Você está na página 1de 25

1

Técnicas de Apresentações

SUMÁRIO

1. COMUNICAÇÃO ............................................................................................................................................ 2

2 O PODER DA COMUNICAÇÃO ........................................................................................................................ 3

3. RECOMENDAÇÕES PARA UMA BOA COMUNICAÇÃO.................................................................................... 4

3.1 COMPONENTES E TIPOS ........................................................................................................................................... 4


3.2 CONSTRUINDO A APRESENTAÇÃO .............................................................................................................................. 6
3.3POSIÇÕES PERCEPTIVAS E PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO HUMANA.................................................................................. 8

4. TRABALHANDO O CONTEÚDO – OBJETIVIDADE ........................................................................................... 9

4.1 ENCONTRANDO O CAMINHO ..................................................................................................................................... 9


4.2 UM JOGO DE TRÊS TEMPOS ................................................................................................................................... 10
4.2.1 ABRINDO OS TRABALHOS – VIP ............................................................................................................................ 10
4.2.2 SUSTENTANDO A PROPOSIÇÃO ............................................................................................................................. 12
4.2.3 O FECHAMENTO QUE ABRE PORTAS ...................................................................................................................... 14

5. ELABORANDO A FORMA............................................................................................................................. 15

5.1 TRACE A SUA ROTA ............................................................................................................................................... 16

5.2 AGORA É COM VOCÊ – SUA APARÊNCIA ................................................................................................... 17

5.3 VOCÊ SE MOVE, GESTICULA E FALA .......................................................................................................... 17

5.3.1 POSTURA ......................................................................................................................................................... 17


5.3.2 CONTATO VISUAL .............................................................................................................................................. 18
5.3.3 GESTICULAÇÃO ................................................................................................................................................. 18
5.3.4 USO DA VOZ .................................................................................................................................................... 19

6. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS ......................................................................................................................... 20

6.1 A PROJEÇÃO ............................................................................................................................................. 20

6.2 LASER POINTER ........................................................................................................................................ 20

6.3 SLIDES....................................................................................................................................................... 21

6.3.1 FONTES RECOMENDADAS .................................................................................................................................... 22


6.3.2 COLORINDO A APRESENTAÇÃO ............................................................................................................................. 22
6.3.3 TABELAS E GRÁFICOS ......................................................................................................................................... 22
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ......................................................................................................................................... 24

Marcela Castro
2

1. COMUNICAÇÃO

Aprendemos e evoluímos também pela comunicação com


os outros, pelas múltiplas formas de comunicação
interpessoal. Recebemos informações, afeto, críticas,
visões de mundo, interações e fazemos o mesmo com os
outros. Servimos aos outros de espelho e nos espelhamos
neles e por meio deles. Captamos nos demais o que nos
interessa, o que tem a ver conosco, o que desejamos e
odiamos, o que nos atrai e o que nos repugna (mas que se
relaciona conosco).
Pela comunicação interpessoal expressamos o melhor de
nós e buscamos também o nosso eixo, encontrar-nos,
compreender-nos a partir de como os outros nos veem.
Aprendemos a confiar e a desconfiar, a amar e a odiar, a
sentir e a compreender, a compartilhar e a fechar-nos. Pela
comunicação interpessoal procuramos o que nos falta, nos
encontramos ou escondemos de nós mesmos, nos
realizamos e frustramos, triunfamos e fracassamos.
José Manuel Moran

Existe?
Podemos encerrar com palavras o que é comunicação?
Pessoalmente prefiro não fazê-lo, pois entendo ser um conceito muito abrangente para ser
limitado às possibilidades do nosso vocabulário.

Entretanto, considerando a necessidade acadêmica, não ficaremos no vazio. Mantendo a


abrangência do feito no conceito, sugiro a percepção da comunicação como atividade para
gerar, emitir, transmitir e receber mensagens.

Simples assim, mas completo o suficiente para contemplar todas as formas de mensagens,
todos os canais utilizados e todos os demais envolvidos, sejam emissores e receptores.

Há séculos o ser humano se orienta por sinais naturais e segue caminhos direcionando-se
pela posição de diversas galáxias. Se a vida evolui pela liberdade e grandeza dessa
comunicação, como poderia eu restringir o mundo ao meu conceito de universo 1.

1
Mundo e Universo são sinônimos, mas cada um de nós tem uma percepção sobre a abrangência de cada um e
de qual contém qual. É só mais um paradoxo da comunicação.

Marcela Castro
3

2 O PODER DA COMUNICAÇÃO

É comum ouvirmos no meio empresarial que “informação é poder”. Ora, por analogia, se
informação é um elemento da comunicação, podemos afirmar que comunicação é poder.

Desta vez não é tão simples assim. A racionalidade não funciona de forma direta em razão
da subjetividade envolvida, pois informação é algo que se tem ou não se tem e
comunicação é algo que se faz ou não se faz; podendo ainda ser bem ou mal feita. Mas há
como aproveitar o poder por intermédio da comunicação.

Com base no resumo apresentado pela Profª. Eunice Mendes (2007), listamos seis
possibilidades onde a comunicação pode levar ao poder. São elas:

Poder de autoconhecimento
A comunicação é a ponte para o crescimento e a transformação pessoal, porque evita
ilusões sobre si e ajuda a construir uma autoimagem mais verdadeira, sem máscaras ou
disfarces, aumentando a influência sobre o mundo externo e criando as condições para
que os sonhos pessoais se concretizem.

Sem o autoconhecimento somos um barco à deriva. Não reconhecemos nem identificamos


nossas emoções, e não sabemos como lidar com elas.

Poder de firmar-se no mundo


É por meio da comunicação que cada pessoa se individualiza, garante seu passaporte para
entrar no mundo e define a própria identidade, a própria marca. Comunicar-se bem faz
toda a diferença, causa boa impressão no grupo e sensibiliza o outro para uma forma
pessoal de enxergar a vida. Criar uma marca significa firmar um lugar no mundo e legar
um pedaço da própria história.

A comunicação vence obstáculos e encurta a distância entre os seres humanos.


Aprendendo a utilizá-la, marcamos a nossa posição no mundo.

Poder de legitimar o diálogo


A comunicação efetiva abre canais para o diálogo, facilitando a empatia e a interação.
Emissor e receptor precisam ser ouvidos e compreendidos. O diálogo não é mero “jorro”
de palavras, e sim ir ao encontro, ouvir sem julgamentos precipitados e estimular a troca
democrática de ideias. Só então os interlocutores podem se encontrar verdadeiramente.

O diálogo é uma forma de pensar, ouvir, falar e aprender em conjunto, a qual nos permite
criar fontes de confiança, respeito mútuo, colaboração e produtividade.

Marcela Castro
4

Poder de criar
A comunicação ajuda a desenvolver a criatividade. Na troca comunicativa, exercitamos a
nossa capacidade de argumentação e contestação, fazemos analogias, trazemos à luz
ideias latentes. Nossa mente trabalha com rapidez estabelecendo conexões, fazendo
associações entre fatos e argumentos, elaborando ideias, despertando a atenção das
pessoas.

A comunicação estimula o pensamento criativo e a abertura para mudanças.

Poder de conquistar oportunidades profissionais


Não basta ser um profissional competente, é preciso ser reconhecido como tal. A
capacidade de transmitir competências de forma hábil ajuda a construir o marketing
pessoal. Além disso, poder transitar entre vários grupos dentro da empresa, criar vínculos,
disseminar a compreensão e a amizade são habilidades que valorizam o profissional como
bom comunicador e ampliam suas oportunidades.

Toda atividade profissional é otimizada por meio da comunicação. O nosso melhor currículo
é o que conseguimos transmitir aos nossos parceiros e colegas de trabalho.

Poder de liderar
A comunicação está na própria essência da liderança eficaz. Liderar é persuadir e transmitir
com clareza, segurança e naturalidade o que é preciso fazer, por que e como fazer. E por
ser a comunicação uma via de mão dupla, o líder precisa saber ouvir, ser empático e estar
aberto às contribuições. Essas habilidades promovem um ambiente saudável e aumentam
a produtividade. A arte da persuasão facilita o caminho para a liderança eficaz.

