Você está na página 1de 6

PODER JUDICIÁRIO

SEGUNDA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE FOZ DO IGUAÇU – PR

SENTENÇA

Vistos e examinados os autos sob nº


0018871-40.2018.8.16.0030 de
Mandado de Segurança em que é
impetrante Delta Sul Com de
Concreto-Brita-Areia Indl. e Asfalto
L e impetrado o Jean Fernando Sassi,
Diretor do Departamento de Receita
e Cadastro Técnico Urbano do
Município de Santa Terezinha De
Itaipu/Pr, já qualificados.

1
PODER JUDICIÁRIO
SEGUNDA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE FOZ DO IGUAÇU – PR

1 - RELATÓRIO

Cuida-se de mandado de segurança com pedido de


liminar ajuizado por Delta Sul Comércio De Concreto-Brita-Areia
Industrial E Asfalto Ltda contra ato de Jean Fernando Sassi, diretor do
departamento de receita e cadastro técnico urbano do Município de
Santa Terezinha de Itaipu/PR.
Segundo alegou, o impetrante teria prestado
serviço referentes a maio de 2012 a dezembro de 2013 no Município de
Foz do Iguaçu/PR, ao qual deveria ter recolhido Imposto Sobre Serviços de
Qualquer Natureza (ISSQN).
Aduziu que recolheu indevidamente o tributo ao
Município de Santa Terezinha de Itaipu/PR. Requereu administrativamente
a revisão e restituição do tributo recolhido em 03/07/2014, porém, até a
presente data não haveria decisão.
A demora configuraria abuso e requereu,
liminarmente, seja a autoridade compelida a julgar seu pedido
administrativo.
A liminar foi concedida à seq. 19.1.
Intimada para prestar informações, a autoridade
impetrante afirmou que cumpriria a liminar no prazo assinalado e daria
satisfação à pretensão do autor, justificando a demora na ausência, até
então, de profissional com atribuição para decidir em respectivo processo.
Pediu a extinção do processo por perda do objeto.

2
PODER JUDICIÁRIO
SEGUNDA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE FOZ DO IGUAÇU – PR

O Ministério Público refutou a extinção pela


perda do objeto e manifestou-se pela concessão da segurança (seq. 36.1).

É o relatório.
DECIDO.

2 – FUNDAMENTAÇÃO

À luz da Constituição Federal de 1988, o


mandado de segurança é ação constitucional e mandamental que se presta a
proteger direito líquido e certo do indivíduo, não amparado por habeas
corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de
poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício das
atribuições do Poder Público.
Vale consignar, neste momento, que atualmente o
conceito de direito líquido e certo tem natureza processual, em especial
porque “(...) a circunstância de um determinado direito subjetivo
realmente existir não lhe dá a caracterização de liquidez e certeza; esta só
lhe é atribuída se os fatos em que se fundar puderem ser provados de
forma incontestável, certa, no processo”. (BARBI, Celso Agrícola. Do
Mandado de Segurança, 3ª ed., p. 55).
Assim sendo, para a concessão do writ é
imprescindível a certeza absoluta acerca do aludido direito líquido e certo,
bem como a existência de prova incontestável de sua violação por ato

3
PODER JUDICIÁRIO
SEGUNDA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE FOZ DO IGUAÇU – PR

manifestamente ilegal ou praticado com abuso de poder pela autoridade


coatora.
Pois bem.

A ilegalidade do ato impugnado se consubstancia


na demora da Administração Pública em julgar processo administrativo
relativo a repetição de tributo.

O art. 5º, LXXVII, da Constituição Federal


garante a razoável duração do processo e os meios que garantam a
celeridade de sua tramitação.

A Lei Federal (Lei nº 9784/1999) impõe que no


processo administrativo seja pronunciada a decisão final em âmbito
administrativo em, no máximo, salvo justo e expresso motivo, 30 (trinta)
dias úteis:

Art. 23. Os atos do processo devem realizar-se em dias


úteis, no horário normal de funcionamento da
repartição na qual tramitar o processo.

(...) Art. 49. Concluída a instrução de processo


administrativo, a Administração tem o prazo de até
trinta dias para decidir, salvo prorrogação por igual
período expressamente motivada.

4
PODER JUDICIÁRIO
SEGUNDA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE FOZ DO IGUAÇU – PR

No caso, a demora em decidir teria extrapolado


em muito o prazo em questão, uma vez que o pedido de revisão teria sido
protocolado no ano de 2014.

Assim, entendo que há, a princípio, infração à


razoável duração do processo, e a situação não pode continuar sem que
entidade diga sobre se é ou não possível a restituição do tributo.

Pelo exposto, presente a relevância da


fundamentação bem como a impertinência da continuidade do dano,
imperiosa a concessão da segurança consistente em compelir o impetrado a
decidir administrativamente sobre a revisão e a restituição de ISSQN.

A concessão da liminar e seu cumprimento não dá


perda do objeto da demanda, nem revela condescendência do impetrado.

Satisfazendo a demanda pela liminar e


demonstrado o respectivo direito pleiteado, a concessão da segurança é
medida que se impõe.

3 – DISPOSITIVO

Pelo exposto, JULGO PROCEDENTE O


PEDIDO INICIAL, tornando definitiva a decisão que deferiu a liminar,
para CONCEDER A ORDEM e para determinar que o impetrado decida,
no prazo máximo de 30 (trinta) dias, sobre o pedido de revisão e restituição

5
PODER JUDICIÁRIO
SEGUNDA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE FOZ DO IGUAÇU – PR

de ISSQN relativa ao ofício circular nº 02/2014, formulado pela impetrante,


e protocolado no dia 03/07/2014

Comino pena de multa diária de R$200,00


(duzentos reais) pelo descumprimento, limitada a 300 (trezentos) dias.

Decorrido o prazo para a propositura de eventual


recurso voluntário, remetam-se os autos ao Egrégio Tribunal de Justiça do
Paraná, a fim de ser submetida a presente sentença ao duplo grau de
jurisdição obrigatório, nos termos do artigo 14, §1º da Lei nº 12.016/2009.

Custas pelo impetrado.


A teor do disposto na súmula nº 512 do STF e nº
105 do STJ e artigo 25 da Lei nº 12.016/2009 deixo de fixar a verba
honorária.
Publique-se. Registre-se. Intimem-se.
Observe-se as instruções contidas no Código de
Normas da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado do Paraná, no que for
pertinente.
Foz do Iguaçu, 15 de agosto de 2018.

WENDEL FERNANDO BRUNIERI


Juiz de Direito