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PROCESSOS Nºs : 16.668-5/2018 – APENSOS: 18.624-4/2019 e 19.

390-9/2019
ASSUNTO : CONTAS ANUAIS DE GOVERNO EXERCÍCIO DE 2018
LEI Nº 1.753/2018 – LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS
(LDO)
LEI Nº 1.754/2018 – LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL (LOA)
ÓRGÃO : PREFEITURA MUNICIPAL DE CHAPADA DOS GUIMARÃES
GESTOR : THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA
RELATOR : CONSELHEIRO INTERINO JOÃO BATISTA DE CAMARGO
JÚNIOR

RAZÕES DO VOTO

214. Após a análise da Secretaria de Controle Externo de Receita e Governo


(Secex de Receita e Governo), da Secretaria de Controle Externo de Previdência
Municipal (Secex de Previdência Municipal) e do Ministério Público de Contas (MPC),
cumpre-me fazer o juízo de valor das referidas contas.

215. Insta salientar que, pela inteligência do art. 5º, § 1º, da Resolução
Normativa nº 10/2008 do TCE/MT, a apreciação das Contas Anuais de Governo deste
Município será realizada de forma conclusiva quanto aos seguintes aspectos:

a) se as contas anuais representam adequadamente a posição financeira,


orçamentária e patrimonial em 31/12, bem como o resultado das operações de
acordo com os princípios fundamentais da contabilidade aplicada à
administração pública;
b) a observância aos limites constitucionais e legais na execução dos
orçamentos públicos;
c) o cumprimento dos programas previstos na LOA quanto à legalidade,
legitimidade, economicidade e atingimento das metas, assim como a
consonância dos mesmos com o plano plurianual e a lei de diretrizes
orçamentárias;
d) o resultado das políticas públicas, evidenciando o reflexo da administração
financeira e orçamentária no desenvolvimento econômico e social do
município;
e) a observância ao princípio da transparência.

216. Diante das irregularidades mantidas na conclusão da equipe técnica


sobre as contas apresentadas pela Prefeitura Municipal de Chapada dos Guimarães,
entendo necessária a análise, em apartado, dos apontamentos trazidos pela Secretaria
de Controle Externo de Receita e Governo e da Secex de Previdência, iniciando a
análise pela primeira.

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ANÁLISE DAS IRREGULARIDADES APONTADAS PELA SECEX DE RECEITA E
GOVERNO

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA


1) AA04 LIMITES CONSTITUCIONAIS/LEGAIS_GRAVÍSSIMA_04. Gastos com pessoal acima dos
limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (arts. 19 e 20 da Lei Complementar 101/2000).

1.1 ) Os gastos com pessoal do Poder Executivo Municipal totalizaram 62,09%, ultrapassando o limite
máximo de 54% estabelecido no art. 20, inciso III, "b" da LRF.

POSIÇÃO DESTE RELATOR

217. Em relatório técnico preliminar, a Secex de Receita e Governo apontou


que os gastos com pessoal do Município de Chapada dos Guimarães, observando os
termos da Resolução de Consulta nº 29/2016 TCE/MT (sem a inclusão do Imposto de
Renda Retido na Fonte - IRRF), atingiu 62,78 % da Receita Corrente Líquida (RCL) ao
final do exercício de 2018.

218. Com isso, a auditoria salientou que o município não seria contemplado
pela modulação prevista na Resolução de Consulta nº 19/2018 TCE/MT, segundo a
qual aplicação ocorreria somente para aqueles municípios que extrapolassem o limite
máximo de despesa com pessoal em decorrência do novo entendimento.

219. Desse modo, a Secex de Receita e Governo observou que o IRRF


deveria ser computado no montante de gasto com pessoal do Município de Chapada
dos Guimarães. Com isso, concluiu que os referidos gastos foram de R$ 32.733.885,86
(trinta e dois milhões e setecentos e trinta e três mil e oitocentos e oitenta e cinco reais
e oitenta e seis centavos)1, atingindo 63,75% da RCL.

220. Em sede de defesa, a gestora apontou vários argumentos, os quais serão


analisados separadamente.

Da não consideração do IRRF no cálculo dos gastos com pessoal.

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Relatório Técnico Preliminar – Documento Digital nº 195753/2019, fl. 103.
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221. Em suma, a defesa ressaltou que o art. 50 da Lei Orgânica do Tribunal de
Contas de Mato Grosso (TCE/MT) dispõe que “decisões em processo de consulta
constitui prejulgamento de tese a partir de sua publicação”.

222. Desse modo, arguiu que a Resolução de Consulta nº 19/2018 não poderia
ser aplicada na análise de gasto com pessoal no exercício de 2018, pois trata de fatos
consumados no referido exercício.

223. Com isso, entendeu que deveriam ser excluídos os valores do IRRF do
montante e da receita corrente líquida para apuração das despesas com pessoal.

224. Na análise da defesa, a auditora salientou que a apuração do percentual


de 63,75 % dos gastos com pessoal foi fundamentada justamente no art. 50 da Lei
Orgânica deste Tribunal, mencionado pela defesa, uma vez que esse dispositivo
destaca que as decisões em consulta terão força normativa e que constituem
prejulgamento de tese a partir de sua publicação.

225. Por fim, a unidade técnica esclareceu que, mesmo excluindo o IRRF do
cômputo da despesa com pessoal, o percentual seria de 62,78% da RCL, conforme o
cálculo do relatório técnico preliminar.

226. Neste aspecto, verifiquei no Portal da Transparência do Município de


Chapada dos Guimarães, no Relatório de Gestão Fiscal (RGF), que
independentemente da aplicação da Resolução de Consulta nº 19/2018, a despesa
total com pessoal (DTP) já extrapolava o limite máximo de 54 % permitido na LRF
desde de o 1º quadrimestre do exercício de 2018, conforme demonstrado na tabela
seguir:

1º Quadrimestre 2º Quadrimestre 3º Quadrimestre


RECEITA
CORRENTE R$ 48.618.047,16 R$ 49.097.338,82 R$ 48.949.784,30
LÍQUIDA
DESPESA COM
PESSOAL
R$ 27.203.494,98 R$ 27.711.782,07 R$ 28.226.357,10
% DESPESA COM
PESSOAL
55,95 % 56,44 % 57,66 %
Fonte: Relatório de Gestão Fiscal do Município - https://www.gp.srv.br/transparencia_chapada/servlet/mrgf_v2. Acesso em
13/12/2019.
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227. Dessa forma, a partir do segundo quadrimestre de 2018 a gestora deveria
observar as medidas previstas no art. 23 da LRF2, que determina a redução do valor
excedente de gasto com pessoal nos dois quadrimestres seguintes, o que não ocorreu,
conforme evidenciado na tabela anterior.

228. Todavia, nos casos em que houver a extrapolação do limite máximo da


DTP, aplicar-se-ão as modulações dos efeitos constantes na referida resolução, o que
não poderá ensejar, por si só, conclusão por um parecer prévio contrário à aprovação
das contas.

229. Dessa forma, a partir do segundo quadrimestre de 2018 a gestora deveria


observar as medidas previstas no art. 23 da LRF, que determina a redução do valor
excedente de gasto com pessoal nos dois quadrimestres seguintes, o que não ocorreu.

230. Por outro lado, conforme se verifica no recentíssimo julgamento das


Contas da Prefeitura Municipal de Alta Floresta do exercício de 2018 (Processo nº
16.757-6/2018), na Sessão Extraordinária do Tribunal Pleno de 3/12/2019, cujo
acórdão encontra-se pendente de publicação, o relator, Conselheiro Guilherme Antônio
Maluf, Presidente empossado deste Tribunal, ressaltou que não é cabível aplicar os
efeitos da modulação dos efeitos da Resolução de Consulta nº 19/2018 àqueles
municípios que extrapolaram o limite máximo com despesa com pessoal, mesmo sem
a aplicação do novo critério de cálculo previsto na Resolução de Consulta nº
19/2018.

231. Esse voto proferido na sessão do dia 3/12/2018 foi acompanhado por
todos os demais Conselheiros, vejamos:

2 Art. 23. Se a despesa total com pessoal, do Poder ou órgão referido no art. 20, ultrapassar os limites
definidos no mesmo artigo, sem prejuízo das medidas previstas no art. 22, o percentual excedente terá
de ser eliminado nos dois quadrimestres seguintes, sendo pelo menos um terço no primeiro, adotando-
se, entre outras, as providências previstas nos §§ 3º e 4o do art. 169 da Constituição. § 1o No caso
do inciso I do § 3º do art. 169 da Constituição, o objetivo poderá ser alcançado tanto pela extinção de
cargos e funções quanto pela redução dos valores a eles atribuídos.

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Contas Anuais de Governo da Prefeitura Municipal de Alta Floresta.
Processo nº 16.757-6/2018
Relator: Guilherme Antônio Maluf
Tendo em vista que a extrapolação existe, independente do cômputo ou não do
IRRF no cálculo, ou seja, que não foi causada exclusivamente pela aplicação
da resolução 19/2018, não é cabível neste caso aplicar a modulação dos
efeitos nela prevista, a qual estabeleceu que seria aceita a recondução
completa aos limites até o final do exercício de 2022, para fins, unicamente, de
apreciação das Contas Anuais de Governo pelo Tribunal Pleno deste TCE,
devendo, então, ser exigido o prazo prescrito na Lei de Responsabilidade
Fiscal.

232. Como visto, no caso em análise, é possível concluir que esta mudança
de entendimento do TCE/MT acerca da exclusão do IRRF da base de cálculo da DTP
não interferiu na extrapolação dos gastos com pessoal do município em análise, uma
vez que a administração de Chapada dos Guimarães excedeu o gasto permitido em
decorrência do total descontrole das referidas despesas, o que ocorreria ainda que
fosse seguido o antigo entendimento.

233. Portanto, identifico que o montante do IRRF perfaz a quantia de


R$ 1.333.919,68 (um milhão e trezentos e trinta e três mil e novecentos e dezenove
reais e sessenta e oito centavos) 3, o qual deve compor o total da RCL, bem como da
DTP.

Da inclusão dos pagamentos para a Cooperativa Vale do Teles Pires sem a


comprovação nos autos de que se trata de substituição de mão-de-obra.

234. Segundo a defesa, a Secex de Receita e Governo incluiu no cálculo da


despesa com pessoal a quantia de R$ 3.447.306,77 (três milhões e quatrocentos e
quarenta e sete mil e trezentos e seis reais e setenta e sete centavos) referente às
despesas com a contratação da Cooperativa de Trabalho Vale Teles Pires (Contrato de
Prestação de Serviço nº 23/2017).

235. Todavia, a gestora arguiu que a Secex de Receita e Governo considerou


apenas a relação das despesas empenhadas e liquidadas em favor da Cooperativa
Vale do Teles Pires. Com isso, a defesa esclarece que não é possível afirmar que esse

3 Documento Digital nº 195753/2019, fl. 103.


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valor diz respeito ao montante da despesa com pessoal, pois o objeto pactuado refere-
se ao apoio às atividades da administração.

236. Desse modo, a defesa entendeu que o pagamento dos referidos serviços
terceirizados não deveria ser computado no cálculo das despesas total com pessoal,
tendo em vista que o objeto da contratação não envolve atividades da administração.
Então, afirmou que o apontamento em análise é mera presunção da auditoria.

237. Concluindo este item, a gestora destacou o voto do Conselheiro Luiz


Henrique Lima (Processo nº 17.666-4/2017 – Contas Anuais de Governo do Exercício
de 2017 – Prefeitura de São José do Quatro Marcos/MT), no qual o Conselheiro relator
ressaltou que não seria cabível penalizar o gestor por mera presunção:

[...] 207. Desta maneira, não é possível precisar o que foi gasto a título de
pagamento com honorários médicos, despesa esta que poderia ser
considerada no cômputo de gastos de pessoal, e as demais despesas
inerentes ao atendimento médico hospitalar. Nesse caso, a aplicação de
penalidade decorreria de mera presunção, o que não seria cabível no âmbito
do Tribunal de Contas, em que se busca a verdade material.

238. Em relatório técnico de defesa, a auditora ressaltou que as informações


dos valores pagos à Cooperativa de Trabalho Vale do Teles Pires foram retiradas do
Sistema Aplic. Ou seja, os dados foram alimentados pelo próprio município.

239. Acrescentou que foi solicitado à gestora que enviasse documentos que
pudessem especificar qual o montante pago à Cooperativa que não poderia fazer parte
do montante das despesas com pessoal. Todavia, conforme a auditora, a defesa não
apresentou nenhum documento nesse sentido.

240. Pois bem. É necessário esclarecer que o presente processo trata de


Prestação de Contas, atividade que se desenvolve a partir das ciências contábeis,
como elemento de registro dos lançamentos de débito ou crédito relativos a operações
comerciais e financeiras.

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241. Em vista disso, cabe ao Tribunal de Contas analisar os documentos
enviados e apontar, se for o caso, as irregularidades encontradas. Desse modo, é
dever do gestor subsidiar a auditoria com documentações suficientes para sanar as
irregularidades apontadas, caso contrário, bastaria apenas declarações pessoais
quanto à gestão financeira do ente.

242. Ademais, conforme mencionado acima, cabe à gestora o ônus de


demonstrar a boa e correta aplicação dos recursos públicos. Nesse sentido,
segundo o entendimento e a jurisprudência do Tribunal de Contas da União:

A não comprovação da lisura no trato de recursos públicos recebidos autoriza,


a meu ver, a presunção de irregularidade na sua aplicação. Ressalto que o
ônus da prova da idoneidade no emprego dos recursos, no âmbito
administrativo, recai sobre o gestor, obrigando-se este a comprovar que
os mesmos foram regularmente aplicados quando da realização do
interesse público. Aliás, a jurisprudência deste Tribunal consolidou tal
entendimento no Enunciado de Decisão nº 176, in verbis: '‘compete ao gestor
comprovar a boa e regular aplicação dos recursos públicos, cabendo-lhe o
ônus da prova’'. (Acórdãos 162/2004, 129/2004, 94/2004, 61/2004 e
1.498/2003 e TC-020.000/2010-3, todos da 2ª Câmara). (grifei)

243. Ressalto que, no mesmo sentido, o Ministério Público de Contas


destacou4 que “o dever de prestar contas é personalíssimo e intransferível, não se
pode inverter o ônus das obrigações. Isso quer dizer que cabia a gestora o dever de
indicar quais despesas do Contrato de Prestação de Serviços nº 23/2017 se inseriam
ou não como substituição de mão-de-obra”.

244. Ademais, o arguiu bem o Parquet de Contas ao pontuar que, no caso da


Prefeitura de São José de Quatro Marcos - destacado pela defesa, o gestor apresentou
os contratos discutidos, bem como discriminou as despesas pagas aos credores, de
modo a demonstrar que os serviços prestados não possuíam apenas natureza
remuneratória, mas englobavam outras despesas a título de contratação de serviços
complementares e insumos.

245. Portanto, naquela situação, foram analisados os documentos acostados


pelo gestor, tendo o Conselheiro relator entendido que, de fato, não havia como afirmar

4 Documento Digital nº 267497/2019.


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que todas as despesas inseridas diziam respeito a despesas com pessoal, razão pela
qual opinou pela necessidade de tomada de contas específica.

246. No caso em análise, apesar da solicitação de documentos quanto aos


pagamentos para a Cooperativa Vale do Teles Pires, não foi enviado nenhum
documento capaz de evidenciar que os referidos valores pagos à Cooperativa
tratam de contratação de apoio às atividades da administração.

247. Além disso, verifica-se nos autos que quase a totalidade das funções
previstas no Contrato nº 23/2017 possuem correlação com os cargos do Plano de
Cargos Carreiras e Salários do município. Portanto, isso, por si só, já indica que as
despesas decorrentes da contratação da Cooperativa de Trabalho Vale do Teles Pires
se referem a mão de obra terceirizada, as quais devem ser computadas nas despesas
de gasto com pessoal, conforme Resolução de Consulta TCE/MT nº 29/2013.

248. Dessa forma, não acolho os argumentos da defesa e mantenho os


valores pagos para a Cooperativa Vale do Teles Pires no montante da despesa com
pessoal do Município de Chapada dos Guimarães.

Da exclusão das despesas com plantões médicos.

249. Em relação aos plantões médicos, a Secex de Receita e Governo somou


a quantia de R$ 613.467,39 (seiscentos e treze mil e quatrocentos e sessenta e sete
reais e trinta e nove centavos) de gastos com plantões médicos ao montante das
despesas com pessoal.

250. Todavia, após a análise da defesa, a própria auditora reconheceu a


inserção indevida do referido valor e o deduziu do montante da DTP.

251. Agiu bem a auditora, pois, conforme os termos da Resolução de Consulta


nº 21/2018 TCE/MT, os gastos com plantões médicos devem compor o montante da
despesa com pessoal, porém, só poderão ser matéria apreciada nas contas de 2019
em diante, vejamos:

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RESOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 21/2018 – TP
Ementa: PREFEITURA MUNICIPAL DE NOVO SANTO ANTÔNIO. CONSULTA.
PESSOAL. LIMITES. DESPESAS COM PESSOAL. AGENTES COMUNITÁRIOS DE
SAÚDE E AGENTES DE COMBATE ÀS ENDEMIAS. PLANTÕES MÉDICOS.
LICENÇAS-PRÊMIO E FÉRIAS INDENIZADAS.
(...) b) As despesas referentes ao adicional por exercício de jornada de trabalho em
regime de plantão devem ser incluídas no cômputo da despesa total com pessoal,
conforme estabelece o art. 18 da LRF, tendo em vista tratar-se de retribuição pecuniária,
de natureza remuneratória, pela contraprestação de uma jornada de trabalho especial,
não se revestindo de caráter indenizatório.
3) modular os efeitos da presente decisão, para que o entendimento relativo aos
plantões médicos contido no verbete “b” da Resolução de Consulta seja aplicado a partir
de Janeiro/2019, para a apreciação e o julgamento das contas anuais do exercício de
2019, que ocorrerá no ano de 2020.

252. Desse modo, excluo a quantia de R$ 613.467,39 (seiscentos e treze mil e


quatrocentos e sessenta e sete reais e trinta e nove centavos) do montante de gastos
com pessoal.

Da exclusão dos pagamentos relativos a verbas rescisórias por ocasião do


encerramento do vínculo de trabalho e da exclusão de indenização de transporte.

253. Quanto às verbas rescisórias por ocasião do encerramento do vínculo


de trabalho, a defesa destacou que a quantia de R$ 22.896,33 (vinte e dois mil e
oitocentos e noventa e seis reais e trinta e três centavos) deve ser excluída do cálculo
das despesas com pessoal em atenção ao § 1º do artigo 19 da LRF5.

254. Após a análise da defesa, a Secex de Receita e Governo acolheu a tese


da gestora e excluiu a referida quantia do montante de gastos com pessoal.

5 Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a despesa total com pessoal, em
cada período de apuração e em cada ente da Federação, não poderá exceder os percentuais da receita
corrente líquida, a seguir discriminados: § 1o Na verificação do atendimento dos limites definidos neste
artigo, não serão computadas as despesas: I – de indenização por demissão de servidores ou
empregados; II - relativas a incentivos à demissão voluntária; III - derivadas da aplicação do disposto
no inciso II do § 6o do art. 57 da Constituição; IV - decorrentes de decisão judicial e da competência de
período anterior ao da apuração a que se refere o § 2o do art. 18; V - com pessoal, do Distrito Federal e
dos Estados do Amapá e Roraima, custeadas com recursos transferidos pela União na forma dos incisos
XIII e XIV do art. 21 da Constituição e do art. 31 da Emenda Constitucional no 19; VI – com inativos,
ainda que por intermédio de fundo específico, custeadas por recursos provenientes: a) da
arrecadação de contribuições dos segurados; b) da compensação financeira de que trata o § 9o do art.
201 da Constituição; c) das demais receitas diretamente arrecadadas por fundo vinculado a tal
finalidade, inclusive o produto da alienação de bens, direitos e ativos, bem como seu superávit
financeiro.
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255. Considerando que o § 1º do art. 19 da LRF exclui os gastos com
indenizações por demissão voluntária do montante da DTP, coaduno-me com os
entendimentos da auditoria e excluo a quantia de R$ 22.896,33 (vinte e dois mil e
oitocentos e noventa e seis reais e trinta e três centavos) do montante dos gastos com
pessoal do Município de Chapada dos Guimarães do exercício de 2018.

256. Quanto à indenização de transporte, a gestora arguiu que não tratam


de verbas de natureza remuneratória, pois visam ressarcir o servidor que utilizou
locomoção própria para execução de serviços externos.

257. Para a Secex de Receita e Governo, nesse ponto, a defesa não merece
prosperar, pois não foi juntado aos autos nenhum documento capaz de comprovar as
referidas alegações, ou seja, sequer juntou-se aos autos lista demonstrando quais
servidores foram indenizados pelo uso de locomoção própria no exercício de serviços
externos.

258. Em sede de alegações finais, a defendente reforçou a tese de que tratam


de recursos indenizatórios e de que a ausência de comprovação não justifica a inclusão
dos referidos gastos às despesas com pessoal.

259. Nesse ponto, não merecem prosperar as alegações da gestora. A


prestação de contas deve conter todos os documentos necessários para transparecer a
correta aplicação dos recursos públicos.

260. Saliento que cabe ao Tribunal de Contas analisar a documentação


enviada e apontar as irregularidades encontradas. Desse modo, conforme já
ressaltado, é dever do gestor subsidiar a auditoria com informações suficientes para
sanar as irregularidades apontadas.

261. Neste caso, pelo princípio da inversão do ônus da prova inerente à


prestação dos gestores de recursos públicos em processos de prestação e contas,
como a defesa não trouxe os documentos que provariam suas alegações, seus
argumentos devem ser refutados.
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262. Com isso, acolho os argumentos da equipe técnica e, em consonância
com o Parecer Ministerial, mantenho a quantia de R$ 18.011,66 (dezoito mil e onze
reais e sessenta e seis centavos) no montante de gastos com pessoal.

Da exclusão do pagamento relativo a verba indenizatória.

263. Em relação às verbas de natureza indenizatória, cabe ressaltar que a


Resolução de Consulta nº 29/2011 TCE/MT já esclareceu que devem ser instituídas por
lei que especifique expressamente as despesas que serão objeto de ressarcimento,
vejamos:

RESOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 29/2011


Ementa: CÂMARA MUNICIPAL DE NOVA OLÍMPIA. CONSULTA. CÂMARA
MUNICIPAL. VEREADOR. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA.
POSSIBILIDADE, SE OBSERVADOS OS REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE
DE PAGAMENTO DE DESPESAS COM MANUTENÇÃO DO GABINETE DO
PARLAMENTAR. POSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO DE DESPESAS
COM ABASTECIMENTO DE VEÍCULO PARTICULAR DO VEREADOR E DE
ACUMULAÇÃO COM A DIÁRIA, QUANDO CONTEMPLAREM O
RESSARCIMENTO DE DESPESAS DISTINTAS. PRESTAÇÃO DE CONTAS
NOS TERMOS DA LEI QUE A INSTITUIR.
1) A verba indenizatória deve ser instituída mediante lei que especifique
expressamente as despesas que serão objeto de ressarcimento e as atividades
parlamentares desenvolvidas no interesse da Administração Pública, devendo
haver um nexo de causalidade entre as despesas e as atividades previstas na
lei.

264. Desse modo, essas verbas, por terem caráter indenizatório, não
compõem o montante de gastos com pessoal. Ressalto que a referida consulta, apesar
de tratar de verba indenizatória em favor do Poder Legislativo, aplica-se igualmente ao
Poder Executivo, dada a natureza jurídica comum, desde que respeitadas as premissas
ali constantes.

265. No caso em análise, a defesa apontou que a quantia de R$ 1.180.481,51


(um milhão e cento e oitenta mil e quatrocentos e oitenta e um reais e cinquenta e um
centavos) de verbas indenizatórias também foi incluída como gasto de pessoal,
conforme a tabela abaixo. Todavia, por ser de caráter indenizatório, deveria ser
excluída da DTP.

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Fonte. Defesa – Documento Digital nº 187781/2019, pág. 16.

266. Na análise da defesa, a equipe técnica apontou que, após solicitar via e-
mail as leis que instituíram as referidas verbas, foi enviada a este Tribunal a Lei
Municipal nº 1.565/2014, que instituiu a verba indenizatória para as despesas
efetuadas no desempenho das atividades de Prefeito.

267. Com isso, excluiu do montante das despesas com pessoal somente a
quantia de verba indenizatória do Prefeito (R$ 215.479,03 – duzentos e quinze mil e
quatrocentos e setenta e nove reais e três centavos), conquanto não restou
comprovado o caráter indenizatório dos demais valores.

268. Todavia, nas alegações finais, a gestora apresentou duas leis que
embasaram o pagamento da verba indenizatória PSF, constante na imagem anterior,
cujo montante é de R$ 950.802,48 (novecentos e cinquenta mil e oitocentos e dois
reais e quarenta e oito centavos).

