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FORMAS FARMACÊUTICAS .................... 3 Função de pesquisa ..................

23
FARMACOLOGIA CARDÍACA................. 46
Qualificação de compradores . 23
SÓLIDOS ............................................... 3
Solicitação de compras ............ 24 Inibidores do sistema renina-
Pós 3
angiotensina ............................46
Granulações....................................... 3 MANIPULAÇÃO.................................... 25
Inibidores da enzima conversora de
Comprimidos ..................................... 3 angiotensina (ECA) ................... 46
CÁLCULOS DE CONCENTRAÇÕES .......... 26
Drágeas ............................................. 3 Bloqueadores de receptores de
Cápsulas ............................................ 4 RAZÃO DE CONCENTRAÇÃO (RC) ......... 27 angiotensina (BRAs) ................. 46
Cápsulas de gelatinas (CG) ..................... 4 Bloqueadores β-adrenérgicos ..........47
Miligramas por cento (mg%) ........... 29
LÍQUIDOS .............................................. 4 Diuréticos .........................................47
Partes por milhão (ppm) e partes
Soluções ............................................. 4 Vasodilatadores diretos ...................47
por bilhão (ppb) ...................... 29
Preparações otológicas .......................... 4 Fármacos ionotrópicos .....................47
Soluções vaginais e retais ...................... 5 CONTROLE DE QUALIDADE (CQ) .......... 29 Antagonistas da aldosterona............... 47
Gargarejo ............................................... 5 AGENTES ANTIARRÍTIMICOS ...............48
Garantia da qualidade (GQ) ............ 30
Preparações oftálmicas ......................... 5
Gestão da qualidade ........................... 30 Classes ..............................................48
Preparações nasais ................................ 5
Classe 1 ............................................... 48
Preparações orais ..................................5 FARMACOLOGIA DO SNC ..................... 31
Classe 2 ............................................49
Suspensões ........................................ 6
SNA 32 Classe 3 ............................................... 49
Emulsões............................................ 6
SNC 33 Classe 4 ............................................... 50
Pomadas ............................................ 8 ANTIAGINOSO .....................................50
Tipos de pomadas ..................................8
PSICOTRÓPICOS ................................. 33
Hipnóticos e sedativos ..................... 34 ANTI-HIPERTENSÃO ............................51
Ceras e ceratos ...................................... 9
Ansiolítico ........................................ 34 Diuréticos .........................................51
Cremes ............................................... 9
Benzodiazepínicos............................... 34 Reguladores de volume ....................52
Pastas ................................................ 9
Barbitúricos ..................................... 35 Inibidores do sistema renina-
Gel ou Pomadas-géis ......................... 9
angiotensina ............................ 52
Supositórios ....................................... 9 AGENTES ANTIDEPRESSIVOS .............. 36
Óvulos ................................................ 9 Inibidores da MAO........................... 36 FARMACOLOGIA DA DOR .................... 53
Velas10 Inibidores da recaptação ................. 36
OPIÓIDES .............................................53
Antidepressivos tricíclicos (ADT´s) ...... 37
BIODISPONIBILIDADE .......................... 10 Inibidores seletivos da recaptação de
Morfina ............................................53
5HT .......................................... 37 PARACETAMOL ...................................54
Determinação de biodisponibilidade 11
Inibidores da recaptação de 5HT-NE... 37 ANTIINFLAMATÓRIO ........................... 55
Fatores que influenciam a
FARMACOLOGIA ANTIPSICÓTICA ....... 37
biodisponibilidade................... 11 Prostaglandinas (PG´s) .....................55
Antipsicoticos típicos ....................... 38
Extensão da absorção ..................... 11
Antipsicóticos atípicos ..................... 38 FARMACOLOGIA ANTIFÚNGICA ........... 57
Eliminação de primeira passagem .. 12
ESTIMULANTES DO SNC ..................... 38
Instabilidade química........................... 12 Inibidores da síntese de DNA ...........57
Estimulantes psicomotores ............. 39
Natureza da formação do fármaco ...... 12 Inibidores da mitose .........................57
Metilxantinas ...................................... 40
ESTABILIDADE ..................................... 13 FARMACOLOGIA RESPIRATORIA ........ 40 Inibidores da membrana ..................58
Droga antiasmática ......................... 41 Inibidores do ergosterol ...................58
Tipos de estabilidades ..................... 13 Inibidores da esqualeno epoxidase ..... 58
Mecanismos mais comuns de Tosse................................................ 41
Inibidores da 14α-esterol das
degradação química dos FARMACOLOGIA DO TGI..................... 42
metilase ................................... 59
fármacos................................... 14 Distúrbios ácido-pépticos ................ 42
Inibidores da parede celular .............59
Antiácidos ........................................... 43
PRAZO DE VALIDADE ........................... 15
Inibidores H2 ....................................... 43 FARMACOLOGIA ANTIMICROBIANA .... 60
Politica de prazo de validade........... 16 Inibidores da bomba de prótons ......... 43
Mecanismo de ação .........................60
ARMAZENAMENTO ...................... 16 Protetores da mucosa ..................... 44
Inibição da parede celular ................60
Condições de armazenamento .... 17 Vomito ............................................. 44
β-lactâmicos ........................................ 60
Estocagem ................................... 17 Antagonistas dos receptores
Inibidores da β-lactamase ................... 62
DISTRIBUIÇÃO ............................... 17 muscarinicos ............................ 44
Inibidores da topoisomerase ............62
Antagonistas dos receptores
DISPENSAÇÃO ..................................... 20 dopaminérgicos ....................... 44 Inibidores da transcrição ..................62
Purgantes ........................................ 44 Inibidores da tradução .....................63
Etapas .............................................. 21
Motilidade gastrointestinal ............. 45 Subunidade 50S................................... 63
ADMINISTRAÇÃO DE Aminoglicosídios (30S) ........................ 63
COMPRAS ................................ 22 Antidiarreicos .................................. 45
Loperamida ......................................... 45 FARMACOLOGIA ANTI-HELMÍNTICA .... 65
Princípios ..................................... 23
Difenoxilato e difenoxina .................... 45
Organograma ............................... 23
Inibidores da polimerização ANESTÉSICOS....................................... 77 Relação entre incidência e
tubulinica ................................ 65 prevalência .............................. 97
INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS ........ 81 Incidência e prevalência na
Desacopladores da fosforilação
INTERAÇÕES FARMACODINAMICAS... 81 farmacoepidemiologia ............. 98
oxidativa ................................. 66
INTERAÇÕES FARMACOCINÉTICAS ..... 82 Mortalidade .....................................99
Coordenação neuromuscular .......... 66
Taxa de letalidade (TL*) .................... 101
Absorção ......................................... 82
FARMACOLOGIA ANTIPROTOZOARIA .. 68 Mortalidade proporcional (MP*) ...... 101
Distribuição ..................................... 82
Mortalidade na
AMEBÍASE ........................................... 68 Metabolização................................. 82
farmacoepidemiologia ........... 101
Classificação dos medicamentos ..... 68 Excreção .......................................... 82 Risco relativo (RR*) ........................... 102
Amebicidas mistos ............................... 68 Razão de chance (Odds ratio) ........102
FARMACOEPIDEMIOLOGIA .................. 83
Amebicida luminais ............................. 68
Medindo efeitos terapêuticos ........103
Amebicidas sistêmicos ......................... 68 PROCESSO DE APROVAÇÃO DE Redução de risco relativo (RRR*) ...... 103
FARMACOLOGIA DA MALARIA ........... 69 FARMACOS NOS EUA .................. 83 Redução do risco absoluto (RRA*) .... 103
Esquizonticida tissular ..................... 69 Ensaios clínicos ................................ 84 Número necessário para tratar
Esquizonticida no sangue .................... 69 Fase 4 84 (NNT*).................................... 104
FARMACOLOGIA TRIPANOSSOMÍASE. 71 Sistema de relato de eventos Numero necessário para causar dano
FARMACOTERAPIA LEISHMANIOSE .... 72 adversos.................................. 85 (NNCD*) ................................. 104
Tratamento Leishmaniose visceral Desenvolvimento da Uso das medidas de associação na
(LV).......................................... 72 farmacoepidemiologia ........... 85 farmacoepidemiologia ..........104
Antimoniais.......................................... 72 EPIDEMIOLOGIA ................................. 86 Viés 104
Estudos ecológicos ................... 88 Viés de seleção .................................. 105
FARMACOLOGIA ANTIVIRAL ................ 73
Inquéritos tipo corte-transversal Viés da informação............................ 105
Inibição de fixação e entrada dos (seccionais) .......................... 88 Viés de confusão ............................... 105
vírus ........................................ 73 Estudo de caso controle .............. 90 História natural da doença......106
Inibidores do descascamento viral .. 73 Estudo de coorte ............................ 90 Conceito de prevenção ............107
Inibição da replicação do genoma PROCESSO EPIDÊMICO .............. 92
viral ......................................... 74 INDICADORES DE SAÚDE .......... 94
Inibição da liberação viral ............... 74 Morbidade ....................................... 94
Moduladores do sistema imune ...... 75 Incidência ............................................ 94
Inibição da maturação viral............. 76 Prevalência.......................................... 96
FORMAS FARMACÊUTICAS  Vantagens:
Ou preparação medicamentosa é como o  Não liberam pós durante sua armazenagem e
medicamento se apresenta para ser usado, como administração;
resultado da mistura de substância adequado para  Os grãos constituintes não aderem entre si;
serem administradas com finalidade terapêutica. A  São mais agradáveis de ingerir do que os
ANVISA conceitua a forma farmacêutica pós, e a posologia é facilmente mantida
substâncias que após uma ou mais operações porque a sua quantidade pode ser medida
farmacêuticas executadas com ou sem a adição por meio de colheres;
de excipientes apropriados, a fim de facilitar o seu  Quando preparamos sob as formas
uso e obter o efeito terapêutico desejados, com efervescentes são susceptíveis de melhor
características apropriadas a uma determinada via conservação do que os pós-correspondentes,
de administração. tendo menor área de superfície, são menos
As formas farmacêuticas são as formas físicas afetados pela umidade;
de apresentação de medicamentos (comprimido,  Ao contrário dos pós, podem ser revestidos
xarope, supositório etc.). E são classificados em com envolvimentos protetores.
sólidas, líquidas, pastosas e gasosas.
Comprimidos
SÓLIDOS São preparações farmacêuticas sólidas, de
formas variadas, cilíndrica ou lenticular, obtidas
Pós agregando-se por pressão, varias substâncias
São partículas sólidas, livres e secas, mais ou medicamentosas secas, e podendo ou não
menos finas, com um ou mais PA adicionados ou encontrar-se envolvidas por revestimentos
não adjuvantes e, se preciso com corante e especiais, formando as drágeas. Sua grande
aromatizante. São resultados da divisão das maioria é destinada à via oral, sofrendo
formas farmacêuticas sólidas, constituindo uma desagregação na boca, estômago ou intestino.
forma de administração direta ou destinada à  Vantagens:
obtenção de outras formas. Para prepararmos  Maior precisão de dosagem e menor
comprimidos, hóstias, pastilhas, pílulas, etc. variabilidade de conteúdo;
Precisamos pulverizar as drogas constituintes das  Facilidade de manuseio, administração e
respectivas fórmulas, que só depois serão transporte pelo usuário;
trabalhadas no sentido de se obter o medicamento  Maior estabilidade física e microbiológica;
desejado. A redução dos fármacos a pó apresenta  Melhor adequação à produção em escala
várias vantagens, a pulverização não diminui a industrial e menor custo.
atividade dos fármacos e cria-lhes condições para  Desvantagens:
que apresentem um efeito farmacológico mais  Não é uma forma farmacêutica emergencial;
rápido e regular. Muitos fármacos se dissolvem  Impossibilidade de adaptação de posologia
depois de pulverizados e, de um modo geral, a individual;
sua extração, é mais eficaz à medida que diminui  Impossibilidade de obtenção econômica de
suas partículas. quantidades reduzidas, dado ao custo
 Vantagens: elevado do equipamento;
 Substituem outras preparações da mesma  Impossibilidade de administração a lactantes
droga; e idosos.
 Teor mais elevado de PA do que outras
formas farmacêuticas;
 Obtenção mais econômica e rápida, sem
necessidade de recorrer a dissolvente e a
aparelhagem é menos complicada.

Granulações Drágeas
São formas farmacêuticas sólidas constituídas Embora possamos revestir os granulados, as
por um ou mais PA, adicionados com adjuvantes, pílulas e as capsulas, os comprimidos são as
sob a forma de grânulos homogêneos, destinados formas farmacêuticas com maior aplicação desse
à administração oral, ou como intermediários nas processo. Comprimidos revestidos são chamados
preparações de drágeas, cápsulas e comprimidos. de drágeas.
São constituídos por substâncias medicamentosas  Vantagens:
associadas a açúcares ou outros adjuvantes,  Administração de medicamento com PA de
apresentando-se formados por pequenos grãos ou aromas ou sabor desagradável;
grânulos irregulares, cujo conjunto tem aspecto  Possibilita o uso de substâncias que
homogêneo. atacariam as mucosas;
 Permite, com o envolvimento adequado, que  Emulsões;
os comprimidos resistam à ação do suco  Suspensões.
gástrico;
 Promove fácil deglutição dos comprimidos Soluções
que desliza melhor para o estômago, já que São misturas de duas ou mais substâncias do
suas arestas foram arredondadas. ponto de vista químico e físico são homogêneas.
As soluções farmacêuticas são sempre líquidas e
Cápsulas obtidas da dissolução de um sólido ou líquido em
São formas farmacêuticas sólidas, com invólucro outro líquido. Os fatores que influenciam na
duro ou mole, de várias formas e tamanhos, dissolução são:
contendo uma dose unitária de PA. Os invólucros  pH: Dependendo do pH do soluto, há maior
são formados de gelatina de origem animal, ou menor dissolução do mesmo em função
também podem ser de amido. do pH do solvente;
 Agitação: em geral, quanto maior a agitação
Cápsulas de gelatinas (CG) melhor a dissolução;
São preparações feitas por invólucros gelatinosos  Tamanho do soluto: quanto menor a
ocos, de forma esférica, ovoide, coradas ou partícula do soluto a ser dissolvido, melhor
brancas, contendo PA sólidos, pastosos ou sua dissolução.
líquidos. As cápsulas duras tem o invólucro é  Temperatura: em geral o aumento da
constituído por gelatina. As cápsulas moles ou temperatura facilita a dissolução.
elásticas são formadas por gelatinas adicionadas  Vantagens:
de emoliente. As CG duras são consideradas, a  Flexibilidade de dosagem;
melhor forma para acondicionar PA, pois  Facilidade de administração;
protegem contra ação da luz, da associação de  Rápida absorção;
substâncias incompatíveis, impedido a percepção  Homogeneidade na dosificação independente
de sabor e odor desagradável dos fármacos, com da agitação, quando comparada à forma de
pouco volume, conservam-se bem e de boa suspensão;
aparecia. Por outro lado, as substâncias  Possibilidade de adição de co-solventes para
administradas na forma de CG orais são princípios ativos pouco solúveis no veículo
rapidamente liberadas quando em contato com o principal.
suco gástrico, mas podemos revesti-las com  Desvantagens:
envolvimento gastrorresistentes, fazendo  Maior possibilidade de alterações físico-
degradar-se no intestino. Sob a forma de CG químicas;
podemos administrar medicamentos destinados a  Maior possibilidade de contaminação;
proporcionarem uma ação farmacológica líquida,  São mais difíceis de serem transportados
sejam acondicionados no invólucro gelatinoso pelo paciente do que as formas sólidas.
pequenos grânulos com tempos de desagregação  O paciente pode não ter acesso a sistema de
diferente. As CG podem ser administradas por medida de volume preciso e uniforme,
vias diferentes da bucal preparando-se cápsulas podendo haver variação de uma dose para
para aplicação retal, nasal e vaginal. Para outra.
satisfazer os requisitos, é preciso ter as seguintes  Sistema homogêneo: É caracterizado por
qualidades: apresentar somente uma fase, podendo ser
 Os PA devem ser estáveis; constituída por uma substância pura ou uma
 Os receptores gelatinosos não devem sofrer mistura homogênea:
alterações;  Água e sal, água e açúcar;
 As cápsulas devem ser administradas sem Sempre que não podemos distinguir as fases de
qualquer incomodo causado pelo cheiro ou um sistema a olho nu ele é classificado como
pelo sabor dos seus componentes; homogêneo.
 O tamanho e forma das capsulas devem ser
adequados à administração. Preparações otológicas
LÍQUIDOS São preparações destinadas à aplicação na
Podem conter uma ou mais substâncias químicas cavidade auricular, apresentadas sob formas
dissolvidas num solvente adequado, ou em uma líquidas ou semi-sólidas. São produtos semi-
mistura de solventes miscíveis, ou dispensáveis estéreis, veículo viscoso, para aderir às paredes
no que diz respeito às preparações. Representam do conduto auditivo. É usado para remoção de
a maior parte das formas farmacêuticas, quando cerume em excesso, tratamento de infecções,
comparada com a concentração do ativo. inflamações ou dores nos ouvidos.
 Soluções:  Líquidas: São formas destinadas à instilação
 Simples e Composta; no conduto auditivo;
 Xaropes;  Pomadas óticas: São preparações semi-
 Elixires. sólidas aplicadas no exterior do ouvido.
 Dispersões:
 Pós de uso ótico ou insuflações: São  Errinos: Forma farmacêutica destinada ao
preparações preparadas com pó ou misturas tratamento da mucosa nasal é geralmente de
de pós finamente divididos que são ação tópica. A maior parte contem agentes
administrados no conduto auditivo. adrenérgicos e são usadas por sua atividade
descongestionante. Os descongestionantes
Soluções vaginais e retais nasais são soluções aquosas, isotônicas em
 Duchas: São preparações farmacêuticas relação aos fluidos nasais, tamponados, com
líquidas destinadas a serem introduzidas em conservantes se preciso. É usado no
cavidade do corpo com finalidade de limpeza e tratamento de renite e sinusite. Os errinos
assepsia: podem ser veiculados com solução aquosa,
 Enema: Forma farmacêutica líquida destinada solução oleosa e pomadas. A maioria das
a ser instilada no reto com fim laxativo ou para soluções nasais são preparações aquosas,
produzir outro efeito local ou ainda sistêmico isotônicas e tamponadas para manter a
aplicação visando à ação sistêmica com efeito estabilidade. As soluções oleosas mantêm o
rápido. principio ativo mais tempo em contato com a
 Colutórios: São medicamentos que agem mucosa e ainda protege do ressecamento,
diretamente na gengiva e na mucosa bucal, porém, alteram a viscosidade dificultando o
ajudam a eliminar o mau hálito e também movimento ciliar. As pomadas apresentam alta
podem ter efeito antibacteriano anticárie. A viscosidade, prejudicando o movimento ciliar.
maioria deles é apresentada em forma de Alguns descongestionantes nasais podem ser
spray ou elixir e fazem parte da rotina de administrados na forma de inalantes. O
higiene oral de muitas pessoas. principio ativo volátil é colocado junto com o
inalante que se volatiliza lentamente a
Gargarejo temperatura ambiente liberando o PA.
São soluções aquosas à lavagem e assepsia da
boca e garganta. Suas principais características Preparações orais
são: cores fortes, veículo aquoso ou hidroalcoólico, São formas farmacêuticas líquidas destinadas ao
pode conter mel, glicerina e flavorizantes. uso oral e podem ser classificados em: xarope,
Fármacos como anticépticos, antibióticos e elixir e gotas.
anestésicos locais.  Vantagens: Os líquidos são deglutidos mais
facilmente que sólidos, sendo mais indicado
Preparações oftálmicas para uso pediátrico, os fármacos devem estar
São preparações destinadas à aplicação na em soluções para serem absorvidos e quando
mucosa ocular sendo apresentada sob formas administrados nessa forma estarão
líquidas ou semi-sólidas. prontamente disponíveis para serem
 Colírios: São preparações farmacêuticas absorvidos. Respostas farmacêuticas mais
aplicada nos olhos. É um medicamento para rápidas comparando com a forma sólida. A
ser aplicado nos olhos e pálpebras, de uso administração de fármacos solução pode
tópico. Soluções ou suspensões aquosas ou diminuir o efeito irritante de certos fármacos
oleosas contendo uma ou várias substâncias como aspirina e cloreto de potássio, pois serão
medicamentosas destinadas à instilação rapidamente diluídos nos fluidos corporais.
ocular. O fármaco vai se dissolver no filme  Desvantagens: Os líquidos são volumosos
aquoso formado pela conjuntiva. Trata apresenta o inconveniente de transporte e
condições superficiais ou intraoculares: estocagem. Casos de quebra do frasco perde
 Incluindo infecções bacterianas, fúngicas e o produto, tratando de estabilidade, sob a
virais dos olhos ou pálpebras; forma de solução os componentes são menos
 Conjuntivites alérgicas ou infecções; estáveis do que quando estão sob a forma
 Síndrome do olho seco. sólida.
As soluções oculares são administradas em  Elixir: Forma farmacêutica líquida
pequenas quantidades, são usadas soluções em hidroalcóolica aromatizada e edulcorada com
gotas e pomadas aplicadas, em finas camadas na sacarose ou sacarina para uso oral. São
margem das pálpebras. Os colírios devem ser preparações líquidas límpidas, hidroalcoolicas
estéreis e com boa conservação. Podemos usar apresentando teor alcoólico na faixa de 20 a
conservantes para manter a esterilidade durante o 50%. Ele pode ser um veículo para outras
uso, quando livre de conservantes devem ser preparações, os elixires são preparados por
acondicionados em embalagem de dose unitária. dissolução simples e devem ser envasado em
frasco de cor âmbar e mantidos em lugar
Preparações nasais fresco e ao abrigo da luz.
São preparações destinadas à aplicação na  Vantagens: A razão para se optar por
mucosa nasal, sendo apresentadas sob formas suspensões são:
líquidas ou semi-sólidas.
 Aumento ou controle da biodisponibilidade; São sistemas heterogêneos em que a fase
Correção ou atenuação de sabor externa é líquida ou semissólida, e a fase interna é
desagradável; constituída por partículas sólidas insolúveis no
 Aumento da estabilidade química em meio usado. O fármaco é conhecido como fase
solução; dispersa, enquanto que o veículo é chamado fase
 Possibilidade de administrar fármacos dispersante, juntos produzem um sistema
insolúveis na forma líquida; disperso. Usamos as suspensões para três
 Maior facilidade na correção de sabor finalidades:
desagradável de certos fármacos;  Para uso oral;
 Retarda o tempo de absorção de fármacos  Para aplicação tópica na pele e mucosas;
por via injetáveis;  Para administração parenteral.
 Desvantagens: Algumas suspensões orais já vêm prontas para o
 Baixa estabilidade física; uso, estão dispersas num veículo líquido com ou
 Menor uniformidade; sem estabilizantes e outros aditivos farmacêuticos.
 Menor velocidade de absorção. Outras estão disponíveis para o uso na forma de
pó seco, destinado a serem misturado com veículo
 Xaropes: São preparações aquosas líquido. Este tipo de produto geralmente é uma
concentradas em açúcar ou outra substância mistura de pós que tem fármacos, agentes
que o substitua, com ou sem adição de suspensores e conservantes. A fase dispersa é
flavorizantes ou PA. Xaropes que contem insolúvel na fase líquida, mas, através de agitação
flavorizantes e não fármacos são chamados de podem ser facilmente suspensas. Esta mistura ao
veículos não medicamentosos, apresentam a ser diluída e agitada com uma quantidade de
finalidade de ser usado como veículo de sabor veículo forma uma suspensão apropriada para a
agradável para os fármacos que lhe serão administração, chamada de suspensão
acrescentados. extemporânea. Esta forma é ideal para veicular
 Xaropes com e sem açúcar: O açúcar mais os fármacos instáveis em meio líquido. Deve ter a
usado na preparação de xaropes é a seguinte palavra: AGITE ANTES DE USAR.
sacarose, podendo ser substituído por outros
não açúcares como sorbitol, glicerina e
propilenoglicol. Muitas vezes a sacarose não
é usada na preparação dos xaropes para que
esses possam ser administrados. Aos
pacientes diabéticos, compostos como
sorbitol, glicerina e propilenoglicol não devem
contar na formulação do xarope, sendo
substituídos por compostos não glicogênicos
como metilcelulose e hidroxietilcelulose.
 Xarope simples: É preparado pela
dissolução de 85g de sacarose em água
suficiente para obter 100ml de solução, sendo
que se for usada em seguida não precisa de
conservante.

Suspensões Emulsões
São formas farmacêuticas que contêm partículas São dispersões de duas fases líquidas
do PA numa dispersão uniforme, num veículo no constituída por um líquido imiscível num outro
qual o PA apresenta uma solubilidade mínima. líquido sob a forma de gotículas. Sua estabilidade
São preparações líquidas que contem uma ou depende do tipo de agentes emulsionantes
mais substâncias químicas dissolvidas num usados, e da película interfacial capaz de formar-
solvente ou numa mistura de solventes, que, de se rapidamente, impedindo a aproximação e união
acordo com as suas características, usamos as da fase dispersa.
soluções para via oral, ótica, oftálmica ou tópica. A partir dos componentes e da viscosidade
A vantagem no uso da suspensão em qualquer podemos separá-las como líquidos para uso
forma, para um líquido a maior parte limitada para internos ou externos, ou semissólidos para uso
preparações de um sólido, um líquido, e externo. As formas de uso externo são chamadas
frequentemente um gás solúvel num liquido. loções quando líquidas, de cremes quando
sólida. São classificadas pelo:
 Tamanho das gotículas: microemulsões e  o/a: fase interna formada por gotículas de
emulsões; óleo envoltas pela fase aquosa, são
 Número de fases: bifásica, trifásica e múltipla; facilmente lavadas;
 Dispersão das fases: emulsões (a/o) ou (o/a).  a/o: fase interna formada por gotículas de
 A maioria das emulsões é do tipo o/a: laváveis H2O, envolta por uma fase oleosa contínua.
e facilmente removidos da pele ou das roupas,  Múltiplas
apresentando melhor biodisponibilidade.  a/o/a: Água em óleo, em água: fase mais
interna aquosa, circundada por uma fase
intermediária oleosa, e por fim, envolvida
pela fase aquosa;
 o/a/o: Óleo em água, em óleo: fase mais
interna oleosa, circundada por uma fase
intermediária aquosa, e por fim, envolvida
Figura 1: Emulsão. (a) tensoativos (agente emulsificante); (b) pela fase oleosa.
óleo; (c) água; (d) agitação; (e) emulsão.

 Vantagens:
 Aumento da estabilidade química da solução;
 Solubilização do fármaco na fase interna ou
externa;
 Mascaramento de sabor e odor desagradável
de certos fármacos pela solubilização;
 Biocompatibilidade com a pele humana. Figura 3: (1) emulsões o/a: (a) água; (b) óleo. (2) emulsões
 Desvantagens: a/o: (a) óleo: (b) água. (3) emulsão o/a/o. (a) água; (b) óleo; (c)
água. (4) emulsão o/a/o; (d) óleo.
 Baixa estabilidade física ou físico-química;
 Menor uniformidade.  Uso interno e externo: O interesse da
farmacotécnica nas emulsões vem da
 Pré-requisitos: As emulsões devem possibilidade da administração, numa mistura
apresentar viscosidade adequada ao uso substâncias hidro e lipossolúveis, o que,
tópico ou oral. Os tensoativos usados na conforme ao seu fim, podem ser uma emulsão
estabilização das emulsões devem apresentar de uso interno ou externo.
valores de EHL adequados e ser compatíveis  Uso interno: Uma emulsão para uso interno
com uso interno ou externo. pode ser administrada oralmente ou por via
 Componentes: São constituídos por duas endovenosa.
fases uma de natureza aquosa e outra oleosa,  Via oral: As emulsões administradas por VO
e os agentes emulsivos sempre entre elas. pertencem ao tipo o/a, tornando palatáveis
 Fase aquosa: A H2O fase obrigatória em óleos intragáveis, visto que a dispersão é
todas as emulsões podem ter em dissolução feita em veículo aquoso edulcorado e
várias substâncias, como produtos flavorizado, e a fase interna passa pelas
medicamentosos, conservantes, corantes, papilas gustativas sem entrar em contato
edulcorantes e aromatizantes. com elas, indo direto para o estômago. Os
 Fase oleosa: A fase oleosa de uma emulsão agentes molhantes devem ser
pode ser constituída por óleos, resinas, hidrossolúveis, pois tais substâncias devem
goma-resina, ceras e gorduras, além de ficar concentradas na fase externa da
substâncias lipossolúveis, como o salicilato emulsão, uma vez que poderão disfarçar o
de fenilo, cânfora, vitaminas óleos solúveis, gosto da droga que queremos corrigir.
antioxidantes e anticépticos, etc. O tamanho reduzido dos glóbulos de óleo pode
torná-lo mais digerível e acelerar sua absorção.
Em alguns casos podemos corrigir o gosto
desagradável de algumas substancias
hidrossolúveis que figuram na mesma emulsão o/a
recorrendo a uma dupla emulsão. Conseguimos
encobrir o gosto amargo de um produto solúvel na
água incorporando-o primeiro na fase interna de
uma emulsão do tipo a/o por adição de um agente
Figura 2: Emulsão. (a) fase oleosa; (b) fase aquosa. emulsivo do tipo hidrófilo, resultando que a
substância amarga fica situada na parte mais
 Tipos de emulsão: A fase em que o interna da fase aquosa da dupla, emulsão a/o/a,
tensoativo for mais solúvel determina a fase conseguindo-se, assim, disfarçar o seu paladar
externa. Sendo assim, as emulsões se dividem desagradável.
em simples e múltiplas.  Uso externo: Para aplicação externa as
 Simples: emulsões podem ser do tipo o/a ou a/o,
podendo ser preparada uma fórmula de
consistência variável. As soluções de uso Pomadas
externo, aplicáveis sobre a pele, podem ser Formas farmacêuticas plásticas deformáveis, de
preparadas na forma o/a ou a/o dependendo consistência mole, destinada ao uso externo, para
de fatores, como natureza dos agentes a ação tópica, dotadas de propriedades plásticas
terapêuticos, necessidade de um emoliente, e que permitem, mediante um esforço mecânico,
situação da superfície cutânea. Na pele que a sua forma se modifique, adaptando-se às
íntegra, as emulsões de a/o geralmente podem superfícies da pele ou às paredes das cavidades
ser aplicadas com mais uniformidade, pois a mucosas que se aplicam.
pele está coberta por uma fina película de As pomadas são usadas para ações epidérmicas,
sebo, e essa superfície é mais facilmente já que a penetrabilidade dos fármacos que
umedecida por óleo do que por água. As transportam é pouca. Nestas circunstâncias são
emulsões de a/o também são mais emolientes especialmente usados como veículos de fármacos
para a pele, pois resistem mais à secagem e antissépticos e adstringentes. São classificadas
são resistentes à retirada pela água. Por quanto à sua composição ou em relação ao tipo
vezes, a emulsificação de um medicamento de ação terapêutica, em:
numa base provoca a diminuição do ritmo de  Epidérmicas: Pomadas que possui fraco ou
absorção dessa substância através da pele e nenhum poder de penetração cutânea;
das membranas mucosas e tal propriedade  Endodérmicas: Pomadas que penetram na
pode ser aproveitada para obtenção de epiderme, atuando nas camadas mais
fórmulas de ação retardada. Assim a efedrina, profundas, mas sem que os fármacos
na forma de emulsão o/a, é mais lentamente veiculados cheguem à circulação.
absorvida pela mucosa nasal do que aplicada De acordo com o aspecto, consistência ou
em solução oleosa, o que torna possível composição do excipiente:
prolongar seu efeito vasoconstritor local.  Pomadas propriamente ditas: São untuosas
e preparadas com excipientes gordurosos ou
com PEG;
 Cremes: São preparados com excipientes
emulsivos do tipo o/a ou a/o;
 Cerelos ou Cerotos: Contém uma % de
ceras;
 Unguentos: Quando contém resinas;
 Pasta dérmica: Apresentam-se espessas,
com muitos pós-insolúveis;
 Glicerídeos: Excipiente constituído de gel de
amido com um poliol, como a glicerina;
 Pomadas-geleia: Quando os seus excipientes
são géis minerais ou orgânicos.

1. Para uso externo: Tipos de pomadas


 Cutâneo (tópico):  Pomadas propriamente ditas (PPD): São
 Pomadas; preparadas com excipientes gordurosos ou
 Cremes; com PEG, apresentam-se moles e untuosas.
 Unguentos; São preparações anidras ou com pouca
 Pasta; quantidade de água incorporada. Em regra,
 Cataplasma; são congestivas, pois não permitem a
 Loções. respiração cutânea. A PPD que contém
 Retal (supositórios): resinas é designada por unguentos. O termo
 Vaginal; unguento vem do latim Ungere=untos e é hoje
 Óvulos; tomado no sentido, de qualquer tipo de
 Comprimidos; pomada. Unguentos são preparações de
 Geleias; consistência firme, mais espessa do que a dos
 Oftalmológico; ceratos, que além de, conterem natureza
 Otorrinolaringológico. resinosa, podem apresentar ceras.
 PPD hidrófobas: formas semi-sólidas, Gel ou Pomadas-géis
translucidas, pegajosas, e consistentes São constituídos por géis minerais ou orgânicos.
que absorvem pouca água; As pomadas géis tem um efeito emoliente e
 PPD hidrófilas: formas miscíveis na água, refrescante, mas a sua rápida secagem
composta de polímeros hidrófilos (PEG) de transforma-os numa película quebradiça quando
pesos moleculares distintos. São aplicadas na epiderme. Por outro lado, estas
consistentes, removidas por água e de pomadas são susceptíveis de não apresentarem
aparência translucida. poder de penetração cutânea, já que os seus
excipientes, formados por grandes moléculas
Ceras e ceratos coloidais, não podem atravessar a epiderme
Dentro das PPD temos aquelas que contêm intacta e, não mostram qualquer espécie de
ceras e podemos designar por ceratos. O termo afinidade as proteínas da pele.
cerato ou ceroto provém da designação dada, em
latim, as preparações untuosas que apresentam Supositórios
elevada quantidade de ceras. Consideramos como São preparações farmacêuticas sólidas, com um
ceratos as pomadas com 20% ou mais de ceras, ou vários PA, de forma e peso variado. A sua
podendo possuir uma pequena quantidade de forma (cônica ou ovoide), volume, consistências
água, mas que, não formam emulsões são adaptadas à administração retal. No reto
verdadeiras, mas pseudoemulsões. devem fundir-se, dissolver-se, emulsionar ou
desagregar-se. Normalmente com peso
Cremes aproximado de 2,5g, para adultos 1,5g para
Cremes são emulsões com substâncias crianças e 1g para lactantes. Os PA são triturados
medicamentosas dissolvidas ou suspensas nas e tamisados, em seguida dispersos ou dissolvidos
suas fases aquosa ou oleosa. A maioria são num excipiente simples ou composto, solúveis ou
emulsões de o/a, também são preparados vários disperso na água ou que funde à temperatura
cremes de a/o. Por vezes, a fase oleosa pode corporal. Assim, os supositórios podem destinar-
apresentar elevado poder de penetração na pele, se a um tratamento local (adstringentes,
em especial molhantes, que permitem atravessar desinfetantes, anestésicos, anti-inflamatório,
a barreira lipídica cutânea que emulsionam. Esta laxativos por efeito osmótico, etc.), ou substituírem
propriedade favorece o contato com a superfície as preparações que eram por via oral (fármacos
do tecido epitelial e permite a mistura, por irritantes, nauseosos, com cheiro e sabor
emulsificação, com conteúdo dos sacos pilo- desagradável; existência de lesões gástricas,
sebáceos. Esses cremes combinam-se, pelos impossibilidade de deglutição, tratamento em
seus constituintes emulsivos, com as proteínas pediatria, etc.). Os supositórios também podem
celulares, sendo mais intensa a fixação quando os substituir as medicações parenterais,
emulgentes forem catiônicos. hipodérmicas e intramusculares, sempre que os
Os cremes de o/a são bem tolerados nas fármacos determinem reações locais, como
epidermes, podendo ser irritantes, em especial os endurecimento, infiltração dolorosa, tumefação,
de aniões ativo, quando a pele apresenta solução etc. Ou quando as substâncias medicamentosas
de continuidade. Nesses casos, tem-se procurado influenciam o metabolismo, ou seja, inativados
reduzira a irritação provocada adicionando sais pelas enzimas da região.
tampões ao creme.
Uma das principais vantagens dos cremes o/a é o
fato de serem facilmente removido da pele ou das
roupas por simples lavagem.
Óvulos
Pastas Conhecidos como supositório vaginal, são
O termo pasta dérmica, designa preparações preparações farmacêuticas de forma ovoide, de
para aplicação cutânea que tem uma quantidade consistência sólida, em regra mole, destinado a
de substâncias pulverulentas. serem introduzidos na vagina. Obtidas por
A presença de altas concentrações de pós torna solidificação ou compressão em moldes, são
as pastas completamente diferentes das pomadas obtidos por incorporação de PA num excipiente
propriamente ditas, pois apresentam um ligeiro Hidrodispersíveis, como a glicerina-gelatinada. Em
efeito secante, absorvendo os exsudados geral destinado à ação local, sendo antibióticos,
cutâneos, o que se deve à adsorção ou à antiparasitários, antissépticos, entre outros, os
capilaridade, não causando congestão dos fármacos mais usados em óvulos são:
tecidos, como acontece com as pomadas.  Mercurocromo (antisséptico), Tanino
Podemos usa-lo para superfícies cutâneas úmidas (adstringente), Ópio (calmante), Penicilina e
ou molhadas, estando indicado, neste caso, o uso sulfamidas (bactericida e bacteriostático).
de pasta formada por excipientes hidrófilos
miscíveis com as secreções da pele.
Velas
São preparações farmacêuticas consistentes de
forma cilíndrica destinada à aplicação uretral. São
cilíndricos arredondados numa das extremidades,
eram preparadas com lactose, goma arábica e
mel, hoje são obtidos com gelatina-glicerinada,
manteiga de cacau e glicerídeos semissintéticos.
Devem ser sólidos, mas elásticas para resistir,
sem ruptura, as deformações inerentes a sua
aplicação.

2. Para uso parenteral:


 Grandes volumes:
 Nutrição parenteral prolongada;
 Pequenos volumes (ampolas, injeções);
 Intramuscular;
 Intravenoso;
 Intrarraquidiano.
 Contraste radiológico;
 Intradérmico (pellets),

BIODISPONIBILIDADE
A biodisponibilidade mede a quantidade de um
medicamento contido em determinada forma
farmacêutica que, ao ser administrada por
qualquer via num organismo vivo, atinge a
circulação sanguínea de forma inalterada. A
biodisponibilidade é também a quantidade de
medicamento que atinge não só a circulação
sanguínea como também o local de ação. Os
dados de biodisponibilidade são usados para
determinar:
 A quantidade de um medicamento absorvido a
partir de uma determinada forma farmacêutica;
 A velocidade de absorção do medicamento;
 A permanência do medicamento nos líquidos calculada para a administração oral comparada
do organismo e sua correlação com as com à área calculada para a injeção IV quando a
respostas farmacológicas ou tóxicas. dosagens são equivalente.
Estas informações tem importância para a
determinação da posologia de um medicamento e
da sua forma farmacêutica.

Figura 6: Determinação de biodisponibilidade: (1)


concentração plasmática do fármaco; (2) tempo; (a) ASC
Figura 4: A duração da ação e concentração plasmática de injetada; (b) ASC oral; (c) fármaco administrado; (d) fármaco
uma droga pode ser afetada pela sua velocidade de absorção. injetado; (e) fármaco administrado por via oral.
Na figura há 3 medicamentos com taxas de absorção
diferentes. O medicamento A é absorvido rapidamente, o
medicamento C sofre absorção lenta, a velocidade de Fatores que influenciam a biodisponibilidade
absorção do medicamento B está entre as dos medicamentos Em contraste com a administração IV, que confere
A e C. o medicamento A alcança a maior concentração 100% de biodisponibilidade, a administração oral
plasmática máxima. O medicamento C é absorvido
lentamente e nunca alcança uma concentração plasmática de um fármaco envolve metabolismo de primeira
elevada, ficando mais tempo no plasma que os medicamentos passagem. Está biotransformação, além das
A e B.
características físicas e químicas dos fármacos,
determina a quantidade de fármaco que alcança a
circulação e a que velocidade. A ÁREA SOB A
CURVA (ASC) do tempo de concentração no
sangue é proporcional à extensão da
biodisponibilidade de um fármaco, se a eliminação
for de primeira ordem para uma dose intravenosa,
presume-se que a biodisponibilidade seja igual à
unidade. No caso de um fármaco administrado por
via oral, a biodisponibilidade pode ser menor que
100%, por quatro razões principais:
1. Extensões incompletas da absorção através
Figura 5: Curvas e tempo de concentração no sangue, da parede intestinal;
ilustrando como mudanças na velocidade de absorção e 2. Eliminação na primeira passagem pelo fígado.
extensão da biodisponibilidade pode influenciar tanto a
duração da ação como a efetividade da mesma dose total de 3. Instabilidade química.
um fármaco, administrado em três formulações diferentes. A 4. Natureza da formação do fármaco.
linha tracejada indica a CA do fármaco no sangue: (1)
concentração do fármaco no sangue; (2) tempo; (A) fármaco
rápida e completamente disponível; (B) somente metade da
disponibilidade de A, mas velocidade igual a A; (C) fármaco
completamente disponível, mas velocidade somente metade
de A.

Extensão da absorção
Determinação de biodisponibilidade Depois da administração oral, um fármaco pode
A biodisponibilidade é determinada pela ser absorvido incompletamente, por exemplo,
comparação dos níveis plasmáticos do fármaco e somente 70% de uma dose de digoxina alcançam
de uma via particular de administração (ex.: a circulação sistêmica. Isso se deve à falta de
administração oral) com os níveis plasmáticos do absorção do intestino. Outros fármacos são
fármaco obtidos por injeção IV, na qual o fármaco demasiadamente hidrofílico (Atenolol) ou lipofílico
entra na circulação rapidamente. Quando o (aciclovir) para serem absorvidos com facilidade, e
fármaco é administrado por via oral somente parte sua baixa biodisponibilidade também se deve à
da dose aparece no plasma. Lançando a absorção incompleta.
concentração plasmática do fármaco contra o Se muito hidrofílico, o fármaco não pode
tempo, podemos mensurar a área sob a curva atravessar a membrana lipídica celular; se
(ASC). Essa curva reflete a extensão da absorção lipofílico demais, o fármaco não é solúvel o
do fármaco. A biodisponibilidade de um fármaco bastante para cruzar a camada de água adjacente
administrado por via oral é a relação da área à célula. Fármacos podem não ser absorvidos por
causa de um transportador inverso associado à 1. A biodisponibilidade é menor do que 100%
glicoproteína-P. esse processo bombeia para fármacos que não são administrados por
ativamente o fármaco fora das células da parede via intravenosa.
intestinal e de volta ao lúmen do intestino. A 2. A ÁREA SOB A CURVA (ASC) é o parâmetro
inibição da glicoproteína-P e do metabolismo da farmacocinético usado para avaliar a
parede intestinal, por exemplo, por suco de biodisponibilidade absoluta.
toranja, pode se associar aumento da absorção do 3. Medicamentos de uso oral cujos fármacos não
fármaco. sejam absorvidos no trato gastrintestinal não
necessitam de estudos de biodisponibilidade
Eliminação de primeira passagem relativa.
Após a absorção através da parede intestinal, o 4. A biodisponibilidade traduz a velocidade e a
sangue da veia porta leva o fármaco ao fígado extensão de absorção de um fármaco a partir
antes da entrada na circulação sistêmica. Um de uma forma de administração.
fármaco pode ser metabolizado na parede Assinale:
intestinal (ex.: pelo sistema enzimático CYP3194), a. Se apenas a afirmativa 2 estiver correta.
ou mesmo no sangue da porta, porem, é mais b. Se apenas as afirmativas 2, 3 e 4 estiverem
comum, o fígado metabolizar antes do fármaco corretas.
atingir a circulação sistêmica. Além disso, o fígado c. Se apenas as afirmativas 2 e 3 estiverem
excreta o fármaco na bile. Qualquer desses corretas.
lugares contribui para a redução da d. Se apenas a afirmativa 4 estiver correta.
biodisponibilidade, e o processo geral é conhecido e. Correta: Se todas as afirmativas estiverem
como eliminação de primeira passagem o efeito corretas.
da eliminação hepática na primeira passagem
sobre a biodisponibilidade é expresso como a Ex.: 2: Com relação a biodisponibilidade de um
razão de extração (ER): fármaco é INCORRETO afirmar que:
𝐶𝐿 a. Incorreta: Para uma dose, por via oral, de um
ER 𝑙𝑖𝑔𝑎𝑑𝑜
𝑄 fármaco a biodisponibilidade pode ser superior
Onde Q é o fluxo sanguíneo hepático, a unidade ou 100%.
normalmente cerca de 9L/h numa pessoa que b. A biodisponibilidade é a fração do fármaco
pesa 70Kg. inalterado que alcança a circulação sistêmica
A biodisponibilidade sistêmica do fármaco (F) após sua administração por qualquer via.
pode ser prevista a partir da extensão de c. Para uma dose intravenosa de um fármaco, a
absorção (f) e da razão de extração. biodisponibilidade é igual à unidade ou 100%.
F=fx(1-ER) d. Para uma dose, por via oral, de um fármaco a
Um fármaco como a morfina é quase biodisponibilidade pode ser inferior a unidade
completamente absorvida (f=1), de modo que a ou 100%.
perda no intestino é irrisória. Contudo, a razão de
extração hepática para a morfina é a depuração
da morfina (60L/h/70Kg) dividida pelo fluxo
sanguíneo hepático que a biodisponibilidade da
morfina seja cerca de 33%, o que está próximo do
valor observado.

