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Método de Saxofone

Método de Saxofone

Método de
Saxofone
César Albino

Segunda Edição
César Albino

Observação importante:

Esta é uma amostra promocional do Método de saxofone de César


Albino que foi re-publicado recentemente. Disponibilizarei esta demo
no site do autor (albinoteca.com.br) e na academia, onde disponibilizo
outros textos, como artigos, etc.

Estão postadas aqui apenas algumas páginas iniciais do livro. É im-


portante que não se poste este arquivo em sites diversos, pois isso
acarretará problemas com direitos autorais e não estou dando permis-
são para isso. Ajude no desenvolvimento de novos materiais agindo de
forma consciênte e ética.

É provável que se solicite uma senha para imprimir o arquivo, soli-


cite-a pelo email : cesaralbinosax@gmail.com
Método de Saxofone

“O Homem que nunca errou, foi


aquele que nunca fez coisa alguma”
Michel Quoist
Método de Saxofone
César Albino nasceu em 1962, em São Paulo. Inicia seus estudos musicais em 1973 e começa
o autor a tocar saxofone em 1979. Em 1980, ingressa no CLAM - Centro Livre de Aprendizagem
Musical, estudando com José Carlos Prandini. Em 1981, estuda harmonia com Amilson
Godoy e improvisação com Roberto Sion, no CMBP - Conservatório Musical Brooklin Pau-
lista. Em 1982, estuda arranjo e orquestração com Nelson Ayres e saxofone com Roberto
Sion, ainda no CMBP. Em 1986, estuda saxofone com Eduardo Pecci (Lambari), no CLAM,
e contraponto, com Abraão Chachamovitz.

Em 1982, ingressa como bolsista na Banda Sinfônica do Estado de São Paulo. Paralelamente
aos concertos da Banda Sinfônica, executa jazz em casas noturnas e bares, em diversas
formações, desenvolvendo a prática da improvisação. Em 1983, toca na LF Big Band, di-
rigida por Laércio de Freitas. Apresenta-se ao vivo na peça Máscaras, baseada no conto
Brincando no Bosque de Ryonosuke Acutagawa, encenada em São Paulo e também no
VIII Festival Internacional de Teatro de Manizales, Colômbia, em 1986. Escreve, dirige e
grava a trilha sonora para a montagem da peça Seis Autores em Busca de Um Personagem.
Participou de diversos grupos e big bands, dentre os quais se destacam os grupos Barraco
37, Casa 3, Quinteto Buenos Ayres e Queentet; as big bands da Fundação das Artes de
São Caetano do Sul, da ULM e do grupo de câmara Novo Horizonte, dirigido por Grahan
Gifftis. Acompanhou diversos cantores, entre eles Celso Viáfora, Roberto Riberti, Maria
da Paixão, Moacyr Camargo, Lé Dantas e Marco Neves, participando de shows, gravações
de discos e programas de televisão.

Liderou o quarteto de jazz AAAH IZAR JABÁ ZUZÁ, formado por excelentes músicos, se
apresentando em espaços alternativos e universidades. Com o grupo Queentet participa,
em 1993, do XII Festival de Jazz de San Rafael, Argentina, e do II Festival de Jazz de Viña
del Mar, Chile, onde obtém elogios da crítica especializada por seu estilo singular. Participa
dos I e II Festivais de Maringá, Paraná, em 1996 e 97, lecionando saxofone e informática
ligada à música, apresentando-se ao lado de músicos como Sílvia Góes, Kiko Moura, Délia
Fisher, Marco Pereira, Nélson Faria, entre outros. Em 1998, ainda nessa cidade, realiza
algumas oficinas e um concerto de jazz dentro da programação do festival. Em 2002 cria
com o pianista e compositor Celso Mojola um duo de música contemporânea ajudando a
divulgar peças para saxofone desse compositor. Mantém, desde 1982, intensa atividade
como professor de saxofone e flauta transversal. Leciona nas melhores escolas de São
Paulo, tais como o CLAM, onde exerceu o cargo de Supervisor do Departamento de Flauta
e Saxofone, e no CMBP, onde formou uma big band com participação de alunos e profes-
sores, tendo a oportunidade de escrever arranjos para vários níveis e formações. Grande
parte dos integrantes dessa Big Band são hoje músicos profissionais, disseminando as
técnicas utilizadas nessa atividade em diversas orquestras de São Paulo.

Em meados de 2001 conclui uma pós-graduação em Técnicas do Ensino Musical na Facul-


dade de Música Carlos Gomes, instituição centenária onde pôde lecionar saxofone e
improvisação por mais de dez anos. Em 2009 conclui pela UNESP seu mestrado com a
dissertação ¨A importância do ensino da improvisação no desenvolvimento do intérprete¨.
Foram publicados até o momento, cinco artigos científicos em revistas especializadas a
partir de tópicos dessa dissertação. É professor de saxofone na EMESP e professor de di-
versas disciplinas como harmonia e contraponto dos cursos de música da ETEC de Artes
em São Paulo.
César Albino

Escrever este método foi uma necessidade. Como eu poderia convencer um jovem estudante,
prefácio

que vinha à minha procura, cheio de motivação, a utilizar um material que, apesar de eficiente,
era caro, feio, vagaroso, em língua estrangeira e muitas vezes antiquado, não só no sentido
estético como no conteúdo? Quando uma criança começa a andar, a preocupação de sua mãe é
notável. Todo apoio e atenção são oferecidos àquela criança. O que seria dela se colocássemos
vários obstáculos à sua frente e, ao invés de um piso macio e aconchegante, colocássemos um
piso ríspido ou escorregadio? Era assim que eu me sentia. Como fazer com que aquela pessoa
à minha frente, ávida por aprender, cheia de disposição, mantivesse aquela alegria e empenho
com um material tão obsoleto? Como ensinar ainda a uma pessoa, uma idéia que nem mesmo
se acredita mais?

