yn) - f(xn)l = O.

Teorema 10. Seja X e IR; compacto. Toda função contínua f: X ___, IR; é
uniformemente contínua.

Demonstração: Se f não fosse uniformemente contínua, existiriam é > Oe duas


seqüências (xn), (Yn) em X satisfazendo lim(yn - Xn) = O
e lf(Yn) - f(xn)\ 2:: é para todo n E N. Passando a uma subseqüência, se
necessário, podemos supor, em virtude·dà compacidade de X, que limxn =
a E X. Então, como Yn = (Yn - Xn) + Xn, vale também limyn = a. Sendo
f contínua no ponto a, temos lim[f(Yn) - f(xn)] = limf(Yn) - lim.f(xn) =
f (a) - f (a) = O, contradizendo que seja \f(Yn) - f(xn)\ 2:: é para todo n E N.
D

Exemplo 13. A função f: [O, +oo) -----, IR;, dada por f(x) = .Jx, não é lips-
chitziana. Com efeito, multiplicando o numerador e o deno-
minador por .jy + .Jx, vemos que (v'Y - y'x)/(y - x) = 1/(.jy + .Jx). To-
mando x =!= y suficientemente pequenos, podemos tomar .jy + .Jx tão pequeno
quanto se deseje, logo o quociente (..Jy - y'x) / (y - x) é ilimitado. Entretanto,
f é lipschitziana (portanto uniformemente contínua) no intervalo [1, +oo ), pois
.Jx!
x, y E [1, +oo) =? .Jx+ v'fJ 2:: 2 =? j..;'f}- = \y- x\/(.jy+ .Jx) :S ½IY - x\.
Também no intervalo [O, l], embora não seja lipschitziana, fé uniformemente
contínua porque [O, 1] é compacto. Daí resulta que f: [O, +oo) -----, IR; é unifor-
memente contínua. Com efeito, dado e > O, existem b1 > O e õ2 > O tais que
x, y E [O, l], \y - x\ < 61 =? \f(y) - f(x)\ < t:/2 ex, y E [1, +oo),\y - xi <
62 =? lf(y) - f(x)I_ < t:/2. Seja 6 = min{61, 62}. Dados x, y E [O, +oo) com
IY - xi < ô, se x, y E [O, 1] ou x, y E [1, +oo) temos obviamente lf(y) - f(x)I <
E. Se, digamos, x E [O, 1] e y E [1,+oo) então jy-1\ < ô e \1-x\ < 6 logo

lf(y) - f(x)I :S \f(y) - f(l)\ + rf(l) - J(x)\ < c/2 + c/2 = E.

Teorema 11. Toda função f: X-----, IR;, uniformemente contínua num cu1•
junto limitado X, é uma função limitada.
Demonstração: Se f não fosse Iimitada (digamos superiormente) então existiria
uma seqüência de pontos Xn E X tais que f (Xn+i) > f (Xn) + l
para todo n E N. Como X é limitado, podemos (passando a uma subseqüência,
se necessário) supor que a seqüência (xn) é convergente. Então, pondo Yn =
:i:n+ 1 , teríamos lim(Yn - Xn) = O mas, como f(yn) - f(xn) > 1, não vale
lim[.f (Yn) - .f (xn)l = O, logo .f não é uniformemente contínua. D

O Teorema 11 dá outra maneira de ver que f (x) = 1 / x não é uniformemente


contínua no intervalo (O, 1], pois .f((O, 1]) = [1, +oo).

Teorema 12. Se .f: X - R é uniformemente contínua então, para cada


a E X'(mesmo que a não pertença a X), existe lim .f(x).
· x-a
Demonstração: Fixemos uma seqüência de pontos an E X - {a} com lim an =
a. Segue-se do Teorema 11 que a seqüência (f (an)) é limitada.
Passando a uma subseqüência, se necessário, podemos supor que lim .f (an) = b.
Afirmamos agora que se tem lim .f (Xn) = b seja qual for a seqüência de pontos
Xn E X - {a} com limxn = a. Com efeito, temos lim(xn - an) ~O.Como fé
uniformemente contínua, segue-sequelim[f(xn)- .f(an)] = O, logolimf(xn) =
limf(an) + lim[f(xn) - f(an)] = b. D

Exemplo 14. O Teorema 12 implica que 1/x em R+, bem como x/lxl e
sen(l/x) em R - {O}, não são uniformemente contínuas.

5. Exercícios

Seção 1: Definição e primeiras propriedades

1. Sejam f, g: X - R contínuas no ponto a E X. Prove que são contínuas no


ponto a as funções rp, 'lj;: X - R, definidas por rp(x) = max{f (x), g(x)} e
'lj;(x) = min{f(x), g(x)} para todo x E X.
2. Sejam f, g: X - R contínuas. Prove que se X é aberto então o conjunto
A = {x E X;f(x) /; g(x)} é aberto e se X é fechado então o conjunto
F = {x E X;f(x) = g(x)} é fechado.
3. Uma funç·ão f: X - R diz-se semi-contínua superiormente (ses) no ponto
a E X quando, para cada c > f (a) dado, existe 8 > O tal que x E
X, lx - ai < ó implicam f(x) < c. Defina função .função semi-contínua
inferiormente (sei) no ponto a. Prove que f é contínua no ponto a se, e
somente se, é ses e sei nesse ponto. Prove que se f é ses, g é sei no ponto a e
f(a) < g(a) então existe 8 > Otal que x E X, lx ~ ai < 8 => f(x) < g(x.).
4. Seja f: IR --, IR contínua. Prove que se .f(x) = O para todo x E X então
f(x) = Opara todo x E X.
5. Prove que f: IR--, IR é contínua se, e somente se, para todo X e IR, tem-se
f(X) e f(X).
6. Sejam f, g: X --, IR contínuas no ponto a. Suponha que, em cada vizinhança
V de a, existam pontos x, y tais que f(x) < g(x) e f(y) > g(y). Prove que
f(a) = g(a).
7. Seja f: X--, IR descontínua no ponto a E X. Prove que existe e> Ocom a
seguinte propriedade: ou se pode achar uma seqüência de pontos Xn E X
com limxn = a e f(xn) > f(a) + é para todo n EN ou acha-se (Yn) com
Yn E X, limyn = a e f(Yn) < f(a) - e para todo n EN.

Seção 2: Funções contínuas num intervalo

1. Uma função .f: X --, IR diz-se localmente constante quando todo ponto de
X possui vizinhança V tal que f é constante em V n X. Prove que toda
função f: I --, IR, localmente constante num intervalo I, é constante.
2. Seja f: I--, IR uma função monótona, definida no intervalo I. Se a imagem
f (I) é um intervalo, prove que f é contínua.
3. Diz-se que uma função f: I--, IR, definida no intervalo I, tem a propriedade
do valor intermediário quando a imagem f (J) de todo intervalo J e I é
um intervalo. Mostre que a função f: IR --, IR, dada por f (x) = sen( 1/ x) se
x i- O e f (O) = O, tem a propriedade do valor intermediário, embora seja
descontínua.
4. Seja f: I--, IR uma função com a propriedade do valor intermediário. Se,
para cada e E IR, existe apenas um número finito de pontos x E I tais que
f (x) = e, prove que f é contínua.
5. Sejaf: [O, 1]--, IR contínua, tal que f(O) = f(l). Provequeexistex E [O, 1/2]
tal que f(x) = f(x + 1/2). Prove o mesmo resultado com 1/3 em vez de
1/2. Generalize.

Seção 3: Funções contínuas em conjuntos compactos

1. Seja f: IR --, IR contínua, tal que limx-,+oo f (x) = limx-,-oo f (x) = +oo.
Prove que existe x 0 E IR tal que f (x 0 ) :s; f (x) para todo x E R
2. Sejaf:IR----. IRcontínua,comlimx-->+oo f(x) = +ooelimx--t-oo f(x) = -oo.
Prove que, para todo e E IR dado, existe entre as raízes x da equação f (x) = e
uma cujo módulo !xi é mínimo.
3. Prove que não existe uma função contínua f: [a, b] ----. IR que assuma cada
um dos seus valores f(x), x E [a, b], exatamente duas vezes.
4. Uma função f: IR ----. IR diz-se periódica quando existe p E 1R+ tal que
f (x + p) = f (x) para todo x E R Prove que toda função contínua periódica
f: IR ----. IR é limitada e atinge seus valores máximo e mínimo, isto é, existem
xo, X1 E IR tais que f (xo) s f (x) s f (x1) para todo x E R
5. Seja f: X----. IR contínua no conjunto compacto X. Prove que, para todo
ê > O dado, existe kê > Otal que x, y E X, IY - xi ;:;, ê =;,- lf(y) - f(x)I s
kslY - xi. (Isto significa que f cumpre a condiçâo de Lipschitz contanto
que os pontos x, y não estejam muito próximos.)

Seção 4: Continuidade uniforme

1. Se toda função contínua f: X ----. IR é uniformemente contínua, prove que o


conjunto X é fechado porém não necessariamente compacto.
2. Mostre que a função contínua f: IR ----. IR, dada por f(x) = sen(x 2 ), não é
uniformemente contínua.
3. Dada f: X----. IR uniformemente contínua, defina <p: X----. IR pondo <p(x) =
f(x) se x E X é um ponto isolado e <p(x) = Iimy-.x f(y) se x E X'. Prove
que <pé uniformemente contínua e <p(x) = f(x) para todo x E X.
4. Seja f: IR----. IR contínua. Se existem limx-->+oo f (x) e limx--oo f (x), prove
que f é uniformemente contínua. Mesma conclusão vale se existem os
limites de f(x) - x quando x----. ±oo.
5. Sejam f, g: X----. IR uniformemente contínuas. Prove que f + g é uniforme-
mente contínua. O mesmo ocorre com o produto f.g, desde que f e g, sejam
limitadas. Prove que <p, 7/J: X ----. IR, dadas por <p(x) = max{f (x), g(x)} e
'ljJ(x) = min{f(x), g(x)} x E X são uniformemente contínuas.
8

Derivadas

Sejam f:X-+ lR e a E X. O quociente q(x) = [f(x) - f(a)]/(x - a) tem


sentido para x -/:- a, logo define uma função q: X - {a} -+ JR, cujo valor q( x) é
a inclinação da secante (reta que liga os pontos (a, f(a)) e (x, f(x)) no gráfico
de f) em relação ao eixo x.
Se imaginarmos x como o tempo e f(x) como a abcissa, noinstante x, de
um ponto móvel que se desloca sobre o eixo x, então q(x) é a velocidade média
desse ponto no intervalo de tempo decorrido entre os instantes a e x.
De um modo geral, o quociente q(x) é a relação entre a variação de f(x) e
a variação de x a partir do ponto x = a.
No caso em que a E X' n X então é natural considerar limx-,a q(x). As
interpretações deste limite, nos contextos acima, são respectivamente a inclina-
ção da tangente ao gráfico de f no ponto (a, f(a)), a velocidade instantânea do
móvel no instante x = a ou, em geral, a "taxa de variação" da função f no ponto
a.
Esse limite é uma das noções mais importantes da Matemática e suas
aplicações. Ele será o objeto ~e estudo neste capítulo.

1. A noção de derivada

Sejam f: X-+ lR e a E X n X'. A derivada da função f no ponto a é o


limite
f'(a) = lim f(x) - f(a) = lim f(a + h) - f(a).
X->a X - a h->O h
Bem entendido, o limite acima pode existir ou não. Se existir, diz-se que
fé derivável no ponto a. Quando existe a derivada f'(x) em todos os pontos
:e E X n X' diz-se que a função f: X - lll é derivável no conjunto X e obtem-se
uma nova função f': X n X' --t lll, x t--t f'(x), chamada a função derivada de
f. Se f' é contínua, diz-se que f é de classe C 1 .
Outras notações para a derivada de f no ponto a são

df (a) e -d
D f(a), -d df I
X X X=a

Teorema 1. A fi.m de que f: X - lll seja derivável no ponto a E X nX' é


necessário e sufi.ciente que exista e E lll tal que a+h E X::::}
f(a + h) = f(a) + c.h + r(h), onde limh ......o r(h)/h = O. No caso afi.rmativo,
tem-se e= f'(a).

Demonstração: Seja Y = {h E R; a+ h E X}. Então O E Y n Y'. Supondo


que f'(a) exista, definimos r: Y --t R pondo r(h) = f(a + h) -
.c(a) - f'(a).h. Então

r(h) = f(a + h) - .f(a) _ f'( )


h h ª'
logo limh-o r(h)/h = O. A condição é, portanto, necessária. Reciprocamente,
se vale a condição, então r(h)/h = [f(a + h) - f(a)]/h- e, logo limh-o(f(a +
h) - f(a))/h - e= Iimh--,o r(h)/h = O, portanto f'(a) existe e é igual a e. D

Corolário. Uma função é contínua nos pontos em que é derivável.

Com efeito, se fé derivável no ponto a então f(a + h) = f(a) + f'(a).h +


[r(h)/h]h com limh--, 0 [r(h)/h] = O, logo limh--,o f(a + h) = f(a), ou seja, fé
contínua no ponto a. D

Observação. Para toda função f, definida nos pontos a e a + h, e todo


número real e, pode-se sempre escrever a igualdade f (a + h) =
f(a) + c.h + r(h), a qual meramente define o número r(h). O que o Teorema
1 afirma é que existe no máximo um e E lll tal que lim/i-->o r( h) / h = O. Este
número e, quando existe, é igual a f'(a). O Teorema 1 diz também que, quando
f'(a) existe, o acréscimo f(a + h) - f(a) é a soma de uma "parte linear" c.h,
proporcional ao acréscimo h da variável independente, mais um "resto" r(h),
o qual é infinitamente pequeno em relação a h, no sentido de que o quociente
r(h)/h tende a zero com h.
Quando a E X é um ponto de acumulação à direita, isto é, a E X n X~,
pode-se tornar o limite f ~ (a) = limx-,a+ q( x). Quando existe, este limite chama-
se a derivada à direita de f no ponto a. Analogamente, se a E X n X'_, tem
sentido considerar o limite à esquerda f '_ (a) = limx-,a- q( x). Se existe, ele se
chama a derivada à esquerda de f no ponto a.
Caso seja a E X n X~ n X'_, isto é, caso a E X seja ponto de acumulação
bilateral, a função f é derivável no ponto a se, e somente se, existem e são iguais
as derivadas à direita e à esquerda, com f'(a) = f~(a) = f'_(a). O Teorema
1 (com limh-o+ r(h)/h e limh-,o- r(h)/h) vale para derivadas laterais. E seu
corolário também. Por exemplo, se existe a derivada à direita f~ (a) então f é
contínua à direita no ponto a, isto é, f (a) = limh-+o+ f (a+ h).
Em particular, se a E X n X~ n X'_ e existem ambas as derivadas laterais
f~(a) e f'_(a) então f é contínua no ponto a. (Mesmo que essas derivadas
laterais sejam diferentes.)

Exemplo 1. Uma função constante é derivável e sua derivada é identicamente


nula. Se f: ~-+~é dada por f (x) = ax + b então, para e E~ e
h =f. O quaisquer, [f(c + h) - f(c)]/h = a, logo f'(c) = a. Para n EN qualquer,
a função f: ~-+~.com f(x) = xn, tem derivada f'(x) = n.xn-i. Com efeito,
pelo binômio de Newton, f(x + h) = (x + 1ir
= xn + h.n.xn- 1 + h 2 .p(x, h),
onde p(x, h) é um polinômio emx eh. Portanto [f(x+h)- f(x)]/h = n.xn- 1 +
h.p(x, h). Segue-se que f'(x) = limh_, 0 [f(x + h) - f(x)]/h = n.xn- 1 .

Exemplo 2. A função f: ~-+~.definida por f(x) = x. sen(l/x) quandox =f.


O, f (O) = O, é contínua e possui derivada em todo ponto x =1- O.
No ponto O, temos [f(O+h)- f(O)]/h == [h. sen(l/h)]/h = sen(l/h). Como não
existe limh-o sen(l/h), segue-se que f não é derivável no ponto x = O, onde ne-
. nhuma derivada lateral tampouco existe. Por outro lado, a função g: ~ -+ ~. de-
finida por g(x) = x.f(x), isto é, g(x) = x 2 sen(l/x), x =f. O, g(O) = O, é derivável
no ponto x = O porque limh_, 0 [g(O + h) - g(O)]/h = limh-,o h. sen(l/h) = O.
Logo g'(O) = O. Quando x =f. O, as regras de derivação conhecidas dão g'(x) =
2x. sen(l/x) - cos(l/x). Note-se que não existe limx-+O g'(x). Em particular, a
função derivada, g': ~ -+ ~. não é contínua no ponto O, logo g não é de classe
c1.

Exemplo 3. A função <p: ~-+~.dada por <p(x) = lxl, é derivável em todo


ponto x =f. O. Com efeito, <p(x) = x se x > O e <p(x) = -x se
:D < O. Logo <p'(x) = 1 para x > Oe <p'(x) = -1 se x < O. No ponto Onão existe
aderivada<p'(O). Defato,existem<p~(O) = le<p'.._(O) = -1. AfunçãoJ:ffi.--.ffi.,
definida por I(x) = n quando n:::; x < n+ 1, n E Z, é derivável, com I'(x) = O,
nos pontos xr:j_Z. Se n é inteiro, existe J~ (n) = O mas não existe J~ (n). Com
efeito, se 1 > h > O, tem-se I(n + h) = I(n) = n mas para -1 < h < O
vale I(n + h) = n - l, I(n) = n. Portanto limh-,o+[I(n + h) - I(n)]/h = O e
limh ..... 0 _ [I(n + h) - I(n)]/h = limh_, 0 _ (-1/h) não existe.

Exemplo 4. (A Regra de L'Hôpital.) Esta regra constitui uma das mais


populares aplicações da derivada. Em sua forma mais simples,
ela se refere ao cálculo de um limite da forma limx-,a f (x) / g( x) no caso em
que f e g são deriváveis no ponto a e limx-,a f(x) = f(a) = O = g(a) =
limx ..... ag(x). Então, pela definição de derivada, f'(a) = limx-,a f(x)/(x - a) e
g'(a) = limx_,ag(x)/(x - a). Supondo g'(a) =I= O, a Regra de L'Hôpital diz que
Iimx ,a f(x)/g(x) = f'(a)/g'(a). A prova é direta:

f( ) f (x) Jim f (x) f'( )


lim ~
:r: ..... a g(x)
= lim (x-a) =
x ..... a g(x)
x-,a (x-=-ii)
lim ~
= -ª-
g'(a) ·
(x-a) x~a (x-a)

Como ilustração, consideremos os limites limx_, 0 ( sen x / x) e limx_, 0 ( ex -


1) / x. Aplicando a Regra de L' Hôpital, o primeiro limite se reduz a cos O = 1 e o
segundo a e0 = 1. Convém observar, entretanto, que estas aplicações (e outras
análogas) da Regra de L'Hôpital são indevidas pois, para utilizá-la, é necessário
conhecer as derivadas f'(a) e g'(a). Nestes dois exemplos, os limites a calcular
são, por definição, as derivadas de sen x e ex no ponto x = O.

2. Regras operacionais

Teorema 2. Sejam f, g: X --. ffi. deriváveis no ponto a E X n X'. As


funções f ± g, f.g e f / g (caso g(a) i- O) são também de-
riváveis no ponto a, com
(f ±g)'(a) = f'(a) ±g'(a),
(f.g)' (a) = f' (a).g(a) + f (a).g' (a) e
(L)'
g
(a) = f'(a).g(a) - f (a).g'(a).
g(a)2

Demonstração: Veja qualquer livro de Cálculo. D


Teorema 3. (Regra da Cadeia) Sejam f: X - t JR, g: Y - t JR, a E X n X',
b E YnY', f(X) e Y e f(a) = b. Se fé derivável no ponto
a e g é derivável no ponto b então g o f: X -t lR é derivável no ponto a,
com (g o f)'(a) = g'(f(a)).f'(a).

Demonstração: Consideremos uma seqüência de pontos Xn E X - {a} com


limxn = a e ponhamos Yn = f(xn), logo limyn = b. Sejam
N1 = {n E N;f(xn) =I= f(a)} eN2 = {n E N;f(xn) = f(a)}. Sen E N1 então
Yn E Y - {b} e
g(f (xn)) - g(f (a)) g(yn) - g(b) f (xn) - f(a)
Xn - a Yn - b · Xn - a
Portanto, se N1 é infinito, tem-se limnEl',dg(f(xn)) - g(f(a))]/(xn - a)
g'(f(a)).f'(a). Se N2 é infinito tem-se limnEN 2 [f (xn)- f (a)]/(xn -a)= O, logo
f'(a) = O. Ainda neste caso, tem-se limnEN 2 [g(f(xn)) - g(f(a))]/(xn - a) =
O= g'(f(a)).f'(a). Como N = N1 U N2, resulta daí que, em qualquer hipótese,
vale
lim [g(f(xn)) - g(f(a))] = g'(f(a)).f'(a),
nEN (xn - a)
o que prova o teorema. D

Corolário. Seja f: X - t Y uma b~jeção entre os conjuntos X, Y e JR,


com inversa g = J- 1 : Y - t X. Se f é derivável no ponto
a E X n X' e g é contínua no ponto b = f (a) então g é derivável no ponto
b se, e somente se, f'(a) =I= O. No caso affrmativo, tem-se g'(b) = 1/ f'(a).

Com efeito, se Xn E X - {a} para todo n E N e lim Xn = a então, como


fé injetiva e contínua no ponto a, tem-se Yn = f(xn) E Y - {b} e limyn = b.
Portanto, b E Y n Y'. Se g for derivável no ponto b, a igualdade g(f(x)) = x,
válida para todo x E X, juntamente com a Regra da Cadeia, fornece g' (b). f' (a) =
1. Em particular, f'(a) =I=- O. Reciprocamente, se f'(a) i=- Oentão, para qualquer
seqüência de pontos Yn = f(xn) E Y - {b} com limyn = b, a continuidade de
g no ponto b nos dá lim Xn = a, portanto g' (b) é igual a

lim g(yn) - g(b)


Yn - b
= lim [ Yn - b
g(yn) - g(b)
]-1 = lirn [f(xn) - f(a)]-1
Xn - a
= - .~
f'(a)"

Exemplo 5. Dada f: lR -; IR derivável, consideremos as funções g: lR - t lR


eh: IR-; IR, definidas por g(x) = f(x 2 ) e h(x) = f(x) 2 • Para
todo x E IR tem-se g'(x) = 2:r.f'(x 2) e h'(x) = 2f(x).f'(x).
Exemplo 6. Para n E N fixo, a função g: [O, +oo) - [O, +oo ),. dada por
g(x) = o/x, é derivável no intervalo (O, +oo) com g'(x) =
1/(n v'xn- 1 ). Com efeito, g é a inversa da bijeção/: [O, +oo) - [O, +oo), dada
por f(x) = xn. Pelo corolário acima, pondo y = xn, temos g'(y) = 1/ f'(x) se
f'(x) = nxn-I # O, isto é, se x # O. Assim, g'(y) = 1/nxn-I = 1/n ~ e,
mudando de notação, g'(x) = 1/n v'xn- 1 • No ponto x = O, a função g(x) = o/x
não é derivável (salvo quando n = 1). Por exemplo, a função c.p: IR. - IR., dada
por c.p( x) = x 3 , é um homeomorfismo, cujo inverso y t-t W não possui derivada
no ponto o.

3. Derivada e crescimento local

As proposições seguintes, que se referem a derivadas laterais e a desigual-


dades, têm análogas com f ~ trocada por f '_, com > substituído por <, etc. Para
evitar repetições monótonas, trataremos apenas um caso, embora utilizemos li-
vremente seus análogos.

Teorema 4. Se f: X - IR. é derivável à direita no ponto a E X nX~, com


f~(a) > O, então existe 8 > O tal que x E X, a< x < a+8
implicam f(a) < f(x).
Demonstração: Temos limx---+a+[/(x) - f(a)]/(x - a) = h(a) > O. Pela
definição de limite à direita, tomando E: = f~ (a), obtemos 8 > O
tal que
x E X, a< x <a+ 8 * [f(x) - f(a)]/(x - a)> O* f(a) < f(x).
D

Corolário 1. Se f: X - IR. é monótona não-decrescente então suas deri-


vadas laterais, onde existem, são 2 O.
Com efeito, se alguma derivada lateral, digamos f ~ (a), fosse negativa então
o (análogo do) Teorema 4 nos daria x E X com a < x e f(x) < f(a), uma
contradição. D

Corolário 2. Seja a E X um ponto de acumulação bilateral. Se f: X -


lR é derivável no ponto a, com f'(a) > O então existe 8 > O
tal que x, y E X, a - 8 < x <a< y <a+ 8 implicam f(x) < f(a) < f(y).
Diz-se que a função f: X - IR. tem um máximo local no ponto a E X
quando existe 8 > Otal que x E X, lx - ai < 8 implicam f(x)::; f(a). Quando
x E X, O < lx - ai < 8 implicam f(x) < f(a), diz-se que f tem um máximo
local estrito no ponto a. Definições· análogas para mínimo local e mínimo local
estrito.
Quando a E X é tal que f(a) ::; f(x) para todo x E X, diz-se que a é um
ponto de mínimo absoluto para a função f: X --+ R Se vale f (a) ~ f (x) para
todo x E X, diz-se que a é um ponto de máximo absoluto .

Corolário 3. Se f: X --+ lR é derivável à direita no ponto a E X n X~ e


tem aí um máximo local então f~(a)::; O.

Com efeito, se fosse f~(a) > Oentão, pelo Teorema 4, teríamos f(a) < f(x)
para todo x E X à direita e suficientemente próximo de a, logo f não teria
máximo local no ponto a. D

Corolário 4. Seja a E X um ponto de acumulação bilateral. Se f: X --+


lR é derivável no ponto a e possui aí um máximo ou mínimo
local então f'(a) = O.

Com efeito, pelo Corolário 3 temos f~(a) S Oe f'_(a) ~ O. Como f'(a) =


J~(a) = f'_(a), segue-se que f'(a) = O. D

Exemplo 7. Do Teorema 4 e seu Corolário 2 não se pode concluir que uma


função com derivada positiva num ponto a seja crescente numa
vizinhança de a. (A menos que f' seja contínua no ponto a.) Tudo o que se
pode garantir é que f(x) < f(a) para x < a, x próximo de a, e que f(x) > f(a)
se x está próximo de a, com x > a. Por exemplo, seja f: lR --+ lR dada por
f(x) = x 2 sen(l/x) + x/2 se x i= O e .f(O) = O. A função fé derivável, com
f'(O) = 1/2 e f'(x) = 2xsen(l/x) - cos(1/x) + 1/2 para xi= O. Se tomarmos
x i- O muito pequeno com sen(l/x) = O e cos(l/x) = 1 teremos f'(x) < O.
Se escolhermos x i- O pequeno com sen(l/x) = 1 e cos(l/x) = O, teremos
.f' (x) > O. Logo existem pontos x arbitrariamente próximos de Ocom f' (x) < O
e com f' (x) > O. Segue-se do Corolário 1 que f não é monótona em vizinhança
alguma de O.

Exemplo 8. No Corolário 1, mesmo que f seja monótona crescente e de-


rivável, não se pode g:::IDtir que sua derivada seja positiva em
todos os pontos. Por exemplo, f: IR --+ IR, dada por f (x) = x 3 , é crescente mas
sua derivada f'(x) = 3x 2 se anula para x = O.
Exemplo 9. Se f: X -, IR. tem, digamos, um mínimo local no ponto a E X,
não se pode concluir daí que seja f'(a) = O. Em primeiro
lugar, f'(a) pode não existir. Este é o caso de f: IR. - IR., f (x) = fxf, que
possui um mínimo local no ponto x = O, onde se tem h (O)= 1 e f:...(O) = -1,
em conformidade com o Corolário 3. Em segundo lugar, mesmo que f seja
derivável no ponto a, este pode não ser um ponto de acumulação bilateral e aí
pode ocorrer f'(a) -=I= O. É o caso da função f: [O, 1] -, IR., f(x) = x. Temos
f'(O) = f'(l) = 1 embora f tenha um mínimo no ponto x = Oe um máximo no
ponto x = I.

Um ponto e E X chama-se ponto crítico da função derivável f: X - IR.


quando f'(c) = O. Se e E X n X't n X' é um ponto de mínimo ou de máximo
local então e é crítico, mas a recíproca é falsa: a bijeção crescente f: IR. -, IR.,
dada por f (x) = x 3 , não pode ter máximo nem mínimo local mas admite o ponto
crítico x = O.

4. Funções deriváveis num intervalo

Mesmo quando é descontínua, a derivada goza da propriedade do valor


intermediário, como se verá a seguir.

Teorema 5. (Darboux.) Seja f: [a, b] -, IR. derivável. Se f'(a) < d< f'(b)
então existe e E (a, b) tal que f'(c) = d.
Demonstração: Suponhamos inicialmente d = O. A função contínua f, pelo
Teorema de Weierstrass, atinge seu valor mínimo em algum
ponto e do conjunto compacto [a, b]. Como f'(a) < O, o Teorema 4 assegura a
existência de pontos x E (a, b) tais que f(x) < f (a), logo esse mínimo não é
atingido no ponto a, isto é, a < e. Por motivo análogo tem-se e < b. O Corolário
4 então nos dá f'(c) = O. O caso geral reduz-se a este considerando a função
auxiliar g(x) = f (x)-dx. Então g'(x) = f'(x)-d, donde g'(c) = O{e} f'(c) = d
e g'(a) <O< g'(b) {e} f'(a) <d< f'(b). D

Exemplo 10. Seja g: [-1, 1] -, IR. definida por g(x) = -1 se -1 ::::; x < O e
g(x) = 1 se O::::; x::::; 1. A função g não goza da propriedade do
valor intermediário pois assume apenas os valores -1 e 1 no intervalo [-1, l].
Logo não existe f: [-1, 1] - IR. derivável tal que f' = g. Por outro lado, a função
h: [-1, 1] -, IR., dada por h(x) = 2x sen(l/x) - cos(l/x) se x-=/= O, h(O) = O, que
possui uma descontinuidade bastante complicada no ponto x = O, é a derivada
da função f: [-1, 1] ----, IR, f(x) = x 2 sen(l/x) se x =I=- O, f(O) = O. No capítulo
11, veremos que toda função contínua g: [a, b] - IR é derivada de alguma função
f: [a, b] - IR e, no Exercício 4.1 deste capítulo, o leitor é convidado a mostrar
que se g: [a, b] - IR é descontínua num ponto e E (a, b) onde existem os limites
laterais limx-----,c~ g(x) e limx--+c+ g(x) então g não pode ser a derivada de uma
função f: [a, b] --t IR.

Teorema 6. (Rolle.) Seja f: [a, b] --t IR contínua, com f(a) = f(b). Se fé


derivável em (a, b) então existe e E (a, b) tal que f'(c) = O.

Demonstração: Pelo Teorema de Weierstrass, f atinge seu valor mínimo m e


seu valor máximo M em pontos de [a, b]. Se esses pontos forem
a e b então m = Me f será constante, daí f' (x) = Oqualquer que seja x E ( a, b).
Se um desses pontos, digamos e, estiver em (a, b) então f'(c) = O. D

Teorema 7. (Teorema do Valor Médio, de Lagrange.) Seja f: [a, b] ----+ IR


contínua. Se f é derivável em (a, b), existe e E (a, b) tal
que f'(c) = [f(b) - f(a)]/(b - a).

Demonstração: Consideremos a função auxiliar g: [a, b] --t IR, dada por g(x) =
f(x) - dx, onde d é escolhido de modo que g(a) = g(b), ou
seja, d= [f(b) - f(a)J/(b- a). Pelo Teorema de Rolle, existe e E (a, b) tal que
g'(c) = O, isto é, f'(c) =d= [f(b) - f(a)]/(b - a). D

Um enunciado equivalente: Seja f: [a, a + h] ----+ IR contínua, derivável em


(a, a+h). Existe um número O, O< 0 < 1 tal que f(a+h) = f(a)+ f'(a+0h).h.

Corolário 1. Uma função f: I----+ IR, contínua no intervalo I, com deri-


vada f'(x) = O para todo x E intJ, é constante.
Com efeito, dados x, y E J quaisquer, existe c entre x e y tal que f (y) -
f (x) = f'(c)(y - x) = O.(y - x) = O, logo f (x) = f (y). D

Corolário 2. Se f, g: I ----+ IR são funções contínuas, deriváveis em int J,


com f' (x) = g' (x) para todo x E int J então existe e E IR
tal que g(x) = f(x) + c para todo e E J.