269. Em vista disso, o Ministério Público de Contas acolheu os argumentos e


se manifestou pela retirada da referida quantia de verba indenizatória PSF do montante
da despesa com pessoal, bem como da verba indenizatória destinada à Prefeita.

270. Isso posto, coaduno-me com o Parecer ministerial, haja vista que verbas
de natureza indenizatória não devem compor o montante de gastos com pessoal, de
maneira geral. Desse modo, deduzo a verba indenizatória da Prefeita do montante de
gasto com pessoal, bem como a verba indenizatória PSF.

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271. Concluindo todos os aspectos abordados na presente irregularidade e
refazendo os cálculos pertinentes, afirmo que o montante da RCL e da DTP perfaz o
seguinte valor:

CONSOLIDADO EXECUTIVO
RECEITA CORRENTE
R$ 51.345.042,92* R$ 51.345.042,92*
LÍQUIDA
DTP R$ 34.266.189,45* R$ 32.733.885,86*
EXCLUSÃO DE DESPESAS
COM PLANTÕES MÉDICOS
-R$ 613.467,39 -R$ 613.467,39
(RES. CONSULTA Nº
21/2018)
EXCLUSÃO DE RESCISÕES -R$ 22.896,33 -R$ 22.896,33
EXCLUSÃO DE VERBA
INDENIZATÓRIA DO -R$ 215.479,03 -R$ 215.479,03
PREFEITO
EXCLUSÃO VERBA
-R$ 950.802,48 -R$ 950.802,48
INDENIZATÓRIA PSF
DTP AJUSTADA R$ 32.463.544,22 R$ 30.931.240,63
% DTP 63,23% 60,24%
* Esses valores foram retirados do Relatório Técnico Preliminar – Documento Digital nº 195753/2019, fls.
103-104.

272. Com efeito, para sanar qualquer margem de dúvidas, estou convicto de
que, independentemente da mudança de entendimento quanto à aplicação do IRRF, o
gasto com pessoal do Município de Chapada dos Guimarães extrapola o limite máximo
de despesa com pessoal sob qualquer aspecto, vejamos:

CONSOLIDADO EXECUTIVO
RECEITA CORRENTE
R$ 51.345.042,92 R$ 51.345.042,92
LÍQUIDA
DEDUÇÃO IRRF -R$ 1.333.919,68* -R$ 1.333.919,68*
RECEITA CORRENTE
R$ 50.011.123,24 R$ 50.011.123,24
LÍQUIDA AJUSTADA
DTP R$ 34.266.189,45 R$ 32.733.885,86
DEDUÇÃO IRRF -R$ 1.333.919,68 -R$ 1.333.919,68
EXCLUSÃO DE DESPESAS
COM PLANTÕES MÉDICOS
-R$ 613.467,39 -R$ 613.467,39
(RES. CONSULTA Nº
21/2018)
EXCLUSÃO DE RESCISÕES -R$ 22.896,33 -R$ 22.896,33
EXCLUSÃO DE VERBA
INDENIZATÓRIA DO -R$ 215.479,03 -R$ 215.479,03
PREFEITO

13
EXCLUSÃO VERBA
-R$ 950.802,48 -R$ 950.802,48
INDENIZATÓRIA PSF
DTP AJUSTADA R$ 31.129.624,54 R$ 29.597.320,95
% DTP 62,25% 59,18%
* Esse valor foi retirado do Relatório Técnico Preliminar – Documento Digital nº 195753/2019, fl. 37.

273. Com isso, mantenho a irregularidade classificada como AA04 (Item 1.1 -
Gastos com pessoal acima dos limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade
Fiscal - arts. 19 e 20 da Lei Complementar 101/2000) e determino à gestora que
reconduza os gastos com pessoal aos limites estabelecidos na LRF.

274. Obviamente que a manutenção da irregularidade em comento deve ser


levada em consideração na análise final de mérito destas contas de governo, em razão
de sua incidência, por si só, levar à emissão de parecer prévio contrário à aprovação.

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA


2) AA05 LIMITES CONSTITUCIONAIS/LEGAIS_GRAVÍSSIMA_05. Repasses ao Poder Legislativo em
desacordo com o art. 29-A, § 2º, da Constituição Federal.

2.1) Repasses de 7,20% (R$ 2.221.835,64) sobre a receita base do Poder Executivo em desacordo com
o art. 29-A, § 2º, da Constituição Federal.

POSIÇÃO DESTE RELATOR

275. No que tange a esta irregularidade, a Secex de Receita e Governo


apontou6 que o Poder Executivo de Chapada dos Guimarães repassou no exercício de
2018 à Câmara Municipal o valor de R$ 2.221.835,64 (dois milhões e duzentos e vinte
e um mil e oitocentos e trinta e cinco reais e sessenta e quatro centavos),
correspondente a 7,20 % sobre a receita base, contrariando o limite estabelecido pelo
art. 29-A da CF/887, que seria no valor de R$ 2.157.415,40 (dois milhões e cento e
cinquenta e sete mil e quatrocentos e quinze reais e quarenta centavos).

6 Relatório Técnico de Auditoria – Documento Digital n.º 195753-2019, fl. 40.


7 Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e
excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os seguintes percentuais, relativos ao
somatório da receita tributária e das transferências previstas no § 5 o do art. 153 e nos arts. 158 e 159,
efetivamente realizado no exercício anterior: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de
2000)
I - 7% (sete por cento) para Municípios com população de até 100.000 (cem mil) habitantes;
14
276. Portanto, houve o repasse de R$ 64.420,24 (sessenta e quatro mil e
quatrocentos e vinte reais e vinte e quatro centavos) acima do permitido.

277. No entanto, a gestora assinalou em sua defesa8 que o cálculo trazido pela
Secex de Receita e Governo necessita de alguns reparos, sob pena de causar a má
impressão de que a entrega do duodécimo ao Poder Legislativo ultrapassou o
montante permitido.

278. Assim, expôs que, na elaboração da LOA, adotou-se como parâmetro as


receitas e transferências arrecadadas no exercício anterior à sua vigência, estipuladas
no anexo 10 – comparativo da receita estimada com a arrecadada9 - 2017.

279. Nesse sentido, a defesa assinalou que a equipe de auditoria, ao proceder


ao cálculo, lançou as receitas de tributos no “quadro 11.1 – Limite de repasse para a
Câmara Municipal. Receita Base (art. 29-A da CF/88)”, com valor inferior ao arrecadado
no exercício de 2017 na ordem de R$ 647.490,20 (seiscentos e quarenta e sete mil e
quatrocentos e noventa reais e vinte centavos).

280. Além disso, asseverou que esse cálculo apresentado pela equipe de
auditoria deste Tribunal interferiu diretamente no valor a ser repassado, pois, ao aplicar
o percentual legal definido pela Constituição Federal de 7 % sobre os valores lançados
a menor, permaneceu uma diferença de apenas R$ 45.324,32 (quarenta e cinco mil e
trezentos e vinte e quatro reais e trinta e dois centavos), e não de R$ 647.490,20
(seiscentos e quarenta e sete mil e quatrocentos e noventa reais e vinte centavos) nos
termos demonstrados pela Secex de Receita e Governo.

281. Dessa forma, a defesa apresentou uma nova tabela de cálculo com os
valores corretos, conforme segue:

8 Documento Digital nº 214885/2019, fls. 18-20.


9 Ibidem, fls. 101-105.
15
282. Dessa forma, a defesa pontuou que muito embora tenha se confirmado
um repasse a maior ao Poder Legislativo, a quantia efetivamente repassada acima do
limite, na ordem de R$ 19.058,08 (dezenove mil e cinquenta e oito reais e oito
centavos), é menor do que o montante apontado pela equipe técnica, no valor de R$
64.382,40 (sessenta e quatro mil e trezentos e oitenta e dois reais e quarenta
centavos).

283. Desse modo, a defesa destacou que esta irregularidade não tem sido
motivo para sustentar a emissão de parecer prévio contrário, em razão da vedação ao
comportamento contraditório. Além disso, seria uma medida desproporcional, em razão
do valor ultrapassado.

284. Nesse sentido, expôs que, em caso análogo, no qual os repasses que
ultrapassaram a quantia legal, este Tribunal de Contas não os utilizou como
16
fundamento para emissão de parecer prévio contrário a aprovação das contas,
vejamos:

Além disso, advirto o atual prefeito sobre a essencialidade de não reincidir


nessa irregularidade. Todavia, considerando que o valor excedente (R$
17.809,61) representa 0,03% da Receita Base (R$ 41.135.659,07), entendo
não ser razoável valorar essa irregularidade ao ponto de macular o mérito das
contas anuais de governo. (TCE-MT, Contas Anuais de Governo n.º
258822/2015, Parecer n.º 136/2017, Tribunal Pleno, DJe 09.02.2018). Ressalto
que o valor não representou grande relevância, pois a porcentagem
ultrapassada corresponde a 0,10 % do limite máximo. Nesta linha de raciocínio,
evidencio que o apontamento por si só não tem a materialidade para reprovar
as Contas Anuais de Governo, pois trata-se de um percentual insignificante
(TCE-MT, Contas Anuais de Governo n.º 8567/2015, Parecer 44/2016, Tribunal
Pleno, DJe 01.12.2016).

285. Por último, sustentando que o montante ultrapassado não teve o condão
de provocar desequilíbrio financeiro na Prefeitura de Chapada dos Guimarães/MT, e
que o valor poderá ser restituído ao Tesouro Municipal, a defesa pugnou pela
conversão do achado de auditoria em recomendação.

286. Após analisar a defesa apresentada, a Secex de Receita e Governo


expôs10 que o quadro 11.1 – limite de repasse para a Câmara Municipal - Receita Base
(art. 29-A da CF/88), mencionado pela defesa, foi elaborado de acordo com a
legislação pertinente e vigente.

287. Nessa acepção, a Secex de Receita e Governo asseverou que a receita


base para o cálculo do limite de repasse para o Legislativo Municipal incluiu o valor da
contribuição feita pelo Município para formação do Fundeb. No entanto, esclareceu que
o montante que não foi efetivamente arrecadado pelo ente público é deduzido da
receita orçamentária para a composição da receita base em questão.

288. Diante das razões expostas, a Secex de Receita e Governo não acolheu
as alegações apresentadas pela defesa, tendo em vista que o cálculo apresentado no
relatório técnico preliminar se encontra correto, e sugeriu a manutenção da
irregularidade classificada como AA05 - gravíssima.

10 Documento Digital n.º 239833/2019, fl. 17.


17
289. Em alegações finais11, a defesa arguiu que é perfeitamente possível a
produção de novas provas, bem como o reexame de matéria de fato em razão do
princípio da verdade material, uma vez que a busca incessante da verdade real dos
casos pode ocorrer em qualquer fase ou instância processual no âmbito do processo
administrativo.

290. Além disso, a defesa pontuou que o jurisdicionado não possui livre acesso
ao Sistema Aplic para emitir os mesmos relatórios no sentido de conferir os cálculos e
informações produzidas pelos auditores, bem como destacou que o Sistema é uma
ferramenta complexa e que tem causado inúmeros aborrecimentos aos gestores.

291. Expôs que não há outro meio para o jurisdicionado contrapor os


argumentos e documentos utilizados pela Secex de Receita e Governo na instrução
processual, a não ser com base nos relatórios, documentos e demonstrativos extraídos
da base de dados contábeis da Prefeitura, que, no caso específico, foi o anexo 10-
2017, devidamente juntado em sede de defesa e publicado no Portal da Transparência
da Prefeitura Municipal de Chapada dos Guimarães.

292. A defesa ainda destacou que se a irregularidade foi construída com base
nas informações do Sistema Aplic e todas essas informações que compõem esse
banco de dados têm origem nas cargas enviadas pelo jurisdicionado a partir dos atos
administrativos, registros contábeis e demais informações extraídas da base de dados
da Prefeitura Municipal de Chapada dos Guimarães, a Secex de Receita e Governo
não pode atribuir presunção absoluta de validade aos documentos por ela produzidos
de maneira unilateral.

293. Isso porque o anexo 10 – 2017, que foi devidamente juntado em sede
defesa como contraprova, é documento oficial do Poder Público Municipal relativo às
Contas Anuais de Governo de 2017, atestado por contador legalmente habilitado pelo
Conselho Regional de Contabilidade e disponibilizado no Portal da Transparência da
Prefeitura Municipal de Chapada dos Guimarães.

11 Documento Digital n.º 249421/2019.

18
294. A defesa ainda discorreu acerca do princípio do formalismo moderado,
segundo o qual os atos do procedimento devem ser revestidos de forma simples,
suficiente para garantir um grau de certeza, segurança e, sobretudo, respeito ao
contraditório e à ampla defesa.

295. Sendo assim, asseverou que o cálculo efetuado pela municipalidade em


questão, por ocasião da elaboração da Lei Orçamentária para o Exercício de 2018, foi
com parâmetro nas receitas e transferências efetivamente arrecadadas no exercício
anterior à sua vigência, estipuladas no Anexo 10 – 2017.

296. A defesa ainda esclareceu que devem ser considerados os lançamentos


pelo valor da arrecadação bruta, sem excluir os descontos relativo à adesão ao REFIS,
pois estes devem compor o patrimônio e ter suas variações demonstradas, em
obediência ao princípio da evidenciação, conforme define o Manual de Contabilidade
Aplicada ao Setor Público, 7ª Edição12.

12 3.4. RELACIONAMENTO DO REGIME ORÇAMENTÁRIO COM O REGIME CONTÁBIL


A contabilidade aplicada ao setor público mantém um processo de registro apto para sustentar o
dispositivo legal do regime da receita orçamentária, de forma que atenda a todas as demandas de
informações da execução orçamentária, conforme dispõe o art. 35 da Lei nº 4.320/1964:
Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro:
I – as receitas nele arrecadadas;
II – as despesas nele legalmente empenhadas.
No entanto, há de se destacar que o art. 35 se refere ao regime orçamentário e não ao regime contábil
(patrimonial) e a citada Lei, ao abordar o tema “Da Contabilidade”, determina que as variações
patrimoniais devam ser evidenciadas, sejam elas independentes ou resultantes da execução
orçamentária.
Título IX –Da Contabilidade
[...]
Art. 85. Os serviços de contabilidade serão organizados de forma a permitirem o acompanhamento da
execução orçamentária, o conhecimento da composição patrimonial, a determinação dos custos dos
serviços industriais, o levantamento dos balanços gerais, a análise e a interpretação dos resultados
econômicos e financeiros.
[...]
Art. 89. A contabilidade evidenciará os fatos ligados à administração orçamentária, financeira, patrimonial
e industrial.
[...]
Art. 100. As alterações da situação líquida patrimonial, que abrangem os resultados da execução
orçamentária, bem como as variações independentes dessa execução e as superveniências e
insubsistências ativas e passivas, constituirão elementos da conta patrimonial.
[...]
Art. 104. A Demonstração das Variações Patrimoniais evidenciará as alterações verificadas no
patrimônio, resultantes ou independentes da execução orçamentária, e indicará o resultado patrimonial
do exercício.
19
297. Dessa forma, pontuou que deverão ser levadas em consideração, para
efeito do cálculo do repasse ao Poder Legislativo, as informações extraídas do Anexo
10 – 2017, pois o registro da receita arrecadada deve ser realizado pelo valor total
arrecadado, mesmo que existam descontos de valores em decorrência de REFIS.

298. Isso porque todos os registros contábeis, segundo a defesa, devem ser
demonstrados no patrimônio da entidade, de acordo com as orientações do MCASP,
sob pena de afronta à legalidade.

299. Por fim, assinalou que esta irregularidade não tem o condão, por si só, de
sustentar a emissão de parecer prévio contrário à aprovação, em razão dessa
acanhada porcentagem de 0,86 % supostamente a maior, pois, se isso fosse possível,
seria agir de forma desproporcional.

300. Dessa forma, tendo em vista que o montante ultrapassado não teve o
condão de provocar desequilíbrio financeiro na Prefeitura de Chapada dos Guimarães,
pois o valor se encaixa dentro da razoabilidade que o caso representa, a defesa
pugnou pela conversão do achado de auditoria em recomendação.

301. Para finalizar, destacou que o repasse a maior ao Poder Legislativo,


quando ocorrido, não é menos grave do que a ausência do repasse e/ou a entrega do
duodécimo em quantia inferior ao programado, como apurado nas Contas Anuais de
Governo - Exercício de 2018 – Governo do Estado de Mato Grosso, cujo parecer
ministerial foi pela emissão de parecer prévio favorável 13.

Observa-se que, além do registro dos fatos ligados à execução orçamentária, deve-se proceder à
evidenciação dos fatos ligados à administração financeira e patrimonial, de maneira que os fatos
modificativos sejam levados à conta de resultado e que as informações contábeis permitam o
conhecimento da composição patrimonial e dos resultados econômicos e financeiros de determinado
exercício.
Nesse sentido, a contabilidade deve evidenciar, tempestivamente, os fatos ligados à administração
orçamentária, financeira e patrimonial, gerando informações que permitam o conhecimento da
composição patrimonial e dos resultados econômicos e financeiros.
Portanto, com o objetivo de evidenciar o impacto no patrimônio, deve haver o registro da variação
patrimonial aumentativa, independentemente da execução orçamentária, em função do fato gerador.
13PARECER Nº 3.207/2019 CONTAS ANUAIS DE GOVERNO. EXERCÍCIO DE 2018. GOVERNO DO
ESTADO DE MATO GROSSO. IRREGULARIDADES GRAVÍSSIMAS E GRAVES NA GESTÃO FISCAL,
EM CONTRATOS DE OBRAS E NA GESTÃO PREVIDENCIÁRIA. LIMITE CONSTITUCIONAL DE
20
302. Por seu turno, o Ministério Público de Contas14 destacou que
independentemente do valor considerado correto, seja o da Secex de Receita e
Governo, seja aquele informado pela defesa, fato é que o montante repassado para o
Poder Legislativo foi maior que o percentual de 7 % estabelecido pelo art. 29-A da
CF/88, o que por si só já é suficiente para a manutenção da irregularidade.

303. No entanto, o MPC coadunou-se com a equipe de auditoria quanto ao


cálculo da receita base para repasse à Câmara Municipal, uma vez que esta é apurada
por meio da arrecadação do exercício anterior e é composta de receitas tributárias e
transferências decorrentes de impostos, exceto a Contribuição para o Custeio do
Serviço de Iluminação Pública (1230.00.00), as Contribuições para o Regime Próprio
de Previdência do Servidor Público (1210.29.00) e as Contribuições Sociais
(1210.99.00), menos as deduções da receita (91 – Renúncia, 92 – Restituições, 93 –
Descontos Concedidos, 96 – Compensações, 98 – Retificações e 99 – Outras
Deduções).

304. O MPC ainda enfatizou que a contribuição para a formação do Fundeb


(95 – FUNDEB) não deve ser deduzida das receitas que o formam (FPM, ITR, ICMS
Desoneração LC 87/96, IPI Exportação, ICMS, IPVA).

305. Diante disso, opinou no sentido de manter a irregularidade classificada


como AA05, com recomendação ao Legislativo Municipal, nos termos do art. 22, § 1º,
da Lei Orgânica do TCE/MT, para que determine à Chefe do Executivo que realize o
repasse ao Poder Legislativo nos estritos termos art. 29-A da Constituição Federal.

306. Por fim, esclareceu que esse apontamento não ocasiona a emissão de
parecer contrário à aprovação das contas. Contudo, destacou que deve ser analisado
em conjunto com os demais dados das contas municipais para subsidiar o

GASTOS COM PESSOAL NÃO OBSERVADO. REALIZAÇÃO DE DESPESAS EM FINAL DE


MANDATO SEM DISPONIBILIDADE FINANCEIRA. INADIMPLÊNCIA NO REPASSE AOS MUNICÍPIOS
E DE DUODÉCIMOS. MANIFESTAÇÃO PELA EMISSÃO DE PARECER PRÉVIO FAVORÁVEL COM
RECOMENDAÇÕES.
14 Documento Digital n.º 267497/2019, fl. 41.

21
posicionamento deste Tribunal na emissão do parecer prévio, seja ele favorável ou
contrário à aprovação das contas.

307. Pois bem. Após analisar os mencionados argumentos defensivo e


técnicos, restou demonstrado nos autos que o Poder Executivo do Município de
Chapada dos Guimarães repassou ao Poder Legislativo o montante de R$
2.221.835,64 (dois milhões e duzentos e vinte e um mil e oitocentos e trinta e cinco
reais e sessenta e quatro centavos), o que representou 7,06 % da receita base, cujo
valor apurado foi de R$ 31.467.710,72 (trinta um milhões e quatrocentos e sessenta e
sete mil e setecentos e dez reais e setenta e dois centavos), isso já considerando os
valores apresentados pela defesa.

308. No entanto, ressalto que, conforme bem assinalado pela Secex de


Receita e Governo, a LOA do município fixou um valor ainda maior para o repasse ao
Poder Legislativo, qual seja, o montante de R$ 2.395.000,00 (dois milhões e trezentos
e noventa e cinco mil reais), correspondente a 7,77 % da receita base.

309. Contudo, o art. 29-A, inciso I, da Carta Magna é específico ao definir que
o percentual a ser repassado aos Poderes Legislativos municipais, cuja população seja
de até 100.000 (cem mil) habitantes é o de 7% (sete por cento)15.

310. Já o § 2º, inciso I, do art. 29-A define como crime de responsabilidade o


repasse que supere os limites definidos pelo art. 29-A da CF/1988, vejamos:

Art. 29-A [...]


§ 2º Constitui crime de responsabilidade do Prefeito Municipal: (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 25, de 2000)
I – efetuar repasse que supere os limites definidos neste artigo; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

15Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e
excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os seguintes percentuais, relativos ao
somatório da receita tributária e das transferências previstas no § 5 o do art. 153 e nos arts. 158 e 159,
efetivamente realizado no exercício anterior: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)

I - 7% (sete por cento) para Municípios com população de até 100.000 (cem mil)
habitantes; (Redação dada pela Emenda Constituição Constitucional nº 58, de 2009) (Produção de
efeito)

22
311. Dessa forma, em consonância com o parecer ministerial, mantenho a
presente irregularidade, haja vista sua inequívoca ocorrência.

312. Em que pese o repasse realizado ao Poder Legislativo municipal ter


ultrapassado o limite constitucional na ordem de R$ 19.058,08 (dezenove mil e
cinquenta e oito reais e oito centavos), valor correspondente a 0,86 % acima do
permitido, entendo que tal irregularidade por si só já ensejaria a emissão de parecer
prévio contrário à aprovação destas contas.

313. Apesar de existir precedentes nesta Corte de Contas no sentido de que o


valor irrisório acima do limite do repasse não enseja em reprovação automática das
contas anuais de governo, a exemplo do recentíssimo exame das Contas Anuais da
Prefeitura Municipal de Acorizal, exercício de 2018 (Processo nº 16678-2/2018),
relatadas pela eminente Conselheira Jaqueline Jacobsen Marques na Sessão
Extraordinária do Tribunal Pleno realizada 28/11/2019, neste caso verifica-se que esta
não é uma irregularidade de natureza gravíssima isolada.

314. O conjunto dos atos administrativos que ensejaram os apontamentos,


como o ora em exame, aponta uma gestão temerária da administração municipal, que
deve ter a avaliação correspondente no mérito, no momento da emissão final do
parecer prévio destas contas.

315. Diante disso, mantenho a irregularidade e por esse motivo entendo que
cabe determinação à Chefe do Poder Executivo Municipal para que realize o repasse
ao Poder Legislativo nos estritos termos do art. 29-A da Constituição Federal.

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA – ORDENADORA DE DESPESAS


3) DA02 GESTÃO FISCAL/FINANCEIRA_GRAVÍSSIMA_02. Ocorrência de déficit de execução
orçamentária, sem a adoção das providências efetivas (art. 169 da Constituição Federal; arts. 1º, § 1º, 4º, I,
"b" e 9º da Lei Complementar 101/2000; art. 48, "b", da Lei 4.320/1964).
3.1) Déficit de execução orçamentária, no valor de R$ 105.025,59, em descumprimento ao disposto no art.
9º da LRF.

POSIÇÃO DESTE RELATOR

23
316. Acerca da irregularidade classificada como DA02 (item 3.1), a equipe
técnica16, ao analisar a execução orçamentária, constatou o déficit de execução
orçamentária no valor de R$ 105.025,59 (cento e cinco mil e vinte e cinco reais e
cinquenta e nove centavos), em descumprimento ao disposto no art. 9º da Lei de
Responsabilidade Fiscal – LRF, conforme se depreende do seguinte quadro:

317. A gestora17 arguiu em sua defesa que o achado não corresponderia com a
realidade encontrada no Balanço das Contas Anuais de Governo do Exercício
analisado. Isso porque embora seja essa a metodologia definida pelo Tribunal de
Contas, o déficit encontrado pela equipe de auditoria foi apurado pelo confronto entre a
receita total arrecadada e a despesa total empenhada no exercício, sem distinguir
aquelas “correntes e capital”.

