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Anglo Jacutinga Avaliação

EXAME de FILOSOFIA/SOCIOLOGIA– 2° E.M. –Prof. Flávio - Data: 19/12/19 Particip.


NOME: __________________________________ Nº: _____ Total

01. “O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros. O que se crê senhor dos demais não deixa de ser mais
escravo do que eles. (...) A ordem social, porém, é um direito sagrado que serve de base a todos os outros. (...) Haverá
sempre uma grande diferença entre subjugar uma multidão e reger uma sociedade. Sejam homens isolados, quantos possam
ser submetidos sucessivamente a um só, e não verei nisso senão um senhor e escravos, de modo algum considerando-os um
povo e seu chefe. Trata-se, caso se queira, de uma agregação, mas não de uma associação; nela não existe bem público,
nem corpo político.” (Jean-Jacques Rousseau, Do Contrato Social.)
No trecho apresentado, o autor
a) argumenta que um corpo político existe quando os homens encontram-se associados em estado de igualdade política.
b) reconhece os direitos sagrados como base para os direitos políticos e sociais.
c) defende a necessidade de os homens se unirem em agregações, em busca de seus direitos políticos.
d) denuncia a prática da escravidão nas Américas, que obrigava multidões de homens a se submeterem a um único senhor.
e) defende um governo absolutista e totalitário, tendo em vista a guerra de todos contra todos.

02. A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre
um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera
tudo isto em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que um deles possa
com base nela reclamar algum benefício a que outro não possa igualmente aspirar. HOBBES, T. Leviatã.
Para Hobbes, antes da constituição da sociedade civil, quando dois homens desejavam o mesmo objeto, eles
a) entravam em conflito.
b) recorriam aos clérigos.
c) consultavam os anciãos.
d) apelavam aos governantes.
e) exerciam a solidariedade.

03. Para Thomas Hobbes, os seres humanos são livres em seu estado natural, competindo e lutando entre si, por terem
relativamente a mesma força. Nesse estado, o conflito se perpetua através de gerações, criando um ambiente de tensão e
medo permanente. Para esse filósofo, a criação de uma sociedade submetida à Lei, na qual os seres humanos vivam em paz
e deixem de guerrear entre si, pressupõe que todos renunciem à sua liberdade original. Nessa sociedade, a liberdade
individual é delegada a um só dos homens que detém o poder inquestionável, o soberano. Fonte: MALMESBURY, Thomas
Hobbes de. Leviatã ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. Trad. João Paulo Monteiro; Maria Beatriz
Nizza da Silva. São Paulo: Editora NOVA Cultural, 1997.
A teoria política de Thomas Hobbes teve papel fundamental na construção dos sistemas políticos contemporâneos que
consolidou a (o)
a) Monarquia Paritária.
b) Despotismo Soberano.
c) Monarquia Republicana.
d) Monarquia Absolutista.
e) Despotismo Esclarecido.

04. Leia o fragmento a seguir, extraído do Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, de
Rousseau:
“É do homem que devo falar, e a questão que examino me indica que vou falar a homens, pois não se propõem questões
semelhantes quando se teme honrar a verdade. Defenderei, pois, com confiança a causa da humanidade perante os sábios
que a isso me convidam e não ficarei descontente comigo mesmo se me tornar digno de meu assunto e de meus
juízes”.ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. São Paulo:
Martins Fontes, 1999, p.159.
A partir da teoria contratualista de Rousseau, assinale a alternativa que representa aquilo que o filósofo de Genebra pretende
defender na obra.
a) Que a desigualdade social é permitida pela lei natural e, portanto, o Estado não é responsável pelo conflito social.
b) Que a desigualdade social é autorizada pela lei natural, ou seja, que a natureza não se encontra submetida à lei.
c) Que no estado natural existe apenas o direito de propriedade.
d) Que há, na espécie humana, duas espécies de desigualdade: a primeira, natural, e a segunda, moral ou política.
e) Que a desigualdade moral ou política é uma continuidade daquilo que já está presente no estado natural.