Com efeito, basta aplicar o Corolário l à diferença g - f. D

Corolário 3. Seja f: I ----+IR derivável no intervalo I. Se existe k E IR


tal que lf'(x)I ::; k para todo x E J então x, y E J =>
lf(y) - f(x)[ ~ kly - xi.
Com efeito, dados x, y E I, f é contínua no intervalo fechado cujos extremos
são x, y e derivável no seu interior. Logo existe z entre x e y tal que .f (y) - f (x) =
f'(z)(y - x), donde lf(y) - f(x)[ = lf'(z)[[y - xi ~ k[y - x[. D

Corolário 4. A B.m de que a função derivável f: I ---+ lR seja monótona


não-decrescente no intervalo I é necessário e sufi.ciente que
f'(x) 2 O para todo x E I. Se f'(x) > O para todo x E I então f é uma
bijeção crescente de I sobre um intervalo J e sua inversa g = J- 1 : J ---+ I
é derivável, com g'(y) = 1/ f'(x) para todo y = f(x) E J.

Com efeito, já sabemos, pelo Corolário 1 do Teorema 4, que se fé monótona


não decrescente então f'(x) 2 Opara todo x E I. Reciprocamente, se vale esta
condição então, para quaisquer x, y em I, temos f(y) - f(x) = f'(z)(y - x),
onde z E I está entre x e y. Como f'(z) 2 O, vemos que f(y) - f(x) 2 O, isto é,
x < y em I =} f (x) ~ f (y). Do mesmo modo se vê que, supondo f' (x) > Opara
todo x E I, tem-se f crescente. As demais afirmações seguem-se do Teorema
5, Capítulo 7 e do Corolário da Regra da Cadeia (Teorema 3). D

Exemplo 11. O Corolário 3 é a fonte mais natural de funções lipschitzia-


nas. Por exemplo, se p: lR ---+ lR é um polinômio então, para
cada subconjunto limitado X e JR, a restrição p[X é lipschitziana porque a
derivada p', sendo contínua, é limitada no compacto X. Como toda função
lipschitziana é uniformemente contínua, segue-se do Teorema 12, Capítulo 7
que se f: (a, b) ---+ lR tem derivada limitada então existem os limites laterais
limx-a+ f(x) e limx-,b- f(x). A função f: JR+---+ lR, dada por f(x) = sen(l/x),
não pode ter derivada limitada em nenhum intervalo do tipo (O, 8) pois não existe
limx-,o+ f(x).

5. Exercícios

Seção 1: A noção de derivada

1. A fim de que f: X ---+ lR seja derivável no ponto a E X n X' é necessário


e suficiente que exista uma função rJ: X ---+ JR, contínua no ponto a, tal que
f (x) = f (a)+ rJ(x)(x - a) para todo x E X.
2. Sejam f, g, h: X - lR tais que f(x) ,s g(x) -S h(x) para todo x E X. Se f
eh são deriváveis no ponto a E X n X', com l(a) = h(a) e l'(a) = h'(a)
prove que g é derivável nesse ponto, com g'(a) = l'(a).
3. Sejal:X ---t lR.derivávelnopontoa E XnX~nX~. Sexn <a< Ynpara
todo n e limxn = limyn = a, prove que limn-+<x:>[l(Yn) - l(xn)]/(Yn -
xn) = f'(a). Interprete este fato geometricamente.
4. Dê exemplo de uma função derivável I: lR - lR e seqüências de pontos
O < Xn < Yn, com lim Xn = lim Yn = O sem que entretanto exista o limite
limn----,oo[f(yn) - l(xn)]/(Yn - Xn)-
5. Sejal: X - JRderivávelnumpontointeriora E X. Provequelimh-o[f(a+
h)- f (a-h)J/2h = l'(a). Dê um exemplo em que este limite existe porém
f não é derivável no ponto a.

Seção 2: Regras operacionais

1. Admitindo que (ex)'= ex e que limy----,+oo eY /y = +oo, prove que a função


.f: lR -+ JR, definida por f (x) = F- 1 /x 2 quando x =1- O e f (O) = O, possui
derivada igual a zero no ponto x = O, o mesmo ocorrendo com f': lR ---t JR,
com I" e assim por diante.
2. Seja I um intervalo aberto. Uma f: I - 1R. diz-se de classe C 2 quando é
derivável e sua derivada f' I: - lR é de classe C 1 . Prove que se f (I) e J e
g: J - 1R. também é de classe C 2 então a composta g o I: I - 1R. é de classe
c2.
3. Seja f: I - 1R. de classe C 2 com f(I) = J e .f'(x) -=1- O para todo x E J.
Calcule a derivada segunda de 1---- 1 : J - 1R. e mostre que 1---- 1 é de classe C 2 .
4. Seja I um intervalo com centro O. Uma função I: I - 1R. chama-se par
quando f(-x) = l(x) e ímpar quando f(-x) = -.f(x), para todo x E 1.
Se I é par, suas derivadas de ordem par (quando existem) são funções pares
e suas derivadas de ordem ímpar são funções ímpares. Em particular, estas
últimas se anulam no ponto O. Enuncie resultado análogo para f ímpar.
5. Seja f: lR - lR derivável, tal que f (tx) = tf (x) para quaisquer l, x E R
Prove que l(x) = f'(O) · x, qualquer que seja x E JR. Mais geralmente, se
.f: lR - lR é k vezes derivável e f (tx) = tk .f (x) para quaisquer t, x E JR,
prove que l(x) = [JCkl(o)/k!]. :rk, para todo x E R
Seção 3: Derivada e crescimento local

1. Se f: IR - IR é de classe C 1 , o conjunto dos seus pontos críticos é fechado.


Dê exemplo de uma função derivável f: IR - IR tal que Oseja limite de uma
seqüência de pontos críticos de/, mas f'(O) > O.
2. Seja /: I - IR derivável no intervalo aberto J. Um ponto crítico e E J
chama-se não-degenerado quando /"(e) é diferente de O. Prove que todo
ponto crítico não degenerado é um ponto de máximo local ou de mínimo
local.
3. Se e E J é um ponto crítico não-degenerado da função f: J - IR, derivável
no intervalo aberto J, prove que existe ó > Otal que e é o único ponto crítico
de f no intervalo (e - ó, e + ó). Conclua que, se / é de classe C 1 , então
num conjunto compacto K e I, onde os pontos críticos de f são todos
não-degenerados, só existe um número finito deles.
4. Prove diretamente (sem usar o exercício anterior) que se o ponto cótico e
da função f: J - IR é limite de uma seqüência de pontos críticos Cn f e e
f"(c) existe. então /"(e)= O.
5. Prove que o conjunto dos pontos de máximo ou de mínimo local estrito de
qualquer função f: IR - IR é enumerável.

Seção 4: Funções deriváveis num intervalo

1. Seja g: I - IR contínua no intervalo aberto J, exceto no ponto e E J. Se


existem os limites laterais limx-+c- g(x) = A e limx-+c+ g(x) = B, com
A f B então nenhuma função derivável f: I - IR tem derivada f' = g.
2. Seja j:IR+ - IR definida por f(x) = logx/x. Admitindo que (log)'(x) =
l / x, indique os intervalos de crescimento e decrescimento de f, seus pontos
críticos e seus limites quando x - Oe quando x - +oo.
3. Faça um trabalho análogo ao do exercício anterior para a função g: IR+ - IR,
definida por g(x) = eX /x, admitindo que (ex)'= ex.
4. Supondo conhecidas as regras de derivação para as funções seno e cosseno,
prove que sen:(-1r/2,1r/2) - (-1,1), cos:(0,1r) - (-1,1) e
tg = sen / cos: (-1r /2, 7r /2) --t IR são bijeções com derivadas f O em to-
dos os pontos e calcule as derivadas das funções inversas arcscn: (- 1, 1) -
( -7r /2, 7r / 2), arccos: ( -1, 1) ---t (O, 1r) e arctg: IR ---t (-7r /2, 7r /2).

5. Dada f derivável no intervalo I, sejam X= {f'(x); x E J} e Y = {[f(y) -


f(x)]/(y - x); x i- y E J}. O Teorema do Valor Médio assegura que
Y e X. Dê um exemplo em que Y # X. Prove que Y = X e conclua que
sup X = sup Y, inf X = inf Y.
6. Seja f: (a, b) ----, IR limitada e derivável. Se não existir limx-a+ f(x) ou
limx-b- f(x),proveque,paratodoc E IR,existex E (a,b)talquef'(x) = e.
7. Seja f: [a, b] ----, IR contínua, derivável no intervalo aberto (a, b), com f'(x) ~
O para todo x E (a, b). Se f'(x) = O apenas num conjunto finito, prove que
J é crescente.
8. Use o princípio dos intervalos encaixados para provar diretamente (sem usar
o Teorema do Valor Médio) que se f: I ----, IR é derivável, com f' (x) = Oem
todos os pontos x do intervalo I, então f é constante.
9. Com a mesma técnica do exercício anterior, prove que uma função f: J ----, IR,
derivável, com lf'(x)I s k para todo x no intervalo I cumpre a condição de
Lipschitz lf(y) - f(x)I s kly - xi se x, y E J.
10. Seja J: [a, b] - IR. contínua, derivável em (a, b), exceto possivelmente no
ponto e E (a, b). Se existir limx--.c f'(x) = L, prove que f'(c) existe e é
igual a L.
11. Seja f: [a, b] ----, IR uma função com derivada limitada em (a, b) e com a
propriedade do valor intermediário (cfr. Exercício 2.3, Capítulo 7). Prove
que f é contínua.
12. Se J: I ---t IR cumpre lf(y) - f (x)I s c.ly - xiª com a> 1, e E IR ex, y E J
arbitrários, prove que f é constante.
13. Prove que se fé derivável num intervalo e f' é contínua no ponto a então,
para quaisquer seqüências de pontos Xn #- Yn nesse intervalo, com lim Xn =
lim Yn = a, tem-se lim[f(Yn) - J(xn)]/(Yn - Xn) = f'(a).
9

Fórmula de Taylor
e Aplicações da Derivada

As aplicações mais elementares da derivada, ligadas a problemas de máximos


e mínimos, e à regra de L'Hôpital, se encontram amplamente divulgadas nos
livros de Cálculo. Aqui exporemos duas aplicações, a saber o estudo das funções
convexas e o método de Newton.

1. Fórmula de Taylor

A n-ésima derivada (ou derivada de ordem n) de uma função f no ponto


a será indicada com a notação J<n) (a). Para n = 1, 2 e 3 escreve-se f'(a), f"(a)
e f"' (a) respectivamente. Por definição, f" (a) = (!')' (a) e assim sucessiva-
mente: j<n)(a) = [j<n- 1)]'(a). Para que j(n)(a) tenha sentido, é necessário
que J(n-I) (x) esteja definida num conjunto do qual a seja ponto de acumulação
e seja derivável no ponto x = a. Em todos os casos que consideraremos, tal
conjunto será um intervalo. Quando existe j<n)(x) para todo x E J, diz-se que
a função f: I ~ IR é n vezes derivável no intervalo I. Quando fé n - 1 vezes
derivável numa vizinhança de a e existe j<n) (a), dizemos que f: I -; IR é n vezes
derivável no ponto a E J .
Dizemos que f: I -; IR é uma função de classe cn ,
e escrevemos f E cn,
quando f é n vezes derivável e, além disso, a função j<n): I -; IR é contínua.
Quando f E cn para todo n EN, dizemos que fé de classe e= e escrevemos
f E e=. É conveniente considerar f como sua própria "derivada de ordem zero"
e escrever J< 0 ) = f. Assim, f E Cº significa que fé uma função contínua.

Exemplo 1. Para n = O, 1, 2, ... seja f n: IR - t IR definida por fn(x) = xnJxJ.


Então fn(x) = xn+I se x 2:: O e fn(x) = -xn+I se x '.'S O.
Cada uma das funções f n é de classe cn pois sua n-ésima derivada é igual a
(n + l)!lxl. Mas fn não é n + 1 vezes derivável no ponto O, logo não é de classe
cn+ 1 • As funções mais comumente encontradas, como polinômios, funções
racionais, funções trigonométricas, exponencial e logaritmo, são de classe C 00 •

Seja f: I ---+ IR definida no intervalo I e n vezes derivável no ponto a E I.


O polinômio de Taylor de ordem n da função f no ponto a é o polinômio
p(h) = a 0 + a 1 h + · · · + anhn (de graus; n) cujas derivadas de ordem::; n no
ponto h = O coincidem com as derivadas de mesma ordem de f no ponto a, isto
é, p<il(o) = J(il(a),i = O, 1, ... , n. Ora, as derivadas p(0 l(o),p'(O), ... ,p<nl(o)
detenninam de modo único o polinômio p(h) pois p<il(o) = i!ai. Portanto, o
polinômio de Taylor de ordem n da função f no ponto a é
· f"(a) J(n) (a)
p(h) = J(a) + f'(a).h + - 1-h + · · · +
2.
2
n.1
hn.

Se p(h) é o polinômio de Taylor de ordem n da função f: I---+ IR no ponto


a E I então a função r(h) = f(a + h) - p(h), definida no intervalo J = {h E
IR; a+ h E I}, é n vezes derivável no ponto O E J, com r(O) = r'(O) = ... =
r<n)(o) = O.
Lema. Seja r: J ---+ IR n vezes derivável no ponto O E J. A íi.m
de que seja r<i)(O) = O parai = O, 1, ... , n, é necessário e
suE.ciente que limh_,o r(h)/hn = O.

Demonstração: Suponhamos inicialmente que as derivadas de r no ponto O


sejam nulas até a ordem n. Para n = l, isto significa que
r(O) = r'(O) = O. Então limlbü r(h)/h = limh_, 0 [r(h) - r(O)]/h = r'(O) = O.
Para n = 2, temos r(O) = r'(O) = r"(O) = O. Pelo que acabamos de ver,
isto implica limx_, 0 r'(x)/x = O. O Teorema do Valor Médio assegura que,
para todo h =f O, existe x no intervalo de extremos O e h tal que r(h)/h 2 =
[r(h) - r(O)]/h 2 = r'(x).h/h 2 = r'(x)/h. Por conseguinte, limh-,o r(h)/h 2 =
limh-,o r'(x)/h = limh,_, 0 [r'(x)/x](x/h) = O pois h---+ O implica x---+ O e, além
disso, 1x / h 1 ::; 1. O mesmo argumento permite passar de n = 2 para n = 3 e
assim por diante. Reciprocamente, suponhamos que limh-,o r(h)/hn = O. Daí
resulta, parai= O, 1, ... , n, que limh-,o r(h)/hi = limh-.o(r(h)/hn)hn-i = O.
Portanto r(O) = limh_,o r(h) = limh-.o r(h)/hº = O. Além disso, r'(O) =
lim,,_. 0 r(h)/h = O. Quanto a r"(O), consideremos a função auxiliar c.p: J---+ IR,
definida por c.p(h) = r(h) - r"(O)h 2 /2. Evidentemente, vale c.p(O) = c.p'(O) =
c.p"(O) = O. Pelapartedolemajádemonstradasegue-sequelimh_, 0 c.p(h)/h2 = O.
Como c.p(h)/h 2 = r(h)/h 2 .-r"(0)/2 e sabemos que limh_.o r(h)/h 2 = O, resulta
que r"(O) = O. O mesmo argumento permite passar de n = 2 para n = 3 e assim
~d~~- o

Teorema 1. (Fórmula de Taylor infinitesimal.) Seja f: I - lR n vezes de-


rivável no ponto a E J. A função r: J - JR, defi.nida no
intervalo J = {h E lR; a + h E J} pela igualdade
f "(a) 2 j(n) (a)
f(a + h) = f(a) + J'(a).h + - 2
- · h + ··· + n.
, · hn + r(h),
cumpre limh--.o r(h)/hn = O. Reciprocamente, se p(h) é um polinômio de
grau :s; n tal que r(h) = f(a + h) - p(h) cumpre limh--.o r(h)/hn = O então
p( h) é o polinômio de Taylor de ordem n de f no ponto a, isto é,

p(h) = I:n ·, a
.
j"(i) ( )
i.
. hi.
i=O

Demonstração: A função r, definida pela fórmula de Taylor, é n vezes derivável


no O e tem derivadas nulas nesse ponto, até a ordem n. Logo,
pelo Lema, valelimh-o r(h)/hn =O.Reciprocamente, ser(h) = .f(a+h)-p(h)
é tal que lim r (h) / hn = O então, novamente pelo Lema, as derivadas de r no
ponto o são nulas até a ordem n, logo p(il(o) = J(il(a) parai= o, 1, ... , n, ou
seja, p(h) é o polinômio de Taylor de ordem n da função f no ponto a. D

Exemplo 2. Seja f: I
- lR n vezes derivável no ponto a E int I, com
J(i)(a) = Opara 1 :s; i < n e j(nl(a) f:. O. Se n é par então: f
possui um mínimo local estrito no ponto a caso j(n) (a) > Oe um máximo local
estrito quando j(nl(a) < O. Se n é ímpar então a não é ponto de mínimo nem
de máximo local. Com efeito, neste caso podemos escrever a fórmula de Taylor
como
f(a + h) - f(a) = hn[f(:!(a) + r~~\
Pela definição de limite, existe 15 > O tal que, para a+ h E I e O < lhl < 15
a soma dentro dos colchetes tem o mesmo sinal de j(n)(a). Como a E int/,
podemos tomar este 15 de modo que lhl < 15 =?a+ h E J. Então, quando n é par
e pnl(a) > O, a diferença f(a + h) - f(a) é positiva sempre que O< \hl < 15,
logo f possui um mínimo local estrito no ponto a. Analogamente, se n é par e
pnl(a) < O, a diferença f(a + h) - f(a) é negativa quando O < JhJ < 15, logo
f tem um máximo local no ponto a. Finalmente, se n é ímpar, o fator hn tem o
mesmo sinal de h, logo a diferença f (a + h) - f (a) muda de sinal juntamente
com h, logo .f não tem máximo nem núnimo local no ponto a.

Exemplo 3. (Novamente a Regra de L' Hôpital.) Sejam f, g: I-+ IR n vezes


deriváveis no ponto a E I, com derivadas nulas neste ponto até
a ordem n - 1. Se g<n)(a) =/:- Oentão
. f(x) f<n)(a)
hm--=---.
x-a g(x) g(n)(a)
Com efeito, pela fórmula de Taylor, temos

.f(a + h) = hn[f(n)(a) + r(h)]


n! hn
e
g (n) (a) s(h)
g(a + h) = h n [ - - +- ]
n! hn
.
r(h) . s(h)
onde hm hn = hm hn = O. Portanto
h-+O h-+O

.f(n)(a) r(h)
lim f(x) = lim f(a +!!,l = lim n! + Tn = J<n)(a).
X-+a g(x) h-o g(a + h) h-+O g(n)(a) s(h) g(n)(a)
n! + hn

A fórmula de Taylor infinitesimal é assim chamada porque só afirma algo


quando h -+ O. A seguir daremos outra versão dessa fórmula, onde é feita uma
estimativa do valor f (a+ h) para h fixo. Ela é uma extensão do Teorema do Valor
Médio, de Lagrange. Como naquele teorema, trata-se de um resultado global,
onde se supõe que f seja n vezes derivável em todos os pontos do intervalo
(a, a+ h).

Teorema 2. (Fórmula de Taylor, com resto de Lagrange.) Seja f: [a, b] -+ IR


n vezes derivável no intervalo aberto (a, b), com j(n-l)
contínua em [a, b]. Existe c E (a, b) tal que
f (n-1)(a) j(n)(c)
f(b) = f(a) + f'(a)(b- a)+···+ --,----(b- a)n-l + - - ( b - ar.
(n - 1)! n!
Pondo b =a+ h, isto quer dizer que existe 0, com O< 0 < l, tal que
f (n-l)(a) J<n)(a + 0h)
f(a + h) = f(a) + f'(a).h + ·· · + - - - h n - l + - - - - h n .
(n - 1)! n!
Demonstração: Seja <p: [a, b] --. IR definida por
j(n-I)(x) K .
<p(x) = f(b) - f(x) - J'(x)(b- x) - · · · - ------'----'-(b - x)1'·- 1 - -(b- x)n
(n -1)! n! '
onde a constante K é escolhida de modo que <p( a) = O. Então <p é contínua em
[a, b], diferenciável em (a, b), com <p(a) = cp(b) = O. Vê-se facilmente que
K - j(n)(x)
cp'(x) = - - - - ( b - x r - 1 •
(n - l)!
Pelo Teorema de Rolle, existe e E (a, b) tal que <p'(c) = O. Isto significa que
K = J(n)(c). O Teorema 2 se obtém fazendo x a na definição de <p e
lembrando que cp( a) = O. D

2. Funções convexas e côncavas

Se a -=/- b, a reta que liga os pontos (a, A) e (b, B) no plano IR2 é o conjunto
dos pontos (x, y) E IR 2 tais que
B-A
y=A+--(x-a)
b-a
ou, equivalentemente,
B-A
y=B+--(x-b).
b-a
Quando se tem uma função f: X --. IR, definida no conjunto X e IR, e
são dados a, b E X, o segmento de reta que liga os pontos (a, f(a)) e (b, f(b)),
pertencentes ao gráfico de f, será chamado a secante ab.
Seja I e IR um intervalo. Uma função f: I --. IR chama-se convexa quando
seu gráfico se situa abaixo de qualquer de suas secantes. Em termos precisos, a
convexidade de f se exprime assim:

a < x < b em I =;,- f (x) ~ f (a) + f (b) - f (a\ x - a)


b-a
ou seJa:

a < x < b em I =;,- f (x) ~ f (b) + f (b) - f (ª) (x - b).


b-a
Portanto f: I --. IR é convexa no intervalo I se, e somente se, valem as
desigualdades fundamentais:
a< x <bem I =;,- f(x) - f(a) < f(b) - f(a) < f(x) - f(b). (*)
x-a - b-a - x~b
Qualquer uma das duas desigualdades acima implica a outra. Elas signifi-
cam que, para a < x < b, a secante ax tem inclinação menor que a secante ab e
esta, por sua vez, tem inclinação menor do que a secante xb.

f(b) -- -- . ---------------

f(x)

f(a)

a b
Fig. 5 x

Teorema 3. Se f: J ---+ IR; é convexa no intervalo I então existem as


derivadas laterais f~(c) e f!_(c) em todo ponto c E intJ.

Demonstração: Em virtude das observações feitas acima, a função <pc(x) =


[f (x) - f (c) J/ ( x - c) é monótona não-decrescente no intervalo
J = I n (c, +oo). Além disso, como c E int J, existe a E J, com a < c. Portanto
<pc(x) 2: [f(a) - f(c)]/(a - c), para todo x E J. Assim, a função <pc: J---+ IR. é
limitada inferiormente. Logo existe o limite à direita f~(c) = limx-,c+ <pc(x).
Raciocínio análogo para a derivada à esquerda. D

Corolário. Uma função convexa f: I---+ IR. é contínua em todo ponto


interior ao intervalo I.

Observe-se que .f: (O, 1] ---+ IR., definida por f (O) = 1 e f(x) = Ose O < x::; 1,
é convexa porém descontínua no ponto O.

Teorema 4. As seguintes aflrmações sobre a função .f: I ---+ IR., derivável


no intervalo I, são equivalentes:

(1) fé convexa.
(2) A derivada f': J ---+ IR. é monótona não-decrescente.
(3) Para quaisquer a, x E J tem-se f(x) 2: f(a) + f'(a)(x - a), ou seja, o
gráfico de f está situado-acima de qualquer de suas tangentes.
Demonstração: Provaremos as implicações (1) =} (2) =} (3) =} (1).
(1) =} (2). Sejam a < x < bem I. Nas desigualdades fun-
damentais (*) fazendo primeiro x -----+ a+, e depois x -----+ b-, vem h (a) <
[f(b) - J(a)]/(b- a) s:; J:...(b). Logo a< b =} f'(a) s:; f'(b).

(2) =} (3). Suponhamos a < x em I. Pelo Teorema do Valor Médio, existe


z E (a,x) tal que f(x) = f(a) + f'(z)(x - a). Como f' é monótona não-
decrescente, temos f'(z) 2: f'(a). Logo f (x) 2'. f (a)+ f'(a)(x-a). Raciocínio
análogo no caso x < a.
(3) =} (1). Sejam a < c < bem I. Escrevamos a(x) = f(c) + f'(c)(x - c) e
chamemos de H = {(x, y) E IR 2 ; y 2'. a(x)} o semi-plano superior determinado
pela reta y = a(x), tangente ao gráfico de f no ponto (c, f(c)). Evidentemente,
H é um subconjunto convexo do plano, isto é, o segmento de reta que liga dois
pontos quaisquer de H está contido em H. A hipótese (3) assegura que os
pontos (a, f(a)) e (b, f (b)) pertencem a H, logo o segmento de reta que une
estes pontos está contido em H. Em particular, o ponto desse segmento que tem
abcissa c pertence a H, isto é, tem ordenada 2 a(c) = f (c). Isto significa que
f(c) s:; f(a) + f(bt=!(a) (c - a). Como a< c < b são quaisquer em I, a função
f é convexa. [l

f','Jrolário 1. Todo ponto crítico de uma função convexa é um ponto<>


mínimo absoluto.

Fig. 6 - A função f: IR+ -----+ IR, dada por f (x) = i: + ½, é convexa. Seu ponto
crítico x = 2 é um mínimo global. Seu gráfico situa-se acima de qualquer de suas
tangentes.

Com efeito, dizer que a E J é ponto crítico da função f: I -----+ IR significa


afirmar que f possui derivada igual a zero no ponto a. Se f é convexa e a E J
é ponto crítico de f então a condição (3) acima assegura f (x) 2: f(a) para todo
x E J, logo a é ponto de mínimo absoluto para f. D

Corolário 2. Uma função f: I ---t IR., duas vezes derivável no intervalo I,


é convexa se, e somente se, f"(x) 2: O para todo x E J.

Com efeito, f"(x) 2: O para todo x E J equivale a afirmar que f': I ---t IR. é
monótona não-decrescente. D
Uma função f: I ---t IR. diz-se côncava quando - fé convexa, isto é, quando
o gráfico de f está acima de qualquer de suas secantes. As desigualdades que
caracterizam uma função côncava f são análogas a (*) acima, com 2: em lugar de
:=:;. Existem as derivadas laterais de uma função côncava em cada ponto interior
ao seu domínio, logo a função é contínua nesse ponto. Uma função derivável é
côncava se, e somente se, sua derivada é monótona não-crescente. Uma função
duas vezes derivável é côncava se, e somente se, sua derivada segunda é :=:; O.
Uma função derivável é côncava se, e somente se, seu gráfico está abaixo de
qualquer de suas tangentes. Todo ponto crítico de uma função côncava é um
ponto de máximo absoluto.
Existem ainda as noções de função estritamente convexa e estritamente
côncava , onde se exige que

a< x < b =} f (x) < f (a)+ f(b) - f(a) (:e - a)


b-a
no caso convexo, com > em vez de < no caso côncavo. Isto evita que o gráfico
de f possua trechos retilíneos. Convexidade estrita implica que f' seja crescente
mas não implica f" (x) > O para todo x E J. Entretanto, f" (x) > O para todo
x E J =} f' crescente =} f estritamente convexa.

Exemplo 4. Para todo n E N a função f: IP'. -+ IR., f (x) = x 2 n, é estritamente


convexa mas f"(x) = 2n(2n - l).x 2n- 2 anula-se no ponto x =
O. A função exponencial f(x) = ex é (estritamente) convexa, enquanto logx
(para x > O) é côncava. A função g: IR. - {O} ---t IR., g( x) = 1/ x, é côncava para
x < O e convexa para x > O.

Os pontos x do intervalo [a, b] se escrevem, de modo único, sob a forma


x = (l ~ t)a + tb, com O :=:; t :=:; 1. Com efeito, esta igualdade equivale a t =
(x-a)/(b-a). No segmento de reta que liga o ponto (a,f (a)) ao ponto (b, f(b))
no plano, o ponto de abcissa x = (l - t)a + tb tem ordenada (1- t)f (a)+ tf(b).
Portanto, uma função f: I --+ IR é convexa se, e somente se
a, b E J, O :S t :S 1 ~ f((l - t)a + tb) :S (1 - t)f(a) + tf(b).
Equivalentemente, f: I --+ IR é convexa se, e somente se, para quaisquer
a 1, a2 E J e t 1, t2 E [O, 1] com t 1 + t2 = 1 tem-se
J(t1a1 + t2a2) :S tif(a1) + td(a2).

Sejam agora f: I --+ IR convexa, a1, a2, a3 E J e t 1, t 2, t 3 E [O, l] com


t1 + t2 + t 3 = 1.
Afirmamos que
f (t1a1 + t2a2 + t3a3) :S tif(ai) + td(a2) + t3f(a3).
Com efeito, esta desigualdade é óbvia quando t 1 = t2 = Oe t3 1. Se,
entretanto, t 1 + t 2 # O, podemos escrever

Como
t1 t2
(t1 + t2) + t3 = 1 e -t- t - + -t- t - = 1 ,
1+2 1+2
a desigualdade alegada resulta de aplicar-se duas vezes o caso já conhecido, em
que se têm duas parcelas.
Analogamente, se f: I --+ IR é convexa então, dados a 1 , ... , an E J e
t 1, ... , tn E [O, 1] com t 1 + · · · + tn = 1, vale
f (t1a1 + · · · + tnan) '.S t1 f (ai)+···+ t.,if(an)-

Este resultado, aplicado à função convexa f(x) = expx, com t 1 = t 2 =


... = tn = 1/ n, a 1 = log x 1 , ... , an = log Xn fornece, para quaisquer n números
reais positivos x 1 , •.• , Xn, a desigualdade
viX1X2 ... Xn = y' eª 1 .eª2 ••• eªn
a1 + · · · + an
=exp(----)
n
= f(t1a1 + · · · + tnan)
:S tif(a1) + · · · + tnf(an)
eª 1 +···+eª" X1 + · ·.· + Xn
n n
ou seja:
Esta é a clássica desigualdade entre a média aritmética e a média geométrica.
Mais geralmente, o mesmo método serve para demonstrar a desigualdade
Xi 1 .x~2 ••• x~n :S t1x1 + t2X2 + · · · + tnXn,
válida para números não-negativos x 1, x 2, ... , Xn, e t 1, t 2, ... , tn, com t 1 +
t2 + · · · + tn = l. A desigualdade anterior, entre a média aritmética e a média
geométrica, corresponde ao caso particular em que t 1 = · · · = tn = 1/n.

3. Aproximações sucessivas e método de Newton

Uma função f: X - IR chama-se uma contração quando existe uma cons-


tante k E [O, 1) tal que lf (y) - f(x)I :S kly - xi para quaisquer x, y E X. O
exemplo mais comum de contração é uma função f: I - IR, derivável no intervalo
I, com lf'(x)I :S k < 1 para todo x E I. Evidentemente, toda contração é uma
função uniformemente contínua.

Teorema 5. (Ponto fixo das contrações.) Se X e lR é fechado então toda


contração f: X - X possui um único ponto fixo. Mais
precisamente, fixando qualquer x 0 E X, a seqiiência das aproximações
sucessivas
X1 = f (xo), X2 = f(x1), ... , Xn+1 = f(xn), ...
converge para o único ponto a E X tal que f (a) = a.
Demonstração: Seja lf(y) - f(x)I :S kly - xi para quaisquer x, y E X, onde
O :S k < 1. Então lxn+1 - Xnl :S k[xn - Xn-11 logo, pelo Teste
de d' Alembert, a série s = I::= 1(Xn - Xn- I) é absolutamente convergente. Ora,
a soma dos n primeiros termos desta série é sn = xn - x 0 . De lim Sn = s segue-
selim Xn = s + x 0 = a. Tem-se a E X porque o conjunto X é fechado. Fazendo
n - oo na igualdade Xn+i = f(xn), como fé contínua, obtem-se a = f(a).
Finalmente, se f (a) = a e f(b) = b então lb - ai = lf(b) - f(a)I :S klb- ai, ou
seja, (1 - k)lb- ai :S O. Como 1 - k > O, concluímos que a= b, logo o ponto
fixo a E X é único. D

Exemplo 5. A função f: lR - JR, dada por f (x) J 1 + x 2 , não possui


ponto fixo· pois f(x) > x para todo x E lR. Sua derivada
f'(x) = x/Jx + 1 cumpre lf'(x)! < 1, logo tem-se lf(y) - f(x)I < IY - xi
2

para quaisquer x, y E R Este exemplo mostra que a condição If (y) - f (x) 1 <
IY - xi sozinha não basta para se obter um ponto fixo.
Exemplo 6. A função f: [1, +oo)--+ R, dada por f(x) = x/2, é uma contra-
ção mas não possui ponto fixo a E [1, +oo). Isto mostra que,
no método das aproximações sucessivas, é essencial verificar que a condição
f(X) e X é satisfeita. Neste exemplo, não se tem f([l, +oo)) e [1, +oo).