3. RECOMENDAÇÕES PARA UMA BOA COMUNICAÇÃO

A partir desse ponto adotaremos o ponto de vista de que a mensagem a ser comunicada
depende, obrigatoriamente, de uma configuração física para ser transmitida e que,
portanto, constitui-se numa apresentação.

3.1 Componentes e Tipos


Qualquer que seja o tipo de comunicação a ser feita, dois componentes estarão presentes
e são fundamentais: Conteúdo e Forma.
No primeiro inserimos “o que” será apresentado, considerando o objetivo desejado e os
resultados esperados.
No segundo elaboramos “o como” será apresentado, incluindo os aspectos que influenciam
a performance adequada do apresentador, as condições sobre onde e quando ocorrerá a
apresentação e os recursos necessários e viáveis para a melhor compreensão do que será
apresentado.

Marcela Castro
5

A essência da aplicação desses dois componentes está na adequada distribuição deles, de


acordo com o tipo apresentação a ser feita. Os tipos mais comuns são: aula para
aprendizagem, apresentação de trabalho acadêmico e apresentação corporativa.
Para cada tipo há uma “fórmula” a ser aplicada.

De forma resumida, apresentamos a seguir os tipos mais comuns e a distribuição


recomendada para cada um.

A aula para aprendizagem tem o propósito de transmitir o conteúdo para os alunos, de


maneira expositiva e explicativa, para que este possa ser aprendido — tornar-se conhecido
— e também apreendido — ter entendimento e compreensão do significado.
Para esse tipo, o apresentador deverá utilizar pesos equilibrados na aplicação de Conteúdo
e Forma, pois os dois componentes são igualmente necessários para apresentar as
informações e fazer com que essas adquiram significado para os alunos.

A apresentação de trabalho acadêmico, ou científico, é a transmissão do resultado


encontrado pelo autor, após a realização de revisão da literatura associada ao assunto
estudado e acompanhado de pesquisas de campo — quantitativas e/ou qualitativas — para
fundamentar suas afirmações e conclusões. A apresentação de trabalho acadêmico segue
normas específicas, de acordo com a escolha da instituição ou organização do evento onde
será apresentado. Entre outras, citamos as normas da ABNT, ISO, Vancouver.

Considerando que a uniformização é uma exigência essencial e as informações e dados


associados são o foco da apresentação, o apresentador deverá dedicar a máxima atenção
à exposição do Conteúdo, mantendo a Forma apenas em acordo com o determinado pela
instituição ou organizadores.

A apresentação corporativa, ou empresarial, tem como objetivo conquistar a atenção, o


interesse e, principalmente, o apoio das pessoas que a estão assistindo, de maneira a
aceitar o significado que está sendo proposto pelo apresentador. Para que isso seja
atingido, devem ser fornecidas apenas as informações necessárias que levem à aprovação
ou venda da ideia ou proposta inicial. Para fazer com que a mensagem seja entendida
pelos ouvintes com o significado que o apresentador deseja, esta deve atingir os três canais
perceptivos — auditivo, visual e cinestésico.

Nesse caso, a recomendação é que a Forma seja mais prestigiada do que o Conteúdo, já
que a percepção da informação pode ser mais bem alcançada pela maneira como a
informação é apresentada, do que pelo seu significado puramente objetivo.

Ressaltamos que não se trata de apenas “dar um show”. A forma que a que fazemos
referência significa estrutura. Isso quer dizer que é necessário ser muito objetivo em
relação ao conteúdo e que este seja divulgado de forma a que o receptor receba o que de
mais importante ou significativo houver, para a sua tomada de decisão pelo mais simples
dos filtros — aceitar ou não aceitar o que está sendo apresentado — e de acordo com os
objetivos do emissor.

Marcela Castro
6

Reforçando nossa preocupação, citamos a pesquisa realizada e publicada no livro Silent


Messages (1971), do psicólogo Albert Mehrabian, Ph.D. onde concluiu que, entre os
componentes da linguagem na influência humana as palavras têm representatividade de
apenas 7% do que as pessoas percebem, ficando os demais 93% relacionados à fisiologia,
ou seja, à forma como as palavras são ditas.

Recentemente, após estudos que realizou, o Prof. Carlos Augusto Costa, Coordenador do
Laboratório de Neuromarketing da FGV Projetos, nos orienta sobre a importância de dois
aspectos para a guarda de informações:

Atenção – o que não chama a atenção da pessoa, não se percebe. Dependendo do


grau de atenção, o grau de memorização vai ser maior ou menor, ou seja, a
informação vai ser armazenada ou descartada.
Emoção – porque o que mais chama atenção emociona e se guarda em um lugar
especial do cérebro. Quando a informação não entra no plano emocional é
descartada.

Complementa afirmando:
Hoje estudos comprovam que somos máquinas emocionais,
diferente do que se achava no século passado, quando
éramos máquinas racionais. 85% das nossas ações são
emocionais e inconscientes, fazemos e depois procuramos
racionalizar e justificar a ação. A junção da atenção e da
emoção fornece o grau de potencialização da memorização,
se uma coisa me chamou atenção, mas não emocionou, ela
tem um poder menor, ao passo que, se algo me emocionou
bastante, ficará armazenado no cérebro.

Definido o Tipo de apresentação a ser feita e determinada a combinação adequada de seus


componentes, chega a hora de construí-la.

3.2 Construindo a Apresentação


Neste ponto, consideramos ressaltar que possuir total domínio do conteúdo a ser
apresentado é a premissa essencial para quem se predispõe a fazer uma apresentação,
caso contrário é, no mínimo, abusar do risco de expor-se ao ridículo, o que acreditamos
ninguém em sã consciência o fará.

Então, tudo o que você precisa é de informação. E esse é o seu maior problema.
A razão é simples: você domina o conteúdo e tenderá a querer mostrar isso. Entretanto,
não é isso que a sua audiência espera. Ela tem outras expectativas, pode ter certeza.
Ela quer o que for lucro, benefício ou vantagem para ela e espera que você apresente isso,
rapidamente. Então, o que fazer com toda a informação que você obteve ao se preparar
para essa apresentação? Vamos conversar sobre isso.

Marcela Castro
7

Em 2003, um estudo produzido por professores e alunos da Escola Superior de Gestão e


Sistemas de Informação na Universidade da Califórnia em Berkeley, estimou a quantidade
de informação nova criada a cada ano. A conclusão foi assustadora, revelando que, apenas
em 2002 foi gerado um volume de informação equivalente a cinco exabytes (1 EB = 10 18).
Em linguagem comum, significa toda a informação contida na Biblioteca do Congresso dos
Estados Unidos, multiplicada por 37.000 (trinta e sete mil). Isso há bem mais de 10 anos.
Imagine hoje.

Felizmente o que você tem é um problema, pois todo problema tem solução. Para esta
solução nos baseamos no que afirma o especialista em psicologia da imaginação aplicada
Bill Jensen: “A acessibilidade total que conquistamos não implica precisarmos de tudo.”
Então, é só escolher as informações adequadas que está tudo resolvido. Para isso, vamos
conhecer o caminho das pedras, seguindo orientações fornecidas pelo Administrador
Normann Kestenbaum no livro Obrigado pela informação que você não me deu (2008).
Partimos pela aplicação de seus três critérios: relevância, concisão e simplicidade.

Relevância e priorização
Nas palavras do autor, “toda apresentação é um exercício organizado de sustentação de
uma proposta importante colocada logo nos primeiros momentos. A isso se chama
objetividade, e dela fazem parte a relevância e a priorização”. (KESTENBAUM, 2008, p.25)

Para que os objetivos de uma apresentação fiquem claros e de fácil compreensão, não
podem ser muitos. Um volume elevado de informações aumenta a complexidade na
seleção para a tomada de decisão, estimulando também a resistência à mudança.
É aqui que a priorização faz diferença, ou seja, nas escolhas que o apresentador faz entre
as muitas informações que coletou e aquelas que realmente são prioritárias para sua
apresentação.