Na busca incessante em suavizar, direcionar, conduzir e, principalmente, manter aquela chama


acesa, por muitas vezes me deparei escrevendo exercícios antes das aulas ou até mesmo durante
elas. Durante anos experimentei os exercícios aqui contidos com meus alunos, procurando
cada vez mais facilitar as dificuldades e abreviar os caminhos, sem, contudo, desviá-los de seu
objetivo final: tocar música, ser feliz, ser uma pessoa melhor... Tudo isso utilizando como in-
strumento de aprendizado o saxofone. Esse instrumento maravilhoso que encanta as pessoas
do mundo todo, apesar de sua pouca idade.

Este método não nasceu do dia para a noite. Foram mais de quinze anos experimentando e
comparando materiais diversos. Sempre haviam lacunas muito grandes a serem transpostas,
então eu não sossegava enquanto não encontrava uma maneira mais interessante, gostosa e
fácil de guiar o estudante. Sempre achei que existe uma maneira melhor de se ensinar alguma
coisa. É bem possível que em pouco tempo, eu ou outra pessoa encontre maneiras melhores
de se ensinar o que aqui está.

Outro fator importante que me empurrou a este fim foi o avanço da informática. Sempre fui um
apaixonado por essa tecnologia e, desde o início, procurei utilizá-la com o objetivo de melhorar
as minhas aulas e também a qualidade visual dos exercícios que escrevia.

Lembro-me que minha irmã estudava piano. Hoje ela não se lembra de nada do que aprendeu.
Isso ocorre porque ela não aprendia música. Ela aprendia a decifrar partituras. Música é uma
coisa muito mais ampla do que partituras. Nenhuma ideia ficou guardada dentro dela, nem
mesmo uma simples canção. Por outro lado, ainda encontro alunos que mesmo não tendo se
tornado profissionais, ainda se lembram de muitas coisas, talvez para toda a sua vida, princi-
palmente dos momentos agradáveis que tiveram com a música. Por mais que o tempo passe
e por mais ocupados que eles estejam em suas vidas, eles ainda mantêm aquela chama e a
música dentro de si. Isso é muito gratificante para mim e mostra que estou no caminho certo.
Que este livro não fique numa prateleira tomando pó. Que ele traga a luz e a alegria da música
para o seu coração.

César Albino, São Paulo, 7 de janeiro de 2000


Revisão em 17 de setembro de 2015
Método de Saxofone

A História do Saxofone..................................................................................i
sumário

As Partes do Saxofone..................................................................................ii
a boquilha.......................................................................................................... ii
a palheta........................................................................................................... ii
A colocação da palheta na boquilha............................................................... iii
Produzindo o som do saxofone ..................................................................... iii
Praticando com a boquilha e o tudel ..............................................................v
Postura.......................................................................................................v
Fluxo de ar ................................................................................................v
O conceito de ar frio versus ar quente ........................................................ viii
Como Estudar.......................................................................................... viii
Doze dicas, por Winton Marsalis.................................................................. viii
As posições do saxofone ............................................................................. vi

PRIMEIRA PARTE

Capítulo 1
Exercícios de digitação: as notas naturais e a notação tradicional.......................2
1.1 Primeira Oitava......................................................................................3
1.2 Segunda Oitava.....................................................................................4
1.3 Rítmica.................................................................................................6
Introdução.........................................................................................................6
Figuras rítmicas..................................................................................................6
Aumentando o valor das figuras (1): ligaduras de valor............................................7
Aumentando o valor das figuras (2): ponto de aumento...........................................7
Acentuação........................................................................................................8
Compasso..........................................................................................................8
Fórmula de Compasso.........................................................................................8
1.4 Pequenos Duetos....................................................................................9
1.5 Exercício diatônico #1...........................................................................10
1.5 Mudança de Registro.............................................................................11
1.6 Músicas, finalmente.............................................................................. 12
Brilha, Brilha Estrelinha..................................................................................... 12
Brilha, Brilha Estrelinha #2................................................................................ 12
Old McDonald.................................................................................................. 12
Old McDonald #2............................................................................................. 12

Capítulo 2
Notas com acidentes e outras possibilidades rítmicas......................................14
2.1 Fá sustenido / rítmica II / músicas..........................................................14
2.2 Si bemol / rítmica III / músicas .............................................................16
2.3 Dó sustenido / rítmica IV / músicas........................................................18
2.4 Mi bemol / rítmica V / músicas ..............................................................20
2.5 Sol sustenido / rítmica VI / músicas........................................................22
Síncopa (rítmica VI).......................................................................................... 22
Quiálteras: tercina (ritmica VII).......................................................................... 23
2.6 Articulação..........................................................................................24
César Albino

Capítulo 3
3.1 Os Sustenidos......................................................................................26
3.2 Os Bemóis...........................................................................................28
3.3 Mix.....................................................................................................30
3.4 A Escala Cromática...............................................................................32
Ascendente com uma oitava.............................................................................. 32
Descendente com uma oitava............................................................................ 33
Ascendente com duas oitavas............................................................................ 34
Descendente com duas oitavas.......................................................................... 35
3.5. Exercícios de Sonoridade...................................................................... 36
Sonoridade 1................................................................................................... 37
Sonoridade 2................................................................................................... 36
Sonoridade 3................................................................................................... 36
Sonoridade 4................................................................................................... 37
O sistema cromatico......................................................................................... 38