Instabilidade química Ex.: 3: De acordo com as definições técnico-


Alguns fármacos, como a benzilpenicilina são científicas e legais, dois medicamentos serão
instáveis no pH gástrico. Outros, como a insulina, considerados bioequivalentes quando,
são destruídos no TGI pelas enzimas. apresentados sob a mesma forma farmacêutica e
contendo idêntica composição qualitativa e
Natureza da formação do fármaco quantitativa de princípios ativos, apresentarem
A absorção pode ser alterada por fatores não comparável biodisponibilidade quando estudados
relacionados com a sua estrutura química. Por num mesmo desenho experimental. A respeito do
exemplo, o tamanho da partícula, o tipo de sal, o assunto, assinale a alternativa CORRETA.
polimorfismo cristalino, o revestimento entérico e a a. A biodisponibilidade é uma característica
presença de excipiente (como os agentes exclusiva do fármaco, correspondendo à
aglutinantes e dispersantes) podem influenciar a fração de uma dose oral que chega na
facilidade da dissolução e, por isso, alterar a circulação sistêmica na forma de fármaco
velocidade de absorção. intacto.
b. Correto: Variações na atividade enzimática da
Ex.: 1: Sobre biodisponibilidade, analise as parede intestinal ou do fígado, no pH gástrico
afirmativas a seguir. ou na motilidade intestinal podem afetar a
biodisponibilidade de medicamentos.
c. Para que dois medicamentos possam ser droga no sangue total, e não em outro líquido
considerados intercambiáveis, será suficiente biológico.
apresentar os estudos de biodisponibilidade de
cada um deles.
d. Quando se estuda biodisponibilidade de c. Biodisponibilidade absoluta é a fração da dose
determinado medicamento em determinado que é efetivamente absorvida após
indivíduo, considera-se possível a administração extravascular de um
extrapolação dos resultados obtidos para um medicamento. É calculada tendo como
período de até 15 anos de vida. referência a administração do mesmo fármaco
e. Em relação à biodisponibilidade de por via intravascular, que possui por definição
determinado fármaco, considera-se que esse biodisponibilidade igual a 0%.
medicamento terá um efeito mais acentuado d. Correto: A biodisponibilidade relativa entre
quando a sua absorção for mais lenta, quando medicamentos administrados por via
comparado a condições em que sua absorção intravascular pode ser avaliada pela
seja mais rápida. comparação de parâmetros farmacocinéticos
relacionados à quantidade absorvida e à
Ex.: 4: Os principais fatores capazes de alterar a velocidade do processo de absorção.
biodisponibilidade de medicamentos estão
relacionados ao indivíduo e as características do Ex.: 6: Assinale, dentre as alternativas abaixo, a
medicamento. que melhor conceitua bioequivalência:
Assinale a alternativa que indique um fator que a. Bioequivalência consiste na apresentação de
NÃO interfere na biodisponibilidade. duas drogas diferentes que apresentam a
a. Incorreta: O tamanho do medicamento. mesma disponibilidade após serem
b. A técnica de granulação e compressão do administradas em concentrações e doses
fármaco. diferentes, que apresentam a mesma
c. O polimorfismo genético. funcionalidade no organismo, mas que podem
d. O polimorfismo do fármaco. trazer efeitos adversos.
e. O fluxo sanguíneo. b. Correta: Bioequivalência consiste na
demonstração de equivalência farmacêutica
Ex.: 5: A biodisponibilidade indica a velocidade e entre produtos apresentados sob a mesma
a extensão de absorção de um princípio ativo em forma farmacêutica, contendo idêntica
uma forma de dosagem, a partir de sua curva de composição qualitativa e quantitativa de
concentração/tempo na circulação sistêmica ou de princípios ativos, e que tenham comparável
sua excreção na urina. A clorpromazina, biodisponibilidade, quando estudados sob um
antipsicótico de amplo uso, apresenta uma mesmo desenho experimental.
biodisponibilidade em torno de 30%. Outras c. Bioequivalência consiste na biodisponibilidade
características farmacocinéticas deste fármaco de determinada droga ao ser administrada por
são a elevada metabolização (inclusive de vias diferentes e que tem a mesma função
primeira passagem), 90% de ligação a proteínas fisiológica no organismo, independente da
plasmáticas e elevado volume de distribuição dose utilizada sem que isso provoque efeitos
(VD). Comparando a dose máxima administrada adversos.
pela via oral (VO) e pela via intramuscular (IM) da d. Nenhum das alternativas.
clorpromazina, é CORRETO afirmar que:
a. A dose IM é maior devido ao metabolismo de
primeira passagem. ESTABILIDADE
b. A dose VO é maior devido à forte ligação com É a extensão de tempo na qual o produto
proteínas plasmáticas. mantém, dentro de limites específicos, através do
c. A dose IM é maior devido ao elevado volume período de armazenamento e uso, as mesmas
de distribuição. propriedades que possuía no momento da sua
d. Correta: A dose VO é maior devido à fabricação. Estes termos indicam o período para o
diminuída biodisponibilidade. qual um mínimo de 90% em relação ao valor de
teor da droga (principio ativo) que permanece
Ex.: 6: É CORRETO afirmar que O termo intacto e disponível para cumprir sua ação
biodisponibilidade pode ser considerado como terapêutica. A estabilidade e compatibilidade são
sinônimo do termo bioequivalência. elementos críticos na precisa e apropriada
a. Se considera biodisponibilidade como sendo a administração de medicamentos aos pacientes.
taxa e a extensão na qual uma molécula ativa
é absorvida e torna-se disponível no sítio de Tipos de estabilidades
ação da droga.  Estabilidade química: Cada ingrediente ativo
b. A biodisponibilidade é determinada através da contido na preparação, mantém sua
medida da concentração do princípio ativo da integridade e potência rotulada, dentro de
limites específicos;
 Estabilidade física: As propriedades físicas  Drogas suscetíveis a oxidação:
originais, incluindo aparência, palatabilidade,  Substâncias fenólicas: Morfina, fenilefrina,
uniformidade, sustentabilidade (aplicável a catecolamina (adrenalina, noradrenalina),
suspensões) são mantidas; hidroquinona, resorcinol, paracetamol,
 Estabilidade microbiológica: Ou resistência salbutamol;
ao crescimento microbiano é mantida de  Aminas aromáticas;
acordo com o requerimento especificado e  Compostos polinsaturados: Óleos,
aplicação do produto. Os agentes gorduras, vitaminas lipossolúveis (vitamina
antimicrobianos que estão presentes mantem A, E), ác. Retinóico e flufenazina;
sua efetividade dentro de limites especificados.  Fenotiazínicos (tioéteres): Clorpomazina,
 Estabilidade terapêutica: O efeito terapêutico mometazina, trifluporazina, tioridazina e
(farmacodinâmico) permanece inalterado; flufenazina;
 Estabilidade toxicológica: Não ocorre  Substâncias esteroidais: Corticosteroides;
nenhum aumento significante da toxicidade.  Estatinas: lovastatina, imipramina,
amitriptilina, etc.;
Mecanismos mais comuns de degradação  Antidepressivos tricíclicos: Imipramina,
química dos fármacos amitriptilina, etc;
Existem vários mecanismos de degradação das  Outras substâncias: Vitamina C,
moléculas dos fármacos, hidrólise, redução, anfotericina B, nitrofurantoína, tetraciclina,
fotólise ou fotodegradação e racemização e furosemida, ergotamina, sulfacetamida,
epimerização. Embora muitos processos de captopril.
degradação química de fármacos possam ser  Hidrólise: É um processo de solvólise no qual
observados através de mudanças de cor, a molécula de uma substância interage com
formação de precipitados e evolução de gases, a moléculas degradando-a. A hidrólise
maioria das incompatibilidades químicas geralmente envolve o ataque pela água das
resultantes de interações que promovem ligações lábeis de molécula da droga
alterações ou rearranjos moleculares não são dissolvidas, resultando em mudanças
visivelmente observáveis. A degradação química moleculares. O processo hidrolitico é
de fármacos pode ocorrer por diferentes provavelmente a causa mais importante e
mecanismos: frequente de degradação de fármacos, devido
 Oxidação: quimicamente a oxidação envolve a ao grande número de fármacos com
perda de elétrons de um átomo de uma grupamentos funcionais susceptíveis a
molécula. Cada elétron perdido é aceito por hidrólise, tais como os ésteres e amidas.
algum outro átomo ou molécula, de tal modo a  Drogas suscetíveis à hidrólise:
promover a redução do átomo ou molécula  Ésteres: Ácidos acetilsalicílicos, procaína,
recipiente. Em compostos inorgânicos a benzocaína, atropina, digitoxina, pilocarpina,
oxidação é acompanhada por aumento da ácido ascórbico;
valência de um elemento, por exemplo, os íons  Tio ésteres: Espironolactona;
ferrosos (Fe+2) em íon férrico (Fe+3). Em  Amidas: Nicotinamida, paracetamol,
compostos orgânicos o processo oxidação procainamida;
frequentemente envolve a perda de hidrogênio  Imidas: Fenitoina, barbitúricos, riboflavina;
(desidrogenação).  Amidas cíclicas (anéis tipo lactâmicos):
A deterioração de drogas por oxidação requer a penicilinas, cefalosporinas;
presença de oxigênio e procede sob determinadas  Desidratação: assim como a umidade
condições. O oxigênio existe não só sobre a forma favorece a degradação de várias moléculas de
de oxigênio molecular O2, mas também como um fármacos, promovendo a instabilidade destas
dirradical O-O. Esta espécie de radical possui dois ou da forma farmacêutica que as conte, a
elétrons desemparelhada os quais podem iniciar remoção da água uma molécula da droga ou
reações e cadeia resultando a quebra das do produto pode ser considerado um processo
moléculas da droga, articuladamente se a reação de degradação.
ocorre na presença de catalizadores tais como a  Desidratação por disolvação: é a perda da
luz, calor, alguns íons de metais e peróxidos. umidade da forma farmacêutica ou da água
A autoxidação é uma reação espontânea que de cristalização da molécula.
acontece sob condições ambientais de exposição  Ex.: Perda de água em cremes, pomadas,
ao oxigênio atmosférico. Compostos fenólicos tais suspensões, desolvação da teofilina
como aminas simpaticomiméticas são monohidratada e da ampicilina trihidratada.
rapidamente oxidadas e pH neutro ou alcalino.  Desidratação por remoção de um próton e de
Esta reação ocorre muito mais lentamente em pH um grupo hidroxila.
menor que 4,0 para o controle deste processo de  Ex.: tetraciclina, prostaglandinas.
degradação são normalmente usados agentes
antioxidantes e sequestrantes.
 Fotólise ou fotodegradação: é a catalise pela propriedades físicas, tais como a
luz de reações de degradação tais como a solubilidade, densidade, dureza, ponto de
oxidação ou hidrólise, uma variedade de fusão, etc. quando uma forma polimórfica
mecanismos de decomposição de luz por uma muda para outra reversivelmente, ela é
molécula produz sua ativação, a partir da qual chamada de enantiotrópica se a transição de
a molécula ativada pode emitir energia de uma forma para outra ocorrer de forma
frequência diferente da recebida (fenômeno irreversível, dizemos ser uma transição
chamado florescência ou fosforescência) ou monotrópica. No prepara de produtos
também pode provocar a decomposição das farmacêuticos estáveis, o polimorfismo
moléculas (fotólise). As reações de representa um indesejável e importante fator
fotodegradação dependem de onde a luz. no crescimento cristalino em preparações
Quanto maior a intensidade e o comprimento farmacêuticas, caking de suspensões
de onda da luz, maior será a velocidade e os (suspensões que não podem ser facilmente
graus de fotodegradação dependem tanto da ressuspendidas), cremes e pomadas.
intensidade como do comprimento de onda da Portanto, o polimorfismo pode ser um fator de
luz. Quanto maior a intensidade e o instabilidade em preparações farmacêuticas.
comprimento de onda luz, maior será deletéria  Drogas que podem ter polimorfismos:
que a luz visível (s raios solares são mais  Clorafenicol;
deletérios do que a luz fluorescente) um  Ampicilina;
grande número de fármacos são sensíveis à  Metilprednisona;
luz permitindo a degradação fotolítica, tais  Hidrocortisona;
como:  Sulfonamidas;
 A amfotericina B; a furosemida, vitamina A.  Barbitúricos.
nifedipina, hidrocortisona, prednisolona,
ácido fólico dentre vários outros.
 Racemização e epimerização: Pode ocorrer
com drogas que são opticamente ativas, pelas
existências de um carbono quiral central na
molécula. Se um isômero é mais
farmacologicamente ativo que o outro, este
processo pode resultar em perda da atividade
terapêutica. Isto ocorre, por exemplo, com a
epinefrina, cujo isômero é 15 vezes mais ativo
do que o d-isômero. Se a molécula da droga
possui somente um centro quiral na molécula,
um isômero pode ser favorecido mais do que o
outro.
 Epímeros são compostos que possuem a
mesma configuração em todos os carbonos,
exceto num carbono. A tetraciclina em
solução epimeriza, antibacteriana; a
pilocarpina pode epimerizar em
isopilocarpina.
Esta epimerização também pode resultar em
perda da atividade farmacológica. As reações de PRAZO DE VALIDADE
racemização e epimerização são influenciadas É a data após a qual a preparação farmacêutica
pelo pH e catalisada por ácidos e bases, manipulada não deverá ser usada, é determinada
condições ótimas de pH são necessárias para a partir da data de preparação do produto.
maios estabilidade. Fatores à serem analisados para se estabelecer o
 Polimerização: é um processo no qual duas prazo de validade em formulações magistrais.
ou mais moléculas de um fármaco se unem,  Formas farmacêuticas: sólidos ou líquidos
formando um complexo, este processo ocorre que não contenham água na sua composição,
durante o armazenamento de soluções normalmente apresentam uma estabilidade
aquosas concentradas de aminopenicilinas, bem maior quando comparadas com formas
como por exemplos: Amipicilina sódica e farmacêuticas que contenham água. Portanto
amoxicilina. pós, comprimidos, cápsula, tabletes e outras
 Reversão polimórfica: algumas drogas formas sólidas ou líquidos que não contenham
apresentam a propriedade de existirem em água (veiculo oleoso) são mais estáveis e
mais de uma forma cristalina, chamadas portanto poderão apresentar um prazo de
polimorfos. Os polimorfos têm a mesma validade maior comparadas com as formas
estrutura química, mas diferentes farmacêuticas que contêm agua como por
exemplo xaropes, suspensões aquosas,
soluções aquosas, emulsões, etc.
 Material de embalagem: a embalagem para
produtos farmacêuticos deve proteger a
preparação da umidade, da luz e da atmosfera
(oxigênio).
 Duração do tratamento: o prazo de validade
deve ser suficiente para abranger o período do
tratamento para o qual formulação foi
prescrita;
 Dados científicos: laboratoriais (estudos de
estabilidade) ou de alguma referência
bibliográfica.
Os prazos de validade, recomendadas para
preparações magistrais embaladas em recipiente
hermeticamente fechada e protegidos da luz, na
temperatura ambiente controlados são:
 Formulações sólidas e líquidas não
aquosas: se a fonte do ingrediente é um
produto manufaturado (industrializado), o
prazo de validade não deve exceder a 25% do
tempo remanescente para a data de expiração
do produto original, ou 6 meses, o que formas
precoce. Se a fonte de ingrediente é uma
substância farmacopeica, o prazo de validade
não deverá exceder a 6 meses.
 Formulação contendo água: preparações
obtidas a partir de ingredientes na forma
sólida, o prazo de validade não deverá
ultrapassar 14 dias quanto estocado em
temperaturas baixas;
 Para todas as outras formulações: próxima
de 30 dias ou a duração da terapia. Se houver
suporte cientifico válido informando
apropriadamente a estabilidade da formulação
em especifico, o prazo de validade proposto
acima poderá ser excedido.

Politica de prazo de validade ARMAZENAMENTO


Levando em conta as características físico- É a etapa do ciclo da AF que visa garantir a
químicas das drogas, da forma farmacêutica e qualidade e a guarda segura dos medicamentos
consequente suscetilidade aos principais nas organizações da área da saúde. Constitui-se
processos de degradação química, sugerimos a como um conjunto de procedimentos que
seguir um critério de prazo de validade para envolvem o recebimento a estocagem, guarda
formulações magistrais. Embora empírico, o segurança contra danos físicos, furtos ou roubos,
critério é baseado nas recomendações da a conservação, o controle de estoque e a entrega.
farmacopeia americana na 24º edição e projetado O armazenamento deve levar e consideração a
de forma geral porem racional e fundamentada similaridade dos itens, a rotatividade, o volume e o
cientificamente, um presumível período de tempo peso dos produtos, bem como a ordem de entrada
em que uma forma magistral apresentaria uma e saída.
estabilidade adequada. Todavia. É recomendável O armazenamento tem como objetivo básico
que se faça estudos de estabilidade ara as garantir a conservação dos medicamentos,
formulações consagradas pela prescrição germicidas, correlatos e outros materiais
frequente e que faça parte de estoques adquiridos, dentro de padrões e normas técnicas
estratégicos. especificam que assegurem a manutenção das
características e qualidade necessárias à correta  Os medicamentos devem ser conservados nas
utilização. embalagens originais. Ao serem retiradas das
Todos os produtos são armazenados caixas, as embalagens devem ser
obedecendo às condições técnicas ideais de luz, identificadas.
temperatura e umidade numa central de
abastecimento farmacêutico.
Os produtos devem ser dispostos de forma a
garantir inviolabilidade, características físico-
químicas, observação dos prazos de validade,
com a manutenção da qualidade dos produtos.
Uma boa armazenagem e fator de suma
importância em todo processo da assistência
farmacêutica hospitalar, gerando redução de
custos, a manutenção do tratamento ao paciente e
uma organização nas varias atividades da
farmácia.

Condições de armazenamento
 Estrutura física: o armazenamento de
medicamentos, produtos farmacêuticos e
dispositivos médicos devem ser feito de modo
a garantir as condições necessárias de
espaço, luz, temperatura, umidade e
segurança dos medicamentos, produtos
farmacêuticos e dispositivos médicos.
 Medicamentos sujeitos a controle especial:
Recomenda-se que haja uma sala reservada
para o armazenamento destes medicamentos
e, neste caso, a esma deve atender as
especificações sobre a ventilação,
temperatura, condições de luminosidade e
umidade.
 Medicamentos termolábeis: Devem ser
armazenados em equipamentos apropriados
para a conservação a frio (câmara fria ou
refrigerador). A escolha de qual deles será
usada depende do volume de medicamentos
que precisam ser armazenados.

Estocagem
A estocagem de medicamentos deve ocorrer de
forma a garantir a segurança e as características DISTRIBUIÇÃO
de qualidades dos medicamentos estocados, para Alguns dos erros possíveis de ocorrer na
realizar o armazenamento, de modo que se administração de medicamentos em pacientes
atentam as boas práticas, são necessários hospitalizados estão relacionados ao sistema de
conhecimentos técnicos sobre os produtos a distribuição dos mesmos. Quanto mais eficiente o
armazenar e sobre gestão de estoques. Para a sistema de distribuição, maior contribuição será
correta estocagem dos medicamentos, prestada para garantir o sucesso das terapêuticas
acompanha as orientações a seguir: e profilaxia instauradas. O controle de distribuição
 Observe os medicamentos que exigem de germicidas, conforme o nível de atividade
cuidados especiais de armazenamento, como determinadas pelas rotinas instituídas pelos
termolábeis e psicotrópicos; serviços de CIH, é fundamental, para que somente
 Estoque os medicamentos por nome genérico, pessoas treinadas tenham acesso aos mesmos.
lote e validade de forma a partir fácil Um sistema de distribuição de medicamentos
identificação. deve ser racional, eficiente, econômico, seguro e
 Não arraste caixas, nem arraste ou coloque deve estar de acordo com o esquema terapêutico
muito peso sobre elas; prescrito. Quanto maior a eficácia do sistema de
distribuição, mais garantido será o sucesso da
terapêutica e da profilaxia instaurada no hospital.
O sistema a ser escolhido e implantado no  Coletivo: Suas principais características são
hospital pelo profissional farmacêutico deve seguir estoques nos setores assistenciais, onde a
alguns critérios, de acordo com os aspectos farmácia fornece medicamentos e produtos de
relacionados a seguir. saúde em suas embalagens originais
 Garantir o comprimento da prescrição; atendendo solicitado pelo pessoal de
 Racionalizar a distribuição dos medicamentos; enfermagem, ou segundo estoque mínimo e
 Garantir a administração correta do máximo para cada unidade solicitante, feito em
medicamento; nome da unidade e não de pacientes. É um
 Diminuir os erros relacionados com a sistema mais caracterizado como distribuição
medicação (administração de medicamentos do que de dispensação, pois a farmácia
não prescritos, troca da via de administração, apenas transfere os produtos para as unidades
erros de doses etc.); que formam seus estoques. A farmácia se
 Monitorar a terapêutica; torna um distribuidor de medicamentos, não
 Reduzir o tempo de enfermagem dedicado ás tento contato com a prescrição médica, o que
tarefas administrativa e manipulação dos impede o acompanhamento da
medicamentos; farmacoterapia. Outras desvantagens deste
 Racionalizar os custos com a terapêutica. sistema estão nas dificuldades no controle
A organização Panamericana de saúde indica logístico dos estoques, com altos, custos de
como objetivo de um sistema racional de estocagem, maior probabilidade de erros de
distribuição de medicamentos, as seguintes: administração de medicamentos, perdas por
 Diminuir erros de medicação: estudos caducidade e ou má armazenagem e desvios,
relaciona aos sistemas tradicionais uma entre outros.
elevada incidência de erros, que incluem  Vantagens:
desde a incorreta transcrição de prescrição até  Rápida disponibilidade de medicamentos na
erros de vias de administração e planejamento unidade assistencial;
terapêutico;  Mínimas atividades de devolução à
 Racionalizar a distribuição de farmácia;
medicamentos: o sistema de distribuição  Redução das necessidades de recursos
deve facilitar a administração, dos humanos e infraestruturas da farmácia
medicamentos, através de uma dispensação hospitalar;
ordenada, por horários e por paciente, e em  Mínima espera na execução da prescrição;
condições adequadas para a pronta  Ausência de investimento inicial.
administração;  Desvantagens:
 Aumentar o controle sobre os  Aumento potencial de erros de medicação;
medicamentos: acesso do farmacêutico às  Perdas econômicas devido à falta de
informações sobre o paciente, tais como: controle: caducidade, mas condições de
idade, peso, diagnóstico e medicamentos armazenagem e outros;
prescritos, permite efetuar avaliação da  Aumento de estoque de medicamentos na
prescrição médica, monitorizara duração da farmácia hospitalar e nas unidades
terapêutica, informar sobre possíveis reações assistenciais;
adversas, interações, não cumprimento do  Incremento das atividades do pessoa de
plano terapêutico, melhor forma de enfermagem;
administração e outros.  Facilidade de acesso aos medicamentos por
 Diminuir os custos com medicamentos: qualquer pessoa;
com a dispensação por pacientes, e no  Difícil integração do farmacêutico à equipe
máximo por 24 horas, diminuem-se os custos de saúde.
de estoques e evitam-se gastos
desnecessários de doses excedentes. Estudos
neste sentido demonstraram que 25% do
consumo de medicamentos podem ser
reduzidos em hospitais que adota o sistema de
distribuição de medicamentos por dose
unitária.
 Aumentar a segurança para o paciente: é
obtido pela consecução dos objetivos
anteriores, pois existe a adequação da
terapêutica, redução de erros, racionalização
da distribuição e aumento do controle dos
medicamentos.
As principais características de cada sistema de
distribuição são:
Pode ser feito de duas formas, direta ou indireta,
de acordo com o documento de solicitação:
 Indireta: Neste caso, a farmácia recebe as
solicitações de medicamentos por meio de
uma transcrição de prescrição médica feita
pela enfermagem (requisição em nome do
paciente). Podem ocorrer erros de transcrição,
prescrições adulteradas e outros.
 Direta: A farmácia recebe as solicitações de
medicamentos através de uma cópia da
prescrição médica, com a possibilidade do
contato com a prescrição e,
consequentemente, possível intervenção
farmacêutica minimizando erros citados
anteriormente.
O Sistema de distribuição por prescrição
individualizada pode ser implementado na forma
de sua distribuição, de duas formas:
1. Os medicamentos são dispensados num único
Figura 7: Modelo de dispensação coletiva. compartimento, podendo ser um saco plástico
identificado com a unidade de internação, o
 Individualizado: Existe a necessidade de um número eleito, nome do paciente, contendo
investimento inicial em infraestrutura e todos os medicamentos de forma desordenada
recursos humanos, com necessidade de igual do sistema coletivo para um período de
plantão da farmácia para atendimento das 24 horas.
demandas, mas reduz os custos com 2. Os medicamentos são fornecidos em
medicamento reduz o tempo da enfermagem embalagens, disposto segundo o horário de
quanto às atividades com medicamento e administração constante na prescrição médica
permite aumento da integração do individualizada e identificada para cada
farmacêutico com a equipe assistencial. O paciente e para o máximo de 24 horas. Sua
fornecimento de medicamento individualizado distribuição pode ser feita em embalagem
por pacientes, não determina, em larga escala, plástica, com separações obtidas por
a diminuição do tempo de preparo de doses, termossolda ou em escaninhos adaptáveis a
erros de administração, perdas por carros de medicamentos adequados ao
deterioração, desvio e outros, mas assegura sistema de distribuição.
maior qualidade da farmacoterapia pela
participação efetiva do farmacêutico no
processo do medicamento.
 Vantagens:
 Diminuição do estoque nas unidades
assistenciais;
 Redução potencial de erros de medicação;
 Facilidade para devoluções à farmácia;
 Reduz o tempo do pessoal de enfermagem
quanto às atividades com medicamentos;
 Aumento da integração do farmacêutico com
a equipe de saúde.
 Desvantagens:
 Aumento das necessidades de recursos
humanos e infraestrutura da farmácia Figura 8: Modelo de dispensação por prescrição individual.

hospitalar;
 Exigência de investimentos inicial; A modalidade 2 reduz erros e perdas,
 Incremento das atividades desenvolvidas propiciando facilidade para a instalação de
pela farmácia; controle da dispensação, ou seja, a revisão de
 Necessidade de plantão na farmácia todas as prescrição atendidas para verificar erros
hospitalar; de dispensação e propicia a verificação da
 Permite ainda potenciais erros de interações e aumento da capacidade de controle
medicação; de estoques tanto m nível de farmácia hospitalar,
 Não permite controle total sobre as perdas como das unidades de internação.
econômicas (caducidade, doses não A união desses sistemas é chamada sistema
administradas, desvios e outros). combinada de distribuição de medicamentos,
em que, para as unidades de internação, o
sistema de distribuição é por prescrição
individualizada, e para as áreas fechadas como
centro cirúrgico ambulatorial, o sistema é coletivo
ou de estoque por unidade assistencial.
 Dose unitária: Os elementos que distinguem
o sistema de distribuição por dose unitária das
tradicionais são medicamentos contidos em
doses unitárias, dispostos conforme o horário
de administração e prontos a serem
administrados segundo a prescrição médica,
individualizados e identificados para cada
paciente. É o sistema que permite maior
contato do farmacêutico com a prescrição e
com toda equipe multiprofissional e, também,
pelo controle que proporciona a farmácia, no
que se refere ao uso de medicamentos. Neste
sistema ocorre o melhor controle e
racionalização no uso de medicamentos
através da monitorização terapêutica. Para
esta implantação, é preciso, um investimento
financeiro em infraestrutura e equipamentos de
acordo com as legislações específicas, além
de uma adequação do quadro de
colaboradores da farmácia atendendo as
necessidades das atividades a serem
implantadas. Uma das áreas necessária para a
efetivação desse sistema é a farmacotécnica
de medicamentos orais e de injetáveis, pois os
medicamentos são dispensados após o
preparo para administração. O preparo de
doses unitárias e unitarização de doses de
medicamentos de formas farmacêutica.
Contribui para a redução de procedimentos
definidos e registro. Deve existir plano de
prevenção de trocas ou misturas de
medicamentos em atendimentos à legislação
vigente.

Figura 9: Modelo de distribuição por dose unitária.

DISPENSAÇÃO
Conforme a lei 5991/73, que rege o controle
sanitário do comércio de drogas, medicamentos,
insumos farmacêuticos e correlatos, no Brasil, quando bem administrado a implantação de um
dispensação é o ato de fornecimento ao sistema racional de dispensação de
consumidor de drogas, medicamentos, insumos medicamentos e de outros produtos para a saúde
farmacêuticos e correlatos, a título remunerado ou deve ser priorizada pelo estabelecimento de
não. Esta lei exige a presença do farmacêutico ou saúde e pelo farmacêutico, de forma a buscar
substituto, sem, contudo, garantir a assistência processos que garantam a segurança do paciente,
efetiva deste profissional no ato de dispensar e a orientação necessária ao uso racional do
nas outras atividades realizadas pelas farmácias e medicamento, sendo recomendado pela portaria
drogarias, deixando transparecer apenas o 4283/10, a adoção de um sistema individual ou
aspecto comercial do ato, com interesse principal unitário de dispensação. Dependendo das
centrado no lucro. características e objetivos do estabelecimento de
A PNM regulamenta através da portaria 3926/98, saúde a dispensação também poderá ser
definiu a dispensação como o ato do profissional descentralizada, através das farmácias satélites.
farmacêutico de proporcionar um ou mais Estas poderão estar localizadas em blocos
medicamentos a um paciente, geralmente como cirúrgicos, unidades de terapia intensiva, outras
resposta à apresentação de uma receita unidades de assistência ao paciente como pronto
elaborada por um profissional autorizado. Neste atendimento e pronto socorro. É a atividade dos
ato o farmacêutico informa e orienta o paciente farmacêuticos com mais visibilidade e onde mais
sobre o uso adequado do medicamento. São se estabelece o contato com os serviços clínicos
elementos importantes da orientação, entre do hospital. O farmacêutico deve considerar como
outros, a ênfase no cumprimento da dosagem, a característica para um sistema adequado a
influência dos alimentos, a interação com outros racionalidade eficácia, economia e, sobretudo se
medicamentos, o reconhecimento de reações oferece segurança ao paciente. A dispensação de
adversas potenciais e as condições de medicamentos só deverá ser efetuada perante a
conservação dos produtos. Nesse conceito, o apresentação de uma prescrição médica que pode
aspecto comercial da atividade é excluído, dando- ser informatizada, manual com copia original,
lhe um caráter profissional na medida em que fotocópia, carbonada, digitalizada, onde devem
deixa claro que o farmacêutico é responsável não constar, no mínimo, os seguintes elementos.
só pelo fornecimento do medicamento, como  Identificação do paciente;
também pela orientação para o seu uso  Registro hospitalar;
adequado. Além disso, insere a atividade num  Leito e unidade de internação;
grupo multiprofissional de assistência à saúde,  Data da prescrição;
mais especificamente a assistência farmacêutica.  Designação de medicamentos
Com a criação da ANVISA em 1999, surgiu outras preferencialmente por DCB ou nome de
normas sanitárias complementares à legislação registro e indicação de dose, forma
federal relativas aos estabelecimentos farmacêutica, intervala de dose e via de
farmacêuticos para colocar em pratica a PNM. A administração;
resolução 328/99, dispõe sobre requisitos  Identificação do médico prescritor e assinatura;
exigidos para a dispensação de produtos de Para minimizar erros e importante evitar a
interesse à saúde em farmácias e drogaria entre transcrição médica em casos necessários e
outras coisas, institui o regulamento técnico sobre recomentada a solicitação da prescrição médica
as boas práticas de dispensação de original para a conferência do farmacêutico.
medicamentos em farmácias e drogarias. Como Aspecto legal: conforme o art. 2o da resolução
podemos ver as atribuições do farmacêutico, ao CFF357/01, a presença e atuação do farmacêutico
dispensar medicamentos, tomaram uma dimensão é requisito essencial para a dispensação de
muito maior, hoje a dispensação não significa medicamentos, sendo esta uma atribuição
apenas entregar o medicamento prescrito ou indelegável, não podendo ser exercida por
indicado pelo farmacêutico, mas se trata da mandado nem representação. De acordo com
atuação clínica do farmacêutico, com o objetivo de essa resolução, ao dispensar medicamentos, o
proporcionar ao paciente, não só o medicamento, farmacêutico deve explicar clara e
como também os serviços clínicos que o detalhadamente ao paciente o beneficio do
acompanham, promovendo o uso racional de tratamento.
medicamentos e a proteção do paciente e a
prováveis PROBLEMAS RELACIONADOS AO
USO DE MEDICAMENTOS (PRMs).

d Etapas
A dispensação de medicamentos é uma atividade É classificada em quatro etapas distintas:
técnica de orientação ao paciente de importância abordagem do paciente, análise da restrição,
para a observância ao tratamento, portanto, eficaz
exame físico dos medicamentos e orientação ao atentamente se as características físicas do
paciente: medicamento estão mantidas e se a validade é
 Abordagem ao paciente: a dispensação tem compatível com o tempo proposto do uso da
inicio com a acolhida do paciente, ao procurar terapia. Na oportunidade, o paciente deve ser
atendimento farmacêutico, espera encontrar orientado para a importância da correta
um profissional com conhecimento técnico e conservação deste produto durante e após seu
postura profissional. A abordagem ideal pode uso evitando desta forma o uso ou reutilização
contribuir para a adesão ou não ao tratamento de um produto impróprio para consumo.
proposto, e o farmacêutico deve aproveitar
essa oportunidade para estabelecer uma
relação de confiança com o paciente, devendo
ouvi-lo, respeitá-lo e compreende-lo. Nessa
etapa, são coletadas as informações gerais do
paciente, tais como dados pessoais, estado
atual de saúde, hábito de vida e
comportamento adotados quando de uso de
medicamentos, sendo esta uma grande
oportunidade de conquista da confiança do
paciente. Recomenda-se que as farmácias
tenham uma área reservada para atendimento,
uma vez que o ambiente propiciará uma maior
ou menor proximidade do paciente com o
farmacêutico.
 Análise da prescrição: Nesta fase serão
observados os aspectos farmacodinâmicos,
farmacocinéticos e legais da prescrição. O
farmacêutico deve iniciar, perguntando ao
portador da receita se é ele o paciente que
fará uso daquela prescrição, pois, caso não
seja, deve-se atentar para a relação existente
entre o comprador e o usuário, garantindo que
a informação prestada seja repassada com o
maior cuidado ao usuário daquele
medicamento. Antes, de repassar informações
ao usuário do medicamento, deve munir‑se de
alguns dados referentes ao usuário do
medicamento, tais como a idade, peso,
existência de outras doenças ou de
manifestações alérgicas. Estes dados visam a
auxiliar o farmacêutico na analise da
aplicabilidade da medicação e da posologia
prescrita, evitando problemas relacionados ao
medicamento devido, tanto pela efetividade
quando pelas doses usadas.
Ainda nesta fase, o farmacêutico avalia a
legibilidade, a data e os aspectos legais da
prescrição tomando-se por base as normas legais
existentes, citando-se o capítulo 6 da lei 5991/73,
das boas práticas de prescrição, das boas práticas
em farmácia descritas na resolução CFF 357/01 e
na portaria 344/98, ainda a RDC 44/09, da
ANVISA.

ADMINISTRAÇÃO DE COMPRAS
 Função compras: É um segmento essencial
 Exame físico do medicamento: O do departamento de materiais ou suprimentos.
farmacêutico deve realizar o exame físico do Tem a finalidade de suprir as necessidades de
medicamento, antes da entrega, do mesmo ao materiais ou serviços planeja-los
paciente. Nesta questão, ele irá observar quantitativamente e satisfaze-las no momento
certo com as quantidades corretas:
 Objetivos: medicamentos; presta assessoria as varias
 Manter um fluxo contínuo de suprimentos, a seções com informações e soluções técnicas;
fim de atender à demanda; controla prazo de entrega e elabora previsão
 Coordenar o fluxo de maneira que seja periódica de compras.
aplicado um mínimo de investimento, sem 2. Acompanhador de compras (Follow-up):
afetar a operacionalidade da empresa; acompanha, documenta e fiscalizas as
 Comprar materiais e insumos pelos menores encomendas e observância aos respectivos
preços, obedecendo a padrões de quantidade prazos de entregas, informa ao comprador o
definidas. resultado do acompanhamento e efetua
 Procurar sempre dentre de uma negociação cancelamento, modificações e pequenas
justa e honesta, as melhores condições para compras conforme determinação da chefia.
a empresa, sobretudo quanto a condições de
pensamentos. Função de pesquisa
Comprar bem é um dos principais meios para a A pesquisa é o elemento fundamental da
redução dos custos hospitalares. Isso significa operação de compras cabem a ela as funções a
verificar cuidadosamente preços, prazos e seguir:
qualidades do material e do serviço. A seleção de 1. Estudo dos materiais: avaliação das
fornecedores é considerada ponto chave no necessidades da empresa para períodos que
processo de compra. A potencialidade do variam de um a dez anos; tendência a curto e
fornecedor deve ser confirmada, assim como suas longo prazo das ofertas e demandas;
instalações e seus produtos. É importante tendência de preço; melhorias tecnológicas e
estabelecer critérios para o cadastramento de perspectivas para possíveis substitutos e
fornecedores, assim como são recomentados desenvolvimentos de padrões e
visitas periódicas e programadas de auditoria, em especificações.
especial no caso de fornecedores que interferem 2. Análises econômicas: efeitos do ciclo
com a qualidade dos serviços prestados pelo econômicos sobre os materiais comprados;
hospital. tendência dos preços gerais; influência das
variações econômicas sobre fornecedores e
Princípios concorrentes;
Autoridade para comprar, registro de compra, 3. Análises econômicas: Qualificação dos
registro de preço, registro de estoque e consumo, fornecedores ativos em potencial; estudo das
registro de fornecedores, arquivos de instalações dos fornecedores; avaliação de
especificações e arquivos de catálogos. desempenho e análise da condição financeira;
Atividade: 4. Análise do Custo e do preço: Estudo
1. Pesquisa de fornecedores: estudo do comparativo de materiais similares (análise
mercado, estudo dos materiais, analise dos farmacoeconômico); análise de custo e da
custos, investigação das fontes de margem de lucro do fornecedor;
fornecimento, desenvolvimento de fontes de 5. Análise das embalagens e do transporte:
materiais alternativos; efeito da localização dos fornecedores sobre o
2. Aquisição: conferencia de requisição, análise custo; métodos alternativos de despacho; e
das cotações, decisão sobre compras por meio sugestões de alteração de embalagens;
de contratos ou no mercado aberto, entrevista 6. Análise administrativa:
com vendedores, negociação de contratos,  Controle de formulário: Análise de
efetivação das encomendas e de compras, e organização e método; simplificação do
acompanhamento de recebimento de trabalho; uso de processamento eletrônico de
materiais; dados e elaboração de relatórios
3. Administração: manutenção de estoques
mínimos, transferência de materiais, evitar
excessos e obsolescência de estoques,
padronização de todos os aspectos possíveis.
4. Diversos: estimativa de custo, descarte de
materiais desnecessários, obsoletos ou
excedentes, preservação das relações
comerciais recíprocas.
Organograma Qualificação de compradores
1. Chefe de compras: Subordina-se ao gerente O profissional responsável pelas compras deve
de materiais ou suprimentos; estuda e analisa apresentar as seguintes características:
as solicitações de compras; coordena  Ter experiência na área; ter escolaridade de
pesquisa de fornecedores e coleta preços; nível superior (desejável) formação em farmácia
organiza concorrência e estuda os respectivo ou em administração hospitalar; conhecer as
resultados; mantém contato com fornecedores; características de medicamentos e correlatos;
solicita testes de qualidade de materiais e
saber ouvir os argumentos apresentados pelos despesa de transporte, em casos de rejeição,
vendedores; estar identificados com a politica e o ficará por conta do fornecedor;
padrão de ética definidos pelo hospital, como, 3. Reservamo-nos o direito de recusar, à custo
exemplo, manutenção de sigilo em negociações do fornecedor, qualquer parcela do material
que envolvam mais de um fornecedor, ser recebido em quantidade superior ao pedido;
dotado de iniciativa e visão de oportunidade de 4. A presente encomenda não poderá ser
novos negócios que vissem à economia das efetuada por preços mais altos do que os
finanças do hospital. estabelecidos;
5. Não será aceitos responsabilidades de
Solicitação de compras pagamento referentes a transportar,
É o documento que autoriza o comprador a embalagens, seguros etc.
executar uma compra. Informa o que se deve 6. Fica entendido que o fornecedor será
comprar, a quantidade, o prazo de entrega, o local considerado responsável por qualquer
de entrega e, em casos especiais, os prováveis obrigação ou ônus decorrente da venda de
fornecedores. qualquer produto que viole leis, decretos ou
direitos de patentes;
Cotação 7. Não assumimos nenhuma responsabilidade
É o registro do preço obtido da oferta de vários por mercadorias cuja entrega não tenham sido
fornecedores em relação ao material cuja compra devidamente autorizada por um pedido de
foi solicitada não deve ter rasuras e deve compras aprovadas.
apresentar o preço, a quantidade e a data do
recebimento na seção de compras. Acompanhamento de compras (Follow-up)
Deve-se manter a cotação sempre à mão para Um comprador deve manter um arquivo para
eventuais consultas e análises de auditoria e, registrar a ``vida´´ do produto, controlando todas
também, para melhor visualização dos dados, a as fases do, processo de compra, as variações de
serem transcritos num mapa, o qual e copia das preço, as modificações das quantidades
cotações recebidas. solicitadas, as entregas recebidas e o
Condições mais usuais oferecidas pelos cumprimento das condições acertadas.
fornecedores por meio de propostas:
 As propostas ficam sujeitas a confirmação; Controle de qualidade e inspeção
 Os preços indicados são liquidas, para São condições importantes para o processo de
entregar na fábrica; compra:
 Em caso de atraso na entrega sem culpa do  Prazo: o setor de compras deve divulgar o
fornecedor, as datas do pagamento tempo preciso para completar, o processo
permanecerão as mesmas. de compras, de modo que se evitem
problemas de abastecimento;
Pedidos de compras  Frete;
É o contrato formal entre a empresa e o  Embalagens;
fornecedor, devendo representar todas as  Condições de pagamentos e descontos,
condições e característica da compra
estabelecida. O pedido de compra aceito pelo Fontes de fornecimento
fornecedor implica o atendimento de todas as Incluem-se entre os fornecedores de um hospital:
condições estipuladas como: laboratórios farmacêuticos, distribuidoras de
 Especificações; medicamentos, fabricantes e distribuidoras de
 Quantidade; correlatos (chamados de cirúrgico).
 Frequência de entregas; Os fornecedores podem ser selecionados e
 Prazos; avaliados quanto aos seguintes aspectos:
 Preço;  Preço;
 Local e horário de entrega.  Qualidade;
No pedido de compras de hospitais, é comum  Condições de pagamento;
constarem as condições da compra, como a  Condições de embalagem e transporte;
seguir:  Cumprimento dos prazos de entrega
estabelecidos;
1. Mercadorias devem ser entregues no prazo  Manutenção dos padrões de qualidade
combinado. O não comprimento garante o estabelecida;
direito de cancelar o pedido de compra, total  Politicas de preços determinados;
ou parcial, sem prejuízo de nossa parte;  Assistência técnica;
2. Todo material deverá estar de acordo com o  Atendimento;
pedido, e sua aceitação está sujeitas à  Programa de qualidade.
aprovação de nossa inspeção. Qualquer E importante acentuar que a seleção além de
obedecer a uma mistura desses critérios, deve
seguir os preceitos legais, possíveis de alteração
por lei, portaria ministeriais, resoluções e outros
dispositivos legais que regulamentam o comércio
farmacêutico e correlato.

MANIPULAÇÃO
Os processos de manipulação devem ser feitos
por mão de obra especializada e acompanhada de
perto pelo farmacêutico responsável. Questões a
serem consideradas antes da manipulação de
uma prescrição:
 Racionalidade da prescrição: ingrediente,
intenção de uso, dose e modo de
administração;
 Propriedade físico-química, medicinal e uso
farmacêutico das substâncias prescritas;
 Absorção e via de administração adequada:
preparação do produto manipulado de acordo
com o proposito da prescrição;
 Excipiente adequado: risco de alergia,
irritação, toxicidade ou resposta organoléptica
indesejável do paciente;
 pH: ideal para maior estabilidade ou
adequação ao uso;
 Ingredientes da formulação: identidade
adequada do manipulador (cálculos
matemáticos, controle de qualidade: peso
médio, pH, observação visual);
 Equipamentos e ingredientes disponíveis: e
em quantidade suficiente;
 Referencias bibliográfica: uso, preparação,
estabilidade, administração e embalagem do
produto;
 Validade: projeção razoável e racional da
validade do produto;
 Quantidade dispensada: equivalente ao
prazo de validade do produto;
 Correto armazenamento do produto por parte
do paciente.

CÁLCULOS DE CONCENTRAÇÕES
Densidade
Densidade (d) é massa por unidade de volume
de uma substância. A densidade é normalmente
expressa como por centímetro cúbico (g/cc).
Como o grama é definido como a massa de 1cc
de água a 4ºC, a densidade da água é d 1g/cc.
Para nossos propósitos, é considerado que 1ml
pode ser usado como equivalente. A 1cc,a
densidade da água pode ser expressa como
1g/ml. Por outro lado, um mililitro de mercúrio
pesa 13,6g. Consequentemente, sua densidade
é de 13,6/ml. A densidade pode ser calculada
dividindo-se a massa elo volume.
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎
 Densidade = 𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒
Assim, se 1ml de ácido sulfúrico pesam 18g,
sua densidade é:
18(𝑔)
 Densidade = 10𝑚𝑙 = 1,8g/ml.

RAZÃO DE CONCENTRAÇÃO (RC)


As concentrações de preparações farmacêuticas
muito diluídas (soluções peso-volume)
frequentemente são expressa em função de suas
RC. A RC constitui outra forma de expressar a
porcentagem da concentração.

 Uma solução 1% (p/V) é uma RC 1:100 (p/V) são


equivalentes.
 1:10.000= 1/100% = 0,01%.
A forma mais adequada de expressar a RC é Os problemas abaixo demonstram o cálculo da
atribuir 1, para o valor numérico do soluto. RC de uma solução ou preparação líquida,
Podemos fazer isso quando calculamos a RC quando o peso do soluto ou do componente é
estabelecendo-se uma proporção a partir dos dado num volume especifico de solução ou
dados: preparação líquida.
1𝑔 𝐱𝑔  Uma solução injetável contém 2mg de fármacos por ml
= de solução qual é a RC (p/V) da solução.
10000𝑚𝑙 100 𝑚𝑙
2mg=0.002g
O x resulta em porcentagem: 0,002𝑔 1𝑚𝑙
1𝑔
=𝑥 (𝑚𝑙) = 500ml
Resolvendo por proporção:
RC = 1:500.
1𝑔 𝐱𝑔
=  Qual é a RC (p/V) de um solução preparada por meio da
10000𝑚𝑙 𝑞𝑢𝑎𝑛𝑡. 𝑚𝑙 dissolução de 5 comprimidos, cada um contendo de 2,25g
de cloreto de sódio, em água suficiente para preparar
X = g em ml dado. 1800ml?
2,25g x 5=11,25g de cloreto de sódio.
11,25𝑔 1800𝑚𝑙
As concentrações de soluções muito diluídas são = =160ml.
1𝑔 𝑥 𝑚𝑙
expressas com base na RC. Como as
RC = 1:160.
porcentagens de soluções ou preparações
líquidas. Por exemplo, 5% significa 5 partes por
Ao resolver problemas nos quais os cálculos são
100 ou usar o número inteiro 1 precedendo os
baseados na RC, algumas vezes é conveniente
dois pontos : assim, 5:100 = 1:20. Por exemplo, transformar a RC na correspondente
quando uma RC 1:1000 e usada para designar porcentagem.
uma concentração, ela é interpretada da seguinte  Quantos gramas de permanganato de potássio
forma: deveriam ser usados para preparar 500ml de uma
solução de 1:2500?
 Sólido em líquidos = 1g de soluto em 1000ml
de solução ou preparação líquida;
1:2500 = 0,04%
 Líquidos em líquidos = 1ml do componente
500g x 0,0004 = 0,2g
em 1000ml e solução ou preparação liquida
 Sólidos em sólidos = 1g de componentes em
Ou
1000g de mistura.
As razões e PC de qualquer solução ou mistura
1:2500 significa 1g em 2500ml de solução
de sólidos são proporcionais, podendo ser
facilmente convertidos uma nas outras pelo uso de
2500ml= 1g
proposição.
500ml = xg x = 0,2g
 Cálculo de RC:
 Expresse 0,02% como uma RC;  Quantos mg de violeta genciana seria preciso para
0,02% 1 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑒
= = 1:5000 preparar a seguinte solução?
100% 𝑥 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑒𝑠 Solução de violeta genciana: 500ml
RC = 1:5000. 1:10000
Posologia: usar externamente, conforme indicado.
 Expresse 1:4000 como uma PC:
4000 (𝑝𝑎𝑟𝑡𝑒𝑠) 100% 1:10000 0,01%
= 𝑥 % = 0,0025% =
500𝑔 0,0001
= 0,05g ou 50mg.
1 (𝑝𝑎𝑟𝑡𝑒)
PC= 0,0025%.
Ou
10000𝑚𝑙 1𝑔
=
500𝑚𝑙 𝑥𝑔
= 0,050g ou 50mg.

 Quantos mg de hexaclorofeno deveriam ser usados para


Para alcançar uma RC para uma porcentagem, é manipular a seguinte prescrição?
conveniente converter os dois últimos zeros da Hexaclorofeno: 1:400 .
razão para o sinal (%), alterar o valor Pomada hidrofílica QSP: 10g .
Posologia: aplique:
remanescente para uma fração comum, então,
expressar a fração decimal em porcentagem. 1:400 = 0,25%
 1:100= 1/1% = 1%; 10g x 0,0025 = 0,025g ou 25mg.
 1:200= ½ % = 0,5%;
 3:500= 3/5% = 0,6%; Ou
 1:2.500= 1/25% = 0,04%;
1:400 significa 1g por 400g de pomada. = 0,005% PC

400𝑔 1𝑔  A concentração de um aditivo numa ração animal é de


=
10𝑔 𝑥 (𝑔)
x=0,025g ou 25mg. 12,5 ppm. Quantas mg da substância deveriam ser
usadas para preparar 5,2kg de ração?
12,5 ppm = 12,5g (substância) em 1kg ou 1000g de
Conversão simples de concentrações para (ração).
mg/ml: Em algumas situações os farmacêuticos 1000𝑔 5,200𝑔
= 𝑥𝑔
precisam converter rapidamente concentrações de 12,5𝑔
produtos expressas como porcentagem de X=0,065g = 65mg.
concentração, RC ou g/l para mg/ml.
 Para converter a PC de um produto para mg/ml,
multiplique a PC, expressa como um número inteiro, por
10.
4 x 10 = 40mg/ml.

 Para converter a RC de um produto para mg/m, divida a


RC por 1000.
1:10000 (p/V) para mg/ml.
10000 ÷ 1000 = 1mg/10ml.

 Para converter as concentração de um produto


expressa em g/l para mg/ml, converta o numerador para
mg e divida-o pelo número de ml do denominador.
Converta a concentração de um produto de 1g/250ml
para mg/ml.
1000 ÷ 250 = 4mg/ml.

Miligramas por cento (mg%)


O termo mg% expressa o número de mg da
substância por 100ml de líquido. Ele é usado para
indicar a concentração de um fármaco ou
substancia natural num fluido biológico, como o
sangue. Dessa forma, a afirmação de que a
concentração de nitrogênio não-proteico no
sangue é de 30mg%, significa que cada 100ml de
sangue contem 30mg de nitrogênio não-proteico.

Partes por milhão (ppm) e partes por bilhão


(ppb)
As concentrações de solutos muito diluídas são
geralmente expressas em ppm, ou seja, o número
de um agente por 1 milhão ou 1 bilhão de partes
do total.

 A quantidade de flúor na água potável, usada para


reduzir as cáries, frequentemente é de 1 parte de flúor
por 1 milhão de partes de água (1:1000000).

O conteúdo expresso em partes por milhão ou


partes por bilhão também pode ser usado para
descrever a quantidade de traços de impureza em
amostras e de elementos em amostras biológicas.