318. A responsável ressaltou que o resultado apurado não permite afirmar de


maneira segura que a gestora tenha concorrido para a ocorrência de uma gestão fiscal
temerária ou que o déficit tenha a capacidade para provocar qualquer desequilíbrio nas
contas públicas.

319. Destacou sua diligência no que tange às receitas e despesas correntes,


pois, para cada R$ 1,00 (um real) de despesa empenhada, a Prefeitura de Chapada
dos Guimarães arrecadou a quantia de R$ 1,03 (um real e três centavos), conforme
quadro “Quociente da Execução Orçamentária Corrente – Exceto Intra”.

320. A gestora arguiu ainda que situação diferente se observa quando se


compara receita e despesa de capital, pois deve ser levado em consideração que as
16 Relatório Técnico. Documento Digital nº 195753/2019, fls. 25/26.
17 Defesa. Documento Digital nº 214885/2019, fls. 22/26.
24
despesas de convênios, além de todos os estágios definidos pela Lei Geral de
Licitações para sua contratação e dos procedimentos de liquidação definidos pelo art.
63 da Lei nº 4.320/1964 devem seguir cronograma físico e financeiro de desembolso
estabelecido no referido pacto de convênio.

321. Desse modo, a responsável considerou que a “Despesa de Capital” foi


superior à “Receita de Capital”, o que provocou um déficit na execução orçamentária
sem que tal resultado tivesse o condão de interferir nas finanças públicas ao ponto de
causar qualquer desequilíbrio, uma vez que as despesas empenhadas possuem fonte
de recurso específica para saldar os compromissos assumidos para esta finalidade.

322. A defendente mencionou que o Município de Chapada dos Guimarães


deixou de receber aproximadamente R$ 351.160,00 (trezentos e cinquenta e um mil e
cento e sessenta reais) do FEX e cerca de R$ 567.094,17 (quinhentos e sessenta e
sete mil e noventa e quatro reais e dezessete centavos) de recursos da Secretaria de
Estado de Saúde (SES/MT).

323. Desse modo, a gestora consignou que não haveria nenhuma situação
deficitária se a Prefeitura tivesse recebido de maneira regular as transferências devidas
pelo Estado.

324. Após análise da defesa, a Secex de Receita e Governo18 sustentou que o


quociente do resultado da execução orçamentária confronta a receita total realizada
com despesa total executada. Além disso, arguiu que acompanhamento do equilíbrio
entre as receitas e despesas orçamentárias deve ser realizado bimestralmente, por
meio do Relatório Resumido da Execução Orçamentária, de modo a haver tempo hábil
para analisar o cenário econômico, prever possíveis frustrações de receitas e tomar as
devidas providências. Por esse motivo, manteve a impropriedade.

18 Relatório Técnico de Defesa. Documento Digital nº 239833/2019, fls. 18/19.


25
325. Em sede de alegações finais19, a gestora reforçou que o atraso e/ou o não
repasse dos recursos programados constitui atenuante para irregularidade, nos termos
da Resolução Normativa nº 43/2013, razão pela qual não poderia ser penalizada.

326. Conforme pontuado pelo órgão ministerial20, em que pese o Município de


Chapada dos Guimarães ter de fato sofrido com o atraso e/ou não recebimento de
recursos estaduais, o que contribuiu para o déficit orçamentário no exercício de 2018,
não se pode ignorar que não houve providências quanto ao mencionado déficit,
conforme estipulado no art. 17 da Lei de Diretrizes Orçamentárias.

327. O MPC destacou ainda que o entendimento desta Corte de Contas sobre
déficit de execução orçamentária em razão de atrasos de repasses financeiros apenas
atenua irregularidade, mas não afasta a responsabilidade do gestor quanto à tomada
de providências. Nesse sentido, mencionou o Acórdão nº 58/2015 – SC - Processo nº
19976/2014 – Contas Anuais do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do
Juruena.

328. Nesse toar, denoto que assiste razão à equipe técnica e ao órgão
ministerial, uma vez que a gestora deveria ter adotado providências diante do déficit
decorrente do atraso e/ou não recebimento de recursos estaduais. Assim, entendo que
a Prefeita contribuiu para o déficit orçamentário no exercício de 2018, conforme se
depreende do art. 9º, caput, da LRF:

Art. 9º Se verificado, ao final de um bimestre, que a realização da receita


poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou
nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o Ministério
Público promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, nos trinta
dias subseqüentes, limitação de empenho e movimentação financeira, segundo
os critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias.

329. Com efeito, o art. 17 da Lei de Diretrizes Orçamentárias do Município,


colacionado abaixo, dispõe que:

Art. 17. Na hipótese de ocorrência das circunstâncias estabelecidas no do

19 Alegações finais. Documento Digital nº 239833/2019, fls. 41/44.


20 Parecer Ministerial. Documento Digital nº 267497/2019, fls. 17/20.

26
artigo 9º, e no inciso II do § 1º do caput artigo 31, todos da Lei Complementar
101/2000, o Poder Executivo irá limitar a movimentação
orçamentária e financeira, através do contingenciamento das despesas em
percentuais a serem definidos pelo Prefeito Municipal.
§ 1º. O Prefeito Municipal baixará Portaria normatizando a limitação de
empenho, referida no “caput” do mesmo.
§ 2º. excluem-se do “caput’ deste artigo as despesas que constituem
obrigações constitucionais e legais do Município, as destinadas ao pagamento
da dívida fundada e as despesas destinadas à contrapartida de contratos e
convênios”.
§ 3º. No caso de limitação de empenhos e de movimentação financeira das
despesas correntes de que trata o caput deste artigo, buscar-se-á preservar as
despesas abaixo hierarquizadas:
I – Pessoal e encargos sociais;
II – Com a conservação do patrimônio público, conforme prevê o disposto no
artigo 45 da Lei Complementar 101/2000;

330. Além disso, esta Corte de Contas, na Resolução Normativa nº 43/2013,


fixou entendimento no seguinte sentido:

Os atos de gestão que levam ao déficit de execução orçamentária constituem


fatos autônomos que devem ser apurados nas contas de gestão para fins de
julgamento das contas e aplicação de sanção ao responsável, a exemplo de:
a) existência de despesas efetivamente realizadas mas não empenhadas no
exercício de sua competência;
b) inexistência de programação mensal de desembolso (art. 8º e 13 da LRF) e
da programação trimestral da despesa orçamentária (arts. 47 a 50 da Lei nº
4.320/64);
c) não adoção das medidas de limitação de empenho e movimentação
financeira previstas na LDO quando se verificar que a realização da receita
poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou
nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais da LDO (art. 9º da LRF).

331. Assim, o entendimento dessa Corte de Contas sobre déficit de execução


orçamentária em razão de atrasos de repasses financeiros é no sentido de que os
atrasos atenuam irregularidade, mas não possuem o condão de afastar a
responsabilidade do gestor quanto à tomada de providências, vejamos:

Acórdão nº 58/2015 – 2ª Câmara - Processo nº 19976/2014 – Contas Anuais


do CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL DE SAÚDE DO VALE DO JURUENA,
assim prescreveu:
São fatores atenuantes da irregularidade configurada pela existência de déficit
de execução orçamentária: o valor do superávit financeiro apurado a) no
balanço do exercício em análise; b) os atrasos ou não recebimento de
repasses financeiros que estavam programados para o exercício e que
serviram de fonte de recursos para empenho de despesas; c) o saldo
patrimonial do exercício em análise superior ao do exercício anterior; e d) o
saldo das disponibilidades financeiras do exercício em análise, suficiente para
pagar as respectivas obrigações.

27
332. Neste toar, na execução do orçamento público, deve ser observado o
princípio da exatidão21, pelo qual as estimativas de receita e de despesa devem ser tão
exatas quanto possível, a fim de que o orçamento seja dotado de efetiva consistência e
possibilite seu emprego como instrumento eficaz de gerência, de programação e de
controle da Administração Pública.

333. Portanto, exigem-se comportamentos que atendam a outro princípio afeto


à gestão fiscal, que é o do equilíbrio22, o qual deve ser alcançado sem que se
sacrifique a necessidade de se estimar as receitas e despesas do modo mais exato
quanto possível, nos moldes do que dispõe o art. 48, “b”, da Lei nº 4.320/1964:

Art. 48. A fixação das cotas a que se refere o artigo anterior atenderá aos
seguintes objetivos:
(...)
b) manter, durante o exercício, na medida do possível o equilíbrio entre a
receita arrecadada e a despesa realizada, de modo a reduzir ao mínimo
eventuais insuficiências de tesouraria.

334. Isso porque o equilíbrio das contas públicas deve ser alcançado de
maneira planejada, sem que deixem de ser expostos eventuais déficits, quando
existentes, de forma a propiciar, além da necessária transparência da gestão, a tomada
de decisão do gestor público com balizamento na real situação do órgão.

335. Desse modo, além da necessidade de detecção do déficit, deve ocorrer a


tomada das medidas previstas no art. 9º da LRF.

336. Desta feita, em consonância com a equipe técnica e com o Parecer


Ministerial, entendo pela manutenção irregularidade classificada como DA02 (item
3.1) e pela determinação à Chefe do Poder Executivo Municipal para que adeque a
realização de despesas da entidade ao estrito limite da arrecadação proporcionada por

21 Osvaldo Maldonado Sanches o define como: Princípio orçamentário, de natureza complementar,


segundo o qual as estimativas orçamentárias devem ser tão exatas quanto possível, a fim de dotar o
Orçamento da consistência necessária para que esse possa ser empregado como instrumento de
gerência, de programação e de controle. (SANCHES, Osvaldo Maldonado. Dicionário de orçamento,
planejamento e áreas afins. 2. ed. atual. e ampl. Brasília: OMS, 2004).
22 Na definição de Sanches: “princípio orçamentário, de natureza complementar, segundo o qual, no

orçamento público, deve haver equilíbrio financeiro entre receita e despesa”. SANCHES, Osvaldo
Maldonado. Dicionário de orçamento, planejamento e áreas afins. 2. ed. atual. e ampl. Brasília: OMS,
2004).
28
suas receitas, de forma a evitar déficits nas suas demonstrações econômico-
financeiras, tendo em vista a necessária obediência ao princípio orçamentário do
equilíbrio, bem como ao art. 48, “b”, da Lei nº 4.320/1964 e às diretrizes estabelecidas
no artigo 9º da Lei de Responsabilidade Fiscal.

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA


4) DB08 GESTÃO FISCAL/FINANCEIRA_GRAVE_08. Ausência de transparência nas contas públicas,
inclusive quanto à realização das audiências públicas (arts. 1º, § 1º, 9 º, § 4 º, 48, 48-A e 49 da Lei
Complementar 101/2000).

4.2) Ausência de comprovação da realização de audiências públicas para discussão da peça


orçamentária Lei de Diretrizes Orçamentárias durante a sua elaboração, em desacordo com art. 48, §1º,
"I" da LRF.

4.3) Ausência de comprovação da realização de audiências públicas para discussão da peça


orçamentária Lei Orçamentária Anual durante a sua elaboração, em desacordo com art. 48, §1º, "I" da
LRF.

POSIÇÃO DESTE RELATOR

337. De acordo com o relatório preliminar de auditoria23, a gestora não


comprovou que realizou audiências públicas para discussão da Lei de Diretrizes
Orçamentárias e da Lei Orçamentária Anual, em inobservância ao art. 48, § 1º, I, da
LRF.

338. Em sua defesa24, a gestora asseverou que todas as informações relativas


à realização de audiências públicas são encaminhadas por meio do Sistema Aplic, mas
pontuou que, em se tratando de ferramenta de difícil manuseio, pode ocorrer falha
quando da anexação de documentos que instruem cada envio das cargas mensais.

339. Além disso, a gestora destacou que a jurisprudência do TCE/MT já é


praticamente assente no sentido de que a não realização de audiência pública não
poderá isoladamente ensejar emissão de parecer prévio contrário à aprovação das
contas. Ato contínuo, pugnou pela exclusão da presente irregularidade, uma vez que
juntou aos autos cópias dos documentos que comprovam que foram realizadas as
mencionadas audiências públicas.

23 Documento Digital n.º 195753/2019, fl. 48.


24 Documento Digital n.º 214885/2019, fls. 26-32.
29
340. Após analisar a defesa apresentada, a Secex de Receita e Governo
expôs25 que não foram encaminhados todos os documentos comprobatórios devidos
para sanar o apontamento, razão pela qual sugeriu pela manutenção da irregularidade
em exame.

341. Em razão da permanência dessa irregularidade, a defesa apresentou


alegações finais26, enfatizando que, apesar da ausência de alguns documentos
necessários ao esclarecimento dos achados, é possível perceber que, ao contrário do
alegado, houve a realização das audiências públicas para elaboração das três peças
de planejamento.

342. Entretanto, a própria gestora confirmou que não encaminhou as atas de


todas as audiências públicas que foram realizadas, apenas juntou os editais de
convocação, a lista de presença e os ofícios de convocação para demonstrar o
cumprimento da transparência pública.

343. Por fim, pugnou pelo afastamento da irregularidade, tendo em vista que
ela não trata da não realização de audiência pública, mas sim do não envio de todos os
documentos por meio do Sistema Aplic para comprovação de que houve a realização
de tais audiências.

344. No que diz respeito aos subitens 4.2 e 4.3 da irregularidade classificada
como DB08, o MPC assinalou27 que o art. 48, § 1º, ao dispor sobre a transparência na
gestão fiscal, disciplinou que esta também será assegurada mediante incentivo à
participação popular, com a realização de audiências públicas durante os processos de
elaboração e discussão dos planos, da lei de diretrizes orçamentárias e dos
orçamentos.

345. Expôs que, no caso em tela, a gestora trouxe aos autos documentos
aptos a comprovar a realização das audiências públicas para o PPA, LDO e LOA. Além

25 Documento Digital n.º 239833/2019, fl. 19.


26 Documento Digital nº 249421/2019, às fls. 45-46.
27 Documento Digital n.º 267497/2019, fls. 49-50.

30
disso, destacou que, apesar de os documentos não estarem completos e tampouco
terem sido encaminhados via Sistema Aplic, é imperioso o saneamento do referido
achado, haja vista a realização das audiências públicas para discussão das peças de
planejamento.

346. Após essas manifestações, cumpre pontuar que a transparência incentiva


a efetivação do exercício da cidadania, uma vez que a participação dos cidadãos no
acompanhamento e no controle da aplicação das verbas públicas oportuniza
significativos resultados quanto à destinação legal dos bens e das rendas da
coletividade.

347. Nessa acepção, algumas práticas de transparência foram estipuladas


pela Lei Complementar nº 101/2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF),
destacando-se o incentivo à participação popular e à realização de audiências públicas
durante os processos de elaboração e de discussão do plano plurianual (PPA), da lei
orçamentária anual (LOA), da lei de diretrizes orçamentárias (LDO) e de apresentação
dos resultados fiscais obtidos pela administração.

348. Registre-se que as audiências e a apresentação dos planos devem ser


realizadas de modo a proporcionar sua compreensão pela sociedade. Portanto, esses
elementos devem ser transmitidos em linguagem simples e de forma clara e objetiva.

349. Com efeito, as audiências públicas permitem que a sociedade influencie


na elaboração dos planos de governo, razão pela qual são extremamente relevantes
para a fiscalização e o equilíbrio na aplicação dos recursos públicos.

350. Cumpre mencionar que o art. 165, inciso I, da Constituição Federal


(CF/1988) determina que leis de iniciativa do Poder Executivo estabeleçam o PPA, e o
inciso II do mesmo dispositivo determina que essas leis instituam o orçamento anual,
que compreenderá os orçamentos fiscais, de investimento e da seguridade social.

351. No caso em exame, verifica-se que as audiências públicas foram


realizadas, tendo em vista que a defesa apresentou documentos capazes de

31
comprovar as realizações das audiências públicas para o PPA, LDO e LOA. E em que
pese tais documentos não estarem completos, nem terem sido encaminhados via
Sistema Aplic, foram apresentados.

352. Dessa forma, coaduno-me com a manifestação do MPC e acolho as


justificativas apresentadas pela defendente para afastar a presente irregularidade,
tendo em vista que a ausência de alguns documentos para comprovar que as
audiências públicas foram realizadas não é capaz de fundamentar a manutenção da
presente irregularidade.

353. Entretanto, cabe determinar à Chefe do Poder Executivo Municipal de


Chapada dos Guimarães para que realize as audiências públicas durante os processos
de elaboração e discussão do Plano Plurianual (PPA), da Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA), nos termos do art. 48, § 1º,
inciso I, da LRF28.

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA– ORDENADOR DE DESPESAS


5) DB99 GESTÃO FISCAL/FINANCEIRA_GRAVE_99. Irregularidade referente à Gestão
Fiscal/Financeira, não contemplada em classificação específica na Resolução Normativa nº 17/2010 –
TCE-MT.
5.1) Desequilíbrio financeiro e comprometimento da gestão fiscal em função da existência de R$
10.422.511,18 em restos a pagar processados e não processados sem disponibilidade financeira para
seu pagamento nas fontes 00, 18/19/31 e RPPS - Demais Recursos (art. 1º, § 1º da LRF).
5.2) A meta de Resultado Primário estabelecida na LDO/2018 não foi cumprida, em desacordo ao
disposto no artigo 9º da LRF.

POSIÇÃO DESTE RELATOR

354. Acerca da irregularidade classificada como DB99 (item 5.1), de acordo


com relatório técnico29, constatou-se desequilíbrio financeiro e comprometimento da
gestão fiscal em função da existência de R$ 10.422.511,18 (dez milhões e
quatrocentos e vinte e dois mil e quinhentos e onze reais e dezoito centavos) em restos
28 Art. 48. São instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais será dada ampla divulgação,
inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os planos, orçamentos e leis de diretrizes
orçamentárias; as prestações de contas e o respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da
Execução Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas desses documentos.
§ 1o A transparência será assegurada também mediante:
I – incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de
elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos; (gn).
29 Relatório Técnico. Documento Digital nº 195753/2019, fls. 27/28.

32
a pagar processados e não processados sem disponibilidade financeira para seu
pagamento nas fontes 00, 18, 19 e 31 e RPPS - Demais Recursos, conforme quadro
abaixo:

355. Em sua defesa30, a responsável sustentou que, em leitura do Quociente


do Resultado da Execução Orçamentária, para cada R$ 1,00 (um real) de despesa
realizada, a Prefeitura de Chapada dos Guimarães arrecadou a quantia de R$ 0,99
(noventa e nove centavos). Além disso, destacou que deveria ser levado em
consideração o “calote” da SES/MT, que não repassou à Prefeitura o montante de R$
647.490,20 (seiscentos e quarenta e sete mil e quatrocentos e noventa reais e vinte
centavos), pois, caso tivesse repassado, a situação seria superavitária.

356. A gestora ponderou que, mesmo a conduta sendo considerada


irregularidade gravíssima, não é possível constatar que a indisponibilidade financeira
mencionada no relatório de auditoria e o desequilíbrio na gestão fiscal no exercício
analisado foram provocados pela gestora, pois a situação financeira deficitária já
estava instalada na Prefeitura de Chapada dos Guimarães bem antes do início do seu
mandato.

357. Com relação à insuficiência apontada na fonte de recursos “00”, a


defendente destacou que, ao final do exercício financeiro de 2018, havia a quantia de
R$ 8.986.443,03 (oito milhões e novecentos e oitenta e seis mil e quatrocentos e
quarenta e três reais e três centavos) inscritos em restos a pagar na referida fonte.

30 Defesa. Documento Digital nº 214885/2019, fls. 32/35.


33
358. Desse total, a quantia de R$ 306.896,58 (trezentos e seis mil e oitocentos
e noventa e seis reais e cinquenta e oito centavos) pertenceria ao exercício de 2017, e
a quantia de R$ 1.511.610,80 (um milhão e quinhentos e onze mil e seiscentos e dez
reais e oitenta centavos) teria sido inscrita em 31/12/2018. Desse modo, haveria um
total de R$ 1.818.507,38 (um milhão e oitocentos e dezoito mil e quinhentos e sete
reais e trinta e oito centavos) sob sua responsabilidade.

359. A gestora consignou que, confrontando as despesas inscritas em restos a


pagar dos exercícios de 2017 e 2018, no valor de R$ 1.818.507,38 (um milhão e
oitocentos e dezoito mil e quinhentos e sete reais e trinta e oito centavos), com a
disponibilidade financeira apurada em 31/12/2018, tem-se que a situação deficitária
alcança a monta de R$ 618.151,57 (seiscentos e dezoito mil e cento e cinquenta e um
reais e cinquenta e sete centavos), o que corrobora que não ela deu causa à situação
de penúria em que se encontra a Prefeitura de Chapada dos Guimarães.

360. A defendente informou ainda o fato de que a fonte de recursos 00


receberia os recursos do FEX relativo ao exercício de 2018, no valor de R$ 351.160,00
(trezentos e cinquenta e um mil e cento e sessenta reais), bem como o repasse de R$
567.094,17 (quinhentos e sessenta e sete mil e noventa e quatro reais e dezessete
centavos) da Secretaria de Estado de Saúde do Estado de Mato Grosso, o que a
obrigou a proceder à reprogramação das receitas e despesas, deixando de atender ao
pagamento de despesas empenhadas na fonte 00, para socorrer as fontes 02 e 42,
pertencentes à saúde.

361. A gestora esclareceu que as fontes de recursos 18, 19 e 31 pertencem ao


Fundeb, bem como destacou que a insuficiência apontada equivale a R$ 12.663,35
(doze mil e seiscentos e sessenta e três reais e trinta e cinco centavos), o que
representa uma quantia incapaz de causar qualquer desequilíbrio na manutenção das
ações na educação, em especial na valorização do magistério, haja vista sua diligência
e aplicação de mais de 60 % no Fundeb.

362. Ao final, a gestora mencionou a análise nas Contas Anuais de Governo do


Exercício de 2018 da Gestão Pedro Taques, a qual seria digna de elogios, pois expôs a
34
retenção de recursos como IPVA, ICMS e Fundeb, que deveriam ser repassados aos
Municípios de maneira contínua.

363. Após análise da defesa apresentada, a Secex de Receita e Governo31


manteve o apontamento destacando que o controle por fonte/destinação de recursos
contribui para o atendimento do art. 8º, parágrafo único, da LRF e do art. 50, inciso I da
mesma Lei, que dispõem sobre a vinculação de recursos e a sua aplicação para os fins
a que foram previstos.

364. Nesse compasso, a equipe de auditoria destacou que o déficit financeiro,


seja ele global, seja em fonte de recursos, evidencia falta de planejamento, pois a
apropriação de obrigações em montante superior ao saldo dos ativos financeiros
caracteriza vinculação acima do saldo máximo disponível, o que pode gerar no longo
prazo indisponibilidade de caixa por fonte de recursos.

365. Na apresentação das alegações finais32, a gestora argumentou que a


servidora encarregada pela análise da manifestação prévia de defesa não levou em
consideração a necessidade de cumprir um dos principais requisitos de validade do ato
administrativo: a motivação. Isso porque sua análise foi superficial e não verificou todas
as informações defensivas, mantendo a irregularidade apenas com argumentação
genérica.

366. A responsável asseverou que não se levou em consideração que o


suposto desequilíbrio financeiro apurado na gestão fiscal no exercício analisado não foi
provocado pela gestora. Nessa linha, reforçou que, do valor apontado como
insuficiência na fonte de recursos 00, a quantia de R$ 306.896,58 (trezentos e seis mil
e oitocentos e noventa e seis reais e cinquenta e oito centavos) pertence ao exercício
de 2017, e o valor de R$ 1.511.610,80 (um milhão e quinhentos e onze mil e seiscentos
e dez reais e oitenta centavos) foi inscrito em 31/12/2018, totalizando R$ 1.818.507,38
(um milhão e oitocentos e dezoito mil e quinhentos e sete reais e trinta e oito centavos),
enquanto o saldo financeiro apurado no mesmo período era de R$ 1.190.355,81 (um

31 Relatório Técnico de Defesa. Documento Digital nº 239833/2019, fls. 22/24.


32 Alegações finais. Documento Digital nº 239833/2019, fls. 46/50.
35
milhão e cento e noventa mil e trezentos e cinquenta e cinco reais e oitenta e um
centavos).

367. A gestora concluiu que a situação deficitária do período alcançaria a


monta de R$ 618.151,57 (seiscentos e dezoito mil e cento e cinquenta e um reais e
cinquenta e sete centavos), o que comprova que não deu causa a situação apontada.
Acrescentou ainda que a quantia de R$ 351.160,00 (trezentos e cinquenta e um mil e
cento e sessenta reais) foi relativa aos recursos do FEX que não foram repassados.