Concisão
A maioria das pessoas ainda imagina que um trabalho conciso, ou seja, com poucas e
fundamentais informações, apresentado em um breve tempo, foi fruto de pouca dedicação
à elaboração. Ledo engano!2

A concisão é extremamente trabalhosa, toma mais tempo e requer o domínio do conteúdo,


mas só obtém esse reconhecimento se o apresentador tiver ou conquistar a confiança ou
o respeito da audiência.

“O mais valioso de todos os talentos é nunca usar duas


palavras quando apenas uma resolver.”
Thomas Jefferson

Simplicidade

2
Ledo engano – expressão que significa um engano cometido por alguém sem consciência do erro.

Marcela Castro
8

[...] “o simples, à semelhança do conciso, também demanda esforço”. (KESTENBAUM,


2008, p.35)

O objetivo da simplicidade é facilitar a absorção da mensagem para pessoas cada vez mais
pressionadas pela escassez de tempo. A saturação de informação estimula a desatenção
que, por sua vez, dificulta a absorção da mensagem.

Entretanto, chegar à simplicidade é complexo, pois requer muita atenção para cada
informação e sua relação com os objetivos do apresentador e da audiência. A importância
da simplicidade está relacionada ao fato de que o apresentador tem que “atrair e impactar
sua audiência, poupando-a de ouvir toda a complexidade e dificuldades que enfrentou para
chegar ali. [...] Em resumo, não é preciso compartilhar o desenvolvimento do raciocínio,
mas apenas expor os resultados produzidos por ele. Mais que facilitar o entendimento, a
simplicidade tem outra função vital: retenção de conhecimento”.(KESTENBAUM, 2008,
p.38)

3.3Posições Perceptivas e Processos de Comunicação Humana

Agora é preciso ampliar nossa percepção, para que a comunicação gere a influência
desejada no receptor, ou seja, o Efeito Desejado. Para tal, é preciso que assumir a posição
dos envolvidos no processo, o que faremos a partir do conceito originalmente formulado
por John Grinder e Judith De Lozier 3 e estendido pelo biólogo e antropólogo Gregory
Bateson. “da meta ou principal posição, chegamos à dupla e à tripla posição”,
posteriormente chamada por Robert B. Dilts4 de Posições Perceptivas.

Sempre que for preciso comunicar algo a alguém, individualmente ou em grupo, direta ou
indiretamente, de forma presencial ou remota, devemos nos colocar nas três posições
perceptivas, observando as várias etapas do processo de comunicação pelo ângulo ou
ponto e vista de cada uma dessas posições.

Na Primeira Posição nos colocamos como o personagem principal — o emissor — e nossa


fonte de referência é o outro, ou seja, a pessoa ou grupo que desejamos influenciar com
o conteúdo da nossa mensagem. Precisamos considerar sua presença e o que desejam
com a apresentação que faremos. Nesse momento devemos pensar neles, o que temos de
interessante para eles e como gostaríamos que eles o recebessem.
Quando estamos nessa posição, o outro tem como referência a nossa imagem e o que
representamos para ele. É preciso que estejamos conscientes da percepção que temos de
nós mesmos, pois será essa que mostraremos aos demais.

Na Segunda Posição trocamos de lado com a pessoa ou grupo, ou seja, assumimos o


papel de receptor e temos como referência a primeira posição ou o emissor. O receptor
observa o emissor, principalmente, de acordo com as suas crenças, valores e sentimentos.

3
Turtles All the Way Down: Prerequisites to Personal Genius. Scotts Valley, CA: Grinder & Associates (1987).
4
Fonte: Encyclopedia of Systemic NLP and New Code - http://nlpuniversitypress.com/ de Robert Dilts e Judith
DeLozier. Tomo “P”, 2000, p.938-940

Marcela Castro
9

É isso que devemos buscar, entender como estaremos sendo percebidos pelo outro durante
a apresentação e o que sabemos sobre a percepção desse outro.

Para se colocar na Terceira Posição, precisamos observar a situação com o olhar de outro
observador, como se fosse um agente externo à relação emissor / receptor. Em suma, é
ver a situação por um ângulo que permita observar a interação que ocorre entre todos os
envolvidos em cada momento da apresentação.
Aqui são consideradas as suas crenças, valores e sentimentos e também as da outra pessoa
ou grupo.

4. TRABALHANDO O CONTEÚDO – OBJETIVIDADE


O seu, o meu e o nosso tempo são preciosos. Assim, não queremos desperdiçá-lo. Passados
muitos anos, desde que Henry Ford percebeu o tempo como um componente financeiro,
sua famosa frase — Time is Money — precisa de ajuste. Hoje podemos afirmar que tempo
é mais do que dinheiro.

Em razão disso, ser objetivo naquilo que desejamos comunicar é uma das regras de ouro.
Entretanto, ao contrário do que se quer como resultado, o processo para elaboração do
conteúdo objetivo deve ser abrangente. Só depois de avaliar todos os dados disponíveis é
que nos será possível extrair as informações relevantes para nossa apresentação. Como
fundamento, vamos parafrasear uma recomendação de John Maeda5: ser objetivo é
subtrair o óbvio e adicionar apenas o que faz sentido.

E tudo começa com perguntas. Perguntas para si mesmo e para quem mais puder
responder, de forma que você tenha em mãos os elementos necessários para fazer uma
boa escolha daquilo que irá comunicar.

4.1 Encontrando o caminho


Comece definindo os objetivos. Os seus e os de quem vai lhe ouvir.
Provavelmente você encontrará para si um objetivo geral ou explícito, que é o que você
pretende alcançar com a apresentação, e outro individual ou específico, relacionado ao seu
desejo pessoal como resultado da apresentação.

Para a sua audiência você deverá inferir o que ela deseja, o porquê estarão lá para ouvir,
de você, o que necessita, o que de melhor você entregará para ela.
Shinyashiki (2012, p.60) diz que, ao ser contratado para uma apresentação, sempre
procura saber qual o objetivo do cliente, ou seja, o que fez esse cliente procurá-lo e o que
o deixará feliz.

Mais adiante, o autor ressalta que esse objetivo geralmente “nasce de desejos, ameaças,
desafios, oportunidades e problemas que fazem parte do dia a dia do cliente”. [...] E que

5
John Maeda é designer, tecnólogo, professor do MIT e autor do livro The Laws of Simplicity, 2010.

Marcela Castro
10

“é muito importante lembrar que o objetivo da apresentação sempre deve estar ligado a
uma ação que você espera que o a audiência desempenhe, depois de ouvir o que você tem
a dizer”. (2012, p.80-81)

Entre os autores da bibliografia recomendada é unânime a afirmação de que o objetivo de


uma apresentação é a venda de uma ideia. Uma audiência convencida de que a ideia que
você apresenta é boa e atende aos objetivos dela, está pronta para decidir favoravelmente
pela “compra” do produto, projeto, serviço etc.

A definição dos objetivos é essencial para o planejamento da apresentação, montagem do


conteúdo e escolha da forma como será realizada.

Algumas perguntas servem de base para qualquer tipo de apresentação. Seu uso é
frequente no jornalismo: o quê, quem, quando, onde, como e porquê. São as perguntas
que compõem o lide (lead) jornalístico, ou seja, servem de guia para a introdução de uma
matéria. A essas, sugerimos adicionar mais algumas:

• Para quem a apresentação será feita?


• Qual a motivação dessas pessoas para assistir à apresentação?
• Qual a expectativa delas em relação ao assunto e ao apresentador?
• Já participaram de alguma apresentação semelhante antes?
• Há histórico de acolhimento ou de resistências ao que vai ser apresentado?
• Há pessoas com conhecimento anterior sobre o assunto?
• Quais as limitações de tempo, verba, da empresa, do público etc?
• Qual a influência das pessoas presentes na tomada de decisão? (se for o caso)
• Quais os principais parceiros da empresa? E os concorrentes? (se for o caso)
• Qual a linguagem comum e técnica utilizada?
• O que não deve ser abordado em hipótese alguma?