Dependendo das formas físicas dos traços de CONTROLE DE QUALIDADE (CQ)


substâncias e do produto final, uma concentração Ao estudarmos o CQ nos deparamos com uma
expressam em ppm ou ppb pode, teoricamente, disciplina que retém conceitos teóricos e
ser calculada com base no p/V, volume-volume aplicações de varias áreas da ciência
(v/v) ou peso-peso (p/p). Em termos práticos, as farmacêutica, como química analítica, química
unidades de soluto e da solução são geralmente orgânica, microbiologia, bioquímica e deontologia.
consideradas iguais. O termo CQ aplicada a medicamentos, cosmético
e correlato é um atributo que vai além da esfera
 Expresse 5 ppm de ferro na água em PC e RC.
5 ppm = 5 partes em 1000000 de partes.
comercial da competitividade agregando valores
= 1:200000 RC; jurídicos, éticos e até culturais.
Devemos considerar a legislação referente ao administração superior da empresa. Na
CQ dos medicamentos, cosméticos e correlatos. fabricação, no fornecimento de medicamento, o
Várias resoluções e guias da ANVISA têm sido termo gestão de qualidade é um instrumento
publicas e outras revogadas. É importante lembrar fiscalizador e normadizador, servindo de
que as resoluções são documentos com poder de gerenciamento para uma infraestrutura apropriada
lei devem ser obedecidos, e guias são ou sistema de qualidade, englobando a estrutura
documentos que sugerem uma linha a ser organizacional, os procedimentos, os processos e
seguida, interpretado e até adaptada. os recursos.
Conjunto de atributos que se deseja para um  Ferramentas de gestão da qualidade: A
determinado produto. A satisfação das qualidade total é uma filosofia de gestão
expectativas do cliente e o cumprimento de baseada na satisfação dos clientes internos e
aspectos técnicos e de performance legalmente externos envolvidos na empresa, ou seja, é um
exigidos são dois fatores determinantes para o meio para atingir os objetivos e resultados
conceito. desejados, e como tal, faz uso de um conjunto
A evolução dos mecanismos de CQ passou por de técnicas e ferramentas integradas ao
três fazes históricas: modelo de gestão. Considerando a qualidade
 Era da inspeção; total, um sistema de qualidade eficiente deve
 Era do controle estatístico; conter com a efetiva de todos os envolvidos no
 Era da qualidade total. processo produtivo.
A GQ baseia-se nos princípios da qualidade total,  PDCA/SDCA: O ciclo foi muito difundido nas
sendo necessário o controle de toda a cadeia áreas de engenharia industrial. Trata-se de
produtiva, deste a qualidade dos fornecedores até um método simples para organizar e
os SERVIÇOS DE ATENDIMENTO AO sequenciar a busca por soluções de
CONSUMIDOR (SAC), que a partir da lei de problemas e melhorias de processos.
defesa do consumidor 878/90 tornaram-se  Plano: Primeiramente devemos fazer um
obrigatórios. plano onde deverão ser investigadas as
causas e consequências dos problemas.
Garantia da qualidade (GQ) Após o levantamento feito em cada área
É uma estratégia de diferenciação e de levantando os principais pontos
sobrevivência. Garantir a qualidade é primar pela relacionados abaixo, é elaborado um plano
prevenção de defeitos, evitando qualquer para que o problema deixe de acontecer ou
retrabalho. Deste modo, a manutenção e a que pelo menos se possa isolar o problema.
melhoria continuada qualidade permeia a redução  Problema: por que está acontecendo o
de custo, que por sua vez, é essencial num problema? Que são enfrentados pela
mercado muito competitivo, enfim, a GQ é um empresa e alguma área;
conjunto de ações sistematizadas necessárias e  Causas: por que está acontecendo e
suficientes para promover a confiança em que os problema? Tem a ver com material,
requisitos da qualidade de um produto ou serviços métodos, mão de obra, máquina, medida?
sejam atendidos. Para a GQ, essas ações devem Tem origem em outras áreas? Quais?
estar harmoniosamente correlacionadas e serem  Consequências: o que irá acontecer se o
geridos como um todo, originando o que problema não for resolvido? Vai influir em
conhecemos por gestão da qualidade. outras áreas ou clientes? Quais?
 Soluções possíveis: quais são as soluções
possíveis para a resolução do problema? A
obtenção do maior número de informação
depende de amigos, funcionários etc. após a
sugestão deve ser feita uma análise
criteriosa sobre todas as alternativas.
 Tempo estimado para a resolução do
problema: defina um temo certo para
resolve-lo;
Gestão da qualidade O ciclo da PDCA possuía quatro letras que
É o conjunto de atividades gerenciais que representam as seguintes palavras em inglês:
determinam a politica da qualidade, seus objetivos  P=Plan (plano): Consiste nas etapas acima;
e responsabilidades implementos por meio do  D=Do (fazer): É o estagio de implementação
planejamento, garantia controle e melhoria do plano, onde é determinado o que fazer e
contínua da qualidade. Gerenciamento da quem irá fazer e quando deverá agir.
qualidade é o aspecto da função que determina e  C=Check (verificar): É o estágio onde as
implementa a politica de medicamentos ou seja, pessoas envolvidas para resolução do
as intenções, e direções globais relativas à problema ou melhoria do método atuarão para
qualidade formalmente expressa e autorizada pela
saber se as medidas tomadas para eliminação mínima desejada no decorrer dos processos
do problema ainda estão sendo tomadas. que têm impacto sobre o cliente. Entende-se
 A=Action (ação): É o momento em que, assim que, ao reduzir a probabilidade de
percebendo que o problema (falha) voltou, folhas e defeitos é otimizada a relação com o
tomam-se as medidas necessárias para cliente e consequentemente performance da
correção. empresa em termos operacionais e
O ciclo da PDCA é sequencial, ou seja, cada vez financeiros. Em termos práticos, as
que e chega à letra A, começa tudo de novo, na organizações que desenvolvem sistema 6
letra P. sigma na sua estrutura, tem como meta
Sempre que completamos um ciclo considera-se atingir 3,4 defeitos por cada milhão de
que alguma melhoria no processo aconteceu. oportunidades, assumindo-se uma
Portanto, toda vez que se roda o ciclo PCDA, oportunidade como todos os momentos em
algum novo problema será descoberto e o que uma empresa falhar durante um
processo (empresa) encontrará um novo nível de processo. A aplicação desta metodologia
excelência. assenta na implementação de um sistema
 Programa 5´S: A ferramenta 5´s não é apenas baseado na mensuração e monitoria de
um programa, mas uma filosofia de vida. Com o processos, para que os desvios a
objetivo de tornar o ambiente de trabalho mais normalização, sejam evitados ao máximo, por
agradável e seguro, algumas empresas vem mais que as consequências nefastas que dai
aplicando os princípios japoneses do 5´S. este possa advir sejam igualmente evitadas. A
trabalho é considerado a base para se atingira aplicação da metodologia passa pelas
qualidade total mediante treinamento e seguintes fases:
conscientização. Os colaboradores são  Definição: Identificação de problemas e
incentivados a implementarem ações de processos;
melhorias para cada um dos princípios do 5´S.  Medição: Caracterização atual e desejada
1. SEIRI = Organização e senso de uso; do processo;
2. SETON = Arrumação e ordenação;  Análise: Estudo do impacto de cada
3. SEISON = Limpeza; variável sobre o processo;
4. SEIKETSO = Padronização;  Melhoria: Realização de experiência
5. SHITSUKE = Disciplina. através de modelos matemáticos;
Através do 5´S os colaboradores são envolvidos  Controle: Acompanhamento do processo
na melhorias de tudo o que os rodeia e rodeia de melhoria.
seu trabalho, são convidados a usar sua Trata-se de uma metodologia que atravessa
criatividade e dar soluções pessoais e em grupo, toda a empresa e requerem responsáveis cuja
para pequenas melhorias localizadas. Com isso, responsabilidade passe unicamente pelo
as pessoas começam a se sentir autorizadas a desenvolvimento de melhorias contínuas.
gerar mudanças, a gostar de realizar mudanças,
e a tomar gosto por esta participação em
melhorias que as afetam diretamente.
O 5´S assim como qualquer outro sistema de
gestão participativo o segredo do sucesso na
implantação está ligada ao fato de as mudanças
serem feitas por todos os envolvidos (desde o
diretor até o faxineiro), criando assim um senso
de responsabilidade, que nos primeiros 4´S é
moldado, e a disciplina é apenas a
consequência do gosto de participar em
decisões, por isso, todo cuidado é pouco,
devemos incentivar mas nunca impor, sob o risco
de não alcançar os objetivos.

FARMACOLOGIA DO SNC
 Seis sigmas: Visa detectar e eliminar as O conhecimento hoje adquirido, sobre a estrutura
causas dos erros ou falhas ocorridas durante da sinapse, demonstra que ela pode explicar as
os processos, focalizando resultados ações de praticamente todas as drogas que agem
relevantes aos clientes. É uma metodologia no SNC e no SNA, com exceção, dos AL´s que
inovadora centrada na eliminação dos bloqueiam a condução axonal de forma seletiva.
defeitos de processos dentro de uma Podemos classificar a ação das drogas em
organização e quem o objetiva de colinérgicas e adrenérgicas através das várias
proporcionar aos seus clientes um etapas em que elas atuam no ciclo dos
serviço/produto, próximo da perfeição. O neurotransmissores. No nível dos
termo 6 sigmas, representa a variação
neurotransmissores, podem exercer sua atividade é o passo limitante da síntese de Ach. A
nos seguintes pontos: colina-acetiltransferase catalisa a reação da
 Interferindo na síntese do neurotransmissor; colina com a acetilcoenzima-A (CoA) para
 Competindo com a via metabólica pertencente formar Ach (um éster) no citosol. A acetil-CoA
à síntese do neurotransmissor; é originada da mitocôndria e é produzida pela
 Bloqueando o sistema de transporte da oxidação de piruvato e de ácidos graxos.
membrana axonal; 2. Armazenamento: A Ach é empacotada em
 Bloqueando o sistema de transporte da vesícula pré-sináptica por um processo de
membrana das vesículas pré-sinápticas; transporte ativo acoplado ao fluxo de prótons.
 Estimulando a liberação dos A vesícula contém também ATP e
neurotransmissores das suas vesículas de proteoglicano. A cotransmissão nos
estocagem; neurônios autônomos é uma regra, não a
 Evitando a liberação dos neurotransmissores; exceção. Significa que a maioria das
 Imitando a ação dos neurotransmissores pela vesículas contém o neurotransmissor primário
ação agonista nos receptores pós e pré- (a Ach), e o cotransmissor que aumenta ou
sinápticos; diminui o efeito de neurotransmissor primário.
Os neurotransmissores em vesículas são
 Bloqueando a ação dos neurotransmissores ao
chamados varicosidades.
nível dos receptores pós-sinápticos ou pré-
3. Liberação: Um potencial de ação, propagado
sinápticos, por competição farmacológica;
por canais de sódio voltagem-dependentes,
 Inibindo as enzimas que inativam os
chega ao terminal nervoso, abrem-se canais
neurotransmissores.
de cálcio voltagem-dependente de cálcio
intracelular. Níveis altos de cálcio promovem
SNA
a fusão das vesículas sinápticas com a
O SNA junto com o sistema endócrino coordena a
membrana celular e a liberação de seu
regulação e a integração das funções corporais. O
conteúdo no espaço sináptico. A toxina
sistema endócrino envia sinais aos tecidos-alvos,
botulínica pode inibir essa liberação.
variando os níveis de hormônios na corrente
4. Ligação da Ach ao receptor: A Ach liberada
sanguínea.
das vesículas sinápticas difunde-se através
O SN exerce a sua influência pela rápida
do espaço e se liga a um dos dois receptores
transmissão de impulsos elétricos nas fibras
pós-sináptico na célula-alvo, ao receptor pré-
nervosas, ha liberação de substâncias
sináptico na membrana do neurônio que
neurotransmissoras. Fármacos que produzem seu
liberou a ACh a outros receptores alvos pré-
efeito terapêutico primário, mimetizando ou
sinápticos. Os receptores pós-sinápticos
alterando as funções do SNA, são chamados
colinérgicos na superfície dos órgãos efetores
fármacos autonômicos. Esses fármacos
são divididos em duas classes.
autonômicos atuam estimulando porções do SNA
 Os RECEPTORES NICOTÍNICOS são
ou bloqueando as ações dos nervos autônomos.
ionotrópicos, são canais iônicos de Na/K
Os fármacos que afetam o SNA são divididos em
ativados pela Ach.
dois grupos, de acordo com o tipo de neurônio
envolvido no seu mecanismo de ação. Os  Os RECEPTORES MUSCARÍNICOS são
fármacos colinérgicos atuam em receptores que metabotrópicos em que o efeito final é
são estimulados pela Noe e Epi. Os fármacos dependente de segundos mensageiros.
colinérgicos e adrenérgicos atuam estimulando ou A ligação ao receptor leva a uma resposta
bloqueando receptores do SNA. fisiológica no interior da célula, como o inicio
de um impulso nervoso na fibra pós-
 Neurônio colinérgico: A fibra pré-ganglionar
ganglionar ou a ativação de enzimas
que termina na suprarrenal, o gânglio
específicas nas células efetora mediadas por
autônomo e as fibras pós-ganglionares da
moléculas segundo mensageiras.
divisão parassimpática usam Ach como
neurotransmissor. A divisão pós-ganglionar
simpática das glândulas sudoríparas também
usa ACh.
5. Degradação do neurotransmissor na fenda
Além disso, neurônios colinérgicos inervam os
sináptica: O sinal no local efetor pós-juncional
músculos no sistema somático SS e também
termina rápido devido à hidrólise da Ach pela
desempenha função importante no SNC.
AChE formando colina e acetato na fenda
 Neurotransmissão: Envolve 6 etapas
sináptica.
sequenciais:
6. Reciclagem de colina e acetato: A colina
1. Síntese de ACh: A colina vai para o LEC
pode ser recortada pelo sistema de transporte
para o citoplasma do neurônio colinérgico por
de alta afinidade, acoplado ao sódio, que a
um sistema carregador dependente de
leva de volta para o interior do neurônio, onde
energia que o transporta sódio e pode ser
ela é acetilada a ACh e armazenado até ser
inibido por hemicolinio. A captação da colina
liberada por um potencial de ação
subsequente.

Figura 10: Via de síntese, armazenamento, liberação e


degradação de Ach e agentes farmacológicos que atuam
sobre essas vias. (1) neurônio colinérgico; (2) fenda
sináptica; (3) célula pós-sináptica. (a) vesamicol; (b)
hemicolina; (c) toxina botulínica; (d) SMLE (auto-anticorpo);
(e) inibidores da Ache.

SNC
A maioria dos fármacos que atuam no SNC altera
alguma etapa do processo de neurotransmissão.
Podem atuar pré-sinapticamente influenciando a
produção, o armazenamento, a liberação ou o
término da ação dos neurotransmissores. Outros
fármacos podem ativar ou bloquear os receptores
pós-sinápticos.

PSICOTRÓPICOS
Deste 1950 os medicamentos usados para tratar
transtornos psiquiátricos figuram entre a classe de
medicamentos mais prescritos. A eficácia do
psicoativo é apenas parcialmente previsível e
depende das propriedades e da biologia do
paciente.
 Reações e efeitos adversos: Geralmente, os  Reações adversas: As reações adversas
medicamentos psicotrópicos são seguros, mais comuns são: sonolência, letargia e
sobretudo em curta duração. ressaca. Coma e até morte, causadas pela
 Precauções: Antes de usar um medicamento, depressão dos centros medulares vitais do
é importante estar preparado para lidar de cérebro, resultam da superdose. O uso
forma segura com qualquer dos efeitos prolongado, mesmo em doses terapêuticas,
adversos. pode causar dependência física e psíquica. A
 Efeitos adversos: É um risco inevitável do retirada abrupta desses fármacos pode
tratamento medicamento. Embora seja resultar em síndrome de abstinência,
impossível ter um conhecimento de todos os caracterizada por convulsões e delírio,
efeitos adversos do medicamento, os clínicos podendo ocorrer come e também morte. a
prescrevem por estar familiarizados com os intoxicação é tratada por indução ao vômito, se
mais comuns, bem como com as possível, se não, por lavagem estomacal e
consequências médicas mais graves. manutenção da respiração e circulação
 Efeitos colaterais: Podem ser explicados por adequada.
suas interações com vários sistemas de
neurotransmissores, tanto no cérebro quanto Ansiolítico
em regiões periféricas. Os medicamentos A ansiedade é um estado desagradável de
psicotrópicos mais antigos, por exemplo, tensão, apreensão e inquietação, um medo de
produzem efeitos anticolinérgicos ou se ligam origem às vezes desconhecida. Os sintomas
a receptores dopaminérgicos, histaminérgicos físicos da ansiedade são similares aos do medo e
e adrenérgicos. Os agentes mais novos envolvem a ativação simpática. Os sintomas da
costumam ter uma atividade mais especifica ansiedade intensa crônica e debilitante podem ser
sobre os neurotransmissores ou uma tratados com fármacos ansiolíticos ou com alguma
combinação de efeitos que os torna mais bem forma de tratamento comportamental ou psíquica,
toleradas que os agentes mais antigos. como muito dos fármacos ansiolíticos causam
alguma sedação, eles, com frequência funcionam
Hipnóticos e sedativos tanto como ansiolíticos quanto hipnóticos, além
Um fármaco hipnótico-sedativo indica que ele disso, alguns têm atividades anticonvulsivantes.
tem a capacidade de produzir sedação ou de Os fármacos ansiolíticos são usados no
incentivar o sono. Para um fármaco sedativo tratamento dos sintomas da ansiedade, e os
(ansiolítico) ser efetivo ele precisa exercer um fármacos hipnóticos são usados no tratamento da
efeito calmante. Um fármaco hipnótico deve insônia. Apesar dos objetivos clínicos serem
produzir sonolência e estimular o início e a diferentes, as mesmas drogas são frequentemente
manutenção de um estado de sono. Os efeitos usadas para ambas as finalidades, variando-se
hipnóticos envolvem uma depressão mais somente a dose para cada fim.
pronunciada do SNC.
Os hipnóticos e os sedativos produzem sedação
e incentivam o sono. Para ser efetivo um fármaco
sedativo deve reduzir a ansiedade e exercerem
efeitos calmantes. Um hipnótico deve causar
sonolência e estimular o início do estado do sono.
Agentes dessa classe, como os
benzoadizepinas, são usados para produzir
sedação e amnésia antes ou no decorrer de
procedimentos diagnósticos ou cirúrgicos, outros
como os barbitúricos, são usados em altas doses
para induzir ou manter a anestesia cirúrgica.

Benzodiazepínicos
São fármacos mais usados como ansiolíticos e
 Farmacocinética: A taxa de absorção oral dos hipnóticos, não exercem efeitos antidepressivos.
hipnótico-sedativos difere, dependendo de Eles substituíram os barbitúricos e o meprobamato
fatores, incluindo lipofilicidade. Todos os no tratamento de ansiedade por serem fármacos
hipnóticos-sedativos atravessam a barreira mais seguros e eficazes.
placentária durante a gravidez. Se forem Os benzodiazepínicos atuam seletivamente nos
administradas durante o período pré-parto, receptores GABAa que medeiam a transmissão
podem contribuir para a depressão das sináptica inibitória em todo o SNC. Os
funções vitais do recém-nascido. benzodiazepínicos intensificam a resposta GABA
facilitando a abertura de canais de cloreto ativado
pelo GABA. Eles se ligam especificamente a um dependência, que é seu principal
sítio regulatório do receptor, e atuam inconveniente. Eles produzem dependência
alostericamente, aumentando a afinidade do em indivíduos normais e em pacientes,
GABA pelo receptor. Os benzodiazepínicos não suspender abruptamente o tratamento com
afetam os receptores para outros aminoácidos. benzodiazepínicos depois de semanas ou
O Diazepam e o Alprazolam são usados para meses causa aumento dos sintomas de
aliviar a ansiedade, depressão e à esquizofrenia. ansiedade, juntamente com tremores, tonturas,
Pelo possível desenvolvimento de tolerância. O perdas de peso e sono perturbado devido ao
uso dos benzodiazepínicos deve ser intermitente. aprofundamento do sono REM. Com o
Para o tratamento da insônia é usado diazepam, os sintomas da retirada podem
benzodiazepínico como Estazolam, o demorar até 3 semanas para se tornarem
Flurazepam, o Quazepam, o Temazepam, o aparentes. O triazolam, um fármaco de ação
Triazolam, e o Zolpidem. Podem ser muito curta e que já não é usado, o efeito da
administrados por via oral, transmucosa, retirada ocorria em algumas horas, mesmo
intravenosas e intramusculares. Eles facilitam o depois de uma dose única, produzindo insônia
início do sono e aumentam a duração global do no inicio da manhã e ansiedade durante o dia,
sono. O flurazepam é de duração longa, que quando fármaco era usado como hipnótico. Os
facilitam o início e a manutenção do sono e sintomas de abstinência física e psicológica
aumenta sua duração. O Triazolam é de início tornam difícil para os pacientes deixar de
rápido, que diminui o tempo necessário para o tomar benzodiazepínicos, mas o desejo
sono. O Clonazepam é usado para efeito compulsivo, que ocorre com muitos fármacos
antiepilético, porque os efeitos anticonvulsivantes de abuso, não é o principal problema.
não são acompanhados de comprometimento
psicomotor.
O uso crônico de benzodiazepínicos induz o
desenvolvimento de tolerância, que se manifesta
na forma de uma redução na eficácia dos
benzodiazepínicos.
Os benzoadizepinas são usados como
ansiolíticos, sedativos, antiepiléticos, relaxante
muscular, bem como para a ansiedade associada
a alguma forma de depressão e esquizofrenia. Os
benzoadizepinas facilitam o inicio do sono e
também aumentam a duração global do sono.
 Efeitos adversos: Podem ser divididos em:
efeitos tóxicos decorrentes da superdosagem
aguda; efeitos adversos que ocorrem durante
o uso terapêutico normal; tolerância e
dependência.
 Toxidade aguda: A super dosagem aguda
são consideravelmente menos perigosa que
outros ansiolíticos/hipnóticos na
superdosagem causam soo prolongado sem
depressão grave da respiração ou da função
cardiovascular. No entanto, na presença de
outros depressores do SNC, particularmente
o álcool, eles pode causar depressão
respiratória grave ou até que ameaça a vida.
.

 Efeitos colaterais durante o uso Barbitúricos


terapêutico: os efeitos colaterais principais Afetam várias áreas do SNC, incluindo a medula
são sonolência, confusão, amnésia e espinal, o tronco encefálico e o cérebro. Todos os
comprometimento da coordenação, o que barbitúricos exercem atividades depressoras
afeta consideravelmente as habilidades sobre o SNC, produzindo efeitos parecidos aos
manuais, como o desempenho ao volante. dos anestésicos de inalação. Causam morte por
Intensificam os efeitos depressores de outros depressão respiratória e cardiovascular se forem
fármacos, incluindo o álcool, num modo mais administrados em grandes doses. Os barbitúricos
somatório. mais usados são os que exibem propriedades
 Tolerância e dependência: ocorre tolerância especificas, como o fenobarbital, usado por sua
com todos os benzodiazepínicos, assim como atividade anticonvulsivante, e o tiopental,
amplamente usado como anestésico intravenoso sistemas noradrenérgico e serotoninérgico
ele assim como o benzodiazepínicos sistema límbico local de ação das drogas
potencializam a ação da GABA. antidepressivas usados na terapia dos transtornos
 Efeitos adversos: além do risco de da afetividade. Foram classificados em dois
superdosagem perigosa, as principais grupos os: Tricíclicos e Inibidores da
desvantagens dos barbitúricos residem no fato monoamina oxidase.
de que induzem um alto grau de tolerância e
de dependência, e induzem à síntese do Inibidores da MAO
citocromo P-450 hepático e das enzimas de Os primeiros IMAO a serem usados no
conjugação. Aumentam a velocidade de tratamento da depressão foram derivados da
degradação metabólica de muitas outras hidrazina, substância altamente hepatotóxica.
drogas dando origens a varias interações Os IMAO são bem absorvidos por VO. Sua
farmacológicas potencialmente incomodas. distribuição no organismo de acordo com a
 Tolerância: consiste numa diminuição da localização da MAO, bem como a composição
responsabilidade a determinada droga após lipídica dissular, o que explica as concentrações
exposição repetida, constitui uma mais altas no fígado, coração e cérebro.
característica comum dos A principal via de degradação da 5HT é mediada
sedativos/hipnóticos. A tolerância ocorre pelo pela MAO. O principal efeito dos IMAO consiste
metabolismo da droga no caso dos em aumentar as concentrações citoplasmáticas
barbitúricos, e devido a infra-regulação dos das monoaminas (5HT, NE e Dop) nas
receptores de benzodiazepínicos no cérebro. terminações nervosas, sem afetar as reservas
 Dependência: pode ser descrida como um vesiculares que formam o reservatório passível de
estado fisiológico alterado que exige a liberação com a estimulação nervosa. Empessoas
administração contínua da droga para impedir sadias, os IMAO causam aumento imediato da
o aparecimento de uma síndrome de atividade motora, e verifica-se o aparecimento de
abstinência. No caso dos sedativos/hipnóticos euforia e de excitação no decorrer de poucos dias.
essa síndrome caracteriza-se por estado de A ação desses medicamentos é de longa duração
maior ansiedade, insônia e excitabilidade do (semanas), em virtude da inibição irreversível da
SNC, que podem progredir para convulsões. MAO.
Os sedativos/hipnóticos são em sua maioria Os principais efeitos colaterais são a hipotensão
capazes de produzir dependência fisiológica postural (bloqueio simpático), efeitos parecidos ao
quando usado de modo crônico. da atropina, aumento do peso corporal,
estimulação do SNC, causando inquietação,
insônia, lesão hepática (rara). A superdosagem
aguda causa estimulação do SNC, e algumas
convulsões.

Figura 11: local de ação dos fármacos antidepressivos.


(a) IMAO. Os IMAO inibem a enzima mitocondrial, a MAO.
Aumentando as monoaminas citosólicas levando a um
aumento da captação vesicular de neurotransmissores e
a um aumento de sua liberação durante a exocitose.

Inibidores da recaptação
AGENTES ANTIDEPRESSIVOS Os fármacos desse tipo incluem a fluoxetina,
Os antidepressivos são drogas capazes de paroxetina, citalopram, escitalopram sertralina,
elevar o humor. Acredita-se que a depressão é são os mais prescritos. Apresenta seletividade em
causada por déficit funcional dos transmissores relação á captura da 5HT sobre a NE, são menos
das monoaminas (noradrenalina (NE)/ serotonina propensos a causar efeitos adversos colinérgicos
(5HT)) e certos locais do cérebro, ao passo que a que os ADT´s apresentam menos risco de super
mania resulta de um excesso funcional. O dosagem. Esses fármacos aliviam os sintomas de
aumento de neurotransmissores na fenda uma variedade de transtorno psiquiátricos
sináptica se dá através do bloqueio da recaptação comuns, incluindo depressão, ansiedade e
da NE e da 5HT no neurônio pré-sináptico ou transtorno obsessivo compulsivo. São usados três
ainda, através da inibição da monoamina oxidase classes de inibidores da recaptação:
(MAO) que é a enzima responsável pela
inativação destes neurotransmissores. Será nos
Antidepressivos tricíclicos (ADT´s) Efeitos adversos: aumento agudo da atividade
Inibem a recaptação da 5HT e NE da fenda sináptica serotoninérgica, alterações mais lentas
sináptica através do bloqueio dos transportadores em várias vias de sinalização e atividade
de recaptação da 5HT e da NE, respectivamente. neutrófica.
Os ADT´s com aminas secundárias afetam o
sistema da 5HT. É sugerido que a melhora dos
sintomas emocionais reflete uma potencialização
da transmissão medida pela 5HT, e o alivio dos
sintomas biológicos resultada da facilitação da
transmissão noradrenérgica.
Efeitos adversos: Em indivíduos não
depressivos, os ADT´s causam sedação, confusão
e falta de coordenação motora. Esses efeitos
ocorrem também nos pacientes cm depressão nos
primeiros dias de tratamento, as tendem a ir Figura 12: local e mecanismo de ação dos fármacos
desaparecendo em 1 a 2 semanas, quando se antidepressivos. (a) inibidores seletivos da recaptação de
serotonina (ISRS), inibem especificamente a recaptação da 5HT
desenvolve o efeito antidepressivo. Os efeitos mediada pelos transportadores de 5HT (SERT) resultando em
atropinicos incluem boca seca, visão embaçada, níveis altos de NoE e 5HT na fenda sináptica.
constipação e retenção urinária. Ocorre
hipotensão postural com os ADT´. Outro efeito
adverso comum é a sedação, e a longa duração
de ação significa que o desempenho diurno
costuma ser afetado por sonolência e dificuldade Inibidores da recaptação de 5HT-NE
para se concentrar. Os ADT´s particularmente em Existem algumas pessoas que não respondem a
superdosagem podem causar arritmias esses fármacos, uma classe mais recente de
ventriculares associadas ao prolongamento do fármacos, os inibidores da recaptação de 5HT-NE
intervalo QT. As doses terapêuticas habituais dos que inclui a Venlafaxina e a Duloxetina. A
ADT´s aumentam pouco, porem de forma Venlafaxina bloqueia o transportador de recaptar
significativa, o risco de morte súbita de causa de 5HT e o transportador de recaptação de NE
cardíaca. Os ADT´s produzem acentuada através de um mecanismo que depende de sua
potencialização dos efeitos do álcool por motivos concentração, em baixas concentrações, o
não bem esclarecidos. fármaco comporta-se como um ISRS, ao passo
que, em concentrações elevadas, aumenta
Inibidores seletivos da recaptação de 5HT também os níveis de NE. A duloxetina também
O primeiro ISRS introduzido foi à Fluoxetina, que inibe a recaptação de NE e de 5HT, e o seu uso
contínua sendo muito prescrita. Os fármacos foi aprovado para o tratamento da dor neuropática
desse tipo incluem Citalopram, Fluroxamina, e de outras síndromes de dor, além do tratamento
Paroxetina, Sertralina e os Escitalopram. Os de depressão.
ISRS assemelham-se aos tricíclicos, em seu
mecanismo de ação, com exceção de que os
ISRS são mais seletivos para os transportadores
da 5HT. A inibição da recaptação da 5HT aumenta
os níveis sinápticos da 5HT, produzindo aumento
de ativação do receptor de 5HT e intensificação
das respostas pós-sinápticas. Aplicação clínica:
depressão maior, transtornos de ansiedade,
transtorno depressivo, transtorno do pânico,
transtorno obsessivo compulsivo, transtorno da
alimentação.
Os inibidores seletivos da recaptação de 5HT
aumentam o tônus serotoninérgico, não apenas no FARMACOLOGIA ANTIPSICÓTICA
cérebro, mas em todo, o corpo. O aumento Os fármacos usados para a esquizofrenia
serotoninérgico no SGI: diarreias e outros também são usados para tratar manias e outras
sintomas gastrointestinais. O aumento dos tônus alterações do comportamento. O termo
serotoninérgicos em nível da medula espinal e antipsicóticos denota a capacidade desses
acima está associado a uma diminuição da função fármacos de abolir a psicose e aliviar a
e interesse sexuais. Também podemos incluir desorganização do processo mental nos pacientes
como efeitos colaterais o aumento da cefaleia e esquizofrênicos. A maioria caracteriza-se como
insônia ou hiper-insônia. A sertralina está antagonista dos receptores da Dop, muitos deles
associada com diarreia, enquanto a paroxetina atuam sobre alvos, particularmente nos receptores
está associada com constipação. 5HT, contribuindo para eficácia clínica. São
também chamados de neurolépticos ou
antiesquizofrênicos, ou ainda, tranquilizantes. efeitos terapêuticos ao bloqueio dos receptores
Os fármacos antipsicóticos são divididos em dois D2.
grupos: Os efeitos antipsicóticos exigem cercar de 80%
1. Os primeiros a serem desenvolvidos de bloqueio dos receptores D2. Os compostos de
(Clorpromazina, Haloperidol) chamados de 1ª geração mostram preferência por D2 em relação
antipsicóticos típicos ou de 1ª geração, ou aos receptores D1, enquanto alguns dos agentes
convencionais; mais modernos (Sulpirida, a Missulprida) são
2. E os agentes mais recentemente altamente seletivos para receptores D2. Acredita-
desenvolvidos (Clozapina e Risperidona) se que o antagonismo dos receptores D2 na via
chamados de antipsicóticos atípicos ou de 2ª mesolimbica aliviam os sintomas positivos da
geração. esquizofrenia.
Efeitos adversos:
 Alterações motoras extrapiramidais: Antipsicóticos atípicos
produzem dois tipos de alteração motora no Os cinco principais antipsicoticos são a
homem: Distonia aguda e discinesia tardias, clonazina, a olanzapina, a quetiapina, a
coletivamente chamadas efeitos adversos ziprasidona e a risperidona. Esses fármacos são
extrapiramidais. Todos eles resultam direta ou mais efetivos do que os antipsicóticos típicos no
indiretamente de bloqueio do receptor D2 por tratamento dos sintomas negativos da
via nigroestriatal. Esses efeitos adversos esquizofrenia. Os antipsicóticos atípicos produzem
constituem uma das principais desvantagens sintomas extrapiramidais, significativamente, mais
dos antipsicoticos de primeira geração. leve do que os antipsicóticos típicos em geral,
 As Distonias agudas: São movimentos esse efeito adverso só aparece quando os
involuntários. Ocorrem nas primeiras fármacos são administrados em altas doses.
semanas e diminuem com o decorrer do Os antipsicoticos atípicos possuem afinidade
tempo, é reversível quando se suspende o seletivamente baixa pelos receptores D2, ao
tratamento; contrário dos antipsicoticos típicos sua afinidade
 As Discenesia tardia: consistem em pelos receptores D2 não se correlaciona com a
movimentos involuntários, muitas vezes da sua dose clinicamente efetiva.
face e da língua, mas também do tronco e da
extremidade, podem ser intensamente
incapacitante.
A sonolência e a sedação, que tendem a
diminuir com o uso contínuo, ocorrem com
muitos antipsicóticos. A atividade anti-histamínica
(H1) é uma propriedade de alguns fenotiazinas e
contribui para suas propriedades sedativas e
antieméticas, mas não para sua ação
antipsicótica. Quando bloqueiam receptores
muscarinicos reduzem vários efeitos periféricos,
inclusive, secura na boca e nos olhos,
constipação e retenção urinária.

Antipsicoticos típicos ESTIMULANTES DO SNC


Os antipsicóticos típicos bloqueiam os Estão distribuídos em duas categorias:
receptores D2 em todas as vias dopaminérgicas 1. As substancias da primeira categoria
do SNC, seu mecanismo de ação como agente (estimulantes psicomotores) tem acentuado
antipsicótico envolve o antagonismo dos efeito sobre a função mental e o
receptores D2 mesolímbicos e mesocorticais. comportamento, produzindo excitação e
Os antipsicóticos típicos são divididos em euforia, redução da sensação de cansaço e
Fenotiazinas e as Butirofenonas. O aumento da atividade motora.
Clorpromazina é o protótipo das Fenotiazinas, 2. As substâncias da segunda categoria
enquanto o Haloperidol é a butirofenona mais (Substâncias psicomimética (alucinógenas))
usada. Apesar de diferenças na estrutura e na sua afetam principalmente os padrões de
afinidade pelo receptor D2, todos os antipsicoticos pensamentos e a percepção, distorcendo a
típicos possuem eficácia clínica parecida em cognição de modo complexo.
doses padrões. Os antipsicóticos devem seus
Várias dessas substâncias não possuem usos  Metilfenidato (ritalina): Estimulante do SNC
clínicos, mas são usados para objetivos parecido com a anfetamina e também pode
recreacionais, e como tais, são reconhecidos levar ao abuso. São fármacos mais prescritos
como fármacos de abuso. para crianças. É usado para o tratamento do
distúrbio de hiperatividade e déficit de
Estimulantes psicomotores atenção (DHDA).
As anfetaminas e o dextroisómero ativo, a  Mecanismo de ação: Crianças com DHDA
dextroanfetamina, junto com a metafetamina e o produzem sinais fracos de DoP, fazendo com
metilfenidato (ritalina), grupo de fármacos com que atividades geralmente de interesse para
propriedades semelhantes. Atuam nas liberações as crianças não ofereçam gratificação. Ele é
de monoaminas, sobretudo DoP e NoE, nas um inibidor do transporte de DoP e atua no
terminações nervosas cerebrais. São substratos aumento da DoP na fenda sináptica.
para os transportadores da captura de amina  Farmacocinética: O metilfenidato e o
neuronal e causam liberação desses mediadores, dextrotilfenidato são absorvidos por VO. O
produzindo os efeitos agudos. O uso prolongado, produto desesterificado, ácido ritalínico, é
são neurotóxicos, causa degeneração das excretado na urina.
terminações nervosas que contem aminas e,  Efeitos colaterais: Efeitos no TGI são os
finalmente, morte celular, efeitos causados pelo mais comuns e incluem dor abdominal e
acumulo de metabolitos reativos dos compostos náuseas. Outros efeitos incluem anorexia,
de origem nas terminações nervosas. insônia, nervosismo e febre. E contra
Seus efeitos centrais são: Estimulação indicado em pacientes com glaucoma.
locomotora, Euforia e excitação, Insônia, Aumento
de disposição e Anorexia.  Cocaína: Encontrada nas folhas de um
arbusto sul-americano, a coca. Essas folhas
 Anfetaminas: Têm ações simpatomiméticas são usadas por sua propriedade estimulante
periféricas, produz elevação da pressão por nativos da América do sul, reduzem o
arterial da motilidade gastrintestinal. Causa cansaço durante o trabalho em grandes
euforia, pela VI, tão intensa, que foi descrita altitudes.
como ``orgasmica´´. Os indivíduos tornam-se  Mecanismo de ação: Os efeitos
confiantes. Estudos mostraram melhoras no comportamentais resultam da estimulação do
desempenho mental e físico nos muitos córtex e do tronco cerebral. A cocaína liga-se
fatigados, embora não naqueles após repouso aos transportadores responsáveis pela
adequado. O desempenho mental melhora captura da DoP e da NoE nas terminações
para tarefas simples, tediosas, muito mais do nervosas e os inibe. Potencializando os
que para tarefas difíceis. efeitos periféricos da atividade nervosa
 Mecanismo de ação: Seus efeitos no SNC e simpática e produz acentuado efeito
no SNP são indiretos ambos dependem da estimulante psicomotor. Produz euforia,
elevação dos níveis de catecolaminas nas loquacidade, aumento da atividade motora e
fendas sinápticas. Possuem efeitos liberando ampliação do prazer. Seus usuários se
estoques intracelulares de catecolaminas. Ela sentem em alerta, energética e fisicamente
também inibe a MAO, altos níveis de fortes e acreditam que possuem capacidades
catecolaminas são facilmente liberadas para mentais melhoras.
as fendas sinápticas.  Farmacocinética: É administrada por VO,
 Farmacocinética: É rapidamente absorvida por inalação, fumo ou por injeção IV. A
do TGI, porém para aumentar a intensidade duração da ação da cocaína, é cerca de 30
da ``onda´´ ela pode ser aspirada ou injetada, minutos, é rapidamente metabolizada pelo
a base livre da metafetamina pode ser fígado.
queimada e tomada de modo semelhante a Sendo desesterificada e desmetilada à
cocaína. benzoilectonina, que é excretada na urina, a
Atravessa livremente a BH, o que explica, por que detecção dessas substancia na urina nos permite
produz efeitos centrais mais acentuados que identificar o usuário. Um metabolito é depositado
aqueles fármacos. É eliminada inalterado na urina, no cabelo, com ele podemos monitorar o consumo
a taxa de eliminação aumenta quando a urina se da cocaína.
torna mais ácida. Sua meia-vida varia de cerca de  Efeitos colaterais: A resposta tóxica à
5h a 20 a 30h, dependendo do fluxo urinário e do ingestão aguda pode provocar reações de
pH urinário. ansiedade que incluem hipertensão,
 Efeitos adversos: Incluem irritabilidade e taquicardia, sudoração e paranoia. Como
inquietação, à medida que as reservas todos os fármacos estimulantes, a estimulação
energéticas do corpo vão se esgotando. Em do SNC é seguida por um período de
doses altas, as anfetaminas podem induzir o depressão mental. Pode causar convulsões e
pânico e paranoia. arritmias cardíacas.
Metilxantinas
Varias bebidas como chá, café e cacau, contêm
metilxantinas, que possuem efeitos estimulantes
centrais leves. Os principais compostos são a
cafeína e a teofilina.

 Cafeína: Atua no SNC, nos músculos


estriados, no miocárdio e nos rins. No SNC
produz estado de alerta mental e aumenta à
atividade mental, facilitando a capacidade de
trabalho muscular.
 Mecanismo de ação: Vários mecanismos
foram propostos para as ações dos
metilxantinas, incluindo translocação de
cálcio extracelular, aumento de monofosfato
cíclico de adenosina e de guanosina causado
por inibição da fosfodiesterase e bloqueio dos
receptores de adenosina.
 Farmacocinética: São bem absorvidas por
VO, se distribui no organismo, incluindo o
cérebro. Também atravessam a placenta e
são secretados no leite materno. São
biotransformados no fígado, e os metabolitos
são excretados na urina.
 Efeitos colaterais: são náuseas, cefaleia e
insônia. Doses altas podem causar
inquietude, excitação, tremores musculares,
tinida, ecotoma, taquicardia e extrassistite.
Aumenta a secreção gástrica podendo
provocar ulceração gástrica.

FARMACOLOGIA RESPIRATORIA
Fármacos usados para o tratamentos das
doenças respiratórias podem ser aplicadas
topicamente na mucosa nasal, inaladas ou
administradas por via oral, como os nebulizadores
ou inaladores, são preferidos, pois o fármaco
atinge o tecido-alvo e minimiza os efeitos
adversos sistêmicos. Os fármacos clinicamente
úteis aliviam a patologia especifica por
relaxamento de músculos lisos bronquiais ou
modulação da resposta inflamatória.
.
Droga antiasmática Efeitos adversos: O mais comum é o tremor,
A asma é uma doença inflamatória das vias outros efeitos indesejáveis são taquicardia e
aéreas caracterizada por episódios de arritmia cardíaca.
broncoconstrição aguda causando encurtamento
da respiração, tosse, tensão torácica, respiração  Anti-inflamatório:
ruidosa e rápida. Esses sintomas podem se  Glicorticoides: São os principais fármacos
resolver com exercícios de relaxamento ou com usados por ação anti-inflamatória na asma.
fármacos de alivio rápido, como um agonista β2- Eles evitam a resposta inflamatória do
adrenérgico de ação breve. O objetivo do organismo são eficazes para reduzir os
tratamento da asma é reduzir o agravamento, sintomas da asma. Não relaxam a
diminuindo a frequência dos sintomas e o grau de musculatura lisa das vias respiratórias e, por
limitação que o paciente apresenta devido a estes essa razão, tem pouco efeito na
sintomas. Reduzir o risco, diminuindo os broncoconstrição aguda. Não são
resultados adversos associados a amas e o seu broncodilatadores, mas impedem a
tratamento. progressão da asma crônica e são eficazes
Há duas classes de fármacos antiasmáticos; na asma grave aguda. Eles diminuem a
broncodilatadores e anti-inflamatórios. Os formação de citocinas, em particular das
broncodilatadores revertem o broncoespasmo da citocinas TH2, que recrutam e ativam
fase imediata; os anti-inflamatórios inibem ou eosinófilos e são responsáveis por promover
previnem os componentes inflamatórios de ambas a produção de IgE e a expressão de
às fases. receptores de IgE. Os principais compostos
 Broncodilatadores: Os principais são usados são beclometasona, budesonida,
agonistas β2-adrenérgico; outros incluem a fluticasona, mometasona e ciclesonda.
teofilina, antagonistas dos receptores de Administrada por inalação por meio de um
cisteinil-leucotrienos e antagonistas inalador com válvula mediadora de dose ou
muscarinicos. inalador de pó seco, sendo atingindo o efeito
 Fármacos β2-seletivos: Os fármacos pleno sobre a hiper-responsabilidade
agonistas seletivos dos receptores β2, brônquica somente depois de semanas
(Salbutamol) são os agentes depois de semanas ou meses de terapia. São
simpatomiméticos mais usados no tratamento ais usados profilaticamente para controlar a
da broncoconstrição asmática. São efetivos asma, em vez de reverter os sintomas
quando inalados ou administrados por via oral agudos da doença. Ao estabelecer a dose
e apresentam maior duração de ação. ideal do fármaco, deve-se ter em mente que
Broncodilatadores como o salbutamol, o grau máximo de melhora da função
quando inalado são efetivos e seguros, e de pulmonar pode ocorrer apenas depois de
baixo custo. Os pacientes asmáticos que varias semanas de tratamento.
fazem uso de β2-adrenérgicos inalados os  Efeitos adversos: são incomuns os efeitos
usam apenas quando precisam. indesejáveis graves com esteroides
 Inibidores dos Leucotrienos: O inaladores. Pode ocorrer candidíase
Leucotrienos β4 é um quimioatrativo potente orofaríngea (sapinho), bem como irritação
de neutrófilos, e LTC4 e LTD4 exercem efeitos da garganta e voz rouca, mas o uso de
que ocorrem na asma, inclusive espaçador que diminuem a deposição
broncoconstrição, aumento da reatividade orofaríngea do fármaco e aumenta a
brônquica, edema de mucosa e deposição nas vias aéreas, reduz esses
hipersecreção de muco. São estudadas duas problemas.
abordagens para interromper a via dos
Leucotrienos:

1. A inibição da 5-lipoxigenase, impedindo a Tosse


síntese dos Leucotrienos, e a inibição da É um reflexo protetor que retira material
ligação do LTD4ao seu receptor nos tecidos- estranho e secreções dos bronquíolos. Os
alvo, evitando sua ação; antitussígenos são todos anestésicos opioides
2. Foi demostrada eficácia no bloqueio da que atuam no tronco encefálico, deprimindo um
resposta das vias respiratórias a exercício e à centro da tosse. Eles suprimem a tosse em
provocação antigênica com fármacos de doses abaixo da necessária para alivio da dor. A
ambas categorias. codeína é o opióide fraco com tendência
A zileutona inibidor da 5-lipoxigenase, e com a consideravelmente menor de causar
zafirlucaste e montelocaste, antagonistas do dependência do que a dos opioides principais e
receptor de LTD4. Todos se mostraram capazes é um supressor moderado da tosse. Diminuem
de melhorar o controle da asma e reduzir a as secreções nos bronquíolos, o que espessa o
frequência das crises em pacientes ambulatoriais.
escarro, e inibe a atividade ciliar. É comum a
constipação.

FARMACOLOGIA DO TGI
As principais condições patológicas nas quais é
útil reduzir a secreção ácida são a ulceração
péptica, e a esofagite de refluxo.

Distúrbios ácido-pépticos
O controle da acidez gástrica é fundamental no
tratamento desses distúrbios, embora esta
abordagem não trate o processo fisiológico
fundamental.
 Úlcera péptica: A terapia antissecretória da
úlcera péptica e da esofagite de refluxo
envolve a diminuição da secreção de ácido  1º a histamina liberada pelas células ECL
com antagonistas dos receptores H2 ou pela gastrina ou por estimulação local tem a
inibidores da bomba de prótons ou sua ligação ao receptor H2 da célula parietal
neutralização do ácido secretado com bloqueada;
antiácidos. O tratamento da ulcera péptica  2º a estimulação direta da célula parietal pela
deve incluir a erradicação do H. pylori com uso gastrina bloqueada Ach exercem um efeito
de antimicrobianos, como a amoxicilina e diminuindo sobre a secreção de ácido na
metronidazol. A bactéria H. pylori produz a presença de bloqueio dos receptores.
enzima uréase, que converte a ureia em São usados quatro H2-antagonistas:
amônia e CO2 que posteriormente é convertida Cimetidina, Ranitidina, Femotidina e Nizatidina.
em bicarbonato. Os fármacos usados no
tratamento dos distúrbios ácido-péptico podem Inibidores da bomba de prótons
ser divididos em duas classes: Agem através da inibição irreversível do
1. Fármacos que reduzem a acidez H+/K+ATPase, que constituí a etapa final na via de
intragástrica; secreção ácida. Temos seis inibidores da bomba
2. Fármacos que promovem a defesa da de prótons para uso clínico: Omeprazol,
mucosa. Esomeprazol, Dexlansoprazol, Rabeprazol e
Pacientes com esse problema podem tomar Pantoprazol. Todos são benzimidazólicas
antiácidos ou H2-antagonistas. Como é substituídos, parecidos com receptores H2 na sua
proporcionada uma rápida neutralização do ácido, estrutura mas com mecanismo de ação diferente.
os antiácidos produzem alivio sintomático mais Todos esses fármacos estão disponíveis em
rápido do que os antagonistas dos receptores H2. formulações orais. Eles são administrados na
forma de pró-fármacos inativos. Uma dose diária
Antiácidos única afeta a secreção ácido durante 2 a 3 dias,
Os antiácidos são bases fracas que reagem com devido ao seu acúmulo nos canalículos.
o HCl gástrico, formando sal e água. O (omeprazol, lanoprazol e pantoprazol). O
bicarbonato de sódio reage rapidamente com o tratamento crônico com omeprazol reduz a
HCl formando dióxido de carbono e cloreto de absorção de vitamina B12. Para proteger o pró-
sódio. A formação de dióxido de carbono resulta fármaco de sua rápida destruição no TGI. Os
em distensão em distensão gástrica e eructações. inibidores da bomba de prótons são bases fracas
Atuam ao neutralizar o ácido gástrico, elevando, o lipofílicas que, após absorção intestinal, sofrem
H1 gástrico para inibir a atividade péptica, que rápida difusão pela membrana lipídica para os
cessa com um valor de pH de 5. Os antiácidos componentes acidificados.
comuns consistem de sais de magnésio e de
alumínio. Os sais de magnésio causam diarreia,
enquanto os sais de alumínio provocam
constipação. Todos os antiácidos podem afetar a
absorção de outras medicações por causa de sua
ligação ao fármaco ou aumento do pH, com
consequente alteração na dissolução ou
solubilidade do fármaco.

Inibidores H2
Os antagonistas dos receptores H2 inibem
competitivamente as ações da histamina em todos
os receptores H2, porem sua aplicação clinica
consiste na sua atuação como inibidores da
secreção de ácido gástrico. Esses agentes
reduzem a secreção ácida basal é estimulada por
alimentos, além de promoverem a cicatrização das
úlceras duodenais. São seletivos e não alteram os
receptores H1 e H3. Ocorre redução do volume de
secreção gástrica e da concentração da pepsina.
A redução da secreção de ácido pela histamina,
gastrina e pepsina ocorre por dois mecanismos:
Vomito
Vomitar é um processo complexo e exige
atividade coordenadas dos músculos respiratório
somáticos e abdominais, bem como dos músculos
involuntários do TGI através do esôfago relaxado,
associado a contração sustentadas de diafragma
e músculos abdominais, e o aumento da pressão
intra-abdominal. A náusea é a de urgência de
vomitar, ocorrendo simultaneamente a perda de
tônus e peristalse gástrica, contração de duodeno
e refluxo de conteúdo intestinal para o estomago.
A estrutura anatômica integrada do vomito é o
centro bulbar do vômito, localizado na formação
reticular lateral. São usados diferentes agentes
antieméticos para condições diferentes.

Antagonistas dos receptores muscarinicos


A serotonina atua como neurotransmissor do
vômito. Antagonista seletivo dos receptores da
serotonina, por exemplo, a ondansetrona, a
granisetrona e a tropsetrona, são usadas na
prevenção e no tratamento dos vômitos causados
por agentes citotóxicos.