368. Contudo, conforme exposto pelo órgão ministerial33, ainda que se


considerem os atrasos no repasse do FEX, no valor de R$ 351.160,00 (trezentos e
cinquenta e um mil e cento e sessenta reais), e da Secretaria de Estado de Saúde, no
valor de R$ 567.094,17 (quinhentos e sessenta e sete mil e noventa e quatro reais e
dezessete centavos), e se admitisse o cálculo apresentado pela gestora, ainda assim
haveria uma indisponibilidade financeira na fonte 00 de R$ 618.151,57 (seiscentos e
dezoito mil e cento e cinquenta e um reais e cinquenta e sete centavos).

369. Além disso, de acordo com o Parquet de Contas, acerca da alegação de


que a situação de desequilíbrio não foi causada pela gestora, este Tribunal, por meio
do Parecer nº 107/2018, expedido nas contas anuais de governo do município de Nova
Nazaré, Processo nº 17075-5/2017, de Relatoria da Conselheira Interina Jaqueline
Maria Jacobsen Marques, assim explanou:

O gestor público deve considerar, no cálculo de disponibilidade financeira, as


obrigações e os restos a pagar oriundos dos exercícios anteriores, prezando
pelo princípio da continuidade administrativa. Tal medida reforça os
pressupostos da responsabilidade na gestão fiscal de transparência, prevenção
de riscos e correções de desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas
públicas; bem como o princípio da prudência, pelo qual o gestor deve
considerar todas as obrigações e restos a pagar inscritos, independentemente
do exercício que tenham sido originados.

33 Parecer Ministerial. Documento Digital nº 267497/2019, fls. 21/25.

36
370. Acerca da irregularidade classificada como DB99, cumpre destacar
que, de acordo com o art. 36, caput, da Lei nº 4.320/1964, os restos a pagar são
compromissos assumidos, mas não pagos durante o exercício:

Art. 36. Consideram-se Restos a Pagar as despesas empenhadas mas não


pagas até o dia 31 de dezembro distinguindo-se as processadas das não
processadas.

Parágrafo único. Os empenhos que sorvem a conta de créditos com vigência


plurienal, que não tenham sido liquidados, só serão computados como Restos
a Pagar no último ano de vigência do crédito.

371. Os restos a pagar classificam-se em processados, que são as despesas


liquidadas e não pagas, e não processados, que são as despesas apenas empenhadas
mas não liquidadas.

372. Os saldos de restos a pagar são cumulativos e considerados como todas


as despesas empenhadas ou liquidadas em exercícios anteriores sem o devido
pagamento.

373. Assim, responsabilidade na gestão fiscal pressupõe ações


planejadas e transparentes, com o intuito de prevenir riscos e corrigir possíveis
desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, conforme dispõe o art. 1º,
§ 1º, da LRF34.

374. Dessa forma, deve-se considerar os restos a pagar globalmente, de modo


a atender aos pressupostos da responsabilidade na gestão fiscal, quais sejam:
transparência, prevenção de riscos e correções de desvios capazes de afetar o
equilíbrio almejado.

34 Art. 1o Esta Lei Complementar estabelece normas de finanças públicas voltadas para a
responsabilidade na gestão fiscal, com amparo no Capítulo II do Título VI da Constituição.

§ 1o A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente, em que se


previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o
cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e condições no
que tange a renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da seguridade social e outras,
dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão
de garantia e inscrição em Restos a Pagar.

37
375. Ademais, para assunção das obrigações de despesas, é necessária a
inclusão tanto de restos a pagar processados quanto de não processados inscritos no
exercício, em observância ao princípio da prudência.

376. O princípio da prudência tinha previsão expressa na Resolução nº


750/1993 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), vejamos:

Art. 10. O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor para


os componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se
apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações
patrimoniais que alterem o patrimônio líquido.
Parágrafo único. O Princípio da Prudência pressupõe o emprego de certo grau
de precaução no exercício dos julgamentos necessários às estimativas em
certas condições de incerteza, no sentido de que ativos e receitas não sejam
superestimados e que passivos e despesas não sejam subestimados,
atribuindo maior confiabilidade ao processo de mensuração e apresentação
dos componentes patrimoniais.

377. Considerando a conveniência de um maior esclarecimento sobre o


conteúdo e abrangência dos Princípios Fundamentais de Contabilidade sob a
perspectiva do Setor Público, foi aprovada, também pelo CFC, a Resolução nº
1.111/2007, a qual, acerca desse princípio, dispunha complementarmente que:

As estimativas de valores que afetam o patrimônio devem refletir a aplicação


de procedimentos de mensuração que prefiram montantes, menores para
ativos, entre alternativas igualmente válidas, e valores maiores para passivos.
A prudência deve ser observada quando, existindo um ativo ou um passivo já
escriturado por determinados valores, segundo os Princípios do Valor Original
e da Atualização Monetária, surgirem possibilidades de novas mensurações.
A aplicação do Princípio da Prudência não deve levar a excessos ou a
situações classificáveis como manipulação do resultado, ocultação de
passivos, super ou subavaliação de ativos. Pelo contrário, em consonância
com os Princípios Constitucionais da Administração Pública, deve constituir
garantia de inexistência de valores fictícios, de interesses de grupos ou
pessoas, especialmente gestores, ordenadores e controladores.

378. Vale salientar que houve posteriormente a revogação das Resoluções


supracitadas, com a aprovação da Norma Brasileira de Contabilidade NBC TSP
Estrutura Conceitual. Mas isso não significa que houve a extinção dos princípios da
contabilidade, conforme explica o próprio CFC35:

35 Conselho Federal de Contabilidade: Revogação da Resolução nº 750/1993: contexto e considerações.


Disponível em: <https://cfc.org.br/noticias/revogacao-da-resolucao-no-7501993-contexto-e-
consideracoes/>. Acesso em: 31/10/2019.
38
Revogar a Resolução nº 750/1993, porém, não significa que os Princípios de
Contabilidade estejam extintos. A revogação das resoluções visa à unicidade
conceitual, indispensável para evitar divergências na concepção doutrinária e
teórica, que poderiam comprometer aspectos formais das Normas Brasileiras
de Contabilidade (NBCs).
[...]
Com isso, os Princípios de Contabilidade, sob o ponto de vista das Estruturas
Conceituais dos setores privado e público, passaram a ser comportados dentro
das normas específicas, respectivamente, a NBC TG Estrutura Conceitual
(Resolução nº 1.374/2011) e NBC TSP EC.

379. Com base nesse princípio, deve o gestor considerar também os restos a
pagar não processados na análise de disponibilidade de caixa para obrigações
assumidas pela Administração Pública.

380. Assim, até para que reste assegurado equilíbrio financeiro do


órgão/entidade por ocasião da abertura de créditos adicionais por superávit financeiro,
em respeito ao princípio da gestão fiscal responsável, deve-se realizar a análise de
forma individualizada, uma vez que os recursos vinculados a uma finalidade específica
devem ser destinados ao seu objetivo previsto, nos moldes do que preceituam os
artigos 8º, parágrafo único, e 50, inciso I, da Lei de Responsabilidade Fiscal,
colacionados abaixo:

Art. 8º. Até trinta dias após a publicação dos orçamentos, nos termos em que
dispuser a lei de diretrizes orçamentárias e observado o disposto na alínea c do
inciso I do art. 4o, o Poder Executivo estabelecerá a programação financeira e
o cronograma de execução mensal de desembolso.
Parágrafo único. Os recursos legalmente vinculados a finalidade específica
serão utilizados exclusivamente para atender ao objeto de sua vinculação,
ainda que em exercício diverso daquele em que ocorrer o ingresso.
[...]
Art. 50. Além de obedecer às demais normas de contabilidade pública, a
escrituração das contas públicas observará as seguintes:
I – a disponibilidade de caixa constará de registro próprio, de modo que os
recursos vinculados a órgão, fundo ou despesa obrigatória fiquem identificados
e escriturados de forma individualizada;

381. Dessa maneira, a situação acima elencada impede o saneamento da


irregularidade, uma vez que, para que não ocorra um comprometimento do resultado
fiscal planejado, uma gestão fiscal responsável não permite que o gestor de recursos
públicos implemente novas despesas sem que haja a previsão do correspondente
aporte de receita.

39
382. Em relação ao quociente de disponibilidade financeira (QDF), aferiu-se
que, para cada R$ 1,00 de restos a pagar inscritos, haveria apenas R$ 0,33 (trinta e
três centavos) de disponibilidade financeira, conforme se verifica da tabela colacionada
abaixo:

383. Dessa forma, restou demonstrado o impacto negativo na situação


financeira e orçamentária do exercício seguinte, pois os recursos disponíveis no ano de
2018 foram insuficientes para arcar com os restos a pagar assumidos no período.

384. Assim, é certo que, para assegurar o equilíbrio financeiro, há a


necessidade de garantir recursos para o pagamento tanto dos restos a pagar
processados quanto não processados do exercício. Nesse sentido, este Tribunal já
decidiu que:

1. Para efeito de verificação do cumprimento das disposições constantes no


art. 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a relação entre a assunção de
obrigação de despesa e a suficiente disponibilidade de caixa deve ser
calculada, individualmente, por fontes de recursos. Incluem-se como assunção
de obrigação de despesa tanto os restos a pagar processados quanto os não
processados, inscritos no exercício." (Contas Anuais de Governo. Relator:
Conselheiro Substituto Moisés Maciel. Parecer Prévio nº 41/2017-TP. Julgado
em 03/10/2017. Publicado no DOC/TCE-MT em 24/10/2017. Processo nº
8.385-2/2016). (Item 7.7. Boletim de Jurisprudência. Edição Consolidada |
fevereiro de 2014 a dezembro de 2017, página 24).

385. Portanto, nos moldes do consignado pela equipe técnica e pelo MPC,
mantenho a irregularidade classificada como DB99 (item 5.1), com determinação à
Chefe do Poder Executivo Municipal para que considere no cálculo de disponibilidade
financeira as obrigações e os restos a pagar oriundos dos exercícios anteriores,
prezando pelo princípio da continuidade administrativa.
40
386. Tal medida reforça os pressupostos da responsabilidade na gestão fiscal
de transparência, prevenção de riscos e correções de desvios capazes de afetar o
equilíbrio das contas públicas; bem como o princípio da prudência, pelo qual o gestor
deve considerar todas as obrigações e restos a pagar inscritos, independentemente do
exercício que tenham sido originados.

387. Acerca da irregularidade classificada como DB99 (item 5.2), a Secex de


Receita e Governo36 constatou o descumprimento do Resultado Primário estabelecido
no Anexo de Metas Fiscais da Lei Municipal nº 1.753/2018 – Lei de Diretrizes
Orçamentárias.

388. No referido Anexo, o Resultado Primário estabelecido foi de superávit de


R$ 213.721,75 (duzentos e treze mil e setecentos e vinte e um reais e setenta e cinco
centavos), mas o resultado auferido no exercício foi um déficit de R$ 196.302,33 (cento
e noventa e seis mil e trezentos e dois reais e trinta e três centavos), sem a realização
de contingenciamento determinado pelos arts. 9º da LRF e 17 da LDO.

389. Em sua defesa37, a responsável afirmou que muito embora a matéria


tratada seja de extrema complexidade, a memória de cálculo é desenvolvida por
sistemas de contabilidade e planejamento utilizados pelos municípios e segue as
orientações dos Manuais de Demonstrativos Fiscais editados pela Secretaria do
Tesouro Nacional.

390. Nessa linha, expôs que não há imposição de nenhum limite definido pela
Lei de Responsabilidade Fiscal, pois o ente está encarregado de estabelecer a meta de
resultado primário e de resultado nominal para o exercício seguinte por meio do projeto
de LDO (Anexo de Metas Fiscais – AMF) encaminhado ao Poder Legislativo.

391. Assim, a gestora argumentou que não se pode excluir da análise do não
cumprimento das metas o fator econômico do Estado de Mato Grosso, agravado nos

36 Relatório Técnico. Documento Digital nº 195753/2019, fls. 41/42.


37 Defesa. Documento Digital nº 214885/2019, fls. 35/36.
41
Municípios pela ausência de repasse de várias receitas legais, voluntárias e até
constitucionais, por parte do Estado, o que influenciou o resultado final do exercício.

392. Ao final, a gestora requereu que, em homenagem à razoabilidade, fossem


expedidas recomendações.

393. Após analisar a defesa, a Secex de Receita e Governo 38 asseverou que


houve excesso de arrecadação de receitas correntes (104,31 % sobre a previsão) –
Quadro 3.1 do relatório Preliminar – Resultado da Arrecadação Orçamentária – Origem
de Recursos da Receita e frustração de 80,67 % das receitas de capital previstas.

394. Em relação às despesas, a equipe técnica considerou que foram


empenhados 98,04 % da dotação atualizada de despesas correntes e 83,64 % das
despesas de capital autorizadas (Quadro 4.1 – Despesa por Categoria Econômica).

395. Nesse passo, a equipe de instrução destacou que não houve


contingenciamento das despesas correntes e, em virtude da grande frustração de
receitas de capital, foi necessário que o Município onerasse o orçamento corrente com
despesas de capital, incorrendo em um maior déficit primário.

396. Por derradeiro, a unidade técnica arguiu que não foi expedido decreto
pelo Poder Executivo visando realizar contingenciamento de despesas, com o intuito de
cumprir a meta fiscal determinada pelo próprio Município.

397. Além disso, a Secex de Receita e Governo destacou que o


acompanhamento dessa meta deve ser realizado bimestralmente, por meio do
Demonstrativo do Resultado Primário constante do Relatório Resumido da Execução
Orçamentária, de modo a haver tempo hábil para analisar o cenário econômico e tomar
as devidas providências caso ocorra perda de receita, como de fato ocorreu.

38 Relatório Técnico de Defesa. Documento Digital nº 239833/2019, fls. 24/25.


42
398. Em sede de alegações finais39, a gestora arguiu que não há nenhuma
penalidade prevista para o não cumprimento das metas estabelecidas pela LDO, uma
vez que os crimes tipificados pelo ordenamento jurídico dizem respeito à violação à lei
orçamentária.

399. A responsável consignou ainda que as metas fiscais não são regras
jurídicas a serem cumpridas, pois são parâmetros de planejamento e transparência a
serem observados na elaboração da lei orçamentária anual e na execução
orçamentária, devendo o gestor proceder à avaliação do seu cumprimento nos
períodos definidos pela LRF. Assim, requereu a desconsideração do achado.

400. Segundo pontuado pelo MPC40, a LDO/2018 do Município de Chapada


dos Guimarães estabelece em seu art.17 que:

Art. 17. Na hipótese de ocorrência das circunstâncias estabelecidas no do


artigo 9º, e no inciso caput II do § 1º do artigo 31, todos da Lei
Complementar 101/2000, o Poder Executivo irá limitar a movimentação
orçamentária e financeira, através do contingenciamento das despesas em
percentuais a serem definidos pelo Prefeito Municipal.
§ 1º. O Prefeito Municipal baixará Portaria normatizando a limitação de
empenho, referida no “caput” do mesmo.
§ 2º. excluem-se do “caput’ deste artigo as despesas que constituem
obrigações constitucionais e legais do Município, as destinadas ao pagamento
da dívida fundada e as despesas destinadas à contrapartida de contratos e
convênios”.
§ 3º. No caso de limitação de empenhos e de movimentação financeira das
despesas correntes de que trata o caput deste artigo, buscar-se-á preservar as
despesas abaixo hierarquizadas:
I – Pessoal e encargos sociais;
II – Com a conservação do patrimônio público, conforme prevê o disposto no
artigo 45 da Lei Complementar 101/2000 […]

401. Assim, impende destacar que as metas fiscais fixadas em lei pelo
Município possuem natureza programática e devem orientar o comportamento do
gestor público, a fim de que seja garantido seu atingimento. Portanto, as metas fiscais
são a programação para que o administrador tenha assegurada a estabilidade
econômica e para que promova o controle do endividamento público da municipalidade.

39 Alegações finais. Documento Digital nº 239833/2019, fls. 50/52.


40
Parecer Ministerial. Documento Digital nº 267497/2019, fls. 44/47.
43
402. No caso sob análise, o cumprimento da meta estabelecida não foi
assegurado pela gestora, quando lhe cabia a limitação de empenhos e de
movimentações financeiras objetivando tal cumprimento.

403. Nesta senda, segundo se infere do art. 165, § 2º, da Constituição Federal:

Art. 165. § 2º a Lei de Diretrizes Orçamentárias compreenderá as metas e


prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital
para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei
orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e
estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de
fomento.

404. Nesse sentido, é cediço que as metas fiscais compõem o conteúdo


obrigatório da LDO, conforme determinado pelo art. 4º, §§ 1º e 2º, da LRF:

Art. 4º [...] § 1º Integrará o projeto de lei de diretrizes orçamentárias Anexo de


Metas Fiscais, em que serão estabelecidas metas anuais, em valores
correntes e constantes, relativas a receitas, despesas, resultados nominal e
primário e montante da dívida pública, para o exercício a que se referirem e
para os dois seguintes.
§ 2º “O Anexo conterá, ainda: I - avaliação do cumprimento das metas
relativas ao ano anterior; II - demonstrativo das metas anuais, instruído com
memória e metodologia de cálculo que justifiquem os resultados pretendidos,
comparando-as com as fixadas nos três exercícios anteriores, e evidenciando
a consistência delas com as premissas e os objetivos da política econômica
nacional.

405. Ao exigir que a LDO contenha um Anexo de Metas Fiscais, a LRF buscou
induzir os entes públicos a adotarem um planejamento financeiro de longo prazo, a ser
apresentado e monitorado. Por isso, o não cumprimento das metas alerta para um
eventual risco de comprometimento da responsabilidade fiscal, fato a ser considerado
na execução do orçamento vigente e na elaboração da lei orçamentária para o ano
subsequente.

406. Segundo o Manual de Demonstrativos Fiscais da Secretaria do Tesouro


Nacional (7ª edição):

O resultado primário representa a diferença entre as receitas e as despesas


primárias (não financeiras). Sua apuração fornece uma melhor avaliação do
impacto da política fiscal em execução pelo ente da Federação. Superávits
primários, que são direcionados para o pagamento de serviços da dívida,
contribuem para a redução do estoque total da dívida líquida. Em contrapartida,

44
déficits primários indicam a parcela do aumento da dívida, resultante do
financiamento de gastos não financeiros que ultrapassam as receitas não
financeiras.

407. Conforme o art. 9º da LRF, quando não verificada a realização de receita


de acordo com as metas de resultados estabelecidas na Lei de Diretrizes
Orçamentárias, deve ser adotada a limitação de empenho e movimentação financeira,
vejamos:

Art. 9º. Se verificado, ao final de um bimestre, que a realização da receita


poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou
nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o Ministério
Público promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, nos trinta
dias subseqüentes, limitação de empenho e movimentação financeira, segundo
os critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias.
§ 1o No caso de restabelecimento da receita prevista, ainda que parcial, a
recomposição das dotações cujos empenhos foram limitados dar-se-á de forma
proporcional às reduções efetivadas.
§ 2o Não serão objeto de limitação as despesas que constituam obrigações
constitucionais e legais do ente, inclusive aquelas destinadas ao pagamento do
serviço da dívida, e as ressalvadas pela lei de diretrizes orçamentárias.
[...]

408. Por esses motivos, entendo pela manutenção da irregularidade


classificada como DB99, item 5.2 (descumprimento de meta de resultado primário da
LDO/2018), com expedição de determinação à Chefe do Poder Executivo do
Município de Chapada dos Guimarães para que cumpra as metas do Resultado
Primário estabelecidas na LDO e, na impossibilidade de cumpri-las, adote as medidas
de contingenciamento de despesas, em respeito ao disposto no art. 9º da LRF e ainda,
nos termos do art. 22, § 1º, da LOTCE/MT, recomendo que realize adequado estudo e
planejamento na fixação da meta de Resultado Primário presente no Anexo de Metas
Fiscais.

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA


6) FB02 PLANEJAMENTO/ORÇAMENTO_GRAVE_02. Abertura de créditos adicionais - suplementares ou
especiais – sem autorização legislativa ou autorização legislativa posterior (art. 167, V, da Constituição
Federal; art. 42, da Lei nº 4.320/1964).
6.1) SANADO
6.2 ) Abertura de créditos adicionais especiais sem autorização legislativa, no valor de R$ 3.205.400,00.

POSIÇÃO DESTE RELATOR

45
409. Para que o Poder Público possa desempenhar suas funções de maneira
eficiente, é necessário que haja um planejamento orçamentário consistente. Dessa
forma, a Constituição Federal de 1988 (CF/1988) introduziu um modelo orçamentário
para a gestão dos recursos no Brasil.

410. Assim, conforme dispõe o art. 165, incisos I, II e III, da CF/1988, o


orçamento público é composto de três instrumentos, vejamos:

Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:


I - o plano plurianual;
II - as diretrizes orçamentárias;
III - os orçamentos anuais.

411. Da chamada tríade orçamentária, o Plano Plurianual (PPA) é a peça de


maior hierarquia, pois traz as diretrizes, os objetivos e as metas de médio prazo para a
Administração Pública. É com ele que os orçamentos devem ser compatibilizados,
conforme dispõe o art. 165, § 7º da CF/1988. O PPA corresponde a um mandato
político, contado a partir do exercício financeiro seguinte à posse.

412. Por sua vez, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), cuja elaboração é
anual, tem como objetivo apontar prioridades do governo para o exercício subsequente
à sua aprovação. É esse mecanismo que orienta a elaboração da Lei Orçamentária
Anual (LOA), baseando-se no que foi estipulado pelo PPA. Ou seja, a LDO é
verdadeiro elo entre o PPA e a LOA.

413. Já a LOA constitui-se no mecanismo de orçamento propriamente dito, que


prevê detalhadamente todos os gastos do governo para o próximo ano. É nessa lei que
encontramos a estimativa de receitas e fixação de despesas para um exercício
financeiro. Ressalta-se que a LOA deve guardar perfeita harmonia com o PPA e a LDO,
pois é elaborada para possibilitar a concretização das situações planejadas no PPA e
deve obediência à LDO.

414. Pois bem.

46
415. Conforme consta no Relatório Técnico Preliminar, as peças de
planejamento do Município de Chapada dos Guimarães foram as seguintes:

a) PPA, Lei Municipal nº 1.752/2018;


b) LDO, Lei Municipal nº 1.753/2018, alterada pela Lei Municipal nº
1.778/2018;
c) LOA, Lei Municipal nº 1.754/2018, alterada pelas Leis Municipais nº
1.770/2018 e nº 1.778/2018.

416. Nota-se que a LOA, em seu art. 4º, fixou o total das despesas para o
exercício de 2018 em R$ 56.843.978,00 (cinquenta e seis milhões e oitocentos e
quarenta e três mil e novecentos e setenta e oito reais). O Poder Executivo municipal
poderia realizar a abertura de créditos suplementares até o limite de 35 %, conforme
autorizado pela LOA em seu art. 6º.

417. De acordo com a Secex, foi constatada a abertura de créditos adicionais


especiais, no valor de R$ 3.205.400,00 (três milhões e duzentos e cinco mil e
quatrocentos reais), sem que houvesse autorização legislativa para tal.

418. A defesa, por sua vez, sustentou a existência de erro material na edição
do Decreto Municipal nº 67/2018, o qual abriu R$ 1.260.000,00 (um milhão e duzentos
e sessenta mil reais) em créditos especiais, já que indicou erroneamente a Lei
Municipal nº 1.694/2016, quando deveria constar a Lei Municipal nº 1.178/2018.

419. Consoante o quadro “Alterações Orçamentárias - Leis Autorizativas -


Fontes de Financiamento”41, os créditos adicionais especiais abertos pela Prefeitura
Municipal de Chapada dos Guimarães no exercício de 2018 foram os seguintes:

Lei nº Decreto nº Valor aberto em crédito adicional


1770/2018 53/2018 R$ 1.945.400,00
1778/2018 67/2018 R$ 1.260.000,00

41 Documento Digital nº 195753/2019, fls. 65-66.


47
420. Entretanto, da leitura das leis municipais indicadas no quadro acima,
verifica-se que estas não autorizaram a abertura de créditos adicionais especiais. A Lei
Municipal nº 1.770/2018 tratou da alteração do anexo da LOA/2018, ao passo que a Lei
Municipal nº 1.778/2018 autorizou a abertura de créditos suplementares, além da
transposição, remanejamentos ou transferências de recursos.

421. Vale ressaltar que créditos adicionais especiais e suplementares possuem


finalidades distintas, conforme disposto no artigo 41 da Lei nº 4.320/1964, vejamos:

Art. 41. Os créditos adicionais classificam-se em:


I - suplementares, os destinados a refôrço de dotação orçamentária;
II - especiais, os destinados a despesas para as quais não haja dotação
orçamentária específica;
III - extraordinários, os destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso
de guerra, comoção intestina ou calamidade pública.

