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FICHA PARA IDENTIFICAÇÃO


PRODUÇÃO DIDÁTICO – PEDAGÓGICA
TURMA - PDE/2012

Título: Leitura e Fruição: O lúdico e o didático na contação de história

Autor Adelina Maria Mikulski Tavares

Disciplina/Área (ingresso no Língua Portuguesa


PDE)

Escola de Implementação do Colégio Estadual Eleodoro Ébano Pereira


Projeto e sua localização

Município da escola Cascavel

Núcleo Regional de Educação Cascavel

Professor Orientador Dra. Adriana Aparecida de Figueiredo Fiuza

Instituição de Ensino Superior UNIOESTE

Relação Interdisciplinar Língua Portuguesa e Artes


(indicar, caso haja, as
diferentes disciplinas
compreendidas no trabalho)
O presente trabalho tem como objetivo desenvolver nos
Resumo
educandos o gosto e a fruição da leitura literária, através da arte
(descrever a justificativa, de contar história. Ao chegar à escola, a criança já traz consigo
objetivos e metodologia uma experiência linguística que é literária, pois ainda
utilizada. A informação deverá pequenina ouve histórias contadas pelos adultos, através da voz
da mãe, do pai ou dos avós; contando fábulas, contos de fadas e
conter no máximo 1300
histórias inventadas. Entretanto, isso é, na maioria das vezes,
caracteres, ou 200 palavras, desprezado no decorrer do processo de aprendizagem,
fonte Arial ou Times New desconsidera-se que a oralidade é a fonte da literatura infantil e
Roman,tamanho 12 e que as crianças, antes da alfabetização, iniciaram um contato
espaçamento simples) literário mediado por um leitor que transmitia oralmente o que
lia. Portanto, o trabalho com o texto literário só alcançará êxito
quando o professor se assumir como sujeito; o desafio de tal
postura implica a formação de hábitos, principalmente, o da
leitura, pois cabe ao professor proporcionar aos seus alunos, o
máximo de prazer pela leitura com a Literatura Infanto-juvenil,
desenvolvendo estratégias de modo a provocar as mais variadas
reações. Sobretudo, é através da leitura literária, nosso objeto
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de estudo, o viés que favorece a aprendizagem, estimula o


imaginário e a fantasia que fazem parte do universo da criança.

Palavras-chave ( 3 a 5 palavras) leitura e fruição; literatura infanto-juvenil; contação de história

Formato do Material Didático Unidade Didática

Público Alvo
(indicar o grupo para o qual Alunos do 6° ano do Ensino Fundamental
omaterial didático foi
desenvolvido: professores,
alunos, comunidade...)

APRESENTAÇÃO
A elaboração do presente material didático tem como finalidade o desenvolvimento
de atividades que serão implementadas no Colégio Eleodoro Ébano Pereira, com os alunos
do 6º ano do Ensino Fundamental. Tal proposta tem por objetivo o fomento do gosto pela
leitura literária na escola, bem como a apresentação de uma reflexão sobre o porquê de
tanto desinteresse por parte dos educandos quanto ao ato de ler. Constantemente, colegas
professores emitem opiniões e afirmações de que seus alunos não interpretam e nem
compreendem os textos que leem e, principalmente, não demonstram prazer e interesse
pela leitura.
Faz-se necessário então, algumas considerações pertinentes para entender este
processo. Ao ser introduzida na escola, a criança já traz consigo uma experiência
linguística que é literária; pois, ainda quando pequenina, já ouve histórias contadas pelos
adultos, através da voz da mãe, do pai ou dos avós; contando fábulas, contos de fadas,
histórias inventadas e até mesmo ouvindo as cantigas de ninar. O trabalho escolar com o
texto literário infantil poderia dar continuidade a essa experiência. Entretanto, isso é, na
maioria das vezes, desprezado no decorrer do processo da aprendizagem. A apresentação
dos textos literários, em sala de aula, é feita com total desconsideração pela sensibilidade;
desconhece-se que a oralidade é a fonte da literatura infantil e que as crianças, antes da
alfabetização, iniciaram um contato literário mediado por um leitor que transmitia
oralmente o que lia.
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A instituição educacional em que atuo, o Colégio Estadual Eleodoro Ébano Pereira,