Figura 13: mecanismo de ação do omeprazol, um inibidor da


Antagonistas dos receptores
bomba de prótons. (a) célula parietal; (b) canalículo; (c) dopaminérgicos
omeprazol; (d) atravessa livremente a membrana plasmática; A metoclopra é antagonista dos receptores
(e) citoplasma; (f) sangue; (g) omeprazol (pró-fármaco); (h)
exposto ao ambiente acido do canalículo da célula parietal; (i) dopaminérgicos, que atuam na ZGQ. Elas também
sulfenamida ativa; (j) reage rapidamente formando um possuem ações periféricas, aumentando a
dissulfeto covalente; (l) complexos sulfenamida (enzima motilidade do estômago e do intestino, sem
inativa)
estimulação concomitante da secreção gástrica, o
Protetores da mucosa que contribui para seu efeito antiemético, podendo
Dispomos de vários mecanismos de defesa da ser usada na terapia de distúrbios gastrintestinais.
mucosa para a prevenção e para o tratamento dos Purgantes
distúrbios ácido-péptico. Os agentes que Neles é apropriado para evitar a constipação com
promovem a defesa da mucosa são usados para o uma alimentação rica em fibras e liquido.
alivio sintomático da doença ulcera péptica. Esses Vários medicamentos podem acelerar o transito
fármacos incluem agentes de revestimentos e de alimento, por diferentes métodos:
prostaglandina.  Aumentando-se o volume dos resíduos
 Sucralfato: é um sal de sacarose complexado sólidos não absorvíveis com laxativos de bolo
com hidróxido de alumínio sulfatado. Em água fecal;
ou soluções ácidas, forma uma pasta viscosa  Aumentando-se o conteúdo de agua com
e de consistência firme, que se liga laxativos osmóticos;
seletivamente às ulceras e erosões por até 6  Alterando-se a consistência das com
horas. Possui pouca capacidade de modificar emolientes fecais;
o pH gástrico. O gel formado protege a  Aumentando-se a motilidade e a secreção
superfície luminal do estômago da degradação (purgativos estimulantes).
pelo ácido e pela pepsina. Os laxativos podem ser classificados de acordo
 Bismuto: é um agente de revestimento usado com seus mecanismos de ação em:
na doença péptica. Os sais de bismuto  Formadores de bolo fecal: incluem a
combinam-se com glicoproteínas do muco, metilcelulose e algumas resinas vegetais,
formando uma barreira que protege a úlcera como, agar, farelo e casca de spaghula. Esses
lesão adicional pelo ácido e pela pepsina. É agentes são polímeros de polissacarídeos, que
um medicamento que não precisa de são degradados pelos processos normais da
prescrição médica. É um complexo de cristal digestão. Atuam em virtude da sua capacidade
consistindo em bismuto trivalente e salicilado em reter agua na luz intestinal, promovendo
suspenso numa mistura de argila de silicato de assim o peristaltismo. Levam vários dias para
magnésio e alumínio. Acredita-se que o exercer ação, mas não apresentam efeitos
bismuto tenha efeito antissecretório, anti- indesejáveis.
inflamatório e antimicrobiano; pode aliviar
náuseas e cólicas abdominais.
 Laxantes osmóticos: Eles mantem por Antidiarreicos
osmose um volume aumentado de liquido na Podem ser usados com segurança em pacientes
luz do intestino o que acelera a transferência com diarreia aguda leve a moderada. Não devem
do conteúdo intestinal através do intestino ser usadas em pacientes com diarreia
delgado, resultando por chegada de um sanguinolenta, febre alta ou toxicidade sistêmica.
volume inusitadamente grande no cólon. Isto Aumentam a atividade de segmentação do colo
provoca distensão e consequentemente pela inibição dos nervos colinérgicos pré-
purgação em cerca de uma hora. Os principais sinápticos nos plexos submucosos e mioentérico e
sais usados são o sulfato de magnésio e o resultam em aumento do tempo de transito
hidróxido de magnésio. É insolúveis, colônico e absorção da água fecal. Opiáceos são
permanecerem na luz e retem a agua, muito usados no tratamento da diarreia e podem
aumentado o volume das fezes. São agir por vários mecanismos diferentes, são
compostos solúveis, que resultam num preferidos a outros agentes devido à sua
aumento da liquefação das fezes, devido a um capacidade limitada de penetrar no SNC A
aumento da água fecal. O leite de magnésia é loperamida é um agonista opióide, que não
um laxativo osmótico de uso comum. O atravessa a BHE e não tem propriedade
sorbitol e a lactulose são açúcares não analgésica.
absorvíveis que podem ser usadas na
prevenção o no tratamento da constipação Loperamida
intestinal. Esses açúcares são metabolizados É um antidiarreico de ação oral. Aumenta o tempo
por bactérias colônias, produzindo intensa de transito entre a boca e o ceco. A loperamida
flatulência e cólica. também aumenta o tônus do esfíncter anal, efeito
 Emolientes fecais: O docusato de sódio é um que pode ter uso terapêutico para alguns
composto tensoativo, que atua no TGI de pacientes com incontinência anal. Também possui
modo semelhante a um detergente, a atividade antissecretória contra a toxina da
produzindo fezes de consistência mole. cólera e algumas outras formas de toxinas de E.
 Purgativos estimulantes: O sene possui coli. A loperamida é eficaz contra a diarreia do
atividade laxativa, visto que contém derivados viajante, usada sozinha ou isolada a
de andraceno (emodina) em combinação com antimicrobianos.
açucares, formando glicosídios. A droga passa
de modo inalterado pra o colón, onde as Difenoxilato e difenoxina
bactérias de hidrolisam a ligação glicosídicas, São derivados piperidinicos estruturalmente
liberando os derivados de antracenos livres, relacionados com a meperidina. A difenoxina é o
que são absorvidos e exercem efeitos metabolito ativo do difenorréia. Como
estimulantes direto sobre o plexo mioentérico, antidiarreicos, o difenoxilato e a difenocina são
resultando em atividade da musculatura lisa e, pouco mais potentes que a morfina.
portanto, defecação;
 Amolecedores: amolecem o material fecal,
permitindo a penetração de água e lipídeos.
Os mais comuns são o docusato e os
supositórios de glicerina.

Motilidade gastrointestinal
As drogas que aumenta a motilidade
gastrointestinal são a Domperidona, a
Metoclopramida que exerce um efeito estimulante
local significativo sobre a motilidade gástrica,
causando acentuada aceleração do esvaziamento
gástrico, sem estimulação concomitante da
secreção ácida gástrica. É útil no tratamento do
refluo gastroesofágico e no distúrbio do
esvaziamento gástrico.
FARMACOLOGIA CARDÍACA  Ações sobre o coração: Os inibidores da
Insuficiência cardíaca (IC): É uma alteração ECA diminuem a resistência vascular, o tônus
progressiva no qual o coração é incapaz de venoso e a pressão arterial. Diminuem a pré e
bombear sangue suficiente para suprir as pós-carga, resultando aumento do débito
necessidades do organismo. Seus sintomas são cardíaco. O uso de inibidores da ECA no
dispneia, fadiga e retenção de liquido. Ela é tratamento da IC diminui significativamente a
decorrente de uma redução da capacidade do morbidade e a mortalidade.
coração em encher-se de sangue ou ejetá-lo de  Farmacocinética: Todos os inibidores da ECA
forma adequada. É frequentemente acompanhada são absorvidos de forma adequada, não
por aumento anormal do volume de sangue e de completamente, após a administração por via
líquido intersticial. Objetivos farmacológicos na oral. A presença de alimentos pode diminuir a
IC: São de aliviar os sintomas tornar lenta a absorção dos fármacos, eles devem ser
progressão da doença e aumentar a sobrevivência tomados com estomago vazio.
temos seis classes de fármacos usados para isso:  Efeitos adversos: Incluem-se hipotensão
postural, insuficiência renal, hiperpotassemia,
Inibidores do sistema renina-angiotensina angiodema e tosse seca persistente. A
A IC causa ativação do sistema renina- possibilidade de hipotensão sintomática com o
angiotensina por dois mecanismos: uso de inibidores da ECA requer monitoração
a. Aumento da liberação de renina pelas células cuidadosa. Os inibidores da ECA não devem
justaglomerulares nas arteríolas aferentes ser usados em mulheres gestantes, pois estes
renais em resposta à diminuição da pressão fármacos são tóxicos para o feto.
de perfusão renal, resultante do coração
insuficiente; Bloqueadores de receptores de angiotensina
b. Liberação de renina pelas células (BRAs)
justaglomerulares promovida por estimulação São compostos ativos por via oral que são
simpática e ativação dos receptores β. A antagonistas competitivos potentes do receptor
produção de angiotensina 2, um potente tipo 1 de angiotensina. A Losartana é o fármaco
vasoconstritor, e a subsequente estimulação protótipo. Os BRAs têm a vantagem de bloqueio
da liberação de aldosterona que causa mais completo da ação de angiotensina, pois os
retenção de sal e água levam ao aumento da inibidores da ECA inibem somente uma enzima
pré-carga e da pós-carga, que é característica responsável pela produção de angiotensina 2.
da insuficiência cardíaca. Além disso, níveis Além disso, eles não afetam os níveis de
altos de angiotensina 2 e aldosterona têm bradicinina.
efeitos prejudiciais direto no músculo cardíaco,  Ações sobre o coração: Todos os BRAs são
favorecendo o remodelamento, a fibrose e as aprovados para o tratamento da hipertensão
alterações inflamatórias. com base na sua eficácia clinica em reduzir a
Dependendo da gravidade da IC e de fatores pressão arterial e diminui a morbidade e a
individuais do paciente uma ou mais classes de mortalidade associada a hipertensão. Seu uso
fármacos são usados. Os benefícios da na IC é como substituto dos inibidores da ECA
intervenção farmacológica incluem redução da por pacientes com tosse intensa ou
carga do miocárdio, diminuição do volume de angiodema.
líquido extracelular, aumento da contratilidade  Farmacocinética: Todos os inibidores da ECA
cardíaca e redução da velocidade remodelamento são absorvidos de forma adequada, mas não
cardíaco. completamente, após a administração via oral.
A presença de alimentos pode diminuir a
Inibidores da enzima conversora de absorção dos fármacos, eles devem ser
angiotensina (ECA) tomados com estomago vazio. Com exceção
São os fármacos de escolha na IC. Eles do captopril, os inibidores da ECA são pró-
bloqueiam a enzima responsável pela fármacos que precisam de ativação por
transformação de angiotensina 1 no potente hidrolise pelas enzimas hepáticas. A
vasoconstritor angiotensina 2. Também diminuem eliminação renal da molécula ativa é
a velocidade de inativação da bradicinina pela importante para a maioria dos inibidores da
redução dos níveis de angiotensina 2 circulante, ECA;
os inibidores da ECA também diminuem a  Efeitos adversos: Incluem-se hipotensão
secreção de aldosterona, resultando em menor postural, insuficiência renal, hiperpotassemia,
retenção de sódio e de água. angiodema e tosse seca persistente. Os
inibidores da ECA não devem ser usados em
mulheres gestantes, pois são tóxicos para o
feto.
Bloqueadores β-adrenérgicos  Glicosídeos digitálicos: são frequentemente
O benefício dos β-bloqueadores é atribuído, em chamados digitálicos ou digitálicos cardíacos,
parte, à sua propriedade de prevenir as mudanças pois a maioria dos fármacos é proveniente da
que ocorrem em virtude da ativação crônica do planta digitalis (dedadeira). São compostos
SNP, incluindo diminuição da frequência cardíaca quimicamente parecidos que podem aumentar
e inibição da liberação de renina dos β- a contratilidade do músculo cardíaco, vista
bloqueadores são aprovados para uso na IC: o disso, são muito usados no tratamento da IC.
carvedilol e o metoprolol de ação prolongada. O Os glicosídeos no músculo cardíaco, e dessa
carvedilol é um antagonista de β-adrenorreceptor forma, aumenta a contração do miocárdio atrial
não seletivo que também bloqueia β- e ventricular (ação ionotropica positiva). O
adrenorreceptor, o metoprolol e um antagonista β1 digitálico mais usado é a digoxina.
seletivo. O carvedilol e o metoprolol diminuem a  Farmacocinética: Todos os glicosídeos
morbilidade e a mortalidade associada à IC. O digitálicos possuem as mesmas ações
tratamento deve iniciar com baixas dosagens e farmacológicas, mas variam em potencia e
gradualmente ser titulada a dosagem eficaz com farmacocinética. A digoxina é muito potente,
base na tolerância do paciente. com índice terapêutico estreito e longa meia
vida de cerca de 36 horas. A digoxina é
Diuréticos eliminada de forma inalterada pelos rins.
Aliviam a congestão pulmonar e o edema Tem amplo volume de distribuição porque
periférico. Esses fármacos são úteis na redução acumula nos músculos. A digoxina tem
dos sintomas da sobrecarga de volume, incluindo tempo de meia-vida muito longo e é
ortopneia e dispneia paroxística noturna. Os extensamente biotransformado pelo fígado
diuréticos diminuem o volume plasmático, e, antes da excreção nas fezes, e os pacientes
subsequentemente, diminuem o retorno venoso ao com doenças hepáticas podem precisar
coração, diminuindo a carga de trabalho cardíaca reduzir as doses.
e a demanda de oxigênio. Os diuréticos podem  Efeitos adversos: A toxidade da digoxina é
diminuir também a pós-carga pela redução de uma das reações adversas a fármaco mais
volume plasmático, reduzindo, assim, a pressão comum encontrada. Os efeitos adversos
arterial. Os diuréticos tiazílicos são relativamente podem ser controlados suspendendo o uso
fracos e perdem eficácia em pacientes com do glicosídeo cardíaco, medindo o nível
depuração de creatina inferior a 50ml/min. Os sérico de potássio, e, se indicado,
diuréticos de alça são usados em pacientes que administrando suplemento de potássio. Os
necessitam diurese intensa e em pacientes com tipos de efeitos adversos são:
insuficiência renal. Os diuréticos de alça são os  Efeitos cardíacos: o mais comum é a
diuréticos mais usados na IC. arritmia caracterizada por tonar lenta a
condução átrio ventricular associado com
Vasodilatadores diretos arritmia arterial. Diminuição do potássio
A dilatação de vasos sanguíneos venosos leva a intracelular é o fato predisponente primário
uma diminuição na pré-carca cardíaca pelo nesse efeito.
aumento da capacitância venosa; dilatadores
arteriais reduzem a resistência arteriolar sistêmica Antagonistas da aldosterona
e diminuem a pós-carga. Os nitratos são os Pessoas com doenças cardíacas avançadas
dilatadores venosos mais usados e pacientes com apresentam níveis altos de aldosterona devido à
IC congestiva. Se o paciente é intolerante aos estimulação da angiotensina 2 e à redução da
inibidores da ECA ou aos β-bloqueadores, ou se depuração hepática do hormônio. A
necessária uma resposta vasodilatadora adicional, espironolactona é um antagonista direto da
pode ser usado à associação de hidralazina e aldosterona; desta forma previne a retenção de
dinitrato de isossorbida. Esta associação é muito sal, a hipertrofia miocárdica e a hipotassemia.
eficaz em pacientes negros com IC. A hidralazina Como ela promove retenção de potássio, os
diminui a pós-carga e o nitrato orgânico reduz a pacientes não devem receber suplementação de
pré-carga. potássio. Os efeitos adversos incluem distúrbios
gástricos, como gastrite e ulcera péptica, efeito
Fármacos ionotrópicos sobre o SNC, como letargia e confusão, e
Aumenta a contratilidade do músculo cardíaco e, alterações endócrinas, como ginocomastia,
dessa forma aumenta o débito cardíaco. Embora diminuição do libido e irregularidade menstrual.
esses fármacos atuem por diferentes
mecanismos, em todos os casos a ação inotrópica
é o resultado do aumento da concentração de
cálcio citoplasmático, o qual aumenta a
contratilidade do musculo cardíaco.
AGENTES ANTIARRÍTIMICOS Classes
A meta da terapia arrítmica é reduzir a atividade Os antiarrítmicos podem ser classificados de
do marca-passo ectópico e modificar a condução acordo com seu efeito predominante sobre o
ou refradariedade nos circuitos de reentrada para potencial de ação (PA). Os antiarrítmicos são
desabilitar o movimento em circulo. Os principais organizados em quatro classes de acordo com
mecanismos farmacológicos para isso são: seu mecanismo de ação. Os agentes
1. Bloquear os canais de sódio; antiarrítmicos de:
2. Bloquear os efeitos autônomos simpáticos no 1. Classe 1: São bloqueadores dos canais de
coração; Na+;
3. Prolongar o período refratário efetivo; 2. Classe 2: São bloqueadores dos receptores β-
4. Bloqueadores dos canais de cálcio. adrenérgicos;
Os antiarrítmicos diminuem a automaticidade dos 3. Classe 3: São bloqueadores dos canais de K+;
marca-passos ectópicos mais do que a do nó SA. 4. Classe 4: Bloqueiam os canais de Ca2+.
Também reduzem a condução e a excitabilidade e
aumentam o período refratário em maior extensão Classe 1
no tecido despolarizado do que no tecido normal As drogas de classe 1 exercem bloqueio direto
polarizado. Isso é feito ao bloquear seletivamente nos canais de Na+, com tendência variável, e se
os canais de sódio ou de cálcio das células diferenciam nas subclasses:
despolarizadas.  1A: Depressão moderada da fase 0 e da
O efeito específico de determinado bloqueador velocidade de condução, com bloqueio
dos canais decorre da função da corrente adicional dos canais de K+ e de retardo de
transportadora pelo canal específico no potencial repolarização;
de ação cardíaca.  1B: Depressão discreta a moderada da fase 0
+ 2+
e sem efeito nos canais de K+;
Ex.: Os bloqueadores dos canais de Na e Ca alteram o
+  1C: Depressão acentuada da fase 0 e da
potencial limiar, enquanto os bloqueadores dos canais de K
tendem a prolongar a duração do potencial de ação. condução, com pouco ou nenhum efeito nos
canais de K+.
Esses fármacos podem ter acesso ao canal Em consequência do bloqueio de Na+, há um
iônico ao atravessar os poros do canal ou ao menor número de canais disponíveis para
difundir-se através da dupla camada lipídica abertura, em resposta à despolarização da
dentro da qual se encontra o canal. Os membrana elevando, assim, o limiar para o
bloqueadores dos canais iônicos dependente do disparo do potencial de ação e lentificando a taxa
estado constitui um importante conceito na ação de despolarização. Ambos os efeitos estendem à
dos fármacos antiarrítmicos. Os canais iônicos são duração da fase 4 e, diminuem a frequência
capazes de assumir vários estados de cardíaca.
conformação, e as mudanças na permeabilidade
da membrana a determinado íon são mediadas
por alterações conformacionais nos canais através
dos quais este íon passa. Com frequência, os
agentes antiarrítmicos exibem afinidades
diferentes por diferentes estados de conformações Figura 14: efeitos dos agentes antiarrítmicos da classe IAM,
dos canais com maior afinidade do que outras IB e IC sobre o potencial de ação ventricular. (a) bloqueio
conformações do canal com maior afinidade. Esse moderado dos canais de Na+, (1) classe 1A; (b) repolarização
prolongada; (c) bloqueio leve dos canais na+; (2) classe 1B;
tipo de ligação é conhecido como ``dependente (d) repolarização encurtada; (e) acentuado bloqueio dos
do estado´´. Um bom exemplo são os canais de Na+; (3) classe IC; (f) nenhuma alteração na
bloqueadores dos canais de Na+. repolarização.

+
O canal de Na sofre alterações de seu estado (aberto-  Classe 1A: Os antiarrítmicos da classe 1A
fechado-inativo) enquanto dura um potencial de ação. o canal exercem bloqueio moderado sobre os canais
torna-se inativo durante a fase de platô e modifica=se de Na+ e prolongam a repolarização tanto das
novamente para a conformação em repouso (fechado)
quando a membrana é repolarizada para o seu potencial em
células do nó AS* quanto dos miocitos
repouso. ventriculares. Através dos bloqueios dos
canais de Na+, esses agentes diminuem a
Os bloqueadores dos canais de Na+ ligam-se, velocidade de ascensão da fase 0, o que
preferencialmente ao canal de Na+ nos estados diminuem a velocidade de condução através
abertos e inativado, mas não do canal no seu do miocárdio.
estado de repouso (fechado). Dessa forma, os
fármacos tendem a bloquear os canais durante o
potencial de ação e a dissociar-se deles durante a
diástole.
 Procainamida: Ao bloquear os canais de O labetalol e o carvediol induzem a
sódio, ela prolonga a elevação do PA e a vasodilatação ao antagonizar a vasoconstrição
condução, e prolonga a duração do QRS do mediada pelos receptores α-adrenérgicos,
ECG. O fármaco também bloqueia a APD enquanto o pindolol é um agonista parcial nos
(uma ação de classe 3) por meio do bloqueio receptores β2-adrenérgicos.
inespecífico dos canais de potássio. A
procainamida possui ações depressoras Classe 3
diretas sobre os nodos SA e AV, as quais são Bloqueiam os canais de K+; Dois tipos de
contrabalanceadas apenas discretamente correntes determinam a duração da fase do platô
pelos bloqueios vagais induzidos por do PA* cardíaco: As correntes de Ca2+
fármacos. despolarizantes para dentro da célula e as
 Efeitos extracardíacos: Possui correntes de K+ hiperpolarizantes para fora da
propriedade de bloqueio ganglionar. Tal célula. Durante um PA* normal, as correntes de K+
ação a resistência vascular periférica e hiperpolarizantes diminuem a duração do platô,
pode provocar hipotensão, em particular com retorno mais rápido do PM, a seu valor em
como uso intravenoso. repouso, enquanto as correntes de K+
 Toxidade: Os efeitos cardíotóxicos da hiperpolarizantes menores aumentam a duração
procainamida incluem o prolongamento do platô e retardam o retorno do PM para o seu
excessivo do PA, o prolongamento do valor de repouso.
intervalo Q-T e a indução da arritmia A Ibutilida é um agente de classe 3 que prolonga
torsades de pointes e sincope um efeito a repolarização através da inibição da corrente de
colateral preocupante da terapia com K+ retificação tardia. Esse agente também
procainamida á longo prazo é uma intensifica a corrente de Na+ lenta dirigida para
síndrome que se assemelha ao lúpus dentro da célula, que prolonga ainda mais a
eritematoso e que, comumente, consiste repolarização.
em artralgia e artrite. A Dofetilida é um agente de classe 3 apenas
 Farmacocinética: Podem ser administrada disponível por VO. Inibe o componente rápido da
por via intravenosa e intramuscular, sendo corrente retificadora de K+ tardia e não exerce
absorvida por VO. Ela é eliminada por nenhum efeito sobre a corrente de Na+ para dentro
metabolismos hepáticos e pelos rins. Tem da célula. A dofetilida aumenta a duração do PA*
meia vida de 4 a 3 horas, exigindo e prolonga o intervalo QT de forma dependente da
dosagem frequente ou uso de forma de dose.
liberação lenta. O Sotalol é um agente antiarrítmico misto das
classes 2 e 3. Esse fármaco antagoniza não
Classe 2 seletivamente os receptores β-adrenérgicos e
São os antagonistas β-adrenérgicos, atuam também aumentam a duração do PA* ao bloquear
através da inibição dos influxos simpáticos para as os canais de K+.
regiões de regulação do ritmo do coração. A A Amiodarona é o principal agente antiarrítmico
estimulação simpática libera NoE, que se liga aos da classe 3 mas também atua como antiarrítmico
receptores β-adrenérgicos nos tecidos nodais. da classe 1, 2 e 4. A capacidade da amiodarona
Essa ativação desencadeiam um aumento na de exercer essa diversidade de efeitos pode ser
corrente marca-passo que aumenta a frequência explicada pelo seu mecanismo de ação: Alteração
de despolarização da fase 4 e, leva a um disparo da membrana lipídica na qual se localizam os
mais frequente do nó. Os antagonistas β- canais iônicos e os receptores. Em todos os
adrenérgicos não seletivos que antagonizam os tecidos cardíacos, a amiodarona aumenta o
receptores tanto β1-adrenérgicos quanto β2- período refratário efetivo através do bloqueio dos
adrenergicos. São amplamente usados no canais de K+ responsável pela repolarização, esse
tratamento da taquiarritmias causadas por prolongamento da duração do potencial de ação
estimulação das catecolaminas durante o diminuindo a reentrada.
exercicio físico ou o estresse emocional.
 Propanolol: Reduz a incidência de arritmias
súbitas fatais depois do infarto do miocárdio.
Reduzem a taxa de mortalidade no primeiro
ano após uma taque cardíaco, em parte devido
a sua capacidade de prevenir arritmias
ventriculares;
 Metoprolol: Antagonista β-adrenérgico mais
usado no tratamento de arritmias cardíacas,
ele reduz o risco de broncoespasmo. É
extensamente biotransformado e tem ampla
penetração no SNC.
Classe 4 ANTIAGINOSO
Atuam nos tecidos nodais AS* e AV, pois eles A doença aterosclerótica das artérias coronária,
dependem das correntes de Ca2+ para a fase de é a causa mais comum de mortalidade em todo o
despolarização do Pa*. A principal ação mundo. Os pacientes comumente morrem por
terapêutica dessa classe é lentificar a ascensão insuficiência da bomba devido a um infarto do
do PA* nas células do nó AV, resultando em miocárdio ou devido à arritmia fatal. A doença das
diminuição da velocidade de condução através do artérias coronárias pode e apresentar de
nó AV. (verapamil e diltiazem). diferentes formas, como angina de peito, síndrome
 Verapamil: Apresenta maior ação no coração coronária aguda, arritmias respiração curta.
do que no músculo liso vascular, ao passo que Angina pectoris é um quadro repentino e grave
o nifedipino, um bloqueador de canal de cálcio caracterizado por dor comprimindo o peito que se
usado no tratamento de hipertensão, exerce irradia pelo pescoço, pela mandíbula, pelas costas
um efeito mais intenso no musculo liso pelos braços. É causada pelo fluxo sanguíneo
vascular do que no coração. O diltiazem tem coronário é insuficiente para suprir a demanda de
uma ação intermediária. oxigênio do miocárdio, levando à isquemia.
 Farmacocinética: O verapamil e o diltiazem São usados três classes de fármacos,
são absorvidos após administração por VO. O isoladamente ou em associações, são usados no
verapamil é extensamente biotransformado tratamento de pacientes com angina estável. Eles
pelo fígado: portanto, deve-se ter cuidado diminuem a demanda de oxigênio pelo coração
quando esse fármaco é administrado em afetando a pressão arterial, o retorno venoso, a
paciente com disfunção hepática. frequência e a contratilidade cardíaca.
 Efeitos extracardíacos: Bloqueia os canais  Nitratos orgânicos (nitroglicerina): usados
de cálcio do tipo L ativados e inativados. no tratamento da angina pectoris são ésteres
Assim, seu efeito é mais acentuado nos simples ácidos nítricos e nitrosos com glicerol.
tecidos que se despolarizam com frequência, Esses compostos causam rápida redução na
naquelas que estão menos completamente demanda miocárdica de oxigênio, seguido por
polarizados em repouso, e naqueles em que alivio rápido dos sintomas. Os nitratos inibem a
a ativação depende apenas da corrente de vasoconstrição ou espasmo coronariano
cálcio, como os nodos AS e AV. o verapamil aumentando a perfusão do miocárdio e assim
lentifica o nodo SA e AV por meio de sua aliviam a angina vasoespaticas também
ação direta, mas sua ação hipotensora relaxam as veias, diminuindo a pré-carga e o
ocasionalmente resulta num pequeno consumo cardíaco da angina de esforço. A
aumento do reflexo da frequência SA. nitroglicerina diminui o consumo de oxigênio
 Efeitos adversos: Tem propriedades pelo miocárdio em virtude da diminuição do
inotrópicas negativas e, podem ser trabalho cardíaco.
contraindicado em pacientes com função  Farmacocinética: O tempo de
cardíaca deprimida preexistente. Ambos os estabelecimento da ação varia de um minuto
fármacos também podem diminuir a pressão para a nitroglicerina a mais de uma hora para
arterial devido à vasodilatação periférica um o mononitrato de isossorbida. Ela sofre
efeito que é até benéfico no tratamento da biotransformação de primeira passagem no
hipertensão. fígado. Dessa forma, é comum o seu uso por
via sublingual ou adesiva transdérmico,
evitando, assim, essa via de eliminação.
 Efeitos adversos: O efeito adverso mais
comum é a cefaleia, doses altas também
causam hipotensão postural, rubor facial e
taquicardia. Os inibidores da fosfodiesterase-
5 como sildenafila, potencializam a ação dos
nitratos.
ANTI-HIPERTENSÃO Diuréticos
A hipertensão é definida como uma pressão Os fármacos que bloqueiam as funções de
sanguínea sistólica contínua maior do que transporte dos túbulos renais são ferramentas
140mmHg ou uma pressão sanguínea diastólica clinicas valiosas no tratamento desses distúrbios.
contínua maior do que 90mmHg. A hipertensão Um diurético aumenta o volume de urina, em
resulta do aumento do tônus do músculo liso quanto um natriurético provoca aumento na
arteriolar vascular periférico, que leva ao aumento excreção renal de 11Na, e um aquarético aumenta
da resistência arteriolar e à redução da a excreção de água sem solutos. Reduzem a
capacitância do sistema venoso. pressão arterial, sobretudo ao produzirem
O objetivo do tratamento é reduzir a morbidade depleção das reservas corporais de 11Na.
cardiovascular e renal e a mortalidade. Os Inicialmente, reduzem a pressão arterial ao
fármacos usados no tratamento da hipertensão diminuírem o volume sanguíneo e o débito
são classificados em quatro categorias com o cardíaco, pode ocorrer aumento da resistência
objetivo de orientar o tratamento. vascular periférica. Os diuréticos são efetivos na
Todos os agentes anti-hipertensivos atuam num redução da pressão arterial em 10 a 15mmHg na
ou mais dos quatro locais anatômicos de controle: maioria dos pacientes, e, com frequência, os
como rim, coração, artérias e veias. Produzindo diuréticos usados isoladamente proporcionam um
efeitos ao interferirem nos mecanismos normais tratamento adequado para a hipertensão leve ou
da regulação da pressão arterial. Esses fármacos moderada. Os diuréticos tiazídicos são
são divididos de acordo com o principal local apropriados para maioria dos pacientes com
regulador ou mecanismos comuns de ação. As hipertensão leve ou moderados, e com
categorias incluem: normalidade das funções cardíaca e renal. Os
1. Diuréticos: Reduzem a pressão arterial por diuréticos poupadores de 19K são úteis tanto para
meio da depleção de 11Na corporal, diminuição evitar a depleção excessiva de 19K quanto para
do volume sanguíneo, talvez, outros aumentar os efeitos natriuréticos de outros
mecanismos; diuréticos. O tratamento com doses baixas de
2. Agentes simpaticoplégicos: Baixam a diuréticos e seguro, barato e eficaz na prevenção
pressão arterial por meio da redução da de derrame, infarto do miocárdio e IC congestiva,
resistência vascular periférica, inibição da todos os quais podem causar morte.
função cardíaca e aumento do acúmulo  Diuréticos tiazilicos: Todos os diuréticos
venoso nos vasos de capacitância. Esses orais são eficazes no tratamento da
agentes são ainda subdivididos de acordo com hipertensão, mas os tiazilicos tem sido os mais
seus supostos locais de ação no arco-reflexo usados. Os tiazílicos, como a hidroclorotiazida
simpático; e a clortalidona, diminuem a pressão arterial
3. Vasodilatador direto: Reduzem a pressão ao inicialmente por aumentar a excreção de sódio
relaxarem o músculo liso vascular, relaxando, e água. Isso causa uma redução do volume
os vasos da resistência e, aumentando extracelular, resultando em diminuição do
também a capacitância; debito cardíaco e do fluxo sanguíneos renal.
4. Agentes que bloqueiam a produção ou  Farmacocinética: Os diuréticos tiazílicos
ação da angiostensina: Reduzem a são ativados por VO. A velocidade de
resistência vascular periférica e o volume absorção e eliminação vária embora
sanguíneo. nenhuma vantagem nítida exista entre eles.
Todos os tiazilicos são substratos ar o
sistema excretor de acido orgânico do
néfron e, como tal, podemos competir com o
ácido úrico pela eliminação.
 Efeitos adversos: Os diuréticos tiazilicos
induzem hipotassemia e hiperuricemia em
70% dos pacientes e hiperglicemia em 10%.
Podem causar ataque agudo da gota.
 Agentes que diminuem a reabsorção renal Reguladores de volume
de Na+: O rim modifica a composição iônica do Inibidores do sistema renina-angiotensina
filtrado glomerular através da ação combinada Usa 3 estratégias para a interromper o sistema
de transportadores e canais iônicos nas renina-angiotensina-aldosterona (RAA):
membranas. Esse transporte pode ser 1. Os inibidores da ECA reduzem a pressão
modulado farmacologicamente pelas ações de arterial reduzindo a resistência vascular
agentes diuréticos para regular o volume e a periférica sem aumentar reflexamente o débito,
composição da urina. A inibição da reabsorção a frequência ou a contratilidade cardíaca. Eles
de íons leva a uma redução da força bloqueiam a ECA que hidrolisa a angiotensina1
propulsora osmótica que favorece a para formar a angiotensina2. Também é
reabsorção de H2O nos segmentos do néfron responsável pela degradação da bradicinina
permeáveis à H2O. Os diuréticos atuam sobre que aumenta a produção de óxido nítrico e
a reabsorção de 11Na ao longo dos 4 prostaciclina nos vasos sanguíneos. Diminuem
segmentos dos néfron. O rim concentra e os níveis de angiotensina2 e aumenta os de
secreta esses fármacos na luz tubular, bradicinina ocorre vasodilatação de arteríolas
permitindo que os diuréticos alcancem e veias como resultado de combinação de
concentrações mais altas no túbulo do que no efeitos de vaso constrição diminuída causada
sangue. pela redução dos níveis de angiotensina2 e
 Diuréticos de alça: Atuam no ramo vasodilatação devido ao aumento da
ascendente da alça de Henle, causando bradicinina. Reduzindo os níveis de
inibição competitiva do co-transportador de angiotensina2, os inibidores da ECA diminuem
Na+ e -K+, na membrana apical das células do a secreção de aldosterona, resultando em
ramo ascendente da alça. Ocorre também menor retenção de 11Na e H2O. Os inibidores
inibição da reabsorção no túbulo contorcido da ECA diminuem a pré-carga e a pós-carga
distal, podendo resultar em aumento do aporte cardíaca, reduzindo, assim, o trabalho
de 20Ca e 12Mg luminal nos locais distais de cardíaco.
reabsorção no túbulo contorcido distal, 2. Os antagonistas dos receptores de
resultando em excreção aumentada de 20Ca e angiotensina: Como a Losartana e a
de 12Mg. Valsartana, inibem a ação da AT2 em seu
 Diuréticos do ducto coletor (poupadores de receptor. Aumenta indiretamente a atividade
potássio): Aumentam a reabsorção de 19K no do relaxamento vascular dos receptores AT2.
néfron. Os agentes pertencentes a essa classe Tanto os inibidores da ECA quanto os
interrompem a reabsorção de Na+ das células antagonistas AT1 aumentam a liberação de
principais do ducto coletor através de 2 renina como mecanismo compensatório, no
mecanismos. Os agentes como a caso do bloqueio AT1, o aumento da AT2
espirolactona inibem a biossíntese de novos resulta em sua interação aumentada com
canais de Na+ nas células principais, enquanto receptores AT2.
os agentes como a amilorida bloqueia a 3. Os antagonistas do receptor de minérios ou
atividade dos canais de Na+ na membrana corticoides bloqueiam a ação da aldosterona
luminal dessas células. A espironolactona inibe no ducto coletor do néfron.
a ação da aldosterona através de sua ligação
ao receptor de mineralocorticoides, impedindo
a sua translocação nuclear e amilorida é um
inibidor competitivo do canal de Na+ epitelial
na membrana apical das células epiteliais.
 Diuréticos osmóticos: Como o Manitol, são
pequenas moléculas filtradas no glomérulo,
mas que não sofrem reabsorção subsequente
no néfron. Consequentemente, representam
uma força osmótica intraluminal que limita a
reabsorção de H2O através dos segmentos do
néfron permeáveis à H2O. Os efeitos dos
agentes osmóticos são maiores no túbulo
proximal, onde ocorre a maior parte da
reabsorção isosmótica de H2O.
 Diuréticos inibidores da anidrase
carbônica: É encontrada em locais do néfron,
onde catalisam a desidratação do H3CO3 à
CO2 na membrana luminal e a reidratação do
CO2 a H3CO3 no citoplasma. Ao bloqueá-la os
inibidores reduzem a reabsorção de NaHCO3 e
causam diurese.
FARMACOLOGIA DA DOR A morfina ou a diamorfina (heroína) administradas
A dor é subjetiva, difícil de definir, embora por via intravenosa, o resultado será um ``ímpeto
saibamos o que significa. É a resposta direta a um súbito´´ que se assemelha a um orgasmo
evento indesejável ligado a lesão tecidual, como abdominal. A euforia produzida depende das
trauma, inflamação ou câncer, as dores intensas circunstâncias. Nos pacientes angustiados, é
podem originar-se de qualquer causa pronunciado, as nos pacientes acostumados a dor
predisponente obvia ou persistir por muito tempo crônica, a morfina causa analgesia com pouca ou
depois que a lesão esteja resolvida. Também nenhuma euforia. Alguns pacientes relatam
pode ocorrer em consequência de lesão cerebral agitação, e não euforia, sob estas circunstâncias.
ou de nervo. As afecções dolorosas do segundo  Depressão respiratória: Resultando em
tipo são geralmente descritos como dores aumento da PCO2 arterial, ocorre com uma
neuropáticas. São causa comuns de incapacidade dose normal analgésica de morfina ou
e angustia e, em geral, respondem menos aos compostos relacionados, embora em pacientes
analgésicos convencionais que as afecções em com dor grave o grau de depressão
que a causa imediata está clara. respiratória produzido possa ser menor do que
E condições normais, a dor associa-se à o antecipado. A depressão respiratória e
atividade de impulsos em fibras aferentes mediada por receptores μ. O efeito depressor
primárias dos nervos periférico. Estes nervos está associado à diminuição da sensibilidade
possuem terminações sensitivas nos tecidos do centro respiratório à PCO2 arterial e à
periféricos e são ativados por estímulos de vários inibição da geração do rito respiratório.
tipos (mecânicos, térmicos e químicos). A maioria  Depressão do reflexo da tosse: A supressão
dos neurônios de fibras não-mielinizadas (C*) é da tosse surpreendentemente, não se
associado as terminações nociceptivas polimodais relaciona com as ações analgésicas e
e transmite dor profunda, difusa e em queimação, depressoras dos opióides, e seu mecanismo
enquanto as fibras mielinizada (Aδ) transmitem ao nível dos receptores não está claro. A
dor aguda bem localizada. As fibras C* e Aδ codeína e a folcodina suprimem a tosse em
transmitem a informação nociceptiva proveniente doses subanalgésica, porém causam
do musculo e das vísceras, assim como as da constipação como efeito adverso.
pele. A lesão tecidual é a causa imediata da dor e  Náuseas e vômitos: Ocorrem em até 40%
resulta e liberação local de uma variedade de dos pacientes a quem se administra morfina, e
substâncias químicas que atuam sobre as não parecem ter efeitos separáveis do efeito
terminações nervosas, seja ativando-as analgésico entre uma variedade de analgésico
diretamente, ou potencializando sua sensibilidade opioides. O local de ação é a área postrema,
a outras formas de estimulação. região do bulbo e que muitos tipos de
estímulos químicos podem iniciar os vômitos.
OPIÓIDES Náuseas e vômitos após a injeção de morfina
O ópio é um extrato do suco da papoula, que geralmente são transitórios e persistem e
contém morfina e outros alcaloides relacionados. possam limitar a adesão do paciente. A
São usados para fins medicinais a milhares de administração aguda da morfina-6-glucuronida,
anos, como agente promotor de euforia, analgesia um metabolito ativo da morfina, pode produzir
e para evitar a diarreia. náuseas e vômitos, devido ao fato de ser mais
polar e não penetrar na área postrema, como a
Morfina morfina.
Os efeitos, mas importantes da morfina ocorrem  Constrição pupilar (miose): É causada por
no SNC e no TGI, embora tenham sido descritos estimulação do núcleo do nervo oculomotor
vários efeitos de significativos menores sobre mediado pelos receptores μ e k. Pupilas
outros sistemas. puntiformes são características para
 Efeitos no SNC: diagnosticar intoxicação por opioides, porque a
 Analgesia: Tem efeito na maioria dos tipos maioria das causas de coma e depressão
de dores agudas e crônicas, em geral, menos respiratória produz dilatação pupilar. A
eficaz nas síndromes de dor neuropática do tolerância não se desenvolve à constrição
que nas dores associadas à lesão tecidual, induzida pelos opioides e, portanto, pode ser
inflamação ou crescimento tumoral. Ela observado em usuários de drogas
também reduz o componente afetivo da dor. dependentes de opioides que estejam usando
 Euforia: A morfina causa potente sensação opióide por tempo considerável.
de contentamento e bem estar. É um  Efeitos no TGI: Os opióides aumentam o
componente importante de seus efeitos tônus e reduz a motilidade em muitas pares do
analgésicos, porque a agitação e a ansiedade sistema do TGI, resultando em constipação, eu
associadas a uma doença dolorosa ou pode ser grave e problemática para o paciente.
trauma, são assim reduzidos. O atraso resultante nos esvaziamento gástrico
pode retardar a absorção de outros fármacos.
A pressão no trato biliar aumenta em razão da
contração da bexiga e constrição do esfíncter PARACETAMOL
biliar. Os opioides devem ser evitados em Os fármacos anti-inflamatórios não esteroidais
pacientes que sofrem de dores biliares devido (AINEs) são usados para tratar afecções
a cálculos, nos quais pode ser aumentada ao inflamatórias dolorosas e para reduzir quadros
invés de aliviadas. febris. Ele difere dos outros AINEs por produzir
 Outras ações dos opióides: A morfina efeitos analgésicos e antipiréticos, enquanto lhe
libera histamina dos mastócitos através de faltam os efeitos anti-inflamatórios. Não possui a
ação não relacionada aos receptores opióide. tendência de outros AINEs para causar ulceração
A liberação de histamina pode causar efeitos gástrica e sangramento. O paracetamol é bem
locais, como urticária e prurido no local da absorvido por VO, e sua meia vida plasmática é
injeção, ou efeitos sistêmicos, chamados de cerca de 3 horas. É metabolizado por
broncoconstrição e hipotensão. O efeito hidroxilação, conjugação principalmente como
broncoconstritor pode ter serias glicuronideo e eliminado na urina. A
consequências para os pacientes asmáticos superdosagem de paracetamol causa grave lesão
,aos quais a morfina não deve ser hepática, comumente fatal, e o fármaco costuma
administrada. A hipotensão e a bradicardia ser usado em tentativas de suicídios.
ocorrem com doses elevadas da maioria dos
opioides, devido à ação sobre a medula. Com
a morfina e fármacos similares, a liberação
de histamina pode contribuir para a
hipotensão. Os efeitos no músculo liso são
leves embora possam ocorrer espasmos
uterinos, da bexiga e dos ureteres. Os
opioides exercem efeitos imunossupressores
complexos, e podem ser importantes, como
ligação entre o SN e a função imunológica.
 Tolerância e dependência: Os diferentes
mecanismos adaptativos celulares são
responsáveis pela tolerância e dependência.
Estes fenômenos ocorrem, sempre que os
opioides são administrados por mais que
alguns dias.
 Tolerância: A tolerância às muitas ações dos
opioides desenvolve-se em alguns dias, como
administração repetitiva. A rotatividade de
fármaco e frequentemente usado na clinica
para superar a perda da eficácia.
 Dependência física: Refere-se a
determinado estado em que a retirada do
fármaco causa efeitos fisiológicos adversos,
ou seja, síndrome de abstinência.
 Farmacocinética: A absorção da morfina por
VO é variável. A própria morfina é absorvida
sendo comumente administrada por via
intravenosa ou intramuscular para tratar dor
aguda, intensa, a morfina por via oral, costuma
ser usada para aumentar sua duração de
ação. A codeína é bem absorvida e
administrada por via oral. A maioria dos
fármacos parecidos à morfina passa por
considerável metabolismo de primeira
passagem, e, portanto, eles são muito menos
potentes quando usado por VO, e não
injetados. A meia vida plasmática da morfina é
de 3 a 6 horas. O metabolismo hepático é a
principal modalidade de inativação, geralmente
por conjugação com glicuronideo.
 Efeitos adversos: A superdosagem aguda
com morfina resulta em coma e depressão
respiratória, caracteristicamente com
constrição pupilar.
ANTIINFLAMATÓRIO As duas enzimas são homologas; no entanto, a
A inflamação é uma resposta normal de conformação para os sítios de ligação ao
proteção às lesões teciduais causadas por trauma substrato e regiões catalíticas é um pouco
físico, agentes químicos ou microbiológicos diferente.
nocivos. A inflamação é a tentativa do organismo
de inativar ou destruir os organismos invasores, Ex.: A COX2 apresenta um canal de substrato maior e mais
remover os irritantes e preparar o cenário para o flexível do que a COX1 que apresenta um espaço maior no
sítio de ligação dos inibidores.
reparo tecidual. Quando a recuperação está
completa, normalmente o processo inflamatório 2. Via da lipoxigenase: Alternativamente, muitas
cessa. Entretanto, pode ocorrer ativação impropria
lipoxigenases podem agir sobre o ácido
do sistema imune resultando em inflamações e
araquidônico para formar 5HPETE, 12HPETE
causando doenças imunomediadas, como a artrite
e 15HPETE, que são derivados peroxidados
reumatoide (AR*) A reação inflamatória está
instáveis e se convertem nos correspondentes
presente em quase todas as lesões produzidas no derivados hidroxilados (Os HETES) ou em
organismo humano. As manifestações clínicas do
leucotrienos ou lipoxinas, dependendo do
processo inflamatório são dor, hiperalgésia,
tecido. Os fármacos antileucotrienos, como o
eritema, edema e limitação funcional. Os fármacos
zileutona, o zafirlucaste e o montelucaste, são
AINEs e celecoxibe (inibidor do COX2).
uteis no tratamento da asma alérgica
moderada.
Prostaglandinas (PG´s)
Todos os AINEs inibem a síntese das PG´s.
 Bimatoprosta e latanoprosta: A latanoprosta
Assim, para entender os AINEs, precisamos
é um análogo da PGF2 indicado para o
compreender a atividade e biossíntese da PG´s.
tratamento do glaucoma de ângulo aberto e
As PG´s e os compostos relacionados são
pressão intraocular alta. O bimatoprosta
produzidos em mínimas quantidades por
mimetiza as prostamidas endógenas
praticamente todos os tecidos. Geralmente atuam
resultando na mesmo redução da pressão
localmente nos tecidos, onde são sintetizados,
intraocular eficaz. Assim, o bimatoprosta
sendo rapidamente metabolizados em produtos
aumenta a proeminência, o comprimento e a
inativos nos seus locais de ação. Eles não
pigmentação dos cílios e também esta
circulam em quantidades significativas no sangue.
aprovado para o tratamento da hiposicose dos
 Síntese: O ácido araquidônico é o principal
cílios.
precursor da PG´s e dos compostos
 Mecanismo de ação: Fixando-se ao receptor
relacionados. Está presente em componentes
FP das PG´s, latanoprosta e travoprosta
dos fosfolipídios das membranas celulares. O
aumenta o efluo uveoescleral diminuindo a
acido araquidônico livre é liberado dos
pressão intraocular. O efeito do bimatoprosta
fosfolipídios teciduais pela ação da fosfolipase
é similar.
A2 e outra acidrolases por um processo
 Efeitos adversos: As reações oculares
controlado por hormônios e outros estímulos.
incluem visão turva, alteração na coloração
Existem duas vias para a síntese de
íris (aumenta a pigmentação marrom),
eicosanoides a partir do ácido araquidônico:
aumento do número e pigmentação dos
1. Via da ciclo-oxigenase: Todos os
cílios, irritação ocular e sensação de corpo
eicosanoides com estrutura de anéis (PG´s,
estranho,
tromboxanos e prostaciclinas) são
sintetizados pela via da ciclo-oxigenase.
Temos duas isoformas relacionadas das
enzimas ciclo-oxigenase.
a. Ciclo-oxigenase1 (COX1): Responsável
pela produção fisiológica de prostanóides. A
COX1 é uma enzima constitutiva, regulando
os processos celulares normais, como a
citoproteção gástrica, a homeostase
vascular, a agregação plaquetária e as
funções reprodutiva e renal.
b. Ciclo-oxigenase2 (COX2): Provoca a
produção elevada de prostanóides que
ocorrem em locais de doença e inflamação
crônica. A COX2 é expressa de forma
constitutiva em tecidos, como cérebro, rins e
ossos. Sua expressão em outros locais
aumenta durante os estados inflamatórios
crônica.
 Ação terapêutica: As PG´s tem papel  Ibuprofeno: Possui atividade anti-inflamatória,
principal na modulação da dor, inflamação e analgésica e antipirética, além disso, podem
febre. Também controla funções, como alterar a função das plaquetas e prolongar o
secreção ácida e a produção de muco no TGI, tempo de sangramento. São inibidores
a contração uterina e o fluxo de sangue nos irreversíveis da ciclo-oxigenase, inibindo a
rins. As PG´s também estão entre os síntese de PG´s, mas não de leucotrienos. É
mediadores químicos liberados nos processos bem absorvido por VO, ligando-se quase que
alérgicos e inflamatórios. totalmente à albumina plasmática. Sofrem
 Ação anti-inflamatória: Os AINEs inibem a biotransformação hepática e são excretados
ciclo-oxigenase e, consequentemente, pelos rins.
provocam a redução das PG´s vasodiladoras  Efeitos adversos: Os mais comuns são no
(PGE2 e PGI2) e que está associado a menor TGI, variando desde dispepsia até
vasodilatação e, indiretamente, menos sangramento. Também foram registrados
edema. Não há redução de acumulo de efeitos adversos envolvendo o SNC, como
células inflamatórias, porem os AINEs cefaleia, zumbidos e tonturas.
impedem a saída do exsudato (enzimas,  Piroxicam e Meloxicam: Usados no
células de defesa, citocinas, proteínas do tratamento da AR* da espondilite anquilosante
complemento) o paracetamol não possui e da osteoartrite, apresenta meias-vias longas,
ação anti-inflamatória considerável. o que permiti a administração uma vez ao dia.
 Ação antipirética: Devido, a diminuição da O fármaco original e os metabólitos são
PGE2 que é responsável pela elevação do excretados pelos rins na urina. o meloxicam
ponto de ajuste hipotalâmico para o controle inibe a COX1 e a COX2, com ligação
de temperatura na febre. Os anti-inflamatórios preferencialmente a COX2 e em doses baixas
ativam o hipotálamo e este induz a expressão a moderadas, provoca menos irritação do TGI
de COX2 que produz as PG´s. do que o piroxicam. A excreção do meloxicam
 Ação analgésica: A diminuição de PG´s é realizada principalmente na forma de
significa menos sensibilização das metabolitos e ocorrem igual proporção na urina
terminações nervosas nociceptivas a e nas fezes.
mediadores inflamatórios, como a bradicinina.
O alivio da cefaleia é devido à menor
vasodilatação cerebral mediada pelos PG´s.
as PG´s são responsáveis por diminuir o
limiar de excitabilidade dos nociceptores das
fibras C e Ag responsáveis pela sensação de
dor.
 Salicilatos (AAS): O ácido salicílico foi
descoberto devido às suas ações antipiréticas
e analgésicas. A aspirina provoca inativação
irreversível da COX1 e COX2. Também é eficaz
em baixas doses, em distúrbios
cardiovasculares devido a sua ação
antiplaquetária. Os tipos de dores que são
aliviadas pelos salicilados são de pouca
intensidade e originam-se mais de estruturas
tegumentares que das vísceras, especialmente
cefaleia, mialgia e artralgia.
 Efeitos adversos: Desconforto epigástrico,
náuseas, vômitos. Não pode ser usados em
pacientes hemofílicos ou que usam heparina
ou anticoagulantes orais, devido ao risco de
hemorragias. A ingestão de salicilados causa
o prolongamento do tempo de sangramento.
Este efeito é devido à acetilação irreversível
da cicloxigenase plaquetária e a consequente
redução da formação de tromboxano A2.
FARMACOLOGIA ANTIFÚNGICA Inibidores da síntese de DNA
Os fungos são células eucarióticas sem  Flucitosina (5FC): Agente antifúngico sintético
mobilidade. Diferente das plantas eles não fazem que, administrado por VO, mostra-se ativo
fotossíntese e são de natureza parasitária. Tem contra uma gama limitada de infecções
parede celular rígida composta de quitina, um fúngicas sistêmicas, sendo eficaz em
polímero de N-acetil-glicosamina, em vez de infecções causadas por leveduras.
peptideoglinao. As membranas celulares fungicas Administrado só desenvolve resistência à
contém ergosterol, em vez de colesterol, droga durante o tratamento razão pela qual é
encontrados nas membranas de mamíferos. comum ser associada com anfotericina para
Essas características químicas são úteis no infecções graves, como a meningite. Isto se dá
tratamento das infecções bacterianas, e, ao devido ao fato de ocorrer mutações na citocina
contrário, as bactérias são resistentes aos permease ou citosina desaminase do fungo.
fármacos antifúngicos.  Mecanismo de ação: A 5FC é convertida no
As infecções fúngicas são chamadas de antimetabólito 5-fluoracil (5FU) por células
micoses, podem ser dividida em infecções dos fungos, mas não em células humanas. O
superficiais e sistêmicas. 5FU inibe a timidilato sintetase e, portanto a
 As infecções fúngicas superficiais: Podem síntese de DNA. Em geral, a flucitosina é
ser classificadas em dermatomicoses e administrada por infusão intravenosa, mas
candidíase. também pode ser usado por VO.
 As dermatomicoses são infecções da pele,  Farmacocinética: A 5FC é bem absorvida
dos cabelos e das unhas causadas por por VO. Distribui-se por toda a água corporal
dermatófitos. e penetra bem no LCR. A 5FC é detectável
 A candidíase superficial, o microrganismo em pacientes e resulta da biotransformação
leveduriforme infecta as mucosas da boca da 5FC pelas bactérias intestinais. A
(afta) ou da vagina ou pele. excreção do fármaco e seus metabolitos é
 As infecções sistêmicas (micoses por filtração glomerular, a dosagem precisa
profundas): Podem envolver órgãos internos ser ajustada em pacientes com função renal
ou acometer todo o organismo do hospedeiro, comprometida.
produzindo variado quadro anatomopatológico.  Efeitos adversos: A 5FC causa neutropênia,
Os fungos dimórficos estão muito associados a trombocitopenia reversível e depressão dose-
esta condição. dependente da medula óssea. Deve-se ter
Os agentes antifúngicos devem possuir quatro cautela e pacientes submetidos à radiação ou
características: quimioterapia com fármacos que deprimem a
1. Amplo espectro de ação contra uma variedade medula óssea. Pode ocorrer disfunção
de fungos patógenos; hepática reversível com elevação das
2. Baixa toxicidade farmacológica; transaminases êmese e diarreia, são comuns,
3. Múltiplas vias de administração; e pode ocorrer também grave enterocolite.
4. Excelente penetração no líquido
cefalorraquidiano. Inibidores da mitose
Os principais alvos moleculares da terapia  Griseofulvina: Agente antifúngico de pequeno
antifúngica consistem em enzimas e outras espectro. Interfere na mitose pela ligação com
moléculas envolvidas na síntese de DNA, na os microtúbulos fúngicos, pode ser usado para
mitose, na síntese de membrana plasmática e na tratar as infecções desmatofiticas da pele ou
síntese das paredes celular dos fungos. das unhas, quando o tratamento local é
ineficaz, tratamento precisa ser prolongado.
 Farmacocinética: é administrado oralmente
é pouco hidrossolúvel, e absorção varia com
o tipo de preparação; em partículas, o
tamanho da partícula. Ela é cantada
seletivamente pela pele recém-formada e
concentrada na queratina. A meia vida
plasmática é de 24 horas, porém ela fica
Figura 41: Os fármacos antifúngicos atualmente disponíveis retida na pele por muito mais tempo. Ela
atuam sobre alvos moleculares distintos. (a) núcleo; (b) As induz potencialmente as enzimas P450 causa
alilaminas, as benzilaminas, osimidazólicos e os triazólicos
inibem a via de síntese do ergosterol no retículo varias interações farmacológicas importantes.
endoplasmático. (c) As equinocandinas inibem a síntese da  Efeitos adversos: São frequentes, porém o
parede celular dos fungos. (d) Os polienos ligam-se ao
ergosterol na membrana fúngica e, portanto, rompem a
fármaco pode causar alterações gástricas,
integridade da membrana plasmática. A anfotericina é um cefaleia e fotossensibilidade. Reações
polieno representativo. (e) A flucitosina inibe a síntese de alérgicas (erupções cutâneas, febre) também
DNA do fungo. (f) A griseofulvina inibe a mitose dos fungos
através da ruptura do fuso mitótico. podem ocorrer. Não deve ser usado em
gestantes.
Inibidores da membrana Inibidores do ergosterol
 Nistatina: É um antibiótico macrolídeo Constituem um grupo de agentes fungistáticos
poliênico de estrutura semelhante à da sintéticos, com amplo espectro de atividade. Eles
anfotericina e com o mesmo mecanismo de inibem as enzimas P450 fúngicas responsáveis
ação, ela também atua mediante ligação ao pela síntese do ergosterol, o principal esterol
ergosterol e formação de poros nas encontrado na membrana das células fúngicas. A
membranas celulares dos fungos. Seu uso depleção de ergosterol altera a fluidez da
limita-se a infecções fúngicas da pele e do TGI membrana, interferindo na ação das enzimas
da pele da vagina. associadas à membrana. O efeito global consiste
 Anfotericina: É um antibiótico de estrutura em inibição da replicação.
complexa, caracterizada por um anel de átomo
de carbono com múltiplos membros. Ela liga- Inibidores da esqualeno epoxidase
se às membranas celulares e interfere na Estes fármacos atuam inibindo a esqualeno
permeabilidade e nas funções de transporte. epoxidase, resultando no bloqueio da biossíntese
Forma um poro na membrana, criando com a do ergoesterol, um componente essencial da
parte central hidrofílica da molécula um canal membrana celular dos fungos. Os agentes
iônico transmembranar. A anfotericina é ativa antifúngicos que inibem a esqualeno epoxidase
contra a maioria dos fungos e leveduras. são divididas em alilaminas e benzilaminas, com
Quando administrada por via oral, a bases nas suas estruturas químicas em
anfotericina é pouco absorvida, razão pela Terbinafina e naftifina são alilaminas, enquanto a
qual só é administrada por esta via para butenatina é uma benzilamina. As alilaminas e
infecções fúngicas do trato gastrintestinal. benzilaminas tópicas e mais eficazes que o
 Mecanismo de ação: Varias moléculas de azólicos tópicos contra dermatófitos comuns,
anfotericina se ligam ao ergosterol nas particularmente os que causam tinha do pé.
membranas plasmáticas das células dos  Terbinafina: É o fármaco de escolha para
fungos sensíveis. Ela formam poros (canais) tratar dermatofitose, especialmente da
que precisam de interações hidrofóbicas onicomicose. É bem mais tolerado, a duração
entre o segmento lipofílico do antibiótico do tratamento é menor e mais eficaz do que
polieno e o esterol. O poro desorganiza a com itraconazol.
função da membrana, permitindo o  Mecanismo de ação: Inibe a esqualeno
vazamento de eletrólitos e pequenas epoxidase do fungo, diminuindo, assim, a
moléculas, resultando na morte da células. síntese de ergoesterol, o que acumula
 Farmacocinética: É administrado por infusão grandes quantidades tóxicas e esqualeno,
IV lenta. Ela é insolúvel em água, e a determina a morte da célula fúngica.
preparação injetável precisa de adição de  Farmacocinética: Está disponível para
desoxicolato de sódio, que produz uma administração oral e tópica, embora sua
dispersão coloidal solúvel. A anfotericina se biodisponibilidade seja só 40%. Devido à
liga extensamente às proteínas plasmáticas e biotransformação de 1ª passagem. A
se distribui por odo o organismo, ligando-se absorção não aumenta com a alimentação.
extensamente aos tecidos. 99% da terbinafina liga-se às proteína
 Efeitos adversos: Tem baixo índice plasmáticas, deposita-se na pele, nas unhas
terapêutico. Pequenas doses podem ser e na gordura. Ela se acumula no leite e, por
administrados para avaliar o grau de resposta isso, não deve ser usado em gestantes. Te
negativa do paciente, com o anafilaxia ou longa meia-vida terminal de 200 a 400 horas,
convulsões. o que pode refletir a lenta liberação desses
. tecidos. A terbinafina oral é extensamente
biotransformada, antes da excreção urinária.
 Efeitos adversos: Os mais comuns são
distúrbio do TGI (diarreia, dispepsia e
náusea), cefaleia e urticária foi registrados
distúrbios de gosto e visão, e elevação
temporária das concentrações séricas de
enzimas. Todos esses efeitos adversos
cederam com a interrupção do fármaco.
 Naftifina: É um inibidor da esqualeno
epoxidase com amplo espectro de atividade
antifúngica. Só está disponível na forma
tópica, em creme ou gel.
Inibidores da 14α-esterol das metilase
Um alvo importante na via da síntese do
ergosterol é a 14α-esterol desmetilase, uma
enzima do citocromo P450 que converte o
lanosterol em ergosterol. A diminuição na síntese
de ergosterol e o acúmulo de 14α, etil esteróis
rompem as cadeias acil agrupadas dos
fosfolipídios nas membranas dos fungos. A
estabilização da membrana fúngica leva à
disfunção das enzimas associadas à membrana,
podendo levar, à morte celular. Os azólicos são
agentes antifúngicos que inibem a enzima 14α-
esterol. Os azois são compostos sintéticos que
podem ser classificados como imidazois ou
triazois de acordo com o número de átomo de
nitrogênio no anel zólico de 5 membros. Os
imidazois consistem no cetoconazol, no miconazol
e no clotrimazol. As duas substâncias são usadas
apenas na terapia tópica. Os triazois incluem o
itraconazol o fluconazol, o voriconazol e o
poaconazol.
 Cetoconazol: Foi o primeiro azol a ser
administrado por via oral no tratamento das
infecções fúngicas sistêmicas. É bem
absorvido pelo trato gastrointestinal, seu
principal risco é a sua alta toxicidade.
 Fluconazol: É administrado por via oral ou por
intravenosa. Pode tornar o fármaco de primeira
escolha na maioria dos tipos de meningite
fúngica.
 Itraconazol: Está disponível em formulações
orais e intravenosas. É administrado por via
oral e, após absorção, sofre extenso
metabolismo hepático. Não penetram no
líquido cefalorraquidiano. A hepatoxicidade
constitui o principal efeito adverso associado à
terapia com itraconazol.

