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APRESENTAÇÃO

A Associação dos Oficiais de Justiça do Distrito


Federal – AOJUS/DF, entidade que congrega os
oficiais do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO
FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS, tem a honra de
apresentar este livreto com informações importantes a
respeito da atividade desenvolvida pelos oficiais de
justiça federais, profissionais encarregados do
cumprimento das ordens judiciais, objetivando instruir
e esclarecer os prepostos de Condomínios verticais e
horizontais do Distrito Federal sobre sua co-
responsabilidade social na efetivação das decisões
judiciais.

Na primeira parte do livreto, apresentamos algumas


informações de fácil entendimento dirigida
imediatamente aos funcionários das portarias e, ao
final, esclarecemos de forma mais abrangente sobre a
postura que os agentes do Condomínio,
administradores e síndicos devem adotar nas hipóteses
de se depararem com o oficial de justiça.

Solicitamos que este livreto seja distribuído aos


porteiros e aos seguranças do Condomínio para
conhecimento. Desde logo, colocamo-nos à disposição
para sanar quaisquer dúvidas.

Alexandre Mesquita
Presidente da AOJUS-DF
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Sr. Funcionário, fique atento:

01 - Os oficiais de justiça são representantes da Justiça,


não se confundem com as partes e atuam em estrito
cumprimento às leis do país, devendo estar
devidamente identificados com a carteira de
identificação funcional expedida pelo Tribunal;

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02 - Normas internas do Condomínio não se
sobrepõem às determinações judiciais, ou seja, aos
mandados judiciais, que são ordens derivadas de leis e
da própria Constituição;

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03 - Via de regra, o horário estabelecido em lei para
cumprimento das ordens judiciais é das 06 às 20 horas,
contudo, quando se trata de mandados criminais,
ou quando há autorização judicial expressa, o
mandado pode ser cumprido a qualquer hora;

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04 - Nenhum morador pode determinar horário para
cumprimento de ordem judicial;

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05 - No cumprimento de mandados judiciais, os
oficiais de justiça não podem ter negado o acesso às
áreas comuns do condomínio, nem tal entrada pode
ser condicionada à autorização do morador a ser
intimado, notificado ou citado;

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06 – Ao cumprirem ordens de reintegração de bens
móveis, busca e apreensão de bens e pessoas e outros
semelhantes, a fim de evitar que a parte se furte à
ordem judicial, o oficial de justiça pode determinar
que ela não seja contatada e seu descumprimento
pode configurar crime de favorecimento pessoal;

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07 – O oficial de justiça é responsável pela efetivação
da diligência, cabendo-lhe estabelecer como e
quando o mandado será cumprido;

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09 - Negar informações solicitadas pelos oficiais de
justiça, prestar informações falsas, tentar impedir ou
retardar a entrada de oficial de justiça portador de
ordem judicial, exigir informações sigilosas como
condicionante para ingresso ou condicionar o ingresso
do oficial a determinados dias ou horários, ou à
autorização de morador, etc., são condutas, que
configuram crime, se praticadas por funcionários
de condomínios.

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Cumprimento de
ordens judiciais em
condomínios

PARA SABER MAIS


SOBRE O ASSUNTO

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AOS SÍNDICOS E ADMINISTRADORES
DE CONDOMÍNIOS

Diante de reiteradas comunicações dos oficiais de


justiça em atividade no Distrito Federal, dando conta
de que os empregados em serviço nas portarias de
diversos condomínios estão obstaculizando o
cumprimento de ordens judiciais, vimos, por meio da
presente, informar e pedir a colaboração para o
seguinte:
Os síndicos e seus prepostos nos condomínios,
exercem uma atividade que os deixam muito próximos
da comunidade e, por esta razão, devem colaborar com
a realização da justiça em benefício da coletividade e
da ordem social. Ante a atuação do Judiciário,
representado pelo oficial de justiça, em cumprimento
das ordens judiciais, essa colaboração é de
fundamental importância para que se cumpram as
determinações e se reveste de benefícios para os
próprios moradores do condomínio e da região.
As normas internas, regimentais, condominiais,
pactuais, convencionais ou de qualquer espécie, todas
de natureza infralegal (de hierarquia inferior à lei),
não têm o condão de se contrapor e revogar
determinações judiciais, que decorrem de normas
(leis) abstratas e cogentes (obrigatórias a todos).