422. Portanto, considerando que as leis indicadas não autorizavam a abertura


de créditos adicionais especiais, não há como acolher os argumentos apresentados
pela defesa. Diante disso, concluo com segurança que esse procedimento resultou em
alteração orçamentária sem autorização legislativa, contrariando art. 167, V, da
CF/1988, que preceitua:

Art. 167. São vedados:


[...]
V - A abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização
legislativa e sem indicação dos recursos correspondentes.

423. No mesmo sentido, o art. 42 da Lei nº 4.320/1964, dispõe:

Art. 42. Os créditos suplementares e especiais serão autorizados por lei e


abertos por decreto executivo.

424. Como visto, os legisladores constitucional e infraconstitucional impuseram


limite ao permitir a abertura de crédito suplementar somente mediante prévia
autorização legislativa específica.

425. Ressalta-se que o fato de ser permitido que se dê autorização para


abertura de créditos adicionais suplementares na própria LOA não ilide as
considerações ora apresentadas. Isso porque essa permissão não implica tolerância
48
com autorizações ilimitadas, como bem assevera o professor José de Ribamar Caldas
Furtado42:

A ordem jurídico-orçamentária é lacunosa no que se refere à regulamentação


do procedimento de autorizar, na própria LOA, a abertura de créditos adicionais
suplementares. Isso não implica tolerância com abusos resultantes de
autorizações desenfreadas; em tempos de regime de gestão fiscal responsável,
a Lei Complementar nº 101/00 (LRF) exige ação planejada na Administração
Pública (art. 1º, §1º). O certo é que, quanto maior for o percentual autorizado
na lei orçamentária acima da expectativa de inflação, maior será a evidência de
falta de planejamento, organização e controle do ente da Federação; esses
elementos são reveladores de uma gestão política inaceitável.

426. Além disso, denota-se que, conforme art. 6º, I, da LOA/2018, com
redação dada pela Lei Municipal nº 1.778/2018, foi autorizada a abertura de créditos
adicionais suplementares até o limite de 55 % (cinquenta e cinco por cento) da despesa
total fixada43.

427. Necessário ressaltar, porém, que o excesso na autorização para abertura


de créditos adicionais suplementares (fixado em 55 %), é circunstância que
compromete a previsão da execução orçamentária e pode prejudicar o exercício, pelo
Poder Legislativo, de sua função de autorizador de despesas, devendo este fato ser
corrigido.

428. Posto isso, calha realizar recomendação à Chefe do Poder Executivo para
que atente para a necessidade de limitação das desonerações previstas na Lei
Orçamentária Anual e estabeleça, na Lei Orçamentária Anual seguinte, autorização
para abertura de créditos adicionais em percentual não superior a 15 % do total de
despesas fixadas para o exercício, em atenção ao parâmetro fixado no Parecer Prévio
nº 101/2018 – TP - Processo nº 176664/2017 - Prefeitura Municipal de São José dos
Quatro Marcos - Contas Anuais de Governo do Exercício de 2017, de relatoria do
Conselheiro Interino Luiz Henrique Lima.

42 FURTADO, José de Ribamar Caldas. Elementos de Direito Financeiro. 2 ed. Belo Horizonte: Fórum,
2010, p. 149
43 I – abrir, durante o exercício, créditos suplementares até o limite de 55% (cinquenta e cinco por cento)

da despesa total fixada no artigo 4º, observado o disposto no art. 43, da Lei Federal nº 4.320/64, via
Decreto, até o limite de 55% das dotações do orçamento da receita.
49
429. Diante do exposto, em consonância com o entendimento da equipe
técnica e do Ministério Público de Contas, mantenho a irregularidade classificada
como FB02 (abertura de créditos adicionais especiais sem prévia autorização
legislativa) com expedição de determinação para que o Poder Executivo promova a
abertura de créditos adicionais mediante prévia autorização legal, devendo a
mencionada abertura ser compatível com o PPA e a LDO, conforme preconizado pelos
arts. 165, § 7º, e 166, § 3º, inciso I, ambos da CF/1988, bem como para que na Lei
Orçamentária seguinte estabeleça autorização para abertura de créditos adicionais em
percentual não superior a 15 % do total de despesas fixadas para o exercício.

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA


7) FB03 PLANEJAMENTO/ORÇAMENTO_GRAVE_03. Abertura de créditos adicionais por conta de
recursos inexistentes: excesso de arrecadação, superávit financeiro, anulação total ou parcial de
dotações e operações de crédito (art. 167, II e V, da Constituição Federal; art. 43 da Lei 4.320/1964).
7.1 ) Foram abertos créditos adicionais por excesso de arrecadação sem a existência de recursos
efetivos na Fonte 51, no valor de R$ 834.000,00.

POSIÇÃO DESTE RELATOR

430. A conduta da gestora decorreu da autorização para abertura de R$


840.000,00 (oitocentos e quarenta mil reais) em créditos adicionais com indicação de
fonte de recursos oriundos de excesso de arrecadação inexistente.

431. Conforme demonstrado no Anexo 2 do relatório técnico (quadro 2.3),


houve a abertura de créditos adicionais com a indicação de recursos oriundos de
excesso de arrecadação em valores maiores do que os efetivamente existentes,
quando realizada a análise por fonte de recursos.

432. Nesse toar, detalha-se a situação com o seguinte quadro:

Créditos
Créditos
Adicionais
Descrição Da Receita Adicionais
Fonte Previsão Atualizada Resultado (R$) abertos sem
Fonte De Arrecadada (R$) Excesso De
(a) Da Receita (R$) (c) (e)=d-c Recursos
Recurso (b) (d) Arrecadação
Disponíveis
(R$) (f)
(R$) (g)
Recursos do
24 Fundo Financeiro R$ 3.984.000,00 R$ 2.121.584,88 -R$ 1.862.415,12 R$ 834.000,00 R$ 834.000,00

Fonte: Documento digital nº 195753/2019 - Relatório Técnico, fl. 61.

50
433. Em sua defesa, a gestora afirmou que, apesar de o setor de contabilidade
da Prefeitura ser responsável pela consolidação das contas, não pode recair sobre o
ente consolidante a responsabilidade pelos registros contábeis das demais unidades
gestoras, uma vez que o crédito teria sido aberto em favor do Fundo Municipal de
Previdência do município, entidade autônoma.

434. Além disso, para todos os efeitos, sustentou que houve efetivamente
excesso de arrecadação na fonte para a abertura de créditos adicionais, já que a
receita estimada na fonte era de R$ 1.890.000,00 (um milhão e oitocentos e noventa
mil reais), tendo sido arrecadado o valor de R$ 2.815.152,74 (dois milhões e oitocentos
e quinze mil e cento e cinquenta e dois reais e setenta e quatro centavos).

435. Nesse aspecto, vale mencionar o art. 167, II e V, da Constituição Federal,


e o art. 43, § 3º, da Lei nº 4.320/1964, os quais dispõem o seguinte:

Constituição da República
Art. 167. São vedados: [...]
II - a realização de despesas ou a assunção de obrigações diretas que
excedam os créditos orçamentários ou adicionais; [...]
V - a abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização
legislativa e sem indicação dos recursos correspondentes [...].

Lei nº 4.320/1964
Art. 43. A abertura dos créditos suplementares e especiais depende da
existência de recursos disponíveis para ocorrer a despesa e será
precedida de exposição justificativa.
§ 1º Consideram-se recursos para o fim deste artigo, desde que não
comprometidos:
I — o superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício
anterior;
II — os provenientes de excesso de arrecadação;
III — os resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou
de créditos adicionais, autorizados em Lei;
IV — o produto de operações de credito autorizadas, em forma que
juridicamente possibilite ao poder executivo realizá-las.
§ 2º Entende-se por superávit financeiro a diferença positiva entre o ativo
financeiro e o passivo financeiro, conjugando-se, ainda, os saldos dos créditos
adicionais transferidos e as operações de credito a eles vinculadas.
§ 3º Entende-se por excesso de arrecadação, para os fins deste artigo, o
saldo positivo das diferenças acumuladas mês a mês entre a arrecadação
prevista e a realizada, considerando-se, ainda, a tendência do exercício.
(grifei).

51
436. Assim, de acordo com as normas supracitadas, desde que precedido de
receita justificada, o excesso de arrecadação pode ser utilizado como fonte de recurso
para abertura de créditos suplementares e especiais.

437. Por seu turno, o art. 42 da Lei nº 4.320/1964 exige que os créditos
adicionais suplementares e especiais sejam autorizados por lei e abertos por decreto
executivo, podendo a autorização para abertura de créditos suplementares constar na
própria lei orçamentária44, por força do § 8º do art. 165 da CF/8845.

438. Com efeito, o gestor deve pautar suas decisões com eficiência,
moralidade e cautela, sobretudo quando se trata de abertura de créditos adicionais.

439. Nesse sentido, o zelo com a utilização do excesso de arrecadação como


fonte para abertura de créditos adicionais para o orçamento justifica-se pela incerteza
afeta à tendência do exercício, que é impactada por parâmetros exógenos à
Administração Pública.

440. De acordo com o § 3º do art. 43 da Lei nº 4.320/1964, o excesso de


arrecadação corresponde ao “saldo positivo das diferenças acumuladas mês a mês
entre a arrecadação prevista e a realizada, considerando-se, ainda, a tendência
do exercício”.

441. Entretanto, apesar da alegação de que a fonte 51 teria restado


superavitária, consoante evidenciado pela Secex de Receita e Governo, a estimativa
de arrecadação foi de R$ 3.984.000,00 (três milhões e novecentos e oitenta e quatro
mil reais), ao passo que somente foi arrecadado o montante de R$ 2.121.584,88 (dois
milhões e cento e vinte e um mil e quinhentos e oitenta e quatro reais e oitenta e oito
centavos).

44 Lei 4.320/64: Art. 42. Os créditos suplementares e especiais serão autorizados por lei e abertos por
decreto executivo.
45 Constituição Federal: Art. 165. [...] § 8º A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à

previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de
créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita,
nos termos da lei.
52
442. Portanto, houve resultado deficitário demonstrando a abertura de crédito
adicional por excesso de arrecadação inexistente.

443. Dessa forma, tendo em vista que a fonte 51 apresentou um déficit de


arrecadação, não havia disponibilidade de recursos que ensejasse a abertura de
créditos adicionais por excesso de arrecadação nessa fonte.

444. Assim, com relação ao apontamento, entendo que a abertura de créditos


adicionais sem a devida existência de recursos financeiros para suportá-la contraria
dispositivo legal expresso (art. 43 da Lei nº 4.320/1964).

445. Vale ainda ressaltar que não pode a gestora se escusar de sua
responsabilidade alegando que a contabilidade apenas consolidou as contas das
unidades gestoras do município. Afinal, a responsabilidade pela edição dos decretos
que abrem no orçamento os créditos adicionais é do Poder Executivo Municipal,
representado pela própria gestora.

446. Durante a execução orçamentária, o gestor deve observância à legalidade


estrita. Deve também levar em consideração a sistemática orçamentária adotada pela
CF/1988 e pela legislação infraconstitucional, de modo a se prevenirem riscos capazes
de ameaçar o equilíbrio das contas públicas (art. 1º, § 1º, da LRF).

447. Desse modo, é comportamento exigível do gestor médio diligente realizar


um acompanhamento efetivo dos ingressos financeiros, com o intuito de avaliar se os
excessos de arrecadação estimados mantêm a tendência ao longo do exercício, bem
como se as fontes de recursos nas quais foram apurados excessos de arrecadação, já
utilizados para abertura de créditos adicionais, permanecem apresentando resultados
superavitários.

448. Caso contrário, serão necessárias medidas de ajuste e de limitação de


despesas que evitem um desequilíbrio financeiro e orçamentário das contas públicas.

53
449. Nessa linha, é válido mencionar a posição da Secex de Receita e
Governo quanto à atualização das estimativas de receitas no decorrer do exercício46:

O MCASP (7ª ed, p. 365) ao discorrer sobre o Balanço Orçamentário informa


que:
“O Balanço Orçamentário demonstrará as receitas atualizadas por categoria
econômica e origem, especificando a previsão inicial, a previsão atualizada
para o exercício, a receita realizada e o saldo, que corresponde ao excesso ou
insuficiência de arrecadação.”
Portanto, segundo o MCASP a previsão inicial da receita deve ser a atualizada
(7ª ed, p. 372) nos seguintes casos:
• Registro de excesso de arrecadação ou contratação de operações de
crédito, ambas podendo ser utilizadas para abertura de créditos adicionais;
• Criação de novas naturezas de receitas não previstas na LOA;
• Remanejamento entre naturezas de receitas; ou Atualizações monetárias
autorizadas por lei, efetuadas após a publicação da LOA.

450. Sobre o dever de legalidade exigido do gestor no trato com a matéria


orçamentária e financeira, vale destacar a lição de Celso Antônio Bandeira de Mello47,
em sua obra Discricionariedade e Controle Jurisdicional:

No Estado de Direito quer-se o governo das leis e não o governo dos homens,
consoante a clássica assertiva proveniente do Direito inglês. Isto significa que é
ao Poder Legislativo que assiste o encargo de traçar os objetivos públicos a
serem perseguidos e de fixar os meios e os modos pelos quais hão de ser
buscados, competindo à Administração, por seus agentes, o mister, o dever de
cumprir dócil e fielmente os ditames legais, segundo os termos estabelecidos
em lei. Assim, a atividade administrativa encontra na lei tanto seus
fundamentos quantos seus limites.

451. Por essas razões, almejando que a municipalidade não incida em


irregularidade dessa natureza, coaduno-me com o entendimento externado pela equipe
técnica e pelo Ministério Público de Contas e entendo por manter a irregularidade
classificada como FB03 (abertura de crédito adicional por excesso de arrecadação sem
existência de recursos na fonte 51), devendo ser determinado à Chefe do Poder
Executivo que realize acompanhamento efetivo e pleno da receita, mês a mês, de
modo a saber se está sendo incrementada ou não, em confronto com as despesas que
estão sendo realizadas e suportadas pelos créditos adicionais autorizados, e que estes
sejam abertos somente se existirem recursos disponíveis para tanto, conforme

46
Documento Digital nº 239833/2019, fl. 29.
47
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Discricionariedade e Controle jurisdicional. 2. ed. São Paulo:
Malheiros, 2010. p. 49.
54
preconizam o art. 167, incisos II e V, da CF/1988 e o art. 43, caput e § 1º, da Lei nº
4.320/1964.

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA


8) FB13 PLANEJAMENTO/ORÇAMENTO_GRAVE_13. Peças de Planejamento (PPA, LDO, LOA)
elaboradas em desacordo com os preceitos constitucionais e legais (arts. 165 a 167 da Constituição
Federal).

8.1) O Orçamento desdobrado em Fiscal e Seguridade Social ultrapassa o valor total do Orçamento
(LOA/2018) em R$ 24.995,00.

452. A equipe técnica apurou que o orçamento desdobrado em Fiscal e


Seguridade Social ultrapassou o valor total do orçamento (LOA/2018) em R$ 24.995,00
(vinte e quatro mil, novecentos e noventa e cinco mil reais).

453. Em sede de defesa, a gestora argumentou que houve um erro material de


digitação dos valores, pois, se houvesse erro oriundo das tabelas que acompanham a
carga especial do orçamento, não haveria validação por parte do TCE-MT, uma vez
que o mecanismo de validação do Sistema Aplic não recepciona nenhum documento
caracterizando divergência.

454. Diante das justificativas apresentadas, a Secex de Receita e Governo


sanou a irregularidade. De igual modo, o MPC opinou pelo seu saneamento.

455. Neste contexto, verifico que houve um erro material na digitação dos
valores que não ocasionou divergência nas informações contábeis encaminhadas pela
Prefeitura por meio do Sistema Aplic. Assim, a irregularidade deve ser considerada
sanada.

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA


9) FB99 PLANEJAMENTO/ORÇAMENTO_GRAVE_99. Irregularidade referente à
Planejamento/Orçamento, não contemplada em classificação específica na Resolução Normativa nº
17/2010 – TCE-MT.

9.1) Não proposição de meta de Resultado Nominal no Anexo de Metas Fiscais, constante da Lei de
Diretrizes Orçamentárias de 2018, em desconformidade ao parágrafo 1º do art. 4º da LRF.

456. De acordo com a Secex de Receita e Governo, foi constatado que a meta
de Resultado Nominal somente foi disponibilizada no Sistema Siconfi da Secretaria do
55
Tesouro Nacional. Ou seja, não consta do Anexo de Metas Fiscais, parte integrante da
LDO.

457. Em sede de defesa, a gestora informou que a situação de intervenção


estadual na Prefeitura de Chapada dos Guimarães até o final do exercício de 2016
refletiu na atual administração, uma vez que não possui os documentos contábeis,
banco de dados, balanços, processos, inventário físico e financeiro, tanto que só
finalizou a prestação de contas dos exercícios de 2016, 2017 e 2018, no início de 2019.

458. Por isso, a equipe designada para elaborar as peças de planejamento


para o exercício de 2018 não possuía o acesso ao resultado da situação fiscal de
exercícios anteriores. Assim, os anexos da LDO, do PPA e até da LOA foram
elaborados sem as informações necessárias.

459. Esclareceu que a justificativa da ausência de informações imprescindíveis


para elaboração das peças de planejamento está relatada na Nota de Coordenação nº
001/2018, de 31/8/2017.48

460. Diante dos argumentos trazidos pela defesa, a Secex de Receita e


Governo sanou o apontamento, tendo em vista a intervenção estadual sofrida pelo
município, bem como a Nota Técnica elaborada pela Secretária de Planejamento do
Município de Chapada dos Guimarães.

461. Nas alegações finais, a gestora não trouxe novos argumentos sobre o
apontamento.

462. O Ministério Público de Contas destacou que o município teve dificuldade


de acesso às informações para elaboração das peças de planejamento, razão pela
qual opinou pelo saneamento da irregularidade FB99.

463. Pois bem. O § 1º do art. 4º da LRF prescreve que integrará o projeto de


lei de diretrizes orçamentárias anexo de metas fiscais, em que serão estabelecidas

48 Documento Digital nº 214885/201, fl. 44.


56
metas anuais, em valores correntes e constantes, relativas a receitas, despesas,
resultados nominal e primário e montante da dívida pública, para o exercício a que se
referirem e para os dois seguintes.

464. Assim, o resultado nominal representa a variação da dívida consolidada


líquida em dado período e pode ser obtido a partir do resultado primário por meio da
soma da conta de juros (juros ativos menos juros passivos).

465. Em consulta à documentação apresentada pela defesa, a Secex de


Receita e Governo verificou que em 31/8/2017 a Secretária de Planejamento do
Município de Chapada dos Guimarães elaborou uma Nota Técnica com o objetivo de
esclarecer e justificar a razão do anexo de metas fiscais da LDO 2018 não conter as
informações relativas aos itens da Dívida Pública Consolidada, Dívida Pública Líquida e
Resultado Nominal.

466. Nesse aspecto, acompanho o entendimento da unidade técnica e do MPC


no sentido de sanar a irregularidade em face da responsável, uma vez que a gestão
atual não possuía referência e informações mínimas para realizar a análise da situação
para o período 2018-2021.

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA


10) MB01 PRESTAÇÃO DE CONTAS_GRAVE_01. Sonegação de documentos e informações ao Tribunal
de Contas (art. 215 da Constituição Estadual; art. 36, § 1º, da Lei Complementar Estadual nº 269/2007; art.
284 -A, VI, da Resolução Normativa TCE nº 14/2007).

10.1) Não envio de resposta aos Ofícios nº 03/2019 e nº 05/2019, ensejando a inexistência das informações
requisitadas pelos referidos ofícios e caracterizando obstrução à atividade de controle externo.

467. A defesa alegou que todas as informações constam no Sistema Aplic e


foram encaminhadas tempestivamente pela Prefeitura, inclusive a resposta aos Ofícios
nº 03 e nº 05/2019, em conformidade com o que prevê o art. 208 da Constituição do
Estado de Mato Grosso.

57
468. Além disso, informou que os auditores tinham acesso às informações
sobre a contratação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP),
Organizações Sociais (OS) e terceirizadas, se tivessem acessado o Sistema Aplic.

469. Nesse sentido, a defesa arguiu que todos os documentos se encontram


no banco de dados do TCE/MT, motivo pelo qual a irregularidade não pode interferir no
julgamento das Contas Anuais de Governo.

470. Sobre essa irregularidade, a Secex de Receita e Governo entendeu que


os documentos não foram encaminhados tempestivamente a este Tribunal,
diferentemente do aduzido pela defesa.

471. Para comprovar seu entendimento, os auditores colacionaram a captura


da tela do Sistema Aplic para demonstrar que os documentos foram encaminhados fora
do prazo estabelecido:

Fonte: Documento Digital nº 239833/2019, fl. 32.

472. Ao analisar os dados do referido sistema, a equipe técnica destacou que


somente as peças de planejamento foram enviadas tempestivamente ao TCE/MT.

473. Assim, os técnicos destacaram que a ausência de encaminhamento das


respostas às informações solicitadas por meio dos Ofícios nº 03 e nº 05/2019

58
ocasionou prejuízo ao exercício do controle externo e comprometeu a análise destas
Contas. Desta feita, a Secex de Receita e Governo manteve a irregularidade.

474. Na mesma linha da Secex, entendo que, em que pese o argumento da


defesa, os Ofícios nº 03/2019 e nº 05/2019 foram encaminhados justamente para obter
informações que a equipe técnica não possuía. Dessa forma, a gestora deveria tê-los
respondido ou deveria ter justificado a impossibilidade de fazê-lo.

475. Sendo assim, em consonância com a equipe técnica e com o Ministério


Público de Contas, mantenho a irregularidade para determinar à Chefe do Poder
Executivo que atenda às solicitações deste Tribunal de Contas nos prazos e formas
estabelecidos em lei.

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA


11) MB02 PRESTAÇÃO DE CONTAS_GRAVE_02 - Descumprimento do prazo de envio de prestação
de contas, informações e documentos obrigatórios ao TCE-MT (art. 70, parágrafo único, da Constituição
Federal; arts. 207, 208 e 209 da Constituição Estadual; Resolução Normativa TCE nº 36/2012;
Resolução Normativa TCE nº 01/2009; art. 3º da Resolução Normativa TCE nº 12/2008; arts. 164, 166,
175 e 182 a 187 da Resolução Normativa TCE nº 14/2007).

11.1) As Contas de Governo foram encaminhadas com 59 dias de atraso, em desacordo com o art. 164
do Regimento Interno deste Tribunal.
.

476. A Secex de receita e Governo apontou que as Contas de Governo foram


encaminhadas com 59 (cinquenta e nove) dias de atraso. A defesa, por sua vez,
argumentou que não houve omissão no dever de prestar contas e que o atraso no seu
encaminhamento não prejudicou a análise das Contas Anuais de Governo.

477. A defendente afirmou que as Contas de Governo do exercício de 2017


não constavam no banco de dados da Prefeitura, o que dificultou o início do envio das
cargas para este Tribunal desde o primeiro dia de mandato.

478. A defesa também ressaltou que, no julgamento das Contas de Governo


do exercício de 2017, o TCE/MT entendeu que o atraso no envio das contas não
caracterizava omissão, em razão das dificuldades enfrentadas pela manifestante.

59
479. Arguiu que as Contas Anuais de Governo do exercício de 2017 somente
foram julgadas em 17/9/2019 e que esse atraso no julgamento refletiu nas Contas de
2018, uma vez que os registros contábeis dependem dos saldos financeiros,
patrimoniais e de resultados, pois o Sistema Sigesp é inoperante e não fornece a
segurança necessária para o envio da prestação de contas ao TCE/MT.

480. Além disso, a defesa alegou que há diversos empecilhos para a validação
das tabelas das cargas mensais do Sistema Aplic, pois os servidores não possuem
tempo hábil para assimilar todas as suas alterações.

481. Invocando o princípio da razoabilidade, arguiu que não houve


impedimento das funções do TCE/MT. Assim, pleiteou pela expedição de
recomendação e pela emissão de parecer prévio favorável às Contas Anuais de
Governo da Prefeitura de Chapada dos Guimarães, exercício 2018.

482. Em contraponto, a equipe técnica argumentou que os prazos de remessa


das contas de governo decorrem de previsão constitucional, consoante artigo 209, § 1º,
da Constituição do Estado de Mato Grosso.

483. A Secex de Receita e Governo informou que a Prefeitura de Chapada dos


Guimarães descumpriu praticamente todos os prazos, inclusive os prolongados, para
os envios das cargas mensais e anuais do Sistema Aplic, razão pela qual manteve a
irregularidade

484. Segundo o art. 209, § 1º, da Constituição do Estado do Mato Grosso, as


contas anuais da Prefeitura de Chapada dos Guimarães deveriam ter sido remetidas ao
Tribunal de Contas do Estado para exame e apreciação no dia 16/4/2019, após o
término do prazo destinado à sua apreciação por quaisquer contribuintes49.