Além das perguntas que sugerimos, cabe ao apresentador incluir quantas mais considerar
necessárias para o adequado planejamento. Também deverá fazer pesquisas sobre o
assunto, pontos de vistas favoráveis e contrários e, se for o caso, histórico e
posicionamento da empresa.

Nesta fase inicial, que chamamos de Preparação, você definiu os objetivos, procurou
conhecer sua audiência (ouvintes) e tem que buscar a terminologia adequada a ser
aplicada, ou como se diz popularmente, “falar na língua do outro”. Esses são os três passos
da Preparação.

4.2 Um Jogo de Três Tempos


Colhido todo o material necessário, vamos dividi-lo pelas três etapas da apresentação:
Abertura, Sustentação e Fechamento.

4.2.1 Abrindo os trabalhos – VIP

Marcela Castro
11

Uma impressão sólida se produz em instantes e uma


opinião duradoura se baseia em nossa aparência, no modo
como falamos e andamos, e se estabelece dentro de 30
segundos e quatro minutos.
Eleri Sampsom

O método que recomendamos para a Abertura está fundamentado nas lições do Prof.
Reinaldo Polido, consolidadas em diversos livros de sua autoria e amplamente divulgadas
por ele em sites específicos6.

Que tal começar cumprimentando?


Pois é, há apresentadores que, de tão nervosos ou do alto da sua soberba, esquecem de
cumprimentar as pessoas.
A recomendação é que seja planejada a maneira de cumprimentar, incluindo uma
deferência às pessoas de maior nível hierárquico presentes, autoridades e quem abriu o
espaço para que a apresentação seja feita.
Esse contato inicial é conhecido como Vocativo, que não deve ser realizado apenas como
uma formalidade ou obrigação. Demonstre entusiasmo e interesse pela audiência.

E se estamos interessados na audiência, é preciso fazer com que ela também se interesse
por nós. Chegou a hora de criar um ponto em comum, uma aproximação emocional, uma
forma de você ser aceito pela audiência, ou seja, uma Identificação.
Essa fase é importante porque a comunicação é um relacionamento que se dá, ou não, por
meio do compartilhamento de significados. A formação dos significados iniciais se dá a
partir das expectativas dos envolvidos. Quando há aproximação emocional entre as partes,
os significados tendem a ser mais complacentes, facilitando a aceitação da mensagem.
O uso de datas, eventos, circunstâncias, locais e até pessoas, são excelentes formas de se
buscar aproximação com a audiência, desde que planejados e confirmados sobre o seu uso
de forma positiva.

Ouvidos abertos, confiança conquistada, entregue o presente. Isso mesmo, chegou a hora
de dizer para a audiência qual é o seu propósito, ou seja, o que ela vai ganhar ao lhe ouvir
até o final, em outras palavras, qual a vantagem, o lucro ou o benefício que terá ao lhe
ouvir. Esse momento é chamado de Proposição.
E lembre-se: a Proposição é para a audiência e não para você. Repetimos: é o benefício
ou a vantagem que levará por lhe ouvir.

Apresentamos o VIP nesta ordem, seguindo apenas a lógica mais usual, o que não invalida
que o apresentador o faça na ordem que considerar mais conveniente. Só não pode é
deixar de fazê-lo.
Nos casos em que a audiência já conhecer o apresentador, como ocorre nas apresentações
feitas no ambiente interno das empresas, a Identificação pode ser suprimida.

6
Como exemplo, ver:
http://www.polito.com.br/portugues/artigo.php?id_nivel=12&id_nivel2=175&idTopico=467

Marcela Castro
12

Eunice Mendes (2007, p.69) faz algumas recomendações sobre o que deve ser evitado,
ressaltando: Evite começar com piadas; não se autopromova nem fique se desculpando;
não diga que vai roubar uns minutinhos da atenção, nem que não está à altura de tão
seleta plateia; não demonstre mau humor, nem faça comentários negativos sobre pessoas,
eventos ou lugares; não diga que o assunto é complexo e que apenas vai dar uma
pincelada.
Complementamos com três dicas especiais, fazendo com que você se diferencie e não
cometa erros comuns aos apresentadores despreparados:

1) Ao se apresentar, não diga “Para os que não me conhecem, meu nome é....”;
(por acaso você tem outro nome para os que já lhe conhecem?)
Mesmo quando a audiência for composta por pessoas que o conhecem e também
por aqueles que ainda não tiveram essa oportunidade, resista! Não fale daquela
forma. Apenas diga “Eu sou Fulano de Tal...”.

2) Nunca diga que “vai falar apenas um pouquinho sobre...”. Quando você fala só
“um pouquinho”, deixa de falar.... UM MONTÃO, ou seja, sua audiência se sentirá
pouco informada. Melhor dizer que trouxe “as principais informações”, ou “as mais
relevantes”, ou “as mais atualizadas”, ou ainda “as suficientes para uma boa
tomada de decisão”.

3) Não comece dizendo “Não sei se vocês sabem....”, pois corre o risco de ouvir
“Isso nós já sabemos!” Nem diga, “Como vocês sabem...”, pois pode ser que alguém
não saiba. Se a intenção é generalizar algo, melhor dizer apenas “Tem sido comum
que...” ou “Muitas pessoas já sabem que...”.

O Dr. Peter Honey, psicólogo e especialista em habilidades interativas afirma que “No que
diz respeito aos outros, você é o que aparenta”. (HONEY apud SAMPSON, 1997, p.8)

Para encerrar esse tópico, voltemos aos estudos de Eleri Sampson (1997), onde concluiu
que a impressão que fazemos sobre outra pessoa se dá no intervalo de tempo contido
entre 30 segundos e 4 minutos, a partir do primeiro contato. Nesse tempo ocorre “uma
transação de duas vias em que as pessoas emitem e recebem de volta complexas
informações sobre si mesmas – quem são e o que representam”. (SAMPSON, 1997, p.8)
De acordo com Sampson, o impacto inicial é dominado pelo que é visto, concentrado nas
roupas, aparência geral, gesticulação e expressão facial. Em seguida passamos a perceber
pela audição, ouvindo então o tom da voz, seu volume e a pronúncia. Só depois é que
ouvimos o que é dito, ou seja, o significado representado pelas palavras.
É dessa forma que a audiência “julga” o apresentador e toma a decisão de ouvi-lo ou não.
A Abertura é um dos “momentos mágicos” da apresentação, lembre-se disso.

4.2.2 Sustentando a Proposição


Você já gerou o estímulo necessário para que a audiência sinta-se motivada a ouvi-lo, mas
precisa mantê-la atenta, concentrada e principalmente confiante de que você cumprirá o
que prometeu. Para isso, deve fazer uso das duas linguagens de influência, apresentando
seus argumentos na etapa que chamamos Sustentação. As linguagens são:
Convencimento e Persuasão. Na primeira utilizará a razão e na segunda a emoção. O

Marcela Castro
13

objetivo é atender às necessidades dos dois hemisférios cerebrais, em doses adequadas


ao cenário e ao objetivo da apresentação.
Nesse ponto, esclarecemos que cientistas há algum tempo contestam a tese de que as
funções cerebrais são rígidas para cada lado, com que concordamos. Então, para
continuidade do nosso estudo, e sem entrar na profundidade que o assunto requer, iremos
apenas considerar as dominâncias ou especializações de cada lado, independente de suas
funções bilaterais.
O hemisfério esquerdo prefere atuar com a razão, a lógica, exigindo comprovação e não
se satisfazendo com evidências fracas. É ele que irá criar as condições para o
Convencimento.

Convencimento – os aspectos racionais, objetivos e concretos são apresentados


por meio das informações contidas nos dados coletados, estatísticas, índices,
pesquisas, teorias etc. Trata-se da argumentação em que o apresentador apresenta
as “provas” que garantem o que afirma. São informações conceituais baseadas na
lógica.