Inibidores da parede celular


Os componentes chave da parede celular dos
fungos são as quitinas, o β-(1,3)-D-glicono, o β-
(1,6)-D-glicano e as glicoproteínas da parede
celular. Os componentes da parede celular
representam alvos exclusivos para a terapia
antifúngica, os agentes usados são em geral
atóxicos.
 Equinocandinas: Seu alvo principal é a
síntese da parede celular fúngica através da
não-competitiva da síntese de β-(1,3)-D-
glicanos. A ruptura da integridade da parede
celular resulta em estresse osmótico, lise da
célula fúngica e, morte do fungo. Os três
agentes antifúngicos dessa classe são a
Caspofungina, a Micafungina e a
Anidulafungina, todos lipopeptídios
semissintéticos derivados de produtos animais.
FARMACOLOGIA ANTIMICROBIANA Inibição da parede celular
Antimicrobiano substância que mata ou inibe o O mais importante mecanismo da atividade dos
desenvolvimento de microrganismos, como antibióticos é a interferência com a síntese da
bactérias, fungos, vírus ou protozoários. A terapia parede celular, e classificados como antibióticos β-
antimicrobiana baseia-se em 4 objetivos: lactâmicos, são assim chamados porque
1. Identificar e caracterizar o patógeno e seleção compartilham uma estrutura de anel β-lactâmico.
de droga baseada nos locais de infecções e Outros antibióticos podem interferir com a
nas lesões; construção da parede celular bacteriana, incluindo
2. Obtenção de concentrações efetiva do a vancomicina, doplomicina e a bacitracina.
antimicrobiano indicado por um período no
local da infecção; β-lactâmicos
3. Seleção de frequência e de proporção de Inibe a síntese da parede celular das bactérias,
dosagem e da via de administração do eles inibem a ligações cruzadas dos polímeros de
antimicrobiano, e da duração da terapia; mureína. O elemento chave desse mecanismo de
4. Fornecimentos de terapia de suporte, ação é um anel β-lactâmico de quatro membros os
apropriados para aumentar a capacidade de β-lactâmicos são divididos em quatro famílias.
superar a infecção e as alterações associadas.  Penicilina: Foi o primeiro antibiótico
Interferem nos microrganismos, mantendo-os ou descoberto, atua na síntese da parede celular
inibindo seu metabolismo ou sua reprodução, bacteriana. São os fármacos mais usados e
permitindo que o sistema imunológico destrua o menos tóxicos conhecidos, o aumento da
microrganismo. Os antibióticos bactericidas resistência limitou o seu uso.
destroem as bactérias, enquanto os antibióticos  Mecanismo de ação: É a interferência na
bacteriostáticos evitam apenas que elas se síntese do peptidoglicano da parede celular
multipliquem e permitem que o organismo elimine bacteriana, após se ligarem a proteína de
as bactérias resistentes. ligação da penicilina. Elas interferem nas
enzimas transpeptidases responsáveis pela
Mecanismo de ação formação da ligação cruzada entre o
O objetivo da terapia farmacológica filamento peptidoglicânicos.
antimicrobiana é a toxicidade seletiva, que é a  Farmacocinética: Sua via de administração
inibição e a replicação de patógenos em é determinada pela estabilidade do fármaco
concentração do fármaco abaixo da necessária ao suco gástrico e a gravidade da infecção. A
para afetar as vias do hospedeiro. Os quatro maior parte da penicilina é incompletamente
mecanismos básicos de ação dos antibióticos são: absorbida por VO e alcança o intestino em
1. Ruptura da parede celular: Por inibição da quantidade suficiente para afetar a
síntese de peptídeoglicanos; composição da flora intestinal. É bem
2. Inibição da síntese das proteínas distribuído pelo organismo, todos atravessam
bacterianas: Exerce sua ação antimicrobiana a barreira placentária, mas nenhum
agindo sobre o ribossomo. apresentou teratogênia. A via de excreção é
3. Interferência no metabolismo normal: Inibi por meio do sistema de ácido orgânico no
um precursor na síntese de ácido fólico túbulo renal, bem como filtração glomerular.
necessário para a síntese do DNA e RNA São excretados no leite.
bacteriano.  Reações adversas: As penicilinas estão
4. Interrupção da síntese do ácido nucleico: entre os fármacos mais seguros, e os níveis
Inibi enzimas responsáveis pela transcrição ou sanguíneos não são monitorados. A
a replicação do genoma. hipersensibilidade é o efeito adverso mais
importante das penicilinas. A diarreia é
causada pela ruptura no equilíbrio normal
entre os microrganismos intestinais, é um
problema comum. Todas as penicilinas tem
potencial de causar nefrite intersticial se
injetadas intratecalmente. E observado
diminuição da coagulação.

Figura 43:principais modos de ação dos antibióticos: (1)


inibidores da síntese de folato: sulfonamidas, trietoprina; (2)
inibidores da síntese da parede celular: antibióticos β-
lactamicos: penicilina, cefalosporina, carbanemos e
monobactamicos; (3) inibidores da DNAgirase:
fluoroquinolona; (4) inibidores do RNApolimerase: rifamicina;
(5) inibidores da síntese de proteínas: tetraciclinas,
aminoglicosideos e macrolideos.
 Cefalosporina: São estruturalmente diferentes  Monobactamico (Aztreonam): São ativos
das penicilinas pela presença de um anel contra a maioria das bactérias G-negativas,
acessório. As Cefalosporina de primeira porém carece de atividade contra
geração são ativas contra espécie gram- microrganismos G-positivos. A Aztreonam é
negativas bem como contra os bacilos gram- usada em pacientes alérgicos à penicilina.
negativos como Proteus mirabilis e E. Coli, que  Mecanismos de ação: Interfere na
causam infecção no trato urinário. Esses biossíntese da parede celular bacteriana, é
agentes são sensíveis a muitas β-lactamases. capaz de atravessar facilmente a membrana
 Mecanismo de ação: É idêntico ao da externa das bactérias G-negativas aeróbias e
penicilina, interferem na síntese de apresenta grande afinidade pelo tipo 3 das
peptidioglicanos bacterianos após as ligações proteínas especificas que se ligam às
às proteínas de ligação de β-lactâmicos. penicilinas. Esse tipo de afinidade faz com
 Farmacocinética: Varias cefalosporina que as bactérias se tornem filamentosas,
precisam ser administradas por via IV ou IM percam a capacidade reprodutora e morram.
devido à sua pouca absorção oral. São bem  Farmacocinética: Por não ser absorvido por
distribuído nos líquidos corporais. A VO é administrados por via IM ou IV. Sua
eliminação ocorre por meio de secreção biodisponibilidade e 100% na via IV. Ela se
tubular ou filtração glomerular. lisa as proteínas plasmáticas na taxa de 56%.
 Efeitos adversos: Produzem vários efeitos O aztreonam atravessa a placenta e é
adversos, alguns dos quais são próprio da excretada pelos rins, por filtração glomerular
cefalosporina individuais. As cefalosporina e secreção tubular.
devem ser evitados ou usadas com cautela e  Efeitos adversos: São semelhante a outros
indivíduos que são alérgicos às penicilinas. β-lactamicos. Foi registrados os seguintes
efeitos colaterais: dos e flebite no local da
 Carbanemos: São β-lactâmicos sintéticos, injeção IV, desconforto do TGI, náuseas,
estruturalmente se diferencia das penicilinas, diarreia e exantemas.
porque o átomo de enxofre do anel
tiazolidinico foi externalizado e substituído por  Vancomicina: É um glicopeptídeo adquiriu
carbonos. importância devido a sua eficácia contra
 Mecanismo de ação: Também inibe a microrganismos de resistência múltiplas, como
biossíntese da parece celular bacteriana, os SAMRs e os enterococos.
apresenta certas peculiaridades nesse  Mecanismo de ação: Ela inibe a síntese de
sentido, além de ser rapidamente bactericida fosfolipídios da parede celular bacteriana,
para as bactérias sensíveis. Exerce seu efeito bem como a polimerização do
antibacteriano ligando-se a proteínas pepdideoglicano de modo tempo-dependente,
especificas que acoplam penicilina, em ligando-se cadeia lateral do pentapeptideo
bactérias G-positivas e G-negativas, precursor. Isso impede a etapa de
produzindo esferoplasto, forma de transelicosilação na polimerização do
degradação da bactéria. peptideoglicano, enfraquecendo, a parede
 Farmacocinética: É degrada pelo suco celular e lesando a membrana celular
gástrico e não é absorvido após subjacente.
administração oral por isso é administrados  Farmacocinética: Infusão por IV lenta de
por via IV e penetram bem os tecidos e vancomicina é usada no tratamento de
líquidos corporais, se liga às proteínas infecções sistêmicas ou profilaxia. Como a
plasmáticas na taxa de 50%. São excretados vancomicina não é absorvida pela VO, essa
por filtração glomerular. via só é usada no tratamento da colite. A
 Efeitos adversos: Pode causar náusea, biotransformação do fármaco é mínima, e 90
êmese e diarreia, eosinofilia e neutropênia a 100%. É excretada na filtração glomerular.
são menos comuns que com outro β-  Efeitos adversos: Incluem febre, calafrios ou
lactamicos. Níveis altos podem causar flebite no local da infusão ruborização e
convulsões. choque resulta da liberação de histamina
associado com a infusão rápida.
Inibidores da β-lactamase Antiácidos com alumínio e magnésio interferem
A hidrolise do anel β-lactâmicos, seja por em sua absorção. As meias vidas varias de 3 a
hidrolise enzimática com β-lactamase, ou por 10 horas. A maioria das fluoroquinolonas são
ácidos, destrói a atividade antimicrobiana dos β- eliminados por mecanismos renais, quer secreção
lactâmicos. Inibidores de β-lactamase, como ácido tubular, quer filtração glomerular.
clavulânico, contém um anel β-lactâmicos, mas  Efeitos adversos: Os mais comuns são as
por si não tem atividade antibacteriana. Ligam-se alterações no TGI e as erupções cutâneas.
e inativam as β-lactamase, protegendo, assim, os Também ocorrem sintomas no SNC, coo
antibióticos que normalmente seriam substratos cefaleia e tonturas, assim como, convulsões
dessas enzimas. São formulados em associação associadas e alterações do SNC. Pode
com os antibióticos β-lactamase suscetíveis. comprometer a cartilagem e crescimento e
provocar artropatia.
Inibidores da topoisomerase
Atua através da inibição das topoisomerases, Inibidores da transcrição
são enzimas isomerases que atuam sobre a É efetiva contra bactérias que resistem em
topologia do DNA. Inibição das topoisomerases fagossomos, visto que é bactericida para bactérias
Tipo 1 e Tipo 2 interferem tanto na transcrição tanto intracelulares quanto extracelulares.
quanto na replicação do DNA controlando o super
enrolamento do DNA.  Rifampicina: São ativas contra
 Quinolona: Inibem a topoisomerase tipo 2 microrganismos Gpositivos, algumas cepas de
bacteriana. As fluroquinolonas são muito bactérias Gnegativas.
usadas no tratamento de infecções  Mecanismos de ação: A rifampicina exerce
urogenitais, respiratórias e gastrintestinal sua atividade através da formação de um
comuns causadas por microrganismos G- complexo estável com a RNApolimerase DNA
negativos. dependente bacteriana, inibindo a síntese de
 Mecanismo de ação: O alvo das quinolonas RNA. O fármaco permite o inicio da
consiste na DNA-girase e na topoisomerase 4 transcrição mais bloqueia o alongamento
bacteriana. As fluoroquinolonas são potentes quando o RNA nascente atinge um
bactericidas contra a E. coli e várias espécies comprimento de 2 a 3 nucleotídeos a
de Salmonella, Shigella, Enterobacter. As rifampicina é administrada em associação
quinolonas são bem absorvidas após com outros fármacos antituberculosos.
administração oral e distribuem-se  Efeitos adversos: A rifampicina é
amplamente pelos tecidos do corpo. geralmente bem tolerada e produz poucos
 Farmacocinética: A meia vida sérica varia de efeitos colaterais.
3-5 horas para o norfloxacino e o
ciprofloxacino até 20 horas.  Sulfonamidas: Representam o primeiro grupo
 Efeitos adversos: As quinolonas tendem a de antibióticos usados para tratar infecções
ser neutra, e pode causar convulsões em bacterianas. O termo sulfonamida, ou sufas, é
altas doses, raramente ocorre vômito e usado como denominação genérica dos
diarreia. derivados do p-aminobenzoico (PABA).
 Mecanismo de ação: Sendo um análogo do
 Fluoroquinolonas: São ativos contra varias PABA, precursor essencial na síntese do
bactérias Gpositivas e Gnegativas. Incluem os ácido fólico necessário para a síntese do
agentes de largo espectro ciprofloxacino, DNA e RNA bacteriano, ela compete com o
levofloxacino e norfloxacino. Esses agentes PABA pela enzima di-hidropteroato sintetase.
inibem a topoisomerase 2 (uma DNA-girase As sulfas são bacteriostática.
bacteriana).  Farmacocinética: É administrada oralmente
 Mecanismo de ação: Elas bloqueiam a e, é bem absorvida e bem distribuída pelo
síntese de DNA ao inibir a topoisomerase 2 e corpo, as sulfas são ligadas a albumina
4. Essa inibição impede o relaxamento do sérica em extensão depende do pKa do
DNA superespiralado, o que é necessário fármaco em particular. Em geral, quanto
para a transcrição e replicação normais. A menor o pKa, maior a ligação. Atravessa a
inibição da topoisomerase 4 interfere na barreira placentária e entrar nos tecidos
separação do DNA cromossomial replicado fetais. Sua metabolização ocorre
nas respectivas células filhas durante a principalmente no fígado. São eliminados por
divisão celular. filtração glomerular obrigando ajuste da
 Farmacocinética: depois da administração dosagem quando a função renal está
oral, são bem absorvidas e se distribuem bem diminuída. Também pode ser eliminados no
nos líquidos e tecidos orgânicos, se leite.
acumulam em vários tecidos, principalmente
nos rim, na próstata e no pulmão.
 Efeitos adversos: São sérios, necessitando  Efeitos adversos: Alterações do TGI são
da interrupção de tratamento, incluem comuns e desagradáveis, porem não são
hepatite, reações de hipersensibilidade, graves. Com a eritromicina, foi relatadas:
depressão da medula óssea e falência renal reações de hipersensibilidade, audição e,
aguda devido a nefrite intersticial ou raramente, icterícia. Pode ocorrer infecções
cristalúria. O ultimo efeito resulta da oportunistas do TGI e vagina.
precipitação de metabolitos acetilados na
urina. Pode ocorrer cianose causada pela  Clorafenicol: É um antibiótico de amplo
meta-hemoglobunemia. Efeitos adversos espectro, ele é usado no tratamento da febre
moderados incluem náusea, cefaleia e tifoide, meningite bacteriana e ricktisioses.
depressão.  Mecanismo de ação: O clorafenicol liga-se
ao RNAr 23s e inibe a formação das ligações
Inibidores da tradução peptídicas, aparentemente ao ocupar um sítio
O alvo dos inibidores da tradução é a subunidade que interfere no posicionamento do aminoacil
30S ou 50S do ribossomo bacteriano, além dos do RNAt no sítio A.
efeitos inibitórios sobre os ribossomos  Farmacocinética: Depois da administração
bacterianos, os inibidores da síntese proteica VO, o clorafenicol é absorvido de forma
podem afetar os ribossomos mitocondriais de rápida e completa. Distribui-se amplamente
mamíferos ou ambos. A inibição completa da por quase todos os tecidos e líquidos
síntese proteica não é suficiente para matar uma orgânicos, inclusive para o SNC e para o
bactéria. líquido cérebro espinal. O fármaco é inativado
por conjugação com o acido glicurônico
Subunidade 50S (principalmente no fígado) ou por redução
Os agentes antimicrobianos dirigidos contra as para inativas as aril aminas. O clorafenicol e
subunidades ribossômicas 50S mais usadas são seus produtos da degradação e inativos são
os macrolidios, o cloranfenicol e as linsosimidas, eliminados na urina. Uma pequena
ligam-se a uma pequena região do RNAr 23S quantidade é excretada na bile e nas fezes.
próximos ao contra ativo da peptídeo transferase.  Efeitos adversos: O clorafenicol é muito
tóxico, umas manifestação dessa toxicidade é
 Macrolideos: São muito usados no tratamento a síndrome do bebê cinzento, que pode
de infecções pulmonares, incluindo a doença ocorrer quando se administra clorafenicol em
dos legionários. Os principais macrolideos são altas doses a recém-nascidos.
a eritromicina, a claritromicina e a azitromicina.
 Mecanismo de ação: Os macrolideos são Aminoglicosídios (30S)
antibióticos que bloqueiam a etapa de Usadas no tratamento de infecções causadas por
translocação da síntese proteica ao atuar bactérias G-negativas administrada por VP. Os
sobre o alvo do RNAr 23s da subunidade 50s aminoglicosidios incluem a estreptomicina, a
bloqueando o túnel de saída de onde sai os neomicina, a netilmicina, a tobramicina, a
peptídeos nascentes. gentamicina e a amicacina. Os aminoglicosidios
 Farmacocinética: São administrados por ligam-se ao RNA-16S da subunidade 30S e
VO. Também pode ser administrado produzem efeitos sobre a síntese proteica que
parenteralmente, embora as injeções dependem da concentração de fármaco. Os
intravenosas podem ser seguidas por aminoglicosidios interferem na função da
tromboflebite local. Todos dessa classe subunidade 30S de decodificação do RNAm em
difundem-se pela maioria dos tecidos, porem altas concentrações os aminoglicosidios são
não cruzam a barreira hematoencefalica e há bactericidas, atua de forma sinérgica com outros
pouca penetração no liquido sinovial. A meia agentes, como os β-lactamicos. A explicação para
vida da eritromicina é de cerca de 90 minutos, esse sinergismo é que a inibição da síntese da
a claritromicina e tres vezes maior, a parede celular aumenta a entrada de
azitromicina é 8 a 16 vezes maior. Os aminoglicosidios nas bactérias.
macrolideos entram e, concentram-se nos
fagócitos, as concentrações de azitromicina
nos lisossomos dos fagócitos podem ser 40
vezes maiores que as sanguínea, elas podem
reforçar a destruição fagocítica intracelular
das bactérias. A eritromicina é parcialmente
inativada no fígado, a azitromicina é mais
resistente à inativação, e a claritromicina é
convertida num metabolito ativo. Sua inibição
do sistema citocromo P450 pode afetar a
biodisponibilidade de outros fármacos.
 Tetraciclinas: São antibióticos de amplo
espectro, usado a muito tempo. Como o
próprio nome diz, consiste em 4 anéis
fusionados com um sistema de ligação dupla
conjugada.
 Mecanismo de ação: Atuam inibido a síntese
proteica. Sua entrada nos microrganismos
suscetíveis ocorre por difusão passiva e por
um mecanismo de transporte dependente de
energia exclusiva da membrana
citoplasmática interna da bactéria. Ligando-se
de modo reversível ao rRNA-16S da
subunidade 30S e inibem a síntese proteica
através do bloqueio da ligação do aminoacil
eRNA ao sítio-A sobre o complexo mRNA-
ribossomo, no local aceptor. Por esse
mecanismo, a síntese proteica bacteriana é
inibida.
 Farmacocinética: todas as tetraciclinas são,
mais completamente absorvida por VO. A
administração desses fármacos com
alimentos lácteos diminui a absorção devido a
formação de quelatos não absorvíveis das
tetraciclinas. Com íons cálcio. As tetraciclinas
se concentram no fígado, nos rins, no baço e
na pele e se ligam aos tecidos em
calcificação. A penetração nos líquidos
orgânicos é adequada. Todas se concentram
no fígado, onde parte são biotransformada e
conjugada para formar glicuronideos solúveis.
A tetraciclina e seus metabolitos são
secretados na bile, e a maioria é reabsorvida
no intestino pela circula entéro-hepático e
entram na urina por filtração glomerular.
 Efeitos adverso: Desconforto do TGI, o
distresse epigástrico resulta de irritação da
mucosa e com frequência é responsável pela
não aderência do paciente ao tratamento. O
desconforto pode ser controlado se o fármaco
e ingerido com alimentos, exceto lácteos. A
deposição no osso e na dentição primária
ocorre durante a calcificação nas crianças em
crescimento e causa coloração e hipoplasia
dos dentes e interrupção temporária do
crescimento.
FARMACOLOGIA ANTI-HELMÍNTICA Inibidores da polimerização tubulinica
Os helmintos compreendem dois grupos Os inibidores da polimeração da tubulina são
principais, os nematelmintos (nematoides, vermes compostos que atuam sobre os parasitas por
redondos) e os platelmintos (vermes achatados ou ligação à tubulinica, a subunidade estrutural
planos). O último grupo está subdividido nos proteica dos microtúbulos. A molécula de tubulina
trematódeo (fascíolas e cestóideos (tênias). Os é um heterodímero constituído por duas proteína
seres humanos constituem os hospedeiros muito relacionada a tubulina-β e a tubulina-α. A
primários na maioria das infecções helmínticas. As afinidades desses inibidores é o principal fator que
drogas modernas apresentam larga margem de determina a atividade antiparasitária. Os
segurança, uma atividade considerável contra os microtúbulos, estruturas que compõem o
estágios imaturos ou larvais dos parasitas e um citoesqueleto das células, modificam-se por
amplo espectro de atividade. Os anti-helmínticos processos de polimerização e despolimerização da
devem ter um amplo espectro de atividade contra proteína tubulina. A ligação dos inibidores
os parasitas adultos e imaturos, ser de fácil seletivamente a subunidade de tubulina-β do
administração; ter larga margem de segurança e parasita modifica o padrão da sua
ser compatível com outros compostos, não exigir despolimerização para formação dos microtúbulos,
grandes períodos de retiradas devido a resíduos e interrompendo processos vitais para a função
ser econômicos. celular, como a divisão mitótica, o transporte de
 Mecanismo de ação: Os anti-helmínticos nutrientes e alterações na forma da célula.
precisam ser seletivamente tóxicos ao
parasita. Isso é alcançado por propriedades 1. Benzimidazois: Os benzimidazois inibem a
farmacocinéticas inerentes ao composto, que polimerização tubulinica, e inibição do
fazem com que o parasita fique exposto a transporte e do metabolismo energético é
concentrações mais altas do anti-helmíntico consequência de insuficiência da função
que as células do hospedeiro, ou inibição dos microtubular. São agentes de amplo espectro,
processos de ação fisiológico dos anti- que formam um dos principais grupos de anti-
helmínticos. helmínticos usados na clínica. Exercem ação
 Bases farmacológicas: O tratamento contra inibitória seletiva sobre a função microtubular
helmintos envolvem a interferência num ou dos helmintos. Eles ligam-se à β-tubulina livre
ambos processos energéticos, causando inibindo a sua polimerização e, assim,
inanição de parasita, ou na coordenação interferem na captação de glicose dependente
neuromuscular, levando à paralisia e a de microtúbulos. Esses compostos tem largo
subsequente expulsão do parasita. O fármaco espectro de atividade e são contra larvas
para ter ação precisa, penetrar na cutícula dos adultas e ovos. Neles incluem o mebendazol,
vermes ou ter acesso a seu trato alimentar. Os albendazol e tiabendazol.
anti-helmínticos atuam produzindo paralisia do
verme ou lesar a sua cutícula, resultando em  Mebendazol: Representa progresso no
digestão parcial ou rejeição do verme por arsenal terapêutico anti-helmíntico, tanto por
mecanismos imunológicos. sua eficácia e tolerabilidade e por seu amplo
1. Processos energéticos: Vários anti- espectro de ação contra nematoides.
helmínticos afetam direta ou indiretamente os  Mecanismo de ação: Atua inibindo a síntese
processos energéticos. de microtúbulos, interferindo em sua
2. Inibidores da polimerização tubulínica: montagem, bem como diminuindo a captação
benzimidazóis e pró-benzimidazóis. de glicose. Por inibir a polimerização da
3. Desacopladores da fosforilação oxidativa: tubulina impede a motilidade e replicação do
salicilanilidas e fenóis substituídos. DNA de nematódeo, resultando em
4. Inibidores das enzimas da via glicolítica: alterações degenerativas em células
clorsulona. tegumentares e intestinais de helmintos e
5. Coordenação neuromuscular: pode ocorrer causando, imobilização e morte dos vermes.
uma interferência nesse processo devido a  Farmacocinética: Menos de 10%
inibição do esgotamento ou à mimetização administrado por VO é absorvido. O fármaco
dos neurotransmissores excitados, e resulta absorvido liga-se à proteína (>90%), é
na paralisia espática pela ação peristáltica convertido rapidamente em metabólitos
normal do hospedeiro. inativos e possui meia-vida de 2 a 6 horas. É
6. Inibidores colinesterásicos: organo- excretada em maior parte pela urina. Além
fosfonados, cumafos, crugomato, didorvos. disso, uma parte do fármaco absorvido e de
7. Agonistas colinérgicos: imidazotiazois, seus derivados é excretada na bile. A
levamisol e tetramisol, pirimidinas. absorção é aumentada quando ingerida com
uma refeição gordurosa.
 Efeitos colaterais: A terapia por curto prazo Desacopladores da fosforilação oxidativa
é quase isenta de efeitos adversos. Náuseas  Fenóis fenólicos: Bloqueiam a produção de
brandas, vômitos, diarreia e dor abdominal energia perdida pelo calor. Os fenóis são
raramente foram reportados. Os efeitos desacopladores da fosforilação oxidativa
colaterais raros, comumente com a terapia mitocondrial. Estes compostos impedem o
em doses altas, são reações de aproveitamento das reações de oxirredução
hipersensibilidade (exantema e urticária) para produção de ATP, sendo a energia
agranulocitose, alopécia e elevação das perdida sob a forma de calor. Os fenóis são
enzimas hepáticas. É contra indicado para desacopladores da fosforilação oxidativa, por
gestantes, pois revelou embriotoxicidade e facilitarem o retorno dos íons de H+ para a
teratogenicidade em animais de laboratórios. matriz mitocondrial, desfazendo assim o
gradiente de pH responsável pela síntese de
 Albendazol: É o mais recente fármaco ATP. Após o esgotamento de suas reservas
disponível, é um anti-helmíntico de amplo energéticas, os parasitas morrem por inanição.
espectro. É administrada por via oral. Fármaco Estes medicamentos causam também o
de escolha, aprovado nos EUA para tratar a desprendimento do escólex da mucosa
doença hidática e da cisticercose. Também são intestinal e das proglotes proximais do
usados no tratamento da oxiuríase e de cestódeo.
infecções por tênias, ascaridíase, tricuríase e  Salicilanilidas: Apresentam o mesmo modo
estrongiloidíase. de ação dos substitutos fenólicos, são
 Farmacocinética: Após administração oral, desacopladores da fosforilação oxidativa
ele é absorvido de forma erradica, e, em mitocondrial, interferindo na biotransformação
seguida, sofre metabolismo de primeira energética do parasita.
passagem no fígado, gerando o metabolito
ativo sulfóxido de albendazol. Alcança Coordenação neuromuscular
concentrações plasmáticas máximas em  Praziquantel: É um anti-helmíntico de amplo
cerca de 3 horas após uma dose de 400mg e espectro, trata-se da droga de escolha para o
possui meia-vida de 8 a 12 horas. O sulfóxido tratamento de todas as espécies de
fica, em sua maioria, ligado à proteína, esquistossomo, sendo eficaz na cisticercose.
distribui-se pelos tecidos e penetra na bile, no  Mecanismo de ação: Ele altera a
líquido cerebroespinal e nos cistos hidáticos. homeostasia do cálcio nas células do verme.
Os seus metabólitos são excretados na urina. Provocando contração da musculatura e, por
 Efeitos colaterais: Nos tratamentos de curto fim, resulta em paralisia e morte do helminto;
prazo é quase isento de efeitos colaterais  Farmacocinética: é rapidamente absorvida,
significativos. Desconforto epigástrico brando possui biodisponibilidade de cerca de 80%.
e transitório, diarreia, cefaleia, náuseas, Depois de administrado por VO. Sua
tontura mal-estar e insônia podem acontecer. concentração sérica máxima é alcançada de
Nos tratamentos de longo prazo, pode 1 a 3 horas depois de uma dose terapêutica.
provocar desconforto abdominal, cefaleia, Boa parte do fármaco é metabolizada nos
febre, fadiga, alopécia, aumento de enzimas produtos mono e poli-hidroxilados inativos
hepáticas e pancitopenia. depois de uma primeira passagem no fígado.
A excreção ocorre principalmente nos rins e
 Tiobendazol: Administrado duas vezes ao dia, na bile.
durante três dias, para infecções por  Efeitos colaterais: Consistem em distúrbios
Dracunulus e por estrongiloides, e por um gastrintestinais, tonteira, dor muscular e
período de até cinco dias para a triquinase e articular, erupções cutâneas e febre baixa.
para a larva migrans cutânea.
 Farmacocinética: É insolúvel em água, é  Piperazina: Pode ser usado no tratamento de
facilmente absorvido por VO. Sua infecções pela lombriga e pelos oxiúricos. É
concentração plasmática é 100 vezes maior uma alternativa no tratamento da ascaridíase,
do que a do mebendazol. É hidroxilado no com taxa de cura superior a 90% quando
fígado e excretado na urina. administrado por dois dias, não é recomentado
 Efeitos colaterais: São mais frequentes do para infecções por outros helmintos.
que os do mebendazol. São distúrbios  Mecanismo de ação: A piperazina inibe
gastrintestinais, não são comuns, e não reversivelmente a transmissão neuromuscular
exigem a interrupção do fármaco. no verme, provavelmente ao atuar como o
GABA, o neurotransmissor inibitório sobre os
canais do cloreto operado por GABA no
músculo do nematódeo. Os vermes são
expelidos ainda vivos.
 Farmacocinética: É prontamente absorvida,  Ivermectina: É um agente semissintético
e os níveis plasmáticos máximos são derivado de um grupo de substâncias naturais,
alcançados em 2 horas. Boa parte do obtidos de um actnomiceto. Esse fármaco
fármaco é excretada inalterada na urina e 2 a possui potente atividade anti-helmíntica contra
6 horas, sendo que a excreção está completa microfilárias no homem, constituindo a droga
em 24 horas. de escolha no tratamento da oncocorose, que
 Efeitos colaterais: Os efeitos colaterais causa a cegueira dos rios. O fármaco é usado
brandos ocasionais incluem náuseas, para prevenir a lesão ocular mediada pelas
vômitos, diarreia, dor abdominal, tontura e microfilárias e diminuirá a transmissão entre
cefaleia. Em doses altas irrita a mucosa seres humanos e vetores, não tem a
gástrica, provocando vomito e dor abdominal. capacidade de curar o hospedeiro humano
com infestação por Onchorca volvulos.
 Pirantel: Anti-helmíntico de amplo espectro  Mecanismo de ação: A droga paralisa o
altamente efetivo para tratar infecções por verme ao abrir os canais de cloreto mediado
oxiúros, ascaridíase e trichostrongylos pelo GABA e ao aumentar a condutância do
orientalis. cloreto regulada pelo glutamato. O resultado
 Mecanismo de ação: É um agente consiste em bloqueio da transmissão
bloqueador neuromuscular que provoca a neuromuscular e paralisia do verme.
liberação de Ach e a inibição da  Farmacocinética: administrado por VO, é
colinesterase; resultando na paralisia dos rapidamente absorvido, atinge concentrações
vermes, seguido por sua expulsão. séricas máximas em quatro horas depois de
 Farmacocinética: É mal absorvido no TGI. uma dose de 12mg. Possui uma ampla
Os níveis plasmáticos máximos são distribuição nos tecidos. Sua meia-vida é de
alcançados em 1 a 3 horas. mais da cerca de 16 horas. A excreção do fármaco e
metade da dose administrada é de seus metabolitos é quase exclusivamente
recuperada inalterada nas fezes. por via fecal.
 Efeitos colaterais: São raros, brandos e  Efeitos colaterais: incluem erupções
transitórios. Incluem náuseas, vômitos, cutâneas e prurido, mas em geral o fármaco
diarréira, cólicas abdominais, tontura, é muito bem tolerado.
sonolência, cefaleia, insônia, exantema,
febre e fraqueza.  Oxaminiquina: É ativo contra S. masoni,
afetando as formas maduras e imaturas.
 Niclosamida: Era a droga de escolha para o  Mecanismo de ação: Pode envolver a
tratamento da teníase, foi substituído pelo intercalação no DNA, e sua ação seletiva
praziguantel. pode estar relacionada com a capacidade do
 Mecanismo de ação: Lesa irreversivelmente parasita de concentrar a droga.
o escólex e o segmento proximal. O verme  Farmacocinética: Absorvido por VO deve ser
separa-se da parede intestinal e é expelido. administrado com o alimento. Tem meia-vida
 Farmacocinética: Sua absorção no TGI é de cerca de 2 horas, é muito metabolizado
desprezível. em metabolito inativo e excretado na urina.
 Efeitos colaterais: São raros e transitórios,  Efeitos colaterais: Consistem em tonteira e
podem ocorrer náuseas e vômitos. cefaleia transitória, cuja ocorrência é relatada
em 30 a 95% dos pacientes.
 Levamisol: É eficaz nas infecções por
lombriga, exerce ação semelhante à nicotina,
estimulando e, bloqueando as junções
neuromusculares. Os vermes paralisados são,
então, eliminados nas fezes e os ovos são
destruídos.
 Mecanismo de ação: Possui ação nicotina-
símile, estimulando e, subsequentemente,
bloqueando as junções neuromusculares.
 Farmacocinética: O levamisol atravessa a
barreira hematoencefálica, seus efeitos
indesejáveis são poucos.
 Efeitos colaterais: Tais como distúrbio do
TGI leves, são poucos e desaparecem logo.
Também podem causar tonteira e erupções
cutâneas.
FARMACOLOGIA ANTIPROTOZOARIA velocidade de biotransformação o metronidazol e
As infecções por protozoários são comuns nos seus metabólitos são excretados na urina.
povos subdesenvolvidos tropicais e subtropicais,  Efeitos colaterais: Os mais comuns são os do
onde as condições sanitárias e práticas higiênicas TGI, náuseas êmese, distresse e epigástrica e
e o controle de vetores de transmissão são cólicas abdominais.
inadequados. Por serem eucariotos os
protozoários têm processos metabólicos parecidos Amebicida luminais
ao dos humanos. Por isso, doenças causadas por Após completar o tratamento da amebíase
protozoários, são mais difíceis de tratar, e vários invasiva intestinal ou extraintestinal, deve ser
fármacos causam efeitos tóxicos no hospedeiro, administrado um fármaco luminal, como iodo-
principalmente em células que apresentem quinol, o furoato de diloxanida ou a paromomicina,
atividades metabólicas altas, como as células- para a eliminação de estados de colonização
neuronais, tubulares renais, intestinais e célula- assintomáticos.
tronco da medula óssea.
 Iodoquinol: É amebicida contra E. histolytica e
AMEBÍASE eficaz contra trofozoitos luminais e formas
É uma infecção do TGI causada pela Entamoeba encistadas.
histolytica. A doença pode ser aguda ou crônica,  Mecanismo de ação: É desconhecido, ele é
com grau de variados de intensidade, deste efetivo contra os organismos na luz intestinal,
assintomático à diarreia leve, ou mesmo não contra trofozoitos da parede intestinal ou
desinteria, mas também aos portadores em tecidos extraintestinais.
assintomáticos, pois a E. histolytica dormente  Farmacocinética: Os dados são
pode causar infecções futuras no portador a ser incompletos, mas 90% dos fármacos são
uma fonte potencial de infecção para outros. retidos nas fezes. O restante entra na
circulação, apresenta uma meia-vida de 11 a
Classificação dos medicamentos 14 horas e é excretado na urina como
São classificados em amebicidas luminais, glicuronideos.
sistêmicos ou mistos (luminais e sistêmicos) de  Efeitos colaterais: Alguns podem produzir
acordo com o local de onde são eficazes. Os neurotoxicidade grave com o uso prolongado
amebicidas luminais atuam nos parasitas no em doses maiores que as recomendadas.
lúmem do intestino, e os amebicidas sistêmicos Não se sabe se o iodoquinol produz tais
são eficazes contra as amebas na parede do efeitos em sua dosagem recomendada, e
intestino e no fígado. essa dosagem nunca deve ser excedida.

Amebicidas mistos Amebicidas sistêmicos


São eficazes contra a forma da doença, luminal e São uteis ara o tratamento de abcessos,
sistêmico, embora as concentrações luminais hepáticos e infecções da parede intestinal
sejam muito baixas para o tratamento como causadas por amebas.
fármaco único. (metronidazol e tinidazol).
 Cloroquina: Fármacos usados em associação
 Metronidazol e Tinidazol: Um nitroimidazol com o metronidazol e furoato de diloxanida
amebicida misto de escolha no tratamento das para o tratamento da amebíase.
infecções por amebas, pois mata os trofozoitos  Mecanismo de ação: Inibem a síntese
da E. histolytica. proteica bloqueando o prolongamento da
 Mecanismo de ação: Alguns protozoários cadeia.
possuem proteínas de transporte de elétrons  Farmacocinética: Sua via preferida é a IM,
com baixo potencial redox, tipo ferrodoxina, se concentra no fígado, onde persiste por um
que participa nas remoções de elétrons mês após dose única. A meia vida é de 5
metabólicos. O grupo nitro do metronidazol é dias.
capaz de servir como aceptor de elétrons,  Efeitos colaterais: Dor no local da injeção,
formando compostos citotóxicos reduzidos náusea transitória, cardiotoxicidade, fraqueza
que se ligam às proteínas e ao DNA, neuromuscular, tontura e urticária.
resultando em morte celular.
 Farmacocinética: É completo e rapidamente
absorvido após administração VO. Distribui-
se bem por todos os tecidos do organismo. A
biotransformação depende da oxidação
hepática da cadeia lateral do metronidazol
pelas oxidases de função mista, seguida de
glicuronização. Portanto, o tratamento
concomitante com indutores desse sistema
enzimático, como o fenobarbital, aumenta a
FARMACOLOGIA DA MALARIA  Farmacocinética: É bem absorvida após
Doença infecciosa causada por quatro espécies administração VO e não se concentra nos
de protozoários do gênero plasmodium. É tecidos. é oxidado a outros compostos, sendo
transmitido pela picada do mosquito Anopheles um deles um compostos desaminados. Os
fêmea. O plasmodium falciparum é a mais metabólitos aparecem na urina.
perigosa, causa uma doença aguda, caracterizada  Efeitos colaterais: Tem baixa incidência,
por febre alta persistente, hipotensão ortostática e exceto pela anemia hemolítica induzida em
eritrocitose massiva. A infecção pelo P. falciparum pacientes com baixos níveis de glicose-6-
pode levar à obstrução capilar e morte se o fosfato desidrogenase genética. Outras
tratamento não for instituído prontamente. manifestações incluem desconforto abdominal.
 Ciclo de vida: Quando um mosquito infectado
pica, injeta o esporozoíto na corrente Esquizonticida no sangue
sanguínea. Os esporozoítos migram para o  Cloroquina: É o fármaco de escolha da
fígado, através do sangue, onde formam malária eritrocítica por P. falciparum, exceto
estruturas tipo cisto contendo milhares de em cepas resistentes. É menos eficaz contra a
merozoitos. Após liberação, os merozoitos P. vivax. É altamente especifica contra a forma
invadem os eritrócitos, evoluindo para assexuada dos plasmódios e também eficaz
trofozoitos e usando a hemoglobina como no tratamento.
nutriente. Os trofozoitos se multiplicam e se  Mecanismo de ação: Não é completamente
tornam merozoitos. A célula infectada rompe- entendido. O seguinte processo é essencial
se, liberando a heme e os merozoitos que para a ação letal do fármaco. Após atravessar
podem entrar em outros eritrócitos. A eficácia as membranas dos eritrócitos e dos
do tratamento é relacionada com a espécie plasmódios, a cloroquina se concentra no
particular de plasmódio infectante e o estagio vacúolo alimentar do organismo, por sequestro
do seu ciclo vital que é atingido. iônico. É no vacúolo alimentar que o parasita
Os fármacos que eliminam as formas hepáticas digere a hemoglobina do hospedeiro para
latentes ou em desenvolvimento são chamadas de obter os aminoácidos essenciais. Esse
esquizonticida teciduais; os que atuam sobre os processo também libera grandes quantidades
parasitas eritrocitários são esquizonticidas de heme solúvel, que é toxico para o parasita.
sanguíneos, e aqueles que matam os estágios Para se proteger, o parasita polimeriza o heme
sexuais e impedem a transmissão para os em hemazoina, que é sequestrado no vacúolo
mosquitos são gametocidas. alimentar do parasita. A cloroquina liga-se a
heme do eritrócito, impedindo a polimerização
Esquizonticida tissular em hemazoina. O aumento do pH e o
São usados para tratar a forma aguda, mas acúmulo de heme resulta em lesões oxidativas
também produzem cura supressiva ou clínica. às membranas, levando à lise do parasita e do
Agem na forma eritrocítica dos plasmódios. Nas eritrócito.
infecções pelo P. falciparum ou P. malariae, que  Farmacocinética: Completamente absorvida
não possuem estágios exoeritrociticos, estes após a administração VO. Seu volume de
fármacos efetuam a cura, com o P. vivax ou o P. distribuição muito grande e se concentra em
ovale, os fármacos suprimem o ataque real, mas eritrócitos, fígado, baços, rins, pulmões,
as formas exoritrociticas podem reemergir tecidos que contem melanina e leucócitos.
posteriormente para causar recidivas. Também penetra o SNC e atravessa a
placenta. O fármaco e seus metabolitos são
 Primaquina: Erradicam as formas excretados na urina.
exoeritrocíticas primária do P. falciparum e P.  Efeitos colaterais: São mínimos em
vivax e as foras exoeritrocíticas secundárias dosagens baixas. Em altas dosagens, correm
de malárias recorrentes. As formas sexuadas vários efeitos tóxicos, como distúrbios do TGI,
dos quatro plasmódios são destruídos no prurido, cefaleia e visão borrada.
plasma ou são impedidas de maturas mais
tarde no mosquito, interrompendo, assim, a
transmissão da doença.
 Mecanismo de ação: Não é totalmente
entendido. Acredita-se que os metabolitos da
primaquina atuam como oxidantes
responsáveis pela ação esquizonticida, bem
como pela hemólise e pela
metemoglobinemia verificadas como
toxicidade.
 Mefloquina: Parece promissora como fármaco
único para supressão e cura de infecções
causadas pela forma de P. falciparum
multirresistentes. Não possui efeitos nas
formas hepáticas dos parasitas. Age da
mesma forma que a quinina e é
frequentemente combinada com a
pirimetamina.
 Mecanismo de ação: É desconhecido,
parece lesar as membranas do parasita,
variedades resistentes já foram identificadas.
 Farmacocinética: É administrada por VO e é
rapidamente absorvido. Possui inicio de ação
lenta e meia vida muito longa. Liga-se
intensamente às proteínas, distribui-se de
forma extensa nos tecidos e é eliminada
lentamente, permitindo um regime de
tratamento de dose única. A mefloquina e os
metabolitos do fármaco são excretados, nas
fezes.
 Efeitos colaterais: Distúrbios psiquiátricos,
como insônia, dificuldade de concentração,
depressão, tonturas, alucinações e psicose.
Vômitos, anorexia, dores abdominais e
diarreia podem ocorrer.