49 Art.209 As contas anuais do Prefeito e da Mesa da Câmara ficarão, durante Constituição do Estado de
Mato Grosso 87 sessenta dias, a partir do dia quinze de fevereiro, à disposição na própria Prefeitura e
na Câmara Municipal, após divulgação prevista na Lei Orgânica Municipal, de qualquer contribuinte,
para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhe a legitimidade, nos termos da Lei. § 1º As
contas serão remetidas ao Tribunal de Contas do Estado, pelos responsáveis dos respectivos
Poderes, no dia seguinte ao término do prazo, com o questionamento que houver, para emissão do
parecer prévio. § 2º Não sendo as contas postas à disposição do contribuinte no prazo previsto neste
60
485. Nesse mesmo sentido, encontra-se a Resolução Normativa TCE/MT nº
36/2012, que determina o envio das Contas Anuais de Governo por meio do Sistema
Aplic no inciso IV do art. 1º:

Art. 1º. Determinar às organizações municipais a remessa, exclusivamente por


meio do Sistema de Auditoria Pública Informatizada de Contas – APLIC, das
seguintes cargas:
[…]
IV. Contas anuais de Governo prestadas pelo Chefe do Poder Executivo, no dia
seguinte ao término do prazo a que se refere o artigo 209 da Constituição
Estadual.

486. Assim, as informações de envio obrigatório são fundamentais para o


exercício do controle externo pela equipe de auditoria deste Tribunal, motivo pelo qual
o envio intempestivo compromete e prejudica a análise da globalidade dos atos de
gestão praticados pela entidade.

487. Sob outra ótica, a gestora não trouxe nenhuma alegação ou documento
que pudesse excluir sua responsabilidade sobre o apontamento.

488. Diante do exposto, mantenho a irregularidade apontada para


determinar à Chefe do Poder Executivo que envie, dentro do prazo designado pela
legislação, via Sistema Aplic, as Contas Anuais de Governo ao TCE/MT, cumprindo o
determinado no inciso IV do art. 1º da Resolução Normativa TCE nº 36/2012 e no art.
209 da Constituição do Estado de Mato Grosso.

ANÁLISE DAS IRREGULARIDADES APONTADAS PELA SECEX DE PREVIDÊNCIA

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA


Ausência de repasse por parte da Prefeitura Municipal de contribuição patronal e servidor, conforme
informações enviadas ao Sistema APLIC.
DA 05. Gestão Fiscal/Financeira_Gravíssima_05. Não-recolhimento das cotas de contribuição
previdenciária do empregador à instituição de previdência (arts. 40 e 195, I, da Constituição Federal).
DA 07. Gestão Fiscal/Financeira_Gravíssima_07. Não-recolhimento das cotas de contribuição
previdenciária descontadas dos segurados à instituição devida (arts. 40, 149, § 1º e 195, II, da
Constituição Federal; art. 168- A do Decreto-Lei nº 2.848/1940).

artigo, quem tiver conhecimento do fato comunicará ao Tribunal de Contas, que mandará averiguar e,
se confirmada a ocorrência procederá à tomada de contas, comunicando à Câmara Municipal.
61
489. Tal como fez a equipe técnica e o MPC, analisarei conjuntamente as
irregularidades classificadas como DA05 e DA07.

490. Segundo apurado pela Secex de Previdência50, as irregularidades tratam


da ausência de repasse por parte da Prefeitura Municipal de contribuição patronal e do
servidor, conforme informações enviadas ao Sistema Aplic. No Sistema Aplic, constou
que a Prefeitura está inadimplente em relação às contribuições previdenciárias ao
RPPS, conforme segue na tabela abaixo:

Tabela 1 - Contribuição Devida x Contribuição Recebida no Exercício de 2018

491. Conforme se infere das informações trazidas pelo Sistema Aplic, os


valores referentes às contribuições devidas de parte patronal e consignadas de
servidores foram pagas a menor nos meses de janeiro, fevereiro, abril, junho, julho,
outubro e novembro de 2018, e não constam os pagamentos dos meses de agosto,
setembro e dezembro de 2018.

492. Ao apresentar a defesa51, a gestora arguiu que a irregularidade não é


capaz de demonstrar com clareza a ausência de repasses das contribuições
previdenciárias. Destacou que a tabela apresentada não contém informações do
Balanço Consolidado de maneira individualizada nem as informações a respeito dos
valores individualizados da parte patronal e dos segurados.

50 Relatório Técnico. Documento Digital n.º 153918/2019, fls. 5/7.


51 Defesa. Documento Digital n.º 166792/2019, fls. 4/7.
62
493. A responsável destacou que, na construção do achado, não foram
consideradas as demais unidades gestoras do município, como a Câmara dos
Vereadores e o Fundo de Previdência, o que resultou em uma interpretação técnica
distorcida, com a concentração de todas as contribuições devidas e recolhidas como
sendo de responsabilidade da Prefeitura de Chapada dos Guimarães.

494. A defendente sustentou que a equipe técnica constatou a ausência de


recolhimento no mês de dezembro de 2017 apenas com base nas comparações dos
recolhimentos registrados no Fundo Municipal de Previdência no mês de janeiro de
2018.

495. Em continuidade, a gestora aduziu que as contribuições previdenciárias


de competência de dezembro de 2017 também poderiam ter sido recolhidas pela
unidade gestora da Prefeitura Municipal ou pelas demais unidades gestoras dentro do
próprio mês de 2017.

496. Quanto às demais divergências apresentadas nos meses de janeiro a


novembro de 2018, a responsável destacou que também não é possível averiguar se o
quantum apurado corresponde com a realidade. Diante disso, pontuou que a origem
das informações constantes na tabela RRPS_CONTRIB_PREVID_DEVIDO baseia-se
no momento do reconhecimento da receita. Contudo, destacou que o manuseio da
tabela RRPS_CONTRIB_PREVID_PAGO possui todas as informações de maneira
individual de recebimento por competência.

497. A defendente alegou que não houve confronto do tipo de contribuição,


unidade gestora e CPD_MESCOMPETENCIA, bem como salientou que existe
recolhimento dentro da mesma competência do fato gerador da receita.

498. Por fim, a defendente reconheceu que existem débitos previdenciários


pendentes de recolhimento. Porém, a forma como os achados de auditoria foram
apresentados tornou difícil afirmar que os débitos correspondem com a realidade.

63
499. Após análise da defesa apresentada pela gestora, a Secex de
Previdência52 manteve o apontamento, destacando que a própria Prefeita confirmou a
existência de contribuições previdenciárias pendentes junto ao RPPS.

500. A equipe de auditoria ponderou que, em que pese a defendente não


concordar com o achado e os débitos descritos na Tabela 1, item 2.1, não anexou nos
autos quaisquer documentos comprobatórios para respaldar sua alegação e capazes
de desconstituir as irregularidades DA05 e DA07.

501. A equipe técnica pontuou que, por intermédio do Ofício n.º 37/2019,
solicitou ao gestor do RPPS os seguintes documentos:

1. Extratos das Guias de Recolhimentos das contribuições


Previdenciárias – GRCP, competência de janeiro a dezembro, do exercício de
2018, devidas pela Prefeitura junto ao RPPS de Acorizal/MT;
2. Cópias dos comprovantes de depósitos e/ou transferências bancárias,
das competências de janeiro a dezembro, de 2018;
3. Cópia do “Demonstrativo Consolidado de Parcelamento - DCP”, referente ao
exercício 2018;
4. Demonstrativo “Acompanhamento de Acordo de Parcelamento”, de todos os
acordos vigentes.
5. Caso conste no Demonstrativo de acompanhamento de acordo de
parcelamento alguma parcela em aberto que já foi paga, favor encaminhar
comprovação do pagamento.
6. Relação com valores devidos referente a parte segurados e patronal e
valores pagos com respectivas datas de pagamento.

502. Diante disso, foi apresentada manifestação acompanhada de


documentos53, ocasião em que a equipe de auditoria verificou que o gestor do RPPS
encaminhou os extratos das Guias de Recolhimentos Previdenciários - GRCP, extratos
bancários, Declaração de Veracidade/2018 e planilha de cálculo das contribuições
patronais e segurados, do exercício de 2018.

503. Após análise dos documentos, a Secex de Previdência54 concluiu que a


Prefeitura de Chapada dos Guimarães devia ao RPPS contribuições patronais e parte
segurados/2018 no montante de R$ 2.742.726,52 (dois milhões e setecentos e
quarenta e dois mil e setecentos e vinte e seis reais e cinquenta e dois centavos),

52 Relatório Técnico de Defesa. Documento Digital n.º 202204/2019, fls. 1/6.


53 Documento externo n.º 237744/2019.
54 Relatório Técnico de Defesa. Documento Digital n.º 252617/2019, fls. 3/8.

64
tendo sido recolhido o total de R$ 2.392.175,81 (dois milhões e trezentos e noventa e
dois mil e cento e setenta e cinco reais e oitenta e um centavos).

504. Assim, restou um saldo devedor na ordem de R$ 353.550,71 (trezentos e


cinquenta e três mil e quinhentos e cinquenta reais e setenta e um centavos), já
considerando os juros, conforme demonstrado nas Tabelas 1 e 2:

505. Nesta senda, a Secex de Previdência arguiu ainda que no processo de


Contas Anuais de Governo do exercício de 2018 foi apontada a irregularidade (DA05 e
DA07) quanto à inadimplência das contribuições patronais e segurados, sem
apontamento de irregularidade acerca da cobrança de juros moratórios (art. 48 da Lei
Municipal nº 1.424, de 30/12/2010) provenientes dos atrasos nos pagamentos das
contribuições patronais e segurados.

65
506. Portanto, de acordo com a equipe técnica, deve-se promover o
adimplemento imediato das contribuições previdenciárias devidas ao RPPS, assim
como devem ser adotadas providências para manter as contribuições relativas ao
RPPS em dia.

507. Sobre os juros moratórios, a equipe de auditoria considerou que


constituem despesas não autorizadas, ilegais e lesivas ao patrimônio público.

508. Em sede de alegações finais55, a gestora aduziu que, mesmo com todas
as dificuldades financeiras enfrentadas pelo município, o pagamento das contribuições
previdenciárias tem sido priorizado pela atual gestão, ao contrário do que se verificou
nos últimos exercícios.

509. A responsável salientou que os demonstrativos contábeis registraram um


passivo previdenciário vultoso, resultado do descaso que era dispensado aos
recolhimentos para o Regime Próprio de Previdência, pois houve parcelamento de mais
de R$ 3.962.938,50 (três milhões e novecentos e sessenta e dois mil e novecentos e
trinta e oito reais e cinquenta centavos), de modo que é certo que existem parcelas
inadimplentes.

510. Além disso, asseverou que, embora as recomendações fossem dirigidas à


atual gestora, não houve sua participação no acúmulo dos débitos previdenciários
parcelados, assim como não poderia ser atribuída a ela a mesma responsabilidade
pelo pagamento dos juros e multas decorrente dos atrasos.

511. Ao final, a gestora repisou que houve recolhimento das contribuições


previdenciárias no exercício de 2018 e que o saldo remanescente foi recolhido no atual
exercício, pugnando pela expedição de recomendações.

55 Alegações finais. Documento Digital n.º 261954/2019, fls. 4/7.


66
512. Em síntese, o órgão ministerial56 salientou que, configurada a
irregularidade e reconhecida pela própria gestora, seria despiciendo tecer maiores
considerações senão opinar pela manutenção do achado.

513. Nesse toar, conforme mencionado pelo Parquet de Contas, no que tange
aos juros moratórios pagos pela gestão, entende-se cabível a instauração de uma
Tomada de Contas Ordinária, uma vez que as Contas de Governo não são a via
adequada para se apurar profundamente os danos causados e identificar os
responsáveis pela devido ressarcimento, pois não são focalizados os atos
administrativos isoladamente, mas a conduta do administrador no exercício das
funções políticas de planejamento, organização, direção e controle das políticas
públicas idealizadas na concepção das leis orçamentárias (PPA, LDO e LOA).

514. Por isso, perfilho o entendimento externado pelo MPC, de modo a


determinar a instauração de Tomada de Contas Ordinária, com o fito de se apurar
os fatos, quantificar o dano e identificar os responsáveis.

515. Além disso, acerca dos outros pontos delineados, denoto que assiste
razão à equipe técnica e ao MPC, uma vez que, apesar de a gestora ter contestado as
planilhas e os cálculos da Secex de Previdência, deixou de demonstrar os repasses
das contribuições previdenciárias por parte do município.

516. Cumpre ainda consignar que a defendente também confirmou a


existência de contribuições previdenciárias pendentes perante o RPPS, mas sustentou
que não poderia afirmar que se referem aos mesmos débitos apontados na referida
planilha elaborada pela Secex de Previdência.

517. Com efeito, é cediço que o não recolhimento tempestivo e integral das
contribuições previdenciárias prejudica a sustentabilidade financeira e atuarial do
sistema previdenciário e contraria o caráter contributivo e solidário atribuído pela

56 Parecer Ministerial. Documento Digital n.º 267497/2019, fls. 58/64.


67
Constituição Federal ao regime de previdência, conforme as disposições contidas nos
artigos 40, 149, §1º, e 195, incisos I e II, da Constituição Federal:

Art. 40. O regime próprio de previdência social dos servidores titulares de


cargos efetivos terá caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do
respectivo ente federativo, de servidores ativos, de aposentados e de
pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e
atuarial.
[…]
Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de
intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais
ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas,
observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto
no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.
§ 1º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, por
meio de lei, contribuições para custeio de regime próprio de previdência social,
cobradas dos servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas, que
poderão ter alíquotas progressivas de acordo com o valor da base de
contribuição ou dos proventos de aposentadoria e de pensões.
[...]
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma
direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos
orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das
seguintes contribuições sociais:

I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei,


incidentes sobre:

a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a


qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo
empregatício;

b) a receita ou o faturamento;

c) o lucro;

II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, podendo ser


adotadas alíquotas progressivas de acordo com o valor do salário de
contribuição, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão
concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social;

518. Além disso, a conduta de deixar de repassar à previdência social as


contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional,
configura o delito de apropriação indébita previdenciária, cuja previsão se encontra
expressa no art. 168-A do Código Penal:

Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas


dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

68
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de:

I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à


previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a
segurados, a terceiros ou arrecadada do público;

II – recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado


despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de
serviços;

III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores


já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social.

§ 2o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa


e efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as
informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou
regulamento, antes do início da ação fiscal.

§ 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa


se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que:

I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a


denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive
acessórios; ou

II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior


àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo
o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.

§ 4o A faculdade prevista no § 3o deste artigo não se aplica aos casos de


parcelamento de contribuições cujo valor, inclusive dos acessórios, seja
superior àquele estabelecido, administrativamente, como sendo o mínimo para
o ajuizamento de suas execuções fiscais.

519. Nesse sentido, saliento que a consumação de apropriação indébita não


necessita de dolo específico. Conforme os entendimentos do Supremo Tribunal Federal
(STF), basta tão somente a demonstração do dolo genérico:

AÇÃO PENAL ORIGINÁRIA. CRIMES DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA


PREVIDENCIÁRIA E SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
(INCISO I DO § 1º DO ART. 168-A E INCISO III DO ART. 337-A, AMBOS DO
CÓDIGO PENAL). CONTINUIDADE DELITIVA E CONCURSO MATERIAL.
ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. DOLO ESPECÍFICO. NÃO-EXIGÊNCIA
PARA AMBAS AS FIGURAS TÍPICAS. MATERIALIDADE E AUTORIA
COMPROVADAS EM RELAÇÃO AO CO-RÉU DETENTOR DO FORO POR
PRERROGATIVA DE FUNÇÃO.
[...]
3. A orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal é firme no
sentido de que, para a configuração do crime de apropriação indébita
previdenciária, basta a demonstração do dolo genérico, sendo dispensável
um especial fim de agir, conhecido como animus rem sibi habendi (a intenção
de ter a coisa para si). Assim como ocorre quanto ao delito de apropriação
indébita previdenciária, o elemento subjetivo animador da conduta típica do
crime de sonegação de contribuição previdenciária é o dolo genérico,
consistente na intenção de concretizar a evasão tributária.

69
520. Como bem observado pela Conselheira Interina Jaqueline Jacobsen
Marques (Processo nº 16678-2/2018 – Contas de Governo da Prefeitura Municipal de
Acorizal), “ainda que, no âmbito desta Corte de Contas, não seja apurado o crime de
apropriação indébita previdenciária descrita no Código Penal, o presente apontamento
é visto sob a ótica de infração de natureza gravíssima, nos moldes da Resolução
Normativa nº 17/2010”57.

521. De mais a mais, verifico que, em relação à presente irregularidade, há


graves indícios de ato de improbidade administrativa, nos termos dispostos no art. 11
da Lei nº 8.429/1992, vejamos:

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os


princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os
deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições,
e notadamente:
I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele
previsto, na regra de competência;
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;

522. Cabe enfatizar que a falta de repasses de contribuições previdenciárias,


por configurar conduta grave, é suficiente para emissão de parecer prévio contrário das
contas anuais de governo, sendo uma concepção comum entre alguns Tribunais de
Contas Estaduais, vejamos:

TCE-MG
PRESTAÇÃO DE CONTAS - EXECUTIVO MUNICIPAL - EXECUÇÃO
ORÇAMENTÁRIA, FINANCEIRA, CONTÁBIL E PATRIMONIAL - PARECER
PRÉVIO PELA REJEIÇÃO DAS CONTAS. 1) EMITE-SE PARECER PRÉVIO
PELA REJEIÇÃO DAS CONTAS, NOS TERMOS DO ART. 45, III, DA LEI
COMPLEMENTAR N. 102/2008, TENDO EM VISTA A IRREGULARIDADE NO
REPASSE DE RECURSOS AO INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA MUNICIPAL.
2) INFORMA-SE QUE FORAM OBSERVADOS OS LIMITES DE GASTOS
COM ENSINO, SAÚDE E PESSOAL, BEM COMO DE REPASSE DE
RECURSOS À CÂMARA MUNICIPAL. 3) FAZ-SE RECOMENDAÇÃO AO
ATUAL CHEFE DO PODER EXECUTIVO E AO PODER LEGISLATIVO. [...]
(TCE-MG, Relator Conselheiro Wanderley Àvila, Processo 872775, DOC
15/5/2013.)

TCE-PE

57 Disponível em:
https://www.tce.mt.gov.br/protocolo/documento/num/166782/ano/2018/numero_documento/268866/ano_
documento/2019/hash/34d68470795f7d9ea33fa7e71c640bcc. Acesso em: 14/12/2019.
70
VOTO DO RELATOR A meu ver, a irregularidade mais grave dos autos diz
respeito ao não repasse integral das contribuições previdenciárias ao
RPPS e ao INSS. A Prefeitura deixou de repassar ao seu Fundo de
Previdência, em 2009, percentual correspondente a 30% dos descontos feitos
na folha de pagamento dos servidores efetivos e na contribuição patronal e
26% dos descontos e contribuições para o INSS. A sonegação do mencionado
percentual de descontos e contribuições para o INSS causa prejuízo aos
contribuintes que sofrem os descontos salariais que, não sendo recolhidos,
implica em não poder contar o tempo de contribuição para efeito de
aposentadoria e, de referência aos servidores que descontem para o Fundo
Previdenciário, são igualmente prejudicados, porque o Fundo fica sem recursos
para pagar proventos de aposentadoria e pensões de dependentes. Ademais a
alegação de que realizou parcelamento junto ao INSS não ilide a
irregularidade, pois o erário municipal será penalizado financeiramente com o
pagamento de juros e correção monetária à Receita Federal pela ausência dos
repasses devidos, acarretando sacrifícios para toda a população do município
que paga impostos e taxas que deveriam ser aplicados em obras e serviços
públicos. (Processo 1160000-7).

TCE-RJ
PREFEITURA MUNICIPAL DE DUQUE DE CAXIAS. PRESTAÇÃO DE
CONTAS DE GOVERNO. EXERCÍCIO DE 2017. RETORNO DE DILIGÊNCIA
INTERNA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS
POR PARTE DO RESPONSÁVEL. EMISSÃO DE PARECER PRÉVIO
CONTRÁRIO À APROVAÇÃO DAS CONTAS EM FACE DE
IRREGULARIDADES E IMPROPRIEDADES, COM DETERMINAÇÕES E
RECOMENDAÇÕES. COMUNICAÇÃO AO RESPONSÁVEL PELO
CONTROLE INTERNO. COMUNICAÇÃO AO PREFEITO MUNICIPAL.
DETERMINAÇÃO À SGE. EXPEDIÇÃO DE OFÍCIOS.
Dentre as irregularidades estão:
IRREGULARIDADE N.º 2 O Município não realizou integralmente a
transferência ao RPPS da contribuição devida pelos servidores,
concorrendo para o não atingimento do equilíbrio financeiro e atuarial do
Regime, em desacordo com os preceitos estabelecidos no Art. 1º, inciso II
da Lei Federal 9.717/98, sendo tal conduta passível, inclusive, do crime de
apropriação indébita previdenciária, previsto no Art. 168-A do Código Penal
Brasileiro.
IRREGULARIDADE Nº 3 O Município não realizou a transferência integral ao
RGPS da contribuição devida pelos servidores, sujeitando o Ente ao
recolhimento de multa e juros moratórios, bem como à inclusão de
apontamentos e restrições do Município no Cadastro Único da União - CAUC,
inviabilizando o repasse de transferências voluntárias por parte da União,
conforme restrição contida no artigo 22, inciso III da Portaria Interministerial nº
424/16, e ao bloqueio de parcelas do FPM, de acordo com faculdade prevista
no artigo 160, parágrafo único, inciso I da Constituição Federal de 1988.(TCE-
RJ,Processo 219.138-3/18, Prestação de Contas de Governo, Relator Ministro
Washington Reis de Oliveira) (grifei).

523. Destaco, por derradeiro, o voto apresentado pelo Conselheiro Luiz


Henrique Lima (Processo nº 8.171-0/2018) relativo às Contas Anuais de Governo do
Estado do exercício de 2017, das quais fui Relator. Naquele processo, o referido
Conselheiro esclareceu que o não recolhimento das cotas de contribuições
previdenciárias pode ensejar parecer prévio contrário das contas de governo:

71
No que diz respeito às contribuições previdenciárias, divirjo da conclusão
da unidade técnica e do parecer ministerial, por entender que não houve a
caracterização da irregularidade DB 07 – Gravíssima: Não-recolhimento das
cotas de contribuição previdenciária descontadas dos segurados à
instituição devida. Esclareço que, caso tal irregularidade fosse
confirmada, conduziria meu voto pela emissão de Parecer Prévio
Contrário à aprovação das Contas de Governo, como tenho feito desde
2010 todas as vezes em que isso ocorreu. (grifei).

524. Portanto, ante o exposto, nos moldes do parecer ministerial, voto pela
manutenção das irregularidades classificadas como DA05 (Não-recolhimento das
cotas de contribuição previdenciária do empregador à instituição de previdência) e
DA07 (Não-recolhimento das cotas de contribuição previdenciária descontadas dos
segurados à instituição devida), com determinação à Chefe do Poder Executivo
Municipal para que promova o adimplemento das contribuições previdenciárias devidas
ao RPPS, bem como adote providências para manter as contribuições relativas ao
RPPS em dia.

525. Além disso, entendo por determinar a instauração de Tomada de Contas


Ordinária, nos termos do art. 156 do Regimento Interno TCE/MT e da Resolução
Normativa nº 24/2014 TCE/MT, com o fito de se apurar os fatos, quantificar o dano e
identificar os responsáveis pelos juros moratórios pagos pela gestão.

526. Por fim, considerando os indícios do delito de apropriação indébita


previdenciária, previsto no art. 168-A do Código Penal, determino o encaminhamento
de cópia integral dos presentes autos ao Ministério Público Estadual, conforme os
termos do art. 196 do Regimento Interno do Tribunal de Contas do Estado de Mato
Grosso (RITCE-MT) para análise e providências.

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA


2.2) DB 09. Previdência_Grave_09. Inadimplência no pagamento da contribuição patronal, débito
original ou parcelamento (arts. 23, I, 24, II e IV, 36 da ON MPS/SPS 02/2009).

Ausência de pagamento de parcelas dos acordos: nº 0033/2011, nº 0406/2009, nº 0035/2011, nº


01786/2013, nº 01793/2013, nº 01787/2013 e nº 01035/2014.

72
527. A Secex de Previdência58 apontou a ausência de comprovação de
pagamento dos parcelamentos de contribuições previdenciárias referentes aos Acordos
nºs 0033/2011, 0406/2009, 0035/2011, 01786/2013, 01793/2013, 01787/2013 e
01035/2014.

