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IFSP – CAMPUS CUBATÃO – SAI – 3º MÓDULO ELETROMECÂNICA APLICADA

ETM - ELETROMECÂNICA APLICADA


GERADORES DE CORRENTE CONTÍNUA
GENERALIDADES
Geradores CC são fontes de tensão, onde:
 O torque eletromagnético (desenvolvido nos condutores percorridos por
corrente) se opõe à rotação da máquina primária (Lei de Lenz).
 A tensão gerada calculada por Eg = Va + Ra∙Ia (induzida na armadura),
auxilia e produz corrente na armadura.
TIPOS DE GERADORES CC
Os três tipos básicos de geradores CC são geradores shunt, série e compound. A
diferença entre estes tipos surge da maneira como é produzida a excitação do
enrolamento de campo. O propósito do gerador é produzir uma tensão CC por
conversão de energia mecânica em energia elétrica. Uma porção desta tensão CC
pode ser empregada para excitar o enrolamento de campo.
Gerador Shunt
Neste gerador toda ou quase toda a tensão de linha produzida é utilizada para
alimentar o enrolamento de campo e produzir o fluxo magnético nos pólos. Os
circuitos esquemático e equivalente do gerador shunt são vistos na Figura 1.

Figura 1 – (a) Circuito esquemático do gerador shunt. (b) Circuito equivalente do gerador shunt.

Todas as resistências do circuito de armadura, podem ser englobadas em uma única


resistência Ra, denominada resistência de armadura, ou seja, a resistência do
enrolamento da armadura, a resistência das escovas de carvão, além da resistência
dos enrolamentos de compensação e interpolos, se estiverem sendo usados.
Na Figura 1 (b) observa-se que:
Ia  If  I L .
Onde: Ia = corrente da armadura produzida na mesma direção da tensão gerada.
If = corrente de campo (Vf / Rf).
IL = corrente de carga (VL / RL).
Existe a mesma tensão sobre os circuitos da armadura, do campo e da carga, ou seja:
Va  Vf  VL .
Onde: Va = Eg - Ra∙Ia = tensão nos terminais da armadura.
NOTAS DE AULA 04 – GERADORES CC – REV. 04 1
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Vf = tensão aplicada sobre o circuito de campo.


VL = tensão aplicada na carga.
EXEMPLO NUMÉRICO:
Um gerador shunt, 250 V, 150 kW, possui uma resistência de campo de 50 Ω e uma
resistência de armadura de 0,05 Ω. Calcule:
a) A corrente de plena carga.
b) A corrente de campo.
c) A corrente de armadura.
d) A tensão gerada na situação de plena carga.
Solução:
P 150000
a) I L  G   I L  600 A
VL 250
V 250
b) I f  L   If  5 A
Rf 50
c) Ia  If  I L  Ia  600  5  Ia  605 A
d) E g  Va  R a  Ia  250  0,05  605  E g  280,25 V

Gerador Série
Neste gerador a excitação é produzida por um enrolamento de campo ligado em série
com a armadura, de modo que o fluxo produzido é função da corrente da armadura e
da carga. O campo série é excitado apenas quando a carga é ligada ao circuito. Como
o enrolamento de campo deve suportar toda a corrente da armadura, é construído com
poucas espiras de fio grosso. O enrolamento de compensação e o interpolo também
podem estar presentes neste gerador.
Gerador Composto (Compound)
Neste gerador a excitação de campo é produzida por uma combinação dos
enrolamentos em série e em paralelo com a armadura. Existem duas configurações
possíveis: a conexão shunt-longa e a conexão shunt-curta. A diferença essencial entre
estas conexões é que, na primeira, a corrente da armadura excita o campo série,
enquanto que, na segunda, a corrente de carga excita o campo série. Estas diferenças
irão interferir na forma como a tensão sobre a carga irá se comportar em função das
diferentes solicitações de corrente. A Figura 2 ilustra as conexões possíveis do
gerador Composto.
EXEMPLO NUMÉRICO:
Um gerador composto ligação shunt longa, 500 V, 100 kW, possui uma resistência de
campo shunt de 125 Ω, uma resistência de campo série de 0,01 Ω e uma resistência
de armadura de 0,03 Ω. A resistência de ajuste (Rd) suporta 54 A. Calcule:
a) O valor da resistência de drenagem (Rd) para a carga nominal.
b) A tensão gerada na situação de plena carga.
Solução:
P 100000
a) I L  G   I L  200 A
VL 500
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V 500
If  f   If  4 A
R f 125
Ia  If  I L  Ia  4  200  Ia  204 A
Is  Ia  Id  204  54  Is  150 A
Como o resistor de drenagem e o campo série estão em paralelo,
R  I 150  0,01
R d  I d  R s  Is  R d  s s   R d  0,00278 
Id 54
b) E g  VL  R a  Ia  R s  Is 
Eg  250  (0,03  204)  (0,01150)  Eg  257,62V

Figura 2 – Gerador Composto: (a) circuito esquemático da configuração shunt-longa; (b) circuito equivalente da
configuração shunt-longa; (c) circuito equivalente da configuração shunt-curta.