possui uma proposta pedagógica diferenciada e desafiadora, prevista no projeto político
pedagógico, que é a da promoção automática, isto é, o aluno tem garantido a sua
promoção, automaticamente, para o ano seguinte, independente dos resultados alcançados
na série anterior. Tal proposta está vinculada ao fato de que o ciclo estudantil ininterrupto
constitui um direito de formação de cidadania e que devem ser respeitadas as condições
objetivas de vida dos alunos e seus pré-requisitos culturais.
Neste sentido, de acordo com o Projeto Político Pedagógico (ELEODORO, 2000,
p. 6), “um aluno que chega à escola não significa um “desequipado” culturalmente; é antes
de tudo, alguém que chega trazendo consigo uma cultura para desenvolver-se na e com a
escola e apropriar-se da cultura de ponta que o educador sistematizará interagindo com
ele”.
Contudo, existe ainda outra particularidade exercida por essa instituição, que é o
atendimento para alunos portadores de necessidades especiais, como por exemplo: visuais,
auditivos, mentais, disléxicos, autistas entre outras síndromes. Diante desse panorama,
pode-se afirmar, bem heterogêneo, é imprescindível e necessário um fazer pedagógico que
atenda, de uma maneira eficiente, às necessidades dos educandos que procuram essa
instituição. Fazer este que, ao mesmo tempo em que respeite a trajetória natural do ciclo
estudantil, também forneça, pela reflexão e engajamento, a discussão à luz de tudo o que já
é conhecido pelo mundo, tanto pelos alunos como pelos professores, em um processo de
discussão permanente (ELEODORO, 2000).
A opção pela Unidade Didática se faz em decorrência da situação acima exposta,
principalmente, com o olhar voltado para a recorrente dificuldade de leitura compreensiva
apresentada pelos nossos educandos, para que estes superem tais dificuldades e possíveis
defasagens oriundas da alfabetização. Neste sentido, as Diretrizes Curriculares da
Educação Básica de Língua Portuguesa (Paraná, 2008), propõem um enfoque decisivo
quanto aos conteúdos curriculares: ao invés de um ensino em que o conteúdo seja visto
como meio em si mesmo, o que se propõe é um ensino para que os alunos desenvolvam as
capacidades que lhes permitam produzir e usufruir dos bens culturais, sociais e
econômicos. O ensino inicia o aluno na realidade, mas deve permitir que ele possa ver, ao
mesmo tempo para além da realidade, transcendendo-a; isto garante a emancipação do
estudante ao exercer de fato a sua cidadania.
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MATERIAL DIDÁTICO
Como ponto de partida, o estudante será estimulado pelo prazer de ler, através de
uma metodologia lúdica, de conquista e envolvimento; buscando desenvolver nos alunos o
gosto e a fruição da leitura literária, através da arte de contar história.
A sala de aula é um espaço privilegiado para o fomento do gosto pela leitura e sua
fruição. Contudo, faz-se necessário o preparo do professor em conhecer os recursos
técnicos que possam lhe auxiliar, e também, a sensibilidade no momento do trabalho com o
texto literário. Este deveria guardar a característica lúdica e emocionante que mexesse com
a sensibilidade da criança.
Sobretudo, é através da literatura infanto-juvenil, nosso objeto de estudo, o viés
que favorece a aprendizagem, estimula o imaginário e a fantasia que fazem parte do
universo da criança. Estudos mostram que as histórias preferidas de crianças de diversas
idades, refletem os conflitos emocionais e as fantasias particulares, que elas experimentam
em diversos momentos da vida. A criança possui predileção pelo belo e encontra nos livros
que ela gosta, o alimento adequado para os anseios e necessidades da sua alma
(SANDRONI E MACHADO, 1998).
Para a execução das atividades aqui elencadas, serão utilizadas diversas estratégias
de leitura, as quais possibilitarão ao educando, a percepção daquilo que os livros trazem de
bom, ideias novas, histórias surpreendentes e cativantes; neste sentido, é preciso fazê-lo
pensar sobre o lido, espantar-se com o maravilhoso, estar atento ao que cada leitura