Exemplo 7. f: (O, 1)
--+ (O, 1), dada por f(x) = x/2, tem derivada f'(x) =
1/2 mas não possui ponto fixo pois (O, 1) não é fechado.

Um exemplo importante de aproximações sucessivas é o chamado método


de Newton para a obtenção de valores aproximados de uma raiz da equação
f (x) = O. Neste método, tem-se uma função f: I---+ R, de classe C 1 no intervalo
I, com f'(x) f:. Opara todo x E/, toma-se um valor inicial x 0 , põe-se
f(xo)
X1 = Xo - f'(xo),
f(x1)
X2 = X1 - f'(xi),

f(xn)
Xn+1 = Xn - f'(xn), etc.

Se a seqüência (xn) convergir, seu limite a será uma raiz da equação f (x) = O
pois, fazendo n--+ oo na igualdade

f(xn)
Xn+1 = Xn - f'(xn),

resulta a= a - f(a)/ f'(a), donde f(a) = O.


O método de Newton resulta da observação de que as raízes da equação
f (x) = r
Osão os pontos fixos da função N = N I --+ R, definida por

f(x)
N(x) = x - f'(x)"

O número N(x) = x - f(x)/ f'(x) é a abscissa do ponto em que a tangente


ao gráfico de f no ponto x encontra o eixo horizontal. A idéia que motiva o
método de Newton é que, se a tangente aproxima a curva então sua interseção
com o eixo ;r, aproxima o ponto de interseção da curva com esse eixo, isto é, o
ponto x em que f(x) = O.
y

y = f {X)

f{x 0 ) --------------------------

Fig. 7 -Como a inclinação da tangente é J'(xo) = f(xo)/(xo - x1), segue-se que


x1 = xo - f(xo)/f'(xo).

É fácil dar exemplos em que a seqüência (xn) de aproximações de Newton


não converge: basta tornar urna função, como f(x) = ex, que não assuma o
valor zero. E, mesmo que a equação f (x) = Otenha uma raiz real, a seqüência
(xn) pode divergir, caso x 0 seja tornado longe da raiz.

-1/2

Fig. 8 -A função f: [-1/2, 1/2] -, IR, dada por f(x) = x - x 3 , anula-se para
x = O. Valores aproximados desta raiz pelo método de Newton, começando com
xo = v5/5, são sucessivamente xo, -xo, xo, -xo, etc. O método não converge.
Existem, evidentemente, infinitas funções cujos pontos fixos são as raízes
da equação f(x) = O. A importância de N(x) reside na rapidez com que as
aproximações sucessivas convergem para a raiz a da equação f (x) = O(quando
convergem): cada Xn+i = N(xn) é um valor aproximado de a com cerca do
dobro dos algarismos decimais exatos de Xn. (Veja Exemplo 9.)
Mostraremos agora que se f: I ----; R possui derivada segunda contínua
f": I ----; R, com f'(x) f- O para todo x E J, então cada ponto a E int J onde
f (a) = Otem uma vizinhança J = [a - ô, a+ 15] tal que, começando com qualquer
valor inicial x 0 E J, a seqüência de pontos Xn+i = N(xn) converge para a.
Com efeito, a derivada N'(x) = f (x)f"(x)/ f'(x) 2 se anula no ponto x = a.
Como N'(x) é contínua, se fixarmos arbitrariamente k E (O, 1) obteremos ô> O
tal que J = [a - ô, a+ 8] e I e IN'(x)I :::; k < l para todo x E J. Afirmamos
que x E J * N(x) E J. De fato, x E J =>- JN(x) - N(a)J :::; kjx - aj :::;
Jx - ai :::; 8 * N(x) E J. Portanto, N: J ----; J é uma contração. Logo a
seqüência x 1 = N(x 0 ), Xn+i = N(xn) converge para o único ponto fixo a E J
da contração N.

Exemplo 8. (Cálculo aproximado de y'l:.) Dados e> O c n EN, conside-


remos o intervalo J = [ ~' +oo) e a função f: I ----; R, dada
por f(x) = xn - e. Como f'(x) = nxn- 1 , a função de Newton N: I ----; R
assume a forma N(x) = i\[(n - l)x + c/xn- 1 ]. Assim, para todo x > O,
N (x) é a média aritmética dos n números x, x, ... , x, e/ xn- 1 . Como a média
geométrica desses números é ~' concluímos que N(x) 2 y'c: para todo x > O.
Em particular, x E J => N(x) E J. Além disso, N'(x) = n;- 1 (1 - c/xn), logo
O:::; N'(x):::; (n - l)/n para todo x E J. Tudo isto mostra que N: I----; I é uma
contração. Portanto, tomando-se qualquer x 0 > O, temos N(x 0 ) = x 1 E J e as
aproximações sucessivas Xn+i = N(xn) convergem (rapidamente) para ~-

Exemplo 9. (O método de Newton converge quadraticamente.) Considere


f: I ----; R de classe C 2 no intervalo I, com lf"(x)I :::; A e
lf'(x)I 2 B para todo x E J, onde A e B são constantes positivas. Vimos
acima que, tomando a aproximação inicial x 0 suficientemente próxima de um
ponto a onde f(a) = O, a seqüência de aproximações de Newton Xn+i = :r:n
f(xn)/ f'(xn) converge para a. Agora usaremos o Teorema 2 para estabelecer
uma comparação entre os erros lxn+i - aj e lxn - ai. Existe um número d entre
a e Xn, tal que

O= f(a) = f(xn) + f (xn)(a - Xn) + -!"(d)


1 2
2 -(a - Xn) .
Então
f'(xn)Xn - f(xn) - f'(xn)a = r'id) (Xn - a) 2 .
Dividindo por f'(xn) obtemos:
f(xn) f"(d) 2
Xn - f'(xn) - a= 2f'(xn) (xn - a)
isto é,
- !"(d) 2
Xn+1 - a - 2 f'(xn) (Xn - a) .

1
Daí vem imediatamente lxn+i - ai ~ 2 lxn - al 2 • Quando lxn - ai < 1, o
quadrado lxn - al 2 é muito menor, o que exibe a rapidez de convergência no
método de Newton. Por exemplo, se f(x) = xn - e temos
f"(d) dn- 2 n - l
= (n - 1)--- < - - .
----=--e--..,...
2f'(xk) 2xk-i - 2xk
Portanto, para calcular y'c, onde e > 1, podemos começar com x 0 > 1 e tere-
mos sempre Jxk+i - v'eJ
~ n 21 Jxk - v'eJ
2 . Para n ~ 3 vem Jxk+i - ~ v'eJ
Jxk - v'eJ
2 • Logo, se xk temp algarismos decimais exatos, xk+i tem 2p.

4. Exercícios

Seção 1: Fórmula de Taylor

1. Use a igualdade 1/(1 - x) = 1 +x+ ·. -+xn +xn+i /(1 - x) e a fórmula de


Taylor infinitesimal para calcular as derivadas sucessivas, no ponto x = O,
da função f: (-1, 1) -d~, dada por f (x) = 1/ (1 - x).
2. Seja f: "IR --, "IR definida por f(x) = x 5 /(1 + x 6 ). Calcule as derivadas de
ordem 2001 e 2003 de f no ponto x = O.
3. Seja f: I--, JR. de classe C 00 no intervalo I. Suponha que exista K > O tal
que IJ(n)(x)J ~ K para todo x E J e todo n EN. Prove que, para x 0 ,x E J
• f(")( )
quaisquer vale f(x) = E~=O n1xº (x - xo)n.
4. Dê uma demonstração de que f" ~ O * f convexa usando a fórmula de
Taylor com resto de Lagrange.
5. Seja f: J- IR de classe C 2 no intervalo J. Dado a E J, defina a função
<p: I -, IR pondo <p(x) = [f(x) - f(a)]/(x - a) se x # a e <p(a) = f'(a).
Prove que <p é de classe C 1 • Mostre que f E C 3 ::::;> <p E C 2 .
6. Seja p: IR -, IR um polinômio de grau n. Prove que para a, x E IR quaisquer
tem-se
(n)(a)
p(x) = p(a) + p'(a)(x - a)+···+ p (x - a)n.
n.1
7. Sejamf,g:I-, ]Rduasvezesderiváveisnopontoa E intJ. Sef(a) = g(a),
f'(a) = g'(a) e f(x) 2:: g(x) para todo x E J, prove que f"(a) 2:: g"(a).

Seção 2: Funções côncavas e convexas

1. Sejam f: I - IR e g: J - IR funções convexas, com f(I) e J, e g monótona


não-decrescente. Prove que g o f: J -, IR é convexa. Dê outra demonstração
supondo f e g duas vezes deriváveis. Por meio de um exemplo, mostre que
se g não é monótona não-decrescente o resultado pode não ser válido.
2. Se f: I -, lR possui um ponto crítico não degenerado e E int J no qual f" é
contínua, prove que existe 15 > Otal que f é convexa ou côncava no intervalo
(c-15, e+ 8).
3. Examine a convexidade da soma e do produto de duas funções convexas.
4. Uma função f: I -, IR, definida no intervalo I, chama-se quase-convexa
(respectivamente, quase-côncava ) quando, para todo e E JR, o conjunto
{x E J; f(x) ~ e} (respectivamente, {x E J; f(x) 2:: e}) é vazio ou é um
intervalo. Prove que toda função convexa (respectivamente, côncava) é
quase-convexa(respectivamente, quase-côncava) e que toda função monó-
tona é ao mesmo tempo quase-convexa e quase-côncava.
5. Prove que f: J -, lR é quase-convexa se, e somente se, para x, y E J e
t E [O, 1] quaisquer, vale f ((1 - t)x + ty) :S max{f (x), f (y)}. Enuncie o
resultado análogo para f quase-côncava.
6. Seja f: [a, b] - lR uma função contínua quase-convexa, cujo valor mínimo
é atingido no ponto e E [a, b]. Prove que se e = a então f é monótona
não-decrescente, se e = b, f é monótona não-crescente e, finalmente, se
a < e < b então f é monótona não-crescente em [a, e] e não-decrescente
em [e, b]. Enuncie resultado análogo para f quase-côncava. Conclua daí
que a função contínua f: [a, b] -, IR é quase-convexa se, e somente se, existe
e E [a, b] tal que f
é monótona não-crescente no intervalo [a, e] e monótona
não-decrescente em [e, b].
7. Para cada n EN, seja .fn: I----. IR: uma função convexa. Suponha que, para
todo x E I, a seqüência de números (fn (x) )nEN convirja. Prove que a função
J: I ----. IR:, definida por J(x) = limn-.oo f n (x) é convexa. Prove resultado
análogo para funções quase-convexas, côncavas e, quase-côncavas.
8. Seja f: [a, b] ----. IR: uma função contínua convexa tal que f(a) < O < f(b).
Prove que existe um único ponto e E (a, b) com f(c) = O.

Seção 3: Aproximações sucessivas e método de Newton

1. Sejam I = [a - 8, a+ 8] e f: I---. IR: tal que lf(y) - f(x)I :::: kly - xi, onde
O:::: k < 1. Se lf(a) - ai :::: (1 - k)8, prove que existe um único x E I com
f(x) = X.
2. Defina f: [O, +oo) ----. [ü, +oo) pondo J(x) = 2-x/ 2 • Mostre que J é uma
contração e que, se a é seu ponto fixo, -a é a raiz negativa da equação
x 2 = 2x. Use o método das aproximações sucessivas e uma calculadora
para obter o valor de a com 8 algaris{Ilos decimais exatos.
3. Seja I = [a - 8, a+ 8]. Se a função f: I----. lll é de classe C 2 , com f'(x) i- O,
IJ(x)f"(x)/ f'(x)2j :::: k < 1 para todo x E I e IJ(a)/ f'(a)j < (1 - k)ti,
prove que, seja qual for o valor inicial x 0 E I, o método de Newton converge
para a única raiz x E Ida equação f(x) = O.
4. Dado a> 1, considere a função f: [O, +oo)---. IR:, dada por f(x) = 1/(a+x).
Fixado qualquer x 0 > O, prove que a seqüência definida indutivamente por
x, = J(x 0), ... , Xn+1 = .f(xn), converge para a raiz positiva e da equação
x 2 + ax - 1 = O. (Cfr. Exercício 3.6, Capítulo 3.)
5. Prove que 1, 0754 é um valor aproximado, com 4 algarismos decimais exatos,
da raiz positiva da equação x 6 + 6x - 8 = O.
6. Seja f: [a, b] ----. IR: convexa, duas vezes derivável. Se J(a) <O< J(b) prove
que, começando com um ponto x 0 E [a, b] tal que f(x 0 ) > O, o método de
Newton converge sempre pará a única raiz x E [a, b] da equação f(x) = O.
7. Prove que as aproximações de ~ dadas pelo método de.Newton formam,
a partir do segundo termo, uma seqüência descrescente.
10

A Integral
de Riemann

As noções de derivada e integral constituem o par de conceitos mais importantes


da Análise. Enquanto a derivada corresponde à noção geométrica de tangente e
à idéia física de velocidade, a integral está associada à noção geométrica de área
e à idéia física de trabalho. É um fato notável e de suma importância que essas
duas noções, aparentemente tão diversas, estejam intimamente ligadas.

1. Revisão sobre sup e inf

Demonstraremos aqui alguns resultados elementares sobre supremos e ín-


fimos de conjuntos de números reais, para uso imediato.
Dada uma função limitada f: X--+ JR, lembremos que sup f = sup f(X) =
sup{f(x); x E X} e inf f = inf f(X) = inf{.f(x); x E X}. Todos os conjuntos a
seguir mencionados são não-vazios.

Lema 1. Sejam A, B e lR tais que1 para todo x E A e todo y E B se


tenha x :s; y. Então sup A :s; inf B. A B.m de ser sup A =
inf B é necessário e suB.ciente que, para todo é > O dado, existam x E A e
y E B com y - x < E.
Demonstração: Todo y E B é cota superior de A, logo sup A :s; y. Isto mostra
que sup A é cota inferior de B, portanto sup A :s; inf B. Se valer
a desigualdade estrita sup A < inf B então é = inf B - sup A > O e y - x ?: é
para quaisquer x E A, y E B. Reciprocamente, se sup A = inf B então, para
todo é> O dado, sup A - c/2 não é cota superior de A e inf B + c/2 não é cota
inferior de B, logo existem x E A e y E B tais que supA - c/2 < x :s;supA =
inf B :s; y < inf B + c/2. Segue-se que y - x < é. D
Lema 2. S~jam A, B e JJl conjuntos limitados e c E R São também
limitados os conjuntos A + B = {x + y; x E A, y E B}
e e.A = {ex; x E A}. Além disso, tem-se sup( A + B) = sup A + sup B,
inf(A+B) = inf A+inf B e sup(e.A) = e. supA, inf(e.A) = e. inf A, caso seja
e 2':: O. Se e< O então sup(e.A) = e. inf A e inf(e.A) = e. supA.

Demonstração: Pondo a = sup A e b = sup B, para todo x E A e todo y E B


tem-se x :s; a, y :s; b, logo x + y :s; a + b. Portanto, a + b é cota
superior de A + B. Além disso, dado ê > O, existem x E A e y E B tais que
a - E/2 < x e b - s/2 < y, donde a+ b- ~ < x + y. Isto mostra que a+ b é
a menor cota superior de A+ B, ou seja, que sup(A + B) = supA + supB. A
igualdade sup( e.A) = e. sup A é óbvia se e = O. Se e > O, dado qualquer x E A
tem-se x :s; a, logo ex :s; ea. Portanto ea é cota superior do conjunto e.A. Além
disso, dado qualquer número d menor do que ea, temos d/e < a, logo existe
x E A tal que d/ e < x. Segue-se que d < ex. Isto mostra que e.a é a menor cota
superior de e.A, ou seja, que sup(e.A) = e. sup A. Os casos restantes enunciados
no lema são provados de modo análogo. D

Corolário. Sejam f, g: X -. Jll funções limitadas. Para todo e E JJl são


limitadas as funções f + g, ef: X-. Jll. Tem-se além disso,
sup(f + g) '.S supf + supg, inf(j + g) 2':: inf f + inf g, sup(ef) = e.supf, e
inf(ef) = e. inf f quando e 2 O. Caso e < O, tem-se sup(ef) = e. inf f e
inf(ef) = e.supf.

Com efeito, sejam A = f(X), B = g(X), C = (f + g)(X) = {f(x) +


g(x); x E X}. Evidentemente C e A+ B, logo sup(f + g) = supC::; sup(A +
B) = supA + supB = supf + supg. Além disso, sup(ef) = sup{e.f(x);x E
X} = sup( eA) = c. sup A, quando c 2':: O. Os demais casos enunciados no
corolário se provam de modo análogo. D
-
Observação. Pode-se ter efetivamente sup(f + g) < sup f + sup g e inf(f +
g) > inf f + inf g. Basta tomar f, g: [O, 1] -. Jll, f(x) = x e
g(x) = -X.

Lema 3. Dada f: X -. Jll limitada, sejam m = inf f, M = sup f e


w = M - m. Então w = sup{lf (x) - f (y)I; x, y E X}.

Demonstração: Dados x, y E X arbitrários, para fixar idéias seja f(x) 2':: f(y).
Então m :::; f(y) :::; f(x) :S: M, donde lf(x) - f(y)I :::; M -
= w. Por outro lado, para todo e> O dado podemos achar x, y
'ITI, E X tais que
f(x) > M - c/2 e f(y) < m + c/2. Então
lf(x) - f(y)I 2:: f(x) - f(y) > M - m - e= w - e.
Assim, w é a menor das cotas superiores do conjunto {lf(x) - f(y)J; x, y E X},
o que prova o lema. D

Lema 4. Sejam A' e A e B' e B conjuntos limitados de números


reais. Se, para cada a E A e cada b E B existem a' E A' e
b' E B' tais que a ::; a' e b' ::; b, então sup A' = sup A e inf B' = inf B.
Demonstração: Evidentemente, sup A é uma cota superior de A'. Além disso,
se e < sup A existe a E A com e < a, logo existe a' E A'
com e < a ::; a', portanto e não é cota superior de A'. Assim, sup A é a menor
cota superior de A', isto é, sup A = sup A'. Um raciocínio análogo demonstra o
resultado para inf B e inf B'. D

2. Integral de Riemann

Uma partição ·do intervalo [a, bl é um subconjunto finito de pontos P =


{t 0 , t 1 , ... , tn} e [a, bl tal que a E P e b E P. A notação será sempre usada de
modo que a = to < t 1 < · · · < tn = b. O intervalo [ti-i, til, de comprimento
ti - ti-i, será chamado o i-ésimo intervalo da partição P. Evidentemente,
I:~1 (ti - ti-1) = b - a.
Sejam P e Q partições do intervalo [a; bl. Diz-se que Q refina P quando
P e Q. A maneira mais simples de refinar uma partição é acrescentar-lhe um
único ponto.
Dada uma função limitada f: [a, b] - :IR., usaremos as notações
m = inf{f(x); x E [a, b]}
e
M = sup{f(x); x E [a, b]}.
Em particular, temos m::; f (x)::; M para todo x E [a, b]. Se P = {to, t 1 , ... , tn}
é uma partição de [a, bl, as notações mi = inf {f (x); t·i-i ::; x ::; ti}, Mi =
sup{f (x); ti-l ::; x ::; td e wi = Mi - mi indicarão o ínfimo, o supremo e a
oscilação de f(x) no i-ésimo intervalo de P. Quando fé contínua, mi e Mi
são valores efetivamente assumidos por f em [ti-i, til. Em particular, neste caso
existem xi, Yi E [ti-i, til tais que wi = lf(Yi) - f(xi)J.
A soma inferior de f relativamente à partição P é o número
n
s(f; P) = m1(t1 - to)+···+ mn(tn - tn-1) = L mi(ti - ti_ 1).
Í=l

A soma superior de f relativamente à partição P é, por definição,


n
S(f; P) = M1(t1 - to)+···+ Mn(tn - tn_i) = L Mi(ti - ti_ 1).
Í=l

Evidentemente, m(b - a) :s; s(f; P) :s; S(f; P) :s; M(b- a) seja qual for a
partição P. Além disso, S(f; P) - s(f; P) = Li=I wi(ti - ti_ 1).
Quando f estiver clara no contexto, pode-se escrever simplesmente s(P) e
S(P) em vez de s(f; P) e S(f; P) respectivamente.

t4 .
b

Fig. 9 - A soma inferior e a soma superior.

No caso em que f (x) ~ Opara todo x E [a, b], os números s(f; P) e S(f; P)
são valores aproximados, respectivamente por falta e por excesso, da área da
região limitada pelo gráfico de f, pelo intervalo [a, b] do· eixo das abscissas e
pelas verticais levantadas nos pontos a e b desse eixo. Quando f (x) :s; O para
todo x E [a, b], essas somas são valores aproximados de tal área, com o sinal
trocado.
A integral inferior e a integral superior da função limitada f: [a, b] --t R
são definidas, respectivamente, por
b -b
{ f(x)dx = sup s(f; P), { f(x)dx = inf S(f; P),
}a P la P
o sup e o inf sendo tomados relativamente a todas as partições P do intervalo
[a,b].

Teorema 1. Quando se refina uma partição, a soma inferior não dimi-


nui e a soma superior não aumenta. Ou seja: P e Q ::::;,
s(f; P) s; s(f; Q) e S(f; Q) s; S(f; P).

Demonstração: Suponhamos inicialmente que a partição Q = P U { r} resulte


de P pelo acréscimo de um único ponto r, digamos com tj-i <
r < tj. Sejam m' em" respectivamente os ínfimos de f nos intervalos [tj-i, r]
e [r, tj]. Evidentemente, mj s; m', mj s; m" e tj - tj-i = (tj -r) + (r - tj_ 1 ).
Portanto
s(f; Q) - s(f, P) = m"(tj - r) + m'(r - tj_ 1 ) - mj(tj - tj_ 1 )
= (m" - mj)(tj - r) + (m' - mj)(r - tj_ 1 ) ~ O.
Para obter o resultado geral, onde Q resulta de P pelo acréscimo de k pontos,
usa-se k vezes o que acabamos de provar. Analogamente, P e Q S(f; Q) s; *
S(f;P). D

Corolário 1. Para quaisquer partições P, Q do intervalo [a, b] e qualquer


função limitada f: [a, b] -> IR tem-se s(f; P) s; S(f; Q).

Com efeito, a partição P u Q refina simultaneamente P e Q, logo s (f; P) s;


s(f; P u Q) s; S(f; P u Q) s; S(f; Q). D

Corolário 2. Dada f: [a, b] --, IR, sem s; f(x) s; M para todo x E [a, b]
então

m(b- a) s; la
b
f(x)dx s; i
-b
f(x)dx s; M(b- a).

Com efeito, às desigualdades externas são óbvias e a do meio resulta do


Corolário 1 e do Lema 1. D

Corolário 3. Seja P0 uma partição de [a, b]. Se considerarmos as so-


mas s(f; P) e S(f; P) apenas relativas às partições P que
b -b
refinam P0 , obteremos os mesmos valores para J f(x)dx e J f(x)dx.
-ª a
Com efeito, basta combinar o Teorema 1 e o Lema 4. D
Uma função limitada f: [a, b] - IR diz-se integrável quando sua integral
inferior e sua integral superior são iguais. Esse valor comum chama-se a integral
(de Riemann) de f e é indicado por J!
f(x)dx.
No símbolo J! f(x)dx, x é o que se chama uma "variável muda", isto é,
J! f(x)dx = J! f(y)dy J! J(t)dt etc.
=

Às vezes prefere-se a notação mais simples J;


f. A justificativa para a
notação mais complicada será vista no Teorema 2, Capítulo 11.
Quando fé integrável, sua integral J!
f (x)dx é o número real cujas apro-
ximações por falta são as somas inferiores s(f; P) e cujas aproximações por ex-
cesso são as somas superiores S (!; P). O Teorema 1 diz que essas aproximações
melhoram quando se refina a partição P. Geometricamente, quando f (x) 2: O
J!
para todo x E [a, b], a existência de f (x)dx significa que a região limitada pelo
gráfico de f, pelo segmento [a, b] do eixo das abcissas e pelas verticais levantadas
pelos pontos a e b é mensurável (isto é, possui área) e o valor da integral é, por
definição, a área dessa região. No caso geral, tem-se a área
.
Jb
externa a f(x)dx e
a área interna J b f(x)dx, que podem ser.diferentes, como veremos agora.

Exemplo 1. Seja f: [a, bj - IR definida por f(x) = Ose x é racional e f (x) =
1 quando x é irracional. Dada uma partição arbitrária P, como
cada intervalo [ti-u til contém números racionais e irracionais, temos mi = O e
Mi = 1, logo s(f; P) = O e S(f; P) = b - a. Assim, f não é integrável, pois
Jb f(x)dx = O e J-ba f(x)dx = b- a.
_a

Exemplo 2. Seja f: [a, b] - IR constante, f(x) = e para todo x E [a, b].


Então, seja qual for a partição P, temos mi = Mi = e em todos
os intervalos, logo s(f; P) = S(f; P) = c(b - a). Assim fé integrável, com
b b -b
.fa f(x)dx = Ja f(x)dx = f a f(x)dx = c(b- a).

Teorema 2. (Condição imediata de integrabilidade.) Seja f: [a, b] - IR limi-


tada. As seguintes afi.rmações são equivalentes:

( 1) f é integrável.
(2) Para todo E> O, existem partições P, Q de [a, b] tais que S(f; Q)-
s(.f; P) < €.
(1) Para todo E> O, existe uma partição P ={to, ... , tn} de [a, b] tal
Demonstração: Sejam A o conjunto das somas inferiores e B o conjunto das
somas superiores de f. Pelo Corolário 1 do Teorema 1, tem-se
s ~ S para todas E A e toda SE B. Supondo (1), vale supA = inf B. Logo,
pelo Lema 1, podemos concluir que (1) =} (2). Para provar que (2) =} (3) basta
observarqueseS(f;Q)-s(f;P) < eentão,comoapartiçãoP0 = PuQrefina
ambas P e Q, segue-se do Teorema 1 que s(f; P) ~ s(f; P0 ) ::; S(f; Po) ::;
S(f; Q), donde se conclui que S(f; P0 ) - s(.f; Po) < E. Finalmente, (3) =} (1)
pelo Lema 1. D

Exemplo 3. Seja f: [a, b] ---t ~ definida por f(x) = e quando a < x ~ b e


f(a) = A. Afirmamos que fé integrável, com J!
f(x)dx =
e( b - a). Para fixar idéias, suponhamos e < A. Então, dada uma partição
qualquer P = {t 0 , t 1 , ... , tn} temos m 1 = e, M 1 = A e mi = Mi = e para
1 <is; n. Portanto S(f; P)- s(f; P) = (A-c)(t 1 -t0 ). Dado arbitrariamente
e> O, tomamos uma partição P com t 1 - t 0 < e/(A - e) e obtemos S(f; P) -
s(f; P) < e. Logo fé integrável. Além disso, como s(f; P) = c(b - a) para
toda partição P, temos
1 b
f(x)dx = c(b- a).
Mas, sendo f integrável, resulta que

1 b
f(x)dx =1 b
f(x)dx = c(b- a).

Evidentemente, um resultado análogo vale quando f(x) = e para x .E [a, b), ou


quando f(x) = e para todo x E (a, b).

3. Propriedades da integral

Teorema 3. Seja a< e< b. A função limitada f: [a, b] ---t ~ é integrável


se, e somente se, suas restrições fl[a, e] e fl[c, b] são in-
tegráveis. No caso afirmativo, tem-se J!
f(x)dx = J;
f(x)dx + f(x)dx. J!
Demonstração: SejamA e B respectivamente os conjuntos das somas inferiores
de f 1 [a, e] e f 1[e, b]. Vê-se facilmente que A + B é o conjunto
das somas inferiores de f relativamente às partições de [a, b] que contêm o ponto
e. Pelo Corolário 3 do Teorema 1, ao calcular a integral inferior de f, basta
considerar as partições desse tipo, pois elas são as que refinam P 0 = {a, e, b}.
Pelo Lema 2,
b b
J
e ·

_a
f(x)dx = sup(A + B) = supA + supB = j f(x)dx + _ej f(x)dx.
_a

Analogamente se mostra que

J
-b

a
f(x)dx = J
-

a
e f(x)dx + J-b

e
f(x)dx.

Logo

Como as duas parcelas dentro dos parênteses são ~ O, sua soma é zero se, e
somente se, elas são ambas nulas. Assim, f é integrável se, e somente se,
suas restrições f 1[a, e] e .fl [e, b] o são. No caso afirmativo, vale a igualdade
1! f = 1i f + 1: f. o
Exemplo 4. Diz-se que f: [a, b] ---. lR é uma função-escada quando exis-
tem uma partição P = {to, ... , tn} de [a, b] e números reais
c1 , .•• , Cn tais que f(x) = ci quando ti-i < x < ti. (Note-se que nada se diz
sobre os valores f (ti).) Segue-se do Teorema 3 e do Exemplo 3 que toda função
escada é integrável e 1: f (x)dx = "t ci(t,i - tí_
Í=l
1 ).

Convenção. A igualdade lÍ f(x)dx = 1:


f(x)dx + f(x)dx faz sentido 11
apenas quando a< e< b. A fim de tomá-la verdadeira sejam
quais forem o., b, e E JR, faremos duas convenções, que serão adotadas doravante.
Primeira: J:f(x)dx = O. Segunda: JÍ f(x)dx = - lbª f(x)dx. Aceitas estas
convenções, vale para toda função integrável f a igualdade acima. Para verificá-
la, há seis possibilidades a considerar: a ~ b ~ e, a ~ e ~ b, b ~ a ~ e,
b ~ e ~ a, e s; a s; b e e s; b s; a. Em cada caso, basta admitir a integrabilidade
de f no intervalo maior.

Teorema 4. Sejam f, g: [a, b] ---. lR integráveis. Então:

(1) A soma f + g é integrável e

1 b
·[f(x) + g(x)]dx = 1 b
f(x)dx +·1 b
g(x)dx.
(2) O produto f.g é integrável. Se e E JR, l! c.f(x)dx = e. lÍ f(x)dx.
(3) Se O < k :::; lg(x)I para todo x E [a, b] então o quociente f /g é
integi:ável.
(4) Se f(x) S g(x) para todo x E [a, bl então lÍ f(x)dx:::; lÍ g(x)dx.

(5) lfl é integrável e jlÍ f(x)dxj :::; J! lf(x)ldx.


Demonstração: Dada uma partição arbitrária P de [a, bl, se indicarmos com
mi, m'/, e mi respectivamente os ínfimos de f, g e f + g no
i-ésimo intervalo de P, teremos mi+ m'/, :::; mi, pelo Corolário do Lema 2, logo
s(f;P)+s(g;P):::; s(f+g;P) :::;J!U+g)paratodapartiçãoP. Se tomarmos
duas partições P e Q teremos ainda

s(f; P) + s(g; Q) :::; s(f; P U Q) + s(g; P U Q) :::; l b


(f + g).

Por conseguinte,
b b .
j
_a
f+ j
_a
g = sup s(f; P) + sup s(g; Q)
p Q
b
= sup[s(f; P) + s(g; Q)l:::;
P,Q
j
_a
(f + g).

Isto prova a primeira das desigualdades abaixo. A terceira se demonstra de modo


análogo e a segunda é óbvia:

l l l
b
f +
b
g:::;
b
(f + g):::; i
-b
(f + g):::; i +i
-b
f
-b
g.