Capítulo 4
4.1. Exercícios diatônicos #2 ............................................................................ 40
4.1.1 Diatônicos #2-1....................................................................................... 40
4.1.2 Diatônicos #2-2....................................................................................... 41
4.1.3 Diatônicos #2-3....................................................................................... 41
4.2 Minuetos de Bach....................................................................... 42
4.2.1 Minueto #1 (saxes em mib)...................................................................... 42
4.2.2 Minueto #1 (saxes em sib)........................................................................ 43
4.2.3 Minueto #2 (saxes em mib)...................................................................... 44
4.2.4 Minueto #2 (saxes em sib)........................................................................ 45
4.2.5 Minueto #3 (saxes em mib)...................................................................... 46
4.2.6 Minueto #3 (saxes em sib)........................................................................ 47
4.2.7 Bourrée.................................................................................................. 48
4.3 Compasso composto................................................................... 49
4.3.1 Noção teórica.......................................................................................... 49
4.3.2 Tarantela................................................................................................ 50
4.4 Allegro (excerto da Sonata em Dó maior para flauta e continuo) ...... 51
4.6 Exercícios de mecanismo (Ivan Meyer).......................................... 52
4.5 Concordância e Diferenças...........................................................54
4.5.1 Versão para saxofones em Mib.................................................................... 54
4.5.1 Versão para saxofones em Sib.................................................................... 56

Segunda Parte

Capítulo 5
5 Escalas e arpejos maiores............................................................... 60
5.1 Dó maior.................................................................................................... 61
5.2 Sol maior................................................................................................... 62
5.3 Fá maior..................................................................................................... 63
5.4 Ré maior.................................................................................................... 64
5.5 Lá maior..................................................................................................... 65
5.6 Sib maior................................................................................................... 66
5.7 Mib maior................................................................................................... 67
5.8 Pequenos padrões tonais.............................................................................. 68
5.9 Escalas em todo o sax.................................................................................. 69
Armaduras de clave .................................................................................. 70
Método de Saxofone

Capítulo 6
Escalas e arpejos maiores e menores..................................................71
6.1 Lá maior/menor.......................................................................................... 72
6.2 Ré maior/menor.......................................................................................... 73
6.3 Sol maior/menor......................................................................................... 74
6.4 Dó maior/menor.......................................................................................... 75
6.5 Mi maior/menor........................................................................................... 76
6.6 Si maior/menor........................................................................................... 77
6.7 Fá# maior/menor........................................................................................ 78
6.8 Dó# maior/menor........................................................................................ 79
6.9 Fá maior/menor.......................................................................................... 80
6.10 Sib maior/menor........................................................................................ 81
6.11 Mib maior/menor....................................................................................... 82
6.12 Láb maior/menor....................................................................................... 83
6.13 Pequenos padrões tonais #2 (maior).................................................84
6.14 Pequenos padrões tonais #3 (menor)................................................86
6.15.1 Escalas em todo o sax #2 .............................................................88
6.15.2 Escalas em todo o sax #3 .............................................................89
6.16 Acordes (Triades) ...........................................................................90
6.16.1 Base Dó............................................................................................. 90
6.16.2 Base Ré............................................................................................. 90
6.16.3 Base Mi.............................................................................................. 90
6.16.4 Base Fá............................................................................................. 91
6.16.5 Base Sol............................................................................................ 91
6.16.6 Base Lá.............................................................................................. 91
6.16.7 Base Sá............................................................................................. 91
6.17 Acordes com sétima (Tétrades) ........................................................92
6.17.1 Base Dó............................................................................................. 92
6.17.2 Base Ré............................................................................................. 93
6.17.3 Base Mi.............................................................................................. 93
6.17.1 Base Fá............................................................................................. 94
6.17.1 Base Sol............................................................................................ 94
6.17.1 Base Lá.............................................................................................. 95
6.17.1 Base Si.............................................................................................. 95
6.18 Acordes com nona ..........................................................................96
6.18.1 Base Dó............................................................................................. 96
6.18.2 Base Ré............................................................................................. 97
6.18.3 Base Mi.............................................................................................. 97
6.18.1 Base Fá............................................................................................. 98
6.18.1 Base Sol............................................................................................ 98
6.18.1 Base Lá.............................................................................................. 99
6.18.1 Base Si.............................................................................................. 99
6.19 Estudo dos intervalos ................................................................... 100
6.19.1 Terças.............................................................................................. 100
6.19.1 Quartas........................................................................................... 101
6.18 Harmônicos.................................................................................. 102
Brilha, brilha harmoniquinho......................................................................... 104
Método de Saxofone
A Aloice Secco Caetano, pela bela e frenética capa e pelo apoio. A Antônio Domigos Sacco,
agradecimentos Márcia Visconti e Denise Brandani, pelo carinho, pelas dicas, pelo imenso repertório de
piadas que ajudaram a minimizar os quilômetros rodados pelo estado de São Paulo e pelas
importantes reuniões no “escritório”. A André e Sérgio Nader, pelas observações super
inteligentes e pelos pedaços de bolo. A Elenice e Roberto Farias, pela força na parte gráfica.
A Celso Mojola, pela peça escrita especialmente para o método, pelos papos “super-cabeça”
antes dos ensaios e por me ensinar a escrever textos coerentes. A Roberto Sion, pelas idéias
plantadas lá no fundo, pelo amor à música e ao saxofone e pelas noites de segunda-feira
no “Lei-seca”. A Jorge Thomas e Elifas Alves, pelo apoio. A Paulo Brombal e Regina Lyrio
pelas observações referentes ao texto. A Aldo e Cássia Bove, pelos socorros e pelas tardes
de sexta feira. A Carlos Perrén e Alberto (Tano) Ranelucci, pela paciência e competência no
estúdio. A Liliana Bollos, pela “harmonia”. Às minhas duas diretoras, pelo crédito, confiança
e incentivo: Cleide Borba Oliveira e Sonia Albano e a todos os alunos que estudaram comigo
nesses anos, por suportarem minhas mudanças e por participarem do processo, em especial
a uma aluna extremamente exigente que me fez mudar, por diversas vezes, partes deste
método com sugestões e críticas realmente fundamentais: Gwinever Cassetari.