Kestembaum afirma que “o que gerará convencimento serão os pontos que assegurem
resultados vindos de tópicos como inovação, produtividade, sinergia, rapidez ou controle
etc”. Ressalta que “ideias, estratégias e serviços são de certa forma promessas cujo valor
somente será atribuído quando for constatado o impacto causado por eles. [...] Na Era do
Conhecimento, a única forma de se mensurar e facilitar a compreensão do que se propõe
é pelos impactos causados e não por sua descrição”. (2008, p.50-51)

O hemisfério direito prefere atuar com a emoção, a inspiração, necessitando de


sentimentos e emoções para satisfazer-se. É ele que irar sensibilizar-se com a forma
aplicada por meio da Persuasão.

Persuasão – os aspectos emocionais, subjetivos e abstratos são apresentados por


meio de significados, simbolismos, exemplos, testemunhos, analogias, metáforas
etc. Trata-se da argumentação sustentada pelos sentimentos que buscam
promover, de forma subliminar, a identificação da audiência com o apresentador e
com o que está sendo apresentado.

O uso do bom humor é um componente que auxilia na aceitação dos argumentos, desde
que usado adequadamente, com parcimônia e espontaneidade. Ainda assim,
recomendamos muita cautela com sua aplicação, para evitar ferir suscetibilidades e
derrubar a argumentação.

Cuidado semelhante deve ser dado aos assuntos delicados ou polêmicos — religião,
política, futebol, raça, etnia, sexo entre outros.
Shinyashiki (2012) ressalta a importância do apresentador trazer informações que
surpreendam e permitam criar argumentos poderosos e adequados para fazer a audiência
comprar suas ideias e colocá-las para funcionar. Para ele “uma das maiores competências
dos grandes apresentadores é pesquisar informações sofisticadas e traduzir para uma
linguagem simples, que seja útil, prática e ordenada para o público. Mas entenda que ser
simples não é ser superficial”. (SHINYASHIKI, 2012, p.14)

Marcela Castro
14

Considerando que é fundamental o uso da objetividade, é importante ter a capacidade de


ver o objetivo, sem se perder na emoção. Ver a realidade como ela é. Entretanto, não se
pode reprimir a emoção, que deve representar o colorido da razão.
Nossa recomendação é que, na construção dos seus argumentos, a razão deve ser
inspirada pela emoção e esta guiada e moderada por aquela.

4.2.3 O Fechamento que abre portas


O Encerramento da apresentação não é um sinal de adeus, pelo contrário, deve mostrar
o real valor do que foi apresentado e ser o início de novos relacionamentos.

Trata-se de um momento tão importante que Shinyashiki optou por chamá-lo de


Celebração ou Conclusão, recomendando: “O final da apresentação tem de ter uma
mensagem de sabedoria que mostre que existe vida além do problema que a pessoa está
resolvendo. Leve sua plateia a um estado motivo e energizado, que a faça sentir alegria
de viver.” (SHINYASHIKI, 2012, p.107)

Prepare o ouvinte para o encerramento, dando pistas de que vai fazê-lo em breve. Utilize
expressões como: “E para encerrar...”; “Estamos chegando ao final....”; “E concluindo...”;
“Como último ponto...” etc.

Além de servir como sinalizadores, essas expressões também podem ser utilizadas como
Prolongadores da Atenção, mantendo a audiência atenta por um tempo a mais, quando
necessário.

Em artigo publicado na Revista Você S.A 7., o Prof. Reinaldo Polido chama a atenção para
um detalhe que deve ser sempre observado:
A qualidade da mensagem transmitida na conclusão é muito
importante para o resultado do encerramento, mas o tom
de voz que avise que a exposição está chegando ao final,
pode, em determinadas situações, ser ainda mais
relevante, pois, pela maneira de concluir, os ouvintes
receberão, além da informação, o sentimento da
mensagem usado na finalização.

Se prometer, tem que cumprir. Deixe claro que está entregando o que propôs, ou seja,
que a audiência agora possui aqueles benefícios apresentados na Proposição. Ao receber
algo o beneficiado tende a retribuir, pelo mecanismo da compensação, que nesse caso
pode ser aceitar o pedido a ser feito.

E para encerrar essa etapa transcrevemos, também do artigo citado, as principais formas
práticas e eficientes recomendadas pelo Prof. Reinaldo Polido sobre o Encerramento:

7
Disponível em: http://www.polito.com.br/portugues/artigo.php?id_nivel=12&id_nivel2=156&idTopico=349

Marcela Castro
15

• Levantar uma reflexão — De maneira geral, os ouvintes tenderão a refletir com


base nos argumentos que você transmitiu ao longo da apresentação e com boas
chances de que aceitem suas sugestões.

• Fazer uma citação — Além de admirarem seu conhecimento, a citação de uma frase
de alguém respeitado pelos ouvintes dará ainda mais peso à sua autoridade sobre
o assunto tratado.

• Apelar para a ação — Especialmente nas circunstâncias em que haja necessidade


de atitudes rápidas e imediatas dos ouvintes, esse é um dos recursos mais eficientes
para o encerramento.

• Provocar arrebatamento — Esse tipo de conclusão produz excelentes resultados


quando os ouvintes estiverem emocionalmente envolvidos com o conteúdo da
mensagem.

• Aludir à ocasião — É um tipo de conclusão apropriado nas situações em que o


ambiente da apresentação e o contexto da mensagem estejam intimamente
relacionados com a presença dos ouvintes.

• Elogiar honestamente os ouvintes — O elogio sincero ajuda a desarmar as últimas


resistências da plateia e a fazer com que as pessoas torçam pelo resultado positivo
da apresentação.

• Contar um fato histórico — Um fato histórico que guarde interdependência com o


conteúdo da fala, além de auxiliar os ouvintes a associarem com facilidade a
narrativa com a mensagem, fará com que se lembrem das informações por muito
mais tempo.

• Aproveitar um fato bem-humorado — É uma maneira leve e descontraída de fazer


o encerramento, e quanto mais ligada ao conteúdo da fala estiver mais eficiente
será para o trabalho de convencimento ou de persuasão dos ouvintes.

• Utilizar uma circunstância — A circunstância de pessoa, de lugar, ou de tempo são


recursos excepcionais para demonstrar maior identidade do palestrante com os
ouvintes e desarmá-los de possíveis resistências remanescentes.

O Encerramento é um dos “momentos mágicos” da Apresentação. Lembre-se também.

Terminamos o Conteúdo, então vamos dar-lhe Forma.

5. ELABORANDO A FORMA
De posse de todo conteúdo necessário, a tarefa agora é organizá-lo para que seja
apresentado e, principalmente, percebido pela audiência, com o significado pretendido e
para que leve ao objetivo determinado.

Marcela Castro
16

“De nada vale nosso conhecimento senão soubermos expressá-lo no mundo.” (Autor
Desconhecido)

5.1 Trace a sua Rota


Mesmo sabendo tudo o que vai apresentar, recomendamos que você prepare um roteiro,
Confiança demasiada em si mesmo pode ser prejudicial ao apresentador. O improviso é
muito admirado nos Repentistas8, mas em apresentadores remete à falta de preparo e de
profissionalismo.

Ainda que não seja preciso utilizá-lo, ele estará lá para eventuais imprevistos que
acontecerão, principalmente nas primeiras apresentações. Entre eles destacamos:

✓ uma súbita mudança no tempo disponível, para mais ou para menos. O roteiro o
ajudará a fazer os ajustes necessários em menos tempo.
✓ uma súbita redução nas sinapses cerebrais e de neurônios, que provoca lapsos de
memória, conhecidos como “deu branco”.
✓ a inesperada desorganização mental, provocada pela lembrança de algo importante
que será apresentado mais adiante e que “fura a fila”, desarrumando nossa “lista
interior” de assuntos só mentalmente ordenados.
✓ uma eventual interrupção vinda da audiência, motivada por qualquer tipo de
questionamento ou complemento, como apresentação de exemplos pessoais.
✓ a quebra no ritmo da apresentação, provocada por interrupções previstas — coffee-
breaks, almoço — ou não — entrada de alguém, ou acontecimento estranho ao
evento.