05.“Através dos princípios de um direito natural preexistente ao Estado, de um Estado baseado no consenso, de
subordinação do poder executivo ao poder legislativo, de um poder limitado, de direito de resistência, Locke expôs as
diretrizes fundamentais do Estado liberal.” Bobbio.
Considerando o texto citado e o pensamento político de Locke, seguem as afirmativas abaixo:
I. A passagem do estado de natureza para a sociedade política ou civil, segundo Locke, é realizada mediante um contrato
social, através do qual os indivíduos singulares, livres e iguais dão seu consentimento para ingressar no estado civil.
II. O livre consentimento dos indivíduos para formar a sociedade, a proteção dos direitos naturais pelo governo, a
subordinação dos poderes, a limitação do poder e o direito à resistência são princípios fundamentais do liberalismo político
de Locke.
III. A violação deliberada e sistemática dos direitos naturais e o uso contínuo da força sem amparo legal, segundo Locke,
não são suficientes para conferir legitimidade ao direito de resistência, pois o exercício de tal direito causaria a dissolução
do estado civil e, em consequência, o retorno ao estado de natureza.
IV. Os indivíduos consentem livremente, segundo Locke, em constituir a sociedade política com a finalidade de preservar
e proteger, com o amparo da lei, do arbítrio e da força comum de um corpo político unitário, os seus inalienáveis direitos
naturais à vida, à liberdade e à propriedade.
V. Da dissolução do poder legislativo, que é o poder no qual “se unem os membros de uma comunidade para formar um
corpo vivo e coerente”, decorre, como consequência, a dissolução do estado de natureza.
Das afirmativas feitas acima
a) somente a afirmação I está correta.
b) as afirmações I e III estão corretas.
c) as afirmações III e IV estão corretas.
d) as afirmações III e V estão incorretas.
e) as afirmação II e III estão corretas.

06. Porque as leis de natureza (como a justiça, a equidade, a modéstia, a piedade, ou, em resumo, fazer aos outros o que
queremos que nos façam) por si mesmas, na ausência do temor de algum poder capaz de levá-las a ser respeitadas, são
contrárias a nossas paixões naturais, as quais nos fazem tender para a parcialidade, o orgulho, a vingança e coisas
semelhantes. HOBBES, Thomas. Leviatã. Cap. XVII. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva.
São Paulo: Nova Cultural, 1988, p. 103.
Em relação ao papel do Estado, Hobbes considera que:
a) O seu poder deve ser parcial. O soberano que nasce com o advento do contrato social deve assiná-lo, para submeter-se
aos compromissos ali firmados.
b) A condição natural do homem é de guerra de todos contra todos. Resolver tal condição é possível apenas com um poder
estatal pleno.
c) Os homens são, por natureza, desiguais. Por isso, a criação do Estado deve servir como instrumento de realização da
isonomia entre tais homens.
d) A guerra de todos contra todos surge com o Estado repressor. O homem não deve se submeter de bom grado à violência
estatal.
e) O poder soberano instituído mediante o pacto de submissão é um poder limitado, restrito e revogável.

07. Assim, essa lei da razão torna o cervo propriedade do índio que o abateu; permite-se que os bens pertençam àqueles que
lhes dedicou seu trabalho, mesmo que antes fossem direito comum de todos. E entre aqueles que se consideram a parte
civilizada da humanidade, que fizeram e multiplicaram leis positivas para determinar a propriedade, essa lei original da
natureza que determina o início da propriedade sobre aquilo que era antes comum continua em vigor. E, em virtude dela,
qualquer peixe que alguém pesque no oceano, esse grande bem comum ainda remanescente da humanidade, (…) é
transformado em propriedade daquele que para tal dedicou seus esforços. (LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o
Governo)
Enquanto os homens se contentaram com as suas cabanas rústicas, enquanto se limitaram a coser suas roupas de peles com
espinhos ou arestas de pau, a se enfeitarem com plumas e conchas, a pintar o corpo de diversas cores (…); em uma palavra,
enquanto se aplicaram exclusivamente a obras que um só podia fazer, e a artes que não necessitavam o concurso de
muitas mãos, viveram livres, sãos, bons e felizes ,tanto quanto podiam ser pela sua natureza, e continuaram a gozar entre si
das doçuras de uma convivência independente. Mas, desde o instante que um homem teve necessidade do socorro de outro;
desde que perceberam que era útil a um só ter provisões para dois, a igualdade desapareceu, a propriedade se introduziu, o
trabalho tornou-se necessário e as vastas florestas se transformaram em campos risonhos que foi preciso regar com o suor
dos homens, e nos quais, em breve, se viram germinar a escravidão e a miséria, a crescer com as colheitas. (ROUSSEAU,
Jean-Jacques. Discurso sobre a Desigualdade entre os Homens)
Os trechos acima, de John Locke (1632-1704) e de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), foram retirados de livros muito
influentes no Ocidente. A respeito das ideias contidas nos textos, podemos dizer que:
a) abordam o mesmo tema, chegando a conclusão de que a propriedade precisa ser eliminada do contexto social.
b) Rousseau identifica na propriedade um indicio de origem da desigualdade, enquanto Locke estabelece que a propriedade
é um direito divino.
c) repudiam, por meio de argumentos consistentes, a necessidade da propriedade privada.
d) Locke entende que a propriedade é uma consequência do trabalho humano, enquanto Rousseau identifica a origem da
desigualdade nos fundamentos da propriedade.
e) apontam para a necessidade de preservar as culturas tradicionais, como a cultura indígena.