Agradecimentos super especiais a Carolina Gomes Coelho (3/8/1926-7/7/2001), minha


mãe, por me suportar estudando, por me apoiar nos momentos mais difíceis, pelo caráter
herdado e pela fé em Deus.

Obrigado a todos.

César Albino

Muito tempo foi necessário para elaborar este método. Muito tempo foi necessário para
dedicatória

finalizá-lo. Muitas horas de estudo, muitas horas de aulas dadas e tomadas também.
Mesmo antes de ter um mestre, eu tinha um problema: onde comprar um saxofone? E se
ele quebrar? Quem irá consertar? Em 1979 só havia uma resposta: Bove. Algumas pessoas
que conheceram Pixinguinha dizem: “foi o homem mais bondoso que já pude conhecer”.
Infelizmente eu não conheci Pixinguinha, mas conheci esse senhor que parecia ser o ir-
mão italiano dele. Além da bondade, Bove tinha em comum com Pixinguinha o hábito de
tocar saxofone e de tocar choros. Bove nasceu em 19/12/1925 e morreu em 16/06/1997.
É assim que quero me lembrar dele: como o homem mais bondoso que conheci. Acredito
que todos que o conheceram devem pensar assim também. Em diversas situações onde o
caos parece predominar e tenho de interagir, tento imaginá-lo trabalhando em sua oficina
com sua serenidade. Serenidade, é essa a palavra. Aprendi muitas outras coisas com Bove,
mas ainda não consigo tocar aquela frase que ele tocava sempre que experimentava um
saxofone, e que som, que som de saxofone!
Método de Saxofone
O saxofone foi inventado em 1841 e patenteado em 1846 por Adolphe (Antoine Joseph) Sax
a história do saxofone (Dinant, 1814 – Paris, 1894), um judeu belga pertencente a uma família de fabricantes de in-
strumentos musicais. Em 1857, Adolphe Sax tornou-se instrutor de saxofone no Conservatório
de Paris. Sax foi ainda inventor de outros instrumentos, tais como o Sax Horn, uma espécie
de tuba. O fato de o saxofone ter sido inventado por um judeu faria com que saxofonistas na
Alemanha Nazista fossem perseguidos.

Apesar de ser de metal, o saxofone pertence à família das madeiras. Isso ocorre porque ele
combina em sua construção a palheta simples, com boquilha do clarinete e o corpo cônico do
oboé, com o interessante mecanismo de chaves da flauta moderna introduzido por Böehm
em 1847. Uma classificação mais interessante para esses instrumentos de sopro hoje seria:
instrumentos de chaves. O saxofone existe em sete tamanhos: sopranino, soprano, contralto
ou alto, tenor, barítono, baixo e contrabaixo. O sopranino, o alto, o barítono e o contrabaixo
soam em mi bemol, enquanto que o soprano, o tenor e o baixo, soam em si bemol (veja no final
desta página um esquema para fazer as transposições). A maior parte dos saxofones é curvo.
O soprano, mais comum na forma reta como o clarinete, aparece também na forma curva. Já
o sopranino é reto, aproximando-se do tamanho de uma flauta doce contralto.

O saxofone é muito utilizado em bandas militares e se tornou muito popular nos Estados Uni-
dos, particularmente, onde se confunde com o desenvolvimento do jazz.

Os saxofones mais comuns são o soprano, o alto e o tenor. É muito difícil para o iniciante escolher
qual saxofone deseja tocar. Nesse caso, recomendo iniciar os estudos com um alto ou tenor,
já que são os mais fáceis de encontrar no mercado e por isso mais acessíveis. Mais adiante,
quando já estiver familiarizado, o novo músico poderá optar por aquele de sua preferência. É
muito comum, no entanto, tocar mais de um saxofone, já que todos possuem um mecanismo
padrão.

oitava oitava

quando o ouve-se estas, soprano (sib) alto (mib) tenor (sib) barítono (mib)
saxofonista dependendo segunda sexta maior nona maior décima terceira
toca esta nota do saxofone: maior abaixo abaixo abaixo maior abaixo
(1 tom) (4 tons e ½) (7 tons) (10 tons e ½)

se quer tenor (sib) barítono (mib)


deve escrever, soprano (sib) alto (mib)
ouvir esta uma nona décima terceira
dependendo segunda sexta maior
nota (dó central) maior acima maior acima
do saxofone, maior acima acima
estas notas (1 tom) (4 tons e ½) (7 tons) (10 tons e ½)

oitava
oitava

i
César Albino

as partes do saxofone A boquilha


A boquilha é a peça que se encaixa na ponta do saxofone (tudel) e na qual é fixada a palheta.
Geralmente a boquilha é feita de massa plástica, podendo ser também de metal. Há ainda
boquilhas de madeira ou acrílico, mas de qualidade duvidosa. A boquilha de massa plástica
é a mais indicada para os iniciantes. Apesar de existirem boquilhas de metal de excelente
qualidade, o recomendável é somente utilizá-las depois de, pelo menos, dois anos de estudo,
pois é mais difícil o controle do som.

Não somente o material, mas também o formato interno das boquilhas pode variar bastante,
o que altera significativamente o som produzido e, consequentemente, a maneira de tocar.
Não existe um padrão entre os fabricantes. Assim, cada um deles usa suas próprias especifi-
cações. De uma forma geral, duas dimensões são definidas: a profundidade da abertura (A)
e a sua altura (B). Quanto menor for o valor de A e maior o de B, mais estridente será o som
produzido e, assim, mais difícil o controle. Entretanto, as dimensões opostas resultam num
som abafado e pequeno. Desse modo, o ideal, em minha opinião, é uma boquilha de dimen-
sões intermediárias.