 Quinina: Permanece como terapia importante


para a malária por P. falciparum. Derivada da
casca da árvore cinchona, remédio tradicional
para febre intermitente originária da América
do sul. A quinina interfere na polimerização da
heme, resultando na more da forma
eritrocitária do plasmódio.
 Mecanismos de ação: É o mesmo da
cloroquina, porém a quinina não está tão
extensamente concentrada no plasmódio
como a cloroquina, então outros mecanismos
podem estar envolvidos.
 Farmacocinética: Ingerida por VO, é bem
distribuída pelo organismo e pode alcançar o
feto nas gestantes tratadas.
 Efeitos colaterais: O principal é o
cinchonismo, uma síndrome caracterizada
por náuseas, êmese, zumbidos e vertigem.

 Artemisinina: Derivada de uma planta chinesa


usada no tratamento da febre e malárias, a
qinghaoso. Está disponível para trata a malária
grave por P. falciparum multirresistente.
 Mecanismo de ação: envolve a produção de
radicais livres no interior do vacúolo alimentar
do plasmódio, depois da hidrólise da ponte
endoperóxido do fármaco pelo ferro da heme
no eritrócito parasitado.
 Farmacocinética: São absorvidos de forma
rápida, com níveis séricos máximos em 1 a 2
horas e meia vida de 1 a 3 horas depois de
administrada por VO. é biotransformada no
fígado e excretado na bile.
 Efeitos colaterais: Incluem náuseas, êmese
e diarreia, mas é geralmente segura.
FARMACOLOGIA TRIPANOSSOMÍASE  Benznidazol: Derivado nitroimidazolico, não é
Referem-se à doença do sono africana e encontrado comercialmente apenas para
americana, duas doenças crônicas e pesquisa. Seria um tratamento alternativo de
eventualmente fatais causadas por espécies de gases agudas e indeterminadas da doença de
tripanosoma. Na doença do sono africana, os chagas. Todavia é recomendado na profilaxia
agentes causadores, Trypanossoma brucei de infecções causadas por T. cruzi, em
gambiense e Trypanosoma brucei rhodiense, pacientes de transplantes de células-tronco
inicialmente vivem e crescem no sangue. O hematopoiética, pois o tratamento dos
parasita invade o SNC, causando inflamação no doadores potenciais nem sempre é eficaz.
cérebro e da medula espinal, o que produz a  Mecanismo de ação: Inibe a síntese proteica
letargia característica e, eventualmente, o sono e de RNA nas células do T. cruzi.
continuo. A doença de chagas é causada pelo  Farmacocinética: Administrada por VO, a
Trypanosoma cruzi e ocorre na América do sul. biodisponibilidade do fármaco atualmente
esta limitada.
 Melarsoprol: Um arsenical trivalente. Seu uso  Efeitos colaterais: Os mais comuns são:
é limitado ao tratamento das infecções por astenia, dor muscular, tonturas, náuseas,
tripanossoma e é letal para esses parasitas. É febre, erupção cutânea e distúrbios da
usado principalmente quando o SNC for hematopoese. Tais efeitos são reversíveis.
atingido.
 Mecanismos de ação: Reage com o grupo  Pentamidina: e ativa contra várias infecções
sulfidrila de várias substâncias incluindo por protozoários, incluindo muitos
enzimas no microrganismo e no hospedeiro. tripanossomas, contra o qual é usado para
As enzimas do parasita podem ser mais tratar e prevenir o estágio hematológico do
sensíveis do que as do hospedeiro. microrganismo. Alguns tripanossomas como o
 Farmacocinética: É administrado por VI e T. cruzi é resistente.
penetra no SNC em concentrações altas,  Mecanismo de ação: O T. brucei concentra
onde será capaz de destruir o parasita. O a pentamidina por um sistema de captação
fármaco tem meia vida curta e é rapidamente de alta afinidade dependente de energia. Seu
excretada na urina. mecanismo não é definido, há evidencias de
 Efeitos colaterais: Toxicidade ao SNC é o que o fármaco se liga ao DNA do parasita e
mais grave. A encefalopatia pode aparecer interferem na síntese de RNA, DNA
logo após o começo do tratamento, mas em fosfolipídios e proteínas.
geral diminui. Distúrbio do TGI como êmese  Farmacocinética: Soluções de pentamidina
intensa e dor abdominal, pode ser minimizado são administradas por via IM ou como
se o paciente estiver em jejum durante a aerossol. O fármaco é concentrado e
administração e durante várias horas. armazenado no fígado e nos rins por um
longo período. O fármaco não é
 Nifurtimox: Só tem uso no tratamento de biotransformado e é excretado lentamente na
infecções agudas por T. cruzi, embora o urina.
tratamento do estágio crônico dessa doença  Efeito colateral: Pode ocorrer grave
tenha resultados variáveis. disfunção renal, que reverte na
 Mecanismo de ação: Por ser composto descontinuação do fármaco. Outros efeitos
nitroaromático, ele sofre redução e, são hipotensão tontura, urticaria e toxicidade
eventualmente, gera radical livre intracelular ás células do pâncreas.
como radicais peróxidos. Radicais altamente
reativos são tóxicos ao T. cruzi, que não tem
catalase.
 Farmacocinética: São administrados por VO
e rapidamente absorvido e biotransformado a
produtos não identificados que são
excretados na urina.
 Efeitos colaterais: São comuns com
administração crônica, particularmente entre
os idosos. As principais toxicidades incluem
reações de hipersensibilidade imediata, como
anafilaxia, reações de hipersensibilidade
tardia, como dermatite e icterícia e problemas
no TGI, que podem ser graves o suficiente
para causar perda de massa corporal.
FARMACOTERAPIA LEISHMANIOSE  Efeitos colaterais: Registra-se, alta dos
Há três tipos de Leishmaniose: cutânea, resíduos nitrogenados e exacerbação das
monocutânea e visceral. A Leishmaniose visceral manifestações hemorrágicas, cefaleia,
o parasita está na corrente sanguínea e causa inapetência, tosse, náuseas, vômitos,
problemas graves. A Leishmaniose é transmitida artralgias, mialgias e dores abdominais.
dos animais aos humanos pela picada de
mosquitos infectados. O tratamento da
Leishmaniose é difícil, pois a eficácia dos
fármacos é limitada por sua toxicidade e taxas de
insucesso.
 Ciclo de vida: A mosca transfere as formas
pró-mastigotas flageladas dos protozoários
que são fagocitados pelos macrófagos. Nos
macrófagos, os pro-mastigotos se altera para
amastigotas, não flagelados e se multiplicam,
matando a célula. Os novos amastigotas
liberados são novamente fagocitados, e o ciclo
continua.

Tratamento Leishmaniose visceral (LV)


O tratamento específico da LV se faz com os
seguintes medicamentos:

Antimoniais
Não são usados devido às graves manifestações
toxicas que podem produzir.
 Estiboglinato: Junto com a anfotericina é
usada no tratamento de acompanhamento.
 Mecanismo de ação: não está bem claro.
Questiona-se a possibilidade de estimularem
mecanismos imunitários do individuo
parasitado.
 Farmacocinética: Como não é absorvido por
VO, o estiboglinato de sódio deve ser
administrado por VP se distribui no
compartimento extravascular. A
biotransformação é mínima, e o fármaco é
excretado com a urina.
 Efeitos colaterais: Incluem no local de
injeção, indisposição gastrointestinal e
arritmias cardíacas. As funções hepáticas e
renais devem ser monitoradas
periodicamente.

 Glucatime: É o fármaco preferido.


 Farmacocinética: Pode ser usado por VE
para evitar efeitos tóxicos, sobretudo em
casos avançados e graves, e facilitar o seu
uso em áreas rurais endêmicas, tem sido
preconizado esquemas com doses
menores de glucantime. Sua absorção é
escassa e lentamente no TGI. Pela VP, sua
absorção é boa, e, no plasma, atinge níveis
bem mais altos que os dos antimoniais
trivalentes. Significativas concentrações se
verificam no fígado e no baço. A eliminação
se faz pela urina.
FARMACOLOGIA ANTIVIRAL  Enfuvirtida (T20): É um peptídeo que se
Os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, assemelha a um segmento da gp41, a proteína
sua replicação depende dos processos de síntese do HIV que medeia à fusão da membrana.
da célula hospedeira. Para isso, os agentes  Mecanismo de ação: No vírion nativo a gp41
antivirais devem bloquear a entrada do vírus na é mantida em conformação que impede de se
célula ou a sua saída dela, ou ser ativas no interior fundir-se com a membrana ou de se ligar a
da própria célula hospedeira. O conhecimento dos T20. A infecção do HIV e seus receptores
mecanismos envolvidos na replicação viral fornece celulares desencadeia uma mudança de
uma compreensão das etapas criticas do ciclo de conformação da gp41, que expõe um
vida do vírus, que podem atuar como alvos segmento que pode ser inserido em
potenciais da terapia antiviral. Os agentes membranas, uma região de repetição
antivirais compartilham a propriedade comum de heptada (HR1), e uma região de repetição
serem virustáticos; mostram-se ativos apenas heptada imitada pela T20 (HR2). Em seguida
contra o vírus em replicação e não afetam os vírus ocorre novo dobramento de gp41, de modo
latentes. Enquanto algumas infecções necessitam que os segmentos HR2 ligam-se diretamente
de monoterapia por um breve período prolongado aos segmentos HR1. Se o peptídeo de fusão
de tempo; outras, ainda, necessitam de terapia estiver corretamente inserido na membrana
com múltiplos fármacos por período de tempo celular do hospedeiro, esse novo virion e a
indefinido (HIV). Em doenças crônicas, como a membrana estreita proximidade entre o
hepatite viral e a infecção pelo HIV, a inibição envelope do virion e a membrana celular,
potente da replicação viral é crucial para limitar a possibilitando a fusão da membrana.
extensa da lesão sistêmica. Entretanto, na presença de T20, o fármaco
A replicação viral consiste em varias etapas: liga-se aos segmentos HR1 expostos e
 1. Fixação do vírus a receptores presentes na impede o processo de novo dobramento
superfície da célula hospedeira; 2. Entrada do impedindo, assim, a fusão do envelope do
vírus através da membrana da célula; 3. HIV, com a membrana da célula hospedeira.
Desencapsulamento do ácido nucleico viral; 4.  Farmacocinética: Deve ser administrada por
Síntese de proteínas reguladoras precoces, injeção subcutânea, é o único agente
como, por exemplo, polimerases de ácidos antirretroviral de administração parenteral. O
nucleicos; 5. Síntese do RNA ou DNA viral; 6. metabolismo envolve hidrolise proteolítica,
Síntese de proteínas estruturais tardias; 7. sem a participação do sistema CYP450. A
Montagem (maturação) de partículas virais; 8. meia-vida de eliminação é de 4 horas.
Liberação da célula.  Efeitos colaterais: A maioria se correlaciona
Os agentes antivirais podem atuar com a injeção, incluindo dor, eritema,
potencialmente contra qualquer uma dessas endurecimento e nódulos, que ocorre em
etapas. todos os pacientes. Apesar de sua
frequência, essas reações são de leves a
Inibição de fixação e entrada dos vírus moderada e raramente levam a interrupção
Todos os vírus precisam infectar células para do fármaco. Outros efeitos são insônia,
replicação. Consequentemente a inibição dos cefaleia, tontura e náuseas.
estágios iniciais de fixação e entrada do vírus
proporciona uma medida preventiva contra a Inibidores do descascamento viral
infecção e, assim, pode limitar a disseminação do O espectro terapêutico dos derivados da
vírus pelo corpo. Dois fármacos anti-HIV, adamantina, amantadina e rimantadina está
maraviroque e enfuvirtida atuam nessas etapas. limitada às infecções por gripe A, para a qual
esses fármacos se tem mostrado igualmente
 Maraviroque: Tem como alvo o receptor de eficazes no tratamento e na prevenção. Esses
quimiocina CCR5. O maraviroque bloqueia a fármacos se reduzem a duração e a gravidade dos
infeção por cepas de HIV que usam o CCR5 sintomas sistêmicos, se iniciados dentro das
para sua fixação e entrada. Não é ativo contra primeiras 48 horas da exposição ao vírus.
cepas do HIV que usam o receptor CXCR4. Nenhum deles altera a resposta imune à vacina da
 Mecanismo de ação: Bloqueia o correceptor gripe A, e ambos podem ser administrados como
CCR5 que atua junto com o gp41, facilitando complementares à vacinação dessa forma
a entrada do HIV através da membrana na promovendo proteção até que ocorra a resposta
célula. de anticorpos.
 Farmacocinética: É bem absorvido por VO,
é formulado como comprimido. É
biotransformado pelas enzimas hepáticas
CIP450, e a dosagem deve ser reduzida
quando administrado com a maioria dos
inibidores de protease.
 Mecanismo de ação: O mecanismo  Aciclovir: Fármaco protótipo dos antivírus
antivirótico primário de ação da amantadina e hepáticos, os vírus da Hérpes simples tipo 1
da rimantadina é o bloqueio da matriz proteica e 2 (VHS1 e VHS2) o vírus Zóster da varicela
da membrana viral M2, que funciona como (VZV) e algumas infecções mediadas pelos
canal para íons hidrogênio. Canal necessário vírus Epstein-Barr são sensíveis ao aciclovir. O
para a fusão da membrana viral com a uso mais comum é no tratamento das
membrana celular que por fim, forma o infecções genitais por herpes.
endossomo. Esses fármacos também podem  Mecanismos de ação: O aciclovir é
interferir na liberação de novos vírions. monofosforilado na célula por uma enzima
 Farmacocinética: Ambos os fármacos são codificada pelo Hérpe-vírus, a timidinaquina.
bem absorvidos por VO a amantadina se Dessa forma, células infectadas pelo vírus
distribui por todos os organismos e penetra no são mais sucetivel. O análogo monofosfato e
SNC, e a rimantadina não atravessa a barreira convertido nas formas di e trifosfato pelas
hematoencefálica na mesma extensão. É células de desoxiguanosina como o substrato
excretada na urina e pode se acumular em do DNA-polimerase viral é incorporado no
níveis tóxicos em paciente com insuficiência DNA viral, causando finalização prematura da
renal. cadeia de DNA. A ligação irreversível do
 Efeitos colaterais: Os efeitos colaterais da molde contendo aciclovir com o DNA-
amantadina são associados ao SNC. Os polimerase viral inativa a enzima. O fármaco
sintomas neurológicos menos importantes é menos eficaz contra a enzima do
incluem insônia, tontura e ataxia. Efeitos mais hospedeiro.
graves têm sido registrados como, alucinações  Farmacocinética: A administração do
e convulsões. aciclovir pode ocorrer pelas vias IV, VO ou
VT. A distribuição do fármaco pelo organismo
Inibição da replicação do genoma viral é boa, incluindo a cerebroespinal. E
A maioria dos fármacos que inibem a replicação parcialmente biotransformado a um produto
do genoma viral atua por meio da inibição de uma inativo. Excreção na urina ocorre por filtração
polimerase. Todos os vírus usam uma polimerase glomerular e secreção tubular. Acumula-se
para a replicação de seu genoma. Alguns vírus em pacientes com insuficiência renal.
usam o DNA polimerase celulares; para esses  Efeitos colaterais: Dependem da via de
vírus, os fármacos direcionados contra as administração. Pode ocorrer irritação no local
polimerases também inibem a replicação do DNA na aplicação tópica; cefaleia, diarreia,
celular e seriam inaceitavelmente tóxicos. náuseas e êmese por administração ora.
Entretanto, os vírus codificam, as suas próprias Disfunção renal transitória a com doses altas
polimerases, de modo que essa etapa no ciclo de ou em pacientes desidratados que recebem o
vida do vírus constitui um excelente alvo para fármaco VIV.
fármacos antivirais.
As polimerases serviram de alvos bem-sucedidos Inibição da liberação viral
para fármacos aprovados. Esses fármacos O fundamento lógico para esses inibidores que
constituem, em sua maioria, os chamados bloqueiam a liberação do vírus da célula
análogos nucleosídios. Todos análogos hospedeira provêm do mecanismo de fixação e
nucleosídios precisam ser ativados por liberação viral.
fosforilação, habitualmente à forma trifosfato, para O vírus influenza fixa-se às células por meio de
exercer seus efeitos. Como resultado da interações entre hemaglutina, proteína presente
fosforilação esses agentes são capazes de imitar no envelope viral, componente de acido siálico,
os desoxirribunucleosídios trifosfatos, que são os encontrada em muitas glicoproteína da superfície
substratos naturais do DNA polimerase. células. Após a saída do vírus influenza das
células no final de um ciclo de replicação, a
Os análogos nucleosídios inibem as polimerases ao hemaglutina nos vírions nascente liga-se
competir com os substratos trifosfatos naturais; em geral,
esses análogos também são incorporados na cadeia de DNA
novamente às terminações do ácido siálico,
em crescimento, onde eles frequentemente interrompem o fixando, assim, os vírions a superfície celular e
processo de alongamento. impedindo a liberação do vírus. Para superar esse
problema, o vírus influenza codifica uma enzima
Uma ou ambas as características, inibição ligada ao envelope, chamada neuraminidase,
enzimática e incorporação ao DNA, podem ser que cliva o ácido siálico das glicoproteínas de
importantes para a atividade antiviral. membrana, possibilitando, a liberação viral. Na
ausência de neuraminidases, o vírus permanece
fixado e incapaz de se disseminar para outras
células. Quando são liberados de uma célula
infectada, os novos vírus são revestidos pelo
ácido siálico.
 Zanamivir: Evitam a liberação de novos  Imiquimode: Modificador da resposta imune
vírions e sua propagação de célula. Eficaz demonstrou eficácia no tratamento tópico das
contra o vírus da gripe A e B. não interfere na verrugas genitais externas e perianais. Foi
resposta imune contra o vírus da gripe A. aprovado para o tratamento de certas doenças
 Mecanismo de ação: O vírus da gripe usa causadas por HPV.
uma neuraminidase especifica que é inserida  Mecanismo de ação: Ela interage com
na membrana celular do hospedeiro para receptores parecidos a TO11, TLR7 e TLR8,
proporcionar a liberação de vírion recém- para reforçar a imunidade inata, incluindo a
formados. A zanamivir é um análogo do secreção de interferonas.
estado de transição do substrato do ácido  Farmacocinética: O creme a 5% é aplicado
siálico e atuam como inibidores da atividade tres vezes por semana e removido 6 a 10
da enzima. horas após cada aplicação;
 Farmacocinética: Pró-fármaco não é ativo  Efeitos colaterais: Os mais comuns são
por VO ou via intranasal e sua forma ativa, reações cutâneas locais.
deve ser administrado por inalação pelo
fígado e sua forma ativa. É eliminado na  Interferon: compreendem uma família de
urina. glicoproteína indutíveis de ocorrência natural
 Efeitos colaterais: O Zanamivir não tem que interferem na capacidade dos vírus de
efeitos colaterais no TGI, pois é administrado infectarem as células. Embora eles inibam o
por inalação. Porem ocorre irritação do trato crescimento de muitos vírus in vitro, são
respiratório. sintetizados por tecnologia de DNA
recombinantes.
Moduladores do sistema imune  Mecanismo de ação: Não é completamente
Temos três classes de fármacos que explicitam o entendido. Parece envolver a indução de
uso de processos imunes do hospedeiro são enzimas nas células do hospedeiro que
usados no tratamento de infecções virais. Nelas inibem a translação do RNA viral, o que
incluem imunização, interferonas e imiquimode. acaba acarretando na degradação do RNAm
 Imunização ativa e passiva: inibem a e do RNAt do vírus.
infecção viral em decorrência da produção de  Farmacocinética: São ativos por VO, mas
anticorpos dirigidos contra proteínas do podem ser administrado por via intralesional,
envelope viral, as quais bloqueiam a fixação e subcutânea ou IV. Pouco ativo é encontrados
a penetração dos vírions nas células e no plasma, e sua presença não está
aumenta sua eliminação, alguns anticorpos relacionada com as respostas clinicas. A
são diretamente virucida, causando destruição captação celular e o metabolismo pelo fígado
ou inativação dos virions antes que o vírus e pelos rins são responsáveis pelo
possa interagir com seu receptor nas células desaparecimento dos interferons do plasma.
alvos. Ocorre eliminação renal insignificante.
 Interferonas: Fazem uso da resposta imune  Efeitos colaterais: Incluem sintomas
inata e não são diretamente direcionados para parecidos aos da gripe, como febre, arrepios,
produtos gênicos virais. As interferonas foram mialgias, artralgias e distúrbios do TGI.
inicialmente identificadas como proteínas Fadiga e depressão mental são comuns.
produzidas e resposta à infecção viral e
capazes de inibir a replicação do mesmo vírus
ou de outro vírus. Temos dois tipos de
interferonas a do tipo 1 e 2. As do tipo 1, são
produzidos por vários tipos celulares e que
interferem com o mesmo receptor de
superfície celular; As do tipo 2 geralmente
produzidas por células do sistema imune, em
partículas as células T, e que interage com o
receptor distinto. A interação das interferonas
com seus receptores induz uma serie de
eventos de sinalização que ativam ou induze a
expressão de proteínas que combatem as
infecções virais.
Inibição da maturação viral
Muitos vírus, a montagem de proteínas é acido
nucleio em partículas, não é suficiente para
produzir um vírion infeccioso; em vez disso, é
necessária uma etapa adicional, chamada
maturação. Como as proteases virais são
essenciais para a replicação de vários vírus,
muitos esforços foram feitos para descobri
fármacos ativos contra essas enzimas. Grande
parte do estimulo para esses esforços resultou do
sucesso e das experiências adquiridas com o
desenvolvimento dos inibidores da protease do
HIV. Por varias razões, a protease do HIV são
alvos atraentes para a intervenção farmacológica.
1. Essa enzima é essencial para a replicação do
HIV;
2. É suficiente a ocorrência de uma maturação
pontual inativar a enzima;
3. As sequencias clivadas pela protease do HIV
são conservadas e um tanto raras, sugerindo
a necessidade de especificidade e de um
ponto de inicio para o delineamento de
fármaco;
4. A protease do HIV, ao contrário das
proteases humanos mais estreitamente
relacionados. É um dímero simétrico de duas
subunidades idênticas, em que cada uma
contribui para o sítio ativo, sugerindo a
necessidade de especificidade e de um ponto
de inicio para o delineamento de fármacos.
A enzima pode ser hiperexpressa e submetida a
testagem, e sua estrutura cristalina já foi
estabelecida.

 Ritonavir: Não é mais usado como inibidor de


protease isoladamente, mas é usada como um
reforçador farmacocinético de outros inibidores
de protease. É um potente inibidor da CIP3A e,
simultâneo com sua administração, aumenta a
biodisponibilidade de um segundo inibidor de
protease aumentando, com frequência, o
intervalo entre as dosificações.
 Mecanismo de ação: Ligam-se as, proteases
do HIV-1 ou HIV-2, geralmente, é usado em
combinações com outros inibidores de
protease, pois assim potencializa sua ação;
 Farmacocinética: É administrada oralmente,
geralmente duas vezes ao dia. Sua meia vida
está entre 3 a 5 horas, porem alimentos
podem retardar sua absorção. É eliminado,
principalmente nas fezes, e um pouco na
urina.
 Efeitos colaterais: Incluem alterações do
TGI; como, náusea, êmese, dor abdominal,
alterações sanguíneas; anemia ou
neutropênia; e efeitos sobre o SNC; como
insônia, tontura e cefaleia. Assim como o
risco de hiperglicemia.
ANESTÉSICOS µ. Os locais de ação incluem o cérebro, o tronco
Vêm do grego AN=sem e AISTHESIS=sensação. encefálico primário. A morfina é metabolizada no
fígado, e o seu metabolismo de 1ª passagem
ANESTÉSICOS LOCAIS diminui a sua disponibilidade oral. a semelhança
Os anestésicos locais (AL) são um conjunto de da morfina, a codeína é um agonista dos
substâncias químicas aplicadas localmente, com receptores opióides de ocorrência natural. Embora
estruturas moleculares parecidas, capazes de seja menos efetiva que a morfina no tratamento da
inibir as sensações e prevenir o movimento. A AL dor, a Codeína costuma ser usada pelos seus
refere-se à perda de sensação numa região efeitos antitussivo (supressor de tosse) e
limitada do corpo. antidiarreico.
Os AL´s exercem efeito através do bloqueio dos Os compostos semissintéticos Oxicodona e
canais de sódio regulados por voltagem, inibindo, Hidrocodona são análogos a codeína mais efetiva.
as propagações dos potenciais de ação ao longo
dos neurônios a partir desse bloqueio AL inibiram Codeína
a transmissão da informação para o SNC. Referência: Cuidem (Cristália);
As sensações que vêm da periferia para o SNC O que é: antitussígeno e analgésico;
(aferente) e as mensagens que o SNC envia para Para que serve: dor e tosse;
a periferia (eferente) deixam de ser conduzidas Como age: a codeína liga-se a receptores
pelo nervo sob ação do AL, desaparecendo as opiáceos no SNC inibindo a chegada de impulsos
varias formas de sensibilidade (tátil, térmica e dolorosos. Por ação central suprime o reflexo da
dolorosa) e a atividade motora da área em que se tosse.
distribui o nervo ou grupo de nervos bloqueados. Riscos na gravidez: C;
Os AL´s apresentam algumas propriedades Não usar o produto: alergia a opioide, depressão
desejáveis: respiratória aguda, íleo paralítico, criança menor
• Bloqueio reversível do nervo, sem risco de de 4 anos;
produzir lesão permanente; Risco X benefício: abdômen agudo, idoso ou
• Irritação mínima para os tecidos em que são paciente debilitado, insuficiência hepática ou renal,
injetadas; doença de Addison, hipotireoidismo, hipertrofia
• Boa difusibilidade através dos tecidos, para que prostática, colite pseudomembranosa, aumento
sejam atingidos os nervos a que são destinados; prévio intracraniano, lesão intracraniana,
• Baixa toxidade sistêmica; convulsão, trauma craniano, depressão do SNS
• Inicio de ação rápida; etc.;
• Duração do efeito adequado às necessidades Reações mais comuns:
cirúrgicas habituais. • SGI: constipação;
• SNC: sentido confuso, sedação e sonolência;
Analgésico e Anestésico • Outros: suores.
Os analgésicos são inibidores específicos das Atenção ao usar outros produtos. A Codeína:
vias de dor, e os anestésicos locais são inibidores • Pode aumentar o risco de depressão do SNC:
inespecíficos das vias sensoriais periféricas, alcool, outro depressor do SNC;
motoras e autônomas. Em algumas situações • Pode ter sua ação diminuída por: Buprenofina;
clinicas é importante controlar a dor, como • Pode apresentar reações adversas importantes
traumatismo agudo, trabalho de parto ou cirurgia. com: IMAO;
Nesses casos a via da dor pode ser interrompida • Pode ter sua ação antagonizada por: Naloxona
pelo bloqueio da transmissão com AL´s ou com e Naltrexona;
administração de opióides. Varias classes de • Pode causar aumento do risco de hábito com:
fármacos são usados para o alivio da dor: álcool, outro depressor do SNC.
• Agonistas dos receptores opióides; Considerações importantes: não dirigir veículos,
• AINE; nem operar máquinas, até ter certeza de que o
• Antidepressivos tricíclicos; produto não está afetando o estado de alerta ou a
• Anticonvulsivantes; coordenação motora do paciente e não ingerir
• Antagonistas dos receptores NMDA; bebidas alcoólicas, o produto não deve ser usado
• Agonistas adrenérgicas. para as tosses persistentes, como as do cigarro,
• Agonistas dos receptores 5HT1. Asma ou enfisema, nem quando a tosse for
acompanhada secreção excessiva e ingerir
grandes quantidades de líquidos.
Codeína e associações:
Agonistas dos receptores opióides • Codaten: analgésico opioide;
São usados no controle da dor moderada a • Tylex 7,5mg: analgésico opióide associado;
intensa. A Morfina continua sendo muito usada, Uso oral:
nos últimos anos foram usadas na dor crônica não • Comprimido: 30mg e 60mg (Codein);
causada por câncer. Eles produzem analgesia • Solução oral: 3mg/ml (Codein).
através de sua ação sobre os receptores opioides
Morfina Como age: liga-se a receptores opioides no SNC
Referência: Dimorff (Cristalia) e Dimorf Lc inibindo a transmissão do impulso doloroso.
(Cristália); Impede ou atenua sintomas de abstinência
Similar: Dolo Moff (União química); quando administrado em substituição a outros
O que é: analgésico opioide; opioides nos tratamentos de desintoxicação;
Para que serve: dor intensa, dor, sedação pré- Risco na gravidez: B;
operatória e adjunta da anestesia; Risco X benefício: arritmia cardíaca,
Como age: atua sobre receptores opioides no comprometimento da capacidade de manter a
SNC, alterando a percepção e a resposta pressão sanguínea, por diminuição do volume de
emocional à dor. sangue ou uso de determinado medicamentos,
Risco na gravidez: C; diminuição da função hepática, idoso e paciente
Não usar o produto: reação alérgica a opioide, debilitado, predisposição a hipoventilação,
diagnóstica ou suspeita de íleo paralítico e recém- pacientes com inclinação ao vício.
nascido; Reações mais comuns:
Risco X benefício: arritmia cardíaca, • SNC: sonolência e tontura;
comprometimento da capacidade de manter a • Dermatológica: coceira;
pressão sanguínea, por diminuição do volume de • SGI: constipação, náusea e vômito.
sangue ou uso de determinados medicamentos, Não usar o produto: em membranas mucosas, nos
diminuição da função renal, diminuição da função olhos ou em áreas vizinhas a eles;
hepática, idoso e paciente debilitado, Reações mais comuns:
predisposição a hipoventilação. • Dermatológica: coceira, fissuras, irritação local,
Reações mais comuns: maceração, queimadura e vermelhidão.
• Cardiovascular: diminuição dos batimentos Uso tópico:
cardíacos e queda da pressão arterial; • Creme 1%: 10mg/g (Oceral e genérico);
• SGI: constipação, náusea e vômito; • Solução alcoólica: 1%: 10mg/ml (Oceral e
• SNC: confusão mental, febre, pesadelos, genérico).
sedação, sensação de queda iminente, sonolência
e tontura; Agonistas sintéticos
Atenção com outros produtos. A morfina: As duas principais classes de agonistas sintéticos
• Pode aumentar o risco de hábito e de pressão dos receptores µ são as Fenileptilaminas
do SNC com: alcool, outro depressor do SNC; (Metadona) e as Fenilpiperidinas (Fentanil e
• Pode ter sua ação diminuía por: Buprenorfina; Meperidina). A metadona é mais conhecida pelo
• Pode apresentar reações adversas importantes seu uso no tratamento de adição de drogas, mas
com: IMAO; também pode ser usado no controle da dor. O
• Pode ter sua ação antagonizada por: Naxolona Fentanil, um exemplo de agonista opioide sintético
e naltrexona. de ação curta é 75 a 100 vezes mais potente do
Considerações importantes: não ingerir bebida que a morfina. Em virtude de as altas lipofilicidade,
alcoólica, a morfina pode mascarar ou piorar a dor o fentanil é biodisponível através de varias vias
na vesícula biliar, adotar dieta rica fibras, tomar peculiares. O fentanil também pode ser
grande quantidade de líquidos, tomar cuidado ao administrado por via transdermica, na forma de
subir ou descer escadas, levantar devagar da disco que libera lentamente o fármaco,
cama ou da cadeira para evitar tonturas e evitar proporcionando analgesia sistêmica de ação
mudanças bruscas de posição. longa. O alfentanil que é ainda mais potente do
que o fentanil, é o sufentanil, que é menos
potente, estão estruturalmente relacionadas com
fentanil.
O remifentanil, o fenilpiperidina, mais
recentemente desenvolvida, exibe um
Uso oral: comportamento farmacocinético distinto. Outro
• Comprimido: 10mg e 30mg (Dimorf); fenilpiperidina é a meperidina, um agonista µ
• Solução oral: 10mg/ml (dimorf); eficácia analgésica semelhante à morfina. Sua
• Capsula de liberação prolongada: 30mg, 60mg atividade analgésica fica reduzida a metade
e 100mg (Dimorf Lc). quando administrada por VO, e com frequência, o
Uso injetável: fármaco produz disforia. Ao contrário de outros
• Injetável (solução): 0,2mg/1ml, 1mg/1ml e opioides, a meperidina provoca mai midríase do
10mg/1ml (dimorf). que miose.

Oxicodona Metadona
Referência: Oxycontin (Zodiac); Referência: Mytedom (Cristália);
O que é: analgésico opioide; O que é: analgésico opioide;
Para que serve: dor; Para que serve: dor grave, síndrome de
abstinência a opioide;
Como age: liga-se a receptores no SNC inibindo a respiratória considerável, especialmente quando
transmissão do impulso doloroso. Impede ou equipamentos para monitoramento ou
atenua sintomas de abstinência quando ressuscitação não estão disponíveis.
administrado em substituição a outros opioides no Risco x benefícios: arritmia cardíaca,
tratamento de desintoxicação. comprometimento da capacidade de manter a
Risco na gravidez: C; pressão sanguínea, por diminuição do volume de
Não usar o produto: alergia a opioide; sangue ou uso de determinados medicamentos,
Risco X benefícios: arritmia cardíaca, diminuição hepática, idoso e paciente debilitado,
comprometimento da capacidade de manter a predisposição a hipoventilação.
pressão sanguínea, por diminuição do volume de Reações mais comuns:
sangue ou uso de determinado medicamento, • Dermatológico: coceira e suores;
diminuição da função hepática, idoso e paciente • SGI: dor abdominal, constipação, boca seca,
debilitado, predisposição a hipoventilação etc. diarreia, náusea, má digestão e vômito;
Reações comuns: • Respiratório: dificuldade para respirar;
• SGI: náusea e vômito; • SNC: sedação, sonolência, sentidos confusos,
• SNC: sentidos confusos, tonturas, sensação de euforia, confusão mental, fraqueza, ansiedade,
queda iminente, sedação e sonolência. depressão, tontura, dor de cabeça, insônia e
Atenção com outros produtos: nervosismo.
• Pode aumentar o risco de hábito e de Atenção com outros produtos. a fentanila
depressão do SNC com: álcool, outro depressor transdérmica:
do SNC; • Pode aumentar os efeitos depressores do SNC,
• Pode ter sua ação diminuída por: Buprenorfina; os efeitos depressores respiratórios e os efeitos
• Pode apresentar graves reações com: IMAO; hipotensores com: álcool, outro depressor do
• Pode ter sua ação antagonizada por: Naxolona SNC;
e Nalfrexona; • Pode ter seus efeitos opioides reduzidos com:
• Pode aumentar o risco de constipação grave indutor de CY3A4; (Carbamazepina);
com: anticolinérgico ou outro medicamento com • Pode ter seus efeitos opioides aumentados ou
efeito anticolinérgico; prolongados com: inibidor de CY3A4
• Pode apresentar sintomas de abstinência em (Claritromicina);
pacientes tratados por dependência a opióides • Pode ser ineficaz com: Naltrexona.
com: Rifampicina, Fenitoina; Considerações importantes: cuidado ao dirigir ou
• Considerações importantes: não ingerir bebida executar atividades que exijam atenção. o
alcoólica, cuidado ao dirigir ou executar tarefas aumento de temperatura da pele pode aumentar a
que exijam atenção; este produto não é absorção de fentanila de sistema transdérmicos.
recomentado para analgesia obstétrica.