despertou; pois o apego pelos livros é algo que se vai adquirindo aos poucos, numa
conquista permanente.
Primeiramente, a professora buscará conhecer seus alunos, procurando descobrir
sobre o que já leram, seus gostos e preferências, qual é a história de que mais gostaram de
ler, o que mais lhes chamou a atenção; numa conversa bem informal, sem cobranças, tudo
com o intuito de descobrir qual a sua predileção e o que mais lhes agrada no instante que
estão de posse de um livro; oportunizando ao aluno que fale livremente, sobre suas
impressões de leitura, as fantasias, emoções, reações, comoções e lembranças; cenas de
livros que ficaram gravadas em sua memória e que gostariam de relatar.
Após constatadas as preferências e quais os contatos prévios que os alunos já
obtiveram com os livros; os estudantes serão conduzidos, em visitas às bibliotecas da
escola e da pública municipal – num primeiro momento, farão a visita à biblioteca da
escola onde estudam; em seguida, à biblioteca pública municipal, em virtude de estar
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localizada próximo à escola que estudam. Nesse contato, os alunos ficarão bem à vontade
com os livros e que estes sejam apresentados a aqueles de forma simpática, descontraída e
afetuosa; os estudantes poderão manuseá-los, folheá-los, observando as capas, os títulos, os
desenhos, as ilustrações; enfim, as intenções de leitura.
Na sequência, os alunos já poderão fazer a escolha dos livros que gostariam de ler.
A professora fará a retirada dos livros escolhidos pelos alunos; e de posse dos mesmos,
então, serão levados para a sala de aula, para a leitura. Além disso, estarão à disposição dos
alunos, vários títulos da literatura infanto-juvenil, a exemplo de: A fada que tinha ideias; A
verdadeira história dos três porquinhos; Histórias de fadas; Contos de Grimm; As
aventuras de Alice no País das Maravilhas; Minhas memórias de Lobato; O fantástico
mistério de Feiurinha; Carta errante, avó atrapalhada, menina aniversariante; entre
outras obras. Durante o período em que os estudantes estiverem procedendo as leituras,
diversas estratégias serão utilizadas, como por exemplo: leitura silenciosa, leitura em voz
alta, expressiva, compartilhada com os alunos; deixar livre ao aluno que queira ler para os
demais colegas de classe. Pretende-se estabelecer um contato prazeroso e lúdico com a
literatura, de maneira que esta possa mexer com a sensibilidade do aluno; com o livro em
suas mãos (do estudante), o instante há de ser de magia e encantamento para ele. O
enfoque desse trabalho será com vistas a criar uma verdadeira “oficina literária”, em que os
horizontes de expectativas, do educando, sejam ampliados.
Concomitante às aulas de leitura, a professora contará algumas histórias aos alunos,
as quais estarão adequadas à faixa etária dos mesmos. O propósito dessa iniciativa é a do
encantamento do aluno, que ele tenha prazer em ouvir uma história bem contada e que seu
imaginário possa ser aguçado no instante em que estiver ouvindo a narrativa. Para tanto, no
momento da contação da história, a professora estará caracterizada de acordo com a
personagem principal da narrativa que irá contar; a exemplo se for uma história que tenha
fada ou bruxa, a professora utilizará vestimentas características de uma bruxa ou de uma
fada (chapéu, vassoura, varinha mágica, capa, etc.), tal iniciativa servirá para divertir e
encantar o aluno, prendendo sua atenção no momento em que estará ouvindo a narrativa, e
mais do que isso, a história que ele ouvirá, ficará marcada em sua vida, nutrindo e
aguçando sua imaginação de leitor .Contudo, alguns fatores ainda, deverão ser
considerados para o sucesso da narrativa. O primeiro passo consiste em escolher bem o que
será contado; é preciso saber se se trata de um assunto cativante, bem trabalhado, se é
original, se demonstra riqueza de imaginação e se consegue agradar os ouvintes. A
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linguagem deve ser correta, simples, de bom gosto; as repetições e os recursos