Os instrumentos geralmente vêm com boquilhas adequadas para um iniciante, mas você pode,
com alguns meses de estudo, procurar uma boquilha que se adapte melhor às suas ambições
musicais. Por outro lado, uma boquilha
inadequada pode fazer qualquer um de-
sistir de tocar em poucas semanas - fique
atento a esse detalhe!

A palheta

A palheta tradicional é de uma espécie de bambu de alta qualidade, com cultivo e colheitas controlados com
o cuidado semelhante à uva para vinhos. Utilizamos palhetas comerciais. Eu particularmente não conheço
nenhum saxofonista que fabrica sua própria palheta, mas acredito que seria importante conhecer essa
arte para poder modificar as palhetas compradas no mercado ao meu gosto. Quem vive longe dos grandes
centros deve encontrar dificuldades para comprar palhetas apropriadas ainda nos dias de hoje. Existem
ainda palhetas sintéticas, que a meu ver apresentam um som muito artificial, mas têm a vantagem da alta
durabilidade e de não serem tão sensíveis às variações atmosféricas. Assim como as boquilhas, não existe
um consenso entre os fabricantes de palhetas quanto à numeração (variação de dureza da palheta indo da
mais mole à mais dura). No começo, recomendo a você comprar duas palhetas de cada tipo, até encontrar
aquela mais adequada ao seu conjunto. É comum ainda, após alguns meses, o estudante passar a utilizar
uma palheta mais dura. Assim que chegar a uma conclusão, compre uma caixa, geralmente com 10 pal-
hetas. Costumo numerar minhas palhetas e utilizá-las alternadamente. Assim, tenho sempre 10 palhetas
em boas condições de uso e percebo que elas duram mais, já que lhes dou um bom tempo de descanso.

Vão aqui duas dicas importantes para se escolher uma palheta:


1- a palheta deve ser o mais simétrica possível, com o corte bem no seu eixo;
2- o comprimento da pala (C) deverá ser como o indicado na tabela a seguir, segundo o saxofone utilizado.
Enxugue sempre as palhetas após seu uso e tenha o hábito de guardá-las em local adequado. Existe no
mercado um objeto denominado “porta-palhetas” (em inglês, reedgard), que protege a palheta e ainda
evita seu empenamento.
ii
Método de Saxofone

saxofone pala (C) em mm


soprano 31
alto 37
tenor 42
A colocação da palheta na boquilha

Deve-se alinhar bem o eixo da palheta com o eixo da boquilha e a ponta da palheta deve estar
alinhada com a ponta da boquilha. Depois de acertar bem os alinhamentos, fixe a palheta com a braçadeira,
de forma que ela fique bem presa, mas não apertada demais. Caso a palheta não apresente um bom som,
experimente colocá-la um pouco mais para fora ou para dentro. Nesse caso, é possível que a palheta esteja
fora das dimensões da tabela da página anterior. Confira com uma régua, mas confie sempre no seu ouvido
e lábio. Isso feito, fixe a boquilha no seu instrumento, com a palheta voltada para baixo. Se o encaixe da
boquilha ao saxofone não for confortável, providencie a troca da cortiça por uma de tamanho adequado.

A embocadura ou mordida, deve ser colocada no ponto em que a boquilha e a palheta se separam.
Scott Plugge sugere enfiar cuidadosamente um cartão de visitas entre a boquilha e a palheta, bater
suavemente esse cartão para dentro
e estimar esse ponto.

F1

Produzindo o som do saxofone

Se você está lendo este texto agora é porque teve provavelmente, em algum momento de sua vida,
uma experiência estética (artística) impactante que envolveu o som do saxofone. Não é algo visual como
alguns pensam: acho o instrumento lindo, sua forma, sua cor... Isso é importante e bacana, mas sabemos
que é o som que nos arrebatou e nos fez chegar até aqui. Cada um terá uma história para contar e é o som
que importa.

É importante que se diga aqui e agora: este não é um livro mágico que promete que você possa
aprender sozinho. Longe disso. Recomendamos que você tenha um bom professor, alguém que te oriente,
principalmente neste início. Discuta os princípios a seguir com seu professor, questione e experimente.
Lembre-se que nosso objetivo é tirar um bom som e muitas dessas questões são provisórias, nada é tão
definitivo, porém, alguns erros agora podem inviabilizar seu projeto de tocar um saxofone.

Para produzir o som do saxofone, você deve encostar os dentes na parte superior da boquilha e
dobrar ligeiramente o lábio inferior para dentro, evitando que seus dentes inferiores toquem a palheta.

A esse gesto damos o nome de embocadura. Para completar a cena, experimente um sorriso for-
çado... pronto, já pode tirar uma foto!

iii
César Albino
Scott PLUGGE (2003) adverte para alguns pontos:
1- A arcada dentária superior deve estar firmemente apoiada na parte superior da boquilha.
2- O lábio inferior deve cobrir ligeiramente os dentes inferiores, dobrado ligeiramente para dentro, sem
exageros.
3- Os cantos da boca são empurrados para fora a apartir do centro labial imaginando fazer um círculo
muscular como fazemos, por exemplo, para assobiar.
4- É preferível levar as “covinhas” formadas nos cantos dos lábios para cima que para baixo1.
5- Os arcadas dentárias superior e inferior devem estar alinhadas.
6- A embocadura deve ser firme, mas não apertada. Se seus lábios inferiores estiverem ficando vermelhos,
pare de tocar.