A lista não se esgota aqui, mas acreditamos que já seja suficiente para que você,
almejando o sucesso, invista algum tempo na preparação do seu roteiro.
E é simples fazê-lo. Cada apresentador pode desenvolver o modelo com o qual se sinta
mais confiante. Em resumo, uma lista ordenada de palavras-chave, com as sínteses dos
principais conceitos e exemplos é o bastante para se transformar no seu “mapa da mina”.

E atenção!!! Tome cuidados em relação à legislação vigente, neste caso a Lei de Murphy,
promulgada em 19499, cujo enunciado é uma premonição: Se existe a mais remota chance
da algo dar errado, certamente dará.
Muitos apresentadores têm uma lista considerável de exemplos para situações em que a
lei foi severamente aplicada sobre eles. Não queira fazer parte desse time.
Tome todos os cuidados necessários, certifique-se, confira, prepare o roteiro, faça o check
list, monte o plano “B”, monte o plano “C” etc.
Estabeleça o padrão de qualidade desejado, crie seus critérios avaliação e confira você
mesmo se tudo está de acordo.

8
Cantores de versos improvisados
9
Formulada pelo Major Edward Aloysius Murphy Jr., Engenheiro Aeroespacial estadunidense.

Marcela Castro
17

Roteiro na mão, chegou a hora de você aparecer.

Sendo assim, seu visual chegará primeiro para a audiência e transmitirá muitas
informações subliminares sobre você, ou sobre como eles acham que você é. Essas
informações são conhecidas como Metamensagem, não fazem parte do conteúdo em si,
mas influenciam os significados das demais informações do conteúdo.

Por isso, na sequência iremos tratar da aparência, postura, gesticulação e uso da voz.

5.2 AGORA É COM VOCÊ – SUA APARÊNCIA


Não vamos tomar seu tempo com explicações ou debates sobre aspectos discriminatórios.
A verdade é uma só, aceite você ou não: a aparência conta e muito!
Assim, ajuste-se, ou como se diz por aí, “dance conforme a música”.

Uma apresentação é iniciada no primeiro contato da audiência com o apresentador, o que


significa que você sempre deve estar pronto para causar a primeira boa impressão. Porque
os artistas, ao chegarem no teatro, sempre utilizam uma entrada secundária, longe do
público? Ficou mais convincente?

A audiência, mesmo que o desconheça, tem expectativas em relação à você, que incluem
a forma como você se apresenta. Essas expectativas são construídas segundo os padrões
deles e você certamente não desejará desagradá-los.
A recomendação é para vestir-se o mais próximo possível de como a audiência se veste,
ou, na dúvida, levemente mais formal do que eles.

Inclua o assunto na sua lista de perguntas, para obter informações que o ajude a preparar
seu visual. Isso inclui cores, pois não será um bom começo você aparecer com as cores do
concorrente, se for caso.

Você veste um conjunto de peças — calça, saia, paletó, vestido, camisa, sapatos etc —
que faz parte de um conjunto complementado por acessórios — cinto, anel, aliança, colar,
broche, boton/pin, gravata, pulseira etc. Todos devem estar em harmonia para não
competir com você, tornando-se Tomadores de Atenção da audiência.
Entre os tomadores de atenção, incluem-se crachás, chaveiros, aparelhos celulares, caixa
de óculos, fivela de cinto, cor de esmalte, relógios, canetas, entre tantos outros.

5.3 VOCÊ SE MOVE, GESTICULA E FALA


As três ações acima são componentes utilizados pela linguagem da persuasão e lhe
auxiliarão a reforçar a confiança conquistada, como também complementar o significado
do que você está apresentando. Cada uma tem suas particularidades, mas atuam em
conjunto e não podem gerar informações desconexas para a interpretação da audiência.

5.3.1 Postura

Marcela Castro
18

Toda a atenção estará em você e sua Postura é que determinará o significado que as
pessoas darão ao que disser. Portanto, demonstre firmeza, envolva e contagie com
simpatia e sem arrogância. Mantenha as pernas paralelas, distribuindo igualmente a
estrutura do corpo.

“Uma postura subserviente, com os ombros caídos, olhar baixo, costas curvadas e uma
expressão de desamparo não contribuem para uma comunicação efetiva. Da mesma
forma, um nariz empinado, um olhar desafiador, um queixo erguido e um ar de
superioridade criam distanciamento e certa animosidade entre as pessoas.” (MENDES,
2007, p.172)

Se houver possibilidade de movimentar-se no ambiente, ande tranquilamente para que a


audiência possa acompanhá-lo. Não dê passinhos curtos, para frente e para trás repetidas
vezes. Nem para um lado e para o outro. Não se apoie numa das pernas e alterne para a
outra, provocando um movimento pendular.

5.3.2 Contato Visual


O complemento da Postura é obtido pelas expressões faciais e, principalmente, pelo
Contato Visual. O rosto revela as emoções do apresentador, incluindo a sua segurança e
entusiasmo. Deve-se manter uma expressão relaxada e simpática, ao invés de tensa e de
seriedade.

O Contato Visual é o gatilho para o que podemos chamar de Princípio da Reciprocidade,


observado nas relações humanas em sociedade. Isto significa o dar e receber mútuos,
fundamental para o atendimento de uma das necessidades humanas básicas —
Reconhecimento.

Assim, o apresentador que mantém constante Contato Visual com todos e com cada um
da sua audiência, está lhes dizendo: estou vendo você e o reconheço no meio de todos, ao
que a audiência retribui respondendo: agradeço e lhe dou minha atenção.

Esse diálogo de expressões tem que ser constante, evitando-se que seja interrompido por
mais do que 15 segundos. O olhar do apresentador deve “ver” os olhos de todos os
presentes, mais ou menos por quatro segundos, sem fixá-lo em alguém para não gerar
constrangimento.

Falar olhando para o alto, para baixo, para o vazio ou ainda como se fosse “através” das
pessoas são erros graves, que acabam por dispersar a atenção da audiência. Inclui-se
também, no caso do uso de projeção visual, o olhar constante ou demorado para a tela.

5.3.3 Gesticulação
A Gesticulação faz parte do sentido que está sendo empregado ao que se diz,
complementando e reforçando a ideia. Não exagere, nem economize seus gestos. Gesticule
naturalmente, tomando cuidado para evitar constantes repetições ou mover somente um
dos braços seguidamente.

Marcela Castro
19

Evite gesticular com os braços acima da cabeça ou abaixo da cintura. Se o ambiente for
muito grande, eventualmente essa recomendação deixa de ser necessária, para permitir
que as pessoas mais distantes percebam o sentido dado pelo apresentador.

As mãos ocupam um lugar de destaque na gesticulação. Não as mantenha juntas o tempo


todo. Mãos têm vida própria, então deixe-as “participar da conversa” espontaneamente.
Apenas cuide para que ambas tenham a mesma oportunidade e uma não roube a cena da
outra. Na gesticulação a harmonia é fundamental.
Não inicie a apresentação com uma ou as mãos no bolso, nem cruzadas abaixo da cintura
ou nas costas. Evite falar com as mãos nos bolsos.

5.3.4 Uso da Voz


Chegou a hora de expressar o pensamento por meio das palavras, o que é realizado pelo
Uso da Voz com a eloquência adequada. Isso implica ajustar o ritmo (de rápido à lento)
em que as palavras são pronunciadas, o volume (alto ou baixo) e o tom (grave ou agudo),
como também fazer uso das pausas.

Pelo uso adequado da voz é possível reforçar o conteúdo da mensagem, intensificando a


compreensão e melhorando a empatia.

Mendes (2007, p.118) reforça esse conceito afirmando que “a fala (dicção) e a linguagem
(vocabulário, expressões, conteúdo, experiências e mensagens) se expressam por meio
da voz”.