onomatopaicos contribuem para tornar a história mais interessante e expressiva; também a
maneira de contá-la é muito importante: as expressões faciais e corporais, a voz modulada,
os trejeitos, as pausas, a dramatização, entre outros. Deverá ser considerado, inclusive, o
espaço-ambiente onde a história será contada, este deverá ser agradável e aconchegante, os
alunos sentados em círculo, no chão, com tapetes e almofadas; todos bem à vontade para
ouvir as histórias, para que a imaginação e a criatividade possam fluir livremente.

Atividades que serão realizadas a partir das histórias lidas e/ou contadas:
No momento em que o estudante termina de ouvir uma história, esta permanece
viva em sua mente, nutrindo a sua imaginação criadora. Portanto, é recomendável que se
façam atividades de enriquecimento com os alunos; pois a história funcionará como agente
desencadeador da criatividade e imaginação.
Há vários tipos de atividades que poderão ser desenvolvidas, tais como: a
dramatização; pantomima; desenhos; recortes; colagens; construção de maquetes; criação
de pequenos livros ilustrados.

Iniciaremos com a dramatização e a pantomima:


Depois de concluída a leitura dos livros, os quais foram escolhidos e lidos pelos
alunos; a professora perguntará à classe se gostaria de encenar um trecho da história e
quem se proporia a fazê-lo? Então, a professora juntamente com os alunos organizarão as
equipes com a participação de cinco integrantes em cada uma. No momento da formação
das equipes, será necessário oportunizar um tempo hábil para que os integrantes do grupo
compartilhem entre si as histórias lidas. Aqui, o aluno terá a oportunidade de socializar aos
demais colegas do grupo, suas impressões de leitura, o que achou da história lida, de que
gostou ou não gostou, por quê; enfim, permitir que falem a respeito daquilo que leram.
Nesse momento, é bem provável que os alunos queiram ler o livro que o colega leu, para
somente depois escolherem qual será a história que irão encenar para a classe; se por
ventura isso acontecer é louvável e muito proveitoso para os alunos, pois assim eles terão
acesso a uma quantidade maior de livros lidos, consequentemente de histórias lidas e
ouvidas, e, novos horizontes de expectativas serão ampliados.
Depois de selecionada a história que será encenada pela equipe, os alunos farão a
escolha de seu papel ou personagem; estudando o cenário, caracterização dos personagens,
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quanto tempo necessitarão para os ensaios, é preciso proporcionar um tempo para que as
equipes se organizem para o momento da encenação.
A orientação da professora, no momento desta atividade, será necessária aos
alunos; no que tange à utilização dos recursos como: gestos, expressão facial e corporal,
movimentos, entonação de voz, etc. Outro recurso a ser utilizado é a caracterização dos
alunos, vestimentas, acessórios e maquiagens para a teatralização; para tanto, será
organizado pela professora e pelos alunos da turma um “baú do teatro” com roupas,
fantasias, acessórios, maquiagens e quinquilharias, para a caracterização dos personagens
das histórias encenadas. Finalmente, para esta atividade de dramatização, a professora de
artes deverá ser consultada, a fim de conceder também possíveis orientações aos alunos.
O mesmo procedimento deverá ser utilizado pela professora e alunos, quando a
representação acontecer por meio da pantomima, a qual se trata de uma encenação de
trechos da história em que os estudantes, no momento atores da situação, expressam-se por
meio de gestos e expressões fisionômicas, utilizando-se apenas de mímicas, sem fazer uso
das palavras; esta atividade é indicada principalmente para reproduzir pequenos trechos do
enredo ou para dar ênfase à expressividade do personagem; os alunos poderão fazer uso da
pantomima, à medida que forem lendo a história e no momento que acharem conveniente a
representação de uma cena marcante ou interessante, até mesmo para imitar um
personagem ou um bicho presente na história lida.