528. Em sua defesa59, a gestora arguiu que os parcelamentos que foram


considerados pendentes pela equipe de auditoria deste Tribunal não condizem com a
realidade do município, uma vez que há apenas 2 (dois) parcelamentos vigentes: o de
nº 01786/2013 e o de nº 01793/2013, que foram autorizados pela Lei Municipal nº
1.537/2013, conforme registrado no anexo 16, devidamente colacionado aos autos.

529. A defesa também destacou que é prematuro sustentar a existência de


inadimplência no pagamento dos acordos, tendo em vista que o achado de auditoria
trouxe aos autos acordos inexistentes ou que já foram quitados pela Prefeitura, uma
vez que os registros contábeis demonstram informações diversas daquelas
apresentadas pela unidade técnica deste Tribunal.

530. Após analisar a defesa apresentada, a Secex de Previdência pontuou60


que foi realizada consulta ao Sistema CADPREV, na qual foi constatada a existência de
10 (dez) acordos de parcelamentos pactuados com o Fundo de Previdência, conforme
demonstrado abaixo:

58 Documento Digital nº 202254/2019, fls. 7-10.


59 Documento Digital nº 237744/2019, fls. 242-367.
60 Documento Digital nº 252617/2019, fls. 10-12.

73
531. Nesse sentido, a Secex de Previdência expôs que, apesar de a defesa
afirmar que atualmente existem apenas 2 (dois) parcelamentos em andamento, não
foram apresentados documentos para comprovar as devidas quitações.

532. A Secex de Previdência ainda destacou que, para respaldar a alegação


da defesa, esta fez juntada do demonstrativo da dívida flutuante interna – anexo 16, no
qual consta registrado como “Dívida Pública – Prev-Serv” o montante de R$
3.967.426,35 (três milhões e novecentos e sessenta e sete mil e quatrocentos e vinte e
seis reais e trinta e cinco centavos).

533. Todavia, a Secex informou que o anexo 16 apresentado é relativo ao


exercício de 2017, de modo que não pode ser utilizado como documento hábil de
comprovação de dívida pública para os exercícios 2018 e 2019.

534. Ademais, a Secex de Previdência assinalou que foi verificada a existência


de 10 (dez) acordos de parcelamento, sendo que 6 (seis) estão com parcelas vencidas
até a data de 28/8/2019, cujas inadimplências geraram a cobrança de juros, multas e

74
atualizações no valor de R$ 339.018,34 (trezentos e trinta e nove mil e dezoito reais e
trinta e quatro centavos), conforme cálculo da tabela a seguir:

535. A Secex de Previdência ainda ressaltou que o Acordo nº 1793/2013


possui parcelas inadimplentes. Contudo, da análise do demonstrativo, só existem
informações até o exercício de 2017, com o rol das parcelas inadimplentes dos
períodos de 2013, 2015, 2016 e 2017, mas sem informações quanto à cobrança de
atualizações, multas e juros, tampouco quanto às parcelas dos períodos de 2018 e
2019, uma vez que sua finalização se dará em 3/8/2032.

536. Dessa forma, tendo em vista que as despesas com juros moratórios
constituem despesas não autorizadas, ilegais e lesivas ao patrimônio público,
realizadas em afronta ao art. 15 da Lei Complementar nº 101/2000, c/c o art. 4º da Lei
nº 4.320/1964, a Secex de Previdência sugeriu que seja determinado à Prefeita, Sra.
Thelma Pimentel Figueiredo de Oliveira, que recolha aos cofres do RPPS da Chapada
dos Guimarães no prazo de 30 (trinta) dias, as parcelas inadimplentes dos acordos
relacionados na Tabela 3, exposta acima, bem como que recolha com recursos

75
próprios aos cofres do RPPS, no mesmo prazo, os juros, multas e atualizações no valor
total de R$ 339.018,34 (trezentos e trinta e nove mil e dezoito reais e trinta e quatro
centavos), corrigidos até a data do pagamento sobre as parcelas inadimplentes.

537. Em alegações finais61 a defesa arguiu que os demonstrativos contábeis


registram um passivo previdenciário vultuoso, resultado do descaso que gestões
anteriores dispensavam aos recolhimentos para o Regime Próprio de Previdência, uma
vez que houve parcelamento de mais de R$ 3.962.938,50, (três milhões e novecentos
e sessenta e dois mil e novecentos e trinta e oito reais e cinquenta centavos).

538. A gestora destacou que embora as recomendações sejam dirigidas a ela,


não houve a sua participação no acúmulo dos débitos previdenciários parcelados, de
modo que também não poderá ser responsabilizada pelo pagamento dos juros e multas
decorrente dos atrasos.

539. Isso porque, além de ter de manter em dia o recolhimento das


contribuições previdenciárias do atual exercício, deve ser relembrado que a fonte de
recursos para o recolhimento das parcelas não adimplidas é a mesma. Além disso, a
crise financeira que assolou o Estado de Mato Grosso (conforme se viu no julgamento
das contas do Governo do Estado nos anos de 2015 a 2018) fez com que houvesse
atraso e até omissão nos repasses financeiros aos Municípios.

540. Por fim, a defesa pontuou que, em irregularidade análoga, encontrada nas
Contas Anuais de Governo do Exercício de 2018 do Estado de Mato Grosso, o
Ministério Público de Contas, expediu apenas recomendações, nos seguintes termos:

2.241. Quanto ao subitem 7.1, o Ministério Público de Contas registrou que o


atraso no repasse/recolhimento das contribuições previdenciárias e a ausência
de atualização por meio de juros e multas são situações que já ocorrem há
mais de um exercício.

2.242. Salientou que as contribuições patronais oriundas das folhas de


pagamento dos servidores devem ser recolhidas ao regime de previdência
dentro de seus respectivos vencimentos, na medida em que a inadimplência
das contribuições onera o regime de previdência, ocasionando descontrole
financeiro e aumento do déficit atuarial, caracterizado pelo aumento de

61 Documento Digital nº 261954/2019.


76
alíquotas de contribuições previdenciárias e dos valores futuros a serem pagos
à previdência, o que comprometeria a gestão pública nos anos seguintes.

2.243. Diante disso, opinou pela manutenção da irregularidade capitulada nos


subitens 7.1 e 7.2 com expedição de recomendações.

541. Nesse sentido, considerando que houve recolhimento das contribuições


previdenciárias no exercício de 2018, a defesa pugnou pela expedição de apenas
recomendações acerca do referido achado.

542. Por sua vez, o Ministério Público de Contas62 demonstrou que o art. 36 da
Orientação Normativa do Ministério da Previdência Social – MPS/SPS nº 02/2009
dispõe que as contribuições podem ser parceladas63.

543. Noutro passo, o MPC destacou que o parcelamento recorrente onera o


ente com a incidência de juros e multas, o que poderá comprometer o pagamento dos
benefícios previdenciários aos segurados. Além disso, transfere para futuras gestões a
obrigação do pagamento de contribuições que já deveriam ter sido repassadas ao
RPPS.

544. O MPC assinalou também que ainda mais grave é o ato de gestão que
deixa de pagar no prazo legal as parcelas dos acordos de parcelamentos de
contribuições previdenciárias firmados.

545. Nessa senda, considerando que a gestora não comprovou o pagamento


das parcelas dos acordos em aberto, o órgão ministerial asseverou que o procedimento
adotado atenta contra mandamentos constitucionais. Assim, a falta de pagamento deve
ser caracterizada como irregularidade grave, consoante classificação da equipe técnica
deste Tribunal.

62Documento Digital nº 267497/2019, fls. 66-68.


63Subseção V
Do Parcelamento de Débitos
Art. 36. As contribuições legalmente instituídas, devidas pelo ente federativo e não repassadas à unidade
gestora até o seu vencimento, depois de apuradas e confessadas, poderão ser objeto de acordo para
pagamento parcelado em moeda corrente, conforme as regras definidas para o RGPS.
77
546. Dessa maneira, tendo em vista que o inadimplemento de parcelamentos
pactuados com a unidade previdenciária acarretou a cobrança de juros, multas e
atualizações no valor de R$ 339.018,34 (trezentos e trinta e nove mil e dezoito reais e
trinta e quatro centavos), o MPC entendeu ser necessária a instauração de Tomada de
Contas Ordinária, nos termos do art. 156 do Regimento Interno do TCE/MT, com o fito
de se apurar os fatos, quantificar o dano e identificar os responsáveis por tais
inadimplementos.

547. Após analisar todos os argumentos apresentados, é prudente destacar


que me coaduno com a posição ministerial, pelos seguintes motivos:

548. A uma, porque as contas anuais de governo não são a ferramenta mais
adequada para aplicações de sanções específicas, uma vez que, nesses processos,
busca-se avaliar a gestão política dos chefes dos Poderes Executivos quanto ao
cumprimento dos planos de governo, limites constitucionais e legais de gastos mínimos
e máximos, tais como educação, saúde, gastos com pessoal e repasses ao Poder
Legislativo.

549. A duas, porque o Poder Legislativo Municipal é competente para julgar as


contas anuais de governo do Poder Executivo Municipal, utilizando-se o critério
subjetivo de conveniência e oportunidade.

550. A três, porque a própria gestora confirmou em sua defesa que existem
parcelas inadimplentes. Contudo, informou que não houve a sua participação no
acúmulo dos débitos previdenciários parcelados, de modo que também não poderia ser
atribuída a ela responsabilidade pelo pagamento dos juros e multas decorrentes dos
atrasos.

551. Em razão do exposto, acompanho o parecer ministerial no sentido manter


a irregularidade classificada como DB09 (item 2.2) e determinar a instauração de
Tomada de Contas Ordinária para apurar a legítima responsabilidade e quantificar o
devido valor acerca da ocorrência de juros, multas e atualizações pagos pela
inadimplência no pagamento da contribuição patronal, especificamente a ausência de
78
pagamento de parcelas dos acordos: nº 0033/2011, nº 0406/2009, nº 0035/2011, nº
01786/2013, nº 01793/2013, nº 01787/2013 e nº 01035/2014.

RESPONSÁVEL: THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA


2.3) LB 05. Previdência_Grave_05. Ausência de Certificado de Regularidade Previdenciária - CRP,
emitido pelo MPS, ou com a falta de esclarecimentos sobre o motivo da suspensão (art. 8º da ON
MPS/SPS nº 02/2009; Portaria MPS 204/2008).

Descumprimento dos preceitos legais para a obtenção do Certificado de Regularidade Previdenciária de


forma administrativa.

552. A Secex de Previdência constatou em seu relatório técnico preliminar64


que o último Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) concedido ao município
de Chapada dos Guimarães venceu em 6/9/2014. E assim permaneceu desde então,
em situação irregular por mais de cinco anos, em razão de a gestão municipal não ter
repassado as contribuições previdenciárias devidas ao RPPS, em contrariedade à Lei
Federal nº 9.717/1998, ao Decreto nº 3.788/2001, à Portaria MPS 204/2008 e ao art. 8º
da ON-MPS/SPS 2/2009.

553. Em sede de defesa, a gestora se manifestou65 no sentido de que o cerne


da irregularidade, em tese, seria a “obtenção do Certificado de Regularidade
Previdenciária ao arrepio da legislação”. No entanto, enfatizou que isso não ocorreu.

554. Desse modo, pontuou que, além de não constar nos autos elementos
capazes de comprovar que houve ilegalidade na obtenção do Certificado de
Regularidade Previdenciária, sequer foi apresentado pela equipe de auditoria deste
Tribunal o certificado que teria sido obtido de maneira ilegal pela Prefeitura Municipal
de Chapada dos Guimarães.

555. Nesses termos, ante a ausência de comprovação da materialidade do ato


ilegal, uma vez que não consta nos autos a cópia do mencionado certificado que foi
obtido de maneira ilegal, a defesa arguiu que não há que se falar em irregularidade,
tampouco em autoria.

64 Documento Digital nº 153918/2019, fl. 13.


65 Documento Digital nº 166792/2019, fls. 8-10.
79
556. Por sua vez, a Secex de Previdência, após analisar a tese apresentada
pela defendente, destacou66 que, conforme já demonstrado no relatório preliminar de
auditoria, o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) nº 989059-121176, do
Município de Chapada dos Guimarães, encontra-se vencido, tendo em vista que sua
validade expirou em 6/9/2014.

557. A equipe de auditoria ainda destacou que o achado de auditoria se refere


ao descumprimento de preceitos legais para obtenção do CRP de forma administrativa,
uma vez que o último CRP registrado no Ministério da Economia/CADPREV havia sido
emitido em 10/3/2014.

558. Destacou que a defesa interpretou de maneira equivocada o que havia


sido informado em relatório preliminar, pois entendeu que o CRP fora obtido de
maneira ilegal pela Prefeitura Municipal de Chapada dos Guimarães, em vez de se ater
ao que realmente foi constatado pela auditoria, isto é, de que a validade do
mencionado CRP já havia expirado. Assim, a unidade técnica sugeriu a manutenção da
presente irregularidade classificada como LB05.

559. Com relação a esta irregularidade, não foram apresentadas alegações


finais.

560. Por seu turno, o Ministério Público de Contas destacou67 que o Certificado
de Regularidade Previdenciária (CRP) é o documento que atesta o cumprimento das
determinações previstas pela Lei Federal nº 9.717/1998 no tocante à regularidade do
regime de previdência social dos servidores públicos efetivos de um Estado ou
Município, de modo que sua ausência caracteriza irregularidade de natureza grave e
implica prejuízo ao município, uma vez que coloca em risco a atividade finalística do
ente.

561. Nesse sentido, asseverou que o art. 5º da Portaria MPS nº 204, de 10 de


julho de 2008, que dispõe sobre a emissão do CRP, prevê critérios e exigências a

66 Documento Digital nº 252617/2019, fls. 13-14.


67 Documento Digital nº 267497/2019, fl. 69.
80
serem preenchidos pelos Regimes Próprios de Previdência para que seja emitido o
referido certificado, os quais não foram integralmente observados pela unidade gestora.

562. O MPC ainda destacou que a ausência dos repasses das contribuições
previdenciárias por parte do Poder Executivo Municipal, por si só, já impede a emissão
do mencionado certificado.

563. Desse modo, o Ministério Público de Contas opinou pela manutenção da


irregularidade classificada como LB05, com recomendação à Chefe do Poder
Executivo para que regularize as pendências perante o Ministério de Previdência Social
para obtenção do CRP, cientificando este Tribunal sobre as providências tomadas.

564. Após o aclaramento do ocorrido, cabe destacar que o Certificado de


Regularidade Previdenciária é um documento fornecido pela Secretaria de Políticas de
Previdência Social (SPPS), do Ministério da Fazenda, para atestar o cumprimento dos
critérios e exigências estabelecidas na Lei Federal nº 9.717/1998, pelo regime próprio
de previdência social de um Estado, do Distrito Federal ou de um Município. Ou seja, o
referido certificado atesta se o ente federativo segue normas de boa gestão, de forma a
assegurar o pagamento dos benefícios previdenciários aos seus segurados.

565. Assim, de acordo com o art. 7º da Lei Federal nº 9.717/1998, a


apresentação do CRP pelo ente permite o acesso aos benefícios abaixo relacionados:

• Realização de transferências voluntárias de recursos pela União (exceção


feita a ações de educação, saúde e assistência social);
• Celebração de acordos, contratos, convênios ou ajustes;
• Concessão de empréstimos, financiamentos, avais e subvenções em geral de
órgãos ou entidades da Administração direta e indireta da União; e
• Liberação de recursos de empréstimos e financiamentos por instituições
financeiras federais […]

566. Já a Portaria MPS nº 204 e 10/7/2008, como bem destacado pela Secex
de Previdência, determina que o responsável pela realização de qualquer ato que exija
o CRP deverá juntar ao processo pertinente, ou atestar nos autos, a verificação de sua
validade no sítio da Previdência Social.

81
567. Assim, nos termos do art. 4º da mencionada portaria, a apresentação do
CRP será exigida para os seguintes casos:

I - realização de transferências voluntárias de recursos pela União;

II - celebração de acordos, contratos, convênios ou ajustes, bem como


recebimento de empréstimos, financiamentos, avais e subvenções em geral de
órgãos ou entidades da Administração direta e indireta da União;

III - liberação de recursos de empréstimos e financiamentos por instituições


financeiras federais; e

IV - pagamento dos valores devidos pelo Regime Geral de Previdência Social -


RGPS, em razão do disposto na Lei nº 9.796, de 5 de maio de 1999.

§ 1º Aplica-se o disposto neste artigo aos requerimentos para realização de


operações de crédito interno e externo dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, nos termos do art. 21, inciso VIII, da Resolução nº 43, de 2001, do
Senado Federal.

§ 2º Para fins de aplicação do inciso I, excetuam-se as transferências relativas


às ações de educação, saúde e assistência social.

§ 3º O responsável pela realização de cada ato ou contrato previsto nos incisos


do caput deverá juntar ao processo pertinente, ou atestar nos autos, a
verificação da validade do CRP do ente da federação beneficiário ou
contratante, no endereço eletrônico do Ministério da Previdência Social - MPS
na rede mundial de computadores - Internet, mencionando seu número e data
de emissão.

§ 4º O servidor público que praticar ato com a inobservância do disposto no §


3º responderá civil, penal e administrativamente, nos termos da lei.

568. Desse modo, o órgão responsável pela emissão do CRP analisa vários
aspectos importantes para a sua concessão, conforme bem destacado pela Secex de
Previdência em seu relatório técnico preliminar68.

68 • Legislação do RPPS: Acesso dos segurados às informações do regime; Caráter contributivo (Ente e
Ativos - Alíquotas); Caráter contributivo (Inativos e Pensionistas- Alíquotas); Cobertura exclusiva a
servidores efetivos; Concessão de benefícios não distintos do RGPS - previsão legal; Encaminhamento
da legislação à SPS; Observância dos limites de contribuição do ente; Observância dos limites de
contribuição dos segurados e pensionistas; Regras de concessão, cálculo e reajustamento de benefícios;
e Utilização dos recursos previdenciários – Previsão legal;
• Auditoria dos RPPS: Aplicações Financeiras de acordo com a Resolução CMN - Adequação DAIR e
Política Investimentos - Decisão Administrativa; Atendimento ao Auditor Fiscal em auditoria direta no
prazo; Atendimento ao MPS em auditoria indireta no prazo; Caráter contributivo (Repasse) - Decisão
Administrativa; Contas bancárias distintas para os recursos previdenciários; Escrituração Contábil -
Consistência das Informações - Decisão Administrativa; Unidade gestora e regime próprio únicos;
Utilização dos recursos previdenciários - Decisão Administrativa;
• Equilíbrio financeiro e atuarial: Equilíbrio Financeiro e Atuarial – Encaminhamento NTA, DRAA e
resultados das análises;
• Informações contábeis: Adoção do plano de contas e dos procedimentos contábeis aplicados ao setor
público;
82
569. Nesse sentido, verifico que o CRP se reveste de grande importância para
qualquer município, notadamente, no que se refere a recebimentos de recursos
financeiros advindos de transferências, celebração de acordos, convênios e tantos outros
benefícios concedidos pela lei aos entes que detenham o atesto de que o seu RPPS
segue as normas da boa gestão.

570. Diante do exposto, em consonância com a Secex de Previdência e com o


Ministério Público de Contas, não acolho as justificativas apresentadas pela defesa,
tendo em vista que a ocorrência da mencionada irregularidade é indubitável, uma vez
que o ente já se encontra há mais de 5 (cinco) anos sem o Certificado de Regularidade
Previdenciária válido, razão pela qual mantenho a irregularidade classificada como
LB05, com determinação à Chefe do Poder Executivo para que providencie a
regularização do Certificado de Regularidade Previdenciária nos termos prescritos na
Lei Federal nº 9.717/1998 e no art. 8º da ON-MPS/SPS nº 2, de 31/3/200969.

571. Superada a análise das irregularidades, passo a analisar o resultado


financeiro e orçamentário, bem como a aplicação dos limites constitucionais e
infraconstitucionais a seguir expostos.

• Informações previdenciárias e repasses: Demonstrativo de Informações Previdenciárias e Repasses


- DIPR - Consistência e Caráter Contributivo; e Demonstrativo de Informações Previdenciárias e
Repasses - DIPR - Encaminhamento à SPPS;
• Investimentos dos recursos previdenciários: Demonstrativo da Política de Investimentos - DPIN –
Consistência; demonstrativo das Aplicações e Investimentos dos Recursos - DAIR – Consistência; e
Demonstrativo das Aplicações e Investimentos dos Recursos - DAIR - Encaminhamento a partir de 2017;
e
• Outros: aplicações financeiras de acordo com a Resolução do CMN; existência de colegiado ou
instância de decisão em que seja garantida a participação dos segurados; e a inclusão de parcelas
remuneratórias temporárias nos benefícios.
69 Art. 8º O Certificado de Regularidade Previdenciária - CRP, instituído pelo Decreto nº 3.788, de 11 de

abril de 2001, é o documento que atesta a adequação do regime de previdência social de Estado, Distrito
Federal ou de Município ao disposto na Lei nº 9.717, de 1998, na Lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004,
e na Portaria MPS nº 402, de 10 de dezembro de 2008, de acordo com os critérios definidos na Portaria
MPS nº 204, de 10 de julho de 2008.
Art. 9º O acompanhamento e a supervisão dos RPPS são registrados no Sistema de Informações dos
Regimes Públicos de Previdência Social - CADPREV, administrado pela Secretaria de Políticas de
Previdência Social - SPS, do Ministério da Previdência Social - MPS.
Parágrafo único. No CADPREV constarão os dados e a situação do RPPS que será divulgada em
extrato previdenciário resumido, disponível para consulta no endereço eletrônico do MPS na rede
mundial de computadores - Internet.
83
MONITORAMENTOS

572. Conforme mencionado no relatório destas contas, além da constatação


das irregularidades na apreciação dos atos de governo do município, a equipe de
auditoria realizou monitoramento das determinações e recomendações dirigidas à
gestão do Município de Chapada dos Guimarães, observando a seguinte postura da
gestora:

EXERCÍCIO Nº PROCESSO PARECER DT PARECER RECOMENDAÇÃO SITUAÇÃO VERIFICADA

2017 172650/2017 41/2019 28/02/2019 Declarou a nulidade do Parecer nº


--- 121/2018.
2017 172650/2017 121/2018 18/12/2018 Foi declarada a sua nulidade
pelo Acórdão nº 41/2019.

84
2016 258830/2015 139/2017 19/12/2017 1) observe rigorosamente o 1) Recomendação não atendida,
limite imposto pelo artigo 29-A conforme informado no tópico 7.5;
da Constituição Federal e ainda 2) Este item não foi objeto de
adverte-se sobre a análise no exercício de 2018; 3)
essencialidade de não repetir Recomendação não atendida,
essa irregularidade nas conforme informado no tópico 8.2;
próximas gestões; 2) promova 4) Recomendação não atendida,
o efetivo controle do equilíbrio conforme informado no tópico
fiscal das contas do município, 6.2.1.1; 5) Recomendação
cumprindo o disposto na lei atendida, conforme informado no
quanto à destinação e tópico 5.1.3.1; 6) Recomendação
vinculação dos recursos, nos não atendida, conforme informado
termos do parágrafo único do no tópico 7.4.2.1; 7) Este item não
art. 8º da LRF; 3) cumpra as foi objeto de análise no exercício
normas atinentes a publicidade de 2018; 8) Recomendação não
no processo orçamentário e atendida, conforme RNI nº
realize as audiências públicas 153354/2019; 9) Este item não foi
para avaliar o cumprimento das objeto de análise no exercício de
metas fiscais, observando, 2018.
ainda, a obrigatoriedade da
periodicidade quadrimestral
exigida no art. 9, § 4º, da LRF;
4) promova ação planejada e
transparente, a fim de se
garantir disponibilidade
financeira suficiente ao final do
exercício financeiro para o
cumprimento das obrigações
de curto prazo, evitando,
assim, prejuízos a
sustentabilidade fiscal do
Município; 5) observe o artigo
167, incisos II e V, da
Constituição Federal e o artigo
43 da Lei nº 4.320/1964 e
abstenha-se de proceder a
abertura de créditos adicionais
sem a efetiva existência de
superávit financeiro;
6) adote, imediatamente, as
providências elencadas nos
artigos 22 e 23 da Lei de
Responsabilidade Fiscal,
visando reduzir a despesa total
com pessoal para abaixo do
limite de 54% da RCL; 7)
cumpra as normas atinentes a
transparência das contas
públicas, disponibilizando para
consulta do cidadão as contas
anuais do exercício em
obediência ao disposto no
artigo 49 da Lei de
Responsabilidade Fiscal; 8)
realize as publicações dos
Relatórios Resumidos de
Execução Orçamentária e de
Gestão Fiscal dentro do prazo
legal, em respeito ao artigo 37
da Constituição Federal e à Lei
de Responsabilidade Fiscal; 9)
adote medidas eficazes, a fim
de aperfeiçoar o planejamento
e a execução de políticas
públicas na área da educação
e saúde,
visando uma mudança positiva
na situação avaliada por este
Tribunal nestas contas, cujos
resultados deverão ser
comprovados quando da
apreciação das contas de
governo relativas aos próximos
85
exercícios, especialmente com
relação aos seguintes
indicadores: na educação: a)
Taxa de cobertura potencial na
Educação Infantil (0 a 6 anos)
(2015);
b) Taxa de reprovação - rede
municipal - até a 4ª série/5º
ano EF (2015); c) Proporção
de escolas municipais com
nota na Prova Brasil
(Matemática 4ª série/5º ano)
inferior à média do Brasil
(2015); e, d) Proporção de
escolas municipais com nota
na Prova Brasil (Português 4º
série/5º ano) inferior à média
do Brasil (2015); na saúde: a)
Taxa de mortalidade neonatal
precoce
(2014); b) Taxa de mortalidade
infantil
(2014); e, c) Taxa de
mortalidade por doenças do
aparelho circulatório - doença
cérebro-vascular (2014).