Quando f e g são integráveis, as três desigualdades se reduzem a igualdades,


o que prova (1).
(2) Seja K tal que lf(x)I :::; K e jg(x)I :::; K para todo x E [a, bl. Dada uma
partição P, sejam wi, wy e wi respectivamente as oscilações de f, g e f.g no
i-ésimo intervalo [ti-u til· Para quaisquer x, y E [ti-i, til temos:

lf (y).g(y) - f (x).g(x)I = l(f (y) - f (x))g(y) + f(x)(g(y) - g(x))I


:::; lf(y) - f(x)llg(y)I + lf(x)llg(y) - g(x)I
:::; K(wi +wY).
Daí I:,wi(ti -ti_ 1 ) :S K.[I:,wi(ti - ti_ 1 ) + I:,wi'(ti - ti_ 1 )]. A integrabilidade
de f. g segue-se então da integrabilidade de f e g, pelo Teorema 2. Quanto a ef,
sua integrabilidade resulta do que acabamos de provar. Além disso, se e 2: O,
temos s(cf; P) = c.s(f; P) para toda partição P, donde, pelo Lema 2,
b b b b
1a cf = r cf = c.J
}a _a
1 = c.1 r
a.

Caso e< O, temos s(c.f; P) = é.S(.f; P), logo J! cf = J! cf = c.J; J = e. J! f.


(3) Como f /g = f.(l/g), basta provar que 1/g é integrável se g é integrável e
O < k :S Jg(x)J para todo- x E [a, b]. Indiquemos com wi e wi respectivamente
as oscilações de g e 1/g no i-ésimo intervalo de uma partição P. Dado E > O,
podemos tomar P de modo que I:,wi(ti - ti_ 1 ) < E.k2. Para quaisquer x, y no
i-ésimo intervalo de P tem-se
1 1 1 Jg(x) -g(y)I wi
1
g(y) - g(x) = lg(y)g(x)I :S k 2 '
portanto wi ::S wif k2. Segue-se que E wi (ti - ti-i) < E logo 1 / g é integrável.
(4) Se f(x) :S g(x) para todo x E [a, b] então s(f; P) :S s(g; P) e S(.f; P) ::S
S(g; JJ) para toda partição P, donde J!
f (x)dx :S g(x)dx. J!
(5) A desigualdade evidente 11.f(y)l - lf(x)II :S lf(y) - f(x)I mostra que a
oscilação de I f I em qualquer conjunto não supera a de f. Logo, f integrável=* 1f 1
integrável. Além disso, como -1/(x)I ::S f(x) :S lf(x)I para todo x E [a, b], re-
sulta de (4) que

-i b
lf(x)ldx :Si b
f(x)dx :Si b
lf(x)ldx,

ou seja, IJ! f(x)dxl ::S J! lf(x)ldx. D

Corolário. Se f: [a, b] -+Ré integrável e lf (::r)I ::S K para todo x E [a, b]


então IJ!f(x)dxl :S K(b- a).

Observação. Se uma função integrável f: [a, b]-+ Ré tal que f(x) 2 Opara
todo x E [a, b] então JÍ f (x)dx 2: O. Isto resulta de (4) acima.
Mas é possível ter f(x) 2 O para todo x E [a, b], com f(x)dx = O sem que J!
f seja identicamente nula. Basta tomar f (x) = l num conjunto finito de pontos
em [a, b] e f (x) = Onos pontos de [a, b] fora desse conjunto finito. Pelo Exemplo
4, fé integrável e sua integral é zero. Entretanto, se f é contínua e f (x) 2 O
para todo x E [a, b) então J! f(x)dx = O implica f identicamente nula. Com
efeito, se existisse algum ponto x 0 E [a, b) onde f (x 0 ) = e > O, existiria um
intervalo [o:, ,BJ, com x 0 E [o:, ,BJ e [a, b] tal que f (x) > c/2 para todo x E [o:, ,B].
Então, como f(x) 2 O, teríamos J! f(x)dx 2 J! f(x)dx > ~(,B - o:) > O, uma
contradição.

4. Condições suficientes de integràbilidade

Teorema 5. Toda função contínua f: [a, b] -+ IR é integrável.

Demonstração: Dado e > O, pela continuidade uniforme de f no compacto


[a, b], existe 8 > O tal que x, y E [a, b], IY - xi < 8 implicam
lf(y) - f(x)I < c/(b - a). Seja Puma partição de [a, b] cujos intervalos têm
todos comprimento < 8. Em todo intervalo [ti- i, ti) de P existem x.i, Y·i tais
que mi= f(xi) e Mi = f(Yi), donde wi = f(Yi) - f(xi) < c/(b - a). Con-
seqüentemente LWi(ti - ti_ 1 ) <e.Pelo Teorema 2, fé integrável. O

Teorema 6. Toda função monótona f: [a, b]-+ IR é integrável.

Demonstração: Para fixar idéias, seja f não-decrescente. Dado e >


O, seja
P = {t 0 , ... , tn} uma partição de [a, b] cujos intervalos têm
todos comprimento < c/[f(b) - f (a)]. Para cada i = 1, ... , n ternos w.i
f(ti) - f(ti_ 1 ) portanto LWi = f(b) - f(a) e

Lwi(ti - ti_ 1 ) < f(b) ~ f(a) · LWi


= J(b) ~ J(a). I:[J(tí) - f(ti-11 = é.

Logo fé integrável. D

As considerações a seguir são um preparativo para o Teorema 7, que engloba


os Teoremas 5 e 6 como casos particulares.
Se a < b, indicaremos com Ili = b-a o comprimento do intervalo (fechado,
aberto ou semi-aberto) I cujos extremos são a e b. Diz-se que o conjunto X e IR
tem medida nula quando, para todo é > O dado, existe uma cobertura finita
ou infinita enumerável X e U Ik de X por intervalos abertos h cuja soma dos
comprimentos é L llkl < é.
Exemplo 5. Todo conjunto enumerável X = {x 1 , . . . , xk, ... } tem me-
dida nula. Com efeito, dado arbitrariamente s > O, seja I k
o intervalo aberto de centro x k e comprimento s / 2k+ 1 . Então X e U h e
I: llkl = s/2 < s. Em particular, o conjunto Q dos números racionais tem
medida nula.

Teorema 7. Se o conjunto D dos pontos de descontinuidade de uma


função limitada f: [a, b] ---, 1R tem medida nula então f é
integrável.

Demonstração: Dados> O, existem intervalos abertos I 1 , . . . , Ik, ... tais que


D e Uik e I: ilkl < s/2K, onde K = M - m é a oscilação
de f em [a, b]. Para cada x E [a, b] - D, seja Jx um intervalo aberto de centro
x no qual a oscilação de fé menor do que s/2(b- a). Pelo Teorema de Borel-
Lebesgue, a cobertura aberta [a, b] e (Uk Ik)U(Ux Jx) possui uma subcobertura
finita [a, b] e I1 U · · · U Im U Jx 1 U · · · Jxn. Seja P a partição de [a, b] formada
pelos pontos a, b e os extremos desses m + n intervalos que pertençam a [a, b].
Indiquemos com [ta-i, ta] os intervalos de P que estão contidos em algum Ik
e com [t.a_ 1 , t.a] os demais intervalos de P. Então I:(ta - ta-i) < s/2K e a
oscilação de f em cada intervalo [t,B-u ti3] é wi3 < s/2(b- a). Logo

S(f; P) - s(f; P) = LWa(ta - ta_i) + Lw,B(t,B - tfJ_ 1 )


s(ti3 - ti3_ 1 )
<LK(ta-ta-1)+L 2(b-a)
Ks s.(b- a)
< 2K + 2(b - a) = s.
Logo f é integrável. D

Observação. Pode-se demonstrar (cfr. "Curso de Análise", vol. 1, pag. 273)


que vale a recíproca do Teorema 7, ou seja, que o conjunto de
pontos de descontinuidade de toda função integrável tem medida nula.

Exemplo 6. O conjunto de Cantor K (seção 5 do Capítulo 5), embora não-


enumerável, tem medida nula. Com efeito, se pararmos na
n-ésima etapa de sua construção, veremos que o conjunto de Cantor está contido
na reunião de 2n intervalos, cada um tendo comprimento 1/3n. Dados > O,
podemos tomar n EN tal que (2/3r < s, e concluiremos que a medida de K é
zero. Podemos considerar a função f: [O, 1] -----, JR, definida pondo-se f (x) = Ose
:1: E K e f(x) = 1 se xi K. Como [O, 1] - K é aberto, a função fé localmente
constante, e portanto contínua, nos pontos x i K. Como K não possui pontos
interiores, f é descontínua em todos os pontos de K. Pelo Teorema 7, f é
integrável. Dada qualquer partição P de [O, 1] todos os intervalos de P contêm
pontos que não pertencem a K, pois int K = 0. Assim, Mi = 1 e S (f; P) = 1
para toda partição P. Segue-se que f01 f(x)dx = 01 f (x)dx = 1. J
Exemplo 7. Se a < b, o intervalo [a, b] não tem medida nula. Para provar
isto, lembremos que a junção característica de um conjunto
X e [e,~ é a função çx: [e, d] ---t lR?. tal que çx(x) = 1 se x E X e çx(xk = Ose
xi X. E fácil provar que se X e X1 u · · · u Xk e [e, d] então çx :S Li=l çxi·
Suponhamos, em seguida que [a, b] e 11 u · · · u lk e [e, d], onde e é o menor e d
o maior dos extremos dos intervalos lj. Por simplicidade, escrevamos ç = ç[a,bJ
e Çj = çJi· Então ç :S I:j= 1 çr [e, d] - R Logo b - a = J:!' ç(x)dx :S
I:j= J:!' çj(x)dx = I:j=
1 1 lll Assim, a soma dos comprimentos de qualquer
coleção finita de intervalos abertos cuja reunião contém [a, b] é, pelo menos,
igual a b - a. Daí resulta que [a, b] não tem medida nula. Com efeito, pelo
Teorema de Borel-Lebesgue, de [a, b] e LJ.i=
1 lj resulta [a, b] e 11 u · · · u Jk para
algum k EN.

5. Exercícios

Seção 2: Integral de Riemann

1. Defina f: [O, 1] ---t lR?. pondo f (O) = Oe f (x) = 1;2n se 1;2n+1 < x :S 1;2n,
n EN u {O}. Prove que fé integrável e calcule _r; f(x)dx.
2. Seja f: [-a, a] ---t lR?. integrável. Se f é uma função ímpar, prove que
J:!:a f(x)dx = O. Se, porém, fé par, prove que J:!:a f(x)dx = 2 f0ª f(x)dx.
3. Seja f: [a, b] ---t lR?. definida pondo f(x) = O se x é irracional e f(x) = 1/q
se x = p/q é uma fração irredutível e q > O. (Ponha /(O) = 1 caso
O E [a, b].) Prove que fé contínua apenas nos pontos irracionais de [a, b],
que é integrável e que .r:
f(x)dx = O.
4. Seja f: [a, b] ---t lR?. uma função integrável, com f (x) 2: Opara todo x E [a, b].
Se fé contínua no ponto e E [a, b] e /(e)> O, prove que J:
f(x)dx > O.
5. Seja f: [a, b] ---t lR?. definida pondo f(x) = x quando x é racional e f (x) =
x + I quando x é irracional. Calcule as integrais (inferior e superior) de
/. Usando uma função integrável g: [a, b] _, IR em vez de x, defina agora
<p(x) = g(x) se x é racional e <p(x) = g(x) + 1 para x irracional. Calcule as
integrais (inferior e superior) de <p em termos da integral de g.

Seção 3: Propriedades da integral

1. Seja f: [a, b] _,IR.integrável. Prove que a função F: [a, b] - IR, definida por
F(x) = J:: f (t)dt, é lipschitziana.
2. Prove que se f, g: [a, b] _, IR são integráveis então são também integráveis
as funções <p, 'lt,: [a, b] _, IR, definidas por <p(x) = max{f(x), g(x)} e 'ljJ(x) =
min{/ (x), g(x)}. Conclua daí que são integráveis as funções
f+, J_: [a, b] _, IR dadas por f+(x) = O se f(x) S O, f+(x) = f(x) se
f(x) > O; J_(x) = O se f(x) 2: O e J_(x) = -f(x) se f(x) < O (supondo
ainda f integrável).
3. Prove que se f, g: [a, b] _, IR são contínuas então

[ 1
b
f(x)g(x)dx
] 2
S 1
b
f(x) 2 dx 1
b
g(x) 2 dx.

(Desigualdade de Schwarz.)

Seção 4: Condições suficientes de integrabilidade

1. Prove que a função f do Exercício 2.3 é integrável.


2. Prove que o conjunto dos pontos de descontinuidade de uma função mo-
nótona é enumerável e conclua daí que o Teorema 6 decorre do Teorema
7.
3. Seja D o conjunto dos pontos de descontinuidade de uma função limitada
f: [a, b] _, R Se D' (conjunto dos pontos de acumulação de D) é enu-
merável, prove que f é integrável.
4. Uma função limitada f: [a, b] - IR, que se anula fora de um conjunto de me-
dida nula, pode não ser integrável. Nestas condições, supondo f integrável,
prove que sua integral é igual a zero.
5. Diz-se que um conjunto X e IR tem conteúdo nulo quando, para todo é > O
dado, existe uma cobertura X e 11 u · · · U Jk, por meio de um número finito
k
de intervalos abertos, com ~ IJj 1< é. Prove:
J=l
(a) Se X tem conteúdo nulo, o mesmo ocorre com seu fecho X.
(b) Existem conjuntos de medida nula que não têm conteúdo nulo.
(c) Um conjunto compacto tem medida nula se, e somente se, tem conteúdo
nulo.
(d) Se uma função limitada g: [a, b] -----+ IR coincide com uma função in-
tegrável f: [a, b] -----+ IR exceto num conjunto de conteúdo nulo, prove
que g é integrável e sua integral é igual à de f.
6. Se um conjunto X e [a, b] não tem medida nula então existe e> Otal que,
para toda partição P de [a, b], a soma dos comprimentos dos intervalos de
P que contêm pontos de X em seu interior é maior do que e.
7. Sejarp: [a,b]-----+ IRmnafunçãopositiva(istoé,rp(x) > Oparatodox E [a,b]).
Existe a> Otal que o conjunto X= {x E [a, b]; rp(x) 2:: a} não tem medida
nula.
8. Se a função rp: [a, b] -----+ IR é positiva e integrável, então J!rp(x)dx > O.
Conclua que se f, g: [a, b] -----+ IR são integráveis e f (x) < g(x) para todo
x E [a, b] então J!f(x)dx < J! g(x)dx. (Use os exercícios 6. e 7.)
9. Seja p: [a, b] -----+ IR integrável, com p(x) 2:: Opara todo x E [a, b]. Prove que
J!
se p(x)dx = Oentão o conjunto dos pontos x E [a, b] tais que p(x) = Oé
denso em [a, b]. Se f: [a, b] -----+ IR é qualquer função integrável que se anula
num conjunto denso de pontos em [a, b], prove que J! f(x)dx = O.
11

Cálculo
com Integrais

Este capítulo é a continuação do anterior. Naquele, foi definida a integral e foram


estabelecidas condições gerais que asseguram a integrabilidade de uma função.
Neste, serão provadas as regras para o manuseio eficiente das integrais, entre
elas o chamado Teorema Fundamental do Cálculo, uma movimentada via de
mão dupla que liga derivadas a integrais. Em seguida, usaremos a integral para
dar uma definição adequada do logarítmo e da exponencial. O capítulo termina
com uma breve discussão das integrais impróprias.

1. Os teoremas clássicos do Calculo Integral

Para começar, estabeleceremos a conexãQ entre derivada e integral.

Teorema 1. (Teorema Fundamental do Cálculo.) Seja f: I --+ IR contínua


no intervalo I. As seguintes afi.rmações a respeito de uma
função F: I --+ IR são equivalentes:
(1) F é uma integral indefi.nida de f, isto é, existe à E J tal que
F(x) = F(a) + J:
f(t)dt, para todo x E J.
(2) F é uma primitiva de f, isto é, F'(x) = f(x) para todo x E J.

Demonstração: (1)=?(2). Se x 0 , x 0 + h E J então F(x 0 + h) - F(x 0 )


J/:
0º+h f (t)dt e h.f (xo) = J/:
0º+h f (xo)dt, portanto

F(xo + h) - F(xo) - f(xo) = ~ fxa+h [f(t) - f(xo)]dt.


h h .fx0
Dado é > O, pela continuidade de f no ponto x 0 , existe 8 > O tal que t E 1,
lt - xol < 8 implicam lf(t) - .f(xo)I < é. Então O < Ih! < 8, Xo + h E J
implicam
F(xo + h) - F(x 0 ) 1 1 fxo+h l
1 h - f(xo) '.S Thf lxo lf(t) - f(xo)ldt < Thf .lhl.c = é.
Isto mostra que F'(x 0 ) = f(xo).

(2):::}(1). Seja F' = f. Como acabamos de ver, se fixarmos a E J e definirmos


cp(x) = J:f(t)dt,teremoscp' = f. AsduasfunçõesF,cp:J -d~.,tendoamesma
derivada, diferem por uma constante. Como cp(a) = O, essa constante é F(a).
Portanto F(x) = F(a) + cp(x), isto é, F(x) = F(a) + J:
f(t)dt para todo x E J.
D

Comentários. (1). Foi provado acima que toda função contínua possui uma
primitiva. Mais precisamente: se f: [a, b] -+ IR é integrável
então F: [a, b] -+ IR, definida por F(x) = J:
f(t)dt, é derivável em todo ponto
x 0 E [a, b] no qual f seja contínua, e tem-se F'(x 0 ) = f(x 0 ). Nesse ponto
também é derivável a função G: [a, b] --, IR, dada por G(x) = f(t)dt. Tem- J!
se G'(x 0 ) = - f(x 0 ). Com efeito, F(x) + G(x) = J! f(t)dt =constante, logo
F'(x 0 ) + G'(xo) = O.
(2). Ficou também provado que se F: [a, b] -,.-t IR é de classe 0 1 (isto é, tem
derivada contínua) então F(x) = F(a) + J:
F'(t)dt. Em particular, F(b) =
J!
F(a) + F'(t)dt. Isto reduz o cálculo da integral J!
f(x)dx à procura de uma
primitiva de f. Se F' = f então J!
f(x)dx = F(b) - F(a).

Teorema 2. (Mudança de variável.) Sejam f: [a, b] --, IR


contínua, g: [c, d]
-, IR com derivada contínua e g([c, d]) e [a, b]: Então

1g(d)

g(c)
f(x)dx =
1d

e
f(g(t)).g'(t)dt.

Demonstração: Pelo Teorema 1, f possui uma primitiva F: [a, b] --, IR e vale


Íi<~~) f(x)dx = F(g(d)) - F(g(c)). Por outro lado, a Regra da
Cadeia nos dá (F o g)'(t) = F'(g(t)).g'(t) = f(g(t)).g'(t) para todo t E [e, d].
Logo F o g: [c, d] --, IR é uma primitiva da função contínua t f---+ f(g(t)).g'(t).
Portanto fcd f(g(t)).g'(t)dt = F(g(d)) - F(g(c)). Isto prova o teorema. D

Observação. O Teorema 2 é uma boajustificàtiva para a notação J! f(x)dx,


em vez de J! f. Para mudar a variável em Jffc~1) f (:r:)d:r:, faz-se
x = g(t). A diferencial de x será dx = g'(t)dt. Estas substituições dão

1 g(d)
g(c)
f(x)dx =
1d
e
f(g(t)).g'(t)dt.

A troca nos limites de integração é natural: quando t varia de e a d, x = g(t)


varia de g(c) a g(d).

É tradicional no Cálculo a notação F]~ = F(b) - F(a).

Teorema 3. (Integração por partes.) Se J, g: [a, b] --t IR têm derivadas


contínuas então

1 b
f(x).g'(x)dx = f.g]~ -1 b
f'(x)g(x)dx.

Demonstração: Basta notar que f.g é primitiva de f.g' + f' .g e integrar esta
soma usando o Teorema Fundamental do Cálculo. O

Teorema 4. (Fórmula do Valor Médio para integrais.) Sejam f,p: [a, b]


--t IR,

f contínua, p integrável, com p(x) 2:: O para todo x E [a, b].


Existe um número e E [a, b] tal que f(x)p(x)dx = f(c). J! p(x)dx. J!
Demonstração: Para todo x E [a, b], temos m:::; f(x) :::; M, onde m é o ínfimo
e Mo supremo de f em [a, b]. Como p(x) 2:: O, segue-se que
m.p(x) :::; f(x).p(x) :::; M.p(x) para todo x E [a, b]. Seja A = p(x)dx. J!
Das últimas desigualdades resultam.A~ J! f(x)p(x)dx:::; M.A. Logo existe
d E [m, M] tal que J;
f(x)p(x)dx = d.A. Como fé contínua, temos d= f(c)
para algum e E [a, b], o que prova o teorema. D

Corolário. Seja f: [a, b] --t IR contínua. Existe e E [a, b] tal que


lb f (x)dx = f (c).(b -
la a).

Lema. Se cp: [O, 1] --t IR possui derivada de ordem n contínua então

cp(l) =~
n-1

~
(i)(o)
cp .
z!
+
11 ( l -
t)n-1
(n - 1)!
cp(n)(t)dt.
0
t=O

Demonstração: Para n = 1, esta fórmula reduz-se a cp(l) = cp(O) + f01 cp'(t)dt,


válida pelo Teorema Fundamental do Cálculo. Para n = 2,
integração por partes fornece

1 1
(1 - t)cp"(t)dt = (1 - t)cp'(t)J~ + 1 1
cp'(t)dt
= -cp'(ü) + cp(l) - cp(O),
logo
cp(l) = cp(O) + cp'(O) + 1 1
(1 - t)cp"(t)dt.

Para n = 3, novamente a integração por partes nos dá

r1 (1 - t)2 cp"'(t)dt = (1 - t)2 .cp"(t)] 1 + rl (1 - t)cp"(t)dt


lo 2 2 0 lo
= -cp"
- (O)
2-
.
-1- cp(l) - cp(O) - cp (O),
'

logo
cp(l) = cp(O) + cp'(O) + cp"(O) + (1 (l - t) 2 cp"'(t)dt.
2 lo 2
O padrão indutivo está claro. O lema vale para todo n. D

Teorema 5. f: I - IR possui
(Fórmula de Taylor com resto integral.) Se
derivada n-ésima contínua no intervalo cujos extremos são
a, a+ h E I então
j(n-l)(a)
f(a+h)=f(a)+J'(a).h+ · ·+---hn-l+
[ll(l -.t)n-1 j(n)(a+th)dtJhn
(n-1)! 0 (n-1)!

Demonstração: Definindo cp: [O, l] - IR por cp(t) = f(a + th), tem-se cp(il(o) =
J(il(a)hi. O Teorema 5 resulta do lema acima. D

Corolário. (Fórmula de Taylor com resto de Lagrange.) Se - IR é de f: J


classe cn no intervalo cujos extremos são a, a + h E J
então existe 0 E [O, 1] tal que
f (n-l)(a) J(n)(a + 0h)
f(a + h) = f(a) + f'(a).h + · · · + - - - h n - l + - - - - . h n .
(n - 1)! n!

Com efeito, chamando de A a integral do enunciado do Teorema 5, resulta


do Teorema 4 que existe 0 E [O, 1] tal que

A= J(nl(a + 0h) [1 (1 - tr-1 dt = J(nl(a + 0h). o


lo (n - 1)! n!
Observação. Esta demonstração é mais natural do que a dada no Teorema 2,
Capítulo 9, porém exige mais de f.

2. A integral como limite de somas de Riemann

A norma de uma partição P = {t 0 , ••• , tn} e [a, b] é o número [Pj =maior


comprimento ti - ti-i dos intervalos de P.

Teorema 6. Seja f: [a, b] --) lR limitada. Para todo E > O dado, existe
-b
8 > O tal que [PI < 8 =? S(f; P) < f a f(x)dx + E.
Demonstração: Suponhamos inicialmente f(x) 2',: O em [a, b]. Dado E > O,
existe uma partição P0 = {t 0 , • • • , tn} de [a, b] tal que

S(f; Po) < i


-b
f(x)dx + E/2.
Seja M = sup f. Tomemos 8 com O< 8 < Ej2Mn. Se Pé qualquer partição
de [a, b] com IPI < 8, indiquemos com [ra-1, ra] os intervalos de P que estão
contidos em algum [ti-u til de P0 e com [r,3_ 1 , r,3] os restantes intervalos de
P. Cada um destes contém pelo menos um ponto ti em seu interior, logo há,
no máximo, n intervalos do tipo [r,3_ 1 , r,3]. Escrevamos a e i para significar
[ta-1, ta] e [ti_ 1,t,iJ. Quando a e ivalemMu «::: MieI:aci(ra-ra-1) «::: ti-
ti-i· Estes números são todos 2': O, logo I:aci Ma.(ra - ra-1) «:: Mio(ti -ti_ 1)
e M13.(r13 - r13_ 1) «:: M.8. Portanto:

S(f; P) = L Ma(ra - ru-1) + L M13(r13 - r13_ 1)


a /3
n
«:: L Mi(ti - ti_ 1) + M.n.8
Í=l

< S(f; Po) + E/2

< .l
-b
f(x)dx + E.
No caso geral, como fé limitada, existeumaconstantectalque f(x)+c 2'.: Opara
todo x E [a, b]. Tomando g(x) = f (x) + e temos S(g; P) = S(f; P) + c.(b- a) e

i-b
g(x)dx = i -b
f(x)dx + c(b - a),

logo recaímos no caso anterior. D


Dizer que S(f; P) < r: + é equivale a II: f(x)dx -
f(x)dx S(f; P)I < é.
Logo o Teorema 6 significa que lim!Pl-o S(f; P) = J:
f(x)dx.

De modo inteiramente análogo se prova que f b f(x)dx = lim s(f; P).


-ª !PI-o
Uma partição pontilhada do intervalo [a, b] é um par P* = (P, ç), onde
P = {to, ... , tn} é uma partição de [a, b] e ç = (6, ... , çn) é uma lista de n
números escolhidos de forma que ti-i ::; l:.i ::; t.i para cada i = 1, 2, ... , n.
Dada uma função limitada f: [a, b] ____, IR e uma partição pontilhada P* de
[a, b], tem-se a soma de Riemann
n
L)f; P*) = L f(çi)(ti - ti-1)-
i=l
Evidentemente, seja qual for o modo de pontilhar a partição P, tem-se
s(f; P) ::; L(f; P*) ::; S(f; P).

Diz-se que o número real I é o limite de "E,(!; P*) quando !PI - - - , O, e


escreve-se I = limlPl-.o 'f:,(f; P*), quando, para todo e > Odado, pode-se obter
l5 > O tal que 1'2:,(f; P*) - li < é seja qual for a partição ponlilhada P* com
IP1<8.
Teorema 7. Se f: [a, b]------,JR é integrável então J!f(x)dx = lim "E,(!; P*).
!PI-o
Demonstração: Segue-se do Teorema 6 que se f é integrável então

lim s(f; P) =
IP!-o
lim S(f; P) =
!PI-o
1 a
b
f(x)dx.

Como se tem s(f; P) :s; IJJ; P*) :s; S(f; P), resulta imediatamente que
lim 'f:,(f; P*) =
!PI-o
la
f(x)dx. D

Observação. Vale a recíproca do Teorema 7, mas é menos interessante. (Veja


"Curso de Análise", vol.1, pag. 265.)

3. Logaritmos e exponenciais

Seja a um número real maior que 1. Costuma-se definir o logaritmo de um


número real x na base a como o expoente y = Ioga x tal que aY = :r:. Ou seja, a
função loga: lR + - lR costuma ser definida como a inversa da função exponencial
y t-t aY. Isto requer o trabalho preliminar de estabelecer o significado e as
propriedades das potências aY, onde y é um número real qualquer, o que é
possível fazer rigorosamente. Mas achamos mais simples definir primeiro o
logaritmo e, a partir deste, a exponencial, como faremos agora.
Definiremos a função log: JR+-+ lR pondo, para cada x > O,

logx =
r
11
1
tdt =
r
11 T·
dt

O número logx é chamado o logaritmo de x. Lembrando que f(x)dx =J!


- Jt f(x)dx, vemos que logx < O se O< x < I, logl = O e logx > Oquando
X> 1.

A função log é monótona crescente, derivável, com (log)'(x) = 1/x,


(log)"(x) = -1/x 2 , etc. Segue-se que log é infinitamente derivável, isto é,
log E C 00 • Vê-se também que log é uma função côncava.

Teorema 8. Para quaisquer x, y E JR+ tem-se log( xy) = log x + log y.

Demonstração: log(xy) = Jty dt/t = Jt dt/t + J;:y dt/t = logx + J:Y dt/t.
Quando s varia de 1 a y, o produto xs varia de x a xy. Logo
a mudança de variável t = xs nos dá dt = xds e J:Y dt/t = Jf xds/xs =
Jt ds / s = log y, o que prova o teorema. O

Corolário 1. Para todo número racional r, tem-se log(xr) = r.logx.


Com efeito, segue-sedoTeorema8quelog(xn) = n. logxquandon EN. De
xn.x-n = 1 resulta O= log(xn .x-n) = log(xn)+log(x-n) = n. log x+log(x-n),
donde log(x-n) = -n log x. Isto prova o corolário parar E Z. No caso geral,
r = p/q onde p, q E Z. Por definição, (xPfq)q = xP. Daí, pelo que já provamos,
q. log(xPfQ) = p. log x, donde log(xPf Q) = (p/ q) log x. D

Corolário 2. log: JR+ - lR é sobrejetiva.


Como log é contínua, sua imagem é um intervalo, portanto basta mostrar que
log é ilimitada superior e inferiormente, o que decorre das igualdades log(2n) =
n log 2 e log(2-n) = -n. log 2. D
Sendo uma função crescente, log é uma bijeção de JR+ sobre R Sua inversa,
cxp: lR - JR+ é chamada afanção exponencial. Por definição, exp(x) = y {=}
logy = x, ou seja, log(exp(x)) = x e exp(logy) = y.
Existe um único número real cujo logaritmo é igual a 1. Ele é indicado pelo
símbolo e. Mostraremos logo mais que e coincide com o número introduzido
nos Exemplos 12 e 13 do Capítulo 3. Por enquanto, sua definição é e= exp(l).

Teorema 9. A função exponencial exp: ~ - t ~+ é uma bijeção cres-


cente, de classe C 00 , com (exp)'(x) = exp(x) e exp(x + y) =
oxp(x). exp(y) para x, y E~ quaisquer. Além disso, para todo r E (Q tem-se
oxp(r) = er.

Demonstração: Pela regra de derivação da função inversa, para cada x E ~,


com exp(x) = y, tem-se (exp)'(x) = 1/(Iog)'(y) = y = exp(x).
Assim exp' = exp, donde exp E C 00 • Dados x, y E ~. sejam x' = exp( x) e
y' = exp(y),logox = logx'ey = logy'. Entãoexp(x+y) = exp(logx'+logy') =
exp(log(x'y')] = exp(x). exp(y). Ser é racional, o Corolário 1 do Teorema 8
nos dá log(exp(r)) = r = r.l = r.loge = log(er), donde exp(r) = er, pela
injetividade de log. D

A igualdade exp( r) = er parar E (Q, juntamente com a relação exp( x + y) =


exp(x). exp(y) nos indicam que exp(x) se comporta como uma potência de base
e e expoente x. Poremos então, por definição, ex = exp(x), para todo x E R
Com isto, passa a ter significado a potência ex para x real qualquer.
Com esta notação, temos

f:,x+y=ex.eY, eº=l, e-x=l/ex,


x < y #ex< eY,
log(ex) = x, e1ºgy = y, para quaisquer x E~, y > O

Temos ainda lim ex


x-+oo
= +oo e X--+-oo
lim ex = O, como se vê facilmente.