Construção de maquetes:
Outra atividade a ser desenvolvida é a construção de maquetes, que se dará a partir
de uma nova dinâmica de leitura. Numa outra visita à biblioteca da escola, a professora,
juntamente com os alunos, fará a escolha de alguns títulos de livros. Essa seleção deverá
obedecer ao seguinte critério: obras que tenham mais de um volume da mesma história,
isto permitirá que alguns alunos tenham acesso à leitura de um mesmo título, para que a
formação das equipes aconteça a partir das escolhas feitas naquele momento. Ao retornar à
sala de aula, já com os livros escolhidos, os alunos procedem a leitura silenciosa dos
mesmos, todos sentados, dispostos em círculo. Ao término da leitura, a professora
verificará quem leu a mesma história, então agrupará os alunos de acordo com o título do
livro em comum. Formadas as equipes, oportunizar aos alunos que falem sobre o livro lido,
o que acharam da história, se gostaram, de que mais gostaram, se pudessem modificar algo
na narrativa, o que é que modificariam e por que o fariam. Em seguida, propor às equipes
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o trabalho a ser realizado: os grupos deverão escolher uma cena da história que gostariam
de representar numa maquete, decidir os detalhes para a construção da mesma: o que
representarão, os materiais que serão necessários, quem trará o quê, como será feito.
Em outras ocasiões, já utilizei-me dessa atividade na sala de aula; tal estratégia
deu-se no momento em que trabalhei com a leitura infanto-juvenil com alunos do ensino
fundamental, na época tratava-se da quinta série. A construção de maquetes é um recurso
que proporciona grandes resultados por conta do envolvimento e entusiasmo por parte dos
alunos no instante da sua construção. Funciona assim: depois da leitura do livro, os alunos
trazem para a sala de aula materiais sucata, solicitados e combinados previamente, como:
caixinhas vazias, papel de presente usado, macarrão, brinquedinhos, canudinhos, palitos,
areia colorida, serragem, etc. Tal atividade consiste em reproduzir uma cena da narrativa
lida; a professora pergunta à classe de que cena mais gostaram ou o que mais lhes chamou
a atenção no momento da leitura e que gostariam de encenar na maquete. Depois é só fazer
a construção que será realizada em equipe, os componentes chegam a um consenso sobre
que parte desejam representar. Concluído o trabalho, programa-se uma exposição no pátio
da escola e convida-se os alunos de outras turmas para que visitem-na, para a apreciação
dos trabalhos. Os alunos expositores fazem a explanação oral aos visitantes; explicando de
que se trata: nome do livro que leram, por que da escolha do mesmo, o que acharam da
história, se foi interessante, onde conseguiram o livro; enfim, os alunos expositores terão
de recontar a história lida aos visitantes da exposição, falando do porquê da escolha da
cena ora representada na maquete.

Criação de pequenos livros ilustrados:


Para esta atividade, o aluno será incentivado a escolher uma obra de seu próprio
gosto, de acordo com a sua preferência de leitura, isto é, o gênero literário que lhe desperta
o interesse e a vontade de ler, como por exemplo: narrativas curtas ou longas e até mesmo
livro de poesias.
Após a leitura dos livros escolhidos pelos alunos, de acordo com a sua preferência;
várias outras atividades podem ser realizadas, a exemplo de desenhos, ilustrações, recortes
e colagens. A professora deixará livre à escolha do aluno, pois entende-se que cada um
possui um gosto, uma habilidade; uns gostam de desenhar, outros de recortar e colar;
enfim, deve-se respeitar a preferência de cada criança. Para essa atividade, o estudante
precisará de folhas de papel em branco, lápis, lápis para colorir, tesoura, cola, revista para
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recorte, etc. Nesse momento, os estudantes estarão distribuídos em duplas ou em grupos


