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DEPARTAMENTO DE MORFOLOGIA - ICB/UFMG - NEUROANATOMIA – ESTUDO DIRIGIDO

VIAS SENSORIAIS E MOTORAS - BÁRBARA BUITRAGO 145

1. Para cada uma das vias sensoriais, identifique a localização de seu receptor,do neurônio sensitivo de
1a. ordem, da via de acesso ao SNC, dos neurônios de 2a., 3a., 4a. e, eventualmente, 5a. ordem e
elabore um esquema da via (vias para dor e temperatura do tronco e membros, vias para tato, pressão,
propriocepção inconsciente, propriocepção consciente, tato epicrítico e sensibilidade vibratória do
tronco e membros, vias para a sensibilidade somática (extereoceptivas e proprioceptivas) da cabeça e
pescoço, vias vestibulares, via auditiva, via olfatória, via gustativa, via óptica, vias de informação
visceral).

VIAS AFERENTES QUE PENETRAM NO SNC PELOS NERVOS ESPINHAIS


1.1. VIAS DE DOR E TEMPERATURA
• Via neoespino-talâmica  dor aguda e localizada

Terminações nervosas livres (receptores)  gânglios espinhais situados nas raízes dorsais (neurônio I) 
penetram na medula pela divisão lateral da raiz dorsal  fascículo dorso-lateral (via de acesso ao SNC) 
coluna posterior (neurônios II)  comissura branca funículo posterior do lado oposto  tracto espino-talâmico
lateral  lemnisco espinhal (+ espino-talâmico anterior)  núcleo ventral póstero-lateral do tálamo (neurônios
III)  radiações talâmicas  cápsula interna e coroa radiada  área somestésica do córtex/ giro pós-central

• Via paleoespino-talâmica  dor crônica e difusa

Terminações nervosas livres (receptores)  gânglios espinhais (neurônio I)  penetram na medula pela divisão
lateral da raiz dorsal  coluna posterior (neurônio II)  tracto espino-reticular  formação reticular (neurônios
III)  núcleos intralaminares do tálamo (neurônio > 4) – consciência da dor  córtex (ativação)

1.2. VIA DE PRESSAO E TATO PROTOPÁTICO


Corpúsculos de Meissner, de Ruffini e ramificações de axônios próximas aos folículos pilosos (receptores) 
gânglios espinhais situados nas raízes dorsais (neurônio I)  penetram na medula pela divisão medial da raiz
dorsal  coluna posterior (neurônio II)  comissura branca  funículo anterior do lado oposto  tracto espinio-
talâmico anterior  lemnisco espinhal  neurônio ventral póstero-lateral do tálamo (neurônio III) – consciência
 radiações talâmicas  área somestésica do córtex/ giro pós-central

1.3. VIA DE PROPRIOCEPÇÃO CONSCIENTE, TATO EPICRÍTICO E SENSIBILIDADE VIBRATÓRIA


Corpúsculos de Meissner e de Ruffini e ramificações de axônios próximas aos folículos pilosos – receptores de
tato; fusos neuromusculares e órgãos tendinosos – receptores de propriocepção consciente; corpúsculos de
Vater Paccini – receptores de vibração  gânglios espinhais (neurônio I)  fascículo grácil e cuneiforme 
núcleos grácil e cuneiforme (neurônio II)  fibras arqueadas internas  lemnisco medial  núcleo ventral
póstero-lateral do tálamo (neurônio III)  radiações talâmicas  cápsula interna e coroa radiada  área
somestésica do córtex/ giro pós-central – consciência

1.4. VIA DE PROPRIOCEPÇÃO INSCONSCIENTE


Fusos neuromusculares e órgãos tendinosos (receptores)  gânglios espinhais (neurônio I)...

