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FFI 119 – Mecânica Quântica I

Lista 1

1. Exercı́cios sobre a revisão de Fı́sica Moderna:

(i) Na radiação de corpo negro, a energia correspondente à radiação eletro-


magnética de frequência ν é proporcional ao número de modos de vibração na
cavidade (incluindo um fator dois para os modos de polarização circular da luz)
vezes a energia média por modo de frequência ν, que seria dada por kT no
caso clássico. Calcule a energia média no caso quântico, supondo que ela seja
dada pela média termodinâmica da energia de um sistema contendo um número
variável (inteiro, de zero a infinito) de fótons de frequência ν. Dica: a probabi-
lidade do estado com n fótons será proporcional a exp(−nhν/kT ).
(ii) Obtenha as expressões para o raio, a velocidade e a energia na n-ésima órbita do
átomo de Bohr, partindo da regra de quantização mrv = nh̄ e identificando
a força centrı́peta para o movimento circular uniforme com a força coulombiana
no átomo de hidrogênio, i.e. mv 2 /r = e2 /r2 , onde e2 ≡ qe2 /4π0 . Demonstre que
a frequência do fóton emitido na transição da órbita n para a n − 1 tende à
frequência de rotação do elétron na órbita n no limite de n grande.
(iii) Utilizando as relações de de Broglie para a partı́cula (em uma dimensão) de
energia E e momento p, i.e. ω = E/h̄ e k = p/h̄, obtenha a velocidade de grupo
vg de um pacote de ondas planas de diferentes frequências
Z
ψ(x, t) = dk g(k) ei[kx−w(k)t] ,

com pico em k0 . Compare vg à velocidade de uma partı́cula de momento p = h̄k0 ,


tanto no caso não-relativı́stico quanto no relativı́stico.

2. A interpretação probabilı́stica para o módulo quadrado da função de onda ψ(~r, t) é


reforçada pela existência de uma equação de continuidade relacionando a variação
temporal da densidade de probabilidade ρ(~r, t) ≡ |ψ(~r, t)|2 à divergência de uma
“corrente de probabilidade” J(~ ~ r, t)

∂ρ(~r, t) ~ r, t) = 0 .
+ ∇ · J(~
∂t
(De fato, quando integrada, a equação implica que a probabilidade total ρ(~r, t) d3 r
R

é constante, i.e. os estados ψ(~r, t) devem ser de quadrado integrável e a probabilidade


associada pode ser normalizada a 1.)
Mostre que a equação acima pode ser obtida a partir da Equação de Schrödinger e
~ r, t).
determine a corrente de probabilidade J(~
3. Idem para a Equação de Klein-Gordon, obtida de maneira análoga à Equação de
Schrödinger, mas fazendo a substituição dos operadores momento e energia utilizando
a relação energia-momento no caso relativı́stico. (Neste caso, obtém-se realmente uma
equação de onda.) Você vê algum problema para a interpretação probabilı́stica de
ρ(~r, t) neste caso?

4. Considere o caminho aleatório, ou andar do bêbado, em uma dimensão. A cada


instante de tempo discreto i o bêbado dá um passo para frente ou para trás com
igual probabilidade. Seja x a posição do bêbado, τ o intervalo entre dois instantes
de tempo consecutivos (i.e., t = i τ ) e d o comprimento de cada passo (i.e., x = i d).
Demonstre que — no limite de τ e d infinitesimais, tomando-se uma relação fixa
apropriada entre as duas grandezas — a equação para a probabilidade de encontrar
o bêbado na coordenada x no tempo t toma a forma de uma equação de difusão
∂P (x, t) ∂ 2 P (x, t)
= D .
∂t ∂x2
Qual a constante de difusão D? O que se pode dizer em comparação com a equação
de Schrödinger?

5. Um elétron é descrito pela função de onda


(
0 para x < 0
ψ(x) = −x −x ,
C e (1 − e ) para x > 0

onde C é uma constante real.

(i) Determine o valor de C que normaliza ψ(x).


(ii) Onde é mais provável encontrar o elétron?
(iii) Calcule a posição média do elétron hxi. Compare esse resultado com a posição
mais provável calculada acima, e comente sobre a diferença.

6. Considere a descrição de uma partı́cula instável (em uma dimensão), que se desin-
tegrará espontaneamente com vida média τ . Nesse caso a probabilidade total de
encontrar a partı́cula no eixo x não será constante, devendo diminuir exponencial-
mente como Z +∞
P(t) = |ψ(x, t)|2 dx = e−t/τ .
−∞
Uma maneira de se obter esse resultado é considerando a equação de Schrödinger com
um potencial V complexo, dado por V (x) = V0 (x) − iΓ, com V0 (x) e Γ reais. Calcule
P(t) nesse caso, obtendo a vida média τ em termos de Γ.

7. Exercı́cio 2 do primeiro capı́tulo do Cohen-Tannoudji, vol. I (Complemento KI ).

8. Exercı́cio 6 do primeiro capı́tulo do Cohen-Tannoudji, vol. I (Complemento KI ).