maiores, com cinco ou seis alunos em cada um; porém cada aluno construindo o seu
trabalho, a sua atividade. Na sequência, o aluno fará a escolha da parte da história que
gostaria de desenhar ou ilustrar usando figuras recortadas, e procederá a atividade em sala
de aula, procurando sempre estabelecer um clima bem agradável e prazeroso, uma música
ambiente poderá estar presente aqui. A professora poderá ainda, incentivar seus alunos
quanto à criação e composição de poesias e de acrósticos, tanto para a composição das
poesias quanto para os acrósticos, os alunos poderão fazer a escolha de uma personagem
com quem tenham se identificado mais, ou até mesmo um ambiente, uma cena, um
episódio marcante de que tenham gostado; enfim, algo que lhes cause vontade e inspiração
para a composição das poesias. Após a realização desta atividade, com a ajuda dos alunos,
realizar-se-á uma classificação, organizando as partes da história para montar o livrinho.
Para tanto, os estudantes deverão fazer a seriação das composições de acordo com a
sequência lógica das histórias lidas, observando cada episódio decorrido na narrativa,
obedecendo também a sequenciação dos fatos e acontecimentos da história. Depois, os
alunos farão os desenhos das capas dos livros, pode-se realizar um concurso para a escolha
dos desenhos mais sugestivos que irão compor as capas dos livrinhos. Também, os alunos
escolherão os títulos para os livrinhos ilustrados, podendo sugerir alguns nomes e logo faz-
se a votação para a escolha de um título para os livros. Em seguida, providencia-se a
encadernação dos mesmos, os quais serão expostos na biblioteca da escola para fomentar e
incentivar a leitura de alunos de outras turmas.

Jogos de estímulo à imaginação


É fundamental que a professora, em sua prática docente, incentive a manifestação
oral de seus alunos; valorizando a expressividade, a forma e o jeito de se manifestar na
fala, no olhar, nos gestos. Segundo Riche e Haddad (1988, p. 11),“a fala reflete a bagagem
existencial do emissor, a leitura que ele faz do mundo que o cerca”.
Para tanto, uma das práticas, a ser adotada pela professora, será a valorização da
fala do aluno, procurando deixá-lo bem à vontade, para que possa expor seus pensamentos,
ideias, opiniões e sentimentos. As atividades envolvendo a leitura literária, ora descritas,
bem como os jogos e brincadeiras, servirão de apoio para auxiliar na socialização,
desinibição e atenção dos estudantes envolvidos neste trabalho, além de estimular e
fomentar a leitura.
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Os jogos de imaginação são ótimos recursos que provocam sentimentos, reações,


ativam a astúcia, aguçam os sentidos e a observação do aluno; contribuem para o
desenvolvimento sensório-motor, para o equilíbrio corporal e auxiliam também na
organização do pensamento e até mesmo na criação e produção de histórias. Nesta
atividade, os alunos poderão se organizar em grupos ou individualmente. A professora
conduzirá os alunos a uma situação imaginária, explicando oralmente que cada um deverá
imaginar, por exemplo, se um passarinho quebrasse a asa e não pudesse voar; como ele
faria para se alimentar ou fazer seu próprio ninho; ou ainda, se as letras de um livro
desaparecessem. O que aconteceria? De que forma o livro poderia recuperá-las? Quem
poderia ajudá-lo? Como?
A professora poderá também, escrever as propostas em cartões que os alunos
sortearão. Após a explanação da proposta, os alunos terão um tempo para a elaboração da
narrativa que poderá ser oral ou escrita.
Esta atividade poderá variar, utilizando-se objetos ou uma situação adversa:
a) Utilizando objetos: “Ah, se eu fosse um caderno velho...”;“Ah, se eu fosse uma bola
velha e rasgada...”.
b) Utilizando situações adversas:
Tema: Visita ao zoológico
Cenário: o jardim zoológico
Personagens: um grupo de pessoas e você (aluno)
Situação: o zoológico fecha. O grupo fica preso dentro do zoológico e resolve viver uma
grande aventura.
Desenvolvimento: O que aconteceu? Houve algum problema? Qual? O que viram?
Como saíram de lá? E os parentes, o que fizeram? Como tudo terminou?