...  núcleo torácico/dorsal (neurônio II)  funículo lateral do mesmo lado  tracto espino-cerebelar posterior
 pedúnculo cerebelar inferior  cerebelo
...  coluna posterior e substância cinzenta intermédia (neurônio II)  funículo lateral do lado oposto  tracto
espino-cerebelar anterior  pedúnculo cerebelar superior  cerebelo (cruzam de novo antes de entrar)
...  núcleo cuneiforme acessório do bulbo (neurônio II) – propriocepção do pescoço e membros superiores 
tracto cuneo-cerebelar  pedúnculo cerebelar inferior  cerebelo

1.5. VIAS DE SENSIBILIDADE VISCERAL


Terminação nervosa livre (receptor visceral)  fibras viscerais aferentes/ nervos simpáticos (ou
parassimpáticos)  tronco simpático  ramo comunicante branco  nervos espinhais  medula  tractos
espino-talâmicos laterais do mesmo lado e do lado oposto

VIAS AFERENTES QUE PENETRAM NO SNC PELOS NERVOS CRANIANOS


1.6. VIAS TRIGEMINAL EXTEREOCEPTIVA
Corpúsculos de Meissner e Ruffini (receptores)  gânglios sensitivos anexos aos NC V, VII, IX e X – gânglio
trigeminal (V), gânglio geniculado (VII), gânglio superior do IX e gânglio superior do X (neurônios I)  núcleo do
tracto espinhal (V, VII, IX e X) ou núcleo sensitivo principal do trigêmeo (V) (neurônios II)  cruzam para o lado
oposto  lemnisco trigeminal  núcleo ventral póstero-medial do tálamo (neurônios III)  radiações talâmicas
 cápsula interna e coroa radiada  porção inferior do giro pós-central (área somestésica da cabeça)

1.7. VIA TRIGEMINAL PROPRIOCEPTIVA


Fusos neuromusculares na musculatura mastigadora, mímica e da língua; receptores na articulação temporo-
mandibular e nos dentes (receptores)  núcleo do tracto mesencefálico (neurônios I)  núcleo sensitivo
principal (neurônios II)  lemnisco trigeminal  núcleo ventral póstero-lateral do tálamo (neurônios III) 
radiações talâmicas  córtex

1.8. VIA GUSTATIVA


Corpúsculos gustativos da língua e da epiglote (receptores)  nervo intermédio (2/3 anteriores da língua),
nervo glossofaríngeo (1/3 posterior) e nervo vago (epiglote)  gânglios geniculado (n. intermédio), inferior do IX
e inferior do X (neurônios I)  tracto solitário  núcleo do tracto solitário (neurônios II)  núcleo ventral
póstero-medial do tálamo (do mesmo lado e do lado oposto) (neurônios III)  radiações talâmicas  área
gustativa do córtex/ parte inferior do giro pós-central

1.9. VIA OLFATÓRIA


Cílios olfatórios das vesículas olfatórias (receptores)  células olfatórias (neurônios I) na mucosa olfatória 
filamentos que atravessam a lâmina crivosa do osso etmoide  bulbo olfatório (células mitrais) (neurônios II) 
tracto olfatório estria olfatória lateral (e medial – impulsos inconscientes)  área olfatória/ parte anterior do
úncus e do giro para-hipocampal

1.10. VIA AUDITIVA


Órgão espiral situado na cóclea (receptor)  gânglio espiral na cóclea (neurônios I)  porção coclear do n.
vestíbulococlear  núcleos cocleares dorsal e ventral (ponte) (neurônios II)  cruzam para o lado oposto
(corpo trapezoide)  lemnisco lateral  colículo inferior (neurônios III)  braço do colículo inferior  corpo
geniculado medial (neurônios IV)  radiação auditiva  cápsula interna  área auditiva do córtex/ giro
temporal transverso anterior

OBS.: Existem algumas fibras dos núcleos cocleares que formam o lemnisco lateral do mesmo lado.
Alguns impulsos auditivos vindos dos núcleos cocleares podem passar pelo núcleo do corpo trapezoide, núcleo
olivar superior e núcleo do lemnisco lateral.