08. O morador de rua Manoel Menezes da Silva, 68, teve garantido pela Justiça seu direito de transitar livremente pelas
ruas de São Paulo e permanecer onde desejar.
O idoso, que costumava dormir em uma praça da Vila Nova Conceição, área nobre da capital paulista, e acabou no Hospital
Psiquiátrico Pinel em meio à pressão de alguns vizinhos contra seu mau cheiro, pode agora “ir, vir e ficar sem qualquer
restrição ou impedimento por quem quer que seja”, conforme decisão da juíza Luciane Jabur Figueiredo, do Dipo
(Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária). (IZIDORO, Alencar. Estranho no Paraíso. Folha de S. Paulo,
19/07/05)
Segundo a concepção jusnaturalista (Hobbes, Locke e Rousseau), a decisão da juíza Luciane Jabour Figueiredo a respeito
do morador de rua Manoel Menezes da Silva foi:
a)derivada de uma disputa entre classes sociais com o desfecho positivo para a classe oprimida.
b) errada, pois os moradores da Vila Nova Conceição têm o direito de manter a segurança de sua propriedade privada.
c) errada, pois tanto os moradores da Vila Nova Conceição quanto os moradores de rua têm o direito de definir livremente
quem pode permanecer naquela localidade.
d) acertada, pois o direito de ir e vir (liberdade) é dado pela própria natureza.
e) acertada, pois tanto os moradores da Vila Nova Conceição quanto os moradores de rua têm o direito de definir livremente
quem pode permanecer naquela localidade.

09. O homem natural é tudo para si mesmo; é a unidade numérica, o inteiro absoluto, que só se relaciona consigo mesmo
ou com seu semelhante. O homem civil é apenas uma unidade fracionária que se liga ao denominador, e cujo valor está
em sua relação com o todo, que é o corpo social. As boas instituições sociais são as que melhor sabem desnaturar o
homem, retirar-lhe sua existência absoluta para dar-lhe uma relativa, e transferir o eu para a unidade comum, de sorte que
cada particular não se julgue mais como tal, e sim como uma parte da unidade, e só seja percebido no todo. ROUSSEAU,
J. J. Emílio ou da Educação. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
A visão de Rousseau em relação à natureza humana, conforme expressa o texto, diz que
a) o homem civil é formado a partir do desvio de sua própria natureza.
b) as instituições sociais formam o homem de acordo com a sua essência natural.
c) o homem civil é um todo no corpo social, pois as instituições sociais dependem dele.
d) o homem é forçado a sair da natureza para se tornar absoluto.
e) as instituições sociais expressam a natureza humana, pois o homem é um ser político.

10. Um dos aspectos mais importantes da filosofia política de John Locke é sua defesa do direito à propriedade, que ele
considerava ser algo inerente à natureza humana, uma vez que o corpo é nossa primeira propriedade. De acordo com esta
perspectiva, o Estado deve
a) garantir aos seus cidadãos ter propriedade ou propriedades.
b) garantir que todos os seus cidadãos, sem exceção, tenham alguma propriedade.
c) garantir aos cidadãos a posse vitalícia de bens.
d) fazer com que a propriedade seja comum a todos os cidadãos.
e) lembrar que a propriedade é a fonte dos males e da corrupção.