Pelo Teorema do Valor Médio, para todo x > 1 existe e tal que 1 < e < x
e log x = log x - log 1 = (log)' (e) (x - 1) = (x - 1) / e. Segue-se que log x < x
para todo x ~ 1. Como log x = 2 log y'X, temos O < log x < 2y'X, donde
O< logx/x < 2/y'X para todo x ~ 1. Como limx_.+ 00 (2/y'x) = O, segue-se
que limx-.+oo log x / x = O, fato que tinha sido provado no final do Capítulo 3
supondo x = n EN.
Por outro lado, dado qualquer polinômio p(x), tem-se limx-.+ 00 p(x)/ex =
O. Para provar isto, basta considerar o caso em que p( x) = xk. Então escrevemos
ex/k = y, donde x = k. logy. Evidentemente, x - +oo se, e somente se,
y ---t +oo. Portanto

lim ( ~ ) = lim ( k log y ) = O


X->+oo eX / k Y-+= y
e daí
.
1lID X
- k
= 1·lffi ( X
--
)k =0.
X->+= ex x-+= ex/k

Se e e k são constantes reais, a função f(x) = c.ekx tem derivada f'(x) =


k .e. ekx = k. f (x). Esta propriedade de possuir derivada proporcional a si mesma
é responsável por grande parte das aplicações da função exponencial. Mostra-
remos que essa propriedade é exclusiva das funções desse tipo.

Teorema 10. Seja f: I ---t lR derivável no intervalo I, com f'(x) = k.f(x).


Se, para um certo x 0 E I, tem-se f(x 0 ) = e então f(x) =
c.ek<x-xo) para todo x E I.

Demonstração: Seja cp: I ---t lR definida por cp(x) = f (x).e-k(x-xa). Então


cp'(x) = f'(x)e-k(x-xo) - kf(x).e-k(x-xu) = O. Logo cp é
constante. Como cp(x 0 ) = e, tem-se cp(x) = e para todo x E I, ou seja, f(x) =
c.ek(x-xo). D

Como a derivada da função f (x) = ex é ainda .f' (x) = ex, temos f' (O) = 1.
Segue-se da definição de derivada que limx-,o (ex - 1) / x = 1.
Dados a > Oe x E IR, definiremos a potência ax de modo que seja válida a
fórmula log( ax) = x. log a. Para isto, tomaremos esta igualdade como definição,
ou seja, diremos que ax é o (único) número real cujo logaritmo é igual a x. log a.
Noutras palavras, ax = ex Ioga.
f: IR ---t IR, definida por f (x) = ax, tem as propriedades esperadas.
A função
A primeira é que, para x = p/q E Q (onde q > O), f(x) = o/ai. Com
efeito, f(x) = exp((p/q) Ioga)= exp(log o/ai)= o/ai.
Tem-se ax+y = ax .aY, a 0 = 1, a-x = 1/ax e (ax)y = axY.
A função f (x) = ax tem derivada f' (x) = ax. log a, portanto é de classe
e=. A derivada f' é positiva se a > 1 e negativa se O < a < 1. Logo f é
crescente no primeiro caso e decrescente no segundo. Quando a > 1, tem-se
limx--+= ax = +oo e limx-,-= ax = O. Se O < a < 1, os valores destes limites
são trocados. Se O< a -f 1, f (x) = ax é uma bijeção de lR sobre JR+, cuja inversa
indica-se com Ioga: JR+ -+ R Para cada x > O, Ioga x chama-se o logaritmo de
:r; na base a .

Assim y = loga x <=> aY = x. Voltamos à definição clássica. Quando a = e,


vale loge x = log x. O logaritmo que definimos no começo desta seção tem,
portanto, base e. É o chamado logaritmo natural. Para todo x > O, temos

portanto log x = loga x. log a, ou seja, Ioga x = log x / log a. Desta última fórmula
resultam pro9riedades de loga x análogas às de log x, como loga (xy) = loga x +
loga y ou (loga)'(x) = /
x. oga
Para finalizar esta seção, mostraremos que e coincide com o número definido
nos Exemplos 12 e 13 do Capítulo 3.
A derivada da função logx é igual a l/x. No ponto x =lesta derivada vale
1. Isto significa que
lim log(l + x) _ 1
X--+0 X - 1

ou seJa,
lim log[(l
X--+0
+ x) 1 fx] = 1.

Como
(1 + x) 1 fx = exp{log[(l + x) 1 fxn,
vem
lim (1
X--tÜ
+ x) 1fx = exp(l) = e.
Pondo y = 1/x, concluímos que lim (1 + l/y)Y = e.
y--+oo

Em particular, Iim(l + l/n)n = e.


nEN

4. Integrais impróprias

São de dois tipos: integrais de funções ilimitadas (definidas num intervalo


limitado porém não fechado) e integrais de funções definidas num intervalo
ilimitado.
O teorema seguinte descarta um caso trivial.

Teorema 11. Seja f: (a, b] -+ lR limitada, tal que a restrição fl [e, b] é


integrável para cada e E (a, b]. Então, seja qual for o valor
que se atribua a f(a), obtém-se uma função integrável f: [a, b] --+ R, com
J! f(x)dx = limc--,a+ J1 f(x)dx.
Demonstração: Seja K tal que a :::; x :::; b lf(x)I :::; K. Dado E > O, *
tomemos e E-(a, b] com K.(c - a) < E/4. Como fl[c, b] é
integrável, existe uma partição P de [e, b] tal que S(f; P) - s(f; P) < E/2.
Então Q = P U {a} é uma partição de [a, b] tal que
S(f; Q) - s(f; Q):::; 2K(c- a)+ S(f; P) - s(f; P) < E.

Logo f: [a, b] --+ R é integrável. A integral indefinida F: [a, b] --+ R, F(x) =


J!f(t)dt cumpre a condição de Lipschitz !F(y) - F(x)I ::::; Kly - xi logo é
(uniformemente) contínua, donde F(a) = lim F(c) = lim
c--,a+ C-->a+
J: f(x)dx. O

Resultado análogo vale para para f: [a, b) --+ R


Basta, portanto, considerar f: (a, b] R ilimitada. Suporemos também
--+ f
contínua. A integral imprópria J: f(x)dx é definida como
b b
r
la
f(x)dx = r
e----.o+ la+e
f(x)dx.
lim

Em cada intervalo fechado [a+ E, b], f é contínua, logo integrável. O


problema é saber se existe ou não o limite acima. Se ele existir a integral será
convergente; se não existir o limite a integral será divergente.
Evidentemente, o caso de uma função contínua ilimitada f: [a, b) --+ R se
trata de modo semelhante, pondo-se f(x)dx = lime----.o+ J!
f(x)dx. Fi- J!-e
nalmente, o caso de f: (a, b) --+ R contínua reduz-se aos anteriores tomando
e E (a, b) e pondo JÍ f(x)dx = .ri f(x)dx + J1 f(x)dx. D

Exemplo 1. Seja f: (O, 1] --+ R dada por f(x) = 1/xª. Supondo o: -/- 1,
temos

11 dx
- = hm
o xª
.
E-->0+
11
E
dx
- = hm - -
.
xª E-->0+ 1-:-- o:
xl-a] 1
E
1 - E1-a
= lim - - - =
E-->O+ 1 - o:
{ + oo se o: >
1
- - se o:
1 - o:
<
1
1

Quando o:= 1, temos

lof dx
1
X
= lim
E---+0+
1
E
1
X E----+O+
1
dx = lim logx] = lim (-logc) = +oo.
E é---+O+

Portanto f01 dx/xª diverge se a 2: 1 e converge para (1 - 0:)- 1 se o: < 1. Em


particular, o:= 1/2 dá f01 dx/ ,lx = 2.
Exemplo 2. Seja f: [O, 1) -t IR, f(x) = 1/vl - x 2 • Então
r1 dx/J1 - x 2 = lim rl-c dx/~
lo c---tO+ lo
= lim arcsenxJi-e:
c---tO+
= lim arcsen(l - e)
e:--.o+
7r
= arcsenl = -

Quando f: (a, b] - IR cumpre f (x) ::::: Opara todo x E (a, b] então a integral
J! f (x)dx converge se, e somente se, existe k > O tal que J!+c
f(x)dx S k
para todo E E (O, b - a) pois a função <p(E) = J!+e: f (x)dx é não-crescente.
Se existir uma função g: (a, b] - lR tal que J: g(x)dx seja convergente e O S
f(x) S k.g(x) para todo x E (a, b] então J! f (x)dx converge pois, neste caso,
<p(E) S k · J! g(x)dx para todo E E (O, b - a).
Exemplo 3. A integral I = f01 dx/ J(l - x 2 )(1 - k 2 x 2 ) converge se k E IR
cumpre k 2 < 1. Com efeito, como O S x S 1, temos 1 -
k 2 :::::; 1- k2x 2 . Pondo K = 1/Vl -k 2 segue-se que 1/J(l -x 2 )(1- k 2 x 2 ):::::;
J;
K/Jl - x 2 portanto IS K/.J1 - x 2 = Kn/2.

Diz-se que a integral imprópria J! f (x)dx é absolutamente convergente


quando J! lf(x)ldx converge. Como no caso de séries, a convergência de
J! lf(x)ldx implica a de J! f(x)dx.
Com efeito, dada f: (a, b] - t IR contínua, definamos sua parte positiva e sua
parte negativa f +, f-: (a, b] - t IR pondo, para a < x :::; b:
f +(x) = max{f(x), O} e f-(x) = max{- f(x), O}.
Então f+(x) = ~[lf(x)I + f(x)] e J_(x) = ~[lf(x)I - f(x)] de modo que f +
e f _ são contínuas. Além disso, temos f + (x) ::::: O, f _(x) ::::: O, f = f + - f -
e lfl = f+ + f-, donde f+ S lfl e f- S lfl. Segue-se destas desigualdades
que se 1!
f(x)dx é absolutamente convergente então f+(x)dx e .f! f-(x)dx 1!
convergem. Logo J! f(x)dx = J! f+(x)dx - J! f _(x)dx é convergente.
O critério de comparação assume então a seguinte forma: se f, g: [a, b) - t IR
são contínuas e 1!
g(x)dx converge então a condição lf (x)I S k.g(x) para todo
x E [a, b) implica que J! f(x)dx é (absolutamente) convergente. Por exemplo,
se f: [a, b) -----+ lR é contínua, existem constantes k > Oe a < 1 tais que lf (x)I :S
k/(b - x)ª para todo x E [a, b) então a integral J! f(x)dx é (absolutamente)
convergente.
Tratemos agora de integrais sobre intervalos ilimitados.
Dada f: [a, +oo)-----+ lR contínua, define-se a integral imprópria de f pondo:

f+oo f(x)dx = lim {A f(x)dx.


Ía A-++ooÍa

Se o limite acima existir, a integral diz-se convergente . Do contrário, ela diz-


se divergente . Uma definição análoga é dada quando f: (-oo, b] -----+ JR. Então
J~ 00 f(x)dx = limB-+-oof~f(x)dx. Finalmente, para f:(-oo,+oo)-----+ JR,
toma-se um ponto arbitrário a E lR (geralmente a= O) e põe-se

1 +=
-= f (x)dx =

-= f (x)dx
r+=
+ Ía J(x)dx.

Exemplo 4. Seja f: [l, +oo)-----+ JR, f(x) = 1/xª. Se a-# 1 tem-se


{A dx = A 1 -o: - 1
11 xª 1- a '
logo

1= :~ = a~l
converge se a > 1. Por outro lado, se a :S 1, J1+00 dx / xª diverge. Isto contrasta
com a integral da mesma função no intervalo (O, l].

Exemplo 5., J0+= dx/(1 + x 2 ) = 1r/2. Com efeito, arctgx é uma primitiva
de 1/(1 + x 2 ). Por conseguinte

1 o
+ 00
--
dx
+
1 X
2 = lim (arctgA - arctgü) = -.
A-,+ 00 2
1r

Diz-se que uma integral J;:= f(x)dx é absolutamente convergente quando


J;:= lf(x)ldx converge. Como no caso de intervalos limitados, prova-se que,
neste caso, J;:= f(x)dx converge.
Vale portanto o critério de comparação : se f, g: [a, +oo) -----+ lR são contí-
nuas, se fa+= g(x)dx converge e se existe k > O tal que lf (x)I ::S k.g(x) para
todo x 2 a então J;:- 00 f (x)dx converge (absolutamente). Em particular, se
J:
lf(x)I :S k/xª com a> 1 então 00 f(x)dx é (absolutamente) convergente.

Exemplo 6. J:
Seja a > O. A integral 00 dx / x 2 converge e, como se vê facil-
mente, seu valor é 1/ a. Mesmo se não soubéssemos que aderi-
J:
vada de arctg x é 1/ (1 + x 2 ), concluiríamos, por comparação, que 00 dx / (1 +
x 2 ) é convergente pois 1/(1 + x 2 ) :S 1/x2 •

Exemplo 7. (Afunção gama.) Trata-se da função r: (O, +oo) --t IR, definida
para todo t > O pela integral r(t) = J0+00 e-xxt- 1 dx. Para
mostrar que a integral acima converge, a decompomos na soma f01 + 00 • A J/
integral J01 e-xxt- 1 dx converge porque e-xxt- 1 :S 1/ x 1 -t. A segunda parcela,
J1+00 e-xxt- 1 dx converge porque e-xxt- 1 :S 1/x2 para todo x suficientemente
grande. Com efeito, esta desigualdade equivale a xt+i / ex :S 1. Ora, como
sabemos, limx-.+oo xt+i / ex = O, logo existe a > O tal que x > a =} xt+ 1 / ex :S
1. A função gama estende a noção de fatorial pois r(n) = (n - 1)! para todo
n EN, como se vê integrando por partes.

Exemplo 8. A integral de Dirichlet I = J~+ 00 (senx/x)dx converge, mas


não absolutamente. Com efeito, para lodo n E N seja an =
J~:+i)1r isenx/xldx. Então I = ao - a1 + a2 - a3 + · · · É claro que ao 2 a1 2
a 2 2 ··· equeliman = O. Logo,peloTeoremadeLeibniz,asérieI:;=0 (-l)nan
(e conseqüentemente a integral) converge. Por outro lado, J0+ 00 lsen x 1/ xdx é
a soma da série I:;= 0 an, cujo termo an é a área de uma região que contém
um triângulo de base 1r/2 e altura 2/(2n + l)1r. A área desse triângulo é igual
a 1/2 (2n + 1). Como a série harmônica diverge, segue-se que L an = +oo.
(Prova-se que f 0 100 (senx/x)dx = 1r/2.)

Uma aplicação bastante conhecida das integrais impróprias é o critério de


convergência de séries numéricas contido no seguinte teorema, cuja demonstra-
ção pode ser encontrada em qualquer livro de Cálculo.

Teorema 12. Seja f: [a, +oo) --t IR contínua,


monótona, não-decrescente.
Para todo número natural n 2 a, seja an = f(n). A série
L an converge se, e somente se, a integral ft:x, f(x)dx converge.
5. Exercícios

Seção 1: Os teoremas clássicos do Cálculo Integral

1. Seja f: [a, b] ---+ lR. integrável, contínua à direita no ponto x 0 E [a, b). Prove
que F: [a, b] ---+ JR., dada por F(:1;) = J:
f(t)dt, é derivável à direita no ponto
:c 0 , com F~(x 0 ) = f(x 0 ). Enuncie fato análogo com "esquerda" em lugar
de "direita". Dê exemplos com f integrável, descontínua no ponto x 0 , nos
quais:
(a) Existe F'(x 0 );
(b) Não existe F'(xo).
2. Seja f: [a, b] ---+ lR. derivável, com f' integrável. Prove que, para quaisquer
x, e E [a, b], tem-se f(x) = f(c) + J:
f'(t)dt. Conclua que o Teorema 5
vale com "integrável" em vez de "contínua".
3. Seja f: [a, b] ---+ lR. derivável, com f'(x) 2 O para todo x E [a, b]. Se {x E
[a, b]; f'(x) = O} tem conteúdo nulo, prove que fé crescente.
4. Dada f: [a, b] ---+ lR. com derivada contínua, prove o Teorema do Valor Médio
(Teorema 7 do Capítulo 8) como conseqüência da fórmula de mesmo nome
para integrais (Corolário de Teorema 4, deste capítulo).
5. Sejam f: [a, b] ---+ lR. contínua e a, /3: I---+ [a, b] deriváveis. Defina r.p: J---+ lR.
pondo r.p(x) = f!c<:J
f(t)dt, para todo x E J. Prove que r.p é derivável e
r.p'(x) = f(/3(x))./3'(x) - f(a(x)).a'(x).
6. Sejam f: [O, 1] ---+ lR. a função do Exercício 2.3 do Capítulo 10 e g: [O, 1] ---+ lR.
definida por g(O) = Oe g(x) = 1 se x > O. Mostre que f e g são integráveis
porém g o f: [O, 1] ---+ lR. não é integrável.
7. Dada f: [a, b]---+ lR. com derivada integrável, sejam= (a+ b)/2. Prove que
f(a) + f(b) = [2/(b- a)] J![J(x) + (x - m)f'(x)]dx.
8. Sejam f,p: [a, b] ---+ lR. tais que fé contínua, pé integrável e p(x) 2 O para
todo x E [a, b]. Prove que se

L b
f(x)p(x)dx=f(a) L b
p(x)dx,

então existe e E (a, b) tal que f(a) = f(c). Vale um resultado análogo
com f(b) em lugar de f(a). Conclua que no Teorema 4 pode-se tomar
e E (a, b) e que no Corolário do Teorema 5 pode-se exigir que (J E (O, 1).
[Veja Exercício 9, Seção 4, Capítulo 10.]
9. O exercício 3, seção 4 do Capítulo 3 deixa em aberto o cálculo de
. n!en
11m --.
n->a nn
Na realidade, a fórmula de Stirling diz que, pondo Xn = n!en /nn e Wn =
J27m, tem-se limxn/wn = 1, portanto limxn = +oo. Uma demonstração
mais simples de que lim Xn = +oo pode ser feita segundo as etapas abaixo
indicadas:
A. Integrando por partes, mostre que

ln Iogxdx = nlogn - n +1= An (digamos).

B. Se Bn é a soma superior da função log x relativamente à partição


{l, 2, ... , n} do intervalo [1, n], mostre que
n
An < Bn = Llogk = logn!
k=I
C. Uma melhor aproximação superior para a área An pode ser dada consideran-
do-se, para cada k = 2, ... , n a tangente ao gráfico de y = log :1; pelo ponto
x = k- l/2. O trapézio com base no intervalo [k-1, k] do eixo :e, com dois
lados verticais e lado inclinado igual a essa tangente tem área loµ;(k - 1/2).
Seja Cn = Lk= 2 log(k - 1/2) a soma das áreas desses trapézios. Mostre
que An < Cn < Bn para todo n EN.
D. Mostre que se tem
n n
Bn - Cn = L[logk- log(k-1/2)] = l/20k, L
k=2 k=2
onde k - 1/2 :::; 0k :::; k.
E. Conclua que

lim(Bn - An) ?: lim(Bn - Cn) = ~ I: 1


0 = +oo.
k=2 k

F. Observe que

Bn - An = logn! - nlogn + n - l = log(n!en- 1 n-n),


portanto lim Xn = +ao.

Seção 2: A integral como limite de somas de Riemann

1. Com auxílio de somas de Riemann prove a validez dos seguintes limites:

(a) .
1nn _1_
r,,P+l
I:n ·p _ _1_
i -
n----+oo .
Z=l
p +l ,
. 1 n i1r 2
(b) hm - '°'sen(-)
n----+oo n ~ n
= -·
1r
i=l

2. Dada .f: [a, b] -+ JR, limitada ou não, faz sentido considerar a soma de Rie-
mann I:,(.f; P*), para toda partição pontilhada P*. Prove que, se existe
limjPj-o I:,(.f; P*), então fé uma função limitada.
3. Prove a recíproca do Teorema 7: se existir limjPj-o I:,(f; P*) = L então a
função limitada f: [a, b] -+ IR é integrável e J: = L.
f(x)dx
4. Sejam f, g: [a, b] -+ IR integráveis. Para toda partição P = {t 0 , ••• , tn}
de
[a, b] sejam P* = (P, ç) e p# = (P, r,) pontilhamentos de P. Prove que

lim
jPj----+O
L f (çi)9('r/i)(ti - ti-1) = 1a
b
f(x)g(x)dx.

5. Dadas f, g: [a, b] -+ IR, para cada partição pontilhada P* de [a, b] define-se


a soma de Riemann-Stieltjes

Prove: se f é integrável e g possui derivada integrável então

lim L(.f,g; P) =
!PI-o
1a
b
f(x)g'(x)dx.

6. Dada f: [a, b] -+ IR, seja, para cada n EN,


I n
M(f; n) =-
n.
L f(a + ih), h= (b-a)
n '
i=l

a média aritmética dos valores f(a + h), f(a + 2h), ... , f(a + nh) = f(b).
Prove que se a função f é integrável então

lim M(J; n)
n----+oo
1
= -b-
- a
1b
a
f(x)dx.
Por este motivo, o segundo membro desta igualdade se chama o valor mltlio
da função f no intervalo [a, b].

7. Se f: [a, b]---, IR e, convexa, prove que!(--):::;


a+ b
2
1
-b-
-a a
f(x)dx. 1b
Seção 3: Logaritmos e exponenciais

1. Sejam f: IR _, IR e g: IR+ _, IR funções contínuas, não identicamente nulas,


tais que f (x+y) = f (x).f(y) e g(uv) = g(u) +g(v) para quaisquer x, y E IR
eu, v E 1R+. Prove que existem a E IR e b E IR tais que f(x) = éx para
todo x E IR e g(x) = b. log x para todo x E 1R+.
2. Prove que a seqüência cujo n-ésimo termo é Xn = 1 + 1/2 + · · ·+ 1/n -log n
é decrescente e limitada, logo converge. (Seu limite é conhecido como a
constante I de Euler-Mascheroni, cujo valor aproximado é O, 5772.)
3. Prove que limx----,o x. logx = O.
4. Prove que, para todo x E IR, tem-se lim (1
n->oo
+ ~n yn = é.

Seção 4: Integrais impróprias

1. Verifique a convergência ou divergência das integrais


rl
lo
dx
1- cosx'
13 dx
_3 x 2 '
11 lf;r'
_1
dx

2. Verifique a convergência ou divergência das integrais


r+ 00 dx 1+00 dx r+ 00 xdx .
lo (l+x)y'x' -oo l+x"' 11 1-eX

3. Mostre que JtX) sen(x2 )dx converge mas não absolutamente.


4. Mostre que J0+ 00
x.sen(x 4 )dx converge, embora a função x.sen(x 4 ) seja
ilimitada.
5. Seja f: [a, +oo) ---t IR contínua, positiva, monótona não-crescente. Prove
que se J: 00
f(x)dx converge então limx---->+=x.f(x) = O.
6. Seja f: [a, +oo) ---t IR integrável em cada intervalo limitado [a, x]. Prove que
a integral imprópria

1 a
+oo f(x)dx = lim 1x J(t)dt
X---->+oo a
existe se, e somente se, para todo E > Odado, existe A > Otal que A < x < y
implica II% f(t)dtl < E. ("Critério de Cauchy".)
7. Prove o Teorema 12.
12

Seqüências
e Séries de Funções

Em vários problemas da Matemática e das suas aplicações busca-se uma função


que cumpra certas condições dadas. É freqüente, nesses casos, obter-se uma
seqüência de funções fi, f 2 , .•• , fn, ... , cada uma das quais cumpre as con-
dições exigidas apenas aproximadamente, porém com aproximações cada vez
melhores. Então a função-limite dessa seqüência deverá cumprir as tais condi-
ções, caso aconteça o melhor. Isto leva ao estudo de limites de seqüências de
funções. Muitas vezes cada função da seqüência obtém-se da anterior somando-
se uma função gn. Neste caso, tem-se uma série de funções E gn. Seqüências
e séries de funções serão estudadas neste capítulo.
Para seqüências e séries de números há apenas uma noção de limite. Mas
para funções há várias. Aqui examinaremos as duas noções mais comuns de
convergência, que definiremos a seguir.

1. Convergência simples e convergência uniforme

Diz-se que uma seqüência de funções fn: X_, R (n = 1, 2, ... ) converie


simplesmente para a função f: X -, R quando, para todo x E X, a seqüência
de números fi (x), ... , fn(x), ... converge para f (x).
Assim, .fn _, .f simplesmente em X quando, dados E > Oex E X, existe
n 0 EN (dependendo de E e de x) tal que n >no::::} lfn(x) - f(x)I < E.
Graficamente, em cada reta vertical que passa por um ponto :1: e X tica
determinada uma seqüência de pontos (x, .f1 (x)), ... , (x, fn(x)), ... intcrscc;11cs
dessa reta com os gráficos de .f1 , ... , .fn, .... Estes pontos convergem pnrn
(x, f(x)), interseção da reta vertical com o gráfico de f.
Exemplo 1. A seqüência de funções fn: IR ------t IR, onde fn(x) = x/n, con-
verge simplesmente para a função f: IR ------t IR que é identica-
mente nula. Com efeito, para todo x E IR fixado, tem-se lim (x/n) = O.
n----.+oo
Um tipo de convergência de funções mais restrito do que a convergência
simples, é a convergência uniforme, que definiremos agora.
Uma seqüência de funções fn: X ------t IR converge uniformemente para a
função f: X ------t IR quando, para todo é > O dado, existe n 0 E N (dependendo
apenas de é) tal que n > n 0 * lfn(x) - f (x)I < é seja qual for x E X.
No plano IR 2 , dado é > O, a faixa de raio E em torno do gráfico de f é o
conjunto

F(f; é)= {(x, y) E IR 2 ; x E X, f(x) - E< y < f(x) + é}.


Dizer que fn ------t f uniformemente em X significa que, para todo e > O, existe
no EN tal que o gráfico de fn, para todo n > n 0 , está contido na faixa de raio é
em tomo do gráfico de f.

Fig. l O - O gráfico de f n está contido na faixa F (f; e).

Exemplo 2. Nenhuma faixa de raio é em torno do eixo das abcissas (gráfico


da função identicamente nula) pode conter o gráfico de uma
função fn: IR ......., IR, f n(x) = x/n. Logo a seqüência Un) do Exemplo 1 não
converge uniformemente para zero em IR. Por outro lado, se X e IR é um conjunto
limitado, digamos com !xi :Se para todo x E X, então fn ------t Ouniformemente
cm X. Com efeito, dado é > O, basta tomar n 0 > e/e. Então n > no *
l.fn(:i:)I = lxl/n < e/no < é.
Exemplo 3. A seqüência de funções contínuas fn: [O, 1] --> IR, f.n(:r:) , :i: 11 ,
converge simplesmente para a função descontínua f: [O, 1] - f
IR, f(x) = O se O s x < l, f(l) = 1. A convergência é uniforme em todo
intervalo da forma [O, 1- b], O< b < l mas não é uniforme em [O, 1]. Estas duas
afirmações decorrem de fatos gerais ( a saber, os Teoremas 1 e 2 abaixo) mas
podem ser facilmente provadas a partir da definição. Com efeito, escrevendo
a= l - 6, temos O< a< 1 logo limn--++=ªn = O. Dado e> O, seja n 0 EN
tal que n > n 0 =? an < E. Então n >no=? O< fn(x) s an < E para todo
x E [O, a]. Portanto fn --> O uniformemente no intervalo [O, 1 - 6]. Por outro
lado, tomando e = 1/2, afirmamos que, seja qual for no E N, existem pontos
x E [O, 1) tais que lfn 0 (x) - f(x)J 2 1/2, ou seja, xno 2 1/2. Basta observar
que limx--+l- xno = l. Logo existe 8 > Otal que 1 - 8 < x < l =? '.I:n° > 1/2.
Isto mostra que fn não converge uniformemente para f no intervalo [O, 1].

Fig. 11 -As funções fn(x) = xn convergem simplesmente no intervalo [O, 1] para


uma função descontínua.

Exemplo 4. A seqüência de funções contínuas fn: [O, 1] - IR, fn(:r:)


xn (l - x n) converge simplesmente para a função identicamente
nula. Esta convergência não é uniforme. Com efeito, para todo n E N temos
fn( z/i72) = 1/4. Logo, para e < 1/4, nenhuma função fn tem seu gráfico
contido na faixa de raio e em tomo da função O. Por outro lado, se O · t, · 1•
temos fn - Ouniformemente no intervalo [O, 1-6] pois xn --> Ouniformcme11le
nesse intervalo e Os xn(l - xn) s xn.
l
4

Fig. 12

As considerações feitas nesta seção incluem a soma .f = E .fn de uma série


de funções .fn: X - R Neste importante caso particular, tem-se f = lim sn,
onde sn(x) = fi(:r,)+ · · ·+ fn(x) para todo n EN e todo x E X. Dizer que a série
L f n converge uniformemente significa, portanto, que a seqüência (sn) converge
uniformemente e equivale a afirmar que a seqüência de funções rn: X - ~
("restos" da série), definidas por rn(x) = fn+i(x) + fn+ 2 (x) +···,converge
uniformemente para zero. Com efeito, basta observar que rn = f - Sn.

2. Propriedades da convergência uniforme

Teorema 1. Se uma seqüência de funções fn: X - ~ converge unifor-


memente para f: X - t ~ e cada f n é contínua no ponto
a E X então fé contínua no ponto a.
Demonstração: Dado é > O, existe no E N tal que n > no :::;, /Jn (x) - J(x) / <
c/3 para todo x E X. Fixemos um número natural n > n 0 .
Como fn é contínua nq ponto a, existe 6 > O tal que x E X, /x - a/ < 6 :::;,
/fn(x) - fn(a)/ < c/3, donde
é é E
/J(x)-f(a)/ ~ /fn(x)-f(x)/+/fn(x)-fn(a)/+/fn(a)-f(a)/< 3 + 3 + 3 =é.
Isto prova o teorema. D

Exemplo 5. A seqüência de funções contínuas f n(:c) = xn não pode conver-


gir uniformemente em [O, 1] pois converge simplesmente para
a funç~o descontínua f: [O, l] --+ lll1., f(x) = O se O :S x < l, f(l) = l. Já a
seqüência de funções contínuas fn(x) = xn(l - xn) converge simplesmente no
intervalo [O, l] para a função O, que é contínua mas nem por isso a convergência
é uniforme. Mesma observação pode ser feita sobre a seqüência de funções
contínuas f n: Ill1. --+ JR, f n (x) = x / n. A esse respeito, vale o teorema abaixo.
Antes de demonstrá-lo, daremos uma definição.

Diz-se que uma seqüência de funções fn: X --+ lR converge monotonica-


mente para a função f: X --+ lR quando, para cada x E X, a seqüência (fn (x) )nEN
é monótona e converge para f (x). Assim, por exemplo, as seqüências dos Exem-
plos 1 e 3 convergem monotonicamente.
É claro que se fn --+ f monotonicamente em X então lfn+1(x) - f(x)I
:S lfn(x) - f (x)I para todo x E X e todo n EN.

Teorema 2. Se a seqüência de funções contínuas fn: X --+ Ill1.


(Dini.)
converge monotonicamente para a função contínua f: X --+
lR no conjunto compacto X então a convergência é uniforme.

Demonstração: Dado E > O, ponhamos Xn = {x E X; lfn(x) - f(x)I 2'. E}


para cada n E N . Como .fn e f são contínuas, cada Xn é
compacto. A monotonicidade da convergência, por sua vez, implica X 1 :) X 2 :)
X 3 :) · · ·• Finalmente, como limn_,= fn(x) = f (x) para todo x E X, vemos que
íl~=i Xn = 0. Segue-se do Teorema 9, Capítulo 5, que algum Xn 0 (e portanto
todo Xn com n > no) é vazio. Isto significa que n >no=? lfn(x) - f(x)I < E
seja qual for x E X. D

Exemplo 6. A seqüência de funções contínuas fn: [O, l] --+ lll1., fn(x) = .1: 11·,
converge monotonicamente para a função (contínua) identica-
mente nula no conjunto não-compacto [O, 1) mas a convergência não é uniforme.
Com efeito, dado O< E< l, para todo n EN existem pontos x E [O, 1) tais que
xn > E, pois lim xn = l > E.
X---->l-

Teorema 3. (Passagem ao limite sob o sinal de integral.) Se a se<Jiiência de


funções integráveis f n: [a, b] --+ lll1. converge uniformemente
para f: [a, b]--+ lR então f é integrável e

1bJ
a
(x)dx = lirn
n---->cxo
;·b f n(x)dx.
a
Noutras palavras: J! limn f n = limn J! f n se a convergência é uniforme.
Demonstração: Dado E> O, existe no EN tal que n >no=} lf(x) - fn(x)I <
E/4(b - a) para todo x E [a, b]. Fixemos m > n 0 • Como
fm é integrável, existe uma partição P de [a, b] tal que, indicando com wi e
wi respectivamente as oscilações de f e fm no intervalo [ti-u til de P, tem-se
~wi(ti - ti_ 1 ) < E/2. Mas, para x, y E [ti-i, til quaisquer, vale:
lf(y) - f(x)I ::; lf(y) - fm(Y)I + lfm(Y)-:- fm(x)I + lfm(x) - f(x)I
' ê
<wi+2(b-a)
Portanto wi ::; wi + E/2(b- a). Segue-se que

Lwi(ti - ti_ 1 )::; I:wHti - ti_ 1 ) + [E/2(b- a)] I:(ti - ti_ 1 )


ê ê
< 2 + 2 = ê.
Isto mostra que f é integrável. Além disso,

1 b
f(x)dx -1 b
fn(x)dx 1 b
[f(x) - fn(x)]dx

b
: ; Ía lf(x) - fn(x)ldx
(b- a)E
::; 4(b-a) <E

se n > n 0 • Conseqüentemente, limn-+oo J! fn(x)dx = J! f(x)dx. D

Observação. Se cada f n é contínua, a demonstração se simplifica conside-


ravelmente pois f então é contínua, donde integrável.