1.11. VIA VESTIBULAR CONSCIENTE


Cristas dos canais semicirculares e as máculas do utrículo e do sáculo (Porção vestibular do ouvido interno)
(receptores)  gânglio vestibular (neurônios I)  porção vestibular do n. vestíbulococlear  núcleos
vestibulares (neurônios II)  (tálamo)  área vestibular do córtex/ lobo parietal próximo à área somestésica da
face (e lobo temporal, próximo à área auditiva).

1.12. VIA VESTIBULAR INCONSCIENTE


Cristas dos canais semicirculares e as máculas do utrículo e do sáculo (Porção vestibular do ouvido interno)
(receptores)  gânglio vestibular (neurônios I)  porção vestibular do n. vestíbulococlear  núcleos
vestibulares (neurônios II)  fascículo vestíbulo-cerebelar  pedúnculo cerebelar inferior (parte medial = corpo
justa-restiforme)  arquicerebelo (algumas fibras do fascículo vestíbulo-cerebelar vão direto ao cerebelo).

1.13. VIA ÓPTICA


Receptores visuais (cones e bastonetes)  células fotossensíveis/ fotorreceptoras/ células de cone e células de
bastonete (neurônios I)  células bipolares (neurônio II)  células ganglionares (neurônio III)  papila óptica
 n. óptico  quiasma óptico (decussação parcial) ...
...  fibras retino-hipotalâmicas  núcleo supraquiasmático do hipotálamo (regulação dos ritmos biológicos)
...  fibras retino-tectais  braço do colículo superior  colículo superior (reflexos de movimento dos olhos)
...  fibras retino-pré-tectais  braço do colículo superior  área pré-tectal (reflexos fotomotor direto e
consensual)
...  fibras retino-geniculadas  corpo geniculado lateral (neurônio IV)  radiação óptica (tracto geniculo-
calcarino)  lábios do sulco calcarino

2. Quais são as diferenças entre as vias neo e paleoespino-talâmicas relacionadas à dor?


A via neoespino-talâmica está relacionada à sensação de dor aguda e bem localizada (tracto espino-talâmico
lateral), enquanto a paleoespino-talâmica está relacionada à dor crônica e difusa (tracto espino-reticular).

3. Qual seria a sintomatologia de lesão no quiasma óptico, núcleo do trato solitário, no úncus, no leminisco
lateral direito, no núcleo sensitivo principal do trigêmeo, no fascículo grácil esquerdo, no lemnisco
medial direito, no giro pós-central?
• Lesão da parte mediana do quiasma óptico: hemianopsia bitemporal (perda da região temporal do
campo visual) pela lesão das fibras provenientes das retinas nasais dos dois lados.
• Lesão da parte lateral do quiasma óptico: hemianopsia nasal do olho correspondente pela lesão
das fibras provenientes da retina temporal desse olho.
• Lesão do úncus: perda da olfação.
• Lesão do lemnisco lateral direito: pouca sintomatologia (porque o lemnisco lateral é formado por
fibras homo e contralaterais)
• Lesão do núcleo sensitivo principal do trigêmeo: perda do tato discriminativo/epicrítico da face e
redução do tato protopático e da pressão (também da face).
• Lesão do fascículo grácil esquerdo: perda da propriocepção consciente, tato epicrítico e
sensibilidade vibratória do lado direito.
• Lesão do lemnisco medial direito: perda da propriocepção consciente, tato epicrítico e sensibilidade
vibratória do lado direito.
• Lesão do giro pós-central: deficiência sensorial (incapacidade de reconhecer características
sensoriais de um objeto, como forma, tamanho, cor, dureza, etc) e perda da gustação.

4. Onde estão localizados os neurônios motores superior e inferior?


Os neurônios motores superiores se lozalizam na cápsula interna ou em áreas motoras do córtex. Os neurônios
motores inferiores estão localizados na coluna anterior da medula ou em núcleos motores de nervos cranianos.