Antagonista dos receptores opióides


São usados para reverter os efeitos colaterais
Uso oral: potencialmente fatais da administração de
• Capsula: 5mg e 10mg (Mytedon); opioides, especificamente a depressão
Uso injetável: respiratória. Analoxona (antagonistas) é um
• Injetável (solução): 10mg/1ml (Mytedon); derivado sintético da Oximorfona, administrado
• Armazenagem antes de aberto: por VO é usado em condição ambulatorial, para
Temperatura ambiente (15-30 ºC); desintoxicação de indivíduos com adição de
Proteção à luz: sim é necessária. opioides. Foram desenvolvidos antagonistas
restritos à periferia, como o Alvimopam, para
Fentalina (transdérmico) reduzir o íleo pós-operatório e melhorar os efeitos
Referência: Durogesic D-trans (Jannsen-Cilag); gastrintestinais do uso crônico de opióides.
Similar: Fentanest;
O que é: opioide, derivado do ópio e agonista Naltrexona
opioide; Referência: Revia (Cristália);
Para que serve: dor crônica. Atenção: deve ser O que é: antagonista opioide, tratamento adjunto
prescrito e ter seu uso monitorado por profissional na dependência opioide, tratamento adjunto no
capacitado e apto a identificar e tratar alcoolismo;
hipoventilanção que possa ocorrer. Para que serve: alcoolismo, dependência opioide,
Riscos na gravidez: C; em indivíduos anteriormente dependente de
Não usar o produto: reação alérgica a opioide, dor opióide e que estejam desintoxicados.
aguda ou pós-operatória dor crônica leve ou Atenção: indivíduos dependente de opioides
intermitente em que possa ser usado um devem ser desintoxicados antes de iniciar o
analgésico menos potente, paciente que nunca tratamento.
recebeu opioide, mas tolerante, depressão
Como age: a naltrexona atenua ou bloqueia
reversivelmente, os efeitos subjacentes dos
opioides administrados por via intravenosas.
Quando a naltrexona é co-administrada com a
morfina, em situações crônica, ela bloqueia a
dependência física à morfina, heroína e outros
opioides. A naltrexona tem poucas ações
intrínsecas além das suas propriedades de
bloqueio aos opioides, mas pode, contudo
produzir alguma constrição da pupila.
Risco na gravidez: C;
Não usar o produto: hipersensibilidade ao produto,
hepatite aguda ou insuficiência hepática, paciente
recebendo agonista opioide, paciente não
desintoxicado fisicamente dependente de
opioides, abstinência aguda de opioide, paciente
em que ocorreu abstinência de opioide após teste
de naxolona, teste de urina positiva para opioides,
pacientes com menos de 18 anos.
Risco x benefício: doença hepática, esquema
posológicos que envolvam doses únicas maiores
que 50mg e diminuição renal.
Reações mais comuns:
Cardiovascular: síncope
INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS INTERAÇÕES FARMACODINAMICAS
Um dos fatores que podem alterar a resposta aos Causa modificações dos efeitos bioquímicos ou
fármacos é a administração concomitante de fisiológico do medicamento. Geralmente ocorre no
outros fármacos. Ocorre quando os efeitos de um local de ação dos medicamentos ou através de
fármaco são alterados pela presença de outro, mecanismo bioquímicos específicos, sendo capaz
alimento ou bebida. de causar efeitos semelhantes ou opostos. Podem
Muitos pacientes fazem tratamento contínuo com ocorrer interações tóxicas quando dois
um ou mais fármacos para doenças crônicas, medicamentos ativam vias complementares
como hipertensão, insuficiência cardíaca, resultando em efeitos biológicos exagerados. Um
osteoartrite e assim por diante. O potencial para exemplo é a coadministração de Sildenafil e
interação entre fármacos é, portanto substancial, e Nitroglicerina.
as interações são responsáveis por 5% a 20% das  Interação de efeito: ocorrem quando dois ou
reações adversas aos fármacos. Essas podem mais medicamentos em uso concomitante têm
agravar e podem ser atribuídos erroneamente à ações farmacológicas similares a portas,
história natural da doença. podem produzir sinergias ou antagonismos de
A interação medicamentosa pode ser perigosa ação dos medicamentos farmacocinéticos ou
quando promove o aumento da toxidade de um mecanismos de ação dos medicamentos
fármaco. Algumas vezes a interação envolvidos. Por exemplo, álcool reforça o
medicamentosa pode reduzir a eficácia de um efeito sedativo de hipnóticos e anti-
fármaco. histamínicos.
Os fármacos também podem interagir com  Interações farmacêuticas: Chamadas de
entidades químicas em outras constituintes da incompatibilidade medicamentosa ocorrem in
dieta e fitoterápico. A administração de um vidro, antes da administração dos fármacos no
fármaco (a) pode gerar a ação de outro (b) por organismo, quando se misturam dois ou mais
mecanismos gerais: deles numa mesma seringa, equipo de soro ou
1. Modificação do efeito farmacológico de b sem outro recipiente.
alterar sua concentração no líquido intersticial Pode ocorrer de muitas formas diferentes. Há
(interação farmacodinâmica: absorção, muitos mecanismos e é provável que alguns
distribuição, metabolismo e excreção); exemplos sejam muito uteis que outros.
2. A alteração de b que alcança seu local de  Antagonistas de receptores β-adrenérgico
ação (interação farmacocinética: efeitos diminuem a efetividade dos antagonistas de
aditivos, sinérgicos ou antagônicos). receptores β-adrenérgico. Como salbutamol;
3. Interações farmacêuticas: Ocorre quando um  Muitos diuréticos diminuem a concentração
fármaco é físico ou quimicamente incompatível plasmática de K* e, assim, predispõem à
com outro. São interações físico-químicas de toxicidade da digoxina e à toxicidade com os
um fármaco com uma solução de infusão fármacos antiarrítmicos do tipo 3.
intravenosa ou de dois fármacos na mesma  A sildenafila inibe a isofarma da
solução, resultando em perda da atividade do fosfodiesterase que inativa o GMPc;
fármaco envolvido. consequentemente, ela potencializa, os
Para que tais interações sejam relevantes do nitratos orgânicos, que ativam a guanilil
ponto de vista clínico, é preciso que a faixa ciclase, e pode causar hipotensão grave em
terapêutica do fármaco b seja estreita. Para que pacientes que usam esses fármacos.
as interações farmacocinéticas sejam importantes  Os inibidores a monoamina-oxidase aumentam
sob o aspecto clínico, é também necessário que a a quantidade de NoE armazenado nos
curva concentração-resposta do fármaco b tenha terminais nervosos noradrenérgicos e
inclinação. Para muitos fármacos, essas interagem perigosamente com alguns
condições não estão presentes, mesmo mudanças fármacos, tais como a efedrina ou a tiramina,
muito grandes na concentração plasmática de que liberam a NoE armazenada. Isto pode
fármacos relativamente não tóxicos, como a ocorrer também com alimentos ricos em
penicilina, mostram pouca, probabilidade para dar tiramina, sobretudo queijos fermentados como
inicio a problemas clínicos, porque, há margem de o Camembert
segurança confortável entre as concentrações  A Varfarina compete coma vitamina K,
séricas consequentes de doses usuais em impedindo a síntese hepática de vários fatores
toxicidade, muitos fármacos apresenta relação de coagulação. Se a produção de vitamina K
concentração-resposta muitos sensíveis e no intestino é inibido, a ação anticoagulante da
margem terapêutica estreita e, por isso, as varfarina é aumentada.
interações entre fármacos podem causar
problemas maiores.
INTERAÇÕES FARMACOCINÉTICAS Metabolização
Essas interações podem afetar o padrão de Os fármacos podem inibir ou induzir as enzimas
absorção, distribuição, metabolização ou que os metabolizam.
excreção. Ocorre quando um fármaco altera a  Indução: É importante causa de interação
velocidade, a extensão de absorção, distribuição, entre fármacos. A demora na indução e alenta
biotransformação ou excreção de outro fármaco, recuperação após a retirada do agente indutor,
alterando a concentração do fármaco ativo no junto com o potencial para indução seletiva de
organismo. Modificam a magnitude e duração do uma ou mais isoenzimas CYP, contribuem
efeito, mas a resposta final do medicamento é para a natureza insidiosa dos problemas
preservada. Quando dois fármacos são clínicos que a indução possui. Os efeitos
metabolizados pela mesma P450, a inibição colaterais devidos a tais interações são muito
competitiva ou irreversível dessa P450 por um variáveis, incluindo rejeição do enxerto como o
fármaco pode levar a um aumento na resultado da perda de eficácia do tratamento
concentração plasmática do segundo fármaco. Por imunossupressor, convulsões devido à perda
outro lado, a indução de uma P450 especifica por da atividade convulsivante, gravidez
um medicamento pode levar a uma redução na indesejada e trombose ou sangramento.
concentração plasmática dos outros fármacos que  Inibição: Sobretudo as do sistema do P450,
são metabolizadas pela mesma enzima. Além de diminui o metabolismo e, em consequência,
alterar a atividade das P450, os fármacos podem aumenta a ação de outros fármacos inativados
afetar o transporte de outros fármacos para dentro pela enzima. Os efeitos terapêuticos de alguns
e para fora dos tecidos. Um fármaco que se liga fármacos são consequência direta da inibição
às proteínas plasmáticas, como a albumina, pode da enzima. A xantina oxidase usada para
deslocar um segundo fármaco da mesma prevenir a gota; metaboliza muitos fármacos
proteína, aumentando sua concentração citotóxicos e imunossupressores, incluindo a
plasmática livre e, consequentemente, a sua mercaptopurina (o metabólito ativo da
biodisponibilidade para tecidos-alvos e não alvos. azatioprina), ação que é assim potencializada
e prolongada pelo alopurinol.
Absorção
A absorção do TGI é diminuída pelos Excreção
medicamentos que inibem o esvaziamento A maioria dos medicamentos é quase totalmente
gástrico, como a atropina ou narcóticos, ou eliminada pelos rins. Desta forma, a taxa de
acelerada pelos medicamentos que aceleram o excreção de vários agentes pode ser modificada
esvaziamento gástrico (metoclopramida) por através de interações ao longo do néfron. Os
outro lado o fármaco A pode interagir com o principais mecanismos pelos quais um fármaco
fármaco B no intestino de forma a inibir a pode afetar a taxa de eliminação renal de outros
absorção de B., por exemplo, o Ca2+ forma um são por:
complexo insolúvel om a tetraciclina que retarda  Inibição da secreção tubular: A proenecida
sua absorção, a colestiramina, uma resina de foi desenvolvida para inibir a secreção da
ácido biliar ligando-se a vários fármacos penicilina, assim, prolongar sua ação. Ela
impedindo sua absorção se administrado de modo também inibe a eliminação de outros fármacos
simultâneo. Outros exemplos é a adição de têm efeitos incidentais à zidovudina;
epinefrina as injeções de anestésico local, a  Alteração do pH e do fluxo urinário: Os
vasoconstrição resultante retarda a absorção do diuréticos tendem a aumentar a eliminação
anestésico, prolongando, assim, seu efeito local. urinária de outros fármacos e de seu
metabolitos, mas isto raramente é importante.
Distribuição Por outro lado diuréticos tiazídicos e de alça
Um fármaco pode alterar a distribuição de outro, aumentam indiretamente a reabsorção tubular
competindo por um local comum de ligação na proximal do lítio e isto ode causar a toxicidade
albumina plasmática ou proteína do tecido, mas tal do lítio em pacientes tratados com carbonato
interação poucas vezes é importante, a menos de lítio para alterações do humor. O efeito do
que acompanhada por um efeito distinto na pH urinário sobre a eliminação de ácido e
eliminação do fármaco. O deslocamento de um bases fracos é colocado em uso no tratamento
fármaco dos locais de ligação no plasma ou nos da intoxicação por salicilato, mas não é a
tecidos aumenta por algum tempo a concentração causa de interações acidentais.
do fármaco livre. Mas isto é seguido por seu
aumento na eliminação, e, então, novo estado de
equilíbrio é estabelecido no qual as concentrações
plasmáticas similares àquela anterior a introdução
do segundo fármacos deslocados.
FARMACOEPIDEMIOLOGIA PROCESSO DE APROVAÇÃO DE
A farmacoepidemiologia, ou epidemiologia do FARMACOS NOS EUA
medicamento, surgiu da interseção da O Food and Drug Administration (FDA) é a
farmacovigilancia clinica com a epidemiologia. A agência do governo do EUA responsável pela
farmacoepidemiologia compreende tanto o estudo fiscalização dos fármacos e alimentos consumidos
do uso, quanto o dos efeitos dos medicamentos nos EUA.
nas populações, e a farmacovigilância é um dos Nos EUA, a FDA deve aprovar um fármaco antes
seus componentes. Assim definida, de ser comercializado. Depende do centro de
farmacoepidemiologia é composta por duas avaliação de pesquisa de medicamentos seguros
vertentes, complementares que busca conhecer, e eficazes fora do mercado e para fornecer
analisar e avaliar o impacto dos medicamentos informações sobre fármacos para uso apropriado.
sobre a população humana. Tem uma grande pressão para que os fármacos
É uma disciplina em desenvolvimento que aplica sejam aprovados e disponibilizados para uso. Por
técnicas epidemiológicas para estudar o uso dos outro lado, existe uma pressão para que a FDA
fármacos numa grande população. A mantenha a segurança pública.
farmacoepidemiologia combina farmacologia A FDA influência o novo processo de aprovação
clinica com epidemiologia. Combinando os de fármacos pela elaboração e imposição do
interesses da farmacologia e da epidemiologia, a cumprimento das normas federais, todas
farmacoepidemiologia aplica princípios compiladas no código de normas federais dos
epidemiológicos nos estudos dos efeitos dos EUA.
medicamentos nas populações humanas. Os A FDA publica as diretrizes que orientam os
estudos nessa área quantificam os padrões de laboratórios os estudos dos fármacos, que devem
uso e os efeitos adversos dos fármacos. Por mostrar segurança e eficácia. O processo de
exemplo, compreender os padrões de prescrição aprovação do fármaco pode levar vários meses,
dos fármacos, a conveniência do seu uso, os até anos.
padrões de adesão ao tratamento e de A FDA coleta taxas dos laboratórios para ajudar a
persistência no tratamento, bem como pela cobrir custo de supervisionamento dos novos
identificação de fatores prognósticos para o uso fármacos e de expedir o processo de aprovação
do fármaco. São alvos de interesse as reações do fármaco. Isso tem um impacto na linha do
medicamentosas adversas comuns previsíveis, tempo de aprovação do medicamento. Antes de
assim como aquelas raras e imprevisíveis. Termos liberar um novo fármaco, a agência exige
usados sobre a segurança dos medicamentos; evidências de que o produto é seguro para uso
 Evento adverso: Qualquer situação médica nesse estudo. Estudos in-vidro ou em animais,
inesperada que ocorre enquanto o paciente são conduzidos para avaliar os efeitos tóxicos e
está recebendo um fármaco, mas não é regra farmacológicos dos fármacos, e sua
que esse evento tenha relação com o farmacocinética.
medicamento; Quando o laboratório julga ter dados probatórios
 Reações adversas: Refere-se a um desfecho de que o novo fármaco é seguro para ser usado
prejudicial ou indesejado, que ocorre enquanto em experimentos clínicos iniciais, o laboratório
o paciente está recebendo um produto formaliza uma solicitação de pesquisa de nova
farmacêutico, e esse desfecho tem uma droga (IND) à FDA. Essa solicitação é para obter
ligação causal com o medicamento. As a permissão do FDA para iniciar os ensaios
reações adversas podem ser dose- clínicos em humanos. A FDA examinará a IND, e,
dependentes (existe uma relação entre a dose em 30 dias, determinará se os ensaios clínicos
do fármaco e o desfecho observado) e poderão ou não se iniciar.
previsíveis ou mais peculiares e imprevisíveis.
 Efeito colateral: Costuma ser dose-
dependente, é previsível e pode ser desejável
ou irrelevante;
 Erro de medicação: Se refere a qualquer
evento evitável que pode levar ao uso
inadequado ou danos ao paciente.
Ensaios clínicos  Limitações: A aprovação de um fármaco pela
A FDA usa dados clínicos para determinar se o FDA requer ensaios bem elaborados. O
fármaco será aprovado para comercialização. Os processo de aprovação do FDA é rigoroso,
ensaios clínicos aleatórios de fase 1 consistem sendo preciso que os laboratórios forneçam
em pequenos estudos de voluntários saudáveis. O vários dados sobre a segurança e a eficácia do
objetivo é determinar a segurança básica e a produto. Apesar do rigor, existem falhas, por
informação farmacológica em humanos em geral, exemplo, certos grupos de pacientes, como
são ensaios curtos, com duração de 6 a 12 crianças e mulheres em idade fértil podem ser
meses, e podem incluir crianças, mulheres em excluídos dos ensaios clínicos. Existem alguns
idade fértil e outros grupos de pacientes. eventos adversos e outros de segurança que
Após a fase 1, são conduzidos os de fase 2, em só ocorrem na proporção de um para um
que o fármaco é usado num pequeno número e milhão, dificultando a detecção desses casos
pessoas (Ex.: de 100 a 200 pacientes) que sofrem num ensaio clínico. Uma vez que o produto é
da condição indicada, a qual se pretende tratar usado em populações de pacientes não
com o fármaco em estudo. O fármaco é usado estudados ou para uso off-label (indicações
com cautela nas fases 1 e 2 para garantir a clínicas não aprovadas pelo FDA) num grande
segurança nos seres humanos, antes que um número de pessoas é importante que o uso do
grande numero de pessoas seja exposto. A fase 2 fármaco por 10, 20 ou 30 anos não é estudado
fornece dados seguros e dá origem a alguns nos ensaios clínicos.
indícios da eficácia clínica do medicamento.  Supervisão pós-comercialização: Aprovado
Na fase 3 o fármaco é usado num grande grupo o fármaco, os profissionais de saúde começam
de pacientes portadores de doença ou da a prescrevê-los. É possível que, nesse
condição indicada. Os ensaios são aleatórios, momento, haja milhões de pessoas usando o
duplo-cego, placebo-controlados e podem incluir medicamento. Além disso, pessoas com varias
de varias centenas a milhares de participantes que doenças ou que usam outros fármacos usam-
representam a doença ou a condição estudada. no, gerando oportunidades de interações
Em geral, esses estudos tem duração de 1 a 4 medicamentosas adicionais, interações das
anos. doenças ou outros casos de segurança que
Após a conclusão das 3 primeiras fases, o não foram observados nos ensaios clínicos.
laboratório solicitará a aprovação do fármaco a Nesse ponto, eventos adversos raros podem
FDA, submetendo uma solicitação de novo surgir. A FDA definiu vigilancia pós-
fármaco (NDA). comercialização como o processo pelo qual a
A NDA consiste dos resultados dos estudos em segurança de um fármaco é monitorada para
animais e aqueles dos ensaios clínicos, bem como identificar problemas potenciais com seu uso
informações relevantes, como resultados de depois de sua aprovação pelo FDA.
estudos estrangeiros, dados de comercialização,
informações de bula e processo de fabricação. Fase 4
A FDA examinará a NDA para determinar se o A FDA e os laboratórios contam com os
fármaco é seguro e eficaz, como se o rótulo do resultados dos ensaios aleatórios de fase 4 para
produto, sua comercialização e seus processos de obter informações sobre o medicamento. Os
fabricação estão adequados. A FDA pode decidir ensaios dessa fase são feitos depois da
aprovar ou não o fármaco para comercialização ou aprovação do fármaco pelo FDA, com objetivo de
pedir alguns estudos mais detalhados antes dele conseguir informações adicionais sobre o fármaco,
ser aprovado. Notemos que alguns produtos incluindo informações de segurança e sobre seu
passam pelas fases 1 e 2, mas, se na fase 3, uso em outras indicações. O FDA pode ordenar
preocupações serias de segurança ou perda da que o laboratório conduzisse os ensaios clínicos
eficácia forem identificadas, eles não são de fase 4 depois da aprovação do fármaco. A FDA
aprovados. Todo esse processo de aprovação do exige que os laboratórios dos fármacos aprovados
fármaco pode durar de 10 a 15 anos e os custos enviem relatórios anuais sobre o curso dos
variam de US$200 milhões a US$1,3 bilhão por compromissos dos seus estudos de pós-
fármaco aprovado. comercialização
Sistema de relato de eventos adversos Desenvolvimento da farmacoepidemiologia
Por não ser possível aprender tudo sobre o Existem evidências de que o custo dos fármacos
fármaco com os ensaios, a FDA, os laboratórios e está crescendo. Os fármacos são usados para
outras organizações de saúde desenvolveram tratar doenças crônicas, e terapias
processos e sistemas para conduzir a vigilância medicamentosas mais novas e avançadas são
pós-comercialização. Desenvolveram um sistema aprovadas a cada ano. Eles estão interessados
de descrição de eventos adversos para coletar em saber quais produtos apresentam uma boa
relatos espontâneos sobre problemas com os proporção custo-eficácia.
fármacos. A farmacoepidemiologia oferece uma forma de
A FDA estabeleceu o programa de informação responder varias questões sobre o uso do fármaco
e notificação de evento adverso (medwalch) e pode sugerir o desenvolvimento de intervenções
para permitir que os profissionais de saúde e o ou politicas.
público relatem de forma voluntária reações sérias Pela necessidade de estudar o uso do fármaco no
e problemas com os fármacos. mundo real, observa-se o crescimento do uso de
Usando os relatos do Medwalch para identificar e desenhos de estudos observacionais e outros
avaliar o risco com um determinado produto, desenhos de pesquisas farmacoepidemiologicas
desenvolver intervenções com objetivos de para responder a questões sobre o uso do
restringir o risco (fazer alterações no rótulo do fármaco.
produto) e comunicar o risco aos profissionais de Existe a necessidade de vigilancia contínua do
saúde e ao público. uso dos fármacos, além de formas para avaliar
Os laboratórios disponibilizam números de como as características do paciente influenciam o
chamadas gratuitas e websites para os uso do fármaco e o desfecho clínicos, tanto os
profissionais de saúde e os pacientes relatarem desfechos esperados como os inesperados. Essa
problemas com fármacos. Por sua vez, eles necessidade de estudar o uso do fármaco em
transmitem esse problema para a FDA. grandes populações pode ser satisfeita por meio
No Brasil, o instituto Butantã, recebe relatos do uso dos desenhos de pesquisa epidemiológica.
espontâneos de efeitos adversos por meio do SAC A pesquisa farmacoepidemiologica é uma forma
0800-7012859 ou pelo email: para aprender sobre o uso dos fármacos e a
sac@butantan.gov.br e segurança, sem precisarem investir em ensaios
farmacovigilancia@butantan.gov.br. clínicos grandes.
Muitos hospitais usam processos de coleta da O estudo de farmacoepidemiologia costuma ser
história do uso de fármacos dos pacientes menos dispendioso e pode fornecer algumas
internados e tentam identificar as relações entre a evidencias em relação ao uso e à segurança dos
exposição ao fármaco e o motivo da fármacos nas populações.
hospitalização. Todos esses mecanismos de
relatos espontâneos de eventos ajudam na
farmacovigilância. Ela relaciona-se à
identificação, avaliação e prevenção de efeitos
adversos dos fármacos. Os eventos adversos
relatados são usados como alertas de segurança.
Que se refere a um dado relato ou a uma
informação que sugere uma associação potencial
entre um fármaco e um evento adverso.
A partir desse ponto, a FDA poderá usar os
resultados dessas investigações para requerer
alterações na bula, emitir cartas à classe médica
do tipo ``Caro Doutor´´, publicar artigos em
jornais ou, até mesmo, retirar o produto do
mercado.
EPIDEMIOLOGIA Ex.: 1: A disciplina que corresponde ao estudo da
O termo epidemiologia do grego Epi=sobre, frequência, da distribuição e dos determinantes
demos=povo e logos=estudo. Ela propõe estudar dos estados ou eventos relacionados á saúde em
quantitativamente a distribuição dos fenômenos de populações especificas e a aplicação desses
saúde/doença, e seus fatores condicionantes e estudos no controle dos problemas de saúde é:
determinantes, nas populações humanas. a. Toxicologia;
Como ciência, fundamenta-se no raciocínio b. Biologia;
causal, como disciplina preocupa-se em c. Correta: Epidemiologia;
desenvolver estratégias para ações voltadas para d. Antropologia;
a proteção e promoção da saúde da comunidade. e. Bioestatística.
Ela também é um instrumento para o Resp.:
desenvolvimento de políticas no setor da saúde. O  Alternativa (c) correta: Estuda a frequência, a
objetivo principal da epidemiologia é melhorar a distribuição e os determinantes dos estados ou
saúde das populações. Os três principais objetivos eventos relacionados á saúde em populações
epidemiológicos: especificas e a aplicação desses estudos no
1. Descrever a distribuição e a magnitude dos controle dos problemas de saúde.
problemas de saúde das populações
humanas; Ex.: 2: A população que esperamos atingir com as
2. Proporcionar dados essenciais para o ações de saúde é chamada:
planejamento, execução e avaliação das a. Correta: População alvo;
ações de prevenção, para estabelecer b. População espontânea;
prioridades; c. População ativa;
3. Identificar fatores etiológicos na gênese da d. População passiva.
enfermidade. Resp.: Alternativa (a) correta: A população alvo
A área de atuação da epidemiologia é sempre é o objetivo da ação dos serviços de saúde e
uma população humana, que pode ser definida em práticas educativas. Representam o conjunto de
termos geográficos ou outro qualquer. Em geral, a pessoas para os quais os recursos técnicos são
população usada num estudo epidemiológico é elaborados e o grupo de indivíduos que se espera
aquela localizada numa determinada área ou país ser sensibilizado por tais ações.
num certo momento do tempo. Isso forma a base
para definir subgrupos de acordo com o sexo, Ex.: 3: Dentre os diferentes usos da
grupo etário, etnia e outros aspectos. epidemiologia, propostas por Morris, incluem-se:
Considerando que as estruturas populacionais 1. Diagnósticos a situação da saúde de uma
variam conforme a área geográfica e o tempo, isso comunidade;
deve ser levado em conta nas análises 2. Identificar possíveis associações causais de
epidemiológicas. Algumas definições: doenças;
 Estudo: Inclui vigilância, obstrução, teste de 3. Estimar os r individuais e as probabilidades
hipótese, e pesquisas analíticas e de adoecer;
experimentais; 4. Avaliar os serviços de saúde.
 Distribuição: Refere-se à análise quanto ao Desses usos, estão mais vinculados ao
tempo, pessoas, lugares e grupos de planejamento em saúde.
indivíduos afetados; a. Todos
 Determinantes: Inclui fatores que afetam o b. Correta: Somente 1, 3 e 4;
estado de saúde, dentre os quais, fatores c. Somente 1, 2 e 4;
biológicos, químicos, físicos, sociais, culturais, d. Somente 1 e 4;
econômicos, genéticos e comportamentais; e. Somente 3 e 4.
 Estados ou eventos relacionados à saúde:
Referem-se à doença, causas de óbitos, Ex.: 4: A epidemiologia é uma prática da saúde
hábitos comportamentais (tabagismo), aspecto pública com aplicadores diferenciados, tais como
positivo em saúde (bem-estar, felicidade, etc.), exceto:
reações a medidas preventivas, uso e oferta a. Avaliar o quanto os serviços de saúde
de serviços de saúde entre outros; respondem aos problemas e necessidades das
 População: Inclui indivíduos com populações;
características especificas, como exemplo, b. Testar a efetividade e o impacto de estratégia
crianças menores de cinco anos; de intervenção que controlam, previnem e
 Aplicação na prevenção e controle: O tratam os agravos de saúde na comunidade;
objetivo da saúde pública é promover, proteger c. Prever tendências;
e restaurar a saúde. d. Incorreta: Identificar apenas fatores de risco
de forma isolada;
e. Descrever o aspecto clinico da doença e sua
história natural.
Ex.: 6: A epidemiologia visa ao estudo da  Proporção: É obtida pela divisão de um
frequência e distribuição dos eventos relacionados número por outro. No entanto, na proporção,
à saúde a seus determinantes. A respeito desse diferente da razão, o numerador e o
assunto, analise as afirmações abaixo: denominador estão sempre associados. O
1. A epidemiologia permite realizar o diagnóstico numerador é sempre um subconjunto do
de saúde de uma população; denominador. Costuma expressar como
2. O objetivo principal dessa ciência é o estudo porcentagem variando de 0 a 100%. Por
das epidemias e sua propagação; exemplo, a proporção de pacientes com
3. Estudos epidemiológicos não permitem infarto agudo miocárdio (IAM) sem contra
conhecer a história natural de uma doença. indicações para β-bloqueadores, que recebem
Após análise das afirmações acima podemos prescrição para usar na alta hospitalar, é
concluir que: usada pelos center for medicare and
a. Todas estão corretas; medicaid services (CMS) como um indicador
b. Corretas: Apenas 1 está correta; de qualidade de pacientes hospitalizados.
c. Apenas 1 e 2 estão corretas; Neste exemplo, os pacientes com IAM sem
d. Apenas 2 e 3 estão corretas. contraindicações para β-bloqueadores, que
deixam o hospital com prescrição para tais
Na epidemiologia a presencia e ausência de fármacos, são um subconjunto de todos os
doença e outros desfechos dicotómicos costumam pacientes com IAM sem contraindicações para
ser medido usando taxas, razões e proporções. β-bloqueadores que recebem alta hospitalar. A
 Taxa: É a expressão da frequência em que um proporção de pacientes com IAM que recebem
evento ocorre na população em risco, durante alta hospitalar com um β-bloqueador e a
um período específico, como um dia, 6 meses proporção de pacientes com IAM que recebem
ou um ano. A taxa é a comparação de dois alta hospitalar sem β-bloqueador deverão
números e possui 4 componentes: somar até 100%, porque essas duas
1. Numerador: É a frequência do evento; proporções são coletivamente exaustivas.
2. Denominador: É a população de risco para o
evento; O termo distribuição está contido no termo
3. Período específico; população e o processo determinação está
4. Multiplicador. associado à delimitação da doença que, por sua
As taxas são usadas para comparação entre vez, abrange concepções derivadas da prática
subgrupos da população ao longo do tempo, por clínica e própria da epidemiologia. Entendem-se
exemplo, a taxa de mortalidade infantil mede a determinantes sociais de saúde como as
taxa anual de óbitos de crianças com menos de 1 condições de vida e trabalho dos indivíduos e de
ano de idade para 1000 nativivos num ano grupos populacionais, que estão relacionadas com
específico. A taxa de mortalidade infantil costuma a situação de saúde. Cabe à epidemiologia
ser usada como indicador do nível de saúde das descritiva a avaliação da frequência ou
comunidades. distribuição das enfermidades e á epidemiologia
 Razão: É o valor obtido pela divisão de um analítica o estudo dos fatores (causais) que
número por outro. Descreve a relação entre o explica tal distribuição, relacionando uma
numerador e o denominador, que são duas determinada situação de saúde, ou seja, as
quantidades separadas e não associadas. desigualdades dos níveis de saúde entre grupos
Uma característica importante da razão é que populacionais, com a eficácia das intervenções
o numerador e o denominador, não estão realizadas no âmbito de saúde política, ou mesmo
relacionados. O numerador não está incluído identificando suas causas no modo como tais
no denominador, e vice-versa, a razão pode iniquidades são produzidas, na forma como a
variar de zero até o infinito. sociedade se organiza e desenvolve.
Por exemplo, qual é a razão de mulheres para Os estudos descritivos se limitam ao registro
homens na população norte-americana? A razão é da frequência de eventos ou agravos patológicos
expressa por uma fração, cujo numerador é o observando sua variação no tempo e espaço.
numero de mulheres na população e o Os estudos analíticos têm como objetivo explicar
denominador é o número de homens. De acordo as características dessa frequência ou
com o censo de 2000, havia 143,4 milhões de associações entre estas e outros fatores
mulheres e 138,1 milhões de homens nos EUA. A observados, a exemplo dos estudos que buscam
razão de mulheres para homens era e 1,04 em estabelecer um nexo ou relação de causa efeito
2000. entre um determinado agente patogênico de
causa e um aspecto específico do meio ambiente,
considerando-se a tríade de fatores que intervém
e condicionam o aparecimento e desenvolvimento
de uma doença (agentes, hospedeiros e
ambiente).
 Casos autóctones: São autóctones, ou seja, c. Correta: O caso contraído pelo enfermo na
se reproduzem em seus próprios territórios. O zona de sua residência;
exemplo da gripe suína. d. Caso decorrente de uma transfusão de sangue
 Casos alóctones: Quem ou que veio de fora é ou outra forma de inoculação parenteral.
o caso confirmado que foi detectado em um
local diferente. Estudos ecológicos
Abordam áreas geográficas, analisando
Ex.: 1: Estudos analíticos são aqueles delineados comparativamente indicadores globais, quase
para examinar a existência de associação entre sempre por meio de correlação entre variáveis
uma exposição e uma doença ou condição ambientais (ou socioeconômicas) e indicadores de
relacionada à saúde. Entre os principais saúde. Em algumas situações, os dados não
delineamentos de estudos analíticos NÃO se estão disponíveis no nível do paciente, mas sim
inclui: no nível de grupo coletivo. Nos estudos
a. Ecológicos; ecológicos, a unidade de observação é um grupo
b. Transversal; de pessoas, e não indivíduos, como nos outros
c. Correta: Piramidal; tipos de estudos. Esses grupos podem ser turmas
d. Coorte prospecto; de alunos em escolas, fábricas, cidades, países
e. Casos-controle. etc. O princípio do estudo é o de que, nas
Resp.: populações onde a exposição é mais frequente, a
 Alternativa (a) incorreta: Estudos ecológicos incidência e mortalidade são as medidas mais
são também chamados de estudos usadas para quantificar a ocorrência de doenças
agregados e avaliam associação entre nesse estudo. Os estudos ecológicos são
exposição e doença numa população, não conhecidos como estudos de correlação são
considera as associações individuais e, neste frequente o uso de dados secundários para os
sentido, se difere dos estudos individuais; estudos ecológicos, pois seria muito dispendioso e
 Alternativa (b) incorreta: Estudos demorado realizar uma pesquisa para obterem-se
transversais ou seccionais são aqueles em dados primários em grandes grupos. O estudo
que as medições são feitas num único ecológico pode usar dados primários, quando, por
momento na linha do tempo (pontuais), não exemplo, o propósito do estudo é averiguar
existindo período de segmento dos difusão de doença infecciosa.
indivíduos. Neste contexto se difere dos
 Por exemplo, é bastante difícil (logisticamente) para um
estudos longitudinais como os estudos de pesquisador obter dados do paciente de uma cadeia
coorte; local de farmácia de uma comunidade ou de um grupo
 Alternativa (c) correta: Não existe um tipo de planos de saúde. Por outro lado, é mais fácil
de estudo chamado piramidal; conseguir o número de prescrições dispensadas ou o
numero de solicitações aprovadas para um determinado
 Alternativa (d) incorreta: Forma de pesquisa medicamento.
observacional, longitudinal e analítica que
objetiva estabelecer um nexo causal entre os O uso desses dados do nível coletivo resulta em
eventos a que o grupo foi exposto e o estudos ecológicos. Algumas informações de
desfecho da saúde final dessas pessoas. A grupo que costumam ser usados na
coorte pode ser prospectiva, retrospectiva ou farmacoepidemilogia envolvem o uso do
ambiespectiva; medicamento em âmbito nacional ou estadual.
 Alternativa (e) incorreta: Estudo Embora os estudos ecológicos possam ser úteis, é
observacional, longitudinal, retrospectiva, importante conhecer suas limitações. Suas
analítica em que um grupo de caso desvantagens e a possibilidade de o confudimento
(indivíduos com a doença) é comparado ser uma fonte de importância significativa de viés,
quanto à exposição a um ou mais fatores, a uma vez que a informação não é coletada no nível
grupo de indivíduos semelhantes, os do paciente.
controles (sem a doença).
Inquéritos tipo corte-transversal (seccionais)
Ex.: 2: Mesmo após a interrupção da transmissão É um tipo de estudo que examina as pessoas
autóctone do vírus sarampo, é importante a num determinado momento, em geral, o presente.
manutenção do sistema de vigilância Fornecendo dados de prevalência; aplica-se,
epidemiológica de doença. Assim, um caso particularmente, a doenças comuns e de duração
autóctone é definido como sento: relativamente longa. Envolve um grupo de
a. O caso que, segundo informações disponíveis pessoas expostas a determinados fatores de
não se apresenta epidemiologicamente riscos, sendo que algumas dessas apresentarão
relacionado a outros já conhecidos; desfecho a ser estudados e outras não. A ideia
b. O primeiro entre vários casos, de natureza central do estudo transversal é que a prevalência
similar e epidemiológica relacionado; da doença deverá ser maior entre os expostos do
que entre os não-expostos, se for verdade que
aquele fator de risco causa a doença. As
vantagens dos estudos transversais são a
rapidez, o baixo custo, a identificação de casos e
a detecção de grupos de risco, entretanto algumas
desvantagens existem, como, por exemplo, a da
causalidade reversa, exposição e desfecho são
coletados simultaneamente e frequentemente não
A razão de prevalência entre fumantes e não
se sabe qual deles precedeu o outro. Nesse tipo
fumantes é de:
de estudo, episódio de doença com longa duração 26,9%
estão sob representados e doenças com duração = 2,7%
9,9%
curta estão sob representadas (o chamado viés
de sobrevivência). Outras desvantagens é que Ou seja, os fumantes têm 2,7 vezes mais
se a prevalência da doença a ser avaliada for bronquite crônica dos que os não-fumantes.
muito baixa, o número de pessoas a ser estudada
precisará ser grande. A medida de ocorrência dos Ex.: 1: Considerando os métodos aplicáveis à
estudos transversais é a medida da prevalência, vigilância epidemiológica, preconizados pelo MS,
expressa da seguinte forma: quanto à avaliação de todos os pacientes
internados no hospital ou numa unidade num
determinado período ou tempo (dia, semana, mês,
trimestre) trata-se do método:
a. Prospectivo;
b. Correta: Transversal;
nº casos a+c
Prevalência = = c. Retrospectiva;
total N
d. Horizontal;
A pesquisa de bronquite crônica, na cidade de e. Global.
Pelotas, no ano de 2000 revelou o seguinte Resp.: Devemos ler a portaria 2616/98, que em
(dados não publicados): seu anexo 3 traz os métodos aplicáveis à
vigilância epidemiológica;
 São indicados os métodos prospectivos,
retrospectivos e transversais, visando determinar
taxas de incidência ou prevalência.
 Alternativa (a) incorreta: O método
prospectivo envolve os seguintes aspectos:
 Monitorar a ocorrência de infecção enquanto
308 o paciente está internado;
Prevalência = 1985 = 15,5%  Avaliar o grau de risco no momento de sua
admissão;
Para obtermos uma melhor estimativa da medida  Visitar periodicamente o paciente;
de prevalência, usamos a medida de intervalo de  Visões globais das afecções que afetam os
confiança de 95% (IC-95%). Ao estudar-se uma indivíduos.
amostra da população, e, não todos os habitantes,  Alternativa (b) correta: O método transversal
a medida da prevalência pode ter uma variação. é o método usado para estudos de
No exemplo da bronquite crônica, essa prevalência, ou seja, o método usado para se
prevalência pode variar de 13,9% a 17,1% dentro fazer avaliação em certo período de tempo ou
de uma margem de 95% de certeza. um ``recorte no tempo´´, como dia, semana,
mês ou trimestre. Envolve a observação e
IC 95% = P ± 1,96 √(𝑃1 − 9)/𝑁 avaliação de todos os pacientes no período de
tempo analisado. O método transversal possui
as seguintes características:
A medida de efeito comumente usada em  Reduz o tempo necessário á vigilância;
estudos transversais é a razão de prevalência, ou  Baixa eficácia;
seja, a expressão numérica da comparação do  Não fornece índices endêmicos;
risco de adoecer entre um grupo exposto a um  Dificuldade para identificar surtos;
determinado fator de risco e um grupo não-  Dificuldade para interpretação dos estados
exposto. (poucos casos).
 Alternativa (c) incorreta: O método
Prevalência nos expostos retrospectivo, como o nome já sugere, analisa
RP* =
Prevalência nos não expostos a história passada dos doentes. Um aspecto
marcante neste tipo de método é a analise de
Seguindo o mesmo exemplo da bronquite prontuário de pacientes pós-alta hospitalar.
crônica: Possui as seguintes desvantagens:
 Dependência da qualidade das informações  Controles comunitários ou populacionais:
escritas pelos profissionais nos prontuários as pessoas são selecionadas da mesma
ou fonte de dados; comunidade de onde se originaram os casos,
 Identificação dos pacientes; de forma aleatória.
 Demanda muito tempo para a revisão dos Os estudos de caso-controle têm como
prontuários; vantagens o fato de que são estatisticamente
 Não detecta o aparecimento de surtos. eficientes, permite testar hipótese, pode ser
 Alternativa (d) incorreta: Não constitui um rápidos e baratos, estudarem doenças raras e
dos métodos de vigilâncias epidemiológicas. comuns e, se forem de base populacional,
 Alternativa (e) incorreta: A vigilância global é permitirem descrever a incidência e características
um tipo de vigilância epidemiológica e não um da doença.
método de investigação consiste na avaliação A logica do estudo de caso-controle estabelece
sistemática de todos os pacientes internados que se o fator de risco causa a doença em estudo,
em todas as clínicas do hospital. o ODDS de exposição entre os casos será maior
do que entre os controles. ODDS e uma palavra
Estudo de caso controle inglesa que se refere q um quociente.
É um estudo retrospectivo onde se procura
verificar a frequência de um determinado agravo Estudo de coorte
na presença ou ausência de um determinado fator O termo coorte tem origem no império romano e
condicional/determinante (exposição) distinguindo- designava unidade do exercito que possuíam
se do estudo de coorte pelo fato de que as equipamentos e uniformes homogêneo. O estudo
pessoas foram escolhidas por estar doentes. Ou de Coorte é um tipo de estudo em que um grupo
seja, no estudo de caso controle o pesquisador de pessoas com alguma coisa em comum
investiga a exposição a determinados fatores no (nascimento, exposição a um agente,
passado por pessoas que possuem determinada trabalhadores de uma indústria etc.). É
doença e pessoas saudáveis. acompanhado ao longo de um período de tempo
O estudo de casos controles parte do desfecho para observar-se a ocorrência de um desfecho.
(do efeito ou da doença) para chegar à exposição.
O grupo, tanto de casos quando de controles, não  Por exemplo, uma coorte de nascimento pode ser um
grupo de pessoas que nasceram no mesmo ano, e, a
pode ser subgrupos de pessoas, desde que partir daí são acompanhadas por um período para
atendam aos critérios de elegibilidade previamente avaliar-se um desfecho como a mortalidade infantil, as
estabelecidos pelo pesquisador. hospitalizações no primeiro ano de vida, a duração da
amamentação ou outro desfecho qualquer.
 Por exemplo, o proposito do investigador pode ser o
estudo de pacientes com asma grave que requeiram Sendo a dimensão tempo a base do estudo de
hospitalização. A população de origem dos casos, coorte, torna-se possível determinar a incidência
portanto, é a população de asmáticos, e desta mesma
população devem originar-se os controles. Os controles de doenças. O principio lógico do estudo de
devem representar a população de onde se originara os coorte é a identificação de pessoas sadias, a
casos, e não a população geral. classificação das mesmas em expostas e não
expostas ao fator de risco e o acompanhamento
 Definição de casos: Necessita de critérios destes dois grupos por um período de tempo
objetivos, se o projeto pretende estudar câncer suficiente longo para que haja o aparecimento da
de pulmão, é preciso que os casos sejam doença. A analise do estudo será a comparação
confirmados através de laudos da incidência da doença em estudo entre os
anatomopatológicos, e não casos possíveis ou indivíduos expostos e entre os não-expostos. Esse
prováveis. O outro cuidado nesse tipo de tipo de coorte é o coorte prospectiva.
estudo, refere-se à duração da doença; se os A coorte histórica ou retrospectiva é quando a
casos estudados forem casos prevalentes na exposição é medida através de informações
amostra com casos incidentes, não ocorre esse colhidas do passado e o desfecho é medido
problema. daquele momento em diante.
 Uma alternativa se quiser incluir casos O estudo de coorte é excelente para avaliar
prevalentes, é estipular que somente poderão várias exposições e doenças ao mesmo tempo;
entrar no estudo casos que tenham sido estão indicados para doenças frequentes e
diagnosticados há, no máximo, por exemplo, doença que levam à seleção dos mais saudáveis
seis meses, e não casos diagnosticados há por outro lado, sendo estudos caros e demorados,
muito tempo. as perdas de acompanhamento podem distorcer o
 Fontes dos controles podem ser: estudo, não servem para doenças raras e as
 Controles hospitalares (ou de serviços associações podem ser afetadas por variáveis de
saúde): Pessoas hospitalizadas nos mesmos confusão.
hospitais dos casos, mas com outros
casos novos
diagnósticos; IC* =
poulação inicial
casos novos
DI* =
pessoas (ano em risco)

A medida de efeito no estudo de coorte é a razão


de taxa de incidência, comumente referida como
risco relativo (RR). O RR pode ser interpretado
como ``quantas vezes maior´´ é o risco entre os
expostos é 50% maior [(RR-1)x100%] do que
entre os não-expostos quando se estudam fatores
de proteção, o RR será menor que um. Marque a sequência CORRETA:
a. 4-1-3-4-3-1;
 Por exemplo, o estudo das hospitalizações por b. Correta: 2-1-1-3-4-2;
pneumonia até um ano de idade nas crianças da coorte
de 1993, em Pelotas, mostrou um risco de 0,20 para as
c. 2-4-1-3-2-3;
crianças de classe social mais alta, e relação ás d. 1-3-4-1-1-2.
crianças de classes baixas, o que significa que houve Resp.:
uma redução da incidência de 80% nas hospitalizações  Alternativa 1: Os estudos de Caso-controle
por pneumonia nessas crianças [(1-RR)x100%].
são úteis para avaliação de risco de doenças
Ex.: 1: Com o objetivo de saber se o uso de raras porque já partem do desfecho. O
computador no trabalho acarreta maior incidência pesquisador identifica os casos e controles e
do uso do óculos, o médico do trabalho fez um com o estado é avaliado se uma exposição
projeto de pesquisa em que seriam está associada a esse desfecho. No caso de
acompanhados dois grupos de indivíduos por dez doenças raras, essa modulagem é a ideal, pois
anos. O estudo era composto por indivíduos que já se tem os desfechos (portadores de doença
não usavam óculos no inicio do estudo sendo um rara).
grupo composto por odontologistas que não  Alternativa 2: A incidência É a fração de um
usavam computador na sua atividade de trabalho grupo de pessoas que inicialmente não
este tipo de estudo é chamado: possuía a doença e que desenvolve num
a. Correta: Coorte; determinado período de tempo. Refere-se
b. Caso-controle; então a novos casos de uma doença que
c. Transversal; aparecem numa população os estudos de
d. Ensaio clinico; coorte, como são estudos longitudinais, de
e. Ensaio comunitário. acompanhamento;
Resp.:  Alternativa 3: Os estudos de coorte como
 Alternativa (a) correta: Parte da exposição são estudos longitudinais e avaliam as
ao fator de risco até o desenvolvimento da associação em risco de forma simultânea de
doença; varias exposições;
 Alternativa (b) incorreta: analisa dois  Alternativa 4: Estudos investigativos
grupos (doentes e não doentes)e busca clínicos epidemiológicos ou experimentais
identificar as causas do aparecimento da (ensaios clínicos) objetivam descrever
doença; fenômenos ou comparar o comportamento de
 Alternativa (c) incorreta: Estudo seccional variáveis em subgrupos de uma população.
analisa apenas um ponto na linha do tempo. Para tanto, não se realiza o estudo de todo o
Não faz acompanhamento de indivíduos; universo populacional, usualmente porque não
é necessário quando se dispõe de uma
 Alternativa (d) incorreta: Estudo de
amostra representativa para a realização de
intervenção muito usado para o estudo de
inferências à população alvo;
novas drogas;
 Alternativa 5: O estudo transversal pode ser
 Alternativa (e) incorreta: Estudo de
usado como um estudo analítico, ou seja, para
intervenção em grupos.
avaliar hipóteses de associações entre
Ex.: 3: Sobre as característica dos estudos
exposição ou característica e eventos;
epidemiológicos, numere a coluna da direita de
acordo com os tipos de delineamento  Alternativa 6: O viés de memória é
apresentados na coluna da esquerda. característica dos estudos retrospectivos, pois
a informação depende da memoria.

Ex.: 4: Dentre os diferentes usos da


epidemiologia, propostas por Morris, incluem-se:
5. Diagnósticos a situação da saúde de uma
comunidade;
6. Identificar possíveis associações causais de (temporalmente ilimitado), e que mantém uma
doenças; incidência relativamente constante, permitindo
7. Estimar os r individuais e as probabilidades variações cíclicas e sazonais. A endemias é
de adoecer; classificada como endêmica (típica) de uma
8. Avaliar os serviços de saúde. região quando acontece com muita frequência
Desses usos, estão mais vinculados ao no local.
planejamento em saúde.
f. Todos Ex.: 1: Pelo termo ``endemia´´ deve-se entender
g. Correta: Somente 1, 3 e 4; que se trata de doença:
h. Somente 1, 2 e 4; a. Rara;
i. Somente 1 e 4; b. Que ocorre de forma muito além do estipulado
j. Somente 3 e 4. para uma região;
c. Que ocorre dentro de limites estabelecidos
Ex.: 5: A epidemiologia é uma prática da saúde pelos serviços de vigilância em saúde;
pública com aplicadores diferenciados, tais como d. Que ultrapassa a média e dois desvios-padrão
exceto: de limite de segurança para uma área.
f. Avaliar o quanto os serviços de saúde Resp.:
respondem aos problemas e necessidades das  Alternativa (a) incorreta: A endemia não se
populações; refere à raridade de uma doença, antes,
g. Testar a efetividade e o impacto de estratégia refere-se a frequência da doença em
de intervenção que controlam, previnem e determinada região;
tratam os agravos de saúde na comunidade;  Alternativa (b) incorreta: essa
h. Prever tendências; características refere-se à epidemia;
i. Incorreta: Identificar apenas fatores de risco  Alternativa (c) correta: essa características
de forma isolada; refere-se endemia;
j. Descrever o aspecto clinico da doença e sua  Alternativa (d) incorreta: não se refere à
história natural. endemia.

Ex.: 6: A epidemiologia visa ao estudo da 2. Epidemia: É a ocorrência numa comunidade


frequência e distribuição dos eventos relacionados ou região de casos de natureza parecida,
à saúde a seus determinantes. A respeito desse claramente excessiva em reação ao esperado.
assunto, analise as afirmações abaixo: O conceito usado na epidemiologia é uma
4. A epidemiologia permite realizar o alteração espacial e cronologicamente
diagnóstico de saúde de uma população; delimitada, do estado de saúde-doença de
5. O objetivo principal dessa ciência é o estudo uma população, caracterizada por uma
das epidemias e sua propagação; elevação inesperada e descontrolada dos
6. Estudos epidemiológicos não permitem coeficientes de incidência de determinada
conhecer a história natural de uma doença. doença, ultrapassando valores do limiar
Após análise das afirmações acima podemos epidêmico pré-estabelecido para aquela
concluir que: circunstância e doença.
e. Todas estão corretas;
f. Corretas: Apenas 1 está correta; Ex.: 1: A imprensa de uma região noticiou que
g. Apenas 1 e 2 estão corretas; houve o aumento do registro de casos de dengue,
h. Apenas 2 e 3 estão corretas. em números que ultrapassou a incidência normal
prevista. Essa situação epidemiológica e
chamada:
a. Pandemia;
b. Correta: Epidemia;
c. Infestação;
d. Latência;
e. Virulência.

Resp.:
PROCESSO EPIDÊMICO  Alternativa (a) incorreta: A pandemia é uma
1. Endemia: É a ocorrência de determinada espécie de epidemia. A incidência normal de
doença que acomete sistematicamente certa doença numa determinada área
populações em espaços característicos, e geográfica e num determinado período
determinados no decorrer de um longo período
(endemia) é ultrapassada, porém esse  Alternativa (d) incorreta: Também conhecido
argumento se expande para uma grande área coo epidemia de contato ocorre um aumento
geográfica como um continente ou mesmo progressivo de casos, mas a fonte de infecção
todo o planeta. não é a única, sendo representada por
 Alternativa (b) correta: A epidemia é a exposições sucessivas e em cadeia.
concentração de determinados casos de uma
doença num local e época, claramente em 4. Pandemia: Caracterizado por uma epidemia
excesso e relação ao que seria teoricamente com larga distribuição. Se o gráfico atingir
esperado; mais de um continente. Um exemplo é a
 Alternativa (c) incorreta: O termo infestação epidemia da AIDS que atinge todos os
se originou do latim (infestatio) e se refere à continentes do planeta.
localização de parasitas em alguma superfície
externa por exemplo, carrapatos e piolhos; Ex.: 1: Associe os termos de
 Alternativa (d) incorreta: Latência se refere mortalidade/morbidade à sua definição na
a um período de tempo entre o inicio de um alternativa CORRETA:
determinado evento e o momento em que seus 1. É a ocorrência de certo número de casos
efeitos tornam-se perceptíveis; controlado em determinada região;
 Alternativa (e) incorreta: A virulência se 2. É o aumento do número de casos de
refere à capacidade infecciosa de um determinada doença muito acima do
microrganismo, medida pela mortalidade que esperado e não delimitado a uma região;
ele produz ou poder de invadir tecidos do 3. Compreende um número de casos de doença
hospedeiro. acima do esperado, sem respeitar limites
entre paises ou continente. Os exemplos
3. Surto epidêmico: É a ocorrência de dois ou mais atuais são a AIDS e a tuberculose.
mais casos epidemiológicos relacionados, a. 1-epidemia; 2-endemia; 3-pandemia;
alguns autores chamam de surto epidêmico, ou b. Correta: 1-endemia; 2-eppidemia; 3-
surto, a ocorrência de uma doença ou fenômeno pandemia;
restrita a um espaço extremamente delimitado: c. 1-pandemia; 2-epidemia; 3-endemia;
colégio. Quartel, creches, grupos reunidos numa d. 1-pandemia; 2-endemia; 3-epidemia.
festa, um quarteirão etc. Resp.:
 1-Endemia, 2-Epidemia; 3-Pandemia.
Ex.: 1: É um tipo de dinâmica de disseminação de A partir da identificação dos conceitos, segundo a
doença, a qual atinge uma pequena área ordem do enunciado.
geográfica delimitada ou população
institucionalizada (creches, escolas etc.). essa
dinâmica é caracterizada como:
a. Correta: Surto;
b. Uma endemia;
c. Uma endemia progressiva;
d. Uma epidemia progressiva;
Resp.:
 Alternativa (a) correta: Ocorre quando há o
aumento repentino do número de casos de
uma doença numa região especifica passa a
ser considerado surto, o aumento de casos
deve ser maior o que o esperado pela
autoridades;
 Alternativa (b) incorreta: A endemia não
está relacionada a uma questão quantitativa
uma doença é classificada como endêmica
(típica) de uma região quando acontece com
muita frequência no local. As doenças
endêmicas podem ser sazonais;