Tema: Perdidos na floresta


Cenário: uma reserva florestal
Personagens: um animado grupo de pessoas (crianças e adultos).
Desenvolvimento: Como era o grupo? Como planejaram o passeio, local de encontro,
material necessário, quanto tempo levariam no passeio? Aconteceu algo especial? O quê?
Como resolveram o problema? Quem os ajudou? Como tudo terminou?
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Narrativa literária e fílmica do Conto de Fadas “Alice no País das Maravilhas”


Tanto a literatura como o cinema possuem algo em comum em sua essência
narrativa, porque tanto um como o outro, objetiva a contação de história; a diferença reside
apenas na forma de narrar. Na literatura, os fatos e acontecimentos da narrativa literária são
construídos e imaginados pela mente do leitor, enquanto que na narrativa fílmica, o
material são as imagens em movimento, que falam por si através da visualização dos
expectadores.
Ao levar a literatura infantil para a sala de aula, a professora estabelece junto aos
alunos, uma relação dialógica entre o livro, o próprio aluno, sua cultura e a sua própria
realidade. Os Contos de Fadas, essencialmente, permitem ao educador trabalhar com a
história a partir do ponto de vista do educando, possibilitando uma análise de suas
reflexões, opiniões e atitudes, pois estas influenciam a vida da criança. Ao expor sobre este
gênero literário, o Conto de Fadas, Castela (2011, p. 54) aponta para a grande importância
que estas histórias têm “na vida da criança, pois são nestas narrativas que seus leitores se
projetam e buscam uma realização pessoal, mexendo com suas ansiedades, aspirações,
emoções”.
Meireles (1984, p. 123) enfatiza que:

Se considerarmos que muitas crianças, ainda hoje, têm na infância o melhor


tempo disponível da sua vida, que talvez nunca mais possam ter a liberdade de
uma leitura desinteressada, compreenderemos a importância de bem aproveitar
essa oportunidade. Se a criança desde cedo fosse posta em contato com obras-
primas, é possível que sua formação se processasse de modo mais perfeito.

Para esta atividade, iniciaremos, com o filme “Alice no País das Maravilhas”,
produzido por Tim Burton, no ano 2010, seu enredo aponta para uma obra fantástica,
porque a personagem Alice passa por vários episódios diferentes, como encolher ou ficar
gigante, transportar-se para um mundo distante (utopia) e quimera. Nas propostas
pedagógicas até aqui mencionadas, as atividades são iniciadas a partir do livro infanto-
juvenil; já nesta, partiremos da narrativa fílmica, pois conforme discorrido anteriormente,
trata-se também de contação de história.
A professora levará o filme para a sala de aula para o mesmo ser visto e assistido
pela turma. Ao término, algumas reflexões deverão ser efetuadas junto aos alunos: se
gostaram da história, por quê, qual a cena mais interessante, o que ocorreu, se as
personagens principais são engraçadas, o que as fazem engraçadas, etc.. Nesse diálogo, a
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professora explicará que tal narrativa trata-se de um Conto de Fadas, e, que antes de se
tornar um filme, a história já estava narrada num livro. Em seguida, a professora apresenta
o livro As aventuras de Alice no País das Maravilhas aos seus alunos e faz a leitura do
mesmo, juntamente com todos.
Ao terminar a leitura, educadora e educandos farão uma discussão sobre a história
lida, efetuando comparações entre o livro e o filme, dos acontecimentos narrados no
livro/filme com a realidade vivida por eles (alunos), apontando as características físicas e
psicológicas das personagens, fazendo com que os alunos estabeleçam as diferenças e
semelhanças observadas em ambas narrativas.No quadro de giz, a professora poderá anotar
essas semelhanças e diferenças à medida que os alunos irão falando. Depois, um painel
ilustrativo deverá ser montado coletivamente. Esse painel trabalhará a criatividade,
imaginação, percepção e a atenção dos alunos; o mesmo será dividido em duas partes: de
um lado estarão relacionadas as semelhanças e do outro, as diferenças observadas entre a
narrativa literária e a fílmica; se for necessário, deverá ser colocado novamente, alguns
trechos do filme para melhor percepção e análise dos fatos e acontecimentos do enredo. O
mural deverá ser confeccionado com desenhos e/ou gravuras, feitos pelos próprios alunos,
como por exemplo: no momento em que for mencionado os nomes das personagens, os
alunos farão o desenho ou colarão uma gravura que represente a referida personagem e
assim acontecerá até todas as semelhanças e diferenças percebidas pelos alunos serem
anotadas.
O intuito relevante do trabalho ora planejado, tanto no Projeto de Intervenção como
na Unidade Didático-Pedagógica, é desenvolver, junto aos alunos do sexto ano do ensino
fundamental, o gosto e a fruição pela leitura; sem a preocupação do didatismo, da lição de
moral, fazendo do texto um pretexto para se ensinar algum conteúdo; mas sim através de
uma proposta lúdica, pelo prazer de ouvir uma história bem contada, de humor, com
enredo bem imaginado, com pontos emocionantes, com uma narrativa viva, cheia de
surpresas, conflitos incitantes, com expressividade e questionamentos nas entrelinhas.
Nesta perspectiva, estamos organizando uma coletânea de livros da literatura
infanto-juvenil, composta por diferentes obras e autores, inclusive, efetuamos solicitações
junto a algumas Fundações para a doação de exemplares, bem como aquisição de alguns
títulos junto a livrarias (sebos), os quais farão parte da referida coletânea, preparando
assim, uma mini-biblioteca para os alunos envolvidos no presente projeto. A finalidade
dessa iniciativa é de incentivar e motivar os alunos para o hábito da leitura, foco principal
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deste trabalho, pois este hábito só se desenvolverá através do estímulo, da oportunidade e