Verifique se você consegue sentir a ponta da palheta com a ponta de sua língua, e siga os seguintes
passos:
1. Após formar a embocadura como foi explicado acima, coloque a ponta da língua na ponta da palheta de
forma que impeça completamente a entrada de ar.
2. Assopre e retire a língua com velocidade, como se você fosse cuspir uma bolinha de papel.
3. Provavelmente, a essa altura, você deve ter ouvido o som do seu saxofone, caso contrário repita os pas-
sos 1 e 2 novamente até conseguir.

Geralmente pronunciamos a sílaba TU2 para produzir uma nota nos instrumentos de sopro. A esse
ataque damos o nome de golpe de língua.

Agora que seus vizinhos já “sentiram o drama”, vamos falar sobre como utilizar a respiração de uma
forma mais eficiente para tocar seu saxofone. Vamos utilizar um músculo chamado diafragma, do qual você
não tem muito controle por ser um músculo involuntário (se move independente de sua vontade). O dia-
fragma se expande, movendo-se para baixo e para fora quando você inspira e se contrai e afunda quando
você expira. Para iniciar, faça o seguinte exercício: movimente seu abdômen o mais para baixo possível
e depois mova-o lentamente para cima. Repita esse movimento várias vezes começando lentamente, e
aumente a velocidade aos poucos.

Experimente repetir o exercício “chupando” ar quando movimenta o abdômen para baixo, segu-
rando-o por um instante e soltando-o vagarosamente. É importante manter os ombros, braços e mãos
bem relaxados. Evite também tencionar o tórax. Experimente falar seu nome enquanto solta o ar. Se você
estiver falando forçado é porque não está relaxado o suficiente.

Você pode fazer esse exercício quando estiver tenso ou nervoso. Os indianos acham que sua vida é
contada pelo número de vezes que se respira. O curioso é que em alguns momentos, quando você estiver
tocando, terá de fazer muita força com alguns músculos e relaxar completamente outros. Você é capaz de
fazer isso, basta tentar e praticar.

1- Não conheço ninguém que toque com essas “covinhas” para baixo que tenha um bom som. De fato, isso compromete a
embocadura. Se você estiver tocando assim: sugiro que pare imediatamente de tocar e procure ajuda.
2- Tenho tido notícias de saxofonistas em São Paulo que têm usado a sílaba “Hoo” para produzir o som. Sou da opinião que
o “Tu” é mais fácil e eficiente no início da aprendizagem. A utilização da sílaba “hoo” por outro lado, induz a pessoa a utilizar
o diafragma de forma mais eficiente. Creio que o ideal seria uma mescla das duas técnicas, ou seja, pronunciar o “tu” com o
impulso do diafragma, como se faz com o “hoo”.
iv
Método de Saxofone

Praticando com a boquilha e o tudel

Esta é uma excelente maneira de conseguir o foco adequado da coluna de ar, bem como os passos
que encaminham para uma boa entonação. Monte seu equipamento (palheta, boquilha e tudel) e produza
sons em seu saxofone.     

Agora repita aquele exercício do TUUUUU e quando respirar, respire pra valer, com profundidade,
como você faz ao bocejar.

É possível tirar uma série de sons diferentes a partir de um instrumento musical, mas, prezamos por
técnicas que nos permitam buscar o que podemos considerar um bom som de saxofone e que possamos
tocar de uma forma prazeirosa por muito tempo, seja em termos de horas em um dia ou anos em uma
vida.

Postura

Pesquise sobre a técnica Alexander, ou se puder e tiver dinheiro, pratique-a sobre orientação profis-
sional. Eu pessoalmente, pratico a técnica de forma intuitiva e nunca tive problemas, mas sei de pessoas
que tiveram problemas que poderiam ter sido resolvidos com a técnica, como aconteceu com o próprio
Alexander. Esses problemas podem, além de impedir de tocar bem um instrumento (até mesmo a voz),
impedir uma atuação profissional. Seguem alguns princípios da técnica:

• O alinhamento da coluna vertebral desde a cabeça até o cóccix: Ao tocar o saxofone, a correia deve
estar ajustada, a fim de que a parte de trás do pescoço esteja linear, uma vez que os dentes superiores
estão apoiados na boquilha. O artista precisa “levar o instrumento para si mesmo.” A correia deve
ser confortável e ao mesmo tempo firme, sem escorregar ou esticar. A coluna precisa manter seu
alinhamento proporcionando uma capacidade respiratória máxima e para não impedir o fluxo do ar.
• A posição da mão no saxofone deve ser naturalmente curvada, algo parecido com a posição da
mão quando escrevemos, comemos ou seguramos uma escova de dentes (firme e natural). Coloque
as mãos para baixo ao seu lado sem tensão muscular. Observe a curvatura natural dos dedos e tente
aplicar essa posição ao tocar o saxofone.

Os procedimentos acima não só irão aliviar o stress e evitar lesões ocasionadas por movimentos
repetitivos inadequados (tendinite ou outras), como trarão melhorias perceptíveis na qualidade do som
produzido. Repare nos ombros de grandes músicos tocando: como eles estão? Tensos e duros para frente
ou abaixados e relaxados? Essa imagem diz muito para mim. O mesmo ocorre com esportistas e com as
crianças. Assista filmes de jogadores como Pelé jogando e veja como ele não luta com seu corpo, o corpo
simplesmente o obedece. O mesmo ocorre com grandes músicos tocando e maestros regendo. Pense ainda
que, se você estiver fazendo uma coisa de forma inapropriada, quanto mais fizer, pior irá ficar.

Fluxo de ar

O saxofone exige um rápido e focado fluxo de ar.