Exemplo 7. Se uma seqüência de funções integráveis fn: [a, b] - lR con-


verge simplesmente para f: [a, b] - JR, pode ocorrer que f não
seja integrável. Por exemplo, se {r 1 , r 2 , ••• , rn, ... } for uma enumeração dos
números racionais de [a, b] e definirmos fn como a função que assume o valor 1
nos pontos r1, ... , rn e é zero nos demais pontos de [a,.b] então Un) converge
·simplesmente para uma função f: [a, b] - JR tal que f(x) = 1 se x E Q n [a, b] e
f (x) = Ose x é irracional. Evidentemente, cada f n é integrável mas f não é.
Exemplo 8. Mesmo quando a seqüência de funções integráveis fn: [a, b] -
lR converge simplesmente para a função integrável f: [a, b] - lR,
pode ocorrer que lirnn-oo J! fn(x)dx =/ J!f(x)dx. Por exemplo, para cada
n EN, seja fn: [O, 1] ---. IR definida por fn(x) = nxn(l - xn). Então fn(l) = O
e O s f n(x) < nxn se O s x < l. Ora, lirnn-+oo nxn = O se O s x < 1. (Pelo
Exemplo 8, Capítulo 3, pois limn-+oo (n + l)xn+l /nxn = x < 1.) Portanto Un)
converge simplesmente em [O, 1] para a função identicamente nula. Entretanto
f01 fn(x)dx = n 2 /(n+1)(2n+l), portantolimn-+oo f 01 fn(x)dx = 1/2, enquanto
lim f n) = O.
Íol (n-+oo
Para que se tenha a derivada do limite igual ao limite das derivadas, em
vez de supor que f n ---. f uniformemente, deve-se postular que a seqüência das
derivadas convirja uniformemente.

Teorema 4. (Derivação termo a termo.) Seja Un) uma sequencia de


funções de cla._<;se C1
no intervalo [a, b]. Se, para um certo
c E [a, b], a seqüência numérica Un(c)) converge e ~e as derivadas f;,, con-
vergem uniformemente em [a, b] para uma função g então Un) converge
em [a, b] uniformemente para uma função f, de classe C 1 , tal que f' = g.
Em resumo: (limfn)' = limf;,, desde que as derivadas f;,, convirjam uni-
formemente.

Demonstração: Pelo Teorema Fundamental do Cálculo, para cada n E N e


todo x E [a, b] temos fn(x) = fn(c) + J:
f;,,(t)dt. Fazendo
n---. oo vemos, pelo Teorema 3, que existe .f(x) = limri-+oo fn(x) e vale f(x) =
f(c) + I: g(t)dt. Além disso, pelo Teorema 1, g é contínua logo (novamente
em virtude do Teorema Fundamental do Cálculo) fé derivável e f'(x) = g(x)
para todo x E [a, b]. Em particular, f' é contínua, isto é, fé de classe C' 1 . Resta
apenas provar que a convergência fn---. fé uniforme. Ora,

lfn(x) - f (x)I S l.fn(c) - f(c)I + 1x lf;,,(t) - g(t)ldt.

Como J;,, ---. g uniformemente, resulta daí que f n ---. f uniformemente. D

Exemplo 9. A seqüência de funções fn(x) = sen(nx)/n converge unifor-


memente para zero em toda a reta. Mas a seqüência de suas
derivadas f;,,(x) = cos(nx) não converge, sequer simplesmente, em intervalo
algum. (Todo intervalo contém um número da forma x = m1r/p, com m,p
inteiros. Então cos( nx) assume infinitas vezes os valores 1 e -1.)

Os teoremas acima, no caso de uma série I: f n, assumem as seguintes


formas:
1. Se E f n converge uniformemente para f e cada Jn é contínua no ponto a
então f é contínua no ponto a.
2. Se cada termo fn: X--+ Ré uma função contínua, com fn(x) ~ Opara todo
x E X e a série E f n converge para uma função contínua f: X --+ R no
compacto X então a convergência é uniforme.
3. Se cada fn: [a, b] --+ Ré integrável e E fn converge uniformemente para
f: [a, b]--+ R então J é integrável e J! E fn(x)dx = E J! fn(x)dx.
4. Se cada f n: [a, b] --+ lR é de classe C 1 , se E J:i, converge uniformemente
em [a, b] e se, para algum e E [a, b], a série E fn(c) converge então E fn
converge uniformemente para uma função de classe C 1 e (E fn)' = E J:i,.

Exemplo 10. r,
A série E:=U x 2 / ( 1+ x 2 cujos termos são funções contínuas,
definidas em toda a reta, converge para a soma 1 + x 2 , para todo
x -::/= O. No ponto x = O, todos os termos da série se anulam, logo sua soma é
zero. Segue-se que a série dada converge simplesmente em toda a reta mas a
convergência não é uniforme, pois a soma é uma função descontínua..

O teorema básico sobre convergência uniforme de séries de funções, de-


monstrado a seguir, não tem análogo para seqüências.

Teorema 5. (Teste de Weierstrass.) Dada a seqüência de funções fn: X--+


R, seja E an uma série convergente de números reais an ~
O tais que [fn(x)[ ::::; an para todo n EN e todo x E X. Nestas condições,
as séries E [fnl e E fn !:iiio uniformemente convergentes.
Demonstração: Pelo critério de comparação, para todo :e EX a série E [fn(x)[
( e portanto a série E fn(:r)) é convergente. Dado e> O, existe
no E N tal que Ln>no an < E. Pondo
Rn(x) = L [fn(x)[ e rn(x) = L Ín(x),
k>n k>n
tem-se imediatamente [rn(x)[ ::::; Rn(x) ::::; Lk>n ªk < E para todo n > no.
Logo E [fnl e E fn são uniformemente convergentes. D

3. Séries de potências

As funções mais importantes da Análise podem ser expressas como somas


de séries da forma
00

f(x) = L an(:r - xot =ao+ a1(x - xo) + · · · + an(X - Xo)n + · · · .


n=O

Estas séries, que constituem uma generalização natural dos polinômios, são
chamadas de séries de potências.
Para simplificar a notação, trataremos de preferência o caso em que x 0 = O,
isto é, as séries de potências do tipo
00
~
L....., anx n =ao+ a1x + · · · + anx n + · · ·.
n=O

O caso geral reduz-se a este pela mudança de variável y = x - x 0 . Os resul-


tados que obtivermos para as séries 1=:=o anxn podem ser facilmente adaptados
para o caso I::=o an(x - Xo)n.
O primeiro fato a destacar sobre uma série de potências I::=o an(x - x 0 )n
é que o conjunto dos valores de x para os quais ela converge é um intervalo de
centro x 0 • Esse intervalo pode ser limitado (aberto, fechado ou semi-aberto),
igual a~ ou até mesmo reduzir-se a um único ponto. Isto será demonstrado logo
a seguir. Antes vejamos um exemplo que ilustra todas essas possibilidades.

Exemplo 11. Pelo teste de d' Alembert, a série I: xn / n! converge para todo
valor de x. A série I::l(-l)n/(2n + l)]x 2 n+ 1 converge se, e
somente se, X E (-1, 1]. A série L[(-1r+ 1 /n]xn converge se X E (-1, l] e
diverge fora desse intervalo. O conjunto dos pontos x E .IR. para os quais a
série geométrica I: xn converge é o intervalo aberto (-1, 1). Finalmente, a série
L nnxn converge apenas no ponto x = O.
Dada uma série de potências L anxn, a localização dos pontos x para os
quais ela converge se faz por meio do teste de Cauchy (Teorema 6, Capítulo 4 ),
o qual põe em evidência o comportamento da seqüência ( ~ ) .
Se a seqüência ( ~ ) é ilimitada então a série L anxn converge apenas
quando x = O. Com efeito, para todo x =f. Oa seqüência de números ~,-,, f
lxl ~ é ilimitada e o mesmo ocorre com lanxnl, logo o termo geral da série
L anxn não tende a zero.
Se, entretanto, a seqüência ( V]a~T) é limitada então o conjunto
R = {p > O; v'1arJ < 1/ p para todo n EN suficientemente grande l
é não-vazio. Na realidade, é fácil ver que se p E R e O < x < p então x E R.
Logo Ré um intervalo, do tipo (O, r), (O, r] ou (O, +oo), onde r = sup R. O
número r é chamado o raio de convergência da série I: anxn. (Convenciona-
remos escrever r = +oo quando R for ilimitado.)
O raio de convergência r da série de potências I: anxn goza das seguintes
propriedades:
1) Para todo x E (-r, r) a série I: anxn converge absolutamente. Com efeito,
tomando p tal que lxl < p < r temos o/la;J < 1/p, e conseqüentemente
Vlanxnl = lxl v'fanT < lxl/ p < 1, para todo n E N suficientemente
grande. Logo L anxn converge absolutamente, pelo teste de Cauchy.
2) Se lxl > r então a série L anxn diverge. Com efeito, neste caso lxl </:. R,
logo não se tem v'fanT < 1/lxl para todo n suficientemente grande. Isto
significa que v'fanT 2: 1/lxl, e conseqüentemente lanxnl 2: 1, para uma
infinidade de valores de n. Logo o termo geral da série L anxn não tende
a zero, e ela diverge.
3) Se x = ±r, nada se pode dizer em geral: a série L anxn pode convergir ou\
divergir, conforme o caso.
4) Se existir L = limn ...... 00 v'larJ então r = 1/ L. (Entendendo-se quer= +oo
se L = O.) Com efeito, para todo p E R existe n 0 E N tal que n > n 0 =>
v'fanT < 1/p. Fazendo n-+ oo obtemos L :S 1/p, donde p :S 1/L. Segue-
se que r = sup R :S 1/ L. Supondo, por absurdo, que fosse r < 1/ L,
tomaríamos c tal que r < c < 1/ L, donde L < 1/ c. Pela definição de
limite, teríamos v'fanT < 1/ c para todo n suficientemente grande, donde
c E R e daí c :Sr, uma contradição. Logo r = 1/ L.
Podemos resumir a análise feita acima no

Teorema 6. Uma série de potências L anxn, ou converge apenas para


x = O ou existe r, com O < r :S +oo, tal que a série con-
verge absolutamente no intervalo aberto (-r, r) e diverge fora do intervalo
for.hado [-r, r]. Nos extremos -r e r, a série pode convergir ou divergir.
Se existir L = lim v'fanT então r = l/ L. O número r chama-se o raio de
co11vergência da série. Além disso, tem-se O < p < r {=;- v'fanT < 1/ p
pnrn todo n E N sufi.cientemente grande.
Observação. ' Segue-se do Teorema 7, Capítulo 4, que se os coeficientes "·n
forem diferentes de zero e existir lim lan+1l/lanl = L, então o
raio de convergência da série I: anxn é r = 1/ L.

Teorema 7. Uma série de potênçias L anxn converge uniformemente


em todo intervalo compacto [-p, p], onde O< p < raio de
convergência.

Demonstração: A série L anpn é absolutamente convergente e, para todo x E


[-p, p], tem-se lanxnl '.S lanlPn· Pelo teste de Weierstrass
(Teorema 5), segue-se que a série L anxn converge uniformemente no intervalo
[- p,p]. D

Corolário. Se r > O é o raio de convergência da série L anxn, a função


f: (-r, r) ---+ JR, defi.nida por f(x) = L anxn, é contínua.

Exemplo 12. A série L anxn pode não convergir uniformemente em todo


o intervalo (-r, r), onde r é o raio de convergência. Isto é
claro no caso da série L xn /n!, cujo raio de convergência é infinito, para a qual
rn(x) = Lk>n xk /k! > xn+ 1 /(n + l)! quando x é positivo. Dado E> O, não
importa qual n se tome, é impossível ter rn(x) < E para todo x positivo.

Teorema 8. (Integração termo a termo.) Seja r o raio de convergência da


série de potências L anxn. Se [a, ,BJ e (-r, ~) então

r/3 (I: anxn)dx = I: ~


la n+ 1
(,en+l - ªn+l) .

Demonstração: A convergência de I: anxn é uniforme no intervalo [a, ,B] pois


se escrevermos p = max{lal, 1,81} < r teremos [a, ,BJ e [-p, p].
Logo é permitido integrar termo a termo, pelo Teorema 3. D

Teorema 9. (Derivação termo a termo.) Seja r o raio de convcrgênc.in <ln


série de potências L~=O anxn. A função f: (-r, r) - f IR:,
deli.n1'd a por f( x ) = '\"'oo
L...n=o anx n , e, d cnvave,
. , 1 com f'( x ) = '\"'oo
L...n=l n · a'/1.:r: '/1.· t
' e a série de potências de f'(x) ainda tem raio de convergência r.
Demonstração: SeJa • de convergencia da sene
• r / o ra10 / • '\"'
A
· , a qua 1
L...n;:.i nan:r: 71-1

converge se, e somente se, x · Ln::,.i nanxn-i = Ln::,.t ·1u1,n:r:n


converge. Logo r' é também o raio de convergência desta última série. Abre-
viemos a expressão "para todo n suficientemente grande" por "n > > 1". Se
O< p < r então, tomando c com O< p <e< r, temos vTarJ < 1/c, n >> 1.
Por outro lado, como lim o/ri= 1, vale o/ri < e/ p, n > > 1. Multiplicando as
duas últimas desigualdades, vem ~ I < 1/p, n > > l. Portanto, O < p <
r => O < p < r' . .Como é óbvio que O < p < r' => O < p < r, concluímos
quer= r'. Assim, as séries de potências Ln;:::o anxn e Ln::::i 1ianxn-i têm o
mesmo raio de convergência. Fixado qualquer x E (-r, r), tomamos p tal que
lxl < p < r. Ambas as séries convergem uniformemente em [-p,p] logo, pelo
Teorema 4, temos f'(x) = Ln::::i nanxn- 1 • D

Corolário 1. Seja r o raio de convergência da série de potências L anxn.


A função f: (-r, r) -+ ffi., deflnida por f (x) = L anxn, é de
classe C 00 • Para quaisquer x E (-r, r) e k EN tem-se
JCk>(x) = L n(n - 1) ... (n - k + i)anxn-k_
n::::k
Em particular, ªk = j(kl(o)/k!.
Portanto, a0 + a 1 x + · · · + anxn ·é o polinômio de Taylor de ordem n da
função f(x) = L anxn em tomo do ponto x = O.

Corolário 2. Sejam
Unicidade da representação em Série de Potências.)
L anxn e L bnxn séries de potências convergentes no in-
tervalo (-r, r) e X e (-r, r) um conjunto tendo O como ponto de acu-
mulação. Se E anxn = L bnxn para todo x E X então an = bn para todo
n 2'. O.
Com efeito, a hipótese assegura que as funções f, g: (-r, r) -+ ffi., definidas
por f(x) = I:anxn e g(x) = I:,bnxn, têm as mesmas derivadas, j(n)(O) =
gn(o), n = o, 1, 2, .... Logo an = JCn)(o)/n! = gCn)(O)/n! = bn para todo
n.2'. O. D

4. Funções trigonométricas

Mostraremos agora, de modo sucinto, como se podem definir precisamente


as funções trigonométricas sem apelo à intuição geométrica.
As séries de potências

c(x) = L= ----x
( l)n n 2 e s(x) =
= (-l)n x2n+1
'°'
n=o (2n)! L (2n + 1)!
n=D
têm raio de convergência infinito logo definem t\mções e: IR -. IR e s: IR -. IR,
ambas de classe e=.
É imediato que c(O) = 1, s(O) = O, c( - x) = c(x) e s( - x) = - s(x). Deri-
vando termo a termo, vem s'(x) = c(x) e c'(x) = - s(x).
A função f(x) = c(x) 2 + s(x) 2 tem derivada igual a
2cc' +2ss' = -2cs+2cs = O,
logo é constante. Como f(O) = 1, concluimos que c(x) 2 + s(x) 2 = 1 para todo
X ER

De maneira análoga se provam as fórmulas de adição


s(x + y) = s(x) c(y) + c(x) s(y),
e
c(x + y) = c(x) c(y) - s(x) s(y)

Basta fixar y E IR e definir as funções f (x) = s(x +y) - s(x) c(y) - c(x) s(y)
e g(x) = c(x + y) - c(x) c(y) + s(x) s(y). Tem-se f' = g e g' = - f. Daí
resulta que j2 + g 2 têm derivada identicamente nula, logo é constante. Como
f (O) = g(O) = O, segue-se que f (x) 2 + g(x) 2 = O para todo x E R Portanto
f (x ) = g(x) = Opara todo x E IR e as fórmulas estão provadas.
Afirmamos agora que deve existir algum x > O tal que c(x) = O. Do
contrário, como c(O) = 1, teríamos c(x) > O para todo x > O e, como e é a
derivada de s, a função s seria crescente na semi-reta IR+. Então, para qualquer
x > l valeria c(x) = c(l) - f 1x s(t)dt > O, donde c(l) > Jt
s(t)dt > s(l)(x - 1),
a última desigualdade resultando de s ser crescente. Mas a desigualdade c(l) >
s(l)(x - 1) para todo x > l é absurda. (Note que s(l) > O pois sé crescente.)
Logo deve existir algum x > Opara o qual c(x) = O.
O conjunto dos números x ~ O tais que c(x) = O é fechado porque e é
contínua. Logo possui um menor elemento, o qual não é zero porque c(O) = 1.
Chamaremos 1r /2 este menor número positivo para o qual se tem c(1r /2) = O.
Veremos agora que as funções c(x) e s(x) são periódicas, com período 21r.
Com efeito, a segunda fórmula de adição dá: c(2x) = c(x) 2 -s(x) 2 = 2c(x)2-1,
logo c(1r) = -1, e c(21r) = 1 e daí s(1r) = s(21r) = O. Novamente as fórmulas de
adição mostram que s( x + 21r) = s( x) e e( x + 21r) = e( x), o que prova a alegação
feita.
As notações usuais para estas funções são c:(x) = cosx e s(x) =- senx.
Este pequeno resumo justifica o uso das funções sen x e cos x em Análise.
A partir daí se definem as demais funções trigonométricas da maneira habitual:
tgx = senx/ cosx, secx = 1/ cosx etc.
Em particular, limx-----,o sen x / x = 1 porque, sendo sen O = O, este limite é a
derivada de sen x no ponto x = O, a qual é igual a cos O, ou seja, 1.

5. Séries de Taylor

Quando a série de potências L an (x - x 0 ) n tem raio de convergência r > O,


diz-se que ela é a série de Taylor, em tomo do ponto x 0 , da função f: (x 0 -
r, Xo + r) -+ IR, definida por f (X) = L O.n (X - Xo r.
Esta denominação se deve
ao fato de que a soma dos primeiros n+ 1 termos desta série constitui o polinômio
de Taylor de ordem n de f no ponto x 0 • Veremos agora as séries de Taylor de
algumas funções conhecidas.· Às vezes a série de Taylor de uma função em
tomo do ponto x 0 = Ochama-se "Série de MacJaurin" mas não adotaremos esta
terminologia.

1. Funções seno e cosseno

Suas séries de Taylor em tomo do ponto x = O são


x3 x5 x2 x4
sen x = x - -
3!
+ -5! - · · · e cos x = 1 - -
2
+ -4! - · · ·
em virtude da própria definição dessas funções.

2. Função 1/(1 - x)

A série de potências 1 + x + x 2 + .. - é uma série geométrica. Ela converge


para a soma 1/(1 - x) quando Jxl < 1, e diverge quando Jxl 2: 1. Logo é a série
de Taylor da função f: (-1, 1)-+ IR, definida por f(x) = 1/(1 - x).
Segue-se que 1-x+x2 - • · • = Ln>o(-l)nxn é a série de Taylor da função
1/ ( 1 + X), convergente para X 1 < 1 e divergente Se j X 2: 1.
J J

Também resulta daí que 1 - x 2 + x4 - -· · = Ln~ 0 (-1)nx 2n é a série de


Taylor da função g(x) = 1/(1 + x 2 ) em tomo do ponto x = O. Neste caso,
u função g: IR ----, IR está definida para todo x E IR porém sua série de Taylor
converge apenas no intervalo (-1, 1). (Este fenômeno está ligado ao fato de que
u função de variável complexa g(z) = 1/(1 + z 2 ) não está definida nos pontos
z = ±A, ambos de valor absoluto igual a 1.)
Se desejarmos desenvolvimentos finitos poderemos escrever respectiva-
mente

1 - n xri+1
1-x=l+x+···+x +1-x' xfl.
1 n n (-l)n+lxn+l
l+x=l-x+···+(-1) x + l+x , xf-1.
1 (-l)n+lx2n+2
- -2 =1-x 2 +···+(-lrx 2n+ , xER
l+x l+x2
Em cada uma das expressões acima, a última parcela é o resto da fórmula
de Taylor. Com efeito, se chamarmos r, s e t essas últimas parcelas, vemos
facilmente que
lim r(x) = lim s(x) - lim t(x) = O.
x---.o xn x---.o xn x---.o x 2 n

3. Função exponencial

A série z:=:=o
xn /n! converge para todo x E IR, logo a função f: IR ___, IR,
definida por f (x) = z:=:=o
xn / n!, é de classe C 00 • Derivando termo a termo,
vemos que f'(x) = f(x). Como f(O) = 1, segu~-se do Teorema 10, Capítulo
11, que f(x) = ex para todo x E R Portanto
x2 x3
é=l+x+-+-+···
2 3!
é a série de Taylor da função exponencial em tomo do ponto x = O.

4. Função logaritmo

Como log x não tem sentido para x = O, consideraremos a função loµ;( 1 ! :i:).
definida para todo x > -1. Por definição, log(l +x) = J0x dt/(1 +t). Integrando
termo a termo a série de Taylor de 1/(1 + x), vista acima, obtemos
X2 x3 x4 00
1.n
,
log(l + X ) = X - - + - - - + · · · = '°'(
~ -1 )n+I''
--- ,
. 2 3 4
n=l
n
série de Taylor de log(l + x), convergente no intervalo aberto (-1, 1), pois 1 é
seu raio de convergência. Acontece que, pelo Teorema de Leibniz (Teorema
3, Capítulo 4) esta série converge também para x = l (mas diverge para x =
-1). Seria interessante saber se a função f: (-1, 1] ---t ~, definida por f(x) =
Ln;::: 1 (-l)n+ixn/n, a qual coincide com log(l + x) quando lxl < 1, também
coincide com log(l + x) no ponto x = l. Isto é verdade, conforme mostraremos
agora. Com efeito, integrando termo a termo o desenvolvimento finito de 1/ (1 +
x) visto acima, obtemos (indo até a ordem nem vez de n + 1):
x2 x3 xn
log(l + X) = X - 2 + 3 - · · · + (- 1r-l n + rn (X),
onde
rn(x) = (-l)n 1o 1+
x tn
-tdt.

Para x = l, temos lrn(l)I :S f 0


1 tndt = n~l.
Portanto lirn rn(l) = O. Segue-se que
n--.oo
1 1 (-l)n-l
log 2 = 1 - 2 + 3 - · ·· + n + · ··
Esta é uma expressão interessante de log 2 como soma de uma série alternada.
Ela mostra que a série de Taylor I:~=l (-l)n+ixn /n representa log(l + x) no
intervalo (-1, 1].

5. Função arctg x

Sabe-se do Cálculo que a função tg: ( -1r /2, 1r /2) - ~ é uma bijeção 0 00 ,
com derivada positiva, e que sua inversa arctg: ~ - (-1r /2, 1r /2) tem derivada
igual a 1/ (1 +x 2 ), para todo x E R O desenvolvimento de tg x em série de Taylor
é complicado, enquanto o de arctg x é bem mais simples, por isso o exporemos
agora. Temos arctgx = fox dt/(l + t 2), para todo x E R Quando lxl < 1,
podemos integrar termo a termo o desenvolvimento de Taylor de 1/(1 + x 2 )
visto acima, obtendo
x3 x5 x2n+1 . 00 x2n+1
arctgx = X- - + - - ·· · + ( - l r - - + ·· · = '°'(-l)n _ _ _
3 5 2n + 1 L..;
n=O
2n + 1

Este argumento (integração termo a termo) garante a validez da igualdade acima


quando -1 < x < l. Acontece que a série em questão converge também nos
pontos x = l e x = - l. É natural, portanto, esperar que o desenvolvimento de
11,rctg x em série de Taylor seja válido em todo o intervalo fechado [- 1, 11, Parn
ver isto, integramos o desenvolvimento finito de 1/(1 + x 2 ) obtendo
x3 x5 x2n-1
arctgx = x - - + - - · · · + (-l)n-l _ _ + rn(x)
3 5 2n -1 '

ondern(x) = (-l)n 1 x

o 1+
t2n
- t2dt.

Para todo x E [-1, 1] temos

lrn(x)I s; 10
1XI
t 2ndt
1 12n+1
= _x_ _ < - -
1
2n + l - 2n + 1'
logo limn_, 00 rn(x) = O, portanto vale a igualdade

para todo x E [-1, 1]. En_i particul~, para x = 1, obtemos a fórmula de Leibniz
1r 1 1 1
-=1--+---+--·
4 3 5 7

6. Exercícios

Seção 1: Convergência simples e convergência uniforme

1. Mostre que a seqüência de funções fn: [O, +oo) -, JR, dadas por fn(x) =
xn /(1 + xn) converge simplesmente. Determine a função limite, mostre
que a convergência não é uniforme.
2. Prove que a seqüência do exercício anterior converge uniformemente em
todos os intervalos do tipo [O, 1 - 8] e [1 + 8, +oo), O< 8 < 1.
3. Prove que a série I::~=l xn(1-xn) converge quando x pertence ao intervalo
(-1, 1]. A convergência é uniforme em todos os intervalos do tipo [- 1 1
8, 1 - 8], onde O < 8 < 1/2.
4. A fim de que a seqüência de funções fn: X-, lR convirja uniformcmc11ll',
é necessário e suficiente que, para todo e > O dado, exista n 0 E N lal que
m, n >no* lfm(x) - fn(x)I < e qualquer que seja x E X. (Critério dl'
Cauchy.)
5. Seaseqüênciadefunçõesfn:X-, JRconvergeuniformemenlcparaf: .\'
IR, prove que f é limitada se, e somente se, existem K > Oe n 0 E N tais
que n >no::::} lfn(x)I::::; K para todo x E X.
6. Se a seqüência de funções fn: X ---. IR é tal que fi 2: h 2 · · · 2 fn 2 · · ·
e fn - O uniformemente em X, prove que a série E(-1r fn converge
uniformemente em X.
7. Se E If n ( x) 1converge uniformemente em X, prove que E f n (x) também
converge uniformemente em X.

Seção 2: Propriedades da convergência uniforme

1. Se f n _, f e Yn _, g uniformemente no conjunto X, prove que f n + 9n -


f + g uniformemente em X. Prove ainda que se f e g forem limitadas então
f n · 9n - f · g uniformemente em X. Finalmente, se existir e > Otal que
lg( x) 1 2: e para todo x E X, prove que l / 9n ---. l / g uniformemente em X.
2. Seja p: IR ---. IR um polinômio de grau 2: 1. Mostre que a seqüência de funções
f n: IR ---. IR, dadas por f n (x) = p( x) + 1/ n, converge uniformemente para p
em IR porém (!J) não converge uniformemente para p 2 •
3. Seja a seqüência de funções fn: [O, 1] _, IR, onde fn(x) = sen(nx)/ vn.
Prove que Un) converge uniformemente para O mas a seqüência das deri-
vadas J;,, não converge em ponto algum do intervalo [O, 1].
4. Mostre que a seqüência de funções 9n(x) = x + xn /n converge unifor-
memente no intervalo [O, 1] para uma função derivável g e a seqüência das
derivadas g!n, converge simplesmente em [O, l] mas g' não é igual a limg!n,.
5. Sejag: Y - IR uniformemente contínua. Seaseqüênciadefunções fn: X---.
IR converge uniformemente para f, com f(X) e Y e fn(X) e Y para todo
n EN, prove que g o fn - g o f uniformemente em X. Analise também a
questão mais simples f n o g - f o g.
6. Sejam X compacto, U aberto e f: X - IR contínua tal que f(X) e U.
Se uma seqüência de funções fn: X - IR converge uniformemente para f,
prove que existe n 0 EN tal que n >no=} fn(X) e U.
7. Se uma seqüência de funções contínuas f n: X - IR converge uniformemente
num conjunto denso D e X, prove que Un) converge uniformemente em
X.
8. A seqüência de funções fn: [O, 1] ---. IR, fn(x) = nx(l - xr, converge,
porém não uniformemente. Mostre que, apesar disso, vale

[1 ( lim fn) = lim ( [1 .fn).


lo n-oo n---.oo lo
9. Dada uma seqüência de funções f n: X --. R, suponha que exista e E IR tal
que o/lfn(x)I S e < 1 para todo x E X e todo n E N suficientemente
grande. Prove que I: f n (x) e I: f n (x) convergem uniformemente em X.
1 1

10. No exercício anterior, suponha que f n(x) -:j:. Opara todo n E N e todo :i; E X
e, em vez de o/lfn(x)I S e < 1, suponha lfn+i(x)/ fn(x)I S e < 1 para
todo x E X e todo n suficientemente grande. Obtenha a mesma conclusão.

Seção 3: Séries de potências

1. Seja r o raio de convergência da série de potências I: an (x - x 0 ) n. Prove


que se r E- R+ então r = 1/ L, onde L é o maior valor de aderência da
seqüência limitada ( Vi"arJ). Assim, r = 1/(limsup Vi"arJ).
2. Se lim :vTarJ = L, prove que as séries de potências
00 00

L anX2n e L anX2n+1
n=O n=O

têm ambas raio de convergência igual a 1/vL.


3. Determine o raio de convergência de cada uma das séries seguintes:
Lªn2xn, Lªrnxn e Ln'ºtnxn.

4. Prove que a função f: (-r, r) --. IR, dada por f (x) = I::=o anxn, onde r
é o raio de convergência desta série, é uma ~nção par (respectivamente,
ímpar) se, e somente se, an = O para todo n ímpar (respectivamente, par).
(Ver Exercício 2.4, Cap. 8.)
5. Seja I::=o anxn uma série de potências cujos coeficientes são determinados
pelas igualdades a 0 = a1 = 1 e ªn+l = an + ªn-l· Mostre que o raio de
convergência desta série é igual a (-1 + v'5) /2.
6. Prove que a função

f(x) = 'to (-ir (:i)2 (i )2n

está bem definida para todo x E IR e que f" + f' + f = O para todo :r; f. O.
X
13

Sugestões e
Respostas

Cada uma das doze seções deste capítulo tem o mesmo título de um dos doze
capítulos anteriores e contém soluções para exercícios propostos naquele capí-
tulo. Em cada uma delas, a notação p.q significa o q-ésimo exercício da seção p
do capítulo correspondente.

1. Conjuntos finitos e infinitos

1.2. O conjunto A dos múltiplos de m maiores do que n não é vazio pois ( n + 1 )m E A. Seja
(q + 1 )m o menor elemento de A Se n não é múltiplo de m, qm < n < (q + 1 )m,
logo n = qm + r, com r < m. Reciprocamente, se n = qm + r com r < m então
(q + 1 )m é o menor elemento de A, logo q está determinado univocamente, juntamente
comr = n- mq.
1.3. Seja k o menor elemento de X. Se n E X então n 2 k. Assim, ou n é múltiplo de k ou
n = qk + r com r < k. Ora, n e qk pertencem a X, logo r E X, o que é absurdo pois k é
o menor elemento de X. Assim todo n E X é múltiplo de k.