do exemplo. Os livros serão levados para a sala de aula, os quais estarão organizados em
um “baú” e disponibilizados aos alunos para a leitura que funcionará num sistema de
empréstimo. Com essa ação pretendemos, também, desenvolver nos alunos, o senso de
responsabilidade em cuidar e zelar pelo livro emprestado, tendo o compromisso de
devolvê-lo nas mesmas condições que o levou. O aluno poderá ficar com o livro o tempo
que for necessário, sem cobranças de relatar sobre o que leu, visando apenas o prazer e o
gostar de ler.
A contação de história será desenvolvida pela professora e alunos na sala de aula,
para o fomento do gosto pela leitura dos estudantes. As narrativas deverão ser contadas
para divertir, para proporcionar prazer e experiência lúdica e, ao mesmo tempo,
aprendizado. No momento em que os alunos iniciarem a contação, a professora os
orientará sobre os aspectos técnicos que fazem parte dessa atividade, para que a história
fique interessante, atraente e bem contada. Os estudantes terão o livro, o qual escolheram
para contar, em mãos para que se sintam mais seguros. A orientação da professora aos
alunos será quanto à utilização da expressão corporal e facial, a voz modulada, a entonação
e o ritmo; as emoções sugeridas no texto, deverão aparecer na voz do contador. Enfim, é
preciso também que o contador tente transformar as imagens das histórias nos livros em
palavras, pois dessa forma permitirá que o aluno portador de necessidade especial: visual,
auditivo ou disléxico, construa as imagens em sua mente e que visualize todos os
elementos que fazem parte da história, porque as ilustrações são ricas de significados e
traduzi-las em palavras completa o próprio texto, trazendo mais encantamento para a
história ouvida.
Afinal, as encantadoras histórias contadas salvam as pessoas de suas frustrações,
fortalecem a alma e como conta Meireles (1984), “não há problema humano que não
encontre solução em alguma delas”. “A Literatura não é, como tantos supõem, um
passatempo. É uma nutrição” (MEIRELES, 1984, p. 32).

Referências
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil – gostosuras e bobices. 3.ed. São Paulo:
Scipione, 1993.

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS. Direção de Tim Burton. Local: Estados Unidos:
Walt DisneyStudios. 2010. DVD (109 min). Sonoro, legenda, color.
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ALMEIDA, Fernanda Lopes de. A fada que tinha idéias. 24.ed. São Paulo: Ática, 1997.

BANDEIRA, Pedro. O fantástico mistério de Feiurinha. 1.ed. São Paulo: FTD, 2001.

CARROLL, Lewis. As aventuras de Alice no País das Maravilhas. 1.ed. São Paulo:
Martins Fontes, 2002.

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Anexos
Biblioteca do Colégio Estadual Eleodoro Ébano Pereira

Biblioteca Pública Municipal de Cascavel

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