A dica para o bom Uso da Voz é variar seus componentes, em especial ritmo e volume,
dando ênfase nas partes mais importantes da mensagem e evitando que a fala seja
monocórdia ou monótona.

Com base em Mendes (2007, p.130), listamos as principais recomendações no Uso da Voz
para uma comunicação efetiva.

✓ Faça exercícios, pronunciando um texto o mais rápido possível e, em seguida, o


mais lento que conseguir. Crie um estágio intermediário. Logo perceberá que pode
mudar o ritmo como quiser.
✓ Identifique no conteúdo os momentos que pedem maior ou menor
intensidade/volume da voz e os utilize para evitar a monotonia e destacar pontos
principais.
✓ Interprete o conteúdo como se fosse uma música, que nunca é a mesma se
executada por artistas diferentes: há sempre traços de cada personalidade.
✓ Ponha ritmo no que você diz, acrescentando pausas em momentos estratégicos.
✓ Comece falando com vigor, entusiasmo, demonstrando prazer por estar diante da
audiência.
✓ O que você diz é importante, mas o que dá credibilidade à mensagem é como ela é
transmitida.

Marcela Castro
20

A seguir apresentaremos os recursos mais comuns para apoiar e diferenciar suas


apresentações.

6. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS
Existem vários recursos que podem ser aplicados na Forma como a mensagem é
transmitida. O objetivo deve ser sempre apoiar o apresentador e não tomar o seu lugar.
Por ser o mais utilizado e de maior flexibilidade atualmente, focaremos o uso de slides
produzidos e projetados no programa PowerPoint da Microsoft Corporation.
Antes de começar a preparar um recurso adicional, pondere sobre dois aspectos:
Necessidade e Viabilidade.

Pergunte para si mesmo: Há necessidade de utilizar um recurso de apoio ou, para alcançar
os objetivos, posso fazê-lo apenas com minha apresentação pessoal?
Outra pergunta a ser feita e que é decisiva: É viável a utilização de um recurso de apoio?
Aqui considere a disponibilidade de equipamentos e de tempo, as condições do local,
horário e demais variáveis que possam influenciar a decisão.

6.1 A PROJEÇÃO
O uso do PowerPoint requer que a imagem seja projetada em algum lugar. Então, é preciso
cuidar para que as condições da projeção sejam adequadas, especialmente quanto à
luminosidade no local e posicionamento da audiência.
O apresentador deve evitar parar na frente da imagem projetada, no todo ou em parte,
evitando fazer sombra na tela e ficar “estampado” pela projeção da imagem sobre seu
corpo. Ambos os casos levam à distração, funcionando como Tomadores de Atenção e
reduzindo o impacto do conteúdo da mensagem.
Em ambientes pequenos, passar eventualmente na frente da tela, de forma natural e sem
despertar a atenção para o fato, não causará os efeitos citados acima.

6.2 LASER POINTER


Tão comum quanto o PowerPoint é uso do Laser Pointer, cuja utilização é facilitar o
apresentador no acompanhamento visual do conteúdo, dirigindo a atenção da audiência
para o ponto da imagem sobre o qual está fazendo referência.
Outra utilidade está na identificação de um “caminho” a ser seguido sobre a imagem, para
acompanhamento do raciocínio visual de um processo ou passo a passo de uma operação.

Nesses casos, o movimento deve ser bem lento, permitindo que o olho acompanhe a
trajetória do ponto de luz. Equivocadamente alguns apresentadores ficam “sublinhando”
ou “circulando” palavras ou figuras, ou mesmo “passeando” por toda a tela e às vezes até
fora dela, quase que na velocidade da luz, provocando desconforto visual para a audiência.
Também é inadequado apontar as letras de uma palavra ou as palavras de uma frase, uma
a uma, enquanto as lê.

Marcela Castro
21

Os melhores modelos são os que possuem incorporada a função de passador de slides,


dando maior mobilidade para o apresentador.

6.3 SLIDES
Os slides são uma excelente ferramenta de apoio para o apresentador, aumentando as
possibilidades de causar o impacto desejado com a informação transmitida, desde que
utilizada com essa finalidade e não se torne a peça fundamental da apresentação.
As imagens, como dissemos, devem servir de apoio ao apresentador e jamais competir
com ele durante a apresentação.

Sua utilidade está em fazer comparações numéricas, demonstração de dados estatísticos,


ênfase de informações essenciais, exposição de dados técnicos e científicos, demonstração
de produtos ou serviços, fixação de informações, esclarecimento de conceitos ou ideias,
orientação de raciocínio, visualização de objetos, estabelecimento de relacionamentos,
organogramas e fluxogramas.

Kenstenbaum (2008, p.61) orienta que o PowerPoint “não é uma ferramenta de raciocínio,
e sim de expressão de raciocínios de forma a facilitar o entendimento da audiência, e daí
a importância de se entender sua função de simplicidade no processo de comunicação”.

Reconhece ainda que “o PowerPoint trouxe uma verdadeira revolução na combinação de


imagem, som, texto, cor e movimento que pode ser manipulada por qualquer pessoa sem
necessidade de maiores conhecimentos técnicos”.

Ao preparar sua apresentação visual, seja econômico. Muita informação vira


desinformação. Economize principalmente nas frases, dando preferência às palavras-
chave. Sempre que um texto é projetado, a audiência só voltará sua atenção para o
apresentador depois de ler e decodificar o que leu. É muito tempo perdido na oportunidade
de gerar influência e provocar o efeito desejado com a informação. Faça com que a
audiência necessite da sua informação para complementar o raciocínio.

Um slide não deve ser um livro iluminado.

A escolha de figuras deve receber muito cuidado, pois devem levar a audiência a percebê-
la como você planejou e não com outro sentido. Tenha certeza de que a imagem escolhida
não provocará uma reação diferente daquele que você deseja. E também não exagere na
quantidade de figuras. E todas devem ter alta qualidade, permitindo o maior conforto visual
possível.

As informações sobre qual a quantidade ideal de slides em uma apresentação são variadas
e muitas vezes controversas. Assim, preferimos deixar essa decisão para o seu bom senso,
apresentando apenas uma recomendação de Carmine Gallo, consultor de comunicação,
que instrui seus clientes a não terem mais que 12 slides para uma hora de apresentação
e sete palavras por slide. (KESTENBAUM, 2008, p.39)

Marcela Castro
22

Pela experiência, preferimos nos referir não apenas às “palavras”, mas sim ao que
chamamos estímulos visuais, ou seja, tudo o que estiver sendo projetado com a finalidade
de influenciar a audiência, podendo ser palavras, bullets ou indicadores, formas
geométricas, imagens em geral (figuras, fotos ou cliparts) etc.

6.3.1 Fontes recomendadas


Se a projeção for realizada em equipamento diferente do seu, cuidado com o uso variado
de fontes. Nem todos os visualizadores de PowerPoint possuem todas as fontes disponíveis
no PowerPoint da Microsoft.

Hoje em dia já há uma gama maior de fontes consideradas comuns, mas para reduzir o
risco, recomendamos utilizar as clássicas Arial ou Times New Roman. E entre estas, dê
preferência para Arial. Faça o teste e comprove você mesmo como o conforto visual da
fonte Arial é bem maior do que da Times New Roman.

O tamanho da Fonte deve sempre ser o maior possível, visando facilitar ao máximo a
leitura. A decisão dependerá do tipo de público e tamanho da audiência, sendo sempre
proporcional. Quanto maior a audiência, maior será o tamanho da Fonte.
Nossa recomendação é que utilize as fontes de tamanhos entre 28 e 96 pontos.

6.3.2 Colorindo a apresentação


As cores podem ser um forte aliado na projeção da imagem e geração do impacto desejado
com a informação, mas há recomendações sobre sua adequada utilização.

Primeiro não esqueça que a visualização do que for projetado não será exatamente a
mesma que você vê na tela do seu monitor. Isso traz inúmeras variáveis, principalmente
quanto aos contrastes. Assim, utilize contrastes máximos entre o Plano de Fundo e a Fonte.