5. Qual é o papel dos interneurônios na medula espinhal?


Na maioria dos mamíferos, as fibras motoras do tracto córtico-espinhal terminam na substância cinzenta
intermédia, fazendo sinapses com interneurônios. Esses interneurônios são responsáveis por transmitir o
impulso aos motoneurônios da coluna anterior. Esse mecanismo permite que as fibras exerçam uma ação tanto
excitatória quanto inibitória sobre os motoneurônios.

6. Qual é a função de: núcleo rubro, tratos retículo espinhal e vestíbulo espinhal, trato cortico-espinhal,
córtico nuclear, cerebelo e corpo estriado?

• Núcleo rubro: controle da motricidade somática (musculatura distal dos membros)


• Tracto retículo-espinhal: motricidade voluntária axial e proximal dos membros
• Tracto vestíbulo-espinhal: equilíbrio e postura básica
• Tracto córtico-espinhal: motricidade voluntária
• Tracto córtico-nuclear: funções dos nervos cranianos relacionados (fibras que vão do córtex aos
núcleos de nervos cranianos)
• Cerebelo: regulação do equilíbrio, do tônus e da postura.
• Corpo estriado: execução e planejamento motor

7. Qual seria a sintomatologia motora de uma lesão no trato córtico-espinhal lateral esquerdo na medula,
dos núcleos vestibulares esquerdos no tronco encefálico, do trato córtico nuclear, dos hemisférios
cerebelares, dos núcleos da base, da área pré-motora do lobo frontal, do giro pré-central e da coluna
anterior da medula espinhal?

• Tracto córtico-espinhal lateral esquerdo: déficit motor relativamente pequeno (a motricidade


voluntária está relacionada também aos tractos rubro-espinhal – musculatura distal dos membros –
e retículo-espinhal – musculatura axial e proximal dos membros)
• Núcleos vestibulares esquerdos
• Tracto córtico-nuclear: a maioria dos músculos da face não é paralisada; exceto os da língua
(enfraquecimento dos movimentos) e os mímicos da metade inferior da face (paralisias faciais
centrais)
• Hemisférios cerebelares: incoordenação motora
• Núcleos da base: doença de Parkinson (tremores, aumento do tônus, dificuldade para iniciar
movimentos voluntários), coreia, atetose, hemibalismo, doença de Alzheimer (núcleo basal de
Meynert)
• Área pré-motora do lobo frontal: apraxia (incapacidade de realizar certos movimentos voluntários) e
músculos com força diminuída (paresia)
• Giro pré-central: hemiparesia do lado oposto ao da lesão
• Coluna anterior da medula espinhal: hemiparesia do mesmo lado da lesão

8. Qual é a diferença entre paralisia flácida e paralisia espástica? Por que em AVCs a paralisia é
geralmente espástica e na poliomielite ela é flácida?
A paralisia flácida é caracterizada por perda dos reflexos e do tônus muscular, seguindo-se depois de algum
tempo de hipotrofia dos músculos inervados pelas fibras nervosas destruídas, e é própria da síndrome do
neurônio motor inferior. A paralisia espástica é caracterizada pela hipertrofia e hiper-reflexia, com presença do
sinal de Babinski, e praticamente não há hipotrofia (neurônio inferior intacto). Esta última é própria da síndrome
do neurônio motor superior.
Os AVCs acometem a cápsula interna ou a área motora do córtex, ou seja, levam à síndrome do neurônio
motor superior, o que explica a ocorrência da paralisia espástica. Na poliomielite, há destruição do neurônio
motor inferior situado na coluna anterior da medula ou em núcleos motores de nervos cranianos, isto é, leva à
síndrome do neurônio motor inferior, o que explica a ocorrência da paralisia flácida.

9. Elabore um esquema do controle da motricidade incluindo as vias e estruturas neuroanatômicas


mencionadas no capítulo de vias eferentes/motoras. =)