 Alternativa (c) incorreta: Representa o


aumento de prevalência da doença, ou seja,
aumento do número de casos esperados ara a
dada doença numa determinada região em
cero período de tempo;
INDICADORES DE SAÚDE 2. Intervalo de tempo: Precisamos especificar o
Para quantificarmos a saúde, fazemos tempo a que se referem os coeficientes
comparações na população, usando os estudados. Nas estatísticas vitais, esse tempo
indicadores de saúde. Eles devem refletir é geralmente e um ano, para a vigilância
fielmente, o panorama da saúde populacional. epidemiológica (verificação contínua dos
Muito desses indicadores medem doenças, fatores que determina a ocorrência e a
mortes, gravidade de doenças, o que mostra ser distribuição da doença e condições de saúde),
mais fácil, às vezes, medir doença do que medir pode decidir-se por um período bem mais
saúde. curto, dependendo do objetivo do estudo.
Esses indicadores podem ser expressos em 3. Estabilidade dos coeficientes: Quando
termos de frequência absoluta ou como frequência calcularmos um coeficiente para tempos curtos
relativa, onde incluímos os coeficientes e índices. ou para as populações reduzidas, os
Os valores absolutos são os dados mais coeficientes podem tornar-se imprecisos e não
prontamente disponíveis e, frequentemente, ser tão fidedignos. Gutierrez, no capítulo da
usados na monitoração de ocorrência de doenças epidemiologia da tuberculose, exemplifica de
infeciosas especialmente em situações de que forma o coeficiente de incidência para
epidemia, quando as populações envolvidas estão tuberculose pode variar, conforme o tamanho
restritas ao mesmo tempo e a um determinado da população. Para contornar esse problema,
local, pode assumir-se que a estrutura podemos aumentar o período de observação.
populacional é estável e, assim, usar valores
absolutos. Entretanto, para comparar a frequência  Ex.: ao invés de observar o evento por um ano,
de uma doença entre diferentes grupos, deve-se observamos por 3 anos.
ter em conta o tamanho das populações a serem
 Aumentar o tamanho da amostra (observa
comparadas com sua estrutura de idade e sexo,
uma população maior) ou usar números
expressando os dados em forma de taxas ou
absolutos no lugar do coeficiente.
coeficientes.
4. População em risco: Refere ao denominador
 Coeficientes (taxas ou rates): São as da fração para o calculo do coeficiente. Nem
medidas básicas de ocorrência das doenças sempre é fácil saber o número exato desse
numa determinada população e período. Para denominador as vezes recorremos a
o calculo dos coeficientes ou taxas, estimativa no lugar de números exatos.
considerando que o número de casos está
relacionado ao tamanho da população que deu
Morbidade
origem. O numerador refere-se ao número de
É qualquer afastamento subjetivo ou objetivo, de
casos detectados que se quer estudar.
um estado de bem estar físico ou mental. Temos
 Ex.: mortes, doenças, fatores de risco etc. dois tipos de medidas de frequências da
ocorrência de doença na população: Prevalência
E o denominador, reflete o número de casos e incidência. A incidência mede a ocorrência de
acrescidos do número de pessoas que poderiam novos casos de uma doença ou início da doença,
tornar-se casos, naquele período de tempo. As a prevalência mede o número de casos de uma
vezes, dependendo do evento estudado, doença já manifestada na população.
precisamos excluir algumas pessoas do
denominador. Incidência
A incidência mede o numero de casos novos de
 Ex.: ao calcular o coeficiente de mortalidade por câncer uma doença, episodio ou eventos na população
de próstata, as mulheres devem ser excluída do dentro de um período definido de tempo (em geral,
denominador, pois não estão exposta o risco de adquirir
câncer de próstata.
um ano). No inicio, as pessoas do grupo em risco
não apresentam a doença.
1. Escolha de uma constante (denominador): Existem dois elementos críticos na definição da
serve para evitar que o resultado seja incidência:
expresso por um numero decimal de difícil 1. A incidência mede a ocorrência de novos
leitura (ex.: 0,0003), portanto fazemos a casos da doença, verificando a ocorrência da
multiplicação da fração por uma constante doença por pessoas que não apresentava a
(100, 1000, 10000 e 100000). A decisão sobre condição antes;
qual constante deve ser usado é arbitrária, 2. O denominador do cálculo da incidência
pois depende da grandeza dos números deverá incluir todas as pessoas do grupo em
decimais, entretanto, muitos dos indicadores, risco para desenvolver a doença de interesse,
essa constante já esta uniformizado. que costumam ser referidas como
``população em risco´´ ou ``população
 Ex.: para os coeficientes de mortalidade infantil usa-se candidata´´. Qualquer pessoa incluída no
sempre a constante 1000 nascidos vivos. denominador deve apresentar o potencial para
tornar-se membro do grupo no numerador.
 Por exemplo, suponha o cálculo de incidência de câncer
de próstata nos EUA, em 2009: divide-se o número de 𝑛º 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑠𝑜𝑠 𝑛𝑜𝑣𝑜𝑠 𝑛𝑜 𝑑𝑒𝑐𝑢𝑟𝑠𝑜
novos casos de câncer de próstata registrada durante 𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑐𝑖𝑓𝑖𝑐𝑜
TI* = 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠−𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑑𝑒 𝑜𝑏𝑠𝑒𝑟𝑣𝑎çã𝑜𝑛𝑎
2009 pelo numero total de homens na população dos
EUA neste ano, pois as mulheres não correm o risco de 𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑒𝑚 𝑟𝑖𝑠𝑐𝑜 𝑑𝑢𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑜 𝑚𝑒𝑠𝑚𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜.
desenvolver a doença.
O numerador para a TI* e o mesmo daquele para
É um bom indicador para avaliar se está a incidência cumulativa. A diferença ente as duas
diminuindo, aumentando ou permanecendo medidas reside no denominador. O denominador
estável, pois indica o número de pessoas da da TI* é a soma dos períodos com que cada
população que passou de um estado de não- pessoa na população em risco contribui para
doente para doente. Há dois tipos de incidências: desenvolver a doença. Por isso, a TI* mede o
1. Incidência cumulativa (IC*): Quando o numero de pessoas que se tornaram novos casos
denominador é formado por pessoas de da doença, durante o período especificado, como
populações candidatas observadas por todo o uma proporção do tempo total em que as pessoas
período. Mede a proporção da população em na população em risco foram observadas.
risco que desenvolveu a doença de interesse
num período especificado. Todas as pessoas Por exemplo, um estudo de 5 anos. O participante A entrou
no estudo no ano 0 e for acompanhado até o final do ano 3; o
no denominador devem ser observadas por participante B entrou no estudo no inicio do ano 1 e tornou-se
todo o período de acompanhamento. A um caso no final do ano 4; o participante C entrou no estudo
escolha desse período é arbitrária, geralmente no início do ano e desenvolveu a doença no final do mesmo
é usado o de um ano no relato de IC*. Essa ano; o participante D entrou no inicio e foi acompanhado por
incidência é uma medida de risco num grupo todo o período do estudo sem desenvolver a doença de
interesse; o participante E entrou no inicio do ano 1 e também
de pessoas. Às vezes é referida como foi observado até o final do estudo. Uma pessoa em risco
proporção de incidência. É calculado da monitorado por um ano é igual a uma pessoa/ano.
seguinte forma:
Nesse exemplo, os participantes A e B
𝑛º 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑠𝑜𝑠 𝑛𝑜𝑣𝑜𝑠 𝑛𝑜 𝑑𝑒𝑐𝑢𝑟𝑠𝑜
𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑐𝑖𝑓𝑖𝑐𝑜 contribuíram com 3 pessoas/ano, cada um; o
IC* = 𝑛º 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑠𝑜𝑎𝑠 𝑑𝑜 𝑔𝑟𝑢𝑝𝑜 𝑒𝑚 𝑟𝑖𝑠𝑐𝑜 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑑𝑒𝑠𝑒𝑛𝑣𝑜𝑙𝑣𝑒𝑟 participante C contribuiu com 1 pessoa/ano; os
𝑎 𝑑𝑜𝑒𝑛ç𝑎 𝑑𝑢𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑜 𝑚𝑒𝑠𝑚𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜. participantes D e E contribuíram com 5 e 4
pessoas/ano; respectivamente. Isso gera um total
Na equação precedente, o número de novos de 16 pessoas/ano. Observe que o número total
casos e o número de pessoas do grupo em risco de pessoas/ano do acompanhamento obtido pela
devem ser medidas para o mesmo período simples soma de todos os anos contribuídos por
definido. A IC* é usada em populações fixas cada participante. Nesse caso, também surgiram,
quando a imigração iguala-se a emigração e não dois novos casos durante a observação, a TI*
existe perda se seguimento. calculada é de 0,125 pessoa/ano, ou 12,5/100
pessoa/ano. Isso significa a expectativa, na média,
 Por exemplo, entre 80 pessoas obesas (IMC ≥ 30)
participando de um programa educacional de um ano, 60
de que cerca de 12,5% dos pacientes por ano
não apresentavam diabete melito tipo 2, no inicio do desenvolveriam a doença de interesse entre os
programa, em janeiro de 2009. Todas as pessoas foram pacientes.
acompanhadas por todo o ano de 2009. No final do
programa, dezembro de 2009, 6 dos 60 participantes Ex.:1: Numa determinada região foram notificada
foram diagnosticados com diabetes tipo 2. Isso resulta
numa TI* de 10%, cumulativa, de diabetes tipo 2 entre 150 casos de leishmaniose num ano. A população
os participantes, os quais não tinham a doença no inicio da área contava no mesmo período com 100.000
do programa, ou seja, de cem para mil participantes habitantes. Podemos afirmar que o coeficiente de
durante o período de um ano. incidência da doença foi:
a. 15/1000 habitantes;
2. Taxa de incidência (TI*): Nos estudos b. 1,5/1000 habitantes;
epidemiológicos, nem todos os indivíduos na c. Correta: 150/1000 habitantes;
população em risco são observados por todo o d. 25/1000 habitantes;
período devido a uma série de razões. Alguns e. 50/1000 habitantes.
entram no período de observação depois do
inicio, enquanto outros sofrem pera de
seguimento. Por esse motivo a duração do
acompanhamento não será a mesma. Quando
a população é dinâmica, a TI* será usada para
mediar a velocidade de ocorrência de novos
casos, considerando os vários momentos de
observação para diferentes indivíduos. A TI*
também é retida como densidade de
incidência. É calculada da seguinte forma:
Prevalência O numerador inclui os casos presentes no inicio
É o número de casos existentes (antigos ou do período, bem como os casos desenvolvidos
novos) na população (doente, saudável, de risco e durante esse mesmo período. Pode ser
não de risco). Ela foca o estado da doença de considerada uma série de instantâneos da
interesse e mede proporção da população que população durante um período especifico,
apresenta. Todos eles devem apresentar a sinalizado o quanto determinado doença está
doença de interesse no momento da avaliação presente numa população em certo período. A
são dois os tipos de medidas de prevalência de PP* pode ser calculado ara semanas, mês, ano,
ponto e prevalência de período. década ou qualquer outra unidade de tempo.
1. Prevalência de ponto (PP*): é o número de
pessoas que apresentam a doença de Ex.: 1: Marque a alternativa CORRETA que indica
interesse em instante específico, dividido pelo o significado e conceitos epidemiológico:
numero de pessoas na população nesse a. Incidência de casos notificados prováveis;
mesmo instante, por exemplo, em determinado b. Correta: Casos existentes das doenças na
dia. A prevalência de ponto é calculada da população;
seguinte forma: c. Relação entre o número de eventos reais e os
que poderiam acontecer;
𝑁º 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠 𝑞𝑢𝑒 𝑎𝑝𝑟𝑒𝑠𝑒𝑛𝑡𝑎𝑚 𝑎 𝑑𝑜𝑒𝑛ç𝑎 d. Comportamento das doenças ou dos agravos
𝑒𝑚 𝑖𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑐𝑖𝑓𝑖𝑐𝑜
PP* = 𝑁º 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠 𝑛𝑎 𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 à saúde nua população;
𝑛𝑒𝑠𝑠𝑒 𝑚𝑒𝑠𝑚𝑜 𝑖𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒. e. Número de casos novos de uma morbidade.
Resp.:
A PP* pode ser considerada como um simples  Alternativa (a) incorreta: Lembre-se que a
instantâneo da população, isto é, o calculo do PP* incidência se refere a casos novos de uma
está baseado no exame em instante especifico, determinada doença;
como uma data ou o dia de internação hospitalar.  Alternativa (b) correta: A prevalência
representa os casos existentes de
Por exemplo, suponha que o interesse seja saber a
prevalência de ponto da colonização nasal por
determinada doença;
Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM) em  Alternativa (c) incorreta: Representa o
todos os pacientes hospitalizados na UTI no estado. conceito de coeficiente/taxa. É a única medida
que informa o risco da ocorrência de um
Em primeiro lugar é necessário obter as culturas evento.
nasais para SARM de todos os pacientes na UTI,  Ex.: número de óbitos por dengue em Salvador, em
inclusive dos pacientes comprovados positivos relação às pessoas que residiam nessa cidade, em
cada ano.
para SARM num determinado dia, para determinar
o numero de pacientes com culturas positivas para  Alternativa (d) incorreta: Representa o
SARM naquele dia. Depois dividir esse número conceito de morbidade é uma variável
pelo número total de pacientes de UTI no estado características das comunidades de seres
no referido dia. A proporção resultante é a vivos e refere-se ao conjunto dos indivíduos
prevalência de ponto da presença nasal de SARM que adquiram doenças nu dado intervalo de
na UTI no estado, naquele determinado dia. A PP* tempo;
pode ser expressa como o percentual ou número  Alternativa (e) incorreta: Casos nos se
de casos por mil ou 100 mil pessoas na referem à incidência.
população, dependendo da frequência à doença
na população, dependendo da frequência da Ex.: 2: Sem levar em conta a idade das pessoas
doença de interesse. acometidas (ou em risco), seguem abaixo alguns
fatores que determinam redução da taxa de
2. Prevalência de período (PP**): o segundo prevalência EXCETO:
tipo de medida de prevalência é a PP**. a. Severidade da doença;
Refere-se ao número de pessoas de certa b. Imigração de pessoas sadias;
população que manifestem a doença durante c. Emigração de pessoas sadias;
determinado período, dividido pelo número de d. Aumento da taxa de cura da doença;
pessoas dessa população nesse mesmo e. Correta: Imigração de caso.
período. É calculada da seguinte forma: Resp.: Prevalência mede quantas pessoas estão
doentes num determinado período e em
𝑁º 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠 𝑞𝑢𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑖𝑓𝑒𝑠𝑡𝑒𝑚 𝑎 𝑑𝑜𝑒𝑛ç𝑎 determinado local.
𝑒𝑚 𝑑𝑒𝑡𝑒𝑟𝑚𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜
PP** = 𝑁º 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠 𝑛𝑎 𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 Casos novos+antigos em certo
𝑛𝑒𝑠𝑠𝑒 𝑚𝑒𝑠𝑚𝑜 𝑖𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒. período de tempo e local
Prevalência população geral
É calculado da mesma forma que a PP**, exceto
pelo fato de o numerador ser o número de
pessoas que apresentaram a doença em
determinado período.
 Alternativa (a) incorreta: doenças mais  Segundo as doenças com curta duração
severas provocaram mais óbitos, diminuindo a podem ter uma prevalência baixa, mesmo que
prevalência; a TI* seja alta, a duração da doença é longa e
 Alternativa (b) incorreta: imigração significa a prevalência é alta.
entrada de pessoas no local. No entanto, se
as pessoas estão sadias (sem a doença) irá  Por exemplo, a TI* da roséola infantil, uma doença viral
que costuma afetar crianças jovens, entre seis meses e
diminuir a prevalência, á medida que aumenta dois anos de idade, é alta. No entanto sua prevalência
o denominador (total da população); pode ser baixa porque, depois de um breve período a
 Alternativa (c) incorreta: emigração significa maioria das crianças recupera-se da infecção e saí do
saída de pessoas do local, saindo casos da estado de doença.
doença, a taxa de prevalência diminui;
 Alternativa (d) incorreta: aumentando a taxa  Terceiro, a prevalência também pode ser baixa
de cura da doença a prevalência irá diminuir; para uma doença séria que leva rapidamente
 Alternativa (e) correta: A entrada de pessoas ao óbito, porque a duração é curta.
com a doença na localidade irá provocar
 Por exemplo, a prevalência de parede cardíaca súbita é
aumento da taxa de prevalência. baixa, mesmo sua incidência sendo alta, porque
costuma levar ao óbito se não tratada em minutos.
Ex: 3: A proporção de uma determinada doença
numa população refere-se à(ao): Nesse caso, a prevalência baixa significa que em
a. Correta: Prevalência; momento especifico haverá uma pequena
b. Incidência; proporção de pessoas sofrendo de uma parada
c. Risco relativo; cardíaca subida. Por fim, algumas doenças são de
d. Periodicidades; longa duração, assim, mesmo a TI* sendo baixa a
e. Valor preditivo positivo. prevalência será alta. O mal de Alzheimer e o de
Parkinson são exemplos.
Relação entre incidência e prevalência Um indivíduo que adoece adiciona uma pessoa
A IC*, a TI* a PP* e a PP** apresentam diferença na incidência da doença. Ele também adiciona
significativas: uma pessoa na prevalência da doença para a
 A primeira é que essas medidas refletem a duração da sua doença, até recuperar-se ou
doença. A IC* e TI* medem a ocorrência de morrer. Se a prevalência de uma doença é baixa
uma nova doença, ou uma alteração do estado uma população relativamente estável, a relação
saudável para doente, e a prevalência reflete entre a prevalência e a TI* pode ser expressa
casos existentes, ou o ônus da doença na como:
população. Pr* = TI* x Du*
 A segunda, as medidas diferem no que é A duração média da doença significa que numa
exatamente medido. A IC* mede a população relativamente estável, ou seja, em que
probabilidade de uma pessoa fica doente num o número de pessoas ingressadas e o de
período específico, a TI* mede a velocidade da existentes são iguais durante um momento
ocorrência de novos casos, e as duas medidas especifico, a prevalência de uma doença iguala-se
de prevalência determinam a proporção da ao produto da taxa de incidência pela duração
população com a doença de interesse em média da doença.
instante especifico ou durante determinado
período. Por fim, essas medidas possuem  Por exemplo, se a TI* de uma doença é 2% a incidência
unidades diferentes. A TI* tem unidades de tem sido relativamente estável ao longo dos anos, e se
a duração aproximada da doença é de 15 anos, a
novos casos por unidade de pessoal/tempo, a prevalência da doença seria aproximadamente 30%.
IC* e as medidas de prevalência não tem
unidade. Por exemplo, um estudo de coorte:
A incidência e a prevalência podem estar
relacionadas pelo fato de que a incidência afeta a  O uso de um novo fármaco, o fármaco A, foi estudado
prevalência. Quanto maior a incidência, mais para prevenção de alergias sazonais em pacientes que
pessoas manifestarão a doença de interesse. A já haviam apresentado esse tipo de alergia no passado.
prevalência também é influenciada pelas Todos os 50 pacientes que receberam o fármaco A
desenvolveram alergias sazonal durante o período de
seguintes situações: acompanhamento. Eles foram observados por um total
 Primeira, quanto maior a duração da doença, de 700 pessoa/dia antes da manifestação dos primeiros
maior a prevalência. sintomas alérgicos. No fim do estudo, cerca de 20% dos
pacientes relataram manifestações se sintomas
 Por exemplo, na hipertensão essencial, a TI* é alta, a alérgicos. Sendo assim, a IC* do desenvolvimento de
duração da doença é longa e a prevalência é alta. alergia sazonal foi de 50/50=1 nesse grupo de
pacientes, a TI* foi de 50/700, o que significa 0,71
casos por pessoa/dia e 7,1 casos por 100 pessoas/dia,
e a prevalência foi de 20%.
Observe os dados do grupo não tratado: Ex.: 4: A epidemiologia tem contribuído de forma
consistente para a obtenção de respostas as
 Todos os 50 pacientes desenvolveram alergias sazonais, perguntas e indagações relacionadas a vários
assumindo-se que a TC* foi de 0,12 casos por problemas de saúde, como exemplo, as doenças
pessoa/dia. Cerca de 30% dos pacientes do grupo não
tratado relataram manifestações dos sintomas alérgicos. cardíacas, as neoplasias, a tuberculose, o
A IC* de uma pessoa nos grupos de tratados e de não diabetes e os traumas. Quantificar ou medir a
tratados sugere que o tratamento com o fármaco A não frequência com que os problemas de saúde
previne totalmente as alergias sazonais ou reduz o risco ocorram em populações humanas é um dos
do seu desenvolvimento. Entretanto, a T* foi baixa no
grupo tratado, indicando que o fármaco A atrasou ou
objetivos da epidemiologia. Sendo (assim, o
retardou o inicio das alergias sazonais. A prevalência foi conceito epidemiológico fundamental) que
mais baixa no grupo tratado, sugerindo que os pacientes expressa o número de casos existentes de uma
tratados apresentaram uma probabilidade menos para doença num dado momento é a:
manifestação de sintomas alérgicos na médias dos dias. a. Incidência;
b. Correta: prevalência;
Ex.: 1: Define-se como incidência de um c. Sobrevida;
transtorno em epidemiologia: d. Taxa de mortalidade;
a. O número total de casos de um transtorno na e. Consistência.
população em determinado período;
b. O numero de casos por área assistidos; Ex.: 5: Em epidemiologia, a morbidade é estável
c. Correta: O número dos casos novos de um quando o coeficiente incidência e a duração de
transtorno em determinada população; uma doença permanecem constantes com o
d. A relação entre os óbitos provocados por um tempo. Nesses casos, pode-se afirmar que a
transtorno e a renda média da população; prevalência é igual.
e. A relação entre o número de casos novos e o a. Correta: Ao produto da incidência da doença
número total de casos de uma doença. pela duração da doença;
b. Á soma das taxas de incidências anual da
Ex.: 2: Num hospital, o enfermeiro, ao analisar a doença;
frequência de ocorrência de novos acidentes de c. Aos quocientes entre o número de casos de
trabalho em um ano, está considerando uma uma doença e a população;
média epidemiológica de. d. À diferença entre casos novos e antigos da
a. Prevalência; doença
b. Correta: incidência; e. À incidência acumulada da doença menos a
c. Razão; mortalidade no ultimo ano.
d. Risco;
e. Padronização.
Incidência e prevalência na
farmacoepidemiologia
Ex.: 3: A epidemiologia usa como medida de
Nela além do uso padrão da epidemiologia, os
frequência de doenças os dados de incidência
conceitos de incidência e prevalência podem ser
acumulada que é definida como:
aplicados ao estudo do uso e efeitos dos
a. Correta: Número de casos novos durante um
fármacos. Podem ser usados para medir eventos
período de tempo;
medicamentos, bem como identificar novos
b. Número de casos da doença numa população
usuários de fármacos, medir o uso existente de
num determinado local e em determinado
fármacos e assim por diante. Uma analise
período de tempo;
farmacoepidemiologica do uso do fármaco, está,
c. Proporção de doença acumulada que tem
por natureza baseado na população.
como consequência o óbito em um
determinado período histórico;  Por exemplo, para aumentar o uso de estatina entre os
d. Tempo de duração de uma determinada diabéticos ou com doença arterial coronária sem
doença crônica que se acumula ao longo do prescrição para estatinas nos últimos 6 meses, um
laboratório de gestão de beneficio de farmácia enviou
tempo;
materiais educacionais para os benefícios. O estudo
e. Proporções de casos novos de doenças mostra que 12,1% dos membros, cujos prescritores
agudas que e recrudescem segundo a receberam a intervenção, e 7,3% do grupo controle
sazonalidade. iniciaram a terapia com estatina durante u período de
acompanhamento de quatro meses.

Esse é um exemplo de aplicação do conceito de


IC* na farmacoepidemiologia.
Pelo motivo da prevalência ser uma medida de Mortalidade
estado, ela também é usada para descrever a Refere-se à ocorrência de óbito, e os dados de
frequência de outras características diferentes da mortalidade são de interesse na epidemiologia.
doença na população. Essa variação é usada quando o evento de
interesse é a morte e não o adoecimento. Eles
 Em outro estudo de usuários de estatina, os usuários podem ser usados na avaliação de saúde de uma
existentes de estatina foram identificados antes da população ou para comparar a saúde em
admissão hospitalar por pneumonia. Esse estudo relatou
que dos 29.900 pacientes elegíveis hospitalizados por diferentes seguimentos à população. Também é
pneumonia, 1.372 eram usuários ativos de estatina, que um índice de severidade da doença, por isso, seus
foram definidas por, pelo menos, uma prescrição dados podem ser usados pelos profissionais da
dispensada em 125 dias antes da hospitalização por saúde e da saúde pública na identificação da
pneumonia.
doença e condições de saúde na prevenção do
óbito prematuro. Entretanto, o número absoluto de
óbito raramente informa o suficiente para realizar
comparações entre segmentos da população ou
examinar alterações ao longo do tempo, pois ele é
altamente influenciado pelo tamanho da
população.

 Por exemplo, uma população muito grande tende a ter


mais óbito do que uma população pequena, ou uma
população com um grande seguimento de idosos
também tente a gerar mais eventos de óbitos.

Como resultado, varias medidas de mortalidade


são usadas para descrever o risco de morte na
população.

Taxa bruta de mortalidade (TBM*): É o número


total de óbitos por qualquer causa para mil
pessoas de uma população durante um período
especifico, dividido pelo número total de pessoas
dessa população durante esse mesmo período.
𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 ó𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑛𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜
TBM*= X 1000
𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑛𝑜 𝑚𝑒𝑖𝑜 𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜

 Por exemplo, em 2006, 2.426.264 óbitos ocorreram nos


EUA em uma população estimada de 299.398,484
habitantes em 1º de julho de 2006, produzindo uma
taxa bruta anual de mortalidade de 810,4 para 100 mi
pessoas na população, em 2006.

Em virtude das alterações na população no meio


do ano é usado como o número aproximado de
pessoas na população durante o ano. Observe
que a TBM* são influenciada pela composição
etária da população. Por isso, usar as TBM*na
analise das alterações ao longo do tempo ou para
realizar comparações entre subgrupos na
população costuma conduzir a resultados
enganosos. Dessa forma, a taxa de mortalidade
especifica por idade é usada para comparar os
riscos de mortalidade entre os grupos etários.
Ex.: 1: A taxa de mortalidade geral (ou coeficiente A TMEI* permite comparação dos riscos de
de mortalidade geral) é calculado da seguinte mortalidade para um determinado grupo etário em
forma: subgrupos em populações diferentes.

Taxas de mortalidade =
𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 ó𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑛𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜
x 10
n  Por exemplo, em 2006, a TMEI*para criança entre um e
𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑛𝑜 𝑚𝑒𝑖𝑜 𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 quatro anos foi de 28,4 para 100 mil pessoas de ambos
os sexos nos EUA, e as taxas de mortalidade especificas
Sobre esse indicador de saúde, assinale a por idade, para homens e mulheres, foram de 30,5 e 26,3
para 100 mil pessoas, respectivamente.
alternativa correta.
a. Principal vantagem de saúde da taxa de
 Taxa de mortalidade ajustada por idade
mortalidade é o fato de avaliar o risco de
(TMAI*): Para considerar a variação nas
morrer conforme sexo, idade, raça, classe
distribuições etárias nas comparações das
social, entre outros fatores;
TBM* ao longo do tempo, ou nos seguimentos
b. É útil para comparar a qualidade de vida entre
na população, é preciso ter uma medida
diferentes países;
resumo do risco de mortalidade. Por isso, a
c. É importante para medir a violência em
TMAI*, foi desenvolvida. Ela é definida como a
diferentes regiões;
taxa de óbito que ocorreria se a TMAI*
d. Correta: É um indicar que mede o número de
observadas estiverem presentes numa
óbitos numa população num determinado
população com uma distribuição etária igual
período;
aquela de uma população padrão. Calcular
essa taxa exige a escolha de uma população
Ex.: 2: O coeficiente (ou taxa) de mortalidade
padrão, é uma população com distribuição
infantil é comumente usado como um indicador do
etária padrão. Essa seleção é arbitrária porque
nível de saúde de uma comunidade sobre esse
não existem muitas populações padrões. O
indicador, assinale a alternativa correta:
método mais usado para computar a TMAI* é
a. Mede o número de óbitos durante o primeiro
o método de padronização direta, embora a
ano de vida pelo numero de nascidos vivos no
padronização indireta também possa ser
mesmo ano;
usados. As TMAI* permitem a comparação dos
b. Esse índice diminuiu em todas as regiões do
riscos de mortalidade entre grupos
mundo, mas persistem ainda grandes
populacionais e de localidade geográficas, elas
diferenças dentro dos países e entre eles;
também permitem a comparação das
c. Correto: Seu uso está diretamente
tendências de mortalidade ao longo do tempo.
relacionado ao perfil de renda da população,
Ela não pode substituir a TBM* ou a TMEI*,
ou seja, quanto maior o coeficiente de
porque a TMAI* calculada é baseada na
mortalidade de um país, maior a renda dele;
população padrão e não reflete o risco de
d. O uso desse coeficiente como medida do
mortalidade de uma população real.
estado geral de saúde de uma comunidade é
baseado no pressuposto de que ele é
 Taxa de mortalidade específica por causa
particularmente sensível a mudança
socioeconômica e a intervenção na saúde. (TMEC*): Mede o número de óbitos por uma
causa específica. Ela restringe a mortalidade a
uma causa ou diagnósticos. Em geral, é
expressa para mil ou para 100 mil pessoas,
 Taxa de mortalidade específica por idade
para o período de um ano.
(TMEI*): mede o n´mero de óbitos por
qualquer causae entre indivíduos de uma faixa 𝑁º 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 ó𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑑𝑒𝑣𝑖𝑑𝑜𝑎𝑢𝑚𝑎 𝑐𝑎𝑢𝑠𝑎
etária especifica. Em geral, ela é expressa 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑐𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎
para mil ou para 100 mil pessoas de uma 𝑒𝑚 𝑑𝑒𝑡𝑒𝑟𝑚𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜
TMEC* = 𝑁º 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠𝑛𝑎𝑟 x 1000
população para o período de um ano. 𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎ç𝑎õ 𝑑𝑢𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑜 𝑚𝑒𝑠𝑚𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜

 Por exemplo, a taxa de mortalidade em criança com  Por exemplo, doenças cardíacas coronárias causaram
menos de 10 anos de idade pode ser computado usando 425.425 óbitos e 2006, sendo a única causa líder de
a seguinte equação. óbitos nos EUA. Com uma população estimada de
299.398. 484 em 1º de julho de 2006, a taxa de
𝑁º 𝑑𝑒 𝑜𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑜𝑟 𝑞𝑢𝑙𝑞𝑢𝑒𝑟 𝑐𝑎𝑢𝑠𝑎, 𝑑𝑢𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒
mortalidade anual resultante para doença cardíaca
𝑢𝑚 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑐𝑖𝑓𝑖𝑐𝑜,𝑑𝑒 𝑢𝑚𝑎 𝑓𝑎𝑖𝑥𝑎
𝑒𝑡á𝑟𝑖𝑎 𝑑𝑒𝑡𝑒𝑟𝑚𝑖𝑛𝑑𝑎 coronária foi de 142,1 para 100 mil, em 2006.
TMEI* = 𝑁º 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠 𝑑𝑎 𝑟𝑒𝑓𝑒𝑟𝑖𝑑𝑎 𝑓𝑎𝑖𝑥𝑎 X 1000
𝑒𝑡á𝑟𝑖𝑎𝑒𝑚 𝑢𝑚𝑎 𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑑𝑢𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒
𝑎𝑞𝑢𝑒𝑙 𝑝𝑒𝑟𝑖𝑜𝑑𝑜. Causas imediatas e subjacentes de falecimento e
outras condições significativas contribuem para os
relatos nos atestados de óbitos, os códigos da
classificação internacional de doença (CID). A
causa subjetiva do óbito refere-se a um único
motivo selecionado de óbito, que é a doença ou
lesão que inicia a série de eventos levando a b. 0,5;
morte. Um evento de morte pode ter múltiplas c. 5,0;
causas, incluindo as subjacentes e não d. 11,1;
subjacentes. A causa subjacente de óbito é usada. e. 5,5.
A má classificação é o erro de codificação podem
afetar a precisão da taxa relatada de mortalidade
específica por causa. De forma similar, é possível Mortalidade proporcional (MP*)
determinar restrições e outras características, É a proporção de óbitos atribuíveis a uma doença
como sexo, raça e áreas geográficas, para especifica.
calculara TME* por características, como TMER*
Por exemplo, de todos os óbitos que ocorreram nos EUA é
Taxa de letalidade (TL*) uma taxa ou razão; ela é uma proporção porque o numerador
é sempre uma parte do denominador. A MP* costuma ser
Mede a propensão de uma doença causar o óbito expressa como uma porcentagem.
de pessoa afetado. Embora quase sempre seja
referida como TL* ela não é uma TL*,mas uma É computada da seguinte forma:
proporção. A TL* costuma ser expressa como uma
porcentagem. Ela é calculada da seguinte forma: 𝑁º 𝑑𝑒 ó𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑢𝑚𝑎 𝑑𝑒𝑡𝑒𝑟𝑚𝑖𝑛𝑎𝑑𝑎
𝑑𝑜𝑒𝑛ç𝑎, 𝑑𝑢𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑢𝑚 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑐𝑖𝑓𝑖𝑐𝑜
MP* = 𝑁º 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 ó𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑑𝑢𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑜 𝑚𝑒𝑠𝑚𝑜 x 100
𝑛º 𝑑𝑒 ó𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑝𝑜𝑟 𝑢𝑚𝑎 𝑑𝑜𝑒𝑛ç𝑎 𝑑𝑢𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑢𝑚 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜.
𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑓í𝑐𝑜
TL*´= 𝑁º 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑚 𝑎 𝑑𝑜𝑒𝑛ç𝑎 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑐𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎𝑑𝑎 x 100
𝑑𝑢𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑜 𝑚𝑒𝑠𝑚𝑜 𝑝𝑒𝑟𝑖𝑜𝑑𝑜

Em outras palavras, a TL* representa a proporção


de pessoas portadores da doença que morreram. Para encontrar a proporção de óbitos causados
por doenças cardíacas nos EUA, em 2006, basta
 Por exemplo, entre 30 de agosto e 31 de outubro de dividir o número de óbitos causados por doenças
2009 (inicio da estação de influenza 2009—010), houve cardíacas pelo número total de óbitos em 2006:
672 óbitos associados à virose por influenza confirmada
em laboratório, relatados, ao centers For disease control 631,636
and prevention (CDC). Durante esse período, ocorreram MP* = 2.426.264 X 100 = 26%
45.585 casos de virose por influenza confirmado nos
EUA. A TL* para influenza foi calculada em 1,47% para o
período de 2 meses. Mortalidade na farmacoepidemiologia
A mortalidade é uma medida de referência dos
Observe, no cálculo da TBM* para uma doença, o desfechos de saúde porque avalia os riscos e
denominador inclui todas as pessoas numa benefícios dos tratamentos ou medidas
população que estão em risco para manifestar a preventivas. A terapia medicamentosa pode
doença; entretanto, no cálculo da TL*, o apresentar efeitos intencionais (benéficos) ou
denominador apenas inclui aqueles que não intencionais (benéficos ou adversos) nos
apresentaram doenças de interesse. Algumas pacientes.
doenças como o câncer pancreático, podem ter O óbito pode ocorrer como uma falha na
uma TBM*, em razão de a doença ser rara. No realização total dos efeitos intencionais benéficos
entanto, a letalidade e elevada, uma vez que a dos tratamentos, um efeito adverso não
pessoa seja portadora da doença, a probabilidade intencional do tratamento ou um resultado do não
dessa doença causar o óbito é alta. tratamento. Os efeitos adversos podem variar
quanto à severidade desde triviais até de risco de
Ex.: 1: Define-se letalidade como: ameaça à vida. Na farmacoepidemiologia as
a. O número de óbitos num determinado período medidas de mortalidade são usadas para
numa população; examinar a associação entre exposição ao
b. Correto: O número de óbitos por uma medicamento e o desfecho no paciente.
determinada doença em relação aos que A mortalidade por qualquer causa (MQC*) ou
adoeceram por essa mesma doença; por causa especifica (MCE*) costuma ser usada
c. O número de óbitos ocorridos num período de na literatura farmacoepidemiologica, às vezes,
um ano; com restrições sobre outras características
d. O número de óbitos em relação ao número de individuais, tal como a MQC* para certo grupo
nascimento. etário, ou MQC* para homens versus mulheres.
As medidas de mortalidade são usadas isoladas
Ex.: 2: A empresa X, em 2003, contava com ou combinadas com outras medidas de desfecho.
10.000 empregados, naquele ano, ocorreram na A MCE* apresenta grande especificidade, mas há
empresa 500 acidentes, sendo 50 fatais. O incertezas inerentes da determinação da causa da
coeficiente de letalidade por acidente de trabalho morte. Distorções por erro de classificação podem
naquele ano foi, em % de: ser uma ameaça para a sua validade. A medida
a. Correta: 10,0; de MQC* evita o equívoco na determinação das
causas dos óbitos, mas a análise perde a Um RR* de 1, ou próximo desse valor, indica que
especificidade que as medidas de MCE* o risco do evento (doença ou óbito) é igual nos
fornecem. De preferência, MCE* devera ser dois grupos e que a exposição é improvável de
relatada junto com a TBM* (por qualquer causa) causar o evento de interesse, um RR* acima de 1
ou tratamento (farmacoterapia), em geral, os significa que a exposição está associada ao
epidemiologistas estão interessados na avaliação evento e quanto mais alto o RR* mais forte e a
das associações entre exposição e desfecho. associação. Um RR* de 0, ou próximo, sugere que
de alguma forma, a exposição tem efeitos
 Por exemplo, existe um excesso de risco para protetores contra o evento, ou seja: o risco do
desenvolver a doença X em virtude de uma exposição a evento e muito baixo nas pessoas expostas.
Y?

O risco relativo (RR*) e a razão de chance Razão de chance (Odds ratio)


(RC*) são as duas medidas mais usadas para É a razão entre a probabilidade de um evento de
associação na epidemiologia. Elas medem a força interesse e a probabilidade de não haver um
da associação entre uma exposição e o desfecho evento. A razão entre duas chances, ou seja, a
de interesse. A magnitude indica a probabilidade, razão de chance e uma medida extremamente
maior ou menor, de o grupo exposto vivenciar o popular da associação nos estudos caso-controle.
desfecho em comparação com o grupo não A RC* de desenvolvimento da doença ou óbito é a
exposto. razão entre o numero de evento e não eventos
nos casos e no grupo controle.
E epidemiologia, está demonstrado que a RC* da
doença (RCd) é matematicamente equivalente à
RC* de exposição (RCe).
Risco relativo (RR*) A RC* é calculada da seguinte forma:
No confronto com um conjunto de fatores de risco
𝑎/𝑐 𝑎𝑑 𝑎/𝑏
para doença ou mortalidade, é necessário avaliar RCe= 𝑏/𝑑 = 𝑏𝑐
= 𝑐/𝑑 = RCd
a força da associação entre a exposição e o
desfecho. RR* é a RC* do desenvolvimento do A RC* pode ser qualquer número positivo. Uma
evento (doença ou óbito) entre os indivíduos RC* de valor 1 é uma linha basal para
expostos (Re) e não expostos (Ru). comparação. Uma RC acima de 1 indica que a
𝑅𝑒
razão para o evento está maior no grupo exposto
RR= (á doença) do que no grupo não-exposto (ou
𝑅𝑢
saudável). RC abaixo de 1 sugere que um evento
Na equação, Re é o risco (IC*) no grupo exposto é menos provável no grupo exposto do que no
e Ru ao risco (IC*) no grupo não exposto. Em grupo não-exposto.
epidemiologia RR* também é referido como razão
de risco. Às vezes, termo é usado para descrever
RR* e razões de taxa.

 Por exemplo, um estudo de coorte em que 500


fumantes ativos (grupos expostos) e 500 pessoas que
nunca fumaram (grupo não expostos) foram Tabela 1: estudo de caso-controle de derrame cerebral em
acompanhadas por cinco anos. Assume-se que, depois relação a hipertensão.
desse período, os pesquisadores revelaram 25
participantes do grupo exposto e cinco não expostos  Por exemplo, num estudo de caso controle de
desenvolveram câncer pulmonar. hipertensão e derrame cerebral, derrame cerebral
presente no caso e ausente no grupo controle, a
Qual é o RR* para desenvolverem câncer hipertensão no estágio 2 e a pressão arterial normal
pulmonar no grupo Re (fumantes), comparado com são as exposições.
o grupo Ru (não fumantes)?
Com base na definição, o RR* solicitado é A RC*é:
calculada da seguinte forma:
417/83 417𝑥752
RCe = 744/75 = 83𝑥744
= 5,08
25/500
RR = 5/500
= 5,0
Uma RC* de 5,08 sugere que o derrame cerebral
O risco de desenvolvimento de câncer de pulmão é 5,08 vezes mais frequente no grupo hipertensão
no grupo de fumantes é cinco vezes maior do que no estágio 2, comparado o grupo pressão arterial
no grupo de não fumantes, ou seja, existe um normal. A estimativa da RR* e RC* são usadas
aumento de 400%, no risco de desenvolvimento para medir a força da associação entre exposição
de câncer de pulmão no grupo de fumante. e desfecho. Resumindo, ambas as medidas
podem varia de zero ao infinito com a mesma
interpretação geral.
Uma RR* ou RC* igual a 1 indica que não existe
associação entre exposição e desfecho, um valor
de RR* ou RC* acima de 1 significa uma
associação positiva, ou seja, o risco do desfecho é
maior quando exposto ao fator de risco especifico.
Tabela 2: Resultados de um estudo de coorte para avaliar o
Um valor abaixo de 1 indica que a exposição efeito terapêutico de um novo fármaco para prevenção do
reduz o risco ou chance de desfecho, uma infarto do miocárdio em população de alto risco.
associação negativa entre exposição e desfecho.
Observe quando a probabilidade do evento é Na tabela acima, a proporção (risco) do grupo
pequena (<10%) esse caso é referido como não tratado para quem teve, pelo menos, um
hipótese de doença rara. infarto do miocárdio foi de 9,5%; a proporção do
gruo tratado para quem teve, pelo menos, um
Medindo efeitos terapêuticos infarto do miocárdio foi de 7,5%.
Existem quatro medidas para efeitos terapêuticos
tradicionais: 9,5% − 7,5%
RRR* = 9,5%
= 21%
1. Redução do risco relativo (RRR);
2. Redução do risco absoluto (RRA);
3. Numero necessário para tratar (NNT); Conclui-se que a RRR* com o novo fármaco é de
4. Número necessário para causar dano (NNCD). 21%. Observe que esse exemplo está
Essas medidas também são medidas de simplificado.
associação. Estão presente em separado porque
costumam ser usados para avaliar os efeitos de Redução do risco absoluto (RRA*)
um tratamento ou terapia. Por exemplo, um novo É a medida mais simples do efeito terapêutico. É
medicamento ou procedimento cirúrgico. definida como o valor absoluto da diferença
aritmética nas taxas de evento dos grupos
Redução de risco relativo (RRR*) expostos (ou tratado) e não-exposto (ou não-
Em certas ocasiões, é necessário considerar as tratados). Também é referida como diferença de
consequências de exposição versus não risco e pode ser calculada como segue:
exposição, ou tratamento versus não tratamento.
A RRR* mede a extensão em que a exposição RRA*= |Re - Ru|
(terapia) reduz um risco, comparada com os
indivíduos do grupo não exposto (sem terapia). Na tabela 2, a RRA* foi calculada como 17,5% -
Em geral, a RRR* é expressa como uma 9,5% = 2,0%. Dessa forma, a diferença entre as
proporção do risco no grupo não tratado em outras taxas do infarto do miocárdio nos grupos tratados
palavras, a RRR* é a diferença nas taxas de e não-tratados é de 2,0%. Observe que,
evento expressa como uma proporção da taxa de diferentemente da RRR*, a RRA* não transmite
evento no grupo não exposto. A RRR* é calculada ideia de redução proporcional entre os grupos
da seguinte forma: tratado e não-tratado. Torna-se menos quando as
taxas de evento são baixas em ambos os grupos,
𝑅𝑢 − 𝑅𝑒 e a estimativa da RRR*, em geral, não é
RRR* =
𝑅𝑢 influenciada pela magnitude das taxas de evento.
Quando a taxa de vento no grupo tratado e maior
A RR* é a razão do risco do evento do que no outro, essa medida absoluta da
(desenvolvimento da doença ou óbito) em diferença do risco também e referida como
indivíduos expostos para os não-expostos. Sendo aumento do risco absoluto.
assim, a equação RRR* pode ser reescrita como a Observe que RRA*, às vezes é referida como um
seguir: risco atribuível na epidemiologia. Entretanto, o
termo risco atribuível também é usado para
𝑅𝑒
RRR* = 1- descrever vários outros conceitos diferentes. Para
𝑅𝑢
evitar confusão, recomenda-se que o termo risco
atribuível não seja usado.
Observe a tabela abaixo, ela mostra os resultados
de um estudo de coorte retrospectivo de um novo
fármaco na prevenção primária do infarto do
miocárdio em indivíduos de alto risco. Nesse
estudo, as pessoas do grupo tratado receberam
o novo fármaco por 3 anos, aqueles do grupo não
tratado não receberam. O ponto terminal principal
foi à ocorrência de infarto do miocárdio.
Número necessário para tratar (NNT*) Uso das medidas de associação na
O NNT* é uma medida relacionada com a RRA*. farmacoepidemiologia
É definida como um número de indivíduos que, O uso das ferramentas nos estudos
deve receber o tratamento para que um deles se epidemiológicos e farmacológico ajuda para que
beneficie por um período especificado costuma eles possam gerar conhecimento sobre quem usa
ser expresso como reciproca da RRA*. um medicamento, por quais razões (diagnóstico) e
quando os pacientes usam o fármaco. A
 Por exemplo, quantas pessoas diabéticas teriam de ser farmacoepidemiologia também é capaz de gerar
tratadas com agentes hipoglicêmicos orais, por cinco conhecimento sobre as associações entre o uso
anos, para evitar algum óbito devido às complicações do
diabete? do fármaco e o desfecho em saúde, como os
casos de cura ou melhora, desfecho negativos
O NNT* é útil em grande escala quando o prevenidos, ventos medicamentos adversos e
tratamento é comparado e é útil no nível individual mortalidade.
quando são tomadas as decisões para o
 Por exemplo, num estudo de coorte prospectiva de
tratamento. Quando determinado paciente paciente com 18 ou mais anos de idade e que
recebem uma terapia, o NNT* também reflete a estiveram num grande centro médico acadêmico por
probabilidade de essa pessoa se beneficiar com o três ou mais dias durante 2004 e 2007, Herzing e
tratamento. Um NNT* calculado de 10 indica que, colaboradores examinaram a associação entre o uso do
para determinado tratamento ser benéfico para fármaco supressor de acido gástrico e a pneumonia
hospitalar. No total de 63.878 admissões hospitalares
uma pessoa se beneficiar com o tratamento. Um elegíveis, eles verificaram que a medicação supressora
NNT* de 10 também indica que, para cada pessoa de ácido gástrico foi usada em 52% dos pacientes e a
que recebeu o tratamento, haveria uma em 1 pneumonia hospitalar foi 1,3 no grupo exposto à
chances de essa pessoa se beneficiar com o medicação supressora de ácido gástrico, o que significa
que o uso dessa medicação foi associado a 30% do
tratamento. aumento na chance de pneumonia hospitalar. Na
Se a RRA* é grande, o NNT* calculado é análise do subconjunto, a associação foi apenas
pequeno, ou seja, apenas um pequeno número de significativa para inibidores da bomba de prótons, mas
pessoas precisa ser tratado para que uma delas não para antagonista do receptor de histamina.
se beneficie. Entretanto, deverá ser observado
que os NNT* só podem ser comparados No estudo farmacoepidemiológico de coorte, a
diretamente quanto o mesmo desfecho dos associação entre exposto (uso da medicação
tratamentos é avaliado. supressiva de ácido gástrico) e o desfecho
(incidência) de pneumonia hospitalar foram
 Por exemplo, um NNT* de 5, para um beneficio menor, medidas usando a RC*, que é uma boa
como o de prevenir pessoas de contraírem um resfriado aproximação do RR*, pois a incidência do evento
comum, pode ser menos importante do que um NNT* de era baixa (3,5%).
10 para prevenir uma pessoa ter um infarto do miocárdio.

Viés
Numero necessário para causar dano
Está relacionado aos erros sistemáticos, em
(NNCD*)
oposição aos erros aleatórios, na realização de
Em medicina, tratamentos, incluindo fármacos e
um estudo um erro sistemático pode ocorrer
outras intervenções terapêuticas, podem causar
quando os grupos do estudo da pesquisa são
danos, de varias formas, aos pacientes. Alguns
selecionados de uma forma ·que trata
danos são brandos e outros severos, resultando
consistentemente um dos outros grupos. Nos
em danos ou óbitos. A significância relativa dos
estudos farmacoepidemiológicos, o interesse está
danos causados pelos fármacos e outras terapias
e estimar a relação entre a exposição a um
depende da condição sendo tratada e da natureza
tratamento ou intervenção medicamentosa e seus
e severidade do dano.
efeitos no estado de saúde ou no desfecho. Nessa
 Por exemplo, numa doença menor, como um simples prática, o desafio é chegar a uma estimativa do
resfriado, um evento adverso com potencial de ameaçar efeito que esteja livre de viés, em especial nos
a vida não seria aceitável, mesmo que a chance de estudos de pós-comercialização, quando muitos
vivenciar o evento fosse pequena. Se uma condição, por fatores podem afetar a associação entre o
si só, é fatal, o risco de óbito ou dano no tratamento é
aceitável.
tratamento e o desfecho.

A NNCD* é o numero de pessoas que é  Por exemplo, a prescrição por indicação ou adesão do
paciente ao regime terapêutico seria um fator
necessário para tratar para que uma delas importante na avaliação da associação entre o
apresenta um evento adverso. Seu cálculo é feito tratamento e o desfecho.
dividindo 1 pelo excesso do risco absoluto. Um
NNCD alto indica que os eventos adversos são
raros, e um valor baixo sugere que eventos
adversos são comuns.
Viés de seleção Existem duas situações que podem levar a
Resulta dos procedimentos adotados para situações em que os casos apresentem maior
seleção dos participantes do estudo, quando os probabilidade de lembrar os seus padrões de
participantes selecionados têm mais ou menos doença do que os controles.
probabilidade de apresentar o desfecho do que O viés de detecção pode ocorrer quanto mais
aqueles que são teoricamente elegíveis para importância é dado aos casos do que aos
participar, mas que não foram incluídas no estudo. controles em relação à coleta dos dados, ou
Um tipo de viés de seleção interessante é o viés quando os participantes expostos são
de autosseleção. Esse tipo ocorre quando os acompanhados com mais frequência do que os
próprios participantes decidem participar ou deixar não expostos.
o estudo. As decisões podem ser influenciadas
pela exposição e pelo desfecho. Pode ocorrer nas  Por exemplo, pacientes usando antipsicóticos de
situações em que tipos particulares de pacientes segunda geração são monitorados com mais frequência
para elevação da glicose sanguínea (um efeito
apresentam menos probabilidade de relatar, colateral) e, por isso, um maior número de diagnósticos
mesmo que estejam recebendo medicamentos de diabetes pode ser observado no grupo de
antipsicóticos de segunda geração. Esse tipo de expostos/tratamento quando comparado ao grupo de
viés de autosseleção deverá ser reduzido no nível não exposto.
da análise com o uso de técnicas estatísticas
apropriadas.
Outro tipo de viés de seleção é o viés de Viés de confusão
indicação. Se um participante é indicado para Esse problema e de especial importância nos
outro provedor (hospital, especialista) ou para estudos observacionais. Ele ocorre quando a
exames laboratoriais em virtude da exposição a relação entre a exposição, ou o tratamento, e o
um medicamento, o viés de indicação pode desfecho é afetado por outra variável ou por um
ocorrer. grupo de variáveis. De forma específica, a terceira
variável chamada de confundidora, é um fator de
 Por exemplo, um paciente recebendo antipsicótico de risco para o desfecho de interesse. A distribuição
segunda geração e apresentando historia de níveis altos da variável de confundimento é diferente entre os
de glicose pode ser indicado para teste laboratorial de diversos níveis de exposição. Um confundidor está
glicose com mais frequência, o que pode resultar na
sobre-estimação da associação entre os antipsicótico da
relacionado à exposição e ao desfecho, sem estar
segunda geração e a incidência de diabetes. na via causal da exposição e do desfecho.

Viés da informação  Por exemplo, a avaliação dos efeitos de risperidona e


de olanzapina nos níveis lipídicos, a idade pode ser
A próxima etapa lógica é realizar uma analise para uma variável confundidora. Isso acontece porque a
estimar o efeito da variável tratamento/exposição. idade mais avançada pode ser um fator de risco para
Para isso, é necessária a coleta de dados dos níveis lipídicos elevados (desfecho), ao mesmo tempo
participantes. Erro na aferição dessas informações em que afeta os padrões de prescrição dos
põe gerar vieses. Esse tipo é chamado de viés da antipsicoticos de segunda geração
(exposição/tratamento). De forma especifica os
informação. O erro que ocorre quando da participantes de grupos de faixa etária a jovem tem
classificação errônea dos participantes do estudo mais chance e receber indicação para risperidona
em termos dos seus estados de exposição/não devido a sua indicação para o uso pediátrico.
exposição (e vice-versa), ou de doença/não-
doença (e vice-versa) e chamado de má- O confundimento na farmacoepidemiologia pode
classificação. O erro de classificação pode não ser ser de vários tipos. É provável que o
não-diferencial ou diferencial. O erro de confundimento por indicação seja o tio mais
classificação não pode ser naão diferencial ou comum observado nos estudos
diferencial. O erro não diferencial da má farmacoepidemiológicos. As vezes esse tipo é
classificação é a mesma para todos os pacientes, chamado de viés de canal ou viés de indicação.
desconsiderando a exposição a exposição ou o Ele surge quando um médico prescreve
desfecho. Esse tipo de erro pode resultar na medicamentos considerando certas característica
diminuição da associação entre exposição e do pacientes, como severidade da doença, idade
desfecho enviesar os resultados em direção a ou gênero. Também pode haver outros fatores
uma hipótese nula. não relacionados ao paciente que influencia a
O erro de classificação diferencial ocorre quando prescrição médica e que não são de aferição,
equivoco na aferição está relacionado ou depende incluindo a influencia das atividades de promoção
das variáveis de exposição ou desfecho. Quando de vendas de fabricantes do ramo farmacêuticos
os dados coletados dependem, ou o participante
está exposto ou não, ou se o participante está
exposto ou não, ou se o participante está no grupo
dos doentes ou no grupo dos não doentes, o
resultado pode ser um erro diferencial.
 Ex.: Como acontece no movimento ciliar da
arvore brônquica reduzido pelo fumo e
contribuindo, para o aparecimento da
DPOC.

3. Fase clínica: Corresponde ao período da


doença com sintomas.

 Ex.: da DPOC, a fase clínica varia deste os


primeiros sinais da bronquite crônica, como
aumento da tosse e expectoração, até o
quadro de cor pulmonar alecrônica na fase
final da doença.

4. Fase de incapacidade residual: Por último se


a doença não evolui a morte nem foi causada,
ocorrem às sequelas da mesma.

 Ex.: ou seja, aquele paciente que iniciou


fumando, posteriormente desenvolveu um
quadro de DPOC, evolui para a insuficiência
respiratória devido à hipoxemia e passara
apresentar severa limitação funcional.

Ex.: 1: Segundo o modelo de Leavell e Clark, no


período de pré-patogênese podem ser aplicadas
as seguintes medidas preventivas:
a. Promoção de saúde e proteção especifica;
b. Correto: Diagnóstico precoce e tratamento
imediato;
História natural da doença c. Promoção da saúde e diagnóstico precoce;
Leavel e Clarck desenvolveram em 1965, o d. Proteção especifica e diagnóstico precoce;
modelo da história natural da doença e seus três e. Promoção da saúde, proteção especifica e
níveis de prevenção, segundo eles a profunda diagnóstico precoce.
compreensão da história natural da doença, exige
conhecimento das condições naturais e Ex.: 2: Pelo modelo de Leavell e Clark, são
específicas que tais distúrbios aparecem e medidas de prevenção secundária:
persistem. A história natural da doença é o nome a. Promoção da saúde e a proteção
dado ao conjunto de processos interativos especificam;
compreendendo as inter-relações do agente, do b. Correta: A proteção especifica e o
ser suscetível e do meio ambiente que afetam o diagnóstico precoce e tratamento
processo global e seu desenvolvimento, deste as imediato;
primeiras forças que criam o estimulo patológico c. O diagnóstico precoce e tratamento
no meio ambiente, passando pela resposta do imediato e a limitação da incapacidade;
homem ao estimulo, até as alterações que levam d. A limitação da incapacidade e a
a um defeito, recuperação ou morte. reabilitação;
É dividida em quatro fases: e. O diagnóstico precoce e tratamento
1. Fase inicial: Ainda não há doença, mas imediato, a limitação da incapacidade e
condições que a favorecem, dependendo da a reabilitação.
existência de fatores de risco ou de proteção,
alguns indivíduos estarão mais propensos a Ex.: 3: Com relação à história natural da doença,
determinadas doenças do que outros. é INCORRETO afirmar que:
a. Tem desenvolvimento em dois períodos
 Ex.: crianças que convivem com mães sequenciados: o patológico e a
fumantes estão em maior risco de epidemiológica;
hospitalização nos primeiros anos de vida. b. No período epidemiológico, o interesse à
dirigido para as relações suscetíveis-
2. Fase patológica pré-clínica: A doença não é ambiente;
evidente, mas já há alterações patológicas: c. Incorreto: No período patológico,
interessam as modificações que se
passam no organismo vivo;
d. Abrange dois domínios integrados,
consecutivos e mutuamente exclusivos,
que se completam;
e. O meio ambiente é onde ocorrem as pré-
condições enquanto o meio interno é o
lócus da doença.

Conceito de prevenção
O conceito de prevenção é definido como ação
Figura 15: Taxa de mortalidade por tuberculose padronizada
antecipada, baseada no conhecimento da história por idade na Inglaterra e país de Gales, 1840-1968.
natural a fim de tornar improvável o progresso
posterior da doença. A prevenção apresenta-se Ex.: 1: Em se tratando de prevenção primaria,
em três fases. podemos ciar como medidas de proteção
1. Prevenção primária: Seu objetivo é evitar a especifica.
emergência e estabelecimento de padrões de a. Correta: Imunização/saúde ocupacional
vida, que aumentam o risco de desenvolver /controle dos vetores;
doenças, com ações dirigidas à população ou b. Imunização/controle dos vetores/diagnóstico
grupo selecionado. Suas consequências são precoce;
os efeitos múltiplos em várias doenças: c. Imunização/saúde ocupacional/diagnóstico
 A interrupção do fumo na gravidez seria precoce;
uma importante medida de ação primária, já d. Imunização/diagnóstico precoce/inquéritos
que mães fumantes, no estudo de coorte de epidemiológicos;
pelotas de 1993, tiveram duas vezes maior e. Diagnóstico precoce/tratamento/reabilitação.
risco para terem filhos com retardo de
crescimento intrauterino e baixo peso ao
não sendo esse um dos determinantes mais
importantes de mortalidade infantil.
2. Prevenção secundária: Seu objetivo é a
detecção precoce patológico em doentes, seu
procedimento é o rastreio. Sua consequência é
a diminuição da incidência da doença:
 O tratamento com RHZ para tuberculose
proporciona cerca de 100% da cura da
doença e impede sequelas importantes
como fibrose pulmonar, ou cronicidade da
doença sem resposta ao tratamento da
primeira linha e a transmissão da doença
para o resto da população.
3. Prevenção terciária: Seu objetivo é limitar a
progressão da doença e evitar sua
reintegração no meio social. Seus
procedimentos são as medicinas curativas e
preventivas estreitamente associadas, suas
consequências é o aumento da capacidade
fundamental do indivíduo:
 A bola fungica que, usualmente é um resíduo
da tuberculose e pode provocar hemoptóses
severas, tem na cirurgia seu tratamento
definitivo.
O declínio nas taxas de mortalidade ocorrido no
séc. 19, nos países industrializados deveu-se,
principalmente, à redução nas mortes por doenças
infecciosas. A fig. Abaixo mostra a taxa de
mortalidade por tuberculose na Inglaterra e país
de Gales entre 1840 e 1968, indica o momento de
introdução de medidas especificas de tratamento
e prevenção. A maior parte do declínio na
mortalidade ocorreu antes dessas intervenções e
foi atribuída à melhoria no estado nutricional, nas
condições de habitação e saneamento e em
outras medidas de saúde ambiental.

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