Fonte: Relatório Técnico (Documento Digital nº 195753/2019, fls. 44-46).

573. Da análise do quadro acima, verifica-se que a análise ficou prejudicada


com relação ao exercício mencionado.

SUPERÁVIT/DÉFICIT ORÇAMENTÁRIO

86
Resultado da arrecadação orçamentária – Quociente de Execução da Receita
(QER)

574. O QER tem por objetivo verificar se no decorrer do exercício ocorreu


excesso de arrecadação. Logo, se o indicador for maior que 1 (um), houve excesso de
arrecadação; se for menor que 1 (um), houve déficit de arrecadação.

RECEITA ORÇAMENTÁRIA

Quociente de Execução da Receita


A Receita Líquida Prevista – Exceto intraorçamentária R$ 55.268.778,00
Receita Líquida Arrecadada – Exceto
B R$ 53.935.610,16
intraorçamentária
QER B/A 0,97
Fonte: Relatório Técnico - Documento Digital nº 195753/2019, fl.1 21.

575. O resultado acima demonstra que a receita arrecadada foi menor que a
prevista, gerando um déficit de arrecadação no montante de R$ 1.333.167,84 (um
milhão e trezentos e trinta e três mil e cento e sessenta reais e oitenta e quatro
centavos). Assim, para cada R$ 1,00 (um real) previsto, a arrecadação foi de R$ 0,97
(noventa e sete centavos).

DEMONSTRATIVO DA RECEITA CONSOLIDADA

576. Conforme observado pela Secretaria de Controle Externo de Receita e


Governo (Secex), para o exercício de 2018, a receita total prevista após as deduções
e considerando inclusive a intraorçamentária foi de R$ 57.677.978,00 (cinquenta e sete
milhões e seiscentos e setenta e sete mil e novecentos e setenta e oito reais), sendo
arrecadado o montante de R$ 55.297.538,19 (cinquenta e cinco milhões e duzentos e
noventa e sete mil e quinhentos e trinta e oito reais e dezenove centavos), conforme
quadro abaixo:
PREVISÃO ATUALIZADA VALOR ARRECADADO % DA ARRECADAÇÃO S/
ORIGEM
R$ R$ PREVISÃO
I - RECEITAS CORRENTES (Exceto Intra) R$ 55.937.628,00 R$ 58.353.131,32 104,31%
Receita de Impostos, Taxas e Contribuição de
R$ 6.413.400,00 R$ 8.739.954,54 136,27%
Melhoria
Receita de Contribuições R$ 1.889.200,00 R$ 1.987.916,09 105,22%

87
Receita Patrimonial R$ 336.100,00 R$ 187.031,47 55,64%
Receita Agropecuária R$ 0,00 R$ 0,00 0,00%
Receita Industrial R$ 0,00 R$ 0,00 0,00%
Receita de Serviços R$ 4.001.678,00 R$ 2.381.102,06 59,50%
Transferências Correntes R$ 43.202.250,00 R$ 44.933.462,21 104,00%
Outras Receitas Correntes R$ 95.000,00 R$ 123.664,95 130,17%
II - RECEITAS DE CAPITAL (Exceto Intra) R$ 3.979.500,00 R$ 769.480,00 19,33%
Operações de Crédito R$ 0,00 R$ 0,00 0,00%
Alienação de Bens R$ 0,00 R$ 0,00 0,00%
Amortização de Empréstimos R$ 0,00 R$ 0,00 0,00%
Transferências de Capital R$ 2.929.500,00 R$ 769.480,00 26,26%
Outras Receitas de Capital R$ 1.050.000,00 R$ 0,00 0,00%
III – RECEITA BRUTA (Exceto Intra) R$ 59.917.128,00 R$ 59.122.611,32 98,67%
IV - DEDUÇÕES DA RECEITA -R$ 4.648.350,00 -R$ 5.187.001,16 111,58%
Deduções para o FUNDEB -R$ 4.648.350,00 -R$ 4.855.768,69 104,46%
Renúncias de Receita R$ 0,00 -R$ 323,48 0,00%
Outras Deduções R$ 0,00 -R$ 330.908,99 0,00%
IV - RECEITA LÍQUIDA (exceto Intraorçamentária) R$ 55.268.778,00 R$ 53.935.610,16 97,58%
V - Receita Corrente Intraorçamentária R$ 2.409.200,00 R$ 1.361.928,03 56,53%
VI - Receita de Capital Intraorçamentária R$ 0,00 R$ 0,00 0,00%
TOTAL GERAL R$ 57.677.978,00 R$ 55.297.538,19 95,87%
Fonte: Relatório Técnico - Documento Digital nº 195753/2019, fl. 66.

577. Ao examinar a série histórica das receitas orçamentárias do Município no


período de 2014/2018, verifica-se que a análise ficou prejudicada, considerando que as
contas de 2017 ainda não foram analisadas, conforme demonstrado no quadro a
seguir:

Origens das Receitas 2014 2015 2016 2017 2018

RECEITAS
R$ 43.014.168,51 R$ 42.301.576,65 R$ 52.683.357,55 R$ 0,00 R$ 58.353.131,32
CORRENTES (Exceto
intra)
Receitas de Impostos,
Taxas e Contrib. de R$ 4.668.512,84 R$ 3.616.012,12 R$ 5.548.929,84 R$ 0,00 R$ 8.739.954,54
Melhoria
Receita de
R$ 1.073.071,16 R$ 1.499.265,32 R$ 1.355.016,02 R$ 0,00 R$ 1.987.916,09
Contribuição
Receita Patrimonial R$ 313.868,74 R$ 505.154,20 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 187.031,47
Receita Agropecuária R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00
Receita Industrial R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00
Receita de serviço R$ 1.695.267,31 R$ 1.877.774,04 R$ 2.223.665,23 R$ 0,00 R$ 2.381.102,06
Transferências
R$ 34.004.953,49 R$ 33.232.419,52 R$ 42.337.692,29 R$ 0,00 R$ 44.933.462,21
Correntes

88
Outras Receitas
R$ 1.258.494,97 R$ 1.570.951,45 R$ 1.218.054,17 R$ 0,00 R$ 123.664,95
Correntes
RECEITAS DE
CAPITAL (Exceto R$ 2.288.296,72 R$ 340.390,19 R$ 103.259,62 R$ 0,00 R$ 769.480,00
intra)
Operações de crédito R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00
Alienação de bens R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00
Amortização de
R$ 0,00 R$ 19.774,58 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00
empréstimos
Transferências de
R$ 2.288.296,72 R$ 320.615,61 R$ 103.259,62 R$ 0,00 R$ 769.480,00
capital
Outras receitas de
R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00
capital
TOTAL DAS
RECEITAS (Exceto R$ 45.302.465,23 R$ 42.641.966,84 R$ 52.786.617,17 R$ 0,00 R$ 59.122.611,32
Intra)
DEDUÇÕES -R$ 4.401.429,51 -R$ 3.533.972,16 -R$ 4.424.889,45 R$ 0,00 -R$ 5.187.001,16
RECEITA LÍQUIDA
R$ 40.901.035,72 R$ 39.107.994,68 R$ 48.361.727,72 R$ 0,00 R$ 53.935.610,16
(Exceto Intra)
Receita Corrente
R$ 2.677.043,94 R$ 0,00 R$ 1.577.392,67 R$ 0,00 R$ 1.361.928,03
Intraorçamentária
Receita de Capital
R$ 0,00 R$ 1.130.405,49 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00
Intraorçamentária
Total das Receitas
Orçamentárias e R$ 43.578.079,66 R$ 40.238.400,17 R$ 49.939.120,39 R$ 0,00 R$ 55.297.538,19
Intraorçamentárias
Receita Tributária
R$ 5.751.719,07 R$ 5.605.825,20 R$ 6.722.074,02 R$ 7.501.564,92 R$ 8.408.057,52
Própria
% de Receita Tributária
Própria em relação ao
13,37% 13,25% 12,75% 0,00% 14,40%
total da receita
corrente
Fonte: Relatório Técnico - Documento Digital nº 195753/2019, fls. 16-17.

RECEITA TRIBUTÁRIA PRÓPRIA

578. Outro ponto importante que sobressai do quadro acima diz respeito à
relação entre a receita tributária própria e o total de receitas correntes
arrecadadas. Essa relação, calculada descontando-se a contribuição ao Fundeb,
atingiu o percentual de 14,40 %.

INVESTIMENTOS NA EDUCAÇÃO

579. Com relação aos investimentos na área da educação no Município,


verifica-se que o valor aplicado foi de R$ 9.951.029,11 (nove milhões e novecentos e
89
cinquenta mil e vinte e nove reais e onze centavos), que correspondeu a 31,80 % da
receita base de R$ 31.292.206,40 (trinta e um milhões e duzentos e noventa e dois mil
e duzentos e seis reais e quarenta).

580. Acerca dos recursos do Fundeb, constatou-se uma arrecadação de


R$ 8.456.099,28 (oito milhões e quatrocentos e cinquenta e seis mil e noventa e nove
reais e vinte e oito centavos). Desse montante, foram destinados R$ 7.049.233,67 (sete
milhões e quarenta e nove mil e duzentos e trinta e três reais e sessenta e sete
centavos) para a remuneração e valorização dos profissionais do magistério – ensinos
infantil e fundamental, o que correspondeu a 83,36 % da receita do Fundo.

581. Abaixo, os quadros com o demonstrativo das aplicações na área da


educação e recursos do Fundeb destinados à remuneração e à valorização dos
profissionais do magistério desde 2014:

HISTÓRICO - APLICAÇÃO NA EDUCAÇÃO (art. 212 CF) - Limite Mínimo fixado 25 %


ANO 2014 2015 2016 2017 2018
Aplicado - % 29,62 % 0,00 % 33,38 % 0,00 % 31,80 %

HISTÓRICO – REMUNERAÇÃO DO MAGISTÉRIO - Limite Mínimo fixado 60 %


ANO 2014 2015 2016 2017 2018
Aplicado - % 76,33 % 0,00% 135,14 % 0,00 % 83,36 %
Fonte: Relatório Técnico - Documento Digital nº 195753/2019, fls. 31-32.
Os valores zerados referem-se às contas que não foram apreciadas.

INVESTIMENTOS NA SAÚDE

582. Com relação aos investimentos na área da saúde no Município, verifica-


se que, em 2018, a gestão aplicou nesta área o percentual de 36,06 % da receita
vinculada, o que corresponde a R$ 11.284.335,79 (onze milhões e duzentos e oitenta e
quatro mil e trezentos e trinta e cinco reais e setenta e nove centavos), tomando como
base de cálculo o valor de R$ 31.292.206,40 (trinta e um milhões e duzentos e noventa
e dois mil e duzentos e seis reais e quarenta centavos).

583. Abaixo, segue o quadro com o demonstrativo das aplicações na área da


saúde desde 2014.

90
HISTÓRICO - APLICAÇÃO NA SAÚDE - Limite Mínimo Fixado 15 %

ANO 2014 2015 2016 2017 2018


Aplicado - % 15,90 % 0,00 % 29,98 % 0,00 % 36,06 %
Fonte: Relatório Técnico - Documento Digital nº 195753/2019, fl. 33.
Os valores zerados referem-se às contas que não foram apreciadas.

DESPESA TOTAL COM PESSOAL DO PODER EXECUTIVO

584. Nos moldes do cálculo realizado pela equipe de auditoria, constatou-se


que a gestão municipal gastou com pessoal do Executivo 60,24 % da Receita Corrente
Líquida (RCL) de R$ 51.345.042,92 (cinquenta e um milhões e trezentos e trezentos e
quarenta e cinco mil, quarenta e dois reais e noventa e dois centavos), desobedecendo
ao limite previsto pelo art. 20, inciso III, da Lei de Responsabilidade Fiscal, em
descumprimento do limite máximo de 54 %, conforme quadro abaixo:

LIMITES COM PESSOAL – LRF


ANO 2014 2015 2016 2017 2018
Limite máximo Fixado - Poder Executivo 54%
Aplicado - % 58,19% 0,00 % 56,53 % 0,00 60,24 %
Limite máximo Fixado - Poder legislativo 6%
Aplicado - % 2,92 % 0,00 % 2,59 % 0,00 % 2,98 %
Limite máximo Fixado – Município 60%
Aplicado - % 61,11 % 0,00 % 59,12 % 0,00 % 63,22 %
Fonte: Relatório Técnico - Documento Digital nº 195753/2019, fl. 34.
Os valores zerados referem-se às contas que não foram apreciadas.

REPASSES AO PODER LEGISLATIVO

585. Verificou-se que no exercício foram repassados ao Poder Legislativo


Municipal o total de R$ 2.221.835,64 (dois milhões e duzentos e vinte e um mil,
oitocentos e trinta e cinco reais e sessenta e quatro centavos), o que representou
7,06 % da Receita Base de R$ 31.467.710,35 (trinta e um milhões e quatrocentos e
sessenta e sete mil e setecentos e dez reais e trinta e cinco centavos). Assim, os
repasses foram superiores aos limites definidos no art. 29-A da Constituição Federal.

91
586. Além disso, os repasses ao Poder Legislativo ocorreram até o dia 20 de
cada mês (art. 29-A, § 2º, inc. II, CF/1988).

587. Abaixo, segue o quadro demonstrativo com a série histórica dos repasses
ao Poder Legislativo do Município de Chapada dos Guimarães/MT:

REPASSE PARA O LEGISLATIVO


ANO 2014 2015 2016 2017 2018
Percentual máximo fixado 7,00 %
Aplicado - % 7,03 % 0,00 % 7,09 % 0,00 % 7,06 %
Fonte: Relatório Técnico - Documento Digital nº 195753/2019, fl. 39.
Os valores zerados referem-se às contas que não foram apreciadas.

DOS LIMITES CONSTITUCIONAIS

588. Da análise dos limites constitucionais e infraconstitucionais, foi constatado


o cumprimento parcial da legislação vigente ante o levantamento dos seguintes dados:

a) o Poder Executivo gastou com pessoal o equivalente a 60,24 % da


Receita Corrente Líquida (RCL), não obedecendo ao limite previsto pelo art. 20, inciso
III, alínea “b”, da Lei de Responsabilidade Fiscal;

b) o Município destinou 36,06 % da receita vinculada para as ações e


serviços públicos de saúde, observando o disposto no art. 77, inciso III, Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), da CF/1988;

c) a gestão destinou 31,80 % da receita vinculada para a manutenção e


desenvolvimento do ensino, em respeito ao que dispõe o art. 212 da CF/1988;

d) em relação aos recursos do Fundeb, o Município destinou 83,36 % da


respectiva receita na valorização do magistério, assegurando o cumprimento do
percentual mínimo estabelecido nos arts. 60, inciso XII, ADCT, e 22 da Lei nº
11.494/2007;

92
e) o Poder Executivo repassou ao Poder Legislativo o correspondente a
7,06 % da receita legalmente prevista, desrespeitando o limite autorizado pelo art. 29-A
da CF/1988.

589. Logo, verifica-se que a gestão do Município não respeitou todos os limites
constitucionais, sobretudo aqueles relativos aos gastos com pessoal, o que contribui
para a emissão de parecer prévio contrário das contas ora analisadas.

ANÁLISE GLOBAL DAS CONTAS DE GOVERNO DE 2018

590. É válido sublinhar que a Secex de Receita e Governo identificou a


ocorrência de irregularidades gravíssimas e graves relacionadas a limites
constitucionais, gestão financeira, planejamento, prestação de contas e previdência.

591. A Secex de Previdência, por sua vez, constatou que o município não
repassou as contribuições patronais e do servidor dos meses de agosto, setembro e
dezembro/2018 (irregularidades DA07 e DA05). Já dos meses de janeiro, fevereiro,
abril, junho, julho, outubro e novembro/2018 foram pagas a menor, o que desencadeou
o pagamento de juros moratórios pela gestão.

592. Verificou-se também que o certificado de regularidade Previdenciária –


CRP encontra-se expirado e que o município se encontra inadimplente em relação aos
parcelamentos realizados junto ao sistema CADPREV (irregularidade DB09), o que
acarretou a cobrança de juros, multas e atualizações no valor de R$ 339.018,34
(trezentos e trinta e nove mil e dezoito reais e trinta e quatro centavos).

593. Convém mencionar ainda que, a partir de uma análise global, o município
apresentou resultados satisfatórios nas áreas de educação e de saúde pública, pois,
conforme se ressai dos autos, os limites mínimos a serem aplicados foram
devidamente respeitados.

594. Entretanto, não houve respeito aos limites de gastos com pessoal e com a
Câmara Legislativa, incidindo nas irregularidades gravíssimas sob as siglas AA04 e
93
AA05. Além disso, quanto à gestão fiscal e orçamentária, verifica-se que o Município
não se manteve dentro do quadro esperado, em desrespeito às normas de
responsabilidade fiscal, fazendo-se importante destacar que as despesas ocorreram
acima do montante de recurso arrecadado, o que acarretou a irregularidade DA02 –
item 3.

595. Ademais, ressalta-se a ausência de planejamento, em razão da abertura


créditos adicionais por excesso de arrecadação sem a existência de recursos efetivos,
além do atraso de 59 (cinquenta e nove) dias no envio da prestação de contas.

596. Por todo o exposto, considerando que as irregularidades remanescentes


possuem o condão de macular as contas em questão, uma vez que houve desrespeito
aos ditames constitucionais e legais que regulam a atividade político-administrativa e a
manutenção de irregularidades de natureza gravíssimas, tais como AA04 – item 1,
AA05 – item 2, DA02 – item 3, DA05 – item 2, DA07 – item 2, entendo pela emissão de
parecer prévio contrário à aprovação das Contas Anuais de Governo da
Prefeitura Municipal de Chapada dos Guimarães, referentes ao exercício de 2018,
com determinações e recomendações.

DISPOSITIVO

597. Diante do exposto, acolho parcialmente o Parecer Ministerial nº


5.605/2019, subscrito pelo Procurador de Contas Getúlio Velasco Moreira Filho e, com
fundamento nos arts. 31, 71 e 75 da CF/1988, nos arts. 206 e 210 da Constituição
Estadual, no art. 26 da Lei Complementar Estadual nº 269/2007 e no art. 29, inciso I,
da Resolução Normativa nº 14/2007-TCE-MT, voto pela emissão de PARECER
PRÉVIO CONTRÁRIO À APROVAÇÃO das Contas Anuais de Governo do exercício de
2018 da PREFEITURA MUNICIPAL DE CHAPADA DOS GUIMARÃES, sob a
responsabilidade da Sra. Thelma Pimentel Figueiredo de Oliveira.

598. Voto também pelo afastamento da irregularidade classificada como


FB13; do item 6.1 da irregularidade FB02; do item 9.1 da irregularidade classificada

94
como FB99 e dos itens 4.1, 4.2 e 4.3 da irregularidade classificada como DB08 do
processo principal;

599. Voto ainda para expedir as seguintes determinações à Chefe do Poder


Executivo Municipal para que:

a) adote providências para redução dos gastos de pessoal, nos


termos do art. 22 da Lei de Responsabilidade Fiscal e art. 169 da Constituição Federal
(Irregularidade nº 1 – Relatório da Secex de Receita e Governo);

b) respeite o limite máximo constitucional para repasse ao Poder


Legislativo previsto no art. 29-A da Constituição Federal (Irregularidade nº 2 –
Relatório da Secex de Receita e Governo);

c) realize as despesas da entidade ao estrito limite da arrecadação


proporcionada por suas receitas, de forma a evitar déficits nas suas demonstrações
econômico-financeiras, tendo em vista a necessária obediência ao princípio
orçamentário do equilíbrio, bem como aos art. 48, “b”, da Lei nº 4.320/1964 e às
diretrizes estabelecidas no artigo 9º da Lei de Responsabilidade Fiscal. (Irregularidade
nº 3 – Relatório da Secex de Receita e Governo);

d) realize as audiências públicas durante os processos de elaboração


e discussão do Plano Plurianual (PPA), da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da
Lei Orçamentária Anual (LOA), nos termos do art. 48, § 1º, inciso I, da LRF
(Irregularidade nº 4 – Relatório da Secex de Receita e Governo);

e) cumpra as metas do Resultado Primário estabelecidas na LDO e,


na impossibilidade de cumpri-las, adote as medidas de contingenciamento de
despesas, em respeito ao disposto no art. 9º da LRF e ainda, nos termos do art. 22,
§ 1º, da LOTCE/MT, recomendo que realize adequado estudo e planejamento na
fixação da meta de Resultado Primário presente no Anexo de Metas Fiscais.
(Irregularidade nº 5 – Relatório da Secex de Receita e Governo);

95
f) promova a abertura de créditos adicionais mediante prévia
autorização legal, devendo a mencionada abertura ser compatível com o PPA e a LDO,
conforme preconizado pelos arts. 165, § 7º, e 166, § 3º, inciso I, ambos da CF/1988,
bem como para que na Lei Orçamentária seguinte estabeleça autorização para
abertura de créditos adicionais em percentual não superior a 15 % do total de despesas
fixadas para o exercício (Irregularidade nº 6 – Relatório da Secex de Receita e
Governo);

g) realize acompanhamento efetivo e pleno da receita, mês a mês, de


modo a saber se está sendo incrementada ou não, em confronto com as despesas que
estão sendo realizadas e suportadas pelos créditos adicionais autorizados, e que estes
sejam abertos somente se existirem recursos disponíveis para tanto, conforme
preconizam o art. 167, incisos II e V, da CF/1988 e o art. 43, caput e § 1º, da Lei nº
4.320/1964 (Irregularidade nº 7 – Relatório da Secex de Receita e Governo);

h) envie, dentro do prazo designado pela legislação, via Sistema


Aplic, as Contas Anuais de Governo ao TCE/MT, cumprindo o determinado no inciso IV
do art. 1º da Resolução Normativa TCE nº 36/2012 e no art. 209 da Constituição do
Estado de Mato Grosso (Irregularidade nº 11 – Relatório da Secex de Receita e
Governo);

i) em relação às irregularidades constantes do Relatório de


Previdência DA05, item 2.1 (Não-recolhimento das cotas de contribuição previdenciária
do empregador à instituição de previdência), e DA07, item 2.1 (Não-recolhimento das
cotas de contribuição previdenciária descontadas dos segurados à instituição devida),
determinação à Chefe do Poder Executivo Municipal para que promova o
adimplemento das contribuições previdenciárias devidas ao RPPS, bem como adote
providências para manter as contribuições relativas ao RPPS em dia;

j) em relação à irregularidade constante do Relatório de Previdência


DB09 (item 2.2) determinação para a instauração de Tomada de Contas Ordinária
para apurar a legítima responsabilidade e quantificar o devido valor acerca da
ocorrência de juros, multas e atualizações pagos pela inadimplência no pagamento da

96
contribuição patronal, especificamente a ausência de pagamento de parcelas dos
Acordos: nº 0033/2011, nº 0406/2009, nº 0035/2011, nº 01786/2013, nº 01793/2013, nº
01787/2013 e nº 01035/2014;

k) em relação à irregularidade constante do Relatório de Previdência


classificada como LB05 (item 2.3), determinação à Chefe do Poder Executivo para
que providencie a regularização do Certificado de Regularidade Previdenciária nos
termos prescritos na Lei Federal nº 9.717/1998 e no art. 8º da ON-MPS/SPS nº 2, de
31/3/2009.

600. Por fim, considerando os indícios do delito de apropriação indébita


previdenciária, previsto no art. 168-A do Código Penal (irregularidade 2.1 do relatório
da Secex de Previdência), determino o encaminhamento de cópia integral dos
presentes autos ao Ministério Público Estadual, conforme os termos do art. 196 do
Regimento Interno do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (RI-TCE/MT) para
análise e providências.

É como voto.

Cuiabá/MT, 18 de dezembro de 2019.

(assinatura digital)1
JOÃO BATISTA DE CAMARGO JÚNIOR
Conselheiro Interino
(Portaria nº 127/2017, DOC TCE/MT, de 18/09/2017)

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