E vai uma dica: se o ambiente for pequeno (pé direito baixo), “abra o foco” utilizando
Plano de Fundo claro com Fontes escuras. Se o ambiente for grande (pé direito alto),
“feche o foco” utilizando Plano de Fundo escuro com Fontes claras.

6.3.3 Tabelas e Gráficos


Esses são dois itens que costumam derrubar uma apresentação visual, porque o
apresentador geralmente quer apresentar a Tabela ou o Gráfico exatamente como ele é, o
que obriga a audiência a interpretar tudo o que está sendo projetado.

As recomendações de Bárbara Minto (2011, p.255-258) traçam um bom caminho para a


ilustração de Gráficos e Tabelas. Vejamos o que ela afirma: “Os slides de texto usam uma
forma comum de comunicação — as palavras. Mas slides de figuras (mapas, gráficos,
tabelas e diagramas) empregam uma forma totalmente diferente de comunicação — as
relações visuais. Elas lhe possibilitam apresentar à sua audiência uma grande quantidade
de dados e relações complexas, que não poderiam ser expressas apenas com palavras.

Marcela Castro
23

De maneira geral, os slides de figuras deveriam expressar a mensagem de forma simples


e clara. O espectador não tem tempo de estudar e descobrir o significado de cada
elemento. Desse modo, se o gráfico for muito complicado, detalhado ou carregado, você
perderá um tempo precioso com explicações, em vez de discutir a mensagem. Mas isso
não exclui um gráfico ou diagrama mais complexo que fica claro com o desenvolvimento
das ideias do palestrante. Porém você não deve usar mais do que um ou dois desses
gráficos na sua apresentação.

Em geral, os slides de figuras contêm as partes de uma estrutura ou processo, ou ainda,


dados em formato visual utilizando diferentes tipos de gráficos. Os diagramas e gráficos
costumam a ser utilizados para responder a cinco tipos de perguntas:

• Quais são os elementos?


• Como as quantidades se comparam?
• O que mudou e como?
• Como os itens são distribuídos?
• Qual a dispersão?

O truque é escolher a pergunta que será respondida pela figura, enunciar a resposta com
o título do gráfico e, então, escolher o tipo de gráfico mais apropriado para mostrar aquele
determinado ponto.

Ao enunciar o ponto do gráfico a ser desenvolvido, você também minimiza a possibilidade


de confusão, pois os espectadores, se deixados por si só, irão se fixar em diferentes
relações, dependendo do ponto de vista, seu histórico ou interesse. Desse modo, você os
direcionará instantaneamente para os dados que quer destacar.”

Para a confecção de slides contendo gráficos, recomendamos seguir também as


orientações de Andrew Bradbury (2004):

Gráfico de curvas:
- Use quatro curvas por gráfico no máximo, e utilize uma cor diferente para cada
curva se o gráfico mostrar mais de uma curva.
- Gráficos de curvas são mais adequados para ilustrar tendências durante um certo
tempo, como índice de vendas e assim por diante.
- Evite títulos verticais em um gráfico de curvas. Eles são difíceis de ler e, portanto,
facilmente mal interpretados.
- Para minimizar as diferenças em um gráfico de curvas, faça o eixo dos Y (a linha
de base) tão comprido quanto possível (dentro do razoável).
- Para maximizar as diferenças em um gráfico de curvas, faça o eixo dos X (vertical)
tão comprido quanto possível.

Gráfico de barras:
- Em qualquer tipo de gráfico de barras, limite cada imagem a seis ou sete barras
(ou grupo de barras) no máximo.
- Utilize um gráfico de barras verticais para comparar dados correlatos em vários
períodos.

Marcela Castro
24

- Um gráfico de barras horizontais (histograma) é mais adequado para mostrar


valores relativos para um número de itens correlatos num determinado momento e
em que o propósito principal do gráfico é ilustrar valores relativos.
- Quando utilizar um histograma, sempre organize as barras em ordem ascendente
ou descendente de magnitude, não em ordem alfabética.

Gráfico de pizza.
- Um gráfico de pizza costuma ser a melhor maneira de ilustrar os valores relativos
que se unem para compor um todo (como um determinado mercado é dividido
atualmente entre os vários fabricantes, por exemplo).
- Use uma “fatia flutuante” quando quiser chamar a atenção para aquele item em
particular da pizza (e nunca use mais de uma fatia flutuante por gráfico).

Referência bibliográfica
ABREU, Antonio Suárez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 9ª ed. Cotia:
Ateliê Editorial, 2006.

ARAÚJO FILHO, Ney Pereira de. Apresentações Empresariais Além da Oratória: técnicas
para comunicar-se claramente e obter sucesso profissional . Rio de Janeiro:
Campus/Elsevier 2009.

BORDENAVE, Juan E. D. Além dos Meios de Mensagens: introdução à comunicação como


processo, tecnologia, sistema e ciência. 3ª ed. Petrópolis: Vozes, 1986.

BRADBURY, Andrew. Como Fazer Apresentações de Sucesso. 6ª. ed. São Paulo: CLIO
Editora, 2004.

DILTS, Robert. Enfrentando a audiência. São Paulo: Summus, 1997.

DIMITRIUS, Jo-Ellan; MAZZARELLA, Mark. Decifrar pessoas: como entender o


comportamento humano. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 2000 – 29ª ed.

FRANK, Milo O. Como apresentar as suas ideias em 30 segundos – ou menos. 15ª ed. –
Rio de Janeiro: Record, 2006.

FEGERE, Brian, HARDWAY, Chelsea, WARSHAWSKY, Jon. Por que as pessoas de negócios
falam como idiotas. Rio de Janeiro: Best Seller, 2007.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser
inteligente. 37ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.

HARVAND BUSSINESS SCHOOL PRESS. Apresentações Eletrizantes. Rio de Janeiro:


Campus/ Elsevier, 2004.

KALISH, K. Como Fazer Apresentações Espetaculares. 8ª ed. Rio de Janeiro:


Campus/Elsevier, 2000.

KESTENBAUM, Normann – Obrigado pela informação que você não me deu! Rio de Janeiro:
Campus/Elsevier, 2008.

Marcela Castro
25

LEGRAND. Parábolas Eternas. 3ª ed. Belo Horizonte: Soler, 2004.

MINTO, Barbara. O Princípio da Pirâmide: a lógica na escrita, no raciocínio e na resolução


de problemas; tradução Antônio Benedicto Nunes de Santis Pires. São Paulo: Canal Certo,
2011.

O’CONNOR, Joseph; SEYMOR, John. Introdução à Programação Neurolinguística: como


entender e influenciar as pessoas. São Paulo: Summus, 1995.

O’CONNOR, Joseph; SEYMOR, John. Treinando com a PNL: recursos para administradores,
instrutores e comunicadores. São Paulo: Summus, 1996.

OLIVEIRA Marco A.(Coord.). Quinze Cenas de Filmes de Sucesso Para o Treinamento em


Vendas e Atendimento. In: livro 1 – Equipe técnica da OBI – Consultores & Editores. São
Paulo: Gente, 1996.

PEASE, Allan e PEASE, Barbara. Desvendando os segredos da linguagem corporal.


Tradução de Jorgensen Jr. RJ: Sextante, 2005.

POLITO, Reinaldo. Assim é Que se Fala: como organizar a fala e transmitir ideias. 27ª ed.
São Paulo: Editora Saraiva, 2005.

_____. Um jeito bom de falar bem: como vencer na comunicação. 8ª ed. São Paulo:
Saraiva, 2001.

SAMPSON, Eleri. 30 minutos...para causar uma boa impressão. São Paulo: Clio Editora,
2001.

WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. O Corpo Fala: a linguagem silenciosa da comunicação


não verbal. Petrópolis: Vozes, 1986.

WILLIAMS, Robin. Design para quem não é designer: noções básicas de planejamento
visual. 2ª ed. revisada e ampliada – São Paulo: Callis, 2005.

Marcela Castro

Você também pode gostar