Exercício sugerido: coloque sua mão a uma distância de uns 10 centímetros na frente de sua boca
e sopre uma coluna rápida e focada em direção à palma de sua mão. Sinta como está seu sopro, se está
quente, se está frio, se está focado ou se está espalhado, se está forte (com pressão) ou se está fraco (sem
pressão)... Aprenda com seu corpo!

v
César Albino

as posições do saxofone

polegar 13
P-polegar
indicador A A + 12 14 (A)
médio B
mão esqueda

anular C I-indicador
mindinho 8, 9, 10 ou 11
palma da mão 15 15 e 16 15, 16 e 17
indicador D
M-médio
médio E 4
mão direita

anular F 3 A-anular
mindinho 1 ou 2
lateral da mão 5, 6 ou 7 D-mindinho

vi
Método de Saxofone

vii
César Albino

O conceito de ar frio versus ar quente

O conceito de ar frio implica no foco da coluna de ar produzida na parte da frente da boca, próxima
à boquilha e ao tudel (experimente na sua mão!) . Essa ideia propicia a um som pequeno e não resolve a
questão de deixar a língua baixa e pode criar tensão.
O conceito de ar quente ocorre quando fazemos no frio para aquecer as mãos... o Hoo do fundo
da garganta!. Sua utilização elimina o problema da parte de trás da posição da cavidade bucal ou da língua
e enfatiza relaxamento (que é necessário), no entanto não resolve o foco de ar na parte da frente da boca,
onde o fluxo de ar deve passar entre a boquilha e a palheta. Assim, parece que uma fusão das duas técnicas
seria a adequada.

Estudar e tocar são ações completamentente diferentes. Quando você toca, põe em prática alguns
como estudar

dos resultados que obteve com seu estudo. Assim, o ato do estudo precede o de tocar. Não que
não se aprenda tocando, todos aprendem. Mas se você não estudar, não terá o que aplicar quando
for tocar e estará impondo limites a si mesmo, ao invés de estar ampliando suas habilidades.

Por outro lado, você só adquire um hábito repetindo ações no dia a dia, o que quer dizer que você
só adquirirá o hábito de estudar exercendo o ato de estudar todos os dias. Somente após umas
3 semanas você estará habituado a estudar música. Procure estudar todos os dias, no mesmo
horário, começando com 30 minutos/dia e ir aumentando esse tempo. A regularidade é muito
importante. Você pode imaginar o que seria de um jogador de basquete que não praticasse ar-
remessos constantemente?

Portanto, mãos à obra: estude todos os dias que puder, de preferência no mesmo horário. Deixe
o fim-de-semana para tocar com os amigos, depois de estudar, é claro. Em pouco tempo, você
estará tocando seu saxofone e experimentando o prazer que poucos mortais já sentiram!

1- Arrume um professor, alguém que saiba (ensinar) aquilo que você quer aprender. Não
Doze dicas, por
Winton Marsalis

seja orgulhoso.
2- Organize-se para praticar diariamente, de preferência sempre no mesmo horário.
3- Estipule objetivos.
4- Concentre-se enquanto pratica. Dê sempre o máximo de si ao fazer uma coisa.
5- Relaxe. Pratique sempre devagar.
6- Gaste mais tempo nas passagens difíceis.
7- Toque sempre como se estivesse cantando, seja expressivo. Utilize uma atitude apro-
priada para cada ocasião. Tente sempre ser você mesmo.
8- Não seja tão severo com você mesmo enquanto estiver praticando e quando cometer
um erro. Você aprende com seus erros.
9- Não tente ser exibido. Não toque por aplausos.
10- Pense por você mesmo. Não seja um robô. Questione sempre.
11- Seja otimista.
12- Procure sempre por conexões entre pessoas e entre assuntos.

viii
Método de Saxofone

PRIMEIRA PARTE
Capítulo 1
- As notas naturais na primeira e segunda oitavas
- Introdução à rítmica e sua notação
- As primeiras músicas

1
César Albino

As notas naturais e a notação tradicional


Exercícios de digitação O objetivo principal dos próximos exercícios é a fixação das notas e suas posições. Você não deve se
preocupar com o som em um primeiro momento, mas é bem possível que em pouco tempo - 3 sema-
nas talvez -, você esteja com um bom som, caso os pratique como indicado mais abaixo. A cada novo
exercício lhe será apresentada uma ou mais notas. Veja abaixo como estão montados esses exercícios:
comocomo
como a nota é escrita posição a ser executada no instrumento

FÁ1.3
exercício propriamente dito

procedimentos de estudo
Toque cada nova nota apresentada a você como a seguir:
1. Toque uma nota curta, pronunciando a sílaba “TU” (como se fosse cuspir uma bolinha de papel).
2. Toque uma nota curta e a seguir uma longa. Procure sustentar o máximo que puder essa última
nota. A cada dia você sentirá uma melhora.
3. Toque duas notas curtas seguidas de uma longa.
4. Toque três notas curtas seguidas de uma longa.
Obs: evite respirar a cada nota tocada, respire somente depois da nota longa. Evite mover os lábios
quando pronuncia a sílaba TU, evite todo movimento excessivo.
Feito isso, passe para o exercício propriamente dito, realizando os passos seguintes:
1. Fale o nome das notas obedecendo um pulso pré determinado. 1 nota = 1 pulso.
2. Fale o nome das notas ao mesmo tempo em que as digita no instrumento.
3. Toque o exercício, pronunciando a sílaba TU para cada nota escrita.
4. Toque o exercício, repetindo cada nota duas vezes: si si lá lá sol sol , etc...
5. Toque o exercício, repetindo cada nota três vezes: si si si lá lá lá sol sol sol , etc...
6. Toque mais uma vez o exercício repetindo uma vez cada nota como em 3.
7. Finalmente, toque o exercício ligando as notas, para isso pronuncie a sílaba TU apenas na
primeira nota prolongando o som para todas as outras, assim: TUUUUUUU. Este recurso não funciona
com notas repetidas.