1.4. n <x<n + 1 ::::;,- x = n + p, p E N ::::;,- n + p < n + 1 ::::;,- p < 1, absurdo.


1.5. Seja X C N tal que 1 E X e n E X ::::;,- n + 1 E X. Se X -=/= N, tome k = menor
elemento de N - X. Como 1 E X, tem-se k = p + 1, com p < k logo p E X. Sendo
p + 1 = k (/. X, chega-se a uma contradição.

2.1. Podemos supor Y C X C ln. Se fosse card Y =m > n, existiria uma bijeção entre Im
e sua parte própria Y.

2.2. Se Y = X ú {a} onde a (/. X então P(Y) é formado pelas partes de Y que não contêm a
mais as que contêm a. As primeiras constituem P( X) e as outras são em mesmo número que
as primeiras, logo P(Y) = 2.P(X). Esta é a base da indução sobre o número de elementos.

2.3. Se X = X' U {a}, a ~ X' então para cada função J': X' - Y há n maneiras de estendê-
la a uma função J: X --4 Y, correspondentes às n imagens possíveis f(a,) E Y. Logo
card F(X; Y) = card F(X'; Y) X n. Isto fornece a base para a indução cm ·111..
3.3. Use a idéia de Euclides: supondo P finito, considere o produto de todos os números primos,
some 1 a esse produto e obtenha um número n, o qual não pode ser primo, mas deve possuir
um divisor primo. Chegue a uma contradição.

3.4. Tome Xn = N - ln =conjunto dos números naturais maiores do que n. Então a E


íl:'= 1 Xn significa que a é maior do que todos os números naturais.
4.1. Para a injetividade de f use a unicidade da decomposição em fatores primos. Para a sobre-
jetividade, dado k E N, sejam o maior número natural tal que k é divisível por 2m. Então
k = 2m .l, onde l é ímpar, logo l = 2n - 1.

4.2. Tome g = rr o cp, onde cp: N --t N X N é sobrejetiva e rr( m, n) = n.


4.3. Use o exercício anterior.

4.4. A função f: Pn --t Nn = N X • · · X N, definida por /(X) = {m1, ... , mn) se


X= {m1 < m2 < · · · < mn},éinjetiva,portantoPnéenumerável,logoP = LJ~ 1 Pn
também é.

4.5. Interprete cada subconjunto X C N como uma seqüência de zeros e uns, na qual o n-ésimo
termo é 1 se n E X e O se n </. X.

4.6. X= LJyEY f~l(y).

2. Números reais

2.2. x = x - y + y => lxl ::; lx - YI + IYI => lxl - IYI ::; lx - YI· Analogamente,
IYI - lxl ::; lx - YI, logo llxl - IYII = max{lxl - lyl, IYI - lxl}::; lx - YI·
2.5. Não use indução. Escreva (1 + x ) 2 n = {1 + 2x + x 2 )n e use a desigualdade de Bernoulli.
2.6. Segue-se de 2.2.

2.7. Note que J(>..) = a>.. 2 + b).. + e, onde a= I; yf, b =, 2 I: XiYi, e= I: xf.
3.3. Seja A = sup f. Tem-se f(x) ::; A, donde J(x) 2 ::; A 2 , para todo x E X, logo
sup(f 2 ) ::; A 2 . Por outro lado, se e < A 2 então y'c < A, logo existe x E X com
yc < f(x)::; Aedaíc < f(x) 2 ::; A2 . Portantosup(f 2) = A 2 .
3.4. Dex < (2- a 2)/(2a+ 1) resulta a 2 + 2ax +x < 2. Como x < 1, tem-se x 2 <:,:,logo
· (a + x ) 2 = a2 + 2ax + x 2 < a2 + 2ax + x < 2. Por outro lado, de y < (b2 - 2) /'l/1
vem b2 - 2by > 2 e daí resultam {b-y) 2 = b2 - 2by + y 2 > 2 e b(b - 2y) > 2. donde
b- y > b - 2y >O.Estes fatos dizem que se X= {a> O;a 2 < 2} então e= Hllp X
não pertence a X nem ao conjunto Y = {b > O; b2 > 2}. Logo c2 = 2.
3.5. A correspondência que associa ao polinômio p(x) = a 0 + a 1 x + ... + 11. 11 :1: 11 u lista
(ao, a 1 , · • • , an) é uma bijeção entre o conjunto Pn dos polinômios de coclicienles inteiros
e grau ~ n e o produto cartesiano zn+ i =Z x · · · x Z, logo Pn é enumerável. Daí
o conjunto P = U~=oPn dos polinômios com coeficientes inteiros é enumerável. Para
cada número algébrico a, escolha, de uma vez por todas, um polinômio Pa de coeficientes
inteiros que tenha a como raiz. A correspondência a f-4 Pa define uma função do conjunto
A dos números algébricos reais no conjunto enumerável P, tal que a imagem inversa de cada
elemento de P é finita. Logo A é enumerável.

3.6. Sejam a = inf I e /3 = sup I, convencionando que a = -oo (respect.,,B = +oo) se


I for ilimitado inferiormente (respect. superiormente). Basta provar que ( a, ,B) C I. Ora
x E ( a, ,B) ::::} a < x < f3 =} (pela definição de inf. e sup.) existem a., b E I com
a. < x < b, logo, pela hipótese, x E I.

3. Seqüências de números reais

1.2. Dado e > O, existem n1, n2 E N tais que n > ni ::::} lxn - ai < e e n > n2 ::::}
IYn - ai < e. Tome no = max{2ni, 2n2 - 1}. Se n = 2k, então n > no =}
2k > 2ni ::::} k > ni ::::} lzn - ai = lxk - ai < e. Se n = 2k - 1, então
n > no ::::} 2k - 1 > 2n2 - 1 ::::} k > n2 ::::} lzn - ai = IYk - ai < e. Portanto
limzn = a.
1.3. Basta notar que llxnl - lall ~ lxn - ai.

1.5. Para o conjunto B, tome uma decomposição N = Ni U N2 U · · · onde os Nk são infinitos


2 a 2 disjuntos e ponha Xn = k se n E Nk. Para o conjunto C, tome uma enumeração
xi, x2, ... , Xn, · · · dos números racionais do intervalo [O, l].
1.6. Para a suficiência, tome sucessivamente e igual a 1, 1/2, 1/3, · · · e obtenha ni < n2 <
n3 < · · · com lxnk - ai < 1/k.
2.3. Existe e > O tal que lxn - ai > e
para um conjunto infinito N' de valores de n.
Por Bolzano-Weierstrass, a subseqüência (xn)nEN' possui uma subseqüência convergente:
N" C N' e limnEN" Xn = b. Tem-se lb - ai 2: e logo b # a.
2.4. Seja a o único valor de aderência de (xn). Tem-se limxn = a em virtude do exercício
anterior.

2.5. A seqüência dada tem o único valor de aderência O mas não converge·pois é ilimitada.

2.6. Seja a < b. Como a média aritmética é maior do que a média geométric_a, tem-se a < xi <
x2 < · · · < Y2 < Yi < b. Logo existem x = lim Xn e y = lim Yn· Fazendo n --+ oo
em Yn+i = (xn + Yn)/2 vem y = (x + y)/2, donde x = y.
2.7. (a) Tomando e = 1, vê-se que existe no E N tal que lxm - ai < 1 para todo m > no,
onde a= Xno+i· Então os termos da seqüência pertencem ao conjunto {xi, ... , Xn 0 } U
[a - 1, a+ 1], que é limitado.
(b) Se limnEN' Xn = a e limnEN" Xn = b com la - bl = 3e > O então existem
índices me n arbitrariamente grandes tais que lxm - ai < E e lxn - bl < E. Como :Ir
la - bl:::; la - Xml+lxm - Xnl+lxn - bl < 2E+lxm - Xnl,dondelxm - x 11 I > 1,,
conclui-se que (xn) não é uma seqüência de Cauchy.
(c) Segue-se dos ítens anteriores e do exercício 2.4.
3.1. Observe que 1 < n+{1/'n < yn.

3.3. A seqüência é crescente pois x1 < x2 e, supondo Xn-1 < Xn vem x; = a+ Xn-1 <
a + Xn = x;+ 1 donde Xn < Xn+l· Além disso, se e é a raiz positiva da equação
x 2 - x - a = O, ou seja, c2 = a + e, tem-se Xn < e para todo n. Isto é verdade para
n = 1 e, de Xn < e resulta x;+ 1 = a+ Xn < a+ e= c2 logo Xn+l < e. Portanto
existe lim Xn. Fazendo n --+ oo na igualdade x;+ 1 = a + Xn vê-se que lim Xn = e.
3.5. Note que x2 = 1/(a + x1) e X3 = 1/(a + x2) = (a+ x1)/(a 2 + ax1 + 1). Tem-se
x1 > e = 1/(a + e) > 1/(a + x1) = x2. Além disso, x1 > x2 = 1/(a + x1) =}
x1(a+x1) > 1 =>(multiplicandoporaesomandoxi)=} x1(a 2 +ax1 +1) > a+x1 =}
x1 > (a+ xi)/(a 2 + ax1 + 1), logo x1 > x3 > e > x2. Analogamente se vê que
x1 > x3 > e > x4 > x2, e assim por diante. Portanto existem lim x2n-l = ç e
limx2n = T/· A relação Xn+2 = (a+ Xn)/(a 2 + axn + 1), por passagem ao limite,
fomeceç = (a+ç)/(a 2 +aç + 1) ery = (a+ry)/(a 2 +ary + 1), Jogoç2 + aç -1 = O
e ry 2 + ary - 1 = O. Como ç e T/ são positivos, vem ç = T/ = e.
3.6. Observe que Yn+l = a+ Xn.
3.7. Basta observar que Xn+l = 1/(1 + xn).
4.1. Pelo Exemplo 9, dado arbitrariamente A > O, existe no E N tal que n > no =} n! >
An =} yn! > A logo lim yn! = +oo.
4.2. Lembre que JA - vB = (A - B)/( JA + v'B).
4.3. Para todo n suficientemente grande, n!/(nk.an) > n!/(an.an) = n!/(a 2 logo t
limn->oo n!/(nk.an) +oo. Pondo Xn (an.n!)/nn, obtemos
Xn+ifxn = a.(n/(n + l)t, portanto lim(xn+ifxn) = a/e. Segue-se do Exem-
plo 8 que limxn = +oo se a > e e limxn = O se a< e. Quanto a Yn = nk.xn =
(nk.an.n!)/nn, evidentemente limyn = +oo se a > e. Quando a < e, o quociente
Yn+i!Yn = [(n + 1)/n]k.(xn+ifxn) tem limite a/e< i: logo limyn = O.
4.4. Observe que (log(n + 1)/ log n] - 1 = log(l + 1/n)/ logn tende a zero.
4.5. Sejam Xn = Xn+l - Xn e Yn = Yn+l - Yn· Dado E > O,existe p E N tal que, para todo
k EN, osnúmerosXp/Yp, · · · , Xp+k/Yp+k pertencem ao intervalo (a-E, a+E ). Scgul~-
sedoExercicio2.8, Capítulo2, que (Xp+ · ·+Xp+k)/(Yp+ · ·+Yp+k) E (n- E, a I t ),
ou seja, (xp+k+l - xp)/(Yp+k+l - Yp) E (a - E, a+ E) para este valor lixo de 71 t•
todo k E N. Divida numerador e denominador por Yp+k+l, faça k - i oo e conrlun que
lim(xn/Yn) = a.
4.6. Conseqüência imediata do exercício anterior.

4. Séries numéricas
1.1. Observe que bn = log n!l = log(n + 1) - log n.

1.4. Agrupe os termos um a um, dois a dois, quatro a quatro, oito a oito, etc. e compare com a
série harmônica.

1.5. Use o método do Exemplo 5.

1.6. Para n suficientemente grande, log n < y'n.


1.7. Observequen·a2n :S: an+l +· · ·+a2n :S: ªn+l +· · · = s-sn-, O,logona2n-, Oe
daí(2n)a2n-, O. Tambémn·a2n-l :S: an+· · ·+a2n-l :S: an+· · · = s-sn-1 __, O,
logo n · a2n-l -, O donde 2n · a2n-l _, O e (2n - l)a2n-l -, O. Assim, quer n seja
par quer seja ímpar, vale limn ...... cx:, n · an = O.
2.4. Observe que s2p < S4p < S6p < · · · < S5p < s3p < Sp, que 2np :S: i :S: (2n + 1 )p *
s2np :S: Si :S: S(2n+l)p e, finalmente, que S(2n+l)p - s2np < p · 2~P = 2~ -, O.
2.5. Sejam /bnl :S: B para todo n 2 O e E lanl = A. Dado é > O, existe no E N tal que
n 2 no* \bnl < t:/2Ae lanl + /an+il + ·· · < t:/2B. Entãon > 2no *
lcn/ = /aobn + · · · + an 0 bn-no + ªno+ibn-no-1 + · · · + anbo/
é
:S: (/aol + · · · + /an 0 /) 2 A + (lan 0 +1/ + · · · + /an/).B
A.é é .
<- + -B = é, portanto hmcn = O.
2A 2B

2.7. Pela desigualdade de Cauchy-Schwarz,

para todo n E N.

2.8. Se E an é absolutamente convergente então ·qualquer soma finita S de termos ªn está


compreendida entre p e -q, onde, na notação da demonstração do Teorema 4, p = E Pn e
q = E Qn. Reciprocamente, se as somas finitas de termos an formam um conjuqto limitado
então, em particular, as reduzidas das séries E Pn e L Qn são limitadas, logo estas duas
séries são convergentes e L ªn converge absolutamente.

3.3. Não há dificuldade em usar o teste de Cauchy. O teste de d' Alembert leva a ªn-+' 1
an
=
log~~i 1) · ( n~ 1 ) n · ( 'º1i;~) n. O primeiro fator tem limite zero, o segundo tem limite
ri
1/e, logo basta provar que o terceiro fator é limitado. Para 2 3, temos [(n+ 1)/n]n < n
portanto (n + 1 )n < n n+l e, tomando logarítmos, n · log( n + 1) < (n + 1) log n, donde
log(n+ 1)/ logn < (n+ 1)/n. Então (log(n+ 1)/ logn)" < [(n 1 1)/-11J" · r·,
portanto lim(an+if an) = O.

3.4. Ponha Zn = x1x2 ... Xn e use o Teorema 7.

3.5. -1 <X< 1, X= 0, -00 <X< +oo, X= 0, -1:::; X:::; 1.

4.1. Some os primeiros termos positivos até que, pela primeira vez, a soma
seja 2:: JprimcirÕ termo negativoJ +l e depois some um só termo negativo.
Em seguida some os termos positivos, em sua ordem, até que a soma pela
primeira vez seja 2: Jsegundo termo negativo! +2 e aí some um só termo
negativo. Prossiga. Essa ordenação dos termos faz a soma da série ficar
+oo. Analogamente para -oo.

4.2. Após cada termo positivo ponha os 4 primeiros negativos ainda não usados.

4.3. (a) Dado ê > O, seja J 1 e N finito tal que J1 e .J e N, J finito, impliquem
Js - LnEJ a,.J < e. Tome Jo C N finito tal que cp(Jo) = J1. Então
J => Jo => cp(J) => cp(Jo) = J1. Portanto Jo C J C N, J, finito implicam

S- L bn = S- L acp(n) = S- L am < E.
nEJ nEJ mEcp(J)

(b) Por simplicidade, para cada J e N finito, seja SJ = LnEJ a,.. Tendo em
vista o Exercício 2.8, basta provar que o conjunto das somas SJ, J e N finito, é
limitado. Ora, dado ê = 1, existe Jo e N finito tal que J => J 0 => Js - SJJ < l.
Escrevendo a = LnEJo Janl, vê-se que, para todo J C N finito, vale Is - s.11 =
Is - SJuJo - SJ0 -JJ < 1 + a, logo SJ pertence ao intervalo de centros e raio 1 + <Y.
(c) Sejam s = L an = u - v, u = LPn, v = L qn, como na demonstração
do Teorema 4. Para J C N finito, sejam SJ = LnEJ an, UJ = LnEJ JJ.,, ti
VJ = LnEJ qn, donde SJ = UJ - VJ. Dado ê > O, existe no EN tal que, pondo
Jo = {1, ... , no}, J => Jo => lu - u.11 < ê/2, lv - VJI < e/2, logo J => .lo
Is - sJI :S lu - UJI + Jv - VJI < €.

5. Algumas noções topológicas

> O tal que (a - €, a. + e) t X .


1. l. Para todo a E int X existe, por definição, e
Basta provar que (a - €,a+ é) e int X. Se y E (a - é, a+ E), Hn,ia ,\ 11
menor dos números positivos y- (a-€), (a+ é) -y. Então (y - â, y I b) 1
(a - €, a + €) e X, logo y E int X.
1.2. Se A não fosse aberto, existiria um ponto a E A que não H1H"i1t i11l,1 1 rlor.
Então, para cada n EN, poder-se-ia encontrar Xn E (a·- l/n,u I l/11),
Xn (j. A. Daí lim Xn = a. Contradição.

1.5. frX={ü,1}, frY={0,1,2}, frZ=IR, frW=W.


1.6. Sejam an < bn as extremidades de ln. Então a1 :s; a2 :s; · · · :s; Un :S:: · · · bn :s; · · · b2 :s;
b1. Se a = sup an e /3 = inf bn, então o, = {3 =} nln = {a} pois a interseção não
é vazia. Se a < /3 então a < x < f3 =} an < x < bn para todo nlogo (a, /3) C l.
Por outro lado e < a :::} e < an para algum n =} e (/. ln =} e f/. l. Analogamente
(3 < e :::} e f/. l. Portanto ( a, /3) C l C [a, /3]. Isto garante que l é um intervalo cujos
extremos são a e /3. Como os ln são dois a dois distintos, pelo menos uma das seqüências
(an) e (bn), digamos a primeira, tem uma infinidade de termos distintos. Então, para todo
n E N existe p E N tal que an < ªn+p :s; a < /3 :s; bn logo a E;= (an, bn) C ln.
Portanto a E l e l não é um intervalo aberto.

2.1. Segue-se do Teorema 2 que D C X é denso em X se, e somente se, há pontos de D cm


todo intervalo (x - E, x + E) com x E X. Se n é tão grande que kn > 1/é, os intervalos
[m/kn, (m + 1)/kn] têm comprimento 1/kn < E logo, sem é o menor inteiro tal que
x + E :s; (m + l)/kn certamente m/kn E (x - é, x + é).
2.2. Se a E X então ou a E X ou toda vizinhança de a contém pontos de X e de IR - X (a
saber, o próprio a) logo a E fr X.

2.3. Dizer que a (/:. int, X significa afirmar que toda vizinhança de a contém pontos que não
estão em X, isto é, que a E IR - X.

2.4. Sejam X aberto e a E A arbitrário. Para todo E > O suficientemente pequeno, ( a - E, a+


E) C X. Se nenhum desses intervalos estivesse contido em A, cada um deles conteria
pontos de B e daí a E A n B, contradição. Logo existe E > O tal que ( a - E, a+ E) C A
e A é aberto. Analogamente para B. Se X é fechado e a E A então a E X. Mas não pode
ser a E B pois isto faria A n B f=. 0. Logo a E A e A é fechado. Analogamente para B.

2.5. Se fr X é vazia então X :) fr X e X n fr X = 0, logo X é fechado e aberto.

2.6. De X e X U Y e Y e X U Y vem X e X u Y e Y e X U Y logo X U Y e X U Y.


Reciprocamente, se a E X U Y então a = lim Zn com Zn E X U Y. Para infinitos valores
dem,znestáemX(dondea E X)ouemY(eentãoa E Y). Logoa E XUY. Portanto
X U Y C X U Y. Além disso, de X n Y C X e X n Y C Y seguem-se X n Y C X e
X n Y e Y donde X n Y e X n Y. Se X= [O, 1) e Y = (1, 2] então X n Y = 0
logo 0 = x n Y e X n Y = [O, 1] n [1, 2] = {1}.

2.7. Evidentemente, X U A C X. Reciprocamente, se a E X, então ou a E X ou, caso


contrário, toda vizinhança de a contém algum Xn e/= a. Ponha n1 = menor n E N tal que
Jxn - a\ < 1, e uma vez definidos n1 < ··· < nk com \xn; - a\ < 1/i, ponha nk+l =
menor n EN tal que \xn - a\ < 1/(k + 1) e< \xnk - a\. Então limxnk =a E A.

3.2. Escolha em cada intervalo l da coleção um número racional r I. A correspondência l i------.. rI


é injetiva. Como Q é enumerável, a coleção é enumerável.

3.3. Para cada x E X existe Ex > O tal que (x - éx, x + éx) n X {x}. Sejalx
(x - cx/2, x + cx/2). Dados x =J y
E X, seja, digamos, Ex :::; E:.y· Se z E l;i, rl 111 c,11110
Jx - zl < cx/2 e jz - yj < cy/2, logo Jx - YI :::; Jx - zj + jz - yj < cx/2 + c. 11 /'2 :e:'.
E:y, donde x E ly, contradição.
3.4. Pelos dois exercícios anteriores, todo conjunto cujos pontos são todos isolados é enumerável.

3.5. Se a não é ponto de acumulação de X então existe um intervalo aberto I contendo a, tal que
I n X C {a}. Nenhum ponto de I pode ser ponto de acumulação de X. Logo IR - X' é
aberto. Daí, X' é fechado. -

4.1. Se a (/e A então, pelo Exercício 1.7 do Capítulo 3, existe é > Otal que nenhum ponto do
intervalo (a - e., a + e.) pertence a A. Logo A é fechado.
4.3. Fn = [n,+oo) e Ln= (O, 1/n).
4.4. Seja a= inf{jx - yj; x E X, y E Y}. Existem seqüências de pontos Xn E X e Yn E Y
tais que lim lxn - Yn 1 = a. Passando a uma subseqüência, se necessário, pode-se admitir
que limxn = xo E X. Como IYnl :::; IYn - xnl + lxnJ, segue-se que (y.,,) é uma
seqüência limitada. Passando novamente a uma subseqüência, vem lim Yn = Yo E Y.
Logo Jxo - Yol = a.
4.5. Todo conjunto infinito limitado X admite um ponto de acumulação a. Se X é compacto,
a E X. Os exemplos são X=N e Y={l, 1/2, ... , 1/n, ... }.
4.6. É fácil provar que os conjuntos dados são limitados. Para mostrar que Sé fechado, suponha
que lim(xn + Yn) = z, Xn, Yn E X. Existe N' C N infinito tal que limnEN' :r.,, =
xo E X. Então, como Yn = (xn + Yn) - Xn, existe limnEfil' Yn = YO E X e daí
z = limnEJ\I' (xn + Yn) = xo + Yo E S. A demonstração para D, P e Q se faz de modo
análogo.

5.1. Pertencem ao conjunto de Cantor os números 1/3 O, 1 O, 0222 ... ;


1/4 = O, 0202 ... ; 1/9 = O, 01 = O, 00222 ... e 1/10 = O, 00220022 ... (de-
senvolvimentos na base 3).

5.2. Mostre primeiro que, dado um número da forma a = m/3n (que na base 3 tem desenvolvi-
mento finito), existem x, y E K tais que x - y = a. Depois note que, sendo K compacto,
o conjunto D dos números lx - YI, com x, y E K, é compacto. Como as frações m/3"
são densas em [O, 1], segue-se que D = [O, 1].

5.4. Os extremos dos intervalos omitidos são os pontos de K que têm desenvolvimento finito cm
base 3. Os demais pontos de K são limites destes. (Exemplo:O, 20202 ... = lim :1:.,,, 011<11·
x 1 = O, 2; x2 = O, 20; x3 = O, 202 etc.)

6. Limites de funções

1.2. Basta provar que se x 1 . , Yn E X - {a} e lim Xn = lim Yn a então lii11 .((;,:,,)
limf(Yn). Paratal,defina(z~)pondoz2n-l = Xnez2n = Yn· Tcm-selimzn = a,logo
(f(zn)) converge e daílim J(xn) = lim f(y 11 ) pois (f (xn)) e (f (yn)) sãosuhseqüências
de (f(zn)).

1.5. Tome a E IR. com sena= e e ponha Xn = 1/(a + 21rn).


2.1. Basta notar que se limxn = a e Xn > a para todo n E N então (xn) possui uma
subseqüência decrescente (convergindo para a, naturalme.nte).

2.2. O mesmo que para o exercício anterior.

2.5. O intervalo [-1, 1]. Com efeito, se -1 S e S 1, tome uma seqüência de números
Xn < Ocom lim Xn = Oe sen(l/xn) = e para todo n. (Como no Exercício 1.5.) Então
J(xn) = c/(1 + 21/xn) tem limite e.
3.1. Escrevap(x) = xn[(ao/xn) + (ai/xn-l) + · · · + (an_ifx) + a11 ].
3.2. Quando 21rn - i SxS i, a função x sen x assume todos os valores de i - 21rn a
21rn +
i + 21rn. Dado e E IR., existe no E N tal que i - 21rn S e S 21rn + Í para todo n ;::: no.
Logo, para todo n ;::: no, existe Xn E [21rn - i, 21rn + i] tal que Xn sen Xn = e. Então
limxn = +oo e lim f(xn) = e.
3.3. Mt e mt são funções monótonas de t (não-crescente e não decrescente, respectivamente),
ambas limitadas. Logo existem limt----.+oo Mt = L, liml-++oo mt = l e limt----.+oo Wt =
L - l. Como mt S f ( t) S Mt para todo t ;::: a, se lim Wt = O então existe
limx----.+oo f(x) = L = l. Reciprocamente, se limx--->+oo .f(x) = A então, para todo
é > Oexiste t ;::: a tal que A - € < f (x) < A + e: para todo x > t, logo Mt - mt S 2€.
Segue-se que lim Mt = lim mt e limwt = O.

7. Funções contínuas

1.1. Observe que cp(x) = ½[.f(x) + g(x) + lf(x) - g(x)IJ e 1/J(x) = ½[f(x) + g(x) -
lf(x) - g(x)I]
1.2. A= A1 U A onde A1 = {x E X; f(x) < g(x)} e A2 = {x E X; f(x) > g(x)} e
F = Pi n F2 onde F1 = {x E X; f(x) S g(x)} e F2 = {x E X; f(x);::: g(x)}.
1.5. Se f é descontínua no ponto a E IR. existem e: > Oe uma seqüência ( Xn) com lim Xn = a
e lf(xn) - J(a)I ;::: é para todo n EN. Então, pondo X= {x1, ... , Xn, ... }, tem-se
a E Xef(a) '/. f(X),Iogof(X) (j__ f(X). Arecíprocaéevidente.
1.7. Certamente existem é > O e uma seqüência de pontos Zn E X tais que lim Zn = a e
1.f(zn) - f(a)I > e: para todo n E N. Existe um conjunto infinito {n1 < n2 < · · · <
nk < · · ·} deíndicesn paraosquaisadiferençaf(zn)- f(a) tem o mesmo sinal (digamos,
positivo). Então, escrevendo Xk = Znk, temos f(xk) > J(a.) +€para todo k EN.

2.1. Fixe a E I. Pondo A= {x E I;f(x) = f(a)} eB = {x E X;f(x)-=/ f(a)} tenHe


I = A U B. Como fé localmente constante, todo x E A tem uma vizinhança disjuntu de
B, logo x (J. B. Assim A n B = 0. Analogamente, A n R = 0, portanto/= A U /J é
uma cisão. Como a E A, segue-se que A -/= 0 donde A = I e f é constante.

2.2. Suponha f não-decrescente. Dado a E intJ, sejam l = limx-+a- f(x) e


L = limx-+a+ f(x ). Se fé descontínua no ponto a então l < L. Tomando x, y E J com
x <a< y e z-/= f(a) tal que l < z < L, tem-se f(x) < z < f(y) mas z '1- f(I), logo
J(I) não é um intervalo. (Raciocínio análogo se a é uma das extremidades de J.)
2.4. Se fé descontínua no ponto a E J, existem E > Oe uma seqüência de pontos Xn E J tal que
lim Xn = a e (digamos) f (xn) > f (a) +.s. Fixando e E (f(a), f (a)+ E), a propriedade
do valor intermediário assegura, para cada n E N, a existência de Zn entre a e Xn tal que
f(zn) = e. Evidentemente o conjunto dos Zn assim obtidos é infinito. Contradição.
2.5. Defina r.p: [O, 1/2]-+ ~ pondo r.p(x) = f(x + 1/2) - f(x). Então r.p(O) + r.p(l/2) = O
logo existe x E [O, 1/2] tal que f(x) = f(x + 1/2). No outro caso tome 'lt,: [O, 2/3] -+
~, '!t,(x) = f(x + l/3) - f(x) e note que 'lt,(O) + 'lt,(1/3) + 'lt,(2/3) = Ologo 'lt, muda
de sinal e portanto se anula em algum ponto x E [O, 2/ 3] .

3.1. Fixe arbitrariamente a E R Existe A > O tal que a E [-A, A] e lxl > A => f(x) >
f(a). A restrição de f ao conjunto compacto [-A, A] assume seu valor mínimo num ponto
x0 E (-A,A]. Comof(xo) ~ f(a),segue-sequef(xo) ~ f(x) paratodo:1: E R
3.2. Basta observar que o conjunto das raízes x da equação f(x) = e é fechado e (como
limx_, t-oo f(x) = +oo e limx-->-oo f(x) = -oo) limitado.
3.3. Como o intervalo [a, b] só tem dois pontos extremos, ou o valor mínimo ou o valor máximo de
f (digamos, este) seráassumidonumpontocinteriora [a, b] e noutro ponto d E [n, b]. Então
existe 8 > O tal que nos intervalos [e - 8, e), (e, e+ 8] e (caso d não seja o extremo inferior
do intervalo [a, b]) [d- 8, d) a função assume valores menores do que f(c) = J(d). Seja A
o maior dos números f(c - 8), f(c+ 8) e f(d- 8). Pelo Teorema do Valor Intermediário,
existemx E [c-8,c),y E (c,c+8]ez E [d-8,d)taisquef(x) = f(y) = J(z) = A.
Contradição.

3.4. Tome xo, x1 E [O, p], pontos em que f 1 [O, p] assume seus valores mínimo e máximo.

3.5. Caso contrário, existiria .s > O com a seguinte propriedade: para todo r,, E N, haveria
pontos Xn, Yn E X com lxn - Ynl 2: E e IJ(xn) - f(Yn)I > nlxn - Y1,,I. Passando a
subseqüências, ter-se-ia lim Xn = a E Xelim Yn = b E X com la - bl 2: f' e

+oo = lim[JJ(xn) - f(Yn)l/lxn - Ynl] = IJ(b) - f(a)l/lb - ai,


Contradição.

4.1. Se X não é fechado, tome a E X - X e considere a função contínua f: X -+ ~. definida


por f ( x) = 1 / ( x - a). Como não existe limx-+a f (x), f não é uniformemente contínua.
Por outro lado, N não é compacto mas toda função f: N -+ ~ é uniformemente contínua.
4.2. Tome Xn = J(n + 1/2)7r e Yn = .fn:ii. Então lim(xn - Yn) = O mas IJ(xn) -
f (Yn) 1 = 1 para todo n E N.
4.3. Para todo x E X, tem-se rp(x) = f(x) pela continuidade de f. Além disso, se x E X
ex = limxn, Xn E X então rp(x) = limf(xn)- Dado e > O, existe ó > O tal
quex,y E X, jx-yj <ó=} IJ(x)-f(y)j < e/2. Sex,y E Xe lx-yl < ó,
tem-se x = limxn, y = lim Yn com Xn, Yn E X. Para todo n E N suficientemente
grande tem-se lxn - Ynl < ó logo lf(xn) - f(Yn)I < c/2 e daí lrp(x) - rp(y)j =
limjf(xn)- f(Yn)I:::; e/2 < e. Portanto<p:X--. :!Ré uniformemente contínua.