Gerador com excitação independente


Os geradores vistos até agora são denominados de auto-excitados, uma vez que eles
próprios produzem a tensão sobre os enrolamentos responsáveis por produzir os
ampères-espiras e fmm por pólo, requeridos para gerar uma tensão. Quando, porém
um ou mais campos são ligados a uma fonte de tensão CC separada, independente da
tensão da armadura do gerador, este é chamado de gerador com excitação
independente. Dois geradores com excitação independente são vistos na Figura 3. No
caso (a), como o campo não é mais excitado pela tensão da armadura Va, a corrente
da armadura Ia é igual à corrente da carga IL. Note-se que o potenciômetro permite
um ajuste em zero da corrente de campo.
No caso (b) o gerador combina a auto-excitação do campo série e a excitação
separada do campo shunt. As relações deste gerador são as mesmas dos geradores
série. Note-se que o reostato permite o ajuste de corrente mínima, mas não zero.
NOTAS DE AULA 04 – GERADORES CC – REV. 04 3
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Figura 3 – Geradores com excitação independente.

CARACTERÍSTICAS DE TENSÃO A VAZIO DOS GERADORES CC


O circuito da Figura 3 (a) acima é comumente usado em máquinas de laboratório,
para investigar as características de carga e a vazio dos geradores shunt. Com a chave
S aberta, o gerador é movimentado por uma máquina primária numa velocidade
aproximadamente constante. Um amperímetro é ligado no circuito potenciométrico,
para registrar a corrente solicitada pelo campo, If, e um voltímetro é ligado nos
terminais da armadura para medir a tensão gerada, Eg, como mostra a Figura 4.

Figura 4 – Conexões do gerador a vazio, com excitação independente, para obter a curva de saturação.

A tensão Eg é dada pela seguinte equação;


ZP
Eg  n
60  a
Onde:
Z = número total de condutores da armadura.
P = números de pólos.
a = número de caminhos no enrolamento da armadura.
 = fluxo por pólo
n = rotação do gerador em rpm.
Para uma dada armadura, são fixos os valores de P, Z e a, então a equação anterior
pode ser escrita como:
Eg  K    n
Onde: K = ZP/60a
Pela equação acima se pode supor que se o potenciômetro de ajuste da corrente de
campo for colocado em uma posição que anule esta corrente, o fluxo magnético
NOTAS DE AULA 04 – GERADORES CC – REV. 04 4
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também se anulará e consequentemente a tensão gerada será zero. Entretanto não é o


que acontece. Uma pequena tensão é medida nos terminais da armadura pelo
voltímetro quando a corrente de campo é zero. Esta tensão é indicada pelo ponto a na
curva da Figura 4 (b), onde a corrente de campo é zero e a tensão gerada, Eg, tem um
pequeno valor, uns poucos volts. A tensão em a é proporcional ao magnetismo
residual que permaneceu no ferro da máquina quando o gerador foi desligado. Se a
corrente de campo é aumentada por meio do potenciômetro, de modo que a corrente
medida é If1, a tensão aumentará até o ponto b. Se a corrente aumenta no mesmo
sentido, de modo que se registre uma corrente de campo, I f2, a tensão gerada é
proporcional à fmm no entreferro produzida pela corrente de campo (N fIf), atingindo
o ponto c. Além do ponto c um aumento na corrente de campo não produz um
incremento proporcional na tensão gerada, pois o ferro dos núcleos polares e do
núcleo do circuito magnético circundante se aproxima da saturação.
Reduzindo a corrente de campo, devido à histerese, propriedade presente em qualquer
material ferromagnético, serão obtidas tensões pouco mais elevadas que aquelas
obtidas com a mesma corrente de campo no processo de subida da curva.
EXEMPLO NUMÉRICO:
Supondo excitação de campo constante, calcule a tensão a vazio de um gerador com
excitação independente, cuja tensão da armadura é de 150 V numa velocidade de
1800 rpm, quando:
a) A velocidade é aumentada para 2000 rpm.
b) A velocidade é reduzida para 1600 rpm.
Solução:
Sob excitação constante se pode escrever:
E g final n final
E g  K    n  E g  K  n , portanto  .
E g orig n orig
n 2000
a) E g final  E g orig  final  150   E g final  166,7 V
n orig 1800
n 1600
b) E g final  E g orig  final  150   E g final  133,3 V
n orig 1800

REGULAÇÃO DE TENSÃO DE UM GERADOR


Regulação de tensão indica o grau de variação na tensão da armadura produzida pela
aplicação da carga. Se há pouca variação, desde a vazio até a plena carga, diz-se que
o gerador de tensão possui boa regulação de tensão. Se a tensão varia
apreciavelmente com a carga, é considerado como tendo pobre regulação. A
regulação de tensão é expressa como uma percentagem da tensão terminal nominal.
V  VFL
VR %  NL  100
VFL
Onde: VR% = regulação de tensão percentual.
VNL = tensão terminal sem carga.
VFL = tensão terminal (nominal) a plena carga.
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EXEMPLO NUMÉRICO:
1) A tensão sem carga de um gerador shunt é 135 V, e sua tensão a plena carga é 125
V. Calcule a regulação de tensão em porcentagem.
Solução:
V  VFL 135  125
VR %  NL  100   100  VR %  8%
VFL 125

2) A regulação percentual de tensão de um gerador shunt de 250 V é 10,5 %. Calcule


a tensão do gerador sem carga.
Solução:
V  VFL
VR %  NL  100 
VFL
VR % VR %
VNL  VFL  (VFL  )  VNL  VFL  (1  )
100 100
10,5
VNL  250  (1  )  VNL  276,3 V
100

BIBLIOGRAFIA
KOSOV, I. L. – MÁQUINAS ELÉTRICAS E TRANSFORMADORES. 4ª edição.
Editora Globo, Rio de Janeiro / RJ. 1982.
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