A ideia de repetir notas é muito boa para firmar a musculatura envolvida.

Não foi proposta uma métrica para os exercícios por duas razões:
1. Não desviar a atenção do aluno para o verdadeiro objetivo dos exercícios, que é a fixação das
notas e suas posições.
2. O aluno e o professor podem variar a métrica dos exercícios de acordo com sua vontade em
uma fase posterior.

Nada impede que se trabalhe a parte rítmica isoladamente com o aluno até que ele se sinta seguro para
juntar as partes. Pode-se trabalhar esses exercícios juntamente com os da página 5 concomitantemente.
Boa sorte. César Albino.

2
Método de Saxofone

1.1.1 si lá sol
1.1 Primeira oitava

dó I II toque o exercício com a posição I e depois


com a II
1.1.2


1.1.3

1.1.4 mi

3
César Albino

1.1.5 ré

Para tocar no registro agudo, é necessário soprar com mais velocidade, fazendo com que a palheta
1.2 Segunda Oitava

vibre um número maior de vezes. Para se tocar uma oitava acima, devemos soprar com o dobro da
velocidade, para ser mais exato. Imagine que se está soprando na frente de um cata-vento tendo de
fazê-lo girar bem rápido. Imagine ainda um rio bem calmo, e depois o mesmo rio após uma chuva,
com a água descendo com mais velocidade. Evite sempre pressionar os lábios ao tocar as notas
agudas, principalmente acima do sol.

1.2.1 fá mi ré

1.2.2 sol

4
Método de Saxofone

1.2.3 lá

1.2.4 si

1.2.5 dó I II

Se você chegou até aqui, meus parabéns! Já deu um grande passo: o de tocar as notas naturais nas
duas primeiras oitavas. Deve ter percebido que não é tão difícil ler as notas como imaginava e pode
começar a se preocupar com outros detalhes. Seu som som também, deve já estar impressionando
seus vizinhos. Sabemos que ainda falta muito, mas foi um passo e tanto.
Algumas pessoas apresentam mais facilidade nas notas agudas, outras nas mais graves. Se alguma
nota não estiver saindo muito boa, não se preocupe, é uma questão de tempo. Continue praticando,
esse é o segredo. Você pode tocar notas agudas com palhetas mais duras, mas recomendamos que
você continue tentando com a mesma palheta que vinha utilizando, mesmo que demore um pouco
mais de tempo para que elas saiam. Aprender a tocar nos agudos com uma palheta branda é uma
grande dica, já que ela entope à cada investida, sendo assim, uma oportunidade para você aprender
a não pressionar demasiadamente a palheta com os lábios inferiores.

5
César Albino

1.3 Rítmica 1.3.1 Introdução


Agora que você consegue tocar algumas notas no seu instrumento, vamos ver como se dá o aspecto
rítmico (horizontal) da leitura musical. Os músicos, mesmo quando tocam sozinhos, costumam obedecer
a uma métrica de tempo determinada. Essa métrica é dada por uma pulsação ou pulso. Geralmente
é muito fácil perceber a pulsação de uma música, até mesmo os deficientes auditivos não encontram
dificuldades para balançar seus corpos ao ritmo de algumas músicas. É, com certeza, a impressão mais
imediata que temos ao ouvir uma música.
Podemos estabelecer uma pulsação batendo palmas, procurando manter a regularidade entre as
batidas para que todos possam saber quando a próxima vai ocorrer. Essa pulsação será representada
graficamente assim:

| | | | | | | | |

Sobre essas barras vamos inserir alguns sons que serão representados por uma barra grossa horizontal
“ “. Execute o exemplo a seguir batendo uma palma para cada ”|“ e pronunciando a sílaba “tah” 1
para a .

F2
(x) tah

tah tah tah (x) tah (x) tah (x) tah tah tah (x)

1.3.2 As figuras rítmicas


Costumamos utilizar um conjunto de figuras para representar os sons e suas durações. Para cada figura
de nota (som) existe uma correspondente de pausa (silêncio). Veja na tabela a seguir algumas dessas
figuras, seus valores e suas pausas correspondentes:

F2

Observe que as figuras estão relacionadas sendo uma o dobro ou a metade da outra. Qualquer uma
delas pode assumir a unidade do tempo (o Tah acima). No exemplo abaixo, o exercício anterior foi
escrito utilizando essas proporções: no primeiro, a “q“ (semínima) equivale ao tempo e no segundo foi
utilizada a “h” ( mínima). Muda a forma de escrita, mas o som é o mesmo.

œ œ œ œ Œ œ Œ œ Œ œ œ œ Œ
( = ) >

˙ ˙ ˙ ˙ Ó ˙ Ó ˙ Ó ˙ ˙ ˙ Ó
( = ) >

1- Associar uma palavra a uma célula rítmica é um recurso utilizado pelo método Kodaly, educador musical húngaro do início do século XX. Vamos utilizar
neste método esse recurso com adaptações à língua portuguesa a e à nossa cultura.

6
Método de Saxofone

1.3.3 Aumentando o valor das figuras (1) :


Ligaduras de valor
Ligadura é um arco que serve para unir duas ou mais figuras, resultando num único som. É uma
mudança gráfica apenas. Não se utilizam ligaduras em figuras de pausa, basta escreve-las umas após
as outras.

AF3 Toque as variações abaixo em seu saxofone


TF6

AF3 Você deve tocar esta linha como a de cima, é uma variação gráfica apenas...
TF6

AF4
TF7

1.3.4 Aumentando o valor das figuras (2) :


Ponto de aumento
A função do ponto de aumento é aumentar o valor da figura em 50%, ou seja, ao colocar um ponto
ao lado direito de uma figura ela passa a valer seu valor mais sua metade:

Toque...
AF5
TF8

AF5
TF8

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