4.4. SejaL = limx-,+oof(x). Dado e> O existe E> Otalquex 2': B =} IJ(x)-Lj <
c/4. Então x 2': B, y 2': B =} IJ(x) - f(y)j :::; IJ(x) - Lj + jL - f(y)j < e/4 +
c/4 = c/2. Analogamente,existeA > Otalquex:::; -A,y:::; -A=} IJ(x)- f(y)j <
e /2. Por outro lado, como [-A, B J é compacto, existe ó > O tal que x, y E [- A, B J,
jx -yj <ó=} IJ(x)-f(y)j < c/2. Sex < -Aey E [-A,B], com lx -yl < ó,
lem-self(x) - f(y)j:::; lf(x) - f(-A)l+IJ(-A) - f(y)I < e/2+c/2 = é,porque
1-A - YI < jx - YI <ó.Analogamente, x > B, y E [-A, B] e jx - yj < ó implicam
1f ( x) - f (y) 1 < E. Logo f é uniformemente contínua.

8. Derivadas
1.1. Escreva f(x) = f(a) + J'(a)(x - a)+ r(x) como no Teorema 1 e defina 71: X --. :IR
pondo 71(x) = [f'(a) + r(x)/(x - a)] = f(x;=!(a)
se x =/- a e 71(a) = J'(a). A
continuidade de 7/ no ponto a segue-se do Teorema 1.
1.3. Note que

f(Yn) - f(xn) = tn. f(Yn) - f(a) + (l _ t,.) f(xn) - f(a),


Yn - Xn Yn - a Xn - a
onde O < t,. < 1 para todo n. Basta tomar tn = (Yn - a)/(Yn - Xn). Na definição de
derivada, as secantes que tendem para a tangente no ponto ( a, f (a)) passam todas por este
ponto. Aqui, ambas extremidades variam.

1.4. Tome f(x) = x 2 sen(l/x), se x =/- O e J(O) = O. Ponha Xn = l/7rn e Yn =


1/(n + 1/2)7r.
1.5. Recaia no Exercício 1.3. O exemplo pedido pode ser a função f(x) = xsen(l/x) ou
qualquerfunçãopar (f(-x) = J(x)) quenãopossuaderivadanopontox = O.
f para x =/- O são o produto de e-l/x 2
2.1. Pela Regra da Cadeia, as derivadas sucessi~as de
-1/h 2
por um polinômio em 1/x. No ponto x = O tem-se !'(O) = limh-,O ~ = O, como
se vê escrevendo 1/h = y. Supondo J'(O) = · · - = j<nl(O) = O tem-se j<n+l){O) =
limh--tO ¾J<n)(h) = limh-,O P(1,(h) .e-l/h 2 = limh->O Q(l/h).e-l/h2 = O.

2.5. Derive k vezes em relação ata igualdade f(tx) = tk_J(x) e obtenha j<kl(tx).xk =
J<kl(o)
k!f(x).Façat=Oeconcluaquef(x)= k! xk.

3.1. Tome f ( x) como no Exemplo 7.

3.2. Para fixar idéias, suponha f" (e) > O. Pelo Corolário 2 do Teorema 4, existe ti > O 1111 qut'
e - li < x < e < y < e + li => f' (x) < O < f' (y). Então e - li < x < e => J(;,: ) ·
f (e) pois se fosse f (x) ~ f (e), como a derivada f' (x) é negativa, o valor mínimo de J no
intervalo [x, e] não seria atingido nem no ponto x nem no ponto emas num ponto z E (:,:, e)
portanto f' (z) = O, contrariando o fato de z pertencer a ( e - 8, e). Analogamente se
mostra que e < y < e + 8 =} f (y) > f (e). Logo e é um ponto de mínimo local. Se fosse
f 11 (e) < O, e seria ponto de máximo local.
3.3. Pelo Corolário 2 do Teorema 4, existe 8 > O tal que e - 8 < x < e < y < e + 15 =>
f'(x) <O< f'(y), logo e é o único ponto crítico de f no intervalo (e - 8, e+ 8).
3.4. f"(c) = limn-+oo J'(e~2=t(e) = O pois f'(en) = f'(c) = O para todo n.

3.5. Seja Mo conjunto dos pontos de máximo local estrito de f. Para cada e E M fixemos
Te < Se racionais taisquere < e< Se ex E (re, se), x #e,=> f(x) < f(c). Sed E M
é diferente de e então os intervalos (re, se) e (rd, sd) são diferentes porque d (J. (re, se) ou
e(/. (rd, sd), Com efeito, d E (re, se) => f(d) < f(c) e e E (rd, sd) => f(c) < f(d).
Como Q é enumerável, a correspondência e i--, (re, se) é uma função injetiva de M num
conjunto enumerável. Logo M é enumerável.

4.1. Suponha A< B. Tome ê > O com A+ ê < B - ê. Existe 6 > O tal que e - 6 ~ x <
e< y ~ e+ 6 => g(x) <A+ ê < B - ê < g(y). Em particular, g(c - 8) < A+ e
e g(c + 8) > B - e mas, tomando d # g(c) no intervalo (A+ e, B - ê), não existe
x E ( r: - 8, e+ 8) tal que g( x) = d. Pelo Teorema de Darboux, g não é derivada de função
alguma f: I - t R

4.5. Umcxemploéf(x) =x 3 . ComocadapontodeXélirnitedepontosdeYtem-seX C Y


e daí X C Y. Por outro lado, Y C X pelo Teorema do Valor Médio, logo Y C X.
4.6. As hipóteses implicam que f' (x) é ilimitada superior e inferiormente. Com efeito, se fosst·
f' (x) 2'. A para todo x E (a, b), a função g( x) = f ( x) - A.x teria derivada > O,
logo seria monótona, limitada, logo existiriam os limites de g( x) (e conseqüentcmcnlt' os
de f(x)) quando x -; a ex -; b. Analogamente, não se pode ter f'(:i:) < /1 p11rn
todo x E (a, b). Assim, dado qualquer e E ~. existem pontos x1 e x2 em ((1,, 1,) lnis qut·
f'(x1) <e< f'(x2). PeloTeoremadeDarboux,existex E (a,b) com!'(:,:) ,·.
4.7. Sabe-se que fé não-decrescente. Se não fosse crescente, existiriam :i; < 11 c111 111., 1,1 rn111

f (x) = f (y) e então f seria constante e f' seria igual a zero no intervalo [a:, // 1,
4.8. Supondo, por absurdo, que existissem a< b cm I com lf(b) - J((/,)1 n · O, t'III pl'lo
menos uma das metades do intervalo [a, b], digamos [ai, bi], teríamos l.f(h1) .f (11.1 )1
a/2. Prosseguindo analogamente chegar-se-ia a uma seqüência de inlcrvnlos 111., 111
[an,bn]::) · · · combn-an = (b-a)/2nelf(bn) - f(an)l 2: a/2n.
[a1,b1]::) · · ·::)
Se an :S: e :S: bn para todo n, vale IJ'(c)I = lim IJ(bn) - f(an)\/(bn - an) 2:
a/(b- a)> O.
4.10. Para todo x i- e em (a, b) existe z entre x e e tal que [f(x) - J(c)]/(x - e) = f'(z).
Portanto J'(c) = limx___,c[f(x) - f(c)]/(x - e)= limx-+c f'(z) = L.

4.11. Como f' é limitada, existem limx-+a+ f (x) e lim;-+b- f (x). Para que valha a propriedade
do valor intermediário para f, tais limites devem ser iguais a f (a) e f (b) respectivamente.
(Cfr. solução de 4.1.)

4.12. \J(x)- f(a)l/lx - a\ :S: c.!x - al°'- 1. Comoa-1 > O,segue-sequef'(a) = Opara
todo a E /. Logo fé constante.

4.13. Observe que [f(Yn) - J(xn)]/(Yn - Xn) = f'(zn) com Zn entre Xn e Yn, logo Zn -+ a.
Pela conti~uidade de f I no ponto a, o quociente tende para f 1 (a).

9. Fórmula de Taylor e aplicações da derivada

1.l. Sejaf(x) = 1/(1-x),-1 < x < 1. Pondop(h) = l+h+···+hner(h) =


hn+l /(1 - h) tem-se r(h) = f(h) - p(h). Como p(h) é um polinômio de grau n e
limh-+O r( h) / hn = O, segue-se que p( h) é o polinômio de Taylor de f no ponto O, logo
jCi) (O) = i! parai = O, 1, ... , n.
1.2. Como f(x) = x 5 -x 11 +· · ·+(-lrx6 n+5+(-1r+lx 6 n+n /(l+x 6 ), segue-seque
jCi)(O) = Osei não é da forma6n + 5enquantoque jCi)(O) = (-l)ni! sei= 6n + 5.
Logo JC2üül)(o) = o e JC2003)(o) = (-1)333_(2003)! = -2003!

1.3. Tem-se f(x) = Pn(x) + rn(x) onde Pn(x) é o polinômio de Taylor de ordem n de f
em tomo do ponto xo e, pela fórmula do resto de Lagrange, existe z entre x e xo tal que
rn(x) = jCn+l)(z)(x - xor+l /(n + 1)!, logo lrn(x)\ :S: Klx - xoln+l /(n + 1)!.
Segue-se que limn-+oo rn (x) = O para todo x E / e o resultado fica estabelecido.
1.4. Veja "Curso de Análise", vol. 1, página 226.

1.5. Se f E C 2, escreva f(x) = f(a) + f'(a)(x - a) + J"?\x - a) 2 + r(x), onde


limx---,a r(x )/(x - a) 2 = lim r'(x )/(x - a) = O. Então cp(x) = J'(a) + f"?) (x -
a) + r(x)/(x - a) e cp'(x) = f"(a)/2 + r'(x)/(x - a) - r(x)/(x - a) 2, logo
limx->a cp 1 ( x) = J" (a) /2. Segue-se do Exercício 4.10 do Capítulo 8 que cp E C 1 . Para
f E C 3, proceda de modo análogo.

1.6. Pela Fórmula de Taylor Infinitesimal, pondo x= a+ h, ou seja x - a = h, pode-se escrever


p( a+ h) = ~~= 0 (p(i) (a) /i!)hi + r(h ), onde r(h) tem suas primeiras n derivadas nulas
no ponto O. Como r(h) é um polinômio de grau :S: n (diferença entre dois polinômios),
segue-se que r ( h) é identicamente nulo.
1.7. Seja<p(x) = f(x)-g(x).
Então<p: I - t ~éduasvezesderivávelnopontoa.,com<p(:1:) ·
O para todo x E I e <p(a) = <p1 (a) = O. Então <p(x) = <p1 (a)(x - a) +--½<p"(a.)(:1: -
a) 2 + r(x) com limx-..a (;~~)2 = O. Daí <p(x) = (x - a) 2 [cp''._Ja) + (;~xJ) 2 ]. Se
fosse <p 11 (a) < Oexistiria 8 > Otal que, para O < lx - a.l < 8, a expressão dentro dos
colchetes, e conseqüentemente <p(x), seria< O. Contradição. Logo deve ser <p 11 (a) 2 O,
isto é, J"(a) 2 g 11 (a). ··
2.2. Para fixar idéias, seja J" (e) > O. Existe 8 > Otal que e - 8 < x < e+ 8 =} f" (x) > O.
Então f é convexa no intervalo ( e - 8, e + 8).
2.3. A soma de duas funções convexas é convexa mas o produto, nem sempre. Exemplo: (x 2 -
1).x 2 .

2.4. Se fé convexa, seja X = {x E I;J(x) :::; e}. Dados x,y E X ex < z < y,
tem-sez = (1 - t)x + ty, com O :::; t :::; 1. Então f(z) = J((l - t)x + ty) :::;
(1- t)J(x) + t(f(y)):::; (1 - t)c +te= e, logo z E X. Assim, X é um intervalo e f
é quase-convexa.

2.5. Sejam e= max{J(x), f(y)} e z = (1 - t)x + ty com O S l S 1. Então f(:c) S e,


f(y) :::; e e z pertence ao intervalo cujos extremos são x, y. Logo f(z) Se.
2.6. Se o mínimo de fé atingido no ponto a então, dados x < y em [a, b], tem-se :i: E [a, y]
logo f(x) :::; max{f(a), f(y)} = f(y) portanto fé não-decrescente. Analogamente, se
o mínimo de f é atingido no ponto b então f é não-crescente. Daí se segue que se f atinge
seu mínimo no ponto e E ( a, b) então f é não-crescente em [a, e] e não-decrescente cm
[e, b].
2.8. A existência de e decorre do Teorema do Valor Intermediário. Resta provar a unicidade. Se
exístissemc1, c2 tais que a< ci < c2 < bef(c1) = f(c2) = O, seriaci = t.n+( J ... t)c'.!
com O< t < 1. Pelaconvexidadedef, viria então O= f(c1):::; tf(a) + (l - l)f(r:2),
donde tf(a) 2 O, contradição.
x E I =} f(x) E I. Ora x E I =} lx - ai S 8 =} IJ(:i:) - nl S
3.1. Basta provar que
IJ(x) - J(a)l+lf(a) - ai S klx - al+(l-k)8 S k8+(1-k)8 = b =} J(:i:) E/.
3.2. a=0,76666469.

3.3. Use o Exercício 3.1.

3.4. Note que lf'(x)I S 1/a < 1.

1O. A integral de Riemman

2.1. Dado€ > O existe n E N tal que 1/2n < €/2. A restrição fi, de f ao intervalo [1/2n, l],
é uma função-escada, portanto integrável. Existe então uma partição P 1 deste intervalo tal
que S(Ji; P1) - s(fi; P1) < E/2. A partição P = Pi U {O} do intervalo [O, 1] cumpre
· S(f; P) - s(J; P) < e.
2.2. Se fé ímpar, basta provar que ta f(x )dx = - f 0ª f(x )dx. Ora, a cada partição P de
[O, a] corresponde uma partição P de [-a, O], obtida trocando-se os sinais dos pontos de
divisão. Como f ( -x) = - f (x ), se no intervalo [ti-1, ti] de P o inf e o sup de f são mi
e Mi, então, no intervalo [-ti, -ti-l], o inf e o sup de f são, respectivamente; -Mi e
-mi. Portanto S(f; P) = -s(f; P) e s(f; P) = -S(f; P). Daí resulta imediatamente
a proposição. Analogamente para o caso de f par.
2.3. Evidentemente, fé descontínua nos racionais. Seja e E [a, b] irracional. Dado é > O, o
conjunto dos números naturais q :::; 1/c, e portanto o conjunto dos pontos x = p/q E [a, b]
tais que J(x) = l/q 2': é, é finito. Seja 6 > O a menor distância de e a um desses
pontos. Então x E (e - 6, e+ 6) =} f(x) < e e fé contínua no ponto e. Toda soma
inferior s(f; P) é zero pois todo intervalo não-degenerado contém números irracionais.
t
Logo _a f(x)dx = O. Quanto à integral superior, dado é > O, seja F = {xi, ... , xn}
o conjunto dos pontos de [a, b] para os quais se tem f(xi) 2': c/2(b - a). Com centro
um cada Xi tome um intervalo de comprimento < é /2n, escolhido de modo que esses
n intervalos sejam 2 a 2 disjuntos. Os pontos a, b, juntamente com os extremos desses
intervalos que estejam contidos em [a, b], constituem uma partição I' tal que S(f; P) < e.
Logo ]}J(x)dx = O.
2.4. Sejam= f(c)/2. Existe 6 > Otal que f(x) > m para todo x E [e - 6, e+ 6]. Então,
para toda partição P que contenha os pontos c-6 ec+fi, tem-se s(f; P) > 2m6. Segue-se
que J: f(x )dx 2': s(f; I') > O.
2.5. Para toda partição P de [a, b] vales( cp; P) = s(g; P) e 8( <p; P) = S(g; I') + (b - a).
·b b - b
Logo ja cp(x)dx = fa g(x )dx e J:<p(x)dx = fa g(x)dx + (b - a). Em~articular, para

g(x) = x,Jab J(x)dx = (b 2 - a 2 )/2 e t J(x)dx = (b 2 - a 2 )/2 + (b - a).

3.1. Para x, y E [a, b],

IF(x) - F(y)J = 11Y J(t)dtl :::; M.Jx - yj,

ondeM = sup{JJ(t)l;t E [a,b]}.


3.2. cp = ½[!
+g+ lf - gl], 1/J = 1/2[! + g - IJ- gj], !+ = max{J,O} e f- =
-min{J,0}.
3.3. A desigualdade de Schwarz para integrais resulta do fato de que, no espaço vetorial das
funções contínuas em [a, b], (!, g) = J: f(x)g(x)dx define um produto interno. Para os
leitores não familiarizados ainda com Álgebra Linear, essa desigualdade pode ser provada
com o argumento usado no Capítulo 2, Exercício (2.7), considerando o trinômio do segundo
grau p(A) = J;(f(x) + Ag(x)) 2 dx.
4.1. O conjunto dos pontos da descontinuidade de f é Q n [a, b], portanto enumerável e con-
seqüêntemente de medida nula.

4.2. Dada a função monótona /: [a, b] ----t IR, basta provar que o conjunto D dos pontos de
descontinuidades de J em ( a, b) é enumerável. Para cada x E D, sejam ax o menor e bx
o maior dos três números limy->x- f(y), limy->x+ J(y) e J(x). Como fé descontínua
no ponto x, tem-se ax < bx, Além disso, como fé monótona, se x # y em D então os
intervalos abertos ( ªx, bx) e ( ay, by) são disjuntos. Para cada x E D escolha um número
racionalr(x) E (ax,bx)- Afunçãox 1------+ r(x),deDemQ,éinjetivalogoDéenumerável.

4.3. Todos os pontos do conjunto D - D' são isolados, logo este conjunto é enumerável, em
virtude do Exercício 3.4, Capítulo 5. Segue-se que D é enumerável, pois D C (D - D') U
D'.
4.4. A função f: [O, 1] ----t IR, igual a l nos racionais e O nos irracionais, anula-se fora de um
conjunto de medida nula mas não é integrável. Por outro lado, se J: [a, b] ----t IR é integrável

o ínfimo de fé zero, logo J:


e igual a zero fora de um conjunto de medida nula, então em qualquer subintervalo de [a, b]
J(x )dx = Odonde J: J(x )dx = O.

4.5. (a) Se X C li U · · · U Ik então X C J 1 U · · · U Jk, onde lj é o intervalo aberto de mesmo


centro e comprimento dobro de Ij. Logo L IIj I < é ~ L IJj 1 < 2t:. Segue-se que X
tem conteúdo nulo.
(b)Todo conjunto de conteúdo nulo é limitado, logo o conjunto Q, que tem medida nula, não
n
tem conteúdo nulo. Além disso, Q [a, b], embora seja limitado, tem medida nula mas não
tem conteúdo nulo, em virtude do item (a), pois seu fecho é [a, b], cujo conteúdo não é nulo.
(e) Use Borel-Lebesgue.
(d) A diferença g - f: [a, b] ----t IR é igual a zero exceto num conjunto X, de conteúdo nulo.
Seja M = supx lg - JI. Todas as somas inferiores de lg - JI são zero. Quanto às somas
superiores, dado é > O, existem intervalos abertos li, . . . , Ík tais que X C 11 U ... U h e
Ili 1+···+Ih! < s/M. Sem perda de generalidade, podemos supor que os intervalos Ij
estão contidos em [a, b]. As extremidades desses intervalos,juntamente com a e b, formam
uma partição P de [a, b]. Os intervalos dessa partição que contêm pontos de X são os I j .

Como:I:: 1Ijl < t:/M,segue-sequeS(g-f;P) < é. ConseqüêntementetJlg-fl = O.


Daí g - fé integrável e sua integral é zero. Finalmente,g = / + (g - f) é integrável e
I: = I: 1.
g

11. Cálculo com integrais

1.2. Dada qualquer partição P = {to, ... , tn} do intervalo cujos extremos são e e x, tem-se
f(x) - f(c) = z]f(ti) - f(ti_i)]. Use o Teorema do Valor Médio em cada f(ti) -
f(ti-1) e conclua que s(f'; P) ~ f(x) - f(c) ~ S(f'; P) para qualquer partição P.
1.3. Sabe-;e que fé não-decrescente. Se f não fosse crescente existiriam x < y em [a, b] com
f(x) = f(y). Então f seria constante c f' seria nula no intervalo [x, y], que não tem
conteúdo nulo.

1.4. f(b) - f(a) = J: f'(x)dx = f'(c).(b - a), a< e< b.


1.5. Fixando e E (a,b)tem-Se(!J(x) = Jf(x) f(t)dt-Jt(x) f(t)dt. Bastaentãoconsiderar
(!J(x) = fco:(x) f(t)dt. Ora, (!J = P o o:, onde F: [a, b] ---t IR é dada por F(x) =
fcx f(t)dt. Usar a Regra da Cadeia.
1.7. Use integração por partes.

2.2. Basta provar que se fé ilimitada então, para toda partição P e todo número A > Oexiste uma
partição pontilhada P* = (P, ç) tal que II)f; P*) 1> A. Com efeito, dada P, em pelo
menos um dos seus intervalos, digamos [ti-l, ti], fé ilimitada. Fixando primeiro os pontos
Çj nos demais intervalos, pode-se escolher Çi E [ti-1, ti] de modo que II:(!; P*)I > A.
2.3. Dado e > O, existe P = {to, ... , tn} tal que II:(!; I'*) - LI < E/4 seja qual for o
modo de pontilhar P. Fixe P e a pontilhe de 2 modos. Primeiro escolha em cada [ti-l, ti]
um ponto Çi tal que f(çi) < mi + s/4n(ti - ti-1 ), obtendo P* com :Z::::(f; P*) <
s(f; P) + E/4. Analogamente, obtenha p# tal que. S(f; P) - e/4 < :Z::::(f; p#). Daí
S(f; I') - s(f; P) < I:(f; p#) - I:(f; P*) + .s/2. Mas, como II:(!; P*) - LI <
e/4 e II:(!; p#) - LI
< E/4, vale LU; p#) - I:(f; P*) < E./2. Logo S(f; P) -
s(f; P) < E e fé integrável. Evidentemente J:
f(x )dx = L, pelo Teorema 7.
2.4. I: J(çi)g(rJi)(ti - ti-1) = I: J(çi)g(çi)(ti - ti-1) + I: J(çi)-[g(7Ji) - g(çi)](ti -
ti-1). Asegundaparceladosegundomembrotendeazeroquando IPI ---t Opois IJ(çi)I :S::
M.
2.7. Pelo Exercício 2.6,J: f(x)dx/(b - a) = limw-•= M(f; n). Como fé conve~a,
M(f; n) 2 J[t L~=l (a+ ih)] on_de h = (b - a)/n. Ora, ¼L~=l (a+ ih)
n~l. ªib + ~ ---t (a+ b)/2 quando n ---too.

3.1. Para todox E IR, f(x) = J(x/2 + x/2) = f(x/2) 2 2 O. Se existisse e E IR


com f(c) = Oentão f(x) = f(x - c)f(c) = Opara todo x E R Logo f(x) > O
qualquer que seja x. Além disso, f(O) = J(O + O) = f (O).f(O), logo f(O) = 1.
Também f(-x)J(x) = f(-x + x) = f(O) = 1, portanto f(-x) = f(x)- 1 • Daí
f(p.x) = f(x)P para todo p E Z. E, para todo q EN, f(x) = J(x/q + · · · + x/q) =
f(x/q)q, donde f(x/q) = f(x) 1 fq_ Então, para todo r = p/q E Q, com q EN, tem-se
f(r) = f(p/q) = f(l/q)P = J(l)P/q = f(lf. Seja f(l) = eª. Segue-se que
f (r) = eªr para todo r E Q. Como fé contínua, tem-se f (x) = eªx para todo x E R
A segunda parte se prova de modo análogo (v. Corolário 1 do Teorema 7) ou usando o fato
de que exp e log são inversas uma da outra.

3.2. Comoxn -xn+1 = log(l + 1/n)-1/(n+ 1), bastaobservarque,nointervalo [1, 1+1/n]


o mínimo da função 1/x·é n/(n + 1) logo log(l + 1/n) = J~l+l/n dx/x > ¼n~l =
1
n+i ·
3.3. Pondo x .
= 1/y, tem-se Ilffix-.O x. log x = 1·imy-, 00 -logy
V · = O.
3.4. Pondo x/n = y, vem (1 + x/nt = (1 + y)x/y = [(1 + y)lfy]x logo limn--, 00 (1 +
x/n)n = limy-.o[(l + y) 1 IY]"' = ex.
4.1. Divergente, divergente e convergente.

4.2. As três convergem.

4.3. A integral em questão vale L~=O (- 1t ªn onde ªn é o valor absoluto de

Como !sen(x2 )1 S 1, tem-se O < an S J(n + l)1r - ..,/nir logo Iiman = O.


Na integral cujo valor absoluto é an+l, faça a mudança de variável x = Ju 2 + 1r,
dx = udu/,/u2 + 1r, note que J(n + l)1r S x S J(n + 2)1r ~ ..,/nir S u S
J(n + l)1r e que O < u/,/u 2 + 1r < 1 e conclua que ªn+i < ªn· Pelo Teo-
rema de Leibniz, a integral converge. A concavidade da função [sen(x 2 ) 1 no intervalo
[..,/nir, J(n + l)1r] mostra que an é maior do que a área do triângulo isósceles de base
neste intervalo e altura 1. Logo a série Lªn diverge e a integral f0+ 00 [se11(:D 2 )[dx
também.

4.4. O método é o mesmo do exercício anterior. Escrevendo a = {Inir e b = {!(n + l)1r


tem-se J: [x [dx < área do retângulo cuja base é o intervalo [a, b] e cuja altura
sen(x4 )
mede b. Como b4 - a 1 = 1r = (b- a)(a 3 + a2 b+ ab 2 + b3 ), essa área vale b(/1 - a) =
b7r/(a3 + a2 b + ab 2 + b3 ) logo tende a zero quando n ----t oo. Pondo c4 = (n +
2)1r, a mudança de variável x = -t'u4 + 1r mostra que an+l = Jbc lx sen(:1: 4 ) [d:i: =
J.blusen(u
a
4 )[~1 u 2
V (u4+1r)2
dulogoan+I < ªn = Jblxsen(x
a
4 )ldx. Pelo Teorema de

Leibniz, a série L~=O (-1) n an converge para o valor da integral em questão.


4.5. Seja cp(x) = J: f(t)dt, x 2 a. Por hipótese existe L = limx-->+oo cp(x). Logo, dado
E> O existe A> O tal que x > A=} L - E< cp(x) < L. Daí x > 2A =} L - E: <
cp(x/2) < cp(x) < L, donde E> cp(x) - cp(x/2) = J:12 f(t)dt 2 (x/2).J(x) pois f
é não-crescente. Logo limx--,+oo (x /2) f ( x) = O e o resultado segue-se.

4.6. Defina cp:[a,+oo) ~ pondo cp(t) = J:J(x)dx. Para t 2 a, sejam Mt =


----t

sup{cp(x);x 2 t}, mt = inf{cp(x);x 2 t} e Wt = Mt - mt, Então Wt =


sup{lcp(y)-cp(x)l;x,y 2 L}. (Cfr. Lema3,Seçãol,Capítulo IO)Acondiçãoenun-
ciada equivale a afirmar lirnt--,+oo Wt = O. O resultado segue-se então do Exercício 3'.3,
Capítulo 6.
12. Seqüências e séries de funções

1.1. Tem-se limfn = f, onde f(x) = O se O~ x < 1, J(l) = 1/2 e J(x) = 1 se x > 1.
1.2. A convergência fn ----t fé monótona tanto em [O, 1 - 8] como em [1 + 8, +oo). Pelo
Teorema de Dini, a convergência é uniforme em [O, 1- 8] porque este intervalo é compacto.
No outro intervalo, basta observar que cada fn é crescente, logo fn(l + 8) > 1 - é =>
f n ( x) > 1 - é para todo x 2 1 + 8.
1.3. Seja a= 1- 8. Entãox E [-1 + 8,1- 8] significa lxl ~a< 1. E lxl ~a< 1 =>
Li>n lxi(l - xi) 1 ~ Li>n lxli ~ Li>n ai = an /(1 - a). Logo, para.todo é > O
existe no E N tal que n > n~ => Li2::n lx7 (1 - xi) 1 < E:, o que a segura a convergência
uniforme. A afirmação inicial é clara.

1.4. A necessidade da condição é evidente. Quanto à suficiência, observar que, para todo x E X,
a seqüência de números reais fn(x), n E N, é de Cauchy logo, pelo Exercício 2.7 do
Capítulo 3, existe limn->oo fn (x) = f (x). Isto define numa função f: X -. lR e f n -. f
simplesmente. Para provar que a convergência é uniforme, tome é > O e obtenha no E N
tal quem, n > no => lfm(x) ~ fn(x)I < E:/2 para todo x E X. Fixe n > no e faça
m -. oo nesta desigualdade. Conclua que n > no =} 1f (x) - f n (x) 1 ~ ê /2 < é para
todox E X.
1.5. Se fn ----t f uniformemente em X então, dado E: = 1, existe no E N tal que n >
no => llfn(x)I - IJ(x)II ~ lfn(x) - f(x)I < 1 para todo x E X. Logo n > no =>
lfn(x) 1 < IJ(x) 1 + 1 e IJ(x) 1 < lfn(x)I + 1. Daí segue-se o resultado.
1.6. Adapte a demonstração do Teorema de Leibniz (Teorema 3, Capítulo 4).

1.7. Para todo x E X, a série :E:= 1 f n ( x) converge, logo faz sentido considerar rn ( x)
fn(x) + Ín+I (x) +···.Como lrn(x)I ~ Rn(x) = lfn(x)I + lfn+i (x)I +···,segue-
se que limn->oo rn ( x) = O uniformemente em X, logo I: Jn converge uniformemente.
2.1. Note que lfn(x) + 9n(x) - (f(x) + g(x))I ~ lfn(x) - f(x)I + l9n(x) - g(x)I, que
lfn(x)gn(x) - f(x)g(x)I ~ lfn(x)ll9n(x) - g(x)I + i.q(x)l-lfn(x) - f(x)j, e que
ll/g,.(x) - 1/g(x)I = (1/jg(x)gn(x)l)-lgn(x) - g(x)j.
2.3. Como f~(x) = jn. cos(nx), só existe limn__, 00 f~(x) quando limn-, 00 cos(nx) = O.
Levando em conta que cos(2nx) = cos 2 (nx) - sen 2 (nx), fazendo n ----too obter-se-ia
O = -1. Logo limn->oo f~( x) não existe, seja qual for x E [O, 1J.
2.6. O conjunto f(X) é compacto, disjunto do conjunto fechado lR - U. Pelo Exercício 4.4
do Capítulo 5, existe E: > O tal que x E X, y E lR - U => lx - yj 2 é, logo x E X,
IJ(x) - zl <é=> z EU. Tome no EN tal que lfn(x) - f(x)I < E: para todo n > no
e todo x E X. Então fn(X) CU se n > no.

2.7. Dado é > O, existe no E N tal quem, n > no =} lfm(d) - fn(d)I < ê/2. para
todo d E D, logo lfm(x) - fn(x)I :S ê/2 < é para todo x E X porque :i: é limite
de uma seqüência de pontos de.D. Pelo critério de Cauchy, (Exercício 1.4) Un) converge
uniformemente em X.

2.8. Integre f n por partes e faça n---. oo.

2.9. Adapte a demonstração do teste de d' Alembert, usando, se desejar, o Teorema 5.

2. 1O. Adapte a demonstração do teste de Cauchy, usando, se desejar, o Teorema 5.


3. 1. Sejam a, b tais que a < l/r < b. Então r < 1/a, logo 1/a .j. R portanto existem infinitos
índices n tais que a :S ~ - Além disso, 1 / b < r, logo existe p E R tal que ¾ < p < r.
Assim, para todo n suficientemente grande, tem-se ~ < 1/ p < b. Noutras palavras,
apenas um número finito de índices n é tal que b ::; ~ - Daí resulta que 1/r é valor de
aderência da seqüência ~ e nenhum número maior de 1/r tem a mesma propriedade.

3.2. Tem-se L anx 2 n = L bnxn onde b2n = an e b2n- l = O. Assim os termos de


ordem ímpar da seqüência vTbriT são iguais ª zero e os de ordem par rormam ª seqüência
J~, cujo limite é ..,/L. Portanto, a seqüência ( ~ ) tem dois valores de aderência:
Oe ..,/L.. Pelo exercício anterior, o raio de convergência de I:; anx 2 " é l / yL. Raciocínio
análogo para a outra série.
2
3.3. O raio de convergência de I:; an xn é +oo se lal < 1, é O se lal > 1, e é igual a l se
lal = 1.
3.4. Use o Corolário 2 do Teorema 9 (unicidade da representação em série de potências).

3.5. Veja o Exercício 3.7, Capítulo 3.

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