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Os oficiais de justiça e sua função

Os oficiais de justiça são serventuários da Justiça,


servidores públicos investidos na função, em cargo
efetivo, mediante concurso público. A maioria é pós-
graduada em direito e especialistas no cumprimento de
medidas constritivas.São todos prepostos do juízo que
determinou a ordem, materializada pelo mandado
judicial que portam. São todos a ponta de lança da
justiça, representando e fazendo cumprir as ordens
emanadas pelo Judiciário.
Representam o Judiciário , são o longa manus dos
juízes, ou seja, são eles os próprios juízes executantes
na rua, assim, frustrar ou tentar impedir a execução da
ordem judicial afronta diretamente ao juízo que
determinou seu cumprimento e se consubstancia em
prática de crime.
Os oficiais de justiça agem em observância à lei do
país, cujos atos estão submetidos ao poder correcional
do TJDFT e do juízo emissor da ordem cumprida,
mediante provocação do prejudicado em processo
administrativo próprio ou judicial.
Cabe ao juiz e à lei, determinar e autorizar a forma
e o horário de cumprimento dos mandados judiciais. É
importante esclarecer que o horário previsto em lei,
para cumprimento das ordens compreende das 06 h
até 20 h, de segunda a sábado (mandados judiciais
expedidos em processos penais não se submetem a
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horário para cumprimento). Todavia, a lei também
permite o cumprimento em horário especial, que neste
caso, poderá ser a qualquer hora, desde que autorizado
pelo juiz do processo. Logo, norma interna de
condomínio, empregado de portaria ou qualquer outra
pessoa NÃO poderá impor hora para cumprimento da
ordem judicial.
Insatisfações quanto aos horários de cumprimento
do mandado são matérias de defesa da parte
diretamente interessada, não cabendo ao condomínio
suscitar irregularidade ou obstar o cumprimento da
determinação judicial.
Os oficiais de justiça têm poder coercitivo e de
polícia para realizar o cumprimento do mandado. Este
poder é fiscalizado pelo juiz emissor da ordem.

Relação entre os funcionários do condomínio


e os oficiais de justiça

A parceria entre os oficiais de justiça e os valorosos


empregados dos condomínios é, como já mencionado,
de grande valor e, em alguns casos, fundamental para o
cumprimento dos mandados judiciais.
Já foi possível observar que nos condomínios
verticais, em que os seguranças trabalham com
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observância aos preceitos legais, o índice de
inadimplência, ocorrências policiais e medidas
constritivas executadas pelos oficiais de justiça caem
vertiginosamente, chegando a níveis inexpressivos, ao
passo que em condomínios em que se pratica atos de
favorecimento pessoal, o número de ocorrências
aumenta.

Para que o judiciário dê a resposta adequada, com


agilidade, rapidez razoável e efetividade pretendida
pela população em geral, é indispensável que a
sociedade assuma sua cota de responsabilidade,
corroborando com os esforços do judiciário para
reduzir o tempo de duração dos processos. Essa
agilidade depende de um rápido e efetivo cumprimento
das decisões judiciais para que se atinja o padrão de
excelência almejado por todos.

Quanto às condutas de porteiros e


seguranças do condomínio

Reiteradas vezes os representantes dos condomínios


vêm recusando prestar informações sobre o paradeiro,
horários e hábitos dos moradores do endereço, telefone
ou qualquer outro dado útil para a localização do
destinatário da determinação judicial, que tenha
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conhecimento.
Negando-se a consultar lista de moradores para
confirmar se o citando/intimando reside no local.
Impedindo a entrada dos oficiais de justiça nas áreas
comuns, corredores e garagens.
Negando-se a interfonar aos apartamentos para
conferir se o citando/intimando reside no local, e
ainda, pretendendo determinar horário ou forma de
cumprimento do mandado. Prestando informações
falsas ou imprecisas sobre os moradores do
condomínio com dolo (vontade livre e consciente),
objetivando frustrar o cumprimento da ordem judicial.
Exigindo informações sobre o mandado judicial
como condicionante para a entrada em dependências
do condomínio. Há que se observar que tais
informações dizem respeito tão somente ao
destinatário da ordem judicial e que também estão sob
o manto do segredo de justiça (Processos relativos à
vara de família, criminais, Lei Maria da Penha, cíveis
sobre estado de pessoa, busca e apreensões, dentre
outros), por isso não há amparo legal ou fático que
permita a terceiros tomarem conhecimento dos termos
do mandado. Revelar o conteúdo da ordem judicial
somente servirá para satisfazer curiosidade pessoal do
funcionário e de terceiros o que poderá fomentar
desavenças dentro do condomínio e mais demandas
judiciais.
Permitindo a entrada na área comum somente com
certas condições e horários, impostos pelo condomínio
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ou pelo morador que, muitas vezes, procura se ocultar
ao recebimento da comunicação ou à realização da
constrição judicial.
Recusando-se a identificar e receber
citações/intimações decorrentes do art. 227, do C.P.C.
(hora certa) e comunicações judiciais.
Quebrando o sigilo da diligência: mesmo com
expressa determinação em contrário, comunicando ao
morador do endereço, que este pode ser réu em
processo criminal ou destinatário de medidas
constritivas determinadas pela justiça, ou ainda
avisando sobre o ato a ser praticado pelo oficial de
justiça, frustrando assim a efetivação da medida.
É importante salientar que essas atitudes dos
funcionários dificultam e, em alguns casos, impedem o
cumprimento de mandados em ações, muitas vezes, de
interesse do próprio condomínio.
Ao impedir ou dificultar o trabalho dos oficiais de
justiça, o preposto do Condomínio poderá incidir na
prática de crimes.

A ilegalidade nas condutas acima descritas

Dificultar ou obstruir o cumprimento de ordem


judicial, desacatar o oficial de justiça no desempenho
de suas funções e não atender às intimações para
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abertura de portas das áreas comuns, bem como não
apresentar identificação, constituem crimes previstos
nos arts. 330 e 331 do Código Penal.
Os porteiros e seguranças dos condomínios
alegam que obedecem a ordens superiores. Porém,
ressaltamos que essas ordens não excluem a
culpabilidade, porque não se enquadram na previsão
do art. 22, do Código Penal. Esta se dirige a agentes
públicos no cumprimento de ordem legal de superior
hierárquico.
E mais, como já informado acima, essa ordem é
manifestamente ilegal, na medida em que impede a
entrada do portador de uma ordem judicial no
condomínio. Portanto, o funcionário será
responsabilizado juntamente com o emissor da ordem
impeditiva do cumprimento da determinação judicial,
conforme previsto no art. 29, do Código Penal.
Finalmente cumpre acrescentar que ninguém
pode alegar o desconhecimento da lei para se furtar à
responsabilização civil e criminal de seus atos,
conforme Decreto-Lei 4.657/42 e artigo 21 do Código
Penal. Assim, não poderá alegar que desconhece a
ilegalidade de seus atos.
Em face dessas atitudes dos empregados das
portarias, os oficiais de justiça foram orientados a
instruírem os empregados dos diversos condomínios,
antes de tomarem atitudes drásticas como a denúncia
de prática de crime e/ou prisão em flagrante dos
porteiros em serviço no condomínio.

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Como tais condutas continuam sendo praticadas
por alguns funcionários de condomínios no Distrito
Federal, solicitamos a colaboração de vossa senhoria no
sentido de corrigir possíveis desvios de conduta de seus
empregados, evitando responsabilização e transtornos
futuros.
Agradecemos sua atenção e desde logo nos
colocamos à disposição para maiores esclarecimentos,
se necessários, pelo nosso site (www.aojus.org.br) ou
pelos telefones 3343-0072 ou 3326-0915.

